Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 DESVENDANDO A COMUNICAÇÃO COMO UMA HABILIDADE DO ACADÊMICO DE 1 ENFERMAGEM NA INTEGRAÇÃO DO ENSINO SERVIÇO 2 2 2 2 3 3 DINIZ,L. ; JUNIOR,H.C. ; OLIVEIRA,A. ; PEREIRA,S.B. ; PEREIRA,A.D ; GEHLEN,M.H Trabalho de Pesquisa apresentado a disciplina de Desenvolvimento Profissional II do Curso de Enfermagem _UNIFRA 2 Acadêmicos do 3º Semestre doCurso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil 3 Professora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil E-mail: [email protected]; [email protected] 1 RESUMO A comunicação interpessoal é o cuidado e a preocupação dos interlocutores na transmissão das informações para que se obtenha o sucesso desejado nas relações.Assim, este estudo objetivou Conhecer a comunicação dos acadêmicos de enfermagem no cuidado de uma pessoa internada, visando descrever as suas habilidades construídas na práxis cotidiana no ensino das disciplinas do semestre do Curso de Graduação em Enfermagem. O tipo de pesquisa utilizada foi do tipo descritiva interativa, com abordagem qualitativa sendo que a coleta de dados ocorreu por meio de observações as quais foram registradas num diário de campo, foi realizada a observação simples de cinco acadêmicos de enfermagem eleitos por conveniência os quais foram observados na diluição de medicações, administração, visitas aos pacientes entre outros procedimentos, posteriormente foi discutido e interpretado os achados observados.Constatou-se que a comunicação deve ser considerada como capacidade ou competência interpessoal a ser adquirida pelos acadêmicos, no decorrer da academia, por meio da atualização de seus conhecimentos, relacionados ao comportamento humano, suas ações e interações, para então romper barreiras, quebrar paradigmas, a fim de vencer os obstáculos encontrados no decorrer da práxis da enfermagem. Palavras-chave: comunicação, cuidado, enfermagem, conhecimento. 1. INTRODUÇÃO A comunicação neste estudo e considerada uma competência desenvolvida junto a habilidade profissional de ouvir, tocar, olhar que proporciona segurança no cuidado, respeito e dignidade. É estabelecida em uma relação interpessoal que se estabelece entre os sujeitos em seus cotidianos de maneira verbal ou não-verbal (FENILI, R. M, et al 2006). Para o autor a comunicação verbal é o modo de comunicação mais conhecida e familiar sendo o mais freqüentemente usado. Subdividem-se em comunicação verbal-oral quando se informa oralmente alguma coisa a alguém, ou verbal-escrita quando se comunica por meio de relatórios, normas e ou procedimentos (FENILI, R. M, et al 2006). Nesse cenário, o acadêmico de enfermagem apreende a habilidade de se comunicar desenvolvendo-a nos cenários do cuidado, na integração do ensino ao serviço promovendo ou não, o vinculo entre quem cuida e quem é cuidado. Compreendemos o cuidado de enfermagem, como um encontro, repetido durante um espaço de tempo, dentro de uma unidade de saúde ou de um ambiente hospitalar, em que as pessoas se defrontam, interagem, e se comunicam. Segundo (FENILI, R. M. et al 2006) isso se caracteriza como um processo que leva a uma convergência entre o cuidado e o ser cuidado. Com isso no processo de cuidar e ser cuidado, a comunicação se apresenta como um elo entre o cliente e o acadêmico de enfermagem, na identificação das prioridades e na realização do cuidado, determinando uma troca de mensagem compartilhada, enviada e recebida o que desvela a necessidade de articular os saberes apreendidos no decorrer das disciplinas do 2 semestre do Curso de Graduação em Enfermagem. Corrobora, Fenili, R. M. et al ( 2006) ao considerarem que a palavra comunicação tem sua origem do latim “comunicar”, que tem como significado por em comum, para por alguma coisa em comum, sendo necessário que haja o entendimento das partes envolvidas e a compreensão do que é comunicado. 1 Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 Assim, o acadêmico de enfermagem ao desenvolver a comunicação utiliza a forma verbal e não verbal em uma relação entre sujeitos de maneira ética e solidária frente ao atendimento das necessidades farmacológicas, nutricionais e fisiológicas de uma pessoa com agravo principalmente durante o período de internação hospitalar. Todavia para o desenvolvimento das habilidades de ouvir, tocar, e olhar alguns elementos se fazem necessários, como o canal de transmissão, uma mensagem, um emissor e um receptor, já que a comunicação humana é um fenômeno interindividual interno-externo e individual-coletivo sendo compreensivo quando a codificação da linguagem simbólica acorre e sensível quando a interpretação dos códigos possibilita inúmeras (FENILI, R. M. et al 2006). Segundo Fenil, R.M, at al (2006) a comunicação simbólica refere-se ao uso de símbolos, ou seja, reflete a nossa personalidade, comunicamo-nos através das nossas roupas, da decoração da nossa casa entre outros. Já a comunicação não verbal aparece como uma das facetas mais interessantes da comunicação, pois ela se relaciona as formas de comunicação e cenários que não envolvem as palavras expressas, o uso da comunicação não verbal facilita a percepção mais exata dos sentimentos dos clientes e as próprias interpretações de duvidas não verbal. Para os autores no olhar a visão como um sentido é considerada, o principal canal da chegada das sensações ao intelecto. A abrangência da visão é definida por sua acuidade e pela capacidade que cada individuo tem em transformar o ato de ver numa ação. Já na audição o saber ouvir, é muito mais do que escutar e darmos a nossa interpretação conforme desejamos ou baseados nas nossas próprias limitações, o saber ouvir é cultivar a difícil arte da empatia. As habilidades auditivas se referem à escuta ativa e a capacidade de escutar a mensagem nos seus vários sentidos, fazendo com que o cliente entenda que queremos ajudar de maneira dialógica, sem juízo de valores (FENILI, R. M. et al 2006). Assim, pode-se considerar que na comunicação do acadêmico de enfermagem a relação interpessoal com um cliente com agravo, o tato também representa uma forma de comunicação rápida e direta, pois o cérebro recebe a informação sensioral pela pele a afim executar os ajustes necessários em relação às informações recebidas, assim o toque é reconhecido como forma muito pessoal, uma forma autentica, no qual são transmitidas mensagens como afeição, ternura, apoio emocional e atenção pessoal ou ao contrario, raiva desapego e falta de atenção (FENILI, R. M. et al 2006). Já o olfato e o odor quando agradável provocam relaxamento dos músculos faciais, sorriso, aceno de cabeça, abertura da boca e respiração profunda. Os odores ligam-se entre emoção e a memória, entre o prazer e o desprazer sendo que o paladar se mostra um componente extremamente social no processo comunicativo, em que cada um recebe e oferece ao outro seu gosto, seu cheiro, sua textura e seu sabor. (FENILI, R. M, et al 2006). Além disso, a empatia também se insere nesse processo como uma habilidade de respeitar a condição de saúde ou doença do paciente. Para tal, deve-se considera o significado da mensagem transmitida, as emoções e os saberes que promoveram a comunicação interpessoal. Assim, a seguir descrevermos a justificativa e os objetivos do trabalho construído na disciplina desenvolvimento profissional. Por percebemos a relevância na integração do ensino das disciplinas desenvolvidas no segundo semestre pelos acadêmicos a uma pessoa com agravo internada no cenário hospitalar. Pelo desejo de que a comunicação no cuidado de enfermagem possa ser desenvolvida junto ao ouvir, olhar, no tocar como habilidades na promoção do cuidado de maneira ética e respeitosa promovendo no vivido acadêmico a melhoria do bem estar da pessoa com agravo. 2. OBJETIVO Conhecer a comunicação dos acadêmicos de enfermagem no cuidado de uma pessoa internada, visando descrever as suas habilidades construídas na práxis cotidiana no ensino das disciplinas do semestre do Curso de Graduação em Enfermagem. 3. REFERENCIAL TEÓRICO Para atendermos o referencial teórico iremos nos respaldar em alguns autores dentre eles FENILI, R. M, et al (2006), PUPULIM, J. S, L, 2002, interligando algumas descrições junto ao conceito de cliente com agravo e comunicação interpessoal. Um cliente com agravo é entendido como um sujeito que pode apresentar necessidades de atendimento farmacológicos, fisiológicas e nutricionais. No que se refere a farmacologia é a ciência que 2 Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 estuda os fármacos, que são as ferramentas químicas com as quais se consertam as varias modificações provocadas pela doença no normal do organismo. Já no levantamento para o atendimento das necessidades fisiológicas utiliza-se a comunicação verbal e não verbal, pois tudo o que o cliente sente deixa transparecer de acordo com suas particularidades através de gestos corporais e faciais, como por exemplo: dor, náusea, insegurança, ternura, raiva. Cabe salientar, que o tato representa nossa forma de comunicação mais rápida e direta, pois a pele rica em receptores sensoriais capta estímulos através de fibras sensitivas que penetram na medula espinhal enviando mensagem para o cérebro, por isso o toque deverá ser considerada uma forma muito pessoal de comunicação (FENILI, R. M, et al 2006). Seguindo essa ótica, no levantamento das necessidades nutricionais do cliente com gravo a comunicação se torna essencial para o tratamento e reabilitação do cliente, provendo sua saúde e o viver saudável ao orientá-lo quanto à maneira adequada de se alimentar conforme sua singularidade, uma vez que; o paladar mostra-se como um componente extremamente social no processo comunicativo (FENILI, R. M, et al 2006). Entendemos que os acadêmicos de enfermagem, fazem uso freqüente da comunicação verbal principalmente para atender as necessidades descritas do cliente com agravo porque os mesmos desenvolvem o cuidado integrado com a equipe de saúde de acordo também com as normas e rotinas estabelecidas pelas instituições; seja no cuidado propriamente dito, nas consultas de enfermagem ou nas orientações ao cliente e família (FENILI, R. M, et al 2006). Desse modo na comunicação interpessoal a confiança deve ser estabelecida, para o diagnostico das necessidades já que há uma interação acadêmico de enfermagem -paciente em que várias habilidades poderão ser observadas na preservação da individualidade, intimidade e respeito às características de cada cliente durante o cuidado ao se desenvolver uma leitura dos sinais corporais; bem com da linguagem verbal (PUPULIM, J. S, L, et al 2002). Conforme Fenili, R. M, et al (2006) o desenvolvimento da linguagem corporal é tão importante quanto à linguagem verbalizada para o trato com o ser humano, pois os movimentos do corpo, a postura, a atitude e as expressões faciais transmitem varias mensagens, sejam elas positivas ou negativas, e se expressam em um clima favorável a comunicação. Dessa maneira as habilidades do acadêmico de enfermagem na comunicação durante o cuidado possibilitam reconhecer e interpretar os sinais utilizados pelo cliente, uma vez que os meios empregados para transmissão das mensagens, bem como a situação e o momento, geram expectativas, emoções e estereótipos devendo ser realizada com linguagem apropriada, com informações claras e completas considerando os vários sentidos do comunicador e do receptor: audição, visão, olfato, paladar e principalmente a comunicação face a face. (PUPULIM, J. S, L, et al 2002). 4. CENÁRIO METODOLÓGICO O tipo de pesquisa utilizada foi do tipo descritiva interativa, sendo que a coleta de dados ocorreu por meio de observações as quais foram registradas num diário de campo. Os sujeitos foram cinco acadêmicos de enfermagem eleitos por conveniência respeitando os princípios éticos e legais da resolução 196/96 conforme apêndice (01). Salientamos que este estudo se caracteriza como uma atividade de ensino da disciplina Desenvolvimento Profissional II do Curso de Enfermagem, e para conhecer a comunicação dos acadêmicos de enfermagem no cuidado de uma pessoa internada, visando descrever as suas habilidades construídas na práxis cotidiana desenvolvemos uma observação simples. Na observação simples o pesquisador permanece alheio à comunidade, grupo ou situação que pretende estudar, observando de maneira espontânea os fatos que aí ocorrem. Neste procedimento metodológico o pesquisador é muito mais um espectador que um ator. Desse modo alguns critérios que foram considerados como a luminosidade, ruído, local, expressão facial, gestos, tonalidade de voz, comunicação verbal durante a realização do cuidado no preparo e administração de um medicamento a um cliente com agravo internado em um hospital de grande porte localizado na cidade de Santa Maria-RS. A abordagem que utilizamos para discutir e interpretar os achados observados foram qualitativos. Os métodos qualitativos são apropriados “quando o interesse não esta focalizado em contar o numero de vezes em que a variável aparece, mas sim que qualidade elas apresentem” (LEOPARDI, 2001). 3 Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 5. RESULTADO E DISCUSSAO DOS DADOS Foi observado durante duas horas, acadêmicos de enfermagem na diluição de medicações, administração, visitas aos pacientes entre outros procedimentos. O que podemos discutir que os acadêmicos demonstraram através de gestos e palavras muita insegurança, medo, duvida em relação à medicação e procedimentos sendo que as mesmas foram sanadas. Entender e decifrar estes sinais que vão garantir uma assistência benéfica, efetiva e terapêutica, sendo considerada terapêutica toda a assistência em que o profissional usa seus conhecimentos e habilidades para ajudar a solucionar e superar os problemas enfrentados pelo paciente Já na comunicação com os pacientes observamos uma comunicação interpessoal com ética e respeito, pois foram respondidas todas as perguntas com algumas duvidas às vezes, havendo um bom entrosamento entre os acadêmicos e os clientes. Alem disso observamos que os acadêmicos apresentavam uma comunicação verbal e não-verbal, e isso aprimorou seus conhecimentos na relação com o cliente seja pelo toque, pelo olhar. Consideramos ao conhecer a comunicação dos acadêmicos de enfermagem que as habilidades se devolveram com o interesse dos mesmos ao ouvir atentamente os clientes, compreendendo e auxiliando fazendo o sentimento de segurança emergir para enfrentar a enfermidade. As habilidades promovidas pelos mesmos proporcionaram tranqüilidade, carinho, amizade junto a um cliente internado. Todavia, os questionamentos desnecessários frente ao cliente podem geraram uma situação de insegurança, deixando assim constrangido, o que muitas vezes poderá ocasionar a negação do cuidado, ou até mesmo dificultar a melhora na saúde do cliente. A habilidade profissional no cuidado é um processo comunicativo que o acadêmico de enfermagem desenvolve na sua formação construindo suas competências para ser enfermeiro no contexto profissional. 6. CONSIDERAÇOES FINAIS Pode se constatar que a comunicação deve ser considerada como capacidade ou competência interpessoal a ser adquirida pelos acadêmicos, no decorrer da academia, por meio da atualização de seus conhecimentos, relacionados ao comportamento humano, suas ações e interações. Considera-se que o acadêmico de enfermagem adquire habilidades para se comunicar tanto na forma verbal como não verbal, junto à equipe de enfermagem e o cliente com agravo porque agrega os saberes e práticas apreendidos no decorrer do Curso de Graduação em Enfermagem sendo que suas ações apresentam um significado resultante de uma interação no qual a intencionalidade de agir e o conhecimento do que se espera de cada um seja a promoção do cuidado. Este trabalho foi de muita valia, pois assim podemos compreender as varias formas de comunicação e desse modo podemos inserir nos nosso estágios e ate mesmo em nossas vidas, pois para atingirmos uma comunicação efetiva no processo de cuidar temos que romper barreiras, quebrar paradigmas, a fim de vencer os obstáculos encontrados no decorrer da práxis da enfermagem. REFERENCIAS BRASIL. Resolução nº 196/96. Pesquisa em seres humanos. Revista Bioética. p. 36-8, Abr.-Jun. 1996. FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas para o Trabalho Cientifico: Elaboração e Formatação. Explicitação das Normas da ABNT. – 14. ed. – Porto Alegre:s.n, 2006. LEOPARDI, M. T. fundamentos gerais da produção cientifica. In LEOPARDI, M. T. Metodologia da pesquisa na saúde. Santa Maria: Pallotti, 2001. MARTINS, C.R., OLIVEIRA,Mª.E., FENILI, R.M. Um ensino sobre a comunicação no cuidado de enfermagem utilizando os sentidos. Revista eletrônica de enfermagem Enfermería Global, WWW.um.es/eglobal, Ed 8 maio de 2006. PUPULIM, J. S. L., SAWADA, N. O. Reflexões acerca da comunicação enfermeiro-paciente relacionada à invasão da privacidade. In Proceedings of the 8. Brazilian Nursing Communication 4 Promovendo Saúde na Contemporaneidade: desafios de pesquisa, ensino e extensão Santa Maria, RS, 08 a 11 de junho de 2010 Symposium, 2002, São Paulo, SP, Brazil [online]. [cited 22 Outubro 2009]. Available from World Wide Web: <http://www.proceedings.scielo.br/. 5