PROJETO SÃO SEBASTIÃO TEM PARQUE FASE II – Estrada da Praia Brava: Adequação da Visitação Pública do Parque Estadual Serra do Mar Proponente: Ambiental Litoral Norte – OSCIP PROJETO SÃO SEBASTIÃO TEM PARQUE FASE II – Estrada da Praia Brava: Adequação da Visitação Pública do Parque Estadual Serra do Mar 1. Introdução A presente proposta foi elaborada com o objetivo de apoiar as práticas de gestão do uso público no Núcleo São Sebastião do Parque Estadual da Serra do Mar, bem como os trabalhos de monitoramento e fiscalização da Praia Brava. O Parque Estadual da Serra do Mar, que constitui a maior Unidade de Conservação paulista, abrange cerca de 315 mil hectares de Mata Atlântica em 23 municípios, estando dividida em vários núcleos. O núcleo São Sebastião administra 28.393 hectares de Mata Atlântica (área total de Parque no município), o que corresponde à cerca de 75% do território total do Município de São Sebastião. No município, sob o ponto de vista ambiental, ecossistemas que sobreviveram por serem locais de difícil acesso, estão sendo invadidos por um público que cada vez mais é estimulado a procurar ambientes naturais. Em pouquíssimo tempo, esse fluxo exagerado de visitantes está acarretando danos irreversíveis a um dos principais atrativos naturais presentes no Parque – a Praia Brava e seu acesso. A presença do Oleoduto e sua respectiva estrada de serviço são fatores de aumento de fluxo de visitantes pois desde sua implementação serve, de forma inadequada, como acesso. Outros agravantes também devem ser destacados: a carência de áreas de lazer no entorno urbano dos remanescentes naturais está elevando o número de visitas em locais sem infra2 estrutura a um número preocupante, e a falta de uma implementação de atividades participativas está deixando a comunidade local aquém de todo o processo de implantação da Unidade de Conservação em questão. Mais grave do que isso são as ocupações irregulares que hoje são objeto do Programa de Congelamento de Áreas da Prefeitura Municipal de São Sebastião. Um dos principais desafios desse programa é o monitoramento e controle dos acessos, uma vez que são os principais vetores de invasão e desmatamento do Parque Estadual e da Mata Atlântica nele contida. Outro programa de grande relevância é fruto de uma parceria entre o governo municipal e a Fundação Florestal, que a partir de 1998 implementou o “Programa Integrado de Ecoturismo”, primeira fase do projeto São Sebastião Tem Parque, englobando ações de implantação de trilhas na mata, fiscalização e educação ambiental na rede de escolas do município. Foram estabelecidas normas municipais para uso das trilhas, incorporando as regras do regulamento de Unidades de Conservação do Estado e dando poderes compartilhados de supervisão e fiscalização à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e ao Núcleo do Parque. Foi estabelecido, obrigando ainda o uso do serviço de monitores locais, o limite máximo no número de pessoas por monitor e ao agendamento prévio das visitas, de forma a gerar renda para moradores e evitar sobrecarga das trilhas por coincidência de grupos de visitantes. No entanto, muitas dessas medidas ainda carecem de apoio e gestão, uma vez que o atual controle e monitoramento nos atrativos são precários. Atenções especiais devem existir ao se definir como se darão o manejo das visitas e a estruturação dos atrativos. O perfil de visitantes desejado e quais valores comportamentais serão estimulados durante a visita, devem ser levados em consideração. Além disso, é urgente a necessidade de ações que estimulem a inclusão da população local no debate acerca da conservação e da implementação do Parque Estadual e seus atrativos, já 3 que sem a parceria declarada dos moradores, qualquer iniciativa que objetive controle e monitoramento para conservação dos recursos naturais locais está fadada ao insucesso. Vale lembrar que ainda é pequena a divulgação sobre a existência e a localização deste núcleo do Parque Estadual da Serra do Mar, sendo que a maioria dos visitantes utiliza a faixa de dutos e sua estrada de serviço para acessar a Praia Brava em muitos finais de semana, feriados e boa parte da temporada de verão. 2. Objetivo Geral: • Implementar sistema de monitoramento, controle e gestão da trilha da Praia Brava. 2.2. Objetivos Específicos; 1. Garantir segurança e contribuir para gestão da conservação do atrativo natural da trilha da Praia Brava. 2. Divulgar e ampliar o acesso a informação sobre a existência da trilha e da Unidade de Conservação, das áreas protegidas, seus objetivos e a importância de sua biodiversidade para os moradores do entorno; visitantes do atrativo; alunos da rede pública; operadoras; agências de turismo e turistas. 3. Estabelecer parâmetros mínimos de conservação para uso público da Trilha da Praia Brava através da elaboração do projeto de sustentabilidade da área. 3 Justificativa: A Praia Brava está inserida em uma microbacia hidrográfica, localizada entre as bacias das praias de Boiçucanga e Maresias, no sul do município de São Sebastião. Em 1987 a área foi declarada sob proteção por resolução da SMA-SP (ASPE de Boiçucanga). Antes disso, houve a decretação do Parque Estadual da Serra do Mar em 1977, sendo que boa parte da microbacia da Praia Brava já se incluía em área de Parque desde então. 4 Desde 1985, com o asfaltamento da rodovia Rio-Santos, deflagrou-se processo de ocupação irregular da estrada de serviço da Petrobrás que dá acesso à Praia. Essa Comunidade foi integrada no atual programa de congelamento de áreas do município. Hoje a Praia Brava constitui-se um dos maiores atrativos turísticos do município, que conta com outra trilha muito conhecida, do Rio Ribeirão de Itu, em Boiçucanga. Desde a edição da Lei 848/92 é proibido acampar nas praias do município e, portanto todos os feriados acontecem conflitos de interesse entre campistas, policiais ambientais e fiscais municipais. Os gestores estaduais e municipais têm realizado operações integradas para a fiscalização do atrativo e da ocupação irregular do entorno. A faixa de dutos e sua estrada de serviço são sempre os principais acessos à Praia Brava vindo por Boiçucanga, dada a facilidade dos trechos com vegetação sempre roçada pela Petrobrás. Assim, a implantação de monitoramento e gestão da trilha se faz necessária ao adequado manejo da área, garantindo a segurança e adequação da demanda ecoturística, através do envolvimento comunitário para a conservação da natureza. 4. Produtos esperados Produto 1. Controle e monitoramento do atrativo implantado. Atividade 1: Implantação de dois postos de controle e monitoramento nas principais vias de acesso. Atividade 2: Execução de workshops e treinamento da equipe contratada para definição da metodologia de controle e monitoramento da faixa de duto e trilhas. Atividade 3: Monitoramento e controle do atrativo por 18 meses. Produto 2. Oficinas sobre o Parque Estadual da Serra do Mar e a Conservação do patrimônio nele contido para a comunidade local. Atividade 1: Oficina de divulgação, entre os atores sociais envolvidos (moradores, estudantes, surfistas, operadores de turismo, população), para divulgar o significado e o motivo de existência do Parque Estadual Serra do Mar no intuito de promover a unidade de conservação como indutor de desenvolvimento sustentável, bem como o senso de domínio público para as comunidades 5 residentes no entorno com produção de conteúdo de algumas das placas informativas a serem implantadas no atrativo. Atividade 2: Oficinas nas escolas Municipal Guiomar Conceição e Estadual Walkir Vergani através de atividades de arte-educação, como, por exemplo, a confecção de placas informativas a serem implantadas nas trilhas, estimulando nos participantes a criação de vínculos afetivos com o material produzido e conseqüentemente com o próprio atrativo, visando promover uma postura de cuidado e conservação do patrimônio em questão, com vistas a sua sustentabilidade ambiental. Atividade 3: Oficinas desenvolvidas com moradores da estrada da Praia Brava objetivando disponibilizar, trabalho, durante o espaços de para os participação diferentes públicos dessas comunidades, através de atividades educativas que englobem a exibição de filmes, realização brincadeiras desenhos e e de jogos, pinturas, palestras sobre problemas ambientais cotidianos locais e workshops sobre atividades ligadas ao meio ambiente (como jardinagem, viveirismo e paisagismo e recuperação de áreas degradadas), bem como vídeos sobre temas ambientais. Atividade 4: Oficina de avaliação geral das atividades realizada com todos os parceiros do projeto e atores sociais mais comprometidos com o projeto, visando avaliar todas as atividades e propor soluções e melhorias ao projeto além de subsidiar seu plano de sustentabilidade. 6 Produto 3. Material informativo elaborado e produzido para distribuição e venda aos moradores e turistas. Atividade 1: Produção de cartilha contendo informações a respeito da Mata Atlântica e do PESMNSS, seus atrativos e regras de conduta de mínimo impacto durante as visitas, para ser distribuído aos turistas nos hotéis, pousadas, centros de informações turísticas e nos postos de controle dos atrativos. Atividade 2: Produção de camisetas, bonés e adesivos de divulgação do projeto contendo o mapa do município com a área do Parque em destaque e slogan da campanha a ser elaborado e definido pelos participantes das oficinas para serem distribuídos e vendidos. Atividade 3: Documentação em vídeo do projeto e a importância do envolvimento das pessoas na conservação da UC para divulgação nas escolas e outros eventos. 5. Cronograma e Indicadores de Atividades. PRODUTO 1 Atividades Previstas Implementação Indicador de avaliação Período de Avaliação Implantação de dois postos de controle, um na Estrada de Serviços da Petrobrás e 1o. Semestre Postos Instalados e com infra-estrutura funcionando Final do 1o. semestre outro na Praia. Monitoramento e controle o 1 . Semestre No. de pessoas contratadas. do atrativo Execução de definir a metodologia de controle e monitoramento. do 3o. semestre - Workshop realizado workshops com os contratados para Final do 1o. semestre e Final 1o. Semestre - No. de Atendentes ao Workshop/No. de pessoas Início do 2o. semestre contatadas 7 Equipe contratada 2o. e 3o. Semestre - No. de dias controlando e monitorando trabalhados/contratados os visitantes. - No. de Trimestral pessoas abordadas/No. de visitantes PRODUTO 2 Atividades Previstas Implementação Indicador de avaliação Período de Avaliação - No. de faixas elaboradas; - No. de inserções no rádio e Oficina de divulgação do Parque para as comunidades residentes no nos jornais o 1 . Semestre - No. de pessoas Final do 1o. semestre contactadas/No. de entorno dos atrativos. participantes - Oficina realizada No. de faixas elaboradas; - No. de inserções no rádio e Oficina sobre o significado e o motivo de existência do Parque Estadual Serra do nos jornais o 1 . Semestre - No. de pessoas Mar para as escolas da contatadas/No. de região. participantes Final do 1o. semestre - Oficina realizada - No. de faixas elaboradas; - No. de inserções no rádio e Oficinas de arte-educação nos jornais para a confecção de placas - No. de pessoas a serem implantadas nas trilhas e estimular nos 1o. Semestre participantes a criação de contactadas/No. de participantes Final do 1o. semestre - Oficina realizada vínculos afetivos com o No. de placas produzidas material produzido. Material elaborado pelos participantes Oficina geral de avaliação - Nº de pessoas envolvidas do projeto para sugestões de melhorias e subsídio para a formação do plano de sustentabilidade atrativo. do - Nº de sugestões coletadas. o 2 . Semestre - Nº de propostas para Final do 2o. semestre subsídio ao plano de sustentabilidade. 8 PRODUTO 3 Atividades Previstas Implementação Produção de cartilha para ser distribuídas turistas nos pousadas, Início 2o. semestre; impressa; hotéis, de Período de Avaliação - Cartilha elaborada e aos centros Indicador de avaliação o 1 . Semestre informações turísticas e - No. cartilhas Final 2o. semestre e Final de de do 3o. semestre. distribuídas/No. estabelecimentos nos postos de controle do turísticos no município atrativo. Produção de camisetas, bonés e divulgação adesivos do de - Camisetas produzidas; projeto contendo o mapa do município com a área do 1o. Semeste para - No. de camisetas e Final 2o. semestre e Final adesivos vendidos/No. de do 3o. semestre. Parque em destaque e slogan, Início 2o. semestre; - Adesivos produzidos; bonés produzidos serem distribuídos e vendidos. Produção de vídeo sobre - vídeo elaborado. o Parque e a importância - No. de exibições; do envolvimento das pessoas na conservação o 2 . Semestre - No. de pessoas atingidas Início 3o. semestre e pelos eventos/No. de Final 3o. semestre. visitantes do Parque e do atrativo de ecoturismo. Elaboração do plano de sustentabilidade atrativo; do - Plano elaborado o 2 . Semeste - No. de parceiros envolvidos nas oficinas Início 2o. semestre; final do 2o. semestre; início do 3o. semestre e final do 3o. semestre. 9 6. Metodologia: Serão implantados dois postos de controle na convergência entre os acessos e os limites do Parque Estadual em lugar definido pelos atores sociais envolvidos sob autorização de todos os órgãos ambientais e Prefeitura Municipal. O emplacamento será realizado no padrão apropriado e aprovado pelos envolvidos e fixados nos postos de controle sendo outros distribuídos pela trilha. A capacitação dos colaboradores será planejada e executada em conjunto com os parceiros do projeto, a Fundação Florestal, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Petrobrás e Ambiental Litoral Norte através de aulas e palestras, eventos, vivências e pesquisas.Serão também capacitados os monitores em primeiros socorros, sustentabilidade, qualidade de vida, legislação ambiental, Ecoturismo e Segurança na trilha. A Implantação do Monitoramento ocorrerá desde o início do projeto para controle do atrativo. Os monitores prestarão serviços sempre diurno em período variável dependendo da demanda de pessoas e datas especiais do calendário como feriados e finais de semana. Os Monitores serão responsáveis por orientar todos os visitantes e turistas, fornecendo todas as informações sobre o atrativo e realizando pesquisas junto aos visitantes. Além disso, ficará disponível no posto de controle um kit de emergência com maca rígida e imobilizadores para primeiros socorros de acidentados. Os monitores se comunicarão por 10 radio e por telefone celular com a sede da ALNORTE, do Núcleo São Sebastião do Parque e Polícia Militar. Serão realizadas oficinas de envolvimento comunitário junto a três públicos diferentes.O Primeiro a ser envolvido é o público morador do entorno. Será realizada oficina de envolvimento e cooperação para o projeto. Serão realizadas oficinas nas escolas municipais e estaduais para envolvimento dos alunos da rede pública, professores, diretores, e famílias dos alunos para divulgação da iniciativa e produção de conteúdo informativo para as cartilhas. Será realizada oficina de inauguração do projeto com todos os atores envolvidos na gestão do atrativo, como agências e operadores de turismo, monitores de ecoturismo, parceiros do projeto como Instituto e Fundação Florestal , Petrobrás, Prefeitura Municipal, Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais, Polícia Ambiental outras ONGs, associação de moradores, surfistas, Convention Visitors Bureau do Litoral Norte. Além disso será realizada oficina de avaliação geral do andamento do projeto com intuito de indicar o cumprimento das metas, propor melhorias ao seu andamento e consolidar o plano de sustentabilidade do atrativo. Os folders produzidos objetivam atingir públicos diferentes: o visitante da trilha durante sua visita no atrativo, que será informado sobre as regras de conduta e demais informações pertinentes aos diversos usos e potencialidades da Mata Atlântica; hotéis e centros de informação turística visando divulgar o atrativo entre outras pertinentes. Todos os materiais serão confeccionados com os logotipos da Petrobrás e demais parceiros do projeto. Serão veiculadas notícias sobre a inauguração e durante o andamento do projeto na mídia escrita, falada e televisiva. 11 7. Sustentabilidade O projeto conta com o apoio da Diretoria Executiva da Fundação Florestal do Estado de São Paulo e da Diretoria do Núcleo São Sebastião do Parque Estadual da Serra do Mar, da Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Turismo do município de São Sebastião. Durante a implementação do projeto buscar-se-ão parcerias com a Iniciativa Privada e outras entidades para a manutenção da infra-estrutura instalada bem como capacitação e contratação de recursos humanos necessários ao funcionamento dos postos de controle. O logo dos patrocinadores poderá ser veiculado nas cartilhas, camisetas, adesivos, bonés e outros materiais produzidos ao longo do projeto. 8. Visão do Projeto – Objetivo de longo prazo O projeto visa a consolidação do Parque Estadual Serra do Mar – Núcleo São Sebastião, um bem de uso público e a conscientização sobre sua existência e necessidade de conservação do patrimônio natural nele contido. Além disso, pretende-se fomentar um modelo de desenvolvimento que gere trabalho e renda aliada à conservação da natureza, estimulando o turismo em áreas naturais, procurando atrair gradativamente o mercado do ecoturismo para as áreas preservadas do município. Pretende-se assim promover a Unidade de Conservação como indutor de desenvolvimento sustentável, bem como o senso de domínio público dessas áreas, objetivando mudança comportamental nos freqüentadores dos atrativos naturais e conseqüentemente diminuição da degradação decorrente. Nesse sentido, o envolvimento da Petrobrás é fundamental já que o objetivo em questão passa necessariamente pelo ordenamento do uso da estrada de serviço de manutenção do duto. Espera-se ainda contribuir para o fortalecimento da gestão compartilhada do Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo São Sebastião. Enfim, pretende-se estimular e consolidar um modelo de desenvolvimento baseado na preservação dos remanescentes florestais e uso sustentável da unidade de conservação. Ambiental Litoral Norte - ALNORTE 12