O MUSEU AEROESPACIAL DO EQUADOR Roberto Portela Bertazzo , Bacharel em História pela UFJF e membro da Sociedade Latino Americana de Historiadores Aeronáuticos (LAAHS). [email protected] O Museo Aeronautico de La Fuerza Aérea Ecuatoriana está localizado na Avenida de la Prensa nº 3570, na cidade de Quito, no interior da Base Aérea, próximo ao terminal do Aeropuerto Internacional Mariscal Sucre e conta um belo acerco, inaugurado em 1986. Apesar de pouco conhecido no Brasil, o museu equatoriano possui um acervo de grande interesse para os amantes da aviação, sendo que algumas aeronaves são únicas na América do Sul, como é o caso do Hanriot HD-1, fabricado sob licença pela Machi em 1917 e que foi o primeiro avião a sobrevoar os Andes Equatorianos em 1920. O Museu equatoriano possui uma interessante galeria pictórica que retrata o desenvolvimento aeronáutico desde o período mítico até os vôos interplanetários. Uma maquete do avião 14 Bis, voado por Santos Dumont também está em exposição bem como uma coleção de cartões postais, uniformes, armas, fotografias e objetos pessoais dos pioneiros da aviação equatoriana. Também em exibição, está o primeiro para quedas usado no Equador no ano de 1924 por Humberto Ree. O seu acervo é composto pelas seguintes aeronaves: Douglas DC-6B - Entre 1964 e 1965, a Tame (Transportes Aéreos Militares Ecuatorianos) comprou da Lan Chile, seis Douglas DC-6B que vovam entre o continente e as Ilhas Galápagos. Estes aviões operaram até 1975 quando foram substituídos pelos Lockheed L188 Electra II. O exemplar em exposição do DC-6 operou no Equador com a matrícula HC-AVH e seu SN 44691. Consolidated PBY-5A A FAE recebeu na década de cinqüenta, dois Consolidated PBY-5A Catalinas que operaram até o início da década de sessenta. Os Catalinas graças à sua enorme autonomia, fizeram os primeiros vôos de correio aéreo, desde as Ilhas Galápagos até o continente. No conflito com o Peru, de 1995, a FAE destruiu em combate, dois Sukkoi SU-22 e um Cessna A-37 peruanos. O Canopi de um Cessna A-37 abatido por um IAI KfirC-2 da FAE está em exibição no Museo Del Aire y Del Espacio. Gloster Meteor FR-9 - A FAE operou um total de 12 aviões Gloster Meteor FR-9, que foram adquiridos em 1955. Estes aviões voaram até a primeira metade da década de setenta e foram utilizados pela esquadrilha acrobática equatoriana Las Águilas. O exemplar do museu voou na FAE com a matrícula FF-123 e é o único Metor FR-9 em exibição na América do Sul. Stinson Reliant – Em março de 1931, o aviador norte americano Theodore L. Gildred voou desde San Diego, California até Quito, no Equador com um Ryan B5, batizado de Ecuador. Sua intenção era iniciar uma companhia aérea no país sul americano. Cinqüenta anos depois, seu filho, Theodore Gildred Jr., repetiu o feito, utilizando um Stinson Reliant, batizado Ecuador II. O avião foi doado ao Museo Del Aire e Del Espacio. Hanriot HD-1 . Sem dúvida a peça mais valiosa do Museu, o Hanriot construído sob licença pela companhia italiana Machi, foi o primeiro avião a sobrevoar os Andes equatorianos, pilotado pelo aviador italiano Elia Liut. O avião voou desde Guayaquil até Cuenca, em 4 de novembro de 1920. Este avião realizou muitos outros voos de importância histórica, entre eles o Raid Tulcán-Pasto, em 6 de março de 1921, transportando o primeiro malote postal internacional nas Américas. Existem mais dois Hanriot HD-1 originais preservados no mundo, ambos em museus italianos. Fairchild PT-19 – A FAE recebeu seu primeiros seis PT-19 Cornell em março de 1942, que foram baseados em Salinas e destinados ao treinamento primário de pilotos. Em 1944 já haviam vinte PT-19 nos inventários da FAE, recebidos pelo convenio de empréstimos e arrendamentos com os Estados Unidos. O exemplar em exibição no museu, na verdade é um avião fabricado no Brasil, pela Fábrica do Galeão, com a designação Galeão 3FG. Doado ao museu pela Força Aérea Brasileira, O PT-19 é exibido com as cores utilizadas pelos exemplares originais equatorianos e a matrícula civil brasileira PP-GZN. Este avião pertenceu ao aeroclube de Erechin, no RS e seu SN 190. Asa de avião austríaco – O piloto equatoriano Cosme Renella Barbatto (ou Cosimo Renella) lutou na Primeira Guerra Mundial ao lado do país de seus antepassados, a Itália. Pilotando um Hanriot HD-1 na Esquadrilha 78, Cosme Renella abateu 7 aviões austríacos, tornando-se Ás da aviação Italiana no Conflito. Após a guerra, retornou ao equador e se incorporou à escola de Aviación Militar de seu país. O Major Cosme Renella Faleceu em Quito, em 1937 e foi sepultado com todas as honras militares como herói nacional. O fragmento de asa exibido no museu de Quito, é de um avião Austríaco abatido por Cosme Renella. North American T-28D – Recebidos em 1965, os T-28D foram operados pelo esquadrão de combate 2113. Foram operados até o início da década de setenta. Lockheed C-130B – O Hércules, é a última aquisição de museu, sendo que em seu interior foi adaptada uma sala sala de projeções, que exibe documentários aos visitantes . English Eletric Camberra MK6 – Considerado o melhor bombardeiro leve de sua época, o Camberra foi utilizado na América do Sul pela Argentina, pelo Chile, Peru, Venezuela e o Equador, que recebeu seis exemplares em 1955 e os operou até 1983. Os três remanescentes, estão preservados em Quito, um no Museu propriamente dito e os outros dois na mesma Base Aérea Mariscal Sucre. Douglas B-23 Dragon - Outro avião bastante raro é o Douglas C-67 (versão adaptada para transporte do bombardeiro americano Douglas B-23 Dragon, dos quais somente foram adaptados treze exemplares dos aproximadamente sessenta fabricados no total). O exemplar em exibição do C-67 pertenceu à companhia Ecuatoriana de Aviación na qual voou com a matrícula HC-APV. Estava configurado para transporte VIP e prestou serviços à companhia petroleira Texaco no final da década de sessenta e início da década de setenta. North American T-28A - A FAE operou um total de vinte aviões T-28A, que se diferenciam externamente da versão D, por terem a hélice bipá e um motor menor. Estes aviões foram utilizados para treinamento de pilotos na Escuela de Aviación Militar. Foram substituídos na década de setenta pelos Beech T-34C Turbo Mentor. Douglas C-47 – A FAE recebeu seu primeiro C-47 em 1947, sendo que outros mais chegaram nos anos seguintes. Com a criação da companhia Aérea Militar TAME, em 1962, o equipamento utilizado eram os C-47, que recebiam matrícula civil e militar. O C-47 preservado no Museu de Quito tinha a matrícula HC-AUT e a militar FAE 11747 seu SN é 77164. Lockheed T-33A - A FAE recebeu os primeiros T-33 em outubro de 1964, Vários lotes foram recebidos, sendo que os últimos chegaram em 1989. Os T-33 foram retirados de operação em 1995, logo após o conflito com o Peru. Sikorsky H-19B Chickasaw – A FAE recebeu seis helicópteros H-19 em 1965, que serviram em missões de salvamento e resgate até meados da década de setenta. North American B-25J - Este avião não pertenceu aos quadro da FAE, tendo sido apreendido e depois destinado ao museu. Sua matrícula civil era N9069Z e o SN 10847620. North American AT-6C - A FAE recebeu em janeiro de 1943,os seus primeiros cinco AT-6C, que vieram voando desde os Estados Unidos, pilotados por tripulações equatorianas. O exemplar do Museu ostentou a matrícula FAE 43233. North American T-6G – Versão recebida posteriormente, o T-6G serviu na FAE até o final da década de sessenta. Sua matrícula era FAE 20310. Beech C-45H – Este Beech foi doado ao Museu Del Aire y Del Espacio pela Força Aérea Chilena. A cidade de Quito, apesar de estar situada a trinta quilômetros da Linha do Equador, possui um clima bastante agradável graças à altitude local (2800 MTS) e vale a pena uma visita a este Museu.