3-001 Conferência dos Presidentes aberta a todos os deputados ___________________________ 3-002 PRESIDÊNCIA: DAVID MARTIN Vice-Presidente (A reunião tem início às 14H35) 3-003 Alargamento 3-004 Prodi, Comissão. - (IT) Senhor Presidente, Senhores Deputados, de todas as questões que a Comissão e o Parlamento têm de enfrentar no decurso do seu mandato, o alargamento é, sem dúvida, a mais importante: trata-se, efectivamente, de reunificar a Europa. Fizemos uma dupla promessa aos países candidatos: em primeiro lugar, comprometemo-nos a criar as condições institucionais necessárias para o alargamento; em segundo lugar, comprometemo-nos a fazer avançar as negociações, continuando, simultaneamente, a apoiar os esforços envidados por todos os países candidatos com vista à adesão. A primeira parte da promessa deverá ser respeitada em Nice. Todos nós sabemos que, em Nice, terão de se tomar as decisões necessárias para preparar a União Europeia para o alargamento, mas também sabemos que, a partir de Nice, iremos iniciar um caminho bastante mais longo, aquele que conduz ao futuro da Europa. Ainda não é claro qual será esse futuro, mas os senhores deputados conhecem a minha opinião a esse respeito. Dirigindo-me a esta mesma assembleia, no passado dia 3 de Outubro, salientei a força e a eficácia do modelo comunitário, baseado no triângulo institucional constituído pelo Conselho, pelo Parlamento e pela Comissão. Qualquer reforma que se pretenda introduzir deverá assentar firmemente no modelo comunitário. Embora o debate tenha apenas começado, uma coisa é clara: de Nice deve sair um resultado positivo e ambicioso. Não se pode condicionar o alargamento à introdução de outras reformas. A segunda parte da promessa é fazer avançar as negociações. Essa a razão por que propomos hoje medidas específicas para acelerar - repito, acelerar - a aplicação da estratégia de Helsínquia. Tal pressupõe, antes de mais, uma análise circunstanciada da situação de todos os países candidatos, e essa análise está prevista no pacote de medidas hoje aprovado pela Comissão. Nos treze relatórios periódicos elaborados pela Comissão, analisam-se aprofundadamente os esforços desenvolvidos por cada um dos países candidatos no decurso do ano transacto para se conformar aos critérios de Copenhaga. As decisões sobre a prossecução das negociações de adesão basear-se-ão nestes relatórios. Tal como nos últimos anos, os relatórios periódicos constituem uma avaliação justa e objectiva dos progressos realizados por cada um dos países candidatos. Para tal, a Comissão obteve todas as informações disponíveis, incluindo as fornecidas pelo Parlamento e pelos Estados-Membros, reconfirmando a validade do método comunitário. Estes relatórios ilustram o empenhamento quotidiano e contínuo dos países candidatos, e, já no passado, ao chamarem a atenção para as regiões mais carenciadas de intervenção, deram um impulso positivo aos seus programas de reforma. O nosso sistema institucional dá, portanto, um contributo constante para a transição dos sistemas de planificação central da economia, típicos dos países comunistas, para a economia de mercado, garantida pela estabilidade democrática. A análise que hoje lhes proponho é globalmente positiva. No que respeita aos critérios políticos, todos os países empenhados nas negociações fizeram progressos e já satisfazem os critérios de Copenhaga. Subsistem ainda alguns pontos fracos, por exemplo no que se refere à reforma do sistema judicial ou à corrupção, sobre os quais o senhor Comissário Verheugen - para quem vai a minha gratidão, extensiva aos seus colaboradores, pelo excelente trabalho desenvolvido - lhes dará mais informações. Quanto à Turquia, o elemento mais estimulante é dado pela vontade muito firme do Governo de avançar em matéria de direitos humanos e de minorias. Registamos tal facto com agrado, mas, para satisfazer os critérios políticos de Copenhaga, é necessário que às intenções se sigam os actos. A parceria para a adesão da Turquia, por nós proposta, contém uma série de prioridades bem definidas, a curto e a médio prazo, o que deveria ajudar a Turquia a progredir na via do respeito dos critérios políticos. Também na perspectiva dos critérios económicos se registam progressos. Salientamos, em primeiro lugar, os consideráveis esforços desenvolvidos por um grande número de países candidatos no domínio da adaptação estrutural; em segundo lugar, o clima económico acalmou-se, de um modo geral, após a crise asiática e russa, a crise no Kosovo ou ainda o dramático terramoto na Turquia; finalmente, facto ainda mais relevante dada a importância da integração comercial, os progressos económicos destes países estão ligados ao enorme crescimento actualmente registado na União Europeia. Um outro sector em que a maior parte dos países candidatos registou discretos progressos é o da adopção do acervo comunitário. Nalguns domínios como, por exemplo, o do ambiente ou sectores do mercado interno, houve uma aceleração clara, ao passo que noutros, como a política social, se avança mais lentamente. Mais 6 08/11/2000 apresentados nas negociações de adesão. Já recebemos mais de 500 pedidos deste tipo, em grande parte, como é óbvio, relativos à agricultura. Propomos a sua classificação em três grandes categorias: admissíveis, negociáveis e não admissíveis, para, depois, analisar os seus efeitos sobre as políticas comunitárias actualmente em vigor. Efectivamente, em nenhum caso o alargamento deverá criar divisões no seio dos países da União Europeia. preocupante é o facto de, muitas vezes, não terem sido criadas as instituições e as administrações necessárias à aplicação do direito comunitário ou, caso o tenham sido, não disporem de força suficiente. Para ajudar os países candidatos a prosseguir nos preparativos para a adesão, afectámos ao processo de pré-adesão financiamentos consideráveis: todos os anos, mais de 3 mil milhões de euros são destinados aos países candidatos da Europa Central e Oriental no âmbito dos programas PHARE, ISPA e SAPARD; além disso, este ano, foram previstos 177 milhões de euros para a Turquia. Os contributos para Malta e Chipre são comparativamente modestos, dadas as dimensões e o grau de desenvolvimento económico destes dois países. Outros montantes relevantes estão ainda disponíveis através do BEI. Também apresentámos sugestões concretas sobre a abertura e o encerramento dos capítulos, sugestões que foram estudadas para imprimir um maior impulso às negociações. A nossa estratégia não especifica os países candidatos com os quais poderemos concluir as negociações até ao final de 2002, porque se trata de uma competição aberta. Pelo contrário, reiteramos, com clareza, o princípio da diferenciação entre eles e o facto de cada um dos países candidatos poder, em qualquer momento, alcançar ou superar os outros. Esta é, Senhor Presidente, Senhores Deputados, a análise objectiva do caminho percorrido pelos países candidatos nos preparativos para a adesão, e dos esforços que estão a ser envidados pela Comunidade para os apoiar nesse processo. Em resumo, não queremos impor um calendário igual para todos, calendário que, para alguns países, se transformaria numa camisa-de-forças e, para outros, numa meta inatingível. Em vez disso, com base numa análise realista, mas ambiciosa, fixámos uma tabela de avaliação que nos levará a concluir as negociações, como referi há pouco, até ao final de 2002. Isso permitirnos-á, conforme previsto pelo Conselho Europeu de Helsínquia, acolher os novos Estados-Membros que satisfaçam todos os requisitos para a adesão logo que esteja concluído o processo de ratificação do Tratado de Nice. Que conclusões podemos, portanto, retirar destas observações? No meu entender, é chegada a altura de imprimir um novo impulso às negociações com vista ao alargamento. Deste modo, cumpriremos a segunda parte da nossa promessa. Como pretendemos fazê-lo? Antes de mais, propondo, no documento sobre a estratégia de alargamento, uma ambiciosa tabela de avaliação, em que descreveremos os passos a dar para levar a bom termo as negociações, as prioridades a ter em conta e também os prazos respectivos. Relativamente à vossa recente resolução sobre o alargamento, faremos tudo quanto estiver ao nosso alcance para garantir que o Parlamento Europeu possa dar o seu parecer favorável aos primeiros tratados de adesão antes das eleições de 2004, a fim de dar a esses países a hipótese de nelas participarem. Poderemos, desse modo, dar cumprimento à segunda parte da nossa promessa. Já no documento estratégico do ano passado a Comissão indicou que deveria ser possível concluir as negociações com os países mais avançados até ao final de 2002. Para a primeira metade de 2001, propomos, portanto, abordar os principais capítulos do mercado interno, como a livre circulação das mercadorias e dos capitais, o direito das sociedades e a livre prestação de serviços. Ao mesmo tempo, porém queremos analisar as questões sociais e ambientais. (Aplausos) No entanto, as negociações não são tudo, especialmente se se fala da tarefa histórica de reunificar o nosso continente: é também necessário um amplo apoio democrático. Os tratados de adesão devem ser ratificados: esta assembleia faz parte do processo de ratificação, tal como os parlamentos nacionais dos Estados-Membros, actuais e futuros. Em seguida, no segundo semestre pretendemos tratar os temas da energia, dos transportes, da concorrência, das questões fitossanitárias e veterinárias, dos aspectos da justiça e dos assuntos internos. Reservaremos a maior parte das questões relativas ao orçamento para a primeira metade de 2002: serão, assim, as últimas questões a tratar. Há que convencer os cidadãos da União Europeia das vantagens do alargamento e o mesmo se aplica aos cidadãos dos países candidatos. Estamos convencidos de que o alargamento trará benefícios a todos nós, mas estamos também conscientes dos receios de alguns. Uma forma de combater estes receios é continuar a trabalhar duramente: rapidez e qualidade devem ser o leitmotiv das negociações. Temos ainda, portanto, várias coisas a fazer. No documento estratégico, convidam-se todos os Estados-Membros e os países candidatos a indicarem a sua posição relativamente às várias prioridades dentro dos prazos fixados, o que, claramente, significa também dar resposta aos pedidos de disposições transitórias -6 PT 08/11/2000 7 No entanto, uma grande parte dos receios só poderá ser dissipada através do diálogo, falando com as pessoas e explicando-lhes o que irá acontecer. É por este motivo que a nossa estratégia de informação e comunicação se reveste de uma importância cada vez maior e é aqui que os senhores, na qualidade de deputados europeus, têm um papel fundamental a desenvolver. Também os nossos vizinhos e os nossos principais parceiros internacionais devem ser informados. Efectivamente, o alargamento dará maior segurança, estabilidade e prosperidade não só à União mas também a toda a comunidade internacional. Senhor Presidente, Senhores Deputados, a Comissão teve hoje a coragem de lhes propor uma estratégia de alargamento ambiciosa e realista. É fruto do método comunitário, um método que nos sustentou devidamente no último meio século e que continuará a fazê-lo também no futuro, quando a nossa Europa for ainda maior e mais poderosa. (Aplausos) 3-005 Presidente. – Muito obrigado, Senhor Presidente Prodi. Antes de dar a palavra ao senhor Comissário Verheugen, gostaria de abordar o problema da documentação. Congratulamo-nos muito com a documentação que nos disponibiliza, mas segundo soube pelo Gabinete da Presidente, no final de Setembro, o senhor informou a Presidente do Parlamento de que a Comissão não transmitiria os relatórios de acompanhamento ao Parlamento Europeu. Trata-se de documentos importantes para as negociações. Fornecem informação essencial sobre as principais questões relativas ao alargamento. Estamos cientes de que os referidos documentos se destinam, quer aos Estados-Membros, quer aos países candidatos à adesão; e somos da opinião de que, caso insista que, apesar de tudo, estes documentos devem manter-se confidenciais, o Parlamento possa recorrer aos processos de confidencialidade e concordar em não tornar públicos os referidos documentos, nos termos do Anexo 3 do Acordo-Quadro que vincula ambas as nossas instituições. Não espero uma resposta imediata, mas insisto, em nome do Parlamento, que estes documentos sejam disponibilizados à nossa instituição. (Aplausos) 3-006 Verheugen, Comissão. – (DE) Senhor Presidente, Senhores Deputados, permitam-me focar, antes de mais, aquilo que o Senhor Presidente acaba de referir. Pareceme que, neste caso, existe algum mal-entendido. Os relatórios, que a Comissão deliberou e aprovou hoje, não têm nada a ver com screening. Trata-se dos relatórios anuais de progresso e estes foram transmitidos imediatamente, por via electrónica, ao Parlamento, após -7- termo da reunião da Comissão, estando já à vossa disposição, na íntegra e sem excepção. Portanto, aquilo que a Comissão fez hoje, não tem nada a ver com selecção. Quem lhe tiver dito alguma coisa sobre selecção, Senhor Presidente, fez qualquer confusão. É evidente que existem relatórios de screening, mas estes já são todos muitíssimo antigos e infelizmente não pertencem à Comissão, mas sim aos Estados-Membros, que os consideram documentos confidenciais das negociações. Esta questão já foi debatida, com muita frequência, com o Parlamento. Sempre afirmei que reconheço a necessidade de informação do Parlamento e que também não teria problemas em entregar estes relatórios de selecção, mas não posso entregar relatórios que não pertencem à Comissão. Contudo, este não tem absolutamente nada a ver com os documentos de hoje. Ainda gostaria de fazer algumas observações adicionais em relação àquilo que o senhor Presidente Prodi disse. Assim, queria sublinhar que, no nosso documento estratégico, damos particular relevo ao estrito cumprimento daquilo que requer a estratégia de alargamento deliberada em Helsínquia. Mantemo-nos estritamente no âmbito dos princípios de Helsínquia e descrevemos um percurso que mostra como é, de facto, possível conseguir cumprir a calendarização pretendida pelos Estados-Membros em Helsínquia. Certamente terão presente que em Helsínquia se afirmou que a União pretendia estar em condições para receber, a partir de fins de 2002, os primeiros novos membros, o que na versão inglesa se chama to welcome. Para o efeito são necessários três pressupostos. Primeiro, os financeiros – estes já existem há um ano -, segundo, os institucionais – Nice mostrará se existem estes pressupostos – e, terceiro, as negociações deverão estar concluídas com êxito. A Comissão apresentou hoje uma proposta de estruturação, concentração e organização das negociações para se conseguir atingir este objectivo com os Estados que mais progredirem e que satisfaçam plenamente todas as outras condições de adesão, de modo a que as negociações possam estar concluídas no decurso do ano de 2002, podendo ser recebidos nessa altura como novos membros. No seu texto de análise, a Comissão atribuiu particular importância à constatação de que os efeitos positivos do alargamento já são agora palpáveis e que não se vislumbram apenas algures no horizonte. Verificamos que, na Europa Central e de Leste, se instituíram democracias estáveis. A estabilidade dos sistemas democráticos já é tão elevada que agora não receamos qualquer reincidência, com o regresso a estruturas autoritárias, e queria afirmar expressamente que se trata de um grande êxito, tendo em consideração que esta consolidação se verificou em poucos anos, sendo difícil encontrar na história europeia um exemplo comparável. PT 8 08/11/2000 Vamos ver se a parceria de adesão, hoje apresentada pela Comissão e transmitida ao Conselho, encontra um eco positivo na Turquia. Se encontrar uma resposta positiva, o que muito espero, iniciar-se-á de facto o profundo processo da mudança democrática na Turquia, que todos nós desejamos. É óbvio que a quota-parte mais significativa deste êxito pertence aos próprios países em questão, aos seus representantes eleitos e à população, porém, também é preciso acrescentar que é muito evidente que a mudança de agulhas decisiva para este processo foi a perspectiva da unificação europeia. Sem a perspectiva da unificação europeia tanto a direcção, como o impulso para a realização das reformas políticas e económicas não teriam sido tão claras e evidentes. Podemos comprovar com toda a nitidez, o que de facto fazemos, que estas reformas estão relacionadas com os critérios de adesão estabelecidos em 1993 em Copenhaga e com os critérios de admissão mais pormenorizados, de Madrid. Uma vez que este documento certamente irá despoletar uma série de discussões, ainda lhes queria dizer que esta parceria de adesão envolve prioridades concretas, a curto e médio prazo, no domínio político e económico e que o referido documento descreve, na parte política, sobretudo as reformas políticas de base necessárias para satisfazer os critérios políticos de Copenhaga. Aqui se incluem as garantias constitucionais da liberdade religiosa, da liberdade de opinião e de reunião, a abolição da pena de morte, a supressão de todas as práticas de tortura, a adaptação do papel das Forças Armadas às regras de jogo de uma sociedade democrática, o levantamento do estado de sítio no Sudeste do país, bem como a garantia de direitos culturais para todos os cidadãos do país, independentemente da sua origem. Por conseguinte, para já apresentámos hoje 13 relatórios de progresso. Trata-se sempre de relatórios que correspondem a um grau muitíssimo elevado de objectividade. Disse hoje à Comissão e volto a repeti-lo aqui: é possível afirmar com toda a certeza que não houve qualquer influência política sobre o teor dos relatórios de progresso, nem da minha parte. Em nenhum caso houve qualquer imposição política. Houve tentativas de influência a partir do exterior, que, evidentemente, rejeitei. Estes relatórios baseiam-se exclusivamente nos conhecimentos dos colaboradores experientes a quem foram entregues e nas fontes que utilizam, a fim de ficar garantido o elevado padrão e de os relatórios poderem atingir os seus objectivos, nomeadamente servirem de base objectiva para decisões políticas no seguimento do processo. Os progressos da maior parte dos candidatos nos seus preparativos para a adesão representam uma considerável melhoria da situação de segurança na Europa, emanando um enorme potencial de desenvolvimento económico. Já agora observamos, a nível bilateral, uma situação económica win-win. Ocupamo-nos pormenorizadamente das interdependências económicas entretanto surgidas. Já hoje em dia, a União Europeia é, de longe, o parceiro comercial mais importante dos países candidatos. O valor total das transacções comerciais quase que triplicou entre 1993 e 1999, ascendendo a 210 mil milhões de euros. Com uma quota-parte de 13,7% no volume total do comércio externo da União Europeia, estes países representam, em conjunto, a seguir aos Estados Unidos da América, o segundo maior parceiro comercial da União Europeia com tendência para um rápido crescimento. O excedente da balança comercial da União Europeia em relação aos países candidatos situava-se, em 1999, em 25,8 mil milhões de euros. A interdependência continuou a acentuar-se. O senhor Presidente já traçou o panorama geral. Não é necessário repeti-lo. Apenas queria dizer que no âmbito dos critérios políticos demos, de facto, especial atenção ao problema da corrupção e à criminalidade económica, mas também à questão do tráfico de mulheres e crianças, às condições de vida dos indivíduos de etnia cigana numa série de países e – infelizmente de novo, pois ainda não teve solução – à situação das instituições de assistência à infância na Roménia. O relatório de progresso referente à Turquia afirma muito claramente que este país continua a não satisfazer os critérios políticos de Copenhaga. Continuamos preocupados com a falta de respeito pelos Direitos Humanos e a insatisfatória observância dos direitos das minorias. Estamos ainda preocupados com o papel desempenhado na vida política pelas Forças Armadas através do Conselho de Segurança nacional, consagrado pela Constituição. Na avaliação dos progressos, na realização dos critérios económicos de Copenhaga perante o pano de fundo de um acentuado crescimento a nível mundial, foi possível partir do princípio de que a intensificação de crescimento na União Europeia produz efeitos particularmente positivos para os países candidatos. Enquanto os números de 1999 ainda acusavam a influência dos efeitos negativos das crises registadas na Ásia, na Rússia e no Kosovo, estas repercussões já não são perceptíveis nos números presentes para o ano 2000. O crescimento real do produto interno bruto situar-se-á, nos dez países da Europa Central e de Leste previsivelmente em 4%, na sua globalidade, e para todos os 13 países candidatos, em conjunto, será um pouco inferior a 5%. É preciso melhorar a situação dos curdos. Dever-se-á acabar com o estado de emergência ainda verificado nos restantes 4% no Sudeste. Por outro lado, não podemos deixar de constatar que o processo de Helsínquia já denota os primeiros sinais positivos quanto à vontade política de realizar reformas. Helsínquia originou na opinião pública turca um debate sobre os pressupostos para a adesão da Turquia à União Europeia, que apoia e incentiva as forças impulsionadoras de reformas do país. -8 PT 08/11/2000 9 Com raras excepções, os resultados económicos dos países candidatos, em geral, regista nítidas melhorias. Contudo, o elevado desemprego na maior parte dos países candidatos, continua a dar azo a preocupações. Em países como a Bulgária, a Letónia, a Lituânia, a Polónia e a Eslováquia, onde a taxa de desemprego é relativamente elevada, as reformas estruturais deveriam representar uma base sólida para o crescimento económico e a criação de novos postos de trabalho. Queria agora resumir os resultados da avaliação segundo critérios económicos. Estes critérios económicos são do vosso conhecimento. Trata-se da questão: determinado país tem ou não uma economia de mercado a funcionar devidamente? Está em condições de resistir à pressão da concorrência do mercado interno? Em termos comparativos com o ano transacto, existem duas alterações. No caso da Estónia, Hungria e Polónia, bem como, com pequenas cambiantes, da República Checa e da Eslovénia, a Comissão chega à conclusão de que estes países, se continuarem a prosseguir com coerência as reformas, já num futuro próximo estarão em condições de satisfazer o segundo critério económico de Copenhaga, nomeadamente a capacidade de resistir às forças do mercado da União. No caso da Lituânia e da Eslováquia, a Comissão constata pela primeira vez que estes dois países podem ser considerados como economias de mercado, mas que, contudo, o critério da concorrência só poderá ser satisfeito a médio prazo. Assim, estes dois candidatos estão ao mesmo nível da Letónia. A Bulgária, a Roménia e a Turquia continuam a não satisfazer os referidos critérios. Porém, a Bulgária obteve progressos satisfatórios, mas na Roménia os mesmos não são suficientes. Por conseguinte, o que está agora em causa é a concepção do processo de negociação, que actualmente entra numa fase ainda mais complexa e trabalhosa. O elemento mais importante neste contexto é, como já referi, a proposta da Comissão para criar no seio da União Europeia um compromisso bem definido sobre até quando deverão ser tratados, o mais tardar, que categoria de assuntos. Assim, os países candidatos têm a hipótese de se prepararem devidamente, tendo ainda concluídos, o mais tardar nessa altura, os seus próprios preparativos. Portanto, é também um forte estímulo para os países candidatos no sentido de intensificarem os seus esforços. O que de momento interessa é que as questões de fundo e extremamente complexas não sejam proteladas, pondose efectivamente mãos à obra, e por isso necessitamos deste esboço ou road map, comprometendo-nos a cumpri-lo rigorosamente. Nas medidas de transição verificar-se-á mais rapidamente qual é o ritmo para a resolução das questões de fundo. Pretendemos começar desde já a tratar da categoria mais simples dos prazos de transição. O esboço que o senhor Presidente Prodi já apresentou – também já fez referência aos temas a tratar e quando – constitui uma calendarização indicativa, o que quer dizer que é evidente que certos capítulos das negociações -9- poderão ser tratados numa outra sequência e serem, até, antecipados. Uma nova proposta importante é, para além disso, que futuramente pretendemos estar em condições de encerrar provisoriamente determinados capítulos, à excepção de alguns pontos ainda em aberto. Existem capítulos com muitas centenas de pontos específicos que não poderão ser concluídos pelo facto de ainda estarem em aberto uma ou duas questões. Creio que poderemos estruturar o processo de negociações com muito maior clareza e concentrar-nos nas questões importantes, se encerrarmos provisoriamente também estes capítulos, evidentemente com excepção das questões em aberto, de modo a que se tenha em qualquer altura uma panorâmica muito mais clara da situação real. Um novo ponto de partida para a abertura dos capítulos das negociações também está previsto para os chamados Estados de Helsínquia, o que é necessário para que estes Estados possam continuar a sua recuperação. O que importa neste caso é que os candidatos transmitam com a maior brevidade possível os documentos de posição. Se bem que não haja uma data fixa para a finalização do alargamento, conforme foi exposto, existe actualmente uma perspectiva muito mais clara quanto à calendarização, tanto para os Estados-Membros como também para os países candidatos. Queria voltar a frisar a este respeito que não devemos pensar que temos à nossa disposição todo o tempo deste mundo. A Comissão afirmou desde o início que, neste processo, pretende ter e terá em atenção o correcto equilíbrio entre qualidade e timing, de modo a que não protelemos, não retardemos o processo, pelo contrário, que seja resolvido o mais depressa possível, não se podendo, no entanto, fazer qualquer concessão aos critérios e às condições de adesão. No ano transacto, a este respeito correu tudo muito bem. Acelerámos o ritmo, mas também adquirimos mais qualidade e creio que a estratégia hoje decidida terá como consequência que se prossiga, nos próximos dois anos, com uma dinâmica ainda maior. (Aplausos) *** 3-007 Brok (PPE-DE), presidente da Comissão dos Assuntos Externos, dos Direitos do Homem, da Segurança Comum e da Política de Defesa. – (DE) Senhor Presidente, Senhor Presidente da Comissão, Senhor Comissário, quanto à questão aqui levantada pelo senhor Presidente David Martin não pretendo, de momento, entrar numa discussão para esclarecer se os referidos documentos, na posse dos Estados-Membros, são documentos de posição ou documentos de selecção, mas queria apenas perguntar se não é possível envidarmos esforços nas próximas semanas – a Comissão, o Conselho e o Parlamento – no sentido de facultar o acesso do Parlamento aos mesmos. Em conjunto com o Conselho, deveríamos encontrar uma via, já que PT 10 08/11/2000 acompanhamos de um modo construtivo o processo e pretendemos ratificá-lo no fim, sendo certamente vantajoso que o Parlamento Europeu tivesse à sua disposição toda a informação. Creio tratar-se de um ponto de partida construtivo, uma vez que as vossas exposições, Senhor Presidente Prodi e Senhor Comissário Verheugen, são, quanto ao seu teor e à sua estratégia, em muito parecidas com o que o Parlamento Europeu afirmou em Outubro. Assim, constato que a este respeito existe um elevado grau de consenso, pelo qual estou grato. Se bem entendi, também está de acordo com a calendarização, uma vez que, depois de criados os pressupostos para a capacidade de alargamento, em 2002, existe também, segundo o seu esboço, a hipótese de concluir as negociações com os primeiros países. Nesta perspectiva, poder-se-ia celebrar os primeiros acordos de adesão, em 2002, de modo a que fosse possível realizar o nosso desejo de os primeiros países participarem nas eleições europeias de 2004, desde que todas as partes criem os pressupostos necessários para o efeito. Creio que o procedimento diferenciado, em plena e concreta observância de todos os critérios de Copenhaga, constitui o ponto de partida correcto, com base no qual poderemos prosseguir o nosso trabalho. Parece-me existir uma acentuada concordância entre o esboço, que acaba de fazer, e a nossa calendarização. Queria abordar sucintamente dois outros pontos. Primeiro: para percorrer este caminho teremos de conquistar também a população. Fez referência ao facto de o excedente da balança comercial da União Europeia ascender a 25,8 mil milhões de euros. Por este motivo, deveríamos providenciar, em comum, no sentido de comprovarmos às populações dos nossos países que o alargamento da União Europeia está também associado a vantagens para nós próprios e não apenas para os países candidatos, sendo esse benefício económico e não político. Talvez seja necessário fazermos, também em comum, um trabalho mais intenso de persuasão nos nossos próprios países. O segundo ponto que pretendo referir é o seguinte: deveríamos aproveitar o dia de hoje e ainda os debates das próximas semanas no Parlamento Europeu para dizer aos chefes de Estado e de Governo da União Europeia que deveriam ser tão corajosos como os chefes de Governo dos países candidatos para fazer avançar o processo de transformação da União Europeia e fazer de Nice um êxito, pois, se o Senhor Comissário afirma com justeza que foram feitos enormes progressos nos países candidatos, também deveríamos, a meu ver tornar possíveis os nossos progressos, de modo a proporcionarmos o necessário grau de extensão à decisão por maioria qualificada. (Aplausos) 3-008 Poettering (PPE-DE). - (DE) Senhor Presidente, em nome do Grupo do Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos) e do Grupo dos Democratas -10 Europeus, gostaria de agradecer expressamente ao senhor Presidente da Comissão, bem como ao senhor Comissário Verheugen pelo que aqui vieram declarar hoje. No que diz respeito ao meu grupo, gostaria de constatar que existe um grande consenso e que seria realmente trágico, Senhor Presidente da Comissão, que, após Nice, fôssemos forçados a concluir que o resultado obtido não é suficiente para efectuar o alargamento da União Europeia aos países da Europa Central. Congratulo-me particularmente pelo facto de se ter referido à herança do Comunismo. Referiu que Nice tem de produzir um resultado positivo e ambicioso. Apoiamos esse desejo e gostaríamos de incentivá-lo, a par também com o senhor Comissário Barnier, que tem todo o nosso apoio, a intervir durante as próximas semanas com exigências perante os Estados-Membros da União Europeia. Na sua declaração de hoje – em parte poderíamos tê-la também já lido previamente na imprensa, o que obviamente lamento, mas que é de facto inevitável numa sociedade pluralista – fixou uma data. As primeiras negociações deverão estar concluídas até ao final de 2002 e, Senhor Presidente da Comissão, Romano Prodi, subscreveu expressamente a ideia de que os primeiros países deveriam tomar parte nas eleições europeias a realizar em 2004. Trata-se de uma ideia proveniente do nosso grupo e estamos gratos pelo facto de o Parlamento a ter subscrito e de, também a Comissão, manifestar agora a sua adesão. Somos da opinião de que o alargamento a alguns países que reunam as condições para o efeito, em vez de ser retardado deveria ser acelerado e que os problemas importantes que urge resolver deveriam ser solucionados através de prazos provisórios. Se a nossa ambição aponta para concluir as negociações até 2002, nesse caso peço à Comissão que actue desde já perante os Governos e os Parlamentos nacionais no sentido de acelerar os processos de ratificação. Os processos de ratificação não têm de durar dois anos em cada um dos Estados. Com boa vontade, os mesmos podem ser concluídos num ano. Se conseguimos fazê-lo no âmbito do Parlamento Europeu no espaço de meio ano, também os Parlamentos nacionais o conseguirão seguramente no espaço de um ano. O alargamento não pode ser adiado pelo facto de os processos nos Parlamentos nacionais durarem tanto tempo. Para finalizar, apenas mais duas observações: solicito à Comissão que também em Nice seja estabelecida uma calendarização clara, que os Governos declarem o mesmo que a Comissão declarou. Em segundo lugar, apoio expressamente o que o nosso Presidente e o presidente da Comissão dos Assuntos Externos afirmaram: o Parlamento – pelo menos o meu Grupo – insistirão em que recebamos todas as informações relativas ao processo de adesão, uma vez que não queremos que haja negociações de bastidores. O Parlamento, na qualidade de representante dos povos europeus e dos interesses dos países candidatos a adesão, tem o direito de receber informações completas. Se estas PT 08/11/2000 11 informações forem negadas, o Conselho deverá preparar-se para o facto de não pretendermos deixar de as reclamar e de continuar a defender aqui também com insistência o nosso ponto de vista. 3-009 Barón Crespo (PSE). – (ES) Senhor Presidente, Senhor Presidente da Comissão, Senhor Comissário, caros colegas, antes de mais, quero agradecer ao Presidente da Comissão o facto de ter iniciado a sua intervenção, falando da reunificação da Europa. Parece-me que é muito mais positivo - ou, como se diz agora, influente – do que falar sistematicamente em alargamento. Creio que é neste contexto político que temos de situar o processo em que estamos envolvidos. No fim-de-semana passado, nós, socialistas, tivemos a oportunidade de debater, em Varsóvia, com os companheiros dos países candidatos, a evolução do processo. Limitar-me-ei, por conseguinte, a fazer algumas perguntas muito concretas relativamente às três dimensões a que o Presidente da Comissão e o senhor Comissário Verheugen resumiram o processo. Em primeiro lugar, a vertente política. A minha pergunta concreta é a seguinte: não considerará a Comissão mais interessante colocar sobre a mesa a Carta dos Direitos Fundamentais, em vez das 80 000 páginas do acervo comunitário? E digo-o porque este é um tema que me parece fundamental no momento de afirmar a nossa comunidade de valores e creio que, relativamente a Nice, temos que trabalhar conjuntamente para que esta Carta seja inserida no número 2 do artigo 6º do Tratado da União Europeia e possamos tranquilizar também os nossos vizinhos da Europa Central e Oriental relativamente a este processo político. Em segundo lugar, quando se fala dos compromissos financeiros, citam-se sempre 3 mil milhões de euros, soma que coincide exactamente com o valor que dedicamos à coesão na União. Não considerarão que, relativamente a este processo, deveríamos fazer uma previsão financeira mais ampla, que tivesse em conta as repercussões sobre todo o orçamento, incluído a agricultura e as reformas que haverá que fazer? Pareceme que isso também tem sentido político. Em terceiro lugar, relativamente às questões horizontais – delinquência e corrupção – que se apresentaram, creio que devemos falar com estes países como irmãos e como parceiros. Não devemos dar-lhes sempre lições a este respeito. É bom que apoiemos o processo de institucionalização, mas é ofensivo que lhes imponhamos essa condição. Temos de tomar a decisão de trabalhar em conjunto com todos eles. Por último, falou-se de um novo impulso para o processo. O melhor impulso, desde logo, é o êxito que pudermos alcançar em Nice no que se refere às reformas, absolutamente necessárias, e o início de uma nova etapa com determinação e com vontade europeísta. Relativamente ao trabalho interinstitucional, creio – e o meu Grupo já o tinha defendido – que o importante é -11- que quem negoceia forneça informações e que em seguida tomemos a nossa posição, e não proceder como fizemos até agora. Por conseguinte, proponho, em relação às próximas sessões plenárias – e penso no mês de Fevereiro -, que possamos discutir esta questão e tomar uma nova posição. 3-010 Prodi, Comissão. - (IT) As respostas serão muito rápidas, porque estou perfeitamente de acordo com os senhores deputados. É claro que Nice é uma encruzilhada. O senhor presidente Poettering referiu que é necessário fazer apelo às exigências dos Chefes de Estado e de Governo. Eu não me limito a fazer apelos: é o nosso trabalho, insistente neste período, um trabalho contínuo, dia e noite, para que Nice tenha sucesso. Trata-se de um problema muito sério, precisamente porque, se assim não for, se perde o sentido da urgência e da força do alargamento: perdemos o sentido da Europa, se Nice não for bem sucedida. Em segundo lugar: não há contradição entre a Carta dos Direitos Fundamentais e o acervo comunitário. A Carta dos Direitos Fundamentais é o futuro, o sentido da União, o sentido do alargamento da Europa; o acervo comunitário é feito para dar segurança aos nossos cidadãos, para os tranquilizar dizendo-lhes que, com regras comuns, será possível a coexistência na economia sem problemas, sem perigos. Trata-se de dois aspectos que temos, impreterivelmente, de fazer avançar em conjunto. 3-011 Verheugen, Comissão. - (DE) Senhor Presidente, o senhor deputado Barón Crespo abordou uma questão de facto bastante complexa, nomeadamente, a questão do financiamento de todo o projecto relacionado com o tema da política agrícola. No que diz respeito ao financiamento, como sabe, os custos do alargamento encontram-se discriminados individualmente e cobertos até 2006 nas Previsões Financeiras. Com efeito, há a acrescentar que as despesas contempladas nas Previsões Financeiras para o alargamento no contexto da agricultura partem de uma premissa muito específica, nomeadamente de que o sistema, tal como ele existe actualmente, não será aplicado na íntegra nos países candidatos a adesão. Não podemos actualmente prever se a referida premissa se revelará totalmente correcta ou se terá necessidade de algumas alterações. Contudo, Senhor Deputado Barón Crespo, poderá reconhecer o seguinte. Também o tema da agricultura deverá ser levantado de modo a que a posição definitiva da UE seja tomada o mais tardar em meados de 2002. A necessária revisão da política agrícola comum, prevista na Agenda 2000 apenas deverá ter início mais ou menos por essa altura. Daí não poderá decorrer qualquer obstáculo ao alargamento. Discutimos seriamente o assunto na Comissão e ficou claro que nesta dificílima situação, entre uma necessidade de reforma, por um lado, ou seja, a alteração do acquis, e PT 12 08/11/2000 um processo dinâmico de alargamento, por outro, nos resta apenas uma única possibilidade de sermos justos para com os candidatos, consistindo a mesma em negociar o acquis que possuímos no momento da negociação, ao invés de esperar que surja um novo. Se o acquis for alterado no decurso das negociações e, no que diz respeito à agricultura podemos contar com isso – pelo menos em toda uma série de países – nesse caso, o acquis alterado deverá ser incluído nas negociações e, nessa altura, há que calcular as respectivas consequências financeiras e, caso necessário, decidir sobre as mesmas, se estas vierem a ter lugar. Gostaria apenas de referir que estamos plenamente conscientes deste problema, mas que a decisão actualmente possível foi por nós tomada de molde a não esperar até termos uma política agrícola concluída, mas a cumprir o calendário estabelecido e a incluir as alterações à política agrícola no respectivo processo de negociação em curso. 3-012 Haarder (ELDR). – (DA) Gostaria de agradecer, em nome do Grupi ELDR, a exposição apresentada pela Comissão e o empenhamento que dedicou a esta tarefa histórica. Gostaria igualmente de agradecer a resposta dada há momentos pelo senhor Comissário Verheugen, relativamente à política agrícola. Considero que foi uma resposta clara, positiva e poderosa ... (microfone desligado)... no final de 2002, mas o Senhor Comissário Verheugen escreve, no seu documento estratégico relativo ao alargamento, que as negociações deverão ficar concluídas durante os primeiros 6 meses de 2002. Por esse motivo, a minha primeira pergunta é a seguinte: Significa isto que esta questão foi agora adiada? Congratulo-me pelo facto de o senhor Comissário estar a acenar negativamente com a cabeça. Congratulo-me pelo facto de confirmar que não se trata de um adiamento em relação aos objectivos anteriormente estabelecidos. Gostaria, no entanto, que nos confirmasse novamente este aspecto. Relativamente à Letónia, pelo que entendo este país deixou de estar a caminho do primeiro grupo, para passar a estar no último grupo. Será que nos poderia dar alguns esclarecimentos relativamente a este aspecto? Quero ainda agradecer a intervenção aberta sobre os curdos na Turquia, embora também gostasse de perguntar se a Comissão possui alguns objectivos ou normas relativas ao tratamento das minorias. 3-013 Verheugen, Comissão. - (DE) Senhor Deputado, no que diz respeito à questão dos direitos humanos na Turquia, posso afirmar que, no texto do acordo de adesão por nós proposto, todas estas questões foram abordadas, ou seja, são exigidos os direitos políticos, sociais e culturais para todos os cidadãos turcos – seja qual for a sua origem. Penso ainda que receberemos uma resposta positiva ao mesmo. No que diz respeito ao calendário: não escrevemos em ponto algum do documento de estratégia que as negociações deveriam ser concluídas no primeiro semestre do ano 2002, e passo a ler novamente a -12 formulação, palavra por palavra: „No que concerne às negociações de adesão e à preparação para a adesão, a Comissão parte do princípio que, se a estratégia descrita no presente documento for seguida de forma eficaz, estarão reunidas as condições para concluir, no decurso do ano 2002, as negociações com os países candidatos a adesão que cumpram todos os critérios para essa mesma adesão.“. Segue-se depois a frase que traduz exactamente o que foi dito em Helsínquia: „Deste modo, a partir do final do ano 2002, a União deverá estar em condições de acolher novos Estados-Membros.“. Nunca existiu uma versão diferente, deve tratar-se de algum mal-entendido o facto de ter lido que o mesmo deveria acontecer no primeiro semestre do ano. Não pretendo excluir – não está de forma alguma excluído – que exista um país, particularmente bom e rápido, que o possa conseguir já no primeiro semestre de 2002. Não o excluo de forma alguma. Mas também não digo que deve ou tem de ser, dizemos antes que pensamos poder vir a consegui-lo no decurso do ano 2002. Em relação à Letónia: a Letónia permaneceu exactamente onde estava. O relatório sobre a Letónia revelar-lhe–á que um exemplo bastante agradável é precisamente a Letónia. A Letónia tinha um ponto de partida extremamente desfavorável comparativamente, por exemplo, com a Polónia e a Hungria ou a República Checa e, por essa razão, os progressos assinalados na Letónia são particularmente satisfatórios. A Letónia está a aproximar-se do cumprimento dos critérios económicos a um ritmo satisfatório. Os critérios políticos já se encontram preenchidos. 3-014 Hautala (Verts/ALE). – (FI) Senhor Presidente, em primeiro lugar, queria protestar contra o facto de a Comissão ter tido a oportunidade, mais uma vez, de confiar esta matéria aos órgãos de comunicação social seus preferidos, enquanto nós, os membros do Parlamento e os presidentes dos Grupos, só pudemos ler de manhã, através do jornal, o que a Comissão propõe. Peço-lhes que assegurem que esta foi a última vez. Se o Parlamento se compromete a tratar uma matéria com confidencialidade, a Comissão também deve cumprir as regras do jogo. Queria reafirmar que o meu Grupo se compromete com os objectivos anunciados pela Comissão nesta comunicação. Apoiamos fortemente a fixação de prazos e o empenhamento efectivo e rigoroso no cumprimento dos mesmos. Também apoiamos inteiramente a ideia apresentada no relatório do senhor deputado Brok relativamente à participação dos primeiros países candidatos nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, a realizar em 2004, e consideramos perfeitamente possível e uma meta bastante desejável que neste grupo estejam já incluídos outros países para além dos seis iniciais. Com efeito, os países candidatos não devem ser artificialmente divididos em diferentes grupos só porque têm amigos influentes entre nós. A sua PT 08/11/2000 13 selecção não deve basear-se em nenhum sistema de favoritismo. Estou contente pelo facto de a política da Turquia no domínio dos direitos humanos ter tido um forte destaque na sua intervenção e desejo-lhe boa sorte para que consiga encontrar os meios necessários que lhe permitam intervir nestas matérias. Queria perguntar-lhe se não seria necessário o Conselho e os EstadosMembros assumirem agora mais claramente a sua responsabilidade em relação a tudo aquilo com que a Comissão e o Parlamento parecem comprometer-se? Como é que caracterizaria a posição actual do Conselho relativamente a todo o processo de alargamento? Ainda um comentário sobre o financiamento. Já no último debate parlamentar propusemos que, se após 2002 não aderissem novos membros à União, os recursos financeiros reservados no orçamento para esse fim fossem mantidos e pudessem ser utilizados nas estratégias de pré-adesão dos países em questão. O senhor defende este ponto de vista? 3-015 Prodi, Comissão. – (IT) No que respeita às informações, até pode acontecer que deixemos passar alguma coisa, mas então fazemo-lo realmente com uma técnica de espionagem, visto que, ontem, o Le Monde dizia: “A Comissão acelera o alargamento” e o Financial Times”: “A Comissão abranda o alargamento”. Pode então dar-se o caso de ser uma informação intencionalmente errada! Brincadeiras à parte, peço desculpa se deixámos transpirar alguma notícia, o que vai sem dúvida contra a nossa vontade e contra a nossa maneira de proceder. Em virtude da própria complexidade do processo em curso, pode ser que alguma notícia tenha escapado, mas é claro que não a comunicámos oficialmente aos jornais nem esta manhã fizemos formalmente qualquer declaração ou demos qualquer conferência de imprensa: depois de terminada a reunião da Comissão, viemos aqui informar o Parlamento. Portanto, se houve alguma fuga de notícias, apresento por esse facto as minhas desculpas. À pergunta: “Qual é a posição do Conselho em relação ao alargamento?” devo responder que a posição do Conselho é unanimemente positiva. No entanto, não posso dizer – confirmo simplesmente aquilo que já disse perante o Parlamento – que haja um acordo idêntico e uma flexibilidade idêntica em relação ao Tratado de Nice, em relação a decisões que são fundamentais e instrumentais para o alargamento. Por conseguinte, a minha preocupação não é que possa haver uma desaceleração em termos do desejo de alargamento – honestamente não posso dizê-lo – mas é claro que, se não tivermos um tratado forte, podem ser criados obstáculos ao alargamento, embora não seja essa a intenção. 3-016 Wurtz (GUE/NGL). – (FR) Senhor Presidente, Senhor Presidente da Comissão, Senhor Comissário, será que acreditam que a vossa proposta de acolher um pequeno -13- grupo de países candidatos em 2004 será capaz de responder ao perigoso clima de desencantamento que se manifesta em toda a Europa Central e Oriental? O grupo a que pertenço, o Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, considera que o sinal absolutamente novo que deveria ser enviado consistiria na diferenciação dos critérios, entre políticos e económicos, e, por conseguinte, na fixação de uma data limite mais próxima para todos os países candidatos que respeitem os critérios políticos. Isso significaria provavelmente os doze países, e acrescento « incluindo os Balcãs », hoje. Evidentemente, uma vez na União, seria necessário tratar com eles das questões respeitantes aos períodos transitórios, derrogações específicas e diferentes ajudas. Trata-se, pois, antes de mais, de emitir um sinal político. É a primeira pergunta que quero fazer. Tenho uma segunda, que, seja como for, vai ser muito curta, pois o tempo urge, e à qual poderá responder, se assim o entender, por sim ou por não: em primeiro lugar, poder-me-á dizer se a palavra «curdo» que aqui pronunciou figura no seu texto? Em segundo lugar, será que, no seu texto, figura o pedido de retirada das tropas de ocupação turcas em Chipre? 3-017 Prodi, Comissão. – (IT) Vou responder rapidamente à primeira das três perguntas e o senhor Comissário Verheugen responderá em seguida às restantes. É difícil estabelecer uma distinção entre a parte política e a parte económica. Nós comprometemo-nos a avaliar a situação país a país, mas de uma forma sintética. Um país entra para a Europa na sua globalidade – com todos os seus aspectos, toda a sua vida, toda a sua sociedade – e o que devemos fazer é acelerar ao máximo esse estudo. Já várias vezes levantámos o problema, inclusivamente, de dividir pilares, aspectos, mas , repito, não se trata de nenhum tratado comercial. Estamos perante um grande acontecimento: temos assento no mesmo Parlamento, participamos na mesma vida política, tomamos parte no mesmo e único mercado económico. A distinção entre estes pontos torna-se, em meu entender, complicada e faz com que os países interessados percam o sentido do grande acontecimento, da mudança histórica que irão viver ao passar a fazer parte da nossa União. 3-018 Verheugen, Comissão. - (DE) No que diz respeito à questão do termo „curdo“, devo dizer que não me envolvi nesta discussão absurda. As expressões turcas para a língua curda são completamente diferentes do termo „curdo“. Por essa razão, afirmámos não existirem apenas Curdos na Turquia cuja situação nos preocupa e que exigimos da Turquia que garanta direitos iguais em todos os sectores da vida, a todos os cidadãos turcos, independentemente da sua origem e independentemente da sua língua materna. É esta a expressão que utilizamos no acordo de adesão. No relatório regular em cuja análise o acordo de adesão assenta, descrevemos a situação e é perfeitamente óbvio que temos de chamar PT 14 08/11/2000 Curdos aos Curdos e língua curda à língua curda. Nele descrevemos como a situação realmente é e dificilmente poderei afirmar que uma língua não pode ser utilizada na rádio mas que o nome dessa língua não existe. É evidente que, dizermos que o curdo não pode ser difundido pela rádio, constitui uma violação dos direitos humanos e exigimos que essa situação seja alterada, e como este existem muitos outros exemplos. 3-019 Dell’Alba (TDI). – (IT) Senhor Presidente, tomo a palavra em nome dos radicais italianos do meu grupo. Senhor Presidente Prodi, na sua declaração de política geral de há umas semanas atrás, em Estrasburgo, recebeu os sinceros aplausos de grande parte dos deputados europeus, ao reivindicar com vigor o papel da Comissão na construção da Europa, no alargamento, nas negociações de Nice; nessa altura reivindicou também, aliás com algumas expressões politicamente polémicas – o que o Parlamento Europeu faz há muito tempo – o papel de Mr. PESC, o papel de coordenação da política externa. Hoje – não é uma pergunta a latere, passo de imediato ao ponto em questão – no dia em que a América está a decidir, por poucas centenas de votos, se será Bush ou Gore quem irá vencer, a Agence Europe abre a sua edição de hoje, dizendo: “Já está decidido: irá haver um Comissário por cada país, serão trinta ou trinta e dois Comissários” – é neste sentido que eu situo a questão do alargamento – e mais, especifica-se que a Comissão está a trabalhar num projecto com vista a instituir esses trinta Comissários. Ora bem, como concilia estas duas faces? Não continua a existir o risco de que, infelizmente, em nome do alargamento – forçoso, como dizia o senhor deputado Barón Crespo –, em nome da unificação europeia, possamos perder completamente o fio à meada do método comunitário e preparemos o caminho para um Conselho da Europa bis onde, justamente, será difícil para si, Senhor Presidente, reivindicar os poderes que reivindicou em Outubro e que, neste momento, correm o risco de se afogar nessa estrutura, em meu entender, muito perigosa para Comissão e para a União? 3-020 Prodi, Comissão. – (IT) Comecemos, em primeiro lugar, pela questão. “um Comissário por cada país”. É claro que não há ainda nenhuma decisão sobre esta matéria, mas devo dizer de forma muito clara que este ponto foi focado nas conversações com a maior parte dos nossos países, sendo por eles – sobretudo por aqueles que são designados, na terminologia comum, ainda que não científica, “países mais pequenos” – encarado como um ponto de garantia para uma presença forte da sua parte nos órgãos da Comissão. Devo dizer que esta ideia não é de modo nenhum incompatível com uma Comissão forte e eficiente, desde que sejam dados ao Presidente os poderes que são normais nesta função de organização da própria -14 Comissão. Ter uma Comissão com 28-30 membros – o que irá acontecer apenas num futuro distante – não é certamente um facto que impeça a sua eficiência, se houver liberdade para organizá-la da forma mais apropriada e eficiente. Não vejo nisso nenhuma contradição. Mas é claro que esta condição entra no seu discurso, Senhor Deputado Dell’Alba, ou seja, vai directamente àquilo que foram os pedidos feitos em 3 de Outubro, em Estrasburgo, insere-se nessa linha que não mudou minimamente. Gostaria de recordar que, na comunicação que fiz precisamente aos senhores sobre a questão do pós-Biarritz, salientei com preocupação - e, honestamente, é meu dever fazê-lo – que, depois de Biarritz, em que houve momentos de grande progresso para a preparação de Nice, houve como que um receio, um novo recuo. Devemos insistir nessa questão, nomeadamente nos seus temas mais delicados, como a passagem a uma maioria qualificada, a cooperação reforçada ou a ponderação: estas são as questões fundamentais, importantes, mas estes objectivos podem ser alcançados – repito, até com facilidade – com uma Comissão que tenha um Comissário por cada país, desde que existam possibilidades de organização e de estrutura estudadas ad hoc, bem como a liberdade e a flexibilidade necessárias. O outro ponto que recordou, Senhor Deputado Dell’Alba – Mr. PESC na Comissão – parece-me uma constatação indispensável. Não se refere tanto à minha pessoa nem à pessoa do senhor Javier Solana – a quem renovo de forma muito clara a minha estima – como ao pós-Prodi e ao pós-Solana, mas não há dúvida de que o problema de Mr. PESC na Comissão se coloca de uma forma concreta e extremamente clara: de outro modo, não poderíamos ter essa única palavra que todos nos pedem e seria contraditório relativamente aos objectivos que estabelecemos e aos pedidos que nos são dirigidos pelos povos europeus. (Aplausos) 3-021 Bonde (EDD). – (DA) Senhor Presidente, estou a falar em prol de e a favor da Europa das democracias e da pluralidade. A UE fala do alargamento com duas línguas. Diz-se constantemente aos Países candidatos que poderão entrar daqui a uns anos. É apenas necessário que, em primeiro lugar, descartem as suas próprias leis e copiem os vinte e seis mil documentos de Bruxelas. Mas, para que o alargamento tenha sucesso, é necessário que a UE se submeta a um regime de emagrecimento e que, à semelhança de qualquer empresa moderna, se concentre naquilo que sabe fazer melhor, aquilo que não conseguimos fazer individualmente ao nível dos Estados-Membros, ou seja, o que é transfronteiriço. Na Dinamarca, já houve, até hoje, quatro referendos, nos quais foi dito à população que bastaria dizer que sim e a UE seria alargada com os países candidatos. Agora, para Dezembro, irá surgir um Tratado de Nice, por ocasião do qual nos irão dizer que bastará aceitarmos mais algumas decisões por maioria para que a UE seja alargada. E PT 08/11/2000 15 depois de Nice dirão que é só aprovarmos uma nova Constituição para a UE, no ano 2004, e que serão abertas as portas aos novos membros. Esta não é uma forma correcta de tratar os eleitores e os cidadãos dos países candidatos. Com a queda do Muro surgiu a oportunidade de criar uma Europa para todos. Esta oportunidade não poderá ser descurada. Receio que, na realidade, apenas serão abertas as portas a países como a Hungria, a Eslovénia, a República Checa e, porventura, só a partir de 2006, enquanto os países mais pobres ou um país grande como a Polónia será mantido fora da EU ainda por muitos anos. Diz-se que o Tratado de Nice é necessário por causa do alargamento, aspecto que é notoriamente errado. O desejo de mais decisões por maioria tem sido a ementa fixa em todas as conferências intergovernamentais e o método para converter uma confederação de estados num estado federal. As decisões por maioria podem esconder os problemas, mas não podem eliminá-los. As decisões por maioria não eliminam a diferença entre ricos e pobres. Eliminam, pelo contrário, a flexibilidade, que é uma condição para unir os países muito ricos e os países muito pobres numa única comunidade. Verifiquei ontem, no EU Observer, uma consulta de opinião realizada recentemente na Estónia. Presentemente regista-se uma maioria contra a sua entrada na UE. Este aspecto é uma chamada de atenção forte para que possamos verificar que a forma de gestão da UE não é tão atractiva como pensa a maioria, o que nos deveria levar à realização de reformas com abertura, proximidade e democracia, em vez de mais centralização e burocracia. Estas questões deveriam levar-nos a reflectir sobre estes aspectos e sobre o regime de emagrecimento a que se deve submeter a UE. E agora a minha pergunta, será que podemos ter acesso aos documentos relativos à negociação? 3-022 Prodi, Comissão. – (IT) Sobre a pergunta em sentido estrito, posso dizer-lhe que me comprometo a tentar com todas as forças encontrar, com o Parlamento Europeu e com o Conselho, uma via que permita que todos os documentos cheguem ao Parlamento. Naturalmente, não há da minha parte nenhum impedimento sobre essa matéria, pelo contrário, há o desejo de que isso aconteça. Garanto-lhe que irei levar por diante este compromisso, precisamente pelo tipo de operação histórica que o senhor deputado descreve, por me parecer que o Parlamento deve ter o devido envolvimento. Uma observação, contudo, sobre as suas palavras. Eu não acho que os países fracos irão sofrer ao passarem a fazer parte da União Europeia. A experiência passada demonstra que foram os países mais periféricos a registar os progressos mais notáveis. Basta adoptar uma política económica criteriosa, evitando, portanto, ajustamentos salariais imediatos ou outras operações desse tipo. Penso que este é um processo win-win, como se diz em inglês, ou seja, um processo em que todos os países ganham. Na verdade, não tenho nenhum elemento que me faça recear esse aspecto. E é nisso que reside a grandeza do trabalho que está a ser realizado pelo senhor -15- Comissário Verheugen, juntamente com todos aqueles que se ocupam deste difícil processo: a grandeza deste trabalho reside precisamente em fazer com que esses países, com as suas instituições e adoptando instrumentos semelhantes aos nossos, consigam transformar a sua fraqueza em força. É nisso que consiste o processo de adesão. Também compreendo muito bem a referência aos milhares de regulamentos: sei perfeitamente que às vezes somos uns pedantes burocratas, mas é preciso que assim seja; é inevitável para que esses países possam, amanhã, dar o salto para a frente. Penso que se há-de compreender mais tarde o mérito de tudo isto. Devo dizer, aliás, que a grandeza do processo em curso se torna visível participando nalgumas reuniões dos parlamentos dos países em vias de adesão. Eles comprometeram-se a adaptar-se a esses milhares de regulamentos – como o senhor deputado diz – não da mesma forma que se procede a uma operação burocrática mas compreendendo que esse é o instrumento material para a mudança da história. E eu penso que eles têm razão. *** 3-023 Titley (PSE). – (EN) Senhor Presidente, o que aqui ouvimos hoje representa um gigantesco passo em frente no compromisso da Comissão para com o alargamento. Congratulo-me com isso e espero sinceramente que o Conselho esteja em posição de seguir o exemplo da Comissão. Trata-se de um importante projecto e é importante que seja correctamente realizado. Um dos países candidatos tem ouvido constantemente da parte de políticos de alguns dos Estados-Membros e, na verdade, por vezes também de algumas vozes da Comissão, que a primeira vaga do alargamento não poderá de forma alguma ter lugar sem o referido país e que o alargamento não se realizará enquanto o mesmo não estiver pronto para a adesão. Poderá o Presidente Prodi afirmar hoje categoricamente que a totalidade dos países será avaliada em pé de igualdade; que os países apenas serão considerados aptos para o alargamento quando estiverem aptos a implementar e executar a legislação comunitária; e que não haverá quaisquer favoritismos em benefício de qualquer país, sendo que nenhum país será discriminado? 3-024 Podestà (PPE-DE). – (IT) Congratulo-me, Senhor Presidente, Senhor Comissário Verheugen, com as decisões da Comissão. A minha intervenção aborda duas questões, que passo a expor rapidamente. A primeira diz respeito à opinião pública. Nós vamos certamente ter grandes dificuldades em explicar aos nossos concidadãos as vantagens que podem advir do alargamento e a razão de certas opções. PT 16 08/11/2000 Penso que são necessários recursos – mas recursos autênticos – nesse sentido e, no fundo, o referendo sobre o euro, na Dinamarca, permite-nos compreender que não é fácil, por vezes, explicar as razões de certas opções. Penso igualmente que, com base no que está previsto no Tratado de Amesterdão, deve haver um envolvimento mais forte dos parlamentos nacionais, juntamente com o Parlamento Europeu. Segundo ponto: devemos também preparar as nossas casas para receber estes novos países. Basta que entrem seis países – é uma mera hipótese – para termos, provavelmente, de passar de onze para dezasseis línguas oficiais. Também deste ponto de vista, há que entender que os prazos são curtos e os recursos necessários. preconceitos. O que eu desejo é que venha um grupo substancial, mesmo havendo os problemas levantados pelo senhor deputado Podestà: as línguas irão certamente aumentar, mas já sabíamos isso, estávamos cientes desse facto desde o início. No que respeita aos documentos, já assegurei o meu empenho em proceder por forma que cheguem o mais possível ao Parlamento. É claro que, no caso dos documentos de que não dispomos, não posso comprometer-me a apresentá-los, mas comprometi-me a solicitar ao Conselho a maior abertura possível em relação ao Parlamento. Em relação aos outros, comprometo-me a fazer aquilo que me foi pedido. 3-028 3-025 Ludford (ELDR). – (EN) Senhor Presidente, os senhores deputados Haarder e Wurtz perguntaram especificamente ao senhor Comissário Verheugen se o documento de parceria para a adesão relativo à Turquia mencionava os curdos. O senhor Comissário evitou a questão ao responder ao senhor deputado Haarder e ridicularizou-a ao responder ao senhor deputado Wurtz. Como coordenador da rede curda neste Parlamento e na qualidade de pessoa empenhada na adesão da Turquia, uma vez asseguradas as reformas necessárias, volto a tentar que me responda a esta questão: como pode a Comissão salientar correctamente, em sucessivos relatórios anuais sobre os progressos realizados, a discriminação específica de que são alvo os curdos e, no documento sobre a parceria para a adesão, que fixa os objectivos para as reformas, não mencionar, de todo, pelo seu nome o povo curdo? Não será o malogro em chegar a uma solução política, que respeite a identidade curda, a única grande razão pela qual as violações dos direitos humanos pela Turquia são tão consideráveis? Será que o facto de não se mencionarem os curdos significa que a Comissão não está, de facto, a considerar seriamente a adesão da Turquia? 3-026 Schroedter (Verts/ALE). - (DE) Senhor Presidente Romano Prodi, afirmou que está disposto a colocar toda a documentação à disposição do Parlamento. Estarei a entender correctamente que a proposta para as posições comuns será futuramente também disponibilizada ao Parlamento e que, deste modo, poderemos participar também no desenvolvimento das negociações, o que não era possível até há data? Estarei correcta ao considerar que até há data não ocorreram quaisquer negociações de peso? E quando terão início as referidas negociações de peso? 3-027 Prodi, Comissão. – (IT) Vou responder muito rapidamente: em primeiro lugar, não há de modo nenhum favores nem classificações prévias; pelo contrário, vão ver que as classificações deste ano, que são feitas de cambiantes, na minha opinião irão mudar radicalmente no próximo ano, porque irá haver uma concorrência leal entre países, que começou precisamente porque eles viram que a Comissão não tem -16 Verheugen, Comissão. - (DE) Gostaria de abordar novamente a questão do senhor deputado Titley, uma vez que me dá a oportunidade de partilhar algo que me é muito caro. Insto-o veementemente a não confundir porventura a ordem de precedência ou a aparente ordem de precedência adoptada na avaliação dos critérios económicos com um ranking relativamente à maturidade para a adesão. Trata-se apenas de um critério entre muitos, muitos outros e se pretende que lhe diga quem está próximo da maturidade para a adesão, nesse caso devo dar-lhe, em princípio, a mesma resposta que dei também no ano passado; os seis países que deram início ao processo de negociação estão, tal como sempre estiveram, muitíssimo próximos uns dos outros, tão próximos que não gostaria de fazer distinções em relação à maturidade para a adesão de cada um destes seis países. Malta recuperou bastante bem, o que não é de admirar, uma vez que Malta já muito havia feito num anterior processo. Seria totalmente errado, com base na avaliação dos critérios económicos, formar agora porventura grupos e dizer: agora temos um primeiro grupo, que entra em primeiro lugar, um segundo grupo, etc., trata-se tão somente de um mero parâmetro entre muitíssimos outros e que não deverá conduzir a este tipo de equívoco. No que diz respeito à opinião pública, o documento contém uma parte pormenorizada acerca da estratégia de comunicação. Estamos a manter conversações estreitas a esse respeito com o Parlamento. A estratégia enquanto tal – enquadramentos financeiro e organizativo – está decidida. Estamos neste momento em conversações convosco acerca do modo como as dotações deverão ser atribuídas. Estão previstos – como sabe – 150 milhões de euros para um período de cinco anos. Estou de acordo com o Presidente da Comissão para os Assuntos Externos, Direitos Humanos, Segurança Comum e Política de Defesa quando afirma que temos de aplicar estes meios de forma a gerar efeitos sinergéticos entre a Comissão e o Parlamento Europeu, por um lado, e os Parlamentos nacionais e os Governos dos EstadosMembros e dos países candidatos a adesão, por outro. Pretendemos manter aqui uma colaboração estreita. O cumprimento do teor da estratégia de comunicação está, em grande medida, concluído e no início do próximo PT 08/11/2000 17 ano iremos, tal como planeado, poder arrancar com a implementação da referida estratégia. Não me vão persuadir a envolver-me numa discussão que nada nos traz em termos políticos e que é inteiramente irrelevante. Não me interessam quaisquer nomes ou designações, interessam-me sim os assuntos e os problemas que têm de ser resolvidos e qualquer um dos problemas que identificamos na Turquia e que tem de ser resolvido na Turquia foi abordado no acordo de adesão e, nomeadamente, de forma tão clara e inequívoca que não poderá dar azo a quaisquer malentendidos. Não é correcto o que a senhora deputada Schroedter afirmou, nomeadamente que até há data não ocorreram quaisquer negociações de peso. Exactamente o contrário é que estaria correcto. Devo aqui defender também todos quantos conduzem estas negociações. Gostaria muito de saber o que é que andámos a fazer durante três anos! Ao longo destes três anos encerrámos já capítulos extraordinariamente difíceis e de peso. O facto de poderem ter sido já encerrados não significa, porém, que não tenham ocorrido negociações sérias. Existe êxito das negociações, é tudo quanto posso dizer a esse respeito. 3-029 Wiersma (PSE). – (EN) Senhor Presidente, congratulome muito com o dinamismo com que a Comissão deu início aos seus trabalhos no ano passado, e o que agora propõe é mais um sinal desse dinamismo. Gostaria de fazer uma pergunta: quando a Comissão afirma que espera poder concluir as negociações com os países mais fortes antes do final de 2002, incluirá nessa categoria um representante do chamado Grupo de Helsínquia ? 3-030 Flemming (PPE-DE). - (DE) Senhor Presidente, a Áustria e a República Checa chegaram a acordo quanto a solicitar a ajuda da Comissão no sentido de esclarecer o grau de segurança da central de energia nuclear de Temelin. Já reflectiu neste sentido? De que modo irá prestar ajuda? 3-031 Plooij-van Gorsel (ELDR). - (NL) Senhor Presidente, o senhor Presidente Prodi e o senhor Comissário Verheugen falaram do Mercado Interno, mas nenhum deles se referiu ao euro, que constitui, obviamente, a peça final do Mercado Interno. A minha pergunta vai, pois, no sentido de saber se também mantém um diálogo com o Banco Central Europeu sobre a adesão desses países candidatos à União Monetária europeia e também, consequentemente, sobre a introdução do euro. Levanto esta questão porque me questiono se esses países estarão sujeitos aos mesmos critérios de convergência que os primeiros quinze Estados-Membros. Com efeito, a União Monetária encontra-se numa fase totalmente diferente da que antecedeu a fusão entre as nossas moedas em 1998. Por isso mesmo, pergunto-me se não deveria justamente indagar junto do BCE, se não serão eventualmente necessários outros critérios, no sentido de assegurar realmente a estabilidade do nosso euro. Gostaria de receber uma resposta a esta pergunta. -17- 3-032 Graefe zu Baringdorf (Verts/ALE). - (DE) Senhor Presidente, Senhor Presidente da Comissão Romano Prodi, Senhor Comissário Verheugen, alertaram para a problemática da adaptação do sector agrícola. O Parlamento Europeu exigiu no seu relatório de alargamento que as compensações que são e que sempre foram discutíveis, e que são atribuídas em virtude de terem ocorrido aqui na UE reduções de preços que estas deveriam compensar. Exigimos igualmente que estes pagamentos compensatórios sejam negociados em benefício do aumento das verbas estruturais. O senhor Comissário conhece os países, esteve recentemente na Polónia. Todos nós sabemos o que lá faz falta. Não serve de nada andar a espalhar dinheiro, devemos antes aplicálo de forma objectiva e com sentido estratégico. Alertou para a problemática da calendarzação. Só que, afirmou que em 2002 as negociações estarão concluídas. Portanto, tal não significa que ainda o estejam a fazer. A ratificação poderá porventura ser adiada e, aí, estaremos, de facto, perante a nova reforma. São aspectos que deveríamos pelo menos considerar ao tratar este problema e possivelmente deixar em aberto. O segundo aspecto: o aprofundamento institucional em Nice. É incontestável que digamos que tudo o que é decidido por maioria no Conselho deverá também ser incluído na co-decisão. Tenho o enorme receio de que aconteça novamente uma excepção no sector agrícola. Aí decidimos por maioria, mas alguém vai conseguir excluir em Nice o sector agrícola do processo de codecisão, embora esta fórmula talvez seja adoptada na generalidade. Também a este respeito gostaria de solicitar que a Comissão tenha realmente atenção e que faça a sua parte. A posição da Comissão é clara, ao exercer pressão também neste ponto, o que os nossos representantes fazem de forma excepcional. 3-033 Prodi, Comissão. – (IT) Nada impede que no primeiro grupo entrem também representantes do grupo de Helsínquia; no entanto, têm de fazer um esforço maior porque começaram mais tarde. Associo-me, portanto, a tudo aquilo que o senhor Comissário Verheugen disse há pouco: não há grande coisa a fazer, tantos meses de distância pesam na velocidade. No entanto, devo dizer que, também no segundo grupo, há países que avançam muito, muito rapidamente. Outra questão: o euro. Nesta fase não se fala do euro mas de todos os outros critérios. A questão do euro é uma questão que, no momento actual, podemos considerar à parte. É claro que, se pensarmos numa futura adesão desses países ao euro, são válidas as mesmas regras que se aplicam aos nossos países, precisamente pela razão que invocou, Senhora Deputada Plooij-van Gorsel, para defendermos de uma forma rigorosa e séria a nossa moeda. Mas, repito, isso não é um problema de hoje. 3-034 Verheugen, Comissão. - (DE) Digo-o a título de observação pessoal ao senhor deputado Wiersma, mas bastante pessoal mesmo: desiludir-me-ia bastante que no PT 18 08/11/2000 decurso do ano 2002 apenas um país do grupo de Helsínquia o conseguisse. Ficaria muito desiludido que só um conseguisse e penso igualmente que é possível que vários o consigam. Contudo, todas estas considerações que aqui tecemos – tenho de repeti-lo constantemente -, a parte essencial da decisão sobre o timing do processo de alargamento, não nos cabem a nós. Nós decidimos a esse respeito apenas numa medida relativamente pequena, mas não podemos esquecer que são em grande medida os países candidatos que detêm a maior parte da decisão Relativamente a Temelin, estou há uma série de semanas em contacto bastante estreito e positivo – na generalidade, devo dizer – com os três Governos envolvidos mas, como é óbvio, de forma consideravelmente mais intensa com os Governos checo e austríaco do que com o Governo alemão, do qual, por razões que compreenderão, gostaria de distanciar-me inclusive a título pessoal. Não estou assim tão descontente com a evolução como poderia parecer, dada a situação actual. O diálogo está em curso e também já deu os seus primeiros resultados. Nestes últimos dias, ontem e anteontem, portanto, pude constatar, através de contactos directos ao mais alto nível com membros do governo de ambos os países, que a disponibilidade para o diálogo continua a existir e que existe também disponibilidade para o consenso. a compreensão de ambas as partes aumentou. Do lado checo, aumentoi em todo o caso a compreensão pelo facto de os vizinhos terem uma enorme necessidade de informação. Essa compreensão é, em todo o caso, visivelmente mais forte agora do que há poucas semanas atrás. Peço desculpa por, contrariamente à minha maneira de ser, me ter expressado de forma pouco clara, mas esse facto deve-se à natureza da matéria, uma vez que nos encontramos em conversações. No que diz respeito ao sector agrícola, Senhor Deputado Graefe zu Baringdorf, posso apenas confirmar o que já tive ocasião de dizer-lhe por diversas vezes, também na comissão especializada. Seja qual for o sistema de compensações criado, se é que vai haver algum, não poderá tratar-se de um sistema de ajudas directas ao rendimento. Tem de ser um sistema que melhore radicalmente a estrutura agrícola, ou seja, a estrutura dos espaços rurais, com o objectivo de oferecer, por exemplo na Polónia, alternativas profissionais no espaço rural aos inúmeros agricultores que não exercem a actividade a tempo inteiro, mas que não possuem, no entanto, nenhum outro emprego seguro. Também não poderemos ter qualquer interesse em continuar a promover a urbanização. A viabilidade do espaço rural deverá ser mantida. Estamos inteiramente de acordo com esta análise. 3-035 A situação neste momento é um tanto problemática, pelo facto de não se ter posto fim aos bloqueios de fronteira logo no fim-de-semana – o que, no mínimo desiludiu a parte checa. No entanto, houve também desilusão da parte austríaca. Parto do princípio que, a breve trecho, poderemos retomar, também oficialmente, o fio à meada das conversações. Na sua essência, posso apenas dizer que a Comissão, em propostas que porventura apresentará – ainda não decidiu se o fará, e o facto de a Comissão fazer aqui propostas depende também de os Estados envolvidos o pretenderem realmente... (A reunião é encerrada às 16H10) (Interrupção) Não, a Comissão ainda não recebeu o pedido de ambas as partes no sentido de apresentar propostas. O Ministro dos Negócios Estrangeiros checo telefonou-me ontem expressamente para dizer que ainda não se solicitou que o fizessemos. Ainda não, mas poderá vir a acontecer. Nós já estamos a preparar-nos para essa eventualidade. Se acontecer, nessa altura ter-se-á de inscrever essa tarefa nos trabalhos do Atomic Questions Group. Tanto quanto sei, será hoje apresentado ao Atomic Questions Group o relatório sobre as normas de segurança das centrais nucleares, bem como um relatório sobre Temelin, elaborado pela autoridade alemã encarregue de supervisionar a segurança dos reactores. Antes de proceder agora a quaisquer outros anúncios, compreenderão que eu pretenda ler agora primeiramente o referido relatório para ficar a saber a que resultados ele chega. Fá-lo-ei provavelmente daqui a pouco. Voltarei depois ao assunto, mas a minha impressão geral é de que -18 PT 08/11/2000 19 INDICE Conferência dos Presidentes aberta a todos os deputados ......................................................................5 Alargamento .................................................................5 -19- PT