AS
POTENCIALIDADES
EXPRESSIVAS DA
PAREDE DE BETÃO
APARENTE
FAUP_Construção 2_Sistemas e Materiais de Construção_Betão_Alzira Castro_António Araújo_Solène Futsch
A origem do betão
Segundo Sigfried Giedion o descobrimento do
cimento deve-se a John Smeaton na
construção do farol de Eddystone, em
Inglaterra, no ano de 1774.
Foi resultado de experiências anteriores
resultando cal viva, argila, areia, e escória de
ferro em pó, como material de união dos
aparelhos de pedra.
O surgimento do cimento Portland atribui-se
a Josep Aspdin, o primeiro aglomerado
hidráulico.
O ambiente tecnológico e político do séc.
XIX tinha dado origem a uma série de
construções utilitárias (pontes, naves
industriais, estações ferroviárias) onde o
uso do ferro desempenhava um papel
estrutural e expressivo crucial nessa nova
linguagem arquitectónica virada para a
estrita expressão dos princípios de Vitruvio
de Utilitas, Firmitas e Venustas.
Ao longo da história a utilização do ferro
começou a demonstrar as suas limitações
enquanto material arquitectónico como por
exemplo, no mau comportamento ao fogo
e às condições atmosféricas, como a
carência de uma manutenção assídua.
O betão surge assim como uma solução a
esse problema. Complementando-se com
o ferro.
As estruturas metálicas envolvidas com o betão
garantiam uma menor dilatação das peças
quando expostas ao calor do fogo e permitia-se
uma maior economia em termos de gastos com
a manutenção do material estrutural. A
conjugação do betão com o ferro teve outras
consequências positivas: o betão tem fraco
poder de reacção a esforços de tracção mas é
resistente quando submetido a compressões, a
inserção de armaduras corrige esse problema e
transforma-o numa vantagem. A construção
em betão armado em termos de
desenvolvimento tecnológico faz com que a
construção metálica passe para segundo plano,
já que em termos construtivos o betão armado
torna-se num material eficaz e funcionalmente
versátil.
Do ponto de vista da linguagem
arquitectónica coincide com o movimento
moderno.
As primeiras utilizações modernas do betão
armado são dispersas e exteriores ao
universo da construção dos edifícios. Como
exemplo dessas experiências pioneiras
aparecem a famosa embarcação de Joseph
Louis Lambot em 1848, e os vasos de Joseph
Monier em 1849.
Estas obras apesar de não estarem
directamente ligadas à construção tiveram
extrema importância na medida em que
estes objectos rudimentares remetiam já
para algumas potencialidades que se
consolidariam com o posterior
desenvolvimento tecnológico do material
como a possibilidade do uso do betão como
um material estrutural. No fim do séc. XIX já
era já era reconhecido pelo seu
funcionamento resistente vantagens como
material construtivo e as suas vantagens
como o facto de ser um material económico.
As primeiras aplicações em grande escala
foram em 1890 com o construtor de
Hennebique.
A forma de dispor a armadura era tão definida
por critérios essencialmente empíricos que
permitiam estabelecer com rigor o
comportamento estrutural dos tramos
principais dos elementos estruturais a
construir. Foi baseado na composição da
estrutura em elementos reticulares formados
por vigas e pilares.
Em oposição o espírito pragmático de
Hennebique criou-se na Alemanha uma escola
de engenharia cuja aproximação ao
comportamento do betão armado era mais
teórica, ascendente em método de cálculo. Um
trabalho por base no Monier, por exemplo, que
estudava o papel do ferro no betão armado na
patente de 1877, nas vigas prefabricadas.
Desenho do sistema de lajes e vigas de betão
armado de Hennebique para uma fábrica têxtil.
Desenvolveram-se assim duas áreas
distintas de estudo:
Sistema francês: Hennebique, sistema
estrutural reticular fundamentado na
utilização do pilar, viga e laje em betão
armado
Sistema alemão: (Wayss e Freytag)
arquitectura de laje, cujas formalizações
expressam a possibilidade do novo material
na realização de finas superfícies curvas
O movimento francês teve extrema
importância no desenvolvimento da
arquitectura. August Perret, Jean Prouvé,
Le Corbusier, e Marcel Lods fizeram
experiências na prefabricação na
sistematização de elementos e processos,
para tentar revolucionar o problema da
falta de habitação a partir da ideia da
rapidez da construção e economia de
meios.
Primeiras manifestações
do betão enquanto
material arquitectónico
O betão passa a intervir na definição de
modernidade arquitectónica.
Numa primeira fase assumiam-se em blocos
a imitar pedra (artificial), não assumindo a
sua natureza e propriedades naturais.
No tratamento de superfície exterior, a
maioria dos edifícios que utilizavam o betão
como material construtivo acabaram por
expressar a mesma linguagem formal que os
edifícios de interior de alvenaria de pedra ou
tijolo (não tirando partido das suas
características de um material distinto)
WILLIAM HENRY LASCELLES 1875 Teve uma
preocupação a nível de aspecto de
superfície. Consegue a coloração castanha
das peças prefabricadas, já que seria esta
cor resistente agressões climatéricas a que
ficaram expostas. Contudo esta expressão
limita-se a imitar edifícios rústicos…
Auguste Perret
Auguste Perret é um dos pioneiros na
exploração das possibilidades do betão armado
e mais especificamente do betão aparente.
Nesta época, há a necessidade de renovar a
linguagem arquitectónica face às novas
técnicas e exigências da sociedade industrial.
ascido a 1874 em Bruxelas, filho de um
pedreiro, Auguste Perret tem uma sensibilidade
para tratar nobremente um material simples.
Perret explorava as potencialidades técnicas do
betão mas sobretudo na sua capacidade
expressiva arquitectónica, introduzindo uma
nova linguagem baseada no princípio de que o
betão tem uma qualidade estética própria e
deve ser explicitada.
Realizou muitos projectos industriais com o seu
irmão que permitiram uma experimentação
construtiva e arquitectónica, em particular nas
superfícies curvas. Tinha conhecimento e
seguiu o sistema estrutural desenvolvido por
Hennebique.
O projecto na rua Franklin nº25 realizado em
1902 foi o seu primeiro edifício em estrutura de
betão armado e deixa de ser um material
dissimulado para fazer parte da linguagem do
edifício.
As superfícies exteriores foram bujardadas
de forma a mostrar a estrutura do interior, o
betão foi usado como elemento estrutural
(como um esqueleto) e revestimento do
edifício ainda com alguns ornamentos florais.
Com este exemplo, Perret mostrou que o
betão era um material respeitável no domínio
arquitectónico, contrariando as ideias
conservadoras do estilo neoclassicismo
dominante na transição do séc. XIX para o
XX.
Apesar disso, avaliando os seus trabalhos
estruturalmente não foram tão arriscados e
os seus projectos por mais ousados no
desenho e nas formas ainda mantinham um
ar tradicional.
Escritórios Rua Franklin nº25 (pormenor do betão)
As oficinas Esders construídas em 1920 em
Paris desenvolveram a partir das novas
potencialidade estruturais do betão abrir
grandes vãos e abóbadas. Auguste Perret fez
uma patente desta invenção.
Este novo modo de conceber a ossatura do
edifício assume os elementos de estrutura
como constituintes activos na imagem do
edifício.
Com os conhecimentos adquiridos na
construção dos edifícios industriais transpõenos para a construção dos seus projectos
Oficinas Esders, Paris.
posteriores. A igreja do Raincy é um exemplo
disso. A realização da abóbada permite a
iluminação do espaço.
Perret utiliza o betão que, após descofragem,
fica à vista. A textura da cofragem em madeira
acentua a expressão arquitectónica da
estrutura. O betão tem aqui uma intenção
formal.
Igreja do Raincy
Le Corbusier
Discípulo de Auguste Perret também Le
Corbusier considerava o betão como o elemento
chave da renovação arquitectónica. Trabalhou no
escritório de Perret em 1908.
Foi um dos arquitectos que no séc. XX mais tirou
proveito deste material, muitas das suas
propostas formais devem-se pela utilização do
betão enquanto material estrutural e de
acabamento. Pela primeira Le Corbusier afirma a
estrutura do betão armado exposto sem
tratamento ou acabamento, revelando
exclusivamente a sua textura e impressão da
cofragem.
Artista plástico e arquitecto, Le Corbusier
integrou as suas obras na componente
escultórica e pictórica de obra de arte.
Estabeleceu 5 pontos para uma nova
arquitectura:
Construção em pilotis, elevada do solo,
cobertura terraço, a planta livre, janela
comprida e fachada livre. Programa este que
só pode ser cumprido com a utilização do betão
armado.
Todo o desenvolvimento do uso do betão
armado deveu-se em grande parte a Le
Corbusier pelo reconhecimento das
propriedades expressivas e de plasticidade do
material.
A prefabricação foi uma resposta à grande
urgência do construído a partir da Segunda
Guerra Mundial. (solução económica e
tecnológica)
Le Corbusier propunha uma produção em serie
semelhante à da prefabricação dos automóveis,
inspirando-se na famosa produção de modelo
da marca americana Ford.
Coordenação modular:
Uma das várias tentativas na padronização dos
elementos levados a cabo pelas tendências
internacionalista da arquitectura moderna, o
módulo corbusiano representa o caso mais
explícito de uma nova sensibilidade pela criação
de uma ordem métrica universal. Garantia da
qualidade dos edifícios.
LE CORBUSIER EXPLORA AS
POTENCIALIDADES DO BETÃO NÃO SÓ NA
VERTENTE ESTRUTURAL COMO MATERIAL
EXPRESSIVO, TEVE UM ENORME IMPACTO NA
COSTRUÇÃO NA SEGUNDA METADE DO SEC
XX.
Casa em dom-ino em 1915 definição de um
sistema estrutural a ossatura completamente
independente das funções da habitação. O
denominado plan libre (um dos conceitos
primordiais da arquitectura moderna)
suponha uma independência entre a fachada,
a divisão interna e o sistema estrutural que
apenas suportava as lajes e as escadas,
dando a total flexibilidade à organização
interior dos espaços. A casa dom-ino seria
fabricada a partir de elementos
estandardizados, combináveis com os outros.
Unidade de Marselha em 1945
Como material resistente o betão armado
assegura a estrutura primária que integra os
pilotis ao nível do piso térreo e garante uma
malha superior onde se localizam as células
habitacionais. O betão em termos de
acabamento de textura apresenta-se com
tábuas de cofragem utilizada.
O encerramento do edifício é feito alternando
em painéis prefabricados por caixilharias de
madeira. Os brise-soleis utilizados são peças
fabricadas de betão; os trabalhos de betão
aparente constituem as formas cubistas do
último piso.
No campo dos acabamentos acaba por se
voltar para o efeito decorativo da superfície
do material estrutural.
La Tourrete finalizado em 1960
O edifício religioso La Tourrete, perto de
Lyon demonstra a forma característica do
material. Situado numa encosta íngreme, a
praça, de estrutura aparentemente regular
tem um pátio fechado interior que à primeira
vista sugere um isolamento rigoroso mas
que mediante uma análise mais próxima
revela uma ligeira inclinação das paredes
externas e adições frívolas que aliviam a
austeridade.
É um exemplo importante que demonstra a
tendência de Le Corbusier pela expressão
áspera, bruta e matérica do "betão bruto".
Este edifício vive dos jogos de luz, das
aberturas que lhe dá um diferente ar
conforme o tempo.
Rudolf Steiner
A propósito da expressividade do betão
Rudolf Steiner, arquitecto e teórico surge
entre o final do séc. XIX e XX, numa época
de grande dicotomia e oscilações estéticas
onde se salientam no campo da
arquitectura a vertente mecanicista
racionalista e o organicismo de tendência
expressionista.
Rudolf Steiner contribuiu para diferentes
áreas de estudo com a filosofia,
arquitectura, teoria, medicina, pedagogia.
De especial interesse na arquitectura e
teoria, Steiner só contribui para a
arquitectura aos 49 anos de idade, tendo
sido autor de 17 obras de arquitectura.
Como arquitecto projectista e teórico teve
grande influência no seu trabalho o poeta
Goethe cujas ideias se baseavam numa
análise da realidade observada com o
objectivo de superar as formas dominantes
do pensamento analítico do seu tempo,
substituindo-o por um pensamento vivo ao
qual chamou o “julgamento intuitivo”.
“Cultivou constantemente uma procura que
superasse o mecanismo causa – efeito, por
uma fenomenologia integral qualitativa”.
Sendo que este princípio teórico da
metamorfose expressou-se na obra de
Steiner essencialmente através do trabalho
de grandes superfícies volumétricas,
curvas, convexas, formas orgânicas e
naturalistas, e não através de um encaixe
de superfícies geométricas numa
organização lógico mecânica.
Goetheanum, centro de antroposofia foi
uma das obras que em termos construtivos
tem um desenvolvimento interessante. É
um dos exemplos mais interessantes da
arquitectura expressionista, que conheceu
duas fases de carácter construtivo distintas.
O primeiro Goetheanum idealizado por
Steiner assentava numa estrutura de
madeira cuidadosamente trabalhada em
cima de uma base de betão, que acabou por
ser alvo de um incêndio e acabou destruído.
Já na concepção do segundo edifício de Goetheanum
estando ciente do problema do material construtivo,
e não querendo correr mesmo risco, de forma
interessante vai concebendo durante o seu processo
maquetas que vão sendo esculturalmente moldadas
com plasticina. Tendo já em vista o resultado de
uma grande “escultura “ monólito todo ele
executado em betão aparente erguendo-se sobre a
paisagem de Dornach. Facto que passar para a
realidade construtiva esta superstrutura de betão
necessitou de um enorme esforço e trabalho a nível
das cofragens sem as quais muitas superfícies
curvas e arestas afiadas do betão ensaiadas nas
maquetas não teriam sido alcançadas. Cofragens
que foram realizadas por um carpinteiro chamado
Heinrich Liedvogel e que consistiam em tiras finas
de madeira curva e húmidas pregadas sobre os
quadros.
1º Goetheanum (1908-1925)
Estrutura em Madeira apoiado
sobre uma base em betão
Esta sua obra acabou por se tornar numa das obras
mais impressionantes do séc. XX, símbolo da
arquitectura expressionista e das obras pioneiras em
betão aparente. Onde Rudolf Steiner foi capaz de
levar o trabalho do betão para outro nível
completamente distinto. Do simples plano
puramente estrutural, rígido e construtivo de como
o betão era visto até então, Steiner levou-o para um
plano mais plástico/orgânico, moldando –o como se
de uma escultura se tratasse, o betão ganha formas
diferentes através do grande trabalho de cofragens
parecendo ganhar vida própria.
2º Goetheanum (1924-1928) Destacado na
paisagem apresentando as suas formas
orgânicas em betão aparente
Composição do
material
O betão é um material composto, de carácter
fluido e por ser moldável confere-lhe muitas
possibilidades na materialização da concepção
arquitectónica.
O uso do betão permite a exploração dos
acabamentos da sua superfície e a criação de
uma plasticidade do material possibilita uma
vastidão de formas quase infinita daí o seu
interesse por parte de arquitectos e
engenheiros).
É uma pasta composta por uma mistura de
brita/cascalho, areia, cimento, água, e aditivos
que conforme os casos pode ser vertida em
cofragens, inserida em armaduras dispostas de
acordo com a configuração pretendida.
É um material com excelentes propriedades de
resistência mecânica (em relação a outros
materiais tem custos inferiores)
Consoante a resistência que se pretende num
determinado betão pode-se variar a sua
compacticidade dos próprios constituintes da
massa compósita.
O aspecto final das superfícies depende do
tipo de constituintes do betão, como da
qualidade do cimento, o tipo de esforço, a
idade do betão, a qualidade relativa de agua,
dos aglomerados dos inertes da sua
compactação.
O processo de fabricação do betão é um
processo aparentemente simples mas que até
atingir a sua maturidade técnica tem uma
evolução lenta dada a heterogeneidade da
sua própria composição e a complexidade do
seu comportamento.
Aplicação e fabrico
do betão armado
Existem dois tipos de aplicação e fabrico de
betão, com características bastante distintas:
o betão fabricado in-situ e o betão
prefabricado.
O betão prefabricado em termos de
acabamentos possibilita uma vasta gama de
expressões, já realizadas no betão in-situ, é
uma solução pior quer pelo custo que é mais
elevado como pela impossibilidade de
proceder a um controlo rigoroso de qualidade
do processo produtivo (já no sistema de
produção em fábrica a qualidade está
garantida).
A primeira fase no fabrico do betão é o
doseamento e mistura dos materiais
constituintes da composição. Nomeadamente
na quantidade de água já que também está
presente nos inertes.
Na betoneira primeiro introduz-se os inertes
mais grossos e uma parte de água depois o
cimento e a restante água. Finaliza-se com a
adição dos restantes inertes que é variável. O
tempo para amassar é superior a um minuto
e duplica na adição de adjuvantes. A mistura
de betão está pronta quando se obtém uma
pasta homogénea (melhora a moldagem e
optimiza a superfície final)
A segunda é a colocação do betão no
molde que depende do tipo de cofragem
pretendido, devendo ser distribuído em
telas horizontais. Cada camada deve ser
compactada após a sua colocação e nunca
ter mais de 50cm de espessura (nas
paredes laterais não seria possível a
libertação das bolhas de ar)
Para a sua compactação recorre-se à sua
vibração libertando o ar aprisionado da
mistura de betão e mantendo o arranjo
interno das partículas. A compactação vai ter
influência no resultado final.
O método de compactação mais utilizado
resulta numa vibração de altas frequências a
partir de uma agulha. Ao submeter o betão
fresco à vibração e por acção da gravidade as
partículas mais densas descem e obrigam o
ar a sair da mistura. Os pontos de vibração
devem distar conforme o diâmetro da agulha
(entre os 25 e 70cm). A agulha deve estar
em contacto com a camada de betão até
metade da sua altura e não deve tocar na
armadura (pois o betão pode não aderir à
estrutura e causar problemas estruturais).
Existem outros métodos de vibração do betão
como na própria cofragem, que é o sistema
com melhores resultados, já que a zona mais
vibrada é a superfície provocando uma maior
eliminação das partículas de ar junto à mesma.
É importante também referir que o tempo de
vibração é variável e uma vibração longa
demais pode ter efeitos negativos na massa de
betão como aumento das bolhas de ar,
rompimento da estabilidade de argamassa ou
manchas na face do paramento.
O betão ao perder água diminui e pode demorar
mais de um ano atingir o estado definitivo.
Diminui a maior parte no período imediato à sua
colocação e após o primeiro ano a forma
mantém-se estável. Aproximadamente 28 dias
depois do início da presa de betão atinge a sua
presa de referência. A secagem e mistura deve
ser gradual e lenta para possibilitar a totalidade
das suas reacções nomeadamente a formação
dos cristais essenciais à sua resistência.
A cura é feita para proteger o betão contra
a desidratação acelerada que tem efeitos
com a perda de cor, resistência,
impermeabilidade e resistência ao desgaste
e aos ataques químicos ao produto final.
Pode ser feita pela não remoção da
cofragem durante toda a cura (não permite
a reutilização dos moldes) ou através da
cobertura das membranas de cura para
que formem películas impermeáveis ao
vapor de água ou também aplicação de
agentes líquidos sobre a face do betão. A
temperatura e humidade do ambiente
condicionam o tempo para retirar os
moldes que varia dos 3 aos 28 dias (pode
ser reduzido através de tratamentos
térmicos). Uma peça só pode ser retirada
do molde quando atinge 50% da
resistência que se espera ter aos 28 dias.
Na prefabricação este tempo pode variar
com a manipulação das temperaturas
benéficas a uma melhor produção e mais
rápida.
A superfície da parede de
betão armado
As superfícies com cor ou textura podem ser
obtidas: antes da moldagem (através do molde),
após a moldagem (dependendo do processo de
fabrico) e depois da cura através do tratamento
por ácidos, pintura, jacto de areia ou polidos.
Relativamente ao tratamento das superfícies
betonadas, Tinhamér Konoz classifica-as
segundo quatro alternativas distintas
1- Superfícies em que o molde serve de cunho
(estampagem);
2- Superfícies enobrecidas mediante tratamentos
mecânicos;
3- Tratamento químico;
4- Tratamento através de pinturas e
recobrimentos;
1- Na primeira abordagem, e relativamente à
cofragem um objecto em betão está
directamente ligado ao material com que é
cofrado, o molde define não só a forma do
objecto como a sua textura. Por isso o tipo de
cofragem depende do tipo de peças a betonar
e do acabamento pretendido. A dimensão da
peça está directamente ligada às funções
estruturais e por sua vez a cofragem tem de
prever as suas forças e evitar deformações do
molde. Existem vários materiais para um
molde. A escolha varia consoante a superfície
que se pretende e no especifico caso da
parede de betão aparente é importante que
esta superfície seja lisa e impermeável.
Exemplos de cofragens:
Madeira: normalmente os painéis são
compostos por peças maciças e laminadas
de 12 a 35 mm e revestidas por um
material impermeável que protege o
painel das infiltrações.
Metal: as cofragens permitem uma maior
rigidez e resistência e absorve melhor os
impulsos do betão fluido. A vibração pode ser
aplicada directamente no molde. É um sistema
mais caro e a sua manutenção e limpeza é
difícil. Um dos problemas que pode
desenvolver é na contaminação da superfície
por oxidação superficial.
Betão: é uma solução mais difícil na
manutenção e mais pesada (é mais utilizada
na
prefabricação).
As
superfícies
que
resultam deste tipo de cofragem são muito
lisas e tem a vantagem de não alterar a
dimensão. No entanto, a manutenção é cara
devido ao polimento necessário para a sua
descofragem.
Para outros tipos de efeito pretendido na
superfície bem como cofragens flexíveis ou
insufláveis, ou na fabricação de peças
especiais ou com grande rotatividade como na
prefabricação podem se usar outros materiais
como moldes em fibra de vidro, PVC, acrílico,
elastómeros ou em poliestireno.
2- No segundo, em execução mecânica pode
ser subdividido duas categorias: uma em que
a superfície de betão húmido que pode ser
executada com placas ou tubos de alisamento
por exemplo. A segunda, em betão
endurecido, que consiste em lavagens, feitas
através de agua nas partículas finas pouco
tempo depois de betonar ou enquanto a
fabricação mistura-se barro com a gravilha
escolhida para capa da superfície; através de
jactos de areia, que possibilitam uma acção
mais erosiva, ou então através da bujardagem
ou outros utensílios.
3- No terceiro ponto através do tratamento
químico das superfícies, e possível aumentar a
solidez da superfície
4- No quarto ponto que se refere às pinturas e
recobrimentos pode ser feito em betão húmido
ou endurecido através da pulverização ou
projecção.
Ex: biblioteca Eberswalde Herzog e Meuron
Edifício de exposições de colecção Oscar Reinhart em Winterthor
Edifício da central ferroviária de Zurique Annette Gigon e Mike Guyer
Aproximaçao do tom do betao à accao dos comboios a travar (betao composto
por oxido de ferro pigmento com a mesma base quimica da substancia libertada)
Edifício de exposições de colecção Oscar Reinhart em winterthor, Gigon e Guyer.
Em "el homigón premoldeado en la arquitectura"
Morris agrupa os acabamentos em agregados
expostos ou revestimento de agregados com o
objectivo de remover a capa superficial de cimento e
areias que pode ser feita através da lavagem com
água, retardadores, aplicação de ácidos e remoção
mediante abrasivos) e ainda recobrimentos da
parede ou moldagem com texturas.
Critérios de selecção
de agregados
Requisitos de durabilidade, livre de impureza e
ter a forma adequada à elaboração de um bom
betão;
Deve ser suportado por amostras realizadas pelo
fabricante para uma maior precisão no produto
acabado.
O factor da luz é determinante na modelação das
superfícies.
Deve ter em conta a acção das condições
atmosféricas.
Quanto à cor o betão pode ser composto por
vários tipos de cimento com colorações
diferentes nomeadamente o cimento cinzento
que é o mais barato, betão branco que apresenta
vantagens na homogeneidade do tom e menor
diferença de tonalidade ou betão de mistura (a
uniformidade é maior quanto maior for a
percentagem de cimento branco, sendo que a cor
cinzenta é sempre dominante).
Questões de detalhe na
obtenção de uma
superfície especifica
Visto que o aspecto final das superfícies
depende do tipo de constituintes do betão
deve-se definir previamente a forma, a
cor, o acabamento de superfícies (que
condiciona a composição, tem uma grande
variedade de cofragens e consoante a solução
do projecto varia no processo construtivo) e a
técnica construtiva utilizada (se é betão
fabricado in-situ ou em prefabricado). Quanto
à técnica construtiva utilizada vai alterar a
aparência das peças. Os elementos em
prefabricado têm vantagens em termos de
homogeneidade e qualidade de superfície que
é garantida pelo seu fabrico prévio, quando é
feito in-situ tem de ser definido e testado
previamente o seu tipo de cofragem,
estereotipia e os planos de betonagem.
Sendo considerado um material com
grandes potencialidades estruturais: a
industrialização assegura-lhe os melhores
resultados compatibilizando a qualidade das
peças com o preço dos meios produtivos
empregues. Garantindo assim uma mão-deobra qualificada, sistematização dos meios
empregue, controlo apertado da produção e
o fabrico de componentes de betão.
Especificamente na qualidade de
acabamentos, a prefabricação representa o
método mais fiável e rentável na produção
em larga escala de peças.
Quando actualmente o tempo de construção
das obras é reduzido e onde os níveis de
qualidade técnica são cada vez mais
apertados, a prefabricação aparece como
um sistema produtivo que do ponto de vista
técnico como arquitectónico capaz de
grande desempenho.
Processo de execução:
Moldagem-betonagem-compactaçaodesmoldagem
Armazenamento-transporte-montagem
Outro defeito resulta da não utilização de
óleos específicos descofrantes (resulta no
descasque) ou quando na altura da
descofragem por defeito do molde ou por
Os defeitos da parede de betão aparente
condições atmosféricas não o permite fazer
consistem em todos os tipos de irregularidades correctamente.
desde variações dos tons, defeitos na
A fissuração da parede de betão é também
superfície como o aparecimento aleatório de
um problema que pode resultar interna ou
buracos causados pelas bolhas de ar no betão
externamente.
solidificado. Pode ter origem na quantidade
Quando há uma diminuição de água e
errada de água de amassadura, ou pelo modo
aumento de quantidade de finos na
como o betão foi vertido para o molde ou por
composição do betão é frequente ocorrer
vezes também as bolhas podem ficar retidas
ou por estar em contacto com variações
no molde e nem a vibração por vezes corrige o atmosféricas.
problema. Outro dos defeitos ocorrentes são
Outro defeito ocorrente é o aparecimento
bolhas maiores chamados vazios ou "chochos" de manchas que pode ser causado por um
que podem ocorrer pela falta de elementos
encobrimento insuficiente da armadura ou
finos para cobrir os inertes de maior dimensão existência de impurezas nos inertes.
ou por uma armadura demasiado apertada que Defeitos como o aparecimento do interior
não permite aos inertes deslocarem-se
da ferrugem para o exterior ou passagem
livremente no molde durante a vibração. Não
dos defeitos de um molde de madeira não
só são defeitos de superfície como para o
tratada para o betão.
envelhecimento do betão, são mais
Para qualquer parede de betão aparente é
susceptíveis a criar organismos indesejáveis,
necessário ter todas estas limitações do
por exemplo. Outro defeito de superfície
material e prever, adequando a composição
resulta na reduzida quantidade de cimento e
do betão e a sua aplicação às condições
pode provocar uma textura arenosa do
climatéricas de um determinado local onde
paramento.
o edifício se localiza.
Defeitos da superfície
de betão aparente
Secção de betão armado que foi corroído pela agua
Fissuração
Ferrugem na parede de betão
bolhas de ar no betão solidificado
As obras do betão
aparente
- Serôdio e Furtado habitação pluriflamiliar em Sá de
Albergaria, Porto, 1991-2002.
- Olgiati escola em Paspels, Suiça, 1998.
-Herzog e De Meuron biblioteca da escola tecnica de
Eberswalde, 1993-1996.
O principal objectivo na escolha destes exemplos foi
para demonstrar os diferentes tipos de aplicação de
betão aparente.
Cada um dos exemplos representa soluções
construtivas distintas, sendo que num dos exemplos
é da dupla de arquitectos Serôdio e Furtado, a
parede de betão aparente assumida é a parede
estrutural. Neste exemplo, construído na foz do
douro, Porto, Portugal a parede de betão afirma-se
do lado exterior, sendo que o isolamento acústico se
faz no interior do edifício revestido a alvenaria e
reboco.
Para percebermos as diferentes adaptabilidades da
parede de betão em diferentes lugares usamos outra
referência, esta do arquitecto Olgiati na Suiça (escola
de Paspels) em que a parede de betão é usada
também enquanto solução estrutural e revestimento
quer no exterior como no interior.
Olgiati desenha a parede estrutural no interior com
uma espessura de 250 mm, no meio resolve o
isolamento térmico com 120mm e faz uma contra
betonagem para o exterior com as mesmas
características da parede estrutural interna, com
250mm de espessura.
Achamos pertinente também usar um exemplo em que
a parede de betão aparente serve somente como
revestimento em que a estrutura é feita em separado e
não é afirmada, já o revestimento feito em blocos de
betão prefabricado.
Em termos de processo construtivo ambos tem a
mesma lógica de concepção construtiva e em ambos é
clara a intenção de afirmar a parede de betão à vista.
Ambas as betonagens têm uma proporção de 25cm de
espessura mas devido aos factores climatéricos distintos
destes dois países o isolamento na Suíça é mais
resistente e espesso à partida do que em Portugal.
Tendo em conta essas condicionantes externas o
isolamento e a contra-betonagem variaram. Enquanto
no edifício de habitação plurifamiliar de Sá de Albergaria
tem um isolamento mais simples e uma parede de
alvenaria de tijolo de 7 cm revestida a reboco, na escola
de Paspels para além do isolamento a mesma parede de
betão é assumida para o interior.
No caso do Herzog , diferente dos anteriores resolve a
estrutura e o revestimentos ambos em betão mas em
separado. Enquanto que nos dois exemplos a parede de
betão estrutural é assumida como pele do edifício, neste
exemplo utiliza-se o mesmo material mas apenas como
um material de acabamento. Há no entanto uma forte
intenção de querer relacionar esse acabamento com as
funções do próprio edifício.
Neste caso os painéis de betão são em prefabricado e
como expressão de acabamento faz uma fotogravação
em betão que consiste na transferência de uma
fotografia para a tela através do processo da serigrafia,
usando retardador de presa em vez de tinta.
Ogiati Escola em Paspels
Serôdio, Sá de Abergaria
Serôdio, Sá de Abergaria
Herzog Bibioteca
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e a técnica construtiva utilizada