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L i x o t a mbém pode virar art e.
GUIA DO EDUCADOR
2008
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índice
1. Passo-a-passo
ii
2. Organizando um projeto interdisciplinar na escola
ii
3. Envolvimento dos alunos em um projeto para a comunidade
iii
4. Apresentação da questão do lixo para os alunos
iv
5. Levantamento dos problemas relativos ao lixo que afetam a comunidade
v
6. Observação da realidade
vi
7. Escolha da questão a ser trabalhada
vi
8. Levantamento de hipóteses sobre as causas do problema escolhido
vii
9. Ampliando conhecimentos por meio da produção teórica e científica
viii
10. Levantamento de hipóteses de intervenção na comunidade para superação
do problema
11. Lixo também pode virar arte: decidindo como registrar artisticamente o projeto
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Guia do Educador
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1. Passo-a-passo
1.1. Acreditar que é importante discutir a questão do lixo com seus alunos e que todos temos responsabilidade na superação de seus inúmeros problemas.
1.2. Discutir com os colegas engajados ou preocupados com esse tema a oportunidade de
realizar um projeto interdisciplinar com o tema lixo.
1.3. Apropriar-se de um conteúdo mínimo da questão do lixo, dominando conceitos básicos, entre eles os 3 R's (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) e a coleta seletiva.
1.4. Explicitar os objetivos educacionais da iniciativa, apontando os conhecimentos, as atitudes, as habilidades e os valores que se deseja que os alunos incorporem.
1.5. Levantar as contribuições que as diferentes disciplinas e áreas do conhecimento podem dar para a compreensão do tema estudado e para o enfrentamento dos seus problemas.
1.6. Relacionar as contribuições que o estudo de um "problema do lixo" pode oferecer no
desenvolvimento do conteúdo curricular de cada disciplina.
1.7. Decidir se o projeto será individualizado por grupo/série ou se terá um corte transversal, em que o mesmo "problema" será estudado por diferentes classes ou séries com resultados em níveis de profundidade.
1.8. Combinar a estratégia de abordagem das diferentes classes/séries para que todos os
alunos percebam que fazem parte de um mesmo projeto.
2. Organizando um projeto interdisciplinar na escola
Para realizar o trabalho proposto, é necessário que, antes de convidarmos os alunos a participar, verifiquemos se existem outros professores interessados e se contamos com o apoio
da coordenação e direção da escola.
É sempre muito mais rico um trabalho realizado por um grupo de educadores que possam
trocar experiências e aprender com colegas de diferentes disciplinas os múltiplos enfoques
que envolvem o tema dos resíduos sólidos.
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Por exemplo, essa questão pode ser compreendida pelo enfoque da saúde individual e da
saúde pública - é só lembrar a epidemia de dengue em tantos Estados e municípios brasileiros.
Pela economia, trabalhada principalmente nas disciplinas de História e Geografia, quando
analisada pelo olhar do saneamento básico.
Pela matemática, quando calculamos as toneladas de lixo a serem recolhidas, a quantidade
de caminhões e homens necessários para o trabalho, a periodicidade da coleta seletiva na
escola ou no bairro.
A leitura e a análise de textos sobre a questão do lixo publicados em jornais e revistas, que
produzem textos com diferentes objetivos e para diferentes públicos, podem ser um excelente instrumento para o professor de Português - tanto nos aspectos gramaticais quanto
na análise de linguagem e suportes de leitura. E criar arte com o lixo e/ou sobre o lixo é
um rico recurso para a área de Educação Artística, em suas múltiplas linguagens.
Uma vez formada a equipe de educadores e discutido o conjunto de intersecções que podem ser estabelecidas entre as diversas disciplinas, e principalmente definidos os objetivos
educacionais da iniciativa, podemos partir para o envolvimento dos alunos no projeto.
3. Envolvimento dos alunos em um projeto para a comunidade
Ninguém observa, estuda, se insere ou pertence a uma questão que não lhe diz respeito.
Por essa razão, a primeira etapa de trabalho com os alunos (uma vez que isso já foi feito
com os educadores) é sensibilizar. A forma como essa sensibilização vai ocorrer dependerá
da faixa etária dos alunos.
Sugerimos algumas estratégias para sensibilização: contar uma história, recomendar ou ler
com a classe livros de história, assistir a filmes ou ouvir músicas que abordem o tema lixo,
visitar locais de despejo de lixo na cidade (se possível) ou exibir fotografias desses locais sempre discutindo e relacionando a temática com a realidade da escola e da comunidade.
Diversificar os estímulos sensoriais e as formas de manifestação dos alunos é sempre positivo, uma vez que isso atende às diferenças individuais de responder a estímulos visuais,
auditivos etc.
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Uma vez que o grupo está sensibilizado para o tema, podemos passar para a apresentação
do projeto, na qual os alunos poderão conhecer - sempre com linguagem e conteúdo adequados a cada faixa etária - as diferentes etapas e os desafios do trabalho. É fundamental,
nesse momento, que o educador os ilustre sempre com exemplos concretos e extraídos da
realidade de sua comunidade e esclareça a necessidade do compromisso dos alunos com o
projeto e a responsabilidade que estarão assumindo perante a comunidade - exercendo a
sua cidadania. Assim que os grupos estiverem formados, precisamos conhecer o que os
alunos sabem, pensam e sentem sobre o tema. Nessa etapa do trabalho, é importante que
cada aluno possa expressar-se (falando ou escrevendo) e que as informações iniciais apresentadas pelo conjunto dos alunos fiquem registradas na Ficha de Registro do projeto ,
tanto pelo professor como pelos alunos.
A partir do levantamento das informações iniciais, o professor poderá apresentar para a
classe as questões e os conceitos relacionadas à geração e à destinação dos resíduos sólidos, sempre com linguagem e profundidade adequadas à faixa etária.
Passo-a-passo
- Sensibilizar os alunos para a questão do lixo.
- Apresentar o projeto ECOVIVER.
- Estabelecer relação de compromisso e responsabilidade dos alunos para com o projeto e a comunidade.
- Fazer o levantamento e registrar informações iniciais sobre o tema.
4. Apresentação da questão do lixo para os alunos
Nesse momento, os alunos estarão em condições de compreender os principais problemas
relacionados aos resíduos sólidos que afetam a humanidade. Os conteúdos básicos (bem
como fontes de pesquisa) estão neste site. Seguem algumas sugestões e recomendações
para que as estratégias selecionadas pelos professores contribuam para o atingimento dos
objetivos do projeto. Conteúdos como:
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o que é lixo;
de onde vem o lixo;
para onde vai o lixo;
os 3 R's;
a compostagem;
a coleta seletiva;
mapa da reciclagem; e
como ajudar a natureza usando melhor a água e a eletricidade deverão inicialmente ser
apresentados como o cenário, o pano de fundo das observações que os grupos farão, de
forma a garantir um conteúdo mínimo e de domínio coletivo. Sugerimos que o processo
de trabalho seja sempre interativo e lúdico, para que os alunos se apropriem dele e sejam
capazes de perceber e apontar de que forma suas atitudes e seu comportamento podem ser
transformados no dia-a-dia. Tanto os conteúdos quanto as atitudes transformadas devem
ser registrados na Ficha de Registro do projeto.
5. Levantamento dos problemas relativos ao lixo que afetam a comunidade
Agora, os alunos já possuem informações para levantar os problemas do lixo que os afetam e à comunidade. Sabemos que o universo a ser levantado e relatado está diretamente
relacionado à faixa etária, mas, em todas elas, os alunos podem e devem manifestar-se,
para que o tema que mais adiante for escolhido represente o desejo e o interesse do grupo.
O professor poderá ajudar nesse trabalho, elaborando perguntas para que os alunos reflitam e discutam a realidade de sua comunidade. Por exemplo:
•O que acontece com nossa sala de aula quando termina o período e vamos para casa?
•O que é feito com o lixo depositado na lixeira de nossa classe?
•Como anda a limpeza (ou sujeira) do pátio da escola quando retornamos do recreio?
•Separamos o lixo que depositamos na lixeira? O que é feito com ele?
•O que fazemos com o lixo doméstico que é produzido em nossa casa?
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•Por que geramos tanto lixo?
•Tudo que colocamos no lixo realmente não tem mais utilidade?
•O que fazemos com móveis, eletrodomésticos e roupas que não queremos mais?
Após ser discutido pela classe, os alunos devem elaborar uma lista de problemas de lixo
na comunidade que podem ser estudados. Essa lista deve ser registrada na Ficha de Registro do projeto.
6. Observação da realidade
Uma vez escolhido o tema, o passo seguinte é conhecê-lo por meio da observação, que
pode ser realizada e registrada em fotografias, entrevistas etc. É importante que tudo seja
registrado, utilizando-se diferentes recursos, para coletar o maior número de informações,
sensações e possibilidades.
Antes de ir a campo, é importante que se estabeleça um plano de observação e que as tarefas e os objetivos estejam claros e registrados. Para que aconteça o momento de troca no
retorno do trabalho de campo, cada subgrupo de alunos deve ter um plano de observação.
No retorno da observação, cada subgrupo deve apresentar para a classe seu plano de observação e o que efetivamente coletou de informação, registrando se conseguiu ou não
atingir os objetivos propostos.
Todo o processo deve ser sintetizado na Ficha de Registro.
7. Escolha da questão a ser trabalhada
Com certeza, muitos temas foram relacionados e não será uma tarefa simples eleger um
deles para ser trabalhado. Sugerimos algumas estratégias para tornar essa tarefa mais produtiva e a escolha mais democrática:
Reproduza a relação de problemas levantados pelos alunos, colocando-os em ordem alfabética.
Solicite que cada aluno escolha os três problemas que ele considera mais importantes e desafiadores e registre na sua Ficha de Registro.
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Peça que cada aluno leia em voz alta para toda a classe os problemas escolhidos.
Registre na lousa o número de votos de cada problema.
Ao final, verifique, com os alunos, os três problemas mais votados.
Peça que os alunos que votaram em cada um dos temas se reúnam e preparem uma defesa
do tema a partir dos critérios estabelecidos e apresentados no projeto: relevância, abrangência, possibilidade de intervenção etc.
A defesa de cada tema deverá ser feita para toda a classe por um representante do grupo.
Após a sustentação oral dos três problemas, a classe vai votar 1º, 2º e 3º.
Apurado o resultado, o tema está decidido. Ainda assim, deve ser referendado pela classe.
Outras estratégias podem ser adotadas, desde que o grupo de chegue a um consenso.
8. Levantamento de hipóteses sobre as causas do problema escolhido
Nesse momento do trabalho, já temos bastante informação sobre o assunto. Nosso desafio
será levantar hipóteses sobre as causas do problema escolhido. Essa é uma etapa mais
complexa, pois saímos do campo das constatações para um exercício cognitivo que exige
abstração. A própria escolha do problema definirá a abrangência por faixa etária, e os alunos de menor idade também podem exercitar sua capacidade de estabelecer relações de
causa e efeito, mesmo sua cognição estando em um período de operação concreta. Todos
precisam ser ajudados, especialmente os que estão entre 7 e 12 anos.
Novamente, sugerimos a elaboração de perguntas que os ajudem a formular novas questões - hipóteses sobre as causas do assunto escolhido e observado. Seguem alguns exemplos de perguntas e a indicação de aonde querem chegar:
Professor - Por que, quando começa o recreio, o chão do pátio está limpo e, quando acaba,
está cheio de papéis e resíduos?
Hipóteses a serem levantadas - Os alunos jogam lixo no chão por não terem informação;
os alunos não têm educação; não existem lixeiras no pátio; estão com raiva da direção da
escola; sabem que alguém vai varrer o chão e não estão compromissados com a escola e
com os funcionários.
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Professor - Por que o esgoto da casa de xxx está sendo lançado no córrego?
Hipóteses a serem levantadas - O pai de xxx não pagou a ligação do esgoto; não existe saneamento básico no bairro; a casa de xxx não tem espaço para fazer fossa séptica; quem
construiu a casa não deixou encanamento.
Para cada problema de cada grupo/classe, existirão várias questões para apresentar aos
alunos. Cabe ao professor exercitar as possibilidades que cada pergunta oferece, para que
leve aquelas que realmente colaborem para a construção das hipóteses que os alunos deverão elencar.
As hipóteses levantadas devem ser confrontadas com as observações realizadas e checadas
com uma nova observação, focada na comprovação ou negação das hipóteses. Como haverá, com certeza, várias hipóteses, recomendamos que cada subgrupo investigue duas ou
três no máximo e que, na sequência, aconteça o espaço de troca entre os vários subgrupos
e o consenso sobre as hipóteses validadas.
9. Ampliando conhecimentos por meio da produção teórica e científica
Com o problema definido e com as hipóteses investigadas e validadas, o desafio que se
apresenta é trazer subsídios conceituais, possibilitando que os alunos saiam do senso comum e adquiram uma base teórica mínima, aumentando-se a abrangência, a profundidade e a compreensão do problema que está sendo estudado.
Esses subsídios podem ser apresentados por meio de artigos de revistas especializadas,
livros, vídeos, material produzido nas secretarias municipais e estaduais de Meio Ambiente, textos informativos de ONGs, entre outros.
10. Levantamento de hipóteses de intervenção na comunidade para superação do problema
Conhecedores da realidade e de suas implicações e consequências para a comunidade e
para o meio ambiente, os alunos terão condições de levantar possibilidades de intervenção
que busquem a superação do problema.
A intervenção pode ocorrer, simultaneamente, em três níveis:
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1. do indivíduo;
2. da comunidade;
3. do poder público.
Ainda aqui, o desafio do professor é ser um bom questionador, de forma a colaborar com a
elaboração do pensamento dos alunos ao relacionar causas e consequências. Se a observação de campo validou a hipótese de que os alunos jogam lixo no chão da escola - por não
terem informação; não haver lixeiras em quantidade suficiente e estarem em locais de difícil acesso; e não se perceberem como parte da comunidade escolar -, o que poderia ser feito, lembrando-se dos três níveis de intervenção?
Não têm informação: propor ações motivacionais em que seria distribuído um folheto com
informações; todos os professores seriam estimulados a discutir o assunto em sala de aula
etc.
Não há lixeiras suficientes: levar o assunto para o conselho da escola; pedir à direção da
escola que solicite à SME arrecadar fundos para a compra de lixeiras; fazer um mutirão
para confecção de lixeiras etc.
Os alunos não se percebem como integrantes da comunidade e, portanto, como parte do
problema e da solução: provocar reflexões e o sentimento de pertencimento à comunidade
usando arte, teatro, instalações, intervenções; discutir o assunto com a direção e coordenação da escola e propor um fórum com alunos e professores; propor uma ação ao grêmio
estudantil, discutindo estratégias para reduzir a geração de lixo e melhorar a limpeza da
escola; preparar uma instalação aproveitando o volume de lixo que produzem e descartam
no chão, fazendo rodízio de observação da situação e colaboração na limpeza por classe;
discutir a questão do esforço coletivo e dos papéis de cada um na melhoria da qualidade
de vida na escola etc.
Como podemos ver, existem muitas ações que podem ser desenvolvidas e que não estão
relacionadas a um investimento de dinheiro, e sim a um investimento de tempo, boa vontade, ações coordenadas, mudança de pensamento e cultura. É principalmente a essas possibilidades que queremos chegar.
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11. Lixo também pode virar arte: decidindo como registrar artisticamente o projeto
Promover espaços para a difusão das informações apreendidas e conscientizar a comunidade sobre os problemas relativos ao lixo que a afetam é um dos grandes desafios desse
projeto. E fazer isso utilizando a capacidade criativa dos alunos enriquecerá, e muito, a
troca entre alunos, pais e professores. Por essa razão, propusemos um registro que, além
do formal que acompanhou todas as etapas do processo, traduzisse a experiência em forma de música, teatro, desenho, pintura, montagem, instalação, dança etc. Na hora de fazer
arte com o lixo ou sobre o lixo, também será possível exercitar os princípios de Reutilizar e
Reciclar.
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