UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
CAROLINA DA COSTA E SILVA
O ÁLBUM PARQUES INFANTIS COMO OBJETO CULTURAL
(SÃO PAULO, 1937).
SÃO PAULO
2008
CAROLINA DA COSTA E SILVA
O ÁLBUM PARQUES INFANTIS COMO OBJETO CULTURAL
(SÃO PAULO, 1937).
Dissertação apresentada como requisito
parcial para a obtenção de título de
mestre em Educação pela Universidade
de São Paulo.
Área de concentração: História
Educação e Historiografia.
da
Orientação: Profa. Dra. Diana Gonçalves
Vidal.
SÃO PAULO, 2008
Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer
meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte.
Catalogação na Publicação
Serviço de Biblioteca e Documentação
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
37(81.61)
S586a
Silva, Carolina da Costa e
O álbum "Parques Infentis"como objeto cultural: (São Paulo,
1937) / Carolina da Costa e Silva ; orientação Diana Gonçalves
Vidal. São Paulo : s.n., 2008.
202 p. il., grafs, fotos.
Dissertação (Mestrado - Programa de Pós-Graduação em
Educação.Área de Concentração : História da Educação) - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
1. Duarte, Benedito Junqueira, 1910-1995 2. História da
educação - São Paulo, SP 3. Parques infantis - História - São
Paulo, SP 4. Álbuns de fotografia - Fontes - Educação 5.
Intelectuais - São Paulo, SP - 1937 I. Vidal, Diana Gonçalves,
orient.
FOLHA DE APROVAÇÃO
CAROLINA DA COSTA E SILVA
O álbum Parques Infantis como
Objeto cultural (São Paulo, 1937)
Dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de
Educação da Universidade de São Paulo para obtenção de
título de mestre.
Área
de
Concentração:
História
da
Educação
Historiografia.
Aprovação em: ____________________________
Banca Examinadora:
Prof. Dr. _______________________________________________________________
Instituição:__________________________Assinatura:__________________________
Prof. Dr. _______________________________________________________________
Instituição:__________________________Assinatura:__________________________
Prof. Dr. _______________________________________________________________
Instituição:__________________________Assinatura:__________________________
e
AGRADECIMENTOS
Em especial à professora Dra. Diana Gonçalves Vidal, pela sempre paciente e
cuidadosa orientação.
Aos professores Dr. Boris Kossoy e Dra. Maria Lúcia Spedo Hilsdorf, pelas
valiosas sugestões apresentadas na banca de qualificação.
À professora Dra. Dislane Zerbinatti Moraes, pela orientação cuidadosa no
trabalho de (re)construção da trajetória de vida e profissional de B. J. Duarte a partir dos
escritos de memória que nos legou.
À Professora Dra. Maurilane de S. Biccas e sua irmã, por me ajudar com a
escrita do abstract.
Aos amigos e pesquisadores do Núcleo Interdisciplinares de Estudos e Pesquisas
em História da Educação (NIEPHE), por compartilhar comigo momentos de dúvida e de
alegria.
Aos meus amigos e ex-companheiros de trabalho da Seção Arquivo de
Negativos da Divisão de Iconografia e Museus do Departamento do Patrimônio Histórico
Municipal de São Paulo (PMSP/SMC): Teresinha, Demi, Michael, Francisco, Malú, K.K.
Alcovér, Sr. Reich, Ivany Sevarolli. Com eles compartilhei dificuldades, incertezas e alegrias
que envolvem o trabalho de preservação da memória iconográfica de uma sociedade.
À Cristina Ravanelli, funcionária do Museu da Imagem e do Som, pela atenção.
À minha família, em especial a meu irmão Rodrigo, por ter ajudado a
transcrever os depoimentos de B. J. Duarte. Não menos gratidão tenho por meu esposo,
Marcelo, meu companheiro de pesquisa e de vida. A ele dedico esta dissertação.
À Rute Duarte, viúva de B. J. Duarte, pela confiança em compartilhar comigo o
arquivo pessoal e profissional de seu falecido esposo. A ela também dedico esta dissertação.
Aos funcionários do Instituto de Estudos Brasileiros (IEBUSP), da Cinemateca
Brasileira, do Departamento de Orientação Técnica da Secretaria Municipal de Educação
(PMSP/SME/DOT), da Biblioteca Municipal Mário de Andrade e da Faculdade de Direito
(FDUSP), pela atenção e por colocar à disposição seus acervos.
À Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria de Educação
do Estado de São Paulo, que concedeu a Bolsa Mestrado conforme Resolução SE 131 de
04/12/2003, uma conquista do professorado paulista.
“Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,
em que todos se debruçavam
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.
Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes
e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos.
Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava,
que rebentava daquelas páginas”.
(Carlos Drummond de Andrade, Os mortos de sobrecasaca).
RESUMO
SILVA, Carolina da Costa e. O álbum Parques Infantis como objeto cultural (São Paulo,
1937). 2008. Dissertação de Mestrado – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 2008.
Esta pesquisa histórica teve como objeto o álbum fotográfico Parques Infantis, produzido em
1937, sob a encomenda do Departamento de Cultura de São Paulo. Percebendo-o como objeto
cultural, a pesquisa teve como propósito analisar o álbum a partir de suas condições de
emergência e produção, materialidade e circulação. Para tanto, recorreu não apenas ao próprio
álbum e suas fotografias como fonte histórica, como também mobilizou fontes escritas
(discursos, legislação, artigos de revistas, biografias, entre outras), fontes orais (depoimentos)
e fontes iconográficas (revista S. Paulo e outras fotografias) a fim de compor um quadro de
entendimento sobre as finalidades e intenções que motivaram sua elaboração. A pesquisa
mostra que essa publicação iconográfica impressa conformou parte da estratégia de
publicização operada pela inteligência paulista (grupo de Paulo Duarte) sobre o principal
projeto desenvolvido pelo Departamento de Cultura: os Parques Infantis. Por meio do
impresso, os contratantes procuraram dar a ver o modo como eles delinearam os trabalhos
educativos nesses estabelecimentos segundo concepções de educação que se propunham
modernas (como a educação higiênica e a cultura física). Os intelectuais contrataram o
artista-fotógrafo B. J. Duarte para efetuar os registros e elaborar a paginação do álbum. Para
tanto, apropriou-se da estética de representação que estava na ordem da visualidade dos anos
1930, qual seja, a fotografia moderna.
Palavras-chaves: História da Educação; Álbum; Fonte fotografia; Departamento de Cultura;
Parques Infantis; B. J. Duarte; Inteligência Paulista.
ABSTRACT
SILVA, Carolina da Costa e. The Children Parks album as cultural object (São Paulo,
1937). 2008. Master Dissertation- Faculty of Education, University of Sao Paulo, Sao Paulo,
2008.
This historical research had as an object the photographic album Children Park, produced in
1937, under the orders of the Department of Culture of Sao Paulo. Perceiving it as a cultural
object, the research had as purpose was to examine the album from their conditions of
emergency and production, materiality and movement. Thus, appealed not only to their own
album and its photographs as historical source, but also mobilized written sources (speeches,
legislation, articles from journals, biographies among others),oral sources (testimony) and
iconographic sources, (magazine S. Paulo and other photographs) in order to compose a
framework of understanding about the aims and intentions that motivated their elaboration.
The research shows that this printed iconographic publication complied part of the strategy of
publicization operated by Paulista intelligence (group of Paulo Duarte) on the main project
developed by the Department of Culture, the Children Park. Through print, contractors tried
to see how they outlined the educative works in these establishments’ according education
conceptions that proposed itself as modern (such as hygiene education and physical culture).
The intellectuals hired the photographer-artist, B. J. Duarte to make the records and prepare
the layout of the album. To this end, appropriated from the aesthetics of representation that
was on the order of visuality of the years 1930, which is the modern photo.
Key-words: History Education; Album; photograph; Department of Culture, Children Park;
B.J. Duarte; Paulista intelligence
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO - A CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE PESQUISA.......................................p.13
1. AS FORMAS DE EXISTÊNCIA DAS FOTOGRAFIAS SOBRE OS PARQUES INFANTIS:
UM JOGO DE QUEBRAR A CABEÇA..................................................................................................................... p.13
2. A METODOLOGIA DE PESQUISA.................................................................................................. p.19
CAPÍTULO I – O DEPARTAMENTO DE CULTURA E OS PARQUES INFANTIS: O
CONTRATANTE E AS CONDIÇÕES DE EMERGÊNCIA DO ÁLBUM PARQUES INFANTIS
(1937)............................................................................................................................................. p. 29
1. 1. O DEPARTAMENTO DE CULTURA: O PROJETO CULTURAL DA
“INTELIGÊNCIA PAULISTA” E DO PARTIDO CONSTITUCIONALISTA.................................................................. p.29
1. 1. 1. O DEPARTAMENTO DE CULTURA: A “NOVA MENTALIDADE”
A SERVIÇO DA RECONSTRUÇÃO NACIONAL................................................................................................................ p. 37
1. 2. QUANDO O DEPARTAMENTO DE CULTURA “VIRA” UMA OPINIÃO
NACIONAL: IMPRESSÕES COMO PUBLICIZAÇÃO DA “NOVA MENTALIDADE”.......................................... p. 47
1. 3. UMA “NOVA MENTALIDADE” NA EDUCAÇÃO EXTRA-ESCOLAR:
OS PARQUES INFANTIS DO DEPARTAMENTO DE CULTURA..................................................................p. 57
1.3.1. DELIMITANDO OS TRABALHOS NOS PARQUES INFANTIS: OS
RAIOS DE AÇÕES ESTIPULADOS POR NICANOR MIRANDA................................................................................... p. 62
CAPÍTULO II – B. J. DUARTE, O “VAMP”: UM FOTÓGRAFO AO SERVIÇO DO
DEPARTAMENTO DE CULTURA.......................................................................................... p. 73
2. 1. POR QUE CONTRATAR B. J. DUARTE?.........................................................................................................p. 73
2. 2. B. J. DUARTE ENTRE O TRADICIONAL E O MODERNO: A EDUCAÇÃO
DE UM OLHAR............................................................................................................................................................. p.74
2. 3. UM ARTISTA MODERNO DA FOTOGRAFIA: O “VAMP”......................................................................... p. 81
2. 4. DO RETRATO ARTÍSTICO À FOTORREPORTAGEM. A INSERÇÃO DE B. J. DUARTE NOS MEIOS DE
COMUNICAÇÃO DO GRUPO PAULISTA NOS ANOS 1930............................................................................... p. 88
CAPÍTULO III - A DESMONTAGEM DO ÁLBUM PARQUES INFANTIS (I):
MATERIALIDADE, CIRCULAÇÃO E TEMÁTICAS............................................................ p. 99
3. 1. DA MATERIALIDADE E CIRCULAÇÃO DO ÁLBUM.................................................................................p. 99
3. 2. A VISIBILIDADE ESCOLHIDA DOS PARQUES INFANTIS: TEMÁTICAS
PREDOMINANTES NO ÁLBUM............................................................................................................................ p.121
CAPÍTULO IV – A DESMONTAGEM DO ÁLBUM PARQUES INFANTIS (II): CONDIÇÕES
DE PRODUÇÃO, ESTÉTICA E APROPRIAÇÕES................................................................ p.131
4. 1. A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA VISUALIDADE: BREVES
CONSIDERAÇÕES SOBRE A FOTOGRAFIA NA EXPERIÊNCIA MODERNA..............................................p.131
4. 1. 1. O CORPO COMO VISUALIDADE NOS ANOS 1930: A
ESTÉTICA DO OLHAR TOTALITÁRIO..................................................................................................................p.144
4. 2. MOLDANDO OS PARQUES INFANTIS SOB A ÓTICA DA FOTOGRAFIA MODERNA:
A PRESENÇA DA ESTÉTICA MODERNA NAS IMAGENS DO ÁLBUM...................................................... p.153
CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................... p.191
FONTES....................................................................................................................................... p.193
REFERÊNCIAS.......................................................................................................................... p.195
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