THAÍS ELIAS ALMEIDA ANÁLISE QUANTITATIVA DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS ESPÉCIES DE PTERIDÓFITAS OCORRENTES NO ESTADO DE MINAS GERAIS, BRASIL Belo Horizonte – Minas Gerais - 2008 - THAÍS ELIAS ALMEIDA ANÁLISE QUANTITATIVA DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS ESPÉCIES DE PTERIDÓFITAS OCORRENTES NO ESTADO DE MINAS GERAIS, BRASIL Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Biologia Vegetal. Orientador: Dr. Alexandre Salino Belo Horizonte – Minas Gerais - 2008 - “SUBITAMENTE ME DEI CONTA DE QUE AQUELA PEQUENA ERVILHA, BELA E AZUL, ERA A TERRA. ESTIQUEI MEU POLEGAR E FECHEI UM OLHO. COMPLETAMENTE O PLANETA TERRA. EU E MEU POLEGAR TAMPOU NÃO ME SENTI UM GIGANTE, MAS MUITO, MUITO PEQUENO.” NEIL ARMSTRONG, ASTRONAUTA NORTE-AMERICANO I DEDICO AQUELES ESSE QUE TRABALHO ME A TODOS ENSINARAM A ADMIRAR E A AMAR A CIÊNCIA: MEUS AVÔS, MEUS PAIS E MEUS PROFESSORES. II Sumário AGRADECIMENTOS Muitas pessoas me ajudaram no longo caminho até a conclusão desse trabalho. Ao meu lado estiveram dezenas de pessoas que possibilitaram, de uma forma ou de outra, que essa dissertação fosse escrita. Agradeço profundamente à minha família maravilhosa; aos meus pais, Arlindo e Jussara, pelo incentivo, apoio e carinho que foram essenciais para a minha formação pessoal e profissional e às minhas irmãs lindas, pelo companheirismo e amor incondicional em todo o caminho de nossas vidas. Amo muito todos vocês! Ao meu orientador, Prof. Dr. Alexandre Salino, pelo convite para ingressar no fantástico mundo das pteridófitas, pelas oportunidades de trabalho e aprendizagem e principalmente pela amizade durante todos esses anos de trabalho juntos. Ao Dr. Vinícius Antônio de Oliveira Dittrich, pela amizade, apoio e paciência e também pelas críticas construtivas que me ajudaram muito a amadurecer. Às amigas que sempre me apoiaram, de perto ou de longe, durante todo o trabalho: Luciana Badini, Mariana, Letícia, Fernanda Barros, Flávia, Cecília, Lívia, Fernanda Antunes, Patrícia. Aos amigos e colegas de laboratório e do departamento, pelas horas de trabalho compartilhadas, com muita alegria e bom humor, e também pelo apoio: Virgínia, Luciana Kamino, Aristônio, Luciana Melo, Francine, Gustavo, Diego, Marcela, Pedrinho, Nara, Rubens, Thiago, Lumbriga, Victor, Caetano e Gabriel. Valeu! Aos professores Dr. João Renato Stehmann e Dr. Júlio Antônio Lombardi, e ao Dr. Marcos Sobral, pelo exemplo de profissionalismo e pela atenção e carinho sempre dispensados a mim. Ao Dr. Ary de Oliveira-Filho, pela ajuda com as análise estatísticas. À doutoranda Luciana Kamino e ao Dr. Márcio Werneck, pela atenção e pela enorme ajuda com os programas, mapas e com as análises estatísticas. Muito obrigada por tudo! Ao Prof. Dr. Augusto Santiago, pela ajuda dispensada com a obtenção e envio de material bibliográfico e pela atenção. Ao pesquisador Cláudio Nicoletti, pelas sugestões e pelas discussões produtivas. À Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, pelo financiamento do projeto que possibilitou as coletas e o refinamento da base de dados que suporta esse trabalho. 2 Sumário À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão da bolsa de Mestrado. E, principalmente, ao meu namorado Daniel, por tudo o que ele representou na minha vida nesses últimos anos: companheirismo, amizade, paciência, amor e apoio. Muito obrigada! 3 Sumário SUMÁRIO RESUMO ____________________________________________________ 6 ABSTRACT __________________________________________________ 7 1. INTRODUÇÃO ____________________________________________ 8 2. OBJETIVOS _____________________________________________ 14 3. MATERIAIS E MÉTODOS___________________________________ 15 3.1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO __________________________ 15 3.2. COMPILAÇÃO DE DADOS_______________________________________ 18 3.3. ELABORAÇÃO DE MAPAS E EXTRAÇÃO DAS VARIÁVEIS AMBIENTAIS _______ 22 3.4. ANÁLISE DE DADOS __________________________________________ 23 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ______________________________ 25 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS _________________________________ 38 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ___________________________ 39 APÊNDICE A ________________________________________________ 47 APÊNDICE B ________________________________________________ 48 APÊNDICE C ___________________________ Erro! Indicador não definido. 4 Lista de figuras LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Informações armazenadas no banco de dados ___________________ 21 Figura 2 - Locais de registro das pteridófitas _____________________________ 26 Figura 3 - Riqueza de pteridófitas por quadrícula __________________________ 29 Figura 4 - Riqueza e Áreas Prioritárias para conservação da flora_____________ 29 Figura 5 - Dendrograma resultante da análise de agrupamento_______________ 30 Figura 6 - Distribuição dos agrupamentos florísticos no estado de Minas Gerais _ 33 Figura 7 - Gráfico resultante da análise de correspondência canônica _________ 33 Figura 8 - Posição geográfica e código das quadrículas ____________________ 49 Figura 9 - Estado de Minas Gerais: altitude ______________________________ 49 Figura 10 - Estado de Minas Gerais: temperatura média anual _______________ 50 Figura 11 - Estado de Minas Gerais: temperatura máxima anual ______________ 50 Figura 12 - Estado de Minas Gerais: temperatura mínima anual ______________ 51 Figura 13 - Estado de Minas Gerais: precipitação total anual_________________ 51 Figura 14 - Estado de Minas Gerais: precipitação do mês mais úmido _________ 52 Figura 15 - Estado de Minas Gerais: precipitação do mês mais seco __________ 52 Figura 16 - Estado de Minas Gerais: formações vegetacionais _______________ 53 Figura 17 - Estado de Minas Gerais: grupos de solos ______________________ 53 5 Resumo RESUMO Este trabalho teve como objetivo realizar uma análise quantitativa da distribuição geográfica das espécies de pteridófitas ocorrentes no estado de Minas Gerais, analisando e determinando as áreas de maior riqueza e examinando que fatores bióticos e abióticos podem influenciar e/ou determinar esses centros de riqueza e os padrões de distribuição. Para isso foi mapeada a ocorrência natural de 652 táxons distribuídos em 140 quadrículas de 30’ x 30’ no estado de Minas Gerais, baseada em um banco de dados resultante da compilação de dados de bibliografia, exsicatas de 28 herbários brasileiros e cinco herbários norte-americanos e coletas realizadas em diversas áreas do estado. Os padrões de distribuição foram descritos através de uma análise de agrupamento utilizando o Método de Ward e foram relacionados numericamente a 25 variáveis ambientais obtidas de cada uma das 140 quadrículas através de uma análise de correspondência canônica associada a um teste de permutação de Monte Carlo. A riqueza de cada quadrícula também foi relacionada às variáveis ambientais através de uma regressão múltipla com um procedimento passo-a-passo progressivo. As cinco quadrículas mais ricas foram as correspondentes às regiões de Ouro Preto (316 táxons), Conceição do Mato Dentro (245), Catas Altas (242), Belo Horizonte (238) e Araponga (217 táxons). Treze quadrículas apresentaram o registro de apenas um táxon e apenas outras 13 apresentaram mais de 100 táxons; observa-se que as quadrículas mais ricas concentram-se nas regiões Central, Zona da Mata e Sul do estado de Minas Gerais. As quadrículas utilizadas na análise de agrupamento foram reunidas em seis grupos dos quais nem todos apresentam um padrão geográfico coerente, especialmente aqueles onde foram agrupadas as quadrículas com um menor número de espécies. A análise de correspondência canônica destacou sete variáveis mais fortemente correlacionadas aos dois primeiros eixos de ordenação: os valores mínimo e médio da temperatura média anual, os valores mínimo e médio da temperatura máxima anual, o valor mínimo da temperatura mínima anual e a altitude mínima e máxima. Os mesmos padrões observados no agrupamento do Método de Ward puderam ser observados no gráfico resultante da CCA. A análise de regressão múltipla mostrou que cinco das 25 variáveis incluídas afetam significativamente a riqueza nas quadrículas: altitude máxima, altitude mínima, valor mínimo da temperatura mínima anual, valor máximo da temperatura média anual e valor médio da temperatura máxima anual. O banco de dados resultante da compilação realizada deverá embasar trabalhos posteriores de biogeografia e conservação de pteridófitas no estado de Minas Gerais. 6 Abstract ABSTRACT The aim of this work was to accomplish a quantitative analysis of the geographical distributional patterns of the pteridophyte species occurring in the Minas Gerais state, analyzing and determining the richest areas and examining which biotic and abiotic factors can be influencing and/or determining those richness centers and the distributional patterns. The natural occurrence of 652 taxons distributed in 140 grids of 30' x 30' in the Minas Gerais state was mapped, based on a database resulting from compilation data of bibliography, 28 Brazilian and five North American herbaria and collections carried out in many areas of the state. The distributional patterns were described through a cluster analysis using Ward’s Method and were numerically related to 25 environmental variables obtained from each one of the 140 grids through a canonical correspondence analysis associated with Monte Carlo permutation tests. The richness of each grid was also related to the environmental variables through a stepwise multiple regression analysis with a forward procedure. The five richest grids were the ones corresponding to the areas of Ouro Preto (316 taxons), Conceição do Mato Dentro (245), Catas Altas (242), Belo Horizonte (238) and Araponga (217 taxons). Thirteen grids presented only one taxon and another 13 presented more than 100 taxons; it is observed that the richest grids concentrate on the Central, Zona da Mata and South regions of Minas Gerais State. The grids used in the cluster analysis were gathered in six groups but not all of those present a coherent geographical pattern, especially the ones containing the grids with smaller species numbers. The canonical correspondence analysis detached seven variables more strongly correlated to the first two ordination axes: the minimum and mean values of the annual mean temperature, the minimum and mean values of the annual maximum temperature, the minimum value of the annual minimum temperature and the minimum and maximum altitude. The same patterns observed in the Ward’s method cluster could be observed in the graph resulting from CCA. The multiple regression analysis shows that five of the 25 variables significantly affect the richness in the grids: maximum altitude, minimum altitude, minimum value of the annual minimum temperature, maximum value of the annual mean temperature and mean value of the annual maximum temperature. The database resulting from the accomplished compilation should base subsequent works of biogeography and conservation of pteridophytes in the state of Minas Gerais. 7 Introdução 1. INTRODUÇÃO As pteridófitas são as plantas vasculares sem sementes, de ciclo de vida heteromórfico com duas fases bem distintas: a fase gametofítica, inconspícua e efêmera, e a fase esporofítica, de maior porte e complexidade anatômica e período de vida mais longo. Essas plantas hoje estão incluídas em duas linhagens monofiléticas filogeneticamente distintas: as licófitas e as monilófitas (Pryer et al. 2004). As licófitas se distinguem pela presença de micrófilo, e incluem as Lycopodiaceae, Selaginellaceae e Isoetaceae. Esse grupo é um dos mais antigos da linhagem das plantas vasculares, tendo atingindo a sua maior diversidade no Carbonífero, quando dominava as paisagens do planeta com espécies arbóreas e arbustivas (Bateman 1996; Gifford & Foster 1989). Atualmente esse grupo inclui aproximadamente 1.350 espécies (Moran & Riba 1995). Já a linhagem das monilófitas inclui aquelas espécies de pteridófitas que possuem megáfilos e uma vascularização distinta com o protoxilema confinado a lobos do cordão do xilema (Pryer et al. 2004). Esse grupo inclui aproximadamente 11.500 espécies, distribuídas nas classes Psilotopsida (Ophioglossaceae e Psilotaceae), Equisetopsida (Equisetaceae), Marattiopsida (Marattiaceae) e Polypodiopsida (Smith et al. 2006). Esse último é o grupo das pteridófitas leptosporangiadas, o maior dentre as monilófitas atuais, com cerca de 11.000 espécies distribuídas em várias famílias (Smith et al. 2006) e que compreende a maioria das plantas que são vulgarmente chamadas de samambaias ou fetos. As pteridófitas apresentam uma ampla variedade de tamanhos, hábitos e formas estruturais, tanto do esporófito quanto do gametófito. Elas ocorrem nos mais variados ambientes e hábitats, em condições bem distintas, de ambientes árticos e alpinos das elevadas altitudes e latitudes até ambientes úmidos do interior das florestas tropicais; de situações subdesérticas até as formações costeiras pantanosas. Entretanto, os ambientes de maior abundância de ocorrência das pteridófitas são aqueles tropicais bastante úmidos, que não apresentam períodos secos apreciáveis durante o ano (Page 1979a). Os esporos das pteridófitas são pequenos, leves e se dispersam com facilidade a longas distâncias através da ação do vento. No caso das pteridófitas homosporadas, os esporos germinam dando lugar a gametófitos bissexuados de vida livre, que podem autofecundar-se e dar origem a um esporófito (Kato 1993). Essa facilidade de dispersão a longas distâncias dos esporos faz com que os padrões de distribuição geográfica das pteridófitas sejam determinados mais pela disponibilidade de hábitats adequados à sua sobrevivência do que pela capacidade 8 Introdução de dispersão e colonização. Smith (1972), comparando a distribuição das pteridófitas com a das angiospermas, observa que a porcentagem de gêneros e espécies endêmicas é bem menor nas pteridófitas do que nas angiospermas, dado que reflete a ampla capacidade de dispersão e estabelecimento das primeiras. Tryon (1972) cita que estudos biogeográficos de pteridófitas podem geralmente descartar a capacidade de dispersão como uma variável ou como um fator limitante e focar outros aspectos dos processos geográficos e evolutivos. O mesmo autor (Tryon 1986) estima que uma distância de aproximadamente 800 quilômetros (500 milhas) não é uma barreira significante para a migração das pteridófitas. Os principais exemplos da grande capacidade de dispersão das pteridófitas estão nas ilhas oceânicas, onde essas espécies constituem uma parte importante da flora vascular, chegando a representar 44,5% do número total de espécies nas ilhas Tristan da Cunha e 35,4% nas ilhas Juan Fernández. No primeiro caso, as ilhas estão distantes aproximadamente 3200 km do litoral do estado do Rio de Janeiro, mas mesmo assim o elemento florístico da América do Sul predomina na flora local. Entretanto, quando se compara o número de espécies endêmicas em ilhas, as pteridófitas são bem menos representativas do que as angiospermas (Given 1993). Embora a dispersão seja um importante fator influenciando a distribuição geográfica das espécies de pteridófitas, alguns autores estão focando a atenção em estudos biogeográficos associados a trabalhos filogenéticos para determinar a influência dos eventos de vicariância na distribuição atual dos grupos de pteridófitas. Eles acreditam que eventos vicariantes não podem ser descartados como determinantes em alguns casos, mas não existem ainda estudos específicos suficientes para possibilitar a distinção do papel de cada um desses eventos (dispersão ou vicariância) na distribuição das espécies de pteridófitas (Wolf et al. 2001). Os centros de riqueza das pteridófitas nos trópicos estão associados às regiões que possuem como características fisionômicas o relevo montanhoso, de altitudes moderadas a elevadas e pluviosidade e/ou umidade altas. Esse cenário está normalmente associado à alta diversidade de microhábitats e possibilita a colonização por grupos diversos de pteridófitas (Ponce et al. 2002). Além de promover o aumento da riqueza de espécies, as montanhas influenciam a distribuição das espécies de pteridófitas agindo como barreiras à migração e gerando endemismo (Moran 1995). Como esse mesmo autor destaca, todos os países ou regiões com mais de 500 espécies de pteridófitas são montanhosos (Moran 1995). 9 Introdução A circunscrição de hábitat para determinadas espécies de pteridófitas está condicionada à associação de diversos fatores físicos, tais como profundidade do solo, pH, drenagem, tipo de solo ou rocha, aeração do solo, grau de sombreamento e abrigo, regularidade do suprimento de água e da precipitação, umidade do ar, temperatura, tipo e duração da incidência luminosa (Page 1979b). O conjunto dos fatores deverá ser ótimo para o estabelecimento e crescimento tanto do gametófito quanto do esporófito, dificultando ou limitando ainda mais a amplitude ecológica de sobrevivência das espécies de pteridófitas (Page 1979b). Tuomisto & Poulsen (1996) relatam, em um estudo realizado nas terras baixas da Amazônia oriental, o aparente grau de especialização edáfica das pteridófitas, evidenciando a estreita relação entre ocorrência das espécies e as condições ambientais. Segundo Roos (1996), 80% das espécies de pteridófitas (aproximadamente 9.000) estariam distribuídas nas regiões tropicais do Novo e Velho Mundo. Aproximadamente 75% dessa riqueza tropical ocorrem em duas grandes regiões: uma, com cerca de 2.250 espécies, na região que abrange as Grandes Antilhas, o sudeste do México, a América Central e os Andes do oeste da Venezuela ao sul da Bolívia e a outra, de maior riqueza, com cerca de 4.500 espécies, no sudeste da Ásia e a Australásia (Tryon & Tryon 1982). Para as Américas, Tryon & Tryon (1982) estimam a ocorrência de 3.250 espécies, estando 3.000 delas na região tropical. Nessa região existem, segundo o mesmo autor, quatro centros de endemismo: um nas Grandes Antilhas, com cerca de 900 espécies; um na região sul do México e na América Central, também com cerca de 900 espécies; um na região andina, com cerca de 1500 espécies; e um último centro de riqueza nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, que eles estimavam conter em torno de 600 espécies, 40% delas endêmicas. Essas regiões ricas em diversidade e endemismo coincidem com as regiões montanhosas no Neotrópico. Atualmente, sabe-se que a estimativa de Tryon & Tryon (1982) para o centro de riqueza brasileiro estava incorreta. Prado (1998) estima a ocorrência de 1.2001.300 espécies de pteridófitas no Brasil, e cerca de 500-600 para o estado de São Paulo. No estado de Minas Gerais, A. Salino & T. E. Almeida (dados inéditos) já registraram até o momento ocorrência de 692 táxons infragenéricos, sendo que 66 são novos registros para o estado e até para o Brasil, além de várias espécies novas para a ciência. Além disso, esse é o maior número de táxons já registrado em um estado brasileiro, e corresponderia a aproximadamente metade da diversidade encontrada no país. Esses dados refletem a necessidade que existe de maiores estudos e esforços de coleta no Brasil. 10 Introdução A distribuição dos seres vivos no globo varia de uma forma não-aleatória e predizível, e a biogeografia é a ciência que tenta documentar e entender os padrões espaciais dos seres vivos. Os fatores condicionantes dessa distribuição podem ser bióticos e/ou abióticos, e a abordagem biogeográfica dos processos subjacentes a esses fatores pode ser histórica ou ecológica (Lomolino et al. 2006). A biogeografia não se limita a investigar as áreas geográficas dos grupos distintos de seres; também se ocupa das relações destes com o ambiente em que vivem, ou seja, com as causas da sua distribuição geográfica (Cabrera & Willink 1980). Outro fator preponderante hoje na distribuição geográfica das espécies é o ser humano, que vem causando impactos nos ambientes naturais destruindo e fragmentando os hábitats e gerando paisagens totalmente diferentes das paisagens nativas. Além disso, a introdução de espécies exóticas aumenta a competição e pode provocar a extinção das espécies locais. No Brasil e especialmente em Minas Gerais, devido ao histórico de colonização e ocupação, a biodiversidade se encontra fortemente ameaçada (Costa et al. 1998), tornando de extrema importância estudos que ajudem a caracterizar e a indicar as áreas que ainda contêm remanescentes da biodiversidade para a sua conservação. Given (1993) sugere a criação de bases de dados para a documentação adequada da taxonomia, distribuição e abundância das espécies de pteridófitas como uma das ações fundamentais para a conservação do grupo. Existem vários trabalhos publicados sobre biogeografia de pteridófitas. A maior parte deles, entretanto, são abordagens que utilizam riqueza e florística para delimitar regiões de endemismo, padrões de distribuição ou similaridade entre áreas. Esses trabalhos normalmente são descritivos e não utilizam análises numéricas, e dentre eles estão os mais clássicos e importantes trabalhos biogeográficos de pteridófitas; destacam-se os trabalhos de Barrington (1993), de la Sota (1973), Kato (1993), Kornaś (1993), Kramer (1993), Moran (1995), Moran & Smith (2001), Parris (2001), Ponce et al. (2002), Smith (1972; 1993) e Tryon (1970; 1972; 1986). Outro tipo de abordagem utiliza análises numéricas para relacionar a distribuição e abundância com fatores ecológicos, geralmente edáficos, utilizando o método de parcelas. Dentre eles destacam-se Poulsen (1996), Ruokolainen et al. (1997), Tuomisto (1994; 1998), Tuomisto & Poulsen (1996) e Tuomisto & Ruokolainen (1993; 2002). Já trabalhos feitos utilizando análise numérica para determinar padrões de distribuição geográfica existem poucos; para espécies de pteridófitas citam-se os trabalhos de Birks (1976) na Europa, Dzwonko & Kornaś (1994) em Ruanda, Marquez et al. (1997) na Península Ibérica e Heikkinen et al. (1998) em uma reserva no norte da Finlândia. Mesmo para outros grupos vegetais, não existem 11 Introdução muitos trabalhos usando métodos de ordenação, destacando-se os trabalhos de Hill (1991) com aves e plantas nas Ilhas Britânicas; Myklestad & Birks (1993) com o gênero Salix (Salicaceae) na Europa; e no Brasil, Oliveira-Filho et al. (2005; 2006) com as florestas do leste da América do Sul e Kamino et al. (no prelo) com as fitofisionomias florestais da Cadeia do Espinhaço. No Brasil, o único trabalho biogeográfico que utiliza uma análise quantitativa da distribuição geográfica é a tese de Barros (1997), que faz um estudo detalhado da distribuição de 274 espécies e nove variedades de pteridófitas no estado de Pernambuco utilizando uma análise de componentes principais (PCA) com as seguintes variáveis: altitude, latitude, longitude, precipitação pluviométrica e zonas fitogeográficas. Além disso, o ensaio faz análises qualitativas (descritivas) da ocorrência das espécies por família considerando cada uma das seguintes variáveis ambientais: coordenadas geográficas, altitude, precipitação, umidade relativa do ar e temperatura do ar. A autora discute vários aspectos dos ambientes e hábitos de ocorrência das pteridófitas, da forma de vida, padrões sazonais e a presença e freqüência das espécies nas diferentes zonas fitogeográficas de Pernambuco. Publicações de estudos da pteridoflora do estado de Minas Gerais ainda são escassas, e são principalmente inventários florísticos. Citam-se os levantamentos de Lisboa (1954) para o município de Ouro Preto; Krieger & Camargo (1990), para a Zona da Mata; o checklist da Serra do Cipó (Giulietti et al. 1987); os levantamentos da Estação Biológica de Caratinga (RPPN Feliciano Miguel Abdala) e Parque Estadual do Rio Doce (Melo & Salino 2002); o inventário de quatro Reservas Particulares na região do Quadrilátero Ferrífero (Figueiredo & Salino 2005); o levantamento da APA Fernão Dias, região sul do estado (Melo & Salino 2007) e o levantamento do Parque Estadual do Itacolomi (Rolim 2007). Recentemente, têm sido elaboradas monografias, como o tratamento da família Polypodiaceae no Parque Estadual do Itacolomi (Rolim & Salino, no prelo) e as famílias Dryopteridaceae (Garcia & Salino, no prelo) e Dennstaedtiaceae sensu lato (Assis 2008) no estado de Minas Gerais. Além disso, cita-se um trabalho de diagnóstico da flora de pteridófitas da Cadeia do Espinhaço, incluindo um checklist e análises qualitativas da distribuição geográfica e do estado de conservação das espécies (Salino & Almeida, no prelo). Existem diversos trabalhos em andamento no estado, de várias áreas e natureza distintas: levantamentos florísticos (Parque Estadual do Rio Preto; Parque Estadual da Serra do Intendente; Parque Estadual da Serra do Brigadeiro; RPPN Santuário do Caraça; região da Serra da Piedade, municípios de Caeté e Sabará; Vale dos rios Jequitinhonha e Mucuri e na região da Serra do Funil, município de Rio 12 Introdução Preto), monografias de famílias e gêneros para o estado (os gêneros Elaphoglossum, Pecluma, Serpocaulon e Pleopeltis) e um trabalho de ecologia da comunidade de pteridófitas dos capões de altitude do Parque Estadual do Rio Preto. 13 Objetivos 2. OBJETIVOS Esse trabalho teve como objetivos: 1 - realizar uma análise quantitativa da distribuição geográfica das espécies de pteridófitas ocorrentes no estado de Minas Gerais, analisando e determinando as áreas de maior riqueza e examinando quais os fatores bióticos e abióticos que podem influenciar e/ou determinar esses centros de riqueza e os padrões de distribuição; 2 - analisar a distribuição das coletas no estado de Minas Gerais, identificando as áreas melhor amostradas e áreas com deficiência de coletas. 14 Materiais e Métodos 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO O estado de Minas Gerais está localizado na região Sudeste do Brasil, fazendo limites com os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul e com o Distrito Federal. Está localizado entre as coordenadas geográficas 14°10’ e 22°55’ S e 039°52’ e 051°00’ W e possui uma área de 588.384 km2, que corresponde a 7% do território nacional (Costa et al. 1998). O relevo do estado é bastante acidentado, com altitudes que variam de 79 metros no município de Aimorés, a 2890 metros no Pico da Bandeira, município de Alto Caparaó. Além disso, há a presença de várias cadeias montanhosas de elevações expressivas, como a Serra do Espinhaço, no centro do estado, a Serra da Mantiqueira, na divisa com os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, e a Serra do Caparaó, na divisa com o estado do Espírito Santo (Drummond et al. 2005). O clima de Minas Gerais apresenta uma diversificação muito grande, devido às condições topográficas, altitudes dominantes, continentalidade, latitude e longitude (Costa et al. 1998). Os tipos de clima prevalecentes no estado são: Aw (tropical úmido) nas regiões norte e do triângulo mineiro; BSw (seco com chuvas no verão) no norte do estado, na região de Monte Azul e Espinosa e na área do Vale do Jequitinhonha junto a Itinga; Cwa (temperado chuvoso) nas regiões serranas do centro e do sul e nas serras do Espinhaço e Cabral; e Cwb (clima temperado chuvoso) nas regiões de altitude mais elevada das Serras da Canastra, Espinhaço e Mantiqueira. O regime pluviométrico apresenta dois períodos bem definidos: um chuvoso no verão e um seco no inverno. Apesar disso, há uma variação regional nos valores da precipitação total anual, que vão de 700 mm nas regiões mais secas do norte, nordeste e leste do estado a 2.500 mm nas regiões de maior altitude na Serra da Mantiqueira. O regime térmico varia principalmente em função da latitude e longitude, e da altitude. A temperatura média anual nas regiões mais altas nas serras da Mantiqueira e do Caparaó é de 18°C e chega a a 25°C no extremo norte. Também a umidade relativa varia no sentido norte-sul, sendo a média anual 60% na primeira região e 80% na última (Antunes 1986). Cinco grandes bacias hidrográficas (São Francisco, Jequitinhonha, Doce, Grande e Paranaíba) drenam 90% do estado de Minas Gerais, que tem um dos maiores potenciais hídricos do país. A bacia do rio São Francisco é a maior delas, drenando 40% do território mineiro. A calha principal tem 1.135 km de extensão em 15 Materiais e Métodos Minas Gerais. A segunda maior bacia, a do rio Grande, drena 15% do estado, e cerca de 60% de sua área encontra-se em território mineiro, ficando o restante no estado de São Paulo. As bacias do rio Paranaíba e do rio Doce drenam, cada uma, 12% do território de Minas Gerais. A do rio Jequitinhonha, cujo curso principal tem 870 km de extensão no estado, drena 11% e ocupa o quinto lugar em tamanho. Os outros 10% são drenados por outras dez bacias que abrangem áreas pequenas (Costa et al. 1998). A associação dos diversos fatores físico-climáticos no território mineiro cria paisagens muito diferentes, propiciando o estabelecimento de diferentes formações vegetacionais. Dos três biomas presentes no estado de Minas Gerais (Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga), dois estão entre os vinte e cinco pontos do planeta com maior diversidade e endemismo biológico e que ao mesmo tempo, estão fortemente ameaçados por pressões antrópicas de exploração e impactos secundários: a Mata Atlântica e o Cerrado (Myers et al. 2000). A Mata Atlântica encontra-se em situação crítica de alteração dos ecossistemas naturais, estando entre os oito hotspots mais ricos e ameaçados do planeta. Hoje, o bioma está reduzido a menos de 8% de sua extensão original e seus domínios abrigam 70% da população humana e concentram as maiores cidades e os grandes pólos industriais do Brasil (MMA/SBF 2002). Esse bioma abriga a maior parte das espécies de pteridófitas que ocorrem no Brasil, e aproximadamente um terço delas são endêmicas da Mata Atlântica (A. Salino & T. E. Almeida, dados inéditos). Em Minas Gerais, o domínio da Mata Atlântica apresenta formações florestais como Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Estacional Decidual e formações campestres, como os campos de altitude da Serra do Caparaó e da Serra do Itatiaia (Veloso et al. 1991). O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, estando atrás em área somente da Amazônia e ocupando 21% do território brasileiro (Silva & Bates 2002). Possui a mais rica flora dentre as savanas do mundo, com mais de 7.000 espécies (Mendonça et al. 1998), mas está sob imensa pressão antrópica, com aproximadamente metade de sua área transformada em pastagens plantadas, culturas anuais e outros tipos de uso (Klink & Machado 2005). Dentro do bioma Cerrado insere-se um conjunto de tipos fitofisionômicos distintos, incluindo Matas ciliares, Matas de galeria, Matas Secas, Cerradão, Formações Savânicas e Formações Campestres (Ribeiro & Walter 1998). Dentro dessas últimas formações, destacam-se os Campos Rupestres e formações associadas. Essas formações vegetacionais são expressivas em Minas Gerais e em sua maioria estão associadas 16 Materiais e Métodos às regiões elevadas da Cadeia do Espinhaço, apresentando grande riqueza de espécies e endemismos (Giulietti et al. 2000). Já a Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, é um dos mais deficientes em estudos e conhecimento. A vegetação do bioma é extremamente diversificada, e estima-se que aproximadamente um terço das espécies ocorrentes na Caatinga sejam endêmicas. Apesar disso, é nesta região que estão localizadas as maiores áreas brasileiras que passam hoje por processo de desertificação, e 68% da sua área está antropizada em algum grau. Os encraves de Caatinga existentes fora do Nordeste têm grande importância científica, e nesse sentido, destacam-se as áreas situadas em Minas Gerais (MMA/SBF 2002). Entretanto, contrastando com a riqueza em outros grupos como Bromeliaceae e Cactaceae, poucas espécies de pteridófitas são conhecidas das regiões semi-áridas; Ambrósio & de Melo (2001) relatam apenas 13 na Caatinga do estado de Pernambuco. Entretanto, a grande diversidade biológica observada no estado de Minas Gerais está fortemente comprometida devido ao processo de ocupação ocorrido no estado, aliado a políticas pouco racionais de desenvolvimento. Ao longo de sua história, Minas Gerais sofreu um intenso desmatamento de seus ecossistemas naturais mais representativos. A expansão urbana e de infra-estrutura, além das principais atividades econômicas realizadas no estado (atividades agropecuárias, produção de matérias-primas e de insumos vegetais e produção mineral) no passado e atualmente, geraram e geram intensa pressão sobre as formações vegetais nativas. Esse modelo de ocupação não foge à regra do modelo de ocupação encontrado em todo o Brasil, e causa grandes alterações também na dinâmica do uso e ocupação do solo (Drummond et al. 2005). O processo de degradação ambiental observado em Minas Gerais levou, no início do século XX, à criação de mecanismos legais específicos para sua conservação, embora de eficácia restrita. Em 2003, Minas Gerais possuía 4.306.652,16 hectares em áreas protegidas, totalizando 397 Unidades de Conservação cadastradas. Isso corresponde a 7,34% de área protegida no estado. No entanto, apenas 1,45% estão protegidos em UCs de Proteção Integral dos recursos naturais (Drummond et al. 2005). A perda de biodiversidade decorrente do histórico de colonização e desenvolvimento do estado de Minas Gerais está claramente expressa nas listas das espécies da flora ameaçadas de extinção. A primeira lista, elaborada em 1996, era constituída por 538 espécies, sendo três delas espécies de pteridófitas. Além disso, 450 espécies de plantas foram consideradas presumivelmente ameaçadas (31 dessas pteridófitas), ou seja, sem informações suficientes para a determinação 17 Materiais e Métodos precisa da sua situação (Mendonça & Lins 2000). A revisão da Lista Vermelha da Flora Ameaçada de Extinção em Minas Gerais, realizada em um Workshop no ano de 2006 colocou 118 espécies em alguma categoria de ameaça; dessas 75 foram consideradas “Criticamente em Perigo”, 25 “Em Perigo” e 18 “Vulneráveis”. Outras 58 espécies foram colocadas na categoria “Dados Deficientes”, por não haver informações suficientes para definir qual o real estado de conservação dos táxons. 3.2. COMPILAÇÃO DE DADOS O levantamento dos táxons ocorrentes no estado de Minas Gerais foi feito através de pesquisa bibliográfica, compilação de dados de coleções científicas e coletas em diversas das áreas mais deficientes de dados. Essas áreas foram definidas utilizando-se o banco de dados resultante de uma primeira compilação de dados, a partir do qual foi gerado um mapa pontual com os registros de ocorrência dos táxons infragenéricos de pteridófitas no estado de Minas Gerais. Esse mapa de registros foi sobreposto com os mapas de malha municipal e de microrregiões do estado de Minas Gerais. As microrregiões onde não houve registro de nenhum táxon ou aquelas onde os registros existentes são muito antigos (mais de cinqüenta anos) foram consideradas prioritárias para a coleta de material. Entretanto, nem todas essas áreas puderam ser amostradas devido à deficiência de recursos e de tempo. Todo o material botânico coletado foi preparado seguindo as técnicas usuais para pteridófitas e depositado no Herbário do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (BHCB). As duplicatas dos espécimes para os quais houve dificuldade de identificação foram enviadas para especialistas. As coletas foram realizadas em 24 Unidades de Conservação: Estação Ecológica de Acauã (Turmalina), Parque Estadual da Serra da Boa Esperança (Boa Esperança), Parque Estadual do Biribiri (Diamantina), Parque Estadual do Ibitipoca (Lima Duarte), Parque Estadual do Itacolomi (Ouro Preto e Mariana), Parque Estadual de Nova Baden (Lambari), Parque Estadual do Pico do Itambé (Santo Antônio do Itambé), Parque Estadual do Rio Preto (São Gonçalo do Rio Preto), Parque Estadual da Serra das Araras (Chapada Gaúcha), Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (Araponga), Parque Estadual da Serra do Cabral (Joaquim Felício), Parque Estadual da Serra Negra (Itamarandiba), Parque Estadual de Serra Nova (Rio Pardo de Minas), Parque Estadual da Serra do Papagaio (Aiuruoca, Alagoa), Parque Estadual dos Sete Salões (Santa Rita do Itueto, Conselheiro Pena), Parque Nacional do Caparaó (Alto Caparaó), Parque Nacional do Itatiaia (Itamonte), Parque Nacional Grande Sertão Veredas (Chapada Gaúcha, Formoso, Arinos), Parque Nacional das Sempre Vivas (Buenópolis, Bocaiúvas, Diamantina), Parque Nacional 18 Materiais e Métodos da Serra da Canastra (São Roque de Minas), Parque Nacional da Serra do Cipó (Santana do Riacho), RPPN Santuário do Caraça (Catas Altas), RPPN Mata do Sossego (Simonésia) e RPPN Reserva do Acangaú (Paracatu). As áreas de entorno das UCs listadas também foram amostradas. Regiões onde não existem áreas de conservação legal em outros 39 municípios também foram amostradas: Alvorada de Minas, Andradas, Araguari, Arcos, Botumirim, Brumadinho, Bueno Brandão, Caldas, Cambuquira, Capitólio, Carrancas, Conceição do Mato Dentro, Congonhas do Norte, Dores de Guanhães, Ferros, Gonçalves, Gouveia, Grão Mogol, Itabira, Itambé do Mato Dentro, Itamonte, Lavras, Moeda, Munhoz, Nova Lima, Ouro Preto, Poços de Caldas, Rio Preto, Sabará, Santana de Pirapama, Santana do Riacho, Santo Antônio do Rio Abaixo, São Francisco, Sapucaí-Mirim, Serranópolis, Tiradentes, Três Marias, Uberlândia e Virginópolis. O levantamento bibliográfico foi realizado utilizando-se literatura especializada de pteridófitas. Foram consultadas, principalmente, dissertações, teses e publicações de trabalhos taxonômicos sobre famílias e gêneros ocorrentes no estado, assim como trabalhos de inventários florísticos. Foram utilizadas 22 referências bibliográficas para a compilação de dados dos seguintes grupos taxonômicos: Aspleniaceae (Sylvestre 2001), Blechnaceae (Dittrich 2005), Cyatheaceae (Fernandes 1997), Dryopteridaceae (Garcia 2006), Polypodiaceae (Labiak 2000; 2001; Labiak & Matos 2007; León 1993), Pteridaceae (Prado 1989), Selaginellaceae (Alston et al. 1981), Vittariaceae (Nonato & Windisch 2004), Adiantum (Prado & Smith 2002), Diplazium (Baker 1870), Elaphoglossum (Novelino 1998), Hymenophyllum (Morton 1947), Huperzia (Nessel 1955), Pecluma (Evans 1969), Pteris (Prado 1993) e Thelypteris (Ponce 1998; Salino 2000, 2002; Salino & Melo 2000). A compilação dos dados de bibliografia e herbários reuniu 7295 registros, distribuídos em 289 municípios do estado e 48 Unidades de Conservação de Proteção Integral, sendo 16 Parques Estaduais, 15 Reservas Particulares do Patrimônio Natural, sete Parques Nacionais, seis Estações Ecológicas e três Reservas Biológicas. A compilação de dados das coleções foi feita através da análise de todo o material disponível nos principais herbários brasileiros e em cinco herbários norteamericanos (Apêndice A). As siglas dos herbários listados estão de acordo com Holmgren et al. (1990). Nessa análise, todos os espécimes encontrados que foram coletados no estado de Minas Gerais tiveram suas informações registradas. As informações das exsicatas foram compiladas diretamente em banco de dados ou armazenadas através de fotografias digitais para posterior análise e inclusão no 19 Materiais e Métodos banco de dados. Ao todo foram visitados 28 herbários brasileiros e cinco herbários norte-americanos. Devido ao enorme volume de registros feitos nessas coleções e ao prazo para a finalização desse trabalho, foram incorporados ao banco de dados informações provenientes de 23 dos 33 herbários visitados (Apêndice A). Apesar da ausência dos dados de 10 herbários, não houve comprometimento da análise, já que 85,6% dos registros (6245) compilados provêm de exsicatas do herbário BHCB, mostrando a representatividade dessa coleção em relação à flora do estado de Minas Gerais. Além da identificação do material botânico coletado nas viagens, foram identificados também espécimes indeterminados depositados no herbário BHCB. Também foram revistas as identificações nas quais houve dúvida dos espécimes examinados nos outros herbários visitados. A identificação foi feita com o auxílio de literatura especializada e por comparação com material identificado por especialistas. Adicionalmente, todo o material de pteridófitas que foi coletado em Minas Gerais por outros pesquisadores e que foi depositado no Herbário BHCB e incorporado à coleção até novembro de 2007 foi analisado e seus dados incluídos no banco de dados. As informações compiladas foram inseridas no banco de dados seguindo os seguintes critérios: um registro de cada táxon ocorrente por município, dando preferência às coletas georreferenciadas, em seguida às coletas mais recentes. Coletas sem informações de município, coletor e data foram preteridas quando havia coletas com informações mais completas e detalhadas. Para armazenamento de todos os dados compilados foi criado um banco de dados utilizando o programa MS-Access®. Para cada espécime analisado, as seguintes informações foram incluídas no banco de dados (sempre que disponíveis na exsicata): FONTE (Nome do herbário com o respectivo número de tombo, ou a referência bibliográfica), FAMÍLIA, GÊNERO, ESPÉCIE, MUNICÍPIO, LOCALIDADE, COORDENADAS GEOGRÁFICAS, ALTITUDE, ALTITUDE MÍNIMA E ALTITUDE MÁXIMA (quando a informação disponível correspondia a um intervalo), DATA DE COLETA, COLETOR, NÚMERO DO COLETOR, BIOMA, FORMAÇÃO VEGETACIONAL, HÁBITO, HÁBITAT, UNIDADE DE CONSERVAÇÃO (se a coleta tiver sido feita em área de proteção) e OBSERVAÇÕES (Figura 1). Para circunscrição dos gêneros e das famílias, foi utilizada a classificação de Smith et al. (2006), com exceção da família Cyatheaceae, na qual adotou-se o gênero Cnemidaria. Para a abreviação dos autores de nomes científicos, segue-se a proposta de Pichi-Sermolli (1996). 20 Materiais e Métodos Quando mais de uma variedade ou subespécie de uma mesma espécie foi registrada para o estado, apenas o táxon referente à variedade ou subespécie tipo foi considerado, excluindo-se as demais categorias infra-específicas. Em muitos casos a aceitação e utilização dessas categorias infra-específicas não é consenso entre os taxonomistas, tornando mais difícil a correção e/ou as identificações desses táxons nos herbários. Figura 1 - Informações armazenadas no banco de dados As seguintes espécies paleotropicais introduzidas e/ou exóticas subespontâneas no Brasil e ocorrentes no estado de Minas Gerais não foram incluídas na compilação e análise de dados: Nephrolepis hirsutula (G. Forst.) C. Presl, Pteris longifolia L., Pteris multifida Poir., Pteris vittata L., Macrothelypteris torresiana (Gaudich.) Ching, Thelypteris dentata (Forssk.) E.P. St. John e Deparia petersenii (Kunze) M. Kato. Também todos os táxons citados na literatura como de “ocorrência provável” no estado, e táxons cujo registro para o estado não especifica o município de coleta foram excluídos da análise. Nesse último caso enquadram-se as seguintes espécies: Huperzia deminuens (Herter) B. Øllg., Huperzia loefgreniana (Silveira) B. Øllg. & P.G. Windisch e Hecistopteris pumila (Spreng.) J.Sm. Huperzia rostrifolia (Silveira) Holub foi considerada sinônimo de Huperzia christii (Silveira) Holub, de acordo com B. Ølgaard (com. pess.). Além disso, também foram excluídas doze espécies novas para a ciência: uma espécie do gênero Anemia, duas do gênero Asplenium, uma do gênero Hypolepis, três do gênero Megalastrum, uma do gênero Doryopteris e quatro do gênero Thelypteris. 21 Materiais e Métodos 3.3. ELABORAÇÃO DE MAPAS E EXTRAÇÃO DAS VARIÁVEIS AMBIENTAIS Após a inclusão de todos os dados, o banco de dados foi revisado para correção de possíveis erros de digitação em todos os campos. As coordenadas geográficas obtidas a partir das exsicatas também foram verificadas. Para aqueles registros não georreferenciados foram incluídas coordenadas de fontes externas, cuja precisão variou conforme a disponibilidade de informações sobre as localidades de coleta. Primeiramente foi consultado o banco de dados disponibilizado pelo Centro de Referência em Informação Ambiental, no site Specieslink (www.splink.cria.org.br). Se a informação não estava disponível nessa primeira fonte, consultou-se o programa GOOGLE EARTH® (GOOGLE 2007). Quando nessa fonte também não era possível encontrar a localidade referida, adotou-se a coordenada da sede do município, disponibilizada pelo IBGE (IBGE 1998). Para cada registro foi especificada a fonte das coordenadas geográficas por meio de códigos numéricos. Utilizando-se o programa ARCMAP 9.2® (ESRI 2006), o estado de Minas Gerais foi dividido em quadrículas de 30’ de latitude por 30’ de longitude. Como o tamanho das quadrículas afeta a escala da análise, e conseqüentemente os padrões observáveis, optou-se pelo tamanho que não fosse grande o suficiente para ocultar lacunas de coleta e nem pequeno o suficiente para atrapalhar a detecção dos padrões de variação em relação às variáveis ambientais. A ocorrência natural de todos os táxons infragenéricos de pteridófitas nativos em cada uma dessas quadrículas foi registrada e uma matriz de presença/ausência dos táxons por quadrícula foi extraída utilizando-se ferramentas de análise espacial do programa ARCMAP 9.2® (CD-ROM em anexo). Para cada quadrícula onde houve ao menos um registro de um táxon os valores de 25 variáveis ambientais foram obtidos (Apêndice B). As informações de altitude (Figura 9), temperatura (Figuras 10, 11 e 12) e precipitação (Figuras 13, 14 e 15) foram obtidas dos mapas de cobertura disponibilizados na base de dados WORLDCLIM (Hijmans et al. 2005), que pode ser obtida gratuitamente no site www.worldclim.com. Esses mapas apresentam a mais alta resolução atualmente disponível: 30 arcos de segundo (aproximadamente 0.86 km2 no equador). Recortou-se o estado de Minas Gerais utilizando-se o mapa de limites disponibilizado pelo IBGE e o mapa resultante foi reamostrado para criar células de aproximadamente 1 km2. A grade de quadrículas foi então superposta a esses mapas, e extraíram-se os valores médio, máximo e mínimo de cada quadrícula. As 22 Materiais e Métodos informações sobre os tipos de formações vegetacionais (Figura 16) e tipos de solo (Figura 17) foram extraídas de mapas obtidos no site do IBGE (www.ibge.gov.br). Já os dados de posição geográfica de cada quadrícula foram extraídos do ponto médio da mesma (Figura 8). Todos os mapas foram elaborados utilizando-se os softwares ARCMAP e ARCCATALOG 9.2® (ESRI 2006). 3.4. ANÁLISE DE DADOS Após a obtenção das matrizes os táxons considerados raros (táxons ocorrendo em três ou menos quadrículas) foram excluídos. A ocorrência de um táxon em tão poucas quadrículas não é suficientemente informativa, pois pode estar relacionada à falta de coleta e se uma condição ambiental estiver condicionando essa distribuição restrita, fica difícil distingui-la. Após a exclusão desses táxons quatro quadrículas deixaram de apresentar registros e foram eliminadas (95, 167, 220, 262). Também foi realizada uma análise para identificar dados discrepantes (outliers), utilizando-se o programa PC-ORD 5.0® (McCune & Mefford 2006). Essa análise identificou oito quadrículas (43, 136, 185, 232, 206, 280, 282, 317) que também foram excluídas, resultando assim em uma matriz de presença e ausência de 401 táxons em 128 quadrículas. Em seguida foi realizada uma classificação hierárquica para delimitar grupos de quadrículas com uma composição florística similar. Para tanto foi utilizado o algoritmo do Método de Ward (Variância mínima) (Ward 1963) e a distância euclidiana, através do programa SYSTAT 12® (SYSTAT Software 2007). A partir do resultado da classificação foi construído um dendrograma. O Método de Ward, segundo Sheppherd (2006), é um dos mais úteis de todos os métodos de agrupamento, produzindo geralmente agrupamentos relativamente fáceis de interpretar. Para tentar detectar a relação das variáveis ambientais e a composição florística das quadrículas obtidas foi utilizada a análise de correspondência canônica (canonical correspondence analysis - CCA) (Ter Braak 1986). A CCA é uma análise multivariada de gradiente que combina regressões múltiplas e métodos de ordenação e relaciona diretamente a composição da comunidade às variáveis ambientais explanatórias. As análises de ordenação e a construção do gráfico foram realizadas através do programa PC-ORD 5.0. Para avaliar estatisticamente a significância das correlações encontradas, foi realizado um teste de permutação de Monte Carlo (999 permutações) junto com a CCA. Os padrões finais de ordenação e classificação foram analisados através da 23 Materiais e Métodos entrada dos grupos obtidos no agrupamento pelo Método de Ward como variáveis categóricas na CCA, sendo plotadas como símbolos no gráfico final. O número de táxons infragenéricos em cada quadrícula foi contado (Figura 3) e uma análise de regressão múltipla com um procedimento passo-a-passo progressivo (forward stepwise) foi realizada para examinar a influência individual de cada variável na riqueza. Para tal foi utilizado o programa STATISTICA 5.0 (STATSOFT 1995). 24 Resultados e Discussão 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para o estado de Minas Gerais foram compilados dados referentes a 652 táxons infragenéricos, distribuídos em 102 gêneros e 32 famílias (Apêndice C). As famílias mais ricas foram Pteridaceae, com 98 táxons infragenéricos, Dryopteridaceae com 93, Polypodiaceae com 85, Thelypteridaceae com 56, Aspleniaceae com 40, Hymenophyllaceae e Lycopodiaceae com 39 táxons cada e Anemiaceae com 36 táxons infragenéricos. Essas oito famílias incluem 74,6% dos táxons registrados. Os gêneros mais representativos foram Thelypteris com 56 táxons infragenéricos, Elaphoglossum com 53, Asplenium com 38, Anemia com 36, Adiantum com 34, Huperzia e Blechnum com 26 táxons cada, Trichomanes com 20, e Selaginella e Hymenophyllum com 19 táxons infragenéricos cada. Esses dez gêneros representam 50,1% dos táxons registrados. Nota-se que 32 gêneros estão representados por apenas um táxon e 42 gêneros estão representados por dois a cinco táxons. A compilação de dados realizada pode gerar imprecisões em alguns casos, já que não é possível verificar a correção das informações compiladas. Pode haver erros na coleta dos dados no campo, principalmente naqueles espécimes que possuem informações de georeferenciamento; os erros podem estar na confecção das etiquetas, ou na compilação dos autores - no caso de informações retiradas da bibliografia. Até mesmo o banco de dados pode ter erros de confecção; para diminuir os erros nessa etapa, todo o banco de dados foi revisto, e as informações nele contidas referentes ao material do herbário BHCB foram conferidas. A identificação dos espécimes registrados é outro possível viés na análise de riqueza, uma vez que erros dessa natureza podem subestimar ou superestimar a riqueza. Na maior parte dos gêneros e famílias, a identificação é pouco problemática, existindo boas revisões taxonômicas ou materiais identificados por especialistas para comparação. Existem grupos, entretanto, que poderiam causar alguma distorção na análise da riqueza no estado. Os gêneros Anemia e Elaphoglossum, por exemplo, são gêneros bem representativos na pteridoflora do estado; o primeiro é bem diverso na Cadeia do Espinhaço e o segundo em áreas de Mata Atlântica. Ambos estão entre os dez gêneros mais ricos encontrados no estado de Minas Gerais (Apêndice C) e apresentam grandes problemas em sua taxonomia. O gênero Anemia está atualmente em revisão pelo pteridólogo John Mickel, e os nomes válidos e circunscrições dos táxons utilizados nesse trabalho seguem essa 25 Resultados e Discussão Figura 2 - Locais de registro das pteridófitas autoridade. Já para o gênero Elaphoglossum a identificação do material e a determinação dos nomes válidos foram feitas por comparação principalmente com o material dos herbários norte-americanos visitados e com os tipos dos herbários brasileiros. Entretanto, muito material coletado no estado de ambos os gêneros ainda não está identificado. É importante ressaltar que em situações de dúvida com relação à identificação tomou-se a postura mais conservadora possível para tentar evitar superestimativas da riqueza. Outro fator a ser destacado nessa compilação de dados é que a distribuição das coletas no estado não é uniforme, estando concentrada em algumas regiões enquanto outras não possuem nenhum registro de coleta. As regiões mais bem coletadas em Minas Gerais correspondem àquelas próximas aos centros de pesquisa existentes no estado, principalmente a Universidade Federal de Minas Gerais, na região central do estado, Quadrilátero Ferrífero, Cadeia do Espinhaço; a Universidade Federal de Juiz de Fora e a Universidade Federal de Viçosa na Zona da Mata, e em uma escala menor, a Universidade Federal de Uberlândia, na região do Triângulo Mineiro. As áreas próximas a grandes cidades também são melhor amostradas do que as regiões mais distantes dos grandes centros (Figura 2). A região sul do estado, principalmente na Serra da Mantiqueira, historicamente também teve maior esforço de coleta devido à proximidade aos centros de pesquisa dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Observa-se também claramente que 26 Resultados e Discussão as Unidades de Conservação (UCs) do estado e suas adjacências são regiões com maior esforço de coleta do que aquelas regiões onde não existe nenhuma UC. Como resultado da divisão em quadrículas do estado de Minas Gerais foram estabelecidas 239 quadrículas. Dessas, 140 quadrículas apresentaram registros de ao menos um táxon (Figura 3) e as outras 99 quadrículas que não apresentaram nenhum registro foram excluídas da análise. A ausência de dados nessas quadrículas não implica que não ocorram espécies de pteridófitas nesses locais mas que, provavelmente, essas áreas são mal amostradas, considerando-se as mesorregiões onde as lacunas aparecem: regiões noroeste, norte, vales do Mucuri e Jequitinhonha, e a região do Triângulo Mineiro. Nessa última região o panorama pode se alterar quando todos os dados referentes às coletas do herbário da Universidade Federal de Uberlândia forem incluídos na análise, mas para a região mais oeste do Triângulo, denominada Pontal, não haverá grandes alterações, pois essa é realmente uma região com deficiência de coletas. As cinco quadrículas mais ricas foram: em primeiro a quadrícula correspondente à região de Ouro Preto, Itabirito, Rio Acima, Nova Lima, etc., com 316 táxons; em segundo a quadrícula que compreende a região dos municípios de Conceição do Mato Dentro, Santana do Riacho, etc., com 245 táxons; em terceiro, com 242 táxons, a quadrícula que compreende os municípios de Catas Altas, Brumadinho e Mariana, entre outros; em quarto com 238 táxons a quadrícula que inclui as regiões de Belo Horizonte, Sabará, Lagoa Santa, Caetés, etc. e por último a quadrícula que corresponde à região de Araponga, Carangola, Pedra Bonita, Pedra Dourada, Tombos, etc. com 217 táxons. Treze quadrículas apresentaram o registro de apenas um táxon e apenas outras 13 quadrículas apresentaram mais de 100 táxons (Figura 3). Seguindo o padrão de distribuição de coletas no estado, observa-se que as quadrículas mais ricas concentram-se nas regiões Central, Zona da Mata e Sul. São regiões que apresentam altitude entre 800 - 1500 metros, apresentando relevo bastante acidentado, com grande cobertura de formações florestais úmidas mas também com regiões campestres e de transição, o que cria uma grande heterogeneidade de microhábitats. Esse padrão de concentração de riqueza das espécies de pteridófitas já foi citado por Page (1979a), Ponce et al. (2002) e Tryon & Tryon (1982), entre outros. Sobrepondo-se o mapa de distribuição da riqueza ao mapa de áreas consideradas prioritárias para a conservação da flora no estado de Minas Gerais (Drummond et al. 2005), observa-se que em geral essas regiões estão subamostradas (Figura 4). As exceções são as regiões de Mariana e Ouro Preto, 27 Resultados e Discussão Quadrilátero Ferrífero, Serra da Moeda, região de Santa Maria do Salto, região de Bocaina de Minas, Planalto de Diamantina, Serra do Caparaó e Serra do Cipó. As 127 quadrículas foram agrupadas em seis grupos (Figura 5) pela análise de agrupamento. A distribuição geográfica dessas regiões é mostrada na figura 6 e nem todos os agrupamentos apresentam um padrão geográfico coerente. A primeira divisão agrupou as quadrículas correspondentes às regiões dos municípios de Ouro Preto, Catas Altas, e a região do Quadrilátero Ferrífero em geral; Conceição do Mato Dentro, Santana do Riacho; os municípios de Santo Antônio do Itambé, Felício dos Santos e São Gonçalo do Rio Preto, no planalto de Diamantina e os municípios de Lima Duarte e Rio Preto na região da Serra de Ibitipoca (quadrículas 174, 204, 238, 242, 245 e 316) (Figura 6). Essas são algumas das quadrículas com o maior número de táxons infragenéricos encontrado no estado (Figura 3), e também com o maior número de localidades de registro (Figura 2). Além das características da altitude, do relevo e das transições vegetacionais citadas acima para as regiões mais ricas do estado, destaca-se que as quadrículas localizadas na Cadeia do Espinhaço e no Quadrilátero Ferrífero apresentam formações florestais (matas de galeria e capões de altitude) que apresentam um comportamento ombrófilo, permitindo a colonização por espécies características de regiões muito úmidas. Essas formações, em conjunto com as típicas formações de campos rupestres quartzíticos e ferruginosos tornam ímpares a flora de pteridófitas dessas regiões. Já a quadrícula localizada na região da Serra de Ibitipoca apresenta características ímpares, que podem ter resultado no agrupamento com quadrículas da região central do estado: apesar da proximidade com a Serra da Mantiqueira e de estar inserida no domínio da Mata Atlântica, a Serra apresenta formações campestres muito parecidas com os campos limpos e rupestres da Cadeia do Espinhaço. Salino & Almeida (no prelo), em uma análise qualitativa da distribuição das espécies de pteridófitas na Cadeia do Espinhaço já destacavam a unicidade das regiões citadas acima, que são as mais ricas da Cadeia do Espinhaço e apresentam uma forte influência da Mata Atlântica. A segunda divisão agrupou quadrículas que incluem os municípios de Santa Maria do Salto e Salto da Divisa, no extremo nordeste do estado; Alto Caparaó, Simonésia, Tombos, Araponga, no sudeste do estado; Itamonte, Passa Quatro, Sapucaí Mirim, Camanducaia (em parte) e Caldas, na Serra da Mantiqueira, entre outros municípios (quadrículas 122, 137, 172, 260, 261, 278 e 337) (Figura 6). Essas são regiões bem amostradas, que apresentam alto número de táxons e uma composição florística com uma enorme influência da Mata Atlântica litorânea, com um forte domínio da Floresta Ombrófila Densa na paisagem. Nas quadrículas 28 Resultados e Discussão Figura 3 - Riqueza de pteridófitas por quadrícula Figura 4 - Riqueza e Áreas Prioritárias para conservação da flora 29 Resultados e Discussão Q259 Q281 Q254 Q265 Q134 Q144 Q146 Q116 Q138 Q106 Q8 Q40 Q60 Q131 Q169 Q26 Q200 Q58 Q77 Q204 Q61 Q111 Q192 Q162 Q303 Q315 Q197 Q109 Q175 Q123 Q75 Q234 Q296 Q268 Q235 Q182 Q139 Q99 Q92 Q91 Q94 Q130 Q179 Q226 Q258 Q117 Q25 Q114 Q302 Q279 Q112 Q90 Q199 Q129 Q76 Q127 Q177 Q173 Q248 Q215 Q214 Q191 Q125 Q174 Q140 Q250 Q97 Q124 Q213 Q152 Q198 Q251 Q253 Q108 Q229 Q228 Q297 Q224 Q243 Q156 Q209 Q208 Q190 Q120 Q104 Q121 Q141 Q176 Q217 Q194 Q195 Q142 Q203 Q247 Q241 Q193 Q107 Q155 Q154 Q230 Q93 Q196 Q163 Q233 Q105 Q321 Q320 Q225 Q246 Q242 Q283 Q244 Q245 Q263 Q337 Q261 Q260 Q172 Q278 Q137 Q122 Q207 Q227 Q231 Q212 Q211 Q210 1 1 1 1 VI V IV III 1 II 1 I 0 1 2 3 4 5 6 Distância euclidiana Figura 5 - Dendrograma resultante da análise de agrupamento (Método de Ward) 30 Resultados e Discussão localizadas nas Serras da Mantiqueira e do Caparaó, a influência das altitudes mais elevadas, e de formações como os Campos de Altitude e Floresta Ombrófila Mista também podem influenciar no agrupamento. A exceção é a quadrícula localizada na região nordeste do estado, que não está inserida em nenhum grande complexo montanhoso, sendo uma região mais baixa, próxima ao litoral e com uma grande influência da hiléia baiana. A terceira divisão agrupou as quadrículas que abrangem os municípios de Bandeira, Almenara, Poté, Novo Cruzeiro, Marliéria, Caratinga, Ponte Nova, Jequeri, Rio Casca, Cataguases, Rio Pomba, entre outros (quadrículas 189, 225, 242, 244, 245, 246, 263, 283, 320 e 321) (Figura 6). Essa divisão corresponde a regiões interioranas no leste do estado, com paisagens tipicamente recobertas pela Floresta Estacional Semidecidual de altitudes mais baixas. Nessa região os mares de morros dominam o relevo que não é muito acidentado, e as temperaturas são mais altas. Esses três primeiros grupos incluem regiões onde estão muitas das Unidades de Conservação existentes no estado de Minas Gerais. Além de serem regiões preferencialmente melhor amostradas, são também regiões que estão em geral em um melhor estado de conservação da vegetação nativa. A quarta divisão agrupou as quadrículas que incluem os municípios de Itacarambi, Januária; Montes Claros; Bocaiúvas, Botumirim; Virginópolis; Alvorada de Minas, Serro; Curvelo, Corinto; Três Marias; Paraopeba, Sete Lagoas; Matozinhos, Pedro Leopoldo, Betim; Carmópolis de Minas; Igarapé; Arcos, Pains, Doresópolis; Boa Esperança; Perdizes; São Sebastião do Paraíso; Poços de Caldas, Andradas, Bueno Brandão; Delfim Moreira; Marmelópolis, Cristina, Leopodina, entre outros (quadrículas 93, 104, 105, 107, 121, 141, 142, 154, 155, 163, 176, 193, 194, 195, 196, 203, 217, 230, 233, 241 e 247) (Figura 6). Esses municípios estão em sua maioria localizados em áreas de Cerrado próximas a, ou em regiões montanhosas, especialmente a oeste da Cadeia do Espinhaço. A maior parte dessas regiões está dentro do Domínio do Cerrado, com uma grande influência da Floresta Estacional Semidecidual e da Floresta Estacional Decidual. A exceção são os municípios localizados na Serra da Mantiqueira (e.g., Marmelópolis, Cristina, Leopoldina), em regiões de Floresta Ombrófila Densa. Nesse ponto o agrupamento das quadrículas já não apresenta um padrão tão claro como os apresentados anteriormente, e possivelmente essas regiões citadas anteriormente são locais cuja amostragem não foi suficiente para a análise discernir as relações florísticas. A quinta divisão agrupou as quadrículas que abrangem os municípios de Rio Pardo de Minas, Serranópolis de Minas; Grão Mogol; Turmalina; Acauã, Itamarandiba; Diamantina; Buenópolis, Joaquim Felício; Gouveia, Santana de 31 Resultados e Discussão Pirapama; Ferros, Santo Antônio do Rio Abaixo; Itambé do Mato Dentro, Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo; Santa Rita do Itueto, Conselheiro Pena; Carandaí, Viçosa, Juiz de Fora, Barbacena, Coronel Pacheco; Carrancas, Itutinga, São João Del Rey, Tiradentes, Santana do Garambéu, Lavras; São Tomé das Letras, Cambuquira, Três Corações; Camanducaia (em parte), Munhoz; Capitólio, São Roque de Minas, Delfinópolis; Chapada Gaúcha; Paracatu (quadrículas 97, 108, 120, 124, 125, 140, 152, 156, 173, 174, 190, 191, 198, 208, 209, 213, 214, 215, 224, 228, 229, 243, 248, 250, 251, 253 e 297) (Figura 6). Essa divisão agrupou uma série de regiões cujas fitofisionomias são similares, com predominância de formações savânicas e campestres do Cerrado, com destaque para os Campos Rupestres: regiões mais ao norte e a oeste na Cadeia do Espinhaço; a região de Carrancas, Lavras, Tiradentes e São Tomé das Letras; a região de Santa Rita do Itueto, no extremo leste do estado e a região das Serras da Canastra e da Babilônia. Duas regiões de Cerrado que não apresentam Campos Rupestres também se aproximam das regiões acima citadas: Paracatu e Chapada Gaúcha, no extremo Noroeste do estado. Observa-se que essas regiões citadas anteriormente estão em um subagrupamento dentro do quinto agrupamento (Figura 5) e se distinguem das regiões que estão no outro subagrupamento, sendo essas, regiões caracteristicamente formadas por fitofisionomias de Mata Atlântica, especialmente Floresta Estacional Semidecidual Montana: as florestas de encosta da vertente leste da Cadeia do Espinhaço e regiões da Zona da Mata. E a sexta e última divisão agrupou quadrículas bem disjuntas e distribuídas por todo o estado, que correspondem às quadrículas com os menores números de táxons (quadrículas 8, 25, 26, 40, 58, 60, 61, 75, 76, 77, 90, 91, 92, 94, 99, 106, 109, 111, 112, 114, 116, 117, 123, 127, 129, 130, 131, 134, 138, 139, 144, 146, 162, 169, 175, 177, 179, 182, 192, 197, 199, 200, 204, 226, 234, 235, 254, 258, 259, 265, 268, 279, 281, 296, 302, 303 e 315) (Figura 6). Estão localizadas, em sua maioria, nas regiões oeste e norte, mas estão presentes em todo o estado. Não apresentam nenhum padrão geográfico ou fitofisionômico de agrupamento. Essas regiões devem ser melhor investigadas, principalmente através de uma amostragem refinada para que seja possível descobrir se todas ou algumas dessas quadrículas realmente se agrupam em um padrão distinto ou se se distribuem pelos outros padrões encontrados. 32 Resultados e Discussão Figura 6 - Distribuição dos agrupamentos florísticos no estado de Minas Gerais. As quadrículas em branco não foram incluídas na análise M IN Grupos Alt_ I II III IV V VI Eixo 2 80 TMedAn_Min TMaxAn_Min 40 TM vg n_A edA vg n_A axA M T 0 0 40 80 Eixo 1 Figura 7 - Gráfico resultante da análise de correspondência canônica. Os grupos obtidos pela análise de agrupamento estão destacados por símbolos 33 Resultados e Discussão Uma análise de correspondência canônica preliminar foi realizada e das vinte e cinco variáveis ambientais incluídas apenas sete apresentaram correlações mais fortes com os dois primeiros eixos de ordenação (r > 0,7) (Tabela 1). As outras 18 variáveis que apresentaram correlação menor que 0,7 foram retiradas e uma nova análise foi realizada. Como esperado, houve apenas uma pequena diferença nos autovalores (0,281 para 0,253 e 0,208 para 0,178) e na porcentagem acumulada da variância explicada (3,8 para 3,5 e 6,7 para 5,9) para os dois primeiros eixos. Os dois primeiros eixos são significativamente correlacionados com o conjunto total de variáveis incluídas (p = 0,001 no teste de permutação de Monte Carlo). Além disso, os gradientes obtidos nos dois primeiros eixos também são significativos (p = 0,001 no teste de permutação de Monte Carlo para os autovalores) (Tabela 1). Os autovalores obtidos para o primeiro e o segundo eixo são intermediários, mostrando que uma parte razoável da variação nos dados das espécies é explicada pelos eixos e portanto pelas variáveis ambientais (Ter Braak 1995). Observa-se também que as correlações espécies-ambiente foram altas (Tabela 1). Tabela 1 – Autovalores, porcentagem acumulada da variância nos dados das espécies e valores de correlação interna das variáveis para os dois primeiros eixos da CCA. EIXO Autovalores % cumulativa da variância explicada Correlação espécies-ambiente (Pearson) 1 0,253 3,5 0,891 2 0,178 5,9 0,839 -0,919 -0,807 -0,924 -0,771 -0,830 0,299 0,858 -0,047 -0,309 -0,072 -0,399 -0,087 0,831 0,238 Correlações internas Temp. média anual – mínimo Temp. média anual – média Temp. máxima anual – mínimo Temp. máxima anual – média Temp. mínima anual – mínimo Altitude – mínima Altitude – máxima As variáveis mais importantes com relação ao primeiro eixo foram o valor mínimo da temperatura média anual, os valores mínimos da temperatura máxima anual e da temperatura mínima anual e a altitude máxima. Já o segundo eixo parece ser um gradiente da altitude mínima (Tabela 1; Figura 7). Através de símbolos e cores, os agrupamentos obtidos através do Método de Ward foram plotados no gráfico resultante da CCA (Figura 7). Os mesmos padrões 34 Resultados e Discussão descritos anteriormente puderam ser observados: os três primeiros grupos de quadrículas (grupos I, II e III) estão também agrupados e podem ser distintamente relacionados às variáveis ambientais plotadas. Já as quadrículas previamente agrupadas nos grupos IV, V e VI estão dispersas pelo gráfico, não apresentando um padrão claro de relação com as variáveis. O primeiro agrupamento está relacionado ao aumento da altitude máxima e mínima, padrão consistente com as localidades inseridas nesse agrupamento. A amplitude altitudinal mais elevada normalmente provoca uma diminuição nos valores de temperatura. A altitude é muito citada como fator preponderante para a ocorrência de um grande número de espécies (Barros 1997; Dzwonko & Kornás 1994; Moran 1995; Page 1979a; Tryon 1972; etc.), principalmente através do aparecimento de microhábitats distintos devido ao relevo, profundidade do solo, incidência solar, umidade do ar, etc. (Page 1979b). Corroborando a relação da altitude com riqueza, observa-se que esse agrupamento inclui algumas das quadrículas com maior número de táxons infragenéricos. O segundo agrupamento está relacionado ao aumento da altitude máxima, também negativamente relacionada à temperatura média anual, condições ambientais condizentes com o grupo que inclui localidades onde há o predomínio da Floresta Ombrófila Densa e que estão em sua maioria na Serra da Mantiqueira. Já o terceiro agrupamento parece estar negativamente relacionado ao aumento da altitude mínima e fortemente influenciado pelo aumento da temperatura média anual. As localidades que fazem parte desse agrupamento são áreas onde predomina a Floresta Estacional Semidecidual Submontana, sendo por isso caracteristicamente mais baixas e mais quentes. A ausência de relação entre a distribuição geográfica dos táxons com gradientes de latitude e longitude pode ser atribuída à ampla capacidade de dispersão das pteridófitas e às exigências de condições específicas para colonização (Page 1979b). O número de tipos de solos nas quadrículas também apresentou baixa correlação com a distribuição geográfica das pteridófitas; a especialização edáfica descrita por Tuomisto & Poulsen (1996) está relacionada mais aos microhábitats, ocorrendo em uma escala muito mais refinada de classificação do solo do que a utilizada para as análises desse trabalho, que foi somente uma medida de complexidade. A baixa correlação com a complexidade de formações vegetacionais também pode estar ligada ao fato de que somente o número de formações vegetacionais não destaca a influência de cada formação vegetacional distinta na ocorrência e na riqueza das espécies de pteridófitas. Algumas formações possuem reconhecidamente maior riqueza e abundância de 35 Resultados e Discussão espécies, como as formações florestais úmidas e campos de altitude (Prado 1998; Salino & Almeida, no prelo). A baixa correlação com os valores de precipitação total anual e precipitação dos meses mais úmidos e secos em Minas Gerais não parece tão discrepante, já que a grande necessidade de água nas espécies de pteridófitas normalmente não é suprida pela água disponível no solo, mas sim pela umidade presente no ar. As cadeias montanhosas das regiões Sudeste e Sul do Brasil, onde há o maior número de espécies de pteridófitas do país, por exemplo, são regiões com elevadas taxas de umidade relativa do ar. Poucas espécies de pteridófitas conseguem tolerar uma grande quantidade de água acumulada no solo e em regiões alagadiças a riqueza diminui notadamente. A região da planície Amazônica (Tryon & Conant 1975; Freitas & Prado 2005) e o Pantanal (A. Salino, com. pess.), por exemplo, são as áreas do Brasil com a menor riqueza registrada. Barros (1997), analisando os fatores abióticos que influenciam a distribuição das pteridófitas no estado de Pernambuco, cita a pluviosidade como um fator preponderante para a riqueza e abundância. Entretanto, nesse estado existe um nítido gradiente de pluviosidade leste-oeste e uma distinção entre as regiões úmidas litorâneas e algumas “ilhas” de vegetação florestal úmida na Caatinga e a região seca de vegetação xerofítica da caatinga e do agreste. Destaca-se também que as regiões mais úmidas do estado coincidem com as poucas regiões serranas existentes em Pernambuco. Dzwonko & Kornaś (1994) também destacam a importância da pluviosidade e da altitude em Ruanda. Ambas as regiões apresentam um forte gradiente de regiões muito úmidas (e de elevadas altitudes) a regiões xéricas e mais baixas. A existência de ambientes tão distintos pode ser o fator responsável pelo destaque da influência da pluviosidade nas análises numéricas do estado de Pernambuco e de Ruanda. Os resultados da análise de regressão múltipla mostram que apenas cinco das 25 variáveis incluídas na análise afetam significativamente o número de táxons (y) nas quadrículas. Essas variáveis são: altitude máxima (x1), altitude mínima (x2), valor mínimo da temperatura mínima anual (x3), o valor máximo da temperatura média anual (x4) e o valor médio da temperatura máxima anual (x5). A equação da regressão está descrita abaixo. y = -181,14 + 1,16 x1 – 0,52 x2 + 0,64 x3 – 0,58 x4 + 0,42 x5 Essas cinco variáveis correspondem a 47,5% da variância no número de táxons e o modelo testado é significativo (p = 0,00). Os coeficientes de correlação, os valores de t dos coeficientes de regressão e os valores p de significância estão listados na Tabela 2. Quanto maior o valor do coeficiente de correlação, maior é a 36 Resultados e Discussão Tabela 2 – Regressão múltipla: coeficientes de correlação entre as variáveis e a riqueza, valores de t dos coeficientes de regressão e os valores da significância do teste t (Valor p). Variável Altitude máxima Altitude mínima Temp. mínima anual – mínima Temp. média anual – máxima Temp. máxima anual – média Correlação 0,51 -0,32 0,26 -0,22 0,22 t 6,48 -3,64 2,89 -2,47 2,43 Valor p 0,0000 0,0004 0,0046 0,0146 0,0162 influência da variável na riqueza; portanto, a altitude máxima apresenta a maior influência na variação da riqueza das pteridófitas no estado de Minas Gerais, seguida pela altitude mínima, que apresenta uma correlação negativa com a riqueza. Mais uma vez a grande influência da altitude na distribuição e riqueza das pteridófitas é ressaltada. O valor mínimo da temperatura mínima anual está diretamente relacionado às elevadas altitudes (Figuras 9 e 12); entretanto valores altos da temperatura média anual estão inversamente correlacionados à riqueza, já que temperaturas elevadas estão ligadas a áreas mais baixas (Figura 9) e a baixa umidade relativa do ar. A correlação positiva do valor médio da temperatura máxima anual também segue o raciocínio anterior (Figura 11). Esse resultado está de acordo com o que é apresentado no gráfico resultante da CCA (Figura 7), e ressalta-se que as análises estatísticas utilizadas nesse trabalho apresentaram resultados bastante coerentes entre si, destacando ambas as influências da altitude e das temperaturas mínima, média e máxima anual na distribuição e na riqueza das pteridófitas no estado de Minas Gerais. 37 Considerações finais 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estado de Minas Gerais, apesar de ser um dos estados mais coletados do Brasil, ainda apresenta uma grande deficiência de coleta principalmente nas regiões oeste e norte. Os padrões observados, entretanto, apontam para uma grande riqueza na Mata Atlântica e na Cadeia do Espinhaço, devido ao fato dessas serem as regiões mais elevadas do estado, à presença de formações vegetacionais de transição e da influência de todos os biomas presentes no estado: Mata Atlântica a leste, Cerrado a oeste e Caatinga ao norte. Destaca-se que a grande complexidade ambiental do estado de Minas Gerais pode não ter sido totalmente apreendida no conjunto de variáveis ambientais escolhidas. A cobertura vegetacional, por exemplo, não foi examinada a fundo já que somente o número de diferentes tipos de formações por quadrícula foi incluído, o que não reflete a real complexidade das formações vegetacionais existentes. Assim, a relação da ocorrência e distribuição das espécies com as formações não fica muito clara, apesar das variáveis ambientais destacadas nas análises serem boas indicadoras de formações mais úmidas, principalmente florestais. O banco de dados resultante da compilação realizada nesse trabalho poderá e deverá embasar trabalhos posteriores de biogeografia e conservação das pteridófitas no estado de Minas Gerais, além de trabalhos que possam tentar explicar os processos históricos, ecológicos ou fisiológicos que possam ter gerado esses padrões. 38 Referências Bibliográficas 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alston, A.H.G.; Jermy, A.C. & Rankin, J.M. 1981. The genus Selaginella in tropical South America. Bulletin of the British Museum (Natural History), Botany 9(4): 233-330. Ambrósio, S.T. & de Melo, N.F. 2001. New records of pteridophytes in the Semi-Arid region of Brazil. American Fern Journal 91(4): 227-229. Antunes, F.Z. 1986. Caracterização climática do estado de Minas Gerais. 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Journal of Biogeography 28: 263-270. 46 Apêndices APÊNDICE A Lista dos herbários brasileiros e norte-americanos visitados; em itálico, aqueles cujo material analisado foi incluído na análise INSTITUIÇÃO Universidade Federal de Minas Gerais Universidade Federal de Juiz de Fora Universidade Federal de Ouro Preto Universidade Federal de Uberlândia Universidade Federal de Viçosa Escola Superior de Agricultura de Lavras EMBRAPA / CENARGEN Reserva Ecológica do IBGE Fundação Universidade de Brasília Prefeitura Municipal de Curitiba Herbário Barbosa Rodrigues Universidade Federal de Santa Catarina Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul Universidade Federal do Rio Grande do Sul Universidade do Vale do Rio dos Sinos Herbarium Bradeanum Museu Nacional do Rio de Janeiro Jardim Botânico do Rio de Janeiro Universidade de São Paulo Instituto de Botânica Herbário UNESP – São José do Rio Preto Herbário UNESP – Rio Claro Museu de Biologia Mello Leitão Universidade Federal do Espírito Santo Companhia Vale do Rio Doce Universidade Federal de Pernambuco Universidade Federal Rural de Pernambuco Centro de Pesquisa da Lavoura Cacaueira New York Botanical Garden Field Museum of Natural History Harvard University Smithsonian Institution Missouri Botanical Garden SIGLA BHCB CESJ OUPR HUFU VIC ESAL CEN IBGE UB MBM HBR FLOR HAS ICN PACA HB R RB SPF SP SJRP HRCB MBML VIES CVRD UFP PEUFR CEPEC NY FI GH US MO LOCAL Belo Horizonte (MG) Juiz de Fora (MG) Ouro Preto (MG) Uberlândia (MG) Viçosa (MG) Lavras (MG) Brasília (DF) Brasília (DF) Brasília (DF) Curitiba (PR) Itajaí (SC) Florianópolis (SC) Porto Alegre (RS) Porto Alegre (RS) São Leopoldo (RS) Rio de Janeiro (RJ) Rio de Janeiro (RJ) Rio de Janeiro (RJ) São Paulo (SP) São Paulo (SP) São José do Rio Preto (SP) Rio Claro (SP) Santa Tereza (ES) Vitória (ES) Linhares (ES) Recife (PE) Recife (PE) Ilhéus (BA) Nova York (EUA) Chicago (EUA) Cambridge (EUA) Washington (EUA) Saint Louis (EUA) 47 Apêndices APÊNDICE B Variáveis ambientais incluídas nas análises: tabelas e mapas-base Variável ambiental Altitude SIGLA Informação extraída (por quadrícula) Alt Valores médios, máximos e mínimos Temperatura média anual TMedAn Valores médios, máximos e mínimos Temperatura máxima anual TMaxAn Valores médios, máximos e mínimos Temperatura mínima anual TMinAn Valores médios, máximos e mínimos Precipitação Total Anual PrecAn Valores médios, máximos e mínimos Precipitação do mês mais úmido PreMaxAn Valores médios, máximos e mínimos Precipitação do mês mais seco PreMinAn Valores médios, máximos e mínimos Complexidade de grupos de solo Solos_tipos Número total Complexidade de formações vegetacionais Veget_tipos Número total Latitude Longitude Lat Posição Long Posição 48 Apêndices Apêndice B (cont.) Figura 8 - Posição geográfica e código das quadrículas Figura 9 - Estado de Minas Gerais: altitude 49 Apêndices Apêndice B (cont.) Figura 10 - Estado de Minas Gerais: temperatura média anual Figura 11 - Estado de Minas Gerais: temperatura máxima anual Apêndice B (cont.) 50 Apêndices Figura 12 - Estado de Minas Gerais: temperatura mínima anual Figura 13 - Estado de Minas Gerais: precipitação total anual 51 Apêndices Apêndice B (cont.) Figura 14 - Estado de Minas Gerais: precipitação do mês mais úmido Figura 15 – Estado de Minas Gerais: precipitação do mês mais seco 52 Apêndices Apêndice B (cont.) Figura 16 - Estado de Minas Gerais: formações vegetacionais Figura 17 - Estado de Minas Gerais: grupos de solos 53