XXXII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social: As Contribuições da Engenharia de Produção
Bento Gonçalves, RS, Brasil, 15 a 18 de outubro de 2012.
ECODESIGN UM COMPONENTE DA
LOGÍSTICA REVERSA
Telmo Silva Telles Filho (Unilasalle)
[email protected]
Tamara Cecilia Karawejczyk (Unilasalle)
[email protected]
Adroaldo Strack (Unilasalle)
[email protected]
A logística atualmente vem despertando interesse crescente nas
organizações empresariais e no meio acadêmico, visto que com a
utilização de um sistema de logística é possível obter melhoria no
desempenho e na competitividade organizacional.. Dentro dessa ótica
a logística reversa e o ecodesign se destacam como importantes
elementos dentro dessa nova área da logística empresarial. Logística
Reversa planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas
correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo e
embalagens ao ciclo de negócios ou ciclo produtivo, por meio dos
canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas
naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem
corporativa, entre outros. O Ecodesign por sua vez, pode ser um
componente da logística reversa em princípio ligado às questões
ambientais e ecológicas, mas não necessariamente somente nessas
questões, sendo que o objetivo do Ecodesign é promover a utilização
de materiais alternativos e planejar o desenvolvimento, a produção, o
uso e o descarte, procurando reduzir o impacto causado pela produção
em escala industrial sobre o meio ambiente, os aspectos econômicos,
legais, logísticos e de imagem corporativa também podem ser
otimizados com a utilização do Ecodesign. O objetivo deste ensaio
teórico é alinhar estes dois conceitos para os processos logisticos
empresariais.
Palavras-chaves: Ecodesign; Logistica Reversa
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1. Introdução
A logística atualmente vem despertando interesse crescente nas organizações
empresariais e no meio acadêmico, visto que com a utilização de um sistema de logística é
possível obter melhoria no desempenho e na competitividade organizacional. Dentro dessa
ótica a logística reversa e o ecodesign se destacam como importantes elementos dentro dessa
nova área da logística empresarial. Logística Reversa planeja, opera e controla o fluxo e as
informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo e
embalagens ao ciclo de negócios ou ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição
reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico,
de imagem corporativa, entre outros. O Ecodesign por sua vez, pode ser um componente da
logística reverso em princípio ligado às questões ambientais e ecológicas, mas não
necessariamente somente nessas questões, sendo que o objetivo do Ecodesign é promover a
utilização de materiais alternativos e planejar o desenvolvimento, a produção, o uso e o
descarte, procurando reduzir o impacto causado pela produção em escala industrial sobre o
meio ambiente, os aspectos econômicos, legais, logísticos e de imagem corporativa também
podem ser otimizados com a utilização do Ecodesign.
O artigo proposto discorre sobre a Logística Reversa e o Ecodesign como uma
ferramenta que possibilita às empresas aperfeiçoarem seus sistemas logísticos tanto a logística
direta como a logística reversa, uma vez que todos os enfoques, econômicos, ambientais,
ecológicos, legal, logístico e de imagem corporativa são considerados a partir do projeto,
berço, até a disposição final do produto, túmulo.
2. Compreendendo a Logistica Reversa e o Ecodesign
A construção de um objeto de estudo faz-se a partir do entrelaçamento do corpo de
conhecimento sobre o assunto e das reflexões que o próprio pesquisador traça nesta
construção, sendo que uma das características deste início de milênio é a diversidade de
olhares e pensamentos sobre os objetos de estudo, trazendo à tona que não existe uma única
verdade, mas sim múltiplas verdades. Neste sentido, esta revisão de literatura irá abordar dois
assuntos em especial: Logística Reversa e Ecodesign
2.1 As Mudanças em Curso
Segundo Castells (2000), no século XX houve a configuração de dois modos de
produção: o estatismo e o capitalismo. Por estadismo, o autor entende que seria o controle de
tudo que é excedente de produção, que fica com o poder estatal e o principal objetivo deste
modo de produção seria a maximização do poder. Já no capitalismo, há distinção entre capital
e trabalho, sendo que a posse do capital pode ser privada, bem como os meios de produção, o
trabalho transformado em commodity e há um princípio básico de que a apropriação e a
distribuição do excedente de produção seriam feitas pelos capitalistas. O capitalismo visaria à
maximização do lucro. Procurando compreender a lógica destes dois modos apresentados por
Castells (2000), a partir das décadas de 80/90, o modo de produção que mais se tem destacado
é o capitalismo, sofrendo revitalizações, onde sua estrutura se reorganiza e reestrutura
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chamado de novo capitalismo ou paradigma pós-industrial (HARVEY, 1989) em detrimento
do estatismo.
Estas novas configurações trazem consigo novas formas e arranjos organizacionais,
conhecidos na literatura como um novo paradigma pós industrial ou também chamado de pós
burocrático (HARVEY,1989; COSTA, 2000). Dentro desta perspectiva, no novo paradigma, a
logística direta, a logística reversa e o ecodesign surgem como novos aportes conceituais e
ferramental para novos entendimentos.
2.2 Logística Reversa
Logística é definida pelo The Council of Logistics Management – (Conselho de
Gerenciamento Logístico, CLM, 1993) como o processo de planejamento, implementação e
controle de maneira eficiente e de baixo custo do fluxo - de matéria prima, estoque em
processo, produtos acabados e as informações pertinentes desde o ponto de origem até o ponto
de consumo com o propósito de atender as necessidades dos clientes.
A logística reversa inclui todas as atividades acima mencionadas, sendo que a diferença
na logística reversa é que essas atividades operam no sentido inverso. É conceituada por
Rogers & Tibben-Lembke (1998) como o processo de planejamento, implantação e controle
eficiente e de baixo custo do fluxo - de matéria prima, estoques de processo, estoques de
produtos acabados e, ainda, informações relacionadas, desde o ponto de consumo até o ponto
de origem, com o propósito de recuperar valor ou fazer o descarte de forma apropriada. “Mais
precisamente logística reversa é o processo de mover materiais da sua destinação final típica
com o propósito de recapturar valor ou realizar o descarte adequado”. :(ROGERS &
TIBBEN-LEMBKE,1998, p.17).
O grupo Europeu de Trabalho em Logística Reversa ampliou o conceito trazido por
BRITO e DEKKER (2003), afirmando que a logística reversa é o processo de planejamento,
implementação e controle de fluxos de matérias-primas, inventário em processo, bens
acabados, partindo de uma manufatura, ponto de distribuição ou ponto de uso, em direção a
um ponto de recuperação ou a um ponto de apropriada disposição ambiental. Outro conceito
de logística reversa diz que “É a logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e
as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós venda e de pósconsumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição
reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico e
de imagem corporativa, entre outros.” (LEITE, 2003, p.16). O conceito de logística reversa
ainda encontra-se em evolução não existindo uma visão unificada, conforme observou Leite
(2003).
Existe um conceito mais amplo do que todos os citados acima, no qual a logística
reversa está inserida, que é de “Apoio ao Ciclo de Vida” (BOWERSOX E CLOSS, 2001:
51,52). Do ponto de vista logístico a vida do produto não se encerra com a sua entrega do
produto ao cliente. Produtos são danificados, não funcionam, tornam-se obsoletos ou não são
vendidos e devem retornar ao seu ponto de origem para serem consertados, reaproveitados,
armazenados ou simplesmente descartados.
Os autores pesquisados são unânimes em afirmar que a Logística Reversa é parte
fundamental do sistema logístico das empresas. Não se entende mais um sistema logístico
completo em que esta atividade não estiver inserida a ele.
Basicamente dois tipos de materiais compõem o processo logístico reverso: bens ou produtos
e embalagens. O retorno do bem pode se dar em dois estágios distintos: o retorno pós venda
sendo esse de forma mais próxima da original e o retorno pós consumo esse em forma de
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resíduos, refugos e rejeitos. O retorno pós venda é devido principalmente às garantias da
qualidade, tais como: produto apresentou defeito no prazo de garantia: defeito de fabricação
ou de funcionamento, avaria no produto ou na embalagem, término de validade e erros de
projeto e a problemas comerciais, tais como: erro de processamento de pedido, retorno de
produtos consignados, excesso de estoque no canal de distribuição, liquidação da estação de
vendas e ponta de estoque. “O retorno pós-consumo se dá principalmente, pela incapacidade
de quem consome o bem de dar destinação adequada às partes resultantes do consumo ou aos
resíduos.” (ADLMAIER; SELLITTO, 2007, p.399). A figura 1 exemplifica as áreas de
atuação da logística reversa, que a literatura trata de forma independente, diferenciando o
estágio ou fase do ciclo de vida útil do produto retornado, embora existam inúmeras
interdependências entre eles. (Leite, 2002)
Figura 1- Logística Reversa – Áreas de atuação e Etapas Reversas (Leite, 2002)
O problema do fluxo reverso das embalagens não é novo, visto que os fabricantes de
bebidas há muito tempo trabalham com o gerenciamento do retorno das embalagens
(garrafas/vasilhames) dos pontos de consumo aos centros de distribuição. Embalagens podem
ser do tipo descartável, tais como garrafas PET que perdem o valor durante o consumo do
produto, ou retornáveis tais como garrafas de vidro cujo valor não se perde no consumo do
produto. No caso das embalagens descartáveis o papel da logística reversa é recolher dar
destinação ao material. No segundo caso a recolocação do material no ciclo produtivo.
(Adlmaier; Sellitto, 2007).
Um exemplo da destinação do material descartável no Brasil é a reciclagem de
embalagens de alumínio que vem gerando excelentes resultados do ponto de vista ecológico e
financeiro, já que diminui consideravelmente os volumes importados de matéria prima,
estando a indústria desse setor entre as maiores recicladoras de alumínio do mundo.
“O problema das embalagens parece ser relevante a tal ponto que Liva, Pontello e
Oliveira (2004) identificam uma logística reversa específica para embalagens, ao par das
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logísticas de pós-venda e pós-consumo. Nhan, Souza e Aguiar (2003) comentam que, com
mercados cada vez mais afastados, além das embalagens primárias, surge a necessidade da
unidade conteinerizada, para longa distância. Segundo estes autores, há uma tendência
mundial de se usarem embalagens retornáveis, reutilizáveis ou de múltiplas viagens
(multiways). Especificamente quanto ao retorno de embalagens, Lima e Caixeta Filho (2001)
comentam que este fluxo pode reduzir desperdícios de valores e riscos ao ambiente, pela
reutilização, recuperação e reciclagem dos materiais de embalagens.” (ADLMAIER;
SELLITTO, 2007).
Esse processo de retorno tanto de bens quanto de embalagens gera materiais
reaproveitados no processo tradicional de suprimento, produção e distribuição. Uns conjuntos
de atividades que uma organização realiza compõem esse processo de retorno, tais como:
coletar, separar, embalar e expedir produtos obsoletos, estragados, usados ou não vendidos
dos pontos de consumo até os locais de reprocessamento, revenda, armazenagem ou descarte.
A figura 2 identifica as atividades do processo de Logística Reversa.
Figura 2 - Processo Logístico Reverso (Lacerda, 2002 – p. 3).
De acordo com o grupo RevLog (um grupo de trabalho internacional para o estudo da
Logística Reversa, envolvendo pesquisadores de várias Universidades em todo o mundo e sob
a coordenação da Erasmus University Rotterdam, na Holanda), as principais razões que levam
as empresas a atuarem mais fortemente na Logística Reversa são:
(1) Legislação Ambiental, que força as empresas a retornarem seus produtos e cuidar do
tratamento necessário;
(2) Benefícios econômicos do uso de produtos que retornam ao processo de produção, ao
invés dos altos custos do correto descarte do lixo;
(3) A crescente conscientização ambiental dos consumidores.
Além destas razões, Rogers e Tibben-Lembke (1998) ainda apontam motivos
estratégicos, tais como:
(1) Razões competitivas – Diferenciação por serviço;
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(2) Limpeza do canal de distribuição;
(3) Proteção de Margem de Lucro;
(4) Recaptura de valor e recuperação de ativos.
As questões ambientais tem se destacado como um dos desafios para os processos
logísticos. Em diversos países a legislação esta fortemente influenciando no transporte,
utilização de materiais e descarte de embalagens. No Brasil, a legislação exige retorno de
produtos considerados perigosos ou problemáticos, devido a utilização de metais pesados, tais
como pilhas e baterias ou poucas opções de tratamento como pneus. Também no Brasil a
questão cultural apresenta desafios a logística reversa, apesar da legislação acima citada,
existem poucos locais de coleta desses materiais perigosos e problemáticos e a fiscalização é
tênue ou inexistente. Leite (2003) em seu conceito de logística reversa coloca que o
tratamento adequado dos produtos retornados agrega valor a imagem corporativa. “No
entanto, segundo Liva, Pontello e Oliveira (2004), objetivos econômicos ainda são os mais
evidentes na implementação de programas de logística reversa.” (ADLMAIER; SELLITTO,
2007, p.399).
Finalizando esta seção, abordaremos a seguir a revisão bibliográfica referente ao
Ecodesign.
2.3 Ecodesign
No início dos anos 90, principalmente nos países da Europa e EUA, surgiram
concepções novas de projetos denominadas DfX (Design for X), onde o componente “X”
representa o objetivo com o qual o projeto está relacionado. O componente “X” pode ser
relacionado ao projeto para montagem (DfA – Design for Assembly), ao projeto para
desmontagem (DfD – Design for Disassembly), ao projeto para reciclagem (DfR – Design for
Recycling) ou ao projeto para meio ambiente (DfE – Design for Environment). As questões
como reciclabilidade, toxicidade dos materiais e menor consumo de energia passam a serem
analisadas já na etapa do design e escolha de materiais, ou seja, na etapa do pré-projeto. Neste
sentido, as concepções do projeto DfX são utilizadas por engenheiros de produto e designers
para garantir que todas considerações ambientais façam parte do projeto do produto.
Conforme Naveiro et. al. (2005), como expressão sucinta destes princípios, o ecodesign
consiste em garantir que o projeto de um produto seja concebido de forma mais ecológica
possível.
No Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2009) ecodesign é todo o
processo que contempla os aspectos ambientais onde o objetivo principal é projetar
ambientes, desenvolver produtos e executar serviços que de alguma maneira irão reduzir o
uso dos recursos não-renováveis ou ainda minimizar o impacto ambiental dos mesmos
durante seu ciclo de vida. Afirma ainda que o ecodesign é uma ferramenta de competitividade
utilizada pelas empresas nas áreas de arquitetura, engenharia e design, tanto no mercado
interno quanto externo, atendendo novos modelos de produção e consumo, contribuindo para
o desenvolvimento sustentável através da substituição de produtos e processos por outros
menos nocivos ao meio ambiente.
Ecodesign é uma tendência cada vez mais seguida pelas empresas e valorizada pelos
consumidores, trazendo ao mercado produtos que aliam ecoeficiência, redução dos impactos
sobre o Meio Ambiente e diminuição de custos.
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Para Fiksel (1996) ecodesign é definido como sendo um conjunto específico de práticas
de projeto, orientadas à criação de produtos e processos ecoeficientes, tendo respeito aos
objetivos ambientais, de saúde e segurança durante todo o ciclo de vida destes produtos e
processos. Processos ecoeficientes são caracterizados por possuírem uma grande ligação entre
a eficiência dos recursos que buscam produtividade e lucratividade com a responsabilidade
ambiental. Em Fiksel (1996) são apresentadas as práticas de aplicação dos princípios do
ecodesign na indústria destacando:
 A escolha de material de baixo impacto ambiental, menos poluente, não tóxico, de
produção sustentável ou reciclada, ou ainda que requeiram menos energia na
fabricação. Destaque para a recuperação de material e de componentes;
 Os projetos voltados à simplicidade e modularidade, objetos com peças
intercambiáveis, que possam ser trocadas em caso de defeito, evitando a troca de todo
o produto, o que também gera menos lixo e redução do consumo de matérias-primas
retiradas da fonte. Aqui o autor destaca a redução das dimensões do produto, a
utilização de materiais mais leves como substitutos, as estruturas de proteção mais
finas, o aumento da concentração de produtos líquidos, a redução do peso ou
complexidade das embalagens e até a utilização de documentação eletrônica para
substituir o papel;
 A redução do uso de energia na produção, na distribuição e durante o uso dos produtos
com o auxílio de dispositivos e mecanismos que desliguem equipamentos que não
estão sendo utilizados ou que regulem a potência de acordo com a demanda;
 O uso de formas de energia renováveis, recuperando e reutilizando os resíduos;
 Os produtos multifuncionais, que tenham funções paralelas no caso de servirem para
mais de um propósito simultaneamente, ou que tenham funções seqüenciais onde o
produto tem uso primário e depois passam a ter uso secundário;
 Os produtos com maior durabilidade para ser evitada a fabricação prematura de outros
para substituí-los;
 A recuperação de embalagens para reaproveitamento na reutilização como na
reciclagem; e,
 A não utilização de substâncias perigosas que possam causar danos à saúde dos
funcionários e consumidores. Neste caso a sugestão é a utilização de substâncias a
base de água e de produtos biodegradáveis.
Segundo Boks (2006) existem fatores estimulantes que influenciam a implementação da
utilização do conceito do ecodesign:
 Pressão externa e requisitos legais;
 Influências econômicas originárias dos interesses dos parceiros da cadeia de valor;
 Percepção e valorização do consumidor pelos aspectos relativos ao impacto ambiental
de um produto; e,
 Desenvolvimento de novas tecnologias.
Outro conceito que se torna relevante é o de sustentabilidade. Para Manzini e Vezzoli
(2005) sustentabilidade caracteriza as condições sistêmicas segundo as quais, em nível
regional e planetário, as atividades humanas não devem interferir nos ciclos naturais em que
se baseiam tudo o que a resiliência do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem
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empobrecer seu capital natural, que será transmitido às gerações futuras. Kazazian (2005)
afirma que sustentabilidade é o que concilia o crescimento econômico, a preservação do meio
ambiente e melhora das condições sociais.
Para o ambiente industrial, o ecodesign contribui para o desenvolvimento sustentável,
reforça a competitividade das empresas, melhora os indicadores de sua ecoeficiência em
termos econômicos e ecológicos, estimulando a criação de um Sistema de Produção
Inteligente para catalisar a multiplicação de empresas promotoras da sustentabilidade.
O ecodesign surge como resposta à necessidade de introduzir conceitos ambientais,
como a economia de energia, água e de recursos naturais em geral, a minimização de resíduos
e emissões de poluentes e a utilização de fontes de energia renováveis, entre outras, nas várias
fases do ciclo de vida do produto.
Guelere Filho et. al. (2008) apresentada onze alternativas de métodos e ferramentas de
ecodesign utilizadas para aplicação no processo de desenvolvimento de produtos que causem
menor impacto ambiental. Como o objetivo deste trabalho se limita em demonstrar a
importância do ecodesign no conceito da logística reversa, abordaremos somente uma das
ferramentas apresentada pelos autores que é a análise do ciclo de vida do produto (ACV).
Naveiro et. al. (2005) comenta que o Ministério do Meio Ambiente e a Agência do
Meio Ambiente e Energia da França trabalham a mais de quinze anos na promoção e difusão
do uso da Análise de Ciclo de Vida nos projetos de produtos e serviços industriais.
A ACV, segundo Ljungberg (2005), compreende etapas que vão desde a retirada no
meio ambiente das matérias- primas elementares e que entram no sistema produtivo (berço), à
disposição do produto final (túmulo).
Para Prates (1998), a ACV é um processo de avaliação dos produtos ambientais
associados a um sistema de produtos e serviços, permitindo assim identificar e avaliar
impactos dos produtos propostos ao meio ambiente durante o ciclo de vida dos mesmos. As
fases do processo produtivo, como a obtenção das matérias-primas, a produção, a distribuição,
a utilização e o destino final após o uso, são avaliadas conforme a profundidade requerida
pelo finalidade do estudo.
Os efeitos ambientais quantificáveis e provenientes dos impactos causados por um
produto são determinados pelas entradas e saídas dos mesmos durante o seu ciclo de vida.
Segundo Prates (1998) as entradas e saídas podem ser:
 Entradas de matérias primas ou energia; e,
 Saídas relativas à emissão total de gases, lançamento total dos efluentes, geração total
de resíduos e contaminação total do solo, além de outras liberações como ruído,
vibrações, radiações e calor.
Fiksel (1996) apresenta como objetivos da ACV:
 Desenvolver um inventário dos impactos ambientais que ocorrem no produto,
processos e atividades, e com base nisto identificar e quantificar a energia e materiais
envolvidos na produção e os residuos gerados;
 Fazer uma análise dos impactos causados pós-lançamento ao meio ambiente dos
materiais e energia utilizados;
 Avaliar e implementar melhorias ambientais efetivas.
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A maior limitação da técnica, segundo Giannetti et. al. (2006) está na definição de qual
abrangência considerar ao análisar o fluxo de material e energia em questão. Para os autores
esta limitação técnica se caracteriza como uma das maiores dificuldades para o uso da
ferramenta ACV. Como exemplo de uma fonte de incerteza do método, destacam que a
exclusão de uma ou mais etapas do processo, definidas erroneamente como de pouca
importância certamente conduziria a análise a erros.
Venzke (2002) afirma que a ACV mesmo com toda a complexidade de se realizar, é um
instrumento que viabiliza a implementação dos conceitos do ecodesign, por permitir o
levantamento de informações relevantes sobre o impacto negativo que possa ocorrer no meio
ambiente em cada etapa de concepção do produto.
3. Considerações Finais
Atualmente o aumento da obsolescência e descartabilidade dos produtos e uma
tendência de que a responsabilidade de acompanhar o ciclo de vida dos produtos está sob os
olhos das indústrias manufatureiras tem se refletido nas estratégias das organizações. A
atuação da cadeia de suprimentos não se limita mais na simples entrega do produto ao
consumidor, mas se estende até o retorno do produto pelo cliente para descarte, recuperação
ou até mesmo a remanufatura.
A logistica reversa, responsável pela reentrada desse material ou produto na cadeia de
suprimentos, surge como uma oportunidade para as empresas entenderem que é uma forma
de adicionar valor ao serviço e obter a integração da gestão do ciclo de vida do produto que
resultará em um diferencial competitivo. A relação da logística reversa e o ciclo de vida do
produto reside na maneira como ocorre o descarte ou reaproveitamento das partes ou
componentes do produto ao fim do ciclo de vida do mesmo.
Alguns aspectos são importantes e devem ser considerados dentro desta abordagem,
como, a satisfação dos consumidores proveniente de um serviço que adiciona valor no fluxo
de retorno, o desenvolvimento sustentável que identifica a responsabilidade social e
ambiental, a reutilização de embalagens que oportuniza a redução de custos aos produtos.
Dentro dessa nova abordagem o ecodesign surge como um conceito que vem ao
encontro da logistíca reversa, que significa pensar o produto deste à concepção até à sua
disposição final, com materiais, processos de fabricação, transporte, entrega ao cliente e os
processos logistícos reversos inerentes a esse produto, é o pensar constante em processos
ecoeficientes que visam a eficiência na utilização dos recursos que buscam produtividade e
lucratividade com responsabilidade ambiental.
Neste ensaio não temos a pretensão de esgotar todas possibilidade deste assunto, o
objetivo principal é demosntrar a importância da logistíca reversa como um diferencial
competitivo da moderna organização e demonstrar a importância do conceito do ecodesign
como uma ferramenta de suporte à logistíca reversa.
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