UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DO SOLO
MELHORIA DA QUALIDADE QUÍMICA DO PERFIL
DO SOLO COMO ESTRATÉGIA PARA ATENUAR OS
EFEITOS DE DÉFICITS HÍDRICOS SOBRE A
PRODUTIVIDADE DAS CULTURAS DE GRÃOS EM
SISTEMA PLANTIO DIRETO
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
Douglas Dalla Nora
Santa Maria, RS, Brasil
2014
MELHORIA DA QUALIDADE QUÍMICA DO PERFIL DO
SOLO COMO ESTRATÉGIA PARA ATENUAR OS EFEITOS
DE DÉFICITS HÍDRICOS SOBRE A PRODUTIVIDADE DAS
CULTURAS DE GRÃOS EM SISTEMA PLANTIO DIRETO
Douglas Dalla Nora
Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Pós Graduação
em Ciência do Solo, Área de Concentração em Processos químicos e cicladem
de elementos, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM- RS), como
requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre em Ciência do Solo.
Orientador: Prof. Dr. Telmo Jorge Carneiro Amado
Santa Maria, RS, Brasil
2014
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais Roque Dalla Nora e Delonir Dávila e a minha irmã Daniela Dalla Nora
pelo apoio ao decorrer dessa caminhada.
Agradeço especialmente a minha namorada Josana Andréia Langner por me apoiar
durante a produção da dissertação.
A UFSM, Dpt. de Solos e a Capes por oportunizar e financiar minhas pesquisas.
Ao professor Telmo Jorge Carneiro Amado pelos ensinamentos e oportunidades ao
longo da graduação e do mestrado.
A todos os colegas do Laboratório de Uso, Manejo e Conservação do Solo que, de
alguma maneira, auxiliaram em minha formação. Agradeço especialmente aos amigos
Antônio Mazuco e Eduardo Muller Gruhn por fazerem parte da equipe de pesquisa
juntamente a mim.
Vocês fazem parte de minha conquista!
Obrigado!
RESUMO
Dissertação de Mestrado
Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo
Universidade Federal de Santa Maria
MELHORIA DA QUALIDADE QUÍMICA DO PERFIL DO SOLO COMO
ESTRATÉGIA PARA ATENUAR OS EFEITOS DE DÉFICITS HÍDRICOS SOBRE A
PRODUTIVIDADE DAS CULTURAS DE GRÃOS EM SISTEMA PLANTIO DIRETO
AUTOR: Douglas Dalla Nora
ORIENTADOR: Telmo Jorge Carneiro Amado
Data e Local da Defesa: Santa Maria, 10 de dezembro de 2014.
As melhorias químicas proporcionadas pelo uso do sistema plantio direto têm se restringido às
camadas superficiais do solo, limitando o desenvolvimento radicular em subsuperfície, e o
uso eficiente da água, especialmente em anos com ocorrência de déficit hídrico. O presente
estudo teve os seguintes objetivos: I- caracterizar os efeitos do uso isolado do gesso ou
combinado com calcário sobre os atributos químicos do solo e a produtividade das culturas
em SPD; II- avaliar o efeito da melhoria química da camada de enraizamento sobre a
produtividade das culturas agrícolas em SPD sob condições de déficit hídrico induzido. Foram
realizados quatro experimentos em Latossolos distróficos manejados sob SPD de longa
duração no Rio Grande do Sul, com distinta qualidade química na camada de enraizamento,
no período de 2009 a 2014. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso com três
repetições. Dois experimentos foram implantados em 2009 em Carazinho com tratamentos
variando de 0,0 a 6,5 Mg ha-1 de gesso. Em um deles, as parcelas foram divididas em duas
subparcelas sem e com restrição de 30% da precipitação pluvial pela implantação de câmaras
de exclusão. Outros dois experimentos foram implantados em São Miguel das Missões e
Tupanciretã em 2011. Em São Miguel das Missões utilizou-se um delineamento de blocos ao
acaso com parcelas subdivididas, sendo as parcelas principais compostas por doses de gesso
variando de 0,0 a 5,0 Mg ha-1, e as subparcelas compostas pelos tratamentos sem calcário na
dose de 2,0 Mg ha-1. Em Tupanciretã, o experimento foi composto por um delineamento
fatorial 4x4, com quatro doses de gesso variando de 0,0 a 6,0 Mg ha-1, e quatro doses de
calcário variando de 0,0 a 4,8 Mg ha-1. As amostragens de solo foram feitas estratificadamente
na camada de 0,00-0,60 m. Verificou-se incremento nos teores de Ca e S em todo o perfil,
além de redução na saturação por Al e aumento na saturação por bases e na saturação por Ca
ao longo do tempo. Em resposta a melhoria da qualidade química da camada de enraizamento
foi verificado aumento da produtividade da soja, milho e trigo. Com a rotação de culturas
durante o verão, as camadas amostrais em que houve relação com a produtividade situavamse em maiores profundidade (camada de 0,25-0,40 m para o Experimento I e de 0,00-0,40 m
para o Experimento II). Sem a rotação de culturas no verão as camadas amostrais que
apresentaram relação com a produtividade situavam-se mais próximas da superfície (camada
de 0,00-0,10 m para o Experimento III e de 0,00-0,25 m para o Experimento IV). Verificou-se
aumento na saturação por bases e redução na Saturação por Al em toda a CE em função das
doses de gesso isoladas ou combinadas ao calcário. O incremento na quantidade de grãos
produzida por mm de chuva, decorrente da aplicação de gesso, foi maior quando houve déficit
hídrico durante o período crítico das culturas. A melhoria química da camada de enraizamento
do solo proporcionada pela adição de gesso em sistema plantio direto atenuou a perda de
produtividade da soja associada à restrição hídrica.
Palavras-chave: Gesso. Calcário. Camada de enraizamento. Restrição hídrica.
ABSTRACT
Master Dissertation
Graduate Program in Soil Science
Federal University of Santa Maria
IMPROVEMENT CHEMICAL QUALITY OF SOIL PROFILE AS A STRATEGY TO
MITIGATE THE EFFECTS OF DROUGHTS ON PRODUCTIVITY OF GRAIN
CROPS UNDER NO-TILLAGE
AUTHOR: Douglas Dalla Nora
ADVISOR: Telmo Jorge Carneiro Amado
Date and Local of the Defense: Santa Maria, december 10th 2014.
The chemical improvements provided by no-till have been restricted to the upper soil layers,
limiting root development in the subsurface, and the efficient use of water, especially in years
with drought. This study had the aim assesse: I- characterize the effects of the isolated use of
gypsum or combined with lime on the soil chemical properties and crop grain yield in SPD;
II- evaluate the effect of chemical improving layer rooting on the crop yield in SPD under
induced water deficit. Four experiments were conducted in Oxisols dystrophic managed under
continuous NT in Rio Grande do Sul State, with distinct chemical quality in rooting layer,
from 2009 to 2014. The experimental design was randomized block with three replications.
Two experiments were established in 2009 in Carazinho with treatments ranging 0.0 to 6.5
Mg ha-1 gypsum. In one experiment the plots were divided into two subplots without
restriction and with 30% of the rainfall for the implementation of exclusion chamber. Two
other experiments were implanted in São Miguel das Missões and Tupanciretã in 2011. In São
Miguel das Missões used a randomized block design with split plots, the main plots with lime
rates ranging from 0.0 to 5, 0 Mg ha-1, and the subplots composed by no lime treatment at a
dose of 2.0 Mg ha-1. In Tupanciretã, the experiment was comprised of a 4x4 factorial design,
with four levels of gypsum ranging from 0.0 to 6.0 Mg ha-1, and four liming levels ranging
from 0.0 to 4.8 Mg ha-1. The soil samples were made in the stratified layer of 0.00 to 0.60 m.
There was an increase in the Ca and S in the entire profile, and reduce the Al saturation and
an increase in basis saturation and the saturation of Ca over time. In response to improving the
quality of chemical rooting layer was found increased yield of soybean, corn and wheat. With
crop rotation during the summer, the sample layers in which there was related to productivity
stood at greater depth (0.25-0.40 m layer for the first experiment and 0.00 to 0.40 m for
Experiment II). No crop rotation in summer the sample layers that were associated with
productivity were located closer to the surface (layer from 0.00 to 0.10 m for Experiment III
and 0.00 to 0.25 m for the experiment IV). An increase in base saturation and reduction in Al
saturation throughout the EC with of isolated gypsum rates or combined to lime. The increase
in the amount of grain produced per mm of rain, resulting from the application of gypsum,
was higher when there was water estress during the critical period of crop. The chemical
improvement of soil rooting layer provided by the addition of gypsum attenuated the soybean
yield loss associated with water restriction.
Keywords: Gypsum. Lime. Layer rooting. Water stress.
LISTA DE FIGURAS
ARTIGO I
Figura 1: Precipitação diária e acumulada durante o período experimental para os
Experimentos I, II, III e IV, além dos cultivos avaliados nos respectivos Experimentos. Fonte:
INMET.....................................................................................................................................25
Figura 2: Efeito das doses de gesso sobre os teores de cálcio e enxofre no Experimento I após
56 meses (a), no Experimento II após 56 meses (b), no Experimento III após 30 meses (c) e
no Experimento IV após 30 meses (d) da aplicação dos tratamentos. #Médias dos teores de S e
de Ca entre os tratamentos que receberam calcário e os tratamentos que não receberam por
conta da interação significativa entre as doses de gesso e calcário; $Médias dos teores de S e
de Ca para as doses de gesso combinadas a 3,6 Mg ha-1 de calcário por conta da interação
entre as doses de gesso e calcário. As barras de erro representam limites de 95% confiança
para as medidas.........................................................................................................................35
Figura 3: Efeito temporal das doses 0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso sobre a saturação por Ca
(a), saturação por bases (b) e saturação por Al (c) para o Experimento I. * Significativo a 5%
de probabilidade de erro; ** Significativo a 1% de probabilidade de erro.............................41
Figura 4: Efeito temporal das doses 0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso sobre a saturação por Ca
(a), saturação por bases (b) e saturação por Al (c) para o Experimento II. * Significativo a 5%
de probabilidade de erro; ** Significativo a 1% de probabilidade de erro.............................42
Figura 5: Efeito temporal das doses 0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso sobre a saturação por Ca
(a), saturação por bases (b) e saturação por Al (c) para o Experimento III. ns Não significativo
a 5% de probabilidade de erro; Letras iguais nas barras não diferem significativamente a 5%
de probabilidade de erro...........................................................................................................44
Figura 6: Efeito temporal das doses 0,0 Mg ha-1 de gesso; 6,0 Mg ha-1 de gesso e 6,0 Mg ha-1
de gesso + 3,6 Mg ha-1 de calcário sobre a saturação por Ca (a), saturação por bases (b) e
saturação por Al (c) para o Experimento IV. ns Não significativo a 5% de probabilidade de
erro; Letras iguais nas barras não diferem significativamente a 5% de probabilidade de
erro............................................................................................................................................46
Figura 7: Produtividade da soja, milho e trigo para o Experimento I (a), Experimento II (b),
Experimento III (c) e Experimento IV (d) em relação às doses de gesso isoladas ou
combinadas ao calcário. * Significativo a 5% de probabilidade de erro; ** Significativo a 1%
de probabilidade de erro............................................................................................................51
Figura 8: Relação entre a produtividade relativa de soja (a), trigo (b) e milho (c) para todos
experimentos em conjunto com as doses de gesso isoladas ou combinadas ao calcário e tempo
de avaliação. * Significativo a 5% de probabilidade de erro; ** Significativo a 1% de
probabilidade de erro. Letras iguais nas colunas não diferem estatisticamente a 5% de
probabilidade pelo teste de Tukey...........................................................................................55
Figura 9: Relação entre a produtividade relativa de soja e trigo e a saturação por bases e a
saturação por Al na camada de 0,00-0,10 m para o Experimento III (a); entre a produtividade
relativa de soja e trigo e a saturação por bases e a saturação por Al na camada de 0,00-0,25 m
para o Experimento IV; entre a produtividade relativa de soja, milho e trigo com a saturação
por bases e a saturação por Al na camada de 0,25-0,40 m para o Experimento I (c); entre a
produtividade relativa de soja, milho e trigo e a saturação por bases e a saturação por Al na
camada de 0,00-0,40 m para o Experimento II (d). Para as profundidades que não foram
amostradas, foi realizada a média ponderada das camadas que a compõe..............................58
ARTIGO II
Figura 1: Precipitação pluvial diária e acumulada durante o período experimental para os
Experimentos I, II, III e IV, situados em Carazinho, Carazinho, São Miguel das Missões e
Tupãnciretã, respectivamente. Além dos cultivos e amostragens de solo e planta realizados
nos respectivos Experimentos. Fonte: INMET.........................................................................70
Figura 2: Precipitação pluvial total, normal e ideal durante o ciclo e o período crítico das
culturas nos Experimentos 1 (a), 2 (b), 3 (c) e 4 (d). Fonte: INMET.......................................86
Figura 3: Relação entre a quantidade de grãos de milho produzida (kg) por mm precipitado
durante o ciclo (a) e por mm precipitado durante o período crítico (b) com as doses de gesso
aplicadas nos Experimentos I e II. * Significativo a 5% de probabilidade de erro; **
Significativo a 1% de probabilidade de erro.............................................................................88
Figura 4: Relação entre a quantidade de grãos de trigo produzida (kg) por mm precipitado
durante o ciclo (a) e durante o período crítico (b) com as doses de gesso isoladas ou
combinadas ao calcário nos Experimentos I, II, III e IV. * Significativo a 5% de probabilidade
de erro; ** Significativo a 1% de probabilidade de erro...........................................................90
Figura 5: Relação entre a quantidade grãos de soja produzida (kg) por mm precipitado durante
o ciclo (a); e por mm precipitado durante o ciclo (b); relação entre kg de grãos de soja por
mm precipitado durante o período crítico (c) por mm precipitado durante o período crítico (d)
com as doses de gesso isoladas ou combinadas ao calcário nos Experimentos I, II, III e IV. *
Significativo a 5% de probabilidade de erro; ** Significativo a 1% de probabilidade de
erro............................................................................................................................................92
Figura 6: Saturação por bases e saturação por alumínio aos 32 meses (a) e aos 56 meses (b)
após a implantação dos tratamentos no Experimento I. As épocas de coleta são referentes ao
período da instalação das câmaras de exclusão da precipitação. Diferença mínima estatística
(DMS) pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.. ...................................................94
Figura 7: Produtividade da soja na safra de 2011/12 com exclusão de 30% ou 120 mm da
precipitação e sem exclusão da precipitação 32 meses após a aplicação das doses de 0,0; 3,0 e
5,0 Mg ha-1 de gesso (a); produtividade da soja com exclusão de 30% ou 231 mm da
precipitação e sem exclusão da precipitação 54 meses após a aplicação das doses de 0,0; 3,0 e
5,0 Mg ha-1 de gesso (b).. .........................................................................................................96
LISTA DE TABELAS
ARTIGO I
Tabela 1. Localização dos experimentos com as respectivas coordenadas, altitude e
precipitação pluvial anual.........................................................................................................24
Tabela 2. Atributos químicos dos solos avaliados antes da implantação dos tratamentos nas
quatro áreas experimentais no RS............................................................................................28
Tabela 3: Produtividade acumulada de seis safras para o Experimento I, cinco safras para o
Experiment II, quatro safras para o Experimento III e duas safras para o Experimento IV.....53
ARTIGO II
Tabela 1: Sequência de cultivos realizados nos Experimentos I, II, III e IV, além do ciclo das
culturas, adubação utilizada e época da avaliação da produtividade.......................................72
Tabela 2. Atributos químicos dos solos avaliados antes da implantação dos tratamentos nas
quatro áreas experimentais no RS............................................................................................73
Tabela 3: Regressão entre saturação por bases e saturação por alumínio (Sat. por Al) com as
doses de gesso isoladas ou combinadas ao calcário para o Experimento I e Experimento II
após 56 meses da aplicação dos tratamentos e para o Experimento III e Experimento IV após
30 meses da aplicação dos tratamentos.....................................................................................84
LISTA DE ANEXOS
Anexo A - Câmaras de exclusão de 30% da precipitação instaladas sobre os tratamentos de
0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso aos 32 e 54 meses após aplicação dos tratamentos sobre a
cultura da soja no Experimento I............................................................................................109
LISTA DE APÊNDICES
Apêndice A – Análise de variância dos atributos químicos do solo em relação aos tratamentos,
profundidade e tempo de amostragem para os quatro Experimentos de estudo....................111
Apêndice B – Análise de variância entre os tratamentos e aprodutividade das culturas para os
quatro Experimentos de estudo..............................................................................................112
Apêndice C – Efeito dos Tratamentos sobre os teores de magnésio e potássio para a última
coleta realizada em cada Experimento....................................................................................113
Apêndice D – Efeito dos Tratamentos sobre as relações Ca/Mg e (Ca + Mg)/K para a última
coleta realizada em cada Experimento....................................................................................114
Apêndice E – Efeito dos Tratamentos sobre a saturação por Ca, saturação por Mg e saturação
por K para a última coleta realizada em cada Experimento....................................................115
Lista de Abreviações
Al
– Alumínio
Ca
– Cálcio
CQFS-RS/SC
– Comissão de Química e Fertilidade do Solo
CTC
– Capacidade de Troca de Cátions
F
– Fluor
Mg
– Magnésio
N
– Nitrogênio
PRNT
– Poder Real de Neutralização do Total
K
– Potássio
P
– Fósforo
PR
– Produtividade Relativa
RS
– Rio Grande do Sul
Sat. por Al
– Saturação por Alumínio
Sat. por Ca
–Saturação por Cálcio
S
– Enxofre
SO42-
– Sulfato
SPD
– Sistema Plantio Direto
SUMÁRIO
14. INTRODUÇÃO GERAL ...................................................................................... 14
2. HIPÓTESES .......................................................................................................... 19
3. ARTIGO I - PRODUTIVIDADE DAS CULTURAS AFETADAS PELA MELHORIA
QUÍMICA DA CAMADA DE ENRAIZAMENTO EM SPD............................................20
3.1. Resumo ........................................................................................................... 20
3.2. Introdução....................................................................................................... 21
3.3. Material e Métodos .......................................................................................... 23
3.3.1. Descrição das áreas de estudo ............................................................................. 23
3.3.2. Delineamento experimental ................................................................................ 28
3.3.3. Descrição das principais avaliações ..................................................................... 29
3.3.4. Analise estatística .............................................................................................. 30
3.4. Resultados e Discussão ..................................................................................... 31
3.4.1. Caracterização dos atributos químicos do solo na implantação dos experimentos ..... 31
3.4.2. Alterações nos atributos químicos do solo da CE após a aplicação da calagem e
gessagem .................................................................................................................... 34
3.4.3. Melhoria temporal dos atributos químicos do solo na camada de enraizamento ........ 39
3.4.4. Efeito da qualidade química da camada de enraizamento sobre a produtividade de
culturas de grãos .......................................................................................................... 46
3.4.5. Relações com a produtividade............................................................................. 54
3.5. Conclusões....................................................................................................... 59
3.6. Referências Bibliográficas ................................................................................ 59
4. ARTIGO II - MITIGAÇÃO DOS EFEITOS DE DÉFICITS HÍDRICOS DE CURTA
DURAÇÃO PELA MELHORIA QUÍMICA DA CAMADA DE ENRAIZAMENTO EM
SISTEMA PLANTIO DIRETO .................................................................................. 65
4.1. Resumo ........................................................................................................... 65
4.2. Introdução....................................................................................................... 66
4.3. Material e Métodos .......................................................................................... 68
4.3.1. Descrição das áreas de estudo ............................................................................. 68
4.3.2. Delineamento experimental ................................................................................ 74
4.3.3. Descrição das principais avaliações temporais realizada nas áreas experimentais ..... 74
4.3.4. Avaliação da exclusão parcial da precipitação ...................................................... 75
4.3.5. Determinação da precipitação real, normal e ideal para as culturas de grãos ............. 76
4.3.6. Analise estatística .............................................................................................. 77
4.4. Resultados e Discussão ..................................................................................... 77
4.4.1. Caracterização dos atributos químicos do solo anteriormente à aplicação dos
tratamentos nos quatro Experimentos investigados .......................................................... 77
4.4.2. Variabilidade pluviométrica durante o ciclo das culturas........................................ 79
4.4.3. Atributos químicos do solo afetados pela aplicação dos tratamentos ....................... 80
4.4.4. Regime da precipitação e seu efeito na produtividade com a melhoria química do
perfil do solo ............................................................................................................... 85
4.4.5. Efeito da melhoria química do solo em mitigar o déficit hídrico induzido ................ 92
4.5. Conclusões....................................................................................................... 96
4.6. Referências bibliográficas ................................................................................ 97
5.
considerações finais ....................................................................................... 103
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 104
7. ANEXOS .............................................................................................................. 108
8. APÊNDICES ........................................................................................................ 110
14
1. INTRODUÇÃO GERAL
A partir da adoção do sistema plantio direto (SPD) seguindo os princípios de elevada
cobertura do solo, miníma mobilização e rotação de culturas, melhorias na qualidade química,
biológica e física do solo vêm sendo observadas nas áreas agrícolas de diferentes Estados do
Brasil (ANJOS et al., 2012; DALLA NORA et al., 2014a). Aliado ao SPD, a utilização de
cultivares mais precoces e produtivas e o maior uso de fertilizantes e corretivos têm
proporcionado a obtenção de produtividades cada vez mais elevadas das culturas de grãos
(AMADO et al., 2009). Os resultados positivos obtidos sob SPD, aliado a economia de
tempo, diesel, mão de obra, têm resultado em rápida expansão do sistema que alcançou na
última safra área próxima a 27 milhões de hectares (CAIRES, 2013). A maior parte desta área
de SPD encontra-se sob Latossolos ácidos.
Com o elevado aporte e a manutenção de resíduos vegetais há um gradual aumento no
conteúdo de matéria orgânica do solo (MOS), notadamente na camada mais próxima da
superfície (BAYER et al., 2011). Nesse contexto, os ácidos orgânicos simples e os ácidos
fúlvicos, complexam parcialmente o alumínio (Al) da solução do solo, diminuindo sua
atividade e, consequentemente, sua toxidez às plantas (MIYAZAWA et al., 2002; SALET et
al., 1999). Portanto, em relação ao preparo convencional, o manejo da calagem passou-se a
utilizar doses menores de calcário, ajustadas a uma camada diagnóstica de 0,00-0,10 m
(CQFS-RS/SC, 2004); além da aplicação do insumo na superfície do solo e espaçadas por um
intervalo de tempo superior a 4 anos. A aplicação de doses reduzidas de calcário tem efeito
restrito às camadas superficiais (KAMINSKI et al., 2005; BORTOLUZZI et al., 2014)
atingindo de forma mais lenta e pouco expressiva as camadas subsuperficiais (CAIRES,
2012).
A maioria dos Latossolos são naturalmente ácidos, e quando manejados sob SPD têm
apresentado acentuado gradiente da qualidade química quando se comparam as camadas mais
profundas do solo com a camada diagnóstico de 0,00-0,10 m (KLEPKER; ANGHINONI,
1995; SCHERER et al., 2007; DALLA NORA; AMADO, 2013). A inferior qualidade
química subsuperficial é expressa por elevados teores de Al aliados a baixos valores de
saturação por bases (RAIJ, 2010). Essa acentuada transição química entre as camadas do solo
tem resultado em impedimento ao adequado desenvolvimento radicular das culturas,
prejudicando o aproveitamento da água armazenada em camadas mais profundas (FOLONI;
15
ROSOLEM, 2006). O impedimento químico ao desenvolvimento radicular é mais crítico em
anos de ocorrência de déficit hídrico, os quais têm sido recorrentes no Estado do RS
(BERGAMASCHI; MATZENAUER, 2014), especialmente em casos de baixos níveis de
cálcio (Ca) em profundidade (KLEPKER; ANGHINONI, 1995; SCHERER et al., 2007). A
situação de não revolvimento do solo tende a manter esta condição por longo prazo, gerando,
como consequência prática, instabilidade na produtividade das culturas, de modo que as
produtividades satisfatórias obtidas em anos de precipitação pluvial favorável conduzem à
equivocada percepção de que o problema inexiste (DALLA NORA et al., 2014b). Frustrações
das safras agrícolas no Brasil têm ocorrido especialmente por conta das condições hídricas.
No caso específico do milho, a produção brasileira teve elevadas reduções nas safras de
1990/91, 1995/96, 1996/97, 1998/99, 1999/00, 2003/04, 2004/05 e 2011/12, devidas à
ocorrência de estiagens com diferente intensidade (BERGAMASCHI; MATZENAUER,
2014). Para a soja no Rio Grande do Sul, Berlato (1992) relatou que em anos muito secos
(1978/79, 1985/86, 1987/88 e 1990/91), as produtividades médias estiveram abaixo de 1000
kg ha-1.
As melhorias físico-hídricas do solo proporcionadas pelo SPD, tais como incremento
da agregação, da macroagregação, continuidade de poros, aumento da detenção superficial da
enxurrada pelo escoamento, aumento da infiltração, diminuição da evaporação, pela menor
ação do vento e radiação solar sobre a superfície do solo (COGO et al., 2003; DERPSCH et
al., 1991) tem sido negadas pela presença de camadas subsuperficiais com qualidade inferior.
O tema de formação de uma camada de solo com qualidade química favorável ao
desenvolvimento radicular definido neste trabalho como camada de enraizamento (CE) tem
despertado a atenção de pesquisadores e agricultores. Caires (2012; 2013) sugeriu a formação
da CE a partir da aplicação de dose elevada de calcário em superfície ou parcelada em curtos
espaços de tempo. De acordo com o autor, a aplicação do calcário em superfície forma uma
frente de alcalinização cuja intensidade é dependente da dose e da frequência de reaplicação.
De acordo com Bortoluzzi et al. (2014) a incorporação de calcário em solos manejados sob
SPD é uma estratégia para proporcionar a melhoria do ambiente subsuperficial. Entretanto,
essa alternativa de interrupção do SPD, mesmo que temporária, do sistema tem resistência de
ser aceita pelos produtores, devido à desestruturação física do solo, à oxidação biológica da
MOS e a exposição do solo temporária aos agentes erosivos. Ainda, a eficiência da estratégia
de incorporação de calcário quanto ao aprofundamento do sistema radicular tem sido
questionada. Estudos de longa duração sob SPD demostraram que cerca de 70% do
16
comprimento de raízes da cevada (CAIRES et al., 2001), trigo (CAIRES et al., 2002) e milho
(CAIRES et al., 2004) se encontraram na camada de 0,0-0,20 m, e que 30% se encontraram
nas camadas do subsolo (0,20-0,60 m), independentemente da aplicação do corretivo na
superfície ou com incorporação.
Uma estratégia de formação de CE, que tem se destacado é a aplicação superficial de
gesso agrícola combinada ao calcário sob SPD. Essa estratégia tem avançado no Estado do RS
por ser rápida e por permitir a manutenção do SPD sem interrupção. A aplicação combinada
do calcário e do gesso tem revelado efeito de sinergismo entre os produtos (corretivo +
condicionador), com resultados superiores ao efeito isolado de cada insumo (RAIJ, 2010). Ao
passo que o calcário eleva o pH, os teores de Ca e magnésio (Mg) na superfície do solo, o
gesso, produto de solubilidade mais alta que o calcário, se dissocia liberando Ca e SO42(RAIJ, 2010). Com isso, há rápida movimentação do SO4-2 acompanhando a água de
drenagem para as camadas mais profundas do perfil, que ao se deslocarem verticalmente,
favorece a movimentação de cátions, como é o caso do Ca, Mg e em menor intensidade o
potássio (K) (RAIJ, 2010). Além disso, este processo favorece a formação do complexo
AlSO4+ que possui menor atividade e, consequentemente, tem seu efeito tóxico às plantas
reduzido, favorecendo o desenvolvimento radicular das culturas (RITCHEY et al., 1980).
Resultados reportados por Caires et al. (2004, 2008, 2012, 2013); Dalla Nora et al.
(2014a,b) e Dalla Nora e Amado (2013) têm revelado a melhoria química do CE com o uso de
gesso em SPD decorrente do aumento nos teores de Ca e Mg e redução na atividade do Al nas
camadas subsuperficiais, resultando, na maioria das vezes, em aumento da produtividade das
culturas agrícolas, especialmente do milho e do trigo, e em menor escala, de soja. Caires et al.
(2004) concluíram que a aplicação conjunta de gesso agrícola e calcário ocasionou acréscimos
na produção de milho na ordem de 17%. Porém, tão importante quanto o incremento da
produtividade das culturas de grãos destaca-se a estabilidade da produção, atenuando o efeito
de déficits hídricos. Os elevados custos e investimentos necessários para a produção de grãos
no Brasil fazem com que a quebra de safra induzida pelo deficit hidrico possa ter elevado
impacto na sustentabilidade do agronegócio. Muitos produtores podem ser obrigados a sair da
atividade em função da quebra de safra. Além disto, a economia de Estados é fortemente
impactada pela perda de receita com forte impacto social.
A importância do teor de Ca em profundidade se deve à sua função no crescimento
radicular, estimulando a divisão celular. Como este elemento é imóvel na planta existe a
necessidade da presença deste nutriente em profundidade onde ocorre o crescimento radicular
17
(HAWKESFORD et al., 2012) e também pela absorção significativa e quase exclusiva pela
coifa da raiz (TAIZ; ZEIGER, 2009). Gramíneas, geralmente, são mais responsivas a
aplicações de gesso e calcário quando comparadas com leguminosas (CAIRES et al., 2010) e
isso pode ser decorrente de diferenças na CTC das raízes (FERNANDES; SOUZA, 2006).
Em relação ao pH, quando o ânion SO42- é absorvido ativamente pelas plantas, faz
com que estas aumentem na solução do solo a concentração de OH- (MALAVOLTA et al.,
1997), reduzindo, com isso, a acidez. Além disso, pode ocorrer a liberação de OH- pelo SO42-,
a partir de reações de troca de ligantes com a formação de estruturas hidroxiladas de Al,
mecanismo chamado por Reeve e Sumner (1972) de “autocalagem” e corroborado por
Sumner et al. (1986) e Oliveira e Pavan (1996). A aplicação de gesso em superfície, pode
reduzir a dissolução do calcário, pois o rápido aumento de Ca superficial retarda o efeito do
calcário (SORATTO; CRUSCIOL, 2008).
Alguns autores observaram que a aplicação de gesso também pode levar à lixiviação
de K para camadas em que não ocorre desenvolvimento radicular das culturas de grãos
(RAMPIM et al., 2011). Embora preocupante este efeito não tem sido reportado
frequentemente, este fato pode ser explicado pela baixa formação do par iônico K2SO40 (0,2
% do total solúvel) (ZAMBROSI et al., 2008). Ainda, a utilização de culturas de cobertura
com profundo sistema radicular como o milheto, braquiaria ou com alta afinidade por K como
o nabo forrageiro pode contribuir para reduzir as perdas de K por lixiviação na entressafra. Já,
a lixiviação de Mg pela aplicação de gesso tem sido mais frequente e reportada por vários
autores (QUAGGIO et al., 1982; CAIRES et al., 2004; NAVA et al., 2012) e pode ser
atribuída à competição do Mg com o Ca pelas cargas negativas do solo, de maneira que o Ca
tem preferência nos sítios de troca (LOYOLA JR; PAVAN, 1989), essa lixiviação de Mg
pode ser um problema caso o teor na superfície seja baixo. A formação da CE em Latossolo
ácido e sem mobilização implica em livixiação induzida de cátions e neutralização do Al
tóxico de camadas subsuperficiais. Para que este processo ocorra os seguintes requesitos
devem ser atendidos: a) formação de uma camada superficial enriquecida em cátions básicos,
que irá atuar como uma camada de eluviação; para tanto doses elevadas e frequentes dos
insumos são necessárias para que haja a saturação desta camada com Ca; b) o volume de
precipitação deve ser elevado possibilitando a drenagem de água no perfil; c) teor de K na
camada superficial deve ser elevado evitando desequilibrio de bases d) presença de poros
contínuos associados a atividade biológica que possibilitem infiltração de água; e) rotação de
culturas com sistema radicular presente em diferentes profundidades e que proporcionem
18
elevado aporte de resíduos superficiais criando uma camada rica em MOS. O assunto ainda é
recente sob SPD e deve merecer a atenção da pesquisa.
No Cerrado brasileiro, diversos trabalhos têm demonstrado aumento na produtividade
das culturas de soja e milho e da estabilidade da produtividade de milho na safrinha a partir da
melhoria química de camadas subsuperficiais do solo com o uso do gesso (SOUSA et al.,
1996; SOUSA; LOBATO, 2004; EMBRAPA, 2010). O Estado do RS possui estudos escassos
em relação ao efeito do gesso combinado ao calcário sobre a produtividade das culturas, da
mesma forma que não há critérios que definam as condições ou parâmetros para a sua
aplicação visando a correção de camadas subsuperficiais sob SPD e formação da CE. Dentre
as justificativas apresentadas para sustentar a não necessidade de uso do gesso no RS estariam
os maiores teores de Ca e os menores teores de Al de camadas profundas nos solos gaúchos
em relação aos do Cerrado e a infrequente resposta de produtivade a aplicação de gesso
agrícola. Nesse contexto, o presente estudo teve os seguintes objetivos: I- caracterizar os
efeitos do uso isolado do gesso ou combinado com calcário sobre os atributos químicos do
solo e a produtividade das culturas em SPD; II- avaliar o efeito da melhoria química da CE
sobre a produtividade das culturas agrícolas em SPD sob condições de déficit hídrico
induzido.
19
2. HIPÓTESES
1- O gesso aplicado isoladamente ou combinado ao calcário reulta na melhoria dos
atributos quimicos do solo afetando positivamente a produtividade das culturas em
sistema plantio direto no Rio Grande do Sul.
2- A melhoria química das camadas mais profundas que 0,00-0,10 m afetam
positivamente a produtividade das culturas em Sistema plantio direto.
3- Os efeitos da melhoria química da camada de enraizamento sobre a produtividade das
culturas são mais pronunciados quando ocorre deficiencia hídrica durante o período
crítico da cultura.
4- A melhoria química da camada de enraizamento atenua os efeitos de déficitis hídricos
de curta duração sobre a produtividade das culturas.
20
3. ARTIGO I - PRODUTIVIDADE DAS CULTURAS AFETADAS
PELA MELHORIA QUÍMICA DA CAMADA DE ENRAIZAMENTO EM
SISTEMA PLANTIO DIRETO
3.1. Resumo
As melhorias dos atribtutos químicos proporcionadas pelo sistema plantio direto (SPD) têm se
restringido às camadas superficiais do solo, resultando em acentuado gradiente de redução da
qualidade química da superfície em direção à camadas profundas do perfil. A melhoria
química de camadas subsuperficiais é uma estratégia de aprofundamento do sistema radicular
das culturas e de incremento da produtividade de culturas de grãos. O objetivo desse estudo
foi de caracterizar os efeitos do uso isolado do gesso ou combinado com calcário sobre os
atributos químicos do solo e a produtividade das culturas em SPD. Foram selecionadas quatro
Latossolos distróficos manejados sob SPD por longo prazo. O delineamento experimental foi
de blocos ao acaso com três repetições. Dois experimentos (I e II) foram implantados no ano
de 2009 em Carazinho, sendo que os tratamentos consistiram de doses de gesso variando de
0,0 a 6,5 Mg ha-1. Outros dois experimentos foram implantados em São Miguel das Missões
(Experimento III) e Tupanciretã (Experimento IV) em 2011. No Experimento III utilizou-se
um delineamento com parcelas subdivididas, sendo as parcelas compostas por doses de gesso
variando de 0,0 a 5,0 Mg ha-1, e as subparcelas pelos tratamentos sem calcário na dose de 2,0
Mg ha-1. No Experimento IV utilizou-se um delineamento fatorial 4x4, com quatro doses de
gesso que variam de 0,0 a 6,0 Mg ha-1 e quatro doses de calcário variando de 0,0 a 4,8 Mg ha1
. As amostragens de solo foram estratificadas na camada de 0,00-0,60 m. Verificou-se
incremento nos teores de Ca e S em todo o perfil, além de redução na saturação por Al e
aumento na saturação por bases e na saturação por Ca ao longo do tempo. Em resposta a
melhoria da qualidade química da camada de enraizamento foi verificado aumento da
produtividade da soja, milho e trigo. Na média dos experimentos, a dose de gesso que atingiu
a máxima produtividade da soja foi de 4,7 Mg ha-1, para o trigo de 4,5 Mg ha-1 e para o milho
de 5,5 Mg ha-1. Quando houve rotação de culturas durante o verão, as profundidades de
amostragem em que houve relação com a produtividade localizavam-se em camadas mais
profundas (camada de 0,25-0,40 m para o Experimento I e camada de 0,00-0,40 m para o
21
Experimento II). Quando não houve rotação de culturas no verão as profundidades de
amostragem que apresentaram relação com a produtividade situavam-se mais próximas da
superfície (camada de 0,00-0,10 m para o Experimento III e camada de 0,00-0,25 m para o
Experimento IV). Sugerindo que os parâmetros e camadas amostrais não correspondem ao
preconizado pela CQFS-RS/SC (2004).
Palavras-chave: Gesso. Calcário. Cálcio. Saturação por Bases. Saturação por Al
Abreviações: Al – Alumínio; Ca - Cálcio; CQFS-RS/SC – Comissão de Química e
Fertilidade do Solo; CTC – Capacidade de Troca de Cátions; F – Fluor; Mg – Magnésio; N –
Nitrogênio; PRNT – Poder Real de Neutralização do Total; K – Potássio; P – Fósforo; PR –
Produtividade Relativa; RS – Rio Grande do Sul; Sat. por Al – Saturação por Alumínio; S –
Enxofre; SO42- - Sulfato; SPD - Sistema Plantio Direto.
3.2. Introdução
A adoção do sistema plantio direto (SPD) associado à rotação de culturas tem se
destacado como uma das principais alternativas para o uso sustentável dos recursos naturais
(DEBARBA; AMADO, 1997; SÁ et al., 2010). Com isso, melhorias na qualidade química,
física e biológica do solo vêm sendo observadas em áreas agrícolas de diferentes regiões do
Brasil (DALLA NORA et al., 2013). Os resultados positivos obtidos sob SPD implicaram em
uma rápida expansão do sistema, alcançando hoje área próxima a 27 milhões de hectares
(CAIRES, 2013). No entanto, diversos estudos têm sugerido que as melhorias químicas no
SPD são restritas às camadas superficiais, criando um perfil não favorável para o
desenvolvimento radicular em subsuperfície com alto risco ao estresse hídrico (SHAINBERG
et al., 1989; BLANCO-CANQUI; LAL, 2008; CAIRES et al., 2011a; DALLA NORA;
AMADO, 2013).
Pelo elevado aporte de resíduos no SPD há aumento nos níveis de ácidos orgânicos
simples e ácidos fúlvicos que complexam o Al da solução do solo de camadas superficiais,
diminuindo sua atividade e, consequentemente, sua toxidez às plantas (MIYAZAWA et al.,
2002; SALET et al., 1999). Em relação ao preparo convencional, para a correção da acidez
22
sob SPD passou-se a utilizar uma dose menor de calcário ajustada à uma camada diagnóstico
de 0,00-0,10 m com aplicações espaçadas por longo intervalo de tempo (CQFS-RS/SC, 2004).
Dessa forma, a melhoria da qualidade química das camadas subsuperficiais é improvavel
(BORTOLUZZI et al., 2014).
Essa redução da qualidade química em subsuperfície é caracterizada, especialmente,
pelos elevados teores de Al e baixas concentrações de Ca, afetando negativamente o
desenvolvimento radicular e consequentemente o uso da água (O’BRIEN; SUMNER, 1988).
Portanto, o aprofundamento do sistema radicular das culturas tem sido um desafio sob SPD,
sendo que o não revolvimento do solo tende a manter esta condição por longo prazo (DALLA
NORA et al., 2014a).
A aplicação de uma única dose elevada de calcário em superfície ou parcelada em
curtos espaços de tempo foi proposta por Caires (2012) como uma alternativa para melhoria
da camada de enraizamento (CE) em Latossolos. Oliveira e Pavan (1996) e Caires et al.
(2008) avaliando as camadas subsuperficiais, definidas como abaixo dos 0,20 m, observaram
que o calcário aplicado na superfície, em SPD, proporcionou redução da acidez destas
camadas, entretanto foi necessário o uso de doses elevadas e com reaplicação.
A utilização de gesso é uma importante alternativa para a melhoria química das
camadas subsuperficiais, especialmente quando combinada com calcário, apresentando efeito
de sinergismo entre os insumos, no qual são observados resultados superiores ao efeito
isolado de cada insumo (RAIJ et al., 1994; RAIJ, 2010). Enquanto o calcário eleva o pH e os
teores de Ca e Mg na camada superfícial do solo, o gesso, produto de maior solubilidade que
o calcário, se dissocia liberando Ca e SO42- (PAULETTI et al., 2014). Com isso, há
movimentação do SO42- para as camadas mais profundas do perfil, que ao se movimentar
verticalmente, favorece a movimentação vertical de cátions como é o caso do Ca e Mg (RAIJ,
2010). Além disso, ocorre a formação do complexo AlSO4+ que possui menor atividade, e
assim não prejudica o desenvolvimento radicular das culturas (RITCHEY et al., 1980).
Resultados reportados anteriormente por Caires et al. (2004, 2008, 2012 e 2013); Dalla
et al. (2013); Dalla Nora e Amado (2013); Blum et al. (2014) e Pauletti et al. (2014) têm
revelado que a melhoria química da camada de enraizamento sob SPD a partir do aumento
dos teores de Ca e Mg e redução da atividade do Al nas camadas subsuperficiais pelo uso
isolado do gesso ou combinado com o calcário, resulta, na maioria das vezes, em aumento na
produtividade das culturas, especialmente de milho e trigo, e com menor frequência, de soja.
23
No Cerrado brasileiro, especialmente onde é possível realizar duas safras anuais, a
segunda safra (safrinha) é mais sujeita à ocorrência de déficit hídrico. Assim, diversos
trabalhos têm demostrado aumento na produtividade das culturas de soja e milho a partir da
melhoria química nas camadas subsuperficiais do solo com o uso do gesso (SOUSA et al.,
1996; SOUSA; LOBATO, 2004; EMBRAPA, 2010). O Estado do RS possui escassas
avaliações sobre o efeito do gesso isolado ou em combinação com calcário sobre a melhoria
química da camada de enraizamento e sua relação com a produtividade das culturas sob SPD.
O principal objetivo deste trabalho foi caracterizar os efeitos do uso isolado do gesso ou
combinado com calcário sobre os atributos químicos do solo e a produtividade das culturas
em SPD.
3.3. Material e Métodos
3.3.1.
Descrição das áreas de estudo
Realizaram-se quatro experimentos em três municípios do Estado do RS (Tabela 1).
Em todos os experimentos, o solo de estudo foi um Latossolo Vermelho Distrófico típico
(Typic Hapludox - Soil Survey Staff (2010)) com textura argilosa (EMBRAPA, 2006).
Segundo Köppen (1938) o clima da região é classificado como subtropical úmido (Cfa). Os
dados de temperatura do ar e precipitação pluvial média anual estão apresentados na Tabela 1.
A precipitação de cada experimento foi monitorada por estações pluviométricas presentes em
cada munícipio. A precipitação pluvial ocorrida durante o período experimental está
representada na Figura 1.
24
Tabela 1. Localização dos experimentos com as respectivas coordenadas, altitude e
precipitação pluvial anual.
Experimento
Município
Carazinho
Carazinho
São Miguel
das Missões
Tupanciretã
4
*Fonte: Luiz et al. (2012)
1
2
3
Coordenadas
Altitude
Precipitação
anual
Temperatura
média
Área cultivada
com soja*
28°19’S e 52°55’W
28°17'S e 52°47'W
28°40’ S e 54°23’W
595 m
617 m
265 m
1821 mm
1821 mm
1651 mm
16°C
16°C
15°C
28000
28000
48000
29°00’S e 53° 94’W
507 m
1766 mm
17°C
116780
As áreas experimentais vinham sendo manejadas sob SPD há mais de 15 anos,
recebendo doses próximas a 2,0 Mg ha-1 de calcário dolomítico com PRNT de 75%
espaçadas em intervalos de 4 a 5 anos. Todos os experimentos comportaram a cultura da aveia
preta (Avena strigosa Schreb), a qual foi quimicamente manejada com glifosato [N(fosfometil) glicina] e, então realizada à aplicação homogênea das doses de gesso
isoladamente na superfície do solo no mês de agosto de 2009 para os Experimentos I e II; e do
gesso combinado com calcário no mês de agosto de 2011 no Experimento III (o calcário foi
aplicado em abril de 2013) e no Experimento IV (o gesso e o calcário foram aplicados
simultaneamente).
25
Precipitação (mm)
180
Precipitação (mm)
100
80
60
40
0
00
80
60
40
20
0
100
80
60
180
40
160
12000
10000
8000
6000
4000
2000
Precipitação acumulada (mm)
Ciclo do Milho
140
0
180
Precipitação (mm)
100
140
Ciclo da Soja
100
60
80
20
20
80
0
0
6000
Acumulada
Precipitação
4000
12000
Precipitação acumulada (mm)
Precipitação Acumulada
8000
Experimento
2II
Meses
Ciclo do Milho
Ciclo da Soja
6000
Ciclo da Soja
4000
2000
60
40
100
40
8000
12000
10000
Precipitação (mm)
120
120
80
10000
Ciclo da Soja
Precipitação (mm)
Ciclo da Soja
2000
10000
0
Ciclo doTrigo
12000
8000
10000
6000
8000
6000
6000
4000
4000
5000
0
2000
2000
Precipitação
Acumulada
Precipitação
(mm)
Precipitação
(mm)
Meses
Meses
60
140
Ciclo da soja
Ciclo da soja
70
Ciclo do trigo
40
100
4000
00
3000
6000
III
Experimento3
Meses
120
80
12000
Ciclo do Trigo
Precipitação acumulada
(mm)
Ciclo do Milho
120
140
160
Ciclo da Soja
Experimento 1I
Precipitação acumulada (mm)
Precipitação (mm)
20
120
20
20
120
(mm) (mm)
Precipitação
Precipitação
(mm)
Precipitação
(mm)
Precipitação
(mm)
Precipitação
(mm)
Precipitação
40
140
140
Precipitação acumulada (mm)
Precipitação (mm)
160
Precipitação (mm)
180
Precipitação (mm)
160
5000
2000
4000
Ciclo do trigo
60
3000
60
1000
2000
20
40
50
Precipitação (mm)
20
Precipitação Acumulada
0
0
40
100
80
30
60
1000
0
Meses
Experimento
4IV
4000
Ciclo da soja
20
0
5000
Meses
Ciclo do trigo
Meses
3000
40
2000
10
20
1000
00
Precipitação acumulada
Precipitação Acumulada (mm) Precipitação
Acumulada (mm)
(mm)
Acumulada
Precipitação
acumulada
Precipitação
Precipitação acumulada
180
Precipitação acumulada (mm)
Precipitação acumulada (mm)
160
140
120
100
80
60
40
20
Precipitação (mm)
0
Meses
Meses
Figura 1: Precipitação diária e acumulada durante o período experimental para os
Experimentos I, II, III e IV, além dos cultivos avaliados nos respectivos Experimentos. Fonte:
INMET.
Para o Experimento I, posteriormente à dessecação da aveia preta, foi implantada a
cultura do milho (Zea mays L.) com a seguinte adubação: 190 kg ha-1 de N (20 kg ha-1 de N
de base e 170 kg ha-1 de N parcelado em duas aplicações de cobertura), 120 kg ha-1 de P2O5 e
120 kg ha-1 de K2O. A fonte de N foi a ureia [CO(NH2)2] (45% of N), de P foi superfosfato
triplo Ca(H2PO4)2×H2O (45% de P2O5) e de K foi cloreto de potássio (60% de K2O). Na
sucessão de culturas foi implantada a cultura do trigo (Triticum aestivum L.) em julho de 2010
com a adubação de 230 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 e 45 kg ha-1 de N, na forma de ureia, em
cobertura. O trigo não foi colhido devido à geada na floração. Em sequência foi implantada a
cultura da soja [Glycine max (L.) Merr.] no mês de novembro de 2010 com a seguinte
adubação: 240 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O). No inverno de 2011 foi implantada
a cultura da aveia preta para fins de cobertura do solo. Em novembro de 2011 foi novamente
26
implantada a cultura da soja recebendo a adubação de 240 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (NP2O5-K2O). No inverno de 2012 foi implantada a cultura da aveia preta para fins de cobertura
do solo, em sequência foi implantada a cultura do milho com a seguinte adubação: 190 kg ha-1
de nitrogênio (N) (20 kg ha-1 de N de base e 170 kg ha-1 de N parcelado em duas aplicações
de cobertura), 120 kg ha-1 de P2O5 e 120 kg ha-1 de K2O. No inverno de 2013 foi implantada a
cultura do trigo com a adubação de 220 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 (N-P2O5-K2O) e 40 kg ha-1
de N, na forma de uréia em cobertura. Em sequência foi implantada a cultura da soja, no mês
de novembro de 2013, com a seguinte adubação: 220 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5K2O). Em resumo, a sucessão de culturas para o Experimento I foi: milho-trigo-soja-aveia
preta-soja-aveia preta-milho-trigo-soja.
Para o Experimento II, após a dessecação da aveia preta foi realizada a implantação da
soja em novembro de 2009 com a seguinte adubação: 230 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (NP2O5-K2O). No ano de 2010 foi implantada a cultura da aveia preta consorciada com nabo
forrageiro (Raphanus sativus L.) durante o inverno, em sequência foi implantada a cultura do
milho em outubro de 2010 com a adubação de 250 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O).
No inverno de 2011 foi implantada a cultura da aveia preta para fins de cobertura do solo, em
sequência foi implantada a cultura da soja em novembro de 2011 com adubação semelhante
ao primeiro cultivo. No inverno de 2012 foi implantada a cultura da aveia preta seguida pela
soja em novembro de 2012 com adubação semelhante aos cultivos anteriores de soja. Para o
inverno de 2013 foi implantada a cultura do trigo com a seguinte adubação: 210 kg ha -1 da
fórmula 5-25-25 (N-P2O5-K2O) e 50 kg ha-1 de N, na forma de ureia em cobertura. Em
sequência foi implantada a cultura da soja com adubação semelhante dos cultivos anteriores,
este último cultivo de soja não pode ser colhido devido a problemas durante a colheita. Em
resumo, a sucessão de culturas para o Experimento II foi: soja-aveia preta/nabo-milho-aveia
preta-soja-aveia preta-soja-trigo-soja.
No experimento III, após a dessecação da aveia preta foi realizado a implantação da
soja em novembro de 2011 com a seguinte adubação: 210 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (NP2O5-K2O). Na sucessão de culturas foi implantado o trigo em julho de 2012 com a adubação
de 210 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 (N-P2O5-K2O) e 45 kg ha-1 de N, na forma de ureia, em
cobertura. Em novembro do mesmo ano foi implantada a cultura da soja (recebendo a mesma
adubação do cultivo anterior) seguida pela cultura do trigo durante o inverno de 2013 com
adubação semelhante ao primeiro cultivo de trigo. Em novembro de 2013 foi implantada a
27
cultura da soja com a seguinte adubação: 210 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O). Em
resumo, a sucessão de culturas para o experimento III foi: soja-trigo-soja-trigo-soja.
Para o experimento IV, após a dessecação da aveia preta foi realizada a implantação da
soja em novembro de 2011 com a seguinte adubação: 230 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (NP2O5-K2O). Na sucessão de culturas foi implantado o trigo em julho de 2012 com a adubação
de 220 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 e 45 kg ha-1 de N, na forma de ureia, em cobertura. Em
novembro do mesmo ano foi implantada a cultura da soja com a adubação de 230 kg ha-1 da
fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O) seguida pela cultura da aveia preta durante o inverno de 2013
para fins de cobertura do solo. Em novembro de 2013 foi implantada a cultura da soja, as
adubações foram semelhantes aos primeiros cultivos no experimento. Esse último cultivo de
soja não pode ser colhido por problemas com aplicações de defensivos. Em resumo, a
sucessão de culturas para o experimento IV foi: soja-trigo-soja-aveia preta-soja.
Os cultivares e hibridos usados nesse estudo foram: Pioneer 3069 nos Experimentos I
e II e Dekalb 240 nos experimentos 3 e 4 para o milho; Nidera 5909 nos Experimentos I e II e
Coodetec 235RR nos experimentos 3 e 4 para soja; Quartzo nos Experimentos I e II e BRS
Tarumã nos experimentos 3 e 4 para o trigo. Estes materiais genéticos também são os mais
representativos dos utilizados atualmente no RS. O milho foi semeado na densidade de quatro
sementes m-1 com espaçamento entre as linhas de 0,50 m; a soja foi semeada na densidade de
12,0 sementes por m (inoculada com Bradyrhizobium japonicum) com espaçamento entre
linhas de 0,50 m; o trigo foi semeado na densidade de 60 sementes por m espaçadas a 0,20 m.
A caracterização química inicial foi realizada anteriormente à implantação dos
experimentos a partir da coleta de cinco sub-amostras tomadas aleatoriamente em cada área
experimental nas seguintes profundidades: 0,00-0,05; 0,05-0,10; 0,10-0,15; 0,15-0,25; 0,250,40 e 0,40-0,60 m. Na Tabela 2 estão apresentados os atributos químicos da caracterização
inicial.
28
Tabela 2. Atributos químicos dos solos avaliados antes da implantação dos tratamentos nas
quatro áreas experimentais no RS.
Prof.(m)
pHH2O
Al
Ca Mg
K
Ca/Mg CTCpH7,0
------------------------cmolc dm-3 ---------------------
P
S
--mg dm-3-
V% Sat. Al Argila MOS
------%----------g Kg-1-----
Experimentos com Rotação de Culturas no verão (Agosto de 2009)
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
5,6
5,6
5,4
5,2
4,9
4,5
0,0
0,0
0,2
0,4
0,8
0,9
6,7
6,1
5,4
4,3
2,5
2,1
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
5,9
5,7
5,7
5,4
5,1
4,8
0,0
0,0
0,0
0,1
0,4
1,2
4,9
4,2
3,3
2,6
2,5
1,8
Experimento I (Carazinho)
0,18
1,9
15,6
0,13
1,7
14,9
0,07
1,7
14,8
0,05
1,4
15,2
0,04
1,0
15,6
0,03
0,9
15,3
Experimento II (Carazinho)
2,2 0,40
2,2
11,6
2,0 0,36
2,1
10,3
2,0 0,35
1,6
9,7
1,8 0,33
1,4
9,4
1,3 0,25
1,9
11,4
0,7 0,17
2,5
12,2
3,5
3,5
3,2
3,0
2,6
2,3
28,3
10,1
5,0
2,6
1,1
0,8
8,6
17,3
12,9
10,8
14,0
15,1
68,2
67,6
59,9
49,5
34,8
30,9
0,0
0,0
1,8
4,6
16,1
23,9
530,0
600,0
670,0
680,0
700,0
740,0
3,9
3,4
2,8
2,0
1,6
1,1
62,8
27,0
16,6
4,07
2,40
0,97
16,9
14,5
10,4
8,05
9,6
7,2
65,6
64,9
59,1
51,4
37,8
22,3
0,0
0,0
0,0
1,3
8,1
30,9
240,0
320,0
370,0
460,0
500,0
520,0
3,6
2,3
1,7
1,3
1,3
0,7
Experimentos sem Rotação de Culturas no verão (Agosto de 2011)
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
5,0
4,6
4,3
4,2
4,2
4,2
0,5
1,2
1,8
2,5
2,4
2,1
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
6,2
6,1
5,0
4,7
4,4
4,2
0,0
0,0
0,5
1,3
2,9
4,3
Experimento III (São Miguel das Missões)
2,8 0,46
2,0
16,2
29,2
4,9
3,1 0,23
1,0
13,4
6,8
2,3
1,2 0,15
0,9
14,8
3,6
1,1
1,7 0,09
0,9
13,2
2,4
6,2
1,6 0,06
0,9
11,6
1,6
4,7
1,4 0,06
0,8
11,5
1,8
1,6
Experimento IV ( Tupanciretã)
6,5
3,5 0,37
1,9
12,5
14,7
5,2
4,7
2,3 0,23
2,0
10,5
2,7
5,2
2,3
2,2 0,15
1,1
12,5
10,7
4,2
1,7
1,8 0,11
0,9
13,0
4,0
2,4
1,4
1,1 0,10
1,2
20,0
2,3
5,7
1,1
0,5 0,08
1,1
22,3
0,9
12,1
4,5
3,1
1,9
1,5
1,4
1,2
54,4
43,1
27,7
21,0
23,3
23,8
5,6
15,3
29,9
42,3
43,2
43,3
420,0
600,0
650,0
770,0
750,0
650,0
3,9
1,5
0,9
0,9
0,6
0,7
82,2
68,4
37,0
28,0
13,4
9,6
0,0
0,0
9,9
25,7
52,6
66,9
295,0
335,0
400,0
440,0
500,0
610,0
3,3
2,6
2,5
2,3
1,9
1,2
Al- Alumino, Ca- Cálcio, Mg- Magnésio, K- Potássio, CTCpH7,0- Capacidade de troca de cátions a pH 7,0, PFósforo, S- Enxofre, V%- Saturação por bases, Sat. Al- Saturação por Al., MOS- Matéria orgânica do solo.
3.3.2.
Delineamento experimental
Em todos os locais foi utilizado um delineamento experimental em blocos ao acaso
com medidas repetidas no tempo e com três repetições. Cada parcela experimental possuía
área de 64 m2, com dimensões de 8,0 x 8,0 m. Os tratamentos investigados nos experimentos I
e II foram iguais, constituindo-se das seguintes doses de gesso: 0,0; 1,0; 2,0; 3,0; 4,0; 5,0 e
6,5 Mg ha-1 aplicados na superfície do solo em agosto de 2009. Para o Experimento III os
tratamentos investigados foram 0,0; 1,0; 2,0; 3,0; 4,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso aplicados na
superfície do solo em agosto de 2011. Após 22 meses, em abril de 2013, os tratamentos
principais foram subdivididos e as subparcelas foram compostas pelas doses de 0,0 e 2,0 Mg
ha-1 de calcário dolomítico. O Experimento IV constitui-se de um fatorial 4x4, sendo
29
empregadas quatro doses de gesso: 0,0; 2,0; 4,0 e 6,0 Mg ha-1, e quatro doses de calcário: 0,0;
2,4; 3,6 e 4,8 Mg ha-1 de calcário. As doses de gesso e calcário foram aplicadas
simultaneamente na superfície do solo em agosto de 2011.
O gesso agrícola (CaSO4.2H2O) utilizado nos experimentos continha em sua
composição 210,0 g kg-1 de Ca, 155,0 g kg-1 de SO4-S, 0,024 g kg-1 de F e 9,0 g kg-1 de P2O5.
O calcário dolomítico continha 30% de CaO e 20% de MgO com 75% de PRNT e 85% de
reatividade.
A doses de gesso de referência foi determinada de acordo com o teor de argila na
camada de 0.20-0.40 m, seguindo a equação (1) (Quaggio and Raij, 1996) onde: NG= argila x
6,0
NG= argila x 6,0
(1)
NG= necessidade de gesso em kg ha-1; Argila= teor de argila no solo g kg-1
3.3.3.
Descrição das principais avaliações
Para o Experimento I, as amostragens de solo foram realizadas aos seis, 14, 22, 32, 44
e 56 meses após a aplicação dos tratamentos. No Experimento II as amostragens foram
realizadas aos seis, 22, 32, 44 e 56 meses após a aplicação dos tratamentos. Para os
Experimentos III e IV as amostragens foram aos 15 e 30 meses após a aplicação dos
tratamentos. No Experimento III, a amostragem de solo realizada aos 30 meses recorreu após
oito meses da aplicação de calcário nas subparcelas. O solo foi amostrado em três repetições
para compor uma amostra de solo nas seguintes profundidades: 0,00-0,05; 0,05-0,10; 0,100,15; 0,15-0,25; 0,25-0,40 e 0,40-0,60 m pela da abertura manual de trincheiras com
dimensões de 0,3 x 0,3 x 0,6 m. As amostras de solo foram coletadas com uma espátula na
parede frontal da trincheira e foram secas em estufas de ventilação forçada e manipuladas
visando à retirada de raízes e resíduos de plantas.
Os atributos químicos foram determinados de acordo com os métodos descritos em
Tedesco et al. (1995). As determinações químicas foram: pH em água (1:1 solo-água), teor de
Al extraído com KCl 1 mol L-1 e titulado com NaOH 0,0125 mol L-1, Ca e Mg extraídos com
KCL 1 mol L-1 e determinados por espectrofotometria de absorção atômica, P e K extraídos
30
com solução de Mehlich-I. A concentração de P foi determinada por colorimetria usando
molibidato de amônio e o teor de K foi determinado por fotometria de chama. A determinação
do teor de S foi realizada a partir da extração com Ca(H2PO4)2CH2O (500 mg L-1 de P) e
posteriormente determinado por turbimetria (BEATON et al., 1968).
Na maturação fisiológica das culturas de milho, soja e trigo, adjacente ao local de
coleta de amostras de solo, foram coletadas manualmente amostras para determinação da
produtividade. Foram coletados quatro metros lineares das culturas (dois metros em cada
linha de semeadura por subparcela), e a massa de grãos foi corrigida para umidade de 13%.
A produtividade relativa de grãos das culturas foi determinada para cada unidade
experimental de todos os experimentos determinada pela equação 1:
𝐏𝐫𝐨𝐝𝐮𝐭𝐢𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐧𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐜𝐞𝐥𝐚
𝐏𝐑 (%) = 𝐏𝐫𝐨𝐝𝐮𝐭𝐢𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐦á𝐱𝐢𝐦𝐚 𝐝𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐧𝐨 𝐞𝐱𝐩𝐞𝐫𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐱 𝟏𝟎𝟎
(1)
A produtividade máxima da cultura foi atingida a partir do ajuste da equação entre
produtividade e as doses utilizadas nos tratamentos.
3.3.4.
Analise estatística
Os resultados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) utilizando o
procedimento PROC GLM no SAS (Sistemas de Análise Estatística Institute Inc., 1985) em
um modelo experimental de bloco ao acaso. O efeito das doses sobre a produtividade foi
analisado por regressão utilizando o procedimento PROC REG no SAS. Para o Experimento
IV, quando houve interação entre as doses de gesso e calcário os resultados foram analisados
por meio de superfície de resposta e formação de uma função binomial entre a produtividade
do trigo e soja com as doses de gesso e calcário. Quando houve efeito significativo entre os
tratamentos e a saturação por bases, saturação por Al e saturação por Ca ao longo do tempo,
foi realizada analise de regressão para os Experimentos I e II, para os Experimentos 3 e 4 as
médias foram submetidas ao teste F e comparadas pelo teste de Tukey com significância em p
< 0,05. Quando houve efeito significativo (p < 0,05) entre produtividade relativa com as doses
de gesso e tempo, a análise de regressão foi realizada. Quando foi constatado efeito
31
significativo (p < 0,05) entre a produtividade relativa com a saturação por bases e saturação
por Al nas diferentes camadas do solo, o efeito foi analisado por regressão.
3.4. Resultados e Discussão
3.4.1.
Caracterização dos atributos químicos do solo quando da implantação dos
experimentos
Embora todos os solos selecionados para os experimentos sejam classificados como
Latossolos, notáveis diferenças no que diz respeito à qualidade química da CE podem ser
observados entre os quatro Experimentos estudados (Tabela 2). A transição abrupta da
qualidade química entre camadas superficiais e subsuperficiais pode ser observada em todos
os solos avaliados, característica verificada frequentemente em Latossolos manejados sob
SPD de longa duração (AMADO et al., 2009). Essa transição abrupta foi mais notória nos
Experimentos 3 e 4 onde não havia rotação de cultura e, consequentemente, menor entrada de
N (CAIRES et al., 2011a).
Em relação à camada superficial do solo de 0,00-0,10 m (média entre as camadas de
0,00-0,05 e 0,05-0,10 m), os locais onde foram realizados os Experimentos I, II, IV
apresentavam parâmetros químicos acima do limite critico (pH > 5,5; saturação por bases >
65%, saturação por Al < 10%) proposto pela CQFS-RS/SC (2004) (Tabela 2), não
demandando a aplicação de corretivos da acidez. Por outro lado, a área onde foi realizado o
Experimento III apresentava todos os parâmetros químicos abaixo do limite crítico proposto,
demandando o uso de corretivo. Em relação aos teores de S, as áreas referentes aos
Experimentos I e II apresentava-se acima do limite crítico (10,0 mg dm-3) proposto por Fontes
et al. (1982) e CQFS-RS/SC (2004) para leguminosas, sendo esperada a resposta à adição de
S nos demais Experimentos.
Nas áreas dos Experimentos I e II, reduções mais intensas na saturação por bases e
aumentos na saturação por Al foram encontradas nas camadas mais profundas do perfil (0,250,40 m e 0,40-0,60 m) (Tabela 2). Na área do Experimento I, a saturação por bases reduziu
em 42,2% e a saturação por Al aumentou em 250,0% na camada de 0,25-0,40 m em relação a
32
camada superior. Na área do Experimento II, a redução na saturação por bases foi de 36,0%
na camada 0,25-0,40 m em relação a camada de 0,15-0,25 m; já a saturação por Al passou de
1,3% na camada de 0,15-0,25 m para 8,1% na camada de 0,25-0,40 m. Esse gradiente de
redução da qualidade química foi observado de maneira semelhante para a camada de 0,400,60 m em relação à camada superior. Os resultados indicam que ambas as áreas que
apresentavam rotação de culturas e especialmente com a cultura do milho com adubações
nitrogenadas a qualidade quimica na camada de 0,00-0,25 m era favorável ao crescimento
radicular, decrescendo a qualidade apartir desta profundidade.
A área do Experimento III, diferentemente dos demais Experimentos, apresentava
reduzida qualidade química ainda nas camadas superficiais do solo (Tabela 2). No entanto,
essa baixa qualidade química era ainda mais intensa nas camadas abaixo da superfície. A
camada de 0,10-0,15 m em relação à camada superior apresentou redução de 55,6% na
saturação por bases e aumento de 95,4% na saturação por Al, na camada de 0,15-0,25 m em
relação à camada superior foi observada redução de 31,9% na ssaturação por bases e aumento
de 41,4% na saturação por Al. Este resultado sugere que a área apresentou deficit de aplicação
de calcário demandando a aplicação de calagem. Neste caso, a camada de 0,00-0,10 m pode
ser considerada como eficiente para caracterizar a qualidade da CE.
A área do Experimento IV apresentou qualidade química satisfatória nas camadas
superficiais (0,00-0,05 m e 0,05-0,10 m) semelhantemente às áreas dos Experimentos I e II.
No entanto, reduções abruptas na saturação por bases e aumentos pronunciados na saturação
por Al foram observados ainda nas camadas intermediárias do solo (0,10-0,15 m e 0,15-0,25
m) (Tabela 2). Para a camada de 0,10-0,15 m em relação à camada superior, a redução na
saturação por bases foi de 84,9% e a saturação por Al passou de 0,0% para 9,9%. Já, para a
camada de 0,15-0,25 m em relação à camada superior houve redução de 32,1% na saturação
por bases e aumento de 159,6% na saturação por Al. Esse gradiente foi ainda mais expressivo
na camada de 0,25-0,40 m em relação à camada de 0,15-0,25 m, com redução de 108,9% na
saturação por bases e aumento de 104,7% na saturação por Al. Esse declínio na qualidade
química em subsuperfície deve-se, especialmente, ao aumento pronunciado dos teores de Al,
os quais prejudicam o desenvolvimento radicular e consequentemente a produtividade das
culturas (FARINA et al., 2000; ALLEONI et al., 2005). Portanto, neste Experimento sem
rotação de culturas verificou-se que o programa de calagem só foi eficiente em corrigir a
camada de 0-0,10 m, a partir desta profundidade existe acentuada perda da qualidade química.
Destaca-se especialmente a área IV na qual a camada de 0-0,10 m não foi diagnóstica da
33
qualidade química da CE pois havia uma transição abrupta da qualidade química. Da análise
conjunta constatou-se que as áreas com rotação de culturas os programas de calagem adotados
foram eficientes para promover a correção da camada até 0,25 m, por outro lado, nas áreas
sem rotação de culturas a camada corrigida restringiu-se a camada de 0,10 m. Neste último
caso, a camada de 0,00-0,10 m só foi diagnóstico quando havia problema de acidez deste a
camada superficial sugerindo uma subdosagem da calagem. Já na última área, na qual
aparentemente a calagem foi corretamente manejada para corrigir a camada de 0,00-0,10 m
constatou-se que esta camada já não foi mais diagnóstico da qualidade quimica da CE devido
ao acentuado gradiente de qualidade química. A dosagem de calcario utilizado 2 Mg ha-1
espaçada a cada 4 anos, resultou em lento e limitado deslocamento vertical do calcário no
perfil conforme anteriormente reportado por Caires et al. (2005) e Bortoluzzi et al. (2014).
Este fato sugere que em SPD com sucessão de culturas (ausencia de rotação) e com programa
de calagem que utiliza a camada de 0,00-0,10 m e ½ da dose atual, cenário de importantes
áreas agricolas do Sul do Brasil, existe a necessidade de adotar a camada de 0,00-0,20 m
como critério para a recomendação da calagem em SPD (CAIRES, 2012) ou amostrar
tambem camadas subsuperficiais (0,10-0,20 m ou 0,20-0,40 m) a exemplo do que é feito
atualmente na agricultura de precisão (SCHWALBERT et al., 2014).
Em relação aos critérios propostos para aplicação de gesso agrícola, Sousa e Lobato
(2002) sugeriram como valores críticos de Ca < 0,5 cmolc dm-3 e saturação por Al > 20,0% na
camada de 0,20-0,40 m. No Sul do Brasil, não existe recomendação de uso de gesso como
condicionador de solo e portanto inexistem critérios para definição de dose. Porém, com base
no que é utilizado em outros Estados, somente as áreas dos Experimentos III e IV atenderiam
ao critério da saturação por Al, sendo esse fator ao menos duas vezes superior ao limite crítico
pré-determinado (Tabela 2). No entanto, nenhum dos Experimentos estudados apresentava
teores de Ca inferiores ao limite crítico, pelo contrário, os teores de Ca foram ao menos duas
vezes superiores ao limite crítico. A recomendação citada anteriormente foi determinada com
base em solos do Cerrado onde a CTC normalmente é baixa (≅ 6,0 cmlc dm-3), entretanto, o
presente estudo foi conduzido em solos do Rio Grande do Sul com CTC média relativamente
alta (≅ 12,0 cmlc dm-3) o que poderia resultar em um limite crítico mais elevado para o Ca.
34
3.4.2.
Alterações nos atributos químicos do solo da CE após a aplicação da calagem e
gessagem
Para todos os Experimentos avaliados foram observados efeitos significativos entre os
tratamentos estudados e os teores de Ca e S. Ainda, houve efeito significativo na interação
entre os tratamentos e as amostragens no tempo para os teores de Ca e S, para a maioria das
áreas experimentais (com exceção do teor de S para o Experimento I e do teor de Ca para o
Experimento II) (Apêndice A). O efeito dos tratamentos foi apresentado na Figura 2 com os
aumentos nos teores de S e Ca ao longo do perfil do solo para a última coleta realizada em
cada experimento. Nota-se incremento mais pronunciado nos teores de Ca e S nas camadas
intermediárias (0,10-0,15 m e 0,15-0,25 m) e nas camadas mais profundas do perfil (0,25-0,40
m e 0,40-0,60 m). Esses aumentos nos teores de Ca ao longo do perfil do solo afetaram
positivamente a saturação por bases, além disso, ocorre redução na saturação por Al como
resultado da maior atividade do Ca em solução associada à formação de AlSO4+ pela interação
com o sulfato proveniente do gesso (FAVARETTO et al., 2008). Esse aumento dos teores de
Ca e S em profundidade deve-se ao elevado volume de água potencializando a descida desses
nutrientes.
35
Cálcio (cmolc dm-3)
Experimento
0,0 2,0 4,0 I (a)
6,0
Enxofre (mg dm-3)
20,0
0,00-0,05
0,40-0,60
Cálcio (cmolc dm-3)
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0
0,40-0,60
5,0
0,40-0,60
Profundidade
0,15-0,25
Cálcio (cmolc dm-3)
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
7,0
1,0
0,25-0,40
Cálcio (cmolc dm-3)
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
0,05-0,10
0,15-0,25
0,05-0,10
0,25-0,40
5,0 Mg Gesso
0,10-0,15
7,0
0,15-0,25
0,15-0,25
0,10-0,15
40,0
0,25-0,40
0,0
2,0
5,0
0,05-0,10
0,15-0,25
(d) Cálcio (cmolc dm-3)
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
7,0
Cálcio (cmolc dm-3)
8,0
0,0
0,40-0,60 0,40-0,60
2,0 Mg Gesso
0,05-0,10
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
Cálcio (cmolc dm-3)
0,0
4,0 Mg Gesso
0,10-0,15
6,0 Mg Gesso
0,15-0,25
0,25-0,40
4,0
0,10-0,15
0,00-0,05
Testemunha
Profundidade
3,0
0,0-0,05
0,25-0,40
35,0
Cálcio (cmolc dm-3)
1,0
Profundidade
Profundidade
0,05-0,10
Profundidade
0,10-0,15
0,0
0,0-0,05
30,0
1,0
0,15-0,25
0,10-0,15
Profundidade
0,25-0,40
25,0
10,0
3,0 Mg Gesso
0,15-0,25
0,15-0,25
0,10-0,15 0,0-0,05
III (c)
18,0 0,0
40,0
0,25-0,40 0,15-0,25 IV$
20,0
7,0
0,40-0,60
0,40-0,60
0,10-0,15
0,10-0,15
4,0 Mg Gesso
0,05-0,10
0,05-0,10
0,40-0,60
15,0
6,0
0,25-0,40
0,0 1,0 2,0 #3,0 4,0 5,0 6,0 7,0
Enxofre (mg dm-3Experimento
)
10,0
5,0
1,0 Mg
Gesso
0,0-0,05
2,0 Mg Gesso
Enxofre (mg dm-3)0,0-0,05
0,00-0,05
5,0
Testemunha
10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0
0,0
Enxofre (mg dm-3)
0,15-0,25
0,0 3,0 6,0 9,0 12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
Profundidade
0,40-0,600,10-0,15
4,0
0,10-0,15
Cálcio (cmolc dm-3)
0,40-0,60
Profundidade
0,05-0,10
0,25-0,40
0,25-0,40
0,0-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
Profundidade
0,05-0,10
Enxofre (mg dm-3-3Experimento
)
0,25-0,40
3,0
0,15-0,25
0,0
0,40-0,60
0,0-0,05
2,0
0,0-0,05
0,40-0,60
Enxofre (mg dm )
0,15-0,25
0,0
9,0 25,0
12,030,0 15,0
5,03,0 10,0 6,0
15,0 20,0
35,0
0,40-0,60
1,0
0,10-0,15
0,40-0,60
0,10-0,15
0,25-0,40
Cálcio (cmolc dm-3)
Testemunha
0,0-0,05
1,0 Mg Gesso
0,05-0,10
2,0 Mg Gesso
3,0 Mg Gesso
0,10-0,15
4,0 Mg Gesso
0,15-0,25
5,0 Mg Gesso
6,5 Mg Gesso
0,25-0,40
0,0 3,0 6,0 9,0 12,0 15,0 18,0
0,40-0,60
0,40-0,60
0,15-0,25
10,0
0,0
0,40-0,60
Profundidade
0,25-0,40
0,25-0,40
0,10-0,15
8,0
0,10-0,10,25-0,40
5
10,0
0,05-0,10
0,15-0,25
0,15-0,25
Enxofre (mg dm-3)
Enxofre (mg dm-3)
0,10-0,15
0,10-0,15
15,0
0,00-0,05
0,0-0,05
0,00-0,05
6,0
5,0
0,0 20,0
0,05-0,10
0,05-0,10
Profundidade
0,05-0,10
Profundidade (m)
Profundidade Profundidade
(m)
Profundidade
0,0-0,05
0,00-0,05
0,05-0,10
4,0
0,15-0,25
0,40-0,60
-3)
Enxofre
(mgIIdm
-3)-3) Experimento
(b) Cálcio
Enxofre
(mg
dm
Enxofre
(mg
dm
(cmolc dm-3)
15,0 0,35,0
20,0 0,0
4,0
6,0
8,0
5,0 10,0
20,0 25,0 30,0
25-0,15,0
40 40,0
0,0 5,0 15,0
5,010,0
10,0
20,02,0 25,0
30,0
0,0
0,0
Profundidade
Profundidade
15,0
0,25-0,40
8,0 10,0 (cmolc dm-3)
Cálcio
2,0
0,0-0,05
10,0
Enxofre (mg dm-3)
0,15-0,25
0,0
Testemunha
0,00-0,05
1,0 Mg Gesso
0,05-0,10
2,0 Mg Gesso
3,0 Mg Gesso
0,10-0,15
4,0 Mg Gesso
5,0 Mg0,15-0,25
Gesso
6,5 Mg Gesso
0,05-0,10
0,10-0,15
30,0
Profundidade
Profundidade (m)
25,0
0,25-0,40
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
0,10-0,15 2,0
1,0
Profundidade
15,0
Profundidade
10,0
20,0
5,0
Profundidade
0,0
3,0
4,0
5,0
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
0,40-0,60
0,40-0,60
0,25-0,40
0,10-0,15
0,15-0,25
0,05-0,10
0,00-0,05
0,0
5,0
Figura 2: Efeito das doses de gesso sobre os teores de cálcio e enxofre no Experimento I após
56 meses (a), no Experimento II após 56 meses (b), no Experimento III após 30 meses (c) e
no Experimento IV após 30 meses (d) da aplicação dos tratamentos. #Médias dos teores de S e
de Ca entre os tratamentos que receberam calcário e os tratamentos que não receberam por
conta da interação significativa entre as doses de gesso e calcário; $Médias dos teores de S e
de Ca para as doses de gesso combinadas a 3,6 Mg ha-1 de calcário por conta da interação
entre as doses de gesso e calcário. As barras de erro representam limites de 95% confiança
para as medidas.
Profundidade
Por consequência da maior solubilidade do gesso quando comparada à solubilidade do
calcário, associado ao fato de o S presente no gesso estar em sua forma oxidada (SO42-), após
56 meses (Figura 2a e 2b) e 30 meses (Figura 2c e 2d) foi constatado pequeno aumento nos
teores de S nas camadas superficiais (0,00-0,05 m e 0,05-0,10 m). Esse efeito foi decorrente
36
da migração do S presente na superfície para as camadas mais profundas do solo depois desse
período de tempo (CAIRES et al., 2011a) e considerando o elevado volume de precipitação
acumulado (Figura 1). O aumento dos teores de S na superfície não foi suficiente para
alcançar o limite crítico (10,0 mg dm-3) proposto por Fontes et al. (1982) nas áreas dos
Experimentos I, II e III após 56 meses da aplicação dos tratamentos (Figura 2). Esse
incremento de S na camada superficial, apenas foi significativo (p < 0,05) para os tratamentos
que receberam maiores doses de gesso. No Experimento I, o incremento significativo de S na
camada de 0,00-0,05 m foi constatado na dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, sendo esse incremento
de 18,5% em relação ao tratamento testemunha (Figura 2a). Para essa mesma dose de gesso, o
incremento foi de 29,7% no Experimento II (Figura 2b) e de 4,2% no Experimento III (Figura
3c). Para o Experimento IV todas os tratamentos apresentaram aumento significativo de S na
camada de 0,00-0,05 m, com incremento médio de 51,0% entre as doses de gesso e o
tratamento testemunha (Figura 4d). Portanto, o aumento do S na camada superfícial ocorreu
apenas nos primeiros meses após aplicação do gesso. Estes resultados concordam com o
anteriormente reportado por Rampim et al. (2011), que encontraram aumentos de S na camada
de 0,00-0,10 m após seis e 12 meses da aplicação de doses de até 5,0 Mg ha-1 de gesso. Já,
Caires et al. (2011a), em um Latossolo, constataram que para doses de gesso de até 9,0 Mg ha1
não foram verificados aumentos significativos de S na camada de 0,00-0,10 m após oito
anos de aplicação dos tratamentos em um Latossolo.
Pela elevada mobilidade vertical do sulfato juntamente ao fluxo de água de drenagem,
os maiores incrementos desse nutriente foram verificados nas camadas subsuperficiais (0,250,40 m e 0,40-0,60 m) (Figura 2a). Para o Experimento I, na dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, os
incrementos de S foram de 147,2% e 338,2%, respectivamente, para as camadas de 0,25-0,40
m e 0,40-0,60 m em relação ao tratamento testemunha. Para o Experimento II, na dose de 5,0
Mg ha-1 de gesso, esses incrementos foram de 84,5% e 284,4% para as respectivas camadas
citadas anteriormente (Figura 2b). No Experimento IV, esses incrementos foram de 356,1% e
189,6%, respectivamente, para as camadas de 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m, para a dose de 6,0
Mg ha-1 de gesso combinada ao calcário em relação ao tratamento testemunha. A área do
Experimento III, 30 meses após a aplicação dos tratamentos, apresentou comportamento
diferenciado das demais, provavelmente devido aos elevados teores de argila, baixo pH e
reduzidos teores iniciais de S (Tabela 2), no qual não foi observado aumento significativo de
S na camada de 0,40-0,60 m, fato esse decorrente da possível retenção do S ainda nas
camadas superficiais do solo. Dessa forma, os aumentos mais significativos de S no
37
Experimento III foram observados nas camadas de 0,15-0,25 m e 0,25-0,40 m, sendo tais
incrementos na ordem de 271,4% e 189,1%, respectivamente, para as camadas citadas
anteriormente na dose de 5,0 Mg ha-1 em relação à testemunha (Figura 2c). Além disso, o
tempo de reação e o volume precipitado no Experimento III foi inferior aos Experimentos I e
II. O aumento nos teores de S nas camadas mais profundas do perfil evidencia a alta
mobilidade desse elemento em solos de carga líquida negativa como já reportado em outros
estudos (QUAGGIO et al., 1993; NOGUEIRA; MELO, 2003; CAIRES et al., 2011a;
RAMPIM et al., 2011; PAULETTI et al., 2014). Em estudo realizado por Pauletti et al. (2014)
em um Latossolo de textura argilosa do Paraná, os autores observaram que nos teores de S
aumentaram até a camada de 0,80-1,00 m 36 meses após a aplicação de doses de gesso que
variaram de 0,0 a 12,0 Mg ha-1, já aos 72 meses os autores observaram reduções dos teores de
S nas respectivas camadas, decorrentes de lixiviação desse nutriente até camadas mais
profundas que 1,00 m.
Após 56 meses da aplicação dos tratamentos nos experimentos de longa duração e 30
meses da aplicação dos tratamentos nos experimento de média duração, foi constatado
aumento nos teores de Ca ao longo de todo o perfil do solo, fato esse justificado pela
formação do par iônico CaSO40 que desce no perfil do solo juntamente com o fluxo de água
(FOLONI; ROSOLEM, 2006). De acordo com Nava et al. (2012), essa mobilidade do Ca
associado ao uso do gesso deve-se ao efeito do SO42- em anular a carga do Ca2+, resultando na
formação do par iônico entre esses íons impedindo que o Ca ligue-se a outras cargas do solo.
Para a camada de 0,00-0,05 m, na dose de 5,0 Mg ha-1, os incrementos nos teores de
Ca foram de 42,2%, 50,0% e 36,4%, para os Experimentos I, II e III, respectivamente, em
relação ao tratamento testemunha. Para o Experimento IV, na dose de 6,0 Mg ha-1 combinada
ao calcário, o incremento no teor de Ca para essa mesma camada foi de 20,1% em relação a
testemunha (Figura 2d).
Em relação às camadas subsuperficiais do perfil, os incrementos significativos nos
teores de Ca para o Experimento I, na dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, foram de 79,3%, 152,3%
e 90,0% para as camadas de 0,15-0,25 m, 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m (Figura 2a),
respectivamente, em relação ao tratamento testemunha. Para o Experimento II, os incrementos
nas respectivas camadas foram de 27,5%, 175,6% e 170,3% para dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso
(Figura 2b). Em relação ao Experimento III, para a dose citada anteriormente, esses
incrementos foram de 43,5%, 68,4% e 41,2% para as camadas de 0,15-0,25 m, 0,25-0,40 m e
0,40-0,60 m, respectivamente (Figura 2c). Para o Experimento IV, na dose de 6,0 Mg ha-1 de
38
gesso combinada ao calcário em relação ao tratamento testemunha, foram observados
incrementos de 57,1%, 75,0% e 71,2% (Figura 2d), respectivamente, para as camadas citadas
anteriormente. Resultados semelhantes foram encontrados por Rosolem e Machado (1984),
Caires et al. (2003) e Silva et al. (2006). Rampim et al. (2011) relataram aumentos nos teores
de Ca até a profundidade de 0,40 m com doses de até 5,0 Mg ha-1 de gesso, já aos seis meses
após a aplicação dos tratamentos em um Latossolo do Paraná. Portanto, a semelhança do que
ocorre com o S verificou-se importante incremento do Ca em profundidade nos tratamentos
com gesso. Com calcário este processo raramente é verificado. Nota-se que o incremento de
Ca ocorreu de forma semelhante ao incremento de S, especialmente nas camadas mais
profundas do perfil do solo.
O incremento nos teores de Ca ao longo da camada de enraizamento é indispensável,
especialmente nas camadas mais profundas e mais ácidas, devido sua função no crescimento
radicular, atuando na divisão celular, (HAWKESFORD et al., 2012) e também pela absorção
significativa e praticamente exclusiva pela coifa da raiz (TAIZ; ZEIGER, 2009). Portanto,
associado ao fato de o Ca ser praticamente imóvel no floema, sua absorção pelas raízes
superficiais não atende as demandas das raízes que se desenvolvem em camadas mais
profundas, caso essas estejam em um ambiente ácido (TAIZ; ZEIGER, 2009).
Foi verificado efeito significativo dos tratamentos nos teores de Mg em todos os
Experimentos avaliados (Apêndice C). Nota-se redução desse nutriente nas camadas
superficiais (0,00-0,05 m e 0,05-0,10 m) (exceto para o Experimento IV que recebeu gesso
combinado com calcário dolomítico) seguido de aumento significativo, em especial, para a
camada mais profunda do solo (0,40-0,60 m) em todos os Experimentos estudados (Apêndice
C). Esse aumento no teor de Mg em subsuperfície ocorre porque o par iônico MgSO40 é
prioritário sobre as outras formas iônicas formadas pelo SO42- (ZAMBROSI et al., 2008).
Segundo Shainberg et al. (1989) a redução no teor de Mg em superfície pode acarretar em
deficiências desse nutriente para as plantas, desde que a concentração mínima exigida para
cada cultura seja atinjida. Porém, no presente estudo esses valores críticos não foram
atingidos (teor crítico < 1,0 cmolc dm-3 de acordo com a CQFS-RS/SC (2004). Os teores de K
foram pouco afetados pelos tratamentos, notando-se inclusive, aumentos nos teores trocáveis
desse nutriente (Apêndice C). Reduzidas perdas de K em SPD associadas a aplicação de gesso
têm sido reportadas em outros trabalhos (CAIRES et al., 2011b) e, dentre as explicações para
esse efeito, destaca-se a reduzida formação do par iônico K2SO40 (0,2 % do total solúvel)
(ZAMBROSI et al., 2008).
39
Devido ao elevado incremento de Ca proporcionado pelas aplicações de gesso e
calcário foram constatadas alterações significativas na relação Ca/Mg em diferentes camadas
do solo para os quatro experimentos realizados (Apêndice D). No entanto, com exceção das
doses mais elevadas de gesso, essa alteração da relação Ca/Mg não causou desbalanço dessas
bases nas camadas superficiais do solo (0,00-0,05 m e 0,05-0,10 m), considerando a relação
ideal de 3:1 (Ca/Mg) proposta por Hernandez e Silveira (1998). Inclusive foi verificada
melhoria dessa relação nas camadas mais profundas do solo (entre 0,15 m até 0,60 m).
Para Oliveira (2001), a relação (Ca+Mg)/K ideal situa-se na faixa de 20-30/1,
especialmente no que diz respeito ao balanço nutricional da cultura da soja. Ne acordo com os
resultados observados no Apêndice D, foram observados aumentos na relação (Ca+Mg)/K,
especialmente nas áreas dos experimentos 1, 2 e 4. Contudo, nas camadas superficiais do solo
(0,00-0,05 m e 0,05-0,10 m), essa relação de bases permaneceu próxima da faixa ideal
proposta por Oliveira (2001). Já, nas camadas mais profundas do perfil (entre 0,15 m e 0,60
m), a relação (Ca+Mg)/K foi aumentada profundamente situando-se acima da relação
considerada ideal (20-30/1). Porém, esta camada provavelmente não seja tão crítica para a
absorção de K pelas plantas que pode obter este nutriente de camdas mais superficiais.
3.4.3.
Melhoria temporal dos atributos químicos do solo na camada de enraizamento
No presente estudo foi verificada interação significativa entre os tratamentos e o
tempo sobre a saturação por bases, saturação por Ca e saturação por Al para os quatro
Experimentos avaliados (Apêndice A). Para evidenciar o efeito temporal do gesso
isoladamente ou do gesso combinado ao calcário sobre os parâmetros citados anteriormente
foram selecionados três tratamentos para cada área experimental, sendo esses a testemunha,
um tratamento com dose intermediária e um tratamento que recebeu dose elevada dos
insumos. Para os Experimentos I, II e III, além da testemunha foram selecionadas as doses de
3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso (Figuras 3, 4 e 5). Já, para o Experimento IV foram selecionados os
tratamentos de 6,0 Mg ha-1 de gesso e 6,0 Mg ha-1 de gesso + 3,6 Mg ha-1 de calcário (este
último tratamento foi selecionado por ter apresentado os mais elevados incrementos sobre os
atributos químicos anteriormente mencionados) (Figura 6).
40
Em relação ao tratamento testemunha, não foi observado alteração significativa sobre
os índices saturação por bases, saturação por Ca e saturação por Al em nenhum dos
Experimentos estudados (Figuras 3, 4, 5, 6). No entanto, a partir de 44 meses após a
instalação dos experimentos, pode ser notado incremento na saturação por Al no Experimento
I (Figura 3c) e Experimento II (Figura 4c), fato esse justificado pelo processo natural de
acidificação do solo. Resultados semelhantes foram apresentados por Caires et al. (2005), em
que os autores observaram redução significativa (p < 0,01) no pH do solo em função de
longos períodos de tempo sob um Latossolo que não recebeu calagem, reiterando o processo
natural de acidificação do solo e, consequente, aumento na saturação por Al. Para o
Experimento I, na dose de 3,0 Mg ha-1 de gesso, foi constatado ajuste quadrático e
significativo entre o tempo de coleta e a saturação por bases (Figura 3a) e a saturação por Ca
(Figura 3b) nas camadas de 0,00-0,05 m; 0,05-0,10 m e 0,10-0,15 m (Figura 2a). Resultados
semelhantes foram anteriormente observados por Pauletti et al. (2014), tendo-se verificado
que após 36 meses da aplicação dos tratamentos, doses de até 3,0 Mg ha-1 de gesso não
incrementaram a saturação por bases ou a saturação por Ca em camadas mais profundas que
0,20 m. Contudo, a saturação por Al (Figura 3c) apenas foi afetada significativamente na
camada de 0,40-0,60 m, fato esse justificado pelo maior incremento de S nessa camada
(Figura 2a). De acordo com a equação ajustada para a camada de 0,40-0,60 m, o efeito mais
evidente sobre os índices anteriormente mencionados ocorreram 32 meses após a aplicação do
tratamento, resultando em redução de 32,8% na saturação por Al em relação á testemunha.
Para a dose mais elevada de gesso (5,0 Mg ha-1), os incrementos significativos na saturação
por bases e na saturação por Ca se deram, especialmente, nas camadas mais profundas do
perfil (0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m). De maneira semelhante as camadas de 0,25-0,40 m e 0,400,60 m apresentaram efeito significativo de redução na saturação por Al ao longo do tempo,
sendo essa redução de 35,4% e 45,9%, respectivamente, para as camadas citadas
anteriormente, em relação ao tempo inicial de avaliação. De acordo com as equações ajustada,
o máximo efeito na camada de 0,25-0,40 m foi atingido aos 32 meses após aplicação do
tratamento, já para a camada de 0,40-0,60 m o máximo efeito ocorreu aos 37,5 meses após a
aplicação do tratamento (Figura 3c). Esse rápido e intenso efeito proporcionado pelo gesso
deve-se ao elevado volume precipitado na área experimental, (Figura 1) potencializando a
solubilização do insumo e consequentemente a descida dos nutrientes junto ao fluxo de água.
41
8,0 16,0 24,0 32,0 40,0 48,0 20,0
56,0
80,0 0,0
Tempo (meses)
60,0
50,0
40,0
30,0
70,0
60,0
50,0
Testemunha
Testemunha
10,0
0,25-0,40
25,0
60,0
70,0
20,0
0,40-0,60
50,0
20,0
50,0
0,00-0,05
50,0
20,0
20,0
0,05-0,10
40,0
15,0
15,0
0,10-0,15
40,0
15,0
40,0
30,0
10,0
30,0
30,0
0,15-0,25
10,0
10,0
20,0
5,0
20,0
0,0
10,0
0,0
0,0
8,0
32,032,0
40,0 44,0
48,0 56,0
6,0 16,0
14,024,0
22,0
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
0,0
ŷ0,15-0,25
= ӯ = 52,49
R² = 0,78*
50,02
y=
46,1 + 0,73x -0,011x2
0,00-0,05
R² = 0,78*
ŷ 0,05-0,10
= ӯ = 43,02
y 0,05-0,10
= 43,3 + 0,67x -0,012x
60,0
R² = 0,82*
ŷ 0,10-0,15
= ӯ = 37,82
40,02
y0,10-0,15
= 38,4 + 0,53x -0,01x
50,0
R² = 0,85*
ŷ0,15-0,25
= ӯ = 31,17
y0,25-0,40
= 38,7 + 1,12x -0,02x2
R² = 0,73*
y0,40-0,60
= 34,4 + 0,9x -0,02x2
R² = 0,73*
y=
30,90 + 0,55x -0,01x2
0,15-0,25
R² = 0,81**
30,0
40,0
Testemunha
y=
19,9 + 0,84x -0,011x2
ŷ = ӯ = 19,31
0,25-0,40
0,25-0,40 20,0
R² = 0,85*
80,0
30,0
y=
16,7 + 0,58x -0,007x2
0,40-0,60
y = 15,8 + 0,53x -0,01x2
Testemunha
5,0
Mg de Gesso
0,40-0,60
Testemunha
Testemunha
R² = 0,81*
Testemunha
0,00-0,05
3,0
Mg de Gesso
R²
=
0,82*
70,0
0,00-0,05
10,0
20,0
0,00-0,05
0,05-0,10
0,00-0,05
0,05-0,10
0,0 0,10-0,15
8,0
24,0
32,0 0,25-0,40
40,0 48,0
56,0
0,15-0,25
0,40-0,60
0,0 8,0 16,0
24,016,0
32,0
40,0
48,0
56,0
0,00,10-0,15
8,0 16,0
24,0
32,00,25-0,40
40,0 48,0
56,0
0,10-0,15
0,15-0,25 0,05-0,10
0,15-0,25
0,40-0,60
0,10-0,15
0,15-0,25
8,0 16,0
24,0
32,0
40,0
48,0
56,0
0,05-0,10
Tempo
(meses)
(c)
60,0
Tempo
(meses)
Tempo (meses)
0,25-0,40
0,40-0,60
0,25-0,40
0,40-0,60
Tempo (meses)
25,0
60,0
60,0
ŷ =0,10-0,15
ӯ = 1,3031
25,0
25,0
ŷ =0,10-0,15
ӯ = 1,119
50,0
0,25-0,40
20,0
0,40-0,60
10,0
0,05-0,10
8,0 16,0 0,00-0,05
24,0 32,0 40,0 48,0 56,0
0,0
0,10-0,15
0,15-0,25
60,0
Tempo
(meses)
ŷ0,10-0,15
= ӯ = 61,78
50,0
= ӯ = 55,24
40,0 ŷ0,15-0,25
40,0
ŷ0,25-0,40
= ӯ = 39,02
30,0
30,0
ŷ0,40-0,60
= ӯ = 34,22
5,0 Mg de Gesso
20,0 Testemunha
20,0
3,0 Mg de Gesso
Testemunha
0,0 8,0 16,0 24,0 32,0 40,0 48,0 56,0 80,0
0,0 24,0
8,0 16,0
32,0 48,0
40,0 48,0
0,0 8,0 16,0
32,024,0
40,0
56,056,0
(b) 56,0
8,0 16,0 24,0 32,0
40,0
48,0
Tempo
Tempo
(meses)
60,0Tempo (meses) (meses)
60,0Tempo (meses)
y 0,00-0,05
= 46,0 + 0,78x -0,013x2
70,0
0,15-0,25
30,0
40,0
ŷ0,05-0,10
= ӯ = 68,18
60,0
2
= 62,1 +0,54x -0,01x2
50,0 y 0,10-0,15
R² = 0,77*
0,00-0,05
50,0
0,05-0,10
40,0
0,10-0,15
80,0
30,0
20,0
0,0
(V%)
Saturação
Al)
Al (Sat
porBases
Saturaçãopor
30,0
Saturação por Bases (V%)
Testemunha
0,0
40,0
y 0,00-0,05
= 69,41 + 0,64x -0,01x2
R² = 0,91*
70,02
68,3 +0,46x -0,01x
60,0y =0,05-0,10
R² = 0,81*
Saturação por Ca (Sat Ca)
20,0
50,0
5,0 Mg de Gesso
69,3 +0,72x -0,012x
80,0
70,0y =0,00-0,05
R² = 0,83*
Testemunha
0,25-0,40
8,0 20,0
16,0 24,0 32,0 40,0 48,0 56,0
5,0
5,0
0,40-0,60Tempo (meses)
10,0
0,0
0,0
0,0 8,0
6,0 16,0
14,0
22,0
44,0
0,0
24,0
32,0
40,0
8,0
16,0
24,0
32,032,0
40,0 48,0
48,0 56,0
56,0
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
0,00-0,05
Al)
(Sat
Al (Sat
porBases
Saturaçãopor
(V%)
Saturação
Al)
Al
por
Saturação
30,0
60,0
80,0
0,00-0,05
70,0
0,05-0,10
60,0
0,10-0,15
50,0
0,15-0,25
40,0
0,25-0,40
30,0
0,40-0,60
20,0
Testemunha
80,0
Saturação por Bases (V%)
(V%)
Saturação por BasesSaturação
por Bases (V%)
40,0
70,0
Saturação por Bases (V%)
50,0
3,0 Mg de Gesso
Saturação por Ca (Sat Ca)
60,0
80,0
Al)
Al
por
Saturação
Al)
(Sat
Al(Sat
porBases
Saturaçãopor
(V%)
Saturação
70,0
Saturação por Ca (Sat Ca)
Saturação por Bases (V%)
80,0
(V%)
Saturação por BasesSaturação
por Bases (V%) Saturação por Bases (V%)
(a)
Experimento
Testemunha I
Testemunha
0,00-0,05
20,0
50,0
ŷ =0,15-0,25
ӯ = 3,0926
40,0
0,05-0,10
15,0
40,0
0,25-0,40
ŷ =0,10-0,15
ӯ = 11,45463
30,0
2
0,40-0,60
30,0
10,0
y =0,15-0,25
15,6 - 0,32x + 0,005x
20,0 R² = 0,87*
0,25-0,40
0,0 8,0 20,0
16,0 24,0 32,0 40,0 48,0 56,0
5,0
Tempo (meses)
0,40-0,60
ŷ =0,15-0,25
ӯ = 4,1179
0,05-0,10
y = 12,1 - 0,50x + 0,008x2
0,25-0,40
R² = 0,84*
0,10-0,15
y =0,40-0,60
15,6 - 0,45x 0,006x2
0,15-0,25
R² = 0,83*
0,25-0,40
0,40-0,60
10,0
0,0
0,0
6,0 16,0
14,024,022,0
8,0
32,032,0
40,0 44,0
48,0 56,0
56,0
32,0
40,0
48,0
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Figura 3: Efeito temporal das doses 0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso sobre a saturação por Ca
(a), saturação por bases (b) e saturação por Al (c) para o Experimento I. * Significativo a 5%
de probabilidade de erro; ** Significativo a 1% de probabilidade de erro.
Em relação ao Experimento II, para a dose de 3,0 Mg ha-1 de gesso, foi verificado
aumento na saturação por bases e na saturação por Ca em função do tempo em todas as
camadas do solo, com ajuste quadrático para a maioria das profundidades. O ajuste quadrático
sugere o decréscimo do efeito do gesso posteriormente a um determinado período de tempo
(Figuras 4a e 4b). O acréscimo na saturação por bases e na saturação por Ca foi de 46,3% e
59,0%, respectivamente, em relação ao tempo zero depois de 35,5 meses na camada de 0,400,60 m. De maneira semelhante, a saturação por Al foi afetada de forma quadrática nas
camadas de 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m (Figura 4c), com redução de 37,6% (46 meses após a
aplicação dos tratamentos) e 42,9% (43 meses após a aplicação dos tratamentos),
respectivamente, em relação ao tempo inicial, camadas essas que apresentavam os maiores
teores de Al. O efeito mais intenso no Experimento II em relação ao Experimento I deve-se,
provavelmente, ao menor teor de argila, maiores teores de S e maior pH inicial da camada
superficial do solo (Tabela 2), permitindo que a movimentação vertical de bases e do SO4 nos
tratamentos com gesso fosse potencializada (RAIJ et al., 1994; RAIJ, 2010; CAIRES, 2012).
Com a dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, no Experimento II, foi observado comportamento
linear de redução na saturação por Al de acordo com o ajuste da equação para a camada de
42
0,40-0,60 m, sugerindo que em um solo com melhores condições químicas superficiais o
efeito do gesso alcança camadas mais profundas do perfil e se extende por maior período de
tempo (Figura 4c). Nesse contexto, após 56 meses da aplicação do gesso, foi verificado
aumento de 63,7% na saturação por bases (Figura 4a), 56,5% na saturação por Ca (Figura 4b)
e redução de 322% na saturação por Al (Figura 4c) em relação ao tempo inicial de avaliação
na camada de 0,40-0,60 m. Em estudo realizado por Caires et al. (2011b), os autores
observaram que a aplicação de doses de gesso em um Latossolo sem presença de Al
promoveu efeito rápido e pronunciado na redistribuição de bases no perfil do solo por longo
período de tempo. Este resultado sugere que a utilização de gesso induz a redistribuição
vertical de cátions que em SPD de longa duração que pode ser uma importante estratégia de
nutrição de plantas sob condições de deficit hídrico, estímulo ao aprofundamento do sistema
radicular e equilibrio de bases no complexo de troca.
Experimento
TestemunhaII (a)
80,0
Testemunha
222
R²
R² == 0,91*
0,91*
R² = 0,91*
70,0
50,0
30,0
0,05-0,10
222+ 1,060x
60,0
2 + 1,060x
60,0
54,92
yy == -0,013x
++ 54,92
-0,013x
+ 1,060x
54,92
y = -0,013x
+60,0
54,92
222+ 0,928x
70,0
2 + 0,928x
70,0
61,75
0,00-0,05
yy == -0,012x
++ 61,75
-0,012x
+ 0,928x
61,75
y = -0,012x
+70,0
61,75
R²
R² == 0,87*
0,87*
R² = 0,87*
40,0
R²
R² == 0,86*
0,86*
R² = 0,86*
0,10-0,15
222+
2 + 1,021x
50,0
49,52
50,0
yy == -0,013x
++ 49,52
-0,013x
+ 1,021x
1,021x
49,52
y = -0,013x
+50,0
49,52
20,0
R²
R² == 0,85*
0,85*
R² = 0,85*
Saturação por Ca (Sat Ca)
Saturação por Bases (V%)
Saturação por Bases (V%) Saturação por Bases (V%)
Saturação por Bases (V%)
Saturação por Ca (Sat Ca)
2
2
222
Saturação por Bases (V%)
Al)
Al (Sat
porBases
Saturaçãopor
(V%)
(V%)
Bases
Saturação
50,0
50,050,0
20,0
80,0
Saturação por Bases (V%)
70,0
70,070,0
30,0
60,0
60,060,0
3,0 Mg de Gesso
Saturação por Bases (V%)
Saturação
Al)
Al (Sat
porBases
Saturação por
(V%)
(V%)
Bases
por
Saturação
Saturação por Bases (V%)
Saturação por Bases (V%)
Saturação por Bases
Al)
Al (Sat(V%)
Saturação por Ca (Sat Ca)
80,0
Saturação por Bases (V%)
Saturação por Bases (V%)
Saturação por Bases (V%)
80,0
5,0 Mg de Gesso
80,0
y0,00-0,05
= 65,5+ 0,57x -0,01x2
70,0
70,0
R² = 0,91*
70,0
0,00-0,05
2
70,0
70,0
y =0,05-0,10
61,7 + 0,93x -0,012x
60,0
60,0 R² = 0,87*
0,05-0,10
60,0
60,0
2
60,0
y =0,10-0,15
54,9 + 1,06x -0,013x
R²
=
0,86*
50,0
50,0
0,10-0,15
50,0
2
50,0
50,0
y = 49,5 + 1,02x -0,013x
0,15-0,25
R² = 0,85*
0,15-0,25
40,0
40,0
40,0
40,0
40,0
y =0,25-0,40
34,9 + 1,46x -0,02x2
0,25-0,40
R² = 0,93*
30,0
30,0
30,0
30,0
30,0
2
Testemunha
y
=
22,9
+
1,46x
-0,02x
0,40-0,60
3,0 Mg de Gesso
0,40-0,60
5,0 Mg de Gesso
R² = 0,98**
20,0
20,0
20,0 Testemunha
20,0
20,0
Testemunha
0,0 8,0 16,0 24,0 32,0 40,0 48,0 56,0
0,0
8,0 16,0 24,0 32,0 40,0 48,0 56,0
0,0 8,0
24,0 40,0
32,0 40,0
48,0
56,0
80,0 0,0 8,0 16,0
24,016,0
32,0
48,0
56,0
0,0
8,0
16,0
24,0
32,0
(b)
Tempo (meses)
Tempo 40,0
(meses)48,0 56,0
80,0
Tempo (meses)
60,0
60,0 Tempo (meses)
2 Tempo (meses)
60,0
y =0,00-0,05
44,3 + 0,96x -0,016x
70,0
0,00-0,05
70,0 R² = 0,91*
50,0
2
y =0,05-0,10
40,8 + 0,60x -0,008x
50,0
50,0
60,0
R² = 0,99**
0,05-0,10
60,0
y =0,10-0,15
34,6 + 0,61x -0,007x2
40,0
40,0
R²
=
0,88*
40,0
0,10-0,15
50,0
50,0
y = 32,028 + 0,225x
30,0
0,15-0,25
0,15-0,25
R² = 0,71*
30,0
30,0
40,0
y = 21,7 + 0,79x -0,011x2
40,0
0,25-0,40
0,25-0,40
20,0
R² = 0,90*
20,0 Testemunha
20,0Testemunha
30,0
80,0 0,40-0,60
y0,40-0,60
= 16,6 + 0,68x -0,01x2
30,0
80,0
3,0 Mg de Gesso
5,0 Mg de Gesso
Testemunha
10,0
R² = 0,79*
10,0
20,0
10,0
0,0 8,0 16,0 24,0 32,0 40,0 48,0 56,070,0
20,00,00-0,05
0,0 24,0
8,0 16,0
24,040,0
32,0
40,0 48,0
56,070,0
0,0
8,0
16,0
24,0
32,0 40,0 48,0 56,0
0,0
8,0
16,0
32,0
48,0
56,0
Tempo
(meses)
3,0
Mg
de
Gesso
3,0
Mg
de
Gesso
3,0
Mg
de Gesso (c)
3,0 Mg
de Gesso
3,0 Mg
de
Mg
de Gesso
Gesso
3,0 3,0
Mg
de Gesso
3,0
Mg
de
Gesso
3,0 3,0
Mg
de Gesso
Mg
de
Gesso
Tempo
(meses)
0,0 8,0 16,0 24,0
32,0
40,0
48,0 56,0
Tempo
(meses)
80,0Tempo (meses)
0,05-0,10
80,0
80,0
80,0
80,0
-0,008x
0,572x
65,49
80,080,0
80,0Tempo (meses)
40,0
yyy===-0,008x
+++0,572x
+++65,49
80,0
40,0
-0,008x
0,572x
65,49
y = -0,008x
+ 0,572x
+ 65,49
40,0
-0,008x
0,572x
65,49
60,0
80,0
yy==-0,008x
++0,572x
++65,49
65,49
y = -0,008x
+ 0,572x
+ 65,49
R²
0,91*
R²
R²===0,91*
0,91*
60,0 R² = 0,91*
R² = 0,91*
Testemunha
0,10-0,15
222+
-0,012x
++0,928x
0,928x
61,75
2 + 0,928x
yyy===-0,012x
+++61,75
-0,012x
0,928x
61,75
y = -0,012x
+ 61,75
70,0
70,0
70,0
R²
0,87*
R²
R²===0,87*
0,87*
R² = 0,87*
30,0
50,0
222+
2 + 1,060x
-0,013x
++1,060x
1,060x
54,92
yyy===0,15-0,25
-0,013x
+++54,92
-0,013x
1,060x
54,92
y = -0,013x
+ 54,92
60,0
60,0
60,0
R²
0,86*
R²
R²===0,86*
0,86*
R² = 0,86*
222 +
2 + 1,021x
-0,013x
1,021x
++49,52
49,52
yyy===-0,013x
-0,013x
+1,021x
1,021x
49,52
y = -0,013x
+ 49,52
2
50,0
y
= 32,6
- +0,92x
+ +0,01x
50,0
20,0
50,0
R²
0,85*
R²
R²===0,85*
0,85*
R² = 0,85*
40,0 0,25-0,40
R² = 0,93**
0,15-0,25
40,0
222+
2 + 1,465x
-0,019x
++1,465x
1,465x
34,93
yy==-0,019x
+++34,93
1,465x
34,93
y = -0,019x
+ 34,93
40,0
40,0
40,0
2
9,4
-R²0,26x
+ 0,003x
0,93*
R²
===0,93*
30,0 y =0,40-0,60
0,93*
R²
= 0,93*
10,0
0,25-0,40
R² = 0,69* 10,0
20,0
30,0
30,0++ 22,91
30,0
222+
2 + 1,467x
30,0
-0,019x
++1,467x
1,467x
22,91
222+
2 + 1,467x
30,0
30,0
yy==-0,019x
+++22,91
1,467x
22,91
y = -0,019x
+ 22,91
22,91
yy == -0,019x
-0,019x
+ 1,467x
1,467x
22,91
y = -0,019x
+ 22,91
R²==0,98**
0,98**
R²
0,98**
R²
== 0,98**
R²8,0
0,98** 16,0 24,0 32,0 40,0 48,0 56,0 20,0 R² = 0,98**
R²0,40-0,60
= 0,98**
0,0
20,0
20,020,0
20,0
20,020,0
0,0 Tempo (meses)
20,0
0,0
20,020,0
0,0
0,0 8,0 16,0
32,0
40,0
56,0
0,0 6,0
6,016,0
22,0
32,044,0
44,0
56,0
32,0
0,0 0,0
22,022,0
32,0
56,056,0
0,0 6,0
6,016,0
22,0
32,044,0
44,0
56,0
32,0
0,0 0,0
22,022,0
32,0
56,056,0
0,0
8,06,0
24,0
32,0
40,044,0
48,0
56,0
0,024,0
6,016,0
8,06,0
24,0
32,0
40,044,0
48,0
32,0
22,0
32,048,0
44,0
56,0
0,0 0,0
6,0
22,022,0
32,0
44,0
56,056,0
8,06,0
24,0
32,0
40,044,0
48,0
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo (meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
40,0
40,040,0
10,0
30,0
30,030,0
30,0
40,0
40,0
222++1,465x
2 + 1,465x
-0,019x
1,465x
34,93
yy==-0,019x
++34,93
34,93
y = -0,019x
+40,0
34,93
R²
R² == 0,93*
0,93*
R² = 0,93*
y =0,00-0,05
66,5 + 0,62x -0,01x2
R² = 0,76*
y = 65,2 + 0,48x -0,01x2
0,05-0,10
R² = 0,89*
y = 58,4 + 0,80x -0,012x2
0,10-0,15
R² = 0,85*
y = 50,3 + 1,16x -0,02x2
0,15-0,25
R² = 0,97**
y = 38,4 + 1,59x -0,024x2
0,25-0,40
R² = 0,99**
y = 31,73 + 0,57x
0,40-0,60
R² = 0,81**
y 0,00-0,05
= 46,1 + 0,89x -0,014x2
R² = 0,78*
y = 42,7 + 0,56x -0,007x2
0,05-0,10
R² = 0,90*
y = 35,7 + 0,74x -0,011x2
0,10-0,15
R² = 0,93**
y = 29,8 + 0,89x -0,014x2
0,15-0,25
R² = 0,95**
y = 23,7 + 1,08x -0,017x2
0,25-0,40
R² = 0,93**
y = 19,21 + 0,264x
0,40-0,60
R² = 0,76*
0,00-0,05
0,05-0,10
2 + 0,572x
222+
65,49
-0,008x
+ 0,572x
0,572x
65,49
y = -0,008x
+ 65,49
yy == -0,008x
++ 65,49
R² == 0,91*
0,91*
R² = 0,91*
R²
2 + 0,928x
222+
61,75
-0,012x
+ 0,928x
0,928x
61,75
y = -0,012x
+ 61,75
yy == -0,012x
++ 61,75
R² == 0,87*
0,87*
R² = 0,87*
R²
0,10-0,15
2 + 1,060x
222++1,060x
-0,013x
1,060x
54,92
54,92
y = -0,013x
+ 54,92
yy==-0,013x
++54,92
R² == 0,86*
0,86*
R² = 0,86*
R²
0,15-0,25
2 + 1,021x
222+
49,52
-0,013x
+ 1,021x
1,021x
49,52
y = -0,013x
+ 49,52
yy == -0,013x
++ 49,52
R² == 0,85*
0,85*
R² = 0,85*
R²
2
0,25-0,40
y = 9,4 - 0,49x + 0,007x
R²222=++ 1,465x
0,87*
2 + 1,465x
34,93
-0,019x
1,465x
34,93
y = -0,019x
+ 34,93
yy == -0,019x
++ 34,93
R² == 0,93*
0,93*
R² = 0,93*
R²
0,40-0,60
y = 25,51 -0,314x
222+
2 +R²
22,91
=
-0,019x
+0,66*
1,467x
22,91
yy == -0,019x
1,467x
++ 22,91
y = -0,019x
1,467x
+ 22,91
R² == 0,98**
0,98**
R²
R² = 0,98**
Figura 4: Efeito temporal das doses 0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso sobre a saturação por Ca
(a), saturação por bases (b) e saturação por Al (c) para o Experimento II. * Significativo a 5%
de probabilidade de erro; ** Significativo a 1% de probabilidade de erro.
A área do Experimento III era a que apresentava os maiores índices de acidez entre os
experimentos investigados (Tabela 2). Nessa área não foi verificado aumento significativo na
saturação por bases para a dose de 3,0 Mg ha-1 de gesso em nenhuma das camadas
43
amostradas, aos 15 e aos 30 meses após a aplicação dos tratamentos (Figura 5a). Em relação a
saturação por Ca, foi observado aumento significativo até a camada de 0,25-0,40 m,
especialmente para a amostragem realizada aos 30 meses (Figura 5b), efeito esse associado a
redistribuição de Ca da camada superficial até as camadas mais profundas (Figura 2c). Este
resultado é relevante uma vez que o Ca proveniente do calcário quando aplicado na superfície
raramente alcança camadas profundas (BORTULUZZI et al., 2014). Para o índice saturação
por Al, apenas foi verificado decréscimo significativo (p < 0,05) aos 30 meses na camada de
0,25-0,40 m, sendo essa redução de 14,3% em relação ao tempo zero (Figura 5c), reiterando a
maior deposição de S nessa camada (Figura 2c), e assim favorecendo a formação de AlSO4+
(RAIJ, 2010).
Na dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, os aumentos significativos (p < 0,05) na saturação
por bases foram evidenciados para a maioria das camadas até a profundidade de 0,40 m,
sendo esses incrementos mais intensos nas profundidade de 0,15-0,25 m e 0,25-0,40 m para a
amostragem realizada aos 30 meses em relação a primeira avaliação (incrementos esses de
59,5% e 26,2% para as respectivas camadas) (Figura 5a). Aumentos significativos na
saturação por Ca foram observados em todo o perfil do solo após a aplicação dos tratamentos
(Figura 5b), aos 15 meses esses incrementos foram verificados nas camadas superficiais
(0,00-0,05 m; 0,05-0,10 m e 0,10-0,15 m), e aos 30 meses nas camadas mais profundas (0,150,25 m, 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m). Esses incrementos foram na ordem de 126,8%, 87,8% e
57,7%, respectivamente, para as três últimas camadas mencionadas. A movimentação vertical
de Ca com a aplicação de gesso mesmo em solo ácido é um resultado relevante. Ainda, foi
observada redução da saturação por Al nas camadas de 0,10-0,15 m, 0,15-0,25 m e 0,25-0,40
m (Figura 5c), zona onde houve o maior acréscimo dos teores de S para esse Experimento
(Figura 2c). Essa redução, após 30 meses da aplicação dos tratamentos, foi na ordem de
68,4%, 76,2% e 76,3% para as camadas de 0,10-0,15 m, 0,15-0,25 m e 0,25-0,40 m,
respectivamente, em relação à primeira amostragem. O efeito mais lento da melhoria da
qualidade química na área do Experimento III, deve-se, especialmente, á reduzida qualidade
química inicial da superfície do solo (Tabela 2). Esse fato reforça a recomendação da
aplicação do gesso combinada com a de calcário ou em solo com a camada superficial
previamente corrigida, porque, de acordo com Raij (2010) ao passo que o calcário eleva o pH
e os teores de Ca e Mg na superfície do solo, o gesso, produto de maior solubilidade, se
dissocia liberando Ca e SO42, com isso há rápida movimentação do SO4-2 para as camadas
mais profundas do perfil, favorecendo a movimentação de cátions como Ca e Mg.
44
Experimento III (a)
0,00-0,05
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
Testemunha
Profundidade (m)
0,05-0,10
80,0
60,0
ns
40,0
ns
ns
20,0
0,0
0,00-0,05
60,0
0,05-0,10
40,0
0,15-0,25
0,25-0,40
ns
ns
Testemunha
Profundidade
(m)
0 Meses
15 Meses
30 Meses
50,0
0,10-0,15
ns
ns
30,0
ns
20,0
10,0
ns
0,0
0,40-0,60
0,00-0,05
ns
b
b
(b)
ns
ns
40,0
ns
0,0
0,00-0,05
60,0
0,05-0,10
ns
0 Meses
15 Meses
ns
30 Meses
50,0
40,0
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
3,0 Mg Gesso
Profundidade (m)
ns
ns
30,0
ns
20,0
10,0
ns
0,0
40,0
30,0
aa
b
b
a
20,0
(c)
0,0
0,40-0,60
0,00-0,05
ab
60,0
b
a
a
c
b
a
b
b
a
bb
0,05-0,10
0,10-0,15
5,0 Mg0,15-0,25
Gesso 0,25-0,40
Profundidade (m)
80,0
0,40-0,60
a
ns
a
40,0
b ab
b
b
a
b
ab a ns
20,0
0,0
0,40-0,60
ns
bb
a
b
10,0
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
5,0 Mg Gesso
Profundidade (m)
0,25-0,40
0,40-0,60
60,0
50,0
c
40,0
20,0
10,0
ns
b
b
b
30,0
a
ns
ab
a
a a
ns
0,0
0,00-0,05 0,05-0,10 0,10-0,15 0,15-0,25 0,25-0,40 0,40-0,60
Profundidade (m)
a a
ns
20,0
0,40-0,60
50,0
ns
0,10-0,15
3,0 Mg 0,15-0,25
Gesso 0,25-0,40
Profundidade (m)
ns
ns
b
ab
a
a
0,05-0,10
80,0
0,00-0,05 0,05-0,10 0,10-0,15 0,15-0,25 0,25-0,40 0,40-0,60
Profundidade (m)
b
ab a
10,0
0 Meses
15 Meses
60,0
30 Meses
ns
b a a
20,0
0,0
Saturação por Ca (%)
0,0
ns
ns
b
c
Saturação por Bases (V%)
10,0
ns
a
Saturação por Al (Sat Al)
ns
Saturação por Ca (%)
20,0
Saturação por Bases (V%)
ns
Saturação por Al (Sat Al)
Saturação por Ca (%)
30,0
Saturação por Al (Sat Al)
Saturação por Bases (V%)
50,0
0 Meses
15 Meses40,0
30 Meses
30,0
40,0
ns
5,0 Mg Gesso
3,0 Mg Gesso
Testemunha
50,0
0,00-0,05 0,05-0,10 0,10-0,15 0,15-0,25 0,25-0,40 0,40-0,60
Profundidade (m)
Figura 5: Efeito temporal das doses 0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso sobre a saturação por Ca
(a), saturação por bases (b) e saturação por Al (c) para o Experimento III. ns Não significativo
a 5% de probabilidade de erro; Letras iguais nas barras não diferem significativamente a 5%
de probabilidade de erro.
Com relação ao Experimento IV, para a dose de 6,0 Mg ha-1 de gesso, apenas foram
verificados aumentos significativos (p < 0,05) na saturação por bases a partir da camada de
0,10-0,15 m, sendo esses aumento mais intensos na avaliação realizada 30 meses após a
aplicação dos tratamentos (Figura 6a). Os incrementos mais pronunciados ocorreram nas
camadas de 0,15-0,25 m e 0,25-0,40 m na ordem de 38,5% e 50,7%, respectivamente. Este
fato provavelmente esteja associado a inferior qualidade química da camada subsuperficial.
Devido ao incremento de Ca proporcionado pelo gesso foram observados aumentos
significativos na saturação por Ca desde a camada superficial (0,00-0,05 m) até a camada
mais profunda ( 0,40-0,60 m) (Figura 6b). Para as camadas de 0,15-0,25 m e 0,25-0,40 m
esses incrementos foram na ordem de 146,7% e 188,3%, respectivamente, após 30 meses da
aplicação dos tratamentos em relação ao tempo inicial de avaliação. Este resultado está de
acordo com o observado no Experimento III. A saturação por Al foi eliminada na camada
0,10-0,15 m, além disso, após 30 meses da aplicação dos tratamentos foram constatadas
45
reduções na saturação por Al de 30,5% e 20,1% nas camadas de 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m,
respectivamente, em relação à primeira avaliação (Figura 6c).
Com relação ao tratamento que recebeu 6,0 Mg ha-1 de gesso + 3,6 Mg ha-1 de calcário
foi constatado aumento significativo na saturação por bases (p < 0,05) em todo o perfil do
solo, com exceção da camada de 0,00-0,05 m aos 30 meses de aplicação dos tratamentos
(Figura 6a). Esse incremento, 30 meses após aplicação dos tratamentos, foi de 141,4% e
144,7% nas camadas de 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m, respectivamente, em relação à primeira
época de avaliação. Para a saturação por Ca (Figura 6b) foi verificado incremento
significativo em toda a camada de enraizamento após 30 meses da aplicação dos tratamentos.
Para as camadas de 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m foram constatados incrementos de 136,3% e
152,0%, respectivamente, em relação ao tempo inicial de avaliação. Foi verificada redução
significativa da saturação por Al em todas as camadas avaliadas, ressaltando que o Al na
camada de 0,10-0,15 m foi completamente neutralizado (Figura 6c). Já, para as camadas de
0,15-0,25m, 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m, as reduções foram de 228,2% 47,7% e 34,0%,
respectivamente, 30 meses após a aplicação dos tratamentos em relação à avaliação inicial.
Esse efeito de interação do calcário com gesso sobre os atributos químicos do solo foram
reportados por diversos estudos realizados anteriormente em Latossolos (CAIRES et al.,
2003; RAIJ, 2010; SOUZA et al., 2012; DALLA NORA et al., 2014b; PAULETTI et al.,
2014). Em estudo realizado por Dalla Nora et al. (2014b), aumentos na saturação por bases e
reduções na saturação por Al até a camada de 0,40-0,60 m foram observados já aos seis meses
após a aplicação combinada de gesso e calcário em um Latossolo. Os resultados obtidos no
Experimento IV que apresentava acentuado gradiente de qualidade química entre a camada
superficial e as camadas profundas foi atenuado pela aplicação combinada de calcário +
gesso, dispensando a necessidade de incorporação dos insumos.
46
Experimento
IV4 (a)
Local
6,0 Mg Gesso
30 Meses
ns
ns
20,0
0,00-0,05
0,10-0,15
0,15-0,25
Testemunha
Profundidade (m)
0,05-0,10
80,0
ns
ab
b
bb
40,0
ns 20,0
0,25-0,40
0,40-0,60
0,0
ns
40,0
0,00-0,05
20,0
ns
ns
0,0
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
Testemunha
Profundidade (m)
0,25-0,40
80,0
60,0
b
0,10-0,15
6,0 Mg0,15-0,25
Gesso
Profundidade (m)
b
a
b
ab
a
a
c
b
b
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
6,0 Mg0,15-0,25
Gesso
Profundidade (m)
(c)
80,0
a
b
ns
0,0
0,25-0,40
c
20,0
0,40-0,60
ab a
b
ab
ns
40,0
ns
ns
0,0
ns
a
a
b ab
60,0
b
b
40,0
a ab
b 20,0
0,0
0,40-0,60
80,0
60,0
40,0
20,0
a
b
b
0,25-0,40
0,0
0,40-0,60
80,0
a
a
b
b
b b
0,00-0,05
0,05-0,10
0,15-0,25
0,25-0,40
6,0 Mg
Gesso0,10-0,15
+ 3,6 Mg
Calcário
Profundidade (m)
a
a
a
a
b
a
b
b
b
b
c
b
b
60,0
a
b b
40,0
ns
20,0
0,0
a
a
b
Profundidade (m)
a
b
0,0
a
b
c
a
20,0
b
a
40,0
0,00-0,05 0,05-0,10 0,10-0,15 0,15-0,25 0,25-0,40 0,40-0,60
Profundidade (m)
a
0,00-0,05 0,05-0,10
0,40-0,60
6,0 Mg0,10-0,15
Gesso +0,15-0,25
3,6 Mg0,25-0,40
Calcário
b
b60,0
bb
0,40-0,60
ab a
a
0,00-0,05 0,05-0,10 0,10-0,15 0,15-0,25 0,25-0,40 0,40-0,60
Profundidade (m)
80,0
ns
ns
0 Meses
15 Meses
30 Meses
20,0
a
(b)
0,05-0,10
30 Meses40,0
ns
b
b
b
80,0
60,0
15 Meses
ns
ba
a
0 Meses
60,0
b
ab
60,0
ns
Saturação por Ca (%)
40,0
80,0
Saturação por Bases (V%)
15 Meses
100,0
Saturação por Ca (%)
0 Meses
ns
60,0
0,0
Saturação por Bases (V%)
ns
Saturação por Al (Sat Al)
Saturação por Al (Sat Al)
80,0
6,0 Mg Gesso + 3,6 Mg Calcário
100,0
Saturação por Al (Sat Al)
100,0
Saturação por Ca (%)
Saturação por Bases (V%)
Testemunha
b b
a
b
0,00-0,05 0,05-0,10 0,10-0,15 0,15-0,25 0,25-0,40 0,40-0,60
Profundidade (m)
Figura 6: Efeito temporal das doses 0,0 Mg ha-1 de gesso; 6,0 Mg ha-1 de gesso e 6,0 Mg ha-1
de gesso + 3,6 Mg ha-1 de calcário sobre a saturação por Ca (a), saturação por bases (b) e
saturação por Al (c) para o Experimento IV. ns Não significativo a 5% de probabilidade de
erro; Letras iguais nas barras não diferem significativamente a 5% de probabilidade de erro.
3.4.4.
Efeito da qualidade química da camada de enraizamento sobre a produtividade
de culturas de grãos
Durante o período de estudo foram avaliadas 16 safras de soja, trigo e milho, em
quatro Experimentos com distinta qualidade química na camada de enraizamento incluindo
solos ácidos desde a camada superficial, solos com a camada superficial corrigida e camada
subsuperficial ácida e solos com correção até a camada de 0,00-0,40 m. Deste conjunto em
apenas três safras não houve efeito positivo e significativo dos insumos utilizados (Apêndice
B). A falta de resposta para o Experimento I, no cultivo da soja de 2013/14 (Figura 7a),
certamente foi ocasionada pela elevada precipitação pluvial durante o ciclo (Figura 1) e ao
elevado tempo transcorrido da aplicação do insumo (54 meses). Já para o Experimento II, a
falta de resposta durante a safra da soja de 2009/10 (Figura 7b) também pode estar associada a
elevada precipitação pluvial durante o ciclo que atingiu 1212,0 mm (Figura 1), e para o trigo
47
de 2013 (Figura 7b) a não ocorrência de aumento na produtividade provavelmente foi devido
ao tempo de aplicação dos tratamentos (48 meses) e à elevada precipitação (935,0 mm)
(Figura 1). A resposta da soja a aplicação de gesso é influenciada pela precipitação,
apresentando produtividades reduzidas ou nulas da cultura da soja sob condições de elevada
precipitação (CAIRES et al., 2011a; RAMPIM et al., 2011).
Para o Experimento I (Figura 7a), de acordo com a equação ajustada para a cultura do
milho na safra de 2009/10, a dose de 5,9 Mg ha-1 alcançou na maior produtividade (11247 kg
ha-1), representando incremento de 8% em relação à testemunha. Esse resultado foi obtido
mesmo em um ano de precipitação pluvial elevada (1249,0 mm durante o ciclo) (Figura 1),
sugerindo que o efeito positivo do gesso sobre a produtividade das culturas não ocorre apenas
em situações de déficit hídrico. Para a safra de milho de 2012/13, as doses de gesso
resultaram em aumento linear na produtividade, sendo que a dose máxima de gesso (6,5 Mg
ha-1) resultou na produtividade de 10406 kg ha-1, correspondente a 7,5% superior ao
tratamento testemunha. Estes resultados sugerem resposta positiva ao uso de gesso mesmo em
solo com camada de enraizamento corrigida (Tabela 2) e precipitação favorável ao
desenvolvimento vegetal (Figura 1). Neste Experimento os tratamentos testemunha
apresentaram elevada produtividade de milho (10700 e 9837 kg ha-1 nas safras 2009/10 e
2012/13, respectivamente), sugerindo que a redistribuição de bases e a melhoria química de
camadas profundas é uma importante alternativa para incremento da produtividade mesmo em
áreas bem manejadas sob SPD. Elevada produtividade do milho em um Latossolo com
aplicação de gesso mesmo sob precipitação pluvial normal foi observada por Pauletti et al.
(2014), tendo-se obtido incrementos de 14% e 39% para as safras de 2003 e 2004,
respectivamente, para dose de até 12,0 Mg ha-1.
Para a cultura do trigo na safra de 2013, a maior produtividade encontrada foi de 3288
-1
kg ha para a dose de 6,4 Mg ha-1 de gesso, resultando no incremento de 7% em relação ao
tratamento testemunha (Figura 7a). Resultados semelhantes foram observados por Caires et al.
(2002), os quais obtiveram aumento na produtividade do trigo com doses de até 9,0 Mg ha-1
de gesso mesmo em um ano sem ocorrência de déficit hídrico.
Ainda no Experimento I, foi observado aumento na produtividade da soja com
aplicação de gesso em duas das três safras avaliadas (Figura 7a). Para a safra de 2010/11 o
incremento na produtividade foi de 8% em relação à testemunha para a dose de 5,7 Mg ha-1, a
qual atingiu a produtividade de 4733 kg ha-1 de acordo com a equação ajustada. Durante a
safra de 2011/12 o incremento na produtividade de grãos foi superior ao verificado no ano
48
anterior, resultando no aumento de 16% em relação à testemunha para dose de 6,2 Mg ha-1, a
qual atingiu a produtividade de 3678 kg ha-1. Esse maior incremento relativo na segunda safra
deve ter sido ocasionado pela reduzida precipitação pluvial durante o ciclo da cultura (401,0
mm) (Figura 1) induzindo que as plantas investissem mais fotoassimilados em raízes para
utilizar a água do solo armazenada em camada mais profundas (SHAINBERG et al., 1989).
Nesse contexto, o ambiente subsuperficial enriquecido em Ca (Figura 2a) e com menor
atividade do Al (Figura 3c), por resultado do efeito do gesso, provavelmente possibilitou
maior desenvolvimento radicular afetando positivamente a produtividade. Resultados
semelhantes aos desse estudo foram reportados por Pauletti et al. (2014), tendo-se verificado
incrementos na produtividade da soja nas safras de 2003/04 e 2005/06 a partir da aplicação de
doses de gesso em um Latossolo.
Para o Experimento II a produtividade de milho no ano de 2010/11 foi influenciada de
forma quadrática e significativa pelas doses de gesso. O incremento na produtividade de grãos
foi 19% superior à testemunha para a dose de 5,6 Mg ha-1, a qual atingiu a produtividade de
12360 kg ha-1 de acordo com a equação ajustada (Figura 7b). Resultados semelhantes foram
encontrados por Fageria (2001), sendo que os autores observaram aumentos de 23% na
produtividade do milho com o uso de gesso. De maneira semelhante à observada para o
Experimento I, a produtividade de milho no Experimento II foi positivamente afetada mesmo
em uma condição em que o tratamento testemunha já atingiu alta produtividade (9946kg ha-1)
decorrente de satisfatória qualidade química inicial (Tabela 2).
Para a soja, safra de 2011/12, foi verificado incremento de 11% para a dose de 5,3 Mg
ha-1 de acordo com a equação ajustada, atingindo a produtividade de 2744 kg ha-1 (Figura 7b).
O elevado incremento na produtividade dessa safra certamente se deve a baixa precipitação
pluvial durante o ciclo da cultura (401,0) (Figura 1) que resultou em uma média de
produtividade muito abaixo das demais safras da área experimental (Figura 7b). Em relação à
safra de 2012/13 foi verificado efeito linear entre a produtividade da soja e as doses de gesso,
sendo que o incremento na produtividade para a maior dose de gesso (6,5 Mg ha-1) que atingiu
3764 kg ha-1, foi de 7% em relação à testemunha. Esse resultado provavelmente se deve, ao
fato de as doses de gesso terem atingido o efeito máximo na melhoria química do perfil aos 44
meses após a aplicação dos tratamentos (Figura 4), período no qual foi coincidente com a
safra de 2012/13.
A área do Experimento III destacava-se das demais Experimentos por apresentar
elevada acidez e baixa saturação por bases ainda nas camadas superficiais do solo (0,00-0,05
49
m e 0,05-0,10), condição essa agravada nas camadas mais profundas do perfil (0,015-0,25 m e
0,25-0,40 m) (Tabela 1). Além disso, a condição de acidez na camada de 0,25-0,40 m sugere
que essa área teria elevada probabilidade de resposta à aplicação de gesso agrícola. De fato,
conforme esperado todas as safras avaliadas apresentaram aumento de produtividade com as
doses isoladas de gesso ou combinadas ao calcário (Figura 7c). Para o primeiro cultivo de
trigo (2012) (Figura 7c), de acordo com a equação ajustada, a dose de gesso que proporcionou
a maior produtividade da cultura (2448 kg ha-1) foi de 4,5 Mg ha-1, sendo essa produtividade
12% superior à do tratamento testemunha.
Em relação ao segundo cultivo do trigo (2013), posteriormente a subdivisão das
parcelas e formação de subparcelas que combinaram as doses de gesso com 2,0 Mg ha-1 de
calcário, foi constatada produtividade máxima de 2060 kg ha-1 para a dose de 4,9 Mg ha-1 de
gesso, o que resultou em incremento de 22% em relação à testemunha. Para a combinação das
doses de gesso com a dose de 2,0 Mg ha-1 de calcário, foi constatada produtividade máxima
de 2301kg ha-1 para a dose de 4,9 Mg ha-1 de gesso combinada a 2,0 Mg ha-1 de calcário, ou
seja, incremento de 20% em relação à testemunha. Comparando as testemunhas, observou-se
aumento de 15% para a testemunha que recebeu 2,0 Mg ha-1 de calcário e não recebeu gesso
em comparação a testemunha que não recebeu calcário ou gesso. Portanto, para a máxima
produtividade de 2059 kg ha-1 atingida com a dose isolada de 4,9 Mg ha-1 de gesso, seria
necessária a aplicação de 2,0 Mg ha-1 calcário + 1,4 Mg ha-1 de gesso (Figura 7c).
Com relação à cultura da soja na safra de 2012/13, foi verificado ajuste linear e
significativo entre as doses de gesso e a produtividade da soja, sendo a máxima produtividade
da cultura de 4007 Mg ha-1 atingida na dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, representando
incremento de 11% em relação a testemunha (Figura 7c). Tais resultados corroboram recentes
estudos que tem reportado aumento na produtividade das culturas de grãos pelo uso isolado
do gesso ou combinado ao calcário em Latossolos manejados sob SPD (CAIRES et al.,
2011b; RAMPIM et al., 2011; DALLA NORA; AMADO, 2013; DALLA NORA et al.,
2014a,b).
Para a safra de soja de 2013/14, foi observado efeito quadrático entre as doses de
gesso e a produtividade da cultura (Figura 7c). Para os tratamentos que receberam doses
isoladas de gesso foi observada máxima produtividade de 2574 kg ha-1 na dose de 4,0 Mg ha-1
de gesso, representando incremento de 27%. Já para os tratamentos que receberam 2,0 Mg ha1
de calcário, a máxima produtividade de 2655 kg ha-1 foi atingida na combinação com 4,3
Mg ha-1 de gesso, o que representou incremento de 15% em relação à testemunha.
50
Comparando a parcela testemunha foi verificado incremento de 19% na parcela que recebeu
2,0 Mg ha-1 de calcário e não recebeu gesso. Portanto, de acordo com a equação ajustada com
a combinação de 2,0 Mg ha-1 de calcário + 0,77 Mg ha-1 de gesso seria alcançada a
produtividade máxima de 2574 kg ha-1 que foi atingida com 4,0 Mg ha-1 de gesso aplicado
isoladamente. Esse resultado mais expressivo ocasionado pela ação do calcário deve-se à
reduzida qualidade química ainda nas camadas superficiais do solo (Tabela 2). Como
reportado por Raij (2010), a combinação do gesso ao calcário, notadamente em solos ácidos,
apresenta efeito de interação superior aos efeitos isolados de cada insumo. Resultados
semelhantes aos encontrados nesse estudo foram descritos por Caires et al. (2003, 2004,
2011a), Souza et al. (2012), Dalla Nora et al. (2014) e Pauletti et al. (2014).
O Experimento IV, de maneira semelhante ao que foi observado no Experimento III,
apresentou interação significativa entre as doses de calcário e gesso para as produtividades da
soja e trigo. De acordo com o ajuste da equação binomial, a máxima produtividade trigo para
a safra de 2012 foi de 2454 kg ha-1 para a combinação de 4,8 Mg ha-1 de calcário + 4,9 Mg ha1
de gesso (Figura 7d), resultando no incremento de 18% na produtividade da cultura. Para as
doses isoladas de gesso a máxima produtividade foi de 2149g ha-1 na dose de 4,9 Mg ha-1, já
para os tratamentos com doses isoladas de calcário a máxima produtividade de 2251 kg ha-1
foi atingida com 4,7 Mg ha-1 de calcário. Este resultado é relevante pois com base na atual
recomendação da CQFS-RS/SC (2004) este solo não demandaria a aplicação de calcário.
Ainda para o Experimento IV, em relação à cultura da soja na safra de 2012/13 (Figura
7d), de acordo com a equação binomial ajustada, a máxima produtividade de 3350 kg ha -1 foi
atingida com a combinação de 4,0 Mg ha-1 de calcário + 6,0 Mg ha-1 de gesso, resultando em
no incremento de 14% na produtividade. Para a aplicação isolada de gesso, a máxima
produtividade de 3146 kg ha-1 foi atingida com a dose de 6,0 Mg ha-1, já para a aplicação
isolada de doses de calcário, a máxima produtividade de 3326 kg ha-1 foi atingida com a dose
de 4,0 Mg ha-1. Tais resultados corroboram o efeito de interação entre o gesso e o calcário
como descrito por Caires (2013), Raij et al. (1994) e Raij (2010). Ainda, os resultados
encontrados nesses solos colocam em cheque a camada de 0,00-0,10 m como diagnóstico para
SPD com histórico de aplicação superficial de calcário.
51
Soja 2010/11
11500,0
3500,0
11000,0
3400,0
10500,0
3300,0
10000,0
____y = 10399,0 + 288,6x -24,55x2
R² = 0,72*
.......y = 9623,4 + 120,43x
R² = 0,80**
- - - -y = 3050,2 + 74,53x -5,81x2
R² = 0,87*
9000,0
8500,0
8000,0
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
3200,0
3100,0
3000,0
Trigo 2013
Trigo 2013
3500,03300,0
____y = 9946,1 + 863,7x -76,98x2
R² = 0,90*
12000,0
11500,0
3300,03100,0
y = -76,98x2 + 863,7x + 9946,1
R² = 0,90*
11000,0
11500,0
10500,0
11000,0
3100,02900,0
2900,02700,0
ŷ = ӯ = 2754,9
0,0
1,0
2,0
ŷ = ӯ = 2754,9
3,0
4,0
5,0
2700,02500,0
6,5
Doses de Gesso (Mg ha-1)
2500,0
Experimento
10000,0
Trigo 2012
1,0 20132,0
5,0
Trigo
Apenas3,0
Gesso 4,0
Trigo
2013de
Gesso
+ 2,0 (Mg
Mg Calcário
Doses
Gesso
ha-1)
0,0
2500,0
3600,0
3900,0
3300,0
3600,0
3000,0
3300,00,0
6,5
2000,0
____y = 2147,4 + 132,2x -14,84x2
R² = 0,96**
- - - - -y = 1840,7 + 189,11x -19,437x2
R² = 0,94*
...........y = 1602,1 + 186,2x -18,95x2
R² = 0,75*
1500,0
0,0
1,0
2,0
3,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,5
Doses de Gesso (Mg ha-1)
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,5
Doses de Gesso (Mg ha-1)
Soja 2009/10
Soja 2011/12
Soja 2012/13
4000,0
3600,0
ŷ = ӯ = 3782,9
3200,0
- - - - --y = 3490,6 + 42,21x
R² = 0,97**
2800,0
2400,0
..........y = 2432,2 + 118,09x -11,15x2
R² = 0,88*
2000,0
0,0
2250,0
1750,0
1,0
3000,0
III (c)
Produtividade de Soja (kg ha-1)
10000,0
10500,0
3900,0
4200,0
II (b)
3500,0
Soja 2013/14
.........y = -15,4x2 + 192,6x + 3075,9
R² = 0,87*
2
_____y = 4352,7
ŷ = ӯ+ =134,0x
3278,9-11,8x
R² = 0,83*
2
.........y = 3075,9 + 192,6x -15,4x
R² = 0,87*
ŷ = ӯ = 3278,9
0,0
Produtividade de Trigo (kg ha-1)
Produtividade de Milho (kg ha-1)
Milho 2010/11
12500,0
12000,0
Produtividade de Trigo (kg ha-1)
Produtividade de Milho (kg ha-1)
Milho 2010/11
Soja 2011/12
4200,0
4500,0
6,5
Doses de Gesso (Mg ha-1)
Experimento
12500,0
Soja 2010/11
_____y = -11,8x2 + 134,0x + 4352,7
R² = 0,83*
Produtividade de Soja (kg ha-1)
9500,0
Soja 2013/14
4500,0
4800,0
Produtividade de Soja (kg ha-1)
Trigo 2013
Produtividade de Trigo (kg ha-1)
Produtividade de Milho (kg ha-1)
Milho 2012/13
-1) ha-1)
Soja
de(kg
Produtividade
ha(kg
de Trigo
Produtividade
Experimento I (a)
Milho 2009/10
Soja 2011/12
4800,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,5
Doses de Gesso (Mg ha-1)
Soja 2012/13
Soja 2013/14 Apenas gesso
Soja 2013/14 Gesso + 2,0 Mg Calcário
4500,0
4000,0
........y = 3574,2 + 86,64x
R² = 0,91**
3500,0
_____y = 2245,6 + 190,3x -22,11x2
R² = 0,75*
3000,0
2500,0
2000,0
- - - - -y = 1889,3 + 344,2x -43,24x2
R² = 0,88*
1500,0
0,0 -5,84**G
1,02
2,0 2 +3,098,13**C
4,0
5,0 -9,80**C2 +2,68GC
y= 2005,17
+ 57,32**G
4,0
5,0
3D Graph
2= 97**
y= 2005,17 + 57,32**G -5,84**G2 + 98,13**C -9,80**Cy=2 +2,68GC
2005,17 + 57,32**G
-5,84**G
2 2 + 98,13**C -9,80**C2 +2,68GC
3D Graph
Rde
Doses
Gesso (Mg ha-1)
2
R = 97**
Doses de Gesso (Mg ha-1) 3D Graph 2R2= 97**
Experimento IV (d)
3D Graph 2
y= 2895,14 + 74,81**G -5,51**G2 + 218,17**C -27,58**C2 -9,46**GC
2 + 98,13**C
2
y= 2005,17
57,32**G
-5,84**G
-9,80**C2-9,80**C
+2,68*GC
y=+2005,17
57,32**G
-5,84**G2 + 98,13**C
3D +Graph
2
R2= 98**
2= 97**
R2=R97**
0 ,0
Soj
4500
Soja
a2
,0
Soj201
400
011
2
Trigo
0
sso
1
S
Ge
a
s
1/12
oja
0,0
2031 Ap/1ena
2 + 2,0 Mg Calcário
oja201
TriSgo
4000
Soja 2013/1 2
/1 sso2500
2013 3Ge
4 p
,0
Trigo 201
Soja
2012011/1
3502500,0
3/1 4 Ap
4x
x
3/14 4AApena
en
gesso
,6
2500
2500
0,0
4 G ena
Soja 2013/1
,6 4
Ges as sgess Mg Calcário
2
6
86
0
8
2800
ess s ge
2500
so + + 2,0o
3500 4500,
x
io
+
4 Gesso
+
2013/1
2
r
Soja
o
s
11
2,0 M io
300
x
,03500 2000
,2 * *
+ 2 so alcá
,2 * *
2900
2000
2400
1
4
2,
4
r
1
7
1
,
,o0 M C
gcáCa
0 ,0
2000
-2
2
57 0,9
3 5 0 ,9 1
3000
s
2
l
3
s
g
lc
2400
2400
2500
x
2100
2100
0
4000,
a
ário = ² =
x
ge 0 M g Ca
0,0
3
,3 + 86,64x
y = R² =
2400
2100
3400
225
3
0
3100
.
C
,
.
3574,2
s
0
=
0
.
........y
250
0,0
a 2,
9 *
lcá .....
90
so g
..y R
2200
2200
n
1
.
1
s
.
e
3200
2200
0,91**
2000
+
=
r
.
0 ,0
R² + 75
e M
+ 75*
io
..
g
.
/12 Ap sso2300
6
,
6
,
0
,
1
,
,
2300
2300
3300
0
3500,0
2 3300
1 /14 Ge
2300
2
2400
5 =
2100
45 = 0
as 2
2
0
2300
2300
4
2
-22,11x
2
2300
5
x
190,3x
+
n
2
²
2
²
2
0
2245,6
200
...... = 2 R
4 3400
_____y
0,0
e o+
a 013 /14
= 7,4 R
,2x -14,84x
2400
2400
2
2400
132
j
..
2200
+
p
,
y
2
y
2
214
o
s
=
0 ,0
=
=y 3R² = 0,75*
3
...___
S ja 2 013
3200
3500
2000,0
x 2500
/1 A es
..... _y____ R² = 0,96**
574
-4
2200
___
2500
0
,242300
,2
__
3000,2500
y_=
R
11 /14 G
___
So ja 2
__y
2300
2x
2 3
2000
2200
150
0
= 22 ___ ² = 0,91 + 86,64
2200
4,
20 13 1 4
352200 + 189,11x -19,437x2x -4 2400
__y
So
,0
3100
**
x 34 *
45,6
5,
,
0 ,0
ja 20 13/
= 2- - - - -yR=² =184740,7
,2
44
o
+ 88
+
2500
*
3
0
2
a
0
1
0,94
+
0
=
S
,
R
9
4
j 2
2100
,9R²
0,3
+ 8* 2
2500,0
²=0
5,
,3 ,
1 * 8 6 ,6
5 ,0
2200
00
1500
8
So oja
3000
,75* x -22 889 ² = 0
2100
R² 6 + 1 2100 *2,1
175
4x,2x
9,3-18,
0,95x
450,0
,1
+ 186
8
2100
0
6,0
9
,0
1
160
=
,
=
1
2
8
=
S
x
0
R
1
²
......0.....y
= -43,24x2 4 1 )
3 0
2
1
0
,75 ,3xR² = 0,75
0 ,0
,0
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*
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01232000,,00
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4,
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2100
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R² = 0,88*
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4,8
0
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4,8
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4,0,0
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4,8
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9
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R² = + 344,2
3 + Gesso (Mg 3,6 11
2,0
-1) 0
2
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10 sgoh(
9
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Cs ad ,0000, 2,4 Doses
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0,88 o (Mg
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2100
2200
2300
2400
2500
-1
Soja
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Pro
ha )ha-1)
(Kg (kg
de Soja
utivi
adedade
utivid
ProdProd
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Produtividade Trigo
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-1
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Pro
du
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Tri
e de
ade
ad
a -1)
ivid
dutvid
oduti
PrPro
-1 )
a
h
g
(k
oja
450
Figura 7: Produtividade da soja, milho e trigo para o Experimento I (a), Experimento II (b),
Experimento III (c) e Experimento IV (d) em relação às doses de gesso isoladas ou
combinadas ao calcário. * Significativo a 5% de probabilidade de erro; ** Significativo a 1%
de probabilidade de erro.
52
Analisando as produtividades acumuladas entre todos os cultivos em cada
Experimento foram encontrados ajustes quadráticos, positivos e significativos para os quatro
experimentos investigados (Tabela 3). Para o Experimento I, a máxima produtividade
acumulada de 36826 kg ha-1 foi atingida com a dose de 5,8 Mg ha-1 de gesso no periodo de 54
meses de avaliação do experimento (seis cultivos avaliados). O incremento médio obtido com
essa dose, de acordo com a equação ajustada foi de 7% ou 2223 kg ha-1 em relação ao
tratamento testemunha. Já para o Experimento II, a máxima produtividade acumulada, de
acordo com a equação ajustada, foi de 25626 kg ha-1 para a dose de 4,6 Mg ha-1 de gesso
durante os 54 meses de avaliação do experimento (cinco cultivos avaliados), representando
incremento de 9,5% ou 2230 kg ha-1 em relação ao trtamento testemunha. Para o Experimento
III, a máxima produtividade acumulada foi de 11225 kg ha-1 para a dose de 3,8 Mg ha-1 de
gesso, o que representa incremento de 12% ou 1158 kg ha-1 em relação ao tratamento
testemunha (quatro safras avaliadas).
Já para o Experimento IV, a máxima produtividade acumulada de 5786 kg ha-1 foi
atingida com a combinação de 4,2 Mg ha-1 de calcário e 5,8 Mg ha-1 de gesso, representando
incremento de 18% ou 886 kg ha-1 em relação ao tratamento testemunha (Tabela 4). Com as
doses isoladas de gesso foi encontrada a máxima produtividade de 5283 kg ha-1 para a dose de
5,8 Mg ha-1, representando 7% de incremento em relação à testemunha; já para os tratamentos
que receberam doses de calcário isoladas, a máxima produtividade foi de 5569 kg ha-1 na dose
de 4,2 Mg ha-1, representando incremento de 12% em relação ao tratamento testemunha.
Explorando a interação entre o gesso e o calcário, a partir da equação binomial ajustada, com
a aplicação de 3,0 Mg ha-1 de calcário + 2,0 Mg ha-1 de gesso (doses frequentemente usadas
pelos agricultores de forma empirica), seria alcançada a produtividade máxima de 5690 kg ha1
de grãos, o que representaria incremento de 14% em relação à testemunha, considerando que
a área em questão, de acordo com os parâmetros da CQFS-RS/SC (2004). Os resultados
obtidos reforçam que a formação do gradiente de qualidade química na camada de
enraizamento deve merecer a atenção especial dos produtores sob SPD.
Os efeitos mais pronunciados no aumento da produtividade das culturas pela melhoria
química da CE ocorreram nos Experimentos 3 e 4 (Tabela 3), sendo essas as áreas que
apresentavam maiores restrições químicas em subsuperfície (Tabela 1), reiterando a
importância da formação da camada de enraizamento quimicamente corrigido que permita o
acesso da água e nutrientes pelas raízes (COLEMAN; THOMAS, 1967; REEVE; SUMNER,
1972; RITCHEY, 1980, 1982; SHAINBERG et al., 1989; SUMNER, 1995; FARINA, 1997;
53
FARINA et al., 2000; DALLA NORA et al., 2014a). Nota-se ainda que no Experimento IV
houve o mais elevado incremento na produtividade entre as demais áreas experimentais,
evidenciando que o uso de calcário e gesso em um ambiente quimicamente corrigido pela
aplicação de calcário aplicado em superfície sob SPD não deve ser negligenciada.
Tabela 3: Produtividade acumulada de seis safras para o Experimento I, cinco safras para o
Experiment II, quatro safras para o Experimento III e duas safras para o Experimento IV.
Produtividade Acumulada (Mg ha-1)
--------Experimento II--------------Experimento I---------------Experimento III+-----Gesso
Produção
Gesso
Produção
Produção
-1
-1
-1
(Mg ha )
Acumulada
(Mg ha )
Acumulada
Gesso (Mg ha ) Acumulada
34882,0
0,0
23673,0
0,0
10107,0
0,0
34825,0
1,0
23620,0
1,0
10537,0
1,0
35871,0
2,0
25165,0
2,0
10972,0
2,0
36682,0
3,0
25578,0
3,0
11172,0
3,0
36255,0
4,0
25550,0
4,0
11292,0
4,0
37120,0
5,0
25469,0
5,0
11061,0
5,0
36663,0
6,5
25254,0
6,5
Efeito
y = 34603,0 + 771,8x -67,0x2
R2=0,85* (Experimento I)
y = 23396,0 + 967,1x -105,4x2
R2=0,86* (Experimento II)
y = 10068,0 + 614,7x -81,6x2
R2=0,98** (Experimento III)
----------------------------------------------- Experimento IV& --------------------------------------------Calcário (Mg ha-1)
0,0
2,4
3,6
4,8
Gesso (Mg ha-1)
4927,0
5433,0
5534,0
5586,0
0,0
5083,0
5647,0
5730,0
5651,0
2,0
5252,0
5711,0
5837,0
5824,0
4,0
5289,0
5742,0
5770,0
5726,0
6,0
Efeito
y= 4900,3 + 132,1**G -11,4**G2 + 316,3**C -37,4**C2 -6,8GC*
R2=0,98* (Experimento IV)
+
Para o Experimento III foi realizada a média entre as produtividades nos tratamentos que receberam gesso
isoladamente e combinado com calcário; * Significativo a 5% de probabilidade de erro; ** Significativo a 1%
de probabilidade de erro. &Houve interação significativa entre as doses de gesso e calcário para a produtividade a
5% de probabilidade de erro
54
3.4.5.
Relações com a produtividade
Analisando conjuntamente as safras em todos os Experimentos e para cada cultura
separadamente, foi constatado ajuste quadrático e significativo entre as doses de gesso e a
produtividade relativa da soja, trigo e milho (Figura 8). Para a cultura da soja foi verificado
que a dose de gesso que promoveu a máxima produtividade relativa de 98,8% foi de 4,7 Mg
ha-1, enquanto o tratamento testemunha atingiu 92,2% da produtividade relativa (Figura 8a).
Para a cultura do trigo, a máxima produtividade relativa de 98,8% foi atingida com a dose de
4,5 Mg ha-1 de gesso, enquanto o tratamento testemunha atingiu 90,1% da produtividade
relativa, de acordo com a equação ajustada (Figura 8b). Já para a cultura do milho a dose que
proporcionou a máxima produtividade relativa de 99,5% foi de 5,5 Mg ha-1, enquanto o
tratamento testemunha atingiu a produtividade relativa de 91,3% (Figura 8c). Nota-se que as
culturas do milho (8,2%) e do trigo (8,7%) apresentaram maior incremento na produtividade
relativa em relação a testemunha quando comparadas com a cultura da soja (6,6%). Esse
resultado foi reportado por diversos autores (FARINA, 1997; FARINA et al., 2000; CAIRES,
2013; CAIRES et al., 2004, 2005; SOUZA et al., 2012; DALLA NORA; AMADO, 2013;
PAULETTI et al., 2014), sendo que as culturas de milho e trigo apresentam maior resposta a
gessagem do que a soja, pelo efeito da redução na saturação por Al e aumento dos teores de
Ca em profundidade. A resposta superior das culturas de milho e trigo deve-se ao fato das
poáceas apresentarem raízes com CTC radicular mais baixa que leguminosas como é o caso
da soja. Plantas de milho e trigo apresentam CTC radicular entre 100 a 200 mmol (+) kg-1 de
matéria seca de raízes, enquanto que plantas leguminosas como soja apresentam CTC
radicular entre 400 a 800 mmol (+) kg-1 de matéria seca de raízes (FERNANDES; SOUZA,
2006). Raízes com mais alta CTC acumulam íons bivalentes ao contrário de raízes com mais
baixa CTC que absorvem com maior eficiência íons monovalentes (BROYER; STOUT,
1959). Dessa maneira, as poáceas são menos eficientes do que as fabáceas na absorção de Ca
da solução do solo. Portanto, a absorção de Ca pelas poáceas, como o milho e o trigo, pode
ser favorecida pelo aumento de Ca proporcionado pela aplicação de gesso (CAIRES et al.,
2004).
Não foi observada relação significativa entre a produtividade relativa das culturas e o
tempo de aplicação do gesso e calcário, sugerindo que os tempos máximos de avaliação para
este estudo ainda seguem apresentando os efeitos positivos desses insumos sobre a
55
produtividade das culturas (Figuras 3, 4, 5, 6). Resultados semelhantes foram reportados por
Pauletti et al. (2014), sendo que os autores observaram resultados de incremento da
produtividade das culturas, 50 meses após a aplicação de calcário e gesso. Farina et al. (2000)
observou incrementos de 135 kg ha-1 ano-1 na média de 10 safras com aplicação de gesso.
Caires et al. (2011b) encontrou aumentos lineares e significativos da produtividade do milho
(p < 0,01) 10 anos após a aplicação de doses entre 0,0 e 9,0 Mg ha-1 de gesso em um
Latossolo sob SPD.
Produtiviade
Relativa
da(%)
Soja
(%)
Produtiviade
Relativa
daRelativa
Soja
(%)
Produtiviade
Produtiviade
Relativa
Relativa
dada
Soja
(%)
Produtiviade
da
Soja
Produtiviade
Relativa
daSoja
Soja
(%) (%)
Produtiviade Relativa da Soja (%) (a)
90,090,0
90,0
90,0
90,0
y = 92,2 + 2,80x -0,30x2
R² = 0,45**
Produtividade Relativa (%)
90,0
Produtiviade
Relativa
da Soja
(%)(%)
Produtiviade
Relativa
da
Soja
Produtiviade
Produtiviade
Relativa
Relativa
da
da(%)
Soja
Soja
(%)
Produtiviade
Relativa
da(%)
Soja
100,0 100,0
100,0100,0
100,0
Produtividade Relativa (%)
95,0
95,095,0
95,0
95,0
95,0
(%)
Relativa (%)
Produtividade
Produtividade
(kg ha-1) Relativa
Produtividade
y =y-0,298x2
+ 2,796x
+ 92,21
= -0,298x2
+ 2,796x
+ 92,21
95,0
R² =
R²0,45**
= 0,45**
Produtividade Relativa (%)
90,0
90,0
90,0
100,0
Produtividade Relativa (%)
95,0
95,0
95,0
100,0
100,0 100,0
100,0
100,0
100,0
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
100,0
Produtividade Relativa (%) Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
(%)
Relativa
Produtividade
(%)
Relativa
Produtividade
100,0
100,0
(%)
Relativa(%)
ProdutividadeRelativa
Produtividade
Produtiviade
Relativa
daSoja
Soja
(%)
Produtiviade
Relativa
da
Soja
(%)
Produtiviade
Relativa
da
(%)
ӯ== 96,9
ŷ =ŷ ӯ=
=Produtiviade
ӯ=ŷ96,9
96,9
= ŷӯ== ŷ
96,9
ӯ= 96,9
Relativa do M
95,0
90,0
90,0
90,0
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Produtividade (kg ha-1)
90,0
Produtividade Relativa (%)
Relativa
Produtividade
(%) (%) Produtividade Relativa (%)
Relativa
Produtividade
(%)
Relativa
Produtividade
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
ŷ = ӯ= 96,9
95,0 95,0
95,0 95,095,0
85,0
85,0
85,0 85,085,0
85,0
85,0
85,0
90,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
6,5
0,00,0 1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
6,5
1,0 Produtiviade
2,0
3,0
4,0 da5,0
6,0(%)
7,0
22,0
24,0
34,0
40,0
58,0
7,0 7,0 22,0
22,0
24,0
34,0
40,0
7,0
17,0
27,0
37,0
47,0
57,0
22,0
24,0
34,0
40,0
58,0
22,0
24,0
24,0
34,0
34,0
40,0
58,0
58,058,0(%)
Produtiviade
Relativa
Soja
(%)
Relativa
Soja
Produtiviade
Relativa
do40,0
Trigo
(%)
Produtiviade
Relativa
do
Milho
Produtiviade
Relativa
doda
Trigo
(%) 7,0 7,0 Produtiviade
110
-1ha
Relativa
do Trigo
(%) da Soja (%)
Doses
de
(kg
Doses
de Gesso
(kg(kg
haha
)-1-1
Doses
de Gesso
Gesso
))
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
Tempo
(meses)
(meses)
Produtiviade
Relativa
(b)
Produtiviade
Trigo
100,0
100,0
yRelativa
= -0,298x2do
+ 2,796x
+(%)
92,21
90,0
90,0 90,090,0
100,0
R²
= 0,45** 100,0 90,0
100,0 105
100,0
100,0
a
85,0
Produtiviade Relativa doaTrigo (%)
= ӯ= 96,9
ŷ =96,9
ӯ=
ŷ =96,9
ӯ=
ŷ = ӯ=ŷ96,9
ŷ = ӯ=
a
100,0
Produtiviade
Relativa
do
Trigo6,0
(%) 100
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
95,0
95,0
100,0
y =y-0,298x2
+ 2,796x
+ 92,21
= -0,298x2
+ 2,796x
+ 92,21
-1
85,0
85,0
85,0 85,085,0
95,0
100,0
Doses
de Gesso (kg 95,0
ha
)
95,0
95,0 95,00,0 95
R² =
R²0,45**
= 0,45**
8,0 0,08,00,0
16,08,0
24,0
32,0
40,032,0
48,040,0
56,048,048,0
16,016,0
32,0
0,0
0,0
8,0
16,0 8,0
16,0
24,0
24,0
32,024,024,0
32,0
40,0
40,0
48,0
48,0
56,0 40,0
56,056,056,0
95,0
Tempo
(meses)
Tempo
(meses)
Tempo
Tempo
(meses)
(meses)
Tempo
(meses)
90
90,0
90,0
95,0
90,0
90,0
90,0 90,0
95,0
90,0
ŷ = ӯ= 97,60
85
Produtiviade Relativa
da -0,43x
Soja2 (%)
90,0
y = 90,1 + 3,82x
y = -0,268x
+ 2,952x + 91,34
ŷ = ӯ=297,03
ŷ = ӯ= 96,9
R² = 0,56**
R² = 0,68**
90,0
85,0
85,0
80
85,0 Produtiviade
85,0
100,0
Produtiviade
Relativa
da da
Soja
(%)(%) 85,0
Relativa
do Milho
(%)
Produtiviade
Relativa
Soja
85,0
ŷ
=
ӯ=
97,60
13,0
17,0
27,0
50,0
52,0
Produtiviade
Relativa
do
Milho
(%)
0,0 1,01,0
1,0 2,0
0,00,0
2,0 3,0 3,0 4,0 4,0
4,0 5,0 5,0
5,0 6,0 6,0
6,0 6,5 6,5 13,0
21,0 85,0 29,0
37,0
45,0
6,0
22,0
45
90,0
400,0
420,0 1,0
0,0
2,0 530,0
3,0
4,0 680,0
5,0
6,0
100,0
85,0Doses
100,0
Doses
ha
0,0 (meses)
8,0
16,0
24,0
32,0
40,0 (meses)
48,0
56,0
Doses
de Gesso
Gesso
(kg
ha
Tempo
de Gesso
(kg(kg
ha-1
) -1-1) )
Tempo
ŷ = ӯ= 97,60
-1
(c)
-1
Produtiviade
Relativa
do
Milho
(%)
de Argila
(g de
kg Gesso
)
400,0
450,0
500,0
550,0
600,0
650,0 Teor700,0
Doses
(kg ha )
110,0
Tempo (meses)
85,0 ŷ = ӯ= 97,60
95,0
Teor
de Argila
(g kg-1110
)
400,0
450,0
500,0
550,0
600,0
650,0
700,0
y
=
-0,298x2
+
2,796x
+
92,21
85,0
105,0
95,0
95,0
105
0,45**
Argila (g kg-1)
y =100,0
+R²
2,796x
+ 92,21
y-0,298x2
= -0,298x2
+=2,796x
+ 500,0
92,21
400,0
450,0
550,0
600,0
650,0 Teor de
700,0
a
a
a
R² =
R²0,45**
= 0,45**
100,0
100 -1
Teor de Argila (g kg )
95,0
-0,27x2
y = 91,3 + 2,95x
R² = 0,68**
95
90
85
85,0
85,0
85,0
85,0
80
90,0 3,0
0,0
1,0
2,0
6,06,5 6,5
6,0
22,0
45,0
0,0 1,0
1,0 2,02,0
2,0 3,03,0
3,0 4,04,0
4,04,0
5,0 5,0
6,0 6,5
0,0
5,05,0
6,06,0
0,0
1,0
-1
Tempo (meses)
-1) )
y = -0,268x2 + 2,952x + 91,34
-1ha
Doses
deGesso
Gesso
(kg
-1
Doses
de
Doses
de Gesso
(kg(kg
ha
ha
)) ha
R² = 0,68**
85,0
1,0
2,0 relativa
3,0
4,0de soja
5,0 (a),
6,0 trigo (b) e milho (c) para todos
Figura 8: Relação entre a 0,0
produtividade
de Gesso
(kg ha-1
)
experimentos em conjunto com asDoses
doses
de gesso
isoladas
ou combinadas ao calcário e tempo
de avaliação. * Significativo a 5% de probabilidade de erro; ** Significativo a 1% de
probabilidade de erro. Letras iguais nas colunas não diferem estatisticamente a 5% de
probabilidade pelo teste de Tukey.
Na Figura 9 foram apresentadas as relações significativas (p < 0,05 e p < 0,01) entre as
produtividades relativas acumuladas de soja, milho e trigo para cada experimento em relação
aos atributos químicos do solo em cada camada amostrada. Na área do Experimento I (Figura
56
9a) foi verificada relação linear positiva (p < 0,01) entre a saturação por bases e a
produtividade relativa, e efeito linear negativo (p < 0,01) entre a saturação por Al e a
produtividade relativa, na camada de 0,25-0,40 m. Foi observado nesse Experimento que até a
profundidade de 0,15-0,25 m a qualidade química do solo era satisfatória, no entanto, a partir
da camada de 0,25-0,40 m, o solo apresentava valores baixos de saturação por bases e altos de
saturação por Al (Tabela 2). Dessa forma, os maiores impedimentos químicos encontrados
pelo sistema radicular ocorreram na camada de 0,25-0,40 m, sendo que os valores de
saturação por bases e de saturação por Al que proporcionaram a máxima produtividade
relativa acumulada foram de 59,0% e 2,9%, respectivamente. Resultados semelhantes foram
anteriormente reportados por Dalla Nora e Amado (2013), em que os autores propuseram que
as máximas produtividades das culturas de milho e soja foram encontradas quando a saturação
por Al foi reduzida abaixo de 10% e a saturação por bases aumentada a valores superiores a
50% na camada de 0,25-0,40 m em dois latossolos do RS.
O solo do Experimento II apresentava reduzida concentração de Al até a profundidade
de 0,40 m (zona de desenvolvimento radicular) (Tabela 2). Mesmo assim, foi verificada
relação quadrática positiva (p < 0,01) entre a saturação por bases e a produtividade relativa, e
relação linear negativa (p < 0,01) entre a saturação por Al e a produtividade relativa na
camada de 0,00-0,40 m (Figura 9b). A máxima produtividade relativa foi encontrada quando a
saturação por bases e a saturação por Al atingiram 70,5% e 0,2%, respectivamente, para a
camada em questão.
No solo do Experimento III, onde a acidez era mais alta na camada superficial do solo
(0,00-0,05 m) (Tabela 2), foi verificado efeito linear e positivo (p < 0,01) entre a saturação
por bases e a produtividade relativa, e efeito linear e negativo (p < 0,01) entre a saturação por
Al e a produtividade (Figura 9c) na camada de 0,00-0,10 m (média ponderada entre as
camadas 0,00-0,05 e 0,05-0,10 m). A saturação por bases que resultou na maior produtividade
relativa foi de 57,3% e a saturação por Al foi de 5,5%, nota-se que está última é inferior ao
limite crítico estabelecido pela CQFS-RS/SC (2004) (10% de saturação por Al na camada de
0,00-0,10 m) (Figura 9c).
O solo do Experimento IV (Figura 9d) apresentava índices de saturação por bases
acima e dde saturação por Al abaixo dos limites críticos propostos pela CQFS-RS/SC (2004)
na camada de 0,00-0,10 (Tabela 2). Contudo foi verificado efeito quadrático positivo (p <
0,01) entre a saturação por bases e a produtividade relativa, e efeito linear negativo (p < 0,05)
entre a saturação por Al e a produtividade relativa na camada de 0,00-0,25 m (média
57
ponderada entre as camadas que compõe essa profundidade). A saturação por bases e a
saturação por Al que atingiram a máxima produtividade relativa acumulada foram de 63,1% e
5,6%, respectivamente, para a camada de 0,00-0,25 m. Vieira et al. (2013), avaliando o
desempenho de culturas da soja e milho em Latossolos do Paraná, observaram que o nível
crítico da saturação por bases foi de 60% na camada de 0,00-0,20 m proporcionou
produtividade próxima do máximo retorno econômico.
Os níveis de saturação por bases e de saturação por Al observados nesse estudo, bem
como as camadas diagnósticas correlacionadas com a produtividade, são, em sua maioria,
superiores as preconizados pela CQFS-RS/SC (2004). Contudo, estão de acordo com os
resultados observados por Raij et al. (1997) para o Estado de São Paulo e Nicolodi et al.
(2008) para o Estado do RS, onde os autores sugeriram a saturação por bases de 60% na
camada de 0,00-020 m como limite crítico para as culturas em SPD.
Resultados semelhantes aos encontrados nesse estudo foram verificados por Caires et
al. (2000) em um Latossolo do Paraná, em que os autores propuseram que a máximo retorno
econômico em cinco anos para as culturas da soja, milho e trigo foram alcançados quando a
saturação por bases foi calculada para alcançar 65%, na camada de 0,00-0,20 m. Já, Caires et
al. (2005) observaram que a saturação por bases calculada para 70% na camada de 0,00-0,20,
resultou no maior retorno econômico para o período de 10 anos.
De acordo com os resultados apresentados no presente estudo, nota-se que o aumento
da produtividade em SPD é inicialmente dependente da melhoria das condições superficiais
do solo (Figura 9c). Posteriormente, a melhoria química de uma camada um pouco mais
profunda (0,00-0,25 m) é fundamental para atingir melhores resultados de produtividade.
Quando a camada de enraizamento mais profunda é corrigida (camadas até 0,40 m), os tetos
de produtividade são maximizados (Figura 7a, 7b).
58
Experimentos com rotação de culturas e perfil corrigido (a)
Local 1 I
Experimento
____y = 100,84 -0,308x
____y = 88,106 + 0,2002x
Camada de 0,25-0,40 m
R² = 0,43**
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Experimento
I
Local 1
100,0
95,0
90,0
59,0%
85,0
20,0
30,0
40,0
50,0
60,0
Camada de 0,25-0,40 m
100,0
95,0
2,9%
90,0
85,0
0,0
70,0
____y = - 3,144 + 2,877x
R² = 0,34**
100,0
95,0
90,0
70,5%
85,0
50,0
55,0
60,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
65,0
70,0
(b)
Experimento
II
Local
2
-0,0204x2
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Camada de 0,00-0,40 m
5,0
Saturação por Al
Saturação por Bases
Local
2
Experimento
II
R² = 0,37**
Camada de 0,00-0,40 m
____y = 98,47 -1,396x
R² = 0,31**
100,0
75,0
95,0
90,0
0,2%
85,0
0,0
1,0
2,0
Saturação por Bases
3,0
4,0
5,0
Saturação por Al
Camada de 0,00-0,10 m
R² = 0,49**
100,0
95,0
90,0
57,3%
85,0
40,0
45,0
50,0
55,0
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
Experimentos sem rotação de culturas e perfil não corrigido (c)
Experimento
III
Experimento
III
Local 3
Local
3
____y =
____y = 57,58 + 0,750x
100,0
95,0
85,0
5,0
60,0
95,0
63,1%
55,0
60,0
Saturação por Bases (V%)
Produtividade Relativa (%)
Produtividade Relativa (%)
100,0
85,0
50,0
7,5
10,0
12,5
15,0
Saturação por Al (m%)
Experimento
IV
Local
4
____y = - 258,3 + 11,354x -0,09x2
m
R² = 0,71**
90,0
5,5%
90,0
Saturação
Experimento
IV por Bases (V%)
Local 4
Camada de 0,00-0,25
108,09 -1,5108x
R² = 0,60**
Camada de 0,00-0,10 m
65,0
Camada de 0,00-0,25 m
(d)
____y = 111,82 -1,9296x
R² = 0,61*
100,0
95,0
5,6%
90,0
5,0
6,0
7,0
8,0
9,0
10,0
Saturação por Al (Sat. Al)
Figura 9: Relação entre a produtividade relativa de soja e trigo e a saturação por bases e a
saturação por Al na camada de 0,00-0,10 m para o Experimento III (a); entre a produtividade
relativa de soja e trigo e a saturação por bases e a saturação por Al na camada de 0,00-0,25 m
para o Experimento IV; entre a produtividade relativa de soja, milho e trigo com a saturação
por bases e a saturação por Al na camada de 0,25-0,40 m para o Experimento I (c); entre a
produtividade relativa de soja, milho e trigo e a saturação por bases e a saturação por Al na
camada de 0,00-0,40 m para o Experimento II (d). Para as profundidades que não foram
amostradas, foi realizada a média ponderada das camadas que a compõe.
59
3.5. Conclusões
Com a aplicação de gesso foi verificado aumento dos teores de Ca em a camada de
enraizamento e aumento dos teores de S nas camadas mais profundas. O maior efeito da
melhoria da qualidade química causada pelo gesso foi constatado em um período superior a
30 meses. O efeito de melhoria da qualidade química persistiu até de 54 meses após a
aplicação dos tratamentos.
A produtividade de soja, trigo e milho foi afetada positivamente pela melhoria da
qualidade química da camada de enraizamento, proporcionada pela combinação do gesso ao
calcário. Neste caso, a combinação dos insumos foi superior ao efeito isolado de cada um
deles.
As doses de gesso que proporciononaram as maiores produtividades de grãos foram de
4,7 Mg ha-1 para a soja, 4,5 Mg ha-1 para o trigo e 5,5 Mg ha-1 para o milho. Para os
experimentos em que havia rotação de cultura durante o verão, as profundidades de
amostragem em que houve relação entre a produtividade com a saturação por bases e
saturação por Al localizavam-se em maiores profundidade (camada de 0,25-0,40 m para o
Experimento I) ou era formada por ma camada de enraizamente profunda (camada de 0,000,40 m para o Experimento II). Já, para os experimentos em que não havia rotação de cultura
no veãro as profundidades de amostragem que apresentaram relação com a produtividade
situavam-se mais próximas da superfície (camada de 0,00-0,10 m para o Experimento III e
camada de 0,00-0,25 m para o Experimento IV). Sugerindo que os parâmetros e camadas
amostrais não correspondem ao preconizado pela CQFS-RS/SC (2004).
3.6. Referências Bibliográficas
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65
4. ARTIGO II - MITIGAÇÃO DOS EFEITOS DE DÉFICITS
HÍDRICOS DE CURTA DURAÇÃO PELA MELHORIA QUÍMICA DA
CAMADA DE ENRAIZAMENTO EM SISTEMA PLANTIO DIRETO
4.1. Resumo
A inferior qualidade química das camadas subsuperficiais em sistema plantio direto (SPD)
tem resultado na instabilidade da produtividade das culturas agrícolas em anos de déficit
hídrico no Sul do Brasil. O presente estudo teve o objetivo de avaliar o efeito da melhoria
química da CE sobre a produtividade das culturas agrícolas em SPD sob condições de déficit
hídrico induzido. Foram realizados quatro experimentos em Latossolos distróficos sob SPD
do RS. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso com três repetições. Dois
experimentos foram implantados em 2009 em Carazinho com tratamentos variando de 0,0 a
6,5 Mg ha-1 de gesso. Em um deles, as parcelas foram divididas em duas subparcelas sem e
com restrição de 30% da precipitação pluvial a partir da implantação de câmaras de exclusão.
Outros dois experimentos foram implantados em São Miguel das Missões e Tupanciretã em
2011. Em São Miguel das Missões utilizou-se um delineamento de blocos ao acaso com
parcelas subdivididas, sendo as parcelas principais compostas por doses de gesso variando de
0,0 a 5,0 Mg ha-1, e as subparcelas compostas pelos tratamentos sem calcário na dose de 2,0
Mg ha-1. Em Tupanciretã, o experimento foi composto por um delineamento fatorial 4x4, com
quatro doses de gesso variando de 0,0 a 6,0 Mg ha-1, e quatro doses de calcário variando de
0,0 a 4,8 Mg ha-1. As amostragens de solo foram feitas estratificadamente na camada de 0,000,60 m. Verificou-se aumento na saturação por bases e redução na Saturação por Al em toda a
CE em função das doses de gesso isoladas ou combinadas ao calcário nos quatro
experimentos realizados. O incremento na quantidade de grãos produzida por mm de chuva,
decorrente da aplicação de gesso, foi maior quando houve déficit hídrico durante o período
crítico das culturas, especialmente nas áreas com maior nível de acidez em subsuperfície. A
melhoria química da camada de enraizamento do solo proporcionada pela adição de gesso em
sistema plantio direto atenuou a perda de produtividade da soja associada à restrição hídrica.
66
Palavras-chave: Gesso. Calcário. Restrição hídrica. Saturação por Bases
Abreviações: Al – Alumínio; Ca - Cálcio; CQFS-RS/SC – Comissão de Química e
Fertilidade do Solo; CTC – Capacidade de Troca de Cátions; F – Fluor; Mg – Magnésio; N –
Nitrogênio; P – Fósforo; PRNT – Poder Real de Neutralização do Total; K – Potássio; RS –
Rio Grande do Sul; Sat. por Al – Saturação por Alumínio; S – Enxofre; SO42- - Sulfato; SPD Sistema Plantio Direto.
4.2. Introdução
A adoção do sistema plantio direto (SPD) tem proporcionado diversas melhorias nos
atributos químicos, físicos e biológicos do solo em diversas regiões agrícolas do Brasil
(CONCEIÇÃO et al., 2005; BOLINGER et al., 2007; SÁ et al., 2010). Esse sistema tem
apresentado rápido aumento da área cultivada, atingindo 105 milhões de hectares em todo o
mundo no ano de 2009 (DERPSCH; FRIEDRICH, 2009). No entanto, recentes estudos sob
Latossolos ácidos têm sugerido que a aplicação superficial de adubos e corretivos, associadas
ao não revolvimento do solo, tem criado um acentuado gradiente vertical de redução da
qualidade química do solo partindo da superfície em direção as camadas mais profundas
(BLANCO-CANQUI; LAL, 2008). Além disso, o elevado aporte de resíduos no SPD
complexam o Al da solução do solo de camadas superficiais, diminuindo sua atividade e,
consequentemente, sua toxidez às plantas (SALET et al., 1999), portanto, em relação ao
preparo convencional, para a correção da acidez sob SPD passou-se a utilizar uma dose menor
de calcário ajustada a uma camada diagnóstico de 0,00-0,10 m (CQFS-RS/SC, 2004).
Essa redução da qualidade química em camadas subsuperficiais tem representado
impedimento ao desenvolvimento radicular (SHAINBERG et al., 1989; FARINA et al., 2000;
FOLONI; ROSOLEM, 2006), resultando no uso ineficiente da água armazenada no solo, e
assim, predispondo a planta ao estresse hídrico (JORIS et al., 2013), com decréscimo na
produtividade das culturas em SPD sob condições de precipitação irregulares ou subótimas
(DALLA NORA et al., 2014a; BERGAMASCHI; MATZENAUER, 2014; MARENGO et al.,
2007). Como consequência prática da presença de um gradiente vertical de qualidade química
na camada de enraizamento (CE) tem-se a instabilidade da produtividade, de modo que as
67
satisfatórias produtividades obtidas em anos de precipitação pluvial normal conduzem a falsa
impressão que o problema inexiste (DALLA NORA et al., 2014a).
Déficits hídricos de curta duração têm sido recorrentes durante os cultivos de verão no
RS, fato que tem resultado em quebras de safra sofridas pelo Estado, somando nos últimos 10
anos, ao menos quatro quebras de safra, com maior destaque para safras de 2004/05 e 2011/12
que resultaram em reduções de 30,7% e 31,5%, na produção agrícola, respectivamente
(EMATER, 2012). Em estudo realizado por Matzenauer et al. (1986), os autores observaram
redução de 51% na produtividade de grãos quando a deficiência hídrica ocorre durante o
período reprodutivo do milho no RS. Corroborando, Bergamaschi et al. (2004) verificaram
que o milho tem elevada sensibilidade ao déficit hídrico entre os estádios do florescimento ao
início da formação de grãos. Destaca-se ainda, que a cultura do milho é mais sensível a acidez
quando a umidade do solo é reduzida (FREIRE, 1984).
Em relação à cultura da soja, Bergamaschi et al. (1989) verificaram que no ano
agrícola de 1990/91 (muito seco) a produtividade média no RS foi de 1100 kg ha-1, enquanto
que no ano seguinte (1991/92), praticamente com a mesma tecnologia, porém com maior
quantidade e melhor distribuição de chuvas, a produtividade média atingiu 2700 kg ha-1. Para
a cultura do trigo, maiores reduções de produtividade foram verificadas quando houve
redução de precipitação no período do emborrachamento ao enchimento de grãos
(BERGAMASCHI; MATZENAUER, 2014). No entanto, para a região Sul, o trigo é
cultivado em uma época do ano em que a precipitação pluvial excede, muito, a
evapotranspiração da cultura, de forma que reduções na produtividade do trigo por conta da
de deficit hídrico são de baixa probabilidade de ocorrência no RS (BERGAMASCHI;
MATZENAUER, 2014).
Técnicas de manejo que melhorem a qualidade química da camada de enraizamento
têm sido propostas como alternativa a mitigação do efeito do deficit hidrico devido a maior
eficiência no uso da água armazenada no solo (CAIRES, 2012; DALLA NORA et al., 2014a).
Dentre essas técnicas, o uso isolado do gesso ou combinado com calcário, além do uso
frequente do calcário mesmo em solo já corrigido, tem sido proposto (JORIS et al., 2013;
DALLA NORA; AMADO, 2013). Enquanto o calcário eleva os teores de Ca e Mg na
superfície do solo, o gesso (mais solúvel), se dissocia liberando Ca e SO42- (RAIJ, 2010). Com
isso, há rápida movimentação do SO4-2 para a subsuperfície, favorecendo a descida de cátions
como o Ca, Mg e, em menor quantidade, K (RAIJ, 2010). Além disso, em subsuperfície o Ca
68
desloca o Al para a solução do solo favorecendo a formação do complexo AlSO4+ com
reduzido efeito tóxico às plantas (NAVA et al., 2012; MALAVOLTA et al., 1997).
Estudos realizados por Caires et al. (2005; 2011; 2013), Souza et al. (2012), Dalla
Nora e Amado (2013), Blum et al (2014) e Pauletti et al (2014), revelaram que a melhoria
química da camada de enraizamento em Latossolos manejados sob SPD promoveu
incremento na produtividade, especialmente em condições de déficit hídrico. Devido aos
escassos estudos no RS envolvendo o uso do gesso combinado ao calcário sob SPD
consolidado, o presente estudo teve o objetivo de avaliar o efeito da melhoria química da CE
sobre a produtividade das culturas agrícolas em SPD sob condições de déficit hídrico
induzido.
4.3. Material e Métodos
4.3.1.
Descrição das áreas de estudo
Foram selecionados quatro Latossolos com distintos históricos de rotação de culturas e
qualidade química inicial da camada de enraizamento dispostos em três municípios do RS
para implantação dos experimentos. Dois experimentos, considerados de longa duração (cinco
anos), implantados no ano de 2009 no município de Carazinho - RS. O Experimento I está
localizado nas coordenadas de 28°19’S e 52°55’W, altitude de 595 m com precipitação anual
de 1821 mm e temperatura média anual de 16,0°C. O Experimento II localiza-se nas
coordenadas de 28°17'S e 52°47'W, altitude de 617 m com precipitação pluvial anual de 1821
mm e temperatura média anual de 16,0°C. Outros dois experimentos, considerados de curta
duração (três anos) foram implantados no ano de 2011 nos municípios de São Miguel das
Missões - RS (Experimento III) e Tupanciretã - RS (Experimento IV). O terceiro experimento
foi implantado em São Miguel das Missões nas coordenadas de 28°40’S e 54°23’W, altitude
de 265 m com precipitação pluvial anual de 1651 mm e temperatura média anual de 15,0°C.
O quarto experimento foi implantado em Tupanciretã nas coordenadas de 29°00’S e 53°
94’W, altitude de 507 m com precipitação anual de 1766 mm e temperatura média anual de
17,0°C. Em todos os Experimentos, o solo foi classificado como Latossolo Vermelho
69
Distrófico típico (Typic Hapludox - Soil Survey Staff (2010)) com textura argilosa
(EMBRAPA, 2006). Segundo Köppen (1938) o clima da região é classificado como
subtropical úmido (Cfa). A precipitação durante o período experimental, bem como as
principais avaliações realizadas no solo e nos cultivos estão representadas na Figura 1.
70
SET
FEV
Milho
SET
596 mm
888 mm
FEV
JUL
Soja
Soja
NOV
NOV
ABR
1 Coleta do solo
Meses
3 Coleta do solo
2 Coleta do solo
4 Coleta do solo
Cultura da
Soja
0
Experimento II (b)
Precipitação (mm)
70
140
Precipitação acumulada (mm)
389 mm
SET
Soja
Milho
NOV
NOV
8000
12000
ABR
6000
10000
4000
2000
20
30
120
0
8000
0
20 Caracterização química inicial
100
Aplicação das doses de gesso
10
80
Avaliações de Solo
6000
Meses
1 Coleta do solo
2 Coleta do solo
3 Coleta do solo
4 Coleta do solo
4000
40 Caracterização química inicial
Avaliações de Planta
Cultura da
Cultura do
Milho
Precipitação
Soja
Precipitação
(mm)
Cultura da
Cultura da
Soja
Meses
Soja
Acumulada
0
Precipitação Acumulada
(c)
Precipitação (mm) Meses Precipitação Acumulada
6000
120
70
JUN
70
100
5000
3000
60
50
60
2000
40
40
50
1000
80
20
30
400
Aplicação das
30
10 doses de gesso
Meses
250 mm
705 mm
873 mm
Ciclo da soja
4000
Ciclo do trigo
NOV
OUT
60
Caracterização química inicial
5000
Precipitação (mm)
(mm)
Precipitação
164 mm
140
20
2000
Cultura do
Trigo
Precipitação Acumulada (mm)
0
5 Coleta do solo
60
0
Precipitação Acumulada (mm)
0
Meses
4000
221 mm
ABR
224 mm
651 mm
Ciclo da soja
NOV
629 mm
3000
Ciclo do trigo
JUN
OUT
2000
1000
0
6000
ABR
5000
4000
3000
2000
1000
0
Aplicação da
dose de calcário
Meses
1 Coleta do solo
Avaliações
de Solo
2 Coleta do solo
200
10
Caracterização química inicial
Cultura do
Trigo
Cultura da
Soja
Cultura do
Trigo
Meses
Cultura da
Soja
Avaliações
de Planta
Precipitação (mm)
Precipitação (mm)
Precipitação
Acumulada
Precipitação
(mm)
0
Experimento IV (d)
100
266 mm
70
70
80
Meses
60
60
60
5000
293 mm
685 mm
810 mm
Ciclo da soja
Ciclo do trigo
NOV
JUN
OUT
4000
ABR
3000
50
40
50
40
2000
20
1000
40
30
0
0
20 Caracterização química inicial
30
Aplicação das
10 doses
de gesso
20
Meses
1 Coleta do solo
Aplicação da
dose de calcário
2 Coleta do solo
Precipitação Acumulada (mm)
0
20
10000
60
Experimento III
(mm)
Precipitação
(mm) (mm)
Precipitação
Precipitação
20
40
12000
OUT
FEV
6000
(mm)
Precipitação
(mm) (mm)
Precipitação
Precipitação
40
Precipitação (mm)
Precipitação (mm)
60
935 mm
Trigo
40
40
140
Precipitação (mm)0
60
2000
0
ABR
120
80
Cultura da
Soja
160
20
80
4000
457 mm
JUL
Soja
546 mm
1085 mm
ABR
50
80
410 mm
935 mm
137 mm
Soja
NOV
8000
Precipitação acumulada (mm)
Precipitação (mm)
1239 mm
Cultura do
Trigo
Cultura do
Milho
Precipitação (mm)
442 mm
160
(mm) (mm)
Precipitação
(mm)Precipitação
Precipitação
Cultura
da
Meses
Soja
Meses
Meses
Meses
180
2000
Avaliações de Planta
Cultura
do
Cultura da
Soja
Milho
20
100
10000
4000
5 Coleta do solo
00
40 Caracterização química inicial
120
60
12000
6000
0
2000
2000
Avaliações de Solo
6000
1000
1000
0
0 060
100
8000
3000
3000
202010
80
120
10000
4000
4000
Caracterização química inicial
Aplicação das doses de gesso
12000
5000
5000
ABR
0
404020
100
180
100
ABR
OUT
6000
6000
Precipitação acumulada
Precipitação acumulada
Precipitação (mm)
60
120
100
100
180
100
50
80
160
8080
60
40
140
606040
20
30
120
177 mm
317 mm
Milho
Soja
NOV
936 mm
Trigo
680 mm
1804 mm
1012 mm
458 mm
320 mm
Precipitação Acumulada (mm)
(mm)(mm)
Precipitação
(mm)
Precipitação
(mm)
Precipitação
Precipitação
140
Precipitação acumulada (mm)
638 mm
180
160
70
120
120
381 mm
Precipitação acumulada (mm)
Precipitação
(mm)
Precipitação
Acumulada
Precipitação
Acumulada
Precipitação (mm)
Precipitação acumulada
Precipitação acumulada
Precipitação (mm)
Precipitação
(mm)
Precipitação
(mm)
Precipitação Acumulada (mm)
Precipitação Acumulada (mm)
Experimento I (a)
Avaliações
de Solo
0
10
0
Caracterização química inicial
Cultura do
Trigo
Cultura da
Soja
Meses
Avaliações
de Planta
Meses
Figura 1: Precipitação pluvial diária e acumulada durante o período experimental para os
Experimentos I, II, III e IV, situados em Carazinho, Carazinho, São Miguel das Missões e
Tupãnciretã, respectivamente. Além dos cultivos e amostragens de solo e planta realizados
nos respectivos Experimentos. Fonte: INMET.
71
Anteriormente a implantação dos experimentos, as áreas vinham sendo manejadas sob
SPD há mais de 15 anos, recebendo doses próximas a 2,0 Mg ha-1 de calcário com PRNT de
75% espaçadas em intervalos de 4 a 5 anos. Todos os Experimentos foram cultivadas com a
cultura da aveia preta (Avena strigosa Schreb), a qual foi quimicamente manejada com
glyphosate [N-(phosphonomethyl)glycine]. Posteriormente, foi realizada à aplicação manual e
de forma homogênea das doses de gesso isoladamente na superfície do solo no mês de agosto
de 2009 para os Experimentos I e II considerados de longa duração. Para os Experimentos 3 e
4 considerados de média duração, a aplicação das doses de gesso combinado ao calcário foi
realizada no mês de agosto de 2011. As câmaras de exclusão de precipitação foram instaladas
no Experimento I nos anos agrícolas de 2011/12 e 2013/14.
A sequência de cultivos para os quatro Experimentos, bem como o ciclo das culturas,
adubação efetuada e avaliações realizadas estão apresentados na Tabela 1. Em resumo, a
sequência de cultivos nas áreas experimentais foi a seguinte: Experimento I milho/trigo/soja/aveia preta/soja/aveia preta/milho/trigo/soja; Experimento II - soja-aveia
preta-milho-aveia preta-soja-aveia preta-soja-trigo-soja; Experimento III - aveia preta-sojatrigo-soja-trigo-soja, no entanto as avaliações de produtividade passaram a ser realizadas a
partir do primeiro cultivo de trigo no ano de 2012; Experimento IV - aveia preta-soja-trigosoja-aveia preta-soja, no entanto as avaliações de produtividade passaram a ser realizadas no
primeiro cultivo de trigo no ano de 2012. De modo geral, o primeiro Experimento apresenta
uma rotação mais intensa (3 cultivos de soja para 2 de milho), seguido do segundo (3 cultivos
de soja para 1 de milho) e o terceiro e quarto (com rotação só no inverno e monocultura de
soja). Estes sistemas de cultura representam os principais sistemas adotados no RS.
72
Tabela 1: Sequência de cultivos realizados nos Experimentos I, II, III e IV, além do ciclo das
culturas, adubação utilizada e época da avaliação da produtividade.
Experimento I
Cultivos
Ciclo
Adubação
Aveia preta
Maio à Set. de 2009
Milho
Set.-2009/Fev.-2010
Sem adubação
190 kg ha-1 de N (20 kg ha-1 na base e 170 kg ha-1 em
cobertura), 120 kg ha-1 de P2O5 e 120 kg ha-1 de K2O
Trigo
Soja
Aveia preta
Soja
Aveia preta
Jul. à Nov. de 2010
Nov.2010/Abr.-2011
Maio à Out. de 2011
Nov.-2011/abr.-2012
Maio à Ago. de 2012
Milho
Trigo
Soja
Set.-2012/Fev.-2013
Jul. à Nov. de 2013
Nov.-2013/Mar.-2014
Aveia preta
Soja
Aveia/nabo
Maio à set. de 2009
Nov.2009/Abr.-2010
Maio à Ago. de 2010
Milho
Aveia preta
Soja
Aveia preta
Soja
Trigo
Out.-2010/Fev.-2011
Maio à Set. de 2011
Nov.-2011/Mar.-2012
Maio à Set. de 2012
Nov.-2012/Mar.-2013
Jul. à Nov. de 2010
Sem adubação
240 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Sem adubação
190 kg ha-1 de N (20 kg ha-1 na base e 170 kg ha-1 em
cobertura), 120 kg ha-1 de P2O5 e 120 kg ha-1 de K2O
Sem adubação
240 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Sem adubação
240 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
220 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 e 40 kg ha-1de N
Soja
Nov.-2013/Mar.-2014
220 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
230 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 e 45 kg ha-1 de N
240 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Sem adubação
240 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O))
Sem adubação
190 kg ha-1 de N (20 kg ha-1 na base e 170 kg ha-1 em
cobertura), 120 kg ha-1 de P2O5 e 120 kg ha-1 de K2O
220 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 e 40 kg ha-1de N
220 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Avaliação de
produtividade
Implantação do experimento.
Avaliada em Fevereiro de 2010
Não foi colhido devido à geada
na floração
Avaliada em abril de 2011
Cultura de cobertura
Avaliada em fevereiro de 2012
Cultura de cobertura
Avaliada em Fevereiro de 2012
Avaliada em novembro de 2013
Avaliada em março de 2014
Experimento II
Implantação do Experimento
Avaliada em abril de 2010
Cultura de cobertura
Avaliada em Fevereiro de 2011
Cultura de cobertura
Avaliada em março de 2012
Cultura de cobertura
Avaliada em março de 2013
Avaliada em novembro de 2013
Não Avaliada por problemas de
colheita
Experimento III
Aveia preta
Soja
Trigo
Soja
Trigo
Soja
Maio à Set. de 2011
Sem adubação
Nov.-2011/Mar.-2012
210 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Jul. à Nov. de 2012
210 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 e 40 kg ha-1de N
Nov.-2012/Mar.-2013 210 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)N-P-K).
Jul. à Nov. de 2013
210 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 e 40 kg ha-1de N
Nov.-2013/Mar.-2014
210 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Implantação do Experimento
Não Avaliada
Avaliada em novembro de 2012
Avaliada em março de 2013
Avaliada em novembro de 2013
Avaliada em março de 2014
Experimento IV
Sem adubação
Implantação do experimento
Aveia preta Maio à Set. de 2011
Nov.-2011/Mar-2012
230 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Não Avaliada
Soja
Jul. à Nov. de 2012
220 kg ha-1 da fórmula 5-25-25 e 45 kg ha-1de N
Avaliada em novembro de 2012
Trigo
Nov.-2012/Mar.-2013
220 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Avaliada em março de 2013
Soja
Sem adubação
Cultura de cobertura
Aveia preta Maio à Set. de 2013
Nov.2013/Mar.-2014
230 kg ha-1 da fórmula 2-20-20 (N-P2O5-K2O)
Não Avaliada
Soja
A fonte de N foi a ureia [CO(NH2)2] (45% de N), de P foi superfosfato triplo Ca(H 2PO4)2×H2O (45% of P2O5) e
de K foi cloreto de potássio (60% de K2O); Milho (Zea mays L.); Trigo (Triticum aestivum L.); Soja [Glycine
max (L.) Merr.]; Nabo forrageiro (Raphanus sativus L.)
Os cultivares e hibridos usados no estudo foram: Pioneer 3069 nos Experimentos I e II
e Dekalb 240 nos Experimentos 3 e 4 para o milho; Nidera 5909 nos Experimentos I e II e
Coodetec 235RR nos Experimentos 3 e 4 para soja; Quartzo nos Experimentos I e II e BRS
Tarumã nos Experimentos 3 e 4 para o trigo. Estes materiais genéticos também são os mais
73
representativos dos utilizados atualmente no RS. O milho foi semeado na taxa de 4,0
sementes m-1 com um espaçamento entre linhas de 0,50 m; a soja foi semeada na taxa de 12,0
sementes m-1 (inoculada com Bradyrhizobium japonicum) com um espaçamento entre linhas
de 0,50 m; o trigo foi semeado na taxa de 60 sementes m-1 espaçadas a 0,20 m.
A caracterização química inicial foi realizada anteriormente à implantação dos
experimentos a partir da coleta de cinco sub-amostras tomadas aleatoriamente em cada área
experimental nas seguintes profundidades: 0,00-0,05; 0,05-0,10; 0,10-0,15; 0,15-0,25; 0,250,40 e 0,40-0,60 m. Na Tabela 2 foram apresentados os atributos químicos da caracterização
inicial analisados de acordo com as metodologias descritas em Tedesco et al. (1995).
Tabela 2. Atributos químicos avaliados antes da implantação dos tratamentos nas quatro áreas
experimentais.
Prof.(m)
pHH2O
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
5,6
5,6
5,4
5,2
4,9
4,5
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
5,9
5,7
5,7
5,4
5,1
4,8
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
5,0
4,6
4,3
4,2
4,2
4,2
0,00-0,05
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
6,2
6,1
5,0
4,7
4,4
4,2
Al
Ca
Mg
K
CTCpH7,0
P
S
----------------------cmolc dm-3 ------------------------ ----mg dm-3---Experimento I (Carazinho)
0,0
6,7
3,5
0,18
15,6
28,3
8,6
0,0
6,1
3,5
0,13
14,9
10,1
17,3
0,2
5,4
3,2
0,07
14,8
5,0
12,9
0,4
4,3
3,0
0,05
15,2
2,6
10,8
0,8
2,5
2,6
0,04
15,6
1,1
14,0
0,9
2,1
2,3
0,03
15,3
0,8
15,1
Experimento II (Carazinho)
0,0
4,9
2,2
0,40
11,6
62,8
16,9
0,0
4,2
2,0
0,36
10,3
27,0
14,5
0,0
3,3
2,0
0,35
9,7
16,6
10,4
0,1
2,6
1,8
0,33
9,4
4,07
8,05
0,4
2,5
1,3
0,25
11,4
2,40
9,6
1,2
1,8
0,7
0,17
12,2
0,97
7,2
Experimento III ( São Miguel das Missões)
0,5
4,5
2,8
0,46
16,2
29,2
4,9
1,2
3,1
3,1
0,23
13,4
6,8
2,3
1,8
1,9
1,2
0,15
14,8
3,6
1,1
2,5
1,5
1,7
0,09
13,2
2,4
6,2
2,4
1,4
1,6
0,06
11,6
1,6
4,7
2,1
1,2
1,4
0,06
11,5
1,8
1,6
Experimento IV ( Tupanciretã)
0,0
6,5
3,5
0,37
12,5
14,7
5,2
0,0
4,7
2,3
0,23
10,5
2,7
5,2
0,5
2,3
2,2
0,15
12,5
10,7
4,2
1,3
1,7
1,8
0,11
13,0
4,0
2,4
2,9
1,4
1,1
0,10
20,0
2,3
5,7
4,3
1,1
0,5
0,08
22,3
0,9
12,1
V%
Sat. Al
----------%--------
Argila
-g kg-1-
68,2
67,6
59,9
49,5
34,8
30,9
0,0
0,0
1,8
4,6
16,1
23,9
530,0
600,0
670,0
680,0
700,0
740,0
65,6
64,9
59,1
51,4
37,8
22,3
0,0
0,0
0,0
1,3
8,1
30,9
240,0
320,0
370,0
460,0
500,0
520,0
54,4
43,1
27,7
21,0
23,3
23,8
5,6
15,3
29,9
42,3
43,2
43,3
420,0
600,0
650,0
770,0
750,0
650,0
82,2
68,4
37,0
28,0
13,4
9,6
0,0
0,0
9,9
25,7
52,6
66,9
295,0
335,0
400,0
440,0
500,0
610,0
Al- Alumino, Ca- Cálcio, Mg- Magnésio, K- Potássio, CTCpH7,0- Capacidade de troca de cátions a pH 7,0, PFósforo, S- Enxofre, V%- Saturação por bases, Sat. Al- Saturação por Al.
74
4.3.2.
Delineamento experimental
O delineamento experimental utilizado em todos os experimentos foi de blocos ao
acaso com três repetições. Cada parcela experimental possuía uma área de 64,0 m2, com
dimensões de 8,0 x 8,0 m. Os tratamentos investigados nos experimentos I e II foram iguais,
constituindo-se das seguintes doses de gesso: 0,0; 1,0; 2,0; 3,0; 4,0; 5,0 e 6,5 Mg ha-1
aplicados na superfície do solo. Para o Experimento III os tratamentos investigados foram 0,0;
1,0; 2,0; 3,0; 4,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso aplicados na superfície do solo. Após 22 meses, em
abril de 2013, os tratamentos principais foram subdivididos e as subparcelas foram compostas
pelas doses de 0,0 e 2,0 Mg ha-1 de calcário dolomítico. O Experimento IV constitui-se de um
fatorial 4x4, sendo empregadas quatro doses de gesso: 0,0; 2,0; 4,0 e 6,0 Mg ha-1, e quatro
doses de calcário: 0,0; 2,4; 3,6 e 4,8 Mg ha-1 de calcário. As doses de gesso e calcário foram
aplicadas simultaneamente na superfície do solo.
O gesso agrícola (CaSO4.2H2O) utilizado nos experimentos continha em sua
composição 210,0 g kg-1 de Ca, 155,0 g kg-1 de SO4-S, 0,024 g kg-1 de F e 9,0 g kg-1 de P2O5.
O calcário dolomítico continha 30% de CaO e 20% de MgO com 75% de PRNT e 85% de
reatividade.
4.3.3.
Descrição das principais avaliações temporais realizada nas áreas
experimentais
Para o Experimento I, as amostragens de solo foram realizadas aos seis, 14, 22, 32, 44
e 56 meses após a aplicação dos tratamentos. No Experimento II as amostragens foram
realizadas aos seis, 22, 32, 44 e 56 meses após a aplicação dos tratamentos. Para os
Experimentos III e IV as amostragens foram aos 15 e 30 meses após a aplicação dos
tratamentos. No Experimento III, a amostragem de solo realizada aos 30 meses recorreu após
oito meses da formação das subparcelas com calcário. O solo foi amostrado em três repetições
para compor uma amostra de solo nas seguintes profundidades: 0,00-0,05; 0,05-0,10; 0,100,15; 0,15-0,25; 0,25-0,40 e 0,40-0,60 m pela abertura manual de trincheiras com dimensões
de 0,3 x 0,3 x 0,6 m. As amostras de solo foram coletadas com uma espátula na parede frontal
75
da trincheira e foram secas em estufas de ventilação forçada e manipuladas visando à retirada
de raízes e resíduos de plantas.
Os atributos químicos foram determinados de acordo com as metodologias descritas
em Tedesco et al. (1995). As determinações químicas foram: pH em água (1:1 solo-água), teor
de Al extraído com KCl 1 mol L-1 e titulado com NaOH 0,0125 mol L-1, Ca e Mg extraídos
com KCL 1 mol L-1 e determinados por espectrofotometria de absorção atômica, P e K
extraídos com solução de Mehlich-I. A concentração de P foi determinada por colorimetria
usando molibidato de amônio e o teor de K foi determinado por fotometria de chama. A
determinação do teor de S foi realizada a partir da extração com Ca(H2PO4)2CH2O (500 mg L1
de P) e posteriormente determinado por turbimetria (BEATON et al., 1968).
Na maturação fisiológica das culturas de milho, soja e trigo, adjacente ao local de
coleta de amostras de solo, foram coletadas manualmente amostras para determinação da
produtividade. Foram coletados quatro metros lineares das culturas (dois metros em cada
linha de semeadura por subparcela), e a massa de grãos foi corrigida para umidade de 13%.
4.3.4.
Avaliação da exclusão parcial da precipitação
Com o intuito de avaliar o efeito da melhoria química do solo pelo uso do gesso em
relação à produtividade em situações de déficit hídrico, foram instaladas câmaras de exclusão
parcial da precipitação sobre a cultura da soja nas safras de 2011/12 e 2013/14 no
Experimento I (Anexo A). Tais câmaras consistiram de faixas plásticas montadas sobre uma
estrutura de madeira que excluíam aproximadamente 30% da precipitação pluvial ocorrida na
área. Para isolamento lateral, foram colocadas faixas de plástico enterradas e ao entorno da
câmara evitando a entrada da água lateralmente por escoamento horizontal. Os tratamentos
selecionados no Experimento I para receber a restrição da precipitação foram de 0,0; 3,0 e 5,0
Mg ha-1 de gesso. Os tratamentos com 3,0 e 5,0 Mg ha-1 foram selecionados por apresentar
uma significativa melhoria química do ambiente subsuperficial do solo (Tabela 3).
76
4.3.5.
Determinação da precipitação real, normal e ideal para as culturas de grãos
A precipitação ocorrida (real) observada durante o ciclo e para o período crítico foi
registrada a partir de estações pluviométricas próximas aos experimentos investigados. A
precipitação normal para o ciclo da cultura e para o período crítico, estabelecida como a
média dos últimos 30 anos (entre 1961 a 1990), foi obtida apartir do banco de dados do
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, 2014).
Com relação à precipitação ideal para a cultura do milho, de acordo com Radin et al.
(2003) e Bergamaschi et al. (2001) na média de quatro anos durante as safras de 1993/94 a
1996/97, o consumo de água da cultura do milho foi de 5,1 mm precipitados por dia. Dessa forma
o consumo em mm durante o ciclo do milho foi obtido multiplicando-se os dias do ciclo da
cultura em cada Experimento pelo fator 5,1 mm (aproximadamente 765 mm para o ciclo). De
acordo com Bergamaschi et al. (2007), para as principais regiões produtoras de milho do RS,
foram encontradas relações assintóticas entre a precipitação e os principais estádios
produtivos da cultura, sendo que a produtividade estabiliza quando a precipitação totaliza
acerca de 300 mm no período de 45 dias, contado a partir de 5 dias antes do pendoamento.
Com base nisto, a precipitação de 300 mm distribuidas durante o período crítico foi;
considerada como ideal para a cultura do milho.
De acordo com Bergamaschi et al. (2007), as melhores produtividades da cultura da
soja foram obtidos com 650 a 700 mm de água bem distribuídas no ciclo (7 a 8 mm dia-1). Os
mesmos autores também observaram que são necessários 300 mm no período crítico de 60
dias correspondentes da floração ao enchimento de grãos da cultura. Dessa forma foi usada
uma média de 675 mm como precipitação ideal para o ciclo da cultura e de 300 mm para o
período crítico.
Em relação à cultura do trigo, Westphalen (1983) constatou que a precipitação ideal
durante o ciclo da cultura foi 3,9 mm dia-1. No entanto essa precipitação foi mais crítica
durante o período que ocorreu nos estádios de emborrachamento, espigamento e enchimento
de grãos somando um período de 50 dias. Assim, o número de dias de ciclo da cultura e o
número de dias do período crítico foram multiplicados pelo fator de 3,9 mm resultando na
precipitação ideal para cada cultivo da cultura do trigo (aproximadamente 507 mm para o
ciclo e 195 mm para o período crítico).
77
4.3.6.
Analise estatística
Os resultados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) utilizando o
procedimento PROC GLM no SAS (Sistemas de Análise Estatística Institute Inc., 1985) em
um modelo em blocos completos ao acaso. As análises de regressão foram realizadas
utilizando o procedimento PROC REG no SAS. Quando houve efeito significativo entre as
doses de gesso isoladas ou combinadas com calcário com a saturação por bases e saturação
por Al para a última coleta realizada, o efeito dos foi analisado por regressão. Quando houve
efeito significativo entre os tratamentos com os kg de grãos por mm precipitado, o efeito foi
analisado por regressão. As médias da saturação por bases e saturação por Al em cada camada
do solo nos tratamentos de 0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 foram submetidas ao teste F e comparados
pela diferença mínima significativa (DMS) (Teste de Tukey). Para os tratamentos com
exclusão da precipitação, as médias da produtividade foram submetidas ao teste F e
comparadas pelo teste de Tukey com significância em p < 0,05.
4.4. Resultados e Discussão
4.4.1.
Caracterização dos atributos químicos do solo anteriormente à aplicação dos
tratamentos nos quatro Experimentos investigados
Os Latossolos são naturalmente ácidos e inférteis (ESCOSTEGUY, 2012; DALLA
NORA; AMADO, 2013). Portanto os solos selecionados para esse estudo exigem técnicas que
promovam a melhoria da qualidade química da camada de enraizamento. A aplicação de
fertilizantes e corretivos na superfície do solo em Latossolos manejados sob SPD, geralmente
resultam na melhoria química das camadas superficiais porém tem pequeno efeito nas
camadas subsuperficiais ácidas e inférteis, resultado da ação lenta e limitada dos corretivos
agrícolas (AMADO et al., 2009). Com isto, forma-se um gradiente de qualidade química que
pode ser visualizado nos Experimentos 1, 2 e 4 (Tabela 1). Ainda, em condições onde o
calcário é aplicado em doses reduzidas espaçadas por longos períodos de tempo,
78
especialmente em solos com predominância de cargas variáveis, o efeito do corretivo é
insuficiente mesmo para correção adequada das camadas superficiais. Esse efeito pode ser
observado no solo do Experimento III (Tabela 1), havendo características de acidez ainda na
superfície do solo.
Considerando os critérios para recomendação de uso do calcário da CQFS-RS/SC
(2004) para a camada do solo de 0,00-0,10 m (pH > 5,5; saturação por bases > 65%, saturação
por Al < 10%), os Experimentos 1, 2 ,4 considerando a média dos parâmetros entre as
camadas de 0,00-0,05 m e 0,05-0,10, não atenderiam nenhum dos critérios anteriormente
citados (Tabela 2). Dessa forma não se esperaria melhoria da produtividade em resposta a
aplicação dos tratamentos considerando os critérios da CQFS-RS/SC (2004). No entanto, o
Experimento III apresentava todos os critérios abaixo do limite crítico para aplicação de
calcário (Tabela 2), sugerindo que nesse Experimento haveria elevada probabilidade de
resposta ao uso do corretivo.
Considerando os critérios reportados por Caires (2012), o limite crítico da saturação
por bases para recomendação de calcário seria de 70% na camada de 0,00-0,20 m, como
proposta para atingir a máxima produtividade acumulada ao longo de 10 anos. Considerando
esse critério, todas as áreas selecionadas para o estudo necessitariam da aplicação de calcário
(Tabela 2) (considerando a média ponderada da saturação por bases nas camadas de solo até
0,20 m). O uso desse critério proposto por Caires (2012) para a recomendação de calcário na
superfície, resulta em uma frente de alcalinização cuja intensidade é proporcional a dose e
frequência de reaplicação. A elevação do pH abaixo da zona de deposição do calcário
somente ocorre após o pH da zona de dissolução atingir valores na faixa de 5,0 a 5,6
(HELYAR, 1991). Já, aplicações de calcário na superfície do solo baseadas em frações da
demanda de calagem ou com intervalo de tempo muito espaçado, têm resultado em melhoria
da qualidade química restrita à superfície do solo, em contraste à precária qualidade química
em subsuperfície (BORTOLUZZI et al., 2014).
A correção baseada na camada de solo mais profunda do que a superficial (0-0,10 m)
como a proposta por Caires (2012) resultaria na amenização da transição abrupta da qualidade
química entre as camadas superficiais e as subsuperficiais, favorecendo o desenvolvimento
radicular até as camadas mais profundas do perfil, e assim, resultando no uso mais eficiente
da água armazenada no solo, especialmente em anos de déficit hídrico (FARINA et al., 2000;
ALLEONI et al., 2005). Considerando os critérios propostos por Sousa e Lobato (2002) em
relação à aplicação de gesso, os autores sugeriram que os teores críticos de Ca fossem
79
menores que 0,5 cmolc dm-3 e saturação por Al superior a 20% na camada de 0,20-0,40 m.
Nesse estudo, somente os Experimentos III e IV atenderiam o critério saturação por Al
(Tabela 1). No entanto nenhum dos Experimentos estuados apresentava teores de Ca
inferiores ao limite crítico por aqueles autores.
A transição abrupta da qualidade química na camada de enraizamento é um fator
considerado prejudicial para a produtividade das culturas (REEVE; SUMNER, 1972). Esta
situação, é agravada pela irregularidade da precipitação quando da ocorrência de déficits
hídricos durante o período crítico de desenvolvimento da cultura (BERGAMASCHI;
MATZENAUER, 2014).
4.4.2.
Variabilidade pluviométrica durante o ciclo das culturas
A irregularidade temporal na distribuição pluviométrica pode ser observada na Figura
1 para o Experimento I, isso porque, enquanto o cultivo de milho de 2009/10 apresentou
precipitação de 1804 mm, a safra de milho de 2012/13 recebeu a precipitação de 680 mm
durante o ciclo da cultura, sendo esta 165% inferior. Ainda, durante o período crítico da soja
de 2010/11 a precipitação foi de 317 mm, já na safra de 2011/12 a precipitação foi de 177 mm
o que representa redução de 79% da precipitação para o mesmo período, porém em anos
diferentes. De maneira semelhante a safra de soja de 2009/10 para o Experimento II recebeu
precipitação de 1239 mm durante o ciclo da oleaginosa e 442 mm durante o período crítico, já
para a safra de 2011/12 a precipitação durante o ciclo foi de 546 mm e durante o período
crítico foi de 137 mm, o que representa redução de 127% e 223% para o ciclo e o período
crítico, respectivamente. A variação da precipitação pluvial tem sido mencionada como o
principal fator causador da instabilidade da produtividade em áreas agrícolas do RS e do
Brasil (BERGAMASCHI; MATZENAUER, 2014).
80
4.4.3.
Atributos químicos do solo afetados pela aplicação dos tratamentos
Foi verificada interação significativa entre as doses de gesso e o tempo para os
atributos químicos do solo saturação por bases e saturação por Al nos quatro Experimentos
estudados (Apêndice A). Também foi observada interação significativa entre as doses de
gesso e calcário, resultando no efeito significativo sobre os cátions Ca, Mg e Al (Apêndice
A). Portanto, para caracterizar os efeitos do gesso sobre a saturação por bases e a saturação
por Al nos solos estudados das áreas experimentais foram selecionados os resultados
correspondentes à última amostragem de solo realizada em cada Experimento (Tabela 3). Para
os experimentos considerados de longa duração (Experimento I e Experimento II) foram
apresentados os resultados da coleta de solos realizada aos 56 meses após a aplicação dos
tratamentos. Já, para os experimentos considerados de média duração (3 e 4) estão
apresentados os resultados da coleta de solo realizada aos 30 meses após a aplicação dos
tratamentos (Tabela 3).
Em relação ao Experimento I, não foi verificado efeito significativo (p > 0,05) da
aplicação de gesso na saturação por bases nas camadas de 0,00-0,05 m e 0,05-0,10 m após 56
da aplicação dos tratamentos. No entanto, foi verificado efeito significativo do gesso apenas
na saturação por bases da camada intermediária de 0,10-0,15 m e das camadas mais profundas
do perfil (0,25-0,40 m e 0,40-60 m) (Tabela 3). Esse resultado se deve à migração e acúmulo
de Ca nas camadas mais profundas do perfil do solo, aumentando a saturação por bases
(RAIJ, 2010). Resultados anteriormente reportados por Souza et al. (2012) corroboram com
os encontrados nesse estudo, em que os autores verificaram aumentos significativos na
saturação por bases pelo uso do gesso em um Latossolo, apenas na camada de 0,20-0,30 m,
após 55 meses da aplicação.
No Experimento I, os coeficientes de determinação mais elevados e os maiores
incrementos na saturação por bases (y, em %), de acordo com as doses de gesso (x, em Mg ha1
), ocorreram nas camadas de 0,25-0,40 m (y = 28,4 + 7,52x -0,75x2) e 0,40-0,60 m (y = 27,5
+ 8,04x -1,01x2), com incrementos de 66% e 56%, respectivamente, em relação ao tratamento
testemunha. Resultados semelhantes foram observados por Caires et al. (2006), sendo que,
após 56 meses da aplicação de até 9,0 Mg ha-1, verificaram-se aumentos na saturação por
bases apenas nas camadas inferiores a 0,40 m.
81
Para a saturação por Al (y, em %) em relação às doses de gesso (x, em Mg ha-1) foi
observado efeito nas mesmas profundidades reportadas para a saturação por bases (Tabela 3).
Esse efeito se deve, especialmente, pelo incremento dos teores de Ca que reduzem a atividade
do Al na solução (MALAVOLTA et al., 1997). O maior coeficiente de determinação e a
maior redução da saturação por Al pelo efeito das doses de gesso foram constatados na
camada de 0,40-0,60 m (y = 26,05 - 2,63x + 0,12x2), com redução de 86% em relação ao
trtamento testemunha. Resultados reportados por Pauletti et al. (2014) corroboram com os
encontrados nesse estudo, sendo que os autores observaram reduções significativas na
saturação por Al proporcionalmente ao aumento das doses de gesso (0,0 a 12,0 Mg ha-1)
aplicadas em um Latossolo (a saturação por Al passou de 87% no tratamento testemunha para
valores pouco acima de 40%).
Para o Experimento II, foi constatada relação significativa e positiva entre as doses de
gesso e a saturação por bases em todas as camadas do solo, com exceção apenas da camada de
0,10-0,15 m (Tabela 3). No entanto, os maiores coeficientes de determinação também foram
observados nas camadas subsuperficiais de 0,25-0,40 m (y = 36,2 + 11,9x -1,45x2) e 0,400,60 m (y = 21,1 + 12,31x -1,24x2), com incrementos na ordem de 68% e 147%,
respectivamente, em relação à testemunha. Quanto à saturação por Al, não foi verificado
efeito das doses de gesso até a camada de 0,15-0,25 m por conta da inexistência de Al
trocável até essa camada. Porém, para as camadas mais profundas, foi observado efeito
quadrático (p<0,01) nas camadas de 0,25-0,40 m (y = 18,89 - 7,89x + 0,89x2) e 0,40-0,60 m
(y = 36,8 - 9,90x + 0,94x2), com reduções em 245% e 236%, respectivamente, em relação ao
tratamento testemunha. Resultados semelhantes foram encontrados por Souza et al. (2012)
com aplicações de gesso em um Latossolo.
Para o Experimento III, aos 30 meses após a aplicação dos tratamentos, foi observado
aumento linear, positivo e significativo na saturação por bases na maioria das camadas do
solo, com exceção das camadas de 0,10-0,15 m e 0,15-0,25 m, nas quais foi verificado efeito
quadrático (p<0,05) (Tabela 3), em função da aplicação de gesso. Apesar de o solo dessa área,
que era o mais ácido, não ter atingido os níveis críticos de saturação por bases [65% na
camada 0,00-0,10 m (CQFS-RS/SC, 2004)] com nenhuma dose aplicada, de acordo com as
equações ajustadas para a camada de 0,00-0,05 m (y = 51,74 + 1,47x) houve incremento de
14% na saturação por bases. Ainda, para as camadas subsuperficiais de 0,15-0,25m (y = 21,4 1,88x + 0,92x2) e 0,25-0,40 m (y = 19,1 + 1,98x) esse incremento foi de 12% e 52%,
respectivamente, em relação à testemunha. Em relação à saturação por Al, foi verificado
82
decréscimo para a maioria das profundidades amostradas, em função das doses de gesso, com
exceção das camadas de 0,00-0,05 m e 0,40-0,60 m (Tabela 3). Para a camada de 0,10-0,15 m
houve redução linear na saturação por Al (y = 20,31 - 2,78x), alcançando níveis inferiores a
10% [valor crítico segundo a CQFS-RS/SC (2004)] nas doses mais elevadas de gesso
combinadas com calcário. Para as camadas de 0,15-0,25 m (y = 39,69 + 5,16x -1,72x2) e 0,250,40 m (y = 39,75 + 4,40x -1,46x2), as doses de gesso reduziram a saturação por Al em 76% e
59%, respectivamente, em relação ao tratamento testemunha.
Para o Experimento IV, a aplicação das doses de gesso combinadas com 3,6 Mg ha-1
de calcário, não afetaram a saturação por bases nas camadas superficiais do solo (Tabela 3).
No entanto, a saturação por bases média na camada de 0,00-0,10 (média da saturação por
bases calculada com as camadas de 0,00-0,05 m e 0,05-0,10 m) foi superior a 75% (Tabela 2).
Contudo, foi observado efeito quadrático (p<0,05) para as profundidades de 0,15-0,25 m (y =
34,27 - 8,62x + 2,15x2) e 0,25-0,40 m (y = 22,47 - 6,05x + 1,26x2), além do efeito linear
(p<0,05) para a camada de 0,40-0,60 m (y = 8,37 - 2,17x + 0,75x2) (Tabela 3), representando
incrementos na ordem de 75%, 40% e 167%, respectivamente, em relação ao tratamento
testemunha. Já, para a saturação por Al foram observadas reduções lineares apenas nas
camadas de 0,25-0,40 m (y = 54,93 -2,40x; p<0,05) e 0,40-0,60 m (y = 69,63 -2,43x; p<0,01),
representando decréscimos de 36% e 26%, respectivamente, para a maior dose de gesso
combinada ao calcário em relação à testemunha.
Diferentemente do que foi observado no Experimento III, o solo do Experimento IV
apresentou efeitos mais pronunciados nas camadas mais profundas do solo. Esse resultado se
deve, especialmente, pela elevada qualidade química superficial do solo dessa área,
potencializando o efeito de dissolução e descida gesso em subsuperfície (DALLA NORA et
al., 2014a). Esse efeito se assemelha com a aplicação do calcário combinado ao gesso em um
solo ácido, ao passo que o primeiro aumenta o pH, teores de Ca e Mg em superfície, o sulfato
presente no gesso tem sua descida facilitada pelo maior saldo de cargas negativas, resultando
na redistribuição do Ca e Mg nas camadas mais profundas do perfil (RAIJ, 2010).
São escassos os trabalhos que relacionam a produtividade das culturas com os valores
de saturação dos cátions (Ca, Mg e K) na CTC (FAGERIA, 2001). Em estudos anteriores,
Bear e Toth (1948) propuseram que a participação dos cátions no complexo de troca deveriam
somar 80%, constituindo-se de 65% de Ca, 10% de Mg, e 5% de K. Para o estudo em questão,
na dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, o solo do Experimento I atingiu valores próximos de 55%
de Ca, 17,0% de Mg e 2,5% de K (Apêndice E), na camada de 0,00-0,10 m (média entre as
83
camadas de 0,00-0,05 m e 0,05-0,10 m). Nessa mesma dose, para o solo do Experimento II, os
valores observados foram de 52%, 17% e 3,5% de Ca, Mg e K, respectivamente. No solo do
Experimento III, a dose de 4,0 Mg ha-1 de gesso proporcionou valores de 38%, 12% e 3%, de
Ca, Mg e K, respectivamente. Já, para o solo do Experimento IV, na dose de 6,0 Mg ha-1 de
gesso combinada ao calcário, os percentuais alcançados de Ca, Mg e K na CTC foram 55%,
23% e 4,3%, respectivamente (Apêndice E). De maneira geral, os tratamentos não alcançaram
adequado balanço catiônico no complexo de troca. Os quatro solos estudados se
assemelharam pelas reduzidas saturações por Ca e K em detrimento da elevada saturação por
Mg. Tal efeito deve-se a aplicação periódica de calcário dolomítico ao longo dos anos
associada a monocultura de soja e às reduzidas doses de K recomendadas quando o teor no
solo é médio ou elevado, situação corriqueira em Latossolos do RS. Nesse contexto, a
aplicação de gesso aumenta a participação de Ca e diminui a participação de Mg no complexo
de troca, assim, o manejo adequado desse insumo pode ser de grande valia para melhorar o
equilíbrio catiônico de tais solos ao longo do tempo.
84
Tabela 3: Regressão entre saturação por bases e saturação por alumínio (Sat. por Al) com as
doses de gesso isoladas ou combinadas ao calcário para o Experimento I e Experimento II
após 56 meses da aplicação dos tratamentos e para o Experimento III e Experimento IV após
30 meses da aplicação dos tratamentos.
0,00-0,05
0,05-0,10
Prof. (m)
0,10-0,15
0,15-0,25
Dose
V%
Sat. Al
V%
Sat. Al
V%
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,5
Efeito
R2
71,1
75,8
78,1
80,5
77,3
76,3
80,0
ns
-
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
s/Al
-
64,7
63,7
66,3
72,0
66,9
68,4
69,6
ns
-
2,5
0,0
0,2
0,0
0,0
0,0
0,0
s/Al
-
56,2
51,6
60,2
61,2
59,5
62,9
62,4
Q*
0,62
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,5
Efeito
R2
69,0
67,5
71,8
74,3
75,0
76,9
75,3
Q*
0,85
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
s/Al
-
65,7
65,5
71,6
78,8
74,8
74,8
72,1
Q*
0,78
Sat. Al
V%
0,25-0,40
0,40-0,60
Sat. Al
V%
Sat. Al
V%
Sat. Al
10,3
12,5
7,3
5,8
5,6
4,4
8,9
ns
-
33,3
28,8
38,4
43,4
50,8
49,4
43,1
Q*
0,75
21,1
25,6
15,8
12,6
7,6
6,3
13,6
Q*
0,73
30,6
30,1
39,2
42,2
45,9
43,7
35,9
Q**
0,80
24,4
27,6
18,5
19,3
17,8
15,8
14,2
Q*
0,84
2,4
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
s/Al
-
36,9
47,9
49,7
59,5
62,3
60,7
51,2
Q**
0,94
19,1
11,4
7,4
2,5
1,5
2,5
5,0
Q**
0,98
25,7
24,9
40,8
48,0
50,6
55,2
46,6
Q*
0,89
36,4
27,8
21,8
15,8
13,0
8,7
13,3
Q**
0,99
39,6
42,1
44,7
41,6
28,4
24,2
Q*
0,92
20,6
20,7
20,3
26,4
26,9
29,4
L**
0,85
40,1
42,0
43,8
37,8
36,2
24,5
Q*
0,95
16,8
19,4
23,6
22,6
28,1
26,8
L**
0,87
41,0
41,2
40,9
43,2
29,8
33,1
ns
-
Experimento I
6,4
5,5
4,1
2,1
1,6
1,8
5,1
Q*
0,82
46,9
41,0
54,1
51,3
58,9
49,7
51,2
ns
-
Experimento II
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
s/Al
-
65,4
66,1
65,1
76,0
70,6
72,6
63,8
ns
-
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
s/Al
-
54,0
54,4
56,0
63,4
65,0
65,3
59,8
Q*
0,77
Experimento III#
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
Efeito
R2
51,3
53,9
54,3
56,7
56,8
59,4
L**
0,95
4,9
8,3
6,3
4,3
3,7
4,6
ns
-
33,9
26,7
39,3
41,6
46,5
49,8
L*
0,80
24,0
14,4
12,4
12,5
9,0
7,8
L*
0,82
26,9
27,5
24,2
30,1
32,9
39,6
Q*
0,94
29,5
29,0
34,4
34,0
22,2
17,9
Q*
0,83
22,1
20,0
19,9
23,9
31,4
33,5
Q*
0,93
Experimento IV$
0,0
84,1
0,0
73,4
0,0
43,7
2,9
33,0
31,4
21,8
53,5
7,5
69,7
2,0
85,7
0,0
73,3
0,5
57,3
6,7
29,4
23,2
17,5
52,8
9,8
65,2
4,0
84,7
0,0
65,7
0,0
49,0
4,1
30,3
25,4
16,4
44,3
9,0
58,7
6,0
90,6
0,0
79,4
0,0
61,9
0,0
61,1
22,6
32,4
40,3
23,5
55,7
s/Al
s/Al
Efeito ns
ns
ns
ns
Q*
ns
Q*
L*
L*
L**
R2
0,95
0,94
0,92
0,89
0,98
NS: não significativo; s/Al: sem Alumínio; L: significativo para regressão linear; Q: significativo para regressão
quadrática; * significativo para p < 0,05; ** significativo para p < 0,01; #Resultados obtidos pela média das
repetições entre os tratamentos com diferentes doses de gesso que não receberam calcário com os que receberam
calcário; $Médias das repetições para os tratamentos que receberam gesso e 3,6 Mg ha-1 de calcário, tratamento
que proporcionou melhores resultados no perfil do solo.
85
4.4.4.
Regime da precipitação e seu efeito na produtividade com a melhoria química
do perfil do solo
Observando a precipitação real durante o ciclo e durante o período crítico das culturas
avaliadas em relação às precipitações normais e ideais (Figura 2), foi constatada elevada
variação entre os cultivos. Para o Experimento I, durante a safra de milho de 2009/10 a
precipitação total do ciclo e do período crítico foi de 1249 e 465 mm, respectivamente sendo
superior à precipitação normal (de 706 e 218 mm respectivamente e mesmo à precipitação
ideal estimada em 765 e 300 mm, respectivamente, para o mesmo período. Já para a safra de
2012/13 a precipitação total do ciclo (730 mm) foi ligeiramente inferior à precipitação ideal
(765 mm), mas durante o período crítico a precipitação foi 50% inferior à ideal. De maneira
semelhante para o Experimento II, no cultivo de milho da safra de 2010/11, a precipitação do
ciclo da cultura (842 mm) foi pouco superior à precipitação ideal (765 mm), no entanto,
durante o período crítico a precipitação foi 38% inferior à precipitação ideal para o mesmo
período. A redução da precipitação poder resultar em decréscimos de até 51% da
produtividade quando ocorrer durante o período crítico da cultura Matzenauer (1986).
Em relação a cultura do trigo, durante as safras de 2012 (Experimento IV) e de 2013
(Experimentos I, II e III), a precipitação ocorrida durante o ciclo da cultura e durante o
período crítico foi superior à precipitação ideal e próxima da precipitação normal (Figuras 2a,
2b, 2c e 2d). No entanto, para a safra de 2012 (Experimento III), apesar da precipitação
durante o ciclo ter sido 72% superior à ideal, a precipitação durante o período crítico foi 19%
inferior à ideal e 54% inferior à normal (Figura 2c). No entanto, devido a menor
evapotranspiração associada a precipitação adequada, frequentemente não é verificado
redução na produtividade do trigo por conta
de déficit pluviométrico no RS
(BERGAMASCHI; MATZENAUER, 2014).
Para a cultura da soja no Experimento I, apenas a safra de 2013/14 apresentou
precipitação superior à ideal durante o ciclo e o período crítico (Figura 2a). Nas safras de
2010/11 e 2011/12 a precipitação durante o ciclo foi 30% superior e 41% inferior à ideal,
respectivamente. Porém, durante o período crítico da cultura, ambos os anos apresentaram
redução de 20% e 26% da precipitação, respectivamente. Para o Experimento II, apenas a
safra de 2009/10 apresentou precipitação total acima da precipitação ideal durante o ciclo e o
período crítico da cultura (Figura 2b). Nas safras de 2011/12 e 2012/13 a precipitação durante
86
o ciclo foi 68% inferior e 1% superior à ideal, respectivamente. Já para o período crítico,
ambas as safras apresentaram redução de 26% e 50% em relação à precipitação ideal,
respectivamente.
Em relação ao Experimento III, a precipitação ocorrida durante o ciclo da soja na safra
de 2012/13 foi superior à ideal, na safra de 2013/14, a precipitação real foi ligeiramente
inferior à precipitação ideal (Figura 2c). No entanto, a precipitação ocorrida durante o período
crítico foi 29% e 33% inferior à precipitação a ideal para o mesmo período durante as safras
de 2012/13 e 2013/14, respectivamente (Figura 2c). De maneira semelhante, a precipitação
ocorrida durante o ciclo da safra de soja de 2012/13 para o Experimento IV foi superior à
precipitação ideal, mas para o período crítico a precipitação foi 29% inferior à ideal. A
oscilação pluviométrica afeta profundamente a produção das culturas como constatado por
Bergamaschi et al. (1989) e Berlato (1992), onde os autores observaram para o Estado do RS,
que em anos com severo déficit hídrico (1978/79, 1985/86, 1987/88 e 1990/91), as
produtividades médias de soja estiveram abaixo de 1000 kg ha-1, enquanto que por exemplo
no ano seguinte a última safra (1991/92), com maior quantidade e melhor distribuição da
precipitação, a produtividade média atingiu 2700 kg ha-1.
1400,0
1200,0
1000,0
800,0
Milho
1200,0
1200,0
1200,0
1250,0
1000,0
1000,0
1000,0
1000,0
Experimento I (a)
Precipitação Total no Ciclo
Precipitação Normal no Ciclo
Soja
Precipitação Ideal do Ciclo
1200,0
1200,0
1200,0
Precipitação Total no Período Crítico
Precipitação Normal no Período Crítico
Precipitação Ideal do Período Crítico
1000,0
1000,0
1000,0
Trigo
Soja
800,0
800,0
800,0
600,0
600,0
600,0
400,0
500,0
400,0
400,0
400,0
400,0
400,0
400,0
250,0
200,0
200,0
200,0
200,0
200,0
200,0
0,0
Precipitação (mm)
600,0
750,0
600,0
600,0
600,0
200,0
Trigo
Milho
Soja
Soja
800,0
800,0
800,0
Milho
Soja
Experimento II (b)
Soja
0,00,0 0,0
2011/12
2012
2012/13
2013
2013/14
2009/10
2010/11
2011/12
2012
2012/13
2013/14
1,0
1,01,0 2,0
2,02,0 3,0
3,03,0 4,0
4,04,0 5,0
5,05,0 6,02013
6,06,0 7,0
7,07,0
2009/10
2010/11
2011/12
2012/13
2013/14
1,0
1,01,0 2,0
2,02,0 3,0
3,03,0 4,02012
4,04,0 5,0
5,05,0 6,02013
6,06,0 7,0
7,07,0
Soja
0,0
0,00,0
2009/10 0,0
2010/11
1000,0
1000,0
1000,0
Experimento III (c)
1000,0
1000,0
1000,0
Trigo
900,0
900,0
900,0
900,0
900,0
900,0
800,0
800,0
800,0
Trigo
700,0
700,0
700,0
Trigo
Soja
800,0
800,0
800,0
Soja
700,0
700,0
700,0
600,0
600,0
600,0
600,0
600,0
600,0
500,0
500,0
500,0
500,0
500,0
500,0
400,0
400,0
400,0
400,0
400,0
400,0
300,0
300,0
300,0
300,0
300,0
300,0
200,0
200,0
200,0
200,0
200,0
200,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
0,00,00,0
Experimento IV (d)
0,00,00,0
2009/10
2010/11
2011/12
2012/13
2013/14
2009/10
2010/11
2011/12
2012
2012/13
2013
2013/14
1,0
1,01,0 2,0
2,02,0 3,0
3,03,0 4,02012
4,04,0 5,0
5,05,0 6,02013
6,06,0 7,0
7,07,0
1,0
1,0 1,0 2,0
2,0 2,0 3,0
3,0 3,0 4,0
4,04,0 5,0
5,05,0 6,0
6,06,0 7,0
7,07,0
Cultivos
Cultivos
Figura 2: Precipitação pluvial total, normal e ideal durante o ciclo e o período crítico das
culturas nos Experimentos 1 (a), 2 (b), 3 (c) e 4 (d). Fonte: INMET.
87
Como não foi verificada restrição hídrica durante o ciclo do milho durante as três
safras avaliadas (Figura 2a, 2b), observando os resultados obtidos entre kg de grãos de milho
por mm precipitado durante o ciclo da cultura em relação às doses de gesso aplicadas, nota-se
que durante a safra de 2009/10 (Experimento I), quando ocorreu elevada precipitação durante
todo o ciclo (Figura 1), o incremento na produtividade, de acordo com a equação ajustada, foi
de 5,5% para a dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso em relação à testemunha (Figura 3a). Na safra de
2012/13 (Experimento I), de acordo com a equação ajustada, a maior dose de 6,5 Mg ha-1
atingiu a produtividade de 15,5 kg de grãos por mm, sendo esta 8,5% superior à testemunha.
Já, para o cultivo de 2010/11 (Experimento II) a máxima produção de grãos de 11,4 kg por
mm precipitado foi 15% superior à testemunha.
Em relação à quantidade de grãos de milho produzido (kg) por mm precipitado durante
o período crítico, a safra de 2009/10, na dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, apresentou incremento
de apenas 5,5% na máxima produtividade com produção de 17,6 kg de grãos por mm (Figura
3b), reiterando que nessa safra não houve restrição hídrica no período crítico (Figura 2a). No
entanto, as produtividades máximas alcançadas nas safras de 2012/13 (Experimento I) (32,8
kg de grãos por mm) e 2010/11 (Experimento II) (31,2 kg de grãos por mm) foram
semelhantes entre si e mais elevadas que na safra de 2009/10. Essa semelhança entre as safras
de 2010/11 e 2012/13 em relação a produção de grãos por mm precipitado no período crítico,
deve-se ao fato de ambas as áreas terem apresentado estresse hídrico nesse período, sendo que
em ambos os Experimentos houve redução média de 44% da precipitação real em relação à
precipitação ideal (Figura 2a, 2b). Caires et al. (2008a; 2008b) constatou que a redução da
acidez do solo causada pela calagem superficial aumentou o crescimento radicular e melhorou
a nutrição das culturas do milho e da soja, sendo tais efeitos mais evidentes quando o teor de
água disponível no solo foi reduzido.
O déficit hídrico incrementa a susceptibilidade do milho à acidez (FREIRE, 1984),
portanto a restrição hídrica, especialmente durante o período crítico (Figura 3b), afeta o
desenvolvimento radicular e o uso da água especialmente em condições de baixa qualidade
química subsuperficial (REEVE; SUMNER, 1972; RITCHEY, 1980; SHAINBERG et al.,
1989; FARINA et al., 2000). Em um estudo realizado por Joris et al. (2013) com aplicação
superficial de calcário em SPD, os autores observaram maior sensibilidade de genótipos de
milho ao Al quando houve estresse hídrico. Ainda, em decorrência da acidez do solo foi
verificada redução na absorção de N, por consequência do menor desenvolvimento radicular.
88
(I)
(II)
Milho
2009/10
(Local
1)
Milho
2010/11
(Local
2) Milho
Milho
2012/13
(Local
1) 1)
Milho
2009/10
(Local
1)(Local
Milho
2010/11
(Local
2)1)
Milho
(Local
Milho
2009/10
(Local
1)Milho
Milho
2) 2012/13
Milho
2012/13
(Local
1)2012/13
MilhoMilho
2009/10
(Local
1)2009/10
2010/11
(Local
2)(Local
Milho
(Local
2009/10
(Local
1)Milho
2010/11
2)2010/11
Milho
2012/13
(Local
1)
Milho
(Local
1)2010/11
Milho
(Local
2)
2012/13
(Local
1)
(I) 1)1)
MilhoMilho
2009/10
(Local
1) 1)Milho
2010/11
(Local
(Local
2009/10
(Local
Milho
2010/11
(Local2)2) Milho
Milho2012/13
2012/13 (Local
0
0
0
10,0
8,0
6,0
Kg de grãos de milho por
de
KgKgdemm
precipitado
milho por
demilho
grãos
degrãos
precipitado
mmprecipitado
mm
mm precipitado
0 12,0
Kg
por
milhopor
demilho
grãosde
degrãos
Kgde
durante o ciclo
mm precipitado
mm precipitado
0 14,0
Kg de grãos de milho por
mm precipitado
0 16,0
(a)
16,0 16,0
16,0 16,0
16,0
16,0
14,0 14,0
14,0 14,0
14,0
14,0
estresse
____y
=+14,32
y ____y
= 0,188x
+ 14,32
= 14,32
0,188x
y+=y0,188x
0,188x
+ 14,32
=Sem
+ 14,32
y0,188x
= 0,188x
+ 14,32
hídrico
R²
=
0,73*
R²
=
0,73
R²
=
0,73*
R²
=
0,73
12,0 12,0
R²
=
0,73
12,0 12,0
R² = 0,73
0,188x +
12,0
12,0
yy==0,188x
+ 14,32
14,32
R²
=
0,73
10,0
10,0 10,0
R² = 0,73
10,0
2
10,0
10,0
estresse
-+-y-0,626x
=- -+9,906
+-0,065x2
0,626x
- - - - - - y- =- --0,065x2
9,906
-- ----y-=--9,906
-0,065x2-0,065x
-0,626x
y-y+=-=
+Sem
0,626x
+ 9,906
-0,065x2
+
0,626x
+ 9,906
y
=
-0,065x2
+
0,626x
+ 9,906
8,0
8,0 8,0
hídrico
R²
=
0,90*
8,0
R²
=
0,90
R²
=
0,90*
R²
=
0,90
- -8,0
- -8,0
- - y = -0,065x2 + 0,626x + 9,906
R²
=
0,90
R²
=
0,90
- - - - - - y = -0,065x2
+ 0,626x + 9,906
6,0
6,0 6,0
R² = 0,90
6,0
4,0
4,0 4,0
6,06,0
R² = 0,90
4,0
2
Sem estresse
= 5,912
+ 0,130x
........y = -0,013x2
+ 0,130x
+= 5,912
........y........y
= 5,912
+ 0,130x
-0,013x2+-0,013x
........y
-0,013x2
0,130x
+ 5,912
2,0
........y
== -0,013x2
+
0,130x
+ 5,912
........y
=
-0,013x2
+
0,130x
+ 5,912
hídrico
R²
0,72*
R²
=
0,72
R²
=
0,72*
= 0,72
Milho 2009/10
1) Milho+2010/11
(Local
2) Milho 2012/13 R²
(Local
1)
........y
0,130x
+ 5,912
0
2,0(Local
2,0= -0,013x2
R²
=
0,72
R²
=
0,72
2,0
0,0........y0,0
0,0 0,0
= -0,013x2
0,130x + 5,912
R² =+0,72
0
0,0
1,0
2,0
3,0 4,0 5,0
4,0 5,0 6,04,0
5,06,0 7,0 5,0
6,0
0,0
0,0
1,0
2,0
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
0,0
0,0
1,0
3,0
6,0
16,0
(b)
R² = 0,72 3,0 2,0
35,0
0,0
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
0,0
2,0
5,0 6,06,0
-1)-1) ha-1)3,0
-1) 4,0
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
Doses
deDoses
Gesso
(Mg
Doses
de1,0
Gesso
(Mg
ha
Doses
de Gesso
(Mg
ha
0
de
(Mg+ ha
14,0
yGesso
= 0,188x
14,32
0,0
1,0
2,0 30,0
3,0
4,0 -1
5,0Doses
6,0
de de
Gesso
ha-1
) -1)
Doses
Gesso
(Mg
ha
R² =(Mg
0,73
Doses
12,0 de Gesso (Mg ha )
____y = 30,494 + 0,353x Com estresse
Doses10,0
de Gesso (Mg ha-1)
hídrico
R² = 0,78**
25,0
- - - - - - y = -0,065x2 + 0,626x + 9,906
- - - -y = 27,631
+ 1,7463x -0,1801x2 Com estresse
8,0
R² = 0,90
hídrico
R² = 0,90*
6,0 20,0
2,0
2,0 2,0
Kg de grãos de milho por
mm precipitado
kg de grãos de milho por mm
precipitado no Período Crítico
4,0
4,0
2,0
15,0
4,04,0
........y
= -0,013x2
5,912 2
.......y
= 16,716 + 0,130x
0,3678x+ -0,0365x
R² R²
= 0,72
= 0,72*
Sem estresse
hídrico
0,0 10,0
0,0 0,0 1,0 1,0 2,0 2,0 3,0 3,0 4,0 4,0 5,0 5,0 6,0 6,0 6,5
7,0
-1
de Gesso
DosesDoses
de Gesso
(Mg(Mg
ha-1)ha )
Figura 3: Relação entre a quantidade de grãos de milho produzida (kg) por mm precipitado
durante o ciclo (a) e por mm precipitado durante o período crítico (b) com as doses de gesso
aplicadas nos Experimentos I e II. * Significativo a 5% de probabilidade de erro; **
Significativo a 1% de probabilidade de erro.
Para a cultura do trigo, em relação aos resultados que associam a quantidade de grãos
produzida (kg) por mm precipitado durante o ciclo da cultura em relação aos tratamentos,
nota-se que a safra de 2013 para o Experimento I apresentou o mais elevado índice de
eficiência, atingido a produção máxima de 3,64 kg por mm para a dose de 5,8 Mg ha-1 de
gesso, seguido pela safra de 2013 do Experimento III que atingiu a máxima produção de 3,48
kg por mm para a dose de 4,2 Mg ha-1 de gesso (Figura 4a).
89
Quando se analisou quantidade de grãos produzida por mm precipitado durante o
período crítico, notou-se que a safra com a maior produção foi a de trigo de 2012 para o
Experimento III, safra a qual foi a única a apresentar estresse hídrico durante o período crítico
(Figura 2c). Com isso, a produção máxima alcançada foi de 15,7 kg por mm precipitado na
dose de 3,5 Mg ha-1 de gesso, representando incremento de 14% em relação à testemunha,
sendo esse o maior incremento de produção entre as safras de trigo avaliadas, indicando que o
efeito da melhoria da qualidade química do solo é preponderante para estabilizar a
produtividade das culturas em situações de déficits hídricos durante os períodos críticos
(Figura 4b).
Na safra de 2013, ainda para o Experimento III, foi constatada a segunda maior
produção de grãos por mm precipitado (9,9 kg por mm precipitado), 16% superior à
testemunha de acordo com a equação ajustada (Figura 4b). Destaca-se que o Experimento III
apresentava a pior qualidade química entre os solos estudados (Tabela 2), sugerindo que a
melhoria química da camada de enraizamento afetou positivamente o desenvolvimento da
cultura do trigo (Figura 4b). Na sequência, o cultivo de 2012 (Experimento IV) apresentou
produção máxima de 8,89 kg por mm precipitado, sendo essa 8% superior a testemunha.
Posteriormente, o cultivo de 2013 (Experimento I) apresentou produção máxima de 7,43 kg
por mm precipitado, representando incremento de 9% em relação à testemunha. Para a safra
de 2013 (Experimento II) não foi verificada relação significativa entre a quantidade de grãos
produzida por mm precipitado e as doses de gesso (Figura 4b). Esse resultado deve-se à
precipitação muito superior à precipitação ideal durante o ciclo e durante o período crítico da
cultura (Figura 2b), associado ao fato de o solo do Experimento II apresentar a melhor
qualidade química subsuperficial entre os solos estudados (Tabela 2).
Em estudo realizado por Caires et al. (2008a), avaliando o efeito do calcário na
melhoria química do perfil do solo, os autores verificaram que a produtividade e o
desenvolvimento radicular da soja e do milho não foram afetados, enquanto o
desenvolvimento radicular do trigo foi afetado até a camada de 0,00-0,20 m e a produtividade
foi aumentada em 210%. De acordo com os autores, esse efeito foi atribuído à limitação
hídrica durante o ciclo de desenvolvimento da cultura enquanto a soja e o milho não
apresentaram restrição hídrica. Rampim et al. (2011) constataram que a cultura do trigo
respondeu à melhoria química do solo pela aplicação de gesso quando houve restrição hídrica.
Os autores também justificaram a maior resposta do trigo ao gesso devido à elevada acidez do
solo em questão, já que cultivares de trigo tendem a ser mais sensíveis à acidez (MUZILLI et
90
al., 1978). Caires et al. (2002) observaram maiores respostas da cultura do trigo quando as
doses de gesso foram aplicadas em um Latossolo com elevados índices de acidez.
2013
(Local
Trigo
2013
(Local
Trigo
2012
(Local
Trigo
2012
(Local
3)Trigo
Trigo
2013
(local
(IV)
(I)
3 (Local
1) 1)Trigo
2013
(Local
2) 2)Trigo
2012
(Local
4) 4)Trigo
2012
(Local
3) Trigo
2013
(local
(III)
2013
(Local
1)3) 3)
Trigo 2013 (Local 2)
Trigo
Trigo2013
2013(Local
(Local1)1) Trigo
Trigo2013
2013
(Local
Trigo
2012
(Local
Trigo
(Local
Trigo
(Local
2) 2) Trigo
2012
(Local
4) 4)Trigo
20122012
(Local
3) 3)TrigoTrigo
2013 2013
(local(local
3) 3)
12,0
10,0
8,0
6,0
4,0
2,0
0,0
0,73
Trigo R²
2013=(Local
1)
- - - -y = 8,568 + 0,629x -0,073x2
Trigo 2013
2)
R²(Local
= 0,97**
_ _ _ y = 8,225 + 0,111x
3,8
- - - - - - y = -0,065x2 + 0,626x + 9,906
9,0
7,0
5,0
1,0
Kg de grãos de trigo por mm
precipitado
Kg de grãos de trigo por mm
precipitado
Kg de grãos de trigo por mm
precipitado
de trigo por mm
Kg de grãos
Kg de grãos de trigo por mm
precipitado
precipitado
Kg de grãos de trigo por mm
durante o ciclo
precipitado
precipitado
0,0
y = 0,188x + 14,32
11,0
0,0
2,0
1,0
Kg de grãos de trigo por mm
precipitado
14,0
kg de grãos de trigo por mm
precipitado no Período Crítico
Kg de grãos de milho por
mm precipitado
de trigo por mm
Kg de grãos
precipitado
Kg de grãos de milho por
mm precipitado
Kg de grãos de trigo por mm
de trigo por mm
Kg de grãos
precipitado
precipitado
3,8
(III)
(II) 3) 2)
Trigo
2013
(Local
Trigo
2013
(Local
Trigo
2012
(Local
) Trigo 2013 (Local 2) Trigo
2012
(Local
4) 1) Trigo
2012
(Local
Trigo
2013
(local
3) 4) Trigo 2012 (Local 3) Trigo 2013 (
(a)
Milho 2009/103,8
(Local 1)
Milho 2010/11 (Local 2)
Milho 2012/13 (Local 1)
Trigo
2013
(Local
Trigo
2013
(Local
Trigo
2012
(Local
Trigo
2012
(Local
3)Trigo
Trigo
2013
(local
Trigo
(Local
1) 1)Trigo
2013
(Local
2) 2)Trigo
2012
(Local
4) 4)Trigo
2012
(Local
3) Trigo
2013
(local
2013
(Local
1)3) 3)
Trig
3,82013
3,6
3,8
3,8
3,8
16,0
21)
Trigo
2013
(Local
Trigo
2013
(Local
Trigo
2012
(Local
4)
Trigo
(Local
3)
Trigo
2013
(Local
2013
(Local
2) 2)Trigo
2012
(Local
4) (local
Trigo
2012
(Local
3) 201
Trig
2
Trigo
2013
(Local
1)Trigo
Trigo
2013
(Local
Trigo
2012
(Local
4)2012
Trigo
Trigo 2013 (Local 1) 3,6
Trigo 2013 ____y
(Local
Trigo
2012
(Local
4)1)
Trigo
2012
(Local
3) 2)
Trigo
2013
3)
____y
= 3,341+
0,104x
-0,009x
= 2)
3,341+
0,104x
-0,009x
___
3,6
2
2 Sem
3,4
= 0,82*
3,8
R² =R²
0,82*
3,8
estresse
hídrico
____y
=
3,341+
0,104x
-0,009x
____y
=
3,341+
0,104x
-0,009x
14,0
3,8
y=
2 0,188x + 14,32
3,63,6
3,6
____y
3,341+
-0,009x2
3,4____y = 3,341+ 0,104x -0,009x
= 0,82*0,104x
R²==R²
0,82*
2
- -=-y
= 3,010
+ 0,221x
R²-0,026x
= -0,026x
0,732 ____y
- - =- --y
3,010
+ 0,221x
--2
R²
=
0,82*
R²
0,82*
2
12,0 3,4
=
3,341+
0,104x
-0,009x
____y =3,2
3,341+ 0,104x -0,009x
3,6 0,97**
2
2 Sem
3,63,6
= 0,97**
R² =R²
estresse
hídrico2 2
- -=-y
=0,82*
3,010
+ 0,221x
-0,026x
- - --=R²
-y
3,010
+ 0,221x
-0,026x
3,43,4 10,0
3,4
=
2
2
3,2- - - -y = 3,010 + 0,221x
R²
0,82*
- - - -y = 3,010
+ 0,221x
-0,026x
-0,026x
____y
=____y
3,341+
-0,009x
____y
= 3,341+
0,104x
-0,009x
= 0,97**
=0,104x
3,341+
0,104x -0,009x2
= 3,341+
0,104x -0,009x2R² =R²0,97**
ŷ
=
=____y
3,02
3,2
ӯ-0,065x2
= ӯ3,02
- -=-0,97**
- - -ŷy=
=3,4
+ 0,626x
+- 9,906
3,4
2
R²-0,026x
= 0,97**
R²
3= 3,010
2
= 0,82*
R² = R²
0,82*
- -=-y
+ 0,221x
3,4
-y
3,010
+
0,221x
-0,026x
R²
=
0,82*
R²
=
0,82*
Sem estresse hídrico2 2
= 3,02
= ŷӯ == ӯ3,02
3,23,2 8,0
3
R² = 0,90
= ŷ0,97**
ŷ = ӯ = 3,02- - 3,2
ŷ = ӯ = 3,02
R² =R²
0,97**
- - =- -y
= 3,010
+ 0,221x
-0,026x
- -y
3,010
+ 0,221x
-0,026x
3
2
2
2 + 0,221x
- - - -y = 3,010 + 0,221x -0,026x
-+- 0,079x
- -y-0,007x
= 3,010
-0,026x2
3,2
_ 3,2
_y
=3,2
2,677
-0,007x
___y
=
2,677
+ 0,079x
2,8
___
6,0
= 0,97**
ŷ
=
ӯ
=
3,02
R² = R²
0,97**
ŷ
=
ӯ
=
3,02
_
_
_
y
=
2,706
+
0,036x
_
_
_
y
=
2,706
+
0,036x
2,8
Sem
estresse
hídrico
R²
=
0,97**
R²
=
0,97**
3 3
3
R²
=
0,97*
R² = 0,97*
ӯ = 3,02
2
ŷ = ӯŷ=2= 3,02
R²0,86*
0,86* + 0,079x -0,007x
_ _R²
_ =y
==2,677
_ _ _ y = 2,677 + 0,079x -0,007x
4,0 2,8
3 0,117x
ŷ = ӯ = 3,02
ŷ-0,02x
=ӯ
2 = 23,022,6
.-y- .=-y
= 32,594+
0,117x
- . ........y
-=-. 0,97*
2,594+
-0,02x
-.-.3
=
-0,013x2
+
0,130x
+
5,912
2
R²
=
0,97*
R²
2
2
2 2,8
2,6
_=
_y
=- .2,677
-0,007x
2,82,8 2,0
___y
2,677
-0,007x
- .0,079x
=0,079x
2,594+
0,117x
-0,02x
-- ..+
-y
=-y+
2,594+
0,117x
-0,02x
Sem
estresse
hídrico2 2
=
0,96**
R² =R²
0,96**
R²
=
0,72
2
2
2,6
2,8
_
_
_
y
=
2,677
+
0,079x
-0,007x
2,8
R²
=
0,97*
_
_
_
y
=
2,677
+
0,079x
-0,007x
R² =- .0,97*
- . R²
-y=R²
=0,96**
2,594+
- . - . -y = 2,594+ 0,117x -0,02x
= 0,96**0,117x -0,02x
2,4
2,8
_ _= R²
_0,97*
y==0,97*
2,677 + 0,079x -0,007x 2
_ _ _ y = 2,677 + 0,079x
-0,007x 2
R²
2
2,4
R² =
0,96**
R² = 0,96**
2
2,6 0,0
2,6
2,6
-. 0,97*
.-y- .=-y
= 2,594+
0,117x
-0,02x
.
2,594+
0,117x
-0,02x
R² =2 0,97*
R²
=
4 51,050,0 6
2 2 3 3 40,0
0= 0,96**1
2- . - .- -y. -=. -y
3 = 2,594+
40,117x
52
6
2,6
2,6
2,0 6
4,0
5,0
6,0 6,06,0
7,0=R²0,96**
2,4
2,594+
0,117x
-0,02x-0,02x
1,0 3,0
2,0
3,0 4,0
4,0 5,0
5,0
2,0
3,0
R²
Doses
de
Gesso 15,0 0,0
2
2
(b) 1,0
Doses
de
Gesso
Doses
de
Gesso
2,6
.
.
-y
=
2,594+
0,117x
-0,02x
.
.
-y
=
2,594+
0,117x
-0,02x
R²
=
0,96**
R²
=
0,96**
-1
-1
2,4
-1
2,4
2,4
1
3 Gesso
4(Mgha
3
4
5
60
Doses(Mg
de
Gesso
ha=
Doses
de
)5)0,96** 6
Doses
de 2Gesso
ha ) (Mg
R²
=
0,96**
R²
2,4
2,4
s de Gesso0 0 Milho
2 1)3 Milho
3 Doses
4 de
52) Milho
0
1
2
3
1 1
2 (Local
4
500Gesso
6 6 2012/13
2009/10
2010/11
(Local
2,4
11
2 2 (Local
3 3 1)4 4 5 5 6 6
Doses
de
Gesso
Doses de Ge
Doses
de
Gesso
2
13,0
.
.
-y
=
13,81
+
0,625x
-0,090x
Doses
de
Gesso
Doses
de
Gesso
Com
estresse
hídrico
1
2
3
4
5
6
0
1
2
3
4
5
60
16,0
R² = 0,96**
Doses de Gesso
Doses de Gesso
3,6
R² = 0,90
Sem estresse hídrico
Trigo 2012 (Local 4)
Trigo 2012 (Local 3)
Sem estresse hídrico
R² = 0,86*
____y = 6,833 + 0,213x -0,019x2 Sem estresse hídrico
R² = 0,82*
____y = 3,341+ 0,104x -0,009x2
3,4
R² = 0,82*
........y = -0,013x2 + 0,130x + 5,912
Sem estresse hídrico
ŷ = ӯ = 6,14
R² = 0,72
- - - -y = 3,010 + 0,221x -0,026x2
3,2
R² = 0,97**
3,0
4,0
ŷ = ӯ = 3,02
2,0
3,0
4,0 5,0 5,0 6,06,0 7,0
6,5
3
Doses de Gesso (Mg ha-1)
2,8
Doses de Gesso (Mg ha-1)
2,6
_ _ _ y = 2,677 + 0,079x -0,007x2
R² = 0,97*
2
- . - . -y = 2,594+ 0,117x -0,02x
Figura 4: Relação entre a quantidade de grãos de trigo produzida
(kg)R² =por
0,96**mm precipitado
2,4
durante o ciclo (a) e durante
o período crítico (b) com as doses de gesso isoladas ou
0
1
2 I, II,3III e 4IV. * 5Significativo
6
combinadas ao calcário nos Experimentos
a 5% de probabilidade
Doses de Gesso
de erro; ** Significativo a 1% de probabilidade de erro.
Em relação à cultura da soja, não foi verificada relação significativa entre kg de grãos
por mm precipitado com as doses de gesso para as safras de 2009/10 (Experimento II) (Figura
5b) e 2013/14 (Experimento I) (Figura 5a), cultivos esses em que a precipitação durante o
ciclo (Figura 2a) e durante o período crítico (Figura 2b) foram superiores a precipitação ideal
para a cultura. Dentre os nove cultivos de soja, sete deles não apresentaram restrição hídrica
durante o ciclo (Figura 5a), e apenas dois cultivos apresentaram restrição hídrica durante o
ciclo (Figura 5b).
Trigo 2013 (l
91
No que diz respeito a quantidade de grãos produzidos (kg) por mm precipitado durante
o período crítico em função das doses de gesso, nota-se uma inversão dos resultados obtidos
na precipitação durante o ciclo. Isso aconteceu porque apenas dois cultivos não apresentaram
restrição hídrica no período crítico, sendo essas as safras de soja de 2009/10 (Experimento II)
e de 2013/14 (Experimento I) (Figura 5c), quando não foi verificada relação significativa com
as doses de gesso. Contudo, sete das nove safras apresentaram restrição hídrica durante o
período crítico da cultura (Figura 5d).
Para as safras em que foi verificada restrição hídrica durante o período crítico, houve
incremento de 16% em 2011/12 no Experimento I (Figura 5d) e de 9% em 2011/12 no
Experimento II. Para a safra de 2012/13 (Experimento III) o acréscimo de produção foi de
14%. Para a safra de 2010/11 (Experimento I) o incremento foi de 6,5%, e na safra de
2013/14 (Experimento III), o incremento para a dose de maior produtividade em relação à
testemunha foi de 12%. Ainda foi observado incremento de 7% na safra de 2012/13
(Experimento II) em relação a testemunha e, por fim, a safra de 2012/13 (Experimento IV)
apresentou acréscimo de produtividade de 3% em relação ao tratamento testemunha.
Os elevados incrementos de produtividade em ambas as safras de soja avaliadas no
Experimento III (14% e 12%), se devem à reduzida precipitação durante o período crítico
(Figura 2c) associada à reduzida qualidade química do solo na camada de enraizamento da
testemunha (Tabela 2). Durante a safra de 2012/13 (Experimento II) a precipitação real
durante o período crítico da cultura foi 50% inferior à precipitação ideal no mesmo período
(Figura 2b), no entanto foi constatado pequeno incremento na produtividade (Figura 5d). Esse
resultado deve-se, provavelmente, à elevada qualidade química do perfil do solo em questão
(Tabela 2), pois mesmo nos tratamentos que não receberam doses de gesso foram verificadas
condições adequadas para o desenvolvimento radicular, e assim favorecendo o uso da água
em camadas mais profundas do perfil (SHAINBERG et al., 1989). Resultados semelhantes
foram reportados por Joris et al. (2013), em que os autores observaram que a complexação do
Al pela matéria orgânica reduziu a toxidade do Al sobre as culturas quando não foi constatado
estresse hídrico. No entanto, quando o estresse hídrico foi imposto, a toxicidade por Al
comprometeu severamente o crescimento radicular e a nutrição das plantas de soja.
92
Soja 2010/11 (Local 1)
Soja 2011/12 (Local 2)
Soja 2012/13 (Local 4)
(b)
mm
por mm
Kg de grãos de soja por
soja por mm
Kg de grãos deprecipitado
precipitado
mm precipitado
3,7
mm
por mm
soja por
Kg de grãos de soja
de milho por
Kg de grãos
precipitado
precipitado
4
5,5
Kg de grãos de soja por
mm
por mm
precipitado
precipitado
4,5
4,0 5,0
3,5
Kg de grãos de soja por mm
precipitado
____y
=5,0
0,043x + 3,78
3,7 0,145x
R² = 0,99*
3,4
____y = 0,043x
3,78
_ _ _ y = 4,66 + 0,071x -0,0081x
R² = +0,93**
22
R²=4,5
=0,92*
0,92*
44 -0,013x
R²
R² = 0,96**
- - - - y = 4,664
ŷ .........y
= ӯ2)= 3,31
R² =-0,034x
0,93**
2
R² =
= 0,99*
0,96
R²==0,96
0,96
2 + 0,427x
2
3,1 3,4 Soja 2009/10 (Local
.........y
= 3,38 +2)0,427x
-0,075x
6,02Soja R²
- . - . -y = 12,54
Soja +2009/10
2012/13
R²
= 0,96
3,1 3,4R²
= -0,075x
3,38
_.
yy =
3,7
____y
3,78++0,043x
0,043x
2 (Local
2)4
Soja (Local
2012/13
(Local
____y
==3,78
_. __ ..+__0,336x
= 4,477
4,477 +
+ 0,12x
0,12x -0,0122x
-0,0122x2
_R²
_ _= y0,92*
= 4,66
+ 0,071x -0,0081x
4,52)3,4
3,7
R² = 0,93**
3,4 3,1 3,4
9,0(Local
R² =220,83* R²
14,0
=ӯӯSoja
=3,31
3,31
R² = 0,92
=
Soja 2013/14
(Local1)
Soja (Local
2012/133)
(Local
3)
R²==0,96
0,96
= ӯ = 8,52
ŷŷ0,99*
=
=
2 + 0,427x
Soja
2013/14
2013/14
1)
R²
=ŷ 0,83*
0,83*
R²
.........y
=
3,38
+
0,427x
-0,075x
2,8
_.
_
.
_
y
=
4,477
+
0,12x
-0,0122x
2
R²
=
.........y
=
-0,075x
+
3,38
2
3,4
____y
=
3,78
+
0,043x
=+4,5
-0,075x
+ 0,427x + 3,38
3,4
____y = 0,043x + 3,78
3,1
4,0
+ 0,071x
4,5
= -0,075x2 4,0
+.........y
0,427x
3,38
_ _ 4)
_ y = 4,66
3,7 -0,0081x2 ŷ.........y
Soja 2012/13 (Local
4,0
3,7
R²
= 0,92
R²2+
0,83*
ŷR²
=
=- y3,05
2= 5,912
........y
-0,013x2
+2,8
0,130x
R²==
0,92
2 0,92
2=
R²
2,8
........y
0,130x + 5,912
.........y
3,38++0,427x
-0,075x
R² = 0,96
_. ==_ ӯ10,89
. _= y3,31
= 4,477
+-0,019x
0,12x2-0,0122x
- -=ӯ-0,96
= -0,008x
+=3,38
0,068x
+0,427x
3,314
.........y
=
-0,075x
2,8
3,1
R² = 0,99*
R² = 0,92
3,1 = -0,013x2 +3,4
3,0 12,0
____y
3,78
2,0
3,1
____y
==0,92
0,043x
3,78
3,4 + 0,168x
4,0.......y
2,0
0,0
1,0
3,0
4,0
5,0
6,0
3,7 = 4,477
=0,043x
0,72++3,1
3,1
R²R²
Soja
2009/10 (Local
Soja
2012/13
(Local
2)+2,0
R²12,0
=ŷŷ0,83*
R² = 0,63
R²2,5
= 0,72
2 2)
==R²
0,92
=
2 R²
=
22=
= 0,99
_. __ .. __ yy =
+
ӯ = 3,31
0,96 ŷ =
--ӯ-ӯ--=-=-y3,05
y3,05
-0,008x
0,068x
3,314
_.
4,477
+ 0,12x
0,12x -0,0122x
-0,0122x2 ŷ = ӯ =R²
.........y
3,38
+ 0,427x
-0,075x
2 + 0,427x + 3,38
R² ==0,96
-2,0
==
-0,008x
++4,0
0,068x
+5,0
3,314
3,1Soja
3,05
8,0
2Soja
3,1
2,8
.........y
= -0,075x(Local
4,0
2011/12
(Local
1)
Soja
2011/12
(Local
2)
Soja
2012/13
3)
Soja 2010/11 (Local 1)
____y
=
0,043x
+
3,78
y
=
-0,008x
+
0,068x
+
3,314
0,0
1,0
3,0
6,0
3,4
4
2013/14
(Local
3)
Soja
2013/14
(Local
1)
0,0
3,4
4,0
Doses
de
Gesso
R² =
0,0
2,5
R²==0,63
0,63
= 0,83*
0,83*
2) 1,0R²
Soja 2013/14
(Local1)
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
R² =ŷ0,92
R²
2,5 2,8 Soja 2009/10 (Local
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
0,0
R² = 0,92
ŷ
=
ӯ
=
3,31
=
ӯ
=
3,05
2,5
2,5
ŷ
=
ӯ
=
3,31
2
2,8
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0 3)
R²
=
0,96
R² = Soja
0,63 0,0
2+
3,1
.........y
=-0,075x
-0,075x
+5,0
0,427x
+6,0
3,38 7,0
1,0
2,0 Soja
3,0
4,0
5,0
6,0
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
2,8
2,8
.........y
=
0,427x
+
3,38
2012/13
(Local
2)
2012/13
(Local
4)
Soja
2013/14
(Local
3,1
5,0
6,0
0,0
1,0 0,02,0
3,0
4,0
5,0
6,0
7,0
-1
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
-1
2
Doses
de
Gesso
3,4
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
2,8
_ _ _(Mg
y6,0
= 10,29
-0,158x
Doses de Gesso (Mg ha R²
)R²==0,92
Doses
de 5,0
Gesso
ha+ 0,945x
)
0,0 2010/11
1,0 (Local
2,0
3,0
4,0
5,0
ŷ
=
ӯ
=
3,05
2
0,92
4,0
6,0
1,0
2,0
3,0
Milho 2009/1011,0
(Local 1) 0,0
Milho
2)
Milho
2012/13
(Local
1)
0,0
1,0
2,0
3,0
5,0
6,0
-1
ŷ
=
ӯ
=
3,05
2,8
ӯDoses
= 3,31
ŷ = ӯ = 3,05ŷ =.........y
-ha
- - - 2012/13
y) = -0,008x
+ 0,068x
+ 3,314 4,0
2,5
2,8 3,1
-1) 2)
1)
Milho
2010/11
(Local
(Local
1)
2 + 0,427x
Doses
de+de
Gesso
(MgMilho
-1)
-1) (Mg
3,1ha-1-1)
Doses
dede
1,0
2,0 9,5
3,0Doses4,0
5,0(Mg
6,0
= -0,075x
3,38
de
Gesso
(Mg
haGesso
3,7
Doses
de Gesso
ha
ŷR²
= ӯ= =0,86
3,05 Milho 2009/10 (Local
de Gesso
ha
Doses
2
Doses
Gesso (Mg
(Mg
4Gesso
____y
= 18,53
+ 1,22x
ha2,0)
R²
= 0,63de
Doses
de
Gesso
Doses
Gesso
(Mg
ha-1-0,121x
)
2,5 2,8 4,0
(c)
y==-0,008x
-0,008x22+
+0,068x
0,068x++3,314
3,314
2,5
1,0
3,0
5,0 22,0
6,0
0,0
R² = 0,92ŷŷ=-=--ӯ-ӯ--==
(d)
--3,05
y3,05
2,5
2,5
2,8
____y
=
3,78
+
0,043x
R²
=
0,96**
Doses
de
Gesso
16,0
3,1
2,5
R²==0,63
0,63
R²
Doses
Gesso
(Mg
ha
0,0
1,0-1)16,02,0
3,0R²
4,0
5,0
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0 de -5,0
5,0
6,0
2,52,8
8,80
2,5
ŷ =-=-ӯ0,96
ŷ = ӯ = 1,0
3,05
4,0
6,0
2 + 0,068x6,0
0,0
1,0
2,0
3,0
0,0
2,0
4,0 -0,053x
5,02 6,0
2,8
-=- 3,05
y = -0,008x
+ 3,314
-ŷ- =y ӯ= =8,801
+ 0,180x -0,0214x220,0
- - - -y = 3,0
18,58 + 0,581x
9,2 10,0 0,0
1,0 2,0 3,4
3,0
4,0
5,0
14,0
Doses
Gesso
(Mg
haR²-1=) 0,63
Doses
de Gesso
y 3,7
= 0,188x
+ 14,32
Gesso
(Mg6,0
ha
0,0
1,0-1-1)) 2,0
2,0
3,0 14,0
4,0 de
5,0
6,0
Doses
de
(Mg
ha
(Mg ha-1)
0,0
1,0
3,0
4,0
5,0
6,0
2
R² = 0,63
y = 0,188x + 14,32 Doses de Gesso
R² = 0,93**
3,05
ŷŷ==ӯӯ==3,05
2,5
.........y
=
3,38
+
0,427x
-0,075x
-1
2,5
-1
Doses de Gesso
(Mg
ha )
2,8R²
= 0,73
-1)) ____y = 0,043x + 3,78
18,0
Doses de
de
Gesso
(Mg
ha
12,0
R²
=
0,73
Doses
Gesso
(Mg
ha
R²
=
0,92
12,0
3,0R²
4,0
5,0
6,0
.......y = 14,64 + 0,346x
2,52,0
0,0 1,0 2,5
3,0 4,00,0 5,0 1,0
6,0 2,0
3,1 3,4
ŷ == ӯ0,96
= 3,05
8,9
____y = -1
+ 0,097xDoses de Gesso (Mg ha-1)
R² = 0,91**
10,0
9,0
haR²8,62
) 3,0
0,0de Gesso
1,0 (Mg
2,0
3,0
4,0 ŷ =.........y
5,0
6,02
ӯ5,0
= 3,31 6,0
0,0
1,0
2,0
4,0
10,0 16,0
- - - - - - y = -0,065x22,5
+ 0,626x +Doses
9,906
= 0,96
-1) = -0,075x +- 0,427x
- - - -+-3,38
y = -0,065x2 + 0,626x + 9,906 - . - . -y = 12,54 + 0,336x -0,034x2
-1
-1
Doses
de
Gesso
(Mg
ha
(Mg ha )
8,0
R² = 0,92
R²
= 0,90
ŷ = ӯ Doses
= 8,52 de Gesso
2,8
8,0
R² = 0,90
R² = 0,83*
1,0
2,0
3,0 ŷ = ӯ4,0
6,0
3,1 0,0
8,6
14,0
= 8,52 5,0
ŷ =- -ӯ-=- 3,05
6,0
.......y = 10,29 + 0,945x -0,158x2
y = -0,008x2 + 0,068x + 3,314
Doses de Gesso (Mg ha-1) 6,0
8,0
R² = 0,86*
12,0
R²
=
0,63
2,5
4,0
0,0
1,0
2,0
3,0 2,84,0
5,0
6,0
8,3
4,0
_ _ _ _y = 10,89 + 0,168x -0,019x2
........y = -0,013x2 +
+ 5,912
0,00,130x
2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 10,0
-11,0
ŷ = ӯ = 3,05 ........y = -0,013x2 + 0,130x + 5,912
2,0
R²
= 0,96*
Doses de Gesso
R² = (Mg
0,72 ha )
2,0
R² = 0,72
Doses de Gesso (Mg ha-1)
2,5
_____y = 8,62 + 0,097x
0,0
8,0
0,0 8,0
R² = 0,96**
0,0
1,0
2,0
3,0 3,04,0 4,0 5,00,0
7,0
1,0
0,0
1,0
2,0
5,0 6,0
6,0 2,0
6,5 3,0 4,0 5,0 6,0
0,0 0,0
1,0 1,02,0 2,03,0 3,04,0 4,0 5,0 5,0 6,0 6,0 6,5
7,0
Doses de Gesso (Mg ha-1)
Doses
de Gesso
(Mg(Mg
ha-1)ha-1)
-1)
Doses
de Gesso
de Gesso
ha-1)
DosesDoses
de Gesso
(Mg ha(Mg
6,0
Kg de grãos de milho por
mm precipitado
0,0
6,0
5,0
Kg
mm
pormm
soja por
de soja
grãos de
de grãos
Kg de
precipitado
soja
Kg
mm
por mm
soja por
deprecipitado
grãos de
de
Kg
de grãos
Kg de
precipitado
precipitado
4,0
8,0
5,5 6,0
Soja 2012/13 (Local 2)
Soja 2013/14 (Local 1)
Soja 2012/13 (Local 2)
2
2013/14.......y
(Local
3) + 0,945x -0,158x22 Soja 2013/14 (Local 1)
Soja 2013/14 (Local
Soja20,0
2013/14 Soja
(Local
1) (Local 2)
____y 4
= 5,503 + 0,362x Soja
-0,036x
6,0 2)
1
= 10,29
Soja3)2009/10 (Local
2012/13
R² = 0,96**
Soja 2013/14
(Local
3) 2
Soja2013/14
2013/14(Local
(Local1)
1)
3)
Soja
22
R² = 0,96**
2
_ Soja
_ _ _ y2013/14
=____y
4,66 +=(Local
0,072x
.......y
= 5,193
+ 0,123x
____y = 18,53
+ 1,22x
-0,121x
R²
= 0,86*
3,7 4
5,503 -0,0081x
+14,0
0,362x
-0,036x
6,02013/14
Soja 2009/10
(Local
2) 1)
2012/13
(Local 2) R² = 0,96**
5,5
Soja 2013/14 (Local 3) R² = 0,99*
Soja
(Local
ySoja
= 0,188x
+ 14,32
11,0
y = 0,188x + 14,32
R² = 0,91**
R² = 0,96**
2
.......y
= 5,193 + 0,123x
22
____y
=
3,78
+
0,043x
3,7 4
_
_
_
y
=
10,89
+
0,168x
-0,019x
3,7
3,7
____y
=
5,503
+
0,362x
-0,036x
4
Soja
3)
Soja
2013/14
R²
= 0,73(Local 1)
5,5Soja
R² = 0,73
Soja2009/10
2009/10(Local
(Local
2)2 2013/14 (Local
Soja2012/13
2012/13(Local
(Local
2)R²
12,0
4
2)
Soja
2)
18,0
=40,91** - - - -y = 18,58
2 = 0,96* 22
R²
_._._.y
= 4,477
-0,0122x
-0,053x
- - -+- 0,581x
y = 4,664
+ 0,145x
-0,013x
.......y += 0,12x
5,193
+==0,123x
R² = 0,96**
____y
3,78
0,043x R² = 0,96** Soja 2013/14 (Local 1)
3,4 3,7
____y
3,78
++0,043x
____y = 3,78 + 0,043
Soja
2013/14
(Local
3)5,0
44 Soja 2009/10 (Local
2)
Soja 2012/13 (LocalSoja
2) 2013/142 (Local 1)
Soja
2013/14
(Local
3)
R²
=R²
0,83*
5,5
R² =2 0,93**R²ŷ==0,93**
= 0,91**
10,0
R²==0,96**
0,96**
- - - - y = 4,664 + 0,145x -0,013x
ӯ = 8,80
R²
.........y
= 3,38
+ 0,427x
-0,075x
R² = 0,96
0,123x
.......y
= 5,193 + Soja
3,4
4
2013/14
(Local
3)
Soja
2013/14
(Local
1)
10,0
3,4
____y
=
0,043x
+
3,78
3,7
3,4
- - - - - - y = -0,065x2 + 0,626x
+ 9,906
____y
+ 0,043x
- - - 3,7
-3,7
- - y = -0,065x2 + 0,626x + 9,906
22
.......y = 14,64
+yy0,346x
5,0 = 3,78
R²
=
0,93**
3,7
4
_
_
_
=
4,66
+
0,071x
-0,0081x
R²
=
0,92*
2
_
_
_
=
4,66
+
0,071x
-0,0081x
2
16,0
R² = 0,91**
- - - y =.........y
4,664 +
-0,013x
.........y
=0,145x
3,38++0,427x
0,427x-0,075x
-0,075x2
R² = 0,96
R² =- 0,96**
2
=8,0
3,38
R² = 0,90
.........y = 3,38 + 0,427x
3,1
R² =
____y
=
8,62-0,013x
+ 0,097x
R²
= 0,90
- -0,91**
- 2- y = 4,664
____y = 3,78 + 0,043x
____y==0,043x
0,043x++3,78
3,78
3,7
R²+=0,145x
0,99*
____y
3,7
3,4
____y = 0,043x
mm
soja
Kg de grãos deKg
de soja
de
Kg
mm
mmpor mm
soja por
degrãos
grãos
depor
precipitado
mmdeprecipitado
soja
Kg de grãos deKg
mm
soja porprecipitado
grãos
depor
precipitado
precipitado
4,5
10,0
(a)4,0
4,0
Kg de grãos de soja por mm
precipitado
precipitado
Kg
mm
por mm
soja por
de soja
grãos de
de grãos
Kg de
precipitado
precipitado
5,0
12,0
Kg de grãos de soja por mm
Kg de grãos de soja por mm
precipitado no Período Crítico
mm
soja por
de grãos de
Kg
o Ciclo
durante
precipitado
Kg de grãos de soja por mm
precipitado
precipitado no Período
grãos de soja por mm
Kg deCrítico
precipitado
de grãos de soja por mm
Kg
mm
5,5
14,0
Kg de grãos de milho por
mm precipitado
6,0
16,0
Kg de grãos de milho por
mm precipitado
Kg
mm
por mm
soja por
de soja
grãos de
de grãos
Kg de
precipitado
precipitado
6,0 6,5
6,5
Soja 2009/10 6,5
(Local 2)
Soja(Local
2012/13
(Local 2)
22,0
2009/10
Milho(Local
2012/132)(Local 1)
Milho 2012/13 (Local 1)
Soja Milho
2009/10
(Local
2) 1) Milho 2010/11 (Local
Soja2)2012/13
Soja
(Local
3) (Local
Soja
12,0
4,0
Soja 2009/10
(Local
2) (Local
2012/13
2)2013/14Soja
Soja2)2012/13
2012/136,0
(Local
2)2013/14 (Local 1)
.........y
= 5,193
+ Soja
0,123x
Soja
2009/10
(Local
= 5,503
+ 0,362x
-0,036x22
6,5
2)
(Local
2)
Soja ____y
2009/10
(Local
2)
Soja
2009/10
Soja
(Local
3)
Soja
Soja2013/14
2009/10
(Local
2)2013/14
Soja2012/13
2012/13(Local
(Local
2)2013/14 (Local 1)
R²
= 0,91**
Soja
2009/10
(Local
2)
Soja
2)
____y
= 5,503
22
3)
Soja1)2013/14
2013/14
(Local1)
1)
R² +
= 0,362x
0,96**-0,036x2
Soja 2013/14
(Local
3) (Local
Soja
(Local
Soja
2013/14
(Local 3)
16,0
Soja
2013/14
Soja
(Local
____y 4
= 5,503 + 0,362x -0,036x
Soja 2010/11
2012/13(Local
(Local2)3)
Milho
mm
por mm
Kg de grãos de soja por
precipitado
precipitado
por mm
Kg de grãos de soja
soja por mm
Kg de grãos deprecipitado
precipitado
SojaMilho
2011/12
(Local
1) 1)
2009/10
(Local
mm
por mm
soja por
de soja
grãos de
de grãos
Kg de
Kg
soja por mm
Kg de grãos de
precipitado
precipitado
mm
por
mm
por
soja
de
Kg de grãos
precipitado
Crítico
Período Crítico
precipitado no Período
Soja 2009/10
2)(Local
(Local
2)(Local
Soja
1)2012/13
Soja 2011/12
Soja Soja
2012/13
(Local
4) 2)
(II)
Soja 2011/12
2011/12
(Local
1) 2)
Soja 2012/13
(Local
3) (Local
(I)Soja
Soja 2009/10 (Local 2)
Soja(Local
2012/13
2) 2010/11 (Local
Soja
1)
2011/12
(I) (Local
2013/14
3)(Local
(Local
1)(Local(Local
Soja 2013/14
(Local 3)(Local
Soja(Local
2013/14
1) 2012/13
Soja 2009/10
2009/10
(Local
2)2011/12
2012/13
2)2013/14
Soja
2011/12
(Local
1)
Soja 2012/13
3) Soja 2012/13 (Local
Soja 2010/11
1)
Soja
2)
Soja
2012/13
(Local
4)
(II)
2012/13
3)
Soja Soja
2010/11
(Local
1) 2) (Local1)
Soja
(Local
2)
Soja 2009/10
2) 2009/10
Soja
2013/14
(II)Soja
(Local
Soja
(Local
2)
(III) 2)
Sem
Restrição
Hídrica
2011/12 (Local 2)
SojaRestrição
2011/12 (LocalHídrica
1)
(Local 1)Soja
Soja 2012/13
3) 2013/14
Com
3)2012/13
Soja
2013/14(Local
(Local
1) Soja 2013/14 Soja
Soja 2013/14
2013/14
(Local
Soja
1)
Soja
(Local
3)
Soja
Soja 2010/11 (Local 1) Soja 2010/11
2)
4)(Local
(I)6,51)
Soja
(Local 3)
(IV) 3)
(Local
Soja 2012/13 (Local
4) 2013/14
Soja 2011/12
2011/12 (Local
(Local
Soja
2012/13 (Local
(Local
(III) 3)
Figura 5: Relação entre a quantidade grãos de soja produzida (kg) por mm precipitado durante
o ciclo (a); e por mm precipitado durante o ciclo (b); relação entre kg de grãos de soja por
mm precipitado durante o período crítico (c) por mm precipitado durante o período crítico (d)
com as doses de gesso isoladas ou combinadas ao calcário nos Experimentos I, II, III e IV. *
Significativo a 5% de probabilidade de erro; ** Significativo a 1% de probabilidade de erro.
4.4.5.
Efeito da melhoria química do solo em mitigar o déficit hídrico induzido
De acordo com os resultados observados na Figura 6a, referente à primeira safra de
soja que recebeu as câmaras de exclusão da precipitação, nota-se que a saturação por bases
para a dose de 5,0 Mg ha-1 foi mantida acima de 70% até a camada de 0,10-0,15 m. De acordo
com a Caires (2012) a saturação por bases estimada para 70% na camada de 0,00-0,20 m,
proporciona máximo retorno econômico no período de 10 anos. Para as camadas
subsuperficiais de 0,15-0,25 m; 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m, a saturação por bases aumentou
20%, 59% e 67%, respectivamente, para a dose de 5,0 Mg ha-1 em relação à testemunha. Já a
saturação por Al (Figura 6a), para a dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso, permaneceu abaixo de 5%
até a camada de 0,25-0,40 m, com redução de 16% na testemunha para 3% na dose
mencionada. Para acamada de 0,40-0,60 m essa redução foi de 21% para 7% nos tratamentos
testemunha e 5,0 Mg ha-1 de gesso, respectivamente.
Depois de 56 meses após a aplicação dos tratamentos nota-se que houve redução do
efeito das doses de gesso, sendo que a saturação por bases para a dose de 5,0 Mg ha-1
____y = 0,043
R² = 0,92
R² = 0,9
ŷ=
ӯ = 3,31
.........y
= -0,075x
R² =
ŷ =- -ӯ-=- 3,05
y = -0,008x
-0,008
R²
ŷ = ӯ = 3,05
93
permaneceu acima de 70% apenas até a camada de 0,05-0,10 m (Figura 6b): para as camadas
de 0,15-0,25 m; 0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m o aumento na saturação por bases foi na ordem
29%, 52% e 50% em relação ao tratamento testemunha. Já, a saturação por Al, para a dose de
5,0 Mg ha-1 de gesso, permaneceu abaixo de 5,0% até a camada de 0,15-0,25 m, enquanto a
redução desse índice entre a testemunha e a dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso foi,
respectivamente, de 15,2% para 6,8% na camada de 0,25-0,40 m e de 20,7% para 8,9% para a
camada de 0,40-0,60 m. O aumento na saturação por bases e a redução na saturação por Al é
decorrente da movimentação dos cátions Ca e Mg (RAIJ, 2010). Resultados observados por
Souza et al. (2012) corroboram aos encontrados nesse estudo, em que os autores verificaram
aumentos significativos na saturação por bases pelo uso do gesso apenas na camada de 0,200,30 m após 56 meses da aplicação dos tratamentos, não observando efeito significativo nas
camadas superficiais.
Esse efeito mais pronunciado do gesso sobre os atributos químicas do solo foram
verificados anteriormente por diversos estudos realizados em Latossolos (CAIRES et al.,
2003; RAIJ, 2010; SOUZA et al., 2012; DALLA NORA et al., 2014b; PAULETTI et al.,
2014). Em estudo realizado por DALLA NORA et al. (2014b), os autores verificam aumentos
significativos na saturação por bases e reduções na saturação por Al já aos seis meses após a
aplicação de gesso.
50,0
60,0
70,0
80,0
90,0
Saturação por Alumínio (m%)
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
0,40-0,60
DMS= 5,0
0,25-0,40
Profundidade (m)
0,25-0,40
0,05-0,10
Lsd= 10,8
DMS= 2,3
0,15-0,25
0,25-0,40
DMS= 8,2
Lsd= 8,6
DMS= 3,7
Profundidade (m)
0,40-0,60
0,10-0,15
DMS= 8,4
0,40-0,60
Lsd= 10,6
DMS= 10,6
Saturação por Alumínio (m%)
Saturação por Bases (V%)
30,0
0,15-0,25
40,0
56,070,0
meses80,0
após
aplicaçãos
do Tratamentos
90,0
(b)60,0
5,0
10,0
15,0
7,8 0,0
Lsd=
50,0
0,00-0,05
Profundidade (m)
DMS=0,05-0,10
8,6
0,40-0,60
0,10-0,15
0,40-0,60
25,0
Lsd= 5,2
0,05-0,10
0,25-0,40
20,0
DMS= 10,8
0,00-0,05
0,25-0,40
0,15-0,25
25,0
DMS= 1,1
0,10-0,15
DMS= 8,3
0,15-0,25
0,15-0,25
0,10-0,15
0,10-0,15
0,05-0,10
0,05-0,10
40,0
Testemunha
DMS=
6,6
0,00-0,05
3,0Saturação
Mg Gesso
por Bases (V%)
DMS= 1,6
0,05-0,10
DMS= 10,1
30,0
40,0
70,0
80,0
90,0
5,0 Mg
Gesso 50,0 60,0
0,00-0,05
Profundidade (m)
Lsd= 10,6
Lsd= 8,2
Lsd= 5,0
Lsd= 8,3
Lsd= 10,1
Lsd= 6,6
Saturação por Bases (V%)
30,0
0,00-0,05
30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0
Saturação por Bases (V%)
(a) 32,0 meses após aplicaçãos do Tratamentos
0,00-0,05
Profundidade (m)Profundidade (m)
94
Lsd= 8,4
DMS= 10,6
DMS= 7,8
DMS= 5,2
DMS= 8,4
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
0,40-0,60
DMS= 0,9
DMS= 2,9
DMS= 4,9
DMS= 7,2
DMS= 7,6
Figura 6: Saturação por bases e saturação por alumínio aos 32 meses (a) e aos 56 meses (b)
após a implantação dos tratamentos no Experimento I. As épocas de coleta são referentes ao
período da instalação das câmaras de exclusão da precipitação. Diferença mínima estatística
(DMS) pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
Quando a precipitação real durante o ciclo da cultura da soja na safra de 2011/12 (30
meses após a aplicação dos tratamentos) foi restringida em 30% (redução de 120 mm durante
o ciclo da cultura) na parcela testemunha, foi constatada diferença significativa entre os
tratamentos testemunha sem e com restrição de precipitação, sendo essa diferença de 354 kg
ha-1 ou 12% da produtividade (Figura 7a). No entanto, para as doses de 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de
gesso não foi constatada diferença significativa entre os tratamentos sem e com restrição da
precipitação, sugerindo que o efeito do gesso foi eficiente em atenuar a restrição hídrica.
Em relação à safra de 2013/14 (54 meses após a aplicação dos tratamentos) (Figura
7b), com a restrição de 30% da precipitação (redução de 231 mm durante o ciclo da cultura),
foi verificada que a produtividade no tratamento testemunha sem exclusão da precipitação foi
95
significativamente superior ao tratamento testemunha que recebeu a restrição da precipitação,
sendo essa diferença na ordem de 555 kg ha-1 ou 19%. Da mesma maneira foi verificada
diferença significativa entre os tratamentos com 3,0 Mg ha-1 de gesso nas parcelas sem e com
exclusão da precipitação resultando em redução de 409 kg ha-1 ou 13%. Esse resultado se
deve ao efeito pouco pronunciado do gesso na dose de 3,0 Mg ha-1 sobre os atributos
químicos do solo após 56 meses da aplicação dos tratamentos (Figura 6b). No entanto, para a
dose de 5,0 Mg ha-1 de gesso transcorridos 56 meses, não foram verificadas diferenças
significativas entre os tratamentos sem e com restrição da precipitação, sugerindo que essa
dose de gesso, além de manter elevada a qualidade química do solo, também manteve estável
a produtividade da cultura da soja, mitigando o efeito deletério da restrição hídrica. Em
circunstâncias em que a planta é exposta a situações desfavoráveis de precipitação pluvial, a
ação fitotóxica do Al+3 decorrente da acidez das camadas subsuperficiais do solo no SPD é
intensificada (CAIRES, 2012). Dessa forma a melhoria química do subsolo é fundamental
para proporcionar um ambiente adequado para desenvolvimento radicular e melhor
aproveitamento de água e nutrientes (RITCHEY et al., 1980).
Dentre os fatores determinantes para obtenção de elevadas produtividades em solos
ácidos sob sistema plantio direto, destacam-se: (i) a menor fitotoxicidade de Al para as plantas
(BROWN et al., 2008; ALLEONI et al., 2010); (ii) concentrações suficientes de cátions
trocáveis (CAIRES et al., 2006); (iii) e umidade disponível mais elevada no solo (SALTON;
MIELNICZUK, 1995; MOUSSA-MACHRAOUI et al., 2010). Em um estudo realizado por
Joris et al. (2013), após 52 da aplicação de doses de calcário em um Latossolo, os autores
observaram que as produtividades de soja e milho foram afetadas positivamente pela melhoria
química do perfil do solo. Ainda para esse estudo, os autores verificaram que o
desenvolvimento radicular foi afetado negativamente quando houve restrição hídrica para os
tratamentos que não apresentaram melhoria química do solo.
Os resultados apresentados sugerem que a melhoria química do perfil do solo
proporcionada pela gessagem foi capaz de atenuar parcialmente a perda de produtividade da
soja associada à restrição hídrica. Como anteriormente sustentado por Ritchey et al. (1980), a
formação da camada de enraizamento quimicamente corrigida possibilita que o sistema
radicular explore maior área e consequentemente utilize o conteúdo de água armazenada no
solo de maneira mais eficiente. Este fato pode representar uma importante estratégia para
aprimorar o sistema plantio direto no RS e Sul do Brasil.
96
(a)
Exclusão de 30% da Precipitação Normal
Sem exclusão da Precipitação Normal
a
3750,0
3500,0
4000,0
3750,0
3750,0
3500,0
3500,0
3250,0
3250,0
3000,0
3000,0
2750,0
2750,0
2500,0
Sem Exclusão
5,0
2500,0
b
3250,0
a
3000,0
2750,0
2500,0
0
(b)
4000,0
Produtividade da soja
Safra 2013/14 (kg ha-1)
a
a
Produtividade da soja
Safra 2011/12 (kg ha-1)
Produtividade da soja
Safra 2011/12 (kg ha-1)
Produtividade da soja
Safra 2011/12 (kg ha-1)
4000,0
Exclusão de 30%
3,0
Doses de Gesso (Mg
3750,0
a
a
b
a
0
3,0
3,0
Doses de Gesso (Mg
Doses de Gesso (Mg ha-1
a
a
2750,0
2500,0
0
3,0
Doses de Gesso (Mg ha-1)
5,0
Figura 7: Produtividade da soja na safra de 2011/12 com exclusão de 30% ou 120 mm da
precipitação e sem exclusão da precipitação 32 meses após a aplicação das doses de 0,0; 3,0 e
5,0 Mg ha-1 de gesso (a); produtividade da soja com exclusão de 30% ou 231 mm da
precipitação e sem exclusão da precipitação 54 meses após a aplicação das doses de 0,0; 3,0 e
5,0 Mg ha-1 de gesso (b).
4.5. Conclusões
Após 30 meses de aplicação dos tratamentos com doses de gesso aplicadas
isoladamente ou combinadas com calcário, a saturação por bases e a saturação por Al foram
afetados em todo o perfil do solo pelo aumento dos teores de Ca e redução da atividade do Al.
Já, após 56 meses, sobretudo as camadas subsuperficiais (0,25-0,40 m e 0,40-0,60 m) foram
afetadas.
a
a
b
a
a
3250,0
3000,0
a
0
ha-1)
b
b
3500,0
Exclusão de 30% da Pr
Exclusão
de 30% da Precip
(a) Sem exclusão
Sem
exclusão
da Precipitaç
(a)
a4000,0
97
O incremento na quantidade de grãos produzida por mm de chuva, decorrente da
aplicação de gesso, foi maior quando houve déficit hídrico durante o período crítico das
culturas, especialmente nas áreas com maior nível de acidez em subsuperfície. O incremento
na produtividade foi mais pronunciado para as culturas do milho e trigo e, em menor escala,
para a soja
A melhoria química da camada de enraizamento do solo proporcionada pela adição de
gesso em sistema plantio direto atenuou a perda de produtividade da soja associada à restrição
hídrica.
4.6. Referências bibliográficas
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Fundação Cargill, 1983. p. 49-50.
103
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A busca por alternativas que atenuem a transição abrupta da qualidade química entre
as camadas do solo manejado sob SPD no Rio Grande do Sul, associada às recorrentes
estiagens que atingem o Estado é um desafio para técnicos, produtores e pesquisadores. A
proposta construída nesse estudo atingiu seus objetivos no que diz respeito à melhoria da
qualidade do perfil do solo, sem mobilização do solo, afetando positivamente a produtividade
das culturas, e se destacando como uma importante ferramenta para a manutenção da
estabilidade da produção agrícola.
O uso de gesso, de forma isolada ou em combinação com o calcário foi efetivo no
processo de mitigação do deficit hídrico para as principais culturas de grãos do Estado do RS.
Foram obtidas correlações entre a produtividade das culturas com os atributos do solo em
camadas que até então não estão sendo consideradas como diagnóstico para realização de
alguma intervenção de manejo. A combinação de gesso com calcário revelou interação entre
os insumos com efeito potencializador entre eles. Tal efeito é relevante uma vez que a
utilização destes insumos não tem recomendação pela CQFS- RS/SC (2004) .
Os resultados obtidos nesse estudo apontam para uma necessidade de reavaliação das
doses, critérios e camadas diagnóstico para aplicação de calcário e gesso no RS. Sugere-se,
para os próximos estudos, uma avaliação mais detalhada sobre os critérios a serem
considerados para aplicação de gesso, bem como a definição de doses adequadas para as
condições do RS. Também é necessária uma avaliação sobre a camada diagnóstico e os
valores críticos de saturação por bases e de saturação por Al que melhor se correlacionem
com a produtividade das culturas. Além disso, deve-se procurar explicar em um estudo futuro,
os mecanismos que afetam a descida dos cátions no perfil do solo, ou seja, uma relação entre
a saturação do nutriente em uma dada camada que afete seu aumento na camada posterior.
104
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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108
7. ANEXOS
109
Anexo A - Câmaras de exclusão de 30% da precipitação instaladas sobre os tratamentos
de 0,0; 3,0 e 5,0 Mg ha-1 de gesso aos 32 e 54 meses após aplicação dos tratamentos sobre
a cultura da soja no Experimento I.
110
8. APÊNDICES
111
Apêndice A – Análise de variância dos atributos químicos do solo em relação aos
tratamentos, profundidade e tempo de amostragem para os quatro Experimentos de
estudo.
Al(1)
Ca(3)
Mg(4)
K(5) Sat. Al
V%
Sat. Ca
-3
------------- cmolc dm -------------------------------%---------------Experimento I
ns
*
*
**
*
ns
*
*
*
Trats,
ns
*
ns
ns
ns
ns
*
ns
ns
Tempo
ns
ns
ns
*
ns
ns
*
*
*
Trats. X Tempo
8,44
26,28
39,84
26,10
17,60 37,08 33,28
26,82
29,03
CV (%)
Experimento II
ns
**
*
**
*
*
**
**
**
Trats,
ns
*
ns
ns
ns
ns
ns
*
Tempo
ns
ns
**
ns
ns
ns
ns
*
*
*
Trats. X Tempo
7,78
35,63
29,3
43,32
24,40 46,92 41,23
24,44
34,83
CV (%)
Experimento III
ns
**
*
*
*
*
*
*
*
Trats,
ns
**
ns
ns
ns
ns
ns
ns
*
Tempo
ns
ns
*
*
*
ns
*
*
ns
Calcário X Gesso
ns
*
*
*
ns
ns
*
*
*
Trats. X Tempo
8,13
23,06
37,80
17,80
38,57 37,97 28,56
38,68
16,58
CV (%)
Experimento IV
ns
*
*
*
ns
ns
*
*
*
Gesso
ns
ns
ns
ns
ns
ns
ns
ns
ns
Calcário
ns
ns
*
*
*
ns
*
*
*
Calcário X Gesso
ns
*
ns
*
ns
ns
ns
*
*
Tempo
*
*
*
*
*
ns
*
*
*
Gesso X Calcário X Tempo
19,82
36,88
32,05
29,32
26,65 66,39 28,10
44,32
33,2
CV (%)
n,s
Não significativo; * Significativo a 5%; ** Significativo a 1% (1)Aluminio, (2) Enxofre, (3) Cálcio, (4) Magnésio, (5) Potássio,
CV= coeficiente de variação
Causas de Variação
pH H2O
S(2)
mg dm-3
112
Apêndice B – Análise de variância entre os tratamentos e aprodutividade das culturas
para os quatro Experimentos de estudo.
Experimento I
Causas de
Variação
Gesso
CV (%)
Milho
(2009/10)
Soja
(2010/11)
**
2,38
**
1,83
Soja
(2011/12)
kg ha-1
**
3,33
Milho
(2012/13)
Trigo
(2013)
*
7,43
Soja
(2013/14)
*
10,53
ns
3,58
Experimento II
Calcário
CV (%)
Soja (2009/10)
ns
3,61
Milho (2010/11)
*
7,96
Soja (2011/12)
*
3,42
Soja (2012/13)
*
11,33
Trigo (2013)
ns
7,84
Experimento III
Gesso
CV (%)
Calcário
CV (%)
Gesso x Calcário
CV (%)
Trigo (2012)
*
8,35
-
Soja (2012/13)
**
3,17
-
Trigo (2013)
*
15,25
*
15,2
*
15,26
Soja (2013/14)
*
11,75
*
10,75
*
14,75
Experimento IV
Trigo (2012)
Soja (2012/13)
Gesso
**
*
CV (%)
5,87
4,38
Calcário
**
**
CV (%)
4,38
2,84
Gesso x Calcário
7,15
*
CV (%)
*
5,25
n,s
Não significativo; * Significativo a 5%; ** Significativo a 1%; CV= coeficiente de variação
113
Apêndice C – Efeito dos Tratamentos sobre os teores de magnésio e potássio para a
última coleta realizada em cada Experimento.
Local 1 (a)
Magnésio (cmolc dm-3)
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
20,0
15,0
0,25-0,40
0,40-0,60
10,0
Enxofre (mg dm-3)
0,15-0,25
Local 2
-3
5,0
15,03,5
0,10-0,15
0,40-0,60
0,15-0,25
0,5
Magnésio (cmolc dm-3)
1,0
1,5
2,0
0,8
1,0
0,40-0,60
3,0
0,0
0,2
0,4
0,6
0,10-0,15
0,15-0,25
0,40-0,60
0,25-0,40
0,15-0,25
0,15-0,25
0,05-0,10
0,0-0,05
0,0
0,10-0,15
0,05-0,10
0,10-0,15
0,40-0,60
0,05-0,10
Profundidade
0,0-0,05
Profundidade
Profundidade
0,25-0,40
0,15-0,25
0,10-0,15
2,5
0,25-0,40
0,40-0,60
3,0 Mg Gesso
4,0 Mg Gesso
(cmolc dm-3)
2,0
2,5
5,0 Mg Gesso
Local 4$ (d) Potássio (cmolc dm-3)
3,0
3,5
4,0
0,0
0,2
0,4
0,6
0,05-0,10
0,10-0,15
0,25-0,40
0,40-0,60
Testemunha
0,15-0,25
2,0 Mg Gesso
0,25-0,40
4,0 Mg Gesso
0,15-0,25
0,10-0,15
Profundidade
0,00-0,05
0,05-0,10
35,0 40,0
5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0
1,5
2,0 Mg Gesso
0,0-0,05
1,0
1,0 Mg Gesso
Enxofre (mg dm-3)
0,5
Enxofre (mg dm-3)
Magnésio
Testemunha
6,0 Mg Gesso
0,40-0,60
Profundidade (m)
0,0 3,0 6,0 9,0 12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
0,25-0,40
0,40-0,60
Profundidade
30,0
0,6
Local 3# (c) Potássio (cmol dm-3)
c
0,0-0,05
0,40-0,60
25,00,4
5,0
0,0
Enxofre (mg dm-3)
0,25-0,40
0,25-0,40
Potássio (cmolc dm-3)
0,2
0,05-0,10
Testemunha
1,0 Mg Gesso
0,10-0,15
2,0 Mg Gesso
0,15-0,25
3,0 Mg Gesso
4,0 Mg Gesso
0,25-0,40
5,0 Mg Gesso
6,5 Mg Gesso
0,40-0,60
10,0
15,0
0,15-0,25
0,25-0,40
Profundidade
0,0-0,05
0,05-0,10
0,05-0,10
0,0
20,0
0,10-0,15
0,15-0,25
20,0
0,0
0,0-0,05
Profundidade
Profundidade
(m)
Profundidade
0,0-0,05
0,10-0,15
0,8
0,40-0,60
-3)
Enxofre (mg dm
(b)
(cmolc dm )
0,0 Magnésio
10,0
2,5 5,0
3,0
0,00-0,05
0,05-0,10
0,05-0,10
0,6
Testemunha
0,05-0,10
1,0 Mg Gesso
2,0 Mg Gesso
0,10-0,15
3,0 Mg Gesso
4,0 Mg Gesso
0,15-0,25
5,0 Mg Gesso
0,25-0,40
6,5 Mg Gesso
0,10-0,15
0,00-0,05
0,4
Profundidade
Profundidade
0,05-0,10
0,0
Potássio (cmolc dm-3)
0,2
0,00-0,05
0,00-0,05
2,0
0,0
0,40-0,60
0,25-0,40
0,15-0,25
0,10-0,15
0,00-0,05
0,05-0,10
Profundidade
0,0
Figura 1: Efeito das doses de gesso sobre os teores de magnésio e potássio para o
Experimento I após 56 meses (a), Experimento II após 56 meses (b), Experimento III após 30
meses e Experimento IV após 30 meses da aplicação dos tratamentos. #Médias dos teores de
Mg e de K entre os tratamentos que receberam calcário e os tratamentos que não receberam;
$
Médias dos teores de Mg e de K para as doses de gesso combinadas ao calcário.
114
Apêndice D – Efeito dos Tratamentos sobre as relações Ca/Mg e (Ca + Mg)/K para a
última coleta realizada em cada Experimento.
Local 1 (a)
Relação Ca/Mg
2,0
2,5
3,0
3,5
Profundidade (m)
20,0
0,05-0,10
0,10-0,15
15,0
Enxofre (mg dm-3)
0,25-0,40
0,40-0,60
1,5
Local 2 (b)
Testemunha
1,0
Mg Gesso
Gesso
2,0
Mg
Testemunha
1,0 Mg
Mg Gesso
Gesso
2,0
3,0
Mg
Gesso
4,0
1,0Mg
MgGesso
Gesso
2,0
Mg
Gesso
3,0
Mg
Gesso
4,0 Mg
Mg Gesso
Gesso
5,0
3,0 Mg Gesso
Gesso
4,0
5,0 Mg
Mg Gesso
5,0 Mg Gesso
0,25-0,40
-3dm
(mg
Enxofre
dm
(mg
Enxofre
) -3)-3)
dm
(mg
Enxofre
0,40-0,60
2,0
2,5
1,0 Mg Gesso
1,0 Mg Gesso
3,0
1,0 Mg
Mg Gesso
Gesso
3,0 Mg Gesso
5,0
Mg
3,0 Mg Gesso
Gesso
5,0 Mg Gesso
5,0 Mg Gesso
3,5
0,5
1,0
50,0
60,0
30,0
10,0
20,0
30,0
40,0
50,0
60,0
70,0
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,25-0,40
1,5
2,0
2,5
3,0
0,0
10,0
20,0
30,0
40,0
50,0
Profundidade
0,10-0,15
10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0
0,40-0,60
0,40-0,60
0,40-0,60
Enxofre (mg dm-3)
0,25-0,40
0,25-0,40
0,25-0,40
0,15-0,25
0,15-0,25
0,15-0,25
0,10-0,15
0,10-0,15
0,10-0,15
0,40-0,60
0,40-0,60
0,40-0,60
0,05-0,10
0,05-0,10
0,05-0,10
0,25-0,40
0,25-0,40
0,25-0,40
0,05-0,10
0,0-0,05
0,0-0,05
0,0-0,05
0,15-0,25
0,15-0,25
0,15-0,25
0,05-0,10
0,05-0,10
0,05-0,10
25,0
40,0
0,00-0,05
Profundidade (m)
Profundidade (m)
Profundidade (m)
Profundidade (m)
Profundidade (m)
Profundidade (m)
0,0-0,05
Profundidade
0,0-0,05
0,0-0,05
30,0
Local 4$ (d) Relação Ca + Mg/K
0,05-0,10
0,40-0,60
0,0
4,0
Relação Ca/Mg
0,00-0,05
0,25-0,40
20,0
0,40-0,60
0,0
0,15-0,25
Relação Ca + Mg/K
10,0
-3
0,0-0,05
0,40-0,60
0,10-0,15
0,15-0,25
0,05-0,10
3,0
0,25-0,40
120,0
0,40-0,60
0,0-0,05
Testemunha
Testemunha
0,05-0,10
2,0 Mg Gesso
Testemunha
2,0 Mg Gesso
4,0 Mg Gesso
0,10-0,15
2,0 Mg Gesso
4,0 Mg Gesso
0,15-0,25
4,0 Mg Gesso
1,5
5,0
1,0
0,0
0,5
100,0
Local 3# (c) Relação Ca + Mg/K
0,05-0,10
Profundidade
Relação Ca/Mg
0,0-0,05
0,0
0,10-0,15
10,0
0,40-0,60
Enxofre (mg dm-3)
15,0
0,25-0,40
0,05-0,10
12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
9,0
6,0
3,0
0,0
12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
9,0
6,0
3,0
12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
9,0
6,0
3,0
0,00,0
0,10-0,15
0,10-0,15
0,10-0,15
Profundidade (m)
Profundidade
0,15-0,25
80,0
0,05-0,10
Testemunha
0,10-0,15
1,0 Mg Gesso
0,15-0,25
2,0 Mg
Gesso
3,0 Mg Gesso
0,25-0,40
4,0 Mg Gesso
5,0 Mg
Gesso
0,40-0,60
6,5 Mg Gesso
0,0-0,05
0,10-0,15
Profundidade
20,0
0,05-0,10
0,0
0,0
15,00,0-0,05 20,0
10,0
0,10-0,15
5,0
0,15-0,25
Testemunha
3,5
Profundidade
-3dm
(mg
Enxofre
dm
(mg
Enxofre
) -3) -3)
dm
(mg
Enxofre
3,0
Enxofre (mg dm )
0,00-0,05
12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
9,0
6,0
3,0
0,0
12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
9,0
6,0
3,0
12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
9,0
6,0
3,0
0,00,0
2,5
0,10-0,15
0,0
2,0
60,0
0,05-0,10
Profundidade
Profundidade
0,0-0,05
1,0
5,0
0,5
40,0
0,00-0,05
Relação Ca/Mg
0,0
Relação (Ca + Mg)/K
20,0
Testemunha
0,10-0,15
1,0 Mg Gesso
2,0 Mg
Gesso
0,15-0,25
3,0 Mg Gesso
0,25-0,40
4,0 Mg
Gesso
5,0 Mg Gesso
0,40-0,60
6,5 Mg Gesso
0,15-0,25
10,0
Profundidade
0,00-0,05
4,0 0,0
0,25-0,40
1,5
0,40-0,60
1,0
0,25-0,40
0,5
0,15-0,25
0,0
Testemunha
0,15-0,25
2,0 Mg Gesso
0,25-0,40
4,0 Mg Gesso
6,0 Mg0,40-0,60
Gesso
0,40-0,60
0,25-0,40
0,15-0,25
0,10-0,15
0,05-0,10
0,00-0,05
0,0
5,0
Figura 2: Efeito das doses de gesso sobre as relações Ca/Mg e (Ca + Mg)/K para o
Experimento I após 56 meses (a), Experimento II após 56 meses (b), Experimento III após 30
meses e Experimento IV após 30 meses da aplicação dos tratamentos. #Médias das relações
Ca/Mg e (Ca + Mg)/K entre os tratamentos que receberam calcário e os tratamentos que não
receberam; $Médias das relações Ca/Mg e (Ca + Mg)/K para as doses de gesso combinadas ao
calcário.
115
Apêndice E – Efeito dos Tratamentos sobre a saturação por Ca, saturação por Mg e
saturação por K para a última coleta realizada em cada Experimento.
Local 1 (a)
30,0
40,0
50,0
0,10-0,15
5,0
10,0
0,10-0,15
0,15-0,25
15,0
Saturação por Cálcio (Sat. Ca)
10,0
20,0
30,0
40,0
Profundidade
0,40-0,60
0,15-0,25
4,0 Mg Gesso
5,0 Mg Gesso
0,15-0,25
0,10-0,15
6,5 Mg Gesso
10,0
5,0
20,0
30,0
40,0
Profundidade (m)
Profundidade
0,40-0,60
Enxofre (mg dm-3)
0,40-0,60
0,0 3,0 6,0 9,0 12,015,018,021,024,027,030,033,036,039,0
0,15-0,25
0,25-0,40
0,05-0,10
0,0-0,05
0,0
0,10-0,15
Profundidade
0,25-0,40
5,0
4,0 Mg Gesso
5,0 Mg
Gesso
0,40-0,60
40,0
15,0
50,0
70,0
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
Profundidade
Profundidade
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
Saturação po Potássio (Sat. K)
30,0 0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
6,0
0,05-0,10
0,10-0,15
0,15-0,25
0,40-0,60
0,40-0,60
0,25-0,40
0,15-0,25
0,5
0,25-0,40
0,40-0,60
6,0 Mg Gesso
0,10-0,15
Saturação por Potássio (Sat. K)
0,0
0,00-0,05
0,05-0,10
0,0-0,05
0,15-0,25
0,40-0,60
0,10-0,15
Testemunha
0,15-0,25
2,0 Mg Gesso
0,25-0,40
4,0 Mg Gesso
0,05-0,10
0,05-0,10
Local
4$ (d) (Sat. Mg)
Saturação
po Magnésio
60,0
6,0
0,10-0,15
20,0
0,00-0,05
dm-3)
30,0
10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0
Profundidade
20,0
5,0
0,25-0,40
Profundidade (m)
0,40-0,60
10,0
4,0
0,0-0,05
Saturação por Cálcio (Sat. Ca)
0,0
0,25-0,40
10,0
0,05-0,10
0,15-0,25
1,0 Mg Gesso
0,25-0,40
3,0 Mg
Gesso
3,0
0,40-0,60
0,10-0,15
2,0 Mg Gesso
Testemunha
2,0
0,25-0,40
0,0-0,05
0,15-0,25
1,0
0,0-0,05
0,0
50,0
0,40-0,60
0,15-0,25
Saturação por Potássio (Sat. K)
30,0 0,0
25,0
SaturaçãoLocal
por Magnésio
3# (c) (Sat. Mg)
0,0-0,05
0,10-0,15
30,0
20,0
0,40-0,60
0,0
10,0
0,25-0,40
0,05-0,10
25,0
15,0
0,15-0,25
Saturação po Cálcio (Sat. Ca)
0,00-0,05
0,10-0,15
0,25-0,40
0,15-0,25
5,0
0,15-0,25
SaturaçãoLocal
por Magnésio
2 (b) (Sat. Mg)
0,05-0,10
0,40-0,60
4,0
0,25-0,40
0,10-0,15
0,25-0,40
3,0
0,40-0,60
Profundidade
15,0
Enxofre (mg dm-3)
0,10-0,15
2,0
0,05-0,10
0,0-0,05
0,25-0,40
0,05-0,10
0,10-0,15
0,0-0,05
0,020,0
1,0 Mg Gesso
2,0 Mg Gesso
Profundidade
Profundidade
(m)
Profundidade
0,00-0,05
Testemunha
0,0-0,05
0,05-0,10
3,0 Mg Gesso
20,0
60,0 10,0
50,0
1,0
0,00-0,05
0,05-0,10
Profundidade
5,0
0,0
0,0
0,10-0,15
30,0 0,0
25,0
Enxofre0,40-0,60
(mg dm-3)
0,40-0,60
0,05-0,10
20,0
0,25-0,40
0,25-0,40
0,05-0,10
15,0
0,00-0,05
10,0
0,15-0,25
10,0
60,0
Profundidade
15,0
0,05-0,10
Enxofre (mg dm-3)
20,0
Testemunha
1,0 Mg Gesso
2,0 Mg Gesso
3,0 Mg Gesso
4,0 Mg Gesso
5,0 Mg Gesso
6,5 Mg Gesso
0,00-0,05
Profundidade
10,0
Profundidade
20,0
0,0
Saturação por Potássio (Sat. K)
Saturação por Magnésio (Sat. Mg)
Saturação por Cálcio (Sat. Ca)
0,40-0,60
0,15-0,25
0,25-0,40
0,10-0,15
0,00-0,05
0,05-0,10
0,0
5,0
Profundidade
Enxofre (mg
Figura 3: Efeito das doses de gesso sobre a saturação por Ca, saturação por Mg e saturação
por K para o Experimento I após 56 meses (a), Experimento II após 56 meses (b),
Experimento III após 30 meses e Experimento IV após 30 meses da aplicação dos
tratamentos. #Médias da saturação por Ca, saturação por Mg e saturação por K entre os
tratamentos que receberam calcário e os tratamentos que não receberam; $Médias da saturação
por Ca, saturação por Mg e saturação por K para as doses de gesso combinadas ao calcário.
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