AGREGADOS DE P.R.F.C.´´s P.R.F.C. INDIVIDUALIZADOS - Protocolo Clínico Piloto - In Vitro - Carvalho de Sousa, N. 2003 AGREGADOS DE P.R.F.C.´s INDIVIDUALIZADOS - Protocolo Clí Clínico In Vitro - RESUMO A utilizaç utilização de materiais osteocondutores e osteoindutores em cirurgia oral, apesar da evoluç evolução contí contínua na sua biocompatibilidade e té técnicas de utilizaç utilização, permanece um acto clí clí nico dispendioso, tanto para o profissional como para o doente, que nem sempre proporciona os melhores melhores resultados5,8,27. A utilizaç utilização do plasma rico em factores de crescimento (P.R.F.C.’ (P.R.F.C.’s) tem vindo a assumir contornos nos últimos anos3 pois permite obter concentrados plaquetá plaquetários osteoindutores bem como membranas26 de fibrina autó autóloga20,25 com custo simbó simbólico e baixo risco de rejeiç rejeição9,29,32. ApresentamApresentam-se dois protocolos prá práticos de elaboraç elaboração de agregados de fibrina projectados para defeitos ósseos individuais durante o procedimento cirú cirúrgico de forma a minimizar interfaces entre a loca e o material de preenchimento e/ou entre as diversas camadas de material material de preenchimento utilizadas. A adição de cálcio, efectuada com pipeta de 50 ml, promoveu, como descrito anteriormente, a formação de fibrina polimérica1 e levou à constituição de um agregado, resiliente e de coloração amarelada, em 3 a 4 minutos28 (Fig. 10 e 23). 11 12 13 15 14 18 17 16 PROCEDIMENTO CLÍNICO Legenda: Molde para agregado plaquetário pela Técnica Indirecta (11-14) e pela Técnica Directa (15-18). Foram mimetizados quatro defeitos ósseos in vitro (n=4) em mandíbula de porco com diversas formas pretendendo simular locas ósseas pós-cirurgia ou defeitos ósseos patológicos (Fig. 20, 22, 25 e 28). Elaboraram-se então 4 agregados plasmáticos correspondentes segundo o protocolo standard de utilização de P.R.G.F.’s 28 : Efectuou-se extração 24, a partir do arco venoso dorsal (Fig. 1), de 27 ml de sangue a um único dador sem patologias associadas10 (Terumoâ 0,8x19mm 21G 12” 30cm MNSV21; Lot.0107003). Cada tubo de recolha (Venojectâ 13x75mm- Lot.0110026) contém citrato de sódio como agente anticoagulante (Fig. 2-A). A necessidade de um anticoagulante deve-se ao facto de existirem iões cálcio livres (Ca2+) e indutores de coagulação sanguínea. O Ca2+ é, em Hematologia, o factor IV da cascata da coagulação (usualmente mencionado como cofactor ou apenas Cálcio) onde actua sobre a via extrinseca e via comum activando os profactores XI em XIa (PTA), IX em IXa (Cristmas ou PTC), X em Xa (Stuart-Prower) e Protrombina (II) em Trombina (IIa). Como se sabe a Trombina activa o factor XIII em XIIIa e o Fibrinogénio em monómeros de fibrina com posterior agregação polimérica “cross-link” 13 (Fig. 6) . 1 CARVALHO DE SOUSA, N. A activação deve ser efectuada nos tubos (Fig. 10) de forma ao conteúdo poder ser suavemente agitado e o coagulante homogeneizado. Vaza-se o conteúdo ainda não coagulado para os moldes feitos (Fig. 18) e espera-se cerca de 6-7 minutos até se obter uma consistência final manuseável (Fig. 26 e 29). O produto obtido pode ainda ser aquecido a 37ºC obtendo-se retração do coágulo formando um agregado de fibrina autóloga (Fig. 19) com muito maior resistência e elasticidade sendo o restante procedimento idêntico ao descrito. Em casos com maior extensão e/ou com perda de paredes ósseas de suporte recomendamos a utilização de osso autólogo em conjunto com os agregados plaquetários22,23 (Fig. 27 e 30). 19 21 3 A B Z ona mais pobre Z ona média Z ona mais rica Série branca 20 Série vermelha 2 5 4 Legenda: Fig 1 - Extração de sangue a partir do Arco Venoso Dorsal; Fig. 2 - Tubos utilizados na elaboração de P.R.G.F.’s: A – Tubo de recolha de sangue com agente anticoagulante B- Tubo para colocação do plasma pipetado Fig. 3 - Centrifugadora com tubos colocados e peso correctamente distribuído; Fig. 4 - Separação esperada após centrifugação do sangue Fig. 5 - Aspecto dos tubos pós-extracção (4,5 ml por tubo) Fig. 6 – Esquema geral da Cascata da Coagulação (in Harpers Biochemistry13 ). Legenda: Fig. 19 – Tampão Fibrina; Fig. 20 - Loca pós-cirurgia endodôntica (simulação); Fig. 21 - Aspecto pós-colocação. 4 23 6 O citrato de sódio capta os iões Ca2+ livres evitando a coagulação prévia à sua centrifugação e pipetagem sem alterar os receptores membranários plaquetares 13. As amostras sanguíneas foram centrifugadas18 (Mod. PRGF – GAC Medicale) durante 7 minutos a 280G de velocidade de centrifugação (1800 r.p.m. ) (Fig. 3) . 24 22 Legenda: Fig. 22 – Alvéolo pós-extracção; Fig. 23 - Agregado a utilizar; Fig. 24 - Aspecto pós-colocação. 26 A pipetagem foi efectuada de acordo com as normas do fabricante tendo o plasma sido separado em 3 partes distintas das quais apenas se utilizaram as duas porções mais ricas em factores de crescimento (Figura 8 - letras A e B). 7 Legenda: Fig. 7 - Tubos de 8 A B C recolha de sangue após centrifugação; Fig. 8 - Após pipetagem obtem-se tubos (A,B,eC) de PRGF. O tubo C representa a porção mais pobre nestes factores; Fig. 9 Ampola com o agente agregante; Fig. 10 - Efeito do agente agregante após 4 min. 9 25 27 Legenda: Fig. 25 – Defeito por perimplantite (simulação); Fig. 26 - Agregado a utilizar; Fig. 27 - Aspecto pós-colocação. 28 10 Antes de induzirmos a agregação plaquetária necessitamos de reproduzir a loca a preencher. Existem dois métodos mais simples por nós utilizados : O primeiro consiste na replicação a cera (Fig. 11-14) da zona a remover sobre modelos de estudo onde se projectou e desenhou previamente a estimativa das dimensões da loca final. O resultado é menos fiável mas pode efectuar-se uma mais fácil coordenação entre a elaboração de PRGF´s e a sua aplicação na cirurgia. O segundo, mais fiável, consiste na moldagem com papel de alumínio esterilizado dos bordos ossos da loca final. Tal implica um compasso de espera na cirurgia e que corresponde ao processo de elaboração do agregado plaquetário. Tomados os moldes e separadas as fracções plasmáticas (Fig. 8) procederemos à sua activação através da adição de 0,05 cc (50 ml) de cloreto de cálcio a 10% (Fig. 9) por 1cc de plasma. Em casos de locas ósseas retentivas, existe a inevitável necessidade de proceder ao seu preenchimento em dois tempos28, sendo estes protocolos apenas utilizados para a camada superficial. As zonas mais profundas serão prenchidas com aglomerado pré-formado nos tubos onde o agregante foi adicionado (Fig. 10). QUISTO EXTENSO 29 30 Legenda: Fig. 28 – Defeito por enucleação quística (simulação); Fig.29 - Agregado a utilizar; Fig. 30 - Aspecto pós-colocação. CONCLUSÃO Uma vez comprovados os benefícios da utilização dos PRFC’s 9,11,20,24,31 o último passo, a possibilidade de criação de agregados individualizados aos defeitos ósseos, mostrava-se como algo necessário. Ambas as técnicas são viáveis na elaboração destes agregados sendo a Técnica Indirecta menos precisa mas favorável em timming cirúrgico. A Técnica Directa, embora consuma tempo de cirúrgia que equivale ao tempo entre o fim do acto médico e o início de agregação plasmática induzida, é sem dúvida mais precisa. Recomendamos o protocolo directo. 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