NITROGÊNIO DISPONÍVEL NO SOLO E ACUMULADO NA CULTURA DO MILHO
ASSOCIADO A FONTES NITROGENADAS DE EFICIÊNCIA AUMENTADA
Clovis Orlando Da Ros1, Rodrigo Ferreira da Silva1, Claudir José Basso1,
Vanderlei Rodrigues da Silva1
1 Professor do Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais, Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Frederico Westphalen, Brasil
([email protected])
Recebido em: 31/03/2015 – Aprovado em: 15/05/2015 – Publicado em: 01/06/2015
RESUMO
O manejo da adubação nitrogenada contribui para o suprimento adequado de
nitrogênio na época de maior demanda pelas culturas. Com objetivo de quantificar a
disponibilidade de nitrogênio no solo e o acumulado na cultura do milho foi
conduzido um experimento a campo, em solo de textura argilosa, em Cruz Alta (RS).
O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com quatro repetições. Os
tratamentos consistiram de quatro fontes nitrogenadas: ureia comum, sulfato de
amônio, sulfammo e super N, além de um tratamento sem aplicação de nitrogênio.
Aplicaram-se 30 kg ha-1 de nitrogênio na semeadura e 70 kg ha-1 em cobertura, a
lanço e sem incorporação ao solo. Foram avaliados o teor de amônio (NH4+) e nitrato
(NO3-) nas camadas de 0,00 – 0,10 m e 0,11 – 0,20 m, em duas épocas após a
adubação de semeadura (emergência e estádio de 6 folhas) e em duas épocas após
a adubação de cobertura (estádio de 12 folhas e grão leitoso), o nitrogênio
acumulado nas plantas de milho e o rendimento de grãos. O menor teor de amônio
na camada superficial do solo após a adubação nitrogenada de semeadura do milho
com sulfammo e super N contribuiu com menor deslocamento de nitrato em
profundidade, indicando menor taxa de liberação do nitrogênio destes fertilizantes,
mas não aumentou o acúmulo de nitrogênio e produtividade de grãos de milho em
relação a ureia comum e o sulfato de amônio.
PALAVRAS-CHAVE: inibidor de uréase, sulfato de amônio e sulfammo, ureia
AVAILABLE NITROGEN IN THE SOIL AND ACCUMULATED IN MAIZE
ASSOCIATED WITH NITROGEN SOURCES OF ENHANCED EFFICIENCY
ABSTRACT
The nitrogen fertilizer management contributes to adequate nitrogen supply during
periods of greater demand by crops. Aiming to quantify of nitrogen in the soil and
accumulated in maize was conducted in a field experiment on clay soil in Cruz Alta
(RS). The experimental design was a randomized block with four replications. The
treatments consisted of four nitrogen sources: common urea, ammonium sulfate,
super N and sulfammo, plus a treatment without nitrogen. Were applied 30 kg ha-1 of
nitrogen at sowing and 70 kg ha-1 in coverage, haul and without soil incorporation.
The concentration of ammonium (NH4+) and nitrate (NO3-) were evaluated in layers of
0.00 – 0.10 m and 0.11 – 0.20 m in two seasons after fertilization seeding
(emergency and stadium 6 sheets) and two seasons after topdressing (stage 12
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leaves and milky grain), the nitrogen accumulated in corn plants and grain yield. The
lowest levels of ammonium in the soil surface layer after nitrogen fertilization of corn
seeding with super N and sulfammo contributed less displacement of nitrate at depth,
indicating a lower rate of nitrogen release fertilizer, but did not increase the
accumulation of nitrogen and grain yield of maize in relation to the common urea and
ammonium sulfate.
KEYWORDS: urea, urease inhibitor, and ammonium sulfate sulfammo.
INTRODUÇÃO
O nitrogênio é utilizado em grande quantidade na maioria das culturas e o
aproveitamento depende da fonte nitrogenada, dose, época e do modo de aplicação,
das condições edafoclimáticas, do manejo do solo e dos resíduos culturais (BONO et
al., 2011; CIVARDI et al., 2011; SILVA et al., 2011; TASCA et al., 2011). A ureia é a
fonte de nitrogenada mais utilizada no Brasil (ANDA, 2012) e apresenta a menor
eficiência para um grande número de culturas em diferentes solos e climas,
principalmente no sistema plantio direto com a aplicação a lanço e sem incorporação
ao solo, pois as perdas por volatilização são potencializadas (GROHS et al., 2001;
ROJAS et al., 2012). A lixiviação é outra perda de nitrogênio, que é menos afetada
pelas fontes nitrogenadas, mas que pode ser significativa devido a doses elevadas e
alta frequência de aplicação (JADOSKI et al., 2010; BORTOLOTTO et al., 2013).
Uma das alternativas para diminuir a perda de nitrogênio é o uso de
fertilizante de eficiência aumentada, que estão disponíveis no mercado como fontes
estabilizadas, contendo inibidores de uréase ou de nitrificação, e fontes de liberação
lenta ou controlada, que são fertilizantes nitrogenadas encapsuladas ou recobertas
por membranas (BLAYLOCK, 2007). Estas fontes possibilitam o retardamento da
passagem do nitrogênio do fertilizante da forma amídica para amoniacal ou da
amoniacal para nítrica e é uma alternativa de uso para reduzir as perdas por
volatilização de fontes amídicas e de lixiviação de fontes amoniacais. No entanto, os
resultados de pesquisa ainda são contraditórios, pois nem sempre o retardamento
das transformações do nitrogênio do fertilizante da forma amídica ou amonical reflete
em aumento no aproveitamento de nitrogênio pelas culturas e na produtividade de
grãos (CANTARELLA et al., 2008; SCIVITTARO et al., 2010; SILVA et al., 2011;
MARCHESAN et al., 2011; VALDERRAMA et al., 2011; QUEIROZ et al., 2011;
TASCA et al., 2011; PRANDO et al., 2012).
Nesse contexto, objetivou-se quantificar o nitrogênio disponível no solo e
acumulado nas plantas durante o ciclo do milho com o uso de fontes nitrogenadas
convencionais, de liberação lenta e com inibidor da uréase em área de plantio direto.
MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi conduzido a campo na área experimental da Universidade de
Cruz Alta (RS). O clima, segundo a classificação de Koeppen, é subtropical úmido,
tipo Cfa2, com chuvas regulares durante o ano, com temperatura média anual de
19,1°C, tendo invernos frios, raramente de forma de masiada, podendo atingir
valores inferiores a 0°C e verões com temperatura m oderada, com máximas de
41°C. A precipitação média anual é elevada, geralme nte entre 1.800 e 2.100 mm,
bem distribuídos ao longo do ano (MALUF, 2000). A umidade relativa do ar no
período experimental foi em média de 75,3; 75,8; 59,5 e 60,3 % nos meses de
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setembro, outubro, novembro e dezembro de 2005 e 71,1 e 68,4 % nos meses de
janeiro e fevereiro de 2006, respectivamente. Na figura 1 estão especificados os
dados pluviométricos mensais e temperatura média, máxima e mínima do período
experimental da Estação Meteorológica da FUNDACEP, Cruz Alta, RS, distante
6.740 m da área experimental. O solo foi classificado como Latossolo Vermelho
distrófico (EMBRAPA 2006), cultivado à 13 anos no sistema plantio direto, com os
seguintes atributos na camada de 0,00 – 0,10 m: 560 g kg-1 de argila; pH em água
(1:1) de 5,5; 18 mg dm-3 de P e 278 mg dm-3 de K, extraído pelo método Mehlich-1;
0,1 cmolc dm-3 de Al; 5,5 cmolc dm-3 de Ca; 2,9 cmolc dm-3 de Mg e 34 g dm-3 de
matéria orgânica.
Precipitação
Temperatura máxima
400
Temperatura mínima
Temperatura média
350
35
30
)
m300
m
(
o 250
ã
ç
ta
i 200
p
ic
150
e
r
P
25
20
15
10
100
)
C
o(
a
r
u
t
a
r
e
p
m
e
T
5
50
0
0
Setembro
Outubro
Novembro Dezembro
Janeiro
Fevereiro
FIGURA 1 Precipitação pluviométrica, temperatura média, máxima e mínima do
período experimental (set/2005 a fev/2006). Dados da Estação
Meteorológica da FUNDACEP, Cruz Alta, RS.
O delineamento experimental foi em blocos ao acaso com quatro repetições,
com parcelas de 21 m2 (4,2 x 5,0 m) e área útil equivalente a quatro linhas centrais
de 4,0 m de comprimento (11,2 m²). Os tratamentos foram quatro fontes
nitrogenadas, duas de liberação rápida (ureia comum e sulfato de amônio) e duas de
liberação lenta (sulfammo e super N), aplicadas a lanço e sem incorporação ao solo.
A dose total de nitrogênio foi de 100 kg ha-1, parcelado em duas épocas:
imediatamente (30 kg ha-1) e 42 dias após a semeadura, correspondente ao estádio
de seis folhas (70 kg ha-1). A quantidade de nitrogênio aplicada foi estimada com
base na expectativa de rendimento de 6 Mg ha-1 de grãos, cultivado sobre aveia
preta como cobertura de solo e com alta produção de massa de matéria seca (5,3
Mg ha-1), juntamente com 85 kg ha-1 de P2O5 e 50 kg ha-1 de K2O, conforme a
recomendação da CQFS - RS/SC (2004).
As fontes nitrogenadas, ureia e sulfato de amônio, possuem, respectivamente,
45 e 21 % de nitrogênio na forma amídica [CO(NH2)2)] e amoniacal (NH4+). O
sulfammo contém 23 % de nitrogênio na forma amídica e 3 % na forma amoniacal,
associado ao carbonato de cálcio marinho que possibilita a liberação do nutriente de
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forma lenta e gradual. O super N é um fertilizante estabilizado, com 44% de N na
forma de amina e com inibidor de urease (ureia + NBPT (N-(n-butyl) thiophosphoric
triamide) (Super N - Agrotain®)).
O milho híbrido, Pioneer 30P34, foi semeado na primeira quinzena de
setembro no espaçamento de 0,70 m entre linhas, após o manejo químico da aveia
preta com glyfosate, com semeadora adubadora para plantio direto, equipada com
mecanismo tipo facão para a distribuição do adubo e duplo disco defasado para as
sementes. O controle de plantas daninhas foi realizado com herbicida a base de
atrazina (Extrasin), na dose de 5,0 L ha-1 do produto comercial.
Os parâmetros avaliados foram a altura de plantas no estágio de grão leitoso,
medindo-se todas as plantas da área útil; a massa de matéria seca da parte aérea,
na maturação fisiológica, coletando-se aleatoriamente cinco plantas na área útil,
após separação dos grãos do resto da planta (palha + sabugo) e secagem em
estufa a 65oC, até massa constante; o teor nitrogênio na parte aérea (palha +
sabugo e grãos), no material seco e moído após digestão com ácido sulfúrico,
conforme TEDESCO et al. (1995) e o rendimento de grãos após 20 dias da
maturação fisiológica, colhendo-se manualmente as plantas da área útil, separandose os grãos com auxílio de trilhadeira estacionária e corrigindo a umidade para 130 g
kg-1.
No solo foram coletas amostras com pá-de-corte nas camadas de 0,00 – 0,10
m e 0,11 – 0,20 m, em quatro pontos aleatórios em cada parcela, em duas épocas
após a adubação nitrogenada na semeadura (emergência das plântulas e estágio de
6 folhas) e em duas épocas após a adubação nitrogenada de cobertura (estádio de
12 folhas e grão leitoso), que correspondem a 9 e 42 dias da adubação nitrogenada
de semeadura e 17 e 38 dias da adubação de cobertura. Imediatamente às coletas
foi realizada a extração do nitrogênio mineral, em frascos snap-cap, contendo 25 g
solo e 100 ml de solução de KCl (1,0 mol L-1), após agitação por 30 minutos. Depois
da decantação, retirou-se uma alíquota de 20 ml do sobrenadante e determinou-se
inicialmente o teor de amônio (N-NH4+) em destilador de arraste de vapor semimicro-Kjeldahl com adição de 0,2 g de MgO e, posteriormente, o teor de nitrato (NNO3-) na mesma alíquota, após o resfriamento e adição de 0,2 g de liga Devarda,
conforme descrito em TEDESCO et al. (1995).
Os dados coletados foram submetidos a análise da variância e as médias de
tratamentos comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade de erro. Os
resultados dos teores de nitrogênio mineral nas quatro épocas de avaliação foram
analisados conjuntamente, no esquema fatorial em parcelas subdivididas no tempo
(fontes e épocas), individualmente, para cada camada de solo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os teores de N-NH4+ e N-NO3- no solo foram influenciados pelas fontes
nitrogenadas e pelas épocas de avaliação (Tabelas 1 e 2). Na camada de 0,00 –
0,10 m, os maiores teores de N-NH4+ no solo foram após a adubação nitrogenada de
semeadura, destacando o sulfato de amônio com 27,7 mg kg-1 na avalição realizada
na emergência das plântulas e a ureia comum com 15,3 mg kg-1 no estádio de 6
folhas (Tabela 1).
A alta solubilidade em água do sulfato de amônio em relação às fontes
amídicas (ureia comum, super N e sulfammo) pode explicar a maior liberação de NNH4+ na avaliação realizada após a aplicação da adubação nitrogenada na
semeadura do milho. Além disso, a maior taxa de nitrificação da ureia nas fontes
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amídicas em relação ao sulfato de amônio, decorrente da elevação do pH ao redor
do grânulo (SILVA & VALE, 2000), também pode ter contribuído para o menor teor
de amônio na camada superficial do solo na emergência das plântulas de milho com
o uso da ureia comum, super N e sulfammo. Em condições subtropicais, AITA et al.
(2007), verificaram que 20 dias foi o tempo suficiente para oxidar praticamente todo
o nitrogênio amoniacal. A proteção do grânulo por camadas de calcário marinho no
sulfammo e o inibidor de urease no super N podem ter contribuído para a menor
liberação do N-NH4+ do fertilizante e, consequentemente, diminuir o teor de N-NH4+
no solo em relação a ureia comum, principalmente na avaliação realizada no estádio
de 6 folhas.
TABELA 1 Teores de N-NH4+ em duas camadas de solo e em quatro épocas após a
aplicação da adubação nitrogenada no milho com diferentes fontes
nitrogenadas.
Épocas de avaliação(2)
Após adubação
Após adubação
Camada
Fontes
nitrogenada de
nitrogenada de
(1)
de solo (m) nitrogenadas
semeadura
cobertura
Emergência 6 folhas
12 folhas Grão leitoso
------------------------------ mg kg-1---------------------------Sem N
5,6 c A(3)
6,1 b A
5,5 c A
5,0 a A
Ureia comum 13,8 b A
15,3 a A
7,1 bc B
7,7 a B
0,00 – 0,10
Sulf. amônio
27,7 a A
7,6 b B
8,5 ab B
7,8 a B
Sulfammo
11,0 b A
7,6 b B
6,7 bc B
7,4 a B
Super N
11,8 b A
6,3 b B
11,8 a A
6,3 a B
16,3
CV (%)(4)
Sem N
2,0 b C
2,6 a BC
4,2 bc A
3,3 a AB
2,6 a B
5,4 ab A
3,8 a AB
Ureia comum 2,6 b B
0,11 – 0,20
4,8 a AB
3,1 a B
6,0 a A
3,7 a B
Sulf. amônio
2,1
b
B
2,5
a
B
4,2
bc
A
3,2
a AB
Sulfammo
2,6 b B
2,6 a B
3,6 c AB
4,2 a A
Super N
CV (%)
20,0
(1)
-1
-1
Aplicação de 30 kg ha de nitrogênio na semeadura e 70 kg ha em cobertura (estádio de 6
(2)
folhas). Avaliações realizadas aos 9 e 32 dias da aplicação da adubação nitrogenada na semeadura
do milho (emergência e estádio de 6 folhas) e aos 17 e 38 dias após a adubação nitrogenada de
(2)
cobertura (estádio de 12 folhas e grão leitosos). Médias não seguidas pela mesma letra, minúscula
(4)
na coluna e maiúscula na linha, diferem pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05). Coeficiente de variação.
Na camada de 0,11 – 0,20 m, as concentrações de N-NH4+ foram menores
que na camada superficial (Tabela 1). Normalmente, o NH4+ tende a permanecer em
torno do local de aplicação do fertilizante devido à adsorção eletrostática às cargas
negativas do solo (WANG & ALVA, 1996; CARDOSO NETO et al., 2006),
principalmente em solos com alto teor de argila. A presença dos resíduos culturais
de aveia com elevada relação C/N também deve ter contribuído para a imobilização
do NH4+ pela biomassa microbiana, mantendo-o, temporariamente, na camada
superficial do solo na forma orgânica (CHANTIGNY et al., 2001). Incremento de NNH4+ em profundidade no solo somente foi observado com o sulfato de amônio na
emergência das plântulas e no estádio de 12 folhas, que coincide com a primeira
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avaliação após a aplicação do fertilizante na semeadura e em cobertura,
respectivamente, e provavelmente está relacionado a alta taxa de liberação do NH4+
do fertilizante amoniacal associado ao fluxo descendente de água devido ao não
revolvimento do solo no cultivo em plantio direto (BONO et al., 2011).
A distribuição de N-NO3- no solo, nas duas camadas avaliadas foi diferente
em relação ao N-NH4+ (Tabela 2). Na camada de 0,00 – 0,10 m não houve diferença
entre as fontes nitrogenadas, independente da época de avaliação. Diferenças entre
as fontes nitrogenadas somente foram observados na camada de 0,11 – 0,20 m,
destacando a ureia comum com 9,1 mg kg-1 de N-NO3- na avaliação realizada na
emergência das plântulas, seguido do 6,4; 3,8 e 3,7 mg kg-1 com o uso de sulfammo,
sulfato de amônio e super N, respectivamente. Mesmo em solos argilosos pode
haver deslocamento de nitrato em profundidade (ARAÚJO et al., 2004), mas a maior
concentração com o uso da ureia comum na camada de 0,11 – 0,20 m não
necessariamente o impediu de ser absorvido pelas plantas, pois somente ocorrem
perdas de nitrato por lixiviação quando atinge camadas profundas nas quais as
plantas não são mais capazes de absorvê-lo (OTTMAN & POPE, 2000) e ocorre
com frequência em áreas com uso intensivo de fertilizantes nitrogenados (WANG &
ALVA, 1996).
TABELA 2 Teores de N-NO3- em duas camadas de solo e em quatro épocas após a
aplicação da adubação nitrogenada no milho com diferentes fontes
nitrogenadas.
Camada
Fontes
de solo (m) nitrogenadas(1)
0,00 – 0,10
0,11 – 0,20
(1)
Sem N
Ureia comum
Sulf. amônio
Sulfammo
Super N
CV (%)(4)
Sem N
Ureia comum
Sulf. amônio
Sulfammo
Super N
CV (%)
-1
Épocas de avaliação(2)
Após adubação
Após adubação
nitrogenada de
nitrogenada de
semeadura
cobertura
Emergência 6 folhas
12 folhas Grão leitoso
----------------------------- mg kg-1---------------------------1,5 b A(3) 2,5 b A
1,8 b A
1,6 b A
12,3 a A
6,1 a B
6,4 a B
2,6 a C
11,2 a A
5,8 a B
6,1 a B
2,4 a C
13,3 a A
4,8 ab BC
5,9 a B
2,4 a C
13,6 a A
5,9 a B
6,4 a B
2,7 a C
22,5
1,3 d B
9,1 a A
6,4 b A
3,8 c AB
3,7 c A
2,8 a A
2,5 a BC
3,0 a B
2,7 a B
2,4 a AB
1,2 b B
3,7 a B
3,6 a B
4,7 a A
3,5 a A
0,9 a B
1,8 a C
2,0 a B
1,5 a B
1,5 a B
24,3
-1
Aplicação de 30 kg ha de nitrogênio na semeadura e 70 kg ha em cobertura (estádio de 6 folhas).
Avaliações realizadas aos 9 e 32 dias da aplicação da adubação nitrogenada na semeadura do
milho (emergência e estádio de 6 folhas) e aos 17 e 38 dias após a adubação nitrogenada de
(3)
cobertura (estádio de 12 folhas e grão leitosos). Médias não seguidas pela mesma letra, minúscula
(4)
na coluna e maiúscula na linha, diferem pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05). Coeficiente de variação.
(2)
Quando compara-se as três fontes amídicas (ureia comum, super N e
sulfammo), os maiores teores de N-NO3- na camada de 0,11 – 0,20 m com a ureia
comum provavelmente estão relacionados a maior liberação do nitrogênio do
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fertilizante. Nos fertilizantes de liberação lenta, o retardamento da hidrólise da ureia
devido à proteção do grânulo por camadas de calcário marinho no sulfammo e pelo
inibidor de urease no super N, contribuíram com menor liberação de amônio em
relação à ureia comum e, consequentemente, menor quantidade nitrificada,
resultando em menor quantidade de nitrato na camada de 0,11 – 0,20 m. No caso da
fonte amoniacal (sulfato de amônio), o baixo teor de N-NO3- na camada de 0,11 –
0,20 m está relacionada à permanência na forma de amônio, principalmente na
camada superficial do solo, por causa da menor taxa de nitrificação em relação as
fontes amídicas, pois a nitrificação no período da semeadura até a emergência das
plântulas do milho (9 dias) provavelmente foi suficiente para contribuir
significativamente com maior teor de nitrato no solo somente em relação ao
tratamento sem adubação nitrogenada. Destaca-se que o retardamento da liberação
de nitrogênio com o uso do sulfammo e do super N somente foi possível de se
observar na primeira avaliação realizada após a adubação de semeadura, que
coincidiu com o final da emergência das plântulas de milho (9 dias).
A maior taxa de absorção de nitrogênio no milho ocorre, normalmente, aos 40
e 60 dias após germinação, e acumula cerca de 50% da necessidade do nutriente
(CANTARELLA, 1993). Este período correspondeu a primeira coleta de solo após a
adubação de cobertura (estádio de 12 folhas - 53 dias da emergência). Desse
modo, neste trabalho, apesar de aplicados maiores quantidades de nitrogênio em
cobertura em relação à semeadura, as quantidades de amônio e nitrato no solo com
as fontes nitrogenadas e o tratamento sem adubação nitrogenada foram iguais e,
isso deve estar relacionado à alta taxa de absorção pelas plantas de milho.
Observa-se que na soma das quantidades de nitrogênio mineral no solo (NNH4+ + N-NO3-), na camada 0,00 – 0,20 m, na primeira avaliação após a adubação
de semeadura, foram encontrados os menores valores na fonte nitrogenada de
liberação lenta e na fonte estabilizada com inibidor de urease em relação ureia
comum e o sulfato de amônio (Figura 2). Isto reforça a evidência de que a dupla
capa protetora de calcário marinho no sulfammo protegeu o nitrogênio amídico da
hidrólise e retardou a passagem para forma amoniacal e o inibidor NBPT (N-(n-butyl)
thiophosphoric triamide) contido no super N reduziu a atividade da enzima uréase
presente no solo e nos resíduos culturais, retardando a liberação do nitrogênio
amoniacal. Resultados semelhantes foram obtidos por CANTARELLA &
MARCELINO (2008) com redução na liberação do nitrogênio amoniacal por um
período de 10 a 14 dias.
A diferença na taxa de liberação de nitrogênio das fontes nitrogenadas não
contribuiu para acumulação de nitrogênio na parte aérea das plantas de milho.
Observa-se na tabela 3 que as quantidades acumuladas na palha + sabugo, grãos e
no total da parte aérea não diferiram entre as fontes nitrogenadas. Da mesma
maneira, não houve diferença para a altura de plantas, massa de matéria seca e
rendimento de grãos. Somente houve diferença em relação ao tratamento sem
aplicação de nitrogênio. A média de produtividade nos tratamentos com adubação
nitrogenada foi de 6.571 kg ha-1, com incremento médio de 84,3% em relação ao
tratamento sem nitrogênio (3.566 kg ha-1).
A ausência de resposta às fontes nitrogenadas aplicadas no milho pode estar
relacionada ao parcelamento da adubação, não expressando as diferenças na taxa
de liberação do fertilizante. Somado a isto, as condições adequadas, principalmente
de umidade, logo após a aplicação dos fertilizantes, também devem ter minimizado
as perdas por volatilização de amônia, principalmente da ureia aplicada a lanço e
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sem incorporação, pois uma das principais vantagens destacada ao uso de
fertilizantes protegidos ou com o inibidor de urease é a redução da volatilização
(WATSON et al., 1994). Apesar disso, TASCA et al. (2011) destacam que a
incorporação do fertilizante nitrogenado ao solo é a melhor forma de prevenir perdas
de produtividade devido a volatilização de amônia. O uso de ureia revestida para
substituir a incorporação da ureia ao solo, na dose de 100 kg ha-1 de nitrogênio,
aplicada em dose única em cobertura na cultura do milho, também não foi vantajoso
no trabalho de CIVARDI et al. (2011), pois obtiveram ganho significativo de
produtividade e de lucratividade somente quando a ureia foi incorporada ao solo.
FIGURA 2 Teores de nitrogênio mineral no solo (N-NH4+ + N-NO3-) na camada de 0,00 – 0,20 m
de solo em quatro épocas após a aplicação da adubação nitrogenada no milho com
uso de diferentes fontes nitrogenadas. DMS: diferença mínima significativa (Tukey p
≤ 0,05)
TABELA 3 Altura de plantas, massa de matéria seca da palha e sabugo, nitrogênio
acumulado e rendimento de grãos de milho com aplicação de diferentes fontes
nitrogenadas, na semeadura e em cobertura, na superfície e sem incorporação
ao solo.
Massa de
Nitrogênio acumulado
Fontes
Altura de
Rendimento
matéria
Palha +
(1)
nitrogenadas
plantas
de grãos
Grãos
Total
seca
sabugo
---- m ---------------------------- kg ha-1 --------------------------(2)
Sem N
1,58 b
4.797 b
23 b
66 b
89 b
3.566 b
Ureia comum
1,77 a
6.915 a
39 a
116 a
155 a
6.525 a
Super N
1,83 a
7.195 a
42 a
132 a
174 a
6.751 a
Sulfato de Amônio 1,79 a
6.368 a
40 a
127 a
167 a
6.149 a
Sulfammo
1,80 a
6.769 a
39 a
118 a
157 a
6.858 a
CV (%)(3)
3,1
11,7
15,3
12,9
10,1
11,7
(1)
-1
-1
As doses de nitrogênio foram de 30 kg ha na semeadura e de 70 kg ha em cobertura.
Médias não seguidas pela mesma letra na coluna diferem pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05).
(3)
Coeficiente de variação.
(2)
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.11 n.21; p.1381
2015
Em outro trabalho usando ureia comum e tratada com inibidor de uréase
(NBPT) nas doses de 60, 120, 180 e 240 kg ha-1 de N aplicadas em cobertura no
milho, sem incorporação ao solo, SILVA et al. (2011), encontraram maior
produtividade de milho com o uso de NBPT somente nas duas maiores doses,
alcançando até 13.148 kg ha-1 de grãos. BONO et al. (2011), usando doses variando
de 0 a 200 kg ha-1 de N, destacaram vantagem do uso da ureia recoberta com amido
em relação a ureia comum, na produtividade e na quantidade de N acumulado na
parte aérea do milho, em doses acima de 100 kg ha-1 de N, aplicadas em dose
única, em cobertura e sem incorporação ao solo. Isto reforça que o manejo da
adubação nitrogenada ainda é o principal fator da sua eficiência (FONTOURA &
BAYER, 2010; MEIRA et al., 2011; KANECO et al., 2013) e que o uso de
fertilizantes protegidos ou com inibidor de urease é mais um parâmetro que deve ser
incluído no manejo, sendo comumente negligenciado na adubação da cultura do
milho.
CONCLUSÕES
O uso de sulfammo e super N na semeadura do milho proporcionam menores
teores de N-NH4+ na camada superficial do solo e reduz o deslocamento de N-NO3em profundidade, indicando menor taxa de liberação em relação à ureia comum e o
sulfato de amônio.
A menor taxa de liberação do nitrogênio do sulfammo e super N não contribui
para maior acúmulo de nitrogênio na parte aérea do milho e maior produtividade de
grãos em relação à ureia comum e o sulfato de amônio.
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