PROJETO “JORNAL BOAS NOVAS” Colégio Estadual José Pedro Varela Rio Comprido - Rio de Janeiro - RJ Márcia Simão Linhares Barreto – UNIVERSO Coordenadora: Maria Suzana De Stefano Menin - UNESP Relatores da escola: Maria João Bastos Gaio O contexto O Colégio JOSÉ PEDRO VARELA situa-se no município do Rio de Janeiro no estado do Rio de Janeiro, bairro do Rio Comprido. Segundo relato da Diretora Maria João Bastos Gaio, Trata-se de uma escola antiga, da década de 30, que funcionou em outra localidade, num prédio maior, até a construção do metrô do Estácio, quando o prédio foi derrubado e passou a ser uma “escola nômade”, funcionando de forma precária no prédio da Escola Canadá, na subida do Morro de São Carlos, já com característica de escola de horário noturno. Hoje compartilha o prédio com a Escola Municipal Mário Cláudio”. Neste prédio, a escola Municipal José Pedro Varela fez 30 anos. Começou como escola de ensino supletivo e na década de 90 adquiriu status de Colégio Estadual, passando a ter as turmas de ensino Médio e Fundamental, em horário noturno, mas regular. Para a Diretora “o compartilhamento do prédio dificulta o funcionamento pleno da escola”. Tem cerca de 400 alunos em 14 turmas. Esse número não pode ser aumentado porque não existem mais salas a serem cedidas. Essa limitação faz com que a escola recuse alunos que procuram matricular-se, e devido a característica dos mesmos, que são trabalhadores e chefes de família, muitos abandonam a escola, no meio do ano letivo. (Maria João Bastos Gaio). Todos os professores tem formação de nível superior, muitos pós-graduados, inclusive há Mestres na equipe docente. Este projeto foi aprovado pela FESP e recebe uma verba específica para realizálo. Utilização do pátio como auditório para as atividades. Por que e como o projeto começou? A escola desenvolveu o projeto “Jornal Boas Novas” por iniciativa e característica da sua Diretora que sempre gostou de trabalhar com projetos. Iniciou-se de uma forma muito incipiente, com saraus de poesia, feira cultural, e posteriormente começaram a implementar projetos no primeiro e no segundo semestre. Com esse clima a Professora de Língua Portuguesa Rose Mary Melgaço trouxe a idéia de fazer um jornal de maneira que os alunos pudessem ter acesso às atividades por eles realizada. (Maria João Bastos Gaio). O interesse maior era que o Jornal, além de ser voltado para Língua Portuguesa, englobasse também valores morais e éticos. Essa necessidade deu-se pelo tipo de clientela existente na escola, onde há alunos adultos, mas também adolescentes. Maria João Bastos Gaio, diretora da escola. A constituição do projeto: temas, meios, atividades desenvolvidas Na opinião da Diretora Maria João Bastos Gaio, Vivenciamos um tempo em que valores morais estão esquecidos ou transformaram-se em outros valores, que nós educadores ainda não conseguimos absorver. As relações sociais, de um modo geral, estão esgarçadas e muito fragilizadas e sentimentos como o amor, respeito e retidão passam longe de nossas crianças, jovens e adultos. Essa educação pode e deve perpassar todas as disciplinas e se tornar "uma espinha dorsal" de muita importância no desenvolvimento das relações pessoais, interpessoais e grupais. Atividades planejadas e executadas por professores de diferentes matérias, com enfoques diferentes, mas que levem ao essencial ajudam e muito. Ainda relata que A cada ano há uma procura maior de adolescentes (14 e 15 anos) pelo horário noturno, já que querem trabalhar e para isso estudar a noite fica mais viável. Também migram para a escola, alunos com problemas em horários diurnos. Esses alunos tiveram tipos de problema de briga com colegas, com a diretora, etc. Sendo assim a escola tem alunos matriculados de 14 a 70 anos de idade. A professora Rose Mary observou que essas diferenças de idade geravam conflitos na turma. Na tentativa de converter isso em algo positivo, nasceu o Jornal. (Maria João Bastos Gaio). Tendo em vista que o compartilhamento da escola limita em muito a utilização das instalações, por exemplo, o auditório da escola municipal, não pode ser utilizado pela estadual (noturna), a direção junto com sua equipe promove atividades nas condições possíveis, e quer fazer com que os alunos e professores sintam que existem ações visando integração, usando todos os recurso disponíveis para que eles se sintam incluídos e valorizados. Dessa forma o Jornal Boas Novas também divulga o que é feito dentro da escola. “Eles se sentem muito valorizados e felizes pois se trata de atividades que os próprios produzem. A escola inteira está envolvida no projeto, inclusive as família”, diz Maria João. É um Jornal Trimestral, através do qual já gerou subprojetos (também um Jornal) específico sobre o Bairro do Rio Comprido, bem como o projeto “Rio de Janeiro: Cidade Maravilhosa?” Com concurso de redação, filmagem de vídeo de dramatização pelos alunos. O jornal consegue agrupar todos os demais projetos da escola, dando uma visão global dos acontecimentos. “A participação é democrática, com alunos, professores e demais funcionários da escola contribuindo. Desenvolve a auto-estima, principalmente dos nossos alunos, e valoriza a contribuição que cada segmento faz para o sucesso do jornal” (Maria João Bastos Gaio). São vários os assuntos abordados: relatos de professores, depoimentos de alunos, editoriais, entrevistas, notícias etc. Os alunos pesquisam, relatam experiências bem sucedidas, entrevistam os professores, a diretora, passeiam pelo bairro em busca de curiosidades, fotografam, são destacadas atividades dos alunos (premiações, iniciativas, etc) enfim, são vários os registros. O professor monta o artigo e a opinião dos alunos é consultada. É editado em papel e fica <http://jornalboasnovas.webnode.com.pt/>. Alunos fazendo dramatização disponível no site: Principais resultados e formas de avaliações Conforme explicou a Diretora, As avaliações são feitas de maneira informal e nos conselhos de classe. Observa-se uma mudança no comportamento, na autoestima e na valorização dos alunos bem como na aproximação com o corpo docente. Os que participaram diretamente se mostraram mais interessados nas aulas e interagem melhor. (Maria João Bastos Gaio). Como a escola tem uma taxa de evasão muito grande e uma repetência acentuada, começaram a fazer parte de um projeto estadual Programa de Desenvolvimento da Escola que é um tipo de capacitação para os diretores e coordenadores pedagógicos. “A partir daí, começamos a receber uma verba específica para aplicar em projetos. Um dos projetos prevê visitações externas. Através disso, eles vão visitar exposições, museus e demais visitas externas”, diz Maria João. A direção considera que o perfil e a identidade da escola passaram a favorecer muito a formação de personalidades e agregar valores morais, pois a fala é sempre positiva, buscando a valorização dos alunos e dos professores. Limites e dificuldades Já que a escola é compartilhada, só pode usar as instalações nos horários específicos (noturno e de segunda a sexta- feira), a direção não pode promover encontros com a comunidade e nem abrir o prédio em finais de semana. “Essa limitação impede-nos também de montar um laboratório de informática, que seria um instrumento para melhor realização desse trabalho”, diz a Diretora. Ainda, segundo a Diretora Maria João, a maioria das escolas é de horário noturno, A única solução para equacionar esses problemas seria ter uma escola de prédio próprio, solução que está nas mãos do Governo do Estado e da Prefeitura. São mais de 95 escolas neste sistema de horário noturno só dentro desta Coordenadoria, todas clamando pela mesma solução. A escola não tem coordenador pedagógico, não tem supervisor e nem diretora adjunta. O Estado alega que a escola precisa ser reclassificada para ter essas necessidades atendidas, já que trata-se de escola “D”. Sendo assim, utiliza o projeto político-pedagógico já existente anteriormente. Para ser discutido um novo projetopolítico-pedagógico com a participação dos professores, estão aguardando a reclassificação. Ainda assim, na semana de planejamento são discutidos assuntos nesse sentido. Algumas considerações sobre projeto Observou-se, tanto por parte da direção como dos professores e da equipe de apoio, uma motivação em relação aos projetos da escola. Tendo em vista as limitações, avaliou-se que os projetos são desenvolvidos de forma criativa buscando superar os limites. A entrevista tomou um rumo emocionante, com a Diretora dando muita ênfase aos trabalhos. Não houve possibilidade de entrevistar alunos em virtude do horário da visita. Porém, nos Jornais é possível avaliar a participação dos mesmos. Segundo a direção está sendo gratificante ver o envolvimentos das pessoas, cada qual, contribuindo, da sua maneira, com seu repertório de conhecimento, para a construção de algo coletivo, tão produtivo e valoroso para um colégio de horário noturno que nem prédio próprio tem e sofre diversas mazelas. Referências CHANGEUX, J.P. (Org.). Uma ética para quantos? Bauru: Edusc, 1999. CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1994a. _________. Introdução à história da filosofia: Dos pré-socráticos à Aristóteles. São Paulo: Brasiliense, 1994b. v. I. COLÉGIO ESTADUAL JOSÉ PEDRO VARELA. Projeto Jornal Boas Novas. Disponível em: <http://jornalboasnovas.webnode.com.pt/>. Acesso em: 01/12/2010. DELLA VOLPE, G. et. al. Moral e sociedade. 2. ed. São Paulo: Paz & Terra, 1982. BOTO, C. Ética e Educação Clássica: Virtude e Felicidade no Justo Meio. Educação & Sociedade. Campinas, v. 22, n. 76, 2001. BRASIL. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. 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