UM PROCEDIMENTO PARA ESCOLHA DE LÍQUIDO INDICADOR MANOMÉTRICO EM FLUXOS DE AR André de Almeida Melo Alex Maurício Araújo [email protected] [email protected] UFPE – Departamento de Engenharia Mecânica – Laboratório de Fluidos (LDP – FLU), Av. Acad. Hélio Ramos s/ n. Recife-PE, CEP: 50740-530 Resumo. Este trabalho objetiva apresentar uma síntese do conjunto de informações e de procedimentos experimentais que foram utilizados para fazer a seleção de potenciais líquidos manométricos a serem usados como indicadores de colunas diferenciais em manômetro de reservatório com tubo inclinado. Ele foi desenvolvido na unidade de aerodinâmica do laboratório de fluidos do DEMEC-UFPE e procurou resolver a questão de identificar o líquido indicador que melhor se adequasse às condições do manômetro a ser empregado nas medidas indiretas de velocidades de fluxos de ar. O trabalho compila os principais critérios usuais de seleção, levanta os valores e padrões de seus parâmetros característicos e os analisa comparativamente à luz da sua aplicação para o caso. Palavras-chave: manômetro, tubo inclinado, líquido indicador, procedimento de escolha 1. INTRODUÇÃO A Mecânica dos Fluidos enquanto uma ciência dos escoamentos tem como suas variáveis mais características os campos de pressões e de velocidades. A pressão por ser uma grandeza derivada, representativa do bombardeio molecular do fluido sobre uma superfície, tem seu processo de medida realizada por instrumentos que a inferem mediante processo de calibração por meio de dispositivos primários que podem ser agrupados em quatro categorias principais de sensores, conforme (White, 2002): de gravidade, de deformação elástica, comportamento de gases, e, de saída elétrica. Os manômetros usuais se enquadram na primeira categoria e se constituem em dispositivo de principio hidrostático, sendo simples e baratos, não apresentando partes móveis, exceto a própria coluna líquida. Considerando-se constantes a aceleração da gravidade local e a massa específica do líquido indicador, a equação básica da estática dos fluidos indica que a diferença de pressão entre dois pontos num fluido estático pode ser determinada medindo-se a sua diferença de elevação. Dentre eles os mais singelos e difundidos são os tubos piezométricos e os tubos em U, porém suas aplicações para casos em que ocorram pequenas diferenças de pressão, deve implicar em dificuldades para se efetuar leituras mais precisas. A sensibilidade de um manômetro pode ser definida, segundo (Fox, 2001), como a deflexão em milímetros por milímetro de pressão diferencial de água aplicada. A sensibilidade pode ser aumentada por alteração no projeto do manômetro ou pelo uso de dois líquidos imiscíveis com massas específicas ligeiramente distintas. A referência (White, 2002), menciona ainda dois tipos de manômetros de sensibilidade para medições precisas; tubo inclinado com visor de ampliação, e, micrômetro de ponta linimétrica com amperímetro de detecção. Uma solução usualmente encontrada na prática é a do chamado Manômetro de Reservatório com Tubo Inclinado (MRTI), (Fox, 2001; e Airflow instruments, 2006). 2. OBJETIVO Este trabalho desenvolvido na unidade de aerodinâmica do Laboratório Didático Pedagógico de Fluidos (LDP-FLU) do Departamento de Engenharia Mecânica da UFPE, (Araújo, 2001), teve por finalidade identificar um liquido que melhor se adequasse às características do manômetro de reservatório com tubo inclinado (MRTI) tipo 504/750 da Airflow Developments Limited, (Airflow instruments, 2006), utilizado no Túnel de Vento Modular (TVM) do laboratório, modelo TE43, (Plint CD Rom catalogue, 1997), buscando minimizar erros de medidas das colunas líquidas resultantes das pressões dos fluxos testados. Os requisitos gerais de atendimento do líquido manométrico, para uma correta aplicação seriam respectivamente: menor densidade relativa possível para aumentar a sensibilidade; seguro (não-tóxico e não-inflamável); imiscível com o ar; sofrer perda mínima por evaporação; desenvolver um menisco satisfatório (pequeno ângulo de contato); pouca ascensão capilar (tensão superficial relativamente baixa); aceitar tingimento (melhorar a visibilidade); e, baixo custo. Além destes, conforme especificado em catálogo pelo fabricante do MRTI usado, (Airflow instruments, 2006), deveria se ter uma massa específica aproximada de 784 kg/m3 a T=200C, para se poder usar de modo adequado e diretamente a escala, em mm de H2O, associada ao equipamento. 3. CONTEXTO DE UTILIZAÇÃO O manômetro de reservatório de tubo inclinado objeto deste trabalho é utilizado para indicar as diferenças de pressões tomadas pelo tubo de pitot, instalado na seção de testes do TVM, para medir as velocidades do fluxo de ar ali produzido, (Araújo, 2005). Este manômetro tem como característica principal, relativamente aos manômetros convencionais em tubo U, a ampliação da visualização da medida da deflexão da coluna manométrica em uma escala devidamente calibrada em mm de H2O para fornecer a diferença de pressão sem nenhum cálculo adicional. No entanto, seu funcionamento só fornecerá leituras consistentes e precisas se o líquido manométrico utilizado atender às especificações do fabricante, conforme descrito em (Airflow instruments, 2006). MRTI Tubo U Figura 1. Aspectos do TVM, do MRTI e do tubo U do LDP-FLU usados no trabalho. 4. METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO DE LÍQUIDOS TENTATIVOS Priorizando-se os critérios de custo, facilidade de obtenção e manuseio, foram preliminarmente escolhidos para uma investigação mais detalhada de seus principais requisitos, materializados aqui pelos parâmetros característicos para aplicação, seguindo procedimentos adiante descritos, os seguintes líquidos: água de abastecimento do laboratório; álcool etílico hidratado; removedor; gasolina comum; removedor à base de acetona; vaselina; e querosene. 4.1. Medidas das massas específicas Padronizou-se um volume V = 10ml, para todos os líquidos, utilizando-se para isso de um único recipiente de vidro transparente e escala fixa com resolução de 0,5 ml. A massa dos líquidos (M) foi obtida a partir de uma balança digital Marte modelo A10K devidamente calibrada com resolução de 0,1g. Desse modo os valores da massa específica (ρ) em (kg / m3) de cada líquido foi estimado pelo resultado encontrado através da forma integral da expressão de sua definição: ρ= M / V (1) 4.2. Análise da incerteza nas medições A incerteza total de um resultado de medidas (R) depende de n variáveis associadas com o seu processo de medição, R = R (x1, x2,..........,xn), cada qual com sua própria incerteza (δx) estabelecida e informada pelo experimentalista. Da incerteza de dados experimentais sabe-se que as variáveis múltiplas tornam cumulativas as estimativas de incerteza. Conforme (White, 2002), a incerteza total de R ficou estabelecida de comum acordo entre os experimentalistas que: δR = [ ( ∂R/∂x1 δx1 )2 + ( ∂R/∂x2 δx2 )2 + ........+ ( ∂R/∂xn δxn )2 ]1/2 (2) No caso, R = ρ = M V-1, sendo uma expressão simples de lei de potência, a avaliação da incerteza relativa global (I) da medida da massa específica será dada por: I = δρ/ρ = [ ( 1. δM / M)2 + ( -1. δV / V)2 ]1/2 (3) Na Eq. (3), ρ = massa específica calculada para o líquido indicador, M = massa medida, V = volume medido, δM = incerteza na medida da massa, e δV = incerteza na medida do volume. Devido à precisão da balança digital utilizada no experimento a incerteza na medida da massa foi prefixada em 0,1g. A incerteza na medida do volume foi definida em 0,25 ml, metade da menor divisão da escala (resolução) do recipiente volumétrico utilizado. 4.3. Cálculos da sensibilidade A sensibilidade do manômetro é definida como sendo a razão entre a deflexão observada no líquido manométrico usado e a diferença de nível equivalente no tubo em U com água como liquido indicador, para uma dada diferença de pressão aplicada. Considere-se a geometria e o esquema de funcionamento do MRTI, conforme (Fox, 2001), esboçado tentativamente na Fig. (2), sendo o seguinte o significado dos parâmetros envolvidos na sua representação: ∆p - diferencial de pressão aplicado aos dois ramos do MRTI; D - largura do reservatório; H - deflexão de nível do líquido indicador no reservatório; ρl - massa específica do líquido indicador; θ - ângulo de inclinação do tubo inclinado; d - diâmetro do tubo inclinado; L - deflexão de nível do líquido indicador lida no tubo inclinado; ∆h - deflexão vertical correspondente à L. Figura 2. Esquema de funcionamento do MRTI e principais variáveis envolvidas. Considerando-se o líquido indicador (ρl) como estático e incompressível e aplicando-se as equações da estática dos fluidos, da conservação da massa e levando-se em conta ainda a geometria do manômetro, chega-se a uma expressão final para a sua sensibilidade (s): s = 1 / [dl (Atubo/Ares + sen θ)] (4) Onde dl é a densidade relativa (ao padrão água, ρ = 103 kg/m3) do líquido indicador, Atubo, e Ares são áreas das seções transversais do tubo e do reservatório, respectivamente. Da Eq. (4) é fácil depreender que para se aumentar a sensibilidade do MRTI o líquido manométrico deveria possuir a menor densidade relativa possível. As outras variáveis envolvidas dizem respeito ao projeto geométrico do dispositivo que neste caso específico, estavam pré-fixadas face às características do modelo usado no TVM. 4.4. Ascensão capilar e meniscos A precisão requerida de instrumentos como os manômetros em que as medidas de alturas de uma interface gás-líquido-sólido são necessárias ressalta a importância da físico-química das superfícies interfaciais. Nesse contexto, quando uma das fronteiras é um gás, as moléculas superficiais do líquido ficam desbalanceadas mecanicamente o que origina o conhecido conceito de força de tensão superficial da mecânica dos fluidos. Esta força é proporcional ao comprimento da interseção do sólido com a interface gás-líquido, e é em geral de pequena magnitude relativamente às demais forças envolvidas como as viscosas, de alterações de pressões ou de peso do fluido, (Francis, 1979). Conforme (Vennard, 1978), uma boa confirmação experimental do modelo de balanço entre forças elementares de pressão e de tensão superficial é obtido para tubos pequenos, diâmetro menor que 5,0 mm, contendo líquidos e com as superfícies do tubo extremamente limpas. Como, em experimentos em laboratórios convencionais de engenharia, tal limpeza é improvável o valor da ascensão capilar medido diretamente no teste deverá ser consideravelmente menor do que o previsto pelo modelo de balanço de forças dado pela Eq. (5): h = 4σ / ρl.g.d (5) Na Eq. (5) h é a altura de ascensão capilar prevista, σ é o coeficiente de tensão superficial, g é a aceleração da gravidade local, d é o diâmetro do tubo e ρl massa específica do líquido indicador. Na Fig. (3) está apresentado detalhe do aparato experimental montado e alguns resultados do procedimento fotográfico com câmera digital utilizado para se estimar os valores de h produzidos. Figura 3. Aspectos da ascensão capilar obtida experimentalmente com um tubo vertical de diâmetro 2 mm para gasolina (h = 4,1mm) e querosene (h = 5,1mm) No caso do MRTI se o ângulo de inclinação (θ), Fig. (2), do dispositivo for pequeno obtém-se uma significativa ampliação do movimento do menisco de separação ar-líquido dentro do tubo. Segundo (Massey, 2002), não se recomenda ângulos menores que 5o em relação à horizontal porque a posição do menisco passa a ser de difícil determinação e as pequenas variações nas forças de tensão superficial, resultado de possíveis impurezas nas paredes do tubo, podem afetar consideravelmente a precisão da medida. Conforme (Fox, 2001), as leituras dos manômetros devem ser feitas no nível médio do menisco. Esta posição está afastada da região do efeito máximo da tensão superficial e mais próxima do nível próprio do líquido. No caso dos MRTIs é importante manter as leituras no mesmo ponto do menisco e evitar uso de tubos com inclinação inferior à 15o, segundo a mesma referência (Fox, 2001). A Fig. (4) apresenta detalhes dos meniscos formados no tubo do MRTI deste trabalho em que o ângulo de inclinação do tubo inclinado é fixado em θ = 220 para dois dos líquidos indicadores testados neste trabalho. Figura 4. Aspectos dos meniscos obtidos experimentalmente no tubo inclinado do MRTI para gasolina (esquerda) e querosene (direita) 5. RESULTADOS OBTIDOS A maioria dos resultados obtidos experimentalmente e compilados de fontes diversas, (Cetesb, 2006; Ccems, 2006 e Unesp, 2006), estão condensados na forma da Tab. (1). Tabela 1. Resultados obtidos, medidos e compilados, para cada líquido manométrico testado. Liquido indicador Água (LDP-FLU) Álcool etílico hidratado Removedor Gasolina Removedor a base de acetona Vaselina Querosene Massa específica (kg/m3) Sensibilidade Tensão superficial (mN/m) (20oC) Ponto de autoignição (ºC) 970 ± 30 790 ± 20 2,7 ± 0,1 3,3 ± 0,1 72.8 22.3 423 770 ± 20 740 ± 20 3,4 ± 0,1 3,5 ± 0,1 22,4 21.8 515 280 810 ± 20 850 ± 20 780 ± 20 3,2 +0,1 3,1 ± 0,1 3,4 ± 0,1 23,7 21 26.8 538 160 a 250 Os valores de ascensão capilar h previstos pelo modelo da Eq. (5) com base nos dados da Tab. (1) comparativamente aos valores medidos experimentalmente conforme ilustrado na Fig. (3), estão indicados na forma do gráfico apresentado na Fig. (5). Figura 5. Valores de ascensão capilar h previstos pelo modelo e obtidos experimentalmente para tubo de vidro com 4 mm de diâmetro. 6. COMENTÁRIOS Do ponto de vista dos valores obtidos experimentalmente do parâmetro massa específica dos líquidos testados comparativamente ao referencial indicado pelo fabricante, para a escala de medidas diretas do MRTI, os líquidos que mais se aproximaram daquela referência foram o querosene e o álcool. Com relação ao parâmetro sensibilidade, os líquidos que apresentaram as melhores respostas foram gasolina, removedor e o querosene. Quanto ao parâmetro ascensão capilar, os que apresentaram melhor desempenho foram o removedor a base de acetona e a gasolina, neste quesito o querosene apresentou um resultado ruim, só perdendo para a água. A formação do menisco não agregou informação suficiente para hierarquizar os líquidos. Do ponto de vista da segurança das operações, considerando-se apenas o parâmetro auto-ignição, o querosene apresentou o resultado mais desfavorável entre os dados compilados. Ainda nesse enfoque de seletividade, pode-se acrescentar que todos os líquidos, exceto a água, são tóxicos, porém com níveis de toxicidade aceitáveis para as operações de manutenção e manuseio do equipamento, e que alguns dos líquidos tentativos são inflamáveis, porém esta propriedade também não põe em risco as operações projetadas com o uso do mesmo, pois a quantidade de vapor de querosene, no caso em questão, liberada por possíveis vazamentos no volume de ar da sala do TVM, ainda seria inferior à concentração mínima para queima ou explosão, por razões de ventilação e fator de diluição. 7. CONCLUSÕES Usando-se os principais critérios de seleção para escolha de líquido indicador manométrico divulgados em referências clássicas de mecânica dos fluidos e com base nos resultados experimentais e dados obtidos neste trabalho pode-se concluir que a escolha final do líquido indicador representa uma solução de compromisso em que se privilegia um dado parâmetro em relação aos demais. Para o caso específico do MRTI do laboratório de fluidos da UFPE optou-se pelo querosene por no caso se buscar em primeiro lugar a maior aproximação ao valor referencial de massa específica indicado pelo fabricante, considerando-se que a ascensão capilar pode ser controlada por ser erro do tipo sistemático, além disso, o mesmo apresentou características adicionais de possuir sensibilidade relativamente alta e ser imiscível ao ar, considerados aqui, como importantes requisitos complementares para sua utilização no contexto dessa aplicação. 8. AGRADECIMENTOS Ao fundo setorial CT-Petro/MCT/CNPq e à PROACAD/UFPE que aportaram os recursos financeiro e humano, respectivamente, que possibilitaram a realização deste trabalho. 9. REFERÊNCIAS Airflow instruments, 2006, informação acessada na página da internet em 03/2006, endereço eletrônico: http://www.airflowinstruments.co.uk/products/detail.aspx?Cid=10&Pid=49. Araújo, A. M., 2001, Laboratório Didático Pedagógico de Fluidos, LDP-FLU, Departamento de Engenharia Mecânica da UFPE, site http://www.ufpe.br/ldpflu/. Araújo, A. M., 2005, “Levantamento experimental de perfis de velocidades em fluxo de ar”, 7o. Congreso Iberoamericano de Ingeniería Mecánica, CIBIM7, Ciudad de México-DF, México, ISBN 970-36-0294-0. Ccems, 2006, informações acessada na página da internet em 03/2006, endereço eletrônico: http://form.ccems.pt/cfq/Seguran%C3%A7a_Laborat%C3%B3rio/Laborat%C3%B3rio.htm Cetesb, 2006, informação acessada na página em 03/2006, endereço eletrônico: http://www.cetesb.sp.gov.br/emergencia/acidentes/vazamento/oleo/a_fisicos.asp. Fox, R.W. and McDonald, A.T., 2001, “Introdução à Mecânica dos Fluidos”, 5ªed., Ed. LTC S.A., Rio de Janeiro, Brasil. Francis, J. R. D., 1979, “Fluid mechanics for engineering students”, 4ª. ed, Edward Arnold. Lacerda F. A., 2002, “Determinação Experimental da Tensão Superficial de Líqüidos Puros”, informações acessada na página da internet em 03/2006, endereço eletrônico: http://www.hottopos.com/regeq9/adejane.htm Massey, B. S., 2002, “Mecânica dos fluidos”, Ed. Fund. Calouste Gulbenkian, Lisboa. Plint CD Rom catalogue, 1997, http://www.plint.co.uk Unesp, 2006, informação acessada na página em 03/2006, endereço eletrônico: http://www.iq.unesp.br/flotacao/MODULO1/aula2/aula2.htm Vennard, J. K. e Street, R. L., 1978, “Elementos de mecânica dos fluidos”, 5a. ed., Ed. Guanabara Dois. White, F. M., 2002, “Mecânica dos Fluidos”, 4a. ed., Ed. Mc Graw-Hill, Rio de Janeiro, Brasil. 10. DIREITOS AUTORAIS Os autores são os únicos responsáveis pelo conteúdo do material impresso incluído no seu trabalho. A SELECTION PROCEDURE FOR MANOMETER LIQUID IN AIR FLOW André de Almeida Melo Alex Maurício Araújo [email protected] [email protected] UFPE – Departamento de Engenharia Mecânica – Laboratório de Fluidos (LDP – FLU), Av. Acad. Hélio Ramos s/ n. Recife-PE, CEP: 50740-530 Abstract. This work has the objective of presenting a synthesis of the set of experimental procedures used to select potential manometer liquids to serve as indicators of differential columns in inclined tube reservoirs manometer. It was developed at the DEMEC-UFPE Fluid Laboratory aerodynamic unit, and search for to solve the problem of identifying the indicator liquid that would fit best to the conditions of the manometer to be used in indirect measures of air flow speed. The work compiles the main usual selection standard, survey values and standards of it's characteristics parameters and analyses comparatively in basis of his application to the problem. Keywords. Manometer, inclined tube, manometer liquid, selection procedure