PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS – EELA Avaliação comparativa da injeção de ar forçado para combustão na queima de artefatos cerâmicos em forno caipira Rio de Janeiro - Brasil novembro - 2011 EELA es un programa de COSUDE, ejecutado por Swisscontact y PRODUCE PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA Cooperação Internacional: COSUDE - AGENCIA SUIZA PARA EL DESSARROLLO Y LA COOPERACIÓN SWISSCONTAC - FUNDACIÓN SUIZA DE COPERACIÓN PARA EL DESARROLLO TECNICO FUNCATE - FUNDAÇÃO DE CIÊNCIA, APLICAÇÕES E TECNOLOGIAS ESPACIAIS Instituição Executora: INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT Coordenação: Joaquim Augusto Pinto Rodrigues Equipe Executora: Maurício Francisco Henriques Junior Rosana Medeiros de Novais Joaquim Augusto Pinto Rodrigues Fabrício dos Santos Dantas Márcio Azevedo Guimarães Roberto Segundo Enrique Castro Tapia Revisão Técnica: Maurício Francisco Henriques Junior Apoio Institucional: ACVC - Associação dos Ceramistas do Vale do Carnaúba SEBRAE-RN - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio Grande do Norte INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 2 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................... 4 2. METODOLOGIA........................................................................................................................................ 4 3. CARACTERÍSTICAS DO FORNO E DISTRIBUIÇÃO DA CARGA ..................................................................... 4 4. CONSUMO DE LENHA.............................................................................................................................. 6 5. MEDIÇÕES E CÁLCULOS DIRETOS NA OPERAÇÃO DO FORNO ................................................................. 7 6. PRODUÇÃO E QUALIDADE DOS PRODUTOS.......................................................................................... 10 7. EFICIÊNCIA TÉRMICA E CONSUMO ESPECÍFICO DE ENERGIA ................................................................. 12 8. CONCLUSÕES......................................................................................................................................... 13 ANEXO I – BALANÇOS DE MASSA E ENERGIA DOS TESTES NO FORNO CAIPIRA ....................................... 14 ANEXO II – DIAGRAMAS DE SANKEY DOS TESTES REALIZADOS NO FORNO CAIPIRA ................................15 ANEXO III – RESULTADOS SEGUNDO O CRITÉRIO COMERCIAL DE CLASSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO .........16 INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 3 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA 1. INTRODUÇÃO Este trabalho de avaliação comparativa de desempenho energético da produção de telhas e tijolos cerâmicos em forno do tipo “caipira” foi conduzido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT, no âmbito do Projeto EELA. A Indústria que serviu de base para os ensaios foi a Cerâmica JRA. Esta empresa possui 5 fornos do tipo caipira com capacidade média de 40.000 peças por queima, que resultam em uma produção media de 800.000 peças por mês. O objetivo dos testes realizados foi o de avaliar o emprego da injeção de ar (uso de ventoinha) versus a queima tradicional obtendo um quadro comparativo das eficiências térmicas, dos consumos específicos e da eventual economia de energia com o emprego de ar injetado (com ventoinha). Dessa forma, foram conduzidos dois testes, o primeiro em julho de 2011 com o uso de ventoinha e, o segundo em agosto de 2011, sem o uso da injeção de ar. 2. METODOLOGIA A metodologia aplicada visou a avaliação do desempenho da queima do forno número 4 operando com e sem o uso da injeção de ar forçado na combustão. Foram definidos todos os parâmetros necessários para realizar a avaliação do ciclo de queima, compreendendo o monitoramento das curvas de aquecimento, queima e resfriamento dos produtos cerâmicos e a temperatura dos gases de exaustão. Para tal foram empregados seis termopares tipo K, posicionados entre as fileiras da carga e no topo do forno. Foram registrados os teores de CO2 nos gases de exaustão, a pesagem das peças cerâmicas cruas e queimadas, da lenha empregada nas queimas e medida a umidade das peças cerâmicas e da lenha. Toda a carga enfornada foi contabilizada como também os produtos queimados, além de serem classificados como produtos de primeira e de segunda qualidade. De posse desses dados, procedeu-se o cálculo dos balanços de energia pelo método do cálculo das perdas térmicas e através do método de “calor absorvido/calor fornecido”, de forma a permitir a comparação dos resultados obtidos em ambas as condições de operação. 3. CARACTERÍSTICAS DO FORNO E DISTRIBUIÇÃO DA CARGA O forno ensaiado possui as seguintes características: − Tipo: caipira com 6 bocas − Capacidade nominal: 60 t/fornada − Dimensões: 4 x 9 x 4 m (largura, comprimento, altura) − Espessura das paredes: 50 cm − Área total da superfície exposta ao ambiente: 112 m² − Área total da boca das fornalhas: 8,5 m² INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 4 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA A carga nas duas fornadas avaliadas (com e sem o uso da ventoinha) diferiu ligeiramente, como se pode ver na Tabela 1. As massas totais foram calculadas considerando-se as massas médias medidas de telha crua e de tijolo cru, respectivamente 1,36 kg e 2,62 kg, no ensaio com ventoinha, e 1,26 kg e 2,66 kg, no ensaio sem ventoinha. Tabela 1: Carregamento do forno nas duas condições de teste. Dados dos Testes Com Ventoinha Quantidade de tijolos úmidos 4.800 Quantidade de telhas úmidas 33.157 Massa úmida total da carga de tijolos (kg) 12.576 Mas úmida total da carga de telhas (kg) 45.094 Massa úmida total da carga de argila (kg) 57.670 Umidade contida nas telhas cruas (%) * 9 Umidade contida nos tijolos crus (%) * 7 * Medida com detector de umidade Testo 606-2 Sem Ventoinha 4.709 34.471 12.526 43.433 55.959 6 7 As peças cruas são distribuídas de acordo com a seqüência de fileiras mostrada na Tabela 2, podendo-se observar a diferença no número de peças nos dois ensaios. Tabela 2: Distribuição das peças no forno. Com Ventoinha 960 peças 960 peças 8.232 peças 8.232 peças 8.244 peças 8.344 peças 960 peças 960 peças 960 peças Parte de cima do forno 9ª fileira: Tijolos 8ª fileira: Tijolos 7ª fileira: Telhas 6ª fileira: Telhas 5ª fileira: Telhas 4ª fileira: Telhas 3ª fileira: Tijolos 2ª fileira: Tijolos 1ª fileira: Tijolos Parte de baixo do forno Sem Ventoinha 958 peças 958 peças 8.948 peças 8.948 peças 8.490 peças 8.805 peças 931 peças 931 peças 931 peças Na figura 1 adiante mostra-se o carregamento do forno, onde pode-se notar uma camada de tijolos (foto a esquerda), arrumados com os furos na posição vertical de modo a possibilitar a passagem dos gases quentes; e na foto a direita, as duas últimas fileiras de telhas (6ª e 7ª fileiras do forno) INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 5 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA Figura 1: Primeira camada de tijolos, já totalmente carregada (esq.), e as duas últimas camadas de telha (dir.). No teste com ventoinha, o carregamento do forno terminou por volta das 11:00 h do dia 12/07/11 e deu-se início ao aquecimento (esquente) às 12:00 h, com uma duração de aproximadamente 12 horas. A partir daí iniciou-se a queima propriamente dita perfazendo um total de 7 horas, seguido do período de resfriamento por 20 horas, equivalente ao total de 39 horas no ciclo. O preenchimento da carga do forno no ensaio sem ventoinha foi concluído por volta das 16:00 h do dia 15/08/11. O esquente foi iniciado às 17:15 h e teve duração de 2 horas, aproximadamente, sucedendo-se 12 horas da queima propriamente dita e aproximadamente 24 horas de resfriamento, fechando o ciclo com o total de 38 horas. 4. CONSUMO DE LENHA A lenha utilizada no ensaio com ventoinha era bem uniforme, constituindo-se basicamente de algaroba (Figura 2) e quantidade pouco expressiva de cajueiro, tendo-se utilizado 21,4 estéreos 1. Foi caracterizada como tendo em média 234 kg/st e 25% de umidade. Já no ensaio sem ventoinha havia uma mistura bem heterogênea de poda de cajueiro, jurema e algaroba, demandando medição de peso e umidade de várias amostras para serem obtidos valores médios característicos: 238 kg/st e umidade de 18,6%. O consumo total neste teste foi de 24,7 estéreos. 1 1 estéreo (st) equivale a aproximadamente 0,30 m³ ou 0,21 t de material seco de lenha de caatinga. Essa massa é bastante variável de acordo com o tipo de madeira e espaçamento dos galhos no empilhamento de 1m x 1m x 1m INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 6 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA Figura 2: Foto da lenha previamente separada para a fornada do teste com ventoinha A tabela 3 mostra os resultados calculados para o consumo de energia. Tabela 3: Dados comparativos do consumo de lenha. Item Com Ventoinha Sem Ventoinha Tipo de lenha Algaroba e cajueiro Algaroba, jurema e cajueiro Umidade média da lenha usada (%) * 25,0 18,6 Peso da lenha úmida (kg/st) 234,4 238,0 PCS da lenha, base úmida (kcal/kg) # 3.981 4.131 Consumo de lenha no teste (st) 21,4 24,7 Consumo de lenha no teste (kg) 5.016 5.878 Consumo de lenha, médio/hora (kg) 334 392 Energia total gerada na lenha (kcal/ciclo) 19.968.696 24.272.018 * Medida com detector de umidade Testo 606-2 # Com base na análise realizada no Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes do INT. 5. MEDIÇÕES E CÁLCULOS DIRETOS NA OPERAÇÃO DO FORNO As curvas de temperatura (Figura 3 e Figura 4) foram obtidas com o uso do registrador de temperatura Fluke Hydra Series II modelo 2625. Valores pontuais de temperatura foram registrados em termômetros digitais Salveterm 1200K, empregando termopares tipo K. No teste com o uso de ventoinha foram instalados seis termopares para monitoramento da queima, sendo três na parte inferior entre as fileiras 3 e 4, esquerda meio e direita, outros dois na parte superior, entre as fileiras 5 e 6 e um último no topo do forno. Observa-se na figura 3 que as temperaturas máximas (1.000 °C) foram registradas na parte inferior da carga, localizadas entre as 3ª e 4ª fileiras como mostrado nas curvas azul e azul claro do gráfico. Estas curvas não mostraram muita discrepância. As curvas azuis apresentam um formato mais regular com um gradiente de temperatura de 143°C/h, correspondendo provavelmente as zonas de maior troca de calor entre a circulação dos gases de combustão e a carga do forno, contribuindo para isso a circulação forçada do ar de combustão e dos gases com o uso da ventoinha na combustão e uma alimentação contínua e controlada da lenha durante o período da queima. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 7 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA Queima com Ventoinha Entre 3ª e 4ª Fileiras, Esquerda 1000 Entre 3ª e 4ª Fileiras, Meio Início da sinterização (850ºC) Entre 3ª e 4ª Fileiras, Direita 800 Temperatura Entre 5ª e 6ª Fileiras, Esquerda Entre 5ª e 6ª Fileiras, Direita 600 Gases no topo do forno 400 200 16:00 12:00 08:00 04:00 00:00 20:00 16:00 12:00 08:00 04:00 00:00 20:00 16:00 0 Tempo (hora:minuto) Obs: As posições lado esquerdo, meio e direito olhando-se o forno pelo lado do carregamento Figura 3: Curvas de temperatura do teste do forno com ventoinha As curvas vermelhas com registros máximos de temperatura em aproximadamente 900°C para os termopares instalados entre as 5ª e 6ª fileiras (parte mais elevada do forno), também apresentaram uma forma irregular, com um gradiente de temperatura de aproximadamente 65°C/h, mostrando uma troca de calor menor entre os gases de combustão e a carga. Este fato se dá pela circulação de gases de combustão mais frios nessa área do forno. A curva de cor verde corresponde à temperatura dos gases de exaustão no topo do forno, no gráfico apresentou um formato uniforme, atingindo a máxima temperatura de 800°C, com um gradiente de temperatura de 40°C/h levando em torno de 22 horas para atingir essa temperatura máxima. Nesta curva é possível observar a elevada perda de calor nos gases de exaustão para o meio ambiente. No teste com a queima sem ventoinha, ou seja, com a combustão não forçada, os mesmos termopares e pontos similares foram usados. Neste caso as curvas azul e azul claro no gráfico correspondem as temperaturas dos termopares instalados entre as 3ª e 4ª fileiras (esquerda, meio e direita). Estas curvas apresentaram uma forma irregular, com muitas oscilações, até atingir a máxima temperatura de aproximadamente 970°C com um gradiente de temperatura de 60°C/h, levando aproximadamente 16 horas ate atingir a máxima temperatura. Este formato irregular se deve ao resultado da combustão instável gerada pela entrada variável do ar de combustão, que não é pressurizado como no caso da combustão com ventoinha, e também pela alimentação irregular da lenha nas fornalhas durante o período da queima. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 8 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA Queima sem ventoinha 1100 DIR (traseiro) 1ºF 1000 MEIO (traseiro) 1ºF ESQ (traseiro) 1ºF 900 DIR (frente) 3ºF MEIO (Frente) 3ºF 800 ESQ (frente) 3ºF Superior Meio Temperatura 700 Superior Esquerdo 600 500 400 300 200 100 Tempo (hora:minuto) Figura 4: Curvas de temperatura do teste do forno sem ventoinha. As curvas vermelhas com registro máximo de aproximadamente 850°C para os termopares instalados entre a 5ª e 6ª fileiras (parte mais elevada do forno) apresentaram uma forma menos irregular, com um gradiente de temperatura de aproximadamente 47°C/h e levando aproximadamente 18 h para atingir a máxima temperatura. Neste caso houve uma troca de calor menos intensa entre os gases de combustão e a carga, provavelmente em virtude da circulação de gases mais frios nessa área. As curvas de cor verde correspondem as temperaturas dos gases de exaustão registradas pelos termopares instalados no topo do forno (meio e direita), apresentaram uma temperatura máxima aproximada de 800°C, atingida no intervalo de 18 horas, com um gradiente de temperatura de aproximadamente 44°C/h. As curvas de aquecimento apresentam um traçado não contínuo na sua forma em função da alimentação da lenha para a combustão ser manual e irregular nas fornalhas. A tabela 4 apresenta as massas de carga no forno, indicando a carga total enfornada em cada ensaio, as massas de água e carga efetivamente retirada. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 9 de 17 16.00 12.00 08.00 04.00 00.00 20.00 16.00 12.00 08.00 04.00 00.00 20.00 16.00 0 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA Tabela 4: Massas na carga no forno. Massas dos Produtos Com Ventoinha Sem Ventoinha Massa úmida total da carga de argila/crua (kg) 57.670 55.959 Massa de argila seca (kg) 53.055 51.482 Massa de água na argila (kg) 4.614 4.476 Massa total da argila queimada (kg) 49.079 49.674 Tijolos queimados (kg) 11.280 11.066 Telhas queimadas (kg) 37.799 38.608 Perda de massa na queima (kg) * 3.976 1.809 Perda total de massa e água (kg) 8.590 6.285 * Esta parcela da massa perde-se nas reações químicas e sublimação de material volátil. A tabela 5 mostra os principais dados registrados em cada um dos ensaios. Conjugando-se os dados das tabelas 3, 4 e 5, nota-se que as principais diferenças se deram por conta da maior quantidade de lenha usada no teste sem a ventoinha (ciclo mais longo) e a temperatura média mais elevada no topo do forno (gases de exaustão), item que irá influenciar as perdas de calor nos gases de combustão. O consumo de eletricidade da ventoinha utilizada para a injeção de ar forçado (teste com ventoinha) foi de 28 kWh ao longo das 12h de operação no período de queima. Tabela 5: Dados gerais para balanço térmico Item Com Ventoinha 1.110 Temperatura máxima de queima (°C) Temperatura média dos gases de exaustão (°C) Temperatura de esquente (°C) Temperatura das superfícies e paredes do forno (°C) Sem Ventoinha 1.165 240 395 80 80 50 700 Temperatura das portas e bocas do forno (°C) Tempo no aquecimento (esquente) (horas) 12 Tempo de queima (horas) 7 Tempo de resfriamento (horas) 20 Tempo total do ciclo do forno (horas) 39 Teor de CO2 nos gases de exaustão (%) 7,5 Excesso de ar na combustão (%) 250 Calor de reação da argila (kcal/ciclo) * 1.324.558 Calor fornecido pela lenha (kcal/ciclo) 19.968.696 Calor total gerado na queima (kcal/ciclo) 21.293.254 * No processo de sinterização, na queima da argila, há liberação de calor da ordem de 25 kcal/kg. 50 700 2 12 24 38 6,0 144 1.311.914 24.272.018 25.593.932 6. PRODUÇÃO E QUALIDADE DOS PRODUTOS Após o resfriamento as peças foram descarregadas (Figura 5) e novamente contadas e classificadas, segundo os critérios comerciais praticados pela empresa (Anexo III). INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 10 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA Figura 5: Descarregamento da 2ª camada de tijolos. Observou-se entretanto, que esse critério comercial, adotado em toda a região e, em particular, nos fornos deste tipo, carece de objetividade e não permite calcular parâmetros de produtividade comparáveis com padrões de outros tipos de processos e fornos. Um exemplo é mostrado nas fotos da Figura 6, onde se verifica que telhas com sinterização incompleta ou ruim podem acabar classificadas como de segunda qualidade, mas são comercializáveis. Peças com pequenas quebras, como as telhas de terceira qualidade e uns poucos tijolos, também são consideradas como produção efetiva pelos fabricantes da região, de um modo geral. No entanto, essas peças, para efeito de análise mais técnica, poderiam ser consideradas como perda de produção, conforme será tratado adiante. Figura 6: Fotos de telhas comercializáveis, porém não completamente sinterizadas. Dessa forma, para fins de comparação com outros processos de queima, optou-se por considerar apenas as peças que foram plenamente sinterizadas, correspondendo àquelas que permaneceram em temperatura acima de 850 °C por pelo menos duas horas . Observando as curvas de queima (figuras 3 e 4), nota-se que apenas as cinco primeiras fileiras do ensaio com ventoinha foram completamente sinterizadas. No ensaio sem ventoinha, cujas curvas de temperatura numa mesma fileira são INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 11 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA heterogêneas, estima-se que 100% das peças até a 4ª fileira foram integralmente sinterizadas, além de dois terços da 5ª fileira. O cruzamento das estimativas acima com a composição das fileiras (Tabela 2) resulta em uma produção efetiva, ou seja, plenamente sinterizada, de 6.768 tijolos e 16.588 telhas no ensaio com ventoinha, bem como em 6.564 tijolos e 13.745 telhas no outro ensaio. Assim, a massa de produto segundo o critério da sinterização completa reduz-se para 25.678 kg e 21.958 kg, respectivamente para os ensaios com e sem ventoinha. 7. EFICIÊNCIA TÉRMICA E CONSUMO ESPECÍFICO DE ENERGIA Para efeito de cálculo, foram assumidos os valores na Tabela 6 para algumas grandezas empregadas nos cálculos. Tabela 6: Parâmetros adicionais considerados em ambos os testes. Temperatura de esquente (°C) Temperatura das paredes do forno (°C) Temperatura da boca das fornalhas (°C) Ar estequiométrico (kg de ar/kg de lenha) Gases secos de combustão (kg de gás/kg de lenha) Água produzida na combustão (kg de água/kg de lenha) Calor específico da argila seca (kcal/kg) Preço de compra da lenha (R$/st) Preço de venda da telha (R$/milheiro) 80 50 700 6,1 6,6 0,56 0,26 25,00 205,00 Usando o método do cálculo do calor absorvido/calor fornecido foi quantificada a eficiência térmica em cada uma das queimas e os respectivos consumos específicos de energia, conforme mostrado na Tabela 7. O uso de ar injetado pela ventoinha promoveu uma economia de energia equivalente a 29 %, na forma de lenha. A Tabela 8 apresenta alguns parâmetros econômicos, comparando as duas situações. Tabela 7: Parâmetros de desempenho obtidos. Parâmetro de Desempenho Rendimento (%) Consumo específico (kcal/kg) Economia de energia com o uso da ventoinha (%) Com V. 20,9 829 Sem V. 15,1 1.166 29,0 Tabela 8: Custo energético térmico. Parâmetro de Custo Energético Consumo de lenha (st/milheiro) Custo da energia (R$/ton.) Custo da energia (R$/milheiro) Participação da energia no preço de venda (%) Com Ventoinha 0,60 10,89 14,86 7,3 Sem Ventoinha 0,68 12,43 16,92 8,3 INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 12 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS - EELA 8. CONCLUSÕES O primeiro resultado que se constatou foi que no teste com ventoinha obteve-se, pelo critério de sinterização completa, uma quantidade 17 % maior de produtos do que no teste sem ventoinha, provavelmente pela combustão mais eficiente com uso de ar pressurizado. Outro resultado importante foi à constatação da baixa produtividade do forno caipira. No caso do teste da queima com ventoinha, apenas 52% da carga queimada corresponde a telhas plenamente sinterizadas, embora a carga total seja comercializável. Considerando apenas produtos sinterizados plenamente (critério térmico) no teste com ventoinha, o rendimento térmico obtido foi de 20,9% e o consumo específico térmico de 829 kcal/kg. No caso do teste sem ventoinha o rendimento térmico foi apenas 15,1% e o consumo específico térmico aumentou para 1.166 kcal/kg. Nota-se também, que os consumos específicos térmicos obtidos nestes testes, com valores superiores a 800 kcal/kg, são muito elevados para a produção de cerâmica vermelha, quando em comparação com a queima em outros fornos mais modernos e tecnologicamente mais eficientes. Deve-se registrar, no entanto, que os rendimentos energéticos aqui encontrados, como também os problemas de sinterização deficiente, são típicos da queima de artefatos cerâmicos em fornos tipo caipira. Em suma, pode-se afirmar que o uso da ventoinha permite uma economia de 29,0 % de energia térmica (lenha), além de possibilitar uma maior produção de produtos bem sinterizados. Portanto, todos esses pontos somados, menor consumo energético e produção com maior qualidade, resultam em ganhos econômicos significativos para as empresas que adotam o emprego de ar injetado através de ventoinhas. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 13 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS – EELA ANEXO I – BALANÇOS DE MASSA E ENERGIA DOS TESTES NO FORNO CAIPIRA ITEM COM VENTOINHA MASSA (kg) Saída Entrada Total (Entrada e Saída) SEM VENTOINHA ENERGIA (%) (kcal) MASSA (%) (kg) ENERGIA (%) (kcal) (%) 134.911 100,0 21.293.254 100,0 127.382 100,0 25.593.932 100,0 5.016 3,7 19.968.696 93,8 5.878 4,6 24.282.018 94,9 Argila (calor de reação) 57.670 42,7 1.324.558 6,2 55.959 43,9 1.311.914 5,1 Ar (combustão e infiltração) 72.225 53,5 0 0,0 65.544 51,5 0 0,0 Produto acabado (sinterização completa *) Tijolos Telhas Peças parcialmente sinterizadas Tijolos Telhas Gases no topo do forno (exaustão) Eliminação da umidade na argila § Vaporização da umidade da lenha # Água formada na combustão Produtos da combustão (exceto água) Excesso de ar ** Calor absorvido pela estrutura do forno 25.678 6.768 18.910 23.401 4.512 18.889 83.127 4.687 1.254 3.170 22.427 51.590 0 19,0 5,0 14,0 17,3 3,3 14,0 61,6 3,5 0,9 2,3 16,6 38,2 0,0 4.456.264 1.153.309 3.302.955 4.068.045 768.873 3.299.172 10.349.503 3.503.160 847.955 2.143.630 1.167.974 2.686.784 2.060.117 20,9 5,4 15,5 19,1 3,6 15,5 48,6 16,5 4,0 10,1 5,5 12,6 9,7 21.958 6.564 15.394 27.716 4.503 23.213 75.928 3.483 1.093 3.468 29.202 38.682 0 17,2 5,2 12,1 21,8 3,5 18,2 59,6 2,7 0,9 2,7 22,9 30,4 0,0 3.858.633 1.149.711 2.708.922 4.873.469 788.703 4.084.766 12.435.690 2.867.111 820.637 2.603.096 2.643.356 3.501.489 3.776.881 15,1 4,5 10,6 19,0 3,1 16,0 48,6 11,2 3,2 10,2 10,3 13,7 14,8 Lenha (combustível do forno) Perdas não contabilizadas *** 2.704 2,0 359.325 1,7 1.780 1,4 649.260 2,5 * Sinterização completa: peças de argila submetidas a pelo menos 850ºC por mais de 2 hora. § Vaporização da água contida nas peças cruas; 7% nos tijolos, 6% e 9% nas telhas (respectivamente nas fornadas com e sem ventoinha). # Respectivamente 25% e 18,6% com e sem o uso de ventoinha. ** Respectivamente 250% e 144% com e sem o uso de ventoinha. *** Massa (fumaça, voláteis na argila e lenha etc.) e energia (radiação e convecção nas paredes, sublimação dos voláteis, outras reações químicas etc.). INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 14 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS – EELA ANEXO II – DIAGRAMAS DE SANKEY DOS TESTES REALIZADOS NO FORNO CAIPIRA Figura 7: Diagrama de Sankey do teste com ventoinha Figura 8: Diagrama de Sankey do teste sem ventoinha. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 15 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS – EELA ANEXO III – RESULTADOS SEGUNDO O CRITÉRIO COMERCIAL DE CLASSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO A presente análise visa estabelecer como seriam os rendimentos térmicos caso fossem computadas as massas de argila integralmente enfornadas ou, sob outro aspecto, passíveis de serem vendidos pelo fabricante e, portanto, contabilizadas por este como produto factível para comercialização conforme padrão adotado em toda a região do Seridó. Estes montantes correspondem a 49.079 kg e 49.674 kg, respectivamente nos ensaios com e sem ventoinha. Tabela 9: Relação dos produtos finais obtidos. Classificação da Produção Telha de 1ª (peças) Telha de 2ª (peças) Telha de 3ª (peças) Telha de requeima (peças) Telha quebrada (peças) Tijolo 19x19 cm (peças) Tijolo de requeima (peças) Com Ventoinha 12.188 17.222 440 266 2.041 4.450 ------- Sem Ventoinha 9.140 23.125 299 1.436 471 4.709 ------- Para o cálculo das eficiências energéticas empregou-se dois métodos: ”calor útil/calor total fornecido” e “conjunto das perdas” Tabela 10: “Método das Perdas” para a produção total Com ventoinha (%) 28,2 16,4 4,0 1,7 9,7 60,0 40,0 (8.732.309) Perdas de Calor Calor perdido nos gases de exaustão Água nos produtos cerâmicos Água na lenha Radiação e convecção paredes Calor na estrutura Perdas totais Eficiência* (100% - perdas totais) (kcal/ciclo) * Calor útil absorvido pela massa. Sem ventoinha (%) 34,2 11,2 3,2 2,5 14,8 65,9 34,1 (8.732.102) O rendimento de 34,1% (Tabela 11), segundo o critério comercial, corresponde ao calor absorvido pela carga total de produto sinterizado e de produto não acabado. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 16 de 17 PROGRAMA DE EFICIENCIA ENERGÉTICA EN LADRILLERAS ARTESANALES DE AMERICA LATINA PARA MITIGAR EL CAMBIO CLIMATICOS – EELA Tabela 11: Parâmetros de desempenho segundo o critério comercial. Parâmetro de Desempenho Rendimento (%) Consumo específico (kcal/kg) Economia de energia com o uso da ventoinha (%) Critério Comercial Com V. Sem V. 40,0 34,1 434 515 15,7 INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA - INT – Av. Venezuela, 82 - 20081-312 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 2123-1256 – Fax: (21) 2123-1253 – www.int.gov.br – [email protected] 17 de 17