<> quantidade de “enter” <> <> <> UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE <> <> <> <> <> A IMPORTÂNCIA DA APLICABILIDADE DE LIMITES PARA CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS <> <> <> Por: Geisa Cristina Cardoso Mamede Barbosa <> <> <> Orientadora Prof.a. Mari Sue Pereira Rio de Janeiro 2004 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE <> <> <> <> <> A IMPORTÂNCIA DA APLICABILIDADE DE LIMITES PARA CRIANÇAS DE 2 A 4 ANOS <> <> <> <> <> Apresentação de monografia à Universidade Cândido Mendes como condição prévia para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Educação Infantil e Desenvolvimento. Por: Geisa Cristina Cardoso Mamede Barbosa Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 3 AGRADECIMENTOS Ao meu esposo Fernando pelo seu carinho, apoio e dedicação. À minha filha Maria Cristina que mesmo tão pequena me apoia muito. À Mestra Mari Sue Pereira pela orientação e apoio nas horas de incertezas e dúvidas. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 4 O esforço gera frutos e os frutos são mais apreciados, mais valorizados, quando plantados e colhidos por nós, que nestas horas aprendemos de imediato a dar valor ao que o outro plantou e colheu. (André Costa) Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 5 DEDICATÓRIA Este trabalho é dedicado à minha doce e querida filha , que mesmo não fazendo parte do universo desta monografia foi privada de horas de lazer e da minha companhia, ao meu esposo que muito me incentivou na realização e no decorrer do curso e da monografia. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 6 METODOLOGIA Pesquisa Bibliográfica e leitura de livros sobre o tema, de revistas e artigos da Internet , que ajudaram no desenvolvimento e conhecimento do tema abordado. O tema proposto é de fácil desenvolvimento, pois é atual e moderno, tendo um bibliografia extensa, que foi usada no decorrer do trabalho. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - A Aplicabilidade de Limites: Importância 12 CAPÍTULO II - Estabelecendo Limites para Crianças de 23 02 a 04 anos CAPÍTULO III - A Influência do Lúdico na Construção de Limites e Regras 38 CAPÍTULO IV – Reflexos na Adolescência da Falta de Limites 44 CONCLUSÃO 53 BIBLIOGRAFIA 58 ÍNDICE 60 FOLHA DE AVALIAÇÃO 61 Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 8 INTRODUÇÃO Segundo alguns conceitos: “Limite” pode significar aquilo que deve ser transposto para atingir a maturidade, para caminhar em direção a excelência em alguns campos de atuação e conduta; ou “Limite” pode significar aquilo que deve ser respeitado, não transposto, seja para viver bem, seja para deixar os outros viverem bem; ou “Limite” pode também remeter a fronteira da intimidade, ao controle do acesso dos outros à nossa pessoa; ou ainda: “Limite” pode ser um ponto estabelecido na família , na sociedade ou na comunidade escolar o qual não pode ser ultrapassado para que todos tenham uma convivência harmoniosa, pacífica e feliz; para que todos se integrem e se interajam para o bem comum. Este trabalho falará sobre este último conceito. A educação dos filhos é uma prática social influenciada pela cultura de cada momento histórico . Por este motivo o problema dos limites ou da falta deles, deve ser examinado a partir da análise da cultura e do momento. Para compreender esse problema temos que compreender em que medida nós pais e educadores contribuímos na produção de idéias e práticas que constróem a cultura de nossa época. Em cada momento histórico , em cada contexto social são constituídas idéias do que é correto e incorreto, do que é aceitável ou não , pelos seres humanos , através das relações que estabelecem com outros seres humanos. Estabelecer limites e regras é importante porém difícil. Nos tempos atuais tornou-se ainda mais complicado. regras, disciplina e deveres aos filhos . Antigamente, os pais impunham Batiam, corrigiam e colocavam de castigo. Na atualidade os pais sentem grandes dificuldades em estabelecer limites que sejam razoáveis, sem que estejam atentando contra a liberdade dos filhos. Estão sempre com dúvidas, já que no seu tempo a educação era mais Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 9 rígida e, seus pais os tolhiam , não os deixando realizar seus desejos. Eram submissos e dependentes. A moderna Psicologia e os avanços da modernidade mudaram tudo. Tudo passou a ser errado , passou a traumatizar. Os pais passaram a ouvir seus filhos e sua vontades e desejos satisfazer. Os problemas passaram a ser discutidos e conversados. A relação entre pais e filhos tornou-se mais democrática. Porém, esta forma de educar é mais difícil e por muitas vezes, não funciona. Os filhos tornaram-se egoístas, mal educados, passaram a não ter respeito por nada , nem por ninguém. Os pais erraram ao exagerar na democratização e liberdade que concederam, e, começaram a se perguntar o que fizeram para ter criado filhos desrespeitosos, que provavelmente, se tornarão cidadãos que não pensarão em seus semelhantes, não reconhecerão o outro como um ser humano , como si mesmos. Os pais começam a perceber que dar limites é importante, saber a hora certa de dizer “não”, é fundamental para que o equilíbrio futuro não seja comprometido, pois estas poderão ser pessoas com dificuldades de tomar conta do seu próprio destino, não conseguirão ser seguras e ter confiança em si mesmos. A falta de limites na educação das crianças e adolescentes tornou-se um ponto crítico, devido às dificuldades dos pais em dizer “não” , conciliando disciplina com liberdade. permissivos e passivos. Com medo de serem autoritários tornaram-se Muitas vezes transferindo para os filhos a responsabilidade de tomar decisões. Não vêem que é tarefa dos pias colocar estes limites para proteger e orientar os filhos na infância e na adolescência. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 10 Asha Phillips, em seu livro Dizer Não (2000), nos coloca que: “Pais que se sentem culpados em dizer “não” acabam roubando de seus filhos a oportunidade de exercitarem suas emoções e desenvolverem sua autonomia e maturidade . Dizer não é um ingrediente indispensável nas relações de amor, seja qual for a natureza desta relação“. Como Asha Phillips nos coloca dizer “sim” sempre, não é proveitoso, pois podemos estar nos privando e, a nossos entes queridos de conquistar aptidões e recursos, dizendo não, nos momentos apropriados. Negar não significa uma rejeição ou agressão ao outro, na verdade pode demonstrar uma crença na força e capacidade deste. A grande questão enfrentada pelos pais de hoje em dia é discernis até que ponto permitir e ceder é possível, e até que ponto essas condutas levarão os filhos a não desenvolverem a capacidade de tolerar a frustração, tornandose crianças e adultos egoístas, intransigentes e sem limites. Alguns se mostram convencidos de que o correto é ser firme com o filho, mantendo-se seguros em suas argumentações. Outros, com medo de errar, de castrar, de frustrar, têm atitudes de excessiva permissividade, e falta de autoridade em relação aos filhos. Se os pais perceberem que colocar limites é uma necessidade e, não é condenável, se isto for importante para o desenvolvimento e crescimento da criança, conseguirão agir de forma equilibrada e justa. Tânia Zagury nos enfoca em Limites Sem Trauma que: Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 11 “Dar limites absolutamente não se choca – nem é o oposto, como muitos pensam – com dar amor, carinho, atenção e segurança”. Quando os limites são estabelecidos com concordância e incentivando as atitudes positivas e criticando as negativas, a criança aprende as regras básicas de convivência e inicia de forma sólida o processo de socialização. Os pais devem premiar e recompensar as atitudes positivas e ignorar ou reprovar as negativas, mostrar que a criança não pode crescer quebrando tudo, agredindo os amigos, e violando regras sociais ou insultando parentes, professores ou autoridades só porque quer ou acha isso justo. Esta monografia abordará mais a fundo destes problemas. “Educar envolve um novo desafio a cada dia”. (Tânia Zagury , Limites sem Trauma). Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 12 CAPÍTULO I A APLICABILIDADE DE LIMITES : IMPORTÂNCIA ..Deus é maior que todos os obstáculos. Estabelecer, aplicar limites e o próprio conceito de limite é muito complexo de se entender , difícil e complicado para pôr em prática. A complexidade do problema dos limites está ligada à resposta às seguintes perguntas: Que tipo de Ser humano se quer formar e, que tipo de educação queremos propor , para que tipo de sociedade? A resposta a essas questões nos dará parâmetros dos limites e da disciplina que queremos propor, Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 13 e quais são necessários para a construção de Seres humanos criativos , livres e ao mesmo tempo responsáveis e solidários. Limitar é educar, impor regras e normas que em determinadas faixas etárias é difícil de se aceitar e entender, principalmente , antes de 2(dois) anos e, quando não é demonstrado desde cedo, para as crianças , estas crescerão e se tornarão adultos também sem limites. Com medo de serem muito rígidos ou maus e, de prejudicarem a criança no seu desenvolvimento pessoal e criativo, os pais evitam dizer “não” , evitam contrariar, e, acabam por não colocar limites e um ponto final no comportamento desta. A criança não aprende quais são as regras, o que é certo e o que é errado na sociedade em que vive , não respeita o limite das outras pessoas. O fato de trabalharem muito e ficar pouco tempo com os filhos, faz com que os pais não estabeleçam os limites necessários. Por terem medo dos filhos se decepcionarem com eles, aceitam tudo. Por se sentirem culpados , deixam os filhos fazerem tudo o que querem ou desejam. Agindo assim, impedem que ocorram situações nas quais possam aprender a tolerar frustrações e “nãos” , tão importantes para o crescimento pessoal. Os limites devem ser aplicados desde cedo. Talvez, desde o nascimento, para a criança crescer tendo noção do que pode e do que não pode fazer ou ser. Por exemplo, quando a criança começa a andar, começa a mexer em tudo, se sentindo dona do mundo , é importante que nesta hora os pais definam , em que pode mexer ou não, no que pode tocar ou não, sempre insistindo com firmeza que não pode. Os pais devem ter uma mensagem certa e um tom de voz firme. Nesta fase, também , a criança gosta de bater, como se fosse para ela uma brincadeira . É importante ensinar à criança que não deve morder, nem bater, em ninguém. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 14 Dizer não às crianças , não é deixar de amá-las ou amá-las menos , é mostrar-lhes que existem coisas que podem fazer e outras que não podem. É ensinar-lhes que algumas atitudes não são aceitas pela sociedade em que vivemos . Um “não” dado na hora certa pode ensinar mais que várias palavras, ou tapas que possam ser dados. Desde cedo , deve ficar claro, quais são as regras do jogo, o que pode e o que não pode ser feito. Os pais têm que estabelecer limites claros e objetivos para que a criança saiba exatamente o que se espera dela. É preciso dizer “não” para que a criança perceba que há um limite. Porém, só irá respeitá-lo se a promessa feita , caso não obedeça, seja cumprida, e a conseqüência cobrada se houver desrespeito às normas estabelecidas. É importante que os pais cumpram o que foi tratado para que a criança tenha noção das conseqüências dos seus atos , aprendendo a controlar seus impulsos. Esta atitude evitará que esta se choque com os valores sociais futuramente, facilitando sua adaptação ao meio no qual vive. Deixar claro o que deve e o que não deve fazer e, quais as conseqüências de persistir no erro é fundamental para a criança saber o que é o certo. Os pais devem sempre executar as promessas preestabelecidas . Nunca faltar à palavra , pois isso deixa a criança insegura e agressiva. Limites claros e que tenham sentido para a criança ajudam-na a saber como agir. Ela aprende o que se espera dela e o que pode esperar dos outros. Dando-lhe uma sensação de segurança, mesmo quando ela aparenta discordar do limite imposto. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 15 Os limites estabelecidos devem estar de acordo com o comportamento inadequado das crianças. Estabelecendo algumas regras, já começamos a delinear limites , deixando evidente quais são eles. Com isso, se houver transgressão , nunca será por ignorar o que pode ou não ser feito . Assim, evita-se muitos aborrecimentos e perda de tempo. Dar limites não significa ser rígido. Se não é tão importante , deixe para outra hora. A criança tem direito também a se expressar e ser atendida nas suas necessidades, o que fortalece seu crescimento e sua capacidade de tomar decisões . É importante saber equilibrar os direitos e deveres desta e dos pais também. Então, o que fazer para ser moderno sem perder a autoridade e o respeito das crianças? É preciso ter certeza do que realmente se quer, que tipo de cidadão se deseja formar e, não esquecer que aplicar limites e regras é essencial para a vida futura , em sociedade, da criança. Fixar limites significa organizar uma pauta de que toda criança necessita. Cabe aos pais a responsabilidade de que estes sejam razoáveis. Freqüentemente , o negativismo da criança é apenas sua forma de testá-lo , para ver se você se mantém coerente nos limites que determina. Alguns limites são óbvios : - “Não deixe seu filho pequeno ir a rua . Não deixe ficar batendo numa porta de vidro. Não o deixe perto de um forno quente. “ Há outros limites, menos fáceis de fixar, mas que são igualmente importantes . Como por exemplo, um referente às crianças pequenas , é a determinação da hora de dormir. Estabelecer uma hora para ir para a cama, mas, não seja muito inflexível e rígido quanto ao horário, pois ocorrerão dias nos quais a criança , realmente, não esteja com sono, na hora determinada. Mas, os pais não devem se frustrar por estabelecer ocasiões de disciplina. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 16 Devemos cumprir o que dissemos, ser coerentes com os limites impostos, fazer a criança assumir as conseqüências da quebra dos limites, não ficar com pena, ser firme e seguro. Fazer a criança entender que é possível realizar inúmeras coisas que se deseja , mas nem tudo e nem sempre. Ensinar que somos todos iguais e temos os mesmos direitos. Saber dizer não sempre que houver necessidade. Ensinar que outras pessoas são tão importantes quanto nós. Fazer a criança entender que é possível realizar inúmeras coisas que se deseja , mas precisa saber ouvir e, falar na medida certa, ensinar que nem sempre temos razão e que nem tudo o que fazemos é certo ou o mais importante. Fazer a criança entender a importância de respeitar o próximo com seus defeitos e qualidades. Ser firme e seguro tanto na hora de dar um sim como na hora de dizer um não. Temos que ter normas coerentes de disciplina, regras justas e definir estas normas e regras antes dos problemas aparecerem. Os limites devem ser estabelecidos de acordo com a idade da criança, não devendo exigir demais de uma criança muito pequena , ou ser muito flexível e maleável com a que já entende o que não deve fazer. Não podemos deixar passar as oportunidades reais de educação , aquelas em que , com firmeza e seriedade devemos interferir para o bem da criança , da sociedade e, para o bem das relações futuras que a criança irá vivenciar. Como por exemplo, no caso dos adolescentes, ensiná-los a dizer não aos amigos que lhes ofereçam drogas. Os pais devem ensiná-los a ser seguros e firmes. O tempo e o espaço físico da criança devem ser organizados, a fim de permitir que esta entenda os limites e desenvolva autonomia, aprendendo a agir no mundo de forma a encontrar equilíbrio entre o que ela quer fazer e as regras sociais. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 17 Os limites devem ser estabelecidos, também , através de discussões com as crianças os critérios , estabelecendo os direitos e deveres de cada um, ensinando que devem cumprir as normas e zelar pelo cumprimento das regras estabelecidas. Nesta hora, deve haver segurança e firmeza, pois crianças sem limites ou equilíbrio ficam sem parâmetros para sua vida presente e futura. Conforme nos coloca Ellen Bee no seu livro A Criança em Desenvolvimento: “ São importantes regras claras sobre o que fazer e sobre o que não fazer. Explicar o porquê das regras. Explicar as conseqüências da ação da criança , em termos de seus efeitos sobre os outros, por exemplo:_ ‘se você bater no seu irmão irá machucá-lo’. É igualmente importante apresentar regras ou orientações positivas , por exemplo: _’É sempre bom ajudar às pessoas ‘. Mas apresentar regras certamente não adiantará nada se seu próprio comportamento não combinar com aquilo que você diz. Deve-se modelar comportamentos generosos e atenciosos”. Como nos colocou Ellen Bee, as regras , os limites e a disciplina dever servir para melhorar a convivência e a qualidade de vida de todos . Colocar limites nos desejos é educar. Ser liberal demais cria seres folgados . O estabelecimento de disciplina com limites adequados é imprescindível para um crescimento e desenvolvimento saudável da criança. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 18 Freud tinha uma posição radical de que não há civilização , nem sociedade justa, sem sérias restrições, sem limites e sem repressão (LA TAILLE, Yves de , Limites: três dimensões educacionais). Os limites devem ser pensados em função do bem-estar e do desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade. São necessários , porém devem incidir sobre as ações e não sobre os sentimentos. Içami Tiba coloca em seu livro Disciplina: Limite na Medida Certa que : “Para viver em sociedade , o ser humano não necessita apenas da inteligência. Precisa viver segundo a ética, participando ativamente das regras de convivência e encarando o egoísmo , por exemplo, como uma deficiência funcional da social “. Para atingirmos o objetivo maior da felicidade precisamos de regras e de disciplina. São elas que nos ajudam a não sofrer quando algumas pequenas vontades, menos essenciais, não podem ser satisfeitas. “ A disciplina é um dos pilares do crescimento civilizacional do homem e, consequentemente , tem um valor social muito importante “ ( Tiba, Içami, Disciplina, Limite na Medida Certa). Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 19 É essencial à educação saber estabelecer esses limites e valorizar a disciplina. E , para isso é necessária a presença de uma autoridade saudável, com respeito a auto-estima e ao caráter da criança, pois a própria forma que esta é ajudada a lidar com as frustrações de não ser capaz de fazer certas coisas, determina o modo como enfrentará situações nas quais não puder obter o que quiser imediatamente. Muitos pais e professores pensam que castigo e disciplina andam sempre juntos, na hora de aplicar certos limites. Aplicar castigos não é o único meio de lidar com esta questão nem o mais apropriado . Há outros pais que não aplicam castigos e, não encontram outra forma para estabelecer limites, pois acreditam que se forem muito rígidos no estabelecimento destas regras as crianças se tornarão infelizes. Consideram que não dando limites estão sendo bons para a criança , porém , na realidade a criança indisciplinada e sem limite , geralmente , é mais infeliz. Os pais têm que achar o melhor método com o seu filho para estabelecer limites e regras, de acordo com o seu meio e convívio. Hymes , citado no livro: Comportamento Infantil, Estabelecendo Limites, de Patricia Machado Brum, nos diz que : “Freqüentemente as crianças sem limites se sentem perdidas e confusas, quando não assustadas, por nunca saberem onde estão os limites. Freqüentemente, se sentem não amadas , porque ninguém parece importar-se o bastante com elas, para ensinar-lhes o que é certo e o que é errado, ou o que é ou não é permitido “. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 20 A base de uma boa educação e disciplina é a criança sentir-se amada, pois deixará se influenciar docilmente por quem lhe dá amor , e por quem aceita seus modos de pensar e agir. Para ensinar disciplina, os pais e professores devem ser disciplinados, pois assim, estarão fazendo a criança perceber o que isto significa, seguindo o exemplo , a criança saberá construir limites e terá disciplina. O exemplo ensina mais que mil palavras. Argumentar, respeitando a independência da criança é a melhor forma para estabelecer limites. Mas, isto requer paciência , conversas, repetir várias vezes, explicar o porquê dos limites e ensinamentos dos adultos. Estas conversas exigem tempo e sabedoria . Os pais, nesta hora, não podem vacilar nem fraquejar , precisam ter uma atitude firme e acreditar no que estão falando. “O processo de conhecimento e elaboração de regras é, longo e envolve um complexo conjunto de fatores cognitivos e afetivos. Decorre da análise das experiências vividas pelo sujeito em situações sociais concretas, onde determinados papéis. os indivíduos desempenhem Como estes variam dependendo das situações , as regras de conduta não são únicas , nem universais . Ao contrário , o domínio de um sistema de regras pressupõe a capacidade de relativizá-las para adequá-las a situações específicas e distintas entre si”. (MACHADO, Patrícia Brum , Comportamento Infantil Estabelecendo Limites, 1990). Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 21 Para ajudar a criança a construir regras e estabecer limites, é preciso levar em conta suas necessidades, aquilo que as faz agir em cada momento. Devendo, sempre ser incentivadas em suas boas ações para que haja avanço entre um e outro estágio do seu desenvolvimento. É preciso que se entenda , compreenda e ajude a criança a construir seus próprios valores, relacionandoos com os das outras pessoas com quem vivem e, com os valores que já se encontram estabelecidos socialmente. É importante estabelecer limites e regras com as crianças, aceitar suas sugestões e argumentar sobre as conseqüências da quebra destas regras. Deve-se ser honesto, firme e imparcial, tendo seriedade para levar as crianças a cumprir tais regras. Os pais têm que ser firmes e criteriosos quando há uma infração por parte da criança , têm que colocar regras claras, justas e, conseqüências para tal quebra. Pois a criança pode achar que nada acontecerá, que sempre tudo está bom, deixará de sentir angústia e de fazer boas ações, já que quando não as faz nada acontece , tudo está sempre bem. A criança não terá outras balizas senão os seus próprios desejos para saber como agir. A disciplina e as regras regulam a conduta e prescrevem as ações. A criança não é dotada de capacidade para saber o que é certo e errado. Os limites devem ser explicados, claramente colocados, sua razão de ser explicitada, pois quando são justos e coerentes fazem com que a criança saiba que caminho seguir, o que fazer. “A colocação clara e justa de limites racionais prepara a criança para uma autonomia que pressupõe uma apreensão racional dos valores e das regras “. (LA Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 22 TAILLE, Yves de , Limites, Três Dimensões Educacionais, pág.: 101). Os adultos devem servir como exemplo, pois não adianta explicar a razão de ser dos limites se ela verifica que estes limites não valem para os próprios adultos. Educar e colocar limites é difícil mas vale a pena para o crescimento pessoal da criança. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 23 CAPÍTULO II ESTABELECENDO LIMITES PARA CRIANÇAS DE 02 A 04 ANOS As Crianças nesta faixa etária estão se descobrindo e descobrindo o mundo que as cerca. Há uma necessidade de se auto-afirmarem, demonstrando que podem tudo e “mandam” nos seus pais, professores ou adultos que têm por perto e, que são sempre, tão diferentes deles. De acordo com Içami Tiba, em seu livro Quem Ama, Educa.: “Os pais começam a impor limites desde o início da vida das crianças. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 24 Desde bebê quando a criança tem fome e tem que esperar um pouco, para obter o alimento, este momento a mãe está educando o instinto biológico da fome. Os limites devem ser estabelecidos pela mãe no momento da mamada, ela não deve esperar o bebê largar o seio quando quiser e sim retirá-lo quando esta já estiver satisfeito e saciado, para que este não o use como fonte de prazer (fase oral – Piaget), ou como chupeta para dormir. A mãe assim o está ensinando que aquele momento é para se alimentar. Conforme nos colocou Tiba, a todo instante é um momento de educação. Desde os primeiros momentos do ser humano. Se a criança percebe que o limite é coisa séria e que vai ser cumprido procura se ajustar a ele. Por volta dos 2/3 anos é que a criança começa a desenvolver a consciência do que é certo e errado . Podendo ainda tornar-se menos ou mais agressiva , dependendo de sua necessidade de afirmação . Começa a perceber que o jogo social tem muitas regras . Sem saber como se comportar, tenta se impor de qualquer forma. Tenta invadir o limite dos outros e se não encontra resistência , segue ocupando espaços, tornando-se inconveniente. As crianças têm necessidades e desejos, cabe aos pais saber o que é um e o que é o outro. Os pais devem sempre atender Às necessidades dos filhos . Os desejos somente devem ser atendidos após serem analisados com cautela e calma. Então o que é necessidade e o que é desejo? Tânia Zagury em Limites sem Trauma nos coloca que: “necessidade é algo que, se não atendido pode levar o indivíduo a ter sérios problemas no seu Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 25 desenvolvimento , seja físico, intelectual ou emocional. E desejo é a vontade de possuir algo, de realizar algo, que pode ou não ser importante para o desenvolvimento , estando mais vinculado ao prazer.” Para se dar limites é fundamental distinguir entre necessidades e desejos dos filhos. Cabe aos pais trabalharem no sentido de que estes tenham atendidas as necessidades, sejam quais forem (fisiológicas ou simplesmente brincar). É importante que se dê limites, afim de que as crianças cresçam sadias afetiva e socialmente. Mas, os pais também devem ter limites, pois as crianças aprendem mais com um único exemplo, do que com mil palavras. Crie crianças justas , sendo justo. E crianças com limites, tendo limites .Valores e disciplina se incute na criança desde a mais tenra idade. Segundo alguns autores e psicólogos: A criança dos 2 aos 6 anos de idade começa a apresentar um sentimento de iniciativa , apresenta uma energia interminável que é extravasada através de atividades motoras e exploratórias . (Comportamento Infantil – Estabelecendo Limites – pág.: 14 – Patricia Brum) Piaget ainda afirma : Ter a criança neste período um pensamento muito egocêntrico , achando que todo pensam como ela. Feud Admite que é nessa fase da vida que se lançam os alicerces das estruturas fundamentais da personalidade. A criança nesta idade começa a perceber o que é capaz de fazer no presente , começa a sentir que tem o poder ou a capacidade de alterar o seu ambiente. Nesse período ela diz não a quase tudo, sendo esta uma forma de auto-afirmação , característica do seu comportamento , nessa fase evolutiva. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 26 O primeiro mundo da criança é a sua família e seu lar. Na família começa sua atitude com relação a si mesma , aos outros e à vida . Com seu desenvolvimento a criança faz amizades , que são muito importantes para si. Com os amigos começa a aprender regras sociais , influenciando e sendo influenciada por outras crianças. A partir de 2/3 anos já é possível ensinar as crianças a não mexer. nesta fase ela já é capaz de compreender e controlar o seu próprio comportamento . Nesta idade ela torna-se mais falante , sua atenção aumenta. Podendo se iniciar conversas com a criança , explicando-lhe as regras , por que existem , por que são importantes e o que ocorreria caso não existissem. Os pais devem reconhecer que desde muito cedo a criança já segue regras, vai explorando algumas e inventando outras. Assim, constrói a noção do certo e do errado. Os pais e professores nunca devem esquecer que a família é a mais importante matriz do desenvolvimento humano. É nela que a criança adquire o conhecimento de si mesma e do outro, a linguagem , os padrões de conduta e de interação social. O bom desenvolvimento da sua vida emocional depende das relações com seus pais e irmãos . Sendo esta fase o início do estágio de desenvolvimento que Piaget chamou de personalismo. A criança passa a se ver e se entender como uma pessoa e a ver os outros ao seu redor também. “ A criança criada por pais ou adultos afetuosos e tolerantes, porém não permissivos, raramente tem necessidade de rebelar-se . Sendo assim, a liberdade é uma fator indispensável para uma vida feliz. Tal liberdade não pode ser adquirida através de impulsos egoístas e ferozes. A criança a quem tudo se permite está destinada ser tão infeliz quanto aquela a quem tudo se nega.” ( Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 27 Brum, Patricia, Comportamento Infantil Estabelecendo Limites). Souza nos coloca ainda , no livro da Patricia Brum, Comportamento Infantil(pág.: 41) que: “Cada criança , cada circunstância requer níveis diferentes de concessões e limitações.” Não pode-se restringir , nem tolerar em excesso , pois ambos são prejudiciais , impedindo que a criança tome consciência das limitações que a vida em sociedade lhe impõe, fazendo-a egoísta e desagradável, angustiada , irritada e infeliz. Seu querer sempre será o primeiro . Vacilar entre tolerância e a concessão é ainda mais prejudicial , pois a criança cria um modelo confuso de identidade comportamental. Em Educar sem Culpa, Tânia Zagury, nos coloca que: “Quando a gente mostra a uma criança que ela não pode fazer unicamente o que deseja , que é importante que cada um tenha o seu espaço e seus direitos respeitados, estamos ensinando civilidade, democracia, respeito pelo outro.” Porém os filhos seguem exemplos e os pais são os que eles mais admiram e vêem , e , se este sistema não vigora em casa, na família, se os pais não os respeita , se lhes dão todos os direitos sem se colocarem em posição de pais e seres humanos com necessidades e direitos, estes conceitos Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 28 não penetrarão em seu íntimo gradualmente , introjetando o respeito pelo seu semelhante. Crescem achando que podem passar por cima do outro para obter o que quer. Cabe aos pais, no plano social, transmitir aos filhos valores, idéias , comportamentos que lhes irá permitir, a convivência em sociedade com um mínimo de harmonia. Vivemos hoje, uma crise de valores, cada um só pensa em si, , em passar por cima dos outros , em conseguir o melhor, mesmo que tenha que pisar nas outras pessoas. “Quando me perguntam se existe um momento certo para dizer ‘não ‘, minha tendência é responder que existe sim. Sempre que percebemos que nossos filhos ainda não interiorizaram certas normas de convívio social que revelam a apreensão dos conceitos de civilidade e respeito ao próximo e honestidade.” ( Tânia Zagury, Educar sem Culpa, 63). Conforme nos colocou Zagury em suas palavras, há um momento para se dizer “não” , principalmente porque a criança é hedonista por natureza, busca espontaneamente o que lhe dá prazer, o que satisfaz seus desejos, curiosidades e necessidades. É egocêntrica , sendo incapaz de pensar ou sentir o outro ou pelo outro. Os pais têm que pouco a pouco mostrar-lhe a realidade de que as outras pessoas têm sentimentos , necessidades e direitos. A responsabilidade dos pais é ensinar o que é certo, o que a criança tem que fazer. Zagury em outro trecho do mesmo livro fala: Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 29 “O momento certo, a “pista” para os pais dizerem ‘não’ a determinados comportamentos, é exatamente aquele em que a criança, pela sua própria condição, demonstra não ver, não sentir, não perceber certas regras.” Os pais no momento de estabelecer regras , limites, dizer não e ensinar o que é certo devem ter muita paciência e determinação, pois não é fácil , tem que repetir a mesma explicação várias vezes , dia após dia, sem se cansar. Mas, como Zagury nos fala vale a pena, vale muito a pena. Pois estaremos educando nossos filhos para que saibam viver em sociedade, superando frustrações e conflitos que possam surgir. Nesse momento de estabelecimento de limites, os valores e o código de ética de cada família é que deve orientar a ação junto à criança . Se a esta agiu errado, conversar , mostrar o caminho certo, fazer pensar sobre sua atitude é o melhor a fazer. Mas, é preciso ter segurança, clareza de objetivos e colocar as regras para que a criança assimile e entenda. Se você quer que seu filho seja egoísta e cresça sem valores , coloque-o sempre em primeiro lugar, em detrimento dos outros e diga sim a todos os seus desejos. Se você quer que ele seja feliz, ajude-o a desenvolver a satisfação pelo que é e pelo que consegue fazer, ajude-o a desenvolver a tolerância , a compreensão para com os outros, a vontade de ajudar a quem pede ou precisa, e o ensine a ética do bem. Educar não é deixar a criança fazer só o que quer e sim ensiná-la a fazer o que é certo. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 30 Geralmente, a mãe abre mão da razão em defesa do filho, mas essa atitude pode provocar muitos desarranjos no relacionamento. A criança se aproveita . Sente-se liberada para cometer uma grande delinqüência , porque depois é só agradar um pouco que nada acontece. Há crianças que batem nas mães, porém só fazem isso depois de xingar e depois de desobedecer. Quanto mais a criança for educada em seus primeiros passos maior será a eficiência e a educação . Portanto, a mãe não deveria permitir desobediência . Para isso, o maior segredo é a mãe obedecer a seus próprios “nãos”. Significa que só deve proibir algo que ela realmente possa sustentar, não o transformando logo em “sim”, sem o menor motivo. Conforme nos coloca Tiba: “O “sim” só tem valor para quem conhece o “não”. O “sim” e o “não” estabelecem limites e a criança aprende o que pode e o que não pode fazer. Nunca poder é ruim, porém poder sempre também não é bom . Saber a diferença entre o sim e o não confere a criança o poder de decisão sobre suas escolhas. O que deixa a criança feliz é o saudável poder de decisão entre o “sim” e o “não” que ela desenvolve. Os pais devem refletir se dizem o “não” mais por motivos pessoais, tais como: impaciência , falta de tempo, ou se para educar a criança. Se o não é realmente necessário , pois se faltar-lhe convicção ocorrerá a desobediência. A criança que não respeita o “não” dos pais tende a não respeitar o das outras pessoas, desenvolvendo uma incapacidade de se controlar. Torna-se involuntariosa, impulsiva, instável, intolerante , prejudicando aos outros e a si própria. Sua personalidade é frágil e não suporta ser contrariada. Torna-se uma criança infeliz e insatisfeita. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 31 A criança que não respeita os próprios pais não consegue respeitar a sociedade . Os pais têm que transmitir mensagens , ordens, cobranças e valores de maneira coerente. Uma vez tomada uma decisão, esta deve ser cumprida e as conseqüências cobradas. Dizer não e contrariar adequadamente uma criança não a faz infeliz. Estabelece o limite necessário para viver bem. Pois quem não tem limites sofre pelo que não tem, pois acha sempre que poderia ter mais. Pais que são extremamente solícitos acabam não traçando um bom e seguro trajeto para seguir, e a criança fica insegura por perder a confiança neles. “ A insegurança dos pais faz com que os filhos sintam como se estivessem abordo de um carro cujo motorista fica o tempo todo perguntando se a velocidade está boa, se deve virar ou não , se ultrapassa ou não.” (Içami Tiba, Quem Ama, Educa). Os pais têm que assumir a condição de educadores e fazer o filho entender que está sendo mal educado e grosseiro, que tem que ter limites e respeitar as regras. Os pais devem educar e ajudar os filhos a ter vida própria, que é a parte mais difícil da educação. Tem que prepará-los para a independência . Deve educá-lo para que a cada vez menos precise deles. Os pais têm que impor disciplina para frearem o mau comportamento dos filhos, encontrando a forma certa para fazer isso, mesmo que seja difícil. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 32 Ter paciência é fundamental para conseguir reverter um comportamento impróprio O pais são fontes de exemplo e modelação para as crianças , que enquanto são pequenas aprendem tudo com eles. Portanto, muitas vezes se a criança não tem limites é porque os próprios pais não têm. Agir correto, ser coerente em suas atitudes, muitas vezes é a melhor forma de se educar um filho. Em quase toda a vida dos filhos o exemplo dos pais é um referencial de comportamento. Na infância eles têm o papel de ajudar a criança a fazer uma adaptação as regras sociais. É característica desta fase o desejo ilimitado, desmedido impregnado por fantasias de tudo poder e tudo querer. Só com o desenvolvimento e com a ajuda do adulto é que a criança pode aprender a restringir certas vontades, a aceitar que existe hora e lugar para cada coisa, mesmo que algo seja prazeroso existe o momento certo e este deve ser esperado. Dar limite ou frustrar uma vontade do seu filho não é ser mau, e sim, dar-lhe proteção e cuidado, de forma a permitir que ele se desenvolva e evolua. Ninguém substitui os pais na tarefa de educar, socializar, de ensinar o que é certo e o que é errado, para formar cidadãos éticos e com valores corretos. A omissão dos pais nessa tarefa causa um mal e um dano irreparáveis. Os pais têm que sempre rever seus conceitos e atitudes para mostrar a criança o que deve fazer para que habitue-se com os limites e regras impostas. As crianças aprendem a se comportar em sociedade com a convivência com outras pessoas principalmente com os pais que são seus exemplos e espelhos. Quando os pais permitem que os filhos, por menores que sejam , façam tudo o que desejam , não estão lhes ensinando noções de limites individuais e em sociedade, não estão lhes passando o que pode ou não fazer. Cada vez que os pais aceitam uma contrariedade, um desrespeito, uma quebra de regras, estão fazendo com que seus filhos não compreendam e Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 33 rompam o limite natural para o seu comportamento em família e em sociedade. Os pais devem intervir , mostrar-lhes o certo e não simplesmente deixar transcorrer. Segundo, Tiba, em Disciplina Limite na Medida Certa: “ A força dos pais está em transmitir aos filhos a diferença entre o que é aceitável ou não, adequado ou não, entre o que é essencial e supérfluo.” É importante estabelecer limites bem cedo é de maneira bastante clara porque , mais tarde, será preciso dizer ao adolescente de quinze anos que não poderá sair. Quando uma criança cresce sem limites, podendo fazer tudo o que tiver vontade, acaba não desenvolvendo plenamente o uso da razão. A autoridade educativo. e o carinho devem estar presentes no processo Ao estabelecer um limite, exercendo sua autoridade, o pai não precisa abrir mão do carinho, pois até o castigo mais duro pode ser imposto de uma forma carinhosa e respeitosa. Os pais prejudicam mais o filho com receio de traumatizá-lo e a falta de limites do que a imposição de uma frustração educativa. Educar dá trabalho . Mas é um trabalho que dá bons frutos . O senso de moral e o reconhecimento do outro se forma dentro da criança a partir das relações e experiências que ela vai tendo ao longo do crescimento, não sendo possível exigir ou esperar que ela consiga desenvolver isso sozinha. Não é possível portanto, escapar da relação, de enfrentar conflitos , de experimentar sentimentos contraditórios e de exercitar o autocontrole e o controle dos filhos. Da perspectiva da criança, limites podem significar restrições, e ser muito exasperantes, mas podem também funcionar como uma barreira, que preserva a segurança. Todos os dias, precisamos colocar alguns limites sutis, Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 34 mas firmes que não são diretamente ligados à segurança , mas que ajudam a criança a desenvolver um senso de segurança. Os limites ajudam a criança a desenvolver seus próprios recursos, assimilam que estão aprendendo com os limites em seu próprio ritmo. Cada limite colocado é uma oportunidade para o desenvolvimento da criança, pois é no momento da frustração que a criança tem a oportunidade de buscar dentro de si recursos para superá-la. Os limites geralmente, provocam raiva, porém é normal e saudável sentir raiva de certas coisas. A criança não têm meios de aprender a controlar suas emoções agressivas a menos que possa experimentá-las por ela mesma. Cabe ao pai ou a um adulto ajudá-la a superar este momento de raiva e agressão. As crianças pequenas vivem intensamente no aqui e agora. É difícil esperar, querem ser atendidas e terem gratificação instantaneamente. Quando esta não consegue o que quer, e que tem que esperar fica ferida , e este sentimento em parte, é baseado na realidade, em sua experiência, de que tudo pode. Mas, ela precisa saber que esperar é bom e que irá sobreviver à espera e aos sentimentos despertados por esta. A experiência de esperar por um tempo é tolerável e vai oferecer à criança prática e confiança de que ela pode se virar sozinha. Há uma crença de que colocar limites é perigoso, porém o que é realmente prejudicial é não colocá-lo. A criança que não sabe esperar fica à mercê de emoções muito intensas. Dar-lhe limites pode ajudar a manter aqueles sentimentos dentro de certas proporções aceitáveis. Pode ser muito difícil ser firme com uma criança tão amada e esperada, porém os pais têm de ser. As crianças até 5 anos são seres impetuosos e, oscilam entre os extremos, em seus comportamento e em suas percepções, sendo difícil enfrentar isso sem auxílio. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 35 Dizer ”não”, colocar limites ajudará a criança a ter um modelo de como enfrentar situações em que ela se sinta derrotada. Se sentindo mais segura do seu lugar na família e na sociedade, começará a desenvolver recursos próprios . Uma parte desse progresso pode ser dolorosa para os pais e filhos, mas as recompensas são grandes. Nos anos seguintes, a criança progride vigorosamente e em algumas situações caminha apenas com as próprias pernas. Grande parte da dificuldade dos pais em dizer não e por limites provém da culpa, de estar privando o filho de alguma coisa , ou de atenção. O “sim” é dito para mantê-los bem consigo mesmos, porém nunca serve como resposta a longo prazo para as demandas dos filhos , ou para a dúvida colocada dentro de si mesmos, se são suficientemente bons. A culpa faz sentir que a criança deve ter muitas posses materiais, para ser recompensada. Como resultado, estas crescem com a noção de que os bens estão à sua disposição . e de que devem ser supridas imediatamente . Queremos compensar aquilo que não foi proporcionado, dão objetos, o que é ruim para a criança, pois ao fazer isso, os pais estão privando-os de uma experiência necessária. Quando a criança quer ela sente que necessita, e é através da atitude dos pais que esta aprende a diferenciar necessidade de desejo. Sendo útil, para que ela não viva à mercê de anseios desesperados, que nunca podem ser satisfeitos pois não têm fim. O benefício de não se obter sempre o que quer, dos pais dizerem não , é a capacidade de suportar um espaço vazio, uma lacuna que fica na falta. Quando todas as lacunas (desejos) são prontamente preenchidas, não há espaço para criatividade. A questão crucial é a motivação . Se o “não” é dito como retaliação ou apaziguamento pode não atingir o seu objetivo. Se você acredita que é para o bem do seu filho, você terá mais convicção, e ele perceberá isso. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 36 Dar limites, orientar a criança desde cedo é importante para o desenvolvimento posterior desta, tanto emocional, psicológico, quanto físico. Dizer um “não” não é agredir , é tornar a criança melhor e mostrar-lhe que é amada. Tânia Zagury em Limites Sem Trauma escreve que tudo em educação leva anos para ser interiorizado. Portanto, tenha paciência . Aos poucos , seus cuidados e dedicação terão resultados compensadores. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 37 CAPÍTULO III A INFLUÊNCIA DO LÚDICO NA CONSTRUÇÃO DE LIMITES E REGRAS Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 38 De acordo com Tania Zagury , em Limites Sem Trauma: É possível canalizar construtivamente os impulsos agressivos da criança. Uma das maneiras está na prática de esportes, jogos, brincadeiras, pois estes permitem uma descarga motora da agressividade com a competição” . Os jogos infantis e as brincadeiras levam a construção de regras, especialmente, as brincadeiras de faz de conta. Ao brincar a criança reproduz padrões de comportamento do seu grupo social. A criança se subordina, nos jogos, às regras, renunciando às ações impulsivas. Brincando experimenta novos papéis, julga se estes são adequados ou não, imagina conseqüências por agir de outro modo, que não o certo. Internalizando regras de conduta e valores que orientam o seu comportamento. Nos jogos a criança aprende desde cedo a respeitar regras e limites, as regras devem ser respeitadas e a própria criança briga quando um adulto as quebra, pois isso pode fazer com que o jogo acabe. Pois, toda a brincadeira, toda a graça do jogo está em manter-se dentro dos limites e regras do jogo, para no final ser final realmente um vencedor. Ensinar um jogo é naturalmente colocar um limite . A criança é regida pela vontade de brincar, de fazer . A cada movimento, está descobrindo coisas num processo natural de aprendizagem e, com as regras dos jogos juntos entram valores e princípios. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 39 Os pais não devem deixar os filhos sempre ganhar , pois isso dá a criança uma visão irreal do que é jogar. No jogo ganha-se algumas vezes, perde-se outras. Essa dinâmica pode ser transmitida ao escolher ora atividades em que o filho é melhor. Por Exemplo: o pai joga damas como ninguém , então o filho perderá. Porém, no vídeo game , o filho ganha e o pai perde. Assim, se aprende que as pessoas são boas em algumas coisas , mas não em tudo. A criança tem a chance de lidar com a frustração de perder. Segundo Vygotsky: “Pode-se propor que não existe brinquedo sem regras. A situação imaginária de qualquer forma de brincadeira já contém regras de comportamento , embora possa não ser um jogo com regras formais estabelecidas a priori . A criança imagina-se como mãe e a boneca como criança e, dessa forma deve obedecer as regras do comportamento maternal... o que na vida real passa despercebido pela criança, torna-se uma regra de comportamento no brinquedo. (1991 – pág. 108). Pelo uso do brinquedo, a criança aprende a agir de forma cognitiva, os objetos a ter um aspecto motivador para suas ações, e vai aos poucos internalizando as regras e controlando seus desejos . relações com a vida real. Estabelece suas Experimenta sensações que já conhece e vai desenvolvendo regras de comportamento que imagina serem corretas. No jogo ou na brincadeira começa a se comportar como deveria agir na vida real, para depois analisar e comparar com a sua conduta. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 40 Os jogos com regras começam a exercer uma função preponderante a partir dos quatro anos de idade. O cuidado na escolha do jogo é necessário para que ele ocorra num ambiente saudável e interessante para a criança. O brincar e o jogar combinados ajudam a fixar o limite necessário para a elaboração das ansiedades que ameaçam a coerência. A vontade de vencer , leva o grupo a um acordo sobre as regras; há o aparecimento da necessidade de controle mútuo e, da unificação do estabelecimento de regras. A criança aprende a criar e a respeitar as regras . Dessa forma, a evolução do respeito, que era pré-social pela unilateralidade , passa a reciprocidade na cooperação . O jogo encerra regras e objetivos rígidos e obrigatórios, mas que tem curiosa e contraditória ligação com a liberdade, pois seus participantes aceitam essas condições livremente. O jogo tem um fim em si mesmo, os jogadores entram no mundo lúdico e praticam diversas ações com vontade e voltam ao mundo real quando este acaba. No jogo, os jogadores experimentam múltiplos sentimentos e experiências educativas diferentes, que podem ser usadas na vida cotidiana. Por isso, os jogos são instrumentos importantes para a educação da crianças e dos jovens. O jogo possibilita o convívio harmonioso e motivador fazendo com que as pessoas se conheçam e interajam. Nos jogos a criança aprende a cooperar de forma profunda, pois a cooperação entre os membros de uma mesma equipe é necessária para Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 41 vencer, com o respeito às regras , os jogadores aprendem a lidar com os limites uns dos outros e com as regras do convívio social. Muitas vezes o jogo imita a vida em sociedade, as experiências vividas são importantes. As atitudes desenvolvidas em um jogo, se bem orientadas, podem calar muito fundo e forjar a criança a aprender regras e a ser feliz e sorrir. A brincadeira é um tipo de relacionamento em que um depende do outro. Para continuar a brincar é necessário que aceitem, nessa experiência de sociedade que elas mesmas criaram, uma série de regras. Zagury nos fala sobre esse ponto: “Se as crianças aceitam os limites intrínsecos à convivência em uma brincadeira, é porque sabem que não podem brincar fazendo tudo o que tem vontade , precisando aceitar uma composição , uma sociedade com o outro. Vygotsky falava que, as atividades lúdicas não estão simplesmente ligadas ao prazer. A imaginação e as regras são características definidoras da brincadeira. Não existe brinquedo sem organização e sem motivo. A situação imaginária tem uma lógica, previamente, mesmo não sendo formal . A capacidade de brincar abre, para a criança, um espaço de decifração dos “enigmas” que rodeiam. A brincadeira é um espaço de investigação e construção sobre si mesma e sobre o mundo. É através da brincadeira que a criança reproduz o discurso externo e o interioriza construindo seu próprio pensamento. É na atividade lúdica que a criança desenvolve sua habilidade de subordinar-se a uma regra, mesmo quando um estímulo direto a impele a fazer algo diferente. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 42 “Dominar as regras significa dominar o seu próprio comportamento, aprendendo a controlá-lo, aprendendo a subordiná-lo a um propósito definido .” (Alexis Leontiev, 1988 – in O Valor Educacional dos Jogos). O autocontrole interno sobre o conflito entre o desejo e a regra da brincadeira, é uma aquisição básica para o nível de sua ação real da criança e sua moralidade futura. Os jogos e a brincadeira são importantes para o desenvolvimento do que é limite para a criança. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 43 CAPÍTULO IV REFLEXOS NA ADOLENSCÊNCIA DA FALTA DE LIMITES Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 44 Quando por insegurança, culpa ou medo de serem antiquados ou autoritários, os pais deixam de exercer o direito de estabelecer limites e regras, o que ocorre? De uma maneira geral, a tendência é que a criança comece a apresentar dificuldade em aceitar qualquer tipo de limite aos seus desejos. “A criança que não é orientada pelos pais e é atendida em tudo sempre que chora e esperneia tende a perpetuar esse tipo de conduta. Ela já está aprendendo a alongar seus limites, e iniciando o processo de controlar o mundo, através, primeiramente do grito e, talvez depois pela violência ou agressão “. (Tânia Zagury, Limites sem Trauma). A Criança pode achar que o mundo, tudo e todos estão ao seu dispor, sendo seus escravos. Sua vontade é que vale, seus desejos devem ser satisfeitos. Suas necessidades devem ser prontamente atendidas. Crescendo com uma deformação na percepção do outro. Só ela importa. O egocentrismo inicial se exarceba e aumenta a cada dia. A criança sem limites é uma tirana, não se interessa pelos estudos , não se concentra em nenhuma atividade, não suporta as mínimas dificuldades, não tem persistência e tolerância, não respeita o outro seu semelhante. Os pais na fase em que os filhos têm dificuldades de aceitar limites de forma crescente , têm de ser firmes, seguros e afetivos, para a criança aprender a se conduzir na sociedade, internalizar valores, adquirir respeito por si e pelos outros, saber dialogar e lutar pelos seus direitos, sem ter que agredir. Vivenciará a arte de viver e conviver harmoniosamente e civilizadamente em sociedade. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 45 Equipar a criança com um instrumental de relacionamentos sociais é importante, para que saiba interagir positivamente com o seu meio e com o mundo. É cansativo, é um trabalho árduo e duro aplicar limites e regras para as crianças desde o início . Mas é o melhor que se pode fazer para que formem-se cidadãos responsáveis e conscientes de seus direitos e, também de seus deveres, para não criar pessoas egocêntricas, anti-sociais, sem capacidade de luta, sem capacidade de adira a satisfação ou a frustração de receber um não. Crianças que não têm limites preestabelecidos são quase sempre infelizes, se sentem perdidas, confusas e assustadas por nunca saberem onde está o seu freio, o seu limite. Estas crianças se sentem menos amadas, pois acham que ninguém se importa com elas para ensinar-lhes o que é certo e o que é errado, o que é permitido ou não. “A forma pela qual se estabelece o relacionamento com os pais desde a mais tenra idade é que vai determinar o tipo de situação futura. Nada surge do nada. Se desde pequena a criança acostuma-se a viver sem limites, se os pais raramente lhes dizem um “não” , se quando negam alguma coisa, não o fazem com convicção, enfim, se a criança está habituada a que façam tudo o que quer, evidentemente não será na adolescência que aprenderá a aceitar qualquer tipo de controle. A adolescência terá as características que a relação com os pais tomou ao longo dos anos de convivência .” (Tânia Zagury, Educar sem Culpa). Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 46 Se desde a infância a relação com as crianças for de extrema permissividade e tolerância, se desde pequena esta for habituada a fazer apenas o que ela deseja, na adolescência, fase que tem como característica básica a necessidade de auto-afirmação, qualquer tipo de proibição será muito mal recebida. Porque já há um comportamento aprendido de não autoridade na relação com os pais. Se a criança for habituada, desde cedo, a ver nos pais figuras de autoridade, haverá uma possibilidade maior de se conseguir algum tipo de controle na adolescência. Os pais devem determinar quais as linhas essenciais da educação que pretendem para os seus filhos e lutar por elas, não abrindo mão. Se estes acostumarem os filhos a fazer somente o que querem e, lhes der tudo o que desejam, não aprenderão a dividir os direitos e deveres e, na adolescência repetirão o mesmo conceito de que podem tudo e tudo têm. “Se você palmilha o chão que seu filho pisa sempre com pétalas de rosas, ele esperará que, pela vida afora, isso ocorra também com outras pessoas”. (Zagury, Educar sem Culpa). Os psicólogos descreveram a adolescência como um período crítico, porque é quando a criança revive os dramas da primeira infância, seu corpo muda, sua sexualidade aflora, seu humor se modifica a cada momento ou situação. É uma período de grande desenvolvimento físico e emocional. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 47 A questão em relação a dizer “não” torna-se mais complexa e, colocar limites mais difícil e delicado. Pois os adolescentes não aceitam facilmente as barreiras que os pais têm que impor , a fim de que se promova o seu crescimento. Durante a adolescência, ocorrem as oposições às regras, os limites são considerados frustrantes e, até mesmo, mutiladores. O adolescente precisa e quer voar, ser aquele que rompe regras. Tem necessidade e precisa entrar em cheque com os pais para saber o que pode e o que não pode fazer, para saber até onde pode ir e o que pode alcançar . Precisa de um grau de resistência para explorar o seu alcance, não se pode ser bom pai e liberal em demasia. Há momentos em que é preciso dizer “não”, limitar com firmeza e segurança, pois seu filho , às vezes, quer que você o restrinja e, diga que não pode fazer isso ou aquilo. O estabelecimento precoce de regras na infância, faz com que o adolescente não tente lutar contra elas mais tarde. Embora as regras e demarcações sejam reconhecidas como importantes para os pais e adolescentes , é difícil manter-se firme em relação à elas. Para colocar limites firmes e cuidadosos temos que experimentá-los como benéficos. O comportamento dos pais tem que passar uma confiança interna, que comunique por si própria aos seus filhos. Os adolescentes necessitam de limites para que se sintam seguros dentro de casa, para serem fortes e criativos no mundo , para construírem relações positivas com os outros. Começar a estabelecer limites na adolescência é muito difícil, pois a estrutura básica da personalidade já está formada, já se institucionalizaram os hábitos de anos e anos. Não houve democratização das relações, dos direitos e deveres desde a mais tenra idade. Os filhos tornaram-se tiranos, por causa da insegurança dos pais, pela falta de convicção sobre suas reais intenções e objetivos para com os filhos. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 48 Apesar de ser muito mais difícil estabelecer limites a partir desta fase, não é impossível. O jovem é sensível, suscetível, inteligente, justo e, se for algo realmente bom para ele, aceitará com as devidas explicações necessárias. Não será passivamente. Se o “não” for dito com segurança, sem brigas, com explicações calmas e racionais que serão mantidas, o jovem poderá conflituar, tentar no início burlar as novas regras, porém a força da decisão e a segurança do que os pais desejam é que o ajudará a suplantar as dificuldades, introjetando os limites que estes querem lhes dar. Devemos estabelecer os limites, ter uma relação igualitária, sem conflitos e brigas . Os pais têm que recuperar a confiança no seu papel de educadores maiores, aqueles que estruturam o adulto do futuro. Para isso, têm que se dar amor, carinho, compreensão, atenção e diálogo, mas também dizer o que é certo e o que é errado, impor e estabelecer regras e disciplina. Os adolescentes, para os quais não foram estabelecidos limites, regras e disciplina quando crianças, agirão de forma descontrolada e sem freios, tendo os pais que coibir estas atitudes. Os pais devem ser claros e objetivos quanto ao comportamentos que são aceitos ou não. Algumas regras e normas da família devem ser claramente colocadas, especialmente as que dizem respeito à formação de hábitos relativos a uma vida saudável, responsável e ética. Devem deixar claros os limites. Fazendo-os cidadãos conscientes. Despertar na criança o gosto de participar, de produzir, de mostrar suas capacidades. Fazer com que ajude em algumas tarefas e que perceba que para cada direito há um dever. Um dos sintomas da crise de nossa sociedade ocidental no final do século XX é justamente a ausência de balizas pelas quais orientar nossos pensamentos e conduta. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 49 Adolescentes sem limites, são assim, pois receberam tudo de graça, o simples fato de existirem já era motivo suficiente para os pais atenderem a seus mínimos desejos. Não conheceram o significado do “não”, partindo desde jeito para o mundo. Só que este mundo é a realidade onde convivem o “sim” e o “não”, e eles acreditam que este será como seus pais que nunca lhes dizem “não”. Sempre tudo puderam, por isso não suportam nenhuma frustração, não suportam os “apertões” que a vida naturalmente, dá em todos os seres viventes. Içami Tiba, em Quem Ama, Educa!, nos coloca que : -“Quem não sabe ouvir um “não” nunca será dono da própria vida”. Quando na infância as crianças fazem tudo o que querem , na adolescência as vontades e desejos aumentam , a falta de limites se agrava. A educação requer limites e a criança deve entender porque esses são necessários, pois quando não os têm, são guiadas pelo seu eu interior instintivo, não medem conseqüências nem assumem responsabilidades. O que os tornam adolescentes grosseiros, sem aceitar os limites impostos pela vida, sem lutar pelo o que é certo. As relações entre pais e filhos não são relações tão simples, são assimétricas, porém não são necessariamente injustas. Fazer com que os filhos não façam determinadas coisas, nem sempre significa ser injusto. Impor uma regra nem sempre significa ser autoritário. Só somos autoritários quando não sabemos a explicação clara e correta do porque estamos impondo. O problema dos limites refere-se, principalmente, ao fato de que os pais, mesmo cientes de que deveriam ensinar aos filhos as regras da boa convivência e harmonia da sociedade em que vivem, não conseguem manter sua autoridade, e que esta pode ser justa. Não entendem que há uma relação assimétrica, mas que pode ser justa se o que a fundamenta é o compromisso Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 50 de levar a criança ou o adolescente a evoluir nas suas relações sociais e comunitárias. Segundo IçamiTiba em Ensinar Aprendendo: “A adolescência é o auge da onipotência juvenil, a mania de Deus: ‘tudo o que eu quero, eu posso’. O adolescente está interessado em descobrir o mundo e arriscar tudo. Minimiza a existência do perigo e maximiza sua força. Quanto maior é o desafio, maior será sua auto-afirmação “. Mas, uma das obrigações que os jovens têm que assumir é a de utilizar suas capacidades para o que é certo e bom. Os adolescentes ficaram sem noção de padrões de comportamento e limites, formando uma geração de “príncipes” e “princesas” com mais direitos que deveres, mais liberdade que responsabilidade, mais receber que dar ou retribuir, querendo fazer fora de casa o que fazem dentro. Porém acabam sendo frustrados, pois as regras da sociedade são outras, muito diferentes das válidas na família. Uma pergunta para fechar este capítulo seria: Por que os adolescentes contestam sempre? A resposta é que eles podem estar reagindo a uma infância em que tenham engolido muitas ordens e agora querem revidar, ou tiveram pais muito permissivos, que não impuseram limites, tendendo a perpetuar esta característica. Os jovens são reflexo da sociedade em que vivem , se é verdade que carecem de limites, é porque esta como um todo, deve estar privada deles, e, os pais devem ter em muito, contribuído para isto. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 51 Há muitos jovens que amargam o fracasso e no fundo culpam seus pais, por não terem sido mais firmes, exigindo-lhes mais limites, dando-lhes mais disciplina, quando realmente podiam ter feito, na infância. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 52 CONCLUSÃO A melhor forma de educar é aquela que permite às crianças crescerem produtivas, seguras, responsáveis, respeitadoras, capazesde amar e de serem amadas, cidadãos honrados, ouseja, seres humanos no sentido completo. E, isto só ocorrerá se pais e educadores as virem como, realmente, são com suas qualidades, defeitos, capacidades, inseguranças e limitações. Não será passando sempre a mão em suas cabeças que lhes ensinaremos o respeito pelo outro e por si mesmos. Como em qualquer relação humana, a de pais e filhos constitui um desafio recíproco permanente, uma tensão que busca os limites, a força, a fraqueza e a disponibilidade do outro. Os filhos tendem a avançar procurando sempre, onde se encontra a negação, o limite, a orientação do que é certo e do que é errado, sobre o que pode ou não pode fazer. Uma educação familiar na qual as necessidades infantis constituem o centro das atenções e subordinam a vida dos que vivem juntos , é extremamente nociva para o futuro das crianças, para o adulto de amanhã. Crescer sem se prepararpara lidar com limites, frustrações e obstáculos que a vida impõe é muito perigoso para si mesmo e para os seus semelhantes. Educar é assumir a responsabilidade de estabelecer limites. Implica sempre em maior ou menor grau na necessidade de dizer não, negar algumas coisas. Muitos pais e educadores têm dificuldades em estabelecer limites e pôr fim a pequenas questões diárias. Estes parecem que desaprenderam como dizer um “não” com segurança ou de forma convincente. Será que a forma adequada de educar, hoje em dia, é fazendo todas as vontades, independentemente de quais sejam e, se podem ou não afetar ao outro ou despertá-lo. Ou será que não se precisa ter uma conversa franca e Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 53 honesta, ser firme, porém delicado e seguro sem ser agrssivo, para que a criança saiba qual é o seu limite, quais são as regras estabelecidas. A criança precisa sentir segurança nos pais, porque disso depende a sua própria . É bom que estes estejam emocionalmente preparados para mostrar claramente quais são os limites, pois ter limites é uma questão de segurança para os filhos, sendo uma necessidade básica. Através dos limites a criança percebe que alguém se preocupa com ela e a protege. O limite faz com que perceba que esse alguém que a limita e, que impõe regras , também é forte e tem segurança no que faz. A segurança e a firmeza na hiora de falar e de estabelecer limites tem que ser constante. Pois quando você é inconstante, o comportamento da criança será sempre um mau comportamento, pois ele diariamente o testa para saber até onde você irá e, até onde ele pode ir com você. É importante que os pais tenham algumas regras básicas estabelecidas e aja coerentemente com elas, e que estas regras só existam para coisas realmente importantes. Sendo autênticos as crianças compreenderão que o mundo não é composto de pessoas para servi-las, saberão que existem outros interesses que não os seus, o que as ajudam a diminuir o egocentrismo natural. “Medida que, sempre de forma carinhosa , porém segura e firme, os pais estabeleçam algumas regrinhas simples, cujo cumprimento é seguido na maioria absoluta das vezes, as crianças vão se acostumando a elas e sentemse, inclusive bem, dentro desse mundo conhecido, porque lhes dá segurança”. (Zagury, Tânia – Sem Padecer no Paraíso, 58). Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 54 Os pais são a fonte de segurança dos filhos, se estes percebem que estão inseguros e incoerentes em suas atitudes, insistirão nas mesmas situações, para que possam desfazer esta percepção. Os pais que cedem a todos os desejos vontades dos filhos por acreditarem que não podem lhes dizer um “não”, para que não fiquem frustrados apenas farão com que fiquem muito mais ainda. Os filhos precisam perceber que são tratados com respeito, carinho e segurança e, que são atendidos em suas necessidades físicas, materiais e emocionais, porém devem aprender a perceber, respeitar e atender as necessidades dos outros, inclusive a dos seus pais. Pois senão estaremos criando pequenas ilhas de egoísmo, quando não lhes mostramos que devem respeitar os sentimentos dos outros, transformando-se em seres que só desejam ser servidos e atendidos. Os pais não devem renunciar a sua autoridade deixando se dominar pelos desejos e vontades dos filhos, pois estarão criando pessoas que com mais facilidade se frustrarão nas suas relações pessoais , criando-se pessoas aconstumadas a dominar os outros e ter todos os desejos atendidos, por menores que sejam. Ensinar é repetir, repetir, explicar e explicar, diariamente, várias vezes. A relação pais e filhos no dia-a-dia é muito complexa. Por isso que muitos pais optam por ceder, dizer sim a tudo, para não ser chato, nem autoritário, só que educar é isso. Mesmo que seja numa educação democrática, alguns princípios não devem ser esquecidos, tais como: respeito ao outro, participação, coerência e ser justo. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 55 Os pais se sentem inseguros e confusos sobre como educar seus filhos, devido as modernas linhas da Psicologia, que são psicologizantes e confundem a todos que tentam seguí-las. Ser pai não é apenas ser “bonzinho” com os filhos , é uma função e responsabilidade social perante eles e a sociedade. Tem que ensinar que importante é ser, é respeitar e valorizar o seu semelhante. Tânia Zagury, Em Sem Padecer no Paraíso, nos coloca que : - “ Podese ser um pai ótimo mesmo limitando, dizendo ‘não’ quando necessário ... Ser o exemplo é a melhor forma de se educar”. Uma pessoa que cresce acostumada a não ter limites, que tipo de cidadõa será. Se as crianças naõ desenvolverem a capacidade de tolerância à frustração e aos “nãos” constantes que receberão, como poderão supiortar os futuros embates da vida. “Educar dá trabalho, pois é preciso ouvir o filho antes de formar um julgamento ; prestar atenção para ajudá-los, para que possa aprender com o erro; ensiná-lo a assumir as consequências em lugar de simplesmente castigá-lo, por mais fácil que seja. Não resolver pelo filho um problema que ele mesmo tenha capacidade de solucionar, não assumir sozinho a responsabilidade pelo que o filho faz, por exemplo ressarcir prejuízos provocados por ele ou pedir notas aos professores “. (Tiba, Içami, Quem Ama, Educa!). Como Tiba nos coloca não devemos passar a mão na cabeça dos filhos , para que possam crescer como pessoas conscientes dos seus deveres e direitos, com limites já introjetados desde criança. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 56 A arte de ser mãe e pai é desenvolver os filhoa para que se tornem independentes e cidadãos do mundo. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 57 BIBLIOGRAFIA CAMACHO, Suzy, Guia Prático dos Pais. SP, Editora Green Forest do Brasil, 1998. PAGGI, Karina P. e GUARESCHI, Pedrinho A . O Desafio dos Limites – Um Enfoque Psicossocial na Educação dos Filhos. Petrópolis, Editora Vozes, 2004. PEREIRA, Mari Sue. A Descoberta da Criança – Introdução a Educação Infantil. RJ, Wak Editora, 2002. Enciclopédia Britânica do Brasil, Guia dos Pais e Professores. SP, World Book International, 1995. FERREIRA, Maria Clotilde. MELLO, Ana Maria. VITORIA, Telma. GOSUEN, Adriano. CHAGURI, Ana Cecília. Os Prazeres na Educação Infantil. SP, Editora Cortez LEVY, Daniela. Os Limites e Seu Filho. Artigo da Internet, Clube do Bebê. RJ, 2004. MACHADO, Patricia Brum. Comportamento Infantil Estabelecendo Limites. Porto Alegre, 2002.. LA TAILLE, Yves de. Limites: Três Dimensões Educacionais. SP, Editora Ática, 2002. BEE, Hellen . A Criança em desenvolvimento. SP, Harbra, 1986. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 58 ZAGURY, Tania. Educar Sem Culpa – A Gênese da Ética. RJ/SP, Editora Record, 2002. ZAGURY, Tania. Sem padecer no Paraíso. RJ/SP, Editora Record, 2002. VEJA, Revista, Editora Abril, Edição 1842, Ano 37, n.º 7 – 18/02/2004 – Exemplar do Assinante. TIBA, Içami. Quem Ama Educa!. SP, Editora Gente, 2002. DOHME, Vania. O Valor Educacional dos Jogos. SP, Editora Informal. TIBA, Içami. Disciplina, Limite na Medida Certa. SP, Editora Gente, 1996. TIBA, Içami. Ensinar Aprendendo . Como Superar os Desafios do Relacionamento Professor-Aluno em Tempos de Globalização. SP, Editora Gente, 1998. PHILLIPS, Asha. Dizer Não, Impor Limites é Importante para Você e seu Filho. RJ, Editora Campus, 2000. Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 59 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 MENSAGEM 4 DEDICATÓRIA 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I A Aplicabilidade de Limites : Importância 12 CAPÍTULO II Estabelecendo Limites para Crianças de 02 a 04 anos 23 CAPÍTULO III A Influência do Lúdico na Construção de Limites e 38 Regras CAPÍTULO IV Reflexos na Adolescência da Falta de Limites 44 CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA ÍNDICE Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 60 FOLHA DE AVALIAÇÃO UNIVERSIDADE Cândido Mendes – Projeto A Vez do Mestre A Importância da Aplicabilidade de Limites para Crianças de 02 a 04 anos Geisa Cristina Cardoso Mamede Barbosa Data da entrega: Avaliado por: Conceito: Avaliado por: Conceito: Avaliado por: Conceito: Conceito Final: Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre 61 ATIVIDADES CULTURAIS Exemplo de configuração de monografia A Vez do Mestre