Trabalho Submetido para Avaliação - 03/05/2012 15:16:52 EDUCAÇÃO EM SAÚDE ORIENTADA PARA O PLANEJAMENTO FAMILIAR/REPRODUTIVO GRACIELA SOUZA DA SILVA ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria - RS ORIENTADOR: MARIA CELESTE LANDERDAHL ([email protected]) / Enfermagem/UFSM, Santa Maria - RS MELISSA GEWEHR ([email protected]) / Enfermagem / UFSM, Santa Maria - RS BIBIANA ANTUNES ([email protected]) / Enfermagem / UFSM, Santa Maria - RS LAURA FERREIRA CORTES ([email protected]) / Enfermagem / UFSM, Santa Maria - RS Palavras-Chave: Enfermagem; Planejamento Familiar; Educação em Saúde. Introdução: Os direitos reprodutivos se ancoram no reconhecimento do direito básico de todo indivíduo ou casal de decidir livre e responsavelmente sobre o número, o espaçamento e a oportunidade de ter filhos e de ter a informação e os meios de assim o fazer. Ainda o direito de usufruir do mais elevado padrão de saúde sexual e reprodutiva, incluindo também seu direito de tomar decisões sobre a reprodução, livre de discriminação, coerção ou violência¹. A fim de garantir estes direitos, a Lei 9.263, de 12 de janeiro de 1996, a qual trata do planejamento familiar, define este como um conjunto de ações de regulação da fecundidade, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal, proibindo a utilização de quaisquer ações voltadas ao controle demográfico². A atenção em planejamento familiar implica não só a oferta de métodos e técnicas para a concepção e a anticoncepção, mas também a oferta de informações e acompanhamento, num contexto de escolha livre e informada. É necessário que essa atenção seja voltada para ações de educação em saúde, atentando para o conhecimento das necessidades e das expectativas do indivíduo e/ou casal para garantir a oferta de informações adequadas ao seu contexto. Também, é acolher o discurso do outro, interagindo sem expressar juízo de valor, e reconhecendo a subjetividade do sujeito¹ proporcionando, assim, subsídios para que os usuários tomem decisões autônomas. As estratégias educativas devem ser implementadas a partir da realidade dos usuários, refletindo sobre as situações, questionando os fatos, fenômenos e ideias, para compreender os processos e construir propostas e soluções no coletivo. E nesse processo deve-se buscar envolver todos, ou seja, tanto os usuários quanto os trabalhadores do serviço de saúde¹. Nesse contexto, a enfermeira encontra-se em uma posição importante para auxiliar os indivíduos e/ou casais a compreenderem as opções de métodos contraceptivos disponíveis, acolherem e aconselharem. Entende-se que, quanto melhor for a qualidade da orientação prestada, maior será a adequação na escolha, satisfação, aceitabilidade e continuidade no uso do método anticoncepcional³. Por fim, considerando esses aspectos educativos, é necessária a reorientação da formação dos profissionais da saúde com vistas à humanização da assistência. Nesse sentido, o presente estudo relata a experiência de aulas práticas realizadas na disciplina de Enfermagem no Cuidado à Mulher, ao Adolescente e à Criança, durante o sexto semestre do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Nelas foram vivenciadas atividades de educação em saúde voltadas ao planejamento familiar/reprodutivo; atividade essa desenvolvida em caráter contínuo na UBS Kennedy, Santa Maria/RS, por docentes e acadêmicos do Curso de Enfermagem/UFSM. Objetivo: Descrever a experiência de acadêmicas de enfermagem no acompanhamento e realização de rodas de conversa, como instrumento de educação em saúde, com foco no planejamento familiar/reprodutivo. Metologia: Durante os encontros às quartas-feiras pela manhã, é utilizada metodologia das rodas de conversa, que baseia-se na proposta dos círculos de cultura de Paulo Freire, a partir da qual, a roda é mais do que a disposição física (circular) dos participantes, mas uma postura ética frente à produção do conhecimento, compreendido como uma produção social, a partir das negociações entre sujeitos críticos e reflexivos, posto que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou sua construção4. Neste espaço dialógico, portanto, é possível estimular o protagonismo por meio da possibilidade de ser sujeito em ações que dizem respeito à saúde e bem estar de usuárias e suas famílias. Resultados: Durante os encontros são realizadas rodas de conversa para atendimento das demandas, destacando a prevalência de mulheres à procura dos métodos anticoncepcionais. Considerando a fase de reforma física que vive a unidade atualmente, a sala onde os encontros se realizam é pequena possibilitando o atendimento de quatro a seis pessoas de cada vez. Mesmo assim, as cadeiras são dispostas em círculo, e os participantes convidados a se inserirem à medida que chegam à sala. Suas posições no círculo são intercaladas para que estudantes e usuários fiquem mais próximos e como forma de propiciar a troca de saberes de maneira horizontal. Para auxiliar no processo educativo, são disponibilizados materiais como uma caixa contendo exemplares da maioria dos métodos contraceptivos, folders contendo informações sobre autoexame das mamas, a mamamiga, álbum seriado com informações sobre planejamento familiar, figuras e quadros sobre anatomia e fisiologia reprodutiva feminina e masculina, entre outros. O diálogo se inicia de acordo com as necessidades e contexto trazidos pelas usuárias. A abordagem é centrada no sujeito, respeitando suas experiências e conhecimentos, permitindo a troca de saberes sobre sexualidade, reprodução, métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis, prevenção de câncer de colo de útero e de câncer de mama, cuidado de si, questões de gênero, violência doméstica, autonomia, empoderamento, controle social, cidadania e sobre os fatores socioeconômicos e culturais que influenciam nessas questões. Conclusões: As aulas práticas no âmbito do planejamento familiar se caracterizam como uma oportunidade única, em que a aprendizagem se dá de forma significativa, pois o aprender e o educar se relacionam com a vida dos sujeitos, permitindo ampliar a compreensão sobre os assuntos tratados de acordo com o contexto vivenciado. É, também, um espaço significativo de reflexão pessoal aos próprios alunos do Curso de Enfermagem, contribuindo para a formação crítica orientada à busca da equidade das políticas públicas de saúde, oportunizando o trabalho em equipe e com grupos. Permite, ainda, ampliar e aprofundar conhecimentos temáticos e metodológicos, conduzindo ao despertar da consciência crítica dos envolvidos. REFERÊNCIAS: Ministério da Saúde; Cadernos de Atenção Básica, n 26 - Saúde Sexual e Reprodutiva; Brasília; Ministério da Saúde; 2010. BRASIL. Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996.; Regula o § 7º do art. 226 da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar, estabelece penalidades e dá outras providências.; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9263.htm; abril - 2012. CAMIA, Gislaine E Kuahara ; MARIN, Heimar de Fátima; BARBIERI, Márcia.; Diagnósticos de enfermagem em mulheres que freqüentam serviço de planejamento familiar.; Revista Latino - Americana de Enfermagem; v. 9, n. 2; 26-34; 2001. BARRETO, Vera; Paulo Freire Para Educadores; São Paulo; Arte & Ciencia; 2004.