XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento
De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG
ÍNDICE DE PERDAS NAS UNIDADES DE SALVADOR E A RELAÇÃO
COM O ÍNDICE DE HIDROMETRAÇÃO
Catarina Martins Rosa(1)
Graduanda em Engenharia Ambiental e Sanitária pela Universidade Salvador (UNIFACS).
Endereço(1): Rua Doutor Mário Rego dos Santos, n° 390 / apt° 203 - Vila-Laura - Salvador - Bahia
- CEP: 40270-200 - Brasil - Tel: +55 (71) 9183-9609 - e-mail: [email protected].
RESUMO
O artigo presente tem como objetivo calcular os índices de perdas percentual anuais de água no
sistema de abastecimento das quatro unidades metropolitanas da cidade de Salvador, a partir de
seus volumes do processo de distribuição e calcular também os índices de hidrometração. E, a
partir desses resultados, observar o comportamento dos índices calculados e a relação entre eles
durante os anos de 2005 a 2013. Com a análise foi possível classificar os sistemas como Bom,
Regular ou Ruim, onde se concluiu que nenhum sistema de abastecimento analisado foi
classificado como Bom. Através dos resultados alcançados e análise dos dados fica evidente a
necessidade do setor de abastecimento de água em controlar as perdas de água decorrentes do
seu sistema.
Para análise dos dados foi testado, no software Statistica 9.0, se as diferenças dos valores de
índice de Perdas Percentual e Índice de Hidrometração eram significativas. O resultado
apresentado pelo software expressa que há diferença estatística significativa, mostrando que
existe relação dos resultados de Índices avaliados.
Palavras-chave: Perdas de Água, Sistema de Abastecimento, Hidrometração.
INTRODUÇÃO/OBJETIVOS
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Segundo a SNIS (2012), a perda de água no Brasil representa em média 40% do total de água
ofertada pelo setor de abastecimento de água, caracterizando-o como um dos setores mais
problemático do país. Esse desperdício tem provocado a escassez de água e poluição de
recursos hídricos, que limita o desenvolvimento dos recursos naturais e econômico.
Esse elevado percentual implica em sérios prejuízos ambientais na busca por novos mananciais
para suprir as necessidades do uso da água e prejuízos econômicos, diminuindo a receita da
empresa responsável pelo abastecimento de água (TSUTYIA, 2005).
A ameaça aos recursos hídricos surgiu com o crescimento urbano desenfreado e das mudanças
comportamentais da população que acelerou o processo de degradação do recurso hídrico e
contribuiu com a escassez. Dessa forma, os programas de combate a perdas têm sido cada vez
mais importantes para a gestão ambiental, já que a água é um bem natural finito (MAGALHÃES,
2001).
O sistema de abastecimento de água deve cumprir metas de universalização, porém ocorrem
perdas desde a captação do recurso nos mananciais até o seu destino final (usuário), que podem
ser causadas por deficiência na operação, na manutenção das redes e a até por problemas na
gestão comercial (TSUTYIA, 2005).
Diante disso, as empresas de saneamento estão diretamente envolvidas nesta problemática e tem
o desafio de combater as perdas de água e racionar o volume consumido, de modo a suprir a
demanda crescente, sem necessitar aumentar a exploração e degradação dos mananciais de
maneira insustentável (PIECHNICKI, 2011).
Segundo Gonçalves (1998, apud SÁ, 2007), na América do Norte e na Europa há grandes
investimentos em programas de controle de perdas. No Brasil há tentativas de implementação de
programas, mas são mais difíceis em ser efetivos por carência na sistematização e
operacionalização de programas do controle de perdas.
Conforme a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA), os índices de perdas estão
diretamente associados à qualidade da infraestrutura e da gestão dos sistemas. Para explicar a
existência de perdas de água em patamares acima do aceitável, algumas hipóteses podem ser
levantadas, tais como: falhas na detecção de vazamentos; redes de distribuição funcionando com
pressões muito altas; problemas na qualidade da operação dos sistemas; dificuldades no controle
das ligações clandestinas e na aferição/calibração dos hidrômetros; ausência de programa de
monitoramento de perdas; dentre outras hipóteses (BRASIL, 2012).
O índice de perdas de água também se relaciona ao índice de hidrometração, que se refere às
ligações de águas medidas pelo total de ligações de água e com o volume de água micro-medido,
que consiste no volume médio de água apurado pelos medidores de vazão instalados nos ramais
prediais. Neste contexto, torna-se importante a análise no que se refere à Região Metropolitana de
Salvador.
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O artigo presente tem como objetivo calcular os índices de perdas percentual anuais de água no
sistema de abastecimento das quatro Unidades metropolitanas da cidade de Salvador a partir de
seus volumes do processo de distribuição e calcular também os índices de hidrometração. E, a
partir desses resultados, observar o comportamento dos índices calculados e a relação entre eles
durante os anos de 2005 a 2013. Esta análise será feita com base nos dados coletados na
empresa de abastecimento de água no Estado da Bahia e pesquisa bibliográfica.
Perda de Água
No sistema de abastecimento de água a quantificação e representação dos usos da água desde a
captação do recurso hídrico até o usuário final são feitos através do Balanço Hídrico (TSUTYIA,
2005). Esta é uma das melhores ferramentas para o gerenciamento de perdas de água no
sistema, segundo o Ministério das Cidades (2006, apud SÁ, 2007).
A perda de água é conceituada como a diferença entre a água de entrada do sistema e o
consumo autorizado e em cada caso é calculada conforme as etapas do sistema de
abastecimento de água, segundo Miranda (2002) apud SÁ (2007). As perdas no sistema de
abastecimento podem ocorrer na produção com as fases de captação até a estação de tratamento
e podem ocorrer também no momento da distribuição da água já tratada, podendo ser divididas
em Reais ou Aparentes.
As Perdas podem ser classificadas de duas formas: as Perdas Reais ou Perdas Aparentes. As
Perdas Reais ou Físicas são as que ocorrem quando há rompimentos e fissuras de tubulação e
extravasamento de reservatórios ao longo da rede de distribuição, limitando-se até a ligação
predial. Miranda (2002, apud SÁ, 2007) cita que esses problemas são provenientes da ineficiência
dos equipamentos, da operação e da falta de manutenção do sistema, com tubulações de água
envelhecidas.
Já as Perdas Aparentes contabilizam todas as irregularidades nas medições de água produzida e
consumida, além de erros no cadastro dos sistemas e de ligações fraudadas. Essas perdas
também são chamadas de não-físicas ou comerciais.
Indicador de Perda Percentual de Volume
Para analisar o desempenho do setor de saneamento são utilizados indicadores procurando
destacar aspectos importantes da oferta, dos custos e das receitas dos serviços prestados (SNIS,
2005).
Os Indicadores de Perdas devem fornecer segurança quanto aos seus resultados,
permitindo a análise do comportamento de diferentes sistemas para tomada de decisões e o
monitoramento das ações. Para medir de forma quantitativa a gestão da empresa de
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abastecimento e o nível de serviço, são utilizados os Indicadores de Perdas Percentual onde,
através deles é possível analisar a evolução das perdas de água, realizar comparações de
sistemas de abastecimento e definir ações de controle. Além de ser um indicador expresso em
porcentagem, o que facilita a sua compreensão. (SOBRINHO, 2012).
Segundo a IWA (2006 apud SÁ, 2007), o indicador de perdas percentual (Equação 1) está
classificado como de nível básico, sendo exigido por todos os sistemas, fornecendo uma síntese
da eficiência do operador.
IP = Vol. Ofertado – Vol. Faturado x 100(%) (1)
Volume Ofertado
O volume Ofertado, segundo Côellho (2001), é aquele resultante da soma dos volumes
produzidos, exportados e importados que foram disponíveis para a rede de distribuição de água e
o Volume Faturado são os volumes de água que foram faturados pelo sistema comercial da
concessionária.
Segundo Sá (2007), o Programa de Controle de Redução de Perdas deve trabalhar na subdivisão
do sistema para a execução do diagnóstico no sentido de facilitar e orientar ações corretivas e
preventivas. Junto a isso é necessário um investimento na macromedição e micromedição para o
monitoramento dos volumes do sistema. O cadastro técnico e cadastro de consumidores também
são muito importantes para a modernização da empresa e para o controle e combate das perdas.
Assim, a macromedição mede as vazões desde o processo de captação da água bruta até antes
do ponto de abastecimento do usuário, ou seja, até a extremidade de jusante da rede de
distribuição (BRASIL, 2012). A medição da quantidade de água fornecida a uma instalação predial
pela rede distribuição é chamada de micromedição (Tsutyia, 2005).
A Micromedição
A falta da micromedição é um dos fatores que influenciam nas perdas aparentes, já que é
comprovado o desperdício de água causado por usuários que não possuem a instalação do
medidor. Os equipamentos de medição não medem a vazão diretamente, mas sim através da
relação entre a velocidade do fluído e área da seção transversal da tubulação ou da relação entre
o volume e tempo. Dessa forma, a imprecisão do equipamento pode ser consequência de
qualquer equívoco em um desses fatores (BRASIL, 2007). No caso da micromedição as falhas
ocorrem quando o hidrômetro subdimensiona medidas, quando seu funcionamento está parado,
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ou possui tempo de instalação superior ao recomendado para a sua eficácia e
quando há
impedimentos na leitura dos hidrômetros.
Segundo TSUTYIA (2005) o hidrômetro tem como função medir continuamente o volume de água
que o atravessa. Os hidrômetros velocimétricos mono e multijatos são os mais utilizados
normalmente, com vazões nominais de 1,5 e 3,0 m³/h. Vinculado ao nível tecnológico do medidor
também tem a classe metrológica: Classe A, Classe B e Classe C com níveis precisão
respectivamente crescente.
A escolha dos hidrômetros deve ser levado em consideração as condições de trabalho para as
quais o medidor foi projetado, observando a qualidade da água, a temperatura e pressão da água,
as vazões de consumo e as condições de instalação, segundo Alves (1999, apud SÁ, 2007).
Através da medição do hidrômetro é possível analisar o faturamento e a regulação do consumo de
água tratada além de determinar o faturamento do esgoto, pois se relaciona com o consumo da
água (SANTOS, 2013). Sendo assim, O Índice de hidrometração (Equação 2) expressa em
porcentagem as ligações cadastradas ativas com medidores em relação a quantidade de ligações
cadastradas e ativas totais, sendo hidrometradas ou não (LEÃO, 2007).
IH = Ligações Faturadas Medidas x 100(%) (2)
Ligações Faturadas Totais
As Unidades Metropolitanas
As Unidades Metropolitanas em estudo situam-se na Região Metropolitana de Salvador e são
divididas em setores de abastecimento, para melhor gerenciamento das suas atividades e controle
de perdas. São as quatro principais: Unidade da Federação (UMF), Unidade do Cabula (UML),
Unidade da Bolandeira (UMB) e a Unidade de Pirajá (UMJ), conforme Figura 1.
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N
Simões
Filho
Lauro de
Freitas
Figura 1 - Unidades Metropolitanas (UMF, UML, UMB e UMJ).
A UMB compreende a partir do bairro da Pituba, seguindo pelo litoral até o bairro de Stella Maris,
sudeste e nordeste da península da Região Metropolitana. A UMF está mais ao sudoeste,
começando pelo bairro do Comércio e descendo pela costa até o bairro da Amaralina. A unidade
do Cabula está localizada mais a Oeste da península e se estendendo pelo “miolo” de Salvador,
começando pela Cidade Baixa e entrando pela península até os bairros de Pernambués, Cabula,
Arenoso, dentre outros. A unidade de Pirajá, a maior e mais populosa, se localiza mais ao norte,
contendo bairros como Paripe, Plataforma, São Rafael, Trobogy, Boca da Mata e Fazenda
Grande.
METODOLOGIA
Este trabalho possui caráter quantitativo sendo elaborado em cima de dados disponibilizados pela
Empresa responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário da Bahia através da
consulta ao Sistema de Informações de Controle Operacional de Água e Esgoto (COPAE). Esses
dados estão apresentados em forma de tabelas e gráfico para melhor análise e explanação das
informações.
Inicialmente para alcançar os objetivos do artigo foram analisados os volumes de água envolvidos
no sistema de abastecimento de água de cada unidade metropolitana e depois calculados os
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índices de perdas percentual anuais (fórmula 1). Foram calculados os índices de perdas para os
anos de 2005, 2008, 2010, 2011, 2012 e 2013. Para a utilização da fórmula foi necessário calcular
as Águas Não Faturadas (ANF). A partir dos resultados foi possível comparar o desempenho das
perdas dos sistemas ao longo dos anos citados.
É importante informar que só foram coletados dados a partir do ano de 2005, pois só a partir dele
que o COPAE disponibiliza informações.
A Figura 2 apresenta um esquema simplificado da metodologia utilizada:
Cálculo Índice de Perdas
Cálculo de Índice de
Relacionar os Índices de
Percentual anual cada
Hidrometração das
Perdas Percentual com o
Unidade ao longo dos
unidades ao longo dos
Índice de Hidrometração
anos
anos
Figura 2: Fluxo da metodologia.
Os volumes do sistema de abastecimento de água das quatro Unidades Metropolitanas de
Salvador durante os anos: 2005, 2008, 2010, 2011, 2012 e 2013 são apresentadas nas Tabelas 1,
2, 3, 4, 5 e 6 a seguir e disponibilizados pelo COPAE .
Tabela 1 - Volumes do Sistema de Abastecimento das unidades Regionais de Salvador no
ano de 2005
UR
UMF
UML
UMB
UMJ
Volume (m³)
Período
Ofertado
Micromedido Estimado Recuperado
Operacional
Especial
Faturado
Trimestre
15.117.409 8.271.875
312.324
0
17.839
50.662
9.218.869
Anual
73.349.725 32.909.626
851.059
0
54.231
198.184
36.131.177
Trimestre
15.267.264 6.193.909
845.273
86.303
8.444
155.720
7.489.898
Anual
59.922.188 24.549.967
3.336.679 169.574
17.877
558.545
29.558.761
Trimestre
18.839.307 10.087.696
1.254.937 589.028
318.045
976.953
11.697.141
Anual
75.561.661 39.403.553
4.096.024 1.802.022
961.215
3.190.069 45.027.792
Trimestre
16.652.653 5.909.760
1.882.034 0
13.098
1.218.382 7.949.466
Anual
66.896.230 23.359.733
7.374.522 0
78.264
4.680.468 31.163.179
Tabela 2 – Volumes do Sistema de Abastecimento das unidades Regionais de Salvador no
ano de 2008
Volume (m³)
UR
Período
Ofertado
Micromedido Estimado Recuperado
Operacional
Especial
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Faturado
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UMF
UML
UMB
UMJ
Trimestre
14.241.113 8.118.183
343.818
0
49.957
420.012
Anual
57.003.780 32.552.960
1.499.705
86
187.110
1.076.325 36.572.422
9.131.155
Trimestre
16.824.133 6.553.307
1.096.463
9.127
3.920
252.094
Anual
67.434.943 25.627.111
4.289.662
13.588
14.878
1.941.363 31.710.110
Trimestre
18.915.985 10.249.977
1.268.599
670.320
427.521
712.459
Anual
75.889.206 40.826.679
5.445.201
2.321.688
1.739.686
2.922.456 47.973.712
Trimestre
16.950.181 6.013.450
2.283.204
0
4.021
751.790
Anual
69.462.949 23.675.749
8.863.990
0
14.160
2.350.432 32.989.797
8.101.263
12.014.850
8.428.805
Tabela 3 – Volumes do Sistema de Abastecimento das unidades Regionais de Salvador no
ano de 2010
Volume (m³)
UR
Período
UMF
UML
UMB
UMJ
Ofertado
Micromedido Estimado Recuperado
Operacional
Especial
Trimestre 13.618.378
8.367.138
282.536
669
46.893
536.426
Anual
34.387.767
965.093
669
201.071
1.891.882 39.086.263
Trimestre 17.356.897
7.129.351
974.856
232
10.511
208.714
Anual
66.204.008
28.857.828
3.828.374 7.681
41.913
1.020.630 35.443.227
Trimestre 19.101.262
10.555.449
973.612
436.641
706.510
Anual
41.734.141
3.879.929 2.266.320
1.893.000
2.881.099 48.403.625
Trimestre 19.819.024
7.629.259
2.362.003 3.395
19.537
1.894.667 10.412.447
Anual
30.901.448
9.689.134 37.897
61.957
7.084.041 41.641.479
55.498.391
78.205.329
80.017.299
591.360
Faturado
9.614.557
8.877.321
12.282.000
Tabela 4 – Volumes do Sistema de Abastecimento das unidades Regionais de Salvador no
ano de 2011
Volume (m³)
UR
Período
UMF
UML
UMB
UMJ
Ofertado
Micromedido Estimado Recuperado
252
Operacional
Especial
77.099
712.799
Faturado
Trimestre
17.263.479 9.462.588
316.724
Anual
68.083.416 38.261.216
1.548.296 93.056
740.182
2.521.252 44.464.700
Trimestre
17.014.379 6.833.257
912.304
10.346
297.135
8.705.088
Anual
68.311.102 27.762.435
3.769.076 161.221
41.204
909.437
35.033.721
Trimestre
17.104.812 8.988.768
826.780
135.420
225.141
1.112.195 10.614.887
Anual
67.774.910 36.220.321
3.134.606 344.742
420.540
5.166.515 42.405.404
Trimestre
18.552.026 7.754.689
2.105.648 1.820
6.864
1.764.550 10.537.343
Anual
78.295.357 30.527.084
9.019.539 11.217
41.846
7.403.996 41.792.393
12.316
11.007.748
Tabela 5 – Volumes do Sistema de Abastecimento das unidades Regionais de Salvador no
ano de 2012
UR
Volume (m³)
ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento
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UMF
UML
UMB
UMJ
Período
Ofertado
Micromedido Estimado Recuperado Operacional
Especial
Trimestre
17.255.336
9.088.282
270.678
66.580
762.644
Anual
69.483.998
37.336.291
1.206.464 26.217
206.455
3.052.998 43.524.399
Trimestre
17.432.072
6.757.350
919.663
10.597
380.729
Anual
68.890.505
27.741.312
3.866.502 33.168
42.021
1.123.460 35.428.316
Trimestre
18.368.712
8.948.891
723.965
240.840
116.260
1.119.182 10.721.154
Anual
72.942.938
36.355.525
3.091.884 831.732
645.146
4.535.666 43.118.930
Trimestre
19.372.917
7.923.611
1.426.277 10.290
4.978
1.664.932 10.438.275
Anual
79.577.529
32.342.333
6.821.805 30.625
23.096
6.375.857 42.727.197
2.413
9.576
Faturado
10.684.982
8.762.570
Tabela 6 – Volumes do Sistema de Abastecimento das unidades Regionais de Salvador no
ano de 2013
UR
UMF
UML
UMB
UMJ
Volume (m³)
Período
Ofertado
Micromedido
Estimado
Recuperado
Operacional
Especial
Faturado
Trimestre
17.414.849
8.730.616
208.183
2.591
959.981
788.036
10.364.000
Anual
69.360.876
36.430.035
935.161
27.219
1.212.779
3.166.199
42.743.462
Trimestre
18.028.355
6.690.863
845.763
10.695
11.124
282.467
8.791.026
Anual
71.020.842
27.405.110
3.421.055
33.028
43.901
1.147.672
35.522.629
Trimestre
18.278.355
8.785.813
584.048
54.000
66.113
1.215.863
10.720.585
Anual
73.134.748
36.345.775
2.619.555
344.880
465.399
4.707.678
43.882.238
Trimestre
22.060.296
7.853.972
1.379.977
12.320
6.877
1.531.023
10.499.135
Anual
85.926.337
31.683.201
5.609.430
60.130
44.164
6.280.156
41.950.533
Para o cálculo de índice de perdas percentual é demonstrada anteriormente pela Equação 1,
Tsutyia (2005) recomenda a utilização das Águas Não Faturadas (ANF) ao invés das Não
Contabilizadas (ANC), pois se tratam de sistemas de abastecimento que possuem características
específicas, como consumo “per capita” e a predominância de grandes consumidores.
As Águas Não Faturadas (ANF) são encontradas a partir da diferença entre o Volume Ofertado e
o Volume Faturado. Este é um indicador que expressa um resultado comercial (SOBRINHO,
2012).
O cálculo do volumes das Águas Não Contabilizadas (ANC) é a diferença entre o volume ofertado
anual e os volumes micromedido, estimado, recuperado, o operacional e especial do sistema de
abastecimento de água (SOBRINHO, 2012).
Na tentativa preliminar para uma classificação do sistema, Tsutyia (2005) apresenta uma escala
de valores em relação às perdas, que foi utilizada após o resultado dos cálculos:
Tabela 7 – Classificação do Sistema quanto aos Índices de Perdas Percentual de Água
Índice Total de Perdas
Classificação do Sistema
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9
XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento
De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG
(%)
< 25
Bom
25 - 40
Regular
> 40
Ruim
Para o cálculo do índice de Hidrometração foi utilizada a Equação 2. Procurando relacionar as
Perdas dos Sistemas com o Índice de Hidrometração foi utilizada a quantidade de ligações
faturadas durante o mês ao longo dos anos abordados. O período escolhido para trabalhar os
dados ao longo dos anos foi o mês de dezembro pois é um mês de referência para levantamento
de dados e análise de resultados anuais. Segue a Tabela 8 com o número de Ligações Medidas,
as Ligações Não Medidas e as Ligações Faturadas Totais.
Tabela 8 - Quantidade de Ligações Medidas, Não Medidas e Faturadas Totais.
UR
UMF
UML
UMB
UMJ
Nº Ligações
Nº Ligações Não
Nº Ligações
Medidas
Medidas
Faturadas Totais
2010
83.271
1.494
84.765
2011
93.413
3.259
96.672
2012
92.120
2.442
94.562
2013
93.599
1.273
94.872
2010
133.407
16.399
149.806
2011
135.798
14.757
150.555
2012
139.092
13.909
153.001
2013
142.503
12.374
154.877
2010
110.716
15.972
126.688
2011
102.947
13.299
116.246
2012
107.569
11.777
119.346
2013
112.829
8.341
121.170
2010
150.985
38.769
189.754
2011
166.199
27.342
193.541
2012
164.762
22.305
187.067
2013
169.370
20.475
189.845
Ano
RESULTADOS
ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento
10
XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento
De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG
Buscando a universalização e a eficiência da gestão do saneamento básico no país, o Governo
Federal aprovou a Lei de Saneamento Básico, nº 11.445 de 2007 com o objetivo de regularizar o
setor. A Lei Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico quais devem ser cumpridas
pelos Governos Federal, Estadual e Municipal, além das concessionárias de serviços (SANTOS,
2013).
Conforme o Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos, o índice de perdas na distribuição para
o prestador de serviço do Estado da Bahia é de 37,7 % para o ano de 2012 (BRASIL, 2012).
Para análise dos dados foi testado, no software Statistica 9.0, se as diferenças dos valores de
índice de Perdas Percentual e Índice de Hidrometração eram significativas e o resultado
apresentado pelo software foi de p < 0,05.
Os primeiros cálculos efetuados foram a partir da equação do Índice de Perdas Percentual. Sendo
possível obter valores para comparação ao longo dos anos 2005 a 2013 (Tabela 9), nas Unidades
Metropolitanas de Salvador. Para isso foram calculados inicialmente os valores das Águas Não
Contabilizadas e Não Faturadas.
Tabela 9 – ANC e ANF das regiões Metropolitanas UMF, UML, UMB e UMJ nos anos de 2005
a 2013
Volume (m³)
UR/ANO
UMF
UML
UMB
UMJ
2005
2008
2010
2011
2012
2013
ANC
39.336.625 21687594
18051909 24.919.414 27.655.573 27.589.482
ANF
37.218.548 20431358
16412128 23.618.716 25.959.599 26.117.414
ANC
31.289.546 35.548.341 32.447.572 35.667.729 35.884.042 38.970.076
ANF
30.363.427 35.724.833 30.760.781 33277381 33.262.189 35.498.213
ANC
26.108.778 22.633.496 25.550.840 22.488.186 27.482.985 28.651.461
ANF
30.533.869 27.915.494 29.801.704 25369506 29.824.008 29.252.510
ANC
31.403.243 34.558.618 32.342.822 31.291.675 33.983.813 42.249.256
ANF
35.733.051 36.473.152 38.375.820 36.502.964 36.850.332 43.975.804
Abaixo segue a Tabela 10 com os Índices de Perdas Percentual, utilizando as Águas Não
Contabilizadas (IP1) e os Índices de Perdas Percentual, utilizando as Águas Não Faturadas (IP2),
esse último recomendado a sua utilização.
Tabela 10 – Índices de Perdas Percentual IP1 e IP2 das regiões Metropolitanas UMF, UML,
UMB e UMJ nos anos de 2005 a 2013
Ano
UMF
IP1 (%)
IP2 (%)
UML
IP1 (%)
IP2 (%)
UMB
IP1 (%)
IP2 (%)
UMJ
IP1 (%)
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IP2 (%)
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De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG
2005
53.6
50.7
52.2
50.7
34.5
40.4
46.9
53.4
2008
38.0
35.4
52.7
53.0
29.8
36.8
49.7
52.5
2010
32.5
29.6
40.0
46.5
32.7
38.1
40.4
47.9
2011
36.6
34.7
52.2
48.7
33.2
37.4
40.0
46.6
2012
39.8
37.4
52.1
48.3
37.7
40.9
42.7
46.3
2013
39.8
37.7
54.9
50.0
39.2
40.0
49.2
51.2
IP1- Índice de Perdas utilizando o ANC; IP2 - Índice de Perdas utilizando o ANF.
Foi utilizado o Índice de Perdas Percentual IP2, pois é o mais adequado e foi recomendando por
Tsutyia (2005) se tratando de sistemas de abastecimento distintos, além dos valores de IP 1 e IP 2
não se divergirem muito entre si. Dessa forma, têm-se, na Tabela 11 os valores encontrados.
Tabela 11 – Índices de Perdas IP2 das Unidades
UMF
UML
UMB
UMJ
IP2 (%)
IP2 (%)
IP2 (%)
IP2 (%)
2005
50.7
50.7
40.4
53.4
2008
35.4
53.0
36.8
52.5
2010
29.6
46.5
38.1
47.9
2011
34.7
48.7
37.4
46.6
2012
37.4
48.3
40.9
46.3
2013
37.7
50.0
40.0
51.2
Ano/UR
A Figura 3 demonstra os dados apresentados na Tabela 11 em gráfico.
Figura 3 – Gráfico de Colunas do Índice de Perdas das Unidades Metropolitanas ao longo
dos anos 2005, 2008, 2010, 2011, 2012 e 2013.
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De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG
Através dos resultados dos cálculos dos Índices de Perdas das unidades, durante os anos e
relacionando com a tabela de classificação preliminar dos sistemas de abastecimento foi possível
classificar os sistemas como Bom, Regular ou Ruim.
Sendo assim, a partir da análise dos dados encontrados e dos gráficos de barras da Figura 3,
nenhum sistema de abastecimento analisado foi classificado como Bom. A unidade Metropolitana
da Federação (UMF), no primeiro ano analisado possuía um índice alto, superior 50% e por isso
sendo classificado como Ruim. Nos anos seguintes 2008, 2010, 2011, 2012 e 2013 houve uma
melhora nos números classificando os sistemas como Regular.
As Unidades Metropolitanas do Cabula (UML) e de Pirajá (UMJ) teve seus índices acima dos 40%
ao longo dos anos analisados e assim foram classificados como sistemas de abastecimento Ruim.
Já a Unidade Metropolitana da Bolandeira (UMB) teve seus índices entre 40% ou abaixo em todos
os anos analisados enquadrando como sistema de abastecimento Regular em todos os anos.
Portanto, os sistemas que obteve melhor desempenho em relação ao controle de suas perdas
foram os das Unidades da Federação e da Bolandeira com seus índices de perdas inferiores a
40%.
Abaixo, na Tabela 12 seguem os Índices de Hidrometração mensais das Unidades trabalhadas,
buscando relacionar com os índices de perdas percentual encontrados.
Tabela 12 – Índices de Hidrometração das Unidades
UMF
UML
UMB
UMJ
IH (%)
IH (%)
IH (%)
IH (%)
2010
98,2
89,1
87,4
79,6
2011
96,6
90,2
88,6
85,9
2012
97,4
90,9
90,1
88,1
2013
98,7
92,0
93,1
89,2
Ano/UR
Através do gráfico de barras (Figura 4) pode ser feita a comparação entre os valores de IH ao
longo dos anos.
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Figura 4 – Gráficos de Colunas do Índice de Hidrometração das Unidades Metropolitanas ao
longo dos anos 2010, 2011, 2012 e 2013.
Assim perceber-se que, ao longo dos anos os índices de hidrometração foram crescentes,
havendo apenas um pequeno declínio na UMF. Porém, no último ano de 2013 voltou a crescer e
superar o valor inicial.
DISCUSSÃO
No resultado encontrado na análise dos dados no software Statistica 9.0 onde p < 0,05 mostrou
que a diferença estatística foi significativa mostrando que existe que há relação nos valores dos
Índices de Perdas Percentual e de Hidrometração encontrados.
E a partir da análise dos dados encontrados e dos gráficos de barras dos índices de Perdas
Percentual é possível perceber que nenhum dos sistema de abastecimento analisado foi
classificado como Bom. Os melhores índices de redução de perdas foram nos sistemas de
abastecimento das Unidades da Federação e da Bolandeira com seus índices de perdas inferiores
a 40%. Porém ainda continua sendo um grande problema do setor, pois em média, para cada 100
litros de água ofertado 40 litros de água são perdidos, ou seja, quase metade do total ofertado
(SANTOS, 2013).
Os programas de controle de perdas de água na empresa de saneamento começaram em 1996
buscando diagnosticar as perdas já que na época havia poucos recursos tecnológicos na área
para aplicação direta de estratégias que contribuíssem para diminuição nos números. Em 2003
iniciaram a implantação de novas tecnologias com válvulas redutoras de pressão. No programa de
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2008 houve uma falta de recursos para a manutenção do sistema que foi implantado, dessa forma
percebe-se o reflexo nos números altos e nos gráficos apresentados. Portanto, ao longo dos anos
cresceu o número de programas visando o controle e combate de perdas diante da sua
importância econômica e ambiental (SOBRINHO, 2012).
Mas ainda é necessário melhorias na prestação de serviços, na gestão, nos investimento de
qualificação dos trabalhadores. Os investimentos em ações contínuas de redução e controle de
perdas proporcionam benefícios em curto, médio e longo e prazos (BRASIL, 2012).
Em relação aos Índices de Hidrometração crescente nas unidades ao longo dos anos é notório a
importância das ações de fornecimento sistemático de água ao usuário com cobrança
proporcional ao seu consumo possibilitando benefícios financeiros, técnicos e sociais (CÔELHO,
2011).
CONCLUSÃO
O artigo mostra que os valores dos Índices de Perdas Percentual na Região Metropolitana de
Salvador ainda são altos e dessa forma os sistemas de abastecimento não foram classificados em
momento algum dos anos estudados como bom. Os sistemas de abastecimento das unidades
que tiveram melhor desempenho na redução das perdas foram da Federação (UMF) e da
Bolandeira (UMB) com Índices de Perdas
Percentual abaixo de 40% classificando-os como
sistemas de abastecimento regulares. As unidades do Cabula (UML) e de Pirajá (UMJ)
apresentaram Índices de Perdas Percentual classificando seus sistemas como Ruim na maioria
dos anos analisados.
Os Índices de Hidrometração foram crescentes nas quatro Unidades Metropolitanas durante os
anos analisados (2010, 2011, 2012 e 2013). E a partir da utilização do software Statistica 9.0, foi
apresentado um resultado de p < 0,05 confirmando que a diferença estatística entre o Índice de
Perdas e o Índice de Hidrometração é significante.
As propostas do Governo Federal vêm buscando melhorias no desenvolvimento e crescimento do
setor de saneamento no país, mas para isso é necessário também o envolvimento da sociedade
com a causa. A população, os governantes, representantes das empresas de saneamento, órgãos
reguladores e financiadores devem respeitar e cumprir a legislação, buscando inovar sem perder
o foco na sustentabilidade, aplicando recursos financeiros para resolver problemas públicos
(SANTOS, 2013).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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índice de perdas nas unidades de salvador e a relação com o índice