AVALIAÇÃO AMBIENTAL DOS BENEFÍCIOS DA UTILIZAÇÃO DA ENERGIA
SOLAR
Guilherme Gonçalves da Silva1
Orientador: Prof.Dr. Harlen Inácio dos Santos2
Universidade Católica de Goiás - Departamento de Engenharia - Engenharia Ambiental. Av.
Universitária, Nº 1440 - Setor Universitário - Fone(62)227-1351.
CEP: 74605-010 - Goiânia-GO.
RESUMO
A exploração intensiva de combustíveis fósseis e de hidrelétricas e os prejuízos ambientais trazidos
pelo uso desses recursos energéticos pressupõem um cenário preocupante neste século. Nesse contexto, assume
crucial importância a busca de fontes de energias alternativas, em especial renováveis e não-poluentes, como a
solar. A energia solar é abundante e permanente, renovável a cada dia, não polui e nem prejudica o ecossistema.
Este trabalho objetiva expor, através de pesquisa bibliográfica, as vantagens e desvantagens desta fonte de
energia em relação à energia proveniente de hidrelétricas e de combustíveis fósseis, avaliando também, os
impactos ambientais destas fontes de energia. Na maior parte do ano, a energia solar soma características
positivas para o sistema ambiental, pois o Sol tem um potencial energético extremamente elevado e
incomparável a qualquer outro sistema de energia. Como forma de captação e conversão atualmente utiliza-se
dois processos: o fototérmico e o fotovoltaico. Uma das formas de apropriação racional da energia solar pode ser
obtida pela arquitetura bioclimática, que visa harmonizar as construções ao clima e características locais,
pensando no homem que habitará ou trabalhará nelas. Enfim, a energia solar é uma das formas energéticas mais
promissoras de uso, já que seu impacto ambiental é pequeno e seus benefícios são enormes.
Palavras-chave: energia solar, aproveitamento, meio ambiente.
ABSTRACT
The intensive exploration of fuels fossils and hydroelectric´s energy and the environmental
damages brought by the use of these energy resources estimate a preoccupying scene in this century. In this
context, the search of alternative fountains of energy assumes crucial importance, in special, renewed and notpollutants, like the solar energy. The solar energy is abundant and permanent, renewable to each day, no pollutes
and does not harm the ecosystem. This work objective to display, through bibliographical research, the
advantages and disadvantages of this fountains of energy in relation to the energy proceeding from hydroelectric
and fossils fuels, also evaluating, the environmental impact of these fountains. For the most part of the year, the
solar energy addition characteristic positive for the ambient system, therefore the sun has an extremely raised
energy potential and incomparable to any another system of energy. As form of captation and conversion,
currently, uses two processes: the photothermic and the photovoltaic. One of the forms of rational appropriation
of the solar energy can be gotten by the bioclimatic architecture, that it aims at to harmonize the constructions to
the local climate and characteristics, thinking about the man who will habit or work in them. At last, the solar
energy is one of the more promising energy forms of use, since its environmental impact is small e its benefits is
enormous.
Keywords: solar energy, development, environment.
Goiânia, 2007/1
1
2
Graduando em Engenharia Ambiental - UCG ([email protected]).
Biólogo, Dr. Departamento de Engenharia Ambiental U.C.G. ([email protected]).
2
1 INTRODUÇÃO
Está cada vez mais presente no espírito das pessoas, e na forma de organização de
vida que o caracteriza nos países desenvolvidos e nas regiões em desenvolvimento, a
importância da energia no presente e no futuro previsível. Esta importância tem sido
dramaticamente acentuada pelas conseqüências de fenômenos aleatórios, como as crises de
abastecimento ou do preço do petróleo, por alguns poucos, mas graves acidentes nucleares e
principalmente, pela crescente e assustadora poluição atmosférica gerada pela queima de
combustíveis fósseis (LEITE, 1997).
Por milhares de anos a humanidade sobreviveu com base no trabalho braçal e
animal. As primeiras fontes de energia inanimadas, como rodas hidráulicas e moinhos de
vento, significaram um importante incremento quantitativo do regime de trabalho – ou
potência – mas o salto qualitativo só se produziu a partir dos séculos XVII e XVIII.
De acordo com Ambiente Brasil (2005), hoje, quando se fala em energia, a
primeira impressão é estarmos falando de energia elétrica ou sobre combustíveis. Nada mais
natural, uma vez que todas as nossas atenções estão voltadas para as questões energéticas que
o Brasil vem defrontando nas últimas décadas. O sol é fonte de energia renovável e o
aproveitamento desta energia, tanto como fonte de calor quanto de luz, é uma das alternativas
energéticas mais promissoras para enfrentarmos os desafios do novo milênio.
Segundo Bezerra (1982), a crise energética de 1973 constituiu, sem sombra de
dúvidas, um forte catalizador para que as atenções mundiais se voltassem irremediavelmente
na busca de novas fontes de energia. O sol, com uma potência de 8KW/m2 nas proximidades
de sua superfície, pode oferecer à humanidade recursos energéticos dez vezes superiores que
os obtidos com os prováveis recursos mundiais de combustíveis fósseis. O fato de a energia
solar não ser uma energia concentrada, não significa dizer que ela não possa ter maior
aproveitamento como fonte energética em benefício da humanidade, hoje tão carente de
recursos energéticos devido ao grande desperdício de tais recursos, até então disponíveis ao
longo dos anos.
2 OBJETIVOS
Este trabalho objetiva realizar um levantamento bibliográfico sobre Energia Solar
e seus principais usos e aplicações, comparando os impactos ambientais gerados por esta
atividade em relação aos impactos causados pelas fontes de energias convencionais mais
utilizados: combustíveis fósseis e hidrelétricas.
3
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1 Energia Solar
Segundo o Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito
(CRESESB, 2005), o Sol irradia anualmente, o equivalente a 10.000 vezes a energia
consumida pela população mundial neste mesmo período, produzindo continuamente 390
sextilhões (390x1021) de quilowatts de potência. Como o Sol emite energia em todas as
direções, um pouco desta energia é desprendida, mas mesmo assim, a Terra recebe mais de
1.500 quatrilhões (1,5x1018) de quilowatts-hora de potência por ano.
Segundo Araújo (2004), um milionésimo de energia solar que nosso país recebe
durante o ano poderia nos dar um suprimento de energia equivalente a:
*54% do petróleo nacional;
*2 vezes a energia obtida com o carvão mineral;
*4 vezes a energia gerada no mesmo período por uma usina hidrelétrica.
3.2 Radiação Solar ao Nível do Solo
De toda a radiação solar que chega às camadas superiores da atmosfera, apenas
uma fração atinge a superfície terrestre devido à reflexão e absorção dos raios solares pela
atmosfera. Esta fração que atinge o solo é constituída por um componente direto (ou de feixe)
e por um componente difuso como mostra a Figura 1.
Figura 1: Componentes da radiação solar ao nível do solo (CRESESB. 2005).
4
3.3 Radiação Solar: Captação e Conversão
Além de ser responsável pela manutenção da vida na Terra, a radiação solar
constitui-se numa inesgotável fonte energética, havendo um enorme potencial de utilização
por meio de sistemas de captação e conversão em outra forma de energia.
Existem hoje duas maneiras de se utilizar a energia solar: fototérmica e
fotovoltaica. A arquitetura bioclimática é a forma de apropriação racional desta fonte de
energia.
3.3.1 Energia Solar Fototérmica
O equipamento mais popular da tecnologia solar é o coletor solar plano que
converte energia solar em energia térmica. O sistema fornece água quente a temperaturas
variáveis entre 40 e 60ºC atendendo basicamente demandas de uso residencial. Os coletores
solares são aquecedores de fluidos (líquidos ou gasosos), o fluido aquecido é mantido em
reservatórios termicamente isolados até o seu uso final: água aquecida para banho, ar quente
para secagem de grãos, gases para acionamento de turbinas, etc (CRESESB, 2005). São hoje,
largamente utilizados para aquecimento de água em residências, hospitais, hotéis, etc. devido
ao conforto proporcionado e a redução do consumo de energia elétrica. A Figura 2 ilustra um
sistema completo de conversão de energia solar em energia térmica.
Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG, 2007), um sistema de
aquecimento solar instalado corretamente pode economizar até 80% da energia elétrica
consumida para banho. Essa proporção, entretanto, depende do correto dimensionamento do
equipamento para atender o nível de conforto pretendido pelos usuários.
Figura 2: Vista em perspectiva de uma Instalação de Termosifão (Soletrol, 2007).
5
3.3.2 Energia Solar Fotovoltaica
A Energia Solar Fotovoltaica é a energia obtida através da conversão direta da luz
em eletricidade (Efeito Fotovoltaico), o efeito fotovoltaico decorre da excitação dos elétrons
de alguns materiais na presença da luz solar. Entre os materiais mais adequados para a
conversão da radiação solar em energia elétrica, os quais são usualmente chamados de células
solares ou fotovoltaicas, destaca-se o silício. A Figura 3 ilustra um sistema completo de
geração fotovoltaica de energia elétrica.
A eficiência de conversão das células solares é medida pela proporção da radiação
solar incidente sobre a superfície da célula que é convertida em energia elétrica. Atualmente,
as melhores células apresentam um índice de eficiência de 25% (GREEN et al., 2000).
Figura 3: Ilustração de um sistema de geração fotovoltaica de energia elétrica (CRESESB. 2005).
Inicialmente o desenvolvimento da tecnologia apoiou-se na busca, por empresas
do setor de telecomunicações de fontes de energia para sistemas instalados em localidades
remotas. O segundo agente impulsionador foi a "corrida espacial". A célula solar era, e
continua sendo, o meio mais adequado (menor custo e peso) para fornecer a quantidade de
energia necessária para longos períodos de permanência no espaço. Outro uso espacial que
impulsionou o desenvolvimento das células solares foi a necessidade de gerar energia para
satélites, como mostra a Figura 4 (CRESESB, 2005).
6
Figura 4: Estação espacial internacional, com uma potência fotovoltaica instalada de 256 kW.
3.4 Arquitetura Bioclimática
Chama-se arquitetura bioclimática o estudo que visa harmonizar as construções ao
clima e características locais, pensando no homem que habitará ou trabalhará nelas, utilizando
a energia solar, através de correntes convectivas naturais e de microclimas criados por
vegetação apropriada. É a adoção de soluções arquitetônicas e urbanísticas adaptadas às
condições específicas (clima e hábitos de consumo) de cada lugar, utilizando, para isso, a
energia que pode ser diretamente obtida das condições locais.
A arquitetura bioclimática não se restringe às características arquitetônicas
adequadas e preocupa-se, também, com o desenvolvimento de equipamentos e sistemas que
são necessários ao uso da edificação (aquecimento de água, circulação de ar e de água,
iluminação, conservação de alimentos, etc.) e com o uso de materiais de conteúdo energético
tão baixo quanto possível. A instalação de painéis solares em edificações abre também novas
possibilidades estéticas que estão sendo aproveitadas pelos arquitetos em projetos inovadores
e eficientes na captação de energia solar, conforme a Figura 5 (CRESESB, 2005).
Figura 5: Casa solar – (Comptons Interactive Encyclopedia, 1995).
7
4 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA ENERGIA SOLAR
A energia solar é incomparável a qualquer outro sistema de energia convencional
por tratar-se de uma fonte 100% natural, ecológica, gratuita, inesgotável e que não agride o
meio ambiente.
4.1 Vantagens
•
A energia solar não polui durante seu uso. A poluição decorrente da fabricação dos
equipamentos necessários para a construção dos painéis solares é totalmente
controlável.
•
As centrais necessitam de manutenção mínima.
•
Os painéis solares são cada vez mais potentes e, ao mesmo tempo seu custo vem
decaindo. Isto torna cada vez mais a energia solar uma solução economicamente
viável.
•
A energia solar é excelente em lugares remotos ou de difícil acesso, pois sua
instalação em pequena escala não obriga enormes investimentos em linhas de
transmissão.
•
Diminui a pressão sobre os recursos naturais não renovaveis.
•
Em países tropicais, como o Brasil, a utilização da energia solar é viável em
praticamente todo o território principalmente em locais afastados dos centros de
produção energética. Além disso sua utilização ajuda a diminuir a demanda energética
e consequentemente a perda de energia que ocorreria na transmissão (WIKIPEDIA,
2007).
4.2 Desvantagens
•
Existe variação nas quantidades produzidas de acordo com a situação climatérica
(chuvas, neve). Além de que, durante a noite, não existe produção alguma, o que
obriga a existência de meios de armazenamento da energia produzida durante o dia em
locais onde os painéis solares não estejam ligados à rede de transmissão de energia.
•
Locais em latitudes médias e altas (Ex: Finlândia, Islândia, Nova Zelândia e Sul da
Argentina e Chile) sofrem quedas bruscas de produção durante os meses de Inverno
devido à menor disponibilidade diária de energia solar. Locais com frequente
cobertura de nuvens (Curitiba, Londres), tendem a ter variações diárias de produção de
acordo com o grau de nebulosidade.
8
•
As formas de armazenamento da energia solar são pouco eficientes quando
comparadas por exemplo aos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), a energia
hidroelétrica (água) e a biomassa (bagaço da cana ou bagaço da laranja).
•
Custo de implantação inicial muito elevado e não disponível para a maioria da
população.
5 APROVEITAMENTO DA ENERGIA SOLAR NO BRASIL
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, 2007), atualmente há
vários projetos, em curso ou em operação, para o aproveitamento da energia solar no Brasil,
particularmente por meio de sistemas fotovoltaicos de geração de eletricidade, visando ao
atendimento de comunidades isoladas da rede de energia elétrica e ao desenvolvimento
regional. Também a área de aproveitamento da energia solar para aquecimento de água tem
adquirido importância nas regiões Sul e Sudeste do País, onde uma parcela expressiva do
consumo de energia elétrica é destinada a esse fim, principalmente no setor residencial.
5.1 Aquecimento de Água
A tecnologia do aquecedor solar já vem sendo usada no Brasil desde a década de
60, época em que surgiram as primeiras pesquisas. Em 1973, empresas passaram a utilizá-la
comercialmente (ABRAVA, 2001. Citado por ANEEL, 2007).
Segundo informações da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado,
Ventilação e Aquecimento (ABRAVA, 2001. Citado por ANEEL, 2007), existiam até
recentemente, cerca de 500.000 coletores solares residenciais instalados no Brasil. Somente
com aquecimento doméstico de água para banho, são gastos anualmente bilhões de kWh de
energia elétrica, os quais poderiam ser supridos com energia solar, com enormes vantagens
socioeconômicas e ambientais. Mais grave ainda é o fato de que quase toda essa energia
costuma ser consumida em horas específicas do dia, o que gera uma sobrecarga no sistema
elétrico. Além disso, há uma enorme demanda em prédios públicos e comerciais, que pode ser
devidamente atendida por sistemas de aquecimento solar central.
Embora pouco significativos diante do grande potencial existente, já há vários
projetos de aproveitamento da radiação solar para aquecimento de água no País. Essa
tecnologia tem sido aplicada principalmente em residências, hotéis, motéis, hospitais,
vestiários, restaurantes industriais e no aquecimento de piscinas. Em Belo Horizonte, por
exemplo, já são mais de 950 edifícios que contam com este benefício e, em Porto Seguro, 130
9
hotéis e pousadas (ABRAVA, 2001. Citado por ANEEL, 2007). A Figura 6 ilustra um
exemplo comercial de aproveitamento térmico da energia solar na cidade de Belo Horizonte –
MG, o qual se tornou referência em energia solar térmica. Este sistema possui área total de
804 m2 de coletores solares e capacidade de armazenamento de água de 60.000 litros.
Figura 6: Sistema comercial de aquecimento solar de água em Belo Horizonte – MG (CRESESB. 2005).
Um dos principais entraves à difusão da tecnologia de aquecimento solar de água é
o custo de aquisição dos equipamentos, particularmente para residências de baixa renda. Mas
a tendência ao longo dos anos é a redução dos custos, em função da escala de produção, dos
avanços tecnológicos, do aumento da concorrência e dos incentivos governamentais.
Os fatores que têm contribuído para o crescimento do mercado são: a divulgação
dos benefícios do uso da energia solar; a isenção de impostos que o setor obteve;
financiamentos, como o da Caixa Econômica Federal aos interessados em implantar o sistema
e a necessidade de reduzir os gastos com energia elétrica (ABRAVA, 2001. Citado por
ANEEL, 2007). Também são crescentes as aplicações da energia solar para aquecimento de
água em conjuntos habitacionais e casas populares, como nos projetos Ilha do Mel, Projeto
Cingapura, Projeto Sapucaias em Contagem, Conjuntos Habitacionais SIR e Maria Eugênia
(COHAB) em Governador Valadares (ABRAVA, 2001. Citado por ANEEL, 2007). Outro
elemento propulsor dessa tecnologia é a Lei n° 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe
sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia e a promoção da
eficiência nas edificações construídas no País. O crescimento médio no setor, que já conta
com aproximadamente 140 fabricantes e possui uma taxa histórica de crescimento anual de
10
aproximadamente 35%, foi acima de 50% em 2001. Em 2002, foram produzidos no país
310.000 m2 de coletores solares (ABRAVA, 2001. Citado por ANEEL, 2007).
5.2 Sistemas Fotovoltaicos
Segundo a ANEEL (2007), existem muitos pequenos projetos nacionais de geração
fotovoltaica de energia elétrica, principalmente para o suprimento de eletricidade em
comunidades rurais e/ou isoladas do Norte e Nordeste do Brasil. Esses projetos atuam
basicamente com quatro tipos de sistemas: i) bombeamento de água, para abastecimento
doméstico, irrigação e piscicultura; ii) iluminação pública; iii) sistemas de uso coletivo, tais
como eletrificação de escolas, postos de saúde e centros comunitários; e iv) atendimento
domiciliar. Entre outros, estão as estações de telefonia e monitoramento remoto, a
eletrificação de cercas, a produção de gelo e a dessalinização de água.
Uma significativa parcela dos sistemas fotovoltaicos existentes no País foi
instalada no âmbito do Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios –
PRODEEM, instituído pelo Governo Federal, em dezembro de 1994, no âmbito da Secretaria
de Energia do Ministério de Minas e Energia – MME. Desde a sua criação, foram destinados
US$ 37,25 milhões para 8.956 projetos e 5.112 kWp (quilowatt-pico) de potência. Como
indicado na Tabela 1, esses projetos incluem bombeamento de água, iluminação pública e
sistemas energéticos coletivos. A maioria dos sistemas do PRODEEM são sistemas
energéticos e instalados (ANEEL, 2007).
Tabela 1 - Projetos fotovoltaicos coordenados pelo PRODEEM/MME*
Energéticos
Iluminação Pública
Bombeamento
Qtd.
Potência
Total
Qtd.
Potência
Total
Qtd.
Potência
(A)
KWp
(B)
87
195
526
0
972
2160
3.940
US$1mil
(C)
526
1.621
3.495
0
5.456
15.801
3.940
(D)
KWp
(E)
7
17
0
0
0
0
24
US$1mil
(F)
76
197
0
0
0
0
272
(G)
(KWp)
(H)
78
213
165
235
457
0
1.147
190
387
843
0
1.660
3.000
3.080
137
242
0
0
0
0
379
54
179
224
800
1.240
0
2.497
Total
US$
1mil
(I)
480
1.635
1.173
2.221
4.569
0
10.078
Totalização
Qtd.
Potência
Total
(J)=A+D+G
KWp
(L)=B+E+H
172
425
691
235
1.429
2.160
5.112
US$ 1mil
M)=C+F+
1.081
3.453
4.668
2.221
10.026
15.801
37.250
381
808
1.067
800
2.900
3.000
8.956
Fonte: BRASIL. Ministério de Minas e Energia - MME. Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios –(ANEEL, 2007).
(*) Observações:
a. Os sistemas energéticos incluem módulos, baterias, controladores, inversores CC/CA e estrutura de fixação dos módulos.
b. Os sistemas de bombeamento incluem módulos, inversores/controladores, bombas d’água e estrutura de fixação dos módulos.
6 IMPACTOS AMBIENTAIS
6.1 Usinas Hidrelétricas
11
Por muito tempo a energia hídrica foi considerada uma fonte limpa de energia. No
entanto, ela acarreta uma série de conseqüências sócio-ambientais em função do alagamento
de grandes áreas. Construir uma barragem pode implicar em remover cidades inteiras,
desalojar pessoas, capturar animais, acabar com florestas e sítios históricos, que ficarão
submersos. Após os impactos iniciais, a energia seria limpa, mas a decomposição da biomassa
inundada emite gás metano gás de efeito estufa (GEE), e polui a água com o excesso de
matéria orgânica, em algumas usinas. São considerados GEE: dióxido de carbono (CO2),
metano (CH4), oxido nitroso (N2O), hezafluoreto de enxofre (SF6), e as famílias dos
perfluorcarbonos (compostos completamente fluorados, em especial erfluormetano CF4 e
perfluoretano C2F6) e dos hidrofluorcarbonos (HFCs) (Miguez, 2000). Segundo Legget
(1992), o metano (CH4) é um GEE cerca de 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono,
e sua concentração na atmosfera vêm aumentando mais rapidamente, cerca de 1% ao ano
neste século. O desmatamento antecipado da área a ser inundada pode evitar esses tipos de
impactos. Além disso, a construção de uma barragem é mais cara que algumas energias e
muito demorada. Muitas vezes o curso natural do rio é alterado em função das áreas a serem
alagadas, causando interferência nos ciclos naturais na reprodução e dispersão de peixes e
outros animais aquáticos.
6.1.2 Principais impactos ambientais negativos de usinas hidrelétricas
•
Inundação de áreas extensas de produção agrícola e florestas. Segundo Araújo (2004),
para cada 1m² de coletor solar instalado evita-se a inundação de 56 m² de terras férteis,
na construção de novas usinas hidrelétricas.
•
Alteração do ambiente prejudicando a fauna e flora da região, exemplo: interferem na
migração e reprodução de peixes, extinção de espécies endêmicas;
•
Alteração dos cursos e regime hidráulico dos rios;
•
Geração de resíduos nas atividades de manutenção de equipamentos.
6.2 Combustíveis Fósseis
Combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás natural – são restos de animais e
vegetais da vida preexistente há milhões de anos. Os combustíveis fósseis ainda produzem
mais de 90% da energia comercial mundial.
Desde 1900, o consumo de combustíveis fósseis tem aumentado quase quatro
vezes mais rápido do que o crescimento populacional. O crescimento foi especialmente rápido
durante a década de 60 e início na de 70, quando o petróleo era abundante e relativamente
12
barato. Nos dez anos seguintes, á primeira crise do petróleo, em 1973, falta e altos preços
forçaram os consumidores a usá-los de maneira mais eficiente (CORSON, 1996).
•
Petróleo – o petróleo é a mais importante fonte de energia para os países
industrializados e o mais indispensável dos combustíveis fósseis. Para muitos dos
serviços que ele oferece, especialmente no setor de transportes, não há nenhum
combustível substituto disponível.
•
Carvão – comparando com outros combustíveis fósseis, o suprimento de carvão é o
mais abundante. Infelizmente o uso do carvão é a causa principal da chuva ácida do
aquecimento global e outros problemas ambientais. Novas tecnologias de carvão
limpo podem reduzir a poluição do ar com o uso desse combustível, no entanto, as
emissões de dióxido de carbono com a queima do carvão, que alteram o clima são
25% mais altas do que a mesma quantidade de petróleo, e 80% mais altas do que as do
gás natural.
•
Gás natural – como um combustível relativamente limpo, o gás natural cria menos
poluição do que o petróleo ou o carvão quando queimado.
6.3 Energia Solar
A eletricidade gerada por luz solar causa baixo impacto ambiental, o qual se
restringe à matéria-prima necessária para a construção dos painéis solares.
Uma das restrições técnicas à difusão de projetos de aproveitamento de energia
solar é a baixa eficiência dos sistemas de conversão de energia, o que torna necessário o uso
de grandes áreas para a captação de energia em quantidade suficiente para que o
empreendimento se torne economicamente viável.
7 METODOLOGIA
O presente trabalho foi realizado através de pesquisas bibliográficas em livros e
sites sobre aproveitamento da energia solar e dos benefícios de sua utilização, fontes
alternativas de energia e outros pertinentes ao assunto.
8 DISCUSSÃO
Segundo Palz (1981), a energia solar recebida pela Terra a cada ano é dez vezes
superior à contida em toda a reserva de combustíveis fósseis. Mas, atualmente a maior parte
da energia utilizada pela humanidade provém de combustíveis fósseis - Petróleo, carvão
mineral, xisto etc. A vida moderna tem sido movida a custa de recursos esgotáveis que
13
levaram milhões de anos para se formar. O uso desses combustíveis em larga escala tem
mudado substancialmente a composição da atmosfera e o balanço térmico do Planeta
provocando o aquecimento global, degelo nos pólos, chuvas ácidas e envenenamento da
atmosfera e todo meio ambiente. As previsões dos efeitos decorrentes para um futuro
próximo, são catastróficas. Alternativas como a energia nuclear, que eram apontadas como
solução definitiva, já mostraram que só podem piorar a situação devido á periculosidade dos
resíduos gerados, e também pelos riscos de acidentes graves como o de Chernobil e outros.
O desenvolvimento das tecnologias para o aproveitamento das energias renováveis
poderá beneficiar comunidades rurais e regiões afastadas bem como a produção agrícola
através da autonomia energética e conseqüente melhoria global da qualidade de vida dos
habitantes. Certamente diminuiria o êxodo rural e a má distribuição de renda, dos quais nosso
país apresenta péssimos quadros. Infelizmente, o Brasil quase não tem investido no
desenvolvimento de tecnologias de aproveitamento dessas fontes, das quais é um dos maiores
detentores em nível mundial por situar-se em região tropical.
De acordo com Bezerra (1982), é preciso ainda ressaltar que os custos elevados
dos equipamentos solares são decorrentes do preço dos materiais empregados, como por
exemplo, chapas e tubos de cobre, vidro plano transparente, material isolante, vedantes, etc.
Este fato mostra claramente a necessidade de um maior desenvolvimento da ciência e
tecnologia solar, através do investimento em pesquisas na área, de modo que possamos dispor
de projetos mais simplificados e de menor custo tornando-os acessíveis à população como um
todo.
9 CONCLUSÃO
Há milhares de anos o homem viveu com base no trabalho braçal e animal. A
partir do século XVIII, houve um aumento na demanda de energia devido à revolução
industrial. Com o aumento da população, houve também o aumento na demanda pelas fontes
energéticas não renováveis como carvão, petróleo e o gás natural (combustíveis fósseis), que
passaram a ser utilizados em larga escala. A queima destes produtos tem lançado uma grande
quantidade de monóxido e dióxido de carbono na atmosfera.
A crescente concentração de dióxido de carbono (CO2) e outros GEE na atmosfera
da Terra estão contribuindo para o aumento do “efeito-estufa”, que muitos cientistas
acreditam estar aquecendo o planeta. Esta poluição tem gerado diversos problemas nos
grandes centros urbanos. A saúde do ser humano, por exemplo, é a mais afetada com a
14
poluição. Doenças respiratórias como a bronquite, rinite, alergias e asma levam milhares de
pessoas aos hospitais todos os anos. A poluição também tem prejudicado os ecossistemas.
O aquecimento global traz como conseqüências: o derretimento das calotas
polares, aumento do nível do mar, que pode causar a inundação de várias cidades litorâneas,
extinção de espécies animais e vegetais, entre outros.
Uma forma de reduzir esses impactos causados pelos combustíveis fósseis e,
consequentemente, a redução do acelerado aquecimento global, é a utilização dos recursos
energéticos renováveis tais como energia eólica e solar. Pois, além de ser inesgotável, as
energias renováveis podem apresentar impacto ambiental muito baixo ou quase nulo, sem
afetar o balanço térmico ou composição atmosférica do planeta.
A utilização desta fonte de energia é vantajosa por causar baixo impacto ambiental
e ser capaz de suprir inúmeras necessidades, substituindo a energia elétrica ou de
combustíveis fosseis. Essa substituição pode acontecer na iluminação publica, nas residências,
no meio rural, e em áreas remotas.
O Brasil por estar localizado numa região tropical, possui um grande potencial
energético devido ao bom índice de insolação que recebe em seu território. Por este fato,
deveria ser um país que utilizasse amplamente essa fonte de energia.
A barreira encontrada para a utilização desta fonte energética encontra-se nos
elevados preços dos equipamentos e falta de incentivo, embora haja algum esforço
governamental para esse fim. Para estimular o uso dessa energia, o investimento em pesquisa
e divulgação dos benefícios da utilização dessas fontes poderia ser mais explorado, já que,
para o ambiente, a degradação seria bem menor do que a causada pelas fontes de energia
convencionais (combustíveis fósseis e hidrelétricas). Somente quando atingirmos este estágio
é que poderemos esperar uma utilização em massa da energia solar, quer seja nas aplicações
residenciais, quer seja nas necessidades industriais para o pré-aquecimento de água para
caldeiras e outras finalidades.
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Goiânia, 2007/1