UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO "LATO SENSU" EM HIGIENE E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL ASPECTOS HIGIÊNICOS SANITÁRIOS DO LEITE NA ALIMENTAÇÃO HUMANA COM ÊNFASE NOS ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS Cristina Lika Sakamoto Korim Ana Paula do Carmo São José do Rio Preto 2008 Cristina Lika Sakamoto Korim Ana Paula do Carmo ASPECTOS HIGIÊNICOS SANITÁRIOS DO LEITE NA ALIMENTAÇÃO HUMANA COM ÊNFASE NOS ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS Trabalho monográfico do curso de pósgraduação "Lato Sensu" em Higiene e Inspeção de Produtos de Origem Animal apresentado à UCB como requisito parcial para a obtenção de título de Especialista em Higiene e Inspeção de Produtos de Origem Animal, sob a orientação da Profª. Dra. Débora A.P.C. Zuccari. São José do Rio Preto 2008 ASPECTOS HIGIÊNICOS SANITÁRIOS DO LEITE NA ALIMENTAÇÃO HUMANA COM ÊNFASE NOS ASPECTOS MICROBIOLÓGICOS Elaborado por Cristina Lika Sakamoto Korim e Ana Paula do Carmo Alunas do Curso de Especialização “Lato Sensu” em Higiene e Inspeção de Produtos de Origem Animal Foi analisado e aprovado com grau: ............................. São José do Rio Preto,_____de_____________________de_______. _______________________________ Professora Dra. Débora A.P.C. Zuccari São José do Rio Preto, Janeiro de 2009 Cada dia que se vive é uma história, que nos fornece emoções e sentimentos. Cada pessoa com a qual convivemos é um personagem dessa história; existem os personagens principais que são aqueles que estão sempre com a gente, e são a esses que dedicamos. AGRADECIMENTOS Saber é conhecer alguma coisa ou ter notícia dela. Desejando conhecer muitas coisas, em minha caminhada no decorrer do curso, foi necessário primeiramente o meu esforço, mas principalmente, foi preciso ter a colaboração preciosa daqueles que não mediram esforços, cooperando para que este trabalho se fizesse realidade. Assim agradecemos especialmente: A DEUS pelo dom da vida, da sabedoria, da perseverança e do amor, dons estes que alicerçaram todas as nossas realizações. A todos os mestres e em especial a nossa orientadora Professora Dra. Débora A.P.C. Zuccari, pelo apoio, pelos seus conhecimentos metodológicos e conteúdos transmitidos e pelo empenho em possibilitar a realização deste trabalho, bem como pelo apoio e competência na coordenação para que este se realizasse com sucesso. A todos aqueles que, apesar de não reconhecidos nominalmente aqui, contribuíram para que este estudo fosse realizado. RESUMO Este trabalho teve como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre os aspectos higiênicos sanitários do leite na alimentação humana com ênfase nos aspectos microbiológicos. A higiene do leite e produtos lácteos têm como objetivo básico assegurar a sua inocuidade ao consumidor. É amplamente reconhecido que os organismos deteriorantes predominantes pertencem ao gênero Pseudômonas. Estes organismos são capazes de causar deterioração devido a duas importantes características: primeiro, eles são psicrotróficos, e assim multiplicam-se em temperaturas de refrigeração. Independente do modo de ação, o tempo entre a contaminação e a deterioração baseia-se muito na temperatura de armazenagem e no número inicial de Pseudômonas e microrganismos relacionados presentes. Uma vez que poucos estão presentes na microbiota natural, assume-se que os números excessivos e a subseqüente deterioração são devidos a abusos nas práticas de manipulação e/ou armazenagem. As Pseudômonas são do grupo de bactérias mais freqüentes em alimentos frescos. Devido a seu grande potencial metabólico, as bactérias deste grupo são agentes importantes na alteração de alimentos. Ao crescer nos alimentos causam mudanças indesejáveis, tanto na composição química quanto na estrutura e aparência. Assim, o alimento passa a ser rejeitado, o que representa perda econômica e/ou desperdício de matéria-prima. Ainda, a detecção e quantificação de fungos são essenciais na caracterização microbiológica dos alimentos, sendo a população fúngica um parâmetro importante no julgamento das condições de higiene e das práticas de estocagem durante a manufatura e distribuição de alimentos. Palavras-Chave: Bactérias psicotróficas. Leite. Pseudômonas ABSTRACT This paper aims to conduct a review of literature on the health aspects of milk hygiene in food with emphasis on the microbiological aspects. The hygiene of milk and milk products are designed to ensure their basic safety to consumers. It is widely acknowledged that the bodies belong to the genus deteriorate predominant Pseudomonas. These organizations are capable of causing damage due to two important characteristics: first, they are psychrotrophic and thus multiply themselves in the cooling temperatures. Regardless of the mode of action, the time between capture and deterioration is based heavily on the storage temperature and the initial number of Pseudomonas and related organizations present. Since few are present in the microbial population, it is assumed that the numbers are excessive and the subsequent deterioration due to abuses in the practice of manipulation and / or storage. The Pseudomonas group are more frequent in fresh foods. Due to its great potential metabolic, the bacteria of these groups are important agents of change in food. Their growth in foods cause undesirable changes, both chemical composition on the structure and appearance. Thus, the food will be rejected, which represents economic loss and/or waste of raw material. The detection and quantification of fungi are essential in characterizing a microbiological analysis of food, the population fungal an important parameter in the trial of the conditions of hygiene and storage practices for the manufacture and distribution of food. Key words: psychotropic bacteria. Milk. Pseudômonas. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................ 08 2 REVISÃO DE LITERATURA...................................................................... 2.1 Considerações sobre o Leite................................................................... 2.1.1 Os principais constituintes do leite....................................................... 2.1.2 Propriedades físico – químicas............................................................ 2.1.3 Tratamento do Leite............................................................................. 2.1.4 Análise do Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNMQL)........................................................................................................ 2.2 Estudo da Cadeia Agroindustrial do leite................................................ 2.2.1 Programa de Melhoria da qualidade do Leite no Brasil............................................................................................................. 2.2.2 Objetivos do PNMQL............................................................................ 2.3 Microrganismos Psicrotróficos em Leite.................................................. 10 10 13 14 17 18 19 20 22 23 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................ 28 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................. 29 8 1 INTRODUÇÃO O leite é um dos mais completos alimentos para o homem, mas infelizmente, também é um dos melhores meios de cultura para toda sorte de microrganismos. Por isso, faz-se necessário desde cuidados com os animais, passando pela ordenha, armazenamento, conservação e métodos de higienização deste leite até cuidados com sua derivação para alimentos como: queijo, iogurte e manteiga. Por sua composição, o leite é considerado um dos alimentos mais completos em termos nutricionais sendo fundamental para dieta humana. Entretanto, pela mesma razão, constitui num excelente substrato para o desenvolvimento de uma grande diversidade de microrganismos, inclusive os patogênicos. Daí a constante preocupação com a qualidade do leite para técnicos e autoridades ligadas à área de saúde, principalmente pelo risco de veiculação de microrganismos relacionados com surtos de doenças de origem alimentar (LEITE JR et al, 2000; TIMM et al., 2003). A higiene e o controle do leite e produtos lácteos têm como objetivo básico assegurar a sua inocuidade ao consumidor. A contaminação com certos microrganismos e/ou suas toxinas, constituem as causas mais freqüentes de problemas sanitários, além das perdas econômicas (PADILHA et al, 2001). A implementação da estocagem do leite cru refrigerado na fonte de produção iniciou-se no Brasil, na década de 90, sendo regulamentada pelo Ministério da Agricultura em 2002 (BRASIL, 2002). Esta prática reduz os custos operacionais de produção, incluindo a deterioração do leite por atividade acidificante de bactérias mesofílicas. Porém, pode ocasionar problemas tecnológicos associados à atividade de enzimas proteolíticas e lipolíticas de bactérias psicrotróficas (PINTO et al, 2006). Muitas destas enzimas são termorresistentes (GRIFFITHS et al, 1981) e estão relacionadas às perdas de qualidade e à redução da vida de prateleira do leite UHT e de outros produtos lácteos (CHAMPAGNE, 1994). A microbiota psicrotrófica contaminante do leite inclui espécies de bactérias Gram-negativas dos gêneros Pseudomonas, Achromobacter, Aeromonas, Serratia, Alcaligenes, Chromobacterium e Flavobacterium e bactérias Gram-positivas dos gêneros Bacillus, Clostridium, Corynebacterium, Streptococcus, Lactococcus, Leuconostoc, Lactobacillus e Microbacterium spp. (PINTO et al, 2006). Bactérias do gênero Pseudômonas têm sido isoladas com maior freqüência do leite e de produtos lácteos refrigerados (COUSIN, 1982), embora não 9 representem mais do que 10% da microbiota do leite cru recém-ordenhado (SORHAUG & STEPANIAK, 1997). Esse gênero inclui espécies que apresentam um tempo de geração curto, entre 0°C e 7°C, e uma temperatura mínima de crescimento baixa, de até - 10 °C (SORHAUG & STEPANIAK, 1997). A contaminação dos produtos lácteos por bactérias psicrotróficas pode originar-se do suprimento de água de qualidade inadequada, deficiências de procedimentos de higiene e mastite (ENEROTH et al, 2000a). Portanto, procedimentos de higienização empregados na cadeia produtiva do leite constituem pontos críticos para a obtenção de uma matéria-prima de alta qualidade. Assim, este trabalho teve como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre a contaminação do leite cru refrigerado e em especial por bactérias psicotróficas. O presente trabalho fundamentou-se em pesquisas bibliográficas de livros, revistas, teses, dissertações sites especializados sobre o assunto entre outros. Segundo Cervo e Bervian (2002) a pesquisa bibliográfica procura explicar um problema através da utilização de referências bibliográficas na busca de conhecimento e da análise das contribuições culturais e cientificas. Köche (1997) reforça que o objetivo da pesquisa bibliográfica é: “conhecer e analisar as principais contribuições teóricas existentes sobre um determinado tema ou problema, tornando-se instrumento indispensável a qualquer tipo de pesquisa”. Já segundo Oliveira (1997) a pesquisa bibliográfica tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição cientifica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno. Fachin (2001) resume a importância da pesquisa bibliográfica, ao afirmar que “é a base para as demais pesquisas e pode-se dizer que é um constante na vida de quem se propõe a estudar”. 10 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Considerações sobre o leite Desde a antiguidade, o leite tem sido utilizado como alimento pelo homem. Nos tempos atuais, seu consumo apresenta uma taxa de crescimento constante, principalmente de produtos derivados como iogurte, queijos, etc. Define-se como leite, a secreção das glândulas mamárias dos animais mamíferos. Este produto é utilizado como alimento básico na dieta humana em todas as faixas etárias principalmente por ser um dos produtos mais completos do ponto de vista nutricional. Possui alta digestibilidade, indiscutível valor biológico e excelente fonte de proteína e cálcio, contendo teores elevados de tiamina, niacina e magnésio (GARCIA et al, 2000; PASCHOA, 1997). Segundo o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal - RIISPOA, art. 475, “entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas” (BRASIL, 1997). Do ponto de vista biológico, o leite pode ser considerado um dos alimentos mais completos por apresentar, entre outras características, alto teor de proteínas e sais minerais (BORGES et al, 1989). O leite obtido em circunstâncias naturais é uma emulsão de cor branca, ligeiramente amarelada, de odor e gosto adocicado. É um produto secretado pelas glândulas mamárias e alimento indispensável aos mamíferos nos primeiros meses de vida enquanto não podem digerir e assimilar outras substâncias necessárias a sua subsistência (HOHENDORFF & SANTOS, 2006). Por ser um fluido altamente nutritivo, é um dos alimentos mais populares e de fácil obtenção para as classes menos favorecidas. Porém, devido à sua riqueza em nutrientes, torna-se susceptível ao ataque de um grande número de microrganismos, provenientes do próprio animal, do homem e dos utensílios usados na ordenha. É considerado como um meio de cultura natural e bastante favorável à reprodução ativa das bactérias (GONÇALVES & FRANCO, 1998). Portanto, o leite deve ser manuseado de forma correta desde a ordenha até chegar à indústria e ao consumidor final (ANUÁRIO MILKBIZZ, 1996) 11 Sendo o leite um produto nutritivo, é excelente para o desenvolvimento microbiano, além de estar passível de absorver odores do meio em que se encontra devido à sua sensibilidade. A exposição ao sol também deve ser evitada, já que o leite adquire gosto estranho e desagradável. O leite para consumo deve ser um produto normal e integral, obtido em ordenha higiênica dirigida e produzido por vacas sadias, submetidas a regime higiênico apropriado. Com relação à vaca leiteira há um problema particular relacionado aos microorganismos causadores de mastites. Esta inflamação da glândula mamaria da vaca é provocada por diferentes microorganismos patogênicos, alguns patogênicos também para o homem . Nos últimos anos, vem sendo aprimorado o controle da qualidade do leite produzido no Brasil. Laboratórios de controle de qualidade credenciados junto ao Ministério da Agricultura foram implantados em todo o país, em busca de uma meta: a partir de julho de 2005, todo leite produzido no Brasil deve ser analisado. A qualidade do leite é definida por parâmetros de composição química, características físico-químicas e microbiológicas . Os teores de proteína, gordura, lactose, sais minerais e vitaminas determinam a qualidade que, por sua vez, é influenciada pela alimentação, manejo, genética e raça do animal. Fatores ligados a cada animal, como o período de lactação, o escore corporal ou situações de estresse também são importantes quanto à qualidade composicional (BRITO & BRITO, 2008). De acordo com estes autores, as exigências de qualidade e higiene para o leite cru e derivados lácteos são definidas com base em postulados estabelecidos para a proteção da saúde humana e preservação das propriedades nutritivas desses alimentos. Os exames feitos abrangem I. a composição do leite, seu teor de gordura, de proteína e de lactose, por exemplo; II. a contagem bacteriana, para avaliação da qualidade da higienização desde a ordenha da vaca até a chegada à indústria e III. a contagem de células somáticas, para verificação da ocorrência de mastite, inflamação da glândula mamaria da vaca. Além disso, são analisados o índice crioscópico do leite, que detecta a adição fraudulenta de água ao produto, e a existência de resíduos de remédios administrados aos animais. A análise de qualidade leiteira também pode ser utilizada para o aprimoramento do rebanho. Nesse caso, as análises são feitas visando diretamente 12 os animais, para que se possa localizar e controlar as mastites, junto de um controle de manejo e de nutrição. Do ponto de vista de controle de qualidade, o leite e os derivados lácteos estão entre os alimentos mais testados e avaliados, principalmente devido à importância que representam na alimentação humana e à sua natureza perecível. Os testes empregados para avaliar a qualidade do leite fluido constituem normas regulamentares em todos os países, havendo pequena variação entre os parâmetros avaliados e/ou tipos de testes empregados. De modo geral, são avaliadas características físico-químicas e sensoriais como sabor, odor e são definidos parâmetros de baixa contagem de bactérias, ausência de microrganismos patogênicos, baixa contagem de células somáticas, ausência de conservantes químicos e de resíduos de antibióticos, pesticidas ou outras drogas. Assim, o leite como seus derivados, tem tido grande importância nas enfermidades que acometem o homem, sendo considerados alimentos altamente perecíveis, já que fornecem um meio ótimo para o desenvolvimento microbiano. Na temperatura do recém-ordenhado a multiplicação dos microorganismos é bastante rápida, contando-se após algumas horas, milhões de germes em cada cm³ de leite. Com o advento da pasteurização (tratamento térmico em uma temperatura relativamente elevada por um determinado período de tempo, seguido de um resfriamento imediato) e dos métodos higiênicos de processamento, a incidência de enfermidades humanas relacionadas ao consumo de leite, tem diminuído, além de também ter ocorrido uma diminuição na perecibilidade do produto. O leite pode ser classificado em três tipos: A, B e C. Essa classificação é feita através das análises higiênico-sanitárias e de um controle utilizado para determinar a carga microbiológica. O leite tipo A caracteriza-se por ser ordenhado, tratado e embalado no próprio local onde é obtido (circuito fechado), no caso a fazenda; já os tipos B e C são tratados e envasados em locais diferentes dos quais se realizou a ordenha (circuito aberto). A diferença é que no tipo C não se tem um padrão quantitativo dos microorganismos presentes, sendo este um importante indicador para o controle de qualidade da matéria-prima. O processo UHT (Ultra Hight Temperature) é um tipo de esterelização onde o leite é homogeneizado e submetido durante 2 a 4 segundos, a temperaturas ultra elevadas (130 a 145ºC), mediante o processo térmico de fluxo continuo, 13 imediatamente resfriado a uma temperatura inferior a 32ºC e envasado sob condições assépticas em embalagens estéreis e hermeticamente fechadas. No Brasil, o leite utilizado na obtenção de produtos UHT tem sido do tipo C. Vale ressaltar que este tipo sequer possui um padrão microbiológico quantitativo, importante indicador para o controle da matéria-prima. São dois os processos "UHT" aplicados ao leite: o direto e o indireto. O equilíbrio entre o binômio tempo-temperatura pode ser rompido em inúmeras situações, tanto decorrente da inadequação das matérias-primas quanto dos processos tecnológicos. 2.1.1 Principais constituintes do leite - Água: É o constituinte quantitativamente mais importante, no qual estão dissolvidos, dispersos ou emulsionados os demais componentes. A maior parte encontra-se como água livre, embora haja água ligada às proteínas, lactose e minerais. - Gordura: A gordura no leite ocorre como pequenos glóbulos contendo principalmente triacilgliceróis, envolvidos por uma membrana lipoprotéica. O leite de vaca possui, aproximadamente, 437 ácidos graxos e os principais são o ácido plamético C16 e o ácido oléico C18. A gordura é o constituinte que mais sofre variação em razão da alimentação, raça, estação do ano e período de lactação. A gordura do leite é composta por uma mistura complexa de lipídios. Os termos gordura e lipídios são comumente utilizados como sinônimos, sendo as gorduras compostas geralmente por uma mistura de triglicerídios (formado por éster do glicerol com três ácidos graxos), enquanto que os lipídios não têm que apresentar esta composição (WALSTRA & JENNES, 1987). Os triglicerídios do leite compreendem de 96 a 98% do total dos lipídios (KENNELLY, 1996) e os outros 2 a 4% são fosfolipídios, esteróis, carotenóides, vitaminas lipossolúveis (A,D, E, K) e traços de ácidos graxos livres. - Proteínas: A caseína é a principal proteína do leite constituindo de 77 a 79% da fração protéica enquanto que as proteínas do soro constituem de 21 a 23 % (DE FRANCISIS & DI PALO, 1994). O leite bovino contém vários compostos nitrogenados, dos quais aproximadamente 95% ocorrem como proteínas e 5% como 14 compostos nitrogenados não-protéicos. Em torno de 80% do nitrogênio protéico de leite constitui-se de nitrogênio caseínico e 20% de nitrogênio não caseínico. - Lactose: A lactose é o principal açúcar do leite, servindo de base para a obtenção dos derivados por meio da fermentação. A lactose é produzida pela glândula mamária e ocorre apenas no leite. Tratamentos térmicos ocasionam reações de escurecimento a partir da lactose, particularmente a reação de Mallard, com diminuição do valor nutricional, tanto maior quanto for a intensidade e o tempo de aquecimento. - Sais: O leite contém teores consideráveis de cloro, fósforo, potássio, sódio, cálcio e magnésio e baixos teores de ferro, alumínio, bromo, zinco e manganês, formando sais orgânicos e inorgânicos. A associação entre os sais e as proteínas do leite é um fator determinante para a estabilidade das caseínas a diferentes agentes desnaturantes. O fosfato de cálcio, particularmente, encontra-se fazendo parte da estrutura das mecelas de caseína. - Enzimas: Numerosas enzimas podem ser encontradas no leite, como lipases, proteinases, oxido-redutose, fosfatose, catalese e peroxidose. O desenvolvimento, internacional ou não de microorganismos no leite contribui para o complexo enzimático. A atividade dessas enzimas é influenciada pelas condições do meio, alteráveis pelo processamento tecnológico. - Vitaminas: Tanto no leite humano quanto no leite bovino podem ser detectadas todas as vitaminas conhecidas. As vitaminas A, D, E, K estão associadas aos glóbulos de gordura e as demais ocorrem na fase aquosa do leite. A concentração das vitaminas lipossolúveis é dependente da alimentação do gado, exceto a vitamina K. Essa, como as vitaminas hidrossolúveis, é sintetizada no sistema digestório dos ruminantes. 2.1.2 Propriedades físico – químicas De acordo com Broutin (2004) as propriedades físico-químicas do leite são: 1. Sabor e odor O leite fresco, produzido sob condições ideais apresenta sabor pouco pronunciado, primariamente devido à relação entre lactose e cloretos, apresentando- 15 se como doce e salgado, não ácido e não amargo. Sabores e odores pronunciados no leite fresco são usualmente devidos a alimentação e ao ambiente de ordenha. 2. Cor A cor branca do leite resulta da dispersão da luz refletida pelos glóbulos e pelas partículas coloridas de caseína e de fosfato de cálcio. A cor amarelada é devido ao pigmento coratina, o qual é lipossolúvel. 3. Acidez O leite, logo após a ordenha, apresenta reação ácida com a fenolftaleína mesmo sem que nenhuma acidez como ácido lático tenha sido produzida por fermentação. A acidez do leite fresco é derivada da presença de caseína, fosfato, albumina e derivados de carbono e citratos. A acidez natural do leite varia entre 0,14% a 0,18%, expressa como ácido lático. 4. pH No leite, o pH varia entre 6,6 e 6,8 com média de 6,7 a 20°C ou 6,6 a 25°C. No caso da secreção após o parto (colostro), o pH varia de 6,25 no 1° dia ate 6,46 no 3° dia. Leite proveniente de animais com infecção no úbere apresenta comportamento alcalino, podendo o pH chegar a 7,5. 5. Densidade A densidade do leite varia entre 1,023 e 1,040g/ml a 15ºC sendo valor médio de 1,032g/ml. Leite com um alto teor de gordura, apresenta maior densidade em relação a leite com baixo teor de gordura em razão do aumento do extrato seco desengordurado que acompanha o aumento no teor de gordura. 16 6. Ponto de congelamento Em um leite contendo 12,5% de extrato seco (4,75% de lactose 6,0,1% cloretos) o ponto de congelamento aproxima-se de 0,5 30º Hortvet. 7. Ponto de ebulição As substâncias dissolvidas no leite fazem que o ponto de ebulição seja mais alto do que o da água. A temperatura média de ebulição ao nível do mar, e situa entre 100 e 101ºc. 8. Tensão superficial A tensão superficial do leite integral, do leite desnatado e do creme (30, 35% de gordura) são 55,3; 57,4 e 49,6 dinos/cm, respectivamente. Aumento nos teores de constituintes tensoativos ocasiona abaixamento da tensão superficial do leite. 9. Viscosidade O leite é mais viscoso do que a água, em razão da presença de glóbulos de gordura e micelas de caseína, podendo sofrer alterações com o processamento industrial. 10. Condutividade elétrica A presença de íons no leite, particularmente na forma de sais, possibilita a passagem de corrente elétrica, dependente da atividade desses íons. Em média, a condutividade do leite varia de 40 a 50 x 10³ mhos. 17 2.1.3 Tratamento do leite Dá-se o nome de tratamento do leite às manipulações que tem por fim prolongar a conservação do leite, evitando a sua acidificação. No tratamento do leite são empregados meios térmicos, quer frio, quer calor. Pelo frio, visa-se inibir a multiplicação bacteriana, pelo calor, visa-se matar os germes. Segundo Santos (2006), no tratamento de luta em geral, primeiro resfria-se o leite para conservado durante o transporte à usina: aí o leite é filtrado, submetido ao tratamento pelo calor, e novamente resfriado a fim da evitar multiplicação dos germes ate o consumo. 2.1.3.1 Filtração do leite: A filtração é realizada para eliminar os detritos que possam estar contidos no leite, detritos estes que podem dar mal aspecto e são focos de contaminação do leite. Podem-se empregar de preferência, filtros de nylon por onde passa o leite, retendo as impurezas. 2.1.3.2 Resfriamento: A refrigeração é um dos processos mais usados na conservação do leite, porque ela é capaz de sustar o desenvolvimento dos germes nele contido. O resfriamento do leite é uma das medidas isoladas que exerce maior impacto sobre a qualidade do leite imediatamente após o término da ordenha, pois, sabidamente inibe o crescimento e multiplicação da maioria dos microrganismos no leite. O ideal é o resfriamento a 4ºC em um período de até duas horas após o término da primeira ordenha e que não ultrapasse a temperatura de 10ºC quando da mistura com o leite da segunda ordenha. 2.1.3.3 Pasteurização: Obtém-se a pasteurização aquecendo-se o leite a certa temperatura durante um tempo determinado e fazendo-se que ele se resfrie imediatamente depois. A pasteurização não renova um leite mal ou alterado é apenas um recurso de natureza industrial para prevenir o retardar sua deterioração. A pasteurização pode ser em “tempo lento e temperatura baixa” ou “tempo rápido e temperatura alta”. • Temperatura elevada e tempo rápido: 72 a 75°C durante 15 a 20 segundos • Temperatura baixa e tempo lento: 60 a 65°C durante 30 minutos 18 Antes que o leite seja industrializado ele passa por vários testes. 1. Teste do álcool: O objetivo é estimar a estabilidade térmica do leite por meio da reação com uma solução alcoólica. 2. Teste do alizarol: Uma maneira rotineira e rápida de avaliar a acidez do leite, sendo executado no ato de recebimento do leite pelas indústrias de laticínios. O leite testado fornece a segurança se o mesmo poderá ou não ser pasteurizado (aquecido), pois o leite ácido tende a “talhar” quando submetido ao calor. 3. Teste de cocção: Verifica-se a resistência do leite ao aquecimento, baseando-se na precipitação das caseínas quando desidratados pelo calor. 4. Teste Dornic: Procede-se a determinação semi-quantitativa da acidez do leite. 5. Lactofiltração: O objetivo é quantificar as sujeiras no leite ou de processos anteriores. 2.1.4 Análise do Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNMQL) A Instrução Normativa 51, assinada pelo então Ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), Pratini de Moraes, em setembro de 2002, veio substituir a legislação de 1952 (RIISPOA). As novas normas entraram em vigor em julho de 2005 nos Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Para os demais Estados, o cumprimento das normas foi exigido a partir de julho de 2007. A Instrução Normativa 51 estabelece índices mais rígidos de contagem de células somáticas, contagem bacteriana e detecção de resíduos de antimicrobianos (antibióticos e sulfonamidas) no leite. Traça também, regras para resfriamento do produto e coleta a granel, que atualmente já estão vigorando, formalizando finalmente as discussões geradas a partir da Portaria 56. Segundo os procedimentos específicos para controle de qualidade da matéria prima, contidos na IN 51, a pesquisa de resíduo de antibióticos deve ser realizada por métodos analíticos que devem apresentar sensibilidade para os LMR (limites máximos de resíduo permitido) adotados pelo MAPA. A pesquisa de resíduo de antimicrobianos deve ser feita mensalmente em laboratório licenciado, independentemente das análises realizadas na freqüência estipulada pelo programa interno de qualidade da granja leiteira (COSTA, 2008). 19 2.2 Estudo da Cadeia Agroindustrial do leite O Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNMQL) faz parte do “Programa de Modernização do Setor Lácteo no Brasil”. Este programa vem sendo discutido desde 1992 quando chegou ao fim o tabelamento do preço do leite pelo Governo. Este fato, acrescido de outros como, por exemplo, a criação do MERCOSUL causou grandes modificações no setor, que se viu obrigado a procurar maneiras de se adequar a nova realidade. Neste contexto, passou a ser levantado o conceito de “qualidade do leite” até então deixado de lado em nosso país, mas, muito exigido nos países desenvolvidos e tradicionais na atividade leiteira. Assim, no final do ano de 1996, criou-se o “Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite”. Nas dependências da EMBRAPA de Juiz de Fora, MG, reuniram-se membros da comunidade científica e do Ministério da Agricultura para que, juntos, chegassem a um diagnóstico das dificuldades enfrentadas (desde a produção primária até a comercialização do leite fluido e derivados lácteos) e pudessem traçar novas metas a serem perseguidas para a modernização do setor como um todo. A proposta definitiva para o “PNMQL” foi entregue ao governo em julho de 1999, ao então Ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini (COSTA, 2008). O PNMQL é então, um conjunto de medidas que em escala gradativa e plurianual visa à melhoria da qualidade do leite produzido no Brasil no intuito de: produzir leite e produtos lácteos com padrão de qualidade internacional, atender às crescentes exigências do mercado consumidor, colocar o leite brasileiro em condições de competir no futuro, com países especializados em pecuária leiteira, possibilitar o aumento da produção nacional (primeiro para atender ao consumo interno e, futuramente, poder exportar) e, melhorar as condições de pagamento ao produtor (que deverá receber segundo a qualidade de matéria-prima que produzir) (COSTA, 2008). De acordo com Costa (2008), para que se possa entender melhor o cenário que gerou a necessidade de reestruturação do setor lácteo, é preciso entender a situação atual que é a seguinte: • A produção é abaixo do consumo; • A maior parte da produção é de baixa qualidade; • Abertura a importações desleais e predatórias ao mercado interno; • Participação de leite informal no mercado interno. 20 Como resultado, o que se pode observar é uma pressão por parte dos grandes produtores e das grandes indústrias do setor para eliminar a concorrência com o leite informal e com as importações desleais. De modo geral, todos os ramos do “Sistema Agroindustrial do Leite” no Brasil têm demonstrado interesse crescente na melhoria da qualidade do leite e derivados por um motivo em grande parte logístico onde todos competem por mercado e consumidores. Hoje, os consumidores ainda não estão “despertos” quanto à qualidade dos produtos que consomem. Falta renda e informação, e é possível notar uma forte influência do marketing feito sobre determinados tipos de produtos e algumas marcas. Não há dúvidas de que a sensibilidade do consumidor seria o caminho mais rápido para que houvesse uma busca de melhora na “qualidade”. Outro caminho seria a normatização e fiscalização eficaz por parte do Governo sobre a produção de leite. Países desenvolvidos com leite de qualidade têm governos participativos na produção de leite e beneficiamento do produto. Seguem normas que passam por itens como: rebanhos livres de doenças, ordenha asséptica, refrigeração do leite após a ordenha, transporte a granel, limites de carga microbiana, etc. O Brasil possui normas para o leite tipo A e B. No entanto, são muito pouco fiscalizadas. Outro fator relevante é que 95% do leite produzido e comercializado aqui é classificado como leite tipo “C” o qual não apresenta normatização rigorosa nem fiscalização. Com o PNMQL, portanto, foram elaboradas propostas de melhoria da qualidade principalmente direcionadas ao leite tipo “C”. 2.2.1 Programa de Melhoria da Qualidade do Leite no Brasil A Instrução Normativa 51/2002 faz parte do Programa de Melhoria da Qualidade do Leite no Brasil a estratégia é oferecer ao consumidor um leite de melhor qualidade, aumentar a renda do produtor de leite, agregar valor aos produtos lácteos e incrementar o acesso ao mercado internacional. A IN 51/2002 é composta por seis Regulamentos Técnicos que estabelecem regras para produção, identidade e qualidade dos leites tipo A, B e C, leite cru refrigerado, leite pasteurizado, bem como para coleta e transporte a granel do leite cru refrigerado. Nos Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a IN 51 está em vigor desde 1° de Julho de 2005. A IN 51 está baseada em promover a melhoria da qualidade do leite na sanidade do rebanho, a higiene da ordenha e a refrigeração 21 do leite. Também faz parte da IN 51 analises mensais do leite dos produtores em laboratórios da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL). Foram reformulados ainda, os Regulamentos do RIISPOA (regulamento de inspeção industrial de produtos de origem animal) e do DIPOA (departamento de inspeção de produtos de origem animal) para ajustá-los às novas normas a serem exigidas e fiscalizadas. Além disso, juntamente a laboratórios credenciados pelo Governo, o DIPOA vem se aperfeiçoando baseado em Programas de Segurança Alimentar como o HACCP (hazard analises critical control points). Um ponto de fundamental importância, que deverá ser intensamente trabalhado, é a conscientização da população quanto aos riscos para a saúde pública advindos do consumo de leite informal ou de baixa qualidade. As análises básicas continuam sendo realizadas em todas as coletas de leite sob responsabilidade das indústrias enquanto que as análises adicionais, sendo realizadas mensalmente por Laboratórios da Rede Brasileira de qualidade do Leite. Com a Instrução Normativa 51, passa a ser exigido que o leite seja resfriado na propriedade logo após o término das ordenhas, seja transportado a granel até o local de beneficiamento e, apresente resultados limites para cada uma das análises exigidas. Isto representa uma mudança significativa na qualidade do leite fluido e de derivados produzidos dentro de um curto período de dez anos. Outros países que passaram por Programas com objetivos semelhantes utilizaram-se de períodos maiores e seguiram uma seqüência mais lógica de melhorias. Numa primeira etapa preocuparam-se com a sanidade dos rebanhos e com a eliminação de resíduos do leite; em seguida, buscaram reduzir a carga microbiana no leite utilizando métodos analíticos simples, rápidos e de baixo custo como a redutase; na terceira etapa, já com resfriamento nas propriedades e contando com métodos eletrônicos de contagem, passaram a realizar contagem em Laboratórios centralizados e automatizados. Na fase final, dedicaram-se à saúde da glândula mamária através da contagem de células somáticas (CCS). O Brasil iniciou o Programa de forma contrária, tendo avançado no resfriamento do leite nas propriedades e no transporte do leite a granel devido á necessidade da indústria em reduzir seus custos e melhorar sua produtividade industrial. O controle da sanidade, redução da carga microbiana e da CCS deverão caminhar juntos. Cabe ressaltar também, a necessidade de melhoria na cadeia de frio não só da matéria-prima, mas também, 22 na manutenção dos produtos lácteos nas redes de distribuição e residências dos consumidores (COSTA, 2008). 2.2.2 Objetivos do PNMQL Em médio prazo, o objetivo do Programa é acabar com a comercialização do leite tipo “C” que passará a ser denominado “Leite Cru Resfriado” tanto para consumo como para produção de outros derivados ou, “Leite Pasteurizado”, quando envasado e submetido ao tratamento térmico. Será adotada ainda, a postura de pagamento por qualidade aos produtores. Em longo prazo, o PNMQL pretende acabar com a diferenciação entre os diferentes tipos de leite. Será produzido um tipo “único” com padrão internacional de qualidade. Os pontos de partida do Programa no Brasil foram dados pela iniciativa privada sob a coordenadoria da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) através do incentivo ao resfriamento do leite nas propriedades rurais e seu transporte a granel. Desde as discussões a cerca do assunto, foram detectados alguns pontos limitantes a sua prática. São eles: • Necessidade de mudanças nas normas de produção. • Necessidade de capacitação de mão-de-obra. • Necessidade de disponibilização de recursos para financiamento acessível e compatível com a atividade para modernização tecnológica do setor. Diante dos pontos acima citados é possível compreender o motivo pelo qual nota-se uma demora por parte do Governo em assinar a Portaria. Além da difícil e lenta liberação de recursos para o Programa (apenas R$ 20 milhões até maio de 2000), existe um grande receio com o destino dos pequenos produtores que dependem da atividade como única fonte de renda e do impacto que as mudanças podem causar no setor como um todo (95% do leite produzido no país é do tipo “C”). De qualquer maneira, em julho de 1999 foi lançado o Pró-Leite, Programa criado pelo BNDES em apoio ao Programa de Modernização do Setor Lácteo no Brasil exatamente para suprir os pontos limitantes ao PNMQL. A este programa foi destinada uma verba de R$ 200 milhões que só começou a ser liberada a partir de agosto de 2000. Para a capacitação de mão-de-obra envolvida na produção e 23 transporte da matéria-prima, foi destinada uma parcela de R$ 50 milhões dos quais, 70% deveria ser de responsabilidade do setor público e, 30% do setor privado. 2.3 Microrganismos Psicrotróficos em Leite Um leite de alta qualidade deve apresentar como características: sabor agradável, alto valor nutritivo, ausência de patógenos e contaminantes, reduzida carga microbiana e reduzida contagem de células somáticas (CCS). A qualidade microbiológica do leite pode ser analisada sob o enfoque de qualidade industrial e riscos para a saúde pública. De maneira simples e resumida, a qualidade microbiológica indica: • Estado sanitário do rebanho produtor. • Condições gerais de manejo e higiene na ordenha. • Eficiência do processo de resfriamento da matéria-prima após a ordenha. Neste sentido, a qualidade do leite está associada, de forma geral, com a carga microbiana presente no produto. No Brasil, o leite “in natura” apresenta baixa qualidade, sendo que este fato está relacionado com práticas de produção, manuseio na ordenha, influência das estações do ano, localização geográfica e temperatura de conservação que contribuem para o desenvolvimento de microrganismos contaminantes (SILVEIRA, 1997). A biodeterioração de alimentos é um processo complexo e quantidades expressivas de alimentos são perdidas em razão da atividade microbiana, mesmo com as técnicas modernas de preservação utilizadas (GRAM et al, 2002). O leite, pelas suas características intrínsecas como atividade de água elevada, pH próximo ao neutro e grande variedade de nutrientes disponíveis, é um meio de cultura ideal para muitos microrganismos (FRANK, 1997). As bactérias podem ter acesso ao leite e aos produtos lácteos por várias fontes, de modo que a determinação das causas de altas contagens bacterianas nestes produtos não é tarefa fácil (MURPHY & BOOR, 2000). O procedimento de estocagem do leite cru na fonte de produção, sob refrigeração possui vantagens de reduzir custos operacionais de produção e perda de matéria-prima pela atividade acidificante de bactérias mesofílicas. Entretanto, deve-se considerar que a conservação do leite cru em temperaturas de refrigeração, por períodos prolongados, pode resultar em perda de qualidade dos produtos 24 lácteos associados ao crescimento e à atividade enzimática de bactérias psicrotróficas (PINTO, 2004). A função da estocagem do leite à temperatura de refrigeração é reduzir a taxa de crescimento bacteriano, mas esta prática não impede que microrganismos psicrotróficos continuem a se multiplicar (LAW, 1979; COUSIN, 1982; ENEROTH et al, 2000) e mudanças relativas no número de bactérias podem afetar, drasticamente, a ecologia microbiana do leite cru (MURPHY & BOOR, 2000). As bactérias psicrotróficas são ubiquitárias, sendo encontradas principalmente no solo, na água, nas plantas e nos animais (COUSIN, 1982). Estes microrganismos tornaram-se um problema sério para a indústria de laticínios após a adoção da estocagem refrigerada do leite cru na fonte de produção, a diminuição da freqüência de coleta do produto e sua posterior estocagem na indústria (COUSIN, 1982). Segundo Murphy e Boor (2000), quanto maior o tempo de armazenamento do leite cru antes do processamento, maiores serão as chances da população de psicrotróficos aumentar. A pasteurização e outros tratamentos aplicados ao leite inativam ou removem os microrganismos, porém cerca de 50% do leite envasado, após a estocagem prolongada a baixas temperaturas, pode estar contaminado com números elevados de bactérias Gram-negativas (ENEROTH et al, 1998). A qualidade dos produtos lácteos pode ser afetada pela atividade de enzimas termorresistentes, como proteases e lípases extracelulares, produzidas por psicrotróficos antes e após o processamento térmico (FRANK, 1997; SORHAUG & STEPANIAK, 1997). A detecção e o controle de psicrotróficos e suas enzimas resistentes ao calor são de grande interesse para o trabalho de controle de qualidade na indústria de produtos lácteos (SORHAUG & STEPANIAK, 1997). Os microrganismos psicrotróficos crescem em leite a temperaturas próximas a 0ºC e são representados, principalmente, por bactérias Gram-negativas como Pseudomonas, Achromobacter, Aeromonas, Serratia, Alcaligenes, Chromobacterium e Flavobacterium spp e por bactérias Gram-positivas como Bacillus, Clostridium, Corynebacterium, Streptococcus, Lactobacillus e Micrococcus spp (COUSIN, 1982; SORHAUG & STEPANIAK, 1991; PINTO, 2004). Martins (2003) constatou uma grande diversidade entre isolados bacterianos psicrotróficos provenientes de leite. Dentre os psicrotróficos, o gênero Pseudômonas é um importante agente de deterioração do leite cru representando apenas 10% da microbiota inicial, entretanto, 25 possui tempo de geração reduzido a temperaturas baixas, o que explica a sua predominância em produtos armazenados sob refrigeração (CHESSA et al, 2000). Muitas espécies de Pseudômonas produzem proteases e lipases termorresistentes que contribuem, consideravelmente, para a deterioração de produtos lácteos (MACHADO, 2006). Além disso, esse gênero é capaz de produzir grande quantidade de exopolissacarídeos que contribuem para a adesão e formação de biofilmes em superfícies utilizadas no processamento de leite e derivados. A contaminação de leite e derivados por Pseudômonas spp é relacionada a fatores como suprimento de água de baixa qualidade, deficiências nos procedimentos de higienização na fonte de produção e também na indústria processadora (ENEROTH et al, 2000). A contaminação pós-pasteurização é apontada como a principal causa de deterioração de leite pasteurizado durante a estocagem refrigerada (WIEDMANN et al, 2000). O alimento pode ser contaminado por bactérias deterioradoras e patogênicas indesejáveis provenientes de biofilmes. Portanto, a formação de biofilmes conduz a sérios problemas de higiene e perdas econômicas devido à deterioração do alimento e persistência de patógenos reduzindo o prazo de validade dos produtos desde o processamento até a comercialização (FORSYTHE, 2002, apud CARVALHO et al, 2008). O crescimento de biofilmes em superfícies metálicas também conduz a mudanças no grau do processo de corrosão reduzindo a vida útil de equipamentos industriais (VALCARCE et al, 2002 apud CARVALHO et al, 2008). A atividade enzimática de proteases produzidas por bactérias psicrotróficas afeta às propriedades do leite cru e a qualidade de produtos lácteos tratados termicamente (LAW, 1979; GREGORY et al, 1986). Estas enzimas, juntamente com as lipases, incluindo as fosfolipases, têm grande importância econômica por serem produzidas e excretadas para o meio extracelular, onde podem agir diretamente sobre as micelas de caseína e sobre os glóbulos de gordura, degradando os componentes do leite e reduzindo a vida útil do produto (COUSIN, 1982). As proteases produzidas por psicrotróficos, especialmente P. fluorescens, têm sido bem caracterizadas (GREGORY et al, 1986; SORHAUG & STEPANIAK, 1991). As proteases de Pseudômonas são, na sua maioria, metaloenzimas contendo um átomo de zinco e mais de oito átomos de cálcio por molécula. Apresentam atividade sobre o leite, sendo capazes de degradar porções da molécula de caseína, porém 26 apresentam atividade baixa sobre as proteínas do soro (SORHAUG & STEPANIAK, 1997). Estas enzimas são estáveis a temperaturas altas (LIAO & MCCALLUS, 1998) e resistem aos tratamentos de pasteurização e esterilização comercial (GREGORY et al, 1986; RAJMOHAN et al, 2002). Entretanto, são sensíveis à temperaturas na faixa de 50ºC a 60ºC devido à autodegradação; apresentam atividade ótima em torno de 30ºC a 45ºC e a baixa energia de ativação que elas apresentam, as tornam mais ativas do que as enzimas produzidas por microrganismos mesofílicos nas temperaturas de refrigeração (SORHAUG & STEPANIAK, 1997). Diversos fatores nutricionais e ambientais podem afetar a produção de proteases. Segundo Malik et al (1985), a suplementação de meio a base de 1 % de triptona com 0,25 % de extrato de levedura e a adição de 0,2 % de sais de fosfato de potássio resultaram em aumento significativo na produção de proteases. Entretanto, açúcares fermentescíveis, como glicose, inibiram a produção destas. A atividade enzimática foi maximizada em pH 7,0 e quando o microrganismo foi cultivado sob agitação na temperatura de 22ºC. A adição de glicose ao leite reduziu a atividade proteolítica de P. fluorescens, indicando que a produção de proteases pode ser regulada por repressão catabólica (JASPE et al, 1994). A produção da protease AprX por P. fluorescens CY091 foi dependente da presença de CaCl2 (LIAO & MCCALLUS, 1998). Rajmohan et al (2002) verificaram que a produção de proteases por P. fluorescens foi máxima em meio mínimo contendo 1 mmol L-1 de CaCl2. As enzimas extracelulares de microrganismos, denominadas hidrolases, são secretadas principalmente no final da fase exponencial e início da fase estacionária de crescimento (GRIFFTHS, 1989; SORHAUG & STEPANIAK, 1991; MATSELIS & ROUSSIS, 1998). Em estudo realizado por Malik (1985), foi verificada que a produção de proteases iniciou-se quando a cultura de Pseudômonas ssp. B-25 havia atingido concentração populacional de 109 UFC mL-1. Griffths (1989) verificou que a produção de proteases e lipases não ocorreu enquanto as células não alcançaram o final da fase logarítmica ou o início da fase estacionária de crescimento. Em queijo, segundo Sorhaug e Stepaniak (1991), o desenvolvimento de off-flavor e problemas de textura, em razão da presença de enzimas hidrolíticas, ocorreu somente quando a contagem de psicrotróficos na matéria-prima alcançou 2 x 106 UFC mL-1 a 5 x 108 UFC mL-1. Matselis e Roussis (1998) constataram que uma estirpe de P. fluorescens 27 produziu quantidades significativas de lipases e proteases durante a idiofase, quando a cultura atingiu contagens de 107 a 108 UFC mL-1 e 108 a 109 UFC mL-1, respectivamente. Dogan e Boor (2003) concluíram que defeitos de “flavor” em leite processado estavam associados a altas contagens bacterianas e a atividade enzimática degradativa de estirpes de Pseudômonas contaminantes. Existem trabalhos que relatam atividade proteolítica na presença de baixas densidades populacionais de bactérias proteolíticas. Wiking et al (2002) detectaram aumento na proteólise a 4ºC e 8ºC, após 72 h de estocagem, mesmo na presença de pequeno número de células, sugerindo que, possivelmente, a proteólise ocorreu pela atividade do sistema plasmina/plasminogênio, naturalmente presente no leite. Haryani et al (2003) também constataram pouca correlação entre a contagem de psicrotróficos e atividade proteolítica em leite estocado a temperaturas baixas. Existem também relatos de que o aumento da atividade proteolítica durante a fase estacionária ou de morte celular pode ser resultado da liberação de enzimas préformadas das células (GRIFFITHS, 1989; RAJMOHAN et al, 2002). 28 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer deste trabalho pode-se verificar que vários microrganismos podem ser contaminantes do leite, entre eles os fungos, leveduras, vírus e principalmente bactérias. Como se sabe, a temperatura é um dos determinantes ao crescimento e multiplicação das bactérias e portanto, é um ponto que deve receber muita atenção, no intuito de diminuir e controlar a contaminação do leite e seus derivados, por estes agentes microbianos. De grande importância neste estudo classificam-se as bactérias Psicrotróficas que se desenvolvem a temperaturas menores ou iguais a 7ºC, as Termodúricas, que são resistentes ao processo de pasteurização e as Psicrotróficas-Termodúricas que associam as duas características. Com o resfriamento/granelização, importância crescente tem tido o grupo das Psicrotróficas, que estão freqüentemente envolvidas em alteração na composição e nas características do leite. A origem da alta contaminação microbiana do leite deve-se prioritariamente aos utensílios e ao sistema de ordenha mal higienizados. Neste sentido, a qualidade da água utilizada para lavagem dos utensílios, equipamentos de ordenha e tetos dos animais é fundamental para evitar a contaminação do leite. Além disso, o local onde a ordenha será realizada deve ser o primeiro ponto a ser tratado e higienizado, para a promoção de um leite seguro. Deve-se observar a limpeza do animal, especialmente os úberes e os tetos. São inspecionadas ainda, a limpeza dos equipamentos de ordenha e a prática de higiene dos manipuladores. A Instrução Normativa 51/2002 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento trouxe sérios problemas as indústrias de laticínios, pois os pequenos produtores de leite passaram a juntar seu leite com os demais vizinhos em tanques comunitários, ficando estes leites estocados por mais de 48 horas, aumentando a quantidade de bactérias deteriorantes. 29 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANUÁRIO MILKBIZZ. Leite sai do latão e entra pelo cano. São Paulo: Editora Milkbizz; 1996. BORGES, M. F. et al. 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