D O S ES R O AÇ O MA ENDEDORISMO E R P I NC ‘EM LU O O SI Ã I AUTÓ G E E R VO R NO B NA ’ E M ES TU DO S ESTUDO SOBRE O ‘EMPREENDEDORISMO INCLUSIVO’ E MICROCRÉDITO NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES 2014 A ID D E RÉDITO ICROC M A CRESAÇOR - Cooperativa Regional de Economia Solidária, CRL S TU DO O MA D ENDEDORISMO E R P I NC ‘EM LU O O SI Ã I A G U E E T R Ó VO R NO B NA ’ M O ES E A ID D E S RÉDITO ICROC M A ES R O AÇ Ficha Técnica Título Estudo Sobre o ‘Empreendedorismo Inclusivo’ e a Medida Microcrédito na Região Autónoma dos Açores Autores Célia Pereira Filipa Grelo Inésia Pontes Isabel Melo Valter Reis Edição CRESAÇOR – Cooperativa Regional de Economia Solidária, CRL Coordenação Científica Professor José Manuel Henriques – AGECTA Coordenação Técnica Célia Pereira Revisão Diana Diegues CRESAÇOR – Criações Periféricas Edição, design e produção Teresa Pereira da Silva CRESAÇOR – Criações Periféricas Financiamento POAT/FSE Ano 2014 ISBN 978-989-20-5350-9 Depósito Legal Tiragem 500 exemplares Execução Gráfica Nova Gráfica Agradecimentos A realização deste Estudo contou com o apoio e colaboração de diversas entidades e personalidades, sem os quais não teria sido possível a sua concretização, assim cumpre-nos um especial agradecimento: \ Ao Professor José Manuel Henriques (AGECTA) pelo seu apoio, orientação, disponibilidade, pelos saberes partilhados connosco, bem como o incentivo e esclarecimento de dúvidas ao longo da realização deste Estudo; \ Aos Promotores Microcrédito, formandos do curso de empreendedorismo e instituições, pela sua colaboração e participação, pois sem estes não seria possível a realização deste trabalho; \ Aos três organismos do Governo Regional dos Açores, envolvidos na Medida Microcrédito: DRAIC, ISSA e DREQP pela colaboração, autorização e cedência de dados indispensáveis para a execução do estudo; \ Ao Dr. Paulo Ferreira e à D. Ivone Lagoa da DRAIC pelo fornecimento de dados estatísticos e esclarecimentos das nossas dúvidas; \ À Dra. Paula Feliciano do POAT/FSE pelo acompanhamento técnico prestado ao longo destes dois anos de projeto; \ À Direção da CRESAÇOR pela confiança e valorização do nosso trabalho; \ À nossa colega Helena Lagoa que infelizmente não pode presenciar a concretização deste Estudo, mas que esteve presente e contribuiu na fase preparatória dos trabalhos. Índice Enquadramento 12 Parte I – O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores 1. Contexto, Surgimento e Objetivos do MC 20 1.1. O MC nos Açores 23 1.2. Características do MC e alterações legislativas 25 1.3. Agência de Promoção e Apoio ao MC 27 2. Breve Caracterização das Candidaturas 28 2.1. Candidaturas por ilha e áreas de negócio 34 2.2. Caracterização demográfica do MC 38 2.3. Implementação territorial 38 3. Caracterização sócio-económico dos promotores MC alvo de análise 39 3.1. Localização geográfica dos projetos 39 3.2. Áreas de atividade e montantes de investimento 40 3.3. Características dos promotores 42 3.4. Situação anterior à candidatura MC 45 3.5. Perceção dos promotores em relação à elaboração do processo MC 48 3.6. Estratégia Empresarial 49 3.7. Postos de trabalho e rendimentos auferidos 56 3.8. Perspetivas futuras 58 3.9. Avaliação da Medida MC pelos promotores 60 3.10. Impacto da Medida MC nos Açores 63 Parte II – Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Índice dos Anexos 4. Enquadramento e definição da amostra 68 I Decreto Legislativo Regional n.º 25/2006/A 136 5. Caracterização dos inquiridos 69 5.1. Distribuição por sexo 69 II Decreto Legislativo Regional n.º 11/2012/A 138 5.2. Distribuição por classes de idades 70 III Inquérito por questionário “Potencial Empreendedor” 144 5.3. Nacionalidade 71 IV Quadro estatístico do principal motivo 154 5.4. Residência atual – distribuição por ilha 72 5.5. Habilitações literárias 73 5.6. Situação profissional atual 75 5.7. Preferência relativamente à atividade profissional 76 6. Capacitação para o empreendedorismo 79 6.1 Experiência e conhecimento 79 6.2 Conhecimento dos apoios ao empreendedorismo existentes na RAA 81 6.3 Vontade empreendedora 86 6.4 Microcrédito 93 Parte III – Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao ‘Empreendedorismo Inclusivo’ “preferência trabalhar por conta própria” V Quadro estatístico do segundo motivo 155 “preferência trabalhar por conta própria” VI Quadro estatístico do terceiro motivo 156 “preferência trabalhar por conta própria” VII Quadro estatístico do principal motivo 157 “preferência trabalhar por conta de outrém” VIII Quadro estatístico do segundo motivo 158 “preferência trabalhar por conta de outrém” IX Quadro estatístico do terceiro motivo 159 “preferência trabalhar por conta de outrém” 160 7.1 Perceção dos fatores de potenciação e limitação ao empreendedorismo 105 X Tabelas cruzadas das variáveis familiares e/ou amigos com experiência enquanto empresários pela autoperceção dos próprios em relação às suas competências 7.2 Características potenciadoras e limitadoras por ilha 107 XI Frequência do curso de formação em empreendedorismo 161 8 Reconhecimento da Medida MC enquanto ferramenta para o ‘Empreendedorismo Inclusivo’ 118 XII Listagem de apoios ao empreendedorismo inclusivo existentes na RAA 161 7 Breve Caracterização das Instituições Inquiridas e dos apoios prestados 100 Parte IV – Conclusões e Recomendações 9 Conclusões 124 10 Sugestões de aperfeiçoamento futuro 128 11 Referências Bibliográficas 132 Siglas AQE: Agência para a Qualificação e Emprego Agência MC: Agência do Microcrédito (operacionalizada pela CRESAÇOR) CRESAÇOR: Cooperativa Regional de Economia Solidária, CRL CE: Centro de Empreendedorismo UAç: Universidade dos Açores MC: Microcrédito RAA: Região Autónoma dos Açores GA: Governo dos Açores DRAIC: Direção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade DREQP: Direção Regional do Emprego e Qualificação Profissional ISSA: Instituto de Segurança Social dos Açores (antigo IAS: Instituto de Ação Social) ANDC: Associação Nacional de Direito ao Crédito IC: Instituição de Crédito AM: Agente do Microcrédito DRSSS: Direção Regional da Solidariedade e Segurança Social ILE: Iniciativas Locais de Emprego Enquadramento Enquadramento A 12 CRESAÇOR – Cooperativa Regional de Economia Solidária, CRL constituída, em 1999, no âmbito do Projeto de Luta Contra a Pobreza (IDEIA), tem como território de intervenção a Região Autónoma dos Açores e assume como missão a promoção do movimento de economia solidária nos Açores. Representa a Rede de Economia Solidária da Região, norteando-se pelos princípios de uma economia solidária que se propõe responder aos desafios do século XXI como o desemprego, a pobreza e exclusão social, a multiculturalidade e a coesão territorial. Através da articulação das atividades económicas, da coesão social, do respeito pelo meio ambiente, da valorização da diversidade cultural e de uma boa governança para uma gestão eficiente, assume o território como um todo, potenciando o desenvolvimento local. A elaboração do presente estudo sobre o ‘Empreendedorismo Inclusivo’ e a Medida Microcrédito na Região Autónoma dos Açores constitui uma atividade extraordinária no âmbito do Plano de Atividades da Cresaçor para 2013/2014. Enquadra-se na atividade do Gabinete de Empreendedorismo e Microcrédito Bancário e tem como objetivo principal aprofundar o conhecimento sobre o alcance e limitações do ‘Empreendedorismo Inclusivo’ e da sua importância no processo de promoção da inclusão social. A sua elaboração surgiu da necessidade de criar mecanismos de intervenção direcionados para o público-alvo e uma ferramenta de trabalho para a valência, existindo de igual modo a possibilidade do produto e resultados deste estudo serem também úteis para várias instituições, entidades e organizações envolvidas na temática. Desde 2006 que a Cresaçor, através do Gabinete de Empreendedorismo Social e Microcrédito Bancário, constituído por uma equipa multidisciplinar e descentralizada, procura apoiar os promotores e promotoras de pequenos negócios nas candidaturas à Medida Microcrédito e em simultâneo fomentar o empreendedorismo, nas suas diversas dimensões, assegurando a animação da Medida e o apoio técnico dos projetos. Os promotores e promotoras são essencialmente provenientes de Enquadramento grupos populacionais desfavorecidos a nível socioeconómico, quer sejam, desempregados de longa duração, beneficiários de RSI , pessoas com problemas de dependências, ex-reclusos, imigrantes, isto é, indivíduos com dificuldades de inserção social quer devido a um desses fatores estigmatizantes, quer ainda por terem reduzidos níveis de qualificações escolares e profissionais. É importante referir que o crescimento recente do desemprego alterou o perfil dos candidatos a esta medida, notando-se desde o início de 2012, a entrada de candidaturas de indivíduos com habilitações mais elevadas, nomeadamente daqueles que possuem um grau de ensino profissional e licenciatura. Considerando que o ‘crescimento inclusivo’ é uma das dimensões de destaque dos vetores fundamentais de crescimento, pela Estratégia Europa 2020 , em consonância com os objetivos económicos do Governo Português e do Governo Regional dos Açores, há que avaliar em que medida estas ferramentas de ‘crescimento inclusivo’, como é caso da promoção do ‘empreendedorismo inclusivo’ e apoio à criação do próprio emprego, estão de facto a desenvolver o potencial dos cidadãos em situação de maior desfavorecimento para a criação do autoemprego. A OCDE define empreendedores “como aquelas pessoas (empresários) que procuram gerar valor através da criação ou expansão de uma atividade económica, através da identificação e exploração de novos produtos, processos ou mercados.”1. A atividade empreendedora é definida, também por esta Organização, como “a ação empreendedora humana de prossecução da criação de valor, através da criação ou expansão da atividade económica, pela identificação e exploração de novos produtos, processos ou mercados.”2 Não obstante ambos os conceitos estarem associados a uma participação proactiva e dinâmica dos indivíduos nas atividades económicas, é a sua orientação para a autonomização, tanto a nível dos objetivos como dos destinatários, que encontramos a diferença entre OECD/Eurostat (2006). Entrepreneurship Indicators Programme. Pág. 20. Em: http://www.oecd.org/ 1 std/business-stats/theentrepreneurshipindicatorsprogrammeeipbackgroundinformation.htm Idem, ibid. 2 13 Enquadramento 14 o empreendedorismo ‘convencional’ e o ‘Empreendedorismo Inclusivo’. A principal finalidade é a saída do empreendedor de uma situação de vulnerabilidade sócio-económica, através da criação do próprio emprego, o que não afasta a necessidade de viabilidade económica destas iniciativas, que deverão pelo menos, igualar a remuneração destes indivíduos ao salário mínimo em vigor. As políticas para o ‘empreendedorismo inclusivo’ objetivam “apoiar pessoas que estão em situação de desfavorecimento ou sub-representadas no empreendedorismo a tornarem-se donos de um negócio ou a criarem o seu próprio emprego”3 logo, percebemos o potencial inclusivo que esta vertente do empreendedorismo também assume, especificando-se os seguintes destinatários “…jovens, idosos, mulheres, deficientes, ex-presidiários, minorias étnicas e desempregados…”4. Ao contrário dos empreendedores convencionais, a proatividade, competências e dinâmicas pessoais canalizadas para a criação de um negócio não são suscetíveis de aparecer espontaneamente entre os grupos-alvo do ‘empreendedorismo inclusivo’ “A realização do potencial para o “empreendedorismo” formal entre os grupos-alvo pode requerer intensos esforços de animação”5, das atividades de animação podemos destacar “Por exemplo, ações de sensibilização, construção da confiança, formação, coaching, financiamento e apoio com premissas de todos poderem ter de ser aplicados cumulativamente.”6 Considerando o nicho em que as políticas para o ‘empreendedorismo inclusivo’ pretendem atuar, estes empreendedores deparam-se ainda com obstáculos maiores do que os empreendedores convencionais Enquadramento “…o ‘empreendedorismo inclusivo’ requer estratégias de negócio e de gestão adequadas, diferentes das necessidades sentidas pelas pequenas empresas de base tecnológica e capital intensivo.”7 Entre as medidas ativas de promoção do empreendedorismo o microcrédito tem vindo a destacar-se na União Europeia, bem como na Região Autónoma dos Açores, enquanto ferramenta de inclusão económica daqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade. Na Região este é maioritariamente caracterizado pelo apoio à criação do autoemprego e consequentemente como ferramenta de apoio à inclusão sócio-profissional. Apesar de se assistir à importância crescente dada ao empreendedorismo, Portugal encontra-se entre os dez estados membros que gastam menos que 10% do orçamento para incentivo ao mercado de trabalho no âmbito do apoio à criação do próprio emprego, não atingindo sequer os 5%.8 Assim, consideramos ‘empreendedorismo inclusivo’ a ação de criação do próprio emprego por indivíduos que se encontram em pobreza ou exclusão social. Pressupõe-se que esta ação não surge de forma espontânea, e não seria possível sem a existência de “animação” prévia, ou seja sem a existência de um conjunto de ferramentas e instrumentos adaptados às suas características e necessidades específicas (como é o exemplo da Medida Microcrédito). Pretendemos com este Estudo a aferição, análise e avaliação dos seguintes dados: • Retrato da expressão do ‘Empreendedorismo Inclusivo’ nas diferentes Ilhas do Arquipélago: comparar e identificar as motivações dos indivíduos; traçar o perfil e o percurso do ‘empreendedor inclusivo’ açoriano – fatores sócio-demográficos; OECD/European Union (2014). The Missing Entrepreneurs – Policies for inclusive entrepreneurship in Europe, OECD Publishing, Pág. 19. 3 OECD/European Union (2013). Policy Brief of Evaluations of Inclusive Entrepreneurship Programmes – Entrepreneurial Activities in Europe, Publications Office of European Union, pág. 3. 4 • Identificar os obstáculos e medidas para o empreendedorismo 5 Henriques, José Manuel, et al. (2012). Survey on Business Start-Up infrastructure, Dinamia’CET. Lisboa, pág. 13. 7 OECD/European Union (2013). Policy Brief of Evaluations of Inclusive Entrepreneurship Programmes – Entrepreneurial Activities in Europe, Publications Office of European Union, pág. 4. 8 6 Henriques, José Manuel, et al. (2012). Survey on Business Start-Up infrastructure, Dinamia’CET. Lisboa, pág.37. Cf. OECD/European Union (2014). The Missing Entrepreneurs – Policies for inclusive entrepreneurship in Europe, OECD Publishing, pág. 24. 15 Enquadramento inclusivo na Região: identificar os obstáculos dos indivíduos que pretendem implementar e melhorar um projeto de criação do próprio emprego; identificar as respostas existentes na RAA e compreender a sua adequabilidade às necessidades do empreendedor; • Analisar a dimensão do empreendedorismo inclusivo na RAA: Comparar a despesa pública regional despendida entre os apoios sociais e públicos em risco de exclusão social e os apoios ao empreendedorismo – criação do próprio emprego; compreender a expressão da Medida Microcrédito, enquanto ferramenta de apoio à promoção da igualdade de oportunidades, criação de emprego, e redução das desigualdades sociais, ou seja o seu contributo para o desenvolvimento local. 16 Assim, e com o objetivo primordial de efetuar um estudo rigoroso e tão completo quanto possível, e atingir estes objetivos definiu-se a recolha de informação a cinco níveis: 1. Entrevistas semidiretivas a promotores do MC (promotores cujo processo já passou pelas fases de aprovação e implementação), num total de 39 promotores nestas condições efetuou-se 18 entrevistas (conforme parte I deste estudo); 2. Inquéritos por questionário aos candidatos ao MC e formandos do curso de formação em empreendedorismo da RAA (formandos da Cresaçor de do Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores), isto é, indivíduos que apesar de terem dado este primeiro passo (quer pela via da formação quer pelo MC ) não avançaram imediatamente com a implementação da sua ideia de negócio. Dos 892 indivíduos sinalizados (359 candidatos ao MC e 533 formandos) para a aplicação deste questionário obteve-se resposta de 308 , assim a análise recaiu sobre estes 308 indivíduos (conforme parte II deste documento); 3. Inquéritos por questionário às instituições da Região Autóno- ma dos Açores com o objetivo de analisar e avaliar o potencial Enquadramento da população açoriana para o empreendedorismo; identificação dos obstáculos e facilitadores para o empreendedorismo na região; bem como efetuar um diagnóstico das instituições e equipamentos existentes na RAA ao dispor dos empreendedores. Este inquérito foi aplicado a 54 instituições, no entanto, e conforme Parte III deste estudo, a análise recairá sobre 46 instituições (tendo em conta que não conseguimos efetuar os restantes questionários por indisponibilidade das próprias organizações); 4. Contactos telefónicos recorrendo à metodologia do “Cliente Mistério” visando percecionar o real conhecimento da Medida Microcrédito por parte de diversas entidades com interesse na matéria. Estes contactos foram efetuados às entidades das ilhas onde não existem projetos Microcrédito implementados (Graciosa, São Jorge, Pico, Flores e Corvo). Num universo de 16 instituições apenas não conseguimos estabelecer contacto com duas; 5. Realização de 4 Focus Group, que decorreram nas ilhas de São Miguel, Santa Maria, Terceira e Faial (ilhas com projetos Microcrédito implementados), com o objetivo de recolher dados qualitativos que nos permitissem analisar a perceção do impacto da Medida MC na Região pelos diversos intervenientes (representantes da DRAIC , DREQP , ISSA , das Instituições de Crédito protocoladas com a Medida, das Câmaras Municipais e dos próprios microempresários), bem como recolher sugestões para ultrapassar os obstáculos colocados ao ‘empreendedorismo inclusivo’ e para melhoria do trabalho realizado pela Agência do Microcrédito. A elaboração deste estudo permitirá a recolha e tratamento de informação, da real aplicação das medidas de promoção do ‘empreendedorismo inclusivo’ na Região Açores, de modo a aferir se existe desfasamento entre as ações implementadas e o que os potenciais empreendedores necessitam para o sucesso dos seus projetos. Esperamos, de igual modo, obter uma medição do nível de acesso à 17 Enquadramento 18 informação sobre empreendedorismo nas diferentes ilhas que compõem o arquipélago. Este Estudo poderá ainda ser utilizado como um portefólio cuja aplicação prática se adequará tanto às equipas de apoio ao empreendedorismo e microcrédito na região, como aos empreendedores e potenciais empreendedores. Pretende-se com este contributo melhorar as estratégias internas (Gabinete de Empreendedorismo Social e Microcrédito Bancário – Cresaçor) e externas (entidades representativas no setor); criar uma ferramenta de apoio à inserção no mercado de trabalho pela via da criação do próprio emprego de públicos com maior vulnerabilidade à pobreza e exclusão social; identificar oportunidades de aperfeiçoamento das políticas no domínio do acesso ao emprego e fomento da criação do próprio emprego; analisar as áreas preferenciais de investimento dos empreendedores; delinear as características dos micronegócios de sucesso, com base em situações práticas e verificar se o montante despendido pelo Governo Regional, nas estratégias de apoio ao empreendedorismo e microcrédito da Região, está a produzir os resultados esperados em termos de produção de riqueza e mais valia para a sociedade, comparativamente ao montante que seria gasto em transferências sociais. Enquadramento 19 O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Parte I O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores 1. Contexto, surgimento e objetivos do MC O Ahmed, Mohamed (2009). Microcrédito como instrumento de inclusão económica e social. Pág. 161. 9 Henriques, José Manuel, et al. (1991). O Programa ILE em Portugal, Instituto do Emprego e Formação Profissional. Lisboa, pág. 10. 10 11 Idem, ibid. intervir no fomento de novas oportunidades de criação de empregos e de iniciativas empresariais.12 Os objetivos principais das ILE, não obstante estarem relacionados com as iniciativas empresariais, visavam a promoção da inclusão social de públicos e regiões específicos, observando-se a intenção de promover o desenvolvimento local, respeitando as suas características únicas “Este programa tem por objetivo dinamizar e apoiar o desenvolvimento de micro e pequenas empresas e de atividades suscetíveis de contribuir para a criação e ou fixação de emprego e para a animação económica e social de comunidades locais.”13 Em 1997, o Tratado de Amesterdão consagra entre os objetivos da União Europeia a luta contra a pobreza e a exclusão social, tendo sido dado outro importante passo em 2001 com a entrada em vigor do Método Aberto de Coordenação à política social, ou seja, o combate à exclusão social de cada Estado membro passa a estar coordenado com as iniciativas da Comissão Europeia. Sendo que em 2003, a Comissão refere pela primeira vez como um dos objetivos da microfinança o empréstimo a grupos-alvo desfavorecidos14. Em 2006, com o anúncio de um Plano de Ação para o Microcrédito, e posteriormente em 2007 com a sua comunicação “Iniciativa Europeia do Microcrédito em apoio ao Crescimento e ao Emprego”, a Comissão Europeia marca a entrada formal do Microcrédito na Agenda Institucional Europeia.15 No âmbito da União Europeia o microcrédito ficou definido enquanto um instrumento que abrange a política social, de emprego e económica, identificando-se: Henriques, José Manuel, Lopes, Raul Gonçalves e Batista, A. J. Mendes, O Programa ILE em Portugal, Instituto do Emprego e Formação Profissional, 1991, pág. 87. 12 Preâmbulo do Decreto-Lei nº 34/95, de 11 de fevereiro, que passa a inserir as ILE no Programa das Iniciativas Locais de Desenvolvimento. 13 Unterberg, Michael (2008). Microfinance as a European policy issue – policy images and venues. Atas da 5th Annual Conference European Microfinance Network, Nice, pág. 3 14 Idem, pág. 13 15 21 PARTE I PARTE I 20 final da década de 70, do século XX, é marcado pela emergência do debate sobre a pobreza e exclusão social, começando a desenhar-se uma postura mais ativa para a sua redução, ou seja, a estabelecer-se uma prática de capacitação dos indivíduos em alternativa ao assistencialismo vigente até então. É nesta década que Muhammad Yunus concebe e desenvolve a ideia de que a concessão de pequenos empréstimos a famílias muito pobres poderia ser utilizada como um instrumento de luta contra a pobreza. É então criado o Grameen Bank, em 1983, no Bangladesh e o conceito de microcrédito dissemina-se, começando a ser adaptado às mais diferentes realidades. Passados 5 anos, na Europa, mais especificamente em França, a ADIE (Association pour le Droit à l’Initiative Économique) torna-se a primeira entidade a disponibilizar este apoio àqueles que se encontravam numa situação de maior desfavorecimento social.9 Em finais dos anos 70, Portugal implementa o Programa ILE: Programa de apoio à criação de postos de trabalho por iniciativas de base local10, como resposta às recomendações da OCDE e da CEE, que incentivam os Estados Membros à adoção de medidas de estímulo às iniciativas locais enquanto via complementar para a criação de emprego. Os apoios deste programa consistiam em ajuda financeira a fundo perdido e na concessão de empréstimos em condições particularmente atrativas face à situação de mercado11. Este programa traduziu-se portanto, numa inspiração da preocupação crescente de diversificação e aperfeiçoamento de medidas de política pública neste domínio atualmente em vigor para apoio à criação de emprego e ao desenvolvimento económico, situando-se ao lado dos vários programas que procuram O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores • Pelos destinatários: micro-empreendedores e pessoas em situação de exclusão social sem acesso ao crédito pelas vias normais; • Pelos objetivos: criação ou expansão de atividades económicas, nomeadamente a nível do investimento inicial e fundo de maneio; e • Pelo montante de empréstimo: valor máximo de 25.000,00 €. 1.1. O MC nos Açores Nos Açores o MC surgiu no âmbito do projeto GESFUNDO INTERREG IIIB (2004-2006 ), através de protocolo estabelecido com o Instituto de Ação Social (atualmente ISSA – Instituto de Segurança Social dos Açores), a Agência Transregional Gestora do Financiamento Alternativo e a CRESAÇOR – Cooperativa Regional de Economia Solidária, enquanto entidade representante da Rede do Movimento de Economia Solidária e Desenvolvimento Comunitário. A DRSSS , através do IAS , promoveu junto do Governo Regional dos Açores, a criação de um Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário dirigido à inclusão social de pessoas em situação de desfavorecimento social e económico18. Estes esforços resultaram no Decreto Legislativo Regional n.º 25/2006/A que veio aprovar o Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário como medida de apoio ao autoemprego e de combate à pobreza e exclusão social.19 A definição de MC que esteve na base do projeto GESFUNDO enquadra-se no conceito de Microfinança segundo a OCDE , isto é, como uma pequena quantidade de dinheiro colocada à disposição de um cliente por um banco ou outra instituição para o ajudar a sair da sua situação de pobreza ou exclusão social.20 O MC é, portanto, um instrumento que visa o acesso ao crédito por pessoas fragilizadas, mas que possuem um pequeno projeto de autoemprego, quer porque não conseguem entrar novamente no mercado de trabalho dito normal (conta de outrem) quer por não possuírem os recursos financeiros tradicionais que lhes permitam aceder a este crédito pelas vias normais (ex.: não possuírem garantias bancárias). Preâmbulo do Decreto Legislativo Regional n.º 25/2006/A, de 31 de julho, que cria o Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário nos Açores. 18 Commission of the European Communities (2007). Communication from the Commission to the Council, the European Parliament, the European Economic and Social Committee and the Committee of the Regions – A European initiative for the development of micro-credit in support of growth and employment. COM. Bruxelas, Pág. 8 16 Consultar o Decreto Legislativo Decreto Legislativo Regional n.º 25/2006/A, de 31 de julho, constante no anexo I. 19 Preâmbulo do Decreto Legislativo Regional n.º 25/2006/A, de 31 de julho, que cria o Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário nos Açores. 20 Ahmed, Mohamed (2009). Microcrédito como instrumento de inclusão económica e social, pág. 161. 17 23 PARTE I PARTE I 22 Mas uma das suas mais importantes características, também alvo de recomendação por parte da Comissão Europeia, é a necessidade de acompanhamento técnico desses projetos “Formação, tutoria e acompanhamento do novo empreendedor são essenciais para aumentar as hipóteses de sucesso da empresa”16 que se tornam indispensáveis tendo em conta o público-alvo. Esta recomendação por parte da Comissão Europeia vai de encontro às recomendações da OCDE nos anos 70, que chamavam a atenção para a importância do fator animação no desenvolvimento de iniciativas locais de emprego. Podemos considerar as ILE como a primeira iniciativa em Portugal para promover a criação de autoemprego por aqueles que se encontravam em situação de desemprego, pobreza e exclusão social, pois só em 1998, com a criação da ANDC (Associação Nacional de Direito ao Crédito) o Microcrédito passa a estar representado em Portugal. Não obstante a presença do Microcrédito em Portugal ser anterior às recomendações emanadas pela União Europeia, a verdade é que o acompanhamento dos projetos foi implementado desde logo como um dos vetores da sua metodologia, defendendo esta instituição que “A propósito de garantias, importa não esquecer que o acompanhamento – uma das características metodológicas do microcrédito – é também uma forma de garantia na medida em que diminui o risco.”17 O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Note-se, portanto que o MC não prevê na sua génese a fase de animação, pressupondo a priori a existência de uma ideia de negócio viável. Em traços gerais os destinatários do MC eram: desempregados, maiores de 18 anos, sem acesso ao crédito pelas vias normais, com a situação regularizada perante as finanças e a segurança social, sem incidentes bancários e com uma ideia de negócio. O MC rege-se pelo princípio da confiança (ver fig. n.º 1) estabelecido entre o promotor e o AM (Agente do Microcrédito), sendo que o risco da operação é partilhado entre o Governo Regional e as IC (instituições de Crédito) protocoladas. O Governo Regional era responsável por 25% e a IC por 75%, sendo que as primeiras IC a assinarem protocolo com o Governo Regional foram o BANIF, o BESA, o Millennium bcp e a CEMAH. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores no entanto não se dispensa a apresentação de um avalista e são os próprios beneficiários os responsáveis pelo pagamento integral da dívida, incluindo os juros.21 1.2. Características do MC e alterações legislativas O MC tinha como condições iniciais montantes de financiamento entre os 1.000,00 € (mínimo) e 15.000,00 € (máximo), sendo da responsabilidade do Governo Regional o pagamento dos juros e no 1.º ano os promotores usufruem de carência de capital. A figura abaixo sintetiza o modelo de funcionamento desta medida. 25 PARTE I PARTE I 24 Figura n.º 1: Microcrédito: uma relação de confiança Será importante salientar que o Regime de Apoio Bancário ao Microcrédito nos Açores apresenta características distintas daquele que é praticado no continente português. Na Região Açores o Governo Regional tem um papel ativo assumindo-se não só como o impulsionador desta ferramenta de apoio à inclusão sócio-económica, mas também como avalista dos projetos apoiados e como entidade responsável pelo pagamento dos juros bancários sobre o montante de investimento. Tal não acontece em Portugal Continental, onde o Microcrédito é gerido e promovido por uma ONG (Associação Nacional de Direito ao Crédito) que estabeleceu protocolos com instituições bancárias de modo a que o valor dos juros sobre estes microempréstimos sejam mais baixos, Figura n.º 2: Modelo de operacionalização do MC http://www.microcredito.com.pt/como-obter-um-microcredito/microcredito-andc/o-que-eum-microcredito-andc/1. 21 O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Em 2012 o MC sofre a 1.ª alteração legislativa através do Decreto Legislativo Regional n.º 11/2012/A 22, as principais alterações prenderam-se com os destinatários da medida, com o montante de financiamento e com a percentagem de garantia bancária partilhada entre o Governo Regional e as IC – protocolos renegociados com as mesmas em abril de 2013 . Assim, a partir de 2012 os destinatários do MC são: a) Os desempregados, à procura de primeiro ou de novo emprego, com idade igual ou superior a 18 anos, sem condições para o acesso ao crédito bancário pelas vias normais; b) Trabalhadores, com idade igual ou superior a 18 anos, con- PARTE I 26 c) Sociedades por quotas, sociedades unipessoais por quotas e empresários em nome individual que não tenham condições para o acesso ao crédito bancário pelas vias normais. O montante máximo do MC transita para os 20.000,00 € e a garantia bancária assumida pelo Governo Regional aumenta para 75% , ficando a cargo das IC apenas os restantes 25% . De referir que esta última alteração teve como principal propósito aumentar a taxa de aprovação das IC e reconfirmar a confiança do Governo Regional nestes pequenos investimentos. Esta alteração foi efetuada diretamente com as IC que por fruto da grave crise económica que Portugal atravessava nesse período, estavam a dificultar muito o acesso ao crédito (geral, isto é, quer o acesso ao crédito pelas vias normais e gerais, quer o próprio acesso ao MC ). A par destas alterações os protocolos assinados com as IC foram também reformulados, passando o Montepio Geral a integrar a Medida MC . Consultar a legislação constante no anexo II. 22 1.3. Agência de Promoção e Apoio ao MC A CRESAÇOR , através do seu Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo e MC Bancário – Agência MC , é a instituição que acompanha os promotores MC (após aferição das condições de acesso através da realização da entrevista efetuada na DRAIC pela equipa de acompanhamento técnico, constituída por um representante de cada Organismo do Governo Regional: DRAIC , ISSA e DREQP ) na constituição do seu “Dossier de Confiança” que permitirá: • Aferir as condições socioeconómicas de partida do beneficiário e respetivo agregado familiar; • Desenvolver a ideia de negócio e a sua viabilidade; • Determinar as competências psicosócioprofissionais necessárias ao negócio existentes no beneficiário; • Elaborar o plano de negócio com estudo de mercado, instruído do respetivo estudo de viabilidade; • Diagnosticar possíveis apoios económicos complementares; e • Instruir o dossier com a avaliação do técnico de acompanhamento, conforme manual de procedimentos instituído. A Agência MC acompanha posteriormente os promotores cujo processo é aprovado em CC na implementação do seu negócio (com especial enfoque na fase de investimento que é efetuada de forma faseada de modo a garantir que o investimento é realizado de acordo com o delineado no mapa de investimento) e durante todo o período de amortização da dívida MC . Este apoio também é efetuado ao nível da obtenção dos licenciamentos e de toda a envolvente burocrática e, portanto, mais difícil e morosa para os promotores, de modo a que os negócios MC cumpram com todas as normas legais em vigor. De referir que a Agência MC acompanha também diversos indivíduos que nos chegam através da Medida MC , mas que por diversos motivos deixam de ser promotores da mesma, no entanto são apoiados a outros níveis, como por exemplo, elaboração de candidaturas a outros sistemas de incentivo, encaminhamento para formações ou para procura ativa de emprego, etc. 27 PARTE I siderados em situação precária de emprego, nomeadamente trabalhadores independentes cujo rendimento médio mensal, auferido relativamente ao ano anterior ao da candidatura, seja inferior à retribuição mínima mensal garantida na região, sem condições para o acesso ao crédito bancário pelas vias normais, mediante parecer da direção regional com competência em matéria de trabalho; O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Da mesma forma promotores MC cujos processos já estão encerrados por falência foram acompanhados e encaminhados para apoios de âmbito social e promotores já com processo encerrado (mas cujo processo decorreu normalmente e portanto considerado de sucesso) continuam a ser acompanhados ao nível de esclarecimentos e apoios aquando de alterações legislativas (alterações do sistema de faturação em 2012 ) e sensibilização para as normas legislativas emergentes (apoios às microempresas e legislações sectoriais como o HACCP entre outras). 2. Breve Caracterização das Candidaturas Cf. art.º 3.º do Decreto Legislativo Regional n.º 11/2012/A, de 26 de março, constante no anexo II. entre outros motivos com menor expressão. 52% (240 candidatos) desistiram da sua candidatura ao MC , destas 65% foram por iniciativa dos próprios ou por demonstrarem desinteresse aquando da elaboração do Dossier de Confiança e 35% por outras razões. Entre as razões de desistência salienta-se o chegar à conclusão da inviabilidade da sua ideia de negócio, 25 candidatos através do acompanhamento da Agência chegaram a esta conclusão, tendo portanto desistido da sua candidatura. Outros 13 após perceberem que muito dificilmente obteriam um rendimento com a atividade candidatada optaram por trabalhar a ideia de negócio, reformulando-a. 22 indivíduos desistiram da sua candidatura por terem encontrado emprego por conta de outrem e 6 emigraram. Notamos novamente a estreita relação entre o ‘empreendedorismo inclusivo’ e o ‘empreendedorismo por necessidade’, isto é, analisando os motivos que levaram ao elevado número de desistências observamos que muitas destas pessoas se candidataram por não conseguirem encontrar trabalho por conta de outrem e não pela vontade de ter o seu próprio negócio. Candidaturas Frequência Percentagem Desistências 240 51,84 Não elegíveis 107 23,11 Aguarda parecer da DREQP 5 1,08 Em constituição de Dossier de Confiança 33 7,13 Suspenso 5 1,08 Aguarda entrevista 1 0,22 Candidaturas com DC submetidas a CC 72 15,55 463 100,00 Total Quadro n.º 1: Candidaturas à Medida de Apoio ao Microcrédito24 23 24 FONTE: DRAIC – Direção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade 29 PARTE I PARTE I 28 Até dezembro de 2013 registaram-se um total de 463 candidaturas ao MC – ver quadro n.º 1 . No que concerne ao total das candidaturas apresentadas, nota-se uma maior percentagem de candidaturas apresentadas por homens, 58% , correspondendo a 267 candidatos. 196 candidaturas foram apresentadas por mulheres, correspondendo a 42% . A grande maioria das candidaturas é efetuada a título individual 96% (443 candidaturas), apenas 4% (20 candidaturas) respeita a outras situações. Das 463 candidaturas, apenas 16% (72 processos) concluíram o seu projeto (conclusão do “Dossier de Confiança”), tendo o mesmo sido submetido a Comissão de Crédito. À data de 31/12/2013 encontravam-se 33 projetos na Agência de MC na fase de constituição de Dossier de Confiança (7% ). 107 candidaturas (23% ) não foram consideradas elegíveis, não passando portanto pela seleção efetuada na entrevista de triagem, por não reunirem as condições de acesso a esta medida de apoio23. Dos candidatos que não reuniam as condições de acesso à medida os principais motivos prenderam-se com o não estar numa situação de desemprego (27 indivíduos), possuir incidentes bancários (17 ), ter acesso ao crédito pelas vias normais (17 ), ter dívidas ao Estado (13 ), O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Área de actividade Início Actividade Tempo de maturação da Montante empresa aquando Financiamento da liquidação da dívida Florista 01/02/2008 7.000,00 € 5 anos Informática – Serviços de assistência técnica e venda de hardware e software 20/10/2008 13.000,00 € 2 anos e 4 meses (liq. Antecipada) Informática – Design gráfico; serviços; serviços audiovisuais; assistência técnica de harware e software 17/11/2008 9.000,00 € 2 anos e 3 meses (liq. Antecipada) Vendedor ambulante de cachorros quentes 19/11/2007 5.600,00 € 5 anos Animação Turística – atividades de saúde e bem-estar associadas a passeios turísticos 07/09/2009 5.000,00 € 2 anos e 1 mês (liq. Antecipada) 10.750,00 € 1 ano e 4 meses (liq. Antecipada) Canalizador 01/02/2008 Quadro n.º 2: Candidaturas encerradas com sucesso 13,46% correspondem a sete processos encerrados por incumprimento dos promotores perante a banca – processos de insolvência em que o Governo Regional assumiu perante a IC a sua responsabilidade financeira perante o total ainda em dívida, sendo o restante renegociado entre a banca e cada promotor. Através da análise do quadro n.º 3 , constatamos que a maioria destes negócios entrou em insolvência no 2.º ano de exploração. Este facto é interessante já que se considera consolidado um negócio a partir do 3 .º ano de vida da empresa, e que o arranque inicial destes pequenos negócios é sempre mais vulnerável. Qualquer um destes projetos, desde a sua abertura, nunca conseguiu angariar uma carteira de clientes suficiente para assegurar a sua sustentabilidade, portanto apesar das insolvências não terem sido imediatas, o certo, é que foram negócios que desde a sua abertura nunca conseguiram ser auto-suficientes. 31 PARTE I PARTE I 30 Relativamente às candidaturas submetidas a Comissão de Crédito 20 processos (27,8% ), não foram aprovados por não terem viabilidade económica ou pelos promotores não reunirem as competências socioprofissionais necessárias ao desenvolvimento do negócio a que se propuseram. A viabilidade económica dos processos é verificada através da elaboração de um estudo de viabilidade económica e de um estudo de mercado. No estudo de viabilidade pressupõe-se como vencimento base do promotor o ordenado mínimo regional. Relativamente às competências do candidato, em todos os processos, a Agência MC elabora um relatório sócio-profissional que compila as informações recolhidas junto do ISSA e de pessoas de referência que se tenham relacionado com o mesmo, como sejam, ex-patrões ou colegas de trabalho, presidente da junta de freguesia de residência, entre outras. Das restantes 52 candidaturas aprovadas, em Comissão de Crédito, a maioria correspondem a processos que estão a decorrer e a ser acompanhados pela Agência do Microcrédito – 50 %, correspondendo a 26 processos, conforme quadro n.º 4 . 25% correspondem a 13 processos encerrados, sendo que destes, seis (11,54% ) cumpriram na íntegra com o pagamento da dívida MC , sendo portanto considerados casos de sucesso. Destes seis processos, quatro promotores anteciparam o pagamento da dívida MC (isto é, liquidaram o montante do total em dívida antes do contratualizado com a IC , conforme quadro n.º 2 ) e dois efetuaram o pagamento da dívida MC no prazo estabelecido inicialmente, isto é, cumpriram com o plano de reembolso contratualizado com a banca. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Área de actividade Início Actividade Montante Financiamento Tempo de maturação da empresa aquando da insolvência Loja de Chás e Acessórios 25/03/2008 5.000,00 € 2 anos e 6 meses Tabacaria e florista 15/10/2007 11.000,00 € 1 ano e 3 meses Snack-Bar 22/01/2008 15.000,00 € 3 anos Vendedor Ambulante em Roullote-bar 02/06/2009 13.426,00 € 1 ano Instalação e manutenção de jardins aquáticos 02/01/2008 11.500,00 € 2 anos Informática 02/06/2009 14.500,00 € 2 anos Loja Vestuário 22/10/2007 13.500,00 € 6 meses Quadro n.º 3: Candidaturas encerradas por insolvência Os micronegócios com número de trabalhadores inferiores a 10 , são os que atingem as maiores taxas de natalidade, mas também de mortalidade25. A propensão para a insolvência é ainda maior nos casos em que o promotor é o único elemento da empresa26. Um dos microempresários entrevistados aponta diretamente o motivo “A questão é simples… porque eu sou… eu sozinho, e sozinho não posso tomar conta de tudo, não faz sentido! E eu não tenho dinheiro para contratar ninguém.” Esta informação vem corroborar o quadro n.º 3 , já que das 7 insolvências registadas 6 eram negócios constituídos apenas pelo promotor, que acaba por ter de desempenhar todas as tarefas inerentes ao funcionamento da sua atividade. Relativamente ao acompanhamento por parte da Agência MC , realçamos o comentário de um dos entrevistados “Estamos a falar de um microempresário, é só uma pessoa individual, quanto mais apoio essa pessoa tiver a todos os níveis, melhor será para a pessoa e para OECD/European Union (2014). The Missing Entrepreneurs – Policies for inclusive entrepreneurship in Europe, OECD Publishing, pág. 62 25 Idem, pág. 63 26 a sua sanidade mental, melhor será para a realidade familiar dessa pessoa porque vai haver menos stresses lá em casa, e até em relação à empresa, se a parte familiar que acho que é mais importante, em relação à empresa, à viabilidade da empresa é muito superior. Se ele conseguir (…) apoio na gestão, apoio económico, apoio jurídico, apoio até à promoção, quer dizer, ele tem uma equipa que ele nunca teria de outra forma, a não ser se pagasse bem! E consegue ter outra viabilidade, e consegue ter outra visão da sua empresa, porque consegue ter uma equipa”. Esta necessidade vai de encontro às dificuldades sentidas por aqueles que avançam para a criação do seu próprio emprego com uma base financeira, e por vezes também psicológica, extremamente frágil. Não obstante a importância da existência de um Gabinete que estimule e apoie as iniciativas de ‘empreendedorismo inclusivo’, a verdade também é que este nunca se poderá substituir ao microempresário, ou seja, a escolha da ideia de negócio e as decisões estratégicas têm que ser tomadas pelo microempresário (real conhecedor do seu projeto e das suas competências), que poderá, no entanto, contar sempre com o acompanhamento especializado da Agência MC. Cerca de 23% dos processos (correspondendo a 12 candidatos) apesar de terem sido aprovados em Comissão de Crédito o financiamento pelas Instituições de Crédito não se concretizou por recusa das mesmas, originando a que os promotores não conseguissem prosseguir com a sua ideia de negócio. Os motivos de recusa pelas IC prenderam-se principalmente com o histórico dos candidatos e com a exigência de garantias bancárias para o montante restante não “coberto” pelo Governo Regional (sendo que estes candidatos não conseguiram obter fiança nem as garantias bancárias exigidas pela banca). Assim, denota-se que, ao contrário do desejável numa Medida desta natureza, a implicação da banca comercial afeta e restringe ainda o acesso ao financiamento. O espírito da Medida e um dos seus objetivos primordiais é desta forma desvirtuado pois o acesso ao crédito para todos não é uma realidade. 33 PARTE I PARTE I 32 O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Candidaturas Aprovadas em CC O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Frequência Percentagem Em análise pela IC 1 1,92 Projectos a decorrer 26 50,00 Encerradas – Final do processo 6 11,54 Não financiadas pela IC 12 23,08 Encerradas por incumprimento 7 13,46 Total 52 100,00 Quadro n.º 4: Candidaturas Aprovadas no âmbito da Medida de Apoio ao Microcrédito Em termos de empréstimos concedidos através do MC , constatamos que estes 39 processos implementados corresponderam a um total de 608.078,45 € . 2.1. Candidaturas por ilha e área de negócio Quanto à distribuição por ilhas, conforme quadro n.º 5 , constata-se que a maioria dos candidatos reside nas ilhas de São Miguel (57% ) e Terceira (24% ). Seguindo-se as ilhas de Santa Maria (7% ) e Faial (6% ), sendo as ilhas com menor expressão a Graciosa e as Flores. Candidaturas por ilha Frequência Percentagem Santa Maria 31 6,7 São Miguel 263 56,8 Terceira 113 24,4 Graciosa 1 0,2 São Jorge 10 2,2 Pico 12 2,6 Faial 28 6,0 Flores 2 0,4 Corvo 3 0,6 Total 463 100,00 Quadro n.º 5: Candidaturas por ilha Candidaturas por áreas de negócio Atividades Primárias Frequência Percentagem 22 4,8 Animação turística 16 3,5 Comércio 127 27,4 Hotelaria 3 0,6 Indústria 12 2,6 Restauração 99 21,4 Serviços 184 39,7 Total 463 100,00 Quadro n.º 6: Candidaturas por áreas de negócio Numa análise mais pormenorizada aos tipos de negócio propostos, observamos que na área das atividades primárias se destacam as candidaturas à produção hortícola e a pesca (cada uma com 7 candidaturas). Neste setor de atividade a Ilha de S. Miguel apresenta 68,2% das candidaturas (15 propostas), seguindo-se a Ilha Terceira com 27,2% (6 propostas). A aposta de desenvolvimento de negócios na área da animação turística foi também sugerida maioritariamente pelos candidatos da Ilha de S. Miguel (12 candidaturas). Das ideias apresentadas salienta-se que a sua maioria se propunha a oferecer um leque diversificado de atividades aos seus clientes, sendo comum em quase todas a oferta de passeios pedestres e circuitos personalizados. Na área do comércio 26% (33 candidaturas) das ideias de negócio apresentadas visavam a venda ambulante, sendo que a maioria dos candidatos pretendia dedicar-se à venda ambulante em roulotte-bar (23 indivíduos). Seguem-se os minimercados, frutarias e mercearias que contabilizam 17% das propostas apresentadas (21), dos quais 76,19% (16) a ser implementados na Ilha de S. Miguel. Com o mesmo número de 35 PARTE I PARTE I 34 Em relação à distribuição das candidaturas por áreas de negócios constatamos que a maioria das candidaturas foram na área dos serviços com 40% – ver quadro n.º 6 . Seguindo-se o comércio com 27% e a restauração com 21% . O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores A prestação de serviços de jardinagem corresponde a 6% das candidaturas na área dos serviços (11 projetos), mas neste caso, a ilha da Terceira apresenta mais candidaturas que a ilha de S. Miguel, com 45,45% (5 projetos) comparativamente a 27,27% (3 projetos). O que também acontece nas atividades de apoio domiciliário, distribuição ao domicílio, canalização e reparação de calçado. A pouca criatividade da maioria das ideias de negócio faz com que o trabalho da Agência MC seja fundamental de modo a alertar os candidatos para as acrescidas dificuldades em determinados setores, tentando assim minimizar os riscos de avançarem com projetos economicamente vulneráveis. Nos Açores, tal como nos restantes países europeus, as pessoas em situação de maior desfavorecimento demonstram uma maior tendência a se instalarem em setores de mercado saturados27, desta forma é compreensível a elevada taxa de desistências e cancelamentos. Tal facto não deverá ser considerado como negativo. Os desafios que se impõe no desenvolvimento de um negócio são sempre grandes, ainda mais no caso destas iniciativas, que são na sua maioria despoletadas pela falta de alternativa dos promotores (‘Empreendedorismo por necessidade’), e não por uma cuidadosa análise das necessidades do mercado. Não devemos esquecer que o propósito da Medida MC é a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, tentando ao máximo evitar que a pessoa fique numa situação ainda mais fragilizada, que poderá ter como fim o regresso à situação de desemprego com uma dívida acrescida para amortizar. OECD/European Union (2013). Policy Brief of Evaluations of Inclusive Entrepreneurship Programmes – Entrepreneurial Activities in Europe, Publications Office of European Union, pág. 4. 27 37 PARTE I PARTE I 36 candidaturas apresentadas (21 propostas) aparece o comércio dedicado ao vestuário, à venda de malas e bijuteria, assim como as sapatarias. Destacamos ainda as propostas recebidas para abertura de uma loja de flores, que representam 6,3% das candidaturas apresentadas na área do comércio (8 propostas), destacando-se a ilha de S. Miguel mais uma vez com 87,5% das propostas neste ramo (7 candidaturas). Na área da indústria 67% das candidaturas são no ramo da pequena indústria alimentar principalmente a nível da panificação e pastelaria (5 propostas). A restauração surge como a área preferencial dos candidatos a esta Medida de Apoio. A ilha de S. Miguel com 47,5% de candidaturas concentra praticamente metade das propostas de negócio apresentadas nesta área, seguindo-se a ilha Terceira com 34,34% das candidaturas (34 projetos) e a ilha de Santa Maria com 12,12% das candidaturas (12 projetos). Uma análise mais pormenorizada indica-nos que 30,3% dos candidatos pretendiam abrir snack-bares (30 propostas), 24,2% pretendiam abrir um restaurante (24 propostas) e 23,2% um café (23 propostas). Não podemos deixar de notar que a apresentação de candidaturas a esta área é constante, o que é curioso por ser uma área com normas legais bastante exigentes, e uma das que mais tem sentido a quebra do consumo. De salientar que do total de candidaturas apresentadas a maioria não apresentava qualquer inovação em relação ao tipo de produtos a comercializar, ambiente a oferecer ao cliente ou localização geográfica. No que concerne às ideias de negócio apresentadas na área dos serviços, os cabeleireiros e esteticistas representam 16% das candidaturas (23 propostas), mas neste caso as Ilhas de S. Miguel e Terceira apresentam praticamente o mesmo número de candidaturas, 39,13% (9 projetos) e 34,78% (8 projetos), respetivamente. Os serviços na área da construção civil seguem-se, com 8% das candidaturas (14 propostas), e as oficinas de mecânica (entre as quais se incluem as de automóveis e as de embarcações), representam 7% das ideias de negócio apresentadas (13 candidaturas), em ambos os casos o maior número de candidaturas é apresentado em S. Miguel. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores 2.2. Caracterização demográfica do MC (candidatos aprovados face ao número de candidaturas) 3. Caracterização socioeconómica dos promotores MC alvo de análise Como já descrito anteriormente das 52 candidaturas aprovadas apenas 39 projetos foram implementados, até ao momento. Destes apenas 17,5% foram encerradas por incumprimento dos promotores – insolvência. Assim, a taxa de sucesso atual dos promotores MC é de 82,5%. Sendo que destes seis processos já encerraram o processo com sucesso e vinte e sete estão a decorrer atualmente (e normalmente). Dos 39 processos aprovados até ao momento (37 implementados e 2 em fase de investimento) foram efetuadas 18 entrevistas semidiretivas a promotores MC com o negócio já em desenvolvimento. 2.3. Implementação territorial (análise por ilha) Relativamente à distribuição por ilha dos processos implementados, constatamos que à semelhança do número de candidaturas apresentadas também nos negócios implementados ressalta a ilha de São Miguel com maior número de projetos, 23 . Santa Maria, Terceira e Faial seguem-se todas com 5 projetos aprovados. E a ilha de São Jorge com um processo aprovado. As ilhas da Graciosa, Pico, Flores e Corvo não têm, até à data, nenhum processo MC implementado. 3.1. Localização geográfica dos projetos Dos 18 promotores inquiridos a maioria desenvolve a sua atividade na ilha de São Miguel, 56% (6 no concelho de Ponta Delgada, 1 na Ribeira Grande, 2 na Povoação e um pode operar em todos os concelhos da ilha – pesca). Foram auscultados 4 promotores do concelho da Horta – ilha do Faial, 2 no concelho de Angra do Heroísmo – ilha Terceira e 2 no concelho de Vila do Porto – Santa Maria, conforme quadro n.º 7. Ilha Frequência Percentagem Santa Maria 2 11,1 São Miguel 10 55,6 Terceira 2 11,1 Faial 4 22,2 Total 18 100,0 Quadro n.º 7: Distribuição por ilha dos promotores entrevistados Figura n.º 3: Implementação processos MC por ilha 39 PARTE I PARTE I 38 O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores 3.2. Áreas de atividade e montantes de investimento Dos 18 projetos analisados a maioria dizem respeito a negócios na área dos serviços – sete projetos (38,9%). Três promotores (16,7% ) implementaram uma atividade na área do comércio, dois na agricultura e dois na restauração. Foram ainda auscultados promotores que desenvolveram negócios nas áreas da pesca, construção civil e turismo. Áreas de negócio Percentagem 2 11,1 Pesca 1 5,6 Construção Civil 1 5,6 Comércio 3 16,7 Turismo 1 5,6 Restauração 2 11,1 Serviços 7 38,9 Outros 1 5,6 Total 18 100,00 Quadro n.º 8: Áreas de negócio dos processos em análise Segundo dados da OCDE ao nível das áreas de negócio constata-se uma equidade entre homens e mulheres nas atividades relacionados com os serviços agricultura, floresta e pesca. No entanto, os homens destacam-se em atividades relacionadas com a produção e a construção. Relativamente aos serviços orientados para o consumo já existe uma predominância em serem desenvolvidos por mulheres. Agricultura Pesca Construção Civil Comércio Turismo Restauração Serviços Outros Total Sexo Total Feminino Masculino Frequência - 2 2 Percentagem - 11,1 11,1 Frequência - 1 1 Percentagem - 5,5 5,5 Frequência - 1 1 Percentagem - 5,5 5,5 Frequência 2 1 3 11,1 5,5 16,6 Frequência - 1 1 Percentagem - 5,5 5,5 Frequência - 2 2 Percentagem - 11,1 11,1 Frequência 2 5 7 11,1 27,8 38,9 - 1 1 Percentagem - 5,5 5,5 Frequência 4 14 18 22,2 77,5 100,0 Percentagem Percentagem Frequência Percentagem 28 Cf. OECD/European Union (2014). The Missing Entrepreneurs – Policies for inclusive entrepreneurship in Europe, OECD Publishing, pág. 42. 28 Quadro n.º 9: Tabela Cruzada do sexo pela área de negócios dos promotores MC A análise do quadro n.º 9, apesar da pouca relevância estatística, corrobora que as mulheres em análise também desenvolvem negócios na área dos serviços e comércio. O total de empréstimo aprovado e concedido através do MC a estes 18 negócios foi de 195.400,00 €. Conforme quadro descritivo abaixo, os promotores além do MC, recorreram a outras fontes de financiamento como a candidatura ao subsídio de desemprego na totalidade (passível de conciliar com a do MC), capital próprio e empréstimos particulares (familiares ou amigos). O total de investimento previsto aquando da realização dos DC foi de 207.000,00 €, no entanto, o realizado foi 197.700,00 € (diferença de 9.300,00 €). 41 PARTE I PARTE I 40 Frequência Agricultura Tabela cruzada Sexo pela Área de Negócio O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Fonte de Financiamento Valor Empréstimo MC 195.400,00 € Empréstimo Particulares 4.000,00 € Capital Próprio 4.000,00 € CPE 33.000,00 € Total Investimento Previsto 207.000,00 € Total Investimento Realizado 197.700,00 € Quadro n.º 10: Fontes de financiamento 3.3. Características dos promotores Tabela cruzada Sexo pela Idade 26 aos 32 anos 33 aos 40 anos 41 aos 47 anos 48 aos 55 anos 56 anos e mais Total Frequência Percentagem Frequência Percentagem Sexo Feminino Masculino 1 4 5 5,6 22,2 27,8 1 3 4 5,6 16,7 22,2 4 6 22,2 33,3 Frequência - 2 2 Percentagem - 11,1 11,1 Frequência - 1 Percentagem - 5,6 Frequência 4 22,2 Percentagem 1.º Ciclo (4.ª ano) 3 16,7 2.º Ciclo (6.º ano) 4 22,2 3.º ciclo (9.º ano) 2 11,1 Ensino Secundário (12.º ano) 5 27,8 Licenciatura 2 11,1 Pós-graduação 2 11,1 Total 18 100,0 Através do quadro n.º 13 , constatamos que a principal razão apontada pelos empreendedores para a escolha da atividade profissional foi o facto de já possuírem experiência profissional na mesma, 72,2% , correspondendo a treze promotores. Razão que o levou a escolher esta actividade Frequência Percentagem Experiência Profissional 13 72,2 1 Formação na área 2 11,1 5,6 Gosto e motivação 2 11,1 14 18 Outro 1 5,6 77,8 100,0 Total 18 100,0 Quadro n.º 11: Tabela de dupla entrada do sexo pela idade IAPMEI (2008). Observatório de Criação de Empresas – Relatório 2007, pág. 3. 29 Percentagem Quadro n.º 12: Habilitações Literárias 2 Percentagem Frequência Total 11,1 Frequência Habilitações Literárias Quadro n.º 13: Indique a razão que o levou a escolher esta atividade 43 PARTE I PARTE I 42 A maior parte dos inquiridos são do sexo masculino 14 (77,8%). Tendo sido auscultadas 4 mulheres. Estes dados convergem com os dados nacionais, já que na sua maioria, os empreendedores portugueses ainda são homens. A proporção entre homens e mulheres é de aproximadamente 2/3 para 1/3, rácio que tem mantido alguma estabilidade nos anos mais recentes29. A maioria possui entre 41 a 47 anos – 33,3%, seguindo-se a classe de idades dos 26 anos 32 anos – com 27,8% e dos 33 aos 40 anos – 22,2%. Todos os microempresários auscultados são de nacionalidade portuguesa, havendo um com dupla nacionalidade (portuguesa e americana). Em relação às habilitações literárias verifica-se, através do quadro n.º 12, que a maioria – cinco promotores (27,8%) possui o ensino secundário, seguindo-se com quatro (22,2%) o 2.º ciclo (6.º ano). 16,7%, correspondendo a 3 pessoas, têm apenas o 1.º ciclo (4.º ano). 11,1% correspondendo a 2 indivíduos têm o 3.º ciclo, a licenciatura e a pós-graduação. Constata-se, portanto, que a Medida MC abarca indivíduos com habilitações literárias muito díspares e não só os que possuem baixas qualificações, como seria de esperar de uma Medida concebida para ir ao encontro das pessoas com maior desfavorecimento. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Para oito entrevistados o termo empreendedorismo significa implementar uma ideia, quatro consideraram que designa a criação de uma empresa, três inovar, dois a criação de valor e riqueza, havendo um promotor que não conseguiu responder à questão. 3.4. Situação anterior à candidatura MC Aquando da apresentação da sua candidatura a esta Medida governamental, 16 indivíduos (88,9%) estavam numa situação de desemprego (destes a maioria estava desempregado entre 6 meses a um ano – desemprego de curta duração). Os outros 2 eram trabalhadores informais, que através do MC viram a sua situação formalizada, isto é, legalizaram a sua atividade, promovendo a sua inscrição nas finanças e obtendo os licenciamentos obrigatórios para o setor de negócio que já desenvolviam. Quando questionados acerca da principal razão que os levou a apresentar o seu projeto ao MC quatro pessoas indicaram ter sido por acreditarem, que era uma boa oportunidade de negócio. Seguindo-se a vontade de trabalhar por conta própria e o facto de não conseguirem encontrar emprego de outra forma – ambos os fatores com três indivíduos. Denote-se que dois inquiridos referiram ter-se tratado da única alternativa que encontraram para resolver a sua situação da altura e outros dois consideraram que era a única forma de arranjar emprego. Assim, de uma análise do quadro n.º 14, constatamos que oito inquiridos apontaram como fator determinante para apresentarem a sua candidatura ao MC razões relacionadas com a sua motivação (fatores internos). No entanto, sete indicaram fatores estritamente relacionados com a necessidade e por concluírem que não teriam mais nenhuma hipótese a não ser o MC (isto é, o mercado de trabalho, dito tradicional, de emprego por conta de outrém não lhes deu sinais de que seria possível o seu reingresso pelo que sentiram-se quase “obrigados” e iniciarem uma atividade por conta própria). Refira-se, ainda, que um promotor referiu ter apresentado a sua candidatura por indicação de um técnico da Agência para a Qualificação e Emprego (AQE ). Podendo, portanto, concluir-se que caso não lhe tivessem apresentado esta possibilidade, por si só não o teria feito. 45 PARTE I PARTE I 44 Dos 18 promotores entrevistados 15 referem ter experiência profissional na área em que implementaram o negócio. 14 através de empregos anteriores e um através de negócio de família. Assim, denota-se a grande importância que o fator experiência profissional tem na concretização de uma ideia de negócio, citando um dos entrevistados “Eu concordo que haja formação para quem não saiba, mas a experiência é mais importante“, principalmente quando associado ao sentimento de realização profissional e pessoal, pois conforme afirmado por outro dos entrevistados “Não sei fazer outra coisa, fui criado foi nisso e gosto daquilo que faço”. Tal leva-nos a concluir da relevância em incluir o balanço de competências na fase de animação. Relativamente à perceção das suas características pessoais e intrínsecas que contribuíram para conseguirem conduzir este negócio avante a maioria indicou a motivação (7 ), seguindo-se (ambos com 2 ) a responsabilidade e a criatividade. Em relação à formação técnica na área, três promotores referiram não possuir qualquer formação técnica. 10 referem que a formação técnica que possuem foi adquirida em contexto de experiência profissional, um através de estudos e formação frequentada e 6 através de ambas as vias (estudos e experiência profissional). No que diz respeito a conhecimentos de gestão a esmagadora maioria não possuía qualquer conhecimento nesta área, 14 promotores, sendo que destes oito referem que foram adquirindo através da implementação do negócio MC. Dois promotores referem possuir conhecimentos em gestão através da frequência de formação e estudos e dois através de experiências profissionais anteriores. A maior parte dos promotores refere já ter sentido necessidades específicas de formação, 55,6% , enquanto que 44,4% referem nunca ter sentido esta necessidade. Dos que indicaram ter sentido necessidades de formação três referem necessidade de aprofundar os seus conhecimentos em gestão e contabilidade, dois em línguas estrangeiras e outros dois em aprender novas técnicas relacionadas com a atividade que desenvolvem. Há ainda promotores que indicaram necessidades formativas em marketing e publicidade, legislação e procedimentos na organização do trabalho. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Frequência Percentagem Principal objectivo Frequência Percentagem Vontade de trabalhar por conta própria 3 16,7 Garantir o rendimento e o sustento do agregado familiar 13 72,2 Única alternativa que encontrou para resolver a sua situação na altura Obter um rendimento 3 16,7 2 11,1 Outro 1 5,6 Considerou que esta era a única forma de arranjar emprego NS/NR 1 5,6 2 11,1 Total 18 100,0 Querer melhorar a sua condição de vida 1 5,6 Não conseguir encontrar emprego de outra forma 3 16,7 Acreditar ser uma boa oportunidade de negócio 4 22,2 Por indicação dos técnicos da AQE ou da Acção Social 1 5,6 Outro 1 5,6 NS/NR 1 5,6 Total 18 100,0 Razão mais importante Quadro n.º 14: Razão mais importante que o levou a apresentar este projeto MC No que diz respeito ao objetivo principal que cada um traçou para o seu negócio, a esmagadora maioria, 72,2% (13 promotores), indicou o querer garantir um rendimento e o sustento do agregado familiar, citando os comentários de dois microempresários “Foi eu ter uma enxada para os meus filhos trabalharem! Para dar força aos meus filhos!” e “O objetivo é tomar conta da família.” Contabilizando também os três indivíduos que responderam obter um rendimento, vemos que 88,9% das respostas dadas pelos promotores estão estritamente relacionadas com o fator necessidade – necessidade de obterem um rendimento e sustento próprio e familiar. Quadro n.º 15: Qual o objetivo principal que traçou para o seu negócio Quando questionados da existência de alguém que os tenha incentivado a candidatar-se ao MC , a maioria, com 61,1% , referiu que sim. Através do quadro n.º 16 , verificamos que a maioria dos indivíduos referiu ter tomado conhecimento desta medida através da Agência para a Qualificação e Emprego, 38,9% . Seguindo-se o Gabinete do Empreendedor e a Assistente social da zona, ambos com 11,1% . 47 Como tomou conhecimento da medida MC Frequência Percentagem AQE 7 38,9 Cresaçor/Agência MC 1 5,6 Amigos e/ou familiares 1 5,6 Assistente social da zona 2 11,1 Gabinete do empreendedor 2 11,1 Outro 5 27,8 Total 18 100,0 Quadro n.º 16: Como tomou conhecimento desta medida PARTE I PARTE I 46 O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores 3.5. Perceção dos promotores em relação à elaboração do processo MC A maioria dos promotores considerou que a constituição do seu processo MC (constituição do Dossier de Confiança) foi um processo rápido, 44,4% , correspondendo a oito promotores. Cinco indivíduos avaliaram ter sido um processo lento e outros cinco normal, conforme quadro n.º 17 . Concretização do seu projecto Frequência Percentagem Foi um processo rápido 8 44,4 Comentários em relação à incidência e duração dos apoios Foi um processo lento 5 27,8 Foi um processo normal 5 27,8 Total 18 100,0 Quadro n.º 17: Relativamente à concretização do seu projeto considera De referir que dois dos promotores que consideram ter sido um processo rápido apontaram como principal razão a disponibilidade total dos agentes. Em relação aos que o classificaram de lento a maioria das razões indicadas prenderam-se com a elevada burocracia (três promotores) e com a falta de conhecimentos técnicos do AM (um promotor). Além disso, e apesar de um promotor ter classificado o seu processo de normal, simultaneamente avaliou-o como muito burocrático. No que concerne à duração entre a 1.ª entrevista na DRAIC e o início de atividade a maior parte demorou entre 3 a 6 meses. Para dois promotores o processo ainda foi mais rápido ocorrendo entre 1 a 3 meses. Três promotores indicaram ter demorado entre 7 meses a um ano e para um promotor foi superior a um ano. No que diz respeito à perceção dos apoios recebidos desde o surgimento da ideia de negócio até ao presente a maioria (12 elementos) refere ter tido apoio ao nível de aconselhamento e apoio técnico. Apenas onze referiram ter tido apoio financeiro, o que nos leva a concluir que o facto do MC ser uma dívida contraída pelo próprio, mas cujo pagamento dos juros é assegurado pelo Governo Regional não é considerado como apoio financeiro para sete promotores entrevistados. Frequência Percentagem Muito moroso 4 22,2 Prazo de amortização da dívida muito extenso 1 5,6 Rápido 9 50,0 Apoio da AM deveria ser mais abrangente 2 11,1 Muito burocrático 1 5,6 NS/NR 1 5,6 Total 18 100,0 Quadro n.º 18: Comentários em relação à incidência e duração dos apoios recebidos 3.6. Estratégia Empresarial A maior parte dos promotores MC, em análise, constituíram-se sob a forma jurídica de ENI – Empresários em Nome Individual, correspondendo a 16 promotores (90%). Apenas 2 promotores estão constituídos como sociedade unipessoal, sendo que destes apenas um iniciou a atividade nesta forma jurídica, tendo o outro se constituído inicialmente como ENI e com a evolução do negócio (aumento do volume de negócios) teve, por imposição legislativa, de alterar para sociedade. No que concerne aos principais desafios que enfrentaram para consolidar a sua empresa após a fase de arranque e de implementação, cinco promotores apontaram a angariação e fidelização de clientes (correspondendo a 27,8% conforme quadro n.º 19 ). 49 PARTE I PARTE I 48 Relativamente à sua opinião relativamente à duração e incidência dos apoios recebidos nove promotores (50% ) avalia como rápido, pelo contrário quatro promotores consideraram-no muito moroso (ver quadro n.º 18 ). Para dois promotores o apoio da Agência MC deveria ser de âmbito mais abrangente. Houve ainda um promotor que considera que o prazo de amortização da dívida é muito extenso e outro que é um processo muito burocrático. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Constata-se a necessidade de alguns dos promotores alvo de análise abarcarem mais que uma área de atividade, de modo, a obterem um rendimento suficiente. Temos o exemplo de uma empresária que inicialmente dedicava-se a três áreas (pequenas reparações de construção civil, limpezas e jardinagem) e que atualmente ainda alargou o seu âmbito de atuação a mais três atividades (venda de produtos naturais, vending automático e apoio à 3.ª idade). Esta estratégia afigura-se muito importante como reforço do negócio, ou seja, trata-se de uma inovação “pacote integrado” aproveitando no mercado um nicho de complementaridade ao nível das oportunidades do apoio domiciliário. Temos ainda o exemplo de um outro promotor ligado ao ramo audiovisual que teve de expandir os serviços prestados diversificando as suas atividades, de modo a garantir o seu sustento “nunca imaginei que fosse ser desta forma… neste momento uso mais a câmara para ensinar crianças a filmar, do que propriamente a filmar”. Estes dois exemplos corroboram o estudo da OCDE 30 que indica “o empreendedorismo paralelo envolve um empreendedor a operar em dois ou mais negócios ao mesmo tempo. As vantagens incluem a capacidade para o empreendedor de oferecer bens e serviços complementares, criando sinergias entre os dois empreendimentos, ou combinando negócios com diferentes estágios de desenvolvimento para ajudar a estabilizar o seu rendimento”. A angariação de fornecedores, as dificuldades de tesouraria e a elevada carga fiscal foram apontados por dois promotores cada (11,1%). De referir que seis indivíduos não responderam a esta questão. Principais Desafios Frequência Percentagem Angariação/fidelização de clientes 5 27,8 Angariação/fidelização de fornecedores 2 11,1 Dificuldades de tesouraria 2 11,1 Elevada carga fiscal 2 11,1 Outros 1 5,6 NS/NR 6 33,3 Total 18 100,0 A maioria dos entrevistados não efetuou investimento além do previsto inicialmente aquando da constituição do Dossier de Confiança, 72,2% . 27,8% correspondendo a cinco promotores referem ter efetuado investimentos além dos previstos inicialmente, mais concretamente em equipamentos e formação. Quando questionados se consideram que o seu produto ou serviço é inovador, a maioria dos promotores considera que sim, 61,1% . 27,8% considera que não. Dos que consideram ser inovadores a maioria considera esta inovação no sentido em que têm um produto ou serviço único na região ou localidade onde estão implementados (5 promotores), dois promotores apontam possuir um produto inovador e dois apontam as suas próprias características pessoais como sendo este o fator de inovação. Será interessante referir que a questão da ausência de inovação dos produtos ou serviços não é um problema exclusivo das iniciativas de ‘Empreendedorismo Inclusivo’, se compararmos estes dados com o Estudo GEM Açores, concluímos que mesmo nas iniciativas de empreendedorismo ‘regulares’ a criatividade das áreas de negócio é diminuta, uma vez que 42% dos novos empreendedores consideram existir alguns negócios com produtos ou serviço semelhantes aos seus, e 38,5% consideram existirem muitos negócios com produtos e serviços semelhantes.31 A maioria dos inquiridos considera que o seu nível de produção está abaixo da sua capacidade, 44,4% , enquanto que 38,9% consideram que não. De referir que 3 promotores não souberam responder a esta questão. Os motivos apontados para o nível de produção estar abaixo da sua capacidade prendem-se principalmente com a conjuntura do país atual de desemprego elevado (apontado por quatro promotores), existência de muita concorrência (dois), falta de meios, nomeadamente de acesso ao crédito (dois) e falta de capacidade de contratação de colaboradores (um). Cf. Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores, et al. (2010). GEM Açores 2010 – Estudo sobre o Empreendedorismo. Açores, pág. 29 31 Quadro n.º 19: Quais os principais desafios que enfrentou para consolidar a sua empresa após a fase de arranque/implementação Cf. OECD/European Union (2014). The Missing Entrepreneurs – Policies for inclusive entrepreneurship in Europe, OECD Publishing, pág. 20. 30 51 PARTE I PARTE I 50 O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Em relação à pergunta se planeiam introduzir alguma inovação no seu negócio, a maioria com 44,4% respondeu que sim. Destes, e conforme quadro n.º 20 , quatro promotores indicam que o campo alvo de alteração será em novos produtos ou serviços, 36,4% . Seguindo-se com 27,3% promotores que pretendem alterar a sua imagem publicitária. Em que campo Frequência Percentagem Novos produtos e/ou serviços 4 36,4 Imagem publicitária 3 27,3 Comercialização 1 9,1 Em relação à existência de concorrência com outras empresas apenas um promotor refere que não tem concorrentes, de salientar que este último refere não ter concorrência por se dedicar à atividade piscatória, ou seja uma atividade sujeita ao regime de quotas por parte da União Europeia. Conforme quadro n.º 22 constatamos que 83,3% indicam existir concorrência. Para 44,4% a concorrência que existe é forte e para os restantes 38,9% apesar de existir concorrência avaliam-na como sendo fraca. Concorrência 5,6 3 27,3 Total 11 100,0 Existe, mas fraca 7 38,9 Existe forte 8 44,4 NS/NR 2 11,1 Total 18 100,0 Em relação a fazerem promoção de vendas de algum tipo, catorze promotores (correspondendo a 77,8%) referem fazê-lo. Destes a maioria indica que a via que se tem mostrado mais eficaz é através da internet, 25% , seguindo-se a divulgação pessoal, 18,8% . As vias da publicidade na imprensa local e as exposições foram apontadas por 12,5% dos promotores (em ambas as vias) – ver quadro n.º 21 . Frequência Percentagem Publicidade na imprensa regional/local Qual a via mais eficaz 2 12,5% Divulgação pessoal 3 18,8% Exposições 2 12,5% Internet 4 25,0% Outro 5 31,3% Total 16 100,0 Quadro n.º 21: Qual a via de promoção de vendas que se tem mostrado mais eficaz Quadro n.º 22: Existe concorrência ao seu negócio 44,4% dos promotores avalia-se como estando em vantagem em relação aos seus concorrentes. Apontando como principais fatores para esta vantagem a diversidade dos serviços prestados (3 promotores) e a qualidade dos mesmos (3 ). Quanto às principais razões para estarem em desvantagem referiram a concorrência possuir mais experiências que os próprios (4 ) e o promotor não ser local (3 ) e logo não se sentir totalmente integrado na comunidade onde implementou o seu negócio. No que concerne à concorrência uma das soluções apontadas como suporte ao desenvolvimento sustentável destes micronegócios é precisamente a necessidade de tentarem evitá-la. O que poderá ser atingido através da identificação de pequenos nichos de negócio, da criação de produtos inteligentes, de inovação tecnológica apropriada e de estratégias “inteligentes” de comercialização32. Henriques, José Manuel, et al. (2012). Survey on Business Start-Up infrastructure, Dinamia’CET. Lisboa, pág. 4. 32 53 PARTE I PARTE I Percentagem 1 Outro Quadro n.º 20: Em que campo planeia introduzir inovação no seu negócio 52 Frequência Não existe O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O quadro n.º 23 resume as principais razões apontadas pelos promotores para os consumidores e clientes preferirem os seus produtos em detrimento dos seus concorrentes. Constatamos como principal razão a qualidade, 33,3% , seguindo-se o preço e a simpatia, ambos com 16,7% das respostas. De referir que a maior parte dos promotores indica praticar preços iguais aos seus concorrentes, 38,9% . 33,3% , correspondendo a sete indivíduos, praticam preços mais baixos e apenas um elemento pratica preços mais altos que os concorrentes. Quando questionados sobre o motivo de não praticarem preços mais baixos, a maioria dos promotores refere que já cobra o mínimo possível, sendo impraticável para manter a atividade baixar ainda mais os preços. Relativamente a não praticar preços mais elevados a maioria refere não fazê-lo com medo de perder clientes (9 ) e para fidelizar os clientes (6 ). Assim, concluímos que não é pela via do preço mais baixo que se viabilizam pequenos negócios como são o caso destes projetos de microempreendedorismo. Razão preferência Frequência Percentagem Qualidade 6 33,3 Preço 3 16,7 Regularidade de abastecimento 1 5,6 Simpatia 3 16,7 Outro 2 11,1 NS/NR 3 16,7 Total 18 100,0 Os clientes regulares representam menos de metade do total das vendas praticadas pelos microempresários, 38,9% . Apenas dois consideraram representar mais de metade o que nos leva a concluir a inexistência de uma clientela fixa e regular que dificulta, portanto, a estabilidade destes pequenos negócios. Quando questionados acerca dos principais problemas e dificuldades que se tem vindo a colocar na implementação e consolidação do seu negócio denota-se uma grande variedade de problemas apontados pelos inquiridos. Desde a dificuldade de acesso a espaços (3 – 16,7%), a insuficiente capacidade produtiva (2 – 11,1%), o deficiente escoamento da produção (2 – 11,1%), à localização das instalações, à falta de informação estratégica, às deficiências de apoio e acompanhamento técnico, às dificuldades de acesso ao crédito e às condições climatéricas adversas (no caso do pescador que devido ao mau tempo fica muitas vezes impedido de desenvolver a sua atividade piscatória). Se as condições económicas atuais já são extremamente adversas e difíceis para os negócios tradicionais, estas dificuldades exponenciam-se nestes micronegócios caracterizados por baixa produtividade, necessidades de capital e trabalho intensivo. Atingir o salário mínimo nestas condições é um desafio. Para a obtenção deste objetivo as ideias de negócios têm que estar de acordo com as competências individuais do empreendedor e com estratégicas de mercado adequadas à sua situação33. Quadro n.º 23: Principal razão para os clientes preferirem os seus produtos em detrimento da concorrência Henriques, José Manuel, et al. (2012). Survey on Business Start-Up infrastructure, Dinamia’CET. Lisboa, pág. 14. 33 55 PARTE I PARTE I 54 O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores 3.7. Postos de Trabalho e Rendimentos auferidos Relativamente ao número de postos de trabalho criados pelos 18 promotores entrevistados, constatamos, através da leitura do quadro n.º 24 a criação de 26 postos de trabalho. Destes, 20 são a tempo inteiro e 6 a tempo parcial. Constatamos ainda que 18 são referentes aos próprios promotores entrevistados e os restantes 8 foram contratações posteriores, ou seja, além da criação do seu próprio emprego, estes empresários criaram 8 novos postos de trabalho (quatro a tempo inteiro e quatro a tempo parcial). Postos de trabalho Tempo Parcial Total 16 2 18 Trabalhadores 4 4 8 Total 20 6 26 57 Quadro n.º 24: N.º de Postos de trabalho criados A maioria destes trabalhadores foi recrutada através de relações familiares e de parentesco com os próprios promotores, 27,8%. O que confirma a grande importância das relações informais. De referir que o motivo principal para as contratações foi o aumento do volume de trabalho (indicado por 7 promotores), apenas um promotor referiu a falta de conhecimentos específicos como motivo para ter contratado trabalhadores. A maioria dos trabalhadores contratados possui o 1.º e o 3º Ciclo (3 trabalhadores cada), conforme quadro n.º 25. Habilitações Literárias dos trabalhadores Tempo Completo Tempo Parcial Total Ensino Superior - - - Ensino Secundário 1 - 1 3º Ciclo (9º ano) 2 1 3 2º Ciclo (6º ano) 1 - 1 1º Ciclo (4º ano) - 3 3 Não sabe ler, nem escrever - - - Total 4 4 8 Quadro n.º 25: Habilitações literárias dos trabalhadores contratados % MC no Rendimento Familiar Frequência Percentagem 100% 4 22,2 75% 1 5,6 50% 2 11,1 25% 4 22,2 NS/NR 7 38,9 Total 18 100,0 Quadro n.º 26: Percentagem do rendimento do MC no total do rendimento familiar Em relação à remuneração note-se que 14 promotores referem auferir vencimentos mensais inferiores a 600,00 €, conforme quadro n.º 27. Apenas dois promotores informam obter rendimentos mensais superiores a 1.000,00 €. Um destes promotores tem uma oficina de mecânica e outro um gabinete técnico de arquitetura e desenho. PARTE I PARTE I 56 Tempo Inteiro Promotores De ressaltar ainda que nove promotores mencionam que tem vindo a beneficiar de ajuda a título não oneroso. Três através do apoio dos filhos, dois do cônjuge, dois de outros familiares e dois de amigos. Os outros nove promotores entrevistados referem nunca ter tido ajuda voluntária e não onerosa. No que diz respeito à percentagem do rendimento proveniente através do negócio implementado pelo MC no total do rendimento familiar, a maioria dos promotores não respondeu à questão – com 38,9%, conforme quadro abaixo. Quatro promotores declararam que o rendimento proveniente através da atividade apoiada pelo MC representa 100% do total de rendimentos auferidos, visto constituir a única atividade desenvolvida pelo agregado familiar. Para outros quatro o rendimento representa cerca de 25% do total de rendimentos auferidos pelo agregado familiar. Dois promotores referem representar metade e um 75%. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Importa ainda salientar a instabilidade destas remunerações que variam por vezes ao longo do ano (tendo em conta a sazonalidade de alguns negócios) ou mesmo mês a mês. Esta realidade é geral já que muitos dos negócios geram apenas modestos rendimentos, sendo comuns, retornos abaixo dos 10.000,00 € anuais34. Além deste aspeto constata-se que os homens, por norma, tem rendimentos superiores às mulheres35. Promotores Remuneração Tempo Completo Tempo Parcial Tempo Completo Tempo Parcial Superiores a 1.000,00€ 2 - - - 800,00€ a 1.000,00€ - 1 - - 600,00€ a 800,00€ 1 - - - 400,00€ a 600,00€ 4 - 5 - 200,00€ a 400,00€ 3 - - 1 Inferior a 200,00€ 5 1 - 1 NS/NR 1 - - - Total 16 2 5 2 Quadro n.º 27: Rendimentos auferidos pelos promotores e trabalhadores 3.8. Perspetivas Futuras No que diz respeito à sua perceção em relação ao futuro a maioria considera que o número de postos de trabalho se manterá (72,2% ). Seis promotores declaram mesmo estar a planear efetuar novos investimentos. Destes, metade refere que os mesmos serão financiados com recursos da própria empresa. Estes investimentos terão destinos variados como na melhoria das infraestruturas (4 ), aquisição de equipamentos (2 ), expansão de novos serviços e atividades (2 ) e aquisição de ativos biológicos (1 ). Cf. OECD/European Union (2014). The Missing Entrepreneurs – Policies for inclusive entrepreneurship in Europe, OECD Publishing, pág. 67. 34 Cf. Idem, pág. 64. 35 Situação actual do seu negócio Frequência Percentagem Mais 6 33,3 Menos 4 22,2 Igual 3 16,7 NS/NR 5 27,8 Total 18 100,0 Quadro n.º 28: Estás mais ou menos otimista sobre a situação atual do seu negócio, do que estava há seis meses atrás Relativamente à tendência do volume de encomendas no último ano 33,3% avalia ser uma tendência decrescente (seis promotores). 16,7% , correspondendo a três promotores, considera que tem vindo a subir. A mesma percentagem considera que o volume de encomendas tem vindo a estabilizar conforme quadro n.º 29 . Quanto ao montante de produção, três promotores consideram que subiu, outros três consideram que desceu e quatro que estabilizou. Volume de Vendas Montante da Produção Frequência Percentagem Frequência Percentagem Subir 3 16,7 3 16,7 Estabilizar 3 16,7 4 22,2 Descer 6 33,3 3 16,7 NS/NR 6 33,3 8 44,4 Total 18 100,0 18 100,0 Quadro n.º 29: Tendência do último ano relativamente ao volume de encomendas e de produção 59 PARTE I PARTE I 58 Empregados Seis promotores referem estar mais otimistas em relação à situação atual do seu negócio do que há seis meses atrás. Quatro (22,2% ) referem estar menos otimistas e três não estão nem mais nem menos otimistas – quadro n.º 28 . O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Não obstante o verificado no último ano a maioria dos promotores está otimista em relação ao próximo ano, considerando que os mesmos irão manter-se ou mesmo subir – ver quadro n.º 30 . Apenas um promotor pensa que ambos irão diminuir. Volume de Vendas Montante da Produção Frequência Percentagem Frequência Percentagem Subir 4 22,2 3 16,7 Estabilizar 7 38,9 6 33,3 Descer 1 5,6 1 5,6 NS/NR 6 33,3 8 44,4 Total 18 100,0 18 100,0 Quadro n.º 30: Tendência esperada para o próximo ano relativamente ao volume de encomendas e de produção No que diz respeito ao destino dos lucros futuros da atividade, quatro promotores pensam em reinvestir no negócio, quatro referem que serão para o sustento do agregado familiar, havendo ainda um promotor que pretende amortizar a divida MC . 3.9. Avaliação da medida MC pelos Promotores A maioria dos entrevistados, com 55,6% (10 promotores) afirma que não poderiam ter concretizado a sua ideia de negócio sem o MC , nas palavras de um dos promotores “…nos primeiros 6 meses (referindo-se à situação de desemprego), eu não tinha interesse nenhum, não sabia, não ia buscar isso! Ao fim de 6 meses quando apareceu a proposta do Microcrédito, para criar a minha própria empresa, foi aí que eu me despertei! Foi aí que eu fui buscar, quer dizer se isso dá para um lado e dá para o outro, eu vou experimentar, vou-me meter, se der para mim…”. Sete (38,9% ) referem que consideram que o poderiam ter feito mesmo sem este apoio e uma pessoa refere que não sabe se teria ou não sido possível avançar com a implementação do seu negócio sem o apoio do MC , não por terem acesso ao crédito (normal), uma vez que se encontravam numa situação de desemprego, mas por possuírem uma estrutura familiar capaz de os apoiar “… para não ir buscar ajuda ao meu pai que já me tinha ajudado durante 6 anos”. Cf. Henriques, José Manuel, et al. (2012). Survey on Business Start-Up infrastructure, Dinamia’CET. Lisboa pág. 37 e Cf. Communication From The Commission to the Council, The European Parliament, the European Economic and Social Committee and the Committee of the Regions (2007) – A European Iniciative for the Development of Micro-credit in Support of Growth and Employment, pág. 8. 36 Cf. OECD/European Union (2013). Policy Brief of Evaluations of Inclusive Entrepreneurship Programmes – Entrepreneurial Activities in Europe, Publications Office of European Union, pág. 10. 37 61 PARTE I PARTE I 60 No entanto, quando solicitados a explicar os motivos desta resposta treze promotores referem que não teriam acesso ao crédito pelas vias normais daí que não teriam implementado o negócio “Estava desempregado há mais de um ano e fui sempre tentando (referindo-se à obtenção de financiamento), mas nunca me emprestaram o dinheiro só aqui no MC.” Os restantes cinco promotores acreditam que teriam na mesma implementado o seu negócio mas com menores condições. Onze microempresários indicaram que aquando da implementação do seu negócio tinham conhecimento da existência de outros sistemas de investimento (além do MC ). Os motivos para não terem enveredado por outro sistema de apoio sem ser o MC foram muito variados. Desde o acharem que o MC era o mais enquadrável face ao negócio a implementar, não possuírem capital próprio, não quererem ir para um regime obrigatório de contabilidade organizada ou ter de abrir uma sociedade, ou até por considerarem que o MC era o mais ideal no sentido “de dar um passo de cada vez” na vida do seu negócio. Cinco promotores informaram que não tinham conhecimento de outros sistemas de apoio além do MC e dois não responderam à questão. Apesar do financiamento ainda ser um obstáculo ao empreendedorismo, tendo em conta o público-alvo destes programas, existem outras dimensões com maior prioridade e importância, tais como, a formação e o mentoring e coaching essenciais para promover as oportunidades de sucesso destas iniciativas empresariais36. Entre as principais barreiras que estes públicos fragilizados ao nível socioeconómico, têm de ultrapassar para criar o seu próprio negócio, contabilizam-se as barreiras de mercado, as barreiras culturais, as barreiras de competências e as institucionais37. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Cf. OECD/European Union (2013). Policy Brief of Evaluations of Inclusive Entrepreneurship Programmes – Entrepreneurial Activities in Europe, Publications Office of European Union, pág. 13. 38 22,2% (4 elementos) avaliaram como negativo, estes são essen- cialmente os promotores que encerraram o seu negócio sem sucesso e que consideram ter ficado numa situação pior do que a que estavam antes da sua candidatura, nas palavras de um dos entrevistados “Porque atualmente encontro-me em pior situação do que aquela que estava”, talvez completada com o comentário de outro microempresário “Em 2008 não devia dinheiro a ninguém, e agora devo!”, ou daqueles cujo negócio está a passar por graves dificuldades. Em relação à questão: “se voltasse atrás, sabendo o que sabe hoje, avançava na mesma com esta ideia de negócio?” 44,4% dos entrevistados, isto é, oito promotores responderam que sim. Sendo que cinco promotores justificam esta decisão porque gostam mesmo desta área de negócio e outros dois por gostarem de trabalhar por conta própria. De salientar que dois promotores referem que avançariam na mesma mas noutra área de negócio diferente da atual – “…sim teria sido isso, ir tentando… explorar um pouco mais. Eu acho que na altura, mais uma vez levado pelo otimismo que se vivia na altura, avancei um pouco sem conhecer a ilha, sem conhecer o local…” Sete promotores (38,9%) declararam que não teriam avançado com esta ideia de negócio e 16,7% (três promotores) não responderam à questão. 3.10. Impacto da medida MC nos Açores Uma das questões fundamentais quando falamos da avaliação de políticas públicas são os recursos públicos envolvidos na sua concretização. Assim, tentámos calcular o efeito líquido da Medida Microcrédito comparando os recursos públicos envolvidos no pagamento dos juros bancários aos beneficiários desta Medida (incluindo também o montante despendido no caso dos projetos que entraram em insolvência), com os recursos públicos envolvidos no pagamento do Rendimento Social de Inserção. Teremos, no entanto, de salientar o facto deste exercício não se mostrar totalmente completo, pois se por um lado conseguimos identificar os recursos públicos implicados de forma direta com os promotores Microcrédito, bem como o montante das contribuições destes últimos à segurança social, não conseguimos apurar corretamente as receitas auferidas pelo Estado em termos de IVA, IRS e IRC. 63 PARTE I PARTE I 62 É de realçar a relação existente entre as barreiras de mercado e as barreiras culturais, no caso de 3 microempresários que tinham tido uma experiência prolongada de vida fora do Arquipélago, nota-se o desajuste das elevadas expectativas que tinham aquando da fase de candidatura, e posteriormente os constrangimentos na fase de desenvolvimento do negócio “Eu já fiz alguma coisa similar na América, mas era jardins de água com peixes e coisas assim. Eu pensei que ia ser fácil aqui, mas algumas pessoas não querem fazer negócio com pessoas que não conhecem…”. Outro entrevistado aponta uma situação similar “… já me disseram, na cara “Nós preferimos dar o trabalho à pessoa da terra”.” Este poderá ser considerado um entrave específico às iniciativas de ‘empreendedorismo inclusivo’ em meio rural, onde os laços familiares e de vizinhança ainda assumem um peso significativo na escolha dos consumidores. Saliente-se que este constrangimento não foi apontado por nenhum dos promotores da ilha de S. Miguel, que apresenta uma dinâmica empresarial diferente das restantes ilhas do arquipélago. À necessidade de ajustamento e flexibilização dos programas de financiamento e de animação tanto ao público como aos tipos de negócios que poderão ser criados através destas iniciativas38, junta-se a necessidade destes terem em consideração as especificidades territoriais e comportamentos das comunidades, de modo a aumentar a probabilidade de sucesso destes micronegócios. Caso o MC não tivesse sido aprovado o volume de investimento efetuado pelos promotores teria sido de 155.500,00 € , ou seja, os promotores indicam que teriam realizado menos 42.200,00 € do que o total do investimento de facto efetuado. Quanto ao balanço que faz em relação à abertura do seu negócio a maioria dos inquiridos, 66,7%, correspondendo a 12 promotores considerou um balanço positivo. De salientar a não resposta por parte de 2 auscultados. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Cenário 1: \ Encargo por parte do Governo Regional com o Rendimento Social de Inserção até à idade de Reforma do Indivíduo (65 anos). \ Indivíduo não consegue arranjar trabalho por conta de outrem, nem procede à Criação do seu Próprio Emprego. \ Foram Utilizados os valores de RSI em vigor. Cenário 2: \ Encargo financeiro por parte do Governo Regional com a Medida de Apoio ao Microcrédito Bancário. Estes valores foram comparados tendo em conta o pressuposto que o indivíduo não consegue arranjar trabalho por conta d’outrem, nem procede à Criação do seu Próprio Emprego, até à idade de Reforma (65 anos). \ Utilizou-se o valor da Segurança Social atual para Empresários em Nome Indivídual (124,09 € ). Cenário 3: \ Compara as despesas que o Governo teria de suportar com uma pessoa que não consegue arranjar trabalho por conta d’outrem, nem procede à Criação do seu Próprio Emprego, permanecendo assim dependente dos apoios sociais. Para o cálculo destas despesas teve-se em consideração o prazo de amortização do empréstimo. Cenário 4: \ Comparar a despesa por parte do Governo Regional, no que respeita ao pagamento de juros e insolvências dos negócios, com a receita obtida por parte do Estado, caso o indivíduo tenha optado pela Candidatura ao Microcrédito Bancário. \ Foi considerado o Prazo de Amortização do empréstimo. \ Foi considerado o Salário Mínimo Regional atualizado (530,25€). Resultados Obtidos Caso os promotores recebessem o Rendimento Social de Inserção, até à idade da reforma, não tendo conseguido emprego por conta de outrem ou não tivessem criado o seu próprio emprego, o Governo Regional teria uma despesa total na ordem dos 2.989.649,16 €. Recorrendo novamente ao universo das 37 pessoas e pressupondo a eventualidade da permanência no desemprego, mas neste caso subsidiadas através do Rendimento Social de Inserção, e considerando-se para efetivação deste cálculo o Prazo de Amortização do Empréstimo Microcrédito, como período temporal, o Estado suportaria encargos com estas famílias na ordem dos 752.702,40 €. Considerando a possibilidade do promotor criar o seu próprio emprego através da Medida de Apoio ao Microcrédito Bancário, considerando-se como período temporal o Prazo de Amortização do empréstimo, o Estado teria um encargo de 78.357,79 €, com o pagamento juros do empréstimo. Findo ente prazo, e considerando a idade da reforma, apura-se o valor que reverte a favor da Segurança Social por parte dos 37 Empresários em Nome Individual que se cifra nos 1.420.582,32 €. 65 PARTE II I PARTE PARTE III 64 Por outro lado, ficaram também excluídas desta análise as despesas públicas envolvidas com a implementação e gestão da Medida Microcrédito, ou seja, o montante despendido pelo Governo Regional com o funcionamento e gastos com o pessoal. Mas tal análise, para ser corretamente realizada, implicaria a comparação entre essa despesa e a despesa com a implementação de outras medidas públicas de combate ao desemprego, à pobreza e à exclusão social, dados esses a que também não tivemos acesso. Partindo da análise dos 37 projetos Microcrédito implementados, onde estão incluídos tanto os processos em que os promotores liquidaram a dívida antecipadamente, como os processos que entraram em insolvência, criámos 4 cenários de forma a que os resultados obtidos contribuam para a clarificação exploratória das receitas e despesas públicas envolvidas na implementação de uma medida desta natureza. Será importante salientar que na análise dos recursos públicos envolvidos no pagamento do Rendimento Social de Inserção, foi calculada a despesa do Estado com todo o agregado familiar, uma vez que a criação do próprio emprego não tem apenas implicação na vida do promotor, mas sim de toda a envolvente familiar, e que caso este não tivesse sido criado tal teria implicações na sua situação socioeconómica. O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores O Programa de Apoio ao Microcrédito nos Açores Nestes moldes conclui-se que o valor investido pelo Governo Regional no apoio à criação do auto-emprego, no âmbito desta Medida de apoio, embora seja a longo prazo, é compensatório, verificando-se deste modo o retorno do investimento nos projetos apoiados, além das receitas provenientes dos mesmos e que revertem a favor do Estado. Para uma maior elucidação das conclusões acima descritas, apresenta-se a seguinte tabela que contém os pressupostos utilizados neste estudo, e que permite avaliar o impacto da Medida Microcrédito. Indivíduo é auto-sustentável (Cria o próprio emprego, através da Medida MC) Encargo do Estado até à idade da reforma 2.989.649,16 € Encargo do Estado: Período temporal igual ao prazo de amortização do empréstimo MC 752.702,40 € Peso do Encargo na Receita % da Receita relativamente à Despesa 1.420.582,32 € 5,52% 94,48% Receita do Estado: Período temporal igual ao prazo de amortização do empréstimo MC 343.977,48 € 24,21% 75,79% Encargo com o Estado com o Pagamento de Juros 78.357,79 € Receita do Estado até à idade da reforma do indivíduo (apenas Segurança Social) 67 PARTE II I PARTE PARTE III 66 Indivíduo não é auto-sustentável (Não cria próprio emprego, nem consegue emprego por conta de outrém) Avaliação do Impacto da Medida MC Após análise do quadro acima descrito constata-se que não sendo o indivíduo auto-sustentável, o Governo Regional teria um encargo financeiro com pagamentos no âmbito do Rendimento Social de Inserção, que varia entre os 752.702,40 € e os 2.989.649,16 €. Pressupondo que o indivíduo cria o seu próprio emprego, através da Medida Microcrédito, a receita do Estado proveniente dos Pagamentos das Contribuições à Segurança Social pelos promotores, varia entre os 343.977,48 € e os 1.420.582,32 €. Estes montantes dependem do período temporal da atividade, o que traduz um ganho por parte do Governo Regional que varia entre os 75,79% e os 94,48% , respetivamente. De salientar que foi utilizado o Rendimento Social de Inserção como valor de referência, uma vez que este é proveniente das verbas disponíveis pela Segurança Social, que suportam esta despesa junto dos agregados familiares. Neste seguimento, e de forma a manter a concordância e consistência entre os valores analisados, foram utilizados como receita do Estado, os Pagamentos das Contribuições à Segurança Social por parte dos contribuintes (amostra de 37 promotores MC ), como termo comparativo para a avaliação do impacto da Medida Microcrédito, em termos económicos. Face ao exposto concluí-se que o apoio prestado aos projetos submetidos à Medida de Apoio ao Microcrédito é compensatório e remunerado, pelo recebimento das Contribuições por parte dos promotores. Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Parte II Análise do Perfil dos candidatos MC e Formandos em Empreendedorismo 4. Enquadramento e Definição da “amostra” O Plaza, Gonçalo Duque (2010). O Microcrédito – uma ferramenta de empreendedorismo inclusivo. Tese de Mestrado em Economia Social e Solidária, ISCTE-IUL, 2010, pág. 15. 39 divulgação dos apoios ao empreendedorismo, mesmo que diminuta. De referir que, apesar dos nossos esforços, apenas obtivemos resposta destas 308 pessoas, no entanto a nossa estimativa inicial era aplicar este instrumento de recolha de informação a 892 indivíduos. Estes indivíduos aquando da frequência do curso ou candidatura ao MC estavam todos numa situação de desemprego. Os constrangimentos sentidos nesta obtenção foram diversos: desde os contactos telefónicos já não existirem, às próprias pessoas não mostrarem disponibilidade nesta auscultação. 5. Caracterização dos inquiridos 5.1. Distribuição por Sexo Através do quadro n.º 31 verificamos que a maioria dos inquiridos, são do sexo feminino (cerca de 52% ). Aproximadamente 48% são do sexo masculino. Sexo Frequência Percentagem Feminino 160 51,9 Masculino 148 48,1 Total 308 100,0 Quadro n.º 31: Distribuição por género 69 PARTE II PARTE II 68 ‘Empreendedorismo Inclusivo’ representa o potencial do empreendedor não tradicional para o estabelecimento de uma atividade por conta própria (autoemprego ou a criação de um pequeno negócio/empresa) como resposta de combate à sua situação de desemprego39. O ‘empreendedor inclusivo’ distingue-se dos dois tipos tradicionais de empreendedores (Baumol, 1993): o que implementa uma nova empresa independentemente de neste ato haver ou não inovação e o que transforma as suas ideias (inovadoras) em entidades economicamente viáveis. Neste estudo quando falamos em ‘empreendedorismo inclusivo’ estamos a definir os empreendedores que criam (ou tentam) um negócio não por este ser inovador ou resultar de uma análise de mercado, mas sim para colmatar um fator interno a eles próprios – a sua situação de desemprego que face à conjuntura atual também não seria resolvida pelas vias tradicionais (emprego por conta de outrem). O que distingue o ‘empreendedor inclusivo’ é que senão fosse a sua situação de desemprego nunca sequer pensaria em ter um negócio por sua conta – empreendedorismo por necessidade. Os 308 potenciais empreendedores inquiridos resultam da aplicação do inquérito por questionário (anexo n.º III ) a todos os indivíduos que até à data apresentaram candidatura à Medida do Governo Regional – Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário nos Açores e a todos os formandos que frequentaram um curso de formação em Empreendedorismo (na Cresaçor ou no Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores). Ressalvamos portanto que estes inquiridos, independentemente de terem ou não experiência como empreendedores, já foram alvo da Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo 5.2. Distribuição por Classe de Idades 5.3. Nacionalidade Relativamente à idade constatamos, através do quadro n.º 32 , que cerca de 44% têm entre 26 e 32 anos, estando portanto a maioria dos inquiridos numa faixa etária bastante jovem, fator este concordante com a estrutura etária da população açoriana. Entre os 33 e os 40 anos tivemos aproximadamente 26% dos inquiridos. Seguindo-se, com 15% a classe dos 18 aos 25 anos. As classes de idades acima dos 41 anos contaram, apenas com 15% dos indivíduos o que nos leva a concluir que a maioria dos potenciais empreendedores em análise (isto é, indivíduos que já se candidataram ao MC ou frequentaram uma ação de formação em empreendedorismo, dando portanto um 1 .º passo na “caminhada empreendedora”) têm menos de 40 anos. Através da análise do quadro n.º 33 verifica-se que a maioria dos formandos é de nacionalidade Portuguesa, 97,4% . Quatro pessoas são de nacionalidade brasileira representando assim 1,3% dos indagados. Classe de Idades Frequência Percentagem [18 a 25] 46 14,9 [26 a 32] 136 44,2 [33 a 40] 79 25,6 [41 a 47] 24 7,8 [48 a 55] 20 6,5 [56 e mais] 3 1,0 308 100,0 Total Quadro n.º 32: Distribuição por classe de idades Nacionalidade Frequência Percentagem 300 97,4 Brasileira 4 1,3 Filipina 1 0,3 Argentina 1 0,3 Bangladeshiana 1 0,3 Moçambicana 1 0,3 308 100,0 Portuguesa Total Quadro n.º 33: Nacionalidade 71 PARTE II PARTE II 70 Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo 5.4. Residência Atual – Distribuição por ilha 5.5. Habilitações literárias Relativamente à residência atual dos auscultados verifica-se que a esmagadora maioria reside atualmente na ilha S. Miguel, aproximadamente 79% (cf. quadro n.º 34 ), seguindo-se a ilha Terceira com 8,1% e a ilha de Santa Maria com 3,9% . Todas as restantes ilhas apresentam uma representação residual e em relação à ilha do Corvo, não tivemos nenhuma representação. Esta distribuição vai de encontro à própria distribuição dos processos MC – candidatos e aprovados o que significa a menor propensão ao empreendedorismo nas ilhas de menor dimensão. Relativamente ao nível de habilitações dos indagados constatamos, através do quadro n.º 35, que a maioria possui a licenciatura (35,7%). Seguindo-se o ensino secundário com aproximadamente 35%. Cerca de 10% possui o 3.º ciclo. Os níveis de ensino com menor expressão foram o 2.º ciclo, 4,5% e o 1.º ciclo, 1,9%. Constatou-se ainda a presença de indivíduos com escolaridade pós-licenciatura: 6,2% possuem uma pós-graduação; 6,5% mestrado e 0,3 (correspondendo a um indivíduo) doutoramento. Estas habilitações são bastante positivas e traduzem a evolução positiva que Portugal tem registado nos últimos anos, já que, no período de 2001 e 2011 assistiu-se a uma aproximação de Portugal à média Europeia. No entanto, apesar desta positiva aproximação Portugal continua a apresentar taxas inferiores à média Europeia40. Residência Frequência Percentagem Santa Maria 12 3,9 São Miguel 243 78,9 Terceira 25 8,1 Graciosa 1 0,3 São Jorge 3 0,9 Pico 6 1,8 Faial 4 1,3 Flores 1 0,3 Corvo - - Residência Não Açoriana 13 4,2 Total 308 100,0 Habilitações literárias Frequência Percentagem 1.º Ciclo (4.ª ano) 6 1,9 2.º Ciclo (6.º ano) 14 4,5 3.º ciclo (9.º ano) 30 9,7 Ensino Secundário (12.º ano) 108 35,1 Licenciatura 110 35,7 Pós-graduação 19 6,2 Mestrado 20 6,5 Doutoramento 1 0,3 308 100,0 Total Quadro n.º 34: Distribuição por ilha Quadro n.º 35: Distribuição por habilitações literárias Através da tabela de dupla entrada (quadro n.º 36) do género dos indivíduos pelas suas habilitações literárias constatamos que a maior parte das mulheres possui a licenciatura (cerca de 24%). Em relação aos homens a maioria possui o 12.º ano (aproximadamente 18%). Cf. Conselho Nacional de Educação (2012). Estado da Educação 2012 – Autonomia e Descentralização, Editorial do Ministério da Educação e Ciência, Págs. 36 e 37. 40 73 PARTE II PARTE II 72 Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Concluí-se portanto um maior nível de escolarização por parte do sexo feminino em relação ao masculino, o que vai também de encontro às estatísticas a nível do país, já que no mesmo período (de 2001 a 2011) a percentagem de mulheres que atingiu pelo menos o nível secundário não só foi sempre mais elevada do que a dos homens, como também evoluiu a um ritmo superior41 Tabela cruzada Sexo pelas Habilitações Literárias 1.º Ciclo (4.ª ano) 2.º Ciclo (6.º ano) 3.º ciclo (9.º ano) 74 PARTE II Licenciatura Pós-graduação Mestrado Doutoramento Total Total No que diz respeito à situação em relação ao emprego constatamos, através do quadro n.º 37 , que a maioria, 49,7% dos auscultados estão numa situação de desemprego, destes a maior parte, 31,2% é desempregado de longa duração (isto é, há mais de um ano), 15,6 são desempregados de curta duração (há menos de um ano) e 2,9% desempregados à procura do seu primeiro emprego. Aproximadamente 41% dos inquiridos estão empregados. Correspondendo a maioria destes a empregados por conta de outrem (26% ) e 14,6% a empresários por conta própria. Registe-se ainda a existência de 16 indivíduos (5,2%) que estão integrados em estágios profissionais ou programas governamentais e 2,3% que estão numa situação atual de estudantes. Feminino Masculino 1 5 6 0,3 1,6 1,9 8 6 14 2,6 1,9 4,5 9 21 30 Situação Profissional Frequência Percentagem Percentagem 2,9 6,8 9,7 Desempregado à procura de 1.º Emprego 9 2,9 Frequência 54 54 108 17,5 17,5 35,1 Desempregado á procura de novo emprego (NDLD) 48 15,6 73 37 110 96 31,2 23,7 12,0 35,7 Desempregado à procura de novo emprego (DLD) 6 13 19 Empregado por conta própria 45 14,6 1,9 4,2 6,2 Empregado por conta de outrém 80 26,0 9 11 20 Estagiário ou Programa ocupacional 16 5,2 2,9 3,6 6,5 Estudante 7 2,3 Frequência - 1 1 Reformado 1 0,3 Percentagem - 0,3 0,3 NS/NR 6 1,9 Frequência 160 148 308 308 100,0 Percentagem 51,9 48,1 100,0 Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Quadro n.º 36: Tabela cruzada do género pelas habilitações literárias Cf. Conselho Nacional de Educação (2012). Estado da Educação 2012 – Autonomia e Descentralização, Editorial do Ministério da Educação e Ciência, Págs. 36 41 5.6. Situação profissional atual Total Quadro n.º 37: Situação Profissional Atual 75 PARTE II Ensino Secundário (12.º ano) Sexo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo 5.7. Preferência relativamente à atividade profissional Quando questionados acerca da sua preferência relativamente à atividade profissional a maior parte dos interrogados afirma que numa situação em que pudessem optar prefeririam ser trabalhares por conta própria, 59,1%, conforme quadro abaixo. Em relação aos motivos para esta preferência (cf. quadros em anexo n.ºs IV, V e VI) prendem-se em 1.º lugar com a autorrealização (24,4%), independência pessoal (8,4%) e com gerir o seu próprio tempo (6,8%). 39,3% referem que preferiam trabalhar por conta de outros. Sendo que aqui os principais motivos apontados são o salário fixo e o rendimento certo (22,4%), a falta de recursos para iniciar um negócio próprio (3,2%) e a estabilidade no emprego (2,9%) – ver quadros em anexo n.ºs VII, VIII e IX. Se a sua opção foi trabalhar por conta própria pretende fazê-lo? Frequência Percentagem Individualmente 124 40,3 Em sociedade 72 23,4 NS/NR 112 36,4 Total 308 100,0 Quadro n.º 39: Preferência relativamente a trabalhar por conta própria Frequência Percentagem Trabalhador por conta própria 182 59,1 Trabalhador por conta d’outrém 121 39,3 Ambas 4 1,3 NS/NR 1 0,3 308 100,0 Total Em relação à forma como preferiam trabalhar por conta própria, isto é, se o preferiam fazer sozinhos ou em sociedade, a esmagadora maioria, 40,3% (ver quadro n.º 39 ) refere que preferia efetuá-lo individualmente, enquanto que 23,4% refere que pretende fazê-lo em sociedade, presumindo-se que pretendem assim partilhar o risco associado à abertura de um negócio com uma ou mais pessoas. Quadro n.º 38: Preferência relativamente à atividade profissional Relativamente às áreas de negócio que consideram mais interessantes para desenvolver um negócio nos Açores, foram apontadas diversas áreas, na tabela seguinte é possível analisar por áreas gerais de atividade, quais as que tiveram maior escolha. O turismo surge em destaque – com 19,5% das pessoas a considerarem a área de maior interesse atualmente para investir nos Açores. De referir que a maior parte dos inquiridos apenas indicou a área geral, não especificando o tipo de atividade. Dos que indicaram o turismo como área preferencial para investir nos Açores, dois apontaram que seria no turismo de habitação, dois no turismo rural, um em agroturismo e outro especificou que seria num hostel. O comércio e serviços reuniu 14,6%, incluindo-se aqui as áreas que podemos classificar como mais tradicionais (restaurantes, cafés, prestação de serviços na área da beleza, etc.). Com percentagens muito próximas surge-nos a área social 5,5% (indicada por 17 indivíduos) e a da educação com 5,2% (indicada por 16 indivíduos). Na área da educação estão ideias de negócio relacionadas principalmente como o apoio a crianças (creches e ATLs), idosos (apoio a idosos) e pessoas com necessidades especiais. 77 PARTE II PARTE II 76 Se pudesse optar preferia trabalhar como: Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Área de negócio Percentagem Agricultura 27 8,8 Alimentar 6 1,9 Ambiente 5 1,6 Área social (crianças, idosos, deficientes, etc.) 17 5,5 Artesanato 2 0,6 Comércio e serviços 45 14,6 Design 4 1,3 Educação 16 5,2 Informática 8 2,6 Padaria/doçaria 5 1,6 Pecuária 2 0,6 Transportes 2 0,6 Tecnologias e Telecomunicações 3 0,9 Turismo 60 19,5 Saúde 3 0,9 Outras 16 5,2 NS/NR 87 28,2 Total 308 100,0 Quadro n.º 40: Qual a área que considera mais interessante para iniciar um negócio nos Açores 6. Capacitação para o empreendedorismo O grupo de questões seguintes foi efetuado com o objetivo de analisar o grau de competências empreendedoras que os inquiridos consideram possuir. 6.1. Experiência e conhecimento Em relação ao quadro n.º 401 constatamos que a maior parte dos auscultados refere não ter experiência anterior como empresário, 76,3% . Cerca de 23% referem possuir experiência anterior como empresários. Possui experiência anterior como empresário? Frequência Percentagem Sim 72 23,4 Não 235 76,3 1 0,3 308 100,0 NS/NR Total Quadro n.º 41: Experiência como empresário Apesar da maioria não possuir esta experiência, quando questionados se consideram ter o conhecimento e a experiência para iniciar um novo negócio a superioridade dos inquiridos refere ter estas competências, 62% conforme quadro abaixo. Apenas 23% considera não deter o conhecimento nem a experiência necessários à abertura de um negócio. Considera ter o conhecimento e a experiência necessárias para iniciar um novo negócio? Frequência Percentagem Sim 191 62,0 Não 71 23,1 NS/NR 46 14,9 Total 308 100,0 Quadro n.º 42: Conhecimento e experiência necessárias para iniciar um novo negócio 79 PARTE II PARTE II 78 Frequência Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Relativamente à questão se tem familiares ou amigos que desenvolvem ou já desenvolveram uma atividade enquanto trabalhadores por conta própria, 75,3% dos indivíduos afirma que sim – ver quadro n.º 43 . 24,4% dos auscultados refere não ter ninguém no seu seio familiar ou círculo de amigos com esta característica. Tem familiares e/ou amigos que desenvolvem ou desenvolveram uma actividade enquanto trabalhador por conta própria? Frequência Percentagem Sim 232 75,3 Não 75 24,4 NS/NR 1 0,3 308 100,0 Total Quadro n.º 43: Tem familiares e/ou amigos que desenvolvem ou desenvolveram uma atividade por conta própria Com o intuito de analisar se o facto de terem familiares e ou amigos com experiências enquanto trabalhadores por conta própria influencia de alguma forma a autoperceção dos próprios em relação às suas competências efetuou-se as tabelas cruzadas em anexo (anexo n.º X ). Através da análise das mesmas constatamos que o facto de terem familiares ou amigos que desenvolvam ou tenham desenvolvido uma atividade enquanto trabalhadores por conta própria não apresenta relação com o facto de considerarem ter ou não experiência como empresário (19,6% ) – conclusão confirmada pelo teste do Qui-quadrado. No entanto, por observação das tabelas, esta variável já apresenta alguma relação com o facto de considerarem ter o conhecimento e a experiência necessárias para iniciar um novo negócio, 49% das respostas. Contudo esta relação não é estatisticamente significativa – conclusão da aplicação do teste do Qui-quadrado. 6.2. Conhecimento dos apoios ao empreendedorismo existente na RAA Na tentativa de analisar a perceção da amostra em relação aos apoios ao empreendedorismo ao seu dispor, bem como qual a perceção que têm sobre a criação de uma empresa nos Açores, efetuou-se um conjunto de perguntas (de concordância ou não) que passamos agora a analisar. Relativamente à análise do quadro n.º 44 constatamos que a esmagadora maioria dos inquiridos concorda que existe nos Açores uma ou mais entidades que apoiam a criação de empresas, 91,2% , destes 38,3% referem concordar totalmente com esta frase e 52,9% referem concordar parcialmente. Cerca de 8% discordam, sendo que destes 7,1% discordam parcialmente e 1,3% discordam totalmente. Existem uma ou mais entidades que apoiam a criação de empresas Frequência Percentagem 4 75,3 Discordo parcialmente 22 24,4 Concordo parcialmente 163 52,9 Concordo totalmente 118 38,3 Discordo totalmente NS/NR Total 1 0,3 308 100,0 Quadro n.º 44: Existem uma ou mais entidades que apoiam a criação de empresas No que diz respeito à existência de apoio ao empreendedorismo por parte do Governo Regional, conforme quadro n.º 45 , constatamos novamente a maioria das pessoas afirmarem que concordam com a frase, 94,8% . Destas 38% concordam totalmente e 56,8% concordam parcialmente. Apenas 4,8% não concordam que exista apoios do Governo ao Empreendedorismo. 81 PARTE II PARTE II 80 Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Este facto leva-nos a concluir que estes potenciais empreendedores, apesar de não terem avançado ou concluído (ainda) o seu projeto ou negócio estão informados acerca das diversas medidas governamentais de apoio ao empreendedorismo. Facto este que resulta, com certeza, dos esclarecimentos obtidos aquando da candidatura dos mesmos ao MC ou da sensibilização existente nos cursos de empreendedorismo para os sistemas de incentivos existentes na RAA – “animação”. Existem apoios ao empreendedorismo por parte do Governo Regional Frequência Percentagem Discordo totalmente 1 0,3 Discordo parcialmente 14 4,5 Concordo parcialmente 175 56,8 Concordo totalmente 117 38,0 1 0,3 308 100,0 NS/NR Total Quadro n.º 45: Existem apoios ao empreendedorismo por parte do Governo Regional Relativamente à existência nos Açores de oportunidades para criar empresas e negócios, constatamos através do quadro abaixo, que novamente a maior parte dos indivíduos concorda com esta frase, 90,2%, destes 33,4% concordam totalmente e 56,8% parcialmente. 9,4% discordam da mesma, sendo que destes 0,6% discordam totalmente (2 indivíduos) e 8,8 parcialmente. Existem nos Açores oportunidades de criar empresas e negócios Frequência Percentagem Discordo totalmente 2 0,6 Discordo parcialmente 27 8,8 Concordo parcialmente 175 56,8 Concordo totalmente 103 33,4 1 0,3 308 100,0 NS/NR Total Quadro n.º 46: Existem nos Açores oportunidades de criar empresas e negócios Em relação à existência de apoios técnicos e financeiros disponíveis aos empreendedores (ver quadros n.ºs 47 e 48) 73,5% dos auscultados referem conhecer alguns dos apoios técnicos disponíveis e 89,9% referem conhecer alguns dos apoios financeiros existentes de apoio. É, portanto, um facto curioso, analisar que apesar de com percentagens bastante próximas, os apoios financeiros existentes são mais conhecidos pelos indagados do que os apoios técnicos disponíveis. Extrapolar este facto à população em geral poderá concluir-se que é feita uma aposta na divulgação, por parte das entidades governamentais, superior aos sistemas financeiros e de incentivos existentes do que ao apoio técnico das instituições e/ou entidades que trabalham diretamente com os potenciais empreendedores. Conhece alguns apoios técnicos disponíveis aos empreendedores? Frequência Percentagem Sim 227 73,5 Não 69 22,3 NS/NR 13 4,2 Total 308 100,0 Quadro n.º 47: Conhece alguns apoios técnicos disponíveis aos empreendedores Conhece alguns apoios financeiros disponíveis aos empreendedores? Frequência Percentagem Sim 277 89,9 Não 27 8,8 NS/NR Total 4 1,2 308 100,0 Quadro n.º 48: Conhece alguns apoios financeiros disponíveis aos empreendedores Quando lhes foi solicitado para referirem algumas das entidades que os poderiam apoiar no processo de criação de uma empresa a maioria, 30,2% dos inquiridos indicou a Cresaçor, seguindo-se com a mesma percentagem a DRAIC e o CE da UA ç, com 6,8% (ver quadro n.º 49 ). 83 PARTE II PARTE II 82 Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Não obstante, considerarmos um facto positivo o reconhecimento demonstrado à Cresaçor enquanto entidade que presta este apoio, principalmente através do Gabinete de Apoio ao Empreendedorismo e Microcrédito Bancário, julgamos não poder extrapolar este facto à sociedade em geral dado os pressupostos aquando da definição da nossa amostra (indivíduos que, pelo menos a maioria, à partida já tiveram um contacto com a Cresaçor através do gabinete já referenciado ou através da formação). Entidades que apoiam no processo de criação de um negócio Percentagem 11 3,6 Câmara do Comércio 3 1,0 CE Uaç 21 6,8 Cresaçor 93 30,2 DRAIC 15 4,9 Gabinete do Empreendedor 21 6,8 Outros organismos governamentais 21 6,8 Outros 21 6,8 NS/NR 102 33,1 Total 308 100,0 AQE PARTE II 84 Quadro n.º 49: Entidades que apoiam no processo de criação de uma empresa/negócio Através da análise do quadro n.º 50 constatamos que grande parte dos inquiridos conhece alguém que iniciou um negócio nos últimos anos, 61,7% . 38% dos indivíduos responderam que não conhecem pessoalmente ninguém com esta característica. Este facto naturalmente está relacionado com o aumento da natalidade das empresas nos Açores e no país, já que a dinâmica dos últimos trimestres revela um aumento do número de constituições por cada dissolução. Em Portugal nasceram 2,3 novas empresas por cada empresa dissolvida, sendo este o número mais elevado dos últimos 5 anos, em média por cada empresa que fecha são constituídas 6 42. Cf. Barómetro Informa D & B (Março 2014), pág. 12. 42 Da análise do número de constituições por cada dissolução natural ocorrida por distrito nos últimos 12 meses (março de 2013 a fevereiro de 2014 ) constata-se que o concelho de Ponta Delgada obteve o maior rácio constituição/dissolução naturais, 4,3 43. Constata-se ainda que os novos postos de trabalho estão a ser criados mais pelas novas iniciativas empresariais do que pelas empresas existentes, tal como acontece em outros países. Entre 2007 a 2011 as pequenas empresas constituem 98% do tecido empresarial e foram responsáveis por 61% do novo emprego criado44. As pequenas empresas criaram 61% do novo emprego e as empresas jovens criaram 46% do novo emprego, mas as pequenas empresas quando são jovens criam 34% do novo emprego e entre os 6 e os 20 anos de idade ainda criam 20% do emprego. Além disso, 6,5% do tecido, representam sozinhas cerca de 18% do emprego criado em cada ano45. De realçar ainda que, segundo o mesmo estudo “Onde nasce o novo emprego em Portugal?” 93% destas empresas são constituídas unicamente por pessoas singulares. Conhece pessoalmente alguém que tenha iniciado um negócio nos últimos anos? Frequência Percentagem Sim 190 61,7 Não 117 38,0 NS/NR Total 1 0,3 308 100,0 Quadro n.º 50: Conhece pessoalmente alguém que tenha iniciado um negócio nos últimos anos Cf. Barómetro Informa D & B (Março 2014), pág. 42. 43 Cf. Menezes, Teresa Cardoso de, (2013). Onde Nasce o Novo Emprego em Portugal. 44 Cf. Idem.. 45 85 PARTE II Frequência Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo 6.3. Vontade Empreendedora No caso de possuir uma ideia de negócios esta resultou de: Frequência Percentagem De ressalvar a importância, aqui novamente constatada, da experiência profissional na escolha de uma ideia de negócio e posteriormente implementação do mesmo. Estes dados convergem com o analisado no ponto 3.6. (quadro n.º 18 ) em que a razão maioritária dos promotores para escolherem a atividade que implementaram também se deveu à sua experiência profissional anterior enquanto trabalhadores por conta de outrem. Este facto explica-se principalmente por ser a área de atividade em que se sentem mais à vontade e que “dominam”, todavia poderá dificultar a viabilidade destes negócios por diversos fatores (falta de inovação, existência de concorrentes fortes e diretos, fraca capacidade produtiva, entre outros). A maior parte dos inquiridos refere que pensa recorrer (ou já recorreu) a apoios do governo para financiar o seu negócio (numa fase inicial), 38,4% (ver quadro n.º 52). 30,2% indica que pensa recorrer a capital próprio/poupanças, 11,6% recorrerá ou já recorreu a empréstimos bancários e 8,7% a apoio de familiares. A que fontes de financiamento iniciais pensa recorrer/recorreu para financiar o seu negócio: Frequência Percentagem Actividade profissional desenvolvida 40 23,0 Capital próprio/poupanças 52 30,2 Oportunidade de mercado 36 20,7 Familiares 15 8,7 Passatempo/hobbie 7 4,0 Amigos 3 1,7 Gosto Pessoal 39 22,4 Empréstimo Bancário 20 11,6 Formação profissional 26 14,9 Apoios do Governo 66 38,4 Investimento compatível com os meus recursos 4 2,3 Outro 16 9,3 Actividade ser desenvolvida por familiares/amigos 13 7,5 Total 172 100,0 Outro 9 5,2 Total 174 100,0 Quadro n.º 51: No caso de possuir uma ideia de negócios esta resultou de Quadro n.º 52: A que fontes de financiamento iniciais pensa recorrer/recorre para financiar o seu negócio 87 PARTE II PARTE II 86 Dos 308 inquiridos 191 (62% ) referem o desejo de abrir o seu próprio negócio, destes 114 (59,7% ) referem ter uma ideia de negócio definida. No entanto, quando questionados acerca de onde resultou a ideia de negócio que têm obtivemos 174 das respostas (56,5% ), ou seja, apesar de apenas 114 referirem possuírem uma ideia de negócio definida uma percentagem maior indica de onde resultou a ideia o que nos leva a concluir que cerca de 60 indivíduos tem uma ideia de negócio apesar de pouco desenvolvida. 23% dos indivíduos referem que a sua ideia de negócio resultou de uma atividade profissional desenvolvida, seguindo-se, com 22,4% , através de um gosto pessoal e 20,7% resultantes de uma oportunidade que identificam no mercado. As ideias resultantes de formação profissional foram indicadas por aproximadamente 15% dos auscultados. Apenas 7,5% das pessoas refere como causa o ser uma atividade desenvolvida por familiares ou amigos e 4% de um hobbie ou passatempo, conforme quadro n.º 51 . Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Através da análise do quadro n.º 53, constatamos que a maioria do investimento inicial das empresas foi (ou será) inferior aos 5.000,00 €, 44,4%, o que nos leva a concluir que, tendo em conta o reduzido investimento inicial, trata-se da abertura de pequenos negócios – criação do autoemprego. 27% mencionam um investimento inicial na ordem dos 5.000,00 € a 15.000,00 €, 12,7% dos 15.000,00 € a 30.000,00 € e 9,5% (correspondendo a 6 pessoas) indicam um investimento inicial superior a 60.000,00 €. Caso já tenha criado o seu negócio/empresa qual o valor do investimento inicial? Percentagem Até 5.000,00€ 28 44,4 [5.000,00€ a 15.000,00€[ 17 27,0 [15.000,00€ a 30.000,00€[ 8 12,7 [30.000,00€ a 45.000,00€[ 1 1,6 [45.000,00€ a 60.000,00€[ 3 4,8 Mais de 60.000,00€ 6 9,5 Total 63 100,0 Quadro n.º 53: Caso já tenha criado o seu negócio/empresa qual o valor do investimento inicial Quando questionados se consideram que a localização de um negócio é importante para o sucesso do mesmo a maioria dos indivíduos refere que sim com 81,3% das respostas. Apenas 16,1% consideram que este não é um fator importante para o sucesso do seu negócio, tendo em conta a área de atividade do mesmo (conforme o quadro seguinte). Tendo em conta a sua área de actividade considera que a localização de um negócio é um factor importante para o sucesso do mesmo? Frequência Percentagem Sim 91 81,3 Não 18 16,1 NS/NR 3 2,7 112 100,0 Total Quadro n.º 54: Considera que a localização de um negócio é um fator importante para o seu sucesso Da análise do quadro seguinte concluímos que aproximadamente 90% dos indivíduos sentem que tem o apoio dos seus familiares para a criação do seu próprio negócio. Cerca de 10% referem que não se sentem apoiados pela família o que pode vir a constituir um entrave futuro na implementação da ideia que possuem atualmente. Sente o apoio da família na criação do seu negócio? Frequência Percentagem Sim 104 89,7 Não 12 10,3 Total 116 100,0 Quadro n.º 55: Apoio Familiar A partir do quadro n.º 56, alusivo às principais dificuldades sentidas para criar uma empresa, nota-se que a dificuldade mais apontada prende-se com o financiamento necessário à implementação da mesma, 42,9%. 36,5% apontam a burocracia exagerada. Todas as restantes dificuldades apresentam percentagens inferiores a 10% e prendem-se com fatores intrínsecos ao indivíduo, como sejam, a falta de experiência enquanto empresário (9,6%), a falta de informação (6,4%), a falta de conhecimentos de gestão (3,8) e a falta de apoio familiar (0,6%). Estes dados são curiosos tendo em conta o contexto do empreendedorismo em Portugal – cultura avessa ao risco e ao empreendedorismo e portanto contraria o aferido neste ponto já que as pessoas não sentem como principais dificuldades as suas próprias características e competências mas sim os fatores externos a elas mesmas e portanto não contornáveis (à partida pelos próprios) como é o facto da burocracia exagerada. 89 PARTE II PARTE II 88 Frequência Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Quais as maiores dificuldades que sente para criar a sua empresa? Frequência Percentagem Dificuldades em obter o financiamento necessário 67 Falta de informação 10 6,4 Burocracia exagerada 57 36,5 Falta de conhecimentos de gestão 6 3,8 Falta de experiência enquanto empresário 15 9,6 Falta de apoio familiar 1 0,6 156 100,0 Total 42,9 Quadro n.º 56: Dificuldades sentidas na abertura de uma empresa Se pensasse abrir uma empresa hoje, quais os riscos que mais temeria? Frequência Percentagem Incerteza de rendimentos 121 35,1 Medo de não ser bem sucedido 95 27,5 Medo de ir à falência 56 16,2 Insegurança no emprego 9 2,6 Medo de perder os bens pessoais 12 3,5 Ficar sem tempo para mais nada 16 4,6 Outro 36 10,4 Total 345 100,0 Quadro n.º 57: Riscos mais temidos na abertura de uma empresa Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores, et al. (2010). GEM Açores 2010 – Estudo sobre o Empreendedorismo. Açores, pág. XIV 46 No que concerne aos fatores que consideram mais determinantes para o sucesso de um negócio nos Açores os mais apontados foram o gestor que está à frente da empresa, 32,1%, o setor de atividade em que está inserido, 20,5% e o contexto económico, 14,9% conforme quadro n.º 58. Quais os factores que considera mais determinantes para o sucesso de um negócio nos Açores? (1.º) Frequência Percentagem O gestor que está na frente da empresa 99 32,1 O sector em que está inserido 63 20,5 O contexto económico (crise económica) 46 14,9 O acesso ao financiamento 29 9,4 A personalidade do líder da empresa 16 5,2 O contexto político (políticas económicas) 5 1,6 Os contactos pessoais 29 9,4 Outro 14 4,5 NS/NR 7 2,3 308 100,0 Total Quadro n.º 58: Fatores determinantes para o sucesso de um negócio O quadro n.º 59 resume as considerações feitas pelos inquiridos a um conjunto de frases, tendo-lhes sido solicitado que as considerassem como verdadeiras ou falas. Relativamente à primeira frase “É difícil criar um negócio devido às dificuldades de financiamento” a maioria das pessoas inquiridas considerou a frase verdadeira com 89,3% das respostas. Ou seja, apesar do elevado conhecimento acerca das medidas de apoio e dos incentivos ao empreendedorismo existentes na RAA (conforme vimos na análise anterior no ponto 6.2.) as dificuldades de financiamento são sentidas ainda por um número elevado de indivíduos, sendo a mesma considerada como um entrave (conforme também já visto neste capítulo na análise do quadro n.º 56 – “Quais as maiores dificuldades que sente para criar a sua empresa). 91 PARTE II PARTE II 90 Relativamente aos riscos mais temidos caso abrissem uma empresa hoje, o mais apontado é a incerteza dos rendimentos, 35,1%, seguindo-se o medo de não ser bem sucedido com 27,5% e o medo de ir à falência, 16,2% (confirmar com o quadro n.º 57). Estes dados confirmam as conclusões dos investigadores que defendem que o baixo nível de empreendedorismo dos portugueses pode ser explicado por vários fatores, entre eles a predominância de uma cultura avessa ao risco e que é transmitida entre gerações.46 Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Relativamente às afirmações considera-as verdadeiras ou falsas Verdadeira Falsa NS/NR Total É difícil criar um negócio devido às dificuldades de financiamento 89,3 10,4 0,3 100,0 É difícil criar uma empresa devido à burocracia associada a todo o processo 80,2 18,5 1,3 100,0 É difícil obter informações relativas à criação de empresas e de apoios 33,1 65,9 1,0 100,0 Antes de se iniciar um negócio deve sempre elaborar-se um plano de negócios e estudo de mercado que nos possibilite estruturar e analisar a viabilidade do negócio 98,1 1,0 1,0 100,0 O clima económico actual não é propício à criação de empresas 57,8 40,6 1,6 100,0 Quadro n.º 59: Relativamente às afirmações considere-as como verdadeiras ou falsas 6.4. Microcrédito Em relação à Medida específica do Governo Regional – Microcrédito bancário, é conhecida por 92,2% dos questionados, conforme quadro n.º 60 . Apenas 5,5% referem não conhecer esta medida de apoio e 2,2% não responderam à questão. Conhece a medida do Governo Regional de Apoio ao Microcrédito nos Açores Frequência Percentagem Sim 284 92,2 Não 17 5,5 NS/NR 7 2,2 308 100,0 Total Quadro n.º 60: Conhece a medida do governo regional de Apoio ao Microcrédito nos Açores Dos que conhecem a Medida 38% já se candidataram ou pensam candidatar-se no futuro. Conforme o quadro abaixo 41,9% não se candidatou nem tenciona fazê-lo. Em caso afirmativo já se candidatou ou pensa candidatar-se Frequência Percentagem Sim 117 38,0 Não 129 41,9 NS/NR 62 21,1 Total 308 100,0 Quadro n.º 61: Em caso afirmativo já se candidatou ou pensa candidatar-se Relativamente à forma como tiveram conhecimento da existência desta Medida de apoio – MC, através da análise do quadro n.º 62, verificamos que os meios de comunicação social com 27,7% foi a forma mais apontada pelos inquiridos, seguindo-se através de familiares e amigos (a chamada publicidade “boca-a-boca”) com 15,2%. 93 PARTE II PARTE II 92 Também foi considerada como verdadeira, por cerca de 80%, a dificuldade em criar uma empresa devido à burocracia associada a todo o processo, o que reforça também o analisado no quadro n.º 56, já que a burocracia exagerada foi a 3.º dificuldade mais apontada pelos inquiridos (36,5%). Relativamente à frase “é difícil obter informação relativas à criação de empresas e de apoios” esta foi considerada como falsa pela maioria dos entrevistados com aproximadamente 66% das respostas. Em relação à 4.ª frase foi considerada verdadeira pela irrefutável maioria, 98,1%, constatando-se assim que quase todos os inquiridos já tem bem presente a importância de efetuar um plano de negócios e estudo de mercado antes de abrir um negócio, de modo a aferir a viabilidade do mesmo e assim diminuir o risco associado à abertura de um novo negócio. Em relação ao clima atual não ser propício à criação de empresas foi considerado verdadeiro por 57,8% e falso por 40,6%. Trata-se portanto da frase que gerou menor consenso entre os auscultados, o que poderá estar relacionado com o contexto atual de grave e prolongada crise económica, em que uns consideram ser um clima avesso a investimentos, mas outros consideram ser também um período de novas oportunidades. Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo A Agência para a Qualificação e Emprego representou 10,6% das respostas, surgindo assim como a 3 .ª forma mais indicada. De referir que a AQE tem um papel fulcral no encaminhamento dos cidadãos desempregados, efetuando diversas ações de sensibilização onde entre outros assuntos procede à divulgação do CPE -Premium e do MC , como via para a inserção laboral destes indivíduos (apresentando-lhes assim alternativas ao tradicional emprego por conta de outrém). Como teve conhecimento desta medida? Dos inquiridos, 255 indivíduos (82,8% ), já frequentaram um curso de formação em Empreendedorismo (conforme anexo n.º XI ). Destes 55,2% frequentou-o no Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores e 25,3% na CRESAÇOR – ver quadro n.º 64 . Frequência Percentagem Centro de Empreendedorismo na Uaç Se sim, em que instituição? 170 55,2 Cresaçor 78 25,3 Norma Açores 1 0,3 Frequência Percentagem Através dos órgãos da comunicação social 86 27,7 Outra 4 1,3 Através da Agência para a Qualificação e Emprego 33 10,6 NS/NR 55 17,9 Através dos Serviços de Acção Social 8 2,6 Total 308 100,0 Através de familiares/amigos 47 15,2 Através de um promotor Microcrédito 25 8,1 Através de pesquisa própria 11 3,5 Através do Gabinete do Empreendedor 27 8,7 Assisti a um seminário onde foi divulgado o MC 10 3,2 Outro 63 20,3 Total 310 100,0 Quadro n.º 62: Como teve conhecimento desta medida Quando questionamos esta questão aos promotores MC (ver quadro n.º 16) o meio mais apontado foi a AQE, pelo que podemos concluir que apesar de não ser o único meio de divulgação da medida MC é, provavelmente o mais eficaz. Relativamente ao contributo que o MC tem dado na Região, a maior parte dos indivíduos que responderam consideram-no como positivo, 55,8%. Apenas 7,5% considera que não é um contributo positivo, conforme quadro n.º 66. Considera que o MC tem dado um contributo positivo ao empreendedorismo nos Açores Sim Frequência Percentagem 172 55,8 Não 23 7,5 NS/NR 113 36,6 Total 308 100,0 Quadro n.º 63: Contributo da medida MC Quadro n.º 64: Instituição onde frequentou o curso de formação em Empreendedorismo Da análise do quadro n.º 65 , constatamos que 87% dos indivíduos consideram que este curso é importante para os futuros empresários. Apenas 2,9% , correspondendo a 9 indivíduos consideram-no sem importância. Considera que a frequência deste curso é importante para os futuros empresários? Sim Frequência Percentagem 268 87,0 Não 9 2,9 NS/NR 31 10,1 Total 308 100,0 Quadro n.º 65: Importância do curso frequentado 95 PARTE II PARTE II 94 Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Análise do perfil dos candidatos MC e formandos em Empreendedorismo Apesar da maior parte já ter frequentado um curso de formação em empreendedorismo, o interesse em frequentar, no futuro, novamente formações nesta área é bastante elevado, como se pode constatar no quadro n.º 66 , já que 65,3% afirma que estaria interessado em frequentar uma nova formação em empreendedorismo no futuro. Apenas 32,5% indica não ter este interesse. Estaria interessado em frequentar formação em empreendedorismo? Frequência Percentagem Sim 201 65,3 Não 100 32,5 NS/NR Total 7 2,3 308 100,0 Quadro n.º 66: Interesse em frequentar formações em empreendedorismo PARTE II 96 Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Parte III Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo C Cf. Pereira, Elvira Sofia Leite de Freitas (2010). Contextos territoriais diferentes fazem a diferença no risco de pobreza em Portugal? Em: Revista Sociedade e Trabalho, n.º 41, MTSS, pág. 114. 47 A Comissão Europeia identificou, em 2008, quatro círculos viciosos da pobreza em áreas rurais48. Será interessante perceber a ligação entre o círculo vicioso do isolamento e o círculo vicioso do mercado de trabalho, e a sua influência no surgimento das iniciativas de ‘empreendedorismo inclusivo’. Por um lado as carências a nível das infraestruturas, notadas nas ilhas de menor dimensão, afetam o desenvolvimento económico, e por consequência levam a que as pessoas saiam à procura de novas oportunidades o que se traduz numa maior quebra demográfica desses territórios, aumentando assim o isolamento destes territórios.49 Da mesma forma que as poucas oportunidades do mercado de trabalho conduzem à emigração da população deixando esses territórios ainda mais carentes de quadros qualificados, limitando consequentemente o investimento empresarial.50 Se o risco de pobreza dos residentes das áreas pouco povoadas corresponde ao dobro do risco de pobreza dos cidadãos que residem em áreas densamente povoadas e que a localização é tida em conta como fator potenciador ou limitativo desta realidade51, teremos que ter em consideração que as iniciativas de ‘empreendedorismo inclusivo’ são ainda menos passíveis de surgir quanto menor for a dimensão do território e mais isolado este se encontrar. A própria União Europeia reconhece as Regiões insulares como aquelas que apresentam uma maior necessidade de intervenção tendo em vista a coesão económica, social e territorial.52 Cf. Pereira, Elvira Sofia Leite de Freitas (2010). Contextos territoriais diferentes fazem a diferença no risco de pobreza em Portugal? Em: Revista Sociedade e Trabalho, n.º 41, MTSS, pág. 114. 48 Idem, pág. 115. 49 Cf. Idem, ibid. 50 Cf. Idem, pág. 113. 51 Henriques, José Manuel (2010). Inovação Social e Coesão Territorial: Contributos EQUAL. Em: Separata do Relatório de Execução Final do Programa EQUAL, Gabinete de Gestão EQUAL (ed.), pág. 28 52 99 PARTE III PARTE III 98 om o objetivo de analisar as condições territoriais para o desenvolvimento de iniciativas de ‘Empreendedorismo Inclusivo’ e avaliar o funcionamento da Medida Microcrédito numa vertente institucional, recorremos a 3 metodologias diferentes de recolha e análise de informação – aplicação de questionários por inquéritos às entidades regionais com interesse na matéria, realização de contactos “Cliente Mistério” a uma parte das entidades previamente questionadas e concretização de 4 sessões de trabalho – Focus Group. Mantendo-nos fiéis ao nosso propósito em efetuar uma análise diferenciada por ilha, deparamo-nos com os mesmos constrangimentos que na análise anterior sobre o perfil dos candidatos ao MC e formandos em empreendedorismo – o facto da Ilha de São Miguel concentrar mais de metade da população do arquipélago, o que consequentemente originou a que para além da maioria dos indivíduos inquiridos no ponto II deste estudo habitarem nesta ilha, também aqui foi consultado um maior número de entidades. Assim, durante a leitura e interpretação dos dados teremos sempre que ter em consideração que a Ilha de São Miguel apresenta diferenças fundamentais em relação às restantes, tendo um mercado muito mais dinâmico e um maior acesso à informação. No entanto, para analisar as condições existentes para as iniciativas de ‘Empreendedorismo Inclusivo’ é fundamental ter em consideração as características das unidades territoriais, uma vez que a condicionante localização se encontra, quer relacionada com o risco de pobreza quer com a potenciação das iniciativas empreendedoras. Entre as formas como as características locais podem influenciar a pobreza, podemos destacar as normas sociais e o ambiente cultural, bem como as características demográficas da população47 como os principais obstáculos ao surgimento das novas iniciativas empresariais, na maioria das ilhas do Arquipélago. Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo 7. Breve caracterização das instituições inquiridas e dos apoios prestados Foram aplicados 46 inquéritos por questionário, que representam as 9 ilhas do arquipélago conforme quadro abaixo. cidadãos pelos apoios à criação de empresas, representando os desempregados 43,8% desse público, seguindo-se os jovens, com 37,5% e as mulheres com 12,5%. Característica principal da população que recorrer a este serviço Percentagem 21 43,8 Mulheres 6 12,5 Jovens 18 37,5 4,3 Outra 3 6,3 5 10,9 Total 48 100,0 Pico 7 15,2 Faial 3 6,5 Flores 4 8,7 Frequência Percentagem Santa Maria 4 8,7 Desempregados São Miguel 13 28,3 Terceira 6 13,0 Graciosa 2 São Jorge Corvo 2 4,3 Total 46 100,0 Quadro n.º 69: Característica principal das pessoas que recorrem a estes serviços Quadro n.º 67: Distribuição das Instituições inquiridas por ilha A maioria das instituições questionadas foram organizações não governamentais sem fins lucrativos (IPSS, associações, fundações e cooperativas) e Câmaras Municipais, ambas com 30,4%, conforme quadro n.º 68. Seguindo-se os organismos governamentais, aqui representados pelos Gabinetes de Empresa existentes em todas as ilhas da Região (exceto Corvo) e pelas câmaras de comércio, ambos com 17,4%. Tipologia da Instituição Frequência Percentagem ONG não lucrativas 14 30,4 Câmara Municipal 14 30,4 Câmara de Comércio 8 17,4 Organismo Governamental 8 17,4 Outra 2 4,3 Total 46 100,0 Quadro n.º 68: Distribuição das Instituições inquiridas por tipologia da organização No que diz respeito aos principais apoios prestados pela instituição a maioria prende-se com esclarecimentos e encaminhamento dos indivíduos, com 26,4% das respostas. 25,6% refere apoiar ao nível da informação, sensibilização e divulgação e 15,5% prestam apoio técnico às pessoas que acompanham. De facto prestar apoio e esclarecimentos aos utentes é fulcral enquanto condição de base para o desenvolvimento de iniciativas empresariais, no entanto não devemos esquecer a importância do diagnóstico, pois não interessa apenas perceber o enquadramento legal da área de negócio apresentada, mas também conhecer a sua situação sócio-económica e perfil, de modo a encaminhar o empreendedor para a resposta mais adequada às suas necessidades. O Governo Regional tem procurado estimular a criação e desenvolvimento de novas iniciativas empresarias através da criação de diversos apoios, alguns dos quais poderão ser complementares às iniciativas dos promotores da Medida Microcrédito. A seleção dos apoios que se adequam à situação socioeconómica destes indivíduos, foi feita segundo dois pressupostos: apoios que não dependem do acesso ao crédito por parte dos promotores; e apoios cujo montante de investimento apresenta um valor bastante reduzido, destacamos programas como o CPE-PREMIUM, Integra Start Up, Loja +, Programa de Apoio à Restauração e Hotelaria para a Aquisição de Produtos Regionais e SIDART. 101 PARTE III PARTE III 78,3% afirma estar a notar uma procura crescente por parte dos Frequência Ilha 100 Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo O anexo XII sintetiza o levantamento efetuado de todos os apoios, em vigor à data de conclusão deste Estudo, e indica a forma como estes poderão beneficiar os ‘empreendedores inclusivos’. Apoios prestados pela instituição Percentagem Formação em empreendedorismo 8 6,2 Informação/sensibilização/divulgação 33 25,6 Esclarecimentos e encaminhamento 34 26,4 Elaboração do plano de negócios 6 4,7 Elaboração do estudo de viabilidade económico-financeiro 2 1,6 Elaboração do estudo de mercado 3 2,3 Elaboração de candidaturas aos sistemas de incentivo regionais 5 3,9 Ninhos de empresas 6 4,7 Apoio legal na constituição/implementação da empresa 8 6,2 Apoio técnico 20 15,5 Apoio financeiro 3 2,3 Outro 1 0,8 Total 129 100,0 Quadro n.º 70: Apoios prestados pela instituição De ressaltar que a maior parte das instituições que referiram prestar apoio técnico são as Câmara de Comércio, conforme quadro n.º 71 . No entanto, este apoio não deverá ser considerado, enquanto apoio às iniciativas de ‘Empreendedorismo Inclusivo’, uma vez que apenas é disponibilizado aos seus associados, excluindo assim aqueles que ainda não criaram o seu próprio emprego e que por um ou outro motivo não se associaram a esta entidade. Tipologia da Organização Apoio Técnico Total Sim Não Associação ou Fundação 5,7 22,9 28,6 Câmara Municipal 11,4 8,6 20,0 Câmara de Comércio 20,0 2,9 22,9 Cooperativa de Solidariedade Social 2,9 - 2,9 Organismo Governamental 14,3 8,6 22,9 Outra 2,9 - 2,9 Total 57,1 42,9 100,0 Quadro n.º 71: Tabela cruzada do apoio técnico prestado pela tipologia da organização De referir que ao nível do apoio legal na constituição da empresa, elaboração do plano de negócios, do estudo de mercado e do estudo de viabilidade económico-financeiro apresentaram percentagem muito pequenas. Incluem-se nestas a CRESAÇOR através do apoio prestado pelo seu Gabinete de Empreendedorismo e Microcrédito Bancário, que para além do acompanhamento e formalização de candidatura à Medida MC , apoia também gratuitamente os desempregados que pretendem apresentar candidatura ao programa CPE-PREMIUM . Da mesma forma o apoio financeiro também só é referido por 2,3% das instituições inquiridas, (conforme quadro n.º 72 ) sendo que estas representam duas organizações governamentais e uma associação ou fundação (conforme quadro n.º 76 ). Tipologia da Organização Apoio Financeiro Sim Não Total 2,9 26,5 29,4 Câmara Municipal - 20,6 20,6 Câmara de Comércio - 20,6 20,6 Cooperativa de Solidariedade Social - 2,9 2,9 Associação ou Fundação 5,9 17,6 23,5 Outra - 2,9 2,9 Total 8,8 91,2 100,0 Organismo Governamental Quadro n.º 72: Tabela cruzada do apoio financeiro prestado pela tipologia da organização 103 PARTE III PARTE III 102 Frequência Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo No que diz respeito aos 3 ninhos de empresas existentes, e conforme quadro n.º 73, a nível da sua distribuição territorial, dois localizam-se na ilha de São Miguel, estando um sob a alçada da Câmara Municipal de Ponta Delgada e outro da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada. O terceiro localiza-se na ilha do Faial, estando sobre o domínio da Associação de Desenvolvimento Local – Adeliaçor. Tipologia da Organização Não Total Em relação ao fator que mais contribui para que os indivíduos se tornem empreendedores, a maior parte das instituições inquiridas considera ser o fator necessidade, 41,3% , conforme quadro n.º 74 . Seguindo-se a falta de emprego por conta de outrem (fortemente interligado ao anterior já que constituiu uma forma de necessidade) com 34,8% e finalmente a motivação de cada um com 21,7% . 2,8 25,0 29,4 - 2,8 2,8 Factores que levam as pessoas a se tornarem empreendedoras Câmara Municipal - 27,8 27,8 5,6 13,9 19,4 Cooperativa de Solidariedade Social - 2,8 2,8 Organismo Governamental - 16,7 Outra - Total 8,3 Câmara de Comércio Frequência Percentagem Motivação 10 21,7 Necessidade 19 41,3 Falta de Emprego por conta d’outrém 16 34,8 16,7 Outro 1 2,2 2,8 2,8 Total 46 100,0 91,7 100,0 Quadro n.º 74: Fatores que levam as pessoas a se tornarem empreendedoras Quadro n.º 73: Entidades com Ninhos de Empresas Através da tabela cruzada seguinte constatamos que a maioria das instituições que apontaram o fator motivação como principal motivo para as pessoas se tornarem empreendedoras tem sede na ilha do Pico (3 instituições). Em relação ao fator necessidade a maior parte das organizações que o indicaram são de São Miguel, seguindo-se entidades das ilhas Terceira e Santa Maria. A falta de emprego por conta de outrém foi referenciada por organizações de todas as ilhas, tendo tido maior incidência na de São Miguel. Mais uma vez apercebemo-nos da forte ligação entre as atividades de ‘empreendedorismo inclusivo’ e o ‘empreendedorismo por necessidade’. 105 PARTE III PARTE III Sim 7.1. Perceção dos fatores de potenciação e limitação ao empreendedorismo IPSS Associação ou Fundação 104 Ninhos de Empresas Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Factores que levam as pessoas a se tornarem empreendedoras Motivação Necessidade Falta de Emprego por conta de outrém Outro Total Santa Maria Frequência - 3 1 - 4 Percentagem - 6,5 2,2 - 8,7 São Miguel Frequência Ilha Terceira Graciosa São Jorge Pico Faial Flores Corvo Total Principal receio das pessoas que acompanham em avançar com a abertura de um negócio Medo do fracasso Frequência Percentagem 16 34,8 Receio de piorar a sua situação actual 8 17,4 Insegurança face ao futuro 12 26,1 3 6 3 1 13 Insegurança em relação às suas capacidades 1 2,2 6,5 13,0 6,5 2,2 28,3 Falta de formação em gestão de um negócio 7 15,2 Frequência - 4 2 - 6 Outro 1 2,2 Percentagem - 8,7 4,3 - 13,0 NS/NR 1 2,2 Frequência - 1 1 - 2 Total 46 100,0 Percentagem - 2,2 2,2 - 4,3 Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência 1 2 2 - 5 2,2 4,3 4,3 - 10,9 3 2 2 - 7 6,5 4,3 4,3 - 15,2 1 - 2 - 3 2,2 - 4,3 - 6,5 1 1 2 - 4 2,2 2,2 4,3 - 8,7 1 - 1 - 2 Percentagem 2,2 - 2,2 - 4,3 Frequência 10 19 16 1 46 21,7 41,3 34,8 2,2 100,0 Percentagem Quadro n.º 75: Tabela cruzada dos motivos que levam as pessoas a se tornarem empreendedoras pela ilha Relativamente aos principais receios apontados pelos indivíduos, que cada instituição acompanha na abertura de um negócio, os mais apontados, conforme quadro n.º 76 , foram o medo do fracasso: 34,8% , a insegurança face ao futuro: 26,1% e o receio em piorar a sua situação atual (17,4% ). Quadro n.º 76: Principal receio das pessoas que acompanham e avançar com a abertura de um negócio Estes dados convergem com as conclusões da aplicação do inquérito aos candidatos ao MC e formandos em empreendedorismo em que o medo de não ser bem sucedido ou de ir à falência foi apontado por 43,7% dos inquiridos como principal receio das pessoas avançarem com a criação de empresas. Mais uma vez o fator psicológico da aversão ao risco a condicionar fortemente as atitudes empreendedoras. 7.2. Características potenciadoras e limitadoras por ilha Pedimos às instituições que qualificassem, numa escala de elevado a nenhum, um conjunto de afirmações, de acordo com grau em que consideram que esses fatores constituem um entrave ao empreendedorismo no seu território de intervenção. Dos fatores indicados o que foi apontado como maior entrave ao empreendedorismo foi a atual conjuntura de grave crise económico-financeira, com 65,2% das entidades a considerarem-no como um entrave “Muito elevado”. Estes dados estão em consonância com os obstáculos apontados pelos promotores microcrédito na fase de consolidação da sua empresa e para o nível atual de produção estar abaixo das suas capacidades, conforme analisado anteriormente no ponto 3.6. deste estudo. 107 PARTE III PARTE III 106 Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo A elevada carga burocrática (45,7%), a dimensão populacional (37%) e o elevado peso administrativo e legislativo (39,1% ) também foram considerados como entraves com muita representação estatística. Não considerado como um entrave ao empreendedorismo foi a afirmação “falta de programas específicos de apoio ao empreendedorismo”, o que nos leva a concluir que à semelhança dos potenciais ‘empreendedores inclusivos’ questionados também as instituições estão familiarizadas com os inúmeros sistemas de incentivos existentes nos Açores e ao dispor de qualquer cidadão. Mais uma vez, na análise destes dados devemos ter em consideração que a maioria das respostas provem da ilha de São Miguel, onde o acesso à informação, quer seja através de gabinetes de apoio, formação ou seminários, é maior. Escala Frase Médio Pequeno Reduzido Nenhum Dimensão populacional (reduzida e dispersa) 37,0 37,0 Falta de programas específicos de apoio ao empreendedorismo 2,2 Dificuldades de acesso a mecanismos de suporte financeiro 28,3 39,1 21,7 8,7 2,2 Inexistência de uma educação para o empreendedorismo 28,3 21,7 32,6 10,9 4,3 Número reduzido de empresas 13,0 15,2 21,7 26,1 21,7 Conjuntura actual de grave crise económico-financeira 65,2 23,9 4,3 - 4,3 Elevada carga burocrática 45,7 34,8 17,4 - - Elevado peso administrativo e legislativo 39,1 37,0 19,6 2,2 - Cultura avessa ao risco 26,1 39,1 26,1 4,3 2,2 15,2 13,0 19,6 8,7 26,1 2,2 32,6 Vejamos agora o conjunto de tabelas de dupla entrada abaixo, que cruza as afirmações com as diferentes ilhas do arquipélago dos Açores. Através do quadro n.º 78 verifica-se que a maioria das instituições que considera que a dimensão populacional é um entrave ao empreendedorismo está sediada em São Miguel, 11,1% , seguindo-se a ilha de Santa Maria com 6,7% . Entrave ao Empreendedorismo Ilha Dimensão Populacional (Reduzida e Dispersa) Elevado Médio Nenhum Total Santa Maria 6,7 2,2 Pequeno Reduzido - - - 8,9 São Miguel 11,1 6,7 6,7 2,2 2,2 28,9 Terceira - 4,4 6,7 - - 11,1 Graciosa 4,4 - - - - 4,4 São Jorge 4,4 4,4 - 2,2 - 11,1 Pico 4,4 6,7 - 4,4 - 15,6 Faial 2,2 4,4 - - - 6,7 Flores 4,4 4,4 - - - 8,9 Corvo - 4,4 - - - 4,4 Total 37,8 37,8 13,3 8,9 2,2 100,0 Quadro n.º 78: Tabela cruzada da dimensão populacional por ilha Quadro n.º 77: Grau de entraves ao empreendedorismo 109 PARTE III PARTE III 108 Elevado Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Relativamente à falta de programas específicos de apoio ao empreendedorismo, destacamos a existência de 2,3% de instituições das Flores consideram que a falta de programas de apoio ao empreendedorismo é um entrave muito elevado (apesar de também a maioria das instituições desta ilha e das restantes não o considerarem). Entrave ao Empreendedorismo Ilha Elevado Médio Pequeno Reduzido Nenhum A maioria das instituições (39,1%) considera que as dificuldades de acesso a mecanismos de suporte financeiro ainda são um entrave a ter em conta – médio, conforme quadro n.º 80. De referir que a maioria das que o consideram são da ilha de S. Miguel. Estes dados, novamente, convergem com a opinião dos potenciais empreendedores analisados já que a maior parte considerou como principal dificuldade para criar a sua empresa as dificuldades em obter o financiamento necessário (cf. quadro n.º 56). Total Santa Maria - - 2,3 4,5 - 6,8 São Miguel - 6,8 4,5 9,1 9,1 29,5 Entrave ao Empreendedorismo Terceira - 4,5 - 4,5 2,3 11,4 Ilha Graciosa - 2,3 - 2,3 - 4,5 São Jorge - 2,3 2,3 2,3 4,5 Pico - - 4,5 4,5 6,8 Dificuldades de acesso a mecanismos de suporte financeiro Elevado Médio Pequeno Reduzido Nenhum Total Santa Maria 4,3 - - 4,3 - 8,7% 11,4 São Miguel 4,3 17,4 2,2 2,2 2,2 28,3% 15,9 Terceira 8,7 2,2 2,2 - 2,2 - 13,0% 2,2 - - - 4,3% - - 2,3 - 4,5 6,8 Graciosa Flores 2,3 - 2,3 - 4,5 9,1 São Jorge 4,3 2,2 4,3 - - 10,9% Corvo - - 2,3 - 2,3 4,5 Pico 2,2 4,3 8,7 - - 15,2% Total 2,3 15,9 20,5 27,3 34,1 100,0 Faial Faial Quadro n.º 79: Tabela cruzada da falta de programas específicos de apoio ao empreendedorismo por ilha - 4,3 2,2 - - 6,5% Flores 2,2 4,3 2,2 - - 8,7% Corvo - 2,2 2,2 - - 4,3% Total 28,3 39,1 21,7 8,7 2,2 100,0% Quadro n.º 80: Tabela cruzada da dificuldade de acesso a mecanismos de suporte financeiro por ilha 111 PARTE III PARTE III 110 Falta de programas específicos de apoio ao empreendedorismo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo No que diz respeito à inexistência de uma educação para o empreendedorismo a maioria das instituições consideram ser um entrave pequeno. As que consideram-na como um entrave elevado são principalmente das ilhas de São Miguel e Terceira, conforme quadro n.º 81. Entrave ao Empreendedorismo Ilha Elevado Médio Pequeno Reduzido Santa Maria 4,4 4,4 - São Miguel 13,3 2,2 Terceira 6,7 Graciosa São Jorge Através do quadro n.º 82 verificamos que o número reduzido de empresas não obteve uma opinião consensual nas organizações inquiridas. De referir que todas as organizações de Santa Maria consideram este facto como um entrave muito elevado ou elevado (ambos com 4,4%). Pelo contrário as entidades do Corvo não consideram o número reduzido de empresas como sendo um entrave ao empreendedorismo. Nenhum Total - - 8,9 Entrave ao Empreendedorismo 6,7 4,4 2,2 28,9 Ilha 2,2 2,2 - - 11,1 - 4,4 - - - - - 4,4 6,7 - Número reduzido de empresas Elevado Médio Pequeno Reduzido Nenhum Total Santa Maria 4,4 4,4 - - - 8,9 4,4 São Miguel 2,2 6,7 11,1 2,2 6,7 28,9 11,1 Terceira 2,2 2,2 2,2 - 4,4 2,2 11,1 - 2,2 - - 4,4 Pico 2,2 6,7 4,4 - 2,2 15,6 Graciosa Faial 2,2 - 4,4 - - 6,7 São Jorge - - 2,2 6,7 2,2 11,1 Flores - 2,2 6,7 - - 8,9 Pico - 2,2 2,2 6,7 4,4 15,6 Corvo - - 4,4 - - 4,4 Faial 2,2 - - 2,2 2,2 6,7 Total 28,9 22,2 33,3 11,1 4,4 100,0 Flores - - 4,4 2,2 2,2 8,9 Corvo - - - 2,2 2,2 4,4 Total 13,3 15,6 22,2 26,7 22,2 100,0 Quadro n.º 81: Tabela cruzada da inexistência de uma educação para o empreendedorismo por ilha Quadro n.º 82: Tabela cruzada do número reduzido de empresas por ilha 113 PARTE III PARTE III 112 Inexistência de uma educação para o empreendedorismo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Relativamente à conjuntura atual de grave crise económico-financeira a esmagadora maioria das organizações consideraram ser um entrave elevado, sendo que destas a maioria reside em S. Miguel, conforme quadro n.º 83. Entrave ao Empreendedorismo Ilha A elevada carga burocrática foi novamente classificada como um entrave bastante elevado, principalmente pelas instituições de São Miguel, com 17,8% , seguindo-se as da ilha do Pico com cerca de 6,7% , conforme quadro n.º 84 . Entrave ao Empreendedorismo Elevado Médio Santa Maria 4,4 4,4 - 28,9 São Miguel 17,8 6,7 - 11,1 Terceira 2,2 - 4,4 Graciosa 2,2 - - 11,1 São Jorge 2,2 - - 15,6 2,2 - - - 2,2 - - - 2,2 2,2 - - 66,7 24,4 4,4 - Elevado Médio Pequeno Reduzido Santa Maria 8,9 - - São Miguel 13,3 11,1 Terceira 8,9 Graciosa 4,4 São Jorge Nenhum Total - - 8,9 4,4 - - 28,9 4,4 4,4 - - 11,1 - 2,2 - - 4,4 4,4 4,4 2,2 - - 11,1 Pico 6,7 6,7 2,2 - - 15,6 6,7 Faial 2,2 4,4 - - - 6,7 8,9 Flores 4,4 2,2 2,2 - - 8,9 - 4,4 Corvo 2,2 2,2 - - - 4,4 4,4 100,0 Total 46,7 35,6 17,8 - - 100,0 Nenhum Total - - 8,9 - - 4,4 2,2 - - - - - 8,9 - 2,2 Pico 8,9 4,4 Faial 4,4 Flores 6,7 Corvo Total Quadro n.º 83: Tabela cruzada da conjuntura atual de grave crise económico-financeira pela ilha Ilha Elevada carga burocrática Pequeno Reduzido Quadro n.º 84: Tabela cruzada da elevada carga burocrática pela ilha 115 PARTE III PARTE III 114 Conjuntura actual de grave crise económico-financeira Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo No que diz respeito ao elevado peso administrativo e legislativo, constata-se através da análise do quadro n.º 85 , que obteve-se uma distribuição semelhante ao quadro anterior em que a maioria das instituições considera ser um entrave elevado e destas a maioria são novamente de S. Miguel com 13,3% , seguindo-se São Jorge com 6,7% . Entrave ao Empreendedorismo Entrave ao Empreendedorismo Ilha Elevado peso administrativo e legislativo Cultura avessa ao risco Elevado Médio Pequeno Reduzido Nenhum Total 2,2 4,4 2,2 - - 8,9 São Miguel 15,6 13,3 - - - 28,9 8,9 Terceira 6,7 2,2 - - 2,2 11,1 - 28,9 Graciosa - 4,4 - - - 4,4 - 11,1 São Jorge - - 8,9 2,2 - 11,1 - - 4,4 Pico - 6,7 6,7 2,2 - 15,6 2,2 - - 11,1 Faial 2,2 2,2 2,2 - - 6,7 4,4 6,7 - - 15,6 Flores - 4,4 4,4 - - 8,9 - 4,4 - - 6,7 Corvo - 2,2 2,2 - - 4,4 4,4 - 4,4 - - 8,9 Total 26,7 40,0 26,7 4,4 2,2 100,0 Corvo 2,2 - 2,2 - - 4,4 Total 40,0 37,8 20,0 2,2 - 100,0 Elevado Médio Pequeno Reduzido Nenhum Total Santa Maria 4,4 4,4 - São Miguel - - 13,3 15,6 Terceira 2,2 6,7 - - - 2,2 Graciosa - 4,4 - São Jorge 6,7 2,2 Pico 4,4 Faial 2,2 Flores Quadro n.º 85: Tabela cruzada do elevado peso administrativo e legislativo pela ilha Quadro n.º 86: Tabela cruzada da cultura avessa ao risco pela ilha 117 PARTE III PARTE III Por sua vez a cultura avessa ao risco foi considerada por 40% das instituições inquiridas como um entrave médio, com percentagens superiores nas ilhas de S. Miguel (15,6%) e Pico (6,7%). Santa Maria Ilha 116 Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo 8. Reconhecimento da Medida Microcrédito enquanto ferramenta para o ‘Empreendedorismo Inclusivo’ Cf. Henriques, José Manuel (2010). Inovação Social e Coesão Territorial: Contributos EQUAL. Em: Separata do Relatório de Execução Final do Programa EQUAL, Gabinete de Gestão EQUAL (ed.), pág. 30. 53 De acordo com os Censos 2011 o número total de habitantes da Região Açores é 246 772 e o número total de habitantes da Ilha de S. Miguel é de 137 856, Censos 2011 Resultados Definitivos da Região Autónoma dos Açores, Serviço Regional de Estatística dos Açores. 54 Serviço Regional de Estatística dos Açores (2012). Principais Resultados Definitivos dos Censos 2011 – Açores. 55 Idem, ibid. 56 implementado, ou mesmo com a ilha do Faial que com 14994 habitantes57 contabilizava 28 candidaturas e 5 projetos implementados. Recorrendo à metodologia do Cliente Mistério (que objetiva aferir a qualidade do serviço prestado), foram efetuados contactos telefónicos com algumas entidades da Região, selecionadas com base nas ilhas que apresentavam um menor número de candidaturas à Medida Microcrédito e que já haviam respondido ao questionário Institucional. O objetivo desta aplicação foi aferir até que ponto a Medida Microcrédito é do conhecimento dos colaboradores destas entidades, e é indicada como um apoio a quem se encontra numa situação de desemprego e pretende criar o seu próprio negócio. Das 16 entidades que pretendíamos contactar, apenas não conseguimos estabelecer ligação com duas, e apenas uma delas referiu o Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário. Confirmámos assim que a Medida Microcrédito não tem o mesmo grau de divulgação em todas as ilhas do arquipélago, não sendo referida como uma opção à criação do autoemprego. Aceitando a definição de ‘empreendedorismo inclusivo’ da OCDE, que o encara como uma ação que não seria passível de se concretizar sem animação prévia e relembrando que “A capacidade de iniciativa de organização de base territorial torna-se imprescindível à mobilização do potencial endógeno ao conjunto das comunidades locais tendo em vista o esforço coletivo de mobilização integral de recursos para a eficiência económica e para a inclusão social.”58, concluímos que os territórios mais afastados do principal centro de informação são os que mais carecem de iniciativas de animação que despoletem o potencial das iniciativas de ‘empreendedorismo inclusivo’. Nas ilhas em que existem projetos de microcrédito aprovados (excetuando na ilha de São Jorge que só contabiliza um projeto), foram realizados Focus Group, que visavam recolher informação complementar e aprofundar a análise quantitativa dos inquéritos aplicados na fase inicial do Estudo. As sessões de trabalho de grupo decorreram nas Ilhas de São Miguel, Santa Maria, Terceira e Faial. Serviço Regional de Estatística dos Açores (2012). Principais Resultados Definitivos dos Censos 2011 – Açores. 57 Henriques, José Manuel (2010). Inovação Social e Coesão Territorial: Contributos EQUAL. Em: Separata do Relatório de Execução Final do Programa EQUAL, Gabinete de Gestão EQUAL (ed.), pág. 27. 58 119 PARTE III PARTE III 118 No subcapítulo anterior debruçamo-nos sobre aquilo que as entidades consideram como fatores potenciadores ou limitativos à criação do próprio emprego no seu território de intervenção. Analisaremos de seguida, e partindo de uma base territorial, como a Medida Microcrédito é percecionada por estas instituições enquanto resposta para o desenvolvimento de iniciativas empresariais por parte de pessoas que se encontram numa situação socioeconómica mais fragilizada, pois não nos deveremos esquecer que as questões ligadas à competitividade, emprego e inclusão social não são independentes do contexto local em que se manifestam, e que a sua resolução poderá depender do ajuste das respostas às necessidades específicas sentidas por cada unidade.53 Uma das questões que originou este Estudo foi perceber o motivo da atual dispersão geográfica tanto das candidaturas, como dos projetos microcrédito implementados. Mais de metade da população da Região Açores54 vive na Ilha de S. Miguel, pelo que não surpreende que esta concentre a maioria das candidaturas apresentadas e dos negócios implementados no âmbito do Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário. Por outro lado, assistimos a uma discrepância entre o número de habitantes de algumas das Ilhas, e o número de candidaturas que aí foram apresentadas. Por exemplo, entre a ilha de Santa Maria que com 555255 habitantes contabilizava, até dezembro de 2013, 31 candidaturas e 5 projetos implementados, e a ilha do Pico que com 14148 habitantes56 contabilizava, no período homólogo, 12 candidaturas e nenhum projeto Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo O facto do financiamento destas pequenas iniciativas empresariais estar dependente da banca, foi considerado como uma das condicionantes para a Medida não atingir todo o seu potencial. Por outro lado, o targeting da Medida MC não está a ser atingido na sua totalidade. A Medida, criada com o intuito de apoiar as pessoas em situação de pobreza e exclusão social, funcionando como uma das ferramentas de transição dos beneficiários de apoios sociais para o mundo laboral, acaba por não atingir os mais desprotegidos, ou seja aqueles que acumulam diversas carências, como a baixa escolaridade, a destruturação familiar, a ausência de experiência profissional, entre outras. Foram identificados como principal grupo-alvo aqueles indivíduos, que já tendo experiência de trabalho, se encontram em situação de desemprego por força das alterações do mercado de trabalho (crescente desemprego e falta de alternativa no trabalho por conta de outrem). A nível dos obstáculos ao empreendedorismo identificados no âmbito deste Estudo, foram comumente debatidos em cada grupo: • A dificuldade de acesso a espaços, devido ao elevado valor cobrado pelos arrendamentos, ou seja, foi opinião comum que uma boa localização e um baixo valor de renda são essenciais para a sobrevivência das iniciativas de empreendedorismo. A realidade é que negócios com elevados custos fixos podem asfixiar os pequenos negócios; • Necessidade de aperfeiçoamento do trabalho em rede e parceria das entidades envolvidas na matéria, aprofundando-se o contacto entre os diversos intervenientes de modo a efetuar um correto diagnóstico das situações e aumentar assim as condições de sucesso das iniciativas de ‘empreendedorismo inclusivo’; • O acesso ao financiamento, que não obstante os esforços efetuados, continua a ser uma das principais condicionantes. De facto, se confrontarmos o número de candidaturas aprovadas em Comissão de Crédito, com aquelas que foram posteriormente recusadas pelas instituições de crédito, observamos que dos 52 projetos aprovados pela Comissão de Crédito, 23% (12 projetos) tiveram uma resposta negativa, o que corresponde a ¼ das iniciativas, que obtendo o aval do Governo Regional, não avançaram por falta de financiamento (ver ponto 2, capítulo I). 121 PARTE III PARTE III 120 O motivo para a realização de uma sessão de trabalho de grupo em cada ilha foi o facto de sabermos que o arquipélago, enquanto unidade territorial, apresenta diferenças de desenvolvimento, logo os obstáculos com que se deparam os ‘empreendedores inclusivos’ podem variar consoante a ilha em que o candidato pretende desenvolver o seu próprio negócio. Para cada Focus Group foram convidados representantes de cada entidade com interesse na matéria. Assim, contou-se com a presença de representantes da DRAIC , ISSA e DREQP (enquanto entidades impulsionadoras e responsáveis pela Medida MC ), representantes das entidades bancárias que assinaram o protocolo MC com o Governo Regional e que financiam estas iniciativas, representantes das autarquias locais (pela extrema importância que as Câmaras têm a nível dos licenciamentos e autorizações para desenvolvimento das atividades económicas, bem como por serem um dos principais interessados no Desenvolvimento Local) e com os próprios microempresários apoiados por esta Medida. Foram colocadas 4 questões que visavam: perceber até que ponto a Medida Microcrédito tem funcionado como promotora do ‘empreendedorismo inclusivo’ na Região Açores; debater os obstáculos ao empreendedorismo identificados na aplicação dos inquéritos por questionário, bem como a recolha de sugestões para a sua resolução; e avaliar a intervenção da Agência Microcrédito, procurando também recolher sugestões para a melhoria contínua do trabalho desenvolvido por este gabinete. Relativamente à Medida MC como ferramenta de promoção do ‘Empreendedorismo Inclusivo’, esta juntamente com o programa CPE-PREMIUM, foi reconhecida como uma das únicas ferramentas de apoio ao ‘Empreendedorismo Inclusivo’ na Região, salientando-se que o CPE-PREMIUM é mais limitativo nos seus destinatários (apenas se podem candidatar aqueles que estão a auferir subsídio de desemprego), mas louvando o facto de ambos os apoios se poderem complementar. Uma das razões apontadas para o elevado número de desistências e cancelamentos foi a pouca inovação das ideias de negócio apresentadas, não obstante terem sido reconhecidas oportunidades para a criação de negócios em todas as ilhas. Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo • A criação de um gabinete que centralizasse todos os apoios disponíveis aos empreendedores, com uma lógica de funcionamento tipo RIAC (Loja de Cidadão), de modo a agilizar procedimentos e tempos de resposta; • Um envolvimento prévio da banca, ainda durante a fase de constituição dos projetos microcrédito, de modo a que fossem conhecendo o candidato, o que agilizaria o tempo de resposta e daria mais segurança na aprovação dos projetos. A avaliação do trabalho desenvolvido pela Agência MC foi positiva. Considerando a área de intervenção, os grupos reconheceram as especificidades da metodologia de acompanhamento destes projetos, que tem de combinar uma “relação de confiança” com o acompanhamento técnico, especializado e personalizado. Ou seja, no domínio de ação do ‘empreendedorismo inclusivo’ as respostas estão muito dependentes das características pessoais de cada candidato, o que implica uma abordagem centrada no cliente, isto é, um atendimento personalizado. O sucesso de medidas de intervenção social integradas, como é o caso da ferramenta Microcrédito, que acaba por atuar em áreas da política social como o (combate à pobreza e à exclusão social), da política de emprego e da política económica59, pressupõe que os técnicos detenham um conjunto de competências genéricas, para o qual não basta apenas possuir formação superior – “Pressupõe categorias não convencionais na interpretação do sentido da ação e pressupõe a mobilização de competências técnicas, específicas e genéricas, que não são asseguradas de forma corrente pelos sistemas de educação e formação.”60 A necessidade de um agente local que estabeleça pontes entre as diversas entidades intervenientes para aumentar as probabilidades de concretização das iniciativas de ‘empreendedorismo inclusivo’, demonstra-se essencial e comprovada por estas suas situações, pois se por um lado a informação está mais concentrada na Ilha de São Miguel, na Ilha de Santa Maria o agente local foi prontamente identificado, concluindo-se assim que nas ilhas da Terceira e do Faial não existe nenhuma entidade ou individualidade que represente este papel. Cf. Unterberg, Michael (2008). Microfinance as a European policy issue – policy images and venues. Atas da 5th Annual Conference European Microfinance Network, Nice, pág. 8. 59 Henriques, José Manuel (2010). Inovação Social e Coesão Territorial: Contributos EQUAL. Em: Separata do Relatório de Execução Final do Programa EQUAL, Gabinete de Gestão EQUAL (ed.), pág. 36. 60 123 PARTE IV III PARTE III IV 122 A própria alteração, em abril de 2012, dos protocolos entre as instituições de crédito parceiras da Medida e o Governo Regional, passando este a assumir-se como avalista de 75% do capital de financiamento dos projetos, veio atenuar a situação, mas não resolveu por completo a questão. A banca continua, em alguns processos, a exigir garantias para os restantes 25% e se por um lado se pode alegar que a banca tem cada vez mais que se proteger dos maus investimentos e que o promotor ao apresentar um avalista demonstra que tem mais uma pessoa que acredita na sua ideia de negócio, não nos deveremos esquecer das características destes empreendedores, que se encontram numa situação económica muito fragilizada, que muitas vezes não os atingiu apenas a eles, mas também aos seus familiares e restante rede de contactos, para além da desconfiança crescente por parte das pessoas em assumirem compromissos bancários no nome de terceiros. Em dois dos Focus Group realizados (Terceira e Faial) o acesso à informação foi uma dos principais obstáculos identificados, notando-se que a rede de parcerias necessita de melhorias e que os próprios técnicos que prestam atendimento direto aos cidadãos necessitam de estar mais bem informados sobre as respostas existentes na Região. Das sugestões apresentadas para a resolução dos obstáculos, destacamos: • A potencialidade, identificada pelos grupos, para uma maior intervenção por parte das AQE, pois enquanto entidades que centralizam os dados das pessoas em situação de desemprego, poderiam desenvolver um balanço de competências personalizado que permitisse uma maior capacitação dos indivíduos para o empreendedorismo, ou seja, que potenciasse a sua experiência profissional e a canalizasse para a criação do próprio emprego, sendo esta sugestão partilhada pelos grupos de Santa Maria, Terceira e Faial; • A partilha de espaços e criação de ninhos de empresas, que não atuem apenas como centros administrativos, foi a solução mais referida para a resolução dos problemas de acesso ao espaço; Potencialidades e Condicionantes Territoriais ao Empreendedorismo Inclusivo Conclusões e Recomendações Parte IV Conclusões e Recomendações 9. Conclusões N este capítulo serão destacadas as principais conclusões que obtivemos com a realização deste Estudo, e que servirão de base para a elaboração de recomendações e sugestões de melhoria futura: \ Relativamente ao target da Medida assiste-se a uma desfocalização positiva que acompanha as recentes mudanças sociais. Numa Medida inicialmente construída para grupos populacionais desfavorecidos tem-se vindo a verificar a entrada de candidatos com habilitações literárias mais elevadas, nomeadamente daqueles que possuem o grau de ensino profissional e licenciatura. \ Concluiu-se que a experiência e competências no setor de atividade escolhido pelo candidato, à Medida de Apoio ao Microcrédito Bancário, são determinantes para a escolha do negócio a desenvolver, bem como fatores cruciais para o seu sucesso. Os próprios promotores elegem a experiência profissional como a principal razão de escolha da atividade a desenvolver. Assim, denota-se que a maioria dos promotores MC são indivíduos que já tiveram experiências profissionais por conta de outrem, não se tratando portanto de jovens ou indivíduos à procura do 1.º emprego, dados que convergem também com o analisado na parte II deste estudo em que 23% dos candidatos e formandos em empreendedorismo referiram que a sua ideia de negócio resultou de uma atividade profissional desenvolvida anteriormente. Com base na experiência de trabalho da equipa do Gabinete de Empreendedorismo e Microcrédito Bancário da CRESAÇOR podemos evidenciar que, não obstante a importância da experiência profissional, é ainda necessário um conjunto de outras características sem as quais será impossível conduzir estas pequenas iniciativas com sucesso, pois o microempresário (na maioria das vezes único trabalhador) tem de assumir uma panóplia muito diferenciada de funções, ele é o vendedor, o produtor, o gestor de stocks, o responsável pelas encomendas, o administrativo e ainda o estratega, tendo de conseguir adaptar-se às alterações dos comportamentos dos consumidores com um fundo de maneio muito reduzido. A iniciativa, a criatividade na otimização de recursos, a organização, a perspicácia, a capacidade e pré-disposição para enfrentar longas horas de trabalho e a perseverança são características indispensáveis a qualquer microempresário e que deverão ser tidas em conta na construção do balanço de competências. \ Ao nível do desenvolvimento das suas microempresas constataram-se, por parte destes promotores, preocupações na implementação de estratégias para reforçar os seus negócios. A inovação e a qualidade dos seus produtos e serviços sobressaem como os principais factores de diferenciação da concorrência e consequentemente como a forma de praticarem preços mais elevados e de assim fazerem face à baixa produtividade sempre associada às iniciativas de ‘Empreendedorismo Inclusivo’. O alargamento da área de negócio, aproveitando nichos de complementaridade no mercado, destaca-se também como estratégia 125 PARTE IV PARTE IV 124 \ Uma das conclusões chave prende-se com a fraca divulgação da Medida MC, notória principalmente nas ilhas de menor dimensão, e comprovada através do desconhecimento demonstrado pelos técnicos afetos às entidades representativas da Medida. O facto destes não estarem devidamente esclarecidos, no que concerne aos procedimentos e metodologias que regem esta Medida, dificulta o posterior encaminhamento de potenciais candidatos e esclarecimentos das dúvidas expostas pelos mesmos. Estes dados convergem com o apurado através da implementação da metodologia “cliente mistério”, em que das catorze entidades contactadas apenas uma delas mencionou ter conhecimentos sobre o Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário como uma opção à criação do autoemprego, comprovando-se que esta medida de apoio não tem o mesmo grau de divulgação em todas as ilhas do arquipélago. Conclusões e Recomendações Conclusões e Recomendações para a obtenção de rendimentos suficientes que permitam quer fazer face aos encargos com a sua atividade, quer obterem uma remuneração pelo seu trabalho. Quando necessitaram de contratar colaboradores para os apoiar, a maioria foi recrutada através das suas relações familiares e de parentesco o que confirma a grande importância das relações informais nestes pequenos negócios. \ No que diz respeito à reflexão de cada promotor, relativamente ao impacto que a Medida Microcrédito teve nas suas vidas, a maioria avalia como positivo (12 promotores). Dos que indicaram arrependimento (principalmente os processos insolventes) justificam-no por terem ficado numa situação pior do que a que estavam antes da abertura do seu negócio. Não obstante estes dados é de salientar que a maioria dos entrevistados refere que sem o apoio do MC não teriam tido forma de concretizar a sua ideia de negócio. A Medida Microcrédito afigura-se, portanto, como único instrumento de apoio para muitos indivíduos em situação de desemprego, conclusão esta que foi reafirmada nos Focus Group. \ Com o objetivo de verificar se o montante despendido pelo Governo Regional está a ter os retornos desejados efetuou-se um conjunto de cenários de forma a comparar o montante de apoio despendido com os apoios sociais vs o despendido com a Medida MC , tendo-se concluído que, apesar de forma preparatória, o investimento realizado pelo GR no apoio aos projetos MC é compensatório e remunerado pelo recebimento das contribuições por parte dos promotores. De ressaltar que além das contribuições pagas por estes promotores (segurança social, IVA e IRS ), são indivíduos que deixaram de ser um “peso” para o estado (deixaram de receber RSI, subsídio de desemprego ou outros apoios do estado) e que para além de terem criado o seu próprio posto de trabalho são já responsáveis pela criação de mais 8 postos de trabalho (4 a tempo inteiro e 4 a tempo parcial). 127 PARTE IV PARTE IV 126 \ No que respeita ao financiamento destas pequenas iniciativas empresariais, uma das principais conclusões é que apesar de todos os esforços de melhoria da Medida MC , nomeadamente o aumento da garantia bancária do Governo Regional (de 25% para 75% ), a Medida continua refém da banca. Isto é, a banca continua a ter a soberania final de financiamento dos projetos, mesmo que estes já tenham sido aprovados em Comissão de Crédito. Esta conclusão foi notória no ponto II deste Estudo em que 12 projetos não foram aprovados pela Instituição de Crédito e reiterada nos Focus Group em que, apesar da garantia bancária ser comparticipada pelo GR, continuam a exigir aval sobre os restantes 25% e admitem que só aprovam estes projetos por serem no âmbito do MC . A exigência por parte da banca de garantias bancárias sobre os restantes 25% desvirtua o espírito desta Medida, que tem na sua génese o direito de acesso ao crédito para todos, e pode assim excluir candidatos que não têm possibilidades de recorrer a familiares ou amigos como avalistas. Conclusões e Recomendações Conclusões e Recomendações Conclusões e Recomendações - Dimensão 2 – Construção da Ideia de Negócio com base no Bal- 10. Sugestões de aperfeiçoamento futuro anço de Competências: O balanço de competências afigura-se como um instrumento de particular relevância já que representa o conjunto de competências dos candidatos (assente na sua experiência profissional anterior e no seu “saber-fazer”). A importância desta dimensão está relacionada com a definição da ideia de negócio, ou seja, o negócio a ser criado pelo potencial empreendedor tem de congregar as competências que este já possuía, com uma ideia de negócio que tenha espaço no mercado onde vai ser desenvolvida. O mentoring deverá ser realizado tendo em consideração dois fatores fundamentais, por um lado a experiência e background do mentor e do empreendedor, e por outro lado as competências interpessoais do mentor e a relação de confiança criada entre este e o empreendedor63; Após a realização do Estudo ’Empreendedorismo Inclusivo’ e a Medida Microcrédito na Região Autónoma dos Açores, que permitiu a aferição, análise e avaliação do potencial da população açoriana para o empreendedorismo, bem como a avaliação da dimensão do ‘Empreendedorismo Inclusivo’, tornou-se possível retirar as conclusões explanadas no ponto anterior e com base nestas apresentamos as seguintes sugestões para melhorar as estratégias e os procedimentos do Gabinete de Empreendedorismo Social e Microcrédito Bancário – Cresaçor, e entidades parceiras da Medida: \ Operacionalização da Medida MC em 4 dimensões: animação; balanço de competências; plano de negócios e financiamento: - Dimensão 1 – Animação: Pressupõe a criação de condições territoriais de base para o desenvolvimento das iniciativas de ‘Empreendedorismo Inclusivo’, cujo desafio se apresente maior nas comunidades mais dependentes da agricultura tradicional e do setor público61, como é o caso da RAA. Nesta fase deverá ser trabalhada a mudança de atitudes dos potenciais beneficiários da Medida MC, o que só será possível se o ‘ecossistema’ das comunidades estiver preparado para o desenvolvimento de ações de promoção do ‘Empreendedorismo Inclusivo’. A preparação e formação de agentes locais de desenvolvimento (capacitação) torna-se imprescindível de modo a que estes desempenhem um papel decisivo na facilitação da mudança de postura dos públicos fragilizados, cortando com as definições regulares de empreendedorismo e valorizando um conjunto de atitudes e competências genéricas como o trabalho em equipa, a tomada de decisões, a análise cuidada dos riscos e a importância da inovação, de modo a preparar os potenciais empreendedores para a integração no circuito económico. Fala-se aqui de potenciar as capacidades individuais das pessoas mais fragilizadas, ao mesmo tempo que se capacita a comunidade relacionando as questões sociais ao desenvolvimento económico62; 61 CF. http://wikipreneurship.eu/index.php/Culture_and_conditions 62 CF. http://wikipreneurship.eu/index.php/Culture_and_conditions integrada na Medida Microcrédito vigente na Região, o que não implica que não possa ser alvo de melhorias. As melhorias na atuação da Medida MC nesta fase, passariam acima de tudo por uma adaptação do método de financiamento (a dependência da aprovação bancária continua a ser um grande obstáculo, uma vez que os projetos de ‘Empreendedorismo Inclusivo’ não se enquadram nos métodos de análise de risco utilizados pela banca tradicional), que deverá ter em conta as necessidades específicas destes negócios, e o facto de que são criados com capital reduzido, e que a sua sustentabilidade poderá posteriormente depender de um novo acesso a capital, de modo a responderem às necessidades de mercado. - Dimensão 4 – Financiamento: Não obstante esta dimensão também já estar prevista na Medida Microcrédito, deverão ser melhoradas as estratégias de consolidação e crescimento destas iniciativas empresariais. O desafio não passa apenas por financiar a criação de novos negócios, passa também por melhorar as condições de sustentabilidade daqueles que já existem, sendo para tal indispensável a transmissão de novas dinâmicas aos microempresários, de modo a que paulatinamente possam ir posicionando-se na economia CF. http://wikipreneurship.eu/index.php/Start_up_support 3 129 PARTE IV PARTE IV 128 - Dimensão 3 – Plano de Negócios: Esta dimensão já se encontra Conclusões e Recomendações global64. A adaptação da estratégia empresarial delineada e a procura de nichos de mercado, que não estejam saturados, terão de ser uma constante na vida destas iniciativas empresariais. sectores do Governo Regional que devem trabalhar em parceria com o poder local de modo a beneficiar e agilizar a concretização destes pequenos negócios; \ Ampliar as medidas de protecção social, nomeadamente o Programa “Berço de Emprego”, às empresárias em nome individual. Este Programa que visa a substituição temporária de trabalhadoras em situação de licença de maternidade assumiria uma maior importância nestes casos. Consideramos, assim, que alargando os beneficiários deste programa às promotoras do Microcrédito, além dos benefícios para o próprio negócio (que assim não regista nenhuma interrupção) também poderá representar um aumento da natalidade; \ Criar mecanismos que possibilitem a partilha de espaços e ninhos de empresas (polivalentes e não apenas direccionados para os serviços “administrativos”), de modo a serem ultrapassados os obstáculos com que se deparam os promotores na identificação de espaços. Para a execução desta iniciativa torna-se necessário a intervenção das entidades públicas como agentes facilitadores da mesma; PARTE IV \ Efetuar ações de esclarecimento aos técnicos da DREQP , que prestam atendimento e se encontram mais próximos do público-alvo (pessoas desempregadas com a pretensão de criarem o seu próprio emprego) da Medida Microcrédito, de forma a que o encaminhamento destas pessoas seja efetuado eficientemente e o mais cedo possível (diagnóstico do utente aquando da sua inscrição na AQE ); \ Diligenciar a criação de parcerias com as autarquias locais de forma a agilizar os processos no que respeita à sua legalização de acordo com o setor de atividade de cada um deles – licenciamentos; A par desta medida afigura-se como necessário reforçar a consolidação da capacidade de trabalho entre sectores – governança multinível – já que a Medida MC envolve diferentes 4 CF. http://wikipreneurship.eu/index.php/Consolidation_and_growth \ Criar um mecanismo que possibilite a experimentação das ideias de negócio inovadoras, no sentido de possibilitar ao promotor testar o seu produto ou serviço numa fase inicial, para posteriormente, e com base nos resultados preparatórios obtidos, avançar então para a concretização do projeto; \ Criar um observatório para análise e avaliação das iniciativas de ‘Empreendedorismo Inclusivo’, em constante actualização, que permita a troca de experiências entre os empreendedores e elenque as boas práticas desenvolvidas. 131 PARTE IV \ Efetuar ações de capacitação aos colaboradores das IC protocoladas com o MC , com o intuito de diminuir o desconhecimento existente acerca do espírito desta Medida. Divulgar os seus objetivos, procedimentos, métodos de trabalho e de organização, de forma a que esta Medida seja operacionalizada dentro dos termos legais e com maior agilidade, bem como potenciar o aumento da taxa de aprovação; 130 Conclusões e Recomendações Referências Bibliográficas 11. Referências Bibliográficas Livros Henriques, José Manuel, Lopes, Raul Gonçalves e Baptista, A. J. Mendes (1991). O Programa ILE em Portugal, Instituto do Emprego e Formação Profissional. Lisboa. Henriques, José Manuel e Maciel, Catarina. (2012). Survey on Business Start-Up infrastructure, Dinamia’CET. Lisboa. Publicações Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores, Spiventures e Governo dos Açores (2010). GEM Açores 2010 – Estudo sobre o Empreendedorismo. Açores. 132 Commission of the European Communities (2007). 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Resolução do Conselho do Governo nº 118/2013, de 18 de dezembro. Jornal Oficial nº 145 – I Série. Presidência do Governo. Resolução do Conselho de Governo nº 78/2014, de 29 de abril. Jornal Oficial nº 51 – I Série. Presidência do Governo. Artigos Henriques, José Manuel (2010). Inovação Social e Coesão Territorial: Contributos EQUAL. Em: Separata do Relatório de Execução Final do Programa EQUAL, Gabinete de Gestão EQUAL (ed.). Pereira, Elvira Sofia Leite de Freitas (2010). Contextos territoriais diferentes fazem a diferença no risco de pobreza em Portugal? Em: Revista Sociedade e Trabalho, n.º 41, MTSS. Unterberg, Michael (2008). Microfinance as a European policy issue – policy images and venues. Atas da 5th Annual Conference European Microfinance Network, Nice. 133 Referências Bibliográficas Referências Bibliográficas Teses Maciel, Catarina Silva e, (2010). Empreendedorismo Inclusivo: O desafio da consolidação e crescimento das micro-iniciativas empresariais “inclusivas”. 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Quadro estatístico do principal motivo “preferência trabalhar por conta própria” Principais Motivos opção trabalhador por conta própria (1.º) Frequência Percentagem Auto-realização 75 24,4 Independência pessoal 26 8,4 Gerir o próprio tempo 21 6,8 Satisfação e as recompensas pessoais 10 Possibilidade de conduzir o próprio destino Falta de atractividade no mercado de trabalho Principais Motivos opção trabalhador por conta própria (2.º) Frequência Percentagem Auto-realização 20 6,5 Independência pessoal 46 14,9 Gerir o próprio tempo 27 8,8 3,2 Satisfação e as recompensas pessoais 17 5,5 9 2,9 Possibilidade de conduzir o próprio destino 21 6,8 3 1,0 Falta de atractividade no mercado de trabalho 3 1,0 Melhores perspectivas ao nível do rendimento 3 1,0 Melhores perspectivas ao nível do rendimento 3 1,0 Detecção duma oportunidade de negócio 7 2,3 Detecção duma oportunidade de negócio 6 1,9 3 1,0 Desilusão relativamente à forma de trabalho por conta de outrém 4 1,3 Gosto pelo risco e pela competição 3 1,0 Gosto pelo risco e pela competição 7 2,3 Falta de oportunidades no mercado de trabalho 17 5,5 Falta de oportunidades no mercado de trabalho 17 5,5 Facto de amigos/familiares trabalharem por conta própria 1 0,3 Evitar incertezas relativas ao mercado de trabalho 4 1,3 Outro 6 1,9 Facto de amigos/familiares trabalharem por conta própria 1 0,3 NS/NR 124 40,3 Clima económico favorável 2 0,6 Total 308 100,0 Outro Desilusão relativamente à forma de trabalho por conta de outrém 154 V. Quadro estatístico do segundo motivo “preferência trabalhar por conta própria” 5 1,6 NS/NR 125 40,6 Total 308 100,0 155 Anexos Anexos VI. Quadro estatístico do terceiro motivo “preferência trabalhar por conta própria” Principais Motivos opção trabalhador por conta própria (3.º) 156 Frequência Percentagem Auto-realização 15 4,9 Independência pessoal 23 7,5 Gerir o próprio tempo 18 Satisfação e as recompensas pessoais Possibilidade de conduzir o próprio destino Falta de atractividade no mercado de trabalho VII. Quadro estatístico do principal motivo “preferência trabalhar por conta de outrém” Principais Motivos opção trabalhador por conta de outrém (1.º) Frequência Percentagem Salário Fixo e o rendimento certo 69 22,4 Falta de recursos para iniciar negócio 10 3,2 5,8 Estabilidade no emprego 9 2,9 20 6,5 Segurança social, seguros e outras regalias 5 1,6 29 9,4 Medo do insucesso 5 1,6 4 1,3 Falta de conhecimentos/contactos 1 0,3 Melhores perspectivas ao nível do rendimento 9 2,9 Não ter qualquer ideia de negócio 3 1,0 Detecção duma oportunidade de negócio 13 4,2 Desilusão relativamente à forma de trabalho por conta de outrém 3 1,0 11 3,6 Desinteresse em ser trabalhador por conta própria Totalmente avesso ao risco e à incerteza 6 1,9 Gosto pelo risco e pela competição 10 3,2 Falta de tempo 1 0,3 Falta de oportunidades no mercado de trabalho 19 6,2 Outro 9 2,9 Evitar incertezas relativas ao mercado de trabalho 2 0,6 NS/NR 187 60,7 Facto de amigos/familiares trabalharem por conta própria 2 0,6 Total 308 100,0 Clima económico favorável 2 0,6 Outro 5 1,6 NS/NR 126 40,9 Total 308 100,0 157 Anexos Anexos VIII Quadro estatístico do segundo motivo “preferência trabalhar por conta d’outrém” Principais Motivos opção trabalhador por conta de outrém (2.º) 158 Frequência Percentagem Salário Fixo e o rendimento certo 30 9,7 Falta de recursos para iniciar negócio 16 Estabilidade no emprego Segurança social, seguros e outras regalias IX. Quadro estatístico do terceiro motivo “preferência trabalhar por conta de outrém” Principais Motivos opção trabalhador por conta de outrém (3.º) Frequência Percentagem Salário Fixo e o rendimento certo 8 2,6 5,2 Falta de recursos para iniciar negócio 10 3,2 40 13,0 Estabilidade no emprego 24 7,8 5 1,6 Segurança social, seguros e outras regalias 20 6,5 Falta de conhecimentos de gestão 2 0,6 Falta de conhecimentos de gestão 1 0,3 Medo do insucesso 5 1,6 Medo do insucesso 16 5,2 Incapacidade de inverter a situação caso corra mal 3 1,0 Incapacidade de inverter a situação caso corra mal 3 1,0 Falta de conhecimentos/contactos 1 0,3 Falta de conhecimentos/contactos 2 0,6 Não ter qualquer ideia de negócio 2 0,6 Não ter qualquer ideia de negócio 7 2,3 Desinteresse em ser trabalhador por conta própria 6 1,9 Desinteresse em ser trabalhador por conta própria 9 2,9 Totalmente avesso ao risco e à incerteza 5 1,6 Totalmente avesso ao risco e à incerteza 4 1,3 Falta de capacidade para gerir o próprio negócio 1 0,3 Falta de tempo 2 0,6 Falta de tempo 1 0,3 Outro 14 4,5 Outro 3 1,0 NS/NR 188 61,0 NS/NR 188 61,0 Total 308 100,0 Total 308 100,0 159 Anexos Anexos X. Tabelas Cruzadas das variáveis familiares e/ou amigos com experiência anterior enquanto empresários pela autoperceção dos próprios em relação às suas competências XI. Frequência de um curso de formação em empreendedorismo Já frequentou algum curso de formação em empreendedorismo Frequência Percentagem Sim 255 82,8 Não 53 17,2 Total 308 100,0 Tem familiares e/ou amigos que desenvolvem ou desenvolveram uma actividade enquanto trabalhador por conta própria? Possui experiência anterior como empresário? Sim Não Total Sim Não Total 60 12 72 Frequência 19,6 3,9 23,5 Percentagem 171 63 234 Tipo de apoio Criação de Emprego Frequência 55,9 20,6 76,5 Programa CPE-PREMIUM Entidade responsável DREQP e ISSA Legislação aplicável Resolução do Conselho do Governo nº 15/2013, de 19 de fevereiro Destinatários Desempregados que estejam a beneficiar do subsídio de desemprego Objetivos Apoio à criação do próprio emprego por indivíduos que se encontrem em situação de desemprego, através do recebimento do montante global das prestações de subsídio de desemprego a que ainda tem direito, beneficiando ainda de um prémio não reembolsável no valor de € 3.000,00 e podendo optar por beneficiar também de um prémio reembolsável de € 2.000,00 (a amortizar em 36 meses). Ambos os prémios poderão ter uma majoração de 50% caso o candidato contrate desempregados inscritos nas Agências para a Qualificação e Emprego. Considerações ao empreendedorismo inclusivo Os cidadãos em situação de desemprego poderão acumular o apoio CPE-PREMIUM com a Medida Microcrédito, caso o montante deste não seja suficiente para fazer face ao investimento necessário. Preferencialmente ambas as candidaturas deverão ser feitas em simultâneo. Percentagem Percentagem 231 75 306 Frequência 75,5 24,5 100,0 160 Tem familiares e/ou amigos que desenvolvem ou desenvolveram uma actividade enquanto trabalhador por conta própria? Considera ter o conhecimento e a experiência necessárias para iniciar um novo negócio? Sim Não Total Percentagem 150 40 190 Frequência 49,0 13,1 62,1 49 22 71 16,0 7,2 23,2 32 13 44 10,5 4,2 14,7 Sim Não NS/NR Total XII. Listagem de apoios ao empreededorismo inclusivo existentes na RAA Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem 231 75 306 Frequência 75,5 24,5 100,0 161 Anexos Anexos Tipo de apoio Contratação Tipo de apoio Arrendamento Programa INTEGRA START-UP Programa LOJA + Entidade responsável DREQP Entidade responsável SDEA Legislação aplicável Resolução do Conselho do Governo nº 118/2013, de 18 de dezembro de 2013 Legislação aplicável Resolução do Conselho de Governo nº 18/2013, de 19 de fevereiro; Resolução do Conselho de Governo nº 100/2013, de 8 de outubro; Resolução do Conselho de Governo nº 78/2014, de 29 de abril Destinatários Empresas privadas Objetivos Promover a requalificação e revitalização do comércio dos centros urbanos, tendo em vista a ocupação de espaços devolutos (desocupados há mais de 3 meses), mediante um apoio ao arrendamento do estabelecimento comercial. Os negócios a serem apoiados deverão ter um caráter inovador, respeitando os conceitos indicados na legislação do programa. O apoio ao arrendamento tem a duração de 12 meses e reveste a forma de subsídio não reembolsável, (correspondendo a 50% para as ilha de São Miguel e Terceira, 55% para as ilhas do Faial e Pico e 60% para as restantes ilhas do Arquipélago), do valor do arrendamento, até ao montante mensal de €14,00 por m2, com o limite de €700,00, sendo também considerada a área útil do estabelecimento comercial. Destinatários Empresas privadas (a criar ou criadas nos últimos 5 anos, sem quadro de pessoal) Objetivos Promoção da criação de novos postos de trabalho através da atribuição de um apoio financeiro, durante 12 meses, às empresas que celebrarem contrato de trabalho com desempregados inscritos na AQE. O contrato deverá ser a tempo inteiro e ter a duração mínima de 1 ano. No caso de desempregados inscritos há menos de 1 ano o apoio é de € 350,00 por mês, no caso de desempregados inscritos há mais de 1 ano o apoio é de € 450,00. Ambos os valores são majorados em 20% caso a pessoa a contratar tenha mais que 50 anos. 162 Considerações ao empreendedorismo inclusivo A indisponibilidade económica é um dos fatores que impede a maioria dos ‘empreendedores inclusivos’ de contratarem mão-de-obra para as suas empresas, o que muitas vezes limita as suas oportunidades de crescimento e expansão. Este programa vem assim colmatar este obstáculo possibilitando aos microempreendedores constituírem quadro de pessoal e que os lucros iniciais da atividade seja utilizado noutras áreas de desenvolvimento da empresa, tais como investimento em publicidade, aquisição de produtos mais atrativos e identificação de novos nichos de mercado. Considerações ao empreendedorismo inclusivo Considerando que as dificuldades de acesso ao espaço são um obstáculo para a grande maioria dos promotores, o apoio ao arrendamento Loja + demonstra-se bastante pertinente, atenuando os elevados custos ao arrendamento e promovendo uma proximidade dos negócios às zonas de maior afluência de possíveis clientes. Este apoio poderá complementar a Medida Microcrédito e CPE-PREMIUM, uma vez que as despesas com os custos fixos também não são consideradas elegíveis. Salientando-se a necessidade de uma análise cuidadosa, uma vez que o apoio é temporário e posteriormente o negócio terá que libertar fundos suficientes para fazer face ao valor total da renda. 163 Anexos Anexos Tipo de apoio Financiamento à Aquisição de stock Tipo de apoio Investimento ao artesanato Programa PROGRAMA DE APOIO à RESTAURAÇÃO e HOTELARIA para a AQUISIÇÃO de PRODUTOS REGIONAIS Programa SIDART – Sistema de Incentivos ao Desenvolvimento do Artesanato Entidade responsável SDEA Entidade responsável CRAA Legislação aplicável Portaria nº 33/2013, de 14 de Junho Portaria nº 63/2013, de 5 de agosto Destinatários Empresas privadas Legislação aplicável Destinatários Artesãos e Unidades Produtivas Artesanais Objetivos Promoção da competitividade e inovação no setor da restauração e hotelaria açoriana, através da utilização predominante de produtos regionais, comparticipando a sua aquisição em 10%, que ascende a 40% no caso de produtos regionais com certificação “Indicação Geográfica Protegida IGP”, “Denominação de Origem Protegida – DOP”, “Denominação de Origem Controlada – DOC” ou “Artesanato dos Açores”. O apoio financeiro não pode exceder anualmente o montante de €5.000,00 por estabelecimento, até ao montante máximo anual de €15.000,00 por empresa. Decreto Legislativo Regional n.º 34/2012/A, de 25 de julho Decreto Regulamentar Regional n.º 1/2013/A, de 27 de fevereiro Objetivos Promover o desenvolvimento sustentável da atividade artesanal no âmbito da economia regional, através de um conjunto de medidas que visam o reforço da qualidade da produção e da competitividade das empresas artesanais dos Açores. O apoio reveste a forma de subsídio não reembolsável e comparticipa 50% das despesas elegíveis,na ilha de São Miguel e 60% para as restantes, no âmbito da frequência de ações de formação; de projetos de dinamização do setor artesanal, tais como participações em feiras ou exposições; projetos de investimento nas unidades produtivas artesanais; e de projetos de qualificação e inovação do produto artesanal. Os montantes máximos a comparticipar dependem do tipo de atividade, e o montante mínimo ficou fixado nos € 200,00 independentemente da tipologia do projeto. 164 Considerações ao empreendedorismo inclusivo Embora a Medida Microcrédito e CPE-PREMIUM prevejam a aquisição do stock inicial, posteriormente os promotores que se dediquem às áreas da restauração ou do alojamento turístico poderão beneficiar deste apoio, que tem a dupla benesse de reduzir os custos com fornecedores e promover o consumo local. Considerações ao empreendedorismo inclusivo Não sendo acumulável com a Medida Microcrédito e o CPE-PREMIUM na fase de criação do negócio, este apoio poderá ser aproveitado pelos ‘empreendedores inclusivos’ da área do artesanato numa fase de desenvolvimento ou expansão do seu negócio, ou seja, numa fase em que as vendas dos seus produtos já permitam ter um fundo de maneio extra para avançar com as despesas elegíveis e aguardar o seu reembolso. Salienta-se a sua importância a nível da remodelação dos espaços e de inovação do produto artesanal, uma vez que permite o desenvolvimento da ideia de negócio inicial e da adaptação às novas necessidades dos clientes. 165 ESTUDO SOBRE O ‘EMPREENDEDORISMO INCLUSIVO’ E MICROCRÉDITO NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES 2014 Gerir, Conhecer e Intervir