Confederação Nacional da Indústria Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Nacional PROGR AMA BR ASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HABIT AT HABITA DEPARTAMENTO NACIONAL Diretor Geral José Manuel de Aguiar Martins Colaboradores Ricardo Miranda Bárcia Arthur Emmanuel Fonseca Silveira Alexandre Lerípio Alfredo Dario Schprejer André Luiz Cancian Sobrinho Aline Jacques Delfes Varela Almir Fermino Pires Almir Lopes da Silva Junior Augusto Mainieri Carolina Paz Cláudia Vanessa Schittini Cristiane Cardoso Dauro Veras Déborah Timm de Carvalho Pinto Débora de Góis Santos Deucélia Pedroso Dulce Márcia Cruz Edesio Jungles Edson Pacheco Paladini Éder Pereira Santos Edilson Pereira Barbosa Eloi Ramos Fernanda Aranha Saffaro Fernando Santos Hernandes Fernando Spanhol Fábio Cardoso Fábio Gongázes de Souza Fábio Luís dos Santos Zamborline Fernando Santos Hernandes Gustavo Bocianoski Henrique Otte Iria Licia Doniack Izelmar Mota de Andrade Ivone Zanatta Iur Gomes Jackson Luis Siedschlag João Carlos Castro Carvalho João Carlos Vieira José Thiago Challub Miranda Juan Pedro Martinez Alba Junior Jairo Story Preisler Jonas Edson Varela Pinto Luiz Fernando Malmann Heineck Leandro Amilcar Araújo Leonardo Braha Fernandes Luiz Bogo Maria Carolina de Castro Leal Mara Rosane Cardoso Soares Marcos Roberto P. Martins Mauro Flores Nara Maria Pimentel Ney Mendes Couto Junior Raquel Cristina Moellmann Ferro Ricardo Osmar Sagaz Rebeca Carneiro Rogério Mosimann Rosely E. Rhomberg Sandra Regiane Martins Solange Cassi Bobato Sidnei Ari da Silveira Sérgio Baroukh Sergio Paulo Olinto da Motta PAULO HENRIQUE LAPORTE AMBROZEWICZ PROGR AMA BR ASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HABIT AT HABITA 2003 Impresso no Brasil © 2003 SENAI 1ª Edição ISBN 85.88980-02-9 Ambrozewicz, Paulo Henrique Laporte Sistema de Qualidade: programa brasileiro de qualidade e produtividade no habitat / Paulo Henrique Laporte Ambrozewicz. – Curitiba: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional do Paraná, 2003. 322 p. : il.; 28 cm – (Qualidade na Indústria da Construção). Inclui Bibliografia. ISBN 85.88980-02-9 Acompanho de fita “Serviços e materiais controlados” e CD-ROM. 1. Indústria da Construção Civil 2. Construção Civil – Controle de qualidade I. Título. II Série (Qualidade na Indústria da Construção). CDD (20ª ed.) 692.501658562 Dados Internacionais de catalogação na publicação Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira Registro na Fundação Biblioteca Nacional: 268.065 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor (Lei nº 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto nQ 1.825, de 20 de dezembro de 1907. Impresso no Brasil/Printed in Brazil S UMÁRIO Apresentação ........................................................................................... 15 Unidade I – Apresentação do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat 1 Introdução ............................................................................................. 19 2 Objetivos do Programa ......................................................................... 22 3 Projetos ................................................................................................. 24 4 Benefícios ............................................................................................. 26 5 Quem participa ..................................................................................... 29 6 Implantação do PBQP-H – Programas Setoriais da Qualidade .......... 30 6.1 PSQ – Edificações .................................................................... 39 6.2 PSQ – Materiais ........................................................................ 45 7 O andamento do PBQP-Habitat ........................................................... 48 Atividades de Aprendizagem ................................................................... 51 Unidade II – O Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras (SIQ) Construtoras e os Níveis de Qualificação 1 Introdução ............................................................................................. 55 2 Itens e requisitos do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras – Construtoras – (versão 2000) ........................ 57 Parte I 1 Objetivo ................................................................................................. 59 1.1 Introdução .................................................................................. 59 1.2 Abordagem de processo: os outros sistemas de gestão ........ 60 1.3 Generalidades ............................................................................ 61 1.4 Níveis de qualificação e requisitos aplicáveis ........................... 63 1.5 Escopo de Aplicação ................................................................ 65 Quadro – Níveis de Qualificação ............................................................. 63 2 Referência normativa ............................................................................ 65 3 Termos e definições .............................................................................. 66 4 Sistema de Gestão da Qualidade ........................................................ 70 4.1 Requisitos gerais ..................................................................... 70 4.2 Requisitos de documentação .................................................... 74 4.2.1 Generalidades ...................................................................... 74 4.2.2 Manual da Qualidade ........................................................... 75 4.2.3 Controle de documentos ...................................................... 77 4.2.4 Controle de registros ............................................................ 79 5 Responsabilidade da direção da empresa ........................................... 82 5.1 Comprometimento da direção e da empresa ............................ 82 5.2 Foco no cliente .......................................................................... 87 5.3 Política da Qualidade ............................................................... 92 5.4 Planejamento ............................................................................ 95 5.4.1 Objetivos da Qualidade ........................................................ 95 5.4.2 Planejamento do Sistema de Gestão da Qualidade ........... 98 5.5 Responsabilidade, autoridade e comunicação ....................... 100 5.5.1 Responsabilidade e autoridade .......................................... 100 5.5.2 Representante da direção da empresa .............................. 103 5.5.3 Comunicação interna ......................................................... 105 5.6 Análise crítica pela direção ..................................................... 107 5.6.1 Generalidades .................................................................... 107 5.6.2 Entradas para a análise crítica .......................................... 109 5.6.3 Saídas da análise crítica .................................................... 111 6 Gestão de recursos ............................................................................ 114 6.1 Provisão de recursos ............................................................... 114 6.2 Recursos Humanos ................................................................. 117 6.2.1 Designação de pessoal ...................................................... 117 6.2.2 Competência, conscientização e treinamento .................. 119 6.3 Infra-estrutura ......................................................................... 122 6.4 Ambiente de trabalho ............................................................. 124 6.5 Informação .............................................................................. 125 6.6 Fornecedores e parceiros ...................................................... 126 6.7 Recursos naturais .................................................................. 126 6.8 Recursos financeiros.............................................................. 127 7 Execução da obra .............................................................................. 129 7.1 Planejamento da obra.............................................................. 129 7.1.1 Plano da Qualidade da obra ............................................... 129 7.1.2 Planejamento da execução da obra .................................. 130 7.2 Processos relacionados ao cliente ...................................... 137 7.2.1 Identificação de requisitos relacionados à obra ................ 137 7.2.2 Análise crítica dos requisitos relacionados à obra ........... 139 7.2.3 Comunicação com o cliente .............................................. 141 7.3 Projeto ..................................................................................... 143 7.3.1 Planejamento da elaboração do projeto ............................ 143 7.3.2 Entradas do projeto ............................................................ 146 7.3.3 Saídas do projeto ............................................................... 149 7.3.4 Análise crítica do projeto ................................................... 151 7.3.5 Verificação do projeto ......................................................... 154 7.3.6 Validação de projeto ........................................................... 156 7.3.7 Controle de alterações de projeto ...................................... 157 7.3.8 Análise crítica de projetos fornecidos pelo cliente ............ 158 7.4 Aquisição ................................................................................. 159 7.4.1 Processo de aquisição ....................................................... 159 7.4.1.1 Processo de qualificação de fornecedores ................... 160 7.4.1.2 Processo de avaliação de fornecedores ....................... 160 7.4.2 Informações para aquisição ............................................... 163 7.4.2.1 Materiais controlados .................................................... 163 7.4.2.2 Serviços controlados ..................................................... 163 7.4.2.3 Serviços laboratoriais .................................................... 164 7.4.2.4 Serviços de projeto e serviços especializados de engenharia ............................................................................ 164 7.4.3 Verificação do produto adquirido ........................................ 166 7.5 Operações de produção e fornecimento de serviço ............... 170 7.5.1 Controle de operações ....................................................... 170 7.5.1.1 Controle dos serviços de execução .............................. 170 7.5.2 Validação de processos ..................................................... 172 7.5.3 Identificação e rastreabilidade ........................................... 175 7.5.3.1 Identificação .................................................................. 175 7.5.3.2 Rastreabilidade ............................................................. 176 7.5.4 Propriedade do cliente ....................................................... 179 7.5.5 Preservação do produto ..................................................... 181 7.6 Controle de dispositivos de medição e monitoramento ........ 184 8 – Medição, análise e melhoria ........................................................... 188 8.1 Generalidades .......................................................................... 188 8.2 Medição e monitoramento ....................................................... 190 8.2.1 Satisfação do cliente .......................................................... 190 8.2.2 Auditoria interna ................................................................. 194 8.2.3 Medição e monitoramento de processos ........................... 198 8.2.4 Inspeção e monitoramento de materiais e serviços de execução controlados e da obra ............................................ 202 8.3 Controle de materiais e de serviços de execução controlados e da obra não-conformes ........................................... 208 8.4 Análise de dados ..................................................................... 212 8.5 Melhoria .................................................................................. 215 8.5.1 Melhoria contínua ............................................................... 215 8.5.2 Ação corretiva ..................................................................... 218 8.5.3 Ação preventiva .................................................................. 220 3 Requisitos complementares para o subsetor de edificações.... 225 1 Definições dos serviços de execução controlados ............................ 228 2 Evolução do número de serviços de execução controlados, conforme nível de qualificação ............................................................... 229 3 Definição dos materiais controlados .................................................. 230 4 Evolução do número de meteriais controlados, conforme nível de qualificação .............................................................................. 231 5 Tabela para verificação do número de serviços e materiais controlados ............................................................................................ 232 Anexo 1 Tabela de equivalência com o SIQ-C de 23 de março de 2001 ........................................................................ 234 Atividades de Aprendizagem ................................................................. 237 Unidade III – Transição do SIQ-C baseado na ISO 9001 versão 1994 para o SIQ-C baseado na ISO 9001 versão 2000 1 Responsabilidade da direção ............................................................. 248 1.1 Política de Qualidade .............................................................. 248 1.2 Representante da administração ............................................ 249 1.3 Responsabilidade, autoridade e recursos .............................. 250 1.4 Análise crítica da direção ........................................................ 252 2 Sistema da Qualidade ........................................................................ 253 2.1 Sistema evolutivo .................................................................... 253 2.2 Planejamento do desenvolvimento e implantação do sistema .......................................................................................... 254 2.3 Manual da Qualidade e procedimentos .................................. 255 3 Análise crítica de contrato ................................................................. 258 4 Controle de projetos ........................................................................... 259 5 Controle de documentos e dados ...................................................... 260 6 Aquisição ............................................................................................ 262 6.1 Materiais controlados .............................................................. 262 6.1.1 Definição dos materiais controlados ................................ 262 6.1.2 Evolução do número de materiais controlados, conforme nível de qualificação ..................................................... 263 6.1.3 Especificação de materiais controlados ............................ 264 6.2 Dados para aquisição .............................................................. 265 6.3 Qualificação de avaliação de fornecedores ............................. 266 6.4 Verificação do produto adquirido ............................................. 267 7 Controle de produto fornecido pelo cliente ........................................ 268 8 Identificação e rastreabilidade ............................................................ 269 8.1 Identificação............................................................................. 269 9 Controle de processo ......................................................................... 271 9.1 Condições controladas ............................................................ 271 9.1.1 Análise crítica de projetos fornecidos pelo cliente ............ 272 9.1.2 Coordenação e controle de recebimento de projetos contratados .................................................................... 273 9.1.3 Planejamento e controle de obras ..................................... 274 9.1.4 Plano de manutenção de equipamentos ........................... 275 9.2 Serviços de execução controlados ......................................... 276 9.2.1 Definição dos serviços controlados ................................... 276 9.2.2 Evolução do número de serviços controlados, conforme nível de qualificação ..................................................... 277 9.2.3 Procedimentos de execução de serviços controlados ...... 278 10 Inspeções e ensaios ......................................................................... 279 10.1 Inspeções e ensaios no recebimento ................................... 279 10.2 Inspeção e ensaios durante o processo ............................... 280 10.3 Inspeção e ensaios finais ...................................................... 280 11 Controle de equipamentos de inspeção, medição e ensaio ............ 281 12 Situação de inspeção, medição e ensaio ........................................ 282 13 Controle de produto não-conforme ................................................... 283 14 Ação corretiva e ação preventiva ...................................................... 285 14.1 Ação corretiva ........................................................................ 285 14.2 Ação preventiva ...................................................................... 286 15 Manuseio, armazenamento, embalagem, preservação e entrega ... 287 15.1 Controle do manuseio e armazenamento de materiais ........ 287 15.2 Proteção dos serviços ........................................................... 288 15.3 Entrega da obra ..................................................................... 288 16 Registros da Qualidade .................................................................... 290 17 Auditorias internas da Qualidade ..................................................... 291 18 Treinamento ...................................................................................... 292 19 Serviços associados ......................................................................... 293 20 Técnicas estatísticas ....................................................................... 294 Anexo 1 – Níveis de qualificação para o setor de edificações públicas e habitações ............................................................................ 295 Anexo 2 – Serviços obrigatoriamente controlados – obras de edificações públicas e habitações ................................................... 296 Atividades de Aprendizagem ................................................................. 298 Unidade IV – Etapas de Qualificação e Organismos de Certificação Credenciados 1 Introdução ........................................................................................... 300 1. Adesão ao programa setorial da Qualidade ............................. 300 2. A implantação do SIQ-C ........................................................... 300 3. Contratação do OCC ................................................................. 302 3.1.OCC e certificação ................................................................ 302 4. Qualificação no SIQ-C ............................................................... 305 4.1.Sistema de qualificação de empresas de serviços e obras..306 Atividades de Aprendizagem ................................................................. 309 Atividades Auto-avaliação ...................................................................... 311 Referências bibliográficas ...................................................................... 317 12 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 13 SISTEMA DA QUALIDADE PROGR AMA BR ASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HABIT AT HABITA 14 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 15 A PRESENT AÇÃO PRESENTAÇÃO O Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Hábitat (PBQP-H ) e, em especial, o Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras (SIQ-C ) são objetos de estudo deste livro. Para que se entenda o contexto no qual o SIQ Construtoras está inserido, vamos mostrar como surgiu e como está estruturado o PBQP-H. Em seguida começaremos a interpretar o SIQ-C propriamente dito, de forma a possibilitar que qualquer empresário ou profissional da área tenha plenas condições de implementá-lo, conforme a necessidade do mercado atual. Esse material pretende detalhar essa norma ao máximo, abrangendo todos os seus pormenores, baseando-se em comentários das normas da família ISO, norteadoras do SIQ-C, e contextualizando todos os seus itens no setor da Construção Civil. Para aquelas empresas que já possuem um Sistema de Qualidade implantado, baseado na versão do SIQ-C de 23 de março de 2001, trazemos uma metodologia de transição para a versão nova do SIQ-C, baseado na ISO 9001:2000. U NIDADE I A PRESENT AÇÃO PRESENTAÇÃO DO PBQP-H Objetivos Conhecer a estrutura do PBQP-H, seus principais agentes, objetivos, projetos, ações e benefícios Aprender o que são e como criar os Programas Setoriais da Qualidade nos estados 18 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 19 1. I NTRODUÇÃO Em 1990, o Governo Federal lançou o PBQP, cujo principal objetivo era modernizar a cadeia produtiva nacional, dar orientação e auxiliar as empresas no enfrentamento da abertura comercial brasileira. Em uma de suas ações, foi feito um levantamento da situação habitacional brasileira, que, como sabemos, deixava muito a desejar. A partir dos dados coletados, estruturou-se o PBQP-H. Instituído pela Portaria MPO nº 1341, de 18 de dezembro de 1998, como Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade na Construção Habitacional (PBQP-H), teve o seu escopo ampliado para Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, em 21 de julho de 2000. Como os nomes dos Programas são muito semelhantes, é natural que possa haver alguma dúvida com relação a este assunto. Em 26 de outubro de 2001, nas alterações sofridas pelo Plano Plurianual (PPA) do Governo Federal para o período 2000/2003, foi excluído o PBQP, optando-se pela inauguração de uma nova forma de atuação, agora intitulada “Movimento da Qualidade e Produtividade no Brasil para a década 2001-2010”. O PBQP-Habitat, no entanto, permaneceu fortalecido e prestigiado, sob a responsabilidade da SEDU/PR – Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República. Na carta de apresentação do Programa, o seu Coordenador-Geral, Antônio Carlos de Bastos Costa Campos, diz assim: “Vivemos hoje, no Brasil, um grande momento histórico e extremamente propício para a implantação de programas de qualidade, não só pelo fato de estar a sociedade brasileira mais exigente com relação aos insumos, produtos e serviços que adquire ou contrata, como também pelo fenômeno da competitividade interna, estimulada pelo processo da globalização que permeia todas as áreas de atividades empresariais e econômicas do País. O “H” do Programa passou de “Habitação” para “Habitat”, conceito mais amplo e que reflete melhor sua nova área de atuação, englobando também as áreas de Saneamento, Infra-estrutura e Transporte Urbano. 1 ver íntegra no site www.PBQP-H.gov.br 20 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO A partir dessas premissas surgiu o Programa Brasileiro da Qualidade e produtividade do Habitat, com um moderno desenho de gestão; processo de adesão voluntária e ações descentralizadas e não excludentes, delegando-se ao setor de construção, de forma compartilhada com o Governo, a responsabilidade de propor e acompanhar as ações voltadas para a qualidade de obras, projetos, materiais, serviços e sistemas construtivos. As ações implementadas são amplamente discutidas e consensuadas entre os diversos segmentos que compõem a cadeia produtiva da indústria da construção civil. Mesmo o exercício de poder de compra se expressa por meio da assinatura de Acordos Setoriais onde se estabelecem metas, prazos e condições a serem observadas pelo setor da construção, agentes de fomento, organismos financiadores e órgãos públicos. A visão de cadeia produtiva, sua importância sistêmica, seu poder reivindicatório e, sobretudo, o diálogo, que pela primeira vez está sendo exercitado entre os seus diversos elos, é, sem dúvida, a mais importante conquista do PBQP-Habitat. Praticando-se a qualidade com responsabilidade é que se consegue estabelecer a isonomia de mercado, tornando o setor da construção civil mais competitivo e, ao mesmo tempo, ganhando maior confiança do cliente final, condição fundamental para que o setor desempenhe com legitimidade o seu papel de agente de desenvolvimento econômico e social.” O direito à moradia é um dos mais elementares da cidadania. Mas esse direito só é completado na medida em que o cidadão tem garantida a qualidade de sua habitação. O setor da Construção Civil no Brasil tem um histórico de grandes desigualdades nos padrões de qualidade dos produtos e serviços oferecidos. É possível identificar desde casos de empresas com padrão internacional de excelência até empresas que oferecem serviços de baixíssima qualidade, seja por utilizarem materiais de má qualidade, seja pela falta de mão-de-obra qualificada, configurando uma prática comercial inescrupulosa e lesiva ao consumidor. A busca da Qualidade na Construção Civil está longe de ser um processo simples, que possa ser alcançado com medidas unilaterais ou meramente punitivas por parte do governo. Por isso, o papel do Estado tem sido o de articular e mobilizar o setor privado para a importância da adoção de programas da Qualidade, modernização tecnológica e de gestão. Dessa forma, o Programa deve contribuir para a redução dos custos das unidades habitacionais e de sua infra- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 21 estrutura, tanto inicial, quanto ao longo de sua vida útil, e para a melhoria da sua qualidade final, permitindo maior acesso à moradia às classes de menor renda. As principais ações a serem implementadas pelo Governo Federal por meio do PBQP-H são: fomentar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico da indústria, em conformidade com a política habitacional; fortalecer as relações no âmbito da cadeia produtiva, visando a um melhor entrosamento entre as partes envolvidas, por meio de estímulos a projetos cooperados para o desenvolvimento de novos produtos, contratos de longo prazo para o fornecimento de insumos, etc.; exercitar o poder de compra do Estado, em favor da garantia da Qualidade e da adoção de inovações por parte do setor da construção e das indústrias de insumos; elevar a qualificação da mão-de-obra do setor da Construção Civil e da indústria fornecedora de insumos, por meio da educação básica e do treinamento, contribuindo para a ampliação dos níveis de competitividade; regular as relações de consumo (produtores e consumidores, respectivamente) por intermédio da Secretaria do Direito Econômico e do Código de Defesa do Consumidor); e implantar os Programas Setoriais da Qualidade. 22 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 2. O BJETIV OS BJETIVOS DO PROGR AMA Uma das grandes virtudes do PBQP-H é a criação e estruturação de um novo ambiente tecnológico e de gestão para o setor. Os agentes podem pautar suas ações específicas visando à modernização, não só em medidas ligadas à tecnologia no sentido estrito (desenvolvimento ou compra de tecnologia; desenvolvimento de processos de produção ou de execução; desenvolvimento de procedimentos de controle; desenvolvimento e uso de componentes industrializados), mas também em tecnologias de organização, de métodos e de ferramentas de gestão (gestão e organização de recursos humanos; gestão da Qualidade; gestão de suprimentos; gestão das informações e dos fluxos de produção; gestão de projetos). Seus objetivos específicos são: estimular o inter-relacionamento entre agentes do setor; promover a articulação internacional com ênfase no Cone Sul; coletar e disponibilizar informações do setor e do PBQP-H; fomentar a garantia de qualidade de materiais, componentes e sistemas construtivos; fomentar o desenvolvimento e a implantação de instrumentos e mecanismos de garantia de qualidade de projetos e obras; estruturar e animar a criação de programas específicos visando à formação e à requalificação de mãode-obra em todos os níveis; promover o aperfeiçoamento da estrutura de elaboração e difusão de normas técnicas, códigos de práticas e códigos de edificações; combater a não-conformidade intencional de materiais, componentes e sistemas construtivos; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 23 apoiar a introdução de inovações tecnológicas; e promover a melhoria da Qualidade de gestão nas diversas formas de projetos e obras habitacionais. Entre as ações previstas devemos destacar: – qualificação de construtoras e de projetistas; – melhoria da Qualidade de materiais; – formação e requalificação de mão-de-obra; – normalização técnica; – capacitação de laboratórios; – aprovação técnica de tecnologias inovadoras; e – melhoria da comunicação e troca de informações. 24 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 3. P ROJETOS O PBQP-H é formado por 12 projetos, cada qual destinado a solucionar um problema específico na área da Qualidade, estruturados inicialmente para a área de construção habitacional e em diferentes níveis de desenvolvimento. De todos, o primeiro a receber destaque na sua implementação foi o projeto no 5, que trata da Qualidade de Materiais e Componentes. Também conhecido como a “Meta Mobilizadora Nacional da Habitação”, ele era o link (elemento de ligação) entre o PBQP-H e o PBQP Nacional. A proposta inicial deste projeto previu para o período 19982002 a seguinte meta mobilizadora: “Elevar para 90%, até o ano de 2002, o percentual médio de conformidade com as normas técnicas dos produtos que compõem a cesta básica de materiais de construção.” Essa meta, estabelecida com a participação de profissionais especialistas na área da Qualidade da construção habitacional, indicados pelo setor, baseou-se em uma das diretrizes fundamentais do PBQP-H, que é o combate à não-conformidade intencional às normas técnicas de produtos, praticada por fornecedores de materiais e componentes de Construção Civil, acarretando uma concorrência desleal e indesejável e podendo representar verdadeiro crime contra o consumidor. Seu objetivo é o de mobilizar os agentes públicos e privados envolvidos na área com compromisso setorial, observadas as peculiaridades de cada segmento produtor e distribuidor de material de construção. A possibilidade de reduzir custos, sem prejuízo da Qualidade, depende de uma articulação dos agentes públicos e privados no sentido de elevar, progressivamente, o desenvolvimento tecnológico, a melhoria dos métodos de gestão e os níveis de conformidade dos produtos. Dessa forma, poderão ser gerados a melhoria do padrão PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 25 da Qualidade dos produtos, o aumento da produtividade das empresas do setor e, conseqüentemente, a redução de preços médios de mercado, ampliando assim o acesso à moradia para a população brasileira. Na última década, o percentual médio de não-conformidade dos materiais e componentes da Construção Civil habitacional girou em torno de 40%. O cumprimento da meta significará reduzir esse percentual para menos de 10%. Alguns segmentos poderão atingir um valor próximo a 100% de conformidade. Assim, ao atingir a meta proposta, haverá um equilíbrio da competitividade no segmento dos materiais de construção e a conseqüente formação de ambiente para a evolução tecnológica e aumento dos padrões de produtividade e redução de custos. A seguir, pode-se ver o quadro completo dos 12 projetos que estão sendo implantados no país, entre os quais está o SIQ Construtoras (Projeto nº 4), que estudaremos detalhadamente neste e no livro seguinte. 26 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 4. B ENEFÍCIOS Do construtor ao consumidor final, passando pelos agentes financiadores públicos e privados, fabricantes de materiais, os profissionais envolvidos e a sociedade de forma geral, todos (exceto os que se beneficiam da especulação e da má qualidade) têm muito a ganhar com a implantação do PBQP-H. Para ficar mais claro, vamos mostrar, por setor, os benefícios que são esperados com o PBQP-H. Para a Indústria da Construção Civil Não há dúvidas de que este é o setor mais interessado e que, certamente, será o mais beneficiado com as mudanças que, se espera, virão através do PBQP-H. Vejamos, então, que cenário econômico poderemos ter. O combate à não-conformidade intencional deverá trazer maior confiança quanto aos materiais utilizados, além de baixar o seu custo, pois, como já foi dito anteriormente, sendo todos de boa qualidade, o preço vai variar conforme o diferencial que cada material apresentar, e não por um ser melhor que o outro. As mudanças deverão tornar o mercado mais uniforme e competitivo, onde, mais uma vez, vai se sobressair quem souber perceber melhor as tendências e oferecer um produto adequado e diferenciado. A obrigação das empresas de se qualificarem, segundo as normas do SIQ Construtoras, gerará um alto grau de confiança e tranqüilidade para os agentes financiadores, fornecedores e clientes. Ninguém investe em quem não tem confiança. Essa é uma das molas mestras do mundo dos negócios. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 27 As empresas qualificadas alcançarão a competitividade regional: o Mercosul e outros países com Programas de Qualidade semelhantes farão parte do seu universo de negócios possíveis. Para as empresas Em âmbito individual, as empresas do setor também se beneficiarão muito aderindo ao PBQP-H, através do SIQ Construtoras. Ao se qualificar, uma empresa terá: um ganho de competitividade; maiores condições de cumprir todas as exigências contratuais; maiores possibilidades de conseguir financiamento; maior participação em processos licitatórios públicos e privados; os seus procedimentos organizados como processos e voltados para a melhoria contínua; e mais condições de comprovar a qualidade organizacional e do produto. Par a o consumidor f inal Para Pela própria definição da Qualidade, na qual o produto deve se adequar ao cliente, fica claro que o consumidor final da habitação terá muito a ganhar com a qualificação do setor. Dessa forma, seja proprietário ou locador, ele: usufruirá de materiais e serviços de maior qualidade; terá acesso a tecnologias de construção diferenciadas; 28 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO terá maior confiança no imóvel que adquirir ou alugar; e terá, principalmente, redução nos custos e preços mais competitivos. Para a sociedade Também é fácil de visualizar os ganhos que toda a sociedade terá com o aumento da Qualidade no habitat, que, na verdade, significa muito mais do que a habitação de cada família. O habitat é o lar de todos, aí incluídos não só a espécie humana, mas todos os seres vivos. Ou seja, fauna, flora, recursos hídricos, recursos energéticos, etc. Então, podemos dizer que a sociedade se beneficiará com: os cuidados com o meio ambiente que a qualidade proporciona; e a geração de empregos advinda do crescimento do mercado e suas exigências. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 29 5. Q UEM PAR TICIP A TICIPA Entidades representativas de construtores, projetistas, fornecedores, fabricantes de materiais e componentes, comunidade acadêmica e entidades de normalização fazem parte do Programa, além do Governo Federal. É uma parceria transparente, baseada fundamentalmente em discussões técnicas e respeitando as diferentes realidades regionais. Não é um programa que se pretende impor, mas que vai sendo construído sobre consensos e em resposta a um diagnóstico sobre os problemas existentes. Além disso, há sempre a preocupação em definirmos objetivos concretos a serem atingidos em um horizonte de tempo mensurável e com indicadores de desempenho claramente definidos. Nele, não se tem a pretensão do ineditismo, mas, ao contrário, busca-se o fortalecimento de instituições e programas de sucesso já existentes. São suas principais características: a adesão voluntária dos participantes, respeitando as características dos setores industriais envolvidos e as desigualdades regionais; ser desenhado com o objetivo de, em futuro próximo, ser integralmente assumido pelo setor privado. Por isso, sua estrutura envolve, desde o início, entidades representativas do setor. O Programa não se vale de novas linhas de financiamento. Ele procura estimular o uso eficiente de recursos existentes (FGTS, poupança, etc.), aplicados por diferentes entidades (Caixa, BNDES, Finep, SEBRAE, SENAI etc.), a serem investidos em objetivos claramente definidos. Da mesma forma, o Programa conta com grande contrapartida privada. 30 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 6. I MPL ANT AÇÃO ANTAÇÃO DO PBQP-H - PROGR AMAS SET ORIAIS DA Q UALIDADE Articulação, mobilização e parcerias: essas podem ser consideradas as palavras-chave do PBQP-H, um programa em que o Estado atua como agente indutor e mobilizador da cadeia produtiva, por meio de suas entidades representativas, órgãos de fomento e de normalização. Nesse processo, o governo oferece um modelo gerencial que privilegia a autogestão do setor e repassa parâmetros para uma política de Qualidade abrangente, completa e eficaz. Mas uma das maiores forças do setor público para induzir as empresas ao Programa é a utilização do “poder de compra” do Estado, instituindo a exigência de padrões de qualidade em licitações e contratos de obras públicas. A sensibilização e a mobilização em torno do Programa se dão em etapas. a) Os segmentos envolvidos se reúnem, em uma fase inicial de sensibilização por estado, em que técnicos da Coordenação-Geral apresentam o Programa, buscando mobilizar o setor para aderir ao PBQP-Habitat. b) Em um segundo momento, as entidades do setor se organizam para realizar um diagnóstico do segmento no estado, resultando em um Programa Setorial da Qualidade (PSQ). c) Este diagnóstico fundamenta um Acordo Setorial firmado pelo Governo do Estado e pelo Setor Privado, com a definição de metas e cronograma de implantação dos Programas de Qualidade e prevendo a utilização do poder de compra do Estado. Desta forma, o diagnóstico que serve como base para o Acordo Setorial deve levar em consideração tanto a oferta como a demanda do mercado da construção. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 31 A SENSIBILIZ AÇÃO EST ADUAL P AR A ESTADUAL PAR ADESÃO AO PBQP-H A Sensibilização Estadual para Adesão ao PBQP-H tem uma série de objetivos definidos, cujo alcance é de extrema importância para o sucesso da implantação do Programa no Estado. São eles: 1) apresentar o PBQP-H ao setor da Construção Civil em cada estado, deixando claro que é composto de projetos relativos à melhoria da Qualidade e aumento da produtividade em toda a cadeia produtiva; 2) buscar a adesão de entidades públicas e privadas aos projetos que compõem o Programa; 3) esclarecer ao Poder Público local as vantagens da utilização de critérios técnicos de Qualidade em suas contratações, e com isso agregar o poder de compra do governo local ao do Governo Federal, em apoio ao PBQP-H; 4) buscar a adesão estadual ao Programa, estimulando a organização de Programa Setorial da Qualidade e a obtenção de Acordo Setorial. Se necessário, pode ser também estimulada a publicação de Decreto de Adoção do PBQP-H, conforme modelo proposto. ET AP AS BÁSIC AS DA ETAP APAS BÁSICAS SENSIBILIZ AÇÃO EST ESTADUAL ADUAL Sedu, Caixa, governos Entidades do setor realizam Governo e setor estabelecem Sensibilização Programa Acordo 32 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO AS ENTIDADES A SEREM CONVIDADAS Sendo o PBQP-H um programa fundado na articulação dos agentes do setor e na parceria entre estes diferentes agentes, torna-se quase uma obrigação que, para a sensibilização, seja convidado o universo mais amplo possível de entidades do setor. Perfil dos convidados a) Agentes contratantes Contratantes públicos e privados de obras de edificações (desde habitações populares a escolas, postos de saúde, edifícios residenciais, comerciais etc.). São, em geral, as Secretarias de Habitação, Obras, Cohabs, Inocoops, Escritórios de Negócios da Caixa Econômica Federal, Crédito Imobiliário de Bancos etc. b) Agentes da cadeia produtiva Entidades representantes das construtoras, incorporadoras, projetistas, gerenciadoras de obras, dos fabricantes de materiais e componentes. c) Agentes de apoio técnico Entidades que se dedicam ao ensino, treinamento, pesquisa e desenvolvimento, ensaios e certificação de materiais e sistemas. São as universidades públicas e privadas, SENAI, SEBRAE, laboratórios de ensaios, organismos certificadores credenciados, conselhos regionais, institutos ou clubes de engenharia e arquitetura etc. REUNIÕES DE SENSIBILIZ AÇÃO Uma das características mais marcantes do PBQP-H é o fato de ser um programa inteiramente baseado na adesão voluntária dos diferentes agentes do setor. Nesse sentido, sabe-se que, para que esta adesão se dê de forma satisfatória, os diferentes participan- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 33 tes necessitam obter volume suficiente de informações sobre o Programa. Como resultado, não há ocasião que consideremos melhor para que isso seja feito do que quando das reuniões de sensibilização. É na reunião de sensibilização que os representantes das diversas entidades têm sua melhor oportunidade para conversar com a Coordenação do PBQP-H, tirando dúvidas sobre a organização e a condução do Programa, bem como colocando de forma aberta suas expectativas e apreensões. Por esses motivos, recomenda-se que as reuniões sejam amplamente divulgadas (se possível pela imprensa local). Ainda que as reuniões tenham as características descritas acima, entendese que o convite às entidades tem por objetivo garantir uma presença mínima de pessoas relevantes para a implantação do Programa no Estado. Apesar disso, não deve ser feito nenhum tipo de restrição a entidades que, ainda que não convidadas formalmente, tenham interesse em participar da reunião. Percebe-se que, em alguns estados, o processo de sensibilização pode exigir a realização de mais de uma reunião de sensibilização, bem como de reuniões menores, realizadas junto a agentes específicos (órgãos públicos, entidades de classe etc.). A Coordenação Geral do PBQP-H está à disposição para a realização de quantas reuniões forem necessárias para uma adequada sensibilização estadual. Os registros da reunião Para a garantia da transparência do processo de sensibilização estadual, é de grande importância o registro das atividades realizadas e, em especial, das reuniões de sensibilização. A legitimidade de um Coordenador Estadual, bem como de qualquer proposta que venha a ser encaminhada aos poderes públicos, depende de uma clara comprovação de que há o respaldo das principais entidades do setor no estado ao que está sendo proposto. Da mesma forma, os posteriores acompanhamento e divulgação das ações sendo desenvolvidas em cada estado dependem de que as atividades e responsáveis estejam claramente definidos, bem como que seja documentado o esforço feito para uma ampla participação de todos os agentes do setor. 34 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO APRESENT AÇÃO-PADRÃO DO PBQP-H APRESENTAÇÃO-PADRÃO A sensibilização é feita por técnico enviado pela Coordenação Geral do PBQP-H. A Coordenação já tem pronta uma apresentação-padrão atualizada, que é utilizada em todas as reuniões de sensibilização. Essa apresentação pode ser encontrada no site internet do Programa: http://www.PBQP-H.gov.br/. A ESCOLHA DO REPRESENT ANTE REPRESENTANTE ADUAL ESTADUAL EST Quando de sua criação, foi considerada como característica fundamental do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) a necessidade de serem respeitadas as diversas realidades regionais nas áreas de habitação, saneamento e infra-estrutura. Essa preocupação tinha dois objetivos principais. O primeiro era o de estimular o envolvimento do maior número possível de agentes do setor, o que só se considerava possível com a colaboração de interlocutores qualificados, ou seja, que conhecem as diferentes realidades locais. O segundo era o de serem definidos projetos e normas que realmente pudessem ser aplicados em diferentes realidades. Em outros termos, o que se desejava era fugir de um padrão de estabelecimento de programas teoricamente impecáveis mas praticamente irrealizáveis, por não terem levado em conta as características por vezes conflitantes das práticas em habitação, saneamento e infra-estrutura nas diferentes unidades da Federação. Nesse sentido, foi instituída como parte do PBQP-H a figura do Coordenador Estadual. O Coordenador Estadual é escolhido por seus pares, entre representantes de entidades do setor, em reunião marcada para este fim junto à Coordenação-Geral. Cabe ao Coordenador servir de interlocutor entre a Coordenação-Geral e as Nacionais do PBQP-H e os agentes interessados em participar do Programa em sua área geográfica de competência. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 35 Os Coordenadores Estaduais Os Coordenadores Estaduais são dois, eleitos em plenária nas Reuniões de Sensibilização, que tiveram a presença de quórum qualificado, representando o setor público e o privado. Em geral, o setor público é representado pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Habitação ou Infra-Estrutura. Além disso, espera-se que o Coordenador estadual também desempenhe as seguintes funções: 1) identificação dos agentes, em seu Estado, que poderiam participar do Programa; 2) identificação das iniciativas locais para a Qualidade no setor; 3) identificação do conhecimento e adesão ao PBQP-H; 4) divulgação do PBQP-H e dos projetos que o compõem; 5) mobilização para a adesão; e 6) acompanhamento da implantação do Programa em seu estado (informes às Coordenações). A ADESÃO EST ADUAL ESTADUAL O próximo passo a ser dado, já escolhido o Coordenador Estadual, é uma maior sensibilização do poder público local, em geral o Governo do Estado e a Prefeitura da Capital, para a importância de sua adesão formal ao PBQP-H. A adesão em si não representa para o poder público outro compromisso que não o de aceitar as diretrizes gerais do Programa, bem como de desenvolver sua implantação no estado, sempre por meio da busca do consenso com os demais agentes do setor. Para que tal adesão se dê, é necessária a formalização dessa adesão, o que é feito por meio de uma cerimônia de assinatura de um “Termo de Adesão-padrão”. Antes de ser uma formalidade, a cerimônia de assinatura da adesão estadual é um evento simbólico de extrema importância, pois é na cerimônia de adesão que se dá a maior publicidade à implantação do PBQP-H no 36 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO estado. Mais que um evento político, é um evento que busca garantir a transparência no processo de adoção do Programa. A adesão estadual implica uma expectativa de que seja formalizado o compromisso entre o setor público e o privado de que os requisitos acordados no âmbito do PBQP-H passarão a ser gradualmente exigidos quando das contratações e licitações que o poder público vier a fazer. A IMPL ANT AÇÃO DO PBQP-H NO ANTAÇÃO EST ADO TADO Obviamente, é de se esperar que, após a adesão, haja uma vontade de mudança, ou seja, uma vontade efetiva do poder público de implantar o PBQP-H. Até o momento, temos percebido que tal implantação é facilitada quando o próprio setor apresenta uma proposta-base para a negociação. Tal proposta tem, tomando como exemplo a Qualificação de Empresas de Serviços e Obras, a forma de um “Programa Setorial da Qualidade”, que é elaborado pelo setor privado (sob a responsabilidade do Coordenador Estadual) e proposto ao setor público. RO TEIRO BÁSICO DE EL ABOR AÇÃO DO ROTEIRO PROGR AMA SET ORIAL 1) Listar das entidades representativas do setor, existentes ou em desenvolvimento. 2) Estimativa do número total de empresas, produção anual total do setor, geração de empregos do setor, indicador global de HH/m2 de construção etc. 3) Normalização técnica: listar as normas técnicas existentes com resumo do assunto (título), listar as normas que devem ser atualizadas e elaboradas, listar as normas técnicas de empresas e/ou associações que poderão se constituir textos-base, listar os manuais técnicos específicos com o mesmo objetivo do acima referido. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 37 4) Definição de metas e prazos para implantação das diferentes atividades do PBQP-H. A formalização do compromisso, então, pode se dar de duas formas básicas (e não excludentes). Uma delas é o “Acordo Setorial”, ou seja, uma formalização de metas que tem por base o Programa Setorial proposto, após o consenso entre os setores público e privado. A segunda é sob a forma de um decreto, por meio do qual o Governo do Estado adota o PBQP-H e fixa os prazos máximos para atingir dos objetivos acordados. Formalizada a adesão, assinado o Acordo Setorial e/ou publicado o Decreto, cabe agora ao Coordenador Estadual manter a Sedu/PR informada do andamento do Programa no estado. Na seqüência, apresentamos exemplos de como elaborar um Programa Setorial da Qualidade. Uma síntese desse acompanhamento está disponível no site do PBQP-H: http://www.PBQPH.gov.br/. 38 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 6.1 Programa Setorial da Qualidade par a edif icações 6.2 Programa Setorial da Qualidade para materiais PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 39 6.1. PSQ – Programa Setorial de Qualidade de Edif icações Edificações 1. INTRODUÇÃO Encontra-se em andamento no Estado de (estado onde o projeto está sendo realizado) (nº) Programas Setoriais de Qualidade, tendo como principal objetivo promover a modernização para o setor da Construção Civil que atenda às especificações estabelecidas nas normas técnicas vigentes. O objetivo deste documento é melhorar os conceitos de administração de negócios, Gestão da Qualidade, racionalização de processos administrativos e de produção e redução de custos, tornando as empresas mais competitivas e com condições de atender às novas exigências do mercado. Os dados apresentados ao longo do relatório mostram a situação em que o setor da Construção Civil se encontra no período de análise. 2 . ENTIDADES REPRESENT ATIV AS REPRESENTA TIVAS DO SETOR Atualmente (mês/ano), são (nº) as entidades credenciadas junto ao Programa de Garantia da Qualidade para o setor da Construção Civil. As entidades que representam esse setor estão apresentadas abaixo. (listar as entidades representativas do setor como por exemplo: Sinduscon, Federação da Indústrias do Estado, Crea, Creci, e outros) 3. EMPRES AS AUDIT ADAS PEL O PROGR AMA EMPRESAS AUDITADAS PELO Empresas Associadas ao Programa O (entidade representativa do setor) possui, atualmente, (nº) empresas associadas. A Pesquisa Conjuntural realizada em (ano) e respondida por (x%) das suas associadas M AT E R I A L O R I E N T AT I V O TA 40 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO mostrou que elas estavam distribuídas em (nº) macrossegmentos, conforme mostrado a seguir. Empresas Não Associadas ao Programa O Programa da Qualidade também apresenta o número de empresas que não participam do Programa. (listar o número de empresas não participantes do programa) 4. DIAGNÓSTICO DA QUALIDADE DO SETOR As informações relativas à situação geral do setor da Construção Civil no Estado de (informar o estado onde o projeto está sendo realizado) foram baseadas em vários documentos e relatórios, sendo destacados: (apresentar os documentos e relatórios). A situação atual do nível de qualificação das empresas é: (apresentar a situação de qualificação das empresas que aderiram o Programa de Qualidade). 5. INFORMAÇÕES SOBRE O SETOR Pr odução Anual T ot al do Set or Produção Tot otal Setor Enquanto em (ano) a Construção Civil brasileira representava (x%) do PIB nacional, em (ano), essa participação cresceu para (x%) do PIB brasileiro, no valor aproximado de (valor monetário – R$), segundo informações do (institutos de pesquisa que obtêm estes índices, como: IBGE, BACEN, IPARDES e outros). s MATERIAL ORIENTATIVO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 41 A evolução do PIB e do PIB per capita de Estado do (informar estado onde o projeto está sendo realizado) e do Brasil está apresentado no quadro abaixo. Custo na Construção Civil O (entidade representativa do setor) possui um setor de (setor responsável pela divulgação dos índices econômicos) que realiza mensalmente pesquisas, sondagem conjuntural e elabora indicadores econômicos e setoriais. Um desses indicadores é o Custo Unitário Básico (CUB). No quadro que se segue, serão mostradas as variações dos vários CUBs mês a mês. MATERIAL ORIENTATIVO 42 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Capacidade de Geração de Empregos no Setor Conforme dados apresentados pelo (setor responsável pela divulgação de índices) em pesquisa realizada pelo (entidade representativa do setor), a taxa média de desemprego em (informar estado onde o projeto está sendo realizado) na Construção Civil, no período de (mês/ano) a (mês/ano), foi de (x%). Com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho, o número de desligamentos e admissões na Construção Civil em (ano) foi a seguinte: 6. NORMALIZ AÇÃO DE TÉCNIC AS ADO TADAS NOS TÉCNICAS ADOT SERVIÇOS A verificação da Qualidade em projetos, serviço e materiais será realizada com base nas Normas Técnicas Brasileiras. Abaixo são listadas as normas orientativas para esses quesitos. (listar todas as normas técnicas utilizadas para verificação da Qualidade do setor com resumo do assunto – título). 7. CRONOGR AMA DE ESTRUTUR AÇÃO Será realizada uma série de cronogramas que servirão para dar continuidade à implantação do PBQP-H no (informar o estado onde o projeto está sendo realizado): cronograma de estruturação do PBQP-H no estado: onde são apresentadas todas as atividades, com suas respectivas datas, para a estruturação do Programa; cronograma para realização dos seminários de sensibilização: onde serão apresentados todos os seminários do Programa; cronograma de implantação estadual: onde será relatado o desenvolvimento da implantação do Programa no Estado; MATERIAL ORIENTATIVO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 43 cronograma geral (detalhado): onde será apresentado o andamento detalhado de todas as atividades de implantação do Programa; e cronograma para atendimento às empresas (detalhado): onde será documentado o andamento de todas as atividades. AIS MELHORIAS A SEREM OBTIDAS 8. PRINCIP PRINCIPAIS As principais melhorias obtidas com a implantação do Programa Setorial de Qualidade são: (relatar as melhorias obtidas com a implantação do Programa). 9. PRINCIP AIS OBJETIV OS A SEREM A TINGIDOS NO PRINCIPAIS OBJETIVOS ATINGIDOS PRÓXIMO PERÍODO Deverão ser definidos novos objetivos e metas para os relatórios observando os pontos denominados críticos anteriormente, a fim de evitar e solucionar problemas ocorridos com os serviços. Os novos objetivos e metas a serem atingidos são: (listar novos objetivos e metas a serem cumpridas). 10. CONCLUSÕES Algumas medidas são imperiosas para melhorar o desempenho desses Programas: (listar as medidas para melhorar o desempenho deste Programa). 11. ANEXOS SIQ Construtoras; Termo de Adesão do Estado ao PBQP-H. MATERIAL ORIENTATIVO 44 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 45 6.2. PSQ – Programa Setorial de Qualidade de Materiais emplos como ar eia, br it a, ciment o, MATERIAL: (ex (exemplos areia, brit ita, cimento, concreto, argamassa, bloco cerâmico, louças sanitár ias e ou tr os mat er iais contr olados p elo sanitárias outr tros eriais controlados pelo Programa). 1. INTRODUÇÃO Encontra-se em andamento no Estado de (estado onde o projeto está sendo realizado) (nº) Programas Setoriais de Qualidade, tendo como principal objetivo promover a produção e a comercialização de materiais de Construção Civil que atendam às especificações estabelecidas nas normas técnicas vigentes. O objetivo deste documento é apresentar aos usuários do produto, revendedores de materiais de construção, associados setoriais e outros, de forma resumida e sucinta, os principais resultados alcançados pelo setor de (conforme material em questão) no período de realização deste Relatório Setorial. Neste resumo será apresentada a situação do setor a partir de amostras de (conforme material em questão) coletadas no período de (mês/ano) a (mês/ano). Os dados apresentados ao longo do relatório mostram a situação em que o setor de (conforme material em questão) se encontra no período de análise. 2. ENTIDADES REPRESENT ATIV AS DO SET OR REPRESENTA TIVAS Atualmente (mês/ano), são (nº) as entidades credenciadas junto ao Programa de Garantia da Qualidade de (conforme material em questão). As entidades que representam o setor estão apresentadas abaixo. (listar as entidades representativas do setor) MATERIAL ORIENTATIVO 46 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 3. EMPRES AS AUDIT ADAS PEL O PROGR AMA EMPRESAS AUDITADAS PELO O Programa de Garantia da Qualidade controla atualmente a qualidade de (conforme material em questão) produzida tanto para empresas que participam do Programa quanto para empresas que não participam dele. Empr esas Par ticipant es do Pr ogr ama Progr ograma Atualmente (mês/ano), são (nº) as empresas credenciadas junto ao Programa de Garantia da Qualidade de (conforme material em questão). As empresas que representam o setor estão apresentadas abaixo. (listar as empresas que participam do Programa) (listar as empresas sem campo de atuação) Empr esas Não Par ticipant es do Pr ogr ama Empresas ticipantes ograma Atualmente, o Programa da Qualidade controla, nas revendas de materiais de construção, (nº) marcas de (conforme material em questão) fabricadas por empresas que não participam do Programa. As empresas não-participantes do programa são em número de (n°): (listar quantas empresas não participam do Programa). 4. NORMALIZ AÇÃO ADO TADA P AR A OS PRODUT OS ADOT PAR AUDIT ADOS AUDITADOS A verificação da Qualidade de (conforme material em questão) será realizada com base nas normas técnicas listadas a seguir. (listar todas as normas técnicas utilizadas para verificação da Qualidade do setor com resumo do assunto – título). 5. APRESENT AÇÃO DA SITUAÇÃO DO SET OR APRESENTAÇÃO SETOR Devem-se coletar amostras do setor de fabricantes e revendas de materiais de construção credenciados junto ao Programa de Garantia da Qualidade, para realização de ensaios e análise da conformidade do produto com base nas normas técnicas existentes. Deve-se documentar indicadores de conformidade do setor para posterior comparação. MATERIAL ORIENTATIVO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 47 Cálculo do Indicador de Conformidade Ic(%) = (Nc / Nt) x 100 Onde: Ic = indicador de conformidade procurado (em %); Nc = número de (material) produzidos em conformidade; Nt = número total de (material) produzidos. 6. PRINCIP AIS MELHORIAS OBTIDAS PRINCIPAIS As principais melhorias obtidas com a implantação do Programa Setorial de Qualidade são: (relatar as melhorias obtidas com a implantação do Programa). 7. PRINCIP AIS OBJETIV OS A SEREM A TINGIDOS NO PRINCIPAIS OBJETIVOS ATINGIDOS PRÓXIMO PERÍODO Deverão ser definidos novos objetivos e metas para os relatórios observando-se os pontos denominados críticos anteriormente, a fim de evitar e solucionar problemas com a não-conformidade dos produtos, possibilitando a avaliação destes por fabricantes. Os novos objetivos e metas a serem atingidos são. (listar novos objetivos e metas a serem cumpridas) 8. CONCLUSÕES Desde que os Programas Setoriais de Qualidade começaram, é avaliada de forma sistemática e consistente a conformidade dos materiais. A partir de indicadores de evolução apresentados neste relatório, pode-se chegar às seguintes observações: (listar as observações apresentadas a partir dos indicadores de evolução). No estágio atual urge que indicadores de conformidade sejam definidos, medidos por produtos, e que se estabeleçam metas a serem alcançadas em termos destes indicadores de conformidade. Algumas medidas são imperiosas para melhorar o desempenho desses programas no que diz respeito a atingir a avaliação consistente da conformidade: (listar as medidas para melhorar o desempenho desses programas). MATERIAL ORIENTATIVO 48 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7. O ANDAMENTO HABIT AT TA DO PBQP- Em editorial publicado no final de 2001 no portal do Programa na Internet – www.PBQP-H.gov.br – o seu Coordenador-Geral fez um balanço das realizações concluídas até aquele momento, assim como listou as metas específicas para o ano de 2002. Confira suas palavras. “Um Programa com a magnitude do PBQP-Habitat, para atingir plenamente suas metas, deve estar, em primeiro lugar, alinhado com os seus parceiros, que são todos os que, de forma direta ou indireta, compõem a Cadeia da Indústria da Construção. Em seguida, deve estar afinado com os anseios e aspirações da sociedade brasileira, a cada dia mais exigente e preocupada com a qualidade dos materiais, serviços e obras que adquire. Os resultados ora elencados são, acreditamos, um forte indicador de que os princípios anteriormente expostos estão sendo seguidos.” Realizações Termo de Adesão assinado com os setores privado e público em 18 estados da Federação. Adesão do SENAI – Departamento Nacional Indicação dos representantes dos estados e da Caixa Econômica Federal junto ao PBQP-Habitat em 18 Unidades da Federação. Implementação do regulamento que disciplina o Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras - SIQ, pela Portaria Sedu nº 67, de 21 de novembro de 2000. Constituição da Comissão Nacional que integra o SIQ. Assinatura do Acordo Setorial dos Sinduscons com a Caixa (uso do poder de compra) em 13 estados da Federação. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 49 Credenciamento de 12 Organismos Certificadores Credenciados (OCCs ) para participarem do Programa. Participação no Programa de mais de 2.000 empresas da Construção Civil, sendo 650 delas já qualificadas em algum dos níveis do SiQ Construtoras; Implementação da Meta Mobilizadora Nacional – Qualidade de Materiais e Componentes de Construção, com 20 Programas Setoriais da Qualidade (PSQs) de famílias de materiais, monitorados pelo PBQP–Habitat e acompanhados por gerentes específicos indicados pelas principais entidades e associações nacionais de fabricantes. Adesão dos principais agentes de fomento do Governo Federal: Caixa Econômica Federal, BNDES, Basa e Finep. Descentralização dos laboratórios de ensaios com a construção de três unidades destinadas ao PBQPHabitat em Goiânia/Furnas. Adesão do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) ao PBQP-Habitat. Participação no Fórum da Cadeia da Indústria da Construção Civil do MDIC. Participação no Fórum Mercosul da Qualidade da Construção Civil. Mais de 70.000 visitas ao site. Metas para 2002 Como metas para o próximo exercício, a CoordenaçãoGeral do Programa trabalha com as seguintes perspectivas: buscar a participação de mais 2.000 empresas da Construção Civil no processo evolutivo da Qualidade do PBQP-Habitat; concluir o processo de sensibilização, adesão e assinatura do acordo setorial nos 9 estados restantes; 50 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO implementar o SIQ – Projeto, prevendo a adesão de 500 escritórios; implementar o SIQ – Setor Público, buscando a adesão de dez estados; liberar a nova versão do SIQ Construtoras (ISO 9000:2000); implementar um Projeto Nacional do SENAI, em apoio ao PBQP-Habitat; elaborar um Projeto Nacional do SEBRAE, em apoio ao PBQP-Habitat; adesão dos agentes financeiros privados; implementar PSQs de materiais e componentes da nova cesta de produtos de saneamento e de infra-estrutura urbana; consolidar a cesta de materiais de construção no âmbito do Mercosul; convergir para o PBQP-Habitat os Programas Estaduais de Qualidade; definir e elaborar projetos de Qualificação de Laboratórios, de Normalização Técnica e do Sistema Nacional de Aprovações Técnicas – Sinat (materiais/sistemas inovadores); realizar 2o Acordo de Cooperação Técnica Brasil – França; e criar o “Prêmio PBQP-Habitat” para os parceiros que mais se destacaram na consecução das metas do Programa. Por fim, destacamos mais uma vez que este Programa está sendo construído com sucesso porque os diversos segmentos da indústria da Construção Civil estão exercitando uma forma diferente de diálogo, capaz de equacionar os seus problemas a partir de uma visão sistêmica centrada na idéia de “cadeia produtiva”. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 51 A TIVIDADES DE APRENDIZ A GEM 1- Agora que você conheceu o PBQP-H, escreva quais as vantagens e desvantagens do Programa. 2- Você conhece os Programas Setoriais do seu estado? Quais são? 3- Quem coordena o PBQP-H no seu estado? 4- Você conhece todos os prazos requeridos pelo Governo Estadual e pela Caixa Econômica para implantação do SIQ-C em seu estado? U NIDADE II O SIQ C ONSTRUT OR AS E OS ONSTRUTOR N ÍVEIS DE Q UALIFICAÇÃO Objetivos Apresentar e explicar a importância do Sistema de Qualificação de Empresas de Obras e Serviços Apresentar os requisitos do SIQ-C Interpretar e comentar os requisitos do SIQ-C, com base nas normas da família ISO 9000:2000 Apresentar as falhas mais comuns na aplicação da Norma 54 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 55 1. I NTRODUÇÃO Não seria exagero afirmar que o SIQ-C é a própria razão da existência do nosso material. Em última instância, o interesse maior de toda empresa construtora é o de se qualificar para estar apta a participar de licitações e requerer financiamentos de órgãos públicos, bem como para obter o atestado de qualidade do SIQ-C do PBQP-H e, com isso, aumentar a sua competitividade no mercado. Daí a necessidade de estudarmos exaustivamente essa norma. É de extrema importância que todos entendam como se dá a sua implantação e funcionamento. Para entendermos o SIQ-C como norma norteadora de um Sistema da Qualidade, devemos antes lembrar como surgiram as normas (em especial as da série ISO 9000, na qual o SIQ-C se baseia). A partir da Revolução Industrial, a normalização teve que ser desenvolvida metodicamente, pela necessidade de se produzirem peças intercambiáveis devido à transformação da produção artesanal em uma produção seriada de grandes lotes. As guerras, como se sabe, apesar de todo absurdo que envolvem, geram grandes avanços tecnológicos. É a necessidade de sobrevivência que fala mais alto. Foi assim no caso dos Estados Unidos da América, na 2ª Guerra Mundial. Para evitar ao máximo que as armas apresentassem falhas nos fronts de batalha, o governo americano exigiu que as fábricas produzissem as armas seguindo uma padronização que as unificasse. Em 1947, na Suíça, foi criada a ISO (International Organization for Standardization – em português, Organização Internacional de Normalização), cuja estrutura é formada por Comitês Técnicos (Technical Commitee – TC). Em 1958, o Departamento de Defesa dos EUA começou a exigir de todos os seus fornecedores a Norma MIL STD Q9858 (Quality Program Requirements). Em 1979, a Inglaterra publicou a BS 5750, uma evolução das normas militares norte-americanas e da Otan, para uso em todo 56 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO o Reino Unido. Naquele mesmo ano, a ISO criou o TC 176 para elaborar normas de sistemas de gestão e garantia da Qualidade de âmbito internacional. Em 1987, a ISO, através do TC 176, oficializa a série de normas 9000, que passa a ser oficialmente adotada na Comunidade Européia. Desde então essa série de normas já passou por duas revisões, uma em 1994 e outra em 2000. A criação das normas ISO 9000 possibilitou a certificação uniforme de Sistemas da Qualidade de empresas por organismos de certificação independentes, eliminando a necessidade de as empresas serem avaliadas por seus clientes. As normas ISO 9000, por estabelecerem requisitos mínimos que devem ser implantados nas empresas, podem então desempenhar papel importante para o aprimoramento da gestão empresarial e garantir produtos com qualidade. Foi com base nos sucesso das normas ISO no mundo todo que o PBQP-H lançou o SIQ Construtoras, norma reguladora para empresas da Construção Civil. O SIQ-C foi baseado na ISO 9001:1994, tendo passado pela sua primeira revisão em 2002, para acompanhar a nova versão da ISO 9000:2000. Tal qual a ISO, o SIQ-C tem como objetivo nortear o desempenho da Gestão da Qualidade na empresa. Como uma norma específica para a Construção Civil, trouxe algumas novidades em relação à ISO. Em seu anexo é exigido o controle de 25 serviços executados na obra e de materiais relacionados com eles. Vamos agora conhecer um pouco do SIQ-C. A versão aqui apresentada do SIQ-C é a Revisão do SIQ Construtoras, tendo em vista a versão 2000 da série de normas NBR ISO 9000, que não está em vigência até o momento do lançamento deste livro. A interpretação apresentada na seqüência está baseada na família ISO 9000:2000, que, como já dissemos, foi sua norteadora. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 57 2. I TENS E REQUISITOS DO SISTEMA DE QUALIFICAÇÃO DE EMPRESAS DE SERVIÇOS E OBR AS - CONSTRUT OR AS SIQ C ONSTRUT OR AS ( VERSÃO 2000) 58 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 59 Par t e I – Sis t ema de Qualif icação de Empr esas de Ser viços e Obr as – Empresas Obras Construtoras (SIQ Construtoras) Itens e Requisitos do Sis t ema de Qualif icação de Empr esas de Ser viços e Obr as – Empresas Obras Construtoras (SIQ Construtoras) 1. O BJETIVO 1.1. INTRODUÇÃO O presente documento estabelece os requisitos do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras válidos para empresas construtoras, o chamado SIQ Construtoras. Ele evolui da versão anterior do Sistema de Qualificação, de 23 de março de 2001, passando a cobrir uma parcela significativa das exigências da norma NBR ISO 9001:2000. Ele é aplicável a toda empresa construtora do setor que pretenda melhorar sua eficiência e eficácia técnica e econômica através da implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade. Este documento deve ser utilizado em conjunto com os Requisitos Complementares aplicáveis a cada subsetor para o qual se pretenda obter a qualificação. 60 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO A maneira segundo a qual o Sistema foi redigido neste documento faz que todas as alterações tenham que ocorrer apenas nos Requisitos Complementares aplicáveis aos diversos subsetores. Desse modo, para cada novo subsetor, será necessário: a) preparar-se uma lista contendo os serviços de execução obrigatoriamente controlados; b) definir-se, caso a caso, o número mínimo de materiais a serem controlados. Os subsetores que deverão ser tratados, de modo a haver uma harmonização nacional, são os previstos no Regimento do Sistema. Sua leitura e aplicação independe de conhecimento prévio do referencial de março de 2001, razão pela qual alguns trechos deste são aqui reproduzidos. Ele se complementa com as regras previstas no Regimento do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras (SIQ), definido pela Portaria n.º 67, de 21 de novembro de 2000 (DOU de 22/11/00, Seção 1, p. 3-4). 1.2. ABORDAGEM DE PROCESSO: OS OUTROS SISTEMAS DE GESTÃO A presente versão do SIQ Construtoras adota a abordagem de processo para o desenvolvimento, a implementação e a melhoria da eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade da empresa construtora. Esta visa, antes de tudo, aumentar a satisfação dos clientes no que diz respeito ao atendimento de suas exigências. Um dos pontos marcantes da abordagem de processo é o da implementação do ciclo de Deming ou da metodologia conhecida como PDCA (do inglês Plan, Do, Check e Act): 1) Planejar: prever as atividades (processos) necessárias para o atendimento às necessidades dos clientes, e que “transformam” elementos “de entrada” em “elementos de saída”; 2) Executar: executar as atividades (processos) planejadas; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 61 3) Controlar: medir e controlar os processos e seus resultados quanto ao atendimento às exigências feitas pelos clientes e analisar os resultados; e 4) Agir: levar adiante as ações que permitam uma melhoria permanente do desempenho dos processos. Para que uma empresa atuando na construção de obras trabalhe de maneira eficaz, ela deve desempenhar diferentes atividades. A abordagem de processo procura assim identificar, organizar e gerenciar tais atividades, levando em conta suas condições iniciais e os recursos necessários para levá-las adiante (tudo aquilo que é necessário para realizar a atividade), os elementos que dela resultam (tudo o que é “produzido” pela atividade) e as interações entre atividades. Tal abordagem considera o fato de que o resultado de um processo é quase sempre a “entrada” do processo subseqüente; as interações ocorrem nas interfaces entre dois processos. A abordagem de processo representa uma mudança significativa do novo referencial em relação ao de março de 2001, alinhando-se com o que prevê a série de normas NBR ISO 9000:2000. 1.3. GENER ALIDADES Como já ocorria anteriormente, o SIQ Construtoras possui caráter evolutivo, estabelecendo níveis de qualificação progressivos, segundo os quais os Sistemas de Gestão da Qualidade das empresas construtoras são avaliados e classificados. Cabe aos contratantes, públicos e privados, individualmente, ou preferencialmente através de Acordos Setoriais firmados entre contratantes e entidades representativas de contratados, estabelecer prazos para começarem a vigorar as exigências de cada nível. Assim, o SIQ Construtoras tem como objetivo estabelecer o referencial técnico básico do sistema de qualificação evolutiva adequado às características específicas das empresas construtoras, e se baseia nos seguintes princípios, que constam do Regimento do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras (SIQ): a) harmonia com a normalização internacional: adequação dos requisitos do referencial aos da série de normas NBR ISO 9000:2000; b) Caráter evolutivo: o referencial estabelece níveis de qualificação progressivos, segundo os quais os Sistemas de Gestão da Qualidade das empresas são avaliados e classificados. Isso visa induzir e dar 62 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO às empresas o tempo necessário para a implantação evolutiva de seu Sistema de Gestão da Qualidade; c) caráter pró-ativo, visando à criação de um ambiente de suporte que oriente o melhor possível as empresas, no sentido que estas obtenham o nível de qualificação almejado; d) caráter nacional: o Sistema é único e se aplica a todos os tipos de contratantes (públicos municipais, estaduais, federais ou privados) e a todas as obras, em todo o Brasil; o que varia são os serviços de execução que devem ser motivo de controle por parte das empresas, que constam de anexo específico para cada subsetor de atuação, bem como os prazos de exigência dos contratantes; e) flexibilidade: o Sistema se baseia em requisitos que possibilitam a adequação ao sistema de empresas de diferentes regiões, que utilizem diferentes tecnologias e que atuem na construção de obras; f) sigilo: quanto às informações de caráter confidencial das empresas; g) transparência: quanto aos critérios e decisões tomadas; h) independência dos envolvidos nas decisões; i) caráter público: o Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras não tem fins lucrativos, e a relação de empresas qualificadas é pública e divulgada a todos os interessados; j) Harmonia com o (Sinmetro) Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial: toda qualificação atribuída pelo Sistema será executada por organismo credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) e o processo evolutivo visa ampliar o número de empresas do setor que venham a ter certificação de conformidade na área de Sistemas de Gestão da Qualidade por ele reconhecido (com base na série de normas ISO 9000, em sua versão de 2000). Os Atestados de Qualificação para os diversos níveis só terão validade se emitidos por Organismos de Certificação Credenciados (OCC), pelo INMETRO. Portanto, as empresas construtoras que desejarem se qualificar, conforme o presente referencial técnico, devem consultar junto à Secretaria Executiva Nacional (SEN) do SIQ a lista de OCCs credenciados. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 63 Estes e outros aspectos regimentais estão previstos no Regimento do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras (SIQ), definido pela Portaria n.º 67, de 21 de novembro de 2000 (DOU de 22/11/00, Seção 1, p. 3-4). Na Parte IV deste documento consta uma proposta alternativa para o estabelecimento dos níveis de qualificação. 1.4. NÍVEIS DE QUALIFICAÇÃO E REQUISITOS APLICÁVEIS A implantação do SIQ-C se dá através de estágios que chamamos de Níveis de Qualificação. Na tabela que veremos a seguir vamos observar que, durante o processo de implantação, a empresa tem uma resposta mais imediata em relação à Qualidade. A consolidação de cada passo ganho se materializa através dos atestados de Qualificação conferidos pelos (OCCs) Organismos de Certificação Credenciados nos níveis D/C/B/A. 64 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO A implantação gradativa se dá através do atendimento de os requisitos da Norma conforme a seqüência exposta na tabela. No quadro anterior são apresentados os requisitos a serem observados nos diferentes níveis de qualificação. O Anexo 1 traz uma tabela de equivalência entre os presentes requisitos e os da versão de 23 de março de 2001 do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras - Construtoras (SIQ Construtoras). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 65 1.5. ESCOPO DE APLICAÇÃO Todos os requisitos deste referencial são válidos para as empresas construtoras. No entanto, o mesmo, além desses requisitos, é composto de uma série de Requisitos Complementares, cada qual válido para um subsetor. Os requisitos são genéricos e aplicáveis para todas as empresas construtoras, sem levar em consideração o seu tipo e tamanho. Os requisitos são genéricos e aplicáveis para todas as empresas construtoras, sem levar em consideração o seu tipo e tamanho. Quando algum requisito desse referencial não puder ser aplicado devido à natureza de uma empresa construtora e seus produtos e serviços, isso pode ser considerado para exclusão. Quando são efetuadas exclusões, reivindicação de conformidade com este referencial não é aceitável a não ser que as exclusões fiquem limitadas aos requisitos contidos na Seção 7 – Execução da obra, e que tais exclusões não afetem a capacidade ou responsabilidade da empresa construtora para fornecer produtos que atendam aos requisitos dos clientes e requisitos regulamentares aplicáveis. 2. R EFERÊNCIA NORMA TIV A NORMATIV TIVA Como já dito, a aplicação do presente referencial de qualificação não impede a empresa de implementar e de se certificar pelo referencial da norma NBR ISO 9001:2000, nem a exime de respeitar toda a legislação a ela aplicável. Mais do que isso, à vista das semelhanças existentes, a série de normas NBR ISO 9000:2000 serve de base para os principais conceitos e mesmo para o vocabulário aqui usado, que é em parte definido no item 3 (ver em particular a norma NBR ISO 9000:2000). A série de normas NBR ISO 9000:2000 encontra-se disponível na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 66 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA 3. T ERMOS C ONSTRUÇÃO E DEFINIÇÕES Além dos termos que constam da NBR ISO 9000:2000, cabe aqui retomar alguns e acrescentar outros de interesse específico para o presente referencial. Acordo Setorial Documento firmado entre entidade(s) do setor da Construção Civil e a Coordenação-Geral do PBQP-H ou suas coordenações estaduais, regionais ou municipais que façam parte do PBQP-H, ou ainda as instituições parceiras do Programa, através do qual a(s) primeira(s) se compromete(m) a implantar um Programa Setorial da Qualidade junto a seus associados, e a(s) segunda(s), a incentivare(m) os contratantes e financiadores de obras e serviços sob sua influência a introduzirem em seus editais de licitação e em suas sistemáticas de financiamento requisitos que induzam à participação de empresas que tenham aderido ao respectivo Programa Setorial. Cliente Pessoa física ou jurídica para quem a empresa construtora trabalha. Pode ou não corresponder ao usuário final do produto construído. A empresa construtora, na determinação das exigências a que deve atender, pode identificar outras partes interessadas pelo seu Sistema de Gestão da Qualidade, além do cliente, a seu critério. Documento Informação e o meio no qual ela está contida. Pode se apresentar sob meios outros que o papel, como magnético, eletrônico, ótico, fotográfico, amostra-padrão, ou uma combinação desses meios. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 67 Empresa construtora Conjunto de profissionais e demais recursos reunidos numa mesma entidade jurídica para levar adiante atividades relacionadas à execução de obras. Aparece no presente referencial no lugar de “organização”, conforme define a NBR ISO 9000:2000. Esp ecialidade técnica Especialidade Área do conhecimento específica envolvida na realização do projeto de uma obra que, devido à necessidade de competências tecnológicas particulares, exige um nível de especialização para seu desenvolvimento. São exemplos de especialidades técnicas: arquitetura, urbanismo, paisagismo, fundações, estrutura portante, sistemas prediais, pavimentos, redes de infra-estrutura etc. A contratação de um serviço associado à especialidade técnica por uma empresa construtora deve ser coberta pelo seu Sistema de Gestão da Qualidade. Execução da obra Seqüência de processos requeridos para a obtenção parcial ou total do produto almejado pelo cliente, em função de a empresa construtora ter sido contratada para atuar apenas em etapa(s) específica(s) de sua produção ou para sua produção integral. Obra Atividade-fim da empresa construtora, representando uma prestação de serviços da qual decorre a execução parcial ou total do produto almejado pelo cliente. Plano da Qualidade da Obra Documento que especifica as particularidades de um empreendimento. Um plano é composto geralmente do organograma da obra, descrição de responsabilidades e autoridades, relação dos procedimentos e recursos utilizados, plano de treinamento específico etc. 68 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Processo Conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que transformam insumos (entradas) em produtos (saídas). Programa Setorial da Qualidade Documento elaborado por entidade(s) representativa(s) de um determinado setor da Construção Civil contendo o programa da Qualidade específico, com seu diagnóstico, metas, prazos e requisitos da Qualidade a serem implantados pelas empresas associadas, coerente com o(s) Acordo(s) Setorial(is) que vier(em) a ser firmado(s) com a Coordenação-Geral, as coordenações estaduais, regionais e municipais, ou as instituições parceiras do PBQP-H. Ser viço esp ecializado de engenhar ia especializado Serviço de natureza intelectual para a elaboração do qual, devido à necessidade de competências tecnológicas específicas, a empresa construtora tem que fazer apelo a outra empresa. São exemplos de serviços especializados de engenharia: sondagem, quantificação, orçamento, planejamento de obra, plano de higiene e segurança do trabalho, consultorias em geral etc. A contratação de um serviço especializado de engenharia deve ser coberta pelo Sistema de Gestão da Qualidade da empresa construtora em função de sua importância para a obtenção de um produto que atenda às expectativas do cliente. Sistema de Gestão da Qualidade Estrutura organizacional, responsabilidades, procedimentos, atividades, capacidades e recursos que, em conjunto, têm por objetivo assegurar que os produtos, processos ou serviços fornecidos pela empresa construtora satisfaçam às necessidades e expectativas dos clientes. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 69 Subempr eit ada de ser viço Trata-se da contratação de fornecedor de um serviço ou subempreiteiro pela empresa construtora para a execução de uma determinada parte de uma obra. Tal contratação deve ser coberta pelo Sistema de Gestão da Qualidade da empresa construtora. Subempr eit ada global de ser viço Trata-se da contratação de um ou mais fornecedores de serviço ou subempreiteiros pela empresa construtora para a execução integral de uma obra. Tal contratação deve ser coberta pelo Sistema de Gestão da Qualidade da empresa construtora. Subempreiteiro Fornecedor de um serviço para a empresa construtora decorrente da necessidade de execução de uma determinada parte de uma obra. Tal fornecimento implica a sub-rogação de direitos e obrigações da empresa construtora para o subempreiteiro, em relação ao cliente. Ter ceir ização de ser viço Trata-se da contratação de terceiros pela empresa construtora cujo objeto de contrato não se relaciona diretamente com a obra contratada junto ao cliente. Tal contratação não é normalmente coberta pelo Sistema de Gestão da Qualidade da empresa construtora. 70 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 4. S ISTEMA DE G ESTÃO QUALIDADE DA 4.1. REQUISIT OS GER AIS Para implementar o Sistema de Gestão da Qualidade, a empresa construtora deve atender em seu planejamento de implantação do SGQ os requisitos abaixo descritos, de acordo com sua evolução estabelecida no quadro de níveis de qualificação. A empresa construtora deve: a) realizar um diagnóstico da situação da empresa, em relação aos presentes requisitos, no início do desenvolvimento do Sistema de Gestão da Qualidade; b) definir claramente o(s) subsetor(es) e tipo(s) de obra abrangido(s) pelo Sistema de Gestão da Qualidade; c) estabelecer lista de serviços de execução controlados e lista de materiais controlados, respeitando-se as exigências específicas do(s) subsetor(es) onde atua, de acordo com as exigências da parte específica a cada setor de atuação conforme seus Requisitos Complementares; d) identificar e gerenciar os processos necessários para o Sistema de Gestão da Qualidade e sua aplicação por toda a empresa construtora (ver 1.2); e) determinar a seqüência e a interação desses processos; f) estabelecer um planejamento para desenvolvimento e implementação do Sistema de Gestão da Qualidade, determinando responsáveis e prazos para atendimento de cada requisito e obtenção dos diferentes níveis de qualificação; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 71 g) determinar critérios e métodos necessários para assegurar que a operação e o controle desses processos sejam eficazes; h) assegurar a disponibilidade de recursos e informações necessárias para apoiar a operação e monitoramento desses processos; i) monitorar, medir e analisar esses processos; j) implementar ações necessárias para atingir os resultados planejados e a melhoria contínua desses processos. A empresa construtora deve gerenciar esses processos de acordo com os requisitos desse referencial. Quando a empresa construtora optar por adquirir externamente algum processo que afete a conformidade do produto em relação aos requisitos, ela deve assegurar o controle desse processo. O controle de tais processos deve ser identificado no Sistema de Gestão da Qualidade, conforme item 7.5.1. Comentários Sobre o Requisito – Gestão de Sistemas e Processos (item 4.1. do SIQ-C) Dirigir e operar uma organização com sucesso requer que sua gestão seja feita de forma sistemática e transparente. Convém que o sucesso seja resultante da implementação e da manutenção de um sistema de gestão projetado para melhorar continuamente a eficácia e a eficiência do desempenho da organização mediante a consideração das necessidades das partes interessadas. A gestão de uma organização inclui, entre outras modalidades, a gestão de qualidade. Convém que a alta direção estabeleça uma organização voltada para o cliente: definindo sistemas e processos que possam ser claramente entendidos, 72 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO gerenciados e melhorados tanto em eficácia quanto em eficiência; e assegurando a operação eficaz e eficiente e o controle de processos, bem como as medidas e os dados usados para determinar o desempenho satisfatório da organização. Exemplos de atividades para estabelecer uma organização orientada para clientes incluem: definição e promoção de processos que levem a melhor desempenho organizacional; obtenção e uso continuados de dados e informações de processos; direcionamento de progresso para melhoria contínua; e uso de métodos adequados para avaliar a melhoria do processo, tais como auto-avaliação e análise crítica pela direção. Comentários complementares relevantes A organização deve identificar os processos do seu sistema de gestão que influenciem a qualidade do produto final. Isso inclui tanto processos administrativos como processos de realização do produto. Tipicamente, no ambiente da Construção Civil, são identificados os seguintes processos: orçamento, projeto, incorporação, planejamento de obras, execução de obras, suprimentos, contratação de serviços, entrega de obra, manutenção e reparos, administração de contratos, planejamento e gestão da empresa e demais processos relacionados à construtora. Mais especificamente, no processo de execução de obras pode-se identificar um conjunto de subprocessos que estão relacionadas na lista de serviços controlados desta norma. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 73 É necessário que a organização reconheça esses processos e sua seqüência e interação (tipicamente realizada através de fluxogramas ou outras formas gráficas) para poder então gerenciá-los. É sabido que o gerenciamento implica planejamento, execução, medição e correção. A medição e o monitoramento dos processos requerem medidas de desempenho que disponibilizem informações relativas à eficácia dos processos. O desempenho dos processos de execução de obra pode ser medido através de indicadores de desempenho que reflitam sua eficácia (ex.: % de tarefas realizadas em relação ao total de tarefas previstas). O seu monitoramento pode ser assegurado por meio do acompanhamento periódico do cronograma de obras e dos indicadores de desempenho associados. Falhas mais comuns Identificar apenas os processos de execução de obras, não considerando os processos de apoio ou de gestão (ex.: planejamento de obras, fundação, alvenaria, entrega de obras etc.). Identificar apenas os processos realizados pela organização, não considerando os processos realizados por terceiros (ex.: processo de projeto – para as empresas que subcontratam estes serviços), topografia, fundações, vendas – quando é repassada às imobiliárias a responsabilidade pelas vendas). Medir e monitorar parcialmente os processos. Medir o desempenho dos processos sem evidenciar a sua eficácia. 74 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 4.2. REQUISIT OS DE DOCUMENT AÇÃO REQUISITOS DOCUMENTAÇÃO 4.2.1. Generalidades A documentação do Sistema de Gestão da Qualidade deve ser constituída de modo evolutivo, de acordo com os níveis de qualificação obtidos, devendo incluir: a) declarações documentadas da Política da Qualidade e dos objetivos da Qualidade; b) Manual da Qualidade (ver 4.2.2) e Planos da Qualidade de Obras (ver 7.1.1); c) procedimentos documentados requeridos pelo presente referencial; d) documentos identificados como necessários pela empresa construtora para assegurar a efetiva operação e controle de seus processos; e) registros da Qualidade requeridos por este referencial (ver 4.2.4). Nota 1: em todos os requisitos, sempre que constar que a empresa construtora deve “estabelecer procedimento documentado”, significa que ela deve: “elaborar, documentar, implementar e manter” esses procedimentos. Nota 2: a abrangência da documentação do Sistema de Gestão da Qualidade de uma empresa construtora pode diferir do de uma outra devido: a) ao tamanho e subsetor de atuação; b) à complexidade e interação dos seus processos; e c) à competência do pessoal. Nota 3: a documentação do Sistema de Gestão da Qualidade pode estar em qualquer forma ou tipo de meio de comunicação. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 75 Comentários complementares relevantes Os requisitos quanto à documentação estão atenuados na nova versão da norma ISO 9000 e do SIQ Construtoras. Nesta edição, é deixado a cargo da própria organização avaliar a necessidade de documentar seus processos e/ou atividades. Por pressuposto, admite-se que a padronização pode não ser a ferramenta mais adequada para estabelecer e/ou manter o controle dos processos em algumas situações. Outras atitudes poderiam substituir o esforço de padronização com maior eficácia, como treinamento e capacitação de pessoal. O importante é manter o controle dos processos e garantir a sua eficácia, independentemente do meio adotado para atingir tal resultado. Falhas mais comuns Os objetivos da qualidade não são formalmente estabelecidos e/ou documentados. A documentação existente não assegura a operação e o controle eficaz dos processos, omitindo detalhes importantes para orientação das atividades críticas. 4.2.2. Manual da Qualidade Nível D A empresa construtora deve elaborar, documentar, implementar e manter um Manual da Qualidade que inclua: a) subsetor(es) e tipo(s) de obras abrangido(s) pelo seu Sistema de Gestão da Qualidade; b) detalhes e justificativas para quaisquer exclusões de requisitos deste referencial (ver 1.2); c) procedimentos documentados instituídos de modo evolutivo para o Sistema de Gestão da Qualidade, ou referência a eles; e d) descrição da seqüência e interação entre os processos do Sistema de Gestão da Qualidade. 76 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes O Manual da Qualidade é o documento de mais alto nível da organização e deve conter as diretrizes do gerenciamento do Sistema Qualidade de um produto ou serviço. Portanto, é esperado que esse documento declare as práticas existentes na organização para a Gestão da Qualidade. Evidentemente, as práticas declaradas devem contemplar, pelo menos, os requisitos estabelecidos na norma ISO 9000 e no SIQ-C. Considerando que as empresas podem fornecer produtos ou serviços diferenciados (ex.: produto de incorporação, apartamentos, obras contratadas ou pavilhões industriais), é importante esclarecer a qual produto ou serviço se refere o Sistema da Qualidade descrito neste documento. Tal definição é tipicamente denominada “escopo do Sistema de Gestão da Qualidade”. É necessário que o Manual da Qualidade dê uma visão completa do Sistema de Gestão da Qualidade, aproximando o leitor da realidade particular da empresa. Nesse sentido, é requerido que sejam identificados neste documento os processos que influenciam o Sistema de Gestão da Qualidade e a forma que eles interagem. Falhas mais comuns Parafrasear o texto da norma ISO e não esclarecer as diretrizes para o atendimento a todos os requisitos da norma ISO 9001:2000 e do SIQ-C. Não conter detalhes e justificativas para exclusões. Não definir a interação de todos os processos que influenciam o Sistema de Gestão da Qualidade (ex.: processos ou projetos adquiridos de terceiros etc.). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 77 4.2.3 Controle de documentos Os documentos requeridos pelo Sistema de Gestão da Qualidade devem ser controlados conforme o nível de qualificação da empresa construtora. Um procedimento documentado deve ser instituído para definir os controles necessários para: no Nível D, a) aprovar documentos quanto à sua adequação, antes da sua emissão; b) analisar criticamente, atualizar e, quando necessário, reaprovar documentos; c) assegurar que alterações e a situação da revisão atual dos documentos sejam identificadas, a fim de evitar o uso indevido de documentos não-válidos ou obsoletos; d) assegurar que as versões pertinentes de documentos aplicáveis estejam disponíveis em todos os locais onde são executadas as operações essenciais para o funcionamento efetivo do Sistema de Gestão da Qualidade; e) assegurar que os documentos permaneçam legíveis e prontamente identificáveis; f) prevenir o uso não intencional de documentos obsoletos e aplicar uma identificação adequada nos casos em que forem retidos por qualquer propósito; e no Nível C, g) assegurar que documentos de origem externa, tais como normas técnicas, projetos, memoriais e especificações do cliente, sejam identificados, tenham distribuição controlada e estejam disponíveis em todos os locais onde são aplicáveis. 78 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes No ambiente da Construção Civil, assim como em outras indústrias, os documentos que orientam o trabalho de rotina são de origem diversa: projetos, memoriais descritivos, normas aplicáveis (ABNT etc.), cronogramas de obra, orçamentos, instruções de trabalho, procedimentos etc. são de fundamental importância para o desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade, e muitos deles sofrem freqüentes atualizações. Em algumas situações, documentos que orientam o trabalho passam longos períodos sem sofrer alterações. Nesses casos torna-se importante estabelecer uma freqüência mínima de revisão dos documentos para que se possa avaliar sua pertinência e sua adequação. Espera-se que as práticas estabelecidas para controle dos documentos possam assegurar que estes estejam disponíveis nos locais de uso devidamente aprovados e nas versões pertinentes. Falhas mais comuns Não definir responsabilidades com relação a elaboração, revisão e aprovação dos documentos. Não realizar análise crítica antes da emissão de um documento. Deixar documentos obsoletos ou fora de controle nos locais de trabalho. Alterar documentos de maneira informal, sem aprovação e alteração de versão. Não controlar documentos contidos em meio eletrônico (ex.: composições de custo para fins de orçamento). Confundir documentos com registros. Dar o controle de documentos a pessoas não conscientizadas. Permitir que os documentos sejam rasurados. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 79 4.2.4. Controle de registros Nível C Registros da Qualidade devem ser instituídos e mantidos para prover evidências da conformidade com requisitos e da operação eficaz do Sistema de Gestão da Qualidade. Registros da Qualidade devem ser mantidos legíveis, prontamente identificáveis e recuperáveis. Um procedimento documentado deve ser instituído para definir os controles necessários para identificação, armazenamento, proteção, recuperação, tempo de retenção e descarte dos registros da Qualidade. Devem também ser considerados registros oriundos de fornecedores de materiais e serviços controlados. Comentários complementares relevantes Registros são evidências objetivas de que a atividade planejada foi realizada. Essas informações podem estar contidas em meio físico (papel), eletrônico (computador), ou outros meios (filmagens, gravações etc.). Espera-se que sejam estabelecidas práticas que assegurem a disponibilidade das informações contidas nos registros pertinentes quando necessárias. Para tal, é importante que sejam identificados os registros de interesse, de forma que não haja dúvida em relação ao que deve ser guardado e preservado (controlado) e o que pode ser descartado (não requer controle). Para que se possa assegurar o controle dos registros é preciso definir local (ex.: sala diretoria – armário “tal”) e forma de armazenamento (ex.: pasta A-Z), meio de proteção (ex.: tirar fotocópias de documentos, de fax, passar antivírus para registros eletrônicos etc.), meios de recuperação (ex.: indexação por ordem alfabética), tempo de retenção e descarte. 80 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Falhas mais comuns Especificar um único tempo de retenção para todos os registros. Sistema não eficaz de acesso de registros. Definir tempos de retenção longos ou curtos demais. Não deixar claras em procedimento a forma e a responsabilidade pela coleta dos registros. Centralizar o controle dos registros. Não realizar back-up dos registros em meio eletrônico. Não assegurar a integridade do sistema informatizado (antivírus, verificação de discos etc.). Não prever a possibilidade de guarda dos registros em dois estágios (ex.: laudos de rompimento dos corpos de prova ficam armazenados na obra durante sua execução e no escritório após a conclusão da obra). A forma de armazenamento não é compatível com o tempo especificado para retenção (não assegura a integridade dos registros). Comentários sobre os requisitos (itens 4.2.3 e 4.2.4 do SIQ-C) Convém que a direção defina a documentação, incluindo os registros pertinentes, necessária para estabelecer, implementar e manter o Sistema de Gestão da Qualidade e para apoiar uma operação eficaz e eficiente dos processos da organização. Convém que a natureza e a abrangência da documentação atendam aos requisitos contratuais, regulamentares e estatutários, bem como às necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas, e que sejam adequadas à organização. Para prover documentação que satisfaça às necessidades e expectativas das partes interessadas, convém que a direção considere: PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 81 requisitos contratuais do cliente e de outras partes interessadas; adoção de normas internacionais, nacionais, regionais e de setores industriais; requisitos estatutários e regulamentares pertinentes; decisões tomadas pela organização; fontes de informação externa pertinentes para o desenvolvimento das competências da organização; e informações a respeito das necessidades e expectativas de partes interessadas. Convém que a geração, o uso e o controle da documentação sejam avaliados quanto à eficácia e à eficiência da organização em relação a critérios tais como: funcionalidade (tal como velocidade de processamento); facilidade de uso; recursos necessários; políticas e objetivos; requisitos atuais e futuros relativos à gestão do conhecimento; comparação com as melhores práticas (benchmarking) em sistemas de documentação; e interfaces usadas pelos clientes, fornecedores e outras partes interessadas da organização. Convém que o acesso à documentação para o pessoal da organização e outras partes interessadas seja assegurado com base na política de comunicação da organização. 82 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 5. R ESPONSABILIDADE DA DIREÇÃO DA EMPRESA 5.1. COMPROMETIMENTO DA DIREÇÃO DA EMPRESA A direção da empresa construtora deve fornecer evidência do seu comprometimento com o desenvolvimento e implementação do Sistema de Gestão da Qualidade e com a melhoria contínua de sua eficácia mediante: no Nível D, a) a comunicação aos profissionais da empresa e àqueles de empresas subcontratadas para a execução de serviços controlados da importância de atender aos requisitos do cliente, assim como aos regulamentares e estatutários; b) o estabelecimento da Política da Qualidade; c) a garantia de que são estabelecidos os objetivos da Qualidade e de que seus indicadores estão sendo acompanhados (ver 5.4.1); no Nível B, d) a garantia da disponibilidade de recursos necessários; no Nível A, e) a condução das análises críticas pela direção da empresa. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 83 Comentários sobre o requisito Recomendações gerais – Introdução (item 5.1. do SIQ-C) A liderança, o comportamento e o envolvimento ativo da alta direção são essenciais para desenvolver e manter um Sistema de Gestão da Qualidade eficaz e eficiente para alcançar benefício para as partes interessadas. Para alcançar esses benefícios, é necessário estabelecer, sustentar e aumentar a satisfação do cliente. Convém que a alta direção considere ações como: estabelecer visão, políticas e objetivos estratégicos coerentes com o propósito da organização; conduzir a organização por meio de exemplos, para desenvolver confiança entre as pessoas; comunicar os valores e a direção da organização com relação à qualidade e ao Sistema de Gestão da Qualidade; participar em projetos de melhoria, buscando novos métodos, soluções e produtos; obter realimentação direta sobre a eficácia e a eficiência dos processos de realização; criar um ambiente que encoraje o envolvimento e o desenvolvimento das pessoas; e fornecer a estrutura e os recursos necessários para apoiar os planos estratégicos da organização. Também é conveniente que a alta direção defina métodos de medição do desempenho da organização para determinar se os objetivos planejados foram atingidos. Esses métodos incluem: medição financeira; medição de desempenho de processo por toda a organização; medição externa, como comparação com as melhores práticas (benchmarking) e avaliação de terceira parte; avaliação da satisfação dos clientes, das pessoas na organização e de outras partes interessadas; 84 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO avaliação das percepções dos clientes e das outras partes interessadas quanto ao desempenho do produto fornecido; e medição de outros fatores de sucesso identificados pela direção. Convém que as informações obtidas de tais medições e avaliações também sejam consideradas como entrada para a análise crítica pela direção, para assegurar que a melhoria contínua do Sistema de Gestão da Qualidade seja condutora da melhoria do desempenho da organização. Asp ect os a ser em consider ados Aspect ectos considerados Convém que a direção, ao desenvolver, implementar e gerenciar o Sistema de Gestão da Qualidade da organização, considere os princípios de Gestão da Qualidade. Com base nesses princípios, convém que a alta direção demonstre liderança e comprometimento com as seguintes atividades: compreensão das necessidades e expectativas atuais e futuras dos clientes, adicionalmente aos seus requisitos; promoção de políticas e objetivos para aumentar a conscientização, a motivação e o envolvimento das pessoas na organização; estabelecimento da melhoria contínua como um objetivo para os processos da organização; planejamento para o futuro da organização e gestão da mudança; instalação e comunicação de uma estrutura para alcançar a satisfação das partes interessadas. Em complemento à melhoria passo a passo ou contínua, convém que a alta direção também considere mudanças de rupturas nos processos como uma forma de melhorar o desempenho da organização. Durante tais mudanças, convém que a direção tome providências para assegurar que sejam fornecidos os recursos e a comunicação necessários para manter as funções do Sistema de Gestão da Qualidade. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 85 Convém que a alta direção identifique os processos de realização do produto da organização, uma vez que esses estão relacionados diretamente com o sucesso da organização. É recomendável que a alta direção também identifique os processos de apoio que afetam a eficácia e a eficiência dos processos de realização ou as necessidades e expectativas das partes interessadas. É conveniente que a direção assegure que os processos operem como uma rede eficaz e eficiente. É recomendável que a direção analise e otimize a interação dos processos, tanto os de realização quanto os de apoio. Convém que seja dada consideração a: assegurar que a seqüência e a interação dos processos sejam concebidas para alcançar os resultados desejados com eficácia e eficiência; assegurar que as entradas, atividades e saídas de processos sejam claramente definidas e controladas; monitorar as entradas e as saídas para verificar se os processos individuais serão interligados e operam com eficácia e eficiência; identificar e gerenciar riscos, buscando oportunidades de melhoria de desempenho; conduzir análise de dados para facilitar a melhoria contínua de processos; identificar os donos de processos e dar-lhes plena responsabilidade e autoridade; gerenciar cada processo para atingir seus objetivos; e verificar as necessidades e expectativas de partes interessadas. Comentários complementares relevantes De um modo geral, os funcionários e/ou colaboradores sabem ler e interpretar de forma bastante precisa os interesses de seus dirigentes e os objetivos com os quais estes estão realmente comprometidos. Assim sendo, eles sabem eleger a prioridade quando duas tarefas são concorrentes. Reconhecendo a importância do com- 86 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO prometimento da direção com o desenvolvimento do Sistema de Gestão da Qualidade, a norma ISO 9001:2000 e o SIQ-C exigem que a alta direção forneça evidências de seu comprometimento e sugerem algumas formas pertinentes. As declarações da importância em respeitar os requisitos do cliente e demais requisitos aplicáveis ao produto podem ser repassadas através de atitudes, palestras de conscientização, treinamento, declarações documentadas (ex.: Política da Qualidade) etc. É de se imaginar que se a alta direção está comprometida com o processo de qualidade, irá disponibilizar os recursos necessários (pessoal, máquinas e equipamentos) e irá estabelecer objetivos e acompanhar os resultados alcançados periodicamente. Objetivos estabelecidos sem acompanhamento dos resultados são mensagens de desinteresse. Algumas empresas da Construção Civil costumam estabelecer objetivos relacionados à Qualidade no início dos empreendimentos e monitorá-los para assegurar seu atendimento. Essa atitude é uma evidência de comprometimento com a Qualidade. Falhas mais comuns A alta direção não toma conhecimento do processo de Qualidade e o delega a outros funcionários. Não são disponibilizados recursos necessários para a condução adequada dos processos que influenciam a Qualidade. Atividades relacionadas à Gestão da Qualidade são constantemente prorrogadas e colocadas em segundo plano. Desconhecimento dos dados de desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade. A alta direção toma atitudes contraditórias à Política da Qualidade estabelecida. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 87 5.2. FOCO NO CLIENTE Nível B A direção da empresa construtora deve assegurar que os requisitos do cliente são determinados com o propósito de aumentar a satisfação do cliente (ver 7.2.1 e 8.2.1). Nível A A direção da empresa construtora deve assegurar que os requisitos do cliente são atendidos com o propósito de aumentar a satisfação do cliente (ver 7.2.1 e 8.2.1). Comentários sobre o requisito – Necessidades e exp ect ativ as das par t es expect ectativ ativas interessadas (item 5.2. do SIQ-C) Generalidades Toda organização tem partes interessadas, tendo cada parte necessidades e expectativas. As partes interessadas das organizações incluem: clientes e usuários finais; pessoas na organização; proprietários/investidores (tais como acionistas indivíduos ou grupos, incluindo o setor público, que tenham um interesse específico na organização); fornecedores e parceiros; e sociedade na figura da comunidade e do público atingidos pela organização ou seus produtos. 88 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Necessidades e exp ect ativ as expect ectativ ativas O sucesso da organização depende do entendimento e da satisfação das necessidades e expectativas, atuais e futuras, dos clientes e dos usuários finais, atuais e potenciais, bem como do entendimento e consideração das necessidades e expectativas de outras partes interessadas. Para entender e satisfazer as necessidades e expectativas das partes interessadas, convém a uma organização: identificar suas partes interessadas e manter uma resposta equilibrada às suas necessidades e expectativas; traduzir em requisitos as necessidades e expectativas identificadas; comunicar os requisitos a toda a organização; e focalizar na melhoria de processo para assegurar valor para as partes interessadas identificadas. Para satisfazer as necessidades e expectativas do cliente e do usuário final, convém à uma organização: identificar suas partes interessadas e manter uma resposta equilibrada às suas necessidades e expectativas; traduzir em requisitos as necessidades e expectativas identificadas; comunicar os requisitos a toda a organização; e focalizar na melhoria de processo para assegurar valor às partes interessadas identificadas. Para satisfazer as necessidades e expectativas do cliente e do usuário final, convém que a direção de uma organização: entenda as necessidades e expectativas de seus clientes, incluindo aquelas de clientes potenciais; determine as principais características do produto para seus clientes e usuários finais; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 89 identifique e avalie a concorrência em seu mercado; e identifique oportunidades de mercado, fraquezas e vantagem competitiva futura. Exemplos de necessidades e expectativas de cliente e de usuário final em relação aos produtos da organização incluem: conformidade; garantia de funcionamento; disponibilidade; entrega; atividades pós-realização; preço e custo do ciclo pelo fato do produto; e impacto ambiental. Convém que a organização identifique as necessidades e expectativas de suas pessoas quanto ao reconhecimento, à satisfação no trabalho e ao desenvolvimento pessoal. Tal atenção permite assegurar que o envolvimento e a motivação das pessoas sejam tão fortes quanto possível. É conveniente que a organização defina os resultados financeiros e outros que satisfaçam as necessidades e expectativas identificadas de donos e proprietários. Convém que a direção considere os benefícios potenciais de estabelecer parcerias com fornecedores da organização para criar valor para ambas as partes. É recomendável que a parceria se estabeleça com base em uma estratégia comum, compartilhando conhecimento, como também lucros e perdas. Ao estabelecer parcerias, convém que uma organização: identifique os principais fornecedores, assim como outras organização, como potenciais parceiros; estabeleça, em conjunto, uma compreensão clara das necessidades e expectativas dos clientes; 90 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO estabeleça, em conjunto, uma compreensão clara das necessidades e expectativas dos parceiros; e fixe metas para assegurar as oportunidades para continuar as parcerias. Considerando suas relações com a sociedade, convém que a organização: demonstre responsabilidade quanto à saúde e à segurança; considere impactos ambientais, incluindo a conservação de energia e de recursos naturais; identifique requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis; e identifique os impactos atuais e potenciais na sociedade em geral, e na comunidade local em particular, de seus produtos, processos e atividades. Requisitos estatutários e regulamentares Convém que a direção assegure que a organização tenha conhecimento dos requisitos estatutários e regulamentares que se aplicam a seus produtos, processos e atividades, sendo recomendável que esses requisitos sejam incluídos como parte do Sistema de Gestão da Qualidade. É conveniente que também seja dada consideração para: a promoção do atendimento de forma ética, eficaz e eficiente aos requisitos atuais e prováveis; os benefícios para as partes interessadas em superar tais requisitos; e o papel da organização na proteção dos interesses da comunidade. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 91 Comentários complementares relevantes É importante que possa ser evidenciado através das práticas estabelecidas como os requisitos identificados são traduzidos em especificações de produto e/ou instruções para a realização das tarefas. Não basta identificá-los, é preciso traduzi-los em atitudes que assegurem que eles serão atendidos. No caso da Construção Civil, tendo um cliente solicitado a conclusão de uma etapa parcial da obra até um determinado prazo, o cronograma de obra deve espelhar este desejo. Assim sendo, o processo de projeto e incorporações normalmente trata de identificar os requisitos legais (ex.: Plano Diretor do Município), e o processo de planejamento de obra se encarrega de traduzir os requisitos em instruções para a fase de construção. O processo de vendas e orçamento envolve-se primordialmente com a definição dos requisitos do cliente. Falhas mais comuns Não documentar acordos verbais. Não observar o prazo de entrega, embalagem e transporte como um requisito do cliente. Não registrar as análises críticas. Empurrar ao cliente os produtos, normalmente fabricados para outros clientes, não identificando as suas necessidades específicas. Não considerar os requisitos legais e as normas relativas aos produtos e/ou serviços. 92 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 5.3. POLÍTICA DA QUALIDADE A direção da empresa deve assegurar que a Política da Qualidade: no Nível D, a) seja apropriada aos propósitos da empresa construtora; b) inclua o comprometimento com o atendimento aos requisitos e com a melhoria contínua da eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade; c) proporcione uma estrutura para estabelecimento e análise crítica dos objetivos da Qualidade; d) seja comunicada nos níveis apropriados da empresa construtora, segundo um plano de sensibilização previamente definido; e) seja entendida, no grau de entendimento apropriado, pelos profissionais da empresa construtora; no Nível A, f) seja analisada criticamente para manutenção de sua adequação. Comentários sobre o requisito – Política da Qualidade (item 5.3. do SIQ-C) Convém que a alta direção use a Política da Qualidade como um meio de dirigir a organização para a melhoria de seu desempenho. É conveniente que a Política da Qualidade de uma organização seja uma parte coerente, e de igual importância, das políticas e estratégias gerais da globalização. Ao estabelecer a Política da Qualidade, convém que a alta direção considere: o nível e o tipo de melhoria futura necessários para a organização ser bem-sucedida; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 93 o grau esperado ou desejado de satisfação do cliente; o desenvolvimento das pessoas na organização; as necessidades e expectativas de outras partes interessadas; os recursos necessários para ir além dos requisitos da NBR ISO 9001; e as potenciais contribuições de fornecedores e parceiros. A Política da Qualidade pode ser usada para melhoria desde que: seja coerente com a visão e a estratégia da alta direção para o futuro da organização; permita que os objetivos da Qualidade sejam entendidos e seguidos por toda a organização; demonstre o comprometimento da alta direção com a qualidade e a provisão de recursos adequados para atingir os objetivos; ajude a promover o comprometimento com a Qualidade por toda a organização, com a liderança clara da alta direção; inclua a melhoria contínua associada à satisfação das necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas; e seja formulada eficazmente e comunicada eficientemente. Tal como outras políticas empresariais, convém que a Política da Qualidade seja submetida periodicamente à análise crítica. Comentários complementares relevantes As políticas são um norte para aqueles que executam as atividades. No ambiente de uma organização existem várias políticas relacionadas com assuntos diversos (ex.: políticas de vendas, políticas de recursos humanos, políticas de compras etc.). Essas políticas orientam as pessoas envolvidas com essas atividades. Se a política de recursos humanos contempla o desenvolvimento de pessoal, sempre que surge uma vaga no quadro de pessoal é de se esperar que seja dada preferência aos funcioná- 94 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO rios da empresa antes de buscar candidatos no mercado de trabalho. Porém, com o passar dos anos esta mesma política pode se tornar inadequada e/ou obsoleta e merece ser revisada. Isso também vale para as demais políticas existentes, incluindo a Política da Qualidade. Para que as políticas se tornem efetivas, é necessário que estas sejam comunicadas e entendidas por todos os envolvidos. Toda política deve ser definida de forma que possa ser verificada a sua real implementação. Falhas mais comuns Política da Qualidade genérica, ambígua e que não reflete os propósitos da organização (política distante dos negócios da empresa). Política da Qualidade extensa e impraticável. Funcionários e/ou colaboradores não sabem interpretar ou relacionar a Política da Qualidade com suas atividades. Política da Qualidade não divulgada nos diversos níveis da organização. Política da Qualidade que não contém uma estrutura adequada para verificação de sua efetiva implementação. Política da Qualidade que não contém uma estrutura adequada para análise crítica dos objetivos da Qualidade. Não revisar a política. Política da Qualidade que não reflete as necessidades dos clientes. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 95 5.4. PL ANEJ AMENT O ANEJAMENT 5.4.1. Objetivos da Qualidade A direção da empresa deve assegurar que: no Nível C, a) sejam definidos objetivos da Qualidade mensuráveis para as funções e níveis pertinentes da empresa construtora e de modo consistente com a Política da Qualidade; b) os objetivos da Qualidade incluam aqueles necessários para atender aos requisitos aplicados à execução das obras da empresa (ver 7.1.1); c) sejam definidos indicadores para permitir o acompanhamento dos objetivos da Qualidade; no Nível B, d) seja implementado um sistema de medição dos indicadores definidos; no Nível A, e) haja acompanhamento da evolução dos indicadores definidos, para verificar o atendimento aos objetivos da Qualidade. 96 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários sobre o requisito - Objetivos da Qualidade (item 5.4.1. do SIQ-C) O planejamento estratégico da organização e a política proporcionam uma estrutura para o estabelecimento de objetivos da Qualidade. Convém que a alta direção estabeleça esses objetivos, conduzindo à melhoria do desempenho da organização. É recomendável que os objetivos sejam capazes de ser medidos para facilitar uma análise crítica eficaz e eficiente pela direção. Ao estabelecer esses objetivos, convém que a alta direção também considere: as necessidades atuais e futuras da organização e os mercados atendidos; as observações pertinentes das análises críticas pela direção; o desempenho atual dos produtos e processos; os níveis de satisfação de partes interessadas; os resultados de auto-avaliação; as comparações com as melhores práticas (benchmarking), análises da concorrência, oportunidades de melhoria; e os recursos necessários para atingir os objetivos. Convém que os objetivos da Qualidade sejam comunicados de uma maneira que as pessoas na organização possam contribuir para o seu desenvolvimento. É recomendável que a responsabilidade pelos desdobramentos dos objetivos da Qualidade seja definida. Convém que os objetivos sejam analisados criticamente, de forma sistemática, e revisados quando necessário. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 97 Comentários complementares relevantes Estabelecer objetivos globais para a Qualidade muitas vezes pode não ser suficiente para alcançá-los. Em algumas situações é necessário desdobrá-los para os níveis de processos e/ou atividades. Os objetivos de redução de prazo, custo e/ou melhoria da Qualidade são exemplos típicos dessa situação. Vejamos. Custo: se pretendemos reduzir o custo do produto, talvez seja necessário reduzir o retrabalho no processo produtivo, melhorar a relação entre previsto e realizado na aquisição e aumentar a rotatividade de estoque no processo de logística. Estes objetivos deveriam ser estabelecidos e comunicados aos níveis pertinentes da organização. Prazo: se desejamos reduzir o prazo de um determinado empreendimento imobiliário, convém que sejam definidos objetivos de prazos para os processos de projeto e incorporação, planejamento e execução de obra. É necessário que os objetivos sejam estabelecidos de forma que possam ser medidos e que sejam coerentes com a Política da Qualidade. Falhas mais comuns Objetivos gerais da organização que não se correlacionam adequadamente com os objetivos e metas estabelecidos nos diversos níveis da organização. Objetivos da Qualidade não mensuráveis. Não-estabelecimento de meios de medição dos objetivos da Qualidade. Desdobramento parcial dos objetivos nos diversos níveis da organização. 98 – Q U A L I D A D E NA INDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 5.4.2. Planejamento do Sistema de Gestão da Qualidade Nível D A direção da empresa deve assegurar que: o planejamento do Sistema de Gestão da Qualidade seja realizado de forma a satisfazer aos requisitos citados em 4.1, bem como aos objetivos da Qualidade; e a integridade do Sistema de Gestão da Qualidade seja mantida quando mudanças no Sistema de Gestão da Qualidade são planejadas e implementadas. Comentários sobre o requisito Planejamento da Qualidade (item 5.4.2. do SIQ-C) Convém que a direção assuma a responsabilidade pelo planejamento da Qualidade da organização. É recomendável que esse planejamento enfoque a definição dos processos necessários para se atingir eficientemente os objetivos da Qualidade e requisitos da organização, coerentes com a estratégia da organização. Entradas para um planejamento eficaz e eficiente incluem: estratégias da organização; objetivos organizacionais definidos; necessidades e expectativas definidas dos clientes e de outras partes interessadas; avaliação de requisitos estatutários e regulamentares; avaliação de dados e desempenho dos produtos; avaliação de dados e desempenho de processos; aprendizagem em experiências anteriores; oportunidades de melhoria indicadas; e dados relacionados à avaliação e redução de riscos. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 99 Convém que as saídas do planejamento da Qualidade da organização definam os processos de realização de produto e de apoio necessários em termos de: habilidades e conhecimento necessários à organização; responsabilidade e autoridade para implementação de planos de melhoria de processo; recursos necessários, tais como financeiros e de infraestrutura; indicadores para avaliação da melhoria do desempenho da organização; necessidades para melhoria, incluindo métodos e ferramentas; e necessidades para documentação, incluindo registros. Convém que a direção analise criticamente as saídas, de forma sistemática, para assegurar a eficácia e a eficiência dos processos da organização. Comentários complementares relevantes Na medida em que são identificados os processos que influenciam o Sistema de Gestão da Qualidade, é importante definir a forma como eles serão conduzidos. Esta definição implica o planejamento do Sistema de Gestão da Qualidade cujas diretrizes estão contidas no Manual da Qualidade. É evidente que o planejamento dos processos do sistema de gestão deve assegurar que eles sejam monitorados continuamente e que os resultados sejam eficazes em atingir os objetivos. Com isso, queremos dizer que, se um objetivo do sistema de gestão é assegurar agilidade na prestação de serviços, não serão definidos processos burocráticos, lentos e que não assegurem esse resultado. Com o passar do tempo, a organização se modifica por diversos motivos (reduções de quadro, aumento da capacidade produtiva, introdução de novas tecnologias de gestão e de processo etc.). Essas alterações podem levar à obsolescência das práticas atuais. Nesses casos, é recomendável que sejam conduzidas auditorias internas para avaliar a adequação, a pertinência e a eficácia das práticas atuais. 100 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Falhas mais comuns Os métodos estabelecidos não asseguram a satisfação dos objetivos da Qualidade (ex.: processos muito burocráticos e lentos). Não verificar a manutenção da integridade nos processos e/ou estrutura organizacional após alterações significativas (ex.: duplicação da capacidade de produção etc.). Somente tratar da implantação dos procedimentos. Não contemplar as auditorias internas da Qualidade. Não contemplar a implantação de procedimentos na área operacional da empresa. Não justificar prazos não cumpridos. Não determinar os responsáveis pelos planos traçados. Não efetuar a análise dos processos e considerar os seus resultados no planejamento. Não replanejar as atividades. 5.5. RESPONSABILIDADE, AUTORIDADE E COMUNICAÇÃO 5.5.1. Responsabilidade e autoridade Nível D A direção da empresa deve assegurar que as responsabilidades e as autoridades sejam definidas ao longo da documentação do Sistema e comunicadas à empresa construtora. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 101 Comentários sobre o requisito – Responsabilidade e autoridade (item 5.5.1. do SIQ-C) Convém que a alta direção defina e comunique a responsabilidade e a autoridade para implementar e manter um Sistema de Gestão da Qualidade eficaz e eficiente. Convém que sejam dadas responsabilidade e autoridade às pessoas na organização, de forma que possam contribuir para atingir os objetivos da Qualidade e para estabelecer seu envolvimento, motivação e comprometimento. Comentários complementares relevantes Existem várias formas de definir responsabilidades. Usualmente, os documentos do Sistema de Gestão da Qualidade tratam de definir as funções responsáveis pela realização das tarefas. O organograma geral da empresa trata de apresentar a sua hierarquia e a vinculação, e os contratos de trabalho permitem identificar as pessoas que assumiram as diversas funções. A definição de responsabilidades através dos documentos relacionados ao cargo (ex.: perfil da função, descrição de cargos) e as matrizes de atribuições e responsabilidades também são bastante utilizadas. Em algumas situações particulares, outros meios podem ser adotados: no caso da Construção Civil, é comum serem estabelecidos organogramas específicos para cada um dos empreendimentos, relacionando as pessoas às funções ali apresentadas. Falhas mais comuns Não ser possível relacionar as pessoas às funções pertinentes (ex.: quem é o mestre-de-obra? E o almoxarife? E o engenheiro responsável pela obra?). Responsabilidades e autoridades definidas para áreas ou setores e não às funções pertinentes. Responsabilidades atribuídas às pessoas e não às funções pertinentes. 102 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Ambigüidade na definição de responsabilidades. Responsabilidades definidas às funções não existentes na empresa. Falha na comunicação das responsabilidades (pessoal não ciente da totalidade de suas responsabilidades). Definição de responsabilidade não compatível com o nível de autoridade e/ou capacitação do pessoal. Definir muitas responsabilidades para uma mesma função. Não mencionar os membros da equipe da Qualidade. Não determinar as responsabilidades da alta direção da empresa. Não definir responsabilidades substitutas na ausência dos titulares. Organograma desatualizado ou não formalmente aprovado. Matriz de autoridade não identificando os responsáveis pelos setores. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 103 5.5.2. Representante da direção da empresa A direção da empresa deve indicar um membro da empresa construtora que, independentemente de outras responsabilidades, deve ter responsabilidade e autoridade para: no Nível D, a) assegurar que os processos necessários para o Sistema de Gestão da Qualidade sejam estabelecidos de maneira evolutiva, implementados e mantidos; b) assegurar a promoção da conscientização sobre os requisitos do cliente em toda a empresa; no Nível A, c) relatar à direção da empresa o desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade e qualquer necessidade de melhoria. Comentários sobre o requisito – Representante da direção da empresa (item 5.5.2. do SIQ-C) Convém que um representante da direção seja indicado pela alta direção e que receba autoridade para gerenciar, monitorar, avaliar e coordenar o Sistema de Gestão da Qualidade. Essa indicação visa aumentar a eficácia e a eficiência da operação e a melhoria do Sistema de Gestão da Qualidade. É recomendável que o representante se reporte à alta direção e se comunique com clientes e outras partes interessadas com relação aos assuntos pertinentes ao Sistema de Gestão da Qualidade. 104 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes Convém que o representante da direção tenha autoridade e responsabilidade para assegurar a implementação do Sistema de Gestão da Qualidade. O representante da direção deve ter uma visão ampla da organização para que possa avaliar de forma adequada o impacto dos acontecimentos de rotina no sistema como um todo. Pessoas sobrecarregadas em suas tarefas de rotina tendem a não desempenhar satisfatoriamente esse papel. A comunicação dos requisitos do cliente não é algo que precise ser realizado diretamente pelo representante da direção, porém é de sua responsabilidade assegurar que isto aconteça. O relato do desempenho do sistema de gestão é algo que ocorre tipicamente nas reuniões de análise crítica da direção. Falhas mais comuns Responsabilidade do representante da direção não definida formalmente. Representante da direção tem responsabilidade, porém não autoridade suficiente para assegurar que os processos sejam mantidos eficazmente. Colocar toda a responsabilidade pela implantação do sistema sobre o representante da direção. Treinar somente o RD para a implantação do Sistema. Representante da direção escolhido por ter tempo disponível, mas sem conhecimento da empresa e/ou dos assuntos pertinentes à função. Representante da direção sem tempo disponível para conduzir as atividades relacionadas à função. Não-adoção de meios adequados para promover a consciência sobre os requisitos do cliente em toda a organização. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 105 5.5.3. Comunicação interna Nível A A direção da empresa deve assegurar que são estabelecidos internamente os processos de comunicação apropriados e que seja realizada comunicação relativa à eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade. Comentários sobre o requisito – Comunicação interna (item 5.5.3. do SIQ-C) A organização deverá assegurar as informações entre seus vários níveis e funções sobre o Sistema de GeStão da QuAlidade e sua efetividade. Convém que a direção da organização defina e implemente um processo eficaz e eficiente para a comunicação da Política da Qualidade, dos requisitos, dos objetivos e das realizações. O fornecimento dessas informações pode auxiliar na melhoria do desempenho da organização e envolve diretamente as pessoas na organização para atingir os objetivos da Qualidade. É recomendável que a direção encoraje ativamente a realimentação e a comunicação pelas pessoas na organização como meio de promover seu envolvimento. As atividades para comunicação incluem, por exemplo: comunicação conduzida pela direção em áreas de trabalho; reuniões informativas e outras reuniões de equipe, tais como para o reconhecimento de realizações; quadro de avisos, jornais/revistas internos; meios de comunicação eletrônicos e audiovisuais, como correio eletrônico e páginas na internet; e pesquisas com empregados e programas de sugestão. 106 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes Os resultados de melhoria tendem a ser maiores na medida em que todos se empenham no mesmo sentido. Não é de se esperar que sejam atingidos os objetivos propostos se as partes que os influenciam não os conheçam e/ou não estejam interessadas em alcançá-los. Não se pode esperar pessoas motivadas a perseguir objetivos que desconhecem e/ou que não possam gozar da satisfação em ver os resultados alcançados. Também não é possível que se esperem correções de problemas que não sejam percebidos. Essas situações impõem atitudes no sentido de melhorar a comunicação no ambiente interno da organização, de forma que se crie um clima favorável para a Gestão da Qualidade. Falhas mais comuns Funcionários nos diversos níveis da organização não conhecem os objetivos específicos de sua atividades. Resultados do desempenho do sistema de gestão não são comunicados nos níveis pertinentes da organização. Comunicação dos objetivos e/ou políticas da Qualidade não perfeitamente entendida e/ou comunicada. Funcionários de fornecedores de serviços que executam atividades dentro da organização não conhecem os objetivos, políticas e/ou resultados (ex.: empreiteiros de mão-de-obra – azulejista, instalador hidráulico etc.). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 107 5.6. ANÁLISE CRÍTIC A PEL A DIREÇÃO CRÍTICA Nível A 5.6.1. Generalidades A direção da empresa deve analisar criticamente o Sistema de Gestão da Qualidade, em intervalos planejados, para assegurar sua contínua pertinência, adequação e eficácia. A análise crítica deve incluir a avaliação de oportunidades para melhoria e necessidades de mudanças no Sistema de Gestão da Qualidade, incluindo a política e os objetivos da Qualidade . Devem ser mantidos registros das análises críticas pela direção da empresa (ver 4.2.4). Comentários sobre o requisito – Generalidades (item 5.6.1. do SIQ-C) Convém que a alta direção desenvolva a atividade de análise crítica pela direção, indo além da verificação da eficácia e da eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade, tornando-a um processo que se estenda para toda a organização e avaliando também a eficiência do Sistema. É recomendável que as análises críticas pela direção sejam base para troca de novas idéias, com a discussão aberta e avaliação das contribuições sendo estimuladas pela liderança da alta direção. Para que a análise crítica pela direção agregue valor para a organização, convém que a alta direção controle o desempenho dos processos de realização e de apoio por meio de uma análise crítica sistemática com base nos princípios de Gestão da Qualidade. É recomendável que a freqüência da análise crítica seja determinada pelas necessidades da organização. Convém que as entradas para o processo de análise crítica resultem em saídas que se estendam além da eficácia e da eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade. É recomendável que as saídas das análises críticas forneçam dados para serem usados no planejamento da melhoria do desempenho da organização. 108 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes A análise crítica do Sistema de Gestão da Qualidade deve ser planejada em uma freqüência tal que assegure a tomada de ações corretivas e/ou preventivas em tempo hábil. Reuniões de análise crítica muito espaçadas podem conduzir a organização a uma postura mais corretiva e não preventiva, limitando-se a uma postura reativa para os problemas. Por outro lado, uma freqüência demasiadamente elevada pode fazer que não se tenha uma boa visualização da evolução do desempenho do Sistema de Gestão. Tipicamente, a freqüência semestral tem sido adotada, porém, em algumas organizações as reuniões de análise crítica não se dão em períodos constantes (ex.: de seis em seis meses), mas sim vinculadas ao término de empreendimentos (ex.: conclusão de obras civis). O objetivo das análises críticas é verificar se o Sistema de Gestão da Qualidade adotado está adequado à realidade da empresa e é eficaz em atingir seus objetivos. Por essa razão são avaliados a política, os objetivos, as oportunidades de melhoria e os dados de desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade. Falhas mais comuns Não evidenciar a análise crítica do Sistema de Gestão. Registros da reunião de análise crítica que não evidenciam uma conclusão a respeito do desempenho do Sistema de Gestão. Postergar freqüentemente as reuniões de análise crítica. Falta de registros que evidenciem a realização das reuniões. Não traçar ações para resolver questões pendentes na reunião. Análise crítica superficial, feita de última hora, para cumprir os requisitos do SIQ-C. Não definir claramente a pauta mínima para reunião. Não registrar as reuniões rotineiras do comitê da Qualidade. Análises baseadas em informações não consistentes e não em fatos e dados. Não basear decisões em fatos e dados. Não tomar ações preventivas a partir das situações apresentadas nas análises críticas. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 109 5.6.2. Entradas para a análise crítica Nível A As entradas para a análise crítica pela direção devem incluir informações sobre: a) os resultados de auditorias; b) as retroalimentações do cliente; c) o desempenho dos processos e a análise da conformidade do produto; d) a situação das ações preventivas e corretivas; e) acompanhamento de ações oriundas de análises críticas anteriores; f) mudanças que possam afetar o Sistema de Gestão da Qualidade; e g) recomendações para melhoria. Comentários sobre o requisito – Entradas para análise crítica (item 5.6.2. do SIQ-C) Convém que as entradas para avaliar a eficácia e a eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade considerem o cliente e outras partes interessadas e incluam: situação e resultados dos objetivos da Qualidade e das atividades da melhoria; situação das ações provenientes da análise crítica pela direção; resultados das auditorias e auto-avaliações da organização; realimentação sobre a satisfação das partes interessadas, podendo, até mesmo, haver sua participação; 110 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO os fatores relacionados ao mercado, tais como tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, e desempenho da concorrência; resultados das atividades de comparação com as melhores práticas (benchmarking); desempenho dos fornecedores; novas oportunidades para melhoria; controle de não-conformidades de processo e de produto; avaliação e estratégias de mercado; situação das atividades relacionadas às parcerias estratégicas; efeitos financeiros das atividades relacionadas com a Qualidade; e outros fatores que possam influenciar a organização, tais como condições financeiras, sociais ou ambientais e mudanças estatutárias e regulamentares pertinentes. Comentários complementares relevantes Uma boa análise crítica depende da Qualidade das informações que são trazidas para a análise. As informações disponibilizadas para a análise crítica da direção devem ter uma abrangência que permitam tirar conclusões quanto ao desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade. Normalmente, essas informações são disponibilizadas à direção por meio de relatórios que servem de base para a análise. Falhas mais comuns Analisar as não-conformidades apresentadas no relatório de auditoria em vez de analisar as conclusões do relatório. Levar ao conhecimento da direção apenas resultados de pesquisa e desprezar as informações relativas às reclamações e/ou assistência técnica (pós-venda). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 111 Informações de realimentação do cliente que consideram apenas uma parte do universo de produtos e/ou clientes. Informações quanto ao desempenho dos processos e produtos que não permitem analisar a efetiva implementação da Política da Qualidade e seus objetivos. Dados de desempenho do processo e conformidade do produto não disponíveis. Não analisar o encaminhamento de ações recomendadas em reuniões anteriores. Não serem trazidas para análise crítica recomendações para a melhoria do Sistema de Gestão. 5.6.3. Saídas da análise crítica Nível A Os resultados da análise crítica pela direção devem incluir quaisquer decisões e ações relacionadas a: melhoria da eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade e de seus processos; melhoria do produto com relação aos requisitos do cliente; e necessidade de recursos. Comentários sobre o requisito – Saídas da análise crítica (item 5.6.3 do SIQ-C) Mediante a extensão das análises críticas pela direção para além da verificação do Sistema de Gestão da Qualidade, as saídas dessa análise podem ser usadas pela alta direção como entrada para 112 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO processos de melhoria. A alta direção pode usar esse processo de análise crítica como uma ferramenta poderosa para identificação de oportunidade de melhoria do desempenho da organização. Convém que a programação das análises críticas facilite o fornecimento de dados em momento oportuno para o planejamento estratégico da organização. É recomendável que as saídas selecionadas sejam comunicadas às pessoas na organização para demonstrar como o processo de análise crítica pela direção conduz a novos objetivos que beneficiarão a organização. Exemplos de saídas adicionais para aumentar a eficiência incluem, por exemplo: objetivos de desempenho para produtos e processos; objetivos de melhoria de desempenho para a organização; avaliação da adequação da estrutura da organização e dos recursos; estratégias e iniciativas para marketing, produtos e satisfação dos clientes e de outras partes interessadas; prevenção contra perdas e planos de redução de riscos identificados; e informações para planejamento estratégico com relação a necessidades futuras da organização. Convém que os registros sejam suficientes para possibilitar a rastreabilidade e facilitar a avaliação do próprio processo de análise crítica pela direção, para assegurar sua contínua eficácia e agregar valor para a organização. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 113 Comentários complementares relevantes Das reuniões de análise crítica espera-se obter conclusões a respeito do desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade e identificadas oportunidades de melhorias, bem como necessidades de recursos. Assim sendo, os registros de análise crítica devem evidenciar claramente as conclusões da análise realizada sobre os dados de entrada (realimentação de cliente, dados de desempenho dos processos, política e objetivos da Qualidade, etc.). Falhas mais comuns Não é possível evidenciar as conclusões quanto à adequação do Sistema de Gestão da Qualidade. Não é possível evidenciar a análise crítica da Política da Qualidade e dos objetivos. Não avaliar a necessidade de recursos para melhoria do Sistema de Gestão da Qualidade. Não utilizar a análise crítica como forma de encaminhar ações de melhoria no Sistema de Gestão da Qualidade. Não estabelecer objetivos para os períodos subseqüentes. Objetivos estabelecidos não coerentes com a Política da Qualidade (ex.: não estimulam a melhoria contínua). Análise crítica do Sistema de Gestão da Qualidade realizada por outra função que não represente a alta direção. 114 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA 6. G ESTÃO C ONSTRUÇÃO DE RECURSOS 6.1. PROVISÃO DE RECURSOS A empresa construtora deve determinar e prover recursos, de acordo com os requisitos do nível evolutivo em que se encontra, necessários para: no Nível D, a) implementar de maneira evolutiva e manter seu Sistema de Gestão da Qualidade; no Nível A, b) melhorar continuamente a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade; c) aumentar a satisfação dos clientes mediante o atendimento aos seus requisitos. Comentários sobre o requisito – Recomendaçõs gerais – introdução (item 6.1. do SIQ-C) Convém que a alta direção assegure que os recursos essenciais para a implementação da estratégia e para atingir os objetivos da organização sejam identificados e tornados disponíveis. Convém que sejam incluídos recursos para a operação e a melhoria do Sistema de Gestão da Qualidade, bem como a satisfação dos clientes e outras partes interessadas. Recursos podem ser: pessoas, infra-estrutura, ambiente de trabalho, informação, fornecedores e parceiros, recursos naturais e recursos financeiros. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 115 Aspectos a serem considerados Convém que sejam considerados recursos para a melhoria do desempenho da organização, tais como: alocação eficaz, eficiente e em tempo hábil de recursos em relação às oportunidades e restrições; recursos tangíveis, tais como instalações melhoradas para o processos de realização e de apoio; recursos intangíveis, como propriedade intelectual; recursos e mecanismos para encorajar a melhoria contínua inovadora; estruturas organizacionais, incluindo necessidades de gestão matricial e por empreendimento; tecnologia e gestão da informação; aumento da competência por meio de treinamento, educação e aprendizagem específicos; desenvolvimento das habilidades de liderança e perfis para futuros gerentes da organização; uso de recursos naturais e impacto dos recursos no meio ambiente; e planejamento para necessidades de recursos futuros. Comentários complementares relevantes Tipicamente, a identificação das necessidades de recursos ocorre em três momentos distintos: planejamento estratégico (numa visão de longo prazo), planejamento da rotina (curto prazo e imediato) e nas ações de melhoria, quando se pretende evitar a reincidência dos problemas ou mesmo evitar que eles ocorram. No planejamento estratégico, são identificadas as necessidades de recursos para alcançar os objetivos maiores da organização. Para atingir os objetivos de mais alto nível, são estabelecidos planos e projetos que consistem do plano operacional. 116 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Nas atividades de rotina, os gerentes, supervisores etc., identificam os recursos necessários para a realização das tarefas. No caso específico da Construção Civil, esta atividade ocorre no planejamento de obra (onde são identificadas as necessidades de mão-de-obra, equipamentos, etc.). Os OCC são as entidades que conduzem e concedem a certificação de conformidade. Os OCCs do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras são organismos públicos, privados ou mistos, de terceira parte, isto é, organizações independentes credenciadas para executar auditorias, autorizados pela Comissão Nacional do PBQP-H a emitir atestados de qualificação do SIQ. Por fim, ao analisarmos as causas de problemas reais ou potenciais, identificamos ações corretivas ou preventivas a serem implementadas. A implementação de tais ações implica a provisão de recursos de di- versas ordens. Falhas mais comuns Falta de tempo para realização das tarefas essenciais para a Gestão da Qualidade (ex.: falta de pessoal). Falta de instalações e/ou equipamentos-chave para produção. Considerar como recursos apenas pessoas e equipamentos. Realizar um planejamento sem aprovação. Planejamento sem prazo estabelecido com comprovação e/ou justificativa. Não definir prioridades para a alocação de recursos, em especial os de treinamento. Não avaliar a necessidade de recursos por ocasião da elaboração de orçamentos. Não disponibilizar os recursos necessários no momento certo. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 117 6.2. RECURSOS HUMANOS 6.2.1. Designação de p essoal pessoal Nível D O pessoal que executa atividades que afetam a qualidade do produto deve ser competente com base em escolaridade, qualificação profissional, treinamento, habilidade e experiência apropriados. Comentários sobre o requisito – Designação de p essoal (it em 6.2.1. do pessoal (item SIQ-C) Convém que a direção melhore a eficácia e a eficiência da organização, incluindo o Sistema de Gestão da Qualidade, por meio do envolvimento e do apoio de pessoas. Como ajuda para atingir seus objetivos de melhoria do desempenho, convém que a organização encoraje o envolvimento e o desenvolvimento de seu pessoal: proporcionando treinamento contínuo e planejamento de carreira; definindo suas responsabilidades e autoridades; estabelecendo objetivos individuais e de equipe; gerindo o desempenho de processos e avaliando resultados; facilitando o envolvimento no estabelecimento de objetivos e na tomada de decisão; reconhecendo e recompensando; facilitando a comunicação da informação de forma aberta e nos dois sentidos; 118 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO realizando continuamente análises críticas das necessidades de seu pessoal; criando condições para encorajar a inovação; assegurando trabalho em equipe eficaz; comunicando sugestões e opiniões; usando medidas de satisfação do seu pessoal; e investigando por que as pessoas ingressam e deixam a organização. etência, conscientização e 6.2.2. Comp Competência, treinamento Nível C A empresa construtora deve, em função da evolução de seu Sistema de Gestão da Qualidade: a) determinar as competências necessárias para o pessoal que executa trabalhos que afetam a qualidade do produto; b) fornecer treinamento ou tomar outras ações para satisfazer essas necessidades de competência; c) avaliar a eficácia das ações executadas; d) assegurar que seu pessoal está consciente quanto à pertinência e importância de suas atividades e de como elas contribuem para atingir os objetivos da Qualidade; e e) manter registros apropriados de escolaridade, qualificação profissional, treinamento, experiência e habilidade. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 119 Comentários sobre o requisito – Comp etência (it em 6.2.2 do SIQ-C) Competência (item Convém que a direção assegure que as competências necessárias estejam disponíveis para a operação eficaz e eficiente da organização. Convém que seja considerada a análise das necessidades das competências tanto atuais quanto esperadas, em comparação com as competências já existentes na organização. Considerações quanto à necessidade de competências incluem fontes, tais como: demandas futuras relacionadas a planos e objetivos estratégicos e operacionais; antecipação das necessidades de sucessão de gerentes e da força de trabalho; alterações em processos, ferramentas e equipamentos da organização; avaliação da competência individual das pessoas para realizar atividades definidas; e requisitos estatutários e regulamentares e normas que afetam a organização e suas partes interessadas. Comentários – Conscientização e Tr einament o No planejamento das necessidades de educação e treinamento, convém que sejam consideradas as alterações causadas pela natureza dos processos organizacionais, os estágios de desenvolvimento das pessoas e pela cultura da organização. O objetivo é proporcionar às pessoas conhecimentos e habilidades que, em conjunto com a experiência, melhorem sua competência. Convém que a educação e o treinamento enfatizem a importância de atender aos requisitos e às necessidades e expectativas de clientes e de outras partes interessadas. Convém que se inclua também a conscientização sobre as conseqüências para a organização e para o seu pessoal em falhar no atendimento aos requisitos. 120 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Para apoiar que os objetivos da organização sejam atingidos e apoiar o desenvolvimento do seu pessoal, convém que, no planejamento da educação e treinamento, sejam considerados: experiência pessoal; conhecimento tácito e explícito; habilidades de liderança e de gestão; ferramentas de planejamento e melhorias; formação de equipes; solução de problemas; habilidades de comunicação; cultura e comportamento social; conhecimento do mercado e das necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas; e criatividade e inovação. Para estimular o envolvimento das pessoas, a educação e o treinamento também incluem: a visão de futuro da organização; as políticas e os objetivos da organização; o desenvolvimento e as mudanças organizacionais; a iniciação e a implementação de processos de melhoria; os benefícios oriundos da criatividade e da inovação; a influência da organização na sociedade; os programas de integração para pessoas recém-admitidas; e os programas periódicos de reciclagem para pessoas já treinadas. Convém que os planos de treinamento incluam: objetivos; programas e métodos; recursos necessários; identificação do apoio interno necessário; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 121 avaliação em termos de aumento da competência das pessoas; e medição da eficácia e da influência na organização. Convém que a educação e o treinamento fornecidos sejam avaliados em termos das expectativas e da influência na eficácia e na eficiência da organização, de forma a melhorar os futuros planos de treinamento. Comentários complementares relevantes Para o atendimento a este requisito, é necessário que seja assegurado um equilíbrio entre a qualificação das pessoas e as atividades que executam. Além disso, é importante que os documentos do Sistema de Gestão da Qualidade e o treinamento fornecido ao pessoal sejam compatíveis com a função e sua qualificação. A norma ISO 9001:2000 e o SIQ-C referem-se à competência como sendo o resultado de educação (grau de instrução), treinamento (ex.: curso de operador de empilhadeira), habilidade (ex.: liderança) e experiência. Assim sendo, é necessário definir os requisitos de competência para todas as funções ou cargos que influenciam o Sistema de Gestão da Qualidade da empresa. Quanto à avaliação da eficácia das ações executadas para assegurar competência, podem ser adotadas abordagens qualitativas, quantitativas, individuais ou coletivas. Na abordagem individual, a cada ação realizada é feita uma avaliação para determinar se os resultados individuais foram atingidos ou não. Já na abordagem coletiva, periodicamente, é avaliado o resultado de todas as ações para determinar se os resultados coletivos foram satisfatórios. Nestes casos as avaliações periódicas dos funcionários podem ser úteis. Muitas empresas têm focado a avaliação da eficácia em termos de avaliação do resultado do treinamento. Esta abordagem é possível na medida em que as ações realizadas para satisfazer as necessidades de competência limitem-se ao treinamento. Porém, nos casos em que outras ações são realizadas (períodos de experiência, critérios de seleção etc.), a avaliação da eficácia limitada ao esforço de treinamento da empresa não satisfaz as exigências da normas ISO 9001:2000 e do SIQ-C. 122 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Falhas mais comuns A falta de definição de requisitos de competência para algumas funções (ex.: diretor, coordenador da Qualidade, telefonista, auditor interno da Qualidade etc.). Não ter o hábito de registrar os treinamentos ministrados internamente e não ter evidências dos treinamentos externos realizados por seus funcionários. Não ter mecanismos definidos para o levantamento de necessidades de treinamento dos seus funcionários. Não evidenciar o atendimento aos requisitos de competência definidos. 6.3. INFR A-ESTRUTUR A Nível A A empresa construtora deve identificar, prover e manter a infra-estrutura necessária para a obtenção da conformidade do produto, incluindo: canteiros de obras, escritórios da empresa, demais locais de trabalho e instalações associadas; ferramentas e equipamentos relacionados ao processo de produção; e serviços de apoio (tais como abastecimentos em geral, áreas de vivência, transporte e meios de comunicação). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 123 Comentários sobre o requisito – Infraestrutura (item 6.3. do SIQ-C) Convém que a direção defina a infra-estrutura necessária para a realização dos produtos, considerando também as necessidades e expectativas das partes interessadas. A infra-estrutura inclui recursos tais como instalações, espaço de trabalho, ferramentas e equipamentos, serviços de apoio, tecnologia de informação e de comunicação e meios de transporte. Para alcançar a realização de produtos, convém que o processo de definição da infra-estrutura necessária inclua: a) a provisão de uma infra-estrutura definida em termos de objetivos, função, desempenho, disponibilidade, custos, segurança contra risco e intrusões e reforma; b) o desenvolvimento e implementação de métodos de manutenção para assegurar que a infra-estrutura continue a atender às necessidades da organização. Convém que esses métodos considerem o tipo e a freqüência da manutenção, bem como a verificação da operação de cada elemento da infra-estrutura, com base na sua criticidade e seu uso; c) a avaliação da infra-estrutura em relação às necessidades e expectativas das partes interessadas; d) as considerações de questões ambientais associadas à infraestrutura, tais como conservação, poluição, desperdício e reciclagem. Fenômenos naturais que não podem ser controlados podem influenciar na infra-estrutura. Convém que o plano para a infra-estrutura considere a identificação e a redução de riscos associados, incluindo estratégias para proteger os interesses das partes interessadas. 124 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes Normalmente, os requisitos de infra-estrutura estão definidos e disponíveis nas organizações (laboratórios de ensaios, equipe de manutenção, sistemas de informação etc.). Porém, a natureza desses recursos varia muito de uma organização para outra. Uma indústria normalmente necessita de equipes de manutenção para funcionar adequadamente, já uma lavanderia requer serviço de transporte para entrega do serviço realizado. Em outras situações, a infra-estrutura necessária varia em função do tipo de produto ou serviço a ser desenvolvido. No caso da Construção Civil, dependendo do porte do empreendimento, pode ser necessário manter no canteiro de obra um escritório montado com recursos de informática, telefone etc. Uma obra mais simples pode dispensar essa infra-estrutura. A determinação dos requisitos de infra-estrutura é, nesse caso, realizada no planejamento de obra. Falhas mais comuns Não estabelecer procedimento para manutenção de equipamento de trabalho (ex.: elevadores de obra, frota etc.). Não evidenciar o planejamento e/ou a disponibilidade dos recursos de infra-estrutura necessários. 6.4. AMBIENTE DE TR AB ALHO Nível A A empresa construtora deve determinar e gerenciar as condições do ambiente de trabalho necessárias para a obtenção da conformidade com os requisitos do produto. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 125 Comentários sobre o requisito – Ambiente de trabalho (item 6.4. do SIQ-C) Convém que a direção assegure que o ambiente de trabalho exerça uma influência positiva na motivação, na satisfação e no desempenho das pessoas, para aumentar o desempenho da organização. Na criação de um ambiente de trabalho adequado, sendo uma combinação de fatores humanos e físicos, convém que sejam incluídas considerações a: métodos criativos de trabalho e oportunidades para aumentar o envolvimento e identificar o potencial das pessoas na organização; regras e orientações de segurança, incluindo uso de equipamentos de proteção; ergonomia; localização do espaço de trabalho; interação social; instalações de apoio para as pessoas na organização; calor, umidade, luminosidade, ventilação; e higiene, limpeza, barulho, vibração e poluição. 6.5. INFORMAÇÃO Convém que a direção trate os dados como um recurso fundamental para conversão em informação e para o desenvolvimento contínuo do conhecimento na organização, o que é essencial para tomada de decisões com base em fatos e que pode estimular inovações. Para gerenciar as informações, convém que a organização: identifique suas necessidades de informação; identifique e acesse fontes internas e externas de informação; converta informações em conhecimento para uso na organização; use os dados, as informações e o conhecimento para estabelecer e alcançar suas estratégias e objetivos; assegure segurança e confidencialidade apropriadas; e avalie os benefícios decorrentes do uso de informação para melhorar a gestão de informação e de conhecimento. 126 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 6.6. FORNECEDORES E P ARCEIROS PARCEIROS Convém que a direção estabeleça relacionamentos com os fornecedores e parceiros para promover e facilitar a comunicação, com o objetivo de melhorar mutuamente a eficácia e a eficiência dos processos que criam valor. Existem várias oportunidades para a organização agregar valor por meio do trabalho com seus fornecedores e parceiros, tais como: otimização da quantidade de fornecedores e parceiros; estabelecimento de comunicação de dois sentidos nos níveis adequados, em ambas as organizações, para facilitar a rápida solução de problemas e evitar atrasos ou disputas que acarretem custos; cooperação com fornecedores na validação da capacidade de seus processos; monitoramento da capacidade do fornecedor em entregar produtos conformes, com o propósito de eliminar verificações redundantes; encorajamento dos fornecedores para implementar programas de melhoria contínua do desempenho e para participar em outras iniciativas conjuntas de melhoria; envolvimento dos fornecedores nas atividades de projeto e desenvolvimento da organização para compartilhar conhecimento e melhorar, de modo eficaz e eficiente, os processos de realização e entrega de produtos conformes; envolvimento dos parceiros na identificação das necessidades de aquisição e desenvolvimento de estratégias conjuntas; e avaliação, reconhecimento e recompensa dos esforços e realizações dos fornecedores e parceiros. 6.7. RECURSOS NA TUR AIS NATUR Convém que seja considerada a disponibilidade de recursos naturais que possam influenciar o desempenho da organização. Uma vez que tais recursos freqüentemente estão fora do controle direto da organização, eles podem causar efeitos significativos, positivos PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 127 ou negativos, nos resultados da organização. Convém que a organização tenha planos, inclusive de contingência, para assegurar a disponibilidade ou a reposição desses recursos para prevenir ou minimizar os efeitos negativos no desempenho da organização. 6.8. RECURSOS FINANCEIROS Convém que a gestão de recursos inclua atividades para determinar as necessidades e as fontes de recursos financeiros. É conveniente que o controle dos recursos financeiros inclua atividades para comparar a utilização real em relação aos planos e às tomadas de ações necessárias. Convém que a direção planeje, torne disponíveis e controle os recursos financeiros necessários para implementar e manter um Sistema de Gestão da Qualidade eficaz e eficiente e para atingir os objetivos da organização. Convém que a direção também considere o desenvolvimento de métodos financeiros inovadores para apoiar e encorajar a melhoria do desempenho da organização. A melhoria da eficácia e da eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade pode influenciar positivamente os resultados financeiros da organização, por exemplo: a) internamente, mediante a redução de falhas no processo e nos produtos, ou de desperdício de materiais e tempo; ou b) externamente, mediante a redução de falhas no produto, dos custos de compensação em relação aos compromissos e garantias e dos custos de perda de clientes e mercado. O relato de tais assuntos pode também fornecer meios para determinar atividades ineficazes e ineficientes, e iniciar ações de melhoria adequadas. Convém que o relatório financeiro de atividades relacionadas ao desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade e da conformidade do produto seja usado em análises críticas pela direção. 128 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes O ambiente de trabalho é, sem sombra de dúvida, fator determinante da Qualidade dos produtos e serviços. Fatores como o nível de ruídos (escolas), higiene (hospitais), limpeza (restaurantes) e motivação da equipe (organizações em geral) podem determinar resultados indesejados. As empresas devem determinar as condições ambientais que podem influenciar a qualidade de seus produtos ou serviços e definir condições adequadas para gerenciá-las. O clima organizacional (espírito de colaboração e comprometimento da equipe), a organização e a limpeza do local de trabalho, as condições climatológicas etc. são normalmente fatores a serem gerenciados no ambiente da Construção Civil. A pesquisa de clima organizacional, o programa “5Ss”, o planejamento do layout do canteiro de obra, os programas de prevenção de acidente de trabalho e as diretrizes das instruções de trabalho são ferramentas úteis para o gerenciamento de tais condições. Falhas mais comuns Não haver definição clara das diretrizes para o atendimento a este requisito no Manual da Qualidade. Não identificar as condições ambientais que influenciam a qualidade do produto (ex.: clima organizacional e iluminação). Não definir métodos para gerenciar as condições ambientais impactantes na qualidade. Instruções de trabalho que não contêm orientações para o controle das condições ambientais (PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais). Não-realização da avaliação do clima organizacional. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 129 7. E XECUÇÃO DA OBR A Execução da obra é a seqüência de processos requeridos para a obtenção parcial ou total do produto almejado pelo cliente, em função de a empresa construtora ter sido contratada para atuar apenas em etapa(s) específica(s) de sua produção ou para sua produção integral. 7.1. PL ANEJ AMENT O DA OBR A ANEJAMENT AMENTO 7.1.1. Plano da Qualidade da Obra A empresa construtora deve, para cada uma de suas obras, elaborar e documentar o respectivo Plano da Qualidade da Obra, consistente com os outros requisitos do Sistema de Gestão da Qualidade, contendo os seguintes elementos, quando apropriado: no Nível B, a) estrutura organizacional da obra, incluindo definição de responsabilidades específicas; b) programa de treinamento específico da obra; c) relação de materiais e serviços de execução controlados, e respectivos procedimentos de execução e inspeção; inclui a identificação dos materiais e serviços de execução controlados que são submetidos a ensaios laboratoriais para a obra em questão; devem ser mantidos registros dos controles realizados; d) identificação das especificidades da execução da obra e determinação das respectivas formas de controle; devem ser mantidos registros dos controles realizados; 130 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO e) identificação dos processos considerados críticos para a qualidade da obra e atendimento às exigências dos clientes, bem como de suas formas de controle; devem ser mantidos registros dos controles realizados; f) objetivos da Qualidade específicos para a execução da obra e atendimento às exigências dos clientes, associados a indicadores; g) identificação das especificidades no que se refere à manutenção de equipamentos considerados críticos para a qualidade da obra e atendimento às exigências dos clientes; h) projeto do canteiro; i) definição dos destinos adequados dados aos resíduos sólidos e líquidos produzidos pela obra (entulhos, esgotos, águas servidas), que respeitem o meio ambiente. 7.1.2. Planejamento da execução da obra Nível A A empresa construtora deve realizar o planejamento, a programação e o controle do andamento da execução da obra, visando ao seu bom desenvolvimento, contemplando os respectivos recursos. Devem ser mantidos registros dos controles de andamento realizados. Comentários – Introdução (itens 7.1.1. e 7.1.2. do SIQ-C) Convém que a alta direção assegure a operação eficaz e eficiente dos processos de realização e dos processos de apoio, bem como a rede de processos associada para que a organização tenha capacidade de satisfazer suas partes interessadas. Enquanto os processos de realização resultam em produtos que agregam valor para a organização, os processos de apoio também são necessários à organização e agregam valor indiretamente. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 131 Qualquer processo é uma atividade ou uma seqüência de atividades correlacionadas que têm entrada e saída. Convém que a direção defina as saídas requeridas dos processos, identifique as entradas necessárias e as atividades requeridas para sua realização eficaz e eficiente. A inter-relação dos processos pode ser complexa, resultando em redes de processos. Para assegurar a operação eficaz e eficiente da organização, convém que a direção reconheça que a saída de um processo pode se tornar entrada para um ou mais processos. Asp ect os a ser em consider ados Aspect ectos considerados O entendimento de que um processo pode ser representado como uma sucessão de atividades ajuda a direção a definir as entradas do processo. Uma vez que as entradas tenham sido definidas, podem ser determinadas as atividades necessárias, bem como as ações e os recursos requeridos para o processo, com a finalidade de se obterem as saídas desejadas. Convém que os resultados de verificação e validação de processos e suas saídas também sejam considerados como entradas para um processo de melhoria contínua do desempenho e promoção da excelência por toda a organização. A melhoria contínua dos processos da organização vai melhorar a eficácia e a eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade e o desempenho da organização. Convém que os processos sejam documentados na extensão necessária para apoiar uma operação eficaz e eficiente. É recomendável que a documentação relacionada aos processos apóie: a identificação e a comunicação das características significativas dos processos; o treinamento na operação dos processos; o compartilhamento do conhecimento e da experiência entre equipes e grupos de trabalho; a medição e a auditoria dos processos; e o exame, a análise crítica e a melhoria dos processos. 132 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Convém que o papel das pessoas nos processos seja avaliado para: assegurar a saúde e a segurança das pessoas; assegurar que existam as habilidades necessárias; apoiar a coordenação dos processos; providenciar que a informação proveniente das pessoas seja usada na análise do processo; e incentivar as inovações propostas pelas pessoas. Convém que a motivação para melhoria contínua do desempenho da organização focalize na melhoria da eficácia e da eficiência dos processos como o meio pelo qual os resultados benéficos são alcançados. Aumento dos benefícios, melhoria da satisfação do cliente, melhoria dos usos dos recursos e redução do desperdício são exemplos de resultados mensuráveis alcançados por meio de maior eficácia e eficiência dos processos. Gestão de processos Generalidades Convém que a direção identifique os processos necessários de realização dos produtos para satisfazer aos requisitos dos cliente e de outras partes interessadas. Para assegurar a realização do produto, é recomendável que sejam considerados os processos de apoio associados, assim como saídas desejadas, etapas do processo, atividades, fluxos, medidas de controle, necessidades de treinamento, equipamentos, métodos, informações, materiais e outros recursos. Convém que um plano operacional seja definido para gestão dos processos, incluindo: requisitos de entrada e saída (por exemplo: especificações e recursos); atividades dentro dos processos; verificação e validação de processos e produtos; análise do processo, incluindo garantia de funcionamento; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 133 identificação, avaliação e redução de risco; ações corretivas e preventivas; oportunidades e ações para melhoria de processo; e controle de alterações para processos e produtos. Processos de apoio incluem: gestão da informação; treinamento das pessoas; atividades financeiras; manutenção de infra-estrutura e de serviços; aplicação de equipamento de segurança e proteção industrial; e marketing. Entradas, saídas e análise crítica de processo A abordagem de processo assegura que as entradas sejam definidas e registradas para fornecer uma base para a formulação dos requisitos a serem usados para verificação e validação das saídas. As entradas podem ser internas ou externas à organização. A resolução de requisitos de entradas ambíguos ou contraditórios pode envolver consulta às partes internas e externas afetadas. Convém que as entradas provenientes das atividades ainda não completamente avaliadas sejam sujeitas à avaliação por análise crítica, verificação e validação subseqüente. É recomendável que a organização identifique as características significativas ou críticas dos produtos e processos para desenvolver um plano eficaz e eficiente para controlar e monitorar as atividades de seus processos. Exemplos de aspectos de entrada a considerar incluem: competência das pessoas; documentação; capacidade e monitoramento de equipamento; e saúde, segurança e ambiente de trabalho. Convém que as saídas dos processos que tenham sido verificadas em relação aos requisitos de 134 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO entrada do processo, incluindo critério de aceitação, considerem as necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas. Para propósitos de verificação, é conveniente que as saídas sejam registradas e avaliadas em relação aos requisitos de entradas e aos critérios de aceitação. Convém que essa avaliação identifique as ações corretivas necessárias, ações preventivas ou melhorias potenciais na eficácia e na eficiência do processo. A verificação do produto pode ser realizada no processo para identificar as variações. Convém que a direção da organização realize uma análise crítica periódica do desempenho do processo, para assegurar que o processo seja coerente com o plano operacional. Exemplos de tópicos para esta análise crítica incluem: •confiabilidade e repetitividade do processo; •identificação e prevenção de não-conformidades potenciais; •adequação de entradas e saídas do projeto e desenvolvimento; •consistência das entradas e saídas com os objetivos planejados; •potencial para melhorias; e •questões não resolvidas. Validação de pr odu t o e pr ocesso e produ odut processo alterações Convém que a direção assegure que a avaliação dos produtos demonstre que satisfazem as necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas. Atividades de avaliação incluem modelagem, simulação e experimentos, assim como análises críticas envolvendo clientes ou outras partes interessadas. Convém que os aspectos a serem considerados incluam: política e objetivos da qualidade; capacidade ou qualificação de equipamento; condições operacionais para o produto; uso ou aplicação do produto; correção do produto; ciclo de vida do produto; impacto ambiental do produto; e PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 135 impacto do uso de recursos naturais, incluindo materiais de energia. Convém que a avaliação do processo seja realizada em intervalos apropriados para assegurar a reação, em tempo hábil, a alterações que causem impacto no processo. É recomendável que seja dada atenção específica à avaliação de processos: para produtos de alto valor e críticos quanto à segurança; quando a deficiência do produto só for aparente durante o uso; que não podem ser repetidos; e quando a verificação do produto não é possível. Convém que a organização implemente um processo de controle eficaz e eficiente para assegurar que as alterações no produto ou no processo beneficiem a organização e satisfaçam as necessidades e expectativas das partes interessadas. É recomendável que as mudanças sejam identificadas, registradas, avaliadas, analisadas criticamente e controladas para compreender seu efeito sobre outros processos e as necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas. Convém que qualquer alteração no processo que afete as características do produto seja registrada e comunicada para manter sua conformidade e fornecer informações para ação corretiva ou melhoria do desempenho da organização. É recomendável que a autoridade, para iniciar alterações, seja definida para manter controle. Convém que as saídas na forma de produtos sejam avaliadas depois de qualquer alteração pertinente, para assegurar que a alteração tenha tido o efeito desejado. O uso de técnicas de simulação também pode ser considerado para planejar a prevenção de defeitos ou falhas em processos. Convém que a avaliação de risco seja realizada para avaliar o potencial e o efeito de possíveis defeitos ou falhas nos processos. É recomendável que os resultados sejam usados para definir e implementar ações preventivas para reduzir os riscos identificados. Exemplos de ferramentas para avaliação de risco incluem: 136 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO análise de modos e efeitos de falha; análise de árvore de falha; diagramas de relacionamentos; técnicas de simulação; e prognósticos de confiabilidade. Comentários complementares relevantes Este é um dos requisitos mais mal interpretado e também mais mal atendido na versão 94 da norma ISO 9000. O atual requisito 7.1 tem uma ligação direta com o requisito 4.2.3 – Planejamento da Qualidade. Ambos se referem a algo que poderia ser substituído por uma única pergunta: “Como isso deve ser feito?” Ou seja, dado que uma determinada organização pretende fornecer um determinado produto ou serviço, de que forma esta mesma organização pretende realizá-lo? Isso envolve, naturalmente, um planejamento. Vejamos! Se uma empresa se propõe a construir um shopping center, então deverá naturalmente planejar a forma de realizá-lo. Normalmente, o resultado do planejamento é um cronograma físico-financeiro detalhado, com o orçamento e a documentação necessária para a realização do empreendimento. Essa documentação envolve não apenas projetos e memoriais descritivos, mas também instruções de trabalho necessárias para a realização das tarefas, checklist para atividades de inspeção, planos de manutenção de equipamentos etc. ou seja, a documentação específica para realização de um empreendimento. Falhas mais comuns Não preparar a totalidade de instruções de trabalho necessárias para a realização do produto (ex.: empreendimento). Não determinar a seqüência e os métodos de trabalho para a realização dos serviços. Não definir pontos de inspeção e/ou métodos de monitoramento dos processos. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 137 Não definir critérios claros para aprovação do produto (ex.: recebimento de concreto bombeado, aprovação do reboco etc.). Não identificar as necessidades de recursos específicos (ex.: instalações provisórias, guincho, retroescavadeira etc.). 7.2. PROCESSOS REL A CIONADOS AO CLIENTE 7.2.1. Determinação dos requisitos relacionados à obra Nível B A empresa construtora deve determinar: a) requisitos da obra especificados pelo cliente, incluindo os de entrega da obra e assistência técnica; b) requisitos da obra não especificados pelo cliente, mas necessários para o uso especificado ou intencional; c) obrigações relativas à obra, incluindo requisitos regulamentares e legais; d) qualquer requisito adicional determinado pela empresa construtora. Comentários complementares relevantes Os requisitos do produto podem ter origem diversa. Tipicamente, na atividade comercial o cliente manifesta os requisitos do produto (ex.: reforma da cozinha de sua casa conforme projeto arquitetônico “tal”). Porém, existem outros requisitos não declara- 138 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO dos pelo cliente que ele certamente gostaria que fossem atendidos (ex.: não quer sujeira, barulho excessivo etc.). Esses requisitos normalmente são identificados pela empresa em pesquisa de satisfação de cliente e repassados às práticas atuais, normalmente através dos documentos do Sistema de Gestão. Os requisitos estatutários e regulamentares são, normalmente, definidos nas atividades de projeto e planejamento do processo. O plano diretor de um município estabelece requisitos para recuos de obras, altura de edifícios, taxa de ocupação de terrenos,etc. Esses regulamentos são normalmente selecionados nas atividades de projeto e considerados na definição do projeto final. Existem, ainda, os requisitos adicionais determinados pela organização. São aqueles que, por uma razão estratégica qualquer, necessitam ser atendidos (ex.: manutenção da competitividade). Algumas empresas da Construção Civil costumam definir requisitos específicos para determinadas atividades (ex.: acabamento do piso). Esses requisitos são definidos arbitrariamente pela própria organização e não estão respaldados em qualquer outra categoria. Falhas mais comuns Não evidenciar os meios pelos quais os requisitos são definidos. Não identificar requisitos não declarados. Não identificar requisitos de prazo de entrega. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 139 7.2.2. Análise crítica dos requisitos relacionados à obra Nível B A empresa construtora deve analisar criticamente os requisitos da obra, determinados em 7.2.1. A análise crítica deve ser conduzida antes que seja assumido o compromisso de executar a obra para o cliente (por exemplo, submissão de uma proposta, lançamento de um empreendimento ou assinatura de um contrato) e deve assegurar que: a) os requisitos da obra estejam determinados; b) quaisquer divergências entre a proposta e o contrato estejam resolvidas; e c) a empresa construtora tenha capacidade para atender aos requisitos determinados. Devem ser mantidos registros dos resultados das análises críticas e das ações resultantes dessa análise (ver 4.2.4). Quando o cliente não apresentar seus requisitos documentados, estes devem ser confirmados antes da aceitação. Quando os requisitos da obra forem alterados, a empresa construtora deve assegurar que os documentos pertinentes sejam complementados e que o pessoal pertinente seja notificado sobre as alterações feitas. 140 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes O principal objetivo do requisito 7.2.2 é assegurar que as empresas não assumam compromissos que não possam cumprir. Nesse sentido, são considerados três momentos distintos: apresentação de propostas, aceite de pedidos ou contratos e alteração de contratos. Para tal é necessário analisar as propostas, pedidos, contratos e/ou alteração e certificar-se de que os requisitos estão devidamente definidos, que as divergências estão resolvidas e que é possível atendê-los. No caso específico da Construção Civil, os processos de orçamento e vendas estão diretamente relacionados com essas atividades. Nas situações de alterações de contrato (ex.: cliente deseja incluir uma piscina na cobertura – não prevista no projeto original), a organização deve estabelecer processos que assegurem a comunicação das alterações acordadas para os diversos setores da empresa. No caso do exemplo citado, seria necessário alterar projetos, ajustar orçamentos, alterar cronogramas de obra, emitir instruções de trabalho etc. Falhas mais comuns Divergências entre propostas e pedidos não resolvidas. Ambigüidade na definição de requisitos do produto. Falta de evidência da análise crítica de contratos, propostas, pedidos e/ou alterações. Não definir responsáveis pela análise crítica. Análise crítica realizada por pessoal não autorizado. Aceitar alterações no contrato sem realizar análise crítica da alteração. Realizar análise crítica e não envolver as funções pertinentes para avaliar a possibilidade de atendimento. Aceitar alterações nos contratos e não comunicar devidamente para as diversas funções na organização. Não documentar acordos verbais. Não observar o prazo de entrega, embalagem e transporte com um requisito do cliente. Não registrar as análises críticas. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 141 Empurrar ao cliente os produtos normalmente fabricados para outros clientes, não identificando as suas necessidades específicas. Não considerar os requisitos legais e as normas relativas aos produtos e /ou serviços. Não identificar requisitos de transporte adequado – transportar e manusear os produtos de forma inadequada causando perda da Qualidade do produto. 7.2.3. Comunicação com o cliente Nível A A empresa construtora deve determinar e implementar meios de comunicação com os clientes relacionados a: a) tratamento de propostas e contratos, inclusive emendas; b) informações sobre a obra; e c) retroalimentação do cliente, incluindo suas reclamações. Comentários – Processos relacionados a par t es int er essadas (it ens 7.2.1. e 7.2.3. inter eressadas (itens do SIQ-C) Convém que a direção assegure que a organização tenha definido processos mutuamente aceitáveis para se comunicar eficaz e eficientemente com seus clientes e outras partes interessadas. É recomendável que a organização implemente e mantenha tais processos para assegurar o entendimento adequado das necessidades e expectativas de suas partes interessadas, bem como para convertêlas em requisitos para a organização. Convém que esses processos incluam a identificação e a análise crítica de informações pertinentes e envolvam ativamente os clientes e outras partes interessadas. Exemplos de informações pertinentes ao processo incluem: 142 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO requisitos do cliente ou de outras partes interessadas; pesquisa de trabalho, incluindo dados setoriais e de usuário final; requisitos de contrato; análise da concorrência; comparação com as melhores práticas (benchmarking); e processos devidos a requisitos estatutários ou regulamentares. Convém que a organização tenha uma compreensão completa dos requisitos de processo do cliente, ou outra parte interessada, antes de iniciar sua ação no sentido de atendê-los. É recomendável que esta compreensão e seu impacto sejam aceitáveis pelos participantes. Comentários complementares relevantes A comunicação com o cliente deve ser planejada de forma que os canais de comunicação sejam estabelecidos e conhecidos por ambas as partes. Isso não implica ter um único canal de comunicação. Informações sobre o produto poderiam ser disponibilizadas pelo setor de vendas e, quando necessário, envolver a engenharia. Tratamento de consultas, contratos e pedidos podem envolver o setor de orçamentos, planejamento, compras e produção. Entretanto, a realimentação do cliente pode se estabelecer através de comunicação pelo site da empresa, pelo gerente da Qualidade, assistência técnica, pesquisa de satisfação etc. Falhas mais comuns Não estabelecer canais de comunicação para informações a respeito do andamento de contratos. Não definir canais e/ou processo de comunicação para receber e encaminhar reclamações de clientes. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 143 7.3. PROJETO Nível A Para empresas construtoras que executam seus projetos devem ser aplicados dos requisitos 7.3.1 ao 7.3.7. Para as que recebem projetos de seus clientes, aplica-se apenas o requisito 7.3.8, devendo isso ser explicitado na definição do escopo do Sistema de Gestão da Qualidade, previsto no requisito 1.5. 7.3.1. Planejamento da elaboração do projeto A empresa construtora deve planejar e controlar o processo de elaboração do projeto da obra destinada ao seu cliente. Durante este planejamento, a empresa construtora deve determinar: as etapas do processo de elaboração do projeto, considerando as suas diferentes especialidades técnicas; a análise crítica e a verificação que sejam apropriadas para cada etapa do processo de elaboração do projeto, para suas diferentes especialidades técnicas; e as responsabilidades e autoridades para o projeto. A empresa construtora deve gerenciar as interfaces entre as diferentes especialidades técnicas (internas ou externas) envolvidas no projeto para assegurar a comunicação eficaz e a designação clara de responsabilidades. As saídas do planejamento da elaboração do projeto devem ser atualizadas, conforme apropriado, de acordo com a evolução do projeto. 144 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários – Recomendações Gerais (item 7.3.1. do SIQ-C) Convém que a alta direção assegure que a organização tenha definido, implementado e mantido os processos de projeto e desenvolvimento necessários para responder eficaz e eficientemente às necessidades e expectativas de seus clientes e de outras partes interessadas. Durante o projeto e o desenvolvimento de produtos ou processos, convém que a direção assegure que a organização seja capaz de considerar não apenas seu desempenho e funcionamento básico, mas todos os fatores que contribuem para atingir o desempenho do produto e do processo esperado pelos clientes e outras partes interessadas. Por exemplo, convém que a organização considere ciclo de vida, segurança e saúde, capacidades de realizar ensaios, capacidade e facilidade de uso, garantia de funcionamento, durabilidade, ergonomia, ambiente, correção do produto e riscos identificados. A direção também tem a responsabilidade de assegurar que sejam cumpridas as etapas para identificar e reduzir o risco potencial para os usuários dos produtos e processos da organização. Convém que a avaliação de risco seja realizada para avaliar o potencial e o efeito de possíveis defeitos ou falhas em produtos ou processos. É recomendável que os resultados dessa análise sejam usados para definir e implementar ações preventivas para redução de riscos identificados. Exemplos de ferramentas para avaliação de risco durante o projeto e desenvolvimento incluem: análise de modos e efeitos de falha; análise de árvore de falha; prognóstico de confiabilidade; diagramas de relacionamentos; técnicas de classificação; e técnicas de simulação. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 145 Comentários complementares relevantes O desenvolvimento do projeto de produto envolve diversas fases que necessitam ser planejadas para o seu bom andamento. Isso implica identificar as diversas etapas que compõem o projeto e definir prazos e responsabilidades para sua execução. No caso de projeto de obras civis, podem ser citadas as seguintes etapas: projeto arquitetônico, projeto estrutural, projeto elétrico, projeto hidráulico, compatibilização de projetos, aprovação de projetos etc. Naturalmente, vários grupos se envolvem no desenvolvimento de projetos, e a interface entre estes grupos precisa ser bem gerenciada. Isso implica estabelecer meios de comunicação que assegurem uma coordenação adequada. Normalmente, a conclusão de uma determinada etapa é o início de outra, de tal forma que, se a primeira etapa for alterada, as demais devem ser comunicadas para que possam se adequar às mudanças ocorridas. Exemplo disso são as alterações no projeto arquitetônico e as conseqüências nos demais níveis de projeto (estrutural, elétrico etc.). Falhas mais comuns Não realizar planejamento de projeto. Planos de projeto não aprovados. Planos de projeto que não contemplam atividades de verificação, análise crítica e validação de projeto. Planos de projeto que não definem responsabilidade pela realização das diversas atividades. Meios de comunicação não disponíveis entre os diversos grupos que participam do projeto. Pessoal envolvido no projeto com informações desatualizadas. 146 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7.3.2. Entradas de projeto As entradas do processo de projeto relativas aos requisitos da obra devem ser definidas, e os respectivos registros devem ser mantidos. Elas devem incluir: a) requisitos funcionais e de desempenho; b) requisitos regulamentares e legais aplicáveis; c) onde pertinentes, informações provenientes de projetos similares anteriores; e d) quaisquer outros requisitos essenciais para o projeto. Essas entradas devem ser analisadas criticamente quanto à sua adequação. Requisitos devem ser completos, sem ambigüidades, e não conflitantes entre si. Comentários – Entrada e saída de pr ojet os e desenvol viment o (it em 7.3.2. projet ojetos vimento do SIQ-C) Convém que a organização identifique as entradas de processo que afetem o projeto e o desenvolvimento de produtos, e que facilitem o desempenho eficaz e eficiente do processo para satisfazer as necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas. Convém que essas necessidades e expectativas externas à organização, em conjunto com as necessidades e expectativas internas, sejam adequadas para se converterem em requisitos de entrada para os processos de projeto e de desenvolvimento. Exemplos: a) entrada externas tais como: necessidades e expectativas do cliente ou do mercado; necessidades e expectativas de outras partes interessadas; contribuições de fornecedores; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 147 entradas de usuários para se obterem projeto e desenvolvimento robustos; mudanças em requisitos estatutários e regulamentares pertinentes; normas internacionais e nacionais; e códigos de práticas do setor da atividade; b) entradas internas tais como: políticas e objetivos; necessidades e expectativas das pessoas na organização, incluindo aquelas que recebem a saída do processo; desenvolvimentos tecnológicos; requisitos de competência para as pessoas que executam projeto e desenvolvimento; informação de realimentação proveniente de experiência anterior; registros e dados sobre processos e produtos existentes; e saídas de outros processos. c) entradas que identificam aquelas características de processos ou produtos que são cruciais para o funcionamento e manutenção seguros e adequados, tais como: operação, instalação e aplicação; armazenamento, manuseio e entrega; parâmetros físicos e ambiente; e requisitos para correção dos produtos. As entradas relacionadas a produto com base em uma avaliação das necessidades e expectativas de usuários finais e do cliente direto podem ser importantes. Convém que tais entradas sejam formuladas de tal maneira que permitam que o produto seja verificado e validado eficaz e eficientemente. 148 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes As entradas de projetos consistem na seleção de um conjunto de requisitos que se deseja que o produto projetado venha a atender. Esses requisitos são de ordens diversas e envolvem, além dos requisitos do cliente (ex.: residência com quatro quartos e garagem para dois carros, salas amplas e arejadas), requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis (ex.: Plano Diretor do município, normas de segurança em edifícios, normas das companhias telefônicas) etc. A norma ISO 9001:2000 e o SIQ-C exigem ainda que sejam incluídas entre as entradas de projetos informações originadas em projetos similares. Algumas organizações mantêm um registro de informações relevantes no desenvolvimento de projetos anteriores. São informações a respeito de soluções adotadas que tiveram êxito e recomendações para cuidados especiais com soluções de risco (ex.: evitar o uso de determinado forro em cobertura com baixa insolação). A definição das entradas de projeto pode se dar em diversos estágios, sendo detalhadas as entradas para uma fase específica no momento anterior à sua realização. Por exemplo, a definição dos pontos de espera para tomadas, interruptores, pontos de luz etc; pode ser realizada no momento anterior ao desenvolvimento do projeto elétrico. Falhas mais comuns Não estabelecer formalmente as entradas de projeto. Não realizar análise crítica das entradas de projeto para avaliar se estão adequadas e completas. Existência de requisitos conflitantes nas entradas de projeto. Não incluir requisitos regulamentares aplicáveis entre as entradas de projeto. Dados de entrada ambíguos ou que não podem ser posteriormente verificados. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 149 7.3.3. Saídas de projeto As saídas do processo de projeto devem ser documentadas de uma maneira que possibilite sua verificação em relação aos requisitos de entrada e devem ser aprovadas antes da sua liberação. São consideradas saídas de projeto os memoriais de cálculo, descritivos ou justificativos, da mesma forma que as especificações técnicas e os desenhos e demais elementos gráficos. As saídas de projeto devem: atender aos requisitos de entrada do processo de projeto; fornecer informações apropriadas para aquisição de materiais e serviços e para a execução da obra, incluindo indicações dos dispositivos regulamentares e legais aplicáveis; onde pertinente, informações provenientes de projetos similares anteriores; onde pertinente, conter ou referenciar os critérios de aceitação para a obra; definir as características da obra que são essenciais para seu uso seguro e apropriado. Comentários – Entrada e saída de pr ojet os e desenvol viment o (it em 7.3.3 projet do SIQ-C) Convém que a saída inclua informações para permitir a verificação e a validação com os requisitos planejados. Exemplos da saída de projeto e desenvolvimento incluem: dados demonstrando a comparação de entradas de processo com as saídas de processo; especificações de produto, incluindo critérios de aceitação; especificações de processo; 150 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO especificações de material; especificações de ensaio; requisitos de treinamento; informações de usuário e consumidor; requisitos de aquisição; e relatórios de ensaios de qualificação. Convém que as saídas de projeto e desenvolvimento sejam analisadas criticamente em relação às entradas, para fornecer evidência objetiva de que as saídas estão atendendo eficaz e eficientemente aos requisitos do processo e do produto. Comentários complementares relevantes As saídas de projeto são os documentos resultantes das atividades de projeto. Os projetos arquitetônico, estrutural, elétrico, memorial descritivo, planilha de áreas, as especificações de materiais entre outras, são exemplos típicos de saídas de projeto. Esses documentos contêm a essência do projeto e devem ser aprovados antes de serem emitidos. Naturalmente, o projeto arquitetônico deve ser coerente com os requisitos aplicáveis a ele. Assim sendo, não poderíamos ter um projeto de uma residência com três quartos se os requisitos de entrada previam quatro quartos. Os documentos resultantes do projeto (saídas de projeto) devem ser analisados criticamente em relação aos dados de entrada antes de sua aprovação. Para tal é necessário que esses documentos contenham informações que permitam realizar tais verificações. Os documentos resultantes de projeto são a fonte de informações básica para a produção. Assim sendo, é necessário que esses documentos contenham informações claras quanto ao limite de aceitação dos produtos (ex.: desnível admissível, tolerâncias de prumo e nível etc.). Nos casos em que uma característica específica tenha um impacto significativo do produto (ex.: fck do concreto), esta deve ser especificada para que todos os envolvidos tenham consciência do seu compromisso. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 151 Falhas mais comuns Não evidenciar análise crítica e aprovação dos documentos de saídas de projeto. Documentos resultantes de projeto que não contêm critérios ou referenciam os critérios de aceitação do produto. Documentos de saída de projeto que não referenciam as características essenciais para o funcionamento seguro e eficaz do produto. Documentos de projeto que não contêm detalhamento necessário para atividades de produção. Não existir correspondência entre os requisitos de entrada e os de saída de projeto. Aprovar os documentos sem efetuar análise crítica. Falha na prestação do serviço. 7.3.4. Análise crítica de projeto Devem ser realizadas, em estágios apropriados e planejados, que podem ou não corresponder às etapas do processo de projeto, análises críticas sistemáticas do projeto para: a) avaliar a capacidade dos resultados do projeto de atender plenamente aos requisitos de entrada do processo de projeto; b) garantir a compatibilização do projeto; e c) identificar todo tipo de problema e propor ações necessárias. As análises críticas de projeto devem envolver representantes das especialidades técnicas concernentes ao estágio de projeto que está sendo analisado. Devem ser mantidos registros dos resultados das análises críticas e das subseqüentes ações necessárias. 152 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários – Análise crítica de projeto e desenvol viment o (it em 7.3.4. do SIQ-C) vimento (item Convém que a alta direção assegure que pessoas apropriadas são designadas para gerenciar e realizar análises críticas sistemáticas para determinar se os objetivos do projeto e desenvolvimento são alcançados. Essas análises críticas podem ser realizadas em pontos selecionados do processo de projeto e desenvolvimento, bem como na sua conclusão. Exemplos de tópicos para tais análises críticas incluem: adequação da entrada para desempenhar as tarefas de projeto e desenvolvimento; progresso do processo de projeto e desenvolvimento planejado; atendimentos da metas de verificação e validação; avaliação de perigos potenciais ou modos de falha no uso do produto; dados de ciclo de vida sobre o desempenho do produto; controle de alterações e seu efeito durante o projeto e desenvolvimento; identificação e correção de problemas; oportunidades para melhoria do processo de projeto e desenvolvimento; e impacto potencial do produto no ambiente. Convém que a organização, em fases apropriadas, realize também análise crítica das saídas de projeto e desenvolvimento, bem como dos processos para satisfazer as necessidades e expectativas de clientes e das pessoas por toda a organização que recebam a saída de processo. Também é recomendável que sejam consideradas as necessidades e expectativas de outras partes interessadas. Exemplos de atividades de verificação de saída do processo do projeto e desenvolvimento incluem: comparações dos requisitos de entrada com a saída do processo; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 153 métodos comparativos, como cálculos alternativos de projeto e desenvolvimento; avaliação com relação a produtos semelhantes; ensaios, simulações ou experimentos para verificar a adequação com os requisitos específicos de entrada; e avaliação com relação à aprendizagem de experiências com processos anteriores, tais como não-conformidades e deficiências. A validação da saída de processos de projeto e desenvolvimento é importante para o seu recebimento e uso bem-sucedido por clientes, fornecedores, pessoas na organização e outras partes interessadas. A participação das partes afetadas permite que os usuários atuais avaliem a saída por meios como: validação dos projetos de engenharia antes da construção, instalação ou aplicação; validação de saídas de programas de computador antes da instalação ou uso; e validação de serviços antes da sua introdução em grande escala. A validação parcial de saídas de projeto e desenvolvimento pode ser necessária para fornecer confiança na sua aplicação futura. Convém que dados suficientes sejam gerados por meio de atividades de verificação e validação para permitir que os métodos e decisões de projeto e desenvolvimento sejam analisados criticamente. É recomendável que a análise crítica desses métodos inclua: melhoria do processo e do produto; possibilidade de uso da saída; adequação dos registros de processo e de análise crítica; atividades de análise de falhas; e necessidades futuras do processo de projetos e desenvolvimento. 154 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes As atividades de análise crítica de projeto implicam uma avaliação multidisciplinar de um determinado resultado de projeto. Por exemplo, a análise crítica de um projeto arquitetônico poderia ser realizada por pessoal das áreas de vendas, produção e compras. Em uma abordagem multidisciplinar poderiam ser apontadas dificuldades para aquisição de materiais propostos, execução e/ou comercialização de soluções arquitetônicas propostas. As análises críticas de projeto devem ser planejadas. Isso implica definir quais análises críticas se pretende realizar e em que momento. As análises críticas são normalmente registradas em atas de reunião e contêm orientações para melhorias de projeto. Em algumas situações são planejadas análises críticas de projeto para avaliar o seu andamento. O resultado dessas atividades normalmente implica uma revisão do plano de projeto para incluir (ou excluir) atividades planejadas e ajustar os prazos ou responsabilidades para sua realização. Falhas mais comuns Não realizar análises críticas de projetos planejadas. Não haver registros das análises críticas de projeto realizadas. Registros de análises críticas de projeto não contêm os resultados da análise crítica e/ou ações recomendadas. Não envolver as pessoas certas nas análises críticas. 7.3.5. V er if icação de pr ojet o Ver erif A verificação de projeto deve ser executada conforme disposições planejadas (ver 7.31.), para assegurar que as saídas atendam aos requisitos de entrada. Devem ser mantidos registros dos resultados da verificação e das ações necessárias subseqüentes. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 155 Comentários complementares relevantes A verificação de projeto é tipicamente uma atividade de inspeção de projeto, na qual é avaliado se a solução de projeto encontrada é tecnicamente viável e atende aos requisitos de entrada da etapa de projeto em análise. Assim sendo, ao realizarmos a verificação do projeto elétrico, devem ser verificados se os pontos de luz, interruptores, tomadas, CDs, etc., estão previstos nos pontos requeridos, se o dimensionamento dos fios comporta as cargas previstas etc. Essa verificação implica conferência por meio de cálculos e confronto em relação aos requisitos de entrada. A verificação de projeto pode ser evidenciada através dos registros de cálculos e/ou checklist de verificação de projeto. Obs.: normalmente esses documentos contêm os dados de entrada para atividades específicas de projeto. Falhas mais comuns Não realizar e/ou demonstrar a realização da verificação de projeto. Não realizar a verificação da totalidade do atendimento à totalidade dos dados de entrada de projeto. Verificação de projeto realizada por pessoal não autorizado. Não definir a responsabilidade pela realização da verificação de projeto. Não evidenciar ações necessárias para resultados indesejados. Não envolver pessoas que já possuem experiência em projetos anteriores. 156 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7.3.6. V alidação de pr ojet o Validação ojeto A validação do projeto deve ser realizada, onde for praticável, para a obra toda ou para suas partes. Apresenta-se como conclusão do processo de análise crítica, conforme planejado, e procura assegurar que o produto resultante é capaz de atender aos requisitos para o uso ou aplicação especificados ou pretendidos, onde conhecidos. Os resultados da validação e as ações de acompanhamento subseqüentes devem ser registrados. O registro do processo de validação deve incluir as hipóteses e as avaliações aplicáveis consideradas para garantir que o desempenho pretendido será atingido, particularmente quando incluídas, no projeto, soluções inovadoras. Nota: tal validação pode se dar através de medidas tais como: realização de simulações por computador, confecção de maquetes, (físicas ou eletrônicas), avaliação de desempenho, ensaios em partes do produto projetado (físicos os simulados), reuniões com possíveis usuários, construção de unidades tipo, comparação com projetos semelhantes já construídos etc. Comentários complementares relevantes A validação de projeto tem o objetivo de demonstrar que a solução de projeto proposta é capaz de atender às expectativas e necessidades do cliente. Diferente da verificação de projeto, que se limita a verificar se o projeto atende ao que foi solicitado, a validação de projeto põe em cheque o uso pretendido. Portanto, o que se deseja saber é se a solução apresentada no projeto atende ao uso pretendido. Normalmente, a validação de projeto se dá por meio da elaboração de protótipos e de testes de aplicação em condições simuladas e/ou reais de uso. Essa abordagem pode apontar deficiências no projeto que não tenham sido identificadas nas atividades de verificação e validação. A validação de projetos de obras civis pode ser realizada, parcialmente, antes da realização da obra, e ser concluída após a sua PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 157 entrega. Apresentação de fachadas, vistas, maquetes, visualização de ambientes no computador, estudos de iluminação, insolação, etc., podem ser meios utilizados para validar projeto na Construção Civil. Os meios mais utilizados envolvem resultados de avaliações realizadas após a entrega do produto. Falhas mais comuns Não planejar a forma de realizar a validação de projeto. Planejamento da validação de projeto que não detalha os meios utilizados para validar os critérios para aceitação. Registros de validação que não evidenciam os resultados das/ou ações recomendadas para resultados indesejados. Não planejar de forma adequada as validações. Confundir a validação com o teste e aceite por parte do cliente ou com a homologação do produto por entidade credenciada. Não verificar se todos os requisitos de uso pretendido podem ser atendidos. 7.3.7. Controle de alterações de projeto As alterações de projeto devem ser identificadas, e os registros devem ser mantidos. As alterações devem ser analisadas criticamente, verificadas e validadas, de modo apropriado, e aprovadas antes da sua implementação. A análise crítica das alterações de projeto deve incluir a avaliação do efeito das alterações no produto como um todo ou em suas partes (por exemplo, interfaces entre subsistemas). Devem ser mantidos registros dos resultados da análise crítica de alterações e de quaisquer ações necessárias. 158 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7.3.8. Análise crítica de projetos f or necidos p elo client e pelo A empresa construtora deve realizar análise crítica dos projetos do produto como um todo ou de suas partes que receber como decorrência de um contrato, possibilitando a correta execução da obra ou etapas da mesma. A empresa construtora deve prever a forma segundo a qual procede à análise crítica de toda a documentação técnica afeita ao contrato (desenhos, memoriais, especificações técnicas). Caso tal análise aponte a necessidade de quaisquer ações, a empresa construtora deve informar tal fato e comunicar ao cliente propostas de modificações e adaptações necessárias de qualquer natureza. Devem ser mantidos registros dos resultados da análise crítica (ver 4.2.1). Comentários complementares relevantes (itens 7.3.7. e 7.3.8. do SIQ-C) As alterações em projetos podem ter um impacto significativo no desempenho dos produtos. Alterações no projeto estrutural de um edifício podem implicar mudanças no projeto hidráulico, projetos de ar-condicionado, projetos elétricos etc. Antes de se realizarem alterações em projetos é necessário que seja realizada uma análise crítica para identificar a sua abrangência. É comum que as organizações desenvolvam checklists próprios para análise crítica de alteração de projeto. Esse tipo de documento pode orientar uma avaliação criteriosa e abrangente em relação ao impacto e à pertinência de mudanças. No caso da alteração do projeto da Construção Civil, poderia ser feita uma reflexão em relação aos seguintes aspectos: impacto sobre projetos complementares, impacto sobre orçamento e cronograma de obra, impacto sobre memorial descritivo, impacto sobre materiais adquiridos, impacto sobre documentos e instruções de produção, impacto sobre instruções de inspeção. A análise crítica das alterações deve prever as ações necessárias para o seu encaminhamento adequado. Assim sendo, pode ser definida a necessidade, ou não, de realizar novas verificações, PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 159 análise críticas e/ou validações do projeto. Alterações mais complexas podem envolver um planejamento de atividades para lidar adequadamente com elas. Falhas mais comuns Não realizar análise crítica das alterações de projeto. Não manter registros das análises críticas das alterações de projeto. Não evidenciar o planejamento das ações necessárias para lidar com alterações propostas. Efetuar análise das alterações sem envolver todas as funções pertinentes. Não atualizar o projeto após as alterações. Não considerar que as alterações possam mudar as especificações ou afetar o desempenho seguro do produto e/ou serviço. 7.4 . AQUISIÇÃO 7.4.1. Processo de aquisição A empresa construtora deve assegurar que a compra de materiais e a contratação de serviços estejam conformes com os requisitos especificados de aquisição. Este item abrange a compra de materiais controlados e a contratação de serviços de execução controlados, serviços laboratoriais, serviços de projeto e serviços especializados de engenharia, e a locação de equipamentos que a empresa construtora considere críticos para o atendimento às exigências dos clientes. O tipo e a extensão do controle aplicado ao fornecedor e ao produto adquirido devem depender do efeito do produto adquirido durante a execução da obra ou no produto final. 160 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Para a definição dos materiais e serviços de execução controlados, ver Requisitos Complementares, em função do subsetor da qualificação almejada. 7.4.1.1. Pr ocesso de qualif icação de Processo fornecedores Nível C A empresa construtora deve estabelecer critérios para qualificar (pré-avaliar e selecionar), de maneira evolutiva, seus fornecedores. Deve ser tomada como base a capacidade do fornecedor em atender aos requisitos especificados nos documentos de aquisição. Poderá ser dispensado do processo de qualificação o fornecedor formalmente participante do Programa Setorial da Qualidade de produtos de seu subsetor industrial, atendendo aos requisitos estabelecidos no Projeto da Meta Mobilizadora Nacional da Habitação. A empresa construtora deve ainda manter atualizados os registros de qualificação de seus fornecedores e de quaisquer ações necessárias, oriundas da qualificação (ver 4.2.4). 7.4.1.2. Processo de avaliação de fornecedores Nível B A empresa construtora deve estabelecer, de maneira evolutiva, critérios para avaliar o desempenho de seus fornecedores em seus fornecimentos. Deve ser tomada como base a capacidade do fornecedor em atender aos requisitos especificados nos documentos de aquisição. A empresa construtora deve ainda manter atualizados os registros de avaliação de seus fornecedores e de quaisquer ações necessárias, oriundas da avaliação. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 161 Comentários complementares relevantes Materiais e/ou serviços adquiridos podem influenciar a qualidade do produto final. O requisito 7.4, Aquisição, deseja assegurar que as empresas controlem o processo de aquisição de produtos ou serviços a fim de evitar problemas relacionados às atividades de aquisição. Para tal é necessário identificar os produtos e serviços que influenciam a Qualidade e, a partir dessa identificação, avaliar e selecionar fornecedores com capacidade de fornecer satisfatoriamente tais produtos e/ou serviços. No caso específico da Construção Civil, podem-se relacionar: matérias-primas, serviços, aluguéis de equipamentos, entre outros. É comum que as empresas da Construção Civil definam os produtos críticos no planejamento de obras (após a elaboração do orçamento) e os serviços críticos após a definição dos serviços subcontratados. A avaliação e a seleção de fornecedores pressupõem critérios estabelecidos para sua aprovação. O estabelecimento de critérios passa pela definição de diretrizes para fornecedores especiais. Os métodos e critérios para aprovação de fornecedores podem variar em função do impacto do material ou serviço adquirido no produto final. Assim sendo, fornecedores de produtos ou serviços que não influenciem a qualidade do produto final podem ser dispensados de avaliação. É comum que sejam considerados os resultados dos primeiros fornecimentos para aprovação de fornecedores. É necessário que os resultados das avaliações sejam registrados e mantidos. Periodicamente, as avaliações de fornecedores devem ser refeitas, levando em consideração o seu desempenho no período. É necessário estabelecer procedimentos e critérios para manutenção dos fornecedores no cadastro de fornecedores aceitos. Convém que seja informado aos fornecedores seu desempenho e que eles sejam estimulados à melhoria contínua. Falhas mais comuns Não avaliar fornecedores de serviços de calibração de equipamentos, treinamento, transporte. Não avaliar multinacionais e/ou grandes empresas. Não registrar as avaliações realizadas. 162 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Fornecedores com certificados de aprovação de sistemas da qualidade vencidos. Aprovar o fornecedor e não definir o produto e/ou serviço para o qual está aprovado. Critérios de aprovação relacionados ao preço e condições de pagamento em vez do desempenho dos produtos e/ou serviços. Estabelecer critérios de avaliação excessivamente rígidos, restringindo o mercado e prejudicando a manutenção do processo produtivo. Não possuir um sistema que garanta que as compras sejam feitas sempre em fornecedores selecionados e qualificados. Estabelecer critérios excessivamente brandos, que não avaliam efetivamente os fornecedores – todos no mercado são praticamente aceitáveis. Não estabelecer forma de avaliação a ser feita com fornecedor descredenciado do cadastro por mal desempenho e que tenha interesse em voltar a fornecer à empresa. Qualificar um fornecedor para o fornecimento de um produto e/ou serviço e considerá-lo apto para outros produtos e/ou serviços. Não possuir evidências de que o fornecedor foi realmente qualificado. Não prever no procedimento tratamento para fornecimentos URGENTES. Não analisar quais os fornecedores para produtos ou serviços que impactam na Qualidade. Definir, sem análise prévia, o nível de impacto quanto à qualidade dos produtos e serviços. Não manter um sistema de avaliação constante de fornecedores. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 163 7.4.2. Informações para aquisição A empresa construtora deve assegurar, de maneira evolutiva, a adequação dos requisitos de aquisição especificados antes da sua comunicação ao fornecedor. 7.4.2.1. Materiais controlados Nível C A empresa construtora deve garantir que os documentos de contratação de serviços de execução controlados descrevam claramente o que está sendo contratado, contendo especificações técnicas (ver requisitos complementares). 7.4.2.2 . Ser viços contr olados Nível C A empresa construtora deve garantir que os documentos de contratação de serviços de execução controlados descrevam claramente o que está sendo contratado, contendo especificações técnicas (por exemplo: requisitos para aprovação, normas técnicas relacionadas que devam ser observadas, projetos e detalhes construtivos, procedimentos de execução, qualificação profissional ou da empresa requerida etc.) (ver Anexo 1). 164 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7.4.2.3. Ser viços labor at or iais ator oriais Nível B A empresa construtora deve garantir que os documentos de contratação de serviços laboratoriais descrevam claramente, incluindo especificações técnicas, o que está sendo contratado. 7.4.2.4. Ser viços de pr ojet o e ser viços projet ojeto esp ecializados de engenhar ia especializados Nível B A empresa construtora deve garantir que os documentos de contratação de serviços de projeto e serviços especializados de engenharia descrevam claramente, incluindo especificações técnicas, o que está sendo contratado. Comentários complementares relevantes Problemas na qualidade dos produtos ou serviços adquiridos estão muitas vezes relacionados à definição dos requisitos estabelecidos nos documentos de compras. É comum que os documentos de compras não descrevam claramente os produtos adquiridos. Muitas vezes, as ordens de compras ou contratos limitam-se a autorizar fornecimentos sem uma preocupação maior em formalizar os requisitos do que está sendo contratado. Assim sendo, ordens de compra de azulejos não mencionam as suas classificações e contratos de fornecimentos de mãode-obra não estabelecem diretrizes para o recebimento dos serviços, PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 165 etc. A norma ISO 9001:2000 e o SIQ-C requerem que os documentos de compras sejam esclarecedores e possuam um guia para o fornecimento de produtos ou serviços. Qualquer requisito do produto ou serviço deve estar explicitado nos documentos de compra ou ser referenciado por estes. Evidentemente, devem ser repassadas informações necessárias (ex.: fck do concreto), evitando maiores esclarecimentos sobre questões óbvias. A informalidade deve ser evitada. Quando a empresa deseja que seu fornecedor atenda a algum requisito de Sistema de Gestão da Qualidade, esta exigência deve ser referenciada nos documentos de compras. O conteúdo dos documentos de compras (ordens de compra e contratos) deve ser analisado, criticamente, quanto à sua adequação antes da emissão. E muitas vezes podemos evidenciar documentos de compras aprovados sem a devida análise crítica. Nesses casos, a aprovação é uma mera evidência da autorização do fornecimento, e não da análise crítica do seu conteúdo. Falhas mais comuns Realizar compras informalmente. Adquirir de fornecedores não aprovados. Descrever inadequadamente o produto a ser adquirido. Realizar informalmente compras parciais de um contrato. Documentos de compras não fazem referência aos documentos complementares pertinentes (ex.: conforme determinado no projeto). Não realizar análise crítica dos documentos de compras. Análise crítica realizada por pessoal não autorizado. 166 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7.4.3. V er if icação do pr odu t o adquir ido Ver erif odut adquirido Nível C A empresa construtora deve instituir e implementar, de maneira evolutiva, inspeção ou outras atividades necessárias para assegurar que o produto adquirido atende aos requisitos de aquisição especificados. A empresa construtora deve estabelecer, de maneira evolutiva, procedimentos documentados de inspeção de recebimento (ver 8.2.4) para todos os materiais e serviços de execução controlados. Quando a empresa construtora ou seu cliente pretendem executar a verificação nas instalações do fornecedor, a empresa construtora deve declarar nas informações para aquisição as providências de verificação pretendidas e o método de liberação de produto. Comentários – Processo de aquisição (item 7.4. do SIQ-C) Convém que a alta direção da organização assegure que os processos de aquisição eficazes e eficientes sejam definidos e implementados para a avaliação e controle de produtos adquiridos, para que estes satisfaçam as necessidades e os requisitos da organização, bem como das partes interessadas. Convém que o uso de ligação eletrônica com fornecedores seja considerado para otimizar a comunicação de requisitos. Para assegurar o desempenho eficaz e eficiente da organização, convém que a direção assegure que os processos de aquisição considerem as seguintes atividades: identificação eficaz e precisa em tempo hábil, das necessidades e especificações de produto adquirido; avaliação do custo do produto adquirido, considerando o desempenho do produto, preço e entrega; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 167 necessidades da organização e critérios para verificar produtos adquiridos; processos de fornecedor exclusivo; considerações de gestão de contrato, para acordos com fornecedores e parceiros; garantia de reposição de produtos não-conformes adquiridos; requisitos de logísticas; identificação de rastreabilidade de produto; preservação do produto; documentação, incluindo registros; controle de produto adquirido com desvios em relação aos requisitos; acesso às instalações do fornecedor; histórico de entrega, instalação ou aplicação do produto; desenvolvimento de fornecedor; identificação e redução de riscos associados com produto adquirido. Convém que sejam desenvolvidos junto com os fornecedores os requisitos para os processos do fornecedor e as especificações de produto para que a organização se beneficie do conhecimento disponível no fornecedor. É recomendável também que a organização envolva os fornecedores no processo de aquisição relacionados com seus produtos, para melhorar a eficácia e a eficiência do processo de aquisição da organização. Isso também pode ajudar a organização em seu controle e disponibilidade de inventário. Convém que a organização defina a necessidade de registros de verificação do produto adquirido, comunicação e resposta a não-conformidades, para demonstrar sua própria conformidade com as especificações. 168 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Processo de controle de fornecedor Convém que a organização estabeleça processos eficazes e eficientes para identificar fontes potenciais para materiais adquiridos, para desenvolver atuais fornecedores ou parceiros, e para avaliar a sua capacidade em fornecer os produtos requeridos, de modo a assegurar a eficácia e a eficiência dos processos globais de aquisição. Exemplos de entradas para o processo de controle de fornecedor incluem: avaliação de experiência pertinente; desempenho dos fornecedores em relação aos seus concorrentes; análise crítica de qualidade, preço, desempenho de entrega e respostas a problemas do produto adquirido; auditorias de sistemas de gestão do fornecedor e avaliação de sua capacidade potencial para fornecer os produtos requeridos, de forma eficaz e eficiente, dentro do programado; verificação de referências do fornecedor e dados disponíveis sobre a satisfação de cliente; avaliação financeira para assegurar a viabilidade do fornecedor ao longo do período pretendido de fornecimento e cooperação; resposta do fornecedor a consultas, cotações e propostas; capacidade do fornecedor em relação a serviço, instalação e apoio, bem como o histórico de desempenho quanto aos requisitos; consciência e atendimento, por parte do fornecedor, aos requisitos estatutários e regulamentares pertinentes; capacidade logística do fornecedor, incluindo locações e recursos; e PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 169 reputação e papel do fornecedor na comunidade, bem como sua percepção na sociedade. Convém que a direção considere as ações necessárias para manter o desempenho da organização e satisfazer as partes interessadas no caso de falha do fornecedor. Comentários complementares relevantes Quando a empresa optar por inspecionar os produtos adquiridos no recebimento e/ou durante o próprio processamento no fornecedor (ex.: inspecionar as esquadrias no fornecedor antes do embarque), tais atividades devem ser planejadas. O planejamento de tais atividades implica definir inspeções a serem realizadas, características a serem avaliadas, amostragem adotada, método de inspeção, critérios de aceitação e registros. Essas inspeções devem ser realizadas por pessoal autorizado, e devem ser mantidos registros dos seus resultados. Os documentos de compras devem esclarecer a forma como serão realizadas inspeções para liberação do produto nos fornecedores, quando esta atividade for executada. Tipicamente, na Construção Civil, as atividades de inspeção de serviços subcontratados de empreiteiros (instalações hidráulicas, telefônicas etc.) se enquadram nesses casos. Falhas mais comuns Não realizar inspeções de recebimento de produtos e/ ou serviços. Não definir critérios para aprovação dos produtos no recebimento. Não manter registros das atividades de inspeção e/ou monitoramento do produto. Não declarar ao fornecedor as intenções de realizar atividades de inspeção em suas instalações. 170 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7.5. OPER AÇÕES DE PRODUÇÃO E FORNECIMENTO DE SERVIÇO 7.5.1. Contr ole de op er ações oper erações A empresa construtora deve planejar e realizar a produção e o fornecimento de serviço sob condições controladas. Condições controladas devem incluir, de modo evolutivo e quando aplicável: a) a disponibilidade de informações que descrevam as características do produto; b) a disponibilidade de procedimentos de execução, quando necessário; c) o uso de equipamentos adequados; d) a disponibilidade e o uso de dispositivos para monitoramento e medição; e) a implementação de monitoramento e medição; f) a implementação da liberação, entrega e atividades pósentrega; g) a manutenção de equipamentos considerados críticos para o atendimento às exigências dos clientes. A atividade de entrega inclui o fornecimento ao cliente de Manual de Uso, Operação e Manutenção, que contenha as principais informações sobre as condições de utilização das instalações e equipamentos, bem como orientações para a operação e manutenção da obra executada ao longo da sua vida útil. 7.5.1.1. Contr ole dos ser viços de Controle execução Nível C A empresa construtora deve, de maneira evolutiva, garantir que os procedimentos documentados afeitos aos serviços de exe- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 171 cução controlados incluam requisitos para (ver Requisitos Complementares aplicáveis ao subsetor): a) realização e aprovação do serviço. Quando a empresa construtora optar por adquirir externamente algum serviço controlado, ela deve: a.1) definir o procedimento documentado de realização do processo, garantir que o fornecedor o implemente e assegurar o controle de inspeção desse processo; ou a.2) analisar criticamente e aprovar o procedimento documentado de realização do serviço definido pela empresa externa subcontratada e assegurar o seu controle de inspeção; Nota: caso o serviço seja considerado especializado, não há necessidade de demonstração do procedimento de realização, ficando a agência construtora dispensada de analisá-lo criticamente e de aprová-lo. A existência do procedimento documentado de inspeção, conforme previsto nos Requisitos Complementares aplicável ao subsetor, continua, no entanto, sendo obrigatória. b) qualificação do pessoal que realiza o serviço ou da empresa subcontratada, quando apropriado. Comentários complementares relevantes O método de operação necessita ser documentado de forma compatível com a complexidade da tarefa e a qualificação do pessoal que executa as atividades. Informações relevantes para a realização do processo devem ser definidas e documentadas. Nas atividades relacionadas à execução de obras civis costumam-se definir nas instruções de trabalho as condições iniciais para as atividades (ex.: iniciar reboco somente após as instalações hidráulicas terem sido inspecionadas e aprovadas), os materiais e equipamentos necessários para realização das atividades na forma planejada (ex.: 172 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO andaime, betoneira etc.), o método de execução em si, os cuidados em relação à segurança do trabalho (obrigatório o uso de capacetes e cinto de segurança), as orientações para o monitoramento do processo (ex.: verificar a viscosidade da tinta de três em três horas), a forma de verificação da conformidade do produto ou serviço (ex.: aparência – no exame visual a superfície deve estar livre de manchas, sujeiras e/ou imperfeição), os cuidados para preservação do que foi realizado (ex.: manter a área isolada até a perfeita cura do concreto). Os documentos de apoio à produção (projetos, memoriais descritivos, instruções de trabalho etc.) devem estar disponíveis às pessoas responsáveis pela realização das tarefas. Falhas mais comuns Descrever nos procedimentos o processo “ideal” e não o “atual”. Descrever detalhes que não impactam na Qualidade, porém “engessam” o processo. Prever verificações no início, durante ou final do processo sem detalhar os parâmetros que devem ser observados. Descrever superficialmente as condições adequadas do ambiente de trabalho. Não abranger todos os equipamentos de medição que impactam na qualidade no programa de calibração. Prever a utilização de documentos de referência para aplicação dos procedimentos/instruções de trabalho, mas não considerá-los plenamente na execução dos processos. Ações de manutenção ineficientes, não assegurando a capacidade do processo. As paradas de máquinas prejudicam o atendimento a prazos assumidos com os clientes. Não fornecer o suporte e os serviços de apoio necessários. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 173 7.5.2. V alidação de pr ocessos Validação Nível A A empresa construtora deve validar todos os processos de produção e de fornecimento de serviço nos quais a saída resultante não possa ser verificada por monitoramento ou medição subseqüente. Isso inclui os processos nos quais as deficiências só ficam aparentes depois que o produto está em uso ou o serviço é entregue. A validação deve demonstrar a capacidade desses processos de alcançar os resultados planejados. A empresa construtora deve tomar as providências necessárias para esses processos, incluindo, quando aplicável: a) critérios definidos para análise crítica e aprovação dos processos; b) aprovação de equipamento e qualificação de pessoal; c) uso de métodos e procedimentos específicos; d) requisitos para registros (ver 4.2.4); e e) revalidação. Comentár ios – Op er ação e r ealização Comentários Oper eração (item 7.5.2. do SIQ-C) Convém que a alta direção vá além do controle do processo de realização para alcançar tanto a adequação com requisitos quanto a obtenção de benefícios para as partes interessadas. Isso pode ser conseguido por meio da melhoria da eficácia e da eficiência do processo de realização e dos processos de apoio associados, tais como: redução de desperdício; treinamento das pessoas; comunicação e registros de informações; desenvolvimento da capacidade do fornecedor; 174 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO melhoria da infra-estrutura; prevenção de problemas; métodos de processamentos e rendimento de processo; e métodos de monitoramento. Comentários complementares relevantes Existem situações em que o resultado do processo não pode ser verificado plenamente através de uma inspeção subseqüente e, assim sendo, se algo sair errado, as deficiências somente vão se tornar aparentes depois que o produto estiver em uso (ex.: pintura). Nessas situações é necessário que o método de produção seja validado. Validar o processo significa demonstrar que ele é capaz de gerar resultados aceitáveis. Isto implica realizar o processo na forma como foi planejado e verificar seus resultados através de ensaios planejados (ex.: ensaios destrutivos) para demonstrar se ele é eficaz. Pode-se citar como exemplo o processo de colocação de azulejos, no qual se acredita que, uma vez colocados, terão uma durabilidade de vários anos sem se soltar. Ocorre que, se não é técnica e/ou economicamente viável medir a aderência do azulejo na parede, teremos que demonstrar que, realizando-se a colocação na forma como está definida no procedimento, será atingida a durabilidade que esperamos. Assim, precisamos planejar a forma como vamos validar o processo de colocação de azulejos. Isso implica definir uma determinada quantidade de amostras que serão colocadas e submetidas a determinadas condições para que possa ser demonstrada a qualidade do processo. Dessa forma, após a realização de ensaios, pode-se avaliar a eficácia do método definido. Em algumas situações pode ser necessário revalidar os métodos de produção. Algumas organizações adotam períodos fixos para revalidar os métodos de produção (ex.: a cada dois anos), outras estabelecem regras para determinar a necessidade de revalidação (ex.: sempre que a marca da tinta for alterada). Critérios mistos também podem ser utilizados. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 175 Falhas mais comuns Não reconhecer processos que requeiram validação. Não definir métodos e/ou critérios para aprovação de processos. Não manter registros de aprovação de processos. Realizar as atividades de produção em desacordo com a forma como foram validados os processos (ex.: utilizar equipamentos de natureza diferente daqueles que foram utilizados na validação original). Realizar processo com pessoal não qualificado. Não prever requisitos para qualificação do pessoal que executa tais processos. Não manter registros de qualificação de pessoal. as tr eabilidade 7.5.3. Identif icação e r ras 7.5.3.1. Identif icação Nível C Quando apropriado, a empresa construtora deve identificar o produto ao longo da produção, a partir do recebimento e durante os estágios de execução e entrega. Essa identificação tem por objetivo garantir a correspondência inequívoca entre projetos, produtos, serviços e registros gerados, evitando erros. No caso dos materiais estruturais, a identificação tem também por objetivo a rastreabilidade. A situação dos produtos, com relação aos requisitos de monitoramento e de medição, deve ser assinalada de modo apropriado de tal forma a indicarem a sua conformidade ou não com relação às inspeções e aos ensaios feitos. 176 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Para todos os materiais controlados, a empresa construtora deve garantir que eles não sejam empregados, por ela ou por empresa subcontratada, enquanto não tenham sido controlados ou enquanto suas exigências específicas não tenham sido verificadas. No caso de situações nas quais um desses materiais tenha que ser aplicado antes de ter sido controlado, ele deve ser formalmente identificado, permitindo sua posterior localização e a realização das correções que se fizerem necessárias, no caso do não-atendimento às exigências feitas. Para todos os serviços de execução controlados, a empresa construtora deve garantir que as etapas subseqüentes a eles não sejam iniciadas, por ela ou por empresa subcontratada, enquanto eles não tenham sido controlados ou enquanto suas exigências específicas não tenham sido verificadas. 7.5.3.2. Rastreabilidade Nível B A empresa construtora deve garantir a rastreabilidade, ou identificação única dos locais de utilização de cada lote, para os materiais controlados cuja qualidade não possa ser assegurada através de medição e do monitoramento realizados antes da sua aplicação. Devem ser mantidos registros de tal identificação (ver 4.2.4). Comentár ios – Identif icação e Comentários rastreabilidade (item 7.5.3. do SIQ-C) A organização pode estabelecer um processo para identificação e rastreabilidade que supere os requisitos, a fim de coletar dados que possam ser usados para melhoria. A necessidade de identificação e rastreabilidade pode surgir de: PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 177 situação de produtos, incluindo partes componentes; situação e capacidades de processos; comparação com as melhores práticas (benchmarking) de dados de desempenho, tal como marketing; requisitos de contrato, como capacidade de recolhimento (recall) de produto; requisitos estatutários e regulamentares pertinentes; uso pretendido ou aplicação; materiais perigosos; e redução de riscos identificados. Comentários complementares relevantes O objetivo básico de manter a identificação do produto é evitar falhas de qualidade em função de equívocos na identificação. Essas falhas podem relacionar-se a trocas de produtos (ex.: utilizar o produto “A” em vez do produto “B”) ou situação do produto no pro-cesso (ex.: evidenciar se uma determinada atividade já foi realizada ou não). Quando nos referimos a produto, estamos contemplando matéria-prima (areia, cimento, brita, tubos e conexões, azulejos etc.), componentes (pilares, lages, ambientes, paredes) e produto final (apartamentos etc.). Os produtos podem ser identificados através de sua denominação, de códigos ou outro meio, e essa identificação pode estar contida em etiquetas puncionadas ao produto, nas gavetas ou locais de armazenamento, em registros pertinentes etc. A rastreabilidade é a capacidade de recuperar uma informação histórica em relação a um determinado produto ou serviço. Em algumas situações a rastreabilidade pode ser um requisito do cliente ou estabelecido na própria legislação (ex.: extrato de movimentação bancária para serviços de conta corrente em banco). Quando a rastreabilidade não é requerida pelo cliente, nem pela legis- 178 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO lação, é facultado à empresa decidir pelo interesse de procedimentos que a assegurem. Para que se possa manter a rastreabilidade do produto, é necessário definir a sua abrangência (de que informações pretendese manter histórico), o período de tempo no qual se deseja manter rastreabilidade (ex.: cinco anos), a forma como vamos reter as informações e de que maneira vamos recuperá-las quando necessário. Isto passa pela identificação de produtos e pelo controle dos registros pertinentes. Falhas mais comuns Não identificar produtos armazenados. Não definir procedimentos para identificação de produtos em processo (lajes, pilares, paredes, peças, apartamentos e/ou unidades). Não estabelecer meios para identificar se o produto foi inspecionado ou não. Não determinar a abrangência da rastreabilidade. Não definir a forma como as informações serão retidas e/ou recuperadas. Não analisar criticamente a necessidade de rastreabilidade do produto ou de algum componente. Definir, sem análise, que a rastreabilidade não se aplica ao processo. Implantar controle inconsistente para atendimento à necessidade de rastreabilidade. Pensar que tudo deve ser rastreado. Sistemas de rastreabilidade complexos e caros para produtos nos quais a rastreabilidade não é um requisito especificado. Não possuir um sistema eficaz de identificação dos produtos e/ou serviços. Possuir um sistema de identificação de lotes pouco eficaz. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 179 7.5.4. Propriedade do cliente Nível A A empresa construtora deve ter cuidado com a propriedade do cliente enquanto estiver sob seu controle ou por ela sendo utilizada. A empresa construtora deve identificar, verificar, proteger e salvaguardar a propriedade do cliente fornecida para uso ou incorporação no produto. Caso a propriedade do cliente seja perdida, danificada ou considerada inadequada para uso, tal fato deve ser informado ao cliente, e devem ser mantidos registros (ver 4.2.4). Comentários – Propriedade do cliente (item 7.5.4. do SIQ-C) Convém que a organização identifique as responsabilidades em relação à propriedade, outros ativos pertencentes aos clientes e outras partes interessadas e sob o controle da organização, com a finalidade de proteger o valor da propriedade. Exemplos de propriedade são: ingredientes ou componentes fornecidos para inclusão no produto; produto fornecido para reparo, manutenção ou atualização; materiais de embalagens fornecidos diretamente pelo cliente; materiais de cliente manuseados pelas operações de serviço, tal como armazenamento; serviços fornecidos em nome do cliente, tal como transporte de propriedade do cliente para uma terceira parte; e propriedade intelectual do cliente, incluindo especificações, desenhos e informações restritas ou patenteadas. 180 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes A forma mais comum como se apresenta o produto de propriedade do cliente na Construção Civil é o fornecimento de materiais de construção (ex.: fechaduras, louças, azulejos decorados e outros materiais especiais que possam ser incorporados ao produto final). As obras civis que impliquem reformas têm como produtos fornecidos pelo cliente o prédio e as instalações que serão de alguma forma utilizados pela empresa. Na primeira situação, a verificação do produto adquirido e os cuidados para sua preservação são análogos aos procedimentos adotados para verificação e preservação dos produtos adquiridos pela própria organização (ex.: recebem-se e armazenam-se azulejos do cliente da mesma forma como são recebidos e armazenados os azulejos adquiridos pela empresa). A segunda situação exige uma outra abordagem: é necessário que se verifique a forma como nos foram entregues as instalações e tomar providência para devolvê-las na mesma condição (a lógica está centrada em não danificar o que é de propriedade do cliente (ex.: sua própria casa). Em todas as situações os cuidados resumem-se em avaliar as condições do que está sendo recebido, tomar medidas para preservar essa condição, registrar e relatar ao cliente em caso de danos. Falhas mais comuns Não manter registro da inspeção de recebimento do produto fornecido pelo cliente. Não identificar o produto fornecido pelo cliente enquanto estiver na empresa. Não assegurar verificação, utilização, armazenamento e manutenção do produto e/ou serviço fornecido para uso ou a ser incorporado no seu produto. Não registrar e relatar ao cliente qualquer extravio, dano ou inadequação ao uso de produtos ou itens de sua propriedade. Não assegurar a confidencialidade em relação a informações obtidas do cliente. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 181 7.5.5. Pr eser v ação de pr odu t o Preser produ Nível C A empresa construtora deve, de maneira evolutiva, garantir, para os materiais controlados, a correta identificação, manuseio, estocagem e condicionamento, preservando a conformidade dos mesmos em todas as etapas do processo de produção. Nível B A empresa construtora deve preservar a conformidade dos serviços de execução controlados, em todas as etapas do processo de produção, até a entrega da obra. Essas medidas devem ser aplicadas, não importando se tais materiais e serviços estão sob responsabilidade da empresa construtora, ou de empresas subcontratadas. Comentár ios – Pr eser v ação do pr odu to Comentários produ odut (item 7.5.5. do SIQ-C) Convém que a direção defina e implemente processos para manuseio, embalagem, armazenamento, proteção e entrega do produto que previnam dano, deterioração ou uso impróprio durante processo interno e entrega final do produto. É recomendável que a direção envolva os fornecedores e parceiros na definição e implementação de processos eficazes e eficientes para preservar o material adquirido. Convém que a direção considere a necessidade de qualquer requisito especial resultante da natureza do produto. Requisitos especiais podem ser associados com programas de computador, meio de comunicação eletrônica, materiais perigosos, produtos que requeiram pessoas especializadas para o serviço, instalação ou aplicação, e produtos ou materiais que são únicos ou insubstituíveis. 182 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Convém que a direção identifique os recursos necessários para manter o produto ao longo de seu ciclo de vida para prevenir dano, deterioração ou uso impróprio. É recomendável que a organização comunique informações às partes interessadas envolvidas sobre os recursos e métodos necessários para preservar o uso pretendido do produto ao longo de seu ciclo de vida. Comentários complementares relevantes Este requisito se refere às atividades que envolvem o produto a partir de sua liberação até o uso. As matérias-primas, os materiais processados ou os produtos acabados, liberados para uso, podem sofrer danos decorrentes de deficiências nessas atividades. Os produtos são manuseados em todas as fase do processo, incluindo entrega e instalação. Os métodos de manuseio selecionados pelas empresas devem prever o uso de equipamentos apropriados e a respectiva manutenção. O manuseio dos produtos químicos e alimentícios, por exemplo, exige o uso de equipamentos especiais (contendedores, esteiras etc.) e limpezas freqüentes para evitar contaminações. A forma de armazenamento dos materiais varia muito em função de suas características. Tintas não podem estar expostas ao calor; eletrodos para soldagem devem ser mantidos em locais secos; combustíveis e lubrificantes devem estar em locais isolados; produtos perecíveis exigem controle de movimentação e prazos de validade. As condições ambientais (ex.: temperatura, umidade etc.), as regras para empilhamento, as instalações adequadas (ex.: ventilação, exposição à luz etc.), as orientações de movimentação do estoque ou as verificações periódicas devem ser consideradas no planejamento do manuseio dos materiais. Os produtos expedidos, antes de chegarem ao cliente, passam por diversas situações de manuseio, armazenamento e transporte, colocando em risco sua integridade. Os produtos exportados, por exemplo, são transportados por meio rodoviário, aéreo e marítimo, estando expostos a vibrações, redução de pressão atmosférica e ambiente corrosivo, respectivamente. As empresas precisam levar em consideração esta possibilidade no planejamento da embalagem dos produtos. O planejamento de manuseio, armazenamento, embalagem, preservação e entrega dos produtos, bem como a disponibili- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 183 dade de instruções de trabalho e dos recursos necessários, auxilia na prevenção de danos. A norma ISO exige que as empresas mantenham procedimentos para essas atividades. Materiais adquiridos, inspecionados e aprovados (ex.: cimento, esquadrias, tintas etc.) precisam ser armazenados adequadamente para evitar danos ou deterioração; produtos em processo (vidros colocados, portas instaladas, paredes pintadas) precisam ser adequadamente protegidos para preservar sua condição de uso. Na Construção Civil, os métodos adotados para preservação dos materiais estão definidos nas instruções de recebimento e armazenamento. Já a forma de preservação da qualidade do produto em processo é normalmente estabelecida nas instruções de produção específicas de cada atividade (ex.: colocação de esquadrias, instalação hidráulica etc.). No caso específico do produto final, as orientações para a sua preservação costumam estar definidas nos processos de entrega do produto. Em relação às matérias-primas, é importante considerar as seguintes informações: local de armazenamento, condições ambientais apropriadas (ex.: proteção da incidência de luz solar), empilhamento (quando aplicável), avaliações periódicas de estoque etc. Falhas mais comuns Instruções de trabalho não contêm orientações para preservação da qualidade do serviço concluído (ex.: isolamento de pisos com cimento fresco). Materiais armazenados em condições inadequadas nos almoxarifados (ex.: empilhamento excessivo de caixas com risco de queda). Muitos estoques intermediários de difícil avaliação periódica. Não avaliar os produtos estocados periodicamente. Restringir-se apenas aos produtos finais, não considerando os produtos intermediários. Não haver métodos adequados para manuseio, armazenamento e entrega. Não possuir critérios para contratação de empresas de transporte, assegurando que os equipamentos utilizados sejam adequados aos produtos. 184 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7.6. CONTROLE DE DISPOSITIVOS DE MEDIÇÃO E MONIT OR AMENT O Nível B A empresa construtora deve determinar as medições e os monitoramentos a serem realizados e os dispositivos de medição e monitoramento necessários para evidenciar a conformidade do produto com os requisitos determinados (ver 7.2.1). A empresa construtora deve estabelecer processos para assegurar que a medição e o monitoramento possam ser realizados, e o sejam de uma maneira coerente com os requisitos de medição e monitoramento. Quando for necessário, assegurar resultados válidos, o dispositivo de medição deve ser: a) calibrado ou verificado a intervalos especificados ou antes do uso, contra padrões de medição rastreáveis a padrões de medição internacionais ou nacionais; quando esse padrão não existir, a base usada para calibração ou verificação deve ser registrada; b) ajustado ou reajustado, como necessário; c) identificado para possibilitar que a situação da calibração seja determinada; d) protegido contra ajustes que possam invalidar o resultado da medição; e e) protegido de dano e deterioração durante manuseio, manutenção e armazenamento. Adicionalmente, a empresa construtora deve avaliar e registrar a validade dos resultados de medições anteriores quando constatar que o dispositivo não está conforme com os requisitos. A empresa construtora deve tomar ação apropriada no dispositivo e em qualquer produto afetado. Registros dos resultados de calibração e verificação devem ser mantidos. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 185 Comentários – controle de dispositivos de medição e monitoramento (item 7.6. do SIQ-C) Convém que a direção defina e implemente processos de medição e monitoramento eficazes e eficientes, incluindo métodos e dispositivos para verificação e validação de produtos e processos, a fim de assegurar a satisfação dos clientes e de outras partes interessadas. Esses processos incluem pesquisas, simulações e outras atividades de medição e monitoramento. Para fornecer confiança nos dados, convém que os processos de medição e monitoramento incluam a confirmação de que os dispositivos são adequados ao uso e de que são mantidos a precisão adequada e os padrões aceitáveis, bem como meios de identificar a situação do dispositivo. Convém que a organização considere meios para eliminar os erros potenciais oriundos de processos, como “dispositivo à prova de erro”, para verificar as saídas de processo, a fim de minimizar a necessidade de controle de dispositivos de medição e monitoramento e agregar valor para as partes interessadas. Comentários complementares relevantes Este requisito se refere ao controle dos meios utilizados para verificar os produtos e controlar os processos. As inspeções, as medições e os ensaios precisam ser controlados para assegurar que as decisões tomadas a partir dos seus resultados sejam corretas. Em alguns casos, as referências comparativas (padrões de cor, de acabamento) ou software para ensaios são utilizados para verificação das características dos produtos ou dos parâmetros dos processos. Por exemplo, um padrão de cor pode ser uma referência para determinar a temperatura no processo de forjamento de aços, enquanto, na inspeção final de computadores, um software pode ser o meio selecionado para o ensaio. As referências comparativas ou os softwares para ensaio podem sofrer deterioração ao longo do tempo e assim comprometerem o resultado das verificações. Outro exemplo: os padrões de polimento sofrem a ação do meio ambiente e se transformam. A norma ISO e o SIQ-C exigem que as referências comparativas ou os softwares para ensaio sejam con- 186 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO feridos periodicamente para demonstrar que são capazes de verificar a condição real do produto. Os resultados das medições são afetados pelas características dos equipamentos, pelas habilidades dos operadores, pelas condições ambientais etc. Cada um desses elementos contribui com uma parcela de erro (aleatório ou sistemático) e, somados, determinam a incerteza das medições. A incerteza da medição dos equipamentos deve ser compatível com o intervalo de tolerância especificado para as características dos produtos ou para os parâmetros do processo. Por Exemplo, a medição da temperatura de um forno cujo intervalo de aceitação é de 20 oC não pode ser feita com um termômetro cuja incerteza da medição é de 50 oC. As empresas precisam conhecer as incertezas das medições realizadas e assegurar que estas sejam compatíveis com a capacidade de medição requerida. A norma ISO e o SIQ-C exigem que as empresas adotem um procedimento para controle dos equipamentos de inspeção, medição e ensaios. Esse procedimento deve incluir atividades tais como: seleção dos equipamentos, calibração periódica, elaboração de procedimentos para calibração, identificação da situação dos equipamentos etc. Os equipamentos de medição (trenas, esquadros, réguas, níveis, prumos etc.) utilizados para realizar inspeções e ensaios devem estar calibrados ou verificados para assegurar que as medições realizadas sejam coerentes com a capacidade de medição dos equipamentos. O objetivo básico deste requisito é evitar que sejam tomadas decisões quanto à liberação de produtos baseadas em informações incorretas oriundas do uso de equipamentos inadequados. Exemplo: um medidor de nível descalibrado pode nos levar à aceitação de um piso fora de nível ou vice-versa. Assim sendo, é preciso identificar as medições que são realizadas durante o processo de produção, relacionar os equipamentos utilizados em tais medições, determinar a incerteza das medições realizadas com tais equipamentos e selecioná-las de forma que a incerteza seja compatível com as medições a serem realizadas. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 187 Falhas mais comuns Utilização de equipamento não calibrado para medição. Incerteza de medição do equipamento (ex.: 5 mm) não compatível com o intervalo de tolerância da medição a ser realizada (ex.: + ou – 2 mm). Não definir métodos para calibração dos equipamentos de medição. Freqüência de calibração não compatível com a condição de uso do equipamento, gerando desgaste ou desregulagem. Desconsiderar os equipamentos de medição do processo (medidores de pressão, temperatura etc.). Definir uma freqüência única de calibração para todos os equipamentos. Tentar calibrar todos os equipamentos internamente. Não possuir registros adequados das calibrações. Não aprovar o laudo de calibração emitido por órgão competente. Utilizar laboratórios que não asseguram a rastreabilidade de seus padrões aos padrões internacionais. Não estabelecer critérios para aprovação de equipamentos. Utilização de equipamento de medição com data de calibração vencida. 188 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 8. M EDIÇÃO , ANÁLISE E MELHORIA 8.1. GENER ALIDADES Nível C A empresa construtora deve, de maneira evolutiva, planejar e implementar os processos necessários de monitoramento, medição, análise e melhoria para: a) demonstrar a conformidade do produto; b) assegurar a conformidade do Sistema de Gestão da Qualidade; e c) melhorar continuamente a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade. Isso deve incluir a determinação dos métodos aplicáveis, incluindo técnicas estatísticas, e a abrangência de seu uso. Comentários – Recomendações gerais (item 8.1. do SIQ-C) Medições são importantes para se tomarem decisões com base em fatos. Convém que a alta direção assegure medições eficazes e eficientes, coletando e validando os dados para assegurar o desempenho da organização e a satisfação das partes interessadas. Convém que isso inclua a análise crítica da validade e da finalidade das medições e o uso pretendido dos dados para assegurar valor agregado à organização. Exemplos de medições de desempenho dos processos da organização incluem: medição e avaliação de seus produtos; capacidades dos processos; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 189 alcance dos objetivos dos processos; e satisfação dos clientes e de outras partes interessadas. Convém que a organização monitore continuamente suas ações de melhoria do desempenho e registre sua implementação como forma de fornecer dados para futuras melhorias. Convém que os resultados das análises de dados resultantes das atividades de melhoria sejam uma entrada para análise crítica pela direção, a fim de fornecer informações para melhoria do desempenho da organização. Aspectos a serem considerados Convém que medições, análises e melhorias incluam as seguintes considerações: a) conversão de dados de medição em informações e conhecimento para beneficiar a organização; b) uso de medições, análises e melhorias de produtos e processos para estabelecer as prioridades apropriadas para a organização; c) análise crítica periódica dos métodos de medição empregados pela organização e verificação freqüente dos dados quanto à sua precisão e completude; d) uso de comparações com as melhores práticas (benchmarking) de processos individuais como uma ferramenta para melhoria da eficácia dos processos; e) uso da medição da satisfação de clientes como vital para avaliação do desempenho da organização; f) o uso de medições e a geração e comunicação das informações obtidas são essenciais para a organização e, como base para melhoria do desempenho e o envolvimento das partes interessadas, convém que tais informações sejam atuais e que seu propósito esteja claramente definido; g) implementação de ferramentas apropriadas para a comunicação da informação resultante das análises de medições; 190 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO h) medição da eficácia e da eficiência da comunicação com as partes interessadas, para determinar se a informação é fornecida em tempo hábil e claramente entendida; i) o benefício de monitorar e analisar os dados de desempenho, mesmo quando os critérios para desempenho do produto e do processo são entendidos, para melhor entender a natureza das características sob estudo; j) o uso de técnicas estatísticas apropriadas a outras técnicas que podem auxiliar no entendimento das variações relativas aos processos e às medições, e assim poder melhorar o desempenho do processo e do produto por meio do controle da variação; e k) consideração de realização de auto-avaliação periódica para avaliar a maturidade do Sistema de Gestão da Qualidade e o nível do desempenho da organização, bem como para definir oportunidades para melhoria do desempenho. 8.2. MEDIÇÃO E MONIT OR AMENT O MONITOR AMENTO 8.2.1. Satisf ação do client e cliente Nível A Como uma das medições do desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade, a empresa construtora deve monitorar informações relativas à percepção do cliente sobre se a organização atendeu aos seus requisitos. Os métodos para obtenção e uso dessas informações devem ser determinados. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 191 Comentários – Medição e monitoramento do desemp enho do Sis t ema (it em 8.2.1. desempenho (item do SIQ-C) Convém que a alta direção assegure que métodos eficazes e eficientes sejam utilizados para identificar áreas para melhoria do desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade. Exemplos dos métodos incluem: pesquisa de satisfação de clientes e de outras partes interessadas; auditorias internas; medições financeiras; e auto-avaliação. Medição e monit or ament o da satisf ação orament dos clientes A medição e o monitoramento da satisfação dos clientes são baseados na análise crítica de informações relativas a clientes. A coleta de tais informações pode ser ativa ou passiva. Convém que a direção reconheça que existem muitas fontes de informações relativas a clientes, e recomenda-se que sejam estabelecidos processos eficazes e eficientes para coletar, analisar e usar essas informações para melhorar o desempenho da organização. Convém que a organização identifique as fontes de informação dos clientes e usuários finais, disponíveis de forma verbal ou escrita, oriundas de fontes internas ou externas. Exemplos de informações relativas aos clientes incluem: pesquisas de clientes e usuários; realimentação sobre aspectos relativos ao produto; requisitos de clientes e clientes contratuais; necessidades de mercado; 192 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO dados relativos ao serviço de entrega; e informações relativas à concorrência. Convém que a direção da organização use medições da satisfação de clientes como uma ferramenta vital. É conveniente que o processo da organização para solicitar, medir e monitorar a realimentação da satisfação dos clientes forneça informações freqüentes. Convém que esse processo considere a conformidade em relação aos requisitos, atendimento às necessidades e expectativas dos clientes, bem como ao preço e à entrega do produto. Convém que a organização estabeleça e use fontes de informação sobre a satisfação dos clientes, e recomenda-se que haja cooperação com seus clientes para antecipar as necessidades futuras. É conveniente que a organização planeje e estabeleça processos para ouvir, de maneira eficaz e eficiente, a “voz dos clientes”. Convém que o planejamento desses processos defina e implemente métodos para coleta de dados, incluindo as fontes de informações, freqüência da coleta e análise crítica de dados. Exemplos de fontes de informações sobre satisfação dos clientes incluem: reclamações dos clientes; comunicação direta com os clientes; questionários e pesquisas; subcontratação de coleta e análise de dados; grupos de organização de consumidores; relatos em vários meios de comunicação; e estudos setoriais. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 193 Comentários complementares relevantes Informações relativas a percepção do cliente a respeito do atendimento aos seus requisitos podem ser obtidas de fontes diversas. Na maioria das organizações estas fontes estão disponíveis, porém não devidamente estruturadas para se traduzirem em informações úteis aos gestores. O grande desafio consiste em estabelecer processos estruturados que permitam canalizar e processar as informações recebidas, transformando-as em dados úteis para a gestão. Assim como as pesquisas de satisfação de clientes devem ser planejadas para assegurar que as informações decorrentes sejam representativas da realidade, também é necessário planejar a obtenção de dados e informações relativas a devoluções, queixas etc. Torna-se, então, importante definir os meios pelos quais a organização pretende coletar informações relativas à satisfação e/ou insatisfação dos clientes. Informações relativas à percepção de clientes potenciais devem ser consideradas, quando aplicável. Falhas mais comuns Medir apenas a satisfação e não ter medidas de insatisfação. Obter informações relativas a uma única linha de produtos e desconsiderar os demais. Obter informações relativas a um único segmento de mercado, desprezando outros mercados relevantes. Não estabelecer um método estruturado e consistente para avaliação da satisfação dos clientes. Pesquisas de satisfação que não avaliam o desempenho em relação a todos os aspectos relevantes, desprezando aspectos como atendimento, pontualidade etc. Medir a reclamação do cliente, e não a satisfação. 194 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 8.2.2. Auditoria interna Nível A A empresa construtora deve executar auditorias internas em intervalos planejados para determinar se o seu Sistema de Gestão da Qualidade: a) está conforme com as disposições planejadas (ver 7.1), com os requisitos deste Referencial e com os requisitos do Sistema de Gestão da Qualidade por ela instituídos; e b) está mantido e implementado eficazmente. Um programa de auditoria deve ser planejado levando-se em consideração a situação e a importância dos processos e áreas a serem auditadas, bem como os resultados de auditorias anteriores. Os critérios da auditoria, escopo, freqüência e métodos devem ser definidos. Todos os processos definidos pelo Sistema de Gestão da Qualidade da empresa construtora devem ser auditados pelo menos uma vez por ano. A seleção dos auditores e a execução das auditorias devem assegurar objetividade e imparcialidade do processo de auditoria. Os auditores não devem auditar o seu próprio trabalho. As responsabilidades e os requisitos para planejamento e para execução de auditorias, e para relato dos resultados e manutenção dos registros (ver 4.2.4), devem ser definidos em um procedimento documentado. O responsável pela área a ser auditada deve assegurar que as ações para eliminar não-conformidades e suas causas sejam tomadas sem demora indevida. As atividades de acompanhamento devem incluir a verificação das ações tomadas e o relato dos resultados de verificação. Nota: ver NBR ISO 10011-1, NBR ISO 10011-2 e NBR ISO 10011-13 para orientação. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 195 Comentários – Auditoria interna (item 8.2.2. do SIQ-C) Convém que a alta direção assegure o estabelecimento de um processo eficaz e eficiente de auditorias internas para avaliar os pontos fortes e os pontos fracos do Sistema de Gestão da Qualidade. O processo de auditoria interna atua como uma ferramenta da gestão para uma avaliação independente de qualquer processo ou atividade designados. O processo de auditoria interna fornece uma ferramenta independente para demonstrar por meio da obtenção de evidências objetivas que os requisitos existentes estão sendo atendidos, visto que a auditoria interna avalia a eficácia e a eficiência da organização. É importante que a direção assegure que as ações de melhoria são tomadas em resposta aos resultados das auditorias internas. Convém que o planejamento das auditorias internas seja flexível para permitir modificações com ênfases em constatações e evidências objetivas obtidas durante a auditoria. É conveniente que, no desenvolvimento dos planos das auditorias internas, sejam considerados dados de entrada pertinentes das áreas a serem auditadas e de outras partes interessadas. Exemplos de assuntos a serem considerados pelas auditorias internas incluem: implementação eficaz e eficiente dos processos; oportunidades para melhoria contínua; capacidade de processos; uso eficaz e eficiente de técnicas estatísticas; uso da tecnologia da informação; análise de dados de custos da Qualidade; uso eficaz e eficiente dos recursos; resultados e expectativas relativas ao desempenho de produto e processo; adequação e precisão de medidas de desempenho, atividades de melhoria; e relacionamento com as partes interessadas. 196 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Os relatórios de auditorias internas, algumas vezes, incluem evidências da excelência do desempenho para subsidiar oportunidades de reconhecimento pela direção e motivação de pessoas. Comentários complementares relevantes Este requisito se refere ao processo de avaliação e correção do Sistema da Qualidade das empresas. Este processo, normalmente, se inicia no planejamento das auditorias e se encerra quando as deficiências do sistema estão sanadas. Isso inclui atividades como: formação de auditores, planejamento e execução de auditorias, elaboração de relatórios, apresentação dos resultados, solicitação de ações corretivas, identificação das causas dos desvios, planejamento e correção do sistema, avaliação da efetividade das ações tomadas e relato à administração da empresa. As atividades que compõem o Sistema da Qualidade são planejadas para a obtenção dos objetivos das empresas. Os Sistemas da Qualidade podem ser ineficazes em atingir seus objetivos quando essas atividades não são adequadamente planejadas ou são executadas de forma diferente daquela prevista. O pessoal envolvido nas diversas atividades muitas vezes não consegue obter uma visão externa e suficientemente ampla para julgá-las. Os Sistemas da Qualidade podem sofrer deterioração pela rotatividade de pessoal, pelas mudanças nos procedimentos, pelas reestruturações das empresas etc. Assim, as avaliações periódicas são importantes para detecção e correção dos desvios do Sistema da Qualidade. Os resultados dessas avaliações são informações úteis para a administração. As auditorias internas são um instrumento de avaliação da conformidade e adequação do Sistema da Qualidade das empresas. Através das auditorias podem-se detectar os desvios de adequação ou aplicação dos procedimentos. As auditorias podem ser conduzidas por pessoal interno ou por terceiros, porém o pessoal que executa essas atividades deve ter uma habilitação adequada e ser independente daqueles que têm responsabilidade pelos processos auditados. A norma ISO e o SIQ-C exigem que as empresas conduzam auditorias internas para verificar se as atividades são executadas na forma como foram planejadas e determinar a eficácia do Sistema da Qualidade para relato à administração. A norma exige ain- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 197 da que os resultados das auditorias sejam relatados aos responsáveis pelas atividades auditadas e que sejam tomadas ações corretivas referentes às deficiências encontradas. Falhas mais comuns Auditorias que não cobrem todo o Sistema de Gestão da Qualidade. Alguns processos e/ou requisitos da norma de referência não são auditados. Não definir critérios para ajustar a freqüência das auditorias. Processos menos estruturados ou mais relevantes são auditados na mesma freqüência que os demais. Auditorias executadas por pessoal não qualificado, conforme os critérios de qualificação definidos. Cometer equívocos na classificação das não-conformidades (ex.: respaldar a não-conformidade no requisito errado). Definir um número de auditorias insuficiente para uma avaliação eficaz do sistema. Não definir plano de auditorias. Não iniciar ações corretivas para todas as não-conformidades apontadas em auditoria. Auditados que não conhecem o processo de auditorias internas. Número elevado de não-conformidades em aberto. O não-acompanhamento das ações corretivas. A falta de definição de responsabilidade de quem deve acompanhar a implementação e a eficácia das ações corretivas aplicadas. A dependência dos auditores em relação à área auditada. A não-execução de ações de follow-up. Tratar áreas críticas com o mesmo grau de importância das demais áreas. 198 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 8.2.3. Medição e monitoramento de processos Nível A A empresa construtora deve aplicar métodos adequados para monitoramento e, quando aplicável, para medição dos processos do Sistema de Gestão da Qualidade. Esses métodos devem demonstrar a capacidade dos processos em alcançar os resultados planejados. Quando os resultados planejados não são alcançados, devem ser efetuadas as correções e as ações corretivas, como apropriado, para assegurar a conformidade do produto. Comentár ios – Medições f inanceir as Comentários inanceiras (item 8.2.3. do SIQ-C) Convém que a direção considere a conversão de dados de processo em informações financeiras para fornecer medidas comparáveis ao longo dos processos e para facilitar melhorias da eficácia e da eficiência da organização. Exemplos de medidas financeiras incluem: análise dos custos de prevenção e avaliação; análise dos custos de não-conformidades; análises dos custos de falhas internas e externas; e análise dos custos do ciclo de vida. Auto-avaliação Convém que a alta direção considere o estabelecimento e a implementação de auto-avaliação. Essa é uma avaliação cuidadosa, normalmente realizada pela própria gestão da organização, que resulta em uma opinião ou julgamento da eficácia e eficiência da organização, bem como da maturidade do Sistema de Gestão da Qualidade. Pode ser usada pela organização como comparação com as melhores práti- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 199 cas (benchmarking) do seu desempenho em relação ao desempenho de organizações externas e de classe mundial. A auto-avaliação também auxilia na avaliação da melhoria do desempenho da organização, enquanto o processo de auditoria interna de uma organização é uma auditoria independente usada para obter evidências objetivas de que políticas, procedimentos ou requisitos existentes estão sendo atendidos, já que a auto-avaliação considera a eficácia e a eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade. Convém que sejam planejadas a extensão e a profundidade da auto-avaliação em relação aos objetivos e às prioridades da organização. A abordagem de auto-avaliação está focalizada na determinação do grau de eficácia e da eficiência da implementação do Sistema de Gestão da Qualidade da organização. Alguma das vantagens do uso da abordagem de auto-avaliação são: é simples de entender; é de fácil utilização; tem influência mínima no uso de recursos da direção; e fornece dados para aumentar o desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade da organização. Convém que a auto-avaliação não seja considerada como uma alternativa às auditorias internas e externas da Qualidade. O seu uso pode fornecer à direção uma visão geral do desempenho da organização e o grau de maturidade do Sistema de Gestão da Qualidade. Pode, também, fornecer dados para identificação de áreas que necessitem melhoria de desempenho e auxiliar na determinação das prioridades. Medição e monitoramento de processo Convém que a organização identifique métodos de medição, e recomenda-se que realize medições para avaliar o desempenho do processo. É conveniente que a organização incorpore essas medições em seus processos e as use na gestão de processo. Convém que as medições sejam usadas para gerenciar operações diárias, para avaliação dos processos em que podem ser apropriados para melhorias passo a passo ou contínuas, bem como para 200 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO projetos de mudança de ruptura, de acordo com a visão e os objetivos estratégicos da organização. Convém que as medições do desempenho do processo contemplem as necessidades e expectativas das partes interessadas de uma maneira equilibrada. Exemplos incluem: capacidade; tempo de reação; tempo de ciclo de escoamento (throughput); aspectos mensuráveis da garantia de funcionamento; rendimento; a eficácia e a eficiência do pessoal da organização; utilização de tecnologia; redução do desperdício; e redução e alocação de custos. Comentários complementares relevantes O monitoramento de processos implica o acompanhamento da evolução do seu desempenho de forma a detectar desvios indesejáveis. O monitoramento dos processos pode ser estabelecido através do acompanhamento das atividades planejadas e realizadas (ex.: cronograma de obra), indicadores de desempenho (ex.: % de refugo) etc. O método mais clássico de monitoramento dos processos é a aplicação de indicadores de desempenho. Para o adequado monitoramento dos processos é necessário que sejam identificados os resultados esperados dos processos, estabelecidos objetivos, metas e definidos indicadores para acompanhamento dos resultados. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 201 Assim sendo, poderíamos determinar que o processo de orçamento deve ser ágil e preciso, estabelecendo-se como meta que o tempo de desenvolvimento de um orçamento deve ser inferior a dois dias e não deve incorrer em erros maiores do que 5% da realidade. Nesse caso, os indicadores estabelecidos poderiam ser o tempo médio de realização do orçamento e a relação entre os gastos previstos e os realizados na prática. É necessário que as empresas utilizem um conjunto de indicadores que sejam representativos do desempenho do processo e que permitam uma informação atualizada da sua evolução. Devese tomar cuidado em relação ao uso de indicadores de difícil obtenção e/ou cujo resultado seja questionável. Quanto mais direto for o indicador escolhido, tanto melhor. É importante salientar que um único indicador pode refletir o desempenho de mais de um processo. O indicador que mede a acuidade de um orçamento (previsto x realizado) pode também medir a eficiência do processo produtivo. Um maior cuidado na definição dos indicadores pode reduzir o esforço de monitoramento dos processos. Falhas mais comuns Indicadores que não permitem avaliar o desempenho dos processos. A freqüência estabelecida para avaliação dos indicadores não permite identificar em tempo desvios significativos. Não evidenciar ações corretivas a partir da identificação de um mau desempenho dos processos. Não evidenciar o encaminhamento de ações preventivas a partir de tendências indesejáveis dos processos. 202 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 8.2.4. Insp eção e monit or ament o de Inspeção monitor orament amento mat er iais e ser viços de ex ecução mater eriais execução controlados e da obra Nível C A empresa construtora deve estabelecer procedimentos documentados de inspeção e monitoramento das características dos materiais controlados (ver Requisitos Complementares aplicáveis ao subsetor) e dos produtos resultantes dos serviços de execução controlados (ver Requisitos Complementares aplicáveis ao subsetor), a fim de verificar o atendimento aos requisitos especificados. Isso deve assegurar a inspeção de recebimento, em ambos os casos, e deve ser conduzido nos estágios apropriados dos processos de execução da obra (ver 7.1). Nível A A empresa construtora deve estabelecer procedimento documentado para inspeção das características finais da obra antes da sua entrega, de modo a confirmar a sua conformidade às especificações e necessidades do cliente quanto ao produto acabado. Em ambos os casos, as evidência de conformidade com os critérios de aceitação devem ser mantidas. Os registros devem indicar a(s) pessoa(s) autorizada(s) a liberar o produto (ver 4.2.4). A liberação dos materiais e a liberação e entrega dos serviços de execução controlados e da obra não devem prosseguir até que todas as providências planejadas (ver 7.1) tenham sido satisfatoriamente concluídas, a menos que aprovado de outra maneira por uma autoridade pertinente e, quando aplicável, pelo cliente. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 203 Comentários – Medição e monitoramento do produto (item 8.2.4. do SIQ-C) Convém que a organização estabeleça e especifique os requisitos de medição (incluindo critério de aceitação) para seus produtos. É conveniente que a medição do produto seja planejada e executada para verificar se os requisitos das partes interessadas foram atendidos e usados para melhorar os processos de realização. Na seleção dos métodos de medição, para assegurar que os produtos estejam em conformidade com os requisitos e na consideração das necessidades e expectativas dos clientes, convém que a organização considere o seguinte: a) tipos de características do produto, que, por sua vez, determinam tipos de medição, meios adequados de medição, precisão requerida e habilidades necessárias; b) equipamento, programas de computador e ferramentas necessárias; c) localização dos pontos adequados de medição na seqüência do processo de realização; d) características a serem medidas em cada ponto e documentação e critérios de aceitação a serem utilizados; e) pontos estabelecidos pelo cliente para testemunhar ou verificar as características selecionadas do produto; f) inspeções ou ensaios exigidos a serem testemunhados ou executados por autoridades estatutárias ou regulamentares; g) onde, quando e como a organização pretende, ou é solicitada pelo cliente ou por autoridades estatutárias ou regulamentares, empregar terceira parte para executar: 204 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO ensaio de tipo; inspeção ou ensaios durante o processo; verificação do produto; validação do produto; e qualificação do produto; h) qualificação de pessoas, materiais, produtos, processos e do Sistema de Gestão da Qualidade; i) inspeção final para confirmar que as atividades de verificação e validação tenham sido concluídas e aceitas; j) registro dos resultados de medição do produto. Convém que a organização analise criticamente os métodos usados para medição do produto e para registros de verificação planejados, para considerar oportunidades para melhoria do desempenho. Exemplos típicos de registros de medição do produto que podem ser considerados para melhoria do desempenho incluem: relatórios de inspeção e ensaios; avisos de liberação do material; relatório de aceitação do produto; e certificados de conformidade, quando requeridos. Medição do monit or ament o da satisf ação orament amento essadas das par t es int er eressadas Convém que a organização identifique as informações de medição requeridas para atender às necessidades das partes interessadas (outras além dos clientes), em relação aos processos da organização para equilibrar a alocação de recursos. É conveniente que tais informações incluam a medição relativa a pessoas na organização, proprietários e investidores, fornecedores e parceiros, bem como a sociedade. São exemplos de medições: a) para seu pessoal, convém que a organização: PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 205 pesquise sua opiniões no que diz respeito a quão bem a organização satisfaz suas necessidades e expectativas; e avalie o desempenho individual e coletivo e sua contribuição para os resultados da organização; b) para proprietários e acionistas, convém que a organização: avalie sua capacidade em atingir os objetivos definidos; avalie seu desempenho financeiro; estime a influência dos fatores internos e externos em seus resultados; e identifique o valor agregado pelas ações tomadas. c) para fornecedores e parceiros, convém que a organização: pesquise a opinião dos fornecedores e parceiros em relação à satisfação com os processos de aquisição da organização; monitore e forneça realimentação sobre o desempenho dos fornecedores e dos parceiros e seu atendimento à política de aquisição da organização; e avalie a qualidade do produto adquirido, contribuições dos fornecedores e parceiros e benefícios mútuos resultantes desse relacionamento; d) para a sociedade, convém que organização: defina e rastreie os dados adequados relativos aos seus objetivos, para alcançar uma interação satisfatória com a sociedade; e avalie periodicamente a eficácia e a eficiência de suas ações e a percepção de seu desempenho pelas partes pertinentes da sociedade. 206 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Comentários complementares relevantes Este requisito se refere às atividades de inspeção e de ensaios realizadas nas diversas fases do processo produtivo. Tais inspeções podem ser utilizadas para liberação dos produtos em estágios planejados ou para monitorar a sua conformidade. O planejamento das inspeções e dos ensaios é, normalmente, detalhado nas instruções de inspeção que identificam as características a serem verificadas e os métodos de verificação selecionados, estabelecem os critérios para aceitação do produto, e determinam os planos de amostragem e os registros a serem mantidos. As instruções de inspeção podem ser complementadas por procedimentos de ensaios que detalham a forma de realização de um ensaio específico (ex.: procedimento de ensaio de dureza, procedimento de inspeção de trincas). O planejamento das inspeções e dos ensaios leva em consideração o controle exercido sobre os processos anteriores (quer sejam processos internos, quer sejam os de fornecedores) e o grau de importância das características adquiridas na qualidade do seu produto final. Quando a empresa está convencida de que está sendo exercido um controle adequado sobre o processo anterior, as inspeções e os ensaios planejados podem ser reduzidos e até mesmo eliminados. Em algumas situações, por motivos de urgência, os produtos precisam ser liberados para produção sem a conclusão das inspeções e ensaios previstos nas instruções de inspeção. É evidente que essas situações podem pôr em risco a qualidade do produto final e a segurança do próprio cliente. Portanto, torna-se necessário que seja estabelecido um método de identificação e registro que possibilite o recolhimento imediato do produto quando constatadas divergências e somente se permita a liberação do produto final após a conclusão satisfatória de todas as inspeções e ensaios pendentes (a menos que acordado de forma contrária com o cliente). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 207 Os registros de inspeções e ensaio são uma importante evidência da conformidade dos produtos em relação aos requisitos especificados, devendo ser mantidos por motivos legais, por interesse do cliente e/ou da própria empresa. Os registros devem ser planejados para facilitar a identificação da causa de problemas e a demonstração da qualidade do produto. A norma ISO exige que a empresa estabeleça procedimento para as inspeções e os ensaios no recebimento, nas diversas fases do processo produtivo e no final. Esse procedimento deve prever o detalhamento das inspeções e ensaios previstos, e os registros requeridos, nos planos da Qualidade ou nos procedimentos pertinentes. Falhas mais comuns Não definir com clareza as características do produto que devem ser avaliadas (ex.: cor, acabamento, nível etc.). Não definir critérios de aceitação para o produto. Não manter registros dos resultados das inspeções. Liberar o produto para uso sem realizar inspeções pertinentes. Não prever inspeções ou ensaios para todos materiais recebidos na empresa que impactam na Qualidade. Não prever métodos para tratar liberações para produções urgentes. 208 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 8.3. CONTROLE DE MA TERIAIS E DE MATERIAIS SERVIÇOS DE EXECUÇÃO CONTROL ADOS E DA OBR A NÃOCONFORMES Nível B A empresa construtora deve assegurar, de maneira evolutiva, que os materiais controlados, os produtos resultantes dos serviços de execução controlados e a obra a ser entregue ao cliente que não estejam de acordo com os requisitos definidos sejam identificados e controlados para evitar seu uso, liberação ou entrega não intencional. Essas atividades devem ser definidas em um procedimento documentado. A empresa construtora deve tratar os materiais controlados, os serviços de execução controlados ou a obra não-conformes segundo uma ou mais das seguintes formas: a) execução de ações para eliminar a não-conformidade detectada; b) autorização do seu uso, liberação ou aceitação sob concessão por uma autoridade pertinente e, onde aplicável, pelo cliente; c) execução de ação para impedir a intenção de seu uso ou aplicação originais, sendo possível a sua reclassificação para aplicações alternativas. Devem ser mantidos registros sobre a natureza das nãoconformidades e qualquer ação subseqüente tomada, incluindo concessões obtidas (ver 4.2.4.). Quando o material, o serviço de execução ou a obra nãoconformes forem corrigidos, esses devem ser reverificados para demonstrar a conformidade com os requisitos. Quando a não-conformidade do material, do serviço de execução ou da obra for detectada após a entrega ou início de seu uso, a empresa construtora deve tomar as ações apropriadas em relação aos efeitos, ou potenciais efeitos, da não-conformidade. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 209 Comentários – Controle de nãoconformidade (item 8.3. do SIQ-C) Convém que a alta direção dê autoridade e responsabilidade para pessoas da organização, a fim de reportar não-conformidades a qualquer etapa de um processo, para assegurar, em tempo hábil, a detecção e a correção de não-conformidades. Convém que a autoridade, para tratar das não-conformidades, seja definida a fim de manter o atendimento aos requisitos do processo e do produto. Convém que a organização controle de maneira eficaz e eficiente a identificação, a segregação e a correção dos produtos não-conformes, para evitar o uso indevido. Quando praticável, convém que as não-conformidades sejam registradas, juntamente com a sua correção, para auxiliar no aprendizado e fornecer dados para atividades de análise e melhoria. A organização pode decidir também que as não-conformidades relativas à realização do produto e dos processos de apoio possam ser registradas e controladas. A organização pode também considerar o registro de informações sobre aquelas não-conformidades que foram corrigidas durante o desenvolvimento normal do trabalho. Tais dados podem fornecer valiosas informações para melhoria da eficiência e da eficácia dos processos. Análise crítica e correção das nãoconformidades Convém que a direção da organização assegure que sejam estabelecidos processos eficazes e eficientes para análise crítica e correção das não-conformidades identificadas. Convém que a análise crítica das não-conformidades seja realizada por pessoal autorizado para determinar se alguma tendência ou padrão de ocorrência requer atenção. Convém que as tendências negativas sejam conside- 210 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO radas para melhorias, e como um dado de entrada para análise crítica pela direção, onde são consideradas necessidades de redução de metas e de recursos. Convém que as pessoas encarregadas pela análise crítica tenham competência para avaliar os efeitos totais das não-conformidades e convém que tenham autoridade e os recursos para correção das não-conformidades, bem como para definir as ações corretivas apropriadas. A aceitação da correção de não-conformidades pode ser um requisito contratual do cliente ou um requisito de outras partes interessadas. Comentários complementares relevantes Este requisito se refere aos cuidados que devem ser tomados pela empresa quando constatados desvios de qualidade nos produtos. A norma ISO e o SIQ-C exigem que a empresa estabeleça um procedimento para manter o controle dos produtos defeituosos através de identificação, documentação, avaliação, segregação, correção e notificação às funções envolvidas. O procedimento adotado pela empresa deve prevenir a utilização ou instalação não intencional dos produtos defeituosos em todos os estágios do processo, desde o recebimento até a inspeção final. Quando constatados desvios de qualidade em uma inspeção ou ensaio torna-se necessária a localização das unidades de produtos envolvidas para distinção dos produtos isentos de defeitos. Em situações de produção seriada (ex.: laminação de roscas na fabricação de parafusos) a constatação de defeitos em um produto pode implicar a identificação e a segregação de um lote de produção determinado pelo provável intervalo de tempo em que ocorreu o problema. As decisões quanto ao destino dos produtos defeituosos variam em função do desvio encontrado, e as autoridades para decisão podem variar em função da ação proposta. A norma ISO exige que seja definida a autoridade para essas situações. Exemplo: a decisão de retrabalhar um produto defeituoso pode ser tomada pelo próprio operador no momento da constatação do defeito, visto que esta decisão fará que o produto atenda aos requisitos especificados; já a decisão de aceitar o produto fora do especificado exige uma análise mais cautelosa por implicar a liberação para o uso de um produto PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 211 defeituoso. Os produtos retrabalhados ou reparados devem ser reinspecionados para completar a evidência de que atendem aos requisitos especificados. Falhas mais comuns Não definir claramente a responsabilidade pela disposição do item não-conforme. Definir responsabilidade para aprovação de produto não conforme a quem não tem informações suficientes para julgar (ex.: mestre tem autoridade para autorizar a troca do ferro de uma viga em vez do engenheiro residente). Não submeter à análise crítica do cliente a decisão de liberar para o uso um produto que não atenda um requisito solicitado por ele (ex.: cliente solicita pé direito de 2,30 metros, e o produto é liberado com 2,20 metros sem que o cliente tome conhecimento). Não evidenciar a reinspeção de produto reparado ou retrabalhado. Não avaliar os efeitos potenciais de não-conformidades detectadas após entrega ou início do uso do produto. Não definir uma área específica para produtos nãoconformes. Não acompanhar os indicadores de não-conformidades. Identificação deficiente de produto não-conforme. Não tratar não-conformidade relevante com ação corretiva. 212 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 8.4. ANÁLISE DE DADOS Nível A A empresa construtora deve determinar, coletar e analisar dados apropriados para demonstrar a adequação e a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade e para avaliar onde melhorias contínuas podem ser realizadas. Isto deve incluir dados gerados como resultado do monitoramento e das medições, e de outras fontes pertinentes. A análise de dados deve fornecer informações relativas a: a) satisfação do cliente; b) conformidade com os requisitos do produto; c ) características da obra entregue, dos processos de execução de serviços controlados e dos materiais controlados, e suas tendências de desempenho, incluindo desempenho operacional dos processos e oportunidades para ações preventivas; e d) fornecedores. Comentários – Análise de dados (item 8.4. do SIQ-C) As decisões devem ser baseadas na análise de dados obtidos de medições e em informações coletadas como descrito nesta norma. Nesse contexto, convém que a organização analise os dados oriundos de suas diferentes fontes para avaliar o desempenho em relação aos planos, aos objetivos e a outras metas definidas e identificar áreas para melhoria, incluindo possíveis benefícios para as partes interessadas. Decisões baseadas em fatos requerem ações eficazes e eficientes, tais como: métodos válidos de análise; técnicas estatísticas e apropriadas; e PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 213 tomadas de decisões e execução de ações baseadas em resultados de análises lógicas, equilibradas com experiência e intuição. A análise de dados pode auxiliar na determinação da causaraiz de problemas existentes ou potenciais e, conseqüentemente, direcionar as decisões sobre as ações corretivas e preventivas necessárias para melhoria. Convém que sejam integrados e analisados dados e informações de todas as áreas da organização para uma avaliação eficaz do desempenho global da empresa pela direção. Convém que o desempenho global da organização seja apresentado em um formato adequado para os seus diferentes níveis da organização. Os resultados dessa análise podem ser usados pela organização para determinar: tendências; satisfação dos clientes; satisfação de outras partes interessadas; eficácia e eficiência de seus processos; contribuição do fornecedor; sucesso de seus objetivos de melhoria do desempenho; aspectos econômicos da Qualidade, e de desempenho financeiro e de mercado; comparação do seu desempenho com as melhores práticas (benchmarking); e competitividade. Comentários complementares relevantes Convém que a organização selecione um conjunto de indicadores referentes aos serviços e materiais controlados da obra e relacionados com os objetivos traçados para cada processo e/ou setor da empresa. A análise desses dados deve ser contínua, objetivando a construção de um histórico do desempenho da empresa, durante a implantação do SGQ. 214 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Falhas mais comuns Indicadores de desempenho que não podem ser correlacionados aos objetivos gerais do Sistema de Gestão da Qualidade. Indicadores e/ou dados disponíveis que não permitem avaliar a eficácia do sistema de gestão. Não definir critérios para determinação dos indicadores. Os resultados dos processos podem oscilar devido à falta de um método estruturado para determinação dos indicadores. Não definir a freqüência e os responsáveis pela análise dos indicadores. Não realizar a análise dos indicadores conforme definido nos documentos pertinentes. Registros da análise que não evidenciam conclusões claras em relação à eficácia do Sistema de Gestão. Não dispor e/ou analisar informações relativas ao desempenho de fornecedores. Considerar como técnica estatísticas somente o CEP (controle estatístico de processos). Dar ênfase à coleta de dados e não à análise e às soluções dos problemas levantados. Não utilizar métodos estatísticos para a prevenção de não-conformidades. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 215 8.5. MELHORIA 8.5.1. Melhoria contínua Nível A A empresa construtora deve continuamente melhorar a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade por meio do uso de Política da Qualidade, objetivos da qualidade, resultados de auditorias, análise de dados, ações corretivas e preventivas e análise crítica pela direção. Comentários – Generalidades (item 8.5.1. do SIQ-C) Convém que a direção procure continuamente a melhoria da eficácia e da eficiência de seus processos, em vez de esperar que um problema revele oportunidades para melhorias. As melhorias podem variar de melhorias contínuas em pequenos passos até projetos estratégicos de mudança, de ruptura. Convém que a organização tenha implementado um processo para identificar e gerenciar atividades de melhoria. Essas melhorias podem resultar em alterações no produto ou no processo, ou até mesmo no Sistema de Gestão da Qualidade ou na organização. Melhoria contínua da organização Para auxiliar a organização a assegurar o seu futuro e a satisfação das partes interessadas, convém que a direção crie uma cultura que envolva ativamente as pessoas na busca de oportunidades para melhoria do desempenho de processo, de atividades e de produtos. 216 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Para envolver as pessoas, convém que a alta direção crie um ambiente onde a autoridade é delegada de modo que as pessoas sejam encorajadas e aceitem a responsabilidade em identificar onde a organização pode melhorar seu desempenho. Isso pode ser alcançado por atividades tais como: estabelecimento de objetivos para pessoas, projetos e organização; comparação com as melhores práticas (benchmarking) de desempenho dos competidores e melhores experiências; reconhecimento e recompensa pela realização e melhoria; e programas de sugestões e reações em tempo hábil pela direção. Para fornecer uma estrutura para as atividades de melhoria, convém que a alta direção defina e implemente um processo para melhoria contínua que possa ser aplicado aos processos de realização e apoio às atividades. Para assegurar a eficácia e a eficiência do processo de melhoria, convém que considerações sejam dadas aos processos de realização e de apoio em termos de: eficácia (tal como resultados atendendo aos requisitos); eficiência (tal como recursos de tempo e financeiros por unidade); efeitos externos (tais como mudanças estatutárias e regulamentares); pontos fracos potenciais (tais como perda da capacidade e da consistência); oportunidades para empregar melhores métodos; controle de alterações planejadas e não planejadas; e medição de benefícios planejados. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 217 Convém que um processo para melhoria contínua seja usado como uma ferramenta tanto para a melhoria da eficácia e da eficiência internas à organização quanto para melhorar a satisfação dos clientes e de outras partes interessadas. Convém que a direção apóie melhorias tanto na forma de pequenos passos em processos existentes quanto na forma de melhoria de ruptura, para obter o máximo benefício para a organização e para as partes interessadas. Exemplos de dados de entrada para apoiar os processos de melhoria incluem informações oriundas de: dados de avaliação; dados de rendimento de processo; dados de ensaio; dados de auto-avaliação; requisitos estabelecidos e realimentação das partes interessadas; experiência de pessoas na organização; dados financeiros; dados de desempenho do produto; e dados de entrega do serviço. Convém que a direção assegure que as alterações de produto ou de processos sejam aprovadas, priorizadas, planejadas, provisionadas e controladas para satisfazer os requisitos das partes interessadas e evitar exceder a capacidade da organização. 218 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 8.5.2. Ação corretiva Nível A A empresa construtora deve executar ações corretivas para eliminar as causas de não-conformidades, de forma a evitar sua repetição. As ações corretivas devem ser proporcionais aos efeitos das não-conformidades encontradas. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os requisitos para: a) análise crítica de não-conformidades, incluindo reclamações de cliente; b) determinação das causas de não-conformidades; c) avaliação da necessidade de ações para assegurar que aquelas não-conformidades não ocorrerão novamente; d) determinação e implementação de ações necessárias; e) registro dos resultados de ações executadas (ver 4.2.4.); e f) análise crítica de ações corretivas executadas. Comentários – Ação corretiva (item 8.5.2. do SIQ-C) Convém que a alta direção assegure que ações corretivas sejam usadas como uma ferramenta para melhoria. Convém que o planejamento das ações corretivas inclua a avaliação da importância dos problemas e considere a influência potencial em aspectos tais como custos operacionais, custos de não-conformidade, desempenho do produto, segurança e garantia de funcionamento e satisfação dos clientes e de outras partes interessadas. Convém que pessoas de áreas apropriadas participem no processo de ação corretiva. Também é conveniente que sejam enfatizadas a eficácia e a eficiência dos processos, quando ações são tomadas, e que essas ações sejam monitoradas para assegurar que as metas desejadas sejam cum- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 219 pridas. Convém que as ações corretivas sejam consideradas na análise crítica pela direção. Convém que a organização identifique fontes de informação e colete informações para definir ações corretivas necessárias. Convém que a ação corretiva definida seja focada na eliminação das causas da não-conformidade para evitar a repetição. Exemplos de fontes de informação a serem consideradas incluem: reclamação dos clientes; relatórios de não-conformidade; relatórios de auditoria interna; resultados de análises críticas pela direção; resultados de análise de dados; resultados de medição da satisfação; registros pertinentes do Sistema de Gestão da Qualidade; pessoas na organização; medições de processos; e resultados de auto-avaliação. Existem várias maneiras para determinar as causas de nãoconformidade, incluindo a análise por uma pessoa ou por uma equipe designada para ação corretiva. Convém que a organização equilibre os investimentos em ações corretivas com a importância do problema a ser considerado. Ao estimar a necessidade de ações para assegurar que não haja repetição da não-conformidade, é conveniente que a organização considere a provisão de treinamento apropriado para as pessoas designadas para os projetos de ação corretiva. Convém que a organização incorpore a análise de causaraiz, como apropriado, no processo de ação corretiva. É conveniente que o resultado da análise da causa-raiz seja verificado por meio de ensaios antes da definição e do início das ações corretivas. 220 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 8.5.3. Ação Preventiva Nível A A empresa construtora deve definir ações para eliminar as causas de não-conformidades potenciais, de forma a evitar sua ocorrência. As ações preventivas devem ser proporcionais aos efeitos dos problemas potenciais. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os requisitos para: identificação de não-conformidades potenciais e suas causas; avaliação da necessidade de ações para evitar a ocorrência de não-conformidades; definição e implementação de ações necessárias; registros de resultados de ações executadas (ver 4.2.4); e análise crítica de ações preventivas executadas. io – Pr e v enção contr a p er das Comentár per erdas contra Comentário (item 8.5.3. do SIQ-C) Convém que a direção planeje a redução dos efeitos de perdas para a organização de forma a manter o desempenho dos processos e produtos. Convém que a prevenção de perdas, na forma de planejamento, seja aplicada aos processos de realização e de apoio, às atividades e aos produtos, para assegurar a satisfação das partes interessadas. É conveniente que o planejamento para prevenção de perdas, para ser eficaz e eficiente, seja sistematizado. Convém que esse planejamento seja baseado em dados provenientes de métodos apropriados, incluindo a avaliação de tendências em histórico de dados, e em aspectos críticos com relação ao desempenho da organização e PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 221 de seus produtos, para gerar dados em termos quantitativos. Dados podem ser gerados a partir de: uso de ferramentas de análise de risco, tal como análise de métodos e efeitos de falha; análise crítica de necessidades e expectativas de clientes; análise de mercado; resultados de análise crítica pela direção; resultados de análise de dados; medições de satisfação; medições de processos; sistemas que consolidem fontes de informação de partes interessadas; registros pertinentes do Sistema de Gestão da Qualidade; aprendizagem com experiências anteriores; resultados de auto-avaliação; e processos que fornecem advertência antecipada de condições de operação fora de controle. Tais dados fornecerão informações para desenvolver um plano eficaz e eficiente para prevenção de perdas e para definição de prioridades apropriada a cada processo ou produto, de forma a satisfazer as necessidades e expectativas das partes interessadas. Convém que os resultados da avaliação da eficácia e da eficiência dos planos de prevenção de perdas sejam saídas da análise crítica pela direção e que sejam usados como entradas para modificações em planos e, da mesma forma, como entradas para melhoria de processos. Comentários complementares relevantes As empresas precisam melhorar continuamente a qualidade dos seus produtos para serem competitivas e garantirem suas posições no mercado. A melhoria contínua da qualidade exige a eliminação das 222 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO falhas detectadas e a tomada de ações para prevenir a ocorrência das falhas potenciais. O requisito “8.5 – Melhoria da Qualidade” refere-se ao processo de melhoria da qualidade das empresas. As empresas dispõem de uma série de informações relativas à qualidade oriundas de fontes externas (reclamações de clientes, relatórios de assistência técnica etc.) e internas (relatórios de sucata e retrabalho, registros de inspeção, registros de processo, relatórios de auditorias etc.). A análise sistemática dessas informações permite a identificação de falhas reais ou potenciais dos produtos. As falhas reais podem ser tratadas por diversas funções em todos os níveis das empresas. Problemas de qualidade no processo, por exemplo, podem ser tratados pelos órgãos de engenharia competentes ou pelos times da Qualidade. Freqüentemente, o número de oportunidades de melhoria é superior à capacidade das empresas para tratá-las devidamente. Estas situações exigem que sejam designadas as autoridades para iniciar as ações de correção e que elas sejam priorizadas em função da magnitude dos problemas e dos riscos decorrentes das falhas. O primeiro passo para eliminar as deficiências dos produtos é a determinação das causas. As ações para correção das falhas são planejadas a partir do resultado desta análise. Quando as causas não são corretamente determinadas, os problemas voltam a ocorrer. Portanto, é necessário que sejam aplicados controles para garantir que as ações sejam implementadas na forma planejada e verificar se foram eficazes na eliminação dos problemas. As falhas potenciais são identificadas através da observação e da análise das fontes de informação apropriadas. As empresas podem detectar, através da análise dos registros da Qualidade, uma tendência indesejada na qualidade dos produtos e, antes que os problemas ocorram, tomar ações para eliminar as causas do problema potencial. As precauções para o controle da implementação e da eficácia das ações são também aqui necessárias. A norma ISO e o SIQ-C exigem que as empresas estabeleçam procedimentos para implementação de ações corretivas e ações preventivas. O procedimento para ação corretiva e preventiva deve determinar os responsáveis por iniciar as ações, prever o uso de informações apropriadas, a determinação das causas fundamentais, o planejamento das ações e a aplicação de controles para assegurar a eficácia das ações tomadas. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 223 Falhas mais comuns Não haver critérios definidos para iniciar ações corretivas ou preventivas. Não evidenciar a identificação das causas dos problemas. Ações planejadas que se limitam à correção e não eliminam as causas dos problemas. Não há correlação entre a causa identificada e a ação planejada. Não acompanhar a implementação das ações planejadas. Não verificar a eficácia das ações tomadas. Não iniciar ações corretivas para reclamações de clientes recorrentes. Não iniciar ações corretivas em casos de mau desempenho de fornecedores. Não haver evidência de ações preventivas. Confundir ação corretiva com correção. Não registrar as ações tomadas. Dar maior ênfase à correção que à prevenção. Centralizar na organização a abertura dos relatórios de ações corretivas e preventivas. Não possuir metodologia definida para solução dos problemas. Não relacionar os processos de ações corretivas e preventivas com os demais processos da organização. 3.R EQUISIT OS COMPLEMENT ARES COMPLEMENTARES PAR A O SUBSET OR DE EDIFICAÇÕES 226 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 227 R E QUISIT OS COMPLEMENT ARES COMPLEMENTARES PAR A O SUBSET OR DE EDIFIC AÇÕES Este documento estabelece as particularidades do fornecimento de materiais e serviços de execução controlados para o caso do subsetor de edificações. Ser viços de ex ecução e mat er iais execução eriais controlado s A empresa construtora deve preparar uma lista própria de serviços de execução controlados que utilize e que afete a Qualidade do produto exigido pelo cliente, abrangendo no mínimo os serviços listados no item 1. Essa lista deve ser representativa dos sistemas construtivos por ela empregados em suas obras. Caso a empresa utilize serviços específicos que substituam serviços constantes da lista mínima, eles devem ser controlados. A empresa deve, para o estabelecimento do planejamento da implementação do Sistema de Gestão da Qualidade (requisito 4.1), respeitar as porcentagens mínimas de evolução do número de serviços de execução controlados estabelecido em sua lista, de acordo com o nível de qualificação, conforme item 2. Caso os sistemas construtivos empregados pela empresa nos tipos de obras cobertos pelo Sistema de Gestão da Qualidade não empreguem serviços de execução controlados que constem da lista mínima, ela será dispensada de estabelecer o(s) respectivo(s) procedimento(s) documentado(s), desde que se obedeça, para cada nível, à quantidade mínima de serviços de execução controlados, conforme item 2. A partir dessa lista de serviços de execução controlados, a empresa construtora deve preparar uma lista de materiais que sejam neles empregados, que afetem tanto a qualidade dos serviços, quanto a do produto exigido pelo cliente. A empresa deve, para o estabelecimento do planejamento da implementação do Sistema de Gestão da Qualidade (requisito 4.1), respeitar as porcentagens mínimas de evolução do número de materiais controlados estabelecido em sua lista, de acordo com o nível de qualificação, conforme item 4. 228 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 1. D EFINIÇÃO DOS SERVIÇOS DE EXECUÇÃO CONTROL ADOS São os seguintes os serviços de execução obrigatoriamente controlados, segundo a etapa da obra, a partir dos quais a empresa deve elaborar sua lista de serviços controlados: Serviços preliminares: 1. compactação de aterro; 2. locação de obra. Fundações: 3. execução de fundação. Estrutura: 4. execução de forma; 5. montagem de armadura; 6. concretagem de peça estrutural; 7. execução de alvenaria estrutural. Vedações verticais: 8. execução de alvenaria não estrutural e de divisória leve; 9. execução de revestimento interno de área seca, incluindo produção de argamassa em obra, quando aplicável; 10. execução de revestimento interno de área úmida; 11. execução de revestimento externo. Vedações horizontais: 12. execução de contrapiso; 13. execução de revestimento de piso interno de área seca; 14. execução de revestimento de piso interno de área úmida; 15. execução de revestimento de piso externo; 16. execução de forro; 17. execução de impermeabilização; 18. execução de cobertura em telhado. Esquadrias: 19. colocação de batente e porta; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 229 20. colocação de janela. Pintura: 21. execução de pintura interna; 22. execução de pintura externa. Sistemas prediais: 23. execução de instalação elétrica; 24. execução de instalação hidrossanitária; 25. colocação de bancada, louça e metal sanitário. Notar que, em qualquer nível, a empresa deve garantir que sejam também controlados todos os serviços de execução que tenham a inspeção exigida pelo cliente. A partir destes, ela deverá ampliar a lista de materiais controlados, considerando aqueles já relacionados como críticos para o atendimento das exigências dos clientes, e que sejam empregados em tais serviços. Nota: observar o previsto no requisito 7.5.1.1, quando a empresa construtora optar por adquirir externamente algum serviço de execução controlado. 2. E VOLUÇÃO DO NÚMERO DE SERVIÇOS DE EXECUÇÃO CONTROL ADOS , CONFORME NÍVEL DE QUALIFICAÇÃO Devem ser controladas no mínimo as seguintes porcentagens da lista de serviços de execução controlados da empresa, conforme o nível de qualificação: Nível C: 15%; Nível B: 40%; Nível A: 100%. 230 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Para obtenção da qualificação em determinado nível, a empresa construtora deve: a) ter desenvolvido os procedimentos documentados para as porcentagens mínimas de serviços de execução controlados determinados acima, e aplicá-los efetivamente em obra, tendo treinado pessoal e gerado registros de sua aplicação, no mínimo para a metade das porcentagens estabelecidas; b) dispor de obra, de modo que a cada nível de qualificação possa nela ser observado a efetiva aplicação dos procedimentos, incluindo o treinamento de pessoal e geração de registros, no mínimo para um quinto das porcentagens estabelecidas. As quantidades restantes de serviços de execução controlados poderão ser auditadas sob a forma de registros, incluindo os relativos aos treinamentos efetuados. 3. D EFINIÇÃO DOS MA TERIAIS MATERIAIS CONTROL ADOS A empresa construtora deve preparar uma lista mínima de materiais que afetem tanto a qualidade dos seus serviços de execução controlados, quanto a da obra, e que devem ser controlados. Esta lista deve ser representativa dos sistemas construtivos por ela utilizados, e dela deverão constar, no mínimo, 20 materiais. Notar que, em qualquer nível, a empresa deve garantir que sejam também controlados todos os materiais que tenham a inspeção exigida pelo cliente, como também todos aqueles que considerou críticos em função de exigências feitas pelo cliente quanto ao controle de outros serviços de execução (ver item 2). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 231 4. E VOLUÇÃO DO NÚMERO DE MA TERIAIS CONTROL ADOS , MATERIAIS CONFORME NÍVEL DE QUALIFICAÇÃO Devem ser controladas no mínimo as seguintes porcentagens de materiais da lista de materiais controlados da empresa, conforme o nível de qualificação: Nível C: 20%; Nível B: 50%; Nível A: 100%. Para obtenção da qualificação em determinado nível, a empresa construtora deve: a) ter desenvolvido os procedimentos documentados para as porcentagens mínimas de materiais controlados determinados acima, e aplicá-los efetivamente em obra, tendo treinado pessoal e gerado registros de sua aplicação, no mínimo para a metade das porcentagens estabelecidas; b) dispor de obra, de modo que a cada nível de qualificação possa nela ser observado a efetiva aplicação dos procedimentos, incluindo o treinamento de pessoal e geração de registros, no mínimo para um quinto das porcentagens estabelecidas. As quantidades restantes de materiais controlados poderão ser auditadas sob a forma de registros. 232 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA 5. T ABEL A DA C ONSTRUÇÃO PAR A VERIFIC AÇÃO DO NÚMERO DE SERVIÇOS E MA TERIAIS CONTROL ADOS MATERIAIS As tabelas a seguir sintetizam as informações estabelecidas nos itens anteriores, definindo o número mínimo de serviços e de materiais controlados necessários à obtenção da qualificação em determinado nível. ORIENT AÇÕES SOBRE NÚMERO DE ORIENTAÇÕES SER VIÇOS CONTROL ADOS Subsetor de edificações Lista de Referência – 25 serviços controlados (1) Números Mínimos de Nível D Nível C Nível B Nível A Manutenção 40% 100% para todos os níveis Serviços Controlados Porcentuais 0% 15% Serviços controlados 0 4 10 25 idem Procedimentos elaborados (2) 0 4 10 25 idem Procedimentos treinados e aplicados (3) 0 2 5 13 idem Registros (4) 0 2 5 13 idem Notas: 1. O número poderá ser diferente de 25 (20 para o caso dos materiais controlados) desde que justificado pelo sistema construtivo utilizado pela empresa. Os percentuais aplicam-se a este número de serviços apresentado. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 233 2. A quantidade de procedimentos é igual ou maior do que a quantidade de serviços, pois um mesmo serviço pode gerar mais de um procedimento. Devem ser verificados todos os procedimentos relacionados à quantidade exigida de serviços, independente mente de seu número. 3. Só deve ser verificada a evidência de treinamento no procedimento na fase imediatamente anterior à execução do respectivo serviço. 4. Os registros somente são gerados quando os respectivos serviços são executados. Portanto, em uma auditoria, a soma do número de registros e do número de serviços em execução deve atender à quantidade de serviços controlados. Como se trata de qualificação de uma empresa e não de uma obra, podem ser utilizados registros e serviços de várias obras. ORIENT AÇÕES SOBRE NÚMERO DE ORIENTAÇÕES MA TERIAIS CONTROL ADOS MATERIAIS Subsetor de Edificações Lista de Referência – 20 materiais controlados Números Mínimos de Materiais Controlados Nível D Nível C Nível B Nível A Manutenção Porcentuais 0% 20% 50% 100% para todos os níveis Materiais 0 4 10 20 idem Procedimentos elaborados 0 4 10 20 idem Procedimentos 0 2 5 10 idem 0 2 5 10 idem controlados treinados e aplicados Registros São válidas as notas anteriores. 234 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO ANEXO 1–T ABEL A DE EQUIV ALÊNCIA COM O SIQ-C EQUIVALÊNCIA 23 DE MARÇO DE 2001 DE A seguir é apresentada uma tabela de equivalência entre os presentes requisitos e os da versão de 23 de março de 2001 do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras - Construtoras (SIQ-C). Essa tabela deve ser tomada com cuidado, pois a equivalência entre muitos dos requisitos, embora existente e tenha sido apontada, não é total. Complementações deverão ser feitas nas partes do Sistema de Gestão da Qualidade da empresa que tratem desses requisitos. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 235 236 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Requisitos Complementares do subsetor de edificações PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 237 A TIVIDADES DE A PRENDIZ A GEM 1- Em quantos níveis está dividida a implantação do SIQ Construtoras? 2- Em qual norma o SIQ-C foi baseado? Quais as principais diferenças? 3- Qual o requisito em que é permitida a exclusão com relação ao escopo de qualificação. Comente. 4- Entre os requisitos do SIQ-C, quais você considera de maior impacto durante a implantação do Sistema de Gestão da Qualidade na sua empresa? Destaque e comente. U NIDADE III TR ANSIÇÃO DO SIQ-C B ASEADO NA ISO BASEADO VERSÃO 1994 P AR A SIQ-C B ASEADO NA PAR BASEADO VERSÃO 2000 Objetivos Conhecer as alterações decorrentes da transição Conhecer o impacto das alterações num SGQ 240 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Transição das v ersões – SIQ versões Cons tr utor as (94 par a 2000) oras para Constr tru Objetivo O objetivo deste item é esclarecer dúvidas para as empresas já certificadas no SIQ Construtoras, baseado na versão 94 da série de normas ISO 9000, e que pretendem adequar o seu sistema ao SIQ Construtoras (ISO 9001: 2000), considerando que, em vez de um Sistema de Garantia da Qualidade a norma passe a ser um modelo para um Sistema de Gestão de Qualidade. Consideração Deve-se ter em mente que o processo de transição é um projeto de um novo empreendimento e, como tal, requer um planejamento adequado no qual as experiências e conquistas do sistema anterior podem e devem ser levadas em consideração. O principal benefício da nova versão é o de integrar o sistema à gestão da empresa, o que possibilitará inclusive melhorias na administração dos recursos. Sistemática A sistemática a ser adotada para a transição das versões é a já bastante conhecida e difundida nas empresas: a aplicação do ciclo do PDCA (Plan - do - check - act). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 241 1) PL AN (Planejar) O SIQ Construtoras, tendo como referência a ISO 9001:2000, indica que as mudanças de maior impacto não estão vinculadas ao processo produtivo, mas sim à Gestão Organizacional e à administração dos recursos. Partindo deste princípio, o Representante da Direção deverá elaborar um planejamento que englobe as principais ações decorrentes das alterações da norma (vide anexo 1 – Diagnóstico do grau de impacto do SIQ Construtoras na versão 2000). Esse planejamento poderá ser aprovado em reunião de análise crítica pela direção (mesmo estando na versão 94 em reuniões de análise crítica, a empresa já deverá estar demonstrando sua preocupação e estratégia para com a transição das versões) ou até convidar a direção para uma reunião extraordinária na qual especificamente deverá ser aprovado o plano. PRINCIP AIS A TIVIDADES A SEREM PRINCIPAIS ATIVIDADES DET ALHADAS NO PL ANEJ AMENT O DETALHADAS ANEJAMENT O planejamento de transição de versões de normas diferentes é um processo que necessita de planejamento detalhado, estudo dos procedimentos existentes, estabelecimento de metas para o cumprimento de prazos e atendimento dos requisitos a serem exigidos nas próximas auditorias internas e externas. Entre as ações a serem estabelecidas para a transição, sugerimos algumas de extrema importância. Não se esqueça de traçar o planejamento com prazos previstos e realizados, bem como os responsáveis pela realização das atividades. Explicitar o que deve colocado em planejamento com datas. Workshop Gerencial apresentando a nova versão da norma (enfatizar a abordagem de processo e os príncipios da Qualidade difundidos na versão 2000: Foco no cliente, Liderança, Envolvimento de Pessoas, Abordagem de processo, Abordagem sistêmica para a gestão, Melhoria contínua, Tomada de decisão com base na análise de dados e Relação mutuamente benéfica com o fornecedor. Mapeamento de todos os processos existentes na organização, inclusive os terceirizados. 242 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Adaptação e complementação da documentação da Qualidade. Implantação dos processos e procedimentos documentados. Revisão da Política da Qualidade e dos objetivos com respectivos indicadores, estabelecendo a sistemática de monitoramento, prazo e metas. Curso de Auditor Interno do Sistema de Gestão da Qualidade, tendo em vista que os novos auditores deverão demonstrar competência nos oito princípios de gestão (citados no primeiro item) e ter condições de realizar a abordagem de processos. Realização da primeira análise crítica pela direção no novo padrão. Realização de auditoria interna. Implantação das ações corretivas decorrentes da auditoria interna e também sobre os indicadores da Qualidade, avaliando em tempo hábil a eficácia dessas ações. 2) DO (Fazer) Posteriormente ao planejamento aprovado, inicia-se a sua execução através da implantação das ações propostas no plano aprovado. 3) CHECK (V er if icar) (Ver erif Condução de uma ou mais auditorias internas por auditores já habilitados pela nova versão. 4) ACT (Agir) Implementação das ações corretivas e preventivas do processo de auditoria interna. CONSIDER AÇÕES FINAIS Esta sistemática é aplicável a todos os níveis D, B, C e A do PBQP-H. É evidente que empresas que já possuem o nível A terão maior facilidade em entender a proposta da nova versão; por outro lado, empresas dos níveis D ou C poderão preparar o upgrade dos níveis já na nova versão. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 243 O seu planejamento poderá ocorrer numa próxima auditoria de seu organismo certificador (ainda na versão 94), se tratado na reunião de análise crítica pela direção, e ser submetido à apreciação do auditor. Em hípótese alguma o sistema existente deve ser deixado de lado. As ações de transição devem ser trazidas para a organização de forma gradativa e natural. Os conceitos da nova versão devem ser agregados ao Sistema de Garantia da Qualidade existente, tranformando-o em um Sistema de Gestão da Qualidade. Decisões radicais e imposição de conceitos podem ser traumáticas dentro das organizações nesta fase. Lembrar que, como na implantação da versão anterior, as pessoas continuam sendo dentro do processo a mola propulsora e precisam estar motivadas, capacitadas e comprometidas. 244 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 245 246 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 247 Apresentamos a seguir uma interpretação do SIQ 94. O objetivo é complementar a visão do diagnóstico de impacto, mostrando como as situações eram tratadas antes da nova versão. Apenas indicamos os itens/requisitos correlatos da nova versão para estabelecer a correlação entre as versões, embora existam itens completamente novos na versão 2000. É extremamente recomendável a análise conjunta com o SIQ comentado na nova versão bem como os modelos de procedimentos e documentação da Qualidade aplicável. 248 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 1. R ESPONSABILIDADE DA DIREÇÃO 1.1 POLÍTICA DA QUALIDADE Conforme o nível de qualificação, a direção da empresa construtora deve: Nível evolutivo D Item a) definir e documentar sua Política da Qualidade, incluindo objetivos para a Qualidade e seu comprometimento com a mesma; b) divulgar sua política junto aos seus funcionários, segundo uma estratégia de sensibilização previamente definida; c) planejar os indicadores da Qualidade que serão utilizados para avaliar a evolução da empresa em direção aos objetivos estabelecidos; C d) assegurar que essa política seja compreendida, implementada e mantida em todos os setores da organização; B e) implantar sistema de medição dos indicadores referentes aos objetivos da Qualidade; A f) acompanhar a evolução dos indicadores referentes aos objetivos da Qualidade. – Na versão 94, eram apresentados os seis itens acima relacionados e distribuídos por níveis. – A versão 2000 indica apenas dois níveis “d” e “a”, e a estrutura (atribuição de indicadores, sistemática de medição, metas e prazos a serem atingidos) para aná- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 249 lise crítica da política em função dos níveis dela estabelecidos já está indicada no item c, integrante do nível “D”. – Situações subjetivas eram toleradas na versão 94. – A versão 2000, incluindo a análise crítica da política ,introduz conceitos bastante objetivos. – Na versão 94 havia necessidade de se demonstrar que os indicadores eram coerentes com as metas organizacionais. – A versão 2000 inclui a visão da análise de desempenho, visando à melhoria contínua e fazendo efetivamente do SGQ um instrumento de gestão da empresa. Este é o maior impacto ao se estabelecer a Política da Qualidade. – O item correlato na versão 2000 é o 5.3. 1.2. REPRESENT ANTE REPRESENTANTE DA ADMINISTR AÇÃO PBQP -H (D) PBQP-H A direção da empresa construtora deve designar seu representante, com autoridade para assegurar que o Sistema da Qualidade, em suas diversas etapas evolutivas, está estabelecido, implementado e mantido, de acordo com os presentes itens e requisitos, bem como relatar o desempenho do Sistema da Qualidade à direção da empresa para análise crítica. Esse representante deve ser funcionário ou diretor da empresa, podendo acumular outras funções; como representante da administração (RA), ele deve responder diretamente à direção. – A versão 94 não exigia que o RA fosse necessariamente um membro da empresa. Situações como consultores sendo RA eram toleráveis. 250 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO – Na versão 2000, com o enfoque sendo GESTÃO, é imprescindível que o atual RD tenha uma visão clara da empresa e autoridade efetiva, lembrando ainda que ele continua tendo o papel de interlocutor com áreas externas tais como clientes e organismo certificador. – Na versão 94 pessoas designadas como RA, tendo como critério a disponibilidade de tempo ou o acúmulo de trabalhos, acabavam sustendo-se no cargo devido ao fato de que por ser um sistema de Garantia (e não Gestão) da Qualidade o processo produtivo era o grande enfoque. – Na nova versão é importante lembrar que todos os demais processos da empresa (ex.: orçamento, comercial, compras) recebem o tratamento devido e a sua interação deve ser demonstrada. – Na versão 94 todos os critérios que definiam o RA estavam num único item a ser considerado no nível D. – Na versão 2000 o texto é subdivido em requisitos de “a” a “c”, sendo o item “c” o que se refere especificamente ao relato do desempenho do SGQ aplicável somente ao nível “C”. – O item correlato na versão 2000 é o 5.2.2. 1.3. RESPONSABILIDADE, AUTORIDADE E RECURSOS PBQP-H (D) A responsabilidade, autoridade e inter-relação do pessoal que administra, desempenha e verifica atividades que influem na Qualidade deve ser definida e documentada. A direção da empresa deve identificar e prover os recursos necessários para aplicar todas as atividades descritas no seu Sistema da Qualidade, tais como recursos financeiros, equipamentos, designação e treinamento de pessoal. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 251 – Recursos na versão 94 são tratados de forma genérica e possuem grande interface com o requisito 17 “treinamento”; usualmente, a provisão de recursos de forma também genérica era indicada na reunião de análise crítica, no plano de qualidade de obras e no programa anual de treinamentos. – A versão 2000 declara de forma bastante clara para que e quais são os recursos, subdividindo-os em RECURSOS HUMANOS (DESIGNAÇÃO DE PESSOAL que trata a questão de as responsabilidades estarem incluídas no sistema - aplicável ao nível D; TREINAMENTO, CONSCIENTIZAÇÃO e COMPETÊNCIA-aplicável ao nível C, um conceito mais abrangente do que treinamento por si só. – Com relação ainda a recursos, a nova versão inclui o requisito 6.3 INFRAESTRUTURA, que define as condições físicas de instalação necessárias para se atingir a qualidade requerida do produto (aplicável somente ao nível A ) e também o requisito 6.4 AMBIENTE DE TRABALHO, destacando a questão da segurança e reiterando desta forma o que já vinha sendo exigido no plano de qualidade de obras versão 94, item 2.4, nível A. Neste último tópico caberá a auditoria avaliar a aplicação da NR-18 (Norma Regulamentar de Segurança aplicável ao setor da Construção Civil). – Item correlato na versão 2000 é o 5.5.1. 252 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 1.4. ANÁLISE CRÍTICA DA DIREÇÃO PBQP-H (B) B a) analisar criticamente o Sistema da Qualidade a intervalos definidos, suficientes para assegurar sua contínua adequação e eficácia em atender aos presentes itens e requisitos, bem como a Política da Qualidade e os objetivos da Qualidade estabelecidos pela empresa; b) manter registros destas análises críticas; A c) acompanhar permanentemente os indicadores da Qualidade, utilizando-os na análise crítica para avaliação e melhoria do Sistema. – Na versão 94 este item era aplicável a partir do nível B, e era obrigatório identificar no registro de análise crítica os seguintes aspectos: análise dos objetivos da Política da Qualidade, através do monitoramento dos indicadores a eles atribuídos, resultados das auditorias internas, reclamações de clientes e análise das ações corretivas e preventivas do período. Estes itens eram aplicáveis em sua totalidade a partir do nível. – Apesar de ser óbvio que uma análise crítica gere uma ação em função dos resultados alcançados, a versão 2000 deixa bastante claro quais são os dados de entrada e saída para as reuniões de análise crítica, incluindo dois aspectos de vital importância no SGQ, o acompanhamento da ações decorrentes de análises críticas anteriores e a retroalimentação do cliente (resultados de pesquisa ou metodologia que avaliem o grau de satisfação do cliente, ou seja, não se pode dizer que pela ausência de reclamações o cliente esteja 100% satisfeito – a exclusão não é mais um método válido). O item correlato na versão 2000 é o 5.6. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 253 2. S ISTEMA DA Q UALIDADE 2.1. SISTEMA E V OL UTIV O OLUTIV UTIVO PBQP-H (D) A empresa construtora deve estabelecer, documentar e manter um Sistema da Qualidade, atendendo, de maneira evolutiva, aos níveis de qualificação definidos no Anexo 1. As indicações "II", "III" ou "IIII" nessa Tabela significam que o item ou requisito exige o desenvolvimento de novos procedimentos entre diferentes níveis de qualificação, o que se encontra definido no texto do respectivo item ou requisito. Todos os presentes itens e requisitos (inclusive os indicados em todos os níveis onde aparecem com "I") devem ser entendidos como evolutivos, ou seja, suas exigências devem ser atendidas em todas as áreas aplicáveis, a cada estágio de desenvolvimento (nível de qualificação) do Sistema da Qualidade da empresa, sendo cumulativos (o nível mais avançado inclui as exigências de todos os níveis anteriores). Em todos os itens e requisitos, sempre que constar que a empresa construtora deve “estabelecer procedimentos", deve ser entendido que ela deve "elaborar, documentar, manter em dia, treinar e aplicar” esses procedimentos. – O Sistema da Qualidade é um item conclusivo, considerando que ele só estará de acordo se estiver implementado de acordo como padrão normativo e se estiver conforme com o que nele está definido. – O quadro evolutivo do SIQ/94 previa os requisitos aplicáveis a cada nível de qualificação, da mesma forma que o SIQ/00, porém os requisitos que são exigidos num determinado nível podem ter sofrido variações. – O item correlato na versão 2000 é o 4.1, englobando inclusive o próximo requisito 2.2. 254 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 2.2. PL ANEJ AMENT O DO ANEJAMENT AMENTO DESENV OL VIMENT O E DESENVOL OLVIMENT IMPL ANT AÇÃO DO SISTEMA ANTAÇÃO PBQP-H (D) A empresa construtora deve realizar um diagnóstico da situação da empresa em relação aos presentes itens e requisitos no início do desenvolvimento do Sistema da Qualidade. Deve ser estabelecido claramente o escopo desse Sistema (tipo de obras e serviços aos quais ele se aplica). Em particular, tomando como base a lista de Serviços Obrigatoriamente Controlados que consta do Anexo 2, a empresa construtora deve identificar aqueles que fazem parte dos sistemas construtivos por ela utilizados nos tipos de obras cobertos pelo Sistema da Qualidade. Caso a empresa utilize serviços específicos que substituam serviços constantes dessa lista mínima, estes devem ser relacionados. Uma vez constituída sua lista de serviços controlados, a empresa construtora deve estabelecer uma lista de materiais que sejam neles empregados, que afetem tanto a qualidade dos mesmos, quanto a do produto final. Dessa lista de materiais controlados deverão fazer parte, no mínimo, 30 materiais. A partir do diagnóstico, em relação ao conjunto dos itens e requisitos, e das listas de materiais e serviços controlados, e levandose em conta as porcentagens mínimas definidas nos requisitos 6.1.2 e 9.2.2, a empresa construtora deve estabelecer um planejamento para desenvolvimento e implantação do Sistema da Qualidade, estabelecendo responsáveis e prazos para atendimento de cada item e requisito e obtenção dos diferentes níveis de qualificação. Este planejamento deve ser acompanhado pelo Representante da Administração, sendo gerados registros das etapas realizadas e das eventuais necessidades de reprogramação. – De forma bastante clara, o que era esperado para atender a esse requisito era um cronograma físico-financeiro (indicando etapas e recursos necessários para atender os próximos níveis), elaborado a partir de um PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 255 diagnóstico na empresa que deveria levar em conta o quadro evolutivo bem como a lista de materiais e serviços controlados elaborada com base no(s) sistema(s) construtivo(s) adotados pela empresa, a partir do nível que estava sendo buscado na primeira auditoria externa. – Evidentemente, as empresas que partiram direto para o nível A estavam isentas desse diagnóstico. – Na versão 2000 o item correlato é o 4.1, que inclui menção à nova abordagem de PROCESSO. 2.3. MANUAL DA QUALIDADE E PROCEDIMENTOS PBQP-H (D) A empresa construtora deve preparar e aplicar Manual da Qualidade e respectivos procedimentos documentados evolutivos, em conformidade com os presentes itens e requisitos e consistentes com sua Política da Qualidade. – O Manual de Qualidade na versão 94 é um documento no qual se espera que a empresa faça um descritivo de seu histórico, em que segmento de mercado da Construção Civil atua, o nível e escopos pretendidos à certificação e de como está atendendo ao seu SGQ no nível aplicável a cada item do padrão normativo, embora seja comum evidenciar no MQ das empresas uma cópia literal da norma. – Da mesma forma na nova versão, só que os requisitos obrigatórios para o MQ estão claramente descritos incluindo detalhes e justificativas para exclusão de itens 256 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO que eventualmente possam não ser aplicáveis à empresa, relação dos procedimentos documentados aplicáveis a cada nível e a descrição e interação dos processos. – O item correlato na versão 2000 é o 4.2.2. PBQP-H (B) a) organização: estrutura organizacional da obra; b) plano de controle da Qualidade: relação de materiais e serviços de execução controlados, e respectivos procedimentos de especificação,execução e inspeção; c) procedimentos e listas de inspeção específicos da obra; PBQP-H (A) d) planejamento e controle da obra; e) plano de manutenção de equipamentos; f) projeto do canteiro; g) segurança do trabalho; h) consideração do impacto no meio ambiente dos residuos sólidos e líquidos produzidos pela obra (entu-lhos, esgotos, águas servidas) definindo um destino adequado aos mesmos. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 257 – O Plano de Qualidade da Obra não é visto como um documento estanque devendo sofrer ajustes e conseqüentes revisões de acordo com a evolução do cronograma da obra e as conseqüências dele decorrentes, devendo ser inseridos fatos novos quando necessário. – O objetivo do Plano de Qualidade de Obras é detalhar/ planejar como a obra irá ocorrer, visto que cada obra tem suas características específicas (não se trata de um produto em série). – Ao planejar ou revisar um planejamento, ações corretivas e/ou preventivas podem surgir. – A versão 2000 excluiu o item segurança do trabalho, que passou a ser incluído no item “AMBIENTE DE TRABALHO” (6.4), e incluiu outros dois aspectos que são um programa de treinamento específico da obra e objetivos da Qualidade específicos da obra com base nos objetivos já definidos no SGQ. – Em ambas as versões, quando está indicado um projeto de canteiro, lembrar que, quando aplicável, o PCMAT em função da NR-18 se faz necessário que seja o mesmo, e que alterações procedem ao decorrer da obra, desde que validadas pelo profissional de segurança responsável. – O item correpondente na nova versão é o 7.1.1. 258 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 3. A NÁLISE CRÍTIC A DE CONTR AT O PBQP-H (B) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos para Análise Crítica de Contrato: a) antes da submissão de uma proposta ou da aceitação de um contrato, realizar análise crítica desta proposta ou contrato para assegurar que: – os requisitos estão adequadamente definidos e documentados, e quaisquer diferenças entre a proposta e o contrato estão resolvidas; – a empresa construtora e eventuais subempreiteiros previstos têm capacidade para atender aos requisitos contratuais; e b) estabelecer como uma emenda a contrato é feita e comunicada a todas as funções envolvidas dentro da empresa. – Este requisito era tratado de forma bastante simples na versão 94, devendo apenas ser evidenciadas durante a análise crítica as condições da empresa em atender à solicitação dos clientes dentro de uma expectativa de prazo, estabelecida no contrato. O Manual Descritivo da obra define os detalhes acordados entre as partes por ocasião da assinatura do contrato. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 259 – Para contratos decorrentes de processos licitatórios ou concorrências públicas, é de fundamental importância que a análise crítica se processe em duas fases: a do momento em que a empresa decidiu concorrer e a do momento da assinatura efetiva do contrato. – Outro aspecto importante é que, durante a análise crítica, a empresa deve verificar as normas técnicas da ABNT aplicáveis ao contrato (quando nele estabelecidas). – A versão amplia esses conceitos tratando a análise crítica de forma detalhando nos subitens 7.2.1 e 7.2.2, integrantes do item 7.2, intitulado “PROCESSOS RELACIONADOS A CLIENTES”. 4. C ONTROLE DE PROJETOS ( ESTE ITEM NÃO 9002/94) É APLICÁVEL NA ISO 260 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 5. C ONTROLE DE DOCUMENTOS E DADOS PBQP-H (D) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos para emitir e controlar todos os documentos e dados derivados de seu Sistema da Qualidade, conforme o estágio evolutivo de seu nível de qualificação: a) os documentos internos da Qualidade devem ser analisados criticamente e aprovados quanto à adequação por pessoal autorizado, antes de sua emissão; b) eventuais alterações de documentos devem ser analisadas criticamente e aprovadas pelas mesmas funções/organizações que realizaram a análise crítica e aprovação originais; c) uma lista-mestra ou procedimento equivalente de controle de documentos identificando a situação da revisão atual de documentos deve ser estabelecida e estar prontamente disponível, a fim de evitar o uso indevido de documentos nãoválidos ou obsoletos; d) as emissões pertinentes de documentos apropriados devem estar disponíveis em todos os locais onde são executadas as operações essenciais para o funcionamento efetivo do Sistema da Qualidade; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 261 PBQP-H (B) e) o controle de documentos e dados deve abranger aqueles de origem externa, tais como: normas técnicas, projetos, memoriais e especificações do cliente. – Na versão 94, usualmente é apresentado um procedimento definindo como a empresa trata os documentos de origem interna e externa de acordo com os requisitos indicados. A aplicação desse procedimento é a demonstração de sua implementação, sendo o ponto central a Lista-Mestra que indica quais são os documentos do SGQ e suas versões atuais, as quais devem estar disponíveis nos locais de uso. – Na versão 2000, pelo fato de que obrigatoriamente os procedimentos devem estar referenciados no Manual da Qualidade, não há a exigência de uma lista-mestra e a natureza das alterações que geram as revisões. – No entanto, a empresa necessita assegurar e demonstrar que documentos obsoletos estão fora de uso e uma sistemática de gerenciamento destes se faz necessária. – O item equivalente da versão 2000 é o 4.2.3. 262 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 6. A QUISIÇÃO 6.1. MA TERIAIS CONTROL ADOS MATERIAIS 6.1.1. Def inição dos mat er iais eriais controlados PBQP-H (C/B/A) A empresa construtora deve preparar uma lista mínima de materiais que afetem tanto a qualidade dos seus serviços controlados quanto a do produto final, e que devem ser controlados. Essa lista deve ser representativa dos sistemas construtivos por ela utilizados nos tipos de obras estabelecidos no escopo do Sistema da Qualidade, tendo no mínimo 30 materiais. Em qualquer nível, a empresa deve garantir, conforme identificado durante a realização de análise crítica de contrato (item 3) que sejam também controlados todos os materiais que tenham a inspeção de recebimento ou ensaios exigidos pelo cliente. – A empresa com base nos seus processos construtivos, de maneira representativa e de acordo com o impacto do material sobre a qualidade do produto final, deve definir 30 materiais a serem controlados (mesmo as empresas que buscam o nível D). – A versão 2000 altera para 20 materiais controlados. Deve-se prover recursos no cronograma de implantação para os materiais e procurar defini-los por ocasião do diagnóstico. Alterações em processos construtivos PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 263 ao longo da certificação impactam na lista, que deve ser revisada e podendo ainda receber tratamento diferenciado no Plano de Qualidade de uma obra em específico. – Item equivalente na versão 2000, sem impactos significativos é o 7.4.1. 6.1.2. Evolução do número de materiais controlados, conforme nível de qualif icação PBQP-H Devem ser controladas, no mínimo, as seguintes porcentagens de materiais da lista de materiais controlados da empresa, conforme o nível de qualificação: Nível C: 20%; Nível B: 50%; Nível A: 100%. Para a obtenção da qualificação em determinado nível, a empresa construtora dever ter desenvolvido os procedimentos e treinado pessoal para as porcentagens mínimas de materiais controlados determinados acima, e aplicá-los efetivamente em obra, gerando registros, no mínimo, para a metade das porcentagens estabelecidas. No planejamento do desenvolvimento e implantação do Sistema (requisito 2.2), deve estar contemplada a lista de materiais controlados da empresa e o cronograma de elaboração, treinamento e implantação dos procedimentos para especificação e inspeção desses materiais, de forma a atender as porcentagens mínimas, nas datas estabelecidas para a obtenção da qualificação nos diversos níveis. Todos os materiais utilizados após a emissão dos respectivos procedimentos devem ser controlados em todas as obras estabelecidas no escopo de qualificação do Sistema da Qualidade da empresa. 264 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 6.1.3. Esp ecif icação de mat er iais Especif eriais controlados PBQP-H (C, B e A) Para todo material controlado, a empresa construtora deve elaborar procedimentos para a especificação técnica deles. – A empresa deve apresentar um procedimento de especificação de compra, que pode ser em um único documento ou um para cada material, definindo como comprá-los. – Usualmente, recorre-se às Normas Técnicas para elaboração dessa especificação, posto que ela deve ser consonante com as especificações dos produtos disponíveis no mercado. Exemplos: não se admite emitir um pedido de compra solicitando CIMENTO, mas sim CIMENTO CP IIF (indicar tipo aplicável à obra) – 32 – Marca X. Outro exemplo ARGAMASSA COLANTE, mas sim ARGAMASSA COLANTE TIPO II (indicar produto aplicável à obra) – USO EXTERNO. – A versão 2000 não exige um documento específico contendo as especificações, mas indica que devem estar completas as especificações no pedido. – Item correlato: 7.4.2. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 265 6.2. DADOS P AR A A QUISIÇÃO PAR AQUISIÇÃO PBQP-H (A) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos que garantam que os documentos de compra de materiais e de contratação de serviços controlados contenham dados que descrevam claramente o que está sendo comprado ou contratado, tais como: tipo, grau, classe, ou outra identificação precisa, normas técnicas relacionadas que devam ser observadas (incluindo título, nome e edição) etc. Os documentos de compra de materiais e contratação de serviços controlados devem ser analisados criticamente e aprovados quanto à adequação dos requisitos especificados, antes de sua liberação. Essa exigência abrange também a contratação, pela empresa construtora, de projetos ou de serviços especializados de engenharia. – A partir do estabelecimento de um procedimento definindo como se efetua a compra de materiais e serviços controlados, usualmente é evidenciado um pedido de compra para materiais e um contrato para serviços (desde projetos a empreiteiros). – Os documentos devem indicar claramente o que está sendo comprado de acordo com as necessidades de uma determinada obra e em conformidade com os procedimentos de especificação. – O item equivalente na versão 2000 é o 7.4.2, que melhorou significativamente, pois define além de materiais controlados, quais são os demais serviços de engenharia que possam ser contratados e que devam estar cobertos pelo SGQ. 266 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 6.3. QUALIFIC AÇÃO E A VALIAÇÃO DE AV FORNECEDORES PBQP-H (B/A) A empresa construtora deve estabelecer procedimento para qualificar (pré-avaliar e selecionar) fornecedores, e também para avaliar o desempenho destes fornecedores durante as entregas dos materiais e na execução dos serviços controlados. Deve ser tomada como base a capacitação do fornecedor em atender aos requisitos especificados nos pedidos de compra e contratos de prestação de serviço. No caso do fornecimento ser realizado por empresa formalmente participante do Programa Setorial da Qualidade de produtos de seu subsetor industrial, e atendendo aos requisitos estabelecidos no Projeto da Meta Mobilizadora Nacional da Habitação, a empresa poderá ser dispensada do processo de qualificação. A empresa construtora deve ainda elaborar e manter atualizado histórico dos fornecedores de materiais e serviços controlados, contendo informações sobre a qualidade dos materiais fornecidos e dos serviços executados, bem como registros de toda ocorrência de não-conformidade gerada por esse fornecedor. Essa exigência abrange também a contratação pela empresa construtora de projetos ou de serviços especializados de engenharia. – É usual apresentar um procedimento contendo os critérios de qualificação e avaliação de desempenho dos fornecedores. – Existem duas situações distintas: a primeira é qualificar o fornecedor para materiais ou fornecimento de serviços para empresa; outra é avaliar o fornecimento posterior à entrega, sendo esses critérios diferenciados para fornecedores de materiais e serviços. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 267 – É importante observar que a análise de desempenho dos serviços seja realizada pelas funções/departamentos que se utilizam dos serviços contratados. Exemplo: não faz sentido o responsável pelo departamento de compras avaliar o desempenho de um fornecedor de projeto estrutural. – O requisito equivalente na versão 2000 é o 7.4.1.2. 6.4. VERIFICAÇÃO DO PRODUTO ADQUIRIDO PBQP-H (B/A) Quando utilizada verificação do produto adquirido nas instalações do fornecedor pela empresa construtora, os documentos de aquisição devem estabelecer as condições de verificação e método de liberação do produto. Quando especificado em contrato, a empresa construtora deve estabelecer procedimentos para que o cliente ou seu representante verifiquem nas instalações do fornecedor ou na empresa construtora se o produto adquirido está em conformidade com os requisitos especificados. – Este requisito não é usual na Construção Civil, embora seja interessante aplicá-lo (por exemplo, quando a empresa que vira concreto em obra adquira os agregados). – Pode também ser aplicável para o caso de obras de grande porte em que o cliente da construtora queira inspecionar os subfornecedores. É recomendável que mesmo a empresa que no momento não possua situações dessa natureza deixe a metodologia prevista em seu procedimento de aquisição. 268 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 7. C ONTROLE DE PRODUTO FORNECIDO PELO CLIENTE PBQP-H (A) A empresa construtora deve estabelecer procedimento para o controle de recebimento, armazenamento e de preservação de produtos fornecidos pelo cliente (contratante), destinados à incorporação ao produto final. Entende-se aqui por produto os materiais e equipamentos incorporados à obra; os serviços de qualquer natureza que o cliente execute na obra por meios próprios, bem como partes da obra já existentes que sejam a ela incorporadas. A verificação pela empresa construtora não isenta o cliente da responsabilidade de prover produto aceitável. – A empresa, além de estabelecer os procedimentos que usualmente são os mesmos aplicáveis aos seus materiais controlados, deve manter registro informando ao cliente qualquer situação de dano, perda ou inadequação ao uso, quando necessário. – Entende-se por Produto Fornecido pelo Cliente todo item que por ele fornecido venha a impactar na qualidade final (Boletins de Sondagens, projetos de modificação, materiais de acabamento, outros materiais, estruturas parcialmente concluídas etc). – A versão 2000 não apresenta alterações, e o item correlato é o 7.5.4. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 269 8. I DENTIFICAÇÃO E R ASTREABILIDADE 8.1. IDENTIFICAÇÃO PBQP-H (B) Quando apropriado, a empresa construtora deve estabelecer procedimentos para a identificação de produto por meios adequados, a partir do recebimento e durante todos os estágios de execução e entrega. Essa identificação pode abranger partes da obra, ou componentes e equipamentos incorporados à mesma, e tem por objetivo garantir a correspondência inequívoca entre projetos, serviços executados e registros gerados. – A empresa deve identificar: materiais de mesma natureza que possam ser confundidos durante a sua utilização (ex.: identificar ferro/aço por bitola); formas ou armações prontas com o código do elemento correspondente ao projeto estrutural; apartamentos semi-acabados para evitar principalmente trocas de materiais de acabamento (muitas vezes pode se tratar inclusive de produto fornecido pelo cliente), ou quando necessário identificar modificações solicitadas pelo cliente em uma determinada unidade. – A rastreabilidade é obrigatória para o concreto estrutural (armado ou protendido) ou para outros sistemas 270 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO construtivos, tais como: alvenaria estrutural, estruturas pré-moldadas ou pré-fabricadas. – É obrigatória também a rastreabilidade para itens designados pelo cliente quando previsto em contrato. – A rastreabilidade do concreto estrutural usualmente é apresentada através do Mapa de Concretagem, croquis ou cópia reduzida do projeto de formas no s quais serão indicados lotes de aço utilizados, dados de NF referente ao concreto, slump obtido durante a aceitação do concreto, diretamente no desenho correspondente. – A nova versão não introduz alterações. – O item correlato à versão 2000 é o 7.5.3 (7.5.3.1 e 7.5.3.2). PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 271 9. C ONTROLE DE PROCESSO 9.1. CONDIÇÕES CONTROL ADAS PBQP-H (B) B A empresa construtora deve identificar, planejar e estabelecer procedimentos para a realização de todos os processos envolvidos que influenciem a Qualidade, assegurando que estes processos sejam executados sob condições controladas. Tais controles devem abranger, no mínimo, o estabelecido em 6.1 e 9.2, quanto a materiais e serviços controlados, bem como os seguintes processos, desde que os mesmos sejam realizados pela empresa: – análise crítica de projetos fornecidos pelo cliente (9.1.1); – coordenação e controle de recebimento de projetos contratados (9.1.2); A – planejamento e controle de obras (9.1.3); – plano de manutenção de equipamentos (9.1.4). Vide comentário nos respectivos subitens. 272 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 9.1.1. Análise crítica de projetos f or necidos p elo client e pelo PBQP-H (B) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos documentados para análise crítica de projetos dos subsistemas ou da obra toda onde ela intervém e que ela receba como decorrência de um contrato, visando à integração entre os mesmos e possibilitando a correta execução das obras. Tais procedimentos devem prever a forma segundo a qual a empresa construtora: – procede à análise crítica de toda a documentação técnica afeita ao contrato (projetos, memoriais, especificações); – emite parecer sobre a documentação recebida, destinada cópia do mesmo ao cliente e aos respectivos projetistas, onde ela aponte suas necessidades ante os serviços de execução previstos, as deficiências em termos de informações, as incompatibilidades de toda ordem por ventura detectadas e as modificações e adaptações necessárias de qualquer natureza. – A empresa deve apresentar um procedimento de como avaliar a documentação técnica fornecida pelo cliente. Esta análise deve ser registrada e encaminhada aos envolvidos. – Item equivalente na versão 2000 é o 7.3.8. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 273 9.1.2. Coordenação e controle de recebimento de projetos contratados PBQP-H (B) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos documentados para coordenação e recebimento de projetos por ela contratados visando ao bom desenvolvimento dos mesmos e à integração entre eles, e possibilitando a correta execução das obras. Tais procedimentos devem prever a forma segundo a qual a empresa construtora: – qualifica, contrata e avalia os projetistas envolvidos; – coordena e controla o processo de desenvolvimento dos projetos; e – procede ao controle de recebimento dos projetos. – A empresa deve demonstrar como procede à análise conjunta dos projetos subcontratados de profissionais por ela qualificados (compatibilização) e como ela avalia este projeto individualmente no seu recebimento em relação aos requisitos contratados. – Na versão 2000 são aplicáveis os itens 7.3.1 a 7.3.7. 274 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 9.1.3. Planejamento e controle de obras PBQP-H (A) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos documentados para garantir o correto planejamento e controle de suas obras, visando ao seu bom desenvolvimento. Tais procedimentos devem prever a forma segundo a qual a empresa construtora: – define as atividades envolvidas na execução de uma obra e suas durações; – define as precedências e as dependências entre elas; – define os diferentes recursos envolvidos em cada atividade; – realiza o planejamento inicial da obra; – estabelece programações das atividades; – promove o controle do desenrolar das atividades; e – promove o replanejamento em função dos controles feitos. – Este item possui interface com o Plano da Qualidade da obra, envolvendo o acompanhamento do cronograma da obra (previsto X realizado), os caminhos críticos e a interação entre as etapas (serviços) previstas. – Pode estar englobado no mesmo procedimento que define o Plano da Qualidade da obra. – Item correlato na nova versão: 7.1.2. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 275 9.1.4. Plano de manutenção de equipamentos PBQP-H (A) A empresa construtora deve estabelecer procedimento para estabelecer plano de manutenção dos equipamentos que considere críticos para sua Qualidade. – A empresa deve definir os equipamentos que são críticos em relação à segurança e ao processo produtivo (os critérios definidos em procedimento). – Indicar quais são os equipamentos por obra (o registro pode ser o próprio Plano da Qualidade da Obra). – Demonstrar o atendimento através do planejamento previsto e realizado das manutenções. – Equipamentos tais como elevadores de carga e gruas devem ter em suas manutenções as indicações previstas na NR-18. – O item correlato na versão 2000 é o 7.1.1.g. A locação de equipamentos está prevista em 7.4.2.5. 276 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 9.2. SERVIÇOS DE EXECUÇÃO CONTROL ADOS 9.2.1. Def inição dos ser viços contr olados PBQP-H (A) A empresa construtora deve preparar uma lista de serviços controlados que utilizem e que afetem a qualidade do produto final, abrangendo os serviços listados no Anexo 1. Essa lista deve ser representativa dos sistemas construtivos por ela empregados nos tipos de obras estabelecidos no escopo do Sistema da Qualidade. Caso a empresa utilize serviços específicos que substituam serviços constantes da lista do Anexo 1, os mesmos devem ser controlados. Em qualquer nível, a empresa deve garantir, conforme identificado durante a realização de análise crítica de contrato (item 3), que sejam também controlados todos os serviços que tenham a inspeção exigida pelo cliente. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 277 9.2.2. Evolução do númer o de ser viços controlados, conforme nível de qualif icação PBQP-H (A) Devem ser controladaos no mínimo as seguintes porcentagens de serviços da lista de serviços controlados da empresa, de acordo com o escopo definido e conforme o nível de qualificação: – Nível C: 15%; – Nível B: 40%; – Nível A: 100% Para a obtenção da qualificação em determinado nível, a empresa construtora dever ter desenvolvido os procedimentos e treinado pessoal para as porcentagens mínimas de serviços controlados determinados acima, e aplicá-los efetivamente em obra, gerando registros, no mínimo, para a metade das porcentagens estabelecidas. No nível A, caso os sistemas construtivos empregados pela empresa nos tipos de obras cobertos pelo Sistema da Qualidade não empreguem algum dos serviços controlados que constam no Anexo 1, ela será dispensada de estabelecer o(s) respectivo(s) procedimento(s), desde que se obedeça ao mínimo de 25 serviços controlados, todos elaborados, documentados, mantidos em dia, treinados e aplicados. No planejamento do desenvolvimento e implantação do Sistema (requisito 2.2), deve estar contemplada a lista de serviços controlados da empresa e o cronograma de elaboração, treinamento e implantação dos procedimentos de execução e de inspeção desses serviços, de forma a atender as porcentagens mínimas, nas datas estabelecidas para a obtenção da qualificação nos diversos níveis. Todos os serviços realizados após a emissão dos respectivos procedimentos devem ser controlados, em todas as obras estabelecidas no escopo de qualificação do Sistema da Qualidade da empresa. 278 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 9.2.3. Procedimentos de execução de ser viços contr olados PBQP-H (A) Para todo serviço controlado, a empresa construtora deve elaborar procedimentos de execução de serviços. – Respeitando os percentuais estabelecidos por nível pretendido à certificação, a empresa deve estabelecer o método de execução de cada serviço em um procedimento. – Deve-se treinar os funcionários que estão qualificados de acordo com os pré-requisitos para exercer a função nestes procedimentos. – Item correlato na versão 2000 é o 7.5.1.1. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 279 10. I NSPEÇÕES E ENSAIOS 10.1. INSPEÇÃO E ENSAIOS NO RECEBIMENTO PBQP-H (B) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos de inspeção e ensaios de recebimento para todos os materiais controlados. – Os materiais controlados devem ser inspecionados de acordo com um procedimento que defina os critérios de inspeção, a amostragem representativa para fins da inspeção, o responsável pela inspeção e o respectivo registro de inspeção. – O item correlato na versão 2000 é o 8.2.4., que passa a ser aplicável a partir do nível C. 280 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 10.2. INSPEÇÃO E ENS AIOS DUR ANTE O ENSAIOS PROCESSO PBQP-H (B) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos de inspeção e ensaios para verificação de serviços para todos os serviços controlados. – Da mesma forma a empresa deve estabelecer procedimentos documentados para inspeção dos serviços obrigatoriamente controlados, definindo a amostragem representativa, os critérios de inspeção e o responsável pela inspeção (neste caso serviços correlacionados com a estrutura da obra) obrigatoriamente devem ser inspecionados pelo engenheiro responsável pela obra. – Os registros de inspeção devem apresentar os resultados obtidos na inspeção, o local inspecionado, o serviço inspecionado, o responsável pela liberação e a identificação do equipamento de inspeção utilizado. – O requisito equivalente na versão 2000 é o 8.2.4. 10.3. INSPEÇÃO E ENSAIOS FINAIS PBQP-H (A) A empresa construtora deve estabelecer procedimento para inspeção final da obra antes da sua entrega, de modo a confirmar a sua conformidade às especificações e exigências feitas pelo cliente quanto ao produto acabado. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 281 – Antes da entrega da obra prevista no item 15, a construtora deve apresentar um checklist com os critérios de verificação indicados, procedendo correções se necessárias e evitando, desta forma, reclamações do cliente por ocasião da entrega da obra. – Item correlato na versão 2000: 8.2.4.1. 11. C ONTROLE DE EQUIP AMENT OS EQUIPAMENT DE INSPEÇÃO , MEDIÇÃO E ENSAIOS PBQP-H (B) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos para controlar, calibrar e manter os instrumentos de medição utilizados, abrangendo: a) seleção dos instrumentos apropriados, em função das medições a serem feitas e da exatidão requerida; b) identificação dos instrumentos de medição, calibração e ajuste dos mesmos, a intervalos prescritos, mantendo registros destas calibrações; c) garantia do correto manuseio, preservação e armazenamento desses instrumentos, de forma a manter a exatidão deles. 282 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO – A empresa deve apresentar calibrados pelo menos os equipamentos utilizados para fins de inspeção. É comum cada obra, conforme o tamanho e necessidade, possuir um ou mais jogos de equipamentos sob a guarda do almoxarifado. – Os equipamentos são: nível de bolha, réguas metálicas, trenas, prumos, esquadros, nível laser. – O item correlato na versão 2000 é o 7.6. 12. S ITUAÇÃO DE INSPEÇÃO E ENSAIOS PBQP-H (B) Para todos os materiais controlados, a empresa construtora deve elaborar procedimentos que garantam que tais materiais não sejam empregados por ela ou por empresa subcontratada, enquanto não tenham sido controlados ou enquanto suas exigências específicas não tenham sido verificadas. No caso de situações emergenciais, nas quais um desses materiais tenha que ser aplicado antes de ter sido controlado, o mesmo deve ser formalmente identificado, permitindo sua posterior localização e a realização das correções que se fizerem necessárias, no caso de não-atendimento às exigências feitas. A situação de inspeção e ensaios dos materiais e serviços de execução controlados deve ser assinalada de modo apropriado, de tal forma a indicarem a conformidade ou não-conformidade dos mesmos com relação às inspeções e aos ensaios feitos. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 283 – O status de serviço aprovado nos registros de inspeção de materiais, serviços e produto acabado indicam a situação de sua inspeção. – Para o caso de serviços não aprovados, cada empresa deve buscar a sua metodologia ( marcando com giz de cera vermelho, colorjet, placa de identificação etc.). – O item correlato na versão 2000 é o 8.2.4. 13. C ONTROLE DE PRODUTO NÃO - CONFORME PBQP-H (B) Para todos os tipos de não-conformidades, a empresa construtora deve estabelecer procedimentos para identificação, documentação, segregação (quando aplicável) e disposição de material ou serviço de execução não-conforme, bem como para notificação às funções envolvidas. O material ou serviço de execução não-conforme deve ser analisado criticamente, de acordo com procedimentos estabelecidos, que devem definir a responsabilidade pela análise crítica e a autoridade pela disposição, que pode prever: retrabalho, aceitação com ou sem reparo mediante concessão, reclassificação para aplicações alternativas, ou rejeição. Serviço de execução retrabalhado ou reparado deve ser reinspecionado. O uso de material ou reparo de serviços não-conformes devem ser relatados ao cliente para fins de aceitação, o que deve ser registrado. 284 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO – A empresa deve apresentar um procedimento definindo o que é um produto não-conforme (critérios), como identificar produtos e serviços não-conformes, bem como proceder à abertura de um registro da não-conformidade, o qual deverá ser criticamente analisado, desencadeando uma ação corretiva. – Esse procedimento poderá contemplar não-conformidades potenciais, que ainda não ocorreram. – As situações em que a organização identifica problemas que foram tratados poderão de fato originar uma não-conformidade e gerar desta forma uma ação preventiva. – Todo produto não-conforme, após retrabalhado, liberado mediante concessão etc., só poderá ser utilizado após uma reinspeção. – O item correlato na versão 2000 é o 8.3. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 285 14. A ÇÃO CORRETIV A E AÇÃO CORRETIVA PRE VENTIV A VA 14.1. AÇÃO CORRETIV A CORRETIVA PBQP-H (B) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos para implementação de ações corretivas, incluindo: a) o efetivo tratamento de reclamações do cliente e de relatórios de não-conformidades; b) investigação das causas das não-conformidades; c) determinação da ação corretiva necessária para eliminar as causas de não-conformidade; e d) aplicação de controles para assegurar que a ação corretiva está sendo tomada e é efetiva. 286 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 14.2. AÇÃO PRE VENTIV A VENTIVA PBQP-H (A) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos para implementação de ações preventivas, incluindo: a) o uso de fontes apropriadas para detectar, analisar e eliminar causas potenciais de não-conformidades; b) determinar os passos necessários para lidar com problemas que requeiram ação preventiva; c) iniciar a ação preventiva e controlar a sua efetividade; e d) assegurar que informações relevantes sobre as ações preventivas sejam submetidas à análise crítica da adminstração. – As ações corretivas e preventivas podem ter sua origem nos relatórios de auditoria interna, nas inspeções de produto, processo construtivo ou final, nas reclamações de cliente (manutenções), e seus critérios para abertura estão estabelecidos em procedimento. – É comum as organizações não identificarem ações preventivas, mas elas certamente estão presentes no acompanhamento de um cronograma de obra, na avaliação de desempenho dos indicadores de qualidade atribuídos aos objetivos da Qualidade e ao processo. – Espera-e que com o amadurecimento do SGQ venham a ser evidenciadas mais ações preventivas do que corretivas. – Uma ação corretiva deve ser tomada com base num efetivo levantamento de causa com a participação dos envolvidos na não-conformidade. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 287 – O prazo para verificação da eficácia da ação corretiva deve contemplar o tempo necessário para avaliação da situação posterior à sua implementação, ou seja, o simples ato de implementar uma ação corretiva não demonstra que ela foi eficaz. – Itens equivalentes na versão 2000: 8.5.2 e 8.5.3. 15. M ANUSEIO, ARMA ZENAMENT O, ZENAMENTO EMB AL A GEM , PRESER VAÇÃO E EMBAL PRESERV ENTREGA 15.1. CONTROLE DO MANUSEIO E TERIAIS ARMA ZENAMENT O DE MA MATERIAIS PBQP-H (C) A empresa construtora deve elaborar procedimentos para o correto manuseio, estocagem e condicionamento dos materiais controlados, que impeça que estes se danifiquem ou se deteriorem, considerando todas as etapas da movimentação. Essa medida deve ser aplicada não importando se tais materiais estejam sob responsabilidade da própria empresa construtora ou de empresas subcontratadas. 288 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 15.2 PROTEÇÃO DOS SERVIÇOS PBQP-H (A) A empresa construtora deve elaborar procedimentos para a correta preservação dos serviços executados, realizados por ela mesma ou por terceiros, para que els não sejam danificados antes da entrega da obra. 15.3 ENTREG A DA OBR A ENTREGA PBQP-H (A) A empresa construtora deve fornecer ao cliente o Manual do Proprietário, que contém as principais informações sobre as condições de utilização das instalações e equipamentos, bem como orientações para operação e manutenção da edificação ao longo da sua vida útil. – Os materiais controlados devem ter previstas suas condições de estocagem. – É usual as empresas apresentarem em uma única matriz/planilha uma coluna identificando os materiais controlados; em outra coluna, os critérios de armazenamento, os quais podem ser obtidos conforme as instruções do fabricante nas embalagens e as normas técnicas da ABNT aplicáveis. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 289 – Com relação à proteção dos serviços executados é importante manter preservados os critérios de performance das atividades já concluídas e desenvolver sistemáticas para tal. Exemplos: isolar com fita zebrada áreas com piso recém-colocado para evitar trânsito durante um período mínimo de 48 horas, fechar à chave portas de unidades já concluídas etc. – A entrega da obra deve prever a entrega das unidades individuais, bem como a entrega ao condomínio das áreas comuns. O aceite do cliente deve estar documentado bem como as solicitações decorrentes da vistoria, sendo ainda fundamental o tratamento do “as built”. – Os itens correlatos na versão 2000 são, respectivamente, 7.5.5 e 7.5.1f. 290 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 16. R EGISTROS DA Q UALIDADE PBQP-H (B) A empresa construtora deve estabelecer e manter procedimentos documentados para identificar, coletar, arquivar, manter e dispor os registros da Qualidade. Registros oriundos de subempreiteiros e fornecedores de materiais devem ser considerados como parte desses dados. Os tempos de retenção dos registros da Qualidade devem ser estabelecidos e registrados. Quando definido em contrato, os registros da Qualidade devem estar disponíveis para avaliação pelo cliente ou seu representante, durante um período acordado. Devem ser tratados como registro da Qualidade, pelo menos: – análise crítica da direção; – análise crítica de contrato; – histórico dos fornecedores de materiais e serviços controlados; – controle de produto fornecido pelo cliente; – identificação de produto; – inspeção e ensaios; – calibração e ajuste de equipamentos; – controle de produto não-conforme; – ação corretiva e ação preventiva; – resultados de auditorias internas da Qualidade; e – registro dos treinamentos. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 291 – A empresa, usualmente, possui um procedimento definindo o tratamento dado aos registros de Qualidade contemplando os subitens indicados no requisito. Os registros estão definidos numa matriz (quadro) ou indicados nos próprios procedimentos que os referenciam. – O item correlato na versão 2000 é o 4.2.4, que não propõe alterações. 17. A UDITORIAS Q UALIDADE INTERNAS DA PBQP-H (A) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos para planejamento e implementação de auditorias internas da Qualidade, para verificar se as atividades da Qualidade e respectivos resultados estão em conformidade com as disposições planejadas e para determinar a eficácia do Sistema da Qualidade. O planejamento das auditorias deve abranger todos os processos da empresa que sejam objetos de qualificação, que devem ser auditados no mínimo uma vez por ano. As auditorias devem ser executadas por pessoal independente daqueles que têm responsabilidade direta pelo processo que está sendo auditado. Os resultados das auditorias devem ser registrados e levados ao conhecimento dos responsáveis pelo processo auditado, para tomarem, em tempo hábil, ações corretivas referentes às deficiências encontradas. Atividades de acompanhamento da auditoria devem verificar e registrar a implementação e eficácia das ações corretivas tomadas. 292 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO – A abordagem da auditoria interna é apresentada em um procedimento, gerando a necessidade de qualificar e avaliar os auditores internos que conduzirão as auditorias conforme previsto em calendário/ cronograma com datas estabelecidas e formalmente aprovadas. – O requisito equivalente na versão 2000 é o 8.2.2, cujos requisitos de procedimento se mantêm. No entanto, os auditores internos deverão estar treinados na abordagem de processo e melhoria contínua, que são os dois conceitos de fundamental importância. 18. T REINAMENTO PBQP-H (C/B/A) A empresa construtora deve elaborar procedimento para a identificação das necessidades de treinamento, e providenciá-lo para o pessoal que execute atividades que influam na Qualidade. O pessoal que executa tarefas especificamente designadas deve ser qualificado com base na instrução, treinamento ou experiência apropriados, conforme requerido. A empresa construtora deve manter registro apropriado dos treinamentos. – A empresa em conformidade com o seu procedimento elabora um programa de treinamentos por um período estipulado (geralmente anual e passível de revisões), tendo como base um levantamento de necessi- PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 293 dades de treinamento (necessidades são situações detectadas pelo superior imediato de diversas formas que indiquem que um determinado treinamento possa trazer benefícios à função que executa determinada atividade que influi na qualidade do produto final, no atendimento ao cliente, no SGQ etc.). – Os treinamentos podem ser internos (realizados pela própria empresa) ou externos (realizados por entidades qualificadas externas). Os registros (certificados e listas de presença) dos treinamentos realizados passam a evidenciar o cumprimento do programa de treinamentos. – Treinamento não realizado deve ser reprogramado. Item correlato na versão 2000 é o 6.2.2, que passa a ter uma visão mais ampla: “TREINAMENTO, CONSCIENTIZAÇÃO E NOVO TREINAMENTO”. 19. S ERVIÇOS ASSOCIADOS PBQP-H (A) A empresa construtora deve estabelecer procedimentos para assistência técnica, abrangendo: recebimento e registro de reclamações vindas dos clientes; análise e comunicação ao cliente quanto à cobertura em garantia; execução do serviço e verificação do atendimento às especificações; análises de ações corretivas e preventivas decorrentes. 294 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO – Normalmente, na versão 94, as empresas abordam neste item a sistemática (em procedimentos) para o atendimento de manutenção (pós-venda ou reclamações de clientes). – Esse procedimento define o que é uma reclamação procedente e qual o trâmite dela na empresa até a execução do serviço que culmina em um registro formalizando o aceite do cliente. – O item correlato na versão 2000 é o 7.2.4. 20. T ÉCNIC AS EST ATÍSTIC AS ESTA PBQP-H (A) A empresa construtora deve identificar a necessidade de técnicas estatísticas requeridas para o controle, melhoria e avaliação dos processos e produtos. A empresa construtora deve estabelecer procedimentos para implementar e controlar a aplicação das técnicas estatísticas identificadas. – Usualmente, as empresas vinculam as técnicas estatísticas na versão 94 com a sistemática de monitoramento dos indicadores correlacionados com a Política da Qualidade e pouco se utilizam do CEP (Controle Estatístico de Processo) ou de outras ferramentas para melhorar os processos existentes. – A versão 2000 em seu item 8.2.3 Medição e monitoramento de processos trará uma utilização efetiva das técnicas estatísticas. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 295 ANEXO 1 – N ÍVEIS DE QUALIFIC AÇÃO UALIFICAÇÃO PAR A O ARA AÇÕES PÚBLIC AS E HABIT AÇÕES SET OR DE EDIFIC EDIFICAÇÕES PÚBLICAS HABITAÇÕES SETOR 296 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO A NEXO 2 – S ER VIÇOS OBRIG AT ORIAMENTE CONTROL ADOS – OBR AS DE EDIFIC AÇÕES AÇÕES PÚBLIC AS E HABIT HABITAÇÕES A empresa construtora deve preparar uma lista de serviços controlados que utilizem e que afetem a qualidade do produto final, abrangendo no mínimo os serviços abaixo listados. Essa lista deve ser representativa dos sistemas construtivos por ela empregados nos tipos de obras cobertos pelo Sistema da Qualidade. Caso a empresa utilize serviços específicos que substituam serviços constantes da lista mínima abaixo, eles devem ser controlados. No nível A, caso os sistemas construtivos empregados pela empresa nos tipos de obras cobertos pelo Sistema da Qualidade não empreguem serviços controlados que constem da lista, ela será dispensada de estabelecer o(s) respectivo(s) procedimento(s), desde que se obedeça ao mínimo de 25 serviços controlados, todos elaborados, documentados, mantidos em dia, treinados e aplicados. A partir dessa lista de serviços controlados, a empresa construtora deve preparar uma lista de materiais que sejam neles empregados, que afetem tanto a qualidade dos mesmos, quanto a do produto final. Dessa lista de materiais controlados devem fazer parte, no mínimo, 30 materiais. São os seguintes os serviços obrigatoriamente controlados, segundo a etapa da obra: Serviços preliminares: 1. compactação de aterro1; 2. locação de obra. Fundações: 3. execução de fundação1; Estrutura de concreto armado: 4. execução de forma; 5. montagem de armadura; 6. concretagem de peça estrutural. 1 Somente procedimentos de inspeção, caso o serviço seja subempreitado. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 297 Vedações verticais: 7. execução de alvenaria não estrutural e de divisória leve; 8. execução de alvenaria estrutural; 9. execução de revestimento interno de área seca; 10. execução de revestimento interno de área úmida; 11. execução de revestimento externo. Vedações horizontais: 12. execução de contrapiso; 13. execução de revestimento de piso interno de área seca; 14. execução de revestimento de piso interno de área úmida; 15. execução de revestimento de piso externo; 16. execução de forro; 17. execução de impermeabilização1; 18. execução de cobertura em telhado. Esquadrias: 19. colocação de batente e porta; 20. colocação de janela. Pintura: 21. execução de pintura interna; 22. execução de pintura externa. Sistemas prediais: 23. execução de instalação elétrica1; 24. execução de instalação hidrossanitária1; 25. colocação de bancada, louça e metal sanitário. Notar que, em qualquer nível, a empresa deve garantir, através do procedimento de análise crítica de contrato, que sejam também controlados todos os serviços que tenham a inspeção exigida pelo cliente. 1 Somente procedimentos de inspeção, caso o serviço seja subempreitado. 298 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA A TIVIDADES C ONSTRUÇÃO DE A PRENDIZ A GEM 1- Qual o enfoque principal apresentado na nova versão do SIQ-C? 2- Quais pontos deverão ser abordados por sua empresa para adaptação à nova versão do SIQ-C? 3- Você considera necessário desenvolver um planejamento detalhado de transição para o SIQ-C 2000 em sua empresa? 4- Quais as principais ações a serem detalhadas para a transição em sua empresa? PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 299 U NIDADE IV ET AP AS DA QUALIFIC AÇÃO E ETAP APAS QUALIFICAÇÃO ANISMOS DE CER TIFIC AÇÃO ORGANISMOS TIFICAÇÃO ORG CREDENCIADOS Objetivos Apresentar as etapas do Processo de Qualificação e Certificação Mostrar como funcionam os Organismos de Certificação Credenciados 300 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 301 1. I NTRODUÇÃO A implantação do SIQ Construtoras requer algumas etapas até o momento de realização das auditorias para emissão dos atestados de qualificação, que são as seguintes: 1. aderir ao Programa Setorial da Qualidade; 2. implantar o SIQ Construtoras; 3. contratar um organismo de certificação credenciador (OCC) para realização da auditoria; 4. receber o atestado de qualificação (em quatro etapas: níveis D, C, B e A). 1. ADESÃO A O PROGR AMA AO SETORIAL DA QUALIDADE A empresa deve aderir ao Programa Setorial da Qualidade de seu estado. Para realizar a adesão, deve ser contactado o coordenador estadual do PBQP-H, que pode ser encontradado no site www.PBQP-H.gov.br. 2. A IMPL ANT AÇÃO DO SIQ-C ANTAÇÃO A implantação pode acontecer através da metodologia apresentada no livro SIQ-C: Metodologia de Implantação – Procedimentos, Serviços e Materiais (2002), editado pelo SENAI. Caso a empresa resolva realizar a implantação sem o auxílio de um consultor externo, utilizando os métodos propostos neste curso, ela não deve se esquecer de verificar se os níveis de qualificação estão completos para o atendimento da qualificação solicitada. Vide referências bibliográficas 302 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 3. CONTR ATAÇÃO DO OCC Os OCC são as entidades que conduzem e concedem a certificação de conformidade. Os OCC do Sistema de qualificação de Empresas de Serviços e Obras são organismos públicos, privados ou mistos, de terceira parte, isto é, organizações independentes credenciadas para executar auditorias, autorizados pela Comissão Nacional do PBQP-H a emitir atestados de qualificação do SIQ. O OCC deve ser contratado pela empresa para realização das auditorias de qualificação. Os OCCs autorizados a realizar as auditorias devem ser credenciados pelo Inmetro e aprovados pela Comissão Nacional do PBQPH. Considerações a respeito dos OCCs estão no Capítulo II da Portaria nº 67, de 21 de novembro de 2000, no fim deste capítulo. 3.1. OCC e Cer tif icação A Certificação é uma modalidade de avaliação de conformidade muito utilizada em diversas nações. É o modo pelo qual uma terceira parte (independente) dá garantia escrita de que um produto, serviço, sistema, processo ou pessoa está em conformidade com requisitos especificados. Quanto à sua obrigatoriedade, a Certificação pode ser voluntária ou compulsória. No primeiro caso, parte de uma decisão exclusiva do fornecedor. Esse procedimento é usado por fabricantes importadores como meio de agregar valor às marcas, diferenciando seus produtos ou serviços no mercado e informando e atraindo o consumidor. A Certificação se torna compulsória, isto é, obrigatória, por meio de um instrumento legal emitido por um organismo regulamentador e se destina, prioritariamente, à defesa dos consumidores, no que diz respeito à proteção da vida, da saúde e do meio ambiente. O governo também utiliza programas de certificação obrigatórios com o intuito de regular o mercado, proporcionando a concorrência justa, facilitando o comércio exterior e o incremento das exportações e protegendo o mercado interno, uma vez que dificultam a entrada de produtos que não atendem aos requisitos mínimos de segurança e desempenho. Um exemplo de produto que tem certificação compulsória no Brasil é o extintor de incêndio. A Figura 1 mostra uma estrutura genérica de um sistema de avaliação da conformidade para a Certificação, bem como as relações entre as entidades envolvidas direta ou indiretamente nesse processo. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 303 A avaliação da conformidade engloba um amplo contexto, e ouve-se falar de certificação ISO 9000, ISO 14000, creden-ciamento de laboratórios, etiquetagem de produtos, certificação de profissionais, organismos credenciados, e torna-se complexo discernir o que realmente pode ser de interesse, ou prioridade, para uma empresa ou profissional inserido em um mercado competitivo. No Brasil foi estruturado, no âmbito do governo, o Sistema Brasileiro de Certificação (SBC), concebido de modo a operar de forma descentralizada, podendo ser utilizado por agentes públicos ou privados, com interesse na certificação de conformidade. Para que se possa entender melhor o processo de certificação no âmbito do SBC, é necessário conhecer seus principais participantes, bem como suas respectivas funções. 304 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO Diversas são as entidades públicas ou privadas no processo de Certificação. O SBC estabelece as diretrizes para as atividades de credenciamento e certificação no Brasil, tendo como gestor o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. O Inmetro, entre suas demais atividades, participa como órgão que dirige e administra o sistema e concede o credenciamento, reconhecendo formalmente que um organismo foi avaliado segundo guias e normas nacionais e internacionais e é competente técnica e gerencialmente para desenvolver tarefas específicas. O credenciamento é mantido com supervisão apropriada através de auditorias periódicas. Estes organismos credenciados para a certificação (OCCs), por sua vez, têm como função avaliar e reconhecer a conformidade e conceder a certificação de um sistema de gestão, processo, produto, serviço ou pessoa, podendo fazer uso de auditorias, inspeções e ensaios, dependendo do caso. Essa estrutura permite ao sistema operar as modalidades de certificação apresentadas na Figura 2. FIGURA 2 – MODALIDADES DE CERTIFICAÇÃO PRODUTOS E SERVIÇOS Compulsória e Voluntária CERTIFICAÇÃO SISTEMAS DE GESTÃO Voluntária PESSOAL Voluntária PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 305 As atividades do Inmetro e dos OCCs para a avaliação da conformidade são ditas de terceira parte, pois são reconhecidas como independentes das partes interessadas na avaliação. A Figura 3 seleciona as principais atividades do processo de certificação relacionadas à Gestão da Qualidade. FIGURA 3 – CERTIFICAÇÃO PARA GESTÃO DA QUALIDADE INMETRO CONCEDE O CREDENCIAMENTO COM BASE EM NORMAS INTERNAS E INTERNACIONAIS CREDENCIA OCC CONCEDE A CERTIFICAÇÃO COM BASE EM NORMAS INTERNAS E NAS NORMAS DA SÉRIE ISO 9000 CERTIFICA SGQ SISTEMAS DE GESTÃO DA QUALIDADE OPC CONCEDE A CERTIFICAÇÃO COM BASE EM NORMAS INTERNAS E NAS NORMAS DA SÉRIE ISO 9000 CERTIFICA AUDITORES DA QUALIDADE 4. A QUALIFICAÇÃO NO SIQ-C É OBTIDA ATR AVÉS DO SEGUINTE PROCESSO: 1) a empresa deve escolher um OCC autorizado pela Comissão Nacional do SIQ-C; 2) o OCC planeja e realiza a auditoria e envia relatório de Auditoria à Comissão de qualificação específica da especialidade técnica onde a empresa atua; 3) a Comissão de qualificação analisa o relatório e emite parecer quanto à qualificação da empresa em determinado nível; 306 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 4) o OCC, emite o atestado de qualificação, se a empresa tiver aprovada a qualificação; 5) o OCC informa à Comissão Nacional a emissão do atestado, que o registra em lista pública; e 6) a empresa deve a cada ano renovar sua qualificação por meio de uma nova auditoria. Importante: • A validade da qualificação é de três anos. Os atestados têm validade anual. • Após três anos a qualificação perde sua validade e a empresa terá que apresentar novamente toda sua documentação para análise e julgamento. • Toda a empresa pode a qualquer momento pedir qualificação em nível superior dos requisitos evolutivos. 4.1. O Sis t ema de Qualif icação de Sist empr esas de ser viços e obr as ((SIQ SIQ empresas obras SIQ)) tem a seguinte estrutura 1) Comissão Nacional (C N) – é a instância que abriga o Sistema e que tem como objetivos principais zelar pelo seu funcionamento e fazê-lo progredir. Trata-se da instância para representação do setor, sendo constituída por representantes de contratantes, fornecedores e entidades de apoio técnico de caráter neutro. Compete à Comissão Nacional: a. propor alterações ao Regimento do SIQ-C; b. propor alterações aos requisitos válidos para qualificação dos diferentes agentes do setor; c. propor procedimentos de aplicação do SIQ harmônicos e uniformes; PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 307 d. definir quais entidades a comporão; e. eleger, entre seus integrantes, um Presidente e um Vice-Presidente; f. conceder e revogar autorizações para que Organismos de Certificação Credenciados emitam Atestados de Qualificação do SIQ; g. manter uma lista pública das empresas qualificadas; e h. designar uma Secretaria Executiva Nacional (SEN). 2) Organismos de Certificação Credenciados (OCC) autorizados pela CN para emitirem Atestados de Qualificação do SIQ. Os OCCs autorizados para realizarem auditorias de qualificação do SIQ-C devem: • atender aos requisitos de credenciamento para OCC estabelecido pelo Sistema Brasileiro de Certificação • declarar formalmente a anuência ao regimento do SIQ-C; • possuir comissões de qualificação para emitir atestados para as diferentes especialidades técnicas; • ter auditores com experiência comprovada em Construção Civil e auditorias da Qualidade; • enviar à Comissão Nacional do PBQP-H uma lista atualizada das empresas qualificadas. 3) Comissões de Qualificação (CQ) dos OCC. As Comissões de Qualificação (CQ) dos OCC têm por atribuição dar pareceres quanto à qualificação de determinada empresa num dado nível, baseando-se nos requisitos para a especialidade técnica e subsetor em questão, em função da análise técnica de relatórios preparados pelos auditores dos Organismos de Certificação Credenciados. O Sistema Brasileiro de Certificação foi instituído pelo – Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO) – pela Resolução O8/92 (revista pela Resolução O2/97) para estabelecer uma estrutura de certificação de conformidade adequada às necessidades do Brasil. 308 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO As Comissões de Qualificação devem ter a seguinte composição: a) dois representantes de associações ou sindicatos de fornecedores; b) dois representantes de clientes contratantes; e c) dois representantes de instituições neutras. Pode haver CQ de âmbito regional num dado Organismo de Qualificação. 4) Secretaria Executiva Nacional (SEN) A Secretaria Executiva Nacional (SEN.) tem por função apoiar o trabalho da Comissão Nacional e servir de elo com os Organismos de Certificação Credenciados. A Secretaria Executiva Nacional deverá ser abrigada por uma instituição setorial de abrangência nacional, congregando entidades públicas e privadas dos diversos segmentos da Construção Civil e formando ambiente de consenso entre os diferentes agentes envolvidos. Essa Instituição deverá garantir os meios para o correto funcionamento da Comissão Nacional, assim como para o correto aprimoramento do Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras. 5) Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico da Habitação (CTECH), instituído pela Portaria Interministerial n° 5, de 14 de fevereiro de 1998. Compete ao CTECH: I. aprovar alterações do Regimento do SIQ-C; II. aprovar os procedimentos de aplicação do SIQ; e III. aprovar os documentos de referência específicos do SIQ. At es t ados de qualif icação Ates São atestados de exatidão: Emissão de relatórios que atestam que o produto atende aos requisitos da norma técnica aplicada. PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 309 C e r tif i c a ç ã o É um conjunto de atividades desenvolvidas por um organismo independente da relação comercial com o objetivo de atestar publicamente, por escrito, que determinado produto, processo ou serviço está em conformidade com os requisitos especificados. Estes requisitos podem ser: nacionais, estrangeiros ou internacionais. A TIVIDADES DE A PRENDIZ A GEM 1- O que é um Organismo de Certificação Credenciado e como ele funciona? 2- Quais as etapas do processo de qualificação e certificação? 3- Qual a diferença entre qualificação e certificação? 4- Qual o órgão credenciador dos OCCs? A TIVIDADES DE A UT O - AVALIAÇÃO 312 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 313 A TIVIDADES DE AUT O - AVALIAÇÃO 1) Em 1998 o PBQP-H é implantado a partir do PBQP (sem o H), lançado em 1990. O PBQP-H, em 2000, passa por uma reformulação e adquire uma nova forma de atuação, intitulando-se de “Movimento da Qualidade e Produtividade no Brasil para a década 2001-2010”. O PBQP-H é formado por 12 projetos, cada qual voltado a solucionar um problema específico na área da Qualidade. Qual destes projetos assinalados é aplicado pelo PBQP-H na implantação do Sistema de Qualidade em empresas da Construção Civil? a) Sistema Nacional de Aprovações Técnicas b) Sistema Nacional de Comunicação e Troca de Informações c) Aperfeiçoamento da Normalização Técnica para a Habitação d) Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras (SIQ Construtoras) e) Assistência Técnica à Autoconstrução e ao Mutirão 2) A abordagem de processo utilizada pelo SIQ Construtoras é a da implementação do ciclo de Deming, conhecido como PDCA (do inglês Plan, Do, Check e Act). Dentre os processos abaixo, assinale o referente a Planejar: a) Medir e controlar os processos e seus resultados quanto ao atendimento às exigências feitas pelos clientes e analisar os resultados. b) Prever as atividades (processos) necessárias para o atendimento das necessidades dos clientes, e que “transformam” elementos “de entrada” em elementos “de saída”. c) Levar adiante as ações que permitam uma melhoria permanente do desempenho dos processos. d) Executar as atividades (processos) planejadas. e) Aumentar a satisfação dos clientes no que diz respeito ao atendimento de suas exigências. 314 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO 3) Com relação à estrutura do SIQ Construtoras (versão 2000), o requisito Controle de materiais e de serviços de execução controlados e da obra não-conformes faz parte de qual seção? a) Responsabilidade da direção da empresa b) Gestão de recursos c) Sistema de Gestão da Qualidade d) Execução da obra e) Medição, análise e melhoria 4) Entre os benefícios adquiridos com a implantação do PBQP-H, os cuidados com o meio ambiente e a geração de empregos fazem parte dos benefícios gerados para: a) a indústria da Construção Civil b) as empresas c) o consumidor final d) os bancos financeiros e) para a sociedade 5) Entre os itens pertinentes à responsabilidade da direção da empresa, no que se refere ao Foco no Cliente, a construtora deve assegurar que os requisitos desse foco sejam atendidos satisfatoriamente. Os itens conformidade, garantia de funcionamento, disponibilidade, entrega, atividades pós-realização, preço e custo, e impacto ambiental incluem-se: a) Em exemplos de necessidades e expectativas de cliente e de usuário final em relação aos produtos da organização. b) Para entender e satisfazer as necessidades e expectativas das partes interessadas. c) Para satisfazer as necessidades e expectativas do cliente e do usuário final. d) Para considerar as relações com a sociedade. e) Os benefícios potenciais de estabelecer parcerias com fornecedores da organização. 6) A empresa construtora deve garantir que sejam incluídos requisitos de execução dos procedimentos para os serviços controlados, como a realização e a aprovação de um serviço e a qualificação do pessoal que realiza esse serviço. Para tanto, todos os procedimentos devem ser corretamente analisados e documentados de forma compatível e de maneira evolutiva durante o processo. Esses PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 315 documentos deverão estar disponíveis às pessoas responsáveis pela realização das tarefas. Das falhas nestes documentos, qual a que podemos citar como uma das mais comuns: a) Descrever o processo “atual” nos procedimentos. b) Abranger todos os equipamentos de medição que impactam na qualidade no programa de calibração. c) Descrever detalhes que “engessem” o processo. d) Detalhar os parâmetros que devem ser observados, nas verificações no início, durante e no final do processo. e) Descrever superficialmente as condições adequadas do ambiente de trabalho. 7) Nas fases de aplicação das Etapas do Projeto, as necessidades e expectativas internas devem ser adequadas para se converterem em requisitos de entrada para os processos de projeto e de desenvolvimento, como entradas externas, internas e as que identifiquem aquelas características de processos e produtos cruciais para o funcionamento e manutenção seguros e adequados. Estamos falando de qual das Etapas do Projeto? a) Análise crítica de projeto b) Verificação de projeto c) Planejamento da elaboração do projeto d) Entrada e saída de projetos e desenvolvimento e) Validação de projeto. 8) Na seção de Medição, Análise e Melhoria, os itens Satisfação do cliente, Auditoria interna, Medição e Monitoramento de processos, Inspeção e monitoramento de materiais e serviços de execução controlados e da obra fazem parte dos processos do requisito: a) Medição e monitoramento b) Melhoria c) Análise de dados d) Controle de materiais e de serviços de execução controlados e da obra não-conformes e) Generalidades 9) Na nova versão do SIQ-C, quais itens possuem alteração de maior impacto? a) 4.1, 4.2.1, 5.1, 5.4.2, 6.2.2, 6.3, 7.2.1, 5.6, 8.2.1, 8.2.3 316 – Q U A L I D A D E NA I NDÚSTRIA DA C ONSTRUÇÃO b) 4.1, 4.2.1, 5.1, 5.4.2, 6.2.2, 6.3, 7.2.3, 7.6, 8.2.2, 8.2.3 c) 4.1, 5.1, 5.2, 5.3, 5.4.1, 5.4.2, 5.5.2, 5.5.3, 5.6, 8.2.1, 8.2.3 d) 4.1, 5.1, 5.2, 5.3, 5.4.1, 5.4.2, 5.5.2, 5.6, 7.5.3, 8.2.1, 8.2.3 e) 4.1, 4.2.1, 5.1, 5.4.2, 6.2.2, 6.3, 8.2.3, 7.6, 8.2.1, 8.2.3 10) Para que uma empresa obtenha um Atestado de Qualificação, são necessárias etapas como: adesão ao programa setorial da qualidade; implantação do SIQ Construtoras; contratação de um Organismo de Certificação Credenciado (OCC) para realização da auditoria; recebimento do Atestado de Qualificação (nos níveis D, C, B e A). O organismo que executa essas auditorias para emissão dos Atestados de Qualificação é credenciado por qual órgão? a) Auditores de Qualidade b) INMETRO c) OPC d) SGQ e) OCC PROGRAMA BRASILEIRO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO HÁBITAT – 317 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. ISO 8402 Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade – Terminologia. Rio de Janeiro: 1994. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. ISO 9000-1 Normas de Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade. Parte 1: Diretrizes para seleção e uso. Rio de Janeiro: 1990. ALMEIDA JUNIOR, Antônio. A evolução da ISO 9000 rumo à qualidade do ano 2000: uma visão européia. Curitiba, 1995. Material do seminário realizado no CEFET/PR. Apostila. AMBROZEWICZ, P. Gestão da Qualidade na Construção Pública. Brasília: SENAI, 2002. AMBROZEWICZ, P. Qualidade na Prática: conceitos e ferramentas. AMBROZEWICZ, P. SIQ-C: Metodologia e Implantação – metodologia, serviços e materiais. AMBROZEWICZ, P. 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