Versão online: http://www.lneg.pt/iedt/unidades/16/paginas/26/30/185 Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial II, 987-991 IX CNG/2º CoGePLiP, Porto 2014 ISSN: 0873-948X; e-ISSN: 1647-581X Bioacumulação e fracionamento das Terras Raras em plantas recolhidas em áreas mineiras: comparação entre dois ambientes geológicos distintos Rare Earth Elements bioaccumulation and fractionation in plants collected from two distinct geological contexts mining areas N. Durães1*, E. Ferreira da Silva1, I. Bobos2 Artigo Curto Short Article © 2014 LNEG – Laboratório Nacional de Geologia e Energia IP Resumo: Um estudo comparativo foi elaborado para avaliar a capacidade de bioacumulação das Terras Raras (TR) em plantas, provenientes de quatro áreas mineiras, representando dois ambientes distintos. Os resultados obtidos indicam que os teores em TR nas plantas dependem dos teores no substrato, embora existam também evidências da dependência de outros fatores (ex.: espécies de plantas; a adsorção em óxi-hidróxidos de Fe). Não se encontrou uma relação direta entre os valores de pH da rizosfera com a absorção das TR pelas plantas. A capacidade de bioacumulação das TR é baixa nas plantas e maior nas raízes do que nas partes aéreas. Nas plantas, ocorre um maior enriquecimento em TR leves relativamente às TR pesadas. No entanto, uma elevada capacidade de translocação para as partes aéreas foi verificada para quase todas as plantas e, em alguns casos, mais expressiva para as TR pesadas. Palavras-chave: Terras Raras, Plantas, Rizosfera, Bioacumulação, Fracionamento. Abstract: A comparative study was conducted aiming the evaluation the Rare Earth Elements (REE) bioaccumulation capacity in plants collected from four mining areas and representing two distinct geological environments. Although a dependence was found between the amounts of REE in plants and in soils (rhizosphere), other factors clearly affect the absorption capacity by plants (e.g.: plant species; Fe-oxyhydroxides adsorption). No evidence of rhizosphere pH dependence in the REE adsorption by plants was found. The REE bioaccumulation ability were not high, following the sequence roots>aerial parts. Light REE (LREE) concentrations were higher than heavy REE (HREE) in plants, but plants showed a high ability of REE translocation to the aerial parts and, in some cases, this fact is more markedly for HREE. Keywords: Rare Earth Elements, Plants, Rhizosphere, Bioaccumulation, Fractionation. 1 GeoBioTec – Departamento de Geociências, Universidade de Aveiro. Campus de Santiago, 3810-193 Aveiro, Portugal. 2 Centro de Geologia – Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Rua do Campo Alegre 687, 4169-007 Porto, Portugal. * Autor correspondente / Corresponding author: [email protected] 1. Introdução As Terras Raras (TR) têm sido amplamente estudadas em processos geoquímicos e petrogenéticos e também devido à sua importância económica (Henderson, 1996). Atendendo à crescente utilização das TR para fins industriais e na agricultura, é de esperar que os impactes no ambiente se intensifiquem. Torna-se, portanto, vital compreender os mecanismos de interação biogeoquímica entre o ambiente geogénico e a biota, dos quais ainda pouco se conhece, não só no sentido de se minimizarem os impactes ambientais, mas também na prospeção de novos recursos destes elementos. Os primeiros registos relativos ao transporte e acumulação de TR em tecidos vegetais foram reportados na literatura científica por Robinson et al. (1958) e Markert et al. (1989). Vários fatores condicionam o estudo do fracionamento das TR em plantas, desde logo os baixos teores (principalmente nas partes aéreas), a grande variedade de espécies de plantas e ainda a elevada complexidade e heterogeneidade dos solos e rizosfera (Liang et al., 2008). Embora os teores de TR nas plantas tendam a ser baixos, o que se pode dever em parte à baixa solubilidade das TR, algumas espécies são capazes de acumular altos teores de TR (Evans, 1990). Estudos demonstraram que espécies de plantas distintas recolhidas nos mesmos locais apresentam uma capacidade de absorção distinta das TR, apesar da similaridade química (Wang et al., 1997). Por vezes esta distinção na absorção também se verifica para plantas da mesma espécie (Wyttenbach et al., 1998). Os teores em TR nas plantas parecem ser independentes do substrato onde crescem (Markert, 1987), embora uma dependência do substrato na absorção das TR pelas plantas tenha ficado evidenciado noutros trabalhos (Miao et al., 2008; Miekeley et al., 1994). Por conseguinte, os teores de TR do substrato poderão condicionar as suas concentrações nas plantas, mas o seu fracionamento será, numa primeira fase, condicionado pelos complexantes na rizosfera, em grande parte 988 associados aos exsudatos das raízes. Numa segunda fase, serão os ligantes internos das plantas que desempenharão um papel importante na acumulação e fracionamento das TR (Liang et al., 2008; Semhi et al., 2009). O objetivo deste trabalho foi o de efetuar um estudo comparativo entre os teores de TR nas plantas, a sua translocação e o fracionamento das raízes para as partes aéreas. Pretendeu-se ainda avaliar se diferentes espécies de plantas recolhidas nos mesmos locais apresentam perfis de bioacumulação das TR distintos e se diferentes contextos geológicos afetam a capacidade de bioacumulação e translocação das TR nas mesmas espécies. 2. Enquadramento geológico Os locais de amostragem correspondem a quatro áreas mineiras (Abessedo, Lousal, Aljustrel e São Domingos) situadas em Portugal continental. A mina de Abessedo localiza-se no norte de Portugal (Trás-os-Montes) e pertencente à Zona Galiza Trás-osMontes (ZGTM) (Fig. 1), caracterizada pela ocorrência de rochas ultrabásicas metamorfizadas. Esta é uma antiga mina de cromite e com registo de concentrações apreciáveis em platinoides (Jedwab et al., 1989). Fig. 1. Localização e enquadramento geotectónico das áreas mineiras de estudo. ZGTM – Zona Galiza Trás-os-Montes; ZCI – Zona Centro Ibérica; ZOM – Zona Ossa Morena; ZSP – Zona Sul Portuguesa (adaptado de Dias & Ribeiro, 1995). Fig. 1. Location and geotectonic setting of the study mining areas. ZGTM - Galiza Trás-os-Montes Zone; ZCI – Central Iberian Zone; ZOM – Ossa Morena Zone; ZSP – South Portuguese Zone (adapted from Dias & Ribeiro, 1995). As restantes 3 áreas mineiras (Lousal, Aljustrel e São Domingos) localizam-se no sul de Portugal (Alentejo), na Zona Sul Portuguesa (ZSP) (Fig. 1). Estas minas pertencem à Faixa Piritosa Ibérica (FPI), uma província metalogénica constituída por depósitos vulcanogénicos de sulfuretos maciços e caracterizada pela ocorrência de rochas sedimentares detríticas e unidades vulcano-sedimentares. Pese embora as especificidades do jazigo de Lousal (Matzke, 1971), Aljustrel (Andrade & Schermerhorn, 1971; N. Durães et al. / Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial II, 987-991 Leitão, 1998) e São Domingos (Carvalho, 1971; Webb, 1958), a génese de todos eles está associada aos mesmos eventos geológico-tectónicos pelo que as suas características geológicas e mineralógicas são similares. 3. Materiais e métodos Os exemplares de plantas recolhidos correspondem a 3 espécies de plantas: uma espécie típica da vegetação nativa da região de Trás-os-Montes e Alentejo (Cistus ladanifer L.); duas espécies de plantas aquáticas emergentes (Juncus effusus L. e Scirpus holoschoenus L.). A amostragem teve em consideração as diferentes áreas mineiras, com preferência por locais contaminados e a abundância relativa das espécies, de modo a que fossem representativas da vegetação da região. As plantas aquáticas apenas foram recolhidas nas áreas mineiras da FPI, em estreita proximidade com águas ácidas de mina. Concomitantemente com a amostragem das plantas foram também recolhidas amostras de rizosfera associadas a cada um dos exemplares. No laboratório foram separados os diferentes órgãos das plantas (raízes caules e folhas), que foram devidamente lavados em água corrente e depois em água destilada com recurso a um banho de ultrassons. Após a secagem em estufa à temperatura de 40ºC (mínimo de 48 h), cada uma das partes das plantas foi moída a uma granulometria inferior a 177 µm e enviadas para análise química. No caso das plantas provenientes da mina de Abessedo, atendendo aos teores mais baixos de TR em rochas ultrabásicas, foi feita a incineração das plantas de modo a promover uma pré-concentração dos teores em TR nas cinzas. A incineração das plantas foi realizada numa mufla à temperatura de 500ºC. Durante as primeiras 2 h o aumento da temperatura fez-se por incrementos de 100ºC em intervalos de 30 minutos até se atingir a temperatura de 500ºC, a qual foi mantida por mais 5 h (Jones, 2001). Os teores de TR nas cinzas foram convertidos para massa seca das plantas. As amostras de rizosfera foram desagregadas e secas em estufa a 40ºC e separada a fração granulométrica inferior a 177 µm para análise química. As análises químicas das plantas e dos solos foram realizadas no laboratório ACME Labs (ACME Anal. ISO 9002 Accredited Lab, Canada) por ICP-MS, após digestão ácida (HClO4-HNO3-HCl-HF). Os valores de pH das amostras de rizosfera foram determinados numa suspensão de solo em água destilada (1Vsolo : 5Vágua), agitada durante 5min, seguida de 2h de repouso (ISO 10390, 1994), com um elétrodo HI1131B acoplado a um medidor multiparamétrico HI255 da HANNA Instruments®. 4. Resultados e discussão Nos solos (rizosfera) das áreas mineiras da FPI vigoram condições ácidas, com valores de pH da rizosfera entre 4,3 e 4,8, enquanto na mina de Abessedo os valores de pH da rizosfera são mais próximos da neutralidade (pH 6,3 - 7,2). Atendendo aos somatórios das TR (ƩTR), verifica-se que Bioacumulação e fracionamento de TR em plantas os solos da FPI são um pouco mais enriquecidos em TR (ƩTR=188 mg.kg-1; valores médios) do que no caso da mina de Abessedo (ƩTR 164 mg.kg-1; valores médios), embora essa diferença não seja muito expressiva. Em ambos os casos há um claro predomínio das TR leves em detrimento das TR pesadas, com perfil típico associado a um maior enriquecimento em TR com números atómicos pares (Fig. 2). Através normalização dos teores de TR na rizosfera com os valores da série PAAS (Post-Archean average Autralian Shale) (Taylor & McLennan, 1985) verifica-se a ocorrência de uma anomalia positiva em Eu (Fig. 3a) bastante evidente nas amostras de Abessedo, enquanto nas amostras da FPI as anomalias são menos evidentes e a diminuição das TR leves para as pesadas não é muito expressiva (Fig. 3b). Os teores das TR nas plantas são consideravelmente mais baixos que nos solos, com ƩTR a variarem de 2,9 a 9,3 mg.kg-1 para as amostras de Abessedo, enquanto no caso da FPI os valores de ƩTR (2,5 - 38,3 mg.kg-1) têm um maior intervalo de variação (Fig. 4). Como no caso das amostras da FPI estão a ser consideradas plantas de diferentes espécies, este aspeto pode ajudar a explicar este intervalo de variação mais alargado (Wang et al., 1997). De facto, considerando apenas os valores determinados para o C. ladanifer verifica-se que os valores de ƩTR variam de 3,8 a 18,3 mg.kg-1. As plantas aquáticas (J. effusus e S. holoschoenus) são aquelas que apresentam, respetivamente, os valores mais elevados e os mais baixos de ƩTR. Como a amostra de J. effusus encontrava-se em contacto direto com as águas ácidas (pH~2) é provável que a dissolução das TR seja facilitada pelos baixos valores de pH destas águas, ocorrendo alguma absorção das TR diretamente a partir dessas águas. O enriquecimento em TR com números atómicos pares também se verifica para as plantas, assim como também são maiores os teores em TR leves relativamente às TR pesadas (Fig. 4). Os perfis de distribuição das TR nas 989 plantas são, em certa medida, similares aos dos solos, com uma correlação positiva (r=0.81; ρ<0.05) entre os ƩTR das plantas e dos solos, tal como apontado por Miekeley et al. (1994). Contrariamente ao que acontece para os metais, onde um abaixamento dos valores de pH nos solos parece facilitar a absorção pelas plantas, o mesmo não se verifica neste caso. A planta C. ladanifer mostra até uma tendência para um aumento dos teores em TR com o aumento do pH. Provavelmente, os quelatos segregados pelas raízes terão aqui um papel preponderante, mais do que nas plantas aquáticas onde a precipitação de oxi-hidróxidos de ferro na superfície das raízes poderão condicionar a absorção das TR pelas plantas. Outro fator poderá estar relacionado com variações no potencial redox da rizosfera (Wyttenbach et al., 1998). Os valores médios das concentrações de TR normalizados (normalização PAAS) mostram que a capacidade de bioacumulação das plantas é bastante reduzida relativamente aos teores presentes na rizosfera (Fig. 5). No entanto, no que diz respeito à translocação das raízes para as partes aéreas, há uma tendência para um aumento das TR pesadas nas partes aéreas em relação às raízes (Fig. 5). O calculo do Fator de Translocação (FT) (Stoltz & Greger, 2002) para cada planta, comprova que estas têm uma grande capacidade de translocarem as TR para as partes aéreas, nomeadamente as TR pesadas no caso das plantas recolhidas na mina de Abessedo. Nas plantas recolhidas na FPI esta distinção não é tão clara e tanto as TR pesadas como leves são igualmente translocadas. Exceção é a planta Juncus effusus que apesar de apresentar os teores mais elevados em TR, tem os valores de FT<1 para todas as TR. Isto pode dever-se a dois fatores: por um lado os valores mais baixos de pH podem não favorecer a bioacumulação de TR pelas plantas e, por outro lado, a elevada presença de óxi-hidróxidos de ferro pode ocasionar a adsorção das TR nas raízes impedindo a sua translocação. Fig. 2. Distribuição dos teores totais de TR nas amostras de rizosfera provenientes das áreas mineiras de Abessedo (a) e da FPI (b). Fig. 2. Distribution of the total REE amounts in rhizosphere samples from the mining areas of Abessedo (a) and IPB (b). 990 N. Durães et al. / Comunicações Geológicas (2014) 101, Especial II, 987-991 Fig. 3. Normalização PAAS dos teores totais de TR nas amostras de rizosfera provenientes das áreas mineiras de Abessedo (a) e da FPI (b). Fig. 3. PAAS normalization of the total REE amounts in rhizosphere samples from the mining areas of Abessedo (a) and IPB (b). Fig. 4. Distribuição dos teores totais de TR nas amostras de plantas provenientes das áreas mineiras de Abessedo (teores nas cinzas) (a) e da FPI (teores em massa seca das amostras) (b). Fig. 4. Distribution of the total REE amounts in plant samples from the mining areas of Abessedo (ash weight contents) (a) and IPB (dry weight contents) (b). Fig. 5. Distribuição das médias dos teores totais de TR normalizados (PAAS) nas amostras de plantas (amostra total), nas raízes, partes aéreas e nos solos provenientes das áreas mineiras de Abessedo (teores nas cinzas das plantas e em massa seca nos solos) (a) e da FPI (teores em massa seca) (b). Fig. 5. PAAS normalization of the total average REE amounts in plants (whole sample), roots, aerial plant parts and soil samples from the mining areas of Abessedo (ash weight contents in plants and dry weight contents in soils) (a) and IPB (dry weight contents) (b). Bioacumulação e fracionamento de TR em plantas 5. Conclusões Dos dados obtidos pode-se concluir que os teores de TR nas plantas têm alguma similaridade com os padrões de distribuição das TR nos solos, embora diferentes espécies de plantas apresentem perfis distintos mesmo tratando-se dos mesmos contextos geológicos. Os valores de pH não evidenciam um papel determinante na absorção das TR pelas plantas, contrariamente ao que acontece para os metais. Apesar dos valores de bioacumulação de TR pelas plantas analisadas serem baixos, elas apresentam uma elevada capacidade de translocação das TR para as partes aéreas. A presença de fases minerais nos solos ou precipitadas na superfície das raízes (ex. óxi-hidróxidos de Fe) podem limitar fortemente o processo de absorção pelas plantas. Agradecimentos O primeiro autor agradece à Fundação para a Ciência e a Tecnologia o apoio financeiro concedido no âmbito da sua bolsa de pós-doutoramento (SFRH/BPD/81059/2011). Referências Andrade, R.F.D’, Schermerhorn, L.J.G., 1971. Aljustrel e Gavião. Livro-Guia nº4. I Congresso Hispano-Luso-Americano de Geologia Económica. Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, Lisboa, 32-59. Carvalho, D., 1971. Mina de S. Domingos. Livro-Guia nº4. I Congresso Hispano-Luso-Americano de Geologia Económica. 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