Outubro 2008 – Este suplemento faz parte integrante da Vida Económica nº 1270, de 31.10.2008 Actualidade p. 4 Planeamento fiscal pretende regular “mercado” agressivo A regulação do “mercado fiscal” é o principal objectivo do Planeamento Fiscal, uma exigência que tem suscitado viva polémica. Esta a perspectiva manifestada por Carlos dos Santos, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. O Estado tenta intervir no “negócio”, evitando os esquemas pré-fabricados de planeamento fiscal agressivo. Acha o antigo político que o sistema ainda não está devidamente assimilado pelo contribuintes e reconhece que existem lacunas, como é o caso da oportunidade do mecanismo e os custos de contexto. Não menos problemática é a questão da capacidade de controlo e a prevenção de abusos. Fiscalidade p. 8 Reformas estruturais estão a reforçar a base económica e o crescimento Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, afiança que não pretende desviar-se da trajectória que tem sido seguida em matéria de reformas estruturais. O OE pretende reflectir essa convicção. São reformas tidas como essenciais para reforçarem as finanças públicas e a competitividade. As finanças públicas equilibradas, na sua óptica, representam activos essenciais no actual contexto de incerteza internacional. Câmara e associação dos técnicos de contas defendem manutenção do PEC Domingues de Azevedo, presidente da CTOC, e Manuel Patuleia, presidente da APOTEC. Domingues de Azevedo, presidente da CTOC, e Manuel Patuleia, presidente da APOTEC, consideram que o pagamento especial por conta deve ser mantido. Uma posição surpreendente, numa altura em que a maioria dos agentes económicos e das associações acha que este seria o momento ideal para acabar com um regime tido como aberrante. Os dois profissionais da Contabilidade estão de acordo nesta matéria, na medida em que o PEC evita a fuga ao fisco. Quanto OE, como um todo, o presidente da CTOC considera o diploma muito positivo, com preocupações de natureza social e empresarial. O dirigente associativo está bastante mais céptico e rejeita que se pretende apoiar as famílias e as empresas. Ambos concordam, no entanto, que não há alterações fiscais de fundo. Domingues de Azevedo acha mesmo que se o Governo for avante com as propostas apresentadas poderá fazer um bom serviço ao país. Toma o documento como ousado, mas exequível. Também lembra que, nas actuais circunstâncias, não se poderia ter ido muito mais longe, pelo que o orçamento será o possível em tempos complicados. Manuel Patuleia tem uma perspectiva diferente. Assume que o diploma aparece numa altura complicada, mas rejeita a ideia que se está a apoiar, de facto, as empresas e os particulares. E coloca muitas dúvidas quanto à capacidade do Governo em garantir a necessária receita fiscal. O presidente da APOTEC avisa que não está de parte a possibilidade do Executivo reforçar a tributação autónoma. Contabilidade Sectores Normas de contabilidade são um normativo político e especulativo p. 16 p. 6 p. 18 Empresas de materiais de construção querem regime de excepção para facturas em atraso O Grupo Editorial Vida Económica celebra o 25.º aniversário do Terça-feira, dia 18 de Novembro de 2008 lançamento do jornal Vida Económica e o 75.º aniversário do lançamento do Boletim do Contribuinte. Ao longo deste percurso de 75 anos de actividade editorial as nossas publicações foram editadas sem interrupções, construíram uma tradição de rigor ao nível da informação especializada, conquistaram um número crescente de leitores entre os quadros das empresas, da Administração Pública e os profissionais liberais. 9h15 • 3.º TEMA: FISCALIDADE E COMPETITIVIDADE EMPRESARIAL A carga fiscal sobre as empresas: perspectiva nacional e europeia Dr. António Ramalho - Vice-presidente da AIP-CE A responsabilidade subsidiária pelas dívidas fiscais dos gerentes e administradores de empresas Dr. Rafael Campos Pereira - Director-Geral da AIMMAP Para celebrar este duplo percurso vamos realizar uma conferência O regime fiscal das PME que vai decorrer em Lisboa, a 17 e 18 de Novembro, tendo por tema "Os desafios da Economia e da Fiscalidade". Neste evento vamos Eng. João Vieira Lopes - Vice-presidente da CCP Moderador: Dr. Luís Belo - Partner de Tax da Deloitte reunir governantes, gestores, dirigentes associativos e especialistas 10h30 • Coffee break em economia e fiscalidade para debater as questões da actualidade e as respostas para os desafios que o país enfrenta. 10h45 • 4.º TEMA: FISCALIDADE E INVESTIMENTO A fiscalidade na atracção de IDE Segunda-feira, dia 17 de Novembro de 2008 14h30 • Inscrição dos participantes 15h00 • Abertura 15h15 • 1.º TEMA: DIREITOS E GARANTIAS DOS CONTRIBUINTES E CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO A eficiência da Administração Tributária na cobrança de impostos e o respeito pelos direitos e garantias dos contribuintes Prof. Dr. Carlos Lobo - Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Novidades no Processo Tributário e no Processo Administrativo Dr. João Tiago da Silveira - Secretário de Estado da Justiça A justiça tributária e a defesa dos direitos e garantias dos contribuintes Dr. Lúcio Alberto Assunção Barbosa - Vice-presidente do Supremo Tribunal Administrativo O regime legal dos direitos e garantias dos contribuintes Prof. Dr. Rui Duarte Morais - Docente da Universidade Católica do Porto Moderador: Dr. Tiago Caiado Guerreiro - Advogado Dr. Luís Florindo - Administrador da AICEP A fiscalidade como factor de decisão na internacionalização das empresas portuguesas Dr. Guy Villax - Administrador delegado da Hovione Farmaciencia SA Dr. Óscar Barros - Director, Assessoria Fiscal da Martifer SGPS Eng. José Ramos - Vice-presidente da Toyota Caetano Portugal Moderador: Dr. Diogo Ortigão Ramos - Partner da Gonçalves Pereira, Castelo Branco e Associados, S.A. 13h00 Almoço 14h45 • 5.º TEMA: POLÍTICA ORÇAMENTAL E FISCALIDADE As finanças públicas e a fiscalidade Dr. Emanuel Augusto Santos - Secretário de Estado-Adjunto do Orçamento A autonomia da política orçamental Prof. Dr. Daniel Bessa - Presidente da EGP (a confirmar) A recuperação da competitividade do sistema fiscal Prof. Dr. Eduardo Catogra - SAPEC Moderador: Dr. Joaquim Aguiar - Analista Político 16h10 • Coffee Break 16h30 • 6.º TEMA: A FISCALIDADE NO CONTEXTO INTERNACIONAL 16h40 • Coffee break A tributação do consumo versus a tributação do rendimento 17h00 • 2.º TEMA: A NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA E OS REFLEXOS SOBRE A FISCALIDADE O aumento das receitas fiscais pela diminuição das taxas de imposto A adaptação às Normas Internacionais de Contabilidade Prof. Dr. Pinheiro Pinto - Docente da Faculdade de Economia do Porto A substituição do POC pelo Sistema de Normalização Contabilística Dr. César Gonçalves - PricewaterhouseCoopers A relação entre a Contabilidade e a Fiscalidade Dr. Joaquim Cunha Guimarães - Revisor Oficial de Contas Moderador: Dr. Jorge Figueiredo - PricewaterhouseCoopers 18h30 • Encerramento do 2.º tema Desafios Economia Fiscalidade.indd 2 Prof. Dr. António Martins - Docente da Faculdade de Economia de Coimbra Dr. Jorge Castela - Economista e Jurista O contributo da política fiscal para o desenvolvimento económico: o caso de Espanha Dr. Eduardo Garcia - Director da CaixaNova Moderador: Dr. João Luis de Sousa - Director-geral da Vida Económica 19h00 • Cocktail de encerramento no Hotel Tiara Park Atlantic Lisboa 20h30 • Jantar-debate: “A Politica Fiscal no OE 2009” Orador Convidado: Prof. Dr. Teixeira dos Santos - Ministro de Estado e das Finanças (a confirmar) 21-10-2008 15:20:59 Editorial Sumário 4 Actualidade Planeamento fiscal pretende regular “mercado” agressivo Câmara e associação dos técnicos de contas defendem manutenção do PEC 8 Fiscalidade Reformas estruturais estão a reforçar a base económica e o crescimento Comissão Europeia cria organismo de cooperação para combate à fraude no IVA Máquina fiscal deve ter uma gestão integrada e simplificada Trabalhadores dos impostos reclamam “louros” da operação “Resgate Fiscal” 11 Contabilidade 14 Sectores Normas de contabilidade são um normativo político e especulativo Empresas de materiais de construção querem regime de excepção para facturas em atraso 20 Consultório Guilherme Osswald Um orçamento de risco O Governo tem sempre o argumento válido que o Orçamento do Estado é o possível em tempo de crise e que a margem era muito apertada para aligeirar a carga fiscal. No entanto, o diploma peca por dois aspectos graves. Um tem a ver com o crescimento esperado e o segundo é que, na realidade, as medidas propostas não representam um apoio efectivo às empresas. A primeira premissa até é, em certa medida, discutível, já que parte de previsões, pelo que o Governo tem sempre o argumento que só não aconteceu o crescimento esperado, devido à crise financeira (aliás, a crise poderá representar um motivo de peso para o Partido Socialista garantir nova maioria absoluta). Mas, se se fizer a comparação com as previsões para a zona euro, parece ser evidente o excesso de optimismo. Talvez, nestes casos, o melhor fosse limitar, pela fasquia mais baixa, a taxa de crescimento. Por outro lado, o Executivo dá a benesse de um aumento de 2,9% para a função pública – que se reflectirá na iniciativa privada – quando a inflação deverá ficar acima dos três pontos percentuais. Se no primeiro caso haverá algumas dificuldades para garantir receita, de acordo com a evolução do crescimento, no segundo, o ministério das Finanças “poupará” alguma verba junto da função pública e apresenta uma medida interessante em termos eleitorais. Quanto ao apoio tão publicitado às empresas, claramente está-se perante uma falsa questão. Este orçamento nada traz de novo ao nível fiscal. O grande problema é que o Governo toma-se por exemplo, o que significa a desconfiança continuada relativamente aos contribuintes. Para as empresas, o essencial mantém-se, com toda a carga negativa que tal comporta. A carga tributária continua demasiado elevada face a Espanha, o pagamento especial por conta é tido por uma aberração e sem qualquer sentido, o Estado continua a não cumprir prazos nos reembolsos do IVA. Além do mais, para ajudar as empresas de menores dimensões, não há qualquer inibição em agravar a tributação junto daquelas entidades que facturam mais. Donde se conclui que mais vale não arriscar e ficarmos pela pequenez. E quando tanto se fala de crise, não é compreensível que as grandes obras públicas – de utilidade muito duvidosa – permaneçam inscritas no orçamento. Por razões eleitorais, parece haver falta de lucidez. O Governo pode estar a criar um cenário de graves consequências para todos os contribuintes cumpridores, que não vêem meio de desapertarem o cinto, um furo que seja. Guilherme Osswald Contabilidade & Empresas Rua Gonçalo Cristóvão, 111 - 6º Esq. 4049-037 Porto Telef.: 223 399 400 • Fax: 222 058 098 Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 3 Actualidade CONFERÊNCIA De acordo com Carlos dos Santos Planeamento fiscal pretende regular “mercado” agressivo O planeamento fiscal tem suscitado vivas polémicas. Sobretudo, há uma grande confusão terminológica. Mas a entrega do planeamento fiscal por parte das empresas que têm estratégias de mercado definidas passou a ser obrigatória. Ainda que a actual legislação sobre a matéria possua algumas lacunas, António Carlos dos Santos, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, chama a atenção para o facto de a nova lei ter como principal objectivo a regulação do “mercado fiscal”. O Estado tenta intervir no “negócio”, evitando os esquemas prefabricados de planeamento fiscal agressivo. O antigo governante explicou aos presentes na III Conferência internacional CTOC/IDEF as virtudes e as fragilidades do planeamento fiscal. teve a preocupação de desmistificar, na medida do possível, um regime que nem sempre tem sido correctamente entendido pelos contribuintes. Mas não deixou de avisar o poder político que existem certas inconsistências e alguma confusão, que importa clarificar. aliás, o sistema fiscal, como um todo, deve ser o mais transparente possível. entre as suas observações sobre os pontos fracos do planeamento fiscal, destaque para a oportunidade do mecanismo e os custos de contexto. “as experiências existentes assentam em sistemas jurídicos anglo-saxónicos.” ora, como é sabido, a nossa realidade é bastante 4 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 António Carlos dos Santos, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. diferente e não houve a preocupação de uma adequação. Um outro aspecto que preocupa Carlos dos santos é a capacidade de controlo e prevenção de abusos. são aspectos tidos como essenciais para que todo o sistema possa funcionar. também coloca sérias dúvidas quanto à relação com a cláusula geral antiabuso e com o mecanismo das informações prévias vinculativas. não deixou ainda de chamar a atenção para o facto de o planeamento fiscal desenhar estratégias para atingir certas metas. “ora, a realidade é que nem sempre o estado cumpre as regras. Às vezes, as repartições pisam o risco para atingirem os objectivos definidos.” Ainda há “zonas cinzentas” a elisão fiscal é uma zona cinzenta, na óptica de Carlos santos. Basicamente, o que o estado tenta é conter as formas mais abusivas de planeamento. Por outro lado, “a tendência é cada vez mais para as empresas estarem para além do território fiscal nacional. daí a importânciaque assumem as clásulas internacionais”. seja como for, há conceitos na legislação portuguesa que ainda não estão claros, por exemplo, não existe uma distinção entre evasão e fraude, pelo que foi criada a figura de planeamento fiscal abusivo. Existem outros problemas que urge solucionar. no que respeita aos sujeitos de obrigação de comunicação, o conceito de promotor é muito amplo, o que levanta problemas. a obrigatoriedade de comunicação também é muito amplo. além disso, não existe uma lista das medidas que, no planeamento fiscal, sejam tidas como abusivas, ao contrário do que sucede no reino unido. “lança-se a rede e depois vê-se o que está mal.” Actualidade CONFERÊNCIA Normas fiscais mais densas A contabilidade criativa no quadro das orientações contabilísticas actualmente existentes foi o tema abordado pela docente ana Maria rodrigues. no âmbito fiscal defende normas antiabuso que permitam reduzir ao mínimo a assimetria estrutural de informação entre o contribuinte e a administração fiscal, “mediante a imposição de deveres especiais de cooperação que possibilitem contribuir para tornar mais transparente a informação contabilística e impedir os comportamentos abusivos ou fraudulentos por parte dos responsáveis pela elaboração dessa informação”. Por outro lado, chama a atenção para normas fiscais mais densas, que definam da forma o mais completa possível todos os possíveis factos tributários, de modo a eliminar a discricionariedade do contribuinte, mas também da administração fiscal na definição da matéria colectável e, logo, do imposto a pagar. Chega à conclusão que “o caminho ainda é sinuoso, desconhecem-se os riscos de mui- SISTEMA FISCAL TEM QUE PASSAR POR CORRECÇÕES O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais não esteve presente nos trabalhos, mas tomou o seu lugar Clotilde Palma, que referiu a necessidade de corClotilde rigir, ainda que PalMa pontualmente, o sistema fiscal, de acordo com as necessidades reais do país. O planeamento fiscal cabe nesta afirmação. Aliás, já estarão a decorrer 20 acções de planeamento fiscal abusivo. Naturalmente, defende que devem ser evitadas políticas fi scais de curto prazo, ao sabor dos ciclos eleitorais. Fez também notar que o planeamento tas das opções permitidas pelas normas internacionais do relato financeiro na esfera fiscal”. Face a este cenário, a docente universitária é de opinião que existem FAZER OBRA NÃO SIGNIFICA ENDIVIDAMENTO A conferência, na sua abertura, contou com a presença de Rui Rio, não na qualidade de TOC, mas de presidente da Câmara Municipal do Porto. O político quis RUI RIO deixar claro que não subscreve a teoria que o rigor nas contas públicas de uma câmara nada tem a ver com a política. Rio tornou a reafirmar a importância na organização das contas de uma qualquer autarquia. Há muito que defende esta posição. Assegura que não é válido, a todos os níveis, fazer obras sem que se façam as necessárias contas. Cha- mou a atenção para o documento que representa o Relatório e Contas da câmara do Porto. Foi elaborado como de uma de empresa se tratasse, naturalmente com as necessárias especificidades. Certo é que Rio acha que o país não pode continuar a seguir a lógica do endividamento desde que se faça obra. Garante que a CMP é hoje uma entidades sólida em termos financeiros. O economista, desta vez enquanto técnico oficial de contas, fez questão de felicitar a CTOC pelo esforço que tem realizado ao nível da formação profissional. Afinal, a competitividade de um qualquer país está, antes de mais, na educação e depois na formação contínua. fiscal é um direito do contribuinte, mas terá que ocorrer no âmbito da legislação fiscal em vigor. A representante do secretário de Estado referiu ainda que um sistema fiscal não é competitivo meramente por via da redução das taxas. Há que ter em conta uma série de instrumentos financeiros que permita o necessário equilíbrio fiscal. Para os técnicos oficiais de contas, o planeamento fiscal é irreversível e estes profissionais têm um papel importante a desempenhar. Há profundas alterações em curso e os TOC têm que estar particularmente atentos. O planeamento fiscal não deve ter uma conotação pejorativa, pretende apenas um sistema fiscal mais justo e transparente. vários aspectos que terão que ser esclarecidos por parte do legislador fiscal. Por exemplo, qual dos modelos de valorização ou mensuração que poderá servir de base ao cálculo de imposto, como ultrapassar a existência de diferentes modelos de valorização para diferentes elementos patrimoniais ou como ultrapassar a subjectividade que venha a emergir dos testes de “imparidade”. também se interroga sobre a forma de ultrapassar a arbitrariedade – eventualmente – emergente nos processos de reclassificação dos elementos patrimoniais. ana Maria rodrigues chega à seguinte conclusão na sua intervenção: “as opções contabilísticas permitidas pelas normas contablísticas e que condicionam o resultado contabilístico terão que ser neutralizadas pelo normativo fiscal. Caso contrário, acabam por condicionar o montante das receitas fiscais de um país. os impostos são o preço que temos que pagar por uma sociedade civilizada.” Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 5 Actualidade OE Câmara e associação dos técnicos de contas defendem manutenção do PEC É uma posição inesperada por parte dos técnicos de contas. Defendem que o pagamento especial por conta se deve manter, sobretudo para garantir uma maior equidade fiscal entre as empresas e evitar a evasão a cumprimento dos deveres fiscais. Em declarações à “Contabilidade & Empresas”, Domingues de Azevedo, presidente da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (CTOC), mostrou-se bastante optimista relativamente ao OE e louvou as preocupações subjacentes à sua elaboração. Manuel Patuleia, presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Contabilidade (APOTEC), revela-se mais céptico quanto ao diploma apresentado. O s dois dirigentes são unânimes quanto à necessidade de preservar o regime do pagamento especial por conta. o que é curioso, num momento em que há forte contestação por parte do tecido económico, até porque a redução do irC no novo escalão não terá efeitos práticos para a maioria das empresas. Continuarão a pagar o PeC mínimo no mesmo montante. ambos lamentam que os montantres inerentes ao pagamento especial por conta seja excessivos. não vêem é razões para a sua eliminação. Domingues de azevedo também se revelou satisfeito com as medidas propostas para as PMe. a eliminação do regime simplificado é visto como um passo muito importante, no sentido da criação de um sistema 6 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 Domingues de Azevedo, presidente da CTOC. fiscal mais justo. o governo terá prestado uma atenção especial àquelas empresas que, afinal, constituem a quase totalidade do tecido económico nacional. o mesmo se passa com a redução da taxa de irC, ainda que com limitações. Mas é uma ajuda importante. Considera ainda que as medidas inscritas no diploma vão no sentido da integração das empresas no plano oficial de contabilidade. Ainda que o pagamento especial por conta continue a vigorar, aquele responsável acha que não é um regime desadequado. a tributação acontece ao longo do ano, o que até acaba por ter aspectos positivos. Por outro lado, o PeC evita a fuga aos impostos. Governo pode prestar bom serviço ao país domingues de azevedo considera ainda que neste orçamento “faz-se o que é possível e nas circunstâncias que o permitem, sendo que se as propostas forem cumpridas, o governo presta um bom serviço ao país”. Chama a atenção que é essencial a administração fiscal aumentar a fiscalização. e adianta: “Perder receita é um acto ousado, todavia considero que o OE para 2009 é exequível, desde que exista vontade política e sejam utilizadas as ferramentas disponíveis por parte da administração fiscal.” em termos gerais, está de acordo com a política fiscal que tem sido seguida pelo actual executivo. O presidente da CTOC deixou claro que gostaria de ver uma melhoria no relacionamento entre os contribuintes e a administração fiscal. Mantém afirmações anteriores que o fisco vai longe de mais nas suas atribuições. Continua a haver, por parte da administração fiscal, a presunção da verdade absoluta. “a lista dos devedores ao fisco é um exemplo dessa realidade. as coisas nem sempre têm corrido da melhor maneira. impõe-se que a referida lista seja sujeita a uma análise mais cuidada”, adiantou o presidente da CtoC. até porque o sistema de Actualidade OE detecção de dívidas ao fisco ainda euferma de muitas debilidades, que dão origem a situações complicadas para os contribuintes. seja como for, o orçamento não encerra alterações de natureza exclusivamente fiscal muito significativas. de facto, uma área que deveria ser tomada em conta é a do iva. um imposto que deveria sofrer alterações em termos de obrigação e dedução. no entanto, o dirigente da entidade reguladora admite que não é um processo simples, já que implicaria mexer em toda a estrutura fiscal. um outro aspecto que merece contestação por parte de domingues de azevedo prende-se com a apresentação de uma garantia nos processos dee execução fiscal. É uma medida que provoca grande confusão entre os contribuintes. Quanto ao PeC, apenas não está de acordo com o facto de envolver montantes tão elevados. Garantir a receita fiscal Posição diferente manifestou o presidente da aPoteC, Manuel Patuleia, à “Contabilidade & empresas. admite que são dadas algumas benesses, não muitas, tendo em conta a actual situação de crise, mas interroga-se como será compensada a necessária receita do estado. e, ao contrário do que tem sido afirmado com alguma frequência, discorda que existam preocupações em termos das famílias e das empresas. lembra que não houve quaisquer mexidas nos impostos directos e mesmo nos indirectos não serão tão representativas como se quer fazer crer. aliás, o dirigente associativo não coloca de parte a possibilidade de se verificarem aumentos na tributação autónoma, como já se faz constar. a acontecer, as empresas terão ainda mais dificuldades. admite que não há milagres e que talvez este tenha sido o orçamento possível. no entanto, chama a atenção para o facto das previsões serem excessivamente optimistas. Por outro lado, se o governo prevê um crescimento da Manuel Patuleia, presidente da APOTEC. despesa pública, acha complicado reduzir a carga tributária. uma coisa é certa, o país vai atravessar dificuldades. Quanto à receita fiscal, nada impede que não se verifiquem falhas na cobrança dos impostos, para além que há empresas em sérias dificuldades. relembra que este talvez seja o orçamento possível, até porque é cada vez mais difícil fazer previsões nas actuais circunstâncias. “nem por isso deixo de estar céptico, apesar da propaganda apontar para o contrário”, assume Manuel Patuleia. Sem fiscalização não há receita Quanto à redução do pagamento por conta, considera também uma boa medida e defende a manutenção do regime do pagamento especial por conta, exctamente para evitar a fuga aos impostos. aliás, na sua óptica, um dos impostos, pelo menos, tinha mesmo que ser mantido. Mais importante, no entanto, é haver capacidade para analisar as contas de forma eficaz. “Por vezes, a contabilidade acaba por estar a servir certos interesses. as coisas não funcionam se não existir fiscalização.” Considera que houve melhorias por parte da administração fiscal, mas defende que teria que se apertar ainda mais a malha. Continua a haver evasão fiscal injustificada. É verdade que a maioria dos portugueses paga impostos, mas ainda há fuga. uma das hipóteses é a fiscalização incidir mais sobre os sinais exteriores de riqueza. o presidente da aPoteC concluiu que as linhas mestras em que assenta o orçamento do estado não o seduziram. “não se trata de um diploma com inflexões e continua a haver demasiado estado. as alterações previstas terão muito pouco impacto na sociedade civil. Penso mesmo que tem alguma influência eleitoralista. desde logo, será muito difícil a inflação ficar por uma taxa de 2,5% e é quase certo que o crescimento vai estagnar. o controlo do défice vai-se revelar bastante complicado.” Manuel Patuleia recusa políticas fiscais que não fazem sentido e que há quem defenda medidas inexequíveis. É o caso do reembolso do iva. acha que não faz qualquer sentido falar do reembolso imediato deste imposto, já que seria perder o seu total controlo. aceita sim que o processo possa ser mais célere. ou seja, dá a entender que haverá que ser realista quando se pedem ou até exigem certas medidas. Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 7 Fiscalidade REFORMA De acordo com o ministro das Finanças Reformas estruturais estão a reforçar a base económica e o crescimento “As reformas estruturais que estão em curso reforçam a base económica e as perspectivas de crescimento em Portugal.” O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, garantiu perante os agentes económicos que pretende manter o caminho que tem sido seguido, no âmbito das reformas estruturais. Estas são essenciais para reforçarem as finanças públicas e a competitividade. O responsável das contas públicas chamou a atenção para o facto de as reformas estruturais e finanças públicas equilibradas representarem activos primordiais no actual contexto de incerteza internacional. A política orçamental está direccionada para uma gestão responsável das finanças públicas, “contribuindo para a redução sustentada do peso da despesa no PiB e para o atingir do objectivo de médio prazo das finanças públicas, próximo do equilíbrio orçamental, e reforçando a qualidade e a sustentabilidade das políticas públicas”. teixeira dos santos também considerou determinante a eliminação de custos de contexto e o aumento da transparência, tendo em conta a necessidade de um ambiente de negócios favorável. Para o ministro das Finanças, um aspecto determinante em todo este processo é a reforma da administração pública. “a reorganização da administração pública permitiu 8 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 Simplificação na administração pública Para Teixeira dos Santos, as reformas são determinantes para as finanças públicas e a competitividade. uma redução de 25% no número de organismos da administração central e de cargos dirigentes. o controlo rigoroso das admissões e contratações possibilitou a redução de 5,3% do número de funcionários públicos”. não menos importante, na sua óptica, foram medidas como a reforma dos vínculos, a gestão orientada por objectivos, a promoção da mobilidade dos recursos humanos ou os serviços partilhados nas áreas de gestão dos recursos humanos e financeiros. É muito optimista a posição manifestada quanto à evolução da despesa com pensões. “no que respeita à sustentabilidade de longo prazo das finanças públicas, no contexto da união europeia, Portugal viu a sua posição reclassificada de um país de elevado risco para médio, em resultado do impacto esperado das reformas da segurança social.” Foi ainda manifestada satisfação quanto à simplificação administrativa na administração pública. trata-se da melhoria da competitividade económica, através da redução de custos de contexto, por via da melhoria da qualidade do serviço público prestado. o ministro das Finanças louvou o trabalho que tem sido desenvolvido nesta área, facto que é reconhecido pelos organismos internacionais. Muito terá também mudado ao nível do financiamento das empresas. revela a este propósito: “importa promover a eficiência da intermediação bancária e o desenvolvimento do mercado de capitais, em alternativa à atribuição directa de fundos públicos. Programas integrados para empreendedores e empresas que promovem processos inovadores, capital de risco, contratos de benefícios fiscais.” entretanto, o sistema nacional de garantia Mútua aprovou projectos de investimento no montante de 1,4% do PiB até ao final do ano passado. Um outro aspecto mereceu a atenção por parte do governante, designadamente “a promoção de condições que favorecem o desenvolvimento do capital humano, o investimento empresarial nacional e internacional e as actividades de investigação e desenvolvimento, em termos de incentivos, infraestruturas, recursos e enquadramento”. Fiscalidade UE Sob a designação de Eurofisc Comissão Europeia cria organismo de cooperação para combate à fraude no IVA A Comissão Europeia está decidida a avançar com instrumentos práticos, no sentido de um combate mais eficaz à fraude em sede de IVA. Está aberta agora a possibilidade de criar uma estrutura informal, composta por funcionários das administração fiscais nacionais, para facilitar a troca de informação entre as autoridades fiscais dos vários países. A intenção é desenvolver um sistema, sob a designação de Eurofisc, que terá como objectivo aumentar a cooperação administrativa entre os Estados-membros, em sede de IVA. B ruxelas pretende avançar com as necessárias provisões para permitir o funcionamento eficaz do eurofisc. Foram estabelecidas as linhas mestras, a partir das quais será estabelecido o eurofisc, que se pretende operacional o mais brevemente possível. aliás, a estratégia faz sentido, tendo em conta os muitos e muitos milhões de euros que não entram nos cofres dos estados, através de meios fraudulentos em termos de iva. de notar que esta é mesmo a principal preocupação, por parte dos responsáveis da união europeia, no que respeita ao sistema fiscal comum. assim, o eurofise será uma rede descentralizada para a troca de informação sobre a fraude em sede de iva, entre os diferentes países, sendo que os procedimentos deverão ser coordenados. Por sua vez, a estrutura vai observar quatro princípios gerais, designadamente a liberdade de cada estado para participar nos objectivos, participação activa na troca de informação, a confidencialidade da informação trocada e não existência de qualquer encargo adicional sobre os operadores. Pretende-se, nestas circunstâncias, criar uma ferramenta eficaz no combate à fraude, mas sem que sejam colocados em causa os direitos e as garantias dos contribuintes. De salientar que este projecto surge na sequência de várias medidas que foram tomadas e outras que estão em estudo. não é um processo simples, já que tem que possuir luz verde dos governos nacionais e é sempre sensível. Lista negra para o IVA voltando ao eurofisc, não terá uma personalidade legal. ou seja, o seu funcionamento será organizado por acordo dos Estados-membros participantes, com o apoio da Comissão europeia. os seus conteúdos serão desenvolvidos a partir de funcionários de ligação. o trabalho será colocado em prática por coordenadores, estes designados por aqueles funcionários das administrações fiscais. Finalmente, a actividade será, regularmente, avaliada pelos países envolvidos no sistema. inicialmente, os objectivos do eurofisc passarão por fornecer um mecanismo multilateral de antecipação para combater a faude no iva. tratar-se-á também de trocar informação e o trabalho dos países participantes em actuarem, relativamente aos avisos recebidos. Tudo indica que este projecto vai avançar, já que existe consenso entre os países. Mas também na área legislativa deverá ir-se mais longe, bem como ao nível da fiscalização. a “fraude carrossel” continua a ser o processo mais utilizado. obter muito rapidamente a informação detida por outros Estados-membros sobre transacções fraudulentas ou operadores fraudulentos é um dos grandes objectivos da Comissão europeia no que toca a matéria fiscal. a nível interno, o orçamento do estado prevê a criação de uma lista negra para o iva. Consiste naqueles devedores, sem bens penhoráveis, cuja execução da dívida tenha sido dada por extinta ou apenas paga em parte. as empresas que prestam serviços a estes devedores poderão deduzir o iva que não lhes foi pago. Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 9 Fiscalidade APOTEC Máquina fiscal deve ter uma gestão integrada e simplificada O grande desafio que se coloca é saber se é possível responder à produtividade e à concorrência fiscal. Importa saber se Portugal conseguirá dar resposta ao desafio de incerteza internacional, ultrapassando as dificuldades resultantes da necessidade de uma gestão integrada da máquina fiscal, uma maior simplificação e optimização dos recursos, para além de uma maior justiça tributária. Não se pode continuar com um constante “ziguezague” nas políticas tributárias, sempre que muda o Governo, para além que é necessário continuar a cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento. Estas algumas das conclusões retiradas da conferência promovida pela APOTEC e pelo ISEG, a propósito da evolução da política fiscal. A concorrência fiscal não teve como resultado uma diminuição da tributação na união europeia. Hoje existe uma estrutura fiscal que não tendeu para baixo, pois a carga fiscal está distribuída de forma desigual. na perspectiva de antónio Carlos santos, a pressão das taxas tributárias sobre o trabalho estabilizou, mas a tributação sobre o capital e o consumo aumentou. apesar de tudo, a tributação fiscal é mais favorável que há uns anos atrás. na tributação sobre o rendimento do trabalho assistiu-se a uma diminuição dos escalões e quebra 10 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 da produtividade. também se registou uma contenção na descida da tributação sobre o capital e um maior peso na tributação do consumo, em detrimento da tributação do rendimento. vasco valdez Matias deu algumas indicações sobre como deverá evoluir o sistema fiscal. na sua óptica, deve-se evitar a intervenção do estado, por via de alterações sucessivas ao nível da legislação, bem como através da isenção em larga escala da tributação sobre as mais-valias. aquele profissional acha que se deve ir muito mais longe nesta “reforma”. deveria caminhar-se no sentido do alargamento das bases tributáveis, em sede de irs, e proceder à diminuição das taxas, passando, eventualmente pela “limpeza” de muitos benefícios fiscais. Quanto ao irC, defende uma maior tributação para empresas com remunerações mais elevadas. Considera essencial o desagra- vamento da tributação das PMe para uma maior justiça tributária. Por sua vez, mais importante que criar mais legislação é implementar uma melhoria da qualidade e simplificar os textos legislativos. O que passa por serem elaborados por técnicos menos envolvidos com o fisco. Finalmente, avisou para a necessidade de protecção dos contribuintes. Passam anos sem que os tribunais tributários produzam uma única sentença. deveria ser criado um grupo de trabalho para estudar por que razão os tributários não funcionam, deixando esse trabalho a cargo não de juristas, mas de gestores. Taxa única para o IVA e reavaliação global dos benefícios fiscais a necessidade de melhorar a relação entre a administração fiscal e o contribuinte foi uma das preocupações manifestadas por rogério Fiscalidade APOTEC Fernandes Ferreira, o que é possível através da compatibilização da aplicação das regras do contencioso tributário. também a caducidade das garantias fiscais é um aspecto a rever, na medida em que não se deve responsabilizar a administração tributária por atrasos imputáveis ao poder judicial. de igual modo, o regime de infrmações vinculativas tem que ser revisto, tornando-se mais célere e com respostas mais acertadas. em matéria tributária, rogério Fernandes Ferreira defende a existência de uma taxa única de iva e a reavaliação global dos benefícios fiscais. defende ainda a existência de encargos fiscais ou cargas tributárias com incidência noutros tributos e não apenas nos impostos e o aperfeiçoamento do regime das taxas que se encontram na relação com as autarquias, bem como as regras de caducidade e de prescrição. a intervenção do ex-secretário de estado João amaral tomás referiu que não se pode falar de política fiscal sem falar de sistema fiscal. destaca o sigilo fiscal como sendo um dos principais problemas da actualidade. todavia, não deixa de se congratular por se estar a assistir a uma melhoria na aplicação de medidas que visam uma maior eficácia da justiça tributária (mas admite que se trata de um dos aspectos mais vulneráveis da administração tributária). também é sua opinião que a informática tributária está subdimensionada para responder a todas as prioridades. Há um grande número de projectos que não se consegue implementar, na medida em que não existe capacidade instalada. te âmbito e aspectos que devem ser alterados. de notar que a associação tem estado envolvida nas diversas reformulações introduzidas ao plano oficial de contas e, mais recentemente, cooperou na elaboração do novo sistema de normalização Contabilística. aliás, relativamente a este último aspecto, a seu tempo teceu duras críticas ao sistema e não entende a associação que agora apareçam certas entidades a lamentar o caminho traçado, quando na altura própria deram o seu aval. refere a aPoteC quanto à actividade profissional: “entende-se que a contabilidade não é, nem pode, ser considerada propriedade exclusiva de alguém. a Contabilidade atende a diversos interessados. e deve ser normalizada por um organismo independente, profissionalizado e onde os diversos interesses estejam representados. Fantasia seria dizer-se que quem executa e trata da Contabilidade deveria normalizá-la, como se de um só interesse se tratasse e não de um vasto conjunto de profissionais e de variantes tão ou mais diversas.” Por estas palavras pode-se deduzir que há dúvidas quanto à forte influência do estado na Comissão de normalização Contabilística. Corre-se o risco de se estar perante conflitos de interesses, com um afastamento da tão desejada independência. Contabilidade não é “propriedade exclusiva” Responsabilidade excessiva para os profissionais a intervenção dos responsáveis da aPoteC foi no sentido, sobretudo, da defesa e da maior credibilização dos profissionais da Contabilidade. É que ainda há muito a fazer nes- Mas há outros problemas que preocupam os dirigentes daquela estrutura associativa, como é o caso da excessiva responsabilidade que os profissionais são forçados Entende-se que a contabilidade não é, nem pode, ser considerada propriedade exclusiva de alguém. A Contabilidade atende a diversos interessados. E deve ser normalizada por um organismo independente, profissionalizado e onde os diversos interesses estejam representados. a assumirem. “acontecimentos há em que se confunde quem tem a responsabilidade da entrega das demonstrações financeiras e fiscais. de referir que a aPoteC apresentou, em devida altura, um projecto de regulamentação para a profissão.” Como é óbvio, a associação diverge em algumas posições que hoje estão consignadas no estatuto dos toC, no entanto, assume que que existe para defender os interesses dos associados, quer dos que recentemente se inscrevam, quer daqueles que o são há mais de três décadas. e a aPoteC insiste na tónica que é defensora da livre concorrência, pelo que os profissionais devem escolher livremente as entidades que lhes possam ministrar a formação. daí ter apresentado junto da autoridade da Concorrência um documento que solicita a intervenção contra o regulamento da “intitulada formação promovida pela entidade de incrição obrigatória dos profissionais”. a aPoteC diz que vai continuar a pugnar para evitar uma “tão grande concentração de membros num só organismo”. Finalmente, coloca-se à disposição da tutela para fazer avançar o estatuto dos toC, adequando-o às necessidades actuais, “a par com a mobilidade que faz parte do desempenho profissional no espaço económico internacional, onde existe mais que uma entidade reguladora, cabendo a cada profissional a livre escolha”. Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 11 Fiscalidade STI Sindicato chama Governo “à pedra” Trabalhadores dos impostos reclamam “louros” da operação “Resgate Fiscal” A operação conhecida por “Resgate Fiscal” já terá levado a Direcção-Geral dos Impostos a recuperar mais de 54,3 milhões de euros, desde que teve início em Agosto passado. É a própria administração fiscal que o garante. O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos recebeu esta notícia com uma certa ironia e críticas ao ministro. O STI não deixa de lembrar que desde a primeira hora acreditou no sucesso desta operação, “apesar das fontes anónimas, imputadas a dirigentes da DCA, que descredibilizavam uma operação de tamanha envergadura em período de férias”. O sindicato está convencido que é possível avançar bastante mais no combate por um Portugal fisicamente mais justo. Mas recorda que tal só será possível com a ajuda dos trabalhadores dos impostos, muitas vezes descredibilizados pela própria tutela. ora, para se chegar onde se chegou foi necessário muito trabalho, sem que fosse necessário qualquer tipo de recompensa. “estes resultados – que em apenas dois meses superaram os valores obtidos pela operação furacão – demonstram a excelência dos funcionários da administração fiscal e não reconhecer este facto será um acto de miopia governativa.” É com base nos números divulgados pela própria dgCi que o sti tece as suas críticas: “Como se pode estabelecer um sistema de avaliação 12 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 Milhares de empresas notificadas de desempenho, atribuindo-se apenas 5% de excelentes? a realidade demonstra que pelo menos 25% dos trabalhadores dos impostos são excelentes.” O STI vai ainda mais longe nas suas apreciações quanto à política que tem sido assumida para estes trabalhadores: “Continuar com o disparate de projectar a realidade do resto da administração pública a este corpo de mérito conduzirá à sua destruição a prazo”. a estrutura sindical espera agora o devido reconhecimento por parte do poder político, ainda que “apenas um em cada vinte seja excelente, mas com resultados que superam as melhores expectativas”. Há bastante tempo que existe uma situação de quase confronto entre os trabalhadores dos impostos e a tutela. as queixas por parte dos profissionais são muitas, sendo que, segundo a estrutura sindical, não há quaisquer respostas aos apelos feitos. ainda que os profissionais estejam a fazer grandes esforços, a verdade é que não são recompensados. Pelo contrário, exigências justas são ignoradas por quem de direito. a operação “resgate fiscal” tem como objectivo recuperar receitas fiscais desviadas por empresas, designadamente as retenções na fonte feitas a trabalhadores e iva recebido dos clientes não entregues, de forma dolosa, ao estado. até setembro, foram notificadas perto de 4700 empresas que efectuaram retenções na fonte de irs aos seus trabalhadores e, posteriormente, se apropriaram das mesmas. Foram instaurados 305 processos de inquérito criminal por parte da dgCi. existirão cerca de 50 mil empresas que se apropriam do IRS que descontam no vencimento dos seus trabalhadores, bem como do IRC e do IVA que receberam dos seus clientes. É um tipo de criminalidade entendida como particularmente gravoso. Quando a conduta é dolosa, a lei estabelece que as empresas que a praticam incorrem em crime de abuso de confiança fiscal, punível com penas de prisão até três anos. a lei penal fiscal prevê ainda que os administradores ou gerentes das empresas faltosas sejam sancionados. a dgCi adianta que os resultados operacionais alcançados em tão curto espaço de tempo elevam a expectativa em relação aos resultados previsíveis da cobrança coerciva e do combate a esta forma de criminalidade fiscal. “Por isso é fundamental a metodologia de trabalho conjunto entre a inspecção tributária e a cobrança coerciva, que tem sido seguida.” não se trata apenas dos elevados montantes envolvidos, considerando a administração fiscal que se trata de uma prática que não é admissível num estado de direito. Coluna do Técnico de Contas CTOC: O DESCRÉDITO DOS CRÉDITOS Gostaria que os leitores percebessem que não me realizo minimamente com as derrotas da CTOC. As derrotas da CTOC são minhas, nossas também. E se acontecem, todos nós temos uma pequena parcela de responsabilidade em acontecerem. A questão dos créditos, não é de agora, a ela já nos referimos por diversas vezes, na esperança de que algo mude e o bom senso prevaleça. Agora, é de dentro da própria CTOC que surgem interrogações, perplexidades, pelo que acontece e que na realidade não devia acontecer, apenas me querendo parecer que, de forma irreflectida, tomam-se as causas pelos efeitos. Manuel Benavente Mas é tempo de contar aqui o rodrigues que aconteceu, e que é mais um pauzinho nesta engrenagem inTOC digna da triste caça aos créditos [email protected] e à receita que propicia. Em finais do passado mês de Setembro, a CTOC realizou o seu 1º Encontro de História da Contabilidade em Lisboa e no Porto, ao que parece com as salas esgotadas (600 em Lisboa e 1400 no Porto). Até aqui tudo bem, tudo anormalmente bem, infelizmente, para quem conhece a História da Contabilidade em Portugal e sabe que não constitui propriamente uma ciência de multidões, se é que no mundo haverá alguma. Resta dizer que a inscrição neste Encontro de História da Contabilidade foi naturalmente paga, concedeu créditos e que a lotação esgotada, invulgar num evento destes, tão especializado, proporcionou uma excelente receita. Resta também dizer que os créditos angariados em matéria tão superlativa, para além de darem sempre jeito para atingir os plafonds exigidos pela CTOC, não serviram verdadeiramente para mais nada, isto é, não provaram sequer que a História da Contabilidade é garante de que um Técnico Oficial de Contas é competente em matérias contabilísticas ou fiscais. E o que aconteceu, segundo parece, foi apenas isto: uma grande maioria de TOC não assistiu, pura e simplesmente, à sessão sobre História da Contabilidade, pois mal se apanhou com os créditos garantidos, ala que se faz tarde! Lamentável, pelos TOC pela CTOC e também pela História da Contabilidade, metida nestes tratos de polé ao sabor de mesquinhos interesses, que nada têm a ver com a ética, com a ciência, com a epistemologia. E estando a História da Contabilidade instrumentalizada desta forma infeliz, lamenta-se também a instrumentalização de que foram vítimas os protagonistas da sessão, entre os quais se destacam os professores António Lopes de Sá e Jorge Tua Pereda. Vendo bem, o que aconteceu agora não será nem mais nem menos do que já sucede por hábito nas sessões da CTOC, só que em proporções mínimas.. Sejamos francos, a CTOC sabe isto: a formação até oito horas na CTOC, ao actual nível, e pelo seu gigantismo, só sobrevive com créditos. Sem créditos e com milhares de assistentes por sessão, as sessões da CTOC não se realizavam, por falta de clientela. Eu sei que, nesta altura do campeonato, a CTOC já não se ilude a si própria, nem tão-pouco ilude ninguém, porque a verdade caiu à rua. Ora acontece que, na página da comunidade TOC, um elemento dos corpos sociais lamenta aquilo a que chama de irresponsabilidade e egoísmo, ameaçando que a Direcção da CTOC vai implementar medidas de controlo, dizendo-se em título que os mal comportados merecem castigo e no fim deixa o grito “… é o descrédito dos créditos”. Passemos agora a uma outra iniciativa muito interessante, o 1º Congresso de Economia da Euro-Região Galiza-Norte de Portugal, realizado também em Setembro, na qual a CTOC colaborou com a Junta da Galiza e o Conselho Galego dos Economistas e cujo tema foi “Construindo uma Cooperação” e a cuja presença dos TOC a CTOC resolveu atribuir 24 créditos!! Permito-me perguntar: quem resolve atribuir créditos ou não atribuir créditos na CTOC? “Construindo uma Cooperação”, num congresso de economistas em Espanha já dá créditos para contabilidade e fiscalidade? E, a propósito, a sessão teve tradução simultânea ou foi dada em galego, ou castelhano? E um técnico oficial de contas na sua formação académica aprendeu galego ou castelhano? Outro facto paradigmático dos tempos que vamos vivendo: os associados da APECA foram informados de que terão à disposição duas sessões de oito horas e meia, cada uma, agora em Outubro, custando 120 euros e garantindo créditos para membros da CTOC. Repare-se que as sessões da APECA tinham habitualmente a duração de sete horas por dia, custavam cerca de 60 euros, pelo que as oito horas e meia, tudo o indica, servem apenas para ultrapassar o limite das dezasseis horas previstas no regulamento sobre formação da CTOC. Além de que a APECA aumenta as receitas para o dobro, e ainda pode dizer aos seus associados que dá 3 horas grátis… como dizia o doutor Ralph no “Cândido”, “a gente vive no melhor dos mundos, não acham?”. Mas neste grito de desespero, dado por um membro dos corpos sociais da própria CTOC, “O DESCRÉDITO DOS CRÉDITOS”, e que me merece respeito, está todo um paradigma, invertido desde o início. E a CTOC, autista, vai-se atolando no lodo dos créditos e das receitas que com eles agencia, e eu sinceramente não reconheço lá, e com muita tristeza o digo, alguns colegas com quem privei outrora. Na Galiza, a CTOC dá créditos num Congresso de Economistas, porque sim! Na APECA ultrapassam-se as dezasseis horas à justa em duas sessões diferentes – será isto legal no próprio regulamento da CTOC? –, só para que as aparências funcionem. E na História da Contabilidade, os TOC fazem o manguito que se viu. Quem é mais irresponsável? Os TOC que procuram resolver a vidinha, face à canga que lhes querem pôr em cima, ou a CTOC, que maltrata os técnicos oficiais de contas como uma ditadurazeca na América do Sul maltrata os cidadãos? Quem é mais egoísta? Quem é mais interesseiro? Quem é menos culto? Quem é mais incompetente? Em que mundo estamos? Não estamos a viver o universo orwelliano do Triunfo dos Porcos, pois não? Em Portugal, ainda vivemos numa democracia não é verdade? O bezerro de ouro continua a cegar muita gente. Lamento-o por todos nós, técnicos oficiais de contas. Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 13 Análise AGOSTINHO COSTA Os líderes e a visão estratégica agostinHo Costa 1 ª Parte «É quase verdade dizer que os líderes são “feitos” e não natos… Há princípios de liderança, tal como há princípios de guerra e estes precisam ser estudados». Marechal Montgomery os líderes em qualquer organização têm um papel fundamental nas mudanças a empreender, com vista a possibilitar que a organização possa evoluir, rumo ao objectivo desejado. são visionários. Constroem uma Visão e são capazes de comunicá-la de forma clara aos seus colaboradores. a impressão transmitida por um líder, quando comunica, poderá ter repercussão em toda a empresa. É extremamente importante. 14 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 O administrador bem-sucedido tem que ser um líder. a liderança combina o lado técnico com o lado humano. então, saber delegar, comunicar e motivar serão, cada vez mais, capacidades presentes no líder. Façamos então uma breve análise destas capacidades básicas de liderança. estas capacidades possibilitarão obter uma liderança eficaz e uma maior eficiência das equipas, aspectos esses que irão traduzir-se em melhores resultados e objectivos concretizados, para a organização. vejamos então: − Delegação a fim de ser mais produtivo e de se concentrar no que é mais importante, o líder tem que aprender a delegar. Quando o líder domina esta capacidade, é capaz de fazer com que as pessoas certas façam os trabalhos certos, aumentando a produtividade da organização. Apresentam-se alguns cuidados a ter com a delegação de funções: • escolher as pessoas certas a quem delegar as tarefas. • delegar em função das competências. • Começar por delegar tarefas menos importantes. • Comunicar de forma a ter a certeza que passou correctamente a informação relativa ao que é preciso fazer. • informar as pessoas das razões da tarefa delegada e da sua importância no todo da gestão da empresa. • registar as tarefas que delegou e a quem. − Comunicação as empresas são compostas essencialmente de pessoas. e como são compostas por pessoas, é natural que tenham problemas com as falhas de comunicação. Por trás de muitas dificuldades, em grande parte das situações, existe uma causa: falhas de comunicação. estas falhas de comunicação escondem, por vezes, sérios problemas de relacionamento. Peter russell disse que, actualmente, cerca de 90% dos problemas das empresas têm a ver com a comunicação (ou com a ausência dela). Os problemas de comunicação estão na base dos grandes conflitos dentro das empresas, sabotando decisões, acções e metas. Contudo, as pessoas, por não terem consciência da dimensão do problema, pensam que as dificuldades de comunicação são problemas menores, não relevantes. Por isso, investem grandes quantidades de energia, de meios financeiros,... não nas causas, mas sim nas consequências! assim, se prestarmos mais atenção a este problema da comunicação dentro das empresas, passamos a ter consciência do que estamos a viver, constatando as consequências dessas falhas de comunicação. Poderemos, dessa Análise AGOSTINHO COSTA forma, aprender algumas lições valiosas. as falhas na comunicação escondem, na maioria das vezes, sérios problemas de relacionamento, de desajuste de foco no que é essencial para a organização. os relacionamentos são sempre difíceis, mas dentro das empresas eles podem ser agravados se ocorrem problemas nas comunicações internas. as falhas de comunicação podem sabotar o trabalho duma organização. Quanto melhor for a comunicação, mais a equipa estará afinada com as metas da empresa, e mais competitiva esta será. o líder deve, pelas razões expostas, usar a comunicação de forma eficaz. Para tal, o líder deve falar de forma clara, concentrar-se na sua mensagem e levar os outros também a fazê-lo. Comunicar é fazer-se compreender. em suma: o líder deve garantir que todos sabem o que vão fazer. − Motivação O sucesso empresarial depende não só da competência das suas equipas mas também da motivação dos elementos que as constituem. Óptimos profissionais, que não se sintam motivados, terão uma produtividade muito abaixo das suas capacidades. e num mercado altamente competitivo, temos que aproveitar o máximo rendimento de todos os recursos, sendo neste aspecto fundamental a produtividade dos recursos humanos. a motivação dos colaboradores é o ponto de partida para que se sintam bem na empresa. a motivação deve ser contínua e, portanto, depende de uma política que envolva, estimule e valorize seus colaboradores. os retornos financeiros da organização dependerão das equipas que se superam, que persistem. Uma equipa motivada tem a capacidade para entender onde está a errar, aprendendo com os erros, procurando uma melhoria contínua, buscando a excelência. uma equipa motivada está focalizada nos objectivos e é capaz de multiplicar os esforços para alcançá-los. os líderes têm de construir relações, em vez de coagir, para serem eficazes. o líder do passado gostava de mandar. o líder moderno precisa convencer, motivar. uma boa liderança tem seguidores motivados. em suma: as organizações necessitam de pessoas a produzirem cada vez mais e melhor. a produtividade duma equipa depende da existência duma equipa motivada e competente. Para que isso aconteça, a liderança de cada organização é fundamental. os benefícios da boa liderança são visíveis num ambiente empresarial em que: − os membros da equipa se apoiam uns aos outros; − a equipa não está clarificada quanto ao que deve fazer; − a equipa compreende os seus objectivos e como estes se encaixam nos objectivos globais da organização; −… Por sua vez, uma má liderança reflecte-se nos seguintes sintomas, a seguir referidos: − o grupo não tem ideias claras sobre o que deve fazer; − o grupo não está motivado e leva mais tempo a completar as tarefas; − existe falta de cooperação entre os elementos do grupo; − o grupo não fará tudo o que estiver ao seu alcance para concluir o trabalho dentro das condições exigidas; −… nesta situação, teremos apenas um grupo de elementos, mas não conseguimos constituir uma verdadeira equipa. não teremos uma equipa de alto rendimento. (Continua no próximo número) Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 15 Contabilidade NIC Lopes de Sá insiste que se facilita a fraude Normas de contabilidade são um normativo político e especulativo As normas internacionais de contabilidade (NIC) representam um normativo político e especulativo. Em muitos aspectos, representam um grave risco. “Sob o pretexto de harmonizar, está-se, de facto, a recuar, impedindo a evolução técnica”, de acordo com Lopes de Sá, um dos nomes mais conhecidos a nível internacional na área da Contabilidade. Que há muito não poupa críticas à imposição das NIC. Nem sequer o argumento da harmonização colhe. Vai mais longe, em entrevista à revista TOC, considerando que as normas “facilitam as fraudes e o subjectivismo irresponsável”. Rui Couto Viana, professor da Faculdade de Economia do Porto, tem uma perspectiva diferente. Vê com optimismo as NIC, ainda que esteja céptico quanto à capacidade das empresas para cumprirem muitas das divulgações exigidas. O s argumentos que estão a ser utilizados para a introdução das niC, na óptica daquele profissional, são inconsistentes e ilógicos. a harmonização de balanços é uma ficção. o ataque é cerrado: “as normas não servirão a pequenos nem a grandes, mas a grupos interessados em 16 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 manipularem informações. um empresário não vai conseguir gerir a sua empresa com estas normas. as análises de balanços feitas sem raiz científica, se estiverem baseadas no que as normas determinam, oferecerão uma imagem defeituosa e deformada da empresa.” o que acontece é que se está, claramente, a impedir a evolução técnica. as normas, adianta, “propiciam o escândalo, facilitando a maquilhagem dos balanços. está aberta a porta para o falseamento de informações”. Para lopes de sá, não há dúvidas sobre quem vai sair vencedor do jogo de forças entre os latinos e os anglo-saxónicos. os seus comentários, a este propósito, são contundentes: “os anglo-saxónicos, que defendem as normas ditas internacionais, têm muito dinheiro. Já investiram bastante para que as regras sejam impostas. a grande vantagem vai ser conseguida pelas grandes multinacionais de auditoria, apoiadas por grupos económicos. Mais tarde ou mais cedo, ocorrerão novos escândalos no mercado de capitais, decorrentes da debilidade e da falta de qualidade científica das normas.” E vai ainda mais longe nas suas denúncias: “Constato que a fatalidade de os Estados Unidos dominarem o mundo chegou também à Contabilidade, via grupos de poder. os anglo-saxónicos detêm a arma da imprensa, em geral, e estavam ansiosos por se apoderarem da informação sobre a riqueza. a autocracia informativa, protagonizada pelos grupos de poder anglo-saxónicos, alcançou agora a Contabilidade.” Difusão do “poder” da ciência Para lopes de sá, uma inversão deste estado de coisas só poderá acontecer pelo caminho da intensa difusão do poder da ciência e pela honestidade de profissionais que, possuindo liderança e influência pelos seus valores, tenham probidade intelectual e profi ssional de declararem que se está perante um movimento de natureza mercantil e especulativa. ora, os técnicos oficiais de contas têm um papel central em todo este processo. aliás, avisa, “os estados que prescindirem da colaboração dos toC no controlo da arrecadação fiscal estarão em maus lençóis. são estes profissionais que policiam as próprias finanças no que respeita à receita do estado. os toC têm uma visão mais realista da economia. no fundo, os estados e os governos Contabilidade NIC sabem-no bem, mas resistem a reconhecê-lo publicamente”. encara as niC como instrumentos de registos e de demonstrações contabilísticas. são apenas uma parte instrumental. ora, as normas estão a ser elaboradas por um grupo restrito, pelo que os toC não reconhecem a autoridade intelectual dos que produzem os textos. “estamos perante um grupo que se impõe à maioria, e de forma ostensiva, com o auxílio de influências políticas e à custa de grandes investimentos em dólares.” Conclui que existe uma profunda deformação de conceitos. o que aquele grupo entende, não raras vezes, está completamente alheado da realidade e da ciência contabilística. Excesso de divulgações obrigatórias Rui Couto Viana tem uma perspectiva bastante diferente de lopes de sá quanto ao sistema de normalização Contabilística. na sua óptica, a normalização contabilística nacional necessita de actualização, em termos de natureza conceptual e das regras contabilísticas que preconiza, no sentido da adaptação à actual realidade económica. “o surgimento do snC, enquanto processo de modernização da normalização contabilística nacional e de aproximação a padrões internacionais, é importante e desejável. Estou satisfeito com o processo de implantação que está a ser levado a cabo pela Comissão de normalização Contabilística e pelo governo. o principal problema é uma leitura menos ponderada da realidade económica e dos agentes nacionais”, adianta o doutorado em Ciências empresariais. É preciso notar que se trata de um sistema que tem como base as niC que são desenvolvidas para as empresas presentes nos mercados internacionais e de actualização global. no caso do snC proposto, considera que apresenta “um ex- O SNC pode representar uma oportunidade para os TOC, na medida em que coloca novas exigências e eleva a profissão a um patamar em termos de prestígio. cesso de divulgações obrigatórias em muitas normas. Há dúvidas sobre a capacidade das empresas cumprirem um tal número de divulgações”. Por exemplo, a norma das locações revela uma excessiva preocupação com a colagem à normalização internacional. Mas rui Couto não deixa também de apontar o facto de o snC representar uma oportunidade para os toC, já que coloca novas exigências e vai elevar a profissão a um patamar mais elevados em termos de prestígio. a que acresce que a aproximação às normas internacionais representa potenciais sinergias para os profissionais do sector. e chama ainda a atenção para a circunstância de as niC aparecerem como consequência directa da presença portuguesa na europa. Claramente, rui Couto não tem a mesma visão das niC de lopes de sá, sobretudo porque acha que o suporte técnico das normas é válido. aceita que outros tenham uma visão para a Contabilidade diferente do iasB. “Mas, como em muitas outras áreas da economia, a visão anglo-saxónica tem assumido predominância. “Para quem conhece a estrutura conceptual do iasB e a forma como ela surgiu e foi aprovada, sabe que o debate teórico que lhe esteve subjacente foi forte. o mesmo se passa com a reformulação que esta estrutura está, actualmente, a sofrer no âmbito do projecto de convergência entre o iasB e o FasB. o suporte teórico existe.” Fraude existirá sempre no que se refere à questão da fraude, lembra que as diferentes visões ou sistemas para a Contabilidade não eliminam por completo esse problema. neste caso, defende que o caminho a seguir passa pela regulação e pelo controlo de qualidade dos profissionais, preparadores, auditores ou revisores. ou seja, a normalização é importante, mas nunca conseguirá, por si só, eliminar totalmente a fraude contabilística. em todo este cenário, rui Couto destaca o papel do técnico oficial de contas. É sua convicção que o toC é um profissional cada vez mais respeitado, com conhecimentos técnicos mais especializados e capaz de participar na actividade empresarial. Comenta a este propósito: “actualmente, o toC já possui uma licenciatura que lhe confere conhecimentos técnicos de base sólidos e sabe que necessita de estar em permanente actualização. a exigência da profissão assim o obriga, mas suspeito que futuro vai ser ainda mais exigente. O futuro vai elevar ainda mais o seu reconhecimento social, apresentando mais obstáculos e dificuldades para aqueles profissionais que não pretendem acompanhar essas exigências.” Finalmente, o docente deixou um apelo ao poder político, tendo em conta o ensino e a investigação no nosso país. as diferenças nas condições de trabalho e de investigação, face ao resto da europa, ainda são muitas. Basta lembrar as dificuldades que se verificam para captar jovens investigadores no nosso país. tem havido algumas melhorias, mas ainda não é suficiente, é preciso ir mais longe na área da investigação universitária. Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 17 Sectores CONSTRUÇÃO Empresas de materiais de construção querem regime de excepção para facturas em atraso As matérias relacionadas com o IVA continuam a preocupar sobremaneira o sector da construção. Depois de a Associação Portuguesa dos Comerciantes de Materiais de Construção (APCMC) ter apelado para alterações em sede daquele imposto ao Governo, ainda antes da elaboração do Orçamento de Estado, sem obter qualquer resposta, pede para o poder político considerar, no mínimo, a necessidade de criar um regime de excepção para o caso das facturas em atraso. O atraso nos pagamentos está a afectar a liquidez das empresas, facto que está a colocar em causa a sua sobrevivência, para mais num mercado em recessão. a associação sugere a regularização do valor do iva liquidado nas facturas vencidas e não pagas, qualquer que seja o seu valor e dispensada a verificação por revisor oficial de contas. Para tal, defende, bastaria que se verificassem três condições tidas como essenciais, designadamente a factura encontrar-se em mora, comprovar a interpelação do devedor e terem decorrido 30 dias após a primeira interpelação. “esta medida de simplificação processual e de redução dos actuais prazos (seis meses), para além de ser de toda a justiça, contribuiria para impedir o agravamento excessivo da situação financeira da grande maioria das empresas 18 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 O secretário-geral da APCMC lamenta que as sugestões dadas ao Governo não tenham merecido qualquer resposta. do nosso sector e, julgamos, das empresas, em geral”, adianta José de Matos, secretário-geral da associação representativa das empresas de materiais de contrução. o dirigente associativo é de opinião que se trata de uma proposta razoável, chamando ainda a atenção para o facto de que a intervenção e da responsabilidade dos TOC nas declarações prestadas “serão garantia suficiente para a administração fiscalo, num tipo de procedimento que até não requer um elevado grau de tecnicidade”. Há bastante tempo que as associações ligadas à fileira da construção pedem medidas, no sentido de alterar o actual de estado de coisas no que respeita à matéria fiscal. a redução de um ponto percentual no iva, especialmente para as empresas de materiais de construção, teve um impacto quase nulo. neste caso, nem sequer se trata de baixar a receita fiscal, mas da agilização de processo e de uma questão de mera justiça fiscal, como faz questão de afirmar José de Matos. Propostas relativas ao IVA sem resposta ainda em Julho passado, a aPCMC enviou um conjunto de propostas e sugestões relativas, essencialmente, a matéria de natureza fiscal, tendo em conta um contributo construtivo em sede de elaboração do orçamento de estado. aconteve que os responsáveis associativos não tiveram qualquer resposta às suas propostas, tidas pelos mesmos como perfeitamente viáveis, para mais num contexto de sérias dificuldades financeiras para toda a fileira da construção. do conjunto de sugestões então apresentado faziam parte diversas propostas relativas ao iva, entre Sectores CONSTRUÇÃO as quais a alteração do prazo de entrega deste imposto para o último dia do segundo mês seguinte ao período da tributação, tal como vigorou até 1998, “visando corresponder ao aumento verificado no prazo médio de recebimentos”, explicou à “Contabilidade & empresas” José de Matos. Para além desta proposta, a associação apoiou também aquela que foi apresentada pela Confederação do Comércio, de alteração mais profunda, de transferir a exigibilidade do imposto para o momento do recebimento. a aPCMC admite agora a possibilidade de criar apenas um regime de excepção para o caso das facturas em atraso, como explicado anteriormente. Federação da Construção insiste na urgência do reembolso do IVA a Federação Portuguesa da indústria da Construção e obras Públicas não se distancia muito da posição assumida pela sua congénere aPCMC em matéria de iva. esta estrutura patronal quer ver resolvidos, com urgência, os constrangimentos que estão a impedir as empresas de construção de acederem ao regime especial de reembolso do iva a 30 dias. assim, a Fepicop enviou uma exposição ao secretário de estado dos assuntos Fiscais, tendo em conta os O presidente da Fepicop lamenta que a fiscalidade esteja a afundar as empresas de construção. problemas que os atrasos estão a provocar, em termos de liquidez das entidades produtivas. “apesar de o Civa estabelecer o reembolso do imposto no prazo de 30 dias quando solicitado por sujeitos passivos que efectuem operações relativamente às quais a obrigação de liquidação do iva seja da responsabilidade do adquirente e que representem, pelo menos, 75% do valor total das transmissões de bens e prestações de serviços do respectivo período, a realidade é que tal não sucede, em virtude da declaração periódica ainda não ter sido ajustada a esta nova circunstância”, adianta aquela federação. espera agora que o governo tome, FIM DA EXIGÊNCIA DE CAUÇÃO Os problemas fiscais são muitos no que respeita ao sector da construção. Por isso, na missiva enviada ao executivo, a Fepicop reclama o fim da exigência de caução ou garantia bancária para atribuição do reembolso. Para Reis Campos, a dispensa de prestação de garantia bancária é essencial e urgente. “No contexto actual, com os bancos a agravarem significativamente o acesso a este tipo de instrumentos, não faz sentido que as empresas sejam obrigadas a prestarem garantias para receberem verbas que lhes são devidas pelo Estado.” Por outro lado, os construtores querem que o Governo elimine a regra que impede as empresas de requererem o reembolso antes do fim do período de 12 meses, quando o crédito a seu favor exceder 12,5 vezes o salário mínimo nacional, “o que constitui uma medida de elementar justiça e que, em muitos casos, contribuiria para a sobrevivência daquelas de menor dimensão, num momento conjuntural particularmente difícil”. com toda a celeridade, as medidas necessárias para viabilizar a “efectiva redução do prazo de reembolso do iva para os 30 dias consignados na lei”. os responsáveis da federação da construção lembram que, desde meados do ano passado, há regras especiais para a liquidação do iva neste sector de actividade, em particular, sob a designação de “inversão do sujeito passivo”. Colocam as empresas de construção numa posição sistemática de credores do imposto. “a imobilização dos montantes relativos ao iva, que se encontram permanentemente em crédito, prolongando-se o seu reembolso por prazos excessivamente prolongados, o que agrava significativamente os problemas de tesouraria das empresas.” Apesar de o OE anterior ter previsto um regime de reembolso do iva em condições mais favoráveis para o sector, a tão esperada alteração legislativa acabou por não ser adequadamente implementada. Com efeito, questões de carácter meramente administrativo têm impedido as empresas de acederem ao referido regime, como explica reis Campos, presidente da federação da construção. Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 19 Consultório P odiam relembrar o conceito de amostras e ofertas para efeitos de iva? O conceito de amostras e ofertas de pequeno valor foi regulamentado, após a alteração do Código do iva que as definiu, ultrapassando-se a polémica gerada pela utilização da Circular nº 19/89, de 18 de dezembro. a Circular nº 19/89, de 18 de dezembro, foi durante vários anos utilizada pela administração Fiscal. nos termos da mesma, existia uma limitação ao montante das ofertas de pequeno valor, sendo que o mesmo não poderia nunca exceder cinco por mil do volume de negócios do ano anterior da entidade ofertante, para efeitos de dedução de iva. ora, após diversas batalhas judiciais, esta Circular foi considerada inconstitucional pelo acórdão nº 01180/06, de 21 de Março de 2007, do supremo tribunal administrativo (sta). os magistrados do sta concluíram pela inconstitucionalidade material e orgânica desta Circular, uma vez que continha uma regra de incidência objectiva de iva que não tinha sido criada por diploma emanado pela assembleia da república, em matéria que é reserva relativa desta. assim, a Circular considerava de pequeno valor a aplicar às ofertas, que não às amostras, o montante unitário de J 14,96 (3.000$00) (iva excluído), considerando ainda, em termos globais, que o valor anual de tais ofertas não poderia exceder 5/1000 (cinco por mil) do volume de negócios, com referência ao ano anterior, sem qualquer limite em termos de valores absolutos. ora, a limitação do montante máximo das ofertas foi considerada como inconstitucional. Para fundamentar este entendimento, os magistrados invocaram o facto de o Civa, na altura, apenas estabelecer como limite às designadas amostras e ofertas «os usos comerciais», entendendo que a pretensão do legislador era que o valor das ofertas relevantes para o preenchimento do conceito de pequeno valor fosse determinado não em função de um valor objectivo, mas sim tendo em atenção, relativamente a cada tipo de actividade comercial, a prática corrente em matéria de ofertas. Para ultrapassar este imbróglio, a alínea f) do artigo 3.º do Civa foi revogada, passando agora o disposto no n.º 7 do artigo 3.º do Civa a estabelecer que não estão abrangidas pelo conceito de transmissões de bens e, por esse facto, estão excluídas da tributação em sede deste imposto as transmissões efectuadas a título gratuito de bens não destinados a posterior comercialização, quando relativamente a esses bens ou aos elementos que os constituem tenha havido dedução total ou parcial do imposto, e aqueles bens, pelas suas características, ou pelo tamanho ou pelo formato diferentes do produto que constitua a unidade de venda, visem, sob a forma de amostra, apresentar ou promover bens produzidos ou comercializados pelo próprio sujeito passivo, assim como as ofertas de valor unitário igual ou inferior a J 50 e cujo valor global não exceda cinco por mil do volume de negócios do sujeito passivo no ano civil anterior, em conformidade com os usos comerciais. Porém, a regulamentação desta matéria ainda não estava concretizada, tendo-o sido em Junho do corrente ano. no âmbito desta regulamentação, consideram-se, como exemplo, amostras: Exemplos de amostras - os livros e outras publicações transmitidos gratuitamente pelos editores a operadores económicos que os possam promover, a membros do corpo docente de estabelecimentos de ensino, a críticos literários, a organizações culturais ou a entidades ligadas à imprensa; • os “compact disc” (Cd), “digital video disc” (dvd), discos, cassetes, filmes, vídeos e outros registos de som ou de imagem transmitidos gratuitamente pelos editores ou produtores a operadores económicos, tais como estações de rádio ou televisão, críticos da especialidade, “disc jockeys”, revistas especializadas, pontos de venda ou de diversão que os possam promover. a distribuição destas obras ou registos, seja qual for o suporte de produção, não deve exceder em cada ano e em relação a cada um dos beneficiários da transmissão: • Cinco exemplares de um mesmo registo, quando os destinatários forem estações de rádio ou televisão; • um exemplar de uma mesma obra ou registo, nos restantes casos. refira-se que, quando a oferta seja constituída por um conjunto de bens, o valor de J 50 acima referido aplica-se a esse conjunto. excluem-se do conceito de oferta os bónus de quantidade concedidos pelo sujeito passivo aos seus clientes. C omo somos residentes nos açores, gostaríamos de saber quais as taxas de irs que irão vigorar para o próximo ano? no passado dia 7 de outubro, foi publicado no diário da república o decreto legislativo regional nº 42/2008/a, de 7.10, que procede à alteração do regime fiscal dos açores ao sistema fiscal nacional, tendo sido efectuada a respectiva republicação. Com as alterações efectuadas foram fixadas as novas taxas do irs aplicáveis aos rendimentos obtidos em 2009. analisando as alterações efectuadas ao decreto legislativo regional nº 2/99/a, de 20 de Janeiro, verifica-se que os contribuintes residentes na região autónoma dos açores irão pagar menos irs, a partir do exercício fiscal com início em 2009. estabelece o artigo 4º do mencionado diploma, agora alterado, que às taxas nacionais do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, em vigor em cada ano, é aplicada a seguinte redução: • 30% para os rendimentos colectáveis correspondentes ao 1º escalão; • 25% para o 2º escalão; • 20% para os restantes escalões. “Consultório” é um espaço onde se procura dar resposta, de forma clara e sucinta, às questões jurídico-fiscais que mais frequentemente são colocadas pelos nossos leitores. Assim, os leitores poderão colocar questões do foro jurídico-fiscal que, pelo seu interesse e oportunidade, queiram ver esclarecidas nesta rubrica, as quais deverão ser dirigidas à “Contabilidade & Empresas”. 20 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 Consultório assim, os sujeitos passivos de irs que residam nos açores cujos rendimentos auferidos em 2008 não excedam 4639 euros beneficiarão de uma taxa de 7,35% por contraponto aos actuais 19,5%. se os rendimentos auferidos forem superiores àquele valor, mas inferiores a 7017 euros, a taxa será fixada em 9,75% em vez dos 13% aplicados actualmente. os restantes contribuintes beneficiarão de uma redução de 20% da taxa de irs aplicável no Continente. uma última nota no que ao irC diz respeito, uma vez que se estabelece uma redução de 30% da taxa normal aplicada no Continente fixada em 25%. todavia e em face à já anunciada descida da taxa de irC para 12,5% nos primeiros 12 500 euros, admite-se, pois, que as empresas instaladas nos açores irão beneficiar de uma taxa de 4% no que se refere aos primeiros 12 500 euros de matéria colectável. Q uais as principais alterações fiscais provocadas pelo oe para 2009, no que ao irs diz respeito? o governo apresentou, no dia 14 de outubro, à assembleia da república a proposta de orçamento de estado para 2009. no que ao irs diz respeito, enunciamos as seguintes medidas: as taxas de irs são actualizadas em 2,5%. Uma das medidas anunciadas e que tem servido de bandeira é a diminuição do imposto para as pessoas com deficiência, porém, esta medida é de carácter transitório e na proposta só aparece como aplicável no ano de 2009, explanando-se que os rendimentos auferidos por sujeitos passivos com deficiência apenas serão considerados em 90% do seu valor, com o limite de J 2500. Esta medida continua a tentar combater o agravamento da carga fiscal com que os deficientes foram penalizados no orçamento do estado para 2007. em termos de deduções à colecta, esta proposta e este orçamento são bastante limitados, uma vez que não estão aqui previstas as medidas anticíclicas já anteriormente anunciadas, nomeadamente o aumento das deduções das prestações dos créditos à habitação. no conjunto do pacote de medidas anticíclicas está proposta a alteração da dedução dos de encargos com a habitação dos actuais J 586,00 para J 879,00, nos dois primeiros escalões de imposto. no caso do terceiro escalão, este terá uma majoração de 20% e passa a deduzir J 703,00 e o quarto escalão deduzirá J 644,00, ou seja, 10% de majoração. o governo prevê que esta medida venha a beneficiar quase um milhão de famílias. na proposta de oe surge a possibilidade de dedução à colecta do irs de 30%, com o limite de J 796,00, nas importâncias despendidas com a aquisição de veículos sujeitos a matrícula exclusivamente eléctricos ou movidos a energias renováveis não combustíveis. as famílias vão poder fazer maiores deduções à colecta na saúde com um aumento de 3,23%, com seguros de saúde 2,44%, seguros de vida 3,23% e com a aquisição de equipamentos de energias renováveis 2,44%. Outra medida largamente anunciada e que se insere num vasto leque de medidas para o sector imobiliário prendese com o período de isenção para as mais-valias obtidas com a venda de casa, o qual é alargado dos actuais 24 meses para 36 meses, possibilitando mais tempo para o reinvestimento do valor da venda da casa. Por outro lado, a isenção de tributação quando o valor da venda do imóvel seja aplicado em período anterior à venda é alargado de 12 para 24 meses. ainda ao nível do irs poderemos anunciar outras medidas de menor impacto mediático mas que produzem alterações com algum significado. assim: • os advogados, os solicitadores e todos os profissionais com capacidade para autenticar documentos que titulem actos ou contratos sujeitos a registo predial estão obrigados a comunicar a relação dos actos praticados à dgCi, até ao dia 10 do mês seguinte; • os sócios das sociedades sujeitas à transparência fiscal vão declarar como rendimento as provisões ou adiantamentos por conta de lucros que tenham sido pagos ou postos à disposição durante o ano em causa (p.ex., as provisões por honorários de uma sociedade de advogados), fazendo os ajustamentos necessários nos anos seguintes para que não exista duplicação de tributação; • Para além da prorrogação dos benefícios fiscais para a compra de computadores até 2011 o benefício pode ser para mais do que um computador desde que seja para membros diferentes do agregado familiar que frequentem um qualquerw nível de ensino; • os residentes noutro estado membro da ue que ganharam 90% do seu rendimento em Portugal vão poder optar pelo regime de tributação que lhes é mais conveniente, ou seja, pagar imposto em Portugal ou no país de residência. esta medida pretende evitar as acusações e eventuais processos no tribunal europeu, pela Comissão europeia, por ter um regime discriminatório em termos de circulação de pessoas. esta medida tem uma limitação evidente, uma vez que o cônjuge do titular do rendimento em Portugal pode ter os seus rendimentos no estado de residência e a percentagem de rendimento do que se encontra em território nacional não atingir os necessários 90%. Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 - 21 Breves Livros Governo cria Conselho Nacional de Supervisão de Auditoria A LEI E A PRÁTICA NO FRANCHISING o governo criou o Conselho nacional de supervisão de auditoria. Foi transposta para a ordem jurídica nacional a directiva comunitária relativa à revisão legal das contas anuais e consolidadas. Pretende-se regular o exercício da actividade de auditoria, por via da introdução de um novo modelo de supervisão da profissão. Com a criação desta entidade é garantida a responsabilidade final pela supervisão do exercício da actividade. das atribuições da comissão constam a emissão de parecer prévio relativamente às normas do sistema de controlo de qualidade, deontológicas e de auditoria e a avaliação do plano anual de controlo de qualidade proposto pela ordem dos revisores oficiais de Contas (oroC), bem como o acompanhamento da rrespectiva execução. o sistema de supervisão pública deverá caracterizar-se por uma gestão independente, atribuída ao Banco de Portugal, à Comissão do Mercado de valores Mobiliários, ao instituto de seguros de Portugal, à ordem dos revisores oficiais de contas e à inspecção-geral de Finanças. APOTEC desenvolve acções de formação a associação Portuguesa de técnicos de Contabilidade (aPoteC) mantém a sua estratégia de uma forte aposta na área da formação dos associados. na medida do possível, as sessões abrangem os temas mais importantres da actualidade e tem sido feito um esforço no sentido da descentralização das acções formativas. em novembro, a primeira cidade contemplada, no dia 6, é o Porto, com uma sessão sobre o novo sistema de normalização contabilística. nos dias 6, 13, 20 e 27 tem lugar, desta vez em lisboa, tem lugar um curso sobre irC. o sistema de normalização torna a estar em debate a 15 de novembro, desta feita em leiria. em destaque estará a análise das normas relacionadas com o activo, entre outras. Braga também merece a atenção da associação. neste caso, a 22 de novembro, decorre uma sessão de trabalho a propósito da reforma do Código do trabalho. Finalmente, a 27, é o regresso ao Porto, onde serão tratados os novos acordos no âmbito da legislação laboral. Mais de 13 mil contribuintes na lista de devedores a lista de devedores ao fisco já conta com mais de 13 mil contribuintes. desde o início do ano foram incluídos cerca de oito mil devedores. desde Julho de 2006, os contribuin- tes notificados efectuaram pagamentos no valor de 520 milhões de euros. O total pago desde Janeiro ascendeu a 220 milhões de euros e desde que a lista foi publicitada na internet, o número de contribuintes superou os 21 mil. actualmente, o distrito do Porto é aquele que tem mais contribuintes publicitados na lista, seguindo-se lisboa, Braga e setúbal. entretanto, passaram a ser incluídos no procedimento de publicitação todos os processos instaurados até final do ano passado. até agora só eram incluídos os processos instaurados antes de 30 de Junho de 2007. 22 - Contabilidade & Empresas - Outubro 2008 Há vários caminhos possíveis para garantir o sucesso de um processo de franchising, quer esteja numa fase incial ou de projecto, quer em desenvolvimento. o objectivo do livro “Franchising – a lei e a prática” é elucidar os leitores sobre as várias possibilidades que se colocam, num negócio nem sempre fácil. a obra recolhe, expõe e explica as mais variadas soluções para os problemas que franquiadores e franquiados encontram no seu dia-a-dia, quer sobre a celebração do respectivo contrato, quer durante a sua vigência ou até para o fazer cessar. Quanto à natureza contratual, o franchising é um tema tão atractivo quanto desconhecido. daí o livro abordar com algum destaque a sua dinâmica comercial, de modo a fornecer ferramentas aos candidatos a franquiados. relativamente à dinâmica contratual e às consequências da cessão do contrato, os temas são analisados, de forma a que a opção dos contraentes seja a mais esclarecida possível. a responsabilidade editorial é do grupo vida económica e autoria recai sobre o gabinete de advogados antónio vilar & associados. CONTABILIDADE ANALÍTICA E DE GESTÃO trata-se já da quarta edição da obra “Contabilidade analítica e de gestão”, da autoria de antónio Campos Pires Caiado, editada pela Áreas editora. esta edição contém a actualização dos conceitos introduzidos no projecto do sistema normativo contabilístico. o livro procede também a uma revisão e a uma reformulação de certas matérias que fazem parte dos exames promovidos pelas entidades reguladoras da profissão de técnico oficial de contas, bem como de revisor oficial de contas. a edição possui 77 exercícios e casos de aplicação resolvidos. a obra tem 836 páginas. o autor tem vários trabalhos publicados, nas mais variadas publicações. É conhecido de todos aqueles que se interessam pelas matérias subjacentes às profissões de toC e roC. também tem desenvolvido uma forte actividade na área da revisão da auditoria, da contabilidade e da gestão. a leitura deste trabalho é simples e objectiva, como deve acontecer quando se trata de dar a conhecer certos assuntos do interesse de um vasto público. Inovação com Métodos e Ferramentas um roteiro para inovar de forma eficaz Porquê participar? Ao participar neste workshop ficará por dentro do que há de mais actual na área de inovação, incluindo modelos e ferramentas adoptados por empresas que possuem um sistema de inovação altamente eficaz. Este workshop apresentará um roteiro que poderá implementar na sua própria empresa. Casos práticos e trabalhos em grupo farão com que esteja equipado para implementar um programa de inovação totalmente novo ou melhorar um programa existente. Será dada ênfase a estratégias, processos e ferramentas para inovar de forma eficaz. Conteúdos 1. Introdução 2. Liderança Inovadora 3. Estratégias para Inovação 4. Formando uma estrutura organizacional para a Inovação 5. Gestão de Parcerias e Redes para a Inovação 6. Resultados de Inovação 7. Cultura Inovadora Formador: Alexis Gonçalves Consultor internacional com uma forte experiência na gestão de sistemas de inovação e na aplicação do método Lean Six Sigma conducentes a um processo de inovação efectiva, aumentando a qualidade e a produtividade através de toda a organização. Foi Senior Vice-President, Customer Experience Management no Citigroup - Global Consumer Bank; Vice-President, Innovation Effectiveness & Quality Management no Citigroup - Global Corporate and Investment Bank; Director, Six Sigma Program no Citigroup - Global Corporate and Investment Bank; Regional Manager, Performance Engineering na American Express. workshop Porto 24 de Novembro Lisboa 28 Novembro Das 09:30 às 18:00 Preço: 450 G + IVA Inclui: Coffe-breaks, Almoço, Livro “Inovação Empresarial no Século XXI”, Praveen Gupta, Edição Vida Económica Descontos: 15% Assinantes de publicações do Grupo Editorial Vida Económica e Membros da Associação de Alunos e Antigos Alunos da Escuela de Negocios Caixanova (descontos não acumuláveis). Ficha de inscrição no Workshop Inovação com Método e Ferramentas Lisboa Porto Nome_________________________________________________________________ Organização: Morada_______________________________________________________________ Localidade____________________________________CP_________________________ Telefone_ ________________________________Fax_ ____________________________ Empresa_________________________________________________________________ E-mail________________________________________________________________ Departamento de Formação Lisbeth Ferreira Rua Gonçalo Cristóvão, nº 111, 6º Esq. 4049-037 Porto Tel: 223399457/00 Fax: 222058098 E-mail: [email protected]