TRABALHO DE DIPLOMA – DEZEMBRO DE 2005 INSTITUTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ A TECNOLOGIA E AS NOVAS APLICAÇÕES TÉCNICAS DE CONDUTORES BIMETÁLICOS EM SISTEMAS DE POTÊNCIA Fernando Marcançola – no. 10264 Renzo Degiovanni Spe dicato – no. 10380 Orientador: Prof. Manoel Luis Barreira Martinez Instituto de Sistemas Elétricos e Energia (ISEE) Abstract – Este trabalho tem por objetivo apresentar a tecnologia dos condutores bimetálicos utilizados na transmissão e distribuição de energia elétrica, assim como as novas apl icações técnicas para o mesmo, depois do desenvolvi mento da tecnologia bimetálica Alumoweld ou aço-aluminio ou alumosteel. O condutor bimetálico pode reunir características técnicas e econômicas interessantes em um só produto, como por exemplo, combinar as ótimas propriedades mecânicas do aço com as ótimas propriedades elétricas do cobre ou alumino. Dessa maneira, pode -se fazer um upgrade tecnológico substituindo alguns tipos de condutores utilizados atualmente por este novo. Este trabalho então, também mostra a viabilidade técnico-econômica desta nova opção em cada caso possível. Palavras-chave-Bimetálico, Aço, Cobre, Alumínio, Condutores, Energia Elétrica, Alumosteel. I INTRODUÇÃO Os condutores bimetálicos (aço-cobre ou açoaluminio) foram concebidos para otimizar duas funções de condutores aéreos nus para redes e linhas de T&D (Transmissão e Distribuição) de energia elétrica: (1) O condutor elétrico (cobre ou alumínio) e (2) O elemento mecânico resistente (aço), com a eliminação da camada anticorrosiva de zinco normalmente usados nos elementos mecânicos de aço. A grande aplicação foi à substituição dos condutores de cabo guarda (normalmente cabos de aços zincado). Neste caso os condutores bimetálicos acrescentavam a melhoria da redução da componente de sequência zero, consequentemente melhoria do desempenho da proteção do sistema. A introdução de redes protegidas na dis tribuição de energia elétrica, a grande ampliação da eletrificação rural, a substituição dos cabos guarda por cabos do tipo OPGW, as aplicações em áreas submetidas à corrosão e ataque químico ambiental e mais recentemente a incidência de roubos de neutro BT tem trazido novas oportunidades de implantação de condutores bimetálicos, principalmente os de Aço-Alumínio. A seguir apresenta-se a tecnologia de produção do condutor bimetálico de aço-alumínio. Posteriormente, mostra-se a tecnologia presente no condutor Alumosteel e suas inovações técnicas. Discussão das possibilidades e as aplicações tecnológicas destes condutores para a rede primária rural em comparação com a tecnologia já existente, assim como as vantagens do upgrade tecnológico. II A TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO DO CONDUTOR BIMETÁLICO DE AÇO-ALUMÍNIO O condutor bimetálico é um material conjugado com dois metais solidários no mesmo tento cada um com propriedades específicas. Um dos materiais geralmente é aço, o que confere ao condutor elevado módulo de elasticidade e elevada resistência mecânica. O outro material é um bom condutor elétrico envolvendo o elemento mecanicamente resistente. Algumas vezes o material condutor pode incorporar a propriedade de resistência à corrosão galvânica, como é o caso do alumínio. Os materiais condutores geralmente utilizados são o cobre e o alumínio, pois são os materiais presentes nas linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica. Os condutores bimetálicos de aço-alumínio em questão neste trabalho são produzidos pelo processo de extrusão de alumínio sobre o fio de aço, o que confere perfeita aderência do metal condutor (alumínio) no metal mecanicamente resistente (aço). 1 uma inovação tecnológica recente em nosso país, e porque possuem uma grande gama de aplicações e soluções para as linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica. Fig. 1 – Condutores de aço-cobre e aço-alumínio II.1 Extrusão III.1 Definição: Passagem forçada de um metal ou de um plástico através de matrizes, por pressão, a fim de se obter uma forma alongada ou filamentosa. Os fios alumosteel atualmente são produzidos pela técnica de revestimento por extrusão (vide fig. 2). Quando se dimensiona um condutor de energia elétrica, uma das características mais importantes é a resistividade ( ρ ), pois está relacionada com a condutividade do material. Isso é determinado de acordo com o projeto elétrico em questão, e influenciado também pelo critério de ampacidade da linha. A tecnologia do fio bimetálico permite calcular a resistividade do condutor de acordo com a área da seção transversal de cada um dos metais do material bimetálico. Esse cálculo é dado pela seguinte equação: ROLO DE CUNHAGEM VERGALHÃO ALUMINIO SAPATA CANAL DA RODA AÇO BLOCO DE EXTRUSÃO ALUMOSTEEL ρ bimet = Fig. 2 – Extrusão do alumínio no aço. O fio de aço-aluminio utiliza o processo chamado CONCLAD. O vergalhão de alumínio sofre uma determinada pressão entre o rolo de cunhagem e o canal da roda, e depois passa por uma sapata préaquecida. Dessa forma ele é aquecido tanto por atrito como eletricamente, atingindo um estado de quase fusão, em uma forma pastosa. O aço, após passar por uma limpeza ultra-sônica, é pré-aquecido por um sistema de aquecimento indutivo antes de entrar no bloco de extrusão. Quando se dá o encontro dos dois vergalhões, o alumínio é extrudado em volta do vergalhão de aço por uma ferramenta presente dentro do bloco de extrusão, que delimita a espessura da camada de alumínio em volta do aço, formando o condutor chamado Alumosteel. A figura 3 representa um esquemático de toda a linha de processo CONCLAD. Aço Alumínio SAE 1010/50/70 Liga 1350 Limpeza Propriedade Elétrica A partir da resistividade desejada para o condutor bimetálico, pode-se chegar ao valor da área da seção transversal de material condutor que o mesmo deve ter. Sabe-se que a área total do condutor é dada por: S m + S aço = A Aquecimento Indução RF Elétrico/Atrito (2) Equação 2 – Área total do bimetálico Finalmente, substituindo a equação 2 em 1 tem-se: ρ aço − ρ bimet (3) ρ bimet ρ aço − ρ m Equação 3 – Área da seção transversal do material condutor. Sm = (A) ρm Neste momento, é necessário apresentar o conceito de Condutividade IACS de um condutor de energia elétrica. Condutividade 100% IACS corresponde a uma função da resistividade do cobre eletrolítico, no valor de 17,241 O.mm²/km na temperatura de 20°C, quando medido em corrente contínua. Assim, é usual considerar a condutividade de um material condutor, comparando com a propriedade elétrica condutora do cobre. No material bimetálico, a condutividade IACS então, está diretamente relacionada com a espessura de material condutor presente. Para exemplificar, seja o caso do condutor de aço-alumínio, para o qual essa propriedade é verificada. Os valores de condutividade IACS utilizados abaixo são os comumente usados para especificação deste condutor. Escovação Aquecimento (1) Equação 1 – Resistividade do Bimetálico Onde Sm e ρ m são, respectivamente, a área da seção transversal do material condutor e sua resistividade. Limpeza Ultrasônica S m + S Aço S Sm + Aço ρm ρ Aço Extrusão Resfriamento Fig. 3 – Linha de processo CONCLAD III A ENGENHARIA E TECNOLOGIA DO FIO BIMETÁLICO Para entender a tecnologia do fio bimetálico, é preciso primeiro entender a engenharia presente nesses condutores. No presente trabalho é dado ênfase nos condutores aço-aluminizados por serem 2 R IACS 20% 27% 30% 40% R AÇO Al R/R 10% 14% 15% 25% f aço Além de ser submetido a uma força axial de tração, o condutor também está submetido a uma flecha, que se forma quando o mesmo está em um vão apoiado em dois pontos, e então é submetido a um carregamento em toda sua extensão. No caso de condutores de energia elétrica, esse carregamento é constituído do próprio peso do cabo e conexões ou acessórios presentes. O conceito de flecha é mostrado na figura 7. L Uma comparação da resistência por unidade de comprimento do fio Alumosteel 53% IACS de condutividade comparado com outros fios usuais está ilustrado na figura 5. 100% Resistência Percentual IACS (4) Equação 4 – Força axial exercida no condutor de aço. Onde Eaço é o módulo de elasticidade do aço e Ea é o módulo de elasticidade do alumínio. Fig. 4– Condutividade IACS e sua relação com a quantidade de material condutor (Alumínio). 100% 80% 61% 60% S aço E aço l = F S a E a S aço E aço + l l 53% T 40% V f H 20% 8% 0% Cobre Alumíno Alumosteel 53% IACS Condutores Aço Fig. 7 – Flecha de um condutor. Fig. 5 – Resistência percentual do fio Alumosteel III.2 A flecha de um condutor bimetálico é calculada conforme mostra a Equação 5. Propriedade Mecânica f = O aço, presente no interior do condutor, confia ao mesmo resistência mecânica à esforços de tração e flecha. A resistência mecânica conferida ao condutor Alumosteel é proveniente do tipo de aço utilizado para a fabricação do condutor. Esta propriedade é função direta da quantidade de carbono presente. Portanto, para confeccionar um condutor Alumosteel com maior resistência mecânica à tração utiliza-se um aço com maior quantidade de carbono. Comercialmente, para utilização em condutores elétricos, são empregados aços que variam desde 0,1% (chamado de SAE 1010) até 0,7% (SAE 1070) de carbono em sua composição química. Os esforços mecânicos em um condutor bimetálico, se repartem proporcionalmente ao produto da área pelo módulo de elasticidade, apresentado na figura 6. W H L2 8 (5) Equação 5 – Flecha de um condutor. Onde W é o peso do condutor por unidade de comprimento e H é a componente horizontal da tração no cabo. A figura 8 mostra uma comparação entre a resistência mecânica do fio Alumosteel 20% de condutividade IACS em comparação com outros tipos de fios usuais. 150 Tensão de Ruptura [Kgf/mm2] 150 140 125 100 75 50 25 42 20 0 l Alumíno f a F Cobre Alumosteel 20% IACS Aço Condutor Fig. 8 – Comparação da tração entre fios Fig. 6 – Esforços Mecânicos no Bimetálico Além de boa resistência mecânica, os condutores bimetálicos de aço-alumínio possuem uma boa relação peso/quilômetro (kg/km), o que proporciona uma redução do peso da linha em comparação com outros condutores. A figura 9 abaixo mostra essa característica (Alumosteel 20% , 40% e 53% de condutividade IACS): Deste modo, é possível verificar que o aço, por ocupar a maioria da seção d o condutor, é o maior responsável pela resistência às cargas mecânicas as quais o material pode ser submetido. Assim, podemos definir a força axial no condutor de aço como: 3 80 74 dimensionamento para a rede. - Aumento da linha elástica da rede: A alma de aço presente no condutor proporciona resistência mecânica ao mesmo e permite um aumento da linha elástica da rede se comparado aos cabos CAA já utilizados, possibilitando um ganho em quilômetro com a mesma quantidade em peso de material. - Diminuição do peso do condutor: A substituição de Cabos CAA (6 fios de alumínio mais 1 de aço) por fios e cabos Alumosteel, pode proporcionar uma redução de até 35% em peso de condutor, sem perdas nas propriedades elétricas e mecânicas, podendo gerar economia em demais componentes da rede. - Diminuição do custo do condutor: O custo deste condutor, por ser mais leve, pode ser cerca de 30% mais barato que os condutores atualmente utilizados se comparado o preço por quilômetro. - Resistência à Corrosão: Os fios e cabos alumosteel são altamente resistente à corrosão devido sua espessa cobertura em alumínio; o que impede o contato de agentes oxidantes com o aço. - Material não furtável: Devido à sua constituição inseparável, os fios e cabos Alumosteel possuem baixo valor comercial como sucata, o que desestimula os furtos. - Possibilidade de aumento da temperatura de operação do condutor: Os condutores bimetálicos do tipo AS são materiais conjugados (aço – alumínio) que formam uma linha elástica de dois materiais solidários: um sistema mecano – elástico perfeitamente acoplado. Por isso, pode-se dizer que este sistema possui um único módulo de elasticidade, um único coeficiente de dilatação linear e uma única carga de ruptura, pois apesar serem dois materiais mecanicamente diferentes, as propriedades volumétricas são únicas. Assim, pode-se usufruir de uma temp eratura de funcionamento maior que as tradicionais temperaturas dos condutores CAA (75°C) - No caso em questão a temperatura de um condutor Alumosteel pode chegar até 125°C. Este benefício não pode ser usufruído no caso de cabos CAA tradicionais, pois o aço e o alumínio estão mecanicamente desacoplados, e então o coeficiente de dilatação linear é diferente para o aço e o alumínio fazendo com que o cabo CAA apresente fluência mecânica. 66 Massa [Kg/Km] 60 54 40 40 29 23 20 0 Cobre Aço Alumosteel Alumosteel Alumosteel 20% IACS 40% IACS 53% IACS Alumíno Condutor de 3,26 mm de Diâmetro - 8 AWG Fig. 9 – Massa do fio alumosteel comparada com a de outros fios por quilômetro. Para finalizar, a tabela mostrada na figura 10 mostra uma comparação que ilustra as variações das propriedades elétricas em função das variações das propriedades mecânicas. Fig. 10 – Propriedades Elétricas vs. Propriedades Mecânicas do condutor alumosteel. IV TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DO ALUMOSTEEL Os condutores de aço-aluminínio possuem uma grande gama de aplicações nos sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica. Na distribuição, podem ser utilizados nas redes primárias e secundárias nuas – em substituição aos cabos CAA (cabo de alumínio com alma de aço); redes primária e secundária multiplexada – em substituição aos condutores de alumínio liga geralmente utilizado como neutro neste caso; rede secundária compacta – também em substituição aos cabos CAA. Na transmissão, podem também substituir os cabos CAA. Além disso, pode-se utilizar o Alumosteel para estaiamento de postes, neutro baixa tensão, neutro urbano, neutro mensageiro, mensageiro spacer, aplicações aonde é necessário cabos resistentes à corrosão, cabos termo -resistente, entre outros. IV.1 IV.2 Aplicação de condutores de aço-alumínio. Este trabalho já mostrou que as aplicações dos condutores Alumosteel são diversas. Portanto será feita uma demonstração da especificação deste condutor para a Rede Primária Rural, que geralmente utiliza cabos CAA com 7 fios (6 fios de alumínio com 1 alma de aço) tanto para as fases e como para o neutro. Essas redes utilizam geralmente os seguintes tipos de cabos CAA: Quail (2/0 AWG); Raven (1/0 AWG); Robin (1 AWG); Sparrow (2 AWG) e Swan (4 AWG), com maior destaque e quantidade para esses dois últimos. Vantagens da utilização dos condutores Alumosteel. A tecnologia do condutor de aço-alumínio permite agregar vantagens técnicas e econômicas em relação aos condutores existentes atualmente como a seguir: - Otimização da superfície condutora: Substituição do sobre-uso de alumínio nos Cabos CAA por uma superfície condutora de alumínio de correto 4 Para esta especificação é utilizado um modelo de oito (8) parâmetros, largamente utilizado na determinação dos condutores de energia elétrica para transmissão e distribuição de energia. São comparadas as características dos condutores confrontados fazendo uma simples análise econômica para determinar a viabilidade do condutor Alumosteel. IV.2.1 melhor desempenho elétrico. A partir destas considerações, pode-se determinar qual o melhor condutor Alumosteel para cada um dos 5 tipos de cabos CAA citados anteriormente. IV.2.1.1 Alumosteel em substituição ao cabo CAA Quail (2/0 AWG) A sugestão em condutor aço-aluminizado para a substituição eletricamente equivalente ao cabo CAA Quail é a formação sólida de 53% de condutividade IACS na bitola 2/0 AWG (1N00). Abaixo seguem os 8 parâmetros para os dois cabos em questão. Modelo de oito parâmetros O modelo de oito parâmetros utilizado para a especificação de condutores de energia elétrica, utiliza -se de 4 características mecânicas e 4 elétricas para a determinação do condutor ideal. Os parâmetros utilizados para a especificação do condutor são: Cabo CAA Quail – 2/0 AWG Diâmetro (mm) 11,34 Rcc à 20º C em O 0,426 - Mecânicos: Diâmetro; Seção Transversal; Peso por Quilômetro e Carga de Ruptura. - Elétricos: Rcc à 20ºC (Resistência em corrente contínua à 20ºC); Ica 75ºC (capacidade de corrente à 75ºC) e a 125ºC (no caso dos condutores Alumosteel); Icc em 1s (Corrente de curto-circuito em 1 segundo) e CQT% (Coeficiente de Queda de Tensão em %); Seção (mm 2) 78,65 Ica 75ºC em A* 335 Peso (kg/km) 273 Icc em 1s** 7079 Carga de Ruptura (kgf) 2410 CQT% em %*** 1,17 Condutor Sólido Alumosteel 53% IACS 1N00 – 2/0 AWG - ALTERNATIVO Diâmetro (mm) 9,27 Rcc à 20º C em O 0,482 Dessa maneira, a partir destes oito parâmetros, pode-se comparar as características dos cabos CAA atualmente utilizados com o condutor em Alumosteel mais específico para este caso. Primeiramente é preciso determinar qual a condutividade IACS dos condutores CAA; como ele é formado por 6 condutores de alumínio (o qual possui 61% de condutividade IACS) mais 1 condutor de aço (o qual possui 8% de condutividade IACS) tem-se: 6 x 61% + 1x8% = 53% IACS (6) 7 Seção (mm 2) 67,46 Ica75/125ºC em A* 298/3 99 Peso (kg/km) 236 Icc em 1s** 6065 Carga de Ruptura (kgf) 1602 CQT% em %*** 1,33 Tabela 1 – Modelo de Oito parâmetros para o cabo CAA QUAIL – 2/0 AWG e para o Fio Sólido AS – 1N00 – 2/0 AWG alternativo. Redução de Peso = 37 kg/km = 13,55% IV.2.1.2 Alumosteel em substituição ao cabo CAA Raven (1/0 AWG) O condutor de aço-alumínio mais adequado para a substituição do cabo CAA Raven é a formação sólida de 53% de condutividade IACS na bitola 1/0 AWG (1N0). Segue abaixo os 8 parâmetros para os dois cabos em questão. Equação 6 – Condutividade do cabo CAA. Os condutores em aço-alumínio que melhor substituirão os cabos ou CAA devem ter 53% IACS de condutividade. Utilizando a formação de um condutor sólido para este novo condutor, pode-se eliminar um eventual sobre uso de alumínio presente nos cabos CAA, diminuindo o peso dos condutores. A determinação do condutor ideal em Alumosteel está vinculada a dois tipos de situações ocorrentes na rede elétrica em questão. A primeira situação prevê uma linha que trabalha na média com até 50% do limite de carga da rede condutora, o que permite um dimensionamento com ganhos significativos em peso de condutor sob penas de perdas elétricas pouco maiores que a do cabo CAA equivalente. Já a segunda situação prevê uma linha que na média trabalha acima dos 50% do limite de carga da rede condutora; neste caso o dimensionamento é mais justo, com características e perdas elétricas próximas das do cabo CAA equivalente. Neste trabalho é considerada apenas a segunda situação, o que prevê um dimensionamento de CAA Raven – 1/0 AWG Diâmetro (mm) 10,11 Rcc à 20º C em O 0,536 Seção (mm 2) 62,44 Ica 75ºC em A* 289 Peso (kg/km) 216 Icc em 1s** 5627 Carga de Ruptura (kgf) 1970 CQT% em %*** 1,48 Condutor Sólido Alumosteel 53% IACS 1N0 – 1/0 AWG - ALTERNATIVO Diâmetro (mm) 8,25 Rcc à 20º C em O 0,608 Seção (mm 2) 53,44 Ica75/125ºC em A* 257/344 Peso (kg/km) 187 Icc em 1s** 4804 Carga de Ruptura (kgf) 1269 CQT% em %*** 1,68 Tabela 2 – Modelo de Oito parâmetros para o cabo CAA RAVEN – 1/0 AWG e para o Fio Sólido AS – 1N0 – 1/0 AWG alternativo. Redução de Peso = 29 kg/km = 13,42 % 5 IV.2.1.3 Alumosteel em substituição ao cabo CAA Robin (1 AWG) IV.2.1.5 O cabo CAA Robin pode ser substituído adequadamente pelo condutor de aço-aluminizado na formação sólida de 53% de condutividade IACS na bitola 1 AWG (1N1). Abaixo seguem os 8 parâmetros para os dois cabos em questão. Alumosteel em substituição ao cabo CAA Swan (4 AWG) O condutor de aço-alumínio mais adequado para a substituição do cabo CAA Swan é a formação sólida de 53% de condutividade IACS na bitola 4 AWG (1N4). Segue abaixo os 8 parâmetros para os dois cabos em questão. CAA Robin – 1 AWG Diâmetro (mm) 9,00 Rcc à 20º C em O 0,676 Seção (mm 2) 49,48 Ica 75ºC em A* 250 Peso (kg/km) 171 Icc em 1s** 4459 CAA Swan – 4 AWG Carga de Ruptura (kgf) 1616 CQT% em %*** 1,86 Diâmetro (mm) 6,36 Rcc à 20º C em O 1,356 Condutor Sólido Alumosteel 53% IACS 1N1 – 1 AWG - ALTERNATIVO Diâmetro (mm) 7,35 Rcc à 20º C em O 0,767 Seção (mm 2) 42,38 Ica75/125ºC em A* 222/297 Peso (kg/km) 148 Icc em 1s** 3810 Seção (mm 2) 24,71 Ica 75ºC em A* 161 Peso (kg/km) 86 Icc em 1s** 2227 Carga de Ruptura (kgf) 856 CQT% em %*** 3,74 Condutor Sólido Alumosteel 53% IACS 1N4 – 4 AWG - ALTERNATIVO Carga de Ruptura (kgf) 1006 CQT% em %*** 2,12 Diâmetro (mm) 5,19 Rcc à 20º C em O 1,538 Seção (mm 2) 21,15 Ica75/125ºC em A* 143/191 Peso (kg/km) 74 Icc em 1s** 1553 Carga de Ruptura (kgf) 626 CQT% em %*** 4,24 Tabela 3 – Modelo de Oito parâmetros para o cabo CAA ROBIN – 1 AWG e para o Fio Sólido AS – 1N1 – 1 AWG alternativo. Tabela 5 – Modelo de Oito parâmetros para o cabo CAA SWAN – 4 AWG e para o Fio Sólido AS – 1N4 – 4 AWG alternativo. Redução de Peso = 23 kg/km = 13,45% Redução de Peso = 12 kg/km = 13,95% IV.2.1.4 OBSERVAÇÕES DAS TABELAS: Alumosteel em substituição ao cabo CAA Sparrow (2 AWG) * Ica75ºC: Nas seguintes condições: Temperatura inicial de 25ºC com um aumento de 50ºC e velocidade do vento em 1 m/s. * Ica125ºC: Nas seguintes condições: Temperatura inicial de 25ºC com um aumento de 100ºC e velocidade do vento em 1 m/s. ** Icc em 1s: Nas seguintes condições: Temperatura inicial de 75ºC com um aumento de 175ºC. *** CQT%: Os valores dos coeficientes de queda de tensão foram calculados considerando um circuito de 1 km com uma carga de 1 MVA na ponta, tensão de linha 13,8 kv, fator de potência igual a 1 e fator k, constante que representa a relação da corrente de neutro e a corrente da fase igual a 0,75. O Coeficiente de Queda de Tensão (CQT%) é dado por:[7] A sugestão em condutor aço-aluminizado para a substituição eletricamente equivalente ao cabo CAA Sparrow é a formação sólida de 53% de condutividade IACS na bitola 2 AWG (1N2). Abaixo seguem os 8 parâmetros para os dois cabos em questão. CAA Sparrow – 2 AWG Diâmetro (mm) 8,01 Rcc à 20º C em O 0,854 Seção (mm 2) 39,19 Ica 75ºC em A* 215 Peso (kg/km) 136 Icc em 1s** 3532 Carga de Ruptura (kgf) 1295 CQT% em %*** 2,35 S 1, 0. 10 6 = = 125 ,5[ A] V 13 .800 3 Vr = Vs − ( R f + 0,75. Rn ). I V −V CQT % = s r .100 Vs Condutor Sólido Alumosteel 53% IACS 1N2 – 2 AWG - ALTERNATIVO Diâmetro (mm) 6,54 Rcc à 20º C em O 0,967 Seção (mm 2) 33,62 Ica75/125ºC em A* 192/256 Peso (kg/km) 118 Icc em 1s** 3022 I= Carga de Ruptura (kgf) 798 CQT% em %*** 2,67 (7) (8) (9) Equações 7, 8 e 9 – Cálculo do Coeficiente de Queda de Tensão (CQT%). Onde Rf é a Resistência do Condutor Fase (O/km); Rn é a Resistência do Condutor Neutro (O/km); Vr é a Tensão na Carga(V) e Vs é a Tensão na Fonte (V). Tabela 4 – Modelo de Oito parâmetros para o cabo CAA SPARROW – 2 AWG e para o Fio Sólido AS – 1N2 – 2 AWG alternativo. Redução de Peso = 18 kg/km = 13,24% 6 IV.2.2 Análise a partir dos resultados do Modelo de Oito Parâmetros V.2 De acordo com a rede apresentada acima, é necessário um investimento inicial para a aquisição de 20 km de condutores (10 km para a fase e 10 km para o neutro). Além disso, por se tratar de condutores formados pelo mesmo tipo de material (aço + alumínio) e por possuírem o mesmo diâmetro, os conectores, alças pré-formadas e acessórios pertinentes são os mesmos utilizados para os dois tipos de condutores. Desta forma este investimento é o mesmo para os dois casos e, portanto, não é considerado para efeito de comparação. A tabela 7 apresenta a quantidade de cada tipo de condutor assim como o preço atual de mercado dos mesmos. O modelo de oito parâmetros mostrou total compatibilidade elétrica e mecânica dos dois condutores em todos os casos analisados. As diferenças observadas em alguns parâmetros não têm influencias significativas no desempenho de uma linha, pois o dimensionamento das redes prevê uma variação desses parâmetros. V ANÁLISE ECONÔMICA A análise econômica a seguir é realizada a partir de uma simulação de investimento na rede condutora de uma linha elétrica, mostrando sua viabilidade financeira , considerando apenas os condutores. É utilizado como modelo para esta simulação o cabo CAA mais comumente encontrado nas redes primárias rurais : CAA SWAN - 4 AWG. O estudo desse caso serve analogamente para os demais condutores. O dimensionamento efetuado anteriormente mostrou que o condutor em Alumosteel mais adequado para substituir este cabo é o Condutor sólido de aço-aluminizado com 53% de condutividade IACS na bitola 4 AWG. O estudo econômico escolhido para mostrar a viabilidade financeira de utilizar o condutor Alumo steel como alternativa ao Cabo CAA é uma Análise de Investimento e de Payback . Primeiramente é feito um estudo de custo total demandado para cada um dos condutores - desembolso inicial mais perdas totais - e posteriormente é feita u ma comparação acumulativa anual deste custo total até 30 anos (vida útil média de uma rede condutora padrão CAA) mostrando qual condutor apresenta menor custo total demandado. V.1 Investimento Inicial km Preços Condutor Condutor kg Total R$/kg R$/km CAA 4 AWG AS 53% 4 AWG Total R$ 20,0 1720 10,00 860 17.200 20,0 1480 10,00 740 14.800 Observações: 1-) IMPOSTOS = ICMS 12%/PIS/COFINS – Inclusos 2-) IPI do Cabo CAA = 10% - Incluso 3-) IPI do Condutor AS 53% IACS = 05% Incluso 4-) O Preço do AS é variável com o preço do cabo CAA Swan por se tratar também de Commodities. Tabela 7 – Investimento inicial para cada condutor V.3 Custos das Perdas Elétricas As perdas elétricas representam um prejuízo para o sistema, é função direta da corrente que circula pelo mesmo e da resistência elétrica dos condutores. As perdas são calculadas para a linha hipotética utilizando cada um dos condutores em questão. É considerado que circula 8 Ampéres de corrente tanto no condutor de fase como para o condutor de neutro. Para isso são considerados crescimentos de 3% ao ano do 1º ao 12º ano e 0% de crescimento a partir do 13º ano; a taxa de desconto a ser aplicada é de 13,5% aa. O custo médio da energia para as concessionárias é admitido em R$0,07 kW.h. Esses valores são comumente utilizados pelas concessionárias de energia para as análises de custos. A equação 10 é utilizada para o cálculo das perdas anuais em reais por quilômetro. Apresentação da Rede Condutora Hipotética A rede condutora a ser estudada é um caso hipotético, porém bem representativo da realidade das pequenas Redes Elétricas Primárias Rurais existentes nas concessionárias de energia do Brasil. A tabela 6 define as características da Rede Primária Rural hipotética em questão: Pe (kW ).8760(h).CE (R $).(1 + TxC ) 2. ANO (10) (1 + TxD ) ANO Equação 10 – Perda em R$/km Onde Pe(kW) = R.i 2 ; CE(R$) é o custo médio da energia; TxC é a taxa de crescimento e TxD é a taxa de desconto. P ( R$ / km) = Rede Primária Rural Hipotética km de rede 10 km Potência 39,83 kVA Tensão de Linha 13,8 kV Corrente Média 8A No. de Fases 1 Fase + 1 Neutro Dessa maneira a tabela 8 abaixo mostra as perdas médias anuais e acumuladas por quilômetro em 12, 25 e 30 anos para cada condutor. Já a tabela 9 considera as perdas totais em todo o circuito (20 km de extensão de condutor: fase + neutro). Não foram consideradas as perdas nos circuitos secundários. Tabela 6 – Rede Elétrica Primária Rural Hipotética 7 Perda Perda em Anual 12 anos (R$/km) (R$/km) 423,02 CAA 4 AWG 49,74 56,42 479,80 AS 4 AWG -56,78 CAA4 – AS4 -6,68 Condutor Perda em 25 anos (R$/km) 621,02 704,37 -83,35 anteriormente apresentados, representam uma opção para uma significativa economia no desembolso inicial para condutores e consequentemente a redução dos custos do kilowatt hora. O trabalho em questão abordou apenas um caso específico de distribuição primária rural, mas este estudo pode ser estendido para as demais áreas da distribuição e entrar inclusive no campo de transmissão de energia elétrica. Perda em 30 anos (R$/km) 661,38 750,15 -88,77 Tabela 8 – Perdas Médias Acumuladas por quilômetro Perda Perda em Anual 12 anos (R$) (R$) CAA 4 AWG 994,83 8.460,48 AS 4 AWG 1.128,36 9.596,03 CAA4 – AS4 -133,52 -1.135,55 Condutor Perda em 25 anos (R$) 12.420,32 14.087,35 Perda em 30 anos (R$) 13.227,59 15.002,97 -1.667,03 -1.775,38 VII AGRADECIMENTOS Agradecemos à orientação do professor Manoel Luis Barreira Martinez, que foi muito importante para o desenvolvimento do presente trabalho, e a colaboração do amigo Prof. Phd. Geraldo de Almeida, da Politécnica da USP, cuja ajuda foi muito valiosa. Tabela 9 – Perdas Médias Acumuladas Totais A figura 11 apresenta os custos totais demandados anualmente acumulados, considerando o investimento inicial (aquisição de condutores) – vide tabela 7 - e as perdas totais a cada ano – vide tabela 9. VIII REFERÊNCIAS 30.000 CAA 4 AWG 28.000 AS 4 AWG [1] CALLISTER Jr., W.D, 1994. Materials science and engineering – an introduction, 4ª ed, 1994 Editora Willey. [2] COTRIM, A.A.M.B., 1993. “Instalações elétricas”, 3ª ed, Makron Books Edit. [3] MANGONON, P.L., 1999. “The principles of materials selection for engineering design”, Prentice Hall. [4] ASM Handbook, 1997. “Mechanical testing”, Vol. 8. [5] Phelps Dodge Fios e Cabos Brasil, Normas ASTM – Cabos de Alumínio com Alma de Aço (CAA), http://www.pdwc.biz/PDF/BR/alcaa.pdf. [6] KNOWLTON A. E. , 1967. Standard Handbook For Electrical Engineers – MCGRAW HILL– New York . [7] FUCHS R.D et all, 1981. Projeto Mecânico de Linhas Aéreas de Transmissão – Ed Edgard Blucher – 1ª ed. [8] ROBBA E. J. et all, 1971. Introdução a Sistemas Elétricos de Potencia - Ed Edgard Blucher 1ª Ed. [9] IUDÍCIBUS, SÉRGIO, 1987. Contabilidade Gerencial – Ed Atlas – 4ª ed. Custo Total [R$] 26.000 24.000 22.000 20.000 18.000 16.000 14.000 12.000 0 4 8 12 16 20 24 28 32 Ano Figura 11 – Comparação dos custos totais acumulados. Analisando a figura 11, verifica-se que a rede constituída pelo condutor sólido Alumosteel (AS) passa a ter um custo total acumulado maior por um tempo superior a trinta anos. Considerando que as linhas atuais exigem um recondutoramento a cada trinta anos, o payback do condutor Alumosteel em relação ao Cabo CAA Swan superior a esse período justifica sua utilização. VI CONCLUSÃO As novas tecnologias aplicadas aos condutores de transmissão e distribuição de energia elétrica permitem reduções significativas de custos sem afetar o desempenho elétrico e mecânico de uma linha. Apesar de não terem sido considerados na análise financeira outras formas de redução de custos, podem-se destacar a diminuição da quantidade de postes necessários e/ou o afastamento dos mesmos (condutor mais leve), redução do estaiamento, aumento da linha elástica da linha e desestímulo da prática de furtos. As concessionárias de energia elétrica buscam cada vez mais reduções dos custos de produção de energia elétrica, visando à diminuição do custo do kilowatt hora para o consumidor final. Os condutores bimetálicos, tendo em vista os resultados IX BIOGRAFIA Fernando Marcançola Nasceu em Campinas-SP no ano de 1980, formando em Engenharia de Controle e Automação no ano de 2005 pela Universidade Federal de Itajubá. Renzo Degiovanni Spedicato Nascido na cidade de Orlândia – SP em Setembro de 1981, é formando de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Itajubá do ano de 2005. 8