A medição da capacidade criativa e cultural das cidades,
um contributo para a sua operacionalização
Berta Rato
Pedro Costa
Bruno Vasconcelos
Dezembro de 2010
WP n.º 2010/09
DOCUMENTO DE TRABALHO
WORKING PAPER
A medição da capacidade criativa e cultural das cidades, um
contributo para a sua operacionalização
Berta Rato *
Pedro Costa * *
Bruno Vasconcelos * * *
WP n.º 2010/09
Dezembro de 2010
Revisto em Agosto de 2014
1.
Introdução: a importância da medição da capacidade criativa e cultural das cidades......3
2.
Exemplos de metodologias para a medição da vitalidade cultural e criativa dos
territórios............................................................................................................................7
a)
A viabilidade e vitalidade criativa da cidade segundo Landry e Bianchini ........................ 7
b)
O “Local Culture Index”, de Matarasso ........................................................................... 11
c)
A abordagem aos índices de criatividade segundo o modelo de Florida........................ 14
d)
A abordagem de Singapura ............................................................................................. 16
e)
O Estudo “Creative Economy Report 2008 – The challenge of assessing the creative
economy: towards informed policy making” .......................................................................... 17
f)
O projecto europeu ACRE - Accommodating Creative Knowledge – Competitiveness of
European Metropolitan Regions within the Enlarged Union .................................................. 18
Conclusões e recomendações ............................................................................................. 26
Referências bibliográficas .................................................................................................. 28
* University of Luxembourg.
** ISCTE e DINÂMIA’CET – IUL.
*** DINÂMIA’CET – IUL.
A medição da capacidade criativa e cultural das cidades, um contributo para a sua operacionalização
______________________________________________________________________________________
A medição da capacidade criativa e cultural das cidades, um
contributo para a sua operacionalização1
Resumo:
Este artigo visa apresentar uma proposta prática de operacionalização da medição da capacidade
criativa e cultural das cidades. Não sendo esta uma questão pacífica (nem a própria medição em
si nem os critérios que possam ser definidos para a sua consubstanciação) e levantando
inúmeras dificuldades práticas, torna-se um desafio particularmente estimulante, mas também
socialmente útil, numa época em que, quer no campo académico, quer no do policty-making, a
pressão para a operacionalização de soluções pragmáticas para obviar a estas dificuldades se
amplifica consideravelmente.
A nossa proposta de indicadores tem como ponto de partida, a análise crítica de propostas de
indicadores de vários outros autores, incluindo propostas mais orientadas para os aspectos
estritamente culturais, propostas centradas na criatividade e no conceito de talento, bem como
estudos mais recentes com interessantes resultados ao nivel dos factores de localização e de
atracção de recursos criativos. Num segundo momento, elenca-se uma bateria de indicadores
potenciais, quase “ideal-tipicos”, cobrindo de forma o mais exaustiva possível as várias
dimensões de análise da criatividade. De seguida, com base num desafio lançado a toda a equipa
de investigadores participantes no projecto em que se insere este artigo, é seleccionada uma
“short-list”, partindo da discussão e validação de uma lista sintética e operacional que reune até
cerca de 20 indicadores-chave para a medição de dinâmicas culturais e criativas. Finalmente é
discutida a pertinência da lista com base na identificação dos indicadores mais apontados.
Palavras-Chave:
Criatividade; Cidades Criativas; Índice de criatividade; Medição; Impactos; Urbano.
1
Este paper foi preparado no âmbito do projecto de investigação CreatCity - "A governance culture for the
creative city: urban vitality and international networks", conduzido pelo DINÂMIA-CET/ISCTE e financiado
pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia/Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, com o
apoio do FEDER e de fundos nacionais do MCTES (PTDC/AUR/65885/2006). Resulta igualmente em parte
da investigação desenvolvida em paralelo pelos autores no âmbito de um outro projecto de investigação
aplicada, realizado pelo DiINÂMIA-CET para a Câmara Municipal de Cascais: o Estudo sobre o potencial de
desenvolvimento de Cascais com base nas Indústrias Criativas.
DINÂMIA’CET – IUL, Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território
ISCTE-IUL – Av. das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa, PORTUGAL
Tel. 210464031 - Extensão 293100 E-mail: [email protected] www.dinamiacet.iscte.pt
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1. INTRODUÇÃO: A IMPORTÂNCIA DA MEDIÇÃO DA CAPACIDADE
CRIATIVA E CULTURAL DAS CIDADES
Este artigo visa apresentar uma proposta prática de operacionalização da medição da capacidade
criativa e cultural das cidades. Não sendo esta uma questão pacífica (nem a possibilidade e as
virtualidades da própria medição em si, nem os critérios, indicadores e dados empíricos que
possam ser definidos para a sua consubstanciação) e levantando inúmeras dificuldades práticas,
torna-se um desafio particularmente estimulante, mas também socialmente útil, numa época em
que, quer no campo académico, quer no do policty-making, a pressão para a operacionalização
de soluções pragmáticas para obviar a estas dificuldades se amplifica consideravelmente.
O discurso sobre a criatividade e o papel da cultura na vida das cidades não é novo.
Desde as primeiras sociedades civilizadas da história da humanidade que está bem presente,
ainda que nem sempre muito debatida, a questão da importância da cidade como palco de
dinâmicas culturais e criativas entre agentes culturais, bem como o contributo desse ambiente
para o desenvolvimento da cidade. Como nota P. Hall, a cidade sempre foi aliás o fulcro das
dinâmicas criativas, ao longo da História (Hall, 2000), estando estas indelevelmente ligadas à
sua vitalidade e ao seu desenvolvimento.
No contexto europeu, a cultura tem sido tradicionalmente encarada, de forma natural,
mais como um fim a alcançar (por exemplo, através da actuação pública, ou da actuação de um
promotor cultural) do que como um meio para alcançar um outro fim. Não defendemos que essa
concepção “tradicional” não seja importante, fundamental mesmo, nem que essa deixe de ser
uma (senão mesmo a) função primordial inquestionável da política pública no campo cultural.
Contudo, observa-se ao longo dos anos mais recentes (e numa lógica não isenta de perigos
vários...), que o discurso académico e as tendências do discurso político começam a situar o
sector da cultura igualmente num outro lugar, nomeadamente com o crescente reconhecimento
do seu potencial económico e de alavanca para o desenvolvimento urbano (nas suas diversas
dimensões), e a cultura e a criatividade são agora encarados como motor das cidades e factor de
desenvolvimento das regiões e do território (cf. a este propósito, por exemplo, Costa, 1997)
Apesar de todo o optimismo, à medida que são aprofundadas as investigações e
desenhadas as primeiras estratégias, começam a emergir questões conceptuais, como por
exemplo: o que é cultura? O que é criatividade? O debate destas questões e o posicionamento
face às múltiplas cambiantes e perspectivas sobre estas noções é imprescindível para um
amadurecimento sólido destas lógicas de criação de política e para o desenvolvimento de
estratégias consequentes. Da mesma forma, a conceptualização da forma como a criatividade
urbana pode ser determinante no seu desenvolvimento (e portanto, da sua articulação com as
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questões da competitividade e da vitalidade urbanas – cf Costa et al, 2009) é igualmente
fundamental.
Em paralelo ao desenvolvimento de um campo conceptual balizado, necessário ao
debate sobre a cultura e as suas possibilidades para as sociedades, emerge igualmente o debate
sobre a cidade como espaço de excelência para sinergias entre agentes e a aposta por parte das
autoridades locais e/ou regionais em iniciativas de apoio e de fomento da cultura e da
criatividade.
No domínio das actividades culturais (e de certa forma da criatividade) os investimentos
são até um certo limite um dado adquirido, uma obrigação do Estado, pelo menos nas zonas
urbanas mais densas com níveis mínimos de procura (p.e., a existência de teatro, de centro
cultural, de animação cultural). As decisões de intervenção, excepto no caso de grandes
projectos com fortes expectativas de rendimento, não se baseiam (apenas) em análises de
rentabilidade. Esta particularidade frequentemente determinou a quase inexistência de
instrumentos para medição do contexto cultural e dos resultados de intervenções neste domínio.
No entanto, estas iniciativas à semelhança de outros domínios de intervenção pública
requerem instrumentos de medição, quer por motivos de legitimização e de transparência quanto
às escolhas em matéria de alocação de recursos, quer como forma de identificação de resultados
das intervenções e de apoio à gestão.
Nas duas últimas décadas, o referido crescente reconhecimento da cultura e sobretudo
das indústrias criativas como actividades económicas capazes de gerarem emprego e
rendimentos tem levado ao repensar da importância de medir as actividades culturais e criativas
(cf. p.e., OECD, 2005, 2006; KEA/CE, 2006, UNCTAD/UNDP, DCMS 1998, 2006, NESTA,
2006). Em termos mais pragmáticos, a contabilização destas actividades serve propósitos
diversos de acordo com a fase do ciclo de vida de uma nova iniciativa:

Como fonte de informação para um diagnóstico mais detalhado do sector cultural e criativo,
útil para identificação do potencial neste domínio, nomeadamente em comparação com
outros territórios, e consequentemente para apoio à decisão de se lançar ou não uma
estratégia de desenvolvimento do mesmo;

Como meio de suporte a uma estratégia coerente e fundamentada, com objectivos concretos e
realizáveis, tendo em vista o desenvolvimento do sector;

Como base para a criação de um sistema de monitorização e de avaliação dos recursos
culturais e criativos de um território;

Como forma de medir os resultados e os impactos de políticas de investimento no sector ou
de certos projectos, fundamental, primeiro, num contexto de recursos escassos e de procura
de eficiência na aplicação de recursos; segundo, como forma de validação ou de infirmação
da pertinência da estratégia, podendo eventualmente resultar em reorientações da mesma;
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
Como forma de promoção do debate em torno da contribuição da cultura e da criatividade
para o desenvolvimento económico local e para a criação de emprego.
Apesar da importância da aferição do papel das actividades culturais e criativas e da construção
de indicadores objectivos para a monitorização e a avaliação de impactos e resultados, a recolha
desta informação e a constituição de bases de dados apresenta diversas dificuldades. Em
primeiro lugar, porque não existe uma definição universal de quais as indústrias culturais e
criativas a considerar como objecto da intervenção – mesmo análises realizadas no mesmo país
apresentam diferenças na definição do sector criativo. Por outro lado, a informação estatística
oficial na maior parte dos países não dá resposta às necessidades, ou por não oferecer dados a
nível local, ou por não existirem séries longas para medição da evolução, ou pela debilidade dos
dados existentes (num sector com peso significativo da informalidade, do auto-emprego, da
actividade a tempo parcial, da actividade não remunerada ou voluntária, da diluição produçãoconsumo, etc.), ou, ainda a título exemplificativo, por a maior parte das dimensões de análise
não ser contemplada nas estatísticas oficiais, sobretudo no domínio das dimensões de carácter
mais qualitativo, completamente excluídas.
Como consequência, a maior parte dos estudos empíricos sobre o potencial e a evolução
da criatividade de um território assenta num conjunto reduzido de indicadores mais facilmente
contabilizáveis, tais como: o volume de emprego, o número de estabelecimentos dos diversos
ramos culturais e criativos, o volume de negócios, os gastos públicos com a cultura, as
audiências de espectáculos, as visitas a equipamentos culturais, os direitos de autor e de
propriedade intelectual (na generalidade dos casos, com limitações muito graves ao nível da sua
qualidade). Em estudos mais aprofundados implementados em territórios mais circunscritos
tem-se ido mais além, recolhendo-se informação complementar por meio de instrumentos de
inquirição. No entanto, dado os custos elevados de tais processos, dificilmente estes poderão ser
apropriáveis de forma mais generalizada por outros territórios ou para a globalidade de
territórios mais vastos.
É neste contexto de pertinência da contabilização das actividades culturais e criativas
mas de insuficiência da informação efectivamente disponível que importa pensar um conjunto
de indicadores que possam obviar a esse problema de forma eficiente. A selecção deste tipo de
indicadores deverá seguir portanto os princípios commumente aceitáveis: serem específicos,
mensuráveis, obteníveis, relevantes e passíveis de obtenção regular e atempada (SMART Specific, Measurable, Attainable, Relevant, Timely). Mas por outro lado, deve ser
operacionalizável, isto é o número de indicadores deverá ser limitado mas representativo das
várias dimensões de análise. Finalmente, deverá permitir a sua comparabilidade, no tempo,
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naturalemnte, mas também no espaço, e não só a nível nacional (ou dentro de um mesmo
sistema de estatístico), mas, idealmente, além fronteiras.
O nosso contributo para uma proposta de indicadores, que se operacionaliza nas secções
eguintes, tem como ponto de partida a análise crítica de outras propostas de indicadores, de
vários autores, incluindo propostas mais orientadas para os aspectos estritamente culturais,
propostas centradas na criatividade e no conceito de talento, bem como estudos mais recentes
com interessantes resultados ao nivel dos factores de localização e de atracção de recursos
criativos. Num segundo momento, apresenta-se uma bateria de indicadores potenciais, cobrindo
de forma o mais exaustiva possível as várias dimensões de análise da criatividade. De seguida, e
partindo do desafio efectuado a toda a equipa do nosso estudo para a discussão e a validação de
uma lista sintética e operacional de indicadores-chave para a medição de dinâmicas culturais e
criativas. que não deveria ultrapassar os 20 indicadores,faz-se uma operacionalização mais
limitada de indicadores-chave, com base na identificação dos indicadores mais apontados pelo
colectivo e na discussão da pertinência da lista.
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2. EXEMPLOS
DE
METODOLOGIAS
PARA
A
MEDIÇÃO
DA
VITALIDADE CULTURAL E CRIATIVA DOS TERRITÓRIOS
Não obstante as condicionantes da construção e aplicação de baterias de indicadores para a
medição das actividades culturais e criativas, vários autores e instituições procuraram ir mais
além e ensaiaram instrumentos, com base numa bateria de indicadores mais extensa, com o
propósito de diagnosticar o potencial criativo de uma cidade. Apresenta-se de seguida um
conjunto (que se procurou diverso, abrangente e plural) de experiências recolhidas na literatura
recente, as quais procuraram dar resposta a estes desafios: as análises de Matarasso e de Landry
e Bianchini (realizadas no seio da Comedia, entidade que há vários anos analisa o papel das
actividades criativas no desenvolvimento urbano, no Reino Unido e noutros países); o muito
popularizado e mediatizado quadro de análise de Richard Florida; um estudo mais assente numa
perspectiva mais “macro”, sobre as indústrias criativas em Singapura; a análise realizda no
âmbito das Nações Unidas pela UNCTAD; e, finalmente, a reflexão realizada no âmbito de um
projecto de investigação europeu em larga escala, o ACRE. Qualquer destas abordagens
permitiu a construção de um quadro de trabalho que estabelece um certo número de indicadores
com o propósito de diagnosticar (embora uns de forma mais crítica que outros) o potencial
criativo de uma cidade.
a) A viabilidade e vitalidade criativa da cidade segundo Landry e Bianchini
(Landry, C. e Bianchini, F. (1994))
No âmbito da análise de autores ligados à britânica Comedia, Landry e Bianchini estabelecem
critérios para medir a viabilidade e a vitalidade cultural e criativa da cidade, apontando
indicadores que passam por uma definição prévia do que são os recursos culturais e criativos de
uma cidade. Se por um lado, os recursos culturais de uma cidade se associam a elementos como
a população local e a sua capacidade criativa, património, identidade, gama de produtos
produzidos ao nível local, património edificado, atractividade, etc., os recursos criativos
caracterizam-se igualmente pelo seu carácter experimentalista e inovador, pela sua
originalidade, pela capacidade de reorganizar regras, gerar comportamentos alternativos, etc.
No entanto, para além da discussão sobre cultura e criatividade e a sua distinção, revelase importante perceber o que caracteriza as noções de vitalidade e viabilidade das cidades, bem
como perceber a relação destas noções com a sua capacidade criativa e cultural. Isto porque a
noção de viabilidade nos remete para as ideias da sustentabilidade, adaptabilidade, flexibilidade,
capacidade auto regenerativa, responsabilidade e segurança das cidades. Estes aspectos estão
fundamentalmente relacionados com o carácter cultural e criativo das comunidades, seja do
ponto vista da população, seja da massa crítica, seja da postura política do poder local. As
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cidades são comparáveis a organismos vivos, com períodos de crescimento, estabilização e
declínio. A capacidade de resposta das cidades para os novos desafios, passa fundamentalmente
pela sua capacidade de sustentabilidade e de renovação de paradigmas que permitam o
rejuvenescimento da vida da cidade. Por isso, uma cidade que reconheça a importância das
noções de viabilidade e vitalidade, reconhece em si quais os factores capazes de potenciar o seu
carácter cultural e criativo, como ferramentas de sustentabilidade, de valorização e
competitividade do território. Dado isto, é possível atribuir alguns critérios que permitem medir
a viabilidade e vitalidade das cidades, os quais são expressos na tabela seguinte:
Tabela 1. Indicadores de Viabilidade e Vitalidade das Cidades (para Landry e Bianchini, 1994)
Critérios
Níveis
a. Ao nível económico: Passa pela ideia da existência de um aglomerado de
agentes que facilitem a emergência de economias de escala, cooperação e
sinergias entre agentes, a existência de um distrito financeiro no centro da cidade,
a existência de bairros artísticos dentro da cidade, um parque tecnológico fora da
cidade. Representa ainda a existência de organizações com iniciativas económicas
como feiras de negócios, missões de trocas externas, etc.
b. Ao nível social: Pode entender-se pela densidade de relações sociais em
determinadas zonas da cidade, em diferentes momentos cronológicos (hora dia,
dias da semana, meses).
Massa Crítica
c. Ao nível do ambiente e envolvente: Numa cidade atractiva, deve existir mais do
(Nível mínimo de
que um ponto atractivo no que concerne à massa crítica (museus, restaurantes,
recursos)
espaços verdes qualificados). Pode existir em diferentes localizações da cidade:
centro, perto do centro ou subúrbios, uma massa crítica sob a forma de edifícios
históricos em número suficiente para constituir de zonas históricas, o mesmo é
aplicado a espaços verdes, existência de rios nas zonas periféricas, etc.
d. Ao nível cultural: Engloba história, imagem (representações e identidade), redes
de espaços públicos. Existência de participação da comunidade nos debates e
discussões na definição de uma agenda de eventos coerente. A massa crítica
cultural é também a existência de soluções diferentes e grande diversidade de
oferta cultural.
e. Ao nível económico: Diversidade de economias, considerando as economias
especializadas existentes, que necessitam ser encorajadas. Neste caso, o
Diversidade
(A ideia da
planeamento tem um papel crucial para desenvolver a diversidade económica e
diversidade vai
aumentar a capacidade de adaptação da cidade.
aumentar o leque f. Ao nível social: Cosmopolitismo e vivacidade da sociedade civil e existência de
de possibilidades
um grande sector voluntário; existência de organizações com grande nível de
de uma cidade.
confiança capazes de gerir situações de mudança; utilização do multiculturalismo
Quanto maior o
como elemento fulcral para a renovação das ideias e da criatividade.
número de
g. Ao nível cultural: Implica o estímulo para oportunidades de produção, consumo e
possibilidades,
distribuição. Promover a ideia do que é a cultura local.
mais facilidade a
cidade poderá ter h. Ao nível ambiente e envolvente: Passa pela diversidade dos espaços naturais
em adaptar-se)
que a cidade oferece bem como dos espaços construídos, constituindo uma
heterogeneidade de comunidades.
i. Ao nível económico: Oportunidade de participação na vida económica através da
existência de serviços de aconselhamento, tecnologia, fontes de informação,
formação e capital de risco. Ter acesso à economia ajuda na renovação da cidade.
Acessibilidade
j. Ao nível social: Fazer parte, ter acesso à vida da cidade. Fazer de todos os
(A acessibilidade
cidadãos, grupos sociais, elementos activos na vida da cidade, seja na
permite a
participação directa na tomada de decisões, seja pelo uso dos equipamentos
identificação e
existentes.
exploração de
k. Ao nível ambiente e envolvente: Passa pela existência de uma rede de
recursos
transportes públicos inclusiva para as diferentes áreas geográficas da cidade, a
criativos)
existência de parques de estacionamento eficientes, acessos de carro e
segurança. Existência de WCs, nos espaços públicos, existência de pontos
informativos sobre a cidade em lugares de entrada.
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l.
Segurança
(Apesar de ao
processo criativo
estarem
associados
ambientes
depressivos, um
clima criativo só
consegue
florescer num
ambiente seguro
e calmo).
Identidade e
distinção
(Permitem
perceber quais
são os pontos
fortes de uma
comunidade que
podem e devem
ser potenciados.
É na diversidade
das diferentes
culturas e
comunidades da
cidade, que se
pode encontrar o
ponto comum
para a
cooperação no
sentido de apoiar
o bem comum
que é a cidade.)
m.
n.
o.
p.
q.
r.
s.
t.
u.
Capacidade
Inovadora
(Ambiente
criativo inovador,
nas suas várias
vertentes)
v.
w.
Ao nível económico: Estabilidade da base económica local, do ponto de vista das
empresas e dos trabalhadores. Compromisso das empresas com o território,
investimento visível das empresas confere segurança.
Ao nível social: Inexistência de ameaças para pessoas e propriedades,
sentimento de confiança e união entre os cidadãos, existência, apoio e
solidariedade de redes como centros de aconselhamento, policiamento
comunitário. A mistura de utilizações em termos de idades, hora do dia aumenta o
nível de negócio na cidade e contribui para o sentimento de segurança.
Ao nível ambiente e envolvente: Limpeza da cidade, policiamento, espaços
cuidados e não esquecidos.
Ao nível cultural: Implica a aceitação de toda a diversidade cultural. A existência
de festivais e celebrações culturais diversas, reafirmando e reinventando a
identidade da cidade, ou de um bairro, enquanto um todo confere sensação de
segurança. A segurança é garantida se houver liberdade de expressão, ter acesso
a espaços de eventos, financiamentos e informação.
Ao nível económico: A expansão dos efeitos da globalização e da tendência para
a homogeneização das cidades sugere a potencialização das características
próprias de um território que são valorizadas por não existirem noutras cidades.
Isto pode ser estimulado, incentivando as empresas locais a imprimirem a sua
identidade na cidade.
Ao nível social: Estas dimensões facilitam a existência de um orgulho cívico,
espírito de comunidade e preocupação com o ambiente urbano. Por outro lado, a
existência de várias identidades culturais exige que exista um ambiente inclusivo
dessa diversidade para que a cidade funcione de uma forma una e não
desfragmentada.
Ao nível cultural: Encorajamento para a manutenção e demonstração das
identidades culturais locais (gastronomia, música, dialectos, artesanato, outras
tradições, …). Igualmente importante, a criação de novas tradições e imagens e
evitar a cristalização da identidade da cidade.
Ao nível ambiente e envolvente: As cidades históricas têm a vantagem de terem
adquirido vários elementos físicos, edifícios, monumentos, etc., que relatam a
identidade e história da cidade. Por outro lado, as novas cidades devem recorrer
ao envolvimento de artistas para o desenvolvimento de trabalho criativo à volta da
história da comunidade, sobre o passado, presente ou futuro, criando ambientes
paisagísticos urbanos com identidade e distintos.
Ao nível económico: A existência de um ambiente criativo inovador é a chave
para tornar uma cidade economicamente viável. A cidade deve promover a
especialização, I&D, promover o aparecimento de empresas inovadoras. A cidade
deve favorecer a emergência de ideias e investimentos inovadores, criando
oportunidades para todos.
Ao nível social: Consulta da arena social relativamente às decisões tomadas pelo
poder local. Transparência nos procedimentos e estratégias. Permitir o debate
público das decisões. Ambiente sócio político que viabilize as opiniões das
maiorias, bem como das minorias.
Ao nível cultural: Políticas que apoiem actividades artísticas experimentais e
pioneiras. Apoio a projectos que liguem o passado da cidade com o futuro.
Envolvimento das comunidades artísticas na imagem que a cidade dá ao mundo
exterior. Cooperação entre diferentes sectores criativos (sector dos media e
tecnologia, e estúdios de gravação, por exemplo). Ambiente inovador que permita
aos artistas expandirem as suas actividades para outros espaços contribuindo para
reduzir o stress social (prisões, instituições para os sem abrigo).
Ao nível ambiente e envolvente: Existência de projectos que prevejam a
organização física da cidade e dos bairros. Existência de projectos que envolvam
artistas/ designers e planeadores/ engenheiros. Existência de projectos ambientais
com soluções ao nível dos transportes, reciclagem e de espaços verdes.
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Cooperação e
sinergias
(A abertura da
cidade ao mundo
exterior é um
ponto crucial
para alcançar um
bom fluxo de
ideias e de
informação. Por
outro lado, é
importante que a
cidade tenha
uma boa relação
com a sua
identidade para
não ser
colonizada por
culturas
exteriores em
detrimento da
sua própria
cultura.)
x. Ao nível económico: É desejado um elevado nível de cooperação dentro do
território. O papel das empresas no desenvolvimento do território e das diferentes
zonas da cidade. O centro da cidade é muitas vezes a ligação entre a economia
local e o mundo exterior. A capacidade de estabelecer relações é importante para
o crescimento de economias internacionais e das economias urbanas
considerando a importância crescente das políticas da EU para as cidades na
competitividade inter-urbana. Ter uma raiz local, mas um papel internacional é um
factor chave para a vitalidade urbana e a existências de redes inter-regionais são
uma condição para o sucesso das redes internacionais urbanas. Quanto mais
cooperação existir numa cidade maior o compromisso existente das empresas com
o seu território e maior o investimento das empresas.
y. Ao nível social: A cidade também beneficia das redes sociais. O centro funciona
como o ponto de contacto e comunicação entre diferentes grupos sociais
representando a imagem do todo da cidade. A existência de estratégias de
internacionalização destas relações sociais é um ponto favorável.
z. Ao nível cultural: O centro da cidade não deve ser o único ponto de infraestruturas culturais, mas deve haver uma dispersão por todas a zonas da cidade.
O centro deve funcionar como o espaço de exposição do que melhor se faz na
cidade. O centro da cidade é também o espaço onde é possível encontrar os
serviços de mercado e de distribuição de produtos, performances e artefactos. Por
fim, é também no centro que é possível encontrar elementos exteriores como
jornais estrangeiros e livros, bem como o espaço onde se realizam as celebrações
de toda a cidade.
aa. Ao nível ambiente e envolvente: É importante destacar a ligação do centro às
diversas zonas da cidade, havendo dessa forma uma relação física. Evitar
barreiras físicas que não permitam a fluidez de comunicação entre diferentes
zonas da cidade
bb. Ao nível económico: Nível de lucro, investimento, inovação tecnológica e acesso
a capital de risco por empresas a funcionar dentro da cidade. Nível de
Competitividade
qualificações dos trabalhadores bem como ao nível da comunicação, qualidade
(Um dos papeis
das infra-estruturas de comunicação. Status das empresas ao nível nacional e
do pensamento
internacional.
criativo é
cc. Ao nível social: Qualidade das relações sociais (inter-racial, por exemplo) bem
potenciar a
como do sector voluntário.
cidade nas suas
características e dd. Ao nível ambiente e envolvente: Está relacionado com a singularidade e
atractividade da paisagem da cidade (natural, urbana) bem como da sua
torna-la
localização e ligações existentes.
competitiva)
ee. Ao nível cultural: Posição e status das instituições e actividades educativas e
culturais e como são vistos por outros parceiros.
ff. A todos os níveis: Capacidade para o poder local, nas suas diversas vertentes de
desenvolver a capacidade de implementar ideias e iniciativas criativas. A
Capacidade
capacidade de organizar é um ponto fundamental para viabilizar uma cidade.
organizacional
Capacidade de liderar, ser tecnicamente competente e estar actualizado, identificar
(Papel do poder
estratégias e prioridades, ter uma visão a longo prazo, ouvir e consultar outros,
local e
ganhar a lealdade, confiança, inspirar e entusiasmar outros agentes com poder de
instituições)
decisão. É importante a existência de uma equipa com uma identidade de
cooperação forte.
Fonte: elaboração própria, a partir dos autores
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A medição da capacidade criativa e cultural das cidades, um contributo para a sua operacionalização
______________________________________________________________________________________
A principal mais-valia desta proposta de indicadores é o seu carácter holístico, englobando todas
as dimensões da cultura e da criatividade, sobretudo os aspectos sociais e ambientais, que
nalgumas intervenções mais orientadas para objectivos económicos ou em grandes projectos
culturais têm vindo a ser descurados, traduzindo-se em alguns casos na rejeição por parte da
população local e consequente necessidade de revisão do projecto (p.e., no caso da operação de
revitalização urbana 22@, em Barcelona).
Por outro lado, a consideração dos critérios “massa crítica” e “diversidade”, que aparecem no
topo dos diversos critérios, parece-nos igualmente muito importante, na medida em que permite
logo no início da análise ter uma ideia sobre a infraestrutura geral de enquadramento do sector.
Menos operacionalizável parece-nos a possibilidade de medição e a apreciação de várias
componentes de carácter qualitativo, como evidenciado por exemplo por “Qualidade das
relações sociais” ou a “Capacidade de organizar”, bem como a possibilidade de comparação
com outros territórios ou as dificuldades em medir a evolução temporal dos diversos
indicadores. Estas limitações estarão, contudo, na origem da não aplicação prática desta grelha
de análise.
b) O “Local Culture Index”, de Matarasso
(F. Matarasso, 1999)
O Local Culture Index proposto uns anos mais tarde, diferencia-se do anterior, primeiro pelo
seu enfoque prioritário nas actividades culturais e menos nas actividades criativas em sentido
mais lato; segundo, pelo seu objectivo de maior operacionalidade, a criação de um instrumento
que permitisse às autoridades locais calcular o nível de apoios às actividades culturais e a
“vitalidade cultural” de um terrritório. O índice poderia ser também utilizado como meio de
comparação com a situação de outros municípios ou cidades.
Este índice orienta-se, pois, para o desenvolvimento comunitário e não tanto para o
desenvolvimento económico. No entanto, os artistas profissionais de todos os tipos, com
actividade “comercial”, são também incluídos, atendendo a que, por um lado, contribuem de
forma significativa para a dinamização local mas, por outro lado, são também um indicador da
própria animação urbana.
Matarasso define o Local Culture Índex com base em três linhas de análise:

Inputs – condições e recursos que a cidade tem para enraizar e nutrir as actividades e o
dinamismo culturais;

Outputs – resultados directos da utilização desses recursos em actividades criativas,
consubstanciados na concretização de actividades e no dinamismo cultural:

Resultados (Outcomes) – impactos que os resultados destas actividades têm
directamente na vida da cidade e das suas comunidades.
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A medição da capacidade criativa e cultural das cidades, um contributo para a sua operacionalização
______________________________________________________________________________________
A tabela seguinte apresenta uma síntese dos indicadores que este autor sugere para a
monitorização destas três linhas de análise:
Tabela 2. Indicadores de Cultura e Criatividade “Comercial” de um território
(segundo Matarasso, 1999)
Indicadores de Input
Instituições, infra-estruturas e investimento









N.º de equipamentos dedicados às artes/cultura;
N.º de organizações artísticas, de todos os géneros;
N.º de outros equipamentos usados para actividades artísticas;
N.º de organizações de apoio às artes, de artistas e de serviços;
Valor dispendido com a arte/cultura pelas autoridades locais;
Valor dispendido com a arte/cultura na zona em análise, investido ao nível nacional e regional;
Valor dos gastos provenientes de donativos, patrocínios e outras despesas;
N.º de profissionais das artes e trabalhadores em actividades de suporte;
Existência e âmbito de uma política cultural desenvolvida por uma entidade local;
Acesso e distribuição



N.º de equipamentos a uma proximidade razoável (até 30 min. de viagem);
Acessibilidade física dos equipamentos culturais e artísticos;
Politicas de preços, acesso e divulgação das organizações artísticas e culturais;
Indicadores de Output
Actividades e participação







N.º de performances, eventos, dias de exibição, workshops, etc.;
N.º de novas comissões, produções e trabalhos de arte pública;
N.º de visitantes nestes eventos;
Capacidade média para os diferentes tipos de actividade;
Proporção das actividades que é independente de subsídios;
N.º de membros de grupos artísticos comunitários ou voluntários, e o n.º de grupos iniciados ou
extintos em cada ano;
Extensão da participação individual em actividades culturais (p.e., em aulas ou grupos);
Diversidade
 Diferentes tipos de tradições culturais localmente activas;
 Extensão do apoio público às diferentes formas e expressões culturais;
 Composição dos públicos, para diferentes actividades;
 Extensão das ligações e cooperação entre diferentes tradições culturais;
Educação e Formação


N.º de professores, formadores e profissionais de educação artística;
Quantidade de actividades artísticas apoiadas através das escolas (em regime curricular ou extra
curricular);
 A natureza e extensão das actividades artísticas de nível terciário, incluindo o n.º de pessoas a
estudar para qualificações artísticas;
 Envolvimento na educação pelas organizações artísticas do sector público;
Actividade criativa comercial




N.º de artistas e “artesãos” residentes;
N.º e tipos de indústrias criativas locais;
N.º de recintos e equipamentos de arte comercializável;
Rendimento e emprego combinados do sector cultural local;
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Indicadores de Outcome / Resultado
Desenvolvimento Pessoal








Reforço dos níveis de auto confiança;
Vida social mais activa;
Maior envolvimento nas actividades da comunidade;
Aproveitamento da formação na comunidade e da formação vocacional e da educação;
Valorização da auto-imagem e auto-representações;
Reforço do entendimento dos direitos e das responsabilidades;
Identificação de novas capacidades;
Criação de emprego e auto-emprego;
Desenvolvimento da comunidade














Contacto inter-geracional; Cooperação intra-comunitária;
Aumento da utilização do centro da cidade;
Aumento da sensação de segurança;
Empowerment e capacitação da comunidade;
N.º de pessoas envolvidas em actividades da comunidade;
Desenvolvimento de capacidades e competências organizativas;
Desenvolvimento de novos projectos comunitários;
Participação da população nas consultas locais;
Melhoria na imagem dos bairros;
Melhorias ambientais;
Audiência das actividades artísticas;
Reforço da sensação de bem-estar pessoal;
Apoio a grupos vulneráveis;
Valorização do trabalho voluntário.
Fonte: elaboração própria, a partir dos autores.
O maior mérito desta abordagem terá sido a tentativa de medir de forma sistematizada as
diversas facetas das actividades culturais e criativas numa dada comunidade, em particular
dando relevo às dimensões social e qualidade urbana. Por outro lado, o processo de
inventariação assentava num forte envolvimento da população, com impactos positivos no
debate e no reforço do reconhecimento do valor da cultura e da criatividade ao nível local .
No entanto, este instrumento desde logo revelou diversas fragilidades, também
reconhecidas pelo autor, sobretudo as dificuldades efectivas de operacionalização do mesmo - a
dificuldade de contabilização dos vários indicadores, sobretudo de natureza qualitativa ou a não
existência de uma hierarquia clara de indicadores.
Do nosso ponto de vista, entre as principais limitações deste índice estão, por um lado, o
facto de este não se tratar efectivamente de um índice mas de uma inventariação de indicadores,
sendo practicamente impossível obter um valor sintético ou um valor médio base para
comparação entre diferentes territórios; e por outro lado, a impossibilidade de ser utilizado para
medir a evolução do panorama das actividades culturais e, embora com menor peso, também
das actividades criativas – apesar de se proporem indicadores de resultados, na realidade, a
maior parte destes apenas permite uma análise de contexto e não propriamente a medição da
evolução.
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Por outro lado, como a própria designação do indicador aponta o enfoque é sobretudo nas
actividades culturais, nesta abordagem as outras actividades “criativas” ficam excluídas da
análise. Na prática, e apesar de condições relativamente óptimas no Reino Unido para a
aplicação deste instrumento (p.e., existência de excelentes estatísticas ao nível local, diversidade
de cidades com políticas de promoção da criatividade), não foi possível convencer as
autoridades locais, com excepção de algumas experiências pontuais, a testarem de forma mais
sistemática estes indicadores.
c) A abordagem aos índices de criatividade segundo o modelo de Florida
(e.g. R. Florida, 2002; Florida and Tinagli, 2004; Tinagli et al, 2007)
A análise de Richard Florida tem sido muito utilizada, e o seu contributo muito citado quando se
fala de tentar medir a criatividade das cidades e regiões e tentar encontrar índices que permitam
estudos comparativos. O seu modelo e análise empírica, originalmente aplicado aos EUA
(Florida, 2002), foi posteriormente adaptado ao estudo da Europa em geral (Florida e Tinagli,
2004), ou em diversos outros países, em análise mais detalhadas. Um desses exemplos, que
assumimos como ilustrativo destas abordagens é o do estudo realizado na Suécia pela School of
Business, Economics and Law, da Universidade de Göteborg (em conjunto com o Creativity
Group Europe, de Florida), denominado “Sweden in the Creative Age”, essencialmente
recorrendo ao índice proposto por este autor para “medir” o nível criativo de diversas cidades
suecas. Florida define o modelo dos “três T’s”: Tecnologia, Talento e Tolerância, os quais
representam as dimensões consideradas como fulcrais para explicar a criatividade de certas
cidades. Cada uma destas dimensões é analisada por uma bateria de indicadores que, de uma
forma inter-relacionada, acabam por revelar a capacidade criativa de uma cidade: ou seja, para
estes autores, a sua capacidade de gerar ou de atrair a criatividade (e os recursos humanos,
tecnológicos e organizacionais criativos). Esta abordagem acaba por se basear, num cenário de
grande mobilidade residencial como o dos EUA, essencialmente na averiguação da presença de
classes criativas na cidade e na capacidade que estas mostram de atracção de classes criativas.
Na tabela seguinte apresentam-se os indicadores utilizados para a medição das
dimensões 3 T´s no caso concreto da Suécia, que assumimos como paradigmático deste tipo de
abordagens.
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Tabela 3. Indicadores para Medição das Dimensões “3 T’s” (Tinagli et al, 2007)
Dimensão Talento:
- Classe Criativa: descrita como o número de trabalhadores em actividades criativas como
cientistas, artistas, agentes artísticos, etc…;
- Capital Humano: existência de uma população com um grau universitário;
- Indicador de investigação: número de pessoas a trabalhar em I&D.
Dimensão Tecnologia:
- Inovação: descrito como o número de patentes por cada 10.000 Habitantes:
- Inovação em Alta Tecnologia: descrito como o número de patentes em Alta Tecnologia
por cada 10.000 Habitantes;
- Indústria de Alta Tecnologia: avalia a relevância desta indústria para a economia local:
- Hardware e produtos físicos;
- Software e serviços;
- Telecomunicações e produção audio-visual.
Dimensão Tolerância:
- Peso de indivíduos de origem estrangeira;
- Grau de diversidade das nacionalidades dos estrangeiros;
- População boémia (calculado pelo peso de população “artística”);
- Atitudes sociais e institucionais pró grupos lésbico, gay, bissexual e transexual.
Fonte: elaboração própria, a partir dos autores.
O grande impacto da abordagem de Florida e empresas de consultoria associadas, relaciona-se
com os seus contributos, que passam, em primeiro lugar, pela sua relativa simplicidade de
cálculo, permitindo a criação de índices de criatividade e posteriormente a criação de rankings
de cidades e a possibilidade de benchmarking ao nível das indústrias criativas. Florida
contribuiu ainda para uma actualização dos ramos a considerar como criativos (numa visão
muito ampla, muito para além do campo das actividsades culturais), adaptando-os à economia
actual. Por exemplo, sectores como os multimédia ou a a informática são igualmente incluídos
nas estatísticas utilizadas por estes autores. Finalmente, deve-se a Florida o reforço da ideia da
criatividade como factor de desenvolvimento urbano e, na prática, a utilização da retórica das
indústrias criativas como base para a implementação de estratégias de desenvolvimento das
cidades centradas na atractividade.
Apesar do indiscutível impacto dos conceitos e da metodologia de Florida, aplicada um
pouco por todo o mundo, esta tem sido igualmente muito criticada, pelos amis diversos motivos.
Entre outros motivos (cf, pe, Scott, 2006) vários autores têm contrariado as suas conclusões, e
sobretudo, as suas premissas e metodologias, apontando críticas à sua definição de classe
criativa, ao simplismo e limitações várias das metodologias e indicadores utilizados, ao eventual
excessivo ênfase nos talentos individuais como factor de desenvolvimento, relegando para
segundo plano as empresas e instituições ou um certo optimismo quanto ao potencial do sector
criativo, não havendo um alerta quanto a eventuais impactos negativos (Scott, 2006). Resultados
empíricos mais recentes, como por exemplo os do projecto ACRE, apresentado mais adiante,
desmontam parcialmente parte das dimensões de Florida (cf p.e., Musterd, 2009), mostrando
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através de inquéritos à classe criativa/talentos que um dos principais factores de atracção de
recursos criativos, à semelhança de outros sectores económicos, continua a ser a oferta de
emprego e que, contrariamente ao indicado por Florida, os factores tolerância ou infraestruturas
em pouco influem na decisão de localização de um “talento” (não obstante a importância de
outros factores “soft” nas decisões de localização).
d) A abordagem de Singapura
(Heng, Choo e Ho, 2003)
Para além destes três abordagens, mais assentes em desenvolvimentos teóricao-conceptuais e/ou
novas metodologias, muitas outras têm sido ensaiadas, com o objectivo de sugerir indicadores
que permitam testar em termos práticos a capacidade criativa das cidades, regiões e países, e
analisar comparativamente as suas vantagens e desvantagens competitivas em relação a outros
espaços. Nessa lógica, assumimos como exemplo um relatório efectuado para o governo de
Singapura, numa perspectiva mais “macro” e partindo d e indicadores e metodologias mais
convencionais. Este relatório considera dimensões que em muito se cruzam com várias das
preocupações das abordagens anteriores, mas que aqui se focam em particular no capital
humano e na existência de mercado e de condições institucionais adequadas ao florescimento
das indústrias criativas, assentes na exploração de propriedade intelectual.
O relatório “Economic Contributions of Singapore’s Creative Industries”, da
responsabilidade de Heng, Choo e Ho, da Economics Division of Ministry of Trade and Industry
de Singapura, aponta assim para a seguinte grelha de análise, com três dimensões e 9
indicadores:
Tabela 4 – Indicadores propostos pelo relatório Economic Contributions of Singapore’s
Creative Industries (Heng, Choo e Ho, 2003)
Indicador Proxy
Aspectos medidos pelo indicador
Força de trabalho criativa (capital
humano criativo)
- Diversidade social
- Dimensão da força de trabalho
criativa
- Capacidade de inovação
- Capacidade de gerar e atrair mais talento criativo;
- Capacidade actual em termos de trabalho humano
criativo;
- Qualidade da força de trabalho criativa, medida pela
sua capacidade e sucesso na aplicação das suas
competências à actividade económica.
Mercados
- Exportações das indústrias copyright
- PIB per capita (em PPC – Paridade
de Poder de Compra)
- Valor acrescentado das indústrias
conhecimento intensivas
- Penetração nos mercados externos;
- Capacidade dos consumidores internos na aquisição
de bens e serviços criativos;
- Procura das indústrias locais para bens e serviços
criativos (em que indústrias tecnologia e conhecimento
intensivas têm maior procura).
- Capacidade de proteger e distribuir propriedade
criativa;
- Efeito de clustering das indústrias de copyright,
incluindo tantos as indústrias criativas como as da
distribuição a elas associadas;
- Qualidade das infra-estruturas, como auditórios, redes
digitais, museus,…
Infra-estrutura
- Quadro institucional
- Dimensão das indústrias de copyright
- Gastos públicos em média, arte e
cultura
Fonte: elaboração própria, a partir dos autores.
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O principal interesse desta abordagem prende-se com o seu pragmatismo. Os indicadores, em
menor número e mais facilmente obtíveis junto de fontes estatísticas tradicionais, apresentam
por isso uma maior operacionalidade, mas também enfermam de todas as suas limitações, que
como se sabe são muitíssimo relevantes no campo das actividades culturais e criativas. No
entanto, esta permite uma aplicação alargada a várias cidades ou territórios, e consequentemente
a possibilidade de fácil comparabilidade e de benchmarking entre cidades.
Em paralelo, esta metodologia salienta outras dimensões relativamente menosprezadas
pelos autores anteriores: o lado da procura ou a existência de mercados (externos e internos), as
condições institucionais e uma infraestrutura com capacidade para gerir adequadamente a
propriedade intelectual.
e) O Estudo “Creative Economy Report 2008 – The challenge of assessing the
creative economy: towards informed policy making”
(UNCTAD/UNDP 2008)
Este estudo da Nações Unidas (promovido pelas suas agências para o comércio internacional
e o desenvolvimento, a UNCTAD e o PNUD) procura desenvolver uma medida de
benchmarking para a economia criativa que permita posicionar países de diferentes latitudes
de acordo com o seu potencial criativo.
Os autores partem da discussão da relevância e robustez dos indicadores mais habituais
e possíveis proxies dos mesmos: o emprego, o tempo dispendido em actividades de lazer, o
comércio internacional, o valor acrescentado, o copyright e os direitos de propriedade
intelectual (DPI), concluindo que, por um lado, todos estes indicadores revelam problemas de
fiabilidade e que, por outro lado, atendendo a que a contabilização dos mesmos para todos os
países acarretaria custos incomportáveis, será necessário adoptar uma metodologia alternativa
com base em indicadores mais fáceis de obter.
A solução proposta pelos autores baseia-se nos indicadores do comércio. As vantagens
destes são a sua produção a nível nacional com relativa regularidade, exigindo apenas alguns
custos adicionais para uma maior desagregração da informação e a melhoria da qualidade e
grau de cobertura a nível nacional. No entanto, à semelhança de outros indicadores para medir
criatividade, o cálculo de indicadores do nível de relações comerciais, não é isento de
dificuldades, sobretudo decorrentes das dificuldades de cálculo do comércio de serviços,
sector que integra a maior parte das indústrias criativas. Com base nestas limitações, o
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relatório procura identificar soluções viáveis para o cálculo das transações comerciais de
produtos e serviços criativos.
Apesar do indiscutível interesse desta metodologia para comparações nacionais, a mesma não
pode (pelo menos facilmente, sem uma reestruturação profunda dos sistemas de contas
nacionais, muito centrados na contabilização de fluxos à escala nacional) ser aplicável a uma
escala territorial mais reduzida, limitando-se assim a sua operacionalidade.
f) O
projecto
europeu
ACRE
-
Accommodating
Creative
Knowledge
–
Competitiveness of European Metropolitan Regions within the Enlarged Union
Este projecto liderado pelo Amsterdam Institute for Social Science Research da Universidade de
Amsterdão, e envolvendo 13 cidades europeias, investiga o papel dos percursos histórico,
económico e geopolítico destas cidades no seu nível actual de criatividade e de conhecimento,
bem como o papel dos diversos factores de localização (hard e soft) na criação e estímulo de
regiões criativas e, como consequência, as hipóteses teóricas de um determinado território ter
maior probabilidade de desenvolver as suas indústrias culturais e criativas.
Este estudo diferencia-se dos anteriores, primeiro pela sua orientação em torno da
validação das condições de criatividade e dos factores de localização dos “criativos” mas
sobretudo pelo seu carácter empírico. Os indicadores propostos (cf. Tabela 5) foram testados
nas cidades participantes tendo sido obtidos resultados muito interessantes no que respeita à
verdadeira importância dos vários indicadores na justificação das escolhas de localização dos
criativos. Os primeiros resultados deste estudo apontam para a importância crucial dos factores
pessoais na escolha de residência dos jovens talentos, tais como os contactos pessoais e, em
contrapartida, para a relativa menor importância dos factores “soft” como a abertura ou o grau
de tolerância de uma cidade. Outra conclusão, importante num contexto de políticas públicas, é
o contributo de instituições públicas de educação e de investigação não apenas para a atracção
de novos talentos, mas sobretudo para a sua fixação no território.
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Tabela 5 – Factores de localização do projecto ACRE (Musterd, 2009; ACRE project Website)
Factores de localização “Hard” ou clássicos
•
Economias de aglomeração (formação de clusters);
•
Acessibilidades (rodoviária, aeroportuária, vias marítimas, caminho-de-
•
Capital;
•
Trabalho (disponibilidade de obter trabalho);
•
Contexto institucional (regime de tributação,...).
ferro, telecomunicações);
Factores de localização “Soft”
•
Atractividade (atmosfera urbana, disponibilidade de alojamento e custo);
•
Diversidade;
•
Acolhimento;
•
Património historico;
•
Tolerância;
•
Abertura;
•
Segurança.
Factores de localização pessoais – redes de contactos
•
Naturalidade;
•
Família;
•
Estudos na cidade;
•
Proximidade a amigos.
Fonte: elaboração própria, a partir dos autores.
A principal contribuição deste estudo para a discussão em torno da medição da cratividade e
vitalidade urbana prende-se com a combinação da análise do potencial de criatividade de um
território tendo por base a sua trajectória de desenvolvimento com o seu potencial actual tendo
em atenção a sua capacidade de atracção de novos talentos. Para tal vários indicadores foram
testados, dos quais se destaca a consideração de indicadores de natureza pessoal.
Contudo, este estudo centra-se apenas numa versão bastante restrita de actividades, que
são assumidas de forma comparativa, de um lado algumas indústrias criativas, nos ramos dos
jogos de computador, software, publicações electrónicas, video, cinema, rádio, televisão,
arquitectura e serviços empresariais e, no caso das indústrias do conhecimento, nos ramos:
serviços empresariais, consultoria jurídica, finanças, I&D e educação superior. Esta selecção
relativamente restrita de ramos coloca-nos algumas dúvidas quanto à possibilidade de
extrapolação de resultados para outros ramos criativos, onde os recursos efectivamente se
sentirão atraídos por uma maior animação e diversidade cultural e criativa, como é por exemplo
o caso de ramos como o design de moda ou do design em geral, bem como das artes
propriamente ditas. Finalmente, pelo facto de o estudo ter sido realizado apenas em áreas
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A medição da capacidade criativa e cultural das cidades, um contributo para a sua operacionalização
______________________________________________________________________________________
urbanas, algum carácter explicativo de certos indicadores poderá não ser válido em cidades de
menor dimensão.
Inventário de dimensões de análise e indicadores para a medição do nível de criatividade
de um território: um exercício possível
Apesar de tipologias diferentes, as diversas propostas apresentadas na secção anterior acabam
por explorar dimensões relativamente semelhantes.
As abordagens propostas por Landry e Bianchini ou por Matarasso enfatizam um diagnóstico
mais voltado para as actividades culturais, a existência de massa crítica e as condições do
território ao nível de instalações e espaço público que favoreçam o florescimento de um
ambiente vibrante e criativo na cidade. Florida ou o estudo de Singapura exploram outras
componentes relevantes, pensando na questão das condições para a promoção activa da
atractividade destas actividades, e enfatizando não só as actividades culturais e criativas mais
convencionais, mas um leque mais amplo de outras indústrias criativas, com maior componente
tecnológica (multimédia, informática) e a exploração da propriedade intelectual. Finalmente, o
projecto ACRE, centrado no percurso histórico de um território e nos factores de atracção de
talentos, enfatiza outros domínios, como o estabelecimento de redes ou os factores pessoais,
impossíveis de validar sem o recurso a inquéritos, e advogando que os factores “soft”,
salientados sobretudo por Florida, poderão não ser tão determinantes na atracção e na
localização de talentos.
Neste quadro, propôs-se como base de trabalho um inventário de indicadores, assente
nas listagens propostas nos estudos apresentados e na discussão entre os autores, o mais
exaustivo possível, que pudesse configurar uma visão quase “ideal-típica” de um hipotético
sistema de informação e monitorização da actividade criativa, a desenvolver localmente num
território, havendo disponibilidade e recursos para a sua implementação. Em síntese,
considerou-se como ponto de partida, um conjunto de dimensões e indicadores de Inputs; de
Outputs e de Resultados (cf. Tabela 6).2 Assume-se a escala municipal, no caso português, para
este exercício, mas é naturalmente adaptável para outros contextos.
2
Esta proposta de indicadores, que se apresenta na tabela 6, foi apresentada como proposta para
discussão e potencial implementação a uma autarquia da AML, no âmbito do estudo anteriormente
referido (Costa et al, 2010). A sugestão de um conjunto de dimensões e indicadores de Inputs que depois
de testados e discutidos com os agentes locais, de forma participada, passaria pela recolha e
sistematização dos mesmos pelos serviços técnicos respectivos no sentido de elaborar um índice
comparativo dos recursos criativos do concelho, tendo como base de comparação os restantes espaços de
referência utilizados na metrópole em que se insere o município. A proposta de dimensões e indicadores
de Outputs e Outcomes, também sugeridos para discussão, passaria igualmente por um desenvolvimento
e implementação de um sistema de r recolha e tratamento dos dados, no âmbito de um sistema de
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20
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Tabela 6. Dimensões e indicadores para um sistema exaustivo de monitorização local da
actividade criativa num território
Dimensões
Descrição
Indicadores (alguns exemplos possíveis)
Inputs, recursos e amenidades
Equipamentos e
infra-estruturas
culturais (hardware)
Grau de
acessibilidade e
distribuição espacial
Talento,
competências e
capital humano
Nesta dimensão importa
incluir uma contabilização
no número que
equipamentos e infraestruturas disponíveis e
utilizados para actividades
associadas à cultura e
criatividade (numa
perspectiva material, do
“hardware”)
Nesta dimensão importa
perceber a fluidez e
facilidade de circulação
dos habitantes e a sua
capacidade efectiva de
acesso à programação
cultural no concelho
Nesta dimensão espera-se
perceber o nível e
composição da massa
crítica existente no
concelho, ao nível dos
recursos humanos (e suas
competências)
nomeadamente, agentes,
profissionais ou qualquer
tipo de indivíduos que
desenvolvam actividades
culturais ou criativas, seja
de cariz formal ou informal
Com estes indicadores
espera-se perceber a
presença de agentes
criativos e dos outputs da
Inovação e tecnologia
sua actividade, em
particular os mais
associados às novas
tecnologias
Estrutura e
articulação interinstitucional e
condições de
contexto
Com estes indicadores
pretende-se analisar a
solidez da estrutura
institucional e organizativa
que enquadra o sector
criativo, a capacidade de
articulação entre os seus
Tipos de indicadores a considerar:
• N.º de Equipamentos existentes dedicados às Artes;
• N.º de outros equipamentos usados para actividades artísticas;
• N.º de recintos/estabelecimentos de comércio de arte e equipamentos (inputs)
utilizados para as actividades criativas;
Indicadores possíveis (alguns exemplos, em concreto):
- Nº de bibliotecas / 1000 habitantes
- Nº de obras existentes nas bibliotecas / 1000 habitantes
- Nº de museus / 1000 habitantes
- Nº salas de espectáculos por 1000 habitantes
- Nº de galerias por 1000 habitantes
- Nº auditórios com capacidade maior q 1000 lugares
Tipos de indicadores a considerar:
• N.º de equipamentos a uma proximidade razoável (30 min. de viagem);
• Acesso físico aos equipamentos culturais e artísticos (acessibilidade de
população desfavorecida como deficientes, etc.);
• Políticas de preços, ao nível da acessibilidade de entrada nos equipamentos
artísticos e culturais (dias gratuitos, etc.);
Indicadores possíveis (em concreto):
- % de freguesias servida por recintos culturais (p.e., bibliotecas)
- % de equipamentos/edifícios públicos com acessibilidade para deficientes
motores
- % de museus com acessos gratuitos para certos segmentos (p.e., estudantes,
seniores, desempregados)
- nº de utentes de visitas organizadas por serviços educativos de equipamentos do
concelho / 1000 habitantes
Tipos de indicadores a considerar:
- Dimensão da força de trabalho criativa: descrita como o nº de trabalhadores em
actividades criativas como cientistas, artistas, agentes artísticos, etc…
- Qualidade do capital Humano: existência de uma população com um grau
universitário;
- Indicador de capacidade de inovação e investigação: p.e., número de pessoas a
trabalhar em I&D.
Indicadores possíveis (em concreto):
- % de população residente criativa (a trabalhar em actividades criativas e
actividades de suporte) em relação ao total
- % de população residente com qualificações específicas nas áreas criativas
- % de população com ensino universitário
- % de população a trabalhar em I&D
Tipos de indicadores a considerar:
- Grau de inovação em geral: descrito como o número de patentes por cada 10.000
Habitantes:
- Grau de inovação em Alta Tecnologia: descrito como o número de patentes em
Alta Tecnologia por cada 10.000 Habitantes;
- Indústria de Alta Tecnologia: avaliação da relevância desta indústria para a
economia local: Hardware e produtos físicos; Software e serviços;
Telecomunicações e produção audiovisual.
Indicadores possíveis (em concreto):
- Número de empresas especializadas que envolvam actividades criativas (sectores
de hardware e software, audiovisual e media, etc,)
- Nº de patentes registadas no concelho
- % de empresas de alta tecnologia apoiadas nos sistemas de incentivo públicos.
Tipos de indicadores a considerar:
- Quadro institucional do sector (agentes, parcerias, etc.)
- Capacidade organizacional e de articulação entre actores
- Existência de sectores e clusters com peso significativo na promoção e
desenvolvimento das actividades culturais e criativas (como o turismo, p.e.)
- Dimensão e institucionalização das indústrias de copyright
- Investimento (em equipamentos, etc.) e apoio público às actividades criativas
(p.e., através do nível de gastos públicos em media, arte e cultura)
monitorização a desenvolver pela entidade que seria responsável pela promoção e avaliação do sector
criativo no concelho.
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A medição da capacidade criativa e cultural das cidades, um contributo para a sua operacionalização
______________________________________________________________________________________
actores e algumas
- condições de contexto ao nível de política fiscal para o sector cultural, sistemas
condições de contexto que de apoio ao sector, ou esquemas particulares de financiamento
enquadram a sua actuação. - condições ao nível do licenciamento das actividades
Indicadores possíveis (em concreto):
- nº de associações culturais e recreativas por habitante
- nº de associações e parcerias culturais com envolvimento do município
- peso do sector da hotelaria e restauração na economia local
- nº de autores registados na SPA/ nº de autores totais
- Gastos públicos em media, arte e cultura por habitante
- montante de apoio canalizado para o sector por habitante com origem noutros
sectores, por via fiscal (mecenato, jogo,…)
- nº médio de dias para concessão de uma licença de actividade
Tipos de indicadores a considerar:

Grau de diversidade do capital humano (multiculturalidade – multietnicidade)

Nº de indivíduos com origem estrangeira

Grau de diversidade das nacionalidades dos estrangeiros;
Nesta dimensão pretende
População boémia (calculado pelo peso de população “artística”)
se analisar o grau de

Atitudes sociais e institucionais pró grupos lésbico, gay, bissexual e
diversidade e
transexual.
multiculturalidade da
Diversidade, abertura população local, bem como Indicadores possíveis (em concreto):
e tolerância
a sua abertura e tolerância - % de indivíduos residentes com origem estrangeira
- % de Indivíduos locais nascidos de 2ª Geração com famílias de origem
a novas práticas e
estrangeira;
representações (avaliando
- Índice associado ao grau de diversidade das nacionalidades dos estrangeiros
indirectamente o nível de
residentes;
controlo social).
- Índice associado ao nível de diversidade étnica da população local (proxy com
análise de x turmas de alunos das escolas do concelho)
- Peso de população “artística” no total;
- Nº de estabelecimentos / habitante em recomendados em guia LGBT
Nesta dimensão espera-se
Tipos de indicadores a considerar:
perceber a composição da

Nível de produto per capita e rendimento disponível da população local;
massa crítica existente no

Valor acrescentado gerado pelas actividades criativas
concelho em termos de

Nível de crescimento das actividades criativas/conhecimento intensivas;
públicos e de actividades

Exportações das indústrias criativas / de copyright
que tenham como inputs

Potencial crescimento de públicos para as actividades criativas (com
Mercado
produtos e serviços
particular destaque para segmentos jovens, qualificados, etc.)
(existência de massa criativos de cariz formal ou

Nível de investimento público em actividades culturais
critica)
informal, bem como a

Nível de investimento em arte, patrocínio e doações
existência de mercado
Indicadores possíveis (em concreto):
decorrente do investimento

PIB per capita (em PPP) do concelho
público e privado em

Índice do Poder de Compra Concelhio
actividades e bens

VAB das actividades conhecimento intensivas (ou actividades criativas)
culturais.

Tx de crescimento das actividades criativas / conhecimento intensivas

Exportação de indústrias copyright (p.e. direitos vendidos) ;

% de habitantes com idade inferior a 35 anos

Crescimento da % de habitantes com qualificações superiores
• Valor investido em arte e cultura pelas autoridades locais / por habitante
(despesas municipais em cultura / habitante);
• Valor investido em arte e cultura no concelho ao nível nacional e regional (p.e
pelo MC ou QREN);
• Valor investido no concelho a título de donativos/mecenato, patrocínios, etc.
Tipos de indicadores a considerar:

Nível de visibilidade do concelho em relação às actividades culturais

Nível de notoriedade das actividades culturais do concelho e dos seus agentes
Esta dimensão visa revelar

Auto-representação e auto-identificação da população local com o concelho;
o sentimento de identidade

Existência de histórias, lendas, mitos, sobre a Concelho;
ou identidades do

Existência de músicas, poemas, filmes, documentários, registos fotográficos
Capital
concelho, seja a ideia que
sobre o Concelho;
Simbólico
os habitantes têm sobre a
Indicadores possíveis (em concreto):
imagem do Concelho, seja
- Nº de referências ao concelho em jornais no último mês
a ideia que os de fora têm
- Nº de referências em guias e programações culturais
sobre o Concelho.
- Nº de obras com referências ao concelho (em livros de ficção e/ou obras
cinematográficas) editadas no último ano
- Nível de identificação com o concelho e sua imagem (inquérito)
Indicadores de Outputs
(sugestão de indicadores e possíveis fontes a serem explorados e afinados pela entidade dedicada à monitorização dos resultados)
 Nº de espectáculos / 1000 habit.
Com esta dimensão
 Nº de exposições realizadas /1000 habit.
Grau de actividade / pretende-se perceber o
Dinamismo Cultural e dinamismo cultural e
 % de população “criativa” em relação ao total residente
Criativo
criativo no concelho, e
 % de despesa em cultura nos orçamentos familiares (inquéritos às famílias);
averiguar a existência ou
 % de despesa pública em cultura a nível local em relação ao orçamento total
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A medição da capacidade criativa e cultural das cidades, um contributo para a sua operacionalização
______________________________________________________________________________________
não de um ambiente que
permita gerar dinâmicas
criativas materializadas em
eventos e produtos
concretos







Grau de participação
nas actividades
concelhios
Grau de diversidade
dos produtos e da
Actividade cultural
Educação e formação
artística e cultural
Grau de
mercantilização,
profissionalização,
organização e
empreendedorismo
(nas entidades
criativas)
Desenvolvimento da
infra-estrutura
organizacional e
institucional de apoio
ao sector e das
condições de
contexto
Com esta dimensão
pretende-se analisar o
nível de envolvimento da
população nas actividades
culturais e criativas
Com esta dimensão
pretende-se analisar o
nível de diversidade e
heterogeneidade cultural
subjacente aos produtos e
actividades culturais e
criativas existentes no
concelho.
Com esta dimensão
pretende-se analisar o grau
de envolvimento da
população em formação no
campo artístico e a
capacidade de o sector
gerar dinâmicas em termos
de qualificação e
competências que
permitam um futuro
desenvolvimento do
cluster, pela via da
dotação em capital
humano.
Com esta dimensão
pretende-se analisar o
nível de profissionalização
e organização das
actividades e instituições
do sector cultural e
criativo bem como a
propensão para o
empreendedorismo e a
exploração do potencial de
mercado destas actividades
Com esta dimensão
pretende-se perceber a
existência de instituições
de promoção das práticas
culturais e criativas e de
regulação dos seus direitos
de propriedade bem com a
capacidade de articulação
inter-institucional no
sector

































N.º de performances, eventos, dias de exibição, workshops, etc. realizados,
em termos absolutos;
N.º de novas comissões, produções e trabalhos de arte pública;
N.º de visitantes nestes eventos;
Capacidade média para os diferentes tipos de actividade;
Proporção das actividades que é independente de subsídios;
N.º de membros de grupos artísticos comunitários ou voluntários, e o n.º de
grupos iniciados ou extintos em cada ano;
Extensão da participação individual em actividades culturais (p.e., em aulas
ou grupos);
Nº de visitantes a museus concelhios
Nº de livros requisitados nas bibliotecas do município/habitante
Nº de espectadores total /1000 habitantes
Nº de pessoas que frequentaram iniciativas culturais municipais
Taxa de ocupação média de equipamentos culturais
Tempo dispendido pela população em actividades culturais
Nº de membros de associações culturais e recreativas / 1000 habit.
Diferentes tipos de tradições culturais localmente activas (análise documental
e de programações);
A extensão do apoio público às diferentes formas e expressões culturais
(índice com base na análise de planos de actividades e e orçamentos);
A composição dos públicos, para diferentes actividades (índice com base em
inquéritos);
Extensão das ligações e cooperações entre diferentes tradições culturais (p.e.,
nº de eventos ou projectos conjuntos);
% de estudantes concelhios inscritos em áreas artísticas/criativas
N.º de professores, formadores e profissionais de educação artística;
Quantidade de actividades artísticas apoiadas através das escolas (em regime
curricular ou extra curricular);
Natureza e extensão das actividades artísticas de nível terciário, incluindo o
n.º de pessoas a estudar para qualificações artísticas;
Nº (per capita) de cursos livres e não conferentes de grau (públicos/privados)
realizados anualmente no concelho em áreas culturais e criativas;
Envolvimento na educação pelas organizações artísticas do sector público (%
população coberta por serviços educativos de museus);
N.º de artistas e “artesãos” activos no concelho (páginas amarelas e guiões
profissionais do sector);
N.º e diversidade de tipologia das indústrias criativas locais;
Taxas de mortalidade e natalidade das empresas do sector criativo (quadros
de pessoal);
N.º de recintos e equipamentos de arte “comercializável”;
Grau de rotatividade no emprego do sector cultural local;
Relação entre percentagem de emprego em primeira actividade e em segunda
actividade ou tempo parcial
Grau de empreendedorismo no sector – relação entre a taxa de crescimento
de criação de empresas neste sector e a do resto da economia
% de projectos apoiados por capital de risco neste sector
N.º de Organizações de Artes de todos os géneros / por habitante;
N.º de Organizações de Apoio às Artes, Artistas e Serviços / por habitante;
A existência de uma política cultural local (apoio financeiro concedido às
actividades culturais e criativas)
A existência de uma política cultural local (nº de instituições / projectos
apoiados de actividades culturais e criativas)
Nº de instituições / artistas do concelho registados na SPA
Nº de instituições (bares, restaurantes, rádios, etc.) que pagaram direitos de
propriedade no concelho no ultimo ano.
Montante de direitos de propriedade intelectual cobrado para artistas
residentes no concelho
Edição/tiragem anual de agenda cultural local (e outros documentos de ampla
divulgação cultural do concelho)
Nº visitas a sites com divulgação da actividade cultural e criativa no concelho

Indicadores de Outcomes / Resultados
(sugestão para discussão entre os stakeholders locais e com a entidade responsável pela monitorização dos resultados)
Com esta dimensão
 Reforço dos níveis de auto confiança;
Desenvolvimento
pretende-se avaliar os
 Vida social mais activa;
individual
impactos na qualidade de
 Maior envolvimento nas actividades da comunidade;
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vida individual dos
munícipes de Cascais do
desenvolvimento do
potencial associado aos
recursos criativos
Desenvolvimento da
comunidade
Com esta dimensão
pretende-se avaliar os
impactos na qualidade de
vida geral da comunidade
local, resultantes do
desenvolvimento do
potencial associado aos
recursos criativos





















Aproveitamento da formação na comunidade;
Aproveitamento da formação vocacional e da educação;
Valorização da auto-imagem e auto-representações;
Reforço do entendimento dos direitos e das responsabilidades;
Identificação de novas capacidades;
Criação de emprego e auto-emprego;
Contacto inter-geracional;
Cooperação intra-comunitária;
Aumento da utilização do centro da cidade;
Aumento da sensação de segurança;
Empowerment e capacitação da comunidade;
N.º de pessoas envolvidas em actividades da comunidade;
Desenvolvimento de capacidades e competências organizativas;
Desenvolvimento de novos projectos comunitários;
Participação da população nas consultas locais;
Melhoria na imagem dos bairros;
Melhorias ambientais;
Audiência das actividades artísticas;
Reforço da sensação de bem-estar pessoal;
Apoio a grupos vulneráveis;
Valorização do trabalho voluntário;
Fonte: elaboração própria, no âmbito do projecto efectuado para uma autarqui da AML (Costa et al,
2010).
Uma proposta operativa de dimensões de análise e indicadores para a medição do nível de
criatividade de um território
Apesar do valor indiscutível de se constituir uma lista o mais exaustiva possível de indicadores
de dinamismo cultural e criativo, como a que se sugere na secção anterior, em termos práticos
dificilmente será possível constituir uma base de dados para diagnóstico ou para monitorização
da criatividade/vitalidade de um território para os vários indicadores e actualizá-la regularmente,
a não ser com uma estrutura técnica dedicada, consideráveis recursos e meios disponíveis, e
vontade política considerável. Em termos pragmáticos, dificilmente se atingirá tal objectivo no
curto prazo.
Neste sentido, procurámos identificar um conjunto mais limitado de indicadores-chave,
seguindo o princípio “SMART”, atrás já referido, sobretudo tendo em conta os aspectos
“Especificidade” e “Relevância” para a medição da criatividade/vitalidade de um território; a
“Disponibilidade” e a “Mensurabilidade” de informação estatística ao nível local e finalmente a
possibilidade de proceder a comparações internacionais (universalidade do indicador).
O primeiro passo foi a eliminação de indicadores não disponíveis e não mensuráveis, o
que afecta sobretudo as dimensões “Desenvolvimento individual” e “Desenvolvimento da
comunidade” no campo dos resultados. Posteriormente, solicitou-se à equipa do projecto de
investigação CreatCity que com base na experiência do trabalho de campo identificasse os
indicadores mais relevantes, até um máximo de 20 indicadores, incluindo, dentro do possível,
pelo menos um indicador por dimensão (cf. Tabela 6). Os resultados desta discussão reflectemse na lista seguinte.
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Não sendo naturalmente a solução ideal, representa um esforço de compromisso com as
características essenciais a um sistema exequível e facilmente aplicável, que assegure uma
mínima garantia de qualidade ao processo de medição, monitorização e comparabilidade da
actividade criativa para um determinado território.
Tabela 7. Lista sintética de indicadores de criatividade/vitalidade de um território, a
partir da reflexão e selecção com base em inquérito aos membros da equipa do projecto
Creatcity
Dimensões
Indicadores
Indicadores de Input
Equipamentos e infra-estruturas
culturais (hardware)
Talento, competências e capital
humano
-
Nº salas de espectáculos por 1000 habit.
Nº de galerias por 1000 habit.
-
Inovação e tecnologia
-
Dimensão da força de trabalho criativa: descrita como o nº de trabalhadores em
actividades criativas como cientistas, artistas, agentes artísticos, etc.
Número de empresas especializadas que envolvam actividades criativas
(sectores de hardware e software, audiovisual e media, etc,)
Estrutura e articulação interinstitucional e condições de contexto
-
Nº de associações culturais e recreativas por 1000 habit.
-
Gastos públicos em media, arte e cultura por habitante
População “boémia” (calculado pelo peso de população “artística”): Peso de
população “artística” no total
Tx de crescimento das actividades criativas / conhecimento intensivas
Potencial crescimento de públicos para as actividades criativas (com particular
destaque para segmentos jovens, qualificados, etc.) - % de habitantes com
idade inferior a 35 anos
Valor investido em arte e cultura pelas autoridades locais / por habitante /por
ano (despesas do território em cultura / habitante);
Diversidade, abertura e tolerância
Mercado
Capital Simbólico
-
N.º de referências a actividades culturais/criativas do território em jornais nos
últimos 3 meses
-
-
N.º de espectáculos (música, teatro,…)/ 1000 habit durante 1 mês
representativo (p.e., fora de período de férias)
N.º de pessoas que frequentaram iniciativas culturais em equipamentos
públicos durante um mês representativo /1000 hab.
N.º de eventos alternativos durante um mês representativo /1000 hab. (música
independente, danca, cinema de autor, exposições não mainstream…)
% de estudantes do ensino superior inscritos em cursos artísticos/criativos
N.º de professores, formadores e profissionais de educação artística
-
N.º de artistas e “artesãos” activos no território
-
N.º de organizações de artes de todos os géneros / por habitante
Edição/tiragem anual de agendas culturais do território (e outros documentos
de ampla divulgação cultural do território)
-
N.º Projectos de criatividade com a população infantil-juvenil/população infantiljuvenil
Indicadores de Output
Grau de actividade / Dinamismo
Cultural e Criativo
Grau de participação nas actividades
Grau de diversidade dos produtos e da
actividade cultural
Educação e formação artística e
cultural
Grau de mercantilização,
profissionalização, organização e
empreendedorismo (nas entidades
criativas)
Desenvolvimento da infra-estrutura
organizacional e institucional de apoio
ao sector e das condições de contexto
-
Indicadores de Resultado
Desenvolvimento da comunidade
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CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
A selecção de um conjunto de indicadores apresenta sempre um certo risco decorrente
sobretudo da possível exclusão de dimensões relevantes ou da definição dos próprios
indicadores. No nosso caso, a procura de uma lista operacionalizável fez-se em detrimento da
inclusão de indicadores de carácter mais qualitativo, certamente mais interessantes para uma
abordagem mais holística e rigorosa, mas de difícil e onerosa recolha e tratamento.
Os indicadores qualitativos são na maior parte dos casos indicadores de resultados (p.e., reforço
dos níveis de autoconfiança,contacto inter-geracional ou aumento da sensação de segurança),
normalmente mais dificeis ou mesmo impossíveis de obter e/ou com maiores custos associados
à sua obtenção (p.e., dados apenas obtíveis através de inquérito ou outra forma de recolha
massiva de informação).
Uma outra limitação da nossa proposta prende-se com a própria descrição dos indicadores.
Embora a maior parte dos mesmos pareça à partida relativamente evidente quanto ao seu
significado, na realidade a sua aplicação determinaria um trabalho adicional de definição e
“normalização” de cada indicador, envolvendo uma descrição detalhada dos conceitos
associados, desde conceitos básicos como “população artística”, “arte”,
“cursos
artísticos/criativos”, até conceitos provavelmente menos consensuais como “eventos
alternativos”. A precisão dos indicadores seria fundamental, quer para facilitar o trabalho da(s)
pessoa(s) envolvida(s) na colecta e tratamento de dados, quer sobretudo para facilitar
comparações supra-territoriais.
Importa ainda notar que, embora os autores procurassem obter no seio da equipa um
conjunto de indicadores mais ou menos consensual, seguindo as orientações dadas pelos autores
desta reflexão, na realidade, exepto no caso de indicadores indiscutíveis (p.e., emprego no sector
cultural e criativo), a selecção e a prioritização de dimensões de análise gerou bastante
discussão, e assumiu uma variedade demposições muito considerável, reflectindo a questão
ainda não esclarecida (e não facilemnte consensualizável, dada a sua natureza) de como medir
as actividades culturais e criativas e de quais as facetas mais relevantes destas actividades. Esta
última questão levanta de novo o problema dos objectivos associados à identificação de
indicadores de criatividade, apenas se podendo concluir que objectivos distintos poderão
determinar baterias de indicadores igualmente distintas. Neste sentido, é fundamental que os
utilizadores deste instrumento não o considerem nunca como estático ou definitivo, mas que
reflictam sobre o seu objectivo e que o adaptem às necessidades específicas do território em
causa.
Não obstante todas limitações apontadas, e atendendo ao panorama actual de quantificação
das actividades criativas, inexistente ou baseado num conjunto muito reduzido de 4 ou 5
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indicadores, acreditamos no entanto que a nossa proposta possa efectivamente dotar, sobretudo,
os actores ao nível local ou regional, de um instrumento interessante, e facilmente
operacionalizável, para avaliarem o seu potencial criativo e a sua evolução ao longo do tempo,
sobretudo para aqueles que se movem num contexto directo de intervenção no terreno de
suporte a estas actividades e de promoção e avaliação de política públicas.
De forma a aumentar a operacionalidade e a sustentabilidade deste conjunto de indicadores,
sugerimos ainda que se identifique uma sub-lista de indicadores de acordo com as
especificidades e com as necessidades inerentes a cada território em causa com cada
implementação. Dessa forma, e com a circulação da informação respectiva, seria possível
efectuar confrontos e actualizações regulares destas listas (tanto sub-listas, como a lista mais
extensa) por entre a comunidade de investigadores e técnicos interessados na problemática da
operacionalização da capacidade criativa e cultural das cidades.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Imprensa de Ciências Sociais.
COSTA, P. (Coord.) (2010), Cascais Criativo: Estudo sobre o potencial de desenvolvimento de
Cascais com base nas indústrias criativas - Relatório Final, Dezembro de 2010, Cascais:
DINÂMIA-CET – Câmara Municipal de Cascais.
COSTA, P.; SEIXAS, J; e ROLDÃO, A. (2009), “From ‘creative cities’ to ‘urban creativity’?
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2009/80.
COSTA, P.; MAGALHÃES, M., VASCONCELOS, B. e SUGAHARA, G. (2008), “On
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COSTA, P.; MAGALHÃES, M., VASCONCELOS, B. e SUGAHARA, G. (2007), "A
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