www.brasileconomico.com.br
mobile.brasileconomico.com.br
QUINTA-FEIRA, 8 DE ABRIL, 2010 | ANO 2 | Nº 147 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR-ADJUNTO DARCIO OLIVEIRA | R$ 3,00
Claudio Gatti
Brinquedos O presidente da
Estrela, Carlos Tilkian, parte para
a conquista do Nordeste. ➥ P22
Pesquisa A partir de 2011, os
países emergentes receberão mais
investimentos que os ricos. ➥ P12
Aviação Com espaço limitado
em Guarulhos, TAP passa a voar
a partir de Viracopos. ➥ P28
Carlos Moraes/AE
INDICADORES
Jogo sujo: chuvas levaram lama ao interior
do Maracanã e impediram a realização de
partida pela Copa Libertadores
▲
▲
▼
▼
▲
■
▼
▼
▼
▼
▼
▲
TAXAS DE CÂMBIO
COMPRA
Dólar Ptax (R$/US$)
1,7654
1,7760
Dólar Comercial (R$/US$)
Euro (R$/€)
2,3573
Euro (US$/€)
1,3353
Peso Argentino (R$/$)
0,4550
JUROS
META
8,75%
Selic (a.a.)
BOLSAS
VAR. %
-0,43
Bovespa
Dow Jones
-0,66
Nasdaq
-0,23
FTSE 100
-0,32
S&P 500
-0,59
1,82
Hang Seng
7.4.2010
VENDA
1,7662
1,7780
2,3588
1,3355
0,4558
EFETIVA
8,65%
ÍNDICES
70.792,94
10.897,52
2.431,16
5.762,06
1.182,45
21.928,77
CCBs na mira da
indústria de fundos
Rio pede R$ 370 milhões
ao governo federal
Verba seria utilizada para obras emergenciais de drenagem e contenção de encostas na cidade
Em encontro com o ministro da
Integração Nacional, João Reis
Santana, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pediu apoio
financeiro para a cidade. Os R$
370 milhões seriam usados para
drenar e conter encostas. No entanto, cerca de R$ 80 milhões orçados no ano passado para os
mesmos fins não foram usados
pela prefeitura. Paes diz que já tem
projetos e irá iniciá-los de qual-
quer forma. Até o começo da noite
de ontem, 133 pessoas haviam
morrido por causa das chuvas no
estado. Os prejuízos para comércio, indústria e seguradoras devem somar R$ 200 milhões. ➥ P4
Odebrecht e Camargo
Corrêa fora de Belo Monte
As companhias divulgaram nota em que afirmam não ter encontrado “condições
econômico-financeiras” para participar da disputa. A decisão foi comunicada após
o encerramento do prazo da Eletronorte para o cadastramento de chamada pública
pela qual os dois grupos poderiam se associar à empresa do grupo Eletrobras. ➥ P36
Arrecadação
volta aos níveis
pré-crise
O luxo de Diane
von Furstenberg
chega ao Brasil
Bancos querem
fidelizar filhos de
clientes abonados
Otacílio Cartaxo, secretário
da Receita Federal,
vislumbra um ano “bastante
positivo” e prevê expansão
de 12%. No primeiro
bimestre, o aumento foi
de 13,46%. ➥ P16
Primeira loja da estilista
no país vende 5 vezes
mais que o esperado em
uma semana. Ela ainda vai
lançar linha de decoração
e de aromatizadores de
ar com a Coteminas. ➥ P24
Herdeiros das contas de
private banking estão no
foco de relacionamento
de HSBC e Bradesco,
que organizam eventos
para debater liderança e
proteção patrimonial. ➥ 38
A Associação Brasileira das
Entidades dos Mercados Financeiro
e de Capitais (Anbima) solicitou
a todos os administradores que
enviem informações sobre a
exposição das carteiras a Cédulas
de Crédito Bancário. Os papéis,
lastreados em empréstimos
concedidos para empresas, têm
sido alvo de situações de
inadimplência, causando impacto
na rentabilidade dos fundos. As
CCBs são consideradas títulos de
crédito menos robustos que as
debêntures e outros papéis. Elas
podem ser emitidas também por
empresas de capital fechado, ➥ P40
2 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
NESTA EDIÇÃO
Divulgação
Em alta
Jatos franceses tidos como favoritos
Para ministro da Defesa, a Dassault é a única que garante
transferência total de tecnologia ao país. Relatório
da concorrência fica pronto na próxima semana. ➥ P17
Divulgação
Fazenda de Canhedo vai a leilão
A Fazenda Piratininga, avaliada em R$ 615 milhões, deverá
ser leiloada na segunda-feira, na 14ª Vara do Trabalho, em
São Paulo, para saldar dívidas trabalhistas da Vasp. ➥ P20
Sergipe ganha fábrica de brinquedos
TAP fará voos mistos
de Viracopos para Lisboa
A perspectiva de crescente expansão
do transporte aéreo de cargas no Brasil,
e a impossibilidade de conseguir mais
frequências em Cumbica, levou a
companhia aérea portuguesa a escolher
o aeroporto de Viracopos, em Campinas,
como nova base de seus aviões na rota
para Lisboa. O voo de estreia está previsto
para o próximo dia 3 de junho, com três
frequências semanais (terças, quintas e
sábados), que ampliarão em 45 toneladas
a oferta de carga nos dois sentidos. Como
os voos serão mistos, a companhia também
espera ampliar o número de passageiros
de São Paulo para a Europa. ➥ P28
Emergentes serão o destino
preferido dos investimentos
Contorno de BH terá R$ 200 milhões
Murillo Constantino
“É um projeto muito mais urbano que ferroviário, com
impacto direto na cidade de Belo Horizonte”, diz Marcelo
Spinelli, presidente da Ferrovia Centro-Atlântica. ➥ P32
Economistas ignoram a natureza
Empresas e governo não fazem o suficiente para acabar
com o mito de que economia e meio ambiente são fatores
distintos, avalia Hugo Penteado, do grupo Santander. ➥ P11
Mais R$ 137 bi na cadeia da construção
O cálculo é da Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido da
Abramat, e se refere ao volume anual que será injetado no
setor pelo PAC 2, incluindo o Minha Casa, Minha Vida. ➥ P14
A conquista dos herdeiros de fortunas
Marcela Beltrao
Previsão é da Sociedade Brasileira de
Estudos de Empresas Transnacionais e
da Globalização Econômica (Sobeet) e se
baseia em dados que mostram a expansão
do consumo em países como Brasil,
China e Índia, e o crescente volume de
investimentos estrangeiros nas nações
emergentes que aumentaram em 60%
nos últimos dez anos, em comparação com
apenas 24% nos países desenvolvidos.
“Há desconcentração dos investimentos
diretos estrangeiros tendência que
deve se acelerar ao longo dessa década
e beneficiar países em desenvolvimento
como o Brasil”, afirma Luís Afonso
Lima, economista da Sobeet. ➥ P12
“Queremos dar o suporte para os filhos de nossos clientes,
que serão nossos futuros clientes”, afirma Luciene Franzim,
diretora de Soluções para Clientes do HSBC Private. ➥ P38
Alfa inclui gestão de hotéis na receita
Nova empresa do grupo comandado por Aloysio de Andrade
Faria, ex-dono do Banco Real, inicia operações gerindo
17 hotéis sob a bandeira de flats da Rede Transamérica. ➥ P26
Linde investe R$ 100 mi em Camaçari
Fábrica produzirá 300 toneladas diárias de gases do ar
(oxigênio, nitrogênio e argônio). Estão previstas mais duas
unidades, em Resende e em Barra Mansa, no Rio. ➥ P31
Igo Estrela
Arrecadação cresce com
retomada e fiscalização
A terceira unidade da Estrela no país será inaugurada em
agosto no povoado Serra do Machado, em Ribeirópolis (SE).
Com isso, os brinquedos ficarão 10% mais baratos. ➥ P22
Pneu velho também gera energia
Anbima pede informações sobre CCBs
Entidade criada por fabricantes coleta pneus inservíveis
que são triturados e destinados, entre outras finalidades,
à produção de vapor em caldeiras. ➥ P18
Entidade pede às instituições administradoras de fundos
que enviem até segunda-feira um relatório sobre os níveis
de exposição das carteiras a esses papéis. ➥ P38
Uma safra de 146 milhões de toneladas
Poupança tem R$ 327 bi em depósitos
Chuvas nas regiões produtoras, antecipação do plantio
da soja em Mato Grosso e ampliação do plantio do milho
contribuíram o novo recorde, segundo a Conab. ➥ P15
Apesar da baixa captação líquida, de R$ 538,08 milhões
(depósitos menos saques) em março, o acumulado de
R$ 4,246 bilhões no trimestre é o maior desde 1997. ➥ P43
Brendan Hoffman/Bloomberg
Expectativa do secretário da Receita
Federal, Otacílio Cartaxo, é de que o ano
será “bastante positivo”, com crescimento
real acima de 12%. Somente no primeiro
bimestre o volume arrecadado superou
em 13,46% o de igual período de 2009,
incremento que, de acordo com o
secretário, deve ser atribuído à retomada
da atividade econômica, mas sem
descartar a continuidade das ações fiscais.
Com essas ações, ele planeja ampliar em
10% os lançamentos de créditos que, em
2009, somaram R$ 85 bilhões. O fim da
isenção do IPI para veículos e linha branca
possibilitará, segundo Cartaxo, acréscimo
de R$ 6 bilhões na arrecadação. ➥ P16
A FRASE
“Os jornais devem colocar
um muro em seu conteúdo”
Rupert Murdoch, presidente da News Corp, conclamando os dirigentes
de empresas de comunicação a impedir que sites de busca como o Google
e o Bing, da Microsoft, exibam reportagens gratuitamente. O empresário
é dono, entre outros, de títulos como o Wall Street Journal e Times.
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 3
EDITORIAL
Antonio Milena
As águas de
abril que
destroem o Rio
DIANE VON FURSTENBERG, ESTILISTA
Não deixa de ser espantoso que, até a última contagem antes do fechamento desta
edição, 133 pessoas tenham morrido nos
últimos dias no estado do Rio de Janeiro.
As chuvas de março que resolveram cair
em abril — como poetizam alguns — não
eram previstas. Está certo. Mas, se avançarmos um pouco nessa direção, não importa realmente quando as chuvas caem,
se ao cair causam tragédias dessa natureza. O que importa é analisar por que os
estragos acontecem e, o mais fundamental, se poderiam ter sido evitados.
O Comércio estima que
as perdas em faturamento,
desde segunda-feira,
superem R$ 170 milhões
Os morros do Rio viraram local de
moradia há muito tempo, apesar de não
serem ideais para esse fim. O cimento
continua a cobrir, mais e mais, todo pedaço de solo tanto no Rio quanto em São
Paulo e em inúmeras outras cidades brasileiras. Mas a chuva continua a cair, e
precisa necessariamente de algum local
para onde escorrer. Até crianças nos
anos de estudo fundamental sabem disso, se instadas a pensar no assunto. Não
escorrendo, transbordam rios, alagam
ruas, invadem casa, desabam morros.
O comércio do Rio estima que as perdas, em faturamento, somem mais de R$
170 milhões. A indústria acredita que tenha perdido 40% de suas vendas. Os prejuízos para as seguradoras podem chegar
a R$ 60 milhões apenas com o sinistro de
automóveis. No total, a chuva pode ter
levado R$ 200 milhões do estado, segundo apenas essas estimativas, que não incluem perdas de propriedades privadas e
bens impossíveis de quantificar.
Ontem a prefeitura carioca pediu
R$ 370 milhões ao governo federal para
obras de drenagem e contenção de encostas na cidade. O problema é que cerca
de R$ 80 milhões que já haviam sido orçados para prevenir enchentes na cidade
no ano passado não foram usados.
Menosprezar recursos públicos para
melhorar a infraestrutura parece ser
prática generalizada. Apenas 1% dos
R$ 1,7 milhão do governo federal para o
Plano Municipal de Redução de Riscos
de 2009 foi usado, como relatado a partir da página 4. ■
“Foi muito além das minhas expectativas”, afirma a estilista belga Diane von Furstenberg
ao ver que sua loja recém-inaugurada no Shopping Iguatemi, em São Paulo, vendeu em uma
semana cinco vezes mais que o previsto. Em 2011, a grife chega ao Iguatemi de Brasília. ➥ P24
Diretor de Redação Ricardo Galuppo
Diretor-adjunto Darcio Oliveira
[email protected]
BRASIL ECONÔMICO é uma publicação
da Empresa Jornalística Econômico S.A.
Presidente do Conselho de Administração
Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos
Diretor-Presidente José Mascarenhas
Diretor e Jornalista Responsável Ricardo Galuppo
Redação, Administração e Publicidade
Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar,
CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP),
Tel. (11) 3320-2000. Fax (11) 3320-2158
Editores Executivos Costábile Nicoletta, Fred Melo
Paiva, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa Produção Editorial Clara Ywata Editores Arnaldo Comin e Rita Karam (Empresas), Carla Jimenez
(Brasil), Cristina Ramalho (Outlook e FS), Laura
Knapp (Destaque), Márcia Pinheiro (Finanças)
Subeditores Claudia Bozzo (Brasil), Fabiana Parajara, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Luciano Feltrin (Finanças), Maeli Prado (Projetos Especiais),
Phydia de Athayde (Outlook e FS) Repórteres
Amanda Vidigal, Ana Luisa Westphalen, Ana Paula
Machado, Carlos Eduardo Valim, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Daniela Paiva, Denise
Barra, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Elaine
Cotta, Fábio Suzuki, Françoise Terzian, Ivone Santana, João Paulo Freitas, Juliana Elias, Karen Busic,
Luiz Henrique Ligabue, Luiz Silveira, Lurdete Ertel,
Marcelo Cabral, Maria Luiza Filgueiras, Mariana
Celle, Mariana Segala, Marina Gomara, Martha S. J.
França, Natália Flach, Natália Mazzoni, Nivaldo Souza, Paulo Justus, Priscila Machado, Regiane de Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Folego, Vanessa Correia Brasília Simone Cavalcanti, Sílvio Ribas Rio de
Janeiro Daniel Haidar, Ricardo Rego Monteiro BRASIL ECONÔMICO On-line Marcel Salim (Editor), Conrado Mazzoni, Michele Loureiro, Micheli Rueda (Repórteres), Rodrigo Alves (Webdesigner)
Arte Pena Placeres (Diretor), Betto Vaz (Editor), Cassiano de O. Araujo, Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodrigues, Renato
B. Gaspar, Tania Aquino, (Paginadores) Infografia Alex
Silva (Chefe), Monica Sobral, Rubens Neto
Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão
(Subeditora), Henrique Manreza, Murillo Constantino
(Fotógrafos), Angélica Bueno, Thais Moreira (Pesquisa) Tratamento de imagem Henrique Peixoto, Luiz
Carlos Costa Secretaria/Produção Shizuka Matsuno
Departamento Comercial Heitor Pontes (Diretor
Executivo), Sofia Pimentel (Assistente Executiva)
Publicidade Comercial Gian Marco La Barbera (Diretor), Juliana Farias, Renato Frioli, Valquiria Resende, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Márcia Abreu (Gerente de Publicidade), Alisson Castro, Bárbara de Sá, Celeste Viveiros, Edson Ramão,
Vinícius Rabello (Executivos de Negócios), Andreia
Luiz, Solange Ferreira dos Santos (Assistentes)
Publicidade Legal Marco Panza (Diretor Comercial),
Ana Alves, Carlos Flores, Celso Nedeher (Executivos
de Negócios), Alcione Santos (Assistente Comercial)
Departamento de Marketing Evanise Santos (Diretora), Samara Ramos (Coordenadora)
Operações Cristiane Perin (Diretora)
Departamento de Mercado Leitor Flávio Cordeiro
(Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Diretoria), Carlos Madio (Gerente Negócios), Anderson
Palma (Coordenador Negócios), Rodrigo Louro
(Gerente MktD e Internet), Giselle Leme (Coordenadora MktD e Internet), Lea Soler (Gerente Tmkt
ativo), Silvana Chiaradia (Coordenadora Tmkt ativo), Alexandre Rodrigues (Gerente de Processos),
Denes Miranda (Coordenador de Planejamento)
Central de atendimento e venda de assinaturas
4007 1127 (capitais) 0800 600 1127 (demais
localidades). De segunda a sexta, das 7h às 20h
Sábado, das 7h às 15h
[email protected]
TABELA DE PREÇOS
Assinatura Nacional
Trimestral
R$ 167,00
Semestral
R$ 329,00
Anual
R$ 648,00
Condições especiais para pacotes e projetos corporativos
(circulação de segunda a sábado, exceto nos feriados nacionais)
Impressão:
Oceano Ind. Gráfica e Editora Ltda.- SP/MG/PR/RJ
FCâmara Gráfica e Editora Ltda. - DF/GO
RBS - Zero Hora Editora Jornalística S.A. - RS/SC
4 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
DESTAQUE RIO DE JANEIRO
Prefeitura pede R$ 370 milhões
Nos primeiros três meses de 2010, prefeitura do Rio usou apenas 5% da verba contra enchentes. Durante todo
Daniel Haidar
[email protected]
Mesmo sem ter usado cerca de
R$ 80 milhões autorizados no
orçamento para prevenir enchentes no ano passado, a Prefeitura do Rio de Janeiro pediu
ao governo federal ontem cerca
de R$ 370 milhões para obras
emergenciais de drenagem e
contenção de encostas na cidade. O governador Sérgio Cabral
e o prefeito Eduardo Paes
(PMDB-RJ) se reuniu com o ministro da Integração Nacional,
João Reis Santana, em busca de
apoio financeiro.
Com o subsídio federal ou
não, Paes disse que vai começar a tocar os projetos. Para
2010, a prefeitura do Rio tem 10
planos autorizados no orçamento para drenagem e contenção de encostas, que somam
R$ 127 milhões. Mas até ontem,
a 3 meses e 7 dias do começo do
ano, só R$ 6,6 milhões foram
utilizados (5% do previsto), segundo levantamento do vereador Paulo Pinheiro (PPS-RJ),
que faz oposição ao governo.
“Só 5% em três meses é inaceitável. Foi um grave erro de execução orçamentária”, diz Pinheiro. “Antes de pedir dinheiro aos outros, temos que gastar
o nosso melhor”, criticou.
Questionado sobre os motivos de a prefeitura só ter utilizado cerca de 30% do orçamento autorizado em 2009
para o programa de combate a
enchentes, Paes disse que não
“ia entrar nesta discussão”.
“Estamos vivendo situação de
contingência. Se quiserem levantar esse numero, não vou
pedir que técnicos se dediquem
a esse debate agora”.
Dez planos de
drenagem e
contenção de
encostas têm
orçamento autorizado
de R$ 127 milhões
O prefeito não apresentou detalhes das propostas que vão pleitear subsídio federal, mas afirmou
que, dessa verba, cerca de R$ 270
milhões vão ser gastos em obras
de drenagem na Praça da Bandeira, o principal corredor de ligação
da Zona Norte com a Zona Sul e o
centro do Rio. As ruas da região
ficam frequentemente alagadas,
porque estão em uma planície
ocupada do rio Maracanã.
Também é considerada uma
área estratégica para a cidade,
porque é o corredor de acesso ao
estádio do Maracanã. De acordo
com Paes, o projeto para a drenagem da Praça da Bandeira teria como solução a construção
de um túnel para as águas do rio
Maracanã serem escoadas.
Cerca de R$ 100 milhões foram pedidos para obras de contenção de encostas em pontos
críticos de deslizamentos da ci-
dade. Até o início da noite de
ontem, o Corpo de Bombeiros
tinha localizado 133 mortos no
estado do Rio de Janeiro por
causa das chuvas. Na capital
fluminense, foram 46. A maioria das vítimas morava no Morro
dos Prazeres, em Santa Teresa.
Segundo a prefeitura, foram
removidas 5.790 toneladas de
lama e lixo ontem após os temporais. O prefeito prometeu que
removerá cerca de 2 mil famílias
do Morro dos Prazeres e da favela da Rocinha, por causa dos riscos de desabamentos. “Vamos
trabalhar isso com a maior urgência possível”.
Um dos pedidos da prefeitura
e do governo do estado para o
governo federal já foi aceito, segundo o prefeito. Cerca de quatro mil moradias populares devem ser ofertadas a famílias que
vivem em áreas de risco. ■
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 5
LEIA MAIS
Federação das Indústrias
do Rio de Janeiro (Firjan)
poupa Cabral e Paes de
críticas, e responsabiliza
administrações dos últimos 25
anos no estado e no município.
PAC 2 prevê R$ 11 bilhões
para obras de prevenção
de acidentes naturais. Para
secretário do Ministério das
Cidades, o que falta é demanda
e projetos das prefeituras.
Seguradoras deverão
pagar R$ 60 milhões em
indenizações no Rio, segundo
Sindicato dos Corretores de
Seguros do RJ. Maiores perdas
serão no segmento de veículos.
Celso Pupo/Fotoarena
Perdas somam
mais de
R$ 200 milhões
Comércio espera faturamento
R$ 170 milhões menor em abril,
enquanto corretoras projetam
sinistros de R$ 60 milhões
Ricardo Rego Monteiro
[email protected]
Até o fim do dia de ontem,
foram removidas 5.790
toneladas de lixo e lama no Rio
ao governo federal
o ano passado, somente 30% foram investidos
Só agora a indústria e o comércio começam a contabilizar os
prejuízos provocados pelas chuvas que se abateram sobre a região metropolitana do Rio de Janeiro no início da semana. Enquanto o comércio calcula uma
perda de faturamento que pode
superar os R$ 170 milhões, a indústria fluminense projeta perdas de até 40% do faturamento.
O setor segurador, por sua vez,
prevê prejuízo que pode chegar
a R$ 60 milhões no Rio, se levada em consideração uma estimativa de 8 mil sinistros só no
segmento de veículos, dos quais
1.500 com perda total (leia mais
nas páginas seguintes).
Presidente da Câmara dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro
(CDL), Aldo Gonçalves avalia a
perda como resultado de uma
queda de até 90% do faturamento do setor. Diferentemente da
CDL, no entanto, o economista
chefe da Confederação Nacional
do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do
Banco Central, calcula uma perda de 20% no faturamento do setor no Rio. Para o economista, o
maior prejudicado foi o pequeno
comerciante, que responde, em
média, por 40% da receita total
do segmento.
Impacto na Grande Rio
Marcos de Paula/AE
Gonçalves, da CDL, afirmou, no
entanto, que as perdas para o
comércio do Rio poderiam ter
sido maiores se as chuvas tivessem caído na semana passada
ou durante o fim de semana.
Justificou que, se isso tivesse
ocorrido, poderia ter compro-
Para o economista
Carlos Thadeu
de Freitas, da
Confederação
Nacional do Comércio
(CNC), o maior
prejudicado
foi o pequeno
comerciante, que
responde por 40%
da receita média
do setor varejista
metido as vendas da Páscoa,
uma das três datas mais esperadas, no ano, pelo setor varejista.
Levantamento preliminar promovido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), por telefone, constatou que
o maior impacto se deu para os
negócios localizados na região
Leste do estado (Niterói e São
Gonçalo) e no chamado Grande
Rio. Nessas localidades, há relatos de empresas que permaneceram fechadas na terça-feira por
falta de funcionários que não
conseguiram chegar ao trabalho.
Para a pesquisa, a Firjan realizou contatos telefônicos com
executivos de 28 empresas, das
quais três de grande porte,
nove médias e 16 pequenas. No
total, as empresas respondem
pelo emprego direto de mais de
4 mil funcionários. Só na próxima semana, no entanto, a
entidade espera dispor de informações mais completas sobre os danos à indústria do estado. Até lá, será preparado um
grande levantamento com todos os associados. ■
LADO POSITIVO
Produção em regiões importantes,
como o sul e o norte fluminense, foi poupada
O governador Sérgio Cabral
e o ministro Santana:
em busca de apoio financeiro
O menor impacto para a indústria fluminense se deu nas
regiões Norte, que reúne importantes municípios como Campos
dos Goitacazes e Macaé; Noroeste (Itaperuna); Baixada Fluminense
(Duque de Caxias e Nova Iguaçu); Serrana (Petrópolis); Centro-Norte
(Nova Friburgo); e Sul (Resende e Porto Real) do estado. Nessas
áreas não foram relatados maiores problemas para a produção
industrial, embora tenham sido identificadas altas taxas de ausência
de funcionários, o chamado absenteísmo, nos escritórios
comerciais, localizados a maior parte no centro do Rio. A Firjan
mobilizou as 57 sedes do Serviço Social da Indústria (Sesi) para
o recebimento de donativos às famílias desabrigadas no estado.
6 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
DESTAQUE RIO DE JANEIRO
Firjan defende
Cabral e Paes de
responsabilidade
O QUE A ÁGUA LEVOU
Vice-presidente da federação atribui mortes a descaso das
administrações municipais e estaduais dos últimos 25 anos
Ricardo Rego Monteiro
Divulgação
[email protected]
As chuvas que caíram sobre o
Rio de Janeiro no início da semana evidenciaram um problema de infraestrutura mais do
que conhecido no estado, mas
que, de agora em diante, deverá
permanecer na ordem do dia,
até como pré-condição para o
sucesso de eventos como os Jogos Olímpicos de 2016. A avaliação é do vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de
Janeiro (Firjan), Carlos Mariani
Bittencourt, que faz questão de
poupar de responsabilidade, no
entanto, o governador do estado, Sérgio Cabral, e o prefeito da
cidade, Eduardo Paes.
Para Mariani, as mais de 100
mortes confirmadas até agora
podem ser atribuídas ao que
classificou de mais de 20 anos
de descaso das sucessivas administrações municipal e estadual do Rio. O vice-presidente
da Firjan faz questão de exaltar
não só a resposta dada por Cabral e Paes, como também a capacidade de articulação do poder público local com o governo
federal. “Hoje temos governos
confiáveis tanto no estado
quanto na prefeitura. Isso é algo
inédito nas administrações do
estado e do município nesses
últimos 25 anos. Sem contar a
articulação com o governo federal, que é o primeiro passo
para se resolver o problema”,
elogia o dirigente.
Embora faça questão de demonstrar otimismo em relação
ao governo, o executivo admite
certo ceticismo com as perspectivas de solução do problema, no
Carlos Mariani
Vice-presidente
da Firjan
“Arrumar o Rio para os Jogos
Olímpicos é um desafio
tremendo, pois o Rio é uma
cidade que se desorganizou
por completo nas últimas
décadas. É um problema
para uma geração ou mais”
futuro. Os problemas do Rio, que
incluem não só as deficiências de
infraestrutura na região metropolitana, só começarão a ser
corrigidos, de acordo com o empresário, no espaço de uma geração (25 anos). Insuficiente
para preparar a cidade para os
Jogos Olímpicos, tal prazo se
justifica, de acordo com Mariani, pela necessidade não só de
investimentos materiais, mas de
aprendizado da própria população, com a incorporação de valores como cidadania.
“Arrumar o Rio de Janeiro
para os Jogos Olímpicos é um
desafio tremendo, pois o Rio é
uma cidade que se desorganizou
por completo nas últimas décadas. O problema é que trazer esses valores de cidadania é um
desafio para uma geração, talvez
até duas”, critica o dirigente, ao
ressaltar, no entanto, a importância dos investimentos em infraestrutura. “A necessidade de
uma boa infraestrutura, principalmente de drenagem, no Rio,
é maior até do que até em outras
cidades do país, dada suas características geográficas .”
Medidas menos complexas
Além da melhoria da drenagem,
Mariani identifica medidas menos complexas capazes de minimizar o risco de novos problemas em decorrência das chuvas.
Como exemplo, cita o aperfeiçoamento no sistema de coleta
de lixo. Também vê a necessidade de organização do sistema
viário, não só com investimentos em infraestrutura de rodagem, mas com medidas que
contribuam para melhorar o
fluxo do tráfego. ■
INFRAESTRUTURA
Geografia dificulta, mas obras podem ajudar, dizem especialistas
A geografia carioca dificulta o escoamento
das águas das chuvas. Elas descem dos morros
em um ritmo que dificulta a drenagem. Entopem
corredores e galerias fluviais e chuvas intensas,
como a dos últimos dias, dificultam ainda mais
o escoamento para a costa litorânea da região.
“O Rio de Janeiro tem uma topografia muito ingrata,
que acumula água muito rapidamente nas áreas
planas, abaixo da bacia de montanhas. É muito
difícil fazer um sistema que seja eficiente”, diz
o professor Paulo Cesar Rosman, do departamento
de recursos hídricos e meio ambiente da Coppe.
Mas obras estruturais nas principais bacias
hidrográficas, como a Lagoa Rodrigo de Freitas, e a
Lagoa de Jacarepaguá, podem melhorar o sistema
de drenagem atual, de acordo com especialistas.
“Se as obras são construídas para “reter” parte da
água de chuva, resultará menor volume escoado.
Além disso, há obras específicas para detenção,
como aquelas construídas em São Paulo que, ainda
não “resolvendo” o problema, conseguem reduzi-lo”,
diz o professor Cezar Augusto Pompeo, do
departamento de engenharia ambiental da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Ele destaca, contudo, que um aspecto cultural
agrava o problema. Quanto mais lixo as pessoas
jogam nas ruas, mais entupidas ficam as galerias
de drenagem. Então se não houver educação
para popularizar algo tão básico, as inundações
só podem piorar. população. Daniel Haidar
Falta demanda dos
Só 1% de recursos do governo
federal foram utilizados
Carolina Alves
[email protected]
Um terço do orçamento de saneamento previsto para a segunda edição do Programa de
Aceleração do Crescimento
(PAC 2) será destinado a obras
que contemplem prevenção de
enchentes e inundações em
área de risco. Ao todo, R$ 11
bilhões devem ser desembol-
sados até 2015 para obras de
contenção de encostas e controle de enchentes. Se for considerado o histórico de gastos
na contenção de acidentes
dessa natureza, a tendência é
de que grande parte da verba
não seja utilizada.
Apenas 1% do total de R$ 1,7
milhão que o governo reservou
para o Plano Municipal de Redução de Riscos em 2009, programa que auxilia municípios
a promover estudos geológicos
e identificar áreas de risco, foi
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 7
Fotos: Patricia Santos
Alexandre Brum/AE
Deisi Rezende/AE
Estudantes,
trabalhadores,
motoristas, todos foram
afetados pelas chuvas
dos últimos dias no Rio.
Escolas estaduais,
municipais e creches
ficaram fechadas algumas reabrem hoje.
Apesar do trabalho de
limpeza, o Maracanã
não está pronto e o jogo
entre Flamengo e
Universidad do Chile,
marcado para hoje, foi
vetado pela prefeitura.
municípios por verba de prevenção de enchentes
utilizado no período, segundo
dados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Somente São Paulo e Rio de Janeiro receberam cada cerca de
R$ 200 mil.
“Enchentes são desastres
naturais quase imprevisíveis,
mas deixar a Vila Pantanal 15
dias embaixo de água é simplesmente inadmissível”, afirma o secretário de Programas
Urbanos do Ministério das Cidades, Celso Carvalho. Para ele,
não falta verba, o que falta é
“
Deixar a Vila
Pantanal 15 dias
embaixo d´água
é simplesmente
inadmissível
Celso Carvalho,
secretário do
Ministério das Cidades
planejamento. “As prefeituras
precisam se preparar para esse
tipo de acidente, que está se
tornando cada vez mais comum. R$ 200 mil é pouco, de
fato, mas a maioria das cidades
não fazem planos concretos
para contenção de risco, como
obras de drenagem, de remanejamento de habitações em áreas
perigosas”, analisa.
Mesmo com a baixa demanda para o Plano de Redução,
Celso acredita que o PAC 2 não
terá o mesmo destino. “A ini-
ciativa será pública, e não privada, e estará no Plano Plurianual, então é mais garantido.
Receberemos os projetos dos
municípios e escolheremos
aqueles que receberão a verba.
Abriremos o processo de seleção ainda nesse semestre”,
anuncia. A fiscalização dos
projetos ficará por encargo do
Ministério.
Segundo a pasta, no Brasil
existem 203 municípios em
áreas de risco. O caso mais recente de enchentes foi no Rio de
Janeiro, mas o ano já começou
com um grave acidente. Em 1º
de janeiro, uma pousada desabou em Angra dos Reis deixando mais de 20 mortos. O excessivo volume de chuvas também
gerou alagamento em São Paulo, Osasco e São Luiz do Paraitinga. Outro acidente que mobilizou o país foi o deslizamento
de terras em Santa Catarina, em
2008. Foram registradas 135
mortes e 78 mil pessoas desabrigados, segundo a Defesa Civil Estadual. ■
8 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
DESTAQUE RIO DE JANEIRO
Prejuízo para seguradoras
deve atingir R$ 60 milhões
Estimativa é do Sincor-RJ, que prevê maiores perdas no segmento de automóveis afetados pelas enchentes
Sergio Moraes/Reuters
Ocorrências de atendimento
a automóveis aumentaram quase 40%
nos últimos dois dias só na Porto Seguro
Ricardo Rego Monteiro
e Thais Folego
[email protected]
O setor de seguros deverá arcar
com um prejuízo da ordem de
R$ 60 milhões por causa das
chuvas no Rio de Janeiro, segundo estimativas do Sindicato
dos Corretores de Seguros do
Rio de Janeiro (Sincor-RJ). As
perdas devem se concentrar
principalmente no segmento de
veículos, diz Henrique Brandão, presidente do Sincor-RJ.
Ele calcula uma incidência de,
no mínimo, 8 mil sinistros só
com veículos na região do
Grande Rio. Desses, 1.500 envolveriam casos de perda total.
Somente uma concessionária
de veículos na Tijuca, na Zona
Norte da Cidade, perdeu 80
carros com o desabamento do
teto do local.
Entre domingo e ontem, a
média de atendimento de ocorrências com veículos na Porto
Seguro foi 37% maior que nos
dias normais, com maior volume na segunda-feira (46%).
“Entre a noite de segunda e durante toda a terça-feira, as ocorrências diretamente relacionadas aos alagamentos atingiram
38% do total de veículos socorridos pelo Porto Seguro Auto”,
explica Milton Oliveira, gerente
do atendimento da seguradora,
que no Estado do Rio é responsável por uma frota de cerca de
250 mil veículos segurados.
Para atender todos os casos, as
seguradoras deslocam um contingente maior de prestadores de
serviços. “Devido ao maior volume de ocorrências concentradas
em um determinado período,
deslocamos um contingente
maior de reboques, carros de
Seguros de
residência, vida e
acidentes pessoais
também devem ser
afetados pelas chuvas
apoio e peritos para a região”, comenta Edison Kinoshita, diretor
de contact center da SulAmérica.
A partir da madrugada de segunda, a Porto transferiu guinchos de
São Paulo para o Rio, um aumento de 46% da frota local.
Residências
Em nota divulgada ontem, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) confirmou que os
segmentos mais propensos a registrar aumento de sinistros são o
de auto e de residencial. De acordo com o superintendente de sinistros da Marítima Seguros, Edson Luiz Quinhonero, ao contrário do seguro para veículos, a cobertura para inundações em residência, condomínio e instalações
de empresas não é básica. “Essa
não é uma cobertura comum e
por isso acreditamos que não vamos ter muitas reclamações no
segmento patrimonial”, explica o
superintendente. Segundo ele, no
caso de muitas chuvas os danos
elétricos são muito comuns — esses sim cobertos nas apólices —,
por conta da maior incidência de
descarga elétrica.
Para Brandão, do Sincor-RJ,
as chuvas também vão impactar
os seguros de acidentes pessoais
e apólices de vida. Tradicionalmente adquiridos por famílias
de renda mais alta, os seguros
de vida deverão registrar ligeira
alta de sinistros devido aos deslizamento de encostas — que
também atingiram residências
em áreas mais privilegiadas,
como bairros de Niterói.
Brandão prevê a possibilidade de impacto nos preços das
apólices no próximo ano, cujos
cálculos poderão incorporar
ocorrências como as verificadas
no início da semana. ■
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 9
EDUCAÇÃO PARA A VIDA
PÓS-GRADUAÇÃO
LATO SENSU
INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
#523/3
#(/2­2)!
s!DVOCACIA#ÓVEL
0RÉTICAEM$IREITOE&AMÓLIA
396h
s!DVOCACIA#RIMINAL
0RÉTICA0ROlSSIONAL
396h
s!DVOCACIA4RABALHISTA
0RÉTICA0ROlSSIONAL
396h
s!DVOCACIA4RIBUTÉRIA
0RÉTICA0ROlSSIONAL
396h
s%SPECIALIZA ÎOPARA
#ARREIRAS*URÓDICAS
!DVOCACIA
440h
$ELEGADODE0OLÓCIA
572h
-AGISTRATURAE-IN0ÞBLICO
572h
0ROCURADORIAS
572h
s$IREITODO#ONSUMIDOR
396h
s$IREITO%MPRESARIAL
396h
INSTITUTO DE COMUNICAÇÃO E ARTES
INST. DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS
#523/3
#523/3
#(/2­2)!
s'ESTÎODA#OM#ORPORATIVA
s'ESTÎO%STRATÏGICADE%VENTOS
s'ESTÎODE4URISMO3USTENTÉVEL
s-ARKETINGDE4URISMO s*ORNALISMO$IGITAL
s*ORNALISMO0OLÓTICO
s*ORNALISMO%CONÙMICO s*ORNALISMO$ESPORTIVO s*ORNALISMO0OLICIAL
s*ORNALISMO%DUCACIONAL
s0ESQUISADE-ERCADO
s0ROD%XECE-EIOS!UDIOVISUAIS
s0RODU ÎOE)MAGEMDA-ODA
s0RODU ÎO%XECUTIVAEM4EATRO
s-"!EM
-KT0OLÓTICOE%LEITORAL
-KTE0UBLIC$ESPORTIVA
'ESTÎODE2EL0UB#ORPORATIVAS MENSALIDADES A PARTIR DE
#(/2­2)!
s&INAN ASE"ANKING
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
396h
s'ERENCIAMENTO%MPRESARIAL
396h
s'ESTÎO%STRATÏGICADE0ESSOAS
396h
s,OGÓSTICAEM0ROC%MPRESARIAIS
s3ELE ÎOE#APAC%MPRESARIAL
396h
396h
s-"!EM
440h
440h
440h
!UDITORIA
440h
#ONTROLADORIA
440h
#ONTABILIDADE#ORPORATIVA
440h
'ESTÎODE0REV#OMPLEMENTAR
440h
-ARKETING
440h
-ERCADODE#APITAIS
440h
1UALIDADE
440h
3EGURAN A%MP%STRATÏGICA
440h
4RANSPORTES
440h
298,
R$
INSCRIÇÕES ABERTAS: WWW.UNIBAN.BR | CONSULTE OUTRAS ÁREAS E CURSOS NO SITE
PARA CURSAR A PÓS-GRADUAÇÃO, É NECESSÁRIO SER PORTADOR DE DIPLOMA DE NÍVEL SUPERIOR.
AS AULAS SERÃO MINISTRADAS AOS SÁBADOS E EM OUTROS DOIS DIAS DA SEMANA.
Valores das mensalidades para pagamento até o último dia útil do mês anterior ao vencimento, conforme
edital de valores 2010. Consulte mais informações sobre o curso do seu interesse no site.
Programas:
Convênios:
10 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
OPINIÃO
Paulo Bornhausen
Jacques Marcovitch
Deputado Federal (DEM-SC)
Professor da USP e integrante do
Conselho para a Agenda Global sobre
o Futuro da América Latina do Fórum
Um erro de origem
A economia verde
A discussão proposta pelo governo federal sobre um
plano nacional de banda larga nasce com vício de origem: os ideólogos do PT insistem em destruir, por não
terem sido autores, a maior política de inclusão social
já implementada nos últimos 15 anos no Brasil, a privatização do setor de telecomunicações.
Toda e qualquer argumentação dos técnicos da Casa
Civil voltada para justificar e embasar o desejo de reestatização da Telebrás esbarra na lógica. O mercado
brasileiro de telecomunicações tem a estrutura necessária para universalizar a banda larga. E tem a disposição de colaborar com o governo, se propondo mesmo a
alugar os 16 mil quilômetros de rede da Eletronet.
As questões político-partidárias travam, mais uma
vez a possibilidade do Brasil avançar. É uma prática recorrente deste governo do PT, incapaz de admitir, por
exemplo, que a situação econômica estável do país não
foi construída a partir de 2003.
Para não perder o discurso ideológico e retrógado, o
governo petista comete leviandades que constrangem
a área técnica séria do governo central. Vinculada ao
Ministério da Fazenda, há muito a CVM deveria ter se
manifestado pela magnífica e estranhíssima movimentação das ações da Telebrás, impulsionadas depois
que Lula e a ministra-candidata passaram a alardear a
intenção de reestatizar a Telebrás – uma empresa em
regime de liquidação e que parecer do próprio Tesouro
Nacional não recomenda tal intento.
Em meio à discussão sobre o Plano Nacional de Banda Larga, o governo avança sobre o setor tentando
aprovar na Câmara dos Deputados, a Lei do Fust, cujo
texto, de inspiração do Palácio do Planalto, permitirá
que os recursos do Fundo fiquem disponíveis para usos
não republicanos do PT, em pleno ano eleitoral.
A América Latina, ocupando hoje nova posição na
geopolítica mundial, avançou muito no estudo das
causas das mudanças do clima, mensuração de seus
impactos e medidas a serem implantadas em prol de
uma economia de baixo carbono. Os objetivos já quantificados visam reduzir as emissões projetadas, resguardar a matriz energética limpa e promover transformações setoriais na agricultura, na siderurgia e no
transporte, além de evitar o desmatamento.
A agricultura, nestes perigosos tempos de mudança
do clima, é o setor que terá a responder ao desafio de
alimentar as populações ameaçadas pelo acirramento
do temível fenômeno climático. O mundo precisa duplicar a produção de alimentos até completar-se a primeira metade do século em curso. Projeções de médio
prazo, focadas em 2020, mostram crescimento no patamar de 55% da demanda global por grãos. Já se calcula que a meta da superação da fome, fixada pela ONU
em 2015, somente será alcançada em 2030.
O Brasil passou a fazer parte do mundo
globalizado depois da privatização
do sistema Telebrás. Ignorar isso
é cometer crime de lesa-pátria
Aliás a ofensiva do PT contra o setor de telecomunicações, desde que Lula assumiu o governo, teve início com as manobras de esvaziamento da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, criada para regular o mercado. Não interessa a eles um mercado devidamente regulado que não sirva seus propósitos de
poder. O Estado regulador, indutor de desenvolvimento não serve aos propósitos de quem tem por prática governar através do aparelhamento do Estado.
Não se trata de ser contra ou a favor de um Estado forte, ou de um Estado mínimo. Para o PT, e o Plano Nacional de Banda Larga é prova disso, o que deve ser
buscado é a propriedade do Estado.
O Brasil passou a fazer parte do mundo globalizado
da altíssima tecnologia depois da privatização do sistema Telebrás. Ignorar isso é cometer crime de lesa pátria de proporções calamitosas; é crime contra as próximas gerações. Crime contra a lógica.
O presidente Lula e sua candidata devem ser cobrados agora. A indispensável universalização do acesso à
internet via banda larga, que realmente possa introduzir um novo paradigma na educação do país, notadamente, já poderia estar se tornando realidade. Não
aconteceu ainda apenas porque o PT e Lula não querem
perder o discurso, em detrimento do país. ■
A ação econômica, hoje, não pode
mais ser animada pela confiança
no progresso infinito, e sim pela
noção clara de limites e riscos
A América Latina requer não apenas vastas terras
agricultáveis, mas uma evolução de tecnologias em
seus plantios e colheitas. Isso ampliará mais ainda o
papel dos especialistas que atuam na área. A maior dificuldade está em determinar a relação entre a mudança do clima e o efeito sobre a produtividade agrícola –
tarefa que envolve a combinação de ciência agrícola,
botânica, genética e economia.
O Fórum Econômico Mundial para a América Latina
iniciado nesta semana em Cartagena, avalia o reconhecimento internacional da relevância das florestas
tropicais para a segurança climática. As iniciativas de
redução das emissões por desmatamento e devastação
florestal foram consideradas e referidas em três dos
doze parágrafos do acordo final em Copenhague.
Identifica-se portanto, um enorme potencial de ganhos com mecanismos compensatórios (tipo Redd)
para que se evitem as emissões provenientes do desmatamento. Para garantir a floresta em pé, esta solução de mercado é cada vez mais consensual, desde que
acompanhada por Fundos Especiais dirigidos as necessidades das regiões mais vulneráveis.
Um passo concreto para novos rumos foi dado por 55
países, responsáveis por 78% das emissões de GEE na
escala global. Em 2010, esses países entre os quais Brasil, Costa Rica e México aderiram ao Anexo do Acordo
de Copenhague. Apesar das metas declaradas serem insuficientes, o documento fixa objetivos de redução por
país, tendo como horizonte o ano de 2020. Tais compromissos pavimentam o caminho da COP 16, em Cancun, México, e certamente mobilizarão lideranças políticas e empresariais das nações envolvidas, em harmonia com as comunidades científicas.
A economia, na América Latina e no plano global, é
termo decisivo nesta equação. Impõe-se ampla sensibilização do empresariado para o entendimento de que o setor
produtivo é tão vulnerável às bruscas variações de clima
quanto às aglomerações urbanas. A ação econômica, hoje,
não pode ser mais animada pela confiança no progresso
infinito, e sim pela noção clara dos limites e dos riscos. ■
CARTAS
O SONHO DOS ESTRANGEIROS
EM SER CHEFE NO BRASIL
Gostaria de parabenizar a matéria escrita
pela jornalista Mariana Celle sobre
os executivos estrangeiros que têm intenção
de trabalhar no Brasil. Trabalho numa empresa
americana e essa vivência é uma rotina
para nós. Compartilhei a matéria com
os meus colegas da FGV e todos se identificaram
em seus meios profissionais com o que leram.
Achei bastante interessante tudo o que li.
Parabéns novamente.
Carlos Arantes
Belo Horizonte (MG)
FIFA E SÃO PAULO CHEGAM A ACORDO
SOBRE PROJETO DO MORUMBI
A Fifa não tem nada contra o São Paulo.
O problema é a CBF, que fica no Rio de Janeiro.
Enquanto o Ricardo Teixeira continuar sendo
o presidente, os times paulistas que se cuidem.
Sidney Silva de Paula
São Paulo (SP)
MALUF É INCLUÍDO EM LISTA
DA INTERPOL POR DESVIO DE DINHEIRO
Qual o critério para uma pessoa ser incluída
na lista de procurados da Interpol? O Maluf
é deputado federal e tem residência fixa,
ou seja, tem endereço. Qualquer um
sabe onde encontrá-lo. Isso é ridículo,
claramente tem cunho político. A indicação
deve ter sido de procuradores brasileiros que,
todos sabem, servem a coronéis da política.
Clesio Jardim
Rio de Janeiro (RJ)
PRESIDENTE MUNDIAL DA FORD
SE REÚNE COM LULA E KIRCHNER
O Brasil não precisa de mais carros particulares.
É vergonhoso o governo federal fazer
malabarismos para que as vendas de carros
aumentem. Por que não gerar empregos
em áreas que respeitem a qualidade
de vida e a natureza?
Welton Trindade
São Paulo (SP)
OS PREÇOS DO MINÉRIO DE FERRO ARTIGO DE ROBERTO CASTELLO BRANCO
Concordo plenamente com as considerações
feitas pelo senhor Castello Branco,
já que os preços das commodities são
ditados pela lei da oferta e da procura.
Isso se dá com os preços de ouro, prata,
níquel, cobre, petróleo, soja, urânio,
alumínio e, por que não, com o minério de ferro.
Os chineses e europeus estão reclamando
do que? Os produtos manufaturados por eles,
como aviões, carros e armamentos nucleares,
entre outros, nunca baixaram de preço
durante a crise de 2008.
Samir
Rio de Janeiro (RJ)
CURITIBA, A CIDADE
MAIS SUSTENTÁVEL DO MUNDO
Tenho grande admiração por Curitiba. Gostaria
que Brasília também tivesse essa consciência.
Gaspar
Sobradinho (DF)
Cartas para Redação - Av. das Nações Unidas, 11.633 –
8º andar – CEP 04578-901 – Brooklin – São Paulo (SP).
[email protected]
As mensagens devem conter nome completo, endereço e telefone e assinatura. Em razão de espaço ou
clareza, BRASIL ECONÔMICO reserva-se o direito de editar as cartas recebidas.
Mais cartas em www.brasileconomico.com.br.
ERRATA
A respeito da reportagem “Mesmo com IPI,
Whirlpool bate recorde de vendas”, do dia 6 de abril,
a Whirlpool Latin America esclarece que o investimento em marketing, desenvolvimento de produtos
e modernização de suas unidades é de R$ 250 milhões, e não de US$ 250 milhões. A empresa afirma
ainda que a projeção de crescimento de 15% a 20%
é referente ao mercado de linha branca, e não diz respeito a estimativas de crescimento para a Whirlpool.
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 11
Philippe Lopez/AFP
Onda verde
Novas e belas imagens dos pavilhões da Expo Xangai divulgadas ontem
voltaram a chamar a atenção do mundo para a maior exposição mundial
de todos os tempos, que será aberta oficialmente em maio, na China.
Ao lado, a interpretação do pavilhão da Austrália para o tema da
exposição, que é o “Better City, Better Life” (cidade melhor, vida melhor).
Uma das marcas do evento, que durará seis meses e que custou aos
chineses 2,8 bilhões de euros, é a preocupação com a sustentabilidade.
Fernando Fernandes/AE
CAMPEÃ DE SUSTENTABILIDADE
O prêmio de cidade
que mais incentiva e
contribui com ações
que promovem a
sustentabilidade no
mundo foi mesmo para
Curitiba. O anúncio foi
feito ontem pelo Globe
Sustainability City Award
2010, organizado por uma
instituição sueca que todo
ano avalia municípios
por critérios como
preservação de recursos
naturais, inovação
e inteligência social
e infraestrutura. A capital
do Paraná superou por
unanimidade cidades
como Malmö, na Suécia,
Murcia, na Espanha,
e Sidney, na Austrália.
“A importância do prêmio
está em incentivar
o intercâmbio de
boas práticas, que
proporcionem atividades
economicamente viáveis,
socialmente justas e
ecologicamente éticas
em todo o planeta”, diz
Carlos Arruda, professor
da Fundação Dom Cabral
e único integrante
brasileiro do júri do Globe
Award. O prêmio será
entregue em 29 de abril
em Estocolmo, na Suécia.
ENTREVISTA HUGO PENTEADO Economista-chefe do Asset Management do Grupo Santander
Economia não pode ser maior que o planeta
Quando pensam o futuro,
economistas não levam em conta
escassez de recursos naturais
Maeli Prado
[email protected]
Apesar de sustentabilidade ter
virado palavra de ordem hoje,
os economistas não incluem em
suas variáveis a contribuição
dos recursos da natureza. Existe
um mito de que economia e
meio ambiente são fatores distintos, e o que empresas e governos vêm fazendo para reverter a situação é insuficiente. A
análise é de Hugo Penteado,
economista-chefe do Asset Managment do Santander.
Até que ponto o risco de
escassez de recursos naturais é
levado em conta quando se
projeta o futuro da economia?
Não é levado em conta. Os
economistas aplicam em suas
variáveis a ideia absurda de
perfeita substituição dos recursos, a ponto de declararem
que o capital produzido pelo
homem é um perfeito substituto da natureza. Seria o mesmo que dizer que poderiam
fazer uma refeição apenas
usando panelas e o fogão e que
Divulgação
“Precisa ficar
claro que
descobrir uma
fonte infinita
de energia não
afasta o risco
de extinção da
humanidade”
poderiam abrir mão do leite,
dos ovos e da farinha.
Como funciona o lobby de
empresas e setores para barrar
mudanças maiores?
O maior problema é a atitude empresarial, que não possui uma visão sistêmica, com metas e busca
de lucros de curto prazo que não se
sustentam no longo prazo. Agem
como se pudessem não fazer parte
de um sistema maior, como se não
fizessem parte da nossa espécie
animal. Os líderes, por algum poder mágico qualquer, parecem
estar acima do fim dos elos que
sustentam toda vida na terra.
Sustentabilidade virou palavra
de ordem. O que as empresas
vêm fazendo é suficiente?
Claramente insuficiente. Essas
ideias não abandonaram o mito
de que devemos ter uma produção infinita de energia, para
atender uma demanda material
infinita. Fazer isso não irá afastar o risco de extinção. É como
se tivéssemos um único problema: a energia, e quando milagrosamente descobrirmos uma
fonte infinita de energia, poderemos construir um trilhão de
cidades para um quintilhão de
pessoas. A economia não pode
ser maior que o planeta. ■
12 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
BRASIL
Emergentes vão liderar atração
Projeções da Sobeet são de que, a partir de 2011, países como o Brasil e a China irão receber mais recursos
80,90%
2000
Países desenvolvidos
(EUA, Japão, Europa)
72,56%
2001
70,26%
2002
66,58%
63,92%
2006
62,99%
2003
2005
56,36%
O X DA QUESTÃO
2004
O fluxo de investimentos estrangeiros
muda de curso e beneficia o Brasil –
participação no total de recursos
Fonte: Banco Central, Sobeet e Brasil Econômico
* Estimativa
43,64%
2004
Países em desenvolvimento
(Brasil, China, Índia, etc.)
36,08%
37,01%
2003
2005
33,42%
2006
29,74%
27,55%
2002
2001
19,10%
2000
Elaine Cotta
Infografia: Ale
x Silva
[email protected]
Na Europa, para cada 100 pessoas em condições de ter um
carro zero — com idade e renda
para isso — 90 já o têm. No Brasil, essa proporção é de 13 para
cada 100. São números como
esse que mostram o potencial de
expansão do consumo brasileiro
— e de outras nações em desenvolvimento, como China e Índia, por exemplo, e que explicam o fato de, nos últimos dez
anos, o volume de investimento
estrangeiro nos países emergentes ter crescido 60%, enquanto nas nações desenvolvidas houve queda de 24%.
E, baseada nesse histórico, a
Sociedade Brasileira de Estudos
de Empresas Transnacionais e
da Globalização Econômica
(Sobeet) estima que, já no ano
que vem, as economias em
desenvolvimento poderão superar as desenvolvidas como
destino dos investimentos diretos estrangeiros mundiais, o
que pode representar uma vi-
rada quando se leva em consideração que, em 2000, os países desenvolvidos detinham
80% dos investimentos, e as
nações pobres recebiam menos
de 20% do bolo de dinheiro
disponível para investir (veja o
gráfico acima). “São números
que mostram e comprovam
uma desconcentração dos investimentos mundiais, tendência que deve se acelerar ao
longo dessa década”, diz o
economista-chefe da Sobeet,
Luís Afonso Lima.
Renda em expansão
Essa mudança de rumo não começou na crise financeira internacional - apesar de ela ter peso
significativo na aceleração dessa
tendência. A melhora na renda e
na sua distribuição - o que no
Brasil já é mensurável nas estatísticas - ajudou a impulsionar a
demanda e, claro, a atrair empresas interessadas em vender
seus produtos e, consequentemente, dispostas a ampliar fábricas e investir mais para atender a essa procura crescente.
“
Há uma tendência
de desconcentração
dos investimentos
diretos estrangeiros
que beneficia países
em desenvolvimento,
como o Brasil
Luís Afonso Lima,
economista da Sobeet
A ascensão das classes C e D
não são comemoradas apenas
pelos brasileiros. Grandes empresas internacionais também
estão de olho nesse consumidor,
especialmente num momento
em que europeus e americanos
são obrigados a apertar o cinto e
trocar menos de carro, TVs e geladeiras. De fato, a melhora na
renda trouxe cerca de 90 milhões
de brasileiros para a classe C somente no ano passado, segundo
pesquisa do instituto Ipsos. “Nos
últimos sete anos, a renda média
dos brasileiros cresceu 35%”,
lembra Lima. “E isso nos favorece, e muito, na hora de atrair investimentos internacionais”, diz.
Na mira dos estrangeiros
Este é um dos tantos motivos
que fazem o Brasil estar no topo
da lista dos principais receptores
de investimentos estrangeiros,
inclusive os diretos. Desde os
anos 1990 — quando o país recebeu um grande volume de recursos por causa da privatização
de empresas como a Vale e Eletrobras — o fluxo de investimen-
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 13
Chris Ratcliffe/Bloomberg
AGENDA DO DIA
Lamy vem conhecer produção de etanol
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy,
viajará ao interior de São Paulo para conhecer a produção de etanol.
O francês, que já foi comissário de Comércio da Europa e banqueiro,
passará pelo Brasil na próxima semana, a caminho do Uruguai.
Além da visita à produção de biocombustível, em Ribeirão Preto, Lamy
apenas terá uma reunião de trabalho com o chanceler Celso Amorim
em Brasília para avaliar como tirar a Rodada Doha do atual impasse.
● IBGE divulga Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (março).
● IGP-DI de março da FGV:
para analistas, os preços
agrícolas deverão iniciar a
descompressão sobre o índice.
● FGV anuncia o IPC-S relativo
ao 1ª quadrimestre de abril.
de investimentos Estratégia
no exterior
traz lucros
que os do chamado mundo desenvolvido
Mesmo com a crise, empresas
brasileiras seguem investindo
no mercado externo para crescer
68,66%
2007
56,69%
2008
54,34%
2009
Inversão
51,56%
2010*
51,39%
2010*
45,66%
43,31%
48,61%
2010*
48,44%
2009
2011*
2008
ESTRANGEIROS NO BRASIL
31,34%
Investimento estrangeiro no país
caiu em 2009 e tende a voltar
a crescer neste e nos próximos
anos, em US$ bilhões
2007
48
38
28
18
8
Gerdau, Vale e Embraer são
apenas três dos vários exemplos
de empresas brasileiras que se
internacionalizaram e que já
colhem lucros com suas operações no exterior. E essas empresas também ajudam a engordar
uma outra estatística: a dos investimentos diretos estrangeiros feitos pelo Brasil lá fora sim, o país não apenas recebe,
mas também aplica em outras
nações. De acordo com estudo
elaborado pela Fundação Dom
Cabral em parceria com a consultoria KPMG, 2008 foi o segundo melhor ano dos investimentos brasileiros no exterior perdendo apenas para 2006. Ao
todo, foram investidos R$ 10,8
bilhões, entre operações de fusões e de aquisições feitas lá
fora. A maior delas foi a compra
da americana Macsteel pela
Gerdau, por US$ 1,45 bilhão. Os
dados completos de 2009 ainda
não foram computados.
Ranking
2000
2010*
*Estimativa
Fontes: Banco Central e Brasil Econômico
A NOVA ROTA DO DINHEIRO
US$
565,3 bi US$
405,5 bi US$
1 trilhão
foi o total de investimentos
em investimentos diretos
é a soma do fluxo de investimento
diretos estrangeiros destinados
aos países desenvolvidos em
2009, segundo dados da Unctad,
organizados pela Sobeet. Na lista
estão Estados Unidos e nações da
Europa, como Alemanha, França e
Reino Unido. O volume representa
queda significativa se comparado
com o total de US$ 962 bilhões
de investimentos realizados ao
longo do ano de 2008.
estrangeiros foram destinados
às nações em desenvolvimento —
conta na qual entram Brasil,
China, Índia e Rússia, além de
países africanos e da América
Central e Caribe. O total é menor
que os US$ 620,7 bilhões
investidos em 2008, mas a curva
tende a retomar a trajetória
crescente dos últimos anos
na próximo década.
direto estrangeiro que circulou
pelo planeta no ano passado.
Em 2008, o valor chegou a
US$ 1,6 trilhão, ainda menor que
o US$ 1,9 trilhão de 2007.
A expansão econômica maior nos
países emergentes - e o aumento
do consumo nesses países - mudou
as rotas de destino do dinheiro
mundial, que começa a ser
dividido mais equilibradamente.
to direto estrangeiro (IDE) aumentou até dez vezes, segundo
estimativa da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). “O processo de internacionalização das empresas brasileiras nas últimas décadas, associado à estabilidade macroeconômica e política, aumentou e
muito o interesse no Brasil por
potenciais investidores estrangeiros”, escreve Renato Baumann, economista da Cepal no
Brasil, em estudo recente sobre
as contas externas brasileiras.
Em 2009, ano de crise internacional, o fluxo de investimento direto estrangeiro para
o Brasil caiu quase 50% – recuou dos US$ 45 bilhões registrados em2008 para US$ 26 bilhões em 2009. “Mesmo assim,
o país continua sendo o principal destino dos investimentos
na América Latina”, informa o
relatório Global Investment
Trends Monitor, da Unctad. O
México, que está em segundo
lugar na lista, recebeu US$ 13
bilhões no ano passado. Para
este ano, a expectativa é de que
ele chegue a US$ 38 bilhões,
segundo estimativas do relatório Focus, do Banco Central.
Entre os emergentes, os asiáticos seguem no topo da lista: a
China recebeu, no ano passado,
US$ 92 bilhões em investimentos. A Índia, US$ 33,6 bilhões. ■
A Gerdau, aliás, é a empresa
mais internacionalizada do Brasil: 63% dos seus ativos já estão
lá fora, além de 50% das vendas
e dos funcionários. Em seguida,
estão Sabó, Marfrig, Vale e Metalfrio. Mas a Vale, apesar de
não ser a mais internacionalizada, é a que tem atuação em
maior número de países: são 33
ante os 13 da Gerdau. Ela também é a que tem o maior volume
de ativos lá fora: R$ 95,8 bilhões
(52% do total) contra R$ 37,4
bilhões da Gerdau (valor que representa 63% de seus ativos totais). Claro que, nessa conta,
peso o tamanho da Vale - segundo maior empresa do Brasil
depois da Petrobras - que, aliás,
ocupa a 20ª posição no ranking
das empresas brasileiras mais
internacionalizadas.
Destino
A América Latina ainda é o
principal destino dos investimentos das empresas brasileiras. Recebeu 46% do total em
2008, seguida pela Europa, com
21% e América Norte, com 17%.
A Ásia, apesar da forte expansão
nos últimos anos, recebe apenas
11% dos investimentos internacionais das empresas brasileiras.
“Por mais que falem do potencial e do crescimento econômico da China, eu ainda tenho
como foco para a expansão da
minha empresa os Estados Unidos e a América Latina”, disse
ao BRASIL ECONÔMICO, Marco Stefanini, presidente da Stefanini
IT Solutions, empresa de tecnologia, 18ª colocada no ranking
de internacionalização da Fundação Dom Cabral.
“Apesar da crise, as empresas
brasileiras continuam focadas
na internacionalização. Por isso,
o fluxo de investimento feito
pelo Brasil lá fora deva continuar”, conclui o estudo. ■
América Latina ainda
é o principal destino
dos investimentos
brasileiros quando
as empresas
planejam crescer
e se internacionalizar
14 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
BRASIL
Marcela Beltrão
RETOMADA
AQUECIMENTO
Uso de energia elétrica registra
elevação de 8,5% no mês de março
Indústria paulista acelera ritmo
e cresce mais que a média nacional
A carga de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN)
aumentou 8,5% em março de 2010 em relação a 2009, para
58,311 mil MW médios, segundo o Operador Nacional do Sistema
Elétrico (ONS). No primeiro trimestre de 2010 ante o mesmo
intervalo de 2009, a expansão da carga foi de 10,5%. No acumulado
dos últimos 12 meses a carga registrou crescimento de 3,3%.
A estrutura diversificada da indústria paulista está possibilitando uma
aceleração da produção em São Paulo, segundo o economista do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo. Ele destacou
que a região, impulsionada sobretudo pelo aquecimento do mercado
doméstico, está liderando a recuperação industrial no País. Ela registrou
expansão de 2,2% em fevereiro, acima da média nacional de 1,5%.
Leandro Ferreira
Cadeia de material de
construção prevê dobrar
faturamento até 2016
■ RECEITA
PAC irá gerar, na construção,
uma receita anual de
R$
127
bi
■ HABITAÇÃO
Apenas com o Minha Casa,
Minha Vida 2, serão
R$
62
bi
■ EMPREGO
A geração anual de
novas vagas será de
2,8
milhões
PAC 2 vai gerar investimentos de
R$ 137 bi ao ano em construção
Estudo da FGV estima que, incluindo Minha Casa, Minha Vida 2, serão 2,8 milhões
de novos empregos na cadeia e uma injeção de R$ 124 bilhões na economia ao ano
Juliana Elias
[email protected]
A segunda edição do Programa
de Aceleração do Crescimento
(PAC 2) do governo federal, lançada na semana passada, promete acrescentar investimentos na cadeia da construção de
R$ 137,2 bilhões ao ano até 2014.
O cálculo é resultado de um
estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da
Associação Brasileira das INdústrias de Materiais de Construção (Abramat). O programa
— que inclui também uma segunda edição do pacote habitacional Minha Casa, Minha Vida,
com a intenção de 2 milhões de
novas casas nos próximos anos
— deve ainda gerar uma receita
extra de R$ 124 bilhões anuais e
1,4 milhão de empregos a cada
ano apenas na construção. Isso
inclui desde a indústria fabricante de materiais até as redes
de venda, passando pelas construtoras e campos de obras.
Só o Minha Casa, Minha Vida
responderá por metade de toda
esta receita movimentada na
cadeia — ou R$ 62,8 bilhões ao
ano. O restante do PAC, porém,
que apresenta uma variadade de
projetos que vão desde energia e
petróleo até transporte público,
está diretamente ligado à construção, tendo um papel importante para o desempenho do setor nos próximos anos: os cálculos da FGV estimam que 40%
dos investimentos totais acabam aplicados na construção.
O PAC 2 prevê investimentos
totais de R$ 1,59 trilhão, dos
quais R$ 958,8 bilhões programados para projetos a se realizarem entre 2011 e 2014. O Minha Casa, Minha Vida 2 receberá
Indústria de materiais
prevê dobrar seu
faturamento anual
até 2016, passando
dos R$ 96 bilhões
em 2009 para
R$ 188 bilhões
R$ 71,2 bilhões deste total. As 2
milhões de unidades prometidas somam-se ao 1 milhão estabelecido como meta na primeira
edição, que comemorou um ano
no último dia 31: destas, 300 mil
já foram contratadas pela Caixa
Econômica Federal e a expectativa é alcançar 700 mil contratações até o fim do ano.
Dobrar o faturamento
A injeção de investimentos por
meio dos dois programas federais é um dos principais responsáveis pela previsão de praticamente dobrar o faturamento
anual da indústria da construção até 2016: de R$ 96 bilhões
em 2009, deve alcançar R$ 188
bilhões em 2016, diz o presidente da Abramat, Melvyn Fox, citando ainda o impulso que as
obras para Copa do Mundo e
Olimpíadas, “que já estão atra-
sadas, mas ainda em tempo”,
também darão. “As obras do
Minha Casa, Minha Vida 1, contratadas ao longo de 2009 estão
pegando forte neste ano, e devemos ter um crescimento de
15% em relação a 2009”, diz o
presidente da Abramat.
Apesar da importância e o
peso reconhecidos do programa, lançado no ano passado
pelo governo federal no auge da
crise, junto a uma série de medidas de incentivo à construção,
como redução de IPI e ampliação do uso do FGTS para a compra de materiais nas lojas, Fox
ressalta a retomada do mercado
e a dependência menor do apoio
estatal. “A crise já passou. Estamos crescendo na faixa dos 16%
neste ano e isso não vem do Minha Casa, Minha Vida. É o resto
do mercado que voltou a se fortalecer e a se movimentar.” ■
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 15
Susana Gonzalez/Bloomberg
PRODUÇÃO AGRÍCOLA
MARCO
IBGE projeta safra
8,5% maior este ano
Exportação de café teve melhor
desempenho em 5 anos no mês de março
A estimativa para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativa a
março aponta uma produção, em 2010, de 145,2 milhões de toneladas.
Se confirmada, a safra será 8,5% maior do que a obtida em 2009
(133,8 milhões de toneladas). A projeção de março é apenas 0,02%
superior à que havia sido apontada no mês de fevereiro.
As exportações brasileiras de café no mês de março alcançaram volume
de 2,6 milhões de sacas, com receita de US$ 412,5 milhões. O mês teve
variação positiva de 0,2% no volume em relação a 2009 e também
na receita, com variação de 18,4% para mais. Na comparação com o mês
de março dos últimos cinco anos, 2010 foi o de melhor desempenho.
O balanço é do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Evandro Monteiro
País tem novo
recorde na
safra de grãos
Produção de 146,31 milhões
de toneladas para este ano
supera em 1,5% maior colheita
até então, de 2007/08
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou hoje
uma nova estimativa para a safra
de grãos 2009/10. A produção
está estimada em 146,31 milhões
de toneladas. O resultado do sétimo levantamento é o melhor da
história do país e é 8,3% superior
às 135,13 milhões toneladas da
safra anterior. O desempenho
também é 1,6% maior do que a
pesquisa do mês passado (143,95
milhões de toneladas) e supera
em 1,5% o recorde anterior, registrado na safra 2007/08, quando houve produção de 144,14
milhões toneladas.
Em nota, os técnicos da Conab avaliaram que o bom regime
de chuvas nas áreas de maior
produção, a aplicação de tecnologias, a ampliação de área do
milho do tipo segunda safra e a
antecipação do plantio da soja no
estado de Mato Grosso foram os
grandes responsáveis pelo bom
desempenho da safra de grãos. A
produção de soja deve alcançar
67,39 milhões de toneladas no
país, representando alta de
17,9% ou 10,22 milhões toneladas a mais que na safra anterior.
Segundo a projeção da Conab, a produção de milho safrinha (segunda safra) deve crescer
19,5%, totalizando 20,73 milhões de toneladas. O resultado
foi influenciado pela previsão de
crescimento de 3% na área e de
15,9% na produtividade.
A primeira e a segunda safra do
cereal, somadas, representam
produção de 54,14 milhões de toneladas, ganho de 6,1% em relação
ao que foi colhido em 2008/09, ou
3,13 milhões de toneladas a mais.
Os técnicos estimam que
50% de toda a safra de grãos já
foi colhida. Em Mato Grosso, a
colheita está em fase final. Nos
estados de Goiás e Paraná foram
concluídos 63% dos trabalhos,
enquanto no Rio Grande do Sul,
o índice é de 27%. Em todo o
país, a situação é de colheita de
60% para o milho primeira safra, de 65% para a soja, e de
40% para o arroz. O feijão primeira safra já foi todo colhido.
Colheita no campo: chuva
e tecnologia favorecem
resultado recorde
As chuvas nas
regiões produtoras,
a antecipação do
plantio de soja em
Mato Grosso e a
ampliação do plantio
de milho segunda
safra contribuíram
para o resultado
Área total
A Conab informou, ainda, que
algumas culturas tiveram ampliação de área, embora não tenham contribuído para elevação do total plantado que é de
47,60 milhões de hectares, inferior em 0,2% (74 mil ha) ao
ciclo registrado em 2008/09. O
milho segunda safra registrou
aumento de 24,8% (374,8 mil
ha) em Mato Grosso e de 13,8%
(51,3 mil ha) em Goiás. A soja
também teve elevação de área,
de 6,8% (1,48 milhão ha). Em
contrapartida, outros grãos tiveram redução da área plantada, como o arroz (-115,1 mil
hectares), o milho primeira safra (-1,23 milhão hectares), feijão segunda safra (-268,1 mil
ha) e o algodão (-7,2 mil ha).
A pesquisa de campo foi realizada por 68 técnicos da Conab
que ouviram representantes de
cooperativas e sindicatos rurais,
órgãos públicos e privados em
todos os estados, no período de
15 a 26 de março. ■
RECORDE
146,3
mi
é o total de grãos que devem
ser colhidos este ano, segundo
projeções da Conab feitas
entre os dias 15 e 26 de março.
8,3%
é quanto cresceu a produção,
comparado à safra do ano
passado, e 1,5% em relação ao
recorde anterior, de 2007/2008.
16 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
BRASIL
Luiz Alves/Agência Camara
CÂMARA
PASSAGENS
Acordo sobre aposentadoria pode
esbarrar em oposição dos senadores
Aprovado projeto para subsidiar linhas
aéreas regionais com baixo tráfego
Um acordo entre o governo e os partidos da base em torno da votação
na Câmara de um reajuste maior para as aposentadorias esbarra agora
na posição dos senadores. O governo quer a garantia de que o índice
em negociação de 7% - em substituição ao de 6,14% em vigor desde
janeiro, concedido por meio da MP 475 - seja mantido pela base, mesmo
que os senadores alterem a proposta para aumentar esse reajuste.
A Comissão da Amazônia e de Desenvolvimento Regional aprovou projeto
do deputado Marcelo Teixeira (PR-CE), que cria uma tarifa de 0,5%
sobre o preço das passagens aéreas para subsidiar as linhas regionais
“suplementadas” (que interligam dois lugares das regiões Norte, Nordeste
ou Centro-Oeste, desde que um deles apresente baixo ou médio potencial
de tráfego). O adicional tarifário será recolhido pelas empresas aéreas.
Igo Estrela
ENTREVISTA OTACÍLIO CARTAXO Secretário da Receita Federal
Cartaxo: 2010 será um ano bastante
positivo para a arrecadação federal
Arrecadação
crescerá
12% este ano
Retomada econômica e mais fiscalização
fazem receita voltar a nível de 2008
Simone Cavalcanti
[email protected]
À frente da Secretaria da Receita Federal do Brasil desde julho
de 2009, Otacílio Cartaxo, teve
um ano difícil. Assumiu o posto
no meio a uma crise que envolveu sua antecessora, Lina Vieira, depois viu minguar as receitas por conta do arrefecimento da economia brasileira.
Para tentar dar um reforço no
caixa necessário ao cumprimento do superávit primário
(economia para o pagamento
de juros da dívida) apertou na
fiscalização. No segundo semestre de 2009 inúmeras medidas foram anunciadas mostrando esse movimento.
Em 2010, os ventos são outros
e Cartaxo já vislumbra um ano
“bastante positivo” para a arrecadação, com crescimento real,
já descontada a inflação, acima
de 12%. Só no primeiro bimestre,
o volume recolhido já havia sido
13,46% maior do que mesma
etapa de 2009. O incremento, diz
ele, certamente é pela retomada
da atividade, mas não há como
descartar que continuidade da
ação dos fiscais também contribuirá, com uma meta de incrementar em 10% o volume de lançamentos de créditos, que já foi
de R$ 85 bilhões no ano passado.
A seguir, trechos da entrevista:
Que nível de arrecadação a
Receita Federal espera obter
com a recuperação econômica?
A arrecadação deve retornar
aos patamares anteriores à crise
econômica. Já é evidente uma
mudança do comportamento.
Isto é observado pelos indicadores que demonstram forte recuperação para 2010. Isso também pode ser constatado por
meio da arrecadação neste primeiro bimestre, que cresceu em
termos reais 13,46%.
“
A fiscalização
não se ocupa dos
contribuintes
que declaram
seus impostos, mas
não o recolhem
porque preferem
aplicar os valores
em capital de giro
O fim das
desonerações
concedidas no
ano passado
deve representar
um acréscimo
na arrecadação
da ordem
de R$ 6 bilhões
em 2010
Então será possível retornar
aos recordes de 2008?
O ano de 2008 foi um ano
muito positivo. Contribuiu
para o resultado daquele ano a
busca, pelas empresas, de
uma maior eficiência. Nesse
contexto observamos as aberturas de capital e as ofertas
públicas de ações. Tudo isto
contribuiu para o crescimento
da arrecadação. Ainda é cedo
para dizer que veremos isto
novamente em 2010. Mas o
cenário é muito positivo.
Com o fim de todas as isenções
concedidas para impulsionar a
economia brasileira, quanto
deve voltar a ser arrecadado?
As principais medidas nesse
sentido que resultaram em perda de arrecadação no ano de
2009 foram as relativas especialmente à redução das alíquotas do IPI sobre o setor automotivo, linha branca e construção
civil, a redução de alíquotas do
IOF e a correção da tabela do
IRPF. Com relação ao IPI, essas
medidas foram em caráter temporário e por essa razão a arrecadação desses tributos deve retomar aos níveis anteriores a
2009. O fim dessas desonerações deve representar um acrés-
cimo na arrecadação da ordem
de R$ 6 bilhões em 2010.
O processo de transferência de
depósitos judiciais dos bancos
para os cofres públicos
teve início no ano passado
e vai continuar neste ano.
Qual o volume do estoque que
falta para ser transferido?
A recuperação dos depósitos
iniciou-se pelas maiores instituições financeiras vinculadas
ao Ministério da Fazenda, ou
seja, o Banco do Brasil e a Caixa
Econômica Federal. Foram identificados R$ 6,9 bilhões como
depósitos tributários e já trans-
feridos para a União. Os não tributários foram R$ 6,1 bilhões e
também já passaram para a
União. Faltam ser transferidos
os depósitos tributários feitos
nas instituições financeiras privadas, cujo processo de levantamento e execução será realizado pelas unidades descentralizadas. Os depósitos não tributários que ainda não foram recolhidos para a União estão sendo
acompanhados pela Secretaria
do Tesouro Nacional.
A fiscalização este ano será em
ritmo semelhante à de 2009?
As operações são programadas
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 17
Fábio Motta/AE
DIEESE
MEIO AMBIENTE
Tomate, o vilão da cesta básica em março,
por causa da temporada de chuvas
Se Belo Monte recebeu licença é porque
atendeu aos requisitos da lei, diz ministro
O tomate foi considerado o maior vilão da cesta básica nas capitais
brasileiras em março. Pesquisa do Dieese mostrou que a maioria dos
produtos da cesta teve aumento em função da “longa temporada
chuvosa” e que o tomate subiu em todas as 17 capitais que participaram
do levantamento. Os aumentos mais expressivos no preço do produto
foram em Curitiba (75,39%), São Paulo (73,13%) e João Pessoa (67,78%).
O ministro de Minas e Energia, Ricardo Zimmermann, rebateu ontem
as críticas do Ministério Público do Pará à concessão do licenciamento
ambiental para a construção da Usina de Belo Monte. “A legislação
ambiental brasileira é uma das mais rigorosas do mundo. A partir do
momento em que uma usina, como Belo Monte, obteve a licença prévia, é
porque atendeu todos os requisitos dessa legislação”, afirmou o ministro.
em função da capacidade da
instituição. Em 2009 foram
fiscalizados 24.838 contribuintes e para 2010 temos programados 24.760 contribuintes. Estes números indicam
que a intensidade da fiscalização em 2010 será a mesma de
2009. Em relação ao crédito
tributário lançado em procedimentos de fiscalização, a meta
para 2010 é lançar 10% a mais
do que a média dos últimos
três anos. Isto significa um valor maior do que R$ 85 bilhões
lançados ano passado.
Durante uma crise as empresas
deixem de pagar tributos
e usam o dinheiro como
capital de giro.A fiscalização
será mais acirrada sobre
contribuintes?
A fiscalização não se ocupa dos
contribuintes que declaram
seus impostos, porém não o recolhem porque preferem aplicar
estes valores em capital de giro.
Eles são objeto de cobrança administrativa ou de execução judicial, uma vez que os débitos
confessados pelo contribuinte
nas Declaração de Débitos e
Créditos Tributários Federais
(DCTF) não precisam ser lançados pela fiscalização. Quanto à
seleção, sempre foi técnica e
impessoal. É feita por processamento eletrônico, por meio de
cruzamentos de um grande número de informações disponíveis nos sistemas da Receita.
Jobim sinaliza vitória francesa
na venda de jatos de combate
Wikipedia Commons
COMO SERÁ A ESCOLHA
Para Jobim, Rafale é o único
aparelho com transferência
integral de tecnologia
● O Ministério da Defesa deve
divulgar na próxima semana um
relatório no qual recomendará a
compra de um dos dos três caças
que disputam o programa FX-2.
● Esse relatório será enviado ao
Conselho Nacional de Defesa, que
o analisa e pode ou não aprovar
a recomendação feita por Jobim.
● O Conselho encaminha sua
visão ao presidente Lula. Caso
ele concorde com o veredito,
dá início às negociações oficiais
com o país e a empresa escolhida.
Ministro da Defesa diz que
relatório sobre concorrência
fica pronto na próxima semana
seria o único que pode repassar
integralmente o know-how .
“Não obstante o custo elevado, a
proposta francesa é a mais consistente”, afirmou.
Roosevelt Pinheiro/ABr
Marcelo Cabral e Sílvio Ribas
redacao@brasileconômico.com.br
O projeto de lei que tramita
no Congresso obriga
contribuintes que questionam
o pagamento de tributos
a primeiro fazer o depósito
e depois recorrer. Como a
Receita vê isso?
O Projeto de Lei Complementar
nº 75/2003, aprovado na Comissão de Finanças e Tributação, condiciona a concessão de
liminares com efeito de suspender o pagamento de tributos à
realização de depósito prévio no
valor integral do débito em discussão. Tal exigência, de certa
forma, torna-se um fator favorável ao incremento da arrecadação do tributos, diante da
possibilidade de imediata conversão do depósito em renda.
Reconhecemos que liminares
podem ser cassadas com a mesma frequência com que são
concedidas. A proposta, então,
visa garantir o cumprimento da
obrigação tributária em juízo.
De outra parte, a exigência do
depósito pode servir de elemento inibidor do ingresso de
ações, em situações em que o
impetrante não vislumbra
chance de êxito, as ditas ações
protelatórias. ■
Lista problemática
A proposta francesa deve mesmo
ser a vitoriosa na concorrência
para o fornecimento dos jatos de
combate que irão renovar os esquadrões da Força Aérea Brasileira
(FAB), o chamado projeto FX-2,
que pode chegar até US$ 12 bilhões. Pelo menos essa foi a sinalização dada pelo ministro Nelson
Jobim durante audiência de quase
quatro horas prestado ontem na
Comissão de Relações Exteriores
da Câmara dos Deputados. Ele
afirmou que espera ter um relatório pronto para ser enviado à Comissão Nacional de Defesa até a
próxima semana.
Em sua exposição, o ministro
afirmou que, do ponto de vista
técnico, as três aeronaves que disputam a venda são igualmente
capacitadas – um relatório da FAB
chegou a apontar o caça Gripen
NG, da sueca Saab, como o mais
favorável nesse parâmetro. No
entanto, Jobim destacou que essa
condição de igualdade muda
quando se leva em consideração a
exigência de transferência total de
tecnologia, prevista na Política de
Defesa Nacional.
Segundo ele, nesse quesito o
jato francês Rafale, da Dassault,
Nelson Jobim
Ministro da Defesa
“Vamos assinar com os
EUA um acordo militar geral,
genérico, que viabiliza
uma série de possibilidades
em negociações futuras”
Jobim listou os problemas que ele
vê nas demais propostas. Segundo ele, o Gripen tem motores
americanos e sistemas vindos de
diversos outros países. Assim, o
Brasil teria que negociar individualmente com cada um para
conseguir a liberação dessas tecnologias. Já o governo americano
não estaria disposto a repassar todos os componentes do caça F-18
Super Hornet, da Boeing. “A empresa disse que abateria 5% do
preço de cada tecnologia nãotransferível. Então a própria
Boeing admitiu a possibilidade de
embargo”, disse. O ministro
também criticou os EUA por “jogarem a Venezuela nos braços da
Rússia” ao negar ao Brasil a venda
de aviões Super Tucano – que
possuem componentes americanos – para o país vizinho.
Além dos problemas dos concorrentes, a posição francesa ganhou mais força após a empresa
ter aceito uma redução de 10% no
preço – ainda não revelado - da
proposta. Para o deputado Raul
Jungmann (PPS-PE), a sinalização dada pelo ministro foi tão clara que “cessaram todas as dúvidas. O Rafale é o equipamento
que vamos adquirir”. Mas Jobim
ressaltou que, mesmo que o governo decida qual dos concorrentes será escolhido, isso não implicará no fechamento imediato do
negócio. “Ainda serão necessárias
negociações entre os países até a
assinatura dos contratos”.
O ministro informou ainda que
vai propor mudanças na legislação brasileira para incorporar o
modelo de main contractor
(principal contratante), no qual
uma empresa fica responsável
pela integração do consórcio de
fornecedores e por eventuais coberturas de falhas de algum deles.
Ele mandou um recado indireto
ao Ministério Público no Distrito
Federal, que instaurou inquérito
para investigar a compra dos Rafale, argumentando que outros
países ofereceram preços mais
baixos. Segundo Jobim, o processo atual não é uma licitação e sim
um processo de seleção. Ele argumenta que a legislação permite a
compra de equipamentos militares através dessa modalidade,
sem levar em conta os custos.
Durante a audiência, Jobim
também confirmou que irá assinar um acordo militar com os
EUA durante sua visita ao país na
próxima semana. Ele classificou
esse aceno como “um acordo geral, genérico, que viabiliza uma
série de possibilidades em negociações futuras”, sem detalhar
quais serão os termos assinados. ■
18 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
INOVAÇÃO & SUSTENTABILIDADE
SEXTA-FEIRA
SÁBADO
TECNOLOGIA
EDUCAÇÃO
1
Indústria investe para que pneu
Fabricantes têm de encontrar uma destinação para o material inservível que é coletado nas grandes cidades.
Martha San Juan França
[email protected]
Todos os dias, 55 carretas com pneus inservíveis percorrem as rodovias brasileiras em busca dos 554 pontos de coleta espalhados pelo país. É matéria-prima que
não acaba mais – 50 milhões em 2009, e
esse número tende a aumentar. Para se
livrar desse resíduo, a Reciclanip, entidade criada há três anos pela Bridgestone, Goodyear, Michelin e Pirelli, deve investir US$ 25 milhões em 2010, seguindo
determinação da resolução normativa
416, de setembro do ano passado.
É diferente do modelo de gestão da indústria europeia que serviu de inspiração
para a entidade. Lá, as empresas são pagas pelos agentes da cadeia produtiva
para cobrir as despesas operacionais e
garantir a destinação final adequada de
pneus inservíveis. No Brasil, a indústria,
representada em grande parte pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), arca com os custos da coleta, transporte e trituração do material.
A proposta da entidade é fazer da Reciclanip um serviço autossuficiente. “Os
gastos com logística são altos, represen-
No Brasil, são as fabricantes
de pneus que arcam
com os custos da coleta,
transporte e trituração
dos resíduos. Os custos
com logística são altos,
representam 60%
do investimento com
reciclagem
tam 60% do investimento com reciclagem, afirma Eugênio Deliberato, presidente da Anip. “Nosso objetivo é fomentar novas tecnologias para que o pneu inservível, que atualmente é um resíduo de
valor negativo, possa ser útil e seja um
recurso para os demais agentes da cadeia
de reaproveitamento, gerando novas
fontes de renda e emprego.”
Novas tecnologias
Para isso, a Reciclanip conta com a melhora da logística de pontos de coleta e
distribuição de pneus velhos e com a
pesquisa de novas tecnologias. A meta é
estabelecer parcerias com todas as prefeituras de cidades de mais de 100 mil
habitantes para abrir locais apropriados
para recolher e armazenar o material
vindo de borracharias, revendedores e
dos cidadãos.
O aproveitamento também está melhorando. Um acordo com a MSOL permite fornecer matéria-prima para gerar
vapor na caldeira da empresa em Cuiabá. A MSOL produz combustível de biomassa (cavaco de madeira e palha de arroz), entre outros clientes, para a Ambev. Ainda neste semestre, deverá dis-
por de um triturador de pneus inservíveis para alimentar essa caldeira.
Até o fim de 2010, a empresa poderá
aproveitar a mesma matéria-prima
para a quebra da borracha pelo processo
de pirólise, capaz de gerar não apenas
óleo combustível, mas carbono preto e
aço. O equipamento foi desenvolvido
pela MSOL a partir do modelo já em
funcionamento em países asiáticos.
“Ele permite aproveitar melhor todo o
material”, diz Sidney Lima, diretor da
empresa. “O óleo servirá no distrito industrial de Cuiabá, o carbono preto
para indústrias de artefatos de borracha
e o aço em siderúrgicas.”
Outro acordo entre a Reciclanip e a
unidade da Klabin, fabricante de papéis
em Telêmaco Borba, Paraná, permitirá o
aproveitamento de pneus pela caldeira da
empresa para obtenção de vapor. “Uma
das características do equipamento é a
flexibilidade com o tipo de combustível,
o que permite a queima de chips de
pneus de forma ambientalmente correta”, diz César Faccio, coordenador do
Reciclanip. A previsão é que a caldeira
possa começar a funcionar com pneus
inservíveis antes do final do ano. ■
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 19
SEGUNDA-FEIRA
TERÇA-FEIRA
QUARTA-FEIRA
ENGENHARIA
EMPREENDEDORISMO
GESTÃO
Fotos: Marcela Beltrao
2
Eles são fonte de
energia em fornos
3
1 Esteira de separação de pneus que são encaminhados
para reciclagem da CBL em São Bernardo do Campo (SP)
2 Corte dos pneus, de onde será retirada a borracha
e o aço que depois serão reaproveitados em outros produtos
3 Borracha dos pneus é triturada formando os “chips” ou
granulados. CBL também produz massa e tecido emborrachado
Atualmente, 63% dos pneus
inservíveis podem ser utilizados,
pelo seu alto poder calorífico,
como fonte de energia em fornos
de cimenteiras, em substituição
ao coque de petróleo. Os outros
37% são reutilizados em diversas
finalidades: fabricação de
solados de sapatos, borrachas
de vedação, dutos pluviais,
pisos para quadras poliesportivas,
pisos industriais, além de
tapetes para automóveis.
Mais recentemente, os pneus
começaram a ser usados também
como componentes para a
fabricação de manta asfáltica e
asfalto-borracha, cuja vida útil é
maior, além de gerar menos ruído
e oferecer maior segurança às
rodovias. “Em alguns municípios,
como Ribeirão Preto, em São
Paulo, o uso do asfalto-borracha
já é obrigatório”, informa
Cesar Faccio, da Reciclanip.
A indústria de pneus reivindica
outros usos para os pneus,
como abafador de ruídos nas
construções, proteção em
garagens, estrutura de recifes
artificiais. A usina da Petrobras
em São Mateus do Sul, no Paraná,
incorpora no processo de
extração de xisto betuminoso,
pneus moídos que garantem
menor viscosidade ao mineral
e uma otimização do processo.
“Nosso objetivo é aumentar
a porcentagem de destinação
desse material, como já ocorre
em outros países”, afirma
Eugênio Deliberato, da Anip.
“O único destino que os pneus
não podem ter são os lixões.”M.F.
velho tenha valor
E busca processos produtivos no qual os pneus sejam aproveitados
LEIS AVANÇAM, MAS AINDA HÁ INFORMALIDADE
1
2
Norma foi atualizada em 2009 de
acordo com apelo do mercado
STF proíbe a entrada de pneus
usados importados no país
A norma 416, de setembro de 2009, diz que, para
cada pneu novo comercializado para o mercado
de reposição, os fabricantes e importadores devem
dar destinação adequada a um inservível. Antes,
o Conama exigia que, para cada quatro pneus
produzidos, cinco fossem recolhidos e reciclados.
Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal
Federal acabou com a polêmica sobre a importação
de pneus usados, proibindo a entrada desses
produtos no mercado. A decisão atendeu pedido
do governo federal, que contestou decisões
judiciais anteriores, autorizando a importação.
3
4
Apesar da norma, boa parte
dos resíduos vai parar no lixo
Tietê vira destino de material
jogado fora; só parte é aproveitada
Apesar de não haver um dado oficial, as estimativas
do Instituto Akatu são de 30 milhões de pneus
jogados fora por ano. Boa parte vai parar nos lixões
ou no leito dos rios, contribuindo para a poluição
do ar e da água. Abandonados em terrenos baldios,
contribuem para o aparecimento da dengue.
Parte dos pneus retirados do rio Tietê, durante
a obra de alargamento da calha, foi aproveitada
para compor o concreto das barreiras rodoviárias
anti-impacto, pois absorve melhor a velocidade idos
veículos em acidentes. Entre 2002 e 2006, 120 mil
pneus foram jogados nas águas poluídas do rio.
LUCIANO
MARTINS COSTA
Jornalista e escritor, consultor
em estratégia e sustentabilidade
Um caso de transição
para o pós-consumo
O consumidor brasileiro fez praticamente desaparecer
do mercado os equipamentos de refrigeração que ainda
usam gases que afetam a camada de ozônio. Da mesma
forma e por motivo semelhante, encontram-se em processo acelerado de extinção os refrigeradores que não
podem exibir o selo Procel – sigla do Programa Nacional
de Conservação de Energia, criado em 1993 para certificar a eficiência energética de aparelhos elétricos. No
mercado automobilístico, consolida-se a preferência do
consumidor pelos carros com motor multicombustível.
Esses casos têm em comum a combinação de políticas
públicas apropriadas com modelos de negócio realistas e
a disposição do cidadão comum, definidor em última
instância do sucesso ou fracasso de um produto, de confirmar tendências e absorver mudanças. Há uma clara
preocupação da sociedade quanto à necessidade de preservar o meio ambiente, mas ainda é preciso algo mais do
que o desejo de contribuir para o bem comum para que
as medidas de adequação de produtos e processos às
conveniências ambientais se tornem dominantes.
Quando a mudança precisa ser feita no interior das
fábricas, e seus benefícios não são claros para o usuário
ou consumidor, a história é outra. Em geral, salvo as empresas vanguardistas, a
indústria só se move se
for tangida pela normaHá uma clara
tização ou atraída pelos
preocupação da
melhores resultados do
negócio. A cenoura que
sociedade quanto
faz o burro desempacar
à necessidade de
ainda é uma metáfora
preservar o meio
válida.
A questão da reciambiente, mas
clagem de pneus repreainda é preciso mais senta bem a transição,
do que o desejo
quando o poder público estabelece uma exide contribuir para
gência, a cadeia produo bem comum
tiva tenta repassar os
custos e quem paga,
afinal, por menos
agressão ao ambiente, é o consumidor. Diferentemente
das normas europeias, onde o custo se dilui em cada
etapa da cadeia, aqui todo o ônus é assumido pela indústria de pneus, que, no fim, joga a conta na mesa do
comprador, total ou parcialmente.
Para cada pneu colocado no mercado é preciso destruir um pneu velho. A destinação mais comum tem sido
picotar e queimar nos fornos das cimenteiras, com os gases da queima sendo injetados no próprio cimento. Detalhe: a indústria de pneu cobre o custo de recolhimento,
estocagem e transporte dos pneus velhos. Com isso se
espera evitar que continue aumentando o número de
pneus descartados no meio ambiente. Não há números
precisos, mas especialistas indicam que 100 milhões de
pneus estão jogados em córregos, terrenos baldios e beiras de estrada pelo Brasil afora.
Considerando-se que o país produz 45 milhões de
unidades por ano, e calculando-se que metade seja descartada no período, conclui-se que uma solução que depende da conveniência das fábricas de cimento não é a
ideal. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, proposta
em 2006, pode estabelecer normas mais adequadas para
a destinação final. Aprovado no dia 11 de março passado,
o projeto de lei precisa ainda passar pelo Senado e ser
chancelado pelo Executivo. Entre as diretrizes técnicas
alinhadas pelos especialistas organizados pela então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destaca-se claramente uma mudança nos modos da produção industrial
no Brasil: a criação da responsabilidade pós-consumo.
Esse é o princípio inovador da futura legislação. ■
20 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
ENCONTRO DE CONTAS
LURDETE ERTEL
Christian Hartmann/AFP
Agora vai?
Foi remarcado para a
próxima segunda-feira
o leilão da Fazenda
Piratininga, pertencente
ao empresário Wagner
Canhedo Azevedo,
ex-dono da Vasp.
Com valor estimado em
R$ 615 milhões (incluindo
móveis), a propriedade vai
para venda por decisão
da 14ª Vara do Trabalho
de São Paulo, para saldar
parte da dívida trabalhista
da companhia aérea.
O leilão da Fazenda
Piratininga vem sendo
pivô de um longo puxaestica judicial. Marcada
para março, a venda
foi suspensa por liminar,
depois derrubada
pelo Tribunal Superior
do Trabalho.
Localizado em São Miguel
do Araguaia, em Goiás,
o imóvel tem 130 mil
hectares, 3,6 mil km de
estradas pavimentadas e
304 pontes, além de duas
mansões. Na fazenda
são criadas 75 mil
cabeças de gado nelore.
Novo sonho de Ícaro. Mas agora, com o Sol como aliado
Os Alpes Suíços foram moldura do primeiro
voo do Solar Impulse (foto), protótipo de
avião movido a energial solar.
Com a envergadura de um Boeing 747
e o peso de um pequeno carro, a aeronave
fez ontem um passeio tripulado de duas
horas, para testar se consegue manter
uma trajetória em linha reta.
O projeto é pilotado pelo psiquiatra e piloto
Bertrand Piccard, conhecido por ter feito
uma histórica viagem de balão de volta
ao mundo, em 1999. O avião foi concebido
para fazer um giro completo ao redor do
globo apenas com a energia do sol, em 2012.
O Solar Impulse não é o único avião que
tanta ganhar os céus com a energia solar.
Nos Estados Unidos, está sendo
desenvolvida a Odysseus, uma aeronave
de vigilância autônoma também movida
pela energia do sol. O equipamento
americano também tem planos ambiciosos:
o avião está sendo preparado para voar
por cinco anos consecutivos apenas
com seus painéis solares.
Yoshikazu Tsuno/AFP
Folia nas gôndolas
Da Vinci, para ver aqui
A joia da Fórmula 1
O Carnaval deu ginga às vendas
dos supermercados de São Paulo
em fevereiro, confirma balanço
que será divulgado hoje pela
Associação Paulista de
Supermercados (Apas).
No período, o Índice de Vendas no
Varejo da Apas registrou alta
nominal de 12,96% sobre mesmo
mês de 2009, que já trazia alta de
13,44% sobre fevereiro de 2008.
O estudo também evidencia que
no primeiro bimestre do ano
as vendas cresceram 13,31%,
sobre igual hiato do ano anterior.
A visita de
obras do
mestre
Leonardo Da
Vinci será um
dos presentes
dos italianos
ao Brasil em
2012, como
parte dos
festejos do Ano da Itália no país.
O embaixador Gherardo La
Francesca está articulando o
evento que deve trazer uma
exposição do autor de Mona Lisa
para algumas capitais brasileiras,
com São Paulo e Porto Alegre.
A modelo japonesa Jessica
Michibata não só acelerou o
coração do piloto inglês Jenson
Button, como causou inveja em
muitas beldades. A namorada
do piloto de F-1 foi escolhida
para apresentar uma linha de
diamantes da Tiffany em Tóquio.
A série inclui preciosidades
como um diamante amarelo
que custa US$ 3,86 milhões.
Parece que o brilho da modelo
de 24 anos não para por ai,
a moçoila também foi eleita pelo
tablóide The Sun a mulher mais
bonita em uma lista que escalou
o grid das mais belas namoradas
e esposas dos pilotos da F-1.
Devagar e sempre
Para a Apas, o avanço da venda
dos supermercados do maior
mercado do Brasil é indicador
prático da melhora do poder
de consumo da população.
E da recuperação da economia
brasileira, portanto.
Desde abril de 2009, a
progressão mensal sobre
o mesmo período do ano
anterior tem sido constante.
Yoshikazu Tsuno/AFP
“Eu estou
bem. Salvei
meu bigode”
O presidente do Senado,
José Sarney, em seu retorno ao
Congresso após se submeter a
uma cirurgia para retirada de um
cisto benigno no lábio superior.
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 21
Divulgação
MARCADO
Camarão fora d´água
A Vivenda do Camarão acaba de inaugurar sua primeira unidade
na cidade de Contagem, em Minas Gerais. O restaurante está
localizado no shopping Itaú Power e deve receber uma média
de 1.500 consumidores por mês. Com a nova unidade, a Vivenda
passa a contar com seis lojas no estado.
A rede cresceu 25% em 2009 e conta com mais de 100 restaurantes
espalhados por todo o território nacional e uma franquia no Paraguai.
● Acontece hoje no IED (Instituto
Europeu de Design) o coquetel
para comemorar a renovação da
parceria entre as empresas Abesp
e a Apex-Brasil. O Projeto Setorial
Integrado de Internacionalização
da Moda Brasileira tem o objetivo
de incrementar as exportações.
[email protected]
Reprodução
Desembarque patrício
Arte brazuca
para inglês
comprar
A portuguesa Transitex,
de comércio exterior e
transportes internacionais,
joga âncora no Brasil.
A empresa está acionando uma
sucursal brasileira, em São Paulo.
O escritório tem chancela
da Administração do Porto
de Lisboa. A Transitex pertence
ao grupo Mota-Engil, um
dos maiores grupos de Portugal,
com negócios em 19 países.
Alguns dos mais badalados
artistas brasileiros da hora
estão no catálogo de um grande
leilão de arte dos emergentes
que será realizado em Londres,
na Inglaterra, na segunda
metade deste mês.
Nos dias 23 e 24, o martelo da
galeria Phillips de Pury
& Company vai soar para lances
de candidatos a comprar obras
da dupla de grafiteiros Os
Gêmeos, do fotógrafo Sebastião
Salgado e dos artistas Lygia
Clark, Hélio Oiticia, Beatriz
Milhazes, Paulo Bruscky e José
Zanine Caldas,além do
reconhecidíssimo Di
Cavalcanti. As produções
verde-amarelas fazem parte de
leilão batizado de Bric, que
reúne apenas obras de arte
contemporâneas de artistas do
Brasil, Rússia, Índia e China –
as economias da vez.
O quadro Mauria, Esmeraldo,
Pomela, Nascimento, Valdelios
e Amildala (na foto, acima),
dos Gêmeos, tem preço
estimado em US$ 50 mil.
Já o flagrande uma mulher
indígena de Sebastião Salgado
(abaixo) vale US$ 5 mil.
From New York
O lendário restaurante nova
iorquino PJ Clarke’s está se
preparando para expandir
ainda mais seus horizontes.
Depois do sucesso da sua
primeira unidade brasileira,
a sócia Maria Rita Pikielny,
responsável pela exclusividade
da implementação da marca
na América do Sul, procura de um
novo ponto no bairro dos Jardins,
em São Paulo. Ainda este ano,
o PJ Clarke’s abre restaurantes
em Las Vegas e Washington
e em 2011 desembarcará
em Boston e Atlanta.
Por recomendação
A maior parte dos brasileiros
que procuram agências de
viagem fazem sua escolha por
indicação de amigos, apurou
estudo feito pela Grow Biz/Cherto
para o Sistema Brasileiro de
Hotéis, Lazer e Turismo (SBTur).
A dica de conhecidos respondeu
por 77% dos casos, seguido
de pesquisas na internet (66%),
veículos de comunicação
(45%) e mala direta (42%).
O resultado da pesquisa já foi
usada pela SBTur: a maior rede
de agências de viagem do Sul
criou um programa que dá
desconto na indicação de amigos.
Último veredicto
Chinelo com cadarço
Depois de seis anos de mandato
no Superior Tribunal de Justiça
e 50 anos de magistratura,
a ministra Denise Arruda
vai pendurar a toga.
Quarta mulher a chegar
ao STJ e a primeira pelo
estado do Paraná, a juíza
paranaense anunciou
aposentadora nesta semana.
Deve começar a ser vendida no
Brasil em maio a primeira linha de
tênis da Havaianas, que já está
nas lojas da Europa há um mês.
No varejo europeu, a novidade da
Alpargatas entrou pisando com
o pé direito: os calçados fechados
estão nas prateleiras de Harrods
e Selfridges, em Londres,
e as Galerias Lafayette, em Paris.
Divulgação
GIRO RÁPIDO
Gladstone Campos/Realphotos
Expansão saborosa
Depois de inaugurar mais
uma unidade do restaurante
La Pasta Gialla no Ceará,
Sérgio Arno está de volta
à capital paulista para a
abertura de sua 18ª casa
da premiada rede de
franquias, em um bairro
nobre, ao lado do
Shopping Iguatemi,
na Rua Mário Ferraz.
Adubado
A Eichenberg acaba de
fechar contrato com a
multinacional espanhola
do ramo de fertilizantes
Tradecorp Brasil, para atuar
no transporte rodoviário
e na distribuição nacional
da empresa de Campinas.
Cafezinho na rede
A marca mineira Villa Café
escolheu o dia 14 de abril,
dia Internacional do café,
para lançar sua loja virtual.
Com Karen Busic
[email protected]
Rizwan Tabassum/AFP
Tudo acaba em pizza
É recheada por números
saborosos que a Fispizza, feira
internacional da indústria,
suprimentos, tecnologia e
serviços para pizzarias, chega
a São Paulo, do dia 12 ao dia 15.
A cidade que abriga a quarta
edição do evento não poderia ser
mais apropriada: a capital paulista
é a segunda maior consumidora
de pizza no mundo, só perdendo
para Nova York, e é responsável
por 30% do faturamento total
do segmento. São 6 mil pizzarias
na metrópole e cerca
de 400 milhões de redondas
consumidas por ano.
O mundo da pizza movimenta
mais de R$ 14,8 bilhões por
ano no Brasil, onde, calcula-se,
existam 32 mil pizzarias.
BOLSA, NÃO. É POCHETE
Nem tudo é alta tecnologia, grandiosidade e ostentação
nas bolsas de valores do mundo.
Dá uma espiada aí no pregão da Bolsa de Valores
de Karachi, no Paquistão.
22 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
EMPRESAS
Estrela prepara expansão no
Fruto de um investimento de R$ 12 milhões, fabricante inaugura em agosto unidade em Sergipe com meta
Françoise Terzian
[email protected]
O consumo no Nordeste brasileiro vive uma fase de enorme
ebulição. Em nenhum lugar do
país a taxa de crescimento registrada pela Estrela, tradicional
fabricante brasileira de brinquedos, é tão alta quanto na região.
O faturamento da companhia lá
cresce 40% ao ano, enquanto no
consolidado nacional a receita
deverá ser elevada em 20% em
2010. O problema é que, mesmo
com este boom nas vendas, a Estrela tem apenas 10% de participação no Nordeste.
A culpa da baixa participação
na região é atribuída ao alto cus-
to do frete, que tem funcionado
como um freio de mão para o
avanço da Estrela na região. Esta
situação era um tanto quanto
frustrante para o presidente da
companhia, Carlos Tilkian.
A partir de uma decisão estratégica tomada no final de
2008, em agosto ele planeja reverter este cenário. Nesta data,
a fabricante vai trilhar o caminho percorrido por muitas fabricantes de alimentos e inaugurar sua primeira fábrica no
Nordeste – e a terceira do país.
O local escolhido para implantar sua nova unidade industrial foi o povoado Serra do Machado, localizado em Ribeirópolis (SE) e sugerido por João Carlos
Paes Mendonça, do grupo JCPM,
que é amigo de Tilkian e desenvolve projetos sociais na região.
Fruto de um investimento de
R$ 12 milhões, a nova unidade
tem a incumbência de colocar a
Estrela na liderança da venda de
brinquedos no Nordeste. “Com
esta fábrica em Sergipe, pretendemos conquistar, em um ano,
20% de market share e nos tornarmos o número um de um
mercado muito pulverizado”,
promete Tilkian.
Com a fabricação local, o
executivo vai conseguir uma
vantagem primordial para o
seu negócio. Sem o repasse do
custo do frete, o nordestino finalmente passará a pagar pelos
“
Nosso grande desafio
no Nordeste era
equacionar um
cálculo baseado em
brinquedos de grande
volume e pequeno
valor. Com o frete,
isso era impossível.
A fábrica chega para
resolver esta equação
Carlos Tilkian,
presidente da Estrela
brinquedos da marca o mesmo
valor desembolsado por paulistas, cariocas, mineiros e
gaúchos. Na prática, isso significa que os brinquedos chegarão às lojas com um valor 10%
inferior ao que vinham sendo
praticados na região. “Nosso
grande desafio no Nordeste era
equacionar um cálculo baseado em brinquedos de grande
volume em pequeno valor.
Com o frete isso era impossível. A fábrica chega para resolver esta equação”, diz.
Criada para atender exclusivamente às regiões Norte e
Nordeste, a nova fábrica deverá
responder por 50% de todos os
brinquedos que a marca preten-
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 23
Issei Kato/Reuters
Renault, Nissan e Daimler formam aliança
Com troca de ações, assim como o desenvolvimento conjunto de modelos
e o uso de motores em comum, aliança prevê que a Daimler entre com
uma participação de 3,1% no capital da Renault e de 3,1% na Nissan.
Estas duas empresas receberão participações iguais de 1,55% da
montadora alemã, informa um comunicado das três montadoras divulgado
na Bolsa de Tóquio. Os modelos Smart Fortwo, da Daimler, e Twingo,
da Renault, ano 2013, terão uma concepção elaborada em conjunto.
Claudio Gatti
PREVISÕES PARA 2010
Depois de ano morno,
fabricante projeta
crescer 20%
O balanço financeiro da Estrela
em relação a 2009 deve sair em
duas semanas. Embora não possa
precisar um número, o presidente
Carlos Tilkian calcula que, no ano
passado, a empresa cresceu 10%
sobre os R$ 108 milhões
faturados em 2008. “Foi um ano
com números menores, em
função da crise”. Para este ano, a
meta é crescer 20%. O
lançamento de 270 brinquedos
que estão sendo apresentados
aos varejistas nesta semana vão
ajudar. Atualmente, a Estrela tem
um portfólio de 500 produtos. A
cada ano, ela renova 50% de sua
coleção, uma vez que “as crianças
estão sempre em busca de
novidades”. Por volta de 50% dos
brinquedos que a empresa vende
no Brasil são importados da
China. A fabricante tem acordo
com 20 fabricantes daquele país
para produzir seus brinquedos.
“Nós privilegiamos a produção
local, mas o câmbio, as linhas de
financiamento e as taxas de juros
tornam mais viável importar da
China neste momento”, afirma
Tilkian. F.T.
Carlos Tilkian, presidente da
Estrela, vai fabricar brinquedos
específicos para o Nordeste
Nordeste
Ivete Sangalo vira
“Barbie” da BabyBrink
A partir de 15 de maio, 5 mil
lojas receberão 500 mil
unidades da boneca da cantora
A cantora baiana Ivete Sangalo
deverá responder por 25% do
faturamento do Grupo BBRA
(formado pelas marcas Baby
Brink, Rosita e Acalanto) no
consolidado de 2010. A partir de
15 de maio, o grupo que nasceu
da junção de três fabricantes de
brinquedos da mesma família
coloca 500 mil unidades da boneca da cantora nas prateleiras
de cerca de 5 mil pontos de venda de todo o país.
A expectativa é vender todo
volume em um ano, que é o
tempo de duração do contrato
que o grupo BBRA tem com a
Caco de Telha, empresa responsável pela administração
artística de Ivete.
A boneca, que vem com um
dos modelos usados pela cantora no show ao vivo no Maracanã (um vestido que lembra o
calçadão de Copacabana), custará R$ 89,99 e pretende atingir um público bem maior que
o infantil. A expectativa da fabricante é que os fãs adultos da
cantora também venham a adquirir uma unidade.
“As vendas da boneca da Ivete são a nossa maior aposta do
ano. Ela deve superar o nosso
maior sucesso de vendas da história da empresa, que foi a boneca da novela Rebelde (produzida pela mexicana Televisa e
exibida pelo SBT), em 2005”,
afirma Germano Brandino, diretor de marketing do grupo
BBRA e um dos herdeiros do ne-
Grupo formado por
três fabricantes de
brinquedos deve
crescer de 16% a 20%
este ano, após faturar
R$ 60 milhões em
2009. Meta é que
a boneca da cantora
represente 25%
das vendas
BONECAS DE FAMOSOS
● A Baby Brink, do grupo BBRA,
já produziu outras bonecas
inspiradas em brasileiras
famosas, a exemplo da
apresentadora Angélica e da
cantora Sandy. A novela
Chiquititas, exibida pelo SBT,
também rendeu uma coleção com
personagens. Em nenhum caso,
no entanto, uma famosa vendeu
tanto quanto o grupo espera
vender com a cantora Ivete
Sangalo. Na média, as vendas
ficam em torno de 300 mil
a 350 mil unidades.
gócio familiar. Ao todo, os três
modelos das bonecas da novelinha juvenil venderam 450 mil
unidades no país.
A margem de lucro com as
vendas deste produto, garante
Brandino, devem ser boas, mesmo com a obrigatoriedade de ter
de pagar de 10% a 12% das vendas líquidas em royalties para a
cantora. “É um produto que nos
traz diferenciações da onda de
commodities que chega da China. Um produto licenciado tem
suas vantagens. Se for da Ivete
então, que terá a primeira boneca produzida industrialmente,
as vendas deverão ser ainda melhores”, acredita.
A boneca da cantora terá 53
centímetros e faz parte apenas
de um dos planos do grupo
BBRA. O objetivo de Brandino
é, depois desta primeira experiência, lançar um boneca gigante da cantora. Posteriormente, ele também quer criar
outros brinquedos como o camarim da Ivete Sangalo.
Para produzir a boneca, a fabricante teve que apelar para
Wilson Iguti, considerado um
dos maiores especialistas em
modelação de rostos de artistas.
Foi ele quem fez, no passado, a
modelação do rosto da apresentadora Xuxa para boneca.
“Quando você faz uma boneca, ou você a deixa bem parecida com a pessoa ou a transforma simplesmente em boneca. Como a Ivete tem traços
fortes e marcantes, buscamos
fazer a boneca da forma mais
parecida com a cantora”, diz
Brandino. ■ F.T.
Claudio Gatti
de dobrar participação na região
de vender na região no Dia das
Crianças, em outubro.
Tilkian explica que o mercado nordestino sempre teve
menos opções, menos estrutura de empresas e um poder
aquisitivo que nunca fez chegar às mãos das crianças da região brinquedos com muita sofisticação ou eletrônica embarcada. Por conta disso, o público infantil teria desenvolvido uma predileção por brinquedos maiores, a exemplo de
bonecas de 1 metro de altura e
carrinhos gigantes.
Atualmente, 80% das vendas
da boneca Amiguinha, lançada
pela Estrela na década de 70, são
compradas por lojistas do Nord-
este. O item tem 90 centímetros. “A fábrica local tem o objetivo de desenvolver produtos
específicos para aquela região”,
explica Tilkian.
Na prática, isso significa que
a Estrela poderá fechar parcerias com costureiras da região
e passar a encomendar roupas
de bonecas a elas. O artesanato, muito forte no estado, também poderá ser incorporado à
linha de produção. “Existe a
possibilidade de criarmos produtos lá que resgatem a cultura
local para comercialização em
todo país”, promete. A Estrela
espera obter o retorno do investimento nesta fábrica em
cinco anos. ■
Germano Brandino, diretor do
grupo BBRA: boneca da cantora
baiana é a grande aposta do ano
24 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
EMPRESAS
MINÉRIO DE FERRO
TV PAGA
União Europeia recebe avaliação
da Vale sobre associação BHP/Rio Tinto
Cade aprova compra da 614 Telecom
de Maceió e João Pessoa pela Net
O regulador antitruste da UE informou ontem ter recebido uma avaliação
da mineradora brasileira Vale sobre a investigação que foca a associação
entre BHP Billiton e Rio Tinto para produção de minério de ferro.
A Comissão Europeia lançou uma investigação em janeiro para avaliar
se a planejada união das duas empresas, segunda e terceira produtoras
de minério de ferro do mundo, poderia reduzir a competição internacional.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem,
com restrições, a compra da 614 Telecom de Maceió e João Pessoa
pela Net Serviços, feita há dois anos. A Net teve de assinar um Termo de
Compromisso de Desempenho em que garante um período de 18 meses
de transição, contados a partir de agora, no qual porá à disposição
dos antigos clientes da 614 Telecom os mesmos preços e serviços.
Diane von Furstenberg aposta em
Em uma semana, loja no Shopping Iguatemi em São Paulo
vendeu cinco vezes mais que o esperado, informa estilista
Amanda Vidigal Amorim
[email protected]
Com apenas uma semana de
funcionamento, a primeira loja
na América Latina da estilista
belga Diane von Furstenberg, a
DVF, superou as expectativas de
vendas. Segundo a própria Diane, a loja movimentou, nesse período, cinco vezes mais do que o
planejado. Ela, porém, não revela valores. “Não esperava todo
esse sucesso. Foi muito além das
minhas expectativas”, resume.
Foi também além do estimado
pela diretora da marca no Brasil,
Patrícia Assui. “Essa semana
mostrou que o potencial da marca é maior ainda do que pensávamos”, diz Patrícia.
O Grupo Jereissati, responsável
por negociar a entrada da marca
no Brasil, faz planos de expansão,
apoiado pela própria DVF. “Com
certeza não vamos ficar apenas
nessa loja”, diz Patrícia. Para Diane, a expansão tem local e data
prevista. “No próximo ano, estaremos também no Iguatemi de
Brasília”. O novo shopping de
luxo do Distrito Federal foi inaugurado em março deste ano e
como o de São Paulo é referência
em lojas de luxo. A Missoni, grife
italiana recentemente aberta no
Iguatemi paulistano, abriu sua
segunda loja no Brasil, em março, no Iguatemi de Brasília.
Diane acredita no sucesso da
marca pela fácil aceitação de
suas peças pelas consumidoras.
“A roupa que eu faço é muito
parecida com o estilo da mulher
brasileira, são coloridas, ousadas e modernas”, afirma a estilista. Para ganhar esse público, a
loja do Shoppping Iguatemi, que
tem 100 metros quadrados, traz
as coleções completas da esti-
“
A roupa que eu faço
é muito parecida
com o estilo da
mulher brasileira,
são coloridas,
ousadas e modernas
Projetos em andamento
O próximo investimento da estilista no país chegará ao mercado
em parceira com a Coteminas. A
empresa brasileira deve lançar
uma linha de decoração com sua
assinatura, além de outros produtos. “Em poucos meses, vamos anunciar uma série conjunta de aromatizadores de ambiente.A Coteminas é a terceira parceria que tenho no Brasil”, afirma. A Coteminas foi procurada
para comentar o acordo, mas
não deu retornou ao contato até
o fechamento desta edição.
Tantas apostas no país têm um
motivo. A estilista admite que
quer estar em todos os mercados
emergentes. Além do Brasil, estão
nos planos China e Rússia. Mas
sua aposta maior é mesmo em
território nacional. “O Brasil é
um país onde o futuro será o sucesso. Não tenho dúvidas disso”.
Sem querer
Parceria bem-sucedida com a H.Stern
Em 2000, Diane von Furstenberg,
depois de um período afastada da
mídia, procurou a rede brasileira
de joalherias H.Stern em busca
de parceria. A ideia era criar uma
linha exclusiva de joias com a
sua marca. Mesmo com a estilista
fora dos holofotes, a H.Stern,
que tem 90 lojas no Brasil
e 90 no exterior, topou o desafio.
Os designers da empresa
brasileira fizeram pesquisas
lista, incluindo as linhas prêtà-porter e vestidos de noite, e
mais acessórios, calçados, bolsas, livros e óculos.
Nos Estados Unidos, o preço
médio dos famosos vestidos da
marca é de US$ 400. No Brasil, a
média alcança R$ 1,5 mil. Mesmo com valores mais altos, Diane aposta em aumento constante das vendas, com base em seu
histórico no país. A primeira
loja brasileira a vender as roupas
dela foi a Daslu, há dez anos.
Cinco anos depois, a estilista fechou uma parceria com a joalheria H. Stern. Hoje, a linha de
joias que leva seu nome é a mais
vendida da história da joalheria
(leia texto abaixo).
e reuniões com a estilista
que resultaram, em 2004, em
uma coleção com a assinatura
Von Furstenberg. O resultado
entrou para a história: até hoje,
essa foi a linha mais vendida
da joalheria. Com o sucesso
veio uma nova parceria para
uma linha conjunta de relógios
com o nome da estilista,
e uma segunda linha de joias,
que acaba de ser lançada. A.V.A
O sucesso que a estilista faz hoje
começou por acaso. Como passatempo, Diane, então casada com
um milionário alemão, criou em
1972 uma coleção de roupas. Um
item chamou a atenção de todos
os críticos de moda do tempo: o
vestido-envelope, transpassado
na altura dos seios e fechado por
um laço próximo à cintura.
Segundo a grife, eram vendidas 25 mil unidades do vestido
por semana na época de seu lançamento. Três décadas depois, as
criações de Diane são exibidas
por celebridades como a atriz
Kate Hudson, a primeira-dama
americana Michelle Obama e a
cantora Madonna. ■
Loja da estilista no
Iguatemi venderá
de vestidos a livros
com a assinatura
de Diane von
Furstenberg
QUATRO PERGUNTAS A...
...DIANE VON FURSTENBERG
Estilista belga radicada
em Nova York
“O Brasil é um
país onde o futuro
será o sucesso.
Não tenho dúvidas”
A estilista aproveitou a
abertura da primeira loja
no país para lançar também
uma exposição fotográfica
que mostra sua trajetória.
Em entrevista ao BRASIL
ECONÔMICO, ela fala sobre
suas ambições e sobre novos
produtos que estão sendo
desenvolvidos, em parceria
com a Coteminas.
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 25
Agência Brasil
ENERGIA 1
ENERGIA 2
Light isenta cobrança de multa e juros
de contas de energia por enchentes no Rio
Petrobras e Abesco anunciam
congresso de eficiência energética
Os clientes da Light que não conseguiram pagar suas contas
de energia elétrica por causa do temporal que atingiu o Rio de Janeiro
nos últimos dias têm até a próxima sexta-feira, dia 9 de abril,
para quitar a fatura sem a cobrança de multa e juros. A companhia
de energia informou ontem que vai isentar de multa as faturas
que tinham vencimento nos dias 5, 6 e 7 de abril.
A Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de
Conservação de Energia) anuncia a realização, em junho próximo,
da 7ª edição do Cobee (Congresso Brasileiro de Eficiência Energética)
com patrocínio da Petrobras, uma das maiores companhias globais
de energia. O congresso vai sediar também a exposição
ExpoEficiência Energética 2010, que vai reunir 500 especialistas.
lucro imediato no Brasil
Antonio Milena
Grupos investem
em shoppings
de alto luxo
O primeiro e mais famoso
shopping de alto luxo no país
nasceu em 1966, em São Paulo.
Em todo esse tempo, o Iguatemi,
que também é considerado por
muitos o primeiro centro de
compras brasileiro, nunca parou
de crescer. E seu fôlego para
expansão continua bom.
Aproveitando a onda de
investimentos externos no país,
com a chegada de grandes grifes
internacionais ao Brasil, a rede
Iguatemi prepara novos projetos.
Além do primeiro shopping da
rede no Distrito Federal, o grupo
está construindo, em parceria
com a W.Torre, empresa
paulistana, mais um shopping
de luxo. O Iguatemi J.K., que
deve ficar pronto no próximo
ano, promete ser ainda mais
requintado do que seu
antecessor, que abriga marcas
como a francesa Louis Vuitton
e as italianas Missoni
e Salvatore Ferragamo.
No mesmo ritmo segue o grupo
Multiplan, que acaba de anunciar
seu primeiro investimento no
segmento de luxo, o Village Mall,
no Rio de Janeiro. A previsão
de inauguração é maio de 2012.
O investimento estimado será de
R$ 350 milhões. A capital carioca
oferece alguns centros comerciais
de luxo e, para atrair grandes
marcas internacionais, a Multiplan
aposta em uma infraestrutura
com teatro, cinemas, área
com 1,5 mil metros quadrados
para eventos e 125 lojas,
incluindo oito âncoras. A.V.A
Qual a sua expectativa
para o Brasil?
Acredito muito nos países
emergentes e, principalmente, no
Brasill. Para mim, o Brasil é um
país onde o futuro é o sucesso.
Não tenho dúvidas disso.
A senhora tem outros
planos de investimento fora
dos principais mercados para
artigos de luxo?
Tenho projetos para Rússia
e para a China. São países
em que quero estar com a minha
marca, mas acredito mais no
mercado brasileiro. Não só pela
economia, mas também porque
me identifico com a mulher
brasileira. A minha moda
é para esse tipo de mulher,
mais moderna e ousada.
Além das roupas, existem
novos projetos para
produtos com o seu nome?
A parceria com a H.Stern está
sempre acontecendo. Estamos na
segunda linha de joias e, no ano
passado, lançamos uma série de
relógios. Estou lançando ainda
uma linha de decoração com meu
nome. A Coteminas é a mais nova
parceria da marca DVF no Brasil.
Como é feita hoje
a sua produção?
Tenho vários parceiros.
Os produtos são terceirizados,
alguns nos Estados Unidos
e outros, na China. Fazemos
três desfiles por ano para
lançar as coleções. Porém,
todos os meses, as lojas recebem
peças inéditas de pequenas
coleções intermediárias. A.V.A
26 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
EMPRESAS
Simon Dawson/Bloomberg
INTERNET
VENDAS
Vodafone vai oferecer internet via
Opera em mercados emergentes
Divisão de televisores da Panasonic
deve ter lucro no primeiro trimestre
O grupo de telefonia móvel britânico Vodafone vai lançar uma versão
menor do navegador de internet Opera em celulares de baixo custo,
para seus clientes em mercados emergentes. Segundo a Vodafone,
houve um trabalho conjunto das duas empresas para o desenvolvimento
do programa para celulares de baixo e médio custos conectados
a redes de telefonia móvel mais básicas ou de segunda geração (2G).
A área de televisão da Panasonic provavelmente terão seu primeiro
lucro operacional em seis trimestres, no período de janeiro a março,
em função das fortes vendas de aparelhos de tela plana, diz o
jornal japonês Nikkei. A Panasonic também parece ter superado
sua meta de elevar em 50% as vendas de televisores, para
15,5 milhões de unidades, no ano fiscal encerrado em 31 de março.
Nikolas Maciel/Divulgação
Garrido, do Transamérica
Hospitality: “Não queremos ativos
imobiliários, queremos contratos”
RECEITA
R$
300 mi
é o faturamento anual previsto
para a nova empresa em
2014, quando estima que terá
34 hotéis de terceiros sob sua
administração. Hoje, conta com 17.
DIÁRIA
R$
210
é o valor médio das diárias da
rede no primeiro trimestre, que
teve um aumento de 6%. A meta
da empresa é atingir uma receita
de R$ 100 milhões neste ano.
Grupo Alfa cria rede de gestão
hoteleira com marca Transamérica
Nova empresa vai administrar 17 hotéis e pode ir às compras para acelerar o crescimento neste ano
Regiane de Oliveira
[email protected]
O grupo Alfa, do empresário
Aloysio de Andrade Faria, exproprietário do Banco Real, quer
ampliar a participação da hotelaria em sua receita e para isto lançou o Transamérica Hospitality
Group, uma empresa de gestão de
hotéis, que vai trabalhar com seis
marcas em três categorias: quatro
estrelas, alto padrão e luxo.
A gestora vai iniciar sua operação com 17 hotéis, atualmente
sob a bandeira de flats da Rede
Transamérica, que serão convertidos. Os hotéis Transamérica São
Paulo e Transamérica Ilha de Comandatuba, que são de propriedade do Alfa, não ficarão sob o
comando da nova empresa. “Não
queremos ter ativos imobiliários,
queremos ter contratos”, afirma
Heber Garrido, diretor da gestora. Segundo ele, a expectativa é
crescer rapidamente. “Temos
cinco contratos assinados para a
abertura de hotéis em Recife,
Salvador, Belo Horizonte, Porto
Alegre e litoral do Rio de Janeiro.”
Em Recife, está em obras
avançadas o primeiro hotel com
a bandeira Transamérica Prime,
com foco no segmento de alto
padrão. O empreendimento,
que terá 270 apartamentos, é
fruto de investimentos da construtora Moura Dubeaux Engenharia, que vai vendê-lo a investidores individuais.
Projetos novos, como o de
Recife, são o foco da Transamérica Hospitality, mas Garrido
admite que a conversão de bandeiras de hotéis já construídos
também está nos planos.
O grupo Alfa é formado pelo
Banco Alfa de Investimento,
Alfa Arrendamento Mercantil,
Alfa Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários e Alfa Seguros
e Previdência, além de Agropalma, Águas Prata, C&C Casa
e Construção, La Basque, Teatro Alfa, Transamérica Expo
Center e Vera Cruz Empreendimentos Imobiliários.
Metas agressivas
O novo negócio tem metas agressivas: dobrar de tamanho até
2014. “Queremos chegar a um
faturamento de R$ 300 milhões”, afirma Garrido. A expectativa para 2010 é que a rede alcance um faturamento de R$ 100
milhões, valor 25% superior ao
registrado em 2009. Por enquanto, a movimentação mostra que a
meta será alcançada. “Fechamos
o primeiro trimestre com crescimento de 30% na receita e aumento de 6% na diária média, de
R$ 210 atualmente”, diz.
Garrido afirma ainda que a
nova empresa tem carta branca
para ir às compras e sustentar seu
crescimento. Na mira estão as
administradoras que gerenciam
hotéis de categorias semelhantes
O empresário
Aloysio de Andrade
Faria quer ampliar
a participação
de serviços não
financeiros
nos negócios
do Grupo Alfa
às que serão atendidas pela nova
empresa, a partir de quatro estrelas. “Inicialmente, nosso foco
não é o mercado econômico”, revela o executivo, que assumiu a
direção do Transamérica Flat no
ano passado, após sair da rede
Bourbon Hotéis e Resorts.
Garrido afirma que a empresa
está ciente de que a tendência
atual do mercado brasileiro é o
desenvolvimento dos segmentos
econômicos e supereconômicos.
Porém, segundo pesquisas feitas
pela companhia, o público não
identifica a marca Transamérica
com este nicho de mercado. “No
futuro, se decidirmos trabalhar
nestes segmentos, pretendemos
criar uma nova marca”, informa.
A Transamérica Hospitality
vai operar com três marcas na
categoria quatro estrelas — Fit,
Executive e Classic —, duas marcas de alto padrão — Prime e Club
(resorts) —, e uma no segmento
de alto luxo, Prestige. ■
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 27
Simon Dawson/Bloomberg
SUSTENTABILIDADE
HABITAÇÃO
Fábrica da Pirelli em Sumaré reaproveita
a água utilizada no processo produtivo
Grupo português Pestana abre seu primeiro
hotel em Londres com perfil business
Na unidade, que produz cordas para reforço de pneus radiais
metálicos, a água é utilizada durante a fabricação das cordas
em sua própria Estação de Tratamento de Águas (ETA). A ação,
somada a programas de conscientização de funcionários, reduziu
o consumo de água na unidade em aproximadamente 28%.
A fábrica de Sumaré possui a certificação ambiental ISO 14001.
O Pestana Chelsea Bridge, em Londres, é um quatro estrelas superior,
na margem sul do Rio Tâmisa. Os 217 quartos e suítes do Pestana Chelsea
Bridge Hotel apresentam tamanhos superiores em 30% à média de área
de quartos em Londres e todos estão equipados com ar condicionado,
acesso à internet wireless, TV LCD, máquina de chá e café, mini bar, estação
para iPod, bicicletas ergométricas e Wet Bar em alguns quartos e suítes.
WHotels quer
vender Miami
a brasileiros
Companhia desembarca no
país para comercializar
imóveis de até US$ 6 milhões
Natália Flach
[email protected]
Imagine ter um apartamento
de frente para o mar em Miami
e ainda esbarrar com a atriz
Cameron Diaz no corredor do
hotel mais falado da cidade.
Idealizado por David Edelstein,
o WSouth Beach tem como
ideia oferecer a conveniência
de um hotel e o conforto de
uma casa em um único empreendimento. Por está localizado em um dos destinos favoritos dos brasileiros, Edelstein
resolveu desembarcar no país,
com fotos e números de rentabilidade na bagagem, em busca
de investidores e possíveis moradores ao lado da Sotheby’s.
As unidades custam de
US$ 700 mil a US$ 6 milhões,
dependendo do tamanho. E, se
o cliente preferir, pode deixálas nas mãos da WHotels, quando não estiver hospedado em
sua casa de veraneio. Segundo
Edelstein, a rentabilidade anual
é de algo entre 7% e 8%. “É a
primeira vez que fazemos uma
campanha de marketing no
Brasil. Geralmente visitamos
países onde a nossa cadeia de
hotéis já atua”, afirma o executivo, que adianta que a rede pretende vir ao Brasil. “Vamos
abrir dois hotéis, um no Rio de
Janeiro e outro em São Paulo”,
disse sem revelar a data ou
quanto será investido nos dois
empreendimentos.
Segundo Álvaro Coelho da
Fonseca, presidente da imobiliária Coelho da Fonseca, os
brasileiros compram empreendimentos no exterior para principalmente passar temporadas.
“Os lugares mais procurados
são Nova York, Paris, Punta del
Este e Portugal”, afirma o executivo. “O perfil do comprador
brasileiro não é de quem quer
fazer negócios lá fora. O objetivo deles é ter uma casa de lazer e
uma reserva de valor.”
Mercado americano
Há um ano e meio, Marcelo Lara
abriu uma imobiliária homôni-
Hall de um dos
quartos do W
South Beach,
que podem
custar de
US$ 700 mil a
US$ 6 milhões
“
A WHotels tem
planos de abrir dois
hotéis no Brasil, um
no Rio de Janeiro
e outro em São Paulo
David Edelstein,
diretor da WHotels
ma, com o intuito de vender
imóveis no exterior. Foi aí que
entrou em contato com a rede
de franquias americana Prestige
International. “O mercado nos
Estados Unidos está, aos poucos, se recuperando. Alguns
imóveis valorizaram 15%, depois de despencarem 70%. Mas
o grau de confiança do consumidor ainda continua muito
abalado”, conta o executivo.
David Edelstein, que também está à frente da Tristar
Capital, empresa de transações
imobiliárias, diz que Nova York
chegou ao fundo do poço, durante o pico da crise. “A nossa
sorte é que não tínhamos muitas dívidas. Mas, como todas as
outras companhias, perdemos
valor”, diz. “A expectativa é
que o mercado se recupere entre 2011 e 2012.”
“Acho que a próxima tendência do mercado imobiliário brasileiro é começar a ter hotéis
que também são apartamentos.
Em alguns bairros de São Paulo,
por exemplo, a cota de empreendimentos residenciais já
está esgotada, como a Vila Leopoldina. A solução é construir
um empreendimento misto”,
completa Lara. ■
A diária dos quartos com vista para o mar
pode chegar a US$ 1 milhão, dependendo
da época do ano; há duas semanas o hotel
está com todas as reservas feitas
O QUE OS BRASILEIROS QUEREM
● Os lugares mais procurados
pelos brasileiros no exterior
são Miami, Paris, Punta del Este
e, há alguns anos, Portugal.
● Imóveis no exterior geralmente
significam uma segunda
residência dos brasileiros,
e não um investimento.
● A próxima tendência que
deve chegar ao país é a de
empreendimentos que misturam
residência e quartos de hotel.
28 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
EMPRESAS
Henrique Manreza
MONTADORAS 1
MONTADORAS 2
Sindicato processa General Motors por
falta de pagamentos da fabricante Delphi
Mesmo após concordata, GM reporta prejuízo
de US$ 3,4 bilhões no quarto trimestre
A União de Trabalhadores do Automóvel acusa a montadora de não cumprir
o compromisso de pagar US$ 450 milhões a um fundo fiduciário para a
antiga filial e a fabricante de autopeças Delphi. A ação apresentada em uma
corte federal de Detroit, pede a “reparação de parte da companhia pelo não
cumprimento do compromisso assumido no contrato para um pagamento
específico à Associação Voluntária de Funcionários Beneficiários”.
A divulgação de demonstrativos contábeis ontem está associada ao
processo de saída da recuperação judicial, em julho do ano passado.
Desde então, o prejuízo total acumulado pela montadora é de US$ 4,3
bilhões. O resultado líquido negativo reflete o impacto de despesas
oriundas dos planos médicos das aposentadorias de trabalhadores. Neste
período, a GM mostrou uma geração operacional de caixa de US$ 1 bilhão.
Eric Piermont/AFP
Além da nova rota, companhia pretende reativar voos do
Nordeste para Portugal que haviam sido suspensos durante
a crise, que afetou o turismo europeu no litoral brasileiro
TAP voa de Campinas a Lisboa
Companhia aérea portuguesa busca em Viracopos alternativa ao Aeroporto Internacional de Guarulhos
Dubes Sônego
[email protected]
De olho no crescimento da demanda pelo transporte aéreo de
cargas, mas com dificuldade de
encontrar espaço para novas
frequencias no aeroporto Internacional de Guarulhos, na
Grande São Paulo, a companhia
aérea portuguesa TAP planeja
iniciar voos diretos para Lisboa,
a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. O voo de estreia está marcado para 3 de julho. “É nossa
grande aposta para o ano”, afirma José Anjos, diretor geral de
cargas da TAP no mundo.
Com três frequencias semanais extras saindo do estado de
São Paulo (terças, quintas e sábados), a companhia ampliará
em 45 toneladas a oferta de carga, em cada sentido. Em termos
financeiros, segundo Pedro
Mendes, diretor de cargas da
TAP para o Brasil, a ampliação
potencial de rendimentos é de
US$ 500 a US$ 800 mil por mês.
Não é muito, do ponto de vista financeiro. Porém, segundo o
executivo, a nova rota traz uma
série de outras vantagens. Uma
Nova rota abre a
oportunidade para
atrair os passageiros
do interior de São
Paulo, região de alto
poder de consumo
e polo de empresas,
que buscam mais
comodidade em
voos para a Europa
delas é a possibilidade de explorar o mercado praticamente virgem de voos de passageiros diretos para a Europa, a partir do
interior de São Paulo, uma região rica, onde estão localizadas
grandes empresas. Como os
voos serão mistos, a TAP acredita que poderá atrair clientes de
outras companhias que hoje
precisam se deslocar até São
Paulo para embarcar para a Europa. “E, com passageiros, os
ganhos na rota poderão ser bem
maiores”, afirma Anjos.
Outro benefício da abertura
da nova rota é a possibilidade de
otimização da frota de aviões da
companhia. Segundo os executivos da TAP, durante a crise internacional, algumas frequencias a partir de Fortaleza, Natal,
Recife e Salvador, foram interrompidas. Com os voos do
Nordeste voltando a ser diários,
a partir de junho, e o início da
operação em Viracopos, o índice
de aproveitamento da frota
“chegará muito perto do ideal”.
Agora, de acordo com Anjos,
não serão necessários grandes
investimentos para a ampliação
da operação brasileira. O próximo passo, porém, demandará
ampliação da frota em operação
no país. A TAP já tem aviões da
Airbus encomendados, com entrega prevista para 2012. Mas
não necessariamente esperará
até lá para criar novas frequência no país. Segundo Anjos, há
sempre a possibilidade de rearranjo em rotas menos rentáveis,
em outros países. No Brasil,
afirma, outros dois alvos potenciais da TAP seriam Porto Alegre
e Curitiba, mercados que estão
constantemente em estudo.
Segundo Mendes, o Brasil
hoje importa por via aérea principalmente matérias-primas
para a indústria química e de
medicamentos, peças para a indústria automobilística e aeroespacial. “Têm crescido muito
também as importações de peças para a indústria do petróleo”, diz o executivo.
Já a pauta de exportação brasileira por via aérea para a Europa é composta basicamente de
produtos do agronegócio. Cerca
de 80% dos embarques são de
frutas, flores e peixes frescos.
Em São Paulo, porém, a participação de produtos industrializados nos embarques é superior
à média nacional, de 20%. ■
LUCRO
€
57 mi
Foi o ganho relativo ao ano de
2009, anunciado ontem pela TAP.
Em 2008, a companhia aérea
portuguesa havia apresentado
prejuízo de € 209 milhões.
FATURAMENTO
€
1,9 bi
Foi a receita bruta registrada
pela TAP, em 2009. Houve queda
de 11% em relação a 2008, mas
a aérea se beneficiou da redução
do preço dos combustíveis.
MAIS CARGAS
20%
É o quanto a acompanhia espera
crescer em movimentação aérea
de cargas e correio, este ano. No
ano passado, foram exportadas
14 mil toneladas a partir do Brasil.
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 29
30 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
EMPRESAS
FARMACÊUTICA
AGROQUÍMICOS
Bayer Diabetes Care registra crescimento
de 86% nas vendas no ano passado
Fabian Gil assume presidência
da Dow Agrosciences no Brasil
O monitor de glicemia Breeze 2 passou a ter 8% de participação no
mercado de aparelhos para monitoraização de glicemia. Também no ano
passado, a divisão trouxe para o Brasil a linha Contour TS, lançada para o
segmento hospitalar e o varejo. Outro marco foram as parcerias firmadas
com grandes empresas para ampliar a distribuição de seus monitores de
glicemia. Para 2010, a divisão prepara o lançamento dois produtos no país.
O executivo, que já ocupou a liderança global da área de moléculas da
companhia americana, substitui Ev Germon no comando da subsidiária
brasileira. A Dow Agrosciences pesquisa e fabrica defensivos agrícolas e
desenvolve sementes melhoradas. A meta de Gil, segundo a companhia,
será manter os níveis de rentabilidade. Formado em engenharia agrícola
pela Universidade de Buenos Aires, Gil está na Dow desde 1992.
Pré-sal leva Petrobras a reduzir
aporte no exterior em US$ 800 mi
Bloomberg
Novo plano de
negócios libera
recursos para
explorar as
reservas do país,
estratégia que
é questionada
internamente
Plataforma da BP no Golfo do México:
depois que a estatal brasileira vendeu
participação no projeto, britânica
descobriu potencial maior de produção
Ricardo Rego Monteiro
[email protected]
Os investimentos da área internacional da Petrobras ficarão limitados a um montante entre
US$ 14 bilhões e US$ 16 bilhões
no período 2010-2014. Embora
não tenha sido divulgado oficialmente pela empresa, o BRASIL ECONÔMICO confirmou que o
valor reflete a nova orientação
de privilegiar desembolsos no
Brasil, em detrimento de oportunidades no exterior.
Se em valores absolutos o
novo orçamento representa, na
melhor das hipóteses, um decréscimo de US$ 800 milhões
em relação aos US$ 16,8 bilhões
previstos no plano anterior
(2009-2013), percentualmente
incorpora uma queda de 10%
para 7% em relação ao volume
total previsto, hoje de US$ 200
bilhões a US$ 220 bilhões.
Desde o ano passado com
uma política de enxugamento
de investimentos no exterior, a
companhia promoveu um corte
de pelo menos US$ 5 bilhões em
projetos na área internacional
para adequar o orçamento à
nova realidade da empresa.
Venda de participações
Embora o gerente de Novos Negócios, Rogério Mattos, tenha
revelado na semana passada que
a empresa estuda a venda de
ativos no exterior para financiar
os investimentos no pré-sal da
Bacia de Santos, fontes da companhia confirmam que tal política resultará só em último caso
na total desmobilização de ativos em outros países. Desde o
ano passado, justificam, a empresa já tem implementado uma
política de redução de participações em projetos estrangei-
OUTROS MARES
US$
16 bi
É o máximo que deverá
ser investido pela Petrobras
no exterior até 2014.
7%
É quanto esse valor representa
no plano de aportes, abaixo dos
10% reservados anteriormente.
A companhia
já se desfez
de participações
em projetos no
Golfo do México
e no Mar Negro,
mas fontes da estatal
temem a perda de
boas oportunidades
por causa do
foco no pré-sal
ros, principalmente de exploração e produção (E&P).
Como exemplo, a empresa
vendeu em janeiro uma fatia de
25% em um valioso projeto exploratório do Mar Negro, na
Costa da Turquia, para a americana ExxonMobil. Localizado
em uma área offshore (marítima), com 3 milhões de hectares,
o projeto demandará US$ 220
milhões na perfuração de um só
poço. Com a venda, a Petrobras
manteve-se como operadora do
projeto, embora com participação limitada a 25%. Os demais
50% são da estatal turca TPAO.
Em 2009, a empresa também
já havia vendido uma participação no Golfo do México para a
British Petroleum (BP), do Reino Unido, no bloco de Keathley
Canyon 102, a 400 quilômetros
da costa do Texas. No mesmo
ano, a companhia britânica
anunciou a descoberta de uma
reserva gigante de hidrocarbonetos na região, ao perfurar o
poço Tiber. A notícia motivou
piadas internas entre os engenheiros da Petrobras, que
aguardam, para o projeto no
Mar Negro, o mesmo destino do
poço Tiber, no qual a Petrobras
permanece como sócia minoritária, com 20% do total.
As piadas, aliás, tem refletido
as críticas dentro da própria
companhia aos rumos da Área
Internacional. Se, por um lado, os
projetos no exterior reduzem a
disponibilidade de caixa para investir no pré-sal, por outro contribuíram, nos últimos anos, para
reduzir o risco do negócio, para a
Petrobras, que detém, desde o
início da década, a classificação
de grau de investimento pelas
agências de risco estrangeiras. ■
MAR NEGRO
Venda de participação reduz investimento
O projeto exploratório do Mar
Negro é considerado o mais
importante projeto na carteira
de investimentos da Área
Internacional da Petrobras para
este ano. Mesmo com a venda de
metade de sua participação no
negócio para a ExxonMobil, o
empreendimento continua atrativo
devido às estimativas de reservas
de 1 bilhão de barris de petróleo e
1,5 trilhão de metros cúbicos de gás
natural no reservatório. Localizado
em área de fronteira geológica,
nunca antes explorada na região,
o projeto deverá assegurar um
retorno inversamente proporcional
ao desembolso da companhia.
Pelo contrato firmado com a
estatal turca TPAO, que detém
50% do bloco, a Petrobras
assumiu integralmente o
investimento, inicialmente
estimado em US$ 300 milhões,
mas reduzido para US$ 220
milhões. Com a venda de 25%
do bloco para a ExxonMobil, a
brasileira repassou à companhia
americana o compromisso de
bancar também o investimento
da TPAO, ou 75% do total previsto
(US$ 150 milhões). R.R.M.
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 31
Henrique Manreza
INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 1
INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 2
Citroën Brasil manterá preços de seus
modelos com IPI reduzido em abril
Montadoras demonstram receio com alta
de custos por conta do preço do aço
A marca oferecerá aos seus clientes um plano de financiamento
com taxa de juros de 0,49% para o hatch C4, o sedan C4 Pallas
e as minivans Xsara Picasso e Grand C4 Picasso. “Ainda estamos
comemorando com nossa rede de concessionárias o recorde
histórico de vendas da Citroën em março”, afirma Domingos
Boragina Neto, diretor comercial da Citroën do Brasil.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, prevê que os reajustes
de preços do aço, que devem ocorrer em função da alta do minério de
ferro, terão uma repercussão importante no custo da produção das
montadoras. “Não tenho como estimar ainda a dimensão disso, mas com
certeza veremos um impacto de custo, seja direta ou indiretamente”, disse.
Linde inaugura fábrica em Camaçari
Grupo alemão de gases industriais tem mais duas unidades nos planos: uma em Resende (RJ) e outra em Barra Mansa (RJ)
Domingos Zaparolli
[email protected]
A alemã Linde, vice-líder do
mercado brasileiro de gases industriais, inaugurou ontem sua
quinta fábrica no Brasil, em Camaçari (BA). O investimento foi
de R$ 100 milhões e a nova unidade terá capacidade de produção de 300 toneladas diárias de
gases do ar (oxigênio, nitrogênio e argônio), insumos utilizados em indústrias e hospitais.
Esta não é a única fábrica
programada para ser inaugurada este ano no país. Em julho,
deve entrar em operação uma
outra unidade em Resende(RJ),
que terá como principal objeti-
vo atender a siderúrgica que a
Votorantim opera naquele município. Ali, o investimento
também é de R$ 100 milhões,
mas a capacidade produtiva
será de aproximadamente 600
toneladas por dia. O principal
insumo produzido será o oxigênio líquido. “Nos últimos cinco
anos investimos R$ 500 milhões no Brasil e pretendemos
investir muito mais”, diz José
Fernando Rodrigues, presidente da filial brasileira.
A Linde chegou ao Brasil em
2000 com a aquisição da AGA,
mas só em 2006 adotou sua marca global no país. No ano passado, registrou vendas superiores a
€ 200 milhões no país. No mun-
Divulgação
José Rodrigues
Presidente da
Linde no Brasil
“Nos últimos cinco anos
investimos R$ 500 milhões no
Brasil e pretendemos investir
muito mais para acompanhar
as oportunidades que surgem
nos segmentos de siderurgia,
química e petroquímica”
do, faturou € 11,2 bilhões. Segundo Rodrigues, o Brasil tem
apresentado oportunidades interessantes de investimento,
uma vez que há inúmeros planos
de ampliação nos setores de siderúrgica, química e petroquímica. “Nosso negócio depende
da evolução do setor industrial e
o que vemos é um mercado bastante favorável”, diz o executivo.
Ganho logístico
A Linde já atua na Bahia, onde
atende clientes como Petrobras,
Braskem, Pirelli e Ferbasa. Mas
o fornecimento é realizado por
meio da unidade da empresa
em Jaboatão dos Guararapes,
em Pernambuco.
Rodrigues não revela a expectativa de faturamento com
a nova unidade baiana. Limita-se a informar que a expectativa é um crescimento de
10% de participação de mercado na região. “Com a nova unidade, vamos ter uma redução
sensível em nosso custo logístico, o que nos dará mais competitividade”, afirma. Em Camaçari, lembra Rodrigues, há
apenas uma outra fábrica de
gases industriais, que pertence
à americana White Martins, a
líder do mercado nacional.
Para o próximo ano, a Linde já
programa uma nova unidade,
especializada em oxigênio, em
Barra Mansa (RJ). ■
A revista CartaCapital tem o prazer de convidá-lo para o seminário:
O Brasil e a transição para uma economia de baixo carbono
da série Diálogos Capitais
com a senadora e pré-candidata à
Presidência da República, Marina Silva.
Lançamento da segunda edição do suplemento
especial CartaVerde, com conteúdo da revista inglesa Green Futures
e da revista Envolverde.
Segunda-feira, 12 de abril de 2010, das 9 às 13 horas no Tuca (PUC-SP).
APRESENTAÇÃO
Inscreva-se pelo site: http://www.confirmersvp.com.br/seminariocartaverde
ou pelo telefone (11) 3522-9226 até o dia 9 de abril.
Vagas Limitadas
PROGRAMAÇÃO
APOIO
Das 9 às 10 horas
Palestra da senadora Marina Silva (PV/AC)
Das 10 às 12 horas
Debate da palestrante com:
Guto Quintella, diretor de sustentabilidade e relações institucionais da Vale
Ladislau Dowbor, professor da PUC
Tasso Azevedo, assessor especial do Ministério do Meio Ambiente
Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, professor da Unicamp e consultor de CartaCapital
Das 12 às 13 horas
Perguntas do público
32 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
EMPRESAS
Divulgação
INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 1
INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 2
Produção de veículos cresce 32,5% e atinge
331 mil unidades em março, diz Anfavea
Montadoras totalizam 353,7 mil unidades
comercializadas, 60% de expansão
Os dados foram divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes
de Veículos Automotores. No início do mês passado, a entidade, já previa
que março seria um dos melhores meses, se não o melhor, da história
para a indústria. A produção saltou 32,5% em março na comparação com
fevereiro e 20,3% sobre o mesmo mês de 2009. No primeiro trimestre,
somou 826,7 mil unidades, alta de 24,4% sobre o mesmo período de 2009.
O resultado foi registrado na comparação com fevereiro. Sobre março
de 2009, a alta fica em 30,3%. No acumulado do primeiro trimestre de
2010, as vendas totalizaram 788 mil unidades, indicando um crescimento
de 17,9% sobre os veículos comercializados em igual período de 2009.
A produção, de 826,7 mil unidades nos três primeiros meses deste ano,
exibiu aumento de 24,4% ante o período de janeiro a março do ano passado.
Vale reforma
complexo
ferroviário
em Minas
Trecho da Ferrovia Centro-Atlântica em
BH receberá investimento de R$ 200 mi
Ana Paula Machado
[email protected]
Um dos gargalos logísticos brasileiros está prestes a ser solucionado. O contorno ferroviário
de Belo Horizonte já tem projeto
concluído e aguarda a licença
ambiental para iniciar as obras.
O presidente da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e diretor de
Logística da Vale do Rio Doce,
Marcelo Spinelli, disse que os
investimentos serão realizados
pela companhia e o orçamento é
de R$ 200 milhões.
“É um projeto muito mais
urbano do que ferroviário. Será
uma obra que terá impacto direto na cidade de Belo Horizonte. Não será como a transposição de São Paulo que prevê a
construção de um ferroanel,
mas todo o planejamento prevê
a obra de viadutos, duplicação
de trechos e a retirada de uma
população que hoje habita a faixa de domínio naquele ramal”,
explicou Spinelli, que também
acumula o cargo de presidente
do conselho da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).
Conforme dados da FCA, subsidiária da Vale, nos períodos de
pico da produção, o trecho de 8,3
km é utilizado por 28 composições diariamente, carregadas
com soja, minério, ferro-gusa e
produtos siderúrgicos, entre outros. “As obras tornarão o transporte mais eficiente, facilitando a
movimentação de cargas entre as
regiões Sudeste e Nordeste e melhorando a ligação entre a FCA e a
Estrada de Ferro Vitória a Minas
(EFVM). Além disso, a estimativa
é de duplicar a capacidade do
trecho após os investimentos.”
O processo de implantação,
incluindo a contratação das empreiteiras e a realização do Pro-
“
É um projeto mais
urbano do que
ferroviário. Será
uma obra de impacto
direto em Belo
Horizonte, com
a construção de
viadutos, duplicação
de trechos e retirada
da população
próxima àquele ramal
Marcelo Spinelli,
presidente da FCA
e diretor da Vale
grama de Aquisição de Áreas e
Indenização de Benfeitorias,
terá início após a liberação das
licenças ambientais e da emissão dos alvarás de obra pelas
Prefeituras Municipais de Belo
Horizonte e Sabará. O pedido de
licenciamento ambiental está
em avaliação no Ibama.
Segundo o executivo, o projeto de engenharia, bem como
os recursos necessários à execução das obras, serão de responsabilidade da Vale. “O empreendimento está sendo realizado em parceria com a Ferrovia
Centro-Atlântica (FCA), concessionária da malha ferroviária
centro-leste e operadora do trecho que será modernizado. A
previsão é de, depois de iniciadas, as obras durarem aproximadamente 30 meses.” ■
Transporte sobre trilhos
Estimativa é de 500 milhões de
toneladas de carga movimentada,
superando 2008 e 2009
O ano de 2010 vai ser um de recuperação para o setor ferroviário. Segundo estimativas da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF),
as concessionárias deverão
transportar 500 milhões de toneladas entre carga geral e grãos
no exercício. Em 2009, os trens
brasileiros
movimentaram
395,5 milhões de toneladas, o
que representou queda de 10,1%
na produção ferroviária em
comparação a 2008, puxada
principalmente pela retração
das atividades do agronegócio.
“É como se nós tivéssemos perdido 2009. A crise mundial afetou muito o setor ferroviário, já
que grande parte de nossa produção é destinada ao mercado
externo. A busca desse ano é
para chegarmos a 500 milhões
de toneladas, isso incluindo
carga agrícola e industrial. Há
demanda suficiente para chegarmos aos patamares de 2008,
pois, a carga geral deve aumentar, mas quem vai dar o ritmo de
crescimento é a siderurgia. Vai
ser uma disputa entre o campo e
indústria”, disse o presidente do
Ferrovias acusaram
queda no volume
de carga de 10% no
ano passado, cenário
que será revertido
com a recuperação
econômica
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 33
Aaron Packard/Bloomberg
INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 3
INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 4
Vendas de veículos bicombustíveis em
março sobem para 296.363 unidades
Máquinas agrícolas no Brasil vendem
23,9% a mais em março, a 6,6 mil unidades
Em fevereiro, foram vendidos 184.303 veículos, segundo a Anfavea.
Em março de 2009, as vendas totalizaram 231.963. A participação de
mercado de bicombustíveis no total das vendas em março foi de 87,9 por
cento, ante 87,2 por cento em fevereiro e 88,9 por cento em março de
2009. As vendas de veículos a gasolina no país em março representaram
25.930 unidades, ante 17.137 em fevereiro e 18.066 em março de 2009.
A informação é da Anfavea. Na comparação com março de 2009,
as vendas subiram 59,1%, e no trimestre essas vendas acumulam
16.507 unidades. Em março, a produção de máquinas atingiu 7.903
unidades, alta de 22,3% contra fevereiro e crescimento de 40,6%
em relação ao mesmo mês do ano anterior. A produção acumulada
nos três primeiros meses é de 20.250 unidades, uma alta de 37,9%.
Divulgação
Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), da Vale, receberá
investimentos para melhorar sua infraestrutura
na região metropolitana de Belo Horizonte
ALL fecha
acordo com
Usiminas
Projeto para transporte de
bobinas de aço demandará
investimentos de R$ 235 milhões
retoma o ritmo em 2010
conselho da ANTF, Marcelo Spinelli. Em 2008, o transporte
ferroviário somou 450,5 milhões de toneladas.
Para suportar o crescimento
estimado, o setor deverá receber
aportes de R$ 2,86 bilhões, valor
maior que o investido no ano
passado, quando foram aplicados R$ 2,61 bilhões. “A iniciativa
privada assumiu o papel de investidor no setor ferroviário.
Também em função da crise,
muitos projetos foram postergados no ano passado, mas esse
ano serão retomados. Não chegaremos aos níveis de 2008,
quando o setor investiu R$ 4,32
bilhões, mas serão números expressivos”, ressaltou Spinelli.
A maior parte dos investimentos será alocada na melhoria das operações, compra de
material rodante e aportes na
via permanente. Segundo o Diretor-Executivo da ANTF, Rodrigo Vilaça, constantes inovações tecnológicas nas ferrovias
provocaram nos últimos anos
grandes mudanças no perfil
profissional necessário para o
setor. “Para atender à demanda
por mão de obra, as concessionárias têm investido em ações
voltadas à formação de pessoal
e qualificação. ■ A.P.M.
SINAL VERDE
● Para suportar o crescimento
da demanda, ferrovias investirão
R$ 2,86 milhões em ampliação
e melhoria da malha.
● A previsão de aportes supera
os R$ 2,6 bilhões utilizados no
ano passado, quando o sistema
férreo sofreu queda no volume
de carga movimentada.
● Ainda assim, os gastos
em modernização não
chegarão aos R$ 4,3 bilhões
dispensados no ano de 2008.
A América Latina Logística (ALL)
vai transportar 100 mil toneladas
de bobinas de aço por mês para a
Usiminas até 2012. O projeto é o
maior da companhia na área siderúrgica e vai demandar R$ 235
milhões de investimentos na
compra de locomotivas, vagões e
melhoria da infraestrutura da
malha ferroviária. Com esse
transporte, que deve representar
1,5 bilhão de toneladas por quilômetro útil (TKU), a ALL vai aumentar em 25% o volume de
produtos industrializados transportado por ano.
O diretor de industrializados
da ALL, Sérgio Nahuz, disse que
os investimentos serão feitos em
conjunto com a Usiminas e a concessionária será responsável pela
compra de 41 locomotivas. Nesse
projeto, a ALL vai aportar R$ 124,9
milhões. Caberá a Usiminas, os
investimentos na aquisição de
1.107 vagões plataformas e na
construção de um ramal ferroviário na usina de Cubatão. “Faremos basicamente o porta-a-porta. Vamos levar as bobinas de aço
da usina até o cliente final. Para
isso, devemos usar, além da ferrovia, nosso braço rodoviário para
trazer de Ipatinga, em Minas Gerais, parte do produto a ser transportado”, disse Nahuz.
Segundo ele, o projeto foi dividido em quatro fases e a primeira etapa foi iniciada em abril
do ano passado, para o transporte de 10 mil toneladas, da unidade da Usiminas em Cubatão, a
antiga Cosipa, para Porto Alegre.
“Esse primeiro movimento foi
feito como experiência para ver a
viabilidade do projeto. A partir
de agora, o volume será acrescido gradativamente até chegar a
100 mil toneladas por mês.” A
segunda fase terá início a partir
de julho deste ano e deverão ser
transportadas 30 mil toneladas
por mês de bobinas de aço até a
cidade de Porto Alegre.
O projeto prevê ainda o aumento da capacidade de armazenagem da ALL no trecho São
Paulo- Rio Grande do Sul. Os terminais de Tatuí (SP), Porto Alegre
(RS), que são operados pela con-
cessionária, serão ampliados para
atender a operação dedicada da
Usiminas. “Além disso, teremos
que construir mais um terminal
intermodal na cidade de Araucária, no Paraná. Os investimentos
nos centros de distribuição serão
realizados por operadores logísticos que já são parceiros da ALL”,
ressaltou Nahuz. “O estoque da
empresa passa a avançar para um
raio de menos de 100 quilômetros
do cliente final”, acrescentou.
Além do projeto com a ALL, a
produção da Usiminas é escoada
pelas ferrovias da Vale do Rio
Doce e pela MRS Logística. A
companhia deverá assinar ainda
este mês um novo contrato de
transporte de produto siderúrgico
com a Vale, aumentando a parceria entre as duas empresas. No
ano passado, a Usiminas assinou
contrato com a Vale para o transporte de 10,1 milhões de toneladas por ano. O projeto vai usar
toda a infraestrutura logística de
terminais e as ferrovias CentroAtlântica e Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). ■ A.P.M.
A produção da
Usiminas também
é escoada pelas
ferrovias da Vale
do Rio Doce e pela
MRS Logística
34 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
EMPRESAS
Brendan Hoffman/Bloomberg
SERVIÇOS
MÍDIA
ESPN vai transmitir campeonato
inglês de futebol pelo celular
Murdoch defende levante de órgãos
de imprensa contra Google e Bing
A ESPN, canal de esporte do grupo Walt Disney, comprou o direito
exclusivo de transmissão do campeonato inglês de futebol por celular.
A licença vale para três temporadas da Premier League. O valor do
negócio não foi revelado. Segundo a empresa, os principais lances
serão enviados para os celulares dos assinantes. A ESPN tem os
direitos de transmissão também para 46 jogos desta temporada.
Rupert Murdoch, presidente da News Corp, afirmou ontem que os meios
de comunicação devem impedir que os motores de busca como Google e
Bing, da Microsoft, exibam reportagens completas de graça. “Os jornais
devem colocar um muro em seu conteúdo”, afirmou o empresário, que
publica o Wall Street Journal e o Times. Mas ele reconhece que o melhor
modelo de cobrança pelo conteúdo on-line ainda não foi definido.
Empresas brasileiras ampliam as
Apex-Brasil promove rodada de negócios em São Paulo que pode render US$ 30 milhões em vendas. Para
Ruy Barata Neto
[email protected]
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) calcula
que serão movimentados entre
US$ 20 milhões e US$ 30 milhões em vendas de produtos
brasileiros para a África a partir
da rodada de negócios que
acontece em São Paulo promovida com compradores daquele
continente. Os encontros foram
iniciados ontem e acontecem
até esta sexta-feira. Participam
representantes de empresas comerciais exportadoras (trading), que intermerdeiam a
venda de produtos entre a indústria brasileira e compradores internacionais.
Trata-se de um segmento
formado por 1,2 mil empresas
responsáveis por movimentar
10% das exportações nacionais
— que somaram US$ 153 bilhões, em 2009. As 616 tradings
registradas pela Apex-Brasil
têm movimentação mínima
anual de US$ 25 mil, segundo o
gestor de projetos da autarquia,
Maurício Manfré.
O atual encontro com compradores da África dá continuidade a um trabalho iniciado em
setembro de 2009, e que viabilizou a ida de 30 empresas comerciais exportadoras do Brasil
para a Johannesburgo, na África do Sul. Naquela ocasião, a
Apex calculou em US$ 44 milhões os contratos negociados
para a venda de produtos nacionais. Segundo Manfré, a estimativa de valores movimentados nesta edição do encontro
é menor porque a Apex conta
com apenas 20 executivos estrangeiros no Brasil. No encontro de Johannesburgo, eram
100. “O custo para trazer cada
comprador africano é de R$ 10
mil e temos limitações orçamentárias”, afirma Manfré.
Os 20 participantes do encontro brasileiro vieram de sete
países africanos — entre eles
Angola, Moçambique e Zaire.
Eles sentam à mesa de negociações com 70 executivos brasileiros de diferentes regiões.
Oportunidades
Os países africanos estão na
mira das empresas nacionais
porque a maioria tem característica cultural similar às brasileiras. E apresentam nível de
Participantes
brasileiros buscam
recuperação depois
da crise financeira
de 2008 e 2009,
que afetou o acesso
dos compradores
africanos a
linhas de crédito
desenvolvimento que pode ser
atendido pelos fabricantes locais de pequeno e médio portes. Esse encontro em São Paulo também é visto como uma
chance para recuperar perdas
ocorridas entre 2008 e 2009.
Como a maioria dos empresários da África usa linhas de
crédito de países europeus, a
crise financeira mundial os
atingiu em cheio, dizem os organizadores do evento.
Damaris Eugênia da Costa,
diretora da trading Braseco, que
exporta produtos de construção
civil de empresas como Cebrace, UBV e Duratex, diz que o
momento é de recuperação. No
ano passado, a empresa movimentou US$ 8 milhões com a
exportação de vidros, portas de
madeira e telhas, valor abaixo
da sua média anual. Em 2006, a
empresa, afirma Damaris, chegou a exportar uma média mensal de US$ 1,5 milhão. “A crise
financeira coroou um processo
de queda das vendas que começou com o boom da construção
brasileira, o que diminuiu a
oferta para o exterior”, diz a
executiva. “A valorização do
real tornou os nossos produtos
menos competitivos.”
Segundo Damaris, a margem
de lucro em torno de cada contrato fechado não é alta. Fica em
torno de 3% na área de alimentos e bebidas e chega a 5% na
área de construção, afirma. O
maior percentual é da área de
máquinas e autopeças nas quais
as tradings chegam a trabalhar
com 15% de margem. ■
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 35
Divulgação
HARDWARE
VAREJO
Jovens abaixo de 15 anos vão preferir
computadores com touch screen até 2015
Carrefour planeja vender 524 lojas
Minipreço e sair de Portugal
Mais de 50% dos computadores adquiridos por pessoas com menos de 15
anos terão telas de toque em 2015. Ao fim de 2009, foram menos de 2%.
O estudo da consultoria Gartner também prevê que, no entanto, menos
de 10% dos vendidos às empresas terão a tecnologia, já que os ganhos
prometidos pelos computadores com trouch screen que devem chegar ao
mercado este ano (como o iPad, da Apple) vão se materializar lentamente.
O Carrefour está preparando sua saída do mercado português, segundo
reportagem publicada pelo jornal Le Fígaro. Sem citar fontes, o jornal
afirma que pretende vender as 524 lojas Minipreço que controla no país
e que geraram receitas de € 915 milhões em 2009. A operação, se for
concretizada, marca a saída do grupo francês de Portugal. Em 2007, o
Carrefour vendeu os 12 hipermercados que tinha no país ao grupo Sonae.
negociações com a África
tradings nacionais, trata-se de uma retomada dos contratos, paralisados pela crise mundial
Henrique Manreza
Até amanhã, executivos de
empresas brasileiras e africanas
negociam em São Paulo
TAMANHO
PÚBLICO
US$
25 mil
é a movimentação mínima
70
empresas brasileiras participam
anual das 616 tradings
registradas pela Apex-Brasil.
do evento e terão encontros
com 20 empresários africanos.
NEGÓCIOS
ALCANCE
US$ 44 mi
1,2 mil
foi o total de contratos fechados
no último encontro entre
executivos do Brasil e da África.
tradings movimentam
10% das exportações
nacionais, diz a Apex-Brasil.
Pirco
Singular
General Products
Trading com foco em carnes
diversifica e oferece café
Empresa tenta recuperação
depois da crise
Negócios quase fechados para
Moçambique e Ilhas Maurício
A comercial exportadora Pirco
sempre trabalhou com a carne
como seu principal produto
de venda internacional, mas
a partir deste ano busca
abrir mercado na África para
vender produtos como o
Café Canecão, da fabricante
Cormanichi e Gatti Ltda, de
Campinas, e bebidas alcoólicas
como a vodca Roskoff, da Viti
Vinícola Cereser. A necessidade
de diversificação dos negócios
se deve a sombrias perspectivas
da empresa para o negócio
de carnes no qual prevê
que movimentará em torno
de US$ 300 mil, bem menos
do que os US$ 3 milhões
conquistados no ano passado,
considerado um resultado fraco
em função da crise internacional.
O valor, ainda interessante, foi
conquistado porque a empresa
representava no exterior,
principalmente vendendo para
Venezuela e Rússia, os frigoríficos
Sadia e Bertin, que neste ano
dispensaram os serviços da
comercial exportadora depois
da fusão com Perdigão e
JBS-Friboi, respectivamente.
“A consolidação dos frigoríficos
nos obrigou a diversificar
nosso negócio”, diz o gerente
de desenvolvimento de mercado
da Pirco, Tiago Teixeira, presente
na rodada de negócios da Apex.
A Pirco levou produtos de
12 fabricantes nacionais.
“Quero pelo menos empatar
com o ano passado, sem
sofrer perdas”, diz Teixeira.
Os refrigerantes Xereta,
nascidos pelas mãos da família
Schincariol, querem aumentar
sua participação de mercado
na África. Hoje podem ser
encontrados, por exemplo,
em Angola. Quem busca
novos compradores para a
bebida é a trading Singular,
de Cristiano Vivaldi. O executivo
oferece refrigerantes e produtos
do frigorífico Paineiras, do
interior de São Paulo, para
países da África como forma
de recuperar as vendas
perdidas entre 2008 e 2009,
quando a recessão econômica
afetou seus resultados.
O principal mercado da
Singular estava em países
como Angola, Moçambique
e Argélia. “O dinheiro africano
está vinculado ao mercado
europeu”, diz Vivaldi. “A linha
de crédito de alguns países
vem de bancos da Europa
que cortaram os empréstimos
aos africanos”, ressaltou.
Vivaldi diz que sua exportação
para o país não chegou a ficar
zerada, mas as perdas foram
sensíveis. A empresa pretende
neste ano participar de cinco
ou seis eventos internacionais
por meio da Apex para
recuperar os prejuízos do
ano passado. “Prefiro não
falar em números, mas tivemos
bons ganhos nos quatro
anos anteriores aos da
recessão”, diz. A comercial
exportadora representa seis
indústrias na área de alimentos.
A trading General Products
tem 24 anos de mercado,
e trabalha especificamente
com a venda de máquinas
e autopeças, móveis e
construção civil. Por conta
da crise financeira e da
valorização cambial, que
tornou mais caros os
produtos nacionais, a empresa
movimentou US$ 16 milhões
em 2009, somadas as suas
três áreas de atuação.
Embora o resultado tenha
sido considerado positivo
para um ano de crise, segundo
o diretor da General Products,
Nicolau Saad Filho, houve
uma queda de 30% quando
comparado com o exercício
de 2008. Esta perda deve
ser recuperada este ano
por conta da retomada da
economia em diferentes países.
Saad deve reforçar investimentos
para participar de eventos no
exterior. Já estão registrados
na agenda dele seis encontros,
contando com uma série de
rodadas de negócios nos
próximos meses, em Dubai,
no Oriente Médio, ainda sob
a chancela da Apex-Brasil.
Por enquanto, no primeiro dia
de negociações com a África,
Saad diz estar na expectativa
de fechar um bom contrato
para Maputo, em Angola, com
a empresa MaqServ, dirigida
por Baltazar José Paindane.
E há negociações para um outro
contrato com uma empresa das
Ilhas de Maurício, no sul da África.
“A consolidação dos
frigoríficos nos obrigou a
diversificar nosso negócio.
Esperamos, com isso, pelo
menos empatar com o
resultado do ano passado”
“A linha de crédito
de alguns países vem
de bancos da Europa,
que cortaram os
empréstimos aos
africanos com a crise”
“A África gera demanda
para os brasileiros porque
temos muitos produtos
para países ainda
em desenvolvimento
econômico e social”
36 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
EMPRESAS
Divulgação
AVIAÇÃO
BEBIDAS
TAM e Caixa fazem acordo para financiar
pacotes turísticos a pessoas físicas
Cade aprova compra da Kaiser pela
Heineken sem restrições e por unanimidade
O acordo foi assinado entre o vice-presidente de Pessoa Física da Caixa,
Fábio Lenza e o presidente da TAM, Líbano Miranda Barroso, em São Paulo,
segundo comunicado divulgado hoje pelo banco. O banco público financiará
os clientes da TAM Viagens a partir da segunda quinzena de abril, por meio
do Crediário Caixa Fácil. A liberação do crédito ocorrerá no ato da compra
dos pacotes turísticos, que pode ser parcelada em até 24 meses.
Já havia sido viabilizado um acordo (share exchance agreement) firmado
entre a Heineken e as empresas que têm 82,95% do controle do capital
social da Kaiser - os demais 17,05% da cervejaria já eram detidos pela
Heineken. A aquisição contém cláusula de não-concorrência, informação
tratada, hoje, como confidencial. Em outras situações, no passado, a
vendedora se comprometia a não atuar no mesmo mercado por até 5 anos.
Camargo Corrêa e Odebrecht
desistem de leilão de Belo Monte
Companhias dizem não ter encontrado “condições econômico-financeiras” para participar da disputa
Dida Sampaio/AE
Ministério Público
promete ação contra
licença ambiental
Vista do rio Xingu, onde será erguida a usina de
Belo Monte: leilão está previsto para o dia 20 de abril
Natália Flach e Priscila Machado
[email protected]
[email protected]
A queda de braço travada entre
o governo e as empresas que almejavam a concessão na obra
da hidrelétrica de Belo Monte
terminou ontem com a saída da
Camargo Corrêa e da Odebrecht
da disputa. Após a publicação
do edital do leilão, as construtoras vinham reclamando do
preço máximo da energia a ser
vendida estipulada pelo governo, de R$ 83 por MWh. O governo, por sua vez, disse que o
valor não seria alterado.
A Camargo Corrêa e a Odebrecht disseram que “após análise detalhada do edital de licitação da concessão, assim como
dos esclarecimentos posteriores
fornecidos pela Aneel, as empresas não encontraram condições econômico-financeiras
que permitissem sua participação na disputa”. A afirmação foi
divulgada em nota, após o en-
Com a saída dos
grupos Camargo
Corrêa e Odebrecht,
o consórcio formado
por Andrade
Gutierrez, Vale,
Votorantim e
Neoenergia tem
mais chances de
vencer a disputa
por Belo Monte.
cerramento do prazo determinado pela Eletronorte para o
cadastramento no processo de
chamada pública, em que participariam as as interessadas
em formar o consórcio que disputaria o leilão.
A participação da Eletrobras é
fundamental para o governo,
que chegou a ampliar a data para
que outras empresas pudessem
se juntar ao consórcio. Ontem,
José Antônio Muniz, presidente
da Eletrobras, esteve em Brasília, onde a companhia deve divulgar hoje se outras empresas
chegaram a se cadastrar no período da chamada pública.
Com as duas construturas
fora do leilão, o consórcio liderado pela Andrade Gutierrez,
que conta ainda com Vale, Votorantim e Neoenergia, está
mais próximo de obter a concessão. Segundo uma fonte da
construtora que não quis se
identificar, a empresa continua
no páreo pela construção da
terceira maior usina hidrelétri-
ca do mundo. “Estamos estudando com muito afinco esse
projeto. Inclusive, um dos principais pontos estudados é o valor da tarifa”, diz a fonte. “O
nosso consórcio já foi oficialmente formado e estamos dentro da disputa. Só não fico confortável para comentar como
vai ser daqui para frente, porque ainda não sabemos.”
A desistência da Odebrecht e
da Camargo Corrêa é um golpe
para a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que pretendia criar um ambiente de competição em torno da usina hidrelétrica de Belo Monte com
pelo menos dois consórcios.
Outro possível concorrente
do consórcio que tem a Andrade Gutierrez à frente é a Suez
Energy do Brasil, que venceu o
leilão da usina hidrelétrica de Jirau, no ano passado. O ministro
de Minas e Energia, Márcio
Zimmermann, não confirmou a
entrada do grupo no leilão. “Torcemos para que entre.” ■
O Ministério Público Federal
no Pará (MPF-PA) deve entrar
hoje com uma ação civil pública
contra o licenciamento ambiental
da hidrelétrica Belo Monte,
no Rio Xingu (PA). De acordo
com o procurador da República
Cláudio do Amaral, a nova ação
será ingressada na Justiça
Federal de Altamira (PA).
“O MPF não é contra Belo Monte.
Buscamos apenas que o projeto
respeite a Constituição, as leis
e as determinações do Conama”,
disse o procurador. A ação pode
representar um novo atraso
no cronograma da licitação.
Após dois meses de análise da
documentação, o MPF concluiu
que o processo de licenciamento
foi permeado por várias
irregularidades. Uma das
falhas do processo seria o
descumprimento do artigo
nº 176 da Constituição Federal,
que estabelece que um
aproveitamento hídrico com
impacto em terras indígenas
só pode ser autorizado pelo
governo após aprovação de lei
que regulamente a exploração
dos recursos nessas áreas.
Já o ministro de Minas e Energia,
Marcio Zimmermann, afirmou
que não acredita que haverá
problemas na realização do
leilão, previsto para 20 de abril.
“Temos segurança que não
há problema no processo”.
Zimmermann disse ainda que
a iniciativa do MP “pode ter sido
um equívoco”, e lembrou que
a licença foi concedida com
base em estudos. “A legislação
ambiental brasileira é uma
das mais rigorosas do mundo.
A partir do momento em que
a usina de Belo Monte obtém
licença prévia é porque
atendeu todos os requisitos”,
garantiu o executivo. AE/Reuters
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 37
1=<13AA°3A3;@=2=D7/A
23A¯=>/C:=A=;/;
@ "07:6°3A3;7<D3AB7;3<B=A
>@/7/A>/@/27AË/1/A>/@/
?C3;D7/8/231/@@=
>3:/1=AB/0@/A7:37@/
/;>:73A3C>=<B=23D7AB/
/AA7<3=0@/A7:31=<Ð;71=3@3130/B/;0p;
=1/23@<==CB:==93/@3D7AB/4=@/23Ap@73
<]dWRORSaa]P`SO`bSQcZbc`O[]ROQ][^]`bO[S\b]AS[^`SQ][SfQSZS\bS
\dSZ SRWb]`WOZ OZbO _cOZWRORS U`t¿QO S Q]\bS‰R]a SfQZcaWd]a S RWTS`S\QWOR]a
<x]^S`QOSaaO]^]`bc\WRORS
C\`X\Xjj`e\%
:Xg`kX`j1+''.$(().
;\dX`jcfZXc`[X[\j1'/''-''(().
J\^%Xj\o%[Xj._~j)'_\j}Y%[Xj._~j(,_%
nnn%YiXj`c\Zfefd`Zf%Zfd%Yi
:I<;@9@C@;8;<;<HL<D=8Q%:I<;@9@C@;8;<G8I8HL<DCÜ %
38 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
FINANÇAS
Bancos miram herdeiros
das contas ‘private’
Eventos e estratégias de aproximação com filhos dos clientes abonados ajudam
instituições como HSBC e Bradesco a garantir manutenção da carteira em casa
Maria Luíza Filgueiras
[email protected]
O raciocínio é simples. Clientes
com patrimônio acima de R$ 1
milhão, que são atendidos na
categoria de private banking,
deixarão a fortuna para os filhos
e estes decidirão manter ou não
os gestores de patrimônio e
prestadores de serviços bancários. Nada melhor, portanto,
que uma aproximação com esse
público e um suporte desde o
início da trajetória profissional.
É nessa linha que os bancos
começam a montar estratégias
para fidelizar essas contas, que
acabam abastecendo também
outras áreas da instituição financeira — como o banco de investimento, corretora e asset.
No HSBC, a iniciativa começou
globalmente, com a organização
do evento Legacy, em pontos de
encontro como Nova York ou
Cingapura, para debater liderança, carreira, investimentos e
administração. Há três anos,
ganhou versão brasileira, a última realizada ontem em São
Paulo, para um seleto grupo de
nove herdeiros, de 18 a 30 anos.
“Queremos dar o suporte
para os filhos dos nossos clientes, que serão nossos futuros
clientes, no que diz respeito à
busca por liquidez, mas também em mudanças tributárias,
associação da empresa com outra, aquisições”, diz Luciene
Franzim, diretora de Soluções
para Clientes do HSBC Private.
Ela destaca que, nesses encontros, a abordagem sobre
mercado de capitais tem sido
mais frequente e um dos principais pontos de interesse dos
herdeiros - pela busca de liquidez para os próprios recursos,
mas também para conhecer o
que o mercado espera de uma
empresa listada. “Um dia, a
empresa deles pode ser a que
está buscando os investidores”,
diz Luciene, responsável por
reestruturação patrimonial.
As irmãs Marina e Elisa Pereira Alvim, de 22 e 25 anos respectivamente, são exemplo
desse público. Ambas fazem careta quando o assunto é bolsa de
valores, mas já trabalham na
construtora do pai e absorveram
como fato que o destino é assu-
“
A aproximação
com os filhos
dos nossos clientes
é feita por meio
de palestras sobre
planejamento
sucessório e incentivo
para que participem
das discussões
mensais de portfólio
João Albino Winkelmann,
diretor do Bradesco Private
mir o comando da empresa.
Cada uma a seu modo. Elisa já é
o braço direito na área administrativa, enquanto Marina, estudante de arquitetura, quer dominar o canteiro de obras.
Ainda que pareçam estar livres do conflito de assumir o
que não desejam, o que é comum nos processos sucessórios,
as duas não ficam imunes ao
peso da herança. “Buscamos
aprender mais sobre liderança.
Hoje, é tudo concentrado no
meu pai e a nossa responsabilidade é muito grande em assumir o lugar dele, pois temos de
ser exemplos dentro da empresa”, define Elisa.
Ao que parece, o time feminino que assume o comando da
herança está aumentando. Dos
nove participantes do evento do
HSBC, seis eram mulheres. Os
executivos de private banking
destacam que cabia às filhas os
rendimentos líquidos, enquanto
os filhos ficavam encarregados
da operação da companhia. “Há
dez anos, era raro os pais discutiam finanças com mulheres”,
diz João Albino Winkelmann,
diretor do Bradesco Private.
Hoje, além da inclusão das filhas, o debate começa mais cedo. No Bradesco, essa aproximação é feita por meio de palestras sobre planejamento sucessório, fiscal e tributário, e do
chamado grupo familiar, quando os filhos passam a ter as
mesmas regalias e atenção do
private ainda que não tenha patrimônio suficiente para isso.
“Também sugerimos aos clientes que incluam os filhos em
nossas reuniões mensais sobre
portfólio, passo importante na
educação financeira desses herdeiros”, considera.
Mas Winkelmann destaca
que muitos de seus clientes private têm filhos crianças ou ainda não os tiveram, já que o crescimento de milionários abaixo
dos 40 anos é cada vez maior.
Os bancos também estão de
olho na criação de nova riqueza,
devido à expansão econômica
do país. Conforme o último levantamento da Boston Consulting Group, o patrimônio global
caiu em 2008, mas a América
Latina foi a única região onde a
riqueza aumentou. ■
CONTA
Recursos
A regra de mercado é que
as contas private tenham acima
de R$ 1 milhão. No Bradesco,
o mínimo é de R$ 2 milhões
e, no HSBC, R$ 3 milhões.
FOCO
Liderança
é uma das principais
preocupações de herdeiros para
comandar a empresa da família
e o que buscam em seminários
e cursos voltados a esse público.
ESTRATÉGIA
Suporte
dos bancos visa fidelizar os
filhos dos clientes e participar
dos demais avanços da empresa,
com a divisão de banco de
investimento, corretora e asset.
FINANÇAS
Bolsa
de valores é um item que
ganha mais espaço no debate
entre herdeiros, já que pode
ser um caminho para levar a
companhia familiar à expansão.
Luciene Franzim, do HSBC:
lições para evitar a pulverização
do capital familiar
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 39
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
AGENDA DO DIA
Augustin confirma captação externa
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, reiterou ontem
que o governo fará, em breve, uma captação no mercado internacional
de títulos da dívida externa. Ele negou, no entanto, que a volta do país
ao mercado externo ocorrerá hoje, conforme rumores que circularam no
mercado. O secretário está otimista com a imagem do Brasil no exterior
e afirmou que “hoje o mercado financeiro já precifica um rating melhor”
para o país do que o concedido pelas agências de classificação de risco.
● Às 8h, a FGV divulga
o IGP-DI de março.
● Às 9h, o IBGE torna
público o IPCA de março.
● Às 9h30, saem os dados de
auxílio-desemprego nos EUA.
● A Serasa Experian divulga
perspectivas de crédito de março.
Murillo Constantino
Patrimônio
protegido
do casamento
Lição de sucessão e preservação
de riqueza ganhou ainda mais
destaque com novo Código Civil
Minar o patrimônio construído
pela família com certeza é mais
fácil do que administrá-lo. Por
isso, o suporte de private banking
e consultorias especializadas
começa na lição básica: como
não destruir valor.
Segundo Luciene Franzim,
executiva sênior do HSBC e advogada, as principais causas de
perda de patrimônio são má
gestão (incluindo, em destaque,
a falta de planejamento fiscal), o
processo sucessório (brigas familiares e frutração do herdeiro
que assumiu um negócio pelo
qual não se interessa) e, quem
diria, ainda os casamentos.
“O novo Código Civil abriu
muitas possibilidades de pulverização de patrimônio, caso da
união estável”, ressalta Luciene.
“Hoje, não é preciso sequer morar junto para caracterizar a comunhão parcial, já que o código
parte da intenção do casal para
definir a tangência patrimonial.”
Outro ponto introduzido pela
lei foi que o cônjuge se torna
herdeiro obrigatório. Nesses
casos, há mais de uma alternativa jurídica de centralizar o
poder de decisão na família geradora da herança. Entre as
mais comuns, está a doação do
patrimônio para o filho, com
cláusula de reversão. Ou seja,
em caso de falecimento do herdeiro antes dos pais, o patrimônio volta à origem e não passa
para o cônjuge ou parceiro.
“Outra forma é definir no
acordo de acionistas da empresa
que só tem direito a voto os
membros consaguíneos da família ou ainda um seguro de
vida que serve como indenização para o cônjuge, que não ficará com o patrimônio”, explica
Luciene. Responsável por reestruração patrimonial, como foco
Como tem na essência
a preservação
patrimonial, private
banking oferece
suporte jurídico
para proteção de
herança, em processo
de união ou divórcio
fiscal e tributário, ela já recebeu
ligação de clientes na véspera do
casamento solicitando a revisão
do contrato pré-nupcial.
Segundo João Albino Winkelmann, diretor do Bradesco Private, é comum que os pais não
exponham aos filhos o tamanho
do patrimônio para evitar a
aproximação dos agregados mal
intencionados. “Damos apoio
jurídico e temos parceria com
escritórios especializados para
orientar sobre proteção na união
dos filhos ou mesmo na entrada
de um novo sócio na empresa. A
atuação do private é essencialmente a preservação patrimonial”, diz. ■ M.L.F
TERMINAIS PORTUÁRIOS DA PONTA DO FÉLIX S.A.
CNPJ Nº 85.041.333/0001-11
Edital de Convocação
Assembléia Geral Ordinária
São convidados os Senhores Acionistas da TERMINAIS PORTUÁRIOS DA PONTA DO FÉLIX S.A.
a reunirem-se em Assembléia Geral Ordinária, a ser realizada às 09h30min, do dia 23 de abril de
2010, na sede social da Companhia, situada na rua Engenheiro Luiz Augusto de Leão Fonseca, nº
1.520, na cidade de Antonina, Estado do Paraná, para tomarem conhecimento e deliberarem sobre a
seguinte ordem do dia: a) Examinar, debater e votar o Relatório da Administração, Balanço Patrimonial,
Demonstrações Financeiras e Notas Explicativas, acompanhados do Parecer dos Auditores Independentes, referentes ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2009. b) Eleger os membros
dos Conselhos de Administração e Fiscal e da Diretoria Executiva. c) Fixar os honorários globais dos
integrantes dos Conselhos de Administração e Fiscal e da Diretoria Executiva para o exercício de 2010.
Antonina-PR, 06 de abril de 2010. Silvio Matucheski - Presidente do Conselho de Administração.
40 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
FINANÇAS
John Guillemin/Bloomberg
CONTAS EXTERNAS
MERCADOS
Brasil tem fluxo positivo de mais
de US$ 2,1 bilhões em março
Bancos pesam e bolsas na
Europa fecham em queda
A entrada de dólares no país superou a saída em R$ 2,114 bilhões
em março, informou o Banco Central ontem. O fluxo positivo de
março é o maior desde novembro do ano passado. Em fevereiro,
houve déficit de US$ 399 milhões e, em março do ano passado,
de US$ 797 milhões. O resultado positivo foi garantido pelo
superávit de US$ 2,394 bilhões nas operações comerciais.
As principais bolsas europeias tiveram uma quarta-feira de queda,
com os receios sobre os problemas fiscais gregos ressurgindo,
além da revisão no PIB da Zona do Euro apontando a fragilidade
da recuperação. O índice FTSEurofirst 300, que acompanha as principais
ações do continente, encerrou em queda de 0,22%, para 1.099 pontos,
depois de atingir a máxima em 18 meses pela segunda sessão seguida.
CCB vira alvo
de atenção
na indústria
de fundos
Anbima pede dados sobre exposição das
carteiras às Cédulas de Crédito Bancário
Mariana Segala
[email protected]
As Cédulas de Crédito Bancário
(CCBs), que nos últimos anos
têm causado dores de cabeça
em série na indústria de fundos,
estão agora na mira da Associação Brasileira das Entidades dos
Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A entidade solicitou às instituições administradoras que enviem, até segunda-feira, um relatório sobre os
níveis de exposição das carteiras
ao instrumento. “Com os juros
mais baixos e os prêmios menores dos papéis do governo, o caminho natural é que portfólio
dos fundos se diversifique em
direção a outros instrumentos e
outros emissores”, diz o diretor
da Anbima, Regis Abreu. As
aplicações em CCBs entram
nesse contexto, destaca. “Trata-se, no entanto, de um instrumento que inspira cuidados
maiores do que, por exemplo,
uma debênture, já em estado
mais avançado de eficiência.”
A Anbima quer saber tudo
sobre as CCBs dos fundos: emissor, data de aquisição, vencimento, taxa de juros oferecida e
taxa atual de marcação a mercado do papel. Grifo sobre o último item no comunicado enviado pela entidade aos administradores. A marcação — que
consiste em ajustar o preço dos
papéis ao valor de mercado —
costuma causar desconforto
quando o assunto são títulos
pouco negociados no mercado
secundário, caso das CCBs.
“Mas há como marcá-los, seja
com base na atualização dos ratings (notas de crédito) ou partindo de outros papéis comparáveis”, destaca Abreu.
A Anbima solicitou ainda que
os administradores indiquem
Associação quer
saber desde quem
são os emissores
até qual é a taxa
de marcação a
mercado dos papéis
emissores que estejam inadimplentes em alguma CCB e que
apontem também eventuais situações especiais que representem alta probabilidade de calote
— como recuperação judicial,
extrajudicial ou falência.
Estigma
As CCBs são, segundo Abreu,
“menos robustas” do que outros
papéis de dívida privada, como
debêntures ou Fundos de Investimento em Direitos Creditórios
(FIDC). Não é correto, no entanto, estigmatizá-los como tí-
tulos pouco confiáveis. “Não
existem problemas com esta
ferramenta, mas com o seu
uso”, diz o executivo. Trata-se
de papéis emitidos por bancos
com lastro em empréstimos, inclusive feitos a companhias de
capital fechado — uma das maneiras mais rápidas e baratas
para as empresas acessarem recursos no mercado. “Eles não
precisam necessariamente de
rating”, lembra o diretor da
agência de classificação de risco
SR Rating, José Valter Martins
de Almeida. A agência avalia o
risco de crédito de pelo menos
uma dezena de CCBs.
No último ano, não foram raros os casos de fundos que precisaram realizar ajustes contábeis em função da inadimplência de empresas em CCBs incluídas nas carteiras. Foi o caso de
fundos geridos pela BRZ e pela
Global Capital (leia mais na página ao lado). As provisões de
perda têm impacto direto sobre
o valor das cotas das carteiras e,
consequentemente, sobre a
rentabilidade entregue pelo
gestor aos cotistas.
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 41
Joshua Roberts/Bloomberg
POLÍTICA MONETÁRIA
RECUPERAÇÃO
Banco do Japão mantém taxa
básica de juro em 0,1% ao ano
Bernanke diz que desemprego, falta
de crédito e falências ainda são desafios
O Banco do Japão deixou a política monetária inalterada ontem,
com a taxa básica de juro em 0,1%. A autoridade monetária avaliou
que, embora a economia esteja melhorando graças às exportações,
é “extremamente importante” que o país se livre da deflação.
O Banco Central pareceu um pouco mais otimista sobre a economia
do que no mês anterior, dizendo que ela “continuou” a se recuperar.
O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse ontem em Dallas
que o desemprego, as falências das famílias e o escasso crédito para
as pequenas empresas são desafios para a economia, no momento
em que se recupera da pior recessão desde os anos 1930. Ele afirmou
que não há uma recuperação sustentável do mercado imobiliário,
além de as contratações de mão de obra serem “muito fracas”.
Regis Abreu, da Anbima: CCB
inspira cuidados maiores do que
outros títulos, como debêntures
■ EMISSÃO
Em 2009, foi emitido
em CCBs um volume de
R$
16,8
bi
■ REDUÇÃO
Em relação a 2008, o volume
emitido de CCB foi menor em
27,3%
■ VOLUME
2008 foi o ano com maior
emissão de CCB, num total de
R$
23,1
bi
REGULAÇÃO
✽
CVM também age
para monitorar CCBs
A Superintendência de Relações
com Investidores Institucionais
(SIN) da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) prepara um
ofício-circular, destinado a
gestores de fundos de crédito
privado, com orientações sobre as
melhores práticas de aplicação
em Cédulas de Crédito Bancário
(CCBs). “O conteúdo do ofício
está sendo elaborado com base
em trabalhos realizados pela
SIN ao longo do ano passado
com assets no processo de
monitoramento de operações
envolvendo CCBs”, informou
a autarquia. Uma recomendação
será a necessidade de
documentar operações com
partes relacionados, a fim de
comprovar que foram concluídas
em regime de imparcialidade.
De posse dos dados solicitados aos administradores, a
Anbima poderá tomar novas
medidas autorregulação, segundo Abreu. Está em elaboração pela entidade um manual de
orientação sobre as CCBs, nos
moldes dos que já existem para
outros ativos, como as debêntures. Em 2008, a entidade chegou
a publicar um parecer de orientação, com sete artigos, sobre a
negociação das cédulas. No ano
passado, segundo dados da Cetip, foram emitidos R$ 16,8 bilhões em CCBs. ■
Fundações estudam
trocar de gestor
Após problema com CCBs de
nove empresas, cotistas do
fundo Global Capital querem
histórico dos investimentos
Mariana Segala
[email protected]
Depois de registrarem problemas com as Cédulas de Crédito
Bancário (CCBs) emitidas por
nove empresas, os cotistas do
fundo GlobalCapital Crédito
Privado estudam — e consideram fortemente — a possibilidade de trocar de gestor. Em
função das provisões de perda
para papéis que apresentaram
situações de inadimplência, a
carteira registra retorno negativo de 29% desde que foi lançado, há pouco mais de três anos.
“Já houve um desgaste muito
grande”, diz Adilson Florêncio
da Costa, diretor-financeiro do
Postalis. A fundação de previdência dos funcionários dos
Correios é um dos cotistas do
fundo, junto com a Faceb (dos
funcionários da Companhia
Energética de Brasília), a Celos
(da catarinense Celesc) e o
Banco de Sergipe.
Em assembleia realizada no
início de março, os cotistas solicitaram que a gestora e o administrador do fundo — respectivamente a Global Capital e
o BNY Mellon — enviassem um
relatório sobre todas as decisões
de investimento tomadas desde
a criação do fundo. O objetivo é
confrontá-las com a política de
investimento inicialmente prevista para a carteira. O material
foi disponibilizado no dia 25 do
mês passado.
“Começamos a analisar os
dados, mas eles estão tão incompletos que nos encontramos sem subsídios para tomar
uma decisão”, diz a diretorafinanceira da Faceb, Elis Soares
Jucá. “Eles citaram informações no relatório, mas deixaram de anexar, por exemplo, as
atas das reuniões em que certas
decisões foram tomadas”, afirma Costa, do Postalis. As complementações necessárias já
foram pedidas. Até lá, a equipe
da fundação seguirá estudando
os dados já disponíveis — cogita-se, inclusive, a possibilidade
de contratar um terceiro para
ajudar na análise.
O diretor da Global Capital,
Julius Buchenrode, destaca que
Primeiras
informações enviadas
foram consideradas
incompletas pelos
cotistas. Gestor
afirma que
complementações
estão sendo
providenciadas
as informações primeiramente
solicitadas foram enviadas aos
cotistas. “Eles pediram dados
complementares sobre algumas
vendas de títulos que fizemos
para ter caixa para comprar outros títulos”, explica, ressaltando que a troca de gestor é um
direito legítimo dos cotistas.
O que chama a atenção, ressalta Costa, é que as empresas
que apresentaram problemas
são provenientes de setores diversos. Há, na carteira, CCBs
desde companhias do setor de
vestuário, como a Zoomp, até
do ramo de reciclagem, como a
Newpet e a Alutech. “Queremos
saber se as empresas de fato
ofereciam a qualidade de crédito que se afirmou que ofereciam”, diz. Buchenrode destaca
que todas as CCBs tinham, na
época da emissão, classificação
de risco de crédito (rating) —
concedida pelas agências SR
Ratings, Austin Ratings ou LF —
de grau de investimento. ■
SEQUÊNCIA DE AJUSTES
● O primeiro ajuste nas cotas
do fundo Global Capital ocorreu
em dezembro de 2007, em função
da falência da Eletrodireto.
● Em fevereiro de 2009, novo
ajuste foi necessário por causa da
decretação de falência da Zoomp.
● Em julho de 2009, mais cinco
empresas cujas CCBs estavam
no fundo ficaram inadimplentes.
● Em fevereiro deste ano,
o último calote. Desta vez,
da Newpet e da Alutech.
ANMA - ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA.
CNPJ/MF n° 07.719.426/0001-49 - NIRE 35.220.309.042
EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE REUNIÃO DE SÓCIOS QUOTISTAS
Ficam os sócios quotistas da ANMA - ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA.,
sociedade empresária limitada, inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas do
Ministério da Fazenda sob o nº 07.719.426/0001-49, com seu Contrato Social
arquivado na Junta Comercial de São Paulo sob o NIRE 35.220.309.042, convocados
para participar da Reunião de Sócios Quotistas a se realizar no dia 15 de abril de 2010,
às 09:00 horas, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 1.461, 12º andar, cidade de São Paulo,
Estado de São Paulo, CEP 01451-921 (em razão da impossibilidade de realização em sua
sede social), para deliberar sobre a seguinte ordem do dia: alteração do endereço
da sede da sociedade, da Alameda Joaquim Eugênio de Lima, nº 881, cj. 301,
cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 01403-001, para a Rua Haiti, nº 59,
Sala 1, Jardim Paulista, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 01404-010.
São Paulo, 07 de abril de 2010
MARILENA AFAECH DAHER - Diretora
winnerpublicidade.com
Guarnieri Flavio R
42 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
FINANÇAS
Brendan Hoffman/Bloomberg
CÂMBIO
DEFESA
Com piora externa, dólar sofre
ajustes e sobe 1,3%, para R$ 1,778
Greenspan diz que Federal Reserve
protegeu o consumidor antes da crise
O dólar pôs fim ontem à sequência de seis baixas, com os investidores
aproveitando o cenário externo negativo para realizar ajustes de posições.
A moeda americana subiu 1,31%, para R$ 1,778. Nas últimas seis sessões,
o dólar acumulava 4,1% de queda, influenciado pela perspectiva
de entrada de recursos e pelo interesse maior de estrangeiros no país.
Ontem, porém, pesou mais o ambiente de aversão a risco no exterior.
O ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan defendeu ontem
a proteção oferecida pelo banco ao consumidor, nos anos que
antecederam a crise. Ele afirmou que os reguladores podem reduzir
as chances de uma nova derrocada, pedindo aos bancos que aumentem
suas reservas de capital. “Nos últimos 18 meses, houve raros
casos de default e de contágios muito sérios”, disse.
Indusval Corretora se expande e vai
Nas mãos de Alexandre Atherino e Luis Fernando Monteiro de Gouvêa, que assumiram fatia minoritária, corretora
Mariana Segala
[email protected]
O banho de loja que a Indusval
Corretora está recebendo desde
a chegada de dois novos sócios,
em junho de 2009, começa a
apresentar resultados. Os primeiros seis meses desde que
Alexandre Atherino (ex-diretor
da Fator Corretora) e Luis Fernando Monteiro de Gouvêa (remanescente da Comercial Asset
Management) assumiram 49%
do capital social da corretora
foram destinados a arrumar a
casa. Acertaram os ponteiros
para enquadrá-la no Programa
de Qualificação Operacional
(PQO) da BM&FBovespa e con-
quistaram, em janeiro, o selo de
Execution Broker — concedido
para as corretoras com alto nível de eficiência na execução de
ordens do segmento BM&F.
Bastou para a Indusval saltar da
44ª para a 17ª posição no
ranking de volumes negociados
em derivativos. “Há muitos
clientes institucionais que só
operam com corretoras que tenham o selo Execution Broker”,
explica Atherino.
Fundada há mais de quatro
décadas, a Indusval Corretora
deu origem ao Banco Indusval
Multistock, nos anos 1990. A
então nova operação acabou ganhando o foco dos controladores e a corretora, tradicional, fi-
cou relegada ao segundo plano.
“Com a estabilização econômica pós-real, a corretora conseguiu crescer, mas houve muitos
percalços no meio do caminho”, destaca Atherino. Foram
seguidas crises internacionais
que dificultaram o desenvolvimento do mercado — e da corretora. Agora, as perspectivas
de crescimento do mercado de
capitais trazem novo fôlego.
Nova gestora
Por isso, depois de ter dado os
primeiros passos nas operações
do segmento BM&F, a Indusval
se prepara agora para avançar
no segmento Bovespa. “Aqui,
nosso foco é investir na exce-
Fundada há mais
de quatro décadas,
corretora deu
origem ao banco,
nos anos 90
lência de prestação de serviço
para pessoa física”, afirma
Atherino. A reestruturação do
home broker (sistema de negociação de ações pela internet)
está adiantada, devendo ser
concluída em dois ou três meses. Além disso, está saindo do
forno uma gestora de fundos, a
BR Stocks. Resta apenas acertar os últimos detalhes do contrato com o banco que fará a
administração das carteiras, o
que deve estar pronto em menos de 30 dias.
Um primeiro fundo, aliás, já
foi estruturado — uma carteira
de ações escolhidas a partir da
análise fundamentalista, com
horizonte de longo prazo. “Não
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 43
Bloomberg
INADIMPLÊNCIA
AUTORIDADE MONETÁRIA
Número de cheques devolvidos e títulos
protestados volta a crescer em março
Fed de Nova York reitera que juros
baixos ajudarão na criação de empregos
Dados da Equifax mostram que, no mês de março, foram registrados
2.121.818 cheques devolvidos, um aumento de 31,84% em relação
a fevereiro de 2010. Comparado a março de 2009, o número foi
23,06% menor. Na comparação por dias úteis, os resultados de março
de 2010 foram 3,18% superiores aos do mês anterior e 26,40%
inferiores àqueles registrados em março de 2009.
O governador do Federal Reserve de Nova York, William Dudley,
reiterou ontem que o Federal Reserve precisa manter as taxas de
juros baixas por um período prolongado, para ajudar no fortalecimento
da recuperação econômica e na criação de empregos. “As taxas devem
ficar excepcionalmente baixas por um período prolongado para
contribuir com a aceleração do nível de atividade”, afirmou.
Murillo Constantino
Poupança tem menor
captação desde abril
A projeção de que a taxa
básica de juro subirá neste
mês desestimula aplicação
Sala de operações de
corretora: segmento tem
sido alvo de investimentos
abrir gestora
saltou de 44ª para 17ª em derivativos
nos interessa ter fundos de renda fixa, mas sim produtos que se
beneficiem do crescimento do
mercado de renda variável”,
ressalta Atherino.
Diante da perspectiva de que
os novos negócios vinguem, a
corretora também já começou a
montar uma área de atendimento a clientes de alta renda,
já apelidada de private banking.
Por meio dela, a corretora oferecerá, além dos negócios na
bolsa e dos seus próprios fundos, títulos emitidos pelo banco
e por empresas, além de fundos
de terceiros. “Isso é para quando as novas operações estiverem
mais maduras. Para o ano que
vem”, prevê Atherino. ■
DERIVATIVOS
17ª
posição
Este é o lugar da Indusval
Corretora, em março, no
ranking de negociação
do segmento BM&F da bolsa.
Ela era a 44ª em dezembro
e 43ª em fevereiro.
RENDA VARIÁVEL
49ª
posição
Este é o lugar da Indusval
Corretora no ranking de
negociação do segmento Bovespa
da bolsa. Está em processo a
reestruturação do home broker.
Aplicação mais popular do
país, a caderneta de poupança
recebeu R$ 538,08 milhões
(entre retiradas e depósitos) no
mês de março, ante R$ 1,089
bilhão registrado em fevereiro. Trata-se da menor captação líquida desta aplicação
desde abril do ano passado,
quando houve um saldo negativo de R$ 942 milhões, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central.
No trimestre, o saldo positivo é de R$ 4,246 bilhões, o melhor desde 1997 (R$ 4,643 bilhões). Em março, o estoque
total da poupança atingiu R$
327,888 bilhões. No mesmo
período de 2009, o saldo registrado foi de R$ 274,69 bilhões.
Os depósitos totais da poupança somaram R$ 96,513 bilhões em março, o maior volume desde dezembro de 2009
(R$ 112,23 bilhões). Já as retiradas totalizaram R$ 95,975
bilhões, também a maior cifra
dos últimos três meses.
Os rendimentos creditados
no mês passado — de R$ 1,424
bilhão — foram os menores desde maio do ano passado, quando
somaram R$ 1,371 bilhão.
Desde o começo do ano, a
poupança registra saldos positivos de captação líquida. O
resultado em janeiro chegou a
R$ 2,61 bilhões e foi o maior
para o mês desde 1997. Em fevereiro, a conta ficou positiva
em R$ 1,088 bilhões.
Os investimentos na caderneta de poupança acompanham a recuperação do emprego e da economia brasileira. Taxas de juros mais baixas também contribuem para maior injeção na poupança, já que diminuem a rentabilidade de
outras aplicações financeiras.
A projeção quase certa de
aumento na selic (taxa básica
de juros) na próxima reunião
do Copom (Comitê de Política
Monetária) poderia reduzir a
tendência de crescimento na
captação líquida na poupança.
Em 2009, a captação das
cadernetas superou 2008 em
71,2% e somou o segundo melhor resultado da série histórica, com R$ 30,412 bilhões. ■
Agências
ONTEM E HOJE
1
2
Quarenta e cinco
anos de existência
Competitividade
em xeque
A caderneta de poupança
visa a captação de recursos
das economias populares.
Foi criada em 1964/1965,
por meio de um conjunto
de empresas que em suas
atividades constituíram
o Sistema Brasileiro de Poupança
e Empréstimos, o S.B.P.E.
O Ministério da Fazenda chegou
a cogitar, há alguns meses,
um mecanismo para tornar a
poupança mais atrativa. Isso
porque, com a queda da Selic, os
fundos de investimento estavam
perdendo competitividade.
A ideia foi abandonada, uma vez
que o juro deve subir neste mês.
44 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
INVESTIMENTOS
Vanessa Correia
[email protected]
Ações da Vale mantêm preferência
das indicações de corretoras para abril
apontou relatório da corretora, cujo analistachefe é Rossano Oltramari.
A despeito das expectativas para ações
dos setores siderúrgico e de mineração, o cenário para a bolsa brasileira em abril é positivo. “Acreditamos que as condições são favoráveis para a manutenção do otimismo com
o mercado acionário brasileiro no curto prazo. Apesar da desconfiança ainda com o processo de recuperação econômica das economias desenvolvidas, os sinais de alta no preço das commodities são bastante favoráveis
para a bolsa brasileira”, completa Luciana
Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora.
A bolsa de valores brasileira apresentou valorização de quase 6% em março influenciada, principalmente, pelas ações dos setores siderúrgico e de mineração. Motivo:
início das negociações entre mineradoras e
siderúrgicas para o reajuste no preço do
minério de ferro. Na última sexta-feira, (2)
a Vale informou, por meio de nota, que havia fechado acordo com a maioria dos
clientes para reajustes no contrato, mas não
especificou o percentual de elevação do
preço do minério de ferro.
Por conta do imbróglio, a maioria das
corretoras consultadas pelo BRASIL ECONÔMICO optou por manter as ações da Vale em
suas carteiras e, com isso, a companhia
voltou a liderar a indicação dos analistas.
Foram 17 casas indicando Vale, das 18 consultadas para a realização do levantamento. “Agora se fala na implantação de um
novo sistema de precificação, incorporando reajustes trimestrais, o que é ainda mais
favorável às mineradoras no curto prazo”,
afirma Rodrigo Ferraz, chefe da área de
análise da Brascan Corretora.
A XP Investimentos foi uma das corretoras
que aumentou a posição no setor de commodities. “Chamou atenção o comportamento
das ações de Magnesita, que possuem uma
correlação operacional bastante forte com o
setor siderúrgico e não apresentaram a mesma valorização. A Magnesita é uma empresa
que atua na fabricação de refratários, produtos essenciais nos processos que utilizam
temperaturas elevadas, como nos processos
das indústrias siderúrgicas, de cimento, metais, ferroligas, entre outras. Com isso, decidimos colocá-la na carteira recomendada”,
Construção civil
Outro fato marcante no mês de março foi o
forte recuo apresentado pelas ações do setor
de construção civil. “Achamos que a desvalorização foi exagerada, já que não houve
mudanças significativas no cenário macroeconômico. Por isso, continuamos apostando
no setor e só não incluímos PDG Realty por
uma questão de opção”, diz Ferraz. Na carteira recomendada da corretora estão MRV,
Rossi Residencial e Duratex.
Outras mudanças
Já a Ativa Corretora reduziu sua exposição ao
setor de varejo e consumo, por meio da exclusão das ações das Lojas Americanas, acomodando uma elevação da participação dos
setores de commodities metálicas, através
de Vale PNA Gerdau PN, bem como em bens
de capital e concessões, com WEG e CCR Rodovias. “A alocação em Lojas Americanas
estava pesada, além das expectativa da alta
dos juros”, explicou Luciana. ■
AS PREFERIDAS DO MERCADO PARA ABRIL
Papéis da Usiminas e Lojas Americanas não figuram entre os mais recomendados
EMPRESA
Vale (VALE5)
Petrobras (PETR4)
Gerdau (GGBR4)
CSN (CSNA3)
OGX (OGXP3)
Lojas Renner (LREN11)
Tam (TAMM4)
AmBev (AMBV3)
Duratex (DTEX3)
Itaú Unibanco (ITUB4)
DESEMPENHO DA CARTEIRA EM MARÇO
Vale (VALE5)
Petrobras (PETR4)
Gerdau (GGBR4)
CSN (CSNA3)
OGX (OGXP3)
Lojas Renner (LREN11)
Tam (TAMM4)
AmBev (AMBV3)
Duratex (DTEX3)
Itaú Unibanco (ITUB4)
SETOR
Elétricas
Brascan reinicia cobertura
vendo potencial de valorização
Ativa indica impacto neutro
para redução de tarifas
A corretora Brascan reiniciou
a cobertura da Natura e vê
potencial de valorização para
o papel. O preço-alvo dado pela
corretora, conforme relatório
da analista Julia Monteiro, é de
R$ 41,45 por ação ordinária
(NATU3). Ontem, o papel fechou
a R$ 36,84 na BM&FBovespa.
“Esperamos que a Natura se
beneficie do crescimento da renda
média e da participação das
mulheres no mercado de trabalho,
aliado ao avanço da vida social
feminina”, destaca a corretora,
lembrando ainda que a companhia
é líder em vendas no mercado
doméstico de cosméticos,
fragrâncias e higiene pessoal
e tem forte valor de marca.
A companhia tem reforçado
estratégia de crescimento nos
mercados emergentes da América
Latina, com foco na expansão no
México, bem como fortalecimento
das operações no Brasil.
Um dos pontos favoráveis para
o investimento no papel, segundo
a Brascan, é o fato de a Natura ter
uma política informal agressiva
de pagamento de dividendos e
juros sobre capital próprio (JCP),
com 100% do fluxo de caixa livre
sendo destinado aos acionistas.
Entretanto, a corretora pondera
que a empresa atua em um
mercado pulverizado e com alto
grau de informalidade e novos
entrantes, mas vê como ponto
positivo a baixa dependência
de crédito para as vendas
dos produtos “defensivos”,
já que o preço médio dos itens
é R$ 15,00 e R$ 20,00.
Ontem, a Aneel (Agência Nacional
de Energia Elétrica) apresentou
o reajuste tarifário anual das
tarifas de diversas distribuidoras,
entre elas CPFL Paulista e Cemig.
Os reajustes das tarifas para
baixo veio dentro da expectativa
do mercado, segundo relatório
da corretora Ativa, cujo analista
de energia elétrica é Ricardo
Corrêa. Segundo a corretora,
o mercado já previa reajustes
negativos devido à variação
cambial negativa e à variação
dos índices de preços próximo
de zero no ano passado. Para a
Cemig, a agência determinou uma
redução média de 1,48% na tarifa,
sendo que os consumidores
de baixa tensão (consumidores
residenciais e comerciais, em
sua maioria) terão uma queda
de 0,05% e os consumidores de
baixa renda, uma redução ainda
maior, de 5,18%. A energia de
alta tensão terá redução variando
entre 3,09% a 10,81%. Já o
reajuste da CPFL Paulista, que
distribui energia para 234
municípios do interior de São
Paulo, a redução média foi de
5,69%, sendo de 4,69% para
clientes de baixa tensão. Para as
indústrias, que recebem energia
em alta tensão, a queda média
no valor das tarifas é de 6,72%.
“O reajuste negativo pode ser
atribuído, em grande parte, à
queda do dólar, que diminuiu os
gastos com a compra de energia
de Itaipu, que possui reajuste
determinado pela variação
da moeda estrangeira”, comenta
a corretora, em relatório.
RECORDE
BALANÇO
Varejo
BM&F
O número de negócios realizados
via home broker atingiu recorde
de 6.269.139 no mês de março,
ante 5.110.116 em fevereiro, com
volume de R$ 60,85 bilhões,
ante R$ 52,53 bi em fevereiro.
No total, o segmento Bovespa
movimentou R$ 148,81 bilhões,
com a realização de 9 milhões
de negócios. O valor de mercado
das 375 empresas negociadas
foi de R$ 2,35 trilhões, contra
R$ 2,26 trilhões em fevereiro.
O balanço da negociação de
investidores estrangeiros foi
positivo em R$ 3,15 bilhões.
O segmento BM&F (incluindo
financeiros e agropecuários)
registrou negociação de 71,69
milhões de contratos e volume
financeiro de R$ 4,75 trilhões
em março, ante 39,31 milhões
de contratos e giro de R$ 2,47
trilhões em fevereiro. A média
diária de contratos teve recorde
de 3.117.004, ante o recorde
anterior de 2.183.680 contratos
em fevereiro. As instituições
financeiras lideraram a
movimentação financeira
do segmento durante o mês,
com fatia de 42,17%.
Nº DE RECOMENDAÇÕES
17
Mineração
Petróleo
Siderurgia
Siderurgia
Petróleo
Varejo
Aviação
Consumo
Indústria
Financeiro
10
9
7
5
5
5
4
4
4
INDICAÇÕES RENT.(%) RENT. ANO(%)
16
10
9
7
5
5
5
4
4
4
Natura
11,47
2,25
9,26
20,61
5,71
4,56
-9,23
-6,46
-10,76
6,88
17,42
-3,54
-0,82
27,39
-2,63
3,82
-20,10
-5,43
-5,23
2,42
Entre as 10 ações mais recomendadas pelas
corretoras consultadas pelo Brasil Econômico,
os papéis atrelados às commodities metálicas – que
apresentaram desempenho bastante satisfatório
no mês passado – tiveram sua recomendação
mantida para abril
Fontes: Ágora, Ativa, Banco do Brasil, Bradesco, Brascan, Citi,
Coinvalores, Geração Futuro, HSBC, Itaú, Link, Omar Camargo,
SLW, Socopa, Souza Barros, Spinelli, Win, XP Investimentos
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 45
BOLSA
JURO
Giro financeiro
Mercado futuro
R$ 6,5 bilhões 10,43%
foi o volume financeiro registrado ontem no segmento
acionário da BM&FBovespa. O principal índice encerrou a sessão
com variação negativa de 0,43%, aos 70.792 pontos.
foi a taxa de fechamento ontem do contrato futuro de DI com
vencimento em janeiro de 2011. O volume financeiro foi
de R$ 37,8 bilhões, com a negociação de 406.925 contratos.
IBOVESPA
RENDA FIXA
Ação
Código
Mínima
ALL AMER LAT UNT N2
AMBEV PN
B2W VAREJO ON
BMF BOVESPA ON
BRADESCO PN
BRADESPAR PN
BRASIL ON
BRASIL TELEC PN
BRASKEM PNA
BRF FOODS ON
CCR RODOVIAS ON
CEMIG PN
CESP PNB
COPEL PNB
COSAN ON
CPFL ENERGIA ON
CYRELA REALTY ON
DURATEX ON
ELETROBRAS ON
ELETROBRAS PNB
ELETROPAULO PNB
EMBRAER ON
FIBRIA ON
GAFISA ON
GERDAU PN
GERDAU MET PN
GOL PN
ITAUSA PN
ITAUUNIBANCO PN
JBS ON
KLABIN S/A PN
LIGHT S/A ON
LLX LOG ON
LOJAS AMERIC PN
LOJAS RENNER ON
MMX MINER ON
MRV ON
NATURA ON
NET PN
OGX PETROLEO ON
P.ACUCAR-CBD PNA
PDG REALT ON
PETROBRAS ON
PETROBRAS PN
REDECARD ON
ROSSI RESID ON
SABESP ON
SID NACIONAL ON
SOUZA CRUZ ON
TAM S/A PN
TELEMAR ON
TELEMAR PN
TELEMAR N L PNA
TELESP PN
TIM PART S/A ON
TIM PART S/A PN
TRAN PAULIST PN
ULTRAPAR PN
USIMINAS ON
USIMINAS PNA
VALE ON
VALE PNA
VIVO PN
IBOVESPA
ALLL11
AMBV4
BTOW3
BVMF3
BBDC4
BRAP4
BBAS3
BRTO4
BRKM5
BRFS3
CCRO3
CMIG4
CESP6
CPLE6
CSAN3
CPFE3
CYRE3
DTEX3
ELET3
ELET6
ELPL6
EMBR3
FIBR3
GFSA3
GGBR4
GOAU4
GOLL4
ITSA4
ITUB4
JBSS3
KLBN4
LIGT3
LLXL3
LAME4
LREN3
MMXM3
MRVE3
NATU3
NETC4
OGXP3
PCAR5
PDGR3
PETR3
PETR4
RDCD3
RSID3
SBSP3
CSNA3
CRUZ3
TAMM4
TNLP3
TNLP4
TMAR5
TLPP4
TCSL3
TCSL4
TRPL4
UGPA4
USIM3
USIM5
VALE3
VALE5
VIVO4
IBOV
15,73
163,33
37,65
12,27
32,51
44,24
29,74
11,20
13,03
23,36
38,43
29,47
23,65
36,43
21,50
36,61
21,07
16,14
25,80
31,65
39,01
10,24
37,96
12,18
30,37
37,96
22,20
12,07
38,51
7,70
5,38
23,84
8,15
13,18
40,90
12,90
11,80
36,09
22,30
17,04
60,15
14,35
39,95
35,59
30,05
12,55
33,00
34,76
63,05
31,45
37,99
32,60
50,84
38,77
6,73
4,83
47,20
84,92
60,30
59,60
57,18
49,65
48,49
70531
Cotação (R$)
Máxima
Fechamento
15,90
164,99
38,20
12,66
32,80
45,25
30,19
11,39
13,22
24,17
39,50
29,84
24,27
37,20
21,98
37,16
21,80
16,83
26,15
32,18
39,44
10,55
39,16
12,65
31,39
39,12
23,00
12,29
39,01
7,96
5,72
24,28
8,28
13,50
42,15
13,10
12,22
36,89
22,74
17,36
64,18
14,90
40,67
36,24
31,44
12,99
33,79
36,09
64,50
32,48
38,49
33,00
51,75
39,30
7,01
4,91
47,89
86,44
62,62
61,30
58,50
50,41
49,78
71257
15,78
164,89
38,00
12,32
32,77
44,50
29,99
11,33
13,09
23,90
39,30
29,53
23,80
36,80
21,75
37,05
21,09
16,31
25,90
31,73
39,11
10,55
38,03
12,39
30,90
38,59
22,92
12,07
38,60
7,88
5,72
23,84
8,17
13,50
41,91
13,01
11,89
36,78
22,62
17,22
64,11
14,45
40,39
35,80
30,37
12,63
33,79
35,13
64,00
32,18
38,44
32,63
50,94
39,25
6,90
4,86
47,70
85,00
60,50
59,95
58,07
50,20
48,82
70792
Variação (%)
No dia
No ano
-0,63
-0,17
-0,21
-1,83
0,12
-0,22
-0,17
-0,26
-0,08
1,27
1,81
-0,30
-0,46
-0,73
-0,23
0,00
-1,77
-0,79
-0,27
-0,22
-0,86
2,93
-2,98
-0,08
-0,52
-0,52
3,24
-1,39
-0,90
0,25
5,15
-1,89
-0,61
1,28
2,10
-0,69
-2,46
1,32
0,13
-0,12
5,12
-3,02
-0,49
-0,78
-2,66
-3,00
1,47
-1,95
0,00
0,72
1,16
0,40
-0,99
1,21
-0,43
-0,41
0,23
-0,97
-3,04
-1,64
1,01
0,46
-1,43
-0,43
-3,19
-4,56
-20,29
0,95
-0,67
15,49
3,28
-32,36
-7,03
5,36
-1,48
-6,55
-0,96
-0,65
-15,04
8,88
-13,92
0,69
-0,48
0,56
13,36
10,94
-2,71
-12,25
6,04
10,51
-9,27
3,91
1,40
-15,45
7,72
-0,42
-19,19
-12,72
6,64
29,84
-15,67
3,80
-5,75
0,70
-1,40
-16,71
-3,03
-2,43
4,72
-17,45
-1,23
25,46
14,34
-15,42
-14,00
-12,05
-18,12
-8,98
-3,50
-5,08
-5,83
7,64
21,08
21,71
17,31
18,96
-6,48
3,21
*Em pontos. Fonte: Economatica
IBOVESPA
Fundo
BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI
BB RENDA FIXA LP ESTILO FICFI
ITAU PERS MAXIME RF FICFI
CAIXA FIC EXECUTIVO RF L PRAZO
BB RENDA FIXA 25 MIL FICFI
CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO
BRADESCO FIC DE FI RF MERCURIO
BB RF MIL FICFI
BB RENDA FIXA 50 FIC FI
ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI
Data
Rent. (%)
12 meses No ano
6/ABR
6/ABR
7/ABR
6/ABR
7/ABR
6/ABR
7/ABR
7/ABR
7/ABR
7/ABR
8,71
8,70
8,70
7,84
7,49
7,30
6,94
6,36
5,54
5,35
Fundo
BB REFERENCIADO DI ESTILO FICFI
ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI
CAIXA FIC DI LONGO PRAZO
BB REFERENCIADO DI 10 MIL FICFI
NOSSA CAIXA REFERENCIADO DI
BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI
HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS
ITAU PREMIO REF DI FICFI
BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPERF
SANTANDER FIC FI CLAS REF DI
Data
Rent. (%)
12 meses No ano
7/ABR
7/ABR
6/ABR
7/ABR
6/ABR
7/ABR
7/ABR
7/ABR
7/ABR
7/ABR
8,26
8,19
6,71
6,65
6,25
6,05
5,12
4,96
4,67
4,38
Fundo
BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI
CAIXA FMP FGTS VALE I
BRADESCO BA FIC DE FIA
BRADESCO FIC DE FIA
BRADESCO FIC DE FIA IV
BRADESCO FIC DE FIA MAXI
SANTANDER FIC FI ONIX ACOES
ITAU ACOES FI
ALFA FIC DE FI EM ACOES
BB ACOES PETROBRAS FIA
Data
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
75,03
74,37
52,52
52,48
51,68
51,06
47,52
45,53
35,96
11,39
Fundo
ITAU PERS MULT AGRESSIVO FICFI
ITAU PERS MULT ARROJADO FICFI
REAL CAP PROT V GOGH 3 FI MULTIM
ITAU PERS MULT MODERADO FICFI
ITAU PERS K2 MULTIMERCADO FICFI
BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI
CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC
BTG PACTUAL MULTIE FI MULTIM
ITAU PERS MULTIE MULT FICFI
SANTANDER FIC FI ESTRAT MULTIM
Data
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
6/ABR
18,82
14,00
12,04
11,74
9,40
9,30
9,03
8,85
8,64
3,75
1.151,5
992,5
70.950
22.300
1.150,0
991,0
70.865
22.275
1.148,5
989,5
22.250
Fonte: BM&FBovespa
12h
13h
14h
15h
16h
17h
17h
ND
80.000
100
5.000
100
200
30
1.000
100
100
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
2,00
1,90
4,00
4,00
ND
4,00
2,50
4,00
8,50
2,00
200
100
1.000
200
2,81
2,37
2,72
2,11
1,86
2,02
2,14
2,16
1,89
(0,07)
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
2,00
2,00
2,50
2,00
1,50
1,50
1,50
1,10
1,25
2,00
5.000
5.000
10.000
5.000
50.000
20.000
50.000
5.000
50.000
MIDLARGE CAP - MLCX
988,0
1.147,0
10h
1,00
1,00
2,00
2,50
2,47
3,00
4,00
4,00
4,50
5,00
*Taxa de performance. Ranking por número de cotistas.
Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico
22.325
11h
16,24
15,57
2,90
2,90
2,90
2,89
0,76
(0,15)
(1,69)
(2,73)
Rent. (%)
12 meses No ano
994,0
10h
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
MULTIMERCADOS
1.153,0
70.780
1,95
1,95
1,59
1,56
1,48
1,39
1,22
1,15
1,00
0,94
Rent. (%)
12 meses No ano
SMALL CAP - SMLL
Máxima
71.257,35
Mínima
70.531,05
Fechamento 70.792,94
50.000
80.000
30.000
5.000
5.000
5.000
200
50
300
AÇÕES
22.350
71.035
1,00
1,00
1,00
1,10
2,00
1,50
2,50
3,00
3,50
4,00
DI
IBRX-100
(Em pontos)
71.120
2,01
2,01
2,12
1,86
1,73
1,73
1,61
1,46
1,32
1,20
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
10h
17h
10h
17h
46 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
MUNDO
Índia inicia ambicioso censo
Segundo país mais populoso do mundo terá mais de 2 milhões de pessoas trabalhando na coleta de dados
Antonio Milena
A Índia iniciou o que está chamando de o maior censo em
todo o mundo, que o governo
espera venha a ajudar no controle do desperdício na previdência, no aumento da coleta de
impostos e na definição mais
clara de seus consumidores.
Mais de 2 milhões de pessoas trabalharão no censo, cobrindo cerca de 1,2 bilhão de
habitantes, definindo-os em
termos demográficos, socioculturais e econômicos, incluindo parâmetros tais como
telefones celulares, uso da internet e acesso a bancos.
“O Censo de 2011 é o maior
feito desse tipo na história da
humanidade. Nossa meta é
identificar, contar, registrar e
emitir cartões de identificação
para cada cidadão indiano”,
disse o ministro do Interior, Palaniapan Chidambaram .
O Censo no segundo país
mais populoso do mundo é realizado a cada 10 anos. A China,
com uma população de 1,3 bilhão também realiza o recenceamento a cada 10 anos.
Com dois terços da população
em áreas rurais de difícil acesso, o
censo é a principal fonte de dados
para todos, desde fabricantes de
veículos a publicitários que promovem pasta dental e funcionários do governo, encarregados do
planejamento e implantação de
importantes projetos.
Desde a primeira edição, de
1872, também tem sido fundamental no estabelecimento do
eleitorado para as eleições locais e nacionais.
Com o governo acelerando o
lançamento de grandes programas para pobres, tais como empregos nas áreas rurais e seguro
saúde, os dados também ajudarão a localizar desperdícios de
dinheiro público, que um ex-
Com dois terços
da população em
áreas rurais de difícil
acesso, o censo
é a principal fonte
de dados para
fabricantes de
veículos a anunciantes
de pasta dental
e funcionários do
governo, encarregados
do planejamento
e implantação
de projetos
primeiro-ministro calculou em
cerca de 85% do total das despesas gerais.
Os dados ainda ajudarão na
formulação dos planos de investimento e comercialização
das empresas da terceira maior
economia da Ásia.
“Para um país grande como o
nosso, qualquer detalhe que se
tenha sobre a população é sempre útil,” disse Ajit Ranade, economista no Aditya Birla Group.
“Só não sabemos o quanto”.
O governo também gastará,
pela primeira vez, cerca de 35 bilhões de rúpias (US$ 786 milhões)
para preparar o Registro Nacional
da População, que incluirá fotos e
impressões digitais de todas as
pessoas com mais de 15 anos.
O registro abrirá caminho para
o programa de Identificação Única, que tem como meta emitir
um cartão inteligente e um número de identificação para cada
cidadão, facilitando o acesso a
pagamentos da previdência pelo
sistema bancário e melhora na
cobrança de impostos. ■ Reuters
Governo indiano
vai implantar o
Registro Nacional
da População,
que incluirá fotos
e impressões
digitais de todas
as pessoas com
mais de 15 anos
Brasil, Colômbia e Peru, os favoritos
Segundo painel do Fórum
Econômico Mundial na Colômbia,
investidores preferem esses países
Apesar de a condição de anfitriã
lhe permitir apresentar oportunidades de investimentos no
país em um painel especial na
abertura dos debates de ontem
no Fórum Econômico Global da
região, a Colômbia não chega à
quinta edição regional do evento como centro exclusivo das
A importância dos
países emergentes
será cada vez maior,
diz economista
Patrick Ledoux,
de um fundo
de private equity
atenções de empresários e investidores globais. Na região,
Brasil e Peru juntam-se à Colômbia como as economias favoritas para atração de investimentos, expansão de negócios e
implementação de projetos de
infraestrutura. “A Colômbia
teve uma performance mais
forte do que a esperada em
2009, mas o crescimento real do
PIB neste ano ainda deverá ficar
atrás de alguns de seus vizinhos
na região, como Brasil, Chile e
Peru”, resume a Economist Intelligence Unit.
A retomada vigorosa dessas
economias após a crise, no entanto, atraiu para esta edição do
Fórum Econômico Global em
Cartagena um público que inclui gestores de recursos, como
fundos de private equity de
mercados emergentes. A britânica Actis, que administra cerca
de US$ 5 bilhões em ativos in-
vestidos no mundo emergente,
por exemplo, enviou dois representantes à Cartagena. Antes de
viajar para Cartagena, o economista Patrick Ledoux, sócio do
fundo de private equity Actis
América Latina, disse que o
grupo captou US$ 2,9 bilhões no
fim de 2008 para investimentos
em infraestrutura em países
emergentes, ao fechar o fundo
Actis Mercados Emergentes 3
(AEM3). ■ AE
Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 47
Juan Medina/Reuters
O juiz Garzón, impedido de investigar Franco
O juiz espanhol Baltasar Garzón, de 54 anos, não é profeta na própria
terra: depois de ter conseguido encurralar Augusto Pinochet e outros
repressores de ditaduras, deverá ir o banco dos réus em seu país, por
ter tentado investigar os crimes do franquismo. A decisão do magistrado
do Tribunal Supremo, Luciano Varela, de julgá-lo por ter tentado inquirir
sobre esses crimes, sem ter competência para isso, pode resultar
na suspensão de Garzón de suas funções na Audiência Nacional.
AGENDA DO DIA
● Países integrantes da Asean
(Associação do Sudeste da Ásia)
reúnem-se em Hanói.
● O presidente dos EUA, Barack
Obama, tem encontro em Praga
com o presidente russo Dmitri
Medvedev para firmar tratado
de redução de armas nucleares.
Roma apara arestas modernas
BREVES
Filippo Monteforte/AFP
Museu moderno, situado
na parte antiga da capital
italiana, será reformado
A prefeitura de Roma vai reformar o moderno museu situado na parte antiga da cidade. Criticado pelo prefeito da
capital italiana, Gianni Alemanno, a construção causou
polêmica por trazer linhas
modernas à arquitetura clássica da região. A estrutura abriga o altar da paz, erguido no
ano XIII antes de Cristo pelo
imperador Augusto.
A reforma foi anunciada
ontem pelo projetista, o arquiteto americano Richard Meier,
e o próprio Alemanno. O museu, inaugurado há apenas
quatro anos, às margens do rio
Tiber, será cercado por um
jardim. O muro de pedra externo que separa as escadas,
bem como as fontes da entrada, serão demolidos.
O museu foi construído para
enaltecer o altar do Ara Pacis,
um pequeno templo de mármore branco, construído para
celebrar a paz alcançada pelo
imperador Augusto com os
gauleses e a Espanha. Trata-se
da primeira grande obra de arquitetura moderna realizada no
centro histórico da Cidade
Eterna, após o fim da Segunda
Guera Mundial, e sua construção suscitou muitas polêmicas.
“Queremos melhorar o projeto inicial”, disse Richard
Meier. Segundo o arquiteto,o
muro foi construído para conter
o ruído e a forte circulação, pois
fica sobre uma avenida com
muito tráfego. “Se estes proble-
Estrutura foi a primeira grande obra
construída no centro histórico romano
após o fim da Segunda Guerra Mundial
Socorristas de Nova
York sofrem efeitos
do 11 de setembro
Grande parte dos bombeiros e
socorristas nova-iorquinos que
inalaram a poeira provocada
pelo desmoronamento do
World Trade Center, em 11 de
setembro de 2001, sofrem
de problemas pulmonares,
sete anos depois dos
atentados terroristas. Uma
pesquisa, feita com quase
13 mil socorristas e bombeiros
da cidade de Nova York,
se baseia em 62 mil medições
individuais das capacidades
respiratórias. O estudo será
publicado no New England
Journal of Medicine.
Deputados argentinos
iniciam debate sobre
controle das Malvinas
Prefeitura da capital
italiana vai modificar
projeto da arquitetura
moderna do museu,
que contrasta com a
parte antiga de Roma
mas forem eliminados, é uma
boa ideia abrir uma praça sobre
o rio.” Segundo ele, “fazer modificações é algo positivo porque demonstra que a cidade não
está bloqueada”.
“São melhorias”, assegurou
o prefeito Alemanno, estimando que as obras serão concluídas no final de 2013. Por ocasião da inauguração, em abril
de 2006, ele havia denunciado
“a arrogância dos intelectuais
de esquerda perante os cidadãos” por terem permitido a
construção de uma estrutura
tão moderna sem consultar a
população.
Pouco depois da eleição, em
abril de 2008, o prefeito afirmou
que a deslocaria o novo museu
para um bairro periférico, hipótese que aparentemente foi descartada. ■ AFP
Stan Honda/AFP
CALOR SUFOCANTE EM NOVA YORK BATE RECORDE DE 1929
Uma repentina onda
de calor sufocou nesta
quarta-feira à tarde
a cidade de Nova York,
nos Estados Unidos,
que chegou a um recorde
de temperatura: mais
de 32 graus Celsius.
O calor surpreendeu
os nova-iorquinos, que
se dirigiram a parques
e praças apenas duas
semanas depois da
entrada na primavera,
que até então tinha se
mostrado bem fresca.
O calor de ontem bateu o
o recorde absoluto de 31,6
graus registrado em 1929,
segundo especialistas.
Começa hoje uma nova
etapa na disputa entre
Argentina e Inglaterra
pelo controle das Ilhas
Malvinas. O Comitê de Energia
e Combustíveis da Câmara
dos Deputados da Argentina
inicia o debate sobre o projeto
de lei que define limites
à prospecção e exploração
de hidrocarbonetos na
região, na Ilhas Geórgias
do Sul e Sandwich.
As informações da Telam,
agência oficial argentina.
Senador americano
pede por cubano
em greve de fome
O senador democrata de
origem hispânica Robert
Menendez pediu ontem
solidariedade internacional
para salvar a vida do cubano
em greve de fome Guillermo
Fariñas, com quem falou
por telefone na terça-feira.
“A comunidade mundial
deve elevar sua voz para
que seus direitos sejam
honrados e Guillermo Fariñas
possa viver”, disse Menendez
em comunicado.
Oposição peruana pede
o impeachment do
presidente Alan García
O partido Nacionalista
do Peru apresentou ontem
pedido de impeachment
do presidente Alan García
ao Congresso por
“incapacidade moral”,
responsabilizando-o
pela morte de seis
pessoas em protesto
de garimpeiros no domingo.
48 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010
BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A, com sede à Avenida das
Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000
Central de atendimento e venda de assinaturas: 4007 1127 (capitais), 0800 6001127 (demais localidades)
[email protected] - Atendimento ao jornaleiro: 0800 550553 (OESP)
É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômico S.A.
ÚLTIMA HORA
Ex-sócios do Pactual criam seguradora
Um grupo de 20 ex-sócios do Banco Pactual resolveu
apostar no mercado de seguros. Liderados por Gilberto
Sayão, que após a saída do banco no ano passado criou a
empresa de investimentos Vinci Partners, os executivos
acertam os detalhes para a criação de uma seguradora
que atuará com apólices empresariais e de grandes
obras de infraestrutura. Os segmentos de grandes riscos
e garantias de obras e projetos devem movimentar R$ 9
bilhões em prêmios até 2016. A nova seguradora deve se
chamar Vitrus e começou a ser criada a partir do zero e
em sigilo num escritório em São Paulo. Estima-se que,
para atuar na cobertura nacional de grandes riscos,
uma empresa necessite de, no mínimo, R$ 40 milhões
em capital, mas dinheiro deve não deve ser problema
para a nova seguradora. A empresa de investimentos de
Gilberto Sayão e seus sócios nasceu há menos de um
ano com R$ 5 bilhões de ativos em administração.
A estratégia da nova seguradora é mantida em segredo e ninguém envolvido na operação comenta o assunto. Sayão é avesso a fotos e entrevistas. Segundo duas
fontes próximas, os ex-sócios do Pactual ficaram animados com as perspectivas para o mercado de seguros e
seu potencial de crescimento, em meio a obras para o
pré-sal, Copa do Mundo, Olimpíada, trem-bala, construção civil, concessões rodoviárias e estaleiros. Para
tocar a Vitrus, foi contratado Carlos Frederico Ferreira,
que era diretor da Fator Seguradora, empresa criada há
dois anos pelo Banco Fator para a área de crédito e garantias. Sayão era sócio de André Esteves no Pactual,
atualmente no BTG, e a sociedade foi desfeita em meados do ano passado, em meio ao fim do acordo societário do banco brasileiro com o suíço UBS. ■ AE
Andrew Harrer/Bloomberg
US Airways e United
Airlines negociam fusão
Ricardo Galuppo
[email protected]
Diretor de Redação
O governador Cabral
e o direito ao desabafo
O tom era de desabafo. Mas o governador Sérgio Cabral foi muito lúcido na última terça-feira, quando
culpou a demagogia pela quantidade absurda de
mortes em função das chuvas que desabaram sobre o
Rio de Janeiro. Cabral criticou as pessoas que construíram casas em áreas de risco, mas não deixou de
fora aqueles que — mais no Rio do que em outras
grandes cidades — têm o hábito de condenar como
autoritária qualquer tentativa do poder público de
colocar ordem em um modelo urbano falido. O Rio e
o Brasil estão de luto pelas mais de 130 mortes desta
semana. Mas também estão diante de uma oportunidade única de encarar problemas que se acumularam
ao longo de décadas. Sem ignorar que a quantidade
de chuvas que caiu sobre a cidade foi anormal, o Rio
apresenta problemas que se manifestam de maneira
distinta. Mas, no fundo, têm uma mesma causa: a
falta de vontade de resolvê-los.
Sem entrar no mérito do volume
anormal de chuvas, o Rio tem
problemas com reflexos distintos
e uma causa comum: a omissão
As companhias aéreas US Airways e United Airlines estão em negociações avançadas de fusão, segundo o jornal The New York Times. Um eventual acordo resultaria
na criação de uma das maiores linhas aéreas do mundo.
Segundo um alerta publicado no site do jornal, a
US Airways teria o papel de compradora, embora isso
não tenha sido mencionado na reportagem. Em fevereiro, executivos das duas empresas aéreas afirmaram que
estariam abertos a uma fusão, e que o setor precisa de
consolidações para voltar à lucratividade. ■ Reuters
Justiça seja feita, Cabral é o primeiro governante
do Rio que, em muitos anos, não lavou as mãos diante da violência e do tráfico de drogas nas favelas nem
tentou cobrir esse lixo com o tapete dos “problemas
sociais” insolúveis. Ao ordenar a ocupação de algumas comunidades pela polícia, seu governo fez a primeira tentativa da história de levar segurança a cidadãos normalmente desassistidos nesse quesito. Meses atrás, quando falou em construir muros para evitar que a construção desordenada de casas em alguns dos morros da cidade avançasse sobre áreas de
preservação, o governador foi acusado de tentar segregar as populações das favelas. Agora, todo mundo
vê que a medida não apenas é necessária como, talvez, não seja suficiente para resolver o problema.
As mortes no Rio foram provocadas por construções
em áreas de risco, pelo lixo acumulado nas encostas e,
acima de tudo, pela inépcia de autoridades que, no
passado, viram problemas como esses se alastrar e não
agiram para resolvê-los. Cabral não pode ser acusado
de omissão: já estava agindo antes de a tragédia acontecer. Tem, portanto, o direito de desabafar. ■
Ações da Palm disparam
com rumores de venda
As ações da Palm dispararam 20% ontem devido ao ressurgimento de boatos de que a fabricante de smartphones pode ser alvo de uma proposta de aquisição. Empresas como Dell, Microsoft e Motorola foram citadas como
possíveis compradoras. Outra que estaria no páreo é a
Lenovo, que tenta ampliar sua presença no mercado de
aparelhos móveis. Os papéis da empresa haviam despencado 60% neste ano com temores sobre queda nas
vendas. A Palm não quis comentar o caso. ■ Reuters
www.brasileconomico.com.br
DESTAQUE
MAIS LIDAS ONTEM
Itaú Unibanco deve vender US$ 1 bilhão em bônus
●
Análise: petróleo deve superar US$ 100 em setembro
A instituição quer captar até US$ 1 bilhão com uma
emissão de bônus com prazo de dez anos que pode
ser concluída ainda nesta semana, afirmou ontem
à Reuters uma fonte próxima ao assunto. O banco
quer oferecer um prêmio de até 250 pontos-base acima
do rendimento dos papéis do Tesouro americano.
●
EUA irão liderar recuperação entre países desenvolvidos
●
Bônus da Argentina caem após juiz congelar ativos
●
Cade aprova compra de fatia do Votorantim pelo BB
●
Camargo Corrêa e Odebrecht estão fora de Belo Monte
Acompanhe em tempo real
www.brasileconomico.com.br
Leia versão completa em
www.brasileconomico.com.br
ENQUETE
Você acha que
o Ibovespa
manterá no
mês de abril
a tendência
positiva exibida
em março?
Sim
76%
Não
24%
Fonte: BrasilEconomico.com.br
Vote em
www.brasileconomico.com.br
Download

empresas - Brasil Econômico