BOLeTIM INFORMA NO ecLTURAL CIAÇÃO DESPORTIVA E CUL URAL MONTARIEN9E Aqosto. 20~ - Edjção N°. 9 Editoritl/ Montari ns s No oitavo ano de publicação ininterrupta, a Associação Despor t iva e Cult ura l Montar iense apresent a a toda a comunidade mais uma edição de "Ecos da Mont anha". Desporto , cultu r a, ambient e, história, ent revistas e assuntos de int er esse geral dão corpo à nona edição deste boletim. Sem despr imor pelos demais, destacar ei apenas três assunt os. A ent r evista concedida pelo Padre Alexandr ino Cardoso, a propósit o dos 25 anos de actividade pastoral e pela jovem Eisa Pire s num registo comovent e e digno de reflexão. E ainda um interessant e artigo, baseado no t est emunho da senhor a I sabel Brito, que aborda algumas curiosidades acerca dos nomes das casas do lugar de Espant ar. Indíc Pág. J - Editoritll Pág .2 - Trtldiç6es e Curiosidtldu O slgnificQdo do Nome das Casas P4g.3 - Acti vidtldes dtl ADCM ComemortlÇ< - 'S Pág .4 - Os nossos Jovens e tIS SUt1S Obrtls A nosStl águtl Pág.5 - ChDUriço Esfrtlgtldo Costume Antigo Pág.6 - Temtl Culturtl/ :Eductlçõo Mas a actividade desta Associação não se esgot a neste boletim. Recor do a nossa participação no Campeonato Distrital do I ATEL e no Tor neio de Futebol de Salão com duas equipas, na freguesia de Amonde, de 2 a 31 de Agosto do corrente mês. Pág.7 - Entrevisttl Padre A/lJ)(andrino Cardoso Pág.8 - NDtfcitlS Breves Recordo igualmente o renovado protocolo celebrado com a Câmara Municipal de Viana, que t em permitido preservar e divulgar os tri lhos pedest r es destr a freguesia, visit ados anualmente por centenas de turistas nacionais e estrangeiros. E re cor do, a terminar, o avançado estado das negociações com a Câmara Municipal de Viana, parceira incansável e dedicada, para a def init iva electrificação das nossas inst alações desport ivas. Como podem calcular, será um passo important íssimo par a a Associação, uma vez que só assim poderemos cumprir muitas das nossas actividades. No dia 2 de Fevereiro de 2005, a Associação comemora o seu vigésimo aniversário. Estou certo e seguro que essa será a melhor pr enda que ela pode receber. A to dos OS sócios, simpatizantes, colaboradores particulares e institucionais, patrocinadores e Montarienses, vot os de boas f ér ias. o Presidente da Direcção Ecos da MOntanha 1 TrodiçÕBs e Curiosidade o Signif icado do nome das "Nesses Casas" Saiba aqui o significada de algumas cases ou como se deu o aparecimento do nome ou designação das mesmas. Não pretendemos w lorizar ou des criminar ninguém. Tomamos a iniciat iw deliberada de deixar um testemunho para os nossos vindouros As emissões apenas se prendem pela fa lta de conhecimento da nossa fonte. Se algo estiver errado e for do seu conhecimento infor me-nos e saberemas wlorizar esses dados. da Fábr ica: Porque havia uma fábrica de leit e . O leite vinha de fora e ia a uma máquina para se tratar Casa da Postiça : Naquele tempo o Governo ~daw" crianças para cr iar e eram "votadas à roda" . Como não conseguiam saber quem era o pai e/ou a mãe eram chamadas de "crianças postiças" Para a Casa da Postiço veio uma dessas crianças e para a casa do Calado outra Casa d Joana: Porque a avó do Sr. Damião chamaw-se Joana Casa do Lisboa: Nesta casa havia um morador que fo i trabalhar para Lisboa e passaram-na a chamar o "Lisboa" Casa da Caniça: Sabe-se que as origens deste nome e desta casa vem de Gondar do Lugar de Carot es Cosa da Nlt a : A senhora que habit aw nest a casa chama-se Maria mas como era pequena e bonita passaram a chamar-lhe " Nita" um pedaço da palavra bonita Cosa da Ribeira: Foi uma mulher que veio da freguesia da Ribeira de Pont e do Lima . Era uma vendedeira ; veio viver para ali e ali casou. Casa do Favas: Chama-se inicialmente a casa do Mazarefes por causa de um homem que veio da fregues ia de Mazarefes para ali viver. Casa do Ferreiro: Era no princípio a casa do Loureiro. Mais tarde puse ram ali um ferreiro a trabalhar e ficou a conhecida por Casa do Ferreiro Casa da Breia: O nome deve-se a uma mulher que veio do lado de lá do rio viver para aquela casa e ia roçar sempre mato e "gatenho" para a Costa da Breia Casa da BelolCosa do Cerquelro: Eram dois irmãos; um casou-se na casa da Bela e outro na Casa do Cerqueiro. Um dos irmãos era bisavô da falecida Maximina do Cerqueiro Cosa do Louro: Como foi o "tio João do Louro - avô do fa lecido Migue l que fez a casa Casa da Nembra: Havia uma senhora que veio de S. Lourenço da Casa da Se rra ( Casa do Xico da Nembra ) e casou ali.. Casa do Cesteiro: Veio de Trás - Âncora o Sr. J oão da Costa e passou a viver lá donde começou a faz er cest as Casa do Pit orra : Foi o Domingos do Coutado que fez aquela casa ; um Senhor de Nome Domingos Gonçalves do Pereiro Casa da Lúcia: Era a casa das "Rabieiras" Estaw ali a viver um homem que se chamaw Luciano e casou com uma senhora que veio da freguesia de Castanheira. O Ewristo e a Firmina campraram a casa e comoa casa era do Luciano passou-se a chamar casa da Lúcia. Cosa do LaranJo: Veio de S. Lourenço da casa do "Coches" (à beira da casa do Lajas) um senhor viver para ali e já trazia o apelido de Laranjo. Cos a da Longa : A senhora que casou com o J oão do Cesteiro era do Lugar da Longa de name Maria Dultina Cosa do Pad : Veio um senhar da banda de lá do rio um senhor de nome André Pires e depois casou e foi viver para a casa da Andreia ( de André) Cosa Cosa da Xinha: A mãe do padre chamaw-se "Xinha· ( Filho do Tlo Manuel do Louro) O home m que tomou do cont a do Padre fo i o Lourenço ( bisavô da Elvira ) e est e ord enou-se ali. A casa também é conhecida por casa do Pire s ( devido ao André Pires ter vivido ali. Cosa do Canhoto: o lugar onde foi construída a casa chama-se lugar do Canhoto Cosa da Ti Mariana: A senhora chama-se Mariana ( era da casa do Pereira) e casou com um t io do Padre António Cosa do Carucho: Veio da casa do Carucho do lugar da "Além-do-Rio" de S. Lourenço, que casou com um da Bouça e f icou conhecida comoa Casa do José do Carucho. Cosa do Coutado: Era um homem da Casa do Marouço que casou com uma do Cerqueiro. Fizeram uma casa now num lugar alto que se chamaw "Coutado" Cosa do Quetorina : O avô do Isidoro foi que fez esta casa t endo casado com uma senhora que veio da casa da Quet orina de S. Lourenço. Veio como criado deste e depois casou com ela O seu nome era Caetano Afonso Marouço. Casa da Pedre ira : Eram duas mulheres de apelido "Gonçalves Role", O irmão delas foi para a casa do Sapato t endo estas deixado a casa às do Sapato. Cosa da Castelhana: Era um sobrinho do tio António da Rola de nome João que casou com uma espanhola. A casa era do Ferreiro (Laur eiro) e foi comprada por esse dito João . Coso. da P dre ira ( Capote) : Havia uma senhora que se chamaw "Mar io dos Mercês ", que era criado e que depois deixou os bens à lia Antónia do Pedreira e esta à Maria do Capot e. Cosel da Rosa Velha: Era uma sen hora de Lanheses que foi criado na Casa do Rola e arrendou esta casa . Também era conhecido por casa do Fatelo ou Casa Now. Esta senhora já velhinha foi acabar a suo vida à Casa do Rochinha e deixou os seus bens à Maria do Rochinha que também era suo Madr inha. Cosa do Rocha: Também era conhecida por Casa do Marouço e casou para ali ( da Casa Velha da Bela) um senhor de apelido Rocha tendo passado a chamar-se Casa do Rocha. Casa do Brito: O avô da Elvira da Caçana chamaw-se Manuel Caetanho Britinhos daf casa do Brito Cosa da Bltra: Como eram descendentes da Casa do Bit ro e como era mulher puseram-lhe o nome de Bitra. Casa do Clemente: O que foi paro lá viver era da casa do Marouço e este casou lá com uma senhora da Casa do Xico ( Casa do Tio António do Xico) que depois foi deixado aos do Louro. O Clemente ( que era do Nembra) casou com uma senhora do Louro e ficou conhecida por Casa do Clement e (Um irmão do Manue l do Senhor) da Justa : Era uma senhora da Quet orina de S. Lourenço que casou ali. live quatro filhas de nome: Justa, Rosa, J oaquina e Mario José. Como foi o Justa que ficou ali a casa começou a saber-se Casa da Just a Cosa "Ecos da Mont anha· agradece mais uma vez à lia Isabel da Fábrica o pront idão e amabiidade com que nos prestou estes depoiment os sem os quais não seriam pesslvel construir este ar t igo. M. Cancela Ecos da Mbntanha 2 Actividades da ADCM - Comemorações Comemoração do Dia da Arvore e do Dia Mund ial da Água Esta iniciati va conjunta do Associação Desportiva e Cultura Montariense, Serviços Florestais e Conselho Directivo dos Baldios da Mont ar ia conto u com os alunos e pessoal docente das Escolas Pr imárias da Montar ia e da freguesia de Vila N ova de Anho numa conjunção perfeit a de duas vivências disti nt as ou seja : o mar e o campo. A r eunião de todas as par t es envolvidas deu-se logo pela manhã junto às instala ções (Campo de J ogos) da ADCM tendo a área sido escolhida por ser um local de paragem muit o frequent e de veraneantes para almoços e merendas e por via disso pr opícia ao desleixo e ao abandono de lix o. Em r eprese ntação da ADCM est ive o res ponsável da sessão do Ambiente, t endo sido distribuído por esta Associação a t odas as cr ianças luvas e sacos de plástico para a recolha de lixo . A "Colheita" total ren deu cerca de 10 a 15 de 200 L. aquele que a área det inha ant es deste ser r emovido. o Sr. Engo. Robalo dos Ser viços Flor estais, que desde a pri meira hora acolheu com extremo entusiasmo esta iniciat iva, proferiu na oportunidade uma curta intervenção ver sando t emas como a Flor est a, Pr evenção de I ncêndios, A Preservação da Natureza, a Qualidade da água e o Fenómeno da Deser tifi cação das Regiões do I nt er ior, t endo as cr ianças seguido esta exposição com muit a atenção e cur iosidade. Est a iniciat iva f oi também aprove itada par a a plant ação no local cir cundante ao Par que de J ogos da ADCM de cer ca de 200 árvore s gent ilment e oferecidas pelos Ser viços Flor est ais tendo os envolvidos nest e pr oj ecto aj udado na sua planta ção. De r ef er ir que os Ser viços Flor estais acabaram por oferecer no f inal uma ár vore a cada aluno e professores presentes par a a sua plantaç ão na escola ou em local a designar. Esta sessão e t r abalhos e de conf r ater nização ao mesmo tem po, terminou com uma mer enda no Viveiro Florest al t endose pr olongado pela tarde dentr o com Jogos Tradicionais e outras actividades recreat ivas. Esta iniciat iva, simples e nobre no seu conteú do, levada a cabo sem gr andes invest imentos ou dispêndios de verba s, vem r ef orç ar a tese de que o que é necessário são BOA S IDEI AS e não t er receio de as pôr em pr át ica. A ADCM promoverá e acolherá sempre de bom grado iniciat ivas deste âmbito, como um ligeiro cont r ibuto para a Pr eservação do Ambient e par t icipando t ambém desta forma na f or mação e edução da nossas cr ianças. E assim se f ez um dia diferente para t ant as cr ianças que, e uma f or ma apelat iva ajudaram a plant ar árvores para o fut uro marcando bem a pr esent e o Dia Mundial da Água, o Dia Nacional da Ár vor e e o primeiro dia da Pr imavera. A ADCM quer agradecer a t odos os participante, especialmente aos alunos, pessoal dos Serviços Flor est ais, sem esquecer a Gor et i que esteve presente como sempre para aj udar no que f oi pre ciso. Um grande obr igado a to dos. Manuel Paula Ecos da MOntanha 3 Os Nossos Jovens e (lS SU(lS Obr(ls Os nossos jovens ilustres Ret omamos nesta edição de "Ecos da Montanha" uma rubri ca que visa enaltecer os nossos jovens valor es, alguém pelo seu instinto ou pela ir onia do destino se sobressai dos demais e serve de um bom exemplo de re fe r ência ou de guia para todos n6s. Destacamos hoje aqui a obra de Eisa Pir es. Eisa Pires tem 21 anos e vive act ualmente no lugar de Tr àsÂncora na f r eguesia de Monta r ia Estudou em Lanheses na C+S tendo acabado o 12°. Ano no ano lect ivo de 1999-2000 na ár ea de Humaníst icas ( ár ea de Português, Hist6r ia e Lat im) A morte da Sua mãe deixou-a com uma irmã de 3 anos, de nome Mar gar ida ( hoje com seis anos f eitos em Ja neir o) e t odas os seus projectos tiver am que ser aliados. Seu pai Manuel fala-nos com orgul ho da sua f ilha -N6s não tínhamo s out r a solução . Eu preciso ganhar por que sou a única f ont e de rend imento desta casa" O dia a dia de Eisa não deixa de ser cur ioso. " De manhã levant o- me bem cedo pois tenho que levar a Margar ida lá abaixo ao Posto do Leite. São cerca de 500 met r os de uma encosta muit o desnivelo e desprotegida. De I nver no, no f ut ur o, não sei como vai ser , com a chuva e vento não ar risco deixar a minha irmã molhada na escola. Q uando isso acontecer não há out ro remédio senão f alt ar à escola. A carrinha da Junta bem que podia passar por aqui" lamentou- se. À tarde volt a ao Posto do Leit e para a ir buscar a ir mã Outros t empos do dia são gastos no trat ament o da vinha. Por volta das 14.00 Horas . Outros tempos do dia são gastos no tratament o da vinha. "Sinto-me muito realizada com o que faço . Tir ei o curso de "Poda e Enxertia" em Fevereiro de 2003 e mais tarde t ir ei um cur so de " Apicult ur a". Com estes conhecimentos cuido da vinha, f aço a poda, a enxer tia e sou eu que sulfato todas as lat adas. De vez em quando é necessár io plantar umas videir as novas. Dedico- me também ao cultivo de batatas, couves e outras hor t aliças No resto , gosto de sair pouco. Gost o muito desta vida o mais rec at ada possível. Leio bast ante faço rendas e bor dados". O Lugar (ter r eno anexo à casa) está limpo e digno de se ver . Tudo obr a de Eisa Pires. Perg unt amos à Eisa que project os f az para o f ut uro . "No imediato não f aço pr oj ectos . Gostava de um dia traba lhar em Secr et ar iado, qualquer coisa que apar ecesse, mas reconh eco que está t udo muito dif íci l". Revelou- nos no ent ant o uma estr anha paixão. "No meu curso havia uma disci plina de "Of icinas de Expressão Dramática" e reconheço algum jeito par a essas coisas. Q uem sabe um dia desenvolver aqui na terr a a cr iação de "Grupo de Teat ro ". Gostaria muit o de t ir ar um Cur so de Teatro". Nas suas palavr as fomos apr eciando sempre uma grata boa disposição, sem máculas nem mágoas e muito consciente de estar a cumpr ir uma missão e a ser vir uma causa. Mar gar ida segue muita atenta a nossa conver sa à sombr a de latadas de vinha e perant e um ar f r esco de perfume da mont anha. Q uando for grande quer ser " Doutora de Pessoas" mas a ver se também ganha j eit o par a dar umas 'picas" ao Xico ( o seu gato de est imação). Nos int er valos vai rabiscando um desenho marca-o com o seu nome bem saliente e refere que no f inal será para oferecer. Eu compartilho-o com t odos os leitores e reproduzo-o aqui. Parabéns Eisa. Conhecer estes exe mplos faz-nos muito bem a to dos n6s. M. Cancela A nossa águo A J unt a de Freguesia concebeu e fe z apro~r um r egulamento para consumo de água pública e manut enção da respectivo rede, que, por mot ivos burocrát icos, ainda não ent rou em vigor . Não vemos discut ir aqui a f ilosof ia e o articulado de referido Regulament o, as suas virt udes e os seus defeitos. Mas af irmamos, isso sim, que é muito necessár ia uma norma que nos obrigue a t odos a sermos solidár ios uns para com os outros , para que o precioso líquido chegue às nossas casas com equidade e har monia. Acatar as direct ivas da J unt a de Freguesia é muit o mais do que um pr oblema lega/, uma necessidade cooperat iva. Todos os freg ueses sem excepção, devemos cooperar para a manutenção desta r iqueza enorme que é a água pública da f r eguesia. Quem, por qualquer motivo , se r ecuse a participar ou a contr ibuir para os traba lhos necessár ios, está a ser egofsta e a abusar de t oda a colect ividade. É neste caso, um parasita de todos nõs. mesmo que encostado à sombra da lei. O dever cooperativo e de solidar iedade é muit o mais importante do que a obrigação legal. Manuel Antanôa Domingues Ec o s da Montanha 4 Opiniõo- Chouriço Es tragado Chouriço estragado o chour iço da Serra d' Arga é um pr odut o famoso que honra est a nossa micr o-região. Era bom e genuíno no tempo em que os porcos ' eram alimentados unicamente com a farinha case ira, com as ervas e as couves dos nossos campos, e até , com as landes dos carvalhos. Por ser uma pequena regi ão, fo i sempre um pr oduto exc lusivo e caro, mas basta nte proc urado . E cont inua a se r . Mas, desde uns anos para cá, tem vindo a ser fa ls ificado, Grande parte dos seus pr odut ores de ram em ir ao ta lho comprar a carne para os f a br icar. Os porcos que dão car ne para os me rcados, são cri ados, intens ivament e nas suinicult uras, por mét odos muito art ificiais . Ass im a sua carne f ica che ia de líquido. Depois, quando met ida nas tripas, o líquido e vapora-se e a fibra (f e bre) f ica se ca como um cour o. Ent ão esse chour iço, ou é comido muit o novo ou, então, não presta. Q uando esse chour iço se destina a consumo própr io, t udo bem, cada um come do que gosta. Mas qua ndo é vendido passa a se r objecto de uma autênt ica fra ude . Q uem o compra es tá a se r enga nado. Já tem acontecido casos semelhantes com outros pr odut os reg iona is e artesanais. Aconteceu, por exemplo, a inda há be m poucos anos com o queijo da Serra da Estrela. Para deb e lar o ma l, esse queij o passou a ser "Certificado" por enti dade compet e nt e , Também, entre nós, urge , por isso, cri ar uma Associação Regional de Produtores de Chour iço que sa lve o bom nome e a qualidade deste maravilhoso produt o, mediante uma ce rt if icaçã o competente. Até lá, ao menos haja escrúpulos e consciência moral e não se venda "gato por le bre", pois além de ser ro ubo, es t á-se a dar ca bo de séc ulos de t radição. Manuel Antanôa Domingues Costume antigo Parece que voltou a velha t radi ção de "t irar " carros e out ras a lfa ias na noit e de S. João. É um cost ume antigo , não só desta freg ues ia, mas em uso, mais ou menos decadente, em outras alde ias do Alto - Minho. São br incade iras que não trazem mal nenhum ao mundo, embora possam , por vezes , a r re liar as f amílias "r oubadas". Só que , actualmente, a t radição está a ser mal inte rpret ada por quem a prat ica. A saber : - Os ar t igos a "roubar" eram unicament e, utensílios de lavoura pesados, como car ros de bois, arados, grades, caniçadas, etc. - Eram "t irados" unicame nt e, nas casas onde houvesse rapar igas (moças) em idade de namorar; - As noit es exc lusivas para o efe ito eram as de S. João e de S. Pedr o e nunca a de Santo Antó nio; Hoje, vão rareando as antigas alfaias agrícolas. E sabe mos que não é f ácil "t irar " t ra ctores, carinhas, f resa e outros acessórios. Daí a recor re r-se a novos objectos não t radicionais , como r oupas, fo gões ve lhos, pneus usados ... Muitas dessas peças já não interessam aos seus donos e, por isso , t irá-Ias de casa, é um favor que se lhes faz . E o resultado é transfor mar o Largo do Souto numa autênt ica lixe ira. Est á, portanto, a tentar reciclar-se a t radi ção, procurando adaptá- Ia aos t empos de hoj e. Embora , por esse facto , os objectos t e nham de ser mais moder nos, mantenham -se pelo menos as normas t ra dicionais que me nciona mos nas alíneas anteriores. Para continuar a ser bonit o. Manuel Paula Ecos da Montanha 5 Opinioo e Reflexoo- EduçQçoo Tema Cultural: Educação De tanto ouvir, no altar da nossa igr ej a, o nosso Pároco apelar à responsabilidade dos pais sobr e a educação dos seus f ilhos, dei comigo a meditar sobre a força deste signif icant e que tanto tem pr eocupado e conduzido os seres humanos através dos tempos. o vocábulo der iva do latim "educare" e signif icou, no inicio , "aliment ar ", "cr iar", Somente, mais tarde, é que "educar " passou a ter a fu nção act ual. Essa f unção consiste em exerc er uma acção sobre o educando (o filho, o aluno, o catecúmeno) de maneira a que ele atinja um pleno desenvolviment o, conforme o conceito de vida dos seus educadores. A f inalidade da educação é pr omover no educando sucessivas educações, de modo a t or ná-l o apto a viver , com êx it o, na sociedade onde se inser e o educador e da qual tam bém ele virá a ser um dos seus membros. É por isso que, em muit os aspectos, a educação contrar ia e tende a apagar OS insti ntos naturais que nascem com o individuo ou nele vão surgindo nas et apas da vida. o fi lósofo inglês Emanuel Kant disse que" o homem quer a concór dia, mas a natureza conhece melhor que ele o que convém à espécie e, por isso, ela quer a discórd ia ... " .Por t ant o, a educação é uma luta permanente entre as tendências naturais e os deveres sociais. A educação de uma pessoa, para ser harmoniosa, comporta vários fac tores , por exemplo: a educação cívica, a educação f ísica, a educação re ligiosa, a educação sexual .... Quando o nosso pároco apela à educação das crianças, ele está cert ament e e sobr etudo, a re f er ir -se à "educação religiosa", no sentido de promover esses fu t uros homens à ordem sobr enat ura l, confor me os ensinament os e a doutrina da I grej a Cat ólica. Não se deve confundir educação com instrução, embora os dois conceit os, muitas vezes, se ajud em mutuamente. Pode haver pessoas analfabetas com um bom nível de educação e dout os licenciados brutos como calhaus. E cabe aqui ponderar se os to rturadores da PIDE, por exemplo, eram pessoas bem educadas. Ou os chefes nazis. Ou os padres da Sant a Inquisição. Ou os ditadores da União Soviét ica. Ou até o nosso Salazar , t ão católico, tão beato, mas tão implacável contra os seus adversários políticos. A educação é sempre uma espécie de ditadu ra que os educadores exercem sobre os educandos. Mas, como ela é exerc ida sobr e seres livres e int eligent es é imprescindível a aceitação e a colaboração dest es. Quando ist o não acontece, dá-se, inevit avelment e a r upt ura f amiliar , social ou religiosa. As prin cipais ent idades que int er vêm na educação dos indivíduos são a Família ( os pais), o Estado, (escolas) e as I grej as. Cada um com os seus meios e os seus mét odos, de maneira a conduzir o educando aos fi ns pr eviament e est abelecidos pelos seus ant epassados. Para a event ualidade da "boa educação"f alhar. então a sociedade, isto é, os educadores associados, cri aram as polícias e os tribunais, destinados a corrigir, coercivamente, os "mal educados" e os re beldes. Modernament e, há, porém, outros meios, que int er f er em na educação das pessoas, tanto dos educadores como dos educandos. São os meios de comunicação social. A televisão, a r ádio, a impre nsa, o cinema, são meios que exercem enorme preponder ância sobr e todos os agentes sociais. Para muita gente, ser "mal - educado " é, apenas, dizer palavrões f eios, que o dicionár io normal exclui. Mas isso é somente um aspecto de superfície e de pintura. O que interessa é o âmago moral e social da pessoa. Ser incapaz de prejudicar alguém , de faltar à verdade, de jurar falso , de corromper ou ser cor rupto , de amar a justiça é o necessár io para dar e receber uma educação perf eit a. Manuel Antanôo Domingues Ecos da Montanha 6 Entrevisto Entrevi a com o Pároco da Freguesia à conversa com o Padre Alexandrino Cardoso No nosso espaço de Ent r evist a desta edição de "Ecos da Montanha" f omos à conversa com o Padre Alexandrino Cardoso, pár oco há mais de vint e e cinco anos da freguesia da Mont ar ia. Os motivos são muit os e var iados. Vint e e cinco anos de dedicação a uma causa e a uma f r eguesia são pelo menos "meia vida" sendo motivo mais que suf iciente para um balanço ainda que tal não seja necessário porque a obr a fala por si Aqui fica extractos da nossaconver sa: Pergunta "EC" - O que recorda com mais ent usiasmo destes 25 anos de actividade pastoral? R: A dedicação moral e re ligiosa ao povo par oquial e à restaur ação dos bens paroquiais (igr ej a, capelas e r esidência par oquial. "EC" - Com que obra por si coor denada mais se identifico? R: Suponho que a restauração da igr ej a da Mont ar ia calou em mim o gosto e dedicação a que lhe dediquei ME~" - Como caracteriza e apr ecia as gentes da Montaria? R: E um povo que mer ece o meu re speito e estimo-o pelo que eles me recompensam no mesmo sentido "EC· - Quando deixar esta terra (que também é sua) qual o lugar que não vai dispensar visitar? R: Quando Deus o determinar acabo a minha missão e terei sempre presente o meu povo MEC" - Qual o eventual incident e que dava tudo por ter evitado? R: Dou graças a Deus por todo o tempo ileso de incidentes de maior "EC· - De todos os usos e costumes enraizados nesta terra qual/quais os que gostaria de destacar? R: Os costumes do povo desta freguesia remontam há longo tempo e são por mim apreciados e estimados "EC" - Tem incitado várias vezes os jovens e apelado ao seu envolvimento numa aposta pela educação cristã O que levará os mesmos j ovens a desviarem-se do "Caminho de Cristo"? R: As causas são muitas e o tempo que atravessamos nada é favor ável à elevação moral e re ligiosa dos nossosjovens MEC" - Como tem decor r ido a aposta na formação do grupo cor al? R: Tem os seus momentos, ora mais progressivo ora retrocedendo. "EC· - Desde há largos anos os óbitos anuais tem superado os nasciment os e, por via disso a freguesia t em sent ido um decréscimo na sua população resi dente. Como antevê a futura desta terra? R: É uma vaga que se passa por toda a par t e pelo que não fazemos excepção. MEC" - O projecto de restauração da "Igreja" é uma obra que orgulha todos os Montarienses e enche também de orgulho o Sr. Padre. Porque abraçou com t ant o entusiasmo e dedicação este projecto? R: A igreja (edifkio) estava despr egada e em ruínas. Ao meu gosto juntou-se a vontade de Deus e do povo pelo que consegui realizar a9ui1o que t antos outros receavam e não tiveram coragem. E a melhor r estaur ação fazendo deste edif k io o mais" belo" da r egião. "EC" - Fale-nos um pouco sobre o museu da Igreja. R: Só visto .... Com paciência e prazer t udo se pode fazer . "EC· - De ent re t anta obr a feita é caso par a perguntar se f icou alguma por fazer . Diga-nos que projectos ou obras deixou por fazer? R: Por mais que se f aça jamais faremos t udo. A idade e a saúde são um impediment o "EC" - Sent iu alguma frustração pelo facto da freguesia (especialmente a Autarquia) não lhe t er pr estado a devida homenagem por ocasião das suas bodas de prata? R: Nunca fiquei, nem ficarei frustrado porque não vivo de ilusões que vem dos homens. Deles esper a o f rut o das suas obras como o cult ivodor o f r uto das suas árvores. Apr oveit o a oportuni dade fi nal para admirar o meu povo, atr avés das páginas dos "Ecos da Montanha" e votos de recompensas por se tornar um meio de estar soando a voz da minha apreciação. M. Cancela Ecos da MOntanha 7 Notícias Breves Resultados do Sorteio da ADCM Campanha de A ngariaç~o de Fundos para a do Campo de Jogos" U Bilhete nO. 1254 3159 3055 3782 4962 3382 1277 4770 2307 0326 3381 2506 Premio 1° 2° 3° 4° 5° 6° 7° 8° 9° 10° 11° 12° Feir tl dtl BrtJtI e do ChouriÇt1 Electrificaç~o Nome Sorteado Madalena Domingues Luciano de Oliveira Caty Pereirinha Sofia (França) José Frutuoso Benilde Rosa da Silva Rocha Belozinda Cancela José Abadeço (Meadela) Ana Lima Castilho ( Cardielos) Benilde Rosa da Silva Rocha Augusto Silva ( Portucel) Foi com bastante frustação que assistimos este ano à suspensão da Feira da Broa e do Chouriço uma iniciativa do Dro. Manuel Marques (antigo pároco desta freguesia) e que se r ealizava a coincidir com a per egrinação à Senhora do Minho. Depois de deitada a sement e não soubemos colher os frut os desta br ilhant e iniciat iva que esper amos regresse em br eve. A ADCM agradece à população em ger al e out r as pessoas anónimas pela sua contribuição no sucesso deste sorteio. Reu ião Extroordinál'la da Assemblela de Freguesia sem a presença dos membros da Junta de Freguesia A reunião extraordinária do dia 2 de Junho de 2004 , convocada par a deliber ar , ent re outros matérias , sobre o pagamentos de processos judiciais da assembleia de freguesia (cust os e apoio j uríd ico) primou pela ausência de qualquer membro da J unt a de Fr eguesia o que a ser único na já longa história de eleições autárquicas nesta f reguesia é pelo menos est ranho e deixou est upefact os os membros da Assembleia presentes. Sem estar em causa a presença ou não dos membros da Junta de Freguesia referimos que esta "guer ra de ner vos" apenas vem acicatar mais as j á débeis r elacionais inst it ucionais entre Junta e Assembleia de Freguesia. Tom io d4 Futebo/ de StI/DO Venham apoiar as nesses equipas na f reguesia de Amonde. O torneio já começou os nossos j ovens pr ecisão de apoio. Os próximos jogos serão na Sexta-feira dia 6, Segunda dia 9 , Quarta dia 11, Quinta dia 12, Segunda dia 16, Ter ça dia 17, Quarta dia 18, Sexta dia 20. Desde já agradecemos a vossa presença. ECOS DA MON TANHA - Edição n". 9 Propriedade: Associação Desportiva e Cultural Montariense Coordentlçào: M. Cancela eD/abDrtlçDes: Paulo Afonso, Manuel Paula, Manuel Antanôa Domingues Arrtlnjo fotogrtifico,' Manuel Paula Tirtlgem: 200 cópias ADCM Um Projecto para Todos Faça-se Sócio deste projecto e participe nas actividadesdesta Associação. "Ecos da Montanha " é uma boa oportunidadeparacomunicar Ec os da Mon t anha 8