50 (A) (B) Figura 29: Micrografias típicas da liga Al-Si hipereutética mostrando a identação para determinação da microdureza Vickers na fase á (alumínio) e â (silício primário). Uma outra variável importante é o tamanho das partículas de silício â primário. Partículas de silício muito grandes como as obtidas, por exemplo, em processo de fundição em areia, não são desejáveis, pois sofrem arrancamento mais facilmente quando submetidas a esforços mecânicos. Como a partícula deve estar mais concentrada na parede interna da camisa, o atrito gerado nesta superfície pelos os anéis dos pistões quando na operação do motor, arrancarão estas partículas, provocando o surgimento de crateras e consequentemente reduzindo a vida do componente. Como as partículas de silício têm um formato irregular, adotou-se medir estas partículas na sua maior dimensão. Como resultado obteve-se um tamanho médio de partícula de 25 ìm, com variação de tamanho entre 12 e 52ìm. Este valor de tamanho de partícula de silício está dentro do esperado para a aplicação como camisa de cilindro. Ligas Al-Si hipereutéticas produzidas por fundição em areia apresentam tamanho de partícula pelo menos o dobro do obtido nas ligas fundidas por centrifugação. Na figura 30 é mostrada a seção cortada a 100mm da extremidade oposta à posição de vazamento do tubo 5. Nota-se que o aspecto macroscópico da seção é aparentemente bom. A espessura do tubo é uniforme. Contudo, nota-se uma faixa mais escura no anel interno do tubo, provavelmente a região do tubo solidificada por último. Esta faixa mais escura parece estar relacionada com uma quantidade maior de silício como é desejado, mas também parece haver porosidade provocada por hidrogênio decorrente de 51 uma desgaseificação incompleta. Em função disto foi aumentado o teor de desgaseificante na fundição do tubo 6, mas mesmo assim não foi suficiente para eliminar esta porosidade excessiva. Figura 30: Seção cortada a 100mm da extremidade oposta à posição de vazamento do tubo 5. Nas figuras de 31 a 41 são apresentados os perfis metalográficos dos tubos (camisas) centrifugados a partir da parede externa até a parede interna em intervalos de 1mm. Para facilitar, as extremidades cortadas dos tubos serão designadas como início e final de vazamento, em função da posição na qual o metal líquido foi vazado. Com exceção do tubo 1, em todos os outros cinco tubos os perfis metalográficos foram feitos como descrito no capítulo 4, nas posições próximas ao vazamento e na região oposta, final do tubo. No tubo 1 só foi executado o perfil metalográfico na posição de início de vazamento. Em praticamente todos os perfis metalográficos observa-se que numa fina camada externa há uma quantidade elevada da fase â (silício primário). Esta fase forma-se imediatamente quando o metal líquido entra em contacto com a parede da coquilha. A solidificação quase imediata desta camada não permite que o silício primário possa deslocar-se para em direção da parede interna da camisa devido à força centrifuga. As observações feitas a partir da parede externa em direção à parede interna do tubo mostram algumas diferenças quando se analisa os tubos centrifugados com a liga Al17%Si (1 a 3) em relação às ligas Al-14,7%Si (4 a 6). Em geral, nota-se uma região central 52 da seção da parede com praticamente somente uma microestrutura, com uma matriz de alumínio á e plaquetas de silício â eutético. A extensão desta região com microestrutura eutética depende da composição da liga e das condições de fundição. À medida que se desloca em direção à parede interna da camisa, o silício primário volta a aparecer. A posição na seção da parede do tubo onde o silício primário volta a aparecer também depende da liga e das condições de fundição, mas em geral aparece em regiões mais próximas da parede interna. Com relação ao silício eutético, nota-se em todas as micrografias observadas que as plaquetas estão mais finamente distribuídas na parede externa do tubo (camisa) em relação ao interior da mesma. Isto ocorre devido às mais altas taxas de resfriamento na parede externa do tubo devido ao contato com o molde (coquilha). Outro aspecto pode ser observado quando são comparadas as micrografias do tubo 5 com as micrografias dos outros tubos, como por exemplo do tubo 6. No tubo 5 o silício eutético é muito mais refinado e com morfologia mais arredondada (menos acicular) do que o silício eutético do tubo 6 que apresenta-se no formato de plaquetas, como pode ser observado nas figuras 38 a 41. Esta diferença na morfologia do silício eutético do tubo 5 deve-se à adição do modificador SrAl 10% na fundição deste tubo. O tubo 5 foi o único em que foi utilizado modificador. Nota-se também nas micrografias do tubo 5 (figura 40 e 41) regiões da fase á (Al) aparentemente primária, sem a presença da fase â (Si) no seu interior. Como é bem conhecido pelo diagrama de fases Al-Si (figura 3), não deveria aparecer a fase á primária nas ligas hipereutéticas. Contudo, a centrifugação altera de tal maneira o processo de solidificação que justificaria a presença da fase á primária. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é a formação de uma variedade de intermetálicos que pode estar empobrecendo a matriz em silício. Na realidade, o entendimento dos micromecanismos de solidificação no processo de fundição por centrifugação das ligas Al-Si foi estudado muito pouco. Existe uma carência na literatura com relação a pesquisas básicas sobre a cinética de formação e a morfologia da fase á (Al), da fase â (Si) e dos muitos compostos intermetálicos presentes nas ligas Al-Si fundidas por centrifugação. 53 Parede Externa 1mm 2mm 3mm 4mm 5mm 6mm 7mm 8mm 9mm 10mm Figura 31: Perfil metalográfico do tubo 1 na posição do início do vazamento a partir da parede externa até a parede interna em intervalos de 1mm. 54 Parede Externa 1mm 2mm 3mm 4mm 5mm 6mm 7mm 8mm 9mm Parede Interna Figura 32: Perfil metalográfico do tubo 2 na posição do início do vazamento a partir da parede externa até a parede interna em intervalos de 1mm. 55 Parede Externa 1mm 2mm 3mm 4mm 5mm 6mm 7mm 8mm 9mm 10mm Figura 33: Perfil metalográfico do tubo 2 na posição final do vazamento a partir da parede externa até a parede interna em intervalos de 1mm.