15 1 INTRODUÇÃO A natureza do presente estudo é investigar o uso e abuso de bebidas alcoólicas, evidenciando os impactos físicos, sociais, que envolvem esse consumo dentro do grupo de soldados recrutas, procurando avaliar se o meio social de convivência dos indivíduos estudado tem influência na escolha de fazer ou não o uso de bebidas alcoólicas, tomando por base o conhecimento prévio que esse grupo tenha sobre o alcoolismo. Deduz-se que o uso das bebidas alcoólicas vem a ser como um elo que têm o poder de unificar e ao mesmo tempo dissociar os grupos sociais a que pertence o indivíduo. O momento da embriaguez (que seria a utilização exagerada do álcool) remete as pessoas à descontração. E em outros instantes, podem desencadear brigas, agressões e xingamentos, que acarretam conseqüências graves, motivadas, na maioria das vezes, pelo excesso do consumo das bebidas alcoólicas. O bar ou ambiente semelhante é o cenário desafiante. Aproveita-se a ocasião e, as pessoas são convidadas ao deleite de uma noite ou um dia. Não há limites ou auto-controle. Esse, portanto, é o efeito principal da bebida alcoólica. A facilidade com que essa droga é comercializada, por ser lícita tem favorecido o seu elevado consumo, o que é apontado como umas das causas do alcoolismo. O problema do alcoolismo, que atinge a milhões de brasileiros, é considerado, por órgãos competentes, como um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil. E, também um dos grandes responsáveis por fatalidades em acidentes de trânsito, homicídio, suicídio e agressão. (BUCHER, 1992). Para Alfaro (1993), estudos sobre o consumo de bebidas alcoólicas são relevantes, pois se fazem urgentes novos elementos para a compreensão do fenômeno, já que se trata de um problema de saúde pública com custo social. Nessa perspectiva, encontram-se vários estudos que têm provocado uma reflexão sobre essa temática, dentre eles, o estudo realizado por Neves (2004), por exemplo, ressalta que é preciso compreender os modos moralizantes de representação do alcoolismo. Neves (2004), observa os efeitos do álcool sobre a construção das relações sociais, como fator dissolvente de unidades sociais fundamentais (a família), e como perturbador do exercício de papéis básicos, (no trabalho, no grupo de amigos) momentaneamente,o indivíduo sente-se um herói no posto de autoridade, mas o efeito é efêmero e as conseqüências perigosas. 16 Em consonância com esse pensamento, Galduróz e Caetano(2004), defendem que, embora o álcool, seja considerado, inicialmente, um agente produtor de sociabilidade, ao qual pode haver quem lhe atribua um valor positivo, ele torna-se, para uma parcela da população, um agente de dissociação. Essa dissociação gera rupturas no campo das relações sociais, e principalmente na família, além de demissões trabalhistas. Algumas respostas do estudo realizado por Mota (2004), afirmaram que a bebida socializa e descontrai. Por outro lado o autor evidencia novas expectativas com relação ao papel da família, ressaltando o seu comprometimento no processo de promoção e prevenção da saúde, em relação aos problemas com o alcoolismo. A estrutura desse trabalho está distribuída em seções que contemplam aspectos epidemiológicos, efeitos do uso abusivo do álcool, ações sugeridas pelo Ministério da Saúde, além de uma breve exposição quanto às recentes modificações na legislação. 1.1 JUSTIFICATIVA A questão do consumo excessivo de bebidas alcoólicas detém várias interferências. Os estudos dessas interferências esclarecem os fatores que contribuem à existência do alcoolismo assim como os grupos que são susceptíveis. A partir do momento em que se conhece esse grupo susceptível, formas eficientes de prevenção podem ser adotadas. As ações educativas são voltadas à prevenção da ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, entretanto, há o intuito de contribuir para a formação social e formação da cidadania, não apenas do grupo estudado, mas dos outros indivíduos que com eles convivem. Mesmo com um extenso e valioso suporte teórico tratando sobre os conceitos, princípios, fundamentos que são fatores determinantes, ainda existem aspectos que necessitam de uma investigação, com o intuito de conhecer o universo dos que consomem bebidas alcoólicas. Necessário se faz, também, provocar uma discussão a respeito do conhecimento sobre as bebidas alcoólicas e o que as mesmas podem provocar nas pessoas. 17 2 O ALCOOLISMO COMO DOENÇA Este tópico vai apresentar uma abordagem a cerca do alcoolismo, considerando-o como uma doença social, suas causas e conseqüências e as complicações para a vida do indivíduo acometido. Para Campos (2004), o indivíduo susceptível a esse consumo de bebidas alcoólicas, pela necessidade de torna-se aceito por um grupo social. Por muitas vezes esse grupo de amigos faz cobranças para que ele faça uso de bebidas alcoólicas. Tratando-se de uma doença social, o indivíduo acometido irá precisar de ajuda para sua recuperação. A representatividade do alcoolismo como doença física assemelha-se à interpretação elaborada pelo modelo biomédico, que circunscreve a doença alcoólica no âmbito biológico e fisiológico. Nesse sentido, Campos (2004), em seu estudo a cerca das representações de exbebedores sobre o contágio e a doença, defende que: a maioria concebe o alcoolismo como uma “doença inata”, enraizada no organismo do alcoólico, que constrange a vontade do indivíduo, impedindo-o de agir de modo responsável. Oliveira e Luís (1996, p.12) prosseguem afirmando que: O alcoolismo é, portanto, mais que um problema individual, na medida em que atinge a família no seu conjunto, podendo ser considerada uma doença familiar, uma vez que o sofrimento é do todo e não só do dependente. São citados os grupos de auto-ajuda como o A.A(Alcoólicos Anônimos) que fazem um trabalho de conscientização em quase todos os Estados Brasileiros. Esse trabalho vem dando respostas para muitas pessoas que freqüentam esse grupo. Esse grupo já é reconhecidos como suporte para as pessoas com os agravos decorrentes do abuso das bebidas alcoólicas e, das mesmas que querem se livrar do vício ou daqueles que já estão trilhando por esse caminho. 18 3 O ALCOOLISMO E A FAMÍLIA De acordo com Oliveira e Luís (1996), o alcoolismo é uma doença que afeta não só a pessoa que consome bebidas alcoólicas, os membros da sua família, e as pessoas mais próximas são particularmente atingidos no plano afetivo e no seu cotidiano, sentindo-se tão desamparados como o alcoolista. A dependência atinge toda a família, dividindo-a e isolandoa do resto do mundo. Os sentimentos, os pensamentos e os comportamentos de cada membro da família são dirigidos para o consumo de bebidas alcoólicas pelo familiar dependente. Segundo Castanha e Araújo (2006), a doença só afeta a família a partir do momento em que começam a surgir os problemas paralelos ao alcoolismo como: acidentes de trânsito, violência, perda de emprego, decadência social, financeira e moral e a co-dependência, isto é, a família se torna dependente do álcool. É uma dependência neurótica, uma doença que provoca sofrimento e inúmeros desajustes. Quando esse momento chega, a integração e as atividades da família passam a depender do comportamento do dependente químico. Isso ocorre porque as pessoas em volta tentam controlar a quantidade, freqüência e a forma com a qual o usuário bebe. De acordo com os autores citados, na maioria das vezes, a situação torna-se catastrófica e a família deve se conscientizar, e pedir ajuda tanto psicológica como médica. No princípio, pode ser difícil, mas é necessário um acompanhamento profissional para que a casa não se torne um lar alcoólico ou disfuncional, onde promessas são freqüentemente esquecidas, celebrações canceladas e o humor dos pais geralmente imprevisível, ou seja, a falta de harmonia está na mesa e alegria de um lar fica perdida no tempo. Para tanto, a procura por um profissional deve ser o primeiro passo. Os familiares ficam acometidos pelo medo, desespero, falta de orientação e certa revolta. Por vezes, os familiares culpam-se pela situação de dependência alcoólica de seus parceiros, de seus filhos ou de seus pais, envergonhando-se por isto. Vaismam(1998), remete a explicação vislumbrando a possibilidade de que:muitas vezes os familiares adoecem-se em virtude da situação, que é deveras desgastante para todos. Os problemas de saúde mais comuns que acometem os familiares são nervosismo, insônia, problemas estomacais, enxaqueca e depressão. Tomar uma atitude como a de procurar um tratamento para um membro da família é sempre algo difícil de acontecer. Por isso, considera-se que existe um grande preconceito ou vergonha de assumir que se possui um familiar alcoolista dentro do seio da família E essa 19 resistência só é sobreposta quando a situação fica insustentável chegando ao ponto da desestruturação familiar. Neste ponto, pode-se considerar o início do fim de uma situação que podia ser controlada, mas chegou a um ponto quase irreversível. Encontrando-se na situação em que uma família possua um parente dependente do alcoolismo, Vaismam (1998), apresenta algumas orientações que podem ser seguidas em linhas gerais,essas orientações encorajam o familiar do alcoolista a procurar ajuda,incentivando-o a elevar sua auto-estima e estimulando-o a agir com transparência, sem mentiras ou tentativas de esconder ou desculpar o vício. 20 4 O ALCOOLISMO E O TRABALHO No Brasil, o alcoolismo é o terceiro motivo para o absenteísmo, e a causa mais freqüente de acidentes no trabalho. Segundo a Associação dos Estudos do Álcool e Outras Drogas, de 3 a 10% da população brasileira fazem uso abusivo do álcool. A doença é a oitava causa de concessões de auxílio-doença, e os problemas direta ou indiretamente relacionados ao uso da substância consomem de 0,5% a 4,2% do PIB, ( IBGE, 2006 ). Para Vaismam,(1998): diversos fatores podem contribuir para a tendência ao abuso crônico do álcool e de outras drogas. Fatores genéticos, biológicos, psicológicos e socioculturais interagem, em maior ou em menor grau, para a origem da dependência química. A autora, que prefere chamar de alcoolista (portador da doença do alcoolismo) ao invés de alcoólatra (adorador do álcool), afirma que: os sintomas dessa doença se agravam e intensificam-se ao longo da vida do doente. O alcoolista inicia sua carreira como bebedor social na idade jovem. Perto dos 30 anos, evolui para a condição de bebedor pesado ou bebedor-problema. Pode-se considerar ainda que, na segunda metade da terceira década de vida ou a partir da quarta década, tem-se instalada a síndrome de dependência alcoólica. É nessa fase que surgem problemas conjugais, sociais, legais, financeiros e de relacionamento. Nesse momento, também, os usuários de álcool estão mais propensos a acidentes de trânsito, problemas psicológicos envolvendo violência, homicídios, suicídios. Além desses, há a presença de problemas ocupacionais, onde se destaca: afastamento, faltas ao trabalho, atrasos, problemas de relacionamento, indisciplina, queda de produtividade, acidentes de trabalho. (VAISMAM,1998). Ainda de acordo com a autora, o alcoolismo é mais comumente encontrado em algumas ocupações, sobretudo naquelas socialmente desprestigiadas, quando as possibilidades de ascensão profissional são restritas ao trabalhador. Vale ressaltar, que existem alguns fatores de risco profissional em relação ao alcoolismo no ambiente de trabalho como: disponibilidade do álcool enquanto se trabalha pressão social para beber, ausência de supervisão ou chefia, e situações de tensão ou perigo. “Devido às condições de trabalho, os fatores desencadeantes do estresse podem induzir ao alcoolismo, como forma de aliviar a ansiedade”, conforme exposição de Vaismam (1998, p.84). 21 Ainda para Vaismam(1988), nas mesmas circunstâncias, é ressaltada a relação existente entre o risco de abuso de álcool, às profissões de alto risco de abuso de álcool e o sexo masculino ou sexo feminino. Suas colocações baseiam-se em dados de uma pesquisa realizada por uma universidade americana, que analisou a relação entre o uso de álcool e diversas ocupações. Ela ainda faz uma ressalva: o maior fator de risco para o alcoolismo é o desemprego. Certas características identificam trabalhadores com problemas de alcoolismo: faltas freqüentes, especialmente em dias que antecedem ou sucedem fins de semana e feriados; atrasos após o almoço ou o intervalo; queda na produtividade; desperdício de materiais; dificuldade de entender novas instruções ou de reconhecer erros; reação exagerada às críticas e variação constante do estado emocional (VAISMAM,1988). A autora também refere que o alcoolismo é um dos problemas que mais atingem o trabalhador nas empresas. Ele afeta intimamente o comportamento dos empregados: constantes atestados, acidentes de trabalho, quedas na produção, conflitos familiares, agressões, problemas financeiros, problemas de saúde, aposentadoria por invalidez. Os reflexos causados pelo abuso do álcool no trabalho têm motivado as empresas brasileiras a implantarem o Programa de Alcoolismo na Empresa - PAE, que visa o diagnóstico precoce e o encaminhamento dos trabalhadores com problema para tratamento, que costuma ser realizado em três etapas: a identificação do alcoolismo pelo médico da empresa através de entrevistas com o empregado; a desintoxicação do empregado alcoolista em ambulatório ou hospital; a reabilitação do empregado com o acompanhamento do terapeuta. Várias empresas já possuem programas de prevenção ao alcoolismo, inclusive a maior distribuidora de bebidas mundial que é a AMBEV, indústria distribuidora de bebidas alcoólicas (www.ambev.com.br). 22 5 ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DO ALCOOLISMO. 5.1 O ATO DE BEBER E AS BEBIDAS ALCOÓLICAS Para Cardin et al (1977 apud OLIVEIRA E LUÍS,1996, p.13): o consumo de bebidas alcoólicas é firmado como um dos hábitos sociais mais antigos e disseminados entre as populações do mundo, não só por estar associado a ritos religiosos, mas também por se atribuir a ele uma variedade de efeitos como calmante, afrodisíaco, estimulante de apetite e desinibidor. Os autores ainda afirmam que:“Apesar do alcoolismo ser considerada uma droga legal, apresenta-se como um drama na maioria das famílias sendo difícil a reabilitação desses pacientes, embora não seja impossível. Desde a década de oitenta, os especialistas têm apontado vários fatores que estariam influenciando o uso de álcool e drogas. Dentre esses, destacam-se fatores socioeconômicos e políticos (como o desemprego), insegurança do indivíduo em relação ao futuro, carência de alternativas de lazer e trabalho para os jovens; a repressão política, a atividade educativa opressiva, ambas restringindo a postura crítica e a ação criativa, tudo isso surge como fatores geradores de angústia e depressão, conduzindo à necessidade de evasão psicológica e a busca de satisfação propiciada por substâncias como álcool e drogas psicoativas. (OEA ,1986). 5.2 ESTIMATIVAS SOBRE O ALCOOLISMO Segundo o Ministério da Saúde, (2008): é estimado que mais do que dois terços das pessoas, em países ocidentais, bebem mais do que apenas ocasionalmente. Nos Estados Unidos, aproximadamente 10% das mulheres e 20% dos homens preenchem critérios diagnósticos para abuso do álcool e 5% das mulheres e 10% dos homens preenchem critérios para dependência ao longo da vida. O risco de alcoolismo é influenciado por fatores sociais como o sexo, o nível socioeconômico, a profissão e a religião. Assim como nos Estados Unidos, também na Suécia, o risco é maior entre homens de nível socioeconômico mais baixo. No Brasil, um estudo de morbidade psiquiátrica em áreas urbanas indicou que a prevalência combinada de abuso e dependência de álcool ao longo da vida seria de 23 aproximadamente 8% no conjunto das amostras estudadas, representativas de São Paulo, Brasília e Porto Alegre. A avaliação em cada sexo revelou uma prevalência de 15% e 16% entre os homens e de 0,5 % e 2,5% entre as mulheres. (MS, 2008). De acordo com dados de dois estudos nacionais realizados pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o consumo de bebidas alcoólicas tem aumentado e, conseqüentemente, os problemas que derivam do seu uso. Em 2001, 68,7% da população brasileira já tinha usado algum tipo de bebida alcoólica pelo menos uma vez na vida. Quatro anos depois, este consumo chegou a 74,6%, revelando um aumento de 8,5%. No que diz respeito à dependência do álcool, também houve aumento. No primeiro levantamento, 11,2% da população brasileira pesquisada (acima de 12 anos) foi identificada como dependente de bebidas alcoólicas; já em 2005, este percentual chegou a 12,3%. O aumento deste consumo também está sendo observado na população mais jovem, é uma investigação conduzida pelo CEBRID que revelou que entre estudantes da rede pública, nas 27 capitais brasileiras, o percentual de consumo de bebidas alcoólicas é alto. As estatísticas mostram que o álcool, é de longe, a mais perigosa das drogas, responsável por 90% das internações em hospitais psiquiátricos. Ele é responsável, ainda, por 45% dos acidentes com jovens entre 13 e 19 anos e por 65% dos acidentes fatais, provocando 350 tipos de doenças físicas e psíquicas. Afirmar-se que os viciados em drogas lícitas também representam caso grave de saúde pública. 5.3 FATORES GENÉTICOS De acordo com Baú, Almeida e Hutz (2000),sem desprezar a importância do ambiente no alcoolismo, presume-se que existem várias evidências claras de que alguns fatores genéticos. Portanto, o alcoolismo tende a ocorrer com mais freqüência em certas famílias, entre gêmeos idênticos (univitelinos), e mesmo em filhos biológicos de pais alcoólicos adotados por famílias de pessoas que não bebem. Adolescentes abstêmios, filhos de pais alcoólicos, têm mais resistência aos efeitos do álcool do que jovens da mesma idade, cujos pais não abusam da droga.Muitos desses filhos de alcoólicos se recusam a beber para não seguir o exemplo de casa.Quando acompanhados por 24 vários anos,porém,esses adolescentes apresentam maior probabilidade de abandonar a abstinência e tornarem-se dependentes. (BAÚ,ALMEIDA,E HUTZ,2000). Ainda de acordo com Baú, Almeida e Hutz (2002), paralelamente, surge à psicologia e a psicanálise, propondo, em contraposição, uma forte influência ambiental. Atualmente, a dependência química, assim como a maioria dos outros problemas mentais, é incluída na categoria das doenças multifatoriais. Nestas afecções, os fatores determinantes interagem entre si de maneira tão complexa que se torna difícil determinar um agente etiológico presente em todos os indivíduos afetados. Baú, Almeida e Hutz (2000, p. 103), registram que, o problema do alcoolismo como genético, asseveram que: a herdabilidade foi estimada em aproximadamente 50% e 60%, tanto para homens quanto para mulheres.Os autores também puderam inferir que: Embora a magnitude da influência genética seja igualmente elevada nos dois sexos, os genes envolvidos seriam apenas parcialmente compartilhados entre homens e mulheres. A herdabilidade do alcoolismo é compartilhada em parte com a do tabagismo, o que explica a forte associação entre os dois problemas. Já o abuso de drogas não parece ser preditivo do alcoolismo em parentes. 5.4 A INDÚSTRIA DO ALCOOLISMO A indústria do álcool é ciente que: alguns produtos necessitam de atenção especial como por exemplo,as bebidas alcoólicas. A Icap,(agência responsável pela promoção de discussões e parcerias entre a indústria do álcool e a comunidade envolvida com a saúde pública), reconhece que a propaganda e promoção dessas bebidas deveriam exigir uma regulamentação mais cuidadosa do que de outros produtos. Em um de seus relatórios a Icap mostra a regulamentação dos anúncios de seus produtos em diversos países. De acordo com Galduróz e Caetano (2008), através deste documento encontra-se a melhor maneira de regulamentar a promoção de qualquer tipo de bebida alcoólica, e é por meio de legislação correspondente, seguida de uma combinação com a regulamentação dentro das próprias empresas de marketing. No entanto, a situação nos países em desenvolvimento é bem diferente, como é o caso do Brasil. 25 6 EFEITOS DO USO E ABUSO DO ÁLCOOL Nesta parte do trabalho faz-se um enfoque sobre o abuso das bebidas e das suas principais conseqüências sobre o abuso das bebidas alcoólicas e seus agravos. 6.1 FASES EVOLUTIVAS DO ALCOOLISMO Segundo o Alcoólicos Anônimos (AA) (2008), a fase de adaptação, é aquela em que não aparecem problemas com o excesso no consumo de bebidas alcoólicas. Se o indivíduo não tem predisposição ao alcoolismo, ele bebe a quantidade que o organismo suporta e não sente vontade de beber mais a qualquer custo. Entretanto, se existe a predisposição, ele chega em seguida ao que se apelida de fase da tolerância. Nela, o organismo vai se acostumando a receber doses cada vez maiores de álcool, quase sempre durante anos seguidos. Por fim, chega à fase mais problemática, que é a fase da dependência, na qual ele não consegue viver sem o álcool. Daí começa a falhar nos compromissos com o emprego, casa, escola. E aparecem ou agravam-se os problemas de saúde, (diarréia, taquicardia, tremor das mãos), que o indivíduo enfrenta com paliativos e, assim mesmo continua bebendo. 6.2 A AÇÃO DO ÁLCOOL NO ORGANISMO A ingestão de bebidas alcoólicas provoca diversas ações em todo o organismo e provocam alterações no sangue, coração, cérebro, boca, faringe, esôfago, garganta, estômago, intestinos, fígado, pâncreas, laringe, brônquios, pulmões, órgãos dos sentidos como vista e ouvidos, órgãos secretores da urina e os rins. Ainda afeta o sistema imunológico: as defesas orgânicas diminuem, tornando o indivíduo vulnerável a doenças graves. O álcool é seguramente, a droga mais relacionada ao uso abusivo. De acordo com Zalesk (1997), Apesar dos malefícios que produz à saúde, ainda persiste o mito que alguns goles de bebida alcoólica não são significativos em relação à 26 diminuição do desempenho psicomotor na realização de certas atividades. Entretanto o álcool é um depressor das atividades do sistema nervoso central, droga lícita que tem efeitos dependentes da dose consumida. Para Bechara et al (2001), alterações no córtex pré-frontal (CPF) dos dependentes de álcool tendem a prejudicar, principalmente, o processo de tomada de decisões (decisionmaking), tais problemas parecem estar relacionados a alterações nas funções executivas e também na memória operativa, levando o paciente a escolher opções mais atraentes em relação aos ganhos imediatos (como o próprio ato de beber), em detrimento de um comportamento voltado para a análise das conseqüências futuras de suas ações. Fonte: Dao-Castellana et al (1998, p. 28) Oliveira et al (1996, p. 111) continua o raciocínio: “a parte do corpo que recebe mais sangue é o cérebro e, por isso, é a região onde ele apresenta o maior grau de nocividade e isto não tem relação de causalidade com o cérebro”. Para Dao-Castellano (1998), o álcool continua sendo a droga mais usada por toda a população mundial afetando a química do cérebro, deformando os níveis de neurotransmissores, que são mensageiros os quais transmitem sinais para todo o corpo, controlando o pensamento, emoções e o comportamento do indivíduo. Potencializando a ação inibidora do GABA (neurotransmissor), responsável pela fala enrolada e pelos movimentos lentos, e inibe a ação excitatória do glutamato (tipo de hormônio) deixando a pessoa relaxada 27 e calma. “Além dessas alterações a bebida alcoólica eleva a quantidade de dopamina no Sistema Nervoso Central, o que cria as sensações de prazer. Continuando Dao-Castellano (1998, p. 31) diz que a sintomatologia sobre os efeitos do álcool é a hipersensibilidade como dormência, o formigamento nas mãos, pés ou ambos e, ainda, os efeitos sobre o sistema gastrintestinal quando grande quantidade de álcool é ingerida de uma vez pode levar a inflamação no esôfago e estômago ocasionando sangramentos além de enjôo, vômitos e perda de peso. Para Pilon et al (2004), esses problemas costumam ser reversíveis, mas, as varizes decorrentes de cirrose hepática além de irreversíveis, são potencialmente fatais devido ao sangramento de grande volume que pode acarretar. Pancreatites agudas e crônicas são comuns nos alcoólatras constituindo-se uma emergência à parte. A cirrose hepática é um dos problemas mais falados dos alcoólatras; é um problema irreversível e incompatível com a vida, levando o alcoólatra lentamente à morte. No Sistema Cardiovascular as doses elevadas por muito tempo provocam lesões no coração, provocando arritmias e outros problemas como trombos e derrames conseqüentes. É relativamente comum a ocorrência de um acidente vascular cerebral após a ingestão de grande quantidade de bebida. Ainda de acordo com Pilon et al(2004), o álcool, afeta também o metabolismo hormonal, há pacientes alcoólatras que apresentam alterações tanto para mais como para menos, nos níveis desses hormônios; presume-se que quando isso ocorre seja de forma indireta por afetar outros sistemas do corpo. Os hormônios do crescimento, com várias alterações, são observados em indivíduos que abusam de álcool, mas essas alterações não provocam problemas detectáveis como inibição do crescimento ou baixa estatura, pelo menos até o momento;o abuso do álcool provoca alterações no hormônio antidiurético, inibindo a perda de água pelos rins, o álcool inibe o hormônio, como resultado a pessoa perde mais água que o habitual, urina mais, o que pode levar a desidratação. Para Oliveira et al (1996), ainda sobre o efeito do álcool sobre outros hormônios,com relação à ocitocina, que é o hormônio é responsável pelas contrações do útero no parto, o álcool tanto pode inibir um parto prematuro como atrapalhar um parto a termo, podendo tanto ser terapêutico como danoso. O álcool não afeta diretamente os níveis de insulina (hormônio), quando isso acontece é por causa de uma possível pancreatite que é outro processo distinto. Continuando com Oliveira et al (1996), os autores concluem que: grandes doses de bebidas durante um longo período de tempo podem danificar a maior parte dos órgãos vitais e alterar seu fucionamento, assim, a dependência instala-se de modo lento e insidioso e, pode, 28 mesmo antes de ser reconhecida, ter já causado inúmeros danos, e até provocar em alguns casos, a morte. Todo o dia vidas são destruídas em acidentes, que resultam do abuso do álcool e de outras drogas que afetam o desempenho do ser humano. 6.3 SINTOMAS DO ALCOOLISMO A décima versão da Classificação Internacional das Doenças (CID-10) estabeleceu diretrizes diagnósticas para a dependência, que, segundo o conceito de dependência, envolve os seguintes critérios: 1. desejo intenso ou compulsão para ingerir bebidas alcoólicas; 2. tolerância: necessidade de doses crescentes de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da substância; 3. abstinência: síndrome típica e de duração limitada que ocorre quando o uso do álcool é interrompido ou reduzido drasticamente; 4. aumento do tempo empregado em conseguir, consumir ou recuperar-se dos efeitos da substância; abandono progressivo de outros prazeres ou interesses devido ao consumo; 5. desejo de reduzir ou controlar o consumo do álcool com repetidos insucessos; 6. persistência no consumo de álcool mesmo em situações em que o consumo é contraindicado ou apesar de provas evidentes de prejuízos, tais como, lesões hepáticas causadas pelo consumo excessivo de álcool, humor deprimido ou perturbação das funções cognitivas relacionada ao consumo do álcool. De acordo com o CID-10, para que se caracterize dependência, pelo menos três critérios devem estar presentes em qualquer momento durante o ano anterior. Entre os indivíduos dependentes, há diferentes níveis de gravidade que dependerão da presença de sintomas de abstinência e da quantidade e impacto das perdas e prejuízos advindos do uso da substância. 29 6.4 TRATAMENTO DOS PROBLEMAS CLÍNICOS DO ALCOOLISMO Considera-se que não existe cura para o alcoolismo, como em qualquer outro caso de dependência química. O que existe é tratamento. Na grande maioria dos casos, o próprio paciente não consegue perceber o quanto está envolvido com a bebida alcoólica, tendendo a negar o uso ou mesmo a sua dependência. Nestes casos, pode-se começar o tratamento ajudando o paciente a reconhecer seu problema, e a necessidade de procurar tratamento e tentar então assim sair do alcoolismo. A indicação de internação, pelo menos como fase inicial de desintoxicação, costuma ser a regra. Entre as formas de tratamento mais indicadas, estão os programas baseados nos 12 passos dos Alcoólicos Anônimos (AA) (2008), fundamentados na aceitação da doença, enfrentamento e prevenção da recaída. Segundo a própria medicina atual, as recomendações atuais para tratamento do alcoolismo, envolvem duas etapas: que são: desintoxicação - geralmente realizada por alguns dias sob supervisão médica, permitindo combater os efeitos agudos da retirada do álcool;e a reabilitação-depois de controlados os sintomas agudos da crise de abstinência,os pacientes são encaminhados aos programas de reabilitação como o Alcoólicos Anônimos(A.A). 6.5 SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA Neste estágio da doença, a dependência física está instalada e o álcool, paradoxalmente, passa a ser o remédio que minora o sofrimento nas crises de abstinência, que são dolorosas, com isso, considera-se que a deterioração física, mental e social é evidente. Basta observar a figura ictérica, inchada, sem controle dos esfíncteres, perambulando pelas ruas ou vítima de tremores, delírios e alucinações, capaz de beber desodorante, álcool etílico, combustível, perfume e até urina porque sabe que através dela, parte do álcool ingerido será eliminada. Sérias complicações de saúde como cirroses, neurites, psicoses, pancreatites, hemorragias de esôfago e estômago, tumores malignos, marcam a terceira fase. Após período de abstinência, que pode ser de dias ou meses, assim que o indivíduo volta a beber, ou seja, tem uma recaída em curto espaço de tempo, ele passa a beber no mesmo padrão da dependência anterior. 30 Esses são somente alguns sintomas da síndrome de abstinência do álcool, pois, assim que o indivíduo deixa de beber por alguns dias, presume-se que ainda possam existir outros sintomas que são inerentes a cada um de acordo com o seu organismo. 6.5.1 Fenômeno da dependência O fenômeno da dependência obedece a dois mecanismos básicos: o reforço positivo e o reforço negativo. O positivo refere-se ao comportamento de busca do prazer, ou seja, quando algo é agradável o indivíduo busca os mesmos estímulos para obter a mesma satisfação. O reforço negativo refere-se ao comportamento de evitar o desprazer, ou seja, numa dada circunstância quando algo é desagradável o indivíduo procura os mesmos meios para evitá-los, ou seja, o uso de mais bebidas alcoólicas. Nas fases mais graves da dependência os sintomas de abstinência são mais marcantes, tais como: tremores, sudorese, aumento da pulsação, náuseas, vômitos, insônia, agitação, ansiedade. (CAMPOS, 2004). Segundo Campos (2004), nos casos mais graves, podem ocorrer convulsões e as manifestações clínicas do chamado “Delirium Tremens”. Esta é uma forma mais intensa e complicada da abstinência alcoólica. É considerado um quadro psiquiátrico grave que necessita de tratamento hospitalar. Caracteriza-se por um estado de confusão mental. O paciente não consegue conversar, confunde objetos e pessoas, não sabe informar sobre datas ou local onde se encontra, não consegue prestar atenção em nada. Um traço comum no “Delírium Tremens”, mas nem sempre presente, são as alucinações táteis e visuais o doente “tem visões” de insetos (baratas, formigas...), ou animais asquerosos (ratos, cobras...), próximos ou junto ao seu corpo. Atualmente, há medicamentos modernos que podem ajudar a manter a abstinência, os quais devem ser prescritos e acompanhados pelo médico. Esses medicamentos atuam inibindo o prazer dado pelo álcool e impedindo o reforço positivo; diminuindo o mal estar causado pela abstinência, bloqueando o reforço negativo. 31 6.5.2 Fenômeno da tolerância Certo grau de embriaguez é a reação normal do organismo posto em contato com o álcool. Entretanto, É difícil encontrar alguém que não tenha conhecido pessoas que bebem quantidades enormes e não se abalam. O critério da tolerância, não é a ausência ou presença de embriaguez, mas a perda relativa do efeito da bebida. A tolerância ocorre antes da dependência. Os primeiros indícios de tolerância não significam necessariamente dependência, mas é um sinal claro de que ela não está longe. A dependência é simultânea à tolerância. Em outras palavras, a dependência será tanto mais intensa, quanto maior for o grau de tolerância ao álcool. Diz-se que o indivíduo tornou-se dependente do álcool quando ele não tem mais forças por si mesmo para interromper ou diminuir o uso do álcool e neste estágio há um abandono progressivo dos interesses, atividades e prazeres pessoais, ficando a vida cada vez mais direcionada à bebida. A maior parte do tempo do indivíduo passa a ser ocupada com a busca e consumo da bebida. Ele continua bebendo apesar das evidências claras dos prejuízos físicos, psicológicos, familiares e sociais que vem sofrendo. 6.5.3 Aspectos Gerais quanto ao tratamento do alcoolismo Segundo Ramos e Woitowitz (2004),diz que identificação precoce do alcoolismo geralmente é prejudicada pela negação dos pacientes quanto a sua condição de alcoolista. Além disso, nos estágios iniciais é mais difícil fazer o diagnóstico, pois os limites entre o uso "social" e a dependência nem sempre são claros. Quando o diagnóstico é evidente e o paciente concorda em se tratar é porque já se passou muito tempo, e diversos prejuízos foram sofridos, portanto, considera-se mais difícil de reverter o processo. Richardson (1999), diz que:como a maioria dos diagnósticos mentais, o alcoolismo, possui um forte estigma social, e os usuários tendem a evitar esse estigma. Esta defesa natural para a preservação da auto-estima acaba trazendo atrasos na intervenção terapêutica. Para se iniciar um tratamento para o alcoolismo é necessário que o paciente preserve em níveis elevados sua auto-estima sem, contudo, negar sua condição de alcoolista, fato muito difícil de se conseguir na prática. 32 7 PREVENÇÃO Segundo Ramos et al (2004), prevenção primária do alcoolismo deve ser apoiada inicialmente pelos educadores naturais (pais e professores),onde esses educadores devem atuar o mais cedo possível devendo fazer parte da educação familiar. Neste nível, a prevenção deve ser feita por conjunto de medidas que devem estar inseridas na educação, visando intervir na formação dos jovens antes que surjam os problemas e para tanto é necessário que sejam aplicadas de maneira didática, criativa e prazerosa. Ainda para os autores, no caso dos jovens, deve ser enfatizadas medidas de conscientização e sensibilização quanto aos problemas da infância e da adolescência, em seus aspectos físicos e culturais. Com os adultos, a prevenção primária deve fornecer conhecimentos básicos para provocar e favorecer uma maior reflexão sobre os problemas abordados. A prevenção secundária deve ser entendida como um prolongamento da prevenção primária, quando esta não alcançou os efeitos necessários, a mesma se aplica quando o indivíduo está em dificuldades que o levam a pensar em consumir a droga ou mesmo já está consumindo de maneira não contínua por simples curiosidade. Neste caso, a pessoa ainda não é um dependente, mas o risco de se tornar é cada vez maior. Os métodos de abordagem devem ser feitos tanto por uma comunicação mais dirigida e específica para aprofundar o diálogo, quanto a conhecer mais profundamente a droga utilizada, seus efeitos e problemas. RAMOS et al (2004). Ainda de acordo com os autores, a prevenção terciária, se confunde com o tratamento ou reabilitação,pois o indivíduo já é alcoolista, este nível de prevenção tem por objetivo evitar a recaída ao uso de bebidas alcoolicas e visa reintegrar o indivíduo à sociedade. Sua atuação se faz, durante e depois do tratamento. Antes do tratamento, objetiva auxiliar o dependente a solicitar ajuda, ou seja, conscientizá-lo de que seu problema não pode ser resolvido só por ele mesmo. Durante o tratamento a prevenção age evitando que o tratamento não seja interrompido. 33 8 DIRETRIZES DO MINISTÉRIO DA SAÚDE PARA A SITUAÇÃO DO ALCOOLISMO Inicia-se esse capítulo com as diretrizes do Ministério da Saúde sobre o alcoolismo. O Ministério da Saúde pretendendo minimizar essa problemática institui várias ações que possibilitam a orientação do consumo sobre o consumo de bebidas alcoólicas, entre elas citam-se: reduzir o consumo global e pessoal, informando e estimulando o consumo seguro de bebidas alcoólicas. Este objetivo está ligado à diminuição das situações de vulnerabilidade, danos à saúde e situações de violência associadas ao consumo de álcool; mudar o padrão do uso nocivo, especialmente entre jovens. Alguns grupos populacionais têm relações complexas com o álcool necessitando de respostas intersetoriais (ex. população indígena) e de ênfase preventiva; reduzir drasticamente a associação de acidentes/mortes no trânsito com o consumo de bebidas alcoólicas. Metade dos acidentes de trânsito está associada ao consumo de bebidas alcoólicas e estas ocorrências atingem, em sua maioria, a população jovem. O tema “consumo de álcool e acidentes de trânsito” será prioritário para o Ministério da Saúde, conforme recomendado pelo Comitê Assessor da Política de Álcool e outras Drogas. A diminuição de pontos de venda é uma das medidas mais eficazes para reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Estas estratégias e seus objetivos devem ser discutidos na comunidade local para garantir o apoio e, conseqüentemente, seus resultados positivos. E a exclusão social do sistema de Saúde contribui para o agravamento da situação destas pessoas, diminuindo as possibilidades de melhorias nesse campo. O tema “consumo de álcool e jovens” será prioritário para o Ministério da Saúde em 2008, conforme recomendado pelo Comitê Assessor da Política de Álcool e outras Drogas; proteger os segmentos mais vulneráveis da população (jovens, indígenas, grávidas). 34 9 LEGISLAÇÃO Essa parte se inicia com a discussão de padrões de beber e seus resultados que apresenta a idéia da ligação entre o consumo de álcool e os resultados. Para tanto, é necessário entender fatores como: as características dos bebedores (idade, gênero, fatores socioeconômicos) e o contexto que o beber ocorrem na (cultura, locais e ambiente) e comportamento. Os resultados positivos e negativos do beber também são discutidos. Entretanto a preocupação com quem é o bebedor, o tipo de bebida consumida, o padrão de consumo do álcool e o contexto do beber que tem estado presente nas publicações para minimizar os problemas relacionados ao álcool frente a legislação. 9.1 CLASSIFICAÇÕES DOS ESTADOS DE EMBRIAGUEZ SEGUNDO O CÓDIGO PENAL BRASILEIRO Para fins de condenação por crime cometido em estado de embriaguez, o Código Penal considera os seguintes tipos de embriaguez: - Incompleta - quando na fase de excitação; - Completa - quando nas fases de depressão ou do sono; - Simples - quando não traz conseqüências maiores; - Patológica - quando produz delírios, paranóias ou agressividade; - Voluntária - quando o sujeito bebe com a intenção de se embriagar; - Culposa - quando não é voluntária, mas vem a se embriagar; - Acidental - quando não é voluntária e nem culposa (caso fortuito ou de força maior); - Preordenada - quando o indivíduo se embriaga de propósito para cometer um crime. 35 9.2 ESTIMATIVAS Na já distante década de 70, o governo dos Estados Unidos estimava que o alcoolismo causasse um prejuízo anual ao país nunca inferior a 30 bilhões de dólares, segundo dados do Ministério da Saúde (2008). Estima-se também que o álcool seja responsável por 100 mil mortes anuais evitáveis nos Estados Unidos, 17 mil das quais relacionadas a acidentes de trânsito. No Brasil, há quem afirme que o alcoolismo desperdiça ou consome mais recursos do que a totalidade das importações brasileiras ou todo o orçamento da Previdência Social. Jorge e Mansur (2005, p. 203) dizem que: mais da metade dos acidentes de trânsito no país estão relacionados ao consumo de álcool, causa também 87% dos casos de agressão registrados nas delegacias da mulher. 9.3 AS INFRAÇÕES IMPOSTAS Infração administrativa - Definições legais: Lei anterior (Lei 11.275, de sete de fevereiro de 2006, que alterou a redação do art. 165 do Código de Trânsito Brasileiro - CTB, em sua feição original) - “Art.165. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica”; Nova redação (Lei n. 11.705, de 19 de junho de 2008; art. 5.º, II, com vigência a partir de 20 de junho): “Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: Infração gravíssima. Penalidade - multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses. Medida administrativa - retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação. Elemento subjetivo do tipo da infração administrativa: sob a influência de álcool, a figura não se perfaz com a simples direção de veículo após o condutor ingerir álcool ou substância similar. Portanto, torna-se necessário que seja feito sob a influência dessas substâncias. Assim, não basta que ocorra, ao contrário do que determina o art. 276 do CTB, “qualquer concentração de álcool por litro de sangue” para sujeitar “o condutor às penalidades previstas no art. 165”, de onde se originou incorretamente a expressão “tolerância zero”, de maneira que não há infração administrativa quando o motorista realiza o tipo sem esse elemento subjetivo. Trata-se de elemento da figura infracional administrativa, da sua 36 definição, sendo que, sem a sua ocorrência, não se aplica o art. 165 do CTB. FOLHA DE S. PAULO (C1, 5 JUL. 2008). 9.4 O CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO Dispõe a norma: “Qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor às penalidades previstas no art. 165 deste Código.” - O dispositivo leva ao falso entendimento de que, encontrado o motorista dirigindo veículo na via pública, com “qualquer concentração de álcool por litro de sangue”, fica sujeito “às penalidades previstas no art. 165 do CTB”. Quer dizer, bebeu e dirigiu: cometeu a infração administrativa e essa conclusão pode estar equivocada, pois são exigidas três condições: (1ª) que o condutor tenha bebido; (2ª) que esteja sob a “influência” da bebida; (3ª) que, por causa do efeito da ingestão de álcool ou substância análoga, dirija o veículo de forma anormal (direção anormal); 9.5 CONCEITO ELEMENTAR SOBRE A INFLUÊNCIA DO ÁLCOOL Dirigir veículo automotor, em via pública, sob a influência de álcool ou substância similar significa, sofrendo seus efeitos, conduzi-lo de forma anormal, fazendo ziguezagues, costurando o trânsito, realizando ultrapassagem proibida, colado ao veículo da frente, passando com o sinal vermelho, na contramão, com excesso de velocidade entre outros. Surpreendido o motorista dirigindo veículo, após ingerir bebida alcoólica, de forma normal, independentemente do teor inebriante, não há infração administrativa, não se podendo falar em multa, apreensão do veículo e suspensão do direito de dirigir. Exige-se nexo de causalidade entre a condução anormal e a ingestão de álcool e sabese que todo assunto sobre a ingestão abusiva de bebidas alcoólicas é muito sério, visto que daí imerge vários fatos porque é um problema social e ao mesmo tempo já é um problema de saúde pública no país. 37 Portanto, podem-se dar vários exemplos do que não se deve fazer ao dirigir, e um desses fatos pode ser visto na figura abaixo: Foto I: Acidente de trânsito onde um motorista bêbado atingiu um caminhão, matando a esposa e a filha. Fonte: CEBRID, 2007. O abuso do álcool e o alcoolismo estão entre os principais problemas da nossa sociedade. O álcool é uma droga como a heroína, a cocaína e o crack. Ele vicia, altera o estado mental da pessoa que o utiliza, levando-a a atos insensatos, muitas vezes violentos. Excepcionalmente, faz parte da cultura o seu uso em todas as comemorações e em datas festivas decorrentes da cultura de um povo. A Lei 11.705, de 28 de junho de 2008 trouxe grandes mudanças ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A principal delas foi à relação à aplicação das penas, que passou a ser mais intransigente, tornando a fiscalização mais eficiente, impedindo que o infrator, em situação de infração à norma, encontre justificativas para tal. Os motoristas que estiverem guiando seus veículos sob a influência de álcool, ou de qualquer substância psicotrópica, poderão ser penalizados, embora não queiram utilizar o bafômetro para comprovar tal circunstância e o condutor que tiver ingerido qualquer quantidade de bebida alcoólica, limite de dois decigramas de álcool por litro de sangue (ou 0,3 mg de álcool por litro de ar expelido no bafômetro), e vier a ser flagrado, estará sujeito a uma multa de R$ 955, 00(novecentos e cinqüenta e cinco reais) e terá a sua habilitação suspensa por 12 meses. 38 Com efeito, o que se verifica na lei, é a busca pela conscientização do condutor no que tange aos riscos, para si e para outrem, da desgraçada combinação bebida alcoólica e direção de veículo automotor. No entanto, mesmo tendo a nobre causa de defender o direito à vida, muitos estão interessados que a Lei 11.705, que trouxe essas inovações ao CTB, seja declarada inconstitucional, tendo em vista o “excesso de rigor” da norma. A “excessividade” da Lei em questão se fundamenta num princípio basilar da Carta Constitucional, o princípio da dignidade da pessoa humana, bem como no direito fundamental à vida, pois o indivíduo que perde o respeito pelo seu próximo, merece sofrer penas mais severas. Relata-se que a Abrasel - Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento (2007),ajuizou um referendo em detrimento do direito à vida, pois se sabe a quantidade de acidentes que foram evitados em razão dessa nova disposição legal. SAMU(2008),relata que já se tem informações sobre diminuição de acidentes de trânsito com vítimas fatais. A população já está sentindo os efeitos positivos como a diminuição de graves acidentes e agressões físicas proveniente do abuso de bebidas alcoólicas, mas tem-se um agravante em relação ao comércio de bebidas por causa do mau faturamento, visto que o governo não instituiu ações que não causem prejuízos para o pequeno, ou o médio/grande comerciante e ainda se pagam tributos ao governo para se manter as portas dos estabelecimentos comerciais abertas. MANSUR(2005). 39 10 METODOLOGIA A presente investigação científica enquadra-se nos limites da análise epistemológica das representações sociais como a família, o ciclo social mais importante que são os amigos, o trabalho, incluindo o cotidiano dos soldados. Foram observados quais poderiam ser as causas que trariam sérias conseqüências se o consumo sobre as bebidas alcoólicas fossem observadas no grupo pesquisado. 10.1 PROPOSIÇÃO A presente investigação científica enquadra-se nos limites da análise epistemológica das representações sociais como a família, o ciclo social mais importante que são os amigos, o trabalho, incluindo o cotidiano dos soldados entre as causas que trouxeram conseqüências desfavoráveis para que o consumo sobre as bebidas alcoólicas fossem observadas no grupo. Este trabalho objetiva traçar o perfil do conhecimento com relação ao alcoolismo dos 60 soldados recrutas, que servem na, EsAEx, Organização Militar situada em Salvador, Bahia,que tem por finalidade a formação do Quadro Complementar de Oficiais do Exército. Por motivos óbvios não foram identificados os respondentes, pelos quais, auxiliaram na execução deste trabalho. Foram distribuídos 60(sessenta) questionários, as perguntas foram formuladas para identificar se existe o abuso do consumo de bebidas alcoólicas entre os mesmos e também priorizar a qualidade nos cuidados em saúde com a prevenção e, segundo as variáveis, os efeitos que o resultado do estudo exerce sobre as representações sociais, tais como: família, trabalho, amigos, entre outros. Este esboço dado à natureza ética da pesquisa por envolver seres humanos deve ser extremamente cauteloso e responsável com as pessoas envolvidas. Afirma-se segundo Gil (1999, p. 44) que: “as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. 40 Assim, a pesquisa descritiva observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos, sem manipulação das variáveis, procurando descobrir a freqüência com que um fenômeno ocorre. Sua relação com outros fenômenos, bem como a sua natureza e características. Esse tipo de pesquisa não interfere na realidade, apenas descreve e interpretam os fatos que influenciam o fenômeno estudado, estabelecendo correlação entre as variáveis. Requer como principais instrumentos de coleta de dados: a observação, a entrevista e o questionário. Ainda, com este posicionamento, pode-se citar Gil (1999, p. 70) quando diz que: “as pesquisas de levantamento (surveys) se caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujos comportamentos se desejam conhecerem. Basicamente, procede-se à solicitação de informações de um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterse as conclusões correspondentes aos dados coletados. No que se refere ao percurso metodológico, optou-se por realizar uma pesquisa quantiqualitativa etnográfica, ou melhor, dentro de um grupo, que segundo Minayo (1994), “é um tipo de pesquisa que se aprofunda no universo das representações sociais, como: o trabalho, amigos, religião entre outros e a etnografia sobre o modelo do grupo”. A pesquisa Bibliográfica foi fundamentada aqui em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos; estudos exploratórios, pesquisas sobre ideologias, análise de diversas posições, endereços eletrônicos acerca de um problema. São pesquisas que se costumam realizar quase que exclusivamente tomando como preceito inicial fontes bibliográficas. As representações sociais são os significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes e que, portanto, preocupa-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado, portanto, para a coleta de dados, realizaram-se entrevistas semi-estruturadas que, segundo Cruz Neto (1994), consiste na articulação de duas modalidades de entrevistas: as estruturadas - que pressupõem perguntas previamente formuladas - e as não-estruturadas - em que o entrevistando aborda, livremente, o tema proposto. Foi observado que quando surge algum trauma familiar como: separação, morte, doença o consumo das bebidas se fazem mais presentes incidindo sobre esses fatos 41 socioeconômicos, a religião como centro de reflexão no problema de bebidas alcoólicas, o convívio familiar, o convívio social e profissional que estão no cotidiano desses soldados. 10.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA A População foi constituída por todos os soldados da CCSV (Companhia de Comandos e Serviços), da Organização Militar (EsAEx). Dessa população, a amostra foi de 60 soldados/ recrutas, escolhidos aleatoriamente. Utilizou-se um questionário composto por 15 questões, sendo correspondentes as letras A, B, C, D, E, elaboradas pela própria entrevistadora, que foram respondidos na medida do possível pelos soldados recrutas da Organização Militar da EsAEx. O questionário foi dividido em duas partes: a primeira parte tinha o objetivo de reconhecer se no grupo pesquisado havia conhecimentos sobre o alcoolismo e identificar no grupo se havia alguns dos componentes com o hábito de beber em excesso. O modelo do questionário encontra-se no (Apêndice I) no final do trabalho monográfico. A população total corresponde a sessenta soldados do sexo masculino que fazem parte da Unidade Militar. 10.2.1 Instrumento Este trabalho foi desenvolvido no período de julho a setembro de 2008, nas seguintes etapas: a escolha do tema e que a abordagem fosse sobre o Alcoolismo; o pedido para que o questionário pudesse ser aplicado entre os soldados recrutas na Unidade da EsAEx; a identificação do local para a concretização da pesquisa; concretizar os levantamentos dos assuntos relacionados sobre o alcoolismo e outros que fossem importantes para a formação do tema; a confirmação a cerca da possibilidade de se fazer essa pesquisa e aquisição de materiais com fotos para a realização do estudo. O local oferecido foi na própria Unidade Militar e a entrevistadora pode ressaltar a importância do trabalho e ao mesmo tempo ficou grata pela colaboração de todos que ali 42 estiveram assim como, a presença dos soldados recrutas para que ficasse á vontade e pudessem responder ao questionário. 43 11. TABULAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Tabela I – Quantidade de soldados que responderam as perguntas de 1 a 5 TABELA DEMONSTRATIVA DAS RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO Questões de 1 a 5 1ª. 2ª. Questão Questão Percentuais 40% 60% 3ª. Questão 4ª. Questão 5ª. Questão 30% 60% 40% Fonte: Própria Pesquisadora Gráfico I - Análise sobre as respostas da Tabela I Respondentes (%) Quantidade de soldados que responderam as perguntas de 1 a 5 80 A 60 B 40 C 20 D 0 1a. 2a. 3a. 4a. 5a. Questões Fonte: Própria Pesquisadora Foram analisadas as questões que mais obtiveram respostas dos soldados. Na primeira questão, que fazia referência aos tipos de drogas que podem causar dependência aos usuários: 40%dos soldados opinaram pela questão c, que dava como resposta a maconha, cocaína, heroína, crack e cola de sapateiro. Na segunda questão quando foi perguntado se as bebidas alcoólicas viciam: 60% dos soldados responderam que viciam, enquanto apenas 10% responderam que talvez viciassem. Na terceira questão quando foi abordado se as bebidas alcoólicas podem levar ao alcoolismo, as respostas foram equitativas, onde: 30% dos soldados responderam que levam ao alcoolismo quando o consumo começa cedo e quando se faz o uso periódico das bebidas alcoólicas. Na quarta questão, onde foi perguntado sobre que tipos de 44 complicações levam o uso de bebidas alcoólicas: 60% responderam complicações financeiras seguidos de 40% complicações familiares. Tabela II – Quantidade de soldados que responderam as perguntas de 6 a 10 TABELA DEMONSTRATIVA DAS RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO Questões de 6 a 10 6ª. Questão 7ª. Questão 8ª. Questão 9ª. Questão 10ª. Questão Percentuais 52% 50% 51% 30% 17% Fonte: Própria Pesquisadora Gráfico II - Análise sobre as respostas da Tabela II Respondentes (%) Quantidade de soldados que responderam as perguntas de 6 a 10 60 A 40 B 20 C D 0 6a. 7a. 8a. 9a. 10a. Questões Fonte: Própria Pesquisadora Na sexta questão: 52% dos respondentes afirmaram que o consumo de bebidas e cigarros oferece um grande lucro às empresas tanto na produção quanto na distribuição. Na sétima questão: 50% dos soldados responderam que para diminuir os abusos com o consumo das bebidas alcoólicas, teria que se haver multas para os indivíduos que são flagrados dirigindo bêbados. Na oitava questão: 51% dos soldados, afirmaram que as propagandas influem no consumo de bebidas alcoólicas. Quando foi perguntado na nona questão, se os pais ou parentes sabiam se faziam o uso de bebidas alcoólicas, 30% responderam que não, apesar de no grupo não ter sido evidenciado o abuso de bebidas alcoólicas. 45 Tabela III – Quantidade de soldados que responderam as perguntas de 11 a 15 TABELA DEMONSTRATIVA DAS RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO Questões de 11 a 15 11ª. 12ª. Questão Questão Percentuais 17% 13ª. Questão 14ª. Questão 15ª. Questão 50% 25% 18% 42% Fonte: Própria Pesquisadora Gráfico III - Análise sobre as respostas da Tabela III Respondentes (%) Quantidade de soldados que responderam as perguntas de 11 a 15 60 A 40 B 20 C D 0 11a. 12a. 13a. 14a. 15a. Questões Fonte: Própria Pesquisadora Na décima primeira questão: 17% dos soldados responderam que os amigos têm influência sobre a motivação dos respondentes no consumo de bebidas alcoólicas. Na décima segunda questão: 42% dos soldados responderam que em caso de alcoolismo na família, os mesmos tomariam atitude de procurar ajuda médica ou outro tipo de tratamento para o alcoolista enquanto 5% ficariam sem tomar atitude perante a situação. Na décima terceira questão: 50% dos respondentes tentariam conversar com as pessoas que abusam das bebidas alcoólicas. Na décima quarta questão, quando o assunto abordado foi religião: 25% dos soldados opinaram que a religião impede que o indivíduo faça o uso de bebidas alcoólicas. Na décima quinta questão quando o assunto abordado foi política: 18% dos soldados optaram com medidas de multa mais alta par quem dirige embriagado. 46 12 RESULTADOS Constatou-se que o assunto é um passo difícil porque exige do pesquisador uma seleção sobre os assuntos tratados e, porque implicam em questões muitas complexas e éticas na vida de cada participante. O estudo mostrou a associação do alcoolismo está aos fatores multifatoriais. Com isso pode-se fazer um parâmetro entre o alcoolismo e as representações sociais que contribuíram nesse processo. Este estudo analisou que a prevenção é o meio direcionado quando o assunto é o alcoolismo, e soube-se que o uso do álcool é socialmente adquirido, os padrões de comportamento aprendidos são mantidos por fatores cognitivos, pela influência de modelos, expectativas e indicadores, e pela interação do comportamento com reforços do meio, incluindo também os fatores genéticos. Como também o ambiente familiar é visto como parte importante na determinação do consumo do álcool, e sugere que o alcoolismo está consistentemente associado com negligência, distanciamento emocional, rejeição dos pais e tensão familiar. Para Pilon e Luis (2004), a atribuição de características específicas de personalidade, no caso do uso de substâncias, estaria associada a muitos fatores, dentre eles a falta de maturidade, conflitos intrapessoais e interpessoais, baixa auto-estima, ou ter como base problemas psiquiátricos como depressão ou transtorno de ansiedade, dentre outros. Pode-se retratar a busca sistemática de evidências, na população em geral, acerca do quanto se bebe, como se bebe, que problemas sociais isso traz e quanto se adoece e se morre em decorrência do beber; ou seja, qual é o impacto dos danos relacionados ao consumo do álcool. Qualificar a força da relação existente entre o consumo do álcool e o surgimento de problemas fornece instrumentos para a tomada de decisões sobre políticas de prevenção mais adequadas, distinguidas dos problemas de saúde, as categorias de problemas sociais relacionadas ao álcool incluem: vandalismo; desordem pública; problemas familiares, como conflitos conjugais e divórcio; abuso de menores; problemas interpessoais; problemas financeiros; problemas ocupacionais, que não os de saúde ocupacional; dificuldades educacionais; e custos sociais. Ainda que uma causalidade direta não possa ser estabelecida, o estudo dessas categorias de danos - incluindo variáveis como a família, pode determinar que o convite feito pelos próprios parentes para consumir bebidas é feito pelos: irmãos, pai, e outros. 47 Dentre os tópicos respondidos evidenciou-se que entre o grupo não existe o consumo de bebidas alcoólicas, e dentre outras respostas, foi em relação aos amigos que os convida as festas e as baladas, com isso a bebida foi utilizada como descontração para o grupo. Ficou provado por meio das respostas que as conseqüências sociais do uso do álcool colocam esse produto, no mínimo, como um fator adicional ou mediador entre outros que contribuem para a ocorrência de determinado problema, conclusão similar àquela válida para os problemas de saúde no futuro, por isso à prevenção deve ser um dos fatores importante nessa questão. A população estudada compunha-se de um grupo de (60) soldados sem histórico de abuso de álcool. A dependência de nicotina e outros tipos de drogas não foram considerados, nem como critério de inclusão nem de exclusão. Brasileiro (1999),refere que: as pessoas têm a atitude de auto-preservação, mesmo sendo alcoolistas, tendem a negar. Retiraram-se das análises aqui realizadas, fatores que indicam que o convite ao lazer com bebidas alcoólicas é um fato que acontece na própria família, detectando-se que existe o consumo por parte de alguns familiares como irmãos, padrastos e outros. A religião teve um padrão positivo ao não consumo de bebidas alcoólicas entre o grupo pesquisado. Demonstrou-se que entre o grupo de soldados/recrutas que não há o consumo excessivo de bebidas alcoólicas que foi um fator decisivo para o estudo e se encontram evidenciado nas tabelas e gráficos. (ver tabelas e gráficos I; II e III) 48 13 DISCUSSÃO O alcoólatra de “primeira viagem” sempre tem a impressão de que pode parar quando quiser, e não é raro se ouvir a expressão: “quando eu quiser, eu paro”. Essa frase geralmente encobre o alcoolismo incipiente e resistente, porque ele próprio nega qualquer problema relacionado ao álcool, mesmo que as outras pessoas não acreditem. A negação do próprio alcoolismo, quando ele não é evidente ou está começando, é uma forma de defesa da auto-imagem (aquilo que a pessoa pensa de si mesma), até porque sabemos que a semelhança da maioria dos diagnósticos mentais, o alcoolismo possui um forte estigma social, e os pacientes tendem a evitar esse estigma. Brasileiro (1999), relata que: esta defesa natural de preservação da auto-imagem e conseqüentemente da auto-estima acaba trazendo atrasos ao início do tratamento do alcoolismo, vez que para isso é necessário que o paciente preserve sua autoestima em níveis elevados, sem, contudo negar sua condição de alcoólatra. Para se atingir tais condições são indispensável orientação psiquiátrica adequada na condução de cada caso em particular. É necessário abrir o debate sobre o controle das bebidas alcoólicas e o consumo excessivo. Observou-se que a veiculação deste tema em meios de comunicação de massa auxilia na compreensão sobre seu consumo e suas conseqüências. Deixou-se claro a associação entre álcool e acidentes de trânsito, chamando à atenção sobre as medidas que estão reduzindo os danos físicos com medidas mais eficazes no combate ao abuso das bebidas. Têm-se dito que o apoio do Ministério da Saúde vem contribuindo para informar à população brasileira sobre o consumo de álcool de forma realista, incluindo suas conseqüências. Sabe-se que qualquer bebida que contenha álcool deve ser considerada alcoólica, independentemente do seu teor. O custo social é dimensionado com metodologia aplicada a diversos fatores, sendo unificados dados sobre violência, problemas familiares, abuso de menores, desordem pública, problemas profissionais, entre outros. 49 A prevenção é o meio mais concreto de se poder tentar minimizar os agravos decorrentes do consumo e do abuso do álcool. Como exemplos, dentro desse enfoque esta o grupo de Alcoólicos Anônimos (AA). Para Pilon e Luis (2004), a intervenção preventiva, centra-se no valor que as pessoas dão à saúde, e fundamenta-se na educação, no conhecimento da ação e prejuízos de determinadas drogas sobre o organismo, bem como as modificações que provocam sobre o comportamento e atitudes das pessoas. O indivíduo conscientizado pela educação recebida evita o uso abusivo. Os autores ainda indicam a idéia do aprendizado social: Dessa forma, propõe que o comportamento social é aprendido através da observação e imitação. Isto é, mostra que o exemplo dos pais é um importante fator no padrão inicial do consumo de substâncias, especialmente naquelas pessoas com habilidades sociais precárias, portanto, a política de Álcool do Ministério da Saúde inclui promoção, prevenção e tratamento para os usuários e dependentes esse tratamento é gratuito e pode ser feito nos CAPS (Centros Auxiliares em Psicologia Social) existentes em todos os Estados brasileiros, e ainda, em ambulatórios, hospitais gerais e nas unidades de atenção básica de saúde. Que o olhar sobre as pessoas que são consideradas alcoólatras possa ser mais humanizado com ações preventivas e com encaminhamentos aos órgãos que cuidam do alcoolismo. Para o Exército e a EsAEx/CMS é importante que se faça investimentos em pesquisas sobre o tema e ações conjuntas que possam auxiliar a todos de um modo geral. Sobretudo aqueles que tenham o hábito de consumir em excesso as bebidas alcoólicas. Neste sentido devem-se investigar estratégias que possam auxiliar na redução dos danos causados e medir a eficácia das estratégias adotadas é parte essencial na preservação da qualidade de vida. Diversificar as oportunidades de lazer e esportes em comunidades e nas Unidades Militares que são estratégias que podem auxiliar na redução do consumo em excesso. São ações simples - basta à vontade e querer mudar a direção desses ventos que destroem e aniquila a vida profissional e familiar das pessoas que se envolvem com qualquer tipo de drogas licitas ou ilícitas. Como as bebidas alcoólicas de um modo geral que foi o tema escolhido nesta investigação reflexiva. O trabalho revelou que, quando estimulado a problematizar sua relação com o álcool de forma reflexiva e não punitiva, o jovem interessa-se em conhecer melhor os efeitos do álcool sobre seu organismo e os riscos que seu uso abusivo pode acarretar. 50 O presente estudo envolve-se também numa reflexão sobre sua própria forma de lidar com as bebidas alcoólicas e a possibilidade de modificá-la, de modo a reduzir os riscos sociais e pessoais do uso abusivo de álcool. Mostrou ainda que o assunto abordado remeta a uma reflexão em todas as áreas de saúde no trato com essa questão. A pertinência sobre os assuntos tratados revela as potencialidades do desenvolvimento de estratégias preventivas adaptadas à realidade a partir dos princípios básicos da redução de danos. Podem ser salientadas ainda a importante contribuição das técnicas e recursos dos profissionais engajados nessa problemática e, no desenvolvimento de estratégias de prevenção ao uso abusivo de álcool com todas as suas conseqüências. 51 REFERÊNCIAS ABRASEL - Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento, 2007 ALFARO, A. A. P. Alcoolismo: os seguidores de Baco. São Paulo: Editora Mercury, 1993. BAU, C. H. D.; ALMEIDA, S. HUTZ, M. H. The Taq I A1 allele of the dopamine D2 receptor gene and alcoholism in Brazil: Association and interaction with stress and harm avoidance on severity prediction. American Journal or Medical Genetics (Neuropsychiatric Genetics) 2000. BECHARA A.; DOLAN S.; DENBURG N.; HINDES A.; ANDERSON S.W.; NATHAN P. E. Decision-making deficits, linked to a dysfunctional ventromedial prefrontal cortex, revealed in alcohol and stimulant abusers. Neuropsychologia, 2001. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. 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Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462004000500003> Acesso em: 15 de ago. de 2008. 55 APÊNDICES 56 MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEP-DEE-DEPA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DO EXÉRCITO/COLÉGIO MILITAR DE SALVADOR CURSO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS DO QUADRO COMPLEMENTAR TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO ORIENTAÇÕES: - SINTA-SE A VONTADE PARA RESPONDER - ESCOLHA AS RESPOSTAS E MARQUE COM “X” - SE HOUVER DÚVIDAS QUANTO ÀS RESPOSTAS, PERGUNTE! I - PARTE DO QUESTIONÁRIO TEM A FINALIDADE DE CONHECER O QUE VOCÊ SABE SOBRE BEBIDAS ALCÓOLICAS 1. EM SUA OPINIÃO, QUAL DESTAS DROGAS PODE PROVOCAR DEPENDÊNCIA AOS USUÁRIOS? A) A NICOTINA PRESENTE CIGARRO ( ) B) O ÁLCOOL PRESENTE NAS BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) C) OUTRAS DROGAS COMO A MACONHA, COCAÍNA, HEROÍNA, CRACK, COLA DE SAPATEIRO ( ) 2. VOCÊ CONCORDA QUE AS BEBIDAS ALCOÓLICAS VICIAM E ALTERAM O ESTADO MENTAL DA PESSOA QUE FAZ USO? A) SIM ( B) NÃO ( ) ) C) TALVEZ ( ) 57 D) NÃO SEI ( ) 3. VOCÊ ACHA QUE O USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS PODE CAUSAR ALCOOLISMO? A) QUANDO SE BEBE SOCIALMENTE ( ) B) QUANDO COMEÇA A CONSUMIR A BEBIDA ALCOÓLICA MUITO CEDO ( ) C) QUANDO SE USA PERIODICAMENTE A BEBIDA ALCOÓLICA ( ) 4. A PESSOA QUE UTILIZA BEBIDAS ALCOÓLICAS ABUSIVAMENTE PODE TER COMPLICAÇÕES SÉRIAS? A) SIM ( ) B) NÃO ( ) CASO AFIRMATIVO: A) COMPLICAÇÕES FINANCEIRAS ( B) COMPLICAÇÕES DE SAÚDE ( C) COMPLICAÇÕES SOCIAIS ( ) ) ) D) COMPLICAÇÕES FAMILIARES ( ) 5. VOCÊ CONCORDA QUE O ALCOOLISMO É UMA DOENÇA QUE PODE TRAZER PREJUÍZOS PARA A SAÚDE, PARA O CONVÍVIO COM A FAMÍLIA, E NO TRABALHO, ALÉM DA DIFICULDADE DE CONVÍVIO NO GRUPO DE AMIGOS? A) SIM ( ) B) NÃO ( ) C) TALVEZ ( ) D) NÃO SEI ( ) 6. PARA VOCÊ, PORQUE O FUMO E AS BEBIDAS ALCOÓLICAS SÃO PERMITIDOS POR LEI? A) PORQUE SÃO MENOS PREJUDICIAIS À SAÚDE ( ) B) PORQUE AINDA EXISTE UM GRANDE LUCRO COM A VENDA DAS BEBIDAS E DO CIGARRO ( ) 58 C) OUTROS. QUAIS? 7. EM SUA OPINIÃO, O QUE PODE DIMINUIR OS ABUSOS COM O CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? A) AUMENTAR O PREÇO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( B) A PRISÃO EM FLAGRANTE ( ) ) C) MULTA COM VALOR ALTO QUANDO SE DIRIGE BÊBADO ( ) 8. O QUE VOCÊ ACHA DAS PROPAGANDAS DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? A) MOSTRAM OS BENEFÍCIOS DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS ( B) MOSTRAM OS MALEFÍCIOS DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) ) C) NÃO INFLUEM NO CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( D) INFLUEM NO CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) ) II-PARTE DO QUESTIONÁRIO TEM A FINALIDADE DE AVALIAR O SEU ENVOLVIMENTO COM AS BEBIDAS ALCOÓLICAS 1. VOCÊ CONSOME ALGUM TIPO DE BEBIDA ALCOÓLICA? A) SIM ( ) B) NÃO ( ) C) ÀS VEZES ( ) 2. COM QUE FREQÜÊNCIA VOCÊ CONSOME BEBIDAS ALCOÓLICAS? A) NÃO CONSUMO NENHUM TIPO DE BEBIDA ALCOÓLICA ( B) TODOS OS DIAS DA SEMANA ( C) SÓ NOS FINAIS DE SEMANA ( D) UMA VEZ NA SEMANA ( ) ) ) E) SÓ EM MOMENTOS ESPECIAIS OU FESTAS ( ) 3. QUANDO VOCÊ CONSOME BEBIDAS ALCOÓLICAS? A) NÃO CONSUMO BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) B) TODOS OS DIAS QUANDO, SAIO DO TRABALHO ( ) ) 59 C) NOS FINAIS DE SEMANA, COM MEUS AMIGOS E FAMILIARES ( ) D) OUTROS. QUAIS? 4. QUAIS DOS MOTIVOS ABAIXO MAIS O INCENTIVA A FAZER USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? A) NÃO FAÇO USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) B) PORQUE TODOS OS MEUS AMIGOS E/OU FAMILIARES FAZEM USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) C) PARA ESQUECER OS PROBLEMAS ( ) D) PARA SENTIR PRAZER, FICAR MAIS DESINIBIDO ( ) 5. O QUE VOCÊ SENTE QUANDO FAZ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? A) NÃO FAÇO USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( B) PRAZER, DESINIBIÇÃO ( ) ) C) ANGÚSTIA, DESESPERO, ARREPENDIMENTO ( D) RAIVA, AGRESSIVIDADE ( ) ) 6. QUANDO VOCÊ FAZ USO DE BEBIDA ALCOÓLICA, EM QUE MOMENTO PENSA EM PARAR? A) NÃO FAÇO USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) B) QUANDO PERCEBO QUE ESTOU ALTERADO OU BÊBADO ( C) QUANDO ACHO QUE VOU PASSAR MAL ( D) QUANDO ESTOU PASSANDO MAL ( ) ) ) E) SÓ QUANDO OS AMIGOS E FAMILIARES PARAREM DE FAZER USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) 7. O QUE VOCÊ SENTE NO OUTRO DIA APÓS O USO DA BEBIDA ALCOÓLICA? A) NÃO FAÇO USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( B) DORES DE CABEÇA E VÔMITOS ( ) ) C) ARREPENDIMENTO, TRISTEZA, SENTIMENTO DE VAZIO ( D) SEM CONDIÇÕES DE TRABALHAR ( ) ) 8. ALGUÉM DA SUA CASA, COM QUEM VOCÊ MORA, CONSOME BEBIDA ALCOÓLICA? 60 A) PAI ( ) MÃE ( B) PADRASTO ( C) IRMÃO ( ) ) MADRASTA ( ) IRMÃ ( ) ) D) OUTROS. QUEM? 9. SEUS PAIS/PARENTES SABEM QUE VOCÊ FAZ USO DE BEBIDA ALCOÓLICA? A) SIM ( ) B) NÃO ( ) C) NÃO FAÇO USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS ( ) 10. VOCÊ FUMA? A) SIM ( ) B) NÃO ( ) CASO AFIRMATIVO: QUANTOS CIGARROS POR DIA? A) DE 3 A 5 CIGARROS POR DIA ( ) B) ATÉ UMA CARTEIRA DE CIGARROS POR DIA ( ) C) MAIS DE UMA CARTEIRA DE CIGARROS POR DIA ( ) 11. VOCÊ ACHA QUE A INFLUÊNCIA DOS AMIGOS LHE MOTIVA PARA O USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? A) SIM ( B) NÃO ( ) ) C) CASO AFIRMATIVO. POR QUÊ? 12. HAVENDO CASOS DE ALCOOLISMO NA SUA FAMÍLIA, QUAL SERIA A SUA ATITUDE PERANTE O PROBLEMA? A) SE AFASTARIA ( ) B) TENTARIA AJUDAR DE QUALQUER FORMA (AJUDA MÉDICA OU ALGUM OUTRO TRATAMENTO) ( ) C) FICARIA SEM TOMAR NENHUMA ATITUDE, POIS FAZ USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS QUEM QUER ( ) D) LEVARIA PARA OS ALCOÓLICOS ANÔNIMOS ( ) 61 13. VOCÊ TENTARIA CONVERSAR COM UMA PESSOA QUE ABUSA DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS PARA AJUDÁ-LA? A) SIM ( ) B) NÃO ( ) POR QUÊ? 14. EM SUA OPINIÃO, O FATO DE SE TER UMA RELIGIÃO, IMPEDE QUE A PESSOA SE ENTREGUE AO USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS? A) SIM ( ) B) NÃO ( ) C) NÃO SEI ( ) 15. SE VOCÊ FOSSE UM POLÍTICO, QUAIS AS MEDIDAS QUE VOCÊ TOMARIA PARA ACABAR COM O ALCOOLISMO? 62 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Prezado militar, Ao longo de seu contato com o meio militar, você deve ter percebido o quanto é diferente a profissão militar de uma profissão civil. Características como: boa preparação física, enfrentar situações difíceis, necessidade de tirar serviços (sejam eles de guarda, plantões, oficial de dia, dentre outros), cuidar da segurança da nossa Unidade e, principalmente, do nosso Brasil, fazem parte de uma carreira militar. Percebendo essas diferenças, os oficiais-alunos de Psicologia da EsAEx, em parceria com a Seção de Ensino 5, concluíram a relevância em realizar um estudo dentro de nossa Unidade. Nosso objetivo é investigar e analisar se essas características, próprias da profissão militar, interferem no bem estar psicológicas dos militares que compõe a nossa unidade. Para isso, foi proposta uma pesquisa sobre Saúde Mental para a Escola de Administração do Exército e Colégio Militar de Salvador. Nesta pesquisa, você é convidado a participar voluntariamente. Sua participação é muito importante para que o estudo envolva o maior número de pessoas possível dentro de nossa organização. Quanto mais participantes, mais verdadeiros serão os resultados da pesquisa. Você terá apenas de responder um questionário, que leva em torno de trinta minutos para ser respondido. Você não precisará identificar o seu nome e, em nenhum momento será associado com suas respostas. Apenas será pedido que informe seu sexo e idade, bem como sua graduação ou posto, para que depois seja possível comparar se houve diferenças entre as idades ou entre as patentes. Por estar ciente das informações acima, eu ______________________________, _________________________ ASSINATURA Concordo, voluntariamente, em ser participante da pesquisa. ____________________________ ASSINATURA Não concordo em ser participante da pesquisa. Salvador, de outubro, de 2008.