GT01 - A questão agrária no Brasil
redefinições teóricas e dilemas políticos
contemporâneo:
Coordenação: Vera Botta Ferrante (UNIARA
Marilda Aparecida de Menezes (UFABC e UFCG) Luiz Antonio Barone (UNESP)
As mudanças das últimas décadas no campo brasileiro, em que pesem o forte êxodo rural
e apesar da modernização econômica de parte considerável da agropecuária brasileira,
não resolveram definitivamente importantes aspectos sociais, políticos e econômicos que
ainda caracterizam as populações definidas como rurais. A permanência de índices de
pobreza extrema em diferentes regiões do país, a retomada – a partir da abertura
democrática – de uma significativa demanda pelo acesso à terra por parte de diferentes
segmentos de trabalhadores rurais e o surgimento/empoderamento de distintas agências
de mediação (políticas, técnicas e econômicas) que gravitam em torno das políticas de
assentamentos rurais e fortalecimento da chamada agricultura familiar recolocam como
desafio concreto e interpretativo a pertinência da questão agrária. Esse quadro histórica
que o país atravessa, no entanto, exige a redefinição dos parâmetros conceituais dessa
questão. O universo que envolve a agricultura familiar, suas debilidades e possibilidades
no contexto político e econômico no Brasil, bem como o prosseguimento (ou bloqueio) da
atual política de “reforma agrária”, incluem-se nessa questão. Além disso, como desafio
emergente dessa temática, toda a problemática ambiental da atualidade incide de maneira
decisiva na compreensão e requalificação da questão agrária. Se os personagens, por
vezes, permanecem os mesmos, sua presença em cena ganham novos contornos,
derivados da própria modernização econômica do país, do aprofundamento da sua
experiência democrática e da organização política de diferentes atores sociais.
GT02 – Cidades
Coordenação: Geisa Mattos (UFC) Lucia Bogus (PUC-SP)
O grupo de trabalho se propõe a discutir experiências sociais no contexto urbano, as
dinâmicas entre grupos, redes sociais e indivíduos, suas práticas e representações, em
termos da complexidade de coesões e conflitos. Pretendemos congregar pesquisas que
abordem a cidade e os modos de vida urbanos, as representações múltiplas sobre
fronteiras espaciais, culturais e zonas de contato. Queremos pensar a cidade a partir das
práticas urbanas, das narrativas diversas sobre lugares, das experiências dos que a
vivenciam sob diversas formas. Apresentar perspectivas que estão além dos conceitos e
planejamentos arquitetônicos, administrativos e políticos, mas que refletem sobre os usos
criativos feitos do mundo urbanos pelos sujeitos/indivíduos no seu cotidiano.
GT03 - Ciência, tecnologia e inovação social
Coordenação: Maíra Baumgarten (FURG e UFRGS) Maria Lucia Maciel (UFRJ)
Fernanda Antonia Fonseca Sobral (UnB)
Ciência e tecnologia são condição necessária (ainda que não suficiente) para a
sustentabilidade social e econômica das nações sendo, portanto, de grande importância,
tanto o desenvolvimento, como a divulgação de estudos que possibilitem ampliar o
conhecimento sobre as atividades de produção e disseminação de ciência e tecnologia por
grupos de pesquisa em nível internacional, nacional e local, bem como sobre políticas
regionais, nacionais e internacionais de C&T. O GT Ciência, tecnologia e inovação social
tem o objetivo de apoiar e viabilizar a troca de experiências e informações sobre as formas
de produção, gestão e distribuição de conhecimento científico e tecnológico em diferentes
contextos do Brasil e da América Latina e sobre os problemas e soluções que vêm se
apresentando sobre a temática nesses países.
GT04 - Conflitos socioambientais
Coordenação: Cleyton Henrique Gerhardt (UFRGS) Doralice Barros Pereira (UFMG)
O GT tem como foco central a discussão sobre a configuração contemporânea de conflitos
socioambientais, reunindo estudos sobre as diferentes formas de percepção, acesso,
domínio e gestão da natureza, considerando as relações de poder daí decorrentes; os
processos de desterritorialização e de afirmação e construção de territórios, tanto nos
processos de instalação de projetos de desenvolvimento, de caráter governamental ou
envolvendo a iniciativa privada, quanto na efetivação de unidades de conservação que
impliquem no deslocamento de populações e/ou na interdição de uso por parte de grupos
sociais; a configuração de atores sociais que se consolidam como tal ou emergem das
experiências conflitivas; a relação entre a legislação ambiental e territorial e políticas
públicas dela decorrentes com os conflitos socioambientais e com a afirmação de novas
territorialidades (terras de quilombos, Reservas Extrativistas, Reservas de
Desenvolvimento Sustentável etc) e atores sociais.
GT05 - Consumo e Cidadania
Coordenação: Lívia Barbosa (UFF) Fátima Portilho (UFRRJ)
Embora o consumo esteja presente tanto em práticas mundanas e rotineiras (beber água,
por exemplo), quanto em práticas de distinção social e construção de identidade, nem
sempre nos pensamos como consumidores ao realizar tais atos. Nos anos recentes, no
entanto, o consumidor tem se tornado uma figura recorrente na esfera pública e política.
Valores como solidariedade, ética, sustentabilidade e bem-estar animal surgem em
discursos e práticas cotidianas dentro de um contexto que estimula a “participação via
consumo”. Tais discursos afirmam que, ao escolher e comprar um determinado produto e
não outro, ao escolher consumir de uma determinada maneira e não de outra, o
consumidor estaria materializando valores e expressando agência política. Com isso, os
estudos sobre o fenômeno do consumo, que dedicavam-se a análises do consumo de
massa e do consumidor passivo e insaciável criado pela indústria cultural, passam agora a
considerar uma dramática mudança em direção ao interesse pelo consumidor-cidadão. O
GT se propõe a refletir sobre a relação entre consumo e cidadania, categorias cujas
fronteiras encontram-se cada vez mais diluídas. Tal relação pode ser pensada, de um
lado, através da crescente importância do acesso ao consumo como forma de inserção
social e, de outro, através da politização do consumo. Nesse contexto, destaca-se o papel
do Estado, do mercado e dos movimentos sociais que disciplinam e estimulam práticas de
consumo consciente e politizado. No entanto, apesar do possível crescimento dessa forma
de ativismo, tais práticas de “participação via consumo” ainda são negligenciadas na
maioria dos debates sobre participação e ação política. A relação entre consumo e
cidadania tem interessado a Sociólogos, Antropólogos e Cientistas Políticos, exigindo uma
revisão nos conceitos de sociedades e culturas de consumo, além de indicar possíveis
mudanças na cultura política contemporânea, levantando questões como: que processos
inibem ou encorajam a “participação via consumo”? Que grupos e organizações falam “em
nome do consumidor”? Teriam, tais consumidores politizados, capacidade de alterar
agendas e pautar políticas públicas e empresariais? Conjugariam a participação via
consumo com formas institucionalizadas e coletivas de participação? Como medir ações
informais, privadas e não-institucionalizadas que estão nas bordas das arenas políticas
clássicas?
GT06 - Desigualdade e Estratificação Social
Coordenação: José Alcides Figueiredo Santos (UFJF) Daniele Cireno Fernandes
(UFMG)
O GT discute a evolução, os determinantes e as consequências da estratificação social.
Tem foco na explicação das desigualdades do que se pode chamar de recompensas
sociais, das quais são exemplos a riqueza e o status em suas várias formas. Entre os
fatores explicativos discutidos pelo GT estão políticas públicas, a propriedade e o comando
de recursos, os bens posicionais, a reserva de oportunidades, as mudanças macrossociais
como as da estrutura ocupacional e demográfica, atributos individuais como capital social,
origem familiar, educação, qualificação para o trabalho, deficiência, gênero e raça, bem
como características espaciais ou outros atributos tratados pela sociologia da
estratificação. Entre as consequências enfocadas estão, por exemplo, a estabilidade
ocupacional, os níveis de renda ou patrimônio, oportunidades ocupacionais, mobilidade
social, o acesso à proteção social e a bens e serviços públicos e privados. São também
objeto do GT teorias inovadoras para explicar a estratificação social e métodos para
examiná-la e acompanhar sua evolução. Estudos comparativos e experiências
internacionais também se adequam bem ao perfil do GT. O GT recebe trabalhos de
enfoque quantitativo e qualitativo, rigorosos em teoria e método, preferencialmente
tratando de estudos de caso inovadores, análises institucionais e pesquisas baseadas em
inquéritos domiciliares e registros administrativos.
GT07 - Economia social e solidária: alternativas de trabalho,
participação e mobilização coletiva
Coordenação: Adriane Ferrarini (UNISINOS) Fabio Sanchez (UFSCAR)
Desde que o sistema econômico atualmente dominante passou a ordenar os grupos
sociais segundo sua quota de capital e sua capacidade de trabalho, as lutas de resistência
e contestação dos trabalhadores podem ser compreendidas como estratégias para
escapar à subordinação imposta àqueles que se viram desprovidos de outro bem de valia,
senão sua força física e intelectual, posta a serviço do imperativo de reprodução ampliada
do capital. Nos últimos tempos, as formas clássicas de resistência dos trabalhadores, pela
via dos afrontamentos de classe ou pela reclusão em modos de vida tradicionais, tiveram a
seu lado o ressurgimento de outras alternativas, já acionadas desde os primórdios das
lutas contra a submissão ao capital, com base na associação produtiva e na autogestão.
Seu sentido consiste em reverter em benefício dos trabalhadores a sua capacidade de
produção de riquezas, bem como em direcionar seus ativos de participação e mobilização
coletiva em favor de suas necessidades e aspirações. A Economia Social e Solidária
corresponde à renovação dessas práticas sociais, ao Sul e ao Norte, e propõe desafios
relevantes para a Sociologia. As experiências inovadoras que nela se apresentam, entre
outras configurações do trabalho e novas formas de ação coletiva, assim como suas
condições históricas de desenvolvimento e seu impacto para os trabalhadores e a
sociedade, compõem a agenda do GT, ao lado das discussões de natureza teóricoconceitual e metodológica.
GT08 - Educação e Sociedade
Coordenação: Marcio da Costa (UFRJ) Maria Alice Nogueira (UFMG)
O GT dá preferência a trabalhos que apresentem investigação empírica no tema
educacional, sob enfoque sociológico. São também acolhidos ensaios que se dediquem a
aprofundar a contribuição da teoria sociológica ao estudo da educação em suas diversas
manifestações, com destaque para a educação escolar. Nesse sentido, se incentiva a
apresentação de trabalhos versando sobre diferentes aspectos dos sistemas e instituições
educacionais, sua dinâmica e configuração, bem como sobre atores e experiências
relevantes no campo educacional. Não são aceitos trabalhos de cunho estritamente
político-ideológico ou que não dialoguem com as tradições presentes no campo da
sociologia da educação.
GT09 - Educação Superior na Sociedade contemporânea
Coordenação: Clarissa Eckert Baeta Neves (UFRGS) Carlos Benedito Martins (UnB)
Análise da educação superior e dos sistemas de ensino superior, em diferentes contextos
societários, sua posição estratégica na modernidade atual, em função das complexas
relações que mantém com o processo de desenvolvimento econômico; com a valorização
do conhecimento técnico e científico; com as crescentes exigências sócio-políticas do
processo de democratização e de igualdade de oportunidades; e com a modernização de
suas respectivas sociedades. O GT pretende ser um espaço de debate para os inúmeros
temas e focos de pesquisas, como: expansão em escala mundial; expansão do ensino
superior no Brasil e a participação das redes federal, estadual e privada nesse processo;
financiamento da educação superior e retração do financiamento público; globalização e
educação superior; políticas governamentais para o ensino superior; heterogeneidade do
sistema e diversificação institucional; ensino à distância; processo de avaliação; acesso e
permanência no ensino superior; desigualdades sociais e políticas de inclusão; inserção no
mercado de trabalho; articulação entre universidades e empresas etc. O GT, também,
propõe-se a constituir um espaço de reflexão sobre a constituição de uma sociologia da
educação superior, enquanto um sub-campo da sociologia e os seus contornos nacional e
internacional. Nesse sentido, procurará, através da apresentação de trabalhos, discutir
criticamente as contribuições teóricas e empíricas de autores nacionais e internacionais
recentes, que estejam contribuindo para o desenvolvimento e renovação da sociologia da
educação superior.
GT10 - Ensino de Sociologia
Coordenação: Anita Handfas (UFRJ) Ileizi Fiorelli (UEL)
A obrigatoriedade do ensino de sociologia na escola média brasileira tem trazido à
comunidade acadêmica algumas questões que antes não faziam parte das suas
preocupações. Tentando qualificar o debate a respeito da obrigatoriedade e de suas
conseqüências, o GT - Ensino de Sociologia visa trazer contribuições da comunidade para
essa discussão, a partir de pesquisas que vêm sendo feitas sobre questões relativas ao
ensino de sociologia, não só na escola básica, mas também nos cursos de graduação licenciatura e bacharelado - e pós-graduação, quando se trata de discutir as questões
concernentes à formação acadêmica do cientista social, à formação do pesquisador e do
professor de sociologia. O cotidiano escolar, as práticas de ensino, metodologias e
recursos didáticos, o livro didático de sociologia, além da questão que tem assumido uma
posição central nos debates: proposta unificada nacional ou autonomia dos professores na
organização dos conteúdos a serem ensinados – são alguns dos temas que dominam o
debate sobre a sociologia no ensino médio. Como ultrapassar a dicotomia ensino e
pesquisa? Esta questão já antiga no âmbito da graduação, decorrente da dicotomia
licenciatura e bacharelado, vem sendo cada vez mais discutida também na pósgraduação, que, se por um lado, tem cumprido sua função de formar pesquisadores, por
outro, tem sido questionada quanto à formação de docentes para o ensino superior. Outros
temas têm aparecido de modo recorrente ou emergente: a história da disciplina e sua
participação no currículo, a juventude deixando de ser objeto para ser sujeito no ensino de
sociologia, e o uso de novas tecnologias como recurso didático e como objeto de ensino
de sociologia.
GT11 - Relações raciais e étnicas: desigualdades e políticas
públicas
Coordenação: Profa. Paula Barreto (UFBA) Profa. Marcia Lima (USP)
Entre os objetivos deste Grupo de Trabalho estão: criar um fórum de discussão sobre as
expressões contemporâneas do racismo, entendido como um fenômeno multidimensional
e que se articula com outras formas de desigualdade e de estigmatização; encorajar
pesquisas sobre as relações baseadas em “raça” e etnicidade; e ampliar a compreensão
sobre as políticas públicas criadas para promover a igualdade racial e étnica no Brasil,
considerando
a
interface
com
gênero
e
geração.
GT12 - Gênero, Feminismo e Transformações Sociais
Coordenação: Clara Araújo (UERJ) Marlise Matos (UFMG) Marcia Macedo (UFBA)
O grupo de trabalho se propõe a discutir as dinâmicas de transformação em curso nas
relações de gênero e feministas no mundo contemporâneo. Foco especial será dado nas
discussões do GT aos trabalhos nesse campo de conhecimento – campo de genero e
feminista – que revelem e tragam à luz aspectos destas transformações que tenham
caráter criativo e critico no que tange aos processos contemporâneos de produção do
conhecimento sociológico, voltados à construção de uma sociedade mais justa, inovadora
e inclusiva. Trata-se, portanto, de se tentar estabelecer pontes de diálogo crítico e reflexivo
sobre as contribuições que este campo feminista e de gênero vem trazendo para a
Sociologia brasileira e dentre exemplos de investigações que gostaríamos de trazer para o
diálogo no GT destacamos os estudos sobre: mulher, poder e política; trabalho, autonomia
e empoderamento de mulheres; movimentos de mulheres, feministas e novas dinâmicas
sociais.
GT13 - Gerações e Contemporaneidade
Coordenação: Alda Britto da Motta (UFBA) Isolda Belo da Fonte (FUNDAJ)
A abordagem das relações sociais do ponto de vista das posições geracionais significa
uma análise articulada das trajetórias sociais no tempo existencial dos indivíduos e no
tempo social, coletivo e histórico; portanto, quanto a tendências à mudança como a
permanências. Na sociedade contemporânea destacam-se, nesse âmbito de análise, três
questões básicas: 1. A heterogeneidade das formações identitárias, tanto de ordem
individual como grupal (identidades “fluidas” ou “fragmentadas”... Que “lealdade” pode
prevalecer?). 2. A complexidade e também heterogeneidade das composições familiares.
(“crise” da família, ou novos modelos familiares?). 3. O “déficit”, real ou atribuído, dos
sistemas de previdência social, seu significado para a própria reprodução social, e seu
mais recente penduricalho ideológico, a “equidade geracional.” São dos mais presentes
desafios em discussão na sociedade atual e que têm amplo curso e pertinência no âmbito
das relações entre as gerações.
GT14 - Memória e Sociedade
Coordenação: Ana Luisa Sallas (UFPR ) Helena Maria Bomeny Garchet
A proposta deste Grupo de Trabalho é analisar os usos mais recentes do conceito de
memória coletiva no contexto brasileiro. Nas últimas décadas, observamos a fragmentação
desse processo. A análise da pluralização do uso da noção de memória coletiva faz parte
de transformações contemporâneas em que o tempo se fragmenta cada vez mais e se
associa a demandas políticas. A noção de memória coletiva tem sido cada vez mais
utilizada na formação de identidades culturais, que, por sua vez, aparecem tanto como
estratégia de movimentos sociais, como sendo trunfo para a valorização de comunidades
locais, cidades, estados nacionais e diásporas. Como exemplo, destaca-se a sua relação
com as atuais afirmações identitárias étnico-raciais, tornando o nexo política e memória de
crescente interesse analítico nos estudos sobre identidades culturais. Por outro lado, a
redefinição do conceito permitiu o notável crescimento de instituições de memória, como
museus, arquivos, bibliotecas e jardins botânicos, entre outras, as quais têm sido
acompanhadas por uma reflexão crítica sobre os capitais econômicos e políticos
associados à preservação de valores culturais. Por sua vez, o processo já conhecido de
revitalização de áreas urbanas degradadas e conseqüente valorização imobiliária
apresenta espaços de negociação em que estão presentes não só políticos e detentores
do capital, muitas vezes interessados no potencial turístico da região, mas também
moradores tradicionais, que procuram em leis e relatórios científicos o apoio capaz de
referendar o seu direito ao solo urbano. Em suma, são vários os usos e conflitos em torno
do direito a um passado cada vez mais associado às narrativas do presente.
GT15 - Mercados Ilícitos e Processos de Criminalização:
desafios metodológicos
Coordenação: Sérgio Adorno (USP) Michel Misse (UFRJ)
Violência e Sociedade no Brasil: poder, cultura e representações. Mercados ilícitos e
organização social do crime. Polícia e violência. Resolução extra-judicial de conflitos.
Instituições Penitenciárias. Instituições de Justiça Juvenil. Processos de acumulação social
da violência.
GT16 - Movimentos Sociais na atualidade: reconfigurações das
práticas e novos desafios teóricos
Coordenação: Maria da Glória Gohn (UNICAMP) Breno Bringel (IESP/UERJ)
O GT objetiva debater temas e problemas na sociedade contemporânea relativos às
formas de participação da sociedade civil organizadas em movimentos, redes sociais e
outras organizações ou associações civis coletivas. O GT considera que as teorias e os
temas relacionados às discussões sobre os movimentos sociais foram deixados um tanto
de lado na última década e restritas a poucos investigadores no Brasil, assumindo o seu
lugar perspectivas e preocupações muito mais relacionadas com a “institucionalização”
das práticas coletivas civis. Da mesma maneira, não se tem considerado devidamente as
novas dinâmicas associativas de coletivos cada vez mais heterogêneos no cenário
regional e global, assim como as novas estratégias de ação coletiva de movimentos
altermundialistas/globais e suas redes sociais transnacionais, impulsionadas pelas
transformações próprias da “era da comunicação e informação”. As novas estratégias de
lutas e de agendas políticas dos movimentos, face às recentes e focalizadas crises do
capitalismo financeiro global, assim como a relação dos movimentos em contextos de
mudanças paradigmáticas de governos, também não tem sido devidamente contempladas.
Por tudo isto, o presente GT convida propostas sobre estes temas que articulam o retorno
dos debates teóricos sobre as práticas dos movimentos sociais, em diferentes territórios,
assim como as teorias e categorias analíticas que tem sido criadas ou recriadas para
investigá-los. Analisar essas transformações é também uma necessidade para sintonizar a
sociologia dos movimentos sociais no Brasil com a produção de outros países latinoamericanos e de outras comunidades científicas internacionais.
GT17 - Movimentos sociais, organizações de representação e
lutas por direitos no campo
Coordenação: Valter Lucio de Oliveira (UFF) Everton Lazzaretti Picolotto (UFSM)
O Grupo de Trabalho intitulado Movimentos sociais, organizações de representação e
lutas por direitos no campo pretende ser um espaço de reflexão sobre processos sociais e
produção de significados políticos, sociais, culturais dos conflitos que ocorrem no meio
rural e que vêm gestando novos atores, identidades e oposições, ao mesmo tempo em
que são produto e produtores de representações sociais e valores. O objetivo do GT é
refletir, numa perspectiva histórico-sociológica, sobre temas como:
- relações entre lutas por terra e por território e diferentes instâncias do Estado,
caracterizando conflitos e impasses e buscando aprofundar a reflexão sobre as relações
Estado/sociedade no Brasil.
- formas de ação e organização de agricultores que, já sendo proprietários de terra,
organizam-se para buscar condições para sobrevivência como agricultores de base
familiar.
- o trabalho assalariado num momento de expansão e consolidação da agricultura
altamente mecanizada e baseada no uso intensivo de insumos químicos.
- dinâmica das organizações de representação, inclusive as patronais, buscando analisar
suas propostas e relações, quer com as instituições estatais quer com outras organizações
(sindicatos, “movimentos”, organizações não governamentais, associações etc).
A proposta é que o grupo trace não só um amplo panorama dos conflitos no campo,
enfatizando as múltiplas relações que neles estão envolvidas, mas, principalmente, em o
fazendo, que reflita sobre as ferramentas teórico-metodológicas utilizadas.
GT18 - Novas configurações do trabalho nos espaços urbano e
rural
Coordenação: Liliana Rolfsen Petrilli Segnini (UNICAMP) Roberto Véras de Oliveira
(UFCG)
1. Analisar as relações e organização do trabalho na América Latina e no Brasil em
particular, sobretudo aquelas que expressam as tendências observadas mundialmente de
flexibilização do trabalho, frequentemente traduzidas em precariedade e informalização do
trabalho.
2. Analisar o significado sociológico do crescimento recente do trabalho formal no Brasil.
3. Analisar as políticas públicas que informam as novas configurações do trabalho,
submetidas às pressões mundiais pela desregulamentação de direitos sociais e
trabalhistas, sobretudo na América Latina e especialmente no Brasil.
4. Trazer a público os estudos voltados para a compreensão dos nexos entre as
tendências mundiais à flexibilização das relações de trabalho e os indicadores que
informam esse campo.
5. Suscitar interlocução entre as pesquisas sobre as formas que assumem o trabalho nos
espaços urbano e rural, assim como quanto às suas conexões.
6. Suscitar a discussão de novos campos de pesquisa na área de Sociologia do Trabalho,
tal como, por exemplo, no cinema, na televisão, no teatro, na música e na dança, no
trabalho docente, entre outros ainda insuficientemente analisados.
7. Privilegiar as relações de gênero, étnicas e geracionais nas pesquisas a serem
apresentadas.
GT19 –Novas Sociologias: diferenças, mídias digitais e práticas
culturais
Coordenação: Richard Miskolci (UFSCAR) Miriam Adelman (UFPR)
O GT Novas Sociologias acolhe trabalhos que desenvolvem investigações envolvendo
diferenças de gênero, sexuais e étnico-raciais, em especial nos estudos sobre mídias
digitais e práticas culturais alternativas e/ou emergentes. Tem se caracterizado por ser um
espaço de diálogo teórico-metodológico entre pesquisadores/as que incorporam às
pesquisas socioantropológicas abordagens de saberes insurgentes como feminismos,
Teoria Queer e fontes pós/des-coloniais. O grupo é aberto a quaisquer estudos que
tenham um viés de reflexão a partir das diferenças. Apenas como exemplo, dentre os
temas que têm sido discutidos, há os usos contemporâneos das mídias digitais e as novas
sociabilidades a elas associadas; as ressignificações das tradições em práticas culturais
do presente e estudos que interrogam objetos de investigação sob novas perspectivas
como os que analisam relações étnico-raciais problematizando a branquitude.
GT20 - Ocupações e profissões
Coordenação: Maria da Gloria Bonelli (UFSCar) Jordão Horta Nunes (UFG)
As ocupações e profissões vivenciam na dimensão local e regional os impactos dos
diálogos transnacionais, dos cruzamentos de fronteiras territoriais para a prática
profissional, bem como das disputas para o deslocamento de campos do saber e de
reservas de mercado. O GT visa estimular esse debate, abordando tanto os estudos sobre
os grupos que buscam a proteção de sua expertise, de sua área de atuação e da
excelência de seu conhecimento quanto as análises voltadas para a inovação, a
transdisciplinariedade, as práticas multi e interdisciplinares, as experiências profissionais
transnacionais, e o avanço da lógica organizacional no exercício profissional. Como
essas visões produzem novas hierarquias borrando as distinções estabelecidas? Como
marcam as identificações profissionais para construir e consolidar seus laços em
contextos de fragmentação e de demandas pelo reconhecimento das diferenças nas
carreiras? As sessões abordarão os seguintes temas : 1) Global e local no conhecimento
especializado e no mercado de trabalho; 2) Identidade, diferença e desigualdade nos
grupos ocupacionais e profissionais; 3) Laços e fronteiras nas mudanças e permanências
nas ocupações e profissões.
GT21 - Pensamento Social no Brasil
Coordenação: Alexandro Dantas Trindade (UFPR) Antonio Brasil
A área de pesquisa Pensamento Social no Brasil vem conhecendo nos últimos anos
desenvolvimentos múltiplos bastante expressivos. Caracteriza-se por pesquisas voltadas
para as grandes temáticas de estudo da realidade brasileira, além das diferentes
modalidades de produção cultural. Com a reapresentação do GT Pensamento Social no
Brasil, esperamos poder dar continuidade a discussão de pesquisas que vem contribuindo,
tanto do ponto de vista temático, quanto teórico e metodológico, para o aprofundamento do
conhecimento da formação da sociedade brasileira, nas várias dimensões desse processo,
bem como para o refinamento dos instrumentos de análise sociológica das idéias, da
cultura, dos intelectuais, do pensamento político e da institucionalização das ciências
sociais. Espera-se, particularmente, estimular a exploração de perspectivas comparadas
entre diferentes abordagens de análise, autores, obras, modalidades de produção
intelectual ou artística, tradições, movimentos e projetos culturais e políticos, contextos
regionais ou nacionais e períodos históricos; bem como avaliar o potencial teórico
heurístico das formulações do pensamento social com atenção às diferentes matrizes de
interpretação do Brasil delas derivadas.
GT22–Políticas Públicas
Coordenação: Letícia Schabbach (UFRGS) Washington Bonfim (UFPI)
O GT pretende discutir as políticas públicas do ponto de vista da sociologia política, isto é,
examinando principalmente as relações entre Estado e Sociedade. O debate enfatizará a
possibilidade de estarem em curso mudanças tanto nos padrões tradicionais de
estruturação dessas relações, como no sistema de proteção social brasileiro, ao mesmo
tempo, procurará estimular a constituição de novas perspectivas teórico-metodológicas
para exame das políticas públicas.
GT23 - Religião e Modernidade
Coordenação: Cristina Maria de Castro (UFMG) Paulo Gracino Júnior (IUPERJ)
Este GT pretende reunir trabalhos que discutam não apenas o impacto da religião nas
sociedades modernas como também a influência da própria modernidade sobre a religião.
A temática “religião e modernidade” vem ocupando um importante espaço dentro da
disciplina sociológica desde o seu surgimento, a princípio promovendo o desenvolvimento
de teorias da secularização e suas sub-teses da privatização e declínio da religião. A partir
dos anos 70, porém, surgem as teses da revitalização da religião, alimentadas pelo
incremento da presença religiosa na esfera pública e pelos novos movimentos religiosos.
Além da discussão secularização versus revitalização, podemos apontar o surgimento dos
estudos sobre o impacto da modernidade sobre a religião. Assistimos a um processo de
“destradicionalização” da religião representado por três fenômenos fundamentais: o
incremento radical da autonomia individual, o enfraquecimento da capacidade regulatória
das instituições e a transformação da religião em bem de consumo. Outra conseqüência
do impacto da modernidade seria a universalização do discurso religioso. A
universalização implica no surgimento de uma ética da humanidade e um discurso comum
a todas as religiões. Temas como direitos humanos, paz e ecologia têm se mostrado cada
vez mais presentes nos discursos de líderes religiosos em todo o mundo. Em
contrapartida, a banalização das fronteiras religiosas não raro tem levado ao
fortalecimento de correntes fundamentalistas presentes em todas as religiões tradicionais.
Os coordenadores deste GT convidam enfaticamente a submissão de estudos empíricos
e/ou teóricos sobre a temática, voltados tanto para o âmbito brasileiro quanto internacional.
GT24 - Saúde e Sociedade
Coordenação: Luiz Antonio de Castro Santos (UERJ) Márcia Grisotti (UFSC)
A importância dessa temática para a Sociedade Brasileira de Sociologia é sugerida pela
necessidade de refletir sobre a relação saúde e sociedade na perspectiva de uma
sociologia como artesanato intelectual, tal como proposta por Wright Mills em seu clássico
livro A Imaginação Sociológica, eleita como tema do próximo congresso da SBS. A
menção às reflexões de Wright Mills tem implicações diretas para o Cuidar em saúde, em
particular sua crítica ao “fetichismo do método e da técnica”; do mesmo modo, em O
artífice, Richard Sennett dedica um capítulo sobre a “mão que segura e toca”, sobre o
“ritmo da concentração” e a “lição da força mínima”. Estes são elementos estimuladores
para o Grupo de Trabalho sobre Saúde e sociedade, que engloba os seguintes eixos
temáticos: a) Teoria e pesquisa nas ciências sociais e saúde, b) Políticas de saúde: a
contribuição das ciências sociais; c) Representações sociais em saúde e doença; 4)
Riscos e incertezas nos processos de saúde e doença.
GT25 - Segregação social, políticas públicas e direitos
humanos
Coordenação: Luiz Antonio Machado da Silva (IESP-UERJ) Pedro Rodolfo Bodê de
Moraes (UFPR)
Determinados territórios e instituições tem suas fronteiras definidas por serem constituídas
por indivíduos e grupos cujas vidas, segundo o entendimento institucional dominante,
precisam ser separadas do restante da sociedade. Isto pode ser observado, em diferentes
graus e modalidades, tanto em relação a favelas quanto a prisões. A população favelada,
por exemplo, acaba sendo clientela de um conjunto de políticas públicas que estão
inseridas em instituições ou partem das ações definidas como de segurança pública, de tal
maneira que a intervenção social é absorvida pelo problema da segurança pública. Nesta
mesma linha, tal cenário acaba redefinindo noções de direitos e de humanos que
recolocam e redefinem o tema dos direitos humanos, agora não mais como uma abstração
generalizante e universalista, mas como práticas que reforçam a separação mencionada.
O GT pretende abrigar reflexões e pesquisas empíricas que tratem destas formas de
segregação assim como das políticas públicas a elas destinadas. Dar-se-á, assim,
prioridade a temas que discutam a) a sociabilidade nas favelas e/ou outras localidades,
entre populações encarceradas, b) as diversas práticas do Estado e Ongs que podem ser
vistas como dispositivos de intervenção que implementam o processo de separação
aludido, assim como c) os casos no qual o discurso sobre o crime e a atuação das polícias
tem um papel destacado nas dinâmicas referidas.
GT26 - Sexualidades, corporalidades e transgressões
Coordenação: Berenice Bento (UFRN) Antonio Cristian Paiva (UFC)
Este GT pretende reunir pesquisadores/as de diversas proveniências institucionais e
acadêmicas, com o intuito de ampliar a visibilidade e aprofundar os debates teóricometodológicos sobre as dimensões social, cultural, política e histórica das sexualidades e
corporalidades, no âmbito das investigações em ciências sociais produzidas no Brasil.
Também objetiva promover o diálogo, a partir do tema central “mudanças, permanências e
desafios sociológicos”, entre investigadores/as que desenvolvem estudos sobre gênero e
novas construções identitárias; intervenções médicas e tecnológicas sobre o corpo; saúde
sexual e reprodutiva; impactos do HIV-Aids e outras DST sobre o imaginário corporal e
sexual; aborto; violência sexual contra mulheres, crianças, lésbicas, gays, transexuais e
travestis; educação sexual; sexualidade de crianças, jovens e velhos; prostituição e
turismo sexual; pornografia; casamento entre pessoas do mesmo sexo; cirurgias de
transgenitalização; direitos sexuais e reprodutivos; injustiça erótica e cidadania sexual;
cidadania, direitos humanos e interseccionalidades.
GT27 - Sociologia da Arte
Coordenação: Maria Lucia Bueno (UFJF) Lígia Dabul (UFF)
Na sociedade contemporânea, pautada pela dimensão simbólica e pela estetização do
cotidiano, a sociologia da arte adquire especial relevância, assinalando problemas
fundamentais para o desenvolvimento do saber sociológico. Diversos autores tem
apontado a importância do papel que a cultura artística vêm desempenhando nas práticas
sociais, destacando a influência da cultura de massas, os processos de espetacularização
e musealização das sociedades e o esgarçamento das fronteiras entre o mundo da arte e
a indústria cultural em todas os seus domínios, da música às artes plásticas, da literatura
ao cinema. Neste contexto o universo estético sofreu uma considerável ampliação,
ultrapassando a esfera restrita da cultura erudita. A sociologia da arte no século XXI
abarca dos museus aos grafites nas ruas, das salas de concerto aos shows de rap, das
performances mais herméticas aos desfiles de moda, tornando muito mais complexo o
trabalho do pesquisador. Na literatura recente temos um aumento tanto das interpretações
que passaram a olhar para os problemas estéticos como questões centrais da análise
sociológica, quanto daquelas que refletem sobre os bens artísticos como fenômenos de
especial relevância para o entendimento da realidade contemporânea. É a partir destas
perspectivas que o GT de Sociologia da Arte levanta questões que hoje desafiam o
desenvolvimento da Sociologia brasileira. Nosso objetivo é colocar em contato
pesquisadores e pesquisas as mais diversas, contribuindo para o surgimento de
interlocuções e para o fortalecimento das já existentes.
GT28 - Sociologia da Cultura
Coordenação: Edson Silva de Farias (UnB) Maria Celeste Mira (PUC-SP)
A proposta deste Grupo de Trabalho é discutir os fatores pelos quais se problematiza
possíveis condicionantes da atualidade da esfera da cultura, para isto considerando as
articulações entre olhares sobre estruturas sociohistóricas, modalizações teóricas e modos
de ser/fazer artístico-culturais com suas linguagens que constituem os campos do
simbólico (considerando tanto os menos quanto os mais sistematizados, no caso dos
diversos campos das artes). Parte-se da percepção acerca do incremento vertiginoso pelo
qual a emergência e acomodação dos hábitos, costumes e instituições da modernidade se
manifestam pelo conjunto do planeta. Assim, nota-se a importância adquirida pelos temas
dos fluxos relativos à complexidade das conexões e dos níveis de integração, mas
também das dinâmicas de diferenciação sociocultural numa escala de interdependências
sociohumanas tão alargadas, implicando qualidades outras aos encontros e cruzamentos
culturais e civilizatórios. Portanto, um dos alvos de interesse deste GT, de um lado, diz
respeito às maneiras como se dispõe a aceleração dos ritmos de circulação de pessoas,
ideias, bens e coisas na contrapartida dos formatos e teores dos gêneros culturais e se
deixa impressões nos regimes de práticas expressivas, no instante em que estes são
inseridos no escopo de mercados do simbólico e da comunicação articulada à
infraestrutura informacional. Por outro lado, importa voltar ao tema da diferenciação da
esfera cultural no compasso de como são redefinidos temas candentes a exemplo dos
nexos: tradicional versus moderno, autêntico versus vulgar, moralidade versus dinheiro,
arte versus vida, familiar versus estranho, comunidade versus sociedade, autonomia
versus heteronímia, erudito versus popular/massivo. Enfim, o grupo pretende assegurar a
interlocução tanto aprofundando debates sobre as formas artísticas e culturais
contemporâneas quanto propiciar um espaço à construção de novas perspectivas teóricoanalíticas na teoria social dedicada ao problema da cultura, de sorte a permitir as trocas
entre as ciências sociais e outras áreas afins.
GT29 - Sociologia
qualitativas
do
conhecimento
e
metodologias
Coordenação: Wivian Weller (UnB) Hermilio Santos (PUCRS)
No que diz respeito aos métodos de pesquisa qualitativa na Sociologia, as últimas décadas
trouxeram diversos desenvolvimentos e novas perspectivas de análise: a ampla
diferenciação de métodos e técnicas de investigação, bem como a elaboração de metateorias no campo da pesquisa qualitativa e reflexões sobre a qualidade da pesquisa
qualitativa. Esse desenvolvimento é comprovado não apenas pelo aumento de estudos
qualitativos, mas também por um número crescente de associações e eventos científicos,
grupos de trabalho, revistas especializadas e manuais sobre métodos de pesquisa
qualitativa em todo o mundo. Esta ampla divulgação está contribuindo para a aceitação de
novos parâmetros para a pesquisa empírica, para a superação do ceticismo outrora
existente em relação à produção de conhecimento e de teorias fundamentadas em dados
oriundos de pesquisas qualitativas. Entretanto, com a disseminação da pesquisa
qualitativa também surgiu a necessidade de sistematização dos diferentes procedimentos
e métodos de pesquisa denominados como não-padronizados. Apesar da crescente
demanda da pesquisa social qualitativa no campo das Ciências Sociais, existe ainda uma
lacuna no que diz respeito ao estudo de referenciais teórico-metodológicos no campo da
pesquisa qualitativa e ao ensino de técnicas de pesquisa e métodos de interpretação de
dados. Nesse sentido, o GT pretende intensificar o debate em torno dos seguintes temas:
1) Bases teórico-metodológicas da pesquisa qualitativa (com ênfase na Fenomenologia
Social e Sociologia do Conhecimento); 2) Métodos de interpretação de dados; 3)
Narrativas orais e visuais na pesquisa sociológica; 4) Análise de texto, imagem e vídeo.
GT30 - Sociologia do esporte
Coordenação: José Jairo Vieira (UFRJ) Francisco Xavier Freire (UFMT)
O esporte assume na contemporaneidade um significado diferenciado na sociedade. Com
isso, este é um espaço para o debate social deste fenômeno. No caso brasileiro, vivemos
um efervescente debate social estimulado pela Copa do Mundo que ocorreu em 2014 e
pelos os Jogos Olímpicos que ocorrerão em 2016, diversos estudos estão sendo
desenvolvidos levando em conta este cenário. Desta forma, objetivamos reunir as análises
relacionadas às temáticas sociais e o fenômeno esportivo como à desigualdade, classes,
raça, políticas sociais, educação, profissionalismo, gênero, racionalismo, individualismo,
identidade, sociabilidade, globalização, entre outras, que tenham o esporte como foco.
GT31 - Sociologia e Imagem
Coordenação: Angelo José da Silva (UFPR) Mauro Luiz Rovai (UNIFESP)
O Grupo de Trabalho Sociologia e Imagem tem por objetivo constituir um espaço para a
reflexão e o debate sobre os diferentes usos das imagens na produção de conhecimento
nas Ciências Sociais. Da perspectiva da nossa proposta, imagens fixas (fotografias,
pinturas, desenhos, etc.) e imagens em movimento (cinema, vídeo, tv, etc.) são tratadas
como uma linguagem específica e com características próprias para a sua leitura,
demandando um tratamento particular. Em uma sociedade como a nossa é cada vez mais
urgente que aprendamos a tratar as imagens como fontes, documentos, para a pesquisa
social, para evitarmos o risco de nos colocarmos à margem daquilo que se passa ao nosso
redor. No interior desse espaço, as questões de caráter teórico, epistemológico e
metodológico serão tratadas de maneira mais apropriada e, nesse sentido, as diferentes
propostas para o GT que contemplem esses aspectos serão bem vindas.
GT32 - Sociologia
contemporâneos
e
Juventude:
questões
e
estudos
Coordenação: Janice Tirelli Ponte de Sousa (UFSC) Marília Salles Falci Medeiros
(UFF)
A sociedade contemporânea vem sendo marcada por grandes e profundas transformações
em todas as suas esferas. Essas mudanças têm atingido e influenciado significativamente
o comportamento da população juvenil tornando-a um dos setores mais vulneráveis dentro
desse processo. Os jovens, mais que outras gerações, tornam-se não só os mais
sensíveis às mudanças, mas também reveladores e intérpretes das novas evoluções e
situações que atingem a sociedade e o tempo presente. O objetivo do GT é refletir sobre a
juventude contemporânea na medida em que este tema é objeto de um rico debate
empreendido dentro da sociologia, nopaís e no exterior. Assim, propõem-se acolher
trabalhos que analisem como a juventude se inscreve no cenário complexo e contraditório
desse novo tempo, com seus novos componentes culturais e novas determinações
políticas e econômicas. Privilegiamos a apresentação de pesquisas empíricas e as
reflexões teóricas e metodologicas produzidas nos domínios da sociologia e disciplinas
afins.
GT33 - Sociologia Econômica
Coordenação: Marcia da Silva Mazon(UFSC) Raphael Jonathas da Costa Lima (UFF)
O GT receberá trabalhos os quais possuam como denominador comum a investigação
sociológica sobre a vida econômica. A ênfase está nas investigações a respeito das
instituições econômicas e comportamento econômico incorporando as temáticas
relacionadas às lógicas específicas dos diversos mercados, aos seus mecanismos de
regulação político-institucional e aos mapas cognitivos e morais que pressupõem as
transações econômicas. Igualmente bem recebidos serão os trabalhos identificados sob as
rubricas da etnologia das trocas, das investigações sobre moedas e afins, da sociologia da
empresa e da esfera territorial do desenvolvimento (governança; análise de clusters e
redes de produção). Pretende-se proporcionar um diálogo entre as pesquisas empíricas e
várias perspectivas teóricas da Sociologia Econômica, divulgar a produção científica
nacional e contribuir para a consolidação de uma rede de pesquisadores brasileiros nesta
área temática.
GT34 - Teoria sociológica
Coordenação: Márcio Sérgio Batista Silveira de Oliveira (UFPR) Carlos Eduardo Sell
(UFSC)
O Grupo de Teoria Sociológica pretende, no XVI Congresso da Sociedade Brasileira de
Sociologia, seguir a trajetória iniciada nos anos anteriores. Continuar a dar vazão a
estudos e pesquisas que discutam aspectos da teoria em Sociologia nas suas mais
diversas dimensões. Neste congresso, pretendemos dar destaque a trabalhos sobre
discussões teóricas que privilegiem, discussões sobre o campo e as histórias das subdisciplinas da sociologia tanto no Brasil quanto em outros países, em análises comparadas
ou em estudos de caso. Privilegiaremos também análises comparadas de autores e temas
que tratem dos novos desdobramentos da teoria sociológica, tanto internamente como em
conexões com outros saberes científicos. Enfim, daremos especial atenção a trabalhos
que procurem expandir o universo da teoria sociológica em direção às novas questões
que, cada vez mais, passam a constituir objetos sociológicos ou de interface com a
sociologia, tais como aquelas relacionadas aos campos ambientais e da genética.
GT35 - Trabalho, Sindicalismo e Ações Coletivas
Coordenação: Marco Aurélio Santana (UFRJ) Ruy Gomes Braga Neto (USP)
O processo de mundialização capitalista das últimas três décadas promoveu uma intensa
transformação das relações sociais de produção com importantes impactos sobre a
configuração das classes sociais em todo o mundo. A reestruturação produtiva das
empresas associada à difusão de novas tecnologias e à dominância da fração financeira
do capital globalizado alterou a forma de ser da classe trabalhadora brasileira, assim como
suas modalidades de representação sindical e organização política. As tercerizações e a
multiplicação das formas de contratação da força de trabalho redefiniram as principais
características das ações coletivas de trabalhadores apontando para a crise do
sindicalismo de base e do militantismo social. Tendo por base esse conjunto articulado de
transformações, o Grupo de Trabalho “Trabalho, Sindicalismo e Ações Coletivas” buscará
apreender a nova forma de ser da classe trabalhadora brasileira por meio de três objetivos
principais: 1. Promover a análise teórica e empírica do atual regime de acumulação
mundializado tendo em vista a reconfiguração empresarial rumo à emergência
hegemônica da empresa em rede com dominância financeira. 2. Estimular o estudo da
nova condição proletária que emerge a partir dos novos processos de reestruturação
produtiva e de contratualização da força de trabalho presentes nas últimas três décadas. 3.
Acolher as pesquisas que se disponham a problematizar as respostas organizativas dos
trabalhadores no intuito de fazer frente a estas mudanças ocorridas no mundo do trabalho
brasileiro, assim como incentivar investigações acerca da hegemonia política exercida pelo
PT e pela CUT no âmbito federal.
GT36 - Violência e Sociedade
Coordenadores: Maria Stela Grossi Porto (UnB) Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo
(PUCRS)
O GT Violência e Sociedade se propõe a acolher trabalhos que abordem temas
relacionados com conflitos, violência, em sua dupla condição de objeto teórico e fenômeno
empírico, assim como os mecanismos institucionalizados para a administração dos
mesmos. Se, por um lado, as décadas mais recentes têm apontado para a multiplicação
do conhecimento e da reflexão sobre fatos e fenômenos da violência, por outro novas
dinâmicas e novas manifestações desses mesmos fatos apontam a pertinência de se
insistir no debate, na análise e na pesquisa de novos ( e antigos) acontecimentos nos
quais a violência desponta como conteúdo de inúmeros e variados processos sociais e
políticos. Partindo desse eixo condutor, serão bem vindas contribuições de natureza mais
conceitual, assim como aquelas centradas na análise das múltiplas manifestações
empíricas do fenômeno. Nesse sentido, poderão estar aí incluídas reflexões e análises
centradas tanto nas diferentes instâncias institucionais voltadas ao controle social e à
segurança, à operação e administração da justiça, quanto na abordagem da questão
desenvolvida pelo foco das relações interpessoais. Partindo do reconhecimento de que as
temáticas atinentes à segurança pública e às instituições que compõem o campo do
controle social da conflitualidade e da violência têm tido uma ampliação como pauta de
interesse da investigação sociológica nos últimos anos no Brasil, bem como de que é
necessário aprofundar as reflexões sobre o papel do campo acadêmico e de suas
produções no que se refere a esta temática, nosso objetivo é também reunir contribuições
e debater trabalhos relacionados com a área da Sociologia do Castigo, ou seja, um corpus
que explora as relações entre castigo e sociedade, buscando entender o castigo como
fenômeno social e, em conseqüência, seu papel e dinâmica na vida social.
GT37 - Raça e Etnicidade: Persistência e Transformação
Coordenadores: Livio Sansone (UFBA) Osmundo Pinho (UFRB)
Porque ainda é possível, já passada mais de uma década do século XXI, falar de raça no
Brasil? Contras as diversas previsões e vaticínios sobre sua dissolução, o debate racial e a
prevalência de categorias raciais no debate acadêmico, na vida pública e no plano das
representações permanece. As diversas transformações que presenciamos no século XX
(políticas, econômicas, culturais), não foram capazes de nos afastar em definitivo de nosso
passado escravista e colonial. De maneira análoga, o campo dos debates e lutas de
natureza étnica floresce com vigor, demonstrado pela amplitude e complexidade dos
novos atores nesse campo: povos indígenas, quilombolas, emergentes, remanescentes,
tradicionais. Assim também as novas políticas encampadas pelo Estado brasileiro,
produzem novas associações, no campo do debate multicultural e da patrimonialização
das culturas “subalternas”. Como a sociologia atualmente feita no Brasil tem tratado esses
temas? O que permanece, o que tem se transformado? Essas questões estão propostas
como eixos para esse GT, aberto a contribuições de natureza empírica ou teórica, em
torno das persistências e transformações no estudo da “raça” no brasil.
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GT01 - A questão agrária no Brasil contemporâneo: redefinições