DIVERSIDADE FLORÍSTICA DE BRIÓFITAS DA RESERVA ECOLÓGICA DO BACURIZAL, SALVATERRA, ILHA DE MARAJÓ, PARÁ, BRASIL Eline Tainá Garcia ¹, Ana Cláudia Caldeira Tavares-Martins ², Daniele Nunes Fagundes³ ¹ Mestre Bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Belém, Pará, Brasil. ² Professora Doutora da Universidade do Estado do Pará, Belém, Pará, Brasil ([email protected]). ³ Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade do Estado do Pará. Belém, Pará, Brasil. Recebido em: 30/09/2014 – Aprovado em: 15/11/2014 – Publicado em: 01/12/2014 RESUMO Este trabalho teve o objetivo de inventariar a brioflora (Bryophyta e Marchantiophyta) e analisar a riqueza, a composição florística (grupos ecológicos de tolerância à luz solar), os substratos e a distribuição dos táxons nos ambientes da Reserva Ecológica do Bacurizal, em Salvaterra, Ilha de Marajó. Foram identificadas amostras de herbário e de coletas adicionais realizadas na área. Os táxons foram classificados segundo a sua tolerância à luz solar de acordo com a literatura e analisadas a distribuição de sua ocorrência nos substratos e nos ambientes da Reserva. A brioflora local é de 25 espécies com uma baixa riqueza quando comparada a outros estudos realizados na Ilha de Marajó, com a composição de espécies evidenciando uma clara alteração ambiental na área. O substrato tronco vivo foi mais utilizado pelas briófitas, seguido de tronco morto. As briófitas aparentemente tem sofrido o impacto das alterações, mas, ainda tem conseguido se manter devido à sua amplitude ecológica indicada pela maior proporção de táxons generalistas. As condições mais extremas dos ambientes de manguezal e restinga, assim como o uso destes pela população local podem ter sido os responsáveis pela baixa riqueza encontrada nos mesmos. Enquanto, a área de terra firme apresentou uma maior riqueza, como resultado de condições mais favoráveis ao estabelecimento dessas plantas, entre elas diferentes microclimas e maior disponibilidade de substrato. PALAVRAS-CHAVE: Área de Preservação Ambiental. Hepática; Indicadores Ambientais.Musgo. FLORISTIC DIVERSITY OF BRYOPHYTES OF ECOLOGICAL RESERVE BACURIZAL, SALVATERRA ISLAND MARAJÓ, PARA, BRAZIL ABSTRACT This study aimed to survey the bryoflora (Bryophyta and Marchantiophyta) and analyze the richness, floristic composition (ecological groups of tolerance to sunlight), the substrates and the distribution of taxa in the environments of Reserva Ecológica do Bacurizal in the municipality of Salvaterra, Marajó Island. Herbarium samples and ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2168 2014 additional collections performed in the area were identified. Taxa were classified based on their tolerance to sunlight according to the literature and analyzed the distribution of its occurrence on the substrates and in the environments of the reserve. The local bryoflora has 25 species with a low richness compared to other studies performed in Marajó Island, with species composition showing a clear environmental change in the area. The living trunk substrate was mostly used by bryophytes, followed by dead trunk. The bryophytes have apparently suffered the impact of the changes, but have still managed to maintain due to their ecological amplitude indicated by the higher proportion of generalist taxa. The most extreme conditions of restinga and mangrove environments, and the use of these by the local population may have been responsible for the low species richness found in them. Whereas, the upland area had a greater richness as a result of more favorable conditions for the establishment of these plants, including different microclimates and greater availability of substrate. KEYWORDS: Moss. Liverwort. Environmental Preservation Area. Environmental Indicators. INTRODUÇÃO As briófitas marcam um importante passo na evolução das plantas terrestres e sua contribuição na regulação dos ecossistemas e manutenção da biodiversidade tem sido cada vez mais reconhecida (VADERPOORTEN & GOFFINET, 2009). Estes vegetais habitam variados ecossistemas, habitats e microhabitats específicos (SLACK, 2011). São sensíveis às variações: na umidade, temperatura, luminosidade e na deposição mineral de subtratos, o que as torna excelentes indicadores ambientais (UNIYAL, 1999), de alterações microclimáticas (HALLINGBÄCK & HODGETTS, 2000) e da integridade da floresta (VANDERPOORTEN & ENGELS, 2002). As florestas tropicais úmidas apresentam a maior biodiversidade entre todos os biomas terrestres e tão grande quanto essa diversidade, é a rapidez com que esses habitats vêm sendo destruídos ao longo das décadas (LAURANCE, 2010). Esses ambientes seguramente abrigam a maior riqueza de briófitas do globo (GRADSTEIN & PÓCS 1989) e sua variação na estrutura e na composição florística reflete em uma gama de microclimas e microhabitats disponíveis, onde as briófitas são principalmente epífitas (GRADSTEIN, 1992). A destruição de habitats é considerada a maior ameaça à biodiversidade (BROOKS, 2010). A perda e a degradação de habitat das briófitas têm tanto causas naturais quanto antrópicas e inúmeras atividades humanas têm destruído os habitats destes vegetais no mundo todo. O impacto sobre o grupo já constatado em regiões de planícies tropicais com solos férteis é um exemplo (HALLINGBÄCK & HODGETTS, 2000). Embora a agricultura seja a maior causa da destruição de habitats, especialmente nos trópicos, esta atividade tem recebido impulso da globalização incentivando a agricultura intensiva e outras atividades industriais (LAURANCE, 2010). Na Amazônia, a Ilha de Marajó destaca-se pela diversidade biológica e cultural, sendo que e a base da economia na Ilha é o extrativismo vegetal, pecuária, pesca e agricultura, além destas, a demanda turística visando conhecer as belezas naturais amazônicas e o estilo de vida das comunidades tradicionais é crescente (LISBOA, 2012). Estudos que incluíram a brioflora região foram realizados por LISBOA et al., (1993), LISBOA & MACIEL (1994), LISBOA et al., (1998), LISBOA et ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2169 2014 al., (1999), MACEDO (2009) e BRITO & ILKIU-BORGES (2013). Atualmente, as hepáticas das coleções depositadas no Herbário João Murça Pires (MG), cujas amostras provenientes dos municípios de Afuá, Anajás e Chaves que tiveram as floras de musgos publicadas por LISBOA & MACIEL (1994), LISBOA et al., (1998), LISBOA et al., (1999), respectivamente, são estudadas por GARCIA (em elaboração)1. Na brioflora do município de Salvaterra a ocorrência de musgos foi registrada na Reserva Ecológica do Bacurizal por LISBOA et al., (1993). Esta área tem sofrido forte impacto da ação antrópica, que incluí atividades de turismo não planejadas adequadamente, além do desmatamento e queimadas frequentes realizadas principalmente pelos moradores da região. Essas atividades provavelmente têm resultado na diminuição da diversidade nos vários ambientes da Reserva. Assim, este trabalho teve o objetivo de inventariar a brioflora (Bryophyta e Marchantiophyta) e analisar a riqueza, a composição florística (grupos ecológicos de tolerância à luz solar), os substratos e a distribuição dos táxons nos ambientes da Reserva Ecológica do Bacurizal, em Salvaterra, Ilha de Marajó. MATERIAL E MÉTODOS A Reserva Ecológica do Bacurizal criada através da Lei nº 109, de 19/06/87 do município de Salvaterra possui uma área de 235 ha (SEMA, 2009). Abriga três ambientes: um ambiente situado na parte mais alta é formado por uma população primária de bacurizeiros e amapazeiros. Outro é a restinga, que se limita com a Praia Grande e a parte marginal do manguezal São João, este último, que constituí o terceiro ambiente da Reserva. A área de mata localiza-se em ambiente de terra firme e é caracterizada por vegetação de tipo floresta alta aberta, com palmeiras, em solo areno-argiloso. O manguezal apresenta baixa diversidade florística e a restinga possui vegetação com caracteres específicos de restinga litorânea, pela presença de planícies arenosas e principalmente por sofrer alteração de salinidade em suas águas, por ter influência indireta das águas do oceano atlântico (LISBOA et al., 1993). As amostras botânicas analisadas neste estudo foram provenientes da coleção do Herbário João Murça Pires (MG) e de coletas realizadas nos meses de junho e agosto de 2009, nos diferentes ambientes (restinga, manguezal e terra firme) que caracterizam a área de estudo. As coletas foram realizadas segundo metodologia descrita em YANO (1984). A identificação taxonômica das espécies foi realizada segundo as técnicas usuais para Briófitas, com auxílio de literaturas específicas. Entre os trabalhos mais utilizados estão BUCK (2006), GRADSTEIN & COSTA (2003), GRADSTEIN & ILKIUBORGES (2009), LISBOA (1993); REESE (1993). Consultas a taxonomistas do grupo foram realizadas quando necessárias para confirmação de identificação. As amostras analisadas foram depositadas no herbário João Murça Pires (MG) do Museu Paraense Emílio Goeldi. As classificações taxonômicas adotadas neste estudo foram as de GOFFINET et al., (2009) para Bryophyta e a de CRANDALL-STOTLER et al., (2009) para Marchantiophyta. Na análise de riqueza considerou-se o número absoluto de espécies inventariado na área, assim como individualmente registrado em cada ambiente. Os 1 Trabalho em andamento como projeto de Bolsista do Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2170 2014 substratos colonizados foram analisados com base na frequência (nº de ocorrência) de utilização pelas briófitas. Foi considerada uma ocorrência, o registro da incidência de uma espécie em uma amostra botânica. As espécies foram classificadas de acordo com sua tolerância à luz solar como: especialistas de sol (sol), especialistas de sombra (som) e generalistas (gen). Para tanto foram utilizados os trabalhos de CORNELISSEN & TER STEEGE (1989), GRADSTEIN (1992), GRADSTEIN et al., (2001) GRADSTEIN & ILKIU-BORGES (2009), RICHARDS (1984), SANTOS et al., (2011) e TAVARES (2009). RESULTADOS E DISCUSSÃO Na área de estudo foram registradas 25 espécies, distribuídas em 15 gêneros e cinco famílias, quatro delas pertencentes à Bryophyta (musgos) e uma à Marchantiophyta (hepáticas) (Tabela 1). ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2171 2014 Tabela 1: Lista de espécies da Brioflora da Reserva Ecológica do bacurizal, Salvaterra, Ilha de Marajó, Pará, Brasil. Família/Espécie Oc. Ecossistema Substrato RST TF MG TV FO 4 - 3 1 3 3 - 3 - 3 - 3 1 - 9 Guilda Distribuição RO TM TER Tol. Mundo - - 1 - Gen Pantropical 1 - - 2 - Gen Pantropical - 2 - - 1 - Esom 1 - 1 - - - - Gen Neotropical 1 4 4 5 - - 4 - Esol Amplo 9 2 7 - 8 - - 1 - Gen Pantropical 1 - 1 - 1 - - - - Gen Pantropical 15 - 15 - 12 - - 3 - Gen Afroamericano CALYMPERACEAE Calymperes afzelii Sw. C. erosum Müll. Hal. C. guildingii Hoock. & Grev. C. nicaraguense Renauld & Cardot Norte (AM, PA, RR) C. palisotii Schwägr. Octoblepharum albidum Hedw. Syrrhopodon cryptocarpus Dozy & Molk. S. incompletus Schwägr. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p. No Brasil Norte (AC, AM, AP, PA, RR, TO), Nordeste (AL, BA, CE, MA, PB, PE, SE), CentroOeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, SC). Norte (AC, AM, PA, RO, RR, TO), Nordeste ( BA, PB, PE), Centro-Oeste (MS, MT), Sudeste (ES, RJ, SP), Sul (SC). Norte (AC, AM, AP, PA, RO, RR), Nordeste (BA, PB, PE), Centro-Oeste (GO, MT), Sudeste (MG, RJ) 2014 2168 Norte (AM, AP, PA, RO), Centro-Oeste (MT), Sudeste (ES) Norte (AM, AP, PA, RO, RR, TO), Nordeste (AL, BA, MA, PB, PE, PI, RN, SE), CentroOeste (GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR). Norte (AC, AM, AP, PA, RO, RR, TO), Nordeste (AL, BA, CE, MA, PB, PE, RN, SE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, RS, SC). Norte (AC, AM, PA, RO, RR), Centro-Oeste (MS), Sudeste (SP). Norte (AC, AM, AP, PA, RR, TO), Nordeste (BA, PB, PE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (MG, RJ, SP), Sul (PR, SC). S. ligulatus Mont. 2 - 2 - 2 - - - - Esom América Tropical e Subtropical Norte (AC, AM, AP, PA,RO, RR), Nordeste (BA, PE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (MG, RJ, SP). S. rigidus Hook. & Grev. 1 - 1 - 1 - - - - Esom Pantropical Norte (AM, AP, PA,RO, RR), Centro-Oeste (MS, MT), Sudeste (RJ, SP). Família/Espécie Oc. Ecossistema RST TF MG Substrato TV FO RO TM Guilda TER Distribuição Tol. Mundo No Brasil Pantropical Norte (AC, AM, PA, RO, TO), Nordeste (BA, CE, MA, PB, PE, SE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, RS). FISSIDENTACEAE Fissidens flaccidus Mitt. 1 - 1 - - - 1 - - Esom LEJEUNEACEAE Acrolejeunea ttorulosa (Lehm. & Lindenb.) Schiffn. Ceratolejeunea cornuta (Lindenb.) Steph. C.eratolejeunea rubiginosa Gottsche ex Steph. Cheilolejeunea oncophylla (Ångstr.) Grolle & E.Reiner 3 1 1 1 2 - - 1 - Esol Neotropical 1 - 1 - 1 - - - - Gen Neotropical 1 - 1 - 1 - - - - Esol Neo 1128 Norte (AC, AM, AP, PA, RO, RR), Nordeste (AL, BA, MA, PE), Centro-Oeste (GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, RS). Norte (AC, AM, AP, PA, RO, RR), Nordeste (CE, PE), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, SC). Norte (PA), Sudeste (RJ). 23 1 18 4 19 - - 4 - Gen Neotropical Cheilolejeunea rrigidula (Mont.) R.M.Schust. 6 - 4 2 5 - - 1 - Gen Afroamericano C.heilolejeunea trifaria (Reinw. Blume & Nees) Mizut. 1 - 1 - 1 - - - - Esol Pantropical ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p. 2014 2169 Norte (AP, PA, RR), Nordeste (BA), Sudeste (MG, RJ, SP), Sul (PR, SC). Norte (AC, AM, AP, PA, RR, TO), Nordeste (AL, BA, CE, MA, PB, PE, SE), CentroOeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, SC). Norte (AC, AM, PA, RR), Nordeste (AL, BA, CE, PB, PE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR). Cololejeunea subcardiocarpa Tixier 1 - 1 - - 1 - - - Esol Neotropical Frullanoides corticalis (Lehm. & Lindenb.) van Slageren 2 - 1 1 - - - - - - Pantropical ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p. 2014 2170 Norte (AC, AM, PA), Nordeste (AL, BA, CE, PE), Centro-Oeste (GO, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, SC). Norte (RR), Nordeste (BA), Centro-Oeste (MT), Sudeste (MG, RJ). Família/Espécie Oc. Ecossistema RST TF MG Substrato TV FO Guilda Distribuição RO TM TER Tol. Mundo No Brasil Norte (AC, AM, PA, RO, RR, TO), Nordeste (AL, BA, CE, MA, PB, PE, RN, SE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, RS, SC). Norte (AP, PA, TO), Nordeste (AL, BA, CE, PB, PE, SE), Centro-Oeste (GO, MS), Sudeste (ES, MG, RJ, SP). Norte (AP, PA, TO), Nordeste (AL, BA, CE, MA, PB, PE, SE), Centro-Oeste (GO, MS), Sudeste (ES, MG, RJ, SP). Lejeunea laetevirens Nees & Mont. 5 - 1 4 5 - - - - Gen Neotropical Lopholejeunea subfusca (Nees) Schiffn. 1 - 1 - 1 - - - - Gen Pantropical Microlejeunea epiphylla Bischl. 6 3 3 - 6 - - - - Gen Neotropical 2 - 2 - - - - 1 1 Gen Pantropical Norte (AM, PA, RO, RR), Nordeste (AL, BA, PE,), Centro-Oeste (DF, GO, MT), Sudeste (MG, SP). Norte (AC, AM, AP, PA, RO, RR), Nordeste (AL, BA, CE, MA, PE, PI, SE), Centro-Oeste (DF, GO, MS, MT), Sudeste (ES, MG, RJ, SP), Sul (PR, RS, SC). Pylaisiadelphaceae Taxithelium planum (Brid.) Mitt. SEMATOPHYLLAC EAE Sematophyllum subsimplex (Hedw.) Mitt. 32 - 32 - 25 - - 5 2 Gen Neotropical Trichosteleum subdemissum (Schimp. ex Besch.) A. Jaeger 3 - 3 - 2 - - 1 - Esom América Tropical e Subtropical Norte (AM, PA, RO, RR), Nordeste (BA, MA, PI,), Centro-Oeste (DF, GO, MT), Sudeste (MG, RJ, SP). Total 136 8 111 17 106 1 1 25 3 No. Oc.= Nº de Ocorrências das espécies; RST= Restinga, TF= Terra Firme, MG= Mangue, COR= Corticícola, EPF= epífita, RUP= Ripícola, EPX= Epíxila e TER= Terrestre. (*) Espécies não classificadas. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p. 2014 2171 Esta riqueza pode ser comparada com as dos estudos realizados anteriormente na Ilha, em relação ao inventário de Lisboa et al., (1993), na mesma área de estudo foi observado um aumento de 60% de registros para a brioflora. Entre as espécies citadas a primeira vez para o local, a maioria (11 sp.) são espécies de hepáticas, divisão cujos táxons não foram identificados no primeiro estudo realizado na Reserva. Somente MACEDO (2009) e mais recentemente BRITO & ILKIU-BORGES (2013) incluíram também as hepáticas e a riqueza do presente estudo foi pouco maior que a do primeiro (23 spp.) e muito menor que a do segundo (67 spp.). A natureza e abrangência dos trabalhos podem ter sido os responsáveis por estas diferenças, pois, MACEDO (2009) limitou suas análises à táxons que ocorriam em palmeiras, nos municípios de Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari. E BRITO & ILKIU-BORGES (2013), trataram a brioflora em diversos substratos e ambientes destes dois últimos municípios observando assim, uma maior riqueza e constituindo atualmente o estudo florístico mais abrangente já realizado na Ilha. Os trabalhos de LISBOA & MACIEL (1994) em Afuá, LISBOA et al., (1998) em CHAVES & LISBOA et al., (1999) em Anajás identificaram 31, 18 e 34 espécies de musgos, respectivamente. Assim, em termos de riqueza a brioflora da Reserva seria mais rica apenas que a de Chaves, entretanto, se consideradas também as hepáticas, nos três municípios a riqueza é maior que a encontrada na área de estudo (GARCIA trabalho em andamento). A Tabela 2 lista as espécies da Reserva e indica seus registros nos trabalhos realizados anteriormente, sendo possível observar que a maioria delas também ocorreu nos outros municípios. As únicas exceções são Fissidens flaccidus Mitt., Ceratolejeunea rubiginosa Gottsche ex Steph., Cheilolejeunea trifaria (Reinw. Blume e Nees) Mizut., Cololejeunea subcardiocarpa Tixier e que são citados a primeira vez para a Ilha do Marajó neste trabalho. No Brasil estas duas últimas são bem distribuídas, ocorrendo em todas as regiões e nos domínios fitogeográficos Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica e F. flaccidus registrado também em Caatinga, Pantanal e Pampa (COSTA, 2014). Apenas Ceratolejeunea rubiginosa Gottsche ex Steph. apresenta uma distribuição brasileira mais restrita, onde é citada somente para os estados do Pará e Rio de Janeiro (GRADSTEIN & COSTA 2003), sendo considerada por COSTA (2014) como típica de ambiente de florestas de terra firme, nos domínios Amazônia e Mata Atlântica. Assim, o fato destas espécies terem sido apenas registradas neste estudo não significa que a área é particularmente distinta das dos outros inventários, visto que, são táxons amplamente distribuídos no Brasil e no mundo (Tabela 1) além de serem característicos dos ambientes onde ocorreram. Na brioflora da Reserva foram registradas 14 espécies de musgos e 11 de hepáticas. A maior riqueza de musgos não era esperada uma vez que segundo GRADSTEIN et al., (2001) há predominância de espécies de hepáticas em florestas tropicais de terras baixas, sendo considerada surpreendente a baixa riqueza de musgos nestes ambientes (RICHARDS, 1984). Entretanto, entende-se que esses autores reportam de maneira geral sobre esses ambientes, podendo a riqueza em habitat ou local específico não corresponder a essa expectativa, como ocorreu na Reserva. Além disso, os musgos acrocárpicos foram os primeiros a evoluir, conseguindo se estabelecer em substratos terrestres como rochas e solos, poucos grupos apresentam sucesso como epífitas, como é o caso de Calymperaceae ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2172 2014 (SLACK, 2011). Esta família foi a mais rica entre os musgos da Reserva, além de suas ocorrências representarem mais da metade (55, 8%) de todos os registros de musgos na área (86 espécimes). Calymperaceae, assim como Lejeuneaceae - única família de hepáticas registrada na área - é citada entre as 15 famílias que juntas agregam mais de 90% das espécies das florestas tropicais de terras baixas (GRADSTEIN & PÓCS, 1989). Dessa forma, o fato da maioria das espécies de musgos apresentarem tufo ou coxim como forma de vida, que favorecem a retenção de água (GRADSTEIN & PÓCS, 1989) e são características de ambientes abertos (COSTA, 1999; TAVARESMARTINS, 2014), como os da Reserva, pode ter refletido na maior riqueza deste grupo na área de estudo. A distribuição da riqueza nos três ambientes da Reserva não foi igualitária, pois em terra firme ocorreram todas as espécies enquanto que nos outros dois, manguezal e restinga, houve o registro de sete e cinco espécies, respectivamente. Apenas Calymperes palisotii Schwägr., Acrolejeunea torulosa (Lehm. e Lindenb.) Schiffn. e Cheilolejeunea oncophylla (Ångstr.) Grolle e E.Reiner foram registradas em todos os ambientes. Estas espécies são amplamente distribuídas no Neotrópico (REINER-DREHWALD, 1998; GRADSTEIN & COSTA, 2003) e C. palisotii apresenta ainda ocorrência na África tropical e no sudeste da Ásia, sendo comum em regiões costeiras (REESE, 1993) e ainda característica de ambientes alterados (SANTOS; LISBOA, 2008). Essas espécies foram reportadas para outras áreas ocorrendo em ambientes de restinga (IMBASAHY et al., 2009; SANTOS et al., 2011; SILVA; PIASSI 2010), manguezal (ILKIU-BORGES et al., 2009; SANTOS; LISBOA, 2008) e terra firme (TAVARES-MARTINS et al., 2014; GARCIA et al., 2014, no prelo2). Dessa forma, acredita-se que a ocorrência destas espécies em todos os ambientes seja resultado de suas características morfo-fisiológicas que as tornam tolerantes a ambientes submetidos a mudanças constantes como os da área de estudo. A Figura 1 apresenta os resultados da comparação da riqueza de espécies e número de ocorrências segundo a classificação em relação às guildas de tolerância à luz solar distribuídas nos diferentes ambientes da Reserva. 2 Trabalho a ser publicado pela Hoehnea 41(4) previsto para dezembro de 2014. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2173 2014 FIGURA 1. Distribuição da riqueza e do número de ocorrências nos ambientes da reserva em relação à guilda de tolerância das espécies: Rst=restinga, MG= manguezal, TF= terra firme; Gen=Generalistas, Esom=especialistas de sombra, Esol= especialistas de sol. Foi observada uma maior riqueza de espécies classificadas como generalistas (14), seguida das especialistas de sol (cinco) e de sombra (cinco), uma delas não foi classificada por falta de dados de ocorrência na literatura. As guildas de tolerância à luz solar são determinadas com base na ocorrência das espécies ao longo de um gradiente vertical na floresta (CORNELISSEN & TER STEEGE 1989; RICHARDS, 1984; TAVARES, 2009). Essas guildas acabam por representar a tolerância das espécies a microclimas e microhabitats muito específicos, como o dossel da floresta, onde a incidência luminosa é mais intensa e caracteristicamente ocorrem as especialistas de sol. Diversos estudos em florestas tropicais têm evidenciado um deslocamento das especialistas de sol para o subbosque de florestas alteradas, assim como um predomínio de generalistas e diminuição da riqueza de especialistas de sombra (ACEBEY et al., 2003; COSTA, 1999; TAVARES, 2009). As proporções das guildas registradas na Reserva, tanto para riqueza quanto para as ocorrências, sugerem que esta área está sofrendo alteração ambiental, já que as generalistas foram predominantes em todos os ambientes. Este grupo consegue se estabelecer em microambientes que variam entre as condições encontradas no dossel e no subbosque e são de certa forma espécies com amplos nichos ecológicos. Entre as características dos ambientes da Reserva destaca-se a elevada temperatura devido a forte incidência solar nos mesmo. A maioria das briófitas ocorrem em microhabitats muito específicos e são sensíveis à flutuações microclimáticas. Apesar de geralmente serem descritas como características de ambientes sombreados, algumas espécies apresentam mecanismos de tolerância à dessecação bem desenvolvidos, como os musgos que ocorrem no deserto. Entretanto, entre as briófitas a tolerância à dessecação varia grandemente entre as espécies (SLACK, 2011). O manguezal é um ambiente caracterizado pela vegetação de mangue onde em geral poucas espécies vasculares conseguem se estabelecer devido à ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2174 2014 salinidade. Porém, em relação às epífitas avasculares as características deste ambiente parecem não influenciar sua diversidade, tendo em vista que as espécies registradas parecem ser bem adaptadas às condições existentes no mesmo. Assim como no trabalho de VISNADI (2008), que estudou a brioflora de manguezais no estado de São Paulo, as hepáticas apresentaram a maior riqueza de espécies neste ambiente. As espécies Acrolejeunea torulosa (Lehm. e Lindenb.) Schiffn., Cheilolejeunea oncophylla (Ångstr.) Grolle e E.Reiner e Frullanoides corticalis (Lehm. e Lindenb.) van Slageren em geral apresentam coloração escura, o que também facilita a colonização de ambientes com alta luminosidade, visto que, a pigmentação pode ser interpretada como uma adaptação a estas condições (GLIME, 2006). O mesmo foi observado no ambiente de restinga, onde os táxons foram coletados principalmente sobre palmeiras, onde as hepáticas em geral foram coletadas associadas aos musgos Calymperes palisotii Schwägr. e Octoblepharum albidum Hedw.. Estas espécies ocorrem como tufos ou coxins, formas de vida que constitui uma estratégia para evitar a perda de água (COSTA, 1999; TAVARES-MARTINS et al., 2014). Apesar da baixa riqueza encontrada no manguezal e na restinga (sete e cinco táxons, respectivamente), o fato destas espécies serem classificadas como generalistas e especialistas de sol, sugere que elas são hábeis para colonizar e se estabelecer em ambientes extremos. Todos os táxons identificados na Reserva ocorreram em ambiente de terra firme, sendo importante destacar que especialistas de sombra foram coletadas somente neste ambiente. Este grupo tende a desaparecer do tronco de árvores em florestas com alto grau de distúrbio e ter sua abundância reduzida em função da fragmentação da floresta (COSTA 1999, ACEBEY et al., 2003; ALVARENGA; PÔRTO, 2007). TABELA 2. Brioflora da Reserva em comparação com as de outros trabalhos realizados na Ilha de Marajó. FAMÍLIAS/ESPÉCIES CALYMPERACEAE Calymperes afzelii Sw. C. erosum Müll. Hal. C. guildingii Hoock. & Grev. C. nicaraguense Renauld & Cardot C. palisotii Schwägr. Octoblepharum albidum Hedw. Syrrhopodon cryptocarpus Dozy & Molk. S. incompletus Schwägr. S. ligulatus Mont. S. rigidus Hook. & Grev. FISSIDENTACEAE Fissidens flaccidus Mitt. LEJEUNEACEAE Acrolejeunea ttorulosa (Lehm. & Lindenb.) Schiffn. Ceratolejeunea cornuta (Lindenb.) Steph. C. rubiginosa Gottsche ex Steph. 1 2 3 4 5 6 Este trabalho X X X X X X X X X X X X X X X - X X X - X X X X - X X X X X X X X X X X X X X - X X X X X X X X X X - - - - - X X - - - - X X X - - - - X - X - X X ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2175 2014 Cheilolejeunea oncophylla (Ångstr.) Grolle & E.Reiner C. rigidula (Mont.) R.M.Schust. C. trifaria (Reinw. Blume & Nees) Mizut. Cololejeunea subcardiocarpa Tixier Frullanoides corticalis (Lehm. & Lindenb.) van Slageren Lejeunea laetevirens Nees & Mont. Lopholejeunea subfusca (Nees) Schiffn. Microlejeunea epiphylla Bischl. PYLAISIADELPHACEAE Taxithelium planum (Brid.) Mitt. SEMATOPHYLLACEAE Sematophyllum subsimplex (Hedw.) Mitt. Trichosteleum subdemissum (Schimp. ex Besch.) A. Jaeger - - - - X X - X X - X X X X - - - - X X - X X X X X X X - X X X X X X X X X X X X X - - - - - X X 25 Total 10 31 18 34 23 67 1= Lisboa. et al., (1993); 2= Lisboa e Maciel (1994); 3= Lisboa et al., (1998); 4= Lisboa et al., (1999); 5= Macedo (2009); 6= Brito e Ilkiu-Borges (2013) Na Amazônia brasileira, segundo PIRES (1973) as florestas de terra firme já corresponderam a 90% de seu território. Considerando que a variação na estrutura e na composição florística é uma das principais responsáveis pela riqueza e diversidade de briófitas em florestas tropicais (GRADSTEIN, 1992), a maior riqueza de briófitas neste ambiente já era esperada, uma vez que, este dispõe de uma maior variedade de microhabitats e substratos disponíveis à colonização e estabelecimento das espécies. Tendo em vista que uma maior variedade de substratos favorece a riqueza de espécies, a Figura 2 mostra a distribuição da riqueza e o número de ocorrências por substrato coletado na Reserva, onde pode ser observado que ambas foram mais representativas em tronco vivo (TV). A elevada riqueza de epífitas em florestas tropicais é provavelmente consequência da diversidade de forófitos presentes nesses ambientes (GRADSTEIN, 1992). Além disso, tronco morto (TM) foi o segundo substrato mais utilizado pelas briófitas na Reserva o que concorda com outros estudos realizados na Amazônia Oriental (ALVARENGA & LISBOA, 2009; BRITO & ILKIU-BORGES, 2013, 2014; ILKIU-BORGES et al., 2009, 2013; MOURA et al., 2013). ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2176 2014 FIGURA 2. Riqueza e número de ocorrências por substrato utilizado na Reserva. Os resultados encontrados por CARUSO & RUDOLPHI (2009), mostraram um aumento na riqueza de briófitas em relação ao índice de deterioração dos troncos. Na área de estudo, mais da metade das espécies ocorreram neste substrato, que em geral, ocupavam lugares sombreados e bastante úmidos no interior da mata. A utilização mais frequente de tronco vivo, seguido de tronco morto como substrato por briófitas em florestas tropicais é bem documentado na literatura em função de suas abundância e capacidade de retenção da umidade (GERMANO & PÔRTO, 1998; PÓCS, 1982; RICHARDS, 1984). Substratos como solo e rochas não são tão frequentemente utilizados em florestas tropicais úmidas (HALLINGBÄCK & HODGETTS, 2000) embora, quando removida a cobertura vegetal, os mesmo possam ser bastante colonizados pela brioflora (VISNADI, 2013). No caso das rochas, as particularidades das briófitas que as colonizam são determinadas pela sombra, umidade disponível, características da superfície e da química do substrato (UNIYAL, 1999). Na Reserva, apenas Fissidens flaccidus Mitt. ocorreu sobre rocha, a qual foi pouco observada na área de estudo. Esta espécie pertence a um gênero cuja ocorrência sobre esse tipo de substrato é comum em florestas tropicais de terras baixas (GRADSTEIN et al., 2001). Apenas duas espécies foram coletadas sobre o solo, Sematophyllum subsimplex (Hedw.) Mitt. e Taxithelium planum (Brid.) Mitt., a baixa riqueza encontrada no solo pode ser explicada pela grande quantidade de folhas que caem e o recobrem dificultando o estabelecimento das espécies (RICHARDS, 1984). Cololejeunea subcardiocapa Tixier foi a única espécie identificada sobre folha trata-se de uma epífila facultativa, por já ter sido registrada também em outros substratos tais como rochas e tronco vivo (GARCIA et al., 2014; GRADSTEIN & COSTA 2003; TAVARES et al., 2006). Apesar de espécies epífilas serem consideradas especialistas de sombra e de ocorrência comum em subbosques devido a sua baixa tolerância a alta intensidade luminosa e a dessecação (RICHARDS, 1984), esta espécie foi recentemente reportada como especialista de sol, ocorrendo em florestas secundárias a partir de 10 anos de regeneração ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.19; p.2177 2014 (TAVARES 2009, TAVARES-MARTINS et al., 2014). Espécies mais tolerantes a situações extremas parecem caracterizar a brioflora da área, pois como documenta LISBOA et al., (1993) a devastação da vegetação da Reserva não é recente. Epífilas são sujeitas ao desaparecimento com a abertura do dossel da floresta (GRADSTEIN, 1992), o que aparentemente explica a baixa ocorrência desse grupo na área e a presença de Cololejeunea subcardioarpa Tixier, devido sua grande amplitude ecológica. CONCLUSÃO A brioflora estudada apresentou uma baixa riqueza quando comparada a outros estudos realizados na Ilha de Marajó, com a composição de espécies evidenciando uma alteração ambiental na área. Apesar disso, até o presente, algumas espécies que foram registradas na Ilha de Marajó, ocorreram somente nesta Reserva. Este grupo de plantas aparentemente tem sofrido o impacto das alterações, mas ainda tem conseguido se manter na área devido à amplitude ecológica das briófitas indicada pela maior proporção de táxons generalistas. As condições mais extremas dos ambientes de manguezal e restinga, assim como o uso destes pela população local podem ter sido os responsáveis pela baixa riqueza encontrada nos mesmos. Entretanto, a área de terra firme apresentou uma maior riqueza, como resultado de condições mais favoráveis ao estabelecimento dessas plantas, entre elas diferentes microclimas e maior disponibilidade de substrato. AGRADECIMENTOS As autoras agradecem à Dra. Regina Célia Lobato Lisboa e à Dra. Anna Luiza Ilkiu Borges pela disponibilização da infra-estrutura do Laboratório de Briologia do Museu Paraense Emílio Goeldi. Às Dras. Rita de Cássia Pereira dos Santos e Eryka de Nazaré Rezende Guimarães pela confirmação de espécies de Musgo. REFERÊNCIAS ACEBEY, A.; GRADSTEIN, S. R.; KRÖMER, T. Species richness and habitat diversification of bryophytes in submontane rain forest and fallows of Bolivia. Journal of Tropical Ecology, Cambridge, v. 19, n. 1, p. 9-18, Jan., 2003. ALVARENGA, L. D. P.; LISBOA, R. C. L.; TAVARES, A. C. C. Novas referências de hepáticas (Marchantiophyta) da Floresta Nacional de Caxiuanã para o Estado do Pará, Brasil. 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