_____________ Análise da demanda turística do Brasil: Um enfoque comparativo com África do sul, Arábia saudita, Austrália, Egito e Turquia
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ANÁLISE DA DEMANDA TURÍSTICA DO BRASIL:
UM ENFOQUE COMPARATIVO COM ÁFRICA DO SUL, ARÁBIA
SAUDITA, AUSTRÁLIA, EGITO E TURQUIA
Marcus Vinicius Ferreira Campos 1
Resumo: O artigo apresenta as razões que levam países em desenvolvimento, fora do eixo América
do Norte, Europa, com problemas sociais e/ou políticos, muitos dos quais com uma diversidade
natural e/ou cultural sem grande visibilidade internacional possuírem uma demanda turística superior
a do Brasil. O objetivo desse estudo visa demonstrar a realidade do turismo no Brasil, fazendo um
comparativo com outros cinco países e ao mesmo tempo propor soluções que resultem no aumento
de visitantes e um conseqüente aumento nas divisas geradas pelos turistas, para tal torna-se
fundamental um foco em mercados prioritários, oferecendo destaque à promoção do país no
exterior, que resulte na ampliação do produto turístico.
Palavras-chave: Demanda turística, Turismo Internacional, Turismo no Brasil, Imagem e Marketing
Turístico.
Resumen: El artículo presenta las razones que llevan países en desarrollo, fuera del eje de
Norteamérica, Europa, con problemas sociales y políticos, muchos de los cuales con una diversidad
natural y cultural sin gran visibilidad internacional, poseer una demanda turística superior a del Brasil.
El objetivo de este estudio tiene como foco demostrar la realidad del turismo en el Brasil, haciendo
un grado comparativo con otros cinco países y en igual hora considerar las soluciones que dan lugar
al aumento de visitantes y un aumento consiguiente en las recetas generadas por los turistas, para tal
es fundamental dar prioridad a los mercados potenciales, además de la ampliación de la promoción
del país en exterior, que resulte en el crecimiento del producto turístico del país.
Palabras-llave: Demanda turística, Turismo Internacional, Turismo en el Brasil, Imagen y
promoción turística.
1 Introdução
Nos dias atuais torna-se fundamental entender a origem do fluxo turístico de cada país como
forma de promover e aplicar as estratégias de marketing, que implique num crescimento sustentável
do destino.
Faz-se a análise nos dados da demanda receptiva de cada um desses destinos. No contexto do
turismo internacional, a Turquia aparece com base nos dados da Organização Mundial do Turismo
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Aluno do 6° Semestre do Curso de Turismo da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Feira de Santana. E-mail:
[email protected]
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Diálogos & Ciência –- Revista Eletrônica da Faculdade de Tecnologia e Ciências. Ano IV, n. 7, jun. 2006. ISSN 1678-0493
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(2003) em 15° lugar entre os países mais visitados do mundo, com cerca de 13,3 milhões de turistas
ano. A Arábia Saudita ocupa o 23° lugar com um fluxo de 7,3 milhões de visitantes, enquanto que a
África do Sul ocupa a 25ª colocação com a chegada de 6,6 milhões de turistas, o Egito por sua vez
aparece no 30° posto com 5,7 milhões, seguido da Austrália com 4,3 milhões na 38ª posição e do
Brasil em 39° com o registro de 4 milhões de turistas internacionais em 2003, conforme dados da
OMT (WTO, INTERNATIONAL TOURIST ARRIVALS BY COUNTRY OF DESTINATIONS
2004, p.1).
A razão que abrange esse estudo é justificar a evolução turística e o comportamento da
demanda em países que atravessam um processo de desenvolvimento econômico, muitos dos quais
enfrentam problemas sociais e políticos graves.
2 Descrição dos resultados turísticos de Turquia, Arábia Saudita, África do Sul, Egito e
Austrália.
Torna-se fundamental fazer uma análise detalhada dos resultados turísticos de cada um desses
países, começando pela Turquia, um país que tem buscado fazer parte da União Européia, embora o
grande número de imigrantes ilegais para Europa Ocidental impeça a boa recepção dos propensos
parceiros. A Turquia tem dado ao turismo um enfoque significativo e os resultados estão sendo
satisfatórios, já que a riqueza cultural, os atributos históricos, especialmente na cidade de Istambul
têm atraído turistas oriundos em sua maioria da Europa.
Em 2003 a Turquia recebeu quase 14 milhões de turistas, tendo como principal mercado
emissor a Alemanha com mais de 3,3 milhões de visitantes, seguido da Rússia com 1,2 milhão, do
Reino Unido com 1,1 milhão e da Bulgária com 1 milhão de visitantes. Vale salientar que os três
principais mercados da Turquia estão longe das suas fronteiras, tendo apenas o 4° colocado, a
Bulgária como país limítrofe. Outro dado interessante é que dos 10 maiores emissores de turistas à
Turquia apenas três, Bulgária, Irã e Grécia estão diretamente próximos do território turco. É preciso
observar ainda que a Turquia é um país muçulmano e sua cultura gira em torno da religião, no
entanto apenas o Irã dentre os 10 maiores emissores de turistas é de uma maioria islâmica, significa
dizer que o foco de mercado da Turquia fundamentalmente tem como origem a Europa Ocidental,
mesmo com uma cultura, uma religião diversa, além de um grande risco político, pelos constantes
ataques terroristas no país que não intimidam os turistas ocidentais que enxergam a Turquia como
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um dos celeiros de exotismo no mundo (MINISTRY OF CULTURE AND TOURISM TURKEY,
INTERNATIONAL ARRIVALS IN TURKEY BY NATIONALITIES IN 2003).
Em contrapartida a Arábia Saudita 23° país no ranking turístico internacional tem na sua oferta
uma clara caracterização, o Islamismo é a principal motivação dos turistas que visitam o país,
especialmente pela presença de um lugar sagrado para os muçulmanos, Meca. Outro aspecto
importante são os negócios relacionados ao petróleo. Para se ter uma idéia da concentração da
demanda o primeiro mercado ocidental de turistas a Arábia Saudita ocupa apenas a 22ª colocação, o
Reino Unido enviou em 2003, 70 mil turistas ao território saudita de um total de 7,3 milhões. De
longa distância países como Indonésia (6°), Bangladesh (12°) e Nigéria (17°) se destacam, todos de
maioria islâmica. Por um lado os ocidentais se intimidam em viajar até a Arábia Saudita,
especialmente num período onde o terrorismo está tão presente, por outro lado nota-se claramente
que o mercado turístico saudita tem na religião e nos negócios entre os países islâmicos um
diferencial para os seus resultados turísticos. Conforme prega a religião, pelo menos uma vez na vida
qualquer pessoa adepta da religião islâmica precisa ir a Meca, lugar de grande simbolismo e onde
pode-se dizer que juntamente com Medina representam o berço do Islã. Uma clara demonstração
dessa característica, diz respeito à Síria, pequeno país do Oriente Médio, de maioria muçulmana, que
faz fronteira com a Turquia, o Iraque, a Jordânia e o Líbano. No entanto, a Síria é o 4° maior emissor
de turistas para Arábia Saudita, com uma entrada de 541.894 visitantes, por sua vez para a Turquia
país ao norte de seu território, portanto fronteiriço, foram apenas 154.249 turistas (SUPREME
COMMISSION FOR TOURISM KINGDOM OF SAUDI ARABIA, TOURISM STATISTICS,
2003).
A África do Sul é o último país da lista de 25 que compõem os dados estatísticos da
Organização Mundial do Turismo, um país que pode ser considerado em sua plenitude como destino
de longa distância para os principais centros emissores de turistas do mundo, em 2003 o país recebeu
6,6 milhões de turistas, fazendo um raio-x da demanda que visita África do Sul, pode-se identificar
que 68% dos visitantes são do continente africano, contra apenas 20,2% do continente europeu e
67,5% dos turistas chegam a África do Sul pelas fronteiras da nação. Dos 10 maiores emissores de
turistas para o país, apenas três, Reino Unido em 6°, Alemanha em 7° e Holanda em 9° estão fora do
continente africano. Por sua vez, dos outros sete países apenas um, Zâmbia, não faz fronteira com a
África do Sul (STATISTICS SOUTH AFRICA. TOURISM, 2003).
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Os dois maiores emissores para o principal destino africano são, Lesotho e Suazilândia países
cujo território estão encravados na África do Sul, no entanto algo será característico na análise da
demanda desses países estudados, sempre existe influência naqueles países que foram colonizados no
que diz respeito ao grande fluxo de turistas tendo como origem os ex-países colonizadores, no caso
específico da África do Sul visualiza-se um grande número de turistas ingleses e holandeses.
A oferta turística sul-africana se baseia nos safáris ecológicos, em seu litoral, em práticas
ecoturísticas e nos negócios que são efetuados naquele que é considerado o principal país africano
em termos econômicos. Vale ressaltar a evolução do turismo na África do Sul nos últimos quinze
anos, em 1989 o país recebeu um índice inferior a um milhão de visitantes, já em 2003 chegou à
marca de 6,6 milhões, desses, 88% viajaram a férias (STATISTICS SOUTH AFRICA. TOURISM
2003, p.20).
Em uma campanha de marketing direcionado ao público espanhol, o organismo responsável
pela promoção turística da África do Sul foi direto com a utilização da seguinte frase, “um mundo
em um país” e acrescentou “conhecer um país maravilhoso nas melhores condições possíveis”, além
de não iludir os propensos visitantes, buscando mostrar a realidade do país “nas grandes cidades há
problemas com a delinqüência. Não circule por áreas desertas à noite e não leve consigo grandes
somas de dinheiro, nem equipamento fotográfico”, ou seja, não adianta vender um produto que na
prática ao consumir o turista poderia se surpreender negativamente (CAMPAÑA PROMOCIONAL
DE SUDÁFRICA EM HISPANOAMERICA. VEICULADO NO SOUTHAFRICA.NET, 2002).
O 30° país mais visitado do mundo, Egito tem no turismo cultural, urbano e histórico a base
da sua atividade turística, como a Arábia Saudita e a Turquia, o Egito é um país de maioria
muçulmana, no entanto a demanda que visita essa nação é de maioria ocidental, acompanhando a
tendência de um concorrente direto, a Turquia e diferente da Arábia Saudita. Em comum esses três
países têm a luta contra o terrorismo que resulta numa grande flutuação de mercado. O Egito já
divulgou seus dados estatísticos do ano de 2004, nesse ano o país recebeu 8,1 milhões de turistas, em
2003 o número foi de 5,7 milhões (WTO, INTERNATIONAL VISITOR ARRIVALS AT
FRONTIERS BY NATIONALITIES IN EGYPT, 2004).
O principal mercado do Egito é a Itália, seguido da Alemanha, Rússia e países bálticos, além de
Reino Unido, França, Israel, Líbia, Benelux e Arábia Saudita. Desses nove países, apenas Israel em
6°, Líbia em 7° e Arábia Saudita em 9° levam o aspecto proximidade geográfica como vantagem
diferencial do Egito, vizinhos como Jordânia e Sudão, apenas aparecem na 18ª e 19ª colocações
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respectivamente, correspondendo a 1,5% do mercado egípcio (WTO, INTERNATIONAL
VISITOR ARRIVALS AT FRONTIERS BY NATIONALITIES IN EGYPT, 2004).
Espera-se que o turismo no Egito sofra um impacto devido aos atentados em Sharm el Sheij,
um balneário muito apreciado por turistas ocidentais. Para se ter uma idéia da importância do
turismo, a atividade corresponde aos maiores ingressos nas exportações egípcias, à frente de
produtos petrolíferos e outras matérias primas (WTO, EL TURISMO EN EGIPTO Y EL
ATENTADO EM SHARM EL SHEIJ).
A Austrália tem obtido um crescimento econômico fora dos padrões para um país do
hemisfério sul, no caso específico do turismo, tem a desvantagem de não contar com nenhum país
fronteiriço e, além disso, estar distante da Europa e América do Norte. No entanto a Austrália
aparece em 38° entre os países mais visitados do mundo, em 2003 chegaram 4,3 milhões de turistas
de acordo com a Organização Mundial do Turismo (WTO, INTERNATIONAL ARRIVALS BY
COUNTRY OF DESTINATION IN ASIA AND THE PACIFIC), embora exista uma divergência
já que o Australian Tourism Commission divulgou a chegada de 4,7 milhões de visitantes em 2003, o
que deixaria o país à frente de Indonésia e Marrocos. Contudo, a demanda que visita a Austrália está
entre as maiores em poder aquisitivo do mundo, dos 10 maiores mercados, estão na ordem, Nova
Zelândia, Reino Unido, Japão, Estados Unidos, Cingapura, Coréia, China, Malásia e Hong Kong
(AUSTRALIAN TOURIST COMMISSION, VISITORS BY COUNTRY OF RESIDENCE IN
2003).
De acordo com o órgão máximo do turismo australiano, até 2013 o país deve receber 8,6
milhões de turistas por ano, acompanhando assim um crescimento sustentável, buscando divulgar a
diversidade étnica, natural e econômica da Austrália (AUSTRALIAN TOURIST COMMISSION.
OUTLOOK FOR INBOUND TOURISM 2004-2013).
3 Análise da Demanda Receptiva do Brasil
O Brasil em 2003 recebeu quase 4,1 milhões de turistas e conforme dados preliminares em
2004 chegou a 4,6 milhões (Embratur, Anuário Estatístico 2004, volume 31), atualmente o país
ocupa o 39° lugar entre os países mais visitados, no entanto muitos brasileiros fazem o seguinte
questionamento, como o Brasil pode receber menos turistas que Turquia, Arábia Saudita, África do
Sul, Egito e Austrália?
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Deve-se levar em consideração à distância dos maiores mercados turísticos do mundo, todos
os países citados não fazem fronteira com Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Japão por
exemplo, no entanto observa-se que entre Berlim e Istambul a distância é de 1742 Km, enquanto que
entre Berlim e o Rio de Janeiro são 9855 Km (Deraje Argentina, Calculo de la distancia entre las
principales ciudades del mundo). A demanda é mais receosa as viagens de longa distância, uma
demonstração disso são os números de alemães na Turquia que por ano está acima de 3 milhões,
enquanto que no Brasil por ano não chegam a 400 mil (EMBRATUR, ANUÁRIO ESTATÍSTICO
P.20 E MINISTRY OF CULTURE AND TOURISM IN TURKEY).
Outro aspecto é a burocracia diplomática do Brasil que tem utilizado, por exemplo, a política
da reciprocidade com os americanos, é incalculável o número de americanos que deixam de vir ao
Brasil devido às dificuldades e a demora em ter a permissão de entrada no país, como também é
incalculável as divisas que deixam de entrar por meio de um número maior de americanos no país.
Vale salientar o potencial do mercado norte americano no Brasil, já que os americanos estão entre os
que mais viajam no mundo e evitam visitar países vulneráveis ao terrorismo como a Turquia, Egito e
Arábia Saudita, por exemplo. No entanto, à distância entre Nova York e o Rio de Janeiro é de 7774
Km, chegam ao Brasil 670 mil americanos por ano, em contrapartida à distância entre Nova York e
Melbourne é de 16710 Km e a entrada de americanos na Austrália por ano é de 422 mil (Deraje
Argentina. Calculo de la distancia entre las principales ciudades del mundo).
Outro agravante do turismo brasileiro diz respeito ao fato de que as pessoas que vivem no
exterior não têm a imagem correta do Brasil e pior muitos se quer conhecem as características do
país, ainda é costume ouvir que a capital do Brasil é Buenos Aires ou que a Amazônia faz parte de
um território internacional como dizem alguns livros de história e geografia dos Estados Unidos.
Uma demonstração disso foi o estudo do Professor Sérgio Rodrigues Leal da Faculdade Integrada de
Vitória de Santo Antão, o título do trabalho é “A imagem de destinações turísticas: Um estudo de
caso do Brasil na percepção de alunos baseados na Austrália”. O estudo feito entre pós-graduandos
da James Cook University da Austrália indicou no questionário subjetivo que 51% dos entrevistados
não sabiam descrever acerca dos principais atributos que formavam a imagem do Brasil, por sua vez
23,3% citaram o Rio de Janeiro e 20,4% o ambiente natural. Uma outra pergunta esteve relacionada
às características únicas que possuía o Brasil, no entanto 54,6% não indicaram qualquer resposta,
23,7% citaram a cultura e 17,3% o meio ambiente (Leal, 2004, p.6).
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Esses números indicam que grande parte dos entrevistados desconhecem as particularidades do
Brasil. Por sua vez mostra a ausência de propagandas na mídia de países estrangeiros, não só da
Austrália, mas também de outros mercados que vêem no Brasil um celeiro de mulatas, samba e
futebol, e aí está o grande problema, pois o Brasil é muito mais do que isso é um país genuinamente
natural e com uma cultura múltipla e rica, é isso que os estrangeiros precisam saber, no entanto têm
faltado campanhas de marketing que venham enfocar essa realidade. Um exemplo disso são as
grandes revistas de informação da Alemanha, que recebem um grande número de propagandas
oriundas de destinos turísticos internacionais, como a Turquia, que só do mercado alemão recebe
mais de três milhões de turistas por ano, agora cabe perguntar quantas publicações internacionais
apresentam a publicidade do Brasil? (BILD, jan./04)
A ausência do marketing direto ajuda a formar uma imagem estereotipada do Brasil,
especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Já no que diz respeito à América do Sul é preciso
analisar os índices que refletem a entrada de turistas originários dos países vizinhos ao Brasil. Se por
um lado Egito e Turquia recebem em sua maioria turistas europeus, Arábia Saudita e África do Sul
têm nos países de fronteira importantes emissores de visitantes.
Por ser um país de longa distância em relação à Europa e América do Norte, o Brasil deveria
ter uma entrada maior de visitantes da América do Sul, a Argentina, embora ameaçada continua
sendo o maior emissor de turistas para o Brasil, enquanto isso dentre os 10 maiores mercados para o
país, além da Argentina, apenas Uruguai em 4° e Paraguai em 8° representam o mercado sulamericano (Embratur, Anuário Estatístico 2004).
Uma demonstração muito clara do potencial do mercado brasileiro diz respeito a Chile e Peru,
em 2003, 2,1 milhões de chilenos viajaram ao exterior, desses 1,8 milhão visitaram Argentina, 400 mil
o Peru, 200 mil os Estados Unidos e apenas 115 mil o Brasil (SECRETARÍA NACIONAL DE
TURISMO DEL CHILE, SALIDAS DE CHILENOS SEGÚN PAÍS DESTINO EN 2003), já o
Peru país que faz fronteira com o Brasil desde o Acre até o Amazonas, registrou uma entrada de
apenas 33.321 turistas, índice inferior ao de países do outro lado do mundo como o Japão que
enviou ao Brasil, 42.791 visitantes (Anuário Estatístico Embratur 2004, p.20).
Um outro indicador da fragilidade do turismo regional na América do Sul diz respeito ao
turismo rodoviário, utilizando as fronteiras dos países, desses 33.321 peruanos no Brasil apenas 8.287
entraram por via terrestre, enquanto que na África do Sul 67,5% entram no país por suas fronteiras
terrestres, no Brasil esse índice é de 25,3% (EMBRATUR, ANUÁRIO ESTATÍSTICO 2004 E
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STATISTICS SOUTH ÁFRICA. TOURISM 2003). Do total de 4,1 milhões de turistas, apenas 9,8%
utilizaram as estradas do Paraná para chegar ao Brasil e 12,4% utilizaram as rodovias do Rio Grande
do Sul, estados que fazem fronteira com Uruguai, Argentina e Paraguai.
Na divisão participativa por continente, nota-se que em 2000, 57% dos turistas que visitavam o
Brasil tinham como origem a América do Sul, contra 25% da Europa e 19% da América do Norte,
enquanto que no ano de 2003, 39% dos turistas eram europeus, 37% sul-americanos e 19% da
América do Norte (EMBRATUR, PLANO AQUARELA DE MARKETING TURÍSTICO
INTERNACIONAL, 2004, p.19). A princípio pode-se imaginar que é um indicativo a favor do
turismo brasileiro, mas fracionando os números percebe-se que em 2000, o Brasil recebeu 5,3
milhões de turistas, recorde histórico, desses, 3 milhões eram sul-americanos, em 2003 esse índice
caiu pela metade para exatos 1 milhão 513 mil turistas da América do Sul, por sua vez em 2000
recebemos 1,3 milhão de turistas provenientes da Europa, já em 2003 esse índice foi de 1,6 milhão,
crescimento de 23%, enquanto isso em 2000, 743.820 turistas chegaram da América do Norte e em
2003 foram 777.100 mil turistas (EMBRATUR, CÁLCULO COM BASE EM DADOS DO
ANUÁRIO ESTATÍSTICO 2004).
Analisando os dados percebe-se um progresso razoável da demanda européia, um pequeno
aumento da demanda originária da América do Norte e uma queda de 50% da demanda sulamericana, mas o que explica isso?
É verdade que nesse período a Argentina viveu uma de suas maiores crises sociais e
econômicas, mas também deve-se dizer que os argentinos vem se recuperando, como também é de
se notar claramente que as relações entre os países do Mercosul parecem muito mais de um bloco
desintegrado do que integrado economicamente. O estímulo às viagens pelo Mercosul precisa ser
impulsionado, a desburocratização precisa existir, a queda das tarifas e impostos que ainda tornam
caras as viagens pela região e claro uma ação promocional do Brasil que mostre aos seus vizinhos que
o país não é turístico apenas nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.
Nota-se que na distribuição mensal dos turistas, apenas janeiro consegue superar a marca de
500.000 turistas, dezembro a de 400.000 turistas, outros cinco meses, fevereiro, março, julho, agosto
e novembro batem a média dos 300.000 turistas e outros cinco meses do ano, abril, maio, junho,
setembro e outubro ficam na casa dos 200.000 turistas (EMBRATUR, ANUÁRIO ESTATÍSTICO
2004, p.18). Ou seja, é preciso distribuir melhor o fluxo turístico, até porque como se tem dito, o
Brasil é um país diverso, continental e tropical, o que tem faltado é uma ação promocional que
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indique aos estrangeiros a multi variedade do país como forma de reduzir a sazonalidade e tornar o
produto menos restrito as praias e ao verão.
Conforme indicado no último Plano Nacional de Turismo para o quadriênio 2003-2007, o
Brasil deveria receber até 2007, 9 milhões de turistas (MINISTÉRIO DO TURISMO DO BRASIL,
PLANO NACIONAL DE TURISMO 2003-2007, p.23), algo que no momento torna-se muito
improvável, em 2003 o país recebeu quase 4,1 milhões de visitantes, em 2004 esse número foi para
4,6 milhões, acompanhando essa média de crescimento de 12% o país alcançaria em 2007, 6,4
milhões de turistas, bem longe dos 9 indicados pelo governo, para chegar a meta estabelecida, o
Brasil teria que crescer numa média de 30% (EMBRATUR, CÁLCULO COM BASE NO
ANUÁRIO ESTATÍSTICO 2004).
Só a título de comparação para explicitar a dificuldade de evolução do turismo no país, em
1990 o Brasil ocupava o 45° lugar entre os países mais visitados do mundo, a África do Sul nem
constava na lista, em 1995 o Brasil caiu para o 47° lugar e a África do Sul já aparecia em 26° lugar,
em 1998 o Brasil chegou a estar entre os 30 países mais visitados com 4,8 milhões de turistas, no
entanto 5 anos depois tem uma demanda menor e luta para permanecer entre os 40 mais visitados,
significa dizer que o país não se consolida porque não existe uma política de turismo, um rumo, mas
sim várias políticas que são alteradas conforme as mudanças de governos e ministros (NINOT,
PRINCIPALES PAÍSES RECEPTORES DE TURISTAS, p.143).
O país dispõe de potencial para obter essa meta estipulada, para se ter um exemplo, de acordo
com o National Statistics do Reino Unido, em 2003 cerca de 61,4 milhões de britânicos viajaram ao
exterior, apenas 155 mil escolheram o Brasil como destino turístico (NATIONAL STATISTICS,
TRAVEL TRENDS 2003 E EMBRATUR, ANUÁRIO ESTATÍSTICO 2004, p.23), nota-se
visivelmente o potencial de crescimento do turismo no país se aumentarem à chegada de turistas
originários da América do Sul e alguns países europeus, como o Reino Unido e a região escandinava,
além dos Estados Unidos e Europa Ocidental e Meridional.
Atrelado ao enfoque em alguns mercados prioritários, deve existir uma diversificação maior da
oferta na promoção turística. Percebe-se a uniformização da visão dos turistas que viajam ao Brasil,
numa pesquisa feita para o Plano Aquarela de marketing turístico, 51% dos visitantes vinham ao
Brasil pelo sol e pelas praias, isso reflete a importância do produto sol e mar para o país, embora
mostre um amplo espaço de crescimento dos outros segmentos turísticos (MINISTÉRIO DO
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TURISMO
DO
BRASIL,
PLANO
AQUARELA
DE
MARKETING
10
TURÍSTICO
INTERNACIONAL, p.70).
Um outro aspecto dessa pesquisa, diz respeito ao grande número de turistas fidelizados, dos
estrangeiros entrevistados, 86% tinham alguma experiência turística internacional, 53% visitavam o
país pela 1ª vez e um número expressivo de 47% estavam retornando ao Brasil. Isso indica para as
peculiaridades do destino, além de ser um aspecto forte para atração de novos visitantes e uma
demonstração de que boa parte dos estrangeiros obtiveram em sua visita ao país, um feedback
positivo (MINISTÉRIO DO TURISMO DO BRASIL, PLANO AQUARELA DE MARKETING
TURÍSTICO, p. 68).
Cabe indicar algumas estratégias que poderiam tornar o produto turístico Brasil mais
conhecido, variado e consolidado no cenário internacional, começando pelo estímulo a produção de
documentários, informativos, reportagens produzidas pelo Ministério do Turismo em parceria com
instituições privadas do exterior acerca das características típicas do Brasil e veiculá-las nos mais
variados países.
Deve-se dar prioridade aos mercados potenciais, por meio de uma publicidade direta, massiva e
eficaz, utilizando instrumentos como folhetos, revistas e jornais de variedades, divulgação de vídeos e
notícias pela internet, produção de material especializado as agências e operadoras de turismo do
exterior, além de inovações como propaganda via e-mail e pelo telefone celular, como já fazem
alguns países, observa-se que nesse material publicitário deve-se englobar os principais atrativos e
destinos turísticos do país (CAMPOS, 2003, p.7).
4 Distribuição do Produto em Zonas Turísticas
Para facilitar a diversificação do produto turístico Brasil, sugere-se a distribuição do destino em
5 zonas turísticas, zona turística litorânea, zona turística amazônica, zona turística pantanal e cerrado,
zona turística histórica e cultural e a zona turística urbana, englobando uma 6ª zona para o mercado
sul-americano que abrange as serras gaúcha e catarinense, no período do inverno.
A Zona Turística Litorânea deve englobar a faixa de litoral do país, do Maranhão ao Rio
Grande do Sul, priorizando as 25 praias com melhor certificação, no que diz respeito à proteção
ambiental, infra-estrutura, empreendimentos turísticos, peculiaridades de cada local e inclusão da
comunidade autóctone.
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A Zona Turística Amazônica deve incluir as áreas na região com reais condições de comportar
os turistas com segurança e conforto, dando enfoque aos projetos sustentáveis que já existem, como
forma de potencializar o ecoturismo nos estados amazônicos e transformar o turismo internacional
como um meio sustentável de desenvolvimento econômico e social para a região.
A Zona Turística Pantanal e Cerrado deve se estender por uma grande área da região central do
Brasil, com uma diversidade natural e étnica singular, o seu desenvolvimento turístico tem estado
excluído, já que prioriza-se a atividade agrícola que tem sido responsável pela dizimação dos seus
ecossistemas, é importante que exista um compartilhamento entre agricultura e turismo no contexto
da região, sendo assim, o potencial para o ecoturismo é grande e o seu valor turístico pode ser
comparado aos mais valorizados destinos de natureza do mundo.
A Zona Turística Histórica e Cultural deve priorizar os destinos que melhor retratem a história,
a diversidade cultural do país e todas as suas edificações que indiquem a trajetória cronológica do
país, a distribuição promocional do Brasil em zonas turísticas pode facilitar a integração de roteiros
turísticos na América do Sul, ou seja, turistas que deixam seus países para conhecer a região, e não
apenas um país, isso gerará divisas a vários produtos turísticos, como por parte da demanda resultará
na junção de vários destinos reunidos no seu segmento de preferência (Campos, A Importância do
Turismo Internacional para Economia Mundial, p.6).
Por sua vez a zona turística urbana além de incluir a arquitetura, literatura, musicalidade, tão
bem distribuída pelo Brasil seria a raiz de um outro segmento importante o de negócios e eventos, já
que a quantidade de auditórios, centros de convenções, além da infra-estrutura aeroportuária e
hoteleira resultaria na dinamização da economia dos grandes municípios brasileiros, para tal é preciso
a formatação de um calendário de eventos, que tenha por objetivo abranger as mais variadas datas,
evitando assim a sazonalidade.
A 6ª Zona Turística seria promovida exclusivamente junto ao mercado sul-americano, por
princípio para aumentar o fluxo turístico e valorizar o inverno brasileiro, além de focar nas belezas
das paisagens, na tranqüilidade da região, na gastronomia, na riqueza cultural típica de uma mistura
genuinamente imigrante com traços próprios do Brasil.
É lógico que alguns destinos brasileiros estariam fazendo parte de duas ou mais zonas
turísticas, como o Rio de Janeiro, Salvador, Manaus e Recife, por exemplo, no entanto tem-se por
objetivo dinamizar a atividade turística no país, distribuí-la, priorizar as regiões com maior potencial
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para o turismo internacional, indicar que ao nordeste temos sol o ano inteiro e ao sul temos uma
estação invernal paradisíaca, enfocar os destinos que tenham ficado de fora para o turismo doméstico
ou até para o turismo social, mais de qualquer forma descentralizar a atividade turística no Brasil,
buscando representar e destacar a originalidade do país.
5 Conclusão
Acredita-se que o turismo não deva ser uma atividade una, mas sim esteja num papel de
destaque maior, conforme se espera de um país continental, com belezas naturais e culturais
exclusivas. A trajetória do Brasil passa por um trabalho concreto em marketing, buscando divulgar a
realidade do país e conseqüentemente transformar a sua imagem, para que ocorra um incremento do
fluxo turístico, as receitas aumentem e a participação da atividade no Produto Interno Bruto e na
geração de empregos seja significativa.
Dessa forma é preciso entender que o aumento do fluxo turístico é bem mais complexo do que
se possa imaginar, não basta ter um belo atrativo, torna-se fundamental ter uma estrutura organizada,
uma atividade com público-alvo definido, mercados prioritários e entender que a atividade turística
tem potencial para exercer um papel social e econômico forte em conjunto com as outras atividades
que formam a cadeia econômica de um país.
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