CERRADO EM REDE
EDIÇÃO Nº 2
OUTUBRO 2010
www.emporiodocerrado.org.br
Baru: A Riqueza Alimentar Valorizada Na
Organização Comunitária Em Rede
Inauguração da primeira Unidade do Complexo de Empreendimentos Agroextrativista do Cerrado.
Há dez anos atrás, o baru, um fruto
típico do cerrado, ganhou não só as
mesas das famílias brasileiras, mas
tornou-se símbolo da luta para a
inclusão de produtos da
sociobiodiversidade do Cerrado na
alimentação escolar.
Essa
castanha nobre, bastante
conhecida pelas populações
ACONTECEU
NOe aJOEL
tradicionais,
foi o elo
riqueza...do
Cerrado transformada em
produtos que regionalizou o
cardápio da alimentação escolar de
Goiânia em 2001 e fortaleceu a
organização da Rede de
Comercialização Solidária de
Agricultores familiares e
Extrativistas do Cerrado (RCS).
Com a nova Unidade de
Beneficiamento de Baru com
780m², inaugurada em novembro
de 2009 em Goiânia(GO), com
apoio de diversos parceiros (a
Fundação Banco do Brasil, BNDES,
Prefeitura de Goiânia, CONAB e
MDA) espera-se aumentar a
capacidade de produção anual
para 25 toneladas de castanha, 390
to n ela d a s d e co o kies , 1 0 0
toneladas de granola e 13
toneladas de barra de cereais.
O presidente da Fundação Banco
do Brasil, Jacques Pena, esteve
presente na solenidade de
inauguração. Pena afirmou que o
modelo de produção da RCS
corresponde aos interesses de
investimento da Fundação: "Aqui,
existe geração de renda vinculada à
preservação ambiental. No mundo
afora, existem hoje dois lemas
importantes: outro mundo é
possível e pensar global e agir local.
A RCS tem tudo a ver com isso.
Vocês estão pensando no planeta e
cuidando do pé de baru", disse.
Segundo o presidente, o projeto
conduzido pela cooperativa
corresponde a um dos principais
grupos de trabalho da Fundação.
"Há cinco anos, a Fundação conduz
cerca de mil projetos anuais. Eu
diria que esse está entre os 10
principais projetos da Fundação",
afirmou.
LEIA NESTA EDIÇÃO
3 Editorial
3. Sindicato de Trabalhadores Rurais
consagra parceria com Rede
4. Mudança na alimentação
escolar beneficia agricultura
familiar
5. Extrativismo no Cerrado além da
Sobrevivência
6. Agroextrativista
7. Fundo Solidário abre demanda
de apoio a agroextrativistas
8. Caiu na Rede
CERRADO EM REDE
Expediente:
Cerrado em Rede. Boletim
Informativo. Uma publicação da
Rede de Comercialização Solidária
de Agricultores Familiares e
Extrativistas do Cerrado em parceria
com o CEDAC- Centro de
Desenvolvimento Agroecológico do
Cerrado.
Endereço: Rodovia BR 153, Km 4,
área GMA, casa 05, Chácara Retiro,
Goiânia-Go. CEP 74675-090. Tel. 62
3202 7515.
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www.emporiodocerrado.org.br.
Conselho Editorial:
Orélio Araújo da Silva. Goiás-GO
Flávio Cardoso. Goiás-GO
Terezinha de Paiva. Goiás-GO
Antônio Francisco da Mata.
Jandaia-GO
Osmar Alves. São Domingos-GO
Gualdino Pereira. São
Domingos-GO
Cláudia de Jesus Nonato. São
João D’Aliança-GO
Adalberto Gomes dos Santos.
Lassance-MG
Idelfonso Rodrigues Duarte.
Ibiaí-MG
Editora: Alessandra Karla da
Silva
Produção Executiva: Marcelo do
Egito
Jornalista Responsável: Maurício
de Freitas Rodrigues Valle
Fotos: Marcelo do Egito,
Adalberto Gomes dos Santos e
Ronicléber Miranda.
Projeto Gráfico e Diagramação:
Planetta Design e Comunicação
LTDA
Apoio:
O diretor de florestas do
Ministério do Meio Ambiente,
João de Deus Medeiros, lembrou
que, atualmente, muito se fala
de sustentabilidade, mas pouco
se tem feito a respeito. A
experiência da RCS representava,
assim, o oposto dessa postura.
"Essa ação prova que existe sim
uma alternativa ao modelo
econômico insustentável
existente nos últimos anos, onde
uma minoria da sociedade se
apropriava dos recursos naturais
e impunha, à maioria, uma
condição de subsistência. Aqui,
vemos um exemplo de como se
consegue sociabilizar de maneira
justa os recursos retirados da
natureza", colocou.
Já o Diretor de Logística e Gestão
Empresarial da Conab, Silvio
Po r t o, a f i r m o u q u e e s s e
empreendimento do Cerrado irá
inserir as famílias locais em outro
patamar de articulação. "Nesse
momento, a Conab tem o papel
de articular ainda mais com o
mercado governamental", disse.
O diretor enfatizou ainda o valor
"imaterial" da ação realizada
pela RCS. "Essa experiência tem a
característica não só de resgatar
a transformação do baru em
produtos para consumo, como
também de resgatar a
manutenção da cultura popular,
de conservação da natureza. O
extrativismo representa uma das
simbologias e uma das lutas mais
importantes do nosso País.
Especialmente no Cerrado, que
se tornou uma enorme fronteira
agrícola", afirmou.
A Secretária de Desenvolvimento
Econômico Municipal, Neide
Aparecida, reafirmou a parceria
da Prefeitura de Goiânia junto ao
empreendimento. "Esse projeto
tem uma filosofia de que o
desenvolvimento não está
vinculado à derrubada de
árvores, e sim ao plantio de mais
árvores", adicionou.
A Unidade de Baru é a primeira
das oito agroindústrias a serem
implantadas no complexo de
e m p re e n d i m e nto s
agroextrativistas da RCS em
Goiânia. A Usina de Óleos
Vegetais e o Entreposto Apícola
serão as próximas a serem
construídas com apoio do
SDT/MDA e Prefeitura de
Goiânia, com previsão de
funcionamento em março de
2011.
2
EDITORIAL
Mercado institucional, um caminho responsável para segurança
alimentar e nutricional no campo e na cidade.
Em 2001, uma experiência inovadora
mostrou um novo caminho para a
sustentabilidade baseado na interrelação entre o campo e a cidade,
aproximando quem produz e maneja
de quem consume. Agroextrativistas
organizados em rede deram início a
valorização das riquezas do cerrado
l eva n d o h á b i to s a l i m e nta re s
regionais para jovens e crianças da
cidade que não conheciam o sabor e
a importância do manejo sustentável
do Cerrado. Praticamente
desconhecido, a farinha da castanha
de baru foi o primeiro produto
agroextrativista a fazer parte do
cardápio alimentar de escolas da
região metropolitana de Goiânia,
atingindo 114 mil alunos por ano até
2005, possibilitando a estruturação
de uma densa rede comunitária no
Cerrado, a Rede de Comercialização
Solidária de Agricultores Familiares e
Extrativistas do Cerrado. Com a
estruturação do PAA - Programa de
Aquisição de Alimentos do governo
federal instituído em 2003, a
Coopcerrado amplia o acesso ao
consumo de alimentos
agroextrativistas do Cerrado doando
alimentos a escolas, creches e asilos
em parceria com a CONAB Goiás. A
nova lei de alimentação escolar (nº
11.947/2009 ) representou um
grande avanço em relação à interface
entre as políticas públicas de
educação e de fortalecimento da
agricultura familiar, principalmente
porque promove a segurança
alimentar e nutricional, a produção
de alimentos da agricultura familiar,
que respeita as tradições alimentares
locais, o desenvolvimento
sustentável, a articulação das
políticas públicas e o controle social.
No universo da agricultura familiar
brasileira temos 4.130.788
agricultores familiares, de acordo com
Censo Agropecuário 95/96, dos quais
apenas 2.462.206 possuem
Declaração de Aptidão, o DAP junto ao
Programa Nacional de Fortalecimento
da Agricultura Familiar (Pronaf). Ou
seja, 59,6% dos agricultores familiares
estão aptos a participar da nova lei.
Com base no último censo escolar de
2008, o Fundo Nacional de
Desenvolvimento Escolar (FNDE)
repassou cerca de dois bilhões e
cinqüenta e dois milhões de reais para
alimentação escolar no Brasil.
Considerando 30% deste valor a partir
da nova lei apenas 2,8% dos
a g r i c u l to re s co m DA P s e r i a m
atendidos. Mesmo não sendo uma
saída para abranger todos os
pequenos agricultores no Brasil, o
programa tem grande potencial para
estimular a organização da agricultura
familiar.
Esta edição concentra-se na reflexão
desta política que envolve a agricultura
familiar com alimentação escolar e
consolida novas perspectivas para os
agroextrativistas que constroem a
Rede, além de mostrar experiências
que criam alternativas que escapam a
lógica mercantil e valorizam o
fortalecimento da organização
comunitária.
Alessandra Karla da Silva
SINDICATO DE TRABALHADORES RURAIS CONSAGRA PARCERIA COM A REDE
A parceria da Rede de Comercialização
Solidária com o Sindicato de
Trabalhadores Rurais de Lassance
(MG) trouxe avanços para os
agricultores familiares da região. Em
2002 foi firmada uma parceria com
Sindicado Trabalhadores Rurais do
município de Lassance em Minas
Gerais (MG). De lá para cá o número de
filiados mineiros cresceu. Hoje já são
65 famílias que comercializam seus
produtos com um preço mais justo
através da Cooperativa Mista de
Agricultores Familiares, Extrativistas,
Pescadores, Vazanteiros e Guias
Turísticos do Cerrado (Coopcerrado).
O conselheiro da Rede do município de
Lassance, Adalberto Gomes dos
Santos, disse que a parceria beneficiou
as duas partes. Segundo ele, o
Sindicato propiciou uma estrutura
melhor para atender os extrativistas e
os agricultores da região. Isso ampliou
e fortaleceu a atuação da Rede e
facilitou o diálogo com a prefeitura da
3
cidade sobre aquisição dos produtos
da agricultura familiar dentro dos 30%
previsto na nova lei da alimentação
escolar. Por outro lado, o sindicado
ganhou novos integrantes e fortaleceu
sua atuação rural no município. O
trabalho da Rede fortalece os
agricultores e ajuda na comprovação
da condição de segurado especial,
através das notas fiscais. “Fica mais
fácil para o trabalhador cooperado
comprovar sua condição, facilitando o
trabalho do Sindicato e permitindo que
essas pessoas tenham acesso, a
aposentadoria e outros benefícios”,
complementa Adalberto. Neste
caminho outros sindicatos começam a
compreender a importância da
atuação conjunta, a exemplo do STR do
município de Jandaia, (GO). O vínculo
foi formado em 2009 e esta aliança
proporcionou uma estrutura melhor
para os integrantes da Rede através de
uma sala para reuniões dentro do
sindicato. O fortalecimento na região
fez com que Jandaia entrasse para o
Pólo Sindical da região Rio dos Bois. A
reunião aglomera 14 sindicatos de
trabalhadores rurais do estado. O
Secretário Geral do Sindicato de
Trabalhadores Rurais de Jandaia e
membro da Rede Antônio Francisco da
Mata, fala que a grande vantagem do
pólo, é a possibilidade de passar para
mais pessoas o que já é sucesso na
Rede. “O trabalho é correto e esse é um
bom motivo para atrair mais
sindicatos” comenta o cooperado. Para
ele o trabalho em conjunto facilita para
as duas partes e atrai ajuda da
prefeitura local. “O Sindicato é nossa
ferramenta para garantir nossos
direitos e a Rede fortalece a
organização comunitária, a renda das
famílias e a produção agroecológica.
Um sindicato mesmo que forte não
consegue sozinho melhorar a vida dos
trabalhadores rurais, por isso a Rede é
fundamental” conclui Antônio.
PARE E PENSE...
Cerca de 47 milhões de jovens e
adultos são atendidos pelo
Programa Nacional de Alimentação
Escolar, desde 1955, através de
compras governamentais
realizadas por municípios e
estados. Imaginem este universo de
pessoas compreendendo a
importância da origem e qualidade
destes alimentos, que ocasionam
na verdade serviços ambientais
responsáveis pela manutenção da
disponibilidade, da qualidade da
água, do clima regional e global ou
da biodiversidade. Será que
continuaríamos deixando as
decisões serem tomadas sem a
p a r t i c i p a çã o d a s o c i e d a d e ,
utilizando como referência apenas
o preço do produto e seus
atestados sanitários? O que
estamos deixando para os nossos
filhos, quando consumimos sem a
responsabilidade de educar? Os
nossos filhos desconhecem o modo
de vida de grupos diversos como
agricultores familiares, assentados,
extrativistas, pescadores,
vazanteiros, quilombolas entre
outros responsáveis pela
diversidade e qualidade dos
produtos que atendem nossas
necessidades, também diversas
desde alimentos, fibras e remédios.
Se compreendermos que estas
famílias são responsáveis pela
manutenção da vida, ou seja, pelo
alimento que chega a nossa mesa
s e m
c a u s a r
d e s t r u i ç ã o /e nv e n e n a m e n t o,
gerando mais saúde e vida,
poderemos continuar
usufruindo/convivendo/habitando
este planeta.
4
MUDANÇA NA ALIMENTAÇÃO ESCOLAR
BENEFICIA AGRICULTURA FAMILIAR
A partir desse ano, 30% dos
recursos repassados à alimentação
nas escolas da rede pública deverão
ser destinados à compra de
produtos da agricultura familiar. A
medida segue determinação da
nova lei de alimentação escolar (nº
11.947/2009 ), aprovada no
segundo semestre de 2009. Com a
novidade os agricultores familiares
terão garantias de comercialização
e uma oportunidade de se
estruturar de forma mais completa,
além de inserir no mercado abrindo
a possibilidade de incorporação de
produtos orgânicos/agroecológicos
na alimentação escolar
disseminando sistemas de
produção de menor impacto
ambiental. A agricultora assentada,
Terezinha Paiva, conselheira da
Rede de Comercialização Solidária
comemora ”para nós a lei é
resultado de uma luta, com a nossa
experiência de organização em
rede temos demonstrado que é
viável adquirir nossos produtos.
Desde 2001 trabalhamos com a
farinha de baru na alimentação
escolar de Goiânia e em 2005
ampliamos a comercialização para
outros municípios com o Programa
de Aquisição de Alimentos (PAA)
através da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab)”. Com o
PAA a Coopcerrado de 2005 a 2010
realizou a doação simultânea de
cookies, granolas, barras de cereais
a base da castanha de baru, mel,
gergelim e farinha de jatobá a 931
instituições entre elas escolas,
creches e asilos em 24 municípios
no estado de Goiás e 5 municípios
no estado de Minas Gerais
beneficiando 541.555 pessoas em
situação de vulnerabilidade e
insegurança nutricional. Para o
extrativista Gualdino de Morais, da
Resex Recanto das Araras de São
Domingos/GO, “já temos o que
Escola em São Domingos(GO) recebe
doação de barra de cereais
comemorar, pois os parceiros que
receberam nossos produtos pelo
PAA, hoje nos procuram para
adquirir, devido a confiança e
qualidade de nosso trabalho“. E os
primeiros a colocarem em prática a
nova lei são as secretarias de
educação dos municípios de
Senador Canedo e Anapólis, no
estado de Goiás, adquirindo barras
de cereais, mel, cookies e castanhas
de baru atingindo em conjunto
52.490 alunos. O assessor técnico
do Centro de Desenvolvimento do
Cerrado(Cedac), Marcelo do Egito,
explica que a experiência com o
PAA/CONAB foi fundamental para
garantir a estruturação dos
empreendimentos das famílias
cooperadas, pois proporcionou um
grande aprendizado e contribuiu
para vencer preconceitos sobre a
incapacidade da agricultura
familiar em abastecer a
alimentação escolar. “Isto ocorre
em especial por ser um mercado
que possui dono, ou seja, os
atravessadores que já têm feito a
ponte entre o agricultor familiar e a
compra da alimentação escolar há
muitos anos” disse o assessor
Marcelo. A Rede de
Comercialização Solidária é
formada por duas cooperativas, a
citar Coopcerrado e a Rede Cred
que atua em Goiás, Minas e Bahia,
reunindo cooperados de 34
municípios, possibilitando que um
crescente número de escolas seja
participante do projeto.
EXTRATIVISMO NO CERRADO:
ALÉM DA SOBREVIVÊNCIA
A descoberta do efeito estufa já
completou 151 anos, mas nunca se
falou tanto em preservação
ambiental e sustentabilidade como
agora. É certo que os danos
causados ao meio ambiente
começaram a despertar olhares e
atenção da mídia. Levantamento de
satélites demonstra que entre 2002
a 2008, cerca de 20 mil Km² de
C e r ra d o fo ra m d e g ra d a d o s
anualmente. O número é o dobro
do que foi registrado na Amazônia.
Em contrapartida, a sociedade civil
está se movimentado para impedir
que o patrimônio ecológico não
seja destruído. Já o Governo
Federal prometeu direcionar até
2011 cerca de R$ 400 milhões para
barrar o desmatamento no
Cerrado. Na outra ponta dessa luta
estão às pessoas que dependem da
natureza para sobreviver. Elas se
j u n t a ra m a e n t i d a d e s n ã o
governamentais para aprimorar a
técnica de agroecologia mantendo
a cadeia sócio-produtiva do bioma
que ocupam. Nessa caminhada, os
extrativistas estiveram atrás por
muito tempo. Sem uma terra para
plantar, eles se deslocam para as
extensas áreas não ocupadas e
fazem a extração tanto do que
serve para a alimentação diária
como para a comercialização.
Após um longo processo de luta em
rede, em 2006, os extrativistas
obtiveram reconhecimento através
da criação de duas reservas
extrativistas (Resex) no estado de
Goiás pelo Governo Federal. Entre
os municípios de São Domingos e
Guarani de Goiás está a Resex’s
Recanto das Araras da Terra Ronca.
Já em Aruanã, a Reserva Extrativista
Lago do Cedro. Esses dois
territórios reúnem cerca de 100
famílias vinculadas a Rede de
Comercialização Solidária. A
organização dos grupos facilita a
luta pelo bem comum e promove o
trabalho de sustentabilidade e
conservação do bioma Cerrado.
Após 4 anos da criação dessas
Unidades de Conservação
Sustentável no Cerrado, ainda não
houve a regularização fundiária,
que permitisse o acesso as áreas
que são de posse privada,
dificultando a sobrevivência e
estamos nessa luta. Quando
conseguimos a Resex pensamos
que fosse melhorar, mas piorou.
Até o número de queimadas
aumentou na região. Os
fazendeiros pensam que assim o
governo fica pressionado, mas
quem sofre somos nós”, desabafa
Osmar.
O Superintendente do Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente de
Goiás (Ibama-GO), disse em reunião
com os representantes da Rede, e
do Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade
(ICMBio), que “esse é um momento
de se posicionar e cobrar do
presidente”. Para a representante
do ICMbio, Juliana Alves é preciso
maior “celeridade dos órgãos para
indenizar os proprietários das
terras” dentro das Resex. Segundo
ela, às vezes é uma questão simples
e que não se concretiza.
5
CARTAS
NOTÍCIAS. OPINIÕES. INFORMAÇÕES
AGROEXTRATIVISTA FALA
Entrevista
Depois de seis anos o boletim
mensal Cerrado em Rede volta a ser
produzido. Muitas coisas são
esperadas nessa nova fase pelos
c o l a b o ra d o r e s d a R e d e d e
Comercialização Solidária. O
Cerrado em Rede ouviu a
assentada, extrativista e
conselheira da Cooperativa Claudia
Nonato de 37 anos e quatro filhos.
Ela já está na Rede há seis anos e
lembra quando saiu a primeira
edição do boletim em dezembro de
2004. Em uma breve entrevista
Cláudia contou suas expectativas e
revelou o que gostaria de ver na
nova fase do informativo.
Cerrado em Rede: Por que é
importante ter um jornal que fale
das ações da Rede e do Centro de
Desenvolvimento Agroecológico do
Cerrado (Cedac) como todo?
Claudia Nonato: Através do jornal
mais pessoas vão se conscientizar
de que é possível usar o cerrado
sem desmatar. Além disso, elas
poderão ajudar esse trabalho tão
digno, feito pela Rede.
CR: A Rede te ajudou enquanto
mulher trabalhadora?
CN: Claro! Antes eu era explorada
por que entregava tudo para o
atravessador (uma pessoa que pega
toda coleta dos agricultores e
extrativistas por um preço muito
baixo), posso dizer que com a Rede a
minha renda subiu mais de 600%.
Antes o atravessador me pagar 20
centavos por um quilo de favela.
Hoje a comercialização é feita por
1,26 centavos o quilo. Além disso,
tenho a nota fiscal emitida em meu
nome, o que me garante uma renda
separada do meu marido e uma
maior facilidade na hora de
aposentar.
CR: O que não pode faltar no
Cerrado em Rede?
CN: Fotos! Fotos de mulheres,
várias mulheres! Para que o serviço
dela seja reconhecido no Brasil. É
importante valorizar a auto-estima
da mulher, garantir o futuro dela.
Temos um papel fundamental na
sociedade. O boletim pode passar
essa mensagem.
Troca de saberes
Perguntas e
Respostas
Jovens e velhos motivados pelo
resgate da tradição se encontram
todos os sábados na comunidade
Santa Maria, Lassance(MG) para
aulas de violão ministradas pelo
professor Marcinho.
Pais e filhos, aprendendo e ensinando
I Cavalgada
Ecológica
Seguindo uma tradição, passada de
pai para filho, a comunidade de
Santa Maria, município de
Lassance(MG), se reúne todos os
a n o s re a l i za n d o u m a l o n ga
Cavalgada, entre a comunidade e a
Serra do Cabral revisitando locais de
uso comum de várias gerações que
criavam o gado a solta nos gerais e
praticavam o extrativismo das flores
sempre vivas. Neste ano, esta
tradição ganha um novo significado,
de chamar atenção da sociedade
para o que vem ocorrendo com a
natureza nessa região de grande
importância para biodiversidade e a
água. Assim foi realizada a primeira
Cavalgada Ecológica da
Comunidade Santa Maria, no
período de 15 a 17 de outubro, com
a presença de mais de 20 cavaleiros
da comunidade. Pedro Santana e
João de Duca disseram: “há muitos
anos atrás havia uma Vereda na
cabeceira do córrego Palmeiras, que
ninguém atravessava. Com o
plantio do pinho na serra do Cabral
ela secou. Depois de cinco anos do
corte do reflorestamento, a
natureza se recuperou e vereda
voltou à vida.”
Você tem alguma pergunta para
qual precise de uma resposta? Você
tem alguma informação que ache
que seria útil para outras pessoas?
Se a sua resposta para qualquer uma
destas perguntas for ”sim”, entre em
contato conosco!
Por favor, escreva para:
O Editor,
Rodovia BR 153, km 4, Qd GMA.
Chácara Retiro.Goiânia-GO.
CEP.74.675-090
Ou envie um e-mail para
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6
FUNDO SOLIDÁRIO ABRE DEMANDA
DE APOIO A AGROEXTRATIVISTAS
Saiba mais
Em 2007, Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac) foi
o vencedor da 5° edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia
Social da região centro-oeste com o projeto “Agroextrativismo Sustentável
da Favela”. Com o prêmio conquistado de R$ 50 mil reais o CEDAC e a Rede
constituíram um Fundo Solidário dos Agroextrativistas do Cerrado para
financiamento de meios de transporte para as famílias. O agricultor e
extrativista do assentamento Areal em Ibiaí (MG) Idelfonso Duarte, explicou
que foram adquiridas 30 carroças com arreata e financiadas as famílias que
trabalham com manejo sustentável da favela. Essas famílias ganharam um
prazo de cinco anos para pagar o investimento. A escolha dos 30
participantes da primeira etapa foi realizada em reuniões nos territórios que
a Rede atua junto com os monitores e conselheiros. Como a demanda era
superior a quantidade de carroças a serem adquiridas, foram estabelecidos
alguns critérios de participação, a citar: interesse em participar do fundo; ser
coletor de favela; ter um monitor com as atividades em dia; o tempo de
cooperado que cada um tem na Rede. O conselheiro destaca que o prêmio foi
fundamental para a continuidade do manejo da favela, pois o valor anual
arrecadado no pagamento das carroças possibilitará a compra de seis
equipamentos completos a cada ano, garantindo a continuidade do fundo.
“Já a boa aplicação do dinheiro possibilitará, que mais famílias com
dificuldade de locomoção sejam beneficiadas”, observou o conselheiro. Este
ano o Fundo abre para outras famílias serem beneficiadas. As famílias
interessados devem entrar em contato com o seu monitor para a inscrição.
Conheça a Favela, Faveira
ou fava d’anta
É fruto típico do Cerrado, explorado
a cerca de 60 anos pelas indústrias
farmacêuticas. Deste fruto ainda
verde é extraído diversas
substâncias com propriedades
medicinais, entre elas a rutina ou a
vitamina P, a quercetina e a
ramnose. Os efeitos produzidos
podem ser resumidos em atividade
antioxidante, cardiovascular,
efeitos na oxidação de lipídios,
a n t i i n f l a m a t ó r i a ,
anticarcinogênica, radioproteção, e
outros efeitos. As substâncias são
usadas no tratamento de
hipertensão, arteriosclerose,
diabetes melitus e em diversas
hemorragias. Segundo dados do
Cedac 2007, nos últimos 12 anos a
exportação de rutina movimentou
cerca de onze milhões de dólares
por ano, cujos principais
compradores são: a França, Itália,
Alemanha e Bélgica.
Núcleo do monitor Adélio de Mambaí/GO recebe carroça
7
CAIU NA REDE
COMERCIALIZAÇÃO. DEMANDAS. BANCO DE SEMENTES
INFORME AO MONITOR SUA DEMANDA, PARTICIPE!
Nesta Seção Especial, saiba
das novidades da Rede.
Veja as últimas informações sobre
comercialização de produtos,
aquisição e oferta de sementes,
elaboração de projetos para os
co o p e ra d o s , f u n d o ro tat i vo
solidário, festas e eventos, PAA município entre outros.
Discuta com seu núcleo
comunitário e encaminhe suas
respostas pelo monitor a Rede.
Fortaleça a sua renda familiar
participando comunitariamente.
Produtos com venda
certa na Rede.
Caso você tenha alguns dos
produtos abaixo citados, informe
ao monitor para comercialização
imediata junto a Rede.
Pimenta malagueta em conserva
frutos de baru
fruto buchinha paulista
semente de sucupira
semente de urucum
semente de imburana
folha de chapéu de couro
folha de douradinha
folha de congonha de bugre
pequi em conserva
casca de tingui
casca de capitão do campo
casca de catuaba
casca de imburana
casca mulungu
casca de mangaba
casca de jatobá
casca de aroeira
casca de barbatimão
casca de ipê roxo
casca de sucupira
casca de murici vermellho
casca de mussambé
raiz de calunga
raiz de batata de purga
raiz de pára-tudo
8
Banco de Sementes
Em 2009 foi iniciado um banco de
sementes e mudas pela Rede, com o
compromisso de fornecer aos
cooperados sementes crioulas
adaptadas a realidade local. Dentre
elas, foram fornecidos açafrão,
pimenta, gergelim, adubos verdes e
milho. Para que outras famílias
sejam beneficiadas o banco de
sementes é alimentado pela
d e vo l u çã o e m d o b ro p e l o s
participantes. A cada 1kg fornecido
pelo banco de sementes após a
produção o cooperado devolve 2kg.
Informamos a todos os
participantes de 2009 que estamos
abertos a devolução das sementes.
ALERTA: no caso do AÇAFRÂO.
Neste ano 2010 as famílias devem
colher à metade da área e plantar
novamente. Para que a partir de
2011 todos possam colher açafrão
de 2 anos, que apresenta uma maior
produtividade.
Caso tenha sementes antigas de
algodão, milho, feijão e de
hortaliças informe a Rede.
Faça seu Projeto de
PRONAF com a Rede
A Rede renovou e ampliou o
convênio de Assistência Técnica
com o Banco do Brasil para todos
os municípios de abrangência de
atuação da Rede em Goiás e Minas
Gerais. Assim podemos elaborar
de forma mais ágil e com menos
custo para os cooperados projetos
de custeio e investimento de forma
gratuita (somente quando a
produção for comercializada na
Rede, caso não seja, será cobrado
1,5% do valor do projeto). Procure
seu monitor e informe suas
demandas, o mais rápido possível.
Não esqueçam, os cooperados
devem ter conta governamental no
Banco do Brasil, DAP- Declaração
de Aptidão ao Pronaf válida e estar
adimplente com o sistema
financeiro. Neste período a
prioridade é para o custeio
agrícola.
PAA - MUNICÍPIO
Área de Açafrão fomentada pela Rede do
assentado Juarez do PA Rancho Grande,
município de Goiás.
Fundo Rotativo Solidário
Conheça a UPP - Unidade de
Produção de Pimenta da Rede
Área necessária: 360m²
Número de plantas: 407
Investimento: R$485,00
Receita bruta mensal: R$136,34
Carência: 4 meses
Prazo: 10 parcelas de R$52,00
Como funciona: a rede implanta a
UPP junto a famílias que se
comprometem em pagar o fundo
solidário e comercializar a produção
em rede, através de contrato. Caso
tenha interesse apresente sua
demanda ao monitor.
Faça parte desta iniciativa junto a
seu núcleo comunitário organize a
produção voltada para as escolas e
creches do seu município. A Rede
em parceria com CONAB está
realizando projetos de
comercialização para escolas e
creches a partir de produtos
diversificados como hortaliças,
frutas e cereais fornecidos pelos
núcleos comunitários. Para isso é
necessário que as famílias do
núcleo levantem a capacidade de
produção atual e a freqüência de
entrega para elaboração de
p ro j eto s p a ra PA A / CO N A B .
Garanta a comercialização para
alimentação escolar no seu
município no valor de R$4.500,00
por ano em produtos. Entre em
contato com a rede.
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Edição nº2