Trabalho 523 A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL NA FORMAÇÃO DO ACADÊMICO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM Geovana Samara da Silva Carvalho¹; Sônia Regina Jurado2; Andrew Ferreira Ramos³; Renilda Rosa Dias4 Introdução: O enfermeiro do novo milênio deverá tomar decisões complexas, adaptar-se a novas situações e atualizar constantemente seus conhecimentos. Nesse sentido, esse profissional deve ser criativo, versátil, flexível, saber trabalhar em equipe, comunicar-se e resolver problemas1. Todo este panorama do profissional do século XXI já era previsto na década de 70, quando foi idealizou o Programa Educação Tutorial (PET), um programa do Ministério da Educação e Cultura, o qual visa uma formação global do aluno, o que infelizmente não ocorre na graduação devido à falta de espaço na grade curricular 2. O PET consiste em um programa abrangente, pois ao longo de sua permanência no grupo os bolsistas se envolvem em atividades de ensino, pesquisa e extensão, sob a orientação de um professor tutor 3. O perfil desejado do bolsista é de um indivíduo que tenha bom relacionamento com colegas e professores, seja criativo, disponível, e interessado em trabalhar em grupos e em horários extraordinários, curioso, questionador, motivado para o estudo e a iniciação científica e que tenha iniciativa, capacidade de liderança, maturidade e que seja dinâmico, além disso, também deve dedicar-se 20 horas semanais às atividades do programa e ter bom rendimento acadêmico4. Objetivo: O presente estudo tem como objetivo apresentar a importância PET para a formação profissional do estudante de enfermagem. Metodologia: Este estudo consiste em um relato de experiência vivenciado por doze bolsistas e tutora do grupo PET Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em relação aos benefícios que o Programa trouxe para o curso de graduação em Enfermagem, no período de 02 de janeiro de 2009 a 01 de março de 2011. Como é propósito do grupo a realização de atividades de ensino, pesquisa e extensão bem como a indissociabilidade dessas vertentes, agrupamos os benefícios do programa de acordo com o tipo de atividade. Resultados: Na atualidade, há quinze grupos PET Enfermagem assim distribuídos nas regiões brasileiras: Norte (n=01), Nordeste (n=05), Centro-Oeste (n=02), Sudeste (n=03). ______________________________ 1. Acadêmica do Curso de Enfermagem da UFMS e bolsista do Grupo PET- Programa de Educação Tutorial- Enfermagem. Campus de Três Lagoas – CPTL. E-mail: [email protected] 2. Professora Adjunta, Chefe do Departamento de Enfermagem e Biotecnologia Aplicada à Saúde, Tutora do Grupo PET-Enfermagem/ UFMS/Campus de Três Lagoas - CPTL. 3. Acadêmico do Curso de Enfermagem da UFMS/Campus de Três Lagoas e bolsista do Grupo PET-Enfermagem. 4. Professora Adjunta da UFMS/Campus de Três Lagoas - CPTL. 2208 Trabalho 523 O grupo PET Enfermagem da UFMS é o único no estado de Mato Grosso do Sul e o mesmo vem contribuindo para a formação dos alunos, tanto para os bolsistas do programa quanto para os demais discentes do curso de Enfermagem da UFMS, nos seguintes itens: a) formação acadêmica de excelente nível, visando à formação de um profissional crítico e atuante, através da facilitação do domínio dos processos e métodos gerais e específicos da investigação, análise e atuação da área de conhecimento; b) envolvimento dos bolsistas em tarefas e atividades que propiciem o aprender fazendo; c) discussões de temas éticos, sóciopolíticos, científicos e culturais para o país e/ou para o exercício profissional; d) integração da formação acadêmica com a futura atividade profissional, especialmente no caso da carreira universitária, através da interação entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão; e) estímulo a melhoria do ensino de graduação através do desenvolvimento de novas práticas e experiências pedagógicas; e) atuação dos bolsistas como agentes multiplicadores do conhecimento no ambiente universitário e na comunidade local; f) interação dos bolsistas com o corpo docente e discente da instituição e participação em atividades características de programas de pós-graduação. Conclusão: Em relação às atividades de ensino desenvolvidas no PET, essas contribuem para a formação do acadêmico de Enfermagem do seguinte modo: desenvolvimento de novas práticas e experiências pedagógicas no âmbito do curso; atuação dos bolsistas como agentes multiplicadores, disseminando novas idéias e práticas entre o conjunto dos alunos do curso de Enfermagem; proporciona aos graduandos aprendizado em diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças; capacita os bolsistas do programa e demais alunos do curso na organização e promoção de cursos, palestras, conferências, simpósios bem como outras atividades de ensino sobre os mais diversos temas na área de saúde; participação dos bolsistas em atividades características de programas de pós-graduação; contribuição para a formação de notáveis professores; promoção de discussão sobre ensino-aprendizagem, reforma universitária, grade curricular e sua correlação com a necessidade do mercado; estímulo aos estudantes de séries mais adiantadas na orientação e monitoria para os das séries anteriores; promoção de ações de integração dos estudantes calouros com a universidade e com o curso, realizando visitas pelos departamentos, laboratórios e mostrando a sua importância para a formação do enfermeiro; desenvolvimento de ações coletivas e capacidade de trabalho em grupo, estimulados por meio de dinâmicas, vivências e reflexões; discussão de temas como cidadania, ética, política, ciência e cultura, assuntos de fundamental importância na formação do profissional e maior integração do corpo docente de Enfermagem com o Projeto Político Pedagógico do curso. As atividades de extensão universitária promovidas pelo PET Enfermagem contribuem para a habilitação do estudante de Enfermagem para o desempenho das atividades de educação e de vigilância à saúde, dentro das especificidades de sua categoria, focalizando suas atribuições e competências na área de Saúde; discussão de 2209 Trabalho 523 temas éticos, sócio-políticos, científicos e culturais relevantes para o país e/ou para o exercício profissional; desenvolvimento de atividades que promovem o contato dos bolsistas e demais alunos do curso com a realidade social em que o grupo/curso/universidade estejam inseridos, estimulando o desenvolvimento de uma consciência do papel do aluno/curso/universidade perante a sociedade; estímulo a participação dos alunos do grupo nos projetos de extensão em desenvolvimento e criação de novos que atendam prontamente a promoção da saúde, prevenção de doenças da população local e promova o desenvolvimento da responsabilidade social e da cidadania dos acadêmicos envolvidos. Quanto às atividades de pesquisa, o programa serve como uma forma de iniciar o bolsista ao questionamento crítico e o desenvolvimento do espírito científico. Os alunos não retêm conhecimentos suficientes sobre a pesquisa somente através de métodos tradicionais. No PET, a realização de investigações iniciais, divulgação destas em eventos científicos e uma relação estreita com um orientador são formas de instalar uma atitude positiva e uma autoconfiança nestes alunos que têm o privilégio de poderem desfrutar deste programa na graduação. Sem dúvida, há um investimento em alunos com potenciais e que reverterá em benefícios para a profissão e conseqüentemente para a população em geral, através da prestação de cuidados de qualidade. De um modo geral, nota-se uma distribuição dispare de grupos PET Enfermagem no Brasil e, portanto, o MEC deve estar atento à aprovação e distribuição de novos grupos PET Enfermagem no território nacional devido à relevante importância da profissão do enfermeiro e dos grupos PET Enfermagem para a sociedade brasileira. Referências: 1. Sordi MRL, Bargnato MHS. Subsídios para uma formação profissional crítico-reflexivo na área da saúde: desafio da virada do século. Rev Latino-am Enfermagem 1998; 6(2): 83-8. 2. Petrilli-Filho JF, Martins DC. O programa especial de treinamento na formação do profissional de enfermagem do novo milênio: relato de experiência. Rev Latino-am Enfermagem 2001; 9(4): 91-3. 3. Cassiani SH, Ricci WZ, Souza CR. A experiência do programa especial de treinamento na educação de etudantes de graduação em enfermagem. Rev Latino-am Enfermagem 1998; 6(1): 63-9. 4. Brasil. Ministério da Educação. Portaria MEC nº 976, de 27 de julho de 2010. Diário Oficial da União, páginas 103-104. DESCRITORES: Ensino, Educação, Enfermagem. Área temática: 3 - Políticas e práticas de Educação e Enfermagem. 2210 Trabalho 523 Eixo Temático: Ética, compromisso social e cidadania na pesquisa em enfermagem: fronteiras das disciplinas cientificas, produção e consumo de conhecimento. Forma de Apresentação: Pôster 2211