1 DO ENSINO PERSPECTIVAS INFORMAL DE UMA PARA ESCOLA O FORMAL: DESAFIOS PROFISSIONALIZANTE E DE ENFERMAGEM Maira Buss Thofehrn – Professora Assistente da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia- Universidade Federal de Pelotas, aluna sem vínculo do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mariângela da Rosa Afonso- Professora Assistente da Faculdade de Educação Física - Universidade Federal de Pelotas, Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. RESUMO: Este estudo foi construído tomando por base as discussões sociológicas sobre os novos arquétipos que envolvem o mundo do trabalho e da educação. O presente trabalho, se justifica na medida em que sinaliza as mudanças ocorridas pelas propostas contidas na LDB, para a formação de técnicos tendo em vista a inserção no mercado de trabalho e a interferência destas propostas numa categoria profissional ou seja, a longo prazo a extinção do profissional “auxiliar de enfermagem”. A pesquisa foi realizada na Escola de Educação Profissional em Saúde de Pelotas- EEPSPel, durante o primeiro semestre de 2000, e teve por objetivo caracterizar as novas faces da escola que tem por finalidade formar Técnicos em Enfermagem, num nível de profissionalização, conforme as determinações da LDB. Trata-se de um estudo exploratório descritivo, onde buscou-se o conhecimento direto da realidade, a partir de entrevistas semi-estruturadas com a direção e professores, e aplicação de questionários com os alunos. Ainda foi realizada uma análise documental para buscar subsídios das questões administrativas e dados dos alunos. Os resultados apontam para: uma Escola que passa por um momento de mudanças tanto estruturais como pedagógicas, tendo em vista as novas perspectivas do campo profissional em enfermagem como também as exigências da LDB. Há uma preocupação em discutir e elaborar o Projeto político-pedagógico em conformidade com a nova legislação, especialmente com relação ao novo perfil profissional e determinação de habilidades e competências. A estrutura pedagógica estabelecida pela escola está atendendo de forma satisfatória a clientela que procura o curso. Apesar dos escassos recursos financeiros da clientela, os mesmos tem investido na qualificação, e na busca de novas oportunidades de emprego na área da enfermagem. Os dados referentes à clientela revelam, uma população jovem; predominantemente do sexo feminino; fora do mercado de trabalho; sem experiência na área da saúde; proveniente de classes sociais menos favorecidas; onde 50% já tentou ingresso na Universidade, mas não obteve sucesso. Percebe-se que a LDB têm interferido diretamente na inserção dos profissionais no Mercado de Trabalho. PALAVRAS CHAVES: Educação profissional; LDB; Ensino na Enfermagem. 1 Este trabalho foi construído durante a disciplina de Sociologia da Educação do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do rio Grande do Sul, sob orientação da profª Doutora Arabela Campos Oliven. 2 INTRODUÇÃO Este estudo foi construído tomando por base as discussões sociológicas sobre os novos arquétipos que envolvem o mundo do trabalho e da educação, e teve por objetivo compreender o universo da Escola de Educação Profissional em Saúde de PelotasEEPSPel caracterizando as novas faces na formação de técnicos de enfermagem, num nível de profissionalização. O presente trabalho, se justifica na medida em que sinaliza as mudanças ocorridas pelas propostas contidas na LDB, para a formação de técnicos tendo em vista a inserção no mercado de trabalho e a interferência destas propostas numa categoria profissional ou seja, a longo prazo a extinção do profissional “auxiliar de enfermagem”. As alterações no sistema sócio-econômico nos demonstram novas formas de relações profissionais, sociais. A segurança de um futuro previsível, através de empregos estáveis, faz parte do passado. A nova lei de Diretrizes e bases da educação Nacional-9394/96 trouxe em seu bojo mudanças que atingiram o ensino técnico, na medida em que o mesmo acontecia de forma integrada com o ensino médio. Após a reforma, o ensino técnico passou a ser complementar ao ensino médio, podendo ser cursado após ou concomitantemente, em turno inverso, após a conclusão do primeiro ano do curso médio. Diante da perspectiva de estudo de uma escola ligada a área da saúde, faz-se necessário buscar alguns esclarecimentos sobre a enfermagem especificamente e sua inserção histórica. A enfermagem é a arte e ciência de cuidar do ser humano, família e comunidade utilizando do processo humanístico interpessoal que envolve a comunicação verbal e não verbal, com inter-relação de sentimentos e percepções. Florence Nightingale, em meados do século XIX, começou a organizar a enfermagem enquanto profissão, estabelecendo os pilares para o desenvolvimento científico da enfermagem, propondo a definição de cinco conceitos: indivíduo, sociedade/ambiente, saúde e enfermagem. Desta forma, e especialmente na segunda metade do século XX, a profissão vem desenvolvendo um corpo de conhecimentos científicos e filosóficos, favorecendo o surgimento de novos paradigmas para a atuação prática da profissão. 3 Em 1860, Florence cria a “Escola de Enfermagem Nightingale”, primeira escola dirigida por enfermeiras e não mais por médicos, destinada ao treinamento de pessoal para a prestação de assistência de enfermagem à nível hospitalar. Essa Escola formava duas categorias distintas de profissionais: ladies-nurse e nurse. As ladies, provindas de classes sociais elevadas, eram responsáveis pelo pensar, considerado trabalho “superior”, exerciam atividades de direção, comando e controle dos serviços de enfermagem, enquanto, as nurses, provenientes de classes sociais mais baixas, cabia o fazer, trabalho “inferior” (Carraro, 1997). No Brasil, em 1921 começou a funcionar o primeiro curso oficial, ministrado por enfermeiras americanas. Pouco depois, sob a mesma orientação, foi fundada a “Escola Ana Néri” no Rio de Janeiro. Durante a década de 70, o Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação e Cultura, lançou como meta prioritária dentro do II Plano Nacional de Desenvolvimento, a instalação de cursos de enfermagem em todas as universidades federais do país. A Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia de Pelotas foi criada em 1976 a partir da política de expansão dos Cursos de Enfermagem do Ministério da Educação e Cultura, sendo composta por um quadro de aproximadamente vinte professores oriundos de diversas regiões do país. As atividades dos docentes no Curso de Graduação, tem sido historicamente o ensino, a pesquisa e a extensão, sempre com objetivos de preparar Enfermeiros para atuarem tanto na área da saúde como também na Licenciatura. Desde a década de noventa houve um investimento acentuado na qualificação do quadro de docentes, e consequentemente a formação de um Curso de Especialização desde 1995 e um Curso de Mestrado interinstitucional ligado à Universidade Federal de Santa Catarina. Conforme a Lei nº 7.498 de 25 de julho de 1986 que dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem onde reconhece os seguintes profissionais: Enfermeiro (nível superior); Técnico de enfermagem (nível médio) e auxiliar de enfermagem (nível fundamental). Assim a partir da LDB os cursos de auxiliar de enfermagem foram extintos já que são reconhecidos como profissionais aqueles com formação à nível médio. Havendo a necessidade da formação de profissional de enfermagem á nível médio, surge a Escola de Educação Profissional em Saúde de Pelotas- EEPSPel, 4 constituída predominantemente por Profissionais formados pela Universidade Federal de Pelotas, da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia. Hoje essa Escola atende as disposições previstas na L.D.B. que destaca que a educação escolar será ministrada em vinculação estreita com o trabalho e as práticas sociais. Assume que desde as primeiras fases da educação escolar deverá estar presente a cultura tecnológica e a perspectiva da formação técnico-profissional. Desta forma, não se concebe uma formação com cara de qualificação, quando estamos às portas do terceiro milênio, quando necessitamos incorporar a cultura tecnológica e, como diz Demo (1993), dominá-la. Ao analisarmos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, percebemos avanços que vão desde a necessidade de formar cada cidadão brasileiro buscando a preparação para a vida, até a autonomia da instituição escolar. No entanto, se por um lado no entender de Kuenzer (1997), no ensino médio se progrediu em direção à uma educação básica de “qualidade”(considerando as devidas ressalvas), por outro, a educação profissional retrocedeu em direção ao modelo taylorista, há muito ultrapassado. O ensino técnico, no entanto, tem suas origens e objetivos bem definidos desde sua concepção, que se resumia à formação de mão-de-obra para o mundo do trabalho, tendo caráter de qualificação e sendo destinado às classes menos favorecidas. Para a Educação Profissional, a lei determina que: • Integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e a tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. • Referente à este ensino a nova L.D.B. é vaga e reticente, tratando a todos os níveis como se fossem iguais. Pouco entende-se de que forma este se realizará, tampouco se fala em formação humanística. • Percebe-se clara intenção de transferir esta responsabilidade para a iniciativa privada .Se o ensino técnico se mostrou discriminador desde suas origens, deixar à cargo da iniciativa privada a sua regulamentação somente vem reforçar esta situação. O CONTEXTO INVESTIGADO A Escola de Educação Profissional em Saúde de Pelotas- EEPSPel, nasce a partir da identificação profissional de um grupo de colegas Enfermeiros no período de 1990, cada um com suas ocupações profissionais, porém com a vontade de trabalhar com a 5 transmissão dos conhecimentos aprendido, foram assim construindo um curso, uma escola ainda que pequena. O grupo tinha como objetivo primordial a formação de auxiliares de enfermagem, preenchendo assim a lacuna existente na cidade de Pelotas e região, atendendo a demanda reprimida nessa área e suprindo nessa às necessidades do mercado de trabalho. Conforme a Lei nº 7.498 de 25 de julho de 1986 que dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem onde reconhece os seguintes profissionais: Enfermeiro (nível superior); Técnico de enfermagem (nível médio) e auxiliar de enfermagem (nível fundamental). Assim a partir da LDB os cursos de auxiliar de enfermagem foram extintos já que são reconhecidos como profissionais aqueles com formação à nível médio. Primeiramente esta escola era chamada Escola de Educação Profissional Estilo, ela assim existiu desde 1994 até 1999, voltada à formação de auxiliar de enfermagem hoje ela cresceu e passou por diversas mudanças estruturais, que estão basicamente atendendo as questões legais impostas pela LDB, passando a formar técnicos de enfermagem. Um novo passo Por estar hoje reconhecida e regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases de 1996, é considerada como um curso profissionalizante, e deve atender os critérios educacionais de uma escola regular, com pedagogo responsável, com professores capacitados, todos os certificados emitidos passam pela Delegacia de Ensino. A partir de 2001, o Curso Técnico em Enfermagem, terá seu funcionamento baseado em um Projeto Político Pedagógico, conforme a LDB, o mesmo buscando, buscando uma maior integração entre as disciplinas teórico práticas. A discussão em torno do projeto político pedagógico nas instituições escolares em todos os níveis surgiu como imposição da “nova” L.D.B., já que entende como incumbência dos estabelecimentos de ensino à elaboração e execução de sua proposta pedagógica, cabendo à comunidade escolar, estendendo-se à funcionários administrativos, corpo discente, comunidade local (através de sua representatividade) e ao corpo docente o encaminhamento desta discussão. A abertura deste espaço de discussão proposto pela LDB, apesar de não ter surgido a partir dos anseios da comunidade, tem possibilitado estabelecer fóruns democráticos, buscando através da participação efetiva a construção das identidades das instituições. 6 Na concepção de Veiga (1995: 13) : “O Projeto Político pedagógico é uma ação intencional com um sentido explícito com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sócio-político com os interesses reais coletivos da população majoritária.” De acordo com Ferreira(1982), projeto é definido como plano, intento. O projeto político-pedagógico, fala de intenções, objetivos, tanto na área política, envolvendo a instituição e instâncias superiores, como na área pedagógica, definindo diretrizes e procedimentos, planejamento e ações, considerando a realidade. Veiga (1995), ao fazer referência ao aspecto pedagógico, enfatiza a possibilidade de efetivação da intencionalidade da escola, envolvendo a comunidade, responsabilizando-a e comprometendo-a com o projeto. Todo projeto pressupõe mudanças e intenções para o futuro, devendo constituir-se num trabalho constante de reflexão e revisão coletivos, para que tenha sentido, não se afastando dos objetivos ou, para que possa ser adequado se necessário. No caso da Escola investigada, esta vive um momento de transformação, adequando-se ao ensino médio profissionalizante e na fase de elaboração do Projeto Político Pedagógico, onde apareça a integralidade e a interdisciplinaridade, desta forma as disciplinas estão sendo agrupadas por áreas, e Escola trabalha ainda com a perspectiva de expansão das suas atividades, que farão parte dessa nova base curricular. INDICADORES METODOLÓGICOS Trata-se de um estudo descritivo, onde buscou-se o conhecimento direto da realidade, procurando descrever as características de uma população e suas opiniões a respeito de um fenômeno (Gil, 1996). O grupo de informantes foram alunos, professores e administradores da Escola de Educação Profissional em Saúde de Pelotas- EEPSPel, os dados foram coletados de abril à julho de 2000. Para melhor compreensão da realidade investigada optou-se por realizar entrevistas semi-estruturadas, com a direção e três professores, e investigou-se a partir de uma amostragem os alunos do turno da noite. Ainda foi realizada uma análise 7 documental para buscar subsídios das questões administrativas e dados dos alunos, mediante as fichas cadastrais dos mesmos. Na análise dos dados foram abertas categorias que traduziam as temáticas, coletadas a partir da análise documental, questionários e entrevistas, ainda procurou-se quantificar os resultados obtidos tantos nos questionários respondidos diretamente pelos alunos do turno da noite, como também alguns dados de identificação das fichas cadastrais. Os grandes temas subdividiram-se em caracterização da escola, aspectos pedagógicos, administrativos e caracterização da clientela. DESCRIÇÃO DOS DADOS CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA A Escola está localizada na Zona Central, na Rua Tiradentes, 2639, em um prédio alugado que sofreu algumas adaptações para que fosse possível o funcionamento das atividades curriculares. Existem várias salas de aulas que se tornaram pequenas já que houve uma procura maior do que o esperado. A Escola possui uma sala de secretaria, sala para os professores, uma biblioteca com pequeno acervo, sanitários, e ainda um espaço onde funciona um bar. Para o desenvolvimento das aulas práticas, existe um laboratório, com manequins, materiais médico-hospitalares, ambiente simulado de um posto de enfermagem e uma unidade do paciente. Conforme a direção da Escola existe a possibilidade de mudança para um novo prédio, próprio da Escola, com melhores condições de atender a clientela dos alunos, já que hoje o espaço das salas de aulas estão muito pequenos para o número de alunos matriculados, que são em torno de 220. Os materiais didáticos disponíveis na Escola são, basicamente quadro branco utilizáveis com canetas específicas, televisão e vídeo, microfone, e embora o prédio não apresente condições ótimas, existe toda uma preocupação em fazer que o ambiente se torne agradável, existem plantas decorativas, quadros, e as salas de aula apresentam ventiladores de teto para que os alunos sintam-se o mais confortável possível. Cabe ressaltar que na região sul este é o único curso que funciona de forma permanente e estruturado. O outro espaço de capacitação que existe em Pelotas são os cursos financiados pela Federação dos Trabalhadores da Área da Saúde, CUT/FAT, onde neste momento estão sendo oferecidos dois cursos, um destes sem verbas para continuar “ 8 Curso Técnico de Enfermagem” e outro “Curso Atenção Domiciliar” (agente de saúde) que deverá continuar. ASPECTOS PEDAGÓGICOS A Escola tem por objetivos, formar técnicos de enfermagem para o mercado de trabalho, oportunizar que auxiliares de enfermagem com ensino médio concluído ou em andamento realizem a complementação profissional e atender as exigências da LDB quanto ao ensino profissionalizante. A Escola está atravessando um momento de transformação total, anteriormente até 1999, eram ensinados conteúdos para a preparação do auxiliar de enfermagem e a partir deste ano, passou a ministrar o curso voltado ao preparo do técnico de enfermagem. Existe toda uma base para o planejamento das atividades, a administração da Escola realiza reuniões para que sejam formulados diferentes instrumentos determinando de forma conjunta o planejamento das atividades. Os professores fazem um plano de aula, planejamento do conteúdo programático das disciplinas, sempre frente aos objetivos da Escola. A maioria dos professores atuam na Escola como a segunda opção dentro do campo profissional e apresentam bom relacionamento com a direção. Os professores ministram suas aulas a partir da utilização de polígrafos que recebem da direção, com as idéias principais em relação a disciplina, as quais podem ser alteradas conforme a necessidade e desejo dos professores e alunos. Os professores são avaliados pelos alunos e direção, sendo que a maioria considera esse método eficiente e necessário para o crescimento pessoal, profissional e da Escola. Em torno de 70% dos alunos que responderam ao questionário consideram as aulas ministradas com excelente embasamento teórico-prático. As disciplinas teóricas ministradas são as seguintes: Anatomia e Fisiologia Humana; Higiene e Profilaxia; Microbiologia e Parasitologia; Nutrição e Dietética; Farmacologia; Estudos Regionais; Psicologia Aplicada e Ética Profissional; Introdução em Enfermagem; Enfermagem Médica; Enfermagem Cirúrgica; Enfermagem Materno Infantil; Enfermagem Neuropsiquiátrica; Enfermagem em Intensivismo Adulto; Enfermagem em Intensivismo Neonatal e Pediátrico; Enfermagem em Saúde Pública. 9 O currículo prevê estágios nas seguintes áreas: - Materno Infantil - Saúde do Adulto - Área de Intensivismo - Bloco Cirúrgico - Psiquiatria - Saúde Comunitária A finalidade é formar Técnicos em Enfermagem, num nível de profissionalização, conforme as determinações da LDB. Ainda a Escola oferece a possibilidade de Complementação de Curso para aqueles que assim desejarem. O Curso Complementar para Técnico de Enfermagem (CTEC), se destina basicamente aqueles profissionais que já estão no mercado e que são auxiliares de enfermagem, assim com a Complementação estes passam a exercer as funções profissionais de Técnico de Enfermagem . Existe um entendimento da importância de fundamentar as ações da Escola, de acordo com as disposições e prioridade da LDB, com relação ao ensino técnico profissional, assim está sendo construído o Projeto Político-Pedagógico. Alguns passos estão sendo dados neste sentido, as disciplinas estão sendo agrupadas por áreas, existe uma discussão para alterações na forma de avaliação, baseada nas competências e perfil profissional. Hoje a avaliação é feita de forma tradicional com provas práticas e escritas de 2 à 3 provas , onde o aluno deve obter média seis, e há ainda a avaliação nos campos de estágios, onde a média é sete, são 650 horas de estágios nas diferentes áreas da Enfermagem conforme acima colocado. A LDB prevê que todas as avaliações devem ser teórico-práticas não priorizando tão somente as notas dos alunos, conformidade com mas as competências preestabelecidas em o perfil do aluno técnico em enfermagem. Ainda dentro das avaliações devem estar contempladas as áreas cognitivas, psicomotora e ética. Para a Escola isto significa um momento impar no sentido de repensar as suas finalidades, o perfil a ser formado que deverá atender principalmente e com responsabilidade o mercado de trabalho. A carga horária prevista nos currículos varia de 700 a 1740 horas dependendo da modalidade do curso. 10 Atualmente a população que procura o Curso ou a Escola são pessoas que estão cursando ou terminaram o ensino médio e estão em busca de uma profissionalização na área da saúde. O diploma profissional só é considerado e entregue quando o aluno concluí o ensino médio e termina o Curso Técnico oferecido pela Escola. Este certificado passa a ser válido no mercado de trabalho na medida em que é autorizado pela Delegacia de Educação e Conselho de Enfermagem. ASPECTOS ADMINISTRATIVOS A Escola é uma entidade privada a qual é gerida por um enfermeiro que atua nesta instituição como um professor. Apresenta a seguinte estrutura organizacional: direção formada pela diretora e vice-diretora; uma coordenadora de disciplina, enfermeiras com licenciatura em enfermagem e uma supervisora e orientadora educacional, com formação em Pedagogia. O Corpo Docente é formado por onze professores teórico-práticos e em torno de 20 professores supervisores em campo de estágio contratados como autônomos. Existe ainda, o Setor de Apoio Administrativo composto por dois secretários, uma auxiliar de secretaria e uma bibliotecária. O serviço de higienização é tercerizado. A Escola oferece o Curso Técnico em Enfermagem nos três turnos, manhã tarde e noite, e o Curso de Complementação somente á noite. Os Cursos oferecidos pela Escola são pagos, porém a Escola oferece diferentes modalidades de pagamento, os quais ficam em torno de 20 parcelas de duzentos reais. Anteriormente a todas estas mudanças organizacionais, a escola era administrada por um pequeno grupo, e este mesmo grupo ministrava as aulas, hoje a Escola cresceu, há necessidade de novos professores. A idéia principal para a seleção dos professores, é buscar pessoas conhecidas que tenham bom desempenho profissional na área de enfermagem e que possam se adequar as características estruturais e pedagógicas da Escola. Conforme salientado anteriormente, existe um programa para cada um das disciplinas a ser ministrado e o professor contratado passa por um treinamento para atuar, que é estabelecido pela Direção da Escola. A Escola possuí um polígrafo feito pelos profissionais que atuam na área, que pode ser complementado caso o professor da disciplina ache necessário. Na verdade estas novas dimensões da escola tem favorecido momentos de discussão entre o grupo já mais antigo e ainda uma abertura para outros profissionais. 11 Com relação aos aspectos financeiros os professores recebem por aulas ministradas, oito reais e sessenta e dois centavos por hora aula. A Escola procura diferentes formas para divulgar seu trabalho, esta forma de marketing, vai variar conforme o momento, geralmente ela é realizada através de pastas, folders, propaganda em rádio e televisão. CARACTERIZAÇÃO DA CLIENTELA No primeiro momento foram analisadas duzentos e vinte fichas cadastrais dos alunos matriculados. Os resultados apontam uma clientela de 80% mulheres, 70% solteiros, 54% entre 20 - 30 anos, 86% oriundos de Pelotas e 60% fora do mercado de trabalho. No segundo momento a partir dos resultados da amostragem do turno da noite, num total de quarenta e seis pessoas, obtivemos os seguintes dados, conforme o quadro abaixo: Identificação Dado relevante Percentagem Faixa etária Entre 19 a 23 anos 50% Sexo Feminino 60% Estado civil Solteiro 52% Escolaridade I e II Graus em Escola Pública 70% Escolaridade dos pais I Grau Incompleto 50% Tentativa de ingresso na Realização de vestibular universidade 50% Destes realização de vestibular na área da saúde 50% Ativos 73% Destes atuam na área da saúde 50% Horas de trabalho diárias Mais de 8 horas 50% Renda familiar Entre 2 à 5 salários mínimos 58% Pagamento do curso Próprio aluno 50% Exercício profissional 12 Com relação aos dados referentes a qualidade do curso 43% dos alunos classificaram o ensino recebido como muito bom; 37% classificaram como excelente; quanto a questão docente, 41% classificaram o desempenho e qualificação dos professores como excelente e 41% muito bom. Ainda 52% dos entrevistados julgam seu desempenho no curso como bom e 46% muito bom; 54% sentem-se preparados para ingressar no mercado de trabalho e 28% não muito preparados já que encontram-se no início do curso. Dos alunos entrevistados 26% projetam para o futuro o exercício profissional; 24% aperfeiçoamento; 20% futuro fazer curso de graduação; 17% ser bom profissional. Quanto as sugestões para o curso, 9% almejam mais aulas práticas; 9% mais cursos de aperfeiçoamento. Os dados obtidos foram analisados de forma preliminar, em virtude do recente término do processo de coleta de dados. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do material colhido foi possível obter-se as seguintes conclusões: - A Escola estudada passa por um momento de mudanças tanto estruturais como pedagógicas, tendo em vista as novas perspectivas do campo profissional em enfermagem como também as exigências da LDB. - Há uma preocupação em discutir e elaborar o Projeto político-pedagógico em conformidade com a nova legislação, especialmente com relação ao novo perfil profissional e determinação de habilidades e competências. - A estrutura pedagógica estabelecida pela escola está atendendo de forma satisfatória a clientela que procura o curso. - Apesar dos escassos recursos financeiros da clientela, os mesmos tem investido na qualificação, e na busca de novas oportunidades de emprego na área da enfermagem. - Os dados referentes à clientela revelam, uma população jovem; predominantemente do sexo feminino; fora do mercado de trabalho; sem experiência na área da saúde; proveniente de classes sociais menos favorecidas; onde 50% já tentou ingresso na Universidade, mas não obteve sucesso. 13 Finalizando, salientamos que devido a abrangência dos dados colhidos neste trabalho, espera-se que os pontos obscuros sirvam como estímulo à reflexão e análise de futuras investigações. BIBLIOGRAFIA CARRARO, Telma Elisa. Enfermagem e assistência: resgatando Florence Nightingale. Goiânia: Editora AB, 1997. DEMO, Pedro. Avaliação qualitativa .Campinas: Autores associados, 1995. FERREIRA, Aurélio Buarque de H. Minidicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 1977. GIL, Antônio C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1996. KUENZER, Acácia. Ensino médio e profissional: As políticas do Estado neoliberal, São Paulo: Cortez, 1997. LEI 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. LUNARDI, Valéria Lerch. História da Enfermagem: rupturas e continuidades. Pelotas: UFPel. Editora Universitária, 1998. VEIGA, Ilma Passos A. (Org.). Projeto político-pedagógico da escola. Papirus, Campinas, 1995.