MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE TOMO I MEMORIAS INDICE MEMORIA 1.- INTRODUÇÃO. 2.- INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTOS. 3.- POPULAÇÃO E CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO. 4.- RECURSOS NATURAIS DE INTERESSE TURÍSTICO. 5.- DINÂMICA DO DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DA ILHA. 6.- INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTOS. 7.- TENDÊNCIA DE EVOLUÇÃO DO TURISMO. 8.- DESCRIPÇÃO DAS ACTUAÇÕES PROGRAMADAS. 9.- DESCRIPÇÃO DA PROPOSTA PARA A ZDTI-1. 10.- QUADRO DE SUPERFÍCIES. 11.- CAPACIDADE E OCUPAÇÃO. 12.- ESTUDIO DO IMPACTO ECOLÓGICO. 13.- NORMATIVA URBANÍSTICA. 14.- CONCLUSÕES. 15.- REALIZAÇÃO DOS TRABALHOS. ANEXO I: MEMORIA DO PORTO DESPORTIVO E COMERCIAL. ANEXO II: MEMORIA DO CAMPO DE GOLFE. ANEXO III: ESTUDO DO IMPACTO ECOLÓGICO PREVISÍVEL DO MASTER PLAN “PORTO DA DE MURDEIRA”. MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE 1.1.1. MEMORIA 2. INTRODUÇÃO. O presente Estudo Preliminar foi elaborado para desenvolver urbanísticamente o Lote 1 (Global) do POT da ZDTI da Murdeira e Algodoeiro, situado na Ilha do Sal na República de Cabo Verde. A parcela tem uma forma irregular de acordo com o plano. Tem acesso através de uma vía perpendicular ao limite Oeste que permitirá um acesso viario às ruas interiores. A altimetría é sensivelmente plana na zona costeira e bastante irregular na zona mais afastada da costa, como se verifica no plano de topografía do terreno. A área da parcela é de 5.040.980,75 m². A presente proposta rege-se pela legislação turística e pelas legislações vigentes da República de Cabo Verde. 2.1. ENQUADRAMENTO LEGAL. O presente Documento avança as orientações estipuladas no marco legal aprovado e que serão seguidas no Plano de Ordenamento Turístico a desenvolver com posterioridade. a) Esquema viário; b) Definição de áreas paisagísticas, de protecção e de implantação turística; c) Definição das áreas de arborização e das espécies de arvores a plantar; d) Esquemas de redes de serviços e de espaços livres; MEMORIA Página 1 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE e) Equipamentos sociais e de lazer previsíveis; f) Programa geral da zona e critérios gerais de desenvolvimento; g) Normas gerais para a execução e desenvolvimento da zona. 2.2. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. No planeamento urbanístico proposto considera-se extremamente importante que exista um processo metodológico que possa contribuir para uma implantaçao e desenvolvimento sustentável. A importância de que se revisem as acçoes, ao nivel nao somente governamental mas tambem local, da transformaçao dos usos do solo, como a proposta em assuntos de preservaçao ambiental e social, faz que este seja um dos principais campos de acción para alcançar os objetivos de sostentabilidadel a nivel global. O projecto proposto tende a dar resposta às questoes mais recentes, propostas pelo planeamento urbano sustentável e apresenta uma estructura aberta, susceptível de adaptaçao à realidade de cada situaçao e à participaçao cívica da populaçao. Da mesma forma nesta intervençao, pretendemos dar a possibilidade de que o processo a desenvolver possa dotar e orientar uma preservaçao e rehabilitaçao do espaço natural e em paralelo garante uma gestao sostentável dos recursos naturais. Esta proposta reflete, desta forma, um modo de integraçao de factor ambiental no processo de planeamento urbano, tomando como ponto de partida o estudo de alguns aspectos no que respeita à biodiversidade, ao clima e às qualidades do ar, ao ruido, ao valor ecológico, aos espaços naturais e ao uso do solo antes e despois da intervençao. MEMORIA Página 2 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE É neste contexto no cual se desenvolve este projecto, dando especial importância ao processo de desenvolvimento urbano que integra o factor ambiental e dando preferência aos objetivos de ordenamento do territorio a fim de poder melhorar as condiçoes de vida e de trabalho da populaçao, e alcançar uma distribuiçao equilibrada das funçoes de ocupaçao, trabalho, cultura e ocio. Da mesma forma, permitimos tambem a criaçao de oportunidades diversificadas de emprego como meio para a permanencia da populaçao, a garantia dos recursos hídricos e a protecçao das zonas costeiras e otros lugares de interesse particular para a conservaçao da natureza. 2.3. FACTORES AMBIENTAIS Estes sao os aspectos que pretendem garantir que no sistema de planeamento, se tenha em conta os factores ambientais em conceito de: a) Nivel de utilizaçao dos diferentes tipos de solos. b) Preservação da historia e tradiçoes locais. c) Implantação das zonas verdes como elemento de transição entre espaços públicos e privados. d) Relação da largura das vias e altura dos edifícios. e) Aumento dos espaços naturais como hortos e viveiros urbanos de aspecto pedagógico f) Separação de tráficos – pedonal/bicicletas/automóveis g) Relação entre a oferta de estacionamento e o grau de acessibilidade. MEMORIA Página 3 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE O compromisso dos promotores da presente actuaçao de promocionar e promover um projecto de contribuição ambiental da zona a fim de reconhecer a actual riqueza natural da zona, por em valor dita biodiversidade e potenciar o seu crescimento mediante a planificação de actividades de ócio ecológico que nao só mantenham as actuais condições naturais mas também que as revalorizem ao fazê-las acessíveis à população, tanto nativa como forasteira, que as demanda. Os grupos/acçoes a estudar e desenvolver donde, a título de exemplo não fechado, se pretende actuar sao: a) Potenciação do crescimento vegetal na zona: Pretende-se actuar na consolidação da flora autóctone mediante a aportaçao hídrica adequada a fim de aproveitar a sua expansão para aumentar a sua importância na zona Ampliar a extensão da mesma com a utilização de espécies autóctones A reflorestação das áreas verdes com palmeiras de grande porte obtidas no resto das ilhas do arquipélago A introdução de espécies vegetais forasteiras (depois do estudo do seu possível impacto) mediante a utilizaçao de sementes e viveiros implantados na parcela a fim de eliminar impactos fitosanitarios indesejados. Criação de pântanos artificiais (tipo lagos ou barragens de terra) nos fundos das ribeiras mais adequados a fim de controlar a avalanche instantânea produzida pelas tempestades e estabelecer pontos de descanso e possível concentração de aves migratórias. b) Potenciação da gestão meio ambiental dos recursos naturais: MEMORIA Página 4 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Levar-se-á a cabo a dessalinização de água marina, mediante aparelhos de tecnologia avançada em eficiência energética, a fim de fornecer todos os usos necessários na zona. Fornecer-se-á a urbanização tanto de redes separativas de recolha de águas cinzentas, para a sua reutilização em rega depois de uma ligeira depuraçao, como de águas fecais que serão depuradas de forma profunda para a sua posterior utilização. Estudar-se-á a possibilidade de criar um abastecimento separativo de redes de água bruta (depurada) e dessalinizada para consumo. Captação mediante lagos y outras lâminas de água das águas pluviais superficiais. Promoçao de soluçoes de produçao de energías alternativas, solar, térmica e eólica a utilizar nos edificios a construir. Promover sistemas de recolha selectiva de residuos sólidos urbanos para propiciar a sua reutilizaçao. Realizar a implantaçao do sistema de iluminaçao pública, de acordo com a situaçao, a fim de respeitar a biodiversidade ambiental circundante. c) Potenciação das actividades de ócio meio ambiental na zona: Criação de um organismo mixto de desenvolvimento e controlo das actividades com possível impacto ambiental. Criação de um Centro de Interpretação da natureza que promova e organize actividades de observação natural de espécies da fauna autóctone. Tartarugas marinhas em fase de desovar. MEMORIA Página 5 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Baleias em criaçao nas aguas da baía da Murdeira. Actividades de observaçao subaquática de fauna marina em zonas limítrofes. Especies de aves migratorias em temporada. Senderismo e treking por espaços naturaies. Potenciaçao de actividades desportivas de baixo impacto ecológico. Cruzeiros de pesca desportiva de altura. Desenvolvimento de desportos náuticos em áreas nao protegidas. 2.4. FACTORES ECONÓMICOS. Os componentes económicos asseguran uma diversidade das actividades, ou melhor, o número de áreas afectadas é um condicionante que se tem em conta, a partir de: a) Promover trabalhos com associações de empresários e organizações de empresas b) Utilização de densidades de ocupação concentrada para permitir uma multifuncionalidade de usos e rentabilizaçao das costas e infraestructuras. c) Assegurar a diversidade de espaços para os diferentes sectores de actividades 2.5. FACTORES SOCIAIS. Em quanto ao componente social, pela criação de actividades que façam uso de mão de obra disponível na zona implicada e que pela MEMORIA Página 6 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE diversidade funcional dinamize a qualidade e promova desta forma uma melhoria da qualidade de vida da população, tendo em conta: a) Entender uma área de intervenção como um todo na qual é necessário aplicar soluções específicas b) Relacionar a intervenção com a implicação existente c) Promover a circulação pedonal e de bicicletas em detrimento dos automóveis nos centros urbanos d) Diversificação de usos nos espaço públicos de modo que se potencie e fomente a convivência social entre as diferentes gerações. Com tudo o que se dice anteriormente pretende-se a realização de uma actividade evidentemente urbanizadora que se baseie em critérios de desenvolvimento sustentável, na medida do possível, e que promova a riqueza de toda índole (social, económica e natural) a fim de assegurar a criação de um assentamento turístico de primeira ordem. 3. DESCRIÇÃO DO MEIO FÍSICO. 3.1. ELEMENTOS SUMÁRIOS SOBRE O ARQUIPÉLAGO DE CABO VERDE. Cabo Verde é um arquipélago de origem vulcânica, situado no Oceano Atlântico entre os 15 e 17 graus de latitude norte, a 500 km da costa ocidental da África, frente ao Senegal e a Mauritânia e, a cerca de 800 km das ilhas Canárias. Pertence ao grupo dos arquipélagos que formam parte da Macaronésia integrada pelos Açores, a Madeira e demais ilhas selvagens que fazem parte de Portugal e as ilhas Canárias, que fazem parte da Espanha. MEMORIA Página 7 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE A superfície emersa de Cabo Verde tem uma extensão de 4.033 km², distribuídas em 10 ilhas e alguns ilhéus contando o país com uma extensa superfície marítima que faz parte do seu território 3.2. CLIMA. O clima do arquipélago é de tipo tropical seco, moderado pela acção do vento de influencia atlântica, caracterizado por chuvas escassas e extremamente irregulares, dividindo-se entre os meses de Julho e Outubro. O número de dias de chuva por ano é muito variável, de ano para ano, podendo se considerar, em média, inferior aos 10 dias. As ilhas com relevo acidentado e montanhoso como as ilhas da zona norte, principalmente a de Santo Antão e São Nicolau e as de Santiago, Fogo e Brava acabam por beneficiar das maiores precipitações. A temperatura é bastante uniforme ao longo de todo o ano, sendo a média de 24 graus centígrados, oscilando a mesma entre 20 a 26 graus sendo Fevereiro, o mês mais frio e o de Setembro, o mais quente. A temperatura da água do mar é considerada de excelente, sendo a média da temperatura na superfície de 23° centígrad os, com mínimas de 21/22° C e máximas de 26° C, respectivamente nos meses de Fevereiro e Setembro. 3.3. CARACTERIZAÇÃO E DIAGNOSTICO DA ILHA DO SAL. A ilha do Sal conta com uma extensão de 216 km2, é uma das mais pequenas ilhas do arquipélago, ocupando a segunda menor superfície entre as ilhas habitadas. A sua morfologia é extremamente plana MEMORIA Página 8 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE constituindo um dos elementos mais característicos e chamativo da sua paisagem, conjuntamente com a sua extrema aridez. O ponto mais alto do seu relevo encontra-se localizado no Monte Grande que não ultrapassa 406 metros de altitude. Este pico como todas as outras elevações da ilha aparece de forma isolado não existindo por isso nem cordilheiras e nem maciços mas somente pequenos montes espalhados de forma isoladas e que raramente ultrapassam os 200 m de altitude. A ilha duma forma geral para alem de ser plana é também caracterizada pela sua extrema aridez, destacando por isso algumas bolsas de vegetação que a partida não teria grande importância mas que acaba por ser elemento de referencia dado a sua aridez. Dado a pequenez da ilha e os elementos orográficos não serem de grande envergadura faz com que a rede hidrográfica da ilha não tenha grande importância aparecendo de forma isolada algumas ribeiras com pouca importância seja as mais relevantes da ilha destacando assim a de Madama, Feijoal e Fontona. Na maior parte das vezes as ribeiras desembocam-se directamente no mar aparecendo contudo algumas que desembocam em pequenas depressões muitas vezes invadidas pelo mar o que eleva o grau de salinidade provocando assim, que as espécies que ai se desenvolvem tenham uma certa capacidade de resistência ao sal tornando-as assim numa paisagem característica. Na parte sul da ilha destaca o único corredor de areia que atravessa a ilha da parte ocidental a parte oriental desde a costa fragata ate a costa de ponta preta. Este corredor de areia é de extrema importância não so pela identificação pela paisagem característica da ilha mas também fundamentalmente pelo abastecimento de areia de qualidade orgânica as praias de santa Maria e de Ponta Preta. MEMORIA Página 9 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE A ilha do Sal, conjuntamente com a da Boa Vista e Maio, é das mais antigas e das mais planas do arquipélago. Do ponto de vista geológico as ilhas são de formação eruptivas vulcânicas com predominância basáltica. Entre os elementos eruptivos originários destaca-se os materiais sedimentares recentes ocupando em algumas zonas grande parte da camada superior de superfície. 4. POPULAÇÃO E CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO. Segundo alguns historiadores, Cabo Verde era um arquipélago desabitado apesar de alguns vestígios de presença humana mesmo que de forma não permanente na altura em que foi descoberto pelos portugueses. A colonização contou com colonos europeus, maioritariamente vindos de Portugal e escravos, trazidos principalmente da costa ocidental da África. O crescimento da população foi feito de forma paulatina apesar das oscilações motivadas por diversos factores, principalmente a seca e a incapacidade da potência colonizadora fazer a gestão desse fenómeno, de forma satisfatória. A emigração espontânea ou forçada, adquiriu desde os primórdios do século XX, um peso importante no marco populacional e cultural do arquipélago chegando a se transformar numa verdadeira tradição. Se criou desde então uma “diáspora” cuja contribuição para a economia nacional, originaria das transferências financeiras, assegura cerca da metade das entradas da balança de pagamento do país. De salientar que a população cabo-verdiana é extremamente jovem, o que implica que qualquer planificação futura, devera ter em devida conta as necessidades básicas desta população nos próximos anos MEMORIA Página 10 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE através da criação de cenários que garantam o aumento do parque habitacional, de equipamentos escolares, hospitalares, para alem da necessidade de aumentar a oferta de trabalho tendo em conta não só a população jovem como também o índice de desemprego, muito elevado, e que vem oscilando entre os 25 e 30%. Com o advento do turismo a expectativa é de grande mobilidade interna e um reequilibro na redistribuição populacional porque as ilhas mais orientais, Sal, Boa Vista e Maio, são as mais rasas, e as menos populosas, com cerca de 25% do território e 7% da população. São as que tem as maiores potencialidades turísticas em termos balneares, sendo previsível que sejam as primeiras a terem o maior incremento turístico como esta já acontecendo na ilha do Sal. 4.1. POPULAÇÃO. O incremento do turismo tem vindo a provocar o aumento da população e da pressão sobre recursos que a ilha dispõe em matéria de infraestruturas e equipamentos, designadamente ao nível da habitação, do abastecimento de agua e energia, saneamento do meio, porto e aeroporto, rede de estradas, educação e saúde, telecomunicações, etc. Fonte: Censo 2000 POPULAÇÃO RESIDENTE TOTAL CABO VERDE Total URBANO Feminino Masculino Total RURAL Feminino Masculino Total Feminino Masculino CABO VERDE 431.989 223.995 207.994 232.147 119.709 112.438 199.842 104.286 95.556 Sal 14.596 6.928 7.668 13.089 6.234 6.855 1.507 694 813 % 3% 3% 4% 6% 5% 6% 1% 1% 1% A população de Sal contava em 2000, segundo o ultimo censo, com uma população maioritariamente urbana (cerca de 90%) de 14.596 pessoas, 52% das quais do sexo masculino. Zona / Lugar População Agregados por MEMORIA Página 11 Pop. res. Pop. res. 15 Pop. res. MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE residente e Sexo sexo do chefe menos de 15 anos a 64 anos 65 e mais 14.596 3.662 5.231 8.741 593 Masculino 7.668 2.709 2.626 4.770 250 Feminino 6.928 953 2.605 3.971 343 Ambos sexos A taxa líquida de actividade da população com 15 anos ou mais é em Cabo Verde de 68,9%, sendo no Sal de 76,4%: Taxa líquida de Actividade da População com 15 anos ou mais em 2000 Ilhas Taxas Cabo Verde 68,9% Sal 76,4% A taxa líquida de ocupação da população com 10 anos ou mais é de 57,5% em a ilha do Sal contra 46,1% a nível de Cabo Verde: Taxa líquida de Ocupação da população com mais de 10 anos Ilhas Taxas Cabo Verde 46,1% Sal Repartição da população empregada de 15 anos e mais por ramos 57,5% de actividade económica em 2000 Cabo Verde Sal 100 100 20,3 1,1 B – Pesca 2,7 3,8 C – Ind.Extract. 0,9 0,9 D – Ind.Transf. 7,1 3,7 E Elec.Gás.Ág. 0,7 0,8 F – Constr. 11,3 22,1 G – Cómercio 17,0 13,4 H – Aloj.Rest. 2,5 19,1 I - trans.Arm.Com 5,8 13,3 J - Activ.Financ. 0,5 0,8 K -Imob.Alug.Serv. 1,1 2,0 L - Apub.Def.SSO 14,2 7,0 M - Educação 5,8 3,5 N - Saúde.Acção S. 1,3 0,7 O - outras SCSP 3,8 2,1 P-Fam.c/empr.dom 4,5 5,8 Total Agr.Pec.Silv. MEMORIA Página 12 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Total Cabo Verde Sal 100 100 O,3 0,0 Q - org.Int.extra.ter A população da ilha do Sal quase toda urbana, esta distribuída por quatro assentamentos humanos da ilha, designadamente Santa Maria, Espargos, Palmeira e Pedra de Lume. 4.2. SANTA MARIA. A vila de Santa Maria é o assentamento humano localizado mais ao sul da ilha, a cerca de 15 minutos do Aeroporto Internacional do Sal e da vila de Espargos. Ocupa a parte mais central de uma linda e extensa baia com cerca de 8km de extensão, considerada uma das maiores e melhores praias do arquipélago de águas limpas e areia fina e branca. Era a antiga capital administrativa e económica da ilha, principalmente quando a exportação do sal era a actividade económica mais importante da ilha seguida da produção de conservas de peixe. Com a recessão económica a vila entrou em declínio perdendo o seu protagonismo na ilha e a sua condição de capital. Com o advento do turismo, a vila de Santa Maria começou a recuperarse em termos socio-económicos e culturais, detendo neste momento cerca de 50% das unidades hoteleiras existente no país. 4.3. ESPARGOS. A vila de Espargos se situa no centro da ilha, ligeiramente deslocada para o oeste, a única que não é banhada pelo mar e a mais próxima do aeroporto internacional, sendo hoje o centro administrativo da ilha e com maior concentração de população. A actividade socio-económica é bastante intensa e concentra um número significativo de unidades de MEMORIA Página 13 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE prestação serviços com destaque para as de apoio ao aeroporto internacional, bem como repartições públicas e privadas. 4.4. PALMEIRA. Assentamento humano localizado ao oeste da ilha, onde a actividade principal era a pesca, existindo infraestruturas para apoio a actividade na conservação em frio. O porto, a central eléctrica estão localizados em Palmeira funcionando como factores de dinamização do sector económico da zona, em particular e da ilha em geral. Tem fortes hipóteses que pelas suas potencialidades venha a ser considerada a zona industrial da ilha. 4.5. PEDRA DE LUME. Esta localizado na parte oriental da ilha, o nome advém das salinas de Pedra de Lume. As salinas constituem uma paisagem impar e de rara beleza, por estar localizadas dentro de uma cratera vulcânica. A produção e exportação do sal extraído da salina foi, durante muito tempo, uma das principais actividades da ilha dando-lhe inclusive o nome. Hoje, desactivadas, elas constituem uma das principais atracções turísticas da ilha. Após a recessão económica, devido ao declínio da exportação do sal, este assentamento humano ganhou nova dinâmica com o advento do turismo e respectivo aproveitamento e adaptação de algumas construções existentes, vocacionadas para o turismo. Perspectiva-se a reactivação da explotação do sal e a construção de infraestruturas turísticas. MEMORIA Página 14 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE 5. RECURSOS NATURAIS DE INTERESSE TURÍSTICO. A ilha da Sal se caracteriza por possuir recursos naturais marinhos de elevado valor ecológico. Trata-se de uma ilha plana e das mais antigas do arquipélago. Na parte sul se concentram as melhores praias com destaque para as de Ponta Preta/Algodoeiro e a praia de Santa Maria, esta ultima considerada dentre as melhores do pais. Ambas praias, possuem condições favoráveis ao desenvolvimento do turismo internacional do tipo balnear, como vem sendo feito. A ilha concentra 15,6% das praias de areia branca do país e 28,8% das praias de areia, mas de característica pedregosa e concentra uma parte significativa de áreas com interesse natural do país. As praias que detém maiores potencialidades e com interesse para o turismo são as seguintes: Na parte ocidental Murdeira Calheta Funda Baia de algodoeiro Ponta Preta No parte Sul Praia de Santa Maria Praia de António Sousa Na parte oriental Praia de Pedra de Lume Praia/ Costa de Fragata Da Praia/Costa de Fragata até a Ponta Preta existe um extraordinário corredor de areia de qualidade biológica que atravessa a ilha da parte MEMORIA Página 15 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE oriental a parte ocidental e que actua como regulador e abastecedor das praias da parte sul da ilha, onde se encontram as melhores e as maiores praias da ilha que é necessário preservar. 5.1. ÁREAS PROTEGIDAS. As áreas protegidas e delimitadas na ilha são os seguintes: Reserva natural Reserva natural Costa da Fragata Reserva natural Ponta do Sinó Reserva natural Rabo de Junco Reserva natural Serra Negra RESERVA NATURAL MARINHA Reserva natural marinha Baia da Mordeira o Murdeira MONUMENTO NATURAL Monumento natural Morrinho do Açucar Monumento natural Morrinho do Filho PAISAGEM PROTEGIDA Paisagem protegida Buracona – Ragona Paisagem protegida Monte Grande Paisagem protegida Salinas de Pedra de Lume e Cagarral Paisagem protegida Salinas de Santa Maria 6. DINÂMICA DO DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DA ILHA. As potencialidades da ilha do Sal e o aeroporto Internacional Amílcar Cabral, AIAC, têm sido determinantes no desenvolvimento do turismo e da economia da ilha. MEMORIA Página 16 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Após 11 de Setembro, a conjuntura internacional favoreceu e continua a favorecer Cabo Verde, enquanto destino aprazível, estável politicamente, a poucas horas dos mercados emissores principalmente da Europa e com potencialidades intrínsecas para a atracção do investimento externo, em matéria de turismo sentindo contudo a necessidade de uma maior dinâmica na promoção do país. Estes factores outra coisa não fazem senão potencializar e valorizar ainda mais a oferta e o produto turístico do destino que é Cabo Verde. Ao longo do ano na ilha do Sal, como no resto do pais, registam-se temperaturas estáveis e homogéneas, geralmente entre os 21ºC e 27º C, ventos moderados possibilitando a pratica de desportos náuticos tipo surf e windsurf, a pesca e o mergulho bem como o aproveitamento da energia eólica, humidade relativa elevada (cerca de 75%) excelente temperatura do mar que oscila na superfície entre os 21ºC e os 26ºC. Para além das características e potencialidades naturais e culturais da ilha, quer a nível do clima quer a nível das reservas ambientais de que dispõe a ilha do Sal, a infra estruturação que nos últimos tempos tem acompanhado o desenvolvimento do sector turístico, constitui uma mais valia para atrair investimentos de grande envergadura. Como frisaremos mais a frente, a ilha do Sal conta hoje com uma rede viária das melhores do pais, que liga os principais povoados aos centros populacionais e de lazer bem como a nível de serviços básicos, caso das comunicações e da electricidade, embora a dinâmica de desenvolvimento da ilha aconselhe uma maior expansão desses serviços quer a nível técnico quer a nível da distribuição. Da mesma forma as ligações aéreas com o exterior e inter-ilhas também constituem elementos de destaque e de valorização da ilha do Sal. A ilha conta com equipamento básico para suprir algumas necessidades, estando em construção uma unidade hospitalar, cuja conclusão está prevista para o ano de 2008. MEMORIA Página 17 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE No sector do turismo, Sal continua a ser a ilha líder do sector e que mais investimento recebeu nos últimos anos, tendo registado um crescimento acelerado do parque hoteleiro durante os últimos anos, com início na segunda metade da década do 90. Evolução do parque hoteleiro nacional (Enviamos dados de 2005, permitindo actualizar o quadro com informação mais recentes) Cabo Verde Total 1999 2000 2001 2002 3.874 5.249 5.450 6.062 S. Antao 107 179 222 245 S.Vicente 577 611 595 600 S. Nicolau 97 108 101 91 1.715 2.815 2.917 3.496 264 394 426 368 - - 144 144 Santiago 890 926 879 914 Fogo 120 127 129 165 50 37 37 39 Total Sal Boavista Maio Brava INE, 2002 Em 2002, a ilha se situava em termos de oferta no primeiro lugar, com mais da metade da capacidade nacional. MEMORIA Página 18 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Numero de quartos por ilha 2002 Fogo 3% Santiago 14% Brava 1% S. Antao 5% S.Vicente 11% S. Nicolau 2% Maio 3% Boavista 7% Sal 54% A evolução do parque hoteleiro também confirma a dinâmica do turismo na ilha nos últimos anos. Evolução da oferta nos últimos quatro anos (1999-2002) Sal Evolução do parque hoteleiro 1999 2000 2001 Nº de quartos 761 1254 Cap. de alojamento 1715 Pessoal de serviço 664 Cabo Verde 2002 Txa Cresc 02/01 Txa Cresc 02/99 1999 2000 2001 2002 Txa Cresc 02/01 Txa Cresc 02/99 1289 1545 20% 103% 1.825 2.391 2.489 2.820 13% 55% 2815 2917 3496 194% 103% 3.874 5.249 5.450 6.062 11% 56% 861 1006 1073 7% 62% 1.561 1.845 2.046 2.043 -0,15% 31% Fonte: INE 7. INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTOS. 7.1. INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTOS DA ILHA. As infra-estruturas e as supra-estruturas existentes na ilha bem como as excelentes condições naturais de atracção, colocam neste momento a ilha do Sal e a da ilha da Boa Vista, no primeiro plano das MEMORIA Página 19 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE preferências do turismo internacional, como bem atestam a procura e as iniciativas nos últimos anos desenvolvidas principalmente por promotores privados nacionais e estrangeiros credenciados, tendo como exemplo o Grupo RIU/TUI, com maior incidência no sector hoteleiro. O incremento do turismo tem vindo a provocar o aumento da população e tem aumentado a demanda em termos de equipamentos, habitação e infra-estruturas da pressão sobre os escassos recursos que a ilha dispõe em matéria de infra-estruturas e equipamentos, designadamente ao nível da habitação, do abastecimento de água e energia, saneamento do meio, porto e aeroporto, rede de estradas, educação e saúde, telecomunicações, etc. Constata-se que na generalidade dos sectores em análise a capacidade actual de prestação de serviços instalada na ilha é insuficiente face às necessidades da população residente bem como das decorrentes da emergência da indústria do turismo. 7.1.1. Rede viária. As ligações rodoviárias entre a Vila de Espargos e de Santa Maria foi adequada e ampliada em função da demanda crescente da ilha tendo neste momento uma das melhores redes viárias do pais destacando o troço Espargos e de Santa Maria. 7.1.2. Transporte marítimo. Porto de Palmeira. O porto da ilha do Sal, é a principal infra-estrutura de abastecimento da ilha, fica situado na costa ocidental da ilha na zona de Palmeira, bem abrigada dos ventos do Norte a Sul por Este. Com o crescimento acelerado que a ilha vem registando nos últimos anos, o porto tem registado insuficiências, nomeadamente a nível de atracagem de navios de grande porte e calado e da armazenagem. MEMORIA Página 20 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Contudo já existe um estudo para a ampliação e modernização do porto que também prevê a melhoria das ligações para transporte não somente de cargas como também de pessoas, neste momento bastante irregular e deficitário. 7.1.3. Transportes aéreos. Aeroporto Internacional – Amílcar Cabral. Em termos de serviço dos transportes aéreos, a ilha do Sal é das que esta melhor servida, tendo para alem de voos diários internacionais para vários destinos de Europa e de América do Norte (USA) também conta com ligações domésticas permanentes e regulares, entre as ilhas do arquipélado. O Aeroporto Internacional “Amílcar Cabral”, é a melhor infra-estrutura aeroportuária do país e a operacionalidade desta infra-estrutura é muito boa e tem recebido todo o tipo de aeronaves de cargas e passageiros de varias companhias aéreas nacional e internacional. A maior pista tem a extensão de 3272x45m, no sentido norte sul e no sentido este oeste tem uma pista de 1500x30 metros. 7.2. PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA E ÁGUA. A ELECTRA, é a empresa responsável pela produção e distribuição de água na ilha,. A sua produção tem sido deficitária principalmente no tocante a água no período mais quente do ano compreendido entre Julho e Setembro. Contudo com a infra estruturação de Ponta Preta será construída uma unidade de dessalinização de água capaz de suportar as unidades hoteleiras que serão construídas nesta zona e que já produz água. MEMORIA Página 21 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE 7.3. SANEAMENTO. A ilha do Sal através do seu município tem vindo a fazer um esforço para a resolução dos problemas de Saneamento evidenciando contudo alguma carência. É de destacar que esta previsto o arranque de uma obra de Saneamento para a ilha que será financiada pelo Koweit. O sistema de tratamento de águas residuais utilizado na generalidade dos centros populacionais da ilha consiste no processo primário de recolha dos efluentes em fossas sépticas que são em seguida drenados para poços absorventes. As unidades hoteleiras em funcionamento na Praia de Santa Maria dispõem de sistema próprio de tratamento de águas residuais. Na zona infra estruturada de Ponta Preta existe um sistema de recolha e tratamento das águas usadas para posteriormente utilização na rega. 7.4. RESÍDUOS SÓLIDOS. A limpeza urbana é realizada pela Câmara Municipal da Sal e é feita em todos os assentamentos humanos da ilha. O lixo produzido pela população dos assentamentos humanos da ilha já referidos bem como pelas unidades hoteleiras são encaminhados para a lixeira municipal nas proximidades de Serra Negra. 7.5. INFRA-ESTRUTURAS TURÍSTICAS E COMPLEMENTARES. As potencialidades que apresenta a ilha da Sal, enquanto destino turístico para a prática do turismo de sol/praia e de outras formas do turismo são amplas, porém, em estado de subaproveitamento e exploração, embora a ilha tenha registado na última década, o maior crescimento do país em termos de construção do parque hoteleiro. MEMORIA Página 22 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Evolução da oferta de Alojamento em Cabo Verde QUARTOS Pais 1999 2000 2001 2002 Cabo Verde 1.825 2.391 2.489 2.820 S. Antão 54 93 115 127 S.Vicente 262 278 275 298 S. Nicolau 55 62 57 52 Sal 761 1.254 1.289 1.545 Boavista 155 161 172 186 Maio ... ... 72 72 Santiago 429 433 423 434 Fogo 55 61 63 83 Brava 28 23 23 23 3.500 1999 2000 3.000 2001 2002 2.500 2.000 1.500 1.000 500 0 S. Antao S.Vicente S. Nicolau Sal Boavista Maio Santiago Fogo Brava As elevadas taxas registadas, apontavam para um crescimento médio anual das unidades de alojamento (hotéis, pensões, residenciais, etc.) de cerca de 25%. A nível da oferta turística, a ilha ocupa neste momento o primeiro lugar com 54% da capacidade de alojamento do país, liderando a frente de São Vicente (10%), Santiago (15%) e Boavista (6%), esta ultima em fase de expansão. MEMORIA Página 23 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE C apa c id ade alojativa po r ilha S antiago 15% F ogo B rava 1% 3% S . A ntao 4% S .V icente 10% S . N icolau 2% M aio 2% Boavista 6% S al 57% Fonte: INE/DGDT Enquanto destino turístico, a ilha da Sal, registou uma tendência de aumento da procura verificada na evolução das entradas nos últimos três anos bem como na diversificação da origem dos turistas que a procuraram. Os turistas de origem italiana acusaram um aumento gradual representando mais da metade (cerca de 60%) do total de estrangeiros que visitou a ilha nos últimos 4 anos. Constata-se contudo que em 2002, como no resto do país, uma queda global do número de turistas (-24%), já esperada, porquanto não houve qualquer estratégia para inverter os efeitos dos acontecimentos do 11 de Setembro. MEMORIA Página 24 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE E n tr a d a p o r ilh a 2 0 0 - 2 0 0 2 1 0 0 .0 0 0 Sal S a n ti a g o S ã o V ic e n te 9 0 .0 0 0 B o a V ista Fogo 8 0 .0 0 0 O u tra s ilh a s 7 0 .0 0 0 6 0 .0 0 0 5 0 .0 0 0 4 0 .0 0 0 3 0 .0 0 0 2 0 .0 0 0 1 0 .0 0 0 0 2000 2001 2002 Desde o ano de 2000 Sal mantem uma taxa de cerca de 57% do total das entradas de turistas, com tendência para o aumento, dado o interesse que hoje a ilha desperta nos turistas pelo seu potencial de Sol/Mar. O interesse que hoje se regista pela ilha da Sal é patenteado no numero de projectos e intenções de investimento que tanto nacionais e estrangeiros têm manifestado nos últimos tempos. Contudo, ainda todas as potencialidades não estão esgotadas o que a priori recomenda, uma intervenção ponderada e concertada das politicas e estratégias, visando desenvolver um turismo de qualidade e rentável, com o aproveitamento sustentável de tudo o que de melhor há na ilha, sem por em risco os equilíbrios naturais. Um levantamento do parque turístico feito pela DGDT, aponta para a existência de infraestruras hoteleiras já construídas ou em fase de conclusão que auguram a pratica de um turismo de qualidade, com destaque para os empreendimentos que já dispõem de Utilidade Turística, concedida pelas autoridades caboverdianas. Caracterização do parque hoteleiro (2000) MEMORIA Página 25 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Hotéis Nº Ilha Hotéisapartamentos % Nº % Pensões Nº Pousadas % Nº % Aldeamentos Turísticos Nº Residenciais Total % Nº % Nº % S. Antao - - - - - - - - - - 11 41 11 12 S.Vicente 2 8 1 20 4 13 - - 1 33 4 15 12 13 S. Nicolau - - - - 4 13 - - - - 2 7 6 6 Sal 11 46 2 40 3 10 - - - - 4 11 19 20 Boavista 3 13 - - 1 3 1 25 - - 2 7 7 8 Maio - - - - 1 3 1 25 1 33 - - 3 3 Santiago 7 29 2 40 8 27 - - 1 33 5 19 23 25 Fogo 1 4 - - 7 23 1 25 - - - - 9 10 Brava - - - - 2 7 1 25 - - - - 3 3 TOTAL 24 100 5 100 30 100 4 100 3 100 28 100 93 100 % 26 5 32 4 3 29 100 Fonte: INE Importa contudo ressaltar que o desenvolvimento do turismo na ilha ainda esta condicionado a alguns constrangimentos de carácter infraestrutural, estrangulamentos esses que, um pouco como no resto do país e sobretudo nas ilhas da periferia, condicionam o real desenvolvimento que se quer para o sector do turismo, nas suas principais vertentes da oferta. 8. TENDÊNCIA DE EVOLUÇÃO DO TURISMO. 8.1. NACIONAL. Cabo Verde vem registando um crescimento significativo da capacidade de alojamento disponível, com taxas que ultrapassam os 30%/ano. Esse ritmo de crescimento se tem mantido desde a segunda metade da década de 90, tendo-se então registado uma taxa de 38%, entre 19961999. País Crescimento do numero de quartos (%) 1999 2000 MEMORIA Página 26 2001 2002 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Total 1.825 31% 36% 55% S. Antão 54 72% 24% 10% S.Vicente 262 6% -1% 8% S. Nicolau 55 13% -8% -9% Sal 761 65% 3% 20% Boavista 155 4% 7% 8% - - - 0% Santiago 429 1% -2% 3% Fogo 55 11% 3% 32% 28 -18% 0% 0% Maio Brava Fonte: INE Pelas suas características endógenas e potencialidades turísticas, o país começa a ter uma procura crescente seja por turistas individuais seja por potenciais investidores que, associados a tour operators, vêm promovendo Cabo Verde como destino turístico nos mercados emissores da Europa sobretudo, facto que garante, nos próximos anos, a manutenção do crescimento, com taxas similares ou superiores as registadas até agora. Por outro lado, o país já dispõe de alguns instrumentos orientadores e reguladores da actividade turística cujo reconhecimento e grande aposta do Governo como sendo fonte geradora de receitas para a economia nacional, lhe confere o estatuto de sector estratégico para o desenvolvimento do país e a preparação deste Plano Estratégico, assim confirma. Embora tímida, a evolução do turismo e das capacidades alojativas em Sal vem acompanhando a tendência de crescimento contínuo nacional, com perspectivas de, nos próximos 10 anos, atingir um nível de crescimento sustentável conforme se pretende planificar neste Plano Estratégico. Por outro lado, a conjuntura internacional é cada vez mais favorável ao crescimento do turismo em Cabo Verde enquanto destino aprazível, MEMORIA Página 27 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE seguro, politicamente estável, praticamente “em estado virgem” e cuja localização geográfica garante ligações rápidas 8.2. INTERNACIONAL. Embora a evolução de turismo nos últimos anos tenha registado alguma irregularidade, OMT mantém, pelo momento, a sua previsão a longo prazo (até 2020). O crescimento do turismo nos próximos anos devera continuar a crescer, em media, com uma taxa anual de 3 a 4%. Contudo, em determinadas regiões os problemas de insegurança relacionados com doenças, epidemias, guerras e sobretudo com a ameaça de novos actos de terrorismo, podem desestimular esse crescimento. Até 2020, as previsões do movimento de turistas por região aponta no topo, segundo a OMT, três regiões receptoras, nomeadamente a Europa com 717 milhões de turistas, a Ásia Oriental e o Pacífico (397 milhões) e as Américas (282 milhões), seguidos pela África, o Médio Oriente e a Ásia do Sul. De igual forma, até 2020, são previstas taxas de crescimento do turismo1, superiores a 5%/ano, em Ásia oriental e o Pacífico, Sul Ásia, o Médio Oriente e África, comparado à média mundial de 4.1%. A procura turística continuara sendo influenciada pelos acontecimentos e mudanças políticas e económicas em termos globais. Facto verificado, principalmente, após o 11 de Setembro, que marcou uma viragem nas previsões e comportamentos habituais dos grandes fluxos turísticos. 1 “Faits saillants du tourisme” Édition 2003. OMT MEMORIA Página 28 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Esta conjuntura adversa não só teve o efeito de diminuir o volume global da procura como também e sobretudo a reorientar, privilegiando destinos locais e familiares mais próximos dos locais de residência. A excepção de Canada e do México, as primeiras 10 destinações mundiais segundo o número de turistas recebidos, restam inalteráveis, com a França e a Espanha a se manterem no topo seguidas pelos Estados Unidos de América. A China se afirma cada vez mais como um destino a ter em conta na rede mundial, tendo registado entre 2002 e 2001 um crescimento de 11%, a taxa mais elevada e que ultrapassa, de longe, a média mundial de 2%. Registo mundial de chegadas de turistas nos principais 10 destinos receptores (OMT) 6 Nº País Turistas (10 ) 2002 Desvio (%) 02/01 Parte (%) mundial 1 França 77.0 2.4 11.0 2 Espanha 51.7 3.3 7.4 3 Estados Unidos 41.9 -6.7 6.0 4 Itália 39.8 0.6 5.7 5 China 36.8 11.0 5.2 6 Reino Unido 24.2 5.9 3.4 7 Canada 20.1 1.9 2.9 8 México 19.7 -0.7 2.8 9 Áustria 18.6 2.4 2.6 Alemanha 18.0 0.6 2.6 10 Fonte: OMT, 2003 Estas mutações reforçam o surgimento de novas tendências e de um novo protótipo de turista, cujas preferências se orientam para viagens mais curtas, mais seguras e mais frequentes. As motivações do “novo turista” estão se afastando, cada vez mais, do “passivo prazer” de longas horas de exposição ao sol. O “novo turista”, mais informado, mais esclarecido e mais sensível aos problemas ambientais, para além da qualidade do produto exige que MEMORIA Página 29 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE este seja cada vez mais específico, mais individual e mais diversificado (mais completo) o que noutras palavras, reforça a tendência global de afirmação, no mercado, do turismo alternativo, cuja filosofia se distancia cada vez mais do tradicional turismo de massas2. Nos nossos dias, o turismo baseado nos 4S (sun, sea, sand and sex) se transformou em “sophistication, specialisation, segmentation and satisfaction” dando origem aos 3L (lore, landscape, leisure) em virtude ao destaque que o “novo turista” confere as culturas e tradições, as paisagens e ao ambiente, ao repouso e ao lazer. 9. DESCRIPÇÃO DAS ACTUAÇÕES PROGRAMADAS. 9.1. OBJECTIVOS DO ORDENAMENTO Desenho e desenvolvimento da proposta para o Lote 1 do POT da ZDTI “MURDEIRA E ALGODOEIRO” que recolhe o Master Plan correspondente que terá os seguintes planteamentos e objectivos preliminares: Ordenar o territorio para atender à demanda turística de tal forma que nao se produza massificaçao nem degradaçao do meio ambiente e dos proprios assentamentos. Preservar a paisagem mediante as reservas do solo. Respeito máximo às condições Medio Ambientais. Desenvolver as infraestructuras de acordo com o crescimento urbano. A financiação das mesmas será com cargo, preferentemente, às promotoras turísticas. 2 “Turismo, princípios e pratica”, Cooper Chris, John Fletcher, Stephan Wanhill, David Gilbert and Rebecca Shepherd. MEMORIA Página 30 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Desenvolver elementos complementários e potenciadores do desenvolvimento turístico como sao o Porto Desportivo e o Campo de Golfe. Potenciar ao máximo o turismo de qualidade. Habilitar solo necessário para a construção de apartamentos destinadas à povoação de serviços e solo para a localização dos serviços terciários, de armazenamento e distribuição que genera o desenvolvimento turístico. 9.2. CRITÉRIOS DA ORDENAÇAO. Para a obtenção dos objetivos fixados no ponto anterior, as Normas foram seguindo os seguintes critérios: a) Em solo Urbano: Introduzir novos solos, de acordo com o modelo da ZDTI. Melhorar os solos urbanos existentes, tanto na sua estructura como na tipologia edificatória e equipamentos. b) Em solo apto para urbanizar: Pretende-se quantificar e localizar o crescimento urbano para manter um controlo, por parte da Câmara Municipal do Sal, que garanta um programa de investimentos. c) Em solo rústico: Establecem-se as diversas categorias tendentes à proteção deste solo no que diz respeito a valores paisagísticos, ecológicos, naturais, etc. Ao mesmo tempo estuda-se o solo potencialmente produtivo que sofra a pressão edificatória. MEMORIA Página 31 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE d) Sistemas Gerais: Efectua-se um profundo estudo e uma perfeita definição da actuação. O critério seguido foi equilibrar as dotações de equipamentos e infraestructuras que servem além do mais, de elementos estructurais entre os diversos núcleos urbanos. 10. DESCRIÇÃO DA PROPOSTA PARA A ZDTI-1. 10.1. DEFINIÇAO DO DESENHO. Em base aos critérios principais anteriores optamos por desenvolver um Plano de Ordenaçao Territorial POT para o lote 1 que incorpora os critérios fundamentais da ZDTI da Murdeira e Algodoeiro, propondo um tipo de urbanizaçao pouco densa. 10.2. EXAME E ANÁLISE DAS DIFERENTES ALTERNATIVAS. O desenvolvimento das possibilidades das diferentes alternativas realiza-se em base aos seguintes critérios: Pretender-se-á fazer cumprir o duplo objetivo de conseguir a ordenação urbanística adequada do Lote 1, com o objectivo de conseguir a protecção Médio ambiental do entorno físico tanto terrestre como marítimo, fundamental em toda a actuação na baía da Murdeira. Este importante aspecto é amplamente desenvolvido no Estudo de Impacto Ambiental que inclui o Master Plan, assim como a sua relação com o Porto Desportivo que será a dotação principal deste desenvolvimento urbano. Ordenar o desenvolvimento marcado pelo acesso e circuitos perimetrais que está previsto para todo o Plano geral da ZDTI da baía da Murdeira. MEMORIA Página 32 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Preservar a relação com a pequena península e o Monte LEAO que fecha a baía da Murdeira, de especial protecção Medio Ambiental, sendo este um limite sensível com o desenvolvimento do lote 1. Estudar a disposição dos diferentes tipos de sistemas de construção e os usos residencial e turísticos, em função da sua proximidade ao mar e a sua localização nas áreas elevadas de acordo com a topografia geral do LOTE. Localização do Campo de Golfe de 18 buracos e zonas de treino, e a sua relação com as áreas residenciais de baixa densidade e as zonas de alojamento turístico. Definição de una lógica de vias principais, para obter um desenho que clarifique o ordenamento desde o ponto de acesso, criando um sistema viário simples que permita aceder a todas as zonas de interesse, assim como a potenciação das vistas ao mar , nas suas duas vertentes, a baía da Murdeira e a baía de João Petinha. 10.3. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO DESENHO. Em base a estes pressupostos de estudo preliminar de condiçoes de desenho e ordenaçao, com o planteamento urbanístico de desenvolvimento, previsto no POT da ZDTI-1, passamos a marcar as principais características que definem o desenho do Master Plan. 10.3.1. Parâmetros Urbanísticos. Urbanização pouco densa segundo os parâmetros indicados pela Planificação Geral da ZDTI-1, com os seguintes parâmetros: 20% ocupaçao máxima 50% de edificabilidade máxima MEMORIA Página 33 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE Densidade 100 a 120 camas /ha. Urbanização adaptada na medida do possível ao terreno muito respeituosa com o medo físico e a topografia. 10.3.2. Zonificaçao 1. Núcleo central denso à volta do Porto Desportivo e Comercial, preparado para 200 atraques, que converter-se-á no mais importante do Arquipélago, em função da sua situação, a mais a norte, e pela sua ampla capacidade para todo tipo de barcos. Além do mais oferecerá um amplo leque de serviços de todo o tipo, comerciais, terciários e logística. 2. Zona Praia Baía Murdeira. Nesta zona situar-se-ao as Grandes actuações hoteleiras, Aparthoteleiras e mixtas, em grandes parcelas onde implantaremos os núcleos turísticos principais que farão efeito gerador dos principais investimentos. Os modelos turísticos tipo Hotel-Resort adoptarão critérios de máximo respeito ambiental com as condições da costa e seus fundos marinhos de especial protecção no âmbito da zona. 3. Zona de Golfe de 18 buracos y área de treinos. É o complemento dotacional mais importante depois do porto desportivo, fundamental em todas as áreas turísticas modernas, que inclui um hotel temático do golfe, vinculado ao uso do mesmo. Situaremos o Campo de Golf numa zona onde conjugaremos: a facilidade do acesso, a adaptação ao terreno ocupando uma zona semi-acidentada com ribeiras leves etc. que dêem ao desenho dos buracos do percurso, o atractivo desportivo optimo e vistas suficientes ao mar para diferenciá-lo com esta especial característica. Na zona de acesso incluir-se-á uma área polidesportiva pública, que complementará a dotaçao desportiva do Lote1. A configuração do campo de golfe e a sua situação adaptada às suaves ribeiras naturais do terreno onde MEMORIA Página 34 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE de forma lineal distribuiremos as diferentes traçadas longitudinais permitirão a situação em zonas altas da topografia, de villas perimetrais ao campo de golfe, com vistas ao golfe e ao mar. Estas villas terão acesso desde a via perimetral superior que da serviço a esta zona. 4. Zona Noroeste. Situa-se na vertente da Baía de Petinha, onde adaptando-se ao planteamento orográfico, de ribeiras suaves em caída até ao mar, típica desta urbanização, situamos nas zonas altas da topografia que dão forma às ribeiras, áreas de villas grandes, de baixa densidade, com parcelas privativas mais grandes, com amplas vistas ao mar e fácil acessibilidade pela vía superior da urbanização. 5. Zona de serviços públicos. Situada na zona oeste do lote1 na zona próxima ao istmo da pequena península que limita a baía da Murdeira. Nesta área situamos todas as dotações técnicas necessárias para o funcionamento dos serviços principais da urbanização, como central de Depuração, áreas dedicadas a geração eléctrica e dessalinizadora de água. Nesta zona teremos áreas complementarias de armazéns, logística, e outros serviços. 10.4. INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTOS PROPOSTOS. 10.4.1. Cartografia e topografia. A cartografia utilizada foi disponibilizada na base de um voo e produzida a escala de 1:500 digitalizado a posteriori, para sua utilização de forma informatizada. Foi realizado também trabalho complementar de campo através de um topografo/geómetro, em termos de levantamento e completagem com trabalhos de campo. MEMORIA Página 35 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE 10.4.2. Rede viária. A rede viária projectada, consiste fundamentalmente numa via principal e vias secundarias de penetração. A via principal conta com uma largura de 50 metros e é composta por duas vias em sentido opostos, cada uma com duas faixas de rodagem com 6 metros cada, com uma faixa separadora de 7 metros, dois passeios de 3 metros e duas vías de serviço com estacionamento de 8,5 metros. Foi também projectada uma faixa de penetração a partir da via principal, dando acesso aos hotéis de forma mais segura. Em pontos estratégicos foram projectadas rotundas por forma a facilitar a circulação e redistribuição do transito. A via principal da ZDTI-1 esta ligada à via principal de ZDTI-2 em um ponto, estendo-se paralela a linha da praia. As vias secundarias têm 12 metros de largura sendo 7 para a faixa de rodagem e dois passeios de 2.5 metros cada ladeando a faixa de rodagem. A Zona de Desenvolvimento Turístico Integral ZDTI-1 de Murdeira e Algodoeiro cobre uma superfície aproximada de 504 ha. MEMORIA Página 36 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE MEMORIA Página 37 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE 10.4.3. Pavimentação. Como se especificou, a pavimentação que prevê conta com uma base de terra natural com brita de 25 cm de espessura, a qual estender-se-á sobre a esplanada, uma rega de imprimação e uma camada de 5 cm de aglomerado asfáltico tipo G-20, e uma capa de rodagem, também de aglomerado de tipo D-12. Ambas capas ficam separadas mediante uma rega de aderência. Considerando os substratos basálticos, entende-se que exista uma boa qualidade das explanadas, no entanto nas zonas com afloramentos de terreno granular o calcário com certo grau de meteorizaçao realizar-seao provas CBR para a determinação e classificação da capacidade portante da explanada, devendo-se tomar medidas correctoras se fosse preciso, segundo o critério do Engenheiro Director das Obras, e de acordo com as especificações técnicas deste projecto. Em determinados pontos projectou-se a realização de terraplanagens que permitam salvar pequenos desníveis. Os materiais granulares de aportação deverão ser selecionados, e deverão cumprir como “material adequado” segundo as normas internacionais mais estendidas. As compactações destas terraplanagens far-se-ao por camadas de como máximo 30 cm de espessura e com compactações superiores a 97% do Proctor Modificado. 10.4.4. Abastecimento de água potável. A rede de agua potável projectada para uma capacidade de carga equivalente a 26.000 quartos e 300 litros diários por habitante. O abastecimento é feito a partir da desalinização da agua do mar, mediante osmoses inversa por se tratar da técnica mais eficaz e com maiores ganhos de energia. MEMORIA Página 38 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE A dessalinizadora de água do mar se situará numa parcela técnica junto com a estação de tratamento de águas residuais e os depósitos de distribuição. Esta dessalinizadora se abastecerá de água do mar captada mediante poços perfurados a uma distância aproximada de 150 m da alínea do mar. A água potável dessalinizada será distribuída nas diferentes parcelas da Urbanização mediante um grupo de pressão que alimentará uma rede de tubagem de polietileno de alta densidade e manterá a pressão adequada. Adicionalmente, para eventuais fornecimentos em camião cuba, se instalará o correspondente carregador no interior da parcela técnica, através de uma derivação do conduto principal, disposta imediatamente depois do grupo de pressão, para evitar a instalação de uma bombagem independente. A salmoura produzida e o processo de dessalinização mediante osmose inversa, que representa 60% da água do mar requerida, será conduzida a umas salinas próximas à parcela técnica, para ser utilizada como matéria prima na produção de sal. Esta actividade completa o aproveitamento total do recurso, a uma vez que se evitam vertidos de salmoura ao mar. Assim mesmo, a recuperação da produção do sal, que até à umas décadas era a única actividade económica da ilha, representa uma alternativa à actividade turística. Para atender as necessidades da totalidade das zonas residenciais, as zonas comeciais, a zona administrativa e o campo de golfe, se prevê uma capacidade de produção com um caudal diário de agua desalinizada de 16.000 m3, considerando uma dotação de 300 litros/hab/dia fixada a partir dos consumos dos hotéis existentes na ilha MEMORIA Página 39 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE e do consumo hoteleiro de outras paragens de categoria internacional. O consumo anual de agua potável previsto é de 4.088.000 m3. A agua produzida será armazenada em depósitos de betão armado com capacidade de 10.000 m3, situandos nos pontos altos do lote, de forma a distribuir a água com a mesma gravidade. A rede estará sob pressão contínua, fazendo chegar a água nas torneiras sem passar por depósitos intermédios. Na generalidade, os tubos serão enterrados a uma profundidade de 75 cm e com o afastamento de 40 metros do limite dos lotes. Haverá um plano de especialidade para a rede de agua potável. 10.4.5. Saneamento e reutilização das águas residuais. A infraestruturação de o Lote ZDTI-1 disporá de um sistema de saneamento composto por uma estação depuradora localizado na parcela técnica e todo uma rede de recolha das águas residuais utilizadas e outra de envio de água tratada para rega dentro dos lotes hoteleiros e para-hoteleiros. O tratamento das águas residuais será de nível terciário com desinfecção visando a adequação da água à rega sem nenhum risco. Desta forma poder-se-á integrar o ciclo total de utilização da água. O processo de depuração consiste em três fases. Na primeira fase, se realizará a retenção do material fino contendo na água e a separação tanto das gorduras como da matéria flutuante. O tratamento secundário consiste em uma depuração biológica mediante a o fornecimento constante de oxigénio. Finalmente, o processo terminará com o já mencionado tratamento terciário. Relativamente às lamas produzidas no processo, serão compactadas para reduzir o seu grau de humidade e transportadas mediante camião MEMORIA Página 40 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE cuba para umas áreas de secagem dispostas na zona de serviços da ilha, onde as características meteorológicas da ilha possibilitam uma rápida redução de volume e a sua utilização como fertilizante nas zonas ajardinadas. Paralelamente, com este sistema de secagem de lamas se evita o alto consumo eléctrico das máquinas centrífugas utilizadas neste processo. O dimensionamento da depuradora, foi determinado aplicando um coeficiente de demora de 0,85 sobre o caudal do abastecimento projectado. O sistema de saneamento estará formado por duas estações de bombagem de águas residuais, por uma rede impermeável de colectores de gravidade e por um espaço de impulsão. A primeira das estações de bombagem estará situada extremo leste e a segunda no extremo noroeste. Os colectores em gravidade serão de PVC reticulado e de 315 mm de diâmetro. Na parte em pressão se instalará uma tubagem de polietileno de alta densidade de 180 mm de diâmetro. Haverá um plano de especialidade para a rede de saneamento e tratamento de águas usadas. 10.4.6. Energia eléctrica. A produção e distribuição serão efectuadas a partir de um sistema diesel-eólico dado que o potencial de ventos será aproveitado como fonte de energia de forma vantajosa quer economicamente quer para o ambiente, junto com a solar. Ainda há possibilidades de aproveitamento da energia solar. O potencial instalado necessário para abastecer as solicitações do ZDTI1 de Murdeira e Algodoeiro será de 60 MW, sendo que 54 se MEMORIA Página 41 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE conseguiram mediante grupos geradores compostos por um motor diésel e um alternador. Será escolhido o gasóleo como combustível por dispor de suficientes garantias de fornecimento na ilha. O sistema de produção estará formado por uma central diésel e um parque eólico. O parque eólico será instalado no ponto mais elevado da zona, a cota 15 m e constará de 20 moinhos com uma potência unitária de 300 kW. Na Ilha do Sal, o vento se manifesta de maneira constante em velocidade e direcção, de modo que das medidas tomadas, se deduz uma velocidade média de aproximadamente 8,50 m/s a 50 m de altura, com o que se estimam umas 3.800 horas/ano de equivalência a plena da carga. Com a instalação de aerogeradores se prevê reduzir o consumo de combustível de origem fóssil e as emissões de dióxido de carbono a atmosfera. Do mesmo modo, e tal como se detalha no seguinte apartado, a central diésel actuará como planta centralizada de co-geração, nas que se combinar a produção simultânea de energia eléctrica e água quente. Este aspecto, que obriga a instalar os sistemas de produção próximos dos centros de consumo, junto com o objectivo de conseguir uma rede eléctrica equilibrada em tensão e frequência da mesma, assim como para evitar as perdas na distribuição é o que justifica a distribuição dos sistemas de produção nos três pontos. Relativo à distribuição de energia, foi concebido uma rede de meia tensão (20 KV) autónoma em anéis e uma série de estações transformadoras. Nas parcelas de grande superfície se instalarão estações transformadoras independentes e nas menores as acometidas se realizaram em umas redes secundárias de baixa tensão, MEMORIA Página 42 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE a 400 V, a partir de subestações transformadoras colectivas. O consumo médio anual na Urbanização se estima em 50 GWh. A totalidade do sistema de distribuição de energia eléctrica será operado a partir de um centro de control situado na parcela técnica. Haverá um projecto de especialidade para a produção e distribuição da energia eléctrica. 10.4.7. Produção de calor e frio. Para obter uma maior eficiência dos grupos de geradores diésel, e dada a demanda simultânea de energia eléctrica e térmica, se estabelecerão acordos com os diferentes hotéis da Urbanização para a implementação de um sistema de co-geração no que se recuperará o calor dos gases de escape dos motores mediante uma caldeira de recuperação. A temperatura dos gases de escape atingirá valores aproximados de 470 º C, com variações em função da carga do motor, estimando-se entre 350 y 550 kW, o valor do calor recuperável. Nas caldeiras de recuperação se aquecerá a água que se circulará através da Urbanização mediante um circuito cerrado que alimentará a troca de calor em cada uma das parcelas, de maneira que se abastecerá a energia térmica necessária para a água quente sanitária, a lavanderia e algum outro serviço adicional. A temperatura de saída da água das caldeiras será de 90ºC, descendo no retorno, a um valor aproximado de 80ºC. Com o aproveitamento do calor dos gases de escape dos motores se pretende aumentar o rendimento dos mesmos até um valor aproximado de 60%. Para obter uma maior eficiência deste sistema, regularizar as trocas de potência diários e aproveitar o grande número de horas de funcionamento anual dos motores, se incorporará um sistema de MEMORIA Página 43 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE produção de frio a partir de máquinas esfriadoras que funcionará com energia eléctrica. Estes dispositivos esfriam uma mistura de água com um aditivo anticongelante a menos de 0º nos depósitos, a partir dos quais, e em um circuito fechado paralelo ao da água quente, se circulará pelas parcelas da Urbanização onde se utilizará basicamente para a climatização dos hotéis. Ambas as redes, a de vapor de água e a de água fria, serão subterrâneas e se associarão a cada uma das centrais eléctricas que se construirão na Urbanização, por proximidade ao centro de consumo. 10.4.8. Telecomunicações. Projectada uma rede geral, principal, de telecomunicações com base numa conduta para poder ligar por cabo as comunicações necessárias nomeadamente telefone, fax, TV cabo, Internet, Vídeo, etc. A ligação ao exterior se produzira mediante uma câmara de registos, a partir da conduta subterrânea da Telecom. As redes laterais, secundarias, necessárias e próprias para as unidades localizadas em cada lote, foram projectadas de forma subterrâneas localizadas debaixo do passeio. Haverá um projecto de especialidade para as telecomunicações. 10.4.9. Rede de serviços e de espaços livres. Para alem da rede de infraestruturas, existe uma rede de serviços e de espaços livres constituído por: a) Um porto desportivo e comercial b) Uma zona administrativa c) Um campo de golfe de 18 buracos com o seu clube social. MEMORIA Página 44 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE d) Espaços publicos equipados e arborizados, servindo como espaço social e de lazer e) Vários centros comerciais e de serviços para apoio aos turistas, a população local e aos hotéis. f) Uma zona industrial ou parcela técnica onde ficaremos a planta de desalinização da agua do mar e uma estação depuradora de águas residuais utilizadas. 11. QUADROS DE SUPERFÍCIES. Ajuntam-se um quadro geral de superfícies, unm quadro resumo de edificabilidades e um quadro resumo de ocupações. 12. CAPACIDADE E OCUPAÇÃO. As potencialidades decorrentes das características próprias da ilha do Sal tornam o destino favorável para a prática de vários tipos de turismo, destacando o balnear ou de sol e mar e o náutico, dentre outras actividades complementares, capazes de fornecer aos visitantes da ilha momentos agradáveis e inesquecíveis, a altura das suas expectativas através da oferta de um produto de qualidade. O turismo, enquanto fenómeno com enfoques diferentes, desde o psicológico e antropológico, passando pelo enfoque económico, o geográfico e o histórico-cultural, deve ser encarado como uma oportunidade dos países promoverem o desenvolvimento sócioeconómico, através do aproveitamento do potencial humano, cultural e patrimonial das regiões visadas. Partindo destes conceitos e, tomando como referencia os diferentes estudos realizados sobre esta temática, tanto para o país (como um todo) como para a ilha do Sal, se identificam vários tipos de turismos, MEMORIA Página 45 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE susceptíveis de redundar em proveitos significativos quer para os turistas, principal publico alvo, quer para os investidores e população local. Em maior ou menor escala, tendo em conta as condições que a ilha oferece, as formas de turismo que melhor se adequam a ilha do Sal são, por ordem decrescente, as seguintes: Turismo balnear ou de sol e mar – justificado pelas características das praias existentes: 15% das praias de areia branca do arquipélago, algumas das quais com mais de 1 Km e de mais de 60 m de largura, mais de 45% das praias são abrigadas e/ou semi-abrigadas, clima estável, aguas tépidas, etc. Turismo desportivo – justificado pelas boas condições para a pratica de desportos náuticos com maior preponderância para os de vela tipo surf, winserf, etc., e os relacionados com a pratica da navegação, pesca desportiva e mergulho estes últimos, em parte, condicionados pela morfologia abrupta dos fundos marinhos circundantes da ilha 12.1. CAPACIDADE DE CARGA. A ideia de Capacidade de carga esta assente no conceito de sustentabilidade, traduzindo a capacidade especifica da ilha do Sal, para suportar e absorver o uso e exploração das suas potencialidades, sem as deteriorar. Estabelecendo desta forma, uma relação de compromisso entre o turista e o recurso turístico/destinação, colocado a sua disposição. Mathieson e Wall (1982, p.21) definem a capacidade de carga como sendo “o número máximo de pessoas que podem utilizar um local sem MEMORIA Página 46 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE uma alteração inaceitável do ambiente físico e sem declínio inaceitável na qualidade da experiência dos visitantes”. Na determinação da capacidade de carga, teve-se em devida conta, todas as manifestações do conceito, a começar pela capacidade física (disponibilidades/quantidades de espaços para implantação de unidades turísticas), a mais directa e até hoje a que tem tido maior peso nas tomadas de decisão, a psicológica, biológica e a social, cada uma com a sua quota-parte no desenvolvimento sustentável do sector. Tendo em conta que Cabo Verde é um país extremamente pequeno, vulnerável e fragmentado e, a ilha do Sal ser uma das mais pequenas do território nacional, o compromisso com o território bem como o património natural e humano deve ser bem ponderado, por forma a minimizar possibilidades de erros por um lado e tornando o produto turístico das ilha do Sal e da Baía Murdeira em particular mais competitivo Por outro lado, a conjuntura internacional poderá ser favorável ao incremento do turismo em Cabo Verde desde que os diversos actores (Administração Central e Local, promotores e operados e a população de uma forma geral) souberem aproveitar esta oportunidade e transformar Cabo Verde num país mais competitivo, não descurando a qualidade. 12.2. RESUMO DE PROPOSTAS PARA A ZDTI-1. A proposta consta por um lado do porto desportivo e comercial, o campo de golfe, como elementos dinamizadores e de atracçao turística, por outro lado organizam-se as diversas zonas residenciais sobre as duas praias e a zona de serviços públicos situada na zona industrial. MEMORIA Página 47 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE O projecto proposto tende a dar resposta às questoes mais recentes, propostas pelo planeamento urbano sustentável e apresenta uma estrutura aberta e da a possibilidade que o processo a desenvolver possa dotar e orientar uma preservaçao e reabilitaçao do espaço natural, e em paralelo garantir uma gestao sustentável dos recursos naturais. Com o anteriormente dito, pretende-se a realizaçao de uma actividade evidentemente urbanizadora que se baseie em critérios de desenvolviento sustentável que promova a riqueza de toda índole (social, económica e natural) a fim de assegurar a criaçao de um assentamento turístico de primera ordem. Caso estas questões forem tidas em conta e ultrapassadas atempadamente o ZDTI-1 de Murdeira e Algodoeiro devera se tornar mais competitivo com incidencia muito positiva para todo o pais e, em particular, para o sector do turismo. 13. ESTUDO DO IMPACTO ECOLÓGICO. Anexa-se o Estudo de Impacto Ecológico previsível sobre o Master Plan do Porto da Murdeira num documento anexo a esta memoria. 14. NORMATIVA URBANÍSTICA. Anexa-se a Normativa Urbanística proposta num documento anexo a esta memória. MEMORIA Página 48 MASTER PLAN "PORTO DE MURDEIRA" ZONA DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO INTEGRAL MURDEIRA E ALGODOEIRO ILHA DO SAL -REPÚBLICA DE CABO VERDE 15. CONCLUSÕES. O Governo de Cabo Verde aposta fortemente no desenvolvimento do turismo como sendo um dos principais eixos do desenvolvimento económico sustentado e fonte geradora de receitas. A ilha de Sal apesar de não ser das maiores é a que reúne um número significativo de praias cuja extensão favorece o desenvolvimento do turismo internacional, com qualidades intrínsecas para o alto standing. 16. REALIZAÇÃO DOS TRABALHOS. O Master Plan foi redigido por uma equipa dirigida e coordenada pelo arquitecto Alfredo Santos García. O estudo do porto desportivo e comercial foi realizado pelo engenheiro de Caminhos, Canais e Portos Simón Enrique Alvarez Castro. O Estudo de impacto ambiental, foi elaborado por uma equipa de técnicos especialistas, sob a coordenação do Professor Dr. Luís Felipe Jurado. Santa María, Julho de 2007 O Coordenador MEMORIA Página 49