www.brasileconomico.com.br mobile.brasileconomico.com.br QUINTA-FEIRA, 8 DE ABRIL, 2010 | ANO 2 | Nº 147 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR-ADJUNTO DARCIO OLIVEIRA | R$ 3,00 Claudio Gatti Brinquedos O presidente da Estrela, Carlos Tilkian, parte para a conquista do Nordeste. ➥ P22 Pesquisa A partir de 2011, os países emergentes receberão mais investimentos que os ricos. ➥ P12 Aviação Com espaço limitado em Guarulhos, TAP passa a voar a partir de Viracopos. ➥ P28 Carlos Moraes/AE INDICADORES Jogo sujo: chuvas levaram lama ao interior do Maracanã e impediram a realização de partida pela Copa Libertadores ▲ ▲ ▼ ▼ ▲ ■ ▼ ▼ ▼ ▼ ▼ ▲ TAXAS DE CÂMBIO COMPRA Dólar Ptax (R$/US$) 1,7654 1,7760 Dólar Comercial (R$/US$) Euro (R$/€) 2,3573 Euro (US$/€) 1,3353 Peso Argentino (R$/$) 0,4550 JUROS META 8,75% Selic (a.a.) BOLSAS VAR. % -0,43 Bovespa Dow Jones -0,66 Nasdaq -0,23 FTSE 100 -0,32 S&P 500 -0,59 1,82 Hang Seng 7.4.2010 VENDA 1,7662 1,7780 2,3588 1,3355 0,4558 EFETIVA 8,65% ÍNDICES 70.792,94 10.897,52 2.431,16 5.762,06 1.182,45 21.928,77 CCBs na mira da indústria de fundos Rio pede R$ 370 milhões ao governo federal Verba seria utilizada para obras emergenciais de drenagem e contenção de encostas na cidade Em encontro com o ministro da Integração Nacional, João Reis Santana, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, pediu apoio financeiro para a cidade. Os R$ 370 milhões seriam usados para drenar e conter encostas. No entanto, cerca de R$ 80 milhões orçados no ano passado para os mesmos fins não foram usados pela prefeitura. Paes diz que já tem projetos e irá iniciá-los de qual- quer forma. Até o começo da noite de ontem, 133 pessoas haviam morrido por causa das chuvas no estado. Os prejuízos para comércio, indústria e seguradoras devem somar R$ 200 milhões. ➥ P4 Odebrecht e Camargo Corrêa fora de Belo Monte As companhias divulgaram nota em que afirmam não ter encontrado “condições econômico-financeiras” para participar da disputa. A decisão foi comunicada após o encerramento do prazo da Eletronorte para o cadastramento de chamada pública pela qual os dois grupos poderiam se associar à empresa do grupo Eletrobras. ➥ P36 Arrecadação volta aos níveis pré-crise O luxo de Diane von Furstenberg chega ao Brasil Bancos querem fidelizar filhos de clientes abonados Otacílio Cartaxo, secretário da Receita Federal, vislumbra um ano “bastante positivo” e prevê expansão de 12%. No primeiro bimestre, o aumento foi de 13,46%. ➥ P16 Primeira loja da estilista no país vende 5 vezes mais que o esperado em uma semana. Ela ainda vai lançar linha de decoração e de aromatizadores de ar com a Coteminas. ➥ P24 Herdeiros das contas de private banking estão no foco de relacionamento de HSBC e Bradesco, que organizam eventos para debater liderança e proteção patrimonial. ➥ 38 A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) solicitou a todos os administradores que enviem informações sobre a exposição das carteiras a Cédulas de Crédito Bancário. Os papéis, lastreados em empréstimos concedidos para empresas, têm sido alvo de situações de inadimplência, causando impacto na rentabilidade dos fundos. As CCBs são consideradas títulos de crédito menos robustos que as debêntures e outros papéis. Elas podem ser emitidas também por empresas de capital fechado, ➥ P40 2 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 NESTA EDIÇÃO Divulgação Em alta Jatos franceses tidos como favoritos Para ministro da Defesa, a Dassault é a única que garante transferência total de tecnologia ao país. Relatório da concorrência fica pronto na próxima semana. ➥ P17 Divulgação Fazenda de Canhedo vai a leilão A Fazenda Piratininga, avaliada em R$ 615 milhões, deverá ser leiloada na segunda-feira, na 14ª Vara do Trabalho, em São Paulo, para saldar dívidas trabalhistas da Vasp. ➥ P20 Sergipe ganha fábrica de brinquedos TAP fará voos mistos de Viracopos para Lisboa A perspectiva de crescente expansão do transporte aéreo de cargas no Brasil, e a impossibilidade de conseguir mais frequências em Cumbica, levou a companhia aérea portuguesa a escolher o aeroporto de Viracopos, em Campinas, como nova base de seus aviões na rota para Lisboa. O voo de estreia está previsto para o próximo dia 3 de junho, com três frequências semanais (terças, quintas e sábados), que ampliarão em 45 toneladas a oferta de carga nos dois sentidos. Como os voos serão mistos, a companhia também espera ampliar o número de passageiros de São Paulo para a Europa. ➥ P28 Emergentes serão o destino preferido dos investimentos Contorno de BH terá R$ 200 milhões Murillo Constantino “É um projeto muito mais urbano que ferroviário, com impacto direto na cidade de Belo Horizonte”, diz Marcelo Spinelli, presidente da Ferrovia Centro-Atlântica. ➥ P32 Economistas ignoram a natureza Empresas e governo não fazem o suficiente para acabar com o mito de que economia e meio ambiente são fatores distintos, avalia Hugo Penteado, do grupo Santander. ➥ P11 Mais R$ 137 bi na cadeia da construção O cálculo é da Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido da Abramat, e se refere ao volume anual que será injetado no setor pelo PAC 2, incluindo o Minha Casa, Minha Vida. ➥ P14 A conquista dos herdeiros de fortunas Marcela Beltrao Previsão é da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) e se baseia em dados que mostram a expansão do consumo em países como Brasil, China e Índia, e o crescente volume de investimentos estrangeiros nas nações emergentes que aumentaram em 60% nos últimos dez anos, em comparação com apenas 24% nos países desenvolvidos. “Há desconcentração dos investimentos diretos estrangeiros tendência que deve se acelerar ao longo dessa década e beneficiar países em desenvolvimento como o Brasil”, afirma Luís Afonso Lima, economista da Sobeet. ➥ P12 “Queremos dar o suporte para os filhos de nossos clientes, que serão nossos futuros clientes”, afirma Luciene Franzim, diretora de Soluções para Clientes do HSBC Private. ➥ P38 Alfa inclui gestão de hotéis na receita Nova empresa do grupo comandado por Aloysio de Andrade Faria, ex-dono do Banco Real, inicia operações gerindo 17 hotéis sob a bandeira de flats da Rede Transamérica. ➥ P26 Linde investe R$ 100 mi em Camaçari Fábrica produzirá 300 toneladas diárias de gases do ar (oxigênio, nitrogênio e argônio). Estão previstas mais duas unidades, em Resende e em Barra Mansa, no Rio. ➥ P31 Igo Estrela Arrecadação cresce com retomada e fiscalização A terceira unidade da Estrela no país será inaugurada em agosto no povoado Serra do Machado, em Ribeirópolis (SE). Com isso, os brinquedos ficarão 10% mais baratos. ➥ P22 Pneu velho também gera energia Anbima pede informações sobre CCBs Entidade criada por fabricantes coleta pneus inservíveis que são triturados e destinados, entre outras finalidades, à produção de vapor em caldeiras. ➥ P18 Entidade pede às instituições administradoras de fundos que enviem até segunda-feira um relatório sobre os níveis de exposição das carteiras a esses papéis. ➥ P38 Uma safra de 146 milhões de toneladas Poupança tem R$ 327 bi em depósitos Chuvas nas regiões produtoras, antecipação do plantio da soja em Mato Grosso e ampliação do plantio do milho contribuíram o novo recorde, segundo a Conab. ➥ P15 Apesar da baixa captação líquida, de R$ 538,08 milhões (depósitos menos saques) em março, o acumulado de R$ 4,246 bilhões no trimestre é o maior desde 1997. ➥ P43 Brendan Hoffman/Bloomberg Expectativa do secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, é de que o ano será “bastante positivo”, com crescimento real acima de 12%. Somente no primeiro bimestre o volume arrecadado superou em 13,46% o de igual período de 2009, incremento que, de acordo com o secretário, deve ser atribuído à retomada da atividade econômica, mas sem descartar a continuidade das ações fiscais. Com essas ações, ele planeja ampliar em 10% os lançamentos de créditos que, em 2009, somaram R$ 85 bilhões. O fim da isenção do IPI para veículos e linha branca possibilitará, segundo Cartaxo, acréscimo de R$ 6 bilhões na arrecadação. ➥ P16 A FRASE “Os jornais devem colocar um muro em seu conteúdo” Rupert Murdoch, presidente da News Corp, conclamando os dirigentes de empresas de comunicação a impedir que sites de busca como o Google e o Bing, da Microsoft, exibam reportagens gratuitamente. O empresário é dono, entre outros, de títulos como o Wall Street Journal e Times. Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 3 EDITORIAL Antonio Milena As águas de abril que destroem o Rio DIANE VON FURSTENBERG, ESTILISTA Não deixa de ser espantoso que, até a última contagem antes do fechamento desta edição, 133 pessoas tenham morrido nos últimos dias no estado do Rio de Janeiro. As chuvas de março que resolveram cair em abril — como poetizam alguns — não eram previstas. Está certo. Mas, se avançarmos um pouco nessa direção, não importa realmente quando as chuvas caem, se ao cair causam tragédias dessa natureza. O que importa é analisar por que os estragos acontecem e, o mais fundamental, se poderiam ter sido evitados. O Comércio estima que as perdas em faturamento, desde segunda-feira, superem R$ 170 milhões Os morros do Rio viraram local de moradia há muito tempo, apesar de não serem ideais para esse fim. O cimento continua a cobrir, mais e mais, todo pedaço de solo tanto no Rio quanto em São Paulo e em inúmeras outras cidades brasileiras. Mas a chuva continua a cair, e precisa necessariamente de algum local para onde escorrer. Até crianças nos anos de estudo fundamental sabem disso, se instadas a pensar no assunto. Não escorrendo, transbordam rios, alagam ruas, invadem casa, desabam morros. O comércio do Rio estima que as perdas, em faturamento, somem mais de R$ 170 milhões. A indústria acredita que tenha perdido 40% de suas vendas. Os prejuízos para as seguradoras podem chegar a R$ 60 milhões apenas com o sinistro de automóveis. No total, a chuva pode ter levado R$ 200 milhões do estado, segundo apenas essas estimativas, que não incluem perdas de propriedades privadas e bens impossíveis de quantificar. Ontem a prefeitura carioca pediu R$ 370 milhões ao governo federal para obras de drenagem e contenção de encostas na cidade. O problema é que cerca de R$ 80 milhões que já haviam sido orçados para prevenir enchentes na cidade no ano passado não foram usados. Menosprezar recursos públicos para melhorar a infraestrutura parece ser prática generalizada. Apenas 1% dos R$ 1,7 milhão do governo federal para o Plano Municipal de Redução de Riscos de 2009 foi usado, como relatado a partir da página 4. ■ “Foi muito além das minhas expectativas”, afirma a estilista belga Diane von Furstenberg ao ver que sua loja recém-inaugurada no Shopping Iguatemi, em São Paulo, vendeu em uma semana cinco vezes mais que o previsto. Em 2011, a grife chega ao Iguatemi de Brasília. ➥ P24 Diretor de Redação Ricardo Galuppo Diretor-adjunto Darcio Oliveira [email protected] BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A. Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos Diretor-Presidente José Mascarenhas Diretor e Jornalista Responsável Ricardo Galuppo Redação, Administração e Publicidade Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP), Tel. (11) 3320-2000. Fax (11) 3320-2158 Editores Executivos Costábile Nicoletta, Fred Melo Paiva, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa Produção Editorial Clara Ywata Editores Arnaldo Comin e Rita Karam (Empresas), Carla Jimenez (Brasil), Cristina Ramalho (Outlook e FS), Laura Knapp (Destaque), Márcia Pinheiro (Finanças) Subeditores Claudia Bozzo (Brasil), Fabiana Parajara, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Luciano Feltrin (Finanças), Maeli Prado (Projetos Especiais), Phydia de Athayde (Outlook e FS) Repórteres Amanda Vidigal, Ana Luisa Westphalen, Ana Paula Machado, Carlos Eduardo Valim, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Daniela Paiva, Denise Barra, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Elaine Cotta, Fábio Suzuki, Françoise Terzian, Ivone Santana, João Paulo Freitas, Juliana Elias, Karen Busic, Luiz Henrique Ligabue, Luiz Silveira, Lurdete Ertel, Marcelo Cabral, Maria Luiza Filgueiras, Mariana Celle, Mariana Segala, Marina Gomara, Martha S. J. França, Natália Flach, Natália Mazzoni, Nivaldo Souza, Paulo Justus, Priscila Machado, Regiane de Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Folego, Vanessa Correia Brasília Simone Cavalcanti, Sílvio Ribas Rio de Janeiro Daniel Haidar, Ricardo Rego Monteiro BRASIL ECONÔMICO On-line Marcel Salim (Editor), Conrado Mazzoni, Michele Loureiro, Micheli Rueda (Repórteres), Rodrigo Alves (Webdesigner) Arte Pena Placeres (Diretor), Betto Vaz (Editor), Cassiano de O. Araujo, Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodrigues, Renato B. Gaspar, Tania Aquino, (Paginadores) Infografia Alex Silva (Chefe), Monica Sobral, Rubens Neto Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Henrique Manreza, Murillo Constantino (Fotógrafos), Angélica Bueno, Thais Moreira (Pesquisa) Tratamento de imagem Henrique Peixoto, Luiz Carlos Costa Secretaria/Produção Shizuka Matsuno Departamento Comercial Heitor Pontes (Diretor Executivo), Sofia Pimentel (Assistente Executiva) Publicidade Comercial Gian Marco La Barbera (Diretor), Juliana Farias, Renato Frioli, Valquiria Resende, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Márcia Abreu (Gerente de Publicidade), Alisson Castro, Bárbara de Sá, Celeste Viveiros, Edson Ramão, Vinícius Rabello (Executivos de Negócios), Andreia Luiz, Solange Ferreira dos Santos (Assistentes) Publicidade Legal Marco Panza (Diretor Comercial), Ana Alves, Carlos Flores, Celso Nedeher (Executivos de Negócios), Alcione Santos (Assistente Comercial) Departamento de Marketing Evanise Santos (Diretora), Samara Ramos (Coordenadora) Operações Cristiane Perin (Diretora) Departamento de Mercado Leitor Flávio Cordeiro (Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Diretoria), Carlos Madio (Gerente Negócios), Anderson Palma (Coordenador Negócios), Rodrigo Louro (Gerente MktD e Internet), Giselle Leme (Coordenadora MktD e Internet), Lea Soler (Gerente Tmkt ativo), Silvana Chiaradia (Coordenadora Tmkt ativo), Alexandre Rodrigues (Gerente de Processos), Denes Miranda (Coordenador de Planejamento) Central de atendimento e venda de assinaturas 4007 1127 (capitais) 0800 600 1127 (demais localidades). De segunda a sexta, das 7h às 20h Sábado, das 7h às 15h [email protected] TABELA DE PREÇOS Assinatura Nacional Trimestral R$ 167,00 Semestral R$ 329,00 Anual R$ 648,00 Condições especiais para pacotes e projetos corporativos (circulação de segunda a sábado, exceto nos feriados nacionais) Impressão: Oceano Ind. Gráfica e Editora Ltda.- SP/MG/PR/RJ FCâmara Gráfica e Editora Ltda. - DF/GO RBS - Zero Hora Editora Jornalística S.A. - RS/SC 4 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 DESTAQUE RIO DE JANEIRO Prefeitura pede R$ 370 milhões Nos primeiros três meses de 2010, prefeitura do Rio usou apenas 5% da verba contra enchentes. Durante todo Daniel Haidar [email protected] Mesmo sem ter usado cerca de R$ 80 milhões autorizados no orçamento para prevenir enchentes no ano passado, a Prefeitura do Rio de Janeiro pediu ao governo federal ontem cerca de R$ 370 milhões para obras emergenciais de drenagem e contenção de encostas na cidade. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ) se reuniu com o ministro da Integração Nacional, João Reis Santana, em busca de apoio financeiro. Com o subsídio federal ou não, Paes disse que vai começar a tocar os projetos. Para 2010, a prefeitura do Rio tem 10 planos autorizados no orçamento para drenagem e contenção de encostas, que somam R$ 127 milhões. Mas até ontem, a 3 meses e 7 dias do começo do ano, só R$ 6,6 milhões foram utilizados (5% do previsto), segundo levantamento do vereador Paulo Pinheiro (PPS-RJ), que faz oposição ao governo. “Só 5% em três meses é inaceitável. Foi um grave erro de execução orçamentária”, diz Pinheiro. “Antes de pedir dinheiro aos outros, temos que gastar o nosso melhor”, criticou. Questionado sobre os motivos de a prefeitura só ter utilizado cerca de 30% do orçamento autorizado em 2009 para o programa de combate a enchentes, Paes disse que não “ia entrar nesta discussão”. “Estamos vivendo situação de contingência. Se quiserem levantar esse numero, não vou pedir que técnicos se dediquem a esse debate agora”. Dez planos de drenagem e contenção de encostas têm orçamento autorizado de R$ 127 milhões O prefeito não apresentou detalhes das propostas que vão pleitear subsídio federal, mas afirmou que, dessa verba, cerca de R$ 270 milhões vão ser gastos em obras de drenagem na Praça da Bandeira, o principal corredor de ligação da Zona Norte com a Zona Sul e o centro do Rio. As ruas da região ficam frequentemente alagadas, porque estão em uma planície ocupada do rio Maracanã. Também é considerada uma área estratégica para a cidade, porque é o corredor de acesso ao estádio do Maracanã. De acordo com Paes, o projeto para a drenagem da Praça da Bandeira teria como solução a construção de um túnel para as águas do rio Maracanã serem escoadas. Cerca de R$ 100 milhões foram pedidos para obras de contenção de encostas em pontos críticos de deslizamentos da ci- dade. Até o início da noite de ontem, o Corpo de Bombeiros tinha localizado 133 mortos no estado do Rio de Janeiro por causa das chuvas. Na capital fluminense, foram 46. A maioria das vítimas morava no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Segundo a prefeitura, foram removidas 5.790 toneladas de lama e lixo ontem após os temporais. O prefeito prometeu que removerá cerca de 2 mil famílias do Morro dos Prazeres e da favela da Rocinha, por causa dos riscos de desabamentos. “Vamos trabalhar isso com a maior urgência possível”. Um dos pedidos da prefeitura e do governo do estado para o governo federal já foi aceito, segundo o prefeito. Cerca de quatro mil moradias populares devem ser ofertadas a famílias que vivem em áreas de risco. ■ Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 5 LEIA MAIS Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) poupa Cabral e Paes de críticas, e responsabiliza administrações dos últimos 25 anos no estado e no município. PAC 2 prevê R$ 11 bilhões para obras de prevenção de acidentes naturais. Para secretário do Ministério das Cidades, o que falta é demanda e projetos das prefeituras. Seguradoras deverão pagar R$ 60 milhões em indenizações no Rio, segundo Sindicato dos Corretores de Seguros do RJ. Maiores perdas serão no segmento de veículos. Celso Pupo/Fotoarena Perdas somam mais de R$ 200 milhões Comércio espera faturamento R$ 170 milhões menor em abril, enquanto corretoras projetam sinistros de R$ 60 milhões Ricardo Rego Monteiro [email protected] Até o fim do dia de ontem, foram removidas 5.790 toneladas de lixo e lama no Rio ao governo federal o ano passado, somente 30% foram investidos Só agora a indústria e o comércio começam a contabilizar os prejuízos provocados pelas chuvas que se abateram sobre a região metropolitana do Rio de Janeiro no início da semana. Enquanto o comércio calcula uma perda de faturamento que pode superar os R$ 170 milhões, a indústria fluminense projeta perdas de até 40% do faturamento. O setor segurador, por sua vez, prevê prejuízo que pode chegar a R$ 60 milhões no Rio, se levada em consideração uma estimativa de 8 mil sinistros só no segmento de veículos, dos quais 1.500 com perda total (leia mais nas páginas seguintes). Presidente da Câmara dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL), Aldo Gonçalves avalia a perda como resultado de uma queda de até 90% do faturamento do setor. Diferentemente da CDL, no entanto, o economista chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central, calcula uma perda de 20% no faturamento do setor no Rio. Para o economista, o maior prejudicado foi o pequeno comerciante, que responde, em média, por 40% da receita total do segmento. Impacto na Grande Rio Marcos de Paula/AE Gonçalves, da CDL, afirmou, no entanto, que as perdas para o comércio do Rio poderiam ter sido maiores se as chuvas tivessem caído na semana passada ou durante o fim de semana. Justificou que, se isso tivesse ocorrido, poderia ter compro- Para o economista Carlos Thadeu de Freitas, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o maior prejudicado foi o pequeno comerciante, que responde por 40% da receita média do setor varejista metido as vendas da Páscoa, uma das três datas mais esperadas, no ano, pelo setor varejista. Levantamento preliminar promovido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), por telefone, constatou que o maior impacto se deu para os negócios localizados na região Leste do estado (Niterói e São Gonçalo) e no chamado Grande Rio. Nessas localidades, há relatos de empresas que permaneceram fechadas na terça-feira por falta de funcionários que não conseguiram chegar ao trabalho. Para a pesquisa, a Firjan realizou contatos telefônicos com executivos de 28 empresas, das quais três de grande porte, nove médias e 16 pequenas. No total, as empresas respondem pelo emprego direto de mais de 4 mil funcionários. Só na próxima semana, no entanto, a entidade espera dispor de informações mais completas sobre os danos à indústria do estado. Até lá, será preparado um grande levantamento com todos os associados. ■ LADO POSITIVO Produção em regiões importantes, como o sul e o norte fluminense, foi poupada O governador Sérgio Cabral e o ministro Santana: em busca de apoio financeiro O menor impacto para a indústria fluminense se deu nas regiões Norte, que reúne importantes municípios como Campos dos Goitacazes e Macaé; Noroeste (Itaperuna); Baixada Fluminense (Duque de Caxias e Nova Iguaçu); Serrana (Petrópolis); Centro-Norte (Nova Friburgo); e Sul (Resende e Porto Real) do estado. Nessas áreas não foram relatados maiores problemas para a produção industrial, embora tenham sido identificadas altas taxas de ausência de funcionários, o chamado absenteísmo, nos escritórios comerciais, localizados a maior parte no centro do Rio. A Firjan mobilizou as 57 sedes do Serviço Social da Indústria (Sesi) para o recebimento de donativos às famílias desabrigadas no estado. 6 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 DESTAQUE RIO DE JANEIRO Firjan defende Cabral e Paes de responsabilidade O QUE A ÁGUA LEVOU Vice-presidente da federação atribui mortes a descaso das administrações municipais e estaduais dos últimos 25 anos Ricardo Rego Monteiro Divulgação [email protected] As chuvas que caíram sobre o Rio de Janeiro no início da semana evidenciaram um problema de infraestrutura mais do que conhecido no estado, mas que, de agora em diante, deverá permanecer na ordem do dia, até como pré-condição para o sucesso de eventos como os Jogos Olímpicos de 2016. A avaliação é do vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Carlos Mariani Bittencourt, que faz questão de poupar de responsabilidade, no entanto, o governador do estado, Sérgio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes. Para Mariani, as mais de 100 mortes confirmadas até agora podem ser atribuídas ao que classificou de mais de 20 anos de descaso das sucessivas administrações municipal e estadual do Rio. O vice-presidente da Firjan faz questão de exaltar não só a resposta dada por Cabral e Paes, como também a capacidade de articulação do poder público local com o governo federal. “Hoje temos governos confiáveis tanto no estado quanto na prefeitura. Isso é algo inédito nas administrações do estado e do município nesses últimos 25 anos. Sem contar a articulação com o governo federal, que é o primeiro passo para se resolver o problema”, elogia o dirigente. Embora faça questão de demonstrar otimismo em relação ao governo, o executivo admite certo ceticismo com as perspectivas de solução do problema, no Carlos Mariani Vice-presidente da Firjan “Arrumar o Rio para os Jogos Olímpicos é um desafio tremendo, pois o Rio é uma cidade que se desorganizou por completo nas últimas décadas. É um problema para uma geração ou mais” futuro. Os problemas do Rio, que incluem não só as deficiências de infraestrutura na região metropolitana, só começarão a ser corrigidos, de acordo com o empresário, no espaço de uma geração (25 anos). Insuficiente para preparar a cidade para os Jogos Olímpicos, tal prazo se justifica, de acordo com Mariani, pela necessidade não só de investimentos materiais, mas de aprendizado da própria população, com a incorporação de valores como cidadania. “Arrumar o Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos é um desafio tremendo, pois o Rio é uma cidade que se desorganizou por completo nas últimas décadas. O problema é que trazer esses valores de cidadania é um desafio para uma geração, talvez até duas”, critica o dirigente, ao ressaltar, no entanto, a importância dos investimentos em infraestrutura. “A necessidade de uma boa infraestrutura, principalmente de drenagem, no Rio, é maior até do que até em outras cidades do país, dada suas características geográficas .” Medidas menos complexas Além da melhoria da drenagem, Mariani identifica medidas menos complexas capazes de minimizar o risco de novos problemas em decorrência das chuvas. Como exemplo, cita o aperfeiçoamento no sistema de coleta de lixo. Também vê a necessidade de organização do sistema viário, não só com investimentos em infraestrutura de rodagem, mas com medidas que contribuam para melhorar o fluxo do tráfego. ■ INFRAESTRUTURA Geografia dificulta, mas obras podem ajudar, dizem especialistas A geografia carioca dificulta o escoamento das águas das chuvas. Elas descem dos morros em um ritmo que dificulta a drenagem. Entopem corredores e galerias fluviais e chuvas intensas, como a dos últimos dias, dificultam ainda mais o escoamento para a costa litorânea da região. “O Rio de Janeiro tem uma topografia muito ingrata, que acumula água muito rapidamente nas áreas planas, abaixo da bacia de montanhas. É muito difícil fazer um sistema que seja eficiente”, diz o professor Paulo Cesar Rosman, do departamento de recursos hídricos e meio ambiente da Coppe. Mas obras estruturais nas principais bacias hidrográficas, como a Lagoa Rodrigo de Freitas, e a Lagoa de Jacarepaguá, podem melhorar o sistema de drenagem atual, de acordo com especialistas. “Se as obras são construídas para “reter” parte da água de chuva, resultará menor volume escoado. Além disso, há obras específicas para detenção, como aquelas construídas em São Paulo que, ainda não “resolvendo” o problema, conseguem reduzi-lo”, diz o professor Cezar Augusto Pompeo, do departamento de engenharia ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele destaca, contudo, que um aspecto cultural agrava o problema. Quanto mais lixo as pessoas jogam nas ruas, mais entupidas ficam as galerias de drenagem. Então se não houver educação para popularizar algo tão básico, as inundações só podem piorar. população. Daniel Haidar Falta demanda dos Só 1% de recursos do governo federal foram utilizados Carolina Alves [email protected] Um terço do orçamento de saneamento previsto para a segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) será destinado a obras que contemplem prevenção de enchentes e inundações em área de risco. Ao todo, R$ 11 bilhões devem ser desembol- sados até 2015 para obras de contenção de encostas e controle de enchentes. Se for considerado o histórico de gastos na contenção de acidentes dessa natureza, a tendência é de que grande parte da verba não seja utilizada. Apenas 1% do total de R$ 1,7 milhão que o governo reservou para o Plano Municipal de Redução de Riscos em 2009, programa que auxilia municípios a promover estudos geológicos e identificar áreas de risco, foi Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 7 Fotos: Patricia Santos Alexandre Brum/AE Deisi Rezende/AE Estudantes, trabalhadores, motoristas, todos foram afetados pelas chuvas dos últimos dias no Rio. Escolas estaduais, municipais e creches ficaram fechadas algumas reabrem hoje. Apesar do trabalho de limpeza, o Maracanã não está pronto e o jogo entre Flamengo e Universidad do Chile, marcado para hoje, foi vetado pela prefeitura. municípios por verba de prevenção de enchentes utilizado no período, segundo dados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Somente São Paulo e Rio de Janeiro receberam cada cerca de R$ 200 mil. “Enchentes são desastres naturais quase imprevisíveis, mas deixar a Vila Pantanal 15 dias embaixo de água é simplesmente inadmissível”, afirma o secretário de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, Celso Carvalho. Para ele, não falta verba, o que falta é “ Deixar a Vila Pantanal 15 dias embaixo d´água é simplesmente inadmissível Celso Carvalho, secretário do Ministério das Cidades planejamento. “As prefeituras precisam se preparar para esse tipo de acidente, que está se tornando cada vez mais comum. R$ 200 mil é pouco, de fato, mas a maioria das cidades não fazem planos concretos para contenção de risco, como obras de drenagem, de remanejamento de habitações em áreas perigosas”, analisa. Mesmo com a baixa demanda para o Plano de Redução, Celso acredita que o PAC 2 não terá o mesmo destino. “A ini- ciativa será pública, e não privada, e estará no Plano Plurianual, então é mais garantido. Receberemos os projetos dos municípios e escolheremos aqueles que receberão a verba. Abriremos o processo de seleção ainda nesse semestre”, anuncia. A fiscalização dos projetos ficará por encargo do Ministério. Segundo a pasta, no Brasil existem 203 municípios em áreas de risco. O caso mais recente de enchentes foi no Rio de Janeiro, mas o ano já começou com um grave acidente. Em 1º de janeiro, uma pousada desabou em Angra dos Reis deixando mais de 20 mortos. O excessivo volume de chuvas também gerou alagamento em São Paulo, Osasco e São Luiz do Paraitinga. Outro acidente que mobilizou o país foi o deslizamento de terras em Santa Catarina, em 2008. Foram registradas 135 mortes e 78 mil pessoas desabrigados, segundo a Defesa Civil Estadual. ■ 8 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 DESTAQUE RIO DE JANEIRO Prejuízo para seguradoras deve atingir R$ 60 milhões Estimativa é do Sincor-RJ, que prevê maiores perdas no segmento de automóveis afetados pelas enchentes Sergio Moraes/Reuters Ocorrências de atendimento a automóveis aumentaram quase 40% nos últimos dois dias só na Porto Seguro Ricardo Rego Monteiro e Thais Folego [email protected] O setor de seguros deverá arcar com um prejuízo da ordem de R$ 60 milhões por causa das chuvas no Rio de Janeiro, segundo estimativas do Sindicato dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro (Sincor-RJ). As perdas devem se concentrar principalmente no segmento de veículos, diz Henrique Brandão, presidente do Sincor-RJ. Ele calcula uma incidência de, no mínimo, 8 mil sinistros só com veículos na região do Grande Rio. Desses, 1.500 envolveriam casos de perda total. Somente uma concessionária de veículos na Tijuca, na Zona Norte da Cidade, perdeu 80 carros com o desabamento do teto do local. Entre domingo e ontem, a média de atendimento de ocorrências com veículos na Porto Seguro foi 37% maior que nos dias normais, com maior volume na segunda-feira (46%). “Entre a noite de segunda e durante toda a terça-feira, as ocorrências diretamente relacionadas aos alagamentos atingiram 38% do total de veículos socorridos pelo Porto Seguro Auto”, explica Milton Oliveira, gerente do atendimento da seguradora, que no Estado do Rio é responsável por uma frota de cerca de 250 mil veículos segurados. Para atender todos os casos, as seguradoras deslocam um contingente maior de prestadores de serviços. “Devido ao maior volume de ocorrências concentradas em um determinado período, deslocamos um contingente maior de reboques, carros de Seguros de residência, vida e acidentes pessoais também devem ser afetados pelas chuvas apoio e peritos para a região”, comenta Edison Kinoshita, diretor de contact center da SulAmérica. A partir da madrugada de segunda, a Porto transferiu guinchos de São Paulo para o Rio, um aumento de 46% da frota local. Residências Em nota divulgada ontem, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) confirmou que os segmentos mais propensos a registrar aumento de sinistros são o de auto e de residencial. De acordo com o superintendente de sinistros da Marítima Seguros, Edson Luiz Quinhonero, ao contrário do seguro para veículos, a cobertura para inundações em residência, condomínio e instalações de empresas não é básica. “Essa não é uma cobertura comum e por isso acreditamos que não vamos ter muitas reclamações no segmento patrimonial”, explica o superintendente. Segundo ele, no caso de muitas chuvas os danos elétricos são muito comuns — esses sim cobertos nas apólices —, por conta da maior incidência de descarga elétrica. Para Brandão, do Sincor-RJ, as chuvas também vão impactar os seguros de acidentes pessoais e apólices de vida. Tradicionalmente adquiridos por famílias de renda mais alta, os seguros de vida deverão registrar ligeira alta de sinistros devido aos deslizamento de encostas — que também atingiram residências em áreas mais privilegiadas, como bairros de Niterói. Brandão prevê a possibilidade de impacto nos preços das apólices no próximo ano, cujos cálculos poderão incorporar ocorrências como as verificadas no início da semana. ■ Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 9 EDUCAÇÃO PARA A VIDA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS #523/3 #(/22)! s!DVOCACIA#ÓVEL 0RÉTICAEM$IREITOE&AMÓLIA 396h s!DVOCACIA#RIMINAL 0RÉTICA0ROlSSIONAL 396h s!DVOCACIA4RABALHISTA 0RÉTICA0ROlSSIONAL 396h s!DVOCACIA4RIBUTÉRIA 0RÉTICA0ROlSSIONAL 396h s%SPECIALIZA ÎOPARA #ARREIRAS*URÓDICAS !DVOCACIA 440h $ELEGADODE0OLÓCIA 572h -AGISTRATURAE-IN0ÞBLICO 572h 0ROCURADORIAS 572h s$IREITODO#ONSUMIDOR 396h s$IREITO%MPRESARIAL 396h INSTITUTO DE COMUNICAÇÃO E ARTES INST. DE ADMINISTRAÇÃO E NEGÓCIOS #523/3 #523/3 #(/22)! s'ESTÎODA#OM#ORPORATIVA s'ESTÎO%STRATÏGICADE%VENTOS s'ESTÎODE4URISMO3USTENTÉVEL s-ARKETINGDE4URISMO s*ORNALISMO$IGITAL s*ORNALISMO0OLÓTICO s*ORNALISMO%CONÙMICO s*ORNALISMO$ESPORTIVO s*ORNALISMO0OLICIAL s*ORNALISMO%DUCACIONAL s0ESQUISADE-ERCADO s0ROD%XECE-EIOS!UDIOVISUAIS s0RODU ÎOE)MAGEMDA-ODA s0RODU ÎO%XECUTIVAEM4EATRO s-"!EM -KT0OLÓTICOE%LEITORAL -KTE0UBLIC$ESPORTIVA 'ESTÎODE2EL0UB#ORPORATIVAS MENSALIDADES A PARTIR DE #(/22)! s&INAN ASE"ANKING 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h 396h s'ERENCIAMENTO%MPRESARIAL 396h s'ESTÎO%STRATÏGICADE0ESSOAS 396h s,OGÓSTICAEM0ROC%MPRESARIAIS s3ELE ÎOE#APAC%MPRESARIAL 396h 396h s-"!EM 440h 440h 440h !UDITORIA 440h #ONTROLADORIA 440h #ONTABILIDADE#ORPORATIVA 440h 'ESTÎODE0REV#OMPLEMENTAR 440h -ARKETING 440h -ERCADODE#APITAIS 440h 1UALIDADE 440h 3EGURAN A%MP%STRATÏGICA 440h 4RANSPORTES 440h 298, R$ INSCRIÇÕES ABERTAS: WWW.UNIBAN.BR | CONSULTE OUTRAS ÁREAS E CURSOS NO SITE PARA CURSAR A PÓS-GRADUAÇÃO, É NECESSÁRIO SER PORTADOR DE DIPLOMA DE NÍVEL SUPERIOR. AS AULAS SERÃO MINISTRADAS AOS SÁBADOS E EM OUTROS DOIS DIAS DA SEMANA. Valores das mensalidades para pagamento até o último dia útil do mês anterior ao vencimento, conforme edital de valores 2010. Consulte mais informações sobre o curso do seu interesse no site. Programas: Convênios: 10 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 OPINIÃO Paulo Bornhausen Jacques Marcovitch Deputado Federal (DEM-SC) Professor da USP e integrante do Conselho para a Agenda Global sobre o Futuro da América Latina do Fórum Um erro de origem A economia verde A discussão proposta pelo governo federal sobre um plano nacional de banda larga nasce com vício de origem: os ideólogos do PT insistem em destruir, por não terem sido autores, a maior política de inclusão social já implementada nos últimos 15 anos no Brasil, a privatização do setor de telecomunicações. Toda e qualquer argumentação dos técnicos da Casa Civil voltada para justificar e embasar o desejo de reestatização da Telebrás esbarra na lógica. O mercado brasileiro de telecomunicações tem a estrutura necessária para universalizar a banda larga. E tem a disposição de colaborar com o governo, se propondo mesmo a alugar os 16 mil quilômetros de rede da Eletronet. As questões político-partidárias travam, mais uma vez a possibilidade do Brasil avançar. É uma prática recorrente deste governo do PT, incapaz de admitir, por exemplo, que a situação econômica estável do país não foi construída a partir de 2003. Para não perder o discurso ideológico e retrógado, o governo petista comete leviandades que constrangem a área técnica séria do governo central. Vinculada ao Ministério da Fazenda, há muito a CVM deveria ter se manifestado pela magnífica e estranhíssima movimentação das ações da Telebrás, impulsionadas depois que Lula e a ministra-candidata passaram a alardear a intenção de reestatizar a Telebrás – uma empresa em regime de liquidação e que parecer do próprio Tesouro Nacional não recomenda tal intento. Em meio à discussão sobre o Plano Nacional de Banda Larga, o governo avança sobre o setor tentando aprovar na Câmara dos Deputados, a Lei do Fust, cujo texto, de inspiração do Palácio do Planalto, permitirá que os recursos do Fundo fiquem disponíveis para usos não republicanos do PT, em pleno ano eleitoral. A América Latina, ocupando hoje nova posição na geopolítica mundial, avançou muito no estudo das causas das mudanças do clima, mensuração de seus impactos e medidas a serem implantadas em prol de uma economia de baixo carbono. Os objetivos já quantificados visam reduzir as emissões projetadas, resguardar a matriz energética limpa e promover transformações setoriais na agricultura, na siderurgia e no transporte, além de evitar o desmatamento. A agricultura, nestes perigosos tempos de mudança do clima, é o setor que terá a responder ao desafio de alimentar as populações ameaçadas pelo acirramento do temível fenômeno climático. O mundo precisa duplicar a produção de alimentos até completar-se a primeira metade do século em curso. Projeções de médio prazo, focadas em 2020, mostram crescimento no patamar de 55% da demanda global por grãos. Já se calcula que a meta da superação da fome, fixada pela ONU em 2015, somente será alcançada em 2030. O Brasil passou a fazer parte do mundo globalizado depois da privatização do sistema Telebrás. Ignorar isso é cometer crime de lesa-pátria Aliás a ofensiva do PT contra o setor de telecomunicações, desde que Lula assumiu o governo, teve início com as manobras de esvaziamento da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, criada para regular o mercado. Não interessa a eles um mercado devidamente regulado que não sirva seus propósitos de poder. O Estado regulador, indutor de desenvolvimento não serve aos propósitos de quem tem por prática governar através do aparelhamento do Estado. Não se trata de ser contra ou a favor de um Estado forte, ou de um Estado mínimo. Para o PT, e o Plano Nacional de Banda Larga é prova disso, o que deve ser buscado é a propriedade do Estado. O Brasil passou a fazer parte do mundo globalizado da altíssima tecnologia depois da privatização do sistema Telebrás. Ignorar isso é cometer crime de lesa pátria de proporções calamitosas; é crime contra as próximas gerações. Crime contra a lógica. O presidente Lula e sua candidata devem ser cobrados agora. A indispensável universalização do acesso à internet via banda larga, que realmente possa introduzir um novo paradigma na educação do país, notadamente, já poderia estar se tornando realidade. Não aconteceu ainda apenas porque o PT e Lula não querem perder o discurso, em detrimento do país. ■ A ação econômica, hoje, não pode mais ser animada pela confiança no progresso infinito, e sim pela noção clara de limites e riscos A América Latina requer não apenas vastas terras agricultáveis, mas uma evolução de tecnologias em seus plantios e colheitas. Isso ampliará mais ainda o papel dos especialistas que atuam na área. A maior dificuldade está em determinar a relação entre a mudança do clima e o efeito sobre a produtividade agrícola – tarefa que envolve a combinação de ciência agrícola, botânica, genética e economia. O Fórum Econômico Mundial para a América Latina iniciado nesta semana em Cartagena, avalia o reconhecimento internacional da relevância das florestas tropicais para a segurança climática. As iniciativas de redução das emissões por desmatamento e devastação florestal foram consideradas e referidas em três dos doze parágrafos do acordo final em Copenhague. Identifica-se portanto, um enorme potencial de ganhos com mecanismos compensatórios (tipo Redd) para que se evitem as emissões provenientes do desmatamento. Para garantir a floresta em pé, esta solução de mercado é cada vez mais consensual, desde que acompanhada por Fundos Especiais dirigidos as necessidades das regiões mais vulneráveis. Um passo concreto para novos rumos foi dado por 55 países, responsáveis por 78% das emissões de GEE na escala global. Em 2010, esses países entre os quais Brasil, Costa Rica e México aderiram ao Anexo do Acordo de Copenhague. Apesar das metas declaradas serem insuficientes, o documento fixa objetivos de redução por país, tendo como horizonte o ano de 2020. Tais compromissos pavimentam o caminho da COP 16, em Cancun, México, e certamente mobilizarão lideranças políticas e empresariais das nações envolvidas, em harmonia com as comunidades científicas. A economia, na América Latina e no plano global, é termo decisivo nesta equação. Impõe-se ampla sensibilização do empresariado para o entendimento de que o setor produtivo é tão vulnerável às bruscas variações de clima quanto às aglomerações urbanas. A ação econômica, hoje, não pode ser mais animada pela confiança no progresso infinito, e sim pela noção clara dos limites e dos riscos. ■ CARTAS O SONHO DOS ESTRANGEIROS EM SER CHEFE NO BRASIL Gostaria de parabenizar a matéria escrita pela jornalista Mariana Celle sobre os executivos estrangeiros que têm intenção de trabalhar no Brasil. Trabalho numa empresa americana e essa vivência é uma rotina para nós. Compartilhei a matéria com os meus colegas da FGV e todos se identificaram em seus meios profissionais com o que leram. Achei bastante interessante tudo o que li. Parabéns novamente. Carlos Arantes Belo Horizonte (MG) FIFA E SÃO PAULO CHEGAM A ACORDO SOBRE PROJETO DO MORUMBI A Fifa não tem nada contra o São Paulo. O problema é a CBF, que fica no Rio de Janeiro. Enquanto o Ricardo Teixeira continuar sendo o presidente, os times paulistas que se cuidem. Sidney Silva de Paula São Paulo (SP) MALUF É INCLUÍDO EM LISTA DA INTERPOL POR DESVIO DE DINHEIRO Qual o critério para uma pessoa ser incluída na lista de procurados da Interpol? O Maluf é deputado federal e tem residência fixa, ou seja, tem endereço. Qualquer um sabe onde encontrá-lo. Isso é ridículo, claramente tem cunho político. A indicação deve ter sido de procuradores brasileiros que, todos sabem, servem a coronéis da política. Clesio Jardim Rio de Janeiro (RJ) PRESIDENTE MUNDIAL DA FORD SE REÚNE COM LULA E KIRCHNER O Brasil não precisa de mais carros particulares. É vergonhoso o governo federal fazer malabarismos para que as vendas de carros aumentem. Por que não gerar empregos em áreas que respeitem a qualidade de vida e a natureza? Welton Trindade São Paulo (SP) OS PREÇOS DO MINÉRIO DE FERRO ARTIGO DE ROBERTO CASTELLO BRANCO Concordo plenamente com as considerações feitas pelo senhor Castello Branco, já que os preços das commodities são ditados pela lei da oferta e da procura. Isso se dá com os preços de ouro, prata, níquel, cobre, petróleo, soja, urânio, alumínio e, por que não, com o minério de ferro. Os chineses e europeus estão reclamando do que? Os produtos manufaturados por eles, como aviões, carros e armamentos nucleares, entre outros, nunca baixaram de preço durante a crise de 2008. Samir Rio de Janeiro (RJ) CURITIBA, A CIDADE MAIS SUSTENTÁVEL DO MUNDO Tenho grande admiração por Curitiba. Gostaria que Brasília também tivesse essa consciência. Gaspar Sobradinho (DF) Cartas para Redação - Av. das Nações Unidas, 11.633 – 8º andar – CEP 04578-901 – Brooklin – São Paulo (SP). [email protected] As mensagens devem conter nome completo, endereço e telefone e assinatura. Em razão de espaço ou clareza, BRASIL ECONÔMICO reserva-se o direito de editar as cartas recebidas. Mais cartas em www.brasileconomico.com.br. ERRATA A respeito da reportagem “Mesmo com IPI, Whirlpool bate recorde de vendas”, do dia 6 de abril, a Whirlpool Latin America esclarece que o investimento em marketing, desenvolvimento de produtos e modernização de suas unidades é de R$ 250 milhões, e não de US$ 250 milhões. A empresa afirma ainda que a projeção de crescimento de 15% a 20% é referente ao mercado de linha branca, e não diz respeito a estimativas de crescimento para a Whirlpool. Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 11 Philippe Lopez/AFP Onda verde Novas e belas imagens dos pavilhões da Expo Xangai divulgadas ontem voltaram a chamar a atenção do mundo para a maior exposição mundial de todos os tempos, que será aberta oficialmente em maio, na China. Ao lado, a interpretação do pavilhão da Austrália para o tema da exposição, que é o “Better City, Better Life” (cidade melhor, vida melhor). Uma das marcas do evento, que durará seis meses e que custou aos chineses 2,8 bilhões de euros, é a preocupação com a sustentabilidade. Fernando Fernandes/AE CAMPEÃ DE SUSTENTABILIDADE O prêmio de cidade que mais incentiva e contribui com ações que promovem a sustentabilidade no mundo foi mesmo para Curitiba. O anúncio foi feito ontem pelo Globe Sustainability City Award 2010, organizado por uma instituição sueca que todo ano avalia municípios por critérios como preservação de recursos naturais, inovação e inteligência social e infraestrutura. A capital do Paraná superou por unanimidade cidades como Malmö, na Suécia, Murcia, na Espanha, e Sidney, na Austrália. “A importância do prêmio está em incentivar o intercâmbio de boas práticas, que proporcionem atividades economicamente viáveis, socialmente justas e ecologicamente éticas em todo o planeta”, diz Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral e único integrante brasileiro do júri do Globe Award. O prêmio será entregue em 29 de abril em Estocolmo, na Suécia. ENTREVISTA HUGO PENTEADO Economista-chefe do Asset Management do Grupo Santander Economia não pode ser maior que o planeta Quando pensam o futuro, economistas não levam em conta escassez de recursos naturais Maeli Prado [email protected] Apesar de sustentabilidade ter virado palavra de ordem hoje, os economistas não incluem em suas variáveis a contribuição dos recursos da natureza. Existe um mito de que economia e meio ambiente são fatores distintos, e o que empresas e governos vêm fazendo para reverter a situação é insuficiente. A análise é de Hugo Penteado, economista-chefe do Asset Managment do Santander. Até que ponto o risco de escassez de recursos naturais é levado em conta quando se projeta o futuro da economia? Não é levado em conta. Os economistas aplicam em suas variáveis a ideia absurda de perfeita substituição dos recursos, a ponto de declararem que o capital produzido pelo homem é um perfeito substituto da natureza. Seria o mesmo que dizer que poderiam fazer uma refeição apenas usando panelas e o fogão e que Divulgação “Precisa ficar claro que descobrir uma fonte infinita de energia não afasta o risco de extinção da humanidade” poderiam abrir mão do leite, dos ovos e da farinha. Como funciona o lobby de empresas e setores para barrar mudanças maiores? O maior problema é a atitude empresarial, que não possui uma visão sistêmica, com metas e busca de lucros de curto prazo que não se sustentam no longo prazo. Agem como se pudessem não fazer parte de um sistema maior, como se não fizessem parte da nossa espécie animal. Os líderes, por algum poder mágico qualquer, parecem estar acima do fim dos elos que sustentam toda vida na terra. Sustentabilidade virou palavra de ordem. O que as empresas vêm fazendo é suficiente? Claramente insuficiente. Essas ideias não abandonaram o mito de que devemos ter uma produção infinita de energia, para atender uma demanda material infinita. Fazer isso não irá afastar o risco de extinção. É como se tivéssemos um único problema: a energia, e quando milagrosamente descobrirmos uma fonte infinita de energia, poderemos construir um trilhão de cidades para um quintilhão de pessoas. A economia não pode ser maior que o planeta. ■ 12 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 BRASIL Emergentes vão liderar atração Projeções da Sobeet são de que, a partir de 2011, países como o Brasil e a China irão receber mais recursos 80,90% 2000 Países desenvolvidos (EUA, Japão, Europa) 72,56% 2001 70,26% 2002 66,58% 63,92% 2006 62,99% 2003 2005 56,36% O X DA QUESTÃO 2004 O fluxo de investimentos estrangeiros muda de curso e beneficia o Brasil – participação no total de recursos Fonte: Banco Central, Sobeet e Brasil Econômico * Estimativa 43,64% 2004 Países em desenvolvimento (Brasil, China, Índia, etc.) 36,08% 37,01% 2003 2005 33,42% 2006 29,74% 27,55% 2002 2001 19,10% 2000 Elaine Cotta Infografia: Ale x Silva [email protected] Na Europa, para cada 100 pessoas em condições de ter um carro zero — com idade e renda para isso — 90 já o têm. No Brasil, essa proporção é de 13 para cada 100. São números como esse que mostram o potencial de expansão do consumo brasileiro — e de outras nações em desenvolvimento, como China e Índia, por exemplo, e que explicam o fato de, nos últimos dez anos, o volume de investimento estrangeiro nos países emergentes ter crescido 60%, enquanto nas nações desenvolvidas houve queda de 24%. E, baseada nesse histórico, a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) estima que, já no ano que vem, as economias em desenvolvimento poderão superar as desenvolvidas como destino dos investimentos diretos estrangeiros mundiais, o que pode representar uma vi- rada quando se leva em consideração que, em 2000, os países desenvolvidos detinham 80% dos investimentos, e as nações pobres recebiam menos de 20% do bolo de dinheiro disponível para investir (veja o gráfico acima). “São números que mostram e comprovam uma desconcentração dos investimentos mundiais, tendência que deve se acelerar ao longo dessa década”, diz o economista-chefe da Sobeet, Luís Afonso Lima. Renda em expansão Essa mudança de rumo não começou na crise financeira internacional - apesar de ela ter peso significativo na aceleração dessa tendência. A melhora na renda e na sua distribuição - o que no Brasil já é mensurável nas estatísticas - ajudou a impulsionar a demanda e, claro, a atrair empresas interessadas em vender seus produtos e, consequentemente, dispostas a ampliar fábricas e investir mais para atender a essa procura crescente. “ Há uma tendência de desconcentração dos investimentos diretos estrangeiros que beneficia países em desenvolvimento, como o Brasil Luís Afonso Lima, economista da Sobeet A ascensão das classes C e D não são comemoradas apenas pelos brasileiros. Grandes empresas internacionais também estão de olho nesse consumidor, especialmente num momento em que europeus e americanos são obrigados a apertar o cinto e trocar menos de carro, TVs e geladeiras. De fato, a melhora na renda trouxe cerca de 90 milhões de brasileiros para a classe C somente no ano passado, segundo pesquisa do instituto Ipsos. “Nos últimos sete anos, a renda média dos brasileiros cresceu 35%”, lembra Lima. “E isso nos favorece, e muito, na hora de atrair investimentos internacionais”, diz. Na mira dos estrangeiros Este é um dos tantos motivos que fazem o Brasil estar no topo da lista dos principais receptores de investimentos estrangeiros, inclusive os diretos. Desde os anos 1990 — quando o país recebeu um grande volume de recursos por causa da privatização de empresas como a Vale e Eletrobras — o fluxo de investimen- Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 13 Chris Ratcliffe/Bloomberg AGENDA DO DIA Lamy vem conhecer produção de etanol O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, viajará ao interior de São Paulo para conhecer a produção de etanol. O francês, que já foi comissário de Comércio da Europa e banqueiro, passará pelo Brasil na próxima semana, a caminho do Uruguai. Além da visita à produção de biocombustível, em Ribeirão Preto, Lamy apenas terá uma reunião de trabalho com o chanceler Celso Amorim em Brasília para avaliar como tirar a Rodada Doha do atual impasse. ● IBGE divulga Índice de Preços ao Consumidor Amplo (março). ● IGP-DI de março da FGV: para analistas, os preços agrícolas deverão iniciar a descompressão sobre o índice. ● FGV anuncia o IPC-S relativo ao 1ª quadrimestre de abril. de investimentos Estratégia no exterior traz lucros que os do chamado mundo desenvolvido Mesmo com a crise, empresas brasileiras seguem investindo no mercado externo para crescer 68,66% 2007 56,69% 2008 54,34% 2009 Inversão 51,56% 2010* 51,39% 2010* 45,66% 43,31% 48,61% 2010* 48,44% 2009 2011* 2008 ESTRANGEIROS NO BRASIL 31,34% Investimento estrangeiro no país caiu em 2009 e tende a voltar a crescer neste e nos próximos anos, em US$ bilhões 2007 48 38 28 18 8 Gerdau, Vale e Embraer são apenas três dos vários exemplos de empresas brasileiras que se internacionalizaram e que já colhem lucros com suas operações no exterior. E essas empresas também ajudam a engordar uma outra estatística: a dos investimentos diretos estrangeiros feitos pelo Brasil lá fora sim, o país não apenas recebe, mas também aplica em outras nações. De acordo com estudo elaborado pela Fundação Dom Cabral em parceria com a consultoria KPMG, 2008 foi o segundo melhor ano dos investimentos brasileiros no exterior perdendo apenas para 2006. Ao todo, foram investidos R$ 10,8 bilhões, entre operações de fusões e de aquisições feitas lá fora. A maior delas foi a compra da americana Macsteel pela Gerdau, por US$ 1,45 bilhão. Os dados completos de 2009 ainda não foram computados. Ranking 2000 2010* *Estimativa Fontes: Banco Central e Brasil Econômico A NOVA ROTA DO DINHEIRO US$ 565,3 bi US$ 405,5 bi US$ 1 trilhão foi o total de investimentos em investimentos diretos é a soma do fluxo de investimento diretos estrangeiros destinados aos países desenvolvidos em 2009, segundo dados da Unctad, organizados pela Sobeet. Na lista estão Estados Unidos e nações da Europa, como Alemanha, França e Reino Unido. O volume representa queda significativa se comparado com o total de US$ 962 bilhões de investimentos realizados ao longo do ano de 2008. estrangeiros foram destinados às nações em desenvolvimento — conta na qual entram Brasil, China, Índia e Rússia, além de países africanos e da América Central e Caribe. O total é menor que os US$ 620,7 bilhões investidos em 2008, mas a curva tende a retomar a trajetória crescente dos últimos anos na próximo década. direto estrangeiro que circulou pelo planeta no ano passado. Em 2008, o valor chegou a US$ 1,6 trilhão, ainda menor que o US$ 1,9 trilhão de 2007. A expansão econômica maior nos países emergentes - e o aumento do consumo nesses países - mudou as rotas de destino do dinheiro mundial, que começa a ser dividido mais equilibradamente. to direto estrangeiro (IDE) aumentou até dez vezes, segundo estimativa da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). “O processo de internacionalização das empresas brasileiras nas últimas décadas, associado à estabilidade macroeconômica e política, aumentou e muito o interesse no Brasil por potenciais investidores estrangeiros”, escreve Renato Baumann, economista da Cepal no Brasil, em estudo recente sobre as contas externas brasileiras. Em 2009, ano de crise internacional, o fluxo de investimento direto estrangeiro para o Brasil caiu quase 50% – recuou dos US$ 45 bilhões registrados em2008 para US$ 26 bilhões em 2009. “Mesmo assim, o país continua sendo o principal destino dos investimentos na América Latina”, informa o relatório Global Investment Trends Monitor, da Unctad. O México, que está em segundo lugar na lista, recebeu US$ 13 bilhões no ano passado. Para este ano, a expectativa é de que ele chegue a US$ 38 bilhões, segundo estimativas do relatório Focus, do Banco Central. Entre os emergentes, os asiáticos seguem no topo da lista: a China recebeu, no ano passado, US$ 92 bilhões em investimentos. A Índia, US$ 33,6 bilhões. ■ A Gerdau, aliás, é a empresa mais internacionalizada do Brasil: 63% dos seus ativos já estão lá fora, além de 50% das vendas e dos funcionários. Em seguida, estão Sabó, Marfrig, Vale e Metalfrio. Mas a Vale, apesar de não ser a mais internacionalizada, é a que tem atuação em maior número de países: são 33 ante os 13 da Gerdau. Ela também é a que tem o maior volume de ativos lá fora: R$ 95,8 bilhões (52% do total) contra R$ 37,4 bilhões da Gerdau (valor que representa 63% de seus ativos totais). Claro que, nessa conta, peso o tamanho da Vale - segundo maior empresa do Brasil depois da Petrobras - que, aliás, ocupa a 20ª posição no ranking das empresas brasileiras mais internacionalizadas. Destino A América Latina ainda é o principal destino dos investimentos das empresas brasileiras. Recebeu 46% do total em 2008, seguida pela Europa, com 21% e América Norte, com 17%. A Ásia, apesar da forte expansão nos últimos anos, recebe apenas 11% dos investimentos internacionais das empresas brasileiras. “Por mais que falem do potencial e do crescimento econômico da China, eu ainda tenho como foco para a expansão da minha empresa os Estados Unidos e a América Latina”, disse ao BRASIL ECONÔMICO, Marco Stefanini, presidente da Stefanini IT Solutions, empresa de tecnologia, 18ª colocada no ranking de internacionalização da Fundação Dom Cabral. “Apesar da crise, as empresas brasileiras continuam focadas na internacionalização. Por isso, o fluxo de investimento feito pelo Brasil lá fora deva continuar”, conclui o estudo. ■ América Latina ainda é o principal destino dos investimentos brasileiros quando as empresas planejam crescer e se internacionalizar 14 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 BRASIL Marcela Beltrão RETOMADA AQUECIMENTO Uso de energia elétrica registra elevação de 8,5% no mês de março Indústria paulista acelera ritmo e cresce mais que a média nacional A carga de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN) aumentou 8,5% em março de 2010 em relação a 2009, para 58,311 mil MW médios, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No primeiro trimestre de 2010 ante o mesmo intervalo de 2009, a expansão da carga foi de 10,5%. No acumulado dos últimos 12 meses a carga registrou crescimento de 3,3%. A estrutura diversificada da indústria paulista está possibilitando uma aceleração da produção em São Paulo, segundo o economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo. Ele destacou que a região, impulsionada sobretudo pelo aquecimento do mercado doméstico, está liderando a recuperação industrial no País. Ela registrou expansão de 2,2% em fevereiro, acima da média nacional de 1,5%. Leandro Ferreira Cadeia de material de construção prevê dobrar faturamento até 2016 ■ RECEITA PAC irá gerar, na construção, uma receita anual de R$ 127 bi ■ HABITAÇÃO Apenas com o Minha Casa, Minha Vida 2, serão R$ 62 bi ■ EMPREGO A geração anual de novas vagas será de 2,8 milhões PAC 2 vai gerar investimentos de R$ 137 bi ao ano em construção Estudo da FGV estima que, incluindo Minha Casa, Minha Vida 2, serão 2,8 milhões de novos empregos na cadeia e uma injeção de R$ 124 bilhões na economia ao ano Juliana Elias [email protected] A segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) do governo federal, lançada na semana passada, promete acrescentar investimentos na cadeia da construção de R$ 137,2 bilhões ao ano até 2014. O cálculo é resultado de um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da Associação Brasileira das INdústrias de Materiais de Construção (Abramat). O programa — que inclui também uma segunda edição do pacote habitacional Minha Casa, Minha Vida, com a intenção de 2 milhões de novas casas nos próximos anos — deve ainda gerar uma receita extra de R$ 124 bilhões anuais e 1,4 milhão de empregos a cada ano apenas na construção. Isso inclui desde a indústria fabricante de materiais até as redes de venda, passando pelas construtoras e campos de obras. Só o Minha Casa, Minha Vida responderá por metade de toda esta receita movimentada na cadeia — ou R$ 62,8 bilhões ao ano. O restante do PAC, porém, que apresenta uma variadade de projetos que vão desde energia e petróleo até transporte público, está diretamente ligado à construção, tendo um papel importante para o desempenho do setor nos próximos anos: os cálculos da FGV estimam que 40% dos investimentos totais acabam aplicados na construção. O PAC 2 prevê investimentos totais de R$ 1,59 trilhão, dos quais R$ 958,8 bilhões programados para projetos a se realizarem entre 2011 e 2014. O Minha Casa, Minha Vida 2 receberá Indústria de materiais prevê dobrar seu faturamento anual até 2016, passando dos R$ 96 bilhões em 2009 para R$ 188 bilhões R$ 71,2 bilhões deste total. As 2 milhões de unidades prometidas somam-se ao 1 milhão estabelecido como meta na primeira edição, que comemorou um ano no último dia 31: destas, 300 mil já foram contratadas pela Caixa Econômica Federal e a expectativa é alcançar 700 mil contratações até o fim do ano. Dobrar o faturamento A injeção de investimentos por meio dos dois programas federais é um dos principais responsáveis pela previsão de praticamente dobrar o faturamento anual da indústria da construção até 2016: de R$ 96 bilhões em 2009, deve alcançar R$ 188 bilhões em 2016, diz o presidente da Abramat, Melvyn Fox, citando ainda o impulso que as obras para Copa do Mundo e Olimpíadas, “que já estão atra- sadas, mas ainda em tempo”, também darão. “As obras do Minha Casa, Minha Vida 1, contratadas ao longo de 2009 estão pegando forte neste ano, e devemos ter um crescimento de 15% em relação a 2009”, diz o presidente da Abramat. Apesar da importância e o peso reconhecidos do programa, lançado no ano passado pelo governo federal no auge da crise, junto a uma série de medidas de incentivo à construção, como redução de IPI e ampliação do uso do FGTS para a compra de materiais nas lojas, Fox ressalta a retomada do mercado e a dependência menor do apoio estatal. “A crise já passou. Estamos crescendo na faixa dos 16% neste ano e isso não vem do Minha Casa, Minha Vida. É o resto do mercado que voltou a se fortalecer e a se movimentar.” ■ Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 15 Susana Gonzalez/Bloomberg PRODUÇÃO AGRÍCOLA MARCO IBGE projeta safra 8,5% maior este ano Exportação de café teve melhor desempenho em 5 anos no mês de março A estimativa para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativa a março aponta uma produção, em 2010, de 145,2 milhões de toneladas. Se confirmada, a safra será 8,5% maior do que a obtida em 2009 (133,8 milhões de toneladas). A projeção de março é apenas 0,02% superior à que havia sido apontada no mês de fevereiro. As exportações brasileiras de café no mês de março alcançaram volume de 2,6 milhões de sacas, com receita de US$ 412,5 milhões. O mês teve variação positiva de 0,2% no volume em relação a 2009 e também na receita, com variação de 18,4% para mais. Na comparação com o mês de março dos últimos cinco anos, 2010 foi o de melhor desempenho. O balanço é do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Evandro Monteiro País tem novo recorde na safra de grãos Produção de 146,31 milhões de toneladas para este ano supera em 1,5% maior colheita até então, de 2007/08 A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou hoje uma nova estimativa para a safra de grãos 2009/10. A produção está estimada em 146,31 milhões de toneladas. O resultado do sétimo levantamento é o melhor da história do país e é 8,3% superior às 135,13 milhões toneladas da safra anterior. O desempenho também é 1,6% maior do que a pesquisa do mês passado (143,95 milhões de toneladas) e supera em 1,5% o recorde anterior, registrado na safra 2007/08, quando houve produção de 144,14 milhões toneladas. Em nota, os técnicos da Conab avaliaram que o bom regime de chuvas nas áreas de maior produção, a aplicação de tecnologias, a ampliação de área do milho do tipo segunda safra e a antecipação do plantio da soja no estado de Mato Grosso foram os grandes responsáveis pelo bom desempenho da safra de grãos. A produção de soja deve alcançar 67,39 milhões de toneladas no país, representando alta de 17,9% ou 10,22 milhões toneladas a mais que na safra anterior. Segundo a projeção da Conab, a produção de milho safrinha (segunda safra) deve crescer 19,5%, totalizando 20,73 milhões de toneladas. O resultado foi influenciado pela previsão de crescimento de 3% na área e de 15,9% na produtividade. A primeira e a segunda safra do cereal, somadas, representam produção de 54,14 milhões de toneladas, ganho de 6,1% em relação ao que foi colhido em 2008/09, ou 3,13 milhões de toneladas a mais. Os técnicos estimam que 50% de toda a safra de grãos já foi colhida. Em Mato Grosso, a colheita está em fase final. Nos estados de Goiás e Paraná foram concluídos 63% dos trabalhos, enquanto no Rio Grande do Sul, o índice é de 27%. Em todo o país, a situação é de colheita de 60% para o milho primeira safra, de 65% para a soja, e de 40% para o arroz. O feijão primeira safra já foi todo colhido. Colheita no campo: chuva e tecnologia favorecem resultado recorde As chuvas nas regiões produtoras, a antecipação do plantio de soja em Mato Grosso e a ampliação do plantio de milho segunda safra contribuíram para o resultado Área total A Conab informou, ainda, que algumas culturas tiveram ampliação de área, embora não tenham contribuído para elevação do total plantado que é de 47,60 milhões de hectares, inferior em 0,2% (74 mil ha) ao ciclo registrado em 2008/09. O milho segunda safra registrou aumento de 24,8% (374,8 mil ha) em Mato Grosso e de 13,8% (51,3 mil ha) em Goiás. A soja também teve elevação de área, de 6,8% (1,48 milhão ha). Em contrapartida, outros grãos tiveram redução da área plantada, como o arroz (-115,1 mil hectares), o milho primeira safra (-1,23 milhão hectares), feijão segunda safra (-268,1 mil ha) e o algodão (-7,2 mil ha). A pesquisa de campo foi realizada por 68 técnicos da Conab que ouviram representantes de cooperativas e sindicatos rurais, órgãos públicos e privados em todos os estados, no período de 15 a 26 de março. ■ RECORDE 146,3 mi é o total de grãos que devem ser colhidos este ano, segundo projeções da Conab feitas entre os dias 15 e 26 de março. 8,3% é quanto cresceu a produção, comparado à safra do ano passado, e 1,5% em relação ao recorde anterior, de 2007/2008. 16 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 BRASIL Luiz Alves/Agência Camara CÂMARA PASSAGENS Acordo sobre aposentadoria pode esbarrar em oposição dos senadores Aprovado projeto para subsidiar linhas aéreas regionais com baixo tráfego Um acordo entre o governo e os partidos da base em torno da votação na Câmara de um reajuste maior para as aposentadorias esbarra agora na posição dos senadores. O governo quer a garantia de que o índice em negociação de 7% - em substituição ao de 6,14% em vigor desde janeiro, concedido por meio da MP 475 - seja mantido pela base, mesmo que os senadores alterem a proposta para aumentar esse reajuste. A Comissão da Amazônia e de Desenvolvimento Regional aprovou projeto do deputado Marcelo Teixeira (PR-CE), que cria uma tarifa de 0,5% sobre o preço das passagens aéreas para subsidiar as linhas regionais “suplementadas” (que interligam dois lugares das regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste, desde que um deles apresente baixo ou médio potencial de tráfego). O adicional tarifário será recolhido pelas empresas aéreas. Igo Estrela ENTREVISTA OTACÍLIO CARTAXO Secretário da Receita Federal Cartaxo: 2010 será um ano bastante positivo para a arrecadação federal Arrecadação crescerá 12% este ano Retomada econômica e mais fiscalização fazem receita voltar a nível de 2008 Simone Cavalcanti [email protected] À frente da Secretaria da Receita Federal do Brasil desde julho de 2009, Otacílio Cartaxo, teve um ano difícil. Assumiu o posto no meio a uma crise que envolveu sua antecessora, Lina Vieira, depois viu minguar as receitas por conta do arrefecimento da economia brasileira. Para tentar dar um reforço no caixa necessário ao cumprimento do superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida) apertou na fiscalização. No segundo semestre de 2009 inúmeras medidas foram anunciadas mostrando esse movimento. Em 2010, os ventos são outros e Cartaxo já vislumbra um ano “bastante positivo” para a arrecadação, com crescimento real, já descontada a inflação, acima de 12%. Só no primeiro bimestre, o volume recolhido já havia sido 13,46% maior do que mesma etapa de 2009. O incremento, diz ele, certamente é pela retomada da atividade, mas não há como descartar que continuidade da ação dos fiscais também contribuirá, com uma meta de incrementar em 10% o volume de lançamentos de créditos, que já foi de R$ 85 bilhões no ano passado. A seguir, trechos da entrevista: Que nível de arrecadação a Receita Federal espera obter com a recuperação econômica? A arrecadação deve retornar aos patamares anteriores à crise econômica. Já é evidente uma mudança do comportamento. Isto é observado pelos indicadores que demonstram forte recuperação para 2010. Isso também pode ser constatado por meio da arrecadação neste primeiro bimestre, que cresceu em termos reais 13,46%. “ A fiscalização não se ocupa dos contribuintes que declaram seus impostos, mas não o recolhem porque preferem aplicar os valores em capital de giro O fim das desonerações concedidas no ano passado deve representar um acréscimo na arrecadação da ordem de R$ 6 bilhões em 2010 Então será possível retornar aos recordes de 2008? O ano de 2008 foi um ano muito positivo. Contribuiu para o resultado daquele ano a busca, pelas empresas, de uma maior eficiência. Nesse contexto observamos as aberturas de capital e as ofertas públicas de ações. Tudo isto contribuiu para o crescimento da arrecadação. Ainda é cedo para dizer que veremos isto novamente em 2010. Mas o cenário é muito positivo. Com o fim de todas as isenções concedidas para impulsionar a economia brasileira, quanto deve voltar a ser arrecadado? As principais medidas nesse sentido que resultaram em perda de arrecadação no ano de 2009 foram as relativas especialmente à redução das alíquotas do IPI sobre o setor automotivo, linha branca e construção civil, a redução de alíquotas do IOF e a correção da tabela do IRPF. Com relação ao IPI, essas medidas foram em caráter temporário e por essa razão a arrecadação desses tributos deve retomar aos níveis anteriores a 2009. O fim dessas desonerações deve representar um acrés- cimo na arrecadação da ordem de R$ 6 bilhões em 2010. O processo de transferência de depósitos judiciais dos bancos para os cofres públicos teve início no ano passado e vai continuar neste ano. Qual o volume do estoque que falta para ser transferido? A recuperação dos depósitos iniciou-se pelas maiores instituições financeiras vinculadas ao Ministério da Fazenda, ou seja, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Foram identificados R$ 6,9 bilhões como depósitos tributários e já trans- feridos para a União. Os não tributários foram R$ 6,1 bilhões e também já passaram para a União. Faltam ser transferidos os depósitos tributários feitos nas instituições financeiras privadas, cujo processo de levantamento e execução será realizado pelas unidades descentralizadas. Os depósitos não tributários que ainda não foram recolhidos para a União estão sendo acompanhados pela Secretaria do Tesouro Nacional. A fiscalização este ano será em ritmo semelhante à de 2009? As operações são programadas Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 17 Fábio Motta/AE DIEESE MEIO AMBIENTE Tomate, o vilão da cesta básica em março, por causa da temporada de chuvas Se Belo Monte recebeu licença é porque atendeu aos requisitos da lei, diz ministro O tomate foi considerado o maior vilão da cesta básica nas capitais brasileiras em março. Pesquisa do Dieese mostrou que a maioria dos produtos da cesta teve aumento em função da “longa temporada chuvosa” e que o tomate subiu em todas as 17 capitais que participaram do levantamento. Os aumentos mais expressivos no preço do produto foram em Curitiba (75,39%), São Paulo (73,13%) e João Pessoa (67,78%). O ministro de Minas e Energia, Ricardo Zimmermann, rebateu ontem as críticas do Ministério Público do Pará à concessão do licenciamento ambiental para a construção da Usina de Belo Monte. “A legislação ambiental brasileira é uma das mais rigorosas do mundo. A partir do momento em que uma usina, como Belo Monte, obteve a licença prévia, é porque atendeu todos os requisitos dessa legislação”, afirmou o ministro. em função da capacidade da instituição. Em 2009 foram fiscalizados 24.838 contribuintes e para 2010 temos programados 24.760 contribuintes. Estes números indicam que a intensidade da fiscalização em 2010 será a mesma de 2009. Em relação ao crédito tributário lançado em procedimentos de fiscalização, a meta para 2010 é lançar 10% a mais do que a média dos últimos três anos. Isto significa um valor maior do que R$ 85 bilhões lançados ano passado. Durante uma crise as empresas deixem de pagar tributos e usam o dinheiro como capital de giro.A fiscalização será mais acirrada sobre contribuintes? A fiscalização não se ocupa dos contribuintes que declaram seus impostos, porém não o recolhem porque preferem aplicar estes valores em capital de giro. Eles são objeto de cobrança administrativa ou de execução judicial, uma vez que os débitos confessados pelo contribuinte nas Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) não precisam ser lançados pela fiscalização. Quanto à seleção, sempre foi técnica e impessoal. É feita por processamento eletrônico, por meio de cruzamentos de um grande número de informações disponíveis nos sistemas da Receita. Jobim sinaliza vitória francesa na venda de jatos de combate Wikipedia Commons COMO SERÁ A ESCOLHA Para Jobim, Rafale é o único aparelho com transferência integral de tecnologia ● O Ministério da Defesa deve divulgar na próxima semana um relatório no qual recomendará a compra de um dos dos três caças que disputam o programa FX-2. ● Esse relatório será enviado ao Conselho Nacional de Defesa, que o analisa e pode ou não aprovar a recomendação feita por Jobim. ● O Conselho encaminha sua visão ao presidente Lula. Caso ele concorde com o veredito, dá início às negociações oficiais com o país e a empresa escolhida. Ministro da Defesa diz que relatório sobre concorrência fica pronto na próxima semana seria o único que pode repassar integralmente o know-how . “Não obstante o custo elevado, a proposta francesa é a mais consistente”, afirmou. Roosevelt Pinheiro/ABr Marcelo Cabral e Sílvio Ribas redacao@brasileconômico.com.br O projeto de lei que tramita no Congresso obriga contribuintes que questionam o pagamento de tributos a primeiro fazer o depósito e depois recorrer. Como a Receita vê isso? O Projeto de Lei Complementar nº 75/2003, aprovado na Comissão de Finanças e Tributação, condiciona a concessão de liminares com efeito de suspender o pagamento de tributos à realização de depósito prévio no valor integral do débito em discussão. Tal exigência, de certa forma, torna-se um fator favorável ao incremento da arrecadação do tributos, diante da possibilidade de imediata conversão do depósito em renda. Reconhecemos que liminares podem ser cassadas com a mesma frequência com que são concedidas. A proposta, então, visa garantir o cumprimento da obrigação tributária em juízo. De outra parte, a exigência do depósito pode servir de elemento inibidor do ingresso de ações, em situações em que o impetrante não vislumbra chance de êxito, as ditas ações protelatórias. ■ Lista problemática A proposta francesa deve mesmo ser a vitoriosa na concorrência para o fornecimento dos jatos de combate que irão renovar os esquadrões da Força Aérea Brasileira (FAB), o chamado projeto FX-2, que pode chegar até US$ 12 bilhões. Pelo menos essa foi a sinalização dada pelo ministro Nelson Jobim durante audiência de quase quatro horas prestado ontem na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Ele afirmou que espera ter um relatório pronto para ser enviado à Comissão Nacional de Defesa até a próxima semana. Em sua exposição, o ministro afirmou que, do ponto de vista técnico, as três aeronaves que disputam a venda são igualmente capacitadas – um relatório da FAB chegou a apontar o caça Gripen NG, da sueca Saab, como o mais favorável nesse parâmetro. No entanto, Jobim destacou que essa condição de igualdade muda quando se leva em consideração a exigência de transferência total de tecnologia, prevista na Política de Defesa Nacional. Segundo ele, nesse quesito o jato francês Rafale, da Dassault, Nelson Jobim Ministro da Defesa “Vamos assinar com os EUA um acordo militar geral, genérico, que viabiliza uma série de possibilidades em negociações futuras” Jobim listou os problemas que ele vê nas demais propostas. Segundo ele, o Gripen tem motores americanos e sistemas vindos de diversos outros países. Assim, o Brasil teria que negociar individualmente com cada um para conseguir a liberação dessas tecnologias. Já o governo americano não estaria disposto a repassar todos os componentes do caça F-18 Super Hornet, da Boeing. “A empresa disse que abateria 5% do preço de cada tecnologia nãotransferível. Então a própria Boeing admitiu a possibilidade de embargo”, disse. O ministro também criticou os EUA por “jogarem a Venezuela nos braços da Rússia” ao negar ao Brasil a venda de aviões Super Tucano – que possuem componentes americanos – para o país vizinho. Além dos problemas dos concorrentes, a posição francesa ganhou mais força após a empresa ter aceito uma redução de 10% no preço – ainda não revelado - da proposta. Para o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), a sinalização dada pelo ministro foi tão clara que “cessaram todas as dúvidas. O Rafale é o equipamento que vamos adquirir”. Mas Jobim ressaltou que, mesmo que o governo decida qual dos concorrentes será escolhido, isso não implicará no fechamento imediato do negócio. “Ainda serão necessárias negociações entre os países até a assinatura dos contratos”. O ministro informou ainda que vai propor mudanças na legislação brasileira para incorporar o modelo de main contractor (principal contratante), no qual uma empresa fica responsável pela integração do consórcio de fornecedores e por eventuais coberturas de falhas de algum deles. Ele mandou um recado indireto ao Ministério Público no Distrito Federal, que instaurou inquérito para investigar a compra dos Rafale, argumentando que outros países ofereceram preços mais baixos. Segundo Jobim, o processo atual não é uma licitação e sim um processo de seleção. Ele argumenta que a legislação permite a compra de equipamentos militares através dessa modalidade, sem levar em conta os custos. Durante a audiência, Jobim também confirmou que irá assinar um acordo militar com os EUA durante sua visita ao país na próxima semana. Ele classificou esse aceno como “um acordo geral, genérico, que viabiliza uma série de possibilidades em negociações futuras”, sem detalhar quais serão os termos assinados. ■ 18 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 INOVAÇÃO & SUSTENTABILIDADE SEXTA-FEIRA SÁBADO TECNOLOGIA EDUCAÇÃO 1 Indústria investe para que pneu Fabricantes têm de encontrar uma destinação para o material inservível que é coletado nas grandes cidades. Martha San Juan França [email protected] Todos os dias, 55 carretas com pneus inservíveis percorrem as rodovias brasileiras em busca dos 554 pontos de coleta espalhados pelo país. É matéria-prima que não acaba mais – 50 milhões em 2009, e esse número tende a aumentar. Para se livrar desse resíduo, a Reciclanip, entidade criada há três anos pela Bridgestone, Goodyear, Michelin e Pirelli, deve investir US$ 25 milhões em 2010, seguindo determinação da resolução normativa 416, de setembro do ano passado. É diferente do modelo de gestão da indústria europeia que serviu de inspiração para a entidade. Lá, as empresas são pagas pelos agentes da cadeia produtiva para cobrir as despesas operacionais e garantir a destinação final adequada de pneus inservíveis. No Brasil, a indústria, representada em grande parte pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), arca com os custos da coleta, transporte e trituração do material. A proposta da entidade é fazer da Reciclanip um serviço autossuficiente. “Os gastos com logística são altos, represen- No Brasil, são as fabricantes de pneus que arcam com os custos da coleta, transporte e trituração dos resíduos. Os custos com logística são altos, representam 60% do investimento com reciclagem tam 60% do investimento com reciclagem, afirma Eugênio Deliberato, presidente da Anip. “Nosso objetivo é fomentar novas tecnologias para que o pneu inservível, que atualmente é um resíduo de valor negativo, possa ser útil e seja um recurso para os demais agentes da cadeia de reaproveitamento, gerando novas fontes de renda e emprego.” Novas tecnologias Para isso, a Reciclanip conta com a melhora da logística de pontos de coleta e distribuição de pneus velhos e com a pesquisa de novas tecnologias. A meta é estabelecer parcerias com todas as prefeituras de cidades de mais de 100 mil habitantes para abrir locais apropriados para recolher e armazenar o material vindo de borracharias, revendedores e dos cidadãos. O aproveitamento também está melhorando. Um acordo com a MSOL permite fornecer matéria-prima para gerar vapor na caldeira da empresa em Cuiabá. A MSOL produz combustível de biomassa (cavaco de madeira e palha de arroz), entre outros clientes, para a Ambev. Ainda neste semestre, deverá dis- por de um triturador de pneus inservíveis para alimentar essa caldeira. Até o fim de 2010, a empresa poderá aproveitar a mesma matéria-prima para a quebra da borracha pelo processo de pirólise, capaz de gerar não apenas óleo combustível, mas carbono preto e aço. O equipamento foi desenvolvido pela MSOL a partir do modelo já em funcionamento em países asiáticos. “Ele permite aproveitar melhor todo o material”, diz Sidney Lima, diretor da empresa. “O óleo servirá no distrito industrial de Cuiabá, o carbono preto para indústrias de artefatos de borracha e o aço em siderúrgicas.” Outro acordo entre a Reciclanip e a unidade da Klabin, fabricante de papéis em Telêmaco Borba, Paraná, permitirá o aproveitamento de pneus pela caldeira da empresa para obtenção de vapor. “Uma das características do equipamento é a flexibilidade com o tipo de combustível, o que permite a queima de chips de pneus de forma ambientalmente correta”, diz César Faccio, coordenador do Reciclanip. A previsão é que a caldeira possa começar a funcionar com pneus inservíveis antes do final do ano. ■ Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 19 SEGUNDA-FEIRA TERÇA-FEIRA QUARTA-FEIRA ENGENHARIA EMPREENDEDORISMO GESTÃO Fotos: Marcela Beltrao 2 Eles são fonte de energia em fornos 3 1 Esteira de separação de pneus que são encaminhados para reciclagem da CBL em São Bernardo do Campo (SP) 2 Corte dos pneus, de onde será retirada a borracha e o aço que depois serão reaproveitados em outros produtos 3 Borracha dos pneus é triturada formando os “chips” ou granulados. CBL também produz massa e tecido emborrachado Atualmente, 63% dos pneus inservíveis podem ser utilizados, pelo seu alto poder calorífico, como fonte de energia em fornos de cimenteiras, em substituição ao coque de petróleo. Os outros 37% são reutilizados em diversas finalidades: fabricação de solados de sapatos, borrachas de vedação, dutos pluviais, pisos para quadras poliesportivas, pisos industriais, além de tapetes para automóveis. Mais recentemente, os pneus começaram a ser usados também como componentes para a fabricação de manta asfáltica e asfalto-borracha, cuja vida útil é maior, além de gerar menos ruído e oferecer maior segurança às rodovias. “Em alguns municípios, como Ribeirão Preto, em São Paulo, o uso do asfalto-borracha já é obrigatório”, informa Cesar Faccio, da Reciclanip. A indústria de pneus reivindica outros usos para os pneus, como abafador de ruídos nas construções, proteção em garagens, estrutura de recifes artificiais. A usina da Petrobras em São Mateus do Sul, no Paraná, incorpora no processo de extração de xisto betuminoso, pneus moídos que garantem menor viscosidade ao mineral e uma otimização do processo. “Nosso objetivo é aumentar a porcentagem de destinação desse material, como já ocorre em outros países”, afirma Eugênio Deliberato, da Anip. “O único destino que os pneus não podem ter são os lixões.”M.F. velho tenha valor E busca processos produtivos no qual os pneus sejam aproveitados LEIS AVANÇAM, MAS AINDA HÁ INFORMALIDADE 1 2 Norma foi atualizada em 2009 de acordo com apelo do mercado STF proíbe a entrada de pneus usados importados no país A norma 416, de setembro de 2009, diz que, para cada pneu novo comercializado para o mercado de reposição, os fabricantes e importadores devem dar destinação adequada a um inservível. Antes, o Conama exigia que, para cada quatro pneus produzidos, cinco fossem recolhidos e reciclados. Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal acabou com a polêmica sobre a importação de pneus usados, proibindo a entrada desses produtos no mercado. A decisão atendeu pedido do governo federal, que contestou decisões judiciais anteriores, autorizando a importação. 3 4 Apesar da norma, boa parte dos resíduos vai parar no lixo Tietê vira destino de material jogado fora; só parte é aproveitada Apesar de não haver um dado oficial, as estimativas do Instituto Akatu são de 30 milhões de pneus jogados fora por ano. Boa parte vai parar nos lixões ou no leito dos rios, contribuindo para a poluição do ar e da água. Abandonados em terrenos baldios, contribuem para o aparecimento da dengue. Parte dos pneus retirados do rio Tietê, durante a obra de alargamento da calha, foi aproveitada para compor o concreto das barreiras rodoviárias anti-impacto, pois absorve melhor a velocidade idos veículos em acidentes. Entre 2002 e 2006, 120 mil pneus foram jogados nas águas poluídas do rio. LUCIANO MARTINS COSTA Jornalista e escritor, consultor em estratégia e sustentabilidade Um caso de transição para o pós-consumo O consumidor brasileiro fez praticamente desaparecer do mercado os equipamentos de refrigeração que ainda usam gases que afetam a camada de ozônio. Da mesma forma e por motivo semelhante, encontram-se em processo acelerado de extinção os refrigeradores que não podem exibir o selo Procel – sigla do Programa Nacional de Conservação de Energia, criado em 1993 para certificar a eficiência energética de aparelhos elétricos. No mercado automobilístico, consolida-se a preferência do consumidor pelos carros com motor multicombustível. Esses casos têm em comum a combinação de políticas públicas apropriadas com modelos de negócio realistas e a disposição do cidadão comum, definidor em última instância do sucesso ou fracasso de um produto, de confirmar tendências e absorver mudanças. Há uma clara preocupação da sociedade quanto à necessidade de preservar o meio ambiente, mas ainda é preciso algo mais do que o desejo de contribuir para o bem comum para que as medidas de adequação de produtos e processos às conveniências ambientais se tornem dominantes. Quando a mudança precisa ser feita no interior das fábricas, e seus benefícios não são claros para o usuário ou consumidor, a história é outra. Em geral, salvo as empresas vanguardistas, a indústria só se move se for tangida pela normaHá uma clara tização ou atraída pelos preocupação da melhores resultados do negócio. A cenoura que sociedade quanto faz o burro desempacar à necessidade de ainda é uma metáfora preservar o meio válida. A questão da reciambiente, mas clagem de pneus repreainda é preciso mais senta bem a transição, do que o desejo quando o poder público estabelece uma exide contribuir para gência, a cadeia produo bem comum tiva tenta repassar os custos e quem paga, afinal, por menos agressão ao ambiente, é o consumidor. Diferentemente das normas europeias, onde o custo se dilui em cada etapa da cadeia, aqui todo o ônus é assumido pela indústria de pneus, que, no fim, joga a conta na mesa do comprador, total ou parcialmente. Para cada pneu colocado no mercado é preciso destruir um pneu velho. A destinação mais comum tem sido picotar e queimar nos fornos das cimenteiras, com os gases da queima sendo injetados no próprio cimento. Detalhe: a indústria de pneu cobre o custo de recolhimento, estocagem e transporte dos pneus velhos. Com isso se espera evitar que continue aumentando o número de pneus descartados no meio ambiente. Não há números precisos, mas especialistas indicam que 100 milhões de pneus estão jogados em córregos, terrenos baldios e beiras de estrada pelo Brasil afora. Considerando-se que o país produz 45 milhões de unidades por ano, e calculando-se que metade seja descartada no período, conclui-se que uma solução que depende da conveniência das fábricas de cimento não é a ideal. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, proposta em 2006, pode estabelecer normas mais adequadas para a destinação final. Aprovado no dia 11 de março passado, o projeto de lei precisa ainda passar pelo Senado e ser chancelado pelo Executivo. Entre as diretrizes técnicas alinhadas pelos especialistas organizados pela então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destaca-se claramente uma mudança nos modos da produção industrial no Brasil: a criação da responsabilidade pós-consumo. Esse é o princípio inovador da futura legislação. ■ 20 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 ENCONTRO DE CONTAS LURDETE ERTEL Christian Hartmann/AFP Agora vai? Foi remarcado para a próxima segunda-feira o leilão da Fazenda Piratininga, pertencente ao empresário Wagner Canhedo Azevedo, ex-dono da Vasp. Com valor estimado em R$ 615 milhões (incluindo móveis), a propriedade vai para venda por decisão da 14ª Vara do Trabalho de São Paulo, para saldar parte da dívida trabalhista da companhia aérea. O leilão da Fazenda Piratininga vem sendo pivô de um longo puxaestica judicial. Marcada para março, a venda foi suspensa por liminar, depois derrubada pelo Tribunal Superior do Trabalho. Localizado em São Miguel do Araguaia, em Goiás, o imóvel tem 130 mil hectares, 3,6 mil km de estradas pavimentadas e 304 pontes, além de duas mansões. Na fazenda são criadas 75 mil cabeças de gado nelore. Novo sonho de Ícaro. Mas agora, com o Sol como aliado Os Alpes Suíços foram moldura do primeiro voo do Solar Impulse (foto), protótipo de avião movido a energial solar. Com a envergadura de um Boeing 747 e o peso de um pequeno carro, a aeronave fez ontem um passeio tripulado de duas horas, para testar se consegue manter uma trajetória em linha reta. O projeto é pilotado pelo psiquiatra e piloto Bertrand Piccard, conhecido por ter feito uma histórica viagem de balão de volta ao mundo, em 1999. O avião foi concebido para fazer um giro completo ao redor do globo apenas com a energia do sol, em 2012. O Solar Impulse não é o único avião que tanta ganhar os céus com a energia solar. Nos Estados Unidos, está sendo desenvolvida a Odysseus, uma aeronave de vigilância autônoma também movida pela energia do sol. O equipamento americano também tem planos ambiciosos: o avião está sendo preparado para voar por cinco anos consecutivos apenas com seus painéis solares. Yoshikazu Tsuno/AFP Folia nas gôndolas Da Vinci, para ver aqui A joia da Fórmula 1 O Carnaval deu ginga às vendas dos supermercados de São Paulo em fevereiro, confirma balanço que será divulgado hoje pela Associação Paulista de Supermercados (Apas). No período, o Índice de Vendas no Varejo da Apas registrou alta nominal de 12,96% sobre mesmo mês de 2009, que já trazia alta de 13,44% sobre fevereiro de 2008. O estudo também evidencia que no primeiro bimestre do ano as vendas cresceram 13,31%, sobre igual hiato do ano anterior. A visita de obras do mestre Leonardo Da Vinci será um dos presentes dos italianos ao Brasil em 2012, como parte dos festejos do Ano da Itália no país. O embaixador Gherardo La Francesca está articulando o evento que deve trazer uma exposição do autor de Mona Lisa para algumas capitais brasileiras, com São Paulo e Porto Alegre. A modelo japonesa Jessica Michibata não só acelerou o coração do piloto inglês Jenson Button, como causou inveja em muitas beldades. A namorada do piloto de F-1 foi escolhida para apresentar uma linha de diamantes da Tiffany em Tóquio. A série inclui preciosidades como um diamante amarelo que custa US$ 3,86 milhões. Parece que o brilho da modelo de 24 anos não para por ai, a moçoila também foi eleita pelo tablóide The Sun a mulher mais bonita em uma lista que escalou o grid das mais belas namoradas e esposas dos pilotos da F-1. Devagar e sempre Para a Apas, o avanço da venda dos supermercados do maior mercado do Brasil é indicador prático da melhora do poder de consumo da população. E da recuperação da economia brasileira, portanto. Desde abril de 2009, a progressão mensal sobre o mesmo período do ano anterior tem sido constante. Yoshikazu Tsuno/AFP “Eu estou bem. Salvei meu bigode” O presidente do Senado, José Sarney, em seu retorno ao Congresso após se submeter a uma cirurgia para retirada de um cisto benigno no lábio superior. Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 21 Divulgação MARCADO Camarão fora d´água A Vivenda do Camarão acaba de inaugurar sua primeira unidade na cidade de Contagem, em Minas Gerais. O restaurante está localizado no shopping Itaú Power e deve receber uma média de 1.500 consumidores por mês. Com a nova unidade, a Vivenda passa a contar com seis lojas no estado. A rede cresceu 25% em 2009 e conta com mais de 100 restaurantes espalhados por todo o território nacional e uma franquia no Paraguai. ● Acontece hoje no IED (Instituto Europeu de Design) o coquetel para comemorar a renovação da parceria entre as empresas Abesp e a Apex-Brasil. O Projeto Setorial Integrado de Internacionalização da Moda Brasileira tem o objetivo de incrementar as exportações. [email protected] Reprodução Desembarque patrício Arte brazuca para inglês comprar A portuguesa Transitex, de comércio exterior e transportes internacionais, joga âncora no Brasil. A empresa está acionando uma sucursal brasileira, em São Paulo. O escritório tem chancela da Administração do Porto de Lisboa. A Transitex pertence ao grupo Mota-Engil, um dos maiores grupos de Portugal, com negócios em 19 países. Alguns dos mais badalados artistas brasileiros da hora estão no catálogo de um grande leilão de arte dos emergentes que será realizado em Londres, na Inglaterra, na segunda metade deste mês. Nos dias 23 e 24, o martelo da galeria Phillips de Pury & Company vai soar para lances de candidatos a comprar obras da dupla de grafiteiros Os Gêmeos, do fotógrafo Sebastião Salgado e dos artistas Lygia Clark, Hélio Oiticia, Beatriz Milhazes, Paulo Bruscky e José Zanine Caldas,além do reconhecidíssimo Di Cavalcanti. As produções verde-amarelas fazem parte de leilão batizado de Bric, que reúne apenas obras de arte contemporâneas de artistas do Brasil, Rússia, Índia e China – as economias da vez. O quadro Mauria, Esmeraldo, Pomela, Nascimento, Valdelios e Amildala (na foto, acima), dos Gêmeos, tem preço estimado em US$ 50 mil. Já o flagrande uma mulher indígena de Sebastião Salgado (abaixo) vale US$ 5 mil. From New York O lendário restaurante nova iorquino PJ Clarke’s está se preparando para expandir ainda mais seus horizontes. Depois do sucesso da sua primeira unidade brasileira, a sócia Maria Rita Pikielny, responsável pela exclusividade da implementação da marca na América do Sul, procura de um novo ponto no bairro dos Jardins, em São Paulo. Ainda este ano, o PJ Clarke’s abre restaurantes em Las Vegas e Washington e em 2011 desembarcará em Boston e Atlanta. Por recomendação A maior parte dos brasileiros que procuram agências de viagem fazem sua escolha por indicação de amigos, apurou estudo feito pela Grow Biz/Cherto para o Sistema Brasileiro de Hotéis, Lazer e Turismo (SBTur). A dica de conhecidos respondeu por 77% dos casos, seguido de pesquisas na internet (66%), veículos de comunicação (45%) e mala direta (42%). O resultado da pesquisa já foi usada pela SBTur: a maior rede de agências de viagem do Sul criou um programa que dá desconto na indicação de amigos. Último veredicto Chinelo com cadarço Depois de seis anos de mandato no Superior Tribunal de Justiça e 50 anos de magistratura, a ministra Denise Arruda vai pendurar a toga. Quarta mulher a chegar ao STJ e a primeira pelo estado do Paraná, a juíza paranaense anunciou aposentadora nesta semana. Deve começar a ser vendida no Brasil em maio a primeira linha de tênis da Havaianas, que já está nas lojas da Europa há um mês. No varejo europeu, a novidade da Alpargatas entrou pisando com o pé direito: os calçados fechados estão nas prateleiras de Harrods e Selfridges, em Londres, e as Galerias Lafayette, em Paris. Divulgação GIRO RÁPIDO Gladstone Campos/Realphotos Expansão saborosa Depois de inaugurar mais uma unidade do restaurante La Pasta Gialla no Ceará, Sérgio Arno está de volta à capital paulista para a abertura de sua 18ª casa da premiada rede de franquias, em um bairro nobre, ao lado do Shopping Iguatemi, na Rua Mário Ferraz. Adubado A Eichenberg acaba de fechar contrato com a multinacional espanhola do ramo de fertilizantes Tradecorp Brasil, para atuar no transporte rodoviário e na distribuição nacional da empresa de Campinas. Cafezinho na rede A marca mineira Villa Café escolheu o dia 14 de abril, dia Internacional do café, para lançar sua loja virtual. Com Karen Busic [email protected] Rizwan Tabassum/AFP Tudo acaba em pizza É recheada por números saborosos que a Fispizza, feira internacional da indústria, suprimentos, tecnologia e serviços para pizzarias, chega a São Paulo, do dia 12 ao dia 15. A cidade que abriga a quarta edição do evento não poderia ser mais apropriada: a capital paulista é a segunda maior consumidora de pizza no mundo, só perdendo para Nova York, e é responsável por 30% do faturamento total do segmento. São 6 mil pizzarias na metrópole e cerca de 400 milhões de redondas consumidas por ano. O mundo da pizza movimenta mais de R$ 14,8 bilhões por ano no Brasil, onde, calcula-se, existam 32 mil pizzarias. BOLSA, NÃO. É POCHETE Nem tudo é alta tecnologia, grandiosidade e ostentação nas bolsas de valores do mundo. Dá uma espiada aí no pregão da Bolsa de Valores de Karachi, no Paquistão. 22 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 EMPRESAS Estrela prepara expansão no Fruto de um investimento de R$ 12 milhões, fabricante inaugura em agosto unidade em Sergipe com meta Françoise Terzian [email protected] O consumo no Nordeste brasileiro vive uma fase de enorme ebulição. Em nenhum lugar do país a taxa de crescimento registrada pela Estrela, tradicional fabricante brasileira de brinquedos, é tão alta quanto na região. O faturamento da companhia lá cresce 40% ao ano, enquanto no consolidado nacional a receita deverá ser elevada em 20% em 2010. O problema é que, mesmo com este boom nas vendas, a Estrela tem apenas 10% de participação no Nordeste. A culpa da baixa participação na região é atribuída ao alto cus- to do frete, que tem funcionado como um freio de mão para o avanço da Estrela na região. Esta situação era um tanto quanto frustrante para o presidente da companhia, Carlos Tilkian. A partir de uma decisão estratégica tomada no final de 2008, em agosto ele planeja reverter este cenário. Nesta data, a fabricante vai trilhar o caminho percorrido por muitas fabricantes de alimentos e inaugurar sua primeira fábrica no Nordeste – e a terceira do país. O local escolhido para implantar sua nova unidade industrial foi o povoado Serra do Machado, localizado em Ribeirópolis (SE) e sugerido por João Carlos Paes Mendonça, do grupo JCPM, que é amigo de Tilkian e desenvolve projetos sociais na região. Fruto de um investimento de R$ 12 milhões, a nova unidade tem a incumbência de colocar a Estrela na liderança da venda de brinquedos no Nordeste. “Com esta fábrica em Sergipe, pretendemos conquistar, em um ano, 20% de market share e nos tornarmos o número um de um mercado muito pulverizado”, promete Tilkian. Com a fabricação local, o executivo vai conseguir uma vantagem primordial para o seu negócio. Sem o repasse do custo do frete, o nordestino finalmente passará a pagar pelos “ Nosso grande desafio no Nordeste era equacionar um cálculo baseado em brinquedos de grande volume e pequeno valor. Com o frete, isso era impossível. A fábrica chega para resolver esta equação Carlos Tilkian, presidente da Estrela brinquedos da marca o mesmo valor desembolsado por paulistas, cariocas, mineiros e gaúchos. Na prática, isso significa que os brinquedos chegarão às lojas com um valor 10% inferior ao que vinham sendo praticados na região. “Nosso grande desafio no Nordeste era equacionar um cálculo baseado em brinquedos de grande volume em pequeno valor. Com o frete isso era impossível. A fábrica chega para resolver esta equação”, diz. Criada para atender exclusivamente às regiões Norte e Nordeste, a nova fábrica deverá responder por 50% de todos os brinquedos que a marca preten- Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 23 Issei Kato/Reuters Renault, Nissan e Daimler formam aliança Com troca de ações, assim como o desenvolvimento conjunto de modelos e o uso de motores em comum, aliança prevê que a Daimler entre com uma participação de 3,1% no capital da Renault e de 3,1% na Nissan. Estas duas empresas receberão participações iguais de 1,55% da montadora alemã, informa um comunicado das três montadoras divulgado na Bolsa de Tóquio. Os modelos Smart Fortwo, da Daimler, e Twingo, da Renault, ano 2013, terão uma concepção elaborada em conjunto. Claudio Gatti PREVISÕES PARA 2010 Depois de ano morno, fabricante projeta crescer 20% O balanço financeiro da Estrela em relação a 2009 deve sair em duas semanas. Embora não possa precisar um número, o presidente Carlos Tilkian calcula que, no ano passado, a empresa cresceu 10% sobre os R$ 108 milhões faturados em 2008. “Foi um ano com números menores, em função da crise”. Para este ano, a meta é crescer 20%. O lançamento de 270 brinquedos que estão sendo apresentados aos varejistas nesta semana vão ajudar. Atualmente, a Estrela tem um portfólio de 500 produtos. A cada ano, ela renova 50% de sua coleção, uma vez que “as crianças estão sempre em busca de novidades”. Por volta de 50% dos brinquedos que a empresa vende no Brasil são importados da China. A fabricante tem acordo com 20 fabricantes daquele país para produzir seus brinquedos. “Nós privilegiamos a produção local, mas o câmbio, as linhas de financiamento e as taxas de juros tornam mais viável importar da China neste momento”, afirma Tilkian. F.T. Carlos Tilkian, presidente da Estrela, vai fabricar brinquedos específicos para o Nordeste Nordeste Ivete Sangalo vira “Barbie” da BabyBrink A partir de 15 de maio, 5 mil lojas receberão 500 mil unidades da boneca da cantora A cantora baiana Ivete Sangalo deverá responder por 25% do faturamento do Grupo BBRA (formado pelas marcas Baby Brink, Rosita e Acalanto) no consolidado de 2010. A partir de 15 de maio, o grupo que nasceu da junção de três fabricantes de brinquedos da mesma família coloca 500 mil unidades da boneca da cantora nas prateleiras de cerca de 5 mil pontos de venda de todo o país. A expectativa é vender todo volume em um ano, que é o tempo de duração do contrato que o grupo BBRA tem com a Caco de Telha, empresa responsável pela administração artística de Ivete. A boneca, que vem com um dos modelos usados pela cantora no show ao vivo no Maracanã (um vestido que lembra o calçadão de Copacabana), custará R$ 89,99 e pretende atingir um público bem maior que o infantil. A expectativa da fabricante é que os fãs adultos da cantora também venham a adquirir uma unidade. “As vendas da boneca da Ivete são a nossa maior aposta do ano. Ela deve superar o nosso maior sucesso de vendas da história da empresa, que foi a boneca da novela Rebelde (produzida pela mexicana Televisa e exibida pelo SBT), em 2005”, afirma Germano Brandino, diretor de marketing do grupo BBRA e um dos herdeiros do ne- Grupo formado por três fabricantes de brinquedos deve crescer de 16% a 20% este ano, após faturar R$ 60 milhões em 2009. Meta é que a boneca da cantora represente 25% das vendas BONECAS DE FAMOSOS ● A Baby Brink, do grupo BBRA, já produziu outras bonecas inspiradas em brasileiras famosas, a exemplo da apresentadora Angélica e da cantora Sandy. A novela Chiquititas, exibida pelo SBT, também rendeu uma coleção com personagens. Em nenhum caso, no entanto, uma famosa vendeu tanto quanto o grupo espera vender com a cantora Ivete Sangalo. Na média, as vendas ficam em torno de 300 mil a 350 mil unidades. gócio familiar. Ao todo, os três modelos das bonecas da novelinha juvenil venderam 450 mil unidades no país. A margem de lucro com as vendas deste produto, garante Brandino, devem ser boas, mesmo com a obrigatoriedade de ter de pagar de 10% a 12% das vendas líquidas em royalties para a cantora. “É um produto que nos traz diferenciações da onda de commodities que chega da China. Um produto licenciado tem suas vantagens. Se for da Ivete então, que terá a primeira boneca produzida industrialmente, as vendas deverão ser ainda melhores”, acredita. A boneca da cantora terá 53 centímetros e faz parte apenas de um dos planos do grupo BBRA. O objetivo de Brandino é, depois desta primeira experiência, lançar um boneca gigante da cantora. Posteriormente, ele também quer criar outros brinquedos como o camarim da Ivete Sangalo. Para produzir a boneca, a fabricante teve que apelar para Wilson Iguti, considerado um dos maiores especialistas em modelação de rostos de artistas. Foi ele quem fez, no passado, a modelação do rosto da apresentadora Xuxa para boneca. “Quando você faz uma boneca, ou você a deixa bem parecida com a pessoa ou a transforma simplesmente em boneca. Como a Ivete tem traços fortes e marcantes, buscamos fazer a boneca da forma mais parecida com a cantora”, diz Brandino. ■ F.T. Claudio Gatti de dobrar participação na região de vender na região no Dia das Crianças, em outubro. Tilkian explica que o mercado nordestino sempre teve menos opções, menos estrutura de empresas e um poder aquisitivo que nunca fez chegar às mãos das crianças da região brinquedos com muita sofisticação ou eletrônica embarcada. Por conta disso, o público infantil teria desenvolvido uma predileção por brinquedos maiores, a exemplo de bonecas de 1 metro de altura e carrinhos gigantes. Atualmente, 80% das vendas da boneca Amiguinha, lançada pela Estrela na década de 70, são compradas por lojistas do Nord- este. O item tem 90 centímetros. “A fábrica local tem o objetivo de desenvolver produtos específicos para aquela região”, explica Tilkian. Na prática, isso significa que a Estrela poderá fechar parcerias com costureiras da região e passar a encomendar roupas de bonecas a elas. O artesanato, muito forte no estado, também poderá ser incorporado à linha de produção. “Existe a possibilidade de criarmos produtos lá que resgatem a cultura local para comercialização em todo país”, promete. A Estrela espera obter o retorno do investimento nesta fábrica em cinco anos. ■ Germano Brandino, diretor do grupo BBRA: boneca da cantora baiana é a grande aposta do ano 24 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 EMPRESAS MINÉRIO DE FERRO TV PAGA União Europeia recebe avaliação da Vale sobre associação BHP/Rio Tinto Cade aprova compra da 614 Telecom de Maceió e João Pessoa pela Net O regulador antitruste da UE informou ontem ter recebido uma avaliação da mineradora brasileira Vale sobre a investigação que foca a associação entre BHP Billiton e Rio Tinto para produção de minério de ferro. A Comissão Europeia lançou uma investigação em janeiro para avaliar se a planejada união das duas empresas, segunda e terceira produtoras de minério de ferro do mundo, poderia reduzir a competição internacional. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem, com restrições, a compra da 614 Telecom de Maceió e João Pessoa pela Net Serviços, feita há dois anos. A Net teve de assinar um Termo de Compromisso de Desempenho em que garante um período de 18 meses de transição, contados a partir de agora, no qual porá à disposição dos antigos clientes da 614 Telecom os mesmos preços e serviços. Diane von Furstenberg aposta em Em uma semana, loja no Shopping Iguatemi em São Paulo vendeu cinco vezes mais que o esperado, informa estilista Amanda Vidigal Amorim [email protected] Com apenas uma semana de funcionamento, a primeira loja na América Latina da estilista belga Diane von Furstenberg, a DVF, superou as expectativas de vendas. Segundo a própria Diane, a loja movimentou, nesse período, cinco vezes mais do que o planejado. Ela, porém, não revela valores. “Não esperava todo esse sucesso. Foi muito além das minhas expectativas”, resume. Foi também além do estimado pela diretora da marca no Brasil, Patrícia Assui. “Essa semana mostrou que o potencial da marca é maior ainda do que pensávamos”, diz Patrícia. O Grupo Jereissati, responsável por negociar a entrada da marca no Brasil, faz planos de expansão, apoiado pela própria DVF. “Com certeza não vamos ficar apenas nessa loja”, diz Patrícia. Para Diane, a expansão tem local e data prevista. “No próximo ano, estaremos também no Iguatemi de Brasília”. O novo shopping de luxo do Distrito Federal foi inaugurado em março deste ano e como o de São Paulo é referência em lojas de luxo. A Missoni, grife italiana recentemente aberta no Iguatemi paulistano, abriu sua segunda loja no Brasil, em março, no Iguatemi de Brasília. Diane acredita no sucesso da marca pela fácil aceitação de suas peças pelas consumidoras. “A roupa que eu faço é muito parecida com o estilo da mulher brasileira, são coloridas, ousadas e modernas”, afirma a estilista. Para ganhar esse público, a loja do Shoppping Iguatemi, que tem 100 metros quadrados, traz as coleções completas da esti- “ A roupa que eu faço é muito parecida com o estilo da mulher brasileira, são coloridas, ousadas e modernas Projetos em andamento O próximo investimento da estilista no país chegará ao mercado em parceira com a Coteminas. A empresa brasileira deve lançar uma linha de decoração com sua assinatura, além de outros produtos. “Em poucos meses, vamos anunciar uma série conjunta de aromatizadores de ambiente.A Coteminas é a terceira parceria que tenho no Brasil”, afirma. A Coteminas foi procurada para comentar o acordo, mas não deu retornou ao contato até o fechamento desta edição. Tantas apostas no país têm um motivo. A estilista admite que quer estar em todos os mercados emergentes. Além do Brasil, estão nos planos China e Rússia. Mas sua aposta maior é mesmo em território nacional. “O Brasil é um país onde o futuro será o sucesso. Não tenho dúvidas disso”. Sem querer Parceria bem-sucedida com a H.Stern Em 2000, Diane von Furstenberg, depois de um período afastada da mídia, procurou a rede brasileira de joalherias H.Stern em busca de parceria. A ideia era criar uma linha exclusiva de joias com a sua marca. Mesmo com a estilista fora dos holofotes, a H.Stern, que tem 90 lojas no Brasil e 90 no exterior, topou o desafio. Os designers da empresa brasileira fizeram pesquisas lista, incluindo as linhas prêtà-porter e vestidos de noite, e mais acessórios, calçados, bolsas, livros e óculos. Nos Estados Unidos, o preço médio dos famosos vestidos da marca é de US$ 400. No Brasil, a média alcança R$ 1,5 mil. Mesmo com valores mais altos, Diane aposta em aumento constante das vendas, com base em seu histórico no país. A primeira loja brasileira a vender as roupas dela foi a Daslu, há dez anos. Cinco anos depois, a estilista fechou uma parceria com a joalheria H. Stern. Hoje, a linha de joias que leva seu nome é a mais vendida da história da joalheria (leia texto abaixo). e reuniões com a estilista que resultaram, em 2004, em uma coleção com a assinatura Von Furstenberg. O resultado entrou para a história: até hoje, essa foi a linha mais vendida da joalheria. Com o sucesso veio uma nova parceria para uma linha conjunta de relógios com o nome da estilista, e uma segunda linha de joias, que acaba de ser lançada. A.V.A O sucesso que a estilista faz hoje começou por acaso. Como passatempo, Diane, então casada com um milionário alemão, criou em 1972 uma coleção de roupas. Um item chamou a atenção de todos os críticos de moda do tempo: o vestido-envelope, transpassado na altura dos seios e fechado por um laço próximo à cintura. Segundo a grife, eram vendidas 25 mil unidades do vestido por semana na época de seu lançamento. Três décadas depois, as criações de Diane são exibidas por celebridades como a atriz Kate Hudson, a primeira-dama americana Michelle Obama e a cantora Madonna. ■ Loja da estilista no Iguatemi venderá de vestidos a livros com a assinatura de Diane von Furstenberg QUATRO PERGUNTAS A... ...DIANE VON FURSTENBERG Estilista belga radicada em Nova York “O Brasil é um país onde o futuro será o sucesso. Não tenho dúvidas” A estilista aproveitou a abertura da primeira loja no país para lançar também uma exposição fotográfica que mostra sua trajetória. Em entrevista ao BRASIL ECONÔMICO, ela fala sobre suas ambições e sobre novos produtos que estão sendo desenvolvidos, em parceria com a Coteminas. Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 25 Agência Brasil ENERGIA 1 ENERGIA 2 Light isenta cobrança de multa e juros de contas de energia por enchentes no Rio Petrobras e Abesco anunciam congresso de eficiência energética Os clientes da Light que não conseguiram pagar suas contas de energia elétrica por causa do temporal que atingiu o Rio de Janeiro nos últimos dias têm até a próxima sexta-feira, dia 9 de abril, para quitar a fatura sem a cobrança de multa e juros. A companhia de energia informou ontem que vai isentar de multa as faturas que tinham vencimento nos dias 5, 6 e 7 de abril. A Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia) anuncia a realização, em junho próximo, da 7ª edição do Cobee (Congresso Brasileiro de Eficiência Energética) com patrocínio da Petrobras, uma das maiores companhias globais de energia. O congresso vai sediar também a exposição ExpoEficiência Energética 2010, que vai reunir 500 especialistas. lucro imediato no Brasil Antonio Milena Grupos investem em shoppings de alto luxo O primeiro e mais famoso shopping de alto luxo no país nasceu em 1966, em São Paulo. Em todo esse tempo, o Iguatemi, que também é considerado por muitos o primeiro centro de compras brasileiro, nunca parou de crescer. E seu fôlego para expansão continua bom. Aproveitando a onda de investimentos externos no país, com a chegada de grandes grifes internacionais ao Brasil, a rede Iguatemi prepara novos projetos. Além do primeiro shopping da rede no Distrito Federal, o grupo está construindo, em parceria com a W.Torre, empresa paulistana, mais um shopping de luxo. O Iguatemi J.K., que deve ficar pronto no próximo ano, promete ser ainda mais requintado do que seu antecessor, que abriga marcas como a francesa Louis Vuitton e as italianas Missoni e Salvatore Ferragamo. No mesmo ritmo segue o grupo Multiplan, que acaba de anunciar seu primeiro investimento no segmento de luxo, o Village Mall, no Rio de Janeiro. A previsão de inauguração é maio de 2012. O investimento estimado será de R$ 350 milhões. A capital carioca oferece alguns centros comerciais de luxo e, para atrair grandes marcas internacionais, a Multiplan aposta em uma infraestrutura com teatro, cinemas, área com 1,5 mil metros quadrados para eventos e 125 lojas, incluindo oito âncoras. A.V.A Qual a sua expectativa para o Brasil? Acredito muito nos países emergentes e, principalmente, no Brasill. Para mim, o Brasil é um país onde o futuro é o sucesso. Não tenho dúvidas disso. A senhora tem outros planos de investimento fora dos principais mercados para artigos de luxo? Tenho projetos para Rússia e para a China. São países em que quero estar com a minha marca, mas acredito mais no mercado brasileiro. Não só pela economia, mas também porque me identifico com a mulher brasileira. A minha moda é para esse tipo de mulher, mais moderna e ousada. Além das roupas, existem novos projetos para produtos com o seu nome? A parceria com a H.Stern está sempre acontecendo. Estamos na segunda linha de joias e, no ano passado, lançamos uma série de relógios. Estou lançando ainda uma linha de decoração com meu nome. A Coteminas é a mais nova parceria da marca DVF no Brasil. Como é feita hoje a sua produção? Tenho vários parceiros. Os produtos são terceirizados, alguns nos Estados Unidos e outros, na China. Fazemos três desfiles por ano para lançar as coleções. Porém, todos os meses, as lojas recebem peças inéditas de pequenas coleções intermediárias. A.V.A 26 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 EMPRESAS Simon Dawson/Bloomberg INTERNET VENDAS Vodafone vai oferecer internet via Opera em mercados emergentes Divisão de televisores da Panasonic deve ter lucro no primeiro trimestre O grupo de telefonia móvel britânico Vodafone vai lançar uma versão menor do navegador de internet Opera em celulares de baixo custo, para seus clientes em mercados emergentes. Segundo a Vodafone, houve um trabalho conjunto das duas empresas para o desenvolvimento do programa para celulares de baixo e médio custos conectados a redes de telefonia móvel mais básicas ou de segunda geração (2G). A área de televisão da Panasonic provavelmente terão seu primeiro lucro operacional em seis trimestres, no período de janeiro a março, em função das fortes vendas de aparelhos de tela plana, diz o jornal japonês Nikkei. A Panasonic também parece ter superado sua meta de elevar em 50% as vendas de televisores, para 15,5 milhões de unidades, no ano fiscal encerrado em 31 de março. Nikolas Maciel/Divulgação Garrido, do Transamérica Hospitality: “Não queremos ativos imobiliários, queremos contratos” RECEITA R$ 300 mi é o faturamento anual previsto para a nova empresa em 2014, quando estima que terá 34 hotéis de terceiros sob sua administração. Hoje, conta com 17. DIÁRIA R$ 210 é o valor médio das diárias da rede no primeiro trimestre, que teve um aumento de 6%. A meta da empresa é atingir uma receita de R$ 100 milhões neste ano. Grupo Alfa cria rede de gestão hoteleira com marca Transamérica Nova empresa vai administrar 17 hotéis e pode ir às compras para acelerar o crescimento neste ano Regiane de Oliveira [email protected] O grupo Alfa, do empresário Aloysio de Andrade Faria, exproprietário do Banco Real, quer ampliar a participação da hotelaria em sua receita e para isto lançou o Transamérica Hospitality Group, uma empresa de gestão de hotéis, que vai trabalhar com seis marcas em três categorias: quatro estrelas, alto padrão e luxo. A gestora vai iniciar sua operação com 17 hotéis, atualmente sob a bandeira de flats da Rede Transamérica, que serão convertidos. Os hotéis Transamérica São Paulo e Transamérica Ilha de Comandatuba, que são de propriedade do Alfa, não ficarão sob o comando da nova empresa. “Não queremos ter ativos imobiliários, queremos ter contratos”, afirma Heber Garrido, diretor da gestora. Segundo ele, a expectativa é crescer rapidamente. “Temos cinco contratos assinados para a abertura de hotéis em Recife, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e litoral do Rio de Janeiro.” Em Recife, está em obras avançadas o primeiro hotel com a bandeira Transamérica Prime, com foco no segmento de alto padrão. O empreendimento, que terá 270 apartamentos, é fruto de investimentos da construtora Moura Dubeaux Engenharia, que vai vendê-lo a investidores individuais. Projetos novos, como o de Recife, são o foco da Transamérica Hospitality, mas Garrido admite que a conversão de bandeiras de hotéis já construídos também está nos planos. O grupo Alfa é formado pelo Banco Alfa de Investimento, Alfa Arrendamento Mercantil, Alfa Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários e Alfa Seguros e Previdência, além de Agropalma, Águas Prata, C&C Casa e Construção, La Basque, Teatro Alfa, Transamérica Expo Center e Vera Cruz Empreendimentos Imobiliários. Metas agressivas O novo negócio tem metas agressivas: dobrar de tamanho até 2014. “Queremos chegar a um faturamento de R$ 300 milhões”, afirma Garrido. A expectativa para 2010 é que a rede alcance um faturamento de R$ 100 milhões, valor 25% superior ao registrado em 2009. Por enquanto, a movimentação mostra que a meta será alcançada. “Fechamos o primeiro trimestre com crescimento de 30% na receita e aumento de 6% na diária média, de R$ 210 atualmente”, diz. Garrido afirma ainda que a nova empresa tem carta branca para ir às compras e sustentar seu crescimento. Na mira estão as administradoras que gerenciam hotéis de categorias semelhantes O empresário Aloysio de Andrade Faria quer ampliar a participação de serviços não financeiros nos negócios do Grupo Alfa às que serão atendidas pela nova empresa, a partir de quatro estrelas. “Inicialmente, nosso foco não é o mercado econômico”, revela o executivo, que assumiu a direção do Transamérica Flat no ano passado, após sair da rede Bourbon Hotéis e Resorts. Garrido afirma que a empresa está ciente de que a tendência atual do mercado brasileiro é o desenvolvimento dos segmentos econômicos e supereconômicos. Porém, segundo pesquisas feitas pela companhia, o público não identifica a marca Transamérica com este nicho de mercado. “No futuro, se decidirmos trabalhar nestes segmentos, pretendemos criar uma nova marca”, informa. A Transamérica Hospitality vai operar com três marcas na categoria quatro estrelas — Fit, Executive e Classic —, duas marcas de alto padrão — Prime e Club (resorts) —, e uma no segmento de alto luxo, Prestige. ■ Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 27 Simon Dawson/Bloomberg SUSTENTABILIDADE HABITAÇÃO Fábrica da Pirelli em Sumaré reaproveita a água utilizada no processo produtivo Grupo português Pestana abre seu primeiro hotel em Londres com perfil business Na unidade, que produz cordas para reforço de pneus radiais metálicos, a água é utilizada durante a fabricação das cordas em sua própria Estação de Tratamento de Águas (ETA). A ação, somada a programas de conscientização de funcionários, reduziu o consumo de água na unidade em aproximadamente 28%. A fábrica de Sumaré possui a certificação ambiental ISO 14001. O Pestana Chelsea Bridge, em Londres, é um quatro estrelas superior, na margem sul do Rio Tâmisa. Os 217 quartos e suítes do Pestana Chelsea Bridge Hotel apresentam tamanhos superiores em 30% à média de área de quartos em Londres e todos estão equipados com ar condicionado, acesso à internet wireless, TV LCD, máquina de chá e café, mini bar, estação para iPod, bicicletas ergométricas e Wet Bar em alguns quartos e suítes. WHotels quer vender Miami a brasileiros Companhia desembarca no país para comercializar imóveis de até US$ 6 milhões Natália Flach [email protected] Imagine ter um apartamento de frente para o mar em Miami e ainda esbarrar com a atriz Cameron Diaz no corredor do hotel mais falado da cidade. Idealizado por David Edelstein, o WSouth Beach tem como ideia oferecer a conveniência de um hotel e o conforto de uma casa em um único empreendimento. Por está localizado em um dos destinos favoritos dos brasileiros, Edelstein resolveu desembarcar no país, com fotos e números de rentabilidade na bagagem, em busca de investidores e possíveis moradores ao lado da Sotheby’s. As unidades custam de US$ 700 mil a US$ 6 milhões, dependendo do tamanho. E, se o cliente preferir, pode deixálas nas mãos da WHotels, quando não estiver hospedado em sua casa de veraneio. Segundo Edelstein, a rentabilidade anual é de algo entre 7% e 8%. “É a primeira vez que fazemos uma campanha de marketing no Brasil. Geralmente visitamos países onde a nossa cadeia de hotéis já atua”, afirma o executivo, que adianta que a rede pretende vir ao Brasil. “Vamos abrir dois hotéis, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo”, disse sem revelar a data ou quanto será investido nos dois empreendimentos. Segundo Álvaro Coelho da Fonseca, presidente da imobiliária Coelho da Fonseca, os brasileiros compram empreendimentos no exterior para principalmente passar temporadas. “Os lugares mais procurados são Nova York, Paris, Punta del Este e Portugal”, afirma o executivo. “O perfil do comprador brasileiro não é de quem quer fazer negócios lá fora. O objetivo deles é ter uma casa de lazer e uma reserva de valor.” Mercado americano Há um ano e meio, Marcelo Lara abriu uma imobiliária homôni- Hall de um dos quartos do W South Beach, que podem custar de US$ 700 mil a US$ 6 milhões “ A WHotels tem planos de abrir dois hotéis no Brasil, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo David Edelstein, diretor da WHotels ma, com o intuito de vender imóveis no exterior. Foi aí que entrou em contato com a rede de franquias americana Prestige International. “O mercado nos Estados Unidos está, aos poucos, se recuperando. Alguns imóveis valorizaram 15%, depois de despencarem 70%. Mas o grau de confiança do consumidor ainda continua muito abalado”, conta o executivo. David Edelstein, que também está à frente da Tristar Capital, empresa de transações imobiliárias, diz que Nova York chegou ao fundo do poço, durante o pico da crise. “A nossa sorte é que não tínhamos muitas dívidas. Mas, como todas as outras companhias, perdemos valor”, diz. “A expectativa é que o mercado se recupere entre 2011 e 2012.” “Acho que a próxima tendência do mercado imobiliário brasileiro é começar a ter hotéis que também são apartamentos. Em alguns bairros de São Paulo, por exemplo, a cota de empreendimentos residenciais já está esgotada, como a Vila Leopoldina. A solução é construir um empreendimento misto”, completa Lara. ■ A diária dos quartos com vista para o mar pode chegar a US$ 1 milhão, dependendo da época do ano; há duas semanas o hotel está com todas as reservas feitas O QUE OS BRASILEIROS QUEREM ● Os lugares mais procurados pelos brasileiros no exterior são Miami, Paris, Punta del Este e, há alguns anos, Portugal. ● Imóveis no exterior geralmente significam uma segunda residência dos brasileiros, e não um investimento. ● A próxima tendência que deve chegar ao país é a de empreendimentos que misturam residência e quartos de hotel. 28 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 EMPRESAS Henrique Manreza MONTADORAS 1 MONTADORAS 2 Sindicato processa General Motors por falta de pagamentos da fabricante Delphi Mesmo após concordata, GM reporta prejuízo de US$ 3,4 bilhões no quarto trimestre A União de Trabalhadores do Automóvel acusa a montadora de não cumprir o compromisso de pagar US$ 450 milhões a um fundo fiduciário para a antiga filial e a fabricante de autopeças Delphi. A ação apresentada em uma corte federal de Detroit, pede a “reparação de parte da companhia pelo não cumprimento do compromisso assumido no contrato para um pagamento específico à Associação Voluntária de Funcionários Beneficiários”. A divulgação de demonstrativos contábeis ontem está associada ao processo de saída da recuperação judicial, em julho do ano passado. Desde então, o prejuízo total acumulado pela montadora é de US$ 4,3 bilhões. O resultado líquido negativo reflete o impacto de despesas oriundas dos planos médicos das aposentadorias de trabalhadores. Neste período, a GM mostrou uma geração operacional de caixa de US$ 1 bilhão. Eric Piermont/AFP Além da nova rota, companhia pretende reativar voos do Nordeste para Portugal que haviam sido suspensos durante a crise, que afetou o turismo europeu no litoral brasileiro TAP voa de Campinas a Lisboa Companhia aérea portuguesa busca em Viracopos alternativa ao Aeroporto Internacional de Guarulhos Dubes Sônego [email protected] De olho no crescimento da demanda pelo transporte aéreo de cargas, mas com dificuldade de encontrar espaço para novas frequencias no aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, a companhia aérea portuguesa TAP planeja iniciar voos diretos para Lisboa, a partir do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. O voo de estreia está marcado para 3 de julho. “É nossa grande aposta para o ano”, afirma José Anjos, diretor geral de cargas da TAP no mundo. Com três frequencias semanais extras saindo do estado de São Paulo (terças, quintas e sábados), a companhia ampliará em 45 toneladas a oferta de carga, em cada sentido. Em termos financeiros, segundo Pedro Mendes, diretor de cargas da TAP para o Brasil, a ampliação potencial de rendimentos é de US$ 500 a US$ 800 mil por mês. Não é muito, do ponto de vista financeiro. Porém, segundo o executivo, a nova rota traz uma série de outras vantagens. Uma Nova rota abre a oportunidade para atrair os passageiros do interior de São Paulo, região de alto poder de consumo e polo de empresas, que buscam mais comodidade em voos para a Europa delas é a possibilidade de explorar o mercado praticamente virgem de voos de passageiros diretos para a Europa, a partir do interior de São Paulo, uma região rica, onde estão localizadas grandes empresas. Como os voos serão mistos, a TAP acredita que poderá atrair clientes de outras companhias que hoje precisam se deslocar até São Paulo para embarcar para a Europa. “E, com passageiros, os ganhos na rota poderão ser bem maiores”, afirma Anjos. Outro benefício da abertura da nova rota é a possibilidade de otimização da frota de aviões da companhia. Segundo os executivos da TAP, durante a crise internacional, algumas frequencias a partir de Fortaleza, Natal, Recife e Salvador, foram interrompidas. Com os voos do Nordeste voltando a ser diários, a partir de junho, e o início da operação em Viracopos, o índice de aproveitamento da frota “chegará muito perto do ideal”. Agora, de acordo com Anjos, não serão necessários grandes investimentos para a ampliação da operação brasileira. O próximo passo, porém, demandará ampliação da frota em operação no país. A TAP já tem aviões da Airbus encomendados, com entrega prevista para 2012. Mas não necessariamente esperará até lá para criar novas frequência no país. Segundo Anjos, há sempre a possibilidade de rearranjo em rotas menos rentáveis, em outros países. No Brasil, afirma, outros dois alvos potenciais da TAP seriam Porto Alegre e Curitiba, mercados que estão constantemente em estudo. Segundo Mendes, o Brasil hoje importa por via aérea principalmente matérias-primas para a indústria química e de medicamentos, peças para a indústria automobilística e aeroespacial. “Têm crescido muito também as importações de peças para a indústria do petróleo”, diz o executivo. Já a pauta de exportação brasileira por via aérea para a Europa é composta basicamente de produtos do agronegócio. Cerca de 80% dos embarques são de frutas, flores e peixes frescos. Em São Paulo, porém, a participação de produtos industrializados nos embarques é superior à média nacional, de 20%. ■ LUCRO € 57 mi Foi o ganho relativo ao ano de 2009, anunciado ontem pela TAP. Em 2008, a companhia aérea portuguesa havia apresentado prejuízo de € 209 milhões. FATURAMENTO € 1,9 bi Foi a receita bruta registrada pela TAP, em 2009. Houve queda de 11% em relação a 2008, mas a aérea se beneficiou da redução do preço dos combustíveis. MAIS CARGAS 20% É o quanto a acompanhia espera crescer em movimentação aérea de cargas e correio, este ano. No ano passado, foram exportadas 14 mil toneladas a partir do Brasil. Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 29 30 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 EMPRESAS FARMACÊUTICA AGROQUÍMICOS Bayer Diabetes Care registra crescimento de 86% nas vendas no ano passado Fabian Gil assume presidência da Dow Agrosciences no Brasil O monitor de glicemia Breeze 2 passou a ter 8% de participação no mercado de aparelhos para monitoraização de glicemia. Também no ano passado, a divisão trouxe para o Brasil a linha Contour TS, lançada para o segmento hospitalar e o varejo. Outro marco foram as parcerias firmadas com grandes empresas para ampliar a distribuição de seus monitores de glicemia. Para 2010, a divisão prepara o lançamento dois produtos no país. O executivo, que já ocupou a liderança global da área de moléculas da companhia americana, substitui Ev Germon no comando da subsidiária brasileira. A Dow Agrosciences pesquisa e fabrica defensivos agrícolas e desenvolve sementes melhoradas. A meta de Gil, segundo a companhia, será manter os níveis de rentabilidade. Formado em engenharia agrícola pela Universidade de Buenos Aires, Gil está na Dow desde 1992. Pré-sal leva Petrobras a reduzir aporte no exterior em US$ 800 mi Bloomberg Novo plano de negócios libera recursos para explorar as reservas do país, estratégia que é questionada internamente Plataforma da BP no Golfo do México: depois que a estatal brasileira vendeu participação no projeto, britânica descobriu potencial maior de produção Ricardo Rego Monteiro [email protected] Os investimentos da área internacional da Petrobras ficarão limitados a um montante entre US$ 14 bilhões e US$ 16 bilhões no período 2010-2014. Embora não tenha sido divulgado oficialmente pela empresa, o BRASIL ECONÔMICO confirmou que o valor reflete a nova orientação de privilegiar desembolsos no Brasil, em detrimento de oportunidades no exterior. Se em valores absolutos o novo orçamento representa, na melhor das hipóteses, um decréscimo de US$ 800 milhões em relação aos US$ 16,8 bilhões previstos no plano anterior (2009-2013), percentualmente incorpora uma queda de 10% para 7% em relação ao volume total previsto, hoje de US$ 200 bilhões a US$ 220 bilhões. Desde o ano passado com uma política de enxugamento de investimentos no exterior, a companhia promoveu um corte de pelo menos US$ 5 bilhões em projetos na área internacional para adequar o orçamento à nova realidade da empresa. Venda de participações Embora o gerente de Novos Negócios, Rogério Mattos, tenha revelado na semana passada que a empresa estuda a venda de ativos no exterior para financiar os investimentos no pré-sal da Bacia de Santos, fontes da companhia confirmam que tal política resultará só em último caso na total desmobilização de ativos em outros países. Desde o ano passado, justificam, a empresa já tem implementado uma política de redução de participações em projetos estrangei- OUTROS MARES US$ 16 bi É o máximo que deverá ser investido pela Petrobras no exterior até 2014. 7% É quanto esse valor representa no plano de aportes, abaixo dos 10% reservados anteriormente. A companhia já se desfez de participações em projetos no Golfo do México e no Mar Negro, mas fontes da estatal temem a perda de boas oportunidades por causa do foco no pré-sal ros, principalmente de exploração e produção (E&P). Como exemplo, a empresa vendeu em janeiro uma fatia de 25% em um valioso projeto exploratório do Mar Negro, na Costa da Turquia, para a americana ExxonMobil. Localizado em uma área offshore (marítima), com 3 milhões de hectares, o projeto demandará US$ 220 milhões na perfuração de um só poço. Com a venda, a Petrobras manteve-se como operadora do projeto, embora com participação limitada a 25%. Os demais 50% são da estatal turca TPAO. Em 2009, a empresa também já havia vendido uma participação no Golfo do México para a British Petroleum (BP), do Reino Unido, no bloco de Keathley Canyon 102, a 400 quilômetros da costa do Texas. No mesmo ano, a companhia britânica anunciou a descoberta de uma reserva gigante de hidrocarbonetos na região, ao perfurar o poço Tiber. A notícia motivou piadas internas entre os engenheiros da Petrobras, que aguardam, para o projeto no Mar Negro, o mesmo destino do poço Tiber, no qual a Petrobras permanece como sócia minoritária, com 20% do total. As piadas, aliás, tem refletido as críticas dentro da própria companhia aos rumos da Área Internacional. Se, por um lado, os projetos no exterior reduzem a disponibilidade de caixa para investir no pré-sal, por outro contribuíram, nos últimos anos, para reduzir o risco do negócio, para a Petrobras, que detém, desde o início da década, a classificação de grau de investimento pelas agências de risco estrangeiras. ■ MAR NEGRO Venda de participação reduz investimento O projeto exploratório do Mar Negro é considerado o mais importante projeto na carteira de investimentos da Área Internacional da Petrobras para este ano. Mesmo com a venda de metade de sua participação no negócio para a ExxonMobil, o empreendimento continua atrativo devido às estimativas de reservas de 1 bilhão de barris de petróleo e 1,5 trilhão de metros cúbicos de gás natural no reservatório. Localizado em área de fronteira geológica, nunca antes explorada na região, o projeto deverá assegurar um retorno inversamente proporcional ao desembolso da companhia. Pelo contrato firmado com a estatal turca TPAO, que detém 50% do bloco, a Petrobras assumiu integralmente o investimento, inicialmente estimado em US$ 300 milhões, mas reduzido para US$ 220 milhões. Com a venda de 25% do bloco para a ExxonMobil, a brasileira repassou à companhia americana o compromisso de bancar também o investimento da TPAO, ou 75% do total previsto (US$ 150 milhões). R.R.M. Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 31 Henrique Manreza INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 1 INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 2 Citroën Brasil manterá preços de seus modelos com IPI reduzido em abril Montadoras demonstram receio com alta de custos por conta do preço do aço A marca oferecerá aos seus clientes um plano de financiamento com taxa de juros de 0,49% para o hatch C4, o sedan C4 Pallas e as minivans Xsara Picasso e Grand C4 Picasso. “Ainda estamos comemorando com nossa rede de concessionárias o recorde histórico de vendas da Citroën em março”, afirma Domingos Boragina Neto, diretor comercial da Citroën do Brasil. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, prevê que os reajustes de preços do aço, que devem ocorrer em função da alta do minério de ferro, terão uma repercussão importante no custo da produção das montadoras. “Não tenho como estimar ainda a dimensão disso, mas com certeza veremos um impacto de custo, seja direta ou indiretamente”, disse. Linde inaugura fábrica em Camaçari Grupo alemão de gases industriais tem mais duas unidades nos planos: uma em Resende (RJ) e outra em Barra Mansa (RJ) Domingos Zaparolli [email protected] A alemã Linde, vice-líder do mercado brasileiro de gases industriais, inaugurou ontem sua quinta fábrica no Brasil, em Camaçari (BA). O investimento foi de R$ 100 milhões e a nova unidade terá capacidade de produção de 300 toneladas diárias de gases do ar (oxigênio, nitrogênio e argônio), insumos utilizados em indústrias e hospitais. Esta não é a única fábrica programada para ser inaugurada este ano no país. Em julho, deve entrar em operação uma outra unidade em Resende(RJ), que terá como principal objeti- vo atender a siderúrgica que a Votorantim opera naquele município. Ali, o investimento também é de R$ 100 milhões, mas a capacidade produtiva será de aproximadamente 600 toneladas por dia. O principal insumo produzido será o oxigênio líquido. “Nos últimos cinco anos investimos R$ 500 milhões no Brasil e pretendemos investir muito mais”, diz José Fernando Rodrigues, presidente da filial brasileira. A Linde chegou ao Brasil em 2000 com a aquisição da AGA, mas só em 2006 adotou sua marca global no país. No ano passado, registrou vendas superiores a € 200 milhões no país. No mun- Divulgação José Rodrigues Presidente da Linde no Brasil “Nos últimos cinco anos investimos R$ 500 milhões no Brasil e pretendemos investir muito mais para acompanhar as oportunidades que surgem nos segmentos de siderurgia, química e petroquímica” do, faturou € 11,2 bilhões. Segundo Rodrigues, o Brasil tem apresentado oportunidades interessantes de investimento, uma vez que há inúmeros planos de ampliação nos setores de siderúrgica, química e petroquímica. “Nosso negócio depende da evolução do setor industrial e o que vemos é um mercado bastante favorável”, diz o executivo. Ganho logístico A Linde já atua na Bahia, onde atende clientes como Petrobras, Braskem, Pirelli e Ferbasa. Mas o fornecimento é realizado por meio da unidade da empresa em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. Rodrigues não revela a expectativa de faturamento com a nova unidade baiana. Limita-se a informar que a expectativa é um crescimento de 10% de participação de mercado na região. “Com a nova unidade, vamos ter uma redução sensível em nosso custo logístico, o que nos dará mais competitividade”, afirma. Em Camaçari, lembra Rodrigues, há apenas uma outra fábrica de gases industriais, que pertence à americana White Martins, a líder do mercado nacional. Para o próximo ano, a Linde já programa uma nova unidade, especializada em oxigênio, em Barra Mansa (RJ). ■ A revista CartaCapital tem o prazer de convidá-lo para o seminário: O Brasil e a transição para uma economia de baixo carbono da série Diálogos Capitais com a senadora e pré-candidata à Presidência da República, Marina Silva. Lançamento da segunda edição do suplemento especial CartaVerde, com conteúdo da revista inglesa Green Futures e da revista Envolverde. Segunda-feira, 12 de abril de 2010, das 9 às 13 horas no Tuca (PUC-SP). APRESENTAÇÃO Inscreva-se pelo site: http://www.confirmersvp.com.br/seminariocartaverde ou pelo telefone (11) 3522-9226 até o dia 9 de abril. Vagas Limitadas PROGRAMAÇÃO APOIO Das 9 às 10 horas Palestra da senadora Marina Silva (PV/AC) Das 10 às 12 horas Debate da palestrante com: Guto Quintella, diretor de sustentabilidade e relações institucionais da Vale Ladislau Dowbor, professor da PUC Tasso Azevedo, assessor especial do Ministério do Meio Ambiente Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, professor da Unicamp e consultor de CartaCapital Das 12 às 13 horas Perguntas do público 32 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 EMPRESAS Divulgação INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 1 INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 2 Produção de veículos cresce 32,5% e atinge 331 mil unidades em março, diz Anfavea Montadoras totalizam 353,7 mil unidades comercializadas, 60% de expansão Os dados foram divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. No início do mês passado, a entidade, já previa que março seria um dos melhores meses, se não o melhor, da história para a indústria. A produção saltou 32,5% em março na comparação com fevereiro e 20,3% sobre o mesmo mês de 2009. No primeiro trimestre, somou 826,7 mil unidades, alta de 24,4% sobre o mesmo período de 2009. O resultado foi registrado na comparação com fevereiro. Sobre março de 2009, a alta fica em 30,3%. No acumulado do primeiro trimestre de 2010, as vendas totalizaram 788 mil unidades, indicando um crescimento de 17,9% sobre os veículos comercializados em igual período de 2009. A produção, de 826,7 mil unidades nos três primeiros meses deste ano, exibiu aumento de 24,4% ante o período de janeiro a março do ano passado. Vale reforma complexo ferroviário em Minas Trecho da Ferrovia Centro-Atlântica em BH receberá investimento de R$ 200 mi Ana Paula Machado [email protected] Um dos gargalos logísticos brasileiros está prestes a ser solucionado. O contorno ferroviário de Belo Horizonte já tem projeto concluído e aguarda a licença ambiental para iniciar as obras. O presidente da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e diretor de Logística da Vale do Rio Doce, Marcelo Spinelli, disse que os investimentos serão realizados pela companhia e o orçamento é de R$ 200 milhões. “É um projeto muito mais urbano do que ferroviário. Será uma obra que terá impacto direto na cidade de Belo Horizonte. Não será como a transposição de São Paulo que prevê a construção de um ferroanel, mas todo o planejamento prevê a obra de viadutos, duplicação de trechos e a retirada de uma população que hoje habita a faixa de domínio naquele ramal”, explicou Spinelli, que também acumula o cargo de presidente do conselho da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF). Conforme dados da FCA, subsidiária da Vale, nos períodos de pico da produção, o trecho de 8,3 km é utilizado por 28 composições diariamente, carregadas com soja, minério, ferro-gusa e produtos siderúrgicos, entre outros. “As obras tornarão o transporte mais eficiente, facilitando a movimentação de cargas entre as regiões Sudeste e Nordeste e melhorando a ligação entre a FCA e a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Além disso, a estimativa é de duplicar a capacidade do trecho após os investimentos.” O processo de implantação, incluindo a contratação das empreiteiras e a realização do Pro- “ É um projeto mais urbano do que ferroviário. Será uma obra de impacto direto em Belo Horizonte, com a construção de viadutos, duplicação de trechos e retirada da população próxima àquele ramal Marcelo Spinelli, presidente da FCA e diretor da Vale grama de Aquisição de Áreas e Indenização de Benfeitorias, terá início após a liberação das licenças ambientais e da emissão dos alvarás de obra pelas Prefeituras Municipais de Belo Horizonte e Sabará. O pedido de licenciamento ambiental está em avaliação no Ibama. Segundo o executivo, o projeto de engenharia, bem como os recursos necessários à execução das obras, serão de responsabilidade da Vale. “O empreendimento está sendo realizado em parceria com a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), concessionária da malha ferroviária centro-leste e operadora do trecho que será modernizado. A previsão é de, depois de iniciadas, as obras durarem aproximadamente 30 meses.” ■ Transporte sobre trilhos Estimativa é de 500 milhões de toneladas de carga movimentada, superando 2008 e 2009 O ano de 2010 vai ser um de recuperação para o setor ferroviário. Segundo estimativas da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), as concessionárias deverão transportar 500 milhões de toneladas entre carga geral e grãos no exercício. Em 2009, os trens brasileiros movimentaram 395,5 milhões de toneladas, o que representou queda de 10,1% na produção ferroviária em comparação a 2008, puxada principalmente pela retração das atividades do agronegócio. “É como se nós tivéssemos perdido 2009. A crise mundial afetou muito o setor ferroviário, já que grande parte de nossa produção é destinada ao mercado externo. A busca desse ano é para chegarmos a 500 milhões de toneladas, isso incluindo carga agrícola e industrial. Há demanda suficiente para chegarmos aos patamares de 2008, pois, a carga geral deve aumentar, mas quem vai dar o ritmo de crescimento é a siderurgia. Vai ser uma disputa entre o campo e indústria”, disse o presidente do Ferrovias acusaram queda no volume de carga de 10% no ano passado, cenário que será revertido com a recuperação econômica Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 33 Aaron Packard/Bloomberg INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 3 INDÚSTRIA AUTOMOTIVA 4 Vendas de veículos bicombustíveis em março sobem para 296.363 unidades Máquinas agrícolas no Brasil vendem 23,9% a mais em março, a 6,6 mil unidades Em fevereiro, foram vendidos 184.303 veículos, segundo a Anfavea. Em março de 2009, as vendas totalizaram 231.963. A participação de mercado de bicombustíveis no total das vendas em março foi de 87,9 por cento, ante 87,2 por cento em fevereiro e 88,9 por cento em março de 2009. As vendas de veículos a gasolina no país em março representaram 25.930 unidades, ante 17.137 em fevereiro e 18.066 em março de 2009. A informação é da Anfavea. Na comparação com março de 2009, as vendas subiram 59,1%, e no trimestre essas vendas acumulam 16.507 unidades. Em março, a produção de máquinas atingiu 7.903 unidades, alta de 22,3% contra fevereiro e crescimento de 40,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A produção acumulada nos três primeiros meses é de 20.250 unidades, uma alta de 37,9%. Divulgação Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), da Vale, receberá investimentos para melhorar sua infraestrutura na região metropolitana de Belo Horizonte ALL fecha acordo com Usiminas Projeto para transporte de bobinas de aço demandará investimentos de R$ 235 milhões retoma o ritmo em 2010 conselho da ANTF, Marcelo Spinelli. Em 2008, o transporte ferroviário somou 450,5 milhões de toneladas. Para suportar o crescimento estimado, o setor deverá receber aportes de R$ 2,86 bilhões, valor maior que o investido no ano passado, quando foram aplicados R$ 2,61 bilhões. “A iniciativa privada assumiu o papel de investidor no setor ferroviário. Também em função da crise, muitos projetos foram postergados no ano passado, mas esse ano serão retomados. Não chegaremos aos níveis de 2008, quando o setor investiu R$ 4,32 bilhões, mas serão números expressivos”, ressaltou Spinelli. A maior parte dos investimentos será alocada na melhoria das operações, compra de material rodante e aportes na via permanente. Segundo o Diretor-Executivo da ANTF, Rodrigo Vilaça, constantes inovações tecnológicas nas ferrovias provocaram nos últimos anos grandes mudanças no perfil profissional necessário para o setor. “Para atender à demanda por mão de obra, as concessionárias têm investido em ações voltadas à formação de pessoal e qualificação. ■ A.P.M. SINAL VERDE ● Para suportar o crescimento da demanda, ferrovias investirão R$ 2,86 milhões em ampliação e melhoria da malha. ● A previsão de aportes supera os R$ 2,6 bilhões utilizados no ano passado, quando o sistema férreo sofreu queda no volume de carga movimentada. ● Ainda assim, os gastos em modernização não chegarão aos R$ 4,3 bilhões dispensados no ano de 2008. A América Latina Logística (ALL) vai transportar 100 mil toneladas de bobinas de aço por mês para a Usiminas até 2012. O projeto é o maior da companhia na área siderúrgica e vai demandar R$ 235 milhões de investimentos na compra de locomotivas, vagões e melhoria da infraestrutura da malha ferroviária. Com esse transporte, que deve representar 1,5 bilhão de toneladas por quilômetro útil (TKU), a ALL vai aumentar em 25% o volume de produtos industrializados transportado por ano. O diretor de industrializados da ALL, Sérgio Nahuz, disse que os investimentos serão feitos em conjunto com a Usiminas e a concessionária será responsável pela compra de 41 locomotivas. Nesse projeto, a ALL vai aportar R$ 124,9 milhões. Caberá a Usiminas, os investimentos na aquisição de 1.107 vagões plataformas e na construção de um ramal ferroviário na usina de Cubatão. “Faremos basicamente o porta-a-porta. Vamos levar as bobinas de aço da usina até o cliente final. Para isso, devemos usar, além da ferrovia, nosso braço rodoviário para trazer de Ipatinga, em Minas Gerais, parte do produto a ser transportado”, disse Nahuz. Segundo ele, o projeto foi dividido em quatro fases e a primeira etapa foi iniciada em abril do ano passado, para o transporte de 10 mil toneladas, da unidade da Usiminas em Cubatão, a antiga Cosipa, para Porto Alegre. “Esse primeiro movimento foi feito como experiência para ver a viabilidade do projeto. A partir de agora, o volume será acrescido gradativamente até chegar a 100 mil toneladas por mês.” A segunda fase terá início a partir de julho deste ano e deverão ser transportadas 30 mil toneladas por mês de bobinas de aço até a cidade de Porto Alegre. O projeto prevê ainda o aumento da capacidade de armazenagem da ALL no trecho São Paulo- Rio Grande do Sul. Os terminais de Tatuí (SP), Porto Alegre (RS), que são operados pela con- cessionária, serão ampliados para atender a operação dedicada da Usiminas. “Além disso, teremos que construir mais um terminal intermodal na cidade de Araucária, no Paraná. Os investimentos nos centros de distribuição serão realizados por operadores logísticos que já são parceiros da ALL”, ressaltou Nahuz. “O estoque da empresa passa a avançar para um raio de menos de 100 quilômetros do cliente final”, acrescentou. Além do projeto com a ALL, a produção da Usiminas é escoada pelas ferrovias da Vale do Rio Doce e pela MRS Logística. A companhia deverá assinar ainda este mês um novo contrato de transporte de produto siderúrgico com a Vale, aumentando a parceria entre as duas empresas. No ano passado, a Usiminas assinou contrato com a Vale para o transporte de 10,1 milhões de toneladas por ano. O projeto vai usar toda a infraestrutura logística de terminais e as ferrovias CentroAtlântica e Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). ■ A.P.M. A produção da Usiminas também é escoada pelas ferrovias da Vale do Rio Doce e pela MRS Logística 34 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 EMPRESAS Brendan Hoffman/Bloomberg SERVIÇOS MÍDIA ESPN vai transmitir campeonato inglês de futebol pelo celular Murdoch defende levante de órgãos de imprensa contra Google e Bing A ESPN, canal de esporte do grupo Walt Disney, comprou o direito exclusivo de transmissão do campeonato inglês de futebol por celular. A licença vale para três temporadas da Premier League. O valor do negócio não foi revelado. Segundo a empresa, os principais lances serão enviados para os celulares dos assinantes. A ESPN tem os direitos de transmissão também para 46 jogos desta temporada. Rupert Murdoch, presidente da News Corp, afirmou ontem que os meios de comunicação devem impedir que os motores de busca como Google e Bing, da Microsoft, exibam reportagens completas de graça. “Os jornais devem colocar um muro em seu conteúdo”, afirmou o empresário, que publica o Wall Street Journal e o Times. Mas ele reconhece que o melhor modelo de cobrança pelo conteúdo on-line ainda não foi definido. Empresas brasileiras ampliam as Apex-Brasil promove rodada de negócios em São Paulo que pode render US$ 30 milhões em vendas. Para Ruy Barata Neto [email protected] A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) calcula que serão movimentados entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões em vendas de produtos brasileiros para a África a partir da rodada de negócios que acontece em São Paulo promovida com compradores daquele continente. Os encontros foram iniciados ontem e acontecem até esta sexta-feira. Participam representantes de empresas comerciais exportadoras (trading), que intermerdeiam a venda de produtos entre a indústria brasileira e compradores internacionais. Trata-se de um segmento formado por 1,2 mil empresas responsáveis por movimentar 10% das exportações nacionais — que somaram US$ 153 bilhões, em 2009. As 616 tradings registradas pela Apex-Brasil têm movimentação mínima anual de US$ 25 mil, segundo o gestor de projetos da autarquia, Maurício Manfré. O atual encontro com compradores da África dá continuidade a um trabalho iniciado em setembro de 2009, e que viabilizou a ida de 30 empresas comerciais exportadoras do Brasil para a Johannesburgo, na África do Sul. Naquela ocasião, a Apex calculou em US$ 44 milhões os contratos negociados para a venda de produtos nacionais. Segundo Manfré, a estimativa de valores movimentados nesta edição do encontro é menor porque a Apex conta com apenas 20 executivos estrangeiros no Brasil. No encontro de Johannesburgo, eram 100. “O custo para trazer cada comprador africano é de R$ 10 mil e temos limitações orçamentárias”, afirma Manfré. Os 20 participantes do encontro brasileiro vieram de sete países africanos — entre eles Angola, Moçambique e Zaire. Eles sentam à mesa de negociações com 70 executivos brasileiros de diferentes regiões. Oportunidades Os países africanos estão na mira das empresas nacionais porque a maioria tem característica cultural similar às brasileiras. E apresentam nível de Participantes brasileiros buscam recuperação depois da crise financeira de 2008 e 2009, que afetou o acesso dos compradores africanos a linhas de crédito desenvolvimento que pode ser atendido pelos fabricantes locais de pequeno e médio portes. Esse encontro em São Paulo também é visto como uma chance para recuperar perdas ocorridas entre 2008 e 2009. Como a maioria dos empresários da África usa linhas de crédito de países europeus, a crise financeira mundial os atingiu em cheio, dizem os organizadores do evento. Damaris Eugênia da Costa, diretora da trading Braseco, que exporta produtos de construção civil de empresas como Cebrace, UBV e Duratex, diz que o momento é de recuperação. No ano passado, a empresa movimentou US$ 8 milhões com a exportação de vidros, portas de madeira e telhas, valor abaixo da sua média anual. Em 2006, a empresa, afirma Damaris, chegou a exportar uma média mensal de US$ 1,5 milhão. “A crise financeira coroou um processo de queda das vendas que começou com o boom da construção brasileira, o que diminuiu a oferta para o exterior”, diz a executiva. “A valorização do real tornou os nossos produtos menos competitivos.” Segundo Damaris, a margem de lucro em torno de cada contrato fechado não é alta. Fica em torno de 3% na área de alimentos e bebidas e chega a 5% na área de construção, afirma. O maior percentual é da área de máquinas e autopeças nas quais as tradings chegam a trabalhar com 15% de margem. ■ Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 35 Divulgação HARDWARE VAREJO Jovens abaixo de 15 anos vão preferir computadores com touch screen até 2015 Carrefour planeja vender 524 lojas Minipreço e sair de Portugal Mais de 50% dos computadores adquiridos por pessoas com menos de 15 anos terão telas de toque em 2015. Ao fim de 2009, foram menos de 2%. O estudo da consultoria Gartner também prevê que, no entanto, menos de 10% dos vendidos às empresas terão a tecnologia, já que os ganhos prometidos pelos computadores com trouch screen que devem chegar ao mercado este ano (como o iPad, da Apple) vão se materializar lentamente. O Carrefour está preparando sua saída do mercado português, segundo reportagem publicada pelo jornal Le Fígaro. Sem citar fontes, o jornal afirma que pretende vender as 524 lojas Minipreço que controla no país e que geraram receitas de € 915 milhões em 2009. A operação, se for concretizada, marca a saída do grupo francês de Portugal. Em 2007, o Carrefour vendeu os 12 hipermercados que tinha no país ao grupo Sonae. negociações com a África tradings nacionais, trata-se de uma retomada dos contratos, paralisados pela crise mundial Henrique Manreza Até amanhã, executivos de empresas brasileiras e africanas negociam em São Paulo TAMANHO PÚBLICO US$ 25 mil é a movimentação mínima 70 empresas brasileiras participam anual das 616 tradings registradas pela Apex-Brasil. do evento e terão encontros com 20 empresários africanos. NEGÓCIOS ALCANCE US$ 44 mi 1,2 mil foi o total de contratos fechados no último encontro entre executivos do Brasil e da África. tradings movimentam 10% das exportações nacionais, diz a Apex-Brasil. Pirco Singular General Products Trading com foco em carnes diversifica e oferece café Empresa tenta recuperação depois da crise Negócios quase fechados para Moçambique e Ilhas Maurício A comercial exportadora Pirco sempre trabalhou com a carne como seu principal produto de venda internacional, mas a partir deste ano busca abrir mercado na África para vender produtos como o Café Canecão, da fabricante Cormanichi e Gatti Ltda, de Campinas, e bebidas alcoólicas como a vodca Roskoff, da Viti Vinícola Cereser. A necessidade de diversificação dos negócios se deve a sombrias perspectivas da empresa para o negócio de carnes no qual prevê que movimentará em torno de US$ 300 mil, bem menos do que os US$ 3 milhões conquistados no ano passado, considerado um resultado fraco em função da crise internacional. O valor, ainda interessante, foi conquistado porque a empresa representava no exterior, principalmente vendendo para Venezuela e Rússia, os frigoríficos Sadia e Bertin, que neste ano dispensaram os serviços da comercial exportadora depois da fusão com Perdigão e JBS-Friboi, respectivamente. “A consolidação dos frigoríficos nos obrigou a diversificar nosso negócio”, diz o gerente de desenvolvimento de mercado da Pirco, Tiago Teixeira, presente na rodada de negócios da Apex. A Pirco levou produtos de 12 fabricantes nacionais. “Quero pelo menos empatar com o ano passado, sem sofrer perdas”, diz Teixeira. Os refrigerantes Xereta, nascidos pelas mãos da família Schincariol, querem aumentar sua participação de mercado na África. Hoje podem ser encontrados, por exemplo, em Angola. Quem busca novos compradores para a bebida é a trading Singular, de Cristiano Vivaldi. O executivo oferece refrigerantes e produtos do frigorífico Paineiras, do interior de São Paulo, para países da África como forma de recuperar as vendas perdidas entre 2008 e 2009, quando a recessão econômica afetou seus resultados. O principal mercado da Singular estava em países como Angola, Moçambique e Argélia. “O dinheiro africano está vinculado ao mercado europeu”, diz Vivaldi. “A linha de crédito de alguns países vem de bancos da Europa que cortaram os empréstimos aos africanos”, ressaltou. Vivaldi diz que sua exportação para o país não chegou a ficar zerada, mas as perdas foram sensíveis. A empresa pretende neste ano participar de cinco ou seis eventos internacionais por meio da Apex para recuperar os prejuízos do ano passado. “Prefiro não falar em números, mas tivemos bons ganhos nos quatro anos anteriores aos da recessão”, diz. A comercial exportadora representa seis indústrias na área de alimentos. A trading General Products tem 24 anos de mercado, e trabalha especificamente com a venda de máquinas e autopeças, móveis e construção civil. Por conta da crise financeira e da valorização cambial, que tornou mais caros os produtos nacionais, a empresa movimentou US$ 16 milhões em 2009, somadas as suas três áreas de atuação. Embora o resultado tenha sido considerado positivo para um ano de crise, segundo o diretor da General Products, Nicolau Saad Filho, houve uma queda de 30% quando comparado com o exercício de 2008. Esta perda deve ser recuperada este ano por conta da retomada da economia em diferentes países. Saad deve reforçar investimentos para participar de eventos no exterior. Já estão registrados na agenda dele seis encontros, contando com uma série de rodadas de negócios nos próximos meses, em Dubai, no Oriente Médio, ainda sob a chancela da Apex-Brasil. Por enquanto, no primeiro dia de negociações com a África, Saad diz estar na expectativa de fechar um bom contrato para Maputo, em Angola, com a empresa MaqServ, dirigida por Baltazar José Paindane. E há negociações para um outro contrato com uma empresa das Ilhas de Maurício, no sul da África. “A consolidação dos frigoríficos nos obrigou a diversificar nosso negócio. Esperamos, com isso, pelo menos empatar com o resultado do ano passado” “A linha de crédito de alguns países vem de bancos da Europa, que cortaram os empréstimos aos africanos com a crise” “A África gera demanda para os brasileiros porque temos muitos produtos para países ainda em desenvolvimento econômico e social” 36 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 EMPRESAS Divulgação AVIAÇÃO BEBIDAS TAM e Caixa fazem acordo para financiar pacotes turísticos a pessoas físicas Cade aprova compra da Kaiser pela Heineken sem restrições e por unanimidade O acordo foi assinado entre o vice-presidente de Pessoa Física da Caixa, Fábio Lenza e o presidente da TAM, Líbano Miranda Barroso, em São Paulo, segundo comunicado divulgado hoje pelo banco. O banco público financiará os clientes da TAM Viagens a partir da segunda quinzena de abril, por meio do Crediário Caixa Fácil. A liberação do crédito ocorrerá no ato da compra dos pacotes turísticos, que pode ser parcelada em até 24 meses. Já havia sido viabilizado um acordo (share exchance agreement) firmado entre a Heineken e as empresas que têm 82,95% do controle do capital social da Kaiser - os demais 17,05% da cervejaria já eram detidos pela Heineken. A aquisição contém cláusula de não-concorrência, informação tratada, hoje, como confidencial. Em outras situações, no passado, a vendedora se comprometia a não atuar no mesmo mercado por até 5 anos. Camargo Corrêa e Odebrecht desistem de leilão de Belo Monte Companhias dizem não ter encontrado “condições econômico-financeiras” para participar da disputa Dida Sampaio/AE Ministério Público promete ação contra licença ambiental Vista do rio Xingu, onde será erguida a usina de Belo Monte: leilão está previsto para o dia 20 de abril Natália Flach e Priscila Machado [email protected] [email protected] A queda de braço travada entre o governo e as empresas que almejavam a concessão na obra da hidrelétrica de Belo Monte terminou ontem com a saída da Camargo Corrêa e da Odebrecht da disputa. Após a publicação do edital do leilão, as construtoras vinham reclamando do preço máximo da energia a ser vendida estipulada pelo governo, de R$ 83 por MWh. O governo, por sua vez, disse que o valor não seria alterado. A Camargo Corrêa e a Odebrecht disseram que “após análise detalhada do edital de licitação da concessão, assim como dos esclarecimentos posteriores fornecidos pela Aneel, as empresas não encontraram condições econômico-financeiras que permitissem sua participação na disputa”. A afirmação foi divulgada em nota, após o en- Com a saída dos grupos Camargo Corrêa e Odebrecht, o consórcio formado por Andrade Gutierrez, Vale, Votorantim e Neoenergia tem mais chances de vencer a disputa por Belo Monte. cerramento do prazo determinado pela Eletronorte para o cadastramento no processo de chamada pública, em que participariam as as interessadas em formar o consórcio que disputaria o leilão. A participação da Eletrobras é fundamental para o governo, que chegou a ampliar a data para que outras empresas pudessem se juntar ao consórcio. Ontem, José Antônio Muniz, presidente da Eletrobras, esteve em Brasília, onde a companhia deve divulgar hoje se outras empresas chegaram a se cadastrar no período da chamada pública. Com as duas construturas fora do leilão, o consórcio liderado pela Andrade Gutierrez, que conta ainda com Vale, Votorantim e Neoenergia, está mais próximo de obter a concessão. Segundo uma fonte da construtora que não quis se identificar, a empresa continua no páreo pela construção da terceira maior usina hidrelétri- ca do mundo. “Estamos estudando com muito afinco esse projeto. Inclusive, um dos principais pontos estudados é o valor da tarifa”, diz a fonte. “O nosso consórcio já foi oficialmente formado e estamos dentro da disputa. Só não fico confortável para comentar como vai ser daqui para frente, porque ainda não sabemos.” A desistência da Odebrecht e da Camargo Corrêa é um golpe para a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que pretendia criar um ambiente de competição em torno da usina hidrelétrica de Belo Monte com pelo menos dois consórcios. Outro possível concorrente do consórcio que tem a Andrade Gutierrez à frente é a Suez Energy do Brasil, que venceu o leilão da usina hidrelétrica de Jirau, no ano passado. O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, não confirmou a entrada do grupo no leilão. “Torcemos para que entre.” ■ O Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA) deve entrar hoje com uma ação civil pública contra o licenciamento ambiental da hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu (PA). De acordo com o procurador da República Cláudio do Amaral, a nova ação será ingressada na Justiça Federal de Altamira (PA). “O MPF não é contra Belo Monte. Buscamos apenas que o projeto respeite a Constituição, as leis e as determinações do Conama”, disse o procurador. A ação pode representar um novo atraso no cronograma da licitação. Após dois meses de análise da documentação, o MPF concluiu que o processo de licenciamento foi permeado por várias irregularidades. Uma das falhas do processo seria o descumprimento do artigo nº 176 da Constituição Federal, que estabelece que um aproveitamento hídrico com impacto em terras indígenas só pode ser autorizado pelo governo após aprovação de lei que regulamente a exploração dos recursos nessas áreas. Já o ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, afirmou que não acredita que haverá problemas na realização do leilão, previsto para 20 de abril. “Temos segurança que não há problema no processo”. Zimmermann disse ainda que a iniciativa do MP “pode ter sido um equívoco”, e lembrou que a licença foi concedida com base em estudos. “A legislação ambiental brasileira é uma das mais rigorosas do mundo. A partir do momento em que a usina de Belo Monte obtém licença prévia é porque atendeu todos os requisitos”, garantiu o executivo. AE/Reuters Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 37 1=<13AA°3A3;@=2=D7/A 23A¯=>/C:=A=;/; @ "07:6°3A3;7<D3AB7;3<B=A >@/7/A>/@/27AË/1/A>/@/ ?C3;D7/8/231/@@= >3:/1=AB/0@/A7:37@/ /;>:73A3C>=<B=23D7AB/ /AA7<3=0@/A7:31=<Ð;71=3@3130/B/;0p; =1/23@<==CB:==93/@3D7AB/4=@/23Ap@73 <]dWRORSaa]P`SO`bSQcZbc`O[]ROQ][^]`bO[S\b]AS[^`SQ][SfQSZS\bS \dSZ SRWb]`WOZ OZbO _cOZWRORS U`t¿QO S Q]\bSR]a SfQZcaWd]a S RWTS`S\QWOR]a <x]^S`QOSaaO]^]`bc\WRORS C\`X\Xjj`e\% :Xg`kX`j1+''.$((). ;\dX`jcfZXc`[X[\j1'/''-''((). J\^%Xj\o%[Xj._~j)'_\j}Y%[Xj._~j(,_% nnn%YiXj`c\Zfefd`Zf%Zfd%Yi :I<;@9@C@;8;<;<HL<D=8Q%:I<;@9@C@;8;<G8I8HL<DCÜ % 38 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 FINANÇAS Bancos miram herdeiros das contas ‘private’ Eventos e estratégias de aproximação com filhos dos clientes abonados ajudam instituições como HSBC e Bradesco a garantir manutenção da carteira em casa Maria Luíza Filgueiras [email protected] O raciocínio é simples. Clientes com patrimônio acima de R$ 1 milhão, que são atendidos na categoria de private banking, deixarão a fortuna para os filhos e estes decidirão manter ou não os gestores de patrimônio e prestadores de serviços bancários. Nada melhor, portanto, que uma aproximação com esse público e um suporte desde o início da trajetória profissional. É nessa linha que os bancos começam a montar estratégias para fidelizar essas contas, que acabam abastecendo também outras áreas da instituição financeira — como o banco de investimento, corretora e asset. No HSBC, a iniciativa começou globalmente, com a organização do evento Legacy, em pontos de encontro como Nova York ou Cingapura, para debater liderança, carreira, investimentos e administração. Há três anos, ganhou versão brasileira, a última realizada ontem em São Paulo, para um seleto grupo de nove herdeiros, de 18 a 30 anos. “Queremos dar o suporte para os filhos dos nossos clientes, que serão nossos futuros clientes, no que diz respeito à busca por liquidez, mas também em mudanças tributárias, associação da empresa com outra, aquisições”, diz Luciene Franzim, diretora de Soluções para Clientes do HSBC Private. Ela destaca que, nesses encontros, a abordagem sobre mercado de capitais tem sido mais frequente e um dos principais pontos de interesse dos herdeiros - pela busca de liquidez para os próprios recursos, mas também para conhecer o que o mercado espera de uma empresa listada. “Um dia, a empresa deles pode ser a que está buscando os investidores”, diz Luciene, responsável por reestruturação patrimonial. As irmãs Marina e Elisa Pereira Alvim, de 22 e 25 anos respectivamente, são exemplo desse público. Ambas fazem careta quando o assunto é bolsa de valores, mas já trabalham na construtora do pai e absorveram como fato que o destino é assu- “ A aproximação com os filhos dos nossos clientes é feita por meio de palestras sobre planejamento sucessório e incentivo para que participem das discussões mensais de portfólio João Albino Winkelmann, diretor do Bradesco Private mir o comando da empresa. Cada uma a seu modo. Elisa já é o braço direito na área administrativa, enquanto Marina, estudante de arquitetura, quer dominar o canteiro de obras. Ainda que pareçam estar livres do conflito de assumir o que não desejam, o que é comum nos processos sucessórios, as duas não ficam imunes ao peso da herança. “Buscamos aprender mais sobre liderança. Hoje, é tudo concentrado no meu pai e a nossa responsabilidade é muito grande em assumir o lugar dele, pois temos de ser exemplos dentro da empresa”, define Elisa. Ao que parece, o time feminino que assume o comando da herança está aumentando. Dos nove participantes do evento do HSBC, seis eram mulheres. Os executivos de private banking destacam que cabia às filhas os rendimentos líquidos, enquanto os filhos ficavam encarregados da operação da companhia. “Há dez anos, era raro os pais discutiam finanças com mulheres”, diz João Albino Winkelmann, diretor do Bradesco Private. Hoje, além da inclusão das filhas, o debate começa mais cedo. No Bradesco, essa aproximação é feita por meio de palestras sobre planejamento sucessório, fiscal e tributário, e do chamado grupo familiar, quando os filhos passam a ter as mesmas regalias e atenção do private ainda que não tenha patrimônio suficiente para isso. “Também sugerimos aos clientes que incluam os filhos em nossas reuniões mensais sobre portfólio, passo importante na educação financeira desses herdeiros”, considera. Mas Winkelmann destaca que muitos de seus clientes private têm filhos crianças ou ainda não os tiveram, já que o crescimento de milionários abaixo dos 40 anos é cada vez maior. Os bancos também estão de olho na criação de nova riqueza, devido à expansão econômica do país. Conforme o último levantamento da Boston Consulting Group, o patrimônio global caiu em 2008, mas a América Latina foi a única região onde a riqueza aumentou. ■ CONTA Recursos A regra de mercado é que as contas private tenham acima de R$ 1 milhão. No Bradesco, o mínimo é de R$ 2 milhões e, no HSBC, R$ 3 milhões. FOCO Liderança é uma das principais preocupações de herdeiros para comandar a empresa da família e o que buscam em seminários e cursos voltados a esse público. ESTRATÉGIA Suporte dos bancos visa fidelizar os filhos dos clientes e participar dos demais avanços da empresa, com a divisão de banco de investimento, corretora e asset. FINANÇAS Bolsa de valores é um item que ganha mais espaço no debate entre herdeiros, já que pode ser um caminho para levar a companhia familiar à expansão. Luciene Franzim, do HSBC: lições para evitar a pulverização do capital familiar Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 39 Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr AGENDA DO DIA Augustin confirma captação externa O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, reiterou ontem que o governo fará, em breve, uma captação no mercado internacional de títulos da dívida externa. Ele negou, no entanto, que a volta do país ao mercado externo ocorrerá hoje, conforme rumores que circularam no mercado. O secretário está otimista com a imagem do Brasil no exterior e afirmou que “hoje o mercado financeiro já precifica um rating melhor” para o país do que o concedido pelas agências de classificação de risco. ● Às 8h, a FGV divulga o IGP-DI de março. ● Às 9h, o IBGE torna público o IPCA de março. ● Às 9h30, saem os dados de auxílio-desemprego nos EUA. ● A Serasa Experian divulga perspectivas de crédito de março. Murillo Constantino Patrimônio protegido do casamento Lição de sucessão e preservação de riqueza ganhou ainda mais destaque com novo Código Civil Minar o patrimônio construído pela família com certeza é mais fácil do que administrá-lo. Por isso, o suporte de private banking e consultorias especializadas começa na lição básica: como não destruir valor. Segundo Luciene Franzim, executiva sênior do HSBC e advogada, as principais causas de perda de patrimônio são má gestão (incluindo, em destaque, a falta de planejamento fiscal), o processo sucessório (brigas familiares e frutração do herdeiro que assumiu um negócio pelo qual não se interessa) e, quem diria, ainda os casamentos. “O novo Código Civil abriu muitas possibilidades de pulverização de patrimônio, caso da união estável”, ressalta Luciene. “Hoje, não é preciso sequer morar junto para caracterizar a comunhão parcial, já que o código parte da intenção do casal para definir a tangência patrimonial.” Outro ponto introduzido pela lei foi que o cônjuge se torna herdeiro obrigatório. Nesses casos, há mais de uma alternativa jurídica de centralizar o poder de decisão na família geradora da herança. Entre as mais comuns, está a doação do patrimônio para o filho, com cláusula de reversão. Ou seja, em caso de falecimento do herdeiro antes dos pais, o patrimônio volta à origem e não passa para o cônjuge ou parceiro. “Outra forma é definir no acordo de acionistas da empresa que só tem direito a voto os membros consaguíneos da família ou ainda um seguro de vida que serve como indenização para o cônjuge, que não ficará com o patrimônio”, explica Luciene. Responsável por reestruração patrimonial, como foco Como tem na essência a preservação patrimonial, private banking oferece suporte jurídico para proteção de herança, em processo de união ou divórcio fiscal e tributário, ela já recebeu ligação de clientes na véspera do casamento solicitando a revisão do contrato pré-nupcial. Segundo João Albino Winkelmann, diretor do Bradesco Private, é comum que os pais não exponham aos filhos o tamanho do patrimônio para evitar a aproximação dos agregados mal intencionados. “Damos apoio jurídico e temos parceria com escritórios especializados para orientar sobre proteção na união dos filhos ou mesmo na entrada de um novo sócio na empresa. A atuação do private é essencialmente a preservação patrimonial”, diz. ■ M.L.F TERMINAIS PORTUÁRIOS DA PONTA DO FÉLIX S.A. CNPJ Nº 85.041.333/0001-11 Edital de Convocação Assembléia Geral Ordinária São convidados os Senhores Acionistas da TERMINAIS PORTUÁRIOS DA PONTA DO FÉLIX S.A. a reunirem-se em Assembléia Geral Ordinária, a ser realizada às 09h30min, do dia 23 de abril de 2010, na sede social da Companhia, situada na rua Engenheiro Luiz Augusto de Leão Fonseca, nº 1.520, na cidade de Antonina, Estado do Paraná, para tomarem conhecimento e deliberarem sobre a seguinte ordem do dia: a) Examinar, debater e votar o Relatório da Administração, Balanço Patrimonial, Demonstrações Financeiras e Notas Explicativas, acompanhados do Parecer dos Auditores Independentes, referentes ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2009. b) Eleger os membros dos Conselhos de Administração e Fiscal e da Diretoria Executiva. c) Fixar os honorários globais dos integrantes dos Conselhos de Administração e Fiscal e da Diretoria Executiva para o exercício de 2010. Antonina-PR, 06 de abril de 2010. Silvio Matucheski - Presidente do Conselho de Administração. 40 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 FINANÇAS John Guillemin/Bloomberg CONTAS EXTERNAS MERCADOS Brasil tem fluxo positivo de mais de US$ 2,1 bilhões em março Bancos pesam e bolsas na Europa fecham em queda A entrada de dólares no país superou a saída em R$ 2,114 bilhões em março, informou o Banco Central ontem. O fluxo positivo de março é o maior desde novembro do ano passado. Em fevereiro, houve déficit de US$ 399 milhões e, em março do ano passado, de US$ 797 milhões. O resultado positivo foi garantido pelo superávit de US$ 2,394 bilhões nas operações comerciais. As principais bolsas europeias tiveram uma quarta-feira de queda, com os receios sobre os problemas fiscais gregos ressurgindo, além da revisão no PIB da Zona do Euro apontando a fragilidade da recuperação. O índice FTSEurofirst 300, que acompanha as principais ações do continente, encerrou em queda de 0,22%, para 1.099 pontos, depois de atingir a máxima em 18 meses pela segunda sessão seguida. CCB vira alvo de atenção na indústria de fundos Anbima pede dados sobre exposição das carteiras às Cédulas de Crédito Bancário Mariana Segala [email protected] As Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), que nos últimos anos têm causado dores de cabeça em série na indústria de fundos, estão agora na mira da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A entidade solicitou às instituições administradoras que enviem, até segunda-feira, um relatório sobre os níveis de exposição das carteiras ao instrumento. “Com os juros mais baixos e os prêmios menores dos papéis do governo, o caminho natural é que portfólio dos fundos se diversifique em direção a outros instrumentos e outros emissores”, diz o diretor da Anbima, Regis Abreu. As aplicações em CCBs entram nesse contexto, destaca. “Trata-se, no entanto, de um instrumento que inspira cuidados maiores do que, por exemplo, uma debênture, já em estado mais avançado de eficiência.” A Anbima quer saber tudo sobre as CCBs dos fundos: emissor, data de aquisição, vencimento, taxa de juros oferecida e taxa atual de marcação a mercado do papel. Grifo sobre o último item no comunicado enviado pela entidade aos administradores. A marcação — que consiste em ajustar o preço dos papéis ao valor de mercado — costuma causar desconforto quando o assunto são títulos pouco negociados no mercado secundário, caso das CCBs. “Mas há como marcá-los, seja com base na atualização dos ratings (notas de crédito) ou partindo de outros papéis comparáveis”, destaca Abreu. A Anbima solicitou ainda que os administradores indiquem Associação quer saber desde quem são os emissores até qual é a taxa de marcação a mercado dos papéis emissores que estejam inadimplentes em alguma CCB e que apontem também eventuais situações especiais que representem alta probabilidade de calote — como recuperação judicial, extrajudicial ou falência. Estigma As CCBs são, segundo Abreu, “menos robustas” do que outros papéis de dívida privada, como debêntures ou Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Não é correto, no entanto, estigmatizá-los como tí- tulos pouco confiáveis. “Não existem problemas com esta ferramenta, mas com o seu uso”, diz o executivo. Trata-se de papéis emitidos por bancos com lastro em empréstimos, inclusive feitos a companhias de capital fechado — uma das maneiras mais rápidas e baratas para as empresas acessarem recursos no mercado. “Eles não precisam necessariamente de rating”, lembra o diretor da agência de classificação de risco SR Rating, José Valter Martins de Almeida. A agência avalia o risco de crédito de pelo menos uma dezena de CCBs. No último ano, não foram raros os casos de fundos que precisaram realizar ajustes contábeis em função da inadimplência de empresas em CCBs incluídas nas carteiras. Foi o caso de fundos geridos pela BRZ e pela Global Capital (leia mais na página ao lado). As provisões de perda têm impacto direto sobre o valor das cotas das carteiras e, consequentemente, sobre a rentabilidade entregue pelo gestor aos cotistas. Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 41 Joshua Roberts/Bloomberg POLÍTICA MONETÁRIA RECUPERAÇÃO Banco do Japão mantém taxa básica de juro em 0,1% ao ano Bernanke diz que desemprego, falta de crédito e falências ainda são desafios O Banco do Japão deixou a política monetária inalterada ontem, com a taxa básica de juro em 0,1%. A autoridade monetária avaliou que, embora a economia esteja melhorando graças às exportações, é “extremamente importante” que o país se livre da deflação. O Banco Central pareceu um pouco mais otimista sobre a economia do que no mês anterior, dizendo que ela “continuou” a se recuperar. O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse ontem em Dallas que o desemprego, as falências das famílias e o escasso crédito para as pequenas empresas são desafios para a economia, no momento em que se recupera da pior recessão desde os anos 1930. Ele afirmou que não há uma recuperação sustentável do mercado imobiliário, além de as contratações de mão de obra serem “muito fracas”. Regis Abreu, da Anbima: CCB inspira cuidados maiores do que outros títulos, como debêntures ■ EMISSÃO Em 2009, foi emitido em CCBs um volume de R$ 16,8 bi ■ REDUÇÃO Em relação a 2008, o volume emitido de CCB foi menor em 27,3% ■ VOLUME 2008 foi o ano com maior emissão de CCB, num total de R$ 23,1 bi REGULAÇÃO ✽ CVM também age para monitorar CCBs A Superintendência de Relações com Investidores Institucionais (SIN) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prepara um ofício-circular, destinado a gestores de fundos de crédito privado, com orientações sobre as melhores práticas de aplicação em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs). “O conteúdo do ofício está sendo elaborado com base em trabalhos realizados pela SIN ao longo do ano passado com assets no processo de monitoramento de operações envolvendo CCBs”, informou a autarquia. Uma recomendação será a necessidade de documentar operações com partes relacionados, a fim de comprovar que foram concluídas em regime de imparcialidade. De posse dos dados solicitados aos administradores, a Anbima poderá tomar novas medidas autorregulação, segundo Abreu. Está em elaboração pela entidade um manual de orientação sobre as CCBs, nos moldes dos que já existem para outros ativos, como as debêntures. Em 2008, a entidade chegou a publicar um parecer de orientação, com sete artigos, sobre a negociação das cédulas. No ano passado, segundo dados da Cetip, foram emitidos R$ 16,8 bilhões em CCBs. ■ Fundações estudam trocar de gestor Após problema com CCBs de nove empresas, cotistas do fundo Global Capital querem histórico dos investimentos Mariana Segala [email protected] Depois de registrarem problemas com as Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) emitidas por nove empresas, os cotistas do fundo GlobalCapital Crédito Privado estudam — e consideram fortemente — a possibilidade de trocar de gestor. Em função das provisões de perda para papéis que apresentaram situações de inadimplência, a carteira registra retorno negativo de 29% desde que foi lançado, há pouco mais de três anos. “Já houve um desgaste muito grande”, diz Adilson Florêncio da Costa, diretor-financeiro do Postalis. A fundação de previdência dos funcionários dos Correios é um dos cotistas do fundo, junto com a Faceb (dos funcionários da Companhia Energética de Brasília), a Celos (da catarinense Celesc) e o Banco de Sergipe. Em assembleia realizada no início de março, os cotistas solicitaram que a gestora e o administrador do fundo — respectivamente a Global Capital e o BNY Mellon — enviassem um relatório sobre todas as decisões de investimento tomadas desde a criação do fundo. O objetivo é confrontá-las com a política de investimento inicialmente prevista para a carteira. O material foi disponibilizado no dia 25 do mês passado. “Começamos a analisar os dados, mas eles estão tão incompletos que nos encontramos sem subsídios para tomar uma decisão”, diz a diretorafinanceira da Faceb, Elis Soares Jucá. “Eles citaram informações no relatório, mas deixaram de anexar, por exemplo, as atas das reuniões em que certas decisões foram tomadas”, afirma Costa, do Postalis. As complementações necessárias já foram pedidas. Até lá, a equipe da fundação seguirá estudando os dados já disponíveis — cogita-se, inclusive, a possibilidade de contratar um terceiro para ajudar na análise. O diretor da Global Capital, Julius Buchenrode, destaca que Primeiras informações enviadas foram consideradas incompletas pelos cotistas. Gestor afirma que complementações estão sendo providenciadas as informações primeiramente solicitadas foram enviadas aos cotistas. “Eles pediram dados complementares sobre algumas vendas de títulos que fizemos para ter caixa para comprar outros títulos”, explica, ressaltando que a troca de gestor é um direito legítimo dos cotistas. O que chama a atenção, ressalta Costa, é que as empresas que apresentaram problemas são provenientes de setores diversos. Há, na carteira, CCBs desde companhias do setor de vestuário, como a Zoomp, até do ramo de reciclagem, como a Newpet e a Alutech. “Queremos saber se as empresas de fato ofereciam a qualidade de crédito que se afirmou que ofereciam”, diz. Buchenrode destaca que todas as CCBs tinham, na época da emissão, classificação de risco de crédito (rating) — concedida pelas agências SR Ratings, Austin Ratings ou LF — de grau de investimento. ■ SEQUÊNCIA DE AJUSTES ● O primeiro ajuste nas cotas do fundo Global Capital ocorreu em dezembro de 2007, em função da falência da Eletrodireto. ● Em fevereiro de 2009, novo ajuste foi necessário por causa da decretação de falência da Zoomp. ● Em julho de 2009, mais cinco empresas cujas CCBs estavam no fundo ficaram inadimplentes. ● Em fevereiro deste ano, o último calote. Desta vez, da Newpet e da Alutech. ANMA - ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ/MF n° 07.719.426/0001-49 - NIRE 35.220.309.042 EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE REUNIÃO DE SÓCIOS QUOTISTAS Ficam os sócios quotistas da ANMA - ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., sociedade empresária limitada, inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda sob o nº 07.719.426/0001-49, com seu Contrato Social arquivado na Junta Comercial de São Paulo sob o NIRE 35.220.309.042, convocados para participar da Reunião de Sócios Quotistas a se realizar no dia 15 de abril de 2010, às 09:00 horas, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 1.461, 12º andar, cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 01451-921 (em razão da impossibilidade de realização em sua sede social), para deliberar sobre a seguinte ordem do dia: alteração do endereço da sede da sociedade, da Alameda Joaquim Eugênio de Lima, nº 881, cj. 301, cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 01403-001, para a Rua Haiti, nº 59, Sala 1, Jardim Paulista, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 01404-010. São Paulo, 07 de abril de 2010 MARILENA AFAECH DAHER - Diretora winnerpublicidade.com Guarnieri Flavio R 42 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 FINANÇAS Brendan Hoffman/Bloomberg CÂMBIO DEFESA Com piora externa, dólar sofre ajustes e sobe 1,3%, para R$ 1,778 Greenspan diz que Federal Reserve protegeu o consumidor antes da crise O dólar pôs fim ontem à sequência de seis baixas, com os investidores aproveitando o cenário externo negativo para realizar ajustes de posições. A moeda americana subiu 1,31%, para R$ 1,778. Nas últimas seis sessões, o dólar acumulava 4,1% de queda, influenciado pela perspectiva de entrada de recursos e pelo interesse maior de estrangeiros no país. Ontem, porém, pesou mais o ambiente de aversão a risco no exterior. O ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan defendeu ontem a proteção oferecida pelo banco ao consumidor, nos anos que antecederam a crise. Ele afirmou que os reguladores podem reduzir as chances de uma nova derrocada, pedindo aos bancos que aumentem suas reservas de capital. “Nos últimos 18 meses, houve raros casos de default e de contágios muito sérios”, disse. Indusval Corretora se expande e vai Nas mãos de Alexandre Atherino e Luis Fernando Monteiro de Gouvêa, que assumiram fatia minoritária, corretora Mariana Segala [email protected] O banho de loja que a Indusval Corretora está recebendo desde a chegada de dois novos sócios, em junho de 2009, começa a apresentar resultados. Os primeiros seis meses desde que Alexandre Atherino (ex-diretor da Fator Corretora) e Luis Fernando Monteiro de Gouvêa (remanescente da Comercial Asset Management) assumiram 49% do capital social da corretora foram destinados a arrumar a casa. Acertaram os ponteiros para enquadrá-la no Programa de Qualificação Operacional (PQO) da BM&FBovespa e con- quistaram, em janeiro, o selo de Execution Broker — concedido para as corretoras com alto nível de eficiência na execução de ordens do segmento BM&F. Bastou para a Indusval saltar da 44ª para a 17ª posição no ranking de volumes negociados em derivativos. “Há muitos clientes institucionais que só operam com corretoras que tenham o selo Execution Broker”, explica Atherino. Fundada há mais de quatro décadas, a Indusval Corretora deu origem ao Banco Indusval Multistock, nos anos 1990. A então nova operação acabou ganhando o foco dos controladores e a corretora, tradicional, fi- cou relegada ao segundo plano. “Com a estabilização econômica pós-real, a corretora conseguiu crescer, mas houve muitos percalços no meio do caminho”, destaca Atherino. Foram seguidas crises internacionais que dificultaram o desenvolvimento do mercado — e da corretora. Agora, as perspectivas de crescimento do mercado de capitais trazem novo fôlego. Nova gestora Por isso, depois de ter dado os primeiros passos nas operações do segmento BM&F, a Indusval se prepara agora para avançar no segmento Bovespa. “Aqui, nosso foco é investir na exce- Fundada há mais de quatro décadas, corretora deu origem ao banco, nos anos 90 lência de prestação de serviço para pessoa física”, afirma Atherino. A reestruturação do home broker (sistema de negociação de ações pela internet) está adiantada, devendo ser concluída em dois ou três meses. Além disso, está saindo do forno uma gestora de fundos, a BR Stocks. Resta apenas acertar os últimos detalhes do contrato com o banco que fará a administração das carteiras, o que deve estar pronto em menos de 30 dias. Um primeiro fundo, aliás, já foi estruturado — uma carteira de ações escolhidas a partir da análise fundamentalista, com horizonte de longo prazo. “Não Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 43 Bloomberg INADIMPLÊNCIA AUTORIDADE MONETÁRIA Número de cheques devolvidos e títulos protestados volta a crescer em março Fed de Nova York reitera que juros baixos ajudarão na criação de empregos Dados da Equifax mostram que, no mês de março, foram registrados 2.121.818 cheques devolvidos, um aumento de 31,84% em relação a fevereiro de 2010. Comparado a março de 2009, o número foi 23,06% menor. Na comparação por dias úteis, os resultados de março de 2010 foram 3,18% superiores aos do mês anterior e 26,40% inferiores àqueles registrados em março de 2009. O governador do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, reiterou ontem que o Federal Reserve precisa manter as taxas de juros baixas por um período prolongado, para ajudar no fortalecimento da recuperação econômica e na criação de empregos. “As taxas devem ficar excepcionalmente baixas por um período prolongado para contribuir com a aceleração do nível de atividade”, afirmou. Murillo Constantino Poupança tem menor captação desde abril A projeção de que a taxa básica de juro subirá neste mês desestimula aplicação Sala de operações de corretora: segmento tem sido alvo de investimentos abrir gestora saltou de 44ª para 17ª em derivativos nos interessa ter fundos de renda fixa, mas sim produtos que se beneficiem do crescimento do mercado de renda variável”, ressalta Atherino. Diante da perspectiva de que os novos negócios vinguem, a corretora também já começou a montar uma área de atendimento a clientes de alta renda, já apelidada de private banking. Por meio dela, a corretora oferecerá, além dos negócios na bolsa e dos seus próprios fundos, títulos emitidos pelo banco e por empresas, além de fundos de terceiros. “Isso é para quando as novas operações estiverem mais maduras. Para o ano que vem”, prevê Atherino. ■ DERIVATIVOS 17ª posição Este é o lugar da Indusval Corretora, em março, no ranking de negociação do segmento BM&F da bolsa. Ela era a 44ª em dezembro e 43ª em fevereiro. RENDA VARIÁVEL 49ª posição Este é o lugar da Indusval Corretora no ranking de negociação do segmento Bovespa da bolsa. Está em processo a reestruturação do home broker. Aplicação mais popular do país, a caderneta de poupança recebeu R$ 538,08 milhões (entre retiradas e depósitos) no mês de março, ante R$ 1,089 bilhão registrado em fevereiro. Trata-se da menor captação líquida desta aplicação desde abril do ano passado, quando houve um saldo negativo de R$ 942 milhões, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. No trimestre, o saldo positivo é de R$ 4,246 bilhões, o melhor desde 1997 (R$ 4,643 bilhões). Em março, o estoque total da poupança atingiu R$ 327,888 bilhões. No mesmo período de 2009, o saldo registrado foi de R$ 274,69 bilhões. Os depósitos totais da poupança somaram R$ 96,513 bilhões em março, o maior volume desde dezembro de 2009 (R$ 112,23 bilhões). Já as retiradas totalizaram R$ 95,975 bilhões, também a maior cifra dos últimos três meses. Os rendimentos creditados no mês passado — de R$ 1,424 bilhão — foram os menores desde maio do ano passado, quando somaram R$ 1,371 bilhão. Desde o começo do ano, a poupança registra saldos positivos de captação líquida. O resultado em janeiro chegou a R$ 2,61 bilhões e foi o maior para o mês desde 1997. Em fevereiro, a conta ficou positiva em R$ 1,088 bilhões. Os investimentos na caderneta de poupança acompanham a recuperação do emprego e da economia brasileira. Taxas de juros mais baixas também contribuem para maior injeção na poupança, já que diminuem a rentabilidade de outras aplicações financeiras. A projeção quase certa de aumento na selic (taxa básica de juros) na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) poderia reduzir a tendência de crescimento na captação líquida na poupança. Em 2009, a captação das cadernetas superou 2008 em 71,2% e somou o segundo melhor resultado da série histórica, com R$ 30,412 bilhões. ■ Agências ONTEM E HOJE 1 2 Quarenta e cinco anos de existência Competitividade em xeque A caderneta de poupança visa a captação de recursos das economias populares. Foi criada em 1964/1965, por meio de um conjunto de empresas que em suas atividades constituíram o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos, o S.B.P.E. O Ministério da Fazenda chegou a cogitar, há alguns meses, um mecanismo para tornar a poupança mais atrativa. Isso porque, com a queda da Selic, os fundos de investimento estavam perdendo competitividade. A ideia foi abandonada, uma vez que o juro deve subir neste mês. 44 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 INVESTIMENTOS Vanessa Correia [email protected] Ações da Vale mantêm preferência das indicações de corretoras para abril apontou relatório da corretora, cujo analistachefe é Rossano Oltramari. A despeito das expectativas para ações dos setores siderúrgico e de mineração, o cenário para a bolsa brasileira em abril é positivo. “Acreditamos que as condições são favoráveis para a manutenção do otimismo com o mercado acionário brasileiro no curto prazo. Apesar da desconfiança ainda com o processo de recuperação econômica das economias desenvolvidas, os sinais de alta no preço das commodities são bastante favoráveis para a bolsa brasileira”, completa Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora. A bolsa de valores brasileira apresentou valorização de quase 6% em março influenciada, principalmente, pelas ações dos setores siderúrgico e de mineração. Motivo: início das negociações entre mineradoras e siderúrgicas para o reajuste no preço do minério de ferro. Na última sexta-feira, (2) a Vale informou, por meio de nota, que havia fechado acordo com a maioria dos clientes para reajustes no contrato, mas não especificou o percentual de elevação do preço do minério de ferro. Por conta do imbróglio, a maioria das corretoras consultadas pelo BRASIL ECONÔMICO optou por manter as ações da Vale em suas carteiras e, com isso, a companhia voltou a liderar a indicação dos analistas. Foram 17 casas indicando Vale, das 18 consultadas para a realização do levantamento. “Agora se fala na implantação de um novo sistema de precificação, incorporando reajustes trimestrais, o que é ainda mais favorável às mineradoras no curto prazo”, afirma Rodrigo Ferraz, chefe da área de análise da Brascan Corretora. A XP Investimentos foi uma das corretoras que aumentou a posição no setor de commodities. “Chamou atenção o comportamento das ações de Magnesita, que possuem uma correlação operacional bastante forte com o setor siderúrgico e não apresentaram a mesma valorização. A Magnesita é uma empresa que atua na fabricação de refratários, produtos essenciais nos processos que utilizam temperaturas elevadas, como nos processos das indústrias siderúrgicas, de cimento, metais, ferroligas, entre outras. Com isso, decidimos colocá-la na carteira recomendada”, Construção civil Outro fato marcante no mês de março foi o forte recuo apresentado pelas ações do setor de construção civil. “Achamos que a desvalorização foi exagerada, já que não houve mudanças significativas no cenário macroeconômico. Por isso, continuamos apostando no setor e só não incluímos PDG Realty por uma questão de opção”, diz Ferraz. Na carteira recomendada da corretora estão MRV, Rossi Residencial e Duratex. Outras mudanças Já a Ativa Corretora reduziu sua exposição ao setor de varejo e consumo, por meio da exclusão das ações das Lojas Americanas, acomodando uma elevação da participação dos setores de commodities metálicas, através de Vale PNA Gerdau PN, bem como em bens de capital e concessões, com WEG e CCR Rodovias. “A alocação em Lojas Americanas estava pesada, além das expectativa da alta dos juros”, explicou Luciana. ■ AS PREFERIDAS DO MERCADO PARA ABRIL Papéis da Usiminas e Lojas Americanas não figuram entre os mais recomendados EMPRESA Vale (VALE5) Petrobras (PETR4) Gerdau (GGBR4) CSN (CSNA3) OGX (OGXP3) Lojas Renner (LREN11) Tam (TAMM4) AmBev (AMBV3) Duratex (DTEX3) Itaú Unibanco (ITUB4) DESEMPENHO DA CARTEIRA EM MARÇO Vale (VALE5) Petrobras (PETR4) Gerdau (GGBR4) CSN (CSNA3) OGX (OGXP3) Lojas Renner (LREN11) Tam (TAMM4) AmBev (AMBV3) Duratex (DTEX3) Itaú Unibanco (ITUB4) SETOR Elétricas Brascan reinicia cobertura vendo potencial de valorização Ativa indica impacto neutro para redução de tarifas A corretora Brascan reiniciou a cobertura da Natura e vê potencial de valorização para o papel. O preço-alvo dado pela corretora, conforme relatório da analista Julia Monteiro, é de R$ 41,45 por ação ordinária (NATU3). Ontem, o papel fechou a R$ 36,84 na BM&FBovespa. “Esperamos que a Natura se beneficie do crescimento da renda média e da participação das mulheres no mercado de trabalho, aliado ao avanço da vida social feminina”, destaca a corretora, lembrando ainda que a companhia é líder em vendas no mercado doméstico de cosméticos, fragrâncias e higiene pessoal e tem forte valor de marca. A companhia tem reforçado estratégia de crescimento nos mercados emergentes da América Latina, com foco na expansão no México, bem como fortalecimento das operações no Brasil. Um dos pontos favoráveis para o investimento no papel, segundo a Brascan, é o fato de a Natura ter uma política informal agressiva de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), com 100% do fluxo de caixa livre sendo destinado aos acionistas. Entretanto, a corretora pondera que a empresa atua em um mercado pulverizado e com alto grau de informalidade e novos entrantes, mas vê como ponto positivo a baixa dependência de crédito para as vendas dos produtos “defensivos”, já que o preço médio dos itens é R$ 15,00 e R$ 20,00. Ontem, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) apresentou o reajuste tarifário anual das tarifas de diversas distribuidoras, entre elas CPFL Paulista e Cemig. Os reajustes das tarifas para baixo veio dentro da expectativa do mercado, segundo relatório da corretora Ativa, cujo analista de energia elétrica é Ricardo Corrêa. Segundo a corretora, o mercado já previa reajustes negativos devido à variação cambial negativa e à variação dos índices de preços próximo de zero no ano passado. Para a Cemig, a agência determinou uma redução média de 1,48% na tarifa, sendo que os consumidores de baixa tensão (consumidores residenciais e comerciais, em sua maioria) terão uma queda de 0,05% e os consumidores de baixa renda, uma redução ainda maior, de 5,18%. A energia de alta tensão terá redução variando entre 3,09% a 10,81%. Já o reajuste da CPFL Paulista, que distribui energia para 234 municípios do interior de São Paulo, a redução média foi de 5,69%, sendo de 4,69% para clientes de baixa tensão. Para as indústrias, que recebem energia em alta tensão, a queda média no valor das tarifas é de 6,72%. “O reajuste negativo pode ser atribuído, em grande parte, à queda do dólar, que diminuiu os gastos com a compra de energia de Itaipu, que possui reajuste determinado pela variação da moeda estrangeira”, comenta a corretora, em relatório. RECORDE BALANÇO Varejo BM&F O número de negócios realizados via home broker atingiu recorde de 6.269.139 no mês de março, ante 5.110.116 em fevereiro, com volume de R$ 60,85 bilhões, ante R$ 52,53 bi em fevereiro. No total, o segmento Bovespa movimentou R$ 148,81 bilhões, com a realização de 9 milhões de negócios. O valor de mercado das 375 empresas negociadas foi de R$ 2,35 trilhões, contra R$ 2,26 trilhões em fevereiro. O balanço da negociação de investidores estrangeiros foi positivo em R$ 3,15 bilhões. O segmento BM&F (incluindo financeiros e agropecuários) registrou negociação de 71,69 milhões de contratos e volume financeiro de R$ 4,75 trilhões em março, ante 39,31 milhões de contratos e giro de R$ 2,47 trilhões em fevereiro. A média diária de contratos teve recorde de 3.117.004, ante o recorde anterior de 2.183.680 contratos em fevereiro. As instituições financeiras lideraram a movimentação financeira do segmento durante o mês, com fatia de 42,17%. Nº DE RECOMENDAÇÕES 17 Mineração Petróleo Siderurgia Siderurgia Petróleo Varejo Aviação Consumo Indústria Financeiro 10 9 7 5 5 5 4 4 4 INDICAÇÕES RENT.(%) RENT. ANO(%) 16 10 9 7 5 5 5 4 4 4 Natura 11,47 2,25 9,26 20,61 5,71 4,56 -9,23 -6,46 -10,76 6,88 17,42 -3,54 -0,82 27,39 -2,63 3,82 -20,10 -5,43 -5,23 2,42 Entre as 10 ações mais recomendadas pelas corretoras consultadas pelo Brasil Econômico, os papéis atrelados às commodities metálicas – que apresentaram desempenho bastante satisfatório no mês passado – tiveram sua recomendação mantida para abril Fontes: Ágora, Ativa, Banco do Brasil, Bradesco, Brascan, Citi, Coinvalores, Geração Futuro, HSBC, Itaú, Link, Omar Camargo, SLW, Socopa, Souza Barros, Spinelli, Win, XP Investimentos Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 45 BOLSA JURO Giro financeiro Mercado futuro R$ 6,5 bilhões 10,43% foi o volume financeiro registrado ontem no segmento acionário da BM&FBovespa. O principal índice encerrou a sessão com variação negativa de 0,43%, aos 70.792 pontos. foi a taxa de fechamento ontem do contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2011. O volume financeiro foi de R$ 37,8 bilhões, com a negociação de 406.925 contratos. IBOVESPA RENDA FIXA Ação Código Mínima ALL AMER LAT UNT N2 AMBEV PN B2W VAREJO ON BMF BOVESPA ON BRADESCO PN BRADESPAR PN BRASIL ON BRASIL TELEC PN BRASKEM PNA BRF FOODS ON CCR RODOVIAS ON CEMIG PN CESP PNB COPEL PNB COSAN ON CPFL ENERGIA ON CYRELA REALTY ON DURATEX ON ELETROBRAS ON ELETROBRAS PNB ELETROPAULO PNB EMBRAER ON FIBRIA ON GAFISA ON GERDAU PN GERDAU MET PN GOL PN ITAUSA PN ITAUUNIBANCO PN JBS ON KLABIN S/A PN LIGHT S/A ON LLX LOG ON LOJAS AMERIC PN LOJAS RENNER ON MMX MINER ON MRV ON NATURA ON NET PN OGX PETROLEO ON P.ACUCAR-CBD PNA PDG REALT ON PETROBRAS ON PETROBRAS PN REDECARD ON ROSSI RESID ON SABESP ON SID NACIONAL ON SOUZA CRUZ ON TAM S/A PN TELEMAR ON TELEMAR PN TELEMAR N L PNA TELESP PN TIM PART S/A ON TIM PART S/A PN TRAN PAULIST PN ULTRAPAR PN USIMINAS ON USIMINAS PNA VALE ON VALE PNA VIVO PN IBOVESPA ALLL11 AMBV4 BTOW3 BVMF3 BBDC4 BRAP4 BBAS3 BRTO4 BRKM5 BRFS3 CCRO3 CMIG4 CESP6 CPLE6 CSAN3 CPFE3 CYRE3 DTEX3 ELET3 ELET6 ELPL6 EMBR3 FIBR3 GFSA3 GGBR4 GOAU4 GOLL4 ITSA4 ITUB4 JBSS3 KLBN4 LIGT3 LLXL3 LAME4 LREN3 MMXM3 MRVE3 NATU3 NETC4 OGXP3 PCAR5 PDGR3 PETR3 PETR4 RDCD3 RSID3 SBSP3 CSNA3 CRUZ3 TAMM4 TNLP3 TNLP4 TMAR5 TLPP4 TCSL3 TCSL4 TRPL4 UGPA4 USIM3 USIM5 VALE3 VALE5 VIVO4 IBOV 15,73 163,33 37,65 12,27 32,51 44,24 29,74 11,20 13,03 23,36 38,43 29,47 23,65 36,43 21,50 36,61 21,07 16,14 25,80 31,65 39,01 10,24 37,96 12,18 30,37 37,96 22,20 12,07 38,51 7,70 5,38 23,84 8,15 13,18 40,90 12,90 11,80 36,09 22,30 17,04 60,15 14,35 39,95 35,59 30,05 12,55 33,00 34,76 63,05 31,45 37,99 32,60 50,84 38,77 6,73 4,83 47,20 84,92 60,30 59,60 57,18 49,65 48,49 70531 Cotação (R$) Máxima Fechamento 15,90 164,99 38,20 12,66 32,80 45,25 30,19 11,39 13,22 24,17 39,50 29,84 24,27 37,20 21,98 37,16 21,80 16,83 26,15 32,18 39,44 10,55 39,16 12,65 31,39 39,12 23,00 12,29 39,01 7,96 5,72 24,28 8,28 13,50 42,15 13,10 12,22 36,89 22,74 17,36 64,18 14,90 40,67 36,24 31,44 12,99 33,79 36,09 64,50 32,48 38,49 33,00 51,75 39,30 7,01 4,91 47,89 86,44 62,62 61,30 58,50 50,41 49,78 71257 15,78 164,89 38,00 12,32 32,77 44,50 29,99 11,33 13,09 23,90 39,30 29,53 23,80 36,80 21,75 37,05 21,09 16,31 25,90 31,73 39,11 10,55 38,03 12,39 30,90 38,59 22,92 12,07 38,60 7,88 5,72 23,84 8,17 13,50 41,91 13,01 11,89 36,78 22,62 17,22 64,11 14,45 40,39 35,80 30,37 12,63 33,79 35,13 64,00 32,18 38,44 32,63 50,94 39,25 6,90 4,86 47,70 85,00 60,50 59,95 58,07 50,20 48,82 70792 Variação (%) No dia No ano -0,63 -0,17 -0,21 -1,83 0,12 -0,22 -0,17 -0,26 -0,08 1,27 1,81 -0,30 -0,46 -0,73 -0,23 0,00 -1,77 -0,79 -0,27 -0,22 -0,86 2,93 -2,98 -0,08 -0,52 -0,52 3,24 -1,39 -0,90 0,25 5,15 -1,89 -0,61 1,28 2,10 -0,69 -2,46 1,32 0,13 -0,12 5,12 -3,02 -0,49 -0,78 -2,66 -3,00 1,47 -1,95 0,00 0,72 1,16 0,40 -0,99 1,21 -0,43 -0,41 0,23 -0,97 -3,04 -1,64 1,01 0,46 -1,43 -0,43 -3,19 -4,56 -20,29 0,95 -0,67 15,49 3,28 -32,36 -7,03 5,36 -1,48 -6,55 -0,96 -0,65 -15,04 8,88 -13,92 0,69 -0,48 0,56 13,36 10,94 -2,71 -12,25 6,04 10,51 -9,27 3,91 1,40 -15,45 7,72 -0,42 -19,19 -12,72 6,64 29,84 -15,67 3,80 -5,75 0,70 -1,40 -16,71 -3,03 -2,43 4,72 -17,45 -1,23 25,46 14,34 -15,42 -14,00 -12,05 -18,12 -8,98 -3,50 -5,08 -5,83 7,64 21,08 21,71 17,31 18,96 -6,48 3,21 *Em pontos. Fonte: Economatica IBOVESPA Fundo BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI BB RENDA FIXA LP ESTILO FICFI ITAU PERS MAXIME RF FICFI CAIXA FIC EXECUTIVO RF L PRAZO BB RENDA FIXA 25 MIL FICFI CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO BRADESCO FIC DE FI RF MERCURIO BB RF MIL FICFI BB RENDA FIXA 50 FIC FI ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI Data Rent. (%) 12 meses No ano 6/ABR 6/ABR 7/ABR 6/ABR 7/ABR 6/ABR 7/ABR 7/ABR 7/ABR 7/ABR 8,71 8,70 8,70 7,84 7,49 7,30 6,94 6,36 5,54 5,35 Fundo BB REFERENCIADO DI ESTILO FICFI ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI CAIXA FIC DI LONGO PRAZO BB REFERENCIADO DI 10 MIL FICFI NOSSA CAIXA REFERENCIADO DI BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS ITAU PREMIO REF DI FICFI BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPERF SANTANDER FIC FI CLAS REF DI Data Rent. (%) 12 meses No ano 7/ABR 7/ABR 6/ABR 7/ABR 6/ABR 7/ABR 7/ABR 7/ABR 7/ABR 7/ABR 8,26 8,19 6,71 6,65 6,25 6,05 5,12 4,96 4,67 4,38 Fundo BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI CAIXA FMP FGTS VALE I BRADESCO BA FIC DE FIA BRADESCO FIC DE FIA BRADESCO FIC DE FIA IV BRADESCO FIC DE FIA MAXI SANTANDER FIC FI ONIX ACOES ITAU ACOES FI ALFA FIC DE FI EM ACOES BB ACOES PETROBRAS FIA Data 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 75,03 74,37 52,52 52,48 51,68 51,06 47,52 45,53 35,96 11,39 Fundo ITAU PERS MULT AGRESSIVO FICFI ITAU PERS MULT ARROJADO FICFI REAL CAP PROT V GOGH 3 FI MULTIM ITAU PERS MULT MODERADO FICFI ITAU PERS K2 MULTIMERCADO FICFI BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC BTG PACTUAL MULTIE FI MULTIM ITAU PERS MULTIE MULT FICFI SANTANDER FIC FI ESTRAT MULTIM Data 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 6/ABR 18,82 14,00 12,04 11,74 9,40 9,30 9,03 8,85 8,64 3,75 1.151,5 992,5 70.950 22.300 1.150,0 991,0 70.865 22.275 1.148,5 989,5 22.250 Fonte: BM&FBovespa 12h 13h 14h 15h 16h 17h 17h ND 80.000 100 5.000 100 200 30 1.000 100 100 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,00 1,90 4,00 4,00 ND 4,00 2,50 4,00 8,50 2,00 200 100 1.000 200 2,81 2,37 2,72 2,11 1,86 2,02 2,14 2,16 1,89 (0,07) Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,00 2,00 2,50 2,00 1,50 1,50 1,50 1,10 1,25 2,00 5.000 5.000 10.000 5.000 50.000 20.000 50.000 5.000 50.000 MIDLARGE CAP - MLCX 988,0 1.147,0 10h 1,00 1,00 2,00 2,50 2,47 3,00 4,00 4,00 4,50 5,00 *Taxa de performance. Ranking por número de cotistas. Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico 22.325 11h 16,24 15,57 2,90 2,90 2,90 2,89 0,76 (0,15) (1,69) (2,73) Rent. (%) 12 meses No ano 994,0 10h Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) MULTIMERCADOS 1.153,0 70.780 1,95 1,95 1,59 1,56 1,48 1,39 1,22 1,15 1,00 0,94 Rent. (%) 12 meses No ano SMALL CAP - SMLL Máxima 71.257,35 Mínima 70.531,05 Fechamento 70.792,94 50.000 80.000 30.000 5.000 5.000 5.000 200 50 300 AÇÕES 22.350 71.035 1,00 1,00 1,00 1,10 2,00 1,50 2,50 3,00 3,50 4,00 DI IBRX-100 (Em pontos) 71.120 2,01 2,01 2,12 1,86 1,73 1,73 1,61 1,46 1,32 1,20 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 10h 17h 10h 17h 46 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 MUNDO Índia inicia ambicioso censo Segundo país mais populoso do mundo terá mais de 2 milhões de pessoas trabalhando na coleta de dados Antonio Milena A Índia iniciou o que está chamando de o maior censo em todo o mundo, que o governo espera venha a ajudar no controle do desperdício na previdência, no aumento da coleta de impostos e na definição mais clara de seus consumidores. Mais de 2 milhões de pessoas trabalharão no censo, cobrindo cerca de 1,2 bilhão de habitantes, definindo-os em termos demográficos, socioculturais e econômicos, incluindo parâmetros tais como telefones celulares, uso da internet e acesso a bancos. “O Censo de 2011 é o maior feito desse tipo na história da humanidade. Nossa meta é identificar, contar, registrar e emitir cartões de identificação para cada cidadão indiano”, disse o ministro do Interior, Palaniapan Chidambaram . O Censo no segundo país mais populoso do mundo é realizado a cada 10 anos. A China, com uma população de 1,3 bilhão também realiza o recenceamento a cada 10 anos. Com dois terços da população em áreas rurais de difícil acesso, o censo é a principal fonte de dados para todos, desde fabricantes de veículos a publicitários que promovem pasta dental e funcionários do governo, encarregados do planejamento e implantação de importantes projetos. Desde a primeira edição, de 1872, também tem sido fundamental no estabelecimento do eleitorado para as eleições locais e nacionais. Com o governo acelerando o lançamento de grandes programas para pobres, tais como empregos nas áreas rurais e seguro saúde, os dados também ajudarão a localizar desperdícios de dinheiro público, que um ex- Com dois terços da população em áreas rurais de difícil acesso, o censo é a principal fonte de dados para fabricantes de veículos a anunciantes de pasta dental e funcionários do governo, encarregados do planejamento e implantação de projetos primeiro-ministro calculou em cerca de 85% do total das despesas gerais. Os dados ainda ajudarão na formulação dos planos de investimento e comercialização das empresas da terceira maior economia da Ásia. “Para um país grande como o nosso, qualquer detalhe que se tenha sobre a população é sempre útil,” disse Ajit Ranade, economista no Aditya Birla Group. “Só não sabemos o quanto”. O governo também gastará, pela primeira vez, cerca de 35 bilhões de rúpias (US$ 786 milhões) para preparar o Registro Nacional da População, que incluirá fotos e impressões digitais de todas as pessoas com mais de 15 anos. O registro abrirá caminho para o programa de Identificação Única, que tem como meta emitir um cartão inteligente e um número de identificação para cada cidadão, facilitando o acesso a pagamentos da previdência pelo sistema bancário e melhora na cobrança de impostos. ■ Reuters Governo indiano vai implantar o Registro Nacional da População, que incluirá fotos e impressões digitais de todas as pessoas com mais de 15 anos Brasil, Colômbia e Peru, os favoritos Segundo painel do Fórum Econômico Mundial na Colômbia, investidores preferem esses países Apesar de a condição de anfitriã lhe permitir apresentar oportunidades de investimentos no país em um painel especial na abertura dos debates de ontem no Fórum Econômico Global da região, a Colômbia não chega à quinta edição regional do evento como centro exclusivo das A importância dos países emergentes será cada vez maior, diz economista Patrick Ledoux, de um fundo de private equity atenções de empresários e investidores globais. Na região, Brasil e Peru juntam-se à Colômbia como as economias favoritas para atração de investimentos, expansão de negócios e implementação de projetos de infraestrutura. “A Colômbia teve uma performance mais forte do que a esperada em 2009, mas o crescimento real do PIB neste ano ainda deverá ficar atrás de alguns de seus vizinhos na região, como Brasil, Chile e Peru”, resume a Economist Intelligence Unit. A retomada vigorosa dessas economias após a crise, no entanto, atraiu para esta edição do Fórum Econômico Global em Cartagena um público que inclui gestores de recursos, como fundos de private equity de mercados emergentes. A britânica Actis, que administra cerca de US$ 5 bilhões em ativos in- vestidos no mundo emergente, por exemplo, enviou dois representantes à Cartagena. Antes de viajar para Cartagena, o economista Patrick Ledoux, sócio do fundo de private equity Actis América Latina, disse que o grupo captou US$ 2,9 bilhões no fim de 2008 para investimentos em infraestrutura em países emergentes, ao fechar o fundo Actis Mercados Emergentes 3 (AEM3). ■ AE Quinta-feira, 8 de abril, 2010 Brasil Econômico 47 Juan Medina/Reuters O juiz Garzón, impedido de investigar Franco O juiz espanhol Baltasar Garzón, de 54 anos, não é profeta na própria terra: depois de ter conseguido encurralar Augusto Pinochet e outros repressores de ditaduras, deverá ir o banco dos réus em seu país, por ter tentado investigar os crimes do franquismo. A decisão do magistrado do Tribunal Supremo, Luciano Varela, de julgá-lo por ter tentado inquirir sobre esses crimes, sem ter competência para isso, pode resultar na suspensão de Garzón de suas funções na Audiência Nacional. AGENDA DO DIA ● Países integrantes da Asean (Associação do Sudeste da Ásia) reúnem-se em Hanói. ● O presidente dos EUA, Barack Obama, tem encontro em Praga com o presidente russo Dmitri Medvedev para firmar tratado de redução de armas nucleares. Roma apara arestas modernas BREVES Filippo Monteforte/AFP Museu moderno, situado na parte antiga da capital italiana, será reformado A prefeitura de Roma vai reformar o moderno museu situado na parte antiga da cidade. Criticado pelo prefeito da capital italiana, Gianni Alemanno, a construção causou polêmica por trazer linhas modernas à arquitetura clássica da região. A estrutura abriga o altar da paz, erguido no ano XIII antes de Cristo pelo imperador Augusto. A reforma foi anunciada ontem pelo projetista, o arquiteto americano Richard Meier, e o próprio Alemanno. O museu, inaugurado há apenas quatro anos, às margens do rio Tiber, será cercado por um jardim. O muro de pedra externo que separa as escadas, bem como as fontes da entrada, serão demolidos. O museu foi construído para enaltecer o altar do Ara Pacis, um pequeno templo de mármore branco, construído para celebrar a paz alcançada pelo imperador Augusto com os gauleses e a Espanha. Trata-se da primeira grande obra de arquitetura moderna realizada no centro histórico da Cidade Eterna, após o fim da Segunda Guera Mundial, e sua construção suscitou muitas polêmicas. “Queremos melhorar o projeto inicial”, disse Richard Meier. Segundo o arquiteto,o muro foi construído para conter o ruído e a forte circulação, pois fica sobre uma avenida com muito tráfego. “Se estes proble- Estrutura foi a primeira grande obra construída no centro histórico romano após o fim da Segunda Guerra Mundial Socorristas de Nova York sofrem efeitos do 11 de setembro Grande parte dos bombeiros e socorristas nova-iorquinos que inalaram a poeira provocada pelo desmoronamento do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, sofrem de problemas pulmonares, sete anos depois dos atentados terroristas. Uma pesquisa, feita com quase 13 mil socorristas e bombeiros da cidade de Nova York, se baseia em 62 mil medições individuais das capacidades respiratórias. O estudo será publicado no New England Journal of Medicine. Deputados argentinos iniciam debate sobre controle das Malvinas Prefeitura da capital italiana vai modificar projeto da arquitetura moderna do museu, que contrasta com a parte antiga de Roma mas forem eliminados, é uma boa ideia abrir uma praça sobre o rio.” Segundo ele, “fazer modificações é algo positivo porque demonstra que a cidade não está bloqueada”. “São melhorias”, assegurou o prefeito Alemanno, estimando que as obras serão concluídas no final de 2013. Por ocasião da inauguração, em abril de 2006, ele havia denunciado “a arrogância dos intelectuais de esquerda perante os cidadãos” por terem permitido a construção de uma estrutura tão moderna sem consultar a população. Pouco depois da eleição, em abril de 2008, o prefeito afirmou que a deslocaria o novo museu para um bairro periférico, hipótese que aparentemente foi descartada. ■ AFP Stan Honda/AFP CALOR SUFOCANTE EM NOVA YORK BATE RECORDE DE 1929 Uma repentina onda de calor sufocou nesta quarta-feira à tarde a cidade de Nova York, nos Estados Unidos, que chegou a um recorde de temperatura: mais de 32 graus Celsius. O calor surpreendeu os nova-iorquinos, que se dirigiram a parques e praças apenas duas semanas depois da entrada na primavera, que até então tinha se mostrado bem fresca. O calor de ontem bateu o o recorde absoluto de 31,6 graus registrado em 1929, segundo especialistas. Começa hoje uma nova etapa na disputa entre Argentina e Inglaterra pelo controle das Ilhas Malvinas. O Comitê de Energia e Combustíveis da Câmara dos Deputados da Argentina inicia o debate sobre o projeto de lei que define limites à prospecção e exploração de hidrocarbonetos na região, na Ilhas Geórgias do Sul e Sandwich. As informações da Telam, agência oficial argentina. Senador americano pede por cubano em greve de fome O senador democrata de origem hispânica Robert Menendez pediu ontem solidariedade internacional para salvar a vida do cubano em greve de fome Guillermo Fariñas, com quem falou por telefone na terça-feira. “A comunidade mundial deve elevar sua voz para que seus direitos sejam honrados e Guillermo Fariñas possa viver”, disse Menendez em comunicado. Oposição peruana pede o impeachment do presidente Alan García O partido Nacionalista do Peru apresentou ontem pedido de impeachment do presidente Alan García ao Congresso por “incapacidade moral”, responsabilizando-o pela morte de seis pessoas em protesto de garimpeiros no domingo. 48 Brasil Econômico Quinta-feira, 8 de abril, 2010 BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A, com sede à Avenida das Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000 Central de atendimento e venda de assinaturas: 4007 1127 (capitais), 0800 6001127 (demais localidades) [email protected] - Atendimento ao jornaleiro: 0800 550553 (OESP) É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômico S.A. ÚLTIMA HORA Ex-sócios do Pactual criam seguradora Um grupo de 20 ex-sócios do Banco Pactual resolveu apostar no mercado de seguros. Liderados por Gilberto Sayão, que após a saída do banco no ano passado criou a empresa de investimentos Vinci Partners, os executivos acertam os detalhes para a criação de uma seguradora que atuará com apólices empresariais e de grandes obras de infraestrutura. Os segmentos de grandes riscos e garantias de obras e projetos devem movimentar R$ 9 bilhões em prêmios até 2016. A nova seguradora deve se chamar Vitrus e começou a ser criada a partir do zero e em sigilo num escritório em São Paulo. Estima-se que, para atuar na cobertura nacional de grandes riscos, uma empresa necessite de, no mínimo, R$ 40 milhões em capital, mas dinheiro deve não deve ser problema para a nova seguradora. A empresa de investimentos de Gilberto Sayão e seus sócios nasceu há menos de um ano com R$ 5 bilhões de ativos em administração. A estratégia da nova seguradora é mantida em segredo e ninguém envolvido na operação comenta o assunto. Sayão é avesso a fotos e entrevistas. Segundo duas fontes próximas, os ex-sócios do Pactual ficaram animados com as perspectivas para o mercado de seguros e seu potencial de crescimento, em meio a obras para o pré-sal, Copa do Mundo, Olimpíada, trem-bala, construção civil, concessões rodoviárias e estaleiros. Para tocar a Vitrus, foi contratado Carlos Frederico Ferreira, que era diretor da Fator Seguradora, empresa criada há dois anos pelo Banco Fator para a área de crédito e garantias. Sayão era sócio de André Esteves no Pactual, atualmente no BTG, e a sociedade foi desfeita em meados do ano passado, em meio ao fim do acordo societário do banco brasileiro com o suíço UBS. ■ AE Andrew Harrer/Bloomberg US Airways e United Airlines negociam fusão Ricardo Galuppo [email protected] Diretor de Redação O governador Cabral e o direito ao desabafo O tom era de desabafo. Mas o governador Sérgio Cabral foi muito lúcido na última terça-feira, quando culpou a demagogia pela quantidade absurda de mortes em função das chuvas que desabaram sobre o Rio de Janeiro. Cabral criticou as pessoas que construíram casas em áreas de risco, mas não deixou de fora aqueles que — mais no Rio do que em outras grandes cidades — têm o hábito de condenar como autoritária qualquer tentativa do poder público de colocar ordem em um modelo urbano falido. O Rio e o Brasil estão de luto pelas mais de 130 mortes desta semana. Mas também estão diante de uma oportunidade única de encarar problemas que se acumularam ao longo de décadas. Sem ignorar que a quantidade de chuvas que caiu sobre a cidade foi anormal, o Rio apresenta problemas que se manifestam de maneira distinta. Mas, no fundo, têm uma mesma causa: a falta de vontade de resolvê-los. Sem entrar no mérito do volume anormal de chuvas, o Rio tem problemas com reflexos distintos e uma causa comum: a omissão As companhias aéreas US Airways e United Airlines estão em negociações avançadas de fusão, segundo o jornal The New York Times. Um eventual acordo resultaria na criação de uma das maiores linhas aéreas do mundo. Segundo um alerta publicado no site do jornal, a US Airways teria o papel de compradora, embora isso não tenha sido mencionado na reportagem. Em fevereiro, executivos das duas empresas aéreas afirmaram que estariam abertos a uma fusão, e que o setor precisa de consolidações para voltar à lucratividade. ■ Reuters Justiça seja feita, Cabral é o primeiro governante do Rio que, em muitos anos, não lavou as mãos diante da violência e do tráfico de drogas nas favelas nem tentou cobrir esse lixo com o tapete dos “problemas sociais” insolúveis. Ao ordenar a ocupação de algumas comunidades pela polícia, seu governo fez a primeira tentativa da história de levar segurança a cidadãos normalmente desassistidos nesse quesito. Meses atrás, quando falou em construir muros para evitar que a construção desordenada de casas em alguns dos morros da cidade avançasse sobre áreas de preservação, o governador foi acusado de tentar segregar as populações das favelas. Agora, todo mundo vê que a medida não apenas é necessária como, talvez, não seja suficiente para resolver o problema. As mortes no Rio foram provocadas por construções em áreas de risco, pelo lixo acumulado nas encostas e, acima de tudo, pela inépcia de autoridades que, no passado, viram problemas como esses se alastrar e não agiram para resolvê-los. Cabral não pode ser acusado de omissão: já estava agindo antes de a tragédia acontecer. Tem, portanto, o direito de desabafar. ■ Ações da Palm disparam com rumores de venda As ações da Palm dispararam 20% ontem devido ao ressurgimento de boatos de que a fabricante de smartphones pode ser alvo de uma proposta de aquisição. Empresas como Dell, Microsoft e Motorola foram citadas como possíveis compradoras. Outra que estaria no páreo é a Lenovo, que tenta ampliar sua presença no mercado de aparelhos móveis. Os papéis da empresa haviam despencado 60% neste ano com temores sobre queda nas vendas. A Palm não quis comentar o caso. ■ Reuters www.brasileconomico.com.br DESTAQUE MAIS LIDAS ONTEM Itaú Unibanco deve vender US$ 1 bilhão em bônus ● Análise: petróleo deve superar US$ 100 em setembro A instituição quer captar até US$ 1 bilhão com uma emissão de bônus com prazo de dez anos que pode ser concluída ainda nesta semana, afirmou ontem à Reuters uma fonte próxima ao assunto. O banco quer oferecer um prêmio de até 250 pontos-base acima do rendimento dos papéis do Tesouro americano. ● EUA irão liderar recuperação entre países desenvolvidos ● Bônus da Argentina caem após juiz congelar ativos ● Cade aprova compra de fatia do Votorantim pelo BB ● Camargo Corrêa e Odebrecht estão fora de Belo Monte Acompanhe em tempo real www.brasileconomico.com.br Leia versão completa em www.brasileconomico.com.br ENQUETE Você acha que o Ibovespa manterá no mês de abril a tendência positiva exibida em março? Sim 76% Não 24% Fonte: BrasilEconomico.com.br Vote em www.brasileconomico.com.br