FACULDADES SUDAMÉRICA AUDITORIA INTERNA: um estudo de caso sobre a percepção dos auditados Marina dos Santos Mendonça CATAGUSES 2010 MARINA DOS SANTOS MENDONÇA AUDITORIA INTERNA: um estudo de caso sobre a percepção dos auditados Trabalho de Conclusão de Curso apresentado às Faculdades Sudamérica como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador (a): Valéria Lobo Archete Boya Cataguases 2010 MARINA DOS SANTOS MENDONÇA AUDITORIA INTERNA: um estudo de caso sobre a percepção dos auditados Trabalho de Conclusão de Curso apresentado às Faculdades Sudamérica como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovado: ___de dezembro de 2010. ______________________________ ____________________________ (membro da banca examinadora) (membro da banca examinadora) Nome e titulação Nome e titulação ________________________________________ Orientador: Valéria Lobo Archete Boya Ao meu Pai, José Mauro. Amor, sublime amor. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar a Deus e minha família, pelo apoio a mim dedicado. Aos meus amigos pelo incentivo e estímulo, pelas palavras de conforto e carinho quando se fez necessário. Ao meu pai, José Mauro, que me ensinou a ser quem eu sou, e que se faz presente, em espírito e coração, nas minhas realizações. E, principalmente à Prof.ª Valéria Lobo Archete Boya, orientadora do presente trabalho, sem a qual não seria possível a realização do mesmo, um grande exemplo de dedicação impar e inigualável. Obrigada por não desistir, mesmo com todos os motivos. "Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá." (Ayrton Senna) SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES ................................................................................................................... 8 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 10 2 REVISÃO DE LITERATURA ..................................................................................................... 12 3 2.1 Monitoramento ...................................................................................................................... 12 2.2 Evolução da Auditoria........................................................................................................... 13 2.3 Conceitos e atribuições da Auditoria Interna ........................................................................ 15 2.4 Procedimentos de Auditoria Interna ...................................................................................... 17 METODOLOGIA E COLETA DE DADOS ................................................................................ 19 3.1 Classificação da Pesquisa ...................................................................................................... 19 3.2 Caracterização da Empresa ................................................................................................... 19 3.3 Coleta e Tratamento dos Dados ............................................................................................ 20 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................................................ 24 5 CONCLUSÃO .............................................................................................................................. 29 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 31 APÊNDICE A ....................................................................................................................................... 34 APÊNDICE B ....................................................................................................................................... 35 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 Nível de confiança na auditoria interna ................................................................ 24 FIGURA 2 - Principais benefícios da auditoria interna .......................................................... 25 FIGURA 3-Qualidade dos Serviços de Auditoria ................................................................... 26 Figura 4 - Processo de Auditoria e Reporte............................................................................. 27 FIGURA 5- Qualidade da equipe de auditoria interna ............................................................ 28 RESUMO Este trabalho tem como objetivo identificar qual é a percepção dos auditados em relação à auditoria interna. Para isso, realizou-se um estudo de caso no departamento de contabilidade de uma empresa de energia elétrica onde foram coletados dados junto a 15 colaboradores que se relacionam diretamente com a auditoria interna. A evolução da auditoria interna ocorreu paralelamente ao desenvolvimento das organizações e buscando se adaptar, a auditoria teve seus conceitos e funções modificados ao longo do tempo. A evolução é percebida pelos entrevistados os quais associam os benefícios da auditoria ao seu significado contemporâneo. Entretanto, se observa que ela ainda guarda relação com objetivos fixados em épocas passadas. Além disso, a auditoria interna na percepção dos auditados contribui para gerar valor à organização e atua de modo profissional e independente. Palavras-chave: controle, Auditoria Interna, procedimentos de auditoria 10 1 INTRODUÇÃO A separação entre propriedade e gestão conduziu as organizações a um processo de descentralização do poder de decisão. Como consequência, a organização precisou criar instrumentos de monitoramento e incentivo que orientassem os tomadores de decisão a agirem em benefício da organização e não favoráveis a si mesmos. Os instrumentos incluem sistemas de controle interno, orçamentos, conselho de administração, auditoria independente e auditoria interna. A auditoria interna pode reduzir o conflito de interesses entre o proprietário e o administrador e entre administrador e subordinados uma vez que limita as ações dos indivíduos através da verificação do cumprimento das obrigações, da análise da efetividade dos controles e da proposição de melhorias (LÉLIS E MARIO, 2007). A auditoria interna passou por estágios evolutivos tendo sido concebida como instrumento de monitoramento voltado para o registro contábil com um enfoque na detecção de fraudes. Em um segundo momento a auditoria evoluiu para a verificação de controles internos e é assim reconhecida por alguns (ATTIE, 2009; NASCIMENTO, 1997). Em um terceiro estágio, considerado o mais atual, a auditoria interna se atém à gestão de riscos e seus serviços se estendem à consultoria (CASTANHEIRA, 2007). Contudo, a auditoria interna vem ganhado status em função do seu vínculo com a governança corporativa, o qual foi estabelecido em função da sua utilidade como instrumento de monitoramento dos controles. Ao se vincular à governança corporativa, a auditoria interna atua na sua estruturação a fim de desenvolver ações focadas nos riscos e quando a governança se consolida a auditoria permanece enfatizando as atividades voltadas para avaliar a eficácia do sistema. Tendo em vista a evolução da função da auditoria interna e sua importância para as organizações este trabalho objetiva identificar qual é a percepção dos auditados em relação à auditoria interna. De modo específico este trabalho pretende identificar os benefícios atribuídos à auditoria interna, e o desempenho e qualidade da auditoria. Os dados foram coletados no departamento de contabilidade de uma empresa de energia elétrica. A empresa de auditoria Deloitte, em pesquisa realizada em 2007 investigou a função da auditoria interna no Brasil. A pesquisa indica o movimento de consolidação da auditoria 11 interna no país, ressaltando sua contribuição para o gerenciamento de riscos e para o suporte à governança corporativa. Contudo, a pesquisa arguiu gestores e auditores internos. No presente estudo pretende-se investigar como a auditoria interna é reconhecida pelos demais atores organizacionais que com ela se relacionam, de modo que se obterá os resultados de um grupo distinto. Além disso, este estudo se utiliza de um estudo de caso e este método permite a descoberta de informações específicas que poderão contribuir para a melhoria do processo de auditoria interna no local pesquisado. 12 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Monitoramento O desenvolvimento e a complexidade das organizações resultaram na separação entre propriedade e gestão, e consequentemente na descentralização do poder de decisão. Nas estruturas descentralizadas o poder de decidir não se concentra nos níveis mais altos da organização, mas é distribuído por toda a empresa. Este movimento de descentralização é reflexo das falhas de comunicação e de coordenação, além da limitação física ou racionalidade limitada dos indivíduos que restringe o conhecimento dos possuidores do poder de decisão ao um subconjunto do conhecimento (BOYA, 2007). Contudo, da delegação do poder de decisão decorrem consequências danosas para a organização, pois a simples transferência do poder de decisão não garante que o indivíduo aja em beneficio da empresa uma vez que este possui interesses e objetivos próprios que nem sempre estão alinhados aos objetivos organizacionais. Lélis e Mário (2009) afirmam que este conflito de interesses, denominado conflito de agência, ocorre em toda relação entre duas partes, seja entre proprietário e administrador, credores e proprietário, acionistas majoritários e minoritários e em qualquer outra relação existente no ambiente empresarial. A fim de minimizar os efeitos decorrentes de interesses conflitantes, a organização procura adotar mecanismos de monitoramento e incentivo para orientar o comportamento dos indivíduos e alinhar os objetivos pessoais aos objetivos da organização. Esses instrumentos incluem sistemas formais de controle interno, sistemas de orçamento e contabilidade, sistemas de remuneração, conselho de administração, auditoria externa e interna (BARROS, 2007; LÉLIS E BARROS, 2009). A Auditoria Interna é um mecanismo de monitoramento que pode reduzir o conflito de agência, tanto por limitar as ações do agente, que ao se sentir monitorado terá reduzida a tendência de agir de acordo com os próprios interesses em detrimento dos interesses da firma, quanto por verificar se os subordinados estão cumprindo as determinações da alta administração (LÉLIS E MARIO, 2009). Deste modo, a Auditoria Interna é um instrumento de monitoramento utilizado pelo proprietário (ou acionistas) para controlar as ações dos 13 administradores (diretores) e também utilizado por estes últimos para controlar a ações dos empregados. 2.2 Evolução da Auditoria Segundo Attie (2009) a palavra auditoria é originada da palavra inglesa audit que significa examinar, corrigir, ajustar e certificar. Para o autor, a Inglaterra teria disseminado os investimentos em outros países e por consequência os exames de tais investimentos, dando origem ao termo. Para Knechel (2001) apud Almeida, B.J.M. (2004, p.81) até a Revolução Industrial, no final do século XVIII, a auditoria era utilizada pelos mais ricos que possuíam ativos dispersos e “necessitavam saber se estes eram adequadamente mantidos e utilizados e não negligenciados pelas pessoas a quem eram confiados”. Exercia, portanto, uma função de controle, fruto da separação entre a propriedade e a administração dos recursos, que como visto na sessão anterior, levou à descentralização das decisões. A Revolução industrial trouxe consigo o crescimento das empresas, o aumento de sua complexidade e maior envolvimento da economia popular nos grandes empreendimentos, o que, segundo Almeida, M.C. (2003), contribuiu para a evolução da auditoria. Franco e Marra (2001) atribuem o surgimento da auditoria à necessidade de comprovação dos registros contábeis em virtude do surgimento de grandes empresas distribuídas por diversos locais e pelo desenvolvimento do mercado de capitais, que permitiu ampliar a participação de investidores nessas empresas. Como decorrência da contabilidade, portanto, a auditoria evoluiu, do mesmo modo que a contabilidade, paralelamente ao desenvolvimento econômico. Para Almeida, B.J.M. (2004) “as forças econômicas que acompanham a profissão de auditoria desde os seus primórdios, bem como a sua adaptabilidade à realidade econômica e às exigências da sociedade, têm originado o seu desenvolvimento”. Depois da Revolução Industrial, com o desenvolvimento das sociedades anônimas já no século XIX, a auditoria passou a se concentrar na comprovação da veracidade das informações expressas nas demonstrações financeiras. Esta mudança de orientação da auditoria deveu-se ao fato de que os investidores estavam mais preocupados com os lucros futuros e necessitavam de garantias de que o que era evidenciado de fato correspondia à realidade da empresa. Assim a medição e 14 verificação das demonstrações financeiras passaram a serem consideradas as principais preocupações dos auditores (idem). Esta forma de auditoria, denominada auditoria independente, surgiu, portanto, como parte da evolução do sistema capitalista e conforme Almeida M.C (2003) evoluiu para o que atualmente é, em função da relevância da divulgação de suas informações econômicofinanceiras, consubstanciadas nas demonstrações contábeis. Isto porque, a expansão culminou na abertura do capital de muitas empresas e os novos sócios ou acionistas, diante da necessidade de conhecer a solidez, liquidez e rentabilidade do seu investimento, passaram a exigir que as demonstrações contábeis fossem avaliadas por profissional independente à organização, ou seja, pelo auditor independente. De acordo com Ramamoorti (2003, p. 3) apud Barros (2007), aproximando-se do século XX, surgiu a “necessidade de separar a atividade de verificações internas sobre as informações utilizadas pelos gerentes para tomada de decisão” dando origem à auditoria interna. Os gerentes precisavam de instrumentos para avaliar a eficiência das atividades e a honestidade dos subordinados e segundo Barros (2007) sob o mote de ser ‘os olhos e ouvidos’ da administração, as empresas criaram departamentos de auditoria interna, tendo como principais preocupações prevenir fraudes na folha de pagamento, perdas financeiras e perdas de outros ativos, mas rapidamente as suas atividades se estenderam a praticamente verificar todas as transações financeiras. A Auditoria Interna é, portanto, uma evolução da auditoria independente e segundo Almeida M.C. (2003), nasceu da dificuldade do administrador em supervisionar as atividades internas e a falta de um exame profundo do auditor independente nos processos internos, que passa um período curto na organização e seu exame está voltado para as demonstrações financeiras (TEIXEIRA, 2006). O crescimento da atividade de auditoria interna permitiu a criação de institutos de auditores internos nos Estados Unidos e Inglaterra que estabeleceram normas de auditoria interna e inspiraram a criação de institutos em outros países. No Brasil, em 1960 foi fundado o AUDIBRA (Institutos dos Auditores Internos do Brasil) (BARROS, 2007). Segundo Castanheira (2007) a auditoria interna passou por dois paradigmas e encontra-se hoje num terceiro. Até a década de 40, a auditoria interna era vista como uma extensão da auditoria independente e tinha um enfoque na observação e contabilização, o que para Barros (2007) visava a detecção de fraudes. A partir da década de 40, o foco voltou-se para o sistema de controles internos, experimentando, portanto um segundo paradigma. A 15 auditoria interna enfrenta hoje um terceiro paradigma que é “o desafio de alinhar a visão dos processos aos riscos do negócio, tornando-se, assim, mais eficaz” (LÉLIS E MARIO, 2007, p.1). Estas transformações não alteraram, porém, a motivação da auditoria interna que é reduzir os conflitos de agência, ora como um instrumento de monitoramento do acionista para com o administrador, ora do administrador para com seus subordinados. Para Barros (2007) a Auditoria Interna é útil para avaliar e reportar sobre a eficácia e eficiência do controle, o que garantiria um sistema de controle interno eficaz e atuante em todas as esferas da organização. A utilidade da auditoria interna como mecanismo de monitoramento dos controles estabeleceu-se como vínculo entre a Auditoria Interna e governança corporativa a qual se assenta nos fundamentos do conflito de agência. Segundo Silveira (2004, p.32) a governança corporativa “é um conjunto de mecanismos de incentivo e controle que visa harmonizar a relação entre acionistas e gestores pela redução dos conflitos de agência numa situação de propriedade de gestão”. A ênfase nas práticas de governança corporativa nos últimos anos resultou na elevação da importância da auditoria interna dentro das organizações, principalmente a partir da publicação da lei norteamericana Sarbanes-Oxley (SOX) que colocou em destaque o papel da auditoria interna, levando diversos países, além dos Estados Unidos a reconhecerem sua importância para as organizações (DE LUCA, MARTINS, MAIA E COELHO, 2009). 2.3 Conceitos e atribuições da Auditoria Interna A evolução da auditoria interna, tanto em função do desenvolvimento das organizações quanto em função dos objetivos cada vez mais amplos que lhe tem sido fixados, incentivou também a evolução do seu conceito. Inicialmente a auditoria tinha como foco a descoberta de fraudes e erros, mas sua evolução permitiu que esses objetivos assumissem formas específicas, em que não somente detecta e evidencia erros, mas também desempenha uma função preventiva e orientadora (TEIXEIRA, 2006). Franco e Marra (2001), atribuem como fatores determinantes na evolução da auditoria, as mesmas causas que foram responsáveis pelo seu surgimento. Segundo Teixeira (2006,) em consequência da evolução, a auditoria interna assume uma postura proativa auxiliando a administração no alcance de seus objetivos através da efetividade do controle de risco e dos controles internos. Sua abordagem, voltada inicialmente 16 para a fiscalização, atualmente, segundo a autora, está centrada na avaliação dos controles internos, com o objetivo de otimizar o processo de gestão. A auditoria interna busca garantir que as políticas das organizações sejam respeitadas, seus ativos sejam protegidos e as suas operações sejam controladas. Pereira e Nascimento (2005, p.48) conceituam a auditoria interna como uma especialização voltada para a garantia da qualidade, transparência e segurança dos controles internos implantados com o fim de salvaguardar o patrimônio dos acionistas, cuja estrutura está diretamente ligada ao setor interno na empresa auditada Tal conceito enfatiza a atuação da auditoria interna sobre controles internos, ideia esta que é compartilhada por grande parte da literatura encontrada (FRANCO E MARRA, 2002; NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE; NASCIMENTO, 1997). Nascimento (1997, p.1), por exemplo, afirma que auditoria interna se “constitui num controle especial destinado a assegurar que todos os demais controles funcionem adequadamente”. Este autor afirma inclusive que a auditoria interna se “confunde com os próprios conceitos de controle interno, uma vez que ela se constitui no maior agente de controle”. Conforme Lélis e Mario (2007) nas definições de auditoria interna evidenciadas por muitos autores “são apresentadas ideias características do cenário em que a área se desenvolvia anos atrás” e não são citados fatores que caracterizam o paradigma atual da auditoria interna, como “verificar se os riscos existentes estão sendo mitigados de forma a serem compatíveis com o apetite de risco da empresa e as atividades consultivas realizadas pela auditoria”, para que desse modo contribua para a execução da estratégia da organização. Em linha com este pensamento, as Normas Internacionais de Auditoria emitidas pelo The Institute of Internal Auditors1,entidade que se dedica ao desenvolvimento do auditor interno e da profissão de auditoria interna, definem Auditoria Interna como: Uma atividade independente e objetiva que presta serviços de avaliação (assurance) e de consultoria e tem como objetivo adicionar valor e melhorar as operações de uma organização. A auditoria auxilia a organização a alcançar seus objetivos adotando uma abordagem sistemática e disciplinada para a avaliação e melhoria da eficácia dos processos de gerenciamento de riscos, de controle, e governança corporativa. Segundo Crepaldi (2009) o cenário altamente competitivo e em constante transformação no qual se inserem as organizações exige que a auditoria interna, como elemento chave no processo de avaliação contínua dos processos organizacionais, esteja em 1 Livre tradução: Instituto de Auditores Internos 17 sintonia com esse panorama e que o seu enfoque de avaliação de controles internos não é suficiente para atender às novas demandas. Conforme o referido autor, o cenário atual requer que a auditoria atue de forma proativa na análise das estratégias e avaliação de riscos assegurando a qualidade e a estrutura do controle interno com já vinha fazendo, mas também atue na proposição de recomendações que aperfeiçoem os resultados. Isto ressalta a participação da auditoria interna na prestação de serviços de consultoria como enfatiza o conceito fornecido pelas Normas Internacionais de Auditoria descrito acima. Porém, já se verifica um novo movimento da auditoria interna que destoa dessa abordagem voltada para a consultoria. Esse movimento é fruto das expectativas da participação da auditoria interna no fortalecimento da governança corporativa, vitalizada principalmente após os escândalos corporativos vivenciados no início de 2000. Segundo Barros (2007), estas expectativas reconduziriam a auditoria interna à sua posição voltada ao controle interno. Contudo, o autor destaca que a natureza e o grau da mudança no escopo da auditoria interna estão relacionados com o estágio de maturidade do processo de governança corporativa. Nesse sentido, a auditoria é demandada para atuar na estruturação de governança corporativa a fim de desenvolver ações focadas nos riscos e adequar sua estrutura, e uma vez que governança corporativa atinge a maturidade, a auditoria reduz o esforço de consultoria e enfatiza as atividades voltadas para avaliar a eficácia do sistema. Ao longo do tempo, a auditoria interna foi incorporando, em virtude dos seus estágios evolutivos, atribuições e objetivos que de modo geral consistem em auxiliar a administração no desempenho de suas funções através da análise e inferência sobre os processos internos de modo a contribuir para a eficiência da organização. Para alcançar seu objetivo a auditoria interna pode atuar na verificação dos controles internos, e assim agir como instrumento antifraude. Pode atuar na assessoria e consultoria agindo deste modo sobre os riscos do negócio. E também atua como um instrumento voltado para a governança corporativa, consolidando-se como instrumento de controle e monitoramento. 2.4 Procedimentos de Auditoria Interna Segundo a norma internacional 2320 que integra as Normas Internacionais de Auditoria, “os auditores internos devem basear as conclusões e os resultados da execução dos trabalhos em análises e avaliações apropriadas.” Para isto, as atividades da Auditoria Interna 18 estão estruturadas, conforme Attie (2009), em procedimentos e buscam agregar valor ao resultado da organização, apresentando subsídios para o aperfeiçoamento dos processos, da gestão e dos controles internos, por meio da recomendação de soluções para as não conformidades apontadas nos relatórios. Tais procedimentos não diferem dos utilizados pela auditoria independente. Ao contrário, é com relação aos métodos dos quais lançam mão é que estas duas especialidades se assemelham, conforme afirma de Marques (1997) apud Teixeira (2006): Existem semelhanças entre as auditorias, interna e externa, ao utilizarem metodologias e técnicas comuns ou idênticas (...) ambas identificam, analisam e avaliam procedimentos de controle interno, realizam testes, identificam insuficiências, erros e anomalias e avaliam os riscos que lhe estão associados e elaboram relatórios, nos quais fazem as suas apreciações, formulam sugestões e apresentam propostas corretivas a adotar com vista a resolver ou a minimizar as deficiências encontradas. Pereira e Nascimento (2005, p.50) corroboram esse pensamento ao afirmarem que “em todo o trabalho de auditoria interna as ferramentas utilizadas no cumprimento de seus objetivos são baseadas nos instrumentos desenvolvidos e aplicados na auditoria externa”. Porém, a extensão e profundidade dos procedimentos aplicados por uma e outra são distintas considerando que a auditoria interna existe para atender à organização e se concentra nos processos internos, enquanto que a auditoria independente se debruça sobre as demonstrações financeiras. Os procedimentos da auditoria interna compreendem os exames, análise, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para os sistemas de informações, sistemas de controles internos e sistemas de gerenciamento de riscos para que a empresa cumpra seus objetivos. O cumprimento destas atribuições depende, porém de procedimentos específicos, que quando aplicados de maneira sistemática e disciplinada, podem garantir a eficiência no trabalho da auditoria interna (Crepaldi, 2009). Para Lélis e Mário (2009, p.4) além das atividades realizadas para avaliar a gestão de riscos, os procedimentos de auditoria interna incluem atualmente atividades demandadas pela lei norte-americana Sarbanes-Oxley o que inclui “avaliações do desenho e da execução dos controles internos sobre demonstrações financeiras, o apoio consultivo às áreas responsáveis pelos controles na elaboração de planos de ação para solução de hiatos entre a estrutura de controles existente e a demandada” pela lei. 19 3 3.1 METODOLOGIA E COLETA DE DADOS Classificação da Pesquisa Este trabalho tem como o objetivo de identificar qual é a percepção dos auditados em relação à auditoria interna. Assim o estudo se caracteriza como uma pesquisa descritiva quanto aos objetivos, a qual, segundo Gil (2002), procura descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre as variáveis. Quanto aos procedimentos utilizados este trabalho pode ser classificado como pesquisa bibliográfica e estudo de caso uma vez que os dados foram no departamento de contabilidade de uma empresa de energia elétrica. A pesquisa bibliográfica é um instrumento prévio de qualquer trabalho e procura explicar e discutir um tema ou um problema com base em referências teóricas. O procedimento de estudo de caso, segundo Martins e Lintz (2009, p.23) “trata-se de uma técnica de pesquisa cujo objetivo é o estudo de uma unidade que se analisa profunda e intensamente”. A unidade é estudada e é reunido o maior número de informações detalhadas, com o objetivo de aprender a totalidade da situação. Portanto considerando os procedimentos utilizados para o trabalho, este pode ser considerado um trabalho empírico-teórico, uma vez que a partir da literatura pesquisada buscar identificar na realidade o apoio para a teoria. 3.2 Caracterização da Empresa A Energisa S/A é a controladora do Grupo Energisa, que tem como principal atividade a distribuição de energia elétrica. O grupo possui cinco distribuidoras, das quais três localizam-se na região Nordeste (Energisa Sergipe -Energisa Paraíba e Energisa Borborema), uma na Zona da Mata (Energisa Minas Gerais -nova denominação da Cia Força e Luz Cataguases-Leopoldina) e uma em Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro. Fundada em 1905, a Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina - CFLCL , hoje com denominação de Energisa Minas Gerais - Distribuidora de Energia S/A, é a empresa que originou o Grupo Energisa e que, até 2007, era a holding operacional. Com a conclusão do processo de desverticalização, a Energisa S/A passou a ser a nova controladora de todas as empresas do Grupo. 20 Em 2008, o Grupo Cataguazes-Leopoldina se transformou em Energisa. Atualmente, o Grupo Energisa atende aproximadamente a 2,2 milhões de consumidores e uma população de 6,5 milhões de habitantes em 352 municípios. O Grupo Energisa atua na geração, comercialização e distribuição de energia elétrica, tendo na distribuição sua essência. O setor elétrico brasileiro é regulado pela ANEEL (AGENCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA) que concede concessões para o serviço elétrico. As concessões dão o direito de gerar, transmitir ou distribuir energia em determinada área por um período de tempo determinado. Atualmente, as distribuidoras só podem oferecer seus serviços a seus clientes cativos dentro de sua área de concessão, sob condições e tarifas reguladas pela ANEEL. O Departamento de Contabilidade, representado por seu Gerente Geral que é o contador responsável pelas empresas do grupo, é composto por três divisões, sendo elas Contas a Pagar, Patrimônio e Fiscal. Cada divisão possui um Gerente aos quais estão vinculados analistas e assistentes administrativos. A empresa possui uma equipe de auditoria interna, não terceirizada, a qual é composta por cinco profissionais sendo um gerente e quatro auditores. O departamento é denominado Assessoria de Gestão de Riscos e está vinculado ao Comitê de Auditoria, e este ao Conselho Administrativo. 3.3 Coleta e Tratamento dos Dados A escolha da Energisa S/A deu-se por acessibilidade. Após consentimento foi enviada uma correspondência à empresa (APÊNDICE A) com vistas a formalizar a solicitação para o uso de questionário. Os dados foram coletados na empresa a partir da aplicação de um questionário estruturado distribuído aos funcionários do setor de contabilidade que se relacionam diretamente com a auditoria interna da empresa. Isto quer dizer que os respondentes são aqueles que atendem às solicitações da auditoria interna fornecendo informação e documentos quando requisitado. A escolha destes respondentes dentro do Departamento de Contabilidade se deve à presunção de que estes estariam mais aptos a inferir sobre as funções da auditoria interna na empresa. O questionário, segundo Martins e Lintz (2009, p.38) é definido como “um conjunto ordenado e consistente de perguntas a respeito de variáveis, e situações, que se deseja medir, 21 ou descrever”. O instrumento que consta no Apêndice B foi entregue pessoalmente a cada um dos respondentes. O instrumento utilizado é o mesmo usado pela Deloitte (2007) quando esta investigou a função da auditoria interna junto a 283 respondentes classificados como auditores internos e gestores. Tal instrumento foi adaptado ao objetivo proposto e por isso não investigou a função da auditoria interna sob o ponto de vista dos auditores. Além disso, as questões direcionadas aos gestores naquela pesquisa, agora foram direcionadas aos respondentes que exercem função de gerência de divisão, analista e assistente administrativo. Dos itens investigados, dois foram excluídos por se considerar que eles cabem somente aos gestores. Assim os respondentes não inferiram sobre se a auditoria interna busca a percepção dos gestores para orientar o planejamento de seus trabalhos e sobre se o folow-up é adequado ao identificar o status de implantação de recomendações de relatórios anteriores. Considerando as alterações efetuadas, o questionário foi submetido a um pré-teste aplicado a um dos respondentes. Conforme destacado na Caracterização da empresa, o Departamento de Contabilidade é formado por três divisões: Patrimônio, Contas a Pagar e Fiscal. A Divisão Fiscal não contemplou nenhum respondente em função da inacessibilidade. Da divisão de Contas a Pagar, três pessoas responderam e da divisão de Patrimônio foram 10 respondentes, totalizando, portanto 13 respondentes. Considerando que a quantidade de pessoas que se relacionam diretamente com a auditoria neste departamento somam 15, a amostra representa 87%. O questionário foi dividido em dois blocos. O Bloco 1 além de identificar algumas características do respondente, questiona quanto aos benefícios e a importância da auditoria interna. Os respondentes, responderam sobre o seu nível de confiança depositado na auditoria interna e em seguida classificou em ordem decrescente de importância os principais benefícios da auditoria interna. Neste caso, foram relacionados 10 (dez) itens os quais foram classificados de 1 a 10. Foi oferecida ao final a opção para que o respondente apontasse outros benefícios que não constavam do questionário. Desse modo, o item mais importante recebeu a classificação 1, o segundo mais importante recebeu a classificação 2, e assim sucessivamente. Os benefícios incluídos no Bloco 1 são: A. Identificar os riscos do negócio e propor alternativas para gerenciá-los B. Garantir maior eficiência dos processos internos C. Promover uma maior conscientização dos executivos sobre a importância 22 D. Favorecer a aderência às normas internas e às regulamentações do mercado E. Dar suporte à estrutura de governança corporativa da empresa F. Minimizar a ocorrência de fraudes G. Auxiliar a organização na execução de suas estratégias de negócios H. Reduzir custos I. Oferecer vantagem competitiva às atividades da organização J. Otimizar as receitas A Parte B teve como foco o desempenho e qualidade dos serviços da auditoria interna e foi subdividido em qualidade dos serviços de auditoria interna, processo de auditoria e reporte e qualidade da equipe de auditoria interna. Os dados desse Bloco foram coletados por meio de escala de atitudes Likert. Segundo Martins e Lintz (2009, p.34) esta ferramenta “consiste em um conjunto de itens apresentados em forma de afirmações, ou juízos, ante os quais se pede aos sujeitos que externem suas reações, escolhendo um dos cinco, ou sete pontos de uma escala”. Os pontos são associados a um valor numérico permitindo uma pontuação para cada item. Em todos os três aspectos foram utilizadas escalas de cinco pontos sendo solicitado que os respondentes analisassem afirmações e assinalassem sua percepção conforme as opções “concordo totalmente”, “concordo”, “nem concordo, nem discordo”, “discordo”, “discordo totalmente”. Todos respondentes retornam os questionário. No Bloco 1, com relação ao questionamento sobre o nível de confiança na auditoria interna, todas as respostas foram aproveitadas. As respostas podiam variar de “alto”, “médio”, “baixo” e “não tem opinião”. Ainda no Bloco 1, três respondentes, ao classificarem os benefícios por ordem decrescente de importância, atribuíram apenas a classificação 1ou 2, de modo que suas respostas foram desprezadas e portanto foram aproveitados dez questionários. Os dados coletados neste bloco foram tratados por meio de escala de ordenamento ou ranqueamento forçada. Segundo Ghisi, Manforte e Nagamo (2008, p.7) “esta técnica força o entrevistado a discriminar entre os objetos de estímulo” uma vez que o respondente deve a ordenar os itens de acordo com um ranking de modo que ao final se obtenha preferências. De acordo com o instrumento utilizado, as respostas variaram de 1 a 10 e tendo em vista a classificação em ordem decrescente de importância quanto menor o valor atribuído mais importante é o benefício da auditoria interna na visão do respondente. 23 Os dados foram colocados em uma planilha Excel® e os pontos atribuídos por cada respondente foram somados. Após procedeu-se à classificação dos pontos por ordem crescente evidenciando que quanto menor a soma dos pontos mais relevante é o beneficio para o grupo respondente. Quanto aos dados referentes ao Bloco B,estes também foram dispostos em planilha Excel® e atribuídos pontuações de acordo com a escala mencionada anteriormente. Como a escala expressa deverá expressar atitudes favoráveis, os seguintes valores serão usados: (5) “concordo plenamente”, (4) “concordo”, (3) “nem concordo, nem discordo”, (2) “discordo” e (1) “discordo totalmente recebeu peso 1. 24 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES A análise dos dados obtidos demonstrou que 62% dos respondentes possuem alto nível de confiança na Auditoria Interna da empresa enquanto que para 38% o grau de confiança depositado na Auditoria interna é médio, conforme Figura 1. Considera-se então que para os respondentes, a Auditoria Interna é confiável quanto ao desempenho de atribuições. Nível de confiança na Auditoria Interna 0% 0% Alto 38% Médio Baixo 62% Não tem opinião FIGURA 1 Nível de confiança na auditoria interna Fonte: Dados da pesquisa A Figura 2 evidencia os principais benefícios da auditoria interna. De acordo com a escala utilizada quanto menor os pontos obtidos pelo item mais importante ele é considerado pelo respondente. Os resultados indicam que identificar os riscos do negócio e propor alternativas para gerenciá-los é considerado pela maioria dos respondentes como o principal benefício oferecido pela auditoria (21 pontos). O resultado evidencia uma diferença de 14 pontos para o segundo benefício mais importante, que de acordo com os respondentes é garantir a eficiência dos processos internos que obteve 35 pontos. A diferença entre um e outro é a maior variação ocorrida entre os benefícios, podendo ser inferido que a identificação dos riscos e proposição de alternativas para gerenciá-las se consolida como o beneficio mais importante da auditoria interna e vai ao encontro da literatura contemporânea que considera auditoria interna como um instrumento voltado para a gestão de riscos (BARROS, 2007). Embora a literatura tenda a desvincular as fraudes da auditoria interna, a minimização de fraudes foi o terceiro benefício apontado pelos respondentes recebendo 44 pontos. 25 PRINCIPAIS BENEFÍCIOS DA AUDITORIA INTERNA 90 80 80 70 H I 63 60 51 54 56 D E F 44 50 35 40 30 72 74 21 20 10 0 A B C G J A-Identificar os riscos do negócio e propor alternativas para gerenciá-los B-Garantir maior eficiência dos processos internos C-Minimizar a ocorrência de fraudes D-Promover uma maior conscientização dos executivos sobre a importância E-Reduzir custos F-Dar suporte à estrutura de governança corporativa da empresa G-Auxiliar a organização na execução de suas estratégias de negócios H-Favorecer a aderência às normas internas e às regulamentações do mercado I-Otimizar as receitas J-Oferecer vantagem competitiva às atividades da organização FIGURA 2 - Principais benefícios da auditoria interna Fonte: dados da pesquisa Não é claro para os entrevistados que a identificação dos riscos do negócio e seu gerenciamento podem conduzir a empresa a melhores resultados, haja vista que embora a redução de custos tenha recebido 54 pontos, revelando-se como o quinto benefício mais importante, a otimização de receita aparece em penúltimo lugar (74 pontos). Os estudos mais recentes afirmam que a auditoria interna é útil à governança corporativa uma vez que ajuda na sua estruturação e adequação dentro da empresa. Porém, os resultados não encontraram aderência com esses novos conceitos tendo em vista que suporte à estrutura de governança corporativa da empresa recebeu 56 pontos sendo a sétima escolha dentre os benefícios de auditoria. Do mesmo modo como são pouco percebidos os benefícios da auditoria interna na execução da estratégia da empresa (63 pontos). O benefício de favorecer a aderência às normas internas e às regulamentações do mercado também é um dos últimos benefícios apontados (72 pontos). A associação da auditoria interna com normas e procedimentos 26 internos não é recente e está vinculada a avaliação dos controles internos, que conforme a literatura pesquisada era o foco da auditoria em seu segundo estágio evolutivo. Finalmente a afirmação de que a auditoria interna oferece vantagem competitiva à organização não encontrou aderência na empresa pesquisada e recebeu 80 pontos, aparecendo como o benefício menos importante. A Figura 2 evidencia os resultados sobre a qualidade dos serviços de auditoria interna. Conforme visualizado, a avaliação da qualidade da auditoria foi positiva entre os entrevistados. Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente F E 23% 31% 54% 23% 0% 31% 46% 15% 8% 31% 54% 20% 40% 8% 8% 69% 8% A 23% 54% 15% C B 46% 8% D nem concordo, nem discordo 15% 23% 60% 80% 8% 100% A-Os trabalhos da auditoria focam em riscos-chave e áreas de atenção dentro do setor B-São efetuados dentro de um prazo aceitável e não impactam no andamento dos trabalhos da área auditada. C-As recomendações da auditoria interna são construtivas e factíveis e contribuem para a geração de valor à organização D-O prazo para a comunicação dos resultados dos trabalhos é adequado e possibilita as condições necessárias para a tomada de ações subsequentes E-O relatório de auditoria interna reflete a situação atual da área auditada e é suportado por evidências apropriadas F-De forma geral, os resultados das atividades da auditoria interna atendem às expectativas do setor FIGURA 3-Qualidade dos Serviços de Auditoria Fonte: Dados da pesquisa Os respondentes concordam que a auditoria foca os riscos-chaves do setor (54%) e seus procedimentos não impactam no fluxo dos trabalhos da área (46%). 69% dos respondentes concordam que as recomendações da auditoria interna são positivas. Este aspecto é importante, pois reflete baixa resistência dos entrevistados às contribuições da 27 auditoria. 54% dos entrevistados concordam que o prazo de comunicação dos resultados é adequado e possibilita ações subsequentes. O mesmo nível de concordância é encontrado quando questionado se os relatórios de auditoria reflete a situação da área auditada. Para 46% dos entrevistados, de modo geral, os resultados da auditoria interna atendem às perspectivas do setor contra 23% que não concordam nem discordam. Quanto ao processo de auditoria e reporte evidenciado na Figura 4, o estudo revela que, para os respondentes os procedimentos adotados pela auditoria apresentam profissionalismo diante dos prazos e escopo dos trabalhos, 46,2% das respostas apresentadas. Em relação ao acesso irrestrito de informações e apresentação e discussão dos resultados, pode-se concluir que os auditados estão em acordo com a Auditoria Interna quanto a esses pontos. Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente C 15% 46% B 15% 46% A 23% 0% 10% nem concordo, nem discordo 31% 23% 15% 54% 20% 30% 40% 8% 50% 15% 60% 70% 80% 8% 90% 100% A-A auditoria interna apresenta e discute os pontos identificados de forma profissional e objetiva B- A auditoria interna possui acesso irrestrito a documentos, informações, localidades e funcionários. C-Prazos, escopo, duração e informações pertinentes aos trabalhos são informados logo no início do projeto. FIGURA 4 - Processo de Auditoria e Reporte Fonte: Dados da pesquisa A Figura 4 evidencia a qualidade da equipe de auditoria interna. De modo geral dos resultados se mostraram positivos. A maioria (62%) concorda que a equipe de auditoria interna tem a proficiência técnica na área auditada, e 54% também concordam que a equipe tem bom conhecimento quanto às características do negócio, dos processos e das particularidades da organização. 28 Concordo totalmente Concordo Discordo Discordo totalmente C 8% B 8% A 8% 0% nem concordo, nem discordo 38% 38% 23% 54% 62% 20% 15% 40% 15% 15% 60% 80% 15% 100% A - A equipe demonstra proficiência técnica na área auditada B- A equipe tem bom conhecimento quanto às características do negócio, dos processos e das particularidades da organização. C- A equipe tem as habilidades necessárias para executar projetos especiais demandados pela organização FIGURA 5- Qualidade da equipe de auditoria interna Fonte: Dados da pesquisa Porém, um item que merecer atenção é o que investiga se a equipe tem as habilidades necessárias para executar projetos especiais demandados pela organização. O grau de concordância sobre este aspecto não é claro tendo em vista que 38% concordam e outros 38% nem concordam nem discordam. Vale ressaltar que 15% dos entrevistados disseram não concordar que a equipe tem as habilidades necessárias para executar projetos especiais demandados pela organização. 29 5 CONCLUSÃO Este trabalho teve como objetivo identificar qual é a percepção dos auditados em relação à auditoria interna e a análise dos resultados permite afirmar que este objetivo foi alcançado. Ao longo do trabalho procurou-se evidenciar a concepção do monitoramento em função da separação entre propriedade e gestão da empresa e inserir a auditoria neste contexto. Posteriormente foi realizada uma fundamentação teórica evidenciando a evolução da auditoria interna, situando-a em cada um de seus estágios. Além disso, foram apresentados conceitos e as atribuições da auditoria interna bem como a exposição de seus procedimentos com o objetivo de posicionar o leitor sobre o que é auditoria interna e qual é o seu papel segundo a literatura pesquisada. Com relação aos resultados obtidos em campo, a análise indica – e é consistente com a literatura – o reconhecimento da importância da Auditoria Interna dentro da área. A auditoria interna é vista de forma positiva na área pesquisada uma vez que há a concordância de que a auditoria interna é capaz de conferir valor à organização, através de recomendações pontuais baseadas em evidências apropriadas. A auditoria interna está voltada para os riscoschave e seus procedimentos não prejudica os trabalhos do departamento de contabilidade. A qualidade percebida dos serviços de auditoria pode ser uma consequência da habilidade técnica da equipe de auditoria interna. Com relação à equipe, entretanto, ressalta-se que embora o departamento reconheça sua competência técnica na área auditada, não é unanime a percepção de que a equipe de auditoria interna possui as habilidades necessárias para executar projetos especiais demandados pela organização. A deficiência nesse aspecto compromete a atuação da auditoria interna na estratégia da organização e requerendo da área no auxílio à condução da De acordo com a literatura pesquisada, a auditoria interna deve contribuir para a estratégia da organização requerendo que a área de auditoria interna esteja se antecipe às demandas das áreas auditadas. O principal benefício atribuído á auditoria interna é a análise e gestão de riscos, Além deste benefício, a auditoria interna contribui para eficiência dos processos internos e para a minimização de fraudes. Assim conclui-se que o entendimento de que a auditoria interna deve enfatizar a gestão de riscos e proposição de melhorias, atuando desse modo também como consultoria vem sendo consolidado. 30 De acordo com a literatura o foco sobre o controle interno e a detecção de fraudes foram objetos da auditoria em estágios anteriores. Contudo pode-se notar, a partir dos resultados, que a importância da auditoria interna na sua atuação junto aos controles internos e sua utilidade como instrumento antifraude ainda encontra elevada aderência juntos aos auditados. Outro ponto a destacar é que com relação ao alinhamento entre auditoria interna e governança corporativa que é uma das expectativas da organização. Esse aspecto não é percebido na área auditada e, portanto cabe à auditoria interna estabelecer-se mais fortemente como um instrumento de governança corporativa e à organização cabe incentivar esse vínculo. O trabalho se alinha com os achados da Deloitte (2007), exceto quando com relação à importância da auditoria em relação às fraudes. Para ela na “medida em que os benefícios originados a partir dos trabalhos se tornarem mais evidentes, será possível ter uma visão mais clara do retorno sobre o investimento na função de auditoria interna.” Ou seja, evidenciar o trabalho da Auditoria Interna, é a melhor maneira para informar aos usuários a importância a sua importância dentro da organização. Uma limitação desse estudo se refere ao fato de que ele é um estudo de caso e os resultados não podem ser estendidos. Para pesquisas futuras, sugere-se a reaplicação deste estudo junto aos auditores internos na empresa pesquisada a fim de comparar os resultados. Sugere-se também a reaplicação do estudo em outras áreas da empresa visando estabelecer relações entre ás respostas e evidencia em toda a organização como a auditoria interna é percebida pelos auditados. 31 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: Um Curso Moderno e Completo. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2003. ALMEIDA, Bruno José Machado de. Auditoria e Sociedade: O diálogo necessário. Revista Contabilidade & Finanças. São Paulo, n. 34, p. 80-96, jan/abr, 2004. Disponível em: http://www.eac.fea.usp.br/cadernos/completos/cad34/ed_34_parte6_internacional_pg80_a_96 .pdf. Acesso em: 11 de dezembro de 2010. ATTIE, William. Auditoria: Conceitos e Aplicações. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2009. BOYA, Valéria Lobo Archete. Os efeitos da remuneração variada sobre o processo orçamentário: estudo de campo em uma concessionária de energia elétrica. 2007.65.f. Dissertação (Mestrado em Contabilidade Gerencial e Finanças), Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas, Economia e Finanças, Vitória. CASTANHEIRA, Nuno Miguel Caeiro. Auditoria Interna baseada no risco. Estudo do caso Português. 2007. 147p. Tese (Mestrado em Contabilidade e Auditoria) – Escola de economia e Gestão, Universidade do Minhol. BARROS, Joaquim dos Santos. Auditoria Interna no Contexto da Governança Corporativa: Estudo nas Empresas listados nos Mercados Diferenciados da Bovespa. 2007, 233 p. Dissertação(Mestrado Profissional em Controladoria) - Faculdade de Economia, Administração, Atuaria e Contabilidade– Universidade Federal Ceará. GHISI, Marcos Angeli; MERLO, Edgar Monforte; NAGANO, Marcelo Seido. A Mensuração da Importância de Atributos em Serviços: Uma Comparação de Escalas. 2008, 14 p. Disponível em: www.gruporota.com.br/recursos/download.php?codigo=67. Aceso em 26 de novembro 2010. CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil: Teoria e Prática. 5º ed. São Paulo: Atlas, 2009. DELOITTE. A Auditoria Interna no Brasil. Disponível www.deloitte.com/view/pt_BR/br/servic Acesso em 28 de outubro de 2010. em DE LUCA, Márcia Martins Mendes; MARTINS, Carlos Luana; MAIA, Anna Beatriz Granjeiro Ribeiro; COELHO, Antônio Carlos Dias. Os Mecanismos de Auditoria Evidenciados pelas Empresas Listadas nos Níveis Diferenciados de Governaça Corporativa e no Novo Mercado da Bovepa. Revista Contabilidade Vista & Revista. Belo Horizonte, v. 21, n.1, p. 101-130, jan/ mar, 2010. Disponível em http://www.face.ufmg.br/revista/index.php/contabilidadevistaerevista/article/view/817. Acesso em 11 de dezembro de 2010. 32 FRANCO, Hilário; MARRA, Ernesto. Normas de Auditoria: Procedimentos e papeis de Trabalho, Programas de Auditoria, Relatórios de Auditoria. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2001 GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4ª Ed. São Paulo: Atlas, 2002 LELIS, Débora Lage Martins; MÁRIO, Poueri do Carmo. Auditoria Interna com foco em Governança, Gestão de Riscos e Controle Interno: Análise da Auditoria Interna em uma Empresa do Setor Energético. 2009, 14p. Dissertação – Universidade Federal de Minas Gerais. MARTINS, Gilberto A.; LINTZ, Alexandre. Guia para elaboração de monografias e trabalhos de conclusão de curso. São Paulo: Atlas, 2009. MARTINS, Gilberto de Andrade. Manual para Elaboração de Monografias e Dissertações. 2ªed. São Paulo: Atlas, 2000. NASCIMENTO, Arnaldo. Auditoria Interna e Externa. Uma abordagem Metodológica. Revista Contabilidade Vista & Revista. Belo Horizonte, v.8. n.1, p.17-25, jun, 1997. NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE NBCT – 12. Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/t12.htm. Acesso em 01 de dezembro de 2010. PEREIRA, Anísio Candido; NASCIMENTO, Weslley Souza. Um estudo sobre a atuação da Auditoria Interna na detecção de Fraudes nas Empresas do setor privado no Estado de São Paulo. FECAP. São Paulo, n.19, set/dez. 2005. 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O Contributo da Auditoria Interna para uma Gestão eficaz. 2006.142p. Dissertação (Mestrado em Contabilidade e Auditoria) – Universidade Aberta, Coimbra. 34 APÊNDICE A Questionário a ser aplicado de modo a investigar a percepção dos auditados em relação à Auditoria Interna Prezado Vicente Cortes de Carvalho Dirijo-me ao senhor (a) na condição de aluno do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Sudamérica – Cataguases, com o objetivo de solicitar sua colaboração na pesquisa que estou desenvolvendo sobre a percepação dos auditados em relação à Auditoria Interna. O estudo constitui o tema do Trabalho de Conclusão de Curso, sob a orientação da Professora Valéria Lobo Archete Boya. A sua participação é muito importante para contribuir com estudos anteriores sobre a relevância da auditoria interna e a percepção dos auditados em relação à mesma. E, reforçar o entendimento de que a atuação da auditoria interna para aumentar a confiança dos usuários das demonstrações contábeis. Por isso, solicito por obséquio, conceder acesso a esta empresa para que seus colaboradores respondam o questionário abaixo. Os dados serão tratados de forma confidencial (nenhum participante da pesquisa será identificado em qualquer comunicação ou publicação futura, interna ou externa). Agradeço-lhe e coloco-me a disposição, caso o senhor (a) tenha necessidade de algum esclarecimento adicional. Atenciosamente Marina dos Santos Mendonça 35 APÊNDICE B FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS MARINA DOS SANTOS MENDONÇA Graduanda VALÉRIA LOBO ARCHETE BOYA Orientadora AUDITORIA INTERNA: um estudo de caso sobre a percepção dos auditados 36 Questionário sobre a percepção da auditoria interna pelos auditados Olá! Agradeço desde já a sua colaboração no preenchimento deste questionário que busca entender a sua percepção sobre a função da Auditoria Interna. Por favor, certifique-se de não ter deixado nenhuma resposta em branco. Obrigada! Marina dos Santos Mendonça (graduanda em Ciências Contábeis). Informe a sua formação acadêmica _________________________________________________________________ Informe quanto tempo trabalha na empresa _________________________________________________________________ Informe sua idade _________________________________________________________________ BLOCO 1 - Importância e benefícios da auditoria interna Responda à questão abaixo. Alto Médio Baixo Não tem opinião Qual o nível de sua confiança na auditoria interna? De acordo com sua opinião ordene de 1 a 11, em ordem de importância quais são os principais benefícios da Auditoria Interna. Para o mais importante atribua 1. Principais benefícios da Auditoria Interna Identificar os riscos do negócio e propor alternativas para gerenciá-los Garantir maior eficiência dos processos internos Promover uma maior conscientização dos executivos sobre a importância do gerenciamento de riscos e controles internos Favorecer a aderência às normas internas e às regulamentações do mercado Dar suporte à estrutura de governança corporativa da empresa Minimizar a ocorrência de fraudes Auxiliar a organização na execução de suas estratégias de negócios Reduzir custos Oferecer vantagem competitiva às atividades da organização Otimizar as receitas Outros _____________________________________________________________ continua 37 BLOCO 2 – Desempenho e qualidade Por favor, expresse sua opinião em relação a cada uma das afirmações deste bloco. Lembre-se de não deixar nenhuma questão em branco. A - Qualidade dos serviços de auditoria interna Concordo totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo Discordo Discordo totalmente Discordo Discordo totalmente Discordo Discordo totalmente Os trabalhos da auditoria focam em riscos-chave e áreas de atenção dentro do setor São efetuados dentro de um prazo aceitável e não impactam no andamento dos trabalhos da área auditada. As recomendações da auditoria interna são construtivas e factíveis e contribuem para a geração de valor à organização O prazo para a comunicação dos resultados dos trabalhos é adequado e possibilita as condições necessárias para a tomada de ações subsequentes O relatório de auditoria interna reflete a situação atual da área auditada e é suportado por evidências apropriadas De forma geral, os resultados das atividades da auditoria interna atendem às expectativas do setor B – Processo de auditoria e reporte Concordo totalmente Concordo Nem concordo, nem discordo A auditoria interna apresenta e discute os pontos identificados de forma profissional e objetiva a auditoria interna possui acesso irrestrito a documentos, informações, localidades e funcionários. Prazos, escopo, duração e informações pertinentes aos trabalhos são informados logo no início do projeto. C – Qualidade da equipe de auditoria interna Concordo Totalmente A equipe demonstra proficiência técnica na área auditada A equipe tem bom conhecimento quanto às características do negócio, dos processos e das particularidades da organização. A equipe tem as habilidades necessárias para executar projetos especiais demandados pela organização Concordo Nem concordo, nem discordo 38