Abordagem temática: uma proposta para compreender as instalações elétricas residenciais Daniel Santos Lula Barros, Roseline Beatriz Strieder Curso de Física - Universidade Católica de Brasília Resumo O estudo propõe uma abordagem para o ensino de eletricidade no Ensino Médio, na intenção de adequar alguns conteúdos de Física ao mundo vivencial dos estudantes. Para tanto, foi elaborada uma proposta de ensino sobre o tema: instalações elétricas residenciais. Essa proposta é organizada a partir dos pressupostos da Abordagem Temática, associados à relevância do estudo dos fenômenos elétricos e às possibilidades que estes assuntos podem propiciar para compreensão da realidade em que vivem os estudantes. Dentre as ações desenvolvidas para a elaboração dessa proposta, destaca-se o levantamento das compreensões dos alunos a respeito do assunto, por meio de um questionário e a análise de livros didáticos de Física. Palavras chaves: Abordagem temática, fenômenos elétricos, mundo vivencial dos estudantes e Freire. Abstract The study proposes an approach to teaching of electricity in high school, hoping to adjust some issues of physics to the experiential world of students. To this end, we created a teaching proposal about the theme: residential electrical installations. This proposal is organized from the assumptions of the thematic approach associated with the relevance of the study of electrical phenomena and the possibilities that 1 these issues can provide for understanding the reality in which students live. Among the actions developed for the preparation of this proposal, there is a survey of students' understandings about the subject through a questionnaire and analysis of physics textbooks. Keywords: Thematic approach, electrical Phenomena, experiential world of students. 1. Introdução Baseado na frase de Louis Pasteur: "Maravilhar-se é o primeiro passo para um descobrimento", é importante que o professor de Física busque causar o interesse dos alunos a fim de facilitar o processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, deve-se buscar utilizar dos fenômenos que têm maravilhado a humanidade (desde seu surgimento) para despertar o desejo do saber nos alunos, para que o conhecimento seja resultado de uma “descoberta” estimulada e orientada pelo professor. Esse deslumbramento, para Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002), inspirados em Bachelard (1996), ocorre a partir de questionamentos, ou seja, na busca de soluções para problemas consistentemente formulados. Além disso, nessa perspectiva, não podemos esquecer que o estudante deve ser considerado um agente “ativo” no processo de construção dos conhecimentos. Pensando nisso, entendemos que o ensino de eletricidade por fazer parte do universo vivencial dos estudantes- já que relaciona equipamentos como: pára-raios, fios, lâmpadas e outros instrumentos elétricos-, podem ser utilizados como ponto de partida para o processo de ensino aprendizagem. O estudo da eletricidade no Ensino Médio, assim como todos os outros conteúdos desta etapa, tem como objetivo a formação crítico-social dos alunos. Como destaca a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) deve haver a compreensão dos fundamentos científicos, tecnológicos, processos produtivos, 2 relacionando a teoria com a prática no ensino de cada disciplina, se preocupando com a formação ética, intelectual e crítica dos estudantes (BRASIL, 1996). Para nos adaptarmos a essa tendência do ensino é necessário rever as práticas educacionais e propor sugestões de abordagens para o processo de ensino-aprendizagem contemporâneo. Com a intenção de contribuir para os objetivos propostos na LDB, nesse trabalho foi elaborada uma proposta de ensino centrada no tema instalações elétricas e tem como objetivo sugerir uma abordagem para o ensino de eletricidade no Ensino Médio, baseando-se em alguns projetos e propostas já elaborados por algumas equipes da área de Ensino de Física. Dentre os projetos já estruturados, encontra-se o Grupo de Reelaboração do Ensino de Física (GREF), que, seguindo os pressupostos do educador Paulo Freire, visa à utilização da realidade do aluno, mais especificamente equipamentos tecnológicos, como ponto de partida e conteúdo orientador para o estudo do assunto de eletricidade no ensino médio. Além do GREF, será utilizada a perspectiva da Abordagem Temática, sugerida por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002) com base nos trabalhos de Paulo Freire. A Abordagem Temática vem nos trazer uma nova perspectiva quanto à organização curricular, contrapondo-se a abordagem conceitual, amplamente utilizada no ensino tradicional, onde a organização é ordenada pelos conceitos científicos de onde os conteúdos são selecionados. A Abordagem Temática, portanto, de acordo com Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002) é uma lógica de organização dos conteúdos escolares que defende que os mesmos devem ser selecionados a partir de temas. Em outras palavras, é uma perspectiva curricular em que são identificados temas com base nos quais se selecionam os conteúdos científicos necessários para compreendê-los. Além disso, cabe destacar que a proposta a ser elaborada precisa estar em consonância aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (1998), que dispõem que: 3 Para que todo o processo de conhecimento possa fazer sentido para os jovens, é imprescindível que ele seja instaurado por meio de um diálogo constante entre alunos e professores, mediado pelo conhecimento. E isso somente será possível se estiverem sendo considerados objetos, coisas e fenômenos que façam parte do universo vivencial do aluno, seja próximo, como carros, lâmpadas ou televisões, seja parte de seu imaginário, como viagens espaciais, naves, estrelas ou o Universo. (BRASIL, 2002 página 80) Particularmente no que se refere ao conteúdo de eletricidade, o PCN+ (2002) destaca que a preocupação deve girar em torno de conhecer a fenomenologia da eletricidade em situações reais. Assim, apontam que o estudo da eletricidade, ganhará sentido quando em referência a situações concretas. Deve-se - enquanto professores - ter a percepção de que os estudantes têm dificuldades para relacionar os conteúdos ministrados nas aulas de Física e reconhecer os mesmos nos fenômenos do cotidiano, para isto se faz necessário considerar os objetos e fenômenos do universo vivencial dos estudantes. Desta forma, somos orientados para a proposta que tem como fonte inspiradora a pedagogia de Paulo Freire, onde a relação ensinoaprendizagem se dá ao relacionar os termos da vivência dos alunos com o conteúdo a ser ensinado. Nessa proposta, reconhecendo-se as concepções que os alunos trazem para a sala e trabalha-se com estas num processo onde professor e aluno são co-responsáveis pelo ensino, onde ambos se desenvolvem nesta relação. 2. Referencial teórico Para a elaboração desta proposta nos centramos na Abordagem Temática de Delizoicov, Agotti e Pernambuco (2002), inspirados por Paulo Freire, com adaptações para o Ensino de Ciências. Nessa perspectiva, a lógica de organização é estruturada em temas, e a partir destes são selecionados os conteúdos, ou seja, a programação é subordinada ao tema. Esta proposta contrapõe - se à Abordagem Conceitual na qual se selecionam os conteúdos de ensino a partir dos conceitos científicos. 4 Na perspectiva da Abordagem Temática é importante utilizar do conhecimento do senso comum, provindo dos alunos para a construção de novos conhecimentos. Para tanto, Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002) defendem que o ensino seja baseado em temas, e que estes possam colocar os alunos em situações de ruptura em seus processos formativos, o que é denominado por “problematização” dos conhecimentos. Os temas propostos para as abordagens nas aulas são os objetos do conhecimento, que através de uma abordagem sistematizada trabalha conteúdos demonstrando que os mesmos são relevantes para a vivência dos estudantes. A parte de maior destaque da proposta (abordagem por temas) é como os conteúdos são estruturados, selecionados e abordados em todas as etapas, sendo que o principal é considerar a realidade do aluno Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002). Para a realização da Abordagem Temática se faz necessário seguir algumas etapas: Considerar o contexto vivencial dos alunos, verificar as compreensões dos alunos, selecionar os assuntos considerando a realidade que eles estão inseridos, para partindo destes, propor um tema que tenha significado na vida dos estudantes. Paulo Freire (1987) propõe que o conhecimento da realidade e pensamentos do grupo com que se trabalha colabora para uma educação direcionada para a formação de cidadãos críticos. É importante perceber que esta abordagem é ampla e que envolve várias áreas do conhecimento, sendo assim a utilização da abordagem temática dentro do ensino médio vem auxiliar o professor na tarefa da formação crítico social dos estudantes, fazendo com que percebam a ligação entre os conhecimentos e a realidade em que vivem e facilitando na percepção dos conteúdos de forma mais ampla e contextualizada. Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002) apontam que para a escolha do tema de onde tomaremos como ponto de partida para a explicação dos conteúdos, devemos fazer uma “investigação temática”, que possuem cinco etapas para planejamento de uma proposta, metodologia esta que vem sendo 5 utilizada com adaptações por diversos estudiosos da área de ensino e estão em diversos artigos e em dissertações como as de Watanabe (2008) e Strieder (2008), na área de ensino, como uma estratégia para melhorar e motivar o interesse e a compreensão dos conteúdos por parte dos estudantes. Para a organização de uma proposta temática, Strieder (2008) faz uma releitura das etapas propostas por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002). Na primeira seriam os levantamentos das condições dos alunos e o estudo da localidade de onde estes vivem. Nesta etapa deve ser feita a aplicação de questionários com os estudantes. Na segunda etapa há uma análise dos dados coletados na etapa anterior, análise dos questionários, para a seleção de situações contraditórias para os educando e que precisariam ser discutidas, e através destes podemos formar os temas geradores. Na terceira etapa, deve ser desenvolvida a organização da proposta, de fato. Para tanto, são importantes as contribuições de Watanabe (2008) que propõe uma organização temática e outra conceitual onde a partir de determinado tema poderemos trabalhar os assuntos destinados ao estudo daquela etapa e a articulação entre o tema e seus conceitos. Por meio da abordagem temática desenvolvem-se em conjunto, tanto os aspectos dos temas tratados e os conceitos físicos a serem construídos. Então, podemos fazer a proposição de duas representações diferentes, denominadas de organização temática e organização conceitual que fornecem possibilidades de percursos temáticos para serem traçados pelos professores no seu trabalho com os alunos. A quarta e a quinta etapa estão mais relacionadas ao planejamento e aplicação da proposta em sala de aula. Ela é utilizada na proposição de aulas dos trabalhos de Ferraz e Bremm (2003), Anjos (2005) e que usam como base de organização os três momentos pedagógicos que são: Problematização inicial, Organização do conhecimento e Aplicação do conhecimento. 6 Os três momentos pedagógicos passam a ganhar ênfase, em sala de aula, com a conversão da proposta de educação apresentada por Freire. Podemos definir estes momentos da seguinte forma: A problematização inicial: Expõe questões e situações que façam parte do mundo vivencial dos estudantes. Estes devem neste momento falar sobre suas percepções, estimulados pelas questões que são colocadas pelo professor. Esta parte da aula tem como objetivo mostrar aos alunos a necessidade de maior conhecimento. Organização do conhecimento: Momento no qual o professor insere os conteúdos relativos às questões propostas no início da aula, momento de exposição dos estudos sistematizados na aula. Aplicação do conhecimento: Este momento é destinado a responder as questões iniciais colocadas. Outras questões não relacionadas diretamente ao primeiro momento podem ser respondidas buscando uma generalização conceitual. Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002) defendem que a meta deste momento é muito mais a de capacitar os estudantes ao emprego de conceitos científicos em situações reais do seu cotidiano, do que a simples aplicação matemática em exercícios dos livros-textos que não representam um sentido real para os alunos. Uma boa e simplificada descrição é colocada por Pierson (1997), que descreve estes momentos como: (...) o primeiro momento de mergulho no real, o segundo caracterizado pela tentativa de apreender o conhecimento, já construído e sistematizado, relacionado a este real que se observa e o terceiro momento de volta ao real, agora de posse dos novos conhecimentos que permitam um novo patamar de olhar. (PIERSON, 1997, p.156) Devido às novas tendências educacionais e a pertinência em se discutir o atual ensino de Física brasileiro, se faz necessária à utilização dos estudos e estratégias da abordagem temática para desenvolvimento de nossas aulas. É importante articular o conhecimento por meio de um tema estruturador e relacionar saberes e competências para que possamos, de fato, desenvolver o 7 conhecimento em conjunto com os alunos de ensino médio e desta maneira, este tenha um sentido mais amplo para os estudantes. Os professores contribuiriam assim para a formação crítica e social dos estudantes, que a Lei de diretrizes e Bases (LDB) atribuiu como competência para o ensino médio. 3. Metodologia Para a elaboração da proposta foram utilizadas diferentes estratégias que envolvem (i) um estudo de natureza teórica sobre a abordagem temática e a perspectiva Freireana, referencial teórico que baliza a proposta, e sobre o conteúdo a ser abordado (eletricidade); e (ii) uma análise empírica que envolveu a análise de livros didáticos e questionários aplicados a alunos do segundo ano do ensino médio. A análise dos livros didáticos foi realizada com o enfoque de verificar como o assunto de instalações elétricas e seus equipamentos estão presentes nestes. Ao analisar os livros, podemos perceber como os conteúdos são ministrados nas aulas e qual a ênfase que é dada a estes conteúdos. A análise dos questionários nos permitiu classificar as principais compreensões que os alunos têm a respeito dos fenômenos elétricos, antes de terem realizado o estudo de eletricidade no ensino médio, com o intuito de levantar seus “conhecimentos prévios”, e para isso classificamos estas em grupos. Para facilitar a orientação de trabalho por um tema, elaboramos um organograma como proposto em Watanabe (2008), um que estrutura temas e suas ligações e outro que estrutura conceitos que podem ser discutidos partindo dos temas anteriormente propostos. Com base nessas análises e considerando os pressupostos teóricos elaboramos uma sequência de aulas. 4. Resultados 4.1-Análise dos livros didáticos 8 Analisamos sete livros didáticos de Física. Optamos por selecionar tanto livros antigos, mas ainda utilizados em larga escala no contexto escolar, quanto livros atuais, aprovados no PNLD 2012 e que, serão utilizados no próximo ano. Os livros selecionados para a análise foram: 1. Física fundamental, Bonjorno et al (1993); 2. Fundamentos da Física, Ramalho et al (1997); 3. Física: Paulo Ueno (2005); 4. GREF (Grupo de reelaboração do ensino de física) (2005); 5. Física Ciência e Tecnologia, Paulo Cesar M. Penteado e Carlos Magno A. Torres (2005); 6. Conexões com a Física, Blaidi Saint’ Anna, Glória Martinni, Hugo Carneiro Reis e Walter Spinelli (2010) volume três; 7. Coleção Quanta Física Carlos A. Kantor, Lilio A. Paoliello JR, Luís Carlos de Menezes, Marcelo de C. Bonetti, Osvaldo Canato JR, Viviane M. Alves (2010) O primeiro livro analisado foi “Física Fundamental” Bonjorno et al (1993). Neste livro há somente a descrição de uma lâmpada incandescente, sua composição e leitura das informações presentes nesta (páginas 414 e 415). O segundo livro analisado foi “Fundamentos da Física” Ramalho et al (1997). Descreve um pouco sobre os tipos usuais de resistores encontrados em alguns equipamentos e circuitos elétricos (páginas 153 e 154). O livro comenta a respeito de algumas aplicações do efeito joule nas residências, além de falar sobre os tipos de fusíveis e disjuntores que podem ser encontrados na rede domiciliar (páginas 169 e 170). A parte de maior enfoque do livro na instalação elétrica domiciliar (presente nas páginas 186, 187 e188) conta sobre a forma como as ligações elétricas são feitas, e a função dos fusíveis ou disjuntores para o controle da corrente. 9 O terceiro livro avaliado foi Física: Paulo Ueno (2005). Este livro não apresentou muito sobre as instalações elétricas, ainda que fosse por meio de algumas associações. Ele coloca uma ênfase maior sobre este tema em um boxe (quadro informativo no final de cada capítulo) onde descreve o processo de transmissão da energia e como se estabelecem os fios nas instalações residenciais e suas tensões na rede elétrica (páginas 256 e 257). O quarto livro utilizado em nossa análise foi o projeto do GREF (Grupo de Reelaboração do Ensino de Física) (2005). Este material foi de difícil análise, pois a todo o momento contextualiza os conceitos físicos da eletricidade às instalações elétricas e seus equipamentos. Às vezes de forma específica e em outros momentos de forma mais ampla, por exemplo, quando discute sobre o que acontece em micro escala, ao falar sobre os modelos de representação da organização eletrônica (página 43 e 44). Ainda que as discussões e análises mais direcionadas para esta parte, seja mais claramente percebida ao iniciarmos os estudos sobre corrente e como ela funciona nas instalações em nossas casas e em seus equipamentos elétricos. O quinto livro a ser analisado foi “Física Ciência e Tecnologia”: Paulo Cesar M. Penteado e Carlos Magno A. Torres (2005). Neste livro podemos perceber a preocupação em se falar sobre instalações elétricas ao comentar sobre a importância do encapamento dos fios que são utilizados em nossas casas, explicando o motivo desse processo para impedir a ocorrência de incêndios (página 21). O livro comenta sobre circuitos elétricos e cita o nome de alguns componentes que são utilizados na instalação da rede, como: Fusíveis, disjuntores e reostatos, além de explicar como se dá um curtocircuito. Fala um pouco sobre o processo de transformação de energia ao comentar as possíveis conversões de energia a partir da energia elétrica. Outro fator importante e a descrição do funcionamento de uma campainha elétrica quando se estuda sobre o funcionamento de um eletroímã (capítulo 2, página 77). O sexto livro que foi analisado “Conexões com a Física”, autores: Blaidi Saint’ Anna, Glória Martinni, Hugo Carneiro Reis e Walter Spinelli (2010) 10 volume três. Neste livro existem quadros chamados conexões com o cotidiano que relatam sobre alguns aspectos das lâmpadas, chuveiros e até dos carregadores celulares de forma simplificada. Na introdução dos conteúdos sobre voltagem, corrente e resistência elétrica relacionam estes a equipamentos eletrônicos utilizados na sala de aula e a importância destes para o bom funcionamento de tais equipamentos. Outro procedimento utilizado é o estudo do medidor de luz e de outros equipamentos ao se estudar a potência elétrica dos aparelhos em funcionamento em nossas casas. Descreve de forma mais aprofundada sobre o funcionamento do chuveiro elétrico e dos disjuntores e fusíveis. No estudo sobre receptores elétricos falam sobre a transformação de energia elétrica em outras formas de energia como: Térmica, luminosa, mecânica e etc. O último livro a ser analisado foi da coleção Quanta Física: Carlos A. Kantor et al (2010), material de divulgação, pois este material foi aprovado no PNLD para 2012, onde o assunto de eletricidade já está presente no livro do primeiro ano do ensino médio. Neste livro separa-se uma parte especial que contém aproximadamente oito páginas (página 110 a 118) onde explica e chama a atenção para fatores importantes como o consumo de energia elétrica, como se dividem os aparelhos elétricos (resistivos elétricos e de comunicação e informação). Outro fator existente é mostrado no livro falando sobre a importância de se entender os conceitos de tensão e tipo de associação dos aparelhos para entendermos como se estabelecem as instalações elétricas em nossas casas. O livro narra ainda sobre alguns dispositivos como disjuntores, fusíveis e, em leitura complementar, como têm se dado a padronização com respeito aos plugues no Brasil (padrão brasileiro de plugues e tomadas para usos domésticos e análogos até 20A/ 250 V em corrente alternada – ABNT- NBR 14136:2002, versão corrigida: 2007). Em síntese, após a análise de livros didáticos de Física do Ensino Médio chegamos à conclusão referente a alguns termos como: A adaptação dos livros em relação à implementação dos conteúdos referentes aos equipamentos 11 elétricos e as instalações elétricas e como estas foram ampliadas no decorrer dos anos. Percebemos que os livros mais atuais, como, o livro Física Ciência e Tecnologia (2005) e Quanta Física (2010) têm sofrido uma adaptação para a contextualização dos conteúdos com a realidade vivida pelos alunos. E desta forma, temos agora novas fontes de recursos para a proposição de abordagens temáticas no ensino. O que diverge do ensino “tradicional” - que ainda hoje é utilizado- onde na maioria das vezes o conhecimento dos conteúdos é descontextualizado com a realidade vivenciada pelo aluno. Nos livros mais antigos como Bonjorno (1993) e Ramalho (1997) sexta edição, notamos a predominância de conceitos e listas de exercícios em demasia. Apesar da apresentação de alguns textos complementares com a temática sobre as “Instalações Elétricas” estarem presentes, estes dois livros, de maneira geral, são “tradicionais” em sua exposição do conteúdo. Para desenvolvimento da Abordagem Temática, com tais materiais deveríamos fazer os “recortes” partindo deste tema (instalações elétricas) - que nos livros estão dispostos como material de caráter complementar - para o ponto de partida no desenvolvimento das aulas. Podemos assim fazer a articulação entre a natureza dos conteúdos com a temática pré-estabelecida. Os livros “Conexões com a Física”, (2010) e “Física” (2005) apresentam-se ainda em um modelo tradicional. O primeiro que foi citado, mostra-se um pouco mais próximo da proposta de adequação da realidade dos alunos na explicação dos conceitos, pelos motivos já apresentados em sua análise. O segundo é mais deficiente nesta questão. O GREF (2005) é o livro que mais se aproxima da Abordagem Temática ainda que se apresente com algumas dificuldades para execução. Verificamos assim a necessidade de maior adequação e orientação de como trabalhar com este material na prática em sala de aula. Finalmente, é importante explicitar que todos os livros analisados apresentam pontos “positivos” e “negativos” quanto à forma de exposição dos conteúdos cabendo ao professor utilizar um grupo de livros e fazer a seleção e organização para o desenvolvimento de sua abordagem. 12 4.2 - Compreensões dos alunos Para verificarmos a compreensão dos estudantes, aplicamos um questionário com os alunos do segundo ano da escola pública do Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB), que não estudaram eletricidade, para assim analisar que conhecimentos têm sobre os fenômenos elétricos e que relações estabelecem a respeito deste conhecimento. O questionário foi composto de seis questões, com um grupo de trinta alunos. Ao analisarmos os questionários, assim como foi feito em Strieder (2008), no primeiro momento enumeramos todos os questionários e construímos uma tabela para as questões e respostas. Em seguida, agrupamos as respostas parecidas. Sendo assim, as categorias de análise foram obtidas das respostas presentes nos questionários, não havíamos estabelecido categorias previamente. A seguir faremos análises mais detalhadas das respostas concedidas pelos alunos. Primeira pergunta presente no questionário: Que equipamentos e materiais são utilizados nas instalações elétricas residenciais? Percebemos que as respostas se dividiram em três grupos. O primeiro grupo que falava a respeito de equipamentos que podem ser vistos no cotidiano em casa ou na rua como: Fios e tomadas. O segundo grupo descreve mais a ferramentas utilizadas como: Alicate, parafusos e chaves de fenda. E o terceiro grupo conta sobre os equipamentos relacionados à proteção durante a instalação ou reparo da rede elétrica como: Luvas, botas, capacete, roupa específica e outros equipamentos. Segunda pergunta: Como podemos evitar acidentes domésticos com a rede elétrica, ou seja, choques? Obtivemos três grupos divisores. O primeiro grupo que faz associação da água a algo que facilita a ocorrência de uma descarga elétrica, ainda que não entendam a razão deste processo. O segundo grupo é relativo à proteção de fios, tomadas e do próprio indivíduo, ou seja, proteção em seus aspectos gerais. Para isto citam exemplos como: Devemos colocar proteções nas tomadas, evitando fios desencapados e evitar mexer na eletricidade estando descalço, entre outros. O terceiro grupo fala sobre as ações que são feitas pelas pessoas que entendem o perigo de 13 algumas ações e sugerem “não fazer gato e o uso de muitos fios em uma única tomada”. Terceira pergunta: Que iniciativas podem ser realizadas para reduzir o valor da “conta de luz”? Para esta questão obtivemos dois grupos principais de respostas. O primeiro grupo apontou como solução para o problema, em geral, as alternativas de não tomar banho na água quente, ou ainda, não demorar no banho e trocar lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes. Os alunos entendem que a troca das lâmpadas e a posição da chave das temperaturas da água do chuveiro, desde que o fluxo de água seja constante, causam economia, ainda que não reconheçam os processos físicos por trás destes. O segundo grupo sugere a redução do tempo de consumo como alternativa para a redução da conta de luz. Não apresentam a compreensão das informações dos fabricantes sobre produtos de menor consumo e suas características, e a importância destas compreensões ao adquirir novos produtos. Quarta pergunta: Se a energia se conserva, por que precisamos economizar? As respostas para estas perguntas se dividiram em dois grandes grupos. Um deles relacionado ás questões ambientais e o outro à questões econômicas. O primeiro grupo apresentou respostas como: Reduzir o aquecimento global, por questões ambientais e ecológicas, pois a energia vem de recursos naturais. As respostas apontam para a preocupação dos alunos com fatores ambientais, ainda que não entendam como esta relação se dá ao certo. O outro grupo leva em consideração os fatores econômicos. As questões financeiras, mostrando que devemos reduzir o consumo de energia elétrica, unicamente pelo custo desta para os consumidores. Quinta pergunta: Alguém na sua casa faz instalações elétricas, chuveiro e etc. Que cuidados essa pessoa têm ao fazer essas instalações? Para esta pergunta temos dois grupos de respostas. O primeiro grupo respondeu que consideram importante desligar a chave geral, chave de energia o que mostra que entende que a energia chega a suas casas e esta pode ser interrompida, ou seja, sofrer um “corte”, devido ao desligamento de tal 14 chave. O segundo grupo afirma que devemos usar de luvas, botas e outros materiais de borracha, sendo assim mostram que entende que estes impedem a ocorrência de choques, ainda que não relacionem a algum estudo de cunho mais técnico da real razão de isto funcionar desta forma. Sexta pergunta: O que acontece no corpo humano quando levamos um choque? Temos três grupos divisores para esta questão. No primeiro grupo verificamos que entendem que a corrente, passa pelo corpo e causa danos. Nesta etapa não descreveram os danos, mas descrevem que o corpo humano vira um condutor entre a corrente e o chão. No segundo grupo temos uma interface com compreensões biológicas onde descrevem entender que os pulsos elétricos podem causar aumento ou parada dos batimentos cardíacos. O terceiro grupo entende que passagem de corrente causa queimaduras no corpo, mas os alunos não associam os princípios físicos presentes nestes fenômenos como a dissipação de energia por efeito Joule. As análises finais das respostas dos alunos demonstram que os estudantes têm noções gerais sobre os fenômenos elétricos ou ainda, conhecem alguns resultados dos processos, mas não entendem como estes acontecem. Para exemplificar, os estudantes entendem que não se pode misturar água e eletricidade ao mexermos com energia e que deveríamos usar materiais de borracha, mas não entendem o motivo real de tais procedimentos, mostrando maior ou menor compreensão variando de aluno para aluno. As reais maneiras de como estes processos se desenvolvem e o conhecimento científico que se tem sobre tais processos precisa ser aprofundado, para que assim, o aluno não participe passivamente do mundo, mas interaja com este através de uma percepção mais ampla e significativa que nós adquirimos ao assimilarmos novos conhecimentos. 4.3- Organização temática Considerando as compreensões dos alunos a respeito do tema (instalações elétricas), que foram extraídas através da aplicação de questionário aos estudantes da segunda série do Ensino médio, bem como as possibilidades de discutir esse assunto nesta etapa de ensino, foi construído 15 um organograma com temas para a prática do ensino dos conteúdos de eletricidade. Instalações elétricas 2. Instalações Elétricas Compreender sobre elementos constituintes das instalações. 1. Cuidados com as instalações elétricas. Entender os processos de cuidado ao usar a rede elétrica e os efeitos biológicos da corrente elétrica. 3. Compreendendo os equipamentos elétricos em nossas casas 4. Economia da energia elétrica. Processo de chegada da energia em nossas casas e medidas de redução do consumo de eletricidade nas residências. Identificar seus diferentes usos e informações fornecidas pelos fabricantes. Figura 1: Organograma de temas para serem trabalhados partindo do tema central (instalações elétricas). A sistematização apresentada está relacionada ás questões sociais, econômicas e ambientais. Esta representação é apenas uma forma de organização, sendo possível, a estruturação de outras. Na organização apresentada são destacados quatro grupos que envolvem o tema. No primeiro grupo instalações elétricas são abordadas questões relativas à compreensão dos tipos de fiação presentes nas residências e postes de iluminação. Qual a importância destes fios na 16 instalação residenciais. Para que existe o aterramento de alguns aparelhos e como se estabelece o funcionamento do pára-raios dos prédios. Além de discutir sobre outros componentes presentes nos eletrodomésticos. No grupo Os cuidados com as instalações elétricas, estão expostos medidas de cautela ao fazer a utilização ou manutenção dos equipamentos elétricos. Outro fator existente seriam discussões sobre os efeitos da corrente elétrica no corpo humano e suas interações, além da análise do corpo humano como um “meio” pelo qual a corrente atravessa, para propiciar a compreensão sobre os fenômenos físicos e biológicos. No grupo Compreendendo os equipamentos elétricos em nossas casas são tratados elementos que vão falar a respeito das informações fornecidas pelos fabricantes dos eletrodomésticos, para o entendimento de grandezas físicas e conceitos, presentes nas geladeiras, aparelhos de som, televisão, computadores, dentre outros presentes nas residências de hoje em dia. No grupo Economia da energia elétrica mostramos alternativas para redução do consumo de energia elétrica explicando o funcionamento das lâmpadas, por exemplo, qual tipo é mais econômico e o motivo. Outro fator relevante é que fazemos a apresentação referente ao processo de como se estabelece a chegada da energia e sua produção, podendo abordar vários componentes importantes neste transporte. É importante explicitar que todos estes grupos estão fortemente ligados. Para evidenciar está união apresentamos o grupo Eletricidade e suas aplicações. Neste grupo estão presentes, todos os demais grupos que falam das diferentes aplicações e “olhares” para os fenômenos que ocorrem com a eletricidade que “chega” as instalações e aparelhos residenciais. 4.3- Organização conceitual Para a seleção dos conteúdos deste tipo de organização, analisamos os livros didáticos e optamos por alguns conteúdos que possibilitem a discussão de fatores sociais, ambientais e econômicos. 17 Corrente elétrica Versus Energia Condutores x isolantes Estudo sobre os metais: Estudo das propriedades e algumas ligações. Efeito joule: Propriedade de aquecimento de um material com a passagem de corrente elétrica por um material que ofereça resistência à elétricidade. Análise de circuitos: Curto circuito e Ligações em série e em paralelo. Componentes eletrônicos: Resistores, capacitores, disjuntores e fusíveis. Relação corrente, Diferença de Potencial, resistência - 1ª lei de Ohm. Conservação e degradação da energia. Figura 2: Organograma de conceitos que podem ser trabalhados partindo do tema (instalações elétricas). 18 Nessa organização enfatizamos os conceitos relacionados à Física, mas outros assuntos podem ser trabalhados a partir desta temática para o desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar, como a discussão dos impactos ambientais provenientes de cada tipo de produção de energia. Partindo da discussão inicial sobre corrente elétrica, sobre suas fontes e impactos ambientais e trabalhar com condutores e isolantes, poderíamos tomar, dessa maneira dois percursos: O estudo dos metais eisolantes e falarmos sobre o efeito Joule e suas diversas aplicações. Ambas as discussões apresentadas estão presentes ao analisarmos os circuitos e suas ligações. Podemos tomar o percurso de estudo de alguns conceitos como voltagem, frequência entre outros que são importantes para análise dos circuitos residenciais ou falar sobre os dispositivos presentes nessa instalação. Tanto pelas informações apresentadas no que se refere à potência, tensão, ou por ser considerado um componente presente nas instalações elétricas é interessante fazermos o estudo sobre as lâmpadas e as vantagens de um tipo de lâmpada em relação a outra. E por fim, apresentar alternativas para a redução de consumo de energia, apontando essa necessidade devida degradação da energia e seus impactos ambientais. 4.4.1- Bloco de aulas Neste momento fazemos a proposição de bloco de aulas que podem ser seguidas pelos professores. Desta forma o professor pode levar mais de uma aula para trabalhar a proposição de cada aula, dentro da nossa proposta da abordagem temática. Nessa apresentação de aulas, há somente uma descrição geral, com algumas questões que podem ser adaptadas de acordo com a realidade de cada professor. 19 Blocos 1 Conteúdo De onde vem a energia que chega à nossas casas? Qual a melhor fonte de energia? Discussão sobre a chegada da energia desde a usina até as residências e as fontes de energia com seus pontos positivos e negativos e seus processos de transformação. Como a energia chega até nós? 2 3 Conceitos de: Corrente elétrica; efeitos da corrente elétrica e sentido da corrente, resistores e efeito joule e suas aplicações. Como é produzida a iluminação nas lâmpadas? Quais as vantagens das lâmpadas fluorescentes sobre as incandescentes? Discussões conceituais sobre o processo de transformação de energia em lâmpadas, apresentação de alternativas de redução do consumo de energia, discutindo a importância desta economia. 4 Como se estabelecem as ligações dos fios nas residências? Como é controlada a resistência nos fios, quais as estratégias utilizadas pelos trabalhadores desta área? Quais os cuidados que devemos tomar no uso da rede elétrica? Quais os perigos da corrente elétrica? Estudo sobre os tipos de fios, importância do aterramento, utilização do pára-raios e efeitos biológicos da corrente elétrica. Primeira e segunda lei de ohm. 5 Como se estabelece o consumo de energia em uma residência? (Conhecendo nosso medidor de luz e outros dispositivos elétricos). Apresentação das redes: mono, bi e trifásicas. Introdução de alguns elementos presentes nas instalações residenciais como os disjuntores e fusíveis. Classificação dos diferentes tipos de aparelhos (fazendo a distinção dos grandes para os pequenos consumidores de energia), estudo sobre a diferença de potencial e potência, cálculo da potência elétrica. Tabela1: Plano de ensino com blocos de aulas. 20 Avaliações Avaliação do bloco 1: Divisão de grupos por tipo de energia, onde efetuariam pesquisas para no segundo momento haver uma apresentação onde cada grupos deveriam defender seu tipo de energia. Avaliação dos blocos 2, 3 e 4: Teste com questões abertas, onde deveriam falar alguns dos efeitos da corrente no corpo humano (aula dois). Cálculo da conta residencial a partir de valores dados na prova (aula três). Questões sobre a importância do comprimento e espessura dos fios na caracterização da resistência nos fios (aula quatro). Além de outras questões de caráter conceitual, como: Qual a importância de disjuntores e fusíveis em nossas casas? E por que utilizar ligações em série e não em paralelo nas instalações residenciais? Avaliação do bloco 5: Apresentação de maquetes de residências, demonstrando os aparelhos que consumem maior e os que consumem menor eletricidade, onde cada grupo falaria do motivo de tal taxa de consumo. 4.4.2- Planejamento da aula (Organizada pelos três momentos pedagógicos) Bloco cinco Propomos aqui, uma aula a partir do nosso tema (instalações elétricas residenciais), sendo assim se considerarmos que os aparelhos ligados em nossa casa, fazem parte de um sistema elétrico maior que é o circuito residencial é pertinente a discussão deste assunto nas aulas de Física. Problematização inicial: A aula tem início com os seguintes questionamentos: Como podemos economizar energia elétrica? Quais os aparelhos que consomem mais energia, e os que consomem menos? Você entende como é calculada a conta de luz? 21 Organização do conhecimento: Estratégias para a aula: Durante a explicação dos conteúdos os alunos seriam questionados a respeito de que equipamentos acreditavam que consumiam maior energia, em outras palavras quais seriam os “vilões” da conta de luz? À medida que respondessem seriam indagados do por quê? E assim classificaríamos alguns dispositivos. Outra prática seria o cálculo da conta de luz, o exemplo está no terceiro momento. Conteúdo: Classificação dos diferentes tipos de aparelhos, cálculo da potência elétrica, Conversão de unidades, Gráficos. Existem aparelhos que consomem mais energia elétrica que os outros, chuveiros elétricos e ferros elétricos que se utilizam de efeito Joule transformam energia elétrica em térmica. Estes dispositivos costumam consumir muito mais energia que outros equipamentos como: DVD, rádio, televisão e etc. Algumas categorias de aparelhos podem ser descritas. Uma delas é a dos aparelhos resistivos que assim são chamados porque o principal componente elétrico desses aparelhos são os resistores elétricos. Este tipo de aparelho consome muita energia elétrica. Os motores elétricos são outra categoria de aparelhos elétricos que transformam energia elétrica em mecânica. Eles podem consumir energia em maior ou menor grau dependendo de sua função. Alguns exemplos são: geladeira, liquidificador e etc. Existe também o grupo que transformam energia elétrica em luminosa ou sonora que são geralmente de baixo consumo. Alguns exemplos destes aparelhos em nossas residências seriam: Televisão, computador e rádio. As lâmpadas que usamos para a iluminação de nossas casas podem apresentar diferentes consumos, apresentando diferentes potências podendo ser em geral de: 40W, 60W, 100W e são submetidas, no Brasil, a uma tensão de 110V ou 220V. As lâmpadas utilizadas nas instalações residenciais podem ser incandescentes ou fluorescentes. 22 As lâmpadas incandescentes precisam de muita energia para a liberação de luz, já que muito desta energia se perde através da irradiação de energia térmica, enquanto as lâmpadas fluorescentes, conhecidas como lâmpadas frias, liberam maior parte de energia elétrica na forma de energia luminosa, diminuindo o desperdício de energia. É importante entender que a energia elétrica nas residências não são medidas na unidade de energia do Sistema Internacional que utilizamos em nas contas da sala de aula (Joule), mas em KWh. Assim como o Watt é uma unidade obtida do joule, dividindo pelo tempo (segundo), pode se obter outra unidade de energia, o KWh: K=1000. Wh = W. 3600 s A relação se dá em: 1 KWh = 3,6 . 106 J. O consumo de energia depende da potência do equipamento, horas de funcionamentos deste e do número de equipamentos que estão sendo utilizados. Todos estes itens descritos anteriormente são responsáveis pela composição da conta de luz. Aplicação do conhecimento Neste momento da aula é de trabalhar as questões colocadas no primeiro momento, por meio de exercícios que contém: gráficos, tabelas e dados. Os estudantes são orientados a articular os conhecimentos apresentados nos momentos anteriores da aula para responder tais questões. Segue algumas questões: 1º Exemplo: (Quanta Física) -Adaptado- Para entendermos o quanto gastamos de energia em nossas casas, vamos organizar uma tabela com a relação dos aparelhos, potência elétrica e a energia utilizada por todos os 23 aparelhos em sua residência, por um mês. Estime a média de funcionamento diário de cada aparelho elétrico. A seguir apresentamos uma tabela com as potências de alguns aparelhos. Lembrando que existem aparelhos de diferentes potências. Potências médias de aparelhos elétricos Aparelhos Potência Aparelhos Potência (W) Ar condicionado 1350 (W) Lâmpada fluorescente 15 compacta Aspirador de pó 100 Lâmpada incandescente 100 Batedeira 120 Lavadora de roupas 500 Cafeteira elétrica 600 Liquidificador 300 Microcomputador 120 Carregador de bateria do 5 celular Chuveiro elétrico 3500 TV em “cores 29” 110 Ferro elétrico automático 1000 Ventilador pequeno 65 Freezer 130 Radiorrelógio 5 90 Secretaria eletrônica 20 vertical/horizontal Geladeira 1 porta Baseado nas potências acima colocadas. Identifique os componentes que possuem em sua casa e então considerem a quantidade de horas que estes estão consumindo energia e a quantidade de aparelhos que possui. Desta forma conseguimos o consumo da energia multiplicando: 24 E (mensal) = Potência total x Nº de horas em funcionamento / dia x Quantidade de dias do mês. 2º Exemplo: (Quanta Física) A distribuição média, por tipo de equipamento, do consumo de energia elétrica nas residências no Brasil é apresentada no gráfico abaixo: Figura 3: Distribuição média de consumo por equipamento Em associação com os dados do gráfico, considere as variáveis: I. Potência do equipamento; II. Horas de funcionamento; III. Número de equipamentos; O valor das frações percentuais do consumo de energia depende de: a) I, apenas. d) II e III, apenas. 25 b) II, apenas. e) I, II, III. c) I e II, apenas 3º Exemplo: (Enem) Seguem alguns trechos de uma matéria da revista Superinteressante, que descreve hábitos de um morador de Barcelona (Espanha), relacionando-os com o consumo de energia e efeitos sobre o ambiente. I. Apenas no banho matinal, por exemplo de um cidadão utiliza cerca de 50 litros de água, que depois terá de ser tratada. Além disso, a água é aquecida consumindo 1,5 quilowatts hora ( cerca de 1,3 milhões de calorias), e para gerar essa energia foi preciso perturbar o meio ambiente de alguma maneira. II. Na hora de ir para o trabalho, o percurso médio dos moradores de Barcelona mostra que o carro libera 90 gramas do venenoso monóxido de carbono e 25 gramas de óxidos de nitrogênio. Ao mesmo tempo, o carro consome combustível equivalente a 8,9 Kwh. III. Na hora de recolher o lixo doméstico... Quase 1 Kg por dia. Em cada quilo há aproximadamente 240 gramas de papel, papelão e embalagens, 80 gramas de plástico, 55 gramas de metal, 40 gramas de material biodegradável e 80 gramas de vidro. Com relação ao trecho I, supondo a existência de um chuveiro elétrico, pode-se afirmar que: a) A energia usada para aquecer o chuveiro é de origem química, transformando-se em energia elétrica. b) A energia elétrica é transformada no chuveiro em energia mecânica e, posteriormente, em energia térmica. c) O aquecimento da água deve-se à resistência do chuveiro, onde a energia elétrica é transformada em energia térmica. 26 d) A energia térmica consumida nesse banho é posteriormente transformada em energia elétrica. e) Como a geração de energia perturba o ambiente, pode-se concluir que sua fonte é algum derivado do petróleo. As questões apresentadas têm como objetivo, mostrar questões que possam explorar o potencial conscientizador e explicativo do ensino de ciências, através do tema proposto (instalações elétricas). 5. Considerações finais A abordagem por temas é um desafio para o professor, pois rompe com o modelo, amplamente utilizado, a abordagem conceitual. Nesta há exposição dos conceitos físicos, sem fazer a articulação destes com a realidade dos alunos. Podemos entender que existem dificuldades devido carência na formação inicial e continuada do professor e a reduzida quantidade de material para a orientação desta prática quando comparada à conceitual. Entretanto, são muitos os benefícios que se tem ao trabalharmos partindo de temas, dentre eles podemos destacar o potencial de aproximação das aulas à realidade dos alunos e o caráter interdisciplinar – onde ocorre o intercâmbio de informações - que esta dinâmica apresenta e seu potencial para o desenvolvimento da formação crítica dos estudantes. O resultado do trabalho mostrou - através da aplicação de questionários - compreensões importantes que os alunos trazem, sem terem visto o conteúdo de eletricidade. É interessante perceber alguns fatores nos grupos obtidos a partir da análise, como a ênfase na preocupação com fatores econômicos e ambientais que os alunos demonstraram ao discutirmos a importância de se economizar energia elétrica. Outro fator existente, é que alguns deles foram capazes de relacionar a incidência de acidentes com a rede, ou seja, choques a alguns resultados biológicos como: parada cardíaca, queimaduras, ainda que desconheçam os 27 processos de como tais fenômenos acontecem. O que dá ênfase na proposta de levar-se em consideração o conhecimento prévio que o aluno possui ao planejarmos nossas aulas, já que está pode contribuir para que o conhecimento seja mais atraente e significativo para os alunos. É importante apresentar a crescente adaptação dos livros à atual reforma curricular oficial. Os livros mais novos, aprovados no (Programa nacional do livro didático) PNLD 2012, apresentaram boa contextualização entre os conteúdos e fatores cotidianos, o livro Quanta Física, por exemplo. Outro fator a ser considerado ao bom resultado deste, é que parte dos integrantes que fizeram este livro estava no grupo de elaboração do GREF. No entanto, é importante ressaltar que os livros analisados se mostraram incompletos em sua maioria, uns em maior o menor grau que os outros, logo “recortes” e adaptações são necessárias para se trabalhar com está temática se utilizando dos livros disponíveis. É compreensível que trabalhar com a abordagem temática é propor uma ruptura no modelo tradicional de ensino, amplamente utilizado nos dias de hoje, mas para auxiliar o trabalho do professor em sua prática, este trabalho mostra a sugestão de Watanabe (2008), um organograma de orientação e organização, para a abordagem temática e os conceitos que podem ser estudados de tais proposições. Outro elemento é a sugestão de uma sequência de aulas e a proposição de uma aula, em particular, organizada pelos pressupostos dos três momentos pedagógicos, com o qual pode ser um exemplo adicional, para a consulta e orientação na prática docente de aulas que partem do pressuposto da abordagem temática. Referências ALBUQUERQUE, D. Uma proposta para o ensino do eletromagnetismo no nível médio. 2008. 181 f. Dissertação (Mestre em ensino de ciências) – Centro de ciências exatas e da terra programa de pós–graduação em ensino de ciências naturais e matemática, Universidade federal do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Norte. 2008. 28 ANJOS C. R. dos. Educação Problematizadora no Ensino de Biologia com a Clonagem como Temática. Dissertação de Mestrado. Florianópolis: PPGCT/UFSC, 2005. ANNA. B. S; MARTINNI. G; REIS. C; SPINELLI. W. Conexões com a Física. São Paulo: Moderna, 2010. ANNA C. C; TOSCANO C. TEIXEIRA. D. R; SILVA. S. I; PEREIRA. J. A; MARTINS. J; MENEZES. L. C; HOSOUME. Y et al. 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