PROCESSO SELETIVO 2014
LÍNGUA PORTUGUESA, LITERATURA E REDAÇÃO
Este caderno contém as provas de Língua Portuguesa e Literatura. A redação deverá
ser transcrita em folha própria e entregue junto com o cartão de resposta diretamente aos
fiscais. As questões de Língua Portuguesa e Literatura estão numeradas de 1 a 50 e deverão
ser respondidas no cartão de resposta oficial.
Ao receber o cartão de respostas oficial:
a) confira seu nome e número de inscrição.
b) assine-o, utilizando-se de caneta esferográfica, no espaço indicado.
Ao transferir as respostas para o cartão de respostas oficial, observe:
a) o uso de caneta esferográfica (preta ou azul), preenchendo toda a área do quadrado.
b) a escolha de apenas uma alternativa em cada questão. Duas ou mais alternativas assinaladas
anulam a questão.
c) a integridade do cartão, não amassando-o, rasurando-o ou dobrando-o.
ESTA PROVA TEM DURAÇÃO DE 4 HORAS
O candidato somente poderá ausentar-se do local da prova decorrida uma hora e trinta
minutos após seu início.
1
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Língua Portuguesa e Literatura
Para responder às questões 1, 2, 3, Observe o texto abaixo:
Cachorro bravo se apaixona por gansa e muda comportamento
Do UOL, em São Paulo
29/11/2013 17h49
Um perigoso cachorro estava prestes a ser sacrificado em Somerset, na Inglaterra, quando foi salvo
pelo amor... por uma gansa.
Rex, um pastor alemão, era tão nervosinho, mas tão bravo, que era preciso duas pessoas para
alimentá-lo - uma para distraí-lo e outra para encher a vasilha de comida, de acordo com o site SWNS.
Ele latia e rosnava para qualquer um que passasse por sua gaiola e até tentava colocar a cabeça para
fora da grade para comer coelhos selvagens.
Mas, três meses atrás, quando conheceu Geraldine, uma gansa, o cachorro se tornou mais maduro e
os dois ficaram in-se-pa-rá-veis.
A princípio, os proprietários do santuário para animais resgatados onde os dois vivem temiam que
Rex literalmente mordesse a cabeça de sua amiga de penas para afastá-la de seu território - mas Geraldine
soube levá-lo.
A dupla agora caminha pelo bosque e aconchega-se para dormir junto na cama de Rex todas as
noites.
Os funcionários foram surpreendidos por quão próximos o par tornou-se e acreditam que o então
pássaro irritado e o cão nervoso trouxeram o lado mais suave um do outro.
Mas nem todo mundo está feliz com o inusitado romance, a cachorrinha Vera, ex-amiga de Rex,
também um pastor alemão, está chateada depois de ter sido deixada de lado pela gansinha de olhos verdes.
Não está fácil para ninguém, Vera!
Leia atentamente o texto acima e responda ao que se segue:
1a)
b)
c)
d)
e)
De acordo com o texto, não é correto afirmar que:
Geraldine é o nome de uma gansa.
Somerset é o nome de um santuário para animais.
SWNS é o nome de um site.
Rex é o nome de um cão pastor alemão.
Vera é o nome de uma cadela pastor alemão.
2- De acordo com o texto, não é correto afirmar que:
a) Antes de se conhecerem, Geraldine era irritada e Rex era perigoso.
b) Geraldine e Rex viviam no mesmo santuário para animais resgatados.
c) Rex chegou a morder a cabeça de Geraldine para afastá-la de seu território.
d) Após conhecer Geraldine, Rex deixou Vera de lado.
e) Rex e Geraldine dormem juntos na mesma cama todas as noites.
3- Considerando o uso da linguagem no texto, não é correto afirmar que:
a) O uso das reticências ("quando foi salvo pelo amor... ") tem por objetivo realçar o inusitado da expressão
"por uma gansa", que se lhe segue.
b) O uso do hífen em "in-se-pa-rá-veis" tem por objetivo indicar que Rex e Geraldine não eram tão
inseparáveis assim, já que a própria palavra pode ser separada.
c) A última frase do texto ("Não está fácil para ninguém, Vera!") confirma o caráter informal e coloquial do
texto, e não seria normalmente aceita em uma notícia de jornal.
d) Embora fale também da gansa, o texto se concentra, sobretudo, no cachorro, que figura ali como a
principal personagem da narrativa.
e) O texto observa, como regra, a modalidade culta da língua portuguesa.
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Paras responder às questões 4, 5, 6, observe o texto abaixo
Tratado
Trecho extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado
Um tratado internacional é um acordo resultante da convergência das vontades de dois ou mais sujeitos
de direito internacional, formalizada num texto escrito, com o objetivo de produzir efeitos jurídicos no plano
internacional. Em outras palavras, o tratado é um meio pelo qual sujeitos de direito internacional –
principalmente os Estados nacionais e as organizações internacionais – estipulam direitos e obrigações entre si.
Com o desenvolvimento da sociedade internacional e a intensificação das relações entre as nações, os
tratados tornaram-se a principal fonte de direito internacional existente, e atualmente assumem função
semelhante às exercidas pelas leis e contratos no direito interno dos Estados, ao regulamentarem as mais
variadas relações jurídicas entre países e organizações internacionais, sobre os mais variados campos do
conhecimento humano. Os Estados e as organizações internacionais (e outros sujeitos de direito internacional)
que celebram um determinado tratado são chamados “Partes Contratantes” (ou simplesmente “Partes”) a este
tratado.
Os tratados assentam-se sobre princípios costumeiros bem consolidados e, desde o século XX, em
normas escritas, especialmente a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT), de 1969. Dentre
estes princípios, destacam-se o princípio lógico-jurídico pacta sunt servanda (em latim, literalmente, “os
acordos devem ser cumpridos”) e o princípio do cumprimento de boa fé, ambos presentes no costume
internacional e no artigo 26 da CVDT. Uma outra Convenção de Viena, de 1986, regula o direito dos tratados
celebrados entre Estados e organizações internacionais, e entre estas.
Leia atentamente o texto acima e responda ao que se segue:
4a)
b)
c)
d)
De acordo com o texto, não é correto afirmar que:
Todo tratado internacional, para produzir efeitos jurídicos, precisa ser formalizado num texto escrito.
Todo tratado internacional estipula direitos e obrigações entre as partes contratantes.
Organizações internacionais podem celebrar tratados internacionais entre si e com Estados.
Não é possível haver tratado internacional que vincule simultaneamente mais de dois sujeitos de direito
internacional.
e) Tratados internacionais têm função semelhante à das leis e contratos no direito interno dos Estados.
5- De acordo com o texto, apenas é correto afirmar que:
a) Os tratados internacionais assentam-se, entre outros, no princípio "pacta sunt servanda", segundo o qual os
acordos devem ser cumpridos de boa-fé.
b) A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT), firmada em 1986, regula o direito dos tratados
celebrados entre organizações internacionais.
c) A partir do século XX, os tratados passaram a ser regulados exclusivamente pela Convenção de Viena
sobre Direitos dos Tratados (CVDT).
d) Apenas os Estados Nacionais com representação na Convenção de Viena podem ser partes contratantes em
tratados internacionais.
e) Não há tratado se não houver acordo resultante da convergência de vontade de todas as partes contratantes.
6- Assinale a alternativa que melhor define o sentido da palavra "direito" na expressão "sujeitos de direito
internacional":
a) O que é justo, correto, bom;
b) Aquilo que é facultado a um indivíduo ou a um grupo de indivíduos por força de leis ou dos costumes;
c) Privilégio, regalia;
d) Conjunto de normas da vida em sociedade que buscam expressar um ideal de justiça, traçando as fronteiras
do ilegal e do obrigatório;
e) Conjunto de cursos e disciplinas constituintes do curso de nível superior que forma profissionais da lei.
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Leia o texto abaixo para responder às questões 7
(...) Mas por que a Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra no século XVIII? Jazidas de minério
de ferro e carvão mineral? Império da lei e da estabilidade política? Lei de Patentes? Avanços na ciência?
Ética protestante?
Tudo teve peso, mas ainda há uma nova explicação, curiosa e persuasiva (William Rosen, The Most
Powerful Idea in the World). Como resultado do desenvolvimento das escolas inglesas, pela primeira vez na
história, apareceram mecânicos capazes de ler artigos científicos. E também de se corresponder com seus
colegas e pesquisadores.
Os bons mecânicos sabiam lidar com máquinas e construir toda espécie de engenhoca. Mas aos que
tinham novas ideias faltava o horizonte intelectual e a motivação para implementá-las.
No mundo das sociedades científicas de então, os pesquisadores elucubravam, até experimentavam,
seguindo o método teórico empírico, proposto por Bacon. Mas não sabiam fazer as coisas, não conheciam a
manufatura. Portanto, não puderam ir muito longe na utilização prática dos inventos. Os avanços do
pensamento não tinham pontes para o mundo da indústria.
Fora do Olimpo científico, na sociedade hierarquizada e rígida da época, alguns mecânicos
perceberam que a Lei de Patentes era a porta que se abria para um operário mudar de vida. E, como bons
protestantes, acreditavam que Deus gostava de quem ficava rico.
É então que entram em cena os mecânicos-leitores. Na ânsia de ficarem ricos, começaram a
escarafunchar o que escreviam os cientistas – como Boyle, que formulava os princípios conectando pressão,
temperatura e volume. Como tinham amigos com interesses similares, trocavam cartas, discutindo seus
projetos. (...)
(CASTRO, Cláudio de Moura. In: Veja. 11 de dezembro, 2013, p.30)
7- Segundo o texto, todas as afirmativas abaixo se confirmam, exceto:
a) A Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra, unicamente porque lá havia mecânicos que sabiam ler.
b) O fato de os mecânicos saberem ler, levou-os a articular a teoria com a prática.
c) Vários fatores foram responsáveis pela ocorrência da Revolução Industrial na Inglaterra.
d) Os mecânicos-leitores se comunicavam entre si.
e) Se houve mecânicos-leitores, na Inglaterra do século XVII, isto se deveu ao bom desempenho das escolas
inglesas.
8- Observe a frase seguinte: “... a Lei de Patentes era a porta que se abria para um operário mudar de vida”. As
frases abaixo apresentam a mesma construção, exceto:
a) Abriu-se a janela para um mundo novo.
b) Construiu-se ponte para uma nova realidade.
c) Transformou-se o mundo em que eles viviam.
d) Produziu-se uma série de pensamentos positivos
e) Não se duvida de quem tem vivenciado cenas torturantes assim.
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Observe o texto abaixo pra responder às questões 9 e 10
No retrato que me faço
- traço a traço –
Às vezes me pinto nuvem,
Às vezes me pinto árvore.
Às vezes me pinto coisas
De que nem tenho mais lembrança...
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão...
E, desta lida, em que me busco
- pouco a pouco –
Minha eterna semelhança.
No final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!
(QUINTANA, Mário. IN: TREVISAN, Zizi. Poesia e ensino – Antologia comentada. São Paulo: Arte e
Cultura/UNIP, 1995, p. 87)
9- Observe que este texto está centrado na expressão dos sentimentos, emoções, opiniões do emissor. É um
texto subjetivo e pessoal. Observe que o destaque dado ao emissor é reforçado pela presença de verbos e
pronomes de primeira pessoa. Há também interjeições, reticências e pontos de exclamação. Quando um texto
tem o predomínio destes elementos, dizemos que nele impera:
a) Função poética
b) Função emotiva
c) Função referencial
d) Função fática
e) Função conativa
10a)
b)
c)
d)
e)
Essa repetição que ocorre nos versos 3, 4 e 5 recebe o nome de:
Metáfora
Eufemismo
Anáfora
Paradoxo
Prosopopéia
Para responder às questões 11 e 12, observe o texto abaixo:
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
11- O nível de linguagem predominante no texto é:
a) Formal, pois o autor emprega inversões como em “lhes dê grandeza e um pouco de coragem.
b) Formal, uma vez que o autor emprega “nós”, como em “vamos pedir piedade” e não “a gente”.
c) Informal, porque o autor se vale de coloquialismos como nas contrações “pro” e “pra”.
d) Informal, pois o autor se utiliza do vocativo em “Senhor, piedade”.
e) NDA
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12- Nos versos de Cazuza, acima transcritos, predomina a função de linguagem
a) Emotiva
b) Referencial
c) Fática
d) Poética
e) Metalinguística
13- Em uma das alternativas abaixo, o emprego do verbo foi usado inadequadamente, segundo os ditames da
norma-padrão. Assinale esta alternativa
a) Se você manter as mesmas posições que tem mantido, desde o início da polêmica, você sairá vitorioso desta
situação.
b) Quando eu vir o seu amigo, não se preocupe; vou pedir a ele que entre em contato com você.
c) Ninguém acreditou que o professor interviesse na disputa como interveio.
d) Se você reouver os seus pertences, seria interessante que já os distribuísse entre os seus filhos.
e) Vimos até a sua presença, Excelentíssimo Juiz, porque já recorremos a diversas instâncias e não obtivemos
respostas.
14- Assinale a frase considerada aceitável pela norma-padrão no tocante à regência verbal.
a) Todas as questões da prova implicavam em raciocínio e atenção
b) Obedeço e cumpro bem o que me ordenam, porque me guio pelo provérbio: “quem tem juízo obedece”.
c) Não me simpatizo com causas sociais que incitam à violência.
d) João da Silva mora na Rua Santos Dumont, número 20.
e) Um cartaz, na praça, anunciava: “Não pise na grama”.
15- Assinale a opção que preenche de forma coerente e coesa, as lacunas do texto abaixo:
Em suma, a riqueza da imagem é construída não apenas_____________ atrair os sentidos do observador,
___________ para colaborar na agregação de valores simbólicos ___________ essa imagem está
impregnada e ________ emanam o poder de atração que ela exerce sobre o observador.
a) Afim de - mas também - a que - sobre os quais
b) A fim de – também - os quais - diante dos quais
c) Para - mas também - com que - dos quais
d) Para - mas também - sobre o que - dos quais
e) NDA
16- Assinale a afirmativa que apresenta concordância verbal incorreta dentro dos parâmetros da norma-padrão
a) Tomie, a vida borbulha nessas suas telas em vermelho.
b) Vivam Tomie e sua arte. A arte por ser inigualável; Tomie pela sua postura de vida.
c) Talvez se possa gerir a abundância com alguma escassez: o menos é mais educativo de que o mais.
d) Desesperança e desinteresse provocaram muitas atitudes negativas
e) Existe valores a ser cultivados e preservados e passados adiante pelas gerações a fim de que tudo não se
desmorone como um grande castelo erguido sobre um mangue.
17- Complete adequadamente as lacunas da frase abaixo:
Se mais oportunidades__________________ a maioria dos sócios ______________ se pronunciar a
respeito das novas diretrizes da Instituição.
a) Houvessem – poderiam
b) Houvessem – poderia
c) Houvesse – poderia
d) Houvessem – poderia
e) Houvesse – poderiam
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Para responder às questões 18 e 19, observe o texto abaixo:
Poema (Ney Matogrosso)
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo.
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim,
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás.
(http://letras.mus.br/ney-matogrosso/169321)
18- Sobre o texto é possível afirmar que:
a) O texto contrapõe passado e presente.
b) No presente o autor ainda tem medo de escuro.
c) O autor busca um abraço ou consolo.
d) O autor se despede da pessoa amada.
e) NDA
19- O texto apresenta um tom de
a) Nostalgia
b) Revolta
c) Amargura
d) Desconsolo
e) Otimismo
20- Complete adequadamente as lacunas da frase abaixo:
As apostilas______________ não temos cópias são exatamente aquelas _________ precisamos.
a) de que – de que
b) de que – cujas
c) cujas as – de que
d) as quais – que
e) das quais – que
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21- Assinale a opção em que a preposição com traduz uma relação de instrumento.
a) Os bons mecânicos sabiam lidar com máquinas e construir toda espécie de engenhoca.
b) Estava brincando distraidamente e feriu-se com um pedaço de pau que estava no chão.
c) Mecânicos e banqueiros se encontravam com a finalidade de forjar uma nova sociedade.
d) Ele tinha grande fascínio por pessoas estranhas e procurava encontrar-se com elas.
e) Com o meu avô eu podia manter longas conversas pela noite adentro.
22- Das orações abaixo assinale aquele que traz uma noção de causa.
a) Como você pode comprovar, todas as minhas forças estão se exaurindo.
b) Amou daquela vez como se fosse a última.
c) Ele é compreensivo como um travesseiro.
d) Como tinham amigos com interesses similares, trocavam cartas, discutido seus projetos.
e) Eu, como as mariposas, sinto-me leve e vulnerável.
23- Há erro de concordância verbal na opção:
a) Distribuíram-se doces estragados para as crianças, durante as festas de fim de ano.
b) Dizem que faz meses que ela chegou, mas ninguém tem notícias dela nem sabe o seu paradeiro.
c) Devido ao imenso desmatamento ocorrido naquela região, devem existir poucas possibilidades de vida.
d) Você acredita que haviam muitos pedidos de revisão desta questão?
e) Rogo a V. Exª que se digne aceitar o meu convite. Sua presença nos deixará felizes.
24- “Embora o Brasil seja um país tropical, suas noites são frias”. Poderíamos trocar a palavra embora por
qualquer uma das que estão nas alternativas abaixo, exceto:
a) Ainda que
b) Mesmo que
c) Conquanto
d) Visto que
e) Posto que
25- Todas as orações abaixo encerram ideia de consequência, exceto:
a) Em que pese a autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas afirmações.
b) Falou com uma calma que todos ficaram atônitos
c) Não podem ver um cachorro de rua sem que o persigam.
d) Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
e) Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.
26- “Ninguém riu nem brincou apesar de ser carnaval”. Se substituirmos a locução conjuntiva “apesar de” por
uma conjunção, não haveria mudança de sentido se a conjunção fosse:
a) Porque
b) Embora
c) Enquanto
d) Portanto
e) Logo
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27- Indique o único conjunto que apresenta concordância verbal condizente com as normas do português padrão.
a) O funcionamento dos dois órgãos federais são necessários para que se possa atender com precisão e
eficiência o cidadão.
b) As diferentes divisões e subdivisões a que se submetem a ciência pulverizam domínios do conhecimento.
c) Uma nova premissa básica do conjunto de assunções teóricas e epistemológicas do trabalho que ora vêm à
luz é a concepção de arte como uma entre muitas formas por meio das quais o conhecimento humano se
expressa.
d) Normalmente a aplicação de métodos desconhecidos acabam por distorcer a verdade dos fatos.
e) Chegaram muito atrasados o socorro às vítimas das enchentes, assim poucos puderam se salvar.
28- Assinale a opção correta quanto à regência:
a) Em sua obra,Macunaíma,Mário de Andrade apresenta referências desabonadoras as características do
brasileiro.
b) A atenção às características individuais é uma postura indispensável para o bom andamento da seleção.
c) Ninguém fez referências aquelas crianças pobres e abandonadas.
d) Em relação a atitude dos alunos, pouco temos a comentar. Será pedida à entrevistada àquela resposta relativa
a profissão que ele exerce.
e) Refiro-me somente àquele aluno.
29- Assinale a frase correta de acordo com a norma culta
a) Se os combatentes se deterem, com medo, diante do inimigo, a guerra estará perdida.
b) Todos esses pedidos de socorro, demonstram a gravidade da situação.
c) Ele não perdoava a mãe.
d) Eu me refiro à estas meninas que me procuraram antes do exame.
e) A polícia interveio com violência na discussão do casal. Foi por essa razão que eu intervim no intuito de
aliviar a situação.
30- Em “Comprei gillette nas lojas americanas” temos uma figura de linguagem, ou seja, um termo ou
expressão que, empregada em um contexto específico, sofre alteração de seu sentido habitual. A figura de
linguagem presente nesses versos é a(o):
a) Sinestesia.
b) Catacrese.
c) Metonímia.
d) Eufemismo.
e) Comparação.
31- Machado de Assis – assim como sua personagem Brás Cubas – é mestre do humor irônico em nossa
literatura. O excerto de Memórias póstumas de Brás Cubas em que esse recurso de linguagem fica patente é
a) “Éramos onze passageiros, um homem doido, acompanhado pela mulher, dois rapazes que iam a passeio,
quatro comerciantes e dois criados. Meu pai recomendou-me a todos, começando pelo capitão do navio, que
aliás tinha muito que cuidar de si, porque, além do mais, levava a mulher tísica em último grau”.
b) “Na noite seguinte, fui efetivamente à casa do Lobo Neves; estavam ambos, Virgília muito triste, ele muito
jovial. Juro que ela sentiu certo alívio, quando os nossos olhos se encontraram, cheios de curiosidade e
ternura”.
c) “Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco,
destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a
atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as
vantagens pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanho e tão profundos
efeitos”.
d) “Não a vi partir; mas à hora marcada senti alguma coisa que não era dor nem prazer, uma coisa mista, alívio
e saudade, tudo misturado, em iguais doses”.
e) “O que vexava a Nhã-loló era o pai. A facilidade com que ele se metera com os apostadores punha em
relevo antigos costumes e afinidades sociais, e Nhã-loló chegara a temer que tal sogro me parecesse
indigno”.
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Para responder à questão 32, compare os seguintes textos:
Texto 1
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho o que fazer; e realmente,
expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas
o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque
o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens a pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a
narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à
direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
(ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1999. p. 103).
Texto 2
Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços
espelhados.
Ah que medo de começar e ainda nem sequer sei o nome da moça. Sem falar que a história me
desespera por ser simples demais. O que me proponho contar parece fácil e à mão de todos. Mas a sua
elaboração é muito difícil. Pois tenho que tornar nítido o que está quase apagado e que mal vejo. Com mãos
de dedos duros enlameados apalpar o invisível na própria lama.
(LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 19).
32- Assinale, entre as alternativas abaixo, um procedimento literário empregado tanto por Machado de Assis
quanto por Clarice Lispector nos fragmentos em questão.
a) Metalinguagem
b) Intertextualidade
c) Polifonia
d) Análise psicológica
e) Diálogo com o leitor
Para responder à questão 33, considere os seguintes trechos extraídos de Memórias póstumas de Brás
Cubas, referentes a personagens do romance.
I. “Referiu-lhe que o decreto trazia a data de 13, e que esse número significava para ele uma recordação
fúnebre. O pai morreu num dia 13, treze dias depois de um jantar em que havia treze pessoas. A casa em
que morrera a mãe tinha o nº 13”.
II. “Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da
nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre
as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os
olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha,
não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o
indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação”.
III. “Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui
acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos!”
IV. “Voltou quatro meses depois. (...) Vinha demente. Contou-me que, para o fim de aperfeiçoar o
Humanitismo, queimara o manuscrito todo e ia recomeçá-lo”.
V. “...amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”.
33- Os fragmentos acima referem-se, respectivamente, a
a) Dona Plácida, Eugênia, Quincas Borba, Brás Cubas, Marcela.
b) Cotrim, Marcela, Lobo Neves, Quincas Borba, Virgília.
c) Lobo Neves, Virgília, Brás Cubas, Quincas Borba, Marcela.
d) Dona Eusébia, Nhã-loló, Lobo Neves, Quincas Borba, Virgília.
e) Quincas Borba, Virgília, Brás Cubas, Nhonhô, Eugênia.
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Leia o seguinte capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas para responder à questão 34
Capítulo CXXXIX – DE COMO NÃO FUI MINISTRO D’ESTADO
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....
(ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1999. p. 160).
34- Considere os seguintes comentários sobre o texto acima.
I. Machado de Assis inova no contexto literário de seu tempo ao utilizar sinais gráficos não verbais como
recurso de expressão.
II. No capítulo acima, a sequência de linhas pontilhadas sugere o silêncio do narrador diante de sua
frustração pessoal no mundo da política.
III. O autor confere ao texto um caráter de nonsense, antecipando a estética dadaísta, uma vez que não é
possível depreender mensagem alguma do capítulo.
IV. O capítulo em questão revela o pessimismo do narrador, o qual impregna todo o romance.
a)
b)
c)
d)
e)
Constituem interpretações adequadas do capítulo as assertivas:
I e II.
II e III.
I, II e III.
I, II e IV.
I, II, III e IV.
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Para responder à questão 35, leia o seguinte trecho de Memórias póstumas de Brás Cubas, em que Quincas
Borba explica a seu amigo Brás Cubas em que consiste a sua filosofia do Humanitismo.
– Humanitas, dizia ele, o princípio das coisas, não é outro senão o mesmo homem repartido por
todos os homens. (...)
Como me não aparecesse assaz clara essa exposição, Quincas Borba desenvolveu-a de um modo
profundo, fazendo notar as grandes linhas do sistema. Explicou-me que, por um lado, o Humanitismo
ligava-se ao Bramanismo, a saber, na distribuição dos homens pelas diferentes partes do corpo de
Humanitas; mas aquilo que a religião indiana tinha apenas uma estreita significação teológica e política,
era no Humanitismo a grande lei do valor pessoal. Assim, descender do peito ou dos rins de Humanitas, isto
é, ser um forte, não era o mesmo que descender dos cabelos ou da ponta do nariz. Daí a necessidade de
cultivar e temperar o músculo. Hércules não foi senão um símbolo antecipado do Humanitismo. Neste ponto
Quincas Borba ponderou que o paganismo poderia ter chegado à verdade, se se não houvesse
amesquinhado com a parte galante dos seus mitos. Nada disso acontecerá com o Humanitismo. Nesta igreja
nova não há aventuras fáceis, nem quedas, nem tristezas, nem alegrias pueris. O amor, por exemplo, é um
sacerdócio, a reprodução um ritual. (...) Porquanto, verdadeiramente há só uma desgraça: é não nascer.
– Imagina, por exemplo, que eu não tinha nascido, continuou o Quincas Borba; é positivo que não
teria agora o prazer de conversar contigo, comer esta batata, ir ao teatro, e para tudo dizer numa só
palavra: viver. Nota que eu não faço do homem um simples veículo de Humanitas; não, ele é ao mesmo
tempo veículo, cocheiro e passageiro; ele é o próprio Humanitas reduzido; daí a necessidade de adorar-se
a si próprio. Queres uma prova da superioridade do meu sistema? Contempla a inveja. Não há moralista
grego ou turco, cristão ou muçulmano, que não troveje contra o sentimento da inveja. O acordo é universal,
desde os campos da Idumeia até o alto da Tijuca. Ora bem; abre mão dos velhos preconceitos, esquece as
retóricas rafadas, e estuda a inveja, esse sentimento tão sutil e tão nobre. Sendo cada homem uma redução
de Humanitas, é claro que nenhum homem é fundamentalmente oposto a outro homem, quaisquer que sejam
as aparências contrárias. Assim, por exemplo, o algoz que executa o condenado pode excitar o vão clamor
dos poetas; mas substancialmente é Humanitas que corrige em Humanitas uma infração da lei de
Humanitas. O mesmo direi do indivíduo que estripa a outro; é uma manifestação da força de Humanitas.
Nada obsta (e há exemplos) que ele seja igualmente estripado. Se entendeste bem, facilmente
compreenderás que a inveja não é senão uma admiração que luta, e sendo a luta a grande função do gênero
humano, todos os sentimentos belicosos são os mais adequados à sua felicidade. Daí vem que a inveja é
uma virtude.
(...)
– Para entender bem o meu sistema, concluiu ele, importa não esquecer nunca o princípio universal,
repartido e resumido em cada homem. Olha: a guerra, que parece uma calamidade, é uma operação
conveniente, como se disséssemos o estalar dos dedos de Humanitas; a fome (e ele chupava filosoficamente
a asa do frango), a fome é uma prova a que Humanitas submete a própria víscera. (...)
(ASSIS, Machado. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1999. p. 143-145).
35- Sobre o excerto acima, assinale o comentário INCORRETO.
a) O Humanitismo de Quincas Borba aproxima-se bastante da perspectiva darwinista, enquanto aplica à
sociedade humana algo semelhante ao princípio de seleção natural.
b) Por meio do Humanitismo de Quincas Borba, Machado ironiza o caráter paradoxal da existência humana,
que faz da inveja e da competição uma virtude, identificando a felicidade com a aniquilação do outro, do
mais fraco, do diferente.
c) O otimismo de Quincas Borba, para quem a única desgraça é “não nascer”, contrasta com o pessimismo do
narrador, que afirma no último capítulo não haver miséria maior que a própria vida humana.
d) Pode-se reconhecer a lógica do Humanitismo subjacente ao capitalismo, ao marxismo e ao nazismo.
e) O Humanitismo de Quincas Borba revela-se uma perspectiva sociológica inclusiva, enquanto todos os seres
humanos – fragmentos de Humanitas – devem ter assegurado e intocado o seu direito à vida.
13
36- Com o intuito de realçar a crueza da desumanização causada pela seca, Graciliano Ramos lança mão, em
Vidas secas, de um expediente literário bastante utilizado pela corrente naturalista do século XIX: a
zoomorfização. Identifique o fragmento em que esse recurso se verifica.
a) “Fabiano ia satisfeito. Sim senhor, arrumara-se. Chegara naquele estado, com a família morrendo de fome,
comendo raízes. (...) Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura, pareciam ratos – e a
lembrança dos sofrimentos passados esmorecera”.
b) “Chape-chape. Os três pares de alpercatas batiam na lama rachada, seca e branca por cima, preta e mole por
baixo. A lama da beira do rio, calcada pelas alpercatas, balançava”.
c) “Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um
Fabiano enorme”.
d) “Entristeceu. Considerar-se plantado em terra alheia! Engano. A sina dele era correr mundo, andar para cima
e para baixo, à toa, como judeu errante. Um vagabundo empurrado pela seca”.
e) “Se a cachorra Baleia estivesse viva, iria regalar-se. Por que seria que o coração dele se apertava?
Coitadinha da cadela. Matara-a forçado”.
37- A perspectiva realista com que Graciliano Ramos aborda a tragédia social do sertanejo nordestino em Vidas
secas aproxima-se da tendência literária também desenvolvida em
a) O sertanejo e Til, de José de Alencar.
b) A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, e Inocência, do Visconde de Taunay.
c) Os sertões, de Euclides da Cunha, e O Quinze, de Rachel de Queiroz.
d) Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado, e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
e) Menino de engenho, de José Lins do Rego, e Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles.
38- Ideal de vida confortável, de sabedoria de vida e de comunicação bem articulada constantemente referido
por Fabiano e sinha Vitória, em Vidas secas: de que personagem se trata?
a) Fiscal da prefeitura.
b) Dono da fazenda.
c) Sinha Terta.
d) Seu Tomás da bolandeira.
e) Soldado Amarelo.
Para responder à questão 39, considere o seguinte fragmento de Vidas secas, de Graciliano Ramos,
extraído do capítulo “O Soldado Amarelo”. Fabiano encontra no meio da caatinga o Soldado Amarelo
que o humilhara e prendera sem motivo. Chega a cogitar matá-lo, mas fica hesitante.
Aprumou-se, fixou os olhos nos olhos do polícia, que se desviaram. Um homem. Besteira pensar que
ia ficar murcho o resto da vida. Estava acabado? Não estava. Mas para que suprimir aquele doente que
bambeava e só queria ir para baixo? Inutilizar-se por causa de uma fraqueza fardada que vadiava na feira
e insultava os pobres! Não se inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. Guardava a sua força.
Vacilou e coçou a testa. Havia muitos bichinhos assim ruins, havia um horror de bichinhos assim
fracos e ruins.
Afastou-se, inquieto. Vendo-o acanalhado e ordeiro, o soldado ganhou coragem, avançou, pisou
firme, perguntou o caminho. E Fabiano tirou o chapéu de couro.
– Governo é governo.
Tirou o chapéu de couro, curvou-se e ensinou o caminho ao soldado amarelo.
(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. São Paulo: Record, 2005. p. 107).
14
39- De acordo com o fragmento acima, assinale o comentário INADEQUADO.
a) Vidas secas apresenta forte influência do pensamento socialista, ao evidenciar a opressão exercida pelos
detentores do poder político e econômico sobre a massa miserável, como acontece no domínio tácito
exercido pelo Soldado Amarelo, representante do Estado, sobre o retirante Fabiano.
b) O narrador é onisciente, uma vez que apresenta ao leitor os movimentos interiores de Fabiano.
c) Nota-se no trecho a presença do discurso indireto livre, expediente literário bastante utilizado por Graciliano
Ramos em Vidas secas, dada a carência linguística da família de retirantes.
d) Ao dizer que Fabiano “guardava sua força”, o narrador faz menção antecipada à vingança que Fabiano
exercerá sobre seus opressores no último capítulo – “Fuga”.
e) Por um momento, Fabiano questiona a autoridade do Soldado Amarelo, mas acaba engolindo o desejo de
desforra mediante um pensamento tautológico de submissão.
Para responder à questão 40, considere o seguinte excerto de Vidas secas, em que os filhos de Fabiano
desconcertam-se em meio à cidade onde a família participa dos festejos de Natal.
A opinião dos meninos assemelhava-se à dela. Agora olhavam as lojas, as toldas, a mesa do leilão.
E conferenciavam pasmados. Tinham-se percebido que havia muitas pessoas no mundo. Ocupavam-se em
descobrir uma enorme quantidade de objetos. Comunicaram baixinho um ao outro as surpresas que os
enchiam. Impossível imaginar tantas maravilhas juntas. O menino mais novo teve uma dúvida e apresentoua timidamente ao irmão. Seria que aquilo tinha sido feito por gente? O menino mais velho hesitou, espiou
as lojas, as toldas iluminadas, as moças bem vestidas. Encolheu os ombros. Talvez aquilo tivesse sido feito
por gente. Nova dificuldade chegou-lhe ao espírito, soprou-a no ouvido do irmão. Provavelmente aquelas
coisas tinham nomes. O menino mais novo interrogou-o com os olhos. Sim, com certeza as preciosidades
que se exibiam nos altares da igreja e nas prateleiras das lojas tinham nomes. Puseram-se a discutir a
questão intricada. Como podiam os homens guardar tantas palavras? Era impossível, ninguém conservaria
tão grande soma de conhecimentos. Livres dos nomes, as coisas ficavam distantes, misteriosas. Não tinham
sido feitas por gente. E os indivíduos que mexiam nelas cometiam imprudência. Vistas de longe, eram
bonitas. Admirados e medrosos, falavam baixo para não desencadear as forças estranhas que elas
porventura encerrassem.
(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. São Paulo: Record, 2005. p. 81-82).
40- A experiência de exclusão e alheamento dos filhos de Fabiano perante a paisagem urbana deve-se,
conforme o excerto acima,
a) À carência linguística e educacional.
b) À sua miséria econômica.
c) À sua falta de inteligência.
d) À imprudência dos habitantes da cidade.
e) Ao medo de se relacionarem.
15
INSTRUÇÃO: Texto para as questões 41 e 42.
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ao cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptados por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
ANDRADE, Carlos Drummond. Sentimento do mundo. São Paulo: Record, 2006. p. 59).
41- Sobre o poema de Carlos Drummond de Andrade, marque o comentário INCORRETO.
a) O eu lírico, considerando a realidade de isolamento existente entre seus concidadãos taciturnos, opta por
uma atitude de fuga e evasão.
b) O poema representa a perspectiva social da segunda fase da poesia drummondiana, enquanto convida a
considerar a “enorme realidade” e a transformar o “tempo presente” mediante a solidariedade (“mãos
dadas”).
c) Para o eu lírico, a atitude solidária deve brotar das “grandes esperanças” condivididas pelos homens
solitários e silenciosos.
d) Há aproximação de sentido entre o poema de Drummond e os seguintes versos de Ricardo Reis, heterônimo
de Fernando Pessoa: “Uns, com os olhos postos no passado,/ Veem o que não veem: outros, fitos / Os
mesmos olhos no futuro, veem / O que não pode ver-se. / Por que tão longe ir pôr o que que está perto – / A
segurança nossa? Este é o dia, / Esta é a hora, este o momento, isto / É quem somos, e é tudo”.
e) Há distanciamento de sentido entre o poema de Drummond e os seguintes versos de Manuel Bandeira:
“Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou amigo do rei / Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que
escolherei”.
a)
b)
c)
d)
e)
42- Na segunda estrofe do poema “Mãos dadas”, o eu lírico recusa atitudes características de qual
movimento artístico-literário?
Arcadismo.
Romantismo.
Realismo.
Naturalismo.
Modernismo.
Para responder à questão 43, considere os versos abaixo:
Inocentes do Leblon
Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe emigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Sentimento do mundo. São Paulo: Record, 2006. p. 43).
16
43- A atitude dos “inocentes do Leblon”, perante a realidade – bela ou terrível – que os circunda, é de
A. Compromisso.
B. Indignação.
C. Indiferença.
D. Melancolia.
E. Satisfação.
Para responder à questão 44, considere o poema abaixo:
Congresso internacional do medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Sentimento do mundo. São Paulo: Record, 2006. p. 29).
Sobre a mensagem do poema, considere os seguintes comentários.
I. O poema se encontra impregnado do terror e da violência que assolavam o mundo à época da publicação
de Sentimento do mundo, em 1940.
II. O medo de que falam os versos de Drummond trata-se um sentimento vinculado exclusivamente a um
momento bastante específico da história mundial.
III.
O poema nega qualquer possibilidade de reversão no quadro de terror que instala o medo universal.
a)
b)
c)
d)
e)
44- Está correto o que se afirma em
Apenas I.
Apenas II.
Apenas III.
I e II.
I, II e III.
17
Para responder à questão 45, leia o texto abaixo:
Tristeza do Império
Os conselheiros angustiados
ante o colo ebúrneo
das donzelas opulentas
que ao piano abemolavam
“bus-co a cam-pi-na se-re-na
pa-ra li-vre sus-pi-rar”,
esqueciam a guerra do Paraguai,
o enfado bolorento de São Cristóvão,
a dor cada vez mais forte dos negros
e sorvendo mecânicos
uma pitada de rapé,
sonhavam a futura libertação dos instintos
e ninhos de amor a serem instalados nos arranha-céus de Copacabana, com rádio e telefone automático.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Sentimento do mundo. São Paulo: Record, 2006. p. 27).
45- Estabelecendo-se um paralelo entre a atitude das personagens do século XIX apresentadas nos versos de
Drummond e o “defunto autor” Brás Cubas, do romance de Machado de Assis, verifica-se que
a) Nos dois casos, o comportamento elitista manifesta-se alheio aos problemas sociais, situação que se
pretende no tempo até os dias modernos.
b) Enquanto Brás Cubas apresenta um engajamento concreto com a solução dos problemas humanos,
particularmente com a invenção de seu “emplasto”, os “conselheiros angustiados” e as “donzelas opulentas”
ignoram os sofrimentos de seus contemporâneos e buscam uma vida de prazeres imediatos que os libertem
do tédio de viver.
c) Brás Cubas, enquanto vivo, levava uma vida muito diferente das personagens evocadas por Drummond.
d) Os “conselheiros angustiados”, diferentemente de Brás Cubas, sonhavam com uma humanidade livre,
marcada pela solidariedade e pelo amor fraterno.
e) A atitude de indiferença de Brás Cubas e das personagens do poema de Drummond acha-se muito
circunscrita ao século XIX, não encontrando paralelo em nosso tempo.
18
Considere o seguinte comentário de Alfredo Bosi sobre a fase social da poesia de Drummond, na qual
se inclui Sentimento do mundo, para responder à questão 46.
O Drummond “poeta público” da Rosa do Povo foi a fase intensa, mas breve, de uma esperança que
nasceu sob a Resistência do mundo livre à fúria nazi-fascista, mas que logo se retraiu com o advento da
Guerra Fria. A civilização que se forma sob os nossos olhos, fortemente amarrada ao neocapitalismo, à
tecnocracia, às ditaduras de toda sorte, ressoou dura e secamente no eu artístico do último Drummond (...).
(BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2004. p. 441).
46- O comentário de Alfredo Bosi só NÃO encontra repercussão nos seguintes versos de Sentimento do
mundo:
a) Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
(“Sentimento do mundo”)
b) Tive ouro, tive gado, tive fazendas
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
(“Confidência do itabirano”)
c) Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
(“Elegia 1938”)
d) Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
(“Mundo grande”)
e) Aurora,
entretanto eu te diviso, ainda tímida,
inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes, vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram
mas que avançam na escuridão como um sinal verde e peremptório.
(“A noite dissolve os homens”)
19
Leia a seguinte notícia, publicada no site do Estadão, em 10 de setembro de 2011, para responder à
questão 47.
Drummond é lido em homenagem ao voo 93 nos EUA
O poema de Carlos Drummond de Andrade, "Lembrança do Mundo Antigo", foi lido durante
cerimônia da realização da primeira fase de um memorial dedicado aos passageiros e tripulantes do Voo 93,
que caiu no dia 11 de setembro de 2001, depois que seus quarenta passageiros e tripulantes enfrentaram os
sequestradores. O texto de Drummond foi lido pelo poeta Robert Pinsky juntamente com o poema
"Encantação", do polonês Czeslaw Milosz. A cerimônia contou com a presença dos ex-presidentes norteamericanos George W. Bush e Bill Clinton.
Segundo Bush, os passageiros do Voo 93 foram responsáveis por um dos atos mais heroicos da
história dos Estados Unidos. Os sequestradores pretendiam jogar o avião em Washington, mas não
conseguiram em virtude da determinação e valor dos passageiros e dos tripulantes do voo, que caiu em área
rural a menos de 20 minutos de seu alvo. Bush também ressaltou o que ele chamou de exemplo brilhante de
democracia em ação, referindo-se à decisão do grupo de realizar uma votação pela opção de se tentar
dominar os sequestradores.
(...)
Leia, abaixo, o poema "Lembrança do Mundo Antigo", de Carlos Drummond de Andrade:
Clara passeava no jardim com as crianças.
O céu era verde sobre o gramado,
a água era dourada sob as pontes,
outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,
o guarda-civil sorria, passavam bicicletas,
a menina pisou a relva para pegar um pássaro,
o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranquilo em redor de Clara.
As crianças olhavam para o céu: não era proibido.
A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia perigo.
Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.
Clara tinha medo de perder o bonde das 11 horas,
esperava cartas que custavam a chegar,
nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no jardim, pela manhã!!!
Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!
(Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,drummond-e-lido-em-homenagem-aovoo-93-nos-eua,770872,0.htm. Acesso em 15.12.2013).
47- Por que o poema de Drummond teria sido escolhido para homenagear as vítimas do voo 93?
a) Porque o poema de Drummond faz referência a um mundo anterior às duas grandes guerras mundiais, em
que não havia violência entre os povos nem ameaças de destruição em massa.
b) Porque o poema de Drummond propõe a utopia de um mundo de paz, sem medo nem terror, em que todos
possam viver tranquilamente.
c) Porque os versos drummondianos exaltam “o exemplo brilhante de uma democracia em ação”, conforme
disse do ex-presidente estadunidense, George W. Bush.
d) Porque Drummond faz uma referência saudosista ao mundo anterior aos ataques de 11 de setembro de 2001.
e) Porque o poema exalta o heroísmo dos que combatem a guerra e promovem a paz, como os passageiros do
voo 93.
20
O regionalismo é uma tendência literária que no surge no Brasil no período romântico, ganha novo
direcionamento com a publicação de Os sertões, de Euclides da Cunha, e estende-se pelo Modernismo afora,
chegando a nossos dias. Compare os seguintes textos que abordam a figura do sertanejo nordestino para
responder à questão 48.
Texto 1
A história de Pernambuco oferece-nos exemplos de heroísmo e grandeza moral que podem figurar
nos fastos dos maiores povos da Antiguidade sem desdourá-los. (...) Entra nesse número o protagonista da
presente narrativa, o qual se celebrizou na carreira do crime, menos por maldade natural, do que pela
crassa ignorância que em seu tempo agrilhoava os bons instintos e deixava soltas as paixões canibais.
Autorizavam-nos a formar este juízo do Cabeleira a tradição oral, os versos dos trovadores e algumas
linhas da história que trouxeram seu nome aos nossos dias envolto em uma grande lição.
(...)
Cabeleira podia ter vinte e dois anos. A natureza o havia dotado com vigorosas formas. Sua fronte
era estreita, os olhos pretos e lânguidos, o nariz pouco desenvolvido, os lábios delgados como os de um
menino. É de notar que a fisionomia deste mancebo, velho na prática do crime, tinha uma expressão de
insinuante e jovial candidez.
(TÁVORA, Franklin. O Cabeleira. São Paulo: Ática, 1977. p. 13-14).
Texto 2
O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos
do litoral.
A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. (...)
É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos
fracos. (...)
(CUNHA, Euclides. Os sertões. Rio de Janeiro: Record, 2004. p. 118).
Texto 3
Chape-chape. As alpercatas batiam no chão rachado. O corpo do vaqueiro derreava-se, as pernas
faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. Parecia um macaco.
(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. São Paulo: Record, 2005. p. 19).
48- Quanto à imagem do sertanejo nordestino apresentada em cada uma obra das três obras literárias citadas
acima, pode-se dizer que
a) É idealizada no texto I e realista nos textos II e III.
b) E idealizada nos textos I e II e realista no texto III.
c) É realista no textos I e III e idealizada no texto II.
d) É realista nos três textos.
e) É idealizada nos três textos.
49- Característica comum a Memórias póstumas de Brás Cubas, Vidas secas e Sentimento do mundo é
a) O diálogo entre narrador e leitor.
b) O apelo à solidariedade.
c) A crítica social.
d) O retrato áspero da miséria sertaneja.
e) A ausência de metáforas.
50- Machado de Assis, em Memórias póstumas de Brás Cubas, e Graciliano Ramos, em Vidas secas,
compartilham uma visão de mundo
a) Bucólica.
b) Romântica.
c) Realista.
d) Utópica.
e) Mística.
21
PROPOSTA DE REDAÇÃO
O QUE É MAIS IMPORTANTE: O DIREITO À PRIVACIDADE OU O DIREITO À
INFORMAÇÃO?
O Novo Código Civil (Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002) estabelece, em seu Art. 20, que:
"Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a
divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de
uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe
atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais".
O dispositivo acima está no centro de uma polêmica recente que vem dividindo as opiniões no meio
artístico brasileiro, principalmente no que concerne às chamadas "biografias não autorizadas".
De um lado, há os que afirmam que personalidades públicas - atores, cantores, modelos, etc. - têm
direito inviolável à intimidade e à privacidade e, consequentemente, deveriam ter o poder de vetar, antes
mesmo de sua publicação, biografias que julgassem atingir sua "honra, boa fama ou respeitabilidade";
defendem também que os biografados deveriam ter direito a uma parcela dos lucros obtidos por biografias
que tematizassem suas vidas. Os partidários dessa posição defendem que o direito à privacidade está acima
do direito à informação, e que não seria justo que alguém pudesse ter a vida íntima exposta à execração
pública, principalmente numa sociedade tão sequiosa de fofocas e escândalos que nada têm a ver com
"administração da justiça" ou "a manutenção da ordem pública".
No lado oposto, há os que afirmam que, acima do direito à privacidade está o direito à informação,
assegurado por inúmeros dispositivos da Constituição Federal, que veda explicitamente toda e qualquer
forma de censura, principalmente prévia: "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
anonimato" (Art. 5º, inciso IV); "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional" (Art. 5º, inciso XIV); "a manifestação do pensamento, a
criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer
restrição, observado o disposto nesta constituição" (Art. 220, caput); e "É vedada toda e qualquer censura de
natureza política, ideológica e artística" (Art. 220, § 2º). Nessa perspectiva, os biografados, caso se
sentissem lesados, poderiam ajuizar ações penais contra seus biógrafos por calúnia, injúria ou difamação,
mas jamais poderiam vetar a publicação ou impedir a circulação de biografias não autorizadas, mesmo que
afetassem sua honra, boa fama ou respeitabilidade.
Com base nos elementos acima, e em outros que julgar pertinentes para o tema, elabore um texto
dissertativo que tenha por objetivo desenvolver uma resposta clara, objetiva e sustentada para o problema: o
que é mais importante, o direito à privacidade ou o direito à informação?
RASCUNHO
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