A Análise De Crédito No Sistema Sicoob ANDRIELLY STEIN VIEIRA NUNES1 Resumo O presente artigo apresenta as linhas de crédito oferecidas pelo mercado financeiro e também fases da análise de crédito, juntamente com os seus riscos. Demonstra a sistemática de análise de crédito do sistema Sicoob comparando-a com as análises feitas pelos autores. A metodologia utilizada foi pesquisa em livros, revistas, internet, depoimentos de profissionais da área, e principalmente a experiência vivida neste setor. Pode-se perceber que as análises de crédito que as teorias recomendam estão sendo adotadas pelo Sicoob. Palavras-chave: Análise de Crédito, crédito, risco, Sicoob, empréstimos. 1 Aluna do curso de MBA em Gestão Empresarial e Negócios da Faculdade PIO XII – Cariacica-ES. E-mail: [email protected] 1 1 - Introdução Atualmente as instituições financeiras operam com diversas linhas de créditos a seus públicos. O crédito pode ser definido como nada mais que a expectativa de recebimento de uma soma em dinheiro em um prazo determinado. Porém toda concessão de crédito necessita de uma análise bem criteriosa, pois neste processo estão envolvidos para riscos que serão assumidos pelas instituições. O Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil – SICOOB- surgiu da necessidade das cooperativas de crédito se unirem com o objetivo de oferecer melhores condições aos associados, melhores que as oferecidas pelo mercado financeiro. O Sistema registrou um grande crescimento no Estado, principalmente a partir de 2006, onde as instituições que antes só atuavam com credito rural foram transformadas em cooperativas de livre admissão. Com isso, pessoas de todos os segmentos da economia passaram a poder ser sócias das cooperativas do Sicoob. Com este crescimento, aumentou também a demanda por empréstimos, e assim se faz necessário uma análise de crédito bem feita para que não ocorra problemas futuros. É o que este artigo apresenta, os processos de análises de crédito, assim como no sistema Sicoob. Pretende-se com este artigo demonstrar a sistemática da análise de crédito do sistema Sicoob, comparando com as formas apresentadas por alguns autores. Adotando a metodologia através de pesquisas em livros, revistas, artigos, entrevistas com profissionais da área e analisando as situações presentes no dia a dia. 2 - Crédito 2.1 - Operações de Crédito Bancário Segundo Newlands (2010) a principal atividade de um banco é a intermediação financeira, captar recursos daqueles que tem sobrando e emprestá-los aqueles que necessitam de dinheiro. Existe uma variedade de operações de crédito que se diferenciam pelas garantias, taxas, prazos e limites e nos diferenciais que as instituições financeiras criam, com o lançamento freqüente de novas opções de crédito. As operações de crédito bancário dividemse em dois grandes tipos: empréstimos e financiamentos. Os empréstimos não têm destinação definida, já os financiamentos têm destinação definida, está sempre vinculado a aquisição de um bem ou serviço. 2.2 - Operações de Crédito para Pessoa Física As operações de crédito mais comuns no sistema financeiro para pessoa física são as listadas abaixo. 2.2.1 - Cheque especial É um produto formatado para pessoa física e pessoa jurídica, com limite preestabelecido, formalizado por meio de contrato, permitindo saques a descoberto, sem 2 necessidade de pré-aviso, de valores e períodos variados. Sua natureza é atender necessidades específicas e momentâneas. O IOF para PF e PJ é financiando ou pago na frente. O prazo varia de acordo com o funding, de um a seis meses, e sua taxa é pré-fixada ou pós-fixada. A amortização é do principal no final, e os juros calculados diariamente e debitados no 1º dia útil do mês subseqüente. 2.2.2 - Crédito Pessoal É o produto por excelência das financeiras – Sociedades de Crédito, Financiamentos e Investimento, e da carteira de aceite dos bancos múltiplos. É um empréstimo destinado a pessoas físicas. Os prazos variam e os juros são dos mais altos do mercado. Devido ao alto risco de inadimplência, as financeiras são obrigadas a pulverizar a oferta deste tipo de crédito. 2.2.3 - Crédito Pré-Aprovado ao Cliente É um limite de crédito preestabelecido, onde o cliente pode parcelar o empréstimo ou financiamento, com taxa pré-fixada. É formalizado através de instrumento contratual assinado, permitindo que o cliente utilize o limite aprovado total ou parcialmente sem aviso prévio, bastando habilitar o crédito eletronicamente no auto atendimento ou internet banking. Na habilitação, o sistema informa qual o valor de crédito que o cliente tem direito, apresenta diversas opções de parcelamento com prazos e valores de prestação e as opções de dia de pagamento das prestações, o cliente define tudo no sistema informatizado. 2.2.4 - Empréstimo sob Consignação – Crédito Consignado São empréstimos destinados a pessoas físicas que recebem salários, proventos ou benefícios do INSS nos bancos. O pagamento das prestações dos empréstimos sob consignação é feito através do desconto em folha de pagamento, portanto para que a pessoa física possa se candidatar e esta modalidade de empréstimo, é necessário que o seu empregador tenha assinado um convênio com o banco que permita este desconto. É a modalidade de crédito à pessoa física que mais cresceu nos últimos anos. 2.2.5 - Crédito Direto ao Consumidor È o financiamento direcionado à aquisição de bens de consumo duráveis que possam ser alienados fiduciariamente, como veículos, equipamentos de informática, eletrodomésticos, máquinas e equipamentos. Alienação fiduciária é uma modalidade de garantia na qual o bem financiado fica alienado em favor da instituição financeira concessora do financiamento. Os prazos são livres, a prática mais comum no mercado é de 72 vezes, a taxa pode ser pré ou pós fixada; a forma de pagamento é em parcelas periódicas, normalmente mensais. A garantia é a alienação fiduciária do bem, podendo ser agregadas garantias adicionais. É obrigatório o seguro do bem em questão pelo prazo de duração da operação, com a clausula beneficiária a favor do banco. A liberação dá-se após a liquidação da última parcela do financiamento. 3 2.2.6 - CDC com Interveniência Este produto foi formatado para empresas especializadas em mercados varejistas com tradição em vendas financiada, onde os bancos financiam essas empresas, que por sua vez financiam seus clientes, proporcionando maiores prazos aos compradores. Nessa modalidade, a instituição adquire os créditos comerciais de uma loja. Por ser o credor do contrato de crédito firmado, a empresa comercial emite as letras de câmbio correspondentes e a financeira as aceita. O crédito é liberado à loja descontados os encargos financeiros cobrados, os quais são repassados ao cliente no preço de venda cobrado das mercadorias. Nesse caso de interveniência , a financeira trabalha com a garantia do estabelecimento comercial que vendeu as mercadorias (sacador) e do cliente comprador, cuja participação ocorre por meio de um contrato de adesão assinado por ocasião da compra. Além destas garantias, há ainda a alienação fiduciária dos bens negociados. Na prática, a loja financia o cliente e o banco financia a loja. 2.2.7 - Financiamento Imobiliário É a operação bancária pela qual o banco financia a aquisição de imóvel para seu cliente. Os prazos e taxas são variados, em função do fundig da operação (FGTS, caderneta de poupança, outras fontes) e do valor financiado. A garantia é o próprio imóvel, que pode ser gravado em favor da instituição financeira por hipoteca ou por alienação fiduciária. 2.3 - Operações de crédito para Pessoa Jurídica 2.3.1 - Hot Money É um produto que tem sua formatação para pessoa jurídica e sua natureza é de curtíssimo prazo, para cobertura de gaps de caixa. O termo gap em inglês significa buraco. No jargão financeiro gap de caixa é uma situação momentânea de fluxo de caixa, na qual a previsão de gastos de alguns dias é maior de que as entradas esperadas no mesmo período. Os prazos variam de um dia até vinte e nove dias, a amortização do principal e encargos dá-se ao final. A garantia da operação é por uma NP avalizada pelos sócios da empresa até o valor do patrimônio de cada um. 2.3.2 - Capital de Giro Sua natureza é suprir a necessidade de capital de giro (recursos para os compromissos do dia a dia da empresa: fornecedores, salários, contas, etc.). Sua taxa é préfixada variando de acordo com a garantia oferecida: se a garantia for duplicata mercantil a taxa é menor, se for aval em nota promissória os juros são mais altos. Para os clientes dos ramos industrial e agroindustrial, sua liquidação pode ser no final do período ou mensal em prestações sucessivas; para empresas comerciais e de prestações de serviços, o mais comum é que a instituição financeira disponibilize um limite rotativo de crédito baseado nos títulos caucionados (mais comumente duplicatas e cheques pré-datados), o que caracteriza o chamado crédito rotativo. 4 2.3.3 - Crédito Rotativo ou Conta Garantida São contratos de abertura de crédito com garantia em duplicatas ou cheques prédatados, com valores pré determinados. Os juros e IOF são cobrados no final de acordo com a utilização, igual ao cheque especial. A diferença entre o crédito rotativo empresa e o cheque especial é que, no caso do crédito rotativo, o limite de crédito é flutuante, ou seja, o valor do crédito é variável e depende do volume de títulos caucionados. 2.3.4 - Capital de Giro Fixo Esta modalidade financia a aquisição e/ou construção de instalações, aquisições de máquinas e equipamentos, montagem de plantas industriais e/ou agroindustriais. São operações de longo prazo, não inferior a 48 meses. Os prazos, taxas de juros e percentuais financiado do empreendimento variam de acordo com a instituições financeiras, as características do empreendimento e do tomador. O principal fomentador de capital de giro fixo no Brasil é o BNDES. 2.3.5 - Antecipação de Recebíveis È uma operação de adiantamento dos valores de documentos representativos de direitos creditórios, isto é, valores que o credor tem a receber do devedor. Quando estes direitos creditórios são representados por títulos de crédito, a operação é também chamada de desconto de títulos. Abaixo segue alguns exemplos de títulos que podem ser descontados: • • • • Notas Promissórias; Duplicatas; Debêntures; Cheques Pré-datados. O recebível não expresso em título de crédito mais importante para esta operação são as faturas de cartão de crédito. 2.3.6 - Vendor A definição deste produto é apoio financeiro à comercialização de produtos e serviços no qual o banco adianta ao vendedor os valores de suas vendas a vista e cobra do comprador, no prazo combinado os valores acrescidos dos encargos financeiros acordados. O público alvo são pessoas jurídicas do setor privado, cujos contratos sociais não proíbam a prestação de fiança em favor de terceiros. As operações são contratadas por meios eletrônicos através da troca de informações entre o banco e o cliente. As garantias são oferecidas pelas empresas através de contrato com fiança duplicata mercantil. O objetivo do banco com esta operação é financiar o comprador oferecendo condições mais favoráveis do que as oferecidas pelas empresas vendedoras. Os prazos são estabelecidos entre as partes, normalmente 30, 60 e 90 dias, com taxas pré-fixadas. 2.3.7 - Compror 5 Semelhante ao Vendor, a operação de compror no financiamento a empresa compradora da aquisição de insumos ou serviços adquiridos pelo cliente junto aos seus fornecedores. Por meio deste financiamento, a empresa cliente do banco efetua suas compras negociando as melhores condições de preço. O fornecedor recebe a vista, e o comprador escolhe o prazo mais adequado para pagamento junto ao banco. 3 - O Sistema SICOOB O Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil – SICOOB- surgiu da necessidade das cooperativas de crédito se unirem com o objetivo de oferecer melhores condições aos associados, melhores que as oferecidas pelo mercado financeiro, proporcionar melhores resultados financeiros e operar com maior segurança com os associados. Em 1986, um grupo de produtores rurais de Cristal do Norte, norte do Espírito Santo em visita ao Rio Grande do Sul, conheceram de perto o crédito cooperativo e constituíram a primeira cooperativa de crédito rural no Espírito Santo, com o apoio do Banco Nacional de Crédito Cooperativo – BNCC. A partir da criação de várias cooperativas de crédito rural no estado, em 1989 é constituído no Espírito Santo o SICOOB (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil), assim como a Cooperativa Central, que era até então denominada Cocecrer. Até o início de 2006, o SICOOB estava voltado principalmente para o agronegócio, fazendo com que a instituição se consolidasse como a segunda maior operadora de crédito rural a e principal financiadora da cafeicultura. Como 98% dos produtores rurais são considerados micro e pequenos empresários o SICOOB mudou sua linha de crédito rural até então, para mútuo e cooperativas de livre-admissão, sendo que as de livre admissão, qualquer individuo pode ter acesso, mas mesmo assim é preciso ter os pré-requisitos exigidos pelo Banco Central. No Estado, há 82 agências da instituição distribuídas em todas as regiões capixabas e 2 agências no Rio de Janeiro. A construção de bases sólidas e a experiência com o trabalho desenvolvido inicialmente nas cidades do interior foram essenciais para o Sicoob consolidar o seu crescimento também na Região Metropolitana, onde dispõe de agências em Vitória, Cariacica, Vila Velha e Serra. A meta do Sicoob é ter agências em todas as cidades capixabas. Atualmente o SICOOB ES possui as seguintes cooperativas afiliadas: Sicoob CentroSerrano, Sicoob Credirochas, Sicoob Norte, Sicoob Leste Capixaba, Sicoob Sul, Sicoob Sul Litorâneo e Sicoob Sul Serrano, com um total de 105 mil associados. 3.1 - Linhas de Crédito SICOOB Por se tratar de uma cooperativa de crédito, o SICOOB é capaz de oferecer produtos bancários, com vantagens especiais e juros abaixo do mercado, isenção de tarifas e prazos mais longos. Além disso, o dinheiro movimentado pelo associado é reinvestido no seu próprio município. Atualmente o Sicoob conta com as seguintes linhas de crédito para atender a seus associados: Financiamentos, CDC, Compre Mais, Crédito Consignado, Renegociações, Antecipação de Recebíveis, Cheque Especial, Conta Garantia, Capital de giro, Cartões de Crédito e financiamentos rurais. 6 3.2 - SICOOB Sul Serrano O Sicoob Sul Serrano é composto atualmente das seguintes agências: Afonso Cláudio - Brejetuba - Campo Grande - Ceasa - Conceição Do Castelo - Vitória Enseada Vitória Jardim Camburi - Ibatiba - Ibitirama - Irupi - Iúna - Laranja da Terra - Marechal Floriano - Muniz Freire - Pedra Azul - Quilombo - São João De Viçosa - Serra Pelada Venda Nova do Imigrante e Vila Betânea. O Sicoob no Espírito Santo vem crescendo de forma sólida e animadora para seus cooperados. A cada três anos, o Sicoob ES cresce 100%. Ou seja, dobra em associados, em investimentos, em sucesso, resultados e satisfação. E essa satisfação não fica só entre os associados e diretores. Abrange também toda a sociedade ao redor de uma cooperativa, de uma agência, de um PAC porque o reflexo do montante da cooperativa se vê na geração de mais renda e na circulação de capital em cada localidade. No Sicoob Sul-Serrano, os números provam o que seus 21.480 associados já sabem: quando o trabalho é conjunto, o contentamento também é cooperado. Um dos grandes indicativos de seu crescimento está no patrimônio líquido que chegou a R$ 62,5 milhões. A cooperativa captou R$ 125,4 milhões em depósitos e aplicações, confirmando a confiança dos cooperados na instituição. Os recursos aplicados na Poupança Cooperada somaram R$ 19 milhões e no plano de previdência privada, o SicoobPrev, R$ 1,6 milhão. O Capital Social do Sicoob Sul-Serrano é R$ 41,8 milhões, o que rendeu R$ 3,8 milhões de juros divididos entre seus cooperados. Esse recurso equivale à remuneração pela Selic diária (taxa básica de juros da economia), limite máximo estabelecido pela Lei Complementar 130/2009, que apresentou uma correção acumulada de 9,77% ao ano, em 2010. O Sicoob é a única instituição financeira que reparte seus lucros com seus associados. Assim, essas sobras são reinvestidas nas comunidades onde cada cooperativa atua, gerando mais riqueza para a região. Em 2010, o Sicoob Sul-Serrano chegou ao montante de R$ 11,4 milhões, dividido entre seus cooperados. O Sicoob Sul-Serrano gera 165 empregos diretos e outros 42 terceirizados. A Cooperativa investiu, em 2010, R$ 224,2 mil em cursos de aperfeiçoamento destinados aos colaboradores da instituição. 3.3 - Evolução do Crédito no SICOOB SUL SERRANO O acesso ao crédito junto ao SICOOB pode ser comprovado pelos 8.273 contratos liberados somente no Sicoob Sul Serrano, que somaram no ano de 2010, empréstimos da ordem de R$ 280,6 milhões. O total de crédito liberado no Sicoob Sul Serrano em 2010 de R$ 280,6 milhões foi distribuído na forma indicada abaixo: 7 Total de Crédito Liberado 46.733.866 92.974.376 1 2 3 140.932.269 Fonte: Prestação de Contas Sicoob Sul Serrano (Assembléia 2011) 1 – R$ 46.733.866 refere-se a Crédito Rural. 2 – R$ 92.974.376 refere-se a Empréstimos. 3 – R$ 140.932.269 refere-se a Títulos Descontados. O gráfico abaixo mostra o crescimento do crédito junto ao Sicoob Sul Serrano nos anos de 2008, 2009 e 2010 8 Crédito Sicoob Sul Serrano 3 2010 143.094.143 2 2009 137.794.002 1 2008 103.468.183 Fonte: Prestação de Contas Sicoob Sul Serrano (Assembléia 2011) 4 - Análise de crédito Análise de Crédito é o momento no qual o agente cedente irá avaliar o potencial de retorno do tomador do crédito bem como, os riscos inerentes à concessão. Tal procedimento é realizado, também, com o objetivo de ser possível identificar os clientes que futuramente poderão não honrar com suas obrigações, acarretando uma situação de risco de caixa à organização. A análise de crédito consiste em atribuir valores a um conjunto de fatores que permitam a emissão de um parecer sobre determinada operação de crédito. O objetivo da análise de crédito é o de identificar os riscos nas situações de empréstimos, segundo Schricke (1998), evidenciando conclusões quanto à capacidade de pagamento do tomador do empréstimo. O processo de concessão de crédito para pessoas físicas ou jurídicas é muito parecido, todos têm um fluxo bem semelhante. A pessoa física tem sua fonte de renda e suas despesas que podem ser de curto ou longo prazo. Ela tem que tentar fazer com que sua receita seja suficiente para honrar suas despesas. Muitas vezes a falta de controle, o surgimento de despesas imprevistas ou outros fatores, fazem com que exista a necessidade se buscar um suprimento de dinheiro extra para preencher esta lacuna aberta em seu orçamento. Nesta situação é que surge o profissional de crédito com a missão de analisar se este proponente merece que a empresa/instituição conceda a ele os recursos que necessita. 9 4.1 - Fases da análise de crédito A análise de crédito tradicional é denominada “C’s do Crédito” devido as variáveis analisadas serem as informações do caráter, capacidade, condição, capital e o colateral do proponente. O Caráter define o histórico do solicitante quanto ao cumprimento de suas obrigações financeiras, contratuais e morais. A capacidade o potencial do cliente para quitar o crédito solicitado. O capital a solidez financeira do solicitante, conforme patrimônio líquido da empresa. O colateral o montante dos ativos colocados a disposição pelo solicitante para garantir o crédito. E as condições as condições econômicas e empresariais vigentes. Segundo Santos (2003), o processo para análise de crédito para empresas compõe-se das seguintes fases: 1- Análise Cadastral: onde constam os dados gerais de identificação do cliente, administradores, quotas de participação na empresa, atividade operacional, bens, fontes de referência, carteira de clientes e fornecedores, telefones e endereços para contato; 2- Análise de Idoneidade: São as informações de origem externa provenientes de empresas especializadas no gerenciamento do risco de crédito como a Serasa e Equifax que fornecem através de sistemas pesquisa de restritivos como ações de execução, protestos, emissão de cheques sem fundos, etc... 3- Análise financeira: São as informações extraídas com base no balanço patrimonial, demonstrativos de resultados e fluxo de caixa; 4- Análise de Relacionamento: Informações do histórico do cliente com o credor e mercado financeiro; 5- Análise Patrimonial: Informações do patrimônio da empresa e sócios; 6- Análise de Sensibilidade: Fatores externos que podem afetar a situação financeira da empresa como valorização ou desvalorização do dólar, crise em outros paises, recessão, inflação, taxa de juros, incentivos fiscais; 7- Análise do Negócio: Informações de quem pertence a empresa, a experiência dos sócios, a idoneidade no mercado, a situação financeira, domínio da tecnologia, atividade, ciclo operacional, carteiras de clientes e fornecedores, concorrência etc. Conforme Schrickel (1998, p. 26), na concessão do crédito, devem ser observadas três etapas: a) Análise retrospectiva – a avaliação do desempenho histórico do potencial tomador, identificando os maiores fatores de risco inerentes a sua atividade e quão satisfatoriamente esses riscos foram atenuados e/ou contornados no passado. A análise histórica tem como objetivo primordial o de procurar identificar fatores, na atual condição do tomador, que possam denunciar eventuais dificuldades e/ou questionamentos quanto a seu almejado sucesso em resgatar financiamentos tomados com o emprestador. b) Análise de Tendências – a efetivação de uma razoavelmente segura projeção da condição financeira futura do tomador, associada à ponderação acerca de sua capacidade de suportar certo nível de endividamento oneroso (mais comumente, empréstimos bancários), aí incluindo o financiamento em análise. c) Capacidade creditícia – decorrente das duas etapas anteriores, tendo sido avaliado o atual grau de risco que o tomador potencial apresenta, bem como o provável grau de risco futuro, deve-se chegar a uma conclusão relativa à sua capacidade creditícia e, conseqüentemente, à estruturação de uma proposta de crédito em que o empréstimo 10 pleiteado (ou série de financiamentos futuros) possam ser amortizados em consonância com certo fluxo de caixa futuro e em condições tais que seja sempre preservada a máxima proteção do emprestador contra eventuais perdas. A visita ao cliente é uma etapa insubstituível. É uma oportunidade única de obter uma imagem real do nível de atividade da empresa, em seus aspectos quantitativo e qualitativo, bem como avaliar a sua força e eficiência. Ao verificar in loco as informações fornecidas pela empresa, suas instalações, seus produtos, e ainda, as conversas com os empregados, gerente financeiro e até clientes, pode-se confirmar se as informações apresentadas nos demonstrativos financeiros são confiáveis, possibilitando decidir se o risco oferecido é viável. O sucesso da visita dependerá de seu planejamento e o gerente deve evitar que a visita de transforme numa simples coleta de informações que desagrade o empresário. Em um clima profissional e demonstrando interesse pelo cliente e sua empresa, o gerente poderá obter respostas às perguntas e obter os documentos solicitados para a análise do crédito pleiteado. Visitas bem planejadas podem revelar aspectos subestimados pela análise tradicional. A visita coloca o gerente da conta em melhor posição para tomar uma decisão. De acordo com Silva (1995) “as informações da visita devem ser agregadas aos respectivos instrumentos de crédito, como análise financeira, análise setorial, registro de restrições e assim por diante”. No entanto ressalta que não se deve repetir nos relatórios informações que já constam no cadastro ou outros documentos. As informações devem ter um caráter de complementação de informações. 4.2 - Risco de Crédito Risco de crédito é medido através da volatilidade do valor de um ativo de crédito, em resposta a mudanças na sua qualidade creditícia. Para se determinar o risco de crédito, temos três fases: a obtenção de informações dos tomadores, a análise do crédito e a decisão do atendimento ou não. As informações dos clientes são obtidas a partir de documentos oficiais, como balanços, balancetes, demonstração de resultado, faturamentos últimos 12 meses e visitas, com o objetivo de verificar aspectos operacionais, administrativos, tecnológicos, operacionais e estratégicos; e através de informações de clientes, fornecedores, outros bancos, etc. Os dados colhidos são utilizados na análise do crédito, conforme a política de crédito da instituição. Para reduzir riscos e assegurar o retorno dos empréstimos, as instituições financeiras adotam políticas contendo critérios quanto à situação econômico-financeira dos clientes com quem pretendem trabalhar; verificam a existência de restrições em órgãos como Serasa, além de verificar a ficha cadastral de seus clientes. Em décadas recentes, inovações alteraram o processo de análise de crédito com o desenvolvimento de modelos de quantificação de riscos, os modelos de Credit Scoring, é um exemplo. A aplicação de modelos de credit scoring e outras ferramentas para análises de crédito se iniciaram na década de 1930, em companhias seguradoras. O termo credit scoring é utilizado para descrever métodos estatísticos adotados para classificar candidatos à obtenção 11 de um crédito em grupos de risco. O método de credit scoring é baseado na classificação de candidatos a crédito em grupos de acordo com seus prováveis comportamentos de pagamento. Existe a necessidade de utilização de uma classificação do risco (risk rating) que cada agente apresenta para melhor decidir e evitar o risco da inadimplência. Um bom sistema de classificação (rating) serve de orientação para o nível de risco que se está assumindo, bem como para demonstrar as expectativas de inadimplência e as exigências a serem feitas de garantias. 5 – Análise de Crédito no SICOOB A metodologia de pesquisa adotada para produção do artigo, foi pesquisa em livros, revistas, internet, depoimentos de profissionais da área, e principalmente a experiência vivida neste setor. O entrevistado escolhido foi o Sr. Flaviano Mauro Canal que é Supervisor de Produtos e Serviços do Sicoob Sul Serrano, pelo fato do mesmo estar em contato direto com solicitações de crédito de diversas agências, sem conhecer de perto cada associado. Os dados informados no artigo foram coletados das prestações de contas do Sicoob Sul Serrano referente ao exercício 2010 que foram apresentados em assembléias. O sistema SICOOB tem registrado um grande crescimento no estado, principalmente a partir de 2006, quando as cooperativas foram transformadas em livre admissão, e com isso todos os segmentos da economia passaram a poder ser sócias das cooperativas. No ano de 2010 foram emprestados 1,58 bilhão. Com este crescimento o sistema, faz-se necessário uma análise bem criteriosa de concessão de créditos. Assim como as demais instituições financeiras o Sicoob também encontra alguns desafios neste setor. A cooperativa utiliza como critério para concessão de crédito a análise dos dados cadastrais de seus sócios, análise de idoneidade através das empresas especializadas, a análise financeira, onde encontram-se algumas dificuldades para análise de trabalhadores informais e também aqueles que não possuem a comprovação de renda adequada, a análise do negócio, através de informações e visitas as empresas associadas e também a análise de relacionamento, ou seja, o histórico do sócio junto ao mercado financeiro. Nem todas as empresas são obrigadas a demonstrar seus resultados através de balanços e demonstrativos de resultado. Pode-se, considerar, ainda que principalmente no segmento de pequenas e médias empresas, os demonstrativos financeiros muitas vezes não refletem a real situação da empresa. O que faz com que muitas vezes se negue crédito a um bom pagador. Também é adotado o modelo credit scoring que é utilizado para descrever métodos estatísticos para classificar candidatos à obtenção de um crédito em grupos de risco, que cada agente apresenta para melhor decidir e evitar o risco da inadimplência. Um bom sistema de classificação irá determinar o nível de risco que a cooperativa está assumindo, e demonstrar as expectativas de inadimplência e as exigências a serem feitas de garantias. 12 Mesmo adotando estas e demais medidas a análise de crédito deve ser bem criteriosa, pois uma decisão tomada neste momento pode virar um problema muito grave no futuro. Abaixo seguem as principais dificuldades durante a análise de crédito, conforme depoimento do Supervisor de Produtos e Serviços do Sicoob Sul Serrano Flaviano Mauro Canal: - ausência de informações quanto aos C`s do crédito; - ausência de comprovações de renda e patrimônio; - informações sonegadas, imperfeitas, distorcidas, vagas ou não qualitativas; - não objetiva e abstenção da finalidade do crédito; - decisão de crédito diante renda informal e variável; - decisão de crédito sobre conglomerados; - decisão de crédito para novos negócios e empresas recentes no mercado; - fatores externos difícil de prever, como desemprego, problemas climáticos ou da macroeconomia (alterações de leis, oscilação de taxas, etc.); Percebe-se assim que as fases para análise de crédito segundo SANTOS (2003), também são adotadas pela cooperativa. As visitas aos clientes conforme descreve Silva também são de caráter fundamental e se bem planejada e executada é determinante na decisão final. 6 - Considerações Finais A análise de crédito consiste em atribuir valores a um conjunto de fatores que permitam a emissão de um parecer sobre determinada operação de crédito. Para cada fator individual emite-se um valor subjetivo (positivo ou negativo) para este. Se o conjunto de fatores apresentarem valores positivos em maior número que os negativos, a tendência é que o parecer seja favorável à concessão do crédito. O objetivo da análise de crédito é o de identificar os riscos nas situações de empréstimos, evidenciando conclusões quanto à capacidade de pagamento do tomador do empréstimo. Recomendações quanto à estrutura e o tipo de linhas de crédito disponíveis nas instituições, também são considerados, objetivando adequar o empréstimo dentro da capacidade de pagamento do tomador e perspectivas de recebimento da instituição doadora dos recursos. O Sicoob é uma instituição que vem crescendo muito nos últimos anos, e junto com este crescimento é necessário ter os cuidados adequados durante o este processo para que se possam medir os riscos de crédito. Para reduzir riscos e assegurar o retorno dos empréstimos, as instituições financeiras adotam políticas contendo critérios quanto à situação econômico-financeira dos clientes com quem pretendem trabalhar; verificam a existência de restrições em órgãos como Serasa, além de verificar a ficha cadastral de seus clientes. Nesta pesquisa pode-se perceber que o Sicoob vem fazendo sua análise de crédito conforme as teorias recomendam, procurando sempre a melhor forma possível para evitar que um crédito mal concedido se torne no futuro uma inadimplência. 13 7 - Referências 14 A GAZETA. Cooperativismo um novo tempo para o crédito. Vitória, 06 de julho de 2007, p. 10,16. (Caderno Especial). ANÁLISE de Crédito. Disponível em <www.wikipedia.org.br >. Acesso em 15 de janeiro de 2011 ANÁLISE de Crédito. Objetivos e Conceitos. Disponível em <http://arquivos.unama.br/nead/gol/gol_adm_6mod/adm_creditos_cobrancas/pdf/aula01.pdf>. Acesso em 02 de fevereiro de 2011. HISTÓRICO do Sicoob. Disponível em <www.sicoobes.com.br>. Acesso em 12 de janeiro de 2011 NEWLANDS, C.A. Sistema Financeiro e Bancário – 2º ed. Campus Concursos 2010. PRESTAÇÃO de Contas. Assembléia 2011, Exercício 2010. Sicoob Sul-Serrano, 2011. (Caderno Informativo). SANTOS, J. O. Análise de Crédito: empresas e pessoas físicas. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2003. SILVA, J. P. Análise financeira das empresas. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1995. SCHRICKEL, Wolfgang Kurt. Demonstrações Financeiras. São Paulo: Atlas, 1998. 15