ANAIS A CONFIGURAÇÃO DE ESTRUTURAS TECNOLÓGICAS PARA INOVAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS: ESTUDO MULTI CASO EM EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA RICARDO JORGE ARAÚJO SILVA ( [email protected] , [email protected] ) IEL - PERNAMBUCO KLÉBER SILVA COSTA ( [email protected] ) UFCG TACIANA DE BARROS JERÔNIMO ( [email protected] ) UFPE RESUMO O trabalho mostra um estudo multi casos em Empresas de Base tecnológica na Cidade de Campina Grande o qual avalia como estas desenvolvem produtos, posicionando-as na matriz de desenvolvimento e faz um estudo de sua capacidade tecnológica. Pelos resultados percebese que, por se tratar de empresas de base tecnológica, cada produto possui posicionamento específico em determinado nível de maturidade para com seus clientes e de sua capacidade de desenvolver produtos inovativos. Estes são o principal fator de competitividade para estas organizações. Os gargalos dos casos estudados se referem a não utilização de métodos de gestão eficazes para suas atividades. Palavras-chave: Inovação, Desenvolvimento de Produtos, Tecnologia 1. INTRODUÇÃO Do fim do período pós-guerra até meados da década de 1970, grande parte da produção das empresas era feita para mercados conhecidos e sem muita complexidade. Praticamente tudo o que era produzido com o mínimo de qualidade e funcionalidade era vendido. O aumento da concorrência, abertura de novos mercados e principalmente o surgimento de novos conceitos e práticas de gestão mudaram o rumo do jogo dos negócios a partir da segunda metade da década de 70. Primeiramente os japoneses começaram a introduzir os conceitos de Qualidade Total, já conhecidos, mas devido ao mercado ainda em expansão e outros fatores macro econômicos, eles ainda não eram de grande aplicabilidade nas organizações. Com o passar do tempo foi percebido que o foco unicamente na produção em massa não produzia resultados competitivos, acarretando na mudança de atividades das organizações para fatores relacionados à inovação, às necessidades dos clientes e aos métodos de gestão mais eficazes. Tendo em vista o aumento da competitividade em mercados locais e globais, a gestão de desenvolvimento de produtos deve ser considerada como fator crítico e estratégico para as organizações que visam manter-se atuante e competitiva diante de um cenário em constante mutação. Diferentemente das décadas passadas, atualmente o desenvolvimento de produtos deve ser alicerçado no conhecimento da maturidade tecnológica e do mercado a ser alcançado. Apesar de muito se discutir a necessidade de conhecer o mercado como fonte para inovar no desenvolvimento de produtos, pesquisas denotam que há uma grande dificuldade para melhorar os produtos ou mesmo em trabalhar com projetos nas empresas brasileiras. Dados do PINTEC (IBGE, 2000) mostram que a principal razão das empresas brasileiras não implementarem inovações e não terem projetos de melhoria é devido as condições de mercado. A falta de conhecimento do mercado em relação à sua faixa de clientes, bem como a ausência de informações sobre que tipo de mercado absorveria seus produtos, são elementos impeditivos para as organizações inserirem inovações. Este fato corrobora a necessidade das ANAIS companhias terem conhecimento da maturidade de seus produtos e os clientes estes podem atingir. Aliado aos processos de engenharia mais sofisticados, o desenvolvimento de produtos tem influência em práticas de gestão mais condizentes com o aproveitamento da capacidade dos funcionários e do conhecimento da organização. Uma estrutura humana tecnológica mínima é fator decisivo para organizações que precisam inovar, principalmente em mercados extremamente concorridos de contínua mudança. Todas as empresas precisam gerir constantemente o desenvolvimento de seus produtos, mas poucas enxergam a necessidade de convergir às habilidades estruturais e humanas de sua tecnologia ao grau de maturidade de seus produtos ou projetos. Sendo assim, aliar as práticas de desenvolvimento de produtos à estrutura tecnológica das empresas possibilita uma melhoria nas práticas de planejamento e gestão de novos produtos. Deste modo, o presente trabalho é fruto de um estudo multi caso realizado com as empresas de base tecnológica participantes da incubadora do Parque Tecnológico da Cidade de Campina Grande, do consórcio PBTech, localizado na Paraíba e com os participantes do pólo tecnológico dessa cidade. A Incubadora Tecnológica de Campina Grande (ITCG), é uma entidade sem fins lucrativos, tem suas ações voltadas para o avanço científico e tecnológico do Estado. Esta atua promovendo o fortalecimento das atividades de empreendimentos tecnológicos, proporcionando condições para operacionalizar e comercializar novos negócios e administrar os projetos setoriais vindos de iniciativas governamentais. Já, o consórcio PBTech atua na promoção do desenvolvimento de importações de softwares e produtos de empresas de base tecnológica no mesmo Estado. Para a análise do estudo multi caso, o artigo utiliza o modelo proposto por LeonardBarton (1998), no qual os processos de desenvolvimento são identificados pelo conhecimento de dois fatores: 1) Grau de Maturidade do projeto Tecnológico e 2) Grau de correspondência entre a linha de produtos e clientes existentes. De posse dessas informações, podem-se caracterizar cinco situações das empresas quanto aos tipos de processos de desenvolvimento que elas utilizam para criação de novos produtos, são eles: i) aperfeiçoamento induzido pelo usuário, ii) desenvolvimento induzido pelo desenvolvedor, iii) desenvolvimento induzido pelo contexto ou ambiente do usuário; iv) transferência de tecnologia de uma outra aplicação ou combinação de tecnologias para um sistema e v) evolução concomitante tecnologia/mercado. Em vista disso, o trabalho apresenta o diagnóstico da estrutura tecnológica das empresas baseadas na proposta de Lall (1992), o qual denota que a capacidade tecnológica pode ser de três níveis: básico, intermediário e avançado. Para esse autor, as empresas podem evoluir de nível à medida que adquirem competências mínimas para tal. O nível básico inicia com a formação de recursos humanos. Criada esta especialização humana, geralmente a organização é capaz de executar atividades informais de resolução de problemas. Passando para a segunda etapa, a qual consiste na criação de competências em manutenção. A terceira etapa é a realização de controle de qualidade nos processos e produtos e outras competências de gestão. Estas três fases iniciais equivalem ao que os autores denominam de capacidade tecnológica básica. A partir da quarta etapa atividade de resolução de problemas passa a ser formalizada, com o estabelecimento de um departamento de engenharia de produto e processo. Este estágio se caracteriza pela capacidade tecnológica intermediária, a sua implementação é esmerada com práticas bem definidas de planejamento e execução. A quinta fase é a mais desenvolvida, onde a empresa passa a realizar pesquisa aplicada – P&D. Neste estágio as empresas passam a desenvolver tecnologia, o que caracteriza uma capacidade tecnológica avançada. ANAIS Como já demonstrado, é necessária uma estrutura tecnológica mínima que seja compatível com as atividades de desenvolvimento de produtos das organizações. Caso não se consiga obter esta estrutura, corre-se o risco de tentar desenvolver produto sem adequado suporte tecnológico, incorrendo em altos custos, obsolescência prematura ou falta de funcionalidade para suprir as necessidades do mercado. Deste modo, este trabalho procura por meio do diagnóstico da estrutura tecnológica das empresas e das informações do tipo de desenvolvimento, mostrar como as organizações desenvolvem seus produtos e se estas possuem uma estrutura tecnológica mínima para que suas atividades sejam competitivas. Para colher as informações, foram feitas entrevistas com (QUATRO) proprietários de empresas de desenvolvimento de software da incubadora do Parque Tecnológico e consórcio PBtech. A estrutura deste trabalho é composta pela atual introdução, seguido de breve histórico do setor, fundamentos teóricos e procedimentos metodológicos. Os resultados vêm em seguida e encerra-se o raciocínio com as considerações finais. 2. O POLO TECNOLÓGICO EM CAMPINA GRANDE Na segunda metade do século passado, Campina Grande começou a receber seus primeiros incentivos para se tornar um dos principais pólos tecnológicos do Brasil. Inicialmente, no ano de 1967, os acadêmicos compraram o primeiro computador da região Nordeste, o qual foi instalado em todo o primeiro andar de um prédio no Núcleo de processamento de Dados da Universidade Federal da Paraíba - Campus II. Desde essa data, as criações de produtos e empresas atuantes na cidade demonstram a tradição na área de computação, que hoje tem reconhecimento mundial. Várias revistas internacionais, a exemplo da Newsweek em sua edição de abril de 2001, classificaram o polo como um dos mais promissores aglomerados produtivos do mundo, juntamente com outros localizados nos Estados Unidos, França, Espanha e China (SEBRAE, 2005). As principais competências tecnológicas em Campina Grande derivam dos investimentos, da formação de capital intelectual vinda da Universidade Federal e de pesquisas na área acadêmica. Dados do projeto Farol Digital mostram que nas universidades federais da Paraíba (UFPB) e de Campina Grande (UFCG) são disponibilizados cerca de R$ 8 milhões ao ano para pagamento de bolsas de pesquisa científica (Farol Digital, 2010). Outro destaque do setor é o número de profissionais PhD’s proporcionais na cidade, no total de 600. De acordo com um projeto realizado pelo SEBRAE, entre Outubro e Dezembro de 2004, foram identificadas 119 empresas de TI (tecnologia da informação) instaladas em Campina Grande, gerando cerca de 500 empregos diretos, com salário médio de R$ 470,00 e um faturamento anual de R$ 27 milhões, no ano de 2001. Sendo que 1% do faturamento dessas empresas provém do mercado externo. Mas, Campina Grande ainda está na fase inicial de exportação de tecnologia. Um projeto relevante para o setor é o Farol Digital, foi consolidado em abril 2005 e lançado em três cidades do Estado da Paraíba – João Pessoa, Campina Grande e Patos. O objetivo deste projeto é o de promover a inovação e o fortalecimento do setor de TIC (tecnologia da informação e comunicação) por meio da difusão tecnológica e de acesso aos mercados regionais, nacionais e internacionais de forma competitiva e sustentável. O Farol Digital tem significativas parcerias como Sebrae/PB, PaqTc/PB, IEL, UNIPÊ, FIP, UFPB, UFCG, CEFET, Banco do Brasil e as prefeituras municipais das três cidades e tendo também o Governo do Estado e a UNIBRATEC (Farol Digital, 2008). Ainda há no setor o chamado Parque Tecnológico de Campina Grande, criado na década de 1980, e simultaneamente com outras quatro fundações tecnológicas que surgiram ANAIS no país, a Fundação PaqTcPB vem se consolidando ao longo dos anos. É a entidade gestora da Incubadora Tecnológica de Campina Grande, responsável pela incubação de empresas, sendo esta uma entidade sem fins lucrativos com objetivo de disseminar o avanço científico e tecnológico do Estado (PaqTc – PB, 2008). O consórcio PbTech é outra referência de instituições criadas para apoiar o setor de Tecnologia na cidade de Campina Grande. Criado em dezembro de 2002, objetivando a promoção e desenvolvimento do mercado de software paraibano. Este reúne empresas em Campina Grande e João Pessoa, a fim de intensificar o processo de divulgação, comercialização local e exportação de seus produtos principalmente para mercados emergentes e promissores, como a China e mais recentemente países da África e Europa. 3. FUNDAMENTOS TEÓRICOS 3.1 Gestão tecnológica A dinâmica do mercado está mais rápida a cada ano o que torna ainda mais difícil a operação das organizações em suas formas de criar novos produtos. Variados fatores tanto de ordem econômica quanto políticos globais mudam drasticamente a velocidade das inovações tecnológicas e com isso determina a competitividade de empresas e de países. A inovação tecnológica não é o único fator competitivo, mas é o que garante maior dinamismo no atual ambiente mutável da economia. As vantagens competitivas derivam-se cada vez mais do conhecimento científico e da tecnologia. A tecnologia possui variadas definições, muitas delas são voltadas a conteúdos práticos e outras com perspectivas sociais nas quais é inserido o desenvolvimento de sociedades e nações. No trabalho, o conceito adotado será o de tecnologia como ciência das técnicas. Este conceito aborda a transformação da técnica em conhecimento científico sistematizado transformando-o em tecnologia. A Técnica é diretamente relacionada à ação. O estudo científico é a análise da técnica e a tecnologia é o retorno à ação concreta baseado no estudo científico do agir. A tecnologia é criada pela ciência, quando esta estuda as técnicas ditas empíricas decompondo-as e analisando-as criando verdadeiros sistemas de conhecimentos científicos sobre o assunto. Zawislak (1994) argumenta que a tecnologia pode também ser desenvolvida a partir do estudo científico de modo sistemático não inserindo a prática empírica como comumente é utilizada. O que se assume neste ponto é que, devido à complexidade da tecnologia, esta deverá ser gerida e adotada como estratégias para criação de inovações e desenvolvimento de produtos. Para esta gestão, é necessário saber a capacidade tecnológica da empresa e qual a contribuição desta para a evolução das empresas de modo a se tornarem mais competitivas no desenvolvimento de produtos inovadores. 3.2 Capacidade Tecnológica As contínuas mudanças nos negócios têm como destaque os avanços tecnológicos, os quais têm reduzido o ciclo de vida de produtos e serviços e estes estão em constante evolução. A incorporação de conhecimentos na organização se torna extremamente essencial para que estas sobrevivam ao mercado de forma competitiva. Para adquirir esses conhecimentos, o processo de capacitação tecnológica se torna importante no atual mercado o qual corresponde às atividades de tomada de decisão de adquirir ou adaptar tecnologia, desenvolver ou adquirir, planejamento de melhorias e outros fatores para atender as necessidades de seus consumidores (ALVIM, 1998). O processo de planejamento é tão importante quanto sua execução e deve estar alinhado com as estratégicas tecnológicas, para poder definir um planejamento estratégico voltado à inovação. ANAIS A capacidade tecnológica possui variadas definições, no entanto, de um modo geral corresponde à competência de a organização conhecer os esforços e atividades internas e saber como melhorá-los, sendo geralmente compostos de habilidades individuais, organizacionais e de tecnologia Hasenclever (1997). Dominando estes aspectos e fazendo com que estes atuem conjuntamente, tem-se o processo de capacidade tecnológica, que em última instância, objetiva resolver problemas de novas formas – ou inovar. A identificação da capacidade tecnológica na empresa não é considerada como fator de competitividade, mas este acontece quando o processo de melhoria contínua é inserido. Com isso, a busca de novas soluções e o melhoramento da capacidade tecnológica coloca a empresa num ciclo de gerenciamento da inovação, permite a mesma pensar em possíveis upgrades para seu desenvolvimento tecnológico. De acordo com Drouvout e Verna (1994) e Lall (1992), a capacidade tecnológica, apresentada no Quadro 1, pode ser dividia em três etapas: Básica, intermediária e avançada. A primeira corresponde a três etapas, onde temos a configuração de uma estrutura humana mínima na primeira etapa, seguido de uma capacidade para manutenção de suas atividades iniciando-se uma profissionalização mais robusta de seus funcionários. A aplicação de conceitos de tecnologia, principalmente ligados à gestão da qualidade faz parte da terceira etapa e estas três correspondem a uma capacidade de inovação básica. A capacidade intermediária insere a engenharia de produtos e processos como atividades principais, de forma que os processos caracterizam-se como mais especializados onde as inovações são vindas das atividades de engenharia principalmente. Uma empresa com capacidade tecnológica avançada tem seu processo em pesquisa avançada com atividades voltadas à pesquisa e desenvolvimento (P&D). Capacidade Tecnológica Etapas Quadro 1- Tipologia da Capacidade Tecnológica Principal Fonte Tipo de Competências de Tecnologia inovação Organização da Empresa Micro intensivo em mão-de-obra PMEs intensivas em mão-de-obra Grandes intensivas em mão-de-obra 1ª Formação de RH Clientes Informal 2ª Manutenção Fornecedores de insumos Formalizada até a atividade de design 3ª Controle de qualidade Fornecedores de equipamentos Atividade formal de PCP Intermediária 4ª Engenharia de produto e de processo Centros tecnológicos Atividade formal de engenharia Intensivas em capital Avançada 5ª Pesquisa aplicada Instituições de C&T Atividade formal de P&D Intensivas em C&T Básica Fonte: Adaptado de Drouvot & Verna (1994) e Lall (1992) Em uma dinâmica competitiva pode-se afirmar que a capacidade tecnológica, com as ações de absorver, dominar ou mesmo desenvolver novas tecnologias é responsável pela sobrevivência atual e futura de uma organização. Para tal, devem-se posicionar as empresas de acordo com o seu nível de capacidade as possibilita mapear sua condição atual e planejar seus movimentos estratégicos para desenvolvimento de suas potencialidades, à medida que elas incluem a atividade de gestão da inovação como princípio estratégico. Silva et al. (2007) argumentam que a atuação das organizações para melhoramento das capacidades tecnológicas deve ser vista tanto em níveis individuais como para setores, ANAIS associações ou instituições governamentais e de fomento. A criação de um plano estratégico de inovação que englobe também instituições governamentais e de apoio, certamente possibilitará uma sinergia maior na busca de soluções inovadoras a empresas de aglomerados inovativos. Entretanto, para a sobrevivência no mercado, a inovação nos negócios exige adaptação frente às descontinuidades tecnológicas, de modo que se deve constantemente importar conhecimentos capazes de criar novas oportunidades. Para o desenvolvimento de produto as importações de conhecimentos devem ser feitos por métodos não-tradicionais que, se utilizados com eficiência, pode mais facilmente assimilar os níveis de aprendizagem preparando a organização para a criação de inovações radicais de seus produtos colocando-a na vanguarda de desenvolvimento científico e tecnológico. Para conhecer os métodos de desenvolvimento de produtos serão mostradas técnicas gerenciais validadas no âmbito empresarial e acadêmico, para as organizações que lidam com a difícil missão de serem continuamente inovadoras. Essas técnicas são baseadas no conhecimento de dois fatores importantes, que são o Grau de maturidade tecnológica de seus produtos e a Correspondência entre a linha de produtos e a clientela existente. Essas informações clarificam de modo mais contundente as fontes que as organizações podem utilizar para desenvolver produtos inovadores. 3.3 Processo de Desenvolvimento nas empresas O conhecimento dos métodos de desenvolvimento das empresas torna-se crucial, pois estes devem balizar suas capacidades tecnológicas de acordo com os tipos de desenvolvimento de produtos. Para objetivos considerados de maturidade tecnológica menores, deve-se planejar antecipadamente uma estrutura tecnológica adequada para atingir os resultados esperados, estando sempre um em consonância com o outro. Leonard-Barton (1998) propôs um modelo para conhecimento de tecnologias criadas pelas empresas. No qual, os tipos de tecnologias são mostrados em dois eixos, onde um deles verifica a maturidade do projeto tecnológico e o outro o grau de correspondência entre os produtos e o mercado. FIGURA 1-Processos de desenvolvimento de novos produtos nos extremos Baixo 2 5 Evolução concomitante tecnologia/mercado Grau de Maturidade do projeto Tecnológico Desenvolvimento induzido pelo desenvolvedor 3 Desenvolvimento induzido pelo contexto do usuário 1 Alto Aperfeiçoamento induzido pelo usuário 4 Nova Aplicação ou Combinação de Tecnologias Alto Baixo Grau de Correspondência entre a linha de produtos e a clientela existente Fonte: Adaptado de Leonard-Barton (1998) ANAIS Observa-se que dos diversos tipos de desenvolvimento citados há pelo menos dois (o número 1 e 3) que a figura principal é o usuário. Subentende-se também que, caso o modelo fosse inserido em um continuum, o tipo um é o típico processo utilizado para inovações incrementais e do outro lado do continuum haveria o desenvolvimento de número cinco, correspondendo a inovações radicais. O Quadro 2 mostra as principais características de cada um dos tipos de desenvolvimento de produtos. QUADRO 2-Características dos tipos de desenvolvimento de produtos O produto é desenvolvido de modo reativo à identificação de necessidades do usuário que nesse caso já utiliza a tecnologia. Tal aperfeiçoamento também é fruto de indução por parte da concorrência. Isso acontece quando há um alto nível de Aperfeiçoamento maturidade do projeto e alta correspondência com o mercado. Nesses casos, com ou Induzido pelo usuário sem extensa pesquisa de mercado, os desenvolvedores sabem que incrementações proporcionam menor custo e outros atributos de qualidade podem conquistar o mercado. Desenvolvimento Induzido pelo desenvolvedor O desenvolvimento é oriundo da mente dos tecnólogos que conseguem observar possíveis soluções para clientes, os quais não conseguem visualizar soluções tecnologias para seus problemas. Isso acontece quando a necessidade e a solução existem muito antes da compreensão da relação entre elas. A tecnologia existe, mas o desenvolvedor só percebe a Desenvolvimento aplicabilidade para aquela necessidade específica ao estudar ou observar o usuário Induzido pelo contexto atentamente. Estes utilizam produtos antigos os quais por meio de inovações do usuário incrementais, conseguem satisfazer expectativas dos clientes que não sabem como expressar soluções inovadoras ideais. Nova aplicação ou combinação de tecnologias São soluções novas para necessidades identificadas. É semelhante ao segundo tipo de desenvolvimento. Neste caso, porém é o potencial da tecnologia e não da demanda que induz ao desenvolvimento dos produtos. Neste ponto os usuários são desconhecidos e completamente novos. Evolução concomitante Refere-se ao processo realizado, por muitas empresas, para criar inovações radicais. É o desenvolvimento de uma solução ainda em evolução para uma necessidade ainda de tecnologia e incerta. É onde se encontram muitas das pesquisas dos departamentos de P&D. mercado Fonte: Adaptado de Leonard-Barton (1998) As informações advindas do mercado, juntamente com a capacidade de melhorar os níveis de estrutura tecnológica, são de relevância fundamental para as organizações, no sentido, de que estas moldam a ciência em produtos ou serviços comerciais. É certo que muitos produtos são desenvolvidos em laboratórios de P&D sem contato com o mercado. No entanto, muitas inovações fracassam no mercado por falta de conexão com este para criação de novas tecnologias. Sabendo-se como as empresas desenvolvem seus produtos, é necessário se pensar em uma estrutura tecnológica que as possibilite atingir níveis mais elevados de desenvolvimento. Deste modo, o presente trabalho propõe verificar a concordância entre a capacidade tecnológica e seus processos de desenvolvimento de produtos ou projetos condizentes com negócios relacionados a inovações contínuas. 4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O estudo envolveu o levantamento de dados secundários do setor como número de empresas e histórico das mesmas. Após discussões sobre o modelo utilizado, foi confeccionado o instrumento de pesquisa (questionário) para as entrevistas. Estas foram realizadas através da aplicação de questionários de roteiro semi estruturado em quatro empresas do setor. A observação não participante durante as entrevistas foi importante para ANAIS esclarecer pontos entre práticas e performances dos gestores. Após a coleta dos dados pelas entrevistas, os dados foram tratados e em seguida analisados. No qual acarretou na elaboração dos resultados finais do estudo, que identificou os tipos de processo de desenvolvimento utilizado pelas empresas entrevistadas, com base no modelo proposto por Leonard-Barton (1998), o qual está apresentado na Figura 3, a seguir. Figura 3- Matriz de Desenvolvimento de Produtos Maturidade do produto/projeto Tecnológico Novo para o mundo 5 2 Próxima Geração 3 Aperfeiçoamento Maduro 1 Clientes Existentes 4 Novos Clientes/ Atual mercado Novo Mercado Clientes Desconhecidos Correspondência entre a linha de produtos e a clientela existente Fonte: Adaptado de Leonard-Barton (1998) A identificação da maturidade do produto ou projeto tecnológico foi feita questionando-se quatro situações. Se os produtos eram maduros, em aperfeiçoamento, de próxima geração ou novo para o mundo. Para organizações que tinham mais de um produto, a questão podia ser respondida de forma múltipla onde estes afirmavam em que porcentagem se encontrava as atividades de desenvolvimento de produto. Em relação à identificação da clientela, o modelo original foi desdobrado nos itens dois e três, novos clientes do mercado atual e novo mercado respectivamente. Este incremento foi necessário, pois além de clarificar o modelo para atuação no mercado, é uma realidade do setor, conforme foi verificado em bibliografias e em estudos anteriores. Conhecendo esses dois eixos da matriz, maturidade de produto e relação entre produto clientes, pode-se identificar o tipo de atividade de desenvolvimento relacionado às empresas, criando-se um mapa para os casos estudados. Cada número da figura corresponde a um tipo de desenvolvimento, quais sejam: 1) Aperfeiçoamento induzido pelo usuário; 2) Desenvolvimento induzido pelo desenvolvedor; 3) Desenvolvimento induzido pelo contexto do usuário; 4) Nova aplicação ou combinação de tecnologias e 5) Evolução concomitante de tecnologia e mercado. Os conceitos de todos os tipos de desenvolvimento foram vistos na fundamentação teórica deste trabalho. É necessário acrescentar que o quadrante três, como observado no modelo adaptado, possui um quarto (1/4) de cada uma das atividades de desenvolvimento anterior, pois pelo contexto do usuário, o desenvolvimento significa ingressar no mercado e ANAIS verificar suas necessidades para inovar em novos produtos. Desenvolver produtos através de estudos no mercado com o fito de adequá-los à realidade dos clientes é atividade observável tanto em produtos considerado maduros para clientes já conhecidos, como para novos mercados na criação de novos produtos. O diagnóstico da capacidade tecnológica das empresas foi feito mediante o modelo proposto por Drouvot & Verna (1994) e Lall (1992). Contudo, ele passou por alterações para se adequar à realidade do setor. O Quadro 3 sintetiza as afirmações que foram necessárias para identificar a capacidade tecnológica dos casos estudados. Quadro 3- Tipologia da Capacidade Tecnológica Características Quadro mínimo de Formação em recursos humanos, como: Básica Engenheiro, Administrador, Gerente de projetos, Design entre outros. Aplicação de conceitos de gestão, como Qualidade Total, Controle Estatístico de processos, utilização de softwares de gestão, Conceitos Intermediária de gestão projeto nos moldes do PMBOK. Estrutura de P&D, Pesquisa aplicada, projetos de pesquisa. Avançada Fonte: Adaptado de Drouvot & Verna (1994) e Lall (1992) Capacidade Tecnológica Conhecidas a capacidade tecnológica e o tipo de desenvolvimento de produtos, foram deduzidas considerações através do cruzamento de informações entre a capacidade tecnológica e a matriz de desenvolvimento de produtos no mercado, além de outros pontos considerados importantes para a análise final. De acordo com pesquisa do SEBRAE-PB, há no setor 82 empresas atuantes em tecnologia no pólo de Campina Grande – PB, todas exercendo atividades variadas desde revendedora de suprimentos até criação de jogos e PC’s. Os casos foram escolhidos levandose em consideração o porte empresarial e as experiências (das empresas), de modo que diferentes casos fossem utilizados para aplicação do modelo. O Quadro 4 resume esses pontos. Quadro 4-Identificação dos Casos estudados Empresa Número de funcionários Tempo de funcionamento A 06 Dois anos B 05 Um ano C 58 Vinte e sete anos D 03 Dois anos Fonte: Autores (2010) Após a explanação dos procedimentos metodológicos, os resultados atingidos por este trabalho será comentado no próximo item. 5. RESULTADOS Nesta seção será exposta a descrição dos resultados do estudo, bem como a discussão sobre cada elemento da Matriz de Desenvolvimento de Produtos. Encerrada as discussões, será apresentada uma análise da tecnologia e do desenvolvimento de produtos em tópicos relevantes para entendimento dos casos estudados. 5.1 Mercado atuante Inicialmente serão abordadas as características genéricas dos casos estudados para visualizar o campo de ação deles. Das empresas estudadas, todos possuíam um quadro de funcionários com formação de nível superior. Alguns por orientação estratégica (empresa C) e ANAIS outros por força de contrato com incubadora ou de projeto de melhoria (Programa Primeira Empresa Inovadora – PRIME). O mercado de atuação das empresas entrevistadas é variável. As empresas A e B atuam muito no mercado local com seus atuais produtos e destas duas, a empresa B pretende expandir sua atuação na região nordeste, com implantação de novo produto. A empresa C tem sua base de clientes em todo o país com baixa atuação no estado. Esta é a única dos casos que tem um mercado de escala global, exportando 15% de seus produtos. A empresa D, desenvolvedora de soluções para atletas de natação, possui sua atuação em todo o país. 5.2 Nível de maturidade de produto/projeto Em relação a este questionamento, se procurou saber o grau de maturidade dos produtos ou projetos das organizações. Na Tabela 1 está representado o nível de maturidade de seus produtos, conforme resposta dos proprietários. Tabela 1- Nível de maturidade de produto Maturidade Maduro Aperfeiçoamento Próxima Geração Novo para o mundo Empresa A Empresa B 100% 66% Empresa C 40% 60% Empresa D 80% 100% 33% Observações 2 2 2 1 Fonte: Autores (2010) As respondentes que inseriram mais que uma percentagem nas respostas (Empresa B), trabalha com duas vertentes, um produto maduro (100%) e outro que estava sendo desenvolvido para a próxima geração (80%). Com exceção da empresa D, que tem todos os seus recursos voltados para um produto de próxima geração, as empresas A e C subdividiram a maturidade de seus produtos, onde a primeira tem dois terços destes em aperfeiçoamento e o restante em produtos novos para o mundo. A empresa C arrola seus produtos em 40% maduros e o restante em aperfeiçoamento. Vale ressaltar que, nas entrevistas, o proprietário da Empresa A trabalha com protótipos de engenharia para clientes locais. Devido à natureza de seu trabalho, dificilmente este atuava com produtos considerados maduros, pois quando estão neste estágio, vendem o produto final para os clientes. Estes têm como patentes métodos de processos e de gestão, bem como alguns produtos os quais se utilizam para fazer projetos para clientes. O proprietário da empresa C resistiu muito em definir suas inovações como “maduras”, ele afirmou que um de seus produtos tem muito tempo de mercado, mas ainda assim devido ao constante aperfeiçoamento, está a uma geração à frente das atuais tecnologias de banco de dados correlacionados. Frisou que seu produto Maduro não quer dizer obsoleto, pois estão em constante aperfeiçoamento e desenvolvem outras inovações que tem boa aceitação no mercado. 5.3 Relação entre produtos e clientes Para as informações sobre os tipos de clientes de seus produtos, foram analisados os pontos: clientes existentes, se compreendiam novos clientes no mesmo mercado, é novo o mercado ou clientes são desconhecidos. Semelhantemente ao nível de maturidade, a Tabela 2 resume as respostas dos entrevistados. Tabela 2- Relação entre produtos e clientes Tipo de cliente Existente Empresa A Empresa B 30% Empresa C 50% Empresa D 100% Observações 3 ANAIS Novos clientes Novo mercado Clientes Desconhecidos 50% 50% 70% 50% 3 1 - Fonte: Autores (2010) De forma semelhante aos resultados mostrados no nível de maturidade, a diversidade de clientes se refere ao comprador que a empresa possui para determinado tipo de produto. Por isso, as respostas foram múltiplas. Uma análise inicial dos dois resultados mostra alguns dos objetivos estratégicos de cada um dos casos. Inicialmente verificada a empresa A, esta trabalha com a criação de protótipos para os clientes, e tem sempre produtos sendo aperfeiçoados e criando outros considerados novos para o mundo. Seu mercado atuante é geralmente novos clientes de seu mercado atual ou novos mercados. Isso denota que apesar de 1/3 de seus produtos serem considerados inovadores, eles focam mercados novos, mas não desconhecidos. Na empresa B, há a configuração de dois produtos, um software para controle de estoques (correspondendo 100% de maturidade) e um novo programa considerado uma próxima geração no trabalho de gestão de multas de trânsito. Ao visualizar a relação destes produtos com os clientes, a empresa está concentrando cada vez mais esforços para os novos mercados, considerando o produto inovador. No caso da Empresa C, grande destaque no setor, seus produtos estão sempre em uma situação atual de “maduros”, mas em contínuo aperfeiçoamento. Deste modo, este possui uma boa carteira de clientes existentes que garantem sua sobrevivência atual, mas com constante busca de novos clientes, quer seja para utilizar seus produtos mais conhecidos ou que estão sendo aperfeiçoados. O caso da empresa D pode parecer atípico, mas é na realidade compreensível. Este tem um produto, composto de equipamentos e software, que faz avaliação de desempenho dos atletas de natação. Composto por três funcionários: um pós-graduado em educação física, um psicólogo pós-graduado em gestão de projetos e um gestor da UFCG, estes criaram um sistema considerado a próxima geração no estudo de desempenho físico para um mercado já existente, no caso, atletas conhecidos do proprietário pós-graduado em educação física. Apesar do caráter inovador do produto, a empresa não tem a área de programação, que é feito por uma empresa terceirizada na cidade. Embora a empresa seja pequena, para o entrevistado esse não foi considerado um problema, pois possui uma boa carteira de clientes já conhecida por um dos sócios. Esta empresa recebeu um prêmio local, por estar entre os dez melhores empreendimentos incubados. 5.4 Matriz de Desenvolvimento de produtos Considerado os resultados do nível de maturidade e a relação destes com os clientes, podemos identificar o posicionamento de cada um dos casos estudados na Matriz de desenvolvimento (Figura 4). ANAIS Figura 4- Posicionamento das empresas na matriz de Desenvolvimento de produtos Maturidade do produto/projeto Tecnológico Novo para o mundo Próxima Geração A – 33% 2 5 B – 70% D – 100% 3 A – 66% Aperfeiçoamento C – 60% C – 40% Maduro 1 4 B – 30% Clientes Existentes Novos Clientes/ Atual mercado Novo Mercado Clientes Desconhecidos Correspondência entre a linha de produtos e a clientela existente Fonte: Autores (2010) Observam-se na Figura 4 a correspondência entre as percentagens referentes ao nível de maturidade dos produtos nas organizações. A posição destas, no entanto, foi colocada nos diversos tipos de clientes ou mercados referentes. Exceto a empresa D, todos os demais casos se referem a dois produtos. Cada produto possui uma percentagem específica e posicionada com seus devidos clientes e nível de maturidade, onde conhecidas estas posições, pode-se saber o tipo de desenvolvimento de produtos das organizações, que é o objetivo principal da matriz. Conhecida a posição das empresas na matriz, apresentaremos outros questionamentos feitos nas entrevistas que mostram se havia uma correlação entre o desenvolvimento de seus produtos e sua estrutura física e de gestão para que estes fossem bem sucedidos. ANAIS 5.5 Análise da Tecnologia e do desenvolvimento de produtos Para apresentação desta análise, foram observadas as fontes de acesso de conhecimento das empresas e suas capacidades tecnológicas. Cada um dos fatores dos casos estudados será sintetizado a seguir. EMPRESA A Para cada posicionamento das empresas há diferentes tipos de desenvolvimento de produtos. O Quadro 5 resume o desenvolvimento de produtos conforme modelo de LeonardBarton (1998) e outros fatores relevantes para o entendimento de sua postura de inovação. Quadro 5-Características da Empresa A Desenvolvimento de produtos Fontes de Conhecimento Interno -Induzido pelo contexto do usuário -Concomitante da tecnologia com o mercado Engenheiros experimentos laboratoriais Fontes de Conhecimento Externo - Publicações acadêmicas -Parcerias com laboratórios, universidade e outras instituições Fonte: Autores (2010) Características da Capacidade tecnológica -Boa capacidade básica de recursos humanos -Ausência de capacidade gerencial de conceitos -Estrutura de pesquisa e desenvolvimento A empresa A tem dois terços de seus produtos com desenvolvimento induzido pelo contexto do usuário. E outro um terço de seus produtos existe um desenvolvimento concomitante da tecnologia com o mercado. Isso ocorre devido à atuação desta empresa na criação de protótipos. Na qual possui suas fontes de conhecimentos bem estabelecidas através de experimentos, parcerias com laboratórios, publicações acadêmicas e boa capacidade básica relacionada aos recursos humanos tecnológicos. Em relação ao conhecimento externo, a organização afirma que a busca de conhecimentos do mercado é uma atividade em andamento não faz parte da cultura da empresa. Uma situação incomum foi observada, a organização tem uma boa estrutura de pesquisa e desenvolvimento de produtos, possuindo inclusive algumas patentes importantes para o seu trabalho, no entanto, não foi observada boa capacidade quanto à utilização dos sistemas de gestão. Desta forma, o caso da Empresa A possui características de capacidades tecnológicas básicas e avançadas. O entrevistado assegurou que, apesar de não haver uma estrutura formal de utilização desses conceitos, há um know-how necessário para sua implantação. Considerando o desenvolvimento de seus produtos e as demais características, pode-se afirmar que, excetuando a ausência de capacidade gerencial, há uma boa relação entre as atividades realizadas necessárias ao seu tipo de desenvolvimento dos produtos. EMPRESA B O caso da empresa B respondeu as questões considerando dois produtos que ela comercializa, o Quadro 6 sumariza as respostas. Um com tecnologia bem madura (cadastro de fornecedores) e outro sendo desenvolvido para o controle de multas de trânsito. Quadro 6-Características da Empresa B Desenvolvimento de produtos -Aperfeiçoamento induzido pelo usuário -Induzido pelo contexto do usuário Fontes de Conhecimento Interno Fontes de Conhecimento Externo Características da Capacidade tecnológica Sócios e desenvolvedores -Mercado consumidor -Demanda direta -Formação de Recursos humanos; -Ausência de conceitos e práticas de gestão; -Sem estrutura de P&D Fonte: Autores (2010) ANAIS A correlação existente entre o tipo de desenvolvimento de produtos, fontes de conhecimento e capacidade tecnológica é também observada no caso da Empresa B. Tomando por base os dois produtos por ela fabricados, o primeiro tem seu desenvolvimento induzido pelos usuários atuais, ou seja, pequenos incrementos que os clientes podem fazer nos programas de cadastro de clientes. O segundo está sendo desenvolvido pelo contexto do usuário, na medida em que empresas administradoras de multas de trânsito necessitam de novas soluções e estes podem interpretar as novas configurações de seus programas. No entanto, mesmo havendo uma boa relação nos desenvolvimentos de produto da empresa B, as fontes de conhecimento são mais simples e sua estrutura de gestão é ineficiente, podendo causar falta de mobilidade necessária no mercado mutável de tecnologia. Esta empresa possui, ainda, adequada capacidade básica, relacionado à boa formação técnica dos recursos humanos, com graduados e mestres em computação, mas partindo para a formação de uma estrutura formal de gestão ou pesquisa, se observa uma ausência dessas capacidades tecnológicas. EMPRESA C A empresa C é um dos casos de grande sucesso no setor, figurando entre uma das poucas na cidade e a única no estudo que exporta seus produtos, sumarizada no Quadro 7. Sendo destaque nacional por comercializar produtos para grandes empresas e para mercados como Estados Unidos, Europa, Austrália. Quadro 7-Características da Empresa C Desenvolvimento de produtos -Aperfeiçoamento induzido pelo usuário -Induzido pelo contexto do usuário Fontes de Conhecimento Interno Reuniões, discussões, projetos e pesquisa Fontes de Conhecimento Externo -Participação em: feiras, eventos no exterior -Internet Características da Capacidade Tecnológica -Estrutura humana capacitada; -Estrutura formal de gestão e utilização de variados conceitos; -Estrutura de P&D formal e utilizada Fonte: Autores (2010) A empresa C, com vinte e sete anos de funcionamento, possui uma estrutura tecnológica considerada boa em relação ao modelo proposto. Esta pode ser inserida num contexto de capacidade avançada, tendo inclusive produtos patenteados, vendas provenientes de patentes e criação de produtos novos. Apesar de haver um desenvolvimento induzido pelo usuário em alguns de seus produtos, isto não pode ser considerado uma fraqueza, pois seus produtos são considerados avançados para o mercado de banco de dados correlacionados e seus clientes são em sua grande maioria usuários de alta tecnologia. Pode-se inferir em relação á empresa C que, apesar de seus níveis de desenvolvimento parecer de menor capacidade, pode-se denotar por sua estrutura tecnológica e de gestão, uma capacidade tecnológica avançada, na qual seus produtos obtêm sucesso no mercado por suas atividades serem de modo mais estruturado. EMPRESA D A empresa D trabalha na mensuração de desempenho de atletas de natação. Entre as empresas incubadas, é considerada de grande sucesso devido à penetração do produto em um nicho de mercado específico, o Quadro 8 resume suas características. Quadro 8: Características da Empresa D Desenvolvimento de Fontes de Conhecimento Fontes de Conhecimento Características da ANAIS produtos - Desenvolvimento induzido pelo desenvolvedor Interno Externo -Sócio “empreendedor nº 1” -Funcinários -Parceiros -Clubes de Natação Capacidade Tecnológica -Administrador, especialistas em Ed. Física; -Não utilização de sistemas e conceitos de gestão -Estrutura de P&D incipiente Fonte: Autores (2010) A empresa D é um típico caso em que a criação de produto é realizada pelo desenvolvedor, observando as necessidades não latentes do mercado. A organização tem um de seus proprietários, com competência específica em Educação física (graduação e pósgraduação) e vasto conhecimento na área de desempenho dos atletas. Este sócio possui networking em clubes voltados para a formação de atletas de natação, onde comercializa seu produto e atualiza os conhecimentos necessários para aperfeiçoar seu produto. Pode-se afirmar neste caso que, a grande competência da organização se encontra em suas parecerias e na integração de suas atividades com estes. Em relação à estrutura tecnológica, a única capacidade observada está na relação da estrutura humana composta por um Administrador e especialista em Educação física. No entanto, o primeiro se dá por força de contrato do programa PRIME e o segundo pelo proprietário. Toda a parte tecnológica, como criação de softwares e equipamentos são terceirizados pela empresa. Considerando uma composição da análise dos casos, observamos que pouco se pensa em uma estrutura de gestão eficaz nas organizações. No início das atividades, as empresas multi caso focam suas ações estratégicas em estruturas de desenvolvimento, mesmo que incipientes, a fim de garantir seu posicionar no mercado. Ações referentes à utilização de conceitos e ferramentas de gestão acontecem por força de acordos com instituições de maior tempo de funcionamento. Uma vez que estas possuem produto considerado maduro, mas sendo aperfeiçoados continuamente. A configuração do produto qualitativamente beneficiado requer aporte administrativo para gerir sua tecnologia, esse fato pode ser observado na Empresa C. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para sobreviver, as organizações criam novas regras competitivas, estabelecem redes e geram novas oportunidades de mercado em que os fatores organizacionais teriam grande destaque no processo de inovação, de acordo com FREEMAN e SOETE (1997). Na inovação a sobrevivência ao longo do tempo da empresa, que além de ser competitiva em termos de custos, necessita aplicar e comercializar conhecimento, e ser reconhecida como provedora de melhores produtos e processos. Dessa forma a revolução tecnológica irá significar a oportunidade de sobrevivência, crescimento e transformação das organizações pequenas e médias empresas ao invés da idéia de sua falência (BARBIERI e ÁLVARES, 2003). Cabe aos líderes e empreendedores entender a dinâmica empresarial da economia para o estímulo ao desenvolvimento e à competição e setor de tecnologia da informação. Através da identificação da maturidade do produto ou projeto tecnológico realizada neste trabalho pode mitigar vulnerabilidade destas empresas diante as mudanças no mercado concorrencial, pois, como exposto, em algumas delas não existe uma estrutura de negócios e estratégias adequada e não conhecem mercado onde atuam. Dado confirmado em uma recente pesquisa realizada por Silva (2009) em 42% das empresas no polo tecnológico que trabalham desenvolvendo softwares. Nesta pesquisa, Silva (2009) demonstra que as empresas possuem limitações quanto à realização de atividades de gestão e prospecção. Neste sentido, o mesmo ANAIS autor argumenta que mesmo as organizações que possuem uma estrutura tecnológica avançada necessitam elaborar estudo de cenários e gerir suas inovações com a finalidade de atingir novos níveis de desenvolvimento e sustentabilidade no mercado concorrencial. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVIM, P. C. R. C. O papel da informação no processo da capacitação tecnológica das micro e pequenas empresas. Ci. Inf., Brasília, v. 27, n. 1, p. 28-35, 1998. BARBIERI, J. C.; ÁLVARES, A. C. T. Inovações nas Organizações Empresariais. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2003. DROUVOT, H. & VERNA,G. Lês Politiques de Développement Technologique. L1exemple brésilien. Paris, Editions de L’IHEAL, 1994. FAROL DIGITAL, Apresentação Institucional. Disponível em www.faroldigital.org.br, acesso em 9 de fevereiro de 2010. FAROL DIGITAL. Objetivos do projeto Farol Digital para a Paraíba. Disponível em <http://www.faroldigital.org.br/portal/sobrefarol>. Acesso em 21 de dezembro de 2008. FREEMAN, C. e SOETE, L.The Economics of Industrial Innovation. 3 ed. The MIT Press, 1997. HASENCLEVER, L.; CASSIOLATO, J. E. Capacitação tecnológica empresarial brasileira e transferência de tecnologia. In: Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, 20, 1998, São Paulo. Anais... São Paulo: Núcleo PGT/USP, 1998. p. 309-321. [CD-ROM]. IBGE, Pesquisa Industrial - Inovação Tecnológica, 2000. Disponível em www.ibge.gov.br. Acesso em 10 de outubro de 2009 LALL, S. Techonological capabilities and industrialization. Word Development, v.20,n.2, 1992. LEONARD-BARTON, Dorothy. Nascentes do Saber: Criando e Sustentando as fontes de Inovação, Rio de Janeiro, Editora FGV, 1998. PARQUE TECNOLÓGICO DA PARAÍBA, A fundação do parque tecnológico na Paraíba disponível em: <http://www.paqtc.rpp.br/> acesso em: 6 de dezembro de 2009. SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, APL TIC de Campina Grande – PB. Diagnósticos para o projeto Farol Digital, Campina Grande, 2005. SILVA, RICARDO JORGE ARAÚJO, CAVALCANTE, H. E.L. FURLANETTO. Avaliação do Nível de Capacidade Tecnológica das Empresas do APL de Calçados de Campina Grande d Formulação de um Plano Estratégico de Inovação. Revista Pesquisa, Campina Grande, v.1, n.5, p.687-698, 2007 SILVA, RICARDO JORGE ARAÚJO. Gestão tecnológica e upgrade na cadeia de valor: análise no Pólo Tecnológico de Campina Grande – PB. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco. CTG. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Recife, 2009. ZAWISLAK, P. A., A relação entre Conhecimento e Desenvolvimento: Essência do Progresso Técnico. Análise v. 6 nº 1 p. 125-149, Porto Alegre, 1994. ANAIS