ETCAP
Curso Avançado em Teologia
(Bacharelado - 1ª fase)
Teologia Sistemática VII
(Doutrina do Pecado-Hamartiologia)
Prof. Jamir de Farias Borges
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Organizador do conteúdo da disciplina: Prof. Jonas R. Santin
ETCAP
Sumário
Unidade I
- O que é o pecado?
- Atividades de pesquisa e fixação
Unidade II
- A origem do pecado
- Atividades de pesquisa e fixação
Unidade III
-
A queda pela tentação e a salvabilbidade do homem
Os resultados do primeiro pecado
Teorias filosóficas a respeito da natureza do mal
A ideia bíblica do pecado
Atividades de pesquisa e fixação
Unidade IV
-
O conceito pelagiano de pecado
O conceito católico romano do pecado
A transmissão do pecado
Atividades de pesquisa e fixação
Unidade V
-
A universalidade do pecado
A relação do pecado de adão com o da raça
O pecado na vida da raça humana
O pecado fatual
O pecado imperdoável
A punição do pecado
Atividades de pesquisa e fixação
Unidade VI
-
Hamartiologia, considerações finais
O pecado, sua existência
Consequências do pecado no cristão
Atividades de pesquisa e fixação
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ETCAP
COMO ESTE CADERNO ESTÁ ORGANIZADO
Este caderno está dividido em 6 unidades, cada uma com seus
respectivos conteúdos programáticos, que são apresentados sob as
formas de textos de leitura, tarefas de fixação e pesquisas na biblioteca
virtual da ETCAP.
A carga horária desta disciplina está prevista para 30 horas, que
serão ministradas pelos professores da ETCAP e os alunos assistirão nos
pólos presenciais de apoio ao ensino, onde poderão interagir com os
professores e demais alunos.
COMO SERÁ A AVALIAÇÃO DESTA DISCIPLINA
As avaliações da disciplina serão diagnóstica, continuada e cumulativa:
- Tarefas semanais de fixação: 0,5 pontos, sendo num total de seis, o
que equivale a 3,0 pontos da nota final, que serão corrigidas em sala
sempre na próxima aula;
- TCD- Trabalho de Conclusão de Disciplina – fundamentado no
conteúdo da disciplina e em pesquisas elaboradas na Biblioteca Virtual da
ETCAP, num total de 7,0 pontos da nota final;
- Nota final: será a soma dos pontos das Tarefas Semanais com a
nota do TCD, sendo que para a aprovação, o aluno deverá somar no mínimo
o grau 7,0.
É vedada a reprodução integral ou parcial do material deste caderno sem a permissão
escrita da direção da ETCAP.
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UNIDADE I.....................................................5h
Esta aula será estudada da seguinte forma:
2h presencial nos pólos de apoio ao ensino;
1h30min resolução das atividades para correção na próxima aula;
1h30min reservadas para o TCD (Trabalho de Conclusão de
Disciplina).
Conteúdo:
- O que é o pecado?
- Atividades de pesquisa e fixação
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O QUE É O PECADO?
Teologicamente, a doutrina do pecado é identificada como Hamartiologia. Essa
palavra deriva de dois termos da língua grega, língua do Novo Testamento: “hamartia” e
“logos”, que significam juntas “estudo acerca do pecado”. O termo “hamartia” tem, na sua
etimologia grega, o sentido de “errar o alvo”. Portanto, o estudo acerca do pecado, como
ato, estado ou condição, sugere que o pecado é “um desvio do fim (ou modo)
estabelecido por Deus”.
Na Teologia Cristã, a doutrina do pecado ganha espaço porque o cristianismo
representa a possibilidade de redenção do estado pecaminoso do homem. Três
grandiosas doutrinas bíblicas ganham espaço na vida do homem, as quais são: a
Doutrina de Deus, a Doutrina do Pecado e a Doutrina da Redenção. Existe uma relação
essencial entre essas três doutrinas de tal modo que é impossível tratar do pecado sem
tratar da Redenção e, naturalmente, ao tratar sobre Redenção, inevitavelmente a
relacionamos com a sua fonte, que é Deus.
A questão do mal é tratada na Bíblia a partir do relato do livro de Gênesis sobre a
Queda do homem. Esse relato descreve o princípio da tentação do homem e a sua
concessão ao pecado, trazendo maldição à sua vida pessoal e a toda a Terra.
Para entendermos a relação do pecado com o homem, devemos considerar a
definição de pecado.
Tanto, no Antigo quanto no Novo Testamentos, a palavra “pecado” é sinônima de
muitas outras palavras que são usadas na Bíblia e indicam conceitos distintos sobre a
mesma. São vários termos que amplificam o conceito de “pecado” nas suas várias
manifestações. Entretanto, usaremos apenas um termo hebraico e outro grego, línguas
originais da Bíblia, os quais apresentam definições relativas que podem ilustrar o
significado da palavra “pecado”.
No Antigo Testamento, o vocábulo hebraico “chata’th” aparece cerca de 522 vezes.
O seu termo correlato no Novo Testamento é “hamartia”, e ambos sugerem a ideia de
“errar o alvo” ou “desviar-se do rumo”, como o arqueiro antigo que atira suas flechas e
erra o alvo. Os termos sugerem e indicam também alguém que erra o alvo
propositadamente, ou seja, que atinge outro alvo intencionalmente. Não se trata de uma
ideia passiva de erro, mas implica numa ação propositada. Significa que cada ser humano
foi criado com um alvo definido diante de si para alcançá-lo. Denota tanto a disposição de
pecar como o ato resultante. Em síntese, o homem não foi criado para o pecado e, se
pecou, foi por seu livre-arbítrio, sua livre escolha (Lv 16.21; Sl 1.1; 51.4; 103.10; Is 1.18;
Dn 9.16; Os 12.8; Rm 5.12; Hb 3.13).
A palavra “hamartia”, no grego do Novo Testamento, já foi citada em correlação com
“chata’a” do Antigo Testamento. Entretanto, ambas as palavras, cujo sentido é “errar o
alvo”, “perder o rumo ou fracassar”, indicam que o primeiro homem, no princípio, perdeu o
rumo de sua vida e fracassou em não atingir o padrão divino estabelecido para a sua vida.
Na linguagem do Novo Testamento, a palavra “hamartia” tem ainda um sentido mais forte
que a ideia de “fracasso” ou de “transgressão”. A palavra tem o sentido de “poder de
engano do pecado”, como em Romanos 5.12 e Hebreus 3.13. Portanto, pecado é mais
que um fracasso; é uma condição responsável que implica culpabilidade.
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O pecado é um ato livre e voluntário do homem, porque ele é um ser moral, dotado
da capacidade de perceber o certo e o errado. O homem é um agente moral livre para
decidir o que fazer da sua vida (Ec 11.9).
O pecado é um tipo de mal, porque nem todo mal é pecado. Existem males físicos
consequentes da entrada do pecado no mundo. Na esfera física, temos um tipo de mal
que se manifesta nas doenças. Entretanto, na esfera ética, o mal tem um sentido moral. É
nessa esfera moral que se manifesta o pecado. Os vários termos hebraicos e gregos das
línguas originais da Bíblia, quando falam do pecado, apontam para o sentido ético, porque
falam da prática do pecado, ou seja, dos atos pecaminosos.
O pecado é, de fato, uma ativa oposição a Deus, uma transgressão das suas leis,
que o homem, por escolha própria (livre), resolveu fazer (Gn 3.1-6; Is 48.8; Rm 1.18-22; 1
Jo 3.4).
Outra verdade acerca do pecado é o fato de que o pecado tem caráter absoluto.
Esse conceito é bíblico e correto. É difícil se fazer distinção ou graduação entre o bem e o
mal, porque o caráter de uma pessoa tem um sentido qualitativo. Uma pessoa boa não se
torna má porque tenha diminuído sua bondade, mas ela se torna má quando se deixa
envolver pelo o pecado. Essa é uma questão de qualidade, e não de quantidade. O
pecado não pode ser tratado como um grau menor de bondade, porque o pecado é algo
sempre negativo e absoluto. Do ponto de vista bíblico, não há neutralidade quanto ao bem
ou ao mal. O que é mal não é mais ou menos mal. Ou se está do lado justo e certo ou se
está do lado injusto e errado.
O pecado não é apenas a prática de um ato errado. Como dizia o teólogo Louis
Berkhof, “o pecado não consiste apenas em atos manifestos”. O pecado não é apenas
aquilo que se pratica erradamente, mas é algo entranhado na natureza pecaminosa
adquirida da raça humana. É um estado pecaminoso que desenvolve hábitos
pecaminosos os quais se manifestam na vida cotidiana. Todas aquelas tendências e
propensões pecaminosas típicas da natureza corrompida de cada um de nós demonstram
o estado pecaminoso do ser humano. A Bíblia denomina “carne” a este estado que pode
ser controlado por uma vida regenerada (2 Co 5.17).
Indiscutivelmente, o pecado trouxe graves consequências ao universo,
especialmente à vida na terra. A Bíblia faz várias declarações a respeito da universalidade
do pecado. Por exemplo, temos no Antigo Testamento alguns exemplos, tais como “não
há homem que não peque” (1 Rs 8.46) e “porque à tua vista não há justo nenhum vivente”
(Sl 143.2). Paulo, na Carta aos Romanos, disse: “Não há um justo, nenhum sequer; não
há quem faça o bem, nenhum sequer”, Rm 3.10-12; “Pois todos pecaram e carecem da
gloria de Deus”, Rm 3.10-12. O apóstolo João afirma: “Se dissermos que não temos
pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós”, 1 Jo 1.8.
Se morte física significa separação de corpo e alma e é parte da pena do pecado,
entendemos que, de modo nenhum, a morte física significa a penalidade final. Nas
Escrituras, a palavra “morte” é frequentemente usada com sentido moral e espiritual. Isso
significa que a verdadeira vida da alma e do espírito é a relação com a presença de Deus.
Portanto, a pena divina contra o pecado do homem no Éden foi a separação da
comunhão com o Criador.
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A morte espiritual tem dois sentidos especiais: um sentido é negativo e o outro é
positivo. Em relação à vida cristã, todo crente está morto para o pecado, porque a pena
do pecado foi cancelada e ele está fora do domínio do pecado. Trata-se da separação da
vida de pecado depois que se aceita a Cristo e é expiado por Ele. Porém, em relação ao
futuro, o crente terá a vida eterna, isto é, terá a redenção plena do corpo do pecado (Ap
21.27; 22.15).
O sentido negativo de morte espiritual refere-se à morte no pecado. O crente está
morto para o pecado, mas o ímpio está morto espiritualmente no pecado. Significa que o
pecador vive em um estado de vida separado de Deus e de sua comunhão. Significa estar
“debaixo do pecado” e estar sob o seu domínio (Ef 2.1,5). O efeito desses dois sentidos é
presente e temporal. O pecador sem Deus, no presente, está numa condição temporal de
excomunhão com Deus, mas, pela graça de Deus, poderá sair desse estado e morrer
para o pecado (Ef 4.18; Gn 2.17).
A punição final do pecado é a morte eterna, ou seja, o juízo contra o pecado (Hb
9.27). A morte eterna é a culminância e complementação da morte espiritual. Diz respeito
à repugnância da santidade divina que requer justiça contra o pecado e contra o pecador
impenitente. Significa a retribuição positiva de um Deus pessoal, tanto sobre o corpo
como sobre a sua alma e espírito (Mt 10.28; 2 Ts 1.9; Hb 10.31; Ap 14.11).
Uma das grandes verdades acerca do castigo do pecado é que a justiça de Deus o
exige a fim de que ninguém o acuse de injustiça. Ele é o Senhor que pratica a
misericórdia, juízo e justiça na terra (Jr 9.24). A questão do pecado encontra resposta e
solução quando encontramos na Bíblia a declaração de Paulo de que Deus propôs Jesus
Cristo como a propiciação pelo seu sangue, para receber toda a carga da ira de Deus
contra o pecado (Rm 3.25). Significa que a cruz foi a forma pela qual Deus castiga o
pecado. O próprio Deus, perfeito em justiça, tornou possível a expiação dos pecados por
Aquele que se fez nosso justificador completo – Jesus (Rm 3.26).
A Salvação está quando entregamos a nossa vida por inteiro ao Senhor Jesus,
reconhecendo, arrependidos, os nossos pecados; e também reconhecendo o sacrifício de
Cristo como suficiente para a nossa expiação, procurando agora vivermos sempre
conforme a Sua vontade, expressa na Sua Palavra, a Bíblia Sagrada.
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ATIVIDADES DE PESQUISA E FIXAÇÃO DA UNIDADE I
O aluno deverá realizar a atividade proposta no caderno e na próxima aula será
corrigido em sala e valerá 0,5 da nota final. Use a biblioteca virtual para as pesquisas.
1. A questão do pecado está sempre presente nas pregações e ensinos da teologia
evangélica. Sendo assim, dê uma definição do que é o pecado.
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2. Comente sobre o sentido negativo e positivo da morte espiritual.
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3. Acesse na Internet http://doutrinas.blogspot.com.br/2010/03/o-pecado.html leia o
artigo que fala sobre o pecado, e mesmo já tendo dado uma definição de pecado na
questão número um, defina o pecado baseado na leitura proposta no link
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UNIDADE II.............................................7h30min
Esta aula será estudada da seguinte forma:
2h presencial nos pólos de apoio ao ensino;
3h resolução das atividades para correção na próxima aula;
2h30min reservadas para o TCD (Trabalho de Conclusão de
Disciplina).
Conteúdo:
- A origem do pecado
- Atividades de pesquisa e fixação
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A ORIGEM DO PECADO
O problema do mal que há no mundo sempre foi considerado um dos mais
profundos problemas da filosofia e da teologia. É um problema que se impõe
naturalmente à atenção do homem, visto que o poder do mal é forte e universal, é uma
doença sempre presente na vida em todas as manifestações desta, e é matéria da
experiência diária na vida de todos os homens. Os filósofos foram constrangidos a
encarar o problema e a procurar uma resposta quanto à origem de todo mal, e
particularmente do mal moral, que há no mundo. A alguns, pareceu uma parte de tal
modo integrante da vida, que buscaram a solução na constituição natural das coisas.
Outros, porém, estão convictos que o mal teve uma origem voluntária, isto é, que se
originou na livre escolha do homem, quer na existência atual quer numa existência
anterior. Estes acham-se bem mais perto da verdade revelada na Palavra de Deus.
Conceitos históricos a respeito da origem do pecado.
Os mais antigos “pais da igreja”, assim chamados, não falam muito definidamente da
origem do pecado, conquanto a ideia de que se originou na voluntária transgressão e
queda de Adão no paraíso já achasse nos escritos de Irineu.
Esta se tornou logo a ideia dominante na igreja, especialmente em oposição ao
gnosticismo, que considerava o mal inerente à matéria. O contato da alma humana com a
matéria imediatamente a tornou pecaminosa. Essa teoria naturalmente priva o pecado do
seu caráter voluntário e ético.
Orígenes procurou manter isso com a sua teoria do pré-existencialismo. Segundo
ele, as almas dos homens pecaram voluntariamente numa existência anterior e, portanto,
entraram no mundo numa condição pecaminosa. Esta ideia platônica estava tão
sobrecarregada de dificuldades que não pôde encontrar aceitação geral. Contudo,
durante os séculos dezoito e dezenove foi defendida por Mueller e Rueckert, e por
filósofos como Lessing, Schelling e J. H. Fichte.
Em geral os chamados pais da igreja grega, do terceiro e do quarto século,
mostravam certa inclinação para reduzir entre o pecado de Adão e o dos seus
descendentes, ao passo que os “pais” da igreja latina ensinavam cada vez com maior
clareza que a atual condição pecaminosa do homem encontra a sua explicação na
primeira transgressão de Adão no paraíso.
Os ensinos da igreja oriental culminaram finalmente no pelagianismo, que negava a
existência de alguma relação vital entre ambos, enquanto que os da igreja ocidental
chegaram ao seu ponto culminante no agostinianismo, que acentuava o fato de que
somos culpados e corruptos em Adão. O semipelagianismo admitia a conexão adâmica,
mas sustentava que isso explica apenas a corrupção do pecado, não a culpa.
Durante a Idade Media reconhecia-se geralmente essa conexão. Às vezes era
interpretada à maneira agostiniana, mas com mais frequência, à maneira semipelagiana.
Os reformadores compartilhavam os conceitos de Agostinho, e os socinianos os de
Pelágio, enquanto que os arminianos moviam-se em direção ao semipelagianismo. Sob a
influência do racionalismo e da filosofia evolucionista, a doutrina da queda do homem e de
seus efeitos fatais sobre a raça humana aos poucos foi descartada. A ideia do pecado foi
substituída pela do mal, e este mal era explicado de varias maneiras. Kant o considerava
como uma coisa pertencente à esfera super-racional, que ele confessava não ter
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condições de explicar. Para Lebnitz, devia-se às necessárias limitações do universo.
Schleiermacher via sua origem na natureza sentimental do homem, e Ritschl na
ignorância humana, ao passo que o evolucionista o atribui à oposição das propensões
inferiores à consciência moral em seu desenvolvimento gradativo. Barth fala da origem do
pecado como o mistério da predestinação. O pecado originou-se na Queda, mas a Queda
não foi um evento histórico; pertence à super-historia (Urgeschinchte). Adão foi de fato o
primeiro pecador, mas a sua desobediência não pode ser considerada a causa do pecado
do mundo. De algum modo, o pecado do homem está ligado à sua condição de criatura. A
narrativa do paraíso apenas transmite ao homem a prazerosa informação de que ele não
tem por que ser necessariamente um pecador.
Dados bíblicos a respeito da origem do pecado.
Na Escritura, o mal moral existente no mundo transparece claramente como pecado,
isto é, como transgressão da lei de Deus. Nela o homem sempre aparece como
transgressor pó natureza, e surge naturalmente a questão: Como adquiriu ele essa
natureza? Que revela a Bíblia sobre esse ponto?
Não se pode considerar Deus como o seu autor.
O decreto eterno de Deus evidentemente deu a certeza da entrada do pecado no
mundo, mas não se pode interpretar isso de modo que faça de Deus a causa do pecado
no sentido de ser Ele o seu autor responsável.
Esta ideia é claramente excluída pela Escritura. “Longe de Deus o praticar ele a
perversidade, e do Todo-poderoso o cometer injustiça”, Jó 34.10. Ele é o santo Deus, Is
6.3, e absolutamente não há falta de retidão nele, Dt 32.4; Sl 92.16. Ele não pode ser
tentado pelo mal, e Ele próprio não tenta a ninguém, Tg 1.13. Quando criou o homem,
criou-o bom e à Sua imagem. Ele positivamente odeia o pecado, Dt 25.16; Sl 5.4; 11.5; Zc
8.17; Lc 16.15, e em Cristo fez provisão para libertar do pecado o homem. À luz disso
tudo, seria blasfemo falar de Deus como o autor do pecado. E por essa razão, todos os
conceitos deterministas que representam o pecado como uma necessidade inerente à
própria natureza das coisas devem ser rejeitados. Por implicação, eles fazem de Deus o
autor do pecado e são contrários, não somente à Escritura, mas também à voz da
consciência, que atesta a responsabilidade do homem.
O pecado originou-se no mundo angélico.
A Bíblia nos ensina que, na tentativa de investigar a origem do pecado, devemos
retornar à queda do homem, na descrição de Gn 3 e fixar a tenção em algo que sucedeu
no mundo angélico.
Deus criou um grande número de anjos, e estes eram todos bons, quando saíram
das mãos do seu Criador, Gn 1.31. Mas ocorreu uma queda no mundo angélico, queda na
qual legiões de anjos se apartaram de Deus. A ocasião exata dessa queda não é
indicada, mas em Jó 8.44 Jesus fala do diabo como assassino desde o princípio, e em 1
Jo 3.8 diz João que o diabo peca desde o princípio.
A opinião é a de que a expressão kai’ arches significa desde o começo da história
do homem. Muito pouco se diz sobre o pecado que ocasionou a queda dos anjos. Da
exortação de Paulo a Timóteo, a que nenhum neófito fosse designado bispo, “para não
suceder que se ensoberbeça, e incorra na condenação do diabo”, 1 Tm 3.6, podemos
concluir que, com toda a probabilidade, foi o pecado do orgulho, de desejar ser como
Deus em poder e autoridade.
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E esta ideia parece achar corroboração em Jd 6, onde se diz que os que caíram
“não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio”. Não
estavam contentes com a sua parte, com o governo e poder que lhes fora confiado. Se o
desejo de serem semelhantes a Deus foi a tentação peculiar que sofreram, isto explica
por que tentaram o homem nesse ponto particular.
A origem do pecado na raça humana.
Com respeito à origem do pecado na história da humanidade, a Bíblia ensina que
ele teve início com a transgressão de Adão no paraíso e, portanto, com um ato
perfeitamente voluntário da parte do homem.
O tentador veio do mundo dos espíritos com a sugestão de que o homem,
colocando-se em oposição a Deus, poderia tornar-se semelhante a Deus. Adão se rendeu
à tentação e cometeu o primeiro pecado, comendo do fruto proibido. Mas a coisa não
parou aí, pois com esse primeiro pecado Adão passou a ser escravo do pecado. Esse
pecado trouxe consigo corrupção permanente, corrupção que, dada a solidariedade da
raça humana, teria efeito, não somente sobre Adão, mas também sobre todos os seus
descendentes.
Como resultado da Queda, o pai da raça só pôde transmitir uma natureza depravada
aos pósteros. Dessa fonte não santa o pecado flui numa corrente impura passando para
todas as gerações de homens, corrompendo tudo e todos com que entra em contato. É
exatamente esse estado de coisas que torna tão pertinente a pergunta de Jó, “Quem da
imundícia poderá tirar cousa pura? Ninguém”, Jó 14.4.
Adão pecou não somente como o pai da raça humana, mas também como chefe
representativo de todos os seus descendentes; e, portanto, a culpa do seu pecado é
posta na conta deles, pelo que todos são passíveis de punição e morte. É primariamente
nesse sentido que o pecado de Adão é o pecado de todos. É o que Paulo ensina em Rm
5.12.
Não se trata do pecado considerado meramente como corrupção, mas como culpa
que leva consigo o castigo. Deus adjudica a todos os homens a condição de pecadores
culpados em Adão, exatamente como adjudica a todos os crentes a condição de justos
em Jesus Cristo. É o que Paulo quer dizer, quando afirma:
“pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens
para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre
todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como pela
desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também
por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos”, Rm 5.18,19.
A natureza do primeiro pecado ou da queda do homem.
Seu caráter formal.
Pode-se dizer que, numa perspectiva puramente formal, o primeiro pecado do
homem consistiu em comer ele da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Não sabemos que espécie de árvore era. Poderia ser uma tamareira ou uma figueira
ou qualquer outra árvore frutífera. Nada havia de ofensivo no fruto da árvore como tal.
Comê-lo não era pecaminoso per se, pois não era uma transgressão da lei moral.
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Quer dizer que não seria pecaminoso, se Deus não tivesse dito: “da árvore do
conhecimento do bem e do mal não comerás”. Não há opinião unânime quanto ao motivo
pelo qual a árvore foi denominada do conhecimento do bem e do mal. Uma opinião das
mais comuns é que a árvore foi chamada assim porque o comer do seu fruto infundiria
conhecimento prático do bem e do mal; mas é difícil sustentar isso face à exposição
bíblica segundo a qual, comendo-o, o homem passaria a ser como Deus, no
conhecimento do bem e do mal, pois Deus não comete pecado e, portanto, não tem
conhecimento prático dele.
É muito mais provável que a árvore foi denominada desse modo porque fora
destinada a revelar:
(a) se o estado futuro do homem seria bom ou mal; e
(b) se o homem deixaria que Deus lhe determinasse o que era bom ou mau, ou se
encarregaria de determina-lo por si e para si.
Mas, seja qual for a explicação que se dê do nome, a ordem de Deus para não
comer do fruto da árvore serviu simplesmente ao propósito de pôr à prova a obediência
do homem. Foi um teste de pura obediência, desde que Deus de modo nenhum procurou
justificar ou explicar a proibição. Adão tinha que mostrar sua disposição para submeter a
sua vontade à vontade do seu Deus com obediência implícita.
Seu caráter essencial e material.
O primeiro pecado do homem foi um pecado típico, isto é, um pecado no qual a
essência real do pecado se revela claramente. A essência desse pecado está no fato de
que Adão se colocou em oposição a Deus, recusou-se a sujeitar a sua vontade à vontade
de Deus de modo que Deus determinasse o curso da sua vida; e tentou ativamente tomar
a coisa toda das mãos de Deus e determinar ele próprio o futuro.
O primeiro pecado ou a queda como ocasionada pela tentação.
Os procedimentos do tentador.
A queda do homem foi ocasionada pela tentação da serpente, que semeou na
mente do homem as sementes da desconfiança e da descrença. Embora
indubitavelmente a intenção do tentador fosse levar Adão, o chefe da aliança, a cair, não
obstante dirigiu-se a Eva, provavelmente porque (a) não exercia a chefia da aliança e,
portanto, não teria o mesmo senso de responsabilidade; (b) não recebeu diretamente a
ordem de Deus, mas apenas indiretamente e, por conseguinte, seria mais suscetível de
ceder à argumentação e duvidar; e (c) seria sem dúvida o instrumento mais eficiente para
alcançar o coração de Adão.
O curso seguido pelo tentador é bem claro. Em primeiro lugar, ele semeia as
sementes da dúvida pondo em questão as boas intenções de Deus e insinuando que Sua
ordem era realmente uma violação da liberdade e dos direitos do homem.
Quando nota, pela reação de Eva, que a semente tinha criado raiz, acrescenta as
sementes da descrença e do orgulho, negando que a transgressão resultaria na morte e
dando a entender claramente que a ordem divina fora motivada pelo objetivo egoísta de
manter o homem em sujeição. Ele afirma que, ao comer da árvore, o homem passaria a
ser como Deus. As elevadas expectativas assim geradas induziram Eva a observar com
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atenção a árvore, e quanto mais olhava, melhor lhe parecia o fruto. Finalmente, o desejo
lhe moveu a mão, e ela comeu do fruto e também o deu ao marido, e ele comeu.
Interpretação da tentação.
Frequentes tentativas têm sido feitas, e continuam sendo feitas, para explicar a
queda negando-lhe o caráter histórico. Alguns acham que toda a narrativa de Gênesis 3 é
uma alegoria que representa figuradamente a auto depravação do homem e sua mudança
gradativa.
Barth e Brunner consideram a narrativa do estado original e da queda do homem um
mito. Para eles, tanto a Criação como a Queda pertencem, não à história, mas ao que
denominam super-história (Urgeschichte) e, daí, ambas são igualmente incompreensíveis.
A narrativa dada em Gênesis ensina-nos meramente que, embora o homem seja
atualmente incapaz de realizar algum bem e esteja sujeito à lei da morte, não há por que
ser necessariamente assim. É possível ao homem livrar-se do pecado e da morte por uma
vida de comunhão com Deus. Tal é a vida retratada para nós na narrativa sobre o
paraíso, e ela prefigura a vida que nos é assegurada naquele de quem Adão foi apenas
um tipo, a saber, Cristo.
Outros, que não negam o caráter histórico da narrativa de Gênesis, afirmam que
pelo menos a serpente não deve ser considerada como um animal literal, mas apenas
como um nome ou um símbolo da cobiça, do desejo sexual, do raciocínio pecaminoso, ou
de Satanás. Ainda outros asseveram que, para dizer o mínimo, o falar da serpente deve
ser entendido figuradamente.
Mas todas estas interpretações, e outras quejandas, são insustentáveis à luz da
Escritura. As passagens que precedem e se seguem a Gn 3.1-7 manifestam evidente
propósito de construir uma pura e simples narrativa histórica. Pode-se provar que assim
foram entendidas pelos escritores bíblicos, mediante muitas referências, como por
exemplo, Jó 31.33; Ec 7.29; Is 43.27; Os 6.7; Rm 5.12, 18, 19; 1 Co 5.21; 2 Co 11.3; 1 Tm
2.14, e, portanto, não temos o direito de afirmar que os referidos versículos, que
constituem parte integrante da narrativa, devem ser interpretados figuradamente.
Além disso, certamente a serpente é considerada como um animal em Gn 3.1, e
não daria bom sentido substituir “serpente” por “Satanás”. O castigo de que fala Gn 3.14,
15 pressupõe uma serpente literal, e Paulo não a entende doutro modo, em 2 Co 11.3. E,
apesar de poder-se entender num sentido figurado a serpente falar por meio de gestos
astutos, não parece possível imaginá-la mantendo dessa maneira a conversação
registrada em Gn 3.
A transação toda, a fala da serpente inclusive, sem dúvida acha sua explicação na
operação de algum poder sobrenatural, não mencionado em Gn 3. A Escritura dá a
entender claramente que a serpente foi apenas um instrumento de Satanás, e que
Satanás foi o real tentador, que agiu na serpente e por meio dela, como posteriormente
agiu em homens e em porcos, Jo 8.44; Rm 16.20; 2 Co 11.3; Ap 12.9. A serpente foi um
instrumento próprio para Satanás, pois ele é a personificação do pecado, e a serpente
simboliza o pecado:
(a) em sua natureza astuta e enganosa, e
(b) em sua picada venenosa, com a qual mata o homem.
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ATIVIDADES DE PESQUISA E FIXAÇÃO DA UNIDADE II
O aluno deverá realizar a atividade proposta no caderno e na próxima aula será
corrigido em sala e valerá 0,5 da nota final. Use a biblioteca virtual para as pesquisas.
1. Nesta unidade didática foram estudadas várias teorias sobre a origem do pecado.
Após os estudos que conclusão você chegou sobre onde se originou o pecado?
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2. Sendo Deus o criador de todas as coisas, qual é o seu entendimento sobre a ideia
que, sendo Deus o criador universal, deve ter sido Ele quem criou o pecado também.
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3. Sabemos que a origem do pecado na raça humana foi pela queda de Adão e Eva.
Descreva quais foram os procedimentos do tentador para levar o homem a queda.
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4. Estudamos deferentes interpretações da tentação. Uns acham que a narrativa é
alegórica, outros a entendem como literal e outros pensam em se tratar de um mito, algo
que nunca aconteceu na realidade. Após estudar esse assunto, como você vê a narrativa
da tentação e queda de Adão e Eva registrados em Gn 3.1-7?
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UNIDADE III............................................7h30min
Esta aula será estudada da seguinte forma:
2h presencial nos pólos de apoio ao ensino;
3h resolução das atividades para correção na próxima aula;
2h30min reservadas para o TCD (Trabalho de Conclusão de
Disciplina).
Conteúdo:
-
A queda pela tentação e a salvabilbidade do homem
Os resultados do primeiro pecado
Teorias filosóficas a respeito da natureza do mal
A ideia bíblica do pecado
Atividades de pesquisa e fixação
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A QUEDA PELA TENTAÇÃO E A SALVABILIDADE DO HOMEM.
Tem-se sugerido que o fato de que a queda do homem foi ocasionada pela tentação
proveniente de fora, pode ser uma das razões pelas quais o homem é salvável,
diversamente dos anjos, que não estiveram sujeitos a uma tentação externa, mas caíram
pelas incitações da sua própria natureza interior. Nada de certo se pode dizer sobre este
ponto, porém. Mas, seja qual for o significado da tentação a este respeito, certamente não
será suficiente para explicar como um ser santo como Adão pôde cair em pecado. É-nos
impossível dizer como a tentação pôde encontrar um ponto de contato numa pessoa
santa. E mais difícil de explicar ainda, é a origem do pecado no mundo angélico.
OS RESULTADOS DO PRIMEIRO PECADO.
A primeira transgressão do homem teve os seguintes resultados:
1. Foi a depravação total da natureza humana.
O contágio do seu pecado espalhou-se imediatamente pelo homem todo, não
ficando sem ser tocada nenhuma parte da sua natureza, mas contaminando todos os
poderes e faculdades do corpo e da alma. Esta completa corrupção do homem é
ensinada claramente na Escritura, Gn 6.5; Sl 14.3; Rm 7.18. A depravação total de que se
trata aqui não significa que a natureza humana ficou logo tão completamente depravada
como teria a possibilidade de vir a ser. Na vontade essa depravação manifestou-se como
incapacidade espiritual.
2. A perda da comunhão com Deus mediante o Espírito Santo.
Esta é simplesmente o reverso da completa corrupção mencionada no parágrafo
anterior. Ambos podem ser combinados numa única declaração, de que o homem perdeu
a imagem de Deus no sentido de retidão original. Ele rompeu com a verdadeira fonte de
vida e bem-aventurança, e o resultado foi uma condição de morte espiritual, Ef 2.1, 5, 12;
4.18.
3. Esta mudança da condição real do homem refletiu-se também em sua
consciência.
Houve, primeiramente, uma consciência da corrupção, revelando-se no sentido de
vergonha, e no esforço que os nossos primeiros pais fizeram para cobrir a sua nudez. E
depois houve uma consciência de culpa, que achou expressão numa consciência
acusadora e no temor de Deus que isso inspirou.
4. Não somente a morte espiritual, mas também a morte física resultou do primeiro
pecado do homem
De um estado de posse non mori desceu a um estado de non possenon mori.
Havendo pecado, ele foi condenado a retornar ao pó do qual fora tomado, Gn 3.19. Diznos Paulo que por um homem a morte entrou no mundo e passou a todos os homens, Rm
5.12, e que o salário do pecado é a morte, Rm 6.23.
5. Esta mudança redundou também numa necessária mudança de resistência.
O homem foi expulso do paraíso, porque este representava o lugar da comunhão
com Deus, e era símbolo da vida mais completa e de uma bem-aventurança maior
reservadas para ele, se continuasse firme. Foi-lhe vedada a árvore da vida, porque esta
era o símbolo da vida prometida na aliança das obras.
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TEORIAS FILOSÓFICAS A RESPEITO DA NATUREZA DO MAL
Teoria dualista
Esta é uma das teorias que foram comuns na filosofia grega. Na forma do
gnosticismo, conseguiu penetrar na Igreja Primitiva. Admite a existência de um princípio
eterno do mal, e sustenta que no homem o espírito representa o princípio do bem, e
corpo, o do mal.
É objetável por várias razões:
(a) É posição filosoficamente insustentável que haja fora de Deus algo que seja
eterno e independente da Sua vontade.
(b) Essa teoria retira do pecado o seu caráter ético, fazendo dele uma coisa
puramente física e independente da vontade humana, e, deste modo, destrói na verdade
a ideia de pecado.
(c) Também elimina a responsabilidade do homem, apresentando o pecado como
uma necessidade ou inevitabilidade física. Segundo essa teoria, o único meio de
escarparmos do pecado consiste em livrar-nos do corpo.
Teoria de que o pecado é mera privação
De acordo com Leibnitiz, o presente mundo é o melhor mundo possível. A
existência do pecado deve ser considerada inevitável. O pecado não pode ser atribuído à
acaso pessoal de Deus e, portanto, deve ser considerado como simples negação ou
privação, sem necessidade de nenhuma causa eficiente. As limitações da criatura o
tornam inevitável.
Essa teoria torna o pecado um mal necessário, desde que as criaturas são
necessariamente limitadas, e o pecado é uma consequência inevitável dessa limitação.
Sua tentativa de evitar fazer de Deus o autor do pecado não tem bom êxito, pois, mesmo
que o pecado fosse apenas uma negação sem nenhuma causa eficiente, Deus seria, não
obstante, o autor da limitação da qual ele resultaria. Além disso, a teoria tende a obliterar
a distinção entre o mal moral e o mal físico, visto que descreve o pecado como pouco
mais que um infortúnio sobrevindo ao homem.
Teoria de que o pecado é uma ilusão
Para Spinoza, como para Leibnitiz, o pecado é simplesmente um defeito, uma
limitação da qual o homem está cônscio; mas enquanto Leibnitiz considera a noção do
mal, que surge dessa limitação, como necessária, Spinoza sustenta que a resultante
consciência do pecado deve-se simplesmente à inadequação do conhecimento do
homem, que não consegue ver tudo sub specie aeternitatis, isto é, em unidade com a
eterna e infinita essência de Deus. Se o conhecimento do homem fosse adequado, de
sorte que visse tudo em Deus, ele não teria nenhuma ideia do pecado; este seria
simplesmente inexistente para ele.
Mas essa teoria, que apresenta o pecado como uma coisa puramente negativa, não
explica os seus terríveis resultados que a experiência universal da humanidade atesta da
maneira mais convincente. De fato, reduz toda a vida do homem a uma ilusão: seu
conhecimento, sua experiência, o testemunho da consciência, e assim por diante, pois
todo o seu conhecimento é inadequado. Além disso, vai contra a experiência da
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humanidade, que atesta que os mais inteligentes são, muitas vezes, os maiores
pecadores, sendo Satanás o maior de todos.
O defeito radical dessas teorias todas é que procuram definir o pecado sem levar em
consideração que o pecado é essencialmente o abandono de Deus, a oposição a Deus e
a transgressão da lei de Deus. Sempre se deve definir o pecado em termos da relação do
homem com Deus e Sua vontade como vem expressa na lei moral.
A IDEIA BÍBLICA DO PECADO
Ao dar a ideia bíblica do pecado, é necessário chamar a atenção para diversas
particularidades.
O pecado é o mal numa categoria específica
Hoje em dia ouvimos falar muito do mal, e relativamente pouco do pecado; e isso é
muito enganoso. Nem todo mal é pecado. Não se deve confundir o pecado com o mal
físico, com aquilo que é danoso ou calamitoso. É possível falar, não só do pecado mas da
doença, como um mal, então, a palavra “mal” é empregada em dois sentidos totalmente
diversos.
Acima da esfera física está a esfera ética, na qual é aplicável o contraste entre o
bem moral e o mal moral, e é somente nesta esfera que podemos falar de pecado. E
mesmo nesta esfera não é desejável substituir a palavra “pecado” pela palavra “mal” sem
acrescentar algum qualificativo, pois aquela é mais especifica do que esta.
As palavras neotestamentárias correspondentes, como hamartia, adikia, parabasis,
paraptoma, anomia, paranomia e outras, indicam as mesmas ideias. Em vista do emprego
dessas palavras e do modo pelo qual a Bíblia normalmente fala do pecado, não se pode
duvidar do seu teor ético. Não é uma calamidade que sobreveio inopinadamente ao
homem, envenenou sua vida e arruinou sua felicidade, mas um curso que o homem
decidiu seguir deliberadamente e que leva consigo misera inaudita.
Fundamentalmente não é uma coisa passiva, como uma fraqueza, um defeito, ou
uma imperfeição pela qual não podemos ser responsabilizados, mas uma ativa oposição
a Deus, e uma positiva transgressão da Sua lei, constituindo culpa. O pecado é o
resultado de uma escolha livre, porém má, do homem. Este é o ensino claro da Palavra
de Deus, Gn 3.1-6; Is 48.8; Rm 1.18-32; 1 Jo 3.4.
O pecado tem caráter absoluto
Na esfera ética, o constante entre o bem e o mal é absoluto. Não há condição
neutra entre ambos. Apesar de indubitavelmente haver graus nos dois, não há graduação
entre o bem e o mal. A transição de um para o outro não é de caráter quantitativo, e sim,
qualitativo.
Um ser moral bom não se torna mau por uma simples diminuição da sua bondade,
mas somente por uma mudança qualitativa radical, por um volver ao pecado. O pecado
não é um grau menor de bondade, mas mal positivo. Isso é ensinado claramente na
Bíblia. Quem não ama a Deus é, por isso, caracterizado como mau.
A Escritura não reconhece nenhuma posição de neutralidade. Ela concita o ímpio a
voltar-se para a retidão e, às vezes, fala do justo como caindo no mal; mas não contém
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nem uma só indicação de que um ou outro alguma vez fica numa posição neutra. O
homem está do lado certo ou do lado errado, Mt 10.32, 33; 12.30; Lc 11.23; Tg 2.10.
Pecado sempre tem relação com Deus e sua vontade
Os mais antigos teólogos compreendem que é impossível ter uma correta
concepção do pecado sem vê-lo em relação a Deus e Sua vontade e, portanto,
acentuavam este aspecto e normalmente falavam do pecado como “falta de conformidade
com a lei de Deus”. É, sem dúvida, uma correta definição formal do pecado. Mas surge a
questão: Qual é precisamente o conteúdo material da lei? Que é ela exige?
Respondendo-se esta questão, será possível determinar o que é o pecado num
sentido material. Ora, não há duvida de que a grande e central exigência da lei é o amor a
Deus. E se ponto de vista material, a bondade consiste em amar a Deus, o mal moral
consiste no oposto. É a separação de Deus, a oposição a Deus, o ódio a Deus, e isto se
manifesta em constante transgressão da lei de Deus, em pensamento, palavra e ato.
As seguintes passagens mostram claramente mente que a Escritura vê o pecado
em relação a Deus e Sua lei, quer como lei escrita nas tabuas do coração, quer como
dada por meio de Moisés, Rm 1.32; 2.12-14; 4.15; Tg 2.9; 1 Jo 3.4.
O pecado inclui a culpa e a corrupção
A culpa é o estado de merecimento da condenação ou de ser passível de punição
pela violação de uma lei ou de uma exigência moral. Ela expressa a relação do pecado
com a justiça ou da penalidade com a lei.
Mesmo assim, porém, apalavra tem duplo sentido. Pode indicar uma qualidade
inerente ao pecador, a saber, o seu demérito, más qualidades ou cumplicidade, que o faz
merecedor de castigo. Dabney fala disso como “culpa potencial”. É inseparável do
pecado, jamais se encontra em quem não é pessoalmente pecador, e é permanente, de
modo que, uma vez estabelecida, não pode ser removida pelo perdão. Mas também pode
indicar a obrigação de satisfazer a justiça, pagar a penalidade do pecado – a “culpa de
fato”, como lhe chama Dabney.
Não é inerente ao homem, mas é o estatuto penal do legislador, que fixa a
penalidade da culpa. Pode ser removida pela satisfação pessoal ou vicária das justas
exigências da lei. Embora muitos neguem que o pecado inclui culpa, essa negação não
se harmoniza com o fato de que o pecado é ameaçado com castigo, e de fato o recebe, e
evidentemente contradiz claras afirmações da escritura, Mt 6.12; Rm 3.19; 5.18; Ef 2.3.
Por corrupção entendemos a corrosiva contaminação inerente, a que todo pecador
está sujeito. É uma realidade na vida de todos os indivíduos. É inconcebível sem a culpa,
embora a culpa, como incluída numa relação penal, seja concebível sem a corrupção
imediata. Mas é sempre seguida pela corrupção. Todo aquele que é culpado em Adão,
também nasce com uma natureza corrupta, em consequência. Ensina-se claramente a
doutrina da corrupção do pecado em passagens como, Jó 14.4; Jr 17.9; Mt 7.15-20; Rm
8.5-8; Ef 4.17-19.
O pecado tem sua sede no coração
O pecado não reside nalguma faculdade da alma, mas no coração, que na
psicologia da Escritura é o órgão central da alma, onde estão as saídas da vida. E desse
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centro, sua influência e suas operações espalham-se para o intelecto, a vontade, as
emoções – em suma, a todo homem , seu corpo inclusive.
Em seu estado pecaminoso, o homem completo é objeto de desprazer de Deus. Há
um sentido em que se pode dizer que o pecado teve origem na vontade do homem, caso
em que a vontade não designa uma volição efetiva, na medida em que isto sucede com a
natureza volitiva do homem. Havia uma tendência do coração, subjacente à volição
efetiva, quando o pecado entrou no mundo. Esta maneira de ver está em perfeita
harmonia com as descrições bíblicas, em passagens como as seguintes: Pv 4.23; Jr 17.9;
Mt 15.19, 20; Lc 6.45; Hb 3.12.
O pecado não consiste apenas de atos manifestos
O pecado não consiste somente de atos patentes, mas também de hábitos
pecaminosos e de uma condição pecaminosa da alma. Estes três âmbitos se interrelacionam do seguinte modo:
O estado pecaminoso há a base dos hábitos pecaminosos, e estes se manifestam
em ações pecaminosas. Também há verdade, porém, na alegação de que os atos
pecaminosos repetidos levam ao estabelecimento de hábitos pecaminosos. As ações e as
disposições pecaminosas do homem devem ser atribuídas a uma natureza corrupta, que
as explica.
E se for necessário levantar a questão sobre se os pensamentos e os sentimentos
do homem natural, chamado “carne” na Escritura, devam ser considerados como
constituindo pecado, poder-se-ia responder indicando passagens como as seguintes: Mt
5.22, 28; Rm 7.7; Gl 5.17, 24, e outras.
Em conclusão, pode-se dizer que se pode definir o pecado como falta de
conformidade com a lei moral de Deus, em ato, disposição ou estado.
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ATIVIDADES DE PESQUISA E FIXAÇÃO DA UNIDADE III
O aluno deverá realizar a atividade proposta no caderno e na próxima aula será
corrigido em sala e valerá 0,5 da nota final. Use a biblioteca virtual
1. Sabemos que todo o pecado traz consigo resultados. Escreva os resultados
ocasionados com a primeira transgressão do homem.
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2. Várias teorias têm surgido, no passado e no presente sobre a ideia do que é o
pecado, porém, nós precisamos ficar com o que a Bíblia nos diz sobre o que é o pecado.
Assim, escreva qual é ideia que a Bíblia dá sobre o pecado.
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4. Observe a figura ao lado onde indica como as
pessoas na atualidade agem para resistir às
tentações. Esse gráfico foi extraído do site
http://noticias.gospelprime.com.br/pecado-hoje-emdia/ caso queira ler para entender melhor o assunto.
Baseado nas informações ao lado, dê sua opinião de
qual é a melhor forma para um cristão vencer às
tentaçoes que, se praticadas, geram pecado.
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UNIDADE IV.............................................7h30min
Esta aula será estudada da seguinte forma:
2h presencial nos pólos de apoio ao ensino;
3h resolução das atividades para correção na próxima aula;
2h30min reservadas para o TCD (Trabalho de Conclusão de
Disciplina).
Conteúdo:
-
O conceito pelagiano de pecado
O conceito católico romano do pecado
A transmissão do pecado
Atividades de pesquisa e fixação
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O CONCEITO PELAGIANO DE PECADO
O conceito pelagiano do pecado é completamente diverso do que foi apresentado
acima. O único ponto de semelhança está em que o pelagiano também vê o pecado em
relação à lei de Deus, e o considera uma transgressão da lei. Mas em todas as outras
particularidades, sua concepção difere amplamente do conceito bíblico e agostiniano.
Exposição do conceito pelagiano
Pelágio tomou o seu ponto de partida na capacidade do homem. Sua proposição
fundamental é: Deus ordenou ao homem que praticasse o bem; daí, este deve ter
capacidade para fazê-lo. Significa que o homem tem livre arbítrio no sentido absoluto da
expressão, de modo que lhe é possível decidir a favor ou contra o que é bom, e também
praticar tanto o bem como o mal. A decisão não depende de qualquer caráter moral que
haja no homem, pois a vontade é inteiramente indeterminada. Se o homem vai fazer o
bem ou o mal depende simplesmente da sua vontade livre e independente. Disto se
segue, naturalmente, que não existe o que chamam de desenvolvimento moral do
indivíduo. O bem e o mal estão localizados nas ações isoladas do homem. Desta posição
fundamental decorre naturalmente o ensino de Pelágio a respeito do pecado. O pecado
consiste somente nos atos isolados provenientes da vontade. A coisa chamada natureza
pecaminosa não existe, como tampouco as chamadas disposições pecaminosas.
O que chamam de pecado original, não existe. As crianças nascem num estado de
neutralidade, começando exatamente como Adão começou, com a exceção de que levam
a desvantagem de terem maus exemplos ao seu redor. O seu curso futuro terá que ser
determinado pela própria livre escolha.
Objeções ao conceito pelagiano
Há várias objeções fortes ao conceito pelagiano do pecado, das quais as mais
importantes são as seguintes:
- A posição fundamental de que Deus só responsabiliza o homem por aquilo que
este é capaz de fazer, é absolutamente contrária ao testemunho da consciência e à
palavra de Deus.
É um fato inegável que, conforme o homem cresce no pecado, decresce a sua
capacidade para o bem. Ele se torna, em proporção cada vez maior, um escravo do
pecado. Segundo a teoria em foco, isso também envolveria uma diminuição da sua
responsabilidade.
Contra essa posição a consciência registra um vigoroso protesto. Paulo não diz que
os pecadores endurecidos que ele descreve em Rm 1. 18-32 estavam virtualmente sem
responsabilidade, mas, antes, considera-os dignos de morte. Disse Jesus que os ímpios
judeus que se vangloriavam da sua liberdade, mas manifestaram a sua extrema
iniquidade procurando matá-lo, eram escravos do pecado, não compreendiam a Sua
linguagem porque eram incapazes de ouvir a Sua palavra, e iam morrer em seus
pecados, Jo 8.21, 22, 34, 43. Embora escravos do pecado, eram, não obstante,
responsáveis.
- Negar que o homem tem por sua natureza uma estrutura moral é simplesmente
rebaixa-lo ao nível dos animais. Segundo esse conceito, tudo da vida do homem que não
seja uma consciente escolha da vontade, está privado de toda e qualquer qualidade
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moral. Mas a consciência dos homens em geral atesta o fato de que o contraste entre o
bem e o mal se aplica também às tendências, aos desejos, ao temperamento e às
emoções do homem, sendo que esses elementos também possuem um caráter moral. No
pelagianismo, o pecado e a virtude são reduzidos a apêndices superficiais do homem, de
maneira nenhuma vinculados à sua vida interior.
As passagens que damos a seguir mostram que a opinião da Escritura é
completamente diversa: Jr 17.9; Sl 51.6, 10; Mt 15.19; Tg 4.1,2.
- Uma escolha da vontade que não seja de modo nenhum determinada pelo caráter
do homem, não somente é inimaginável, como também é eticamente destituída de valor.
Se uma boa ação do homem simplesmente acontece porque sim, e não se pode dar
nenhuma razão que explique por que não sucedeu o oposto, noutras palavras, se a ação
não é uma expressão do caráter do homem, falta-lhe por completo valor moral. É só como
um expoente do caráter que uma ação tem o valor moral que se lhe atribui.
- A teoria pelagiana não pode explicar satisfatoriamente a universalidade do pecado.
O mau exemplo dos pais e avós não oferece uma verdadeira explicação. A simples e
abstrata possibilidade de um homem vir a pecar, mesmo quando fortalecida pelo mau
exemplo, não explica como aconteceu que, de fato, todos os homens pecaram. Como se
pode explicar que a vontade sempre e invariavelmente seguiu na direção do pecado, e
nunca na direção oposta? É muito mais natural pensar numa disposição geral para pecar.
O CONCEITO CATÓLICO ROMANO DO PECADO
Conquanto os Cânones e Decretos do Concílio de Trento sejam um tanto ambíguos
sobre a doutrina do pecado, o conceito católico romano do pecado predominante pode ser
expresso como segue: O verdadeiro pecado sempre consiste num ato consciente da
vontade. É certo que as disposições e os hábitos que não estão de acordo com a vontade
de Deus são de caráter pecaminoso; contudo, não se lhes pode chamar pecados, no
sentido estrito da palavra. A concupiscência que está presente no homem e por trás do
pecado, ganhou domínio sobre o homem no paraíso e, assim, precipitou a perda do
donun superadditum da justiça original, não pode ser considerada pecado, mas somente
a lenha (fomes) ou o combustível par o pecado. A pecaminosidade dos descendentes de
Adão é primordialmente uma condição negativa, apenas, consistindo na ausência de algo
que devia estar presente, isto é, da justiça original, que não é essencial à natureza
humana. Alguma coisa essencial estaria faltando somente se, como alguns sustentam, a
justitia naturalis também fosse perdida.
As objeções a esse conceito evidenciam-se perfeitamente no que foi dito com
relação à teoria pelagiana. Um simples lembrete delas parece mais que suficiente. Até
onde sustenta que o verdadeiro pecado consiste somente numa escolha deliberada da
vontade e em atos manifestos, as objeções levantadas contra o pelagianismo lhe são
pertinentes. A ideia de que a justiça original foi acrescentada sobrenaturalmente à
constituição natural do homem, e de que a sua perda não macula a natureza humana, é
antibíblica. De acordo com a Bíblia, a concupiscência é pecado, verdadeiro pecado, e raiz
de muitas ações pecaminosas.
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A TRANSMISSÃO DO PECADO
Tanto a Escritura como a experiência nos ensina que o pecado é universal e, de
acordo com a Bíblia, a explicação dessa universalidade está na queda de Adão. Estes
dois pontos, a universalidade do pecado e a relação de Adão com a humanidade em
geral, pedem consideração agora. Enquanto tem havido acordo geral quanto à
universalidade do pecado, tem havido diferentes explicações da ligação entre o pecado
de Adão e o dos seus descendentes.
Antes da reforma
Os escritos dos apologetas nada contêm de definido a respeito do pecado original,
ao passo que os de Irineu e Tertuliano ensinam claramente que a nossa condição
pecaminosa é resultado da queda de Adão.
Tertuliano tinha uma concepção realista da humanidade. Segundo ele, toda a raça
humana estava potencial e numericamente em Adão e, portanto, pecou quando ele
pecou, e se tornou corrupta quando ele se tornou corrupto. A natureza humana completa
pecou em Adão e, daí, toda individualização dessa natureza também é pecaminosa.
Orígenes, que foi profundamente influenciado pela filosofia grega, tinha um conceito
diferente sobre o assunto, e praticamente não reconhecia ligação alguma entre o pecado
de Adão e o dos seus descendentes. Ele via a explicação da pecaminosidade da raça
humana primariamente no pecado pessoal de cada alma num estado pré-temporal,
embora mencione também certo mistério de geração.
Agostinho partilhava a concepção realista de Tertuliano. Apesar de falar de
“imputação”, ainda não tinha em mente a imputação direta ou imediata da culpa de Adão
à sua posteridade. Embora acentuasse o fato de que todos os homens estavam
seminalmente presentes em Adão e pecaram de fato nele, também se aproximava muito
da ideia de que eles pecaram em Adão como seu representante. Contudo, sua ênfase
principal recaía na transmissão da corrupção do pecado.
O grande oponente de Agostinho, Pelágio, negava essa conexão entre o pecado de
Adão e o da sua posteridade. Como ele a via, a propagação do pecado pela geração
natural envolvia a teoria traducionista sobre a origem da alma que ele considerava um
erro herético; e a imputação do pecado de Adão a quem quer que fosse, a não ser a ele
próprio, estaria em conflito com a retidão divina.
O Conceito pelagiano foi rejeitado pela igreja, e o pensamento dos escolásticos em
geral seguia as linhas indicadas por Agostinho, sempre recaindo a ênfase na transmissão
da corrupção de Adão, e não na transmissão da sua culpa.
Hugo de São Vítor e Pedro Lombardo sustentavam que a concupiscência real
macula o sêmen no ato de procriação, e que essa mancha de algum modo contamina a
alma em sua união com o corpo. Anselmo, Alexandre de Hales e Bonaventura
salientavam a concepção realista da ligação entre Adão e sua posteridade. Toda a raça
humana estava seminalmente presente em Adão, e, portanto, também pecou nele.
Tomaz de Aquino, a ênfase realista reaparece, e vigorosamente, embora numa
forma modificada. Ele assinalou que a raça humana constitui um organismo e que, como
o ato de um membro do corpo – digamos, a mão – é considerado como ato da pessoa,
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assim o pecado de um membro do organismo da humanidade é imputado ao organismo
todo.
Após a reforma
Embora os reformadores não concordassem com os escolásticos quanto à natureza
do pecado original, a opinião que tinham da sua transmissão não continha quaisquer
elementos novos. As ideias de Adão como representante da raça humana, e da
imputação “imediata” da sua culpa aos seus descendentes, não foram expressas com
clareza em suas obras.
De acordo com Lutero, somos tidos como culpados por Deus por causa do pecado
herdado de Adão e que reside em nós. Calvino fala num tom um tanto semelhante. Ele
sustenta que, desde que Adão foi, não somente o progenitor da raça humana, mas
também a sua raiz, todos os seus descendentes nascem com natureza corrupta; e que
tanto a culpa do pecado de Adão como a própria corrupção inata são-lhes imputadas
como pecado.
O desenvolvimento da teologia federal trouxe à primeira plana a ideia de Adão como
o representante da raça humana, e possibilitou uma distinção mais clara entre a
transmissão da culpa e a da corrupção nata constitui também culpa aos olhos de Deus, a
teologia federal deu ênfase ao fato de que há uma imputação “imediata” da culpa de Adão
aos que ele representou como o chefe da aliança.
Os socinianos e os arminianos rejeitaram a ideia da imputação do pecado de Adão
aos seus descendentes. Placeus, da escola de Saumur, defendeu a ideia da imputação
“mediata”. Negando toda imputação imediata, ele sustentava que, porque herdamos de
Adão uma natureza pecaminosa, merecemos ser tratados como se tivéssemos cometido
a ofensa original. Este ensino foi uma novidade na teologia reformada (calvinista), e Rivet
não teve dificuldade para provar isso, coletando longa lista de testemunhos. Seguiu-se um
debate no qual a imputação “imediata” e a “mediata” foram apresentadas como doutrinas
mutuamente exclusivas; e no qual se fez parecer que a questão real era se o homem é
culpado à vista de Deus unicamente por causa do pecado de Adão, imputando àqueles,
ou unicamente por causa do seu próprio pecado inerente.
A primeira destas não é a doutrina das igrejas reformadas (calvinistas), e a segunda
não foi ensinada nelas antes da época de Placeus. Os ensinamentos deste se
introduziram na teologia da Nova Inglaterra, e se tornaram a principal característica da
Nova Escola (New Haven). Na teologia modernista, a doutrina da transmissão do pecado
de Adão a sua posteridade é inteiramente desacreditada. Ela prefere buscar a explicação
do mal existente no mundo numa herança animal, que não é pecaminosa.
Por estranho que pareça. Até Barth e Brunner, apesar de se oporem violentamente
ao modernismo teológico, não consideram a pecaminosidade universal da raça humana
como resultado do pecado de Adão. Historicamente, este ocupa um lugar único,
meramente como o primeiro pecador.
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ATIVIDADES DE PESQUISA E FIXAÇÃO DA UNIDADE IV
O aluno deverá realizar a atividade proposta no caderno e na próxima aula será
corrigido em sala e valerá 0,5 da nota final. Use a biblioteca virtual
1. Pelágio foi um monge que se estabeleceu em Roma por volta de 405, depois
viajou para África do Norte, continuou a viagem até a Palestina e escreveu dois livros
sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça: Da natureza e Do livre-arbítrio. Após estudar em
sala a posição de Pelágio sobre o pecado, escreva suas argumentações, concordando ou
discordando das teorias de Pelágio.
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2. A transmissão do pecado foi tema de muitas discussões no início da igreja. De
certa forma ainda o é. Dentro de tantos entendimentos do passado, visto que hoje as
doutrinas para nós já estão definidas, escreva como ocorre a transmissão do pecado,
temas discutido na aula, desta unidade didática.
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ETCAP
UNIDADE V..............................................7h30min
Esta aula será estudada da seguinte forma:
2h presencial nos pólos de apoio ao ensino;
3h resolução das atividades para correção na próxima aula;
2h30min reservadas para o TCD (Trabalho de Conclusão de
Disciplina).
Conteúdo:
-
A universalidade do pecado
A relação do pecado de adão com o da raça
O pecado na vida da raça humana
O pecado fatual
O pecado imperdoável
A punição do pecado
Atividades de pesquisa e fixação
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ETCAP
A UNIVERSALIDADE DO PECADO
Poucos se inclinarão a negar a presença do mal no coração humano, mas há muitas
divergências quanto à natureza desse mal e quanto ao modo como se originou. Mesmo
os pelagianos e os socinianos estão prontos a admitir que o pecado é universal. Este é
um fato que se impõe à atenção de toda gente.
História das religiões e da filosofia o atesta
A história das religiões dá testemunho da universalidade do pecado. A pergunta de
Jó, “Como seria justo o homem perante Deus?” (Jó 25.4) não foi feita somente nos
domínios da revelação especial, mas também fora deles, no mundo gentílico. As religiões
pagãs atestam uma consciência universal do pecado, e a necessidade de reconciliação
com o Ser Supremo. Há um sentimento generalizado de que os deuses estão ofendidos e
devem ser aplacados de algum modo.
Os mais antigos filósofos gregos já tiveram que lutar com o problema do mal moral,
e desde a época deles, nenhum filósofo de renome pôde ignora-lo. Todos foram
constrangidos a admitir a sua universalidade, e isso a despeito do fato de que não foram
capazes de explicar o fenômeno.
A Bíblia o ensina claramente
Há inequívocas declarações a Escritura que indicam a pecaminosidade universal do
homem, como nas seguintes passagens: 1 Rs 8.46; Sl 143.2; Pv 20.9; Ec 7.20; Rm 3.112, 19, 20, 23; Gl 3.22; Tg 3.2; 1 Jo 1.8, 10. Várias passagens da Escritura ensinam que o
pecado é herança do homem desde a hora do seu nascimento e, portanto, está presente
na natureza humana tão cedo que não há possibilidade de ser considerado como
resultado de imitação, Sl 51.5; Jó 14.4; Jo 3.6. Em Ef 2.3 diz o apóstolo Paulo que os
efésios eram “por natureza” filhos da ira, como também os demais”. Nesta passagem a
expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é
adquirido. Então, o pecado é uma coisa original, da qual participam todos os homens e
que os faz culpados diante de Deus.
Além disso, de acordo com a Escritura, a morte sobrevém mesmo aos que nunca
exerceram uma escolha pessoal e consciente, Rm 5.12-14.
A RELAÇÃO DO PECADO DE ADÃO COM O DA RAÇA
Negação dessa relação
Alguns negam a relação causal do pecado de Adão com a pecaminosidade da raça,
total ou parcialmente.
Os pelagianos e os socinianos negam absolutamente que haja alguma ligação
necessária entre o nosso pecado e o de Adão. O primeiro pecado foi de Adão somente, e
nada tem a ver com a sua posteridade, de forma alguma. O máximo que eles admitiram é
que o mal exemplo de Adão induziu à imitação.
Os semipelagianos e os mais antigos arminianos ensinam que o homem herdou a
incapacidade natural de Adão, mas não é responsável por essa incapacidade, de modo
que não se liga a isso nenhuma culpa, e até se pode dizer que, nalguma medida, Deus
está na obrigação de prover cura para isso. Os arminianos wesleyanos admitem que essa
corrupção inata também envolve culpa.
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A teoria da Nova Escola ensina que o homem nasce com uma tendência inerente
para pecar, em virtude da qual a sua preferência moral é invariavelmente errada; mas que
essa tendência não pode propriamente ser chamada pecado, dado que, sempre e
exclusivamente, o pecado consiste em consciente e intencional transgressão da lei .
Diferentes teorias que procuram explicar a relação
Teoria Realista. O mais antigo método usado para explicar a relação existente entre
o pecado de Adão e a culpa e corrupção de todos os seus descendentes foi a teoria
realista. Essa teoria pretende que a natureza constitui uma única unidade, não apenas
genérica, mas também numericamente. Adão possuía a natureza humana completa, e
nele ela se corrompeu, por ato de apostasia dela em Adão. Individualmente, os homens
não são substâncias isoladas, mas, sim, manifestações da mesma substância geral; são
numericamente um só. Essa natureza humana universal tornou-se corrupta e culpada em
Adão, e, consequentemente, cada individualização dela nos descendentes de Adão
também é corrupta e culpada desde o inicio da sua existência.
A doutrina da aliança das obras. Esta implica que Adão tinha dupla relação com os
seus descendentes, a saber, a de chefe natural da humanidade, e a de chefe
representativo de toda a raça humana na aliança das obras.
Teoria da imputação mediata. Essa teoria nega que a culpa do pecado de Adão seja
diretamente imputada aos seus descendentes. Os descendentes de Adão herdam dele a
sua corrupção inata por um processo de geração natural, e somente com base na
depravação inerente que eles compartem com ele, são considerados culpados da
apostasia dele. Não nascem corruptos porque são culpados em Adão, mas são
considerados culpados porque são corruptos.
O PECADO NA VIDA DA RAÇA HUMANA
O pecado original
O estado e condição de pecado em que os homens nascem é designado na teologia
pelo nome de peccatun originale, literalmente traduzido por “pecado original”.
Chama-se “pecado original” porque é derivado da raiz original da raça humana;
porque está presente na vida de todo e qualquer indivíduo, desde a hora do seu
nascimento e, portanto, não pode ser considerado como resultado de imitação; porque é a
raiz interna de todos os pecados concretizados que corrompem a vida do homem.
Devemos estar vigilantes contra o erro de pensar que a expressão implica, de
alguma forma, que o pecado por ela designado pertence à constituição original da
natureza humana, o que implicaria que Deus criou o homem já na condição de pecador.
Os dois elementos do pecado original
Devemos distinguir dois elementos no pecado original, a saber:
A culpa original
A palavra “culpa” expressa a relação que há entre o pecado e a justiça, ou, como o
colocam os teólogos mais antigos, e a penalidade da lei. Quem é culpado está numa
relação penal com a lei. Podemos falar da culpa em dois sentidos, a saber, como reatus
culpae (réu convicto) e como reatus poenae (réu passível de condenação).
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A culpa do pecado de Adão, cometido por ele na qualidade de chefe federal da raça
humana, é imputada a todos os seus descendentes. Isso é evidenciado pelo fato de que,
com a Bíblia ensina, a morte, como castigo do pecado, passou de Adão a todos os seus
descendentes: Rm 5.12-19; Ef 2.3; 1 Co 15.22.
Corrupção original
A corrupção original inclui duas coisas, a saber, a ausência da justiça original e a
presença do mal positivo. Deve-se notar que a corrupção original não é apenas uma
moléstia, como a descrevem alguns dos “pais” gregos e os arminianos, mas, sim, pecado,
no sentido real da palavra. A culpa está ligada ao pecado; quem nega isto não tem uma
concepção bíblica da corrupção original.
O pecado original e a liberdade humana
No contexto da doutrina da incapacidade total do homem, naturalmente surge a
questão se, então, o pecado também envolve a perda da liberdade, ou daquilo a que
geralmente chama liberum arbitrium – livre arbítrio, vontade livre. Esta questão deve ser
respondida com discriminação, pois, colocada desta maneira geral, pode ser respondida
negativa e positivamente. Em certo sentido, o homem perdeu a sua liberdade; noutro
sentido, não a perdeu. Há uma certa liberdade que é possessão inalienável de um agente
livre, a saber, a liberdade de escolher o que lhe agrada, em pleno acordo com as
disposições e tendências predominantes da sua alma. O homem não perdeu nenhum das
faculdades constitucionais necessárias para constituí-lo um agente moral responsável. Ele
ainda possui razão, consciência e a liberdade de escolha.
O PECADO FATUAL
Os católicos romanos e aos arminianos menosprezaram a ideia do pecado original
e, depois, desenvolveram doutrinas como a da purificação do pecado original (se bem que
não só desse) pelo batismo e pela graça suficiente, pelo que fica muito obscurecida a sua
gravidade. A ênfase é data clara e completamente aos pecados atuais. Os pelagianos, os
socinianos, os teólogos modernistas – e, por estranho que pareça – também a Teologia
da Crise, só reconhecem os pecados atuais. Deve-se dizer, porém, que esta teologia fala
do pecado igualmente no singular e no plural, isto é, ela reconhece a solidariedade no
pecado, não reconhecida por alguns dos outros. A teologia reformada (calvinista) sempre
reconheceu devidamente o pecado original e sua relação com os pecados atuais.
Relação entre o pecado original e o pecado fatual
Aquele se originou num ato livre de Adão como o representante da raça humana,
numa transgressão da lei de Deus e numa corrupção da natureza humana, tornando-se
sujeito à punição de Deus. Aos olhos de Deus, o pecado de Adão foi o pecado de todos
os seus descendentes, de modo que eles nascem como pecadores, isto é, num estado de
culpa e numa condição corrupta. O pecado original tanto é um estado como uma
qualidade inerente à corrupção do homem. Todo homem é culpado em Adão e,
consequentemente, nasce com uma natureza depravada e corrupta. E esta corrupção
interna é a fonte poluída de todos os pecados atuais. Quando falamos de pecado fatual,
ou peccatum actuale, empregamos a palavra “fatual” ou “actuale” num sentido
compreensivo. A expressão “pecados fatuais” não indica apenas as ações externas
praticadas por meio do corpo, mas também todos os pensamentos e volições conscientes
que decorrem do pecado original. São os pecados individuais expressos em atos,
diversamente da natureza e inclinação herdada. O pecado original é somente um; o
pecado fatual é múltiplo. Os pecados fatuais podem ser interiores, como no caso de uma
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dúvida consciente e particular, ou de um mau desígnio sediado na mente, ou de uma
cobiça consciente e particular do coração; mas também podem ser exteriores, como a
fraude, o furto, o adultério, o assassínio etc.
Classificação dos pecados fatuais
É impossível dar uma classificação uns e compreensiva dos pecados fatuais. Eles
variam em grau e em espécie, e podem ser diferenciados segundo mais de um ponto de
vista. Os católicos romanos fazem a conhecida distinção entre pecados veniais e pecados
mortais, mas admitem que é extremamente difícil e perigoso decidir se um pecado é
mortal ou venial. Eles foram levados a essa distinção pela afirmação de Paulo em Gl5.21,
de que “não herdarão o reino de Deus os que tais cousas (enumeradas pelo apóstolo)
praticam”.
A distinção não é bíblica, pois, de acordo com a Escritura, todo pecado é
essencialmente anomia (falta de retidão; falta de obediência à lei), e merece punição
eterna. Além disso, tem efeito deletério na vida pratica, desde que gera um sentimento de
incerteza, às vezes um sentimento de medo mórbido, por um lado, ou de negligencia
insegura, por outro. A Bíblia não distingue diferentes tipos de pecados, especialmente
com relação aos diferentes graus de culpa ligada a eles.
O Velho Testamento faz uma importante distinção entre pecados cometidos
atrevidamente (à mão levantada), e pecados cometidos sem premeditação, isto é, como
resultado de ignorância, fraqueza ou erro, Nm 15.29-31. Os primeiros não podiam ser
expiados por sacrifícios e eram punidos com grande severidade, enquanto que os últimos
podiam ser expiados sacrificialmente e eram punidos com muito maior brandura. O
principio fundamental encarnado nessa distinção ainda é aplicável. Os pecados cometidos
de propósito, com plena consciência do mal envolvido, e com deliberação, são maiores e
mais condenáveis do que os pecados resultantes de ignorância, de uma concepção
errônea das coisas, ou da fraqueza de caráter. Não obstante, estes também são pecados
reais e tornam a pessoa culpada aos olhos de Deus, Gl 6.1; Ef 4.18; 1 Tm 1.13; 5.24. O
Novo Testamento nos ensina com maior clareza que o grau do pecado é em grande
medida determinado pelo grau de luz que o pecador possua. Os pagãos são deveras
culpados, mas os que têm a revelação de Deus e gozam os privilégios do ministério do
Evangelho são muito mais culpados. Mt 10.15; Lc 12.47, 48; 23.34; Jo 19.11; At 17.30;
Rm 1.32; 2.12; 1 Tm 1.13, 15, 16.
PECADO IMPERDOÁVEL
Diversas passagens da Escritura falam de um pecado que não pode ser perdoado,
após o qual é impossível a mudança do coração e pelo qual não é necessário orar. É
geralmente conhecido como pecado ou blasfêmia contra o Espírito Santo. O Salvador fala
explicitamente dele em Mt 12.31, 32 e passagens paralelas; e em geral se pensa que Hb
6.4-6; 10.26, 27 e 1 Jo 5.16 também se referem a esse pecado.
Encontramos citação bíblica sobre esse pecado em Mt 12.31,32. Esse pecado
consiste na rejeição consciente, maliciosa e voluntária da evidência e convicção do
testemunho do Espírito Santo, em relação a geração de Deus manifesta em Cristo. Esse
pecado não é duvidar da verdade e sim contradize-la, atribuindo a Satanás obras
realizadas por Deus. Resumindo, o pecado imperdoável é declarar que o Espírito Santo é
um espírito maligno, e que a verdade é mentira e que Cristo é Satanás.
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A PUNIÇÃO DO PECADO
O pecado é coisa muito séria, e é levado a sério por Deus, embora os homens
muitas vezes o tratem ligeiramente. Não é somente uma transgressão da lei de Deus; é
também u ataque ao grande Legislador, uma revolta contra Deus. É uma infração da
inviolável justiça de Deus, que é o fundamento do Seu trono (Sl 97.2), e uma afronta à
imaculada santidade de Deus, que requer que sejamos santos em toda a nossa maneira
de viver (1 Pe 1.16). Em vista disso, é simplesmente natural que Deus visite o pecado
com punição. Numa palavra de fundamental significação, diz Ele: “Eu sou o Senhor teu
Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta
geração daqueles que me aborrecem”, Êx 20.5. A Bíblia atesta abundantemente o fato de
que Deus pune o pecado, nesta vida e na vida por vir.
Punições Naturais e positivas
Uma distinção muito comum aplicada às punições pelo pecado é entre as
penalidades naturais e as positivas. Há punições que são resultados naturais do pecado e
das quais os homens não podem escapar por serem as consequências inevitáveis do
pecado. O homem não se salva delas pelo arrependimento e perdão. Nalguns casos elas
podem ser abrandadas, e até neutralizadas, pelos meios que Deus colocou à nossa
disposição, mas noutros casos elas permanecem e servem de lembranças das nossas
transgressões passadas. O preguiçoso cai na pobreza, o ébrio se arruína e à sua família,
o fornicário contrai moléstia repugnante e incurável e ao criminoso sobrevém pesado
fardo de vergonha e, mesmo quando sai dos muros da prisão, acha extremamente difícil
começar vida nova. A Bíblia fala dessas punições em Jó 4.8; Sl 9.15; 94.23; Pv 5.22;
24.14; 31.3.
Numa conceituação bíblica da penalidade do pecado, teremos que levar em conta o
resultado natural bem como o resultado necessário da voluntária oposição a Deus e a
penalidade legalmente estabelecida e adaptada por Deus à ofensa. Agora, há alguns
unitários, universalistas e modernistas que negam a existência de qualquer punição do
pecado, exceto as consequências que resultam da ação pecaminosa. A punição não é a
execução de uma sentença pronunciada pelo Ser divino com base nos méritos do caso
em apreço, mas é apenas a operação de uma lei geral. Esta posição é tomada por J. F.
Clarke, Thayer, Willianson e Washington Gladden. Este último diz: “A teologia antiga fazia
esta penalidade (a penalidade do pecado) consistir em sofrimentos infligidos ao pecador
por um processo judicial na vida futura... A penalidade do pecado é o pecado.
A Bíblia fala de penalidades que em nenhum sentido são resultados ou
consequências naturais do pecado, por exemplo, em Êx. 32.33; Lv 26.21; Nm 15.31; 1 Cr
10.13; Sl 11.6; 75.8; Is 1.24, 28; Mt 3.10; 24.51. Todas estas passagens falam de uma
punição do pecado por um ato direto de Deus.
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ATIVIDADES DE PESQUISA E FIXAÇÃO DA UNIDADE V
O aluno deverá realizar a atividade proposta no caderno e na próxima aula será
corrigido em sala e valerá 0,5 da nota final. Use a biblioteca virtual
1. Escreva sobre:
a. O pecado origial:
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b. O pecado fatual:
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c. O pecado imperdoável:
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ETCAP
UNIDADE VI.............................................7h30min
Esta aula será estudada da seguinte forma:
2h presencial nos pólos de apoio ao ensino;
3h resolução das atividades para correção na próxima aula;
2h30min reservadas para o TCD (Trabalho de Conclusão de
Disciplina).
Conteúdo:
-
Hamartiologia, considerações finais
O pecado, sua existência
Consequências do pecado no cristão
Atividades de pesquisa e fixação
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HAMARTIOLOGIA, CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Bíblia nos apresenta dois grandes princípios ou qualidades morais: a santidade e
o pecado, sendo que, o primeiro corresponde ao Bem e o segundo, ao Mal.
Muitas teorias aparecem para negar, desculpar, ou diminuir a natureza do pecado.
Teorias errôneas
Ateísmo – Negam a existência de Deus, como consequência negam o pecado; se
não há Deus, não há pecado.
O Determinismo – É a teoria que afirma ser o livre arbítrio uma ilusão e não uma
realidade. Porém, a Bíblia afirma que o homem é livre para escolher seu caminho (Mt
7.13,14). O determinismo trata o pecado como se fosse uma doença, e por isso, o
pecador merece dó e não ser castigado. Contudo, a Bíblia é bem clara no destino do
pecador (Rm 6.23).
O Hedoísmo – É a teoria que sustenta que o melhor ou mais proveitoso que existe
na vida é a conquista do prazer e a fuga à dor. Desculpa o pecado e afirma ser uma
fraqueza inofensiva, mania do prazer, fogo da juventude e, ainda, costumam usar a
expressão: “Errar é humano”.
Ciência cristã – Esta seita nega a realidade do pecado. Declara que o pecado não é
algo positivo, mas simplesmente a ausência do bem. Nega que o pecado tenha existência
real e afirmam que é apenas um erro da mente moral. A Bíblia apresenta o pecado como
uma violação positiva da lei de Deus, como uma verdadeira ofensa que merece castigo
real num inferno real.
A Evolução – Considera o pecado como herança do animalismo primitivo do homem.
A teoria da evolução e anti-bíblica, além disso, os animais não pecam, eles vivem
segundo sua natureza.
O pecado não é
Não é um acidente – Há quem ensine que o pecado é acidental. A Bíblia registra
que o pecado resultou de um ato de desobediência responsável, por parte de Adão (Rm
5.12). O pecado envolve culpa por parte dos pecadores.
Não é apenas fraqueza do homem – Há quem ensine que o homem não deve ser
responsabilizado ou tido por culpado em relação ao pecado. Afirmam que o pecado é uma
fraqueza (Jr 17.9).
Não é simplesmente ausência do bem – Como vimos, a ciência cristã afirma que o
pecado é uma negação, que o mal é uma ausência do bem. A Bíblia ensina que o pecado
e o mal têm existência positiva, real, e que são ofensas contra Deus (Rm 7.14).
Não é imaturidade – O pecado não pode ser definido como imaturidade, falta de
desenvolvimento (1 Jo 3.4).
O Que o pecado é
No A.T. pecar era desviar-se da vontade de Jeová, e no N.T., pecar é perder a
comunhão com Deus.
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O pecado no A.T. – O A.T. descreve o pecado operando nas seguintes esferas:
Na esfera moral – A palavra mais usada para expressar o pecado é “errar o alvo”.
No sentido de errar o caminho. Outra palavra é “tortuosidade” que é o contrário de retidão.
Ainda é usado a palavra “mal” que expressa violência, infração, e descreve o homem que
infringe ou viola a lei de Deus.
Na esfera da conduta fraternal – Fala da violência e conduta injuriosa (Gn 6.11; Ez
7.23; Pv 16.29), em que o homem maltrata o seu semelhante.
Na esfera da santidade – No ensino do A. T., as coisas que feitas fora da lei de
Deus, eram coisas profanas ou contrárias às coisas santas. Os que destas coisas
participassem eram imundos ou contaminados (Lv 11.27,31,33). Se participasse na
profanação era considerada uma pessoa irreligiosa ou profana (Lv 21.14), se caso se
rebelasse e deliberadamente repudiasse a jurisdição da lei da Santidade, era considerado
transgressor (Sl 37.38; Is 53.12), e ainda, julgado como criminoso.
O pecado no N.T. – O N.T. descreve o pecado como:
Errar o alvo.
Dívida – Todo o pecado cometido é contração de uma dívida, incapaz de pagá-la, a
única esperança do homem é ser perdoado ou obter remissão da dívida.
Desordem – O pecado é iniquidade (desordem) (Jo 3.4). O pecado destronaria
Deus, o pecado assassinaria a Deus. Na cruz poderiam ter sido escrito estas palavras: O
pecado fez isto.
Desobediência – Literalmente, “ouvir mal”, ouvir com falta de atenção (Hb 2.2; Lc
8.18).
Queda – Ou falta, ou cair para um lado (Ef 1.7). Pecar é cair de um padrão de
conduta.
Derrota – ou queda (Rm 11.12).
Impiedade – Isto é, sem adoração ou reverência (Rm 1.18; 1 Tm 2.16). O ímpio está
sem Deus porque não quer saber de Deus.
O PECADO, SUA EXISTÊNCIA
As Escrituras ensinam que o pecado tem afetado os céus, a terra e seus habitantes.
Os Céus
O pecado e queda de Satanás afetaram os céus, infestando as regiões celestiais (o
primeiro e o segundo céus) com seres caídos (Ef 6.11,12; Is 14.12-15; Zc 3.1; Lc 10.18).
A Terra
1. O reino vegetal – O reino vegetal foi amaldiçoado por causa do pecado do homem
(Gn 3.17,18), mas será remido dessa maldição no Reino Milenar de Cristo (Is 55.13).
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O reino Animal
Tanto a natureza do homem como a dos demais animais foram atingidas (Gn 9.1-3),
e serão restaurados no Milênio (Is 11.6-9).
A Raça da humanidade:
Todos pecaram (Rm 3.10,23; 1 Jo 1.8-10).
Todos são culpados perante Deus (Rm 3.19; Gl 3.10).
Os homens são filhos da ira (Ef 2.3).
Afastados de Deus (Ef 4.18).
Escravizados pelo pecado e mortos no pecado (Rm 6.17; Ef 2.1).
Seus corpos debilitados e condenados à morte (2 Co 4.7; Rm 8.11).
Parece que o pecado permeou todo universo, incluindo cada reino da criação e
afetando cada raça e espécie entre as criaturas.
CONSEQUÊNCIAS DO PECADO NO CRISTÃO
Perda da comunhão com Deus (1 Jo 1.5,6; Sl 51.11).
Perda de galardão (1 Co 4.5; 1 Co 3.13-15).
Possível morte (At 5.1-11; 1 Co 11.30).
Maus Exemplos (1 Co 8.9,10).
Destruição da fé e consequente morte espiritual (Rm 6.16; 1 Jo 5.16,17).
Quanto ao pecado a Bíblia nos recomenda que devemos: reconhecê-lo (Sl 51.3),
evitá-lo (1 Tm 5.22), detestá-lo (Jd 1.23), resisti-lo (Tg 4.7,8), confessá-lo (1 Jo 1.9),
deixá-lo (Pv 28.13).
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ATIVIDADES DE PESQUISA E FIXAÇÃO DA UNIDADE VI
O aluno deverá realizar a atividade proposta no caderno e na próxima aula será
corrigido em sala e valerá 0,5 da nota final. Use a biblioteca virtual
1. O que o pecado não é, conforme estudadas nesta aula.
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2. Como foi atingida, ou seja, alguns dos resultados do efeito do pecado na raça
humana, após a entrada do pecado no ser humano?
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3. Quanto ao pecado a Bíblia nos recomenda que devemos?
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Doutrina do Pecado