CERRADO EM REDE EDIÇÃO Nº 2 OUTUBRO 2010 www.emporiodocerrado.org.br Baru: A Riqueza Alimentar Valorizada Na Organização Comunitária Em Rede Inauguração da primeira Unidade do Complexo de Empreendimentos Agroextrativista do Cerrado. Há dez anos atrás, o baru, um fruto típico do cerrado, ganhou não só as mesas das famílias brasileiras, mas tornou-se símbolo da luta para a inclusão de produtos da sociobiodiversidade do Cerrado na alimentação escolar. Essa castanha nobre, bastante conhecida pelas populações ACONTECEU NOe aJOEL tradicionais, foi o elo riqueza...do Cerrado transformada em produtos que regionalizou o cardápio da alimentação escolar de Goiânia em 2001 e fortaleceu a organização da Rede de Comercialização Solidária de Agricultores familiares e Extrativistas do Cerrado (RCS). Com a nova Unidade de Beneficiamento de Baru com 780m², inaugurada em novembro de 2009 em Goiânia(GO), com apoio de diversos parceiros (a Fundação Banco do Brasil, BNDES, Prefeitura de Goiânia, CONAB e MDA) espera-se aumentar a capacidade de produção anual para 25 toneladas de castanha, 390 to n ela d a s d e co o kies , 1 0 0 toneladas de granola e 13 toneladas de barra de cereais. O presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, esteve presente na solenidade de inauguração. Pena afirmou que o modelo de produção da RCS corresponde aos interesses de investimento da Fundação: "Aqui, existe geração de renda vinculada à preservação ambiental. No mundo afora, existem hoje dois lemas importantes: outro mundo é possível e pensar global e agir local. A RCS tem tudo a ver com isso. Vocês estão pensando no planeta e cuidando do pé de baru", disse. Segundo o presidente, o projeto conduzido pela cooperativa corresponde a um dos principais grupos de trabalho da Fundação. "Há cinco anos, a Fundação conduz cerca de mil projetos anuais. Eu diria que esse está entre os 10 principais projetos da Fundação", afirmou. LEIA NESTA EDIÇÃO 3 Editorial 3. Sindicato de Trabalhadores Rurais consagra parceria com Rede 4. Mudança na alimentação escolar beneficia agricultura familiar 5. Extrativismo no Cerrado além da Sobrevivência 6. Agroextrativista 7. Fundo Solidário abre demanda de apoio a agroextrativistas 8. Caiu na Rede CERRADO EM REDE Expediente: Cerrado em Rede. Boletim Informativo. Uma publicação da Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado em parceria com o CEDAC- Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado. Endereço: Rodovia BR 153, Km 4, área GMA, casa 05, Chácara Retiro, Goiânia-Go. CEP 74675-090. Tel. 62 3202 7515. [email protected]. www.emporiodocerrado.org.br. Conselho Editorial: Orélio Araújo da Silva. Goiás-GO Flávio Cardoso. Goiás-GO Terezinha de Paiva. Goiás-GO Antônio Francisco da Mata. Jandaia-GO Osmar Alves. São Domingos-GO Gualdino Pereira. São Domingos-GO Cláudia de Jesus Nonato. São João D’Aliança-GO Adalberto Gomes dos Santos. Lassance-MG Idelfonso Rodrigues Duarte. Ibiaí-MG Editora: Alessandra Karla da Silva Produção Executiva: Marcelo do Egito Jornalista Responsável: Maurício de Freitas Rodrigues Valle Fotos: Marcelo do Egito, Adalberto Gomes dos Santos e Ronicléber Miranda. Projeto Gráfico e Diagramação: Planetta Design e Comunicação LTDA Apoio: O diretor de florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus Medeiros, lembrou que, atualmente, muito se fala de sustentabilidade, mas pouco se tem feito a respeito. A experiência da RCS representava, assim, o oposto dessa postura. "Essa ação prova que existe sim uma alternativa ao modelo econômico insustentável existente nos últimos anos, onde uma minoria da sociedade se apropriava dos recursos naturais e impunha, à maioria, uma condição de subsistência. Aqui, vemos um exemplo de como se consegue sociabilizar de maneira justa os recursos retirados da natureza", colocou. Já o Diretor de Logística e Gestão Empresarial da Conab, Silvio Po r t o, a f i r m o u q u e e s s e empreendimento do Cerrado irá inserir as famílias locais em outro patamar de articulação. "Nesse momento, a Conab tem o papel de articular ainda mais com o mercado governamental", disse. O diretor enfatizou ainda o valor "imaterial" da ação realizada pela RCS. "Essa experiência tem a característica não só de resgatar a transformação do baru em produtos para consumo, como também de resgatar a manutenção da cultura popular, de conservação da natureza. O extrativismo representa uma das simbologias e uma das lutas mais importantes do nosso País. Especialmente no Cerrado, que se tornou uma enorme fronteira agrícola", afirmou. A Secretária de Desenvolvimento Econômico Municipal, Neide Aparecida, reafirmou a parceria da Prefeitura de Goiânia junto ao empreendimento. "Esse projeto tem uma filosofia de que o desenvolvimento não está vinculado à derrubada de árvores, e sim ao plantio de mais árvores", adicionou. A Unidade de Baru é a primeira das oito agroindústrias a serem implantadas no complexo de e m p re e n d i m e nto s agroextrativistas da RCS em Goiânia. A Usina de Óleos Vegetais e o Entreposto Apícola serão as próximas a serem construídas com apoio do SDT/MDA e Prefeitura de Goiânia, com previsão de funcionamento em março de 2011. 2 EDITORIAL Mercado institucional, um caminho responsável para segurança alimentar e nutricional no campo e na cidade. Em 2001, uma experiência inovadora mostrou um novo caminho para a sustentabilidade baseado na interrelação entre o campo e a cidade, aproximando quem produz e maneja de quem consume. Agroextrativistas organizados em rede deram início a valorização das riquezas do cerrado l eva n d o h á b i to s a l i m e nta re s regionais para jovens e crianças da cidade que não conheciam o sabor e a importância do manejo sustentável do Cerrado. Praticamente desconhecido, a farinha da castanha de baru foi o primeiro produto agroextrativista a fazer parte do cardápio alimentar de escolas da região metropolitana de Goiânia, atingindo 114 mil alunos por ano até 2005, possibilitando a estruturação de uma densa rede comunitária no Cerrado, a Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado. Com a estruturação do PAA - Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal instituído em 2003, a Coopcerrado amplia o acesso ao consumo de alimentos agroextrativistas do Cerrado doando alimentos a escolas, creches e asilos em parceria com a CONAB Goiás. A nova lei de alimentação escolar (nº 11.947/2009 ) representou um grande avanço em relação à interface entre as políticas públicas de educação e de fortalecimento da agricultura familiar, principalmente porque promove a segurança alimentar e nutricional, a produção de alimentos da agricultura familiar, que respeita as tradições alimentares locais, o desenvolvimento sustentável, a articulação das políticas públicas e o controle social. No universo da agricultura familiar brasileira temos 4.130.788 agricultores familiares, de acordo com Censo Agropecuário 95/96, dos quais apenas 2.462.206 possuem Declaração de Aptidão, o DAP junto ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Ou seja, 59,6% dos agricultores familiares estão aptos a participar da nova lei. Com base no último censo escolar de 2008, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Escolar (FNDE) repassou cerca de dois bilhões e cinqüenta e dois milhões de reais para alimentação escolar no Brasil. Considerando 30% deste valor a partir da nova lei apenas 2,8% dos a g r i c u l to re s co m DA P s e r i a m atendidos. Mesmo não sendo uma saída para abranger todos os pequenos agricultores no Brasil, o programa tem grande potencial para estimular a organização da agricultura familiar. Esta edição concentra-se na reflexão desta política que envolve a agricultura familiar com alimentação escolar e consolida novas perspectivas para os agroextrativistas que constroem a Rede, além de mostrar experiências que criam alternativas que escapam a lógica mercantil e valorizam o fortalecimento da organização comunitária. Alessandra Karla da Silva SINDICATO DE TRABALHADORES RURAIS CONSAGRA PARCERIA COM A REDE A parceria da Rede de Comercialização Solidária com o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Lassance (MG) trouxe avanços para os agricultores familiares da região. Em 2002 foi firmada uma parceria com Sindicado Trabalhadores Rurais do município de Lassance em Minas Gerais (MG). De lá para cá o número de filiados mineiros cresceu. Hoje já são 65 famílias que comercializam seus produtos com um preço mais justo através da Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado (Coopcerrado). O conselheiro da Rede do município de Lassance, Adalberto Gomes dos Santos, disse que a parceria beneficiou as duas partes. Segundo ele, o Sindicato propiciou uma estrutura melhor para atender os extrativistas e os agricultores da região. Isso ampliou e fortaleceu a atuação da Rede e facilitou o diálogo com a prefeitura da 3 cidade sobre aquisição dos produtos da agricultura familiar dentro dos 30% previsto na nova lei da alimentação escolar. Por outro lado, o sindicado ganhou novos integrantes e fortaleceu sua atuação rural no município. O trabalho da Rede fortalece os agricultores e ajuda na comprovação da condição de segurado especial, através das notas fiscais. “Fica mais fácil para o trabalhador cooperado comprovar sua condição, facilitando o trabalho do Sindicato e permitindo que essas pessoas tenham acesso, a aposentadoria e outros benefícios”, complementa Adalberto. Neste caminho outros sindicatos começam a compreender a importância da atuação conjunta, a exemplo do STR do município de Jandaia, (GO). O vínculo foi formado em 2009 e esta aliança proporcionou uma estrutura melhor para os integrantes da Rede através de uma sala para reuniões dentro do sindicato. O fortalecimento na região fez com que Jandaia entrasse para o Pólo Sindical da região Rio dos Bois. A reunião aglomera 14 sindicatos de trabalhadores rurais do estado. O Secretário Geral do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Jandaia e membro da Rede Antônio Francisco da Mata, fala que a grande vantagem do pólo, é a possibilidade de passar para mais pessoas o que já é sucesso na Rede. “O trabalho é correto e esse é um bom motivo para atrair mais sindicatos” comenta o cooperado. Para ele o trabalho em conjunto facilita para as duas partes e atrai ajuda da prefeitura local. “O Sindicato é nossa ferramenta para garantir nossos direitos e a Rede fortalece a organização comunitária, a renda das famílias e a produção agroecológica. Um sindicato mesmo que forte não consegue sozinho melhorar a vida dos trabalhadores rurais, por isso a Rede é fundamental” conclui Antônio. PARE E PENSE... Cerca de 47 milhões de jovens e adultos são atendidos pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar, desde 1955, através de compras governamentais realizadas por municípios e estados. Imaginem este universo de pessoas compreendendo a importância da origem e qualidade destes alimentos, que ocasionam na verdade serviços ambientais responsáveis pela manutenção da disponibilidade, da qualidade da água, do clima regional e global ou da biodiversidade. Será que continuaríamos deixando as decisões serem tomadas sem a p a r t i c i p a çã o d a s o c i e d a d e , utilizando como referência apenas o preço do produto e seus atestados sanitários? O que estamos deixando para os nossos filhos, quando consumimos sem a responsabilidade de educar? Os nossos filhos desconhecem o modo de vida de grupos diversos como agricultores familiares, assentados, extrativistas, pescadores, vazanteiros, quilombolas entre outros responsáveis pela diversidade e qualidade dos produtos que atendem nossas necessidades, também diversas desde alimentos, fibras e remédios. Se compreendermos que estas famílias são responsáveis pela manutenção da vida, ou seja, pelo alimento que chega a nossa mesa s e m c a u s a r d e s t r u i ç ã o /e nv e n e n a m e n t o, gerando mais saúde e vida, poderemos continuar usufruindo/convivendo/habitando este planeta. 4 MUDANÇA NA ALIMENTAÇÃO ESCOLAR BENEFICIA AGRICULTURA FAMILIAR A partir desse ano, 30% dos recursos repassados à alimentação nas escolas da rede pública deverão ser destinados à compra de produtos da agricultura familiar. A medida segue determinação da nova lei de alimentação escolar (nº 11.947/2009 ), aprovada no segundo semestre de 2009. Com a novidade os agricultores familiares terão garantias de comercialização e uma oportunidade de se estruturar de forma mais completa, além de inserir no mercado abrindo a possibilidade de incorporação de produtos orgânicos/agroecológicos na alimentação escolar disseminando sistemas de produção de menor impacto ambiental. A agricultora assentada, Terezinha Paiva, conselheira da Rede de Comercialização Solidária comemora ”para nós a lei é resultado de uma luta, com a nossa experiência de organização em rede temos demonstrado que é viável adquirir nossos produtos. Desde 2001 trabalhamos com a farinha de baru na alimentação escolar de Goiânia e em 2005 ampliamos a comercialização para outros municípios com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)”. Com o PAA a Coopcerrado de 2005 a 2010 realizou a doação simultânea de cookies, granolas, barras de cereais a base da castanha de baru, mel, gergelim e farinha de jatobá a 931 instituições entre elas escolas, creches e asilos em 24 municípios no estado de Goiás e 5 municípios no estado de Minas Gerais beneficiando 541.555 pessoas em situação de vulnerabilidade e insegurança nutricional. Para o extrativista Gualdino de Morais, da Resex Recanto das Araras de São Domingos/GO, “já temos o que Escola em São Domingos(GO) recebe doação de barra de cereais comemorar, pois os parceiros que receberam nossos produtos pelo PAA, hoje nos procuram para adquirir, devido a confiança e qualidade de nosso trabalho“. E os primeiros a colocarem em prática a nova lei são as secretarias de educação dos municípios de Senador Canedo e Anapólis, no estado de Goiás, adquirindo barras de cereais, mel, cookies e castanhas de baru atingindo em conjunto 52.490 alunos. O assessor técnico do Centro de Desenvolvimento do Cerrado(Cedac), Marcelo do Egito, explica que a experiência com o PAA/CONAB foi fundamental para garantir a estruturação dos empreendimentos das famílias cooperadas, pois proporcionou um grande aprendizado e contribuiu para vencer preconceitos sobre a incapacidade da agricultura familiar em abastecer a alimentação escolar. “Isto ocorre em especial por ser um mercado que possui dono, ou seja, os atravessadores que já têm feito a ponte entre o agricultor familiar e a compra da alimentação escolar há muitos anos” disse o assessor Marcelo. A Rede de Comercialização Solidária é formada por duas cooperativas, a citar Coopcerrado e a Rede Cred que atua em Goiás, Minas e Bahia, reunindo cooperados de 34 municípios, possibilitando que um crescente número de escolas seja participante do projeto. EXTRATIVISMO NO CERRADO: ALÉM DA SOBREVIVÊNCIA A descoberta do efeito estufa já completou 151 anos, mas nunca se falou tanto em preservação ambiental e sustentabilidade como agora. É certo que os danos causados ao meio ambiente começaram a despertar olhares e atenção da mídia. Levantamento de satélites demonstra que entre 2002 a 2008, cerca de 20 mil Km² de C e r ra d o fo ra m d e g ra d a d o s anualmente. O número é o dobro do que foi registrado na Amazônia. Em contrapartida, a sociedade civil está se movimentado para impedir que o patrimônio ecológico não seja destruído. Já o Governo Federal prometeu direcionar até 2011 cerca de R$ 400 milhões para barrar o desmatamento no Cerrado. Na outra ponta dessa luta estão às pessoas que dependem da natureza para sobreviver. Elas se j u n t a ra m a e n t i d a d e s n ã o governamentais para aprimorar a técnica de agroecologia mantendo a cadeia sócio-produtiva do bioma que ocupam. Nessa caminhada, os extrativistas estiveram atrás por muito tempo. Sem uma terra para plantar, eles se deslocam para as extensas áreas não ocupadas e fazem a extração tanto do que serve para a alimentação diária como para a comercialização. Após um longo processo de luta em rede, em 2006, os extrativistas obtiveram reconhecimento através da criação de duas reservas extrativistas (Resex) no estado de Goiás pelo Governo Federal. Entre os municípios de São Domingos e Guarani de Goiás está a Resex’s Recanto das Araras da Terra Ronca. Já em Aruanã, a Reserva Extrativista Lago do Cedro. Esses dois territórios reúnem cerca de 100 famílias vinculadas a Rede de Comercialização Solidária. A organização dos grupos facilita a luta pelo bem comum e promove o trabalho de sustentabilidade e conservação do bioma Cerrado. Após 4 anos da criação dessas Unidades de Conservação Sustentável no Cerrado, ainda não houve a regularização fundiária, que permitisse o acesso as áreas que são de posse privada, dificultando a sobrevivência e estamos nessa luta. Quando conseguimos a Resex pensamos que fosse melhorar, mas piorou. Até o número de queimadas aumentou na região. Os fazendeiros pensam que assim o governo fica pressionado, mas quem sofre somos nós”, desabafa Osmar. O Superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente de Goiás (Ibama-GO), disse em reunião com os representantes da Rede, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que “esse é um momento de se posicionar e cobrar do presidente”. Para a representante do ICMbio, Juliana Alves é preciso maior “celeridade dos órgãos para indenizar os proprietários das terras” dentro das Resex. Segundo ela, às vezes é uma questão simples e que não se concretiza. 5 CARTAS NOTÍCIAS. OPINIÕES. INFORMAÇÕES AGROEXTRATIVISTA FALA Entrevista Depois de seis anos o boletim mensal Cerrado em Rede volta a ser produzido. Muitas coisas são esperadas nessa nova fase pelos c o l a b o ra d o r e s d a R e d e d e Comercialização Solidária. O Cerrado em Rede ouviu a assentada, extrativista e conselheira da Cooperativa Claudia Nonato de 37 anos e quatro filhos. Ela já está na Rede há seis anos e lembra quando saiu a primeira edição do boletim em dezembro de 2004. Em uma breve entrevista Cláudia contou suas expectativas e revelou o que gostaria de ver na nova fase do informativo. Cerrado em Rede: Por que é importante ter um jornal que fale das ações da Rede e do Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac) como todo? Claudia Nonato: Através do jornal mais pessoas vão se conscientizar de que é possível usar o cerrado sem desmatar. Além disso, elas poderão ajudar esse trabalho tão digno, feito pela Rede. CR: A Rede te ajudou enquanto mulher trabalhadora? CN: Claro! Antes eu era explorada por que entregava tudo para o atravessador (uma pessoa que pega toda coleta dos agricultores e extrativistas por um preço muito baixo), posso dizer que com a Rede a minha renda subiu mais de 600%. Antes o atravessador me pagar 20 centavos por um quilo de favela. Hoje a comercialização é feita por 1,26 centavos o quilo. Além disso, tenho a nota fiscal emitida em meu nome, o que me garante uma renda separada do meu marido e uma maior facilidade na hora de aposentar. CR: O que não pode faltar no Cerrado em Rede? CN: Fotos! Fotos de mulheres, várias mulheres! Para que o serviço dela seja reconhecido no Brasil. É importante valorizar a auto-estima da mulher, garantir o futuro dela. Temos um papel fundamental na sociedade. O boletim pode passar essa mensagem. Troca de saberes Perguntas e Respostas Jovens e velhos motivados pelo resgate da tradição se encontram todos os sábados na comunidade Santa Maria, Lassance(MG) para aulas de violão ministradas pelo professor Marcinho. Pais e filhos, aprendendo e ensinando I Cavalgada Ecológica Seguindo uma tradição, passada de pai para filho, a comunidade de Santa Maria, município de Lassance(MG), se reúne todos os a n o s re a l i za n d o u m a l o n ga Cavalgada, entre a comunidade e a Serra do Cabral revisitando locais de uso comum de várias gerações que criavam o gado a solta nos gerais e praticavam o extrativismo das flores sempre vivas. Neste ano, esta tradição ganha um novo significado, de chamar atenção da sociedade para o que vem ocorrendo com a natureza nessa região de grande importância para biodiversidade e a água. Assim foi realizada a primeira Cavalgada Ecológica da Comunidade Santa Maria, no período de 15 a 17 de outubro, com a presença de mais de 20 cavaleiros da comunidade. Pedro Santana e João de Duca disseram: “há muitos anos atrás havia uma Vereda na cabeceira do córrego Palmeiras, que ninguém atravessava. Com o plantio do pinho na serra do Cabral ela secou. Depois de cinco anos do corte do reflorestamento, a natureza se recuperou e vereda voltou à vida.” Você tem alguma pergunta para qual precise de uma resposta? Você tem alguma informação que ache que seria útil para outras pessoas? Se a sua resposta para qualquer uma destas perguntas for ”sim”, entre em contato conosco! Por favor, escreva para: O Editor, Rodovia BR 153, km 4, Qd GMA. Chácara Retiro.Goiânia-GO. CEP.74.675-090 Ou envie um e-mail para [email protected] 6 FUNDO SOLIDÁRIO ABRE DEMANDA DE APOIO A AGROEXTRATIVISTAS Saiba mais Em 2007, Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac) foi o vencedor da 5° edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social da região centro-oeste com o projeto “Agroextrativismo Sustentável da Favela”. Com o prêmio conquistado de R$ 50 mil reais o CEDAC e a Rede constituíram um Fundo Solidário dos Agroextrativistas do Cerrado para financiamento de meios de transporte para as famílias. O agricultor e extrativista do assentamento Areal em Ibiaí (MG) Idelfonso Duarte, explicou que foram adquiridas 30 carroças com arreata e financiadas as famílias que trabalham com manejo sustentável da favela. Essas famílias ganharam um prazo de cinco anos para pagar o investimento. A escolha dos 30 participantes da primeira etapa foi realizada em reuniões nos territórios que a Rede atua junto com os monitores e conselheiros. Como a demanda era superior a quantidade de carroças a serem adquiridas, foram estabelecidos alguns critérios de participação, a citar: interesse em participar do fundo; ser coletor de favela; ter um monitor com as atividades em dia; o tempo de cooperado que cada um tem na Rede. O conselheiro destaca que o prêmio foi fundamental para a continuidade do manejo da favela, pois o valor anual arrecadado no pagamento das carroças possibilitará a compra de seis equipamentos completos a cada ano, garantindo a continuidade do fundo. “Já a boa aplicação do dinheiro possibilitará, que mais famílias com dificuldade de locomoção sejam beneficiadas”, observou o conselheiro. Este ano o Fundo abre para outras famílias serem beneficiadas. As famílias interessados devem entrar em contato com o seu monitor para a inscrição. Conheça a Favela, Faveira ou fava d’anta É fruto típico do Cerrado, explorado a cerca de 60 anos pelas indústrias farmacêuticas. Deste fruto ainda verde é extraído diversas substâncias com propriedades medicinais, entre elas a rutina ou a vitamina P, a quercetina e a ramnose. Os efeitos produzidos podem ser resumidos em atividade antioxidante, cardiovascular, efeitos na oxidação de lipídios, a n t i i n f l a m a t ó r i a , anticarcinogênica, radioproteção, e outros efeitos. As substâncias são usadas no tratamento de hipertensão, arteriosclerose, diabetes melitus e em diversas hemorragias. Segundo dados do Cedac 2007, nos últimos 12 anos a exportação de rutina movimentou cerca de onze milhões de dólares por ano, cujos principais compradores são: a França, Itália, Alemanha e Bélgica. Núcleo do monitor Adélio de Mambaí/GO recebe carroça 7 CAIU NA REDE COMERCIALIZAÇÃO. DEMANDAS. BANCO DE SEMENTES INFORME AO MONITOR SUA DEMANDA, PARTICIPE! Nesta Seção Especial, saiba das novidades da Rede. Veja as últimas informações sobre comercialização de produtos, aquisição e oferta de sementes, elaboração de projetos para os co o p e ra d o s , f u n d o ro tat i vo solidário, festas e eventos, PAA município entre outros. Discuta com seu núcleo comunitário e encaminhe suas respostas pelo monitor a Rede. Fortaleça a sua renda familiar participando comunitariamente. Produtos com venda certa na Rede. Caso você tenha alguns dos produtos abaixo citados, informe ao monitor para comercialização imediata junto a Rede. Pimenta malagueta em conserva frutos de baru fruto buchinha paulista semente de sucupira semente de urucum semente de imburana folha de chapéu de couro folha de douradinha folha de congonha de bugre pequi em conserva casca de tingui casca de capitão do campo casca de catuaba casca de imburana casca mulungu casca de mangaba casca de jatobá casca de aroeira casca de barbatimão casca de ipê roxo casca de sucupira casca de murici vermellho casca de mussambé raiz de calunga raiz de batata de purga raiz de pára-tudo 8 Banco de Sementes Em 2009 foi iniciado um banco de sementes e mudas pela Rede, com o compromisso de fornecer aos cooperados sementes crioulas adaptadas a realidade local. Dentre elas, foram fornecidos açafrão, pimenta, gergelim, adubos verdes e milho. Para que outras famílias sejam beneficiadas o banco de sementes é alimentado pela d e vo l u çã o e m d o b ro p e l o s participantes. A cada 1kg fornecido pelo banco de sementes após a produção o cooperado devolve 2kg. Informamos a todos os participantes de 2009 que estamos abertos a devolução das sementes. ALERTA: no caso do AÇAFRÂO. Neste ano 2010 as famílias devem colher à metade da área e plantar novamente. Para que a partir de 2011 todos possam colher açafrão de 2 anos, que apresenta uma maior produtividade. Caso tenha sementes antigas de algodão, milho, feijão e de hortaliças informe a Rede. Faça seu Projeto de PRONAF com a Rede A Rede renovou e ampliou o convênio de Assistência Técnica com o Banco do Brasil para todos os municípios de abrangência de atuação da Rede em Goiás e Minas Gerais. Assim podemos elaborar de forma mais ágil e com menos custo para os cooperados projetos de custeio e investimento de forma gratuita (somente quando a produção for comercializada na Rede, caso não seja, será cobrado 1,5% do valor do projeto). Procure seu monitor e informe suas demandas, o mais rápido possível. Não esqueçam, os cooperados devem ter conta governamental no Banco do Brasil, DAP- Declaração de Aptidão ao Pronaf válida e estar adimplente com o sistema financeiro. Neste período a prioridade é para o custeio agrícola. PAA - MUNICÍPIO Área de Açafrão fomentada pela Rede do assentado Juarez do PA Rancho Grande, município de Goiás. Fundo Rotativo Solidário Conheça a UPP - Unidade de Produção de Pimenta da Rede Área necessária: 360m² Número de plantas: 407 Investimento: R$485,00 Receita bruta mensal: R$136,34 Carência: 4 meses Prazo: 10 parcelas de R$52,00 Como funciona: a rede implanta a UPP junto a famílias que se comprometem em pagar o fundo solidário e comercializar a produção em rede, através de contrato. Caso tenha interesse apresente sua demanda ao monitor. Faça parte desta iniciativa junto a seu núcleo comunitário organize a produção voltada para as escolas e creches do seu município. A Rede em parceria com CONAB está realizando projetos de comercialização para escolas e creches a partir de produtos diversificados como hortaliças, frutas e cereais fornecidos pelos núcleos comunitários. Para isso é necessário que as famílias do núcleo levantem a capacidade de produção atual e a freqüência de entrega para elaboração de p ro j eto s p a ra PA A / CO N A B . Garanta a comercialização para alimentação escolar no seu município no valor de R$4.500,00 por ano em produtos. Entre em contato com a rede.