Arquitectura Empresarial: o instrumento para o alinhamento das organizações por Pedro Sousa, Administrador da Link Consulting A s organizações são realidades complexas e multifacetadas. Na sua descrição é habitual considerarem-se diversos aspectos como a cadeia de controlo e reporte, os processos de negócio, a informação necessária à condução e gestão do negócio – informação que designaremos como informação de negócio — os sistemas e tecnologias de informação, entre muitos outros. Contudo, representar uma organização é uma tarefa extremamente difícil. Uma coisa é representar cada um destes aspectos de forma individual e independente. Muito mais complexo é representar os mesmos aspectos de forma integrada e coerente. De facto todos estes elementos de representação constituem peças de um puzzle que, se não for suportado numa abordagem estruturada, se traduzirá em percepções distintas e descoordenadas que se manifestam interna e externamente. Como sabemos, em vários domínios como na arquitectura civil, engenheiros, arquitectos e construtores têm uma representação coerente e articulada dos edifícios que constroem. A ausência de uma visão integrada destas representações dificultaria a detecção de problemas, a identificação de áreas de melhoria bem como a avaliação dos respectivos impactos. Nas organizações, tal como na vida, ter consciência da realidade é essencial para poder actuar. A capacidade de mudança da organização é fortemente dependente da forma como os diversos aspectos das organizações referidos no início estão alinhados e são conhecidos pela própria organização. Neste sentido, as representações partilhadas e compreendidas por todos são fundamentais pois permitem detectar as diferenças entre a “realidade” e o que “deveria ser” ou que “cada um julga que é”. Estas diferenças fazem com que o conhecimento que a gestão tem da própria orga- 8 | N7 - Junho de 2005 | Cadernos Link - Arquitectura Empresarial nização seja, de facto, reduzido. Porém, este conhecimento é fundamental para preparar e definir as mudanças numa organização. Quando maiores e mais rápidas forem estas mudanças, mais crítico é o conhecimento que a gestão tem da própria organização. O framework de Zachman A Arquitectura Empresarial é a materialização deste conceito aplicado à gestão das organizações, traduzindo-se num processo de representação destas que, pela prática contínua, permite alinhar os seus diversos aspectos constitutivos num ambiente integrado. Um objectivo central da Arquitectura Empresarial é procurar que os vários aspectos convirjam, eliminando aquilo que se designa por desalinhamentos. O conceito de Arquitectura Empresarial tem sido desenvolvido e enriquecido nas últimas décadas por diversos profissionais e investigadores tanto na vertente prática da sua aplicação às organizações reais, como na vertente académica e de investigação sobre estas matérias. Na génese desta comunidade está o trabalho de John Zachman que criou um instrumento – Zachman Framework for Enterprise Architecture – suficientemente genérico e flexível para ser usado como base às representações dos vários aspectos da organização. No framework de Zachman, a representação das organizações é desagregada por perspectivas (linhas) e por dimensões (colunas). Cada perspectiva fornece uma visão da organização adequada a um determinado nível, nomeadamente o da visão, o da gestão, o da arquitectura, o da engenharia, o da implementação, o da sub-contratação e, por fim, o do colaborador que é a realidade da organização em funcionamento. Cada perspectiva é detalhada nas seis The Zachman Classification System for an Enterprise™ Audience Perspective WHAT HOW WHERE Network Manifestation WHO WHEN WHY Organization Manifestation Timming Manifestation Motivation Manifestation Inventory Manifestation Function Manifestation Scope Entity Scope Relationship Scope Process Scope Location Scope Role Scope Input Scope Connections Scope Work Scope Cycle Scope Moment Scope Means Inventory Manifestation Function Manifestation Network Manifestation Organization Manifestation Timming Manifestation Motivation Manifestation Visionaries Scope Scope End Executive Leaders Business Business Entity Business Relationship Business Process Business Input Business Location Business Connections Business Role Business Work Business Cycle Business Moment Businesse End Business Means Inventory Manifestation Function Manifestation Network Manifestation Organization Manifestation Timming Manifestation Motivation Manifestation System Architects System Entity System Relationship Inventory Manifestation System Process System Input Function Manifestation System Location System Connections System Role System Work Network Manifestation Organization Manifestation Technology Location Technology Connections Technology Role Technology Work System Cycle System Moment Timming Manifestation System End System Means Motivation Manifestation Engineers Technology Technology Entity Technology Relationship Inventory Manifestation Technology Process Technology Input Function Manifestation Network Manifestation Organization Manifestation Technology Cycle Technology Moment Timming Manifestation Technology End Technology Means Motivation Manifestation Component Implementers Component Entity Component Relationship Inventory Instantiation Component Process Component Input Function Instantiation Component Location Component Connections Network Instantiation Component Role Component Work Organization Instantiation Component Cycle Component Moment Timing Instantiation Component End Component Means Motivation Instantiation Operations Workers Operations Entity Operations Relationship Target Domain Interrogative Prestective INVENTORY Operations Process Operations Input FUNCTION Operations Location Operations Connection NETWORK Operations Role Operations Work ORGANIZATION Operations Cycle Operations Moment TIMIN Operations End Operations Means MOTIVATION Target Contributor © Copyright 2002 - 2005 Zachman Framework Associates dimensões clássicas – o quê, como, onde, quem, quando e porquê. O resultado da combinação das perspectivas com estas dimensões é uma matriz suficientemente genérica para poder ser usada como repositório das várias descrições da organização. Criado inicialmente como um instrumento para a Arquitectura de Sistemas de Informação, tem sido usado na última década por inúmeras entidades como instrumento de base para a Arquitectura Empresarial, focando-se essencialmente no problema da representação das organizações. Este framework permite dar resposta a três grandes dificuldades da Arquitectura Empresarial – a representação, a mudança e a complexidade das organizações. A utilização de conceitos genéricos e universais permite objectivar a representação das várias áreas da organização, deixando a representação sistemática de ser um domínio exclusivo da engenharia informática. A capacidade de uma organização gerir e planear a mudança, normalmente imposta por condicionantes de mercado, está fortemente limitada pelo conhecimento da situação actual da organização, bem como da sequência de etapas necessárias para efectivar a mudança. A explicitação das etapas necessárias à mudança, da primeira à última linha da matriz, permite facilmente materializar o impacto da mudança em toda a organização. Outro factor limitativo da mudança é a desactualização implícita das representações da organização. Ao subdividir a representação da organização em 36 células, esta representação fica também mais imune às mudanças, pois apenas as células referentes à informação que realmente mudou precisam de ser actualizadas. Finalmente, a gestão da complexidade é conseguida decompondo o problema inicial em problemas menos complexos. Neste caso, a análise de cada perspectiva da organização é decomposta nas seis dimensões independentes, já enunciadas acima. Arquitectura Empresarial - Cadernos Link | N7 - Junho de 2005 | 9 A Link Consulting Enquadrada na oferta da Arquitectura Empresarial, a link consulting assegura a representação e o alinhamento dos seguintes elementos organizacionais: Estratégia, Estrutura Orgânica, Processos, Informação, Serviços, Sistemas e Tecnologias. Usando uma única metodologia, instrumentos e paradigmas, a link consulting oferece uma visão coerente e integrada de um conjunto de serviços de consultadoria normalmente percepcionados como independentes, nomeadamente: Planeamento Estratégico de Sistemas de Informação (PESI). Planeamento das necessidades de SI/TI da organização em função das necessidades do negócio e da sua evolução, prevista de acordo com a estratégia preconizada. Este planeamento fundamenta-se no alinhamento entre a Estratégia, os Processos e os Sistemas de Informação. Arquitectura de Sistemas de Informação (ASI). Identificação e descrição dos Sistemas mais adequados ao suporte dos Processos e à gestão da Informação de Negócio. A identificação dos sistemas é fundamentada no alinhamento entre os Sistemas, os Processos e a Informação de Negócio. Este alinhamento não deve ser considerado como um todo indivisível. Na verdade, cada um dos alinhamentos – entre Processos e Informação, entre Processos e Sistemas e entre Sistemas e Informação – deve ser considerado de forma independente, pois tem critérios e análises de custo/benefício próprios. Arquitectura de Serviços Empresariais. (ESA – Enterprise Service Architecture). Identificação dos Serviços que permitem uma implementação dos Processos com elevados níveis de agilidade, de forma a que mudanças a estes Processos possam ser facilmente implementadas. A Arquitectura de Serviços Empresariais traduz um alinhamento entre Serviços, Processos, Informação, Sistemas e Tecnologia. Integração Empresarial. Proposta de integração de Processos, Informação e Sistemas de forma a eliminar redundância e a maximizar o alinhamento entres estes. Esta oferta difere das ofertas anteriores (ASI e ESA) pelo facto de que não se propõe no redesenho de Processos, Serviços, Informação e Sistemas. Apenas se propõe uma melhor forma de alinhar os elementos existentes. Gestão da Mudança de Processos e Sistemas de Informação. A mudança é uma constante nas organizações de hoje. A entrada em produção de novos sistemas implicam mudanças em vários aspectos da organização, todos eles importantes para o sucesso do projecto. O problema é que, muito embora os mecanismos de gestão e controlo da situação actual e futura estejam normalmente desenhados para os momentos de estabilidade (iniciais e finais), 10 | N7 - Junho de 2005 | Cadernos Link - Arquitectura Empresarial constata-se uma ausência de mecanismos de gestão especificamente desenhados para as fases de transição. Assim a gestão da mudança fundamenta-se no assegurar o alinhamento dinâmico entre a Estrutura Orgânica, os Processos, a Informação, e os Sistemas e Tecnologia de Informação, isto é, à medida que estas mudam. Governação de Processos e Sistemas de Informação. Concepção e operacionalização dos fóruns e instrumentos necessários à governação de Sistemas de informação e à condução de programas (conjuntos de projectos) numa organização. Esta oferta é no fundo a generalização da Gestão da Mudança como realidade permanente das organizações, onde se reconhece a gestão integrada das várias mudanças que ocorrem em diferentes áreas das organizações. Alinhamento e Engenharia de Requisitos. Para além da especificação de requisitos segundo as melhores práticas da engenharia de software, pretende-se assegurar o alinhamento dos requisitos de um Sistema com os Processos, com Informação e Arquitectura de Sistemas de uma Organização. Normalmente este alinhamento é uma responsabilidade implícita dos “key-users”, expressa quando estes aprovam os requisitos de um sistema a implementar. Contudo, em organizações e sistemas complexos, garantir a compatibilidade dos requisitos com os Processos, Informação de negócio, a Arquitectura de Sistemas é apenas possível recorrendo a métodos e instrumentos próprios. Um dos erros mais frequentes é impor como requisito de Melhoria Contínua e a Gestão da Qualidade ISO 9001:2000 A melhoria contínua, a qual deve ser estabelecida através de ciclos de melhoria, apresentando objectivos, passos e impactos de cada ciclo desdobrados nos vários aspectos da organização. Só assim se assegura uma definição clara dos objectivos, do âmbito, dos resultados, dos recursos a envolver, não esquecendo os processos, sistemas e eventuais tecnologias. Esta abordagem é usada nos diferentes níveis de intervenção, sendo fundamental assegurar a coerência entre as diversas iterações e a articulação com as iniciativas em curso, próprias da dinâmica organizacional. É com base nesta abordagem que a gestão da mudança se consubstancia. um sistema uma funcionalidade que seria requisito natural de um outro Sistema. Alinhamento Organizacional. Desdobramento dos objectivos estratégicos com os objectivos e indicadores de Processos, das Estruturas Orgânicas e das Pessoas. Identificação e Implementação de melhorias Organizacionais, incluindo alterações ao nível das responsabilidades dos Processos e das Estruturas Orgânicas. Engenharia de Processos. Alteração da definição dos Processos de forma a optimizar determinados parâmetros, por exemplo o tempo, o esforço, a qualidade dos resultados, os recursos necessários, as competências necessárias, a gestão do conhecimento, entre outros. A engenharia de Processos, traduz o alinhamento de todas as entidades organizacionais consideradas: Estratégia, Estrutura Orgânica, Processos, Informação, Serviços, Sistemas e Tecnologias. Segurança da Informação e Processos numa Organização. Aplicação de normas e práticas internacionalmente reconhecidas, nomeadamente os standards ISO e as normas NATO/UEO/Nacional (SEGNACs/ANS) às entidades organizacionais mais prementes: Processos, Informação, Serviços, Sistemas e Tecnologias, bem como os próprios locais onde estão instalados. No contexto da Arquitectura Empresarial, a Segurança na organização não se esgota na implementação de sistemas de segurança, como firewalls, Intrusion Detection Systems ou antivírus. Embora a Arquitectura Empresarial se materialize em resultados concretos, tem de ser encarada para além desses resultados e vista como um processo contínuo assumido pelos colaboradores da organização, implicando necessariamente a participação activa na sua elaboração. Para tal, a Arquitectura Empresarial tem de incluir um modelo de governação que permita o acompanhamento e a tomada de decisões sobre as perspectivas arquitecturais da organização. Cabe ainda ao modelo de governação instituir as práticas de gestão de projecto e de gestão da mudança capazes de implementar e manter a Arquitectura. Contudo, a manutenção da arquitectura não pode ser um projecto distinto dos demais projectos da organização. Deve ser um resultado conjunto dos projectos que afectam a organização, todos eles enquadrados na perspectiva da melhoria contínua. Esta abordagem resulta da visão que a link consulting preconiza para o sucesso dos projectos. O sucesso da gestão de um projecto não se limita à gestão dos objectivos expressos no seu âmbito mas também à mudança que este cria na organização. Em resumo, a abordagem da link consulting permite dotar as organizações dos instrumentos, das práticas e das competências necessárias à sua representação e arquitectura continuada, sustentando uma proposta de valor na qual as organizações agem de forma consistente e paradigmática para: • Identificar desalinhamentos e definir as acções adequadas à sua correcção; • Alinhar de forma consistente os Sistemas de Informação com o negócio e com a informação, estabelecendo um referencial para uma gestão eficiente dos recursos humanos e tecnológicos; • Planear as mudanças sustentadas; • Adquirir as competências e os instrumentos adequados para a gestão do conhecimento sobre si próprias, enquanto informação fundamental para a sua agilização. A link consulting propõe-se contribuir para melhorar a consciência que cada organização tem de si própria. É desta forma que gerimos o conhecimento da sua organização, consigo. ‹› Arquitectura Empresarial - Cadernos Link | N7 - Junho de 2005 | 11