Jornal da Força
A força do
trabalhador
Paranaense
Informativo da Força Sindical do Paraná
Março de 2012 - Ano 10 - Tiragem: 30 mil exemplares
CONQUISTA!
Motoristas e cobradores de
Curitiba e Região conquistam
10,5% de aumento
Em uma mobilização histórica, categoria parou em greve durante dois dias.
Como resultado, trabalhadores conquistaram o maior acordo dos últimos 17 anos
Atraso: Ponta
Grossa tem o piso
salarial mais baixo
do Paraná
Pg 2
Pg 3
1º de Maio 2012
da Força PR pode ser
realizado em São José
dos Pinhais
Pg 5
Força e demais
centrais
definem
calendário de
lutas para 2012
Força PR se
preparar para
Conferência
Nacional do
Trabalho Decente
Desindustrialização:
exagero ou realidade?
Pg 5
Pg 4
Pg 5
Metalúrgicos de
Curitiba, Londrina
e Maringá fecham
convenção com
10,30% de aumento
Pg 7
Emenda
isenta
trabalhadores
de pagar IR
sobre abonos
e PLR
Pg 8
2
março de 2012 - Ano 10
Opinião
ilha do atraso
2012: ano de grandes
desafios para os
trabalhadores
P
ressionar o governo para que
tome medidas imediatas contra
o fantasma da desindustrialização, reduzir a jornada de trabalho
para 40 horas semanais, acabar com
o fator previdenciário que há anos
confisca as aposentadorias, mudar a
atual política econômica, reduzindo
cada vez mais os juros e fortalecendo
o mercado interno. Essas são as
principais bandeiras de luta da classe
trabalhadora em 2012 defendida em
reunião das centrais sindicais. Será
um ano intenso, com muitas dificuldades e desafios, principalmente pela
crise de endividamento dos Estados
Unidos e Europa, que pode acabar
respingando no Brasil.
Para combater os possíveis efeitos
dessa crise, é importante que as
medidas acima sejam implantadas
imediatamente. Vamos seguir pressionando deputados e senadores para
que coloquem em votação os projetos
de interesse dos trabalhadores que
estão emperrados no Congresso
Nacional. O projeto das 40 horas,
por exemplo, se aprovado vai gerar
milhões de novos empregos por
todo o país, segundo o Dieese. Mais
gente empregada significa mais
gente comprando, movimentando o
comércio. Segundo economistas, esse
é um dos grandes trunfos que temos
para combater a crise.
Vamos cobrar também medidas
efetivas do governo federal. Apesar
das últimas baixas na Selic, o Brasil
não pode continuar sendo um país
com uma das maiores taxas de juros
do mundo. Quer dizer, o Banco
Central tem acertado no remédio,
mas errado na dose. Juros altos
sufocam o crescimento e prejudicam
a economia. Isso precisa mudar já!
Portanto, companheiros, os desafios estão aí. Cabe a nós nos unirmos
e enfrentá-los com muita garra e
mobilização. Dessa maneira, vamos
chegar ao final de 2012 com motivos
para comemorar.
Presidente
da Força
Sindical
do Paraná
E
studos da Federação dos Metalúrgicos do Paraná (Fetim),
com dados do Dieese, revelam
que a cidade de Ponta Grossa tem os
piores pisos salariais e salários de
ingresso da categoria metalúrgica no
Paraná. No segmento da reparação
de veículos, que faz parte da área
metalúrgica, com data-base em
setembro, o salário inicial é de R$
675. Em Curitiba, um funcionário
que atua no mesmo ramo, começa
ganhando entre R$ 950 e R$ 1050.
A situação se torna ainda mais
desigual para o metalúrgico pon-
tagrossense quando a comparação
é feita com funcionários das montadoras de São José dos Pinhais,
Renault e Volkswagen. Lá, o piso de
ingresso é de R$ 1.700. Quase R$
1.000 a mais.
Também há diferenças no setor
de metalurgia (data-base em 1º
de dezembro) em relação a outras
cidades do Paraná. Em Londrina, por
exemplo, o piso salarial foi fixado
em R$ 910,80. Em Maringá, nenhum
trabalhador metalúrgico começa
ganhando menos que R$ 890. Em
Curitiba, o piso é de R$ 1.049,40.
Na Hubner, dois pesos e duas
medidas
Na indústria Hubner, que tem
fábricas em Ponta Grossa e em
Curitiba, as discrepâncias ficam
evidentes. Na capital, o trabalhador
tem salário inicial de R$ 1.150. Já em
Ponta Grossa, o salário de ingresso é
de R$ 800. Ou seja, empresas iguais,
salários diferentes. Por que?
Precarização também no
setor da alimentação
Não é só no setor metalúrgico que
Ponta Grossa e região vivem na “ilha do
Valor é abaixo da média,
mostra pesquisa
atraso”. No segmento da alimentação,
a situação também é degradante. Com
um irrisório piso salarial de R$ 760,
valor inferior até ao salário mínimo
regional, e más condições de trabalho,
a insatisfação toma conta dos trabalhadores. Nas eleições do Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias de
Laticínios, Carnes e Congelados, Rações
e Derivados de Castro e Carambeí (Sintac), ocorrida recentemente, a categoria
montou uma chapa de oposição para
tentar mudar essa realidade. Preocupa-
EXPEDIENTE
Ilha do atraso
Jornal da Força Sindical do Paraná
Sérgio Butka - Presidente
JORNALISTA RESPONSÁVEL:
GLÁUCIO DIAS - REGISTRO PROFISSIONAL
MTE 04783 - PR
Textos:
Guilherme ochika
Setor de reparação de veículos do município tem “salário” inicial de R$ 675.
Em Curitiba, trabalhador do mesmo segmento começa ganhando R$ 950
Dados de pesquisa do Sebrae
divulgada recentemente mostram que
o salário inicial pago aos metalúrgicos
da reparação de veículos de Ponta
Grossa estão bem abaixo da média
de outros segmentos econômicos no
Paraná. Na construção civil, a média
salarial é de R$ 1.151. No comércio, R$
1.059. Já no ramo da indústria, o salário médio é de R$ 1.131.
Sérgio
Butka
Diagramação e
projeto gráfico:
Adailton de Oliveira
Ponta Grossa tem o piso salarial mais
baixo do setor metalúrgico do Paraná
Edição:
41 3014-7700
Para o presidente da Força Sindical do Paraná, Sérgio Butka, a
precarização salarial do setor metalúrgico em Ponta Grossa comprova
que o município virou uma verdadeira “ilha do atraso”. “Enquanto em
Curitiba crescem cada vez mais os salários dos metalúrgicos, Ponta
Grossa parou no tempo. É só comparar os pisos salariais das duas
cidades. Mesmo na comparação com Irati e outras regiões do Paraná,
é fácil verificar que Ponta Grossa está virando uma ilha do atraso e
da precarização do trabalho, tendo inclusive denúncias de trabalho
escravo”, critica o líder sindical
da em sua estabilidade empregatícia e
financeira, a chapa de situação apoiada
pela CUT impediu os trabalhadores de
participarem da eleição. A “turma”
chegou ao cúmulo de ir até a casa de
um componente da chapa de oposição
e ameaçar ele e sua família. E mais:
levaram o trabalhador até o cartório
e o obrigaram a assinar a desistência
da chapa. O caso foi relatado depois
pelo trabalhador em um boletim de
ocorrência policial. Vergonhoso.
3
março de 2012 - Ano 10
Mobilização
Após greve, motoristas e cobradores conquistam 10,5%
de aumento e reajuste de 95% no vale-mercado
Trabalhadores deram exemplo de mobilização e luta. Segundo o Dieese,
esse foi o maior acordo da categoria nos últimos 17 anos
Sindimoc lança novo site
A
pós uma mobilização histórica, que parou o transporte
coletivo de Curitiba e Região Metropolitana durante
dois dias, os motoristas e cobradores de ônibus
conquistaram um importante avanço. Indignados com a proposta de data-base oferecida pelos patrões, de apenas 7% de
aumento, os trabalhadores decretaram greve em assembléia
no dia 13 de fevereiro. Depois de dois dias de muita luta,
veio a conquista: 10,5% de aumento (4,6% aumento real,
além da reposição de 100% da inflação), reajuste de 95%
no vale-mercado, passando dos atuais R$ 105 para R$ 200,
além de um abono de R$ 300 a ser pago no próximo mês de
junho. O piso salarial dos motoristas subiu de R$ 1.359 para
R$ 1.501 e dos cobradores de R$ 770 para R$ 851.
Segundo o Dieese, esse foi o maior acordo conquistado
pela categoria nos últimos 17 anos. O presidente do Sindimoc
(Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba
e Região Metropolitana), Anderson Teixeira, afirmou que o
acordo conquistado representa uma diminuição na defasagem
salarial do segmento, de 40% acumulada nos últimos 20 anos,
quando a categoria não tinha uma representação sindical
forte. “Com os valores obtidos nas negociações, conseguimos
um aumento total de 20%, levando em conta o piso, vale
alimentação e abono. Nas próximas negociações pretendemos
reduzir ainda mais essa defasagem”, comenta o líder sindical.
A nova diretoria do Sindimoc
comandada pelo presidente Anderson Teixeira segue reestruturando a entidade. E a reformulação
passa também pela área digital. Já
está no ar o novo site do Sindimoc.
Moderno e interativo, o portal permite que o trabalhador se associe
via internet, faça denúncias sobre
problemas no local de trabalho
e participe comentando e compartilhando notícias da categoria
nas redes sociais. “O site é uma
ferramenta sintonizada com os
novos tempos da categoria e do
seu Sindicato“, comenta o presidente Anderson Teixeira. Acesse já
e confira: www.sindimoc.com.br.
Categoria foi para a luta. Greve rendeu conquista histórica.
No detalhe, dirigentes da Força PR apoiando o movimento
Aumento real foi o maior conquistado pela categoria desde 1998
Confira no gráfico o índice de aumento real do setor de 1998 até 2012. Avanço é histórico!
3,31%
4,6%
4,6%
Cobradores
Motoristas
Cobradores
2012
3,31%
0,20%
Cobradores
2011
Motoristas
0,20%
Motoristas
0,68%
Cobradores
0,15%
0,63%
Motoristas
Cobradores
0,20%
Cobradores
2010
0,06%
0,09%
Motoristas
2009
Motoristas
0,41%
2008
Cobradores
2007
0,17%
2,22%
Cobradores
2006
Motoristas
2,27%
0,31%
Cobradores
2005
Motoristas
0,14%
2004
Motoristas
Cobradores
-7,54%*
Motoristas
2003
-4,86%*
0,78%
0,42%
Cobradores
Cobradores
0,53%
Motoristas
1,17%
Cobradores
-0,23%*
2002
Motoristas
Motoristas
2001
-0,15%*
2000
Cobradores
-2,73%*
0,50%
0,01%
Cobradores
1999
Motoristas
0,01%
Motoristas
1998
*Ano em que o reajuste foi menor que a inflação. Ao invés de aumento real, trabalhadores tiveram “perda real”
Aumento real conquistado
esse ano supera o de outras
capitais. Confira*:
Nome da Capital
Aumento
acima da
inflação
Curitiba-PR
4,6%
São Paulo-SP
1,57%
Rio de Janeiro-RJ
3,42%
Porto Alegre-RS
1,68%
Belo Horizonte-MG
1,38%
Salvador-BA
1,60%
*Últimos acordos - Fonte: Dieese
Apoiada pela Força PR, atual diretoria do Sindimoc
interrompeu um ciclo de 20 anos de atraso na categoria
Em outubro de 2010, motoristas e cobradores e Curitiba e Região decidiram dar um basta e interromperam
um ciclo de mais de 20 anos de atraso na categoria.
Apoiada pela Força Sindical do Paraná, a chapa de
oposição “Zico”, capitaneada pelo presidente Anderson
Teixeira, derrotou a chapa de situação do ex-presidente
Denilson Pires. E foi de goleada: 1.194 votos contra
512. A vitória com 69% na eleição do Sindimoc mostrou
a vontade do trabalhador de mudança nos rumos da
entidade, que há mais de duas décadas servia apenas
para satisfazer os interesses dos dirigentes, enquanto
o trabalhador penava com más condições de trabalho
e reajustes que muitas vezes nem cobriam a inflação.
A mudança deu resultado. Em apenas dois anos de
gestão, os avanços já estão ocorrendo. Valeu a luta!
O presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira,
cumprimenta o presidente da Força PR, Sérgio Butka
4
março de 2012 - Ano 10
Evento
Força Sindical do Paraná se mobiliza para a
1ª Conferência Nacional do Trabalho Decente
Central e seus sindicatos filiados elaboraram uma série de propostas que serão
discutidas no evento que ocorre em maio, em Brasília
Presidente da Força Sindical do Paraná, Sérgio Butka defende a implantação da agenda do trabalho decente no país
N
o próximo dia 4 de maio
de 2012, representantes da
classe trabalhadora, empresariado e governo, se reunirão em
Brasília para um dos eventos mais
importantes do ano: a 1ª Conferência Nacional do Emprego e Trabalho
Decente. Na ocasião, será definida
uma política para a implantação
efetiva do trabalho decente no
Brasil, que é aquele exercido em
condições de liberdade, igualdade e
segurança, com remuneração digna
para todos aqueles que vivem do
trabalho.
Durante todo o ano de 2011,
foram realizados diversos eventos
preparatórios, conferência macrorregionais e estaduais, para a
discussão e elaboração de propostas
para serem levadas à conferência nacional. No Paraná, a Força
Sindical e seus sindicatos filiados
participaram ativamente das dis-
Conferência Estadual define propostas
do Paraná para evento nacional
A
pós uma série de conferências
macrorregionais realizadas
por todo o estado durante
o ano passado, Curitiba sediou nos
dias 25 e 26 de novembro de 2011 a
1ª Conferência Estadual do Emprego
e Trabalho Decente. Mais de 500
pessoas participaram do evento na
Universidade Positivo. Representantes dos trabalhadores, empresários
e poder público fizeram debates
quentes, baseados em quatro eixos
temáticos: princípios e direitos, proteção social, trabalho e emprego e o
fortalecimento dos atores tripartites
no diálogo social. No final, a plenária
aprovou mais de 200 propostas da
bancada do Paraná que serão levadas
à conferência nacional, no próximo
mês de maio.
Confira as principais:
-Aprovação da PEC 30/2007, que
estende a licença maternidade para
6 meses, inclusive para as trabalhadoras micro-empresárias;
-Estabilidade dos dirigentes no
exercício da atividade sindical e rein-
cussões. “Demos o primeiro passo.
Os debates foram calorosos, mas
o diálogo democrático e tripartite
com certeza nos levou a elaborar
boas propostas para a construção de
uma sociedade mais justa”, afirma
o presidente da Força PR, Sérgio
Butka.
O que é o
trabalho
decente?
Segundo a Organização
Internacional do Trabalho
(OIT), trabalho decente é
“um trabalho produtivo e
adequadamente remunerado, exercido em condições
de liberdade, igualdade e
segurança, sem qualquer
forma de discriminação, e
capaz de garantir vida digna
Mais de 500 pessoas participaram da Conferência Estadual
tegração dos dirigentes demitidos;
-Implantação do contrato coletivo nacional de trabalho por
categoria econômica;
-Que o poder público respeite o
piso regional de todas as categorias;
-Fortalecimento e incentivo para
criação das comissões municipais de
combate ao trabalho infantil;
-Modernização da legislação tributária, com redução dos impostos
incidentes sobre a folha de salários;
-Redução da jornada de trabalho
para 40 horas semanais, com aprovação da PEC 231/95;
-Redução da taxa Selic de juros;
-Criação de fóruns regionais e
câmaras temáticas nos conselhos
municipais de emprego e relações
do trabalho;
-Implantação obrigatória de programas de gestão à saúde, segurança
no trabalho e meio ambiente pelas
empresas;
Confira as propostas na íntegra
no site www.fsindical.com.br
a todas as pessoas que vivem
do trabalho”. A Agenda do
Trabalho Decente é norteada
por quatro eixos principais:
liberdade de associação e
organização sindical, eliminação de todas as formas de
trabalho forçado ou obrigatório, abolição efetiva do trabalho infantil e eliminação
da discriminação em matéria
de emprego e ocupação.
5
março de 2012 - Ano 10
Enquanto problemas como juros altos
e estrutura precária não são resolvidos,
indústria brasileira anda para trás
Debate
Desindustrialização:
exagero ou realidade?
Economistas têm opiniões divergentes se o Brasil passa ou não
por um processo de desindustrialização
E
stá pegando fogo no país o
debate se o Brasil está passando
ou não por um processo de
desindustrialização. As opiniões
dos especialistas e economistas são
divergentes. Para o economista e
secretário nacional de economia solidária do Ministério do Trabalho, Paul
Singer, falar que o país está passando
por um processo de desindustrialização é exagero, já que nossa economia
encontra-se em patamar razoável de
crescimento. “A indústria no Brasil
não está estagnada, isso seria uma
ilusão. Os EUA se desindustrializaram
porque transferiram grande parte de
sua indústria para a Ásia, onde os
salários são mais baixos. Não que ela
tenha sumido, apenas se deslocou
geograficamente. Já a industria
brasileira, que eu saiba, não está
indo para Ásia, pode ter um caso ou
outro’, diz Singer. “A industria no
Brasil não esta estagnada, é só pegar
os números de produção recorde de
veículos do ano passado”, conclui.
Já para o professor e doutor em
economia Paulo Kliass, o país está
sim rumo a desindustrialização. Para
ele são muitas a evidências de que os
investidores estão preferindo atualmente construir fabricas no exterior
para depois importar os produtos já
prontos para o Brasil. Como exemplo,
cita a Companhia Vale do Rio Doce,
‘que exporta minério de ferro bruto
extraído do nosso subsolo e importa
os produtos já prontos para seu uso,
como trilhos e máquinas, geralmente
da China’, diz. Ele dá outro exemplo:
“Ano passado, o Brasil mais importou
do que exportou café moído, ou seja
continuamos com a velha e burra
política de vender mais barato café
em grãos e comprar mais caro café
moído. Uma loucura. Isso significa
redução de investimentos em novas
plantas industriais aqui e a conseqüente geração de renda e emprego
lá fora”, conclui.
Situação no
Paraná é estável,
afirma Dieese
No Paraná, o processo
de desindustrialização
não está ocorrendo. A
afirmação é do economista do Dieese,
Juros altos e carga tributária
excessiva são consenso
Cid Cordeiro (foto).
Mesmo com opiniões contrárias
acerca da desindustrialização ou não
no país, as duas partes concordam
em uma coisa: a indústria no país sofre com alta taxa de juros, a excessiva
carga tributária, o excesso de burocracia e com a falta de infraestrutura,
como portos, estradas e aeroportos.
Para os dois professores, somente
quando esses problemas forem, pelo
menos em parte solucionados, é que
país poderá dar um grande salto rumo ao desenvolvimento econômico.
órgão, a indústria
Segundo dados do
local se mantém estável há 12 anos,
em um bom patamar. “O Paraná
está com uma situação mais estável
da industrialização. A participação
da indústria no PIB do estado
continua estável desde 2000, em
um patamar de 18%. Diferente do
Brasil, no Paraná não houve uma
queda acentuada na participação
da indústria no valor adicionado no
estado”, afirma.
Dia do trabalhador
1º de Maio Solidário 2012
poderá ser realizado
em São José dos Pinhais
Parque de São José dos Pinhais pode receber o 1º de Maio Solidário da Força PR em 2012
Força adianta preparativos para a 11ª edição do maior evento de trabalhadores do Paraná
O
maior evento voltado à classe
trabalhadora do Paraná terá
novo endereço em 2012. A 11ª
edição do 1º de Maio Solidário da
Força Sindical PR poderá ser realizado
no Parque Municipal de São José
dos Pinhais, próximo ao portal de
entrada da cidade. De 2007 até o
ano passado, o 1º de Maio ocorreu
na Praça Nossa Senhora de Salete, em
frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba.
O local mudou, mas o objetivo
continua o mesmo: chamar a atenção
da sociedade para as principais bandeiras de luta da classe trabalhadora,
entre elas a redução da jornada de
trabalho para 40 horas semanais, o
fim do fator previdenciário, a redução
da taxa de juros, além de melhores
salários e condições de trabalho. O
lado social também permanece: os
alimentos arrecadados serão doados
a instituições beneficentes. Só ano
passado, foram mais de 40 toneladas
arrecadadas. A diversão estará garantida com shows musicais, sorteio de
prêmios, brinquedos para as crianças
e praça de alimentação.
Em breve, a Força divulgará a
programação completa do evento em
seu jornal e no site www.fsindical.
com.br. Fique ligado!
Qualificação
Força define calendário 2012 do Ciclo de Capacitação para Dirigentes Sindicais
D
irigente sindical qualificado significa trabalhador bem representado.
Com este princípio, a Força Sindical do
Paraná dará seqüência em 2012 ao
Ciclo de Capacitação para Dirigentes
Sindicais. Em 2011, o curso voltado
a lideranças de sindicatos filiados à
central teve três módulos, abrangendo
temas como cidadania, desafios da
ação sindical e liderança. Já esse ano,
serão realizadas quatro etapas, começando já no próximo mês de março, no
Centro de Formação e Qualificação dos
Metalúrgicos do Paraná (Formar), em
Guaraqueçaba. Os cursos são elaborados com o apoio do Dieese.
Confira o cronograma do Ciclo para 2012:
Data
tema:
9 a 11 maio
trabalho: sindicato e sociedade
27 a 29 de junho
produtividade
22 a 24 de agosto
cadeias produtivas e organização
sindical
6
março de 2012 - Ano 10
Classe trabalhadora
define calendário
de lutas para 2012
Mobilização
Mudanças na política econômica com redução dos juros e valorização
do mercado interno -, redução da
jornada para 40 horas e fim do fator
previdenciário são os principais pontos da
agenda dos trabalhadores
2012 será um ano intenso para
a classe trabalhadora. A crise de
endividamento em que se meteram
os Estados Unidos e alguns países
europeus pode acabar respingando
no Brasil. A classe trabalhadora tem
que estar preparada para enfrentar
as turbulências que estão por vir.
Pensando nisso, a Força e demais
centrais sindicais definiram no
final de janeiro um calendário de
mobilizações e lutas para 2012, focada principalmente na mudança da
política econômica e na aprovação
pelo Congresso de bandeiras como a
redução da jornada de trabalho para
40 horas semanais e o fim do fator
previdenciário.
No chamado “Pacto pelo desenvolvimento, emprego e distribuição
de renda”, os representantes dos
trabalhadores entendem que medidas
como essas vão fortalecer o nosso
mercado interno e proteger o país
dos efeitos da crise. “Crise se combate
com emprego e mais dinheiro no bolso do trabalhador. Manter a economia
forte é um desafio para governo,
trabalhadores e empresários. Vamos
lutar para aprovar a nossa pauta no
Congresso e por medidas que fortaleçam ainda mais o mercado interno”,
afirma o presidente da Força Sindical
do Paraná, Sérgio Butka.
Confira as bandeiras de luta dos
trabalhadores para 2012
1º de maio 2012: menos
juros e mais salários
No mesmo dia em que foi discutido o calendário de lutas de 2012,
dirigentes da Força e demais centrais
definiram o tema dos eventos de 1º
maio desse ano: “Desenvolvimento
com menos juros, mais salários e empregos”. O objetivo é chamar a atenção
da sociedade para as bandeiras de
luta dos trabalhadores. No Paraná, o
1º de Maio da Força está consolidado
como o maior evento voltado à classe
trabalhadora do estado. Em 2012 a
11ª edição poderá ser realizada no
município de São José dos Pinhais.
Sindicato dos Professores na educação
particular se filia à Força PR
Com cerca de 30 mil trabalhadores na base, o Sindicato dos
Professores na Educação Particular
do Estado do Paraná é a mais nova
entidade filiada à Força Sindical PR.
A ficha de filiação foi entregue no
dia 28 de fevereiro pelo presidente
Sérgio Gonçalves Lima, ao presidente da Força PR, Sérgio Butka
(foto). “Essa filiação representa
um fortalecimento da categoria
dos professores, pois a educação
precisar estar unida a uma entidade
que tenha uma representação
forte junto à população. E nós
entendemos que a Força Sindical é
essa entidade”, afirma Sérgio Lima.
Com sede em Curitiba, o Sindicato
tem como principais bandeiras de
luta a melhoria da educação em
todos os níveis e a valorização dos
professores.
Redução da taxa de juros;
Redução da jornada de
trabalho para 40 horas
semanais;
Fim do Fator Previdenciário,
por uma política
de valorização das
aposentadorias;
Ratificação da Convenção
158 da OIT para combater
a rotatividade da mão de
obra;
Regulamentação da
Convenção 151 da OIT, pelo
direito de organização e
negociação coletiva dos
servidores públicos;
março de 2012 - Ano 10
7
Conquista
Metalúrgicos de Curitiba, Londrina e Maringá
fecham convenção com 10,30% de aumento
Categoria conquistou também abono e elevação no piso salarial
A
lém dos vários acordos por empresa, os
Sindicatos dos Metalúrgicos de Curitiba,
Londrina e Maringá fecharam a Convenção Coletiva de Trabalho do setor de metalurgia
(data-base em 1º de dezembro) com 10,30% de
aumento salarial. O índice garante aos trabalhadores aumento real mais a reposição integral
da inflação e será aplicado naquelas empresas
onde não foram fechados acordos coletivos de
trabalho. A categoria garantiu também abono
e elevação no piso salarial. Milhares de metalúrgicos serão beneficiados. Confira:
Curitiba
• 10,30% de aumento a partir de 01/02/12
• 27% de abono
• Pisos salariais de R$ 1.049 (para empresas
com 61 trabalhadores ou mais) e R$ 950,42
(para empresas com até 60 trabalhadores)
Londrina
Maringá
• 10,30% de aumento a partir de 01/03/12
• R$ 350 de abono
• Piso salarial de R$ 910,80
• 10,30% de aumento a partir de 01/03/12
• R$ 350 de abono
• Piso salarial de R$ 840
Mobilização
Trabalhadores do setor têxtil se preparam
para a luta da Campanha Salarial 2012
Federação dos Contabilistas
do PR realiza seminário
para esclarecer mudanças
no simples nacional
Sindicato da categoria já iniciou conversas com as empresas
Em 2011, greve de oito dias rendeu conquistas na Propex do Brasil
A
Campanha Salarial 2012 dos cerca de
três mil trabalhadores do setor têxtil de
Curitiba e Região Metropolitana já começou! Com data-base no próximo mês de maio, o
sindicato da categoria informa que já iniciou as
primeiras conversar com as indústrias. A pauta
de reivindicações contém itens como aumento
real, reposição integral da inflação acumulada
nos últimos doze meses, vale-mercado e PLR.
Além da Convenção Coletiva de Trabalho
com o sindicato patronal, o objetivo é seguir
a estratégia adotada ano passado, de negociar
acordos por empresa. Na Propex do Brasil, por
exemplo, os trabalhadores ficaram oito dias em
greve. Como resultado, conquistaram 4,80%
de aumento além da inflação, elevação na PLR
de R$ 800 para R$ 2 mil e a implantação de
vale-mercado mensal de R$ 90. No total, foram
fechados 14 acordos individuais. “Nossa meta
é aumentar o número de acordos em 2012”,
afirma o presidente do Sinditêxtil, Romério
Moreira da Silva.
A Federação dos Contabilistas do Paraná
(Fecopar) participou no último dia 24 de janeiro,
em Curitiba, o “Seminário Estadual do Simples
Nacional”. O objetivo foi abordar as mudanças na
Lei Complementar nº 139/2011 que alterou algumas regras do Simples Nacional, o regime especial
unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidas pelas micro e pequenas empresas.
O evento foi transmitido por videoconferência
para 20 municípios paranaenses. O seminário foi
realizado em conjunto pelo CRCPR, Receita Federal,
Prefeitura de Curitiba, Sebrae, Comite Gestor do
Simples Nacional, Sistema FIEP e Governo do Paraná. Apoiaram a organização: Fecopar, SescapPR,
Sicontiba, Fecomércio, Senar Paraná, Fampepar,
Faciap e Fórum Permanente das Microempresas e
Empresas de Pequeno Porte do Paraná.
Alerta! Justiça tem negado pagamento de advogados particulares de trabalhadores
Q
uando um trabalhador ganha uma ação na Justiça, geralmente o juiz determina também que
a empresa perdedora da ação pague os custos
do advogado do trabalhador, a chamada sucumbência.
Porém, ultimamente, várias decisões judiciais estão
determinando que o próprio trabalhador pague as custas
advocatícias, isso em casos nos quais o trabalhador
contratou advogado particular, e não o profissional de
seu sindicato de classe.
Recentemente, por exemplo, a Justiça negou recurso
de um ex-funcionário de uma montadora que pedia
indenização por ter contratado um advogado particular, depois de ter vencido a discussão judicial contra
a empresa. No primeiro julgamento, ele conseguiu
ser ressarcido. Só que o TRT-SP reverteu a decisão,
afirmando que contratar um advogado particular foi
uma opção do trabalhador, e que por isso ele não
teria direito a indenização. O trabalhador recorreu ao
Tribunal Superior do Trabalho (TST), que decidiu manter
a decisão. O ministro do TST, Augusto de Carvalho,
afirmou que a condenação ao pagamento de honorários
do advogado é limitada a 15% do valor da ação, e que
o ideal é o trabalhador ser assessorado por advogado
da sua entidade sindical.
8
março de 2012 - Ano 10
Congresso
Emenda propõe que trabalhador deixe de
pagar imposto de renda por PLR e abono
Proposta do deputado Paulinho da Força está sendo
analisada pelo Congresso Nacional
O
s trabalhadores brasileiros poderão, em
breve, deixar de pagar imposto de renda
pelo que recebem como PLR (Participação
nos Lucros ou Resultados) e abonos salariais. É
o que prevê a Emenda à Medida Provisória nº
556, de autoria do deputado Paulinho da Força
(PDT-SP). A proposta foi protocolada no último
dia 3 de fevereiro na Câmara dos Deputados e
está sendo analisada pela casa. O parlamentar
argumenta que a medida irá beneficiar milhões
de trabalhadores em todo o país, servindo
também como ferramenta de distribuição de
renda, incrementando a economia e o próprio
crescimento das empresas. “É uma grande injustiça cobrar imposto por conquistas alcançadas
graças à luta e ao esforço dos trabalhadores”,
defende Paulinho.
Mais dinheiro no bolso do trabalhador
A aprovação da emenda pelo Congresso
Nacional significará mais dinheiro no bolso do
trabalhador. Exemplo: em 2011, um metalúrgico
da empresa Metapar, sem nenhum dependente
atingiu 100% das metas de produção e recebeu
R$ 4.000 de PLR. Com a isenção do IR, ele receberia R$ 274,40 a mais. Se esse trabalhador tivesse
Asseio e conservação
Medida colocaria mais dinheiro no bolso do trabalhador,
diz Paulinho
mulher e um filho como dependentes, a sua PLR
teria um acréscimo de R$ 200,65. “Apoiamos esta
emenda e vamos lutar pela aprovação dela no
Congresso”, afirma o presidente da Força Sindical
do Paraná, Sérgio Butka.
Data-base
Cavo aceita pagar aumentos de
15% a 21% e greve da limpeza
pública de Curitiba é suspensa
Acordo foi aprovado pelos trabalhadores
em assembléia no dia 6 de março
Comerciários iniciam negociações
com patronal do setor atacadista
Categoria tem sua primeira data-base
neste mês de março
O presidente do Siemaco, Manassés Oliveira, durante assembléia que aprovou o acordo
O
entendimento entre trabalhadores da limpeza pública de
Curitiba e a direção da Cavo
pôs fim a possibilidade de greve que
começaria no dia 6 de março. Depois
de muita negociação, a empresa
responsável pela coleta de lixo da
capital concordou com a contraproposta dos trabalhadores e vai pagar
reajustes que variam de 15% a 21%
para seus 2.400 funcionários.
Os vales alimentação e refeição
serão reajustados em 10%, passando de R$ 414,75 para R$ 511,50.
Com isso, o salário de um coletor
de lixo em Curitiba, somado aos
benefícios, passou de R$ 1.563,57
para R$ 1.772,30. Para o varredor, o
total aumentou de R$ 1.331,24 para
R$ 1.503,25. Os coletores de recicláveis e os operadores de roçadeiras
tiveram os reajustes maiores (21%)
chegando a R$ 1.729,29 e R$1.739,19.
Outras conquistas do acordo foram o pagamento de insalubridade
para os funcionários da limpeza de
rios e lanche para todos os funcionários. Na avaliação do Sindicato
dos Empregados em Empresas de
Asseio e Conservação de Curitiba
(Siemaco), o acordo foi vantajoso.
“Lutamos para agregar mais valor
à mão-de-obra dos funcionários da
Cavo e graças a esses esforços, em
Curitiba se paga um dos melhores
salários da limpeza pública do
país”, afirmou Manassés Oliveira,
presidente do Siemaco.
Trabalhadores comerciários durante assembléia de aprovação de pauta
O
Sindicato dos Empregados no
Comércio de Curitiba e Região
Metropolitana (Sindicom)
iniciou no último dia 24 de fevereiro
as negociações da Campanha Salarial
2012. Nesta data, foi realizada a
primeira reunião com o sindicato
patronal.
A categoria composta por mais
de 40 mil trabalhadores reivindica
4% de aumento real, reposição
integral da inflação acumulada nos
últimos doze meses, manutenção
das cláusulas sociais e implantação
de PLR em todas as empresas do
setor. Paralelamente à negociação
com o patronal, o Sindicom partirá
também para a luta por empresa,
visando fechar acordos coletivos
de trabalho.
Esta é a primeira data-base dos
comerciários, no dia 1º de março,
e abrange o segmento atacadista.
A segunda é em maio, do setor
lojista. “Vamos lutar para repetir o
sucesso da campanha do ano passado, quando conquistamos acordos
salariais acima da média”, avisa o
presidente do Sindicom, Ariosvaldo
Rocha, o Ari.
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Jornal daForça - Força Sindical do Paraná