CRISTIANE PEREIRA COELHO ENSINO DE QUÍMICA: UM ESTUDO SOBRE AS REAIS CONDIÇÕES DE ENSINO E APRENDIZAGEM NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE ARARANGUÁ – SC Criciúma, 2004 1 CRISTIANE PEREIRA COELHO ENSINO DE QUÍMICA: UM ESTUDO SOBRE AS REAIS CONDIÇÕES DE ENSINO E APRENDIZAGEM NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE ARARANGUÁ – SC Monografia apresentada à Diretoria de Pós-Graduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, para a obtenção do título de especialista em Didática e Metodologia do Ensino Superior. Orientador: Valmir Machado Criciúma, 2004 2 DEDICATÓRIAS Aos meus familiares e ao meu amor, que fazem parte da minha história, e por eles venci mais uma etapa com muito orgulho e dedicação. A eles, meu reconhecimento e gratidão, pela força e apoio nos momentos difíceis que passei, e nos momentos de felicidade que também compartilhamos. 3 AGRADECIMENTOS A Deus, que esteve comigo desde o início desta caminhada, presenteando-me com o dom da sabedoria e com sua proteção. Aos meus pais, Nicolau e Regina, ao meu irmão Rafael e demais familiares, que incentivaram a construir este sonho. Aos professores, que me orientaram, dando-me a condição de uma visão crítica, para que não tropece na obscuridade da ignorância. Ao orientador Valmir, pela paciência, pelo ensinamento e pelo conhecimento sobre o assunto. Em especial ao meu namorado, César, que sempre esteve presente, apoiando e colaborando para que este sonho se tornasse realidade. 4 RESUMO Vivemos em um mundo onde a fragmentação da vida, do homem e do conhecimento tem sido uma realidade nos últimos tempos. Em nossas escolas pode-se observar este fato pela constante separação existente entre teoria e prática, bem como pelos currículos, organizados em muitos casos, sem a busca de um sentido total. Este trabalho busca traçar um perfil da real condição do ensino-aprendizagem da química na rede pública estadual de Araranguá - SC, valorizando a interligação da mesma com a realidade na construção de uma aprendizagem mais motivada, contextualizada, e integral. Para isso, foi realizada uma pesquisa com os professores das escolas da rede pública que oferecem ensino médio à população local, buscando refletir sobre o ensino da química no ensino médio e as condições que as escolas oferecem para o seu real aprendizado. Os resultados da pesquisa levam a concluir que as escolas apresentam deficiências estruturais e também profissionais, ou seja, as escolas não possuem uma estrutura física que privilegie o ensino da química e não investe na formação continuada de seus professores. Palavras-chave: Química, atividades experimentais, formação continuada, ensino médio, rede pública. 5 ABSTRACT We lived in a world where the fragmentation of the life, of the man and of the knowledge it has been a reality in the last times. In our schools this fact can be observed by the constant existent separation between theory and practice, as well as for the curricula, organized in many cases, without the search of a total sense. This work search to trace a profile of the real condition of the teaching-learning of the chemistry in the state public net of Araranguá - SC, valuing the interligação of the same with the reality in the construction of a motivated learning, contextualizada, and integral. For that, a research was accomplished with the teachers of the schools of the public net that they offer medium teaching to the local population, looking for to contemplate on the teaching of the chemistry in the medium teaching and the conditions that the schools offer for its real learning. The results of the research take to conclude that the schools present structural deficiencies and also professionals, that is to say, the schools don't possess a physical structure that privileges the teaching of the chemistry and it doesn't invest in the its teachers' continued formation. Key word: Chemistry, experimental activities, continuous formation, I teach medium, public net. 6 SUMÁRIO LISTA DE GRÁFICOS……………………………………………..…………………… 8 1. INTRODUÇÃO...................................................................................................... 9 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA........................................................................... 11 2.1. Principais dificuldades no ensino da química.................................................... 11 2.2. O papel das atividades experimentais............................................................... 13 2.3. Conhecimento científico x conhecimento cotidiano ........................................... 15 2.4. Formação inicial e continuada dos professores de química.............................. 16 2.5. Peculiaridades do ensino noturno...................................................................... 17 2.6. Indisciplina em sala de aula............................................................................... 19 3. DESCRIÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS.............................. 20 3.1. Metodologia experimental.................................................................................. 20 3.2. Descrição da Realidade Investigada................................................................. 20 3.3. Análise e Descrição dos Dados......................................................................... 21 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 39 REFERÊNCIAS......................................................................................................... 41 7 ANEXOS................................................................................................................... 43 Anexo I – Questionário........................................................................................... 44 Anexo II - Tabela I - Respostas dadas às questões estruturadas do questionário.............................................................................................................. 47 8 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - A sala de aula de aula convencional é o único espaço utilizado para o 22 estudo da química?................................................................................................... Gráfico 2 - A escola possui laboratório de química?............................................... 23 Gráfico 3 - Se possui, este laboratório está em condições de ser utilizado para realização de experiências químicas?...................................................................... 24 Gráfico 4 - O material disponível no laboratório é satisfatório?............................... 24 Gráfico 5 - Você sabe utilizar todos os materiais que estão disponíveis?............... 25 Gráfico 6 - Os reagentes e soluções a serem utilizadas estão dentro do prazo de validade?................................................................................................................... 26 Gráfico 7 - Você considera importante o uso do laboratório?.................................. 27 Gráfico 8 - Você usa ou usaria (se existisse) o laboratório para ensinar química?................................................................................................................... 28 Gráfico 9 - São utilizados vídeos ou notícias veiculadas na mídia para ensinar química?.................................................................................................................... 29 Gráfico 10 - Os alunos têm interesse/participam das aulas?.................................. 30 Gráfico 11 - Os assuntos estudados estão relacionados com o cotidiano dos alunos? (conhecimento científico X conhecimento cotidiano).................................. 30 Gráfico 12 - Os alunos conseguem perceber a ligação entre sua vida e o que estão aprendendo?................................................................................................... 31 Gráfico 13 - Qual sua formação?............................................................................. 32 Gráfico 14 - Faz ou já fez algum curso de especialização na área da educação? Ou em outra área? (Cite).......................................................................................... 33 Gráfico 15 - O vestibular interfere no processo de ensino - aprendizagem? De que forma? ............................................................................................................... 36 9 1. INTRODUÇÃO As constantes transformações de ordem política, econômica e social, ocasionaram mudanças no sistema educativo, que vem tentando se adaptar a esta nova realidade da sociedade, caracterizada pelo avanço tecnológico e pela velocidade da i nformação. A escola tem como desafio redimensionar o ensino, buscando a formação de cidadãos capazes de encarar os desafios políticos, econômicos e sociais deste novo mundo globalizado. O ensino médio precisa redefinir suas funções perante a sociedade, garantindo ao aluno uma educação geral sólida que possibilite seu ingresso no ensino superior e educá-lo para um fazer reflexivo e crítico, formando indivíduos preparados para o exercício consciente da cidadania e para o mercado de trabalho. A finalidade deste trabalho é traçar um perfil da real condição do ensino e aprendizagem de química na rede pública estadual de Araranguá - SC, focalizando a formação dos professores bem como as suas condições de trabalho em nível estrutural (existência de salas ideais para o ensino de química) e incentivá-los a buscar a interligação da química com a vida cotidiana. O professor deve, sempre que possível, buscar esta relação entre a matéria a ser dada e a realidade que o circunda, fazendo com que o aluno relacione o seu conhecimento cotidiano com o que está sendo exposto em sala de aula. A química é uma ciência experimental, a qual poderia ser melhor ensinada com o uso de experiências em laboratórios e até mesmo através de experiências cotidianas que podem levar os alunos a compreenderem melhor determinada matéria dentro do ensino médio. A educação tradicional faz com que o ensino se fundamente na aquisição 10 de conhecimentos específicos sem contemplar aspectos políticos, econômicos e sociais. O aluno apenas memoriza o que lhe é transmitido, não ocorrendo desta forma a construção do conhecimento, já que as informações recebidas estão desconectadas de sua realidade. 11 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. Principais dificuldades no ensino da química No ensino médio, a educação deve estar voltada para o preparo do exercício consciente da cidadania e para o mercado de trabalho, possibilitando aos alunos os conhecimentos necessários para desenvolver-se na vida cotidiana, resolver problemas, adotar atitudes responsáveis frente ao desenvolvimento, compreender tecnologias e suas conseqüências. A escola deve focar seu objetivo e sua responsabilidade no desenvolvimento da capacidade de pensar de cada aluno, fazendo com que essa habilidade fosse aplicada para a melhoria da condição humana. Cada aluno deveria aprender como aprender e o professor nunca deveria esquecer que cada aluno é uma pessoa única, com seus conhecimentos e suas peculiaridades. (LEMBO, 1975). Sem o conhecimento, mesmo que mínimo de ciências, o cidadão não consegue se posicionar frente aos inúmeros problemas da sociedade moderna, como poluição, uso de matérias-primas, recursos tecnológicos, importância da tecnologia entre outros e como conseqüência não exerce efetivamente sua cidadania. [...] é preciso desenvolver nos alunos a capacidade de pensar e de criar, para que eles possam desta forma ter as condições mínimas e necessárias para enfrentar os problemas e as exigências de um mundo sempre em mudança. No entanto, a maioria dos alunos não estão adquirindo estas condições, pois o ensino de ciências não está desenvolvendo indivíduos pensantes e criativos, capazes de assimilar e utilizar o conhecimento científico adquirido nas escolas. (HENNIG 1986) Ensinar ciências, no caso química, não é simplesmente transmitir o conhecimento aos alunos e esperar que eles passem a dominar a matéria. A 12 química faz parte de nossa vida, porém, é um assunto difícil de aprender. Cabe ao professor dirigir a aprendizagem da melhor forma possível, sendo assim, ou os alunos passam a conhecer ou continuam a ignorar química. As aulas expositivas-memorativas não são a única alternativa para ensinar química, nem são as melhores, mas atualmente, no ensino médio, a química está sendo tratada como uma matéria essencialmente teórica, deixando de lado sua parte experimental. A ênfase exagerada dada à memorização de fórmulas, símbolos, nomes, reações, e conceitos parece não ter nenhuma relação entre si, em função da total desvinculação entre o conhecimento químico e a vida cotidiana, o aluno não consegue perceber a relação existente entre o que aprende em sala de aula e a sua vida. Na química, o professor deve buscar, a relação entre o conhecimento científico e o conhecimento cotidiano, desta forma, ajudando o aluno a compreender melhor os conceitos a serem estudados e não apenas memorizando os mesmos. A ausência de atividades experimentais também não permite aos alunos o contato com o real, eles nunca têm a oportunidade de investigar, impossibilitando dessa forma a construção do conhecimento científico. Para Hennig (1986, p. 68), "[...] a falha incrível das escolas tradicionais tem sido de negligenciar quase sistematicamente o treinamento dos alunos na experimentação". O ensino de ciências se voltou para a transmissão verbal ou escrita, o que leva os alunos a decorar o conhecimento científico e não a entendê-lo. São expressivas as palavras de Bussarelo (1987, p. 08) ao relatar: O Ensino Verbal é o grande mal do ensino das Ciências. Substituem-se os fatos científicos por palavras, retirando-se todo o encanto e interesse das Ciências, caceteando-se o aluno e desvirtuando-se as vantagens do seu estudo. 13 Os alunos não têm a oportunidade de vivenciar alguma situação de investigação, o que lhes impossibilita aprender como se processa o conhecimento científico, no caso específico, o conhecimento químico. A utilização de atividades experimentais facilita muito a compreensão do conhecimento em química. E, sem compreensão, ou seja, sem investigação e experimentação é difícil aprender a ‘matéria química’. Outro ponto desfavorável para o processo de ensino-aprendizagem de química no ensino médio é o vestibular, como foco principal o que ocasiona o atropelamento de algumas matérias que são consideradas, por determinados professores, como irrelevantes, pois não caem nas provas de vestibular, porém são conteúdos básicos para que os alunos possam compreender conceitos mais complexos da química. A pressão para dar matéria e terminar o conteúdo tem como resultado um ensino superficial, fazendo com que os alunos recorram a simples memorização de conceitos e ‘regrinhas’ para resolver problemas visando passar no vestibular. Outro ponto a ser considerado é a inadequação dos conteúdos, passando uma visão bastante deformada da química, o que dificulta a compreensão dos conceitos e torna mais difícil a compreensão das relações entre os fatos, as leis, as teorias e os modelos científicos. Como resultado, a memorização de símbolos, nomes, fórmulas, leis, teorias, equações e regras passam a ser a principal atividade dos alunos de química. Os professores não conseguem analisar criticamente o programa de ensino, como conseqüência, passam a transmitir uma lógica de conteúdos em que os alunos não encontram nexo e, portanto, não aprendem, achando a matéria de química muito chata, como eles sempre dizem (MALDANER, 2000). 2.2. O papel das atividades experimentais 14 A química é uma ciência experimental; fica por isso muito difícil aprendêla sem a realização de atividades práticas (laboratório). As atividades experimentais constituem, portanto, um ponto crítico prioritário na análise de problemas e na proposta de alternativas para o ensino de química. Como ciência experimental, a química exige para seu estudo atividades experimentais, não sendo aconselhável que os alunos aprendam química sem passar, em algum momento, por atividades práticas que auxiliem no desenvolvimento de seu raciocínio e na construção/reconstrução de seu conhecimento. A experiência treina os alunos no uso de métodos, técnicas e instrumentos laboratoriais e permite a aplicação dos conceitos teóricos aprendidos, ocorrendo assim a ligação entre o ‘abstrato’ e o real, ou seja, o aluno passa a ter contato com fatos concretos, observáveis e mensuráveis, sendo que essas atividades podem incluir demonstrações feitas pelo professor, experimentos para confirmação de informações já dadas e experimentos cuja interpretação leve à elaboração de conceitos. O aluno que tem a oportunidade de realizar um experimento tem a oportunidade de verificar se o que pensa realmente ocorre e pode desta forma, julgar o que vê a partir do que já sabe, confirmando ou remodelando suas crenças e saberes anteriores, obtendo um conhecimento de química mais seguro do que se estivesse apenas estudando (decorando) teoria química. (BIZZO, 2000; COLLE, 1987). O que foi exposto em sala de aula e o que foi obtido no laboratório deve construir algo indivisível, pois atividades experimentais sem a integração com uma teoria não passa de ‘brincadeiras’. Por outro lado, uma teoria sem o embasamento experimental não tem suporte para alcançar a verdadeira construção do conhecimento. A justificativa pela ausência dessas atividades experimentais é a falta de 15 laboratórios nas escolas. Não existe uma sala estruturada e equipada adequadamente que permita a realização de experiências com total segurança para os alunos e professores. No entanto, trazer o experimental para o estudo da química não implica o uso ininterrupto de laboratório, significa também trabalhar com dados obtidos por outros, discutindo-os para saber como foram obtidos e onde se pode chegar a partir dos mesmos. Outro fator que faz com que não seja realizada experiências nas escolas é a resistência que os professores apresentam frente a mudanças, "[...] está provado que a maior parte dos professores tem medo ou má vontade em abandonar velhos conceitos e fazer as modificações necessárias na escola". (GOODLAD apud LEMBO, 1975, p. 14). 2.3. Conhecimento científico x conhecimento cotidiano Trazer os fatos cotidianos para dentro da sala de aula é outra forma de ajudar os alunos a entenderem a química. O uso de recursos audiovisuais, como filmes e notícias veiculadas na mídia favorecem a interligação entre o científico e o cotidiano, os alunos passam a entender determinados problemas que ocorrem no dia-a-dia e até mesmo formular hipóteses para solucioná-los. Os alunos conseguem, desta forma, perceber a importância de entender química, pois seus conhecimentos poderão ser usados para ajudar na resolução de problemas sociais e pessoais. Desta forma, é visto como usar o conhecimento que está sendo adquirido e que antes parecia estar totalmente desvinculado da realidade. Trazer o ensino da ciência para próximo da realidade , auxilia os alunos a compreender melhor o meio que nos cerca, impulsionando a capacidade de aprender, planejar, executar e investigar a leitura deste meio, começando desta 16 forma a construir/reconstruir seu próprio conhecimento e tornando-se capaz de aplicar estes conhecimentos em outras situações dentro ou fora da escola. O aluno torna-se capaz de observar, lançar hipóteses, experimentar, analisar e concluir (COLLE, 1987; SANTOS, 1972). 2.4. Formação inicial e continuada dos professores de química No âmbito da pesquisa em ensino, discute-se muito os entraves da prática pedagógica dos professores advindos de problemas oriundos de processos de formação inicial, em função da maioria dos cursos de licenciatura, inclusive os de química, passarem os enfoques teóricos dos conteúdos dissociados das atividades práticas. O distanciamento entre a teoria e a prática pode ser considerado como ponto crucial a ser priorizado na reversão do processo de formação, podendo resgatar a qualidade de ensino das escolas públicas. Assim, a formação continuada, pode ser vista hoje, como uma necessidade de todos os professores em atuação, porém não como uma oportunidade de atualização em um curso de 20, 30 ou 40 horas, mas como processo permanente de desenvolvimento e atualização destes professores numa ação paralela as suas atividades escolares, construída coletivamente com seu colegas de trabalho, fazendo de sua própria prática seu objeto de estudo, conhecimento e transformação. No entanto, para que isso ocorra de forma satisfatória, é preciso que o professor assuma algumas atitudes específicas como "[...] aceitar cometer erros, considerar o erro como inerente ao aprendizado, assumir riscos e administrar seus incertezas". (YINGES, apud PERRENOUD et al, 2001, p. 93). 17 A sociedade contemporânea traz novos desafios aos professores que precisam saber lidar com o conhecimento e com a diversidade de informações. Os educadores precisam aprender a ter acesso a todas essas informações e como usálas para o desenvolvimento da aprendizagem. Formar educadores, introduzindo-lhes capacidade de pesquisar, organizar, transmitir e administrar as informações necessárias a serem usadas em sua prática cotidiana, é uma das tarefas que podem ser atribuídas à formação continuada. A formação continuada não tem apenas o papel de garantir a atualização dos professores, mas também de suprir deficiências dos cursos de formação, sendo que a formação do professor deve ser constante e contínua. A descontinuidade dos cursos de aperfeiçoamento faz com que os objetivos dos mesmos não sejam alcançados, não mudando a realidade das escolas e nem mesmo da sala de aula. É preciso substituir as propostas isoladas, fragmentadas e esporádicas por cursos que tenham continuidade e acompanhamento. Sugestões soltas, conteúdos fragmentados pouco contribuem para que o professor repense sua prática. No entanto, apesar de os cursos esporádicos e descontínuos não possibilitarem mudanças nas concepções dos professores, representam um momento privilegiado de reflexão de sua prática e podem desencadear o processo de busca pelo aperfeiçoamento, não podendo ser simplesmente ignorado e descartado. 2.5. Peculiaridades do ensino noturno O ensino noturno possui uma série de características próprias que o diferencia do ensino diurno. A maioria dos professores têm uma visão negativa do 18 ensino noturno e de seu público devido à precariedade de condições de trabalho e aos baixos resultados alcançados. Por ter um público diferente da escola diurna, o ensino noturno deve ter uma estrutura pedagógica também diferenciada, porém, o comum tem sido a transferência do modelo da escola diurna e de sua gestão para a escola noturna, sem que suas particularidades sejam consideradas. Na organização do ensino noturno é necessário considerar especificidades deste período, tais como a heterogeneidade dos alunos provocada por uma enorme diversidade etária, de interesses, de escolarização, de tempo de afastamento da escola, etc. A inserção social e cultural e a inadequação da estrutura escolar à realidade específica desses alunos, como a rigidez de horários, gera inúmeras formas de exclusão e evasão escolar. Como a escola noturna não se adapta ao tempo e ao cotidiano de seus alunos, que são em grande maioria trabalhadores, os mesmos são permanentemente excluídos do sistema de ensino por meio da evasão e das repetências seguidas e por isso terminam sendo culpabilizados e estigmatizados como alunos sem interesse, e preguiçosos. Tendo como clientela majoritária o aluno trabalhador, a escola noturna precisa redimensionar seus limites de acordo com os limites impostos pelas condições concretas de vida de seus alunos trabalhadores, sem renunciar sua função de produção/reprodução do conhecimento. O ensino noturno se concretiza pela aplicação da mesma estrutura pedagógica e gestão aplicada no ensino diurno, sendo que a estratégia dos professores do ensino noturno, dado à inadequação entre a realidade tem sido a facilitação, o ‘jogo do faz de conta’ pedagógico, seja por paternalismo, ou por falta de compromisso com a educação e com a sua própria profissão. 19 2.6. Indisciplina em sala de aula A indisciplina na educação tornou-se uma das maiores dificuldades e um grande desafio que cada vez mais tem sido alvo de preocupação das escolas, da direção, dos pais e professores. As causas da indisciplina estão entrelaçadas com a sociedade, a família, a escola, o professor e o aluno. São problemas familiares, carências, influências de toda mídia que favorecem cada vez mais a indisciplina em sala de aula e também fora dela. A família e a escola mudaram muito. Antes, a família era parceira da escola; hoje, a família deposita suas funções e delega suas responsabilidades à escola. Os alunos, cada vez mais, vêm para escola com menos limites trabalhados pela família, e esta por sua vez, cada vez mais critica a escola. A relação escola-família-aluno está se tornando complicada. O professor espera que os alunos façam silêncio para poder dar sua aula, o aluno quer logo ir embora e receber nota, a direção não quer problemas e os pais querem que o filho (aluno) seja aprovado objetivando a ascensão social. O professor precisa equilibrar a repressão e a liberdade oferecida aos alunos de forma a obter uma disciplina consciente e interativa, marcada por participação, respeito, responsabilidade, construção do conhecimento, formação do caráter e da cidadania. 20 3. DESCRIÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS 3.1. Metodologia experimental A pesquisa realizada é do tipo básico, de natureza qualitativa, exploratória, descritiva e analítica. A coleta de dados foi realizada nas escolas da rede pública estadual, que contemplem o ensino médio, no município de Araranguá - Santa Catarina, totalizando quatro escolas, em bairros distintos. Os sujeitos envolvidos na pesquisa foram os professores de química das quatro escolas pesquisadas. O tipo de abordagem foi probabilística casual simples. O instrumento adotado para a coleta de dados foi questionário semiestruturado. Após o levantamento de dados, estes foram tabulados e categorizados para posterior análise, sendo que o método adotado para o tratamento destes dados foi análise e conteúdo. 3.2. Descrição da Realidade Investigada As escolas investigadas da rede pública estadual de Araranguá - SC, apresentam uma estrutura física precária para o ensino da química, não apresentando laboratórios adequados e qualificados para realização de experiências que permitam aos alunos desenvolverem seu próprio conhecimento a partir de algo real, mensurável e observável, sendo que das quatros escolas pesquisadas apenas duas possuem realmente um espaço destinado ao laboratório, porém, sem nenhuma estrutura para que possamos dizer que aquela sala possa ser considerada um 21 laboratório, onde se realize práticas laboratoriais consideráveis para o desenvolvimento do conhecimento científico de cada aluno. As escolas localizam-se em bairros diferentes, as quatro escolas pertencentes à rede pública estadual de Araranguá que oferecem o ensino médio, tanto no período diurno quanto no período noturno, e os professores do período diurno são os mesmos que lecionam no período noturno. As aulas são ministradas, com raríssimas exceções, apenas na sala de aula convencional, com giz e quadro-negro, onde a química se torna uma matéria meramente teórica, em que o aluno se esforça apenas para decorar o que lhe é transmitido, não entendo muitas vezes nem para que está decorando aquela determinada parte da apostila, livro o u caderno. As escolas pesquisadas não possuem material didático próprio, como é o caso das escolas particulares que adotam apostilas como material didático, cada professor pode direcionar sua aula da maneira que lhe for mais conveniente, respeitando as diretrizes nacionais e estaduais e o Projeto Político Pedagógico da escola; em apenas uma das escolas existe o uso das ‘apostilas’, porém apenas algumas turmas a utilizam em virtude do custo adicional existente para cada aluno que optar em estudar nas turmas que trabalham com a apostila escolhida pelo conjunto de professores de todas as disciplinas. 3.3. Análise e Descrição dos Dados Visando caracterizar da melhor forma possível as reais condições de ensino e aprendizagem de química, foi elaborado um questionário (Anexo I), contendo ao todo vinte perguntas, sendo doze estruturadas e oito não estruturadas, permitindo aos dez professores que participaram da pesquisa responderem de 22 acordo com suas reais opiniões e condições de trabalho. Esta seção apresenta o resultado e a análise das respostas fornecidas pelos professores ao questionário. 20% 10% 1 - Sim 0% 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 4 - Não 70% Gráfico 1 - A sala de aula de aula convencional é o único espaço utilizado para o estudo da química? Fonte: elaborado pela autora O Gráfico 1 mostra como os professores utilizam suas aulas de química, sendo que apenas 20% dos professores afirmam que a sala de aula convencional não é único espaço utilizado para ensinar química, enquanto que o restante afirmam que a sala de aula convencional é na maioria das vezes e até mesmo o único espaço utilizado para ensinar química. Isso vai contra ao que realmente é a química em si: uma ciência experimental que se torna cada vez mais uma ciência teórica e ‘chata’, por não proporcionar ao aluno o desenvolvimento de seu próprio conhecimento científico, tudo está determinado, acabado, escrito nos livros e no quadro-negro. O aluno vai para a aula de química já com a certeza de que vai ficar dentro da sala de aula copiando e decorando esquemas, regrinhas, que na verdade não facilitam a aprendizagem, apenas camuflam a realidade em que se encontra o ensino de química, que de ciência experimental passou a ser ciência teórica, não tendo, o aluno, a oportunidade de descobrir. 23 20% 0% 1 - Sim 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 10% 70% 4 - Não Gráfico 2 - A escola possui laboratório de química? Fonte: Elaborada pela autora A segunda questão vem de encontro com a primeira, e até podemos dizer que justifica o porquê dos professores das escolas públicas estaduais de Araranguá - SC apenas utilizarem a sala de aula convencional para ensinar química. Já que estes não têm sequer a escolha de querer variar suas aulas, revezando aulas teóricas e práticas para que o aprendizado da química se concretize da ‘melhor’ forma possível, possibilitando ao aluno a união entre o observável e o que está em seus livros (teoria). É importante relatar que nas duas escolas em que foi constatado a existência de um laboratório, apenas um professor, de cada escola, sabia de sua existência, observe a Tabela I (Anexo II) em que se encontram as respostas das perguntas estruturadas, a escola A e B; mostrando que muitas vezes não só a falta de estrutura das escolas é o problema, mas também a falta de informação e interesse de cada professor em saber o que cada escola oferece para que ele possa desenvolver seu trabalho de forma criativa, buscando despertar no aluno o interesse e o gosto em estudar determinada matéria. Mesmo que os laboratórios não apresentassem grandes estruturas e materiais adequados disponíveis , acredito que seria dever do professor de cada escola saber o que sua escola possui, sendo utilizado ou não. 24 40% 0% 0% 0% 1 - Sim 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 4 - Não 60% Não responderam Gráfico 3 - Se possui, este laboratório está em condições de ser utilizado para realização de experiências químicas? Fonte: Elaborada pela autora. 40% 0% 10% 0% 1 - Sim 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 4 - Não Não responderam 50% Gráfico 4 - O material disponível no laboratório é satisfatório? Fonte: Elaborada pela autora As questões 3 e 4 se complementam, podendo ser feita uma análise conjunta de ambas as respostas. Tanto o Gráfico 3 quanto o Gráfico 4 mostram a precariedade dos laboratórios e de seus materiais nas escolas da rede pública estadual de Araranguá - SC, que oferecem o ensino médio para população local. Mesmo que o professor se esforce para não cair na rotina da aula convencional (giz e quadro-negro) é difícil não desanimar com o tempo, pois para poder lecionar química da maneira que se almeja, ou seja, tratando-a como ciência experimental, além da vontade do professor em querer mudar o atual estado em que se encontra todo o ensino público brasileiro, é preciso também que se tenha recursos disponíveis para se alcançar os objetivos referentes a infra estrutura das 25 escolas públicas, reservando parte desses recursos para a montagem e manutenção de laboratórios, que serviriam para a construção do conhecimento científico global, incluindo química, física, biologia, entre outras matérias que precisam ser observadas, mensuradas, para que possam ser realmente aprendidas, fazendo parte do conhecimento real e consistente do aluno, e não apenas de um conhecimento para passar de ano na escola. A existência de um laboratório numa escola pública já pode ser considerado de grande valia e esforço dos professores, porém não basta ter uma sala para o laboratório é preciso criar condições de uso para essa sala e torná-la realmente um laboratório onde possam ser realizadas as mais diversas experiências, sejam químicas, físicas, biológicas... 20% 1 - Sim 50% 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 4 - Não 20% 10% 0% Não responderam Gráfico 5 - Você sabe utilizar todos os materiais que estão disponíveis? Fonte: Elaborada pela autora. O Gráfico 5 nos mostra que 50% dos professores não responderam a questão, o que é natural, pois se 80% desses mesmos professores responderam que em suas escolas não havia laboratório, como mostra o Gráfico 2, é difícil responder se em um futuro laboratório ele saberá ou não utilizar os materiais que estarão a sua disposição. Dos 50% dos professores restantes que responderam a questão acima mencionada, apenas 10% acreditam não saber usar os materiais disponíveis em um laboratório, 20% acreditam que sabem usar todo o material disponível e os outros 26 20% acreditam que na maioria das vezes sabem usar os materiais disponíveis em um laboratório utilizado para o ensino da química no ensino médio. Essa questão reforça o que já foi acima mencionado, com o tempo o professor perde o ânimo e acaba caindo na rotina da sala de aula convencional, o que faz com que seu conhecimento de aulas práticas e o uso dos materiais disponibilizados na maioria dos laboratórios utilizados para o ensino do conhecimento científico também fique no passado, junto com sua vontade de criar e inovar, junto com sua coragem de mudar. 10% 10% 1 - Sim 2 - A maioria das vezes 50% 3 - Poucas vezes 0% 4 - Não Não responderam 30% Gráfico 6 - Os reagentes e soluções a serem utilizadas estão dentro do prazo de validade? Fonte: Elaborada pela autora. No Gráfico 6 a situação é a mesma encontrada no Gráfico 5, no qual 50% dos professores não responderam por não terem laboratórios em suas escolas, enquanto que dos outros 50%, 30% acreditam que os reagentes e soluções não estão dentro do prazo de validade, o que pode alterar significativamente o resultado de uma experiência científica, enquanto10% acreditam que na maioria das vezes os reagentes e soluções estão dentro do prazo de validade estipulado e os 10% restantes acreditam que os reagentes e soluções sempre estão em perfeitas condições de uso. Essas quatro últimas questões (3, 4, 5 e 6) mostram que não basta apenas ter um laboratório e isso já é o suficiente para se ter uma boa aula 27 laboratorial, vários outros fatores são tão importantes quanto ter o laboratório, porém o primeiro passo a ser dado é a sua construção. 0% 10% 1 - Sim 0% 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 4 - Não 90% Gráfico 7 - Você considera importante o uso do laboratório? Fonte: Elaborada pela autora. Para ser implantado o uso do laboratório na prática cotidiana de um professor, acima de tudo, é preciso que ele acredite que as práticas laboratoriais sejam importantes e contribuam significativamente e qualitativamente para o ensino e aprendizagem de sua matéria, facilitando seu trabalho junto aos alunos e ajudando-os na construção/reconstrução de seu conhecimento. No entanto para que as aulas práticas tenham esse caráter produtivo de construção/reconstrução do conhecimento, elas precisam estar interligadas a teoria que está sendo dada no momento e ter sua finalidade e objetivos bem definidos pelo professor, uma aula prática sem finalidade acaba se tornando para o aluno uma brincadeira e para o professor um tempo mal empregado de suas aulas. A grande maioria dos professores pesquisados (90%) acreditam que o uso do laboratório seja importante no ensino da química, como nos mostra o Gráfico 7 e que apenas 10%, ou seja, um a cada dez professores pesquisados não considera importante as aulas laboratoriais. 28 20% 0% 1 - Sim 0% 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 80% 4 - Não Gráfico 8 - Você usa ou usaria (se existisse) o laboratório para ensinar química? Fonte: Elaborada pela autora. O Gráfico 8 mostra que todos os professores usariam o laboratório para ensinar química, o que difere seria a intensidade desse uso, já que 20% responderam que usariam poucas vezes. Sendo assim, podemos dizer que o impedimento ao uso do laboratório é a sua própria inexistência ou precariedade dentro das escolas da rede pública estadual de Araranguá -SC, e não a resistência ou falta de vontade dos professores em usá-lo. Os professores reconhecem a importância da aula prática para a construção/reconstrução do conhecimento de seus alunos, porém não conseguem alcançar seus objetivos de ministrar aulas práticas sem que a escola forneça a infra estrutura mínima necessária e adequada para realização concreta dessa aulas, garantindo total segurança aos alunos e professores, com resultados que reflitam na real aprendizagem, buscando um aprendizado crítico e reflexivo. 29 10% 20% 1 - Sim 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 10% 60% 4 - Não Gráfico 9 - São utilizados vídeos ou notícias veiculadas na mídia para ensinar química? Fonte: Elaborada pela autora. Para fazer com que a química se torne algo mais próximo da realidade dos alunos, já que é uma ciência constante em nossas vidas, os professores podem usar fatos do cotidiano, filmes e no tícias veiculadas na mídia, sempre interligando o conhecimento científico com o conhecimento cotidiano. Trazendo a realidade para dentro da sala de aula e discutindo-a de forma a fazer o aluno refletir sobre o assunto e formular hipóteses para resolução de determinados problemas, o professor consegue fazer com que o aluno entenda para que serve o que está aprendendo, não estando o conhecimento científico tão longe de sua realidade quanto pensa o aluno, articulando o conhecimento científico com o conhecimento cotidiano o aluno reformula seu próprio conhecimento, ou seja, é proporcionado a ele construir/reconstruir seu conhecimento a partir de suas crenças e ideais. São poucos os professores que não utilizam desses meios para ensinar química, dos professores pesquisados apenas 10% não utilizam vídeos ou notícias veiculadas na mídia, como pode ser observado no Gráfico 9, os 90% restantes utilizam vídeos ou notícias veiculadas na mídia, diferindo na proporção dessa utilização. Esta maneira de lecionar faz com que parte da carência no ensino da química, devido a falta de laboratórios adequados nas escolas, seja de certa forma, 30 suprida, já que o aluno consegue relacionar o conhecimento científico com fatos de seu cotidiano, não deixando a química tão abstrata e longe da realidade como muitas vezes é sentida pela maioria dos alunos. 10% 0% 40% 1 - Sim 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 4 - Não 50% Gráfico 10 - Os alunos têm interesse/participam das aulas? Fonte: Elaborada pela autora. O interesse dos alunos em sala de aula está muito relacionado com o seu gostar ou não da matéria e também com o tipo de aula proporcionada pelo professor. O Gráfico 10 mostra que os alunos têm interesse/participam das aulas, porém esse grau de interesse pode variar, 40% dos professores responderam que seus alunos tem interesse/participam das aulas integralmente, 50% responderam que na maioria das vezes os alunos tem interesse/participam e 10% responderam que são poucas as vezes em que os alunos se interessam/participam das aulas. 0% 10% 10% 1 - Sim 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 4 - Não 80% Gráfico 11 - Os assuntos estudados estão relacionados com o cotidiano dos alunos? (conhecimento científico X conhecimento cotidiano) Fonte: Elaborada pela autora. 31 Todos os professores acreditam que os assuntos estudados nas aulas de química estão relacionados com o cotidiano dos alunos, e grande parte deles afirmam que na maioria das vezes essa relação existe, como pode ser observado no Gráfico 11. Conseguir fazer esta relação com o maior número de assuntos possíveis faz com que o aprendizado da química se torne mais significativo para o aluno, pois esse conhecimento não fica mais no campo do abstrato, ele passa a fazer parte do seu cotidiano, podendo ser utilizado para resolução de problemas que ocorrem no dia-à-dia dos alunos. A forma como o professor vai relacionar o conhecimento científico com o conhecimento cotidiano pode variar de acordo com sua criatividade e disponibilidade, no entanto, uma das maneiras que podem ser sugeridas é o uso de vídeos e notícias veiculadas na mídia, como já foi questionado na questão 9. 0% 20% 1 - Sim 40% 2 - A maioria das vezes 3 - Poucas vezes 40% 4 - Não Gráfico 12 - Os alunos conseguem perceber a ligação entre sua vida e o que estão aprendendo? Fonte: Elaborada pela autora. Para que percebam a ligação existente entre o conhecimento científico e o conhecimento cotidiano, os alunos precisam ser auxiliados pelo professor, através das interligações que este faz do seu conteúdo ministrado com o cotidiano que o cerca. A ausência de laboratórios nas escolas faz com que os alunos não 32 experimentem a descoberta do conhecimento científico, tudo já está nos livros, o aluno não tem a oportunidade de investigar, pesquisar, formular hipóteses e concluir, ficando mais difícil de perceber a ligação entre a sua vida e o que está aprendendo. No entanto, a pesquisa mostra que os alunos estão conseguindo fazer essa relação entre o científico e o cotidiano, sendo que 20% dos professores pesquisados responderam que seu alunos conseguem fazer esta relação, 40% que a fazem na maioria das vezes e os outro 40% dos professores responderam que são poucas as vezes em que seus alunos conseguem fazer essa relação, mas mesmo assim ainda a fa zem, como pode ser constatado no Gráfico 12. 40% 30% Formado lic. química Cursando lic. química 10% 20% Formado em outra área e cursando lic. química Formado ou cursando outra área Gráfico 13 - Qual sua formação? Fonte: Elaborada pela autora. Espera-se que a maioria dos professores de química tenha licenciatura em química ou que pelo menos seja formado na área da química, no entanto, observa-se a inserção de um considerável números de professores não formados ou cursando outras faculdades não relacionadas à química. O Gráfico 13 mostra que apenas 40% dos professores de química que lecionam nas escolas da rede pública estadual de Araranguá - SC são formados em licenciatura química, 20% ainda estão cursando a faculdade de licenciatura química, 10% já estão formados em outra área e estão cursando licenciatura química e 30% 33 são formados ou estão cursando outras áreas. A qualidade de um professor não pode, e nem deve ser medida pelo sua formação acadêmica, no entanto, é preciso verificar se os professores que hoje lecionam química nas escolas públicas apresentam nível de capacitação mínimo necessário para estar dentro de uma sala de aula e se seu conhecimento na área, no caso química, é suficiente para proporcionar um bom ensino e uma boa aprendizagem. 30% Sim Não 70% Gráfico 14 - Faz ou já fez algum curso de especialização na área da educação? Ou em outra área? (Cite) Fonte: Elaborada pela autora. A falta de tempo da maioria dos professores, devido as suas cargas horárias lotadas, lecionando nos três períodos de ensino (manhã, tarde e noite), não permite, muitas vezes, que os mesmos façam cursos de especialização. O Gráfico 14 mostra que 70% dos professores pesquisados não tem curso de especialização, sendo que dos 30% restantes apenas um mencionou o curso realizado, Metodologia do Ensino Superior e da Pesquisa. É importante relatar que alguns professores citaram como curso de especialização, os cursos de aperfeiçoamento oferecido pela própria escola nas reuniões pedagógicas e pelo Estado, havendo uma falta de informação do que seja realmente uma especialização. 34 15º Questão: Teria interesse em ter uma formação continuada? O que faz par ter? Todos os professores pesquisados responderam ter interesse em uma formação continuada, no entanto, muitos deles confundem formação continuada com cursos de aperfeiçoamento e também com cursos de especialização. Uma formação continuada envolve o professor de forma integral, sendo um processo permanente e continuo. Busca acompanhar o professor em sua prática cotidiana, fazendo com que o mesmo reflita sua prática junto a outros professores e que procure sempre melhorar, de forma que seus alunos notem a diferença, sendo essa, notada no conhecimento adquirido pelos alunos. Ter uma formação continuada significa estar apto a se expor a erros e acertos, buscando alcançar uma prática pedagógica que condicione tanto o professor quanto o aluno a refletir. Para tanto é preciso que a escola também esteja preparada e interessada em oferecer aos professores esta oportunidade, disponibilizando tempo e organizando as reuniões; reuniões estas que devem favorecer a reflexão dos professores em relação a suas práticas escolares. As escolas pesquisadas não oferecem nenhum suporte para a formação continuada de seus professores, sendo essa uma das reclamações feitas por alguns professores, que também mencionaram não haver nada organizado entre os professores da área de química e de nenhuma outra área. 16º Questão: Você acredita que seus alunos aprendem química ou eles apenas estudam (decoram) para prova e depois esquecem? 35 A maioria dos professores acredita que seus alunos apenas estudam (decoram) a matéria para a prova, sendo que apenas 20% dos professores responderam que seus alunos entendem química. É importante lembrar que em uma sala de aula existem vários tipos de alunos, sendo considerável que alguns alunos aprendam realmente química e outros apenas decorem para fazer a prova e passar de ano, como foi mencionado por um dos professores pesquisados. Mistificar todos os alunos de maneira comum é desrespeitar a individualidade de cada um, com suas características e interesses próprios. 17º Questão: Para você, porque a maioria dos alunos não gostam de química? Ou você acha que esta informação é incorreta? Todos os professores pesquisados concordam que a maioria de seus alunos não gostam de química, sendo vários os motivos mencionados por eles. O motivo mais freqüente encontrado nas respostas dos professores foi a não relação entre o conteúdo teórico e o dia a dia do aluno, ou seja, falta da interligação entre o conhecimento científico e o conhecimento cotidiano. A ausência de laboratório foi outro fator mencionado pelos professores que faz com que os alunos não gostem de química, que não deixa de estar relacionado com o fato de os alunos não conseguirem relacionar o conhecimento científico com o conhecimento cotidiano (motivo mais mencionado), pois nada do que é estudado na teoria é visualizado pelo aluno. Outro fator levantado pelos professores pesquisados diz respeito ao ensino da química e da física na oitava série devido a falta de professores realmente qualificados que possam atender essas turmas de modo a assegurar uma base teórica sólida dos conhecimentos científicos que ali devem ser 36 adquiridos. Os professores pesquisados mencionaram a não especialização dos professores que lecionam química e física nas oitavas séries, que são os professores licenciados em ciências. Os outros fatores mencionados foram a não habilidade/vocação do aluno para a área da química, e o fato de a química ser uma ciência exata. 10% 20% Sim Não Depende 70% Gráfico 15 - O vestibular interfere no processo de ensino - aprendizagem? De que forma? Fonte: Elaborada pela autora. Como mostra o Gráfico 15, 70% dos professores acreditam que o vestibular interfere no processo de ensino - aprendizagem, 20% acreditam que não há interferência e 10% acreditam que essa interferência vai depender do aluno e da instituição em que ele estuda. A forma como o vestibular interfere nesse processo pode ter pontos negativos e pontos positivos. Alguns professores acreditam que os alunos que irão prestar vestibular são mais interessados e estudiosos, já outros mencionam a falta do conhecimento como um todo, decoram-se regras e esquemas para resolver os exercícios, buscando passar no vestibular, porém o porquê de se fazer e aplicar determinada regra muitas vezes é negligenciado ao aluno. A pressa para terminar a matéria e dar conta de todo o conteúdo que cai no vestibular leva o professor a aplicar essa estratégia de ensino, que na verdade não leva ao conhecimento científico de fato, saber resolver um problema através de regras e esquemas não leva o aluno a interpretar, refletir e realmente aprender química. 37 19º Questão: Os professores de química de sua escola (ou até mesmo entre escolas) costumam se reunir para discutir as dificuldades e as facilidades no processo de ensino - aprendizagem de química? De que forma isto ocorre? Mesmo que alguns professores pesquisados tenham respondido que ocorrem reuniões para discutir as dificuldades e as facilidades no processo de ensino - aprendizagem de química, a forma como essas reuniões ocontesem e o intervalo de tempo existente entre uma e outra leva a crer que não interferirá de forma real no processo de ensino – aprendizagem. As reuniões mencionadas foram as reuniões pedagógicas que geralmente ocorrem a cada bimestre, sendo tratado vários assuntos em apenas um dia. Alguns professores também mencionaram as conversas informais que ocorrem nos intervalos das aulas até mesmo com professores de outra área, que apesar de não poderem ser desconsideradas, dificilmente levará um professor a uma reflexão continua e permanente de sua prática, bem como sua mudança. 20º Questão: Você percebe diferença entre o ensino diurno e o ensino noturno? Quais? Todos os professores pesquisados responderam que existe diferença entre o ensino diurno e o ensino noturno, sendo que esta diferença está diretamente ligada aos alunos que freqüentam os distintos períodos. O aluno trabalhador foi mencionado várias vezes pelos professores pesquisados como um dos pontos que reforçam a diferença entre o ensino noturno e o ensino diurno. Cansaço, indisposição, falta de tempo para estudar em casa, pouco 38 interesse em qualquer uma das áreas do conhecimento, e atraso são alguns dos fatos mencionados pelos professores pesquisados, que ocorrem no ensino noturno com muito mais freqüência que no ensino diurno e que podem ser considerados conseqüências do aluno trabalhador, pois no período noturno possui muitos alunos que trabalham durante todo o dia e estudam à noite. Reconhecer que existe essas diferenças não basta, é preciso agir de forma a modificar a estrutura do ensino noturno, não mais copiando a estrutura do ensino diurno, mas aplicando regras e práticas pedagógicas que se encaixem ao novo perfil do aluno do ensino noturno, o aluno trabalhador. 39 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa mostra que a educação precisa ser mais valorizada, com recursos financeiros bem aplicados de forma a melhorar a qualidade do ensino. Deve-se buscar um ensino reflexivo e crítico, fazendo sempre a ligação entre teoria e prática. É visível a insuficiência estrutural das escolas públicas estaduais de Araranguá - SC para o ensino da química e até mesmo para que se obtenha uma democratização do ensino médio, já que isto não implica apenas na ampliação do número de vagas, como é feito com o aumento de alunos por turma, a democratização real do ensino médio exige espaços adequados, bibliotecas, laboratórios, equipamentos, e principalmente professores capacitados. Para um real aprendizado de química é necessário que o aluno entenda por que e para que esta aprendendo determinado assunto. Ficar apenas na sala de aula convencional escutando o professor e decorando os livros e exercícios que foram resolvidos não levará os alunos a aprenderem e sim, apenas conseguirão tirar uma boa nota na prova e passar de ano. Tanto os alunos quanto os professores precisam aprender a aprender, e para isso ocorrer é necessário remodelar as práticas de ensino dos professores, fazendo com que estes reflitam sobre suas práticas sem terem medo de se expor e de errar. A química como ciência experimental pode ser melhor ensinada e entendida pelos alunos através do uso de experiências laboratoriais, no entanto, as escolas da rede pública estadual de Araranguá - SC não oferecem estrutura física para que isso ocorra, sendo necessário que os professores usem sua criatividade e vontade de ensinar para fazerem com que os alunos apenas não decorem química, 40 mas sim entendam química, fazendo de suas aulas uma interligação entre o conhecimento científico e o conhecimento cotidiano. Existem várias maneiras de se trabalhar os conteúdos de química, como as demonstrações experimentais, as simples exposições teóricas, as discussões de determinados temas em grupo, enfim, sendo que cada uma destas maneiras têm seu valor e sua utilidade. Não se deve dar maior importância para determinada técnica, mas usá-las de modo adequado para assegurar o melhor entendimento do conteúdo por parte dos alunos. As técnicas de ensino por si só não são eficientes ou ineficientes, elas dependem de como são aplicadas e em que situações (Lembo, 1975). É preciso buscar uma aprendizagem de química tão eficiente quanto possível, sendo necessário para isso modificações dos conteúdos dos currículos e nos métodos de ensino, no entanto, essas modificações não podem ocorrer se não forem construídas de modo coletivo com toda comunidade escolar, em especial o corpo docente, pois esses são a peça essencial dentro dos processos de inovação do sistema educativo. É preciso que os professores busquem seus erros e seus acertos dentro da sala de aula, para que possam arrumar os erros e aumentarem os acertos, buscando sempre o ensino com qualidade, um ensino crítico e reflexivo. 41 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informação documentação: Referências - Elaboração. NBR 6023. Rio de Janeiro, 2002. e ______. Informação e documentação: Citações em documentos - Apresentação. NBR 10520. Rio de Janeiro, 2002. ______. Informação e documentação: Trabalhos Acadêmicos - Apresentação. NBR 14724. Rio de Janeiro, 2002. BIZZO, Nelio. Ciências: fácil ou difícil?. 2. ed. São Paulo: Ática, 2000. BUSARELO, Albertina Spillere. Ensino de Ciências. Criciúma: FUCRI, 1987, 33p. Monografia: Especialização em Ensino de Ciências, UNESC, 10/87. (mimeo). CARVALHO, Sheila Pressentin; COLINVAUX, Domonique. Explorando motivação para estudar química. Química Nova. 23(3). p. 401 - 404. 2000. a CASTILHO, Dalva Lúcia; SILVEIRA, Katia Pedroso; MACHADO, Andréa Horta. As aulas de química como espaço de investigação e reflexão. Química Nova na Escola. n. 9. p. 14 - 17, maio, 1999. COLLE, Maria Délcia Dário. Problemas relacionados com a mudança de metodologia no ensino de ciências. 1987, 56p. Monografia: (Especialização em Ensino de ciências), Universidade do Extremo Sul Catarinense, 11/87. (mimeo). DRIVER, Rosalind; ASOKO, Hilary; LEACH, John et al. Construindo conhecimento científico na sala de aula. Traduzido por Eduardo Mortimer. Química Nova na Escola. n. 9. p. 31 - 40, maio, 1999. FULLAN, Michael; HARGREAVES, Andy. A escola como organização aprendente: buscando uma educação de qualidade. Traduzido por Regina Garcez. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. HENNIG, George J. Metodologia do ensino de ciências. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1986. KUENZER, Acacia Zeneida. Ensino de 2º grau: o trabalho como princípio 42 educativo. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1997. ______. Ensino médio: construindo uma proposta para os que vivem do trabalho. São Paulo: Cortez, 2000. LEMBO, John M.. Por que falham os professores. Traduzido por Maria Pia Brito de Macedo Charlier e René François Joseph Charlier. São Paulo: Pedagogia e Universitária, 1975. LUCIANO, Fábia Liliã. Série Interdisciplinar - Metodologia científica e da pesquiza. Criciúma: Lider, 2001. MALDANER, Otavio Aloisio. A formação inicial e continuada de professores de química. Ijuí: UNIJUÏ, 2000. PAQUAY, Léopold; PERRENOUD, Philippe; ALTET, Marguerite et al. Formando professores profissionais: Quais estratégias? Quais competências?. Traduzido por Fátima Murad e Eunice Gruman. 2. ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. SANTA CATARINA, Secretaria de Estado da Educação e do Desporto. Proposta Curricular de Santa Catarina. Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio: Disciplinas Curriculares. Florianópolis: COGEN, 1998. SANTOS, Newton Dias dos. Práticas de Ciências ( Guia de Ensino Elementar). 4. ed. Rio de Janeiro: Gráfica Olímpia, 1972. SUKIENNIK, Paulo Berél. O aluno problema: transtornos emocionais de crianças e adolescentes. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1996. 43 ANEXOS 44 Anexo I: INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO Objetivo: Avaliar as reais condições de ensino-aprendizagem de química, nas escolas públicas estaduais de Araranguá - SC. Pesquisados: Professores(as) que lecionam química nas escolas avaliadas. Pesquisador: Acadêmica Cristiane Pereira Coelho e Profº Valmir Machado. Escola Pesquisada: __________________________________________________. Nome do Pesquisado: ________________________________________________. Escala de Conceitos 1. Sim 2. A maioria das vezes 3. Pouca vezes 4. Não Preencha a coluna, colocando o número correspondente à escala de conceitos. Avaliações 1. A sala de aula convencional é o único espaço utilizado para o estudo da química? 2. A escola possui laboratório de química? 3. Se possui, este laboratório está em condições de ser utilizado para realização de experiências químicas? 4. O material disponível no laboratório é satisfatório? 5. Você sabe utilizar todos os materiais que estão disponíveis? 6. Os reagentes e soluções a serem utilizadas estão dentro do prazo de validade? 7. Você considera importante o uso do laboratório? 8. Você usa ou usaria (se existisse) o laboratório para ensinar química? 9. São utilizados vídeos ou notícias veiculadas na mídia para ensinar química? 10. Os alunos tem interesse/participam das aulas? 11. Os assuntos estudados estão relacionados com o cotidiano dos alunos? (conhecimento científico X conhecimento cotidiano) 12. Os alunos conseguem perceber a ligação entre sua vida e o que está aprendendo? Conceito 45 13. Qual sua formação? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. 14. Faz ou já fez algum curso de especialização na área da educação? Ou em outra área? (cite) ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. 15. Teria interesse em ter uma formação continuada? O que faz para ter? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. 16. Você acredita que seus alunos aprendem química ou eles apenas estudam (decoram) para prova e depois esquecem? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. 17. Para você, porque a maioria dos alunos não gostam de química? Ou você acha que está informação é incorreta? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. 46 O vestibular interfere no processo de ensino-aprendizagem? De que forma? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. 18. Os professores de química de sua escola (ou até mesmo entre escolas) costumam se reunir para discutir as dificuldades e as facilidades no processo de ensino -aprendizagem? De que forma isto ocorre? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. 19. Você percebe diferenças entre o ensino diurno e o noturno? Quais? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. OBS: Caso precise de mais espaço para responder, utilize a folha pautada colocando o número da pergunta e sua respectiva resposta. Obrigada por sua cooperação! 47 Anexo II Tabela I - Respostas dadas as questões estruturadas do questionário. Instituições Professores 1 A A-1 A-2 A-3 B-1 B-2 B-3 C-1 C-2 C-3 D-1 B C D Média 2 3 4 Perguntas 5 6 7 8 9 10 11 12 2 1 4 4 1 1 1 1 1 1 1 1 2 4 4 2 2 2 1 3 2 3 2 3 2 4 4 4 4 4 1 1 3 2 2 3 1 1 4 4 1 4 1 1 1 2 2 2 2 4 4 3 1 1 2 3 2 4 4 4 2 4 1 1 3 2 3 3 2 4 4 4 1 1 1 1 2 2 4 4 1 1 1 1 2 1 2 4 1 1 1 2 2 2 4 4 1 1 4 2 2 2 2,3 3,4 4,0 3,7 2,0 3,0 1,3 1,4 1,8 1,7 2,0 2,2 Legenda: 1 - Sim; 2 - A maioria das vezes; 3: Poucas vezes; 4: Não; -: Não respondeu. Fonte: Elaborada pela autora