MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Apresentação Brasil e Angola são países em construção. Têm em comum o desafio de transformar imensas potencialidades em termos de recursos naturais e humanos em riqueza efetiva, de forma a proporcionar níveis crescentes de prosperidade às gerações presentes e garantir o bem-estar de gerações futuras. As economias dos dois países apresentam inúmeras interfaces nas quais a complementaridade de interesses e capacidades é muito evidente, o que se reflete no significativo fluxo de comércio bilateral. Na verdade, Angola já é, de longe, o principal destino para alocação do investimento direto brasileiro na África. À medida que as economias do Brasil e de Angola crescem e se diversificam, torna-se mais relevante a participação do setor de serviços na composição da referida complementaridade. Não obstante, dificuldades existem e devem ser superadas num esforço conjunto dos dois países, com o envolvimento tanto dos governos quanto do empresariado. Aliás, a esse propósito elogios enfáticos devem ser feitos ao trabalho de alta efetividade empreendido pela Apex-Brasil, aos esforços do Ministério das Finanças de Angola e entidades correlacionadas e, principalmente, aos empresários brasileiros e angolanos que, a despeito de todos os percalços, têm logrado identificar e explorar oportunidades de negócios em serviços entre os dois países. Desse esforço participa a Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - SCS-MDIC, locus definidor de políticas públicas para a internacionalização das empresas brasileiras de serviços, como facilitadora da interlocução institucional e empresarial entre todas as partes interessadas na promoção e facilitação do comércio e do investimento em serviços entre Brasil e Angola. De fato, as comunidades empresariais do Brasil e de Angola atuantes no setor terciário têm a percepção difusa de que há relevantes oportunidades de negócios com o país vizinho, mas escapa-lhe a exata delimitação dessas oportunidades. Essa incerteza é particularmente aguda para as pequenas e médias empresas ― PMEs ― que não podem arcar com os elevados custos envolvidos na contratação de consultorias especializadas. Inteligência comercial abrange a coleta e sistematização de informação relevante para a formulação de políticas públicas e para a redução do risco empresarial no que se refere à inserção em mercados. Nesse contexto, e visando conferir maior visibilidade às oportunidades de negócios em serviços ente os dois países, a equipe de inteligência comercial da SCS-MDIC elaborou o estudo que se segue que, tendo em vista da importância das relações bilatérias, será objeto de permanente aperfeiçoamento e atualização. Este estudo é referenciado ao interesse nacional angolano manifesto em páginas de entidades oficiais na Internet e o interesse brasileiro tal qual é definido na Política de Desenvolvimento Produtivo e outros normativos. Caso o leitor queira manifestar qualquer crítica ou sugestão que possa contribuir para o aperfeiçoamento desse estudo, poderá fazê-lo encaminhando mensagem para [email protected]. 2 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Índice 1 - Macroambiente de Negócios ..........................................................................................5 1.1. Território e População...................................................................................................5 1.2. Economia......................................................................................................................6 1.2.1. PIB .............................................................................................................................6 1.2.2. Outros índices............................................................................................................8 1.3. Proteção aos Direitos de Propriedade Intelectual.........................................................9 2. Quadro Atual para Negócios em Serviços ....................................................................11 2.1. Comércio Exterior e Investimentos .............................................................................11 2.2. Principais Empresas ...................................................................................................17 2.3. Compras Governamentais ..........................................................................................17 2.4. Caracterização do Setor de Serviços..........................................................................18 2.5. Caracterização dos Subsetores de Serviços ..............................................................19 2.5.1. Serviços Afeitos a Energias Renováveis .................................................................19 2.5.2. Construção ..............................................................................................................20 2.5.3. Software...................................................................................................................20 3. Facilidades e Impedimentos aos Negócios...................................................................23 3.1. Presença Estrangeira em Angola: concorrência e parcerias ......................................23 3.2. Complementaridade e Distância.................................................................................25 3. 2.1. Complementaridade................................................................................................25 3.2.2. Distância ..................................................................................................................27 3.2.3. Conclusões ..............................................................................................................30 3.3. Recomendações às Empresas Brasileiras .................................................................31 4. Estatísticas de Comércio Exterior e Outras Informações...............................................36 4.1. Estatísticas .................................................................................................................36 4.1.1. Fluxo Comercial Exterior de Serviços ......................................................................37 4.2. Principais Acordos Firmados entre o Brasil e Angola .................................................45 4.3. Outros Estudos de Interesse ......................................................................................46 4.4. Endereços e Links Úteis .............................................................................................46 4.4.1. No Brasil ..................................................................................................................46 4.4.2. Em Angola ...............................................................................................................47 4.4.3. Outros Links de Interesse ........................................................................................49 3 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 4 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 1 - Macroambiente de Negócios 1.1. Território e População Angola estende-se por 1.246.700 km² (equivalente ao Estado do Pará), com grande variedade climática. O extenso litoral atlântico, de 1.600 km, defronta-se com litoral brasileiro na mesma latitude do nordeste do Brasil. Administrativamente, Angola está dividida em 18 províncias, de diferentes vocações econômicas. O território angolano é extraordinariamente rico em recursos naturais, oferecendo oportunidades imediatas para atividades empresarias focadas no setor primário: petróleo, diamantes, minério de ferro, ouro, terras agrícolas e pastoris, recursos florestais, entre outros. As águas frias do litoral sul estão entre as mais piscosas do mundo. Rios caudalosos que descem das terras altas propiciam imenso potencial de aproveitamento hidrelétrico. À medida que as atividades focadas no setor primário venham a crescer e se diversificar, indo além da excessiva concentração no setor petrolífero e de diamantes, crescerão extraordinariamente as oportunidades no setor secundário e no setor terciário. Antecipando-se a isso, empresas estrangeiras têm estabelecido presença comercial direta em Angola, inclusive empresas brasileiras de serviços, realizando vultosos investimentos naquele que promete ser um dos mercados mais atrativos da África Subsaariana. A população total está em volta de 13 milhões de habitantes (pouco menos que o estado da Bahia), fortemente concentrada na capital (mais de 5 milhões) em virtude do êxodo provocado pela guerra civil. Quase 60% da população acima de 15 anos de idade afirma saber ler e escrever em português. A população angolana é majoritariamente jovem. Houve grandes progressos em instrução pública e em formação e treinamento profissional desde a independência. No entanto, grandes contingentes da população, mesmo no meio urbano, ainda está fortemente vinculada aos valores sociais e ao universo simbólico próprios da sociedade tradicional africana, aos quais a organização burocrática, impessoal e orientada ao lucro da empresa capitalista podem parecer estranhos, despropositados ou mesmo inumanos. Esse é um fator a ser considerado pela empresa estrangeira que queira estabelecer presença comercial direta no país, principalmente no setor terciário, no qual as relações pessoais intra e extraempresa são mais estreitas e freqüentes. Nesse contexto, a empresa deverá ser extremamente cuidadosa na seleção dos seus quadros e investir massivamente na formação e treinamento da mão-de-obra1. 1 Ver ao final deste estudo “Angola 2007 - The Global Competitiveness Index in Detail”, do Fórum Econômico de Davos. 5 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Espera-se que, no futuro, o estreitamento da cooperação institucional ente Brasil e Angola possa levar a replicação no país africano, de entidades do chamado Sistema S, como SEBRAE, SESC, SENAR E SENAT, com imensos ganhos para o setor produtivo angolano. Diferentemente do que ocorre em muitos países da África Subsaariana, a epidemia de AIDS que assola o Continente não atingiu níveis calamitosos e está a iminência de ser contida. Portanto, sob esse aspecto, as empresas estrangeiras estabelecidas no país não têm que se defrontar com custos extraordinários imediatos e com futura redução de mercado consumidor, como ocorre, por exemplo, na África do Sul. 1.2. Economia 1.2.1. PIB Considerada a equivalência do poder de compra, o PIB de Angola é da ordem de US$ 105,1 bilhões (dados referentes a 2008). Para efeito comparativo, pelo mesmo critério, o PIB do Brasil é de US$ 1.984 bilhões 2. PIB de Angola e Países Selecionados PIB pela Paridade do Poder de Compra (PPC) e PIB pelo Câmbio Oficial (PCO) US$ milhões 493 443 277 315 233 160 105 163 207 85 Angola África do Sul Argélia PPC Egito Nigéria PCO Nos últimos anos, a economia angolana obteve altíssimas taxas de crescimento devido à expansão do setor petrolífero e a retomada de atividades econômicas interrompidas ao longo de 40 anos de conflitos armados. As cifras a seguir mostram o alto crescimento angolano nos últimos anos (números relativos ao Brasil entre parênteses): 11,2% em 2004 (5,7%), 20,6% em 2005 (3,2 %) e 18,6% em 2006 (4,0%), 20,3% em 2007 (Brasil: 5,7%) e 13,2% em 2008 (5,1%)3. No entanto, é de se ressaltar que, em virtude da forte declínio do preço do petróleo e da retração da demanda por outras matérias-primas exportadas por Angola, é improvável que a economia angolana ostente números tão extraordinários enquanto perdurar o agudo quadro recessivo global. Estimativas do FMI apontam para um crescimento de 0,2 % em 2009 (-0,7%) e 9,3% para 2010 (3,5%). Em função da atividade petrolífera (dois milhões de barris diários, equivalente à atual produção brasileira de petróleo) e pelo fato de Angola ter uma população relativamente pequena, o país desfruta um dos maiores PIB per capita da África. 2 Economist Intelligence Unit. O PIB calculado pela equivalência de poder de compra retrata o tamanho do mercado potencial pela comparação dos custos relativos de produtos e serviços nos EUA, informação relevante para o investidor estrangeiro que deseje estabelecer presença comercial direta e atender o mercado local. 3 Fundo Monetário Internacional – World Economic Outlook (2009). 6 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS PIB per capita pela Paridade do Poder de Compra (PPC) Angola e Países Selecionados - 2008 (US$ mil) 10.136 6.709 6.252 5.897 2.162 Angola África do Sul Egito Argélia Nigéria Na tabela abaixo, observa-se o grande crescimento do PIB angolano (calculado pelo câmbio oficial): 7 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Nos próximos anos, segundo a Economist Intelligene Unit, taxa de crescimento do PIB e outros indicadores econômicos devem evoluir como segue: Indicadores 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Crescimento Real do PIB (%) 13,2 -2,3 6,2 14,9 10,9 7,7 Inflação de Preços ao Consumidor (%) 12,5 11,3 10,5 11,3 12,2 12,4 Balanço Orçamentário (%PIB) 10,4 2,2 2,6 4,0 4,9 5,2 Balança de Conta Corrente (% do PIB) 38,9 -3,1 4,7 7,6 6,6 3,1 Dívida Externa Total (US$ m) 7, 597 5, 146 5, 330 6, 272 6, 609 6, 469 Taxa de Câmbio Kz/US$ 75,03 78,98 83,50 83,08 81,17 82,08 1.2.2. Outros índices O Índice de Competitividade Global4 do Fórum Econômico Mundial não classificou Angola nos dois últimos relatórios por falta de dados. No entanto, em 2007, o Fórum Econômico Mundial divulgou o chamado “Africa Competitiveness Report”. Nesta publicação, Angola ocupou a última posição (128ª). Para efeitos comparativos, o Brasil ocupava a 72ª posição no índice mundial de 2007 e, no último relatório, datado de 2008, ocupa a 64ª posição. Segundo esse índice, atualmente, a economia angolana está entre as menos competitivas do mundo, abaixo até mesmo da média das economias cuja competitividade está lastreada na abundância de fatores de produção primários (recursos naturais e mão-de-obra). Pelos critérios do Fórum Econômico Mundial, Angola é uma economia cuja competitividade deriva da abundância de recursos naturais, evoluindo gradativamente para uma economia cuja competitividade derivará essencialmente do uso eficiente dos fatores de produção, mas ainda distante do padrão dos países mais desenvolvidos, onde a competitividade decorre da inovação tecnológica, inclusive tecnologias de gestão. 4 Esse índice avalia o ambiente de negócios de cada país considerando vários fatores como efetividade das instituições públicas, qualidade da mão-deobra, eficiência dos mercados favorecimento à inovação etc. “Global Competitiveness Report” disponível em http://en.wikipedia.org/wiki/Global_Competitiveness_Report. 8 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Fonte: The Africa Competitiveness Report 2007 - World Economic Forum5 O Growth Enviroment Score (GES) atribuído pelo Goldman Sachs (maior banco de investimentos do mundo) a Angola é 2.1 (158ª posição). Para efeito comparativo, aos EUA foi atribuída pontuação 7.4 (10ª posição) e ao Brasil 3.8 (95ª posição) 6. 1.3. Proteção aos Direitos de Propriedade Intelectual Conquanto a legislação angolana proporcione proteção básica aos direitos de propriedade intelectual e a Assembléia Nacional esteja envidando esforços para aprimorar a legislação pertinente, no momento a efetividade desta ainda fica muito aquém do que se estima ser desejável. Como é notório, a proteção a direitos de propriedade intelectual constitui tópico muito sensível para empresas atuantes em certos setores de serviços (especialmente serviços de informática, audiovisual, propaganda e marketing, franquias etc). Os diplomas legais que regem a proteção aos direitos de propriedade intelectual são a Lei 3/92 para direitos de propriedade industrial e a Lei 4/90 para direitos autorais e copyrights. O assunto é de alçada do Ministério da Indústria (marcas, patentes e desenho industrial) e do Ministério da Cultura (direitos de autor, direitos sobre obra literária e criação artística etc). Em agosto de 2005, Angola aderiu à Convenção de Paris para Proteção da Propriedade Industrial e ao Tratado de Cooperação em Patentes da Organização para a Propriedade Intelectual (WIPO) 7. 5 http://www.weforum.org/en/initiatives/gcp/Africa%20Competitiveness%20Report/2007/index.htm http://www2.goldmansachs.com/hkchina/insight/research/pdf/BRICs_3_12-1-05.pdf. 7 http://www.ustr.gov/assets/Document_Library/Reports_Publications/2007/2007_NTE_Report/asset_upload_file224_10923.pdf 6 9 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 10 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 2. Quadro Atual para Negócios em Serviços 2.1. Comércio Exterior e Investimentos Setor de atividades Localização geográfica Setor de atividades Zona de desenvolvimento Processamento de Produtos Agropecuários, Pesca e derivados, Construção Civil, Saúde e Educação, Incentivos concedidos Tributos aduaneiros: Operações de investimentos isentos de pagamentos de tributos. Zona A: Província 3 Anos de Luanda, as capitais municipais das províncias de Benguela, Hulia Cabinda e o município de Lobito. Zona B: Restantes 4 Anos dos municípios das províncias de Benguela, Cabina e Rodovias e Huíla, e Províncias Ferrovias, da Kwanza Norte, Bengo, Uige, Portos e Kwanza Sul, Luanda Aeroportos Norte e Luanda Sul. Zona C: Províncias 6 Anos de Huambo, Bié, Telecomunicações, Moxico, Cuando Cubango, Cuene, Equipamentos de Namibe, Malanje e transportes de Zaire. cargas pesadas e Zonas econômicas passageiros especiais: Definida em projeto básico. Taxas industriais: proveniente de investimentos isenta dos pagamentos de taxas industriais. Taxas sobre ganhos de capital: Companhias que promovem investimentos de capital isentos das taxas de pagamento de capital. 8 Anos 5 Anos 12 Anos 10 Anos 15 Anos 15 Anos Infraestrutura de Energia e Água, Observada a tabela acima, os incentivos concedidos pelo governo local variam segundo o setor de atividade e alocação geográfica. O investimento direto estrangeiro tem sido o motor da 11 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS expansão econômica do país. O governo angolano promove ativamente o investimento estrangeiro através da ANIP – Agência Nacional para o Investimento Privado (http://investinangola.com/port/), subordinada ao Ministério das Finanças 8. A ANIP indica agricultura, construção e serviços afins, energia e águas, desenvolvimento e gestão de infraestruturas, turismo e hotelaria, indústria de processamento e extração de minérios, como os mais atrativos para o investidor estrangeiro. O gráfico abaixo ilustra a divisão administrativa de Angola. As áreas mais atrativas para as empresas de serviço são a capital e as cidades costeiras. Os maiores incentivos são reservados às províncias mais remotas ou mais devastados pela guerra civil 1. Bengo 2. Benguela 3. Bié 4. Cabinda 5. Kuando-Kubango 6. Kwanza-Norte 7. Kwanza-Sul 8. Cunene 9. Huambo 10. Huíla 11. Luanda 12. Lunda-Norte 13. Lunda-Sul 14. Malanje 15. Moxico 16. Namibe 17. Uíge 18. Zaire 8 http://www.minfin.gv.ao/ 12 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Incentivos adicionais são concedidos para empreendimentos nos mesmos setores de atividades referidos na tabela anterior, independentemente de alocação geográfica do investimento, como segue: Setor de Atividades Incentivos Adicionais São Considerados como Custos Processamento de produtos agropecuários, Isenção de tributos sobre a produção industrial no período de até 10 anos: Criação de 50 ou mais trabalhos de expediente completo para os cidadãos nacionais. Até 100% dos gastos dispêndios na construção e reparo de rodovias, ferrovias, telecomunicações, abastecimento de água e infraestrutura social para os trabalhadores, suas famílias e habitantes locais. Pesca e derivados, Construção civil, Educação e saúde, Até 100% dos gastos dispêndios no treinamento profissional em todos os Investimentos em novos campos relativos à produção Rodovias e ferrovias, empreendimentos e na e serviços prestados a recuperação de pessoa. Portos e aeroportos empreendimentos destruídos ou paralisados nas áreas Até 100% de gastos prioritárias (apenas zona C). decorrentes dos Telecomunicações, investimentos alocados de apoio a setor cultural e/ou Equipamentos de transporte aquisição de criações de cargas pesadas e artísticas de criadores passageiros. angolanos residentes em Angola e que não venham a ser vendidos em um período inferior a dez anos. Infraestrutura de energia e água, Em 2007, segundo a UNCTAD, o investimento direto estrangeiro correspondia a cerca de 20% do PIB angolano. O comércio exterior angolano é caracterizado por uma altíssima concentração da pauta de exportações em poucos produtos, notadamente petróleo e gás, bens cuja extração, transporte e refino respondem por 85% do PIB angolano e importação de quase todos os bens e serviços de maior valor agregado, inclusive alimentos. Segunda a Agência Nacional para o Investimento Privado de Angola, as exportações de Angola têm como principais destinos: EUA (44,2%), China (18,7%), França (9%), Bélgica (8,8%) e Espanha (2,1%). Os principais produtos importados por Angola são: maquinaria e equipamento elétrico, veículos, medicamentos, produtos alimentares e têxteis. A maior parte das importações angolanas origina- 13 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS se dos seguintes países: Portugal (20%), África do Sul (13%), Estados Unidos (13%), França (7%) e Brasil (6%).9 O comércio exterior angolano está caracterizado por superávit na balança de bens e déficit na de serviços. Balança de Bens (US$ bilhões) 66,3 45,2 44,4 31,9 30,7 24,1 23,1 21,1 15,8 13,7 8,4 8,8 2005 2006 2007 Exportação Im portação 2008 Saldo Balança de Serviços (US$ bilhões) 11,61 6,86 6,191 n.d. 0,177 2005 0,311 2006 -6,0 n.d.0,0 2007 2008 -6,9 -11,3 Exportação 9 Im portação Saldo Fonte: http://investinangola.com/port/ 14 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Total da Balança Comercial (Bens + Serviços) Balança Comercial (US$ bilhões) 72,5 44,7 25,3 24,3 15,6 19,4 n.d. 2005 n.d.0,0 2006 2007 2008 -15,6 -48,2 Exportação Im portação Saldo As principais fontes de investimento estrangeiro direto em Angola são mais ou menos coincidente com a origem das importações. O Brasil é um dos investidores estrangeiros mais importantes, respondendo por 10% do PIB angolano10. De fato, no Continente Africano, Angola é a principal destinação do investimento brasileiro, como evidencia o quadro abaixo. Investimento Brasileiro na África - Estoque Acumulado até 2007, em US$ Milhões Fonte: BACEN 2 5 3 3 93 Angola Guiné Equatorial Ilhas Maurício Moçambique África do Sul Angola, mesmo no contexto africano, no que tange ao quadro institucional e político, está longe de se configurar como um dos mercados mais seguros, transparentes e previsíveis para alocação do investimento estrangeiro. No entanto, é um país rico em recursos naturais, grande exportador de petróleo, com uma das maiores taxas de crescimento econômico do mundo, onde o investidor estrangeiro disposto a assumir riscos encontrará diversificadas oportunidades de negócios, principalmente no setor terciário. Há três dezenas de operações de financiamento do BNDES para Angola. Cerca de metade dos projetos é para financiar a construção de rodovias por construtoras brasileiras como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Há também financiamentos para bens e serviços diversos 10 InfoMoney (www.infomoney.com.br). 15 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS como a construção da Hidrelétrica de Capanga, centros de pesquisa e tecnologia etc Atualmente, mais de 30 empresas brasileiras operam em Angola 12. 11 . As afinidades linguísticas e culturais e a proximidade política entre os governos de Angola e do Brasil (há vários projetos de cooperação técnica e econômica firmados) são fatores que favorecem a implantação de empresas brasileiras no mercado angolano. Não obstante, o investidor brasileiro tem perdido terreno para competidores estrangeiros mais ágeis em identificar oportunidades negociais num país que se afigura como um dos mais atraentes da África. Assim, o setor de petróleo é dominado por empresas americanas e européias, o setor ferroviário por uma empresa anglo-belga, o setor financeiro, pesca e consultorias pelos portugueses e no que se refere aos serviços de engenharia e construção civil, os chineses vêm se colocado com muita agressividade13. Surpreendentemente, Angola já é o mais importante parceiro comercial da China na África, à frente da Nigéria e da África do Sul. Juntamente com Gana e Moçambique, Angola tem sido o país africano mais receptivo às investidas da diplomacia comercial brasileira visando promover os biocombustíveis como commodities com abrangência global no que se refere à produção e ao consumo. Espera-se que disso resultem relevante volume de exportações do Brasil para Angola de bens e serviços pertinentes à produção e distribuição de biocombustíveis ainda num futuro próximo14. Também há boas oportunidades para empresas estrangeiras provedoras de serviços na área de mineração15, em especial serviços de alta tecnologia, área em que as empresas locais tendem a ser pouco competitivas. Serviços afeitos às tecnologias da informação e comunicação, inclusive serviços de valor adicionado a telecomunicações são um segmento com amplo potencial para o incremento de comércio e investimentos entre Brasil e Angola. Recentemente, o governo de Angola tem envidado esforços para viabilizar infra-estruturas e capacitação de mão-de-obra nessa área indispensável para a expansão dos setores mais modernos da economia16. O volume total de negócios dos associados da AEBRAN – Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (mais de meio bilhão de dólares anuais) e a diversidade das áreas em que atuam constituem excelente indicativo das oportunidades existentes em Angola. De fato, os associados da AEBRAN têm negócios nas seguintes áreas: agroindústria, agropecuária, alimentação industrial, comércio geral varejista e atacadista, comunicações, concessionária de veículos, construção civil, consultoria empresarial, educação, eletrodomésticos, energia, engenharia e projetos, equipamento de refrigeração industrial, formação e capacitação técnicaprofissional, incorporação e promoção imobiliária, informática, loterias, medicamentos, mineração, navegação marítima, petróleo, propaganda e marketing, representações comerciais, restaurantes, saúde, telecomunicações e transportes17. A presença comercial de instituições financeiras estrangeiras tende a fomentar o fluxo de comércio e investimentos entre o país de origem e o país anfitrião, dado que, via de regra, as instituições financeiras têm investimentos cruzados com empresas do setor secundário e terciário. Nesse contexto, certamente é de interesse comum de Brasil e Angola incentivar o estabelecimento de empresas e o cruzamento de investimentos nesse setor. Ainda não há bancos brasileiros estabelecidos em Angola, mas cogita-se que isso venha a ocorrer em breve com a abertura de agências do Banco do Brasil e Banco Rural do Brasil18. 11 O Estado de São Paulo, 23/04/2008. Jornal Mundo Lusíada, 10/10/2007 (http://www.mundolusiada.com.br/POLITICA/poli274_out07.htm). “A Nova Ameaça Chinesa – empresas brasileiras sofrem mais um golpe das concorrentes chinesas – desta vez na África”, artigo publicado na revista Exame – edição de 31/01/2007. 14 O Estado de São Paulo, 23/04/2008. 15 Além de petróleo, gás e diamantes, Angola tem relevantes jazidas de minério de ferro, urânio e ouro. 16 “Angolanos debatem no Rio perspectivas tecnológicas” (http://www.fesa.org.br/Imprensa/AngolaHoje/2007/julago/33/33%2035.pdf) 17 http://www.aebran.com/dados/dados04.htm 18 www.aebran.com 12 13 16 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 2.2. Principais Empresas A maior companhia de Angola é a paraestatal petrolífera Sonangol. O Grupo Sanangol compreende várias subsidiárias do setor de serviços que têm como principal cliente a própria petrolífera. Essas subsidiárias atuam nos setores de transporte, logística, locação e assistência técnica de máquinas e equipamentos, telecomunicações, engenharia e construção civil e serviços financeiros. O faturamento do Grupo Sonangol representa boa parte do PIB angolano. Outras grandes empresas de capital majoritariamente angolano são Angola Air Charter, Caminhos de Ferro de Angola e TAAG Angola Airways. Todas essas empresas são grandes adquirentes de serviços no mercado interno e, principalmente, no exterior. Ainda não há empresas angolanas listadas entre as 2000 maiores empresas de capital aberto do mundo pela Forbes19. Para efeitos comparativos, o Brasil tem 34 empresas relacionadas no referido índice. Estas empresas representam 16,7% do PIB brasileiro e somam US$ 319 bilhões em valor de mercado. O parque industrial angolano, com exceção do refino de petróleo, ainda é incipiente. É focado na indústria leve (têxtil, agroalimentar, bens de consumo não-duráveis etc) e na indústria de transformação de produtos primários. Há umas poucas indústrias de base (siderurgia, indústria metalomecânica, química etc) e estaleiros para reparo de embarcações de pesca. Cogita-se que o parque industrial angolano venha a crescer significativamente nos próximos anos, já que o país necessita diversificar sua economia e gerar emprego e renda para uma população em franco crescimento. Em virtude da disponibilidade de divisas decorrente das exportações de petróleo e diamantes, Angola está capacitada a importar os bens e serviços necessários para a expansão do setor. Nesse quadro, empresas brasileiras prestadoras de serviços de consultoria, assistência técnica e manutenção podem se inserir competitivamente em Angola, disputando espaço com as concorrentes estrangeiras. 2.3. Compras Governamentais Em Angola, as compras governamentais, juntamente com as aquisições das empresas paraestatais, constituem a maior parte do mercado de serviços angolano de interesse para as empresas estrangeiras. Assim como o Brasil, Angola não é signatária do acordo da OMC sobre compras governamentais. O governo publica os editais de licitação na imprensa local e internacional 15 a 90 dias antes da recepção das propostas. Os formulários necessários para participar do processo licitatório são disponibilizados pelo órgão da administração direta ou indireta diretamente afeito ao objeto da licitação mediante o pagamento de uma taxa não reembolsável. As propostas devidamente documentadas são encaminhadas para avaliação do órgão interessado após o depósito de uma caução. Na percepção de muitas empresas, os prazos entre a publicação das convocatórias e o encerramento das inscrições são exíguos e informações técnicas relevantes para a elaboração de propostas competitivas não são prontamente disponibilizadas para o público em geral. É geral a percepção geral de que falta transparência ao processo, conquanto, nesse aspecto, tenham ocorrido progressos em virtude do aprimoramento da legislação20. As empresas brasileiras de serviços de grande envergadura financeira e reconhecida competência técnica não tem tido dificuldades extraordinárias para contratar com o governo de Angola a despeito dos esforços da concorrência estrangeira. No entanto, às pequenas e médias empresas de serviços brasileiras é recomendável firmar parceria com empresa angolana, ou participar de consórcio ou joint venture envolvendo empresa brasileira ou estrangeira de grande porte (frequentemente empresa portuguesa). 19 Forbes 2000 é um ranking atualizado anualmente abarcando as 2000 maiores empresas do mundo organizado pela revista Forbes (http://www.forbes.com/2007/03/29/forbes-global-2000-biz-07forbes2000-cz_sd_0329global_land.html). 20 http://www.ustr.gov/assets/Document_Library/Reports_Publications/2007/2007_NTE_Report/asset_upload_file224_10923.pdf 17 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 2.4. Caracterização do Setor de Serviços O setor de serviços em Angola ainda é pequeno (cerca de 25% da economia do país) e bastante concentrado em atividades correlatas à extração e ao refino de petróleo. Porquanto Angola tenha sido a economia de mais rápido crescimento da África nos últimos anos, o setor de serviços também tem registrado forte expansão, atraindo empresas de diversas nacionalidades, inclusive brasileiras. De fato, em decorrência da reconstrução da infraestrutura do país, da expansão da infraestrutura de geração e transmissão de energia e do crescimento urbano, há extraordinárias oportunidades no setor de serviços relativos à engenharia, construção civil e arquitetura. Também existem relevantes oportunidades de negócios nos setores de distribuição e vendas (inclusive franquias), consultoria e assistência técnica e serviços afeitos às tecnologias da informação e da comunicação. Os números referentes ao turismo em Angola crescem com bastante intensidade. Em 2007, o número de turistas que visitaram Angola aumentou 62% em relação ao ano anterior, demonstrando o grande crescimento do setor. Os turistas vêm, em ordem de relevância, da Europa, Estados Unidos, África, Ásia, Oriente Médio e Austrália.21 O turismo é uma área de grande potencial para o incremento do comércio e do investimento entre Brasil e Angola. Devido ao exotismo das paisagens e riqueza da fauna angolana22, o país pode configurar-se como destinação turística relevante para os brasileiros, como já o são África do Sul e Namíbia. Além disso, as visitas feitas por brasileiros a Angola, em decorrência de negócios, podem funcionar como estímulo ao desenvolvimento do interesse brasileiro pelo país. Por outro lado, comerciantes angolanos desembarcam no Rio de Janeiro para comprar os mais diversos produtos para serem revendidos em Angola, configurando um relevante turismo de negócios. Uma área de grande potencial de negócios para empresas brasileiras é o chamado turismo focado na prestação de serviços médicos e odontológicos, haja vista a excelência dos profissionais brasileiros e a carência desses serviços em Angola. Contingente significativo de angolanos viaja a Europa em busca desses serviços quando esses estão acessíveis em condições mais vantajosas no Brasil. Na verdade, Angola é um dos países da África subsaariana com maior renda per capita, as elites viajam regularmente ao exterior. Para essas pessoas, o Brasil afigura-se como atrativo destino turístico, em parte devido à proximidade geográfica, afinidade linguística e cultural e à facilidade de locomoção. A TAAG (Linhas Aéreas de Angola) opera voos diretos entre Luanda e Rio de Janeiro. A ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil autorizou a empresa Oceanair a operar voos ente Luanda e São Paulo. Para que o fluxo turístico entre os dois países possa se expandir, faz-se necessária a ampliação da frequência de voos entre Luanda e Rio de Janeiro (atualmente são três voos por semana) e a criação de novas rotas aéreas ligando Angola e Brasil. A expansão do turismo em Angola abre mais um nicho de mercado para as empresas brasileiras de construção civil, engenharia e arquitetura, haja vista a necessidade de melhoramento de aeroportos, expansão da rede hoteleira etc. Também há oportunidades para empresas de consultoria especializada, operadoras de turismo e empresas especializadas na qualificação de recursos humanos. Angola precisa capacitar sua mão de obra para atender os altos padrões internacionais e pode aproveitar a vasta experiência brasileira para isso. A cooperação institucional entre Brasil e Angola na área turística progride a passos largos. Em agosto de 2008, veio ao Brasil uma missão angolana para conhecer as políticas e programas 21 22 http://port.pravda.ru/news/sociedade/23-09-2008/24526-turismoangola-0 http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/africa/angola.shtml e http://www.unitedworld-usa.com/reports/angola/tourism.asp 18 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS desenvolvidos pelo governo brasileiro em turismo e hotelaria. O governo angolano pretende utilizar a experiência brasileira e firmar acordo de cooperação técnica 23. O diretor do Instituto de Fomento Turístico angolano, Amaro Francisco, disse que Angola, depois de resolver seus problemas de infraestrutura, tem potencial de ser um dos destinos turísticos mais importantes na África 24. Em 2010 Luanda sediará o Campeonato Africano das Nações (CAN2010). O evento deve representar um forte impulso para a expansão da rede hoteleira da capital, vindo a gerar oportunidades de negócios para empreiteiras, empresas especializadas na qualificação de mãode-obra etc 25. 2.5. Caracterização dos Subsetores de Serviços 2.5.1. Serviços Afeitos a Energias Renováveis Em decorrência de o Brasil dispor de recursos energéticos exportáveis de grande monta (biocombustíveis e o petróleo e gás a serem extraídos da chamada camada pré-sal), o item energia, incluindo bens e serviços, será um dos mais fortes motores de atração e expansão de investimentos do País nas próximas décadas e de projeção das empresas brasileiras no exterior. O aproveitamento econômico das energias renováveis envolve não só a produção de bens (biocombustíveis, insumos químicos, geradores, turbinas, maquinário diverso etc), mas também um considerável aporte de serviços. Estes compreendem desde os mais gerais como logística, distribuição, vendas e aluguel de equipamentos, até os mais específicos, de alto valor agregado, como os serviços inerentes a P&D, consultorias e assistência técnica especializada. Assim, no que se refere a comércio e investimentos em bens e serviços afeitos a biocombustíveis, vislumbram-se crescentes oportunidades já que Angola tem potencial para se tornar um importante produtor de biocombustíveis, com possibilidade de se tornar um exportador do produto para os países da União Européia. Atualmente, Angola não figura entre os países produtores de biocombustível. No entanto, faz parte dos projetos do governo atual desenvolver o setor e, assim, estuda a aprovação de uma lei que prevê a ocupação de 30 mil hectares para o cultivo de cana de açúcar e o investimento de U$ 258 milhões26. O primeiro projeto está previsto para a província de Malanje, onde o governo tenta reavivar a economia agrícola após décadas de guerra. O Brasil terá importante participação na implantação da produção de biocombustíveis no país, com a previsão de transferência de tecnologia brasileira na produção de biocombustíveis. A empreiteira brasileira Odebrecht anunciou, em agosto deste ano, um investimento de US$ 220 milhões através do consórcio Biocom, com a angolana Sonangol, para a produção de açúcar e energia no norte de Angola. O projeto angolano-brasileiro é o segundo de grande impacto na área de biocombustíveis uma vez que em 2007 o grupo AfriAgro27, criado a partir de um consórcio luso-angolano, anunciou seus planos para um investimento de US$ 46,6 milhões em uma usina de produção de biodiesel que usará como matéria-prima o óleo de palma, planta característica da região. O projeto de criação de óleo de palma para produzir biodiesel da AfriAgro começou no início de 2008 e nesse mesmo 23 http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=7591372&indice=20&canal=406 http://www.angonoticias.com/full_headlines.php?id=22491 25 http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/africa/7899839.stm e http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/africa/7834234.stm 26 http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2009/10/23/brasil+apoiara+producao+de+biocombustivel+em+angola+8920918.html 24 27 O grupo português Atlântica detêm 45% das ações da empresa e os outros 55% são dividos entre as empresas angolanas N’zogi Yetu(20%), Coroagest (15%) e Lion(20%). 19 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS ano o Grupo Atlântica criou a Escola Agrária no Ambriz para formar técnicos, principalmente para serem absorvidos pela própria empresa. 2.5.2. Construção As afinidades lingüísticas e culturais e a proximidade política entre os governos de Angola e do Brasil (há vários projetos de cooperação firmados ou em implantação) são fatores que favorecem a implantação de empresas brasileiras no mercado angolano. Não obstante, o investidor brasileiro tem perdido terreno para competidores estrangeiros mais ágeis em identificar oportunidades negociais num país que se afigura como um dos mais atraentes da África. Assim, no setor de engenharia e construção civil os chineses têm se colocado com muita agressividade. Nesse sentido, em 2004, o banco oficial chinês que financia o comércio exterior (China’s Eximbank) aprovou uma linha de crédito de US$ 2 bilhões. Surpreendentemente, Angola já é o mais importante parceiro comercial da China na África, à frente da Nigéria e da África do Sul. Em decorrência da reconstrução da infraestrutura do país, da expansão da infraestrutura de geração e transmissão de energia e do crescimento urbano, há extraordinárias oportunidades no setor de serviços relativos à engenharia, construção civil e arquitetura. Empresas brasileiras de construção civil, que detêm excelência na área e apresentam, ainda, as facilidades linguísticas e culturais já mencionadas, já atuam em Angola com esse fim, tendo construído desde centros de comércio (shopping centers) até a maior hidrelétrica do país. A verdadeira gigante brasileira em Angola é a Construtora Norberto Odebrecht. Há 25 anos no país, a empresa já participou e está participando de dezenas de obras públicas e privadas no país, como a construção da hidrelétrica de Capanda, de 520 megawatts. Para além do gigantismo da Odebrecht e de outras construtoras do primeiro time do Brasil, como a Camargo Corrêa e a Queiróz Galvão, e das pretensões da Petrobras, os empresas brasileiras estão espalhados por praticamente toda a renascente economia angolana. 2.5.3. Software O Brasil é um grande mercado de softwares com um volume de negócios que superou US$ 20,6 bilhões (2007, IDC) sendo US$ 9 bilhões em serviços. Possui um mercado de serviços competitivo e diversificado (Accenture, Atos Origin, BRQ, BT, Cast, CPM Braxis, Datasul, DTS, EDS, GPTI, GFT, HSBC, Hughes, IBM, Intel, Itautec, Microsoft, Politec, Promon, Satyam, Softtek, Siemens, Stefanini, Sun, TCS, Tivit, Totvs, Virtus, Ubik, Unisys), profissionais de TI com sólida experiência que já somam mais de 1,7 milhão no acumulado de 45 anos em que o país investiu na área. O setor de TI é um dos mais dinâmicos da economia brasileira. O Brasil é, há muito tempo, um pioneiro na área de políticas de incentivo à ciência e tecnologia, P&D e investimento no setor de TI. O Governo brasileiro garante uma variedade de incentivos ao mercado de TI, tais como reduções de impostos e subsídios. O Brasil está em segundo lugar (depois dos EUA) em população de mainframe, com uma grande oferta de profissionais habilitados em COBOL28. Líder em programadores de Java, com vários JUGs29, e possui o maior JUG no mundo (18 mil membros, IDC). O Brasil é visto como um dos maiores mercados para softwares no mundo, tendo gerado um total de US$10 bilhões em 2005. Ademais, o setor de TI tem crescido a uma taxa anual de 10% desde 2000, tendo inclusive, sido um dos setores menos afetados pela recente crise econômica. De acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial – Global Information Technology Report 2008-200930, o Brasil é o 59º colocado dentre os 134 países avaliados, tendo boa colocação em 28 COBOL é uma linguagem de programação de Terceira Geração. Este nome é a sigla de COmmon Business Oriented Language (Linguagem Orientada aos Negócios), que define seu objetivo principal em sistemas comerciais, financeiros e administrativos para empresas e governos 29 JUG – Java User Group 30 Fórum Econômico Mundial – Global Information Tachnology Report: http://www.insead.edu/v1/gitr/wef/main/fullreport/index.html 20 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS quesitos como oferta local de banda larga, participação da internet em negócios e de spesa em P&D. Grandes empresas brasileiras de Software como Stefanini e Totvs já atuam no mercado angolano. Mas ainda há espaço para crescimento das empresas brasileiras do setor em Angola. Um campo que tem se mostrado promissor refere-se ao desenvolvimento de softwares relacionados às atividades do petróleo, tendo em vista a atual base econômica angolana e também pela tentativa do país em diversificar a economia do petróleo. O Brasil é grande fornecedor de tecnologias relacionadas, sendo líder mundial em tecnologia de exploração de petróleo em águas super-profundas. 21 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 22 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 3. Facilidades e Impedimentos aos Negócios 3.1. Presença Estrangeira em Angola: concorrência e parcerias “Não há Brasil sem Angola”. Assim se caracterizava a conexão econômica entre as duas mais importantes colônias do Império Marítimo Português do final do século XVI ao início do século XIX. Após esse período, Angola esteve sob o jugo do colonialismo português, com poucos vínculos com o Brasil, até a independência conquistada em 1975. A independência foi precedida por vários anos de guerra que desestruturou por completo a economia do país. A guerra civil que perdurou até 1992 inviabilizava a normalização da vida econômica do país e afugentava o investidor estrangeiro. Nesse período, os únicos setores que prosperaram significativamente foram a exploração petrolífera e a mineração de diamantes. Hoje, Angola buscar utilizar as receitas geradas por esses dois setores para empreender um projeto de desenvolvimento que considere as diversas potencialidades do setor primário (mineração, agropecuária e florestas, pesca etc), com o concomitante desenvolvimento dos setores secundário e terciário. Para isso, Angola empenha-se em construir parcerias com empresas e governos estrangeiros de forma a obter o capital, a tecnologia, a capacidade institucional, a formação e treinamento de quadros e a expertise em gestão de negócios de que carece. Nessa empreitada, os principais atores tem sido Portugal, demais países da União Européia, China, EUA, África do Sul e Brasil. Ainda em um nível de interação bem menos intenso, Rússia, Japão, Índia e Coréia buscam ampliar negócios no promissor mercado angolano. A rationale econômica e estratégica que norteia as ações de cada um desses atores varia caso a caso, em parte se complementam e em parte se excluem, em parte vão ao encontro do interesse nacional angolano e em parte com ele colidem, gerando um quadro complexo de convergências e dissensões que Angola, nos limites de suas fragilidades institucionais e organizacionais, procura orquestrar em seu favor. Interessa às entidades afeitas à promoção das exportações e dos investimentos brasileiros no exterior e às empresas brasileiras focadas no mercado angolano conhecer profundadamente o referido quadro, de forma a potencializar os ganhos e reduzir os riscos de entrada e atuação no mercado angolano. Nesse contexto, seguem-se algumas considerações sucintas sobre cada um dos principais competidores/parceiros do Brasil em Angola31: Portugal32: presença difusa em todos os setores de serviços, lançando mão de facilitadores como a afinidade lingüística e cultural, conhecimento profundo da realidade institucional angolana e engajamento de quadros angolanos capacitados na antiga metrópole para estabelecer conexões com atores locais e firmar-se em nichos de mercado exclusivos, vazios de concorrência local ou estrangeira. Forte presença no setor financeiro e bancário, hotelaria, distribuição e vendas, elaboração de projetos, empreendimentos imobiliários, consultorias e assistência técnica. Presença difusa em todos os setores de serviços. As empresas portuguesas atuam em áreas onde as empresas brasileiras têm forte interesse atual ou potencial. Muitas vezes atuam em parceria com empresas de outros países da União Européia, mais capacitados em termos financeiros e tecnológicos. Porquanto sejam tão estreitos os vínculos empresarias e institucionais Portugal-Angola, ultimamente as empresas portuguesas tem sido cortejadas inclusive pelos chineses33. De fato, a conexão portuguesa pode se mostrar instrumental para as pequenas e 31 A respeito de oportunidades de negócios em serviços entre o Brasil e Portugal, diversos países da União Européia, China, EUA e África do Sul, há estudos elaborados pela equipe de inteligência comercial da Secretaria de Comércio e Serviços disponíveis em http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=4&menu=1949 . Em alguns desses estudos há informação sobre a possibilidade de parcerias para atuação em Angola. 32 Mais de três décadas após a independência, Portugal ainda é a principal origem das importações angolanas, respondendo por 18,2% do total (The Economist). As exportações portuguesas para Angola são diversificadas, contemplando uma expressiva participação de serviços. Para informações sobre a atividade de empresas portuguesas em Angola é útil contato com a Câmara de Comércio e Indústria Portugal – Angola http://www.cciportugal-angola.pt/. 33 Ver artigo “Empresário chinês em Portugal quer aproveitar posição portuguesa para comércio China - Angola” do qual transcreve-se: “O presidente do Centro de Distribuição e Negócios Luso-Chinês e do Centro Parque Industrial Ango-Sino considerou recentemente que Portugal tem uma posição única para servir de plataforma comercial entre a China e Angola. O presidente do Centro de Distribuição e Negócios Luso-Chinês e do 23 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS médias empresas brasileiras de serviços com foco no mercado angolano, e mesmo para grandes empresas, seja apenas numa fase inicial de “aprendizado”, seja para a constituição de parcerias de longo prazo. União Européia: no seu conjunto, a União Européia representa o maior cliente das exportações angolanas e o maior fornecedor das importações de alto valor agregado, inclusive máquinas e equipamentos e toda sorte de bens de capital. Em função disso, são gerados negócios em diversos setores de serviços que exijam grande envergadura financeira e tecnológica, muitas de provimento exclusivo dos mesmos fornecedores europeus dos bens importados por Angola. A União Européia é também um grande provedor de cooperação técnica, capacitação institucional e ajuda financeira, sempre vinculada à importação de bens e serviços da UE. É notória a ingerência de grandes transnacionais européias, com a complacência ou mesmo a cooperação de seus respectivos governos, em assuntos de Estado em muitos países africanos. Esse tipo de ação, ao qual sucumbiram países no entorno de Angola, é energicamente rechaçado pelo governo angolano. EUA34: desde o fim da guerra fria, que foi a gênese dos conflitos armados em Angola (a guerra de independência, a invasão da África do Sul sob o regime do apartheid, a guerra civil ), as relações econômicas entre Angola e EUA tiveram forte incremento, centradas na extração e exportação de petróleo. Essas relações devem continuar a se expandir, haja vista o interesse americano em reforçar vínculos com um exportador de petróleo politicamente estável e o interesse angolano em diversificar fontes de investimento e parcerias comerciais. Essa aproximação deve dar-se à custa da União Européia e poderá vir a beneficiar involuntariamente as empresas brasileiras ao reduzir a relevância da intermediação das empresas portuguesas. China35: a expansão da demanda chinesa por commodities, a grande disponibilidade de crédito à disposição das empresas daquele país e a prioridade atribuída pelo governo angolano à recuperação e expansão da infraestrutura do país no prazo mais curto possível fizeram que as empreiteiras chinesas vencessem várias licitações envolvendo obras de grande porte36, em parte à custa dos interesses das empreiteiras brasileiras37. Segundo matéria veiculada pela BBC – British Broadcasting Corporation, “In exchange for Angola's oil, energy-hungry China is helping to repair the country's infrastructure. Although Beijing insists its credit comes with no strings Centro Parque Industrial Ango-Sino considerou recentemente que Portugal tem uma posição única para servir de plataforma comercial entre a China e Angola e defendeu maior investimento do governo português na promoção do comércio trilateral. "A porta da China está sempre aberta para Portugal. Se o apoio do governo português e os conhecimentos dos portugueses sobre a China se tornarem mais fortes, o acesso ao país será mais fácil e o papel de ponte de ligação entre a China e os países lusófonos sairá mais reforçado,", afirmou Zhan Yongqiao em entrevista à agência noticiosa oficial chinesa Nova China. http://www.cbcde.org.br/home/noticias_detalhe.asp?paCodNoticia=789 34 Atualmente, os EUA são o principal mercado para as exportações angolanas, respondendo com 34,9 % do total (The Economist). A imensa maioria dessas exportações é petróleo e derivados. 35 Surpreendentemente, Angola já é o mais importante parceiro comercial da China na África, à frente da Nigéria e da África do Sul. A China tem concedido vultosos empréstimos a Angola para a contratação de empreiteiras chinesas. A esse propósito, consultar artigo de fevereiro de 2009 da Câmara de Comércio Brasil-Chiua, “China empresta mais US$ 1 bilhão para reconstrução de Angola”, do qual transcreve-se: “A China vai conceder US$ 1 bilhão em créditos adicionais para a reconstrução de Angola, depois da redução abrupta da arrecadação do país africano, com a queda do preço internacional do petróleo. Com o crédito adicional, a ajuda chinesa subiu para cerca de US$ 5 bilhões, através do Eximbank, resultado da segunda visita à China, em dezembro de 2008, do presidente angolano José Eduardo dos Santos, em menos de cinco meses. (...) O Ministério das Finanças angolano já assinou com o Eximbank três acordos de crédito, no valor de US$ 2 bilhões (março de 2004), US$ 500 milhões (julho de 2007) e US$ 2 bilhões (setembro de 2007). Os recursos estão sendo utilizados em projetos de infra-estrutura para reconstrução de Angola. Numa segunda fase do apoio chinês, já foi aprovado um financiamento de mais de US$ 1,6 bilhão, segundo dados oficiais recentemente divulgados.” 36 Nas palavras do Conselho de Relações Exteriores de Angola: "To be sure, there are causes for concern. There is a lack of transparency about Chinese operations in Angola. Loans from Beijing are funding major infrastructure projects, directed by Chinese firms and staffed with Chinese labor. But what’s unclear is how much money is on the table, how contracts are awarded, how many Chinese are in the country, and how many Angolans are actually employed by Chinese companies operating in Angola. Furthermore, Angola should be wary of outsourcing jobs Angolans could do themselves; importing labor may be sowing the seeds of future resentment. Nonetheless, China is making significant contributions to Angola’s development by building and rebuilding roads, hospitals, schools, and sanitation systems." http://en.wikipedia.org/wiki/Foreign_relations_of_Angola 37 “A Nova Ameaça Chinesa – empresas brasileiras sofrem mais um golpe das concorrentes chinesas – desta vez na África”, artigo publicado na revista Exame – edição de 31/01/2007. http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0885/negocios/m0121269.html. Ver também “A ameaça atende pelo nome de China: Empresas brasileiras instaladas na África perdem espaço para as chinesas, que oferecem serviços com preços até 30% mais baixos” http://www.crasp.com.br/jornal/jornal249/not5.htm . 24 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS attached, the deal in Angola is that 70% of tenders for public works must go to Chinese firms” 38. No entanto, com o indispensável apoio do BNDES e do Banco do Brasil, as empreiteiras brasileiras poderão vir a recuperar competitividade face à concorrência chinesa, haja vista a excelente reputação das empresas brasileiras em Angola. Essa boa imagem, consolidada em décadas de atuação em Angola, decorre não só da excelência técnica, mas também da prioridade concedida à aquisição de bens e serviços providos por empresas locais e à contratação e capacitação da mão-de-obra angolana, prática desprezada pelas empresas chinesas. É improvável que as empresas chinesas de serviço venham a se inserir no mercado angolano em outros setores de interesse de empresas brasileiras. África do Sul39: país cujas empresas, no geral, têm capacidade financeira e tecnológica equivalentes às de empresas brasileiras em diversos setores de serviços, com a exceção notável do setor de engenharia e construção civil, no qual as empresas brasileiras são de envergadura muito superior. O governo e entidades associativas da África do Sul incentivam ativamente a internacionalização das empresas, priorizando a África. Angola é um dos alvos prioritários e muitos dos setores em que as empresas sul-africanas são competitivas (informática, consultorias, assistência técnica, elaboração de projetos, serviços afeitos à mineração, serviços de apoio ao agronegócio etc) são áreas de interesse atual ou potencial de empresas brasileiras. Tratados que venham a ser firmados entre África do Sul e Angola relativos à promoção e proteção de investimentos, à bitributação, à harmonização de normas e regulamentos, ao reconhecimento de diplomas e outros tratados na esfera econômica necessários à consolidação de uma área de livre comércio na África Austral podem vir a conferir vantagens competitivas às empresas sul-africanas de serviços. 3.2. Complementaridade e Distância Duas forças poderosas, agindo em direções contrárias, moldam a aproximação econômica entre dois países ou blocos de países: complementaridade e distância. No caso das relações entre Brasil e Angola, se, por um lado, a evidente complementaridade entre as duas economias induz a que sejam parceiros “naturais”, por outro lado, o fator distância, em suas diferentes dimensões, é bem mais matizado. Segundo o setor de serviços considerado, porte da empresa etc, ocorre que o fator distância possa ser quase irrelevante, ou que seja efetivamente um forte impedimento à intensificação dos fluxos de comércio e investimento entre os dois países. 3. 2.1. Complementaridade A complementaridade entre as pautas de exportação e importação do Brasil e de Angola e a indução de investimentos recíprocos decorre de diferentes fatores. Dentre os mais relevantes, podem ser citados: i) diferença na participação dos diferentes setores de atividade na composição percentual do PIB em cada economia; ii) disponibilidade de excedentes exportáveis ou de produção interna insuficiente para o atendimento da demanda doméstica; iii) interesse contínuo, não esporádico, das empresas de cada país em operar em mercados externos, inclusive mediante o estabelecimento de presença comercial direta; e iv) e diferentes estágios de desenvolvimento do Brasil e de Angola. Expressão inequívoca dessa complementaridade, a corrente de comércio entre os dois países é bastante expressiva: mais de US$ 4,2 bilhões em 2008, com significativo superávit para Angola. 38 China in África: developing ties (dezembro de 2007) http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/7047127.stm 39 O setor de serviços responde por 54% do PIB da África do Sul, percentual próximo do Brasil, o que expressa a paridade de nível de desenvolvimento entre os dois países. Para uma visão panorâmica do setor de serviços na África do Sul, além do estudo elaborado pela SCS-MDIC (http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=4&menu=1949), consultar “Guía País Sudáfrica”, estudo elaborado pelo Escritório Econômico e Comercial da Espanha em Johannesburgo (http://www.comercio.es/tmpDocsCanalPais/8A7ECA5B25BBB2B95A3B22279EBFAB07.pdf). 25 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Para efeitos comparativos, os números equivalentes ao Paraguai, Bolívia e Venezuela são, respectivamente, US$ 3,1 bilhões, US$ 4,0 bilhões e US$ 5,7 bilhões40. Ano 2001 2002 2003 2004 2007 2006 2007 2008 2009 (Jan Set) Exportação 142.008.853 199.562.411 235.469.291 357.150.788 521.326.869 837.778.648 1.218.235.629 1.974.575.752 1.065.142.174 Valores em US$ F.O.B (2008) Importação Saldo 174.837.212 -32.828.359 11.629.324 187.933.087 7.551.779 227.917.512 3.580.646 353.570.142 120.231 521.206.638 459.499.620 378.279.028 946.332.224 271.903.405 2.236.426.952 -261.851.200 76.413.665 988.728.509 Corrente de Comérico 316.846.065 211.191.735 243.021.070 360.731.434 521.447.100 1.297.278.268 2.164.567.853 4.211.002.704 1.141.555.839 Fonte: MDIC - AliceWeb Elaboração: DECOS/SCS Enquanto a pauta de exportações do Brasil para Angola é bastante diversificada, inclui serviços e composta de apenas 11% de produtos primários, quase 100% das exportações angolanas para o Brasil são representadas por petróleo, subprodutos e derivados. É de se supor que, à medida que as economias dos dois países evoluam, o setor de serviços cresça não só quantitativamente, inclusive em setores bem consolidados como engenharia e construção civil, mas também venha incluir ou reforçar a participação de setores ainda subexplorados como turismo, franquias e audiovisual. Listam-se abaixo, de forma não exaustiva, os setores de serviço nos quais a complementaridade de interesses é mais evidente e a viabilidade de comércio e investimentos imediata. Foram identificados a partir de prospecção tentativa baseada nas características da economia angolana face às capacidades empresariais existentes no Brasil com provável interesse de inserção no mercado angolano e vice-versa41. 40 Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. 41 Elaboração da Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com base nas seguintes fontes principais: “Angola – Estudo de Oportunidades 2008” elaborado pela Unidade de Inteligência Comercial da Apex – Brasil (http://www.apexbrasil.com.br/portal_apex/publicacao/download.wsp?tmp.arquivo=1315), sítio da Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola – AEBRAN (www.aebran.com), sítio da Embaixada de Angola em Washington (www.anogola.org) e “Country Briefings: Angola” ( www.economist.com). 26 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Engenharia, construção civil e arquitetura Incorporação e promoção imobiliária residencial e comercial Serviços afeitos às tecnologias da informação e comunicação Transporte e logística Propaganda e marketing Serviços educacionais Audiovisual, inclusive serviços de apoio para produções locais Serviços afeitos a atividades fabris e comerciais (projeto e instalação da planta industrial e escritórios, assistência técnica, consultoria, capacitação da mão-de-obra, aluguel de equipamentos etc) Serviços de apoio à mineração (prospecção geológica, sondagens, análises mineralógicas) Serviços de apoio à cadeia de extração e processamento de petróleo e gás Vendas (atacado e varejo, inclusive franquias) Geração e distribuição de energia Serviços afeitos à manutenção e reparo de maquinaria e equipamento Serviços afeitos à pesca e à agropecuária e florestas e à agroindústria Serviços afeitos à saúde, inclusive turismo de saúde Serviços de alimentação industrial e restaurantes Representação comercial e trading Serviços financeiros A Política de Comércio Exterior do Brasil preconiza o estreitamento das relações econômicas com países em desenvolvimento em bases mutuamente vantajosas, sem prejuízo ou deslocamento de nenhuma das partes interessadas. Com esse norte, as ações da Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior e da ApexBrasil focadas no incremento dos negócios em serviços entre Brasil e Angola priorizam os setores em que houver coincidência entre os interesses ofensivos e receptivos de ambos os países. Entende-se como interesse ofensivo os setores de atividade que o país tenha interesse em promover exportações e investimentos no outro país e interesse receptivo, às atividades que o país tenha interesse em promover importações e em atrair investimentos do outro país. A complementaridade que se procura ressaltar neste estudo é referenciado ao interesse nacional angolano manifesto em páginas de entidades oficiais na Internet e o interesse brasileiro tal qual é definido na Política de Desenvolvimento Produtivo42 e outros normativos. 3.2.2. Distância O conceito de distância abrange diversas dimensões da interação das partes interessadas na operacionalização e promoção das relações econômicas entre Brasil e Angola. Essas dimensões incluem desde dimensões de percepção objetiva e imediata, como distância geográfica, facilidade (ou dificuldade) logística de movimentação de cargas e passageiros, normas e regulamentos técnicos e afinidades culturais e linguisticas, até dimensões de ponderação menos imediata ou mesmo subjetiva como práticas correntes na comunidade empresarial local e entre essa e agentes públicos, padrões e preferências de consumo. Análises econométricas do comércio internacional 43 sugerem que o comércio entre dois países tende a ter um incremento de 42% se utilizam o mesmo idioma, 47%, se são membros de uma 42 Em maio de 2008, o Governo Federal lançou a Política de Desenvolvimento Produtivo - PDP, que valoriza ações abrangentes e coordenadas entre as diferentes áreas do governo e do setor privado. A Política de Desenvolvimento Produtivo tem como desafios a ampliação da capacidade brasileira de oferta, o melhoramento contínuo do Balanço de Pagamentos, a elevação da capacidade de inovação e o fortalecimento de MPEs. Os principais desafios da PDP são: i) aumento da taxa de investimento; ii) ampliação da participação das exportações brasileiras no comércio mundial; iii) elevação do dispêndio privado em P&D; e iv) ampliação do número de MPEs exportadoras. O setor de serviços é uma componente importante da PDP http://www.desenvolvimento.gov.br/pdp/index.php/sitio/inicial . 27 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS mesma área de livre comércio, 114% se utilizam a mesma moeda, 125% se são fronteiriços e 188% se outrora houve entre ambos relação colônia-metrópole. DISTÂNCIA CULTURAL Cosmovisões divergentes Culturas empresariais diferentes DISTÂNCIA POLÍTICA-ADMINISTRATIVA Vínculos empresariais tênues e recentes Não participação numa mesma área de livre comércio Falta de moeda comum Redes profissionais e empresariais não integradas Não reconhecimento de diplomas Insuficiente diálogo e cooperação institucional Insuficiente proteção aos direitos de propriedade intelectual DISTÂNCIA GEOGRÁFICA Distância física DISTÂNCIA ECONÔMICA Mercado exíguo Falta de fronteira terrestre Diferenças no custo ou na qualidade de: - Recursos naturais; - Recursos financeiros; - Recursos humanos; - Infraestrutura; - Acesso à informação. Diferenças de fusos horários Diferenças climáticas e doenças endêmicas Dificuldades Falta de harmonização de normas logísticas e regulamentos e insuficiente Valores e normas transparência na sua aplicação Insuficiência de sociais vôos diretos divergentes Leis de imigração restritivas Padrões de consumo divergentes Maquinações de concorrentes estrangeiros Para efeito de categorização analítica, as diversas dimensões de distância entre Brasil e Angola podem ser tentativamente relacionadas e agrupadas, de forma não exaustiva, em quatro categorias básicas, como segue 44: Distância cultural: a afinidade lingüística-cultural entre Brasil e Angola é sempre lembrada como facilitador de negócios entre os dois países. Não obstante, distância cultural diz respeito também a outros aspectos: valores, percepções, formação profissional, conexão de redes profissionais e empresariais. Tudo isso tem significativo impacto nas relações intra e inter empresas e dessas com agentes externos à comunidade empresarial. É um poderoso conformador do ambiente de negócios, especialmente no que diz respeito à consolidação de confiança entre os agentes econômicos que decorre da observância de um mesmo referencial normativo (escrito ou tácito). Há convergências culturais que podem ser um extraordinário facilitador em certos setores de serviços (audiovisual, propaganda e marketing, serviços de capacitação de mão-de-obra e educação, turismo de saúde etc). Mas não se deve perder de referência que em Angola as empresas brasileiras se veem afligidas por problemas de comunicação intercultural com frequência maior do que em países de língua não portuguesa na América ou Europa. Para contornar essas dificuldades, sugerem-se como indutores da competitividade dessas empresas naquele concorrido mercado: i) ampliação dos programas de iniciativa pública ou privada de 43 Fonte: Ghemawat, P.2007, Redifining Global Strategy: Crossing borders in a world where differences still matter, Harvard Business School Press, Boston. 44 Elaboração da Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com base na categorização de Ghemavat (ver nota de rodapé acima). 28 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS formação e treinamento de quadros angolanos no Brasil, familiarizando-os com o modus operandi específico das empresas brasileiras; ii) apoio institucional à atuação de redes como a AEBRAN – Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola e eventual criação de uma câmara de comércio Brasil-Angola agregando empresas dos dois países; e iii) reforço do apoio institucional à realização de missões empresariais, feiras e seminários, nos moldes dos que já são realizados pela Apex-Brasil45 e outras entidades afeitas à promoção da internacionalização de empresas brasileiras. Distância administrativa-política: essa dimensão inclui as leis, regulamentos políticas e instituições que balizam as ações de governo e do setor privado. Nessa dimensão, a percepção geral é que a distância entre os dois países é mais larga que o oceano que os une e os separa. Angola é um país ainda insuficientemente estruturado sob os aspectos institucional e organizacional. Em Angola, a intervenção do Estado na economia é muito mais freqüente e contingente para o setor privado do que no Brasil. A paraestatal Sonangol tem proeminência na vida econômica do país comparável, no contexto latinoamericano, à da PDVESA na Venezuela. Ademais, a antiga metrópole é zelosa de seus interesses e reticente à entrada de competidores brasileiros no mercado angolano. Portugal ainda é, de longe, a principal origem das importações angolanas, em parte pela retomada de antigos vínculos, em parte porque Angola, como quase toda a África, busca convergências preferencialmente com a União Européia no que se refere a acordos de promoção de comércio e investimentos, harmonização de normas e regulamentos, uso do euro nas transações com o exterior etc. Por outro lado, há décadas o Brasil mantém excelente interlocução política com o governo angolano46 e grandes empresas brasileiras tem tido atuação destacada no esforço desenvolvimentista do país. Espera-se que a cooperação institucional, no que diz respeito ao setor de serviços, continue a evoluir, de forma a aplainar caminhos e endireitar veredas para as empresas dos dois países, em especial para as micro, pequenas e médias. Nesse sentido, cabe destacar a atuação da Apex-Brasil47. Distância geográfica: a proximidade de Angola dos portos brasileiros é um fator facilitador de negócios. Luanda está apenas a 5.300 km do complexo industrial e portuário de Suape (Pernambuco), enquanto, para efeitos comparativos, a distância de Suape para o Porto de Buenos Aires (Argentina) é de 4.200 Km, Veracruz (México) 8.000 Km e Valparaíso (Chile) 9.000 Km. No entanto, a pouca disponibilidade de ligações marítimas e aéreas diretas entre Brasil e Angola, dificuldades na concessão de vistos são problemas recorrentes e afetam principalmente empresas e profissionais atuantes no setor de serviços. 45 Em Outubro de 2008] 60 representantes de mais de 100 empresas brasileiras estiveram em Angola, na primeira missão comercial organizada no país pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). «Vemos um mar de oportunidades lá», anuncia Juarez Leal, coordenador da Apex e responsável pela missão. http://www.correiodopatriota.com/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=4480 46 No anexo 3 deste estudo, listam-se os acordos firmados entre o Brasil e Angola. 47 http://www.apexbrasil.com.br/portal_apex/publicacao/engine.wsp?tmp.area=27&tmp.texto=4383 29 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Distância econômica: a relevância dessa dimensão varia consideravelmente segundo o setor de serviços considerado e segundo o porte da empresa. Para empresas brasileiras de grande envergadura financeira, que se inserem no mercado angolano em função de contratos com o governo do país ou com outras grandes empresas (como a Sonangol), operar em Angola não é consideravelmente mais difícil do que operar em outros países de nível de desenvolvimento comparável. É o caso freqüente com empresas de setores como serviços de engenharia, serviços de apoio à cadeia de extração e processamento de petróleo e gás, serviços de apoio à mineração e outros. O interesse estratégico conjunto dos governos do Brasil e de Angola em promover um determinado setor de atividade pode ser um fator adicional na redução da dimensão distância econômica. É o caso dos serviços afeitos à produção e distribuição de biocombustíveis. Distância econômica é fator de influência bem mais matizada para a maioria dos demais setores de serviços. De fato, a prosperidade criada pelo petróleo possibilitou a criação de uma classe média numericamente significativa. A exemplo do que ocorre em muitos países em desenvolvimento, preferências de consumo e estilo de vida tendem a convergir para padrões globais, mesmo em extratos menos favorecidos da população. Criam-se, assim, oportunidades de negócios para empresas brasileiras em diferentes setores de serviços: arquitetura, incorporação imobiliária e comercial (shopping centers), serviços educacionais, concessionárias de automóveis, turismo, franquias nos mais variados segmentos de atendimento direto ao consumidor final etc. Por outro lado, a composição de custos fixos e variáveis para atuação de empresas nos setores mencionados pode ser radicalmente diferente dos que incidem para operações no Brasil e em outros mercados, infraestruturas indispensáveis à operacionalização de certos negócios podem ser extremamente onerosas ou mesmo não existir, especialmente fora da capital. Casos de sucesso não podem ser automaticamente replicados, o que reforça a percepção de que Angola é um mercado relativamente distante sob o aspecto econômico para a maioria dos setores de serviços. 3.2.3. Conclusões • A complementaridade entre as economias do Brasil e de Angola - cada qual ofertando o que o outro deseja adquirir a preços competitivos, continua sendo o principal fator dinamizador da expansão dos negócios entre os dois países. 30 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS • Essa complementaridade é significativamente limitada pela distância entre Brasil e Angola que resulta não só do oceano que se interpõe entre os dois países, mas também de impedimentos como insuficiente interlocução institucional, limitada integração das redes profissionais e empresariais, restrições ao trânsito e residência de profissionais e diferentes padrões de consumo. • A superação dos impedimentos decorrentes da distância requer esforço empresarial e institucional. Nas cadeias produtivas em que é a complementaridade é forte, o apoio governamental à internacionalização de empresas facilmente resultará em comércio e investimentos. Onde a complementaridade for menos pronunciada, serão necessários esforços extraordinários para a redução das distâncias impeditivas. • À medida que as economias do Brasil e de Angola crescem, se sofisticam e aumenta a participação do setor de serviços na composição do PIB, concomitantemente à intensificação da integração de cadeias produtivas globais e regionais, cambiam as relações de complementaridade entre Brasil e Angola, e torna-se mais urgente reduzir as distâncias não geográficas. 3.3. Recomendações às Empresas Brasileiras Se, por um lado, as afinidades lingüísticas e culturais entre Brasil e Angola constituem um facilitador de negócios, por outro lado as empresas brasileiras devem sempre ter em perspectiva que Angola é um país cuja ordem institucional e organizacional (setor privado e sociedade civil) ainda está em construção. Sob esse aspecto, Angola é muito menos desenvolvida que o Brasil ou países africanos como África do Sul e Namíbia. Como decorrência, transparência no relacionamento entre setor privado e poder público, burocracia, corrupção, confiabilidade dos quadros executivos e técnicos locais, ética de trabalho da mão-de-obra em geral e outros aspectos relevantes para avaliação do risco de entrada e operação de empresa no mercado angolano são desfavoravelmente avaliados face a outros países em desenvolvimento mais alinhados com os padrões vigentes em sociedades industriais avançadas. Esses aspectos são particularmente relevantes para empresas de serviços cujo modus operandi exige intensa interação interpessoal com agentes públicos, clientela, concorrência e alto grau de integridade e compromisso do corpo funcional. O quadro abaixo refere-se a enquete realizada junto a empresários e executivos atuantes no mercado angolano. 31 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Fonte: The Africa Competitiveness Report 2007 - World Economic Forum48 Segundo a ONG Transparência Internacional, o índice de percepção de corrupção em Angola em 2008 foi de 1,9, posicionando o país na 158ª posição num ranking de 180 países. Para efeitos comparativos, no mesmo ano, o índice atribuído ao Brasil foi 3,5, correspondendo à 80ª posição49. Relatam-se casos de perseguições a investidores estrangeiros, interferências políticas e pressões para que estes vendam seus investimentos. Em alguns casos, essas práticas envolvem indivíduos do alto escalão do governo que exercem pressões diretas ou por meio de exigências ou atrasos burocráticos exorbitantes. Como resultado, alguns investidores sofrem atrasos significantes em relação aos pagamentos do governo por seus contratos e não obtenção das devidas autorizações ou aprovações de projetos. Os investidores relatam pressões ocorridas no sentido de firmar jointventures de acordo com interesses dos poderosos locais. Nos últimos anos, o governo angolano tem evitado expropriar bens de estrangeiros e tem sido rigoroso no cumprimento de obrigações contratuais, principalmente quando eventuais litígios ganham a atenção da mídia e da opinião publica50. A tabela abaixo, extraída de estudo do Fórum Econômico de Davos, evidencia que, na visão das empresas estrangeiras que operam em Angola, o país ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de competitividade em indicadores relativos ao ambiente de negócios. De fato, num rol de 128 países estudados, Angola ocupa a última posição: 48 http://www.weforum.org/en/initiatives/gcp/Africa%20Competitiveness%20Report/2007/index.htm http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2008 50 http://www.ustr.gov/assets/Document_Library/Reports_Publications/2007/2007_NTE_Report/asset_upload_file224_10923.pdf 49 32 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Nesse contexto, recomenda-se ao empreendedor brasileiro não transpor para o caso angolano eventuais sucessos em outros mercados melhor estruturados, África do Sul, por exemplo. Deverá considerar estratégias extras de minimização de risco, de modo que as peculiaridades de realização de negócios no país estejam a seu favor, e não o contrário. Segundo a Câmara de Comércio África do Sul – Angola, “with Angola still being ranked by respected entities such as doingbusiness or transparency, or as a place that is ultra-difficult to do business, directorship risk mitigation in the Angolan marketplace is a top priority for critical sucess factor in most investments”. Especialmente ao pequeno e médio empreendedor, é altamente recomendável exaustivo mapeamento dos riscos e oportunidades envolvidos. É indispensável o estudo de casos de sucesso (e de fracasso), estudo da legislação, normas e regulamentos relativos à natureza do negócio (inclusive eventuais restrições à contratação de quadros e mão-de-obra brasileira), identificação de parceiro angolano com portfólio adequado, extrema atenção na contratação de quadros locais e treinamento da mão-de-obra e outras diligências normalmente aplicáveis à inserção qualquer mercado estrangeiro. Nisso, o empresário brasileiro poderá ser auxiliado pela AEBRAN, Apex-Brasil, Embaixada do Brasil e consultores privados. Feitas essas observações, retoma-se o estudo do Fórum Econômico de Davos, abaixo exposto em detalhe. Como todo estudo desta natureza, deve ser lido e interpretado cum grano salis. O estudo reflete essencialmente a perspectiva de empresas transnacionais, afeitas a operar em mercados em países desenvolvidos e, muitas vezes, com limitada capacidade de acomodação a situações “atípicas”. De fato, em que pese haver em Angola fatores de altíssimo risco independentemente do porte, modelo de negócios e nacionalidade da empresa, por outro lado algumas das carências indigitadas na verdade evidenciam nichos de mercado não explorados. São oportunidades de negócios a ser arrebatadas pelos mais adaptáveis e experimentados a navegar em mares não cartografados pelos manuais de administração corporativa, aspecto em que as empresas brasileiras de serviço detêm notável expertise. 33 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 34 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 35 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 4. Estatísticas de Comércio Exterior e Outras Informações 4.1. Estatísticas Conhecer as características específicas do setor terciário é fundamental para a proposição de políticas públicas e o planejamento do setor empresarial brasileiro. No Brasil, atualmente, o setor terciário já representa aproximadamente 60% do PIB, é o principal receptor de investimentos diretos e emprega a maior parte da população economicamente ativa. Com esse propósito, a Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior está empenhada em organizar, em estreita colaboração com outros órgãos, os principais dados de comércio exterior disponíveis para o setor, captados diretamente de fontes oficiais no País e no exterior51. Ainda em 2009, será implantado o módulo exportação do Sistema Integrado do Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que produzem Variações no Patrimônio das Entidades –SISCOSERV. Constitui uma base de dados com informações do setor de serviços que vem sendo estruturado por técnicos de diversas áreas do Governo Federal para quantificar a comercialização de “produtos” dessa natureza no Brasil e no mundo. Por meio do SISCOSERV, a Administração Pública terá acesso a relatórios gerenciais capazes de oferecer condições seguras para a definição de políticas públicas e gestão de mecanismos de apoio ao comércio de serviços no mercado externo e o setor privado poderá realizar com mais eficiência seus projetos de planejamento empresarial. Será implementado pela Secretaria de Comércio e Serviços do MDIC e deverá ser lançado até o final deste ano, inicialmente, com a movimentação das exportações, e posteriormente, com os dados de importações. Permitirá diversos cruzamentos de dados, inclusive comércio bilateral por setor de atividade52. 51 A publicação “Panorama do Comércio Internacional de Serviços” faz parte desse esforço e traz nesse novo número informações inéditas sobre os principais parceiros comerciais brasileiros, o perfil das empresas exportadoras e importadoras de serviços, dados do comércio exterior por Unidade da Federação e os principais serviços brasileiros prestados no exterior. Disponibiliza-se versão eletrônica do “Panorama” em http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1215192979.pdf 52 O SISCOSERV é referenciado à Nomenclatura Brasileira de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzem Variações no Patrimônio das Entidades (NBS). A NBS será um classificador brasileiro que englobará o setor de serviços, operações mistas e exploração (licenciamento e cessão) de direitos, composto de nove dígitos, iniciando pelo número 1, para distinguir a nomenclatura de serviços da nomenclatura de bens. A construção da NBS tem como referência a Central Product Classification (CPC), classificador internacional das Nações Unidas e a sua estrutura será idêntica a da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1230120634.pdf . 36 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 4.1.1. Fluxo Comercial Exterior de Serviços Fluxo Comercial Exterior de Serviços de Angola - US$ bilhões Exportação de Serviços Período Angola Var. % (1) Angola Importação de Serviços Total Mundo Part. % Angola Var. % (1) Total Mundo Part. % Valor Var. % (1) Saldo Valor 2003 0,20 - 1.832,3 0,01 2,77 - 1.781,4 0,16 2,97 - -2,57 2004 0,32 60,00 2.219,9 0,01 4,28 54,51 2.119,3 0,20 4,60 54,88 -3,96 2005 0,18 -44,69 2.482,9 0,01 6,19 44,63 2.352,8 0,26 6,37 38,41 -6,01 722,20 6,86 2.809,9 2007 0,31 0,01 11,61 3.351,5 Fonte: OMC (Dados das Exportações de 2006 não disponíveis) 10,82 2.632,7 0,26 - - - 69,24 3.119,5 0,37 11,92 - -11,30 2006 Elaboração: DECOS/SCS Fluxo Comercial Exterior de Serviços do Brasil - US$ bilhões EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS Corr. Comércio do Brasil Saldo PERÍODO 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Brasil Var.% (1) Total Mundo Part. % Brasil Var.% (1) Total Mundo Part. % Valor Var.% (1) Valor 9,57 11,61 14,86 17,95 22,62 28,82 21,3 28,0 20,8 26,0 27,4 1.832,3 2.219,9 2.482,9 2.809,9 3.351,5 3.731,3 0,5 0,5 0,6 0,6 0,7 11,3 14,35 16,11 22,41 27,15 34,70 44,37 12,3 39,1 21,2 27,8 27,9 1.781,4 2.119,3 2.352,8 2.632,7 3.119,5 3.469,0 0,8 0,8 1,0 1,0 1,1 11,2 23,9 27,7 37,3 45,1 57,3 73,2 15,9 34,4 21,0 27,1 27,7 -4,8 -4,5 -7,6 -9,2 -12,1 -15,6 FONTE: OMC ELABORAÇÃO: DECOS/SCS 37 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Fluxo Comercial – Quadro Comparativo Brasil e Angola - US$ bilhões Var. % 2007/06 2005 2006 2007 14,86 118,53 12,54 17,95 137,81 13,03 22,62 160,65 14,08 Exportações de serviços da Angola (A) Exportação de bens da Angola (B) Relação (A / B) 0,18 24,11 0,75 - 31,86 - 0,31 44,40 0,70 Importações de serviços do Brasil (A) Importação de bens do Brasil (B) Relação (A / B) 22,41 77,63 28,87 27,15 95,85 28,33 34,70 126,57 27,42 27,81 32,05 Importações de serviços da Angola (A) Importação de bens da Angola (B) Relação (A / B) 6,19 8,35 74,13 6,86 8,78 78,13 11,61 13,66 84,99 69,24 55,58 Exportações de serviços do Brasil (A) Exportação de bens do Brasil (B) Relação (A / B) 25,99 16,57 - 39,36 OBS: Os dados referentes a exportação e importação de serviços da Angola do ano de 2007, não estão disponiveis no site da OMC Fonte: OMC. Elaboração: DECOS/SCS Participação dos principais setores por atividade CNAE nas exportações de serviços do Brasil para Angola (2008): Setor CNAE OBRAS DE INFRAESTRUTURA SERVIÇOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA; TESTES E ANÁLISES TÉCNICAS COMÉRCIO POR ATACADO, EXCETO VEÍCULOS AUTOMOTORES E MOTOCICLETAS AGÊNCIAS DE VIAGENS, OPERADORES TURÍSTICOS E SERVIÇOS DE RESERVAS ATIVIDADES DE SEDES DE EMPRESAS E DE CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL PUBLICIDADE E PESQUISA DE MERCADO COMÉRCIO VAREJISTA ATIVIDADES DE SERVIÇOS FINANCEIROS ATIVIDADES DOS SERVIÇOS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DEMAIS TOTAL (%Fonte: Bacen – Elaboração: DECOS / SCS Receitas (%) 27,6% 14,4% 11,8% 5,5% 3,3% 3,0% 2,8% 2,8% 2,2% 26,7% 100 38 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Participação dos principais setores por atividade CNAE nas importações de serviços do Brasil oriundas de Angola (2008): Setor CNAE COMÉRCIO POR ATACADO, EXCETO VEÍCULOS AUTOMOTORES E MOTOCICLETAS AGÊNCIAS DE VIAGENS, OPERADORES TURÍSTICOS E SERVIÇOS DE RESERVAS FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE MINERAIS NÃO-METÁLICOS FABRICAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES, REBOQUES E CARROCERIAS FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE METAL, EXCETO MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS PUBLICIDADE E PESQUISA DE MERCADO EXTRAÇÃO DE MINERAIS METÁLICOS PREPARAÇÃO DE COUROS E FABRICAÇÃO DE ARTEFATOS DE COURO, ARTIGOS PARA VIAGEM E CALÇADOS SERVIÇOS DE ESCRITÓRIO, DE APOIO ADMINISTRATIVO E OUTROS SERVIÇOS PRESTADOS ÀS EMPRESAS DEMAIS TOTAL Fonte: Bacen – Elaboração: DECOS/SCS Despesas (%) 57,2% 15,6% 6,6% 4,0% 2,7% 2,3% 2,1% 2,1% 1,8% 5,5% 100 39 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Investimentos Recíprocos53 Ingressos e estoque de investimento direto estrangeiro - US$ milhões De: Angola Para: Brasil 48,14 12,42 0,48 0,43 2,29 2004 2005 2006 4,93 2007 2008 2009(Jan Abr) Fonte: Bacen Elaboração: DECOS/SCS Estoque De: Angola Para: Brasil 2,07 0,3 1995 2000 2005 Fonte: Bacen Elaboração: DECOS/SCS 53 Segundo o Glossário da OCDE sobre termos e definições do IDE, Investimento Direto Estrangeiro “é uma categoria de investimento internacional realizado por uma entidade residente em uma economia (investidor direto) com o objetivo de estabelecer uma relação econômica duradoura em uma empresa residente em uma economia que não a do investidor direto (empresa receptora do investimento direto). Essa relação econômica duradoura compreende a existência de uma relação de longo prazo entre o investidor direto e a empresa receptora e um significativo grau de influência na administração da empresa receptora do investimento. O investimento direto envolve, além do investimento inicial realizado pelo investidor na empresa receptora do investimento, todos as subseqüentes transações de capitais realizadas entre os mesmos e entre empresas afiliadas (subsidiárias ou filiais). 40 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Fluxo de Investimentos Recebidos e Enviados por Brasil e Angola (US$ milhões) De: Brasil Para: Angola 73 53 24 22 20 17 4 3 2 2003 2004 2005 Estoque 2006 -7 2007 Fluxo Fonte: Bacen Elaboração: DECOS/SCS Fluxo de Investimentos Recebidos e Enviados por Brasil e Angola (US$ milhões) De: Mundo Para: Brasil e Angola 45.058 34.585 18.822 15.548 15.066 6.794 2005 9.796 9.064 2006 2007 Fluxo Recebido pelo Brasil Fonte: UNCTAD 2008 Fluxo Recebido por Angola Elaboração: DECOS/SCS 41 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS De: Brasil e Angola Para: Mundo 28.202 20.457 7.067 2.517 221 2005 2.570 912 194 2006 2007 Fluxo Enviado pelo Brasil Fonte: UNCTAD 2008 Fluxo Enviado por Angola Elaboração: DECOS/SCS Estoque de Investimentos Recebidos e Enviados por Brasil e Angola (US$ milhões) De: Mundo Para: Brasil e Angola 309.668 287.697 122.250 47.887 37.143 1.024 1990 1995 2000 Estoque Recebido pelo Brasil Fonte: UNCTAD 11.202 7.978 2.922 2007 26.750 2008 Estoque Recebido por Angola Elaboração: DECOS/SCS 42 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS De: Brasil e Angola Para: Mundo 162.218 136.103 44.474 41.044 51.946 1 1990 1.127 2 1995 2000 Estoque Enviado pelo Brasil Fonte: UNCTAD 2007 3.696 2008 Estoque Enviado por Angola Elaboração: DECOS/SCS O investimento direto estrangeiro de Angola no Brasil, de 2007 a abril de 2009, concentrou-se nos seguintes setores (valores em US$ milhões): BANCO CENTRAL DO BRASIL Investimentos Estrangeiros Diretos 1/ Distribuição por Atividade Econômica de Aplicação dos Recursos 2/ País de Origem dos Recursos - ANGOLA Ano 2007 US$ milhões Atividade Econômica Ingressos Aqüicultura em água doce 0,08 Extração de petróleo e gás natural 0,03 Incorporação de empreendimentos imobiliários 0,63 Construção de edifícios 0,12 Comércio atacadista especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente e de materiais de construção em geral 0,02 Comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de insumos agropecuários 0,03 Holdings de instituições não-financeiras 3,08 0,07 Atividades de consultoria em gestão empresarial 0,02 Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais 8,32 Educação superior - graduação TOTAL 0,01 12,42 43 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS País de Origem dos Recursos - ANGOLA Ano 2008 US$ milhões Atividade Econômica Criação de bovinos Aqüicultura em água doce Ingressos 1,70 0,01 Extração de petróleo e gás natural 18,14 Atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural 21,58 Incorporação de empreendimentos imobiliários 0,12 Representantes comerciais e agentes do comércio especializado em produtos não especificados anteriormente 0,13 Comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de insumos agropecuários 0,12 Comércio varejista de ferragens, madeira e materiais de construção 0,05 Hotéis e similares 0,17 Atividades de produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão 0,33 Holdings de instituições não-financeiras 2,49 Atividades imobiliárias de imóveis próprios 1,12 Atividades de consultoria em gestão empresarial 0,07 Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais TOTAL 2,10 48,14 País de Origem dos Recursos - ANGOLA Período: janeiro a abril de 2009 US$ milhões Atividade Econômica Criação de bovinos Ingressos 0,55 Aqüicultura em água doce 0,11 Extração de petróleo e gás natural 0,56 Atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural 2,51 Incorporação de empreendimentos imobiliários Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente e de materiais de construção em geral 0,02 0,03 Holdings de instituições não-financeiras 1,15 TOTAL 4,93 Notas: 1/ Ingressos de investimentos e conversões de empréstimos e de financiamentos em investimento direto com base nos registros constantes, no módulo IED, do sistema RDE (Registro Declaratório Eletrônico). Conversões em dólares às paridades históricas. 2/ Conforme a tabela de Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE-2.0, do IBGE. 44 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS 4.2. Principais Acordos Firmados entre o Brasil e Angola Data de celebração Entrada em Vigor Decreto nº Data Acordo de Cooperação Cultural e Científica. 11/06/1980 11/02/1982 99.558 05/10/1990 Acordo de Cooperação Econômica, Científica e Técnica. 11/06/1980 11/02/1982 99.559 05/10/1990 17/07/2000 11/09/2003 03/11/2003 03/11/2003 03/11/2003 03/11/2003 03/11/2003 03/11/2003 Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Econômica, Científica e Técnica para as Áreas do Trabalho, Emprego e Formação Profissional. 03/11/2003 03/11/2003 Programa de Trabalho em Matéria de Cooperação Científica e Tecnológica. 03/11/2003 03/11/2003 Programa de Cooperação Cultural para 2004 a 2006. 04/11/2003 04/11/2003 04/11/2003 04/11/2003 03/05/2005 03/05/2005 9/7/2007 9/7/2007 9/7/2007 9/7/2007 18/10/2007 18/10/2007 Título Acordo sobre Supressão de Vistos em Passaportes Diplomáticos, Especiais e de Serviços (no âmbito da CPLP) Protocolo de Cooperação Técnica na Área do Meio Ambiente. Protocolo de Cooperação Técnica para apoio ao Instituto de Formação da Administração Local (IFAL). Memorando de Entendimento ao Amparo do Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Econômica, Científica e Técnica para apoiar o Desenvolvimento do Programa "Escola para todos" em sua fase Emergencial (2004-2007). Segunda Emenda ao Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Econômica, Científica e Técnica na Área de Formação Profissional, firmado em 28/04/1999. Protocolo de Intenções sobre Cooperação Técnica na Área de Administração Pública Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Econômica, Científica e Técnica para Implementação do Projeto "Capacitação do Sistema de Saúde da República de Angola" Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Econômica, Científica e Técnica para Implementação do Projeto "Formação de Docentes em Saúde Pública em Angola" Memorando de entendimento para Incentivo à Formação Científica de Estudantes 45 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Ajuste Complementar ao Acordo Básico de Cooperação Econômica, Técnica e Científica para a Implementação do Projeto "Capacitação para Elaboração de Proposta de Reforma Curricular" Ajuste Complementar ao Acordo Básico de Cooperação Econômica, Técnica e Científica para a Implementação do Projeto "Apoio ao Programa de Prevenção e Controle da Malária" Memorando de Entendimento para o Estabelecimento de Consultas Políticas Memorando de Entendimento para Cooperação com vistas ao Fortalecimento da Administração Pública Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Econômica, Científica e Técnica para Implementação do Projeto “Fortalecimento da Preservação da Memória e da Produção Audiovisuais de Angola” 18/10/2007 18/10/2007 18/10/2007 18/10/2007 18/10/2007 18/10/2007 9/11/2007 17/07/2008 17/07/2008 Fonte: MRE (www.mre.gov.br) 4.3. Outros Estudos de Interesse Apex-Brasil Angola – Estudo de Oportunidades 2008 http://www.apexbrasil.com.br/portal_apex/publicacao/download.wsp?tmp.arquivo=1315 Escritório Econômico e Comercial da Espanha em Angola Guia País - Angola http://www.comercio.es/tmpDocsCanalPais/7264AF635CB119E78D10B354F373DC66.pdf Embaixada da Argentina em Luanda República de Angola – Guia de Negócios 2008 http://www.argentinatradenet.gov.ar/sitio/mercado/material/guiaangola.pdf 4.4. Endereços e Links Úteis 4.4.1. No Brasil Representações Diplomáticas Embaixada de Angola em Brasília SHIS QL 6 Conjunto 5 Casa 1 71620-055, Brasília – DF, Brasil Tel: +55 61 3248-2999/ 3248-4489 Fax: +55 61 3248-1567 46 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Link: (www.embaixadadeangola.com.br) Email: [email protected] Consulado Geral de Angola no Rio de Janeiro Av. Rio Branco, 311 - 2º andar – Centro 20040-009 Rio de Janeiro – RJ, Brasil Tel: (21) 3526-9439 Fax: (21) 2220-8063 Link: http://www.consuladodeangola.org/ Email: [email protected] Apoio ao Exportador e ao Investidor Brasileiro e Angolano Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Esplanada dos Ministérios, Bloco "J" Brasília - DF - 70053-900 Tel.: +55 (61) 2109-7605 Link: http://www.mdic.gov.br/ Email: [email protected] APEX-BRASIL (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) Setor Bancário Norte - SBN Quadra 2 - Lote 11 Ed. Apex-Brasil - Brasília - DF - 70040-020 Fone: +55 61 3426 0202 Fax: + 55 61 3426 0263 Link: http://www.apexbrasil.com.br/ Câmera de Comércio Brasil - Angola End: Rua da candelária 9 - sala 206 – Centro – Rio de Janeiro RJ 20091-020 Tel: 2514-1259 Fax: 2253-6236 Link: http://www.acrj.org.br/rubrique.php3?id_rubrique=60 E-mail: [email protected] Representação Comercial de Angola no Brasil Email: [email protected] 4.4.2. Em Angola Representações Diplomáticas Embaixada do Brasil em Luanda Av. Presidente Houari Boumedienne, 132 C.P. 5428 – Miramar Luanda - Angola Tel: (2442) 44-1307/ 2010/ 2871/ 4759 Fax: (2442) 44-4913 Link: http://homepage.mac.com/mpassibarros/infoger.htm Email : : [email protected] Apoio ao Exportador e ao Investidor Brasileiro e Angolano AEBRAN – Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola Rua Fernão Lopes, 67 47 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Luanda, Angola Tel-Fax.: +244 222 441938 Link: www.aebran.com E-mail: [email protected] Portais do Governo de Angola http://www.angola-portal.ao/ Ministério das Finanças de Angola - MINFIN www.minfin.gv.ao Ministério da Administração Publica, Emprego e Segurança Social http://www.mapess.gv.ao/ Ministério das Relações Exteriores http://www.mirex.gv.ao/ Gabinete do Primeiro Ministro http://www.angolanainternet.ao/primeiroministro/index01.htm Ministério das Telecomunicações e Tecnologia de Informação http://www.mtti.gov.ao/default.aspx Ministério dos Transportes http://www.mintrans.gov.ao/default.aspx Ministério da Indústria http://www.mind.gov.ao/default.aspx Ministério do Comércio http://www.minco.gov.ao/default.aspx Ministério do Meio Ambiente http://www.minam.gov.ao/default.aspx Ministério de Energia e Águas http://www.minea.gv.ao/ Ministério da Justiça http://www.minjus.gov.ao Direção Nacional de Alfândegas de Angola http://www.alfandegas.com/ Banco de Comércio e Indústria http://www.bci.ao/ Banco Investimento e Comércio http://www.bancobic.ao/ Banco Africano de Investimento http://www.bancobai.co.ao/ Associação Comercial de Benguela http://www.netangola.com/acb/ Associação Industrial de Angola http://www.aiaangola.com/ Câmara de Comércio e Indústria de Angola http://www.ccia.ebonet.net/ 48 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Tecnologia e Informação em Angola http://www.tiangola.com/ Agência Nacional para o Investimento Privado - ANIP Link: http://www.investinangola.com/port/ Email: [email protected] Banco Nacional de Angola - BNA http://www.bna.ao/main.aspx Feira Internacional de Luanda - FILDA http://www.filda-angola.com/ Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola - SONANGOL http://www.sonangol.co.ao Diretório de Empresas Angolanas http://www.dcda.net/ Portal das empresas http://www.angolanainternet.ao/portalempresas/ 4.4.3. Outros Links de Interesse Panorama do Comércio Internacional de Serviços http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1215192979.pdf Câmara de Comércio e Indústria de Angola http://www.ccia.ebonet.net/dados_Sobre_pais.htm Câmara de Comércio Angola – África do Sul http://www.sa-acc.co.za/ Câmara de Comércio Angola - EUA http://www.us-angola.org/ Câmara de Comércio e Indústria Portugal - Angola http://www.cciportugal-angola.pt/ The Africa Competitiveness Report 2007 - World Economic Forum http://www.weforum.org/en/initiatives/gcp/Africa%20Competitiveness%20Report/2007/index.htm ANIP - Agência Nacional para o Investimento Privado http://www.investinangola.org/ Agência Nacional de Investimento Privado http://www.iie-angola-us.org/home.htm Direção Nacional do Comércio http://www.dnci.net/apresentacao/links.aspx AngoNotícias - Notícias de Angola em Tempo Real http://www.angonoticias.com/ IDIA - Instituto de Desenvolvimento Industrial de Angola www.idia.gov.ao Legislação sobre Angola http://www.lexadin.nl/wlg/legis/nofr/oeur/lxweang.htm 49 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - MDIC Secretaria de Comércio e Serviços - SCS Departamento de Políticas de Comércio e Serviços – DECOS Comissão nacional de Tecnologia da informação http://www.angolanainternet.ao/cnti/ Revista Executivo http://www.revistaexecutivo.com/ Jornal de Angola http://www.businesspatrol.com/country-links/jornal-de-angola,2367.html African Telecommunications Union (ATU) http://www.atu-uat.org/ Associação Industrial de Angola http://www.aiaangola.com/ Páginas Douradas http://www.paginasdouradas.co.ao/ 50