ENSINANDO NORMALIZAÇÃO A DISTÂNCIA:
relato de uma experiência com educação a distância na UFMG
Júnia Lessa França,1 Marialice Martins Barroca,2 Moema Brandão da Silva3
1
2
Bibliotecária da Faculdade de Letras da UFMG, Belo Horizonte, MG.
Bibliotecária da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, Belo Horizonte, MG.
3
Bibliotecária da Escola de Arquitetura da UFMG, Belo Horizonte, MG.
Resumo
Relato da prática do ensino de normalização bibliográfica a distância com o Curso de
Atualização em Normalização Bibliográfica (CANB), criado na UFMG em agosto de 2008
para ser ofertado semestralmente. O Curso, aberto à comunidade em geral, tem por objetivo
promover a atualização dos participantes em normalização bibliográfica, em conformidade
com as normas da ABNT, sobre documentação, através da modalidade da educação a
distância, que permite atender a grandes contingentes de alunos, às novas demandas por
ensino e treinamento ágil e eficiente, sem prejudicar suas atividades laborais. Apresenta-se
todas as etapas vivenciadas até se chegar ao modelo de curso pretendido, tais como,
software, definição da forma de comunicação e linguagem adequadas, formação da equipe,
treinamentos necessários e gestão administrativa e financeira. Inclui-se uma avaliação dos
resultados dos dois últimos dois anos.
Palavras-chave: Normalização bibliográfica. Educação a distância.
Abstract
Reported practice on teaching bibliographic standards at distance through the Update
Course on Bibliographic Standards (Curso de Atualização em Normalização Bibliográfica CANB) created at UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) in August 2008 to be
offered every semester. The course, open to the general community, aims to promote the
upgrade of students in bibliographic standards in accordance with the ABNT standards on
documentation, through the distance education mode, which lets meet large numbers of
students, the new demands for fast-responsive and efficient education and training, without
harming students professional activities. All the stages experienced until reaching the
desired course model are described, including the software, definition of the appropriate form
of communication and language, the staffing, the required training and the related
administrative and financial management. A review and evaluation results after the first two
years is included.
Keywords: Bibliographic standards. Distance education.
1 Introdução
A forma de oferecer educação a distância (EAD) não é nova. Sabe-se que há mais
de 160 anos os ingleses iniciaram a prática de enviar, via correspondência postal,
cursos nas mais diferentes áreas, seguidos pela Alemanha, e posteriormente, em
2
1874, surgiram as primeiras iniciativas nos Estados Unidos. Já em 1930, mais de
trinta universidades norte-americanas já ofereciam cursos a distância.
Na América Latina, apenas na década de 60, com a criação da Universidade Aberta
da Venezuela e a Universidade Estadual a Distância da Costa Rica, seguindo o
modelo inglês, tivemos notícias dessa nova modalidade de ensino.
No Brasil, considera-se o ano da fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro,
em 1923, como o início das primeiras experiências nessa área, com os programas
radiofônicos educativos. Mais tarde, em 1941, surge o Instituto Universal Brasileiro,
com uma proposta audaciosa e de sucesso, oferecendo formação profissional de
nível básico e médio.
Em 1946, o SENAC inicia suas atividades, criando, em 1950, a Universidade do Ar;
e seguem-se uma infinidade de novas iniciativas de cursos por correspondência,
passando pelo Projeto Minerva, rádio-educativo, em 1970, culminando com a criação
dos Telecursos de primeiro e segundo graus, em 1978 e 1981, respectivamente.
Com o avanço das tecnologias da informação, sobretudo com o surgimento da
Internet, o panorama da educação a distância no Brasil muda radicalmente. De
iniciativas antes voltadas quase que exclusivamente a uma parcela de trabalhadores
menos qualificados e de baixa renda, os projetos de educação a distância passaram
a contemplar níveis diferenciados, atingindo um público de nível superior, em busca
de formação nas mais diferentes áreas do conhecimento (BORGES, 2008).
Passando por erros e acertos, a educação a distância consolidou-se como uma
modalidade alternativa de aprendizagem.
2 A construção do CANB
O Curso de Atualização em Normalização Bibliográfica (CANB), na modalidade a
distância na UFMG, foi criado como extensão universitária, a partir da grande
demanda de alunos por cursos nessa área. Contando com o suporte do Centro de
Apoio à Educação a Distância (CAED/UFMG) e do Laboratório de Ciência da
Computação (LCC/UFMG), o curso foi sendo planejado. Num primeiro momento,
pensou-se em direcioná-lo exclusivamente para os profissionais com formação em
Biblioteconomia, mas, como a demanda externa foi grande, a partir do segundo
curso, foi aberto para o público em geral.
3
2.1 Objetivos
O objetivo geral do CANB é promover a atualização dos alunos em normalização
bibliográfica, em conformidade com as normas da ABNT, sobre documentação,
através da modalidade da educação a distância, sem encontros presenciais,
permitindo atender a grandes contingentes de alunos, às novas demandas por
ensino e treinamento ágil e eficiente, sem prejudicar suas atividades laborais.
2.2 Objetivos específicos
2.2.1 Apresentar as normas oficiais sobre documentação atualizadas e de forma
prática.
2.2.2 Capacitar o aluno na normalização bibliográfica e na orientação para
elaboração de todas as modalidades de trabalho científico.
2.2.3 Estimular o desenvolvimento profissional continuado na área de Ciência da
Informação.
2.2.4 Atender a uma clientela numerosa, oferecendo uma opção mais econômica
do que a de um curso tradicional.
2.2.5 Ampliar a oferta de cursos de atualização, criando oportunidades de
aprimoramento e valorização profissional.
2.3 Competências e habilidades
O conteúdo do CANB foi elaborado de maneira a desenvolver competências e
habilidades para:
a) atuar nos serviços de referência das bibliotecas, desenvolvendo estratégias
para a orientação dos alunos na elaboração de trabalhos acadêmicos;
b) desenvolver o autoaperfeiçoamento contínuo, criatividade e iniciativa, visando
a busca de soluções individuais e coletivas relacionadas com a normalização
de publicações técnico-científicas;
4
c) acompanhar as atualizações das normas oficiais sobre documentação, em
função das rápidas mudanças tecnológicas que geraram publicações em
novos formatos;
d) participar dos projetos da instituição onde atua e, em particular, na melhoria
do padrão da produção científica;
2.4 Definições necessárias
A criação do Curso contou com uma equipe multidisciplinar, para que a técnica fosse
incorporada aos instrumentos pedagógicos. Focamos em recursos humanos para as
funções de planejamento, implementação e gestão. Reunimos uma equipe
composta por bibliotecários com grande experiência prática em normalização
bibliográfica, analista de sistemas indicados pelo LCC/UFMG, com experiência em
Educação a Distância, e uma pedagoga, com doutorado na área de EAD.
Após o estudo dos diversos modelos de cursos em EAD, considerando todos os
aspectos envolvidos, optou-se pelo modelo de aprendizagem independente. Nesse
modelo os participantes podem fazer o curso, independentemente do local onde
estão, e não precisam se adequar a escalas fixas de horário. Não há “aulas” no
sentido convencional da palavra. Os participantes estudam de forma independente,
por meio do computador. O programa do Curso e os materiais de estudo são
disponibilizados para os alunos, bem como a designação de tutores, que os
acompanharão em todas as etapas do curso.
O conteúdo previamente gerado, para ser ministrado da forma convencional, passou
por adaptações para o novo suporte: a distância. Essa tarefa de adequação coube à
coordenação do Curso, com o suporte da pedagoga do CAED. Houve a necessidade
de adequar todo o conteúdo, considerando as peculiaridades da nova modalidade:
educação a distância. Passou-se a pensar, então, em aspectos relativos à forma de
comunicação mais adequada e à linguagem textual correta, delineando, assim, o
modelo de curso em EAD que se pretendia.
Definiu-se pela forma assíncrona de comunicação, em que a interação é
desconectada do tempo e do espaço. Nessa forma o aluno pode, a qualquer tempo,
respeitando o cronograma do curso, acessar o material didático com uma
interatividade descompromissada com o on-line. O aluno e os tutores se relacionam
5
na medida das suas disponibilidades, criando uma situação mais confortável em
relação às disponibilidades e necessidades do curso (SILVA, [2007]). O material é
disponibilizado para download, na plataforma do curso, e os alunos vão postando
suas dúvidas nos fóruns específicos, que são respondidas pelos tutores. A
comunicação assíncrona tem como características:
a) a flexibilidade para acessar o material didático em qualquer lugar e a
qualquer tempo;
b) tempo para reflexão sobre o material disponibilizado, para ter ideias e
preparar os retornos, além da possibilidade de acesso ao material quantas
vezes for necessário;
c) facilidade de estudo, que possibilita ao aluno estudar dentro da sua
disponibilidade de tempo, em casa ou no seu local de trabalho, interagindo
com os demais participantes, expondo seus pontos de vista ou dúvidas,
discutindo-as nos fóruns específicos de cada tema (BORGES, 2008).
Essa forma de comunicação compartilha com os alunos a responsabilidade da
administração do tempo, estimulando-o no cumprimento das atividades propostas no
curso, como também na necessidade de se ter disciplina para estudar cada tópico
disponibilizado, dentro do cronograma, mantendo-se uma agenda bem equacionada.
A linguagem adequada para essa modalidade de curso é a dialógica, que tem por
princípio o uso de frases curtas, evitando-se o excesso de informações numa
mesma sentença. A construção do texto precisa ser a mais próxima possível de
como se fala. É preciso também que se tenha cuidado na apresentação dos
exemplos – que sejam familiares ao público-alvo. Jargões e palavras pouco
conhecidas devem ser evitados ao máximo. Os termos técnicos, por outro lado,
devem ser usados somente quando muito conhecidos dos participantes. Segundo
Piva Jr. et al. (2009), nos cursos a distância faz-se necessário falar a “língua” dos
aprendizes e “quanto mais próximo da realidade do aprendiz estiver o texto, maior
será a sensibilização e consequentemente, maior a possibilidade de assimilação de
tal conteúdo”. Pretendia-se criar um curso com toda a técnica, orientação
pedagógica e recursos disponíveis, mas com um diferencial do que até então
conhecíamos dos cursos a distância. No CANB fazemos questão de manter um
6
contato permanente com os alunos, de forma que possam sentir a nossa presença,
mesmo que a distância.
2.5 Decisão pela utilização do software Moodle
O CANB foi planejado usando-se o software Modular Object-Oriented Dynamic
Learning Environment (Moodle). Em linguagem coloquial, o verbo To moodle
descreve o processo de navegar despretensiosamente por algo, enquanto fazem-se
outras coisas ao mesmo tempo. Esse programa, criado pelo educador e cientista
computacional
Martin
Dougiamas,
em
2001,
com
base
na
pedagogia
socioconstrutivista, apresenta uma proposta bastante diferenciada: aprender em
colaboração no ambiente on-line (TEODORO; ROCHA, [2008]). A decisão por esse
software foi devido à eficácia, simplicidade e pela possibilidade de ser instalado em
diversos ambientes, tais como: Windows, Linux, Unix etc.; além de contar com um
grupo de desenvolvimento ativo, que, em colaboração com os usuários, adaptam
essa plataforma para diferentes necessidades. Além das razões citadas, acrescentase a gratuidade de sua utilização, sob licença da General Public License - (GNUGP).1 As ferramentas do Moodle fazem dele um dos melhores programas para o
ensino a distância na atualidade, apesar de apresentar algumas limitações quanto à
formatação do texto. Como a normalização bibliográfica exige a aplicação de regras
que possibilitem uma perfeita apresentação gráfica, a solução adotada pelo curso foi
a disponibilização do texto dos tópicos em PDF, além do texto para ser lido na tela.
Por que o Moodle e não outra plataforma? Por ser um sistema traduzido para mais
de cinquenta idiomas e por ser utilizado por um número elevado de pessoas, o
Moodle tornou-se de grande confiabilidade, de tal forma que, mesmo quando ocorre
algum problema, normalmente ele já foi reportado por algum usuário e corrigido. Em
um sistema com poucos usuários, é natural que a maior parte das funcionalidades
não estejam bem testadas, levando a que os utilizadores possam encontrar
problemas e percam tempo.
1
GPL (Licença Pública Geral), é a designação da licença para software livre idealizada por Richard Stallman no
final da década de 1980, no âmbito do projeto GNU da Free Software Foundation (FSF).
7
2.6 Ambiente virtual
A UFMG, bem como as demais universidades federais no Brasil, é participante do
ambiente virtual colaborativo, desenvolvido pela Secretaria de Educação a Distância
(SEED),2 do Ministério da Educação - MEC. Assim, todos os cursos a distância
oferecidos pelas instituições cadastradas, como é o caso do CANB, passam a ter o
direito de serem instalados nesse ambiente.
2.7 Definindo o papel de cada um
O curso é ministrado por bibliotecários da UFMG, sendo uma coordenadora e duas
tutoras, com as seguintes funções:
a) a coordenadora é ao mesmo tempo autora do conteúdo programático,
orientadora do processo de aprendizagem e responsável pelas estratégias
para o bom andamento do curso;
b) as tutoras se responsabilizam pela dinâmica do Curso. Compete a elas:
- esclarecer dúvidas dos alunos através dos fóruns de discussão,
- acompanhar o desenvolvimento da turma, dar andamento e retroalimentar
os alunos com as informações necessárias,
- avaliar a adequação do material didático, visando possíveis alterações,
- cuidar para que os participantes estejam focados no tema abordado no
tópico em estudo, e não se percam nas discussões nos fóruns,
- promover uma aprendizagem colaborativa e interativa, incentivando a
construção conjunta do conhecimento,
- selecionar material de apoio e sustentação teórica aos conteúdos,
- estar à disposição dos alunos, pela Internet, em dias e horários previamente
estabelecidos;
A UFMG proporciona à equipe o seguinte suporte: a) pedagógico: uma profissional
doutoranda em Ensino a Distância foi destacada para dar suporte no processo de
2
Cf. <http://eproinfo.mec.gov.br/fra_eProinfo.php?opcao=7>.
8
ensino-aprendizagem; b) informática: ficou a cargo do LCC/UFMG, que indicou um
especialista com amplo conhecimento da aplicação do Moodle, com a função de
solucionar qualquer tipo de dificuldade de utilização da plataforma.
2.8 Gerenciamento
A gestão administrativa e financeira do Curso foi delegada à Fundação de
Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), que, além da experiência em apoiar a
extensão universitária na UFMG, com ferramentas de suporte especializadas,
abrange todas as fases de realização das atividades do Curso, desde as inscrições,
atendimento aos participantes, callcenter, pagamentos, cobranças e toda a gestão
financeira. Essa foi uma decisão acertada, pois sem a preocupação com atividades
burocráticas, a coordenação do Curso pode se concentrar no desenvolvimento e na
avaliação do Curso, minimizando custos e evitando investimentos em estruturas
temporárias.
3 Metodologia
A elaboração de um trabalho técnico-científico requer o conhecimento de um
conjunto de normas técnicas; por essa razão o Curso é estruturado de forma que
o aluno tenha inicialmente o conhecimento dos diversos tipos de publicações e,
posteriormente, vá seguindo um conjunto de passos que vão se somando, na
sequência dos tópicos, até adquirir o conhecimento de todas as etapas
necessárias. Inicia-se pelos tópicos do Módulo I, depois os do Módulo II, e assim
sucessivamente, até completar o Tópico 20. Existem dois modos de acessar o
conteúdo do Curso: on-line (conectado à Internet) ou off-line (fazendo download
dos textos).
3.1 Capacitação da equipe
A proposta do Curso previu a formação inicial e continuada dos tutores, para
promover a necessária e contínua interação entre eles, alunos e coordenador. A
seleção dos tutores teve como quesito principal o domínio do conteúdo, condição
essencial para o exercício da função. Além dessa exigência, observou-se também o
9
dinamismo, visão crítica e global, capacidade para estimular e motivar os
estudantes, habilidade com as novas tecnologias de comunicação e informação e
conhecimento dos fundamentos da EAD. Toda a equipe, incluindo a pedagoga,
participou de um treinamento detalhado no LCC/UFMG, para um primeiro contato
com a ferramenta de gerenciamento de aprendizagem utilizada no ensino a distância
na UFMG, o Moodle. Esse treinamento inicial propiciou à equipe uma noção ampla
de todos os recursos e da configuração inicial do software. O Moodle apresenta
espaços bem definidos, em forma de colunas, a saber:
a) cabeçalho: espaço destinado ao nome do Curso;
b) coluna central, cujo conteúdo é criado pelo professor. Essa coluna apresenta
blocos temáticos destinados à programação do Curso;
c) coluna da esquerda: traz os módulos para que os alunos e professores
acompanhem as atividades do curso.
d) coluna da direita: apresenta um buscador que facilita a procura de algum
conteúdo nos fóruns e um outro link leva à relação de participantes. Há
também um espaço onde são relacionados os usuários que estão on-line e
um calendário que marca os eventos do curso.
e) um espaço exclusivo do professor vem através de um link que permite editar
o conteúdo, alterar módulos, aparência da página inicial, mostrar as
configurações escolhidas para o formato do curso, as funções dos membros
da equipe, enfim, apresenta os recursos destinados exclusivamente ao
administrador do Curso.
3.2 Estrutura do CANB
O CANB tem estrutura modular, sendo composto por dois módulos. O primeiro, com
sete tópicos, aborda os diversos tipos de trabalhos técnico-científicos; o segundo,
com 13, inclui as recomendações aplicáveis a todos os tipos. O tempo disponível
para fazer o curso é de 150 dias ou 21 semanas, perfazendo um total equivalente a
182 horas/aula presenciais. São oferecidos dois cursos por ano, com cem vagas
cada um, com início em fevereiro e agosto, respectivamente. Nos cinco meses de
duração do Curso, o aluno determina o seu próprio ritmo de estudo. No entanto,
sugerimos que ele se autodiscipline, dedicando em média 1 h 15 minutos por dia.
10
Nos cursos a distância o estudante tem autonomia; mas é preciso também ter
disciplina. Para ajudá-lo em seu planejamento, apresentamos um cronograma com a
distribuição do tempo que deverá ser dedicado a cada tópico.
3.3 Material didático
Ao se inscrever no Curso o aluno recebe, via e-mail, seu login e senha, bem como
um tutorial com as orientações gerais sobre o curso, o suporte técnico e pedagógico
com que ele poderá contar, as ferramentas que deverá utilizar, tempo ideal de
estudo diário, o material didático, enfim, todos os aspectos fundamentais acerca do
processo a ser vivenciado por ele. O CANB disponibiliza todo o conteúdo dos
tópicos, para que o aluno vá formando a sua apostila, à medida que for estudando
cada tema. Esse conteúdo é apresentado separadamente, em cada tópico, em
arquivo PDF. Pode-se também formar um Caderno dos exercícios corrigidos.
3.4 Perfil dos participantes
A grande maioria dos participantes tem formação em Biblioteconomia, porém há
também pessoas com outras formações, mas que estão envolvidas indiretamente
com a normalização de publicações. Uma característica comum tem sido observada
entre os participantes, que é o de uma pessoa estimulada para o autoaprendizado.
Alguns participantes declaram estar tendo uma primeira experiência com educação a
distância e se dizem surpresos com as possibilidades que essa modalidade pode
lhes proporcionar. Há entre eles um número significativo de pessoas que
apresentam certas dificuldades com o computador, mas que em pouco tempo, com o
apoio mais próximo dos tutores, são superadas, e o aluno perde a ansiedade inicial
e se sente seguro para continuar. O aluno que busca a educação a distância
normalmente já trabalha na sua área de formação, tem pouco tempo para a sua
capacitação profissional, mas tem consciência da importância da reciclagem
permanente. Segundo Coelho (2001, p. 7)
um dos grandes empecilhos para o acompanhamento dos cursos a
distancia é a falta da tradicional relação face a face entre professor e
alunos; a inabilidade em lidar com as novas tecnologias cria dificuldades
em acompanhar as atividades propostas pelos cursos a distancia; a
ausência de reciprocidade da comunicação, inviabilizando a interatividade,
11
contribui para o alto índice de evasão; e a falta de um agrupamento de
pessoas numa instituição física faz com que o aluno de EAD não se sinta
incluído num sistema educacional.
4 Avaliação e monitoramento do aluno
As discussões nos fóruns e as atividades propostas em cada tópico são
permanentemente acompanhadas, avaliadas e retornadas aos alunos pelos tutores.
A plataforma utilizada permite o acompanhamento de todas as ações a distância que
o estudante realiza dentro do ambiente Moodle.
Apesar de cada tópico ser seguido por um exercício para fixação de conceitos,
essas atividades não têm caráter avaliativo. O desempenho do aluno é medido pelas
suas ações ao longo de todo o processo de ensino/aprendizagem, no qual ele
demonstra sua autonomia, postura crítica e ética, sua potencialidade intelectual e
criatividade na solução das dificuldades que se apresentarem.
5 Resultados e conclusões
Após dois anos e 4 cursos já ministrados, com uma média de 90 alunos por turma,
com um índice de desistência de 1,1%, o que representa 4 alunos, tornou-se
possível algumas conclusões, em função dos resultados:
a) o sucesso de um curso a distância depende de dois pilares principais: a
qualidade do conteúdo e a interatividade entre o produtor do conteúdo,
tutores e participantes;
b) a equipe não pode perder de vista que o aluno é o centro do processo
educacional e que o foco é a construção conjunta do conhecimento;
c) a idéia de compartilhamento no contexto virtual é essencial para se criar
verdadeiramente uma comunidade de aprendizagem, em que as trocas de
experiências e reflexões entre os participantes, incluindo os que estão
ensinando, fortalecem o trabalho colaborativo e coloca todos num mesmo
patamar, o de aprendizes;
d) é fundamental que os tutores mantenham, nos fóruns de discussão, atitudes
que demonstrem respeito, reciprocidade e confiança aos participantes;
12
e) os tutores têm um papel fundamental no processo de aprendizagem, pois
essa modalidade de ensino vai muito além da transmissão de conhecimento;
é preciso que o processo seja participativo e que o aluno se sinta estimulado
a participar e contribuir com o seu conhecimento e experiência;
f) pode-se concluir que na EAD o sucesso do aluno depende, em grande parte,
da motivação que ele tem para estudar e de suas condições de estudo;
g) o material didático deve ser permanentemente avaliado, tanto do ponto de
vista do conteúdo, quanto da forma como é disponibilizado;
h) a plataforma do curso deve ser acessível e agradável, considerando que há
variações no nível de conhecimento da informática, por parte dos alunos;
i) o curso deve desenvolver habilidades e competências específicas e atender
às expectativas do público-alvo.
6 Referências
BORGES, M. R. Coqueiro. Introdução aos estudos de EAD. In: ESCOLA SUPERIOR
ABERTA DO BRASIL. Curso de docência em educação a distância. Vila Velha, ES: ESAB,
2008. Módulo 3, 184 p.
COELHO, Maria de Lourdes. A formação continuada de professores universitários em
ambientes virtuais de aprendizagem: evasão e permanência. 2001. 191 f. Dissertação
(Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais,
Belo Horizonte, 2001.
PIVA JR., Dilermando; FREITAS, Ricardo Luis; MISKULIN, Rosana G. S. Linguagem
dialógica instrucional: a (re) construção da linguagem para cursos online. Disponível
em: <http:// www.slideshare.net/webradioabed/ppt-linguagem-dialgica-instrucional>.
Acesso em: 14 mar. 2010.
SILVA, R. P. Uso das ferramentas síncronas e assíncronas nos cursos a distância.
Campinas: Unicamp, Centro de Computação, [2007]. Disponível em: <http://www.ccuec.
unicamp.br >. Acesso em: 10 jan. 2010.
TEODORO, George L. M.; ROCHA, Leonardo C. D. Moodle: introdução à ferramenta de
aprendizagem utilizada no ensino a distância da UFMG. Belo Horizonte: Centro de Apoio à
Educação a Distância da UFMG, [2008]. 72 p.
Download

ensinando normalização a distância