GOVERNO DO ESTADO DO MARANHÃO SECRETARIA DE ESTADO DO PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO– SEPLAN INSTITUTO MARANHENSE DE ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS E CARTOGRÁFICOS – IMESC BOLETIM DE CONJUNTURA DO MARANHÃO Setembro/Novembro de 2013 Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Boletim de Conjuntura Econômica Maranhense Setembro a Novembro de 2013 SUMÁRIO EXECUTIVO Os dados relativos ao consumo de energia elétrica industrial no Maranhão nos primeiros cinco meses do ano apontaram um recuo de 15,4%, com destaque para as quedas nos segmentos de metalurgia básica e de produtos alimentícios. Já o consumo de energia elétrica nos segmentos comercial e de serviços registrou alta de 7,7%. O contraste entre o dinamismo da indústria e do setor terciário aponta para o momento de transição que a economia maranhense atravessa, com desaceleração nos segmentos ligados às exportações de commodities minerais (a exemplo do fechamento da usina de pelotização da Vale e da redução na produção de alumínio, na ALUMAR), de um lado, e a continuidade, embora em menor velocidade, do crescimento da massa salarial real e do volume de crédito imobiliário e ao consumo, de outro. Por outro lado, o volume de vendas do comércio varejista registrou um crescimento de 8,4% no período de 12 meses encerrado em setembro último (contra 11,9% em 2012), enquanto que o volume de financiamentos imobiliários cresceu 18,5%, em termos reais, inferior à expansão registrada no Nordeste e no plano nacional (respectivamente 43,3% e 39,9%). No mercado do trabalho, as 11 mil contratações formais líquidas registradas no Estado no período de Janeiro a setembro de 2013 representaram um recuo de 8,5 mil (-43,7%), em comparação ao mesmo período de 2012 – sendo que a construção civil e comércio foram os segmentos mais afetados. No campo das finanças públicas, as receitas do governo Estadual cresceram 4,3% (descontada a inflação) no período janeiro-setembro de 2013, em comparação com o mesmo período de 2012, um resultado para o qual contribuiu o aumento da eficiência na arrecadação de ICMS, compensando o recuo de 1,6% nas receitas transferidas. É importante registrar que tal resultado deu-se em função da captação de R$ 247,7 milhões de receitas de capital, devidos em sua quase totalidade à liberação da primeira parcela de um empréstimo de R$ 1,0 bilhão contratado pelo governo do Estado, no ano passado, via linha de crédito Pró-Invest do BNDES. No que tange às despesas, o crescimento real de 6,1% nas despesas totais nos primeiros 9 meses do ano foi explicado mais pela pressão do serviço e amortização da dívida (R$ 1,67 bilhão) do que pelo crescimento dos investimentos (R$ 843 milhões). Premida por um cenário internacional desfavorável, a economia maranhense registra desaceleração, cuja intensidade dependerá do andamento dos novos investimentos, principalmente na infraestrutura. No plano nacional, os indicadores fiscais seguem se deteriorando, enquanto que a ampliação do déficit em transações correntes para além de US$ 80 bilhões implica na necessidade de ajuste externo com maior desvalorização cambial. Os previsíveis impactos inflacionários de tal ajuste, aliados à contração da absorção doméstica que se seguirá, implicam que o mesmo deverá ocorrer somente a partir de 2015, mas é altamente provável que ocorram movimentos especulativos contra o Real durante o período eleitoral, a exemplo de 2002/2003. No front internacional, as projeções mais recentes apontam uma diminuição do ritmo de crescimento das economias emergentes, dada a combinação da queda nas cotações das commodities agrícolas e minerais com gargalos na infraestrutura e outras restrições de capacidade, além da deterioração das contas fiscais e externas. A lenta, mas cada vez mais definida, recuperação da atividade nos EUA, por outro lado, aponta para o risco cada vez mais significativo de uma mudança na orientação da política monetária naquele país, que deverá trazer custos adicionais ao financiamento dos déficits externos das economias emergentes. Instituo Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartografia – IMESC/SEPLAN 1 Instituo Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartografia – IMESC/SEPLAN 2 Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão CENÁRIO INTERNACIONAL Retomada das atividades previstas nos EUA e na Zona do EURO em 2014 contrasta com a perda de dinamismo nos países emergentes, em um cenário de maior volatilidade. O mais recente Panorama Econômico mundial do FMI, divulgado em outubro, reduziu novamente as previsões para o crescimento da economia mundial em 2013 e 2014. Desta vez, entretanto, a performance esperada das economias emergentes, entre elas a China e o Brasil, é que foi reavaliada de forma mais pessimista, enquanto que o prognóstico para as economias avançadas manteve-se no mesmo patamar que na edição de julho último. Tabela 1 – Previsões do FMI para a taxa de crescimento anual do PIB das principais economias – Julho/2013. ano a ano (%) Países e Regiões Selecionados PIB Mundial Economias avançadas Estados Unidos Zona do Euro Alemanha França Itália Espanha Japão Inglaterra Economias emergentes Rússia China Índia Brasil México Observado Projeções Diferença de julho de 2013 2011 2012 2013 2014 2013 2014 3.9 3.1 2.9 3.6 –0.3 –0.2 1.7 1.2 1.2 2.0 0.0 0.0 1.8 1.5 3.1 2.0 0.4 0.4 –0.6 1.0 2.2 –0.6 0.9 0.0 –2.4 –1.4 1.9 0.3 1.6 –0.4 0.5 0.2 –1.8 –1.3 2.0 1.4 2.6 1.0 1.4 1.0 0.7 0.2 1.2 1.9 –0.1 0.1 0.2 0.3 0.0 0.3 –0.1 0.5 –0.2 0.0 0.1 0.1 0.0 0.1 0.1 0.4 6.2 4.9 4.5 5.1 –0.5 –0.4 4.3 9.3 6.3 2.7 3.9 3.4 7.8 3.2 0.9 3.9 1.5 7.6 3.8 2.5 1.2 3.0 7.3 5.1 2.5 3.0 –1.0 –0.2 –1.8 0.0 –1.7 –0.3 –0.4 –1.1 –0.7 –0.2 Segundo o estudo, o PIB mundial deverá se expandir 2,9% em 2013 e 3,6% em 2014, com revisões baixistas de 0,3 p.p. em 2013 e 0,2 p.p. em 2014, em comparação com julho recente. As economias avançadas deverão registrar crescimento de 1,2% em 2013 e de 2,0% em 2014. Enquanto a economia dos EUA e da Inglaterra deverão mostrar uma retomada mais nítida, os principais países da zona do Euro (Alemanha, França, Itália e Espanha) deverão contribuir para a retirada da região da zona recessiva. A perda de dinamismo das economias emergentes (China, Índia, Rússia, e Brasil, entre outras), com crescimento estimado em 4,5% em 2013 e 5,1% em 2014 (-0,5 p.p. em 2013 e -0,4 p.p. em 2014) é o fator responsável pela perda de dinamismo da economia global. Fonte: World Economic Outlook, FMI O menor dinamismo das economias emergentes deve-se à combinação de um cenário externo menos favorável (queda nas cotações das commodities agrícolas e minerais), com a redução do produto potencial causada por gargalos na infraestrutura e outras restrições de capacidade, além de preocupações com os fundamentos fiscais e a deterioração das contas externas. O Brasil destaca-se, juntamente com a Rússia, como um caso em que a mudança do cenário externo se sobrepõe a uma expressiva deterioração nos fundamentos internos, levando a uma revisão baixista de 0,7% em 2014. O relatório Global de estabilidade financeira, divulgado em outubro pelo FMI, apontava que além das incertezas de curto prazo causadas pela tensão política no oriente médio e a perda de dinamismo da economia chinesa (com impactos sobre os mercados de commodities minerais), deve-se levar em conta, no médio prazo, o risco de que uma mudança na orientação da política monetária norte-americana possa “causar ajustes adicionais de mercado e expor áreas com excessos financeiros e vulnerabilidade sistêmica”. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão CENÁRIO NACIONAL Produto Interno Bruto O mercado foi surpreendido pela expansão do PIB no 2° Tri/13 e revisou para cima a taxa de crescimento deste ano, no entanto, para 2014, as perspectivas estão em menor patamar As contas nacionais trimestrais, calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE registraram aumento de 1,5% do Produto Interno Bruto no 2°tri/13 na comparação com o trimestre imediatamente anterior (ajustado sazonalmente) e alcançou R$ 1,2 trilhão, surpreendendo a maioria dos analistas que acreditavam em uma taxa abaixo de 1%. Nos últimos quatro trimestres, a expansão foi da ordem de 1,9% contra 0,9% em 2012. A Indústria e os Serviços foram os setores de melhor desempenho no 2°tri/13 na comparação ao 1°tri deste ano. O desempenho da primeira resultou da retomada da atividade industrial, sobretudo, da Construção Civil, estimulada pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, e da Indústria de Transformação que além dos incentivos tributários, passou a contar com maior competitividade em virtude da desvalorização cambial. No segundo setor, o Comércio, Transporte, armazenagem e correio e Serviços de informação foram os segmentos de maior impulso. Tabela 2 – PIB Trimestral pela ótica da Oferta e da Demanda Trimestres PIB Trimestral 2012 3° 4° 2013 1° 2° 2012 2013* Ótica da Oferta Agropecuária 7,5 -8,1 9,4 3,9 -2,6 6,1 Indústria 0,7 0,2 -0,2 2,0 -0,8 0,1 Extra ti va mi ne ra l -0,3 1,7 -6,0 1,0 -1,1 -3,8 Tra nsforma çã o 1,5 -0,2 1,5 1,7 -2,6 0,4 Construçã o ci vil 0,1 -0,3 0,4 3,8 1,5 0,9 SIUP -0,4 1,7 -0,1 0,8 3,6 2,7 Serviços 0,3 0,7 0,5 0,8 1,5 2,1 PIB a preços de mercado 0,4 0,8 0,6 1,5 0,9 1,9 Ótica da Demanda Consumo da s fa míl i a s 0,9 0,9 0,0 0,3 3,1 2,9 Consumo do governo -0,2 0,6 0,0 0,5 3,2 2,3 FBKF -1,4 1,5 4,7 3,6 -4,0 0,4 Exporta çã o 0,5 6,4 -6,9 6,9 0,5 -0,1 Importa çã o -6,9 8,7 5,7 0,6 0,4 2,3 Fonte: IBGE * 4 tri (encer. Jun/13) sobre os 4 tri imediatamente anteriores Pela ótica da demanda, a principal contribuição veio da Formação Bruta de Capital Fixo – FBKF (3,6%) que, após um ano de desempenho negativo, passou a responder positivamente aos estímulos à produção de bens de capital, principalmente o segmento de equipamentos de transporte. Além disso, as exportações registraram crescimento de 6,9%, compensando a queda em igual percentual no início do ano. Tudo indica que a desvalorização do real contribuiu significativamente para esta retomada. Segundo o Boletim Focus, o crescimento do PIB em 2013 deverá ficar em 2,5%, ao passo que as perspectivas para 2014 estão convergindo para uma expansão mais acomodada (2,13%). Esse menor resultado é tanto produto de uma política monetária restritiva no intuito de conter a inflação e permitir financiamento do déficit em transações correntes, como de uma política fiscal mais austera. A combinação das duas políticas agirá no sentido de acomodar o enviesamento inflacionário e reestabelecer a credibilidade do governo no ano de eleição. FBCF continua sendo o entrave para a retomada do crescimento Em 2013, por dois trimestres consecutivos, a Formação Bruta de Capital Fixo registrou taxas positivas de expansão, fechando o semestre com incremento de 5,7%. Nesse período, a taxa média de investimento situou-se em 18,5% do PIB, ganhando dois pontos percentuais frente à registrada no mesmo período do ano Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão passado. Essa taxa ainda está abaixo da necessária para permitir um crescimento mais vigoroso da economia brasileira. A aposta do Governo Dilma para o destravamento dos investimentos dirige-se para as concessões nos setores de infraestrutura (rodovias, ferrovias, aeroportos, entre outros). O leilão do campo de exploração petrolífera de Libra (Pré-Sal), disputado por apenas um consórcio de empresas e arrematado por um preço mínimo, foi comemorado pelo governo como um passo importante naquela direção. Gráfico 1 – Formação Bruta de Capital Fixo - % PIB 21,0 O Gráfico 1 exibe o comportamento da FBCF, no período, de 2001 a 2013. Após ter atingindo 20,6% do PIB no 3°tri/10, o indicador entrou em desaceleração e deste então se encontra abaixo do patamar necessário (20%) para que o produto nacional cresça acima de 3% a.a. 20,0 19,0 18,0 17,0 16,0 15,0 14,0 Fonte: IBGE A trajetória da FBCF, no primeiro semestre de 2013, foi impulsionada, sobretudo, pelo “pacote de bondades” dado ao segmento produtor de autoveículos, de máquinas e equipamentos agrícolas e de transportes. Este pacote se caracteriza por baixas taxas de juros (por vezes negativas), prazos elásticos, a exemplo do Programa BNDES de Sustentação do Investimento - PSI Bens de Capital, com juros entre 3% e 3,5% a.a, além de incentivos tributários, tais como desonerações de folhas de pagamento e redução por decreto do preço da energia elétrica. Tal conjunto de incentivos propiciou crescimento de 15,8% da produção de máquinas agrícolas, em especial colheitadeiras e tratores de rodas. Ao mesmo tempo, o segmento de autoveículos cresceu 18,1%, liderado pela produção de caminhões e ônibus. No Gráfico 2 é possível perceber a elevada aderência da FBCF à produção total de autoveículos, que inclui máquinas agrícolas, motociclos e outras máquinas. O eventual encerramento do PSI Bens de Capital e das desonerações tributárias no final deste ano, conforme data prevista, abre um campo de incertezas sobre a trajetória da FCBF para além de 2013. Gráfico 2 - FBCF (R$ bilhões) e Produção total de veículos (mil unidades), entre 2001 e 2013* 250,0 200,0 150,0 100,0 50,0 0,0 Formação Bruta de Capital Fixo Fonte: IBGE Produção de veículos (à direita) * 2º semestre IBC-Br registrou expansão de 0,12% no trimestre encerrado em agosto O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), com ajuste sazonal, registrou recuou de 0,01% em setembro de 2013, após incremente de 0,09% nos mês anterior. No último trimestre (terminado Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão em setembro) o índice se manteve estagnado (0,01%), indicando que a atividade econômica do terceiro trimestre poderá apresentar resultados bem desanimadores (Gráfico 3). Gráfico 3 – Média Móvel Trimestral do IBC-Br entre Set/03 a Set/13 (cresc. em %) 3,0 2,0 1,0 0,0 -1,0 -2,0 -3,0 -4,0 -5,0 Fonte: BACEN No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o indicador apresentou expansão de 2,89% contra 0,28% registrado no mesmo período de 2012, revertendo assim, o movimento de desaceleração iniciado em meados de 2011, o que adere ao crescimento do PIB no segundo trimestre do ano. A trajetória dos meses de julho, agosto e setembro recentes aponta que a atividade econômica entrou em desaceleração no 3º trimestre, indicando a possibilidade de que o PIB do terceiro trimestre seja próximo de zero, eventualmente negativo. Produção Física Industrial Fraco desempenho no 3°tri/13 leva Indústria a registrar queda de 1,4%. A Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), realizada pelo IBGE no âmbito nacional referente a 3° trimestre de 2013, registrou recuo de 1,4% na Indústria Geral após dois trimestres consecutivos de crescimento, resultado influenciado pela queda de 1,5% na produção de Bens de Consumo, especialmente, os Bens Semiduráveis duráveis, com destaques dos segmentos de Equipamentos de transporte não industrial (-5,3%) e Veículos automotores para passageiros (4,0%). Tabela 3 – Crescimento mensal da PIM – PF, Desempenho Trimestral em 2013 e Acum. 12 meses por Categorias de Uso (%). O grupamento Bens de Capital foi o único que registrou crescimento no 3°tri/13, mas em ritmo menor que nos trimestres anteriores. Categoria de uso % % contra mês anterior Trimestres de 2013 (c/ ajuste sazonal) Acum. 12 jul/13 ago/13 set/13 1° 2° 3° ano meses Geral Bens de capital Bens intermediários Bens de consumo Bens de consumo duráveis -2,4 -4,5 -0,7 -3,0 -7,8 0,0 2,4 0,6 -0,5 0,6 0,7 0,9 4,0 9,4 0,0 0,2 -0,2 -1,0 2,3 -1,1 Semi-duráveis e não duráveis -2,0 -0,3 -1,4 -1,0 0,9 4,2 -0,2 1,2 2,8 0,6 -1,4 1,4 -0,7 -1,5 -4,1 -1,0 1,7 14,9 0,3 0,3 2,3 -0,2 1,1 8,4 0,1 0,7 2,7 0,1 Fonte: IBGE No acumulado do ano, a indústria geral cresceu 1,7%, mas nos últimos 12 meses o ritmo de expansão ainda está em torno de 1%, necessitando de um maior esforço no 4°tri/13 para atingir uma taxa de 2,0% em 2013. UCI registra expansão de 0,6% no 3°tri/13 A Utilização Média da Capacidade Instalada Industrial (UCI), medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), alcançou 85,0% em setembro de 2013 (Gráfico 4), apresentando uma expansão de 0,5% em relação ao mês anterior. A contribuição mais significativa foi dada pelo setor produtor de Bens de Capital, que avançou 1,6%, seguido pelos Bens de Consumo (0,8%). Por outro lado, os setores produtores de Material de Construção e Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Bens Intermediários, que lideraram no 2°tri/13, registraram estagnação da UCI no mês de agosto. Em relação ao 2°tri/13, o incremento foi de 0,6%, como reflexo da expansão nos segmentos Material de Construção e Bens intermediários. Entre o 3° trimestre de 2012 e o 1º trimestre de 2013 o setor da construção registrou recuperação das perdas acumuladas a partir de meados de 2011. A partir do segundo trimestre de 2013, o segmento entrou em trajetória de queda. Gráfico 4 - Utilização da Capacidade Instalada Industrial – Geral e Por Categoria de Uso – 3°tri/01a 3°tri/13 (em %) 100,0 95,0 90,0 85,0 80,0 75,0 70,0 65,0 Geral (FGV) Bens de capital Bens de consumo intermediário Bens de consumo Material de construção O grau de utilização da capacidade instalada dos bens intermediários registrou trajetória expansiva nos últimos três trimestres, enquanto que a UCI dos bens de capital e bens de consumo registraram recuo no trimestre mais recente, indicando que provavelmente se seguirá uma reversão da UCI dos bens intermediários no último trimestre do ano. Fonte: FGV ICI revela fraco dinamismo do setor industrial, alcançando a menor pontuação desde fev/12 Gráfico 5 - Índice de Confiança da Indústria – Out/06 a Out/13 O Índice de Confiança da Indústria ICI recuou 2,25% e alcançou 101,1 pontos em outubro de 2013, registrando a menor pontuação dos últimos 20 meses (Gráfico 5). O fraco desempenho do indicador deve-se às perspectivas adversas sobre o crescimento industrial deste ano e para o ano de 2014, com o Índice de Expectativas – IE registrando queda de 4,2% no referido mês, situando-se no patamar pessimista (98,9 pontos) e o Índice de Situação Atual – ISA, recuando 0,1% após dois meses de alta. 130,0 OTIMISTA 120,0 110,0 100,0 90,0 PESSIMISTA 80,0 70,0 60,0 ICI ICI - presente ICI - expectativas Fonte: FGV Comércio Programa Minha Casa Melhor estimula o comércio varejista no Brasil, mas o cenário ainda é de desaceleração, na comparação interanual. O volume de vendas no comércio varejista nacional apresentou alta de 0,5% em setembro. A variação com relação ao mesmo mês do ano anterior foi de 5,5%, e no acumulado em 12 meses o crescimento é de Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão 5,0%. É importante observar que nesta última base de comparação, as vendas do comércio varejista registraram em setembro o 9º mês consecutivo de queda, a partir do patamar de 8,4% registrado em dezembro de 2012. Na comparação mensal, entretanto, das dez atividades analisadas somente três registraram decréscimo - os segmentos veículos, motocicletas, partes e peças (-5,1%), Equipamentos e materiais de escritório, informática e comunicação (-0,7%) e Móveis e eletrodomésticos (-0,2%). Entre as variações positivas merecem destaque os segmentos Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%) e Artigos farmacêuticos, médicos, perfumaria e comésticos (1,3%). Tabela 4 - Volume de Vendas do Comércio Varejista do Brasil – junho a agosto de 2013 (taxas de crescimento mensal , contra o mesmo mês do ano anterior e anual, em %). Variação Mensal % (*) Contra mesmo mês % 12 meses em % Atividades jul/13 ago/13 set/13 jul/13 ago/13 set/13 jul/13 ago/13 set/13 0,9 2,1 0,5 4,6 5,3 5,5 5,6 5,3 5,0 -0,3 -0,6 0,8 7,8 5,4 4,2 7,5 7,2 6,6 1,9 0,7 0,6 2,7 5,6 0,7 3,7 3,5 2,8 1,7 0,7 0,7 2,6 5,7 0,3 3,9 3,7 2,9 5,4 -0,9 0,0 6,0 3,7 0,4 4,4 4,0 3,6 2,5 0,5 -0,2 11,0 7,9 7,6 7,1 6,6 6,7 1,4 1,2 1,3 11,6 9,8 11,9 9,2 9,0 9,3 0,5 0,1 0,9 1,5 -2,1 0,3 5,2 4,6 4,4 3,7 7,5 -0,7 8,3 7,9 16,5 1,1 0,9 2,2 3,8 0,3 2,4 11,7 8,6 14,8 10,7 10,5 11,1 0,5 0,0 -0,7 1,7 -0,6 7,2 6,1 4,8 5,0 -3,5 1,1 -5,1 -1,8 -12,7 13,9 6,2 2,6 4,3 0,8 0,6 0,8 10,4 4,0 10,1 7,2 6,8 7,6 COMÉRCIO VAREJISTA (*) Combustíveis e lubrifi cantes Hiper., super., prod. Alim., beb. e fumo Hi permercados e supermercados Tecidos, vestuário e calçados Móveis e eletrodomésticos Art. farm., méd., orto., perf. e cosm. Livros, jornais, revistas e papelaria Equip. e mat. Escri t., inform. Comum. Outros art. uso pessoal e doméstico COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO (*) Veículos, motoci cl etas, partes e peças Material de construção Fonte: IBGE * Com Ajuste Sazonal Os resultados positivos nos últimos meses estão ligados diretamente aos efeitos do programa Minha Casa Melhor, que financia a compra de móveis e eletrodomésticos para famílias do programa Minha Casa, Minha Vida. Tais estímulos, aos quais somam-se os incentivos tributários na área do IPI (automóveis e linha branca), mas não são suficientes para reverter a trajetória de acomodação das vendas do varejo, determinadas pelo menor crescimento da massa salarial real e pelos elevados níveis de endividamento dos consumidores Endividamento O percentual de famílias endividadas volta a aumentar em outubro Tabela 5 – Endividamento e percepção das dívidas nas capitais brasileiras e no DF (% do total de entrevistados) Situação/Mês out/12 nov/12 dez/12 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 Total de Endivi dados 59,2 59,0 60,7 60,2 61,5 61,2 62,9 64,3 63,0 65,2 63,1 61,4 62,1 Dívidas/Contas em Atraso 20,5 21,0 21,7 21,2 22,1 19,5 21,5 21,6 20,3 22,4 21,8 20,6 21,6 Não terão Condições de Pagar 7,0 6,8 7,0 6,6 7,0 6,3 6,7 7,5 7,2 7,4 7,0 7,0 7,3 Fonte: CNC Os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (PEIC), relativos a setembro (61,4% na participação relativa das famílias endividadas), registraram recuo de 1,7 p.p. com relação a agosto. A queda é a segunda consecutiva, já que de julho para agosto houve também decréscimo de 2,1 p.p. Porém o percentual ainda é maior na comparação com o mesmo mês do ano passado (58,9%). Do total de famílias entrevistadas, 20,6% declararam-se com dívidas ou contas em atraso, diminuição de 1,2 p.p. com relação a agosto; e 7,0% declararam que não teriam condições de pagar suas dívidas, mesma porcentagem do mês anterior (Tabela 5). Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Com relação ao tipo de dívida, apesar do aumento no percentual de famílias endividadas, entre as nove modalidades de endividamento pesquisadas somente Cartão de Crédito sofreu variação positiva na passagem de mês, 0,7 p.p., sendo que esta continua sendo a principal modalidade de dívida (73,9%) seguido pelos Carnês, que registraram recuo de 0,3 p.p. na passagem de mês, totalizando 17,9% e do Financiamento de carro que recuou 1,1 p.p. na comparação entre setembro e outubro totalizando 11,5% das dívidas familiares como pode ser observado na tabela 6. Tabela 6 – Tipo de dívida (% das famílias) – Janeiro/2013 a setembro/2013. Tipo de dívida jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 jun/13 jul/13 ago/13 set/13 out/13 Cartão de Crédito 74,0 75,1 76,3 76,6 76,4 76,2 75,2 74,5 73,2 73,9 Cheque Especial 7,2 5,3 5,7 6,1 6,7 6,1 5,8 7,1 6,0 6,0 Cheque Pré-datado 2,6 2,5 2,3 2,4 1,9 2,3 1,9 2,3 2,1 2,1 Crédito consignado 5,2 4,3 5,2 4,9 5,0 5,3 5,3 5,9 5,9 5,7 Crédito pessoal 8,9 11,3 11,0 11,8 10,3 10,0 10,5 11,8 11,8 11,2 Carnês 19,7 21,5 20,2 20,5 19,5 17,1 17,9 17,3 18,2 17,9 Financiamento de carro 11,9 10,7 13,0 12,1 12,8 11,4 12,1 12,8 12,6 11,5 Financiamento de casa 5,2 4,4 6,5 6,0 5,7 5,6 5,9 6,8 6,6 6,1 Outras dívidas 2,2 2,4 2,1 2,7 3,0 2,4 2,3 2,3 2,5 2,4 Não sabe 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 0,1 0,1 0,1 0,3 0,2 Não respondeu 0,4 0,4 0,4 0,4 0,2 0,2 0,2 0,2 0,1 0,2 Fonte: CNC Inflação Inflação medida pelo IPCA deverá ficar próxima a 6,0 % em 2013 A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), variou 0,57% em outubro/13, ante 0,35% no mês anterior e abaixo 0,02 p.p. em relação a out/12. Com isto, o índice acumulado em 12 meses recuou de 5,86% em setembro para 5,84%. Gráfico 6 – Evolução do IPCA, Preços Monitorados e Preços Livres entre Out/06 a Out/13 (Acum. 12 meses em %) 12,0 10,5 Meta de Inflação: 4,5% 9,0 7,5 6,0 4,5 3,0 1,5 0,0 IPCA IPCA - não-comercializáveis Fonte: IBGE IPCA - preços monitorados IPCA - comercializáveis O represamento dos Preços Monitorados (1,01% no período de 12 meses encerrado em outubro) foi o principal responsável pelo resultado. Uma simulação com os preços monitorados evoluindo à taxa de 6% a.a. mostra que o IPCA provavelmente romperia o teto da meta (6,5%) em 2013. Somente a redução das tarifas de energia elétrica médias de 17% contribuiu com aproximadamente -2,3%, enquanto que as pressões populares fizeram com que fossem revogados os reajustes do transporte coletivo (ônibus e metrô) e fossem postergados os reajustes das tarifas de água e esgoto. O relatório Focus prevê uma inflação de 5,85% em 2013, no entanto abaixo da inflação de 2014 (5,92%). Sendo assim, nos quatro anos do governo da presidente Dilma, a inflação manteve-se acima da meta, aproximando-se do intervalo superior. Entre janeiro e outubro, o Índice de Difusão da inflação aproximou-se de 64% e o Núcleo rompeu a casa dos 7% nos últimos 12 meses Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão As medidas subjacentes de inflação mostram que o índice de difusão foi de 63,9% entre jan/13 e out/13, com diferencial de 0,72 p.p. em relação ao mesmo período de 2012, confirmando a persistência inflacionária na maioria dos setores, o que dificulta a ação da política monetária. No mesmo horizonte, o núcleo do IPCA por exclusão (Monitorados e Alimentação), encontrou-se no acumulado até outubro/13 com diferencial de 1,56 p.p. e, em 12 meses com taxa de 7,1%, tendo rompido o teto da meta de inflação (6,5%). Apesar da queda do índice de difusão no ano corrente, a partir de jan/13, este ainda se encontra acima do patamar de 2012, evidenciando a persistência da dispersão das pressões inflacionárias. O núcleo também se descolou do índice geral de inflação, retomando picos semelhantes aos de 2011, desta vez mais em função das pressões advindas do câmbio (preços Comercializáveis), do que da demanda doméstica (preços não-Comercializáveis). Gráfico 7 – Índice de Difusão do IPCA (% a.m) e do Núcleo - (12 meses em %) - Out/06 a Out/13 80,0 8,0 7,0 70,0 6,0 60,0 5,0 4,0 50,0 3,0 40,0 2,0 Índice de difusão Núcleo Fonte: Bacen Setor externo O desempenho das contas externas em 2013 demanda preocupação, uma vez que o déficit acumulado em 12 meses alcançou a marca de US$ 80 bilhões em set/13, em virtude da deterioração acelerada do saldo da balança comercial e da conta de Serviços e Rendas. O investimento estrangeiro direto (IED), acumulado em 12 meses até setembro, está em US$ 61,1 bilhões, e já não é suficiente para cobrir o déficit externo, como foi o caso nos últimos anos. No caso da balança comercial, as importações de derivados de petróleo cresceram de maneira atípica nos primeiros meses deste ano, refletindo o registro atrasado de compras feitas ainda em 2012. As exportações de petróleo também foram prejudicadas por causa de interrupções temporárias da produção doméstica, assim como as exportações de bens intermediários (minério de ferro em especial) geraram receitas menores em função dos preços internacionais em queda. O resultado foi um saldo acumulado em 12 meses, encerrados em setembro, de US$ 2,1 bilhões, o menor valor desde novembro/2001. Gráfico 8 - Saldo em transações correntes e da balança comercial (US$ bilhões): acumulado em 12 meses. 90,00 65,00 40,00 15,00 -10,00 -35,00 -60,00 Déficit em transações correntes Fonte: BACEN IED Balança Comercial set/13 jul/13 mai/13 mar/13 jan/13 nov/12 set/12 jul/12 mai/12 mar/12 jan/12 nov/11 set/11 jul/11 mai/11 mar/11 -85,00 De janeiro a setembro deste ano, o déficit em transações correntes alcança US$ 80,8 bilhões, 77,9% maior que no mesmo período do ano passado. Pesou o resultado da balança comercial, mas também a conta de Serviços e Rendas, cujo déficit cresceu 18,0%, resultado de maiores despesas com viagens internacionais e de maiores remessas de lucros das multinacionais. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão A depreciação do real frente ao dólar em meados deste ano foi freada pelo Banco Central, com a venda de contratos de swap cambial em leilões semanais. Nessas operações, o BACEN oferece ao investidor uma remuneração em reais acrescidos de juros, em troca da remuneração em dólar.1 Com a oferta maior da moeda americana no mercado doméstico, foi possível interromper sua valorização. Uma notícia que, sem dúvida, diminuiu a volatilidade no mercado de câmbio foi a indicação da nova Presidente do FED – o Banco Central norte-americano. Janet Yellen assumirá o posto em janeiro, e deu sinais de que continuará com a política de estímulo monetário conduzido pelo antecessor, Ben Bernanke. BOX 1 - O debate sobre o ajuste da taxa de câmbio brasileira: volatilidade próxima às eleições e reconfiguração em 2015. Uma das discussões de maior centralidade na conjuntura atual relaciona-se ao nível da taxa de câmbio de equilíbrio que deveria vigorar/ que vigorará no Brasil. O tema é complexo, ainda mais por que alimenta pesadas apostas por parte dos agentes financeiros, dando origem a movimentos especulativos, tais como foram observados em 1998/99, 2002/2003 e, mais recentemente em 2008/2009. a) A teoria econômica aponta que a taxa de câmbio de equilíbrio no longo prazo é aquela que zera o balanço de transações correntes. No caso brasileiro, a desvalorização das cotações das commodities minerais e o aumento do déficit da conta petróleo erodiram rapidamente o saldo da balança comercial, ampliando o déficit em transações correntes, que já atingiu o patamar de US$ 80 bilhões no acumulado de 12 meses (superior a 3% do PIB). Ao mesmo tempo, a liquidez mundial tornou-se mais restritiva, a partir dos primeiros sinais de recuperação das economias norte-americana, europeias e japonesa, indicando que será mais custoso financiar eventuais déficits externos no futuro. Pelas duas razões, o Brasil será obrigado a realizar um significativo ajuste externo, que se traduzirá em uma desvalorização cambial mais intensa do que a já observada; b) No Gráfico 9 pode-se observar a trajetória da taxa de câmbio real efetiva, que leva em consideração o diferencial de inflação entre o Brasil e o resto do mundo. No caso em tela utiliza-se a inflação de atacado brasileira (IPA-DI), descontada da inflação de atacado média de um conjunto de países, ponderada pela participação dos mesmos nas exportações brasileiras. A segunda linha observada no gráfico representa a relação câmbio salário ajustada pela produtividade, na qual a desvalorização cambial e os aumentos da produtividade atuam como elementos que ampliam a competitividade brasileira (a linha se eleva), enquanto que a valorização do câmbio e a variação da produtividade em ritmo menor do que da média dos demais países atua como elementos de redução da competitividade (a linha se rebaixa). c) O ajuste da taxa de câmbio deverá se completar somente no primeiro semestre de 2015. Desde 1994, observa-se que a taxa de câmbio tem sido administrada nos períodos eleitorais, tendo em vista os impactos das desvalorizações cambiais sobre a inflação (“Pass-through”, no jargão dos economistas). O nível recorde de reservas (US$ 380 bilhões), que sinaliza capacidade do Banco Central para conter eventuais ataques especulativos, leva a crer que existe uma chance razoável de administrar a taxa de câmbio no intervalo R$ 2,20-2,30, pelo menos até o final do primeiro semestre de 2014. 1 De forma análoga aos contratos de swap, o Banco Central e o investidor se comprometem a acertar o diferencial a taxa Over-Selic e a variação da taxa de câmbio no período estipulado; se a taxa de juros acumulada for maior que a variação do câmbio no período de vigência do contrato, o investidor receberá a diferença, ao passo que terá de pagar o diferencial a taxa Over-Selic acumulada no período for superior à variação cambial. Instituo Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartografia – IMESC/SEPLAN 11 Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Gráfico 9 – Taxa de câmbio efetiva real e relação câmbio/salário: Brasil – jun/94 a jun/13. 250,0 200,0 150,0 100,0 50,0 0,0 taxa de câmbio efetiva real (IPA-DI) Observa-se que tanto a taxa de câmbio efetiva real (IPA-DI) quanto a relação câmbio salário corrigida pela produtividade se encontram em patamares próximos aos que se situavam em meados de 1998, quando houve o ataque especulativo contra o Real (não obstante a desvalorização cambial já registrada). Isto constitui um sinal de que há fundamentos macroeconômicos para a continuidade do movimento de desvalorização cambial. Relação câmbio/salário corrigida pela produtividade Fonte: Banco Central do Brasil. d) É importante reconhecer que o cenário eleitoral deverá ser mais conturbado em 2014 do que nas eleições de 2006 e 2010. Por outro lado, do ponto de vista da economia, alguns fatores importantes deverão entrar em cena, favorecendo a eclosão de movimentos especulativos contra a moeda brasileira nos meses próximos à eleição presidencial: o déficit de transações correntes deverá continuar se agravando nos próximos meses e a equação fiscal também tende a apresentar inconsistências. Em função disto, é altamente provável que as agências de classificação de risco, seguindo a tônica de avaliações pessimistas sobre a economia brasileira, divulgadas pelo FMI e pela OCDE recentemente, anunciem rebaixamento das notas da dívida soberana brasileira. Some-se aos fatores domésticos a probabilidade que, devido à sinais mais consistentes de aquecimento da economia norte americana, verifique-se naquele país a partir de meados de 2014 o início do desmonte das políticas de “quantitative easening” (programa de compras de US$ 85 bilhões mensais em títulos de longo prazo do Tesouro e hipotecários por parte do Banco Central Norte-americano). O ambiente se tornará propício à propagação de boatos e à eclosão à volatilidade do câmbio, segundo um roteiro observado no período 2002/2003. e) As maiores chances, portanto, são de que o necessário ajuste da taxa de câmbio se complete somente no primeiro semestre de 2015, em um contexto de ajuste fiscal e contração do crédito doméstico. Neste novo cenário, haverá o inevitável ajuste da relação câmbio-salário, o que reverterá uma parte dos ganhos da massa salarial real observados na última década e reorientará o crescimento da economia brasileira mais para as exportações e investimentos (espera-se) e menos para os segmentos de comércio e serviços. Mercado de Trabalho Os dados mais recentes relacionados ao emprego no país, fornecidos pelo IBGE (Pesquisa Mensal de Emprego) e o CAGED, indicam que o mercado de trabalho continua em situação bastante positiva, conjugando taxa de desemprego baixa (5,4% em setembro) e expansão dos salários reais (ainda que em ritmo menor que em momentos anteriores). Apesar do arrefecimento no ritmo de criação de empregos no 1º semestre, a perspectiva para o restante de 2013 é melhor do que a expressa no último boletim (Jun/Jul). Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Gráfico 10 – Taxa interanual de crescimento da PEA e da População Ocupada (PO): Set/05 a Set/13 Ao avaliar-se a taxa de crescimento, em 12 meses, da População Economicamente Ativa (PEA) e da População Ocupada (PO) percebe-se que desde janeiro de 2013 ambas as variáveis vêm apresentando comportamento similar, o que indica que a taxa de desemprego deverá manter-se estável no curto prazo. 4,50 4,00 3,50 3,00 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 PO PEA Fonte: PME/IBGE Gráfico 11 – Evolução da massa salarial real¹ (US$ bilhões) e taxa de crescimento anual (em %, à direita) – ago/05 a ago/13 O menor dinamismo do mercado de trabalho no 1º semestre e a inflação, que insistiu em rondar o teto da meta (6,5%) são os fatores que explicam a diminuição do ritmo de crescimento da massa salarial real. Em dez/12, este crescimento alcançava 6,4% a.a., caindo para o patamar de 4,4% a.a. em agosto. 600,0 9,0 534,8 8,0 7,0 500,0 6,0 5,0 400,0 4,0 3,0 300,0 2,0 1,0 200,0 0,0 Massa salarial real (em R$ bilhões) Taxa de crescimento (à direita) Fonte: IBGE ¹Inflacionada pelo INPC acumulado até ago/13 Tabela 7 – Abertura líquida de vagas no mercado de trabalho formal no Brasil, por setores de atividade – 2010 a 2013 (CAGED ajustado¹) Subsetores de atividade Variação absoluta 2012* (a) 2013* (b) (b-a) Geração de Empregos 2010 2011 2012 Total 3.189.428 2.026.571 1.370.447 Extrativa mineral 19.698 19.663 11.293 Ind. de Transformação 760.501 224.409 92.482 S.I.U.P. 21.459 9.617 10.233 Construçao civil 460.686 235.922 156.740 Comércio 604.277 477.367 401.797 Serviços 1.192.365 958.215 695.623 Administração pública 30.125 15.793 -3.887 Agropecuária 100.317 85.585 6.166 Fonte: CAGED/MTE *Janeiro a Setembro ¹Ajustes até agosto 1.657.330 13.186 265.839 13.454 286.307 196.207 705.131 35.630 141.576 1.323.461 4.681 280.427 8.445 202.633 118.638 547.649 36.739 124.249 -333.869 -8.505 14.588 -5.009 -83.674 -77.569 -157.482 1.109 -17.327 Var. % (b/a) -20,1 -64,5 5,5 -37,2 -29,2 -39,5 -22,3 3,1 -12,2 O resultado de setembro, no que se refere à abertura líquida de vagas no mercado de trabalho (+211,0 Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão mil), foi o melhor para o mês desde 2010. Destaque para o desempenho da Indústria de Transformação (+63,2 mil), especialmente a Indústria de Alimentos, Bebidas e Álcool Etílico (+39,0 mil), e do setor de Serviços (+70,6 mil). Finanças Públicas Resultado do Tesouro Nacional Resultado Primário negativo pelo segundo mês consecutivo Os crescentes questionamentos sobre a capacidade do Governo de alcançar a meta cheia do Superávit Primário, do corrente ano, decorrem da contínua deterioração das contas públicas. Os dois últimos Resultados Primários do Setor Público Consolidado (agosto e setembro de 2013), divulgados pelo Banco Central, apontaram, pela primeira vez, desde o início da série, em dezembro 2001, que o Setor Público registrou déficit primário para mês de agosto (-432 milhões). O mês de setembro também foi deficitário em R$ 9,0 bilhões. Os resultados desses meses decorreram, principalmente, do aumento de gastos do Governo Central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social), que também registrou déficit recorde (R$ 10,8 bilhões). O resultado de setembro só não foi pior porque o governo recebeu R$ 2 bilhões em dividendos de estatais e as contas dos Estados e municípios apresentaram ligeira recuperação, com superávit de R$ 1,75 bilhão. O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, explicou que o resultado foi afetado por fatores pontuais, como a antecipação da primeira parcela do 13º salário aos aposentados e pensionistas do INSS, pelo aumento do salário mínimo de 9% neste ano, e pela redução das receitas com dividendos da ordem de R$ 1,7 bilhão. Ele destacou, também, o efeito das desonerações (de R$ 58 bilhões) ao longo de 2013. Gráfico 12 - Resultado Primário do Setor Público Consolidado – Acum. 12 meses (% PIB) - 2002 a Setembro/2013* 3,7 3,2 3,3 3,8 3,2 3,3 3,4 3,1 2,7 2,4 2,0 1,6 No acumulado do ano, até setembro, o Setor Público Consolidado atingiu um superávit de R$ 45 bilhões, para alcançar a meta de 2013, de R$ 110,9 bilhões, o equivalente a 2,3% do PIB, o Setor Público terá que economizar R$ 65,9 bilhões no último trimestre do ano. O equivalente a economizar quase R$ 22 bilhões por mês até o final do ano para alcançar a meta. Fonte: BCB * acumulado de 12 meses. Maciel admitiu que o quadro fiscal é "desafiador" e que o cumprimento da meta, já ajustada, para o superávit primário neste ano, dependerá de receitas extraordinárias, a exemplo das receitas de Libra (campo de petróleo que foi a leilão), do Refis (programa de refinanciamento de débitos fiscais), e dos dividendos (das estatais), todavia, ela mostra-se bastante otimista quanto à meta. Os analistas, todavia, sustentam uma posição contraria à do Governo, ao afirmarem que, agora, não se trata mais de uma interpretação pessimista por conta dos críticos do Governo, a verdade é que as contas públicas vão muito mal. No que se refere ao Resultado Primário do Governo Central, calculado pelo Tesouro Nacional, no acumulado do ano, até setembro, o superávit primário chegou a R$ 27,9 bilhões, ante R$ 54,8 bilhões no mesmo período de 2012. Contribuiu para o resultado ruim, o déficit de R$ 10,8 bilhões em setembro. No acumulado dos últimos 12 meses, o superávit está em R$ 61,4 bilhões (0,80% do PIB), distante da meta de R$ 73 bilhões do governo central para 2013 (1,3% do PIB). O Tesouro Nacional registrou superávit de R$ 75,9 bi, Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão enquanto a Previdência Social e o Banco Central registraram déficits de R$ 47,6 bi e R$ 0,6 bi, respectivamente. O Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que o mau desempenho do mês de setembro decorreu de “várias especificidades”. Entre elas, estão: a transferência de R$ 1,5 bilhão para os municípios; os gastos de R$ 2 bilhões com o subsídio para a redução da conta de luz; o aumento das despesas com abono salarial; o pagamento do 13° salário para os aposentados do INSS. A Previdência teve um déficit de R$ 11,76 bilhões. Com as contas fora do planejado, o Governo é forçado à recorrer à emissão de dívida para se financiar. Por conta disso, a Dívida Bruta do Setor Público (DBSP) mantem-se elevada - em setembro representava 58,8% do PIB. A trajetória da DBSP que vem saltando aos olhos dos analistas de mercado e das agências de rating. A diferença entre a dívida líquida e a dívida bruta saltou de 14,2 pontos porcentuais do PIB entre dez/10 para 23,8 p.p. em set/13. Nesse período, enquanto a dívida líquida caiu de 39,2% do PIB para 33,8%, a bruta subiu de 53,4% para 58,8%. Muitos analistas já defendem a ideia de que o Governo abandone a DLSP como guia para o monitoramento das contas públicas do Brasil, e mude para a DBSP. Gráfico 13 – Dívida Líquida e Bruta do Setor Público, em relação ao PIB – set/02 a set/13 65,0 58,8% 60,0 55,0 50,0 45,0 40,0 35,0% 35,0 30,0 Dívida Líquida do Setor Público Dívida Bruta do Governo Central A partir de maio/13, a DLSP voltou a cair (interrompendo trajetória de alta observada desde maio/12), devido a desvalorização do real, que aumentou o valor das reservas internacionais do país, quando medidas em reais. Ao longo dos oito primeiros meses desse ano, a desvalorização cambial acumulou 16,1%, que impactou na redução da relação dívida/PIB, de 35,2%, em dez/12, para o patamar atual, de 33,8%. Fonte: BCB Os componentes de redução da DLSP são o crescimento das reservas internacionais e a expansão do crédito aos bancos públicos. O que gera preocupação, dada a diferença entre o quanto o governo ganha com os ativos envolvidos nas operações – a rentabilidade das reservas internacionais e a baixa remuneração dos créditos aos bancos públicos – e o custo relacionado aos passivos – cuja proxy é a taxa over-selic, acrescida da variação cambial, no caso de captação de empréstimos externos. Em dezembro do ano passado, o governo anunciou o adiamento até 2015 da contabilização dos subsídios sobre linhas de crédito especiais, a exemplo das atreladas ao Programa de Sustentação do Investimento - PSI. O BNDES foi autorizado a não contabilizar a preços de mercado as perdas sobre suas ações (como, por exemplo, as do grupo OGX), e a ampliar os empréstimos a partir de aportes do Tesouro. Outra forma de expandir os gastos parafiscais envolve novas operações de financiamento do Tesouro para bancos estatais, que não entram como “gastos” nas contas do governo. Entretanto, os maiores dividendos que os bancos pagam com ajuda desse financiamento são contabilizados como receita pelo governo. A diferença entre os dois componentes do crescimento da dívida bruta mencionados e – reservas e crédito aos bancos públicos, é que enquanto a primeira é considerada uma medida defensiva que reforça a solidez macroeconômica (embora, devido à pressão expansionista sobre a base monetária, não haja consenso sobre o nível adequado de tais reservas), a segunda, traduzida no vertiginoso crescimento do saldo de empréstimos do BNDES, integrou o conjunto de medidas contracíclicas adotadas pelo governo brasileiro Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão para o enfrentamento da crise financeira internacional de 2008-09. O problema é que tais medidas emergenciais, que deveriam ter sido descontinuadas após a retomada em 2010-11, mantiveram-se e aceleraram-se no último triênio. Recentemente, respondendo às críticas sobre o aumento do déficit parafiscal, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmaram que o governo federal deverá reduzir os aportes ao banco de fomento de forma a retornar ao saldo de operações praticado no período pré-crise. O ministro da fazenda avaliou ainda que haverá, com isso, a redução de transferências do BNDES para os Estados. A aproximação do ano eleitoral, entretanto, torna pouco provável que haja uma reversão na trajetória expansionista das operações do BNDES, antes de 2015. CENÁRIO ESTADUAL Produção Agrícola O nono prognóstico para a safra 2012/2013 prevê uma produção total de cereais, leguminosas e oleaginosas 0,02% menor que o prognóstico do mês anterior (agosto), totalizando 3,49 milhões de toneladas para uma área plantada de 1,59 milhões de hectares. A estiagem continua sendo o principal motivo das seguidas reduções nas projeções de produção. Com a safra praticamente encerrada, modificações futuras ocorrerão por eventuais ajustes ou recontagens. Neste prognóstico a única variação que ocorreu na passagem de agosto para setembro ocorreu nas previsões para a produção e o rendimento médio da cultura do algodão, resultado de recontagens na região Alto Parnaíba, Balsas e Tasso Fragoso. A produção de algodão foi reavaliada com um acréscimo de 12,4%, mesmo percentual do rendimento médio. Porém a produção ainda é 11,0% menor que na última safra e o rendimento 10,4% menor. A cultura de soja apresentou variação positiva de 2,7% na área plantada e colhida com relação ao ano passado, porém a produção sofreu declínio de 2,0%, bem como o rendimento médio (-4,5%). O milho foi a cultura que mais contribuiu para o aumento na quantidade produzida de grãos no Estado, já que sua área plantada registrou acréscimo de 11,8% e a área colhida registrou aumento de 13,3%. A produção aumentou 68,4% e o rendimento médio 78,8%. A cultura do feijão registrou aumento na área plantada de 9,1% e na área colhida de 10,9%, tendo a produção aumentado 22,5% e o rendimento médio, 10,2%. Já a cultura do arroz registrou variação negativa na área plantada (-6,5%) e na área colhida (-3,8%), porém a produção registrou variação positiva de 9,4%, explicada pelo significativo incremento na produtividade (13,8%). A cultura da mandioca, por sua vez, registrou decréscimo na área plantada e na área colhida, (-3,5% em ambas), tendo a produção se reduzido em 13% e o rendimento médio também recuado em 9,9%. Por fim, a cultura de cana de açúcar apresentou variação positiva de 0,6% na área plantada e na área colhida, a produção obteve decréscimo de 0,5% e rendimento médio registrou decréscimo de 1,2%. Com a safra de 2013 praticamente encerrada, torna-se pertinente realizar algumas observações. A safra de 2012 sofreu de forma drástica os efeitos da forte estiagem que atingiu principalmente a região Nordeste. Logo, a safra de 2013 se mostra como uma safra de recuperação frente as perdas ocorridas em 2012, porém isso não ocorreu em todas as culturas. Essa não recuperação foi mais sentida nas culturas que produzem os alimentos básicos. A produção de feijão, por exemplo, em 2013 foi maior cerca de 22,5% com relação a safra de 2012, porém quando se compara a safra deste ano com a de 2011 vemos que há uma redução de 0,8%. O mesmo ocorreu com o arroz, comparando-se a produção de 2013 com a do ano imediatamente anterior (2012) observa-se que houve um crescimento de 9,4%, entretanto na comparação com a safra de 2011 a perda foi da ordem de 32,1%. Instituo Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartografia – IMESC/SEPLAN 16 Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Tabela 8 – Área plantada e colhida, produção e rendimento médio do Maranhão e do Brasil – set/13 e out/13 Rend. Prod. Médio MA MA (mil ton) Plantada Colhida (Kg/ha) Área (mil ha) Cana-deaçúcar Mandioca Algodão Arroz Feijão Milho Soja Produto Período Prod. BR (mil ton) Rend. Prod. Médio MA/BR BR (%) (Kg/ha) 2012(a) set/13 (b ) out/13 (c ) (c/b) (c/a) 2012(a) set/13 (b ) out/13 (c ) (c/b) (c/a) 2012(a) set/13 (b ) out/13 (c ) 556 571 571 0,0 2,7 452 505 505 0,0 11,8 86 93 93 556 571 571 0,0 2,7 446 505 505 0,0 13,3 84 93 93 1.640 1.607 1.607 0,0 -2,0 783 1.319 1.319 0,0 68,4 35 43 43 2.949 2.814 2.814 0,0 -4,6 1.757 3.141 3.141 0,0 78,8 404 445 445 65.706 81.353 81.364 0,0 23,8 71.491 80.730 80.517 -0,3 12,9 2.826 2.946 2.960 2.635 2.934 2.934 0,0 11,3 5.026 5.278 5.271 -0,1 5,0 1.029 1.454 1.464 2,5 2,0 2,0 1,1 1,6 1,6 1,2 1,4 1,4 (c/b) (c/a) 2012(a) set/13 (b ) out/13 (c ) (c/b) (c/a) 2012(a) set/13 (b ) out/13 (c ) (c/b) (c/a) 2012(a) set/13 (b ) 0,0 9,1 432 403 404 0,1 -6,5 19 19 19 0,0 -0,7 197 190 0,0 10,9 419 403 404 0,1 -3,8 19 19 19 0,0 -0,7 197 190 0,0 22,5 439 480 482 0,3 9,4 75 75 75 0,0 0,0 1.530 1.331 0,0 10,2 1.047 1.191 1.193 0,2 13,8 4.030 4.058 4.058 0,0 0,7 7.782 7.015 0,5 4,2 11.379 11.696 11.696 0,0 2,8 4.947 3.407 3.412 0,2 -31,1 24.314 20.923 0,7 41,3 4.800 4.965 4.966 0,0 3,4 3.597 3.610 3.614 0,1 0,4 13.356 14.077 3,9 4,1 4,1 1,5 2,2 2,2 6,3 6,4 out/13 (c ) (c/b) (c/a) 190 0,0 -3,5 190 0,0 -3,5 1.331 0,0 -13,0 7.015 0,0 -9,9 20.764 -0,8 -13,9 14.026 -0,4 5,4 6,4 - 2012(a) set/13 (b ) out/13 (c ) (c/b) (c/a) 50 50 50 0,0 0,6 50 50 50 0,0 0,6 3.012 2.996 2.997 0,0 -0,5 60.801 60.097 60.112 0,0 -1,2 675.015 716.771 712.361 -0,6 6,2 71.623 75.416 75.002 -0,5 5,3 0,4 0,4 0,4 - Fonte: IBGE Tabela 9 –Produção de soja, milho, feijão, arroz, algodão, mandioca e cana de açúcar nas três últimas safras – 2013/2012/2011 Soja Milho Feijão Arroz Algodão Mandioca Cana de açúcar 2011 (a) 1.571 2012 (b) 1.640 2013 (c ) 1.607 (c/b) -2,0 (c/a) 2,3 646 783 1.319 68,4 104,1 43 35 43 22,5 -0,8 708 439 480 9,4 -32,1 61 75 75 0,0 22,3 1.780 1.530 1.331 -13,0 -25,3 2.674 3.012 2.996 -0,5 12,0 Período Fonte: IBGE/GCEA/LSPA A mandioca aparece como o caso mais grave, pois vem acumulando perdas ao longo dos últimos três anos, na comparação da safra de 2013 contra 2012 a perda é de 13%, e quando se compara 2013 contra 2011 a diminuição é de 25,3%. Nas outras culturas analisadas houve recuperação como mostra a Tabela 9. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Energia Elétrica Indicadores de consumo de energia elétrica sinalizam contração na indústria de transformação, e expansão no segmento de serviços Os dados disponíveis sobre o consumo de Energia Elétrica (EE) no Estado do Maranhão demonstram que no acumulado do ano (encerrado em ago/13) a indústria de transformação registrou recuo de 15,4% no consumo de energia elétrica, após ter registrado trajetória descendente por dois trimestres consecutivos (Tabela 10). O motivo para esse número negativo adveio do fraco desempenho da Fabricação de Celulose, Papel e Produtos Papel (-83,5%), principalmente da Fabricação de Embalagens de Papel, Cartolina, PapelCartão e Papelão Ondulado, dado o saldo negativo de contratações registrados no CAGED, intensificada pelo baixo nível de produção dos itens diversos fabricados com o insumo em questão. Dentro dessa indústria, somente a Fabricação de celulose e outras pastas para a fabricação de papel registraram crescimento no uso de EE e, consequentemente um saldo positivo de contratações no mercado de trabalho estadual. A indústria de Metalurgia Básica, por sua vez, apresentou acentuada redução no consumo de EE, o recuo foi da ordem de 68,0%, com fortes influências da queda na Produção de Gusa, em virtude do fechamento de duas guseiras no Estado, além da contração na Produção de ferro, aço e ferro ligas em formas primárias e semiacabados e Produção de ferro, aço e ferro ligas em formas primárias e semiacabados. A indústria de Fabricação de produtos alimentícios e bebidas e de Fabricação de artigos de borracha e de material plástico também contribuíram fortemente para a redução no consumo de EE no período analisado. Na Tabela 10 pode-se perceber a trajetória trimestral do consumo de EE no setor industrial Estado. Por três semestres consecutivos a indústria de transformação mostra sinais de deterioração, embora sinalize relativas melhoras na simulação do 3°tri/13 (jul-ago) em relação ao mesmo período de 2012. As contribuições partem de indústrias com consumo de EE nos dois primeiros trimestres, como Fabricação de produtos alimentícios e bebidas, mas também confirmam continuidade de expansão na Fabricação de móveis e indústrias diversas e Fabricação de produtos químicos. Tabela 10 – Consumo de Energia Elétrica nas atividades secundárias no Maranhão - acumulado de Jan-Ago (2012 e 2013) e trimestralmente em 2013 (Valores em GWh e Crescimento em %) Atividades 2012 2013 Trimestre 2013 Sobre o mesmo Tri 2012 (%) 1 Indústrias de Transformação 286,6 Fabric. Prod. Alimentícios e Bebidas 92,3 Fabric. Produtos Madeira 5,8 Fabric. Celulose, Papel e Prod. Papel 3,4 Fabric. Produtos Químicos 28,8 Fabric. Art. Borracha e Mat. Plástico 5,5 Fabric. Prod. Min. Não-Metálicos 97,0 Metalurgia Básica 22,6 Fabric. Móveis Ind. Diversas 5,9 Construção 11,9 Outros 13,5 Fonte: Cemar 1. Jul-Ago 1° Tri 2° Tri 3° Tri 242,3 86,7 86,1 69,6 62,3 20,6 20,2 21,5 5,4 2,0 2,1 1,4 0,6 0,2 0,2 0,2 31,0 11,3 11,3 8,3 4,3 1,5 1,4 1,4 98,3 37,8 36,6 23,8 7,2 1,0 2,0 4,2 9,0 3,3 3,3 2,5 12,2 4,7 4,4 3,1 12,1 4,3 4,6 3,3 Cres % 2 1° Tri -16,8 -48,6 -12,7 -87,7 15,0 -2,6 5,4 -88,2 34,2 6,9 258,8 2° Tri -18,4 -40,7 -4,1 -85,4 -3,9 -28,1 2,5 -75,1 161,7 -4,8 2,0 3° Tri 13/12 -0,3 -15,4 18,5 -32,5 -0,8 -6,7 -56,3 -83,5 16,7 7,7 -30,4 -21,8 -6,1 1,3 -27,2 -68,0 11,4 52,8 6,8 2,3 -28,4 -10,4 2. Jan-Ago No acumulado do ano, o consumo de energia elétrica nas atividades terciárias no Estado do Maranhão registrou expansão de 7,7% na comparação com igual período do ano passado, um reflexo da maior dinamicidade do setor de Serviços (Tabela 11). Somente a atividade Outros Serviços Coletivos, Sociais e Pessoais registrou crescimento de 26,8% no período, tendo expressivo desempenho nos dois primeiros trimestres e na simulação do 3°tri/13. No mesmo sentido, o consumo de EE na atividade de Transporte, Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Armazenagem e Comunicações apresentou incremento de 10,2%, influenciada, sobretudo, por outras atividades auxiliares aos transportes aquaviários e transporte aquaviário intermunicipal, urbano. Tabela 11 - Consumo de Energia Elétrica nas Atividades Terciárias no Maranhão no acumulado de Jan-Ago (2012 e 2013) e trimestralmente em 2013 (Valores em GWh e Crescimento em %) Atividades Total Comércio, Rep. Veículos Automotores Outros Serv. Coletivos, Sociais e Pessoais Alojamento e Alimentação Transporte, Arm. e Comunicações Saúde e Serviços Sociais Interm. Financeira, Seg. e Previdência Educação Ativ. Imobiliárias e Aluguéis Outros Fonte: Cemar 1. Jul-Ago 2. Jan-Ago 2012 623,6 343,1 45,2 70,6 46,9 36,1 32,3 19,6 29,5 0,3 2013 Trimestre 2013 Sobre o mesmo Tri 2012 (%) Cres % 1 1° Tri 2° Tri 3° Tri 671,7 245,2 249,5 177,0 367,0 135,5 134,8 96,8 57,2 20,0 21,2 16,0 73,8 27,5 26,9 19,5 51,7 18,0 20,3 13,5 37,9 13,9 14,0 9,9 33,8 12,5 12,4 8,9 21,0 7,0 9,2 4,8 28,9 10,6 10,7 7,6 0,4 0,1 0,1 0,1 1° Tri 9,6 9,6 26,3 6,6 10,3 5,7 6,5 8,1 -0,5 7,2 2° Tri 3,4 2,1 22,7 0,4 8,2 1,4 0,2 4,3 -5,7 55,9 2 3° Tri 13/12 11,6 7,7 10,7 7,0 33,3 26,8 7,8 4,6 13,1 10,2 9,1 4,9 8,0 4,5 10,4 6,9 1,4 -2,0 18,3 24,6 Na Tabela 11 consta a evolução trimestral do consumo de energia elétrica nas atividades terciárias. O comportamento do consumo de EE nos três trimestres analisados dá a dimensão do dinamismo do setor, que exceto nas Atividades Imobiliárias e Aluguéis, registrou incremento em todas as atividades. A contramão apresentada pelas Atividades Imobiliárias e Aluguéis foi decorrente da redução no consumo de EE na Incorporação e compra e venda de imóveis e Condomínios prediais. Investimentos Os dados atualizados da planilha de Investimentos da Secretaria de Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio – SEDINC mostram um total de investimentos no Estado da ordem de R$ 132,8 bilhões nos últimos cinco anos, um aumento de 1% com relação aos dados divulgados na última publicação (julho). Com relação à distribuição setorial dos grandes projetos de investimentos no Estado, o segmento Petroquímico mantem a participação mais expressiva, com 27,8% do total. Tal montante se refere à implantação da Refinaria Premium I da Petrobrás, que está em fase de terraplanagem. Em segundo lugar aparece o setor de Logística, com 26,8% do total. Dentro deste segmento incluem-se os projetos de Duplicação da EF Carajás, o Terminal Ferroviário da Ponta da Madeira e a Construção do Píer IV no Porto do Itaqui, todos sob a gestão da Vale, além do Terminal Portuário do Mearim, sob a gestão da Aurizonia Empreendimentos. Os projetos de investimento do Governo Federal, Estadual e Municipal participam com 14,3% do total, sendo a maior parte referente a melhorias na infraestrutura logística do Estado. Em seguida, com 12,3% do total de Investimentos, aparece o segmento Geração e Distribuição de Energia, principalmente a construção de Unidades Termoelétricas e de Prospecção de Gás e Petróleo. O segmento de Reflorestamento, Papel e Celulose representa 3,1% do total, o de Minero Metalúrgico representa 0,7%, o segmento Outros, que inclui Construção Civil, Extrativismo, Comércio e Serviços entre outros perfazem 3,3%. As novidades no conjunto dos grandes projetos de Investimentos pertencem ao setor de Logística, com o projeto de Implantação do Terminal Portuário Privativo de Uso Misto em São Luís, sob gestão da W Torre Engenharia e Construção. Este projeto é da ordem de R$ 1 bilhão e prevê a geração de 400 empregos diretos na fase de implantação e 600 na fase de operação, que está prevista para iniciar em 2017. A W Torre Engenharia e Construção atua em diferentes áreas de negócio como construtora, propriedades comerciais, desenvolvimento imobiliário, terminais logísticos, entretenimento, shoppings centers e infraestrutura. Nesse modelo de terminal permite-se que sejam movimentadas cargas próprias e de terceiros segundo a livre descrição do titular e constituirá mais uma plataforma de escoamento da produção estadual e nacional. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Tabela 12 – Investimentos planejados, em andamento e concluídos no Maranhão. Segmento Empresas Projeto Investimento Estimado (R$ Mil) % do total Empregos Empregos Implantação Operação Total Em Andamento (I) Petroquímica Logística Geração e Distribuição de Energia Mínero Metalúrgica Reflorestamento, Papel e Celulose Governo Federal, Estadual e Municipal Outros Petrobras 37.000.000 27,8 130.500 Prolongamento e duplicação da ferrovia Carajás, ampliação do Aurizonia, Terminal Ferroportuário de Ponta da Granel, Suzano, Madeira, construção do píer IV da Vale,... VALE. Ferrovia Norte-Sul, Terminal Portuário do Mearim e Construção de Estaleiro Naval. 35.587.290 26,8 5.000 2.292 7.292 UHE Estreito, UTE Itaqui, UTE Geranorte, transmissão de energia elétrica, Produção de Etanol e Biodisel, Termelétrica 1863 MW, Prospecção de Gás e Petróleo, Pesquisa Gás e Petróleo, Eploração e Comercialização, Exploração e Comercialização de Gás e Produção de Biocombustíveis. 16.299.690 12,3 29.800 1.034 30.834 915.000 0,7 1.300 2.000 3.300 6.786.000 5,1 18.989.995 14,3 4.436.900 3,3 18.628 120.014.875 12.848.050 132.862.925 90,3 9,7 100,0 185.228 63.178 248.406 Bioenergy, CEMAR, MPX, OGX, ANP, Petrobras,... Petróleo e Gás - Refinaria Premium I Gusa Nordeste Aciaria, Dimensão, Gusa Beneficiamento de Alumínio, rodas de Nordeste, alumínio, Processamento de Alumínio Suzano e Siderurgia. Suzano Papel e Celulose, Suzano Reflorestamento. Saúde, infra-estrutura, educação, etc (orçam. previsto até 2015); PAC 2 Mobilidade São Luís e Saúde (UPAS e UBS) Complexo sucroalcoleiro, cana de açúcar, biodísel; alimentos e bebidas; extrativismo; cadeia da soja; química; comércio e fábricas. Total (I) Concluídos (II) Total (I+II) 1.500 132.000 27.500 23.679 42.307 30.505 243.233 12.352 75.530 42.857 318.763 Fonte: SEDINC/MA A empresa FC Oliveira, já bastante conhecida no Estado (segmentos de limpeza, higiene pessoal, descartáveis, velas, alimentos e insumos industriais), desenvolve um projeto, em fase de licenciamento, para a construção de uma fábrica de papel higiênico na cidade de Codó, com aportes de R$ 30 milhões. No segmento de comércio e serviços destaca-se a ampliação do Jaracaty Shopping em São Luís ( acrescida da construção de um centro empresarial), no valor de R$ 25 milhões e no segmento de Alimentos e Bebidas tem-se a construção pelo Grupo Gentil Negócios – Habib’s de duas lojas e Centro de produção para atender em conjunto a expansão da empresa no Estado do Maranhão e do Piauí - os investimentos são da ordem de R$ 20 milhões. Construção Civil Financiamento Imobiliário Revisão dos dados de Financiamento Imobiliário eleva montante financiado no Estado no primeiro semestre de 2013. O Banco Central revisou os dados sobre financiamento imobiliário no Maranhão e reavaliou o montante destinado a aquisição de imóveis nos primeiros seis meses do ano no Estado. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Tabela 13 – Total de Financiamentos para aquisição de imóveis no MA, NE e BR (Valores Constantes em R$ Milhões Inflacionados pelo INPC). Nesse período foram destinados para a aquisição de imóveis cerca de R$ 351,4 milhões, um montante 18,5% maior que o destinado no mesmo período do ano passado. Porém, o ritmo de crescimento ainda é menor que o da região Nordeste e do Brasil, invertendo a tendência observada nos anos anteriores. No nordeste na comparação entre períodos, o primeiro semestre deste ano representou um acréscimo de 43,3% e no Brasil essa porcentagem é de 39,9%. Ano MA 2007 60,6 2008 93,1 2009 170,9 2010 305,3 2011 487,1 2012 627,0 2012 296,5 2013* 351,4 2007 a 2012 59,6 2013*/2012 18,5 Fonte: SBPE/Bacen Total NE 857,5 1.317,6 2.107,9 3.712,5 5.057,4 6.389,9 2.877,3 4.123,5 49,4 43,3 BR 10.198,1 14.676,2 20.444,7 37.103,8 48.977,6 56.812,1 25.754,6 36.021,9 41,0 39,9 Part. (%) NE BR 7,06 0,59 7,06 0,63 8,11 0,84 8,22 0,82 9,63 0,99 9,81 1,10 10,31 1,15 8,5 0,98 - *janeiro a junho A participação do montante financiado no Maranhão no total da região nordeste neste primeiro semestre foi 8,52% e no total financiado no Brasil foi 0,98%, patamares inferiores aos observados em 2011 e 2012. O número de unidades habitacionais financiadas no Maranhão no primeiro semestre foi 1.631 contra 1.669 no mesmo período do ano passado, um decréscimo de 2,3%. Produção e Consumo Aparente de Cimento Tabela 14 – Produção de Cimento MA, NE e BR (Em 1.000 toneladas) Ano MA NE BR 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2012* 2013 01 a 12 (%a.a.) 2013/2012* 291 314 254 302 308 316 336 358 358 384 385 786 335 348 9,5 3,6 7.240 7.346 6.490 6.859 7.558 8.008 9.399 10.088 9.960 11.231 12.061 13.746 6.605 6.823 6,0 3,3 38.938 38.027 34.010 34.413 36.673 39.540 45.941 51.884 51.747 59.242 64.211 68.636 32.978 33.821 5,3 2,6 Fonte: SNIC * Jan-Jun MA MA/ MA/ (a.a%) NE BR 4,0 0,7 7,9 4,3 0,8 -19,1 3,9 0,7 18,9 4,4 0,9 2,0 4,1 0,8 2,6 3,9 0,8 6,3 3,6 0,7 6,5 3,5 0,7 0,0 3,6 0,7 7,2 3,4 0,6 0,3 3,2 0,6 104,1 5,7 1,1 5,1 1,0 3,6 5,1 1,0 - Os dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Cimento – SNIC mostram que a produção de cimento no Estado acumulou 348 mil toneladas nos primeiros seis meses do ano, esse total é 3,6% maior que o produzido no mesmo período do ano passado. No nordeste a produção alcançou 6,8 milhões toneladas, um montante 3,3% maior que o mesmo período do ano passado. No Brasil o total produzido nesses primeiros seis meses do ano foi 33,8 milhões de toneladas, 2,6% maior que o produzido no mesmo período do ano passado. Vale lembrar que, em função da inauguração de fábrica de cimento do Grupo Votorantim na Ilha de São Luís a produção de cimento no Estado no ano passado registrou variação positiva de 104,1% em relação a 2011, a maior desde o início da contagem. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Tabela 15 – Consumo Aparente de Cimento no MA, NE e BR (em 1.000 toneladas) Os dados de consumo aparente de cimento no estado do Maranhão registraram uma variação positiva de 6,3% com relação ao mesmo período do ano passado (janeiro a junho). Nesse período foram consumidos 715 mil toneladas de cimento no Estado. Esse montante representa 9,9% do total de cimento consumido no Nordeste (7,2 milhões de toneladas) e 2,1% do total produzido no Brasil (34 milhões de toneladas). O crescimento da quantidade consumida de cimento no Maranhão no período janeiro a junho de 2013 (6,3%) é maior que a variação no Nordeste e no Brasil, respectivamente 2,2% e 1,8%. Veja-se que mesmo com o expressivo incremento na produção, o Maranhão ainda importa mais da metade de seu consumo aparente de cimento. Ano MA NE BR 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2012* 2013 534 568 305 531 579 694 817 960 1.122 1.377 1.281 1.528 673 715 5.543 6.735 6.818 5.816 5.818 6.669 7.812 9.215 9.945 12.061 13.299 14.539 7.063 7.219 38.398 37.978 34.475 34.176 35.645 38.534 45.003 51.170 51.588 59.999 64.983 69.207 33.450 34.047 MA (%aa) 6,4 -46,3 74,1 9,0 19,9 17,7 17,5 16,9 22,7 -7,0 19,3 6,3 10,1 6,1 - - - 2,2 1,8 - - - 01 a 12 (% a.a.) 11,1 2013/2012* Fonte:SNIC SNIC Fonte: 6,3 MA/ MA/ NE BR 9,6 1,4 8,4 1,5 4,5 0,9 9,1 1,6 10,0 1,6 10,4 1,8 10,5 1,8 10,4 1,9 11,3 2,2 11,4 2,3 9,6 2,0 10,5 2,2 9,5 2,0 9,91 2,1 * Jan-Jun Comércio Volume de Vendas no Comércio Varejista no Maranhão tem a sétima alta consecutiva no ano. Gráfico 14 – Evolução do Volume de Vendas do Comércio Varejista – acumulado em 12 meses BR e MA – Set/05 a Set/13 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 -5,0 -10,0 MA BR As vendas do comércio varejista maranhense registraram alta de 1,6% em setembro de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE. No acumulado de 12 meses, o indicador voltou a trajetória de alta após ter estagnado nos últimos dois meses (8,4%) Fonte: PMC/IBGE O comércio varejista ampliado, que agrega aos índices do varejo as atividades Veículos, motocicletas, partes e peças e Material de Construção apresentou variação de -7,7% com relação ao mês de julho e variação positiva (8,6%) com relação ao mesmo mês do ano passado. O movimento de acomodação do volume de vendas do comércio varejista no Estado do Maranhão,, semelhante ao observado no nível nacional, reflete a redução do crescimento real da massa salarial, sob influência do menor dinamismo do mercado de trabalho e da alta da inflação, além dos efeitos do elevado percentual de endividamento dos consumidores. É importante observar que tais resultados ocorreram não Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão obstante os diversos estímulos governamentais ao consumo de bens duráveis, dentre os quais pode-se citar o Programa Minha Casa Melhor, que financia a compra de eletrodomésticos e móveis para famílias do Programa Minha Casa, Minha Vida, além dos efeitos da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI sobre artigos de linha branca e móveis (cuja reversão foi novamente adiada, desta vez para 2014). Inadimplência Cheques sem fundos Inadimplência de Cheques volta a cair em setembro. Após alta em agosto, quando o percentual de cheques sem fundos emitidos alcançou 12,3% (2ª maior resultado do ano), o indicador voltou a cair em setembro, registrando 11,7%. Com este valor, o percentual de cheques sem fundos volta a ficar em patamar inferior ao da região Nordeste, que fechou o mês de setembro com 11,9%. No Brasil, na comparação entre agosto e setembro, ocorreu queda de 0,1 p.p. totalizando 7,4%. Houve aumento na utilização de cheques no estado do Maranhão (2,1%), contrapondo o que ocorreu no Nordeste e no Brasil quando esse percentual caiu 8,7% e 5,4% respectivamente. Na comparação com o mesmo mês do ano passado ocorreu o inverso: no Maranhão a utilização de cheques foi 5,3% menor, enquanto no Nordeste e no Brasil o indicador foi maior: +4,3% e +6,2%, respectivamente. Gráfico 15 – Proporção de cheques sem fundos– BR, NE e MA (%) 23,0 20,0 17,0 14,0 11,0 8,0 5,0 MA NE BR Fonte: Compe/Bacen O percentual total de cheques sem fundos sofreu diminuição pelo terceiro mês consecutivo tanto no Maranhão quando no Nordeste e no Brasil. No primeiro caso, a queda foi de 3,1% e nos dois últimos foi de 11,8% e 9,8%, respectivamente. É importante observar que os cheques são utilizados principalmente por pessoas jurídicas (micro e pequenas empresas). Inflação Cesta Básica diminui pressão sobre o bolso do consumidor ludovicense Segundo o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos - IMESC, o valor da Cesta Básica ludovicense, em setembro de 2012, recuou 1,7% na comparação com o mês imediatamente anterior, alcançando R$ 230,67, menor valor desde novembro de 2012. Parte desse movimento pode ser creditado à política de desoneração tributária do governo federal (Medida Provisória Nº 609)2. Nos últimos 12 meses, a cesta básica da capital registrou variação negativa da ordem de 9,4%, influenciada pelas reduções nos preços médios do óleo de cozinha (-20,6%), tomate (-17,4%), feijão (-12,3%), açúcar (-6,5%), carne (-6,4%), arroz (-2,9%), café (-1,0%). Por outro lado, o preço da farinha aumentou 43,3%, seguido pelo leite (35,3%), banana (17,2%), manteiga (7,1%) e pão (0,2%). 2 Nota de Conjuntura Abril/Maio de 2013 Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Gráfico 16 – Evolução da Cesta Básica de São Luís – Valor Nominal (R$) e % do Salário Mínimo – set/10 a Set/13 300,0 Após forte crescimento no ano passado, comprometendo sobremaneira o orçamento familiar (37,5% do Salário Mínimo), o valor nominal da cesta básica passou a registrar recuos a partir de março último passando a representar 34% do salário mínimo em setembro último. 270,0 240,0 210,0 180,0 150,0 Valor Nominal % Salário Mínimo (à direita) Fonte: IMESC Produto Interno Bruto Nossas simulações apontam que em 2011 e 2012, o PIB estadual registrou uma trajetória descendente, com taxa de expansão de 8,5% em 2011 e de 3,0% em 2012. Os prognósticos para 2013 e 2014 são de estabilidade em 2013 (3,5% de crescimento em 2013) e retomada em 2014 (5,5%), sustentada por melhores perspectivas no setor agrícola e em função de acesso do Estado a linhas de financiamento do BNDES (R$ 3,8 bi), além dos impactos da re-securitização de parte da dívida fiscal consolidada do Estado (ver Box ao final do Boletim). Gráfico 17. PIB do Estado do Maranhão a Preços de Mercado Correntes (Série 2002 - 2010 e Projeções PIB em milhões de reais 80.000 9,0 Tx. cresc. real (% a.a.) 9,0 8,7 70.000 8,5 11,0 67.453 9,0 5,5 60.000 50.000 Previsão 4,3 7,3 4,4 5,5 45.256 40.000 7,0 5,0 3,0 3,5 3,0 30.000 1,0 20.000 15.449 -1,0 -1,7 10.000 0 -3,0 -5,0 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Fonte: IMESC/IBGE No que se refere aos anos de 2012 e 2013, contribuem para a revisão baixista do crescimento estimado a queda das cotações das commodities minerais, o recuo nas transferências constitucionais, a acomodação nas taxas de crescimento dos programas de transferência de renda, a contração do investimento público no Estado, além da reversão no dinamismo das concessões de crédito imobiliário (crescendo menos que no Nordeste e no Brasil). Ao mesmo tempo, houve a conclusão da fase de instalação de alguns grandes projetos no Estado (Hidroelétrica de Estreito, Unidades da MPX e da OGX), além da conclusão dos trabalhos de Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão terraplanagem da Refinaria Premium da Petrobras em Bacabeira, enquanto outros projetos aguardam a definição dos marcos regulatórios (mineração), ou uma sinalização favorável do mercado internacional (pelotização da VALE e mix da produção de alumínio). Tabela 16 - PIB do Estado do Maranhão a Preços de Mercado Correntes* (Série 2006 - 2010 e Projeções 2011 - 2014) PIB do Maranhão a Preços de Mercado Correntes PIB em milhões Tx. cresc. real (% Deflator implícito de reais a.a.) (% a.a.) 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 38.486 39.855 45.256 51.003 55.449 60.431 67.453 4,4 -1,7 8,7 8,5 3,0 3,5 5,5 População 1,091 0,986 1,113 1,050 1,087 1,053 1,058 PIB per capita (R$) 6.305.539 6.367.138 6.574.789 6.667.480 6.761.477 6.856.800 6.953.466 6.104 6.259 6.883 7.650 8.201 8.813 9.701 *Números em vermelho indicam projeções IMESC. Fonte: IMESC / IBGE. Comércio Exterior A corrente de comércio é o resultado da soma das exportações com as importações e representa o total de comércio transacionado com o exterior. Nos últimos dois anos (2011 e 2012), a corrente de comércio cresceu fundamentalmente devido ao incremento das importações maranhenses, ampliando o déficit na balança comercial. Para 2013, tal déficit deverá ser recorde histórico, em função do desempenho ruim das exportações. A corrente de comércio exterior do Maranhão registrou queda de 1,7% entre janeiro e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior. As importações maranhenses alcan-çaram US$ 5,1 bilhões, com crescimento de 8,4% em relação a 2012, enquanto as exportações registraram queda de 22,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, somando US$ 1,8 bilhão entre janeiro e setembro de 2013. A Tabela 17 mostra que o quantum exportado pelo Maranhão registrou variação negativa (-43,2%) entre JanSet/2013, na comparação com o mesmo período de 2012. A redução bem acentuada (-79,1%) nas exportações do complexo ferro contribuiu decisivamente para o conjunto das exportações maranhenses nos nove primeiros meses do ano. Entre janeiro e setembro do ano passado, foram exportadas 4,3 milhões de toneladas do complexo ferro, com o item Minérios de ferro aglomerados (pelotas) respondendo por 80,4% do total. Tabela 17 - Exportações, Importações e Corrente de Comércio do MA – Em US$ mil e Var. sobre o ano anterior (%) - 2005 a 2013* Corrente de % a.a. comércio Ano Exportação % a.a. Importação % a.a. 2005 1.501.053 21,9 1.156.716 57,2 2.657.769 35,1 2006 1.712.702 14,1 1.725.869 49,2 3.438.571 29,4 2007 2.177.155 27,1 2.353.170 36,3 4.530.325 31,8 2008 2.836.303 30,3 4.102.751 74,3 6.939.054 53,2 2009 1.232.814 -56,5 1.993.436 -51,4 3.226.250 -53,5 2010 2.920.267 136,9 3.817.084 91,5 6.737.351 108,8 2011 3.047.103 4,3 6.281.387 64,6 9.328.490 38,5 2012 3.024.688 -0,7 7.060.363 12,4 10.085.051 8,1 2012* 2.328.843 -1,5 4.770.196 22,5 2013* 1.812.035 -22,2 5.169.551 Fonte: MDIC *Janeiro a Setembro 8,4 7.099.039 13,9 6.981.586 -1,7 Em 2013, foram exportadas somente 909,2 mil toneladas, com o item Ferro fundido bruto não-ligado (ferro-gusa) respondendo por 94,1%. A alteração reflete o fechamento da Usina de Pelotização da VALE em Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão São Luís, em face da retração na demanda por pelotas no mercado internacional. Mais do que isso, a desaceleração da economia chinesa, que é o maior comprador do produto, tende a contrair os preços internacionais desta commodity. Em contratos futuros para outubro de 2014, fechados no dia 07/11/2013, o preço da tonelada do minério de ferro registrava queda próxima de 15% em relação aos níveis correntes. No que se refere ao complexo alumínio, houve crescimento da quantidade exportada (9,5%) nos primeiros nove meses de 2013 em relação ao mesmo período de 2012. O valor exportado cresceu menos (6,3%), resultado de uma participação ligeiramente maior do item Alumina Calcinada, que tem menor valor agregado (o preço médio por tonelada desse item é 7,6 vezes menor que o preço médio da tonelada do alumínio não ligado). No item Outros, cabe destacar a exportação de Milho em grãos (US$ 13,8 milhões), produto que não teve registro de exportação em 2012, e de Algodão debulhado (US$ 19,9 milhões), apesar de este ter registrado redução de 6,7%% em relação ao mesmo período do ano passado. A exportação de ouro teve crescimento em termos de quantidade (12,9%), mas a receita caiu 8,8%. Tabela 18 - Composição das Exportações Maranhenses por Principais Categorias de Produtos em Valor (US$ Milhões), Quantidade (Em 1000 Ton.) e Crescimento (% a.a.) Participação no Compl. (%) Complexos Categoria de Produtos Total Complexo ferro Complexo alumínio Complexo Soja Ouro Outros Complexo Ferro Minerios de ferro aglomerados e Ferro fundido bruto nao ligado Minerios de ferro nao Complexo Alumínio Alumina calcinada Aluminio nao ligado em forma Ligas de aluminio em forma bruta 2011 2012 2012* 2013* US$ Qtd US$ Qtd US$ Qtd US$ Qtd 3.047 1.269 984 598 197 100,0 65,6 34,4 100,0 79,0 18,8 2,2 9.562 5.786 2.441 1.242 94 100,0 51,3 9,2 100,0 96,6 3,1 0,3 3.025 1.029 887 784 125 199 100,0 17,5 16,5 100,0 24,0 4,9 0,4 9.225 5.031 2.551 1.347 2 294 100,0 42,2 12,3 100,0 26,8 0,8 0,1 2.328,8 871,7 658,3 611,8 81,4 105,7 100,0 55,9 44,1 0,0 100,0 81,7 16,7 1,5 7.444,5 4.359,3 1.886,8 1.096,3 0,0015 102,1 100,0 80,4 19,6 0,0 100,0 97,0 2,8 0,2 1.812,0 341,7 699,7 613,6 74,2 82,8 100,0 2,0 98,0 0,0 100,0 83,7 14,4 1,9 4.227,6 909,2 2.065,5 1.148,9 0,0017 104,0 100,0 5,9 94,1 0,0 100,0 97,5 2,2 0,3 Cresc (%) 2013/2012 US$ Qtd -22,2 -60,8 6,3 0,3 -8,8 13,0 0,0 -96,4 122,2 0,0 2,4 -13,7 24,6 -43,2 -79,1 9,5 4,8 12,9 144,9 0,0 -92,6 380,4 0,0 0,5 -20,4 22,5 Fonte: MDIC*Janeiro a Setembro A exportação de soja registrou melhor desempenho de janeiro a setembro de 2013, na comparação com o mesmo período de 2012, compensando o atraso da colheita nas regiões produtoras no 1º trimestre do ano. O quantum exportado cresceu 4,8% (52,6 mil toneladas a mais este ano), mas a receita somente 0,3% (de US$ 611,8 milhões em 2012 para US$ 613,6 milhões em 2013), refletindo a menor cotação do produto no mercado internacional.3 Gráfico 18 – Composição das Exportações Maranhenses Fonte: MDIC *Janeiro a Setembro 3 De janeiro a setembro deste ano, as exportações do complexo alumínio e do complexo soja se destacaram, ampliando suas respectivas participações na receita total de exportação, em detrimento do complexo ferro, que registrou queda significativa. Segundo dados do Banco Mundial, coletados pelo site IndexMundi, entre setembro de 2012 e setembro de 2013, a cotação da soja no mercado internacional recuou 18,1%. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão A Tabela 16 mostra as importações maranhenses por categorias de produtos. Entre janeiro e setembro de 2013, as aquisições de bens de capital somaram US$ 540,9 milhões, crescimento expressivo, de 152,6%, em relação ao mesmo período de 2012. Foram equipamentos destinados à geração de energia elétrica (UTE Parnaíba I, recém-instalada no município de Santo Antonio dos Lopes, e que já entrou em operação) e que não tiveram registro em 2012: Eletrogeradores (US$ 217,0 milhões), Turbinas a vapor (US$ 14,0 milhões), Motores elétricos (US$ 5,5 milhões), entre outros. O crescimento da importação de bens intermediários reflete a conclusão de projetos ligados à produção de papel e celulose no sul do estado. Neste item, entre janeiro e setembro, registrou-se a importação de diversos insumos industriais (fertilizantes, em sua maioria) associados às atividades de produção florestal, no total de US$ 345,3 milhões, um crescimento de 18,8% em relação ao mesmo período de 2012. A importação de Combustíveis e Lubrificantes recuou 0,7% nos nove primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, o que não chega a ser uma surpresa, visto que no ano passado já havia sido registrado recorde na importação desses produtos. As compras de derivados de petróleo alcançaram US$ 3,95 bilhões no período de janeiro a setembro deste ano, contra US$ 3,97 bilhões em 2012. O item Bens de Consumo (US$ 90,5 milhões) registrou crescimento significativo (83,3%) devido à importação de arroz, que passou de US$ 43,5 milhões entre janeiro e setembro de 2012 para US$ 83,6 milhões em igual período de 2013. Tabela 19 - Evolução da Pauta de Importações do Estado do Maranhão de 2010 a Set/2013 (Composição em US$ Milhões e Crescimento em %) 2010 2011 2012 2012* 2013* Cresc US$ % US$ % US$ % US$ % US$ % 13/12* Total 3.817,1 100,0 6.281,4 100,0 7.060,4 100,0 4.770,2 100,0 5.169,6 100,0 8,4 Bens de Capital 137,7 3,6 133,1 2,1 492,6 7,0 214,2 4,5 540,9 10,5 152,6 Bens de Capital (Exc. Equip.de Transp. Uso 90,5 Ind.) 2,4 68,4 1,1 411,6 5,8 135,6 2,8 516,1 10,0 280,7 Equipamentos de Transp. de Uso Ind. 47,1 1,2 64,7 1,0 81,1 1,1 78,6 1,6 24,7 0,5 -68,5 Bens Intermediários 402,3 10,5 651,3 10,4 751,3 10,6 529,4 11,1 587,3 11,4 10,9 Alimentos e Beb destinados à Ind 25,9 0,7 36,8 0,6 26,5 0,4 20,9 0,4 29,2 0,6 39,8 Insumos Industriais 370,2 9,7 591,3 9,4 711,5 10,1 502,2 10,5 543,2 10,5 8,2 Pecas e Acess. Equip. de Transporte 5,3 0,1 23,0 0,4 13,3 0,2 6,3 0,1 14,9 0,3 135,9 Bens Diversos 1,0 0,0 0,0 Bens de Consumo 69,3 1,8 71,8 1,1 69,5 1,0 49,4 1,0 90,5 1,8 83,3 Bens de Consumo Duráveis 0,5 0,0 1,6 0,0 2,5 0,0 2,0 0,0 2,4 0,0 19,7 Bens de Consumo Não Duráveis 68,8 1,8 70,2 1,1 67,0 0,9 47,4 1,0 88,1 1,7 86,0 Combustíveis e Lubrificantes 3.207,9 84,0 5.425,2 86,4 5.747,0 81,4 3.977,3 83,4 3.950,9 76,4 -0,7 CATEGORIA Fonte: MDIC *Janeiro a Setembro Mercado de Trabalho Analisando-se a geração líquida4 de empregos formais por nível geográfico na Tabela 20, vê-se que a Região Nordeste foi a que mais perdeu dinamismo, de janeiro a setembro de 2013, na comparação com o mesmo período de 2012. Houve recuo de 40%. No Brasil, este foi de 20,1%. Em relação às Grandes Regiões do país, de janeiro a setembro deste ano, registrou-se o seguinte comportamento: região Sudeste (+664,7 mil, ou o equivalente à redução de 23,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior), CentroOeste (+168,1 mil, -18,7%), Norte (+61,7 mil, -36,7%) e Nordeste (+121,0 mil, -40%), tendo somente a Região Sul registrado número maior que o mesmo período de 2012 (+22 mil, 7,9%). No período de janeiro a setembro de 2013, com a exceção de Alagoas, todos os demais estados do Nordeste registraram contratações líquidas positivas, embora tenha havido em todos os casos uma piora na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre os estados do Nordeste, destacam-se 4 Admissão de empregados formalizados descontada da demissão de empregados formalizados. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão positivamente, a Bahia (+48,3 mil, ou o equivalente à redução de 5,8% na comparação com o período janeiro a setembro de 2012) e o Ceará (+33,4 mil, -8,7%), e, negativamente, Alagoas (-21,5 mil, -214,7%). Pernambuco e Alagoas são estados que tem no setor sucroalcooleiro (que engloba cultivo de cana de açúcar, fabricação de açúcar e de álcool) uma das principais fontes de geração de empregos. O setor enfrentou uma grave crise durante o primeiro semestre deste ano, em decorrência da quebra de safra e da perda de competitividade do preço do etanol frente ao da gasolina. Até agosto, ambos os estados registravam saldo negativo. Em setembro, as contratações foram retomadas pelo setor, suficientes para tornar positivos os números de Pernambuco, mas não ainda os de Alagoas. Ordem Tabela 20 – Saldo de emprego formal¹ – Brasil, Grandes Regiões e UF’s Nordestinas Localidade Brasil Setembro 2013 2012* (a) 2013* (b) 211.068 1.657.330 1.323.461 1º Sudeste 72.612 873.266 664.764 2º Sul 38.003 277.939 299.955 3º Centro-Oeste 2.913 206.833 175.963 4º Nordeste 78.162 201.674 121.011 5º Norte 11.552 97.618 61.768 1º Bahia 6.203 51.309 48.350 2º Ceará 8.281 36.601 33.404 3º Pernambuco 29.988 49.616 16.074 4º Maranhão 2.913 19.560 11.016 5º Piauí 379 12.723 9.668 6º Paraíba 6.618 15.737 9.201 7º RN 5.182 13.400 8.401 8º Sergipe 2.313 9.583 6.473 9º Alagoas 16.285 -6.855 -21.576 Fonte: MTE *Janeiro a Setembro¹Ajustes até agosto Variação absoluta (b-a) -333.869 -208.502 22.016 -30.870 -80.663 -35.850 -2.959 -3.197 -33.542 -8.544 -3.055 -6.536 -4.999 -3.110 -14.721 Var. (%) (b/a) -20,1 -23,9 7,9 -14,9 -40,0 -36,7 -5,8 -8,7 -67,6 -43,7 -24,0 -41,5 -37,3 -32,5 -214,7 O Maranhão, por sua vez, é o 4º colocado no Nordeste, no que se refere à abertura líquida de postos de trabalho formais (+11,0 mil de janeiro a setembro deste ano). Apesar do desempenho ruim da Construção Civil, que será visto em seguida, a Indústria de Transformação (especialmente a Fabricação de Álcool em alguns municípios maranhenses), o Comércio e o setor de Serviços vêm sustentando a geração de empregos. Geração de empregos em 2013 segue abaixo do verificado no ano passado A Tabela 21 mostra a evolução do saldo de contratações líquidas celetistas do estado, contendo a abertura por subsetores de atividade. Verificou-se a abertura líquida de 11,0 mil postos de trabalho formais no Maranhão, nos primeiros nove meses deste ano, sendo o setor da Construção Civil (-1,4 mil demissões líquidas)e a Agropecuária (recuo de 96,3% na abertura de vagas) os grandes responsáveis pelo fraco resultado geral – recuo de 43,7%, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O fraco desempenho da Construção Civil no Maranhão em 2013 está ligado à interrupção parcial da obra da Refinaria Premium, em Bacabeira, e à conclusão de projetos de investimento, tais como as UTE Itaqui (São Luís) e UTE Santo Antonio dos Lopes, além da desmobilização da maior parte da mão-de-obra envolvida na instalação da Fábrica de celulose da Suzano, praticamente concluída, em Imperatriz. Contribui também para o resultado ruim do segmento da construção civil a redução no ritmo de algumas obras públicas em andamento no Estado. O Comércio registrou saldo positivo em 2013 até setembro (2,5 mil), porém com recuo de 54,2% na comparação com o mesmo período de 2012. Em algumas atividades do Comércio Varejista (artigos de vestuário, cama, mesa e banho, calçados e móveis), registrou-se número significativo de demissões. Uma provável explicação para o resultado fraco do Comércio Varejista no 1º trimestre foi a inflação mais alta no início de 2013, especialmente a de Alimentos e Bebidas, que terminou por forçar a redução de gastos considerados menos essenciais pelos consumidores de renda mais baixa. O setor de Serviços e a Indústria de Transformação, embora com resultados aquém do verificado no ano passado, sustentam a geração de empregos no Maranhão em 2013. No primeiro, em que pese o recuo Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão significativo na geração de postos de trabalho nas atividades de transporte e comunicação (-33,3%), chama atenção o dinamismo das atividades relacionadas ao comércio e administração de imóveis e valores mobiliários. Quanto ao segundo, a Indústria Química (que inclui a Fabricação de Álcool), com abertura líquida de 1,4 mil vagas entre janeiro e setembro (+117,5% em relação ao mesmo período de 2012), a Indústria de produtos minerais não-metálicos e a Indústria do papel (preparação para o início do funcionamento da fábrica da Suzano) são destaques. Tabela 21 - Mercado de Trabalho Formal no Maranhão segundo Subsetores de Atividade - 2010 a 2013* (CAGED Ajustado¹) Geração de Empregos Subsetores de atividade Extrativa mineral Indústria de Transformação Ind. de prod. min não met Ind. metalúrgica Ind. mecânica Ind. do papel, papelão, editorial Ind. química de prod.farm., vet. Ind. de alimentos e bebidas Outras Indústrias S.I.U.P. Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Com. e adm. de imóveis, val mob. Transportes e comunicações Alojamento, alimentação Ensino Outros Serviços Administração pública Agropecuária Total 2011 2012 68 2.382 566 912 123 -59 249 471 120 182 695 9.006 7.527 1.479 11.334 4.107 2.214 1.389 1.121 2.503 424 4.472 28.563 199 674 341 427 -231 15 -598 396 324 -332 -4.209 8.654 6.908 1.746 11.389 3.225 1.392 4.153 1.168 1.451 377 -479 16.273 2012* (a) 208 2.029 384 253 24 -3 646 312 413 -153 234 5.448 3.751 1.697 9.007 1.933 1.308 2.596 1.829 1.341 437 2.350 19.560 Variação Cresc. Absoluta (b/a) 2013* (b-a) (%) (b) -26 -234 -112,5 1.607 -422 -20,8 443 59 15,4 -204 -457 -180,6 -344 -368 -1.533,3 172 175 5.833,3 1.405 759 117,5 201 -111 -35,6 -66 -479 -116,0 404 557 364,1 -1.393 -1.627 -695,3 2.493 -2.955 -54,2 1.932 -1.819 -48,5 561 -1.136 -66,9 7.377 -1.630 -18,1 1.947 14 0,7 872 -436 -33,3 2.303 -293 -11,3 1.320 -509 -27,8 935 -406 -30,3 466 29 6,6 88 -2.262 -96,3 11.016 -8.544 -43,7 Fonte: MTE *Janeiro a Setembro ¹Ajustes até agosto A Tabela 22, abaixo, apresenta a geração de empregos nos municípios maranhenses por setor de atividade. Cinco municípios destacaram-se entre os que mais abriram vagas no estado: Imperatriz, Balsas, São José de Ribamar, Coelho Neto e Aldeias Altas. O município de Imperatriz foi o primeiro colocado no que se refere à geração de empregos formais entre janeiro e setembro de 2013, com 3,3mil empregos líquidos, distribuídos entre os setores de Construção Civil (+1,5 mil) – que se mantém aquecido mesmo com a virtual conclusão da Fábrica da Suzano –, Serviços (+975), Comércio (+504), Administração Pública (+318) e Indústria de Transformação (+127), esta última refletindo as contratações relacionadas ao início do funcionamento da referida fábrica. Em Balsas, a Construção Civil, o Comércio e a Agropecuária (Cultivo de Algodão) são destaques. Em São José de Ribamar, é o setor de Serviços que sustenta a abertura de novas vagas. Nos municípios de Coelho Neto e Aldeias Altas, é o setor sucroalcooleiro que está abrindo novos postos de trabalho. No primeiro, o Cultivo de Cana de Açúcar (1,0 mil) e no segundo, a Fabricação de Álcool (1,0 mil), garantem o bom desempenho no mercado de trabalho. No outro extremo da Tabela 22, constam os municípios com maiores saldos negativos. Os três maiores foram: Bacabeira (-373), Santo Antonio dos Lopes (-360) e Caxias (-305). Em Bacabeira e Santo Antonio dos Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Lopes, o setor de Construção Civil desmobilizou bastante mão-de-obra em 2013, com a conclusão das obras de terraplenagem da Refinaria Premium, no primeiro, e da Usina Termoelétrica Parnaíba I no segundo. Ordem Tabela 22 – Saldo de empregos celetistas por município, segundo Setores de Atividade: Maiores e Menores Saldos de Contratação em 2013* (CAGED ajustado) Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 213 214 215 216 217 Imperatriz Balsas São José de Ribamar Coelho Neto Aldeias Altas Campestre do Maranhao Santa Inês Viana Paço do Lumiar São Rdo das Mangabeiras Timon Bacabal Sao Luis Açailândia Porto Franco Caxias Santo Antonio dos Lopes Bacabeira Extr Ind SIUP¹ Mineral Transform 12 27 3 0 0 0 0 0 0 -1 0 -1 -21 1 -1 -1 0 17 127 78 -57 95 1.086 137 17 4 4 263 20 87 -418 186 -7 -32 3 77 -8 2 9 0 0 0 1 0 -2 0 -1 4 331 2 1 -1 28 0 Constr Adm AgropeComércio Serviços Total Civil Pública cuária 1.486 811 187 0 0 0 89 433 43 69 199 -4 -3.722 178 -9 -305 -489 -453 504 260 333 -5 10 -5 301 -2 82 20 23 -6 327 11 15 7 19 3 975 133 803 8 -1 -4 72 -3 282 39 120 90 3.508 365 14 76 82 -22 318 0 0 0 0 0 -6 0 -2 0 0 0 185 0 0 0 0 0 -132 233 9 1.050 3 642 13 -3 4 6 9 9 -18 -931 -223 -49 -3 5 3.282 1.544 1.287 1.148 1.098 770 487 429 411 396 370 179 172 -188 -210 -305 -360 -373 Fonte: MTE *Janeiro a Setembro ¹Serviços Industriais de Utilidade Pública Na capital, São Luís, houve a forte contribuição negativa da Construção Civil (-3,7 mil) e da Indústria de Transformação (-418). No primeiro, o segmento de Construção de Obras de Arte Especiais, que inclui obras de infra-estrutura tais como pontes e viadutos, teve o pior desempenho (-3,5 mil), seguido pelo segmento de Montagem de Instalações Industriais (-1,5 mil) e Construção de Edifícios (-1,1 mil). Os Serviços Industriais de Utilidade Pública (331) e o setor de Serviços (3,5 mil) são destaques positivos na capital. Finanças Públicas Arrecadação Federal mostra baixo dinamismo no Estado A Tabela 23 mostra que a Arrecadação de impostos no estado do maranhão continua em ritmo menor que o registrado no ano passado. Nos nove primeiros meses de 2013, a arrecadação foi de R$ 2,8 bi, contra R$ 3,3 bi no mesmo período de 2012, um decréscimo real de 16,2% na arrecadação do estado, enquanto o Brasil manteve-se, praticamente, estável (crescimento de 0,9%). A Cofins e a Cide foram as que mais contribuíram para essa redução. Nos primeiro oito meses de 2013, a arrecadação da Cofins foi R$ 290,0 milhões menor que o arrecadado no mesmo período de 2010; a redução na Cide foi de R$ 214,5 milhões, devido a extinção dessa contribuição no ano passado. O resultado ruim pode ser atribuído ao fraco desempenho das vendas no varejo e às desonerações tributárias, o fim do imposto sobre os combustíveis (Cide) e a redução do IOF no crédito para a pessoa física. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Tabela 23 – Evolução da Arrecadação de Impostos Federais no Estado do Maranhão – 2010 a 2013* (Em R$ Milhões – Valores Constantes1) Embora o IPI tenha registrado um aumento na arrecadação acumulada do ano (36,8%), seu peso (2,8%) na composição da arrecadação é muito pequeno, para evitar o decréscimo na receita total. A arrecadação do Imposto de Renda, também continua registrando resultado positivo (6,1%), decorrente, principalmente, ao aumento da arrecadação do IRRF - Rendimentos do Trabalho (incremento de 17,8 milhões). Em R$ Milhões Receita Comp. (%) Cresc. (%) 2012* 2013* 2012 2013 2013/2012 103,3 3,1 1,7 Imposto Sobre Importação 77,2 -25,2 Imposto Sobre Exportação 0,0 0,0 0,0 0,0 -65,6 IPI - Total 92,3 126,3 2,7 2,8 36,8 Imposto Sobre a Renda - Total 609,5 646,5 18,1 14,3 6,1 IRPF 130,8 144,6 3,9 3,2 10,5 IRPJ 277,7 278,7 8,2 6,2 0,4 200,9 223,2 6,0 4,9 IR Retido Na Fonte 11,1 Imp. S/ Operações Financeiras 2,7 3,7 0,1 0,1 38,0 Imposto Territorial Rural 4,8 5,1 0,1 0,1 5,5 COFINS 1.523,4 1.233,4 45,2 27,3 -19,0 Contribuição Para o PIS/PASEP 410,3 354,7 12,2 7,8 -13,5 CSLL 188,9 188,3 5,6 4,2 -0,3 Cide-Combustíveis 214,7 0,3 6,4 0,0 -99,9 Contribuições Para o FUNDAF 0,3 0,3 0,0 0,0 -24,7 CPSSS 118,3 126,2 3,5 2,8 6,7 Outras Receitas Administradas 51,1 20,3 1,5 0,4 -60,3 SUBTOTAL (A) 3.319,7 2.782,3 98,6 61,5 -16,2 Receita Previdenciária (B) - 1.685,4 - 37,3 Receita Adm. Pela RFB (C=A+B) 3.319,7 4.467,7 98,6 98,8 34,6 Demais Receitas (D) 48,5 56,0 1,4 1,2 15,4 Total (C+D) 3.368,2 4.523,7 100,0 100,0 34,3 Fonte: Receita Federal 1.Inflacionados pelo IPCA acumulado de 2013 *jan-set Receitas próprias estaduais continuam crescendo As receitas do estado do Maranhão continuam em crescimento. No acumulado do ano, até setembro, o crescimento real foi de 4,3% (+R$ 9,1 bi), na comparação com o mesmo período do ano passado. Tabela 24 – Evolução das Receitas do Estado do Maranhão por Categoria Econômica - 2010 a 2013* e Previsão de Arrecadação em 2012 (Valores em R$ Milhão, Inflacionados pelo INPC Acumulado de 2013*) Ano Receita Total (a) Receita Total Receita Corrente 2010 9.247,1 8.799,5 2011 10.668,2 10.397,1 2012 10.683,3 10.570,0 2012* 8.705,9 8.638,5 2013* 9.083,1 8.835,5 Crescimento (%) 2011 / 2010 15,4 18,2 2012 / 2011 0,1 1,7 2013 / 2012 4,3 2,3 Fonte: SEPLAN/MA Receita de Capital Receita Transferida Receita Receita Outras (b / a) (c / b) Própria Tributária TransTransf. Transf. de Receitas (%) (%) (c) ferida Correntes Capital Corrent. (b ) Receita 1 447,6 271,1 113,3 67,4 247,7 4.327,0 5.287,3 4.477,8 3.756,9 4.212,6 3.108,5 3.801,2 4.143,7 3.541,7 3.812,8 -39,4 -58,2 267,5 22,2 -15,3 12,1 22,3 9,0 7,7 * Janeiro-Setembro 4.920,1 5.380,9 6.205,4 4.949,0 4.870,5 9,4 15,3 -1,6 4.784,0 5.350,2 6.186,2 4.890,0 4.850,1 136,1 30,7 19,2 59,0 20,4 74,8 92,2 96,8 129,2 87,2 11,8 15,6 -0,8 -77,5 -37,3 -65,4 23,2 5,0 -32,6 46,8 71,8 49,6 71,9 41,9 92,5 43,2 94,3 46,4 90,5 Média 48,2 71,9 45,7 82,2 42,5 93,4 1. Receita Própria = Receita Total - Receitas Transferidas As principais responsáveis por esse crescimento foram as receitas de capital e as receitas tributárias. A primeira rubrica registrou um incremento real de R$ 180,3 milhões (crescimento de 267,5%) e, na segunda, o Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão incremento foi de R$ 271,1 milhões (+7,7%). Por outro lado, tem-se observado, desde o início do ano, uma redução nas Receitas Transferidas que, no acumulado do ano, até setembro, somavam R$ 78,4 milhões (1,6%), como pode ser observado na Tabela 24, abaixo. A elevação na receita de capital é decorrente da liberação da primeira parcela de um empréstimo de R$ 1,0 bilhão contratado pelo governo do Estado, no ano passado, via linha de crédito Pró-Invest do BNDES, no valor de R$ 202,4 milhões. Para este ano, está prevista ainda a liberação de outra parcela. O crescimento da receita tributária, se deu, principalmente, pela elevação real de R$ 231,7 milhões na arrecadação do ICMS (+7,8%), seguido da elevação de R$ 20,3 milhões na arrecadação do ITCMD e R$ R$ 18,3 milhões no IPVA, sempre em termos reais. Arrecadação de ICMS registra crescimento de 6,3% nos oito primeiro meses de 2013 A arrecadação de ICMS no Estado do Maranhão nos primeiros oito meses de 2013 foi de R$ 2.689,7 milhões, contra R$ 2,529,9 milhões no mesmo período de 2012, um crescimento real de 6,3% (Tabela 25). Na margem, o crescimento é bem maior (8,2%), devido ao bom resultado de agosto (R$ 363,8 milhões), segundo melhor resultado do ano inferior apenas do que janeiro, que arrecadou R$ 373,7 milhões. Os setores que impulsionaram o crescimento em 2013 foram: o Setor Secundário, com crescimento de 20,1% (80,1 milhões); Petróleo e Combustíveis, com 9,2% (67,3 milhões); e o Setor Terciário Atacadista, com crescimento de 7,6% (30,2 milhões). Tabela 25 – Arrecadação de ICMS por Setores e Atividades no Maranhão – 2011 e 2013* (Valores Constantes1 a Preços de 2013, Composição e Crescimento) Setor Setor Terc. Ter. Terc. Terc. Terc. Setor Petróleo Energia Prim. Secund. Atac. Varej. Transp. Comum. Outros Terc. e Comb. 2011* 2.351,4 7,0 390,8 373,0 343,8 75,3 294,3 24,1 1.110,5 186,0 657,0 2012* 2.529,9 6,8 397,8 399,5 369,9 60,8 295,2 28,9 1.154,3 241,9 729,0 2013* 2.689,7 5,6 477,9 429,7 391,3 47,0 297,3 37,7 1.203,1 206,7 796,3 12 meses 4.067,6 9,0 723,8 652,7 575,4 75,4 447,9 56,8 1.808,3 336,6 1.189,8 2.011 100,0 0,3 16,6 15,9 14,6 3,2 12,5 1,0 47,2 7,9 27,9 2.012 100,0 0,3 15,7 15,8 14,6 2,4 11,7 1,1 45,6 9,6 28,8 2013* 100,0 0,2 17,8 16,0 14,5 1,7 11,1 1,4 44,7 7,7 29,6 2013 / 2012* 6,3 -16,9 20,1 7,6 5,8 -22,7 0,7 30,7 4,2 -14,6 9,2 Bimestre 8,2 -18,1 24,3 11,0 5,3 -14,9 2,0 26,1 6,0 -10,0 8,5 Trimestre 5,2 -22,7 24,6 6,5 6,1 -16,9 1,3 15,6 4,1 -16,0 3,4 Semestre 4,7 -23,6 17,7 7,9 2,9 -27,0 2,5 26,8 3,6 -18,3 7,1 12 meses 5,0 -14,3 17,1 7,2 5,8 -19,7 0,3 32,3 4,2 -7,3 3,9 Fonte: Confaz 1.Valores inflacionados pelo INPC acumulado de 2013 *Janeiro a Agosto Total Cresc. contra igual periodo do ano anterior ( %) Composição (%) Valores (R$ milhão) Período Transferências para o Estado continuam em redução, mas os municípios já apresentam um resultado positivo As Transferências Constitucionais para o estado do Maranhão registraram redução, no acumulado de janeiro a-setembro de 2013 registraram redução de $ 85,0 milhões, em relação ao mesmo período de 2012 (decréscimo real de 2,2%), mas as transferências para os municípios, que também estavam no terreno negativo até o mês de julho, registraram crescimento real de R$ 58,7 milhões (+1,4%). O principal fator explicativo para a divergência foram as transferências associadas ao Fundeb, que registraram um resultado negativo de R$ 87,2 milhões no Estado (decréscimo real de 9,7%) e positivo de R$ 51,7 milhões para os municípios (+2,0%) Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão A Tabela 26, ao lado, mostra as principais Transferências. Nota-se que, o Fundeb já vem registrando resultado negativo no Estado desde o ano passado e que, no corrente ano, tanto o FPE como o FPM já registraram variações positivas. Tabela 26 – Principais Transferências Constitucionais para o Estado e Municípios (R$ Milhão, Valores Constantes1) ESTADO MUNICÍPIOS FPE FUNDEB Outros Total FPM FUNDEB Outros Total 2010 3.389,7 912,5 156,4 4.458,6 2.153,9 2.503,6 42,8 4.700,4 2011 3.922,5 1.259,1 151,9 5.333,5 2.493,7 3.456,7 40,2 5.990,5 2012 3.837,6 1.247,8 112,8 5.198,2 2.438,8 3.513,4 18,1 5.970,3 2012* 2.875,6 902,4 66,9 3.844,9 1.734,2 2.536,5 14,2 4.284,9 2013* 2.902,7 815,2 42,0 3.759,9 1.749,3 2.588,1 6,2 4.343,6 2012/2011 -2,2 -0,9 -25,7 -2,5 -2,2 1,6 -55,0 -0,3 2013/2012* 0,9 -9,7 -37,2 -2,2 0,9 2,0 -56,7 1,4 Fonte: STN * Janeiro a Setembro 1. Inflacionados pelo INPC acumulado até 2013. Ano É importante notar que, os repasses do FPE e do FPM originam-se da arrecadação conjunta do IR e do IPI, o montante transferido em cada período é diretamente proporcional ao desempenho da arrecadação líquida desses impostos no mês anterior. Então, o crescimento dessas transferências pode ser atribuído à recuperação na arrecadação desses impostos. A Tabela 27 mostra as origens do FUNDEB, nos casos do Estado do Maranhão e do conjunto de seus municípios. Pode-se perceber que no Estado, todas as rubricas de origens de recursos do FUNDEB registram redução no período de jan-set de 2013, comparado com o mesmo período de 2012, com destaque para a Complementação da União (R$ -57,7 milhões) e para o FPE (R$ -16,1 milhões). Nos municípios, mesmo com a redução da Complementação da União (R$ -38,1 milhões), o Fundeb registrou crescimento de 2,0%, favorecido pelo aporte de R$ 49,5 milhões do ICMS e de R$ 21,9 milhões do FPE. Tabela 27 – Origens do FUNDEB (R$ Mil, inflacionados pelo INPC de 2013*) – 2012* e 2012* são, Os municípios particularmente, muito dependentes da arrecadação do Fundeb, pois eles representam, em média, entre 40% e 50% do total das suas receitas, ultrapassando até o FPM. Estado Origem FPE FPM IPI-EXP ICMS 1 União Valores* 2012 188,5 113,7 1,7 150,7 433,5 2013 172,4 103,9 1,5 147,7 375,7 Municípios Participação (%) 2012 20,9 12,6 0,2 16,7 48,0 2013 21,1 12,7 0,2 18,1 46,1 Valores* Cresc. (%) 2012 2013 -8,5 531,9 553,8 -8,6 320,8 333,7 -11,4 4,9 4,9 -2,0 425,3 474,8 -13,3 1.214,0 1175,9 Participação (%) 2012 21,0 12,6 0,2 16,8 47,8 2013 21,4 12,9 0,2 18,3 45,4 Cresc. (%) 4,1 4,0 0,9 11,6 -3,1 2 1,2 1,2 0,1 0,1 -5,1 3,5 3,8 0,1 0,1 8,1 LC Nº 87/96 ITR 0,0 0,0 0,0 0,0 -5,6 0,1 0,1 0,0 0,0 6,8 IPVA 12,8 12,6 1,4 1,5 -1,3 36,0 40,4 1,4 1,6 12,3 ITCMD 0,3 0,2 0,0 0,0 -18,2 0,7 0,7 0,0 0,0 -6,8 Total 902,4 815,2 100,0 100,0 -9,7 2.537,2 2.588,1 100,0 100,0 2,0 Fonte: STN * Janeiro a Setembro 1. Complementação da União 2. Lei Complementar. Despesas do Estado voltaram a crescer no acumulado dos nove primeiros meses de 2013 Nos primeiros nove meses de 2013, as despesas do Governo do Estado do Maranhão totalizaram R$ 8,8 bi, crescimento real de 6,1% em relação ao mesmo período de 2012. As principais rubricas responsáveis por esse crescimento foram Pessoal e encargos sociais, que registraram variação real de R$ 141,2 milhões (4,4%), Outras despesas correntes, com R$ 129,9 milhões (4,0%) e Serviços da dívida, com R$ 121,8 milhões (11,5%). Mesmo com crescimento em relação ao ano anterior, os gastos com o serviço da dívida já vem registrado uma desacelerada desde o mês de agosto, devido ao empréstimo que o Governo do Estado contraiu junto ao Bank of America N.A. Merril Lynch – Bof AML, para refinanciar parte da dívida (para entender melhor esse Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão processo, leia o Box intitulado O processo de recomposição da dívida do Estado do Maranhão no âmbito das leis 8.727/93 e 9.496/97). Tabela 28 – Estado do Maranhão – Evolução das Despesas por Grupos de Natureza (R$ Milhão a Preços de 2013, Composição e Crescimento em %) – 2010 a 2013* Ano DESPESA Despesa TOTAL (a) Corrente 2010 10.293,0 2011 10.690,2 2012 10.963,0 2012* 8.284,3 2013* 8.786,1 Crescimento (%) 2011/2010 3,9 2012/2011 2,6 2013/2012* 6,1 Pessoal + Outras Juros e Despesa Encargos Despesas Encargos de Capital Sociais (b) Correntes 8.574,0 9.188,7 9.702,6 7.109,2 7.420,3 3.950,1 3.757,0 5.092,1 3.194,5 3.335,7 7,2 5,6 4,4 -4,9 35,5 4,4 Fonte: STN - SEPLAN/MA *Janeiro-Setembro 645,7 721,9 725,0 641,8 681,8 11,8 0,4 6,2 Investi- Inversões Amortimentos Finanzações (c) ceiras 3.978,2 4.709,9 3.885,5 3.272,9 3.402,8 1.719,0 1.364,6 1.501,5 1.076,0 1.260,4 765,9 1.175,1 759,9 1.365,7 843,2 18,4 -17,5 4,0 -12,7 -16,1 16,2 -21,1 -28,8 11,0 9,9 22,0 1,2 0,8 26,2 344,6 403,4 493,3 414,5 496,3 123,2 17,1 -94,6 22,3 3250,9 19,7 Serviço da 2 Dívida (d) 990,2 1.125,3 1.218,3 1.056,3 1.178,1 13,6 8,3 11,5 (b/a) (c/a) (d/a) 38,4 13,3 9,6 35,1 10,1 10,5 46,4 7,0 11,1 38,6 9,2 12,8 38,0 9,6 13,4 - - - 2. Juros e Encargos da Dívida + Amortizações BOX 2 – O processo de recomposição da dívida do Estado do Maranhão no âmbito das leis 8.727/93 e 9.496/975 Por Daniela dos Santos Maia6 Na década de 1990, diante da fragilidade das finanças estaduais no que concerne ao pagamento dos serviços da dívida, foram sancionadas as leis 8.727/93 e 9.946/97, que dispõem sobre o refinanciamento e a assunção, pela União, de obrigações de responsabilidade dos Estados e Distrito Federal, que, além de promover um alívio ao orçamento estadual à época, instituíram as primeiras medidas de austeridade fiscal. As condições dos refinanciamentos concedidos pela União aos Estados estavam em consonância com a conjuntura em vigor na economia brasileira à época - a exemplo da seleção dos indexadores empregados para a atualização do valor monetário das dívidas (IGP-M e IGP-DI), que eram mais estáveis do que os demais índices –, o prazo de amortização das dívidas eram superiores aos dos contratos renegociados e o pagamento das prestações era limitado a um valor percentual da Receita Liquida Real7 – o que compatibilizava o elevado estoque das dívidas estaduais as suas capacidades de pagamento. No entanto, no final da década de 1990, tendo em vista as transformações ocorridas no cenário macroeconômico brasileiro que proporcionou maior estabilidade econômica, os indexadores selecionados como parâmetro de atualização monetária dos contratos pactuados entre a União e os Estados sob o amparo das leis 8.727/93 e 9.946/97 têm apresentado elevada volatilidade, contribuindo para o crescimento do estoque da dívida8. Soma-se a isto, a lógica dos contratos de refinanciamentos prever a incorporação dos montantes descobertos das prestações, compreendida como valor residual resultante da diferença entre a parcela 5 Adaptado de MAIA, D.S. Análise da sustentabilidade da recomposição da dívida do estado do Maranhão no âmbito das leis n. 8.727/93 e 9.496/97. Monografia apresentada ao Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2012. 6 Bacharel em Ciências Contábeis e Ciências Econômicas. Bolsista do IMESC cedida à Secretaria de Estado do Planejamento e Orçamento do Maranhão 7 Segundo o artigo 2°, parágrafo único, da resolução n° 9.496/97, diz respeito à receita realizada nos doze meses anteriores ao mês imediatamente anterior àquele em que se estiver apurando, excluídas as receitas provenientes de operações de crédito, de alienação de bens, de transferências voluntárias ou de doações recebidas com o fim específico de atender despesas de capital e, no caso dos Estados, as transferências aos Municípios, por participações constitucionais e legais. 8 Ressalta-se que foi aprovado, em outubro de 2013, o projeto de lei pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados que modifica o indexador das dívidas dos governos estaduais e municipais junto à União, estando apto a votação pelo plenário. Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão mensal e o limite de comprometimento da Receita Liquida Real, ao estoque da dívida, sendo denominada de resíduos, os quais são regidos por condições similares as do principal da dívida. Embora o valor do resíduo seja isento de pagamento por 360 prestações, os juros incidem sobre o montante acumulado. Neste contexto, tendo em vista que o método de cálculo das prestações baseia-se na Tabela price, o pagamento das prestações está condicionado à liquidação dos juros incidente sobre o saldo devedor total, o qual engloba não somente o principal como também os resíduos. Diante da influência de tais fatores, os estados têm se deparado com uma situação bastante dicotômica: apesar do crescimento dos desembolsos destinados ao pagamento dos serviços das dívidas renegociadas junto à União, o estoque das dívidas apresenta redução pouco expressiva, repercutindo negativamente em suas capacidades de investimentos. Neste cenário, os estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Santa Catarina contrataram, em 2012, operações de crédito visando reduzir os desembolsos mensais destinados ao pagamento das dívidas junto à União e ampliar suas capacidades de investimentos. Em Julho de 2013, seguindo a mesma tendência, o Estado do Maranhão contraiu um empréstimo junto ao Bank of America N.A. Merril Lynch – Bof AML no valor de U$$ 661.967.121,34, objetivando liquidar os resíduos das dívidas renegociadas junto à União sob o amparo das leis 8.727/93 e 9.946/97, bem como compensar, através do alongamento da dívida, a frustração da receita estadual em virtude da queda dos repasses do Fundo de Participação dos Estados – FPE, uma das receitas mais representativas do orçamento estadual, cuja redução foi decorrente das desonerações de impostos concedidas pelo governo federal, a exemplo do IPI para veículos, eletrodomésticos da linha branca e móveis. As condições do empréstimo contratado pelo governo do Estado do Maranhão junto ao BofAML foram: a taxa de juros incidente sobre o principal perfaz 5,447%, o pagamento do principal e do juros deverão ser realizados semestralmente, sendo que o pagamento de juros incidente sobre a operação iniciará em janeiro de 2014 e o do principal em julho de 2015 e prazo de carência de 18 meses. A taxa de câmbio utilizada na conversão de dólares americanos para reais foi de 2,212405, calculada com base na ponderação da cotação da moeda americana quando da transferência do montante para o Estado em 23 de julho de 2013, que foi realizada em 14 lotes. O valor dos resíduos das dívidas junto à União totalizavam R$ 1.279.319.939,72 na data da contratação do empréstimo junto ao BofAML, sendo que R$ 923.364.042,63 correspondia a dívida instituída mediante a Lei 8.727/93 e R$ 355.955.897,09 refere-se a da lei 9.496/97. Ressalta-se que não apenas os resíduos foram liquidados, como também houve a antecipação de parcelas do principal das dívidas no valor de R$ 102.993.006,06 para aquela instituída sob o amparo da lei 8.727/93 e, RS 74.456.358,04 referente à Lei 9.496/97, totalizando R$ 177.449.364,10. A economia proporcionada pelo processo de renegociação da dívida do Estado do Maranhão. Tabela 29 – Despesas do estado do Maranhão com o ao Ao analisar os montantes pagamento dos serviços das dívidas renegociadas sob o destinados ao pagamento dos amparo das leis 8.727/93 e 9.946/97 – anos 2008 a 2012 refinanciamentos concedidos pela Lei n. 8.727/93 Lei n. 9.496/97 União constata-se que houve, entre Ano Total Juros e Juros e Principal Principal 2008 e 2012, uma trajetória Encargos Encargos ascendente e que os valores 2008 141,7 302,4 32,2 71,5 547,8 referentes à liquidação de juros e 2009 155,5 351,5 26,9 73,0 606,9 encargos representavam 68% do 2010 175,7 426,0 45,5 83,0 730,2 total do valor desembolsado 2011 207,2 515,1 47,7 93,4 863,4 naquele quinquênio, conforme 2012 258,8 572,0 86,3 74,2 991,3 evidencia a Tabela 29, ao lado. Total 938,9 2167,0 238,6 395,1 3739,6 Fonte: SEPLAN, 2013 Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão Representando 76,59% do total da dívida do Estado do Maranhão, o refinanciamento concedido pela União sob a égide das leis 8.727/93 e 9.496/97 exercia acentuada pressão sobre a despesa estadual, exigindo um maior esforço fiscal. Os elevados desembolsos destinados ao pagamento dos serviços da dívida associados à frustração das receitas advindas de repasses constitucionais, cenário predominante entre os estados brasileiros, engessou o orçamento do Estado, comprometendo, nos últimos anos, sua capacidade de realizar investimentos. Conforme é apresentado no Gráfico 19, à proporção que se expandiram os valores desembolsados com amortização daquelas dívidas, o Estado reduziu seu nível de investimentos. Gráfico 19 – Comparativo entre os desembolsos anuais destinados ao pagamento das dívidas amparadas pelas leis 8.727/93 e 9.496/97 e as despesas anuais do tesouro com investimentos realizados entre os anos de 2008 e 2012. 991 863 730 607 548 396 393 219 2008 191 263 2009 2010 2011 2012 Desembolsos anuais do Tesouro com as dívidas amparadas pelas Leis 8.727/93 e9.496/97 Despesas anuais do Tesouro com investimentos Fonte: SEPLAN, 2013. O pagamento dos resíduos das dívidas obtidas junto à União, bem como a antecipação das prestações, propiciaram uma redução em 90,8% nos desembolsos com obrigações vinculadas à Lei nº 8.727/93 e 29,7% para os compromissos financeiros advindos da Lei nº 9.496/97, no comparativo entre os pagamentos realizados no mês de agosto (após a realização da operação) em relação ao mês de julho (mês anterior ao da contratação da operação), o Estado obteve uma folga financeira de R$ 72.890.884,88. Tabela 230 - Pagamentos realizados nos âmbitos das leis 8.727/93 e 9.496/97 nos meses de jul – ago/ 2013. PAGAMENTOS REALIZADOS NO ÂMBITO DAS LEIS 8.727/93 E 9.496/97 DÍVIDAS LEI DÍVIDAS LEI ANÁLISE MÊS TOTAL 8.727/93 94.96/97 Antes do Refinanciamento jun/13 75.570.845,0 14.285.049,4 89.855.894,4 Após o Refinanciamento ago/13 6.921.873,3 10.043.136,3 16.965.009,5 FOLGA - CAIXA 72.890.884,88 Fonte: SEPLAN. A redução dos desembolsos para a amortização da dívida no âmbito das leis 8.727/93 e 9.496/97 no curto prazo, mediante ao alongamento dos prazos de pagamentos proporcionado pela recomposição da dívida, Set/Nov-2013 Nota de Conjuntura Econômica do Maranhão possibilitará ao Estado do Maranhão recuperar sua capacidade de investimento, que é imprescindível para o seu desenvolvimento socioeconômico. Adicionalmente a este fato, constatou-se, mediante o cálculo do Valor Presente Líquido –VPL, que a contratação da operação da operação de crédito junto ao BofAML pelo governo do Estado apresenta um custo inferior aos das dívidas amparadas pelas Leis 8.727/93 e 9.496/97. Um comparativo entre os VPLs das dívidas junto à União e àquela angariada junto ao credor norte-americano revela que a dívida contraída em 2012 é menos onerosa em, aproximadamente, 31 milhões de reais, considerando-se constante a taxa de câmbio vigente quando da contratação do empréstimo. GOVERNO DO ESTADO DO MARANHÃO SECRETARIA DE ESTADO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO INSTITUTO MARANHENSE DE ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS E CARTOGRÁFICOS GOVERNADORA DO ESTADO DO MARANHÃO Roseana Sarney SECRETÁRIO DE ESTADO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO João Bernardo Bringel PRESIDENTE Fernando José Pinto Barreto DIRETOR DE ESTUDOS E PESQUISAS SadickNahuz Neto COORDENAÇÃO Felipe de Holanda ELABORAÇÃO Felipe de Holanda Talita Nascimento Daniele Amorim Vicente Anchieta WironBogea Jr. EDITORAÇÃO Talita Nascimento Instituo Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartografia – IMESC/SEPLAN 37