Universidade Estadual de Londrina ROGÉRIO FERREIRA DA SILVA BIOFUNCIONAMENTO E SUSTENTABILIDADE DO SOLO EM DIFERENTES AGROECOSSISTEMAS NO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL Londrina 2006 ROGÉRIO FERREIRA DA SILVA BIOFUNCIONAMENTO E SUSTENTABILIDADE DO SOLO EM DIFERENTES AGROECOSSISTEMAS NO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL Tese apresentada ao Curso de Pós-graduação em Agronomia da Universidade Estadual de Londrina, como requisito à obtenção do título de Doutor em Agronomia. Orientadora: Dra. Maria de Fátima Guimarães Universidade Estadual de Londrina, PR Co-Orientador: Dr. Fábio Martins Mercante Embrapa Agropecuária Oeste, MS Londrina 2006 COMISSÃO EXAMINADORA ___________________________________________ Profª. Dra. Maria de Fátima Guimarães (Orientadora) Universidade Estadual de Londrina, PR ___________________________________________ Dra. Adriana Maria de Aquino Embrapa Agrobiologia, RJ ___________________________________________ Profª. Dra. Inês Cristina de Batista Fonseca Universidade Estadual de Londrina, PR ___________________________________________ Dra. Lenita Jacob Oliveira Embrapa Soja, PR ___________________________________________ Prof. Dr. Amarildo Pasini Universidade Estadual de Londrina, PR Londrina, 22 de fevereiro de 2006. “Quem não sonha não realiza. Quem não ousa não conhece seus limites!” (Arquimedes Bastos). AGRADECIMENTOS À Universidade Estadual de Londrina e ao Departamento de Agronomia, pela oportunidade de fazer este curso. Ao CNPq, pelo apoio financeiro. À Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), pela estrutura que propiciou a execução dos trabalhos de pesquisa. À professora orientadora Dra. Maria de Fátima Guimarães, pela amizade e por permitir a ousadia e aceitar minha proposta de pesquisa em uma área tão incerta, através de orientações, sugestões e críticas. Ao pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste Dr. Fábio Martins Mercante, pelos conselhos e sugestões, pela convivência, amizade e pela atenção sempre cordialmente dispensada. À pesquisadora da Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) Dra. Adriana Maria de Aquino, que contribuiu muito como peça chave para a concretização do meu objetivo. Aos componentes da banca examinadora, pelo prestígio de tê-los como avaliadores. Aos professores coordenadores de disciplinas cursadas, pelos ensinamentos. Ao professor Dr. Rogério Ribeiro de Oliveira (PUC-RJ), pelo apoio e correções da grafia de português. Aos funcionários da Secretaria de Pós-Graduação de Agronomia e da Embrapa Agropecuária Oeste, pelo atendimento e pela amizade. Aos colegas pós-graduando da UEL e aos pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste, pela mútua troca de conhecimentos. A todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho. BIOGRAFIA Rogério Ferreira da Silva, filho de Rosa Evaristo da Silva e Rodrigues Ferreira da Silva, nascido em 07 de novembro de 1969, indígena da etnia terena, originário da aldeia Cachoeirinha, município de Miranda, Estado de Mato Grosso do Sul. De 1978 a 1986 cursou o ensino fundamental: 1a a 4a séries na Escola Indígena, localizada na aldeia; e de 5a a 8a séries na Escola Estadual Rosa Pedrossian, ensino de 1º e 2º graus, localizada na cidade de Miranda, MS. Em 1987 ingressou no curso de Técnico em Agropecuária na Escola Agrotécnica Federal de Cuiabá, Estado de Mato Grosso, concluindo-o em 1989. Em 1995 obteve o título de Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Em março de 1996, iniciou o curso de pós-graduação a nível de Mestrado em Ciência do Solo, na UFRRJ, concluindo-o em 1998. Exerceu o cargo, em comissão, de Diretor de Departamento de Agricultura (julho de 1998 a dezembro de 2000) e de Secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (janeiro a março de 2001) na Prefeitura Municipal de Tanguá, RJ. Em 2001 foi pesquisador bolsista do CNPq (Desenvolvimento Científico Regional-DCR) na Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS. Após o término da bolsa continuou atuando como estagiário na mesma instituição em 2002. Em 2003 ingressou no curso de pós-graduação a nível de Doutorado em Solos, na Universidade Estadual de Londrina, Estado do Paraná. RESUMO A tese teve como objetivo apresentar resultados de pesquisa sobre a diversidade da comunidade da macrofauna invertebrada do solo sob sistemas de produção agropecuária e inferir sobre o seu papel no funcionamento e na sustentabilidade dos agroecosistemas. O estudo foi conduzido no período de 2000 a 2003 no campo experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, município de Dourados-MS, num solo classificado como Latossolo Vermelho distroférrico típico, sob diferentes sistemas de produção. As amostragens foram realizadas nas safras de verão e inverno. As modificações nas características físicas, químicas e biológicas do solo sob os diferentes agroecossistemas apresentaram variações de acordo com o manejo de solo, sistema de rotação/sucessão de culturas e a espécie de planta utilizada. O sistema plantio direto com diferentes rotações/sucessões de culturas e de integração lavoura/pecuária apresentaram, do ponto de vista agronômico, as melhores condições de continuidade estrutural para o desenvolvimento radicular das plantas quando comparado ao sistema convencional e pastagem contínua. Nas condições estudadas, não houve evidências de que os sistemas de produção tenha m interferido negativamente nos atributos físicos, exceto por um pequeno aumento na densidade do solo na camada superficial (0-10 cm de profundidade). Todos os sistemas de produção estudados registraram alterações nas características químicas do solo na camada superficial em função dos manejos praticados. A comunidade de macrofauna invertebrada do solo mostrou-se sensível aos sistemas de manejo. Portanto, pode ser considerada como uma das variáveis para inferir a qualidade do solo de sistemas agrícolas produtivos. Palavras chaves: plantio direto, rotação lavoura/pecuária, fauna de solo, similaridade, análise de componentes principais, morfologia do solo. ABSTRACT This thesis had the aim to show some results of a research about diversity of soil invertebrate macrofauna community under farming production systems and to conclude about its aiming on the functioning and sustainability of agroecossystems. The study was carried out in a Typical Hapludox soil under different production systems between of 2000 and 2003 in the experimental field of Embrapa Agropecuária Oeste in Dourados, Mato Grosso do Sul State. Samples were collected during summer and winter crop seasons. Modifications in the physical, chemical and biological characteristics under the studied agroecossystems did show variations based on different soil management, crop rotation/succession and the species of plants. No-tillage system with different crop rotation/succession and integrated crop/livestock did show the best conditions of structural continuity and thus to the development of roots when compared to the conventional system and to continuous pasture. In the studied conditions, we did not find evidences that any production systems have negatively influenced the physical attributes, except for a small increase in the soil density of the topsoil (i.e. 0-10 cm depth). All studied production systems did show modifications in the chemical characteristics of the topsoil as a function of the used management. The soil invertebrate macrofauna community was affected by soil management systems. Therefore, this variable can be considered as one to infer about soil quality of farming production systems. Key words: no-tillage, crop/livestock rotation, soil fauna, similarity, principal component analysis, soil morphology. SUMÁRIO Página 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 2. REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................... 2.1. Sistema plantio direto............................................................................................ 2.2. Principais alterações nas características químicas do solo................................... 2.3. Principais alterações nas propriedades físicas do solo......................................... 2.4. Principais alterações no biofuncionamento do solo.............................................. 2.5. Sustentabilidade dos agroecossistemas................................................................. 2.6. Referências Bibliográficas..................................................................................... 3. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA EXPERIMENTAL........................................... 4. MACROFAUNA INVERTEBRADA DO SOLO SOB DIFERENTES COBERTURAS VEGETAIS EM SISTEMA PLANTIO DIRETO NO CERRADO................................................................................................................ 4.1. Resumo.................................................................................................................. 4.2. Abstract.................................................................................................................. 4.3. Introdução.............................................................................................................. 4.4. Material e Métodos................................................................................................ 4.5. Resultados e Discussão.......................................................................................... 4.6. Conclusões............................................................................................................. 4.7. Referências Bibliográficas..................................................................................... 5. MACROFAUNA INVERTEBRADA DO SOLO EM SISTEMA INTEGRADO DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA NO CERRADO........................................... 5.1. Resumo.................................................................................................................. 5.2. Abstract.................................................................................................................. 5.3. Introdução.............................................................................................................. 5.4. Material e Métodos................................................................................................ 5.5. Resultados e Discussão.......................................................................................... 5.6. Conclusões............................................................................................................. 5.7. Referências Bibliográficas..................................................................................... 6. MACROFAUNA INVERTEBRADA DO SOLO SOB DIFERENTES SISTEMAS DE PRODUÇÃO EM LATOSSOLO DA REGIÃO DO CERRADO............................................................................................................. 6.1. Resumo.................................................................................................................. 6.2. Abstract.................................................................................................................. 6.3. Introdução.............................................................................................................. 6.4. Material e Métodos................................................................................................ 6.5. Resultados e Discussão.......................................................................................... 6.6. Conclusões............................................................................................................. 6.7. Referências Bibliográficas..................................................................................... 7. POPULAÇÕES DE OLIGOQUETOS (ANNELIDA: OLIGOCHAETA) EM UM LATOSSOLO VERMELHO SUBMETIDO A SISTEMAS DE USO DO SOLO............................................................................................................................ 7.1. Resumo.................................................................................................................. 7.2. Abstract.................................................................................................................. 7.3. Introdução.............................................................................................................. 7.4. Material e Métodos................................................................................................ 7.5. Resultados e Discussão.......................................................................................... 7.6. Conclusão............................................................................................................... 01 04 06 12 18 24 34 37 56 58 58 58 59 60 63 69 70 73 73 73 74 76 79 86 87 91 91 91 92 94 97 103 103 107 107 107 108 109 111 113 7.7. Referências Bibliográficas..................................................................................... 8. SISTEMA PLANTIO DIRETO NO CERRADO: RELAÇÃO ENTRE ATRIBUTOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS..................................... 8.1. Resumo.................................................................................................................. 8.2. Abstract.................................................................................................................. 8.3. Introdução.............................................................................................................. 8.4. Material e Métodos................................................................................................ 8.5. Resultados e Discussão.......................................................................................... 8.6. Conclusões............................................................................................................. 8.7. Referências Bibliográficas..................................................................................... 9. INTEGRAÇÃO LAVOURA/PECUÁRIA SOB PLANTIO DIRETO: RELAÇÃO ENTRE ATRIBUTOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS........................................................................................................ 9.1. Resumo.................................................................................................................. 9.2. Abstract.................................................................................................................. 9.3. Introdução.............................................................................................................. 9.4. Material e Métodos................................................................................................ 9.5. Resultados e Discussão.......................................................................................... 9.6. Conclusões............................................................................................................. 9.7. Referências Bibliográficas..................................................................................... 10. CONCLUSÕES GERAIS .......................................................................................... 113 115 115 115 116 117 119 134 135 140 140 140 141 142 144 160 161 166 1 1. INTRODUÇÃO Nas regiões tropicais e subtropicais onde as terras são cultivadas intensivamente, a redução da produtividade dos solos tem sido atribuída principalmente à erosão e aos processos de decomposição da matéria orgânica. No final do século XX, o grande desafio foi buscar desenvolver sistemas de manejo de produção sustentáveis, onde várias comunidades científicas, agricultores e organizações procuram estratégias racionais de manejo dos solos agrícolas, sempre tendo em conta que o sistema esteja sendo conduzido rumo à sustentabilidade. No estado de Mato Grosso do Sul, pela sua situação geográfica, com aproximadamente 60% do seu território correspondendo a área de cerrado, a atividade agropecuária é intensa, com exploração de culturas anuais como soja e milho, e da pecuária, instalada sobre pastagens nativas ou cultivadas, sendo essas últimas predominantemente de gramíneas do gênero Brachiaria spp. As áreas de cerrados em sua maior parte são constituídas de grandes extensões de solos profundos, bem drenados e texturas variando de média a muito argilosa, em relevo altamente favorável à mecanização, de excelentes propriedades físicas e de fertilidade facilmente corrigida pela adubação e calagem. No entanto, como conseqüência do acelerado processo de ocupação intensiva desses solos e utilização maciça de insumos agrícolas, como fertilizantes, pesticidas e reguladores de crescimento, começaram a surgir impactos ao meio ambiente; danos oriundos da sucessão contínua de uma mesma cultura; alterações climáticas, degradação do solo e erosão; redução da fauna e flora nativas e destruição de ecossistema natural. Atualmente, estima-se que aproximadamente 50 a 60 % das áreas ocupadas com lavouras e pastagens cultivadas encontram-se degradadas ou em início de degradação, reduzindo a produção e aumentando os custos de produção. 2 Consciente dos gravíssimos problemas que comprometem a qualidade ambiental e ciente de que o modelo de desenvolvimento deva ser sustentável, várias linhas de pesquisa científica têm buscado propor sistemas de produção agropecuária que promovam a conservação do solo e da água e, ao mesmo tempo, assegurem o produtor relação favorável de custo e benefício ao longo do tempo. Neste contexto, no Estado de Mato Grosso do Sul estão sendo implementados sistemas intensivos de produção agrícola e pecuária, com diversificação de espécies por meio de rotação/sucessão de culturas e criações, gerando alternativas de lucros e uma nova dinâmica do agronegócio local e regional, tornando-se necessária uma avaliação desses sistemas quanto aos seus impactos ambientais, ao esgotamento da capacidade de suporte e à sua sustentabilidade. Diversos trabalhos de pesquisa com diferentes espécies de cobertura no plantio direto, realizado em diferentes condições de agroecossistemas, têm mostrado a eficiência destes sistemas no equilíbrio e melhoria das características físicas e químicas do solo. No entanto, ainda poucos estudos têm sido realizados para avaliar os efeitos destas práticas de manejo sobre a fauna do solo. Dentre a fauna do solo, a macrofauna invertebrada do solo compreende os maiores invertebrados (> de 2 mm de diâmetro corporal), tais como: minhocas, coleópteros, térmitas, formigas, milípodas, centípodas, aracnídeos e outros. Esses organismos do solo são fundamentais na transformação da matéria orgânica nos ciclos globais e no fluxo de energia, interagindo com as partículas do solo e participando de processos biológicos e bioquímicos essenciais para garantir a sustentabilidade dos ecossistemas naturais e agrícolas. Neste contexto, o estudo destes organismos é extremamente importante, uma vez que executam uma função importante na manutenção da fertilidade do solo, com reflexos na produtividade das culturas e na sustentabilidade dos agroecossistemas. Portanto, a diversidade e abundância desses organismos podem ser usados como ferramenta importante 3 para aplicar-se como bioindicadores da qualidade do solo, pela sua sensibilidade em detectar alterações provocadas no solo pelos sistemas de manejo e sazonalidade do clima. Assim, poderá ser útil em programas de avaliação da qualidade do solo, ampliando o enfoque sobre a fertilidade do solo, visando identificar as opções de manejo que possam otimizar as atividades nos sistemas de produção agrícola e pecuária no Estado de Mato Grosso do Sul. Neste sentido, este trabalho teve como objetivo avaliar a diversidade e abudância da comunidade da macrofauna invertebrada do solo sob sistemas de produção agropecuária, e assim, inferir sobre o seu papel no funcionamento e na sustentabilidade dos agroecosistemas. Os resultados são apresentados, precedidos de uma introdução e uma revisão de literatura de caráter geral, em forma dos seguintes artigos científicos: Artigo 1: Macrofauna invertebrada do solo sob diferentes coberturas vegetais em sistema plantio direto no cerrado (submetido a European Journal Soil of Biology, 2005). Artigo 2: Macrofauna invertebrada do solo em sistema integrado de produção agropecuária no cerrado. Artigo 3: Macrofauna invertebrada do solo sob diferentes sistemas de produção em um Latossolo na região do cerrado (no prelo-Pesquisa Agropecuária Brasileira, 2006). Artigo 4: Populações de oligoquetos (Annelida: Oligochaeta) em um Latossolo Vermelho submetido a sistemas de uso do solo (no prelo-Ciência Rural, 2006). Artigo 5: Sistema plantio direto no cerrado: relação entre atributos físicos, químicos e biológicos Artigo 6: Integração lavoura/pecuária sob plantio direto: relação entre atributos físicos, químicos e biológicos. 4 2. REVISÃO DE LITERATURA No Brasil, a grande extensão territorial, diversidade ambiental e socioeconômica determinam os padrões de uso das terras, caracterizando-se regionalmente por diferentes formas de pressão ao uso (Manzatto et al, 2002). A exemplo disso, tem-se a região do cerrado que, apesar do grande desenvolvimento socioeconômico, técnico e cultural, está convivendo com o uso indiscriminado de seus recursos, devido ao alto grau de endemismo e a ocupação desordenada e destrutiva de sua área. O cerrado é a segunda maior região biogeográfica do Brasil, se estende por 25% do território nacional, cerca de 204 milhões de hectares contínuos, onde sua área nuclear ocupa toda a área do Brasil central, englobando 12 estados (Figura 2.1). Estima-se que 77 milhões de hectares representam áreas de reserva (38%) e 127 milhões de ha de áreas agricultáveis (62%); distribuídos em 45 milhões de ha com pastagens cultivadas (principalmente do gênero Brachiaria spp), 13,5 milhões de ha com culturas anuais (soja, milho, etc.), 2 milhões de ha com culturas permanentes e 70 milhões de ha ainda não explorados (Embrapa, 1998). Parte desse bioma encontra-se o Estado de Mato Grosso do Sul, abrangendo aproximadamente 20,6 milhões de hectares de área de cerrado, o que eqüivale a 10,1 % da área total do cerrado do Brasil. Destes, cerca de aproximadamente 16 milhões de hectares estão ocupadas com pastagens cultivadas, seguidas com 2,6 milhões de hectares com culturas anuais, como o algodão, arroz, cana-de-açúcar, feijão, milho, soja e trigo, concentradas, principalmente, nas regiões norte-nordeste e sul do Estado, e apenas 0,2 milhões de hectares com culturas perenes e florestais (Levantamento Sistemático... 2004). A exploração agropecuária ocupa a maioria das áreas com predominância de solos naturalmente ácidos, profundos e bem drenados, textura variando de média a muito argilosa, de baixa fertilidade que são facilmente corrigidos pela adubação e calagem, porém 5 com características físicas favoráveis, além das condições topográficas que permitem intensa mecanização agrícola (Espinoza et al., 1982; Azevedo e Adámoli, 1988). No entanto, além da sua média suscetibilidade à erosão, o uso inadequado de manejo e a exploração acima da capacidade desses solos (super-pastoreio e agricultura extensiva) dão origem a uma seqüências de ações que influem diretamente sobre as propriedades químicas, físicas e diversidade biótica, tornando-o mais suscetível às forças naturais de degradação (Freitas, 2002). Figura 2.1 - Distribuição das áreas do Cerrado (adaptado de Embrapa, 1998) Há uma conscientização de que o uso intensivo desses solos, conforme já comprovado por diversos trabalhos científicos, pode gerar impactos no meio ambiente, 6 especialmente na estrutura e na atividade biológica do solo, no comportamento da água, e em outras características e propriedades importantes no contexto agroambiental, com reflexos negativos tanto na produção quanto no meio ambiente (Gualberto et al., 2003). Neste sentido, atualmente tem-se implantado sistemas conservacionistas baseados no plantio direto com rotação/sucessão de culturas e na integração lavoura/pecuária; técnicas amplamente difundidas e incentivadas por associações de produtores regionais (Freitas, 2001), trazendo grandes mudanças no controle dos processos erosivos e na sustentabilidade da atividade agrícola, permitindo antever perspectivas menos pessimistas ao desenvolvimento do agronegócio regional em sua dimensão ambiental (Hernani et al., 2002). 2.1. Sistema plantio direto (SPD) O plantio direto foi introduzido no Brasil no início da década de 70 tendo como principal objetivo controlar a erosão em lavouras cultivadas pela sucessão trigo/soja na região Sul, hoje sendo adotado e adaptado a quase toda região do Brasil. A grande expansão da área sob SPD ocorreu a partir da década de 1990 tanto na região sul como na região do Cerrado, onde o SPD começou apenas a ser utilizado nos anos 1980 (Saturnino, 2001; Rodrigues, 2005). Atualmente são cultivados no Brasil cerca de 20 milhões de hectares sob plantio direto, estando 25% dessa área localizada na região do Cerrado (5 milhões de ha) (Cervi, 2003). No últimos anos, houve uma maior adoção do SPD no Estado de Mato Grosso do Sul, com aproximadamente 1,7 milhões de ha na safra 2000/2001 (FEBRAPDP, 2005). A expansão relativamente rápida do SPD pode ser explicada, pelo menor custo de produção e facilidades de operação de práticas de campo verificados nesse sistema de cultivo, aliado a uma maior proteção do solo, conservação da água e da fauna (Lopes et al., 2004). A principal característica desse sistema é a manutenção da cobertura do solo com restos vegetais, obtida com rotação de culturas, cujos benefícios podem ser enumerados, 8 sofrida pelas pragas e doenças, controle mais efetivo das plantas daninhas, melhoria nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, redução dos riscos econômicos, devido a diversificação e maior eficiência no uso da água e nutrientes (Cruz et al., 2001). No entanto, o sistema de rotação e sucessão de culturas deve ser adequado, a fim de permitir a manutenção de uma cobertura mínima do solo com palha (Alvarenga et al., 2001). O sistema de rotação de culturas é de fundamental importância como mecanismo para aumentar a taxa de cobertura do solo, normalmente, o mais usado é soja/milho, em que a soja fornece menor quantidade de resíduos e de rápida decomposição, ao passo que os restos culturais do milho são em maior quantidade e de maior persistência com cobertura (Alvarenga et al., 2001). A persistência dos resíduos culturais sobre o solo é definida pela sua velocidade de decomposição, a qual é variável importante no manejo do solo (Santi, et al., 2003). Este processo é essencialmente biológico, sujeito à interferência de diversos fatores (clima, temperatura, tipo do solo, relação C/N, etc) (Santi et al., 2003). O modelo ideal de planta de cobertura seria aquela que apresentasse alta produção de fitomassa com alta taxa de absorção de nutrientes, especialmente N e P, alta tolerância ao déficit hídrico, às pragas e às doenças, com efeito alelopático sobre as plantas daninhas, de fácil estabelecimento e controle, baixa taxa de decomposição e ainda alto valor agregado (Oliveira et al., 2001; Paes e Rezende, 2001; Viana et al., 2001; Alvarenga et al., 2001; Sá et al., 2004). Entretanto, é impossível reunir todas essas qualidades em apenas uma espécie, o que leva ao raciocínio lógico da necessidade de ser usada mais de uma espécie, que se complementam em seus benefícios, além de incrementar a diversificação da rotação e da sucessão de culturas (Alvarenga et al., 2001). Assim, torna-se fundamental que, em cada região, o sistema rotação e sucessão de culturas seja adaptado, seguindo suas vocações naturais, de forma que ele seja o mais eficiente possível (Cruz et al., 2001). Outra opção que vários produtores já desenvolveram, para evitar a 10 (Santos et al., 2003). Alem disso, é mais eficientes na manutenção da estrutura físico-química do solo favorável às plantas (Carpenedo e Mielniczuk, 1990). As pastagens representam uma forma racional de conservação das características e propriedades físicas do solo, desde que bem manejadas, com reposição de nutrientes e lotação adequada (Fregonezi et al., 2001). Por ser um sistema que não revolve o solo e que está fundamentado na presença de restos culturais sobre a superfície, em sistemas de rotação de culturas, uma série de modificações ocorre no ambiente do solo e afeta o desenvolvimento e produtividade das culturas (Cruz et al., 2001; Stone e Silveira, 2001; Amaral et al., 2004a). A intensidade destas modificações depende de número do anos em que o solo é cultivado, número de safras por ano e das espécies cultivadas (Spera et al., 2004a). A diversidade de espécies passíveis de integrar sistemas de rotação de culturas ou sistemas de produção no Brasil é ampla, sendo o planejamento dependente de características regionais (Kochhann e Denardin, 2000). A integração lavoura/pecuária, sob plantio direto tem mostrado que é técnica e economicamente viável (Mello, 1996). Para tal, devem ser identificados sistemas de produção de média e longa duração, integrando a produção de grãos com a pastagens perenes, os quais ofereçam maior sustentabilidade e melhor resultado econômico possível (Santos et al., 2001). Pesquisas realizadas em diversas regiões brasileiras têm mostrado alterações significativas nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo sob SPD, comparativamente ao sistema convencional de preparo de solo, conforme ilustrado na Figura 2.2. Assim, o SPD, sistema conservacionista de manejo, que mantém os resíduos culturais na superfície do solo, constitui uma importante técnica para a manutenção e recuperação da capacidade produtiva de solos manejados convencionalmente e de áreas degradadas (Torres et al., 2005). A matéria orgânica do solo é uma componente chave de qualquer ecossistema terrestre e a variação na sua distribuição, conteúdo e qualidade têm um importante efeito nos 11 processos que ocorrem dentro do sistema (Sá et al., 2004). O tempo de recuperação da matéria orgânica após a conversão de áreas sob preparo convencional para o sistema plantio direto esta estreitamente relacionado com o balanço de carbono, que é governado pela quantidade e qualidade do material orgânico a ser adicionado na superfície do solo (Bayer et al., 2000; Sá et al., 2001). Figura 2.2 - Alterações dos atributos do solo em três sistemas: sistema natural (vegetação nativa), sistema sob preparo convencional e sistema sob plantio direto (adaptado de Sá et al., 2004). Assim, o uso de sistemas conservacionistas, que englobam adubação verde, rotação de culturas e plantio direto, é capaz de elevar ou ao menos manter os teores de matéria orgânica nas camadas superficiais do solo, reduzir as perdas de nutrientes via imobilização por microrganismos e liberar gradualmente nutrientes (Amado et al., 1999). Isso ocorre de acordo com o tipo e qualidade do material adicionado à superfície, com a seqüência de 12 culturas adotadas (Mengel, 1996) e como forma de cultivar o solo e o tempo de adoção destas práticas (Souza e Melo, 2003). Com isso, preserva-se a biodiversidade do solo, da água e da superfície terrestre, condiciona-se o ambiente para a manutenção e, muitas vezes, para o aumento da produtividade da agropecuária (Saturnino, 2001; Amaral et al., 2004b). Devido a essas características, os benefícios dos sistemas conservacionistas para toda sociedade estão na conservação do recursos naturais, diminuindo significativamente a erosão, o assoreamento e a poluição de rios e represas (Klusthcouski e Stone, 2003; Torres et al., 2005). Assim, esses benefícios constituem-se em um catalisador, para se lograr o racional manejo das bacias hidrográficas, considerando-se o potencial de aplicação dos princípios que norteiam o SPD, em toda a gama de atividades na agricultura e em qualquer escala de produção (Saturnino, 2001). Por isso o SPD pode ser considerado o sistema que mais se aproxima do conceito de agricultura sustentável. 2.2. Principais alterações nas características químicas do solo Do ponto de vista químico, em geral, os solos cultivados sob SPD apresentam maior concentração de Ca+Mg trocáveis, de matéria orgânica, de P extraível e de K trocável na camada superficial do perfil do solo (Sidiras e Pavan, 1985; Sá, 1993; Santos e Tomm, 1996; Amaral e Anghinoni, 2001). Esse acúmulo decorre da aplicação freqüente de fertilizantes em pequenas profundidades e é devido à contribuição da fixação biológica de N das leguminosas, aliada à deposição de resíduos de culturas sobre a superfície, os quais aí permanecem pelo não revolvimento do solo (Schick et al., 2000; Santos et al., 2001). Estas modificações podem ser rápida e intensa (Roselem et al., 2003), ou lenta e gradual (Pauletti, 1999), dependendo da interação entre a espécie utilizada, manejo da fitomassa, umidade, aeração, temperatura, atividade de macro e microbiológica do solo, composição química dos resíduos vegetais e tempo de permanência dos resíduos sobre o solo (Alcântara et al., 2000; 13 Oliveira et al., 2002b; Primavesi et al., 2002), afetando tanto a disponibilidade de nutrientes quanto o processo da acidificação do solo (Rheinheimer et al., 1998). Diversos trabalhos enfocaram a mineralização dos resíduos culturais e o acúmulo de nutrientes na camada superficial, melhorando a fertilidade e influenciando as culturas rotação (Sidiras e Pavan, 1985; Sá et al., 2001; Santos et al., 2001). Além disso, a rotação de culturas ou sistemas de produção tem importante papel na reciclagem de nutrientes, uma vez que, de acordo com Mengel e Kirkby (1987), as espécies vegetais diferem entre si com referência à quantidade de resíduos fornecidos, à eficiência de absorção de íons e à exploração de diferentes profundidades de solo. Deve-se considerar, ainda, que o SPD, além da formação de um gradiente de fertilidade no sentido vertical (Campos et al., 1995, Freire et al., 2001) e maior variabilidade no sentido horizontal, pelas linhas de adubação, principalmente na fase de implantação do sistema (Anghinoni e Salet, 1996), conserva umidade nas camadas superficiais, o que favorece a absorção de nutrientes pelas plantas (Caires e Fonseca, 2000). Vários trabalhos têm demostrado modificações das características químicas do solo sob diferentes usos e manejos (Bayer e Bertol, 1999; Schlindwein e Anghinoni, 2000). O P, K, Ca e Mg nos solos sob SPD, mostram tendência de diminuição gradativa da disponibilidade com a profundidade, com maior acúmulo nos primeiros centímetros de solo (Sidiras e Pavan, 1985; Matowo et al., 1999; Santos e Tomm, 1999; Schick et al., 2000; Silveira e Stone, 2001). Segundo Sidiras e Pavan (1985), o acúmulo de P extraível próximo à superfície do solo decorre das aplicações anuais de fertilizantes fosfatados, da liberação de P durante a decomposição de resíduos vegetais e da menor fixação de P, proveniente do menor contato desse elemento com os constituintes inorgânicos do solo, uma vez que não há revolvimento de solo no plantio direto. Sá (1993) e Bayer e Mielniczuk (1997) observaram que o P acumula-se na camada superficial do solo, sobretudo nos primeiros 5 ou 10 cm de 14 profundidade, confirmado a limitada mobilidade deste elemento. Em parte, essas afirmações também são validas para K trocável do solo (Santos et al., 2001). O comportamento do K nesse sistema de manejo do solo tem sido variável, na maioria das vezes, ocorrendo concentração maior do nutriente na superfície (Oliveira e Pavan, 1996), embora, em alguns solos, tenha sido verificada certa uniformidade dos teores desse nutriente em profundidade (Franchini et al., 2000), o que pode ser atribuída à maior infiltração de água no SPD (Sidiras e Vieira, 1984). No caso de Ca e Mg nos solos sob SPD, estes mostram tendência de diminuição gradativa da disponibilidade com a profundidade, com maior acúmulo nos primeiros centímetros de solo (Sidiras e Pavan, 1985; Ismail et al., 1994; Oliveira e Pavan, 1996), embora esse acúmulo não tenha sido constado por outros autores (Klepker e Anghinoni, 1995). A translocação desses elementos ao longo do perfil de solo, provavelmente, decorrência de reações de complexação com solutos orgânicos e maior quantidade de água infiltrada (Miyazawa et al., 1993; Franchini et al., 1999b; Freire et al., 2001). Sidiras e Pavan (1985), observaram maiores valores de Ca+Mg trocáveis na camada superficial (0-10 cm) em relação à mais profunda (0-20 cm). O comportamento do Ca e do Mg é mais variável nos sistemas de manejo do solo e parece depender também do tipo do solo, seqüência de culturas, clima e diferenças na mobilidade intrínseca de cada elemento no solo (Almeida et al., 2005). Em relação aos parâmetros da acidez do solo, por outro lado, a maioria dos resultados da pesquisa tem demostrado acidificação das camadas mais superficiais após a condução dos cultivos em SPD (Ciotta et al., 2002). Esse comportamento tem sido atribuído à nitrificação ocasionada pela adição periódica de adubos amoniacais em superfície nesse sistema (Blevins et al., 1983; Freire et al., 2001), pelo amônio proveniente da decomposição dos resíduos orgânicos acumulados em superfície, ou, ainda, pelo aumento da concentração 15 eletrolítica verificado no SPD (Ciotta et al., 2002). No entanto, é possível haver áreas com aumentos significativos de pH nas camadas superficiais dos solos (Sidiras e Pavan, 1985; Rheinheimer et al., 1998; Santos e Tomm, 1999; Franchini et al., 1999a). Apesar disso, têm sido constatados valores geralmente mais baixos de Al trocável nas camadas superficiais, em virtude da maior complexação desse elemento por ligantes orgânicos hidrossolúveis liberados dos resíduos e da matéria orgânica acumulada na superfície do solo no SPD (Pavan, 1997; Salet, 1998; Bayer e Bertol, 1999; Ciotta et al., 2002). Os compostos orgânicos que acumulam na superfície do solo podem complexar parte do Al tóxico (Salet et al., 1999; Franchini et al., 1999b; Franchini et al., 2001), amenizando os efeitos da acidificação superficial (Summer e Pavan, 2000; Ciotta et al., 2004). Numa avaliação de 40 áreas sob SPD na região dos Campos Gerais do Paraná, foi observada a ausência de Al na profundidade de 0-10 cm e apenas 5% das áreas apresentaram saturação entre 0 a 5% na profundidade de 10-20 cm (Sá, 1993). Alguns trabalhos têm constado acidificação do solo na camada superficial sob SPD (Paiva et al., 1996), com aumento dos teores de alumínio trocável (Sidiras e Pavan, 1985), onde alguns autores defendem a necessidade de recalagem (Santos et al., 2003). Os solos tropicais e subtropicais são normalmente ácidos e apresentam altos teores de Al trocável (Ciotta et al., 2004). Além disso, o aumento na capacidade de troca de cátions do solo (Silva et al., 1994), devido ao maior teor de matéria orgânica, pode proporcionar concentrações suficientes de cátions trocáveis, mesmo em solo com alta acidez (Caires et al., 1998). O acúmulo de matéria orgânica em superfície é um dos aspectos mais importantes para o sucesso do SPD, tendo sua aplicação preconizada como alternativa para correção da acidez e neutralização do Al tóxico, e que estaria relacionado, principalmente, ao potencial de complexação do Al com ácidos orgânicos solúveis presentes nos restos culturais, como foram constados por Mendonça (1995) e Franchini et al. (1999). Além de neutralizarem 16 o alumínio tóxico, esses compostos podem aumentar a mobilidade, no perfil do solo, dos produtos originados da dissolução do calcário aplicado na superfície (Amaral et al., 2004b). O acúmulo de nutrientes nos primeiros centímetros de solo tem sido observado, o qual atribui-se à estreita relação com o aumento do teor de matéria orgânica (Sá, 1995). Além disso, é diretamente influenciado pela qualidade do material de cobertura produzido nos vários sistemas de sucessões e rotações de culturas adotados (Sá, 1993; Sá et al., 2000). As plantas de cobertura têm recebido atenção adicional no SPD, além da contribuição na redução dos efeitos negativos da acidez na subsuperfície do solo (Amaral et al., 2004a), as culturas comerciais são afetadas pela palhada da cultura anterior, como exemplo, gramínea na sucessão de gramínea é um caso típico que apresenta problemas nutricionais, especialmente em relação N (Alvarenga et al., 2001). Sá (1996) observou que o milho cultivado sobre palha de aveia mostrou carência de N na fase inicial de crescimento, provavelmente, fato atribuído à imobilização do N do fertilizante pelos microrganismos. Por outro lado, o cultivo do milho após ervilhaca (leguminosa) produziu 7% a mais do que quando cultivado após aveia preta (gramínea) (Igue et al., 1984). Segundo Sá (1996), a utilização de sistemas de rotação, cuja cultura antecessora ao milho seja uma leguminosa, proporcionou uma economia de 50% de nitrogênio. O aumento de matéria orgânica em sistemas conservacionistas é, geralmente, acompanhado pelo aumento dos teores de nutrientes, principalmente N, adicionados pelos resíduos das plantas de cobertura, com conseqüente aumento da produtividade da cultura principal (Giacomini et al., 2003). Portanto, além dos benefícios observados na estrutura do solo, as culturas intercalares nos sistemas conservacionistas aportam mais nutrientes, controlam a erosão, reduzem a ocorrência de plantas indesejáveis e, assim, melhoram a qualidade do solo (Six et al., 1999; Vezzani, 2001; Bayer et al., 2004; Argenton et al., 2005). 17 Inúmeros trabalhos, realizados em diversas eco-regiões, compararam o aumento da matéria orgânica no SPD em relação ao sistema convencional e constataram que esse aumento está restrito principalmente à camada superficial e raramente ultrapassa os 15 cm de profundidade (Dick, 1998; Bayer et al., 2000). Conforme resultados mostrados em Sá (1993), observou-se aumento de 27% no teor de MO na camada 0-10 cm no SPD sobre SC, após 15 anos de cultivo. Essa elevação do teor de matéria orgânica nas camadas mais superficiais é uma conseqüência da mineralização mais lenta no SPD em relação ao SC, devido a um contado menor com o solo, retardando a ação da biota do solo (Freire et al., 2001). A conversão de áreas sob preparo convencional para o sistema plantio direto e a sua manutenção por longo período tem possibilitado a recuperação no conteúdo de carbono do solo e em alguns casos alcançando nível superior ao original do solo sob vegetação natural (Bayer et al., 2000; Sá et al., 2000). A acumulação de matéria orgânica em Latossolos da região do Cerrado sob SPD foi verificada por Corazza et al. (1999). Portanto, o solo em SPD passa a atuar como um dreno de C atmosférico, o que representa uma importante contribuição da agricultura para atenuar a concentração de dióxido de C na atmosfera e as alterações climáticas globais (Bayer et al., 2004). Como também, a disponibilidade de MO é fundamental para a biota do solo, pois é dela que a maioria dos organismos obtém a energia e os elementos minerais e orgânicos para a realização de seus processos vitais (Cruz et al., 2001). Esses organismos do solo movimentam-se na terra em busca de alimento ou abrigo de ovos, abrindo galerias que contribuem para aumentar a permeabilidade do solo, facilitando a drenagem de água e favorecendo o arejamento, o que concorre para maior disponibilidade de oxigênio para as raízes e microrganismos, como também favorece a ação do corretivo subsuperficial (Cruz et al., 2001; Ciotta et al., 2004). Além desses aspectos, a matéria orgânica também protege e mantém as enzimas do solo em suas formas ativas, pela formação de complexos enzima- 18 compostos húmicos (Deng e Tabatabai, 1997). 2.3. Principais alterações nas propriedades físicas do solo De modo geral, o solo mantido em estado natural, sob vegetação nativa, apresenta características físicas, como permeabilidade, estrutura, densidade do solo e porosidade, adequadas ao desenvolvimento das plantas (Salton e Mielniczuk, 1995; Silva et al., 1998; Andreola et al., 2000; Albuquerque et al., 2001; Costa et al., 2003). À medida que o solo vai sendo submetido ao uso agrícola, as propriedades físicas sofrem alterações, geralmente desfavoráveis ao desenvolvimento vegetal (Spera et al., 2004b). Tais alterações são mais pronunciadas nos sistemas convencionais de preparo do que nos conservacionistas, as quais se manifestam, em geral, na densidade do solo, volume e distribuição de tamanho dos poros e estabilidade dos agregados do solo, influenciando a infiltração da água, erosão hídrica e desenvolvimento das plantas (Bertol et al., 2004a). Uma das primeiras preocupações, quando se trata do manejo do solo, é sua influência na absorção e disponibilidade de água, pois o estado em que se encontra a superfície do solo exercerá grande influência na infiltração, drenagem e escorrimento superficial (Castro, 1989; Amaral et al., 2004b). O escoamento superficial depende da infiltração de água no solo e, consequentemente, de todos os fatores que a influenciam (Cruz et al., 2001). Na busca por sistemas de manejo que diminuam a perda do solo e favoreçam o aproveitamento da água, o SPD tem-se caracterizado por apresentar, principalmente na camada superficial, maior estabilidade estrutural, o que, aliado à manutenção dos resíduos culturais na superfície do solo, tem proporcionado maior proteção contra o impacto direto das gotas de chuva, favorecendo infiltração e redução da perda de água por escoamento superficial (Roth e Vieira, 1983). Dessa forma, esse sistema reduz significativamente as perdas de solo por erosão, tendo como conseqüência a melhoria das condições físicas, 19 químicas e biológicas no solo, que irão repercutir na sua fertilidade (Wutke, 1993), influenciando diretamente o desenvolvimento e a produtividade das culturas (Vieira, 1984). Os resíduos culturais têm efeito na intercepção das gotas de chuva, dissipando sua energia cinética, reduzindo a desagregação de suas partículas que é a fase inicial do processo erosivo (Sidiras et al., 1984; Schick et al., 2000; Pasqualeto e Costa, 2001; Cruz et al., 2001). Além disso, reduz a velocidade de escorrimento das enxurradas e melhora ou mantém a capacidade de infiltração de água, reduzindo o efeito da desagregação do solo, evita o selamento superficial, provocado pela obstrução dos poros com as partículas finas desagregadas (Castro, 1989). Entretanto, alguns casos de erosão significante tem sido observados em área de plantio direto, devido à baixa cobertura do solo com resíduos (Vieira, 1985). Segundo Sidiras et al. (1983), o SPD é capaz de reter de 36 a 45% mais água disponível para as culturas, pelo aumento da capacidade de retenção e redução da evaporação (Campos et al., 1994). Como conseqüência, a maior umidade e menor temperatura em solos cobertos por resíduos de culturas (Salton e Mielniczuk, 1995) favorecem a germinação das sementes e o desenvolvimento inicial das plantas (Argenton et al., 2005). Os preparos de solo conservacionistas, tal como o SPD, com menor revolvimento, mantêm, parcial ou totalmente, os resíduos vegetais na superfície e aportam continuamente matéria orgânica ao solo, a qual é responsável pela manutenção e melhoria das propriedades físicas do solo (Castro Filho et al., 1998). Os impactos do uso e manejo na qualidade física do solo têm sido quantificados, utilizando diferentes propriedades físicas relacionadas com a forma e com a estabilidade estrutural do solo, tais como: densidade do solo (Stone e Silveira, 2001), porosidade do solo (Oliveira et al., 2001), umidade (Bertol et al., 2004b) e resistência do solo à penetração das raízes (Beutler et al., 2001). No diagnóstico das condições físicas do solo, devem ser utilizados métodos que permitam avaliar o maior número possível de interações existentes e determinar quais são as ações e as formas de 20 exploração mais adequadas para cada solo (Guimarães et al., 1993). Vários trabalhos demostram que o tipo de exploração agrícola afeta alguns atributos físicos de solo (Albuquerque et al., 1995; Andreola et al., 2000). Uma das principais causas da degradação em áreas cultivadas é a compactação do solo causada pelo intenso tráfego contínuo de máquinas/implementos agrícolas e pelo pisoteio animal (Alegre e Lara, 1991; Trein et al., 1991; Albuquerque et al., 2001). No sistema plantio direto, a ausência, ou revolvimento mínimo do solo, favorece a manutenção de teores de água mais elevados em virtude da manutenção dos resíduos culturais, bem como pelas pressões exercidas pelo tráfego sistemático de máquinas ou casco de animais pode promover compactação excessiva na superfície do solo (Tormena e Roloff, 1996; Silva et al., 2000; Stone e Silveira, 2001; Cruz et al., 2003), principalmente em solos com elevados teores de argila, conforme o tamanho e formato de partículas (Secco et al., 2004). O maior ou menor grau de compactação oriundo das operações agrícolas depende da umidade do solo, do sistema de preparo do solo, do peso da máquina e da área onde seu peso está distribuído (Sidiras e Vieira, 1984). No caso da compactação do solo pelo pisoteio animal, destaca-se a lotação de animais e a cobertura do solo proporcionada pela pastagem, podendo ser associada à pressão de pastejo (Salton et al., 2002). Portanto, de modo geral, a compactação do solo pode ser provocada pelo inadequado manejo do solo, e uso de máquinas, e equipamentos agrícolas, bem como pela presença, em momentos não adequados e carga incompatíveis, de animais sob pastejo (Spera et al., 2004a; Leão et al., 2004). Em solos compactados ocorre alteração da estrutura e, consequentemente, há aumento de massa por unidade de volume, acarretando maior densidade do solo e resistência do solo a penetração, com redução linear da porosidade total e da macroporosidade (Stone et al., 2002), decréscimo da disponibilidade de água e nutrientes e da difusão de gases no solo (Taylor e Brar, 1991; Hakansson e Voorhees, 1998; Beutler e Centurion, 2003), cujas 21 relações com o desenvolvimento das raízes são fundamentais (Beulter e Centurion, 2004). As raízes das plantas não utilizam adequadamente os nutrientes disponíveis, uma vez que o desenvolvimento de novas raízes, responsáveis pela absorção de água e nutrientes, fica prejudicado (Queiroz-Voltan et al., 2000). Isto resulta em menor volume de solo explorado pelas raízes, consequentemente, menor absorção de água e nutrientes (Hakansson et al., 1998), provocando significativas reduções na produtividade e acréscimos nos custos de produção das culturas anuais (Ralisch e Tavares Filho, 2002). As conseqüências visuais da compactação do solo se manifestam no solo como presença de zonas endurecidas, empoçamento de água, erosão hídrica e assoreamento dos mananciais de água (Beutler et al., 2004). Geralmente, o SPD apresenta maior densidade do solo e maiores valores de microporosidade na camada arável (até 20 cm de profundidade), com conseqüente redução no volume total de poros e na macroporosidade (Bertol et al., 2000; Cruz et al., 2001). No entanto, em comparação com sistema convencional há uma maior homogeneidade ao longo do perfil (Cruz et al., 2001). No sistema convencional, os valores da densidade do solo são menores na camada arável, mas pode apresentar valores maiores logo abaixo da camada arável, pois os efeitos constantes do trabalho do solo provoca o aparecimento de camadas mais compactas, caracterizando a presença de “pé de grade” (Tavares Filho et al., 2001). Uma vez que as práticas de manejo de solos afetam a densidade do solo, a porosidade, o arejamento e a disponibilidade de água e a distribuição de nutrientes no solo, elas também afetarão a morfologia e a distribuição de raízes (Kirkegaard et al., 1995; Sá e Petrere, 1996; Cruz et al., 2001). O uso do SPD, embora ocasione um aumento da densidade do solo na superfície, com conseqüente diminuição do volume de macroporos nessa camada e da rugosidade superficial (Bertol et al., 2001), bem como resistência do solo à penetração (Costa 22 et al., 2003), não tem prejudicado a infiltração de água (Petrere e Anghinoni, 2001). Alguns trabalhos destacam um balanço positivo entre porosidade de aeração e armazenamento de água no solo sob este sistema de manejo (Stone e Silveira, 1999). Vários autores afirmam que o sistema de rotação de culturas sob plantio direto, incluindo espécies com sistema radicular agressivo e com diferentes quantidades de fitomassa, pode alterar as propriedades físicas do solo (Da Ros et al., 1997; Santos e Tomm, 1999; Albuquerque et al., 2001; Bertol et al., 2004a). Em Latossolos Vermelho-Escuros, Campos et al. (1995) observaram maior atividade e estabilidade, enquanto Albuquerque et al. (1995) observaram maior volume de macroporos e menor densidade do solo, nos sistemas de rotações de culturas comparados às sucessões. Em geral, as rotações de culturas apresentam melhores resultados do que as sucessões sobre as propriedades físicas do solo (Bertol et al., 2004a). Com o passar dos anos, a densidade do solo sob plantio direto pode diminuir e aumentar a macroporosidade, como conseqüência, em parte, do aumento do nível de matéria orgânica na camada superficial e atividade biológica, melhorando a estrutura do solo (Reeves, 1995), bem como aos canais deixados pelas raízes, que se decompõem. Isto pode variar com o tipo e a profundidade do solo, e também com o sistema de rotação utilizado (Spera et al., 2004b) O valor da densidade do solo é variável para um mesmo solo, dependendo da natureza, das dimensões e da maneira como estão dispostas as partículas e, também, do teor água e de matéria orgânica presente no mesmo (Kiehl, 1979). Ela reflete o arranjamento das partículas do solo, que, por sua vez, define as características do sistema poroso (Pedrotti et al., 2001). Geralmente, a densidade do solo aumenta com a profundidade do perfil por causa das pressões exercidas pelas camadas superiores. Essas pressões provocam o fenômeno da compactação, reduzindo a porosidade do solo (Salton et al., 2002). É considerado como um dos mais importantes parâmetros físicos para caracterizar e avaliar os efeitos de diferentes 23 sistemas de manejo na compactação do solo (Pedrotti e Dias Júnior, 1996). Associada à densidade do solo, outra propriedade também importante, e influenciada pelo manejo, é a porosidade. Ela é classificada em microporosidade e macroporosidade, ou seja, os volumes ocupados por água e ar, respectivamente (Kiehl, 1979). Os macroporos estão mais sujeitos a mudanças impostas pelo manejo do que os microporos (Albuquerque et al., 2001). Segundo Bouma (1991), os macroporos estão relacionados com processos vitais para as plantas, devendo, o ambiente ser preservado. Para Taylor e Ashcroft (1972) e Baver et al (1972), os macroporos devem ser superiores a 0,10 m3 m-3 para permitir as trocas gasosas e o crescimento de raízes da maioria das culturas. Maiores valores de densidade do solo na superfície sob SPD, em relação ao SC tem sido relatados em muitos casos, e relacionados ao adensamento natural devido à ausência de revolvimento, como também, pela compactação ocasionada pelo tráfego de máquinas, para as operações de controle de plantas daninhas, semeadura, fertilização e colheita (De Maria et al., 1999; Sá et al., 2004). Esse efeito é mais acentuado nas camadas superficiais até 10 cm e pode contribuir para a proteção física da matéria orgânica do solo (Sá et al., 2004). Ao analisar o efeito de diferentes formas de uso de Latossolos, Kondo (1998) verificou o efeito da compactação causada pelas máquinas de preparo do solo na camada 27-30 cm, enquanto para pastagem ficou demostrado o efeito do pisoteio do gado na camada superficial de 0-3 cm (Salton et al., 2002). Trein et al. (1991), também verificaram aumento na densidade do solo e diminuição da macroporosidade na camada superficial devido ao pisoteio do animais. Resultados de Boeni et al. (1995), ao comparar o efeito do pisoteio de animais, em pastejo contínuo de junho a outubro sobre pastagem de aveia+azevém, em um solo franco siltoso do Rio grande do Sul não observaram alterações significativas na camada 24 0-10 cm. Silva et al. (2000), também não observaram variações na densidade do solo, em Podzólico Vermelho-Amarelo textura franca, em função do pastejo dos animais. Com relação à porosidade do solo, verificou-se diminuição de 18% na macroporosidade na camada até 0,05 m em função do pisoteio dos animais (Salton et al., 2002). Resultados semelhantes foram observados por Trein et al. (1991) e Silva et al. (2002), os quais verificaram, também, mudanças no volume total de poros em função do manejo de animais. De acordo com Albuquerque et al. (2001), em sistemas de integração lavourapecuária, a presença de raízes de gramíneas melhoram a estrutura do solo, amenizando o impacto do pisoteio. Sá e Petrere (1996), utilizando o método do perfil cultural, observaram que quanto maior o tempo de adoção do SPD com rotação de culturas, melhor a distribuição do sistema radicular em profundidade, caracterizando um melhor aproveitamento do volume do solo explorado, levando sempre em consideração o tipo do solo, as condições climáticas de cada local e o nível de fertilidade de cada área avaliada. Por outro lado Tavares Filho et al. (2001) concluíram que o plantio direto apresentou melhores condições de continuidade estrutural para o desenvolvimento radicular do milho, quando comparado com o sistema convencional. Em Latossolo Vermelho distrófico, Albuquerque et al. (1995) constataram que, ao final de sete anos, não ocorreram diferenças de densidade do solo, porosidade total, macro e microporosidade entre o sistema plantio direto e o preparo convencional. 2.4. Principais alterações no biofuncionamento do solo O solo é um recurso natural e complexo, com evolução própria que é habitado por um grande conjunto de organismos que estão em constante interação e cujas atividades determinam, em grande parte, as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo por alterá-los de diferentes modos (Swift e Anderson, 1993; Pankhurst e Lynch, 1994; 25 Jones et al., 1994; Wolters, 2000; Lovato et al., 2004). O que o torna um sistema dinâmico e variável, fundamental para a sustentação das diversas formas de vida no planeta (Melo Filho e Libardi, 2005). A biodiversidade de solos é composta por organismos com variadas funções, tamanhos e preferência de habitat. No entanto, todos estão interligados por cadeias tróficas e relações de dependência funcional. Apesar destes organismos representarem somente 5% da fração orgânica total do solo (Odum, 1988), sua abundância é relativamente grande. Estima-se que um m2 de solo sob vegetação natural pode conter aproximadamente 10.000.000 nematóides, 100.000 colêmbolas, 45.000 anelídeos e mais de 40.000 insetos e ácaros; e um grama de solo contém 500.000 bactérias, 400.000 fungos, 50.000 algas e 30.000 protozoários (Sánchez e Reinés, 2001). Os principais grupos taxonômicos do solo apresentam uma alta diversidade de espécies, que variam conforme o tipo de solo, o regime hídrico e climático. Esses organismos variam muito em tamanho, o que lhe confere habilidade diferenciada na sua estratégia de alimentação e adaptação ao habitat. Portanto, do ponto de vista de tamanho, eles podem ser classificados como microflora, microfauna, mesofauna e macrofauna (Lavelle et al., 1994; Wolters, 2000; Crespo e Rodríguez, 2000; Lavelle e Spain, 2001). Segundo estes autores, a microflora agrupa os fungos, as bactérias e os actinomicetos. A microfauna compreende invertebrados, cujo diâmetro do corpo é menor que 0,2 mm de diâmetro, incluindo os protozoários, nematóides e alguns ácaros e colêmbolas. A mesofauna engloba invertebrados com diâmetro entre 0,2 e 2,0 mm, taxonomicamente mais diversos, incluindo ácaros, colêmbolas, proturas, dipluras, enquitreídeos e insetos pequenos. A macrofauna é composta pelos organismos de diâmetro maior que 2,0 mm, incluindo os grupos das formigas, minhocas, coleópteros em estado larval e adulto, centopéias, cupins, formigas, piolhos de cobra (milipéias), tatuzinhos e aracnídeos. 26 Tanto a microflora como a macrofauna exercem uma função vital nos principais processos bioquímicos que ocorrem no ecossistema solo; no entanto, Lavelle e Spain (2001); Jiménez et al. (2003) e Decaëns et al. (2003) relatam que as regulações realizadas pelas atividades dos organismos da macrofauna edáfica podem ser determinantes. A macrofauna invertebrada do solo desempenha um papel chave no biofuncionamento do ecossistema, pois ocupa diversos níveis tróficos dentro da cadeia alimentar do solo e afeta a produção primária de maneira direta e indireta. Altera, por exemplo, as populações e atividade de microrganismos responsáveis pelos processos de mineralização e humificação e, em conseqüência, influem no ciclo de matéria orgânica e na disponibilidade de nutrientes assimiláveis pelas plantas (Huhta et al., 1991; Beare et al., 1994; Wardle e Lavelle, 1997; Decaëns et al., 2003). Podem ser também vetores de microrganismos simbióticos das plantas, como fixadores de nitrogênio e fungos micorrízicos, bem como digerirem, de maneira seletiva, microrganismos patogênicos (Brown, 1995). Alguns organismos da macrofauna, principalmente os térmitas, as formigas, as minhocas e larvas de coleópteros, são denominados “engenheiros do ecossistema”, pois suas atividades levam à formação de estruturas biogênicas (galerias, ninhos, câmaras e bolotas fecais), que modificam as propriedades físicas dos solos onde vivem e a disponibilidade de recursos para outros organismos (Stork e Eggleton 1992; Jones et al., 1994; Lavelle et al., 1997; Wolters, 2000). Através das suas ações mecânicas no solo contribuem na formação de agregados estáveis que podem proteger parte da matéria orgânica de uma mineralização rápida e que constituem, também, uma reserva de nutrientes potencialmente disponível para as plantas (Blanchart et al., 1997; Decaëns, 2001; Marín et al., 2001; Sanchéz e Reinés, 2001; Lavelle e Spain, 2001; Decaëns et al., 2003). Além disso, esses organismos contribuem na mobilidade vertical de nutrientes assimiláveis favorecendo assim o sistema radicular das plantas (Gassen, 1999; Brown et al., 1999). 27 Neste contexto, a abundância e a diversidade da comunidade de macrofauna invertebrada do solo são fatores importantes para a sustentabilidade de produção primária de ecossistemas naturais (Decaëns et al., 2001). Portanto, a sua diminuição conduz invariavelmente à perda de uma determinada função importante do solo (Crespo e Rodrigues, 2000; Sánchez, 2001). Em um ecossistema natural, a regulação interna de funcionamento é basicamente um produto da biodiversidade, que controla o fluxo de energia e nutrientes (Swift e Anderson, 1993). Entende-se por biofuncionamento do solo o conjunto de funções edáficas que, interagindo com fatores ambientais, são estreitamente dependentes de regulações biológicas (plantas, microrganismos e fauna edáfica) (Lopes Assad et al., 1997). Portanto, a biodiversidade tem um papel importante na manutenção da estrutura e do papel do ecossistema. Devido à intima associação com os processos que ocorrem no compartimento serapilheira-solo e a sua grande sensibilidade a fatores bióticos e abióticos, a diversidade da comunidade da macrofauna do solo reflete o padrão de funcionamento do ecossistema (Odun, 1988; Correia e Andrade, 1999). Lavelle (1983), em savanas da África Ocidental, encontrou valores de densidade da macrofauna variando de 1.800 a 10.500 ind m-2. Decaëns et al. (1994) e Schneidmal e Decaëns (1995), em área de savana típica na Colômbia, observaram densidades de 2.830 e 2.030 ind m-2, respectivamente; nesta mesma região em área de mata de galeria, os resultados obtidos por Decaëns et al. (1994) foram superiores (4.293 ind m-2). Gilot et al. (1995), em floresta tropical da Costa de Marfil, constataram densidades de 5.247 ind m-2. Em avaliações conduzidas numa área de floresta primária na Amazônia brasileira, Barros et al. (2002) verificaram densidade média de 6.671 ind m-2. Silva (1998), em uma floresta secundária, na Ilha Grande (RJ), observou densidade de 3.990 ind m-2. Em 28 fragmento de vegetação nativa, Benito (2002), na região de Londrina-PR, constatou densidades de 1.110 ind m-2 na estação chuvosa (dezembro/1998) e 5.625 ind m-2 na estação seca (agosto/1999). Estes resultados demonstram que em solos sob ecossistemas naturais a abundância da macrofauna invertebrada edáfica resultam de processos de adaptação às condições ambientais, refletindo os mecanismos de evolução do ecossistema como um todo. A caracterização da estrutura dessas comunidades em vegetações naturais é de grande interesse científico para entendimento do papel dos mesmos no funcionamento dos ecossistemas. Esta caracterização permite também estimar a qualidade dos solos e sua susceptibilidade à degradação quando são usados para produção agrícola, pois esses organismos respondem as diversas intervenções antrópicas realizadas no meio ambiente (Figura 2.3). Segundo Lavelle (1997), estes organismos são altamente sensíveis ao impacto de atividades humanas, e em alguns casos, muitos grupos podem desaparecer. A conversão de um sistema natural para um sistema agrícola leva à simplificação do ecossistema, com redução de recursos e refúgios, afetando a diversidade dos organismos e a função que desempenham (Giller et al., 1997). A intensidade com que isso ocorre depende da intensidade das práticas agrícolas. Em sistemas agrícolas a ação mecânica do preparo do solo afeta diretamente os organismos do solo, influenciando negativamente a densidade e diversidade dos mesmos, devido as modificações impostas pela aração e gradagens, como por exemplo, a destruição do habitat, eliminação do alimento disponível e as condições edafoclimáticas desfavoráveis (temperatura e umidade) (Edwards e Lofty, 1982; Sheu, 1992, Westernacher-Dotzler, 1992; Fraser, 1994). O declínio da matéria orgânica do solo, resultante do intenso cultivo, também representa importante fator para a redução das populações de invertebrados do solo (Mäder et al, 1996). 29 Figura 2.3 – Alterações na comunidade biótica do solo resultante das atividades antrópicas (adaptado de Louzada et al., 2000). Neste sistema de produção, a destruição do habitat original resulta no desaparecimento/redução de grande número de espécies de organismos, o que compromete interações ecológicas, além de causar ruptura do equilíbrio das cadeias tróficas. Isto aliado a oferta de grandes quantidades de alimento preferencial para determinados organismos, fato agravado nas monoculturas, leva ao surgimento das pragas e doenças (Andow, 1991). Quanto maior o equilíbrio ecológico de um agroecossistema, ou seja, cadeias tróficas estruturalmente íntegras, com grande quantidade de indivíduos representante de diferentes categorias funcionais garantindo as interações, e fisiologicamente ativas, menor será a necessidade de aplicação de pesticidas (Coutinho et al., 2003). O sistema plantio direto representa um agroecossistema ecologicamente mais complexo que o sistema convencional (Figura 2.4), o que possibilita a maior diversidade da comunidade de macrofauna invertebrada do solo, devido ao menor distúrbio mecânico ao 30 habitat, mudanças menos drásticas de temperatura e umidade e distribuição de resíduos na superfície do solo (Muzzilli, 1983; Wiethölter, 2000; Tanck et al., 2000; Machado e Silva, 2001). Os recursos alimentares disponíveis, como também a estrutura do microhabitat gerado, possibilitarão, dessa forma, a colonização de varias espécies da macrofauna invertebrada do solo com estratégias diferentes de sobrevivência (Correia e Andrade, 1999; Martínez e Sánchez, 2002; Bending et al. 2002), como por exemplo, estimulando maior abundância de grupos predadores (Robertson et al., 1994; Benito, 2002), como Chilopoda e Arachinida. Figura 2.4 – Reflexos das alterações no ambiente edáfico sob sistema com preparo convencional e plantio direto (adaptado de Horta é saúde [198-]). Os resíduos das culturas são precursores de matéria orgânica no solo, fonte de energia e nutrientes para os organismos do solo, que por sua vez desempenham importantes atividade como a reciclagem de carbono e nutrientes (Martínez e Sánchez, 2002; Vilela et al., 2003), auxiliam na agregação do solo, favorecendo a maior infiltração de água no perfil do solo e a redução da erosão e do escorrimento superficial, ação positiva sobre a estabilidade dos agregados, porosidade e densidade (Tisdall e Oades, 1982; Molope et al., 1987; Castro Filho et al., 1998; Gang et al.,1998; Craswell e Lefroy, 2001; Martius et al., 2001; Palm et al., 2001), e 31 controle biológico das pragas e doenças (Wardle e Lavelle, 1997; Decaëns, 2001; Lavelle e Spain, 2001). A fauna do solo também atua no transporte de resíduos culturais ao longo do perfil, formando “sítios de matéria orgânica” causando disponibilidade de nutrientes nesses locais (Rheinheimer et al., 2000). Em razão da ausência de preparo do solo no SPD há formação de canais abertos por raízes mortas, micro, meso e macrofauna do solo que são caminhos potencialmente importantes nos movimentos descendentes da solução de solo, consequentemente, melhorias no ambiente radicular (Sá, 1999; Rheinheimer et al., 2000; Caires et al., 2000), merecendo destaque aquelas abertas por larvas de coró de pastagem (Diloboderus abderus) (Gassen e Kochhann, 1998). Apesar dos danos causados por algumas larvas, podem ser muito importantes na abertura de galerias e na incorporação de fezes e nutrientes no perfil do solo em pastagem e sistema de plantio direto (Aquino e Silva, 2005), especialmente, por que nem toda larva é pragas. Além disso, esses canais favorecem o movimento descendente de HCO2- acompanhado de Ca+2 e Mg+2 e, consequentemente, corrigiria a acidez e aumentaria os teores cálcio e magnésio nas camadas subsuperficiais do solo (Oliveira et al., 2002a). A estrutura da comunidade da macrofauna invertebrada do solo é influenciada tanto pelo sistema de manejo, como pela cobertura dos resíduos de culturas remanescentes de cultivos anteriores (Merlin et al., 2005; Aquino e Silva, 2005). As respostas se relacionam principalmente com as modificações da cobertura vegetal, que determina diretamente a quantidade e qualidade do recurso orgânico (Decaëns et al., 2001). O sistema que envolve rotação e sucessão de culturas aumenta a diversificação vegetal, favorece à entrada de diferentes tipos de exsudatos e restos culturais, gerando maior qualidade da matéria orgânica, fornecendo condições edáficas para a diversidade de grupos de macrofauna edáfica. Esses aspectos têm sido considerado aspecto chave para a manutenção da fertilidade dos solos tropicais, porém afetam as propriedades físicas e químicas, a matéria orgânica, o ciclo de 32 nutrientes e o crescimento vegetal (Stork e Eggleton, 1992; Lavelle et al. 1994; Lavelle e Spain, 2001), com reflexos na produtividade das culturas e na sustentabilidade do agroecossistema. Pelas razões expostas acima, vários trabalhos têm destacado a hipótese de que a diversidade e abundância da macrofauna invertebrada do solo, assim como a presença de determinados grupos em um sistema, podem ser usados como indicadores da qualidade dos solos (Stork e Eggleton, 1992; Chaussod, 1996; Brussaard et al., 1997; Muys e Granval, 1997; Tian et al., 1997; Socarrás, 1998; Tapia-Coral et al., 1999; Paoletti, 1999; Barros et al. 2002; Barros et al. 2003; Aquino, 2005; Correia e Oliveira, 2005), pois são muito sensíveis às diversas intervenções antrópicas no meio ambiente. Estas respostas se relacionam principalmente com as modificações da cobertura vegetal, que determina diretamente a quantidade e qualidade do recurso orgânico (Lavelle et al., 1992; Decaëns et al., 2001; Barros et al., 2004). O uso de organismos vivos, ou processos biológicos, como bioindicadores de qualidade ambiental apresenta-se como uma das novas estratégias para o monitoramento do ambiente e avaliação da qualidade de produtos, como uso potencial na agropecuária (Louzada et al., 2000). Este estudo permite ao pesquisador inferir sobre a qualidade do ambiente ou o efeito de algum agente estressor sobre os organismos vivos (Vos et al., 1985). O uso de bioindicadores envolve avaliações múltiplas a respeito da qualidade e quantidade da atividade biológicas, que incluem vários níveis de organizações biológicas e utilizam múltiplas escalas temporais de resposta, que podem variar desde resposta moleculares até respostas em nível de populações e comunidades biológicas (Louzada et al., 2000). Atualmente, com o crescente interesse por práticas conservacionistas, muita ênfase tem sido dada ao estudo da estrutura da comunidade invertebrada do solo, visando identificar as opções de manejo que possam otimizar suas atividades para o melhor 33 funcionamento do agroecossistema (Brussaard et al., 1997), embora com tentativas ainda tímidas de compreensão da importância econômica e ecológica. Portanto, há necessidade de um melhor entendimento sobre o modo com que esses organismos são afetados pelas práticas agrícolas, pois esses fatores combinados com outras propriedades de solo podem determinar a intensidade com que uma unidade de produção pode ser adequadamente manejada visando a produção sustentável de alimento e com menor impacto possível no ambiente. 2.5. Sustentabilidade dos agroecossistemas A agropecuária é uma atividade antrópica essencial para toda e qualquer sociedade, independente do nível de desenvolvimento. A grande questão contemporânea é saber como mantê-la produtiva sem afetar drasticamente os diferentes ecossistemas terrestres (Gualberto et al., 2003). A conscientização de que o planeta Terra, com seus recursos naturais limitados, caminha em processo acelerado para o esgotamento de suas potencialidades, tem ampliado a busca por alternativas de produção mais racionais (Napoleão, 2003). Tal fato tem sido alvo de preocupação de pesquisadores e governos de todos os países nas últimas décadas sobre a importância da sustentabilidade dos agroecossistemas, uma vez que a conseqüência direta da degradação ambiental tem sido o empobrecimento generalizado do ecossistema e da população que dele depende. Cerca de 20% do solo em todo mundo encontra-se degradado e somente através de adoção de novos sistemas de produção, mais adequados às diferentes condições ambientais do planeta, será possível melhorar este cenário (Napoleão, 2003). Essa crescente preocupação com o ambiente e com a qualidade de vida no planeta levou ao surgimento de um paradigma: a sustentabilidade agrícola. Embora, não se tenha um consenso quanto ao seu conceito, e inúmeras são as definições de sustentabilidade encontradas na literatura especializada (Tavares et al., 2003) e varia conforme a área de atividade ou ambiente a que for aplicado (Müller, 1996). Em 1987, a Comissão Mundial sobre 34 o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas, publicou o Relatório Bruntland, no qual foi apresentada a definição mais aceita e adotada para o desenvolvimento sustentável: aquele “que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (Coutinho et al., 2003). Segundo Daniel et al. (2001), a sustentabilidade é um conceito que pode ser aplicado a qualquer atividade desenvolvida pelo homem, e sua avaliação recebe diferentes enfoques, dependendo do nível de estudo e do ambiente em questão, ser urbano ou rural. Agricultura sustentável talvez seja, na atualidade, um dos temas mais debatidos e estudados nos meios acadêmicos e científicos (Tavares et al., 2003). Dentro deste enfoque surgiram varias definições procurando explicar o que se entende por agricultura sustentável. Apesar das contradições, há um consenso no sentido de que agricultura sustentável é, antes de mais nada, um objetivo a ser atingido. Além disso, diversas outras formas de sustentabilidades podem ser consideradas como a social, a cultural, a política, a ecológica, etc. Para Smyth et al. (1993) e Kitamura (1994), manejo sustentável combina tecnologias, políticas e atividades integrando princípios sócios-econômicos com preocupações ambientais de modo que se possa, simultaneamente manter ou melhorar a produção e os serviços (produtividade); reduzir o nível de riscos da produção (segurança); proteger o potencial dos recursos naturais e prevenir a degradação da qualidade do solo e da água (proteção); ser economicamente viável (viabilidade) e; ser socialmente aceitável (aceitabilidade). A busca da sustentabilidade sócio-econômica da exploração agrícola ou a procura de uma nova condição de equilíbrio do sistema de produção passa pelo manejo adequado dos solos (Hernani et al., 1997; Fregonezi et al., 2001). O manejo do solo agrícola é sustentável somente quando a sua qualidade é mantida ou melhorada concomitantemente, com a qualidade do ar, da água e dos alimentos, conciliando os objetivos de produtividade 35 com a capacidade produtiva a longo prazo (Doran e Parkin, 1994; Larson e Pierce, 1994). Portanto, a manutenção da qualidade do solo é vital para se atingir a sustentabilidade agropecuária e atender à demanda crescente de produção e conservação ambiental. Desde então, vários conceitos de qualidade do solo foram propostos, sendo o mais abragente aquele que a define como sendo a sua capacidade em manter a produtividade biológica, a qualidade ambiental e a vida vegetal e animal saudável na face da terra (Doran e Parkin, 1994). Pode-se, assim, entender a degradação do solo como sendo a perda da sua capacidade em desempenhar uma função e o grau da degradação como um indicador chave da sustentabilidade dos ecossistemas. Portanto, a qualidade do solo é um componente crítico de uma agricultura sustentável, e um sistema de produção pode ser sustentável apenas quando a qualidade do solo é mantida ou melhorada (Lal, 1997). Recentemente, a produtividade sustentada tem-se tornado um alvo primário, e a comunidade científica tem procurado respostas para a manutenção de um solo produtivo em uma dada região, aplicando os fundamentos da ciência do solo (Bruce et al., 1995). Doran (1997) afirma que a melhor maneira de se avaliar a sustentabilidade de um sistema de produção é medir o seu impacto na qualidade do solo, sendo seu estudo necessário para fornecer informações sobre o manejo do solo e assegurar a tomada de decisões para uma melhor utilização desse recurso (Sposito e Zabel, 2003). Para monitorar a qualidade do solo, com vistas em sugerir modificações nos sistemas de manejo utilizados pelos agricultores a tempo de evitar a sua degradação, é necessário definir indicadores de qualidade de solo e do ambiente sensíveis ao manejo e de fácil determinação (Mielniczuk, 1999). Esses indicadores devem refletir as alterações nos atributos da produtividade, resiliência, estabilidade e eqüidade dos agroecossistemas (Vieira, 2002; Ferraz, 2003). Basicamente, os conceitos da agricultura sustentável levam em consideração aspectos ambientais, econômicos e sociais, e dentro desse enfoque, o SPD é o que mais se 36 aproxima do conceito de agricultura sustentável ao longo do tempo, pois apresenta uma série de vantagens em relação ao preparo convencional do solo (Albuquerque et al., 1995; Cruz et al., 2001). Com base em vários resultados de pesquisa, o SPD reduz a erosão, aumenta o conteúdo de matéria orgânica com o tempo, consequentemente, a fertilidade do solo, a biodiversidade da biota, diminui o consumo de combustíveis fósseis, aumenta a disponibilidade de água para as plantas, preserva e recupera mananciais de água, contribui para o controle de CO2 e seus efeitos no aquecimento global (Janke e Papendick, 1994; Sá et al., 2004) e reduz os custos gerais da lavoura, com aumento gradativo da produtividade (Hernani et al., 1997; Borges, 1998; Santos et al., 2000). Nesse sentido, no caso específico do setor produtor de grãos uma estratégia para a sustentabilidade parece ser a diversificação das propriedades por meio das rotações de culturas e da integração da produção animal e vegetal (Veiga, 1993). Em suma, os sistemas diversificados e consos43ogis apresemnta uma sé w (de vantagede on3474msifadosecon3474msifamas) T 37 ALEGRE, J.C.; LARA, P.D. 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CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA EXPERIMENTAL As avaliações foram realizadas no período de 2000 a 2003 num experimento implantado desde 1995, ocupando uma área de 28 ha de um Latossolo Vermelho distroférrico típico, com 70% de argila, localizada na Embrapa Agropecuária Oeste, Município de Dourados, MS (22º 14’ 00” S e 54º 49’ 00” W). Antes da implantação do experimento, mais precisamente desde a década de 70, toda a área era utilizada para cultivo de grãos, com preparo convencional do solo, envolvendo arações e gradagens. Para o estabelecimento da área experimental, inicialmente foi implantada a cultura de milho na safra de inverno (safrinha) em toda a área, sendo previamente utilizado calcário e adubação fosfatada, de acordo com as recomendações técnicas. Em seguida, a área foi dividida em faixas, de modo a representar quatro sistemas de produção: 1) sistema convencional, com monocultivo de soja no verão e de aveia no outono/inverno, sendo o solo preparado com uso de grades de disco e herbicidas residuais em pré-emergência, ocupando uma área de 2,0 ha; 2) sistema plantio direto, com faixa subdividida em três partes de 2,0 ha, sendo duas ocupadas com soja e uma com milho, no verão, rotacionando-se com aveia, trigo e nabo forrageiro durante o outono/inverno. As culturas de trigo e aveia são utilizadas para produção de grãos, enquanto o nabo forrageiro é utilizado para produção de palha. Neste sistema são empregados herbicidas pós-emergentes e outras tecnologias disponíveis para a região, visando obter elevados rendimentos de grãos e reduzir as perdas do sistema; 3) sistema integrado lavoura/pecuária, com faixa subdividida em duas partes de 4,0 ha, sendo uma ocupada com lavoura e outra com pastagem (Brachiaria decumbens Stapf). O sistema é rotacionado a cada dois anos, quando a área ocupada com lavoura passa a ser ocupada com pastagem e vice-versa. Na área ocupada com lavoura, a soja é conduzida em plantio direto, no verão, rotacionando-se com aveia no inverno, sendo esta utilizada como .pastagem temporária; e 4) pastagem contínua, consistindo-se num sistema 57 com pastagem permanente (Brachiaria decumbens Stapf), numa área de aproximadamente 8,0 ha. O restante da área com pastagem permanente é ocupada com outras espécies de gramíneas, que não foram avaliadas no presente estudo. As áreas ocupadas com sistema plantio direto e integração lavoura/pecuária foram subdivididas, visando minimizar o efeito temporal envolvendo as culturas em rotação/sucessão. As pastagens foram manejadas em pastoreio rotativo, com lotação ajustada de forma a manter a oferta de forragem constante, em torno de 7% (7 kg de massa seca de forragem para 100 kg de peso vivo/dia) e sem suplementação no inverno (período de seca). Uma área adjacente, com vegetação nativa do tipo Cerrado, com cerca de 5 ha, foi incluída no estudo como referencial da condição original do solo. Na implantação dos sistemas de produção no modelo físico, foi estabelecido um plano de amostragem obedecendo um “grid” previamente definido, com 30 m de intervalo entre os pontos, possibilitando o georreferenciamento de todas as amostragens. O croqui do modelo contendo a localização espacial dos sistemas de produção e o plano de amostragem encontra-se na Figura 3.1. Figura 3.1 – Modelo físico da área experimental e plano de amostragem nos diferentes sistemas de produção, Dourados, MS. Os pontos assinalados com um círculo correspondem aos locais de amostragem. 58 4. ARTIGO: MACROFAUNA INVERTEBRADA DO SOLO SOB DIFERENTES COBERTURAS VEGETAIS EM SISTEMA PLANTIO DIRETO NO CERRADO 4.1. Resumo Este trabalho avalia a comunidade da macrofauna invertebrada do solo, através da sua abundância e riqueza de grupos, sob diferentes coberturas vegetais em sistema de plantio direto. As avaliações foram realizadas no campo experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, município de Dourados-MS, num Latossolo Vermelho distroférrico típico, sob sistema convencional, sistema de plantio direto e sistema natural. As amostragens foram realizadas em dezembro de 2000, junho de 2001, janeiro de 2002 e junho de 2002. Foram amostrados cinco monólitos de solo de 0,25 x 0,25 m de largura e 0,30 m de profundidade ao longo de um transecto. Os resíduos de cultura de nabo antes da cultura milho (nabo/milho) e os resíduos da cultura de soja antes da cultura de trigo e nabo (soja/trigo e soja/nabo) proporcionaram efeitos positivos na densidade e diversidade da comunidade da macrofauna edáfica. Palavras-chave: rotação/sucessão de cultura, comunidade, densidade, diversidade, minhocas, térmitas. 4.2. Abstract This work was aimed at evaluating the invertebrate macrofauna community in the soil, by means of its abundance and richness of groups under different plant covers in the no-till system. Evaluations were performed at the experimental field of Embrapa Agropecuária Oeste, in the municipal district of Dourados-MS, on a Typic Hapludox under conventional, no-till, and natural systems. Samplings were performed in December 2000, June 2001, January 2002, and June 2002. Five soil monoliths measuring 0.25 × 0.25 m width and 0.30 m depth were sampled along a transect. Turnip residues before a corn crop (turnip/corn) and soybean residues before wheat and turnip crops (soybean/wheat and soybean/turnip) provided positive effects on the density and diversity of the edaphic macrofauna community. Key words: crop rotation/succession, community, density, diversity, worms, termites. 59 4.3. Introdução Desde a sua introdução no Brasil, no início da década de 70, o sistema plantio direto (SPD) teve por parte dos agricultores uma valorização da importância da manutenção dos resíduos culturais (palhada) na proteção do solo. A compreensão do real valor da palhada no sistema plantio direto foi um dos fatores que determinaram o sucesso do novo sistema em condições tropicais e subtropicais. Atualmente o Brasil já apresenta cerca de 20 milhões de hectares sob plantio direto (Cervi, 2003), estando 25% dessa área localizada na região do Cerrado, onde nos últimos anos houve uma maior adoção, principalmente, em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O resíduo das culturas é precursor da matéria orgânica no solo; posteriormente à sua adição, processos biológicos são desencadeados, com reflexos nas propriedades físicas e químicas que contribuem para eficiência da ciclagem de nutrientes e a manutenção e/ou incrementos dos teores de matéria orgânica no solo. A decomposição dos resíduos culturais, processo-chave na ciclagem dos nutrientes, é um processo essencialmente biológico, do qual participam a microflora e a fauna do solo. Dentre os animais que constituem a fauna do solo, a macrofauna invertebrada edáfica compreende os maiores invertebrados que vivem no solo (> 2 mm de diâmetro corporal), incluindo os grupos das formigas, coleópteros, aranhas, minhocas, centopéias, cupins, diplópodos, etc. (Wolters, 2000; Lavelle e Spain, 2001). A macrofauna edáfica tem papel fundamental na fragmentação e incorporação da matéria orgânica ao solo, criando-se, assim, condições favoráveis à ação decompositora dos microrganismos (Bayer e Mielniczuk, 1999). As atividades desses organismos conduzem à criação de estruturas biogênicas (galerias, ninhos, câmaras e bolotas fecais), as quais influem na agregação, nas propriedades hidráulicas e na dinâmica da matéria orgânica do solo (Lavelle e Spain, 2001; Sanchéz e Reinés, 2001). Por sua vez, essas 60 estruturas influem na composição, abundância e diversidade de outros organismos do solo (Decaëns, 2001). Além disso, esses organismos contribuem na mobilidade vertical de nutrientes assimiláveis favorecendo assim o sistema radicular das plantas (Gassen, 1999; Brown et al., 1999) e podem ser também vetores de microrganismos simbióticos das plantas, como fixadores de nitrogênio e fungos de micorriza, bem como digerem, de maneira seletiva, microrganismos patógenos (Brown, 1995). Portanto, a abundância e a diversidade da comunidade de macrofauna invertebrada do solo são fatores importantes para a sustentabilidade de produção primária de ecossistemas naturais e dos agroecossistemas derivados (Decaëns et al., 2001). As comunidades de macrofauna invertebrada do solo respondem às diversas intervenções antrópicas no meio ambiente. Estas respostas se relacionam principalmente com as modificações da cobertura vegetal, que determina diretamente a quantidade e qualidade do recurso orgânico (Decaëns et al., 2001). Vários estudos têm destacado a hipótese de que a densidade e a diversidade da comunidade da macrofauna edáfica, assim como a presença de um determinado grupo de organismo em um sistema, podem ser usadas como bioindicadores da qualidade do solo (Chaussod, 1996; Brussaard et al., 1997; Muys e Granval, 1997; Paoletti, 1999; Barros et al. 2003). Portanto, avaliar o manejo conservativo da comunidade de macrofauna invertebrada do solo é uma etapa importante na busca de sustentabilidade dos agroecossistemas tropicais. Assim, o presente trabalho visou avaliar a comunidade da macrofauna invertebrada do solo sob diferentes coberturas vegetais em sistema plantio direto, utilizando um sistema convencional e outro natural como referencial. 4.4. Material e Métodos O trabalho foi conduzido no período de 2000-2002 no campo experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, município de Dourados-MS (22º 14’ 00” latitude sul e 54º 61 49’ 00” de longitude oeste de Greenwich), sob solo classificado como Latossolo Vermelho distroférrico típico, com teores médios de 70% de argila. O clima de ocorrência, segundo a classificação de Köppen, é Aw, com estação quente e chuvosa no verão e moderadamente seca no inverno. Os dados agroclimáticos mensais de precipitação pluvial (mm) e temperatura (ºC), durante o período de estudo, encontram-se na Figura 4.1. O experimento, utilizado no trabalho, foi instalado em 1995 com sistemas intensivos de produção e sistemas alternativos para a região, caracterizados a seguir: sistema convencional (SC) – consiste no cultivo de soja no verão e de aveia no outono/inverno, sendo o solo preparado com uso de grades de disco e utilização de herbicidas residuais em préemergência, ocupando uma parcela de 2,0 ha; sistema plantio direto (SPD) – agricultura em plantio direto, tendo como culturas de verão o milho e a soja, intercalados com nabo/aveia/trigo/ durante o outono/inverno, de forma a conter as seqüências de nabo/milho/aveia (n/m/a); aveia/soja/trigo (a/s/t) e trigo/soja/nabo (t/s/n), ocupando uma parcela de 2,0 ha cada. As culturas de trigo e aveia são utilizadas para produção de grãos e a cultura de nabo forrageiro para produção de palha. Neste sistema são empregados herbicidas pós-emergentes e todas as tecnologias disponíveis para a região, como manejo integrado de pragas, visando obter elevados rendimentos de grãos e reduzir as perdas do sistema e; sistema natural (mata) – fragmento de mata composto por espécies nativas típicas de cerrado, com cerca de 5 ha, contígua à área do experimento utilizada como referência da condição original do solo. As avaliações foram realizadas em quatro épocas: dezembro/2000, junho/2001, janeiro/2002 e junho/2002 (referentes a duas safras de verão e duas de inverno). As amostragens foram realizadas, em cada sistema, cerca de 15 dias após o plantio das culturas de verão e inverno. Foram amostrados cinco monólitos de solo de 0,25 x 0,25 m de largura e 0,30 m de profundidade ao longo de um transecto (Anderson e Ingram, 1993). Os 62 exemplares pertencentes a macrofauna invertebrada do solo, organismos maiores que 10 mm de comprimento e/ou maior de 2 mm de diâmetro corporal, foram extraídos e armazenados numa solução de álcool 70%. No laboratório, com auxílio de lupa binocular, procedeu-se a identificação, contagem e pesagem dos organismos, ao nível de grandes grupos taxonômicos, sendo identificadas separadamente as famílias Formicidae e Enchytraeidae. 400 350 300 250 200 150 100 50 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 4.1 - Precipitação pluvial e temperatura média mensal obtidos na Estação de Agroclimatologia da Embrapa Agropecuária Oeste, referente aos anos 2000, 2001 e 2002. As setas indicam os meses em que foram realizadas as amostragens da macrofauna do solo. Nos sistemas estudados também foram realizadas coletas de amostras de solo, com cinco repetições, na profundidade 0-30 cm, as quais foram enviadas ao Laboratório de solo da Embrapa Agropecuária Oeste, para a caracterização química de acordo com Embrapa/SCNLS (1997) (Tabela 4.1). Os dados de macrofauna obtidos (x), dada a sua heterogeneidade, foram transformados em log (x + 1) e depois submetidos à análise de variância, e as médias comparadas pelo teste de Tukey, ao nível de 5% (p<0,05). Efetuou-se análise de correlação 63 para os dados de riqueza em função dos teores de matéria orgânica. Os dados de riqueza e dos principais grupos da macrofauna edáfica foram submetidos à analise multivariada de componentes principais para avaliar qualitativamente o grau de alteração do solo entre os diferentes sistemas produtivos e em relação ao sistema natural, utilizando o Programa SPAD. Tabela 4.1 – Caracterização química de solo na profundidade 0-30 cm sob sistema convencional (SC), sistema plantio direto (SPD) e sistema natural (SN). Valores médios das quatro épocas de avaliação. pH P K Ca Mg Al MO Sistemas SC SPD (n/m/a)1 SPD (a/s/t)2 SPD (t/s/n)3 SN H2 O Mg dm-3 5,1 5,3 5,2 5,3 6,0 11,2 14,8 17,4 17,5 1,7 -----------------------cmolc dm-3-------------------- g kg -1 0,4 0,3 0,4 0,3 0,5 26,4 26,3 26,0 26,5 47,8 3,0 4,1 3,5 3,8 9,7 1,1 1,8 1,4 1,6 2,7 1,2 0,5 0,9 0,7 0,1 1 SPD (n/m/a): milho cultivado em sucessão a nabo forrageiro e aveia em sucessão a milho; 2 SPD (a/s/t): soja cultivada em sucessão a aveia e trigo em sucessão a soja e 3 SPD (t/s/n): soja cultivada em sucessão a trigo e nabo em sucessão a soja. 4.5. Resultados e Discussão Conforme os dados apresentados nas Tabelas 4.2 e 4.3, observou-se que houveram diferenças significativas (p>0,05) para a densidade total e riqueza de grupos da comunidade de macrofauna invertebrada do solo entre os sistemas estudados. O sistema com fragmento de mata (SN) foi o que apresentou maior densidade total e riqueza de grupos quando comparado aos demais sistemas. Dentre os agroecossistemas, encontrou-se a maior densidade total no sistema plantio direto com sucessão de nabo/milho/aveia em comparação ao sistema convencional. Destacando-se neste sistema a sucessão de nabo/milho, com cerca de 2.336 (dez/2000) e 1.043 ind./m2 (jan/2002) (Tabela 4.2). Nos outros sistemas de plantio direto com sucessão aveia/soja/trigo e trigo/soja/nabo, apesar de não haver diferenças significativas em comparação com o sistema convencional, destacaram-se as sucessões soja/trigo (2.246 e 1.635 ind./m2 e soja/nabo (1.184 e 1763 ind./m2 ). Nos sistemas cultivados de plantio direto com resíduos remanescentes da cultura anterior, principalmente quando há 64 maior aporte de nitrogênio, seja através da soja ou do nabo, observou-se maiores valores de densidade total (Santos e Reis, 2001) (Tabela 4.2), quando o aporte foi de gramíneas, que apresentam maior relação C/N (Zotarelli, 2000), os valores de densidade foram menores. Tabela 4.2– Densidade total (ind m-2) da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional (SC), sistema plantio direto (SPD) e sistema natural (SN). Épocas Sistemas SC SPD (n/m/a)1 SPD (a/s/t)2 SPD (t/s/n)3 SN Médias Dez/00 Jun/01 Jan/02 Jun/02 Médias 899 2336 435 554 2278 1300 a 890 1091 2246 1184 1494 1381 a 301 1043 227 282 5430 1457 a 557 928 1635 1763 4192 1815 a 662 c 1350 b 1136 bc 946 bc 3349 a --- 1 SPD (n/m/a): milho cultivado em sucessão a nabo forrageiro e aveia em sucessão a milho; 2 SPD (a/s/t): soja cultivada em sucessão a aveia e trigo em sucessão a soja e 3 SPD (t/s/n): soja cultivada em sucessão a trigo e nabo em sucessão a soja. Médias grafadas com letras diferentes, dentro da mesma linha e coluna, contrastam pelo teste de Tukey, a 5%. Dentre os sistemas de manejo no SPD, os valores de riqueza de grupos foram semelhantes, no entanto, significativamente superiores ao sistema convencional (p<0,05). Foi detectada uma correlação positiva e significativa (r = 0,65; p<0,05) entre os valores de riqueza de grupos e os teores de matéria orgânica do solo, indicando que as características químicas do solo e o tipo de vegetação contribuem favoravelmente a manter elevadas valores de densidade e riqueza de grupos da comunidade de macrofauna invertebrada do solo. Os grupos da macrofauna invertebrada do solo Coleoptera, Chilopoda, Arachnida, Enchytraeidae, Larvas de Coleoptera, Formicidae, apesar de não apresentarem diferenças significativas entre os sistemas de cultivo (p>0,05), foram encontrados em maior densidade no sistema plantio direto com sucessão nabo/milho/aveia (Tabela 4.3). Já para Isoptera, a maior densidade foi observada no sistema plantio direto com sucessão aveia/soja/trigo. A comunidade de insetos sociais (Formicidae e Isoptera) foi responsável por 65 mais de 40 % da densidade total dos sistemas cultivados, sendo formigas no verão e ambos no inverno. Os valores de densidade de Oligochaeta foram significativamente semelhantes entre os sistemas de manejo no SPD (n/m/a, a/s/t e t/s/n), no entanto, significativamente superiores ao sistema convencional. Estes organismos têm sido descritos como engenheiros ecológicos do solo, pois as estruturas biogênicas que produzem são importantes no sistema, representando sítios em que ocorrem alguns processos fundamentais, como a estimulação da atividade microbiana, a formação de estrutura de solo e a dinâmica de matéria orgânica (Jones et al., 1994; Lavelle, 1996 e 1997). Alguns organismos adultos e na fase larval tiveram ocorrência esporádica; em algumas propriedades com apenas um indivíduo, onde classificouse como o grupo “outros” e “outras larvas”. Tabela 4.3 – Densidade de indivíduos (ind m-2) e riqueza (n.º de grupos) da macrofauna invertebrada do solo sob sistemas convencional (SC), plantio direto (SPD) e natural (SN). Valores médios de 4 épocas de avaliação. Os dados entre parênteses referem-se ao erro padrão. Macrofauna SC Arachnida 2 (±1,3) b Coleoptera 21 (±4,9) a Chilopoda 12 (±5,0) b Oligochaeta 22 (±8,1) c Enchytraeidae 3 (±1,9) b Formicidae 199 (±59,4) a Isoptera 275 (±122,3) a Larvas de Coleoptera 94 (±17,6) ab Outras larvas 10 (±6,1) b Outros invertebrados 22 (±6,9) c Riqueza 11 c SPD (n/m/a) 1 14 (±2,9) ab 83 (±19,5) a 18 (±9,8) b 50 (±12,4) b 80 (±69,0) b 810 (±189,6) a 54 (±119,0) a 106 (±26,1) ab 45 (±13,1) ab 88 (±28,8) b 16 b Sistemas SPD (a/s/t)2 10 (±8,1) ab 32 (±8,1) a 10 (±6,2) b 104 (±21,3) ab 23 (±15,9) b 194 (±170,0) a 625 (±22,6) a 80 (±16,8) b 19 (±19,9) b 39 (±11,4) c 15 b SPD (t/s/n)3 9 (±2,7) ab 22 (±8,1) a 11 (±3,3) b 73 (±26,8) b 30 (±10,5) b 304 (±34,8) a 349 (±331,0) a 66 (±19,2) b 58 (±51,7) ab 25 (±7,0) c 14 b SN 19 (±5,6) a 173 (±121,0) a 47 (±13,0) a 120 (±17,0) a 1818 (±393,4) a 513 (±170,4) a 173 (±150,5) a 183 (±33,6) a 84 (±51,1) a 219 (±25,6) a 20 a 1 SPD (n/m/a): milho cultivado em sucessão a nabo forrageiro e aveia em sucessão a milho; 2 SPD (a/s/t): soja cultivada em sucessão a aveia e trigo em sucessão a soja e 3 SPD (t/s/n): soja cultivada em sucessão a trigo e nabo em sucessão a soja. Médias grafadas com letras diferentes, dentro da mesma linha, contrastam pelo teste de Tukey, a 5%. Em relação à biomassa total, observa-se que houve diferença estatística (P<0,05) entre os sistemas (Tabela 4.4). O fragmento de mata apresentou o maior valor de biomassa total em relação aos demais sistemas, associado ao alto status de nutriente e aporte 66 contínuo de matéria orgânica (Tabela 4.1), como indicado por Fragoso e Lavelle (1992), o que não ocorre nos sistemas agrícolas. Dentre os sistemas cultivados, a maior biomassa total foi observada no sistema plantio direto com sucessão trigo/soja/nabo com forte contribuição dos grupos Oligochaeta, Enchytraeidae, Larvas de Coleoptera e Formicidae. Os demais grupos apresentaram maior biomassa nos sistema plantio direto com sucessão nabo/milho/aveia. Com exceção do sistema convencional, em todos os demais sistemas observou-se aumento da biomassa total do verão para o inverno, atribuído principalmente a ocorrência de larvas de Coleoptera (corós) em função do seu ciclo biológico (Salvadori, 1997). Tabela 4.4 – Biomassa de indivíduos (mg m-2) da macrofauna invertebrada do solo sob sistemas convencional (SC), plantio direto (SPD) e natural (SN). Valores médios de 4 épocas de avaliação. Os dados entre parênteses referem-se ao erro padrão Macrofauna Arachnida Coleoptera Chilopoda Oligochaeta Enchytraeidae Formicidae Isoptera Larvas de Coleoptera Outras larvas Outros invertebrados Total 1 SC 0,2 b (±0,2 ) 100,6 b (±25,0) 50,6 ab (±27,6) 146,6 b (±65,8) 0,6 b (±0,4) 211,1 a (±77,1) 423,8 a (±193,8) 2737,8 ab (±968,1) 60,6 b (±31,0) 233,4 b (±192,2) 3964,6 bc (±1010,8) SPD (n/m/a) 1 38,6 b (±20,7) 790,1 b (±230,4) 78,2 a (±38,4) 676,5 a (±165,7) 16,8 b (±13,6) 427,4 a (±174,8) 677,4 a (±356,6) 2063,4 abc (±532,2) 235,4 ab (±135,5) 197,2 b (±67,0) 5200,9 bc (±840,8) Sistemas SPD (a/s/t)2 20,1 b (±4,5) 417,2 b (±378,5) 5,8 b (±35,6) 373,0 a (±150,5) 6,3 b (±36,4) 152,7 a (±146,7) 630,6 a (±29,7) 731,5 c (±372,9) 83,4 ab (±40,8) 431,3 b (±100,5) 2852,1 c (±1657,3) SPD (t/s/n)3 10,2 b (±11,8) 754,4 b (±160,6) 48,3 ab (±4,4) 746,9 a (±135,0) 41,0 b (±3,4) 559,8 a (±29,7) 89,8 a (±306,2) 2926,3 ab (±214,8) 92,8 ab (±43,1) 309,4 b (±247,2) 5578,9 b (±633,6) SN 666,3 a (±640,6) 1.843,4 a (±835,9) 63,6 ab (±21,7) 1195,3 a (±266,6) 1405,9 a (±255,9) 237,9 a (±104,2) 658,9 a (±615,9) 4046,0 a (±1060,0) 607,5 a (±293,0) 2017,8 a (±621,5) 12742,6 a (±1548,1) SPD (n/m/a): milho cultivado em sucessão a nabo forrageiro e aveia em sucessão a milho; 2 SPD (a/s/t): soja cultivada em sucessão a aveia e trigo em sucessão a soja e 3 SPD (t/s/n): soja cultivada em sucessão a trigo e nabo em sucessão a soja. Médias grafadas com letras diferentes, dentro da mesma linha, contrastam pelo teste de Tukey, a 5%. 67 A análise de componentes principais (ACP) foi apresentada por ano agrícola na Figura 4.2. Os dois primeiros componentes principais foram considerados na interpretação dos resultados, sendo que o primeiro componente explicou 37,98 e 65,78 % e o segundo 21,05 e 19,09 % da variabilidade total dos dados dos anos agrícolas 2000/2001 e 2001/2002, respectivamente. O primeiro componente (Eixo I) associou o sistema com fragmento de mata ao sistema plantio direto com sucessão nabo/milho e separou estes dos demais sistemas cultivados, obedecendo ao mesmo padrão de distribuição tanto no ano agrícola 2000/2001, quanto no ano agrícola 2001/2002, atribuído a maior riqueza e abundância da macrofauna nesses sistemas. O segundo componente principal (Eixo II) separou o sistema plantio direto com sucessão soja/nabo e soja/trigo dos demais sistemas cultivados nos dois anos agrícolas. Isoptera foi o principal grupo associado a essa separação nos dois anos consecutivos, sendo observado Oligochaeta apenas no ano de 2000/2001. Na época das avaliações, a palhada da soja se encontrava em um estádio bem avançado de decomposição, apresentando grande quantidade de cascas de vagens e hastes que são materiais bastante lignificados, favorecendo a ocorrência dos térmitas. Esse grupo geralmente está relacionado a matéria orgânica com alta relação C/N, beneficiando-se da associação com microrganismos fixadores de nitrogênio (Lavelle e Spain, 2001). Observa-se ainda que esse componente separou o sistema natural avaliado no verão do inverno, indicando a influência da sazonalidade. O sistema plantio direto com sucessão milho/aveia no ano agrícola 2001/2002, apresenta-se no centro do plano, por apresentar características bióticas intermediárias. 68 Ano agrícola 2000/2001 Ano agrícola 2001/2002 Figura 4.2 – Análise de componentes principais (ACP) dos principais grupos da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob sistemas convencional (SC), plantio direto (SPD) e natural (mata). SPD (nabo/milho): milho cultivado em sucessão a nabo; SPD (aveia/soja e trigo/soja): soja cultivado em sucessão a aveia e trigo; SPD (milho/aveia): aveia cultivado em sucessão a milho; SPD (soja/trigo e soja/nabo): trigo e nabo cultivados em sucessão a soja. 69 O grupo de minhocas (Enchytraeidae e Oligochaeta) respondeu positivamente ao sistema plantio direto com sucessão nabo/milho, sendo que no primeiro ano esse efeito foi mais pronunciado para Enchytraeidae e no segundo para os demais Oligochaeta. Alguns autores sugerem efeitos antagônicos entre Enchytraeidae e outros grupos de Oligochaeta, sendo que em sistema natural existe maior oportunidade para ocupar nichos diferenciados (Didden et al. 1997). Tanck et al. (2000) constataram que o plantio direto promoveu maior densidade de Oligochaeta, pois proporciona melhor ambiente para a sobrevivência e reprodução desses organismos. Enchytraeidae foi um dos grupos que se destacou nesse agrupamento com elevada abundância na mata, alcançando mais de 60% no verão 2001/2002 e inverno 2002, em decorrência desta ser um ambiente mais favorável em termos de temperatura, umidade e melhor qualidade e abundância de matéria orgânica (Didden et al. 1997; Lavelle e Spain, 2001). O sistema plantio direto representa um agroecossistema ecologicamente mais complexo que o sistema convencional o que possibilita a maior abundância de grupos predadores (Robertson et al. 1994; Benito, 2002), como Chilopoda e Arachnida, observados nas safras de verão e inverno. Mas, existem muitas diferenças em relação à sucessão dos cultivos. 4.6. Conclusões 1. Os resíduos da cultura de nabo antes da cultura milho no verão (nabo/milho) proporcionam condições para estabelecimento e desenvolvimento de comunidade invertebrada da macrofauna mais diversa e mais similar à encontrada em área de mata. 2. O grupo de minhocas (Enchytraeidae e Oligochaeta) respondeu positivamente ao sistema plantio direto com rotação nabo/milho, sendo que no primeiro ano esse efeito foi mais pronunciado para Enchytraeidae e no segundo para os demais Oligochaeta. 70 3. Os resíduos da cultura de soja antes da cultura de trigo e nabo no inverno (soja/trigo e soja/nabo), após decomposição, favoreceram a ocorrência de cupins. 4. Nos sistemas de plantio direto com seguidas sucessões de palhadas de gramíneas, a comunidade da macrofauna apresentou correspondência com o sistema convencional. 5. O sistema plantio direto em relação ao sistema convencional de maneira geral, propiciou maior abundância de grupos predadores, como Chilopoda e Arachnida. 4.7. Referências Bibliográficas ANDERSON, J.M.; INGRAM, J.S.I. Tropical soil biology and fertility: a handbook of methods . 2. ed. Wallingford: CAB, 1993. 221p. BARROS, E.; NEVES, A.; BLANCHARD, E.; FERNANDES, E.C.M.; WANDELLI, E.; LAVELLE, P. Development of the soil macrofauna community under silvopastoral and agrosilvicultural systems in Amazonia. Pedobiologia, v.47, p.273-280, 2003. BAYER, C.; MIELNICZUK, J. Dinâmica e função da matéria orgânica. In: SANTOS, G.A.; CAMARGO, F.A.O. 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Resumo O trabalho teve como objetivo determinar e comparar a densidade e diversidade da comunidade de macrofauna invertebrada do solo de um sistema de produção de rotação lavoura e pecuária conduzidos em plantio direto com sistemas intensivos de produção de grãos e de carne bovina. O trabalho foi conduzido no município de Dourados-MS (22º 14’ 00” latitude sul e 54º 49’ 00” de longitude a oeste de Greenwich), num solo classificado como Latossolo Vermelho distroférrico típico, sob sistema de monocultivo com preparo convencional do solo (sucessão soja/aveia), sistema integração lavoura/pecuária em plantio direto, pastagem contínua e sistema com fragmento de mata. As amostragens foram realizadas nas safras de verão e inverno. Os sistemas que teveram pouca interferências antrópicas apresentaram maior abundância e riqueza da comunidade da macrofauna invertebrada do solo. Palavras chaves: rotação lavoura/pecuária, densidade, riqueza, minhocas. 5.2. Abstract This work’s objective was to determine and compare density and diversity of the soil’s invertebrate macrofauna community in a crop/livestock rotation production system conducted under no-till as intensive grain and beef cattle production systems. The work was conducted in the municipality of Dourados-MS (22º 14’ 00” south latitude, and 54º 49’ 00” longitude west of Greenwich), in a soil classified as a Typic Hapludox, in a monocropping system under conventional soil tillage (soybean/oat succession), a cropping/livestock integration system under no-till, a continuous pasture, and a forest fragment system. Samplings were performed during the summer and winter cropping seasons. Systems with little anthropic interferences showed greater abundance and richness in soil invertebrate macrofauna community. Key words: crop/livestock rotation, density, richness, earthworms. 74 5.3. Introdução A exploração primária na região do Cerrado baseia-se na produção de grãos em lavouras mecanizadas e bovinocultura de corte extensivo, apresentando baixos índices de eficiência, além de crescentes taxas de degradação dos solos e do potencial produtivo (Salton et al., 2001). Tais processos são decorrentes dos efeitos de manejo inadequado de solo e pastagem, pastejo excessivo, monocultura, ausência de práticas conservacionistas e uso de equipamentos inadequados no preparo do solo, com reflexos diretos na preservação dos recursos naturais. Estima-se que de 60 a 80% das pastagens nesta região estejam em algum estágio de degradação (Kluthcouski e Aidar, 2003; Embrapa, 2004). Como forma de otimização da exploração agropecuária na região, estão sendo implementados sistemas de produção conduzidos em plantio direto com rotação entre lavoura e pecuária, beneficiando ambas atividades. Segundo Lal (1991), a rotação entre culturas anuais e pastagens é uma das alternativas para se obter um manejo sustentável de solo e água nos trópicos. De acordo com Gassen e Gassen (1996) e Melo (1996) este sistema tem demonstrado ser técnico e economicamente viável. Na integração dos sistemas de produção de grãos e pecuária, as gramíneas apresentam sistema radicular extenso e em constante renovação, que melhora a estrutura do solo e promove a deposição de grande quantidade de resíduos orgânicos, os quais, mantidos na superfície, exercem efeitos na proteção do solo contra as intempéries. As leguminosas contribuem com nitrogênio, beneficiando, com isso, as pastagens subseqüentes e os animais na reciclagem de nutrientes, com retorno ao sistema dos nutrientes contidos no tecido vegetal através de dejetos (Vilela, 2004). A adição de material orgânico no sistema integrado, através de resíduos animais (principalmente esterco), raízes e resíduos dos cereais e da forrageira, estimula o desenvolvimento de diferentes espécies de invertebrados do solo, pertencentes a numerosos 75 grupos taxonômicos, que são os maiores agentes reguladores dos processos físicos, químicos e biológicos (Martínez e Sánchez, 2002). Dentre os organismos invertebrados do solo está a macrofauna, que compreende os organismos maiores que 10 mm de comprimento e/ou maiores que 2 mm de diâmetro corporal, incluindo os grupos das formigas, coleópteros, aranhas, minhocas, centopéias, cupins, diplópodes, etc. (Lavelle et al., 1994; Wolters, 2000; Lavelle e Spain, 2001). As comunidades de macrofauna invertebrada desempenham um papel chave nos processos de ciclagem de nutrientes e na estrutura do solo (Blanchart et al., 1997; Decaëns, 2001; Marín et al., 2001). Estes organismos, além da fragmentação do material orgânico, regulam a população microbiana responsável pelos processos de mineralização e humificação, portanto, influenciam na reciclagem de matéria orgânica e na liberação de nutrientes assimiláveis para as plantas (Huhta et al., 1991; Beare et al., 1994; Wardle e Lavelle, 1997). Podem ser também vetores de microrganismos simbióticos das plantas, como fixadores de nitrogênio e fungos de micorriza, bem como digerem, de maneira seletiva, microrganismos patógenos (Brown, 1995). As atividades desses organismos consistem na escavação e/ou ingestão e transporte de material mineral e orgânico no solo, levando à criação de estruturas biogênicas (galerias, ninhos, câmaras e bolotas fecais), as quais influem na agregação, propriedades hidráulicas, dinâmica da matéria orgânica e na composição, abundância e diversidade de outros organismos do solo (Decaëns, 2001; Lavelle e Spain, 2001). Os organismos da macrofauna, principalmente os térmitas, as formigas, as minhocas e larvas de coleópteros são denominados “engenheiros do ecossistema” pela habilidade de modificar o ambiente físico e químico onde vivem (Stork e Eggleton 1992; Jones et al., 1994; Lavelle et al., 1997; Wolters, 2000). 76 Pelas razões expostas acima, vários trabalhos têm destacado a hipótese de que a diversidade e abundância da macrofauna invertebrada do solo, assim como a presença de determinados grupos em um sistema, podem ser usados como indicadores da qualidade dos solos (Stork e Eggleton, 1992; Chaussod, 1996; Muys e Granval, 1997; Tian et al., 1997; Socarrás, 1998; Tapia-Coral et al., 1999; Paoletti, 1999; Barros et al. 2002), pois são muito sensíveis à modificações do manejo do solo (Lavelle et al., 1992). Estudos recentes têm demonstrado a sua importância na recuperação de áreas degradadas (Tapia-Coral et al., 1999; Barros et al., 2002; Barros et al., 2004). Atualmente, com o crescente interesse por práticas conservacionistas, muita ênfase tem sido dada ao estudo da estrutura da comunidade invertebrada do solo, visando identificar as opções de manejo que possam otimizar suas atividades para o funcionamento do ecossistema (Brussaard et al., 1997). Assim, o presente trabalho teve como objetivo determinar e comparar a densidade e diversidade da comunidade de macrofauna invertebrada do solo de um sistema de produção de integração lavoura e pecuária conduzido em plantio direto, com sistemas intensivos de produção de grãos e de carne bovina. 5.4. Material e Métodos O trabalho foi conduzido no período de 2002-2003 no campo experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, município de Dourados-MS (22º 14’ 00” latitude sul e 54º 49’ 00” de longitude a oeste de Greenwich), sob solo classificado como Latossolo Vermelho distroférrico típico, com teores médios de 70% de argila. O clima de ocorrência, segundo a classificação de Köppen, é Aw, com estação quente e chuvosa no verão e moderadamente seca no inverno. Os dados agroclimáticos mensais de precipitação pluvial (mm) e temperatura (ºC), durante o período de estudo, encontram-se na Figura 5.1. 77 2001 400 2002 2001 2002 2003 (Precipitação) 2003 (Temperatura) 30 350 25 20 250 200 15 150 10 Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 300 100 5 50 0 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 5.1 - Precipitação pluvial e temperatura média mensal obtidos na Estação de Agroclimatologia da Embrapa Agropecuária Oeste, referente aos anos 2001, 2002 e 2003. As setas indicam os meses em que foram realizadas as amostragens da macrofauna edáfica. O experimento, utilizado no trabalho, foi instalado em 1995, com sistemas intensivos de produção e sistemas alternativos para a região, caracterizados a seguir: sistema convencional – consiste no cultivo de soja (Glycine max Merril) no verão e de aveia (Avena strigosa Schreb) no outono/inverno, sendo o solo preparado com uso de grades de disco e utilização de herbicidas residuais em pré-emergência, ocupando uma parcela de 2 ha; sistema com integração lavoura/pecuária – consiste na rotação de soja (Glycine max Merril) com pastagem (Brachiaria decumbens), conduzidos em plantio direto e utilização de pastagem temporária de aveia (Avena strigosa Schreb), em sucessão à soja. Cada ciclo de rotação é de dois anos, sendo a pastagem de braquiária dessecada com herbicida e implantada a soja no verão e aveia no inverno e, após dois anos, é efetuada nova semeadura de pastagem. O sistema ocupa uma área de 8 ha, dividida em duas parcelas de 4 ha, de forma a conter a fase de lavoura (SI-L) e de pastagem (SI-P) no mesmo momento. Os animais são manejados adequadamente em pastejo rotacionado, sem suplementação no período da seca, com todas as 78 recomendações técnicas sanitárias; pastagem contínua – consiste em pastagem permanente com braquiária (Brachiaria decumbens), conduzida em sistema rotacionado de pastejo, em uma área de aproximadamente 10 ha; e sistema natural – fragmento de vegetação composto por espécies nativas, contígua à área do experimento, utilizada como referência da condição original do solo. As amostragens foram feitas em quatro épocas distintas: janeiro/02, junho/02, janeiro/03 e julho/03 (referentes a duas safras de verão e inverno). Foram amostrados cinco monólitos de solo de 0,25 x 0,25 m de largura e 0,30 m de profundidade, ao longo de um transecto, determinado ao acaso, de acordo com Anderson e Ingram (1993), onde a macrofauna foi extraída e colocada numa solução de álcool 70%. Com auxílio de lupa binocular, procedeu-se a identificação, contagem e pesagem dos organismos, ao nível de grandes grupos taxonômicos, atuantes no conjunto serapilheira-solo. Em cada época de avaliação, coletaram-se amostras de solo, com cinco repetições, na profundidade 0-30 cm, as quais foram enviadas ao Laboratório de solo da Embrapa Agropecuária Oeste, para a caracterização química de acordo com Embrapa/SCNLS (1997) (Tabela 5.1). Tabela 5.1 – Caracterização química de solo na profundidade 0-30 cm sob sistema convencional (SC), sistema integrado lavoura/pecuária (SI-P e SI-L), pastagem contínua (PC) e sistema natural (SN). Valores médios das quatros épocas de avaliação. pH P K Ca Mg Al MO Sistemas SC SI – P 1 SI – L 2 PC SN 1 H2 O mg dm-3 5,2 5,2 5,4 5,5 6,1 13,0 9,2 8,4 4,0 1,9 -----------------------cmolc dm-3----------------- g kg -1 0,4 0,2 0,3 0,4 0,5 25,3 26,0 28,3 30,1 49,1 3,1 2,7 3,4 3,5 9,3 1,3 1,2 2,0 2,1 2,7 1,0 0,9 0,6 0,4 0,1 SI-P: pastagem cultivado após 2 anos de lavoura (soja/aveia) e 2 SI-L: lavoura (soja/aveia) implantada após 2 anos de pastagem. 79 Os dados de macrofauna obtidos (e), dada a sua heterogeneidade, foram transformados em (e + 0,5)1/2 e depois submetidos à análise de variância (teste F), em esquema fatorial (5 x 4) com cinco sistemas para o primeiro fator e em quatro épocas diferentes de avaliação para o segundo fator, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey, estabelecendo-se em 5% (p<0,05) o nível de rejeição de hipótese de nulidade. Efetuou-se análise de coeficiente de correlação para os dados de riqueza em função dos teores de matéria orgânica. Os dados também foram submetidos à análise de agrupamento (cluster analysis), adotando-se o método do vizinho mais distante (complete linkage) para descrever a similaridade entre os sistemas estudados, utilizando o programa “Statistica” (versão 5.0, StatSoft). 5.5. Resultados e Discussão Não foi detectada interação significativa (p>0,05) entre o sistema de produção e a época de amostragem na análise para os valores de densidade, biomassa e riqueza de grupos. De acordo com os resultados apresentados na Tabela 5.2, verificou-se efeito significativo (p<0,05) entre os sistemas de produção em relação à densidade total da comunidade de macrofauna invertebrada do solo. O sistema com fragmento de mata foi o que apresentou a maior densidade total, diferindo estatisticamente dos demais sistemas. Entre os agroecossistemas, os maiores valores de densidade foram observados na pastagem contínua e no sistema integrado na fase lavoura em relação ao sistema convencional. A similaridade entre os valores de densidade total no sistema convencional e sistema integrado na fase pecuária foi, provavelmente, em virtude do efeito do manejo anterior, observado principalmente na época janeiro/2002, onde a transição de lavoura para a pastagem teve efeito marcante (aveia/pastagem), desaparecendo ao longo das outras épocas de avaliações após a estabilização da pastagem. Entre as épocas observou-se menor densidade 80 em julho/2003 (p<0,05) em comparação a junho/2002, provavelmente, devido à baixa precipitação no mês que antecedeu a época de amostragem (Figura 5.1). Tabela 5.2 – Densidade total (ind.m-2) da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional (SC), sistema integrado lavoura/pecuária (SI-P e SIL), pastagem contínua (PC) e sistema natural (SN). Épocas Sistemas SC SI – P1 SI – L2 PC SN Médias janeiro/2002 junho/2002 janeiro/2003 julho/2003 Médias 301 243 1.744 1.242 5.430 1.792 ab 557 1.219 1.568 5.114 4.192 2.530 a 109 1.114 928 595 3.853 1.320 b 150 1.107 893 1.389 1.386 985 b 279 c 921 bc 1.283 b 2.085 b 3.715 a --- 1 SI-P: pastagem cultivada após 2 anos de lavoura (soja/aveia) e 2 SI-L: lavoura (soja/aveia) implantada após 2 anos de pastagem. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna ou linha, contrastam pelo teste de Tukey, a 5% de significância. Os tipos de manejo e as práticas culturais podem determinar quais os grupos da fauna de solo e em que quantidade estarão presentes nos solos (Wardle et al., 1993; Didden et al., 1994). Em relação à composição taxonômica da comunidade de macrofauna invertebrada do solo, observa-se que os grupos responderam de maneira diferenciada aos sistemas de manejo do solo e a época de amostragem (Tabela 5.3). Os grupos de maior expressão nos sistemas cultivados foram os insetos sociais (Formicidae e Isoptera), responsáveis por mais de 50 % da densidade total dos sistemas cultivados, com predominância de Formicidae em áreas com lavouras (SC e SI-L) e Isoptera nos sistemas com pastagem (SI-P e PC). O primeiro grupo destacou-se nas safras de verão e o segundo nas safras de inverno. Alguns organismos adultos ou em forma imatura tiveram ocorrência esporádica; em algumas propriedades com apenas um indivíduo, classificado como “outros invertebrados” e “outras larvas”, respectivamente. Todos esses grupos estão entre os importantes componentes da fauna do solo (Sánchez e Reinés, 2001; Dajoz, 2001), pois participam da decomposição da matéria 81 orgânica e da ciclagem de nutrientes (Fowler et al., 1991). No caso de Isoptera, junto com as Oligochaeta, são considerados como os “engenheiros de ecossistema” (Lavelle, 1996), pela capacidade de ingerir e transformar partículas orgânicas e minerais. Esse grupo, geralmente está relacionado à matéria orgânica com alta relação C/N, beneficiando-se da associação com microrganismos fixadores de nitrogênio (Lavelle e Spain, 2001), que permitem digerir a maioria dos substratos complexos (complexo tanino-proteina, lignina e compostos húmicos) (Garnier-Sillam e Harry, 1995; Sánchez e Reinés, 2001). No sistema com fragmento de mata (SN) verificou-se uma forte dominância de Enchytraeidae representando mais de 50% da comunidade (Tabela 5.3), possivelmente, em decorrência deste ser um ambiente mais favorável em termos de temperatura, umidade e melhor qualidade e abundância de matéria orgânica (Tabela 5.1). Os demais oligoquetas responderam positivamente ao sistema integrado na fase de pecuária e pastagem contínua, provavelmente, devido à maior densidade de raízes que as pastagem produzem, o que implica em mais exudados radiculares e matéria orgânica. Além disso, estes sistemas podem ser beneficiados pelo aumento da qualidade da matéria orgânica proveniente de dejetos dos animais. Isto produz um aumento da mineralização do carbono, favorecendo o desenvolvimento e estabelecimento da fauna do solo e, por conseguinte, os oligoquetas (Martínez e Sánchez, 2002). Aparentemente a menor composição na safra de inverno dos oligoquetas foi devido a influência da precipitação (Figura 5.1) pois, a umidade do solo é a variável ambiental mais importante na distribuição e abundância deste grupo em solos tropicais (Lavelle, 1983). Entre os sistemas cultivados, representantes dos grupos de predadores (Arachnida e Chilopoda) e de Diplopoda foram mais abundantes no sistema integrado (SI-P e SI-L) e pastagem contínua em comparação ao sistema convencional. Segundo Robertson et al. (1994), Marín et al. (2001) e Benito (2002), os agroecossistemas em plantio direto 82 possibilitam maior abundância de grupos predadores que o sistema convencional. A maior densidade desses artrópodes pode contribuir para o controle de pragas agrícolas, o que pode reduzir o uso de inseticidas em sistemas cultivados. Verificou-se que a maior ocorrência de coleópteros adultos e imaturos se deu no sistema convencional, e Heteroptera na área cultivada com pastagem permanente (PC). Os Heteroptera encontrados foram identificados como inseto-praga denominado popularmente de percevejo castanho da raiz das pastagens, que de acordo com Oliveira e Malaguido (2004), podem ocorrer em várias culturas, principalmente, soja e pastagens. Tabela 5.3 – Composição (%) da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional (SC), sistema integrado lavoura/pecuária (SI-P e SI-L), pastagem contínua (PC) e sistema natural (mata). Valores médios de 4 épocas de avaliação. Os dados entre parênteses referem-se ao erro padrão. SC SI –P 1 SI – L 2 PC Mata Grupos ------------------------------------------%--------------------------------------------- Arachnida Chilopoda Coleoptera Diplopoda Formicidae Heteroptera Isoptera Oligochaeta Enchytraeidae Larva de Coleoptera Outras Larvas Outros invertebrados 0,0 (± 0,0) 0,5 (± 1,3) 0,6 (± 2,5) 0,4 (± 2,5) 0,8 (± 4,8) 1,0 (± 4,3) 1,3 (± 2,2) 1,4 (± 5,4) 1,8 (± 6,8) 1,5 (± 15,7) 7,4 (± 3,2) 1,5 (± 4,4) 2,6 (± 7,0) 2,0 (± 6,6) 1,2 (± 9,2) 0,0 (± 0,0) 0,4 (± 1,1) 0,3 (± 1,5) 1,0 (± 7,3) 1,2 (± 11,3) 35,6 (± 39,6) 26,8 (± 76,7) 33,0 (± 138,0) 23,4 (± 227,0) 28,9 (± 236,3) 0,7 (± 0,8) 0,1 (± 1,1) 3,1 (± 15,9) 6,5 (± 22,7) 0,5 (± 3,4) 20,0 (± 47,2) 48,7 (± 232,4) 44,3 (± 155,3) 48,9 (± 777,2) 0,6 (± 10,4) 0,3 (± 1,6) 6,1 (± 7,2) 4,2 (± 17,3) 7,2 (± 14,3) 3,6 (± 17,9) 0,0 (± 0,0) 0,0 (± 0,0) 1,0 (± 12,8) 1,4 (± 4,2) 52,4 (± 388,7) 17,3 (± 10,5) 7,0 (± 16,9) 7,3 (± 20,6) 4,8 (± 48,6) 4,3 (± 34,1) 8,4 (± 7,8) 5,8 (± 12,7) 1,1 (± 4,4) 0,4 (± 10,4) 0,6 (± 8,9) 9,3 (± 6,8) 1,8 (± 6,0) 1,1 (± 3,8) 2,2 (± 6,7) 4,4 (± 17,4) 1 SI-P: pastagem cultivado após 2 anos de lavoura (soja/aveia) e 2 SI-L: lavoura (soja/aveia) implantada após 2 anos de pastagem. Em relação à biomassa total, observa-se que houve diferença (P<0,05) entre os sistemas (Tabela 5.4). Os maiores valores foram verificados no sistema SI na fase lavoura (SI-L) e no fragmento de mata (SN) quando comparado com o sistema convencional, no entanto, foram semelhantes entre si, fato decorrente da contribuição das minhocas e larva de coleópteros, que embora participem com baixa densidade populacional nos sistemas de 83 cultivos, refletem em alta biomassa pelo grande tamanho corpóreo. Os oligoquetos constituem a maior parte da biomassa de invertebrados de solo em regiões tropicais e são considerados um importante componente na dinâmica do solo (Lavelle, 1983; Fragoso e Lavelle, 1992). Tabela 5.4 – Biomassa total (g m-2) de comunidade da macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional (SC), sistema integrado lavoura/pecuária (SI-P e SI-L), pastagem contínua (PC) e sistema natural (SN). Épocas Sistemas SC SI – P1 SI – L2 PC SN Médias janeiro/2002 junho/2002 janeiro/2003 julho/2003 Médias 3,0 1,5 15,6 3,3 8,6 6,4 ab 2,2 5,7 7,3 9,8 12,8 7,6 a 0,6 2,2 2,4 2,5 3,3 2,2 b 3,5 6,2 11,5 7,7 5,4 6,9 a 2,3 b 3,9 ab 9,2 a 5,8 ab 7,5 a --- 1 SI-P: pastagem cultivada após 2 anos de lavoura (soja/aveia) e 2 SI-L: lavoura (soja/aveia) implantada após 2 anos de pastagem. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna ou linha, contrastam pelo teste de Tukey, a 5% de significância. Conforme pode ser observado na Tabela 5.5, a maior riqueza específica ocorreu no fragmento de mata (SN) e o menor no sistema convencional, diferindo significativamente dos demais sistemas (P<0,05). A grande heterogeneidade na oferta de recursos proporcionado pela serapilheira da mata contrasta com a homogeneidade da mesma quanto a estabilidade ambiental. Estes fatores são, provavelmente, responsáveis pela manutenção da elevada riqueza ali encontrada. O sistema integrado na fase lavoura e pecuária foram semelhantes e a pastagem contínua semelhante ao SI na fase lavoura. As variações observadas nos valores de riqueza entre os agroecossistemas foram em virtude das variações dos teores de matéria orgânica do solo (Tabela 5.1), onde foi detectada correlação positiva e significativa (r = 0,65; p<0,05) entre as duas. A riqueza específica da pastagem contínua, provavelmente esteja relacionada com a disponibilidade de alimento que propiciou o sistema, tanto pela camada de serapilheira, como por entrada de nutrientes via dejeção e excreção, o que pode ocasionar 84 aumento nos níveis de matéria orgânica do solo, principal fonte de energia da fauna edáfica (Kolmans e Vásquez, 1996). Além disso, este sistema após os 7-8 anos de pastoreio contínuo ainda não está em processo de degradação. Segundo Macedo (2001), este processo pode ser comparado a uma escada, onde, à medida em que se desce os degraus (produção de pastagem/tempo), avança-se no processo de degradação do solo. Tabela 5.5 – Riqueza especifica (n.º de grupos) da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional (SC), sistema integrado (SI-P e SI-L), pastagem contínua (PC) e sistema natural (SN). Épocas Sistemas SC SI – P1 SI – L2 PC SN Médias janeiro/2002 junho/2002 janeiro/2003 julho/2003 Médias 7 11 11 18 23 14 ab 10 12 13 16 22 15 a 6 10 10 11 22 12 b 6 9 13 15 19 12 b 7d 11 c 12 bc 15 b 22 a --- 1 SI-P: pastagem cultivada após 2 anos de lavoura (soja/aveia) e 2 SI-L: lavoura (soja/aveia) implantada após 2 anos de pastagem. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna ou linha, contrastam pelo teste de Tukey, a 5% de significância. A partir da análise do dendrograma apresentado na Figura 5.2, verificou-se que foi possível a formação de cinco grupos distintos: o primeiro grupo (G1) apresentou somente o sistema PC avaliado em jun/02; o segundo grupo (G2), formado pelo sistema com fragmento de mata avaliada em jan/02, jun/02 e jan/03 considerando-se um nível de similaridade de até 62%; o terceiro (G3), constituído pelo SIL e PC (avaliados em jan/02), SIP (jun/02), SIL (jan/03) e sistema com fragmento de mata (jul/03), com um nível de similaridade de até 83%; o quarto grupo (G4), com 85% de similaridade, constituídos pelos sistema convencional (em todas as épocas de avaliação), SIP (jan/02), PC (jan/03) e SIL (jul/03); e por último, o grupo G5, composto pelos SIL (jun/02), PC (jul/03) e SIP (avaliado em jan/03 e jul/03) com 89% de similaridade. 85 A formação do G1, possivelmente, foi devido à alta densidade de Isoptera (68% da densidade total). A posição do PC não é fixa em nenhum grupo, indicando instabilidade da comunidade. Já no G3, o sistema com fragmento de mata avaliado em jul/03 agrupou-se com os agroecossistemas avaliados em outras épocas, provavelmente, devido à baixa precipitação no mês que antecedeu a avaliação (Figura 5.1). Figura 5.2 - Dendrograma da similaridade da comunidade de macrofauna invertebrada do solo entre os sistemas de manejo de solo em diferentes épocas, com bases nas distancias euclidianas. SC: Sistema convencional, SIP: Sistema integrado na fase pecuária; SIL: Sistema integrado na fase lavoura, PC: Pastagem contínua e sistema com fragmento de mata. No G4, os sistemas integrados na fase pecuária (SIP) e lavoura (SIL), avaliados em jan/02 e jul/03, respectivamente, agruparam-se com o sistema convencional (SC), avaliado em todas as épocas. No caso do sistema integrado na fase pecuária, provavelmente, o agrupamento ocorreu em virtude do efeito da transição da lavoura para a pastagem (após 2 anos de cultivo com lavoura) , onde a cultura anterior teve efeito marcante (aveia/pastagem), desaparecendo ao longo das outras épocas de avaliação. Já no caso do 86 sistema integrado na fase lavoura (pastagem/soja/aveia/soja/aveia) o agrupamento ocorreu em virtude do efeito do manejo, demonstrando que após 2 anos (duas safras de verão e duas de inverno) o sistema volta a ter características da macrofauna edáfica semelhante ao sistema convencional. Isto demonstra que o sistema integrado recompõe a comunidade da macrofauna invertebrada do solo após o período de 2 anos de manejo, indicando que este período pode ser considerado adequado para a rotação dos sistema lavoura-pecuária. 5.6. Conclusões 1. Os sistemas que tiveram poucas interferências antrópicas apresentaram maior abundância e riqueza da comunidade da macrofauna invertebrada do solo. No sistema com fragmento de mata verificou-se a dominância de oligoquetas, principalmente Enchytraeidae, enquanto que os sistemas cultivados propiciaram a maior expressão dos grupos de formigas e cupins; 2. O sistema pastagem contínua após os 7 a 8 anos de pastoreio rotacionado mostrou-se um sistema instável ao longo do tempo em relação à estrutura da comunidade de macrofauna invertebrada do solo; 3. O sistema integrado permite a recomposição da comunidade da macrofauna invertebrada do solo após o período de 2 anos de manejo, indicando que este período pode ser considerado adequado para a rotação do sistema lavoura-pecuária; 4. A densidade e riqueza de grupos da comunidade invertebrada de solo mostraram-se como parâmetros sensíveis ao impacto de diferentes tipos de sistema de produção, possibilitando a sua indicação como ferramenta importante para aplicar-se como bioindicadores da qualidade do solo. 87 5.7. Referências Bibliográficas ANDERSON, J.M.; INGRAM, J.S.I. Tropical soil biology and fertility: a handbook of methods . 2. ed. Wallingford: CAB, 1993. 221p. BARROS, E.; NEVES, A.; BLANCHARD, E.; FERNANDES, E.C.M.; WANDELLI, E.; LAVELLE, P. Development of the soil macrofauna community under silvopastoral and agrosilvicultural systems in Amazonia. <http://www.urbanfischer.de/journals/pedo>. Acessado em 26/02/2004. BARROS, E.; PASHANASI, B.; CONSTANTINO, R.; LAVELLE, P. Effects of land-use system on the soil macrofauna in western Brasilian Amazonia. Biology and Fertility of Soils, v. 35, p.338-347, 2002. BEARE, M.H.; CABRERA, M.L.; HENDRIX, P.F. 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O trabalho foi conduzido no Município de Dourados, MS em Latossolo Vermelho distroférrico típico, sob os seguintes sistemas: sistema convencional (SC), sistema plantio direto (SPD), sistema integração lavoura/pecuária (SILP), pastagem contínua (PC) e vegetação nativa (VN). As amostragens foram realizadas em três safras de verão e de inverno. Os valores de densidade total da comunidade de macrofauna invertebrada de solo nos sistemas SPD, SILP e PC foram similares, no entanto, o SPD apresentou a maior riqueza de grupos. Na safra de verão, observou-se similaridade entre os sistemas SPD e SILP e entre o SC e PC. Enquanto que na safra de inverno, a similaridade foi entre os sistemas SPD, SILP e PC. Termos para indexação: manejo do solo, similaridade, densidade, riqueza. 6.2. Abstract This work had the aim to quantify the density and diversity of soil invertebrate macrofauna community in different production systems and also to evaluate the similarity among them. The study was carried out in the Municipality of Dourados, MS in a Typic Hapludox under the following systems: conventional system (CS), no-tillage system (NTS), crop/livestock integration system (CLIS), continuous pasture (CP) and natural system (NS). Samples were collected during summer and winter cropping seasons. Total density and diversity of the soil invertebrate macrofauna community in the NTS, CLIS, and CP systems were similar. However, NTS showed the highest diversity. In summer, similarity was observed between NTS and CLIS and between CS and CP with regard to the soil invertebrate macrofauna community. In winter, similarity was among NTS, CLIS and CP. Index terms: soil management, similarity, density, richness. 92 6.3. Introdução O Cerrado foi incorporado, nas últimas quatro décadas, ao cenário mundial da produção de grãos e carne bovina. O resultado foi um ecossistema artificial e instável, com elevada simplificação florística e faunística, que requer intervenção humana constante na forma de fluxos de energia, como fertilizantes, corretivos, agrotóxicos e reguladores de crescimento. Como resultado desse processo de desenvolvimento, esta região atualmente apresenta uma área plantada de 13,5 milhões de ha com culturas anuais e 45 milhões ha de pastagem (Embrapa, 1998). Estima-se que, 50% dos solos sob culturas anuais e 80% sob pastagem encontram-se com certo grau de degradação (Kluthcouski e Aidar, 2003). Este cenário de degradação serviu de estímulo à adoção de práticas de produção agropecuária mais conservacionistas, destacando-se o sistema plantio direto com rotação de culturas e o sistema integração lavoura/pecuária, trazendo grandes mudanças no controle de erosão e na sustentabilidade da atividade agrícola. Estes sistemas contribuem para a manutenção de níveis adequados de umidade, temperatura e matéria orgânica do solo, beneficiando a flora e fauna do solo, o que significa maior ocorrência de organismos benéficos (Campanhola, 2002). Dentre os organismos que constituem a fauna do solo, a macrofauna edáfica compreende os maiores invertebrados (organismos maiores que 10 mm de comprimento e/ou maiores que 2 mm de diâmetro corporal), tais como: minhocas, coleópteros em estado larval e adulto, centopéias, cupins, formigas, piolhos de cobra (milipéias), tatuzinhos e aracnídeos (Lavelle et al., 1997; Wolters, 2000; Lavelle e Spain, 2001). A macrofauna invertebrada do solo desempenha um papel chave no funcionamento do ecossistema, pois ocupa diversos níveis tróficos dentro da cadeia alimentar do solo e afeta a produção primária de maneira direta e indireta. Altera, por exemplo, as populações e atividade de microrganismos responsáveis pelos processos de mineralização e 93 humificação e, em conseqüência, influem no ciclo de matéria orgânica e na disponibilidade de nutrientes assimiláveis pelas plantas (Crespo e Rodríguez, 2000; Decäens et al., 2001 e 2003). Podem ser também vetores de microrganismos simbióticos das plantas, como fixadores de nitrogênio e fungos micorrízicos, bem como digerem, de maneira seletiva, microrganismos patogênicos (Brown, 1995). Alguns organismos da macrofauna, principalmente os térmitas, as formigas, as minhocas e larvas de coleópteros, são denominados “engenheiros do ecossistema”, pois suas atividades levam à criação de estruturas biogênicas (galerias, ninhos, câmaras e bolotas fecais), que modificam as propriedades físicas dos solos onde vivem e a disponibilidade de recursos para outros organismos (Stork e Eggleton 1992; Jones et al., 1994; Lavelle et al., 1997; Wolters, 2000). Através das suas ações mecânicas no solo contribuem na formação de agregados estáveis que podem proteger parte da matéria orgânica de uma mineralização rápida e que constituem, também, uma reserva de nutrientes potencialmente disponível para as plantas (Lavelle e Spain, 2001; Decäens et al., 2003). Apesar da relevância da macrofauna edáfica para o funcionamento dos ecossistemas, poucos estudos têm sido realizados, especialmente em solos do Cerrado, para avaliar os efeitos das práticas de manejos sobre os organismos da macrofauna, já que a maioria dos trabalhos envolvendo a biologia do solo tem dedicado maior atenção à microflora e microfauna. Os organismos da macrofauna respondem às diversas intervenções antrópicas realizadas no meio ambiente (Lavelle et al., 1992). Portanto, a densidade e diversidade destes organismos, assim como a presença de determinados grupos específicos em um sistema, podem ser usados como indicadores da qualidade dos solos (Stork e Eggleton, 1992; Chaussod, 1996; Muys e Granval, 1997; Tian et al., 1997; Tapia-Coral et al., 1999; Paoletti, 1999; Barros et al. 2003). 94 O presente trabalho teve como objetivo quantificar a densidade e riqueza de grupos da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob diferentes sistemas de produção, bem como utilizar esses parâmetros para avaliar a similaridade entre os agrecossistemas estudados. 6.4. Material e Métodos O estudo foi realizado no período de 2000 a 2003 num experimento estabelecido em 1995, na Embrapa Agropecuária Oeste, Município de Dourados, MS (22º 14’ 00” S e 54º 49’ 00” W), em Latossolo Vermelho Distroférrico típico, 70% de argila. O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é Aw, com estação quente e chuvosa no verão e moderadamente seca no inverno. Os dados agroclimáticos mensais de precipitação pluvial (mm) e temperatura (ºC) durante o período de estudo encontram-se na Figura 6.1. 400 2000/2001 2001/2002 2002/2003 (Precipitação) 2000/2001 2001/2002 2002/2003 (Temperatura) 30 350 25 300 200 15 150 Temperatura (ºC) Precipitacão (mm) 20 250 10 100 5 50 0 0 Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Figura 6.1 - Precipitação pluvial e temperatura média mensal obtidos na Estação de Agroclimatologia da Embrapa Agropecuária Oeste, referente aos anos agrícolas 2000/2001, 2001/2002 e 2002/2003. As setas indicam os meses em que foram realizadas as amostragens da macrofauna edáfica. 95 Os tratamentos foram dispostos em faixas sob quatro sistemas de produção: 1) sistema convencional (SC), consistindo-se no cultivo de soja (Glycine max Merril) no verão e de aveia (Avena strigosa Schreb) no outono/inverno. Nesse sistema, o solo foi preparado com uso de grades de disco, sendo utilizados herbicidas residuais em préemergência, numa área de 2,0 ha; 2) sistema plantio direto (SPD), com faixa subdividida em três partes de 2,8 ha, sendo duas ocupadas com soja e uma com milho, no verão, rotacionando-se com aveia, trigo e nabo forrageiro durante o outono/inverno. As culturas de trigo e aveia são utilizadas para produção de grãos, enquanto o nabo forrageiro é utilizado para produção de palha. Neste sistema são empregados herbicidas pós-emergentes e outras tecnologias disponíveis para a região, visando obter elevados rendimentos de grãos e reduzir as perdas do sistema; 3) sistema integrado lavoura/pecuária (SILP), com faixa subdividida em duas partes de 4,0 ha, sendo uma ocupada com lavoura e outra com pastagem (Brachiaria decumbens Stapf). O sistema é rotacionado a cada dois anos, quando a área ocupada com lavoura passa a ser ocupada com pastagem e vice-versa. Na área ocupada com lavoura, a soja é conduzida em SPD), no verão, rotacionando-se com aveia no inverno, utilizada como .pastagem temporária; e 4) pastagem contínua (PC), consistindo-se num sistema com pastagem permanente (Brachiaria decumbens Stapf), numa área de aproximadamente 10 ha. Uma área adjacente, com vegetação nativa (VN) do tipo Cerrado, com cerca de 5 ha, foi incluída no estudo como referencial da condição original do solo. Os resultados referentes ao sistema plantio direto e ao sistema integrado lavoura/pecuária correspondem a valores médios das subdivisões das respectivas faixas. Nos sistemas em estudos, foram definidos aleatoriamente cinco pontos de amostragem eqüidistantes de 30 m, ao longo de um transecto. Em cada ponto, foi amostrado um monólito de solo de 0,25x0,25 m de largura e 0,30 m de profundidade, de acordo com as recomendações de Anderson e Ingram (1993). As amostragens foram feitas em seis épocas: 96 dezembro de 2000 e junho de 2001; janeiro e junho de 2002; janeiro e julho de 2003, correspondentes a três safras de verão e três de inverno. Para avaliar a riqueza de grupos (n.º de grupos) e a densidade dos indivíduos (Ind m-2) da comunidade de macrofauna invertebrada nos sistemas, as amostras de solo foram triadas manualmente e os organismos encontrados (> que 10 mm de comprimento e/ou > que 2 mm de diâmetro corporal) extraídos e armazenados numa solução de álcool 70%. No laboratório, com auxílio de lupa binocular, procedeu-se à identificação e contagem dos organismos, ao nível de grandes grupos taxonômicos. Além disso, foram separados em adultos ou imaturos (larvas) de acordo com estádio de desenvolvimento. Em todas as épocas de avaliação, as amostras de solo foram coletadas na profundidade 0,0–0,30 m, para a caracterização química, de acordo com Embrapa (1997) (Tabela 6.1). Tabela 6.1 - Caracterização química de solo na profundidade 0–30 cm sob diferentes sistemas de produção(1). pH P K Ca Mg Al MO Sistemas SC SPD SILP PC SN (H2 O) (mg dm-3) 5,2 5,3 5,3 5,5 6,0 11,9 17,2 8,2 3,7 1,8 ----------------------(cmolc dm-3)---------------------- 0,4 0,4 0,2 0,3 0,5 3,2 3,8 3,0 3,6 9,5 1,2 1,7 1,4 2,0 2,8 1,0 0,6 0,8 0,3 0,1 (g kg-1 ) 25,8 26,2 27,2 30,0 49,2 (1) SC: sistema convencional; SPD: sistema plantio direto; SILP: sistema integração lavoura/pecuária; PC: pastagem contínua e SN: sistema natural. Os dados representam médias de seis épocas de avaliação. Os dados de macrofauna obtidos (x), dada a sua heterogeneidade, foram transformados em ln (x + 1) e depois submetidos à análise de variância (teste F); as médias foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Para a análise de variância dos dados, considerou-se o delineamento em blocos ao acaso num esquema fatorial (5 x 6), com cinco sistemas de produção e seis épocas de avaliação, utilizando-se cinco repetições. Efetuou-se análise de correlação para os dados de densidade total e riqueza de grupos da macrofauna em função dos teores de matéria orgânica do solo. Além disso, os dados foram 97 submetidos a análise de agrupamento (“cluster analysis”), adotando-se o método do vizinho mais distante (“complete linkage”) a partir da Distância Euclidiana, para descrever a similaridade entre os sistemas estudados. As análises estatísticas foram processadas por meio de software Statistica (versão 5.0, StatSoft). 6.5. Resultados e Discussão A densidade total e a riqueza de grupos da macrofauna edáfica diferiram estatisticamente (p<0,05) entre os sistemas (Tabela 6.2 e Figura 6.2). Dentre todos os sistemas, a vegetação nativa apresentou a maior densidade total e riqueza de grupos, por ser um ambiente mais favorável em termos de variedades de microhabitats e de oferta de recursos, proporcionados pela diversidade da vegetação. Os sistemas SPD, SILP e PC apresentaram os valores de densidade total semelhantes, mas significativamente superiores ao SC (p<0,05) (Tabela 6.2). Os grupos de maior densidade foram Formicidae em SPD (38% do total) e Isoptera em SC, SILP e PC (39%, 44% e 52% do total, respectivamente). Foi detectada correlação positiva e significativa (r = 0,37; p<0,05) entre a matéria orgânica e a densidade total (soma de todos os grupos). A macrofauna edáfica é altamente sensível a interferências antrópicas, portanto, o tipo de manejo e as práticas culturais determinam a presença e sua quantidade nos solos (Didden et al., 1994). A densidade de Arachnida em SPD e Chilopoda em PC foi significativamente similar a da vegetação nativa (Tabela 6.2). Os resultados em SPD corroboraram com os de Robertson et al. (1994), Marín et al. (2001), Benito (2002) e Cividanes (2002), que mencionam que o SPD possibilita maior densidade de predadores (Arachnida e Chilopoda). Esses artrópodes podem promover o controle de pragas agrícolas, reduzindo o uso de inseticidas em sistemas cultivados (Ekshimitt et al., 1997) e estão relacionados a habitats mais diversificados (Merlim et al., 2005). Em 98 relação aos organismos do grupo Coleoptera (adultos e imaturos), esta similaridade com a vegetação nativa foi observada no SPD (adultos e imaturos), SILP (adultos) e PC (imaturos). Verificou-se uma maior ocorrência de Heteroptera na área cultivada com pastagem contínua (PC). Dentre os organismos encontrados nesse grupo, destaca-se um inseto praga denominado popularmente de percevejo castanho-da-raiz das pastagens (Scaptocoris spp.), que, conforme Oliveira e Malaguido (2004), pode ocorrer em várias culturas, principalmente, soja e pastagem. A densidade de minhocas em SILP e PC foi significativamente similar a da vegetação nativa, provavelmente, devido à maior densidade de raízes nas pastagens, o que implica em maior conteúdo de matéria orgânica (Tabela 6.1), proporcionando melhor ambiente para esses organismos (Chan, 2001). Conforme observações de Lavelle (1988), as áreas com pastagens permanentes podem apresentar uma densidade de minhocas três a quatro vezes superior às áreas ocupadas com lavoura. Em relação ao sistema convencional, verificou-se superioridade do SPD, SILP e PC na densidade de minhocas, provavelmente, devido ao maior acúmulo de matéria orgânica nesses sistemas e, principalmente, ao tipo de preparo do solo, caracterizado pela ausência de revolvimento do mesmo. No sistema sob vegetação nativa, os organismos do grupo Enchytraeidae representaram 51% da densidade total, sendo significativamente superior aos demais sistemas. Entre os sistemas produtivos, a maior densidade de Enchytraeidae foi observada no SPD. Alguns autores sugerem efeitos antagônicos entre Enchytraeidae e outros grupos de Oligochaeta, e mencionam que na vegetação nativa existe maior oportunidade para esses grupos ocuparem nichos diferentes (Didden et al., 1997; Räty e Huhta, 2003). Com relação à densidade de formigas (Formicidae), todos os sistemas foram similares, com exceção do SC, que apresentou a menor densidade. De modo geral, todos os 99 sistemas apresentaram organismos destes grupo em alta densidade, sendo, contudo, considerados de fundamental importância para os processos de decomposição (Lavelle, et al., 1993). Apesar da elevada densidade de formigas nos sistemas cultivados, isso não significa que esse seja o ambiente com a estrutura de comunidade mais complexa. As formigas se adaptam facilmente às condições locais podendo haver um predomínio de uma ou poucas espécies. A ocorrência ampla, associada a sua variedade de hábitos alimentares, confere a esses organismos o potencial de atuar como eficientes polinizadores, dispersores de sementes, detritívoros e predadores, participando ativamente do equilíbrio dinâmico de agroecossistemas conservacionistas (Lobry de Bruyn, 1999). No caso dos térmitas (Isoptera), a densidade foi maior no SILP e PC, provavelmente, devido à alta relação C/N da matéria orgânica, beneficiando-se da associação com microrganismos (Lavelle e Spain, 2001), que permite digerir substratos complexos (Wood, 1988; Garnier-Sillan e Harry, 1995; Saánchéz e Reinés, 2001). A diminuição da disponibilidade/ qualidade da pastagem promove um aumento de celulose no sistema, implicando em maior disponibilidade de alimento para os térmitas e, conseqüentemente, contribuindo para a sua maior proliferação (Benito et al., 2004), promovendo a esse grupo maior capacidade competitiva. Alguns organismos adultos ou em forma imatura (larvas) ocorreram eventualmente em alguns sistemas, sob baixa densidade, sendo agrupados como “outros invertebrados” e “outras larvas”, respectivamente. Na Figura 6.2, observou-se que a vegetação nativa apresentou a maior riqueza de grupos, sendo significativamente superior aos sistemas cultivados (p<0,05). Dentre os sistemas de produção, o SPD apresentou a maior riqueza de grupos, indicando que a rotação de culturas aumenta a diversificação vegetal, a entrada de diferentes tipos de exsudatos e resíduos culturais, promovendo melhoria da qualidade de matéria orgânica, o que 100 favorece as condições para o aumento da diversidade de grupos de macrofauna edáfica. No SPD, o aumento da disponibilidade de energia e nutrientes, associada à existência de novos habitats favoráveis à colonização da macrofauna invertebrada do solo, influencia a densidade e a diversidade de praticamente todos os grupos presentes (Benito, 2002; Merlim et al., 2005). Esses resultados corroboram com os conceitos de Odum (1989) sobre a relação entre estabilidade do sistema e a diversidade de espécies. Para esse autor, a densidade tende a ser alta e a diversidade tende a diminuir em ambientes homogêneos. Esse aspecto tem sido considerado de fundamental importância para a melhoria da dinâmica da matéria orgânica do solo e favorecimento na ciclagem de nutrientes e crescimento vegetal (Stork e Eggleton, 1992; Lavelle et al. 1994; Lavelle e Spain, 2001). Observou-se ainda que a riqueza de grupos no SILP e PC mostraram-se semelhantes entre si e superiores ao SC. Houve correlação positiva e significativa entre o conteúdo de matéria orgânica do solo e a riqueza de grupos da macrofauna, confirmando a sua importância como fonte de alimento para estes organismos. Tabela 6.2 - Densidade dos indivíduos (Ind m-2) da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob diferentes sistemas de produção(1). SC SPD SILP PC SN -----------------------------------------(Ind m-2)--------------------------------------- rupos taxonômicos Arachnida 2±0,9c Heteroptera 2±1,3c Coleoptera 19±4,1b Chilopoda 8±3,5c Oligochaeta 15±5,7c Enchytraeidae 2±1,3c Formicidae 147±42,7c Isoptera 188±84,1bc Larva de Coleoptera 70±13,3b Outras larvas 13±5,4b Outros grupos de invertebrados 19±5,3c Total 484±106,1c (1) 10±2,2ab 5±1,0bc 6±2,0c 20±5,4b 37±5,5a 30±5,1ab 10±3,0bc 11±2,0bc 57±12,1b 77±26,3ab 30±16,3b 5±4,3c 345±62,0ab 307±59,7ab 255±90,0ab 457±89,8a 100±18,2ab 68±11,0b 29±13,1ab 22±11,2b 35±6,7b 26±6, b 913±136,2b 1027±113,7b 6±1,8bc 142±36,8a 26±7,6b 18±5,0a 73±13,6ab 7±2,9c 366±154,3ab 900±523,9a 101±34,3ab 33±22,1ab 44±8,6b 1715±605,0b 21±4,4a 7±2,4c 123±81,1a 50±11,3a 107±13,1a 1574±295,4a 713±174,5a 120±100,5c 146±24,7a 60±34,4a 185±19,4a 3106±388,2a SC: sistema convencional; SPD: sistema plantio direto; SILP: sistema integração lavoura/pecuária; PC: pastagem contínua e SN: sistema natural.Os dados representam médias±desvio padrão de seis épocas de avaliação. Médias grafadas de letras diferentes na linha diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 101 25 a Riqueza de grupos b 20 c c 15 d 10 5 0 SC SPD SILP PC SN Sistemas de produção Figura 6.2 – Riqueza de grupos (n.º de grupos) da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional (SC), sistema plantio direto (SPD) sistema integração lavoura/pecuária (SILP) pastagem contínua (PC) e sistema natural sob vegetação nativa (SN). Médias grafadas de letras diferentes, contrastam pelo pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Valores médios de 6 épocas de avaliação. Na análise de agrupamento, verificou-se a formação de quatro grupos distintos entre os sistemas (G1, G2, G3 e G4), tanto na safra de verão como na safra de inverno (Figuras 6.3 e 6.4, respectivamente). Na safra de verão, houve um agrupamento entre o SPD e o SILP, com 88% de semelhança, e entre o SC e a PC, com 92% de semelhança. Na safra de inverno, o sistema com PC se agrupou com o SPD e SILP, com 86% de similaridade. Isso indica que, no sistema sob PC, possivelmente, o agrupamento ocorreu em virtude do efeito da cobertura vegetal, no sentido de favorecer as condições edáficas para a comunidade de macrofauna, principalmente, em termos de temperatura e umidade. A formação do agrupamento G2 (vegetação nativa em dezembro de 2000 e SILP em janeiro de 2003), na safra de verão, provavelmente, ocorreu devido à similaridade da densidade das minhocas e cupins entre os dois sistemas. O agrupamento G1 (PC em junho de 102 2002), na safra de inverno, possivelmente, ocorreu devido à alta densidade de Isoptera (68% da densidade total) observada nesta época de avaliação. De modo geral, observou-se que a estrutura da comunidade da macrofauna edáfica apresenta-se estável no sistema sob vegetação nativa e é menos afetada pelas práticas de manejo do solo mais conservacionistas, como o SILP e SPD. SPD-jan/03 SILP-jan/02 PC-jan/02 G3 SPD-dez/00 SPD-jan/02 SILP-dez/00 SC-jan/02 SC-jan/03 G4 SC-dez/00 PC-dez/00 PC-jan/03 G2 SIPL-jan/03 SN-dez/00 SN-jan/02 G1 SN-jan/03 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 Distância Euclidiana (Dlink/Dmax)*100 Figura 6.3 - Dendrograma apresentando as distâncias entre as comunidades de macrofauna invertebrada de solo nos sistemas estudados (SC: sistema convencional; SPD: sistema plantio direto; SILP: sistema integrado lavoura/pecuária; PC: pastagem contínua e SN: sistema natural sob vegetação nativa, na safra de verão (dezembro de 2000; janeiro de 2002 e janeiro de 2003). 103 SPD-jul/03 SILP-jun/01 SPD-jun/02 G4 PC-jul/03 SIPL-jul/03 PC-jun/01 SPD-jun/01 SILP-jun/02 SC-jun/02 G3 SC-jul/03 SC-jun/01 SN-jun/01 G2 SN-jul/03 SN-jun/02 G1 PC-jun/02 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 Distância Euclidiana (Dlink/Dmax)*100 Figura 6.4 - Dendrograma apresentando as distâncias entre as comunidades de macrofauna invertebrada de solo nos sistemas estudados (SC: sistema convencional; SPD: sistema plantio direto; SILP: sistema integrado lavoura/pecuária; PC: pastagem contínua e SN: sistema natural sob vegetação nativa, na safra de inverno (junho de 2001; junho de 2002 e julho de2003). 6.6 Conclusões 1. A densidade total da macrofauna edáfica é favorecida pelas práticas de manejo que estimulam a dinâmica da matéria orgânica do solo, como o SPD, SILP e PC. 2. A diversificação das espécies vegetais promove uma maior riqueza dos grupos da macrofauna invertebrada do solo. 3. A comunidade da macrofauna edáfica é um parâmetro sensível ao impacto de diferentes tipos de sistemas de produção, possibilitando o seu uso como ferramenta na determinação de opções de manejo sustentáveis dos sistemas agropecuários. 6.7. Referências Bibliográficas ANDERSON, J.M.; INGRAM, J.S.I. Tropical Soil Biological and Fertility. A Handbook of Methods. 2nd ed. UNESCO, 1993, 221p. 104 BARROS, E.; NEVES, A.; BLANCHART, E.; FERNANDES, E.C.M.; WANDELLI, E.; LAVELLE, P. Development of the soil macrofauna community under silvopastoral and agrosilvicultural systems in Amazonia. Pedobiologia, v.47, p.273-280, 2003. BENITO, N.P. Interferência de sistemas de cultivos sobre a macrofauna invertebrada do solo. 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ARTIGO: POPULAÇÕES DE OLIGOQUETOS (ANNELIDA: OLIGOCHAETA) EM UM LATOSSOLO VERMELHO SUBMETIDO A SISTEMAS DE USO DO SOLO 7.1. Resumo O trabalho teve como objetivo avaliar a dinâmica da população de oligoquetos edáficos em diferentes sistemas de manejo agrícola e pecuário, tendo, como referência, uma área sob vegetação nativa. O trabalho foi conduzido no município de Dourados, MS, num solo classificado como Latossolo Vermelho distroférrico típico, sob sistema com preparo convencional (SC), plantio direto (SPD), integração lavoura/pecuária (SILP), pastagem contínua (PC) e sistema natural (SN). As amostragens foram realizadas nas safras de verão e inverno, no período de 2000 a 2003. Os sistemas SPD, SILP e PC favoreceram o desenvolvimento e estabelecimento da população dos oligoquetos edáficos. O sistema natural apresentou uma alta população de oligoquetos edáficos, sendo a grande maioria constituída pelos organismos da família Enchytraeidae. Dentre os sistemas produtivos, o SPD favoreceu a ocorrência dessa família. Palavras-chave: manejo do solo, densidade populacional, oligoquetos. 7.2. Abstract This work’s objective was to evaluate earthworm population dynamics in different agricultural and livestock systems using as reference an area under native vegetation. The work was carried out in Dourados, MS, in a Typic Hapludox soil under conventional soil tillage (CT), no-tillage (NT), cropping/livestock integration (CLI), a continuous pasture (CP), and a natural system (NS). Samples were taken during summer and winter cropping seasons between 2000 and 2003. SPD, SILP, and PC systems benefited the development and establishment of earthworm population. NS system showed the largest earthworm population, being the majority of organisms from Enchytraeidae family. Among the systems, SPD also benefited the occurrence of organisms from Enchytraeidae family. Key words: systems, population density, earthworms. 108 7.3. Introdução Os oligoquetos edáficos são denominados “engenheiros do ecossistema”, pois suas atividades levam à criação de estruturas biogênicas (galerias e coprólitos), que modificam as propriedades físicas dos solos onde vivem e a disponibilidade de recursos para outros organismos (Jones et al., 1994). Através das suas ações mecânicas no solo, contribuem para formação de agregados estáveis, que podem proteger parte da matéria orgânica de uma mineralização rápida, e constituem, também, numa reserva de nutrientes potencialmente disponíveis para as plantas (Lavelle e Spain, 2001). Portanto, esse grupo de organismos influencia, de maneira direta e indireta, os diversos processos físicos, químicos e biológicos do solo (Abrahamsen, 1972; Lavelle, 1997). Dentre esses processos, destacam-se a estabilidade estrutural, que inclui a formação de macro e microagregados; o aumento da porosidade, aeração e condutividade hidráulica; a reciclagem de carbono e nutrientes; além de estimular a atividade da microflora e da fauna do solo, promovendo assim, melhor desenvolvimento das plantas (Lavelle e Spain, 2001). Além das variações sazonais de temperatura, umidade, tipo de solo e a qualidade de matéria orgânica, o grau de intensidade das atividades antrópicas são determinantes na dinâmica de população de oligoquetos edáficos. Segundo Tanck et al. (2000), as flutuações populacionais dos oligoquetos edáficos em áreas de cultivos dependem dos sistemas de manejo. A não-mobilização do solo e o aumento da matéria orgânica determinam, ao longo do tempo, um ambiente propício para a atividade e estabelecimento das minhocas (Amaral et al., 2004). Sistemas conservacionistas, com a manutenção dos resíduos culturais na superfície do solo, agem positivamente no equilíbrio populacional durante as estações do ano (Nuutinen, 1992). Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a dinâmica da população de oligoquetos edáficos em diferentes sistemas de manejo agrícola e pecuário, tendo, como referência, uma área sob vegetação nativa. 109 7.4. Material e Métodos Os estudos foram conduzidos no período de 2000 a 2003, no campo experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, município de Dourados-MS (22º 14’ 00” S e 54º 49’ 00” W), em área de Latossolo Vermelho distroférrico típico, com teores médios de 70% de argila. O clima da região, segundo a classificação de Köppen, enquadra-se no tipo climático Cwa, definido como clima temperado com inverno seco e verão chuvoso (Amaral et al., 2000). Os sistemas de manejo avaliados no estudo foram implementados em 1995, com sistemas intensivos de produção, sendo caracterizados como: 1) sistema convencional (SC) – monocultivo de soja no verão e de aveia no outono/inverno, onde o solo foi preparado com grades de disco e herbicidas residuais foram aplicados em pré-emergência; 2) sistema plantio direto (SPD) – cultivo em plantio direto, com rotação de culturas, tendo-se no verão a seqüência soja/soja/milho e no outono/inverno aveia/trigo/nabo forrageiro. No SPD foram empregados herbicidas pós-emergentes e todas as tecnologias disponíveis para a região, como manejo integrado de pragas, visando obter elevados rendimentos de grãos e reduzir as perdas do sistema; 3) sistema integrado lavoura/pecuária (SILP) –soja/aveia, conduzidas em plantio direto, rotacionadas, a cada dois anos, com pastagem (Brachiaria decumbens Stapf); 4) pastagem contínua (PC) – consiste em pastagem permanente com Brachiaria decumbens, conduzida em sistema de pastejo contínuo e 5) sistema natural (SN) – fragmento de vegetação de Cerrados, contígua à área experimental, utilizada como referência da condição original do solo. As amostragens foram realizadas em seis épocas: dez/00, jun/01, jan/02, jun/02, jan/03 e jul/03, correspondentes a três safras de verão e três de inverno. Em cada sistema, foram amostrados cinco monólitos de solo com 0,25 x 0,25m de largura e 0,30m de profundidade, ao longo de um transecto, distando-se cerca de trinta metros entre os pontos de 110 avaliação, de acordo com Anderson e Ingram (1993). Os organismos foram extraídos manualmente e armazenados numa solução de formol 4%. No laboratório, com auxílio de uma lupa binocular, procedeu-se à identificação e contagem dos organismos. Dentre os oligoquetos, a família Enchytraeidae foi avaliada separadamente e as demais foram agrupadas em outros Oligochaeta. A identificação dos organismos seguiu o procedimento descrito em Curso Internacional... (2004). O solo coletado em todas as épocas de amostragens foi caracterizado quimicamente pelo pH, P, K+, Ca++, Mg++, Al+++, soma de bases (V) e matéria orgânica (MO) (Tabela 7.1). Tabela 7.1 – Caracterização química de solo na profundidade 0,0-0,30m sob sistema convencional (SC), plantio direto (SPD), integração lavoura/pecuária (SILP), pastagem contínua (PC) e sistema natural (SN), Dourados, MS. Valores médios de seis épocas de avaliação. pH P K Ca Mg Al V MO Sistemas SC SPD SILP PC SN H2 O mg dm-3 5,2 5,3 5,3 5,5 6,0 11,9 17,2 8,2 3,7 1,8 ----------------------cmolc dm-3--------------------- 0,4 0,4 0,2 0,3 0,5 3,2 3,8 3,0 3,6 9,5 1,2 1,7 1,4 2,0 2,8 1,0 0,6 0,8 0,3 0,1 % g kg -1 32,3 42,4 34,7 46,1 68,2 25,8 26,2 27,2 30,0 49,2 Os dados de densidade populacional de oligoquetos edáficos (x), dada a sua heterogeneidade, foram transformados em log (x + 1) e submetidos à análise de variância. Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado em esquema fatorial (5 x 6), com cinco sistemas intensivos de produção para o primeiro fator e em seis épocas diferentes de avaliação, para o segundo fator, sendo as médias comparadas pelo teste de Duncan, ao nível de 5%. Efetuou-se o teste de coeficiente de correlação de Pearson (r) para analisar a relação entre a matéria orgânica do solo e os dados de população de Enchytraeidae e outros oligoquetos. 111 7.5. Resultados e Discussão Verificou-se que houve efeito significativo (P<0,05) da interação entre os sistemas avaliados e as épocas de amostragem sobre os valores de densidade de oligoquetos, corroborando com as observações de Araujo e López-Hernádez (1999) e Chan (2001), de que este comportamento, possivelmente, foi proporcionado pelas variações sazonais de temperatura e umidade do solo. Observou-se, ainda, que os valores de densidade populacional nos sistemas cultivados foram muito acentuados entre as seis épocas de avaliação (Tabela 7.2). De acordo com os resultados apresentados na Tabela 7.2, observou-se que o sistema natural (SN), em todas as épocas de avaliação, apresentou a maior densidade populacional de oligoquetos, diferindo estatisticamente (P<0,05) dos demais sistemas. Esta maior ocorrência pode estar relacionada com as condições edáficas mais favoráveis, especialmente em relação às características químicas do solo (Tabela 7.1). Além disso, pode ter sido beneficiada pela variabilidade de microhábitats e maior oferta de recursos proporcionada pela diversidade de vegetação da mata. Em geral, os sistemas sob plantio direto (SPD), integração lavoura/pecuária (SILP) e pastagem contínua (PC) apresentaram valores de densidade populacional semelhantes entre si e significativamente superiores (P<0,05) ao sistema convencional (SC). Isto se deve, principalmente, ao fato de o manejo em plantio direto promover acúmulo de material orgânico na superfície do solo e pequena movimentação mecânica (Kluthcouski e Aidar, 2003). As pastagens cultivadas continuamente apresentam grande densidade de raízes em constante renovação e exsudatos radiculares, conseqüentemente, maior disponibilidade de matéria orgânica no solo. Esses aspectos favorecem as condições para o desenvolvimento e estabelecimento dos oligoquetos edáficos (Chan, 2001). 113 Tabela 7.2 – Densidade populacional média (ind m-2) de oligoquetos edáficos, profundidade de 0,0-0,30m, sob sistema convencional (SC), plantio direto (SPD), integração lavoura/pecuária (SILP), pastagem contínua (PC) e sistema natural (SN), Dourados, MS. Época de avaliação Sistemas dez/00 jun/01 jan/02 jun/02 jan/03 jul/03 ------------------------------------------- Enchytraeidae ------------------------------------------ SC SPD SILP PC SN 0 Bb* 123 Aa 2 Ba 0 Bb 240 Ab 13 Ca 49 Ba 0 Da 3 CDb 870 Aa 0 Bb 3 Bb 0 Ba 6 Bb 3347 Aa 0 Cb 2 Cb 27 Ba 3 Cb 2813 Aa 0 Cb 4 Cb 0 Ca 29 Ba 1667 Aa 0 Bb 0 Bb 2 Ba 0 Bb 509 Ab ---------------------------------------- Outros Oligochaeta -------------------------------------- SC SPD SILP PC SN 13 Cb 31 Bbc 24 Bbc 29 Ba 48 Aa 70 Ba 195 Aa 264 Aa 90 ABa 106 Aa 0 Cc 29 Bbc 26 Bbc 93 ABa 147 Aa 6 Cbc 46 Bb 91 Bab 77 Ba 179 Aa 0 Bc 26 Abc 48 Abc 93 Aa 93 Aa 0 Cc 16 Bc 6 Bc 58 Aba 70 Aa --------------------------------------- Total de oligoquetos -------------------------------------- SC SPD SILP PC SN 13 Cb 154 ABb 26 Bbc 29 Ba 288 Ab 83 Ca 244 Ba 264 Ba 93 BCa 976 Aa 0 Cc 32 Bbc 26 Bbc 99 Ba 3494 Aa 6 Cbc 48 Bb 118 Bab 80 Ba 2992 Aa 0 Dc 30 Cbc 48 Cbc 122 BCa 1760 Aa 0 Cc 16 Bc 8 Bc 58 Ba 579 Ab *Para a análise estatística os valores foram transformados por log (x+1). Médias grafadas com a mesma letra maiúscula, na coluna, e minúscula, na linha, não diferem entre si pelo teste de Duncan a 5% de significância. 7.6. Conclusão Os sistemas SPD, SILP e PC favoreceram o desenvolvimento e estabelecimento da população dos oligoquetos edáficos. O sistema natural apresentou uma alta população de oligoquetos edáficos, sendo a grande maioria constituída pelos organismos da família Enchytraeidae. Dentre os sistemas produtivos, o SPD favoreceu a ocorrência dessa família, praticamente, em todas a fases de avaliação. 7.7. Referências Bibliográficas ABRAHAMSEN, G. Ecological study of Enchytraeidae (Oligochaeta) in Norwegian coniferous forest soils. Pedobiologia, v. 12, p.26-82, 1972. 114 AMARAL, A.S.; ANGHINONI, I.; HINRICHIS, R.; BERTOL, I. Movimentação de partículas de calcário no perfil de um cambissolo em plantio direto. Revista Brasileira Ciência do Solo, v.28, p.359-367, 2004. 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O solo sob vegetação nativa apresenta grande heterogeneidade edáfica em relação aos sistemas cultivados. Dentre os sistemas cultivados, o SC e SPD (milho/aveia) arranjaram-se em grupo bem definido influenciada de forma mais direta pela comunidade da macrofauna invertebrada do solo. Palavras-chave: Latossolo Vermelho Distroférrico típico, densidade de solo, porosidade, fauna de solo. 8.2. Abstract The objective of this work was to evaluate the physical, chemical, and biological characteristics and their relationship in a eight-year no-tillage system in the Cerrado. Samples were collected in Dourados, MS, in a Typic Hapludox soil during the winter cropping season of 2003. The following systems were sampled: conventional system (CS) and no-tillage system (NTS) with different crop rotation (soybean/turnip, soybean/wheat, and corn/oat), and natural system (NS). NS did show great edaphic heterogeneity when compared to the other systems (CS and NTS). Among the cultivated systems, SC and NT (corn/oat) appeared as a well defined group and were more influenced by the community of soil invertebrate macrofauna. Key words: Typic Hapludox soil, soil density, porosity, soil fauna 116 8.3. Introdução A substituição da cobertura vegetal, a adoção intensiva de mecanização, o uso de corretivos, fertilizantes, pesticidas e outras práticas de cultivo provocam ou aceleram alterações no conjunto de atributos morfológicos, físicos, químicos e biológicos do solo. Acarretando, freqüentemente, problemas associados à degradação ambiental, tais como: redução da qualidade do solo, disponibilidade de nutrientes, erosão, contaminação por metais pesados e pesticidas, levando ao comprometimento dos recursos naturais. A grande questão contemporânea é saber como manter a produção agrícola sem comprometer os recursos naturais. Tal fato tem gerado preocupação e debate em todo mundo acerca da qualidade do solo e da sustentabilidade dos ecossistemas naturais e dos sistemas que sofreram interferência humana (Swift, 2001). Diante desta realidade, o sistema plantio direto (SPD) surgiu como um dos sistemas agrícolas mais conservacionistas, pela sua diversificação de espécies na rotação/sucessão de culturas, mínima interferência no solo e manutenção dos resíduos vegetais das culturas anteriores na superfície do solo (Denardin e Kochhann, 1997; Resck, 1997). Atualmente, o SPD abrange uma área de mais 20 milhões de hectares no Brasil (Cervi, 2003), representando 30% da área de produção de grãos, sendo que cerca de 5 milhões de hectares dessa área está localizada na região do cerrado (Freitas, 2002). Segundo Primavesi (1999), o SPD é considerado o maior projeto ambiental dos trópicos, em termos de extensão. Neste sistema, as características físicas, químicas e biológicas do solo são afetadas diferentemente em relação ao sistema convencional. São relatadas diferenças na retenção de umidade, oscilação térmica, distribuição de fósforo e matéria orgânica, teor de nitrogênio e distribuição de alguns organismos do solo (Muzzilli, 1983; Wiethölter, 2000). 117 As condições mais adequadas de umidade e temperatura e a maior quantidade de matéria orgânica beneficiam a flora e a fauna do solo. Esses organismos desempenham importante papel na reciclagem de carbono e de nutrientes (Vilela et al., 2003), na estabilidade dos agregados do solo, na porosidade, propiciando maior infiltração de água no perfil, redução da erosão e do escorrimento superficial (Craswell e Lefroy, 2001; Martius et al., 2001; Palm et al., 2001). A fauna do solo também atua no transporte de resíduos culturais ao longo do perfil, formando “sítios de matéria orgânica”, proporcionando melhorias no ambiente radicular das plantas (Rheinheimer et al., 2000). Além disso, os canais abertos por esses organismos são caminhos potencialmente importantes nos movimentos descendentes da solução de solo, por exemplo, favorecendo o movimento descendente de HCO2 - acompanhado de Ca+2 e Mg+2 , atenuando assim a acidez e aumentando os teores cálcio e magnésio nas camadas subsuperficiais do solo (Caires et al., 2000; Ciotta et al., 2004). Os impactos do uso e manejo nas propriedades morfológicas, físicas, químicas e biológicas do solo têm sido quantificados, utilizando diferentes parâmetros, tais como: perfil cultural (Fregonezi et al., 2001), densidade do solo (Stone e Silveira, 2001), porosidade do solo (Beutler et al., 2001), fertilidade do solo (Santos et al., 2003) e fauna do solo (Silva et al., 2002; Aquino e Silva, 2005). Mas, ainda é necessário que, do ponto de vista da sustentatabilidade, as interações das propriedades morfológicas, físicas, químicas e biológicas do solo, possam ser melhor compreendidas, pois esses fatores combinados podem determinar a intensidade com que uma unidade de produção pode ser adequadamente manejada. Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar o sistema plantio direto sob alguns aspectos relacionados às características físicas, químicas e biológicas do solo e suas relações. 8.4. Material e Métodos O trabalho foi conduzido no campo experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, Município de Dourados-MS (22º 14’ 00” S e 54º 49’ 00” W), em um Latossolo 118 Vermelho distroférrico típico, com teores médios de 70% de argila. O clima da região, segundo a classificação de Köppen, é do tipo Cwa, definido como clima temperado com inverno seco e verão chuvoso (Amaral et al., 2000). Os estudos foram realizados na safra de inverno de 2003, oito anos após o estabelecimento dos manejos: 1) sistema convencional (SC), com cultivo de soja no verão e de aveia no outono/inverno. Nesse sistema, o solo foi preparado com uso de grades de discos, sendo utilizados herbicidas residuais em pré-emergência, numa área de 2,0 ha e, 2) sistema plantio direto (SPD), com faixa subdividida em três partes de 2,8 ha, sendo duas ocupadas com soja e uma com milho, no verão, rotacionando-se com nabo forrageiro, trigo e aveia durante o outono/inverno (soja/nabo, soja/trigo e milho/aveia). As culturas de trigo e aveia foram utilizadas para produção de grãos, enquanto o nabo forrageiro foi utilizado como adubo verde. Neste sistema foram empregados herbicidas pós-emergentes e outras tecnologias disponíveis para a região, visando obter elevados rendimentos de grãos e reduzir as perdas do sistema. Dentre as culturas de inverno implantadas (aveia, trigo e nabo forrageiro) nos sistemas produtivos, apenas a cultura de trigo recebeu adubação no plantio, utilizando-se 250 kg/ha da fórmula 5-30-15. Uma área adjacente, com vegetação nativa de Cerrado (SN), com cerca de 5 ha, foi incluída no estudo como referencial da condição original do solo. Na fase inicial do florescimento das culturas de inverno (nabo/trigo/aveia), na entrelinha de plantio, foram amostrados cinco monólitos de solo de 25 x 25 cm de largura e 30 cm de profundidade (divididos em camadas de 0-10 cm, 10-20 cm e 20-30 cm de profundidade) ao longo de um transecto para a avaliação da macrofauna invertebrada do solo, de acordo com Anderson e Ingram (1993). Após a extração manual dos organismos, com auxílio de lupa binocular, procedeu-se à identificação, contagem e pesagem a nível de grandes grupos taxonômicos. 119 Nos mesmos pontos e profundidades das coletas de macrofauna foram efetuadas amostragens para as análises químicas e físicas, de acordo com Embrapa (1997). Foram determinados pH em água, P, K, Ca, Mg, Al e matéria orgânica (MO) e; em amostras coletadas em anéis de volume aproximado de 100 cm3 , densidade (Ds), pelo método do anel volumétrico, macro, micro e porosidade total (VTP), pelo método da mesa de tensão e, umidade do solo (UV). Em cada área estudada foi aberta uma trincheira de 2,0 m de comprimento x 1,0 m de largura e 1,0 m de profundidade, perpendicular ao sentido do trabalho dos implementos, com vistas a detectar as modificações morfológicas provocadas pelos diferentes manejos. Utilizou-se o método do perfil cultural, descrito em Tavares Filho et al. (1999). A análise de variância foi efetuada segundo delineamento inteiramente casualizado, com quatro formas de manejo do solo e vegetação nativa e cinco repetições. A diferença entre as médias foi avaliada pelo teste de Duncan a 5 %. Para avaliar as possíveis alterações das características físicas, químicas e biológicas do solo em decorrência de diferentes usos de solo, compararam-se os resultados obtidos nas quatro formas de manejo em relação ao sistema com vegetação nativa. Procedeu-se à análise de componentes principais (ACP), utilizando o programa CANOCO (Ter Braak, 1987). 8.5. Resultados e Discussão Características morfológicas dos solos Na Figura 8.1, estão representados todos os perfis com os modos de organização, descritos durante o florescimento das culturas de inverno (nabo, trigo e aveia). Sob sistema com vegetação nativa (SN), observou-se na superfície, matéria orgânica parcialmente decomposta, grande volume de raízes distribuídas horizontalmente e agregados milimétricos provenientes das atividades de macrofauna invertebrada do solo e 120 raízes (camada de 2 a 3 cm). Entre 3-20 cm observou-se um volume Fµ∆/µ, fissurado (F), formado por torrões subangulares médios (mt) e pequenos (pt), com alta porosidade interna visível (µ) e algumas porções compactas (∆), presença de forte atividade biológica caracterizada pelo amontoamento de pequenos agregados. Logo abaixo, entre 20-30 cm parte das fissuras desaparece, tendendo a um volume mais maciço (C/F) e restando somente torrões médios, mas o estado interno permanece igual. Entre 30 a 70 cm, verificou-se um volume de solo ainda mais coeso (C), guardando algumas grandes fissuras (F), sendo que, o estado interno mais poroso ainda, ou seja, as pequenas porções compactas desaparecem. A partir desta profundidade (70 a 100 cm), observou-se o horizonte Bw, com o volume de solo contínuo e forte porosidade de amontoamento de pequenos agregados (Cµ). No sistema convencional (SC), a superfície do solo estava exposta, sem presença de cobertura morta e com sinais de selamento superficial. Observou-se um primeiro volume F∆µ/∆, entre 0-7 cm, formado por pequenos torrões (pt) em processo de compactação (∆µ) e por médios torrões compactos (∆), e expressiva quantidade de terra fina (tf) e atividade de fauna edáfica. Não foi observada a presença de raízes nas entrelinhas. Os sulcos apresentavam sua base bem delimitada, e estavam preenchidos com grande quantidade de agregados milimétricos e centimétricos (2 cm de ∅), arredondados, compactos (∆) e em processo de compactação (∆µ) e com boa proliferação de raízes, responsável pela sua sustentação. A partir de 7 a 24 cm, verificou-se um topo mais compacto, provavelmente, em virtude do trabalho da grade (“pé de grade”), o qual praticamente impediu a penetração das raízes. É um volume formado por grandes torrões compactos (∆) e em processo de compactação (∆µ), com tendência a formas prismáticas, com fissuras bem visíveis (F), e foi observado também presença de bioporos. A estrutura é forte, com porções bem alisadas, mas com presença de amontoamento de agregados, caracterizando atividade da fauna edáfica. Observa-se grande descontinuidade da camada anterior para esta, já a passagem desta camada para a seguinte se 121 dá gradualmente. A terceira camada, de 24 a 40 cm é formada por grandes torrões, com estado interno mais compacto (∆µ), mas com alguma porosidade de amontoamento (µ) e muitos bioporos. Em seguida, aparece uma camada de transição gradual (40 a 60 cm), que ainda mantém fortes características morfológicas da camada anterior (F/C ∆µ/µ) mas, que se enriqueceu de porosidade de amontoamento e arredondada. Mais abaixo, (>60 cm), o volume se apresenta como contínuo (Cµ), com a mesma morfologia estrutural descrita no sistema com vegetação nativa (SN). Legenda: L – volume de solo solto, poroso, constituído de torrões de tamanhos variados; F – volume de solo formado de agregados separados por uma rede de fissuras; C – volume de solo continuo, onde não se distingue agregados; µ - torrões com forte porosidade interna, principalmente arredondada; ∆ - torrões compactos, com baixa ou nenhuma porosidade visível; µ∆ e ∆µ - porosidade interna dos torrões intermediária ; tf – terra fina; mt – médios torrões; gt – grandes torrões; pt – pequenos torrões resultantes de atividade biológica; Bw – horizonte encontrado nos Latossolos (Cµ). Figura 8.1 – Representação esquemática das diferentes organizações dos perfis culturais, sob sistemas com vegetação nativa (SN), sistema convencional (SC) e sistema plantio direto (SPD) com diferentes sucessões de culturas: soja/nabo (s/n), soja/trigo (s/t) e milho/aveia (m/a). As setas indicam as modificações observadas a partir do perfil do SN, utilizado como referência. 122 Nas áreas com o sistema plantio direto (s/n, s/t e m/a), verificou-se presença de resíduos culturais (soja e milho) na superfície do solo. Na área sob nabo (s/n), além dos resíduos da cultura anterior, observou-se presença de boa quantidade de folhas mortas em decomposição da própria cultura. Esta cultura cobriu 100% da área em relação as outras culturas de inverno (trigo e aveia). Conforme os dados apresentados na Figura 8.2, dentre os sistemas de manejo, o SPD (milho/aveia) e SPD (soja/trigo) apresentaram quantidades de serapilheira semelhantes; já o SPD (milho/aveia) apresentou quantidade superior ao SPD (soja/nabo). Essa maior quantidade é devida à cultura de milho, que apresenta uma decomposição lenta, que pode ser atribuída à temperatura do ar e do solo menos favoráveis à decomposição durante o inverno, à sua alta relação C/N, à maior proporção do material lignificado (colmos e sabugos) (Wisniewski e Holtz, 1997) e à maior quantidade adicionada inicialmente. 14 a 12 -1 Resíduos culturais (t ha) a 10 ab 8 6 b 4 2 0 SPD (s/n) SPD (s/t) SPD (m/a) SN Sistemas de manejo Figura 8.2 – Quantidade de serapilheira (t ha -1) sob sistema plantio direto (SPD (s/n): nabo cultivado em sucessão a soja; SPD (s/t): trigo cultivado em sucessão a soja; SPD (m/a): aveia cultivada em sucessão a milho) e sistema com vegetação nativa (SN), na safra de inverno 2003, Dourados, MS. Médias grafadas com letras diferentes, entre as barras, contrastam pelo teste de Duncan, a 5%. 123 O perfil sob a cultura de nabo forrageiro (s/n), apresentou o primeiro volume de F∆µ/∆ (entre linhas), formado com terra fina (tf), pequenos torrões (pt) em processo de compactação (∆µ) e médio torrões (mt) compactos (∆). No entanto, verificou-se presença de 124 respectivamente), observou-se um volume F∆µ, com terra fina (tf) e pequenos torrões rugosos (pt) em processo de compactação (∆µ), com presença de poucas raízes. Na zona do rasto de máquinas é visível a presença de estruturas laminares compactas. O sulco da planta de trigo é caracterizado como F∆µ/µ (0-6 cm), com terra fina (tf) e pequenos agregados milimétricos e centimétricos (pt), porosos (µ) e em processo de compactação (∆µ). No sulco da planta de aveia (0-4 cm) o volume de solo estava composto por agregados milimétricos livres (L) e não compactos (µ). Em ambos os sulcos as raízes são ramificadas e estão enovelando os agregados. No segundo volume (6-14 e 4-12 cm sob a cultura de trigo e aveia, respectivamente), verificou-se o volume F∆, com base bem definida, formado por grandes torrões fissurados (F), com tendência de se soltarem horizontalmente em blocos retangulares compactos (∆), com algumas porções com porosidade visível (µ) e forte atividade biológica, evidenciado pelo amontoamento de pequenos agregados e pela presença de coprólitos. Na seqüência desse volume, sob o perfil com a cultura de trigo, observou-se um volume F/C (14 a 52 cm) formado por grandes torrões (gt) de forma prismática, fissurados, rugosos, e presença de grandes bioporos (3 cm ∅) e agregados em processo de compactação (∆µ). As fissuras estavam bem visíveis no perfil e ocupadas pelas raízes. Finalmente, a 52 cm inicia-se o Bw (Cµ). Quanto ao perfil sob a cultura de aveia, a partir de 12 a 16 cm observa-se um volume F∆/∆µ, com as mesmas características morfológicas da segunda camada, diferenciado apenas pela presença de algumas porções em processo de compactação (∆µ). A camada seguinte (16-39 cm) é um volume C/F∆µ, formado por grandes blocos, rugosos, porosos e com grande amontoamento de pequenos agregados. As fissuras são mais pronunciadas e preenchidas por agregados que se desfazem facilmente. Na seqüência desse volume (39 a 70 cm), uma camada de transição formada pelo volume C∆µ/µ, marca o início de uma estrutura 125 maciça com pouca atividade biológica representando uma transição gradual para o Bw. O Bw (Cµ) inicia-se a partir de 66 cm. Características químicas do solo Entre os sistemas de produção (SC e SPD), os resultados da análise química do solo mostraram que somente os teores de P na camada 0-10 cm e Al nas camadas 10-20 e 20-30 cm variaram significativamente (p<0,05) em função dos manejos (Tabela 8.1). Os valores de pH variaram de 5,2 a 6,3, destacando-se o sistema com vegetação nativa nas duas primeiras camadas, que apresentou valores significativamente maiores que os demais sistemas. Em solos com cobertura vegetal natural, o pH encontra-se em equilíbrio dinâmico, com valores praticamente constantes com o tempo. Essa condição é alterada quando o solo é submetido ao cultivo, e um novo equilíbrio é atingido num nível que varia em razão das características do sistema de manejo adotado (Stevenson, 1986). O declínio de pH do solo sob uso agrícola em relação ao solo original, quando não se utilizam corretivos e fertilizantes e manejo adequado, é atribuído, principalmente, a interferência na ciclagem de C-orgânico e nutrientes (Sachez et al., 1983; Tognon et al., 1997). Em geral, os valores de pH foram maiores nos primeiros centímetros do solo, o que está coerente com os baixos teores de Al trocáveis. Os teores de alumínio (Al) trocáveis variaram de 0,0 a 1,2 cmolc dcm-3, não apresentando diferenças significativas entre os sistemas estudados na primeira camada. Houve uma tendência geral para teores mais baixos na primeira camada, o que pode estar relacionado, além da complexação pela matéria orgânica, a maior concentração de bases na superfície e, consequentemente, menor Al+3 , diminuindo o seu potencial de toxidez para as plantas (Salet, 1994; Araújo et al., 2004). Nas demais camadas observaram-se valores significativamente superiores no SC e SPD (milho/aveia) em relação aos outros sistemas de uso de solo. 126 Os teores de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) variaram de 3,0 a 12,6 cmolc dcm-3 e 1,2 a 3,7 cmolc dcm-3, respectivamente, sendo considerados altos e sem restrição à nutrição mineral das plantas. Os teores foram maiores nos primeiros centímetros do solo, decrescendo em profundidade. Sob vegetação nativa observou-se os maiores teores de cálcio (p<0,05) nas três camadas e magnésio nas duas primeiras camadas de solo em relação aos sistemas cultivados, o que pode estar associada à redução da matéria orgânica e à remoção desses cátions nos sistemas cultivados, mesmo recebendo aplicações de corretivos e fertilizantes (Maia e Ribeiro, 2004). Os teores de potássio (K) variaram de 0,1 a 0,8 cmolc dcm-3, decrescendo com a profundidade. Somente a primeira camada de solo apresentou nível médio de K para as plantas. Não houve diferenças significativas (p>0,05) entre os sistemas estudados nas três profundidades de solo. Os teores de fósforo (P) disponíveis variaram de 0,8 a 53 cmolc dcm-3, sendo que, com exceção da vegetação nativa, podem ser considerados altos na primeira camada, médios na segunda camada e baixos na terceira camada. Na primeira camada, entre os sistemas de produção, o sistema convencional apresentou o menor teor de P (p<0,05) em relação os demais sistemas de manejo. Normalmente, o acúmulo de P ocorre nos primeiros centímetros superficiais do solo em SPD (Burle et al., 1997), o que pode estar associado ao não revolvimento do solo, da aplicações anuais e localizadas de fertilizantes fosfatados, da liberação de P durante o processo de decomposição e mineralização do material orgânico depositado sobre o solo, de uma menor fixação de P pelos óxidos de solo, devido ao menor contato deste elemento com os constituintes inorgânicos do solo (Sidiras e Pavan, 1995). Nas outras camadas, não foram observadas diferenças significativas entre os sistemas de produção estudados. O sistema com vegetação nativa (SN) apresentou o menor teor de P nas três camadas de solo em relação aos sistemas de produção, denotando a pobreza original deste solo em P (Bernardi et al., 2003). 127 Do ponto de vista químico, em geral, os solos cultivados sob sistema plantio direto apresentam maior concentração de Ca+Mg e K trocáveis e P extraível na camada superficial decorrente da aplicação freqüente de fertilizantes na superfície e devido à contribuição da fixação biológica de N das leguminosas, aliada à deposição de resíduos de culturas na superfície do solo (Sidiras e Pavan, 1985; Santos et al., 2001; Santos et al., 2003). Tabela 8.1 – Caracterização química de solo sob sistema convencional (SC), sistema plantio direto (SPD) e vegetação nativa (SN) na safra de inverno 2003, Dourados-MS. pH P K Ca Mg Al MO Manejo H2 O mg dm-3 ------------------cmolc dm-3----------------- g kg -1 -------------------------------------------------------- 0-10 cm ---------------------------------------------------SC 5,7 b 20,0 c 0,5 a 4,7 b 2,4 b 0,4 a 26,6 b 1 SPD (soja/nabo) 5,6 b 39,1 ab 0,7a 4,3 b 2,5 b 0,3 a 27,5 b SPD (soja/trigo) 2 5,7 b 53,0 a 0,8 a 4,9 b 2,9 b 0,2 a 32,5 b SPD (milho/aveia)3 5,5 b 35,7 b 0,7 a 3,8 b 1,9 b 0,5 a 30,4 b SN 6,3 a 2,5 d 0,7 a 12,6 a 3,7 a 0,0 a 67,6 a ------------------------------------------------------- 10-20 cm ---------------------------------------------------SC 5,2 b 11,1 a 0,3 a 3,4 b 1,4 b 1,1 a 23,3 b SPD (soja/nabo) 5,3 b 13,7 a 0,3 a 3,8 b 1,7 b 0,6 b 23,5 b SPD (soja/trigo) 5,5 ab 17,3 a 0,3 a 4,3 b 2,0 b 0,3b 23,4 b SPD (milho/aveia) 5,2 b 10,9 a 0,3 a 3,1 b 1,2 b 1,2 a 25,4 b SN 5,8 a 1,2 b 0,3 a 8,4 a 2,7 a 0,2 b 41,4 a ------------------------------------------------------- 20-30 cm ---------------------------------------------------SC 5,3 a 4,1 a 0,3 a 3,5 b 1,5 a 0,7 a 21,2 b SPD (soja/nabo) 5,5 a 5,0 a 0,1 a 3,7 b 1,8 a 0,3 b 19,6 b SPD (soja/trigo) 5,5 a 4,4 a 0,1 a 3,5 b 1,7 a 0,4 b 22,5 b SPD (milho/aveia) 5,3 a 6,4 a 0,2 a 3,0 b 1,2 a 1,0 a 21,3 b SN 5,6 a 0,8 b 0,2 a 5,5 a 1,7 a 0,3 b 31,1 a 1 SPD (soja/nabo): nabo cultivado em sucessão a soja; 2 SPD (soja/trigo): trigo cultivado em sucessão a soja; 3 SPD (milho/aveia): aveia cultivada em sucessão a milho. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna, contrastam pelo teste de Duncan, a 5%. O teor de matéria orgânica (MO) variou de 19,6 a 67,6 g kg-1 (Tabela 8.1), sendo que, os valores maiores concentram-se nos primeiros 10 cm de solo. Os solos cultivados apresentaram teores de MO mais baixo do que o solo sob vegetação nativa (p<0,05) em todas as profundidades avaliadas. Nas três camadas de solo, não houve diferença significativa nos valores de MO entre os sistemas de produção. Entretanto, na primeira camada de solo o SPD (soja/nabo, soja/trigo e milho/aveia) tendeu apresentar quantidade de MO superior ao sistema convencional (SC), indicando que os sistemas de manejo conservacionista do solo podem contribuir para o 128 aumento do teor de matéria orgânica e, consequentemente, da fertilidade do solo (Santos e Tomm, 2003) e maior concentração de substâncias húmicas solúveis (Salet, 1994). A manutenção do teor de matéria orgânica na camada superficial do solo, principalmente nos sistemas conservacionistas, decorre da ausência de revolvimento do solo, onde os resíduos vegetais permanecem sobre a superfície, ocasionando uma lenta decomposição e acumulação (Bayer et al, 2000). Características físicas do solo Os resultados da avaliação da densidade do solo (Ds) nas camadas de 0-10; 10-20 e 20-30 cm estão apresentados na Tabela 8.2. Sob vegetação nativa (SN) observou-se a menor Ds (p<0,05) comparados aos relação aos sistemas de produção nas três camadas de solo avaliadas. Dentre os sistemas de produção, na camada 0-10 cm, os três sistemas com plantio direto (soja/nabo, soja/trigo e milho/aveia) apresentaram valores de Ds significativamente semelhantes; porém apenas o SPD (soja/trigo) foi significativamente superior ao sistema com preparo convencional (SC). Cabe ressaltar que, apesar de não terem sido constatadas diferenças significativas entre os sistemas de produção (com exceção do SPD (soja/trigo) na camada 010 cm) todas as camadas tenderam a ser superiores no SPD, o que pode estar relacionado com a compactação do solo pelo tráfego cumulativo de máquinas e implementos associado à reduzida movimentação do solo (Cavanage et al., 1999; Tormena et al., 2004). Enquanto que no SC os menores valores de Ds podem ser atribuídos ao revolvimento do solo e a incorporação dos resíduos culturais executados antes da semeadura das culturas, corroborando com os resultados obtidos por Araújo et al. (2004), Bertol et al. (2004), Spera et al. (2004) e Tormena et al. (2004). 129 Os resultados da avaliação da porosidade do solo, expressos em valores de macro, micro e porosidade total estão apresentados na Tabela 8.2. Os resultados mostram que os sistemas de produção não apresentaram diferenças em todas as camadas de solo avaliadas, no entanto, os resultados indicam tendência do SPD (soja/nabo, soja/trigo e milho/aveia), principalmente na camada 0-10 cm, apresentarem menores valores de macroporosidade e VTP em relação ao SC, indicando que sistemas com menor mobilização do solo e movimentação intensa de máquinas e implementos agrícolas, além de reduzir a porosidade total mudam a distribuição do tamanho dos poros, com redução dos poros de maior tamanho, como atestam os resultados obtidos por Araújo et al. (2004), Bertol et al. (2004) e Spera et al. (2004). Já a microporosidade, segundo Silva e Kay (1997), é fortemente influenciada pela textura, teor de matéria orgânica e muito pouco influenciada pelo aumento da densidade do solo, originado do tráfego de máquinas e implementos. Tabela 8.2 – Caracterização física de solo sob sistema convencional (SC), sistema plantio direto (SPD) e vegetação nativa (SN) na safra de inverno 2003, Dourados-MS. Manejo Ds Mg m-3 Macroporosidade Microporosidade VTP UV -------------------------------------- m3 m-3 ---------------------------------------- --------------------------------------------------------- 0-10 cm ----------------------------------------------------SC 1,31 b 0,151 ab 0,420 a 0,571 ab 0,264 b 1 SPD (soja/nabo) 1,45 ab 0,105 b 0,416 a 0,521 b 0,290 ab SPD (soja/trigo) 2 1,47 a 0,109 b 0,420 a 0,530 b 0,277 b SPD (milho/aveia)3 1,42 ab 0,123 ab 0,418 a 0,541 b 0,287 ab SN 1,17 c 0,183 a 0,444 a 0,627 a 0,332 a --------------------------------------------------------- 10-20 cm ---------------------------------------------------SC 1,42 a 0,106 b 0,421 bc 0,526 b 0,273 b SPD (soja/nabo) 1,47 a 0,101 b 0,410 c 0,512 b 0,294 ab SPD (soja/trigo) 1,47 a 0,109 b 0,425 bc 0,534 b 0,285 b SPD (milho/aveia) 1,46 a 0,089 b 0,433 ab 0,522 b 0,297 ab SN 1,18 b 0,176 a 0,442 a 0,617 a 0,337 a --------------------------------------------------------- 20-30 cm ---------------------------------------------------SC 1,47 a 0,096 b 0,426 ab 0,523 b 0,280 b SPD (soja/nabo) 1,50 a 0,104 b 0,412 b 0,516 b 0,294 b SPD (soja/trigo) 1,53 a 0,089 b 0,441 a 0,530 b 0,294 b SPD (milho/aveia) 1,47 a 0,085 b 0,440 a 0,524 b 0,300 b SN 1,18 b 0,166 a 0,431 ab 0,597 a 0,338 a 1 SPD (soja/nabo): nabo cultivado em sucessão a soja; 2 SPD (soja/trigo): trigo cultivado em sucessão a soja; 3 SPD (milho/aveia): aveia cultivada em sucessão a milho, VTP: Volume Total de Poros, UV: Umidade Volumétrica. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna, contrastam pelo teste de Duncan, a 5%. 130 Na Tabela 8.2, observa-se ainda que a umidade volumétrica não diferiu entre os sistemas de produção em todas as camadas avaliadas; contudo a umidade decresceu do sistema com vegetação nativa (SN) para SPD e deste para o sistema com preparo convencional (SC). No SPD (soja/nabo, soja/trigo e milho/aveia), o armazenamento de água no solo foi superior ao do SC, fato atribuído, provavelmente, á presença de cobertura morta resultante dos restos culturais na superfície do solo (Beutler et al., 2003) Macrofauna invertebrada do solo A macrofauna invertebrada do solo respondeu de maneira diferenciada ao preparo do solo e ao tipo de sucessão, conforme os resultados apresentados na Tabela 8.3. A maior presença dos organismos da macrofauna invertebrada do solo, expressos em valores de densidade de indivíduos, encontraram-se na camada de 0-10 cm, onde são mais intensos os processos de transformação da matéria orgânica. Resultados semelhantes foram obtidos por Villalobos et al. (2000) em um cultivo de milho, Pashanasi (2001) e Tabu et al.(2003) em diferentes sistemas de uso de solo, Mwangi et al. (2003) em sistema agroflorestal, Benito et al. (2004) em pastagem cultivada e Merlim et al. (2005) em cultivo do figo. Nessa camada, os sistemas SN e SPD (soja/nabo) apresentaram maiores valores de densidade de macrofauna, diferindo dos demais sistemas avaliados. Nas camadas 10-20 e 20-30 cm, os maiores valores (p<0,05) foram observados nos sistemas SN, SPD (soja/nabo) e SPD (soja/trigo) em comparação aos sistemas SC e SPD (milho/aveia). Na somatória dos valores da densidade das três camadas de solo (Total), os sistemas SPD (soja/nabo) e SPD (soja/trigo) foram semelhantes à vegetação nativa (SN). Provavelmente devido ao menor distúrbio mecânico ao habitat e aos resíduos remanescentes da cultura anterior, principalmente quando há maior aporte de nitrogênio. Estas respostas se relacionam principalmente com as modificações da 131 cobertura vegetal, que determinam diretamente a quantidade e qualidade do recurso orgânico disponíveis (Decaëns et al., 2001). Considerando a riqueza (n.º de grupos) da macrofauna invertebrada do solo na camada 0-30 cm é possível verificar que o sistema natural (SN) apresenta uma grande riqueza taxonômica, seguido pelo sistema plantio direto (soja/nabo, soja/trigo e milho/aveia) e por último o sistema com preparo convencional. O sistema plantio direto, geralmente comporta um número superior de vários grupos de macroinvertebrados edáficos que o sistema convencional, devido aos recursos alimentares disponíveis, como também a estrutura do microhabitat gerado e mudanças menos drásticas de temperatura e umidade (Perdue E Crossley Jr., 1989; Winter et al., 1990 e Tanck et al., 2000). Não houve diferença significativa entre os valores de biomassa da macrofauna invertebrada do solo para todos os sistemas de produção (Tabela 8.3). Todavia, é importante considerar que o benefício da biomassa está ligado, principalmente, à geração de poros biológicos de alta funcionalidade, como aeração e infiltração de água no solo por exemplo. Tabela 8.3 – Macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional (SC), sistema plantio direto (SPD) e vegetação nativa (SN) na safra de inverno 2003, Dourados-MS. Manejo 0-10 cm 10-20 cm 20-30 cm Total Riqueza -------------------------- Densidade (ind m-2) --------------------------- N.º de grupos SC SPD (soja/nabo) 1 SPD (soja/trigo) 2 SPD (milho/aveia)3 SN SC SPD (soja/nabo) SPD (soja/trigo) SPD (milho/aveia) SN 1 99 b 35 b 16 b 150 b 6c 691 a 147 a 211 a 1049 a 12 b 170 b 118 a 154 a 442 ab 11 b 115 b 51 b 3b 169 b 10 b 797 a 410 a 54 ab 1261 a 19 a -2 --------------------------- Biomassa (g m ) -------------------------------------------------5,40 a 0,19 b 0,09 a 5,68 a --2,13 a 0,58 ab 0,30 a 3,01 a --2,52 a 0,68 ab 0,62 a 3,83 a --1,42 a 0,34 ab 0,19 a 1,95 a --2,22 a 1,01 a 0,72 a 3,94 a --- SPD (soja/nabo): nabo cultivado em sucessão a soja; 2 SPD (soja/trigo): trigo cultivado em sucessão a soja; 3 SPD (milho/aveia): aveia cultivada em sucessão a milho. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna, contrastam pelo teste de Duncan, a 5%. 132 A análise de componentes principais (ACP) está representada na Figura 8.2, sendo a distribuição dos sistemas feita por pontos, ligados por linhas poligonais constituindo um polígono convexo, indicando sua correlação com os eixos. As características do solo são representadas por setas, sendo o comprimento da seta proporcional à correlação da característica do eixo e a sua importância na explicação da variância projetada em cada eixo. A ACP apresentou autovalores de 51% para o primeiro eixo (horizontal), e 15,5% para o segundo eixo (vertical), o que representa 67,1% da variância total acumulada nos dois primeiros eixos. O primeiro eixo da ordenação relacionou-se principalmente com as variáveis Ca, matéria orgânica (MO), macroporos, microporos, porosidade total, umidade de solo e riqueza de grupos da macrofauna, ao passo que segundo eixo foi mais correlacionado com as variáveis Al, P, K, Mg, densidade dos solo (Ds), biomassa e densidade de organismos da macrofauna. No primeiro eixo, observou-se maior correlação para as variáveis umidade, microporos, MO, Ca e riqueza de grupos da macrofauna, o que possibilitou detectar diferenças nítidas entre os sistemas cultivados e a vegetação nativa, caracterizando a condição natural do solo, sem interferência antrópica. Em solos com cobertura vegetal natural, a MO (D’Andréia et al., 2004) e a biodiversidade (Lavelle e Spain, 2001) encontram–se em equilíbrio dinâmico, de fundamental importância para a manutenção da produtividade do ecossistema. Essa condição é alterada quando o solo é submetido ao cultivo, e um novo equilíbrio é atingido num nível que varia em razão das características do sistema de manejo de sistema adotado (Stevenson, 1994). No segundo eixo, pode-se visualizar a resposta às formas de manejo de solo e os tipos de sucessão de culturas. Sob esta ótica, observa-se, o agrupamento do sistema convencional com SPD onde há envolvimento apenas de gramíneas na sucessão (milho/aveia) 133 e o agrupamento dos SPD onde há pelo menos uma espécie de leguminosa na sucessão (soja/nabo e soja/trigo). Verificou-se que o Al, P, K, Ds e densidade de organismos da macrofauna foram as características que mais influenciaram no comportamento dessas formas de manejo. À medida que o solo vai sendo submetido a diferentes rotações/sucessões de culturas em SPD, as propriedades físicas, químicas e biológicas sofrem alterações. Isto pode ser justificado pelas diferenças intrínsecas das culturas relacionadas com as exigências nutricionais, profundidade das raízes, quantidade e qualidade de resíduos que adicionam sobre a superfície (Cavalieri et al., 2004). Langdale et al (1992) indicam a essencialidade da rotação de culturas para o aumento da qualidade da matéria orgânica, pois é de grande valia a escolha do sistema mais adequado para a melhoria da qualidade do solo e da produção agrícola. Figura 8.3 – Diagrama de ordenação produzido pela análise de componentes principais de variáveis relacionadas as caraterísticas físicas, químicas e macrofauna invertebrada do solo, sob diferentes sistemas de uso de solo, Dourados, MS. 135 ANDERSON, J.M.; INGRAM, J.S.I. Tropical soil biology and fertility: a handbook of methods . 2. ed. Wallingford: CAB, 1993. 221p. AQUINO, A.M.; SILVA, R.F. Fauna do solo e práticas agrícolas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO: SOLO, 30., 2005, Recife. Anais... 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ARTIGO: INTEGRAÇÃO LAVOURA/PECUÁRIA SOB PLANTIO DIRETO: RELAÇÃO ENTRE ATRIBUTOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS 9.1. Resumo O objetivo deste trabalho foi avaliar um sistema integrado lavoura/pecuária sob plantio direto, estabelecido a oito anos no Cerrado, sob alguns aspectos relacionados às características físicas, químicas e biológicas do solo e suas relações. Os dados foram coletados em Dourados, MS, em um Latossolo Vermelho distroférrico típico, na safra de inverno de 2003, em sistema convencional, pastagem contínua, sistema integrado lavoura/pecuária em plantio direto e, em um sistema de vegetação nativa. De maneira geral, verificou-se uma clara distinção entre a vegetação nativa e os sistemas cultivados. Dentre os sistemas de produção, a pastagem contínua e sistema integrado na fase de pastagem foram os menos impactantes. Palavras-chave: Latossolo Vermelho distroférrico típico, densidade de solo, porosidade, fauna de solo. 9.2. Abstract The objective of this work was to evaluate the physical, chemical, and biological characteristics and their relationship in a eight-year integrated crop/livestock system in the Cerrado. Samples were collected in Dourados, MS, in a Typic Hapludox soil during the winter cropping season of 2003. The following systems were sampled: conventional system, continuous pasture, integrated crop/livestock system in no-tillage and natural system. In general, a clear distinction between native vegetation and cultivated systems was verified. Among the production systems, the continuous pasture and integrated crop/livestock system in the pasture phase which required less intensive management. Key words: Typic Hapludox soil, soil density, porosity, soil fauna 141 9.3. Introdução A análise da estrutura produtiva do país revela que a principal ocupação do solo é a pecuária, com 21 % do território brasileiro ocupado com pastagens naturais (78 milhões de hectares) e pastagens plantadas (99,7 milhões de hectares), ou seja, mais que o triplo das terras destinadas à produção de lavouras permanentes e temporárias (Manzatto et al., 2002). Em termos regionais, o Centro-Oeste destaca-se sobre os demais, com 46 milhões de hectares de pastagens cultivadas (IBGE, 1997). Estima-se que cerca de 80% das áreas ocupadas com pastagens cultivadas encontram-se em algum estágio de degradação (Aidar e Kluthcouski, 2003). A exploração extrativista deflagrou processos de exaustão e degradação dos solos, com todas as suas implicações e nefastas conseqüências, ocasionando a redução da capacidade produtiva da unidade pecuária. Na atualidade, o grande número de áreas de pastagem com capacidade reduzida ou degradada tem resultado em desafio para os órgãos de pesquisa e extensão, no sentido de viabilizar sistemas de produção que possibilitem maior eficiência energética e conservação ambiental. Neste contexto, tem sido demonstrado que a rotação de lavouras e pastagens em plantio direto, em função de seus inúmeros e inquestionáveis benefícios, constitui estratégia viável técnica e economicamente para a recuperação e renovação de pastagens degradadas (Vilela et al., 2003), gerando alternativas de lucro e uma nova dinâmica do agronegócio local e regional (Freitas, 2002). Diversos autores enfatizam que esse sistema tem potencial para aumentar a produtividade e reduzir os riscos de degradação, melhorando as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo e o potencial produtivo (Aidar e Kluthcouski, 2003; Vilela et al., 2003). As pastagens, de modo geral, têm a capacidade de manter ou até mesmo aumentar o teor de matéria orgânica do solo, em contraste com os cultivos anuais (Vilela et al., 2003), favorecidas pela grande quantidade de resíduo de material orgânico e pelo sistema radicular 142 extenso e em constante renovação. Estes, além de diminuir a amplitude térmica e conservar melhor a umidade no solo, constituem fator determinante na redução da erosão hídrica (Hernani et al., 2002); na estabilização dos agregados e aeração do solo (Tisdall e Oades, 1982; Castro Filho et al., 1998; Gang et al.,1998) e na diversidade dos organismos do solo (Bending et al. 2002), os quais desempenham importantes atividades como decomposição, reciclagem de nutrientes, síntese e mineralização de matéria orgânica do solo, modificação de estrutura do solo (favorecendo a porosidade e densidade) e controle biológico das pragas e doenças (Wardle e Lavelle, 1997; Lavelle e Spain, 2001; Palm et al., 2001; Decaëns et al., 2003). A relação entre manejo e a qualidade de solo pode ser avaliada pelo seu efeito nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo (Doran e Parkin, 1994). Neste sentido, o entendimento da interação entre essas propriedades é fundamental para nortear as atividades antrópicas, que visam o uso mais racional do ecossistema, em especial aqueles associados ao manejo dos solos no contexto de produção agrícola sustentável. Assim, o presente trabalho objetivou analisar as modificações promovidas pelos sistemas de produção integrada de grãos com a de pastagem através da relação entre os atributos morfológicos, físicos, químicos e biológicos. 9.4. Material e Métodos O trabalho foi conduzido no campus experimental da Embrapa Agropecuária Oeste, município de Dourados-MS (22º 14’ 00” latitude sul e 54º 49’ 00” de longitude oeste de Greenwich), sob solo classificado como Latossolo Vermelho distroférrico típico, com teores médios de 70% de argila. O clima da região, segundo a classificação de Köppen, enquadra-se no tipo climático Cwa, definido como clima temperado com inverno seco e verão chuvoso (Amaral et al., 2000). 143 Os estudos foram realizados na safra de inverno de 2003, oito anos após o estabelecimento dos seguintes manejos: 1) sistema convencional (SC), consistindo-se no cultivo de soja no verão e de aveia no outono/inverno. Nesse sistema, o solo foi preparado com uso de grades de disco, sendo utilizados herbicidas residuais em pré-emergência, numa área de 2,0 ha; 2) sistema integrado lavoura/pecuária, com faixa subdividida em duas partes de 4,0 ha, de forma a conter a fase de lavoura (SILP-lavoura) e de pastagem (SILP-pastagem) no mesmo momento. A faixa SILP-lavoura consiste no cultivo de soja no verão para produção de grãos e aveia no outono/inverno como pastagem temporária, conduzido em plantio direto. A faixa SILP-pastagem consiste no cultivo de pastagem, onde os animais são manejados adequadamente em pastejo rotacionado, sem suplementação no período da seca, com todas as recomendações técnicas sanitárias. O ciclo da rotação é de dois anos, sendo a pastagem de braquiária dessecada com herbicida e implantada a soja no verão e aveia no inverno e, após dois anos, é efetuada nova semeadura de pastagem e 3) pastagem contínua (PC), consiste em pastagem permanente com braquiária, conduzida em sistema rotacionado de pastejo, em uma área de aproximadamente 10 ha. Uma área adjacente, com vegetação nativa do tipo Cerrado (SN), com cerca de 5 ha, foi incluída no estudo como referencial da condição original do solo. Na safra de inverno (julho/2003), na entrelinha de plantio, foram amostrados cinco monólitos de solo de 25 x 25 cm de largura e 30 cm de profundidade (divididos em camadas de 0-10, 10-20 e 20-30 cm de profundidade) ao longo de um transecto para a avaliação da macrofauna invertebrada do solo, de acordo com Anderson e Ingram (1993). Após a extração manual dos organismos, com auxílio de lupa binocular, procedeu-se à identificação, contagem e pesagem a nível de grandes grupos taxonômicos. Nos mesmos pontos e profundidades das coletas de macrofauna foram efetuadas amostragens para as análises químicas e físicas, de acordo com Embrapa (1997). Foram determinados pH em água, P, K, Ca, Mg, Al e matéria orgânica (MO) e; em amostras 144 coletadas em anéis de volume aproximado de 100 cm3 , densidade do solo (Ds), pelo método do anel volumétrico, macro, micro e porosidade total (VTP), pelo método da mesa de tensão e, umidade do solo (UV). Em cada área estudada foi aberta uma trincheira de 2,0 m de comprimento x 1,0 m de largura e 1,0 m de profundidade, perpendicular ao sentido do trabalho dos implementos, com vistas a detectar as modificações morfológicas provocadas pelos diferentes manejos. Utilizou-se o método do perfil cultural, descrita em Tavares Filho et al. (1999). A análise de variância foi efetuada segundo delineamento inteiramente casualizado, com quatro formas de manejo do solo e vegetação nativa e cinco repetições. A diferença entre as médias foi avaliada pelo teste de Duncan a 5 %. Para avaliar as possíveis alterações das características físicas, químicas e biológicas do solo em decorrência de diferentes usos de solo, compararam-se os resultados obtidos nas quatro formas de manejo em relação ao sistema com vegetação nativa. Procedeu-se à análise de componentes principais (ACP), utilizando o programa CANOCO (Ter Braak, 1987). 9.5 Resultados e Discussão Características morfológicas dos solos A Figura 9.1 sintetiza os resultados da descrição dos perfis para cada sistema estudado. Sob sistema com vegetação nativa, observou-se na superfície matéria orgânica parcialmente decomposta, grande volume de raízes distribuídas horizontalmente e agregados milimétricos provenientes das atividades de macrofauna invertebrada do solo e raízes (camada de 2 a 3 cm). Entre 3-20 cm observou-se um volume Fµ∆/µ, fissurado (F), formado por torrões subangulares médios (mt) e pequenos (pt), com alta porosidade interna visível (µ) e algumas porções compactas (∆), presença de forte atividade biológica caracterizada pelo amontoamento de pequenos agregados. Logo abaixo, entre 20-30 cm parte 145 das fissuras desaparece, tendendo a um volume mais maciço (C/F) e restam somente os torrões médios, mas o estado interno continua igual. Entre 30 a 70 cm, verificou-se um volume de solo ainda mais coeso (C) guardando algumas grandes fissuras (F), o estado interno fica mais poroso ainda, ou seja, as pequenas porções compactas desaparecem. A partir desta profundidade (70 a 100 cm), observou-se o horizonte Bw, com o volume de solo contínuo e forte porosidade de amontoamento de pequenos agregados (Cµ). No sistema convencional, a superfície do solo estava exposta, sem presença de cobertura morta e com sinais de selamento superficial. Observou-se um primeiro volume F∆µ/∆, entre 0-7 cm, formado por pequenos torrões (pt) em processo de compactação (∆µ) e por médios torrões compactos (∆), e expressiva quantidade de terra fina (tf) e atividade de fauna edáfica. Não foi observada a presença de raízes nas entrelinhas. Os sulcos apresentavam sua base bem delimitada, e estavam preenchidos com grande quantidade de agregados milimétricos e centimétricos (2 cm de ∅), arredondados, compactos (∆) e em processo de compactação (∆µ) e com boa proliferação de raízes, responsável pela sua sustentação. A partir de 7 a 24 cm, verificou-se um topo mais compacto, provavelmente, em virtude do trabalho da grade (“pé de grade”), o qual praticamente impediu a penetração das raízes. É um volume formado por grandes torrões compactos (∆) e em processo de compactação (∆µ), com tendência a formas prismáticas, com fissuras bem visíveis (F), presença de bioporos, A estrutura é forte, com porções bem alisadas, mas com presença de amontoamento de agregados, caracterizando atividade da fauna edáfica. Observa-se grande descontinuidade da camada anterior para esta; já a passagem desta camada para a seguinte se dá gradualmente. A terceira camada, de 24 a 40 cm é formada por grandes torrões, com estado interno mais compacto (∆µ), mas com alguma porosidade de amontoamento (µ) e muitos bioporos. Em seguida, aparece uma camada de transição gradual (40 a 60 cm), que ainda mantém fortes características morfológicas da camada anterior (F/C ∆µ/µ), mas, que se enriqueceu de 146 porosidade de amontoamento e arredondada. Mais abaixo (>60 cm), o volume se apresenta como continuo (Cµ), com a mesma morfologia estrutural descrita no sistema com vegetação nativa. Na área com pastagem contínua, observou-se que o solo estava totalmente coberto pela braquiária. Entre as touceiras da pastagem verificou-se uma camada de serapilheira seca parcialmente decomposta. Abaixo dessas touceiras observou-se uma camada compacta de 2 cm de raízes (“tapete de raiz”), composta pela maioria de raízes novas em detrimento das mais antigas, indicando a intensa renovação das mesmas. Em seguida, verificou-se uma camada de 23 cm de agregados, em torno de 1 cm de ∅ que se desfaz facilmente em agregados compactos (∆). Muitos desses agregados estão misturados com as raízes, o que caracteriza, além da atividade biológica, uma resultante da atividade das próprias raízes. Entre os sulcos (touceiras), observou-se presença de pequenos torrões retangulares, compactos e em processo de compactação (F ∆/∆µ pt). As raízes estavam distribuídas horizontalmente e algumas estavam achatadas. Na seqüência desse volume, a partir de aproximadamente 4 a 17 cm de profundidade, verificou-se um volume composto por grandes torrões compactos (∆) e em processo de compactação (∆µ), com uma tendência para a forma prismática e com pouca porosidade visível. Observou-se amontoamento de microagregados nas fissuras, provavelmente, características da presença de atividade biológica. Essa camada inicia-se por uma base horizontal formada por uma lâmina de 1-2 cm extremamente compacta, a qual pode trazer futuramente sérios problemas na infiltração de água no solo. Algumas raízes conseguem explorar esse volume de solo através das fissuras da camada laminar. Em seguida, observa-se um volume de solo (17 a 30 cm) composto de blocos menos compactos, que desfaz facilmente em agregados menores. É forte a presença de rugosidade e de amontoamento de microagregados, resultante da atividade biológica. Essa atividade é intensa, 147 pois observa-se grande quantidade de canais biológicos. Além disso, pode ser percebido que a camada apresenta uma umidade superior em relação às camadas anteriores. A camada 30-65 cm representa um volume de solo com estrutura maciça e pouca atividade biológica, que se transformava gradualmente em Cµ. Legenda: L – volume de solo solto, poroso, constituído de torrões de tamanhos variados; F – volume de solo formado de agregados separados por uma rede de fissuras; C – volume de solo continuo, onde não se distingue agregados; µ - torrões com forte porosidade interna, principalmente arredondada; ∆ - torrões compactos, com baixa ou nenhuma porosidade visível; µ∆ e ∆µ - porosidade interna dos torrões intermediária ; tf – terra fina; mt – médios torrões; gt – grandes torrões; pt – pequenos torrões resultantes de atividade biológica; Bw – horizonte encontrado nos Latossolos (Cµ). Figura 9.1 – Representação esquemática das diferentes organizações dos perfis culturais, sob vegetação nativa, sistema convencional, pastagem contínua e integração lavoura/pecuária, na safra de inverno de 2003, Dourados, MS. As setas indicam as modificações observadas a partir do perfil de referência (vegetação nativa). Nas áreas com o sistema integrado lavoura/pecuária, a faixa com lavoura (aveia) encontrava-se no início do manejo de pastejo. Verificou-se presença de poucos resíduos da cultura anterior (soja) na superfície do solo, e se encontrava em estágio bem avançado de decomposição. O sulco da cultura era bem raso (0-3 cm de profundidade), 148 composto de terra fina (tf) com pequenos agregados. Esses agregados apresentavam fortes indícios, além das raízes, da atividade de minhocas. As raízes estão concentradas somente no sulco. Entre os sulcos (0-10 cm) observou-se pouca presença de terra fina e grande volume de pequenos torrões (pt) em processo de compactação (∆µ). Os agregados presentes têm forte indício de serem constituídos por coprólitos, resultante da atividade de minhocas, chegando a se desfazer facilmente em agregados menores. Em seguida, ocorre uma camada (10-20 cm) onde os agregados vão ficando maiores e mais compactos (∆). Apresenta grande quantidade de canais biológicos de vários tamanhos, onde alguns estão preenchidos por microagregados retrabalhados pelos organismos da macrofauna invertebrada do solo. A camada seguinte (2040 cm) é ainda mais fissurada, formada por blocos prismáticos, com vestígios de adensamento e muita atividade biológica; após esta, encontrava-se uma camada (C∆µ) menos compacta para transformar gradualmente em Cµ. Na faixa com pastagem do sistema de integração, observou-se que a cultura de braquiaria estava na fase de rebrota e com 100% de cobertura do solo. Apresentava uma camada de liteira (aproximadamente 2 cm de espessura) mais espessa do que a pastagem contínua, seca e parcialmente decomposta. Não havia formação de camada compacta de raízes como foi observado na pastagem contínua. A maior quantidade das raízes se restringem ao sulco da cultura (2-3 cm de espessura) e estavam distribuídas horizontalmente, algumas ultrapassaram a camada subseqüente. Observou-se presença de agregados maior (em torno de 2 a 3 cm de ∅) e menos compactos (∆) do que observado na pastagem contínua. Entre os sulcos (touceiras), observou-se a tendência de formação de uma camada laminar superficial compacta (Z∆) resultado do efeito de pisoteio animal. O volume de solo (0-3 cm) é formado por pequenos torrões (pt) compactos (∆) de 2 cm de ∅ e com presença de raízes distribuídos horizontalmente. 149 Na seqüência, observou-se uma camada (3-7 cm) fissurada, composta de pequenos e médios agregados compactos (∆) e em processo de compactação (∆µ), com forte rugosidade e porosidade. Essa camada é marcada pela forte presença de bioporos, preenchidos com microagregados provenientes da atividade de minhocas. É conspícua a presença de raízes verticais, ramificadas, com interagregados e raramente intra-agregados. Em seguida, segue-se a camada fissurada (7-23 cm), com presença nítida de cavidades e menos compacta do que camada anterior (∆µ/∆). Os torrões podiam atingir a 5-6 cm de ∅, subangulares, com as faces alisadas e retrabalhadas pelos organismos de macrofauna. O topo dessa camada é bem marcado, mas se desfaz em torrões com facilidade. Após esta, encontrava-se uma camada ainda mais fissurada (23-46 cm), com torrões em forma prismáticas e presença de raízes verticais. Apresentava grandes canais biológicos totalmente preenchidos por cropólitos e com amontoamento de microagregados, caracterizando forte presença de atividade dos organismos da macrofauna invertebrada. Na camada seguinte (46-74 cm) iniciou-se a estrutura maciça adensada (C∆µ) transformando gradualmente à estrutura Cµ do perfil cultural. Características químicas do solo As características químicas do solo, representadas por teores de pH, P, K, Ca, Mg, Al e matéria orgânica (MO), de maneira geral, foram influenciadas pelos usos do solo, cujos valores encontram-se na Tabela 9.1. Dentre os sistemas de produção, os valores de pH em H2 O foram significativamente inferiores sob SILP-pastagem na camada de 0-10 cm e semelhantes nas demais camadas ao sistema convencional (SC) e SILP-lavoura. O menor valor de pH observado no SILP-pastagem, provavelmente, pode ser atribuído a perda do efeito residual da calagem, que foi realizada na fase de lavoura. Na área com vegetação nativa, os valores de pH foram superiores na camada 0-0 cm e semelhantes à pastagem contínua nas demais camadas. 150 Os teores de Al trocável foram mais altos no SILP-pastagem na camada 0-10 cm, compatíveis com os baixos valores de pH e com os baixos teores de bases (K, Ca e Mg) constados neste sistema. Nas demais camadas observaram-se valores significativamente superiores no SC (camada 10-20 cm), SILP-pastagem (camada 10-20 e 20-30 cm) e SILPlavoura (20-30 cm) em relação aos outros sistemas de uso de solo. Em todos os sistemas de produção não foram verificadas diferenças quanto aos teores médios de Ca trocável do solo nas camadas 0-10 e 10-20 cm. Resultados semelhantes foram encontrados por Rheinheimer et al. (1998) e Almeida et al. (2005), enquanto Santos et al. (2003) verificaram diferenças entre os sistemas de produção. Na camada 20-30 cm, a pastagem contínua apresentou maior valor de Ca do que o sistema integrado lavoura/pecuária (SILPpastagem e SILP-lavoura). Na vegetação nativa, os teores de Ca foram superiores em todas as camadas em relação aos sistemas cultivados. Quanto aos teores de Mg, diferentemente do ocorrido com o Ca, houve diferenças entre os sistemas de produção. Tais resultados diferem dos obtidos por Cavalieri et al. (2004) e Almeida et al. (2005), que não verificaram diferenças entre diferentes sistemas de manejo de solo. O sistema SILP-pastagem apresentou o menor teor de Mg em relação aos demais sistemas de produção na camada 0-10 cm. Este sistema foi semelhante ao sistema convencional nas camadas 10-20 e 20-30 cm e ao SILP-lavoura na camada 20-30 cm. Independente do sistema de uso de solo, observou-se maior disponibilidade de Ca e Mg na camada superficial quando comparada às camadas subsuperficiais do solo. A mesma tendência de decréscimo dos teores de Ca e Mg em profundidade também foi constado por Klepker e Anghinoni (1995) e Oliveira et al. (2001) Do mesmo modo que o Mg, os teores de K trocável obtidos em todas as camadas se diferenciaram estatisticamente entre os sistemas avaliados (Tabela 9.1). Verificou-se que, em todas as camadas estudadas, o SILP-pastagem apresentou o menor teor de K trocável em relação aos demais sistemas, com exceção na camada 20-30 cm, onde foi semelhante a pastagem 151 contínua. Santos et al. (2003) encontraram diferenças significativas nos valores de K trocável entre os sistemas de produção com pastagens. Houve tendência de acúmulo de K trocável na camada superficial, observados também por De Maria et al. (1999), Santos et al. (2001) e Santos et al. (2003). Tabela 9.1 – Caracterização química de solo, nas profundidade de 0-10 cm, 10-20 cm e 20-30 cm, sob sistema convencional, integração lavoura/pecuária (SILP-pastagem e SILP-lavoura), pastagem contínua e vegetação nativa, safra de inverno 2003, Dourados-MS. Manejo pH P H2 O mg dm-3 Al MO ------------------cmolc dm-3----------------- K Ca Mg g kg -1 -------------------------------------------------------- 0-10 cm ---------------------------------------------------Sistema convencional 5,7 b 20,0 a 0,55 a 4,7 b 2,4 b 0,4 b 26,6 c SILP-pastagem1 5,2 c 12,2 b 0,31 b 3,1 b 1,5 c 0,9 a 32,0 bc 2 SILP-lavoura 5,7 b 10,2 b 0,63 a 4,2 b 2,6 b 0,2 b 32,1 bc Pastagem contínua 5,7 b 4,2 c 0,62 a 4,6 b 2,8 b 0,1 b 35,8 b Vegetação nativa 6,3 a 2,5 c 0,68 a 12,6 a 3,7 a 0,0 b 67,6 a -------------------------------------------------------10-20 cm --------------------------------------------------Sistema convencional 5,2 b 11,1 a 0,30 a 3,4 b 1,4 bc 1,1 a 23,3 c SILP-pastagem1 5,2 b 5,5 bc 0,07 b 2,8 b 1,1 c 1,2 a 23,5 c SILP-lavoura2 5,5 ab 7,1 ab 0,31 a 3,8 b 2,3 ab 0,7 ab 26,3 bc Pastagem contínua 5,6 a 2,7 bc 0,25 a 4,8 b 2,4 ab 0,2 b 30,6 b Vegetação nativa 5,8 a 1,2 c 0,29 a 8,4 a 2,7 a 0,2 b 41,4 a ------------------------------------------------------- 20-30 cm --------------------------------------------------Sistema convencional 5,3 b 4,1 a 0,27 a 3,5 bc 1,5 ab 0,7 ab 21,2 b SILP-pastagem1 5,2 b 2,1 b 0,05 b 2,1 c 0,8 b 1,1 a 20,5 b SILP-lavoura2 5,3 b 3,3 ab 0,12 ab 2,9 c 1,6 ab 1,1 a 28,1 ab Pastagem contínua 5,6 a 1,9 bc 0,20 a 3,9 b 2,0 a 0,2 b 25,0 ab Vegetação nativa 5,6 a 0,8 c 0,18 a 5,5 a 1,7 a 0,3 b 31,1 a 1 SILP-pastagem: cultivado com pastagem e 2 SILP-lavoura: lavoura com aveia cultivada em sucessão a soja. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna, contrastam pelo teste de Duncan, a 5%. Foram detectadas diferenças entre sistemas avaliados para o teor de P extaível do solo em todas as camadas estudadas (Tabela 9.1). Na camada 0-10 cm, o teor de P extraível foi maior no sistema convencional em relação aos demais sistemas avaliados. Nas demais camadas, este sistema foi semelhante apenas ao SILP-lavoura. Os maiores resultados encontrados no sistema convencional nas camadas estudadas, provavelmente, decorrente das aplicações de fertilizantes fosfatados e a distribuição para as camadas subsuperficiais através da mobilização do solo pela aração e gradagens. Tais resultados diferem dos obtidos por Addiscott e 152 Thomas (2000) e Falleiro et al. (2003) que verificaram maior teores de P extraível no sistema plantio direto, principalmente, na camada superficial. Segundo esses autores, maiores teores de matéria orgânica na superfície do solo, associados ao não revolvimento do solo e à menor mobilidade desse nutriente, favorecem uma permanência no local onde foi depositado. Verificou-se que os valores de P extraível foram expressivamente menores na vegetação natural e pastagem contínua do que nos demais sistemas de manejo. Em relação à matéria orgânica (MO), verificou-se que os valores foram mais elevados na vegetação nativa, principalmente, nas camadas 0-10 e 10-20 cm, onde a mesma é mais preservada em virtude da maior diversidade de espécies vegetais e da provável taxa maior de reciclagem propiciada pela reposição continuada do material orgânico. As reduções de MO no sistema convencional, SILP-pastagem, SILP-pecuária e pastagem contínua, em relação à vegetação nativa, foram, considerando-se a média das três camadas, respectivamente, 49%, 46%, 38 % e 35%, o que denota a influência do sistema de manejo do solo na ciclagem de MO. Dentre os sistemas de produção, a pastagem contínua apresentou o maior valor de MO em relação ao sistema convencional (camada 0-10 e 10-20 cm) e SILP-pastagem (camada 10-20 cm). Na camada 20-30 cm, o nível de MO não diferiu entre os sistemas de produção. Nessa avaliação, principalmente na camada superficial, apesar da ausência de diferenças significativas, observouse ligeira tendência de aumento de MO no sistema integrado lavoura/pecuária em relação ao sistema convencional, denotando a importância desse sistema no incremento paulatino dos níveis de MO do solo nas camadas superficiais, tal como foi observado em outros trabalhos (Santos e Tomm, 1996; De Maria et al., 1999; Santos et al., 2003). A manutenção do nível de MO em valores mais elevados na camada superficial do solo neste sistema decorre do acúmulo de resíduos vegetais sobre a superfície do solo, do sistema radicular extenso e em constante renovação das pastagens e de dejetos de animais, as quais tem importante papel na reciclagem de nutrientes (Vilela et al., 2003). 153 Características físicas do solo A Tabela 9.2 apresenta os resultados de densidade do solo (Ds), macroporosidade, microporosidade, porosidade total (VTP) e umidade do solo, para as diferentes camadas do Latossolo Vermelho distroférrico. Os sistemas de produção, nas três camadas de solo avaliadas, apresentaram os valores de Ds significativamente semelhantes. Cabe ressaltar que, na camada 0-10 cm, apesar não serem constatadas diferenças significativas entre os sistemas de produção, os valores de Ds tenderam ser superiores no sistema integrado lavoura/pecuária (SILP-pastagem e SILP-lavoura). Podem ser atribuídos principalmente ao efeito do pisoteio animal e tráfego cumulativo de máquinas e implementos associados à reduzida movimentação do solo, conforme constataram também Anjos et al. (1994), Albuquerque et al. (2001) e Spera et al. (2004). Enquanto que no SC, a menor Ds pode ser atribuída não só ao revolvimento com arado de discos, como também à ausência de pisoteio animal, cujos efeitos normalmente se restringem à camada superficial (Spera et al., 2004; Bertol et al., 2004 e Tormena et al., 2004). A vegetação nativa, representando a condição estrutural original do solo, teve menor densidade do solo em relação a todos os sistemas estudados nas três camadas avaliadas, com exceção do sistema pastagem contínua na camada 0-10 cm. A renovação intensa das raízes de gramíneas melhora a estrutura do solo, amenizando o impacto do pisoteio (Albuquerque et al., 2001). Considerando que a Ds tem sido usada como um dos parâmetros físicos para indicar restrições ao desenvolvimento das raízes de plantas, as condições verificadas nos sistemas de produção permitem afirmar que não houve compactação de solo na camada superficial. Pois os valores observados encontram-se abaixo daqueles considerados, por Resende (1995), como crítico para Latossolos argilosos com umidade abaixo de 50%, que é de 1,40 Mg m-3. 154 O volume de macroporos não foi afetado pelos diferentes sistemas de produção nas três camadas avaliadas (Tabela 9.2). Resultados semelhantes observados por Schaefer et al. (2001) e Falleiro et al. (2003). Segundo Bouma (1991), os macroporos estão relacionados com processos vitais para as plantas, devendo o ambiente ser preservado. Para Taylor e Ashcroft (1972), os macroporos devem ser superiores a 0-10 m3 m-3 para permitir trocas gasosas e o crescimento de raízes da maioria das culturas. Portanto, conforme os valores de macroporos observados nas camadas 10-20 e 20-30 cm, esse seria um ambiente limitante ao desenvolvimento radicular, pela reduzida taxa de difusão de gases nos solo e pela dificuldade de drenagem do excesso de água pelas chuvas. Dentre os sistemas de produção estudados, não foram observadas diferenças de volume de microporos na camada 0-10 cm (Tabela 9.2). Na camada 10-20 cm, o SILPpastagem apresentou maior valor de microporos do que os sistemas convencional e pastagem contínua, enquanto que na camada 20-30 cm, este sistema foi superior apenas ao sistema convencional. Trabalhos com sistemas de produção de grãos envolvendo pastagem sob plantio direto como o de Spera et al. (2004), em um Latossolo Vermelho distrófico típico, mostraram diferenças entre os tratamentos para microposidade. No entanto, esse comportamento não foi verificado por Albuquerque et al. (1995) e Andreola et al. (2000) em estudos com sistemas de manejo de solo que incluíam rotação de culturas num Nitossolo Vermelho. A porosidade total (VTP) não diferiu entre os sistemas de produção nas camadas de 0-10 e 20-30 cm (Tabela 8.2). Na camada 10-20 cm, o SILP-lavoura apresentou maior VTP do que o sistema convencional. Nota-se que este sistema apresentou tendência de maior VTP, nas camadas 0-10 e 10-20 cm, em relação aos demais sistemas de produção, provavelmente, atribuída aos canais deixado pelas raízes da pastagem e cavidades de atividade biológica (fauna do solo). Por sua vez, a vegetação nativa mostrou maior porosidade 155 em relação aos sistemas cultivados, em ambas camadas, com exceção ao SILP-lavoura na camada 0-10 cm. Tabela 9.2 – Caracterização física de solo, nas profundidade de 0-10 cm, 10-20 cm e 20-30 cm, sob sistema convencional, integração lavoura/pecuária (SILP-pastagem e SILP-lavoura), pastagem contínua e vegetação nativa, safra de inverno 2003, Dourados-MS. Manejo Ds Mg m-3 Macroporosidade Microporosidade VTP Umidade ----------------------------------- m3 m-3 ------------------------------------- --------------------------------------------------------- 0-10 cm ----------------------------------------------------Sistema convencional 1,31 a 0,151 a 0,420 a 0,571 b 0,264 b SILP-pastagem1 1,36 a 0,124 a 0,435 a 0,560 b 0,309 ab SILP-lavoura2 1,38 a 0,148 a 0,431 a 0,580 ab 0,267 b Pastagem contínua 1,25 ab 0,151 a 0,416 a 0,567 b 0,297 ab Vegetação nativa 1,17 b 0,183 a 0,444 a 0,627 a 0,332 a --------------------------------------------------------- 10-20 cm ---------------------------------------------------Sistema convencional 1,42 a 0,106 b 0,421 c 0,526 c 0,273 c 1 SILP-pastagem 1,41 a 0,095 b 0,460 a 0,555 bc 0,327 ab SILP-lavoura2 1,39 a 0,116 b 0,449 ab 0,565 b 0,293 bc Pastagem contínua 1,33 a 0,122 b 0,435 bc 0,557 bc 0,289 bc Vegetação nativa 1,18 b 0,176 a 0,442 abc 0,617 a 0,337 a --------------------------------------------------------- 20-30 cm ---------------------------------------------------Sistema convencional 1,47 a 0,096 a 0,426 b 0,523 a 0,280 c SILP-pastagem1 1,42 a 0,102 a 0,451 a 0,552 a 0,326 ab SILP-lavoura2 1,41 a 0,108 a 0,439 ab 0,547 a 0,308 b Pastagem contínua 1,42 a 0,111 a 0,444 ab 0,755 a 0,310 b Vegetação nativa 1,18 b 0,166 a 0,431 ab 0,597 a 0,338 a 1 SILP-pastagem: cultivado com pastagem e 2 SILP-lavoura: lavoura com aveia cultivada em sucessão a soja. Ds: densidade total e VTP: porosidade total. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna, contrastam pelo teste de Duncan, a 5%. Em relação à umidade volumétrica do solo, não foram detectadas diferenças significativas entre os sistemas de produção na camada 0-10 cm (Tabela 9.2). Cabe ressaltar que nesta camada, apesar da ausência de diferenças estatísticas, os sistemas SILP-pastagem e pastagem contínua tenderam apresentar maior armazenamento de água no solo, fato atribuído provavelmente à presença de cobertura vegetal de gramíneas do gênero Brachiaria. Na camada 10-20 cm, o maior volume de umidade do solo foi observado no SILP-pastagem em relação ao sistema convencional. Por sua vez, na camada 20-30 cm, o sistema convencional apresentou o menor volume de umidade de solo em relação aos demais sistemas de produção. 156 Normalmente nos solos cultivados em sistemas conservacionistas, com coberturas vegetais mantidas na superfície, a temperatura máxima e a amplitude térmica são menores com reflexos na umidade, especialmente nos primeiros centímetros do solo, conforme relatado por Salton e Mielniczuk (1995) e Costa et al. (2003). Macrofauna invertebrada do solo A Tabela 9.3 mostra o comportamento geral da comunidade de macrofauna invertebrada do solo sob os sistemas estudados. Observou-se que os indicadores densidade e riqueza de grupos (diversidade) apresentaram diferenças altamente significativas entres os sistemas. O sistema convencional apresentou a menor densidade total (na profundidade de 030 cm) em relação aos demais sistemas, provavelmente, fato atribuído às modificações impostas pela aração e gradagem, como por exemplo, a destruição do habitat, exposição aos predadores, eliminação do alimento disponível e às condições edafoclimáticas desfavoráveis (temperatura e umidade) (Vilalobos et al., 2000; Decaëns et al., 2003; Aquino e Silva, 2005). Ao contrário, ocorre no sistema integrado lavoura/pecuária (SILP-pastagem e SILP-lavoura), além do não revolvimento do solo, a deposição dos resíduos vegetais, além da rotação de culturas e a intensa renovação da massa radicular das pastagens, o que implica em mais exudatos radiculares (Sánchez et al., 2003) Em conjunto, estes proporcionam mudanças menos drásticas de temperatura e umidade e aumento de matéria orgânica (Tabela 9.1), criando um microclima com características edafoclimáticas favoráveis aos organismos da comunidade de macrofauna invertebrado do solo (Sánchez et al., 2003; Sánchez e Crespo, 2004). Apesar não terem sido constatadas diferenças significativas quando comparados ao sistema convencional, os valores de riqueza de grupos tenderam ser superiores no sistema integrado lavoura/pecuária (SILP-pastagem e SILP-lavoura). O aumento da diversidade dos invertebrados nesta unidade de produção resulta um elemento muito 157 importante nos processos biogeoquímicos do solo que pode estar ocorrendo neste sistema, pois a maioria da energia absorvida pelas plantas é utilizada pela biota do solo para uma série de funções essenciais para a sustentabilidade do sistema. Estas funções incluem a decomposição, reciclagem de nutrientes, mineralização da matéria orgânica, modificação da estrutura do solo, regulação da composição atmosférica e controle biológico de pragas e doenças (Palm et al., 2001; Sánchez e Reyes, 2003). A densidade da fauna edáfica no sistema com pastagem contínua mostrou-se semelhante à da vegetação nativa, mas com menor diversidade, com 15 grupos taxonômicos. Benito et al (2004) observaram que, em pastagem estabelecidas há muito tempo, até mesmo quando verifica-se o declínio na produção de gado, ocorreu o restabelecimento da população da macrofauna invertebrada do solo. De modo geral, os organismos da comunidade de macrofauna invertebrada do solo ocuparam principalmente os primeiros 10 cm de solo em relação à camada subjacente. Resultados similares foram obtidos por Vilalobos et al. (2000), Decaëns et al. (2003), Sánchez e Crespo (2004). Isto demonstra uma maior concentração dos organismos nas proximidades da superfície do solo, que é a camada mais alterada pelas práticas de manejo, como preparo do solo, adubação e deposição de resíduos orgânicos. Nos sistemas com mais interferência antrópicas principalmente as camadas 0-10 e 10-20 cm, apresentaram menores valores de densidade. Na camada 20-30 cm, os menores valores de densidade foram observados no sistema convencional e de vegetação nativa. Em relação à biomassa dos organismos da comunidade de macrofauna invertebrada do solo, não foram detectadas diferenças significativas entre os sistemas estudados em todas as camadas avaliadas (Tabela 9.3). Resultados contrários foram obtidos, especificamente em condições da Colômbia, por Decaëns et al. (2003); Feijoo et al. (2003) e 158 Sánchez e Crespo (2004), que verificaram diferenças significativas entre sistemas de uso de solo. Tabela 9.3 – Macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional, integração lavoura/pecuária (SILP-pastagem e SILP-lavoura), pastagem contínua e vegetação nativa, safra de inverno 2003, Dourados-MS. Manejo 0-10 cm 10-20 cm 20-30 cm Total (0-30 cm) Riqueza --------------------------- Densidade (indm-2)-------------------------Sistema convencional SILP-pastagem1 SILP-lavoura2 Pastagem contínua Vegetação nativa 90 b 470 ab 198 b 813 a 797 a 35 b 336 a 38 b 218 a 410 a 16 c 272 b 512 a 240 b 54 c 141 c 1107 ab 893 b 1389 a 1386 a de grupos 6c 9c 13 bc 15 b 19 a ------------------------------------- Biomassa (g m-2)-------------------------------------Sistema convencional 5,4 a 0,2 a 0,1 b 5,7 a --SILP-pastagem1 4,9 a 0,9 a 1,3 ab 8,6 a --SILP-lavoura2 4,4 a 0,5 a 0,5 b 12,9 a --Pastagem contínua 3,6 a 0,9 a 2,1 a 7,9 a --Vegetação nativa 2,2 a 1,0 a 0,7 ab 5,3 a --1 SILP-pastagem: cultivado com pastagem e 2 SILP-lavoura: lavoura com aveia cultivada em sucessão a soja. Médias grafadas com letras diferentes, na mesma coluna, contrastam pelo teste de Duncan, a 5%. A análise de componentes principais (ACP) está representada na Figura 9.1, sendo a distribuição dos sistemas feita por pontos, ligados por linhas poligonais constituindo um polígono convexo, indicando sua correlação com os eixos. As características do solo são representadas por setas, sendo o comprimento da seta proporcional à correlação da característica do eixo e a sua importância na explicação da variância projetada em cada eixo. A ACP apresentou autovalores de 44,8% para o primeiro eixo (horizontal) e 17,5% para o segundo eixo (vertical), o que representa 62,3% da variância total acumulada nos dois primeiros eixos. De maneira geral, pode-se visualizar que o primeiro eixo separou de forma nítida a vegetação nativa dos sistemas cultivados, indicando que a matéria orgânica (MO), porosidade total (VTP) e riqueza de grupos da comunidade de macrofauna invertebrada do solo (correlacionando com o primeiro eixo) foram as características de maior influência para 159 este sistema, caracterizando a condição natural do solo, sem interferência antrópica. No segundo eixo, observa-se uma nítida tendência do agrupamento do sistema convencional no quadrante superior esquerdo e do SILP-lavoura no quadrante inferior esquerdo. Isto indica que, em ambos os casos, as características identificadas como as mais fortemente correlacionadas com o segundo eixo foram os fatores que mais influenciaram o comportamento desses sistemas. Os teores de P e a densidade do solo (Ds) revelaram maior peso e correlação com o sistema convencional, enquanto que o Al apresentou maior correlação com o SILP-lavoura. No caso de sistema convencional, a maior correlação foi atribuída provavelmente a aplicações de fertilizantes fosfatados e intensiva mecanização para preparo e cultivo. Figura 9.2 – Diagrama de ordenação produzido pela análise de componentes principais de variáveis relacionadas as caraterísticas físicas, químicas e macrofauna invertebrada do solo sob sistema convencional, integração lavoura/pecuária (SILP-pastagem: cultivado com pastagem e SILP-lavoura: lavoura de aveia cultivada em sucessão a soja), pastagem contínua e vegetação nativa, safra de inverno 2003, Dourados-MS. 160 O SILP-pastagem e pastagem contínua concentram-se na região central do diagrama, revelando menor correlação com as características físicas e químicas de maior relevância. Infere-se daí que estes sistemas são mais homogêneos entre si e, consequentemente, menos alterados em suas características em relação à vegetação nativa. Observa-se, ainda, uma certa dispersão das amostras do sistema convencional e pastagem contínua, indicando o maior efeito da variabilidade espacial das características do solo nestes ambientes em relação aos demais sistemas. 9.6. Conclusões 1. A análise estrutural demostrou que o sistema integrado lavoura/pecuária apresentou, principalmente nas duas primeiras camadas, as melhores estruturas para o desenvolvimento das plantas que o sistema convencional e a pastagem contínua. Nestes sistemas observa-se claramente a tendência à formação de camadas compactas, que pode ocasionar limitação na infiltração de água, consequentemente, resultando em processo erosivo do solo. 2. O sistema integrado na fase de pastagem registrou maior alteração nas características químicas do solo na camada superficial em relação aos demais sistemas. Houve diminuição nos valores de pH, K, Ca e Mg e aumento do Al trocável. Os maiores valores de P e de MO foram observados no sistema convencional e vegetação nativa, respectivamente. 3. Não houve evidências de que o sistema integrado lavoura/pecuária tenha interferido negativamente nos atributos físicos. 4. Os sistemas com menos interferências antrópicas apresentaram um ambiente edáfico biologicamente mais ativo, principalmente na camada superficial, tanto em densidade de indivíduos como em riqueza de grupos da comunidade da macrofauna invertebrada do solo. 161 5. Verificou-se uma distinção entre a vegetação nativa e os sistemas cultivados. Em uma visualização conjunta das características do solo, observou-se que o sistema convencional e sistema integrado na fase de lavoura influenciaram no comportamento de P e Al. 9.7. Referências Bibliográficas ADDISCOTT, T.M.; THOMAS, D. Tillage, mineralization and leaching: phosphate. Soil and Tillage Research, v.53, p.255-273, 2000. ADREOLA, F.; COSTA, L.M.; OLSZEVSKI, N. 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Do mesmo modo, as características morfológicas, químicas e físicas do solo são alteradas em função do sistema de manejo utilizado; ü A diversificação das espécies vegetais promove uma maior riqueza dos grupos da macrofauna invertebrada do solo. Dentre as espécies utilizadas, o nabo forrageiro no sistema plantio direto representa uma alternativa promissora para a região dos Cerrados; ü Sistema integrado recompõe a comunidade da macrofauna invertebrada do solo após o período de 2 anos de manejo, indicando que este período pode ser considerado adequado para a rotação do sistema lavoura-pecuária. ü Sistema plantio direto e de integração lavoura/pecuária apresentam, do ponto de vista agronômico, as melhores condições de continuidade estrutural para o desenvolvimento radicular das plantas, quando comparado ao sistema convencional e pastagem contínua; ü A comunidade da macrofauna invertebrada do solo é um parâmetro sensível ao impacto de diferentes sistemas de produção, possibilitando o seu uso como ferramenta na determinação de opções de manejo sustentáveis dos sistemas agropecuários. ü Dentre os grupos da macrofauna do solo, os oligoquetas, principalmente da família Enchytraeidae, constituem-se numa premissa indispensável para pesquisas futuras, podendo corroborar como ferramenta na sua indicação como bioindicador de qualidade do solo na região.