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DO
ENSINO
PERSPECTIVAS
INFORMAL
DE
UMA
PARA
ESCOLA
O
FORMAL:
DESAFIOS
PROFISSIONALIZANTE
E
DE
ENFERMAGEM
Maira Buss Thofehrn – Professora Assistente da Faculdade de Enfermagem e
Obstetrícia- Universidade Federal de Pelotas, aluna sem vínculo do
Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul.
Mariângela da Rosa Afonso- Professora Assistente da Faculdade de Educação
Física - Universidade Federal de Pelotas, Doutoranda do Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul.
RESUMO: Este estudo foi construído tomando por base as discussões sociológicas sobre
os novos arquétipos que envolvem o mundo do trabalho e da educação. O presente
trabalho, se justifica na medida em que sinaliza as mudanças ocorridas pelas propostas
contidas na LDB, para a formação de técnicos tendo em vista a inserção no mercado de
trabalho e a interferência destas propostas numa categoria profissional ou seja, a longo
prazo a extinção do profissional “auxiliar de enfermagem”. A pesquisa foi realizada na
Escola de Educação Profissional em Saúde de Pelotas- EEPSPel, durante o primeiro
semestre de 2000, e teve por objetivo caracterizar as novas faces da escola que tem por
finalidade formar Técnicos em Enfermagem, num nível de profissionalização, conforme
as determinações da LDB. Trata-se de um estudo exploratório descritivo, onde buscou-se
o conhecimento direto da realidade, a partir de entrevistas semi-estruturadas com a
direção e professores, e aplicação de questionários com os alunos. Ainda foi realizada
uma análise documental para buscar subsídios das questões administrativas e dados dos
alunos. Os resultados apontam para: uma Escola que passa por um momento de
mudanças tanto estruturais como pedagógicas, tendo em vista as novas perspectivas do
campo profissional em enfermagem como também as exigências da LDB. Há uma
preocupação em discutir e elaborar o Projeto político-pedagógico em conformidade com
a nova legislação, especialmente com relação ao novo perfil profissional e determinação
de habilidades e competências. A estrutura pedagógica estabelecida pela escola está
atendendo de forma satisfatória a clientela que procura o curso. Apesar dos escassos
recursos financeiros da clientela, os mesmos tem investido na qualificação, e na busca de
novas oportunidades de emprego na área da enfermagem. Os dados referentes à clientela
revelam, uma população jovem; predominantemente do sexo feminino; fora do mercado
de trabalho; sem experiência na área da saúde; proveniente de classes sociais menos
favorecidas; onde 50% já tentou ingresso na Universidade, mas não obteve sucesso.
Percebe-se que a LDB têm interferido diretamente na inserção dos profissionais no
Mercado de Trabalho.
PALAVRAS CHAVES: Educação profissional; LDB; Ensino na Enfermagem.
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Este trabalho foi construído durante a disciplina de Sociologia da Educação do Programa de
Pós-Graduação da Universidade Federal do rio Grande do Sul, sob orientação da profª Doutora Arabela
Campos Oliven.
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INTRODUÇÃO
Este estudo foi construído tomando por base as discussões sociológicas sobre os
novos arquétipos que envolvem o mundo do trabalho e da educação, e teve por objetivo
compreender o universo da Escola de Educação Profissional em Saúde de PelotasEEPSPel caracterizando as novas faces na formação de técnicos de enfermagem, num
nível de profissionalização.
O presente trabalho, se justifica na medida em que sinaliza as mudanças ocorridas
pelas propostas contidas na LDB, para a formação de técnicos tendo em vista a inserção
no mercado de trabalho e a interferência destas propostas numa categoria profissional ou
seja, a longo prazo a extinção do profissional “auxiliar de enfermagem”.
As alterações no sistema sócio-econômico nos demonstram novas formas de
relações profissionais, sociais. A segurança de um futuro previsível, através de empregos
estáveis, faz parte do passado. A nova lei de Diretrizes e bases da educação
Nacional-9394/96 trouxe em seu bojo mudanças que atingiram o ensino técnico, na
medida em que o mesmo acontecia de forma integrada com o ensino médio. Após a
reforma, o ensino técnico passou a ser complementar ao ensino médio, podendo ser
cursado após ou concomitantemente, em turno inverso, após a conclusão do primeiro ano
do curso médio.
Diante da perspectiva de estudo de uma escola ligada a área da saúde, faz-se
necessário buscar alguns esclarecimentos sobre a enfermagem especificamente e sua
inserção histórica.
A enfermagem é a arte e ciência de cuidar do ser humano, família e comunidade
utilizando do processo humanístico interpessoal que envolve a comunicação verbal e não
verbal, com inter-relação de sentimentos e percepções.
Florence Nightingale, em meados do século XIX, começou a organizar a
enfermagem enquanto profissão, estabelecendo os pilares para o desenvolvimento
científico da enfermagem, propondo a definição de cinco conceitos: indivíduo,
sociedade/ambiente, saúde e enfermagem. Desta forma, e especialmente na segunda
metade do século XX, a profissão vem desenvolvendo um corpo de conhecimentos
científicos e filosóficos, favorecendo o surgimento de novos paradigmas para a atuação
prática da profissão.
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Em 1860, Florence cria a “Escola de Enfermagem Nightingale”, primeira escola
dirigida por enfermeiras e não mais por médicos, destinada ao treinamento de pessoal
para a prestação de assistência de enfermagem à nível hospitalar. Essa Escola formava
duas categorias distintas de profissionais: ladies-nurse e nurse. As ladies, provindas de
classes sociais elevadas, eram responsáveis pelo pensar, considerado trabalho “superior”,
exerciam atividades de direção, comando e controle dos serviços de enfermagem,
enquanto, as nurses, provenientes de classes sociais mais baixas, cabia o fazer, trabalho
“inferior” (Carraro, 1997).
No Brasil, em 1921 começou a funcionar o primeiro curso oficial, ministrado por
enfermeiras americanas. Pouco depois, sob a mesma orientação, foi fundada a “Escola
Ana Néri” no Rio de Janeiro.
Durante a década de 70, o Departamento de Assuntos Universitários do Ministério
da Educação e Cultura, lançou como meta prioritária dentro do II Plano Nacional de
Desenvolvimento, a instalação de cursos de enfermagem em todas as universidades
federais do país.
A Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia de Pelotas foi criada em 1976 a partir
da política de expansão dos Cursos de Enfermagem do Ministério da Educação e Cultura,
sendo composta por um quadro de aproximadamente vinte professores oriundos de
diversas regiões do país.
As atividades dos docentes no Curso de Graduação, tem sido historicamente o
ensino, a pesquisa e a extensão, sempre com objetivos de preparar Enfermeiros para
atuarem tanto na área da saúde como também na Licenciatura. Desde a década de
noventa houve um investimento acentuado na qualificação do quadro de docentes, e
consequentemente a formação de um Curso de Especialização desde 1995 e um Curso de
Mestrado interinstitucional ligado à Universidade Federal de Santa Catarina.
Conforme a Lei nº 7.498 de 25 de julho de 1986 que dispõe sobre a
regulamentação do exercício da enfermagem onde reconhece os seguintes profissionais:
Enfermeiro (nível superior); Técnico de enfermagem (nível médio) e auxiliar de
enfermagem (nível fundamental). Assim a partir da LDB os cursos de auxiliar de
enfermagem foram extintos já que são reconhecidos como profissionais aqueles com
formação à nível médio.
Havendo a necessidade da formação de profissional de enfermagem á nível
médio, surge a Escola de Educação Profissional em Saúde de Pelotas- EEPSPel,
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constituída predominantemente por Profissionais formados pela Universidade Federal de
Pelotas, da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia.
Hoje essa Escola atende as disposições previstas na L.D.B. que destaca que a
educação escolar será ministrada em vinculação estreita com o trabalho e as práticas
sociais. Assume que desde as primeiras fases da educação escolar deverá estar presente a
cultura tecnológica e a perspectiva da formação técnico-profissional. Desta forma, não se
concebe uma formação com cara de qualificação, quando estamos às portas do terceiro
milênio, quando necessitamos incorporar a cultura tecnológica e, como diz Demo (1993),
dominá-la.
Ao analisarmos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, percebemos
avanços que vão desde a necessidade de formar cada cidadão brasileiro buscando a
preparação para a vida, até a autonomia da instituição escolar. No entanto, se por um lado
no entender de Kuenzer (1997), no ensino médio se progrediu em direção à uma educação
básica de “qualidade”(considerando as devidas ressalvas), por outro, a educação
profissional retrocedeu em direção ao modelo taylorista, há muito ultrapassado.
O ensino técnico, no entanto, tem suas origens e objetivos bem definidos desde
sua concepção, que se resumia à formação de mão-de-obra para o mundo do trabalho,
tendo caráter de qualificação e sendo destinado às classes menos favorecidas.
Para a Educação Profissional, a lei determina que:
•
Integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e a tecnologia,
conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva.
•
Referente à este ensino a nova L.D.B. é vaga e reticente, tratando a todos os níveis
como se fossem iguais. Pouco entende-se de que forma este se realizará, tampouco se
fala em formação humanística.
•
Percebe-se clara intenção de transferir esta responsabilidade para a iniciativa privada
.Se o ensino técnico se mostrou discriminador desde suas origens, deixar à cargo da
iniciativa privada a sua regulamentação somente vem reforçar esta situação.
O CONTEXTO INVESTIGADO
A Escola de Educação Profissional em Saúde de Pelotas- EEPSPel, nasce a partir
da identificação profissional de um grupo de colegas Enfermeiros no período de 1990,
cada um com suas ocupações profissionais, porém com a vontade de trabalhar com a
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transmissão dos conhecimentos aprendido, foram assim construindo um curso, uma
escola ainda que pequena.
O grupo tinha como objetivo primordial a formação de auxiliares de enfermagem,
preenchendo assim a lacuna existente na cidade de Pelotas e região, atendendo a
demanda reprimida nessa área e suprindo nessa às necessidades do mercado de trabalho.
Conforme a Lei nº 7.498 de 25 de julho de 1986 que dispõe sobre a regulamentação do
exercício da enfermagem onde reconhece os seguintes profissionais: Enfermeiro (nível
superior); Técnico de enfermagem (nível médio) e auxiliar de enfermagem (nível
fundamental). Assim a partir da LDB os cursos de auxiliar de enfermagem foram
extintos já que são reconhecidos como profissionais aqueles com formação à nível médio.
Primeiramente esta escola era chamada Escola de Educação Profissional Estilo,
ela assim existiu desde 1994 até 1999, voltada à formação de auxiliar de enfermagem hoje
ela cresceu e passou por diversas mudanças estruturais, que estão basicamente atendendo
as questões legais impostas pela LDB, passando a formar técnicos de enfermagem.
Um novo passo
Por estar hoje reconhecida e regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases de
1996, é considerada como um curso profissionalizante, e deve atender os critérios
educacionais de uma escola regular, com pedagogo responsável, com professores
capacitados, todos os certificados emitidos passam pela Delegacia de Ensino.
A partir de 2001, o Curso Técnico em Enfermagem, terá seu funcionamento
baseado em um Projeto Político Pedagógico, conforme a LDB, o mesmo buscando,
buscando uma maior integração entre as disciplinas teórico práticas.
A discussão em torno do projeto político pedagógico nas instituições escolares
em todos os níveis surgiu como imposição da “nova” L.D.B., já que entende como
incumbência dos estabelecimentos de ensino à elaboração e execução de sua proposta
pedagógica,
cabendo
à
comunidade
escolar,
estendendo-se
à
funcionários
administrativos, corpo discente, comunidade local (através de sua representatividade) e
ao corpo docente o encaminhamento desta discussão.
A abertura deste espaço de discussão proposto pela LDB, apesar de não ter
surgido a partir dos anseios da comunidade, tem possibilitado estabelecer fóruns
democráticos, buscando através da participação efetiva a construção das identidades das
instituições.
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Na concepção de Veiga (1995: 13) :
“O Projeto Político pedagógico é uma ação intencional com
um sentido explícito com um compromisso definido
coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é,
também um projeto político por estar intimamente articulado ao
compromisso sócio-político com os interesses reais coletivos da
população majoritária.”
De acordo com Ferreira(1982), projeto é definido como plano, intento. O projeto
político-pedagógico, fala de intenções, objetivos, tanto na área política, envolvendo a
instituição e instâncias superiores, como na área pedagógica, definindo diretrizes e
procedimentos, planejamento e ações, considerando a realidade.
Veiga (1995), ao fazer referência ao aspecto pedagógico, enfatiza a possibilidade
de
efetivação
da
intencionalidade
da
escola,
envolvendo
a
comunidade,
responsabilizando-a e comprometendo-a com o projeto.
Todo projeto pressupõe mudanças e intenções para o futuro, devendo
constituir-se num trabalho constante de reflexão e revisão coletivos, para que tenha
sentido, não se afastando dos objetivos ou, para que possa ser adequado se necessário.
No caso da Escola investigada, esta vive um momento de transformação,
adequando-se ao ensino médio profissionalizante e na fase de elaboração do Projeto
Político Pedagógico, onde apareça a integralidade e a interdisciplinaridade, desta forma
as disciplinas estão sendo agrupadas por áreas, e Escola trabalha ainda com a perspectiva
de expansão das suas atividades, que farão parte dessa nova base curricular.
INDICADORES METODOLÓGICOS
Trata-se de um estudo descritivo, onde buscou-se o conhecimento direto da
realidade, procurando descrever as características de uma população e suas opiniões a
respeito de um fenômeno (Gil, 1996).
O grupo de informantes foram alunos, professores e administradores da Escola de
Educação Profissional em Saúde de Pelotas- EEPSPel, os dados foram coletados de abril
à julho de 2000.
Para melhor compreensão da realidade investigada optou-se por realizar
entrevistas semi-estruturadas, com a direção e três professores, e investigou-se a partir
de uma amostragem os alunos do turno da noite. Ainda foi realizada uma análise
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documental para buscar subsídios das questões administrativas e dados dos alunos,
mediante as fichas cadastrais dos mesmos.
Na análise dos dados foram abertas categorias que traduziam as temáticas,
coletadas a partir da análise documental, questionários e entrevistas, ainda procurou-se
quantificar os resultados obtidos tantos nos questionários respondidos diretamente pelos
alunos do turno da noite, como também alguns dados de identificação das fichas
cadastrais. Os grandes temas subdividiram-se em caracterização da escola, aspectos
pedagógicos, administrativos e caracterização da clientela.
DESCRIÇÃO DOS DADOS
 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA
A Escola está localizada na Zona Central, na Rua Tiradentes, 2639, em um
prédio alugado que sofreu algumas adaptações para que fosse possível o funcionamento
das atividades curriculares. Existem várias salas de aulas que se tornaram pequenas já que
houve uma procura maior do que o esperado. A Escola possui uma sala de secretaria,
sala para os professores, uma biblioteca com pequeno acervo, sanitários, e ainda um
espaço onde funciona um bar. Para o desenvolvimento das aulas práticas, existe um
laboratório, com manequins, materiais médico-hospitalares, ambiente simulado de um
posto de enfermagem e uma unidade do paciente.
Conforme a direção da Escola existe a possibilidade de mudança para um novo
prédio, próprio da Escola, com melhores condições de atender a clientela dos alunos, já
que hoje o espaço das salas de aulas estão muito pequenos para o número de alunos
matriculados, que são em torno de 220.
Os materiais didáticos disponíveis na Escola são, basicamente quadro branco
utilizáveis com canetas específicas, televisão e vídeo, microfone, e embora o prédio não
apresente condições ótimas, existe toda uma preocupação em fazer que o ambiente se
torne agradável, existem plantas decorativas, quadros, e as salas de aula apresentam
ventiladores de teto para que os alunos sintam-se o mais confortável possível.
Cabe ressaltar que na região sul este é o único curso que funciona de forma
permanente e estruturado. O outro espaço de capacitação que existe em Pelotas são os
cursos financiados pela Federação dos Trabalhadores da Área da Saúde, CUT/FAT, onde
neste momento estão sendo oferecidos dois cursos, um destes sem verbas para continuar “
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Curso Técnico de Enfermagem” e outro “Curso Atenção Domiciliar” (agente de saúde)
que deverá continuar.
 ASPECTOS PEDAGÓGICOS
A Escola tem por objetivos, formar técnicos de enfermagem para o mercado de
trabalho, oportunizar que auxiliares de enfermagem com ensino médio concluído ou em
andamento realizem a complementação profissional e atender as exigências da LDB
quanto ao ensino profissionalizante.
A Escola está atravessando um momento de transformação total, anteriormente
até 1999, eram ensinados conteúdos para a preparação do auxiliar de enfermagem e a
partir deste ano,
passou a ministrar o curso voltado ao preparo do técnico de
enfermagem.
Existe toda uma base para o planejamento das atividades, a administração da
Escola realiza reuniões para que sejam formulados diferentes instrumentos determinando
de forma conjunta o planejamento das atividades. Os professores fazem um plano de
aula, planejamento do conteúdo programático
das disciplinas,
sempre frente aos
objetivos da Escola.
A maioria dos professores atuam na Escola como a segunda opção dentro do
campo profissional e apresentam bom relacionamento com a direção. Os professores
ministram suas aulas a partir da utilização de polígrafos que recebem da direção, com as
idéias principais em relação a disciplina, as quais podem ser alteradas conforme a
necessidade e desejo dos professores e alunos.
Os professores são avaliados pelos alunos e direção, sendo que a maioria
considera esse método eficiente e necessário para o crescimento pessoal, profissional e
da Escola.
Em torno de 70% dos alunos que responderam ao questionário consideram as
aulas ministradas com excelente embasamento teórico-prático.
As disciplinas teóricas ministradas são as seguintes: Anatomia e Fisiologia
Humana; Higiene e Profilaxia; Microbiologia e Parasitologia; Nutrição e Dietética;
Farmacologia; Estudos Regionais; Psicologia Aplicada e Ética Profissional; Introdução
em Enfermagem;
Enfermagem Médica; Enfermagem Cirúrgica; Enfermagem
Materno Infantil; Enfermagem Neuropsiquiátrica; Enfermagem em Intensivismo Adulto;
Enfermagem em Intensivismo Neonatal e Pediátrico; Enfermagem em Saúde Pública.
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O currículo prevê estágios nas seguintes áreas:
-
Materno Infantil
- Saúde do Adulto
- Área de Intensivismo
- Bloco Cirúrgico
- Psiquiatria
- Saúde Comunitária
A
finalidade é formar Técnicos em Enfermagem, num nível de
profissionalização, conforme as determinações da LDB. Ainda a Escola oferece a
possibilidade de Complementação de Curso para aqueles que assim desejarem. O Curso
Complementar para Técnico de Enfermagem (CTEC), se destina basicamente aqueles
profissionais que já estão no mercado e que são auxiliares de enfermagem, assim com a
Complementação estes passam a exercer as funções profissionais de Técnico de
Enfermagem .
Existe um entendimento da importância de fundamentar as ações da Escola, de
acordo com as disposições e prioridade da LDB, com relação ao ensino técnico
profissional, assim está sendo construído o Projeto Político-Pedagógico.
Alguns passos estão sendo dados neste sentido, as
disciplinas estão sendo
agrupadas por áreas, existe uma discussão para alterações na forma de avaliação, baseada
nas competências e perfil profissional.
Hoje a avaliação é feita de forma tradicional com provas práticas e escritas de 2 à
3 provas , onde o aluno deve obter média seis, e há ainda a avaliação nos campos de
estágios, onde a média é sete, são 650 horas de estágios nas diferentes áreas da
Enfermagem conforme acima colocado.
A LDB prevê que todas as avaliações devem ser teórico-práticas não priorizando
tão somente as notas dos alunos,
conformidade com
mas as
competências
preestabelecidas em
o perfil do aluno técnico em enfermagem. Ainda dentro das
avaliações devem estar contempladas as áreas cognitivas, psicomotora e ética. Para a
Escola isto significa um momento impar no sentido de repensar as suas finalidades, o
perfil a ser formado que deverá atender principalmente e com responsabilidade o
mercado de trabalho.
A carga horária prevista nos currículos varia de 700 a 1740 horas dependendo da
modalidade do curso.
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Atualmente a população que procura o Curso ou a Escola são pessoas que estão
cursando ou terminaram o ensino médio e estão em busca de uma profissionalização na
área da saúde. O diploma profissional só é considerado e entregue quando o aluno concluí
o ensino médio e termina o Curso Técnico oferecido pela Escola. Este certificado passa a
ser válido no mercado de trabalho na medida em que é autorizado pela Delegacia de
Educação e Conselho de Enfermagem.
 ASPECTOS ADMINISTRATIVOS
A Escola é uma entidade privada a qual é gerida por um enfermeiro que atua nesta
instituição como um professor. Apresenta a seguinte estrutura organizacional: direção
formada pela diretora e vice-diretora; uma coordenadora de disciplina, enfermeiras com
licenciatura em enfermagem e uma supervisora e orientadora educacional, com formação
em Pedagogia.
O Corpo Docente é formado por onze professores teórico-práticos e em torno de
20 professores supervisores em campo de estágio contratados como autônomos. Existe
ainda, o Setor de Apoio Administrativo composto por dois secretários, uma auxiliar de
secretaria e uma bibliotecária. O serviço de higienização é tercerizado.
A Escola oferece o Curso Técnico em Enfermagem nos três turnos, manhã tarde e
noite, e o Curso de Complementação somente á noite.
Os Cursos oferecidos pela Escola são pagos, porém a Escola oferece diferentes
modalidades de pagamento, os quais ficam em torno de 20 parcelas de duzentos reais.
Anteriormente a todas estas mudanças organizacionais, a escola era administrada
por um pequeno grupo, e este mesmo grupo ministrava as aulas, hoje a Escola cresceu, há
necessidade de novos professores. A idéia principal para a seleção dos professores, é
buscar pessoas conhecidas que tenham bom desempenho profissional na área de
enfermagem e que possam se adequar as características estruturais e pedagógicas da
Escola. Conforme salientado anteriormente, existe um programa para cada um das
disciplinas a ser ministrado e o professor contratado passa por um treinamento para atuar,
que é estabelecido pela Direção da Escola. A Escola possuí um polígrafo feito pelos
profissionais que atuam na área, que pode ser complementado caso o professor da
disciplina ache necessário. Na verdade estas novas dimensões da escola tem favorecido
momentos de discussão entre o grupo já mais antigo e ainda uma abertura para outros
profissionais.
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Com relação aos aspectos financeiros os professores recebem por aulas
ministradas, oito reais e sessenta e dois centavos por hora aula.
A Escola procura diferentes formas para divulgar seu trabalho, esta forma de
marketing, vai variar conforme o momento, geralmente ela é realizada através de pastas,
folders, propaganda em rádio e televisão.
 CARACTERIZAÇÃO DA CLIENTELA
No primeiro momento foram analisadas duzentos e vinte fichas cadastrais dos
alunos matriculados. Os resultados apontam uma clientela de 80% mulheres, 70%
solteiros, 54% entre 20 - 30 anos, 86% oriundos de Pelotas e 60% fora do mercado de
trabalho.
No segundo momento a partir dos resultados da amostragem do turno da noite,
num total de quarenta e seis pessoas, obtivemos os seguintes dados, conforme o quadro
abaixo:
Identificação
Dado relevante
Percentagem
Faixa etária
Entre 19 a 23 anos
50%
Sexo
Feminino
60%
Estado civil
Solteiro
52%
Escolaridade
I e II Graus em Escola Pública
70%
Escolaridade dos pais
I Grau Incompleto
50%
Tentativa de ingresso na Realização de vestibular
universidade
50%
Destes realização de vestibular na área da
saúde
50%
Ativos
73%
Destes atuam na área da saúde
50%
Horas de trabalho diárias
Mais de 8 horas
50%
Renda familiar
Entre 2 à 5 salários mínimos
58%
Pagamento do curso
Próprio aluno
50%
Exercício profissional
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Com relação aos dados referentes a qualidade do curso 43% dos alunos
classificaram o ensino recebido como muito bom; 37% classificaram como excelente;
quanto a questão docente, 41% classificaram o desempenho e qualificação dos
professores como excelente e 41% muito bom.
Ainda 52% dos entrevistados julgam seu desempenho no curso como bom e 46%
muito bom; 54% sentem-se preparados para ingressar no mercado de trabalho e 28% não
muito preparados já que encontram-se no início do curso.
Dos alunos entrevistados 26% projetam para o futuro o exercício profissional;
24% aperfeiçoamento; 20% futuro fazer curso de graduação; 17% ser bom profissional.
Quanto as sugestões para o curso, 9% almejam mais aulas práticas; 9% mais
cursos de aperfeiçoamento.
Os dados obtidos foram analisados de forma preliminar, em virtude do recente
término do processo de coleta de dados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir do material colhido foi possível obter-se as seguintes conclusões:
- A Escola estudada passa por um momento de mudanças tanto estruturais
como pedagógicas, tendo em vista as novas perspectivas do campo
profissional em enfermagem como também as exigências da LDB.
- Há uma preocupação em discutir e elaborar o Projeto político-pedagógico
em conformidade com a nova legislação, especialmente com relação ao
novo perfil profissional e determinação de habilidades e competências.
- A estrutura pedagógica estabelecida pela escola está atendendo de forma
satisfatória a clientela que procura o curso.
- Apesar dos escassos recursos financeiros da clientela, os mesmos tem
investido na qualificação, e na busca de novas oportunidades de emprego
na área da enfermagem.
-
Os dados referentes à clientela revelam, uma população jovem;
predominantemente do sexo feminino; fora do mercado de trabalho; sem
experiência na área da saúde; proveniente de classes sociais menos
favorecidas; onde 50% já tentou ingresso na Universidade, mas não
obteve sucesso.
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Finalizando, salientamos que devido a abrangência dos dados colhidos neste
trabalho, espera-se que os pontos obscuros sirvam como estímulo à reflexão e análise de
futuras investigações.
BIBLIOGRAFIA
CARRARO, Telma Elisa. Enfermagem e assistência: resgatando Florence Nightingale.
Goiânia: Editora AB, 1997.
DEMO, Pedro. Avaliação qualitativa .Campinas: Autores associados, 1995.
FERREIRA, Aurélio Buarque de H. Minidicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova
fronteira, 1977.
GIL, Antônio C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1996.
KUENZER, Acácia. Ensino médio e profissional: As políticas do Estado neoliberal, São
Paulo: Cortez, 1997.
LEI 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
LUNARDI, Valéria Lerch. História da Enfermagem: rupturas e continuidades. Pelotas:
UFPel. Editora Universitária, 1998.
VEIGA, Ilma Passos A. (Org.). Projeto político-pedagógico da escola. Papirus,
Campinas, 1995.
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do ensino informal para o formal